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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 61 | Edição 3116 | 24 a 30 de agosto de 2016

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Congresso Eucarístico impulsiona a evangelização na Amazônia A capital do Pará recebeu meio milhão de católicos durante a 17ª edição do Congresso Eucarístico Nacional (CEN 2016), entre

os dias 15 e 21. Ao longo dos sete dias, missas, jornadas pastorais, procissões, simpósio teológico, ações de evangelização

e shows foram realizados em toda a cidade, inclusive nas ilhas que formam o arquipélago de Belém. Páginas 11 a 14 Divulgação/Catedral Metropolitana de Belém

Encontro com o Pastor ‘Celebração da Igreja’, afirma o Cardeal Odilo Pedro Scherer sobre o CEN 2016 Página 3

Editorial Em agosto, a Igreja celebra a missão dos leigos e leigas Página 2

Espiritualidade O Pai misericordioso e o legado olímpico Página 5

Com a Palavra ‘A Eucaristia é o ponto mais alto da vida da Igreja’ Página 15

Comportamento A corajosa e indispensável arte de conhecer-se Página 6

São Paulo tem 11 candidatos à prefeitura A campanha política para candidatos a prefeitos e vereadores teve início na última terça-feira, 16. Com base nas informações do Tribunal Superior Eleitoral, O SÃO PAULO apresenta os candidatos ao cargo de mandatário do poder executivo municipal. Página 22

Medalha ‘São Paulo Apóstolo’ tem escolhidos A Comissão Julgadora da Medalha “São Paulo Apóstolo”, escolheu, no dia 11, os 10 contemplados com a Medalha. Página 10


2 | Ponto de Vista |

24 a 30 de agosto de 2016 | www.arquisp.org.br

Editorial

A missão insubstituível de leigos e catequistas

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este mês de agosto, dedicado às vocações, a Igreja reconhece e celebra a missão dos leigos e leigas e, em especial, o indispensável trabalho dos e das catequistas. Para muitos que desconhecem a obra evangelizadora da Igreja, a palavra “leigo” soa como algo depreciativo, no sentido de que se trataria de alguém que não entende ou tem pouco conhecimento de determinado assunto. Mas isso não é verdade. O sentido da palavra vem do Latim “laicus”, que por sua vez deriva do grego “laikós”, e significa apenas que esses cristãos não fazem parte do clero. Desempenham, portanto, uma missão “laica”, ou seja, secular, exercendo o sacerdócio régio conferido a todos

os batizados, no âmago da sociedade. Com visão profética, o Concílio Vaticano II vislumbrava a importância do papel dos leigos, às portas do final do século XX, em meio a uma sociedade já industrializada e cada vez mais tecnológica,com realidades cada vez mais complexas. A Constituição Dogmática Lumen Gentium ressaltava que os sacerdotes, ainda que algumas vezes possam tratar de assuntos seculares, destinam-se sobretudo e expressamente ao sagrado ministério. Já os religiosos, no seu estado, dão magnífico e privilegiado testemunho de pobreza, castidade e obediência. Mas “por vocação própria, compete aos leigos procurar o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus. Vivem no mundo, isto é, em toda e

qualquer ocupação e atividade terrena, e nas condições ordinárias da vida familiar e social, com as quais é como que tecida a sua existência. São chamados por Deus para que, aí, exercendo o seu próprio ofício, guiados pelo espírito evangélico, concorram para a santificação do mundo a partir de dentro, como o fermento” (Lumen Gentium, 31). Em poucas linhas, traça-se um vasto panorama apostólico aos homens e mulheres do nosso tempo. Levar o Evangelho aonde os padres, freiras e religiosos muitas vezes não podem chegar: aos filhos, ao marido, à esposa, ao colega de trabalho. E, por que não, aos sindicatos, ao parlamento, aos governos. Os leigos e leigas são os longos braços de Cristo que podem alcançar os que estão longe

da Igreja, mas que vivem perto deles, nos mais diversos âmbitos da sociedade. A Igreja também reconhece o valor inestimável do trabalho dos e das catequistas. Por meio dessa missão, tantas crianças (e também adultos) aprendem a doce doutrina de Nosso Senhor, descobrem o sublime significado da Eucaristia e assumem de forma efetiva o apostolado cristão ao receberem o sacramento da Confirmação, a Crisma. Lembramos também daqueles que são catequistas sem se darem conta, quando, por exemplo, explicam as verdades da fé aos seus amigos e parentes. Agradecemos e parabenizamos a todos leigos, leigas e catequistas da nossa Arquidiocese, que são testemunhas vivas do Evangelho em nossa metrópole.

Opinião

O Papa e a ideologia de gênero Arte: Sergio Ricciuto Conte

Francisco Borba Ribeiro Neto No encontro com os bispos durante a JMJ, na catedral de Cracóvia, em 27 de junho, Papa Francisco fez um duro pronunciamento contra a ideologia de gênero: “Hoje às crianças – às crianças! – na escola, ensina-se isto: o sexo, cada um pode escolhê-lo [...] Isso é terrível”. Sempre que o Papa faz uma declaração desse tipo, num discurso ou num documento, de forma mais contundente ou mais contida, vemos um monte de artigos dizendo “estão vendo, ele condena a ideologia de gênero” e outro monte dizendo coisas como “não é bem assim” ou “o Papa não entendeu bem a questão”. Se a declaração fosse no sentido da acolhida aos homossexuais, também frequente nas palavras do Papa, veríamos uma coisa semelhante, só que com posições invertidas. Com isso, o leitor desavisado tem a impressão de que o Papa não tem ideias muito claras ou que joga para os dois lados. Na verdade, a posição de Francisco é bastante clara. O seu método, contudo, é estranho à nossa lógica – e por isso nos atrapalhamos. Contrapomos noções ideológicas a outras que consideramos verdadeiras, confiando que nossos argumentos mostrarão a falsidade ideológica dos que pensam diferente. No fundo, são ideias contrapostas a ideias. Umas estão mais perto da verdade que outras, mas permanecem como ideias em confronto. Já para Francisco,

as ideologias não são vencidas por ideias, mas por fatos. No caso, pelo fato da acolhida. Vejamos uma situação concreta, infelizmente cada vez mais comum em nossas escolas. O adolescente está confuso, acredita ter uma inclinação que lhe parece homoafetiva. Torna-se cada vez mais arredio e depressivo. Começa a sofrer bullying dos colegas e junta-se cada vez mais a outros outsiders como ele. Os pais, desesperados (pois são daqueles que ainda se preocupam com os filhos), vão procurar ajuda.

O orientador da escola está numa situação difícil: mesmo que conhecesse todos os aspectos do problema pessoal daquele adolescente, não poderia dar uma resposta que resolvesse imediatamente a situação. Explicações teóricas, mesmo que corretas, por si só não mudam comportamentos. As causas do problema e suas consequências podem ser muitas. Uma indicação errada pode piorar as coisas. São vários aspectos a serem considerados: a felicidade e o futuro do jovem, todo o seu contexto familiar, as relações

que se criaram no ambiente escolar, as ideologias vinculadas. É bem verdade que o Cristianismo tem uma resposta certeira para o problema: a castidade. Só que ela é muito mais que abstinência sexual. A castidade é viver toda a sua afetividade e sexualidade como dons recebidos, que não nos pertencem ainda que nos encham de alegria. A abstinência é uma decisão, mas a castidade é um caminho. Não serve como resposta pronta e esquemática. O passo que a realidade pede ao orientador de nosso exemplo é o da acolhida, incondicional e amorosa, ao jovem, à sua família, a seus amigos outsiders e mesmo aos colegas que praticaram bullying. A experiência de ser amado é o grande fator libertador, capaz de ajudar cada um a encontrar o caminho justo, a recomeçar quando tropeçar, não se deixar dominar pela ideologia. Ter as ideias no lugar certo é fundamental para que a força da acolhida não se perca na conivência, para ir encontrando o melhor caminho, um passo depois do outro. Mas a realidade da acolhida tem que ter precedência sobre as ideias, para que a própria verdade não se torne mais uma ideologia – ainda que com sinal contrário à da ideologia de gênero. Esse é o método que Francisco procura nos mostrar. Um método em que a misericórdia ilumina a realidade e submete as ideias – e não o contrário. Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Redator chefe: Daniel Gomes • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Edcarlos Bispo, Filipe David, Nayá Fernandes e Fernando Geronazzo • Institucional: Rafael Alberto e Renata Moraes • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Secretaria de Redação: Djeny Amanda • Assinaturas: Ariane Vital • Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Revisão: Maria Aparecida Ferreira • Impressão: S.A. O ESTADO DE S. PAULO • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinaturas) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail • A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

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o domingo, 21 de agosto, após a Missa na praça da basílica de nossa Senhora de Nazaré, foi encerrado o 17º Congresso Eucarístico Nacional de Belém; ato final foi uma majestosa procissão pelas ruas da cidade, até à frente da Catedral “Nossa Senhora da Graça”, junto do Forte do Presépio, onde nasceu Belém. “Aqui esta cidade volta hoje às suas origens, onde há 400 anos ela foi fundada, para renovar o seu pacto com Cristo”, proclamou Dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo de Belém. A celebração do Congresso encheu uma semana inteira, tendo no seu centro a Eucaristia. A partir do tema – “Eucaristia e partilha na Amazônia missionária” – foi realizada uma extensa programação, com celebrações diárias, na Catedral de Belém envolvendo os diversos componentes do povo de Deus: leigos e suas organizações, religiosos e demais consagrados, os sacerdotes, os diáconos e bispos. Mas também foram destacados os próprios “bens da Igreja”, que são a Palavra de Deus, a Eucaristia, a Confissão e os demais sacramentos e a missão da Igreja; houve até primeira comunhão de crianças, numa envolvente celebração no estádio. O Congresso Eucarístico, de fato, transcorreu como um verdadeiro Congresso ecle-

Congresso Eucarístico de Belém: Celebração da Igreja sial, confirmando que “a Eucaristia faz a Igreja”. Enquanto “Congresso eclesial”, em torno da Eucaristia, não podia faltar a dimensão da caridade e da misericórdia. Após uma missa na Sé de Belém presidida pelo Legado Pontifício para o Congresso, o Cardeal Dom Cláudio Hummes, com a participação dos pobres e moradores de rua, houve um almoço comunitário com eles. A partilha fraterna e a misericórdia foram sempre lembradas, como dimensões imprescindíveis da vida cristã e eclesial; houve um dia dedicado às confissões em todas as paróquias de Belém. Bispos e padres participantes do Congresso atenderam às confissões e também se confessaram. A dimensão missionária do Igreja esteve no centro do Congresso. Enquanto eram recordados os 400 anos do início da evangelização da Amazônia, foi também evidenciada a urgência da ação missionária no imenso território amazônico; a partilha eclesial e missionária de pessoas e de recursos materiais é inseparável da Eucaristia. As dioceses e prelazias da Amazônia dependem muito dessa partilha na realização de sua missão. Nos simpósios teológicos, bem frequentados, foi feita a reflexão sobre diversos aspectos da Liturgia e da vida eucarística da Igreja. Jornadas pastorais, que envolveram os participantes do Congresso nas seis Regiões Episcopais da Arquidiocese, trataram de temas como a catequese e a evangelização, a caridade,

o serviço aos doentes, a família, os jovens. Houve uma vigília eucarística em todas as paróquias. Mas na Igreja nunca falta Maria, a Mãe de Jesus e de seus discípulos. Em Belém, é muito grande a devoção a Nossa Senhora de Nazaré e a procissão do “Círio de Nazaré”, que se faz todos os anos em sua homenagem, em outubro, é um dos maiores eventos religiosos do Brasil. Maria foi recordada com “mulher eucarística”, que viveu a “comunhão” com Jesus de maneira única; ela ensina toda a Igreja a viver conforme a vontade de Deus. É também ela a primeira missionária, que mostrou e continua mostrando ao mundo o seu filho, Jesus, convidando-nos a fazer tudo o que ele ordenou. E não podiam faltar a partilha fraterna e a hospitalidade. São Paulo já recomendava a hospitalidade aos cristãos da Igreja primitiva e o povo das paróquias de Belém foi acolhedor e hospitaleiro para com os peregrinos. Belém também tem muito a mostrar para os hóspedes; além do mercado do “Ver-o-Peso”, com os produtos típicos da Amazônia, há muita história, belas igrejas e museus, com arte apreciável. O Congresso Eucarístico de Belém foi um verdadeiro Congresso eclesial, mostrando a riqueza e a diversidade da vida da Igreja e o envolvimento dos seus membros na vida das comunidades locais. Foi uma grande “semeadura”, assim como é toda obra evangelizadora da Igreja. Os frutos virão a seu tempo.

| Encontro com o Pastor | 3

Jubileu do Colégio São João Gualberto Fabiana Santos/ Colégio São João Gualberto

O Cardeal Odilo Pedro Scherer presidiu, na segunda-feira, 22, missa em ação de graças pelos 50 anos de fundação do Colégio São João Gualberto, em Pirituba. O Colégio é administrado por monges Beneditinos e foi concelebrada pelo bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa, Dom Julio Endi Akamine, pelo fundador do colégio, Dom Lourenço Russo, e o abade geral da Congregação Beneditina Valombrosana, Dom Giuseppe Cassetta.

Visita a Igarapé-açu

Durante sua viagem ao Pará para participar do 17º Congresso Eucarístico Nacional, Dom Odilo Pedro Scherer visitou dia 17, a comunidade de Igarapé-açu, onde atua o missionário da Arquidiocese de São Paulo, Padre Fabiano de Souza Pereira. O Cardeal presidiu missa concelebrada pelo bispo diocesano de Castanhal, Dom Carlos Verzeletti, e os bispos auxiliares de São Paulo Dom Eduardo Vieira dos Santos e Dom Sérgio de Deus Borges.

Tweets do Cardeal @DomOdiloScherer 20 - Domingo, 21/8, festa da Assunção de Maria nos céus. “A minh’alma engrandece o Senhor...” 19 – “É justo o Senhor em seus caminhos, é santo em toda obra que ele faz. Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca retamente”

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Arquivo pessoal

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4 | Fé e Vida |

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Liturgia e Vida 22º DOMINGO DO TEMPO COMUM 28 de agosto de 2016

O último lugar Cônego Celso Pedro Jesus aceita convites, vai à casa de todo mundo, foi até participar de uma refeição festiva na casa de um dos chefes dos fariseus. Os fariseus o observavam, e Jesus os observava. A observação era recíproca. Da parte de Jesus, ele vê o que é comum entre os seres humanos: a busca do primeiro lugar. Os convidados iam chegando e procurando o primeiro lugar. Supomos que a mesa tivesse uma cabeceira na qual se sentava o dono da casa e os primeiros lugares seriam os mais próximos da cabeceira. Jesus, então aproveita a ocasião para um dos seus ensinamentos. Ele ensina o valor do último lugar. Inicialmente a lição é estratégica. Não ocupe logo o primeiro lugar porque pode chegar algum convidado mais importante do que você e você terá que lhe ceder o seu lugar. Pode então acontecer que você tenha que se sentar no último lugar por não haver outro disponível. Ocupe logo um lugar mais abaixo para poder ser chamado a um lugar mais acima. Em vez de passar por um vexame, você será honrado pelo dono da casa. Estaria Jesus ensinando apenas uma estratégia humana? Estaria ele dando aula de etiqueta e boas maneiras a convidados de uma festa? Sim e não. Sim, porque é bom não cair no ridículo. Não, porque o ensinamento de Jesus vai mais adiante.

“Quem se eleva será humilhado, quem se humilha será elevado”, acrescenta ele. E ainda, tenha atitudes gratuitas que mostram o valor da sua personalidade. Não seja interesseiro, o que tira o brilho da sua auréola, e dos seus títulos! Coloque-se junto dos pobres, aleijados, coxos e cegos. Faça festa com eles. A festa será gratuita porque eles não têm com que retribuir. Então você será feliz e descobrirá que o lugar mais importante é aquele no qual você se senta. Você descobrirá que ser feliz não depende de títulos, aparências, vestimentas, lugares ou proximidades. A felicidade está no último lugar porque este é o lugar de Jesus. Falando de proximidade, a Carta aos Hebreus diz que nós nos aproximamos não de uma realidade exuberante e sim de Jesus, mediador da nova aliança. Na sabedoria do Eclesiástico encontramos orientações práticas: trabalhar com mansidão para ser apreciado, o humilde alcança graça diante de Deus e a ele Deus revela seus mistérios. Não há remédio para o mal do orgulhoso. Quem é inteligente reflete sobre as palavras do sábio e deseja a sabedoria. O sábio é Jesus e o inteligente somos nós. Olhamos para ele, e com ele buscamos o último lugar por ser o lugar dos últimos com os quais se identifica o Senhor, cujo poder é grande e é glorificado pelos humildes.

Você Pergunta O que faço? Minha filha vive desejando a morte das pessoas padre Cido Pereira

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A Rosinete, de Pirituba, está preocupada. A filha dela vive desejando a morte das pessoas. “O que devo fazer, Padre?” – pergunta ela. Rosinete, é hora de você ter uma conversa muito séria com sua filha. Ela precisa aprender a conviver com as pessoas, a enfrentar o desafio de respeitar o outro como ele é. Está na hora de ela deixar de pensar que é o centro do mundo, porque não é.

Sua filha não é a única a colocar-se no centro do mundo e a descartar quem não pensa do jeito dela, quem a contraria. Há muitos que fazem isso. O egoísmo, o egocentrismo faz isso com as pessoas. O que é mais triste nesta atitude, Rosinete, é que a própria vida vai cobrar de sua filha essa atitude. Por sorte, Deus não reza por essa cartilha tão triste. Quem vive desejando a morte para os outros acabará sozinho. Quanto mais cresce nela a intolerância, mais ela vai se fechando sobre si mesma.

Eu penso que você não deve desistir de sua filha. Você, como mãe, tem mesmo que conversar com ela, chamar a atenção dela. Pode até não haver maldade no que ela fala, mas a maldade está nessa atitude de intolerância porque poderá voltar-se contra ela própria. Rezemos por sua filha, Rosinete. Neste ano da Misericórdia, que Deus a faça experimentar sua misericórdia e coloque mais paciência, aceitação e ternura no coração de sua menina.

visão de Pároco da Paróquia Santo Antônio, da Região Episcopal Sant’Ana, Setor Pastoral Mandaqui, o Revmo. Pe. Geremias Gomes dos Santos, pelo

prorrogada a nomeação e provisão de Pároco da Paróquia Natividade do Senhor, da Região Episcopal Sant’Ana, Setor Pastoral Jaçanã, o Revmo. Pe. Andrés Gustavo Marengo, pelo

Atos da Cúria NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE CAPELÃO Em 15 de agosto de 2016, foi nomeado e provisionado Capelão do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, Região Episcopal Sé, o Revmo. Pe. Adiair Lopes da Silva (Padre Romano). NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE PÁROCO Em 9 de agosto de 2016, foi nomeado e provisionado Pároco da Paróquia Santa Adélia, da Região Episcopal Belém, Setor Pastoral Conquista, o Revmo. Pe. Juliano Maroso Gonçalves. PRORROGAÇÃO DA NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE PÁROCO Em 12 de agosto de 2016, foi prorrogada a nomeação e pro-

período de 3 (três) anos.

Em 12 de agosto de 2016, foi

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Espiritualidade O Pai misericordioso e o legado olímpico Dom Luiz Carlos Dias

O

Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém

Brasil viveu momentos marcantes com os XXXI Jogos Olímpicos de Verão, sediados na cidade do Rio de Janeiro, os quais permanecerão por longo tempo em nossa memória. Esta feliz constatação contrasta com os temores precedentes aos jogos, devido a incertezas com o êxito da organização, a notícias de obras inconclusas, o receio de violência, de atos terroristas e o descontentamento com gastos bilionários em contexto de crise. Mas este evento é incomparável, trouxe mais de 11 mil atletas de 205 nações e 2 delegações especiais (Atletas Olímpicos Independentes e Atletas Olímpicos Refugiados) e cerca de 350 mil visitantes, somente nas duas primeiras semanas, os quais compuseram com os brasileiros uma esfera alegre e contagiante na cidade maravilhosa. A audiência dos jogos, segundo preliminares do Comitê Olímpico, ultrapassou 3,5 bilhões de pessoas, a veiculação em dispositivos móveis e na internet disparou, somente a NBC contabilizou 2 bilhões de minutos, via streaming. Afinal, os melhores atletas concorrem

nas olimpíadas em disputas eletrizanA convivência entre os participantes tes, cativando os torcedores das Arenas nos espaços destinados à Olimpíada dee os espectadores distantes. Por isso, os monstra a possibilidade de relações resvencedores são elevados ao “Olimpo do peitosas, tolerantes e solidárias, quando esporte” e à condição de heróis nacio- as pessoas são aceitas com suas particunais. O retorno financeiro de toda esta laridades de “cultura, cor de pele ou removimentação, ultrapassa os 5 bilhões ligião”. A diversidade assim acolhida e vivida, clama pela abolição de barreiras de dólares. Um evento desta grandeza deixa e a construção de pontes para o enriquesuas marcas por todos os cantos do pla- cimento mutuo. neta, sobretudo onde foi realizado, e é Esta boa-nova dos jogos olímpicos comum ouvir em meio às notícias dos precisa ecoar mais nas sociedades do jogos, referências ao legado olímpico. que narrativas como a elaborada pelo Como compreender ou mensurar o legado de os melhores atletas concorrem nas olimpíadas em disputas uma Olimpíada? Para a cidade sede e eletrizantes, cativando os consequentemente, seu torcedores das Arenas e os país, o legado se materia- espectadores distantes. Por isso, liza na ampla exposição os vencedores são elevados ao mundial, nas edificações ‘Olimpo do esporte’ e à condição à disposição da prática de heróis nacionais esportiva, nas melhorias da mobilidade, na recuperação e revitali- nadador, visando desculpar-se dos delização de espaços urbanos, nos gastos dos tos por ele cometidos, sem responsabilituristas, no incentivo para o surgimento dades. O projeto de Deus para a humanidade implica a convivência solidária de novos ídolos esportivos etc. Não obstante o grande significado entre irmãos e irmãs. Que o testemunho dos convivas da das conquistas elencadas, o maior legado olímpico é aquele ao qual o Papa grande festa olímpica possa inspirar as Francisco fez alusão em sua mensagem sociedades a trilharem o caminho deao povo brasileiro por ocasião dos jogos: sejado pelo Pai misericordioso, e a ven“a realização de uma civilização onde cerem processos de exclusão e ressentireine a solidariedade, fundada no reco- mentos. Louvado seja Deus por suscitar nhecimento de que todos somos mem- eventos históricos que aproximam os bros de uma única família humana, in- povos, as culturas e as raças, e fortaledependente das diferenças de cultura, cem a esperança nos corações humanos cor da pele ou religião.” contra os desalentos.

| Fé e Vida | 5

Fé e Cidadania As Olimpíadas e o Brasil Padre Alfredo José Gonçalves, cs Prosseguiram de vento em popa, no Rio de Janeiro, os Jogos Olímpicos de 2016. Razoavelmente organizados, atletas e competições ganharam espaço na tela da televisão e nas páginas dos jornais, ao mesmo tempo que as medalhas foram sendo distribuídas. Um dado positivo, sem dúvida! O esporte, ao longo da história, tem sido um ingrediente social de máxima importância, no sentido de incentivar o intercâmbio de povos, culturas e valores. Desde sempre faz parte da história da humanidade. O que não vai tão bem é a “olimpíada” do projeto político e econômico da nação. Assustam as ameaças de novas privatizações, associada às ameaças de cortes na área social. Nada disso é coisa nova, diga-se de passagem. Nos bons tempos, o povo costuma receber as migalhas que caem da mesa dos que moram no andar superior da pirâmide social. Quando bate a crise, acaba pagando dobrado, seja em forma de novos impostos, seja quanto à falta e à precariedae dos serviços públicos. As duas “olimpíadas” parecem seguir camimhos distintos e paralelos. Do lado dos jogos olímpicos, segurança máxima, bem-estar das delegações e esforço inédito para que tudo corra da melhor forma possível. E é justo que seja assim! O problema é que não se vê o mesmo empenho do lado da “olimpíada” socioeconômica e política, digamos assim. Aqui os interesses e privilégios minoritários prevalecem sobre as necessidades básicas da população, em especial os setores de baixa renda. Enquanto a dívida pública sangra os cofres da nação e o bolso dos trabalhadores e enquanto o setor financeiro continua faturando alto e falando forte, crescem o desemprego e o subemprego, com todas as consequências que isso pode significar para uma família. Há dúvidas crescentes quanto ao horizonte de um projeto para a nação. Em vez disso, o que se vê são arranjos de caráter politico-partidário, na disputa pelas melhores fatias do bolo, em que a corrupção adquire um papel nada desprezível. Permanece o desafio: ao lado da Olimpíada 2016, como repensar caminhos novos para um país que dispõe de enormes recursos naturais, de uma agricultura invejável, de um parque industrial e comércio altamente desenvolvidos? Isso sem falar de um povo ativo e criativo. Nesta olimpíada estão em jogo um sistema de saúde e educação condizentes com o tamanho do Brasil (não só geográfico), reformas de base, rede ampla e decente de transportes coletivos, terra e moradia, segurança, vestuário e alimentação. Sim, uma competição desafiadora, mas o país pode e merece! As opiniões da seção “Fé e Cidadania” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do O SÃO PAULO.


6 | Viver Bem |

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Comportamento

A corajosa arte de conhecer-se Simone Fuzaro

Hoje temos um imenso privilégio: conhecemos muito sem sequer sair de casa. Temos, graças à internet, possibilidades inúmeras de saber com rapidez o que acontece nas mais diferentes partes do mundo, modos de visualizar lugares que gostaríamos de visitar, acesso a filmes, pesquisas, publicações. Nunca houve tamanho acesso a todo tipo de informação e produção científica. Com uma simples pesquisa no “Dr. Google”, todos sentem-se quase “especialistas” nos mais diversos assuntos. Tornou-se razoavelmente fácil conhecer, ao menos superficialmente, muita coisa. Estamos imersos numa enorme gama de informações desde cedo até a hora de dormir. Dificilmente estamos sós, há sempre uma companhia, mesmo que “virtual”. Cresceu proporcionalmente a dificuldade de estarmos conosco mesmos - esse sim, grande e antigo desafio. Mesmo em épocas onde a possibilidade de silêncio e introspecção era maior, poucos eram os que se dedicavam à corajosa tarefa de conhecer-se. É uma aventura das mais radicais, exige coragem de olharmos querendo enxergar, clareza de nomearmos o que estamos sentindo e humildade de percebermos que somos como a maioria: temos muitos dons e habilidades e também algumas limitações. O mais comum é percebermos com

facilidade e rapidez as habili- modo mais livre, é conhecerdades e os acertos, mas atri- mos corajosamente quem sobuindo aos outros os fracas- mos. Será que temos silêncio exsos. É comum, entre os casais, um responsabilizar o outro terno e interno suficiente para por uma atitude que teve. nos encontrarmos conosco? É De quem é a “culpa”? Per- preciso encontrar esse tempo. gunta capiciosa que quase Tempo de pensar, de nomear sempre está nas entrelinhas os sentimentos, as ações que das discussões: fiz isso por- eles nos “aconselham”, os conque você fez aquilo, sou as- selhos que seguimos, os que sim porque você é “assado”, negamos, e buscarmos comisso aconteceu porque você... E, desse modo, O mais comum é muitos passam percebermos com a vida sem olhar facilidade e rapidez as para si e perguntar “e eu”? O que habilidades e os acertos, fiz ou poderia ter mas atribuindo aos feito, por que fiz outros os fracassos. É ou deixei de fa- comum, entre os casais, um zer, como fiz e responsabilizar o outro que “mensagem” transmiti com por uma atitude que teve minha atitude, que sentimento me levou a preender com mais profunessa relação? didade como lidar conosco, Não conseguiremos me- como controlar uma determilhorar como pessoas se não nada atitude que não convém nos conhecermos. O primei- ao ambiente em que vivemos ro passo para podermos es- ou ao menos saber pedir pertabelecer relações saudáveis dão por ela. e frutuosas precisa ser para Quando nos conhecemos dentro de nós mesmos. Há um melhor aprendemos a ser universo dentro de cada ser. mais tolerantes com os outros, Agimos e reagimos a partir quando sabemos de nossas lide sentimentos, experiências mitações, aceitamos melhor de vida positivas e negativas, as dos demais e aprendemos aprendizados conscientes e in- a nos retratar e perdoar a nós conscientes, de traços de per- e aos outros. Conviver é uma sonalidade e temperamento. arte. Conhecer-nos é ter as Muitas das nossas ações e sen- mais belas cores e com elas timentos nos agradam e mui- poder criar maravilhas na arte tas, com certeza, nem tanto. do convívio. Porém, o primeiro passo para Simone Ribeiro Cabral Fuzaro podermos mudá-las, para seré fonoaudióloga e educadora mos melhores e vivermos de Blog educandonacao.com.br

Cuidar da Saúde

Hipertiroidismo Cássia Regina O hipertireoidismo é uma condição na qual a glândula tireoide é hiperativa e produz excesso de hormônios tireoidianos. Se não tratado, o hipertireoidismo pode levar a outros problemas de saúde. Alguns dos mais graves envolvem o coração (batimentos cardíacos acelerados e irregulares, insuficiência cardíaca congestiva) e os ossos (osteoporose). A função da tireoide é con-

trolada pela hipófise, uma pequena glândula localizada na base do cérebro. A hipófise produz o hormônio estimulante da tireoide (TSH), que induz a tireoide a produzir T3 e T4. É mais comum em mulheres e entre as idades de 20 a 40 anos. A doença de Graves é a causa mais comum de hipertireoidismo. Ela ocorre quando o sistema imunológico ataca a glândula tireoide, provocando seu aumento estimulando-a a produzir excesso de hormônios. É uma

doença crônica e normalmente ocorre em famílias com história de doenças da tireoide. Algumas pessoas com a doença de Graves também desenvolvem inchaço atrás dos olhos, o que provoca protrusão dos olhos para fora do globo ocular. O tratamento é realizado com medicação oral e deve ser acompanhado regularmente pelo endocrinologista. Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF) E-mail: dracassiaregina@gmail.com


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Cátedra da Família da PUC-SP organiza ciclo de eventos sobre família Primeiro encontro será mesa redonda que discutirá a visão do Papa Francisco sobre a Afetividade e a Sexualidade Rodolfo Canônico

especial para O Sâo Paulo

A Cátedra da Família da PUCSP, em parceria com o Vicariato Episcopal para a Educação e Universidade da Arquidiocese, está promovendo o primeiro “Ciclo de Estudos Sobre a Família”, que ocorrerá ao longo do segundo semestre. O primeiro ocorrerá dia 29 de agosto, a partir das 19h30 na PUC-SP, e tem como tema “Afetividade e Sexualidade na ótica do Papa Francisco”. De acordo com o presidente da Cátedra da Família e professor de Direito na PUC-SP, Gilberto Haddad Jabur, a intenção deste ciclo de eventos é dialogar publicamente sobre os temas propostos pelo Papa Francisco na Exortação Amoris Laetitia. Ele aponta que o documento “é uma injeção de ânimo para essa discussão”, e lembra que é necessário superar o tabu envolvendo o debate sobre a família no ambiente público: “esse ciclo trará à comunidade esclarecimentos sobre temas delicados”. Parceiro na organização da atividade, Dom Carlos Lema Garcia, bispo

auxiliar da Arquidiocese e vigário Episcopal para a Educação e a Universidade, lembrou que “faz parte da missão do Vicariato apresentar os ensinamentos da Igreja dentro de uma visão acadêmica” e reforçou a importância da presença da Arquidiocese na difusão de conceitos fundamentais sobre a família por meio da participação nesses eventos. Jéssica Soler, diretora de operações do Comunicação Aberta, instituição parceira que colabora na comunicação do evento, explica que o objetivo é atrair os jovens. “O Papa Francisco se comunica de forma simples, clara e efetiva, principalmente com a juventude. Queremos trazer essa simplicidade para a temática da afetividade e sexualidade”, pontua. Além da presença de Dom Carlos, a mesa do primeiro encontro será composta por Carmen Silvia Porto, diretora do Programa “Protege Teu Coração” no Brasil, e por Magna Celi Mendes da Rocha, doutora em psicologia da educação e assessora da Pastoral Universitária da PUC-SP, educadoras que trabalham há anos com o tema da formação afetiva dos jovens. As duas educadoras pretendem apresentar a sexualidade dentro do contexto da experiência afetiva. Para Magna, “sexualidade não é simplesmente o ato conjugal; ela diz respeito a todo o ser homem e o ser mulher”, sendo a

Reprodução

sexualidade também uma forma de expressão da afetividade. “Sexualidade é ser homem e mulher em todas as dimensões: social, emocional, racional, transcendente e física”, concorda Carmen. Ambas defendem que a harmonia na vida afetiva e sexual é fundamental para a realização

pessoal. Carmen destaca a importância do autoconhecimento, que proporciona também o conhecimento do outro, para o relacionamento interpessoal, acrescentando que a busca por um equilíbrio afetivo e emocional é chave para uma vida feliz. Magna recorda que a afetividade

não é um “detalhe” na vida, mas informa todos os nossos atos: “tudo que fazemos implica em vivências afetivas”. O coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP, Francisco Borba, reforça a visão das educadoras: “é fundamental que tenhamos, na educação dos jovens e na constituição das famílias, uma visão integral e profundamente humana da nossa vida afetivo-sexual, capaz de ajudar a todos a serem mais felizes”. Ele destacou que há uma busca cada vez intensa pela felicidade no amor e no sexo, mas que muitas vezes é frustrada por respostas equivocadas, como a ideologia de gênero, que “parte de uma justa reivindicação de respeito a todas as pessoas para se perder nessa busca pela realização afetiva de cada um”. Para Dom Carlos, este evento possibilitará “aprofundar o enfoque extremamente positivo que o Papa Francisco vem trazer sobre a alegria do amor, sobre o sentido positivo do amor humano, sobre a missão fundamental da família para a formação e educação de cidadãos exemplares, bem como a família como agente evangelizador, dentro do âmbito eclesial”. Jabur concorda, e destaca seu desejo de fazer com que essa mensagem chegue especialmente ao público universitário: “é preciso que os jovens tenham essa informação”.

São Paulo receberá atividade das Scholas Ocurrentes Luciney Martins/O SÃO PAULO

edcarlos bispo

edbsant@gmail.com

Na terça-feira, 16, o presidente da Organização Internacional de Direito Pontifício Scholas Ocurrentes, José Maria del Corral, se reuniu, na Cúria Metropolitana, com o vigário episcopal para a educação e a universidade, Dom Carlos Lema Garcia. Segundo o site da instituição, as Scholas Ocurrentes são uma organização internacional de direito pontifício aprovado e erigido pelo Papa Francisco no Vaticano. A instituição liga a tecnologia com a arte e esporte para promover a integração social e cultura da reunião para a paz. Está presente em 82 países, através de sua rede inclui mais de 400 mil escolas e redes de ensino. Com sede na Cidade do Vaticano, Argentina, Espanha, Paraguai e Moçambique. Sua missão é para alcançar a integração das comunidades, com um foco em pessoas com menos recursos, através do compromisso de todas as partes interessadas, integrando escolas e redes de ensino em todo o mundo a partir da tec-

Dom Carlos Lema Garcia recebe o presidente das Scholas Ocurrentes, José Maria del Corral

nologia, esportes e propostas artísticas. De acordo com Dom Carlos, a proposta apresentada durante a reunião é que São Paulo seja o primeiro lugar a receber a experiência das Scholas Ocurrentes e das atividades que proporcionam, entre elas um encontro de duas semanas que junta estudantes de escolas públicas e privadas para um debate sobre suas realidades e perspectivas. Na segunda semana do encontro, após

debaterem sobre as questões de sua comunidade escolar, os estudantes elegem a mais importante e decidem como querem dar encaminhamento ao fato, o que muitas vezes envolve falar com representantes do poder público. Esse encontro é agendado e a demanda da escola é apresentada. Para Dom Carlos, essa é a oportunidade de aproximar a escola pública da escola particular e diminuir a distância entre os estudantes. São Paulo será o piloto do pro-

jeto, de acordo com o Bispo, pois é a cidade mais populosa do País e com o maior número de alunos e, além disso, tem há dois anos o trabalho do vicariato da educação para tratar especificamente com esse público. José Maria destacou a fala do Papa Francisco de que para mudar a educação é necessário refazer o pacto educativo. “O pacto educativo é compromisso de todos pela educação: da família, dos governos, das escolas e das empresas, assim todos podemos ter um acordo sobre as coisas que as crianças necessitam. Por isso é importante visitar e entrar em diálogo com todos os atores sociais para colocar o pacto educativo em favor das crianças”. A ideia é que a atividade seja realizada no próximo ano, e as movimentações para que isso ocorra estão acontecendo. “Já nos aproximamos dos colégios, das organizações como a Associação Nacional das Escolas Católicas (ANEC) no Brasil que nos representa nos colégios e, claro, com os referentes responsáveis em matéria de educação”.


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Destaques das Agências Internacionais

Filipe david

Especial para O SÃO PAULO

Estados Unidos

Vazamentos comprometem organização de George Soros A organização do bilionário George Soros, chamada Open Society, foi “hackeada”, isto é, seus computadores foram invadidos por “hackers”, especialistas de informática que conseguiram ter acesso ao seu sistema e a documentos confidenciais. Muitos desses docu-

mentos foram publicados na internet. Segundo a Catholic News Agency, um desses documentos, um plano de três anos, explica a necessidade de liberalizar o aborto na Irlanda: “Com uma das legislações sobre o aborto mais restritivas do mundo, uma vitória lá poderia causar

impacto em outros países profundamente católicos na Europa, como a Polônia, e provar que a mudança é possível, mesmo em lugares altamente conservadores”, diz o documento. A organização de George Soros é uma das grandes fundações bilionárias

americanas que promovem a agenda da esquerda no mundo inteiro: aborto e contracepção, feminismo, “casamento” entre pessoas do mesmo sexo e toda a agenda LGBT, liberalização das drogas, entre outros. Fontes: CNA/ DC Leaks

Escola católica processada por ex-professora ‘casada’com outra mulher A escola católica Paramus Catholic High School, em Nova Jersey, está sendo processada por ter demitido uma professora “casada” com outra

mulher. Segundo a ex-professora, sua demissão contraria as leis anti-discriminação do Estado. Em sua defesa, a Escola afirma que a professora – que Foto: ACI

era orientadora pedagógica – não foi demitida por sua “orientação sexual”, mas por não viver de acordo com os princípios da fé católica (principal-

mente ao se “casar” com outra pessoa do mesmo sexo), violando assim o código de ética da escola. Fonte: Church Militant

Nigéria

Novo vídeo das meninas de Chibok O grupo islâmico terrorista Boko Haram divulgou no domingo, 14, um novo vídeo com 50 das mais de 200 meninas sequestradas há dois anos na cidade de Chibok. No vídeo, eles pedem a libertação de outros terroristas presos em troca das meninas. Em abril de 2014, 276 meninas foram sequestradas pelo grupo num povoado de Chibok, a maioria delas cristãs. Desse número, 57 conseguiram fugir e retornar para casa. No vídeo, um terrorista afirma que 40 garotas

Chile

“se casaram, conforme a vontade de Alá” e que outras morreram em bombardeios aéreos. Uma das meninas aparece com um bebê em seus braços. “Suas filhas ainda estão em nossas mãos”, disse o terrorista. Desde 2009, o grupo já sequestrou milhares de pessoas, provocando 20 mil mortes e obrigando 2,6 milhões de pessoas – entre cristãos e muçulmanos que não concordam com sua atuação – a fugir do norte da Nigéria. Fonte: ACI

Quênia

‘Não se esqueça papai: Deus é ternura’ Escolas incendiadas e destruídas

Essas foram as últimas palavras que disse anos o Senhor o fez ver que a motivação fundamental da sua vida e ministéao seu pai o Padre Francisco Rencoret Mujica, um sacerdote de apenas 35 anos, que rio sacerdotal era abraçar a cruz. Assim morreu no sábado, 13, devido a um sarcoma formulou em seu caderno de exercícios com metástase pulmonar. A doença o obriespirituais: ‘Corro para ti, oh Jesus, para gara a interromper seus estudos de Direito abraçar-te na Cruz’. Durante estes meses, Canônico em Roma e retornar ao Chile. abraçou a cruz com coragem, deixando A missa de exéquias foi presidida Deus ser Deus em sua vida, experimentando mais profundamente seu perdão e pelo Cardeal Ricardo Ezzati e a homilia foi feita pelo formador do Seminário oferecendo-o a todos”, disse o Sacerdote. Fonte: ACI Pontifício, Padre Andrés Ferrada: “Há 09:48:50 AnuncioPaganini.pdf 1 18/04/2016

Após a introdução de novas regras disciplinares para enfrentar a crescente indisciplina e o aumento da criminalidade nas escolas, uma onde de ataques e incêndios provocados destruiu mais de 100 escolas no País. O bispo de Nakuru e presidente da comissão para a educação da Conferência Episcopal do Quênia, Dom Maurice Muhatia, afirmou que as novas regras disciplinares não explicam os ataques e que há uma “terceira mão”

por trás desses crimes. Os diretores das escolas católicas, reunidos em sua conferência anual na Universidade Católica da África Oriental em Nairóbi, afirmaram que os incêndios e a destruição são atos de grupos bem organizados e financiados para desestabilizar e destruir o ensino nas escolas secundárias em todo o Quênia. Fonte: Fides

China C

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CY

CMY

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Sacerdotes enfrentam grave dilema O governo chinês deu um ultimato aos sacerdotes católicos para que se registrem oficialmente se quiserem continuar a exercer seus ministérios no País. Para isso, eles devem passar pela Associação Católica Patriótica – composta por bispos escolhidos pelo Partido Comunista–, reconhecendo assim seus princípios de autonomia e independência de Roma. Tanto o Papa João Paulo II quanto Bento XVI condenaram a Associação, denunciando que seus princípios são incompatíveis com a fé católica. Fonte: Church Militant


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Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

Papa cria Dicastério da Cúria Romana para Leigos, Família e Vida L’Osservatore Romano

O estatuto do novo organismo havia sido previamente aprovado pelo Papa em junho e mantém a ligação com o Pontifício Instituto João Paulo II

“Portanto, depois de ter avaliado cuidadosamente todas as coisas, pela nossa autoridade apostólica nós estabelecemos o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, que será regido por estatutos especiais. Deveres e funções que, até então, pertenciam ao Pontifício Conselho para os Leigos e ao Conselho Pontifício para a Família, serão transferidos para esse departamento a partir do próximo 1º de setembro, com o término dos Conselhos Pontifícios acima mencionados” (Motu Próprio Sedula Mater - Mãe Misericórdia). Na quarta-feira, 17, o Papa Francisco, com a publicação do Motu Proprio Sedula Mater – Mãe Misericórdia – acima citado, instituiu o novo organismo da Cúria Romana responsável pelos leigos, pela família e pela vida. O novo departamento vai assumir deveres e funções que pertenciam ao Conselho Pontifício para os Leigos e ao Conselho Pontifício para a Família e que deixarão de existir. Trata-se, de acordo com o Motu Próprio, de adequar os Dicastérios da Cúria Roma “às situações do nosso tempo”, adaptando-os “às necessidades da Igreja universal”. O Papa sublinha que se pretende, de modo particular dar apoio e ajuda aos leigos, às famílias e à causa da vida, “a fim de que sejam testemunhos ativos do

Evangelho no nosso tempo e expressão da bondade do Redentor”. O estatuto do novo organismo havia sido previamente aprovado pelo Papa em junho e mantém a ligação com o Pontifício Instituto João Paulo II de Estudos sobre o Matrimônio e a família, para o qual Dom Vincenzo Paglia (atual Presidente do Pontifício Conselho para a Família) foi nomeado como novo chanceler, tendo como diretor Dom Pierangelo Sequeri. Na mesma ocasião foi nomeado pelo Papa para prefeito do novo Dicastério Dom Kevin Joseph Farrell, até então bispo de Dallas, nos EUA. Dom Kevin Joseph Farrel nasceu em 1947, em Dublim, na Irlanda. Entrou para a Congregação dos Legionários de Cristo em 1966, e foi ordenado sacerdote em 1978. Nomeado bispo auxiliar de Washington em dezembro de 2001, foi ordenado em fevereiro do ano seguinte. Desempenhou a função de vigário geral para a Administração e Moderador da Cúria (2001 até hoje). Em 2007 foi nomeado bispo de Dallas.

“A violência não se supera com mais violência”

O bispo, recentemente veio à público para manifestar-se sobre os choques

entre policiais e negros nos Estados Unidos. Em julho, na sua cidade, 5 policiais foram mortos por um franco-atirador. “A violência não se supera com mais violência, mas com a paz. Todas as vidas valem: negros, brancos, muçulmanos, cristãos ou hindus, somos todos filhos de Deus e cada vida humana é preciosa”, disse na ocasião. Em entrevista à Rádio Vaticano, afirmou que sempre se viu como um bispo que trabalha numa diocese a serviço das pessoas, mas “quando você recebe uma chamada do Papa, pedindo para fazer uma coisa assim [ser presidente de um dicastério], você só pode se surpreender e se sentir honrado, ao mesmo tempo. Não vejo a hora de começar”. Sobre a nova função, acrescentou que será um grande desafio, “principalmente considerando o fato que a Exortação do Santo Padre, Amoris Laetitia, é tão bem aceita e acolhida no mundo inteiro, e obviamente estará no topo da minha agenda. Assim como serão prioridades promover o laicato, assegurar que os leigos tenham o papel que lhes compete na Igreja e promover o apostolado dos leigos. Será um desafio, que não esperava a esta altura da vida, mas estamos aí”. (Com informações da Rádio Vaticano)

| Papa Francisco | 9

CARTA APOSTÓLICA Sob a forma de Motu Proprio pelo que estabelece o Departamento para os Leigos, da Família e da Vida A Igreja, mãe prudente, teve sempre, ao longo dos séculos, um cuidado e respeito pelos leigos, pela família e a vida, manifestando o amor do Salvador misericordioso pela humanidade. Nós mesmos, havendo isto bem presente em razão do nosso ofício de Pastor do rebanho do Senhor, estamos comprometidos prontamente a fim de quem porque as riquezas de Jesus Cristo sejam derramadas apropriadamente e com abundância sobre os fiéis. Com tal objetivo, nós provemos solicitamente para que os Dicastérios da Cúria Romana se conformem às situações do nosso tempo e se adaptem às necessidades da Igreja Universal. Em particular, o nosso pensamento se volta aos leigos, às famílias e à vida, a quem desejamos oferecer sustento e ajuda, para que sejam testemunham ativas do Evangelho no nosso tempo e expressão da bondade do Redentor. Portanto, após haver cuidadosamente avaliado cada coisa, pela Nossa Autoridade Apostólica instituímos o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, que será provido de especiais estatutos. Competência e função a partir de agora dada ao Pontifício Conselho para os Leigos e ao Pontifício Conselho para a Família, que serão transferidos para esse Dicastério no próximo 1º de setembro, com o término dos Conselhos Pontifícios acima mencionados. Como desejo determinada que tem valor agora e no futuro, não obstante qualquer disposição em contrário. Em Roma, junto de São Pedro sob o anel do pescador, 15 de agosto de 2016, Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, Jubileu da Misericórdia, IV ano de Nosso Pontificado. (Tradução não oficial)


10 | Pelo Brasil |

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Destaques das Agências Nacionais

edcarlos bispo e igor andrade osaopaulo@uol.com.br

A Comissão Julgadora da Medalha “São Paulo Apóstolo”, escolheu, no dia 11, os 10 contemplados com o prêmio de reconhecimento da Arquidiocese. São eles: Medalha pelo Testemunho Laical, Ana Maria Alexandre e Luiz Carlos Pietro Alexandre; Medalha pelo Serviço Sacerdotal, Cônego Celso Pedro da Silva; Medalha pela Ação Caritativa e de Promoção Humana, Padre João Inácio Mildner; Medalha pela Ação Missio-

‘Este sistema é insuportável: exclui, degrada, mata!’

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Divulgados os contemplados com Medalha ‘São Paulo Apóstolo’ nária, Olga Zanella; Medalha pela Inovação na Metodologia Pastoral, Padre Gianpietro Carraro; Medalha pela Educação Cristã, Irmã Carmen De Ciccio; Medalha pela Defesa e Promoção da Vida e Dignidade Humana, Padre Paolo Parise; Medalha pela Cultura, Orquestra Sinfônica Heliópolis; Medalha pela Comunicação; TV Canção Nova; Medalha pelo Serviço Social, Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto.

Samba enredo que homenageará Nossa Senhora Aparecida é escolhido Na sexta-feira, 19, a Escola de Samba Unidos de Vila Maria escolheu e apresentou o samba enredo que vai embalar o seu desfile em 2017, quando homenageará a Padroeira do Brasil. Após uma fase de seletivas, cinco das mais de 20 composições chegaram a etapa final do processo. Para a escolha, a Escola contou com a participação de associados, sambistas, representantes das agremiações coirmãs e da Arquidiocese de São Paulo, além de uma comitiva do Santuário Nacional. A fase final do concurso consagrou a criação dos poetas Leandro Rato, Zé Paulo Sierra, Almir Mendonça, Vinicius Ferreira, Zé Boy e Silas Augusto, como a grande vencedora da eliminatória, e que agora, passa a ser o hino do enredo “Aparecida - A Rainha do Brasil. 300 anos de amor

Divulgação/Unidos de Vila Maria

Após uma fase de seletivas, 5 das mais de 20 composições chegaram a final do processo

e fé no coração do povo brasileiro”. Nesse processo, os dirigentes da escola cumpriram cuidadosamente uma série de protocolos para que o projeto fosse executado respeitando as diretrizes que a abordagem impõe, uma vez que as relações entre Carnaval e a fé cris-

tã sempre foram motivo de polêmica. A homenagem que ganhará destaque no Sambódromo do Anhembi, em desenvolvimento desde 2015, está sendo acompanhada de perto por representantes da Arquidiocese de São Paulo e do Santuário Nacional de Aparecida.

“Este sistema é insuportável: exclui, degrada, mata!” é o lema da 22ª edição do Grito dos Excluídos, que tem como tema “Vida em primeiro lugar”. A mobilização questiona as várias formas de desigualdade do país, apontando qual o real papel do Estado diante das exclusões. Segundo a CNBB, o evento marca o Dia da Independência em diversas localidades do país, com o objetivo de “valorizar a vida e anunciar a esperança de um mundo melhor, construindo ações a fim de fortalecer e mobilizar pessoas a luta popular e denunciar as injustiças e os males causados por um modelo econômico excludente, que degrada e mata”. De acordo com a coordenação nacional da articulação, “o Grito precisa continuar acontecendo e manifestando indignação diante de um sistema político e econômico que exclui e descarta. O desafio do Grito é estar no meio do povo como espaço de organização e mobilização”. O bispo de Ipameri (GO) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB, dom Guilherme Antônio Werlang, enviou uma carta de apoio ao 22º Grito dos Excluídos aos bispos e agentes de pastorais, na qual agradeceu o apoio recebido ao longo dos anos e ressaltou o comprometimento “a continuar gritando pela vida em primeiro lugar”. Fonte: CNBB


| Reportagem Especial | 11

Congresso Eucarístico Nacional

Belém acolhe 500 mil católicos Jucelene rocha e renata moraes especial para o são paulo em belém (PA)

A capital do Pará recebeu meio milhão de católicos durante a 17ª edição do Congresso Eucarístico Nacional (CEN 2016), entre os dias 15 e 21. Ao longo dos sete dias, missas, jornadas pastorais, procissões, simpósio teológico, ações de evangelização e shows foram realizados em toda a cidade, inclusive nas ilhas que formam o arquipélago de Belém. Desde a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, local onde acontece a maior festa de devoção mariana, o Círio de Nazaré, passando pela Catedral Metropolitana de Belém, Portal da Amazônia, Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, Estádio Olímpico Jornalista Edgar Augusto Proença, conhecido popularmente como Mangueirão, além das 86 paróquias das seis regiões episcopais que compõem a Arquidiocese de Belém, tudo foi tomado pelos milhares de peregrinos provenientes de todos os estados brasileiros. Belém tornou-se uma capital da fé católica.

Missa com religiosos

Reunidos na Catedral Metropolitana de Belém na terça-feira, 16, segundo dia do CEN 2016, os fiéis participaram da missa solene dedicada à vida religiosa e aos colégios católicos, presidida pelo Cardeal Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro.

Dom Orani falou da missão da vida consagrada e a sua importância para a Igreja. “A vida religiosa nasce na Igreja e para ela. Nasce de sua vitalidade intrínseca, como expressão máxima de si mesma. A presença dos consagrados em nossas comunidades é significativa e imprescindível pelo que são e pelos serviços que prestam nos diferentes campos pastorais”.

Com os leigos

Na quarta-feira, 17, a missa celebrada na Catedral de Belém foi dedicada aos agentes de pastorais e movimentos eclesiais. O Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, presidiu a celebração. “Queremos hoje recordar uma porção da Igreja, nossos irmãos leigos e leigas, discípulos missionários de Jesus Cristo, que renovados em Cristo recebem Dele a forma e o vigor para dar testemunho da alegria do Evangelho”, disse na homilia. E completou: “Leigos e leigas, no meio da comunidade se fazendo sal da terra, fermento e luz”. Ao final da celebração, Dom Odilo foi cumprimentado por um grupo de fiéis da Arquidiocese de Belém. Uma senhora o abordou pedindo a bênção e ao mesmo tempo também abençoou o Cardeal. Gesto singelo da fé do povo para com os seus pastores.

‘Porque delas é o Reino dos céus’

“Disse-lhes Jesus: Deixai vir a mim

estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham”, (cf. Mt 19,13). À luz do Evangelho de São Mateus, a liturgia da missa da quinta-feira, 18, foi muito especial para as 1.200 crianças da Arquidiocese de Belém, que receberam pela primeira vez a Eucaristia, em missa presidida por Dom Alberto Taveira, arcebispo de Belém, no Estádio Olímpico do Pará. Dom Alberto pediu aos fiéis para que recordassem o dia que receberam pela primeira vez o sacramento da Eucaristia, e assim como as crianças se fizessem simples e pequenos, e ali também comungassem do Corpo e Sangue de Cristo como se fosse a primeira vez. Pais, familiares e catequistas foram testemunhas do momento tão importante para aquelas crianças, que se prepararam durante dois anos para o momento. “É uma grande honra misturada com a ansiedade e felicidade porque vou receber Jesus pela primeira vez. Eu sempre vou permanecer no caminho de Deus e nunca vou desistir”, comentou Reginaldo Souza, 12 anos, da Paróquia Santo Inácio de Loyola.

‘Eucaristia, Misericórdia e Juventude’

Não faltou espaço para os jovens neste Congresso, as diversas expressões da juventude encantaram a todos

que estiveram no Estádio Olímpico na noite da sexta-feira, 19. Organizados pelo Setor Juventude da Arquidiocese de Belém, antes da missa os jovens fizeram apresentações culturais e artísticas com o tema: ‘Eucaristia, Misericórdia e Juventude’, dirigida pela Comunidade Shalom. A entrada da cruz missionária recordou o tema da Jornada Mundial da Juventude Cracóvia 2016: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”. A missa foi presida por Dom Cláudio Hummes, legado pontifício, e concelebrada pelos demais cardeais e bispos presentes, entre eles Dom Odilo Pedro Scherer. Recordando a JMJ Cracóvia 2016, Cardeal Hummes falou aos jovens sobre a mensagem do Papa Francisco neste tempo, para que a juventude não seja acomodada, para que não façam da vida um sofá, mas que deixem uma marca por onde passarem. Sobre as obras de misericórdia, Dom Cláudio incentivou os jovens a praticá-las sempre, sobretudo em favor dos mais pobres, doentes e marginalizados. Ele ressaltou que é missão dos jovens lutar e sonhar por um mundo melhor. “Não deixem de sonhar. Sonhem alto, olhando para o futuro pois está nas mãos de vocês, jovens, o futuro da Igreja”.

Luiz Estumano/Jornal Voz de Nazaré

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12 | Reportagem Especial |

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Congresso Eucarístico Nacional

O banquete da vida Uma das motivações para a realização de um Congresso Eucarístico Nacional é a possibilidade de aprofundar teologicamente o sacramento da Eucaristia, neste sentido, o 17º CEN promoveu diversas reflexões a partir do Simpósio Teológico que entre as discussões refletiu sobre a dimensão da Eucaristia como banquete ou sacrifício. O tema geral do Congresso, “Eucaristia e partilha na Amazônia missionária” foi materializado em muitos momentos, um deles, porém marcou mais profundamente os participantes: a missa e o almoço comunitário com os moradores de rua. A celebração aconteceu na Catedral Metropolitana de Belém, um dos patrimônios do Pará também do ponto de vista histórico, cultural e arquitetônico, já que a construção data de 1748. A missa foi presidida pelo arcebispo emérito de São Paulo, presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, cardeal Cláudio Hummes, que neste Congresso foi o legado pontifício do Papa Francisco e em todos os momentos em que participou dos eventos compartilhou com os fiéis a mensagem do Santo Padre em defesa da Casa Comum, assim como apresenta na sua encíclica Laudato si’. Na homilia, uma pergunta de Dom Cláudio ressoou profundamente na Catedral: “O que é mais importante para a Igreja que os pobres?” Após a celebração da missa os moradores de rua foram convidados para um almoço comunitário na praça da Igreja do Carmo que fica a aproximadamente 800m da Catedral de Belém. O espaço foi preparado com mesas, palco com música ao vivo e uma marmita servida pelos missionários de diversas instituições que atuam junto à população em situação de rua em Belém. Entre os bispos, padres e religiosos que participaram do almoço estava dom Cláudio Hummes, que ressaltou o momento e manifestou sua

Luiz Estumano/Jornal Voz de Nazaré

alegria pela iniciativa. “Tudo que o Papa Francisco tem falado a respeito da Amazônia, e que a Igreja precisa se envolver com a evangelização e também com os grandes problemas da região. Estamos refletindo, rezando e assumindo compromissos nesses dias. A missa e o almoço foram momentos especiais porque vão ao encontro com o tema, de fato. A Eucaristia deve nos levar à partilha, a capacidade de partilhar é um grande fruto da nossa identidade eucarística” afirmou o Cardeal. Entre os desafios pastorais da Arquidiocese de Belém está a situação da população de rua. Dados de uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Pará (UFPA) em 2015 apontam que existem mais de 600 moradores de rua na região metropolitana de Belém, o número pode parecer pequeno diante das somas gigantescas encontradas em São Paulo, que no mesmo ano, segundo dados da Prefeitura Municipal, ultrapassaram 15 mil, mas percebe-se a gravidade do problema em Belém diante do número de pessoas vivendo em situação de pobreza ou extrema pobreza em toda região metropolitana. De acordo com o censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), esta é a situação de metade da população que vive em bairros da periferia da capital paraense. A maior parte da população de rua que vive em Belém tem entre 18 e 29 anos e mais de 80% das pessoas pesquisadas, segundo o IBGE, queriam deixar as ruas. É o caso do jovem, Fabrício Reis, que vive em situação de rua há seis anos e participou da missa e do almoço. “Eu não pretendo viver o resto da minha vida nas ruas, quero procurar alguma coisa melhor pra mim. É muito difícil conviver com a discriminação e a exclusão que a rua traz para nós. As drogas me trouxeram para as ruas, mas creio que Deus vai abençoar e vou conseguir sair dessa situação”, afirma.

Jucelene Rocha

Luiz Renato, um ‘milagre eucarístico’ Foi por meio do Corpo e Sangue de Cristo, que a médica Ana Caroline Brasil Viana Melo, 33, alcançou o que ela considera com o seu “milagre eucarístico”. É assim que ela costuma apresentar o filho Luiz Renato Viana Melo Júnior, de 1 ano de idade. Residente em Belém (PA), casada, a jovem mãe que participa da Comunidade Mar a Dentro, deu seu testemunho sobre o milagre do nascimento de seu filho através da Eucaristia. Ana contou à reportagem que quando estava com 31 semanas de gestação, seu bebê foi diagnosticado com hidropsia fetal, uma doença rara que causa complicações no feto, acumulando quantidades anormais de líquido em algumas áreas

do corpo do feto ou do recém-nascido. “O bebê fica todo inchado e a sobrevida é praticamente nula. O médico que me acompanhava aqui em Belém disse que a única chance do meu filho sobreviver seria ir à São Paulo para fazer uma transfusão intrauterina”, relatou a jovem mãe. Além disso, a médica estava com excesso de líquido amniótico. “Na mesma hora do diagnóstico eu senti que o meu remédio para mim e para o meu filho seria a Eucaristia”. Naquele dia, Ana recebeu a visita de um bispo amigo, que a atendeu em confissão e possibilitou que ela recebesse a Eucaristia, a partir daquele momento ela passou a receber a Sagrada Comunhão

todos os dias. Em seguida, Ana Caroline viajou a São Paulo para o tratamento, e aqui descobriu que o bebê também estava com uma obstrução no intestino e teria que ser operado logo após o nascimento. A jovem mãe permaneceu internada durante cinco semanas, também no hospital recebia a Eucaristia diariamente. Ana testemunha que na Eucaristia diária encontrava a força necessária para enfrentar as adversidades. Neste período, sem fazer qualquer procedimento, o líquido fetal diminui consideravelmente. “Todos os médicos ficaram intrigados, pois não havia justificativa médica para meu líquido ter diminuído, pois eu não perdi líquido, e fui para a sala de par-

to com a taxa normal. Se ainda estivesse muito alta no momento do parto, tanto eu como meu filho, corríamos risco de vida”. Após o nascimento, com 24 horas de vida, o bebê foi operado para corrigir a obstrução no intestino, chegou a ficar na UTI e depois de 31 dias internado recebeu alta. “Na alta em São Paulo, a pediatra que atendeu o Luiz Renato disse que estava tudo bem com o meu filho e que diante de tudo que aconteceu poderíamos chamá-lo de um milagre”. Emocionada, Ana Caroline apresentou seu “milagre eucarístico”, Luiz Renato, com 1 ano de idade, exibe o vigor e a saúde de uma criança normal. “Ele é o meu milagre eucarístico”, encerrou Ana.


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| Reportagem Especial | 13

Congresso Eucarístico Nacional

O CEN chegou às ilhas As populações ribeirinhas das ilhas que compõem o arquipélago de Belém também foram alcançadas pela programação do 17º CEN. Quem vê a Metrópole da Amazônia com seus quase 1,5 milhão de habitantes, não imagina que basta atravessar o rio numa viagem de barco a motor por cerca de 50 minutos, partindo de Icoaraci, distrito que fica a aproximadamente 20km do centro de Belém, para chegar até verdadeiros santuários ecológicos onde a população local ainda sobrevive basicamente da pesca e da extração do açaí abundante na região e base também da alimentação das famílias ribeirinhas. Acompanhados pela Comunidade de Vida e Aliança Mar a Dentro e pelo grupo Amigos da Ilha, nossa reportagem e o bispo auxiliar para a região Episcopal Brasilândia, Dom Devair Araújo da Fonseca visitaram durante o Congresso, a comunidade ribeirinha de Jamaci, em Paquetá, uma das 42 ilhas que formam o arquipélago de Belém e são banhados pelas baías do Marajó e do Guajará. Para atender às comunidades ribeirinhas a Arquidiocese de Belém criou a Pastoral das Ilhas, é nesse contexto que a Comunidade Mar a Dentro realiza sua missão. Aos 36 anos de vida, há oito sendo missionária em Belém, Eliane Cristina Frago Lourenço, coordena projetos pas-

torais nas ilhas. “Quando nós chegamos aqui, a convite do então arcebispo de Belém. Dom Orani João Tempesta, muitas comunidades não tinham missas, não tinham capela, não tinham nada. Então, nós começamos um projeto de evangelização nas casas, ajudando a realizar a celebração da Palavra, dando oportunidade para que os ribeirinhos pudessem ter formação para receber os sacramentos”, recorda a jovem missionária. As visitas constantes à Comunidade de Jamaci deram frutos e rapidamente as famílias locais celebraram o primeiro casamento comunitário, na ocasião seis casais decidiram receber o sacramento do matrimônio e desde então, conseguiram reunir forças para a sonhada construção da Capela Nossa Senhora da Conceição, hoje concluída. “No começo nós não tínhamos um local para o padre celebrar, não tinha a capela. O padre celebrava na escola ou nas casas. Mas nós sempre fomos uma comunidade de fé, sempre acreditamos que um dia teríamos nossa capela”, conta feliz, a ministra da Eucaristia Roselia Santos. Nosso grupo chegou à comunidade de Jamaci, no domingo, 21, pela manhã depois de navegar pela baía do Guajará contemplando as belezas de suas extensas margens cercadas pela floresta amazônica. Tão logo chegamos, ao nosso lado, no tra-

Amigos da Ilha piche recentemente construído com ajuda da Cáritas, já estava um casquinho, pequeno barco à remo utilizado pelas famílias para percorrer os trajetos mais curtos, como por exemplo, entre a casa e a Igreja ou a escola, trazendo mulheres e crianças felizes para a celebração da missa que atualmente acontece um vez por mês. Entre aquelas pessoas que participaram da celebração eucarística estava Maria de Nazaré, feliz e super entusiasmada, ela emociona o grupo ao contar que sua maior alegria foi poder fazer a primeira eucaristia aos 64 anos. “Meus filhos fizeram a Primeira Comunhão e a Crisma, eu fiquei muito satisfeita e tinha aquela vontade de também fazer, finalmente com o pessoal da Comunidade Mar a Dentro eu pude realizar esse sonho e agora quero fazer também a Crisma junto com os mesmos meninos que comigo fizeram a Primeira Eucaristia”, conta com um indescritível brilho nos olhos. Duas jovens catequistas agora acompanham crianças e adultos na preparação para a Primeira Comunhão e Crisma. Um dos destaques da missão nas ilhas de Belém foi o projeto São Paulo Apóstolo, o objetivo inicial era justamente fazer como o apóstolo: visitar as ilhas, formar comunidades e preparar pessoas locais para que pudessem dar continuidade ao processo iniciado pelos missionários. Thiago Leão

O projeto Amigos da Ilha nasceu na Comunidade de Vida e Aliança Mar a Dentro e visa dar assistência às comunidades ribeirinhas. Atentos às necessidades pastorais e sociais dessas populações, o grupo realiza campanhas especialmente nos períodos da Páscoa e do Natal para arrecadar doações de alimentos e roupas, uma vez que vivendo basicamente da pesca e da extração do açaí, os ribeirinhos sofrem diretamente com as consequências do desequilíbrio ambiental que tem tornado as safras menos produtivas e diminuído a quantidade de peixes nas redondezas. “Nós vamos ao encontro dos ribeirinhos que muitas vezes estão em locais de difícil acesso, vamos com os padres, celebramos a Eucaristia e também levamos alimentos, roupas e alimentos. Pra nós é uma grande festa e uma grande graça termos sido escolhidos para essa missão” conta emocionada, Eliana Leite. Na comunidade de Jamaci 26 famílias recebem assistência dos Amigos da Ilha que também realizam a celebração da Palavra nas comunidades que não podem contar com a presença do padre. “Quando termina as celebrações do Círio de Nazaré em outubro, nós intensificamos o trabalho de arrecadação de alimentos e brinquedos para proporcionar um Natal digno e feliz para essa população. Por exemplo, agora nós não estamos no período de safra do açaí, portanto muitos deles não têm nada para comer. Em uma das visitas que fizemos uma criança perguntou: ‘Mãe porque não é Natal todo dia? E a pergunta não era por causa do brinquedo que ela recebeu, mas pela cesta básica que a mãe tinha recebido’. Apesar dessa realidade nunca encontramos uma criança triste na ilha, elas estão sempre assim, felizes e cheias de esperança nos olhos”, conta, emocionado, Acrísio Viana, um dos Amigos da Ilha.

No CEN, um grito pela Amazônia Assim como não se pode entender Belém e o Pará sem os referenciais da cultura cristã e suas raízes católicas e marianas, também não se pode lançar um olhar sobre a Amazônia brasileira sem dar ouvidos aos muitos gritos dos excluídos e injustiçados que dessa região ecoam. Esses apelos igualmente se fizeram ouvir no CEN 2016, especialmente a partir da missa pela Amazônia que foi presidida pelo Legado Pontifício do papa Francisco neste evento e pre-

sidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, Cardeal Cláudio Hummes, e concelebrada pelos bispos da Amazônia. A celebração aconteceu no quinto dia do Congresso, 18, e reuniu indígenas, ribeirinhos e representantes dos principais grupos que atuam em defesa das grandes causas da região, como a garantia do direito às terras originárias das comunidades indígenas constantemente ameaçadas pela expansão do agronegócio, a preservação da biodiversidade, a susten-

tabilidade ambiental, a preservação dos rios fortemente impactados pela construção de hidrelétricas, a perversa expansão dos projetos de mineração, o tráfico de pessoas e a justa distribuição e manejo dos bens naturais da floresta. Após a celebração diversos grupos e entidades realizaram na Praça da Catedral de Belém, o Grito pela Amazônia. O momento foi marcado por testemunhos e denúncias de crimes ambientais e da violência cometida

pelos grandes fazendeiros que não hesitam em iniciar violentos confrontos armados contra ribeirinhos e indígenas. Organizado pela Rede Panamazônica (REPAM) o grito levou para o Congresso Eucarístico Nacional os desafios da evangelização diante do cenário de exploração cultural e econômica na região que, não raro, constituem-se em verdadeiros crimes humanitários ao extinguir as condições básicas para a sobrevivência dos povos originários na Amazônia.


14 | Reportagem Especial |

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Congresso Eucarístico Nacional Luiz Estumano/Jornal Voz de Nazaré

‘Encontramos Jesus Ressuscitado no partir do Pão’ Nem mesmo o forte sol da tarde do domingo, 21, em Belém, impediu que milhares de católicos participassem da missa de encerramento do CEN 2016, na Praça Santuário, em frente a Basílica de Nazaré. Na festa da Assunção de Nossa Senhora, a missa também foi presidida pelo Legado Pontifício, Cardeal Cláudio Hummes, que recordou na homilia que assim como Maria foi perseguida pelas forças do mal, a Igreja também é. “A festa da Assunção de Nossa Senhora nos traz uma mensagem de esperança, da vitória do bem e não do mal, da vida e não da morte”, destacou. Na conclusão do Congresso, o Cardeal Hummes afirmou que todos devem voltar para as suas casas mais alegres e firmes na fé. “Que sejamos anunciadores e corajosos missionários sem medo. Assim como os discípulos de Emaús que reconheceram Jesus no partir do pão, nós aqui em Belém também encontramos Jesus Ressuscitado no partir do pão”. Dom Cláudio pediu que ninguém deixe apagar a chama do Espírito santo e o ardor missionário. Recordando as palavras do Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, Dom Claudio afirmou que a causa missionária deve ser prioridade. “Passar de uma pastoral de conservação para uma pastoral decididamente missionária e misericordiosa”. Sobre a Igreja na Amazônia, o Legado Pontifício defendeu a evangelização e a solidariedade para com os indígenas. “Há um longo caminho a percorrer e uma enorme dívida a saldar, para que eles possam ser novamente protagonistas de suas próprias histórias”, afirmou. Combater a pobreza, preservar a natureza e garantir a defesa da casa comum também foram aspectos mencionados na homilia.

Pelas ruas de Belém

Ao fim da missa de conclusão do Congresso, o Santíssimo Sacramento foi conduzido na chamada “Procissão do Triunfo Eucarístico”. Pelas ruas de Belém, a multidão de fiéis acompanhava o trajeto de aproximadamente três quilômetros. Saindo da Praça da Basílica Santuário Nossa Senhora de Nazaré até a praça Frei Caetano Brandão, no Centro Histórico de Belém, em frente à Catedral da Sé. O percurso feito é exatamente o inverso àquele que é realizado na procissão de trasladação da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, durante a tradicional festa do Círio. Para Amélia Guedes Farias, da Paróquia Rainha da Paz, da Arquidiocese de Belém, participar desta procissão eucarística foi o momento de agradecer a Deus e alcançar graças. “Estou aqui pedindo bênçãos para a minha família e saúde para meu pai que está doente. É

Amazônia Missionária

No Brasil, a chamada Amazônia Legal inclui 10 estados brasileiros: Amazonas, Acre, Pará, Amapá, Roraima, Rondônia, Mato Grosso e parte do Maranhão, Goiás e Tocantins. Tem uma superfície que corresponde à 61% do território brasileiro com uma superfície de 5.215.423km² distribuídas em 775 municípios. Segundo o Censo 2010 do IBGE, cerca de 24 milhões de pessoas vivem nessa região do país, o que representa mais ou menos 12% da população brasileira. Dessa população 70% dos moradores residem em áreas urbanas e 30% em áreas rurais. O número daqueles que integram as comunidades tradicionais e dos povos indígenas somam 4,5 milhões. A Amazônia Legal abriga 12,3% da população Brasileira. Uma exposição no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia durante o CEN 2016 mostrou uma síntese da Igreja com um rosto Amazônico. De acordo com Monsenhor Raimundo Posidônio, idealizador da exposição, o Congresso expressou a fisionomia da vida e da missão da Igreja na região: “A Amazônia não é só missionada, ela não só recebe missionários que vêm de diversas partes do Brasil e do mundo nesses 400 anos de evangelização, mas ela é também missionária, atualmente centenas de padres e religiosos da Amazônia estão em missão pelo mundo inteiro”, explica.

também momento de rezar pela paróquia, para que possamos, a partir deste congresso perseverar mais na fé”. Comovido por toda experiência vivida na procissão, o Diácono Leandro Melo, da Diocese de Guaxupé (MG) destacou: “Estar próximo da Eucaristia é nos identificarmos com esse Cristo que caminha conosco e se faz presente no meio de nós”. Para Leandro a Procissão do Triunfo foi um dos pontos altos do Congresso. “A Eucaristia sendo transladada no meio do povo, fazendo o mesmo percurso do Círio de Nazaré nos lembra que aonde caminha Maria, Cristo também está”. Depois de duas horas e meia de caminhada, a procissão chegou a Catedral Metropolitana, de onde Dom Alberto Taveira e Dom Cláudio Hummes deram a bênção final com o Santíssimo Sacramento, encerrando oficialmente o 17º Congresso Eucarístico Nacional.


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Congresso Eucarístico Nacional

Odilo Pedro Scherer

Os congressos eucarísticos celebram a globalidade da vida e da missão da Igreja João Paraense

Fernando Geronazzo

osaopaulo@uo.com.br

Em entrevista ao O SÃO PAULO, o Cardeal Odilo Perdro Scherer, arcebispo de São Paulo, falou sobre sua participação no 17º Congresso Eucarístico Nacional, realizado de 15 a 21 em Belém (PA). Dom Odilo explicou o significado deste evento que tem como principal objetivo testemunhar que Jesus Cristo e seu Evangelho estão no centro da vida cristã e da missão da Igreja. Confira.

Quais as características da Igreja na Amazônia que o senhor destaca?

O SÃO PAULO – Por que celebrar um Congresso Eucarístico? Qual seu significado? Dom Odilo Pedro Scherer – Os Congressos Eucarísticos são eventos eclesiais de grande significado. Neles, a Igreja testemunha que Jesus Cristo e seu Evangelho estão no centro da vida cristã e da missão da Igreja; a Eucaristia é o ponto mais alto da vida da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte da qual provém toda a vitalidade e fruto de sua missão. Os Congressos Eucarísticos podem ser internacionais, a cada 6 anos, e nacionais, também a cada 6 anos; além disso, podem ser celebrados Congressos diocesanos e paroquiais. Quais são as principais atividades deste evento? Nos Congressos Eucarísticos, de alguma forma, é tratada e celebrada a globalidade da vida e da missão da Igreja: o próprio mistério da Eucaristia, o Sacramento da Penitência, os ministérios ordenados, a Vida Consagrada, os leigos com suas múltiplas expressões organizadas; mas também se trata da caridade e da dimensão social da fé, da missionariedade da Igreja e da cultura cristã. Os casais, famílias, crianças e jovens não são esquecidos; a pregação da Palavra de Deus ocupa um lugar central e há sempre um simpósio teológico, que trata de algum tema relacionado com a Eucaristia e a Liturgia. Como foi para o senhor participar desta 17º edição do Congresso? Este Congresso teve uma conotação “amazônica” bem destacada. Foi lembrado o 4º centenário de fundação da cidade de “Santa Maria de Belém do Grão-Pará” (Belém) e do início da

a área metropolitana cresceu rapidamente e os serviços da Igreja Católica ainda não são suficientes. Mas há muitos movimentos eclesiais e associações laicais, que fazem um belo serviço missionário.

evangelização na Amazônia. O tema do Congresso – “Eucaristia e partilha na Amazônia missionária” - apontava claramente para a urgência missionária na Amazônia, que precisa ser assumida sempre melhor pela Igreja do Brasil inteiro; a celebração da Eucaristia leva a essa consequência mediante a “partilha” de bens espirituais e materiais da Igreja. A Arquidiocese de Belém organizou e preparou muito bem o Congresso e o povo fez uma acolhida calorosa aos peregrinos.

de Belém levaram a Eucaristia para suas comunidades, significando que a Igreja, de fato, está unida em torno do mesmo Cristo Senhor e vive da mesma Eucaristia: um só Senhor, uma só fé, um só Batismo, um único Pão que nos alimenta, uma esperança e a mesma missão...

Os católicos que foram ao Congresso puderem aprofundar mais seu conhecimento e fé no sacramento da Eucaristia?

Eu diria que deu para conhecer algo do Pará e da região de Belém... A Amazônia é muito extensa e diversificada. O povo da Amazônia é mestiço, religioso e místico. Em Belém há uma enorme devoção a Nossa Senhora, com os títulos principais de “Nossa Senhora da Graça”, “Mãe de Deus” e “Nossa Senhora de Nazaré”. A festa do Círio de Nazaré, a cada ano, é acompanhada por milhões de pessoas! A própria cidade de Belém também nasceu em torno de uma pequena Igreja, construída ao lado do Forte do Presépio”, junto do lugar onde hoje está situada a Catedral de Belém. Há uma forte presença de comunidades evangélicas pentecostais na cidade e região;

Houve uma boa oportunidade para isso e os diversos eventos e iniciativas oferecidos pelo Congresso foram bem aproveitados. Foi bonita a participação de crianças que, em grande número, fizeram sua primeira comunhão; de jovens, que lotaram o estádio do Mangueirão, com grande animação; houve também uma presença significativa de bispos de todo o Brasil. No sábado, 20 de agosto, foi realizada a missa no estádio e, em seguida, os sacerdotes de todas as paróquias

Os participantes também puderam conhecer melhor a realidade e a fé da Igreja na Amazônia?

É uma Igreja ainda jovem, esperançosa e missionária. A presença da Igreja Católica na Amazônia começou no início do século XVI, com os missionários Carmelitas, Mercedários, Jesuítas, Capuchinhos e Franciscanos. A eles foram se juntando, ao longo do tempo, os Redentoristas, Salesianos, Espiritanos, da Consolata e outros. Foram as Ordens e Congregações religiosas que asseguraram, até recentemente, o serviço missionário e eclesial na vasta região e o fizeram muito bem. Atualmente, porém, grande parte dos bispos da Amazônia é de brasileiros e do clero secular; eles devem prover ao clero de suas dioceses e já não podem mais depender da ajuda missionária estrangeira; por isso, cada vez mais, é a própria Igreja de todo o Brasil, que deve olhar para a Amazônia com solidariedade missionária. E foi a isso que o Congresso Eucarístico apontou. A Igreja na Amazônia precisa muito do nosso apoio missionário, de pessoas e de recursos materiais. A Arquidiocese de São Paulo toma parte dessa preocupação missionária em relação à Amazônia? Certamente! Colaboramos com recursos para sustentar o projeto missionário “Sul 1 – Norte 1”, que prevê o envio de missionários das dioceses do Estado de São Paulo aos Estados do Amazonas e de Roraima e a sua manutenção; participamos do “fundo de solidariedade eclesial” da CNBB, que recolhe mensalmente 1% da arrecadação de cada diocese do Brasil para destinar à formação do clero nas dioceses da Amazônia. Enfim, temos um sacerdote que presta ajuda missionária na diocese de Castanhal, no Pará, na paróquia de Igarapé-Açu. Durante o Congresso, tive a ocasião de visitá-lo, junto com Dom Sérgio de Deus e Dom Eduardo Vieira, e pude perceber que faz um belo trabalho e que o povo e o bispo estão felizes com a ajuda dele.


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Filipe David

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Dica de Leitura

Divulgação

O que é filosofia? Este livro compõe-se de minuciosas transcrições das aulas do curso “O que é filosofia?”, ministrado pelo filósofo espanhol José Ortega y Gasset (inicialmente) na Universidade de Madrid, em 1929, e de conferências suas em Buenos Aires, proferidas ao longo do último trimestre de 1928. Acontecimento marcante na história intelectual da Espanha, este curso foi o primeiro de Filosofia pura proferido abertamente no país. Sua grande repercussão confirmou o lugar relevante de Ortega y Gasset na vanguarda da Filosofia do século XX. *** “A vocação é sempre o resultado de um sacrifício; e a filosófica nasce do sacrifício mais implacável, porque não se vê. O sacrifício está oculto no filósofo, enquanto se desdobra em toda a sua beleza no sacerdote, no herói, no poeta, no homem de estado, no artista; sacrifício que, não sendo visível, não é entendido pelos demais, que, em ocasi-

ões facilmente recordáveis, acabam com a própria vida do filósofo, pois perceber o resultado do sacrifício sem ter visto o sacrifício é um espetáculo dificilmente suportável para os homens e, mesmo contando com a maior generosidade, sempre surge contra o filósofo esse pensamento: ‘se tivesse sido outra coisa!’. Ortega mostra a pureza de sua vocação filosófica porque, tendo podido ser tantas coisas, foi uma só. Mas todo o resto que pôde ser permanecerá vivo e reconhecível” - do posfácio de María Zambrano.

Cinema Pets – A vida secreta dos bichos

Ficha técnica: Autor: José Ortega y Gasset Páginas: 292 Editora: Vide Editorial

Estreia na quinta-feira, 25, o filme “Pets – A vida secreta das bichos”. A animação cômica conta o que acontece com os bichinhos depois que seus donos os deixam sós em casa. Max, um terrier que adora sua dona, fica profundamente incomodado quando ela decide trazer um novo cachorro para casa: Duke, que é maior do que Max. Os dois brigam e terminam perdidos em plena cidade de Nova Iorque. Agora, terão que aprender a se entender para escapar da carrocinha e voltar para casa. Enquanto isso, os animais da vizinhança tentam organizar um missão de resgate, ao passo que gangues de animais de rua vão aparecer no caminho da dupla. Um filme para ver com as crianças.


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Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

Rio 2016 termina com elogios do COI e recorde para o Brasil Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

A primeira olimpíada realizada no Brasil foi concluída na noite do domingo, 21, no estádio do Maracanã, com apresentações sobre a cultura do País e a participação de atletas de todo mundo que competiram nos Jogos Rio 2016. “Foram sete anos de muita luta, de muito trabalho, mas valeu a pena cada segundo, cada minuto, cada dia, cada ano”, declarou Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e do Comitê Organizador dos

Jogos Rio 2016, durante a cerimônia de encerramento. Livre de atentados terroristas, como se temia antes de seu início, mas com episódios isolados de violência na capital fluminense, os Jogos comprovaram a força do esporte em congregar diferentes povos e, segundo o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomaz Bach, deixaram um legado para a população carioca, especialmente nos transportes. “Antes, 18% da população tinha acesso a transporte público de boa qualidade. Agora, com os Jogos, serão 63%. Isso é muita coisa em sete anos numa metró-

pole como o Rio”, disse Bach à imprensa no sábado, 20, quando também elogiou a qualidade das instalações esportivas e a acolhida dos brasileiros. Os Estados Unidos, mais uma vez, lideraram o ranking de medalhas, com 121, sendo 47 de ouro. Ao todo, 87 países subiram ao menos uma vez no pódio. Com uma delegação recorde de 465 esportistas, e um investimento público de R$ 1,4 bilhão em atletas e confederações desde que o Rio foi escolhido sede olímpica em 2009, o Brasil terminou a disputa em 13º lugar, a melhor campanha de sua história, com 19 pódios (7 ouros, 6 pratas e 6 bronzes). Porém, a

meta do COB de estar entre os dez países com mais conquistas não foi alcançada. “A meta foi difícil e ousada. Não era fácil, mas era factível. Tanto que ficamos a apenas três medalhas do objetivo [O Canadá, com 22 pódios, foi o 10º colocado em número de medalhas]. Qual a diferença para os outros países? Eles têm o investimento há vários quadriênios”, justificou Marcus Vinícius Freire, diretor-executivo do COB, em coletiva de imprensa na segunda-feira, 22, na qual disse que o Brasil saltou de 36 finais em Londres 2012, para 71 nos Jogos Rio 2016. (Com informações do Site Rio 2016) Marcelo Pereira/Exemplus/COB

OURO (7)

PRATA (6)

Thiago Braz – atletismo – salto com vara Robson Conceição – boxe – até 60kg Rafaela Silva – judô – até 57kg Martine Grael e Kahena Kunze – vela – 49er FX feminino Alisson Cerutti e Bruno Schmidt – vôlei de praia Futebol masculino Vôlei masculino

Isaquias Queiroz: o menino no Rio Isaquias Queiroz, 22, conseguiu nesta olimpíada um feito inédito: ser o primeiro brasileiro a conquistar três medalhas em uma mesma edição dos Jogos. Na canoagem velocidade, ele foi ao pódio com o bronze no C1 200m e com as pratas no C1 1.000m e C2 1.000m, esta última conquistada com Erlon de Souza, no sábado, 20. “Estou satisfeito, feliz por esse feito. Vim pra cá com um objetivo. Devo primeiro ao Comitê Olímpico [COB], senão esse treinador (Jesús Morlán) não viria para o Brasil. Ganhar duas já era um feito histórico, imagina três”, comentou o canoísta, que por duas vezes neste ciclo olímpico ameaçou deixar a seleção, por conta da falta de reconhecimento, mas continuou. “Agora temos um herói nacional que pode influenciar muitas crianças a praticarem a canoagem, esporte que tem um imenso potencial de desenvolvimento e universalização no país”, declarou João Tomasini, presidente da Confederação Brasileira de Canoagem. (Com informações dos sites Rio2016 e Confederação Brasileira de Canoagem)

Ouro e prata nas areias de Copacabana O Brasil manteve a tradição de ganhar medalhas no vôlei de praia em todas as edições olímpicas. Alisson Cerrutti

BRONZE (6)

Isaquias Queiroz – canoagem velocidade – C1 1.000m Isaquias Queiroz e Erlon de Souza – canoagem velocidade – C2 1.000m Felipe Wu – tiro esportivo – pistola de ar 10m masculino Ágatha Bednarczuk e Bárbara Seixas – vôlei de praia Diego Hypolito – ginástica artística – solo Arthur Zanetti – ginástica artística – argolas

e Bruno Schmidt conquistaram na quinta-feira, 18, a medalha de ouro no masculino, ao derrotarem os italianos Lupo e Nicolai por 2 sets a 0. No dia anterior, Ágatha Bednarczuk e Bárbara Seixas ficaram com a medalha de prata no feminino, ao serem derrotadas pelas alemãs Ludwig e Walkenhorst por 2 sets a 0. Para Alison, as conquistas do vôlei de praia são resultado de trabalho em equipe e investimentos. “Se hoje estamos aqui, é graças ao programa Bolsa Pódio, ao apoio da CBV [Confederação Brasileira de Voleibol], do COB. Esse é o caminho, esse é o futuro do esporte de alto rendimento”, avaliou em entrevista coletiva. (Com informações dos sites Rio2016 e CBV)

Martine e Kahena mudam de rota para vencer Elas têm 25 anos e aprenderam a velejar na infância. Na quinta-feira, 18, as amigas Martine Grael e Kahena Kunze começaram a regata da medalha na categoria 49er FX feminina, na Baía de Guanabara, na segunda posição, mas com uma estratégia de prova diferente das rivais, elas se tornaram as primeiras brasileiras campeãs olímpicas na vela. “Nosso diferencial foi que tentamos velejar como se a fosse a nossa primeira vez lá. Entramos na competição achando que podia ter qualquer condição de vento, e nós duas sabemos li-

dar muito bem com essas mudanças”, explicou Kahena. (Com informações dos sites Rio2016 e COB)

Robson e Maicon: vencedores bem antes dos pódios Da periferia de Salvador (BA) ao lugar mais alto do pódio no Rio de Janeiro, Robson Conceição, 28, venceu muitos combates, o último deles contra francês Sofiane Oumiha na final da categoria até 60kg do boxe masculino, no dia 16. Antes de se tornar o primeiro boxeador de ouro do Brasil, Robson teve que assimilar duas eliminações olímpicas na estreia dos Jogos de 2008 e de 2012. “Depois que entrei para o boxe, percebi que é preciso ter persistência. Perdi as dez primeiras lutas que disputei na carreira e hoje sou campeão olímpico. Meu recado para todos é: nunca desistam”. Outro “campeão de persistência” nos Jogos foi Maicon Siqueira, 23, que no sábado, 20, conquistou o bronze na categoria acima de 80kg no taekwondo. No último ano, Maicon precisou superar um drama familiar que quase o afastou do esporte: sua mãe foi diagnosticada com câncer. Já curada, dona Vitória Andrade pôde festejar no Rio de Janeiro a medalha do filho. “Minha mãe é a base de tudo, é meu pilar”, declarou. (Com informações dos sites Rio2016, COB e Brasil2016)

Isaquias Queiroz – canoagem velocidade – C1 200m Mayra Aguiar – judô – até 78kg Rafael Silva – judô – acima de 100kg Poliana Okimoto – maratonas aquáticas – 10km feminina Arthur Nory - ginástica artística – solo Maicon Siqueira – taekwondo – acima de 80kg

Bolt e Phelps confirmam favoritismo Usain Bolt chegou ao tricampeonato olímpico no atletismo nas provas dos 100m, 200m e no revezamento 4x100m com a equipe da Jamaica. “Se despedir dos Jogos é triste, mas estou muito feliz e satisfeito porque consegui alcançar a meta que tracei. Estou aliviado e orgulhoso, pois tudo se tornou realidade. Sou o maior da história”, afirmou. Recordista de pódios olímpicos, 28 ao todo, o norte-americano Michel Phelps encerrou a carreira sendo o líder de medalhas também nesta edição dos Jogos, com cinco ouros e uma prata na natação. “Já sinto saudades da beleza do Rio e da simpatia de seu povo”, escreveu em suas redes sociais. (Com informações do Site Rio 2016)

Futebol tem ‘revanche’ dourada contra a Alemanha Finalmente o futebol masculino do Brasil conquistou o primeiro ouro olímpico. No sábado, 20, com o estádio do Maracanã lotado, a seleção venceu a Alemanha nos pênaltis, após empate em 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação. O goleiro brasileiro Weverton defendeu a cobrança do alemão Petersen e na sequência Neymar acertou o pênalti decisivo. Para muitos, o título foi a revanche dos 7x1 que os alemães aplicaram na

seleção na semifinal da Copa de 2014. Além de Neymar e Weverton, estiveram no time de ouro o goleiro Uilson; os defensores Marquinhos, Rodrigo Caio, Luan, William, Douglas Santos e Zeca; os meio-campistas Walace, Rodrigo Dourado, Thiago Maia, Rafael Alcântara, Renato Augusto e Felipe Anderson; e os atacantes Gabriel Barbosa, Gabriel Jesus e Luan. (Com informações do Site Rio 2016)

Fechando com ‘saque de ouro’ No último dia dos Jogos, no domingo, 21, a seleção masculina de vôlei conquistou a medalha de ouro ao vencer na final a Itália por 3 sets a 0, no Maracanãzinho. Comandados por Bernardinho, treinador seis vezes medalhista olímpico, os jogadores Bruninho, Douglas Souza, Éder, Evandro, Lucarelli, Lipe, Lucão, Maurício Borges, Maurício Souza, Serginho, Wallace e William recolocaram o Brasil no lugar mais alto do pódio após 12 anos. Único remanescente da seleção de ouro em Atenas 2004, o líbero Serginho, 40, encerrou a carreira conquistando sua quarta medalha olímpica (também foi prata em Pequim 2008 e Londres 2012). “Era a minha última olimpíada, minha última tentativa de ser bicampeão olímpico, e os caras me ajudaram”, recordou ao fim da partida. (Com informações dos sites COB e CBV)


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Ipiranga

Padre José Ronaldo Gouvêa, Padre Ricardo Pinto, Marcelle Machado e Renata Quito Colaboradores de comunicação da Região

‘PedalaVoc’ para evangelizar por meio do esporte No domingo, 21, realizou-se a terceira edição “PedalaVoc”, um passeio ciclístico com os jovens da Região. O evento tem como objetivo a evangelização por meio do esporte, aproveitando a segurança e a organização das ciclo faixas instaladas na cidade de São Paulo. Este ano o tema foi: “Pedalar com Jesus Misericordioso”. Com finalidade de promover um evento esportivo, Em seu percurso, os ciclistas fizeram duas paradas para restaurar as energias e se hidratarem. O evento começou na Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Moema. Os participantes fizeram a primeira parada na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, do bairro Planalto Paulista, e a segunda parada na Paróquia Santuário São Judas Tadeu, onde o

grupo foi acolhido pelo Padre Aloísio Knob. Depois de restabelecer as energias com frutas e água fresca, todos rezaram e passaram pela Porta Santa da Misericórdia. O fim do “PedalaVoc” foi na Paróquia Nossa Senhora da Saúde, próximo ao metrô Santa Cruz. “É muito importante promover o encontro dos jovens de forma habitual, para não perderem o foco. No entanto, muitas vezes, o grupo se dissipa e muitos se afastam. Por isso, é necessário mantê-los ocupados, longe das ruas, das drogas, das atividades que desintegram os valores do caráter humano. Daí a importância de eventos como este, que também aproximam os jovens da comunidade”, afirmou Angela Tieko Tanaka, participante da Pastoral Vocacional Regional.

Angela Tieko Tanaka

Participantes do ‘PedalaVoc’ posam para foto com Dom José Roberto Palau, no domingo, 21

Dom José Roberto preside missa pelos 77 anos do Amparo Maternal Refugiadas de países como Angola, Congo e Nigéria, mães e gestantes atendidas pelo Centro de Acolhida do Amparo Maternal entraram na procissão inicial da missa de 77 anos da instituição, com um cântico africano que exalta a espiritualidade e a propagação intensa do amor divino. Dom José Roberto Fortes Palau, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e Vigário Episcopal para a Região Episcopal Ipiranga, começou a celebração de aniversário da entidade, comemorado no mês de agosto. “É com grande alegria que celebramos esta Eucaristia. A palavra Eucaristia significa ação de graças e nós damos graças a Deus pelos 77 anos do Amparo Maternal. É muito bom ver essas mães participando deste momento. E sabe por qual razão Jesus apareceu primeiro às mulheres para anunciar a ressurreição? Porque as mulheres são geradoras de vida”, continuou o Bispo, acompanhado do diretor eclesiástico do Amparo Maternal,

Maecelle Machado

Colaboradores, voluntários e pacientes celebram 77 anos do Amparo Maternal

Padre Dario Bevilacqua, do Diácono Permanente Anivaldo Blasques e do Frei Valdecir Schwambach, pároco da Paróquia São Francisco de Assis, da Vila Clementino. Colaboradores, terceiros, voluntários, pacientes e parceiros da organização lotaram o salão de eventos. “Em nome do Amparo Maternal, de sua presidente, Maria Ilze Moreno Piquera e da Associação Congrega-

ção de Santa Catarina, que nos administra, agradeço a todos pela presença. É importante celebrar a vida e quem nos dá a vida. Se o trabalho do Amparo Maternal continua, é resultado da soma de boas intenções. Esta Casa acolhe porque recebe bênçãos e consegue trazer lindas ações de cada um de nós”, comentou Fernanda Allucci, diretora executiva do Amparo Maternal.

Ministros da Eucaristia participam de Retiro Anual Com cerca de 600 participantes, aconteceu no sábado, 21, o retiro anual dos ministros extraordinários da Sagrada Comunhão (Mesc) que atuam na Região Episcopal Ipiranga. Como acontece há alguns anos, o ambiente da Mariápolis Ginetta, em Vargem Grande Paulista (SP), ajudou todos a se sentirem “em casa” e viverem um dia de oração e fraternidade. As reflexões foram conduzidas por Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar de São Paulo na Região Ipiranga. Partindo da Bula Misericordiae Vultus, Dom José evidenciou o Evangelho em que Jesus foi ao encontro do leproso para tocá-lo e reintegrá-lo na comunidade, sem se preocupar com o contágio. As Obras de Misericórdia Corporais e Espirituais também foram lembradas e foi realizada uma reflexão sobre a logomarca do Ano Santo. “No desenho, há um detalhe importantíssimo: os olhos de Jesus confundem-se com os do homem ferido. Isso quer dizer que cada homem descobre em Cristo a própria humanidade e o futuro que o espera, contemplando em seu olhar o amor do Pai”, explicou o Bispo. Em um momento conduzido pelo Padre Ricardo Pinto, assistente eclesiástico regional dos Mesc, foi contado o testemunho da Isabel, falecida há poucos meses.

Paróquias celebram Semana da Família Entre os dias 14 e 20, celebrou-se a “Semana da Família” nas paróquias Nossa Senhora Aparecida, do Setor Pastoral Anchieta e São João Batista, do Setor Imigrantes, e realizaram diversas atividades. Na paróquia São João Batista, o núcleo da Pastoral Familiar preparou uma programação intensa e profunda. O tema central “Misericórdia na família dom e missão”, proposto pelo subsídio Hora da Família da CNBB, foi a base das reflexões. O testemunho de João Blota, sobre

a libertação da dependência química, enriqueceu o tema “Procurados pela misericórdia”. A reflexão sobre “Família e Igreja, lugares da misericórdia” conduzida pelo casal Ítalo e Rosana Fasanella, da Comunidade Sagrada Família, foi finalizada com a bênção das relíquias de São Luiz e Santa Zélia Martin, pais de Santa Teresinha do Menino Jesus. O casal Nando Mendes e Daniela, ligados à Comunidade Canção Nova, conduziram o momento de Adoração Eucarística e falaram sobre “O perdão na família”. Na conclusão, a celebração eucarística hou-

ve a Exortação Apostólica Amoris Laeticia como inspiração para a reflexão conduzida pelo Padre Pedro Luiz Amorim, coordenador regional de Pastoral. Como gesto concreto, foram feitas doações de alimentos, material de higiene e cadeiras de roda e de banho para o Instituto Hikari que acolhe famílias de outras cidades e estados que vêm a São Paulo para tratamento de câncer e transplantes. A paróquia Nossa Senhora Aparecida, organizou nos dias 11, 12 e 13 de agosto uma série de palestras sobre

a instituição sagrada da família com profissionais das mais diversas áreas. O ciclo de palestras encerrou-se com a participação da ginecologista Marília de Siqueira, que alertou para a situação sofrida por médicos da área em prescrever pílulas anticoncepcionais, bem como os malefícios desta medicação em longo prazo. Mantendo o espírito familiar, a “Semana da Família” terminou com um baile, no dia 20. Pais, filhos e avós puderam divertir-se muito, além de comer, cantar e dançar.


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Peterson Prates

Colaborador de comunicação da Região

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Belém

Religiosas anunciam o Redentor no Sinhá No sábado, 20, as três religiosas da Paróquia Nossa Senhora da Esperança receberam a outorga do diploma de oblatas redentoristas, pelo trabalho realizado à comunidade, junto aos missionários redentoristas. Terezinha de Lurdes Bosco, Maria de Lourdes Toledo da Silva e Marilda de Camargo chegaram ao Jardim Sinhá em janeiro de 1980, em uma realidade de extrema pobreza, motivadas por dom Luciano Mendes de Almeida para trabalhar com as crianças que viviam em situação de vulnerabilidade. As três professoras chegaram ao bairro como religiosas da Congregação das Irmãs da Providência, mas depois de todo o contato com o povo, trabalhando com as famílias, com a pastoral do menor e a pastoral da criança, se separaram da

Arquivo pessoal

congregação para se entregarem inteiramente ao povo do Sinhá, de modo especial às crianças. Com muito esforço construíram um barraco em mutirão, para trabalharem com as crianças o reforço escolar e ali realizarem as celebrações, para o qual o povo escolheu o nome de Comunidade Nossa Senhora da Esperança. Esse pequeno barraco se tornou hoje paróquia-matriz.

Oblatas Redentoristas

A entrega do título aconteceu durante o tríduo da padroeira, Nossa Senhora da Esperança, que teve início na quinta-feira com missa presidida pelo bispo auxiliar de São Paulo para a Região Belém, dom Luiz Carlos Dias. No sábado, a celebração presidida pelo superior provincial da Congregação do Santíssimo Redentor,

CLERB

Entre os dias 19 e 21 aconteceu o XXIV Retiro de leigos da Região Episcopal Belém, iniciativa do Conselho de Leigos da Região (CLERB). O retiro teve como tema ‘Sal da Terra e Luz do Mundo’ e lema ‘Leigos e Leigas da Igreja no coração do Mundo e Leigos e Leigas do Mundo no coração da Igreja’. O encontro aconteceu em Parelheiros e foi assessorado pelo teólogo Carlos Mario Vásquez.

Terezinha, Maria de Lourdes e Marilda chegaram ao Jardim Sinhá em janeiro de 1980

Padre Rogério Gomes, lotou a matriz para prestigiar as irmãs do Sinhá, como são chamadas, desde que chegaram no bairro, há 36 anos.

Cresceu o vínculo

Após 23 anos com a comunidade, a recém criada paróquia recebeu os missionários redentoristas como responsáveis. Desde então, o vínculo entre as irmãs e os redentoristas cresceu. “Elas passam a fazer parte da nossa vida espiritual, trazem um outro aspecto da sociedade, outro modo de ver a Igreja e a realidade, que nos enriquece muito”, disse Padre Rogério Gomes, lembrando que a congregação concede essa condecoração a leigos, religiosos e clérigos que doam sua vida em favor da redenção, e trabalham em favor de uma causa.

Testemunho

Cláudio Mendes, agente de pasto-

Santana

ral da comunidade e morador do bairro há 42 anos, conheceu as irmãs logo que chegaram, quando ele era ainda criança . “Elas poderiam ter escolhido outro local, outros desafios, mas quiseram fazer uma verdadeira opção pelos pobres, aqui no Jardim Sinhá “, relatou. “Com muita humildade e despojamento vieram para este bairro, onde faltava tudo, pavimentação, saneamento básico, atendimento de saúde, transporte, e acima de tudo, alguém com olhar diferenciado para as crianças que viviam em situação de vulnerabilidade. Eu posso afirmar que este bairro não seria o mesmo sem a vida dessas três mulheres”, continuou Cláudio. Graças ao trabalho das irmãs, hoje o bairro conta quatro centros que atendem crianças e adolescentes (CEI Dom Luciano Mendes de Almeida, CEI Mãe da Esperança, CEI Parque Bancário e a CCA Emília Mendes de Almeida)

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

Semana da Família promovida pela Pastoral Familiar une paróquias A Pastoral Familiar da Região Santana participou da abertura arquidiocesana da Semana Nacional da Família, no sábado, 13 com a peregrinação da família no Jubileu da Misericórdia, do Pátio do Colégio até a Catedral da Sé. Em seguida, houve missa presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana e referencial da Pastoral Familiar,

Dom Sergio de Deus Borges, e concelebrada pelos padres assessores. As paróquias da Região desenvolveram diversas atividades durante a Semana Nacional da Família, de 14 a 19, tais como missas, palestras, testemunhos, teatros, terços, adorações, festas, debates, entre outras, todas unidas ao tema “Misericórdia na Família: Dom e Missão”.

“Na tarde do sábado, 20, foi realizada a missa de encerramento da Semana da Família, na Capela São José, na Cúria de Santana, presidida pelo Padre Eduardo Higashi, assessor eclesiástico

da Pastoral Familiar da Região Santana e contou com a presença da equipe regional”, informou Antônio e Silvana Ribeiro, casal coordenador regional da Pastoral Familiar.

Cecilia Cardoso da Silva

Pastoral Familiar

Membros da equipe da Pastoral Familiar em missa presidida pelo Padre Eduardo Higashi

Coroinhas do Setor Vila Maria se reuniram, dia 14, na Paróquia Nossa Senhora da Anunciação, para em missa presidida por Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, e concelebrada pelo pároco, Padre Antonio Laureano, e acolitado pelo Diácono Rogério Soler, celebrarem São Tarcisio, padroeiro dos coroinhas.


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Brasilândia

Tânia Mandri, Larissa Alves,Natali Félix e Ernesto Dias Souza Colaboradores de comunicação da Região

Nossa Senhora do Retiro, Mãe da Misericórdia Entre os dias 12 e 21, fiéis celebraram a novena de Nossa Senhora do Retiro, com o tema “Mãe de misericórdia e ternura” Motivada a partir do Ano Santo da Misericórdia, a novena de Nossa Senhora do Retiro, padroeira da paróquia localizada na Vila Mirante, teve seu encerramento no domingo, 21. Durante os nove dias, nas missas, deu-se ênfase a temas que exploravam a ternura e misericórdia de Maria. As atividades começaram cedo, e mesmo com a chuva, os fiéis mantiveram-se animados. Pela manhã, aconteceu uma carreata com a imagem de Nossa Senhora do Retiro, que teve início na Paróquia e continuou por três de suas comunidades: Rainha da Paz, São Judas Tadeu e São Francisco. O encerramento aconteceu na comunidade São Pedro Apóstolo, onde houve bênção dos veículos e comemoração pelo evento bem sucedido. Mantendo o espírito de celebração, à tarde, os devotos fizeram uma procissão saindo da comunidade São Pedro até a Paróquia, onde foi celebrada a missa presidida pelo pároco Natanael Pires.

Carolina Leandro

Motivados a partir do Ano Santo da Miséricórdia, fiéis celebram novena a Nossa Senhora do Retiro, nas comunidades paroquiais da Vila Mirante

Durante a celebração, foi relembrado a paciência e serenidade da mãe do Salvador. “Maria não é uma deusa, mas a Igreja a venera e tem um amor muito grande por ela, que entendeu perfeitamente qual era o projeto de Deus - amar a Deus e ao próximo – e é justamente no amor ao próximo que podemos evangelizar. ‘Quem é o seu

próximo?’ ‘Como você esta amando?’”, indagou o Padre Natanael Pires. Ele disse também que Maria “com a sua ternura nos abraça, conquista, e faz sentir o perdão de Deus em nós. Com o exemplo e o auxílio dela, entendemos que o amor a Deus nos faz crescer e eleva nossa humildade”. No fim da missa, a imagem de Nossa

Senhora do Retiro foi coroada por um grupo de crianças, que representavam anjos, como “mãe da fé, mãe da esperança e mãe do retiro”. Em seguida, os fiéis foram convidados a participar da festa na rua, com diversas barracas em frente à paróquia, e puderam se confraternizar pela novena à padroeira.

Comunidade vive novena à Nossa Senhora da Alegria A Comunidade Nossa Senhora da Alegria e São Paulo Apóstolo, da Paróquia Santa Rita de Cássia, Setor Nova Esperança, na Região Brasilândia, realizou a tradicional novena à sua padroeira, entre os dias 13 e 21. Com o tema “Nossa Senhora da Alegria ‘Caminha com as famílias na misericórdia’”, a novena teve seu encerramento no domingo durante a Missa da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. Ao longo dos nove dias, as reflexões sobre a prática da misericórdia por meio da caridade, da assistência, da acolhida, do aconselhamento, do encaminhamen-

to, do perdão e da consolação foram inspirados em Maria e apresentadas pelos padres convidados a presidir a celebração em cada um dos dias. Na missa de encerramento, o pároco, Padre Jaime Estevão, convidou a assembleia a refletir sobre os momentos de misericórdia de Jesus Cristo; agradeceu a todos os que engrandeceram as festividades com suas reflexões, bem como a participação dos que colaboraram para a realização da novena e vieram celebrar com a Comunidade Nossa Senhora da Alegria. Além disso, enalteceu a integração entre as comunidades da Paróquia.

Ernesto Dias Souza

“Nossa Senhora da Alegria ‘Caminha com as famílias na misericórdia’” foi o tema da novena

Imagem peregrina visita Paróquia Santa Rosa de Lima A Paróquia Santa Rosa de Lima, do Setor Perus, recebeu no domingo, 14, a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida. A imagem saiu da Paróquia Cristo Rei, em carro aberto até a comunidade Bom

Samaritano. À noite, a imagem foi recebida na Igreja Santa Rosa de Lima e ao término da procissão, entregue ao Padre Luciano Andreol, que presidiu a Missa e ressaltou a importância das famílias e da presen-

ça de Nossa Senhora em cada uma delas. Ele lembrou ainda que a padroeira Santa Rosa de Lima era devota de Nossa Senhora, foi uma leiga que dedicou sua vida à oração, à penitência, à caridade para com

todos, principalmente aos índios e negros e que, após sua consagração, passou a se chamar Rosa de Santa Maria. A imagem de Nossa Senhora permaneceu na Paróquia até o dia 21.

redação

osaopaulo@uol.com.br Arquivo pessoa

Padre Helmo César Faccioli, coordenador Regional de Liturgia assessora encontro de liturgia

Encontro Regional de Formação Litúrgica Nos dias 16 e 17, na Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima, no Sumaré, foi realizado mais um Encontro de Formação Litúrgica. Nesses dois dias estavam presentes em torno de 100 pessoas, agentes de pastoral, membros das equipes de liturgia das Paróquias, leigos e padres de Região

Episcopal Sé. Neste encontro o tema escolhido para ser trabalhado foi: “O significado dos ritos para a vida”. O encontro foi assessorado pelo Padre Helmo César Faccioli, coordenador da Comissão Regional de Liturgia. O próximo encontro acontecerá nos dias 4 e 5 de outubro.


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BENIGNO NAVEIRA

COLABORADOR DE COMUNICAÇÃO DA REGIÃO

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Lapa

Poder Público atende reinvindicação de associação de moradores Depois de uma luta intensa de quase 40 anos da Associação de moradores do Jardim Bonfiglioli, na zona Oeste da capital, que reivindicava providências aos órgãos do poder público para solucionar o problema das fortes chuvas que ocasionam as grandes enchentes no bairro, na quinta-feira, 18, às 11h, aconteceu a reunião da Associação de moradores com os representantes do poder público. Roberto Garibe, Secretário Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB); Carlos Zarattini, deputado federal e Antonio Donato, vereador e presidente da Câmara Municipal de São Paulo receberam os membros da associação de moradores. Por parte da Associação, Paulo Souza, antes de iniciar a reunião, apresentou os representantes do poder público e o Cabo do Corpo de Bombeiro da Polícia Militar, Willian André Bala. Paulo comentou que o propósito era receber do poder público a notícia oficial da li-

Benigno Naveira

O Secretário Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras; o deputado federal e o presidente da Câmara Municipal participaram da reunião

beração da verba para o início imediato das obras de contenção de enchentes no bairro. Na sequência, o secretário Roberto Garibe, falou sobre o processo de grandes obras e do programa de investimentos para as grandes vertentes, como a bacia hidrográfica do Pirajuçara. O secretário ressaltou ainda que, após varias reuniões com a Associação,

com a presença de Donato e Zarattini, conseguiram a aprovação da verba que está alçada no valor de dois milhões de reais. As obras estão programadas para início em setembro com duração de sete meses, sendo liberado a princípio o valor de 1 milhão de reais. O restante do dinheiro está reservado, ou seja, já faz

parte do planejamento do orçamento para o ano de 2017, quando acontecerá o término das obras. A Pastoral da Comunicação da Região Episcopal Lapa acompanhou a reunião e conversou com Paulo Souza. “Após 40 anos de luta, com o apoio de representantes do poder público iremos por fim às enchentes no nosso bairro”, disse.

Pascom da Região Lapa realiza reunião com os setores Na sexta-feira, 19, às 20h, no salão paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Lapa, Setor pastoral Lapa, a Pastoral da Comunicação realizou a reunião com os setores pastorais da Região Lapa, com a presença do Padre Antonio Francisco dos Santos, coordenador geral da Pascom; de Paulo Ramicelli, coordenador

Regional e Setor Lapa; de Maria Tiemi, coordenadora Regional e Setor Butantâ; de Tony Donomai e Marly Palmieri, coordenadores do Setor Pirituba; de Mariana Al Zabher, coordenadora Setor Rio Pequeno; de Monica Lobato, coordenadora Setor Leopoldina; de Lucia Rilco, da Paróquia São Francisco de Assis, SeBenigno Naveira

tor Butantã, e do jornalista Benigno Naveira, coordenador Regional e repórter da Região. Na pauta da reunião, discutiramse os seguintes assuntos: Apresentar para a Pastoral da Comunicação da Arquidiocese e para a Região Episcopal Lapa, o trabalho que é realizado dentro do setores pastorais, a promoção de reuniões nas paróquias e comunidades, para a participação e a in-

teração entre os agentes envolvidos na comunicação em rede, capacitando-os na elaboração de murais, boletins informativos e outros. Em comemoração ao “Ano da Misericórdia”, a Pascom Regional lançou um evento “Festival de Comunicação da Região Episcopal Lapa” com concurso de fotografias, que será realizado no dia 29 de outubro. Mais detalhes nas próximas edições do jornal O SÃO PAULO. Ivanilda Lino Alves

Pastoral da Comunicação realiza reunião com representantes dos setores pastorais na região Benigno Naveira

No dia 18, na Curia na Região Lapa, aconteceu a formação com as secretárias e secretários paroquiais da Região com o tema “Secretária paroquial e sua missão na ação evangelizadora da Igreja, vínculos trabalhistas e a vocação de estar a serviço”, abordado pelo Padre Zacaria José de Carvalho Paiva, procurador da Mitra Arquidiocesana. Paulo Ramicelli

No sábado, 20, a Paróquia Santo Estevão Rei, na Vila Leopoldina, celebrou seu padroeiro com missa presidida pelo pároco, Padre José de Assis Batista.

O Colégio Santa Cruz realizou sábado, 20, sua 10ª Mostra Cultural com a participação do bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, Dom Julio Endi Akamine, e do pároco da Paróquia São João Gualberto, Padre Geraldo Raimundo Pereira


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Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

Começa a temporada de campanha eleitoral

11 candidatos disputam a prefeitura de São Paulo Desde a terça-feira, 16, está oficialmente permitida a propaganda eleitoral partidária em vistas às eleições que acontecerão em 2 de outubro nos municípios de todo o Brasil. São 45 dias que os candidatos dispõem para fazer campanha, a mais curta dos últimos 18 anos. Nesse primeiro momento, ainda não será veiculada propagandas no rádio e na televisão, essas começarão somente a partir de 26 de agosto e vão até 29 de setembro – isso apenas para o primeiro turno. A propaganda no rádio e na televisão ocupará 20 minutos por dia (de segunda a sábado), além de 70 minutos diários em inserções, inclusive aos domingos. A minirreforma eleitoral (Lei nº 13.165/2015), aprovada em 2015, extinguiu a propaganda em blocos dos candidatos a vereador. Do tempo total de inserções, 42 minutos são destinados aos candidatos a prefeito e 28 minutos aos candidatos a vereador.

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Orçamento de 2017

A equipe econômica deverá finalizar nos próximos dias a proposta de orçamento para o ano de 2017 e a expectativa, segundo interlocutores do governo, é de que o documento final não contemple aumento de tributos. Porém, poderá trazer corte de despesas em relação ao estimado anteriormente.

Eleições municipais

De acordo com o site do Tribunal Eleitoral Regional de São Paulo (TER -SP), a propaganda eleitoral em rádio e televisão será iniciada pelo candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PRTB, Levy Fidelix. A ordem de veiculação obedece a um rodízio: o último veiculado no dia anterior é sempre o primeiro do dia seguinte.

Gastos com a campanha

A partir das eleições deste ano, os candidatos possuem um teto de gastos,

ou seja, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estipula um valor máximo que cada candidato pode gastar em sua campanha. Os valores são atualizados de acordo com a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do IBGE. Candidatos a prefeito de São Paulo poderão gastar até R$ 45,4 milhões no primeiro turno da disputa e R$ 13,6 milhões em um eventual segundo turno, já os vereadores poderão gastar pouco mais de R$ 3,2 milhões.

Candidatos Nesse ano, concorrem à prefeitura de São Paulo 11 candidatos. O SÃO PAULO consultou o site do TSE e Eleições2016 para apresentar cada um deles. Celso Russomanno é candidato pelo PRB na coligação “São Paulo sabe, a gente resolve” que reúne os seguintes partidos: PSC, PTB e PEN. 59 anos, tem ensino superior completo, é deputado federal por São Paulo e apresentador de televisão, casado e natural de São Paulo. Sua vice é Marlene Campos Machado, do PTB. Marta Suplicy é candidata pelo PMDB na coligação “União por São Paulo” que reúne o seguinte partido: PSD. 71 anos, tem ensino superior completo, é senadora da República por São Paulo, casada e natural de São Paulo. Seu vice é Andrea Matarazzo, do PSD. Luiza Erundina é candidata pelo PSOL na coligação “Os sonhos podem governar” que reúne o seguinte partido: PCB. 81 anos, tem ensino superior completo, é deputada federal por São Paulo, solteira e natural de Uirauna (PB). Seu vice é Ivan Valente, do mesmo partido. Fernando Haddad é candidato a reeleição pelo PT na coligação “Mais São Paulo” que reúne os seguintes partidos: PC do B, PR, PDT e PROS. 53 anos, tem ensino superior completo, é o atual prefeito de São Paulo, casado e natural de São Paulo. Seu vice é Gabriel Chalita, do PDT. Altino é candidato pelo PSTU. 49 anos, tem ensino superior completo, é ferroviário, divorciado e natural de São Luís (MA). Sua vice é a Professora Janaína, do mesmo partido.

João Doria é candidato pelo PSDB na coligação “Acelera SP” que reúne os seguintes partidos: PPS, PV, PSB, DEM, PMB, PHS, PP, PSL, PT do B, PRP, PTC, PTN. 58 anos, tem ensino superior completo, é empresário, casado e natural de São Paulo. Seu vice é Bruno Covas, também do mesmo partido. Levy Fidelix é candidato pelo PRTB. 64 anos, tem ensino superior incompleto, é jornalista e redator, casado e natural de Mutum (MG). Seu vice é Jairo Glikson, do mesmo partido. Ricardo Young é candidato pela Rede. 59 anos, tem ensino superior completo, é vereador em São Paulo e empresário, divorciado e natural de São Paulo. Sua vice é Carlota Mingolla, do mesmo partido. João Bico é candidato pelo PSDC. 49 anos, tem ensino médio completo, é empresário, casado e natural de São Paulo. Sua vice é a Professora Sílvia Cristina.

partido.

Major Olímpio é candidato pelo SD. 54 anos, tem ensino superior completo, é deputado federal por São Paulo, casado e natural de Presidente Venceslau (SP). Seu vice é David Martins, do mesmo Henrique Áreas é candidato pelo PCO. 31 anos, tem ensino superior completo, é agente postal, solteiro e natural de Ribeirão Preto (SP). Seu vice é Tranquillo Moterle, do mesmo partido.

O presidente do PT na cidade de São Paulo, o vereador Paulo Fiorilo, entrou na Justiça Eleitoral com uma ação para tentar impugnar a candidatura de João Doria (PSDB) à prefeitura da capital. No pedido, Fiorilo afirma que o tucano desrespeitou a legislação ao não se afastar dos cargos de administrador de empresas capazes de influenciar a economia nacional.

Plebiscito para grandes obras

A Frente Parlamentar de Implantação da Democracia Direta decidiu em reunião na quarta-feira, 17, realizar na 2ª quinzena de outubro uma audiência pública para tratar de projetos de lei que regulamentam o artigo 10 da Lei Orgânica do Município de São Paulo. Um dos projetos, o 476/2015, aprovado na Câmara e vetado pelo executivo, previa um plebiscito para a discussão e aprovação de obras de valor elevado ou que tenham significativo impacto ambiental na cidade de São Paulo. O outro, enviado pelo executivo, no início de agosto, o PL 389/2016, trata do mesmo tema, vinculando a apresentação do Plano de Obras Públicas ao Programa de Metas. Nesse caso, o plebiscito poderá existir, caso haja uma proposta assinada por 2% do eleitorado.

Lei da Ficha Limpa

Na sexta-feira, 19, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), rede de organizações da sociedade brasileira que conquistou a Lei da Ficha Limpa, veio a público emitir um pronunciamento sobre episódios recentes envolvendo a eficácia das novas normas sobre inelegibilidades. De acordo com o comunicado, a lei é fruto de um “esforço de grande número de juristas de notável respeitabilidade, com a colaboração de todas as organizações representativas das carreiras jurídicas, que cooperaram com a sociedade civil organizada para a construção de um marco legal inovador e de alta qualidade sobre os requisitos para as candidaturas. Além disso, foi aprovada pelo Congresso e declarada constitucional pelo STF, tendo sido aplicada nos dois últimos processos eleitorais”. “Ressaltamos que o ponto mais importante do debate é o relativo à permissão para que vereadores sejam os responsáveis por julgar as contas de prefeitos que usurparam a função de ordenadores de despesas. O regime de julgamento das contas previsto na Constituição expressamente estipula que os tribunais de contas julgam as contas dos que movimentam verbas públicas, sem excluir os chefes do Executivo que tenham praticado tal conduta”, afirma a nota. Fontes: Congresso em Foco, Folha de São Paulo, G1, Rede Nossa São Paulo


www.arquisp.org.br | 24 a 30 de agosto de 2016

| Geral | 23 Luciney Martins/O SÃO PAULO

Fernando Geronazzo e Nayá Fernandes

osaopaulo@uol.com.br

Consagrar a vida toda a Deus para viver de maneira radical a graça recebida no Batismo. Esta é a vocação dos aproximadamente 1,2 milhão de religiosos consagrados, entre homens e mulheres, que existem no mundo. No Brasil, os cerca de 40 mil consagrados foram homenageados no terceiro domingo de agosto, 21, mês vocacional. O desejo de deixar tudo para dedicar-se totalmente à contemplação de Deus surgiu nos primeiros séculos do Cristianismo. Com o passar do tempo, esses consagrados, que em muitos casos, viviam sozinhos, como eremitas, começaram a se reunir em comunidades e a viver de uma maneira “ordenada”, segundo uma regra de vida, dando origem às primeiras ordens religiosas. “O que nos diferencia dos demais cristãos é justamente a reserva total para o serviço do Reino. Porque a missão de evangelizar, profetizar, de anunciar o Evangelho é de todo batizado. Nós, religiosos, nos consagramos totalmente para essa missão. Enquanto o leigo tem a sua missão temporal, sua família, trabalho, outras situações que o absorvem”, explica a Irma Maria Inês Vieira Ribeiro, presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB). Diferentemente dos ministérios ordenados dos diáconos, padres ou bispos, a consagração religiosa não se dá por um sacramento, mas por meio da profissão pública dos três votos ou conselhos evangélicos: castidade, pobreza e obediência. Além desses votos, existem os chamados “votos protetivos” que auxiliam na aplicação dos três votos fundamentais. Por exemplo, os monges beneditinos fazem o voto de estabilidade. Embora seja um ato pessoal, a consagração não é algo privado, mas é acolhido pela Igreja por meio da família religiosa que a reconhece. Existem congregações masculinas que têm entre seus membros sacerdotes, que além de professarem os votos recebem o sacramento da Ordem.

Famílias religiosas

Os consagrados se reúnem em gru-

Religiosos e religiosas que atuam na Arquidiocese de São Paulo participam de celebração do Ano da Vida Consagrada em fevereiro de 2015

Chamados a dar a vida toda pelo Reino de Deus pos e famílias religiosas segundo um carisma específico. “O carisma é um dom do Espírito Santo dado a um fundador para iniciar uma comunidade de vida consagrada com uma determinada missão na Igreja. Há carismas dedicados à educação, cuidado dos enfermos, aos mais necessitados, à comunicação, ao anúncio do Evangelho, etc.”, esclarece Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar de São Paulo e referencial para a vida consagrada na Arquidiocese. “Do ano 400 até hoje, surgiram inúmeras famílias religiosas. Algumas deram seu contributo por um tempo e desapareceram, outras surgiram posteriormente com novos carismas. Assim, vemos que a fecundidade o Espírito não termina”, acrescenta Irmã Maria Inês. Até a promulgação do novo Código de Direito Canônico, em 1983, as famílias religiosas se distinguiam de acordo com a modalidade canônica dos votos que professavam. O instituto de vida religiosa no qual o membro fazia votos solenes era denominado ordem, enquanto o instituto no qual se professava o voto simples era chamado congregação. Hoje não há mais essa diferença, sendo que o Código agrupa congregações e ordens sob o títu-

lo “institutos de vida religiosa”, os quais, ao lado dos institutos seculares, pertencem à categoria dos “institutos de vida consagrada” (leia mais no quadro abaixo). Por tradição, consideram-se ordens aqueles institutos que receberam já essa denominação, por professarem os votos solenes, que, à época, eram diferentes dos simples, tais como as ordens dos Beneditinos, Carmelitas, Franciscanos, Dominicanos, entre outros, sendo a última delas a Companhia de Jesus (Jesuítas). Todos os institutos posteriores, foram denominados congregações.

Vocações

Ao falar sobre a significativa diminuição do número de vocações à vida consagrada, Irmã Maria Inês reconhece que se vive um período de crise na vida religiosa, sobretudo nos institutos que têm mais tempo de vida. “Porém, estamos percebendo um florescimento de vocações. Inúmeros grupos novos com muitos jovens. Claro que ainda frágeis devido à sua formação. Mas conseguimos ver claramente que Deus continua suscitando”, diz. Hoje em dia também há o surgimento das novas comunidades nas quais, em alguns casos, existem

formas de consagração, mas não constituem um instituto de vida consagrada. “Percorrendo o Brasil eu sinto um certo reflorescimento. Os institutos estão buscando uma renovação do seu carisma, começam a ter pessoas interessadas fortalecendo as suas fileiras”, salienta a presidente da CRB. Dom Julio também destaca que a diminuição da adesão e transmissão da fé afeta diretamente a questão vocacional. Mas aponta, ainda, um motivo social e cultural. “As famílias têm diminuído. Uma sociedade em que as pessoas tinham quatro, seis, até dez filhos, é diferente de uma sociedade em que as pessoas têm um único filho ou nem têm filhos”, afirmou. Aos 47 anos de consagração na Congregação das Mensageiras do Amor Divino, Irmã Maria Inês garante: “Vale a pena testemunhar a beleza do chamado à consagração total a Deus... É uma escuta dos apelos do Senhor. Fomos encontrados, alcançados e transformados por ele para levar ao mundo o abraço e a ternura de Deus. Precisamos ser mais próximos das pessoas, responder à inquietação que o mundo tem de vida e de felicidade. Ser consagrado a Deus é uma maravilha!”.

As várias formas de vida consagrada Assim como uma planta com muitos ramos, a Vida Consagrada apresentase historicamente de várias formas, que são distintas entre si, mas visam o mesmo objetivo, viver em Cristo e testemunhá-lo ao mundo, seja num mosteiro, na meditação e contemplação da Palavra de Deus ou nas sociedades, trabalhando em escolas, hospitais e em outros lugares. O texto a seguir é inspirado na Exortação Apostólica Pós-Sinodal Vita Consegrata, do Papa João Paulo II, sobre a vida consagrada e sua missão na Igreja e no mundo. Vida monástica No Ocidente há uma grande variedade de expressões da vida monástica tanto no âmbito comunitário como no eremítico. Na sua forma atual, inspirada especialmente em São Bento, o monaquismo recolhe a herança de tantos homens e mulheres que procu-

raram a Deus e a ele se dedicaram. Esforçam-se para conciliar a vida interior e o trabalho, na clausura e dedicação assídua à meditação da Palavra, à celebração da liturgia e à oração. A Ordem das virgens, os eremitas, as viúvas Consagradas pelo bispo diocesano, a Ordem das Virgens é composta de mulheres que contraem um vínculo particular com a Igreja, a cujo serviço se dedicam, sozinhas ou em comunidades. Os eremitas, ligados a ordens antigas ou a novos institutos ou então dependentes diretamente do bispo, testemunham a presença de Deus no mundo e a transitoriedade desta vida terrena. Hoje voltou a ser praticada a consagração de viúvas e viúvos. Estas pessoas, mediante o voto de castidade perpétua como sinal do Reino de Deus, consagram a sua con-

dição para se dedicarem à oração e ao serviço da Igreja. Institutos dedicados à contemplação Os institutos orientados completamente à contemplação, formados por mulheres ou por homens que, com sua vida e missão, imitam Cristo em oração e testemunham a encarnação de Deus sobre a história. Na solidão e no silêncio, pela oração e a comunhão do amor fraterno, orientam toda a sua vida e atividade para a contemplação de Deus. Oferecem assim à comunidade eclesial um testemunho singular do amor da Igreja pelo seu Senhor, e contribuem para o crescimento do Povo de Deus. A vida religiosa apostólica Floresceram, ao longo dos séculos, muitas outras expressões de vida religiosa, nas quais inúmeras pessoas,

renunciando ao mundo, se consagraram a Deus, através da profissão pública dos conselhos evangélicos segundo um carisma específico e numa forma estável de vida comum, para um serviço apostólico pluriforme ao Povo de Deus. Temos, assim, as diversas famílias de cônegos regulares, as ordens mendicantes, os clérigos regulares, e as congregações religiosas masculinas e femininas, em geral, dedicadas à atividade apostólica e missionária e às múltiplas obras que a caridade cristã suscitou.

específica de cada um, uma presença incisiva na sociedade.

Os Institutos seculares Os institutos seculares, cujos membros pretendem viver a consagração por meio da profissão dos conselhos evangélicos no contexto das estruturas temporais, querem infundir na sociedade as energias novas do Reino de Cristo. Assim, contribuem para garantir à Igreja, segundo a índole

Novas expressões de vida consagrada Nas últimas décadas, depois do Concílio Ecumênico Vaticano II, apareceram formas novas ou renovadas de vida consagrada. Em muitos casos, trata-se de institutos semelhantes aos que já existem, mas nascidos de novos estímulos espirituais e apostólicos.

As Sociedades de Vida Apostólica Merecem, depois, uma especial menção as sociedades de vida apostólica ou de vida comum, masculinas e femininas, que perseguem, com seu estilo próprio, um específico fim apostólico e missionário. Em muitas delas, assumem-se expressamente os conselhos evangélicos, com vínculos sagrados reconhecidos oficialmente pela Igreja.


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O SÃO PAULO - 3116  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 60 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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