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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 61 | Edição 3121 | 28 de setembro a 4 de outubro de 2016

R$ 1,50

Leitura Orante da Bíblia é caminho para encontro pessoal com Deus Os católicos têm redescoberto uma das práticas mais antigas do Cristianismo, a Lectio Divina ou Leitura Orante da Bíblia, método em que a pessoa pode vivenciar um encontro pessoal com Deus por meio da leitura, meditação, oração e interiorização da Sagrada Escritura, base de toda a espiritualidade cristã. Nesta edição, O SÃO PAULO apresenta algumas indicações práticas para realizá-la em grupo ou individualmente. Páginas 12 e 13

Editorial

Para os católicos, a Leitura Orante da Bíblia tem como ponto de partida a fé

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Obras da Linha 6 do Metrô estão sem prazo de retorno Luciney Martins/O SÃO PAULO

Futura Estação Freguesia do Ó do Metrô está com obras paradas, assim como as demais da Linha 6

O sonho acalentado por mais de 20 anos pelos moradores da Brasilândia, na zona Norte, foi adiado mais uma vez no dia 5, com a suspensão das obras da Linha 6 – Laranja do Metrô. A Secretaria dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo afirma que a paralisação dos trabalhos foi uma “decisão unilateral” da Concessionária Move São Paulo, responsável pela implantação da linha, que, quando finalizada, terá 15 estações.

Dom Odilo apresenta desafios e urgências do novo Plano de Pastoral

Página 3

Espiritualidade Dom Carlos: fazer bem as coisas e pedir a ajuda de Deus

Página 5

Comportamento Valdir Reginato: atletas paralímpicos e a resposta ao aborto

Página 6

Padres Fidei Donum participam de encontro em São Paulo Formação reuniu 150 missionários entre padres, religiosas e leigos de países de língua espanhola e brasileiros, que aprofundaram a proposta do Papa de uma “Igreja em saída”. Página 23

É papel essencial da família educar para o amor e a liberdade Evento no Tuca, da PUC-SP, no dia 26, com a participação de Dom Odilo Scherer, ressaltou as indicações da Exortação Apostólica Amoris Laetitia . Página 22

Com a Palavra

Páginas 14 e 15

Papa: ‘colocar em primeiro lugar o anúncio principal da fé’

No Vaticano, diálogos para uma economia mais humana e justa

Francisco presidiu no domingo, 25, no Vaticano, a celebração eucarística no Jubileu dos Catequistas, que também teve atividades nos dias 23 e 24.

Estiveram no evento o economista Angus Deaton e o Cardeal Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, que falou ao O SÃO PAULO.

Página 9

Encontro com o Pastor

Luciney Martins/OSÃO PAULO

Luciney Martins/O SÃO PAULO

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Página 8

José Maria del Corral e os valores humanos

Página 11


2 | Ponto de Vista |

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Editorial

Leitura Orante da Bíblia

A

Igreja no Brasil dedica o mês de setembro à Bíblia, com o fim de incentivar seus fiéis à leitura dos textos sagrados. Nos últimos anos, graças a inúmeras iniciativas apostólicas e pastorais realizadas em todas as comunidades, um número sempre maior de cristãos católicos tem incorporado no seu dia a dia a leitura e a meditação da Palavra de Deus. No século IV, São Jerônimo realizou, a pedido do papa São Damaso, um primoroso trabalho de tradução dos livros que compõem a Bíblia, dos idiomas originais em que foram escritos para o latim, a língua mais falada na época pela civilização ocidental europeia. A tradução de São Jerônimo originou a versão da Sagrada Escritura denominada Vulgata (vulgar, comum, usual). Tal iniciativa demonstra a preocupação da Igreja Católica da época de que os cristãos tivessem acesso aos textos sagrados, apesar de que, na antiguidade, a grande maioria da população não sabia ler nem escrever. De fato, a alfabetização em massa é uma das grandes conquistas do mundo contemporâneo.

O desejo de que todos conhecessem a vida de Cristo e seus ensinamentos narrados nos Evangelhos fez com que a Igreja incentivasse e promovesse a arte sacra inspirada nos textos bíblicos: imagens, vitrais, afrescos, pinturas em telas e gravuras tornaram-se, durante séculos, a Bíblia, o catecismo e as narrativas da vida dos santos para os pobres. E, dessa maneira, com os meios de comunicação disponíveis na época, a Igreja exercia seu múnus de contar e recontar a história da salvação, mantendoa viva na memória do povo. Foi somente a partir da “reinvenção” da imprensa, no século XV, por Johannes Gutenberg – a técnica de imprimir com caracteres móveis é, na verdade, asiática e muito mais antiga –, que a Bíblia se tornou um livro popular e acessível a todos. Junto com a imprensa, veio também a primeira tradução dos textos bíblicos para um idioma moderno, no caso, o alemão. Desde então, a Bíblia foi traduzida para quase todos os idiomas conhecidos – atualmente, mais de 1.500 – e tornou-se o livro mais vendido de todos os tempos. A popularização da Bíblia é um

grande bem, mas impõe desafios. A correta interpretação de seus textos exige o estudo constante e a mediação da Igreja que a interpreta à luz da Tradição que a gerou. Fora dela, é grande o risco de compreensões equivocadas, fundamentalistas e subjetivas. Enquanto obra literária, a Bíblia tem origens e raízes históricas bem definidas. A pregação do Evangelho por parte dos apóstolos ocorreu primeiro oralmente e, posteriormente, pela escrita. Oralmente, já que, conforme ensina a Constituição Dogmática Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, “...os apóstolos, que na sua pregação oral, com os exemplos da vida e com as instituições, por eles criadas, transmitiram aquilo que ou tinham recebido dos lábios, do trato e das obras de Cristo, ou tinham aprendido por inspiração do Espírito Santo”. Por escrito, porque alguns desses apóstolos e outros varões apostólicos, sob a inspiração do mesmo Espírito Santo, escreveram a mensagem da salvação, dando origem ao Novo Testamento. Os demais livros bíblicos, que foram escritos ao longo da história

do antigo povo judeu e anunciam a Jesus Cristo, compõem o Antigo Testamento. Ambos, Antigo e Novo Testamento, foram inspirados por Deus Espírito Santo e, por isso, são Palavra de Deus. Quem ler a Bíblia encontrará diante de si, além da história da salvação, hinos litúrgicos, orações de louvor e de agradecimento e pedidos de ajuda; encontrará, também, sábios conselhos e orientações de vida; encontrará a vida e a pregação de Cristo e exortações sobre as exigências da vida cristã. Encontrará a Revelação que Deus faz de si mesmo ao homem e a Revelação que Deus faz ao homem sobre o próprio homem. Sendo Palavra de Deus, a leitura correta dos textos da Bíblia exige como ponto de partida a fé. Convém, portanto, ter em conta o que nos recomenda o Concílio Vaticano II: “Lembrem-se de que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada pela oração, para que haja colóquio entre Deus e o homem; ‘pois com Ele falamos quando oramos, e a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos’ – Santo Ambrósio, De officiis 1,20,88.” (Dei Verbum, 25).

Opinião

As eleições municipais e a Doutrina Social da Igreja Rafael Mahfoud Marcoccia Em outubro, estaremos diante de mais uma eleição para prefeito e vereador. Desejamos compreender os critérios oferecidos pela Igreja Católica para escolher os candidatos e viver o momento das eleições de modo positivo e construtivo. Em uma sociedade, as pessoas organizam-se em grupos e movimentos para responder às suas exigências e necessidades mais profundas. São inúmeros exemplos, tais como: centros de acolhida para pessoas em situações críticas, creches, centros de formação profissional, escolas, hospitais filantrópicos, cooperativas de microcrédito, cooperativas de trabalho, atividades de assistência a idosos, entre outros. São presenças capilares no tecido da nossa sociedade. Essa riqueza não depende exclusivamente da ação de quem “faz política”, mas das realidades sociais que vivem uma estima sincera para com o outro, em qualquer situação que este se encon-

tre, que o torna mais livre e responsável diante das próprias circunstâncias da vida. São experiências de solidariedade e gratuidade. Isso é construção política! Partindo da experiência humana, a Doutrina Social da Igreja nos convida a participar da vida política de nosso município em torno de alguns princípios: 1) Princípio da Dignidade Humana: Significa aceitar que no centro do sistema político está a pessoa, com os seus direitos e seus deveres. O governo deve garantir a liberdade de pensamento e consciência, de educação e associação, e reconhecer o valor da pessoa, da concepção até o último instante da vida; 2) Princípio de Solidariedade: Defende que não se dê como caridade o que já é devido a título de justiça; que se eliminem as causas estruturais dos males, não só os efeitos; e que a ajuda seja encaminhada de tal modo que, os que a recebem, aos

poucos, se libertem da dependência e se tornem autossuficientes (cf. Concílio Vaticano II, n.8); 3) Princípio de Subsidiariedade: Sugere que tudo que pode ser realizado pela sociedade deve ser incentivado e incrementado pelo poder público, deixando para o governo somente aquilo que a sociedade não é capaz de resolver, e sua fiscalização. Concretamente, podemos exemplificar a aplicação desses princípios: Na educação, o poder público deve incentivar e apoiar integralmente, inclusive no campo financeiro, todas as propostas educativas, como creches, escolas, centros de formação e universidades criadas pelas próprias comunidades ou por organizações religiosas e leigas, que sejam eficientes e verdadeiramente públicas; Na saúde, cabe à administração pública valorizar obras nascidas da sociedade, como a Santa Casa de Misericórdia; aumentar as verbas

repassadas a essas instituições, além de valorizar o serviço prestado pelos ambulatórios médicos e odontológicos que oferecem serviços gratuitos às populações mais pobres; Na habitação, o governo deve favorecer associações que realizam assentamentos legais e regularizados, e fazer convênios de assessoria técnica e econômica, ou seja, favorecer as inúmeras experiências de mutirões existentes. Em suma, a política precisa de governantes éticos e que respeitem a liberdade e a criatividade das pessoas, valorizando as iniciativas sociais que delas nascem e respondem às necessidades cotidianas. A política não precisa de pessoas que se julgam no direito de decidir o que é bom para todos. Que cada pessoa seja protagonista de sua história e que possa estar sempre a serviço do bem comum. Rafael Mahfoud Marcoccia é professor do Centro Universitário da FEI, fez doutorado sobre Doutrina Social da Igreja e é colaborador do site católico Terre d’America.

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Redator chefe: Daniel Gomes • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Edcarlos Bispo, Filipe David, Nayá Fernandes e Fernando Geronazzo • Institucional: Rafael Alberto e Renata Moraes • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Secretaria de Redação: Djeny Amanda • Assinaturas: Ariane Vital • Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Revisão: Sueli S. Dal Belo • Impressão: S.A. O ESTADO DE S. PAULO • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinaturas) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail • A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


www.arquisp.org.br | 28 de setembro a 4 de outubro de 2016

cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

A

Arquidiocese de São Paulo está elaborando seu 12º Plano de Pastoral, para o quadriênio de 2017 a 2020. Referências principais para o novo Plano serão as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, da CNBB, aprovadas na assembleia geral de abril de 2015, e os mais recentes ensinamentos e impulsos vindos do Magistério Pontifício, sobretudo das Exortações Apostólicas Evangelii Gaudium (2013) e Amoris Laetitia (2016), do Papa Francisco. Também serão levados em conta os atuais apelos e desafios da realidade pastoral de nossa Arquidiocese. Somos uma “Igreja na Metrópole” e isso marca e até condiciona a nossa missão evangelizadora e pastoral. Além disso, a situação religiosa e as necessidades desta Igreja Particular também serão levadas em conta na elaboração do novo Plano de Pastoral. O 12º Plano dará continuidade, em boa parte, às linhas diretrizes já presentes no Plano anterior. Serão novamente apresentadas várias “urgências” na evangelização e na pastoral, que deverão receber especial atenção; e serão indicadas pistas de ação para enfrentar esses desafios. Tratando-se de um Plano de diretrizes pastorais, e não de

Novo Plano de Pastoral: desafios e urgências um “programa” de atividades, requer-se que, depois, todos os agentes pastorais e as múltiplas instâncias e organizações da vida eclesial na Arquidiocese façam seu programa de ação pastoral para a execução do Plano de Pastoral. Caberá às instâncias locais, como os setores, as paróquias com suas comunidades, as pastorais, associações eclesiais, movimentos apostólicos e as demais organizações eclesiais e pastorais, traduzirem em novas práticas as indicações do Plano de Pastoral. Entre as “urgências pastorais”, será inevitável incluir também a família. A Igreja dedicou duas assembleias do Sínodo dos Bispos à família e isso tem um significado especial; e o Papa Francisco tratou da família numa série de Catequeses e também promulgou a Exortação Apostólica Amoris Laetitia sobre as temáticas familiares. Isso revela que a questão família precisa de uma renovada atenção na ação evangelizadora e pastoral da Igreja. É inegável que a família, o casamento e as questões relacionadas com a vocação e a missão da família atravessam uma crise profunda em nossa época. Tudo isso justifica bem que a família também seja assumida como uma “urgência pastoral”. Igreja e família precisam se reencontrar. O Papa Francisco tem lembrado que a Igreja é

uma “família de famílias”; as famílias cristãs são parte da Igreja e nelas realiza-se muito da vida e da missão da Igreja, que sempre contou com elas para a realização de sua missão e não poderá deixar de contar com elas para o futuro. A vivência cotidiana da fé e da espiritualidade cristã acontece na família, assim como a transmissão da fé às novas gerações. Ao mesmo tempo, nossas comunidades e igrejas precisam ser lugares acolhedores das famílias e que valorizem os diversos aspectos da vida familiar. A relação Igreja-família precisa ser traduzida de forma nova nas comunidades locais. Com o passar do tempo, pode ser que essa relação tenha ficado sempre mais restrita ao fato do casamento, sobretudo à preparação e à celebração do casamento. No entanto, as questões familiares são bem mais amplas e dizem respeito também à mística na vivência matrimonial e familiar, à transmissão, acolhida e cuidado da vida, à educação da prole, à transmissão da fé, ao acompanhamento das situações de crise e de problemas diversos na vida matrimonial e familiar. E precisam incluir também o envolvimento da família na vida da Igreja e da Igreja na vida da família. Se quisermos avançar na nova evangelização, será preciso voltar um novo olhar e uma atenção especial à família.

| Encontro com o Pastor | 3 67 anos de vida Luciney Martins/O SÃO PAULO

A Arquidiocese de São Paulo festejou no dia 21 o aniversário natalício do Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, que na data completou 67 anos de vida. Dom Odilo recebeu os cumprimentos de autoridades, clérigos, amigos e funcionários da Arquidiocese na Cúria metropolitana. No domingo, 25, voltou a ser homenageado na missa das 11h na Catedral da Sé, quando ganhou de presente um quadro com uma pintura representando seus pais, Edwino Scherer e Francisca Wilma Steffens Scherer.

Jubileu de Dom José Antônio Joca Deus é Pai

Na sexta-feira, 23, o Cardeal Odilo Pedro Scherer participou da missa comemorativa pelos 25 anos de ordenação episcopal de Dom José Antonio Tosi Marques, arcebispo de Fortaleza (CE), que aconteceu na catedral metropolitana daquela Arquidiocese.

Missa na Diocese de Osasco Padre Pedro Almeida

Na noite do domingo, 25, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, presidiu missa na Paróquia Nossa Senhora dos Remédios, na Diocese de Osasco (SP), por ocasião dos festejos da padroeira.

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4 | Fé e Vida |

28 de setembro a 4 de outubro de 2016 | www.arquisp.org.br

Liturgia e Vida 27º DOMINGO DO TEMPO COMUM 2 de outubro de 2016

O justo viverá por sua fé Cônego Celso Pedro Na profecia de Habacuc, lemos que “O justo viverá por sua fé”, e no evangelho de Lucas os apóstolos pedem ao Senhor que lhes aumente a fé. A resposta de Jesus mostra a importância da fé e incentiva os apóstolos a procurá-la. “Se vocês tivessem um mínimo de fé, fariam com que uma amoreira se deslocasse e se plantasse no mar”. A fé transporta montanhas, ou transporta árvores, como aqui se diz; e se transporta montanhas com árvores é porque tem força. Sua força, porém, vai muito além da força física. Ela possibilita a sobrevivência do justo. No início da sua profecia, Habacuc vê o império da violência na iniquidade, na maldade, nas destruições, na prepotência, na discussão e na discórdia. Ele vê a violência na iniquidade e na opressão. Diante dele estão a violência e a destruição. Há disputas e levantam-se contendas. “Até quando grita o profeta -, até quando gritarei por socorro e não ouvirás. Gritarei a ti ‘violência’ e não ouvirás?” Até quando tudo isso vai durar, como é possível sobreviver neste ambiente? O grito profético se refere mais às lutas internas de Israel do que à opressão vinda de fora. A resposta é que tudo tem um prazo e um desfecho, e o justo, enquanto espera, sobrevive por sua fé. Aquele que não tem o coração reto e não vive corretamente vai perecer. O justo,

ao contrário, viverá por sua fidelidade. Se o nosso mundo é parecido com o de Habacuc, parecida com a do justo deverá ser também a nossa fé. Como o justo, nós nos revestimos de fé e fidelidade. Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e sobriedade. Cumpramos, então, a nossa tarefa como o servo que faz o que deve fazer e se considera “inútil”, não por não ter feito nada e sim por ter feito tudo sem esperar elogios nem recompensas. Fortificados pelo poder de Deus, damos testemunho de Jesus, sofremos pelo Evangelho e guardamos intata a fé que recebemos. Ela é um depósito precioso, que guardamos com a ajuda do Espírito Santo que habita em nós. Não fechemos o coração, ouçamos a voz do Senhor e, com a força da fé, sejamos a consciência crítica do meio em que vivemos, seja ele qual for. No Evangelho de hoje, lemos duas passagens distintas entre si, uma sobre a fé e outra sobre o cumprimento do dever. O profeta Habacuc destaca o primeiro tema, da fé para os gregos, da fidelidade para os judeus. De fato, perecem os incorretos e sobrevivem os que, por terem fé, mantêm a sua fidelidade no meio da confusão generalizada. “Até quando?” - nós perguntamos e, enquanto a resposta não vem, reavivamos a chama do dom que recebemos e fazemos o que temos que fazer.

Atos da Cúria NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE VIGÁRIO PAROQUIAL Em 21 de setembro de 2016, foi nomeado e provisionado Vigário Paroquial “ad nutum episcopi” da Paróquia Nossa Senhora da Saúde, na Região Episcopal Ipiranga, Setor Pastoral Vila Mariana, o Revmo. Frei Benjamín Remiro Díaz, OAR.

NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE DIÁCONO TRANSITÓRIO COMO ASSISTENTE PASTORAL Em 29 de setembro de 2016, foi nomeado e provisionado Assistente Pastoral “ad nutum episcopi” da Paróquia São Rafael, na Região Episcopal Belém, Setor Pastoral Belém, o Diácono Transitório Wagner Domingos Barbosa, CRSP.

Você Pergunta Sou acólito. Posso fazer a celebração da Palavra? padre Cido Pereira

osaopaulo@uol.com.br

Ele se chama Paulo e não me disse seu sobrenome. Por e-mail, me pergunta se o acólito (mestre de cerimônia) pode fazer a celebração da Palavra. Paulo, qualquer pessoa que é bem preparada, que tem espiritualidade, que lê a Bíblia, que frequenta uma comunidade, que gosta de rezar em comunidade, qualquer pessoa, pode fazer a celebração da Palavra na falta do padre, do diácono ou de um ministro da Palavra. Eu estou aqui imaginando uma comunidade reunida

e, de repente, todos têm que voltar para casa, porque não houve quem abrisse a Sagrada Escritura e lesse e meditasse a Palavra de Deus. “Oxalá todo o povo profetizasse.” Essa frase foi dita numa circunstância em que foram reclamar com Moisés que havia gente profetizando sem ser do grupo. Nós precisamos de pessoas generosas, de pessoas que iluminam a sua vida com a Palavra de Deus e que possam anunciar essa Palavra, dar a Boa Notícia de Jesus para os outros. Precisamos de homens e mulheres que, em qualquer circunstância em que se abra a oportunidade de se

evangelizar, assumam profeticamente essa função, proclamando a Palavra de Deus naquele momento. Quantos momentos, quantas festas, quantas reuniões em que se perde a oportunidade de se falar de Deus, de se evangelizar, porque não se acha um cristão que convide a todos a meditar, a orar, a suplicar a assistência, a presença e a graça de Deus para aquele momento. Por isso, meu querido irmão, se você já é acólito, e se precisarem de você para anunciar a Palavra de Deus, faça-o com alegria, viu? E que Deus o abençoe.


www.arquisp.org.br | 28 de setembro a 4 de outubro de 2016

Espiritualidade O Velho e o Mar Dom Carlos Lema Garcia

H

Bispo auxiliar da Arquidiocese e vigário episcopal para a Educação e a Universidade

emingway conta que um velho pescador, chamado Santiago, saiu para pescar quando estava há 84 dias sem apanhar nada. Mesmo assim, continuava a sua rotina diária. Era uma rotina dura. Ia sozinho, não levava comida no seu barco: apenas uma garrafa de água. Mas era um homem competente: todo esse tempo sem fisgar nada não se devia à sua imperícia; fazia as coisas direito e mantinha as linhas em ordem, como deve ser, na vertical, enquanto outros pescadores deixavam as linhas de qualquer jeito: “Mas eu as mantinha sempre na mesma profundidade. Acontece que acabou a minha sorte. Mas, quem sabe? Talvez hoje! Seria bom ter sorte, mas prefiro fazer as coisas bem. Então, se a sorte me sorrir, eu estou preparado.” Aqui já aprendemos algo: fazer as coisas sempre bem, mesmo quando os resultados demorem para aparecer. Ele não desiste, não se desculpa, não cai na tentação de largar tudo; bastava cortar a corda. Essa é a tentação que pode nos sobrevir: de desistir. De repente, sente um forte puxão na linha. Percebe que se trata de um peixe muito grande, porque puxa a barca. Começa a batalha entre o velho e o peixe. Passa a linha pelas costas e a segura com

as duas mãos, firma-se bem no barco e aguenta, à espera de que o peixe se canse e suba à superfície. Mas o peixe era muito forte e passam horas sem nenhum sinal de cansaço. Vem a noite e amanhece: o velho passa sem dormir. Sua mão começa a sangrar, câimbras nos braços... Como ele gostava muito de baseball, lembra-se de que perderia um jogo pela TV, se não voltasse para casa naquele dia. Era um motivo forte para cortar a linha e livrar-se daquele sofrimento. Mas, dizia para si mesmo: “Pense no peixe. Pense no que está fazendo. Você não pode se distrair nenhum minuto... Talvez eu não devesse ter escolhido a vida de pescador... Mas foi para isso que eu nasci.” Nunca podemos pensar que o tempo dedicado ao estudo, ao trabalho, seja um tempo perdido, mesmo quando temos a sensação de que o trabalho e o esforço não nos brindam os resultados almejados, afinal, estamos forjando o caráter, educando a vontade, dilatando os horizontes, preparando-nos para assumir novos desafios na vida. Quantas vezes não nos acontece algo semelhante? Parece que não aguentamos mais, que vamos desmaiar, morrer... Quando nos empenhamos em fazer as coisas bem, em ajudar os outros com a maior boa vontade e, ainda por cima reagem mal, surge a tentação de largar. Quando aparece o cansaço e a tentação de desistir, tal como o pescador, pensemos no peixe. Não podemos entregar os pontos. Devemos pensar: “eu nasci para isso, essa é minha vocação, não existe uma vida diferente para mim.” Quantas vezes, por muito menos, nos enganamos: hoje estou cansado, não vou

| Fé e Vida | 5

Fé e Cidadania Depois das eleições levantar, preciso de um pouco mais de sono. Aparece uma dor de cabeça, não vou à escola: a primeira aula é sem graça; a segunda, inútil; e da terceira, já sei a matéria... Está fazendo frio: não vou sair na rua com um tempo desses: posso pegar uma pneumonia... Ou está quente demais, posso desmaiar... Depois de dois dias e duas noites de luta, pelo movimento da corda, o velho sente a aproximação do peixe. Apoiandose na beira da canoa, solta todo o peso do corpo, desfere um golpe com o arpão e captura o peixe. Um espadarte de cerca de 500 quilos. Foi sorte? Foi o acaso? Vamos aprender. Para atingir nossas metas, em primeiro lugar, ter linhas de rumo claras. Pense no peixe: no vestibular, no emprego, no concurso etc. Depois, combater as pequenas preguiças: Não adiar, não deixar para depois nossas tarefas, cumprir o horário de trabalho, de estudo etc. Mas o combate à preguiça não basta: para sermos constantes, devemos recomeçar depois das falhas. Só o orgulhoso desiste depois da primeira queda. Reconhecer as derrotas, levantar a cabeça e continuar para a frente. E, finalmente, não devemos deixar de pedir ajuda a Deus. Vemos no Evangelho que os discípulos de Jesus – os apóstolos – eram muito inconstantes, mas depois, com a ajuda da graça de Deus e com a força do Espírito Santo, foram firmes até o fim. Morreram dando testemunho de Cristo. Admira-nos sua profunda transformação: antes eram covardes, inconstantes, suas promessas eram vazias. Depois, estão totalmente transformados. Assim também nós poderemos vencer.

Cônego Antonio Manzatto Em período eleitoral, sempre o país vive situações diferentes. O Congresso Nacional fica meio esvaziado, pois os parlamentares estão em suas bases eleitorais, envolvidos em campanhas. Trabalham mesmo aos domingos quando o assunto interessa e há oportunidade de aparecer na televisão, mas em outras ocasiões Brasília (DF) fica deserta. Deveria ser perguntado sobre seus trabalhos e obrigações. Passado o período eleitoral, as coisas voltam ao normal e o Congresso debaterá assuntos impopulares, como a reforma da Previdência e a flexibilização da legislação trabalhista. De propósito, a discussão desses assuntos foi deixada para depois das eleições, mas se são tão importantes assim, a ponto de se dizer que disso depende o futuro do país, porque deixá-los para mais tarde? Na verdade, no Brasil, se vive um problema grave de comunicação e, cada vez mais, nos tornamos uma sociedade do rótulo e da aparência. Antes das eleições, muitos políticos parecem pessoas envolvidas na causa pública e comprometidos com as classes populares. Prometem mundos e fundos para serem dignos do voto popular. Passadas as eleições, mostram efetivamente com quem estão comprometidos e quais seus verdadeiros interesses, coisas que não poderiam mostrar antes, porque perderiam votos. Isso é dito às claras, com todas as letras, e ninguém parece se incomodar. A questão é guardar as aparências e trabalhar a imagem, mesmo que sejam falsas. Foi assim a votação do impeachment, na qual se procurou dar ares de legitimidade a uma decisão política que, no entanto, deveria ser jurídica. O mesmo acontece com o recebimento de processos contra o ex-presidente, ato que deveria ser jurídico, mas não esconde seu interesse político, como aliás transparece na argumentação dos senhores procuradores. Porém, os meios de comunicação, cujo poder está nas mãos a gente sabe de quem, apresentam os fatos como bem lhes apraz, e a população acaba sendo iludida por tais manobras. Mais dia, menos dia, a verdade aparece. Como acontecerá com a votação que virá para reformar direitos trabalhistas e, mais uma vez, estabelecer o privilégio dos senhores do poder econômico. Afinal, não é no direito das classes populares que se estará pensando quando a idade mínima para aposentadoria for elevada para 65 anos, porque os mais pobres começam a trabalhar muito antes dos 30 anos de idade. E a desculpa de que é preciso ser assim para salvar o país será apenas isso mesmo, uma desculpa, esfarrapada. As opiniões da seção “Fé e Cidadania” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do O SÃO PAULO.


6 | Viver Bem |

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Comportamento

Paralimpíada, zika e aborto Valdir Reginato

Terminou há pouco tempo a Paralimpíada Rio 2016. Iniciadas em 1960, as paralimpíadas vêm alcançando cada vez mais visibilidade no mundo pela história de superação de seus atletas, que despertam os acomodados na vida ou os pessimistas de carteirinha, convidando-os a tomar uma nova atitude. Entre os deficientes encontram-se os que adquiriram uma sequela por acidente, por doenças gestacionais ou malformações congênitas, como é o caso do maior medalhista da história, o nadador Daniel Dias. Não há espaço para contar cada uma das histórias a que assistimos, e muito menos temos como avaliar cada dia de esforço desses homens e mulheres que se negaram a dizer sim aos infortúnios, carregando-os como um castigo, e revoltaram-se com a garra dos que sabem encontrar sentido para a vida na luta individual e com o apoio de familiares e amigos, unidos, assim o afirmam muitos, na fé em Deus. Choca verificar a alegria com que Daniel Dias sobe ao pódio com um sorriso contagiante, agradecendo! Também estamos por essa época contando o primeiro ano das crianças portadoras de microcefalia, vítimas do zika. Histórias de início angustiante, à semelhança dos nossos atletas paralímpicos.

No entanto, à semelhança daqueles, observamos em diversas reportagens como muitas famílias estão reagindo à dificuldade do desenvolvimento dessas crianças. Criaramse associações para melhor atendê-las. A solidariedade da comunidade manifesta-se nas famílias. Algumas crianças têm apresentado desenvolvimento até surpreendente diante do esperado. Pais que se fortalecem para se superar no intuito de oferecer o melhor para seus filhos, que, longe de considerá-los um transtorno, agradecem pela alegria. É evidente que não se pode falar que alguém possa estar alegre e agradeça porque sofreu um acidente e precisou amputar as duas pernas. Que ninguém se alegre por uma criança nascer cega por toxoplasmose. Que um bebê tenha nascido sem pés e sem mãos não será motivo de comemoração. Da mesma forma, não se recebe uma criança portadora de microcefalia como quem mais se desejava. Porém, aqueles que se alegram diante dessas situações são aqueles que souberam crescer na generosidade, sair de si mesmo, ver o ser humano além das aparências, tão valorizadas no mundo hedonista de hoje. É preciso ver além da estética física, submetida ao limite do sacrifício em dietas, esportes e até cirurgias pelas suas medidas milimétricas, para enxergar a

grandiosidade sem limites do coração e do espírito. São por acontecimentos assim, nos quais verificamos o comportamento dessas pessoas, que em meio a tantas dificuldades, dor e sofrimento, existe um caminho para os que acreditam na felicidade. Há pouco mais de meio século, tudo isso seria impensável e, no entanto, tornou-se uma realidade viva, presente aos nossos olhos. “Sair da poltrona”, como disse o Papa Francisco. Esses fatos dão uma resposta que encurrala os defensores do aborto por malformação. É necessário dar um basta à miopia daqueles que só sabem ver o homem na sua silhueta, e avaliá-lo por inteligência racional, tornando os demais como “infelizes”. O aborto passa a comportar-se como uma atitude “generosa”, um golpe de “misericórdia” aos desafortunados. Deixo para estes, para profunda reflexão, as palavras dos pais de Daniel Dias: “Nós te amamos muito. Em nossa vida, temos muito que agradecer primeiramente a Deus, pois colocou você em nossas vidas, e também a várias pessoas que foram colocadas em nosso caminho, que nos ajudaram e nos deram forças (...) Você é uma obra única e especial. Sua vida é preciosa para o Senhor, que o criou.” Dr. Valdir Reginato é médico de família, professor da Escola Paulista de Medicina e terapeuta familiar.

Cuidar da Saúde

Você já ouviu falar em iatrogenia? Cássia Regina Iatrogenia é uma palavra de origem grega - iatros (médico, curandeiro) e genia (origem, causa). É algo que pode ser provocado por profissionais não médicos, como psicólogos, fisioterapeutas, dentistas, enfermeiros, nutricionistas, entre outros. A iatrogenia refere-se a doenças ou alterações patológicas criadas pelos efeitos colaterais dos medicamentos ou pelo efeito das ações de uma pessoa que tenta curar ou amenizar uma doença. Por exemplo, prescrever o ome-

prazol de forma preventiva para quem toma muitos comprimidos, sendo que o uso contínuo deste pode provocar problemas de memória. O uso indiscriminado e excessivo de medicamentos pode expor os pacientes, principalmente os idosos, a efeitos colaterais desnecessários e interações potencialmente perigosas. Além dos idosos consumirem mais medicamentos do que as outras faixas etárias, eles costumam ser particularmente mais vulneráveis aos efeitos colaterais. Por isso, destaca-se a importância do geriatra. Ele irá

gerenciar todos os medicamentos do idoso para evitar que tenha iatrogenia. Quando você for ao médico, leve a receita ou todos os medicamentos que você faz uso, pois assim ele poderá avaliar as interações medicamentosas e as possíveis reações, evitando que você tenha uma nova doença. E não seja resistente caso seu médico queira retirar alguma medicação que você toma há muito tempo. Menos pode ser mais. Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF) E-mail: dracassiaregina@gmail.com


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Destaques das Agências Nacionais

Júlia Cabral e Vitor Loscalzo Especial para O SÃO PAULO

CNBB: ‘Em defesa da integridade da vida’ O Conselho Pastoral da CNBB emitiu, no dia 21, uma nota oficial que manifesta a posição do episcopado com relação a Ação Direta de Inconstitucionalidade-ADI 5581, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), questionando a Lei 13.301/2016, que trata da adoção de medidas de vigilância em saúde, relativas ao vírus da dengue, chikungunya e zika. Os bispos afirmam que é urgente a

adoção de políticas públicas para enfrentar efetivamente o zika vírus, mas consideram estranho e indigno que se introduza nesse contexto da ADI a questão do aborto. “É uma incoerência que ela defenda os direitos da criança afetada pela síndrome congênita e, ao mesmo tempo, elimine seu direito de nascer”. Intitulada “Em defesa da integridade da vida”, a nota da CNBB destaca a posi-

ção da Igreja sobre o aborto e traz uma denúncia sobre os interesses de grupos que se aproveitam para inserir o aborto no contexto do debate da ADI: “Repudiamos o aborto e quaisquer iniciativas que atentam contra a vida, particularmente as que se aproveitam das situações de fragilidade que atingem as famílias. São atitudes que utilizam os mais vulneráveis para colocar em prática interesses

de grupos que mostram desprezo pela integridade da vida humana”. Os membros do Conselho apontaram o exemplo dos atletas paralímpicos, que mostram que a humanidade se revela ainda mais na fragilidade. A nota é concluída com um pedido para que as comunidades cristãs acolham e apoiem as vítimas da microcefalia. Fonte: CNBB (Edição: Vitor Loscalzo)

Um ano para celebrar, comemorar e reaprender com Nossa Senhora A CNBB realizou no dia 21 o lançamento oficial do Ano Nacional Mariano, que terá início em 12 de outubro e término em 11 de outubro de 2017, em comemoração aos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nas águas do rio Paraíba do Sul, em 1717. A cerimônia de lançamento oficial, na sede da CNBB, em Brasília (DF), contou com a participação da presidência da CNBB, membros do Conselho Episcopal Pastoral (Consep), organismos vinculados à Conferência e colaboradores que atuam na sede.

De acordo com Dom Sergio da Rocha, arcebispo de Brasília (DF) e presidente da CNBB, esse tempo será “um ano para celebrar, para comemorar, para louvar a Deus, mas também para reaprender com Nossa Senhora como seguir Jesus Cristo, como ser cristão hoje”. O Arcebispo também desejou que a Igreja no Brasil viva intensamente o Ano Nacional Mariano. “Que este momento seja para a evangelização, para a missão, tendo presente o exemplo, as lições que Nossa Senhora nos deixa, mas também recorrendo com confiança a sua intercessão materna”, concluiu. Fonte: CNBB (Edição: Júlia Cabral)

CNBB

Dom Sergio da Rocha, ladeado por Dom Murilo Krieger e Dom Leonardo Steiner, na CNBB

Mutirão para melhoria do centro de refugiados Um grupo de 300 estudantes encontrou-se, na segunda-feira, 26, com refugiados e migrantes atendidos pelo centro de acolhimento Missão Paz, da Arquidiocese de São Paulo, para desenvolver com eles atividades educacionais, reformar salas de aulas da instituição e promover a melhoria da infraestrutura do local.

As ações fazem parte do “Green Apple Day of Service”, um evento criado em 2012 pela ONG norte-americana Center For Green Schools, e têm por objetivo transformar escolas em ambientes mais saudáveis e ecologicamente corretos. A Missão Paz é um dos mais respeitados centros de assistência e recepção

de refugiados e migrantes da cidade. A instituição foi escolhida pelo importante trabalho em parceria com o Acnur, devido aos diversos cursos de português para refugiados, um centro de acolhimento, assistência saúde e jurídica, e encaminhamento para o mercado de trabalho.

Mendes. A entrada será 1kg de alimento não perecível, que deve ser entregue antecipadamente em locais específicos, que podem ser consultados no site http:// www.arquisp.org.br/cancao-nova-abraca-sao-paulo.

“Família, torna-te aquilo que és”. Este é o tema do III Fórum Famílias Novas, que acontecerá nos dias 8 e 9, no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, com palestras, testemunhos, partilhas, recreação infantil e missas. Já estão confirmadas as presenças do Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, dos bispos Dom Luiz Antônio Guedes, Dom Emílio Pignoli, Dom Antônio Augusto Dias duarte e Dom Carlos Lema Garcia. Outras informações sobre o evento podem ser obtidas pelo WhatsApp (11) 96078-0096 ou pelo Facebook, na página Famílias Novas.

Fonte: Portal ArquiSP

Fonte: Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP

Fonte: ONU Brasil (Edição Júlia Cabral)

Em 9 de outubro, ‘Canção Nova Abraça São Paulo’ A Comunidade Canção Nova realizará no domingo, 9, das 7h30 às 18h, no Ginásio do Ibirapuera (rua Manoel da Nóbrega, 1.361, Paraíso), o “Canção Nova Abraça São Paulo”, com o tema “Ele salva nossa vida da morte e nos coroa de bondade e misericórdia” (Salmo

102,4). Haverá pregações, adoração ao Santíssimo Sacramento, missa, cânticos de louvor e animação. Estão confirmadas as presenças do Cardeal Scherer, arcebispo metropolitano, dos padres Adriano Zandoná e Marcelo Rossi e dos cantores Eugênio Jorge, Ana Lúcia e Nando

III Fórum Famílias Novas

Divulgação

Não à PEC 241/2016 Debate sobre proposta que congela gastos públicos Assessores: Padre João Mildner Pastoral da Saúde

Regina Célia Silva

29 de setembro das 19h30 às 21h30

Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência-SP Local: CENTRO PASTORAL SÃO JOSÉ DO BELÉM - Rua Alvaro Ramos, 366

Promoção: Coordenação Pastoral do Serviço da Caridade, Justiça e Paz


8 | Pelo Mundo |

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Por uma economia mais humana e justa FILIPE DOMINGUES

Especial para O SÃO PAULO, em Roma

Vivemos num mundo mais desenvolvido, mais seguro e com mais liberdades do que no passado. Mas, em muitos países, cresce a desigualdade social. Essa ideia foi defendida pelo Prêmio Nobel de Economia, Angus Deaton, professor da Universidade de Princeton, na conferência “Rumo a uma economia mais humana e justa”, organizada no dia 21 pela Embaixada da Itália junto à Santa Sé e pelo Cortile dei Gentili. A iniciativa, liderada pelo Cardeal Gianfranco Ravasi, é parte de uma série de encontros para o diálogo entre cristãos e pessoas sem religião. “A globalização permitiu que muitas pessoas desenvolvessem a sua condição”, ponderou Deaton, referindo-se à tecnologia e à integração comercial entre os países. “Mas também há muitas imperfeições. Um arranjo social melhor poderia

aliviar o impacto. Em alguns lugares, o crescimento econômico beneficia uma minoria que já está em vantagem.” Ele afirmou que há aumento da desigualdade de renda em várias localidades. “Se olharmos para o mundo todo, a desigualdade está diminuindo, mas, se olharmos os países individualmente, ela cresce.” O professor esclareceu que o paradoxo se deve, em parte, ao impacto da China e da Índia, que juntas somam 2,5 bilhões de habitantes. “Há menos e menos pessoas na base mais pobre.” Por outro lado, disse, dois tipos de desigualdade prevalecem. Primeiro, a gerada por diferenças em inovação e investimentos, pois alguns países chegaram primeiro à era industrial e seguem na frente. Segundo, a causada pela corrupção, por “ricos improdutivos”. Para Deaton, um “capitalismo clientelista”, em que os ricos favorecem a si mesmos, é a desigualdade que mais incomoda as “pessoas comuns”.

Cortile dei Gentili

Cardeal Ravasi durante conferência com a participação de Angus Deaton, Prêmio Nobel de Economia (primeiro à direita)

‘A Finança tornou-se um ídolo’, diz Cardeal Ravasi O Cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura e renomado biblista, explicou ao O SÃO PAULO por que a religião está ligada à economia. O SÃO PAULO - Por que na Igreja se deve falar de Economia? Cardeal Ravasi - É uma pergunta fundamental, porque a religião hebraico-cristã é uma religião da encarnação.

Seu elemento fundamental não é decolar em direção a um céu mítico ou místico. A religião cristã é Deus que se torna homem. E, como tal, a História é o espaço privilegiado para encontrar o divino. Por isso, é preciso entrar na praça. Entrar na sociedade, não para fazer política, mas para levar valores, a ética, a moralidade, o sentido, as grandes perguntas da existência. Por isso, a Economia, que é um componente fundamental do ser, do existir das pessoas, deve interessar. Se quisermos simplificar mais: o coração da religião, que sob um ângulo diferente é também o cora-

ção da política e da cultura, é a pessoa humana. Na religião, olhamos a pessoa humana com a figura de Cristo, mas é sempre aquela mesma pessoa observada pela política e pela cultura. Nossa economia não tem sido capaz de combater a desigualdade. Por quê? É preciso voltar a diferenciar claramente duas realidades que têm sido consideradas sinônimos, mas não são: Economia e Finança. A Economia é uma finalidade, é uma ciência humana. Como diz a própria palavra, é a “lei da casa do

mundo”, do grego oikos e nomos. Portanto, deveria ser um projeto comum. Deveria se preocupar com a pobreza, a fome, por exemplo. Deveria se preocupar com o desenvolvimento da dignidade da pessoa humana. A Finança, por sua vez, é simplesmente um instrumento. Porém, tornou-se a finalidade, tornou-se o ídolo que comanda por meio de seus objetos: os mercados, as bolsas, os modelos de desenvolvimento. Faz isso de modo ascético e frígido, a ponto de criar uma riqueza puramente virtual, que faz comunidades inteiras sangrarem. (Por Filipe Domingues)

Hungria Departamento para ajudar os cristãos perseguidos A Hungria será o primeiro país a criar um departamento para ajudar os cristãos perseguidos no Oriente Médio e os que sofrem discriminação na Europa. O ministro húngaro Zoltan Balog explicou: “Atualmente, o Cristianismo

se converteu na religião mais perseguida. Entre cinco pessoas assassinadas por motivos religiosos, quatro são cristãos.” Segundo Balog, o novo departamento não ajudará apenas os cristãos do Oriente Médio. “Nosso interesse

Síria

não está somente no Oriente Médio, mas também nas formas de discriminação e na perseguição dos cristãos no mundo inteiro. Por isso, esperam que vigiemos as formas de perseguição nas fronteiras europeias.” Ele também

afirma que o governo “fará tudo o que estiver ao seu alcance para melhorar a situação dos cristãos que vivem no Oriente Médio”. Fonte: ACI (Edição de texto : Filipe David)

Nações Unidas

Crianças oram pelo fim de tragédias

ONGs pedem criação de dia do aborto

Meninas e meninos cristãos e muçulmanos que vivem em Allepo estarão unidos em oração em 6 de outubro para que em toda a Síria haja o fim da crescente violência causada por bombardeios e ataques, que tem levado muitas famílias a deixarem bairros ocupados por grupos contrários ao governo sírio. A iniciativa, promovida pelos padres franciscanos, envolverá, em primeiro lugar, os alunos das escolas. Segundo o Dom Boutros Marayati,

Uma petição está circulando pela plataforma CitizenGo para que o secretáriogeral da Organização das Nações Unidas (ONU) não ceda à pressão de grupos abortistas, que pedem que a data de 28 de setembro seja declarada dia internacional do “aborto seguro”. Segundo denuncia a petição, “há algumas semanas, uma coalizão de 430 grupos abortistas enviou uma carta ao secretáriogeral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, bem como aos chefes da ONU Mulheres, um programa de desenvol-

responsável pela arquieparquia armênio-católica de Aleppo, eles colocarão as suas assinaturas e a palma das mãos num apelo para pedir aos poderosos do mundo o fim das tragédias que sempre são cruéis às crianças, as mais frágeis nos conflitos. “Sobretudo rezarão. Rezarão por todos os seus coetâneos. Confiamos no fato de que a oração das crianças seja mais potente do que a nossa”, afirmou. Fonte : Agência Fides (Edição de texto : Daniel Gomes)

vimento da ONU, da OMS, da Unaids, do Pnud e da Unesco, solicitando que declarem o dia 28 de setembro como o Dia Internacional do Aborto Seguro”. A petição lembra que nenhum aborto é seguro. Em 100% dos casos, há pelo menos uma vítima que paga com sua vida inocente. E, em muitos casos, a mãe sofre consequências físicas e/ou psicológicas do procedimento. A petição contra essa iniciativa da cultura da morte já conta com mais de 140 mil assinaturas. Fontes: ACI/ CitizenGo (Edição de texto : Filipe David)


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| Papa Francisco | 9

Júlia Cabral

Especial para O SÃO PAULO

Catequistas, chamados a viver e anunciar a Boa-Nova do amor do Senhor O Papa Francisco presidiu, no domingo, 25, na praça São Pedro, a celebração eucarística pelo Jubileu dos Catequistas, que teve início na sexta-feira, 23, e prosseguiu no sábado, 24, com momentos de reflexão e oração em várias igrejas romanas. Participaram da missa cerca de 15 mil catequistas provenientes de várias partes do mundo. O Pontífice sublinhou, na homilia, que o Apóstolo Paulo dirige a Timóteo e a todos algumas recomendações. Pede a Timóteo que guarde o “mandamento íntegro e sem mancha”. Fala apenas de um mandamento, a fim de que o nosso olhar se mantenha fixo no que é essencial para a fé. “Neste Jubileu dos Catequistas, nos é

L’Osservatore Romano

pedido para não nos cansarmos de colocar em primeiro lugar o anúncio principal da fé: o Senhor ressuscitou. Não existem conteúdos mais importantes, nada é mais firme e atual. Todo conteúdo da fé se tornar perfeito se estiver ligado a este centro, se for permeado pelo anúncio pascal. Se ficar isolado, perde sentido e força. Somos chamados continuamente a viver e anunciar a Boa-Nova do amor do Senhor.” O Santo Padre concluiu a homilia pedindo a Deus que “nos dê a força de viver e anunciar o mandamento do amor, vencendo a cegueira da aparência e as tristezas mundanas. Que Ele nos torne sensíveis aos pobres, que não são um apêndice do Evangelho, mas página central, sempre aberta diante de nós”.

Apresentado Estatuto da Secretaria para as Comunicações L’Osservatore Romano

O Papa Francisco encontrou-se na quinta-feira, 22, com o Monsenhor Dario Edoardo Viganò, prefeito da Secretaria para as Comunicações do Vaticano (Spc), o Monsenhor Lucio Adrián Ruiz, secretário do organismo, e o conselho do novo dicastério. No encontro, Francisco entregou o Estatuto da Secretaria para as Comunicações do Vaticano, publicado naquele dia, que entrará em vigor em 1º de outubro, em caráter experimental por três anos. O Monsenhor Viganò falou à rádio

Pelo fim da violência no México Antes da recitação do Ângelus, no domingo, 25, na praça São Pedro, o Papa Francisco recordou que foi beatificado no dia anterior em Würzburg, na Alemanha, Engelmar Unzeitig, sacerdote da Congregação dos Missionários de Mariannhill, morto por aqueles que odeiam a fé no campo

de extermínio de Dachau. “Que o seu exemplo nos ajude a ser testemunhas de caridade e esperança em meio às tribulações”, disse o Papa Francisco. O Pontífice também rezou pelo fim da violência no México. “Uno-me de bom grado aos bispos do México em apoiar os esforços da Igreja e da socie-

dade civil em favor da família e da vida, que neste momento exigem uma atenção pastoral e cultural especial em todo o mundo. E também asseguro a minha oração para o amado povo mexicano, a fim de que cesse a violência que nos últimos dias atingiu também alguns sacerdotes.”

Vaticano sobre o encontro. “O Papa quis entregar pessoalmente os estatutos que foram preparados durante meses de trabalho por um grupo misto, estatutos que foram acompanhados com atenção e pelo Pontifício Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos e pela Secretaria de Estado. Foi um momento cordial em que o Santo Padre nos pediu para procedermos com determinação e segundo escolhas irreversíveis para esse novo cenário, que é o da convergência digital.” Fontes de todas as notícias: Rádio Vaticano

Aos familiares das vítimas em Nice: ‘Partilho a sua dor’ O Papa Francisco recebeu no sábado, 24, na Sala Paulo VI, no Vaticano, os familiares das vítimas do atentado, em Nice, no sul da França, no Dia da Bastilha, em 14 de julho, quando um caminhão atropelou diversas pessoas que estavam assistindo à queima de fogos. Morreram 85 e várias ficaram feridas. “Com emoção, encontro-me com vocês que sofrem no corpo e na alma, pois, numa noite de festa, a violência os afetou cegamente sem olhar origem nem religião. Partilho a sua dor, uma dor que se torna ainda mais forte quando penso nas crianças, nas famílias inteiras, cujas vidas foram ceifadas de forma dramática. Asseguro a cada um de vocês a minha compaixão, proximidade e oração”, disse o Pontífice. “Queridas famílias, peço a Deus, Pai de todos, que acolha os seus parentes defuntos e que eles encontrem o descanso e a alegria da vida eterna. Para nós, cristãos, o fundamento da esperança é Jesus Cristo, morto e ressuscitado. O Apóstolo Paulo nos garante: ‘Se estamos mortos com Cristo, acreditamos que também viveremos com Ele, pois sabemos que Cristo, ressuscitado dos mortos, não morre mais; a morte já não tem poder sobre Ele’”.


10 | Política |

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Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

Pesquisa Datafolha

Estes são os percentuais de intenção de voto na corrida para a Prefeitura de São Paulo: - João Doria (PSDB).........................................30% - Celso Russomanno (PRB) ............................22% - Marta (PMDB) ...............................................15% - Fernando Haddad (PT) ................................11% - Luiza Erundina (PSOL) ..................................5% - Major Olimpio (SD) ........................................1% - Levy Fidelix (PRTB) ........................................1% - João Bico (PSDC) ............................................0% - Ricardo Young (Rede) .....................................0% - Altino (PSTU) ..................................................0% - Henrique Áreas (PCO) ...................................0% - Branco/nulo ....................................................12% - Não sabe ............................................................4% O Datafolha ouviu 1.260 eleitores da cidade de São Paulo no dia 26. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%, o que significa que, considerando a margem de erro, a chance de o resultado retratar a realidade é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), sob o protocolo SP-05632/2016. Em alguns cenários de segundo turno, os resultados seriam:

Doria x Russomanno

- João Doria (PSDB) ........................................42% - Celso Russomanno (PRB) ............................37%

Doria x Haddad

- João Doria (PSDB) ........................................53% - Fernando Haddad (PT) ................................26%

Doria x Marta

- João Doria (PSDB) ........................................45% - Marta (PMDB) ...............................................36%

Russomanno x Haddad

- Celso Russomanno (PRB) ............................47% - Fernando Haddad (PT) ................................26%

Russomanno x Marta

- Celso Russomanno (PRB) ............................39% - Marta (PMDB) ...............................................37%

Marta x Haddad

- Marta (PMDB) ...............................................44% - Fernando Haddad (PT) ................................26%

Ministério Público

O Ministério Público de São Paulo entrou com ação contra a chapa do candidato à Prefeitura de São Paulo João Doria (PSDB) e seu vice, Bruno Covas (PSDB). O promotor José Carlos Bonilha pediu, na segunda-feira, 26, a cassação da coligação e a inelegibilidade do governador Geraldo Alckmin por abuso do poder político à Justiça Eleitoral. Não há prazo para julgamento.

Lava Jato

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), composta por cinco ministros, aceitou por unanimidade na terça-feira, 27, denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o marido dela, o ex-ministro Paulo Bernardo, na operação Lava Jato. Fontes: G1, Folha de SP, EBC

Candidatos à Prefeitura de São Paulo ‘escorregam’ durante a campanha Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

A eleição em São Paulo entra em seu momento decisivo. Se você, leitor, pegou o jornal na manhã de domingo e ainda não foi votar, preste atenção nas informações desta notícia. Se já votou, preste ainda mais atenção no seu voto no segundo turno. Os candidatos à Prefeitura de São Paulo estão, durante suas campanhas, fazendo várias promessas. Muitas não levam nem em conta a crise econômica que o país atravessa nem a falta de recursos que podem enfrentar em suas gestões. Para a população, a saúde é uma das áreas de maior reclamação e a que possui mais propostas e soluções imediatistas que vão desde a imediata contratação de médicos e expansão do prontuário eletrônico, com uso de cartão com chip, até a oferta de consultas e exames durante o período noturno ou mesmo de madrugada. O cenário piora nos debates na televisão ou quando os candidatos são entrevistados em programas ao vivo de rádio e internet. Sem toda aquela equipe de marqueteiros e assessores, eles se veem obrigados a responder aos questionamentos dos opositores e, por vezes, inflam números e não são tão fiéis aos fatos como deveriam ser. O SÃO PAULO reuniu dados da Agência Lupa, da Folha de S.Paulo, da plataforma Detector de Mentiras (http://www.detectordementiras. minhasampa.org.br/) e do Truco Eleições 2016 (http://apublica.org/) para avaliar os discursos feitos nos últimos debates pelos candidatos à Prefeitura de São Paulo. Fernando Haddad, atual pre-

feito e candidato do PT à reeleição, em seu site de campanha, comemorou os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2015, divulgados na semana passada. “Nós estamos colhendo o fruto de um esforço de quatro anos, sendo a capital que mais avançou no principal indicador de qualidade do país (Ideb)”, afirmou em um encontro com especialistas e educadores. Segundo dados do Ministério da Educação, há outras capitais com desempenho semelhante ou melhor do que São Paulo. Manaus, no Amazonas, avançou entre 2011 e 2015, 1,3 ponto no índice relativo aos anos iniciais do ensino fundamental, indo de 4,1 para 5,4 pontos. São Paulo teve crescimento inferior, de 1 ponto. Foi de 4,8 para 5,8 pontos no mesmo período e no mesmo segmento. Já a candidata Luiza Erundina, do PSOL, afirmou que vai voltar a destinar 30% da receita líquida do município para a educação. Porém, a Lei Orgânica do Município, em seu artigo 208, já estabelece a obrigatoriedade de destinar 31% das receitas líquidas municipais para a Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE). No exercício de 2015, além disso, o percentual de receitas aplicadas em MDE pela Prefeitura de São Paulo foi de 34,21%. O candidato do PSDB, João Doria, afirmou em debate que a velocidade das marginais será alterada na semana seguinte que assumir o governo. De acordo com ele, as análises técnicas já foram feitas. As velocidades irão

para 90, 70 e 60 km/h nas marginais Pinheiros e Tietê e com isso, segundo ele, haverá melhoria na eficiência. A afirmação de Doria, no entanto, não é verdadeira. Aumentar a velocidade permitida não aumenta a velocidade média dos carros. Uma série de pesquisas comprovam os benefícios da redução de velocidade. Também em um debate, Celso Russomanno, do PRB, disse que fará a regularização fundiária dos terrenos da cidade e a pessoa terá a documentação. Segundo o candidato, 1,2 milhão de imóveis em São Paulo são irregulares e nunca ninguém resolveu nada. Porém, a verdade é que a questão da regularização fundiária vem sendo tratada há muitas gestões. Marta Suplicy, quando foi prefeita, entregou 123 mil títulos. A gestão Serra/Kassab entregou cerca de 257 mil e a na administração Haddad foi feita a entrega de 116 mil títulos. Já Marta, do PMDB, em duas oportunidades fez afirmações falsas. Em uma delas, a candidata disse que a criação de escolas de tempo integral estão em sua proposta de governo, porém, não há referências a escolas em tempo integral na proposta registrada pela candidata no TSE. Ainda sobre a educação, Marta comentou que a construção de um CEU custa R$ 25 milhões, mas por envolver uma série de variáveis, a construção de uma unidade pode custar mais caro que isso. O CEU Heliópolis, por exemplo, teve valor final de R$ 29,4 milhões.


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| Com a Palavra | 11

José Maria del Corral

Resgatar valores humanos e cristãos na educação Luciney Martins/O SÃO PAULO

Edcarlos Bispo

edbsant@gmail.com

A Scholas Occurrentes é uma organização internacional de direito pontifício erigida pelo Papa Francisco no Vaticano. Sua missão é promover o resgate dos valores humanos e cristãos na educação, com atenção especial às pessoas com menos recursos materiais. Está presente em 190 países, dentre os quais Vaticano, Argentina e Espanha, e tem uma delegação no Paraguai e em Moçambique, totalizando uma rede que atualmente integra 400 mil escolas e instituições de ensino. Conecta a tecnologia com a arte e o esporte para promover a integração social e a cultura do encontro e da paz. Em 16 de agosto, o presidente da Organização Internacional de Direito Pontifício Scholas Occurrentes, José Maria del Corral, se reuniu na Cúria Metropolitana com o vigário episcopal para a educação e a universidade, Dom Carlos Lema Garcia, para trazer esse projeto a São Paulo. Corral concedeu uma entrevista exclusiva ao O SÃO PAULO.

O SÃO PAULO – Qual é a proposta da Scholas Occurrentes? José Maria del Corral - O que propõe a Scholas é transformar a realidade a partir da educação. Para tal, se faz necessário a mudança do próprio sistema educativo atual, recuperando valores. Essa mudança é o que pretende a Scholas, dentro do próprio sistema educativo. O Papa crê que a maneira [de transformar a educação] é recuperar os valores humanos e cristãos perdidos da educação, que hoje é muito enciclopedista. É preciso oferecer às crianças um sentido existencial. A nossa história mostra isto: em todas as partes do mundo, crianças de diferentes crenças, de diferentes origens, buscam o mesmo, buscam um sentido profundo naquilo que fazem – e necessitam disso. Assim, o Papa vê muita importância em poder, de alguma maneira, levar adiante essa mudança por meio da educação. Como é a relação da Scholas com as escolas públicas ao redor do mundo? É muito complicado estabelecer essa parceria? Não, pois “o entrar” nas escolas nasceu já com essa busca de unidade dentro da diversidade, perante uma proposta de uniformidade, frente a uma “receita” única que não respondia à

realidade atual e diante de uma concepção de globalização que também não era a que buscava distintos povos e distintas nações com suas respectivas identidades. A Scholas nasce defendendo as identidades, e tais identidades em diálogo são o que produzem a harmonia, essa música agradável. E não busca impor o ateísmo e a falta de identidade. É por isso que nasceu a Scholas, contando com crianças de diferentes coletividades, de diferentes crenças... E isso foi rapidamente muito valorizado também no mundo da educação pública. É claro que há setores, grêmios e interesses corporativos que tentam fazer que esses projetos não tenham êxito, como fala o Papa, “há quem constrói muros mais do que pontes e busca destruir as pontes”. Porém, no tocante ao que necessitam os alunos e as famílias, foi muito bem recebida, inclusive em lugares onde somente há a educação pública. E como é a sua relação com o Papa? Pelo que li, o senhor se encontra quase semanalmente com Francisco e ele acompanha de perto a questão das escolas... O Papa sente como um projeto muito próprio. Viu o projeto nascer e o

acompanhou desde antes que tivesse nome. Então a Scholas foi crescendo e o Papa foi acompanhando durante todo seu desenvolvimento em Buenos Aires, na Argentina, e logo viu a necessidade da problemática educativa mundial. Com a crise que vivia o jovem, era necessário multiplicar e estender com muito esforço essa experiência local a outros lugares, e por isso nos animamos a ir a países da América Latina, Europa e Ásia. O Papa, em uma de suas entrevistas, disse que a escola deve ensinar valores e não só conceitos. Como é essa visão de vocês sobre uma escola que ensina mais do que matemática e técnicas básicas? Acreditamos que a solução para o problema passa por algo que era muito habitual na educação cristã, que era justamente poder levar uma mensagem, o querigma, no qual o jovem encontre algo para se apoiar e algo ou alguém em que ele possa crer, porque essa atitude elementar, mais existencial e mais básica – quando o jovem não a encontra –, pode buscá-la nas drogas, no álcool, se esvair da própria realidade e chegar a caminhos que o levam à própria destruição e à des-

truição do outro. Não é casual que o terrorismo e os atentados sejam movidos por jovens e crianças cooptados nas redes de internet. Temos que recuperar os valores e a fé, coisas que são fundamentais. Quando isso – o fundamental – começa a viver e a recuperar sua própria energia e sua força, o outro virá: o garoto vai comprometer-se com os estudos, com o trabalho, com a família e com a sociedade. Vocês buscam dar protagonismo ao jovem para que ele não seja somente um ouvinte, e sim um protagonista e ajude a construir. Verdade? Claro. Busca-se que o aluno seja protagonista do projeto, pois é fundamental essa atitude por parte do jovem, que ele sinta que não é vítima e que também não sinta que a realidade é uma tragédia. Como está no Evangelho, existe uma esperança, e nessa história ele tem um lugar, ele não é passivo e não está aqui apenas para a história passar. Ele tem algo a fazer, a oferecer, não é somente futuro, enquanto jovem, mas também presente. Quando o jovem percebe que essa realidade lhe diz respeito e que tem ferramentas para mudar aquelas coisas que tanto lhe incomodam ou o limitam, então, recupera essa gana que dizíamos e se sente protagonista. Quando podemos esperar o início desse projeto aqui na cidade? Como o senhor vê um vicariato próprio para educação em uma cidade como São Paulo? Bom, para nós é fundamental. A conversa que tivemos [com Dom Carlos Lema Garcia] foi interessante, pois estão dadas as condições para que São Paulo seja um ponto de lançamento para o resto do país. E acreditamos que pelas características educativas e pela diversidade de colégios, este lugar é absolutamente apropriado. Por isso, estamos em contato direto com todas as autoridades locais e regionais e também em contato com diferentes colégios e atores para ver exatamente quando podem ser feitas as primeiras experiências. Eu creio que já nos próximos meses. Já estamos organizados para que se possa iniciar essa experiência no Brasil, e creio que será muito positivo para o país, além de ser uma fortaleza e um contágio para vossa nação. Sabemos que isso será muito lindo à medida que pudermos acompanhar as crianças enquanto realizam suas experiências.

As opiniões expressas na seção “Com a Palavra” são de responsabilidade do entrevistado e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do jornal O SÃO PAULO.


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Cresce entre os católicos a prática da Leitura Orante da Bíblia osaopaulo@uol.com.br

“Felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lucas 11,28). Essa afirmação de Jesus confirma uma verdade fundamental para a vida cristã: para seguir o Cristo é preciso antes ouvi-lo. Esse é o paradigma da relação entre o discípulo e o mestre, ouvir atentamente o que Ele tem a dizer. Mas, nos dias de hoje, como é possível vivenciar de maneira concreta esse encontro pessoal com Deus por meio de sua Palavra? Nos últimos anos, os católicos têm redescoberto uma das práticas mais antigas do Cristianismo, a Lectio Divina ou Leitura Orante da Bíblia, método pelo qual a pessoa vive um encontro espiritual com Deus por meio da Sagrada Escritura. Na verdade, esse método é anterior ao próprio Cristianismo. Estima-se que a prática da Lectio Divina data de aproximadamente o ano 180 a.C., quando os fariseus, encarregados de estudar a Torá (Sagrada Escritura judaica) e transmitir seu ensinamento ao povo, criaram um método de leitura dos textos em quatro passos. Séculos depois, comunidades cristãs primitivas começaram a adotar o método também para a leitura dos textos do Novo Testamento. A estrutura atual da Lectio Divina é atribuída ao monge Guigo II (falecido em 1188), que definiu os quatro passos clássicos do método: leitura, meditação, oração e contemplação (leia mais no quadro da página 13).

Retomada

Com o passar dos séculos, a Lectio Divina foi ficando restrita à vida monástica. Somente depois do Concílio Vaticano II (década de 1960), o método voltou a se popularizar. A Constituição Dogmática Dei Verbum, sobre a revelação divina, foi o documento conciliar que convidou a Igreja a não somente se dedicar ao estudo das Escrituras, mas a também retomar a prática de uma relação espiritual com a Bíblia: “Lembrem-se, porém, de que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada pela oração, a fim de que se estabeleça o colóquio entre Deus e o homem; pois ‘a Ele falamos quando rezamos; a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos’ (Santo Ambrósio)”. Mais recentemente, a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Verbum Do-

mini, escrita pelo Papa Bento XVI em 2010, insiste na importância da Lectio Divina como base de toda a espiritualidade da Igreja. “O Sínodo insistiu repetidamente sobre a exigência de uma abordagem orante do Texto Sagrado como elemento fundamental da vida espiritual de todo fiel, nos diversos ministérios e estados de vida, com a particular referência à Lectio Divina. Com efeito, a Palavra de Deus está na base de toda a espiritualidade cristã autêntica”, afirma o texto.

Os quatro passos

A primeira fase (lectio) consiste em ler um trecho da Sagrada Escritura disposto a escutar o que Deus comunica. Posteriormente, medita-se sobre a leitura (meditatio), atento aos principais pontos pelos quais a Palavra viva se dirige mais diretamente ao leitor. Nessa fase, recomenda-se que o fiel se insira na história, como se fosse um personagem a mais. Depois dessa dinâmica em que a Palavra de Deus é dirigida ao leitor, a terceira fase propõe a resposta a essa Palavra, fazendo com que, em forma de oração, o fiel se dirija a Deus (oratio). Por fim, chega-se à quarta fase (contemplatio), momento silencioso de interiorização da experiência espiritual vivida com a leitura, meditação e oração sobre o texto, bem como seus sentimentos, afetos e propósitos colhidos nesse diálogo com Deus por meio da Escritura.

Iniciativas

Desde a motivação conciliar, inúmeras iniciativas surgiram com o objetivo de difundir a Leitura Orante da Biblia entre os fiéis. Irmã Rosana Pulga, religiosa da Congregação das Filhas de São Paulo (Paulinas) e fundadora do Serviço de Animação Bíblica (SAB) em Belo Horizonte (MG), ministra cursos de Lectio Divina em todo o Brasil. Ela explica que a Leitura Orante é um exercício muito simples e enriquecedor tanto para o conhecimento da Bíblia quanto para a vida espiritual pessoal e comunitária. Com o método, é possível dialogar com Deus, ouvir o que Ele tem a dizer a cada um em particular e a seu povo como um todo. A Religiosa também destaca que a Leitura Orante não é um estudo bíblico,

mas, como o próprio nome diz, é uma leitura divina em oração. “É uma oração transformadora que leva à prática da fé batismal, que restaura continuamente nossa imagem e semelhança com Deus”, afirma. O método pode ser feito individualmente ou em grupo. “A experiência da Lectio Divina é dinâmica e silenciosa ao mesmo tempo. Seus passos são interligados, não podem ser tomados como compartimentos ou gavetas os quais abrimos e fechamos uma de cada vez”, acrescenta Irmã Rosana.

Nas paróquias

Nascido em Fortaleza (CE) há 11 anos, o Movimento da Transfiguração do Senhor tem por missão ensinar o caminho do encontro pessoal com Deus a partir da Lectio Divina. O movimento está presente em vários estados do Brasil e também em comunidades brasilei-

ras nos Estados Unidos. Em São Paulo, ministra cursos sobre Leitura Orante em paróquias e possui dois grupos fixos nas paróquias Santa Terezinha do Menino Jesus, no bairro de Higienópolis, e Imaculado Coração de Maria, na Santa Cecília. Também organiza escolas de oração para adultos e promove reuniões mensais no Mosteiro São Bento, no centro da capital. O fundador do movimento, Cesar Augusto Nunes de Oliveira, explicou ao O SÃO PAULO que a passagem bíblica da transfiguração de Jesus inspirou os integrantes justamente por mostrar a ocasião em que os discípulos, acompanhados de Jesus, sobem ao monte, ouvem a Palavra do Pai e, em seguida, retornam para a vida cotidiana. “A partir dessa pas-

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Fernando Geronazzo, Vitor Loscalzo e Júlia Cabral


Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

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Como fazer Lectio Divina individualmente Nas orientações abaixo, seguem-se algumas indicações práticas para fazer a Lectio Divina pessoalmente: 1) O primeiro passo para uma boa Lectio Divina é a preparação do ambiente: a) Reservar um momento do dia para fazer a Lectio Divina (no mínimo 20 minutos); b) Buscar um lugar reservado e, se possível, silencioso; c) Ter uma bíblia com bons comentários de rodapé; d) Ter em mãos papel e caneta; e) Procurar acalmar o corpo e a mente para se concentrar na leitura. 2) Pedir (ou suplicar) a presença do Espírito Santo: a) Cante músicas de invocação ao Espírito Santo; b) Faça invocações ao Espírito por meio de orações decoradas ou lidas, com invocações ao Espírito Santo; c) De maneira especial, peça a presença e a ação do Espírito Santo com suas próprias palavras, de forma espontânea.

sagem, nos sentimos motivados a ensinar uma pedagogia que proporcione às pessoas a escuta de Jesus por meio de sua Palavra”, diz.

Nas redes

Em tempos de cultura digital, também surgiram iniciativas de vivência da Lectio Divina em sites, redes sociais, aplicativos de mensagens ou mesmo via e-mail. Muitas ações são individuais ou de pequenos grupos, mas há também projetos institucionais, como o “Lectionautas”, realizado pelo Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) e as Sociedades Bíblicas Unidas (SBU). O programa oferece aos internautas itinerários e instrumentos que os capacita para o método da Leitura Orante adaptada à linguagem jovem. No Brasil, o projeto tem apoio da CNBB por meio da Comissão para a Juventude e é acessado pelo site www. lectionautas.com.br.

Textos difíceis

Muitas vezes, no contato com a Bíblia, a pessoa se depara com algumas passagens de difícil compreensão. “Isso é muito frequente, porque não temos um conhecimento ainda da Palavra por detrás da sua letra. A simbologia presente na Bíblia não é uma mentira, mas carrega em si uma realidade por ela representada”, salienta Irmã Rosa-

na. Nesse aspecto, Religiosa chama a atenção para a importância da experiência comunitária da Lectio Divina, especialmente quando se está aprendendo o método. “Aquilo que é difícil para mim pode não ser para o outro. E, assim, a comunidade vai se ajudando mutuamente na compreensão da Palavra.” Aí também entra a dimensão eclesial da Lectio Divina, quando a Igreja cumpre o seu papel de ajudar o povo de Deus a interpretar corretamente a Sagrada Escritura por meio de seu ensinamento e da indicação de livros que ajudam no esclarecimento dos textos bíblicos. O Padre Boris Augustin Nef Ulloa, doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e professor da PUC-SP, afirma: “A Escritura deve ser lida, mas mais do que lida, deve ser interpretada – à luz da Igreja – e colocada em prática”. Já o Cônego Celso Pedro da Silva, doutor em Teologia Bíblica pelo Instituto Angelicum de Roma e diplomado em Arqueologia Bíblica pela Ecole Biblique et Archéologique, de Jerusalém, reforça: “O Espírito Santo ilumina aquele que lê”. Ambos chamam atenção para o sentido sobrenatural que uma leitura viva oferece e o que a Lectio Divina proporciona ao leitor: ler como palavra viva, escrita para cada pessoa.

3) Leia o texto várias vezes para a compreensão de seu sentido literal; “interprete” o texto para descobrir o que ele diz. Algumas sugestões: a) É muito importante ler os comentários de rodapé referentes ao texto; b) Se for uma narração (história), perceba a ação de cada personagem; c) Compare o texto lido com outros textos bíblicos que você já conheça e que esse texto lhe faça lembrar; d) Grifar, na própria bíblia, as passagens que você entendeu serem as mais importantes para a compreensão do texto. 4) A meditação do texto, que é o ato de interiorizar o que foi lido, é o momento de perceber o que o

texto diz, “o que mais me tocou”, o que veio ao encontro do coração, o que ficou mais forte. São todas formas de traduzir, em algum tipo de linguagem, essa ação interna da Palavra: a) Escreva o que mais lhe tocou num papel, para melhor fixar; b) Repita a parte, versículo ou palavra que ficou mais forte, podendo fazêlo, inclusive, de olhos fechados, assumindo aquela palavra para você; c) Leve esse trecho para o seu dia, memorizando-o ou escrevendo-o, rememorando-o várias vezes durante o dia, a fim de assimilá-lo melhor. A isso os antigos chamavam “ruminar” a Palavra; d) E, o mais importante: confronte a sua vida com esse trecho do texto. 5) A oração é o momento de resposta a Deus, após ter Ele lhe falado por meio de sua Palavra (ensino, ânimo, correção, questionamento). É importante compreender que a oração é um diálogo com Deus, de forma muito simples. a) Falar em voz alta aquilo que o seu coração quer expressar; b) Escrever a sua oração; c) Criar, com sua imaginação, alguma imagem de Jesus e falar com Ele; d) Usar uma imagem ou um ícone para ajudá-lo a ter uma direção, já que a oração é um diálogo. 6) A contemplação pode se manifestar por diversas formas. Algumas não são facilmente percebidas, outras se revelam por meio de sensações externas ou internas (corpo, sentimentos, emoções e, até mesmo, compreensão). Algumas vezes, percebe-se experiências como paz, alegria profunda ou maior compreensão de Deus ou de si mesmo. 7) Importantes, na contemplação, são os frutos que ela produz na vida de cada um, principalmente de humildade e de caridade. Esses frutos vão, pouco a pouco, sendo infundidos no coração daqueles que meditam perseverantemente a Palavra de Deus, em espírito de fé. 8) Por fim, deve-se empenhar diariamente para colocar em prática a Palavra de Deus. IMPORTANTE: (1) As sugestões dadas não devem ser aplicadas todas de uma só vez, pois criariam confusão e cansaço. (2) Devem ser acolhidas as sugestões que mais lhe ajudem e melhor se adaptem à sua vida. (3) Podem ser tomados os textos bíblicos da liturgia diária da missa. Eles apresentam os trechos mais importantes da história da salvação, oferecendo uma visão panorâmica de toda a Palavra de Deus, de forma harmônica. Fonte: Movimento da Transfiguração do Senhor


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Sonho do metrô na Brasilândia é paralisado Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Edcarlos Bispo e Fernando Geronazzo

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O sonho acalentado por mais de 20 anos pelos moradores da Brasilândia, na zona Norte de São Paulo, foi adiado mais uma vez no dia 5, com a notícia da suspensão por tempo indeterminado das obras da Linha 6 – Laranja do Metrô, que ligará a Vila Brasilândia à estação São Joaquim, da Linha 1-Azul, no centro da capital paulista. A obra prometida pelo Governo do Estado em 2008 já foi adiada por cinco vezes: o prazo de entrega inicial era para 2012. Depois, passou para 2016, para 2018, para 2020 e, recentemente, para 2021. O trajeto terá 15,3km, incluindo pátios e 15 estações: Brasilândia, Vila Cardoso, Itaberaba - Hospital Vila Penteado, João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Pompeia, Perdizes, Cardoso de Almeida, Angélica Pacaembu, Higienópolis - Mackenzie, 14 Bis, Bela Vista e São Joaquim. A linha é conhecida como a “das universidades” por passar por grandes instituições de ensino superior como a PUC-SP, FAAP e Mackenzie. Quando concluída, se conectará, ainda, às linhas 7-Rubi e 8-Diamante da CPTM, na futura estação Água Branca; e à Linha 4-Amarela, na futura estação Higienópolis-Mackenzie. Também estará integrada com o sistema de ônibus nas estações Vila Cardoso e João Paulo I. Estima-se que o percurso entre Brasilândia e São Joaquim, que hoje é percorrido em aproximadamente 90 minutos, passará a ser feito em 23 minutos, com demanda prevista para transportar 633 mil passageiros por dia.

Do salão paroquial

As primeiras manifestações da população para melhorias no transporte dessa região populosa da cidade começaram na década de 1990, com um grupo de leigos da Paróquia Nossa Senhora da Expectação, na Freguesia do Ó, motivado por seu então pároco, Cônego Noé Rodrigues. A iniciativa deu origem ao Fórum Pró-Metrô. O grupo promovia debates e encontros com o objetivo de mobilizar a população e entidades da região para fazer chegar até o Governo do Estado a reivindicação de uma linha de metrô. “Foram abaixoassinados, em parcerias com as escolas, faculdades e entidades da região, entre elas a Igreja, representada pela Região Episcopal Brasilândia”, explicou o Diácono Permanente Benedito Camargo, que participa do movimento desde o início. O grupo também contou com o apoio da Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Metrô de São Paulo (Aeamesp), que auxiliou na elaboração de um projeto de linha para ser reivindicado. “A

No largo do Clipper, obras da futura Estação Freguesia do Ó, da Linha 6-Laranja do Metrô, estão paralisadas desde o dia 5 de setembro

nossa ideia inicial era fazer uma linha que ligasse a Freguesia do Ó até a Barra Funda. Então, a Aeamesp veio com uma proposta de fazer uma linha mais extensa, partindo da Brasilândia até a Estação São Joaquim. Esses estudos começaram por volta de 2005”, conta o Diácono. A partir de então, o Fórum PróMetrô iniciou um trabalho de reuniões mensais com a presença desses técnicos voluntários para apresentar o projeto às escolas, entidades sociais e grupos de moradores. Eles contaram muito com o apoio pessoal, ainda de maneira informal, do secretário estadual de transportes à época, Jurandir Fernandes.

Prazos

Em 25 de março de 2008, o então governador José Serra anunciou oficialmente o projeto de construção da Linha 6 – Laranja, com prazo inicial de entrega para 2012. Porém, a assinatura do contrato da Parceria Público-Privada (PPP) para a construção da linha foi feita somente em 18 de dezembro de 2013, já no governo de Geraldo Alckmin.

Em 4 de julho de 2014, houve um ato simbólico no largo do Clipper, local da futura Estação Freguesia do Ó, mas as obras só foram iniciadas em 22 de setembro de 2015. Na ocasião, o prazo dado para a entrega tinha sido prorrogado para 2020. Em junho deste ano, o governador informou que o prazo teria um atraso de mais um ano. “Agora, com essa paralisação, não sabemos quando as obras serão retomadas. Se demorar muito, pode deteriorar os materiais das obras”, salientou o Diácono Camargo, acrescentando que a maioria das máquinas ainda está nos contêineres. A partir da assinatura do contrato, em 2013, começaram a acontecer as desapropriações. O Diácono Camargo contou que quando se iniciaram as conversas com o poder público sobre o metrô, foi pedido que as desapropriações afetassem o mínimo possível as famílias, sobretudo as mais carentes. “Foram muitas desapropriações de estabelecimentos comerciais e o mínimo possível de residências”, acrescentou, informando, ainda, que, apesar da paralisação das obras,

as indenizações seguem e faltam poucas. Recentemente, houve a desapropriação de 50 famílias e inclusive de uma comunidade paroquial na Vila Cardoso, mas o Fórum Pró-Metrô informou que essas desapropriações não estavam previstas pelo Metrô e só aconteceram por causa da mudança do projeto do Hospital Municipal da Brasilândia, já em construção. Na ocasião, foi feito um acordo com o Metrô, que repassou para a Prefeitura o valor das indenizações das desapropriações na Vila Cardoso. Em fevereiro, o governador Geraldo Alckmin anunciou que dois Shields - equipamento para a escavação de túneis conhecidos como “mega-tatuzões” – serão usados simultaneamente nas obras da Linha 6 – Laranja, que será toda subterrânea. Um deles começaria a operar em setembro, partindo da Estação São Joaquim em direção à Brasilândia, enquanto o outro, que fará o percurso inverso, tinha previsão de início da operação no ano que vem. Com a suspensão das obras, esses prazos já não serão cumpridos.

VSE-Tietê, local onde um dos ‘mega-tatuzões’ iniciarão as escavações de um dos trechos da linha que liga a Brasilândia ao centro da capital


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Poder público culpa concessionária por atrasos nas obras da Linha 6 A Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM), por meio de nota enviada ao O SÃO PAULO, afirmou que a paralisação das obras foi uma “decisão unilateral” da Concessionária Move São Paulo, responsável pela implantação da Linha 6 - Laranja do Metrô. O Governo do Estado já notificou a concessionária para que retome suas atividades sob pena de multas e “seguirá exigindo a retomada imediata das obras”, escreve a STM. De acordo com a secretaria, o investimento previsto no contrato é de R$ 9,9 bilhões. A Secretaria dos Transportes Metropolitanos já aportou R$ 694 milhões para obras e R$ 979 milhões para desapropriação de 370 imóveis. A Concessionária Move São Paulo é formada pelas empresas OM Linha 6 (Odebrecht); Queiroz Galvão Desenvolvimento de Negócios; UTC Engenharia; FIP Eco Realty (Fundo de Investimentos e Participações). Também por meio de nota, a concessionária afirmou que suspendeu as atividades de construção “devido às dificuldades vivenciadas na contratação do financiamento de longo prazo, condição indispensável à continuidade do Projeto” e que no momento “negocia junto ao Bndes e ao Governo do Estado de São Paulo alternativas para o reequilíbrio da Parceria Público-Privada de implantação da Linha 6 - Laranja do Metrô”. Ninguém, porém, dá prazos de retomada das obras.

Atrasos

Alex Santana Vieira, dirigente da Federação Nacional dos Metroviários e diretor de base do Sindicato dos Metroviários, chama atenção e faz críticas às Parcerias Público-Privadas, ou privatizações que atualmente fazem parte do modelo de gestão para a construção de novas linhas do metrô. De acordo com ele, são feitos contratos em que o estado arca com quase todos os investimentos, que são altíssimos, enquanto o setor privado só opera ou executa a obra. “Nós criticamos esse tipo de parceria, porque quem sofre é a população, quem arca com o prejuízo é a população, e vai dinheiro público por meio do estado”, afirmou o sindicalista.

Ele disse que algumas obras do Metrô estão com dez anos de atraso, e na maioria das vezes que há uma paralisação o governo tem que fazer um novo aditivo financeiro, como, por exemplo, no caso da Linha 6 e da Linha 4 em que os contratos já foram rompidos e precisou ser feita nova licitação e o estado teve que arcar com R$ 850 milhões para obras. Outro ponto nessa celeuma e que refere-se às empresas do consórcio é o fato de a maioria estar envolvida em investigações por conta da operação Lava Jato. Em carta enviada a Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Episcopal Brasilândia, o Fórum Pró-Metrô acredita que “por estarem as construtoras envolvidas nos escândalos de corrupção, houve esse aperto no crédito, e com isso terão que dar mais garantias para conseguirem os empréstimos”, informação reforçada pelo sindicalista Alex Santana. A associação cobra do governo maior transparência nas informações sobre o andamento das obras e dos valores gastos. Essa é uma das questões que, na visão de Alex Santana, também deveriam ser melhoradas pelo poder público. Para ele, falta transparência para falar das obras, tanto que na maioria das vezes, a população não sabe quem faz as obras, ou seja, se o projeto é tocado pelo setor público ou privado. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, encomendada pelo Sindicato dos Metroviários de São Paulo, revela que a maioria dos usuários do Metrô de São Paulo considera que o “sistema precisa de mais estações para atender melhor a demanda, considera como graves os atrasos existentes nas linhas em construção e não enxerga a participação e responsabilidade da iniciativa privada, acreditando que as obras são tocadas única e exclusivamente pelo poder público”. A pesquisa também revela que a população desconhece a responsabilidade e o envolvimento da iniciativa privada na condução e gestão das obras de expansão. No estudo, 57% dos usuários acreditam que as obras são tocadas apenas pelo poder público e somente 17% afirmaram conhecer a participação das empresas privadas na execução dos trabalhos.

Um dos terrenos desapropriados na Vila Brasilândia para as obras da nova linha do Metrô

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Guindastes para a introdução das máquinas nas escavações da Linha 6 já estão montados

‘Mega-tatuzões’, ainda desmontados, aguardam o retorno das obras da Linha 6 - Laranja


16 | Fé e Cultura |

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Filipe David

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Dica de Leitura A conspiração aberta Este livro é uma espécie de manifesto, um guia sobre controle e administração global; um programa que, para Wells, deveria ser orquestrado (e assim obteria sucesso) por meio daquilo que ele chamou de “conspiração aberta”. Neste trabalho, a conspiração está completamente esquematizada: ela deveria ser executada por diversas organizações separadas, mas que trabalhassem juntas, ao invés de ser feita por um grupo apenas. Os tópicos abordados vão desde a ideia da conspiração até detalhes de sua implementação, tais como a função da religião e da educação nesse esquema, o modo como ele deveria se desenvolver - de um movimento de discussões e debates à programação de atividades -, a vida humana tal como deveria se dar na nova e planejada comunidade global - entre outros. Ficha técnica: Autor: H. G. Wells Páginas: 206 Editora: Vide Editorial

Divulgação

Para Refletir

Deleitar-se no bem

“A palavra acédia significa, em grego, ‘negligência’ ou ‘indiferença’. Também denota apatia, falta de apetite e de desejo. Os monges apelidaram a acédia de ‘demônio do meio-dia’, aquele langor, aquela obtusidade que nos assola por volta do meiodia. Acédia é comumente traduzida por ‘preguiça’, e entendida de forma imprecisa como inatividade e moleza (...) Paradoxalmente, os acediosos são frequentemente ocupados, muito ocupados. E poucas coisas hoje em dia nos mantêm tão ocupados quanto o entretenimento (...). Quando é bem-feito, o entretenimento se torna ativo, uma recreação inteligente. Recreação (etimologicamente: re-criação) reflete a ordem da criação, pela participação na natureza e na ordem da realidade, tal como é dada por Deus. Como mostra Ted Turnau em ‘Popologetics’, toda a cultura, incluindo a cultura popular e o entretenimento, ‘é simplesmente um trabalho de exteriorização das respostas de nosso coração às mensagens carregadas pela criação’. A recreação é por si mesma boa. Porém, a acédia proíbe a recreação. No estado de acédia, explica Snell, ‘a pessoa tem horror do que Deus nos deu, isto é, da realidade e dos limites de sua ordem’. A acédia é caracterizada pela ‘frustração e ódio, pela ojeriza ao lugar [em que se está] e à própria vida’. Na acédia, todos os seres são tratados como ‘algo a possuir e a descartar’ e o acedioso ‘viola a integridade de todas as coisas’”. (Karen Swallow Prior, a íntegra do artigo pode ser lida, em inglês, em FirstThings.com).


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‘Sabe bem o que vem pela frente...’ A caminho do título do Brasileirão, Palmeiras deve evitar erros da campanha quase vitoriosa de 2009 Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

Líder do Brasileirão de Futebol há 18 rodadas, com dez jogos de invencibilidade, o Palmeiras manteve a vantagem de um ponto em relação ao Flamengo, 54 contra 53, no último fim de semana, ao vencer o Coritiba no Allianz Parque por 2 a 1, mesmo placar pelo qual o Flamengo derrotou o Cruzeiro em Cariacica (ES). A 11 rodadas para o fim da competição, a torcida alviverde já projeta a comemoração do título que o clube não conquista desde 1994. O técnico Cuca, porém, evita qualquer festa antecipada. “Temos de estar ligados em todos os detalhes. Às vezes, até passo um pouco do limite com os jogadores, reclamo um

pouco a mais com eles. Até demais. Sempre em cima de querer que eles cheguem à perfeição. Então, imagina se vai ter clima de ‘já ganhou’. De forma alguma”, disse na coletiva de imprensa após a partida do sábado, 24.

Quase campeão em 2009

A última vez que o Palmeiras esteve próximo do título do Brasileirão foi em 2009. O clube liderou o campeonato por 17 rodadas, mas perdeu a dianteira da competição a cinco jogos do final. Naquele ano, o Flamengo foi o campeão e o Palmeiras nem sequer se classificou para a Copa Libertadores. O meio-campista Wendel Santana, 34, que jogava no Palmeiras à época, comentou ao O SÃO PAULO algumas das razões para a perda daquele campeonato. “Lembro que o Jorginho era o treinador interino e aí já há uma diferença, pois o time hoje tem um treinador, o Cuca, o grupo ‘está fechado’ com ele. Naquele ano, nós, atletas, conversamos com a diretoria e pedimos para manter o Jorginho, estávamos ganhando, tendo resulta-

ADVERSÁRIOS NO CAMINHO DO TÍTULO RODADA PALMEIRAS 28ª 29ª 30ª 31ª 32ª 33ª 34ª 35ª 36ª 37ª 38ª

FLAMENGO

Santa Cruz (19º)* São Paulo (12º)* América Mineiro (20º)* Santa Cruz (19º) Cruzeiro (17º) Fluminense (5º)* Figueirense (16º)* Inter (18º)* Sport (13º) Corinthians (7º) Santos (4º)* Atlético Mineiro (3º)* Inter (18º) Botafogo (10º) Atlético Mineiro (3º)* América Mineiro (20º)* Botafogo (10º) Coritiba (14º) Chapecoense (11º) Santos (4º) Vitória (15º)* Atlético Paranaense (6º)*

* Partidas em que Palmeiras ou Flamengo jogarão como visitantes. A classificação é a que os clubes ocupam ao final da 27ª rodada do Campeonato Brasileiro.

do, mas houve uma mudança. O Muricy Ramalho chegou, um excelente treinador, mas a gente já ‘estava fechado’ com o Jorginho. Além disso, após a chegada do Muricy, houve problemas de lesões de atletas titulares, com isso a equipe perdeu rendimento e alguns pontos”, recordou o atleta, atualmente sem clube, que por 12 anos jogou no Palmeiras.

Caminho mais fácil?

Cesar Greco/Agência Palmeiras

Considerando a classificação das equipes ao final da 27ª rodada do Brasileirão deste ano, o caminho do Palmeiras para chegar ao título é aparentemente mais fácil que o do Flamengo. Enquanto o Alviverde enfrentará sete equipes que estão na zona do rebaixamento ou a apenas três pontos do último clube que hoje cairia para a Série B, o Rubro-Negro Carioca terá quatro adversá- Técnico Cuca e Gabriel Jesus durante treinamento rios nessas condições, além de clássicos com Botafogo e Fluminense e meiras são as ausências de Gabriel Jesus. outras quatro partidas com clubes que Artilheiro do Brasileirão com 11 gols, ele lutam pelo título ou por uma vaga na Liestá convocado para os dois jogos da sebertadores. Já os principais rivais do Palleção brasileira em outubro pelas elimimeiras serão o Santos e o Atlético Mineinatórias da Copa de 2018, e deve desfalro, que atualmente estão entre os líderes car o time pelo mesmo motivo também do campeonato (veja detalhes ao lado). em novembro. Para Wendel, porém, enfrentar ad“O Gabriel Jesus fará muita falversários com pior classificação não será ta sim, pois ele está passando por um uma vantagem para o Palmeiras. “As grande momento, está no auge da carreira. A equipe conta muito com ele, equipes consideradas frágeis são as que mas o Palmeiras tem um elenco forte e mais vão dificultar, pois estarão brigando para não cair. Cada jogo para eles será um grande treinador que sabe conduzir o time, tanto na parte física e técnica como uma final. Acaba sendo até mais quanto no emocional dos atletas”, condifícil”, opinou. cluiu Wendel. Outro fator de preocupação do Pal-


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Brasilândia ‘Kántharos’ une jovens e famílias na fé

Jennifer Silva, Larissa Fernandes e Renata Moraes Colaboradoras de comunicação da Região

O Santuário Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, no Jaraguá, acolheu centenas de jovens, famílias, crianças e adultos no domingo, 25, para um dia de oração, adoração, lazer e muita música, no evento “‘Kántharos’ – Senhor, dá-me desta água viva”, promovido pelo Setor Juventude da Região Brasilândia. Segundo os organizadores, o objetivo do evento foi aproximar e evangelizar a juventude dentro das diretrizes propostas pela CNBB, para integrar os jovens na sociedade, por meio da ajuda mútua entre a família, a Igreja e a sociedade. O dia foi marcado por testemunhos,

catequeses, palestras e shows musicais com os padres Juarez de Castro, Alcides Piquilo e Marcos Pires. O Santíssimo Sacramento ficou exposto na Capela do Santuário, onde os jovens puderam fazer momentos de adoração. Também houve atendimento de confissões. Os jovens das 25 expressões de juventude da Região Brasilândia fizeram a exposição pastoral de seus trabalhos. Também aconteceu a feira vocacional, com atendimento àqueles que se sentem chamados ao sacerdócio e à vida religiosa. No final da tarde, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, presidiu missa, concelebrada por Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiJeniffer Silva

Crianças da Comunidade Nossa Senhora de Fátima, da Paróquia Imaculado Coração de Maria

Gerson Moreira

Cardeal Scherer preside missa no evento ‘Kántharos’, no domingo, 25, em santuário no Jaraguá

liar da Arquidiocese na Região Brasilândia, com a participação de padres atuantes na Região. Após a celebração, houve

o show de encerramento com o Ministério Adoração e Vida, banda católica liderada pelo cantor Walmir Alencar.

A Bíblia pelo olhar das crianças A Bíblia é o livro mais importante para o processo de evangelização na vida cristã. Na Catequese, as crianças têm mais contato com as histórias ali contadas e passam a conhecer como eram os amigos de Deus, seus desafios e missões para um mundo melhor. Durante um dos encontros da turma de pré-Catequese da Comunidade Nossa Senhora de Fátima, da Paróquia Imaculado Coração de Maria, no Setor Pastoral São José Operário, a maioria das crianças comentou que as histórias da Bíblia e os “tipos” e capas influenciam no conteúdo principal. Cecilia de Souza Lima, 8, porém, afirmou que por ter lido a Bíblia algumas

vezes pôde perceber que a essência dos textos permanece a mesma. Para Isabely Borges, 9, a Bíblia é o livro mais importante que existe. “Nele aprendemos mais sobre Deus”. Também para Julia Lopes, 7, “a Bíblia é muito legal, porque ela faz a gente aprender mais de Deus”. Nesse mesmo encontro, as crianças foram unânimes em dizer que o que mais gostam na Bíblia é aprender sobre os mandamentos e a criação do mundo. Elas também citaram o capítulo de Davi e Golias como a história de que mais gostam. Textos sobre Maria também estão entre os preferidos. E houve quem se lembrasse do livro de Ester.

Com o profeta Miqueias para celebrar a justiça e a vida Em comemoração ao mês da Bíblia, leigos do Setor Perus realizaram no dia 18 o Mutirão Bíblico, na Paróquia São José, para refletir sobre a realidade do povo da Região, por meio da Palavra de Deus expressa no livro do profeta Miqueias. O evento foi dividido nos tópicos “ver”, “julgar” e “agir e celebrar”. Encenando

uma entrevista com representantes comunitários do Setor, o primeiro tópico tratou de questões sociais, políticas e ambientais, trazendo à tona novamente o tema da Campanha da Fraternidade de 2016 “Casa Comum, nossa responsabilidade”. No tópico “julgar”, Adalberto Cardoso interpretou Miqueias, falando das origens

do profeta e das mensagens de esperança que deixou. “Sou um porta-voz de Javé, um profeta da Justiça. Também anunciei a esperança e a restauração de Javé com o seu povo escolhido”, disse. Na sequência, houve a entrada solene da Bíblia, que saiu de um pão, simbolizando o alimento da alma. Como gesto concreto, indicando o

“agir”, a Pastoral Social da Paróquia São José apresentou o trabalho que realiza e recebeu dos convidados alimentos não perecíveis para doação. O encontro foi concluído com preces, proclamação de um salmo, reza do Pai-Nosso dos Mártires, entrada da imagem de Nossa Senhora e bênção das bíblias e dos pães.

redação

osaopaulo@uol.com.br Padre Pedro Almeida

Festividade de Santa Teresinha Segue até sábado, dia 1º, a festa da padroeira da Paróquia Santa Teresinha, que este ano tem como tema “Com Teresinha no Ano Santo da Misericórdia” e como lema “Misericordiosos como o Pai” (Lc 6,36). Em todos os dias, haverá celebra-

ções eucarísticas, bênçãos e a tradicional chuva de rosas. A Paróquia, sob os cuidados dos Frades Carmelitas Descalços, fica na rua Maranhão, 617, em Higienópolis. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3660-1220.

Festa de São Francisco de Assis No sábado, 24, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, presidiu a missa solene de encerramento da festa da padroeira da Paróquia Nossa Senhora das Angústias, no Setor Pastoral Bom Retiro.

Começou no sábado, 24, a festa do padroeiro da Paróquia-santuário São Francisco de Assis, no centro de São Paulo. Durante a semana, haverá missas diaria-

mente. Na terça-feira, 4, na memória litúrgica do Santo, as missas serão às 7h30, 9h, 10h30, 12h, 13h30, 15h e 18h, e acontecerão ações no largo São Francisco.


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Peterson Prates

Colaborador de comunicação da Região

Em mutirão pela defesa da família, da casa e da terra “Defesa da Família, Casa e Terra” foi o tema do 7º Mutirão Bíblico do Setor Pastoral Sapopemba, realizado no sábado, 24, na Comunidade Santa Rosa de Lima, da Paróquia Nossa Senhora das Graças. Depois de as comunidades, em grupos de rua e círculos bíblicos, estudarem o livro do profeta Miqueias, a partir do subsídio organizado pelo Centro Bíblico Verbo, aproximadamente 130 fiéis das setes paróquias do Setor se reuniram para um dia de celebração e formação, com momentos de oração, aspersão, ato penitencial e apresentação dos símbolos que representam o trabalho pastoral de cada paróquia. O teólogo Matthias Grenzer, professor da PUC-SP, assessorou o encontro. Ele pontuou algumas características comuns aos profetas, como a visão da história como algo que pertence a Deus, a defesa da justiça, o combate à idolatria e a esperança messiânica. “Profeta ou profetiza é aquela pessoa que se torna sensível à Palavra de Deus e a anuncia”, afirmou Grenzer, que falou ainda sobre Miqueias, profeta contemporâneo a Isaías que viveu há quase 2.700 anos e considerava a distribuição de terra como uma ques-

Belém

Peterson Prates

Padres e leigos atuantes no Setor Pastoral Sapopemba participam de Mutirão Bíblico, no sábado, dia 24, na Comunidade Santa Rosa de Lima

tão mais religiosa do que política. Cada uma das paróquias apresentou, como de costume nos mutirões bíblicos do Setor, um compromisso para a caminhada pastoral durante o próximo ano. Iniciação à vida cristã, rearticulação das pastorais e fortalecimento da Pastoral da Pessoa Idosa foram alguns dos compromissos assumidos, que se

somaram à meta comum do Setor: o protagonismo laical. Para Nilza Anézio, que participou da atividade, o estudo do livro do profeta Miqueias ajuda a fazer uma reflexão a partir da defesa dos direitos que ele anunciou, postura válida para o “momento dificílimo” vivenciado no Brasil.

O Mutirão Bíblico demarcou o fim da maratona vocacional setorial, iniciada na festa de Santa Maria Madalena, em 22 de julho, desde quando as tochas vocacionais foram levadas às comunidades para que todos pudessem refletir e rezar pelas vocações religiosas e sacerdotais, bem como pelas vocações laicais e matrimoniais.

Cristiano Novaes

Paróquia São Mateus Apóstolo

No domingo, 25, Dom Luiz Carlos Dias, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, presidiu missa na Paróquia Santa Maria Madalena, no Setor Pastoral Sapopemba, concelebrada pelo Padre Cláudio Oliveira, pároco. Na ocasião, o Bispo ministrou o sacramento da Confirmação a um grupo de adultos.

Em missa presidida por Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese, os fiéis da Paróquia São Mateus Apóstolo, no Setor São Mateus, festejaram seu padroeiro no dia 21. Durante a festa - encerrada no domingo, 25, com uma procissão pelas ruas do bairro - a Paróquia acolheu a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida.

Irineu Sarli

No sábado, 24, Dom Luiz Carlos Dias presidiu a Eucaristia na Paróquia São João Batista, no Setor Carrão/Vila Formosa, quando conferiu o sacramento da Crisma a 40 jovens e adultos. Concelebrou a missa o Padre José Alves, pároco.

Jovens dialogam com candidatos a vereador Inspirados pelo pedido do Papa Francisco para que os cristãos se envolvam na política, os jovens da Paróquia Nossa Senhora da Esperança, no Setor Pastoral Sapopemba, realizaram no sábado, 24, um colóquio com candidatos a vereador que atuam em localidades da Região Belém. Foram convidados para o encon-

tro os candidatos Juliana Cardoso (PT), Paulo Fiorilo (PT), Samuel Oliveira (PCdoB), Zé Nildo (PSOL) e Toninho Vespoli (PSOL). Apenas os dois últimos compareceram. A candidata Juliana enviou um representante. Os jovens questionaram os pleiteantes ao Legislativo Municipal sobre as propostas que têm para as demandas da juventude.


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Santana Dom Sergio de Deus Borges recebe título de Cidadão Paulistano

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, recebeu no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo, no dia 21, o título de Cidadão Paulistano. A honraria máxima concedida pelo Legislativo de São Paulo foi oferecida ao Bispo pelo vereador Nelo Rodolfo (PMDB). “Hoje foi um dos dias mais emocionantes do meu mandato. Numa solenidade muito bonita, com direito à Ave Maria, entreguei o título de Cidadão Paulistano a Dom Sergio de Deus Borges... Um exemplo para toda a nossa sociedade como sacerdote, como administrador, como homem, como cidadão. Da cidade de Alfredo Wagner, em Santa Catarina, onde nasceu, até a liderança da nossa Igreja, Dom Sergio de Deus segue os passos de Jesus, pre-

gando o Evangelho a todos os povos e anunciando a Boa-Nova: Cristo Vive!”, expressou o vereador. Dom Sergio, no acolhimento da outorga, manifestou sua alegria, mas lembrou que a homenagem não é para sua pessoa e sim para a Igreja na Região Santana da Arquidiocese de São Paulo. O Bispo apontou que a cidade de São Paulo nasceu sob o alicerce da Igreja Católica e o título que recebeu representa as pessoas que acreditam e edificam a cidade a partir de sua fé. Ele desejou que os valores que nasceram na cidade permaneçam. “Sou cidadão paulistano e isso muito me alegra, e, como cidadão, quero contribuir com a minha fé, que é a maior contribuição e é tudo que tenho a oferecer; participando das alegrias e tristezas, mas com Jesus”, disse Dom Sergio.

Diácono Francisco Gonçalves

Dom Sergio, ladeado por Nelo Rodolfo e sua esposa, Cristina, com o título de Cidadão Paulistano

Com Nossa Senhora da Salette em direção ao coração de Jesus Diácono Francisco Gonçalves

Dom Sergio fala aos fiéis que lotam a Paróquia-santuário Nossa Senhora da Salette, dia 19

Em ação de graças pelos 170 anos da aparição de Nossa Senhora, em La Salette, na França, Dom Sergio de Deus Borges,

bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, presidiu, no dia 19, missa solene na Paróquia-santuário Nossa Senhora da

Salette, no Setor Pastoral Santana, concelebrada pelos padres saletinos Alfredo Granzotto e Bolívar Hauck, e acolitada pelo Diácono Luiz Carlos Peres. O Bispo, na homilia, lembrou que a data comemorativa da aparição ocorre no Ano Santo extraordinário da Misericórdia, por isso, os fiéis devem pedir à Virgem uma vida de paz e dizer com a mãe da misericórdia, Nossa Senhora da Salette: “Estamos ao seu lado caminhando em direção ao coração misericordioso de Jesus Cristo.” O sonho de um santuário erigido a Nossa Senhora da Salette se concretizou somente no final dos anos 1930, quando o então arcebispo de São Paulo, Dom José

Gaspar d’Affonseca e Silva, decidiu criar uma paróquia dedicada a Nossa Senhora da Salette. “Hoje, 170 anos depois, não apenas o pequenino vilarejo europeu está em festa, mas também nós, que em São Paulo nos juntamos a todos os demais continentes para continuar ouvindo aquela mensagem que segue ecoando: ‘Se se converterem, os rochedos se transformarão em montões de trigo e as batatinhas aparecerão semeadas nos roçados.’ Eis o desafio, eis a novidade sempre atual, que é a necessidade de conversão pessoal, comunitária e social”, expressou o Padre Marcos Almeida, MS, pároco e reitor da Paróquia-santuário.

Paróquia festeja padroeira Santa Terezinha Segue até o sábado, dia 1º, acontece a festa da padroeira da Paróquia Santa Terezinha do Jaçanã. A programação inclui a novena com bênção de rosas, sen-

do que entre os dias 28 e 30, sempre às 20h, haverá a celebração do tríduo, com a bênção da família, dos enfermos e dos trabalhadores, respectivamente. No dia

da padroeira acontecerão missas a cada duas horas, a partir das 8h, sendo que a celebração solene das 16h será seguida de procissão. No domingo, 2, as missas

serão como sempre: às 7h30, 10h e 18h. A Paróquia fica na avenida Guapira, 2.055, no Jaçanã. Outras informações pelo telefone (11) 3892-2078.

Diácono Francisco Gonçalves

Diácono Francisco Gonçalves

O padre missionário saletino Nilto Affonso Gasparetto, MS, comemora 50 anos de sacerdócio e 62 anos de vida religiosa. Ordenado sacerdote, em 1966, atualmente é vigário na Paróquia Nossa Senhora da Salette.

Os secretários e secretárias da Região Santana reuniram-se na Cúria regional, no dia 22, para uma formação com Dom Sergio sobre o sacramento do Matrimônio, e com o Padre Andrés Marengo, coordenador regional de pastoral, que falou sobre espiritualidade.


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Benigno Naveira

Colaborador de comunicação da Região

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Lapa

Assembleia regional ressalta o 12º Plano Arquidiocesano de Pastoral Na manhã do sábado, 24, aconteceu a assembleia regional na Paróquia São João Bosco, no Setor Pastoral Leopoldina, com a presença de Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa, além de padres, leigos e integrantes das pastorais. Após a oração inicial, proferida por Dom Julio, o Padre Antonio Francisco Ribeiro, coordenador regional de pastoral, falou sobre os temas a serem tratados na assembleia: JMJ em Cracóvia, eleições 2016, campanha de doação de bíblias aos encarcerados, encerramento do Ano

Santo extraordinário da Misericórdia e a catequese do Bispo sobre a Constituição Dogmática Dei Verbum, do Beato Paulo VI. Na sequência, Dom Julio falou sobre o 12º Plano Arquidiocesano de Pastoral. Posteriormente, em grupos, os participantes responderam às questões: “Você tem alguma sugestão para atualizar o 12° Plano de Pastoral?”; e “Tendo em vista a 6ª urgência, Igreja - Família de famílias, qual sugestão você apresenta?” Ao final da assembleia, os grupos expuseram as sugestões aos demais participantes.

Angela Santos

Dom Julio apresenta detalhes do 12º Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo, dia 24

Paróquia tem 41 novos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão Benigno Naveira

Dom Julio Endi Akamine junto aos novos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão

A Paróquia Nossa Senhora dos Pobres, no Setor Pastoral Butantã, que comemorou a festa da padroeira no dia 11, realizou na sexta-feira, 23, a missa de colação de 41 Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão, presidida por Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa, e concelebrada pelo Padre Roberto Cachoeira Javorski, pároco. Padre Roberto, após a proclamação do Evangelho, apresentou os ministros ao Bispo. “Hoje, nós estamos fazendo a colação destes ministros e gostaria de

convidar a comunidade a rezar por estes irmãos. Que eles não só façam bem o trabalho, mas que este seja também acompanhado do crescimento espiritual, de uma maturidade maior e de um amor maior a Jesus Eucarístico”, afirmou. Dom Julio, na homilia, recordou que naquela data a Igreja celebrava a memória litúrgica de São Pio de Pietrelcina, um religioso que tinha paixão por Cristo crucificado, que percebendo que sua missão era de acolher em si o sofrimento do povo, recebe como confirmação de Cristo os sinais da Paixão em seu próprio corpo (estigmas).

São Mateus: modelo para seguir Cristo Festa de São Francisco de Assis Os fiéis da Paróquia São Mateus, no Setor Pastoral Rio Pequeno, festejaram seu padroeiro no dia 21, com a celebração eucarística presidida pelo Padre José Oliveira dos Santos, pároco. Na homilia, ele lembrou que a liturgia do dia chamava atenção ao modelo de virtude e graça do Apóstolo São Mateus. “Devemos querer imitá-lo, porque ele passou de cobrador de impostos a discípulo de Jesus. Depois que Mateus

aceitou esse chamado, cooperou com Jesus com seu amor e fidelidade, além de escrever a vida de Jesus, dizendo: ‘Jesus é chamado de Emanuel, que significa, Deus está conosco’, e termina dizendo: ‘Eu estou convosco até o fim dos tempos’”. O Padre comentou que ninguém deve julgar o próximo, pois todos são pecadores. Assim como Jesus, é preciso ser misericordioso com todas as pessoas.

Ipiranga

A Paróquia São Francisco de Assis festeja seu padroeiro. As atividades do tríduo serão: Terço dos Homens, no dia 1º, às 7h; missa ao lado da Capela São Francisco (praça São Francisco), presidida por Dom Julio Endi Akamine, no dia 2, às 10h30; e recitação do Terço, pelo Apostolado da Oração, no dia 3, às 15h. No dia do padroeiro, 4, haverá na igreja-matriz (avenida General Mac Arthur, 1.130): bênção dos animais, às 15h; procissão, às 19h, seguida de missa solene,

às 19h30, presidida pelo Cardeal Scherer, após a qual acontecerá um show com Ziza Fernandes, a partir das 21h.

AGENDA REGIONAL

Até sexta-feira (30) Catequese de Dom Julio sobre Constituição Dogmática Dei Verbum, para os setores Butantã e Rio Pequeno, na Paróquia Nossa Senhora dos Pobres (avenida Doutor Vital Brasil, 1.185).

Leda Maria

Colaboração especial para a Região

Também se evangeliza com a escuta, os gestos e a acolhida A Região Episcopal Ipiranga realizou entre os dias 20 e 22, no auditório da PUCSP, a Semana de Liturgia, que teve a participação de 57 pessoas. Os temas abordados nas palestras foram “Assembleia que Acolhe”, “Assembleia que Escuta” e “Assembleia que Gestualiza”. Aos participantes foi reforçado que, quando não se entende o significado de

acolher, escutar e gestualizar, não há compreensão consciente sobre a Palavra de Deus. Assim, essas três posturas devem ser vivenciadas diariamente. “Agora é necessário colocar em prática tudo o que foi aprendido, levar para as paróquias esse conhecimento, para assim participarmos e aprendermos a viver melhor em comunidade”, afirmou Leda Maria, que esteve na atividade.

Padre Antônio de Lisboa Lustosa Lopes

Participantes da Semana de Liturgia da Região Ipiranga, realizada na PUC-SP, dos dias 20 a 22


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O papel educador da família não pode ser terceirizado Luciney Martins/O SÃO PAULO

Fernando Geronazzo e Júlia Cabral

osaopaulo@uol.com.br

“Família educando para o amor e a liberdade” foi o tema do 2º Ciclo de Estudos sobre a Família realizado pela Cátedra da Família da PUC-SP, na segunda-feira, 26, no Teatro Tuca, em Perdizes. As reflexões partiram da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia, do Papa Francisco, e foram apresentadas pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo e grão-chanceler da PUC-SP, e por Cecília Canalle Fornazieri, doutora em Comunicação e professora da Fatec-Sebrae. Após fazer uma introdução sobre o processo sinodal que resultou no texto da exortação apostólica sobre o amor e a família e explicar a estrutura do documento, Dom Odilo afirmou que a educação na família é tema de grande relevância para a Igreja, não só em relação à formação religiosa. “Nós cremos que a família tem um papel educador fundamental para a pessoa humana na transmissão de valores e referências na vida, contrariamente a uma tendência talvez de terceirização da educação, que hoje existe muito e, talvez, até os pais tendem a se eximir da missão de educadores ou o Estado pretende, muitas vezes, substituir os pais na missão de educar os filhos desde a mais tenra idade”, disse o Arcebispo.

Correspondência

Para a professora Cecília, o mais interessante do documento é que Francisco não traz nenhuma novidade sobre o tema, mas repropõe valores, como a necessidade de educar para a generosidade, a misericórdia e a paciência. Segundo

Cátedra da Família da PUC-SP realiza ciclo de estudos sobre a educação no ambiente familiar, a partir da Exortação Amoris Laetitia, dia 26

ela, o Papa também mostra que os valores não são algo externo ao homem, mas correspondentes a ele desde que nasce. Ao destacar o parágrafo 201 da Amoris Laetitia, no qual o Papa fala da importância de a família propor valores que correspondam à sua própria necessidade na sociedade, Cecília explicou o que ela denominou de método da correspondência. “Deus nos dotou de uma experiência elementar, de uma natureza humana. Um conjunto de exigências e evidências com as quais nascemos e que não podem ser removido. É com isso que o ser humano se confronta com a realidade e é capaz de dizer: ‘Não, mas isso não é bom’, ou ‘isso é bom’. É nesse método que confronto aquilo que o meu coração grita e diz se isso é o que corresponde ao meu desejo original ou não”, detalhou. Partindo da sua experiência com a filha de 19 anos e o filho de 15, a professora relatou que, pela correspondência, o medo de lidar com a liberdade dos filhos diminui a partir do momento que se considera

que tais valores transmitidos a eles serão levados para sempre. “Por outro lado, é vertiginoso, porque eu gostaria de poder treinar meus filhos para que respondam como eu desejo. Mas não, eles são livres.”

Pais não estão sozinhos

Cecília reforçou que, por mais que o pais tenham cada vez menos tempo para estar com os filhos, é preciso que esse pequeno tempo seja muito verdadeiro. “Se não dá para ficar mais tempo, não dá para outorgar a outro essa função, esse caminho, essa companhia, que é para o resto da vida”, completou, reiterando que a educação dos filhos não pode ser terceirizada de maneira alguma. A especialista reconheceu que esse caminho não é fácil, e, por isso, os pais precisam ter consciência de que não estão sozinhos, contam com a família ampliada, personificada pelos amigos, parentes e pela comunidade. “A gente tem medo. Eu tenho medo. Tenho fé e medo. São os meus amigos que vão também me lembrando das coisas importantes; e

os meus pais, meu avô. Se você não tem isso... A Igreja é sempre sábia”, disse. Casados há 33 anos, pais de três filhos e avós de dois netos, o casal Ulisses e Silvia Regina Brandão confirmou essa experiência. “Não estamos sozinhos. Existe, de fato, um método de ver essa correspondência. Isso não é sem dor, não é sem contradições... É a dinâmica da vida... A Igreja, a comunidade cristã, ajudou a sustentar o caminho que fazemos”, disse Silvia. Participante do evento, a professora de Psicologia Maria Amalia Pie Abib Andery, recentemente nomeada reitora da PUC-SP, ressaltou que a família sempre teve o papel de humanizar os indivíduos. “Todos os estudos da chamada psicologia social indicam com absoluta clareza que se fazer humano depende do afeto, de ensinamentos que independem de sistemas formais de ensino. Sem alguém que cuide e cultive os indivíduos, estes não se fazem indivíduos. Desse ponto de vista, nascemos e morremos em família”, afirmou.

Propostas para um plano de pastoral do ensino religioso são apresentadas em encontro do Regional Sul 1 Padre Antonio Ribeiro

Padre Antonio Ribeiro

pela pastoral do ensino religioso

A Pastoral do Ensino Religioso realizou no dia 17, nas dependências do campus Santana da PUC-SP, a quarta edição de seu encontro ampliado com coordenadores da pastoral no Regional Sul 1 da CNBB. A atividade foi orientada por Dom Carlos Lema Garcia, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e referencial da Pastoral do Ensino Religioso no Regional Sul 1 da CNBB. Participaram aproximadamente 50 coordenadores da Pastoral no Regional, que atuam nas cidades de São Paulo, Limeira, Americana, São José do Rio Preto, Santo André, Taubaté, Piracicaba e Franca, além de convidados das dioceses que compõem o Regional.

Dom Carlos com participantes do encontro de coordenadores da Pastoral do Ensino Religioso

Dom Carlos Lema Garcia falou sobre o leigo católico, testemunha da fé na escola. A professora Cecília Canalle

Fornaziere comentou sobre o capítulo 7º da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia, seguida da professora

Carmem Silvia Porto, que apresentou o projeto “Protege seu coração”. Ainda pela manhã, todos participaram da celebração da missa. À tarde, os coordenadores refletiram em grupo a afirmação do Papa Francisco de que a família é protagonista da educação e também sobre a relação família, escola e religião. Foram apresentadas em plenário propostas que serão documentadas e servirão como subsídios para a elaboração de um plano de pastoral do ensino religioso, que deverá conter, além da fundamentação dos documentos da Igreja, indicações pastorais que orientem e ajudem os coordenadores no desempenho da Pastoral em suas dioceses. Também foi indicada a necessidade de curso de formação para os coordenadores e para os leigos envolvidos na Pastoral.


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Missionários Fidei Donum partilham experiências de evangelização Edcarlos Bispo

edbsant@gmail.com

Um idioma diferente do habitual foi falado no Centro de Formação Sagrada Família, no bairro do Ipiranga, na semana de 19 a 27 de setembro. Aproximadamente 150 pessoas, entre padres, religiosas e leigos missionários alemães e austríacos participaram do encontro “Fidei Donum” De acordo com o coordenador da atividade, o Padre Christian Mayr, da Diocese de Barreiras, na região Oeste da Bahia, o encontro entre os missionários é uma formação que acontece anualmente no Brasil e em um dos países de língua espanhola, a cada quatro anos, destinado a missionários da América Latina. Neste ano, o tema foi “A Igreja em saída”. Entre os palestrantes estiveram o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, e o Padre Bernd Klaschka, diretor-geral da Adveniat, organização da Igreja Católica na Alemanha, que atua em solidariedade aos povos na América Latina. “Esse encontro é muito importante, primeiro para nós mesmos, para termos contatos. Estamos longe da nossa pátria, e não podemos perder o contato com as origens. Mas também para conhecer a realidade do outro. Eu fico só no Oeste da Bahia, mas isso não é o Brasil todo. Esses encontros me abrem um pouco os olhos para a realidade de colegas que estão no Mato Grosso, em São Paulo, na Amazônia. É uma troca de experiências, um aprendizado”, afirmou o Padre Christian.

A iniciativa também é uma forma de estimular os trabalhos que são realizados pelos sacerdotes. O Padre Pirmin Spiegel, que no Brasil é chamado de Firmino, trabalhou por 15 anos no país e agora é diretor da Misereor, obra da Conferência Episcopal Alemã que atua na luta contra a pobreza na África, Ásia e América Latina. O Sacerdote conta que a formação é um momento em que todos “trocam ideias sobre a situação pastoral, econômica, eclesial, cultural de todos os países”. “Levamos daqui uma visão muito grande do trabalho dos outros, da motivação, da espiritualidade, da mística dos colegas e das colegas. E, ao mesmo tempo, muitos se encontram somente de quatro em quatro anos, quando há os encontros continentais. É a alegria do reencontro de amigos e amigas que visam a opção por trabalhar na América Latina e são enviados para essa missão”, destacou Padre Firmino. Fidei Donum significa Dom da Fé, e serve para designar um padre missionário diocesano que por um tempo atua em algum país que necessita ser evangelizado. O nome é tirado da encíclica do Papa Pio XII, escrita em abril de 1957, com o fim de estimular as missões católicas. Nela, Pio XII exorta os bispos, principalmente europeus, a cederem padres diocesanos para dioceses com carência de sacerdotes. “Se alguma diocese pobre ajudar a outra, não se tornará mais pobre por isso; seria impossível. Deus não se deixa vencer em generosidade” (Encíclica Fidei Donum, n.27).

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Sacerdotes em missa na Paróquia pessoal alemã São Bonifácio recordam missionários, dia 25

Família Salesiana peregrina à Porta Santa da Catedral da Sé Luciney Martins/O SÃO PAULO

Anderson Bueno

Especial para O SÃO PAULO

No sábado, 24, a Catedral da Sé recebeu centenas de peregrinos provenientes de diversos grupos da Família Salesiana, que celebram, em comunhão com toda a Igreja, o Ano Santo extraordinário da Misericórdia. A peregrinação foi motivada pelo lema “Com Jesus, Nossa Senhora Auxiliadora e Dom Bosco, vamos juntos mostrar o rosto da misericórdia”. Os peregrinos, vindos de paróquias, obras sociais, escolas e instituições de ensino superior dos Salesianos de Dom Bosco e das Filhas de Maria Auxiliadora, as salesianas, se concentraram na praça da Sé por volta das 11h. Também participaram da peregrinação outros grupos vinculados à Família Salesiana, como os Salesianos Cooperadores e a Associação de Maria Auxiliadora (ADMA). Animados, religiosos e leigos, entre eles muitos jovens, iniciaram o roteiro de peregrinação com a parada e a passagem

Padres e leigos salesianos se concentram na praça da Sé antes da peregrinação à Catedral

pela Porta Santa da Catedral da Sé. Na sequência, o grupo se dirigiu à capela batismal, onde orou e refletiu, em silêncio, sobre o dia em que cada um se tornou filho de Deus, irmão de Cristo e membro da Igreja. Saindo da capela, ao caminharem pela nave central da Catedral, os peregri-

nos refletiram sobre a Palavra de Deus, à luz da passagem de João 14,6: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”. Caminharam lentamente, colocando-se como discípulos e rezaram o Salmo 120 (121), que fala do Senhor como o guardião da vida.

“A experiência de ser amado e alcançado pela misericórdia de Deus lança-nos na aventura divina e ousadia do amor gratuito e desinteressado, que liberta e rompe com outras lógicas, interesses, sistemas e deuses que nos aprisionam”, disse o Padre Roque Luiz Sibioni, delegado para a Pastoral Juvenil Salesiana. A todos ele também pediu: “Sejamos, com alegria, expressão e extensão válidas e eloquentes da misericórdia divina em nossa família, com nossos amigos e colegas de trabalho, de estudo e também com as pessoas mais necessitadas de presença amiga ou de ajuda material”. Ao meio-dia, os peregrinos da Família Salesiana celebraram a Eucaristia, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, e concelebrada pelos bispos salesianos Dom Antonio Carlos Altieri, Dom Fernando Legal, Dom Hilário Moser e padres, entre os quais o inspetor da Inspetoria Salesiana de Nossa Senhora Auxiliadora, o Padre Edson Donizetti Castilho.


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28 de setembro a 4 de outubro de 2016 | www.arquisp.org.br

O SÃO PAULO - 3121  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 60 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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