Issuu on Google+

Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 61 | Edição 3127 | 9 a 15 de novembro de 2016

R$ 1,50

www.arquisp.org.br

Encontro com o Pastor Cardeal Odilo Pedro Scherer: ‘A porta da misericórdia continuará aberta’

Papa: ‘Misericórdia é melhor antídoto contra o medo’ L’Osservatore Romano

Página 3

Editorial Combater a corrupção é honra para o país e não um problema Página 2

Espiritualidade Dom Julio Endi Akamine: ‘A paz é um atributo essencial do próprio Deus’ Página 5

Cabido Metropolitano de São Paulo tem 2 novos cônegos

Página 24

Com a Palavra Dom Sergio da Rocha: Igreja profética e misericordiosa O arcebispo de Brasília (DF) e presidente da CNBB, Dom Sergio da Rocha, falou ao O SÃO PAULO sobre sua nomeação cardinalícia, a política no Brasil e a decisão do Papa de não visitar o país em 2017. Página 15 Luciney Martins/O SÃO PAULO

Terceiro encontro anual do Papa Francisco com movimentos sociais, no sábado, 5, tem como eixo a reflexão sobre ‘trabalho, teto e terra’

Em encontro com representantes de movimentos sociais de todo o mundo, no sábado, 5, o Papa Francisco alertou que a tirania do dinheiro se sustenta explorando o medo das pessoas, algo que só pode ser superado com um corajoso agir misericordioso. Ele enfatizou

que quem optou por uma vida de serviço aos mais pobres tem a obrigação de ser honesto e não se corromper: “Há que se viver a vocação de servir com um forte sentido de austeridade moral e humildade”. Página 9 Free images

Casamento infantojuvenil: um drama silenciado também no Brasil “Ela vai no meu barco” é o nome dado a uma pesquisa inédita que mostra as causas e as consequências de casamentos de crianças e adolescentes no Brasil. A realidade, existente em muitos países, ainda é pouco conhecida, embora muitas campanhas já alertem a sociedade sobre esse drama. Páginas 12 e 13


2 | Ponto de Vista |

9 a 15 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Editorial

Combate à corrupção é honra para um país

O

Brasil vive a expectativa da delação da maior empreiteira do país, no âmbito da operação Lava Jato. Especula-se que dezenas de políticos, dos mais variados partidos, estejam envolvidos com o departamento da empresa que foi criado exclusivamente para pagar propinas. Há quem se pergunte se o Brasil sobreviverá a esse “tsunami”. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o juiz federal Sérgio Moro respondeu que “o que traz instabilidade (ao país) é a corrupção  e não o enfrentamento da corrupção. O problema não está na cura, mas  sim na doença.” Na mesma entrevista, Moro diz que ficou surpreso ao constatar que as investigações apontavam a corrupção como uma espécie de regra do jogo. “O que mais me chamou

a atenção talvez tenha sido uma quase naturalização da prática da corrupção.  Empresários pagavam como uma prática habitual e agentes públicos recebiam como se fosse algo também natural. Isso foi bastante perturbador.” Um dos textos favoritos do magistrado é o discurso de Theodore Roosevelt, escrito há 103 anos. Nele, o ex-presidente norte-americano diz que não existe crime mais sério que a corrupção. “Outras ofensas atacam uma lei; a corrupção ataca os alicerces de todas as leis. Na democracia, toda a autoridade é outorgada pelo povo, delegada por ele a todos que o representam nos cargos oficiais.” Roosevelt explica que “não existe ofensa mais grave do que a daquele a quem foi depositada tão sagrada confiança, que a vende para seu próprio ganho e enriquecimento. E não menos grave é

a ofensa do pagador de propinas. Ele é pior que o ladrão, porque este rouba um indivíduo, enquanto aquele saqueia uma cidade inteira ou um Estado. Nesse sentido, “a exposição e a punição pública da corrupção são uma honra para uma nação; não uma desgraça”. A sensação de impunidade e a estrutura reinante no país de se “criar dificuldade para se vender facilidade” atingem a ética pessoal de parte considerável da população. Recente pesquisa da Fundação Getulio Vargas aponta que para 76% dos entrevistados é fácil desobedecer à lei no Brasil. Os dados indicam, ainda, que para 81%, as pessoas escolhem, sempre que possível, dar um “jeitinho” em vez de seguir as leis. E nesse cenário, onde entra o papel dos cristãos? No âmbito da política,

aqueles que podem - e têm – vocação não devem se omitir. A luz de Cristo precisa iluminar todos os ambientes, começando por aqueles cujas decisões podem melhorar a vida de milhões de pessoas. Por outro lado, mesmo na nossa vida diária, aparentemente sem tanta importância, podemos fazer a diferença. Há, por exemplo, ótimas iniciativas por meio da internet e das redes sociais. Com apenas um clique é possível apoiar campanhas em favor da ética na política. Além disso, por que não, em nossa vida cotidiana, dar o exemplo de que não compactuamos com a corrupção, por menor que seja o “jeitinho” que possa ser oferecido em determinadas situações. O combate à corrupção começa de cada um.

Opinião

Para pôr o país nos trilhos...

Arte: Sergio Ricciuto Conte

Klaus Brüschke A PEC 241 está sendo proposta como uma medida imprescindível para pôr o país nos trilhos. O equilíbrio das contas públicas seria condição sine qua non para que o Brasil torne a crescer. A CNBB emitiu uma nota alertando que essa medida “elege, para pagar a conta do descontrole dos gastos, os trabalhadores e os pobres […]. Além disso, beneficia os detentores do capital financeiro, quando não coloca teto para o pagamento de juros, não taxa grandes fortunas e não propõe auditar a dívida pública”. Nas últimas décadas, no mundo globalizado, a dimensão econômica tem desempenhado um papel hegemônico na vida em sociedade. Confundem-se sociedade com mercado, progresso de um país com crescimento do PIB, cidadãos com consumidores, trabalhadores com insumo, inclusão social com inclusão na sociedade de consumo, Estado com empresa… As várias medidas na agenda do governo não estão permeadas desse modo de ver? O projeto de país que elas contemplam, em vez de ser o de uma sociedade mais justa, fraterna, inclusiva e plural, não é preparar um mercado competitivo na economia global? A necessária reforma trabalhista, em lugar de se pautar pela primazia do trabalho sobre o capital e pela garantia dos direitos dos trabalhadores nas atuais

relações trabalho-capital, não visa ao aumento da competitividade dos empreendimentos? A reforma da Previdência, em vez de assegurar uma vida digna aos idosos, não mascara o dreno de recursos públicos para o capital financeiro? O congelamento orçamentário provocará a diminuição proporcional do Estado num país em crescimento populacional, econômico e… de demandas. Mas isso significa dar mais espaço à sociedade civil, conforme o princípio da subsidiariedade e com mecanismos de uma democracia participativa? Ou se

transferem importantes aspectos da vida da população, que não podem ser condicionados pelo lucro e pela eficiência, à iniciativa privada (ou seja, ao capital)? Será que um olhar mais atento não mostrará que, para além da crise econômica – e política e moral –, o país passa por uma crise bem mais crônica e profunda, uma crise social? Há desigualdade de renda e oportunidades – de trabalho, instrução, cultura, lazer, cidadania –, violência – a provocar mortes em níveis de uma guerra –, preconceitos raciais, sexuais e religiosos – com

episódios escandalosos e indicadores vergonhosos – e tantos outros aspectos… “Tratar” da crise econômica sem considerar a crise social não agrava esta ainda mais? Um adequado ajuste fiscal não deve ser formulado a partir de definição de políticas públicas que encarem esses desafios? Para enfrentar isso, urge devolver a primazia à política. Não certamente à vergonhosa caricatura que se está fazendo dela, mas àquela que é “uma forma sublime do exercício da caridade” (Beato Paulo VI). É nesse campo que se fazem necessárias reformas. Não meras adequações institucionais, mas uma mudança radical da cultura política. Necessitamos de uma prática democrática que contemple mais do que um processo eleitoral representativo da sociedade e imune ao poder econômico. Necessitamos de informação transparente e honesta, de participação social efetiva e de pluralismo dialógico. As soluções não estão dadas por princípios definidos por um grupo político, mas são dinamicamente construídas na interação dos diferentes atores sociais durante a travessia. Um bom início é escaparmos da dicotomia “ou isso ou o caos” e voltarmos a debater criticamente o país que queremos. Klaus Brüschke é membro do Movimento dos Focolares, ex-publisher da Editora Cidade Nova e articulista da revista Cidade Nova.

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Redator chefe: Daniel Gomes • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Edcarlos Bispo, Filipe David, Nayá Fernandes e Fernando Geronazzo • Institucional: Rafael Alberto e Renata Moraes • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Secretaria de Redação: Djeny Amanda • Assinaturas: Ariane Vital • Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Revisão: Sueli S. Dal Belo • Impressão: S.A. O ESTADO DE S. PAULO • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinaturas) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail • A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


www.arquisp.org.br | 9 a 15 de novembro de 2016

cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

N

o domingo, dia 13 de novembro, as dioceses de todo o mundo farão a conclusão local do Ano Santo extraordinário da Misericórdia. E, no Domingo de Cristo Rei, 20 de novembro, o Papa Francisco fechará a Porta Santa da Basílica de São Pedro, como sinal de conclusão do Jubileu da Misericórdia para toda a Igreja. Foi um ano de graças, que passou bem depressa. Feliz de quem aproveitou intensamente esse “tempo de graças”, que Deus concedeu à sua Igreja e à humanidade. O Papa Francisco exortava, na Bula Misericordiae Vultus, de promulgação do Jubileu extraordinário, que este ano devia ser uma ocasião propícia para se reencontrar com o Deus da misericórdia e para acolher sua mão paterna, estendida a todos. Por isso, aproveitou bem quem se situou de novo, e de maneira correta, diante de Deus: não como fariseu soberbo e autossuficiente, que nada precisa e não tem nada a dever a Deus. Não como quem se julga igual ou superior ao Altíssimo, querendo até mandar nele, não reconhecendo a própria humilde condição de criatura, necessitada de ajuda, misericórdia e salvação. Aproveitou bem o Jubileu quem entrou pela “porta da misericórdia” que é Jesus Salvador de todos; quem se aproximou, de coração sincero e contrito, do Sacramento da Reconciliação, confessou os pró-

A porta da misericórdia continuará aberta prios pecados e acolheu de coração agradecido o abraço restaurador de Deus. E também aquele que voltou a praticar assiduamente a fé, a rezar mais e melhor, a ouvir com alegria a Palavra de Deus, orientando sua vida por ela. Este ano, conforme pedido do Papa, deveria ter ajudado os filhos da Igreja e todos a praticarem a misericórdia, de maneira concreta e assídua: “Sede misericordiosos como o Pai celeste é misericordioso” – esta exortação de Jesus foi o lema do Jubileu. O mundo anda carente de misericórdia! Recordamos que a prática diária das obras de misericórdia é parte da vivência cristã e, sem isso, ainda estamos longe de cumprir aquilo que Jesus ardentemente pediu aos discípulos. Ao longo deste Ano Santo, recordamos as obras de misericórdia corporais e espirituais, que sempre fizeram parte da vida cristã; deixar isso no esquecimento seria o mesmo que esconder uma parte essencial do Evangelho e dos ensinamentos de Jesus. Uma das bem-aventuranças do Evangelho refere-se, justamente, à prática da misericórdia: “Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7). Em outro lugar, o Novo Testamento nos recorda: “Não haverá misericórdia para quem não praticou a misericórdia” (cf. Tg 2,13). No julgamento final, ter praticado a misericórdia, ou não, fará toda a diferença (cf. Mt 25, 31-45). Queira Deus que o Jubileu da Misericórdia não tenha sido uma ocasião perdida; nossa vida cristã e a prática de nossa fé precisam

da concretude das obras da fé! Nada é mais concreto que a efetiva prática da misericórdia! O Papa Francisco recordou, em várias ocasiões, que os pobres, doentes, prisioneiros e tantos outros irmãos necessitados são “a carne ferida de Jesus”. Que bom se tivermos aprendido de novo essa lição! Resta agora colocá-la em prática com atenção e diligência. E seria muito importante que os pais também ensinassem aos filhos a prática das obras de misericórdia, desde cedo: isso faz parte da iniciação à vida cristã. Na solenidade de Todos os Santos, pedimos a Deus que, “por intercessores tão numerosos, alcancemos a plenitude da misericórdia”. Os santos já alcançaram misericórdia porque foram grandes praticantes das obras de misericórdia corporais e espirituais no contexto em que viveram. Se quisermos estar um dia na companhia deles – e essa é a nossa vocação maior! – é necessário imitar suas vidas. No dia 13 de novembro, “demos graças a Deus porque Ele é bom e sua misericórdia não conhece limites!” As Portas Santas da Misericórdia fecham-se em nossas igrejas, sinalizando a conclusão deste Jubileu extraordinário da Misericórdia! Mas permanece aberto o coração misericordioso de Jesus Cristo, verdadeira e indispensável porta da misericórdia de Deus, pela qual devemos passar a vida inteira. E os braços de Deus permanecem sempre estendidos e abertos para acolher no abraço da misericórdia a todos os que dele se aproximam.

| Encontro com o Pastor | 3

Futuros diáconos permanentes Arquivo pessoal

Na sexta-feira, 4, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, reuniu-se com os que serão ordenados diáconos permanentes em 10 de dezembro, às 15h, na Catedral da Sé: [da esquerda para a direita] Maurício Luz, Haroldo Simões, Antônio Geraldo, Evangelista João, Márcio Cesena, Paulo José, Ricardo Donizete e Francisco Nunes.

Associações e novas comunidades Padre Pedro Almeida

No sábado, 5, o Cardeal Scherer participou da reunião da regular dos coordenadores das novas comunidades, associações, movimentos e grupos eclesiais presentes na Arquidiocese, para tratar dos mais recentes documentos da CNBB sobre o laicato.

Visita à Eparquia Greco-Melquita Padre Pedro Almeida

O Cardeal Scherer, arcebispo de São Paulo, visitou no dia 5 a catedral da Eparquia Greco-Melquita, no Paraíso, na zona Sul de São Paulo.

Conheça as soluções pedagógicas pensadas para atender exclusivamente às necessidades das escolas católicas. Um jeito de ajudar a ampliar as possibilidades de trabalho de professores, facilitar a atuação do gestor e contribuir positivamente com toda a comunidade escolar.

Para conhecer as soluções do Integra Confessionais, solicite a visita de um consultor comercial: 0800 729 3232.

/FTDSistemaDeEnsino www.ftdse.com.br


4 | Fé e Vida |

9 a 15 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Liturgia e Vida 33º DOMINGO DO TEMPO COMUM 13 de novembro de 2016

Quem não quer trabalhar, também não deve comer Cônego Celso Pedro Em nossa profissão de fé, dizemos que Jesus há de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos, verdade que lembramos e celebramos no fim e no começo do ano litúrgico. Terminamos o ano litúrgico e o ano civil olhando para o fim dos tempos e iniciamos o ano litúrgico no Advento, olhando esperançosos para o Senhor que vem julgar os vivos e os mortos. Quando Ele subiu ao céu na sua Ascensão, os anjos disseram aos apóstolos: “Esse Jesus, que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”. Já na antiguidade, o profeta Malaquias fala do “dia que virá”, no qual os soberbos e os ímpios serão punidos. O profeta chega a dizer que eles simplesmente desaparecerão, enquanto para os que temem o nome do Senhor nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas. O evangelista São Lucas também descreve o fim dos tempos que será marcado por guerras e revoluções, por catástrofes naturais, por perseguições aos cristãos. Aos discípulos que admiravam as obras de reforma do Templo levadas adiante pelo rei Herodes, Jesus lhes diz que não ficará pedra sobre pedra, tudo será destruído. Não se trata aqui do fim do mundo e sim da destruição da Cidade Santa e do Templo, o que aconteceu no ano 70 da nossa era, quando

os soldados romanos derrubaram os muros da cidade, incendiaram o Templo e mataram grande parte da população. Os evangelistas tomam as imagens da destruição de Jerusalém para com elas descrever o fim dos tempos, o dia final, que ninguém ainda viu, mas que se pode imaginar. Quem viu Jerusalém sendo destruída podia dizer que foi o fim do mundo. E assim imaginamos que será o fim do mundo. A experiência que temos de perseguições, de cataclismos e de guerras fornece abundante material de imagens com as quais descrevemos o fim dos tempos que ainda não vimos. O fim dos tempos ainda não chegou e acreditamos que chegará um dia. Enquanto esse dia não vem, o que fazemos? Os tessalonicenses foram para a praça e, de braços cruzados, esperavam o dia da volta do Senhor. São Paulo lhes escreve que, enquanto o Senhor não vem, nós trabalhamos. Trabalhamos para manter a própria vida e a da família, e trabalhamos para o anúncio do Evangelho. O fim dos tempos é descrito com palavras humanas provenientes da nossa experiência. Como será de fato, saberá quem estiver vivo naquele dia. Estrelas que caem e sol que se escurece são figuras apocalípticas da imaginação. O que não é imagem e sim realidade é o trabalho que desenvolvemos para comer honestamente o pão de cada dia.

Você Pergunta

Um cristão pode ser paisagista? padre Cido Pereira

osaopaulo@uol.com.br

O José Célio, daqui de São Paulo, quer ser paisagista, mas quer saber se interferir na natureza que Deus criou não é pecado. José Célio, o Senhor nos deu este mundo para que o dominemos, para que o coloquemos a nosso serviço e a serviço de toda a humanidade. Se não pudéssemos construir, se não pudéssemos mexer no mundo, organizar os espaços, irrigar lá onde não há água, reflorestar os desertos, a vida se tornaria impraticável. Em nenhum lugar da Sagrada Escritura, você vai ler esta proibição. O homem é o senhor da Terra. O que é preciso é que ele a torne a casa comum de todos, porque o que menos o homem tem feito hoje é preservar este dom que Deus lhe deu. Não é pecado ser paisagista,

modificar o visual ou torná-lo mais bonito e agradável aos olhos e à convivência fraterna das pessoas. Pecado é explorar irresponsavelmente as riquezas, apropriar-se dos bens comuns a todos, destruir sem nenhum escrúpulo o solo, envenenar as águas e o ar, esgotar os mananciais de água. Eu dou graças a Deus pelos paisagistas todos. Que haja muitos e muitos deles, homens e mulheres que interferem positivamente na natureza, multiplicando o que ela tem de bonito, transformando desertos com águas e plantas, iluminando sombras com luz, criando cidades mais humanas e habitáveis. O paisagista de verdade respeita profundamente a natureza, com sua sensibilidade e engenho. José Célio, se essa for a sua vocação, seja um paisagista, organize este mundo, torne mais bonita nossa casa comum.

Atos da Cúria NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE VIGÁRIO PAROQUIAL Em 3 de novembro de 2016, foi nomeado e

provisionado Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na Região Episcopal Sé, Setor Pastoral Jardim Paulistano, o Revmo. Pe. Carlos Artur Annunciação, C.Ss.R.


www.arquisp.org.br | 9 a 15 de novembro de 2016

O Deus da Paz Dom Julio Endi Akamine

V

Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa

ocê deseja a paz? A paz é possível sem você? Que relação há entre você e a paz? A paz é mais do que um dom de Deus para o ser humano; ela é mais do que um projeto humano desejado pelas pessoas. Ela é, primeiramente, um atributo essencial do próprio Deus: Ele é o Deus da Paz. Paz não é somente uma qualidade acrescentada a Deus, mas constitui a sua própria natureza divina: ser Deus é o mesmo que ser Paz. Toda a humanidade e toda a natureza anseiam e desejam ardentemente a paz, porque, no final das contas, toda a Criação é um reflexo do próprio Deus da Paz. Em Deus, a paz constitui a sua própria natureza; e, na humanidade, a paz é um reflexo da glória de Deus impressa pelo Criador na criatura. Nós, enquanto criaturas do Deus da Paz, trazemos impressas as marcas de sua mão no barro do nosso ser: fomos criados para a paz e não para a guerra. Na revelação bíblica, a paz é muito mais do que a simples ausência de guerra: ela representa a plenitude da vida. Longe de ser apenas uma construção humana, é dom divino precioso oferecido a todas as pessoas, o que inclui a obediência ao plano de Deus.

Espiritualidade

| Fé e Vida | 5

Fé e Cidadania Violência contra a mulher e a Doutrina Social

Plano esse que corresponde à natureza paz, porque serão chamados filhos de de Deus e à natureza humana: trata-se Deus”. de um plano, de um desígnio e de uma A paz é fruto da justiça e do amor. vontade de plenitude, não de penúria; Da justiça, porque ela está em perigo de felicidade, não de tristeza; de har- quando ao ser humano não lhe é recomonia, não de desordem; de paz, não nhecido o que lhe é devido enquanto de violência. Às vezes, falar de obedi- ser humano, quando não é respeitada ência ao plano de Deus provoca um a sua dignidade, quando a convivência sentimento de revolta: obedecer a Deus não é orientada em direção ao bem coparece ser uma negação da liberdade e mum. Para a construção de uma cultuda autonomia humana. Na verdade, a ra da paz e de uma sociedade pacífica, obediência à vontade do Pai que se re- são essenciais a defesa e a promoção velou em seu Filho Jesus Cristo é a ver- dos direitos humanos. dadeira liberdade que constrói a paz. A promessa da paz Na revelação bíblica, percorre todas as pá- a paz é muito mais do que a ginas da Bíblia. O dom simples ausência de guerra: da paz é o testamento ela representa a plenitude espiritual de Jesus: “Eu da vida. Longe de ser apenas vos dou a paz, dou-vos minha paz. Não vo-la uma construção humana, dou como o mundo dá” é dom divino precioso (Jo 14,27). oferecido a todas as A paz é reconciliapessoas, o que inclui a ção com os irmãos e irmãs. Jesus ensinou na obediência ao plano oração do Pai-nosso as- de Deus. sociar o pedido de perdão a Deus ao perdão oferecido aos irA paz é fruto do amor, porque a mãos. “Perdoai-nos as nossas ofensas, função da justiça é remover os obstáassim como nós perdoamos a quem culos para a paz: o dano e a ofensa. Mas nos tem ofendido”. Com essa dupla a plenitude da paz é ato próprio e espereconciliação, o cristão pode se tornar cífico do amor. Justiça e amor nunca estão desvinartífice da paz e, portanto, ser obediente a Deus. culados na construção da paz. A justiça A paz e a violência não podem ha- é a medida mínima do amor, e o amor bitar na mesma morada: onde há vio- leva à plenitude a própria justiça. É isso lência, Deus não pode estar. Onde há o que nos ensina o salmo, quando proviolência, o ser humano não se sen- mete: “A bondade e a fidelidade outra te em casa. Por isso, Jesus proclama: vez se unirão, a justiça e a paz se abra“Bem-aventurados os promotores da çarão” (Sl 84,11).

Padre Sancley Lopes Gondim “Várias mulheres da América Central, apesar de precauções, relataram que coiotes abusaram delas no caminho sexual ou fisicamente”, diz um trecho do estudo “Mulheres em Fuga”, do Alto Comissariado das Nações Unidas, no fim de 2015. “A indústria do sexo na fronteira entre a Guatemala e o México é alimentada pelo fornecimento de migrantes, especialmente adolescentes, parte dos quais é mantida em escravidão por dívida com os traficantes”, afirma o relatório do International Crisis Group, divulgado no fim de julho (cf. notícias Portal Uol, publicada em 20 de setembro). “Estruturas e atitudes de discriminação justificam essa violência e, muitas vezes, a impunidade perpetua o problema. O medo da violência relacionado com o ir à escola, o estupro de uma jovem deficiente e o matrimônio forçado de uma menina violentada são exemplos recentes que refletem práticas institucionalizadas.” A delegação da Santa Sé afirma ser “muito importante que os Estados estabeleçam mecanismos para a proteção das mulheres contra essas práticas, a fim de defender os direitos humanos” e recorda as palavras de Bento XVI: “Existem lugares e culturas em que a mulher é discriminada ou subestimada unicamente pelo fato de ser mulher... Diante de fenômenos tão graves e persistentes, parece ainda mais urgente o compromisso dos cristãos para que se tornem, em toda a parte, promotores de uma cultura que reconheça à mulher, no direito e na realidade, a dignidade que lhe compete”. Sublinha a importância do papel das mulheres na família, “célula vital da sociedade”, que, como esposa e mãe, são fundamentais para preservar a instituição familiar e, por conseguinte, a sociedade. É essencial eliminar a discriminação e a violência por meio de estruturas eficazes para a tutela dos direitos das mulheres... Tais estruturas devem contrastar a natureza transversal da discriminação sexual contra as mulheres, seja qual for sua crença religiosa... A impunidade judiciária e as normas culturais e sociais que toleram a discriminação e não enfrentam atos violentos, como o infanticídio das meninas ou o aborto seletivo com base no sexo, devem ser rejeitadas... Assim sendo, a delegação da Santa Sé reafirma a verdade intrínseca da igual dignidade entre homens e mulheres e, portanto, a necessidade de eliminar qualquer discriminação e violência em relação às mulheres (Dom Silvano M. Tomasi, observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas, em Genebra, em 26/06/2012). As opiniões da seção “Fé e Cidadania” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do O SÃO PAULO.


6 | Viver Bem |

9 a 15 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Cuidar da Saúde Quando você deve se preocupar com uma íngua? Cássia Regina É frequente os pacientes chegarem à consulta preocupados com as conhecidas ínguas. Nós temos espalhados pelo corpo todo gânglios que fazem parte do sistema imunológico, responsável pela defesa do corpo. Quando o corpo é atacado por uma infecção, o gânglio mais próximo se encarrega de absorver aquela infecção para tentar combatê-la. Nesse momento, esse gânglio começa a inchar, aumentando de volume, o que é conhecido popularmente como íngua. Pode provocar dor, incômodo e até febre. Com o passar dos dias, se o seu sistema imunológico está forte, o gânglio começa a diminuir de tamanho e desaparece.

Você deve se preocupar com um gânglio quando ele não diminuir de tamanho após o período de sete a dez dias; quando for indolor; ou quando após esse período ele continuar crescendo. Alguns casos precisam do uso de anti-inflamatório. Eles podem aumentar de volume desde uma infecção simples, como uma dor de garganta, em que a resolução é rápida, até algo mais grave, como um linfoma, quando o gânglio persistirá. Caso não melhore, retorne ao médico. Ele poderá examinar melhor a situação e pedir exames para comprovar a causa desse gânglio persistente. Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF) E-mail: dracassiaregina@gmail.com

Comportamento

Alunos fora de aula Valdir Reginato O noticiário escolar foi manchado de sangue em passado recente pelo trágico episódio que resultou no crime de um adolescente, estudante numa escola no Paraná, por colega que estava junto dele em movimento de greve diante das novas propostas do governo federal para mudança curricular do ensino médio. Sem desmerecer a profunda tristeza pelo doloroso falecimento ainda em luto, queremos levar o nosso olhar para uma tristeza que beira o desespero, que é a condição de ensino no país. Apesar de ocupar um lugar dentre os dez primeiros colocados da economia mundial, o Brasil sofre em disputas pelas últimas colocações quando o assunto é educação. Tema complexo, multifacetado na sua reflexão, sem respostas fáceis para problemas que se ar-

rastam há décadas, ou mesmo séculos, mas que não justificam como uma nação cresce tecnologicamente e financeiramente sem estar acompanhada da melhora do desempenho escolar. Reformas com propostas que permanecem enclausuradas a sete chaves nos gabinetes, ou que são levadas a reuniões intermináveis, segundo interesses transitórios dos ocupantes de cargos, não conseguiram oferecer caminhos objetivos que tornassem a educação como prioritária na nação, à exceção de ser mencionada como título de batismo do governo recentemente destituído. Apresenta-se uma iniciativa com uma proposta que no seu conteúdo vai ao encontro de programas já aplicados há anos em outras nações com sucesso, ainda que passível de adaptações regionais, diante de necessidades emergenciais como um viés técnico-profissionalizante. Diante disso, o que se tem como resposta? Uma guerra desencadeada por “estudantes” (muitas aspas!). Escolas são invadidas e fechadas, às centenas, no Estado do Paraná, com a esperança de novas adesões em outros estados, onde mais uma vez, por uma minoria agitada, temos uma maioria silenciosa que permanece sem aula. Uma dinâmica comportamental que se repete em situações que, sob a justificativa do respeito às minorias, cala-se a maioria a esperar por decisões que serão formadas por eles – minoria – para todos. Educação escolar está vinculada a vida familiar como um dos itens fundamentais para a formação dos filhos. Depois das necessidades básicas de moradia, alimentação e saúde, a escola está no topo das preocupações de pais responsáveis. Não é possível que os pais permitam que o local de educação se torne palco da baderna anárquica, roubando tempo de aprendizado aos filhos em troca de riscos, que já alcançou a morte. Que o debate exista com a participação ampla da sociedade e associações de ensino é louvável, mas é necessário que se estipulem prazos, pois toda gestação prolongada coloca a mãe e a criança em risco, podendo levar ao natimorto. Propostas ideais, sem correções, são difíceis. Uma vez realizado um planejamento adequado, inicia-se uma caminhada, em alerta a possíveis adaptações. Contudo, planejamentos e reuniões eternas, que não saem do papel, não realizam obras concretas. A participação consciente dos pais e alunos junto aos professores é fundamental. Contudo, não se faz proveitosa, muito pelo contrário, a interrupção anárquica das atividades por tempo indeterminado para se reiniciar, que favorecem desdobramentos alheios à causa primária. O progresso não se faz por paralisações ininterruptas, mas por reavaliações periódicas responsáveis, diante dos resultados alcançados após iniciada a caminhada. Isso é o que se espera do comportamento de pais atuantes por uma melhor educação escolar para seus filhos. Dr. Valdir Reginato é médico da família, professor da Escola Paulista de Medicina e terapeuta familiar


www.arquisp.org.br | 9 a 15 de novembro de 2016

| Pelo Brasil | 7

Destaques das Agências Nacionais

Daniel Gomes e Vitor Alves Loscalzo osaopaulo@uol.com.br

Em cinco anos, violência no Brasil matou mais pessoas que a guerra na Síria Diferentemente de alguns países europeus, africanos e do Oriente, o Brasil não sofre com ações de terrorismo nem com uma guerra civil, mas ainda é um dos países mais violentos, com taxas estarrecedoras de agressão, abrangendo assaltos, homicídios e estupros, realidade confirmada pelo 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com dados de 2015. Apesar de no ano passado, em comparação a 2014, ter havido queda de 1,2% no total de mortes violentas intencionais – 58.492 registros (uma morte a cada

nove minutos) ante 59.730, o total de homicídios no quinquênio 2011-2015 supera, por exemplo, o da Síria. Enquanto no país que está em guerra civil há quase seis anos foram registradas 256.124 mortes, para o mesmo período o Brasil registrou 279.592 óbitos. Segundo Renato Sérgio de Lima, professor da FGV e vice-presidente do Conselho de Administração do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os números “indicam um quadro grave de negligência com a vida. Ao longo de sua história, o Brasil não conseguiu alçar a garantia da vida à condição de prioridade nacional”.

Também são elevados os números de estupros no Brasil, tendo sido registrados 45.460 casos, o que revela um dado assustador: por hora, em média, cinco pessoas são estupradas no país. Apesar desse número ser 10% inferior ao de 2014, não se pode afirmar que houve diminuição de casos, já que a subnotificação desse crime é extremamente alta, tanto assim que se estima que no ano passado podem ter ocorrido até 454.600 casos, a maioria não notificada, conforme estudos da National Crime Victimization Survey (NCVS), que apontam que apenas 35%

das vítimas de estupro costumam prestar queixa. Tendo em conta apenas os boletins de ocorrência registrados em 2015, os estados com as maiores taxas de estupro foram o Acre (60,5 registros a cada 100 mil habitantes), seguido de Mato Grosso do Sul (53,9), Mato Grosso (45,3), Santa Catarina (39,5), Paraná (36,9) e Roraima (35,6). Em números absolutos, os maiores registros foram em São Paulo (9.265 casos), no Rio de Janeiro (4.887) e no Paraná (4.120). Fontes: Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Agência Brasil

Bispos de grandes metrópoles dialogam no Rio de Janeiro Os bispos e arcebispos de grandes metrópoles brasileiras, cidades com mais de 1 milhão de habitantes, participaram na segunda-feira, 7, de um encontro no Centro de Estudos Sumaré, no Rio de Janeiro (RJ). A atividade acontece duas vezes por ano e anteriormente, em julho, foi realizada na capital paulista. Segundo o Monsenhor Joel Portela, coordenador de Pastoral da Arquidiocese do Rio de Janeiro, a atividade foi oportunidade para refletir sobre os desafios das dioceses e arquidioceses nas grandes metrópoles, dessa vez com dois temas centrais. “O primeiro é a relação do sacerdote, do diácono e do próprio bispo com aquilo que os psicólogos chamam da Síndrome de Burnout ou síndrome da exaustão, em que, diante da pressão da vida nas grandes cidades, o ministro consagrado, que é um curador, que é alguém chamado a cuidar dos outros, ele mesmo acaba precisando ser cuidado. Falamos disso numa conversa franca, muito sincera e

Gustavo de Oliveira/Arquidiocese do Rio de Janeiro

Professor Luiz Roberto Cunha, decano da PUC-Rio, fala sobre resultado das eleições 2016 e a participação dos cristãos em encontro com bispos

olhando os caminhos de apoio, de ajuda, e mesmo de prevenção”, detalhou o Monsenhor. O outro tema foi sobre o resultado das últimas eleições e o papel dos cristãos. “Como é que se dá hoje a presen-

ça do cristão na sociedade, como é que se dá a presença do laicato no mundo da política? Para isso, o encontro foi assessorado pelo professor Luiz Roberto Cunha, decano do Centro de Ciências Sociais na PUC-Rio e consultor de várias

instituições, que nos ajudou a compreender não apenas o resultado das eleições, mas como o processo eleitoral se deu e como foi vivido pelas igrejas”, concluiu o Monsenhor Joel. Fonte: Arquidiocese do Rio de Janeiro

Encontro discute possibilidades de evangelização pelas mídias digitais Com a presença de 120 comunicadores de dioceses e arquidioceses paulistas, foi realizado entre os dias 4 e 6, em Sorocaba (SP), o 21º Encontro Estadual de Comunicação do Regional Sul 1 da CNBB, com o tema “Igreja e Mídias Digitais: Desafios e possibilidades para a evangelização”. Na mesa de abertura do encontro, Dom Vilson Dias de Oliveira, bispo de Limeira (SP) e referencial da Pastoral da Comunicação no Regional Sul 1, destacou ser aquela atividade “uma oportunidade de formação, espiritualidade, partilha e reflexão acerca do caminhar do comunicador na Igreja, inserido no contexto das mídias digitais”. Ele também comentou que, no contexto da comunicação eclesial, a boa formação dos leigos deve ter como “prioridade as estratégias de comunicação para que a ação pastoral alcance seus objetivos de forma eficiente”.

Também participante da primeira noite do evento, Dom Devair Araújo da Fonseca, vigário episcopal para a Pastoral da Comunicação na Arquidiocese de São Paulo e membro da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB, afirmou que “o serviço dos comunicadores na Igreja é de grande valor, pois restabelece a comunicação com Deus. A comunicação é para falar da verdade da vida, apresentar o Deus da vida em todas as realidades”, disse o Bispo, que também presidiu missa na manhã do sábado, 5. A temática do encontro foi tratada pelo professor de Antropologia Teológica e de Pastoral da Comunicação, Lindolfo Alexandre de Souza, diretor da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas, que falou sobre cibercultura, o olhar pela comunicação eclesial e sobre o capítulo VII do Diretório de Comunicação, a respeito da Igreja e as mídias digitais.

Lindolfo apontou que ciberespaço é um novo ambiente de comunicação e de pertença das pessoas, de modo que a sociedade hoje se organiza de acordo com a presença digital. Ao mencionar o capítulo VII do Diretório de Comunicação, ele falou sobre

a complementariedade das mídias e a vivência da fé, destacando o esforço da Igreja em ter uma presença efetiva na web, o favorecimento da comunicação e comunhão dos fiéis e o diálogo com a sociedade. Fonte: Arquidiocese de Sorocaba


8 | Pelo Mundo |

9 a 15 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Destaques das Agências Internacionais

Filipe David

Correspondente do O SÃO PAULO na Europa

Nações Unidas/ Estados Unidos

A guerra das palavras Pode parecer incrível para um leigo no assunto que muitas das grandes transformações sociais dos últimos 40 anos tenham ocorrido graças à mudança de algumas palavras ou de seu sentido (como, por exemplo, “sexo” e “gênero”), mas os especialistas têm plena consciência disso.

É o que mostra um dos e-mails “vazados” pelo WikiLeaks: John Podesta – chefe da campanha de Hillary Clinton – e seu assessor em política externa, Jake Sullivan, insistem que ela utilize na campanha a expressão “saúde e direitos sexuais e reprodutivos” em vez de “saúde sexual e repro-

dutiva e direitos reprodutivos”, expressão que vem sendo utilizada pela Organização das Nações Unidas desde as conferências do Cairo 1994 e de Pequim 1995. Essas expressões foram criadas por grupos feministas e abortistas para, entre outras coisas, estender o direito e o acesso ao aborto no

Chile

A voz do coração Em um protesto inusitado na capital chilena, um grupo de mulheres – muitas delas grávidas – marchou em frente a alguns prédios do governo contra a prática do aborto. No alto-falante, em vez de gritarem palavras de ordem, as mulheres transmitiam o som do batimento do coração de seus bebês, captado por um aparelho colocado em volta da cintura: “Queremos trazer ao debate público chileno aqueles que não têm voz, que não podem se manifestar nem fazer lobby no Parlamento”, explicou uma manifestante. Fonte: Church Militant/ La voz del corazón

Fonte: Life Site News

Iraque La Voz Del Coracion

Em protesto contra práticas de aborto, mulheres gestantes transmitem o som do batimento do coração de seus bebês

Missa volta a ser celebrada em Qaraqosh Durante a segunda quinzena de outubro, a cidade de Qaraqosh foi libertada do domínio do grupo Estado Islâmico (EI) pelas forças iraquianas. Pela primeira vez em mais de dois anos, a missa foi presidida na catedral da cidade pelo arcebispo de Mossul, Dom Yohanna Petros Mouche: “Depois de dois anos e três meses de exílio, celebramos a Eucaristia na catedral que os jihadistas queriam destruir”, afirmou o Arcebispo. Qaraqosh é a sede do Arcebispado de Mossul. Antes da invasão do EI, lá estavam o seminário maior e diversas congregações religiosas femininas. Fonte: ACI

Albânia

Rússia Tensão com o Ocidente A tensão entre a Rússia e o Ocidente atingiu o nível mais alto desde o fim da Guerra Fria. A principal razão da deterioração das relações entre a Rússia e os países ocidentais é o seu apoio incondicional ao presidente sírio Bashar al-Assad, enquanto o Ocidente tem apoiado os “rebeldes” contrários ao regime sírio. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – aliança militar entre os Estados Unidos e diversos países europeus para fazer frente ao poderio

mundo. Agora, a nova mudança quer incluir os “direitos” defendidos pelo movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais), como o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, a ideologia de gênero nas escolas, entre outros.

Igreja beatifica 38 martirizados pelo regime comunista

soviético durante a Guerra Fria – está colocando em estado de alerta 300 mil soldados, enquanto o governo russo instala um sistema de mísseis ao norte da Polônia e ao alcance de Berlim, na Alemanha. No entanto, a maior parte dos analistas ainda descarta a possibilidade de um conflito militar direto entre a Rússia e o Ocidente, que poderia facilmente se tornar uma guerra nuclear de proporções nunca vistas.

No sábado, 5, a Igreja celebrou a beatificação de 38 mártires do regime comunista, que governou o País entre o fim da Segunda Guerra Mundial e o início da década de 90. A celebração foi realizada na Catedral Shën Shtjefni e contou com a presença de cinco cardeais, o chefe de Estado, o presidente do Parlamento, ministros, representantes de outras religiões e 10 mil peregrinos. Os mártires foram assassinados entre 1945 e 1974, em geral após intensa tortura.

Fonte: BBC/ Daily Mail

Fonte: ACI/ CNA

APRECIE COM MODERAÇÃO


www.arquisp.org.br | 9 a 15 de novembro de 2016

| Papa Francisco | 9

Papa alerta: A tirania governa com o medo L’Osservatore Romano

Em audiência com movimentos sociais, Papa Francisco critica quem provoca intolerância, manipula os povos ou se corrompe na política Filipe Domingues

Especial para O SÃO PAULO, na Cidade do Vaticano

“Nenhuma tirania se sustenta sem explorar nossos medos”, disse o Papa Francisco em encontro com representantes dos movimentos sociais no Vaticano, no sábado, 5. Se já era esperada uma crítica ao sistema econômico atual por suas desigualdades, a audiência do Pontífice com grupos que lutam pelos direitos de marginalizados da sociedade surpreendeu por uma ênfase na manipulação do medo como fonte de exclusão e injustiça. “Toda tirania é terrorista”, afirmou. Para ele, grande parte dos problemas sociais são causados pelo que o Papa Pio XI chamou de “imperialismo internacional do dinheiro”. E, acrescentou Francisco, o dinheiro governa por meio do medo. Segundo o Pontífice, “o medo é alimentado, manipulado, porque além de ser um bom negócio para os comerciantes de armas e da morte, nos enfraquece, nos desequilibra, destrói nossas defesas psicológicas e espirituais, nos anestesia diante do sofrimento alheio e nos torna

cruéis”. Exemplificando com o problema da migração e a proliferação de grupos políticos que estimulam o conflito, o Papa chamou de “terrorismo de base” o discurso que promove o medo. “Desse terrorismo básico se alimentam os terrorismos derivados, como o narcoterrorismo, o terrorismo de Estado e o que erroneamente alguns chamam de terrorismo étnico ou religioso. Mas nenhum povo, nenhuma religião, é terrorista”, ponderou. “É verdade que há pequenos grupos fundamentalistas por toda parte, mas o terrorismo começa quando se descarta a maravilha da criação, o homem e a mulher, e se coloca em seu lugar o dinheiro.” O Papa lamentou que, por vezes, se festeje a morte de “um jovem que errou o caminho”, ou quando se prefere a guerra em vez da paz, quando se “generaliza a xenofobia”, e quando “ganham terreno propostas intolerantes”. A única resposta contra o medo, insistiu, é a misericórdia. “Rezemos por todos os que têm medo. A misericórdia não é fácil. Requer coragem. Por isso, Jesus nos diz: ‘Não tenham medo’”.

Políticas ‘com os pobres’, e não ‘para os pobres’

O Papa Francisco apontou para dois riscos principais que os movimentos sociais sofrem em suas relações com a política. Primeiro, o de que se limitem a uma formalidade dentro de certas políticas sociais dos governos. “Não caiam na tentação do espartilho, que os reduz a atores secundários ou, pior, meros adminis-

tradores da miséria existente”, exortou. “Essa ideia de políticas sociais concebidas como políticas para os pobres, mas nunca com os pobres, e muito menos inseridas em um projeto que reúne os povos, às vezes me parece uma espécie de carroceria, maquiada para conter o descarte do sistema.” Segundo, o risco de que se deixem corromper. “Assim como a política não é um assunto apenas dos políticos, a corrupção não é um vício exclusivo da política. Há corrupção na política, há corrupção nas empresas, há corrupção na mídia, há corrupção nas Igrejas e também existe corrupção nas organizações sociais e movimentos populares”, alertou. Para Francisco, quem optou por uma vida de serviço aos mais pobres tem a obrigação de ser honesto. “Há que se viver a vocação de servir com um forte sentido de austeridade moral e humildade”.

Um encontro independente

Esse foi o terceiro encontro anual do Papa com movimentos sociais de todo o mundo. Aproximadamente 200 delegados de 92 organizações representaram 65 países. Na audiência final, na Sala Paulo VI, mais de 5 mil pessoas compareceram para apresentar os resultados da conferência de três dias. A proposta é dialogar com o Papa, e os movimentos organizam-se de forma independente. Neste ano, escolheram como tema pontos sugeridos por ele: “Teto, Terra, Trabalho”. Entre os palestrantes, estiveram o ex-presidente

do Uruguai, Pepe Mujica; a economista indiana Vandana Shiva, e o Padre Luigi Ciotti, fundador dos movimentos Libera e Gruppo Abele. Na coletiva de imprensa que apresentou o evento, em 28 de outubro, o representante do Vaticano, Dom Silvano Tommasi, respondeu aos críticos do Papa Francisco por sua aproximação aos movimentos sociais. “A sua atenção é parte de sua visão e da Doutrina Social da Igreja. Não é uma revolução”, comentou o delegado do Pontifício Conselho de Justiça e Paz. “O Papa está simplesmente seguindo o Evangelho. A acusação de que ele se aproxima demais do marxismo é uma desculpa para não enfrentar a realidade objetiva, ou seja, a necessidade de uma mudança a favor dos direitos das pessoas.” Nesse mesmo sentido, o Papa, no seu discurso do sábado, observou: “Nós que estamos aqui, de origens, crenças e ideias diferentes, talvez não estejamos de acordo em tudo, seguramente pensamos de forma diferente em muitas coisas. Mas certamente coincidimos nesses pontos”. Ele se referia ao trabalho digno para os desempregados; à terra para os camponeses e povos originários; à casa para as famílias sem teto; à integração urbana para os bairros populares; à erradicação da discriminação, da violência contra a mulher e de novas formas de escravidão; ao fim de todas as guerras, do crime organizado e da repressão; à liberdade de expressão e comunicação democrática; e à ciência e tecnologia a serviço dos povos.

Jubileu dos Presos

Combate ao tráfico de pessoas

O Papa Francisco presidiu no domingo, 6, na Basílica de São Pedro, missa pelo Jubileu dos Presos, no contexto do Ano Santo extraordinário da Misericórdia, com a participação de centenas de encarcerados. Francisco lembrou que todos podem cometer erros, mas que uma hipocrisia social, “faz com que não

Na segunda-feira, 7, o Papa Francisco recebeu no Vaticano os participantes da II Assembleia da Rede Religiosa Europeia contra o Tráfico e a Exploração. Segundo o Pontífice, um dos obstáculos a abater é a tendência de indiferença ou cumplicidade em relação a esse crime. “Enquanto muito foi feito para

se pense na possibilidade de mudar de vida, há pouca confiança na reabilitação, na reinserção social”. Após a celebração, antes da oração do Ângelus, o Pontífice fez um apelo por melhores condições de vida nas prisões e pelo respeito à dignidade dos presos. Fonte: rádio Vaticano (Edição: Daniel Gomes)

conhecer a gravidade e a extensão do fenômeno, ainda permanece muito por fazer para aumentar o nível de conscientização da opinião pública e para estabelecer uma melhor coordenação de esforços por parte das autoridades”, disse o Pontífice. Fonte: rádio Vaticano (Edição: Daniel Gomes)


10 | Política |

9 a 15 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Sem aumento

O prefeito Fernando Haddad (PT) vetará o reajuste salarial para o prefeito eleito João Doria Júnior (PSDB) e seu vice, Bruno Covas. Com a decisão, o petista vai congelar o teto do funcionalismo municipal em R$ 24,1 mil pelos próximos quatro anos. O tucano se diz favorável à medida e afirma que, com a crise econômica e a alta do desemprego, “não há clima” para aumento. “Não seria um bom recado”, afirma.

Cortes no orçamento municipal de 2017 devem impactar áreas sociais Luciney Martins/O SÃO PAULO

Máfia da Merenda

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Merenda da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), o ex-integrante da Comissão de Credenciamento do Departamento de Alimentação e Assistência ao Aluno (DAA), da Coordenadoria de Infraestrutura e Serviços Escolares (Cise) da Secretaria Estadual de Educação, Yuri Keller Martins, admitiu falhas na licitação que envolveu a Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf). A comissão, que está em sua 17ª reunião, apura e investiga os contratos para o fornecimento de merenda para escolas estaduais firmados por empresas e cooperativas de agricultura familiar com o governo do estado.

Cartão corporativo

Apesar do discurso de corte de despesas públicas, os gastos do governo federal com o cartão corporativo nos últimos quatro meses superam o total desembolsado em todo o primeiro semestre. Entre 1º de julho e 4 de novembro, esse tipo de despesa somou R$ 24 milhões, contra os R$ 22 milhões despendidos nos seis primeiros meses do ano.

Bolsa Família

Um pente-fino feito pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA) encontrou irregularidades em 1,1 milhão de benefícios do programa Bolsa Família, de acordo com a pasta. As irregularidades representam 7,9% dos 13,9 milhões de benefícios. Em todos os casos, foi constatado que a renda das famílias era superior à exigida para a participação no programa.

Edcarlos Bispo

edbsant@gmail.com

Os vereadores de São Paulo têm até 31 de dezembro para aprovar o orçamento da cidade para 2017. De acordo com o Projeto de Lei (PL) 509/2016, encaminhado pelo Executivo municipal, o orçamento previsto é de R$ 54,5 bilhões. Caso não seja aprovado, passa a valer o orçamento que foi adotado neste ano. O valor proposto para 2017 é apenas R$ 100 milhões a mais do que foi aprovado para 2016, e vai na contramão do que vinha sendo aprovado em anos anteriores, sempre com um aumento de mais de R$ 1 bilhão. Américo Sampaio, pesquisador da Rede Nossa São Paulo – composta por 700 organizações da sociedade civil, de natureza apartidária e inter-religiosa –, afirmou em entrevista ao O SÃO PAULO que pelo orçamento apresentado a Prefeitura estima que haverá um aumento na arrecadação de impostos municipais – Imposto Sobre Serviços (ISS) e Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) – e uma queda na transferência de dinheiro por parte do governo do estado e da União. Essa queda pode sinalizar também uma maior dificuldade de investimentos da Prefeitura. “Tudo que

é receita de transferência de capital é dinheiro para investimento público. Se, justamente, for essa a receita a cair, isso significa que no ano que vem a capacidade de investimento da Prefeitura será reduzida. Para a nova gestão, a tendência é que haverá menos recursos para fazer escolas, creches, hospitais etc.” Esses cortes, provavelmente, impactarão nas promessas de campanha do prefeito eleito João Doria Júnior (PSDB), entre as quais a maior autonomia que seria dada às subprefeituras – que, segundo promessa de campanha, serão chamadas prefeituras regionais. A atual gestão prevê para 2017 um corte de 25% na Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, além disso, no geral, o orçamento das subprefeituras terá um recuo de 14%. “Isso, sem dúvida, vai impactar na proposta de descentralização e fortalecimento das subprefeituras, porque quando se fala em descentralizar a cidade, para transformar sua realidade desigual, obrigatoriamente você precisa fortalecer as subprefeituras, e nesse processo um dos pontos é o aumento do orçamento com o aumento da autonomia”, afirmou Américo. Outra pasta que sofreu cortes foi a de Educação. Mesmo proporcionalmente sendo um valor pequeno – dos R$ 54 bilhões do orçamento, a Secre-

taria Municipal de Educação recebe R$ 11 bilhões –, o corte de R$ 100 milhões na Educação é bastante significativo. “Todo corte de recurso é uma redução da capacidade de operação”, destacou Américo. Porém, mesmo pequeno, o orçamento teve aumento, mas algumas pastas tiveram corte, e os recursos destas foram direcionados, segundo Américo, para três áreas: pagamento da dívida do município, previdência dos servidores municipais, e Secretaria de Transportes. Pelos dados da Prefeitura, houve um aumento de R$ 1 bilhão no orçamento de encargos gerais do município, incluindo gastos em relação a operações corriqueiras da Prefeitura, mas em especial ações que não têm bem materiais vinculados, ou seja, pagamentos de inativos da Prefeitura e a dívida pública do município. Quanto à previdência dos servidores municipais, Américo salienta que “a previdência é importante, mas é um sistema que precisa ser revisto, pois consome muito recurso”. Já o repasse para o Transporte, de acordo com ele, é para subsidiar o sistema, mas não para a criação de um sistema mais barato e de qualidade e sim para “pagar o lucro das empresas que está em torno de R$ 40 milhões por mês”.

Lava Jato

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da operação Lava Jato em primeira instância, aceitou o pedido feito pelos advogados do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e vai convocar o presidente da República, Michel Temer, e o ex-presidente Lula como testemunhas de defesa do deputado cassado. Cunha está preso desde 19 de outubro, e, em resposta às acusações feitas pelo Ministério Público Federal (MPF), solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que convocasse 22 pessoas “imprescindíveis” para depor em sua defesa. Fontes: Rede Nossa São Paulo, Congresso em Foco, G1, Estadão

órgãos e secretarias com os maiores cortes de gastos previstos para 2017: Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação, que passa de R$ 586 milhões para R$ 246 milhões (corte de 60%); Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, que passa de R$ 83 milhões para R$ 45 milhões (corte de 45%); Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial, que passa de R$ 28 milhões para R$ 15 milhões (corte de 45%); Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo, que passa de

R$ 261 milhões para R$ 155 milhões (corte de 40%); Secretaria Municipal de Relações Governamentais, que passa de R$ 33 milhões para R$ 20 milhões (corte de 40%); Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, que passa de R$ 1,8 bilhão para R$ 1,1 bilhão (corte de 37%); Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, que passa de R$ 1,6 bilhão para R$ 1,1 bilhão (corte de 33%);

Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, que passa de R$ 203 milhões para R$ 146 milhões (corte de 30%); Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras, que passa de R$ 685 milhões para R$ 513 milhões (corte de 25%); Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, que passa de R$ 21 milhões para R$ 16 milhões (corte de 23%). Fonte: Rede Nossa São Paulo


www.arquisp.org.br | 9 a 15 de novembro de 2016

| Geral | 11

‘A morte não é o fim, mas o começo da nossa verdadeira vida’ Luciney Martins/O SÃO PAULO

Edcarlos Bispo

edbsant@gmail.com

A pequena capela do Cemitério da Consolação ficou lotada para a celebração do Dia de Finados, às 10h, na quarta-feira, 2. Familiares, amigos e fiéis rezavam e recordavam seus entes queridos que já partiram para a casa do Pai. Para Roseli de Fátima Carlos, rezar pelos fiéis defuntos é “acreditar que eles não morreram, espiritualmente estão vivos. Acredito que meu corpo vai apodrecer na terra, mas meu espírito não. Acreditamos na vida eterna”, afirmou. “A morte não é o fim, mas o começo da nossa verdadeira vida”, enfatizou Roseli, acrescentando que a missão é “levar Jesus Cristo vivo para as pessoas”. De acordo com ela, a celebração pelos fiéis defuntos “nos faz repensar nossa vida e nossas atitudes”. “Devemos aproveitar agora. E se hoje for meu último dia? Vamos abraçar e amar os irmãos, não só os de dentro de casa, mas os que sofrem na rua”, comentou. A missa foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, que durante a homilia afirmou: “O Dia de Finados é um dia de reflexão, o dia que visitamos o túmulo de nossos falecidos e nos lembramos deles, mas, no fundo, o que buscamos são respostas para nós. Procuramos talvez nos mortos as respostas para os vivos”. Dom Odilo destacou que muitas vezes as pessoas questionam o porquê da morte, muitas se revoltam contra Deus

‘Aquele que crê no Cristo receberá a vida eterna e não morrerá’, afirma o Cardeal Odilo Pedro Scherer, em missa no Cemitério da Consolação

e não aceitam o fato de a vida ser finita, mas o cristão tem de ter a certeza de que aquele que crê no Cristo receberá a vida eterna e não morrerá. Além disso, o Cardeal recordou que é preciso fazer as coisas e amar as pessoas em vida. Afirmou que se fosse possível aos entes queridos que já partiram falar com os vivos, eles certamente lhes diriam para serem gratos pela vida que receberam de Deus; cuidar e tratar bem as pessoas durante a vida; reconciliar-se com os irmãos; não serem orgulhosos nem soberbos; serem humildes e honestos; aproveitar cada dia de vida e viver com dignidade e fraternidade, sempre praticando o bem.

Visita ao túmulo do jovem Antonio da Rocha Marmo

Após a celebração, o Cardeal visitou

o túmulo do Servo de Deus Antonio da Rocha Marmo, mas conhecido como Antoninho, uma criança a quem se atribuiu uma fama de santidade e realização de milagres. Seu túmulo é visitado por dezenas de fiéis e repleto de placas de agradecimento por milagres realizados. José Aldo do Carmo e a esposa estavam diante do túmulo e rezavam em silêncio por uma das filhas. “Ele foi um menino em quem a fé se manifestou muito cedo. Ouvimos falar de muitas graças conseguidas com muita oração a ele e com a intercessão dele”.

Ação contra o suicídio

Paralelo à celebração e às visitas aos túmulos, um grupo de cerca de 60 jovens vestindo camisas pretas entregava um pequeno cartão com um chocolate para as pessoas que passavam pelo cemitério.

De acordo com Israel Silva, coordenador do grupo, eles fazem parte do projeto “Um amigo”, que busca alertar e combater a prática do suicídio. Segundo Israel, acontece no mundo um suicídio a cada 40 segundos, mas no Dia de Finados estima-se que o tempo caia para um suicídio a cada 10 segundos. “A dor da perda ou da culpa volta à memória com um turbilhão de pensamentos, e nesse momento em que as pessoas não têm um ombro amigo, acabam se entregando à dor”. “Nós, que estamos aqui, já passamos por problemas semelhantes e sabemos que quando uma pessoa pensa em tirar a própria vida é porque ela não vê um outro rumo, outra solução”, alertou o membro do grupo, que já realizou esse projeto em outras cidades do Brasil e também no exterior.

Em missa, Arquidiocese recorda clérigos falecidos Júlia Cabral

Especial para O SÃO PAULO

No contexto litúrgico da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, celebrada na quarta-feira, 2, a Arquidiocese realizou na quinta-feira, 3, na Catedral da Sé, uma missa em sufrágio pelos bispos, padres e diáconos falecidos desde novembro do ano passado. No início da celebração, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, pediu ao Padre Luiz Eduardo

Pinheiro Baronto, cura da Catedral, que lesse os nomes “daqueles que dedicaram suas vidas a servir a Igreja, servir a Deus no sacerdócio, no pastoreio do povo de Deus”. Entre os clérigos que foram recordados estavam os nomes de Dom José Benedito Simão, que foi bispo auxiliar da Arquidiocese e morreu em novembro de 2015 à frente da Diocese de Assis (SP), e o Cônego Luiz Geraldo Amaral Mello, que faleceu em abril deste ano e era arcediago do Cabido Metropolitano. Aparecida Ferreira Lucco

No Dia de Finados, na quarta-feira, 2, o Cardeal Scherer presidiu missa na Paróquia Sagrado Coração de Jesus em Sufrágio das Almas, popularmente conhecida como Santuário das Almas, no bairro da Luz, próximo à estação Armênia do Metrô.

Na homilia, Dom Odilo comentou que o Dia de Finados “é ocasião para que nós nos confrontemos conosco mesmos, com a realidade da vida e da morte; e com aquelas questões que no fundo todo mundo traz no coração, mesmo quando não se quer encarar”, disse. “Nós, cristãos, nós, católicos, temos a nossa resposta a partir da Palavra de Deus”, afirmou. Sobre o sentido de rezar pelos mortos, o Arcebispo disse que todos os falecidos permanecem em Deus. “Quem

pela fé está unido a Deus, em Deus permanece. Não morre. Por isso, pedimos pelos falecidos, para que, quanto antes, pela misericórdia de Deus, sejam acolhidos, sejam perdoados os seus pecados. Deus a todos quer salvar. E nós não rezamos apenas pelos que têm fé, mas por todos, mais ainda pelos que não têm fé”, explicou. Após a missa, o Cardeal desceu à cripta da Catedral para fazer oração e aspergir com água benta os túmulos dos padres e bispos ali sepultados. Cemitério Gethsêmani Anhanguera

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, presidiu missa no Dia de Finados, na quarta-feira, 2, no Cemitério Gethsêmani Anhanguera, mantido pela Arquidiocese de São Paulo na zona Oeste da cidade.


12 | Reportagem |

9 a 15 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Free images

O drama do ca adolescentes, Relatório da organização Save the Children, divulgado em outubro, chamou a atenção do mundo para uma realidade sobre a qual pouco se fala Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Uma menina de 6 anos foi trocada por uma cabra, arroz e azeite pela própria família no Afeganistão e entregue a um homem 40 anos mais velho do que ela. O fato, confirmado por funcionários do governo daquele país, revela um drama que acontece em muitas outras nações: o casamento infantil. A história foi noticiada pela agência BBC Brasil em seu site. O caso foi relatado à polícia devido às denúncias dos vizinhos, e tanto o homem quanto os pais da criança foram presos. A garotinha está em um abrigo e não sofreu nenhum tipo de violência sexual. Essa, porém, não é a realidade de tantas outras meninas que, inclusive, chegam a morrer após serem obrigadas a se casarem com homens muito mais velhos do que elas. Foi o que aconteceu com Zahra, de 14 anos. O caso ganhou repercussão mundial, pois a menina morreu após a família do marido ter colocado fogo nela. A organização internacional de defesa dos direitos das crianças Save the Children emitiu um comunicado após a morte de Zahra: “É uma situação que parte o coração, e o sofrimento de Zahra ultrapassa o compreensível”, disse a diretora da Save the Children no Afeganistão, Ana Maria Locsin. Campanhas têm sido feitas contra o casamento infantil, mas o impacto ainda não foi capaz de alcançar os objetivos desejados. O tema voltou à tona no Dia Internacional da Menina, em 11 de outubro. A data tem sido celebrada desde 2012 como forma de alertar sobre a necessidade de avançar na proteção das crianças e adolescentes que vivem em situação de extrema pobreza e estão mais vulneráveis a diferentes tipos de violência. Quando o Dia Internacional da Menina foi criado pela Organização das Nações Unidas, recordou-se que a América Latina e o Caribe são as únicas regiões onde as taxas de gravidez na adolescência estavam estagnadas ou aumentaram. Uma em cada cinco crianças nasce de mães adolescentes na região, com idade entre 15 e 19 anos; no Brasil, um em cada cinco nascimentos ocorre com mães com idade entre 10 e 19 anos.

O amargo 102º lugar

“Mas, isso não existe no Brasil!”, po-

deria dizer alguém ao ler as notícias de casamentos de crianças e adolescentes em países africanos como Níger, Mali e Burkina Faso, onde a prática é socialmente difundida. Segundo o relatório divulgado pela Save the Children, o Brasil, apesar de sua renda per capita média alta, ocupa o 102º lugar entre 144 países analisados, sendo que o 1º lugar pertence ao país onde menos ocorrem esses casamentos. De acordo com o relatório, chamado “Até a última menina. Livres para viver, livres para aprender, livres de perigo”, a cada sete segundos uma menina com menos de 15 anos se casa no mundo, a maior parte delas com homens mais velhos. A Suécia foi o país que apresentou o melhor resultado do mundo. Níger, Chade, República Centro-Africana, Mali e Somália estão no fim da lista. “O casamento infantil dá início a um ciclo de desvantagens que nega às meninas os direitos mais básicos de aprender, se desenvolver e ser criança”, afirma a presidente da Save the Children International, Helle Thorning-Schmidt. “Meninas que se casam cedo demais frequentemente não podem ir à escola e estão mais propensas a sofrer violência doméstica, abuso e estupro. Elas engravidam e são expostas a doenças sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV”, alerta. Os resultados desse relatório foram divulgados em várias agências de notícias brasileiras.

Uma pesquisa inovadora

Ela não pensava em se casar tão cedo, mas ficou grávida de Marcos (nome fictício), 20 anos mais velho. Letícia (nome fictício), aos 15 anos, teve que assumir a casa, o filho, a dor de não poder mais estudar, nem trabalhar. E, embora tenha abandonado muitos dos seus sonhos, afirmou que talvez tenha sido melhor assim, afinal, foi bom que o pai tenha assumido o filho que eles tiveram e não deixou que ela fosse uma mãe solteira. O caso, tão frequente no Brasil, aponta um dos motivos mais comuns pelos quais as meninas com menos de 18 anos se casam – formalmente ou não – no país. Foi o que apurou a pesquisa “Ela vai no meu barco”, que surgiu inicialmente da observação dos dados do IBGE e do Unicef, que mostram que o Brasil, em números absolutos, é o quarto país do mundo com maior prevalência de casamento na infância e na adolescência. “Apesar disso, até então não havia sido realizada nenhuma pesquisa aprofundada ou um programa sobre casamento na infância e na adolescência por aqui. Percebemos uma lacuna muito grande e por isso realizamos essa pesquisa”, explicou à reportagem do O SÃO PAULO Tatiana Moura, diretora-executiva do Instituto Promundo, uma organização não governamental


www.arquisp.org.br | 9 a 15 de novembro de 2016

| Reportagem | 13

asamento de crianças e , também no Brasil

‘Ela vai no meu barco’

“Ela vai no meu barco” é a única pesquisa sobre casamento na infância e adolescência realizada no Brasil, e foi publicada em setembro de 2015. O título vem da fala de um homem casado em Belém do Pará, referindo-se à expectativa de que meninas casadas sigam as preferências dos seus maridos e as normas dentro do casamento por eles estabelecidas. Simboliza, também, a importância da cultura do rio em Belém. De 2013 até 2015, o Promundo conduziu a pesquisa no Pará e no Maranhão, os dois estados com maior prevalência desses casos, de acordo com o Censo de 2010. O estudo analisa as atitudes e práticas em torno do casamento na infância e adolescência. Tatiana informou que um dos desafios dos pesquisadores foi recrutar participantes em todos os grupos, especialmente os homens. “Tivemos certa dificuldade também em mobilizar para as entrevistas meninas casadas com homens adultos. Algumas alegavam não ter tempo, pois tinham os afazeres domésticos para dar conta e, em alguns casos, tivemos meninas que desmarcaram por medo da reação dos maridos. Em todas as entrevistas com meninas menores de 18 anos casadas com homens adultos, elas tinham de obter a permissão deles para ceder a entrevista.” Luca afirmou que vê o casamento das meninas como consequência de outras questões sociais. “Muitas vezes, elas veem no casamento uma oportunidade de ascensão social ou até de saída de uma situação familiar não satisfatória ou violenta. Mas se elas tivessem acesso efetivo a uma educação de qualidade e claras oportunidades de se desenvolver em autonomia, podendo ser o que elas quisessem, acredito que muitas meninas não casariam tão cedo”, opinou. Ele apontou também um fator muito presente nesses tipos de união, segundo a pesquisa: a violência. “Infelizmente, a

violência é comum nos casamentos de homens mais velhos com meninas. Eles, como provedores, se acham no direito de dispor do corpo e da vida da esposa-menina como acharem melhor”, completou Luca.

Mas casar não é legal?

No Brasil, a idade legal para o casamento é de 18 anos para homens e mulheres; ambos podem se casar aos 16 anos com o consentimento de seus pais ou responsáveis legais. Uma exceção, no entanto, segundo o Código Civil, permite que menores de idade possam se casar com menos de 16 anos, no caso de uma gravidez. E, de acordo com a pesquisa, os casamentos informais envolvendo crianças e adolescentes no Brasil partilham causas e consequências parecidas com casamentos mais formais em outros contextos. Eles estão motivados por uma combinação de fatores individuais e estruturais. A prática do casamento na infância não é o mais frequente entre a população em situação de pobreza nos locais pesquisados. No entanto, a pobreza é um fator presente antes e durante o casamento na vida das meninas que casam com menos de 18 anos. Gravidez ou iniciação sexual são usados para justificar um casamento na infância e adolescência. Um familiar abusivo, condições financeiras precárias, controle e dificuldade na mobilidade na casa de origem e outros fatores motivam as meninas a deixarem a sua casa e se casarem. Maridos muitas vezes têm a palavra final, com diferentes graus de influência vinda dos familiares e das próprias meninas. Os resultados encontrados em São Luís (MA) e Belém (PA) mostram que o casamento de meninas com idades entre 12 e 18 anos com homens adultos é altamente normalizado, a ponto de não ser considerado um problema. “Casamento na infância e na adolescência é tanto uma consequência quanto uma causa de outros problemas. De acordo com os resultados da nossa pesquisa, ele é uma consequência da desigualdade entre homem e mulher, normas sociais, pobreza, inseguridade etc. Além disso, pode causar ou influenciar que as meninas saiam da escola antes de terminarem a educação, limitar a liberdade e colocá -las em situação de violência doméstica”, argumentou Tatiana.

Repercussões

“Recebemos muito interesse na pesquisa por parte do governo, da mídia e da comunidade internacional, mas no contexto local ainda não vemos políticas ou programas para prevenir o casamento na infância e na adolescência no Brasil. Internacionalmente, essa pesquisa já influenciou e mudou a ideia de que casamento infantil acontece somente na Ásia e África. Fomos convidados para falar

num seminário no escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos em Genebra”, disse Tatiana sobre as repercussões de “Ela vai no meu barco”. Sobre o porquê do desconhecimento a respeito do tema, os pesquisadores apontaram a existência de uma prática, na maioria dos casos, informal e vista como consensual, ou seja, o melhor a ser feito diante de um contexto específico. “Mas as consequências são bem semelhantes às de outros países, como gravidez das meninas e, com isso, risco maior de mortalidade e morbidade maternal. A situação do casamento na infância e na adolescência precisa ser melhor conhecida em toda a América Latina e Caribe também”, enfatizou a diretora-executiva do Promundo. “O fenômeno vai definitivamente diminuir quando houver políticas públicas que deem oportunidades concretas de formação, crescimento, liderança e independência a essas meninas”, disse Luca, fazendo um apelo diante da realidade verificada na pesquisa.

Olhos nos olhos

O casamento de crianças e adolescentes que, muito possivelmente, ainda não alcançaram a maturidade e as condições necessárias para dizer um sim consistente diante da proposta de dividir a vida com outra pessoa e formar uma família é uma preocupação que vai além de questões políticas e sociais. Toca na dignidade da pessoa, nesse caso, da menina que não fez uma escolha livre, mas foi obrigada a isso, seja pessoalmente por alguém, seja pelas circunstâncias. A formação e educação para uma sexualidade vivida de maneira madura e responsável, a busca de condições dignas de moradia e educação e o apoio de uma família bem estruturada

são pistas para que esse drama não continue a acontecer no Brasil e em tantos outros lugares do mundo. A Igreja Católica, na Exortação Apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia, do Papa Francisco, recorda no artigo 12 que há, no ser humano, uma inquietação e busca para resolver a solidão que o perturba. “Uma relação direta, quase frontal – olhos nos olhos –, num diálogo também sem palavras, porque, no amor, os silêncios costumam ser mais eloquentes do que as palavras: é o encontro com um rosto, um tu que reflete o amor divino e constitui – como diz um sábio bíblico – o primeiro dos bens, uma ajuda condizente e uma coluna de apoio. Ou como exclamará a mulher do Cântico dos Cânticos, numa confissão estupenda de amor e doação na reciprocidade, ‘o meu amado é para mim e eu para ele (...) Eu sou para o meu amado e o meu amado é para mim’”. Free images

(ONG) que trabalha para construir um mundo livre de violência, envolvendo homens e meninos em parceria com mulheres e meninas. A ONG procurou a Plan International e a Universidade Federal do Pará para colaborar com o trabalho de campo no Maranhão e no Pará. “Para nós da Plan International, foi uma grande oportunidade para entender melhor um fenômeno do qual não se fala muito no Brasil, mas que vê o nosso país ocupando o quarto lugar no mundo em números absolutos de meninas casadas até a idade de 15 anos. Uma situação preocupante, que merecia um aprofundamento com uma pesquisa para entender melhor o fenômeno”, completou Luca Sinesi, diretor-adjunto de Programas na Plan International Brasil.


14 | Geral |

9 a 15 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

No coração da cidade, nova sede da Cáritas Arquidiocesana é inaugurada Luciney Martins/O SÃO PAULO

Fernando Geronazzo

osaopaulo@uol.com.br

A Cáritas Arquidiocesana de São Paulo (CASP) inaugurou a sua nova sede na quinta-feira, 3. As instalações localizadas na rua José Bonifácio, 107, no centro da capital paulista, foram abençoadas pelo arcebispo metropolitano e presidente da CASP, Cardeal Odilo Pedro Scherer, na presença de bispos auxiliares, padres, colaboradores e voluntários da Cáritas. Os dois primeiros andares do edifício de propriedade da Mitra Arquidiocesana de São Paulo abrigam a administração e as atividades desenvolvidas pela Cáritas, sendo que o primeiro é dedicado ao Centro de Acolhida a Refugiados, serviço permanente da Cáritas, realizado em convênio com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), que atende por dia aproximadamente 120 pessoas, que procuram os serviços de solicitação de refúgio junto ao governo brasileiro, documentação, assistência, integração e moradia. Também há encaminhamento para oportunidades de emprego. O terceiro andar do edifício acolherá os escritórios de diversas pastorais sociais da Arquidiocese, com o objetivo de tornar a ação social da Igreja de São Paulo mais integrada e articulada. Fundada em 4 de abril de 1968, a CASP é uma organização de assistência social e direitos humanos integrante da rede Cáritas Brasileira e Caritas Internationalis. A Cáritas Arquidiocesana tem por

Cardeal Odilo Pedro Scherer preside bênção das novas instalações da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, no centro da cidade, dia 3

missão ser um braço estendido da Igreja no serviço de sensibilização, animação, articulação e promoção da caridade.

Referência de caridade

“Como um coração pulsante, daqui possa fluir muito impulso para a prática de tantas iniciativas de caridade em nossa cidade”, afirmou Dom Odilo durante a cerimônia de inauguração, ressaltando que a CASP age como uma “agregadora e suscitadora de iniciativas de caridade”. O Cardeal destacou, ainda, que a Cáritas precisa de uma grande colaboração de pessoas que se disponham a ajudar como podem, sejam voluntários, benfeitores ou parceiros. Ele também recordou as inúmeras iniciativas que a organização promove, como as ações em emergências naturais e sociais, campanhas permanentes, como o apoio ao trabalho da Missão Padre Eduardo Higashi

Belém no Haiti e a recente campanha de ajuda a esse país, que foi atingido por um furacão em outubro. Por esses e tantos outros motivos, Dom Odilo salientou a importância de um espaço apropriado para o trabalho da CASP que fosse um lugar de referência para a cidade.

Visita de representantes da Caritas Internationalis

Na terça-feira, 8, o Cardeal Scherer recebeu, na Cúria Metropolitana, a visita do secretário-geral da Caritas Internacionalis, Michel Roy, acompanhado do representante eclesiástico da organização junto ao Vaticano, o Monsenhor Pierre Cibambo; do assessor para a América Latina, José Magalhães de Souza; e do presidente da Cáritas Brasileira, Dom João José Costa, arcebispo-coadjutor de Aracaju (SE). Também participaram

Alagados, de novo, no Jardim Tremembé Júlia Cabral

Especial para O SÃO PAULO

A forte chuva que caiu na capital paulista na tarde do domingo, 6, alagou alguns bairros, entre esses o Jardim Tremembé, na zona Norte da cidade. Segundo o Padre Eduardo Higashi, pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, localizada no bairro, as enchentes são recorrentes no local e sempre que chove a população já espera pelas consequências. “Os vizinhos aqui, boa parte deles, deixa a parte debaixo das casas livre. Uns usam como garagem, mas quando começa a chover, já tiram o carro para não perdê-lo”, afirmou ao O SÃO PAULO. Com a ajuda das Irmãs Passionistas da Alameda São José, o Padre iniciou o auxílio às famílias afetadas, com a limpeza e arrecadação de alimentos, água potável, material de higiene pessoal e de limpeza. Segundo o Sacerdote, ao menos de 30 a 40 casas foram atingidas pela enchente do último domingo.

problema recorrente

Enchentes voltam a assolar moradores do Jardim Tremembé

do encontro o diretor da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, Padre Marcelo Matias Monge, e o vice-diretor, Carlos Augusto Camargo. O grupo está no Brasil para o 5º Congresso da Cáritas Brasileira, em comemoração dos 60 anos da organização, que acontece entre os dias 9 e 13, em Aparecida (SP). Em entrevista ao O SÃO PAULO, Michel Roy ressaltou a relevância do trabalho da Cáritas Arquidiocesana, especialmente junto aos refugiados. “Hoje no mundo, mais e mais migrações causadas pela violência e a pobreza extrema se multiplicam. É importante que aqui no Brasil tenha sido organizada a acolhida dessas pessoas. O que pudemos ver foi um trabalho muito profissional, mas feito também com a fé, que é a nossa especificidade enquanto Cáritas”, elogiou.

Em janeiro deste ano, uma enchente assolou o Jardim Tremembé e muitas famílias perderam móveis, utensílios domésticos, fogões, colchões, roupas e veículos. De acordo com o Padre Eduardo Higashi, após cada

enchente a Prefeitura realiza ações emergenciais de limpeza das ruas e coleta dos móveis e eletrodomésticos danificados. No entanto, a construção de um piscinão, há anos prometido para a população, nunca teve um cronograma definido para começar. Em nota à reportagem, a assessoria de imprensa da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras informou que “a Subprefeitura Jaçanã/Tremembé realiza a limpeza das bocas de lobo e corte de mato nas margens dos córregos periodicamente ou sempre que há necessidade. Os serviços de zeladoria são intensificados no período chuvoso”. Na nota, entretanto, não há menção às enchentes no Jardim Tremembé no dia 6, mas apenas de chamados que a Defesa Civil da região recebeu naquele dia por conta da queda de um muro em um condomínio, na rua Almir de Carvalho, na Vila Albertina, “em razão da subida do nível do córrego Tremembé. Dois imóveis apresentaram rachaduras e foram interditados preventivamente. Não houve vítimas nem a necessidade de acionamento dos agentes da Assistência Social”, consta no texto. Os interessados em ajudar os afetados pela enchente podem fazer doações de itens diversos na matriz da Paróquia Nossa Senhora de Fátima (rua Maria Amália Lopes de Azevedo, 2.249, Jardim Tremembé), de segunda a sexta-feira, das 7h às 12h e das 14h às 17h. Outros detalhes podem ser obtidos pelo telefone (11) 2203-4157.


www.arquisp.org.br | 9 a 15 de novembro de 2016

| Com a Palavra | 15

Dom Sergio da Rocha

‘Somos os cardeais da misericórdia’ mas trilhar o caminho da participação e da comunhão. Sempre confiando na graça de Deus!

Filipe Domingues

Especial para O SÃO PAULO, em Roma

Os cardeais escolhidos pelo Papa Francisco neste Ano Jubilar são os “cardeais da misericórdia”, define Dom Sergio da Rocha, arcebispo de Brasília (DF) e presidente da CNBB. Ele mesmo é um dos novos homens de confiança do Pontífice: Dom Sergio foi o único brasileiro nomeado para o Consistório que acontecerá em 19 de novembro. O Papa anunciou há um mês a nomeação cardinalícia de 16 bispos e um sacerdote, dando-lhes também maior responsabilidade no governo da Igreja. Além disso, 13 dos eleitos, com menos de 80 anos, podem eleger o próximo papa num eventual conclave. Procurado por O SÃO PAULO entre uma viagem a Roma e vários compromissos, Dom Sergio concedeu entrevista exclusiva, por e-mail. Falou sobre sua nomeação, sobre a política no Brasil e a decisão do Papa de não visitar o país em 2017. Para o futuro cardeal, “a concepção de uma Igreja controladora da sociedade não se justifica teologicamente, nem é viável numa sociedade complexa e plural”. Porém, “uma Igreja servidora, profética e misericordiosa tem muito a oferecer para a superação dos problemas sociais”.

O SÃO PAULO – Dom Sergio, as escolhas de cardeais que antes seriam óbvias não são sempre as prioritárias do Papa Francisco. Por que ele o nomeou? Dom Sergio da Rocha - Vejo como sinal da misericórdia de Deus e da bondade do Papa Francisco. Afinal, a nomeação ocorre justamente no Ano da Misericórdia! Mas é também um gesto de amor do Papa pela Igreja no Brasil e de confiança no episcopado brasileiro. Foi bom demais ver o nosso povo se alegrar com a notícia da minha nomeação. Tudo isso é motivo de sincera gratidão, mas também de muita responsabilidade. Ficou surpreso com a notícia? O Papa Francisco não tem consultado antes quem está sendo nomeado cardeal. Recebi a notícia de modo inesperado, quando visitava uma das áreas mais carentes de Brasília. Eu me preparava para celebrar a missa numa ocupação no Recanto das Emas, cujas casas tinham sido destruídas, e as pessoas estão tentando reconstruir a vida. Foi um alerta para jamais me esquecer de nossa gente pobre e sofrida. É um sinal de Deus. Conforme o Papa Francisco tem insistido, o cardinalato não é uma honraria, mas um serviço. O povo brasileiro, representado por aquela comunidade, se sentiu amado e valorizado pelo Papa!

O Papa não visitará o Brasil em 2017. Ele explicou os motivos? Entendo que o Papa continua a querer visitar de novo o Brasil. Ele não cancelou, mas adiou a visita, sem previsão de data. Afirmou ter de retomar as visitas ad limina [reuniões de grupos de bispos com o Papa, no Vaticano], pois durante o Ano Santo não foram realizadas. O próprio episcopado brasileiro há tempos espera pela visita, que costuma ser a cada cinco anos. Além disso, é preciso lembrar que outros países precisam ainda mais da visita do Papa ou muito esperam por ele, como a própria Argentina. Em 11 de março, a CNBB, em nota, manifestou que o pano de fundo da crise no Brasil é “a ausência de referenciais éticos e morais”. Quais são os valores que faltam? Ressalto a ética na política, que necessita ser resgatada com urgência, o que exige honestidade da parte dos políticos e a superação da corrupção política e eleitoral. Uma sociedade democrática necessita da política e da atuação responsável dos políticos. A política partidária não pode ser negada ou deixada para os outros. Outra atitude a ser cultivada é o exercício consciente da cidadania. Cada cidadão e a sociedade civil têm muito a contribuir para a justiça e a paz, tão desejadas por todos. De modo especial, os cristãos leigos e leigas têm muito a oferecer. Eles devem ser “sal” e “luz” também no campo da política. A CNBB critica a polarização no debate político, que tem “ânimo acirrado”. Como a Igreja colabora? Por meio da Conferência Episcopal,

a Igreja procura estar sempre aberta ao diálogo com o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. A CNBB não adota postura político-partidária, não defende governos ou partidos. Exerce a sua missão profética, oferecendo contribuição fundamentada na Palavra de Deus e na Doutrina Social da Igreja, e não em ideologias políticas. A concepção de uma Igreja controladora da sociedade não se justifica teologicamente, nem é viável numa sociedade complexa e plural. Contudo, uma Igreja servidora, profética e misericordiosa tem muito a oferecer para a superação dos problemas sociais. Temos muito a fazer para a superação da agressividade, da intolerância e da violência. Educar para o diálogo e o respeito por quem pensa diferente. Quem pensa diferente não pode ser tratado como inimigo, seja em casa, nas ruas, nas redes sociais ou nos ambientes políticos. Como o senhor avalia o momento atual da Igreja no mundo? São muitos os desafios, de acordo com o contexto. Ressalto os conflitos e as guerras que estão fazendo sofrer tanta gente, especialmente os mais pobres e indefesos. A situação cruel dos refugiados e imigrantes, sempre lembrada pelo Papa, exigindo a atuação conjunta dos países e investimento efetivo. A pobreza e a miséria que perduram numa época de tanto desenvolvimento científico e tecnológico, sendo os pobres os mais sacrificados quando há crise econômica ou conflitos sociais. Não é fácil, mas a Igreja precisa evangelizar com especial atenção a essas situações, levar esperança e vida nova. Evangelizar os diferentes contextos culturais, da piedade popular aos ambientes secularizados e modernos areópagos. Não podemos ficar indiferentes nem acomodados,

E no Brasil, quais são os desafios? Também são muitos. Dentre eles, a renovação missionária da Igreja, formando comunidades, de fato, missionárias; a evangelização da Amazônia, que exige redobrar os esforços e empreender novas iniciativas, com urgência; a formação do laicato, especialmente de lideranças cristãs; a participação dos leigos na vida política; o diálogo ecumênico num contexto de intenso pluralismo religioso; a superação da miséria e da violência. Enfrentar tantos desafios é tarefa a ser compartilhada e pensada como Igreja, nos seus diferentes níveis. Não se pode deixar para os outros. Cada comunidade, pastoral ou movimento tem a sua parte a fazer. O Papa Francisco tem ajudado a Igreja a superá-los? O Papa tem contribuído muitíssimo, com os seus ensinamentos, mas, sobretudo, com seu testemunho e iniciativas. Temos aprendido muito com ele! Ele tem nos incentivado a ser uma Igreja missionária, em saída, ao encontro das ovelhas feridas e errantes. Uma Igreja misericordiosa e acolhedora, casa de portas abertas. Uma Igreja servidora, que vive da simplicidade. Por meio do Ano da Misericórdia, ele tem nos ajudado a vivê-la e a testemunhá-la. As palavras e iniciativas do Papa Francisco em favor dos refugiados têm sido comoventes. Os seus gestos de proximidade e diálogo têm contribuído na busca da paz e nos fazer abrir os olhos e o coração diante de tanta violência. A sua solicitude pela Amazônia muito tem nos animado. O seu lema episcopal é “Tudo na Caridade”. Como pensa em vivêlo como cardeal? O lema “Tudo na caridade” tem servido de motivação e, graças a Deus, me recordo frequentemente dele. Isso não significa que eu consiga viver como gostaria e deveria a caridade, a exemplo de Cristo. Como cardeal, espero poder viver mais “tudo na caridade”. Penso que os cardeais nomeados neste Ano Santo deveriam ser reconhecidos como “cardeais da misericórdia”. Temos que aprender a conjugar, com o Papa Francisco, o verbo “misericordiar”. A caridade em tudo e com todos não é fácil, mas é bonita demais e faz feliz quem a pratica e quem a recebe. Espero colaborar, ainda que modestamente, para que a caridade brilhe sempre mais na vida da Igreja. Mas isso só é possível pela caridade de Cristo!

As opiniões expressas na seção “Com a Palavra” são de responsabilidade do entrevistado e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do jornal O SÃO PAULO.


16 | Fé e Cultura |

9 a 15 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Filipe David

osaopaulo@uol.com.br

Dica de Leitura

A balada do cárcere Com sua fusão de imagens imprevistas e ideias complexas, “A balada do cárcere” situa Bruno Tolentino no topo da modernidade literária brasileira. Polêmico, com um histórico de desavenças com compositores da MPB e professores da USP, entre outros, Bruno Tolentino se definia como uma língua ferina entortada pelo vício da ironia. Não exibia falsa modéstia quanto a seu papel no cenário literário brasileiro, tinha consciência do próprio talento: “Mudei a história da Literatura, pus o Brasil no mapa internacional”, afirmava. Considerado um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos, ganhou

Curso Divulgação

três vezes o Prêmio Jabuti, tornando-se um dos únicos escritores a conseguir tal feito. Nascido da experiência de 11 anos de prisão em Dartmoor, no Reino Unido, “A balada do cárcere” recebe agora uma segunda edição, comentada, com apresentação do poeta Érico Nogueira, e notas e organização de Juliana P. Perez, Jessé de Almeida Primo, Guilherme Malzoni Rabello, Renato José de Moraes e Martim Vasques da Cunha. Ficha técnica: Autor: Bruno Tolentino Páginas: 224 Editora: Record

ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO CONVIDA Missa com a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, com bênção e envio da terra de São Paulo para o Santuário Nacional 20/11, às 18h Na Paróquia Nossa Senhora Aparecida (Rua Labatut, 781, Ipiranga) Transmissão ao vivo pela TV Aparecida

Como tornar-se um poeta

Os poetas nascem ou se tornam poetas? Como em qualquer ofício ou profissão – engenheiro, atleta, vendedor –, o fato é que se uns têm mais jeito que outros para a poesia, isso não implica a inexistência de regras básicas que norteiam e fundamentam essa atividade artística. E o que é mais importante: essas regras podem ser aprendidas. Se, pois, você gosta de poesia, e está inseguro sobre sua “vocação” de poeta, esse curso é pra você: aprendendo as regras básicas do fazer poético e os conceitos fundamentais da crítica de poesia, você será capaz, no final do curso, de fazer um juízo mais realista sobre suas próprias capacidades e, desse modo, aprimorar suas habilidades de leitura e composição. Serão quatro encontros, com as seguintes datas e temas: 22/11: 1. A formação do poeta. 2. O autoconhecimento como princípio e fonte da poesia. 3. Exercícios de autoconhecimento: introdução ao cânone ocidental; 29/11: 1. Breve história do cânone ocidental. 2. Querela de antigos e modernos: a poesia ontem e hoje. 3. Introdução ao cânone luso-brasileiro; 06/12: O cânone luso-brasileiro (momentos decisivos): 1. Luís de Camões. 2. Fernando Pessoa. 3. Carlos Drummond de Andrade. 4. João Cabral de Melo Neto. 13/12: 1. Poesia brasileira hoje: Bruno Tolentino e Alberto da Cunha Melo. 2. A lição dos clássicos: o domínio da forma. 3. Poesia e verdade: torna-te quem tu és. As aulas serão às terças-feiras, das 20h às 22h. Inscrições e mais informações: www.erealizacoes.com.br/eventos ou (11) 5572-5363.


www.arquisp.org.br | 9 a 15 de novembro de 2016

| Esporte | 17

A pioneira

Kin Saito/CBF

Emily Lima será a primeira técnica a comandar a seleção feminina de futebol Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

Na manhã seguinte à perda do título da Copa do Brasil Feminina, comandando a equipe de São José dos Campos, o telefone de Emily Lima tocou. Seria o presidente do clube? Um pedido de entrevista? O desabafo de alguma atleta? Nada disso. O que ela ouviu foi o convite para ser a treinadora da seleção feminina de futebol. “Eu não esperava, mas é claro que a gente se prepara para esse momento. Foi uma surpresa que me tirou do chão”, contou a nova técnica do Brasil, durante a entrevista coletiva na sede da CBF, no Rio de Janeiro, na quinta-feira, 3. Aos 36 anos, a paulistana que defendeu profissionalmente a seleção portuguesa e já treinou as seleções sub-15 e sub-17 do Brasil é agora a primeira mulher da história à frente da seleção principal, no lugar do técnico Vadão, que levou o Brasil ao 4º lugar nos Jogos Rio 2016 e à medalha de ouro no Pan de Toronto 2015. Emily estreará em dezembro, no Torneio Internacional de Futebol Feminino, em Manaus (AM).

De mulher pra mulher

“Eu não acredito que o futebol mude com mulher ou sem mulher. Eu acho que a gente tem que estar capacitada para o cargo que está sendo proposto. Claro que eu vou ter uma relação diferente com as meninas. Muitas vezes, a gente usa da psicologia, elas têm mais abertura com mulher, isso eu já vivi muito no futebol feminino. Então, a única mudança será fora do campo mesmo”, comentou. A treinadora prometeu trazer à CBF o que há de mais moderno na gestão do futebol feminino e acredita que terá sucesso comandando as atletas que puder convocar. “Tenho que pensar muito bem o modelo de jogo que vou utilizar, porque no clube eu tinha algumas peças as quais eu precisava me adaptar. Já aqui, posso e tenho que convocar as melhores atletas da atualidade. Dentro disso, vou procurar fazer um jogo bastante ofensivo. Estudo muito o futebol da Europa, que é um futebol mais vistoso”, analisou.

Experiência e renovação

Para este ciclo de trabalho, que inclui a Copa do Mundo Feminina em 2019, na França, e os Jogos de Tóquio 2020, Emily espera contar com as experientes Cristiane, 31, Formiga, 38, referências da atual seleção, e Marta, 30, por cinco vezes eleita a melhor do mundo pela Fifa e que foi novamente indicada à premiação este ano. Sem descartar as veteranas, Emily também pretende uma renovação de nomes. “Acredito nas meninas novas que estão vindo. Temos que apostar nessa renovação, mas com cautela, com calma”, disse a treinadora, que preferiu

não comentar sobre a manutenção da seleção permanente de futebol feminino. “Estamos estudando muito sobre a seleção permanente. Não posso falar ainda, porque esse é um assunto que vamos priorizar um pouco mais para frente.”

Clubes e cultura do futebol

Também durante a coletiva de imprensa, Emily disse que os clubes brasileiros quase não têm trabalhos de base com o futebol feminino, o que dificulta a permanência das ex-atletas no futebol. “A gente vive uma realidade totalmente diferente da do homem. Nos clubes, com o que recebemos, a gente precisa de outra renda para viver. Vou

conversar com o presidente [Marco Polo Del Nero] para ver como ajudar essas atletas que querem se formar treinadoras. Pouquíssimas atletas querem dar sequência como treinadoras, não sei se por conta de todas as dificuldades que já passamos como jogadoras”, disse. A técnica também se comprometeu a lutar pelo maior reconhecimento do futebol feminino no país - “o meu maior sonho é ver a modalidade onde ela merece estar” - e comentou que, aos poucos, está sendo quebrada a tradição machista desse esporte. “Vou valorizar muito o que o presidente está fazendo, essa coragem de colocar uma mulher à frente da seleção principal. Tenho essa responsabilidade junto com toda a minha equipe, para que a gente

possa ir quebrando isso aos poucos.” Na avaliação do jornalista esportivo William Douglas, da TV Brasil, a chegada de Emily Lima ao comando da seleção principal é uma conquista das mulheres envolvidas no futebol, mas o trabalho da técnica só dará certo se houver paciência com eventuais resultados negativos. “Estamos ainda no começo de um ciclo, começando a ver mudanças, e isso pode precisar de ajustes ao longo do tempo. Não temos mais uma geração espetacular. A Marta está com 30 anos, a Cristiane, com 31, então, é preciso começar um trabalho de renovação, buscar atletas. A mudança de agora é para começar a se pensar um projeto para adiante, que pode ou não dar frutos já nos Jogos de 2020”, disse ao O SÃO PAULO.


18 | Balanço |

9 a 15 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

MITRA ARQUIDIOCESANA DE SÃO PAULO

CNPJ 63.089.825/0001-44 - BALANÇO PATRIMONIAL DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2015 E 2014 BALANÇO PATRIMONIAL

DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADOS

Exercícios findos em 31 de dezembro de 2015 e 2014 (Valores expressos em reais)

Exercícios findos em 31 de dezembro de 2015 e 2014 (Valores expressos em reais)

Ativo Nota 2015 2014 Circulante Caixa e equivalentes de caixa 4 50.091.074,51 43.000.804,82 Aplicações financeiras 5 18.271.341,05 17.034.186,47 Contas a receber 6 1.787.643,41 1.833.349,01 Empréstimos e adiantamentos 7 8.919.296,97 8.948.376,88 Despesas antecipadas 1.343.829,86 48.848,82 Total do ativo circulante 80.413.185,80 70.865.566,00 Não circulante Realizável a longo prazo Contas a receber longo prazo 250,00 Empréstimos conced.outras organizações 145.847,19 28.158,40 Depósitos judiciais 47.317,51 47.317,51 Título Público a receber - Municipal 8 1.586.133,71 CEPAC - Certif.Potencial Adic.Construtivo 9 36.707.877,39 Investimentos 1.258.676,76 1.258.676,76 Imobilizado 10 104.018.627,43 104.172.317,63 Intangível 11 620.012,55 518.684,61 Total do ativo não circulante 144.384.742,54 106.025.154,91 Total do ativo 224.797.928,34 176.890.720,91 Passivo Nota 2015 2014 Circulante Fornecedores 786.781,04 648.809,27 Salários, férias e encargos sociais a pagar 12 2.086.369,59 1.426.713,71 Obrigações fiscais a recolher 308.780,85 263.523,83 Outras contas a pagar 2.826.591,52 2.336.711,22 Repasses de coletas a pagar 4.717.809,27 4.267.995,13 Total do passivo circulante 10.726.332,27 8.943.753,16 Não circulante Exigível a longo prazo Impostos parcelados a recolher 13 1.201.772,67 42.349,02 Total passivo não circulante 1.201.772,67 42.349,02 Patrimônio líquido 14 Superávit acumulado 146.301.369,70 143.156.586,15 Superávit do exercício 44.072.098,84 3.144.783,55 Ajustes avaliação patrimonial 21.603.249,03 21.603.249,03 Títulos públicos 893.105,83 Total patrimônio líquido 212.869.823,40 167.904.618,73 Total do passivo 224.797.928,34 176.890.720,91

DEMONSTRAÇÕES DOS RESULTADOS ABRANGENTES Exercícios findos em 31 de dezembro de 2015 e 2014 (Valores expressos em reais)

2015 2014 44.072.098,84 3.144.783,55 Superávit do exercício Superávit abrangente total 44.072.098,84 3.144.783,55

Nota 2015 2014 Receita operacional bruta Receitas de serviços 15 62.558.255,34 55.048.611,67 Donativos, dízimos e coletas 16 112.627.624,17 99.513.705,13 Cemitério Gethsêmani 17 3.045.689,70 3.174.608,94 CEPAC - Certif.Potencial Adic.Construtivo 18 36.707.877,39 Receita operacional líquida 214.939.446,60 157.736.925,74 Despesas operacionais Despesas com salários, férias e encargos sociais 19 (71.357.868,36) (60.328.322,48) Despesas com serviços 20 (30.877.352,26) (30.120.194,78) Despesas paroquiais 21 (8.601.969,09) (7.679.410,72) Despesas com pastorais 22 (27.793.489,95) (26.271.668,90) Despesas com água, luz,correios, telefone e gás 23 (8.842.644,59) (7.466.561,63) Despesas com expediente 24 (11.081.976,57) (9.052.939,91) Despesas com locações 25 (1.644.287,32) (1.582.928,99) Despesas com manutenção 26 (7.950.793,73) (7.083.338,07) Despesas com viagens e estadias 27 (216.321,35) (196.048,50) Outras despesas administrativas 28 (2.253.850,11) (2.043.080,21) (5.443.512,05) (5.468.035,29) Despesas com depreciações (176.064.065,38) (157.292.529,48) Superávit operacional antes do resultado financeiro 38.875.381,22 444.396,26 Despesas financeiras 29 (1.025.064,81) (1.098.919,72) 6.221.782,43 3.799.307,01 Receitas financeiras 30 5.196.717,62 2.700.387,29 Superávit do exercício 44.072.098,84 3.144.783,55

2015 2014 Caixa líquidas provientes das atividades operacionais 11.673.733,20 13.479.235,75 Lucro líquido 44.072.098,84 3.144.783,55 Mais: depreciação 4.635.825,77 5.464.876,29 Lucro ajustado 48.707.924,61 8.609.659,84 Aumento/diminuição de aplicações financeiras (1.237.154,58) 5.031.090,24 Aumento/diminuição em duplicatas a receber 45.455,60 (315.414,80) Aumento/diminuição em empréstimos e adiantamentos (88.608,88) (379.003,45) Aumento/diminuição em despesas pagas antecipadamente (1.294.981,04) (48.848,82) Outros ativos (38.294.011,10) Aumento/diminuição em depósitos judiciais - (7.058,11) Aumento/diminuição em salários, férias e encargos sociais 659.655,88 385.347,69 Aumento/diminuição em obrigações fiscais a recolher 1.204.680,67 (40.527,80) Aumento/diminuição em repasses/outras contas a pagar 1.077.666,21 94.462,26 Variação de saldos outros passivos 893.105,83 149.528,70 Caixa líquidas provientes das atividades de investimentos (4.583.463,51) (9.600.269,31) Recebimento pela alienação (venda) de Imobilizado 1.997.231,41 Pagamento pela aquisição de imobilizado e intangível (6.469.422,46) (9.586.244,38) Pagamento pela aquisição de intangíveis (111.272,46) (14.024,93) Aumento líquido de caixa 7.090.269,69 3.878.966,44 Caixa e equivalentes de caixa no início do período 43.000.804,82 39.121.838,38 Caixa e equivalentes de caixa no final do período 50.091.074,51 43.000.804,82 Variação do caixa e equivalentes de caixa 7.090.269,69 3.878.966,44

As notas explicativas são parte integrante das demonstrações financeiras.

As notas explicativas são parte integrante das demonstrações financeiras.

As notas explicativas são parte integrante das demonstrações financeiras.

DEMONSTRAÇÕES DOS FLUXOS DE CAIXA (MÉTODO INDIRETO) Exercícios findos em 31 de dezembro de 2015 e 2014 (Valores expressos em reais)

DEMONSTRAÇÕES DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO Saldos em 1º de janeiro de 2014 Transf. resultados acumulados Superávit do exercício Saldos em 31 de dezembro de 2014 Transf. resultados acumulados Superávit do exercício Títulos públicos (precatórios) Saldos em 31 de dezembro de 2015

Exercícios findos em 31 de dezembro de 2015 e 2014 (Valores expressos em reais)

Superávit Superávit Ajuste de avaliação Títulos públicos acumulado exercício patrimonial (precatórios) Total 131.493.808,82 11.662.777,33 21.603.249,03 - 164.759.835,18 11.662.777,33 (11.662.777,33) - - - 3.144.783,55 - - 3.144.783,55 143.156.586,15 3.144.783,55 21.603.249,03 - 167.904.618,73 3.144.783,55 (3.144.783,55) - - - 44.072.098,84 - - 44.072.098,84 - - - 893.105,83 893.105,83 146.301.369,70 44.072.098,84 21.603.249,03 893.105,83 212.869.823,40 As notas explicativas são parte integrante das demonstrações financeiras.

As notas explicativas são parte integrante das demonstrações financeiras.

NOTAS EXPLICATIVAS

Exercícios findos em 31 de dezembro de 2015 e 2014

1 Contexto operacional A Mitra Arquidiocesana de São Paulo, também conhecida por Mitra de São Paulo, de caráter religioso, educacional e de assistência social, sem fins lucrativos, designada canonicamente “Arquidiocese de São Paulo” fundada e constituída pelo Papa Bento XIV, em 06 de dezembro de 1745, pela Bula “Candor Lucis aetamae”, como circunscrição da Igreja Católica Apostólica Romana e inscrita no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica sob o nº 63.089.825/0001-44. A Mitra Arquidiocesana de São Paulo, como instituição eclesiástica, entidade civil beneficente, tem por escopo realização de atividades religiosas, educacionais, culturais e de assistência social, inclusive de assistência à saúde, e nesta condição integra, abrange e representa sob sua personalidade jurídica, as paróquias, freguesias, templos católicos, confrarias, irmandades, devoções, invocações, cúria arquidiocesana e órgãos de administração eclesial, detendo em consequência, a titularidade de todos os bens e direitos de uso e serventia que lhe são próprios, dentro dos limites territoriais da Arquidiocese de São Paulo e submetidos à autoridade canônica do Arcebispo Metropolitano. Atualmente a Mitra Arquidiocesana de São Paulo compreende cerca de 480 unidades das quais podemos citar aproximadamente 452 paróquias e comunidades distribuídas dentro do território. 2 Base de preparação a. Declaração de conformidade (com relação às normas IFRS e às normas do CPC) As demonstrações financeiras foram elaboradas de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil. A emissão e publicação das demonstrações financeiras foi autorizada pelo Conselho de Assuntos Econômicos da Arquidiocese de São Paulo em plenário eletrônico finalizado na data de 19 de outubro de 2016. b. Base de mensuração As demonstrações financeiras foram preparadas com base no custo histórico com exceção pelos instrumentos financeiros mensurados pelo valor justo por meio do resultado. c. Moeda funcional e moeda de apresentação Essas demonstrações financeiras são apresentadas em Real, que é a moeda funcional da Mitra. d. Uso de estimativas e julgamentos A preparação das demonstrações financeiras da Mitra Arquidiocesana de São Paulo requer que a Administração faça julgamentos e estimativas e adote premissas que afetam os valores apresentados de receitas, despesas, ativos e passivos, bem como as divulgações de passivos contingentes, na data-base das demonstrações financeiras. Revisões com relação a estimativas contábeis são reconhecidas no período em que as estimativas são revisadas e em quaisquer períodos futuros afetados. As informações sobre incertezas de premissas e estimativas que possuam um risco significativo de resultar em um ajuste material dentro do próximo exercício financeiro e julgamentos críticos referentes às políticas contábeis adotadas que apresentam efeitos sobre os valores reconhecidos nas demonstrações financeiras estão incluídos nas seguintes notas explicativas: • Determinação da vida útil do ativo imobilizado. O resultado das transações e informações quando da efetiva realização podem divergir dessas estimativas. 3 Principais políticas contábeis As políticas contábeis descritas em detalhes abaixo têm sido aplicadas de maneira consistente aos períodos apresentados nessas demonstrações financeiras. a. Transações em moeda estrangeira Transações em moeda estrangeira são convertidas para as respectivas moedas funcionais da Mitra pelas taxas de câmbio nas datas das transações. Ativos e passivos monetários denominados e apurados em moedas estrangeiras na data de apresentação são convertidos para a moeda funcional à taxa de câmbio apurada naquela data. O ganho ou perda cambial em itens monetários é a diferença entre o custo amortizado da moeda funcional no começo do período, ajustado por juros e pagamentos efetivos durante o período, e o custo amortizado em moeda estrangeira à taxa de câmbio no final do período de apresentação. b. Instrumentos financeiros Ativos financeiros não derivativos A Mitra reconhece os recebíveis e depósitos inicialmente na data em que foram originados. Todos os outros ativos financeiros são reconhecidos inicialmente na data da negociação na qual a Mitra se torna uma das partes das disposições contratuais do instrumento. A Mitra não reconhece um ativo financeiro quando os direitos contratuais aos fluxos de caixa do ativo expiram, ou quando a Mitra transfere os direitos ao recebimento dos fluxos de caixa contratuais dele em uma transação no qual essencialmente todos os riscos e benefícios da titularidade do ativo financeiro são transferidos. Eventual participação que seja criada ou retida pela Mitra nos ativos financeiros é reconhecida como um ativo ou passivo individual. Os ativos ou passivos financeiros são compensados e o valor líquido apresentado no balanço patrimonial quando, e somente quando, a Mitra tenha o direito legal de compensar os valores e tenha a intenção de liquidar em uma base líquida ou de realizar o ativo e liquidar o passivo simultaneamente. A Mitra tem os seguintes ativos financeiros não derivativos: ativos financeiros registrados pelo valor justo por meio do resultado e recebíveis. Ativos financeiros registrados pelo valor justo por meio do resultado Um ativo financeiro é classificado pelo valor justo por meio do resultado caso seja classificado como mantido para negociação e seja designado como tal no momento

do reconhecimento inicial. Os ativos financeiros são designados pelo valor justo por meio do resultado se, e somente se a Mitra gerencia tais investimentos e toma decisões de compra e venda baseadas em seus valores justos de acordo com a gestão de riscos documentada e a estratégia de investimentos da Mitra. Os custos da transação, após o reconhecimento inicial, são reconhecidos no resultado como incorridos. Ativos financeiros registrados pelo valor justo por meio do resultado são medidos pelo valor justo, e mudanças no valor justo desses ativos são reconhecidas no resultado do exercício. Recebíveis Recebíveis são ativos financeiros com pagamentos fixos ou calculáveis que não são cotados no mercado ativo. Tais ativos são reconhecidos inicialmente pelo valor justo acrescido de quaisquer custos de transação atribuíveis. Após o reconhecimento inicial, os recebíveis são medidos pelo custo amortizado através do método dos juros efetivos, decrescidos de qualquer perda por redução ao valor recuperável. Os recebíveis abrangem caixa e equivalentes de caixa e outros créditos. Caixa e equivalentes de caixa Caixa e equivalentes de caixa abrangem saldos de caixa, bancos conta movimento e aplicações financeiras com vencimento original de três meses ou menos a partir da data da contratação, os quais são sujeitos a um risco insignificante de alteração no valor, e são utilizadas na quitação das obrigações de curto prazo. c. Passivos financeiros não derivativos A Mitra reconhece títulos de dívida emitidos e passivos subordinados inicialmente na data em que são originados. Todos os outros passivos financeiros são reconhecidos inicialmente na data de negociação na qual a Mitra se torna uma parte das disposições contratuais do instrumento. A Mitra baixa um passivo financeiro quando tem suas obrigações contratuais retirada, cancelada ou vencida. A Mitra tem os seguintes passivos financeiros não derivativos: fornecedores, diferenças salariais e outras contas a pagar. Tais passivos financeiros são reconhecidos inicialmente pelo valor justo acrescido de quaisquer custos de transação atribuíveis. Após o reconhecimento inicial, esses passivos financeiros são medidos pelo custo amortizado através do método dos juros efetivos. Instrumentos financeiros derivativos A Mitra não possuía em 31 de dezembro de 2015 e 2014 nenhuma operação com instrumentos financeiros derivativos, incluindo operações de hedge. d. Contas a receber Representam basicamente operações ocorridas no Cemitério Gethsêmani. O reconhecimento do ajuste para créditos duvidosos foi constituído em montante considerado suficiente pela Administração para fazer face, a eventuais perdas na realização destes ativos e é calculada levando-se em consideração os índices históricos de recuperação em suas diversas modalidades. Estes índices são revisados anualmente buscando uma melhor estimativa para a mensuração desses valores. e. Passivo circulante e não circulante Os passivos circulantes e não circulantes são demonstrados pelos valores conhecidos ou calculáveis acrescidos, quando aplicável dos correspondentes encargos, variações monetárias e/ou cambiais incorridas até a data de levantamento do balanço patrimonial. f. Provisões Uma provisão é reconhecida no balanço patrimonial quando a Mitra possui uma obrigação legal ou constituída como resultado de um evento passado, e é provável que um recurso econômico seja requerido para saldar a obrigação. As provisões são registradas tendo como base as melhores estimativas, de escritórios jurídicos independentes, do risco envolvido. g. Imobilizado Reconhecimento e mensuração Itens do imobilizado são mensurados pelo custo histórico de aquisição ou construção, deduzido de depreciação acumulada e perdas de redução ao valor recuperável (impairment) acumulada. Ganhos e perdas na alienação de um item do imobilizado são apurados pela comparação entre os recursos advindos da alienação com o valor contábil líquido do imobilizado e são reconhecidos em outras receitas/despesas operacionais no resultado. Depreciação As vidas úteis estimadas para os períodos corrente e comparativo são as seguintes: Móveis e utensílios 10 anos Computadores periféricos de informática 5 anos Máquinas e equipamentos 10 anos Instalações 10 anos Ferramentas 10 anos Veículos 5 anos Outras imobilizações 10 anos Os métodos de depreciação, as vidas úteis e os valores residuais serão revistos a cada encerramento de exercício financeiro e eventuais ajustes são reconhecidos como mudança de estimativas contábeis. h. CEPAC (Certificado de Potencial Adicional Construtivo) Este direito é um título ao portador e pode ser comercializado no chamado “mercado secundário”, e atende a premissa de expectativa de geração de benefício econômico para a Mitra. O valor apresentado nas demonstrações financeiras indica a expectativa da Administração da Mitra quanto à sua realização, em conjunto com os esforços de negociação deste título para o qual, quando efetivamente negociado, prevalecerá o valor de mercado na data de cada negociação. i. Receitas e despesas financeiras As receitas financeiras abrangem receitas de juros sobre aplicações financeiras e juros sobre contas a receber. A receita de juros é reconhecida no resultado, através do método dos juros efetivos. As despesas financeiras abrangem despesas com juros sobre empréstimos, despesas com juros e multas sobre passivos em abertos. Custos de empréstimo que não são diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um ativo qualificável são mensurados no resultado através do método de juros efetivos, além dos encargos financeiros incidentes sobre tributos parcelados junto ao Governo.

4 Caixa e equivalentes de caixa 2015 2014 Caixa matriz e regiões 473.320,58 448.772,24 Caixa paróquias 48.890.830,38 41.664.475,13 Caixa cemitério Gethsêmani 3.963,77 205.941,07 Caixa colônias, residências e seminários 657.973,23 640.212,93 Outros caixas 64.986,55 41.403,45 50.091.074,51 43.000.804,82 As disponibilidades da Instituição ficam sob a responsabilidade da Matriz e de suas filiais (paróquias, regiões episcopais, seminários, cemitério entre outros). 5 Aplicações financeiras 2015 2014 Matriz Recursos sem restrição 14.695.556,96 14.379.413,40 Recursos com restrição (i) 661.273,61 147.188,29 15.356.830,57 14.526.601,69 Cemitério Gethsêmani 51.953,21 183.098,20 Regiões Episcopais 2.862.557,27 2.324.486,58 18.271.341,05 17.034.186,47 As aplicações financeiras de curto prazo referem-se, substancialmente, aos fundos de renda fixa e são remunerados a taxas praticadas pelo mercado. Existem ainda aplicações em certificados de depósitos bancários remunerados a taxas que variam entre 92% a 98% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). (i) Recursos com restrição Composição dos recursos com restrição: 2015 2014 (a) Convênio Seminário Luz 625.610,10 (b) Convênio Minc Pronac 35.663,51 147.188,29 661.273,61 147.188,29 (a) Convênio com a Secretaria de Estado da Cultura para obras de restauração do Seminário da Luz. (b) Convênio com o Ministério da Cultura para a restauração da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Santa Ifigênia. 6 Contas a receber 2015 2014 Clientes (mercadorias) 830.843,94 830.537,07 Clientes (locações) 197.040,81 197.040,81 Cheques devolvidos 386.504,99 382.635,76 Cartões de crédito 315.523,47 365.405,17 Unidades coligadas/controladas 57.730,20 57.730,20 1.787.643,41 1.833.349,01 Compreendem basicamente a operações ocorridas no Cemitério Gethsêmani. 7 Empréstimos e adiantamentos 2015 2014 Empréstimos e adiantamentos 8.919.296,97 8.948.376,88 8.919.296,97 8.948.376,88 Referem-se aos empréstimos realizados para atender às necessidades gerais da Mitra Arquidiocesana, suas paróquias, regiões, etc. 8 Título Público a receber - Municipal 2015 2014 Título Público a receber - Municipal 1.586.133,71 1.586.133,71 Refere-se à execução contra a Municipalidade de São Paulo, autos processuais nº 20251/05 em tramitação na Vara de execuções contra a Fazenda Pública, setor Municipal, do Fórum da Fazenda Pública da Comarca de São Paulo-SP, por sua vez decorrente da ação de desapropriação nº 053.77.131437-9. A atualização monetária do valor ocorre de acordo com o INPC (IBGE), índice do Tribunal de Justiça de São Paulo destinado às desapropriações. 9 CEPAC – Certificado de Potencial Adicional Construtivo 2015 2014 CEPAC - Certif.Potencial Adic.Construtivo 36.707.877,39 36.707.877,39 Em 15 de Setembro de 2015, a Mitra obteve Declaração de Potencial Construtivo Passível de Transferência SMDU/DEUSO 0099/15, conforme publicação no Diário Oficial da Cidade de São Paulo. O diretor do Departamento do Uso do Solo - DEUSO da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano - SMDU, nos termos do que dispõem os artigos 122 a 132 da Lei nº 16.050, de 31 de julho de 2014, declarou que o imóvel situado na Avenida Nazaré, 993, Distrito do Ipiranga, São Paulo/SP, registrado no 6º Cartório de Registro de Imóveis da Capital e tombado pela Resolução nº 05/2007 e 06/2007 do Conpresp, dispõe de 35.011,40m2 (trinta e cinco mil, onze metros e quarenta decímetros quadrados) de potencial construtivo passível de transferência, originado sem a doação de terreno. Cada CEPAC equivale a determinado valor de m² para utilização em área adicional de construção ou em modificação de usos e parâmetros de um terreno ou projeto. Este valor mobiliário é um título ao portador e pode ser comercializado no chamado “mercado secundário”, e atende à premissa de expectativa de geração de benefício econômico para a Mitra. O recebimento deste direito foi reconhecido como receita na demonstração do resultado do exercício.


www.arquisp.org.br | 9 a 15 de novembro de 2016

| Balanço/Regiões Episcopais | 19

MITRA ARQUIDIOCESANA DE SÃO PAULO 10 Imobilizado 2015 2014 Terrenos, prédios e edificações 58.545.733,72 57.637.673,44 Móveis e untensílios 9.541.825,54 10.042.742,15 Computadores e periféricos de informática 1.345.253,05 1.915.703,97 Máquinas e equipamentos 4.320.875,80 4.208.913,68 Instalações 2.997.420,16 3.070.482,87 Veículos 2.332.339,27 3.368.107,50 Imagens, esculturas e quadros 504.015,23 467.864,81 Biblioteca/videoteca 312.935,73 351.970,29 Construções em andamento 22.787.073,13 22.787.073,13 Bens em aquisição (consórcio) 884.706,41 23.651,82 446.449,39 298.133,97 Outras imobilizações 104.018.627,43 104.172.317,63 Compreendem os ativos da Instituição. Esses bens estão reconhecidos pelo custo de aquisição sendo deduzidas as depreciações. 11 Intangíveis 2015 620.012,55 Intangível 620.012,55

2014 518.684,61 518.684,61

12 Salários, férias e encargos sociais a pagar 2015 2014 Salários, férias e outras obrigações a pagar 644.115,79 918.282,80 INSS, FGTS e PIS 290.207,73 106.258,70 1.152.046,07 402.172,21 Previsões de férias 2.086.369,59 1.426.713,71 Referem-se basicamente às obrigações trabalhistas junto aos funcionários da Instituição. 13 Impostos parcelados a recolher 2015 2014 Impostos parcelados a recolher 42.349,02 42.349,02 1.159.423,65 IPTU a recolher (i) 1.201.772,67 42.349,02 (i) PPI Municipal – A Mitra Arquidiocesana de São Paulo aderiu ao PPI (Programa de Parcelamento Incentivado) da Prefeitura do Município de São Paulo em Abril de 2015, em que o saldo foi dividido em 120 parcelas corrigidas mensalmente pela taxa Selic. Em 31 de dezembro de 2015, restavam 112 parcelas a pagar, compostas da seguinte forma: 2015 Pagamento estimado em 2016 139.130,88 Pagamento estimado em 2017 139.130,88 Pagamento estimado em 2018 139.130,88 Pagamento estimado em 2019 139.130,88 742.031,36 Pagamento estimado após 2019 1.298.554,88 14 Patrimônio líquido 2015 2014 Superávit acumulado 146.301.369,70 143.156.586,15 Superávit do exercício 44.072.098,84 3.144.783,55 Ajuste avaliação patrimonial 21.603.249,03 21.603.249,03 893.105,83 Títulos públicos (i) 212.869.823,40 167.904.618,73 O Patrimônio líquido é composto de todas as doações de bens, bem como dos superávits gerados ao longo dos exercícios sociais. Destacamos que as receitas, decorrentes de doações e contribuições para custeio, recebidas pela Mitra são empregadas integralmente nos seus objetivos sociais. (i) O valor registrado em títulos públicos, conforme mencionado na nota explicativa nº 8, refere-se à execução contra a Municipalidade de São Paulo decorrente da ação de desapropriação. 15 Receitas de serviços 2015 2014 Batizados 1.938.159,96 1.813.523,04 Casamentos 6.934.031,30 7.252.467,15 Taxas de processos 3.922.082,88 266.113,85 Espórtulas de missas 2.122.757,99 1.985.040,02 Receita de certidões 137.828,22 112.882,71 Cursos 313.445,96 294.094,22 Velas, vinhos e hóstias 2.376.405,32 2.308.320,56 Livros e periódicos 512.464,56 515.443,14 Imagens, santinhos e crucifixo 2.032.929,11 2.323.926,52 Festividades, promoções e quermesses 20.137.010,24 18.017.259,77 Aluguéis de imóveis e espaços físicos 18.934.696,86 17.907.004,39 Hospedagens 303.092,85 312.308,87 Folhetos 746.156,09 668.166,33 Estacionamento 272.434,49 247.108,95 Recuperação de despesas e receitas diversas 945.823,28 681.996,98 Receitas c/ganhos na alienação de bens 917.810,28 328.640,00 11.125,95 14.315,17 Outras receitas 62.558.255,34 55.048.611,67 As receitas auferidas são revertidas para os objetivos sociais da Instituição. 16 Donativos, dízimos e coletas 2015 Donativos 28.380.824,33 Dízimos 51.538.766,43 32.708.033,41 Coletas de missas 112.627.624,17

2014 23.481.182,77 47.082.708,45 28.949.813,91 99.513.705,13

17 Cemitério Gethsêmani 2015 Vendas de jazigos e gavetas 1.528.012,21 Receita de ossuário locado 20.500,00 Receita de sepultamento 131.872,58 Receita de velório 278.205,33 Receita de manutenção 902.340,63 Receita de lápides 80.590,00 Receita de serviço funerário 38.878,96 Receita de filete 21.610,00 Receita de exumações/reinumação 28.040,00 Outras receitas 15.639,99 3.045.689,70 Referem-se a receitas do Cemitério Gethsêmani em suas operações.

2014 1.664.054,25 28.900,00 113.415,57 263.312,93 911.272,81 88.650,00 36.372,95 22.380,00 30.876,28 15.374,15 3.174.608,94

18 CEPAC – Certificado de Potencial Adicional Construtivo 2015 2014 CEPAC - Certif.Potencial Adic.Construtivo 36.707.877,39 36.707.877,39 Recebimento de direito, conforme mencionado nota explicativa nº 9. 19 Despesas com salários, férias e encargos sociais 2015 2014 Desp.c/salários e ordenados (23.280.377,46) (19.982.768,40) Desp.c/congruas e verbas de representação (18.916.912,73) (15.858.287,84) Desp.c/férias e 13º salário (4.228.090,42) (3.632.459,13) Desp.c/INSS, FGTS e PIS (12.846.957,49) (11.031.248,54) Desp.c/assistência médica e odontológica (7.870.428,24) (6.695.892,10) Desp.c/cesta básica e vale refeição (2.069.544,72) (1.653.944,89) Desp.c/vale transporte (768.913,60) (594.841,10) Desp.c/seguro de vida (146.934,69) (61.041,06) Desp.c/treinamento de pessoal (30.716,75) (32.781,86) Desp.c/recisoes contratuais (974.505,84) (601.973,39) Desp.c/auxílio creche (134.233,74) (83.297,93) Outros benefícios sociais (90.252,68) (99.786,24) (71.357.868,36) (60.328.322,48) Refere-se a despesas e gastos com pessoal da Instituição. 20 Despesas com serviços 2015 2014 Desp.c/serv.-autonômos (10.422.267,72) (8.844.297,07) Desp.c/Serv.-estagiários (120.079,13) (82.900,90) Desp.c/serv.-construção civil e reformas (17.457.542,95) (18.171.293,97) Desp.c/serv.-educação (41.837,69) (79.948,47) Desp.c/serv.-limpeza patrimonial (822.288,54) (897.873,61) Desp.c/serv.-segurança patrimonial (1.397.773,26) (1.112.447,85) Desp.c/serv.-assessoria e consultoria (317.301,57) (702.621,14) Desp.c/serv.-propaganda e publicidade (105.498,44) (88.674,47) Desp.c/serv.-representação comercial (105.013,85) (94.812,84) Outras despesas com serviços (87.749,11) (45.324,46) (30.877.352,26) (30.120.194,78) 21 Despesas paroquiais 2015 2014 Desp.c/utilidades copa e cozinha (462.119,50) (576.955,53) Desp.c/utilidades cama e banho (84.925,38) (88.552,44) Desp.c/medicamentos e mat.hospitalares (488.018,74) (445.644,05) Desp.c/roupas e paramentos (423.589,00) (368.500,71) Desp.c/serviços médicos (522.952,38) (424.459,64) Desp.c/alimentação e refeição (5.431.088,78) (4.768.065,28) Desp.c/higiene pessoal e limpeza (1.117.436,69) (948.508,23) Outras despesas paroquiais (71.838,62) (58.724,84) (8.601.969,09) (7.679.410,72) 22 Despesas com pastorais 2015 2014 Desp.c/cursos/encontros e retiros (1.184.646,28) (854.927,35) Desp.c/espórtulas de missas pagas (1.633.777,45) (1.631.029,18) Desp.c/velas, vinhos e hóstias (2.172.415,54) (2.043.785,70) Desp.c/livros (917.336,66) (836.310,65) Desp.c/confecções, impressões e cartazes (2.252.850,59) (2.156.612,47) Desp.c/ornamentações (1.265.359,95) (1.168.799,50) Desp.c/imagens, santinhos e terços (612.802,86) (698.205,02) Desp.c/alfaias e medalhas (507.743,67) (564.556,83) Desp.c/materiais para as pastorais (2.145.852,03) (2.068.518,86) Desp.c/material de escritório (948.003,40) (897.066,09) Desp.c/condução e transportes (231.695,68) (259.871,07) Desp.c/cartório/xerox (95.145,96) (132.543,58) Desp.c/processos/custas judiciais (342.686,69) (195.433,96) Desp.c/donativos e contribuições pastorais (11.716.788,92) (11.357.901,61) Desp.c/verba pastoral (1.766.384,27) (1.406.107,03) (27.793.489,95) (26.271.668,90) 23 Despesas com água, luz, correios, telefone e gás 2015 Desp.c/água e esgotos (2.384.637,55) Desp.c/correios e malotes (408.692,53) Desp.c/energia elétrica (4.053.883,40) Desp.c/gás (284.207,16) Desp.c/telecomunicações (1.711.223,95) (8.842.644,59)

2014 (2.402.624,93) (306.083,78) (2.814.667,98) (235.276,07) (1.707.908,87) (7.466.561,63)

24 Despesas com expediente

2015

2014

Desp.c/assinat.de jornais e revistas (1.006.722,20) (716.026,32) Desp.c/bens de natureza permanente (1.318.863,17) (774.897,58) Desp.c/brindes e presentes (315.898,00) (247.774,32) Desp.c/combustiveis e lubrificantes (1.016.104,14) (872.328,32) Desp.c/transporte público e taxi (141.504,61) (147.370,60) Desp.c/refeições (161.724,32) (126.210,50) Desp.c/contrib.a entidades de classe (140.691,46) (226.832,31) Desp.c/estacionamento (112.303,04) (107.605,51) Desp.c/pedágio (45.982,06) (45.439,22) Desp.c/ações de solidariedade (4.929.411,75) (4.272.741,47) Desp.c/internet-tv a cabo (894.172,27) (779.957,32) Desp.c/seguros patrimoniais (518.243,05) (445.131,58) Desp.c/uniformes (25.290,49) (9.967,52) Desp.c/materiais de informática (63.765,49) (49.083,08) (391.300,52) (231.574,26) Outras despesas com expediente (11.081.976,57) (9.052.939,91) 25 Despesas com locações 2015 2014 Desp.c/locações de imóveis (697.887,56) (607.139,90) Desp.c/condomínio (673.460,81) (663.399,02) Desp.c/locações de móveis e utensílios (74.802,96) (78.872,84) Desp.c/locações de máquinas e eqptos. (136.065,23) (114.315,12) (62.070,76) (119.202,11) Desp.c/locação de veículos (1.644.287,32) (1.582.928,99) 26 Despesas com manutenção 2015 2014 Desp.c/manutenção de veículos (682.340,35) (646.977,32) Desp.c/manut.de imóveis(consert./reparos) (4.759.387,06) (4.393.473,09) Desp.c/manutenção de máquinas e eqptos. (2.002.329,56) (1.656.041,95) (506.736,76) (386.845,71) Desp.c/manutenção de sistemas (7.950.793,73) (7.083.338,07) 27 Despesas com viagens e estadias 2015 (216.321,35) Desp.c/viagens e estadias (216.321,35)

2014 (196.048,50) (196.048,50)

28 Outras despesas administrativas 2015 2014 Desp.c/IPTU (695.718,23) (487.323,07) Desp.c/IPVA (144.613,94) (111.103,63) Desp.c/licenciamentos de veiculos (49.008,71) (47.590,75) Desp.c/seguro obrigatório de veículos (151.105,54) (148.328,43) Desp.c/taxas municipais diversas (293.823,54) (300.134,61) Desp.c/multas por infração a legislação (99.369,83) (105.588,59) Desp.c/taxas serviços funerários (73.042,65) (54.278,26) Desp.c/placas e lapides (42.055,78) (21.396,59) Desp.c/processos (cíveis, trabalhistas e tributários) (66.068,64) (426.524,12) Desp.legais, judiciais, custas e emolumentos (294.062,51) (340.812,16) Perdas c/alienação de bens (332.700,00) (12.280,74) Outras despesas (2.253.850,11) (2.043.080,21) 29 Despesas financeiras 2015 2014 Desp.c/tarifas bancárias (499.793,60) (435.486,68) Desp.c/juros/encarg.financ.s/emprest.banc (71.596,98) (193.827,90) Desp.c/desconto concedido (365.245,27) (408.595,65) Desp.c/cartões (83.364,54) (57.859,52) Desp.c/perda com variação cambial - (1.937,29) (5.064,42) (1.212,68) Multas, juros, at.monet. s/pgto em atraso (1.025.064,81) (1.098.919,72) 30 Receitas financeiras 2015 2014 Juros sobre aplicação financeira 4.243.772,62 2.906.856,15 Ganhos com título de capitalização 3.458,68 6.782,17 Receitas financeiras - das operações 66.222,16 113.647,61 Descontos obtidos 25.959,30 10.422,28 Atualização monetária de títulos públicos (i) 693.027,88 1.189.341,79 761.598,80 Outras receitas financeiras 6.221.782,43 3.799.307,01 (i) Conforme mencionado na nota explicativa nº 8, refere-se à execução contra a Municipalidade de São Paulo decorrente da ação de desapropriação. O valor registrado corresponde a atualização monetária do valor de acordo com o INPC (IBGE), índice do Tribunal de Justiça de São Paulo destinado às desapropriações. 31 Cobertura de seguros A Mitra adota a política de contratar cobertura de seguros para os bens sujeitos a riscos por montantes considerados suficientes para cobrir eventuais sinistros, considerando a natureza de sua atividade.

Padre João Júlio Farias Júnior Procurador da Mitra Arquidiocesana

Padre Dr. José Rodolpho Perazzolo Procurador da Mitra Arquidiocesana

José Olímpio Cardoso Neto Contador CRC 1SP181828/O-5

Padre Zacarias José de Carvalho Paiva Procurador da Mitra Arquidiocesana

Brasilândia

Flavio Rogério Lopes

Colaborador de comunicação da Região

Membros dos conselhos econômicos e do Dízimo vão à Porta Santa Na tarde do sábado, 5, leigos, religiosos e membros do clero atuantes nos conselhos econômicos e na Pastoral do Dízimo da Região Episcopal Brasilândia peregrinaram à Porta Santa da Igreja Nossa Senhora da Expectação, no Setor Pastoral Freguesia do Ó. Os fiéis passaram pela Porta da Misericórdia, seguindo uma das práticas orientadas pelo Papa Francisco na Bula Misericordiae Vultus, a fim de alcançarem as indulgências neste Ano Santo extraordinário da Misericórdia. Em seguida, Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia, presidiu a missa solene, concelebrada pelo Padre Pedro Ricardo Pieroni, responsável pelas pastorais das Secretárias e do Dízimo na Brasilândia,

e pelo Padre Carlos Alves Ribeiro, pároco da Paróquia Nossa Senhora da Expectação. O Bispo, na homilia, alertou os fiéis sobre o combate à corrupção e a responsabilidade de ajudarem na administração das paróquias e comunidades, com honestidade. No sábado,12, acontecerá a última peregrinação à Porta Santa da Igreja Nossa Senhora da Expectação, com as integrantes da Pastoral da Mulher. Já no domingo, 13, às 15h, haverá o fechamento da Porta da Misericórdia. Dom Devair comentou que as 25 peregrinações que ocorreram neste Jubileu extraordinário da Misericórdia naquela igreja foram um “momento único de fé e misericórdia em nossa vida”.

Flavio Rogério Lopes

Dom Devair junto aos fiéis peregrinos em frente à Igreja Nossa Senhora da Expectação, dia 5


20 | Regiões Episcopais |

9 a 15 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Santana

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

Vila Maria conclui peregrinações dos setores de pastoral

Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Diácono Francisco Gonçalves

A Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Vila Albertina, encerrando o mês das missões, realizou a 1ª Gincana Missionária com participação da equipe de missão popular da comunidade. O evento teve oração do Terço da Misericórdia, seguida de competições em forma de perguntas bíblicas e peças teatrais com cenas bíblicas. Diácono Francisco Gonçalves

Dom Sergio asperge os paroquianos do Setor Vila Maria em peregrinação à Porta Santa, dia 6

O Setor de Pastoral Vila Maria, constituído pelas paróquias Nossa Senhora da Candelária, Nossa Senhora da Anunciação, São Sebastião, Nossa Senhora Aparecida da Boa Viagem, Jesus no Horto das Oliveiras e Santa Rita de Cássia, peregrinou no domingo, 6, à Porta Santa da Igreja de Sant’Ana, por conta do Jubileu extraordinário da Misericórdia. Após a peregrinação, foi realizada missa, presidida por Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana. Os párocos atuantes no Setor ministraram o sacramento da Reconciliação para grande número de fiéis. O nome jubileu tem sua origem na palavra judaica yobel, que significa “chifre de carneiro”, que era a trombeta

para anunciar um chamado de Deus. O jubileu cristão nasceu na Idade Média, quando o Papa Bonifácio VIII, em 1300, instituiu a peregrinação aos túmulos de São Pedro e São Paulo, quando os cristãos deveriam pedir perdão pelos pecados. A partir de 1475, o jubileu ordinário passou a acontecer a cada 25 anos, para que cada geração pudesse vivenciar o Ano Santo. Os três sinais que caracterizam o jubileu são: abertura das portas santas, peregrinação e a indulgência. No domingo, 13, às 15h, em missa presidida por Dom Sergio, haverá o fechamento da Porta Santa da Igreja de Sant´Ana (rua Voluntários da Pátria, 2.060, Santana), assim como das demais portas santas na Arquidiocese. Paróquia São Benedito

Dom Sergio de Deus Borges presidiu a celebração do Dia de Finados, na quartafeira, 2, no Cemitério Vila Nova Cachoeirinha. Diácono Francisco Gonçalves

Dom Sergio de Deus Borges presidiu missa, em 30 de outubro, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima da Vila Sabrina, concelebrada pelos padres Paulo Sergio Rodrigues, pároco, e Giovanni Ceruti, vigário, sendo acolitado pelo Diácono Felipe Ribeiro Neto. Na ocasião, o Bispo ministrou o sacramento da Crisma a 18 jovens e 14 adultos. Paróquia São Benedito

Em 29 de outubro, 20 jovens da Paróquia São Benedito, no Setor Jaçanã, receberam o sacramento da Crisma, em missa presidida por Dom Sergio Borges, e concelebrada pelos padres Marcelino Modelski, pároco, e Severino Lisboa Campos Filho, vigário.

No sábado, 5, Dom Sergio de Deus Borges fez a abertura do Congresso da Irmandade de São Benedito, na Paróquia São Benedito, com dezenas de membros dessa entidade.


www.arquisp.org.br | 9 a 15 de novembro de 2016

Peterson Prates

Colaborador de comunicação da Região

‘O amor autêntico é eterno’ No fim da tarde do Dia de Finados, na quarta-feira, 2, Dom Luiz Carlos Dias, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, presidiu missa na Capela da Ressurreição, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima e São Roque, em Sapopemba, chamado também de Ossário, onde são depositados os restos mortais de fiéis, numa espécie de cripta sob a igreja-matriz, em funcionamento há 45 anos. Mais de 500 fiéis participaram dessa que foi a última das seis missas daquele dia, no qual milhares de pessoas visitaram o Ossário, onde há cerca de 9 mil gavetas, sendo que 8 mil delas já estão ocupadas. “O amor autêntico é eterno”, afirmou Dom Luiz Carlos, na homilia, ao falar da saudade que fica dos irmãos que partiram. “Estamos aqui para rezar, fazer memória dos nossos mortos”, continuou. “Estamos aqui atualizando o mistério pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo”, expressou o Bispo. “Estamos salvos por Jesus Cristo, pelos méritos da Cruz de Cristo”, disse, lembrando, ainda, que o sacrifício de Cristo foi “por amor, para a redenção de todo gênero humano” e que Ele “oferece a salvação gratuitamente”.

| Regiões Episcopais | 21

Belém

Peterson Prates

Dom Luiz Carlos Dias, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, preside missa na Capela da Ressurreição, no Dia de Finados, 2

Dom Luiz Carlos recordou que a dinâmica da grande cidade por vezes não permite nem mesmo velar os mortos com dignidade. “Nosso sistema econômico entende cada um de nós como pessoas que produzem e consomem. Então, não pode parar de trabalhar, nem que morra, não pode parar”, afirmou. Para o Bispo, isso tem reflexo até no tempo de duração dos velórios, que cada dia mais diminui. Ele criticou também

o que chamou de “indústria funeral”. “Nossa cultura vê a morte de forma muito superficial. Não se dá possibilidade de a pessoa viver o luto, de chorar o ente querido.” Ao comentar a instrução Ad Resurgendum cum Christo, da Congregação para a Doutrina da Fé, sobre o sepultamento e a destinação das cinzas de fiéis cremados, Dom Luiz Carlos sinalizou que as gavetas de ossário são também lu-

gares adequados para depositar as cinzas. No local também existe um ambiente para os restos mortais de quase 70 frades menores Capuchinhos, congregação que atende à Paróquia. Há missas na Capela da Ressurreição todas as segundas-feiras, às 15h, e aos sábados, às 17h. Os interessados pela compra de gavetas podem entrar em contato pelo e-mail capelaressurreicao@santuarionsf.com.br.

Dom Luiz Carlos Dias preside missa em cemitérios na zona Leste Peterson Prates

Dom Luiz Carlos Dias preside missa no Cemitério da Vila Formosa, o maior da América Latina

“Aqui não significa o ponto final de nossa vida, pois Jesus Cristo, aquele que é Nosso Senhor, se encarnou e venceu a morte”, expressou Dom Luiz Carlos Dias,

bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, no Cemitério Municipal da Vila Formosa, na quarta-feira, 2, na celebração de todos os fiéis defuntos.

No maior cemitério da América Latina, houve cinco missas durante o dia, sendo uma delas presidida pelo Bispo, concelebrada pelos padres José Osterno e Paulo Eduardo, com a participação de mais de 400 fiéis e do diácono permanente João Bottura, agente da Pastoral das Exéquias no Cemitério. Dom Luiz Carlos Dias, na homilia, incentivou todos a pedirem perdão pelas vezes que “nos revoltamos com a morte e por quando nos falta a ideia da ressurreição”. “Em Cristo, temos vida, e vida para sempre”, relatou o Bispo. “A vida não se encerra com a morte, não se encerra no cemitério”, disse ao falar sobre a certeza da eternidade. Ao fim da celebração, o Bispo falou sobre a Instrução Ad Resurgendum cum

Christo, da Congregação para a Doutrina da Fé, sobre o sepultamento e a destinação das cinzas de fiéis cremados, salientando que o cemitério é o lugar por excelência para o sepultamento, e que os fiéis devem procurar os campos santos – cemitérios - para sepultarem seus falecidos. Dom Luiz Carlos recordou, ainda, que a cremação não é proibida, mas que a instrução indica a destinação correta para as cinzas. “Que as cinzas, que são também restos mortais, sejam depositadas e guardadas em locais adequados, como os cemitérios.” Ainda no dia 2, pela manhã, Dom Luiz Carlos Dias presidiu missa no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina. “Uma porta que se abre nesta vida, que nos conduz à eternidade”, afirmou na ocasião o Bispo sobre a morte.

Peterson Prates

Paróquia Cristo Ressucitado

No sábado, 5, no Centro Pastoral São José, aconteceu um encontro da Escola Catequética da Região Episcopal Belém, que é voltada principalmente para os novos catequistas. A atividade foi assessorada pelo Padre João Batista Dinamarquês, que falou sobre a “Espiritualidade do Catequista”.

Os fiéis da Paróquia Cristo Ressuscitado, no Setor Conquista, acolheram no domingo, 6, junto com o Frei Reginaldo da Silva, pároco, a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, que visita a Região Belém por ocasião do 300º aniversário de aparição da imagem no rio Paraíba do Sul. A imagem permanecerá na Paróquia até o domingo, 13.


22 | Regiões Episcopais |

Lapa

9 a 15 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Benigno Naveira

Colaborador de comunicação da Região

Na celebração de Finados, Dom Julio estimula a prática da oração de intercessão Na manhã da quarta-feira, 2, aproximadamente 150 pessoas participaram da celebração do Dia de Finados na capela do Cemitério Municipal da Lapa, presidida por Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa, e concelebrada pelo Padre Edilberto Alves da Costa, com o auxílio dos diáconos André Iasz Filho e José Donizete Leonel. Dom Julio, no início da celebração, falou que a morte sempre é um mistério por maior que seja a fé de cada pessoa, e pediu um minuto de silêncio para que todos rezassem pelos parentes e amigos já falecidos e pelos mortos que são pouco lembrados. O Bispo, na homilia, disse ser aquele um dia de muita saudade, em que “nos lembramos daqueles que viveram conosco, que nos acompanharam em nossa vida, foram grandes benfeitores nossos, que já faleceram, dos quais temos muita saudade. Isso não é uma coisa ruim, sentir saudade de quem a gente ama, de quem nos amou”. Dom Julio ainda lembrou que é preciso que cada pessoa reze por si e pelas

Benigno Naveira

Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região, preside celebração do Dia de Finados no Cemitério Municipal da Lapa

demais. “Quando rezamos pelos outros, movidos pelo nosso amor, pela nossa caridade, estamos intercedendo. A intercessão é um ato de amor, de gratuidade, em que a gente não está interessado em nós mesmos, mas busca a felicidade, o bem do outro, busca a sua salvação. A intercessão torna-nos amigos de Deus,

porque a gente se coloca entre Deus e o outro”, afirmou. O Bispo recordou passagens bíblicas em que as pessoas intercederam pelas outras e lembrou que “Cristo intercedeu por todos nós”. Em conversa com a Pastoral da Comunicação da Região Lapa, Dom Julio

destacou que neste Ano Santo extraordinário da Misericórdia, o Dia de Finados está ligado a duas obras de misericórdia: “A obra corporal é aquela de sepultar os mortos, então, o Dia de Finados tem tudo a ver com essa obra de misericórdia corporal e a outra é a obra espiritual de rezar pelos vivos e falecidos”, detalhou.

Dia de acolher Nossa Senhora Aparecida e receber a 1ª Eucaristia Benigno Naveira

Catequizandos e Padre Deschamps com a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, dia 5

Aconteceu na tarde de sábado, 5, após a chegada da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida na Paróquia Santo Antônio de Pádua, no Setor Pastoral Rio Pequeno, a missa em que 33 crianças e adolescentes receberam a primeira Eucaristia após dois anos de preparação. A celebração foi presidida pelo Padre João Carlos Deschamps de Almeida, pároco, que, ao saudar os catequizandos e seus pais e amigos, destacou: “Jesus é nosso amigo e deseja nos alimentar e morar conosco neste dia tão especial para quem vai recebê-lo pela primeira vez”. O Pároco, na homilia, comentou so-

bre a alegria da comunidade paroquial com os novos catequizados, e lembrou que eles estavam encerrando um ciclo na educação da fé, mas que ainda passarão pelo período da perseverança e da Crisma, e que essa formação seguirá por toda a vida. Maria Cecília Cunha, coordenadora da equipe de Catequese da Paróquia, em conversa com a Pastoral da Comunicação da Região Lapa, disse ter ficado gratificada com o trabalho desenvolvido pela equipe de catequistas junto à comunidade paroquial, com a aproximação das crianças e familiares, fortalecendo os laços de amizade.

R E L AT Ó R I O ACN

LIBERDADE RELIGIOSA NO MUNDO UMA PUBLICAÇÃO BIENAL DA ACN QUE APRESENTA A SITUAÇÃO DA LIBERDADE RELIGIOSA EM 196 PAÍSES. LANÇAMENTO NO DIA 16 DE NOVEMBRO, ÀS 20H, NO AUDITÓRIO DAS PAULINAS (RUA DONA INÁCIA UCHOA, 62 - VILA MARIANA). Todo o relatório será disponibilizado on-line gratuitamente na página da ACN na internet: www.acn.org.br/RelatorioLiberdadeReligiosa


www.arquisp.org.br | 9 a 15 de novembro de 2016

| Regiões Episcopais | 23

Ipiranga Dom José Roberto motiva jovens ao testemunho de Cristo no mundo Caroline Dupim

Colaboradora de comunicação da Região

No sábado, 5, os integrantes do Setor Juventude regional participaram, na Paróquia São João Batista, no Setor Pastoral Imigrantes, de um encontro de formação, reflexão e diálogo com Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga. Padre Ricardo Antonio Pinto, pároco da Paróquia São João Batista e assessor eclesiástico do Setor Juventude, iniciou o encontro com a oração do missionário. Os jovens refletiram sobre essa oração, ressaltando alguns pontos que lhes chamaram a atenção, e o Padre destacou que o missionário deve ser o próprio Cristo no mundo. Dom José Roberto ministrou palestra sobre a Exortação Apostólica

pós-sinodal Amoris Laetitia, do Papa Francisco, ressaltando o capítulo referente ao amor. O Bispo frisou que o amor não se limita aos casais, mas está em todos os âmbitos da vida, sendo que o amor e o cuidado com o próximo são os diferenciais na vida de cada cristão. De modo especial, ele destacou que o amor de Cristo se baseia puramente na gratuidade desinteressada, e, para disseminá-lo, cada pessoa deve buscar forças nos sacramentos, evidenciando a Eucaristia. “Uma das orações póscomunhão, de uma celebração de primeira Eucaristia, diz ‘que possamos nos transformar naquele que acabamos de receber’. A palavrão ‘cristão’ é mais do que seguidor de Cristo, é ser o Cristo

Nilda Blasques

Depois de seis anos como pároco da Paróquia São Vicente de Paulo, no Setor Pastoral Anchieta, o Padre Clístenes Natal despediu-se dos paroquianos no domingo, 6. Integrante da Congregação Religiosa dos Padres Lazaristas, o Sacerdote foi transferido para Prudentópolis (PR), onde irá atender uma paróquia e suas oito comunidades. (Diácono Anivaldo Blasques)

Caroline Dupim

Dom José Roberto Fortes Palau em diálogo com membros do Setor Juventude da Região Ipiranga

no mundo, e viver o amor de benevolência”, afirmou Dom José Roberto. Em clima descontraído, os jovens dialogaram com o Bispo, abordando questões sobre o amor em Jesus Cristo, o encontro pessoal com Deus para resplandecer em si o próprio Cristo, o incentivo e dificuldades de envolver a juventude nos trabalhos pastorais nas comunidades e paróquias. “Os jovens são prioridade em nossas comunidades. A evangelização da juventude é importante para que tenhamos a Igreja no futuro. Os jovens são as nossas futuras comunidades”, ressaltou o Bispo. Finalizando o encontro, Nei Márcio Oliveira de Sá, coordenador do Setor Juventude, lembrou que “o espaço da reunião dos jovens serve para trocar experiências e ideias em conjunto, fazendo com que a juventude se firme na Igreja e

mostre o rosto de Jesus Cristo, e o quanto é bom servi-lo e estar com Ele”. Lucas Vinicius, coordenador do grupo Jovens Nascidos do Amor (J.N.A), da Paróquia Santa Ângela e São Serapião, achou produtivo o diálogo do Bispo com os jovens. “Dom José Roberto foi bem acolhedor para com os jovens, por estar disposto a nos ouvir. Esse simples gesto de escutar o jovem é essencial, porque muitos querem apenas ser ouvidos, e que sua opinião seja acolhida. Hoje, não saí daqui com um olhar diferente, mas sim com olhar diretamente para onde eu estava errando, para, seguindo as diretrizes, aceitar e mudar. O Padre Ricardo já dizia no início do encontro, em uma juventude inquieta, e com a fala de Dom José Roberto, deu retamente para entender o que é a inquietude. É amar, e levar o amor de Cristo em todos os lugares.”

Padre Sérgio Brandanini

Colaboração especial para a Região

Peregrinação à Porta Santa marca os 40 anos do Itelsé No dia 29 de outubro, alunos e alguns professores do Instituto de Teologia para Leigos e Leigas da Região Sé (Itelsé) peregrinaram à Porta Santa da Catedral da Sé, por ocasião do Ano Santo extraordinário da Misericórdia, e participaram da missa presidida por Dom Eduardo Vieira dos Santos, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé. A celebração também foi em ação de graças pelos 40 anos de atividades do Itelsé, fruto e expressão da solicitude pastoral da própria Igreja em São Paulo. No Itelsé é oferecida aos leigos e leigas uma formação de qualidade que facilita a compreensão e a vivência da própria fé e os torna capazes de testemunhá-la em todas as situações e ambientes da Igreja e da sociedade. Com efeito, é desejo da própria Igreja que haja “uma formação permanente, contínua e consistente” para que o cristão possa crescer em sua caminhada eclesial

(CNBB, Documento 105, n.226). Trata-se de uma dimensão essencial da Igreja que “tem a missão de formar cristãos leigos/as, missionários conscientes e ativos de modo que cada qual venha a contribuir com a educação dos demais, numa ação de aprendizagem mútua por todos os meios que sejam necessários” (Documento 105, n. 228). Cabe lembrar que o Documento de Aparecida deu grande destaque ao processo de formação teológico-pastoral para a própria Igreja se tornar de verdade “casa e escola de comunhão” (DAp 272; cf. NMI 43) e assim formar discípulos missionários para o serviço ao mundo (DAp 280d). O Itelsé desempenha a sua missão de formação teológico-pastoral contando com a colaboração e dedicação de professores e professoras, todos com mestrado ou doutorado em Teologia. Enfim, se a missão da Igreja “é uma paixão por Jesus e, simultaneamente, uma

paixão pelo seu povo”, como afirma o Papa Francisco (Evangelii Gaudium, 268), o Itelsé se insere na mesma dimensão para “escutar atentamente, discernir e interpretar as várias linguagens do nosso tempo e

julgá-las à luz da Palavra divina, para que a Verdade revelada possa ser percebida sempre mais profundamente, melhor entendida e proposta de modo mais adequado” (Gaudium et Spes, 44).

Paróquia Santo Agostinho

Na tarde do sábado, 5, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, presidiu missa na Paróquia Santo Agostinho, no Setor Pastoral Paraíso, por ocasião dos dez anos da beatificação do Padre Mariano de La Mata (1905-1983), que atuou na Paróquia, onde seus restos mortais ainda hoje estão conservados.


24 | Reportagem |

9 a 15 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Aos 270 anos, Cabido de São Paulo acolhe novos cônegos Luciney Martins/O SÃO PAULO

Cônego José Augusto Schramm Brasil

Nascimento: 19/05/1951 Local: Pelotas (RS) Ordenação presbiteral: 19/11/1983 Local: São Paulo Atividades: Pároco da Paróquia São Geraldo, na Região Episcopal Sé, desde 1990. Também atua no Tribunal Eclesiástico de São Paulo, onde já desempenhou as funções de juiz e vigário-judicial.

Cônego José Renato Ferreira

Cônegos do Cabido Metropolitano de São Paulo em foto na Catedral da Sé; novos estatutos são promulgados pelo Arcebispo em 8 de outubro

Cardeal Scherer conferiu canonicato aos padres José Augusto Schramm Brasil e José Renato Ferreira Fernando Geronazzo

osaopaulo@uol.com.br

A Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção e São Paulo tem dois novos cônegos. No domingo, 6, na celebração eucarística presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, os padres José Augusto Schramm Brasil, 65, e José Renato Ferreira, 54, receberam a investidura de cônegos catedráticos da Arquidiocese. A missa também marcou a publicação dos novos estatutos do Colendo Cabido Metropolitano de São Paulo em 8 de outubro, que reafirmam a estreita missão dos cônegos junto à Catedral. Fundado há 270 anos, o Cabido de São Paulo é um dos mais antigos do Brasil. No início da celebração, após ingressar solenemente na Catedral acompanhado dos cônegos, Dom Odilo explicou que, ao longo da história, o Cabido de São Paulo foi adquirindo funções diferentes, mas continua sendo “parte da dignidade da Catedral, igreja-mãe da Arquidiocese”. “Os cônegos formam o grupo de sacerdotes que de maneira especial tem a missão de ajudar a dar vida, a manter a Catedral como a ‘casa da mãe’”, disse o Cardeal.

Cônegos

O termo cônego vem da palavra latina canonicus e no grego antigo tem a mesma origem que a palavra “regra”. Trata-se de sacerdotes que, reunidos por uma regra canônica, têm a missão de realizar as funções litúrgicas mais solenes na igreja-catedral ou colegiada. Além disso, compete aos cônegos desempenhar fun-

ções que lhe são confiadas pelo Direito Canônico ou pelo bispo diocesano. O conjunto dos cônegos forma o cabido (do latim capitulus), ou seja, o colégio reunido sob uma mesma cabeça, um chefe ou superior. Historicamente, a instituição do cabido remonta ao século V, com a função de assegurar o serviço religioso de uma catedral, o que não inclui somente a celebração da missa, mas também e principalmente a Liturgia das Horas ou Ofício Divino. Além dos cônegos seculares, ou diocesanos, a partir do século XII surgiram os chamados cônegos regulares, que, além de viverem comunitariamente, professavam os votos de castidade, pobreza e obediência, dando origem a ordens religiosas como a dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho e a dos Cônegos Premonstratenses. Durante muito tempo, os cabidos catedráticos também exerceram as funções de colégio de consultores do bispo, aconselhando o ordinário local sobre assuntos diversos da vida diocesana. Tal função, contudo, passou a ser atribuída pelo Código de Direito Canônico de 1983 a um Colégio de Consultores independente do Cabido, formado a partir dos membros do Conselho de Presbíteros.

História

O Cabido da Sé Catedral de São Paulo foi criado em 6 de dezembro 1745, na mesma bula de criação da Diocese de São Paulo, intitulada Candor Lucis Aeternae, do Papa Bento XV. Sua instalação oficial e posse dos primeiros cônegos aconteceu em 25 de janeiro de 1747. O primeiro cônego foi o senador Padre José Leite Bento Ferreira, vigário em Pouso Alegre (MG) – na época, a Diocese de São Paulo compreendia os territórios dos atuais estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, partes de Minas Gerais e Mato Grosso. O Cabido de São Paulo foi regido pelas constituições do Cabido da Bahia, o mais antigo do país (1707), até 1827, quando passou a ter constituições pró-

prias. Ao longo desses mais de dois séculos, o Cabido passou por diversas reformulações, principalmente após a elevação da Diocese de São Paulo à Arquidiocese, em 1908, passando a ser um Cabido Metropolitano. Em 1984, o então arcebispo de São Paulo, Cardeal Paulo Evaristo Arns, solicitou a reforma dos estatutos do Cabido Metropolitano, com o objetivo de conciliar as tradições centenárias desse organismo ao recente Código de Direito Canônico. Na ocasião, Dom Paulo sugeriu que este assumisse a direção do Arquivo Metropolitano e prestasse assessoria especial junto ao arcebispo para questões referentes ao patrimônio histórico e artístico da Igreja Particular. Esses estatutos foram aprovados em 1988.

Novos estatutos

Após o falecimento do último arcediago (presidente) do Cabido de São Paulo, Cônego Luiz Geraldo Amaral Mello, aos 102 anos, em abril deste ano, o Cardeal Odilo Pedro Scherer pediu a atualização dos estatutos e a elaboração de um regimento interno, concluídos em agosto e promulgados em 8 de outubro. “A novidade dos novos estatutos é que agora existem apenas duas categorias de cônegos: catedráticos e eméritos. Foi extinta a categoria de cônego honorário. Torna-se emérito o cônego catedrático ao atingir 80 anos”, explicou o Cônego Sergio Conrado, atual arcediago. Hoje, portanto, o Cabido é constituído por 14 cônegos catedráticos e oito eméritos. São catedráticos os cônegos nomeados pelo arcebispo a partir de uma lista tríplice apresentada pelo Cabido, ao qual compete o direito de apresentação. A diretoria do Cabido Metropolitano de São Paulo é constituída por quatro dignidades: o arcediago (presidente), o arcipreste (vice), o chantre (responsável pela liturgia) e o tesoureiro. Além disso, há o ofício de secretário e o conselho fiscal, constituído de três cônegos. Há também

Nascimento: 11/02/1962 Local: Santo Antônio da Alegria (SP) Ordenação presbiteral: 16/04/1989 Local: São Paulo Atividades: Pároco da Paróquia Santo Antonio, na Região Episcopal Brasilândia, desde janeiro de 2016. Diretor-geral da rádio 9 de Julho, desde 2014. Foi pároco de diversas paróquias da Região Brasilândia, diretor de programação da rádio 9 de Julho e assistente eclesiástico arquidiocesano das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

o fabriqueiro (que desempenha tarefas administrativas e zela pelos bens móveis e imóveis do Cabido). Outra novidade dos novos estatutos é que o exercício dessas dignidades deixa de ser vitalício e passa a ter um mandato de cinco anos, com a possibilidade de uma reeleição. A nova configuração do Cabido Metropolitano para os próximos cinco anos será: Arcediago - Cônego Sérgio Conrado; Arcipreste - Cônego Antonio Manzatto; Chantre - Cônego José Bizon; Tesoureiro - Cônego Alfredo Nascimento; Secretário - Cônego José Augusto Schramm Brasil; Fabriqueiro - Cônego Rafhael Peretta; Conselheiros fiscais Cônegos José Miguel de Oliveira, José Adriano e Walter Caldeira.

Catedral

Em 2009, também foi aprovado um convênio do Cabido Metropolitano para a Catedral da Sé, o qual salienta que cabe aos cônegos acompanhar e auxiliar nos cuidados e manutenção da Catedral, participando assídua e habitualmente das missas, orações e do atendimento de fiéis. Também cabe aos cônegos apresentar ao arcebispo candidatos à função de cura da Catedral, que não necessariamente deve ser um dos cônegos. “Não se trata de dignidade, mas de serviço. Nós nos propomos, como grupo, após a reestruturação dos estatutos, estar mais perto da Catedral e mais disponíveis aos serviços do Arcebispo”, afirmou o Cônego Sergio Conrado, que pediu ao povo orações “para que o Cabido seja cada vez mais aquilo que a Igreja em São Paulo necessita”.


O SÃO PAULO - 3127