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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 61 | Edição 3117 | 31 de agosto a 6 de setembro de 2016

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exclusivo

Madre Teresa, com ‘uma fé heroica, irradiava alegria’, afirma Padre Brian, postulador Arquivo/Missionárias da Caridade

Madre Teresa tem vida marcada pela fidelidade à vocação e ao trabalho com os pobres

“A maioria das ações que ela fez, as suas obras de misericórdia, são ações comuns, coisas ordinárias, que todos nós podemos fazer.” É o que afirma, em entrevista exclusiva ao O SÃO PAULO, o Padre Brian Kolodiejchuk, postulador da causa de canonização da Madre Teresa de Calcutá (1910-1997), que acontecerá no domingo, 4, no Vaticano, presidida pelo Papa Francisco. O Sacerdote recorda as ações da Madre em favor dos pobres e lembra que a futura santa tinha “uma fé heroica, irradiava alegria”. Página 15

Na Itália, a solidariedade para o recomeço após terremoto ANSA-Vigili Del Fuoco

Encontro com o Pastor Dom Odilo: conciliar misericórdia e justiça nem sempre é fácil, mas é possível Página 3

Editorial Papa estimula a política da não violência para a busca da paz Página 2

Espiritualidade Dom Devair: Quando a injustiça parece mais forte Página 5

Igreja na América unida pelo Jubileu da Misericórdia “Que um vento impetuoso de santidade acompanhe o Jubileu extraordinário da Misericórdia em toda a América.” As palavras do Papa Francisco inspiraram o congresso que marcou a celebração do Ano Santo da Misericórdia no continente, em Bogotá, na Colômbia, dos dias 27 a 30. Representantes das conferências episcopais da América Latina, Estados Unidos e Canadá, dentre os quais o Cardeal Scherer, visitaram obras de misericórdia locais e compartilharam experiências à luz do testemunho dos santos do continente. Página 14

Região Belém recorda os 10 anos da morte de Dom Luciano Mendes

Amatrice, cidade mais atingida pelos abalos sísmicos do dia 24, que afetam a região central da Itália, matando 291 pessoas / Páginas 12 e 13

No sábado, 27, completaramse dez anos da páscoa de Dom Luciano Mendes de Almeida. O primeiro jesuíta brasileiro a chegar ao episcopado se destacou pelo seu testemunho junto aos mais pobres, às crianças e aos injustiçados. Página 19


2 | Ponto de Vista |

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Editorial

A política da não violência para alcançarmos a paz

A

Santa Sé divulgou, como sempre faz no final de agosto, o tema da mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz, que se celebra no primeiro dia do ano. Em 2017, quando se celebra o jubileu de ouro dessa iniciativa, idealizada pelo Beato Papa Paulo VI, o tema será “A não violência: estilo de uma política para a paz”. A mensagem, que é enviada a todas as chancelarias do mundo, e serve de guia para as diretrizes diplomáticas da Santa Sé, recorda que a violência e a paz estão na origem de dois modos de ver o mundo e, por conseguinte, opostos, de construir a sociedade. Nesse sentido, o Papa observa com angústia a difusão dos focos de violência que gera experiências sociais gravíssimas e negativas. Constatando que es-

ses episódios têm, em sua maioria, motivações de intolerância religiosa, Francisco resume esse fenômeno comparando-o a uma “Terceira guerra mundial em capítulos”. Pelo contrário, a paz tem consequências sociais positivas e permite um verdadeiro progresso. “Devemos, portanto, agir nos espaços possíveis, negociando caminhos de paz, até mesmo onde tais caminhos parecem tortuosos ou impraticáveis”, ressalta o Pontífice. Desse modo, a “não violência” pode assumir um significado mais amplo e novo: não apenas uma mera aspiração ou inspiração, uma rejeição moral da violência, das barreiras e dos impulsos destruidores, mas também um método político realista, aberto à esperança. A mensagem reconhece, desse modo, que a boa política, princi-

palmente a externa, pode (e deve) ser o mais eficaz instrumento para a disseminação de uma cultura de paz. A “não violência”, entendida como método político, pode constituir um instrumento realista para superar os conflitos armados. “Nessa perspectiva, é importante reconhecer, sempre mais, não o direito da força, mas a força do direito”, sublinha o Papa. Entusiasta do diálogo com todos, o Santo Padre deseja indicar um caminho de esperança apropriado às circunstâncias históricas presentes: chegar à solução das controvérsias por meio de negociações, evitando que elas se degenerem em conflito armado. A imposição de crenças e de ideologias por meio da violência reside no fato de que determinado grupo se julga detentor da verdade. Nessa

perspectiva, a mensagem pede que se levem em conta o respeito pela cultura e a identidade dos povos e, portanto, a superação da ideia segundo a qual uma parte é moralmente superior à outra. O Papa também aborda o grave problema do tráfico mundial de armas, que sustenta muitos conflitos no mundo. A “não violência”, como estilo político, pode fazer muito mais para superar esse flagelo. Preparemos nossos espíritos nestes últimos meses do Ano da Misericórdia. Por meio da oração pela paz no mundo e do exercício diário da convivência harmônica com todos, estejamos unidos ao desejo do Papa, que quer que os conflitos sejam superados. Dessa forma, faremos do microcosmos de nossas vidas um testemunho da não violência.

Opinião

Crescendo em virtudes a partir dos Jogos Olímpicos Arte: Sergio Ricciuto Conte

Ricardo Gaiotti Silva O cenário “bélico” que estava rodeando os noticiários do Brasil foi amenizado pela Olimpíada. Por outro lado, fomos bombardeados de informações, como nomes de atletas, países e esportes desconhecidos, números e marcas que nunca tínhamos ouvido falar. Diante de tanta coisa que nos foi passada, podemos tirar inúmeras lições para o nosso dia a dia. De fato, há muitos bons frutos a colher, seja a partir da disciplina dos campeões, dos esforços dos derrotados e até mesmo da disputa sadia com os “inimigos”. Lição de Fraternidade: como não se emocionar com a abertura dos Jogos, sinal de união pacífica entre os povos, testemunho de que mesmo diante de nossas diferenças somos irmãos, filhos do mesmo “Pai”, tendo em vista que “Deus não faz distinção de pessoas” (At 10,34). Sem dúvida, fica para nós a lição de que juntos podemos construir um mundo melhor, pois “a humanidade possui ainda a capacidade de colaborar para a construção da nossa Casa Comum” (Papa Francisco, na Encíclica Laudato si’). Lição de Perseverança: emocionante foi a conquista do ginasta brasileiro Diego Hypolito, que após dois fracassos em Olimpíadas anteriores conseguiu a tão

sonhada medalha. Já com a medalha no peito, desabafou, emocionado: “Nunca deixe que digam até aonde vai o seu sonho. Se nós trabalharmos, temos a possibilidade de chegar a um resultado que sonhamos”. Diego foi um perseverante, não desistiu, apesar das quedas. Diante desse exemplo, recordo-me de uma frase de São Josemaria Escrivá: “A vida espiritual é um contínuo começar e recomeçar”. A nós fica a lição: não desistir diante das quedas. Lição de Reconciliação: uma

simples selfie entre duas ginastas coreanas – uma do Norte, outra do Sul, cidadãs de países “inimigos” -, nos deu a lição de que, como disse São João Paulo II em sua mensagem para a celebração do XVI Dia Mundial da Paz, “o diálogo para a paz é possível, pois os homens, afinal, são capazes de ultrapassar as divisões, os conflitos de interesses e mesmo as oposições que parecem radicais, se acreditarem na eficácia do diálogo”. Outra bela lição nos deu o Papa

Francisco em sua mensagem por ocasião dos Jogos Olímpicos. Exortou-nos o Santo Padre: “Diante de um mundo que está sedento de paz, tolerância e reconciliação, faço votos de que o espírito dos Jogos Olímpicos possa inspirar a todos, participantes e espectadores, a combater o bom combate e a terminar juntos a corrida (cf. 2Tm 4, 7-8), almejando alcançar como prêmio não uma medalha, mas algo muito mais valioso: a realização de uma civilização onde reine a solidariedade, fundada no reconhecimento de que todos somos membros de uma única família humana, independentemente das diferenças de cultura, cor da pele ou religião”. Que possamos ser atingidos pelas “lições” dos Jogos Olímpicos e assim sermos motivados a viver de forma “virtuosa”, empenhados na construção de uma sociedade justa, fraterna, tolerante e pacífica. E os bons exemplos não param por aí: a partir de 7 de setembro, presenciaremos a Paralimpíada: certamente, teremos mais e mais boas histórias para nos inspirar na luta por um mundo melhor. Assim, que não apenas alguns afortunados sejam “medalhistas”, mas que todos tenhamos a possibilidade de sermos vencedores. Ricardo Gaiotti Silva é mestre em Direito pela PUCSP, mestrando em Direito Canônico pela Universidad Pontifícia de Salamanca, na Espanha e advogado.

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

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cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

O

Ano Santo extraordinário da Misericórdia nos ajuda para uma renovada consciência sobre o significado e a prática da misericórdia, que, conforme recorda o Papa Francisco, está no centro de nossa fé, pois Deus é misericordioso; também está no centro da vida eclesial, pois a Igreja é anunciadora, servidora e testemunha da misericórdia de Deus. Mas também está no centro da vida cristã, que deve ser uma resposta coerente a Deus, que é misericordioso. Em muitos momentos, ao longo deste Jubileu extraordinário da Misericórdia, o Papa nos alertou que a misericórdia não é apenas uma ideia nem, muito menos, uma ideologia: é um sentimento, uma prática, uma atitude. Por isso, nem nos preocupamos tanto em definir exatamente o que ela é, mas falamos nas “obras de misericórdia”. Uma questão nem sempre fácil é conciliar misericórdia e justiça. Será que uma exclui a outra? Quando falamos da misericórdia de Deus, afirmamos que Deus é justo e misericordioso e não fica tão difícil conciliar essas duas qualidades no agir divino: porque é justo, Deus também é misericordioso. Nossas ofensas nunca poderiam ser plenamente reparadas por nós mesmos, pois a Majestade ofendida ou ultrajada é maior que a nossa capacidade de reparação. Portanto, Deus perdoa e usa de misericórdia sempre que encontra no homem pecador um mínimo

Misericórdia e justiça sinal de humildade e reconhecimento da própria falta. Basta ao homem abrir uma brecha de arrependimento no seu coração, e Deus entra com sua misericórdia. O que Deus espera do homem é o arrependimento e a confiança no seu perdão A misericórdia divina supera a medida estreita da justiça e restaura o pecador com o perdão, dando-lhe nova vida. O Papa Francisco trata da relação entre misericórdia e justiça na Bula de Proclamação do Jubileu – Misericordiae Vultus - O Rosto da Misericórdia. Fica menos fácil conjugar misericórdia e justiça quando se trata do homem. Como falar de misericórdia a quem foi vítima de violência, de ofensas profundas à sua dignidade, de injustiças em relação aos seus direitos fundamentais? É claro que a misericórdia não dispensa a justiça, nem se deve apelar para a misericórdia como álibi para não satisfazer a justiça. Quem foi injusto em relação ao próximo deve reparar a injustiça, arrepender-se do mal feito e pedir o perdão para, depois, pretender a misericórdia. Ao injustiçado cabe perdoar generosamente as ofensas recebidas e usar de misericórdia, indo além da mera justiça. A misericórdia é uma capacidade divina, concedida pela graça de Deus também ao homem, para que seja capaz de perdoar e de usar de misericórdia. Mas quem espera obter misericórdia deve mostrar sincero arrependimento e humildade. Até mesmo a misericórdia de Deus é concedida somente quando o homem se abre para acolhê-la com humildade e arrependimento. Seria a misericórdia incompatível com a verdade? Essa questão

parece mais fácil. É verdade que o homem deve sempre se orientar pela verdade e não se negar a aderir a ela, sempre que a encontra. O conhecimento da verdade e o comportamento segundo a verdade são coisas altamente desejáveis, mas nem a todos isso é possível, e a ignorância nem sempre é culposa. As palavras de Jesus na cruz, em relação aos seus algozes, são bem ilustrativas: “Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem”. Eles estavam cometendo uma ação extremamente grave, cujo alcance eles, certamente, nem estavam percebendo: estavam matando de maneira cruel e injusta o Filho de Deus que se fez homem; mesmo assim, Jesus foi misericordioso para com eles e os perdoou. E invocou o perdão de Deus Pai para todos os que pecam por ignorância. Aqui, de fato, tocamos o coração do mistério da misericórdia: na cruz, revela-se de maneira mais extrema o coração misericordioso de Deus e o seu desejo de dar a vida eterna a todos, conforme as palavras de Jesus a Nicodemos: “tanto Deus amou o mundo, que lhe entregou seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crer, não pereça, mas tenha a vida. De fato, Deus não veio para condenar o mundo, mas para salvá-lo”. Em outra passagem, lemos ainda: “Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva”. Deus não veio cobrar justiça do homem: quem seria capaz de se justificar diante dele? Deus enviou seu Filho ao mundo para manifestar aos homens sua misericórdia infinita e seu desejo de que todos tenham vida em abundância.

| Encontro com o Pastor | 3 Plano de Pastoral Em reunião, no dia 24, com o Cardeal Odilo Pedro Scherer e os bispos auxiliares de São Paulo, a coordenação do Secretariado de Pastoral avançou nas discussões a respeito da elaboração do novo plano arquidiocesano de pastoral. O 12º Plano de Pastoral deverá ser uma atualização do 11º, incorporando no documento os novos elementos da realidade eclesial e as novas orientações dos documentos do Magistério da Igreja recentemente lançados, como a Amoris laetitia e Evangelii gaudium. O Cardeal Scherer destacou sua preocupação em desconstruir a ideia de que as comunidades paroquiais são espaços meramente burocráticos e enfatizou que a Arquidiocese precisa estar atenta aos desafios que o próprio Evangelho e a pessoa de Jesus Cristo impõem.

Personalidades das comunidades Alesp

O Conselho Estadual Parlamentar das Comunidades de Raízes e Culturas Estrangeiras (Conscre), da Assembleia Legislativa de São Paulo, realizou no dia 23 o evento “Homenagem às Personalidades das Comunidades”, em reconhecimento aos integrantes das comunidades árabe, armênia, espanhola, italiana, japonesa, judaica, letoniana, paraguaia, peruana, portuguesa e russa. Na solenidade, foi realizado um encontro pela paz com a participação do Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo; do Rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista; do bispo Narek Vasken Berberian, da Igreja Apostólica Armênia; e de Kyohaku Correia, líder do Budismo no Brasil.

Missa pelos 70 anos da PUC-SP No domingo, 4, às 11h, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo e grã-chanceler da PUC-SP, presidirá missa na Catedral da Sé em ação de graças pelos 70 anos da pontifícia universidade.

Medalha São Paulo Apóstolo Na quinta-feira, dia 1º, a partir das 20h, o Cardeal Scherer participará da cerimônia de entrega da Medalha São Paulo Apóstolo, que será realizada no Mosteiro São Bento. Saiba mais em www.arquisp.org.br e na página 23.


4 | Fé e Vida |

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Liturgia e Vida 23º DOMINGO DO TEMPO COMUM 4 de setembro de 2016

Salvos pela Sabedoria Cônego Celso Pedro A Sabedoria nos diz que sem ela não podemos conhecer a vontade de Deus e nem mesmo imaginar o que o Senhor quer, porque nossos pensamentos são tímidos e nossas reflexões são incertas. De fato, nosso corpo, como uma tenda de barro, pesa sobre a nossa alma e oprime a mente que pensa. Se com dificuldade conhecemos as coisas deste mundo, como poderemos investigar o que há no céu? Em nós tudo é limitado, até mesmo o que nos torna superiores aos seres inanimados e aos seres animados irracionais. Nós raciocinamos, mas raciocinamos a partir do que os nossos sentidos captam da realidade material que nos envolve. Nossa mente se povoa de imagens que se transformam em ideias. Tudo isso é um grande trabalho, porque não vemos imediatamente as coisas como elas são. Não somos por natureza intuitivos. Precisamos raciocinar a partir do que vemos, e vemos de forma limitada. Não chegamos rapidamente a um consenso. Quanta canseira para sermos racionais e não sermos capazes nem de conhecer nem de imaginar o que Deus é e o que Deus quer. Mas a Sabedoria, que se aproxima de nós, retifica os nossos caminhos e nos ensina o que é agradável ao Senhor. Os filósofos a definem como o perfeito conhecimento de todas as coisas. Os cristãos a identificam com o próprio Senhor Jesus.

Santo Agostinho dizia que se não podemos conhecer a Deus nem imaginá-lo, podemos ao menos saboreá-lo. É a Sabedoria que nos permite sentir o gosto do que Deus é. Sentindo o gosto, gostamos; gostando, queremos; querendo, buscamos; buscando, nos comprometemos. Calculamos, então, o que temos diante de nós, organizamos os instrumentos e iniciamos a obra de luta e construção. Já não é difícil se desapegar de tudo, tomar a cruz e se tornar discípulo. Não será difícil abraçar a cruz que contém todos os instrumentos da construção. Isso se fará com gosto e com amor, pois não há trabalho no que se faz com amor. “Ensinai-nos a contar os nossos dias e dai ao nosso coração Sabedoria”, pedimos com o salmista. Certamente, com essa Sabedoria, que é o dom do Espírito, Filêmon, na segunda leitura de hoje, pode acolher, abraçar e libertar seu antigo escravo, Onésimo, que Paulo evangelizou e batizou na prisão. Tanto um como outro, Onésimo e Filêmon, deram um passo sério no seguimento de Jesus quando abraçaram a fé e foram batizados. Calcularam o que tinham pela frente. Sabendo que seriam acompanhados pela Sabedoria, decidiram e entraram no caminho de Jesus. Assim fizemos todos nós no dia do nosso Batismo quando entramos na Igreja. Entramos para valer e entramos para ficar. Pela Sabedoria, fomos salvos.

Você Pergunta Não podemos orar por quem amamos, na missa? padre Cido Pereira

osaopaulo@uol.com.br

“Padre, na minha paróquia não se colocam mais as intenções dos entes queridos nas missas. Mudaram as regras?” A pergunta é da Lourdes, que não disse seu sobrenome. Ela mora em Taboão da Serra (SP). Lourdes, eu quero crer que você está enganada. Devemos sim orar pelos vivos e pelos falecidos. Essas orações estão incluídas nas próprias orações

eucarísticas. Tais orações são parte das preces comunitárias que se fazem na missa. Veja, portanto, se você entendeu bem o que o padre determinou na sua paróquia. São carregadas de fé, esperança e amor as orações que fazemos por nossos entes queridos mortos e vivos. De fé na misericórdia de Deus, que é sem limites. De esperança na felicidade de quem amamos aqui neste mundo e na eternidade. De amor, porque será sempre um jeito bonito de

se amar, o orar pelos outros. Particularmente na missa, que é a grande oração do povo de Deus, tem que haver preces para vivos e mortos. Como fazer de uma paróquia uma comunidade de comunidades sem que sejam lembrados todos aqueles que ali estão e todos aqueles que temos no coração? As regras não mudaram, Lourdes. Pode ter mudado a prática pastoral. Converse com seu pároco. Entenda direito o que ele determinou.

Atos da Cúria NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE PÁROCO Em 26 de agosto de 2016, foi nomeado e provisionado Pároco da Paróquia São Kim Degun, na Região Episcopal Sé, Setor Pastoral Bom Retiro, o Revmo. Pe. Paulo Cho Sungkwang, pelo período de 06 (seis) anos. N O T A - AL E R T A A Mitra Arquidiocesana de São Paulo informa aos Sacerdotes Católicos, funcionários e colaboradores que tem sido recorrente uma tentativa de golpe que consiste no depósito de cheque(s) de terceiro(s), muitas vezes furtados, roubados ou falsos, em conta bancária

administrada pela Paróquia ou pela Entidade, seguido de posterior contato para reembolso total ou parcial do valor imediatamente, sob a alegação de que foi um equívoco na instituição financeira ou erro do depositante. Tal reembolso parcial ou total não deve ser efetivado sob nenhuma hipótese, pois em se tratando de um cheque inválido (furtado, roubado ou falso) este será estornado, não sendo passível de cobrança posterior ou proveito financeiro. Em caso de dúvida, por favor, contatar o departamento jurídico pelo telefone 011-3660-3700 ou pelo e-mail juridico.mitra@terra.com.br. São Paulo, 23 de agosto de 2016. Pe. Dr. José Rodolpho Perazzolo Pe. João Julio Farias Junior Pe. Zacarias José de Carvalho Paiva

Errata Diferentemente do publicado na página 21, da edição 3116, na notícia “Pascom da Região Lapa realiza reunião com os setores”, o nome correto do coordenador geral da Pascom regional é Padre Antonio Francisco Ribeiro e não Antonio Francisco

dos Santos; na mesma página, erroneamente em uma das foto-legendas, identificamos Dom Julio Endi Akamine como bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém. A informação correta é que ele é bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa.

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www.arquisp.org.br | 31 de agosto a 6 de setembro de 2016

Espiritualidade Quando a injustiça parece mais forte... Dom Devair Araújo da Fonseca

O

Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia e vigário episcopal para a Pastoral da Comunicação

s textos bíblicos estão repletos de belos exemplos que enchem de luz e esperança as realidades mais comuns e corriqueiras de nossa vida. Quem já não se sentiu injustiçado? Quem nunca se sentiu abandonado e sozinho, ou vítima de uma calúnia mentirosa? No livro de Daniel, no capítulo 13, encontramos a história de Susana, uma bela mulher casada com um homem rico e muito respeitado. Susana teve uma boa família, que a educou nos princípios e na fé do seu povo. Em um determinado momento, a vida de Susana sofre uma reviravolta, quando dois “anciãos do povo” prepararam uma armadilha, tentando induzi-la no pecado de adultério. Sob acusação, ela foi submetida a um julgamento, tendo como testemunhas os dois anciãos mentirosos. Pela sua fé, Susana não perdeu a confiança nem a esperança na justiça que vem do Senhor. Mas

como calar-se diante das injustiças? pria vida, a fé, a esperança e a cariSusana teria se tornado mais uma dade. vítima da mentira e da calúnia, se Nesse contexto, a oração é uma não fosse pelas palavras de Daniel, “arma” e não uma fuga da realidade, um jovem expectador, cheio da força como dizem alguns. É pela oração que do espírito de Deus. Com discerni- os cristãos se mantêm firmes nas suas mento, Daniel descobriu a mentira e convicções e na defesa dos mais frareverteu a situação. No final da história, Susana e todos os que sofreram cos. Na sua condição, Susana confiou com ela elevaram a Deus um hino de a Deus a sua causa, assim como na louvor pela vitória da verdade e da justiça. A vida de Susana, Jesus é o justo perseguido, como a vida de todos humilhado e aparentemente os que sofrem alguma vencido na morte de cruz. injustiça, está ligada ao Mas a Ressurreição é a resposta mistério da cruz. Jesus de Deus e a palavra definitiva é o justo perseguido, que ilumina a história humana. humilhado e aparen- Em Cristo, todas as injustiças temente vencido na encontram a sua derrota morte de cruz. Mas a Ressurreição é a resposta de Deus e a cruz Cristo confiou ao Pai a sua vida. palavra definitiva que ilumina a histó- Se a vida de Susana foi poupada, Deus ria humana. Em Cristo, todas as injus- não poupou o seu Filho, que se entregou para nossa redenção. tiças encontram a sua derrota. Se ainda hoje permanecem as A certeza dessa verdade de amor é o que anima e enche de esperança injustiças, é somente porque ainda os cristãos, que não se cansam de lu- existem pessoas que rejeitam o amor tar contra todas as formas de injus- de Deus, oferecido na cruz. Quando tiça. Por isso, a atitude cristã diante a injustiça parece mais forte, os crisde uma mentira, de uma calúnia ou tãos dobram os joelhos e se entrede uma iniquidade não é a de uma gam à oração e à súplica, ao mesmo resignação apática nem de um con- tempo em que elevam a sua voz para fronto violento. Os cristãos, pela for- proclamar, com clareza e coragem, a ça do Espírito, são envidados para verdade do Evangelho que liberta o anunciar e testemunhar, com a pró- justo.

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Fé e Cidadania Paralimpíadas Cônego Antonio Manzatto Depois do espetáculo da Olimpíada, vêm aí os Jogos Paralímpicos. Veremos não apenas atletas em busca de medalhas, mas verdadeiros campeões, que, vencendo limitações e preconceitos, afirmam sua dignidade, sua bravura e, mais do que isso, mostram-se capazes de feitos assombrosos e inimagináveis, de resultados incríveis, frutos de sua dedicação e de sua coragem. Tais resultados vamos assistir nas pistas, nas quadras, nas piscinas. Jogos que têm por base uma palavra não muito em uso em nossa sociedade: inclusão. Tais atletas, todos eles pessoas portadoras de necessidades especiais, vencem mais barreiras que os demais atletas em outras situações. E não me refiro apenas à falta de patrocínios, carência tão comum no mundo esportivo brasileiro. Refiro-me às condições de vida em nossa sociedade, pois não é fácil conseguir se deslocar na cidade vendo o estado de nossas calçadas e a qualidade de nosso transporte público. Nossos atletas paralímpicos são campeões por conseguir suplantar esses desafios e ainda treinar em ambientes nem sempre adequados para, agora, apresentarem-se perante o mundo em um espetáculo de dedicação e superação. Sim, claro que os Jogos Paralímpicos Rio 2016 serão bonitos. Veremos espetáculos de beleza, de força e de talentos mil que existem pelo mundo afora desenvolvidos em pessoas que, se possuem alguma necessidade especial, são portadoras de uma dignidade que suplanta barreiras, vence desafios e prova que se pode, sempre, chegar mais longe, não interessando o tamanho das dificuldades. Mas seria bom pensarmos no legado que os Jogos Paralímpicos deixarão para a cidade do Rio de Janeiro e para o País inteiro. Deveria ser um legado que convencesse a todos de que a cidade precisa dar condições de vida a todos os seus habitantes. Que não podemos viver em uma cidade que multiplica buracos, dificuldades e atrasos por conta de administrações incompetentes que apenas pensam nas próximas eleições, e não no bem-estar dos seus moradores. Logo após os Jogos será o momento de decidirmos o pleito eleitoral, e nessa decisão os árbitros seremos nós mesmos, no uso de nosso voto. Com consciência, de preferência. As opiniões da seção “Fé e Cidadania” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do O SÃO PAULO.


6 | Viver Bem |

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Comportamento

O espírito olímpico

Valdir Reginato fundamental olhar para o antes. dos por uma conquista que não Quem foram os “heróis” e por pode ser somente valorizada e Ainda tremulam em nossa que alguns não chegaram aonde premiada pelo índice obtido, mas memória as cerca de 200 ban- queriam? Mais do que categorias pela demonstração de cidadania e deiras do mundo que visitaram a esportivas, precisa-se olhar para civilidade possíveis aos seres hucidade maravilhosa, oferecendo os atletas, os técnicos, as pessoas. manos. Portanto, é necessário tamo espetáculo esportivo mais mar- Sem esquecer toda a infraestrutucante da categoria. Dessa vez com ra, também necessária e sustenta- bém olhar para frente. Olhar para especial realce pela beleza do lo- da por funcionários e voluntários, novos horizontes, não somente cal, pelo número significativo de pessoas. em busca de recordes melhores recordes superados, pelos feitos Focando nos medalhistas, pu- que se superam seguidamente. inéditos do país-sede em diversas demos conhecer muitas histórias A experiência olímpica leva-nos modalidades em que nunca havia que deveriam ser levadas ao mun- a arriscarmos por desafios quansubido ao pódio, por ter transcor- do com maior importância do to à possibilidade de vivermos rido sem episódios da temida vio- que os recordes obtidos. Recordes num mundo onde todas as nalência regional e internacional, e, são números, que se esquecem ções podem e devem conviver principalmente, por ter se carac- como datas, mas as histórias das harmoniosamente, numa linguaterizado pela convivência pacífica, vidas das pessoas são exemplos gem que se torna traduzida nas amigável e harmoniosa na grande que marcam e ficam registra- diferentes línguas de modalidamaioria do público e dos atletas, das como agentes dos mais distintos pontos do pla- multiplicadores de Diante de um dos eventos mais neta. Enfim, a humanidade deu ânimo aos demais. um grande exemplo de civilidade, São exemplos não significativos para o mundo, pela qual a diversidade cultural somente para novos resta aprendermos uma lição pode conviver sem adversidades atletas, mas para in- que vai além das alegrias quando o esforço pela virtude su- divíduos em dife- por saltar dois centímetros pera os defeitos humanos. rentes atividades da a mais, ou correr milésimos Diante de um dos eventos vida, desde o trabamais significativos para o mun- lho doméstico aos de segundos mais rápidos, do, resta aprendermos uma lição grandes cargos de ou ganhar dos aparentes que vai além das alegrias por empresas, pois são invencíveis, ou mesmo se saltar dois centímetros a mais, exemplos de supetornar um mito para a ou correr milésimos de segun- ração. É verificar, na dos mais rápidos, ou ganhar dos prática, as virtudes eternidade, como se ninguém aparentes invencíveis, ou mesmo que para muitos são pudesse superá-lo... se tornar um mito para a eterni- conhecidas em condade, como se ninguém pudesse ceitos teóricos. Por justiça, não se des esportivas, nas quais todos superá-lo... É preciso ver além das pode mencionar uma sem falar se entendem mediante o esforço arquibancadas coloridas por dife- das outras. Cada uma terá suas por viver num mesmo espírito: o rentes bandeiras, das lágrimas de peculiaridades, mas em todas não espírito olímpico, um espírito que alegria ou de frustração, do grito faltarão a iniciativa, o esforço, a entrelaça os cinco continentes e de vitória ou do silêncio pela der- perseverança, o otimismo, o reco- se mantém aberto a todos aqueles rota... Penso que passados esses meçar constante diante de quedas que queiram gritar ao mundo que dias de intensa carga emocional, e dificuldades; e acrescente-se a a verdadeira arma para superar a quase insuportável, compactada alegria. Tudo isso em um contex- guerra está na absoluta confiança em 17 dias, como se fosse possível to que não faltaram a confiança do amor pela paz. armazenar o mundo numa fras- e a solidariedade de familiares e Dr. Valdir Reginato é médico de queira de viagem, precisaríamos amigos, assim como de técnicos família, professor da Escola Paulista de Medicina e terapeuta familiar. olhar para o antes e o depois. É e instituições. Todos empenha-

Cuidar da Saúde

Luz dos aparelhos dispositivos causa insônia Cássia Regina Estudos recentes têm demonstrado que a luz emitida pelos dispositivos eletrônicos, conhecida como luz azul, causa insônia. Essa luz é muito brilhante e, por isso, é usada em larga escala em aparelhos como smartphones, tablets, notebooks e TVs. Durante a noite, liberamos melatonina para poder ter um sono de qualidade, mas, segundo as pesquisas, esse tipo de

iluminação inibe a produção de melatonina e reduz a qualidade do sono. A luz azul, à noite, engana o organismo, fazendo-o acreditar que é dia. Isso aumenta o ritmo dos batimentos cardíacos e faz com que a pessoa fique alerta. Para termos uma noite de sono reparadora, devemos: evitar consumir alimentos energéticos (café, chá preto, refrigerante tipo cola, açaí etc.) a partir das 17h, evitar atividade física à noite, e não usar aparelhos dispo-

sitivos eletrônicos duas horas antes de dormir. Outra dica é usar luzes no ambiente que sejam amarelas. Já existem eletrônicos que possuem telas com luz amarela ou que não sejam azuis, a fim de não provocar insônia. Então, antes de pensar em medicação, modifique seus hábitos noturnos para que você tenha uma boa noite de sono. Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF) E-mail: dracassiaregina@gmail.com


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| Geral/Pastorais | 7

Com peregrinação, catequistas vivenciam o Jubileu da Misericórdia REDAÇÃO

osaopaulo@uol.com.br

Por ocasião do Dia do Catequista, festejado no domingo, 28, a Comissão de Animação Bíblico-Catequética da Arquidiocese de São Paulo promoveu no sábado, 27, o Jubileu dos Catequistas, como parte das atividades do Ano Santo extraordinário da Misericórdia. A partir do marco zero da praça da Sé, os catequistas das seis regiões episcopais da Arquidiocese peregrinaram à Porta Santa da Catedral da Sé, cumprindo um itinerário de fé proposto pelo Papa Francisco para este Jubileu extraordinário da Misericórdia. “A peregrinação é um sinal peculiar no Ano Santo, enquanto ícone do caminho que cada pessoa realiza na sua existência. A vida é uma peregrinação e o ser humano é viator, um peregrino que

percorre uma estrada até à meta anelada. Também para chegar à Porta Santa, tanto em Roma como em cada um dos outros lugares, cada pessoa deverá fazer, segundo as próprias forças, uma peregrinação. Esta será sinal de que a própria misericórdia é uma meta a alcançar que exige empenho e sacrifício. Por isso, a peregrinação há-de servir de estímulo à conversão: ao atravessar a Porta Santa, deixar-nos-emos abraçar pela misericórdia de Deus e comprometer-nos-emos a ser misericordiosos com os outros como o Pai o é conosco”, afirma o Pontífice na Misericordiae Vultus, bula de proclamação deste Ano Santo. Após a passagem pela Porta Santa da Catedral e dos ritos próprios da peregrinação, os catequistas participaram da missa presidida por Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese e referencial arquidiocesano da

Helena Ueno

Catequistas da Arquidiocese peregrinam à Porta Santa da Catedral da Sé, no sábado, dia 27

Animação Bíblico-Catequética, e que teve entre os concelebrantes Dom Julio Endi Akamine, também bispo auxiliar de São Paulo, e o Padre Marcelo Delcin, assistente eclesiástico para a Catequese

na Arquidiocese, que ressaltou a importância da vocação dos catequistas e enalteceu a alegria dos participantes da peregrinação. (Colaborou Diácono Marcelo Brito)

Comissão Arquidiocesana de Liturgia Formação litúrgica acontecerá no dia 10 “Ministério Litúrgico – um serviço à Assembleia Celebrante” será o tema do Encontro Arquidiocesano de Formação Litúrgica, que acontecerá no sábado, 10,

das 8h às 13h, no Centro Pastoral São José (avenida Álvaro Ramos, 366, próximo à estação Belém do metrô). A atividade, destinada especialmente

Cami

Outras informações podem ser obtidas no Secretariado Arquidiocesano de Pastoral, pelo telefone (11) 36603700.

Pastoral da Saúde

‘Estive doente e me visitaste’

Migrantes participam do 5º Festival de Música e Poesia Cami

Apresentações culturais com migrantes marcam o 5º Festival de Música e Poesia, no domingo, 28

Nacionalidades africanas e latino-americanas mostraram seu veio poético e artístico no 5º Festival de Música e Poesia do Migrante, organizado pelo Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (Cami), em parceria com a Praça Kantuta, no domingo, 28. O evento teve por tema “Fronteiras livres, não à discriminação!” Artistas populares apresentaram composições de própria autoria, retratando esperanças, sonhos e histórias marcadas de precon-

a integrantes de equipes paroquiais de Liturgia, terá assessoria do Padre Luiz Eduardo Pinheiro Baronto, cura da Catedral da Sé.

ceitos, discriminação, alegrias, frustrações, lutas e superação. Grupos artísticos como os “Tinkus Bolívia Wayna Lisos SP Brasil”, com a dança originária do norte de Potosi, na Bolívia; grupo “Tripticos”, representando a Colômbia, e um grupo folclórico chinês que une artes marciais e dança de leão e dragão animou o ambiente de integração cultural. (Com informações do Cami)

Foi concluído em 13 de agosto o curso da Pastoral da Saúde Hospitalar, que teve como enfoque uma abordagem pastoral junto à pessoa enferma internada numa instituição de saúde. Iniciadas em 12 de março, as aulas foram coordenadas pelo Padre João Inácio Mildner, assessor eclesiástico arquidiocesano da Pastoral da Saúde, com a colaboração dos profissionais de saúde do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e de outros locais, bem como de padres que ajudaram na orientação espiritual dos membros da Pastoral. Ao todo, 75 pessoas participaram do curso integralmente e 32, parcialmente.

Toda as aulas aconteceram nas dependências da Paróquia Santo Agostinho, na Região Sé, cujo espaço e infraestrutura foram cedidos pelo Frei Mário Rocha. A programação do curso também foi composta por temas complementares, levando os alunos a conhecer a dinâmica de uma instituição hospitalar e como um voluntário da Pastoral da Saúde pode se inserir nesse contexto. Ao término do curso, o Padre João Mildner apresentou aos participantes a relação de hospitais que necessitam da atuação de voluntários da Pastoral da Saúde. (Com informações de Penha Ramos) Pastoral da Saúde

Participantes do curso da Pastoral da Saúde Hospitalar em foto após a conclusão dos estudos


8 | Pelo Brasil |

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Destaques das Agências Nacionais

Fernando Geronazzo osaopaulo@uol.com.br

CNBB e Pastoral do Menor lançam campanha ‘Dê oportunidade’ A CNBB e a Pastoral do Menor, em parceria com 23 instituições, lançarão na segunda-feira, 5, a campanha “Dê oportunidade. Faça a diferença! Ninguém nasce infrator”, com o objetivo de levar à sociedade um outro olhar sobre o adolescente que cometeu ato infracional. A iniciativa também busca informar, esclarecer e sensibilizar as pessoas sobre o significado humano, social e político das Medidas Socioeducativas (MSE) para a vida da sociedade e dos adolescentes autores de atos infracionais; pautar os governos e executores

Reprodução

das políticas públicas sobre as necessidades de fortalecimento a aprimoramento do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase); e divulgar as práticas que tiveram êxito na efetivação das MSE, seja nos projetos da Pastoral do Menor ou dos parceiros. A campanha é voltada para gestores de políticas públicas, sistema judiciário, conselhos de controle social e tutelares, educadores sociais, adolescentes, escolas, representantes de comunidades e movimentos sociais em geral. Fonte: CNBB

Conta de luz: bandeira tarifária continua verde

Mapa da Violência indica aumento de negros mortos por armas de fogo

Pelo sexto mês seguido, a bandeira tarifária que será aplicada nas contas de luz em setembro será verde, o que significa que não haverá nenhum valor adicional a ser pago pelos consumidores brasileiros. Ao definir a continuidade da bandeira verde, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) considerou o resultado positivo do período úmido e o aumento de energia disponível, com redução de demanda e adição de novas usinas ao sistema elétrico brasileiro. O sistema de bandeiras tarifárias foi adotado em janeiro de 2015, como forma de recompor os gastos extras das distribuidoras de energia com a compra de energia de usinas termelétricas.

Dados do Mapa da Violência 2016, divulgados na quinta-feira, 25, mostram que, em um intervalo de 11 anos, de 2003 a 2014, as mortes de negros causadas por armas de fogo aumentaram de 20.291 para 29.813 no Brasil. Os dados apontam que os negros morrem 2,6 vezes mais que os brancos por armas de fogo, e que 94% das vítimas são homens. O Mapa da Violência compõe uma série de estudos realizados pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, desde 1998, tendo como temática a violência no Brasil, a partir de uma proposta da Unesco, órgão da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura. Os dados também mostram que a

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A cor da bandeira que é impressa na conta de luz (vermelha, amarela ou verde) indica o custo da energia elétrica, em função das condições de geração de eletricidade. Desde o início da vigência do sistema até fevereiro de 2016, a bandeira se manteve vermelha, inicialmente com a cobrança de R$ 4,50 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos e, posteriormente, com a bandeira vermelha patamar 1, que significa acréscimo de R$ 3,00 a cada 100 kWh. Em março deste ano, a bandeira passou para amarela (com taxa de R$ 1,50 a cada 100 kWh), e desde abril está verde. Fonte: Agência Brasil

evolução da letalidade das armas de fogo não foi homogênea ao longo do tempo. Entre 1980 e 2003, o crescimento dos homicídios por armas de fogo foi sistemático e constante, com um ritmo de 8,1% ao ano. A partir do pico de 36,1 mil mortes em 2003, os números caíram para aproximadamente 34 mil e, depois de 2008, ficam oscilando em torno das 36 mil mortes anuais. Em 2012, aceleraram novamente, subindo para 42,3 mil. “O Estatuto e a Campanha do Desarmamento, iniciados em 2004, constituem-se em um dos fatores determinantes na explicação dessa quebra de ritmo”, aponta a pesquisa. Fonte: Agência Brasil

Ano jubilar mariano no Brasil O arcebispo de Aparecida (SP), Cardeal Raymundo Damasceno Assis, informou que, a partir do mês de outubro, o Brasil terá um ano jubilar mariano. O período especial a ser vivido pela Igreja no Brasil integra as comemorações pelos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, em 1717. O ano jubilar mariano será decretado pela CNBB. O início será em

12 de outubro, com a inauguração do Campanário do Santuário Nacional, obra que foi projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. “Será um ano de graça, de modo especial para o Brasil: um momento de louvor e agradecimento especial a Deus por tudo aquilo que Ele tem feito por nós, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, nossa padroeira e nossa rainha”, disse o Cardeal.

Os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida são celebrados em 12 de outubro de 2017. É aguardada a presença do Papa Francisco na ocasião; ele mesmo disse que viria quando esteve no Brasil em 2013. A vinda do Papa, porém, ainda não foi oficialmente confirmada pela Santa Sé. Fonte: Portal ArquiSP

Expectativa de vida dos brasileiros aumenta mais de 40 anos em 11 décadas De acordo com o livro “Brasil: uma visão geográfica e ambiental do início do século XXI”, lançado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na segunda-feira, 29, embora a taxa de fecundidade no país tenha caído de 6,16 filhos por mulher para apenas 1,57 filho

em sete décadas (de 1940 a 2014), a expectativa de vida da população aumentou 41,7 anos em aproximadamente um século. Em 1900, a expectativa de vida era de 33,7 anos, dando um salto significativo em pouco mais de 11 décadas, atingindo 75,4 anos em 2014.

Na avaliação do IBGE, essa “radical transformação do padrão demográfico corresponde a uma das mais importantes modificações estruturais verificadas na sociedade brasileira, com reduções na taxa de crescimento populacional (de 2,01% entre 1872 e 1890 para 1,17% entre 2000 e 2010)

e alterações na estrutura etária, com crescimento mais lento no número de crianças e adolescentes, paralelamente a um aumento da população em idade ativa e de pessoas idosas (4,1% em 1940, com projeção de 29,4% para 2050). Fonte: Agência Brasil


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Fernando Geronazzo osaopaulo@uol.com.br

Francisco e Bento XVI: ‘relação paternal-fraternal’ Fotos: L’Osservatoere Romano

“O que ele diz sobre ir ao encontro dos outros, não são apenas palavras. Ele põe em prática comigo”, afirmou o Papa emérito Bento XVI sobre seu relacionamento com o Papa Francisco, na entrevista concedida ao teólogo Elio Guerriero, publicada pelo jornal italiano La Repubblica, no dia 25. Guerriero é autor de uma biografia de Joseph Ratzinger, intitulada “Servo de Deus e da humanidade. A biografia de Bento XVI”, lançada terça-feira, 30, na Itália. “Pessoalmente, desde o início, eu estava profundamente tocado pela extraordinária disponibilidade humana do Papa Francisco comigo. Imediatamente após a sua eleição, ele me ligou”, continuou Bento XVI, ressaltando que tem um rela-

JMJ 2013 e a renúncia Na entrevista, o Bispo emérito de Roma também falou sobre as motivações da sua renúncia em fevereiro de 2013. Ele enfatizou que a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, em julho do mesmo ano, foi um dos fatores determinantes para a decisão de renunciar à cátedra de Pedro. “A data para a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro já estava fixada, mas eu não me sentia

cionamento “paternal-fraternal” com seu sucessor. “Ele muitas vezes me manda pequenos presentes, cartas pessoais. Antes de embarcar em viagens longas, o Papa Francisco nunca deixa de me visitar. A bondade humana com a qual ele me trata é para mim uma graça especial nesta última fase da minha vida. Eu só posso ser grato”, destacou.

Gratidão de Francisco

“Todos na Igreja temos uma grande dívida de gratidão para com Joseph Ratzinger-Bento XVI pela profundidade e o equilíbrio do seu pensamento teológico, vivido sempre ao serviço da Igreja, até as responsabilidades mais elevadas”, escreveu o Papa Francisco, no prefácio da nova biografia.

Europeus perderam o contato com raízes cristãs capaz de fazê-la. Após a ida ao México e a Cuba [últimas viagens de seu pontificado], não conseguia mais realizar viagens muito longas. Mas, como fixou São João Paulo II, nessas jornadas a presença do papa é indispensável. Não poderia pensar em uma conexão televisiva, ou outras formas tecnológicas. Também por essa circunstância, a renúncia para mim era um dever”, relatou.

Foi publicada na segunda-feira, 29, a mensagem enviada pelo Papa Francisco ao Cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, que participou de um simpósio em Salonica, na Grécia, intitulado “A necessidade de reevangelizar as comunidades cristãs na Europa”, cujo objetivo foi “favorecer o confronto teológico e cultural entre católicos e ortodoxos”.

Na mensagem, o Santo Padre encoraja a realização do Simpósio porque, a seu ver, existe a clara necessidade de uma nova obra de evangelização na Europa. “Muitas pessoas batizadas não são conscientes do dom de fé que receberam e não participam da vida da comunidade cristã, porque perderam o contato com suas raízes cristãs”, afirma.

Francisco recebe fundador do Facebook O Papa Francisco recebeu na manhã da segunda-feira, 29, o fundador e diretor-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, acompanhado de sua esposa, Priscilla Chan. Eles falaram sobre como utilizar

as comunicações para amenizar a pobreza, encorajar a cultura do encontro e fazer com que uma mensagem de esperança possa chegar especialmente às pessoas mais necessitadas.

Vida contemplativa: riqueza, testemunho e esperança Bênção aos atletas O Papa Francisco encontrou na quinta-feira, 25, na Casa Santa Marta, as irmãs de clausura que vivem no Mosteiro de Santa Maria de Vallegloria, situado nas imediações de Assis. Francisco entregou às consagradas e, simbolicamen-

te, a todas as comunidades claustrais do mundo a Constituição Apostólica Vultum Dei quaerere (Em busca da Face de Deus), dedicada à vida contemplativa feminina, lançada em julho. O Pontífice presidiu missa com as

monjas, na qual recordou o valor da oração, ponto central da vida contemplativa de clausura, que sintetizou em três palavras: riqueza, testemunho e esperança.

paralímpicos

(Fontes das notícias: Rádio Vaticano, News.va e Rio2016)

Ao final da audiência geral do dia 24, na praça de São Pedro, o Papa Francisco saudou quatro atletas paralímpicos e desejou a eles boa sorte nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, que começam em 7 de setembro. Participaram da audiência os brasileiros Jovane Guissone, da esgrima em cadeira de rodas, e Sergio Olivia, do hipismo, e as italianas Oxana Corso e Monica Contraffatto, ambas do atletismo. “Eu gostaria de saudar os membros do Comitê Paralímpico Internacional e os atletas que se preparam para celebrar os próximos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro”, disse o Pontífice.


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Arquidiocese promove colóquio entre o clero e os candidatos à Prefeitura de São Paulo Núcleo de Mídias da Arquidiocese

Atividade idealizada pelo Cardeal Scherer será realizada no dia 20 com cinco candidatos a prefeito Edcarlos Bispo

edbsant@gmail.com

Em 20 de setembro, acontecerá o “Diálogos com a Cidade – Colóquio com os candidatos a prefeito de São Paulo”. Pensado e idealizado pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, o encontro entre os candidatos à Prefeitura e os padres da Arquidiocese de São Paulo aconteceu pela primeira vez em 2012. Neste ano, participarão cinco candidatos. Como não se trata de um debate oficial, como é o caso daqueles realizados nas emissoras de televisão, a Arquidiocese tem total liberdade para estabelecer os critérios que desejar para a escolha dos participantes. Foram convidados para o colóquio os candidatos que na pesquisa Ibope divulgada em 21 de julho ocupavam os cinco primeiros lugares: Celso Russomanno (PRB); Marta Suplicy (PMDB); Luiza Erundina (PSOL); Fernando Haddad (PT) e João Doria (PSDB). Em reuniões prévias com os representantes dos candidatos, foram estabelecidas as regras do colóquio, como, por exemplo, o direito de resposta. “Nos casos de direito de resposta/réplica, haverá uma comissão que analisará o pedido. Essa comissão será composta por dois jornalistas dos meios de comunicação social da Arquidiocese de São Paulo e um convidado externo.” O tempo das falas será controlado pelo corte do som do microfone e haverá um cronômetro para auxiliar os candidatos e o mediador do colóquio. A ordem das falas dos candidatos foi decidida em sorteio realizado em reunião no dia 24 de agosto, na Cúria Metropoli-

Colóquio com os candidatos à prefeitura de São Paulo setembro 09h

Centro Universitário

SÃO CAMILO

ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO

tana de São Paulo, diante das assessorias de Fernando Haddad, João Doria e Luiza Erundina. Convidados para a reunião, as coordenações das campanhas dos candidatos Marta Suplicy e Celso Russomanno não justificaram a ausência. Na apresentação das propostas de governo, falará em primeiro lugar a candidata Marta Suplicy, seguida de João Doria, Luiza Erundina, Celso Russomanno e Fernando Haddad. Cada candidato terá um tempo máximo de seis minutos para apresentar-se, bem como para expor as principais propostas de seu programa de governo. Serão três blocos de perguntas. Cada

candidato responderá a uma questão em cada uma das três rodadas. As perguntas serão apresentadas por um padre previamente preparado, sendo elaboradas a partir da experiência pastoral da Igreja na cidade de São Paulo e estarão dentro de dez temas que estão vinculados às ações pastorais da Igreja: Parcerias entre poder municipal e organizações ligadas à Igreja; Pessoa Idosa; Migrantes; Saúde/ Saneamento Básico; Moradia e qualidade de vida; Criança e Adolescente/Juventude; População de Rua; Dependentes Químicos; Educação/Estado Laico; Preocupações com a periferia; Revitalização do centro; Mobilidade urbana; Violência

A regra do debate está amparada na pesquisa Ibope de 21 de junho, porém pesquisa recente, de 23 de agosto, mostra que os cinco primeiros candidatos escolhidos para o colóquio continuam liderando a corrida eleitoral. Lidera as intenções de voto o candidato Celso Russomanno (PRB), com 33%, Marta Suplicy (PMDB) permanece em segundo, com 17%. Empatados em terceiro lugar estão Luiza Erundina (PSOL), Fernando Haddad (PT) e João Doria (PSDB), todos com 9%.

urbana/mortalidade juvenil negra; Regularização das áreas urbanas/templos; Criação e gestão de áreas verdes. As perguntas serão compostas por duas partes. A primeira é uma afirmação sobre o que a Igreja vem realizando no tema tratado. Na segunda parte, a pergunta propriamente dita. Após a resposta, outro candidato terá a oportunidade de comentar o que foi colocado, uma réplica, também respondendo à questão. Terminada a fala do segundo candidato, o primeiro terá ainda um tempo para concluir a sua fala, tréplica. Cada pergunta será feita com o tempo máximo de 1 minuto e 30 segundos. Será sorteado na hora o tema a que cada candidato deverá responder. O primeiro candidato terá como tempo máximo para resposta 2 minutos e 30 segundos. O segundo candidato terá como tempo para o seu comentário 1 minuto e 30 segundos. No final, o primeiro candidato ainda terá o tempo máximo de 1 minuto para concluir a sua fala. Cada candidato terá no máximo 2 minutos para fazer suas considerações finais.


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| Política | 11

Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

CNBB conclama população a defender Lei da Ficha Limpa Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu, no dia 17, que somente a rejeição proveniente da Câmara de Vereadores das contas de gastos de uma prefeitura, incluindo as situações em que o prefeito em primeira pessoa atua como ordenador de gastos, pode torná-lo inelegível. Portanto, mesmo que o Tribunal de Contas do Município dê parecer pela rejeição das contas, os prefeitos podem se candidatar. A Lei da Ficha Limpa determinou que ficariam inelegíveis candidatos que tiveram contas rejeitadas “pelo órgão competente”. A dúvida se dava em relação a qual órgão caberia tal decisão: se somente a um tribunal

de contas ou a câmara municipal. Segundo alguns dados, a decisão do STF favoreceu mais de 6 mil prefeitos e ex-prefeitos, que, mesmo com os gastos reprovados pelo Tribunal de Contas, não foram enquadrados na Lei da Ficha Limpa e, portanto, estão liberados para se candidatar. A Lei da Ficha Limpa, aprovada em 2010, é uma lei de iniciativa popular, fruto do trabalho de diversas entidades, entre as quais a CNBB. No dia 24, a conferência que reúne os bispos católicos do Brasil, por meio de seu Conselho Episcopal Pastoral (Consep), emitiu uma nota protestando contra a decisão do STF.

No texto, os bispos rejeitam toda e qualquer tentativa de desqualificar a lei, que “é resultado da mobilização popular e que expressa a consciência da população de que na política não há lugar para corruptos”. “Conclamamos a população, legítima autora da Lei da Ficha Limpa, a defendê-la de toda iniciativa que vise ao seu esvaziamento. Urge não dar trégua ao combate à corrupção eleitoral e a tudo que leve ao desencanto com a política, cujo objetivo é a justiça e o bem comum, construído pacífica e eticamente”. A nota afirma, ainda, que a conferência recebeu com “perplexidade a decisão do STF, que reconhece a exclusividade das Câmaras Municipais para julgar as contas dos prefeitos em detrimento da competência dos Tribunais de Contas. Na prática, isso significa o fim da inelegibilidade dos executivos municipais, mesmo que tenham suas contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas. Trata-se de um duro golpe contra a Lei da Ficha Limpa, o qual favorecerá o fisiologismo político e a corrupção, considerando o poder de barganha que pode haver entre o executivo e o legislativo municipais”. Além da CNBB, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) se manifestou por meio de nota e afirmou que “o ponto mais importante do debate é o relativo à permissão para que vereadores sejam os responsáveis por julgar as contas de prefeitos que usurparam a função de ordenadores de despesas. O regime de julgamento das contas previsto na Constituição expressamente estipula que cabe aos tribunais de contas julgarem as contas dos que movimentam verbas públicas, sem excluir os chefes do Executivo”. Leia a íntegra da nota abaixo:

NOTA DA CNBB EM DEFESA DA LEI DA FICHA LIMPA O Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, nos dias 23 e 24 de agosto, vem reafirmar a importância da Lei 135/2010, a Lei da Ficha Limpa, rejeitando toda e qualquer tentativa de desqualificá-la. Resultado da mobilização popular que coletou 1,6 milhão de assinaturas, a Lei da Ficha Limpa expressa a consciência da população de que, na política, não há lugar para corruptos. Tendo sua constitucionalidade confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que, em 2012, votou favoravelmente pelas Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADC 29 e 30), a

Dom Sergio da Rocha Arcebispo de Brasília-DF Presidente da CNBB

Lei da Ficha Limpa insere-se no rol das leis mais importantes no combate à corrupção eleitoral e na moralização da política. Respaldada por grandes juristas e aprovada pelo Congresso Nacional, ela atesta a sobriedade de quem a propôs, de forma que atacá-la ou menosprezá-la é enfraquecer a vontade popular de lutar contra a corrupção. Recebemos com perplexidade a decisão do STF que reconhece a exclusividade das Câmaras Municipais para julgar as contas dos prefeitos em detrimento da competência dos Tribunais de Contas. Na prática, isso significa o fim da inelegibilidade dos executivos municipais mesmo que te-

Dom Murilo S. R. Krieger

Arcebispo de S. Salvador da Bahia-BA Vice-Presidente da CNBB

nham suas contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas. Trata-se de um duro golpe contra a Lei da Ficha Limpa, o qual favorecerá o fisiologismo político e a corrupção, considerando o poder de barganha que pode haver entre o executivo e o legislativo municipais. Conclamamos a população, legítima autora da Lei da Ficha Limpa, a defendê-la de toda iniciativa que vise ao seu esvaziamento. Urge não dar trégua ao combate à corrupção eleitoral e a tudo que leve ao desencanto com a política, cujo objetivo é a justiça e o bem comum, construído pacífica e eticamente. Brasília, 24 de agosto de 2016.

Dom Leonardo Ulrich Steiner Bispo Auxiliar de Brasília-DF Secretário-Geral da CNBB

Impeachment

Após nove meses da admissibilidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff, o Senado deve definir na quarta-feira, 31, o destino da presidente afastada. A sessão de julgamento foi iniciada na quinta-feira, 25, conduzida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. Um dos pontos altos do julgamento foi a presença, na segunda-feira, 29, da Presidente Dilma Rousseff, que discursou por 46 minutos e depois respondeu a perguntas de 48 dos 81 senadores. A sessão durou quase 13 horas.

Obras do monotrilho

O Metrô de São Paulo contratou um novo consórcio para tocar as obras do monotrilho que vai ligar o aeroporto de Congonhas à marginal Pinheiros e que estavam paradas pelo menos desde janeiro. Trata-se da construção de um pátio de manobras na avenida Jornalista Roberto Marinho, nas proximidades da avenida Washington Luís, e que é essencial para que a linha possa funcionar. As responsáveis pela obra serão as construtoras Tiisa, Triunfo e DP Barros, que receberão R$ 162 milhões para realizá-la. O Metrô prevê emitir a ordem de serviço ainda nesta semana. Com isso, o consórcio terá um prazo de até 30 dias para começar os trabalhos. O contrato tem vigência de 24 meses.

É proibido fumar

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou um projeto de lei que proíbe as pessoas de fumarem em parques, praças e demais locais ao ar livre destinados à prática de esportes e de lazer na capital. A proposta, de autoria do vereador Ricardo Teixeira (PROS), foi aprovada em segunda votação no dia 24 e precisa ser sancionada e regulamentada pelo prefeito Fernando Haddad (PT) para entrar em vigor. Pela medida, quem for flagrado fumando em um parque ou praça pública da capital poderá pagar multa de R$ 1.014,92. Em caso de reincidência, a multa dobrará.

Máfia da Merenda

Ex-presidente da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) e suspeito de chefiar a chamada Máfia da Merenda, Cássio Chebabi disse no dia 24, que não iria depor na CPI da Merenda da Assembleia Legislativa de São Paulo por ter fechado acordo de delação premiada com o Ministério Público em janeiro deste ano, o que o impede de falar.

Eduardo Cunha

O deputado federal Pedro Chaves (PMDBGO) foi o primeiro parlamentar a prestar depoimento na terça-feira, 30, como testemunha de defesa de Eduardo Cunha (PMDBRJ) no Supremo Tribunal Federal (STF). Na ação penal aberta em março, o ex-presidente da Câmara é suspeito de receber ao menos R$ 5 milhões em propina, dinheiro que teria como origem um contrato de compra de sondas pela Petrobras. Fonte: Folha de SP, G1, Congresso em Foco, EBC


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Fotos: ANSA-Vigili Del Fuoco - Agencia Sir

A história do drama do terremoto na Itália e da ajuda que chegou de todos os lugares para quem perdeu tudo Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

O mundo todo treme quando, em algum lugar, a terra já não é tão firme quanto parece. O terremoto que aconteceu na região central da Itália e teve seu ápice na madrugada de 24 de agosto suscita perguntas sobre o quão frágil somos nós, seres humanos, diante do universo. Amatrice, a cidade mais atingida pelos sucessivos abalos sísmicos, está totalmente destruída. Abruzzo, Umbria, Marche e Lazio, regiões da Itália onde o tremor foi sentido, não serão mais as mesmas. Às 3h56 e às 4h55 foram registrados tremores de magnitude 4.4 e 3.5, respectivamente, no entorno da cidade de Rieti, que fica na região do Lazio, a mesma da cidade de Roma. Foram segundos suficientes para derrubar paredes históricas e, muito mais que isso, marcar a vida de quem viu os escombros destruindo o quarto, a cozinha, as ruas, deixando cinza a história. Ao todo, foram aproximadamente 1.490 tremores que superaram a magnitude de 2.0 desde o dia 24. O mais forte aconteceu próximo às cidades de Accumoli e Pescara del Tronto, atingindo a magnitude de 6.0. Já em Norcia, cidade em que nasceu São Bento, fundador da Ordem Beneditina, o terremoto alcançou a intensidade de 5.4. O total de mortos chegou a 291, além dos 400 feridos. Dessas mortes, 229 ocorreram em Amatrice, 11 em Accumoli e 50 em Arquata e Pescara del Tronto. Para muitos italianos, a tragédia de agosto de 2016 fez com que voltassem ao tempo e recordassem dramas já conhecidos, como o terremoto de 1976, em Friuli, ou aquele de 1980, no centrosul do país. Na mídia italiana, jornais e programas televisivos cobram das autoridades que se preparem para que eventos como este não interrompam abruptamente a vida e para que haja medidas preventivas, como a reestruturação das construções antigas e abrigos coletivos seguros. Em Amatrice, a cidade de pedra que abriga uma torre do século XII, símbolo da liberdade cívica, muitos edifícios góticos históricos viraram ruínas. Pesar também pelas obras do pintor que carrega a cidade em seu nome: Cola dell’Amatrice, amigo de Raffaello.

Ajudar agora e depois

Manolo Macri é um jovem casado com Barbara Malaspina, pais de Gea e Grace. Eles moram em Roma e Manolo participa da Pastoral da Juventude da paróquia próxima a sua casa. Assim que soube do terremoto, foi como voluntário ajudar as vítimas e levar água e fruta para aqueles que sobreviveram ao terremoto e estão ali em abrigos provisórios. “Desde as 14h, estou em Amatrice, junto a um pequeno grupo de jornalistas e alguns companheiros de Roma. Viemos trazer um pouco de água e

frutas. A situação é terrível. Um amigo meu perdeu a casa e muitos entes queridos. Neste momento, continuam a buscar os corpos, provavelmente sem vida e também crianças. A cidade está totalmente destruída, totalmente...”, disse em um grupo de WhatsApp do qual faz parte. No sábado seguinte, 27, Barbara e Manolo pensaram em voltar à cidade e levar folhas de papel, tinta e lápis de cor para as crianças, mas a orientação era para que as pessoas não se locomovessem para os lugares acometidos pelo terremoto, pois são cidades muito pequenas e, além do tumulto, os tremores continuavam. Os habitantes foram bem assistidos e receberam doações de diferentes regiões do país. O que faltava, segundo informações dos grupos de voluntários, eram itens como absorventes para as mulheres, fraldas para as crianças e os idosos, creme de barbear e lenços umedecidos. Coisas banais, mas que as pessoas têm vergonha de pedir. “Dois dias após o terremoto, já havia cem ambulâncias na entrada da cidade de Amatrice e mais de 30 escavadeiras”, contou Manolo à reportagem de O SÃO PAULO. De fato, as cidades atingidas receberam ajuda de toda a Itália. Centros de doação estavam em toda a cidade de Roma, e os itens eram recolhidos e enviados aos necessitados. Manolo e seus amigos estão trabalhando na construção de moradias de emergência para as famílias, que são casas pré-fabricadas e podem durar por anos, até que consigam reconstruir as casas destruídas pelo terremoto.

A carta de Annalisa e o bilhete de Andrea

A carta de Annalisa, uma menina de 7 anos que ficou órfã de pai e mãe na tragédia italiana, comoveu o mundo pela sinceridade e fé. Socorrida por voluntários da instituição Save the Children, ela foi ajudada para conseguir elaborar o luto e escreveu uma carta tocante. “Querido Jesus, já que está com meus pais, poderia cumprimentar mamãe e papai? Sem eles, me sinto muito sozinha. Aqui, minhas novas professoras me disseram que agora meus pais estão com você. Por favor, cuide bem deles e dê um abraço meu à mamãe e diga a ela que quero revê-la logo. Aqui, tudo está destruído, também meu quarto com os brinquedos, onde tinha o forte que papai havia construído, o mesmo que ele havia dito que era indestrutível. Por favor, Jesus, se puder, poderia reconstruir a nossa casa? Assim, poderemos voltar a viver como antes. E, por favor, diga à mamãe e ao papai que os espero, que estou cansada de ficar com as professoras, ainda que elas me tratem bem e gostem de mim.” E o mundo todo soube do abraço da


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ANSA-Vigili Del Fuoco - Agencia Sir

Uma Igreja solidária

O chão firme da solidariedade pequena Giulia, de 9 anos, que salvou a vida da sua irmã de apenas 4 anos, Giorgia, que graças a ela está viva. Elas moram em Pescara del Tronto. Giorgia foi encontrada embaixo dos escombros, deitada sobre a irmã. Andrea, que provavelmente foi o socorrista das duas, deixou sobre o caixão de Giulia, no dia do funeral, um bilhetinho, no qual expressava sua dor por não ter chegado a tempo de salvar a vida das duas. “Olá pequena, eu só dei uma mão para tirar você daquela prisão de escombros, desculpe por ter chegado tarde. Infelizmente, você não respirava mais, mas quero que saiba que fizemos todo o possível para lhe tirar dali. Quando voltar à minha casa, em Aquila, saberei que tenho um anjo que olha por mim do céu e à noite será uma estrela luminosa. Tchau, Giulia, mesmo que não tenhamos nos conhecido, saiba que te quero bem.” A família busca conhecer Andrea para agradecêlo, mas ele não colocou nada mais além do seu nome no fim do bilhete.

Celebrar a Esperança

A porta da Igreja de São Francisco, em Amatrice, e o campanário permaneceram de pé, e são símbolos da reconstrução que começa em cada pessoa que buscará para sempre sua própria casa. As

lembranças das histórias vivas naqueles muros e ruas passaram de geração em geração e nada será como antes para quem viveu de perto a tragédia. Luto, dor, perda e lembrança passarão a ser palavras cotidianas para essas pessoas que, com certeza, irão recomeçar. Na tv italiana Rai, uma senhora, ainda aos prantos, deu entrevista à repórter de um programa da tarde e disse que no dia seguinte ao terremoto se preparou e foi ao trabalho. O patrão disse que não poderia mais mantê-la, e ela, além de ter perdido a casa, perdeu também a única fonte de sustento da família naquele momento. Com certeza, para a maior parte das pessoas não será fácil recomeçar. Um senhor de 60 anos que trabalhou toda a vida para ter uma casa chorava desolado e buscava entre os escombros aquilo que era possível recuperar. A vida de quem passou por um terremoto nunca mais será a mesma. No mesmo programa de televisão, Dom Giovanni D’Ercole, bispo de Ascoli Piceno, cidade onde aconteceu o funeral e a missa de corpo presente de muitas vítimas, disse que tentaria responder a uma pergunta para a qual, na verdade, não há respostas: “Por quê?” E ele o fez falando da esperança.

“Por que devia chegar a morte durante a noite para tirar a vida? Por que infringir esta ferida brutal aos homens e à Terra? Estamos num tempo de guerra porque o terremoto é uma guerra, a natureza que não perdoa. Eis por que é sábio aprender a dialogar com a natureza e não provocá-la indevidamente. Conteivos a angústia dessas pessoas que perderam tudo, que foram arrancadas de suas famílias, e me perguntei: ‘E agora, o que farão?’ É justo que as pessoas digam ‘Senhor, mas você onde está?’ Mas, se apenas olharem para outra margem, se darão conta de algo mais profundo. O terremoto pode tirar tudo, menos uma coisa: a coragem da fé. Não tenham medo. Não vos deixaremos sozinhos. Não percam a coragem”, recomendou Dom Giovanni, durante a homilia de uma das missas. Ações e mensagens de solidariedade foram sentidas em todo o mundo. A Itália inteira se comoveu e realizou, das mais diferentes maneiras, arrecadações de fundos para as vítimas. Durante os dias 27 e 28, todos os museus da Itália direcionaram o dinheiro arrecadado nas entradas para as cidades atingidas. Enquanto isso no domingo, 28, na praça San Carlo, a mais importante de Torino, no norte da Itália, a prefeita Chiara

O Papa Francisco enviou ajuda às zonas atingidas pelo terremoto. Depois de ter enviado seis bombeiros a Amatrice, na Província de Rieti, para ajudar no socorro, enviou também seis Gendarmes do Vaticano, que, em colaboração com a Proteção Civil Italiana, estão a serviço das pessoas atingidas. Em entrevista a Luca Collodi, publicada na rádio Vaticano, Paolo de Angelis, coordenador dos Bombeiros do Vaticano, diz que não é a primeira vez que bombeiros do Vaticano colaboram com as autoridades italianas. “Fazemos de tudo para fazer sentir a proximidade do Papa Francisco às populações atingidas pelo sismo. Uma proximidade, a do Papa, que se torna concreta, não só no trabalho contínuo para salvar todas as vidas possíveis, mas também para dar apoio moral às pessoas desesperadas.” No dia 24, eles participaram do salvamento de uma criança de 3 anos. Infelizmente, ambos os pais e a irmãzinha dessa criança não sobreviveram. “Foi uma intervenção complicada que durou desde as 17h15 até as 21h40. Eram mais de 40 bombeiros empenhados ali. E isso deu-nos a força para continuar o nosso trabalho, pois a esperança nas primeiras horas de socorro é grande. Encontramos pessoas chocadas, obviamente, pessoas que choram, mães, pais, famílias desesperadas. Nesses casos, podemos fazer pouco. Manifestamos, obviamente, a nossa proximidade, procurando com a nossa presença dar um pequeno apoio moral. Nós fazemos de tudo para fazer sentir a proximidade do Papa às populações atingidas pelo terremoto”. “Espero encontrá-los para levar a cada pessoa o conforto da fé e o apoio da esperança cristã. Desejo renovar a minha proximidade espiritual com os habitantes das regiões duramente atingidas pelo terremoto dos últimos dias”, disse Francisco.

Appendino realizou uma ação com o mesmo objetivo. Do almoço ao jantar, a praça se transformou em uma única e grande mesa de solidariedade na qual se serviu o prato típico de Amatrice, o espaguete à matriciana, um molho italiano à base de tomate, bacon e queijo pecorino. E mesmo que as casas tenham desaparecido e muitos vivam a inconsolável perda de pessoas queridas, há um modo de ser e viver próprio de quem nasceu ali, naquelas pequenas cidades, que não se perderá jamais, um patrimônio imaterial que estará para sempre abrigado dentro daqueles que vão em frente, mesmo e apesar de tudo. (A jornalista escreveu direto da Itália, mas em região distante do local do terremoto)


14 | Reportagem |

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Santos inspiram Jubileu da Misericórdia na América Comunicacion y Prensa/Celam

Congresso reúne conferências episcopais do continente americano na Colômbia

Em saída pela cidade

Fernando Geronazzo e Vitor Alves Loscalzo

osaopaulo@uol.com.br

A Igreja na América celebrou o Jubileu extraordinário da Misericórdia com um congresso continental em Bogotá, na Colômbia, entre os dias 27 e 30. O evento, promovido pela Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL) e pelo Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), reuniu cardeais, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos representantes das 22 conferências episcopais da América Latina, Estados Unidos e Canadá. O tema do Congresso - “Que um vento impetuoso de santidade acompanhe o Jubileu extraordinário da Misericórdia em toda a América” - foi inspirado em uma afirmação feita pelo Papa Francisco na missa celebrada no Pontifício Colégio da América do Norte, em Roma, em maio de 2015. Na ocasião, o Pontífice evocou o testemunho dos santos e santas, que, com seus carismas, disseminaram a misericórdia no continente americano. “Contemplativas como Rosa de Lima, Mariana de Quito e Teresita de los Andes; pastores que emanavam o perfume de Cristo e o cheiro das ovelhas, como Toribio de Mogrovejo, Francisco de Laval, Rafael Guizar Valencia; humildes obreiros da vinha do Senhor, como Juan Diego e Catalina Tekakwhita; servidores dos que sofrem e dos marginalizados, como Pedro Claver, Martín de Porres, Damião de Molokai, Alberto Hurtado e Rosa Filipina Duchesne; fundadoras de comunidades consagradas ao serviço de Deus e dos mais pobres, como Madre Cabrini, Isabel Ana Seton e Catalina Drexel; missionários incansáveis, como Frei Francisco Solano, José de Anchieta, Alonso de Barzana, María Antonia de Paz e Figueroa, José Gabriel do Rosário Brochero; mártires, como Roque Gonzalez, Miguel Pro e Oscar Arnulfo Romero”, afirmou o Santo Padre na ocasião.

Misericórdia e o testemunho cristão

Entre os conferencistas estavam o Cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos e presidente da CAL; o Cardeal Rubén Salazar Gómez, arcebispo de Bogotá e presidente do Celam; e Dom Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho e a Nova Evangelização, organismo vaticano responsável pela organização do Jubileu extraordinário da Misericórdia. Na primeira conferência do Congresso, Dom Rino Fisichella abordou o tema da misericórdia na perspectiva do

parede, onde os congressistas puderam escrever os nomes das testemunhas da misericórdia dos próprios países.

Bispos da América peregrinam pelas ruas de Bogotá na celebração do Ano da Misericórdia

testemunho: “A presença ativa do crente requer estar permeada pela misericórdia com a qual se professa a fé, que o faz discípulo de Cristo; com a qual põe de manifesto o amor, que o incita a obrar; com a qual proclama a esperança, que o permite estar sempre a caminho do cumprimento da promessa”.

Regressar à fonte da Graça

O Cardeal Marc Ouellet exortou a Igreja na América a ser sacramento de misericórdia no continente. “Este jubileu continental oferece a ocasião de ‘evocar a fé de nossos pais, de retomar o valor de nossos mártires’ e a caridade dos santos que difundiram o Evangelho, coisas dignas como ‘a epopeia missionária que atravessou o continente com a chegada dos europeus, mas que decolou verdadeiramente com as aparições de Nossa Senhora de Guadalupe a São João Diego sobre a colina de Tepeyac”, disse. O presidente da CAL falou sobre a necessidade de se regressar à “fonte da Graça”, que é o Batismo. “Toda a sacramentalidade da Igreja emana do Batismo, da Eucaristia e dos outros sacramentos, com vista a um só propósito: estender a filiação divina, difundir a comunhão do Espírito do Pai e do Filho, participar da natureza divina que nada mais é do que amor e misericórdia”, afirmou. Nesse sentido, ele motivou a uma prática generosa das obras da mi-

sericórdia e afirmou que não apenas “por sermões moralizantes que somos movidos à misericórdia, mas por uma tomada de consciência teologal da nossa condição de filhos e filhas do Pai misericordioso”. O Cardeal Ouellet também fez uma menção particular às numerosas comunidades de base no continente, as quais considera “oásis de misericórdia”, “que se constroem em torno da Palavra de Deus, meditada, compartilhada e vivida”. Ele ainda exortou os leigos a se comprometerem na vida pública, como “cristãos inteligentes e íntegros”, e a não cederem “à tentação de muitos de não se misturar à política em função da corrupção que reina de modo endêmico na maior parte dos países”.

Peregrinação

O arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, relatou ao O SÃO PAULO que esse Congresso foi profundamente marcado pelo sentido de peregrinação próprio de um Ano Santo, com momentos de oração e celebrações, que envolveram bastante a população de Bogotá, como a procissão pelas ruas da cidade e a celebração penitencial na Basílica de Nossa Senhora de Lourdes, no sábado, 27. O compartilhamento de experiências da vivência do Jubileu nos diferentes países também fez parte da programação do evento. Um dos destaques foi o chamado “O Mural da Misericórdia”, uma grande

Na segunda-feira, 29, os participantes do congresso se dividiram em grupos para visitar 27 diferentes obras de misericórdia da Arquidiocese de Bogotá. De acordo com os organizadores do evento, a proposta teve o objetivo de proporcionar aos congressistas a possibilidade de “descobrir o dom da misericórdia de Deus que caminha na cidade em meio ao povo e convida a construir experiências criativas que tornem possível uma Igreja samaritana.” Os congressistas puderam conhecer obras como a Fundação do Bom Pastor – Casa Refúgio, onde um grupo de religiosas e voluntárias acolhe mulheres em situação de prostituição e lhes oferece, à luz do Evangelho, a possibilidade de reorientar seu projeto de vida a favor de sua dignidade como filhas de Deus. Outra obra visitada foi a Servidores do Servidor, na qual leigos consagrados atendem pessoas vulneráveis e menores em situação de risco, oferecendo-lhes acolhida e refeições diárias. Também conheceram o Centro Ambulatorial Medalha Milagrosa, administrado pelas Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, que atende pessoas em situação de rua ou com dependência química. O argentino Rafael Corso, da Ação Católica, relatou que foi emocionante conversar com as mulheres acolhidas na Fundação do Bom Pastor. “As palavras dessas mulheres foram muito duras quando disseram: ‘pensamos que não servimos para mais nada’. As palavras do Papa Francisco ganham uma nova dimensão quando se aplicam a casos como esses: ‘vivemos uma época na qual o ser humano é um bem de consumo, que pode ser usado e depois jogado. É a cultura do descarte”, afirmou.

Misericórdia não é uma ‘moda’

Na vídeo-mensagem enviada para a abertura do evento, Francisco recordou que “o mundo precisa de pastores que saibam tratar os outros com misericórdia, porque essa atitude pode mudar o coração das pessoas e deve ser o centro propulsor de toda ação pastoral e missionária”. O Pontífice salientou, ainda, que a misericórdia não é uma teoria que pode ser manuseada. “‘Agora é moda falar de misericórdia no Jubileu; então, vamos seguir a moda’. Não. A misericórdia é uma história composta de pecados, que deve ser recordada. Por isso, ‘Deus nos trata com misericórdia [...]. Se na nossa pastoral falta a misericórdia, tudo é vão. Na realidade, somos missionários da misericórdia. Em um mundo ferido, devemos promover, estimular e empregar a pedagogia da misericórdia”, disse. (Com informações do Celam)


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| Com a Palavra | 15

Padre Brian Kolodiejchuk

‘Fazer pequenas coisas com grande amor’ Reprodução de Internet

FILIPE DOMINGUES

Especial para O SÃO PAULO

Madre Teresa de Calcutá costuma ser vista como um modelo de caridade inatingível. Mas é exatamente o contrário disso que defende o postulador de sua causa de canonização, o padre canadense Brian Kolodiejchuk, Missionário da Caridade. Por 17 anos, tem trabalhado junto à Santa Sé no processo que relata as virtudes da Madre e os milagres realizados por sua intercessão. Em entrevista exclusiva ao O SÃO PAULO, ele argumentou que a santa dos mais pobres é também a santa das “coisas ordinárias”. Para ela, a nobreza de nossos gestos, ainda que pequenos, vem do amor com que os fazemos. “A maioria das ações de Madre Teresa é de coisas comuns, que todos nós podemos fazer”, observou. O Padre comentou as críticas à Madre, que será canonizada no domingo, 4, no Vaticano, e declarou que seus momentos de dúvida a tornam ainda mais admirável.

O SÃO PAULO – A Igreja diz que os santos são “amigos e modelos”. Que tipo de santa é Madre Teresa? Padre Brian Kolodiejchuk – Ela é uma santa não só admirável, mas também imitável. A maioria das ações que ela fez, as suas obras de misericórdia, são ações comuns, coisas ordinárias, que todos nós podemos fazer. Ela diria “fazer pequenas coisas com grande amor”, ou “fazer coisas ordinárias com amor extraordinário”. É o amor com que fazemos as coisas que lhes dá os seus valores espirituais. Isso resume as virtudes da madre? Dentro disso, ela lembra a Igreja e o mundo da presença dos pobres. Ela conscientiza. Quando ela ia receber um prêmio, dizia que o fazia “em nome dos pobres”. Também usava cada ocasião para falar de Deus. Ela tocou pessoas fora da Igreja… Isso é bastante extraordinário! Esse eco fora da Igreja talvez não tenha acontecido desde São Francisco de Assis, uma influência além da Igreja. Você pode ver nos filmes, quando alguém diz: “Quem você pensa que eu sou? Madre Teresa?” A própria cultura identifica Madre Teresa com amor e bondade. Os santos são pessoas incomuns, mas vivem dias difíceis. A Madre teve que fazer duras escolhas, fundar a sua congregação, estar entre os mais pobres, decidir entre a vida e a morte. Alguns a criticam por ela ter recebido apoio de ditadores. Como o senhor descreveria seus pontos fracos? Então, tenha cuidado. Você mencio-

nou aceitar dinheiro de pessoas de quem ela não deveria ter recebido. Se ela soubesse que o dinheiro era obtido de forma ilícita ou inadequada, ela recusava. Uma vez rejeitou uma doação de US$ 1 milhão por isso. Ela não recebeu nenhum dinheiro do [ditador François] Duvalier, do Haiti. Essa foi a crítica do jornalista Christopher Hitchens… Algumas críticas são simplesmente falsas. O fato está incorreto. Outras são de perspectiva. Quem critica Madre Teresa porque ela é contra o aborto, o que espera de uma freira católica? Outra coisa, alguns diziam: “Em Calcutá, você deveria ter construído um hospital para os pobres”, de estilo ocidental. Ela respondia: “Não, minha intenção era criar uma casa para os moribundos”, um lugar para manter pessoas que estavam morrendo, em seus últimos minutos, para que tivessem o consolo de ser amadas e cuidadas. Um homem que estava morrendo, em Kalighat, nos disse: “Eu vivi toda a minha vida na rua como um animal e agora eu estou morrendo como um anjo.” Madre Teresa não queria uma instituição grande. Essas pessoas receberam os cuidados médicos que podiam receber. E, se melhorassem, seriam enviadas para outra casa das irmãs. E os textos da Madre que mostram seus momentos de dúvida? Tivemos um capítulo sobre a “escuridão” na Positio [documento do processo de canonização sobre sua vida cristã]. Porque é um aspecto muito diferente e impressionante da sua santidade. Como o próprio Jesus no Getsêmani perdeu a sensação de presença do Pai, da mesma maneira Madre Teresa. Mas, paradoxalmente, ela viveu essa união ao não experimentá-la. É muito doloroso para uma mulher apaixonada por Jesus, que quer amá-lo mais do que Ele jamais foi ama-

do, mas sente não ser querida. Apesar disso, ela viveu uma heroica vida cristã. Para mim, é o aspecto mais heroico da sua vida. Não foi fácil ser Madre Teresa. Nós pensaríamos que, ao menos, ela experimentava uma grande consolação na união com Jesus. Porém, descobrimos que foi o contrário, e mesmo assim ela fez tudo com alegria. Pode falar sobre a relação da Madre com os Papas? Os santos são muito diferentes, mas têm três características: amor à Igreja, por meio do amor pelo Santo Padre, o amor à Eucaristia e o amor por Nossa Senhora. O amor da Madre pela Igreja foi expresso em sua fidelidade a São Pedro, ao Papa, quem quer que fosse. Ela teve contato com o Beato Paulo VI, porque recebeu dele o Prêmio João XXIII. Com São João Paulo II foi um relacionamento especial, porque ele foi eleito papa em 1978 e ela ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1979. Os anos em que ela foi mais visível são os de São João Paulo II como papa. Ela vinha a Roma, ia vê-lo, ia à missa, visitava, pedia conselhos. Como diz [o escritor] George Weigel em sua biografia de São João Paulo II, Madre Teresa pôs em prática muitos dos ensinamentos de João Paulo. O respeito pela vida, a dignidade humana, alcançar os pobres, o amor de Maria, o amor à Eucaristia. Como o senhor acha que o Papa Francisco vê Madre Teresa? Eu não acho que eles têm essa ligação pessoal. Ele diz que a encontrou uma vez num Sínodo dos Bispos. Muitas vezes ele a cita. Agora, quis essa canonização no Jubileu da Misericórdia, porque a misericórdia está em sua pregação e seu exemplo como papa. Acabei de lançar um livro sobre Madre Teresa e as 14 obras de misericórdia, corporais e espirituais. Há histórias maravilhosas sobre como ela viveu isso.

Poderia contar uma dessas histórias? Sim, há uma que eu mesmo vi. A Madre estava num aeroporto e onde quer que ela fosse havia uma comoção pública. Havia muitas pessoas ao seu redor, e uma mulher entra, alheia à situação, e parece muito triste. Na hora de ir ao portão, Madre Teresa vai até essa mulher e diz: “Olá, meu nome é Madre Teresa. Aqui está o meu cartão de visita.” E o cartão não era típico. Tinha os dizeres: “O fruto do silêncio é a oração. O fruto da oração é a fé. O fruto da fé é o amor. O fruto do amor é o serviço. O fruto do serviço é a paz.” Uma irmã que estava com a Madre viu a mulher lendo o cartão e sorrindo. Uma pequena coisa. Numa multidão, a Madre notou essa mulher triste. Qualquer um de nós pode prestar atenção em uma pessoa, dar um gesto, um sorriso, dizer uma palavra de encorajamento. Ela dizia: “Você não tem que ir a Calcutá para encontrar os pobres. Olhe à sua volta.” O segundo milagre da Madre foi no Brasil, em Santos (SP). O que aconteceu? Foi em 2008. Um amigo de Fernanda [Rocha] deu a ela uma novena de Madre Teresa e eles começaram a rezar, porque seu marido, Marcílio [Andrino], tinha uma infecção no cérebro, o que levou a múltiplos abscessos e acúmulo de água [hidrocefalia]. Eles rezavam para Madre Teresa e, em 9 de dezembro de 2008, por volta de 2 da manhã, Marcílio sentiu muita dor por causa da pressão no cérebro. Entrou em coma. Ele estava quase morrendo. À noite, eles queriam drenar o líquido, mas não puderam. Houve alguma dificuldade técnica. Então, às 18h10, o médico foi à sala de cirurgia para se reunir com um outro, mas não o encontrou. Voltou às 18h40 e Marcílio estava acordado. E sem dor. Então, ele diz: “O que estou fazendo aqui?” Fernanda estava na casa de sua mãe, rezando, porque sabia que seu marido estava morrendo. E houve um “submilagre”, digamos assim. Eles haviam sido informados de que não poderiam ter filhos. Agora têm dois. É uma bela história. Qual é o legado de Madre Teresa? O que devemos celebrar quando pensamos nela? Todo santo tem a virtude da caridade. O trabalho para os pobres é parte do seu legado, mas também a fidelidade à sua vocação. Amar a Deus mesmo sem sentir sua presença. A experiência, muito dolorosa, de aparentemente não ter Deus. Em uma das cartas, ela diz: “O céu significa escuridão para mim.” No entanto, ela se levantava às 4 da manhã, era a primeira na capela. É uma fé heroica, irradiava alegria. Ela dizia: “Dê tudo o que Ele pedir, receba tudo o que Ele der, com um sorriso.”

As opiniões expressas na seção “Com a Palavra” são de responsabilidade do entrevistado e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do jornal O SÃO PAULO.


16 | Fé e Cultura |

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Filipe David

osaopaulo@uol.com.br

Dica de Leitura A ideia de uma sociedade cristã “Se a prática da poesia não confere obrigatoriamente sabedoria nem acumula conhecimento, ela deve ao menos treinar a mente em um hábito de valor universal: o de analisar o sentido das palavras – daquelas que usamos nós mesmos e das palavras dos outros. Ao utilizar o termo ‘ideia’ de uma sociedade cristã, não quero dizer primariamente um conceito derivado do estudo de quaisquer sociedades que possamos chamar de cristãs, mas algo que só pode ser encontrado no entendimento da finalidade à qual uma sociedade cristã deve estar ordenada para ser digna desse nome. Não limito a aplicação do termo a uma sociedade cristã aperfeiçoada na Terra; e não incluo nele as sociedades em que apenas alguma profissão de fé ou alguns vestígios de prática cristã são mantidos. Minha preocupação com a sociedade contemporânea, da mesma forma, não será com defeitos específicos, abusos

Reprodução

algo que podemos aceitar ou rejeitar, mas, se nós a aceitamos, então devemos tratar a Cristandade com muito mais respeito intelectual do que estamos acostumados; devemos tratá-la como algo que é, para o indivíduo, primeiramente, uma questão de pensamento e não de sentimento. As consequências dessa atitude são muito sérias para serem aceitas por todo mundo, porque quando a fé cristã não é apenas sentida, mas pensada, ela tem resultados práticos que podem ser inconvenientes.” (Trecho traduzido livremente do início do livro).

ou injustiças, mas com a questão: qual é – se ela existe – a ‘ideia’ da sociedade em que vivemos? Para qual finalidade ela está organizada? A ideia de uma sociedade cristã é

Ficha técnica: Autor: T. S. Eliot Páginas: 216 Editora: É Realizações

Para Refletir Da missão dos professores cristãos “A missão dos professores cristãos é hoje ao mesmo tempo mais difícil e mais simples. Ela é mais difícil porque não é mais – como era na chegada da modernidade – uma questão de mostrar que a fé é compatível com a razão ou que Deus não é o inimigo do homem, mas de salvar até mesmo a razão e o que é humano. Ela é mais simples, porque, nessa configuração pós-moderna, os professores cristãos estão menos expostos à esquizofrenia, tendo que, de um lado, testemunhar a esperança cristã e, de outro, transmitir um conhecimento: a missão e a transmissão devem se tornar cada vez mais vinculadas, porque será cada vez mais necessário crer em Deus para crer ainda no homem – e na mulher – e em seu futuro.” (Fabrice Hadjadj). (O texto integral pode ser lido em francês no site da Famille Chrétienne).


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| Esporte | 17

Olimpíada do Rio tem recordes de turistas estrangeiros e de audiência mundial Boulevard Olímpico/Estúdio Retrato

Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

Riscos de um atentado terrorista, violência urbana e zika vírus foram alguns dos perigos anunciados a quem planejava viajar ao Rio de Janeiro para acompanhar a Olimpíada realizada em agosto. Esses temores, no entanto, não impediram que a capital fluminense recebesse 1,17 milhão de turistas durante os Jogos, conforme dados divulgados na última semana pelo Governo Federal, a Prefeitura do Rio de Janeiro e o Comitê Olímpico Internacional (COI). Ao longo dos 17 dias de competições, 410 mil estrangeiros estiveram na cidade maravilhosa, número superior aos 100 mil visitantes internacionais de Londres 2012 e também maior que os 382 mil estrangeiros que estiveram nos Jogos de Pequim 2008. Líderes no ranking de medalhas nos Jogos do Rio, com 121 conquistas, os norteamericanos também foram os estrangeiros que mais estiveram na cidade, 17% do total de turistas, seguidos pelos argentinos (12%) e os alemães (7%). Entre os 760 mil turistas brasileiros que visitaram a cidade no período olímpico, a maioria foi de paulistas (43%), seguidos por gaúchos (9%) e mineiros (7%).

Turistas gastam R$ 4,1 bilhões e querem voltar

A permanência do turista estrangeiro em solo carioca foi maior que a dos brasileiros. Segundo uma pesquisa do Ministério do Turismo, enquanto os turistas nacionais ficaram, em média, 10,3 dias na

Lotação no Boulevard Olímpico, próximo ao Museu do Amanhã, mostra significativa participação de brasileiros e estrangeiros nos Jogos

cidade, quem veio de fora do País por lá permaneceu por 11,7 dias. O impacto direto foi a ocupação de 94% da rede hoteleira carioca, percentual acima da média histórica de 65% para o mês de agosto na cidade. Os estrangeiros também gastaram mais que os turistas nacionais: em média, R$ 424,62 por dia, contra R$ 310,42. No total, os turistas injetaram R$ 4,1 bilhões na economia local. Ainda segundo a pesquisa, a maioria dos que estiveram no Rio de Janeiro querem voltar: 87,7% dos estrangeiros entrevistados e 94,2% dos turistas brasileiros. E a satisfação com a estrutura montada para a Olimpíada ajuda a entender essa vontade dos turistas em retornar: 83,1% dos estrangeiros disseram que o Rio atendeu a todas as expectativas que tinham, entre os brasileiros esse percentual foi de 98,7%; a segurança foi bem avaliada por 88,4% dos visitantes internacionais e por 87,1% dos nacionais, e houve percepções positivas

quanto ao transporte público (aprovado por 86,6% dos estrangeiros e por 82,1% dos brasileiros) e os locais de competição (87,1% dos estrangeiros e 89,6% dos brasileiros).

Audiência de 5 bilhões de pessoas

O empenho dos 11.303 atletas olímpicos pôde ser acompanhado de perto por 6 milhões de espectadores que compraram ingressos para as sessões das 42 modalidades em disputa. Porém, a Olimpíada ultrapassou as arquibancadas e foi vista por mais de 5 bilhões de pessoas em todo o mundo, superando a audiência de 4 bilhões de espectadores dos Jogos de Londres 2012. No total, foram mais de 7 mil horas de cobertura em alta definição, tanto no formato de TV quanto de plataformas digitais. Segundo dados do COI, a Olimpíada Rio 2016 teve a maior cobertura digital da

história, com 218 mil horas de conteúdo, 2,5 vezes mais do que o disponibilizado em Londres 2012. Outro recorde foi registrado no site do COI (www.olympic.org), com 26 milhões de visitas durante estes Jogos, o dobro de acessos em relação à Olimpíada anterior. Nos perfis oficiais da Rio 2016 nas redes sociais foram registradas 75 bilhões de visualizações no Twitter, 916 milhões de interações no Instagram e 1,5 bilhão de interações no Facebook. Por fim, ao longo dos 17 dias de Jogos, o tráfego nas redes de telefonia móvel superou em mais de dez vezes o registrado na Copa do Mundo 2014. Foram cerca de 255TB - o equivalente a 486 milhões de fotos (considerando que uma foto tenha tamanho médio de 550KB), contra 24TB no Mundial de Futebol. (Com informações do COI, Prefeitura do Rio de Janeiro e dos ministérios da Defesa, do Turismo e das Comunicações)


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Santana

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Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

Tempo para aprofundar a missão de Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão Na manhã do sábado, 27, na Paróquia Nossa Senhora da Salette, 850 Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão (Mesac), pertencentes aos Setores Tucuruvi, Mandaqui e Santana, participaram da 8ª formação regional, em preparação para a missa na qual serão enviados para a função, que acontecerá em 16 de outubro, às 15h, no ginásio do Colégio Salesiano (rua Dom Henrique Mourão, 201, Santana). O programa de formação esteve a cargo da Pastoral da Liturgia, com assessoria dos padres Everaldo Sanches Ribeiro, coordenador regional, e Roberto Lacerda. Padre Everaldo abordou o tema “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade”, evidenciando que, apesar dos avanços verificados nas últimas décadas, os leigos e leigas ainda precisam percorrer um longo caminho no campo da identidade, da vocação, da espiritualidade e da sua missão na Igreja e no mundo, para efetivar uma Igreja “em saída”, missionária. Padre Roberto apresentou os aspectos necessários para exercer essa missão junto ao Sagrado, citando o que dizia o profeta Moisés: diante de Deus, deve-se cobrir a cabeça e tirar as sandálias. “Isso simboliza a reverência e o zelo para tratar com o Divino”, afirmou. Dom Sergio de Deus Borges, bis-

Diácono Francisco Gonçalves

Dom Sergio fala aos 850 Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão reunidos na Paróquia Nossa Senhora da Salette, no sábado, dia 27

po auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, motivou e abençoou os participantes. O Bispo lembrou aos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão que eles receberam um chamado de Deus e que por isso cada um deve ter consciência de seu papel. “Muitos aqui não têm diplomas sobre Cecilia Cardozo da Silva

Teologia, mas cada um tem um certificado que vem da escola do Evangelho, de alguém que ama Jesus e é apaixonado pela missão”, disse o Bispo, solicitando que os ministros se aprofundassem nessa escola do Evangelho. A próxima formação será no sábado, dia 17, das 8h às 12h, para os Seto-

res Medeiros e Vila Maria, na Paróquia Nossa Senhora da Candelária (praça Nossa Senhora da Candelária, 1). Para os ministros que não puderem participar aos sábados, haverá uma formação, no domingo, dia 18, das 13h às 17h, na Paróquia Sant’Ana (rua Voluntários da Pátria, 2.060). Arquivo pessoal

No domingo, 28, na Paróquia Nossa Senhora da Anunciação, em missa presidida por Dom Sergio de Deus Borges, e concelebrada pelo Padre Antônio Laureano, pároco, com a participação do Diácono Rogério Soler, 37 jovens da matriz-paroquial e da Capela São José receberam o sacramento da Confirmação. Diácono Francisco Gonçalves

Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, esteve no sábado, 27, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, do Tremembé, onde conferiu o sacramento da Confirmação a oito adultos, em missa por ele presidida e concelebrada pelo Padre Eduardo Higashi, pároco.

Os padres Eduardo Coelho, Laerte Cunha, Paulo Gil, Luiz Cesar Bombonato, Nadir Granzotto e João Luiz Miqueletti, que atuam no Setor Pastoral Tucuruvi, estiveram, nos dias 24 e 25, no Santuário Nacional de Aparecida, em peregrinação, pedindo a intercessão da Padroeira do Brasil pelos fiéis de suas paróquias.


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Peterson Prates

Colaborador de comunicação da Região

10 anos sem o Servo de Deus Dom Luciano Mendes de Almeida Acervo/Região Belém

No sábado, 27, completaram-se dez anos da páscoa de Dom Luciano Mendes de Almeida. O primeiro jesuíta brasileiro a chegar ao episcopado se destacou pelo seu testemunho junto aos mais pobres, às crianças e aos injustiçados. Para fazer memória da morte de Dom Luciano, a Região Episcopal Belém, onde ele exerceu seu ministério episcopal de 1976 a 1988, preparou, junto ao Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto (BomPar), uma missa na sexta-feira, 26, celebrada na creche que leva o nome de Dom Luciano. A celebração foi presidida pelo coordenador de Pastoral da Região, Padre Marcelo Maróstica, e concelebrada pelos padres Antonio Carlos Vanin, redentorista; Hugo de Blacam, dominicano; e Mauro Domesi, do clero arquidiocesano. O Centro de Educação Infantil (CEI) Dom Luciano Mendes de Almeida, no Jardim Sinhá, fruto do trabalho das irmãs Terezinha Bosco, Marilda Camargo e Lurdinha Toledo, foi inaugurado em 19 de agosto de 1984, com a presença de Dom Luciano. “O bairro do Sinhá e o CEI Dom Luciano são referências para toda a Pastoral do Menor, não só para o BomPar ou para a Região Belém, mas para a Pastoral do Menor Nacional. Foi neste chão que nós experimentamos os primeiros sonhos, as primeiras ideias de acreditar que era possível criar um movimento com a criança, o adolescente e a família”, relatou Marilda Lima, supervisora pedagógica do BomPar. Padre Marcelo Maróstica recordou a missa de corpo presente de Dom Luciano, em agosto de 2006. “Sentíamo-nos órfãos, porque aquele que foi o pastor, o amigo, o conselheiro, o cuidador, já não estava mais fisicamente no meio de nós.”

Acervo/Região Belém

Grazielli Lima

Deixai vir a mim as criancinhas

Na missa, crianças entraram com cartazes que recordavam as obras de misericórdia corporais - dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, dar abrigo aos peregrinos, assistir aos enfermos, visitar os presos e enterrar os mortos –, práticas que marcaram toda a vida de Dom Luciano. “Ele continua presente naqueles que lutam pela vida, naqueles que lutam pelos pequenos, naqueles que promovem a paz, naqueles que promovem a justiça”, expressou Padre Marcelo Maróstica. Uma das grandes características de Dom Luciano foi o cuidado com as crianças e adolescentes, o que motivou a Campanha da Fraternidade de 1987, com o tema “Quem acolhe o menor, a mim acolhe”. O Bispo também foi autor

Dom Luciano, de vida marcada pelo testemunho do Evangelho junto aos mais pobres, injustiçados e crianças, é recordado em missa na Região Belém, na sexta-feira, 26

de uma célebre frase: “Se você acender uma luz na vida de uma criança, essa criança será a luz da sua vida”. Ainda segundo o Padre, “celebrar estes dez anos é agradecer a Deus por termos, agora, esse Servo de Deus, e daqui algum tempo, torcemos, teremos mais um santo que vai nos ajudar na nossa missão, para que possamos, buscando a Deus, ir aos mais crucificados e amá-los como Jesus amou, amá-los como Dom

Luciano sempre nos pedia para amar, para se aproximar, para cuidar”, disse na homilia.

Rumo aos altares

Quando se completaram cinco anos da morte de Dom Luciano, em 2011, Dom Geraldo Lyrio, arcebispo de Mariana (MG), enviou ao Vaticano o pedido de abertura do processo de beatificação do colega de episcopado que o

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Belém

Acervo/Região Belém

Quem foi Dom Luciano?

Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida era de família nobre e nasceu no Rio de Janeiro em 1930. Padre jesuíta, foi nomeado bispo em 1976, pelo Papa Paulo VI, para ser vigário episcopal de Dom Paulo Evaristo Arns, na Arquidiocese de São Paulo, especificamente na Região Episcopal Belém. Dom Luciano permaneceu na Arquidiocese de São Paulo até 1988, quando foi nomeado arcebispo de Mariana (MG), onde permaneceu até a sua morte, aos 75 anos, em 2006. Se destacou pela defesa dos direitos humanos, das crianças e adolescentes e de todos os marginalizados. Foi secretário-geral da CNBB, entre 1979 e 1986, e presidente da mesma conferência dos bispos, de 1987 a 1994, fazendo parte de seu conselho permanente de 1987 até sua morte. Também integrou a Pontifícia Comissão Justiça e Paz, do Conselho Episcopal Latino-Americano, e a Comissão Episcopal para a Superação da Miséria e da Fome.

precedeu naquela Arquidiocese entre 1988 e 2006. Em 2014, a Congregação para a Causa dos Santos emitiu o “Nihil Obstat”, afirmando que não há nada que impeça o prosseguimento do processo. O vigário judicial da causa de beatificação de Dom Luciano, o Monsenhor Roberto Natali, disse que o processo “está na fase diocesana de conclusão dos depoimentos de testemunhas. Já foram ouvidas mais de 50 pessoas”. Ele afirmou que faltam poucas testemunhas para que essa fase, em que também foram ouvidos leigos, religiosas e clérigos da Região Belém, seja encerrada. O trabalho da comissão histórica, que produzirá um relatório sobre a espiritualidade e personalidade do Servo de Deus, sob a direção do jesuíta Padre Carlos Alberto Contieri, está em fase de conclusão. Monsenhor Roberto dá destaque “à vivência muito eloquente de todas as obras de misericórdia”, de modo especial a atenção à situação dos cárceres, sobre a qual Dom Luciano se atentou desde a juventude, em Roma, e também as visitas aos hospitais, durante as madrugadas. Essa fase diocesana do processo, para atestar as virtudes do Servo de Deus, deve terminar ainda este ano, quando, se aprovado, deve ser iniciada a fase romana.


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Brasilândia Religiosas dialogam com crismandos sobre a vida consagrada

Juçara Terezinha Zottis e Jennifer Silva Colaboradoras de comunicação da Região

Jennifer Silva

Religiosas das Filhas de São Camilo falam a crismandos da Paróquia Imaculado Coração de Maria, dia 28

“Eis-me aqui Senhor.” Foi o que afirmaram os quase 120 crismandos da Paróquia Imaculado Coração de Maria, que participaram de um encontro vocacional paroquial no domingo, 28, na Escola Estadual Flamínio Favero, na zona Norte. A proposta foi mostrar aos jovens os diferentes carismas presentes nas comunidades. Estavam representadas as congregações religiosas das Irmãs de Santo André, Filhas de São Camilo, Irmãs Santa Lúcia Filipini, Religiosos de São Vicente de Paulo, além da vocação juvenil protagonizada pelo grupo de jovens Jupra, que significa: juventude praticando o amor. Os vocacionados e vocacionadas falaram aos grupos, testemunharam suas vidas e despertaram

em todos a curiosidade de descoberta de suas vocações. “Eu não me achava digna de ser uma religiosa, nem sabia o que era isso. Quando criança, dizia à minha mãe que queria ser padre e ela dizia que uma mulher deveria ser freira. Meus irmãos falavam que em vez de ir para o convento, eu iria para o hospício, pois deveria estar louca. Nós fazemos um juramento de cuidar do outro. Um gesto é mais gratificante do que palavras”, contou a Irmã Patrícia Rodrigues, da Congregação das Filhas de São Camilo. A atividade foi encerrada com missa, presidida pelo Padre JeanLuc Luki Musulu, SV, vigário da Paróquia Imaculado Coração de Maria.

Gestão do SUS é tema de debate das pastorais sociais Reunidos na Paróquia Santa Cruz de Itaberaba, na quinta-feira, 25, os integrantes das pastorais sociais da Região Brasilândia realizaram um debate sobre a saúde pública e o Sistema Único de Saúde (SUS), com assessoria do médico Nelson Bendique, sanita-

rista e professor de Medicina da USP. O médico fez memória da história da criação do SUS (lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990), destacando ser uma conquista que assume e consagra os princípios da universalidade, equidade e integralidade da atenção à saúde

da população brasileira, o que implica conceber um “sistema de saúde” capaz de garantir o acesso universal da população a bens e serviços que garantam sua saúde e bem-estar, de forma equitativa e integral. O palestrante ressaltou ser im-

portante assegurar os princípios de descentralização, regionalização, hierarquização e a participação social do SUS, e fez críticas à atual gestão da saúde por parte do Governo Federal, que, em seu entender, é benéfica aos planos de saúde.

Ernesto Dias Souza

Ricardo Luciano Souza

No domingo, 28, em missa na Paróquia Santa Rita de Cássia, no Setor Pastoral Nova Esperança, o Padre Jaime Estevão Gomes, pároco, abençoou as catequistas da comunidade paroquial, juntamente com as crianças que participam da Catequese.

No sábado, 27, aconteceu a peregrinação do Setor Jaraguá à Porta Santa da Igreja Nossa Senhora da Expectação. Os peregrinos participaram da missa presidida por Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia.

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Ipiranga Dom José Roberto pede a catequistas que usem os dons para evangelizar José Eduardo e Caroline Dupim

Colaboradores de comunicação da Região

No sábado, 27, véspera do Dia do Catequista, os integrantes dos grupos de Catequese paroquiais da Região Ipiranga reuniram-se na Paróquia Santo Afonso Maria de Ligório, no Setor Pastoral Cursino, para um encontro de espiritualidade com Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga. Dom José Roberto conduziu a atividade falando sobre o coração de Jesus, que é fonte de Misericórdia. “O coração simboliza o amor de Deus pela humanidade. E Deus nos olha com um olhar amoroso e de Misericórdia para cada um de nós, e nos chama à existência. Somos o sonho de Deus. Não façamos desse sonho um pesadelo, não estraguemos nossas vidas. Vamos viver bem e usar nossos dons a serviço da evangelização”, afirmou. O Bispo ressaltou, ainda, que todos devem ter uma intimidade profunda com Deus, um amigo querido com quem é possível, por meio da oração,

Caroline Dupim

Dom José Roberto Fortes Palau durante encontro com catequistas da Região Ipiranga na Paróquia Santo Afonso Maria de Ligório, no sábado, 27

partilhar segredos, felicidades e angústias. “Devemos ser sinceros em nossas orações, somente assim poderemos ser capazes de compreender o que é o amor de Deus. A pessoa que reza se torna capaz de compreender o carinho e a terLuciney Martins/O SÃO PAULO

Com a ferramenta da audiodescrição, pessoas com deficiência acompanham detalhes das missas

nura de Deus para com cada um de nós”, comentou. Padre José Lino Mota Freire, assessor regional da Pastoral Bíblico-Catequética, afirmou que a Pastoral tem promovido encontros mensais com os catequistas

para desenvolver um laço de interação entre as paróquias dos cinco setores pastorais da Região. A atividade do sábado foi concluída com um almoço de confraternização entre os catequistas.

Audiodescrição: uma ferramenta para inclusão de todos na vida da Igreja Com o objetivo de capacitar leigos para auxiliar as pessoas com deficiência visual nas missas, celebrações litúrgicas e eventos católicos, está sendo realizado na Paróquia Nossa Senhora da Saúde, no Setor Pastoral Vila Mariana, um curso de audiodescrição. A meta da formação é proporcionar, sem exclusividade ou discriminação, a verdadeira inclusão social, também podendo ser vivenciada pelas pessoas com deficiência intelectual e por aquelas que enxergam. Ao longo do curso, intérpretes da

Língua Brasileira de Sinais (Libras), cadeirantes, deficientes auditivos e visuais dão exemplos práticos de acessibilidade. Também há o relato de estudantes de engenharia elétrico-eletrônica que estão desenvolvendo um dispositivo para melhorar a transmissão dos dados nas celebrações, reduzindo, assim, as interferências no ambiente. A Pastoral da Pessoa com Deficiência convida os interessados a fazer parte da equipe de audiodescritores. Outras informações pelo e-mail pastoral.pcd.sp@ gmail.com.

REDAÇÃO

osaopaulo@uol.com.br

Imagem peregrina de Nossa Senhora é levada ao Bom Retiro Os fiéis da Paróquia Santo Eduardo, localizada na rua dos Italianos, no bairro do Bom Retiro, acolheram a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, entre os dias 5 e 7 de agosto. Por conta disso, o Padre José Enes de Jesus, pároco, juntamente com toda a comunidade, organizou uma programação especial para os três dias, incluindo celebrações, oração do Terço, vigília e procissão. No dia 7, a imagem da Padroeira do Brasil foi levada em procissão à igreja-matriz da Paróquia Pessoal Co-

reana São Kim Degun, situada na rua Nair Teffé, também no Bom Retiro. A imagem de Nossa Senhora foi recepcionada por um coral, antes da missa de acolhida. Por conta das comemorações dos 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida, no rio Paraíba do Sul, em 1717, réplicas oficiais oferecidas pelo Santuário Nacional de Aparecida estão peregrinando por todas as paróquias da Arquidiocese de São Paulo, uma em cada região episcopal. (Com informações da Paróquia Santo Eduardo)

Facebook da Paroquia Santo Eduardo

Fiéis da Paróquia Santo Eduardo em procissão com a imagem de Nossa Senhora Aparecida


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Lapa Irmãs Mercedárias há 90 anos promovem a caridade no Brasil

Benigno Naveira e Paulo Ramicelli Colaboradores de comunicação da Região

No Ano Santo extraordinário da Misericórdia e no mês das vocações, a Congregação de Irmãs Mercedárias da Caridade, fundada pelo Padre João Nepomuceno Zegri, em 16 de março de 1878, em Málaga, na Espanha, completa 90 anos de atuação no Brasil. Na Região Lapa está instalado, desde 1956, o Lar Nossa Senhora das Mercês, no Setor Pastoral Leopoldina, uma casa de assistência a senhoras idosas, onde o serviço das irmãs e dos profissionais visa uma melhor qualidade de vida possível para as residentes. Conforme disse à Pastoral da Comunicação da Região Lapa a Irmã Maria José Rodrigues, o Lar conta com o serviço de enfermagem e suporte médico não hospitalar. Em virtude das reformas que estão sendo realizadas na casa, hoje o número de residentes pagantes é de 22 senhoras e também são atendidas as irmãs idosas Amalia Moyano, Josefa Sueiras, Clara de Oliveira, Maria José Sales, Pilar Lopes,

mercedarias.org.br

Irmãs Mercedárias da Caridade durante missa comemorativa em sua sede na Região Lapa, pelos 90 anos de atuação da Congregação no Brasil

Dolores Checa, Ivanilda Marinho, Imaculada Storero, Anunciação Echalar e Eva da Paixão. Irmã Amalia Moyano recordou que o “carisma da Congregação é um ser-

viço de caridade redentora em todas as suas formas, visando a plena libertação do ser humano”, e acrescentou que a Congregação comemora 90 anos de atividades no Brasil, sendo hoje formada

por 11 comunidades. Também segundo a Irmã, inicialmente vieram as missionárias espanholas e a primeira irmã mercedária brasileira foi Mercedes de Almeida.

11 leigos concluem curso de Teologia oferecido pela Região Angela Santos

Dom Julio Akamine em foto com formandos do Curso de Teologia para Agentes de Pastoral

Na noite do domingo, 28, em missa presidida por Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese na Re-

gião Lapa, na Paróquia Nossa Senhora da Lapa, foi realizada a formatura de 11 alunos do Curso de Teologia para Agen-

tes de Pastoral (CTAP), após quatro anos e meio de estudos. Dom Julio, no início da missa, saudou os formandos e agradeceu a Deus a vida de todos os que terminaram os estudos teológicos e de aprofundamento da fé. Ele insistiu com os teólogos sobre a responsabilidade missionária que o conhecimento adquirido lhes traz e que este precisa ser colocado a serviço da felicidade humana e do bem comum. Maria Conceição Marques, uma das formandas, manifestou à Pastoral da Comunicação regional sua alegria e contentamento por concluir o curso e disse ser o começo de um novo olhar sobre a religião e a própria fé. Outro formando, José Francisco da Silva Graff, agradeceu

o empenho dos professores e destacou que o curso foi uma oportunidade para aprofundar a fé. O CTAP é coordenado por Dom Julio, Dom Fernando Penteado, Carmen Cecília de Souza Amaral, José Pavanelli Galbe, Maria Angela Palma Ribeiro e Rosa dos Santos Ramicelli. Além de Maria Conceição e José Francisco, formaram-se Derci Moscom, Eliana Maria Pereira Flammia, Joaninha Patinkas Meloncelli, Maria Cristina Biscioni, Marines Thereza Bonomo, Marlene Chiari Duarte, Nina Dias Oliveira, Soely Silva e Vera Lúcia de Pascale. Também foi homenageada a aluna Marisa Aparecida Coutinho, que faleceu durante o curso.

Mostra Cultural 2016: misericórdia, Casa Comum e arte Integrantes de paróquias, escolas, pastorais, movimentos e associações participaram, em 20 de agosto, da Mostra Cultural 2016, que em sua décima edição, teve como tema “Educando para a Fraternidade”. Na atividade realizada no Colégio Santa Cruz, mais de 500 pessoas visualizaram as produções criadas como resposta concreta à Campanha da Fraternidade (CF) deste ano, cuja temática foi “Casa Comum, nossa responsabilidade”. A Mostra contou com apresentações teatrais e musicais, esculturas, desenhos e pinturas, além de histórias, artesanatos e outras experiências. Para Estrela Soares, educadora no

Faceboock Pascom Lapa

Dom Julio Endi Akamine junto aos participantes da 10ª Mostra Cultural da Região Lapa

CCA Santa Cruz, cada Mostra Cultural é um desafio. “Neste ano, apresentamos uma paródia da música ‘História de uma gata’, do espetáculo Saltimbancos,

na qual provocamos todos a repensar o saneamento básico, maior foco da CF 2016”, comentou. A história de São João Gualberto foi

retratada pelos jovens da paróquia a ele dedicada, no Setor Pirituba. “Ele é um grande exemplo de misericórdia”, ressaltou o Padre Geraldo Raimundo Pereira, assessor regional da Campanha da Fraternidade. Participante do evento, Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa, ressaltou que a atividade ajudou na conscientização de hábitos em favor da Casa Comum. O encerramento foi marcado pela entrega de certificados e troféus aos participantes e pela oração da Semana Nacional da Família, celebrada de 14 a 21 de agosto.


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Medalha São Paulo Apóstolo

Obras de misericórdia presentes na atuação dos contemplados Edcarlos Bispo

edbsant@gmail.com

Na quinta-feira, dia 1º, às 20h, no auditório do Mosteiro São Bento, acontece a entrega da Medalha São Paulo Apóstolo. Membro da comissão que escolheu os contemplados, o Padre Tarcísio Marques Mesquita, coordenador arquidiocesano de pastoral, explicou que os escolhidos têm forte relação com o Jubileu extraordinário da Misericórdia e com as prioridades pastorais da Igreja, como, por exemplo, a promoção da família. Padre Gianpietro Carraro foi um dos homenageados com a medalha no quesito Inovação na Metodologia Pastoral. O

Sacerdote de origem italiana é o fundador da Missão Belém, comunidade católica criada com o fim de acolher, evangelizar e reintegrar moradores em situação de rua e dependentes químicos. Ana Maria Alexandre e Luiz Carlos Pietro Alexandre foram contemplados na categoria Testemunho Laical. O casal atua na Casa de Oração do Povo de Rua do Vicariato Episcopal para a Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese. Segundo o Padre Tarcísio, a escolha põe em evidência a importância dos casais na vida da Igreja. Já o contemplado na categoria Serviço Sacerdotal, Cônego Celso Pedro da Silva, articulista do O SÃO PAULO, é

professor de Sagrada Escritura e formou uma boa parte do clero arquidiocesano. Ele possui mais de 54 anos de serviço sacerdotal. “O escolhemos pelo seu testemunho, pela sua pessoa”, destacou Padre Tarcísio. Se o contemplado na categoria Defesa e Promoção da Vida e Dignidade Humana, o Padre Paolo Parise, trabalha na acolhida aos imigrantes e refugiados, pautando o poder público para criação de políticas de acolhida para essas pessoas na cidade e no país, a contemplada com a medalha pela Ação Missionária, Olga Zanela, é alguém que fez o caminho contrário: juntamente com membros da Missão Belém, deixou a cidade

de São Paulo e foi trabalhar no Haiti, em uma região de extrema pobreza e necessidade. “A cada ano, vamos dando um tom na escolha dos contemplados com a Medalha São Paulo Apóstolo, que vai acompanhando o ritmo que temos na Igreja. Estamos, por exemplo, no Ano da Misericórdia e os grandes desempenhos pastorais que temos, que envolvem as obras de misericórdia, junto aos moradores de rua, nas comunidades em defesa dos moradores de rua, mereceram de nós uma atenção especial”, afirmou o Coordenador arquidiocesano de pastoral. (Colaborou Fábio Augusto)

OS CONTEMPLADOS Testemunho Laical

Ana Maria Alexandre e Luiz Carlos Pietro Alexandre, leigos do Vicariato Episcopal para a Pastoral do Povo da Rua “Fazemos esse trabalho, pois acreditamos no melhor que podemos fazer para o próximo. Não fazemos isso para aparecer ou ganhar prêmios. Acreditamos na Igreja em saída, assim como diz o Papa Francisco, que não devemos ficar parados e temos que ir às ruas pregar o Evangelho, ajudar os necessitados. Meu marido chega a transformar seu carro em uma ambulância para acolher as pessoas em situação de rua”.

Serviço Sacerdotal

Cônego Celso Pedro da Silva, pároco da Paróquia Santa Rita de Cássia “Sou padre há 54 anos, e, para mim, receber a Medalha São Paulo Apóstolo é um reconhecimento da igreja local, da Arquidiocese e do trabalho que a gente fez, embora, no meu caso, eu fiz o que me mandaram não somente pela Igreja em São Paulo, mas pela Igreja no Brasil”.

Ação Caritativa e de Promoção Humana

Padre João Inácio Mildner, capelão do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, membro do Conselho Estadual de Saúde e assessor eclesiástico da Pastoral da Saúde “Toda a minha vida de sacerdote trabalhei na área da saúde, são mais ou menos 30 anos, mas aqui na Arquidiocese de São Paulo são 25 anos, e receber essa medalha é a Igreja reconhecer a importância do trabalho com aquelas pessoas que sofrem e, especialmente, com os doentes e o trabalho da saúde da população de São Paulo”.

Comunicação

TV Canção Nova É uma rede de televisão brasileira pertencente à comunidade católica Canção Nova, fundada em 8 de dezembro de 1989 pelo Monsenhor Jonas Abib. Promove há muitos anos a evangelização por meio de palestras, músicas e retiros espirituais. A TV Canção Nova possui, em sua sede, em Cachoeira Paulista (SP), cinco estúdios e três espaços para eventos, um deles com capacidade para aproximadamente 53 mil pessoas, além de contar com três unidades móveis de geração e produção via satélite.

Cultura

Orquestra Sinfônica Heliópolis Um dos programas do Instituto Baccarelli promove prática orquestral e conhecimento de repertório sinfônico a alunos avançados da instituição. A versatilidade do grupo permite à Sinfônica transitar pelo universo da música de concerto e da música popular, mantendo alto padrão de excelência. Assim, a Orquestra já se apresentou sob regência dos maestros Zubin Mehta, Yutaka Sado, acompanhada de Julian Rachlin, Erik Schumann, Domenico Nordio, Paula Almerares, Leonard Elschenbroich, Arnaldo Cohen, e de artistas consagrados como Ivete Sangalo, Milton Nascimento, João Bosco, Luiz Melodia, Lenine, Paula Lima, Toquinho, Fafá de Belém, Ivan Lins, entre outros.

Serviço Social

Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto Desde 1946, o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto (BomPar) desenvolve projetos sócio-educativos com o objetivo de prestar assistência a crianças e adolescentes da zona Leste de São Paulo. Atende diariamente 7.600 pessoas entre crianças, adolescentes e jovens, além de 450 adultos em situação de rua, em 60 unidades. Possui quatro núcleos de capacitação profissional em parceria com a Prefeitura de São Paulo. Todos os cursos são gratuitos, com duração de um ano, e, além de desenvolver as habilidades específicas, preocupam-se também em aprimorar as habilidades básicas em gestão e relacionamento social, preparando o jovem para ingressar no mundo do trabalho.

Inovação na Metodologia Pastoral

Padre Gianpietro Carraro, fundador da Missão Belém Atua na Missão Belém com os missionários que vão às ruas de São Paulo oferecer ajuda para pessoas vulneráveis, dependentes químicos e moradores em situação de rua. A Cracolândia é um dos principais pontos de atuação dos missionários da Missão Belém. Logo após o terremoto que devastou o Haiti deixando um saldo de cerca de 230 mil mortos (entre os quais a brasileira Dra. Zilda Arns), o Padre foi até lá com seis missionários começar um trabalho de evangelização em Porto Príncipe, capital daquele país, especificamente no bairro de Wharf Jeremie, o mais pobre e um dos mais violentos da cidade.

Educação Cristã

Irmã Carmen De Ciccio, diretora do Colégio Maria Imaculada em São Paulo “58 anos dedicados ao trabalho pela educação, mas já trabalhei também em escolas no Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e Mococa (SP). Atualmente, sou diretora do Colégio Maria Imaculada. Ao saber que fui vencedora do prêmio, fiquei muito feliz, pois foi um orgulho muito grande, agradeço muito a quem me indicou, pois realmente a gente dedicou mais de 50 anos à educação, a zelar pelo que é melhor para crianças e jovens”.

Ação Missionária

Olga Zanela, leiga consagrada e voluntária da Região Belém “Vou com o intuito de fazer o que for da vontade de Deus. Espero poder defender a vida onde for necessário, com as crianças, os jovens, as mães. Não importa. Se Deus quiser contar comigo, estou disponível. Ficarei lá até quando Deus quiser”, disse em entrevista ao O SÃO PAULO, em fevereiro de 2012, ao ser enviada em missão para o Haiti.

Defesa e Promoção da Vida e Dignidade Humana

Padre Paolo Parise, scalabriniano, vigário da Paróquia Nossa Senhora da Paz “Esta medalha é uma oportunidade de dar visibilidade a uma instituição que promove não só a defesa da dignidade humana, mas também os direitos dos migrantes ao entender sua história e identidade. Para acolhermos toda essa gente, contamos com uma equipe de 120 pessoas, entre elas funcionários, voluntários e estagiários. Isso só nos gratifica pelo trabalho feito, mas esse prêmio não é só meu, e sim de toda a equipe que nos ajuda”.

Menção Honrosa

Irmã Maria Marlene de Sousa e as Irmãs Missionárias de Nossa Senhora de Fátima, atuantes na Casa São Paulo “Receber a medalha é um motivo de honra, é muito importante, pois recebemos ação de graças pelo nosso trabalho de cuidar dos sacerdotes idosos enfermos aqui na Casa São Paulo, mas também acolhemos e auxiliamos padres jovens em período de estudos”.


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31 de agosto a 6 de setembro de 2016 | www.arquisp.org.br

O SÃO PAULO - 3117  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 60 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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