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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 61 | Edição 3115 | 17 a 23 de agosto de 2016

R$ 1,50

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Luciney Martins/O SÃO PAULO

Arquidiocese em peregrinação para testemunhar a misericórdia

Coroinhas e acólitos da Arquidiocese de São Paulo participam de peregrinação à Catedral da Sé, com o Cardeal Odilo Pedro Scherer, pelo Jubileu Extraordinário da Misericórdia, sábado, 13

Sábado, 13, foi dia de peregrinação à Porta Santa na Arquidiocese de São Paulo, por ocasião do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Coroinhas, acó-

Violência contra os idosos: a sociedade precisa falar mais sobre isso

litos, cerimoniários, famílias e os religiosos consagrados, em diferentes horários do dia, saíram em procissão desde o Pátio do Colégio pelas ruas do cen-

tro da cidade até a Catedral, testemunhando a todos a fé e a misericórdia de Deus, em comunhão com toda a Igreja.

Edson Lima/Jornal Voz de Nazaré

Página 3

Editorial

Páginas 12 e 13

Ao invés de ir aos sites dos políticos e olhar as notas e prestações de cada um, cruzar os dados com as verbas de gabinete e mais aquela complicação de siglas, o aplicativo Meu Deputado apresenta de forma simples essas informações. Página 7

Encontro com o Pastor Congresso Eucarístico em Belém: apelo à generosidade e ao ardor missionário da Igreja

Embora seja um tema sobre o qual pouco se fala, o número de casos de violência contra os idosos têm aumentado nos últimos anos. Só nos quatro primeiros meses de 2016, o disque 100 registrou 12.454 denúncias. A maioria dos casos acontece dentro do próprio círculo familiar, o que dificulta, muitas vezes, identificar os responsáveis.

Aplicativos de celular contribuem para que eleitores fiscalizem parlamentares

Páginas 11 e 23

Cardeal Cláudio Hummes preside abertura do Congresso Eucarístico Nacional

Na Amazônia, Belém se transforma em capital eucarística do Brasil Com o tema “Eucaristia e Partilha na Amazônia Missionária”, o XVII Congresso Eucarístico Nacional foi aberto em Belém (PA). A missa de abertura foi presidida pelo Cardeal Cláudio Hummes, enviado do Papa para o evento, que concedeu entrevista ao O SÃO PAULO. Páginas 14 e 15

A polêmica sobre a insenção de IPTU das Igrejas Página 2

Espiritualidade O que há em comum entre a Jornada Mundial da Juventude e os Jogos Olímpicos Página 5


2 | Ponto de Vista |

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Editorial

Quem conta um conto, ‘esconde’ um ponto

O

conteúdo daquilo que falamos ou escrevemos, está profundamente marcado pela nossa visão do mundo, pelos conceitos aprendidos e apreendidos, e também pelas ideologias que influenciaram a nossa formação humana, em todos os níveis. Algumas vezes o discurso ou a ideia apresentada contém equívocos, que são o resultado de lacunas de formação ou da falta de conhecimento. Mas outras vezes o que existe é uma intencionalidade obscura, que esconde elementos, justamente para gerar conflito e formar opinião direcionada. Numa sociedade livre, e num estado de direito laico, é claro que as ideias podem circular com liberdade. Porém, para formar uma opinião madura, é preciso considerar todos os pontos de uma questão, para não deformar a realidade, criando ideias estrábicas e míopes. Recentemente o tema do imposto predial, o IPTU, que não é pago pelas igrejas vem sendo apresentado de forma polêmica pela imprensa, e tem agitado a opinião pública, criando uma verdadeira divisão, entre os que aceitam ou rejeitam a questão. Esse assunto precisa de um aprofundamento, e de considerações que vão além do pagamento ou não de um imposto, para formar uma opinião imparcial e dentro da realidade, mas também para considerar a legalidade de um princípio constitucional. A primeira consideração que precisa ser feita é que, o Estado tem o direito e o dever de conhecer e fiscalizar toda e qualquer instituição no territorial nacio-

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

nal, sejam elas religiosas ou não. A imunidade de imposto, de que goza a igreja, não é um benefício em si mesmo, isto é, não se trata apenas de um não pagamento de taxas. Esse benefício tem uma intenção e uma finalidade e, portanto, o valor que deixa de ser pago tem uma destinação concreta. Mas será possível conferir isso? A transparência é o segundo ponto importante, e que merece consideração. Quando caminhamos pelas ruas de São Paulo, apenas para restringir o nosso campo de discussão, encontramos muitos templos, entidades ou associações vinculadas à Igreja Católica. Esses locais existem para atender ou prestar algum tipo de atendimento, espiritual ou material, e na sua grande maioria trata-se de um “serviço” gratuito. Estamos falando da assistência material a doentes, idosos, crianças, moradores de rua, mães desamparadas, desabrigados, refugiados, desempregados e tantas outras realidades. Outra parte desse atendimento acontece de forma bem menos visível. Um número incontável de pessoas procura, particularmente, as igrejas para rezar ou para receber um sacramento. Algumas dessas pessoas precisam apenas ser ouvidas, e quando entram na igreja buscam a confissão, a direção espiritual ou a intimidade com Deus. Não é raro encontrar entre esses, pessoas desesperadas, aqueles que perderam a confiança nas outras instituições e até quem queira por fim na própria vida. O auxílio prestado a essas pessoas não pode ser medido em

quantidade, mas é um trabalho que beneficia a sociedade em geral, porque dá importância a cada pessoa, num realidade que está marcada pelas relações impessoais, e muito mais ocupada com os números e com os resultados financeiros. Diante disso, é preciso perguntar: Quanto custa o serviço social que Igreja presta ao Estado? Como calcular o benefício e a doação que a Igreja presta à sociedade? Alguém poderia objetar dizendo que todo esse discurso é uma apresentação de argumentos e que tem por finalidade formar opinião. Poderia dizer que, a única preocupação da Igreja é com a perda de dinheiro, e com o esvaziamento dos seus cofres, caso viesse a ter que pagar impostos. Sem hipocrisia, é preciso reconhecer que a questão do dinheiro é sim uma preocupação da Igreja. Para manter as suas obras a Igreja tem a ajuda de voluntários, mas uma grande parte dos trabalhos é realizada por funcionários, que tem carteira registrada, e para os quais são recolhidos todos os direitos trabalhistas previstos na lei. Uma mudança na legislação teria um grande impacto na gestão dos recursos destinados às obras sociais. Mas alguém ainda poderia dizer que se trata de fazer justiça. Afinal de contas, a Igreja não é uma “empresa” como outra qualquer? Mais uma vez, é preciso esclarecer que a Igreja não é uma empresa com fins lucrativos. A Igreja tem bens e propriedades, que, em grande parte, ela recebeu como doação. Se hoje essas propriedades estão valorizadas

pela sua localização, é preciso dizer que no passado não era assim. É preciso lembrar que parte do desenvolvimento alcançado também é fruto da ação da Igreja. A cidade cresceu e se desenvolveu, e a Igreja participou e continua participando desse processo. Não é a primeira vez que a Igreja precisa falar a respeito dos seus bens, e certamente não será a última. Nos primeiros séculos da era cristã, durante o reinado de Valeriano, aconteceu uma perseguição aos cristãos, entre eles o Papa Sixto II e o diácono Lourenço. Conta a história que o imperador estava interessado nos bens da Igreja, e por isso mandou prender e decapitar o Papa. Em seguida, foi a procura de Lourenço, dando ordens para que ele reunisse entregasse todos os tesouros da igreja. Lourenço atendeu imediatamente. O imperador, pensando encontrar montes de preciosas riquezas, foi até ele. Mas quando chegou ao lugar marcado, o imperador deparou-se com uma multidão de pobres. Foi então que Lourenço disse: “Majestade, aqui estão os tesouros da Igreja. Pode levá-los. Aliás, Vossa Majestade os encontra em todas as ruas de Roma, deitados nas calçadas”. Ao longo dos séculos, muitas coisas mudaram e outras nem tanto. As perseguições à Igreja continuam existindo com outro formato e com novos discursos. “Valeriano” tem outros “nomes”, mas os pobres ainda existem, e como existem, nas ruas de nossa cidade! Como disse São Lourenço, esse é o tesouro da Igreja. Quem quer esse “tesouro”?

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cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

C

risto Senhor, ao reconhecer-te no partir do pão, faze arder nossos corações para que, do altar da Eucaristia, nasça um novo ardor missionário em nossa Pátria”. Com essas palavras da oração do 17º Congresso Eucarístico Nacional, é mencionado o propósito específico desse Congresso Eucarístico, que se realiza em Belém (PA), de 15 a 21 de agosto. “Eucaristia e partilha na Amazônia missionária” é o tema do Congresso. Neste ano, comemora-se o 4º centenário do início da evangelização da Amazônia, que está ligada à fundação da cidade de “Santa Maria de Belém do Grão–Pará”, em 1616, na foz do rio Amazonas. É a atual cidade de Belém, porta de entrada da Amazônia profunda, alcançada pelos seus imensos rios. Ali intercede por todos os povos amazônicos a Senhora de Nazaré, para que conheçam seu filho Jesus, o bendito fruto de seu ventre. Belém, na língua hebraica, significa “casa do pão”. Em Belém de Judá nasceu Jesus Cristo, “pão para a vida do mundo. Durante o Congresso Eucarístico, a capital do Pará será a casa do “Pão da Vida” para toda a Amazônia e o Brasil inteiro, que se dirige para lá em peregrinação ou, talvez, une-se ao redor do Pão da Eucaristia através das muitas transmissões midiáticas que dali partem para todas as direções. Os Congressos Eucarísticos Nacionais acontecem, em média,

Congresso Eucarístico de Belém: Partilha na Amazônia missionária a cada 6 anos e ajudam a destacar a centralidade da Eucaristia para a vida da Igreja: para a mesa eucarística se orienta, como a seu objetivo, toda a vida e ação da Igreja e dos cristãos; e, dessa mesa, vem todo vigor e dinamismo da vida cristã e eclesial. Isso nunca deve ser esquecido, pois é o mesmo que dizer: Jesus Cristo é o centro da vida da Igreja e do cristão. A Eucaristia é o Sacramento de Jesus Cristo, que reúne seus discípulos e os instrui com sua palavra, nutre-os com seu corpo e sangue e os envia em missão, para que testemunhem a força do Evangelho na sua vida diária. É o Sacramento do sacrifício de Jesus sobre a cruz, onde ele foi “carne entregue” pela vida do mundo e “sangue derramado” para o perdão dos pecados. É também o Sacramento e a “epifania da Igreja”. Na celebração da Eucaristia aparece, melhor do que em qualquer outra circunstância, o que é a Igreja: é Jesus Cristo, com seus discípulos, anunciando e testemunhando os bens de Deus para o homem e o mundo. Cada Congresso Eucarístico possui um tema, que orienta as reflexões teológicas, as catequeses, as celebrações e as ações decorrentes do evento. Desta vez, a “partilha missionária na Amazônia” lembra que essa região imensa é um bem de Deus. Bem pouco povoada, mas ambicionada pelas suas riquezas naturais e ameaçada de depredação e destruição, merece a atenção de todo o Brasil e do mundo. A presença missionária da Igreja Católica na Amazônia aconteceu desde que as primeiras incursões

de europeus ali aconteceram, ainda no início do século 17. Durante muito tempo, as estações missionárias, ao longo dos rios, eram centros irradiadores de evangelização, de educação e assistência aos povos nativos da Região. Foram sobretudo os missionários, vindos de vários países da Europa e América do Norte que deram o suporte humano e material necessário à presença da Igreja nas terras amazônicas. Atualmente, porém, isso acontece em menor escala e se faz necessário que a própria Igreja do Brasil assuma essa responsabilidade missionária. Por esse motivo, a referência à partilha é um apelo à generosidade e ao ardor missionário da Igreja de todo o Brasil. Algo bonito já se faz através da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que possui a Comissão Episcopal para a Amazônia com a finalidade de promover a solidariedade para com a Igreja presente na Amazônia; as dioceses do Brasil inteiro enviam algo de suas entradas financeiras mensais para um fundo, que beneficia as dioceses da Amazônia. No entanto, isso ainda não é suficiente. A Eucaristia leva à partilha dos bens espirituais e materiais para gerar mais fraternidade e para tornar possível a realização da missão da Igreja. Em relação à Amazônia, isso é uma emergência. “Renova hoje, Senhor, com a força da Eucaristia, o vigor missionário em nossos povos”, pede-se na oração do Congresso Eucarístico de Belém, que é uma boa ocasião para aprofundar a partilha missionária do Brasil todo em relação à Amazônia.

| Encontro com o Pastor | 3

Congresso Eucarístico Reprodução

O Cardeal Odilo Pedro Scherer está em Belém (PA) para o 17º Congresso Eucarístico Nacional, aberto segunda-feira, 15, com missa no Estádio do Mangueirão. (Na foto, Dom Odilo saúda o arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira)

Diáconos permanentes Arquivo pessoal

Dom Odilo Pedro Scherer presidiu missa com os diáconos permanentes da Arquidiocese de São Paulo, quinta-feira, 11, na Paróquia São Luís Gonzaga, em Cerqueira César, por ocasião da memória de São Lourenço, mártir, patrono dos diáconos.

Curso do Clero Luciney Martins/O SÃO PAULO

O Arcebispo de São Paulo concluiu na manhã da quinta-feira, 11, o 14º Curso de Aprofundamento Teológico e Pastoral do Clero arquidiocesano, em Itaici, Indaiatuba (SP), sobre o tema “Família: perspectivas pastorais da Amoris Laetitia”.

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4 | Fé e Vida |

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Liturgia e Vida

Você Pergunta

21º DOMINGO DO TEMPO COMUM Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

Olhou para a humildade de sua serva Cônego Celso Pedro Ele olhou e viu a humildade de sua serva e a tornou bendita entre todas as mulheres. O vidente olhou e a viu vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Ela estava para dar à luz, e deu à luz um filho homem, o esperado, que veio para governar todas as nações com a autoridade do Senhor. Esta mulher é a Mãe de meu Senhor e nos vem hoje visitar. É a bendita entre as mulheres que traz em seu ventre um fruto bendito. Esta mulher é Maria que hoje adormeceu no Senhor e foi levada em corpo e alma para junto de Deus sentando-se num trono abaixo do trono de seu Filho, pois nisto consiste a glória de Maria, em ter um Filho cujo trono está infinitamente mais alto do que o seu. Sua maternidade é fruto de uma escolha amorosa e de uma aceitação livre. Filha de seu povo, ela é a Sinagoga, com as Doze Tribos em forma de estrelas encimando sua cabeça, e como de Jacó saiu uma estrela que é ao mesmo tempo o Povo e o Salvador, assim dela sai aquele que governará todos os povos. A mulher é Maria que não deu à luz o seu Filho com dores de parto por ter sido preservada do pecado em vista dos méritos de seu Filho. No entanto, a mulher do Apocalipse grita atormentada pelas dores de parto, porque ela é também a Igreja que coloca no coração do mundo o Salvador. O vidente vê outro sinal: um grande Dragão, cor de fogo, este

com sete coroas e muita força. Ele se coloca diante da mulher esperando que ela dê à luz para devorar o seu Filho. Começa então a luta contra a Mulher-Igreja que se refugia no deserto. O Dragão, que é o demônio, age por meio de seus agentes. O principal é o império, o império de todos os tempos. Naqueles dias, porém, era o império romano. Ele introduz o pecado e com o pecado a morte, mas nada poderá contra a Mulher-Igreja, pois entre ela e o demônio há uma histórica inimizade. Já dissera o Senhor um dia: Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. A descendência dela é o Senhor Ressuscitado, que vence a morte e desfaz o poder demoníaco. A morte é o último inimigo a ser destruído. Não houve amizade entre a Mulher e o Dragão, por isso a Mulher não podia sofrer as consequências da ação do Dragão. Um dia a Mulher-Maria adormeceu no Senhor. Tendo voltado de Éfeso, encontrava-se com João no Monte Sião, onde adormeceu. Os Apóstolos, segundo a Tradição, estavam em Jerusalém e levaram o corpo ao vale do Cedron e o colocaram num túmulo novo. Três dias depois, o corpo foi levado ao céu. Foi assim que a “imaculada Mãe de Deus Maria sempre virgem, após haver terminado o curso de sua vida terrestre, foi elevada em corpo e alma à glória celeste”. Titular da nossa Catedral, que ela estenda suas mãos protetoras sobre todos os habitantes desta grande cidade.

Meu filho quer fazer uma tatuagem de Nossa Senhora. Deixo? padre Cido Pereira

osaopaulo@uol.com.br

Ele se chama Flávio e mora em Poços de Caldas (MG). Ele me escreveu dizendo: Padre, eu tenho um filho de 18 anos. Ele agora resolveu fazer uma tatuagem de Nossa Senhora. Eu gostaria de saber se é pecado, pois sempre, quando mais novo, ouvi dizer isso e nunca tive coragem. Agora, porém, estou de mãos atadas sem saber o que dizer, pois ele pediu minha autorização e de minha esposa, mesmo sendo maior. Eu estou em dúvida, porque vejo que ele quer muito fazer. O que faço, Padre? Flávio, em primeiro lugar é preciso pensar que seu filho escolheu um belo tema para sua tatuagem: Nossa Senhora. Mas é preciso dizer a ele que o melhor lugar para se tatuarem Jesus, Maria e os santos de nossa devoção é no nosso coração. Seu filho já tem tatuado no seu coração, na sua alma, o selo de propriedade de Deus, de filiação divina. O Batismo imprime na alma, como a circuncisão no corpo dos

meninos judeus, o selo de propriedade de Deus, de filho de Deus. Em segundo lugar, Flávio, é preciso dialogar com seu filho sobre a tatuagem como uma marca indelével. De repente, lá na frente, ele se arrepende dessa tatuagem e o que vai fazer? Lembre a ele também que, em muitos lugares, há certo preconceito contra a tatuagem, até mesmo para se conquistar um trabalho. Uma conversa amiga de pai para filho vai ajudar seu filho a pensar. Além disso, a Bíblia proíbe ferir o próprio corpo ou marcá-lo com tatuagens ou com referências a pessoas que morreram. Como em nossa cultura isso encanta a juventude, é preciso que você converse, sem brigas, sem imposições, com o seu filho. Com certeza ele entenderá. Mostre este texto a ele. Quem sabe ajude na conversa. Repito meu irmão, o argumento mais importante que você deve usar na conversa é dizer a seu filho, que Nossa Senhora ficará mais feliz se ele conservar em seu coração o amor a ela e seguir o seu Filho Jesus.

Atos da Cúria NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE DIÁCONO PERMANENTE COMO ASSISTENTE DE PASTORAL Em 29 de julho de 2016, foi nomeado e provisionado Assistente Pastoral “ad nutum episcopi”, na Paróquia Santíssima Trindade, Região Episcopal Lapa, Setor Pastoral Butantã, o Diácono Permanente Marcos Adriano de Souza. Em 29 de julho de 2016, foi nomeado e provisionado Assistente Pastoral “ad nutum

episcopi”, na Paróquia São Thomas More, Região Episcopal Lapa, Setor Rio Pequeno, o Diácono Permanente Cláudio Bernardo da Silva. NOMEAÇÃO DE ASSESSOR REGIONAL DA PASTORAL DA SÁUDE Em 29 de julho de 2016, foi nomeado Assessor Regional da Pastoral da Saúde da Região Episcopal Santana, o Diácono Benedito Raimundo Siqueira, cam, pelo período de 2 (dois) anos.

Errata Diferentemente do publicado na página 4, da edição 3114 do O SÃO PAULO, o Padre Salvador Ruiz Armas foi nomeado Asses-

sor Regional da Pastoral da Comunicação na Região Santana e não Coordenador da mesma, como havia sido informado.


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Espiritualidade

Fé e Cidadania

Espírito esportivo na jmj em Cracóvia e Olimpíadas no Brasil

Mensagem para a JMJ da Polônia 2016

Dom Carlos Lema Garcia

N

Bispo auxiliar da Arquidiocese e vigário episcopal para a Educação e a Universidade

os últimos dias de julho, dois milhões de jovens encontraram-se com o Papa na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em Cracóvia. Agora, nosso país recebe pela primeira vez os Jogos Olímpicos. O que pode haver em comum entre esses dois grandes eventos? Durante a recente JMJ, o Papa Francisco falou das lições que recebemos dos esportistas.Vamos recordar algumas delas. Em primeiro lugar, tratou da preguiça e do conformismo: “Preocupa-me ver jovens que desistiram antes do jogo; que ‘se renderam’ sem ter começado a jogar.” O Papa fez a seguir uma convocação a todos os jovens: “O tempo que hoje estamos vivendo não precisa de ‘jovens-sofá’, mas de jovens com os sapatos, ainda melhor, com os tênis calçados. Este tempo aceita apenas jogadores titulares em campo, não há lugar para reservas. O mundo de hoje pede-vos para serdes protagonistas da história, porque a vida é bela desde que a queiramos viver, desde que queiramos deixar uma marca.” Assim, Deus convoca cada um de nós para jogar no seu time. Fomos escolhidos, chamados por Deus pelo nosso nome. Ninguém fica de fora: todos

temos uma missão a realizar na Igreja, na sociedade, na família, no nosso próprio ambiente. E os jovens, em sua maioria estudantes, devem ser protagonistas na sua escola, na sua faculdade, entre os seus amigos e companheiros. Lembro que o Papa Francisco já havia feito essas comparações na vigília da JMJ do Rio de Janeiro: “Acho que a maioria de vocês ama os esportes. E aqui no Brasil, como em outros países, o futebol é uma paixão nacional. Sim ou não? Pois bem, o que faz um jogador quando é convocado para jogar em um time? Deve treinar, e muito! Também é assim na nossa vida de discípulos do Senhor... Jesus nos oferece a possibilidade de uma vida fecunda e feliz. E nos oferece também um futuro com Ele que não terá fim: a vida eterna. Mas... Jesus pede que treinemos para estar ‘em forma’, para enfrentar, sem medo, todas as situações da vida, dando testemunhos de fé”. Para competir com valor, o esportista deve treinar com ritmo e disciplina. Por isso, a vida do atleta não é cômoda: terá que fazer testes físicos, atingir as condições para competir. Nos esportes coletivos (como na vida social), não adianta nada um atleta ser muito habilidoso se não souber jogar com o time, se não realizar sua função dentro do time. Aprimora seu desempenho técnico: nos treinos sem bola, com bola, na posição adequada. Aprende a realizar a função que o técnico espera, em conjunto com os demais jogadores. Em razão da nossa fragilidade, em nossas vidas, como na vida dos atletas,

acontecem os tropeços e as quedas. O Papa também nos falou disso: “Os habitantes dos Alpes, quando sobem as montanhas, entoam uma canção muito bonita que diz: ‘Na arte de subir, o importante não é não cair, mas não ficar caído’. Se tu és fraco, se tu cais, ergue um pouco o olhar para o alto… há a mão estendida de Jesus, que te diz: ‘Levanta-te, vem comigo’. ‘E se me acontece de novo?’ Faz o mesmo ”. Nós temos ao alcance da mão os recursos para sustentar as nossas lutas e nos levantarmos das quedas. O Papa nos disse na JMJ do Rio: “Conversem com Jesus. E se cometerem um erro, um deslize, não temam. ‘Jesus, olha o que eu fiz, o que faço agora?’ Mas sempre fale com Jesus, nos bons e maus momentos, não tema. Essa é a oração. Assim vai se treinando o diálogo com Jesus. E também por meio dos sacramentos, que fazem crescer em nós o amor de Jesus, por meio do amor fraterno, do saber ouvir, perdoar, do compreender, do perdoar, do acolher, do ajudar as demais pessoas, sem excluir nem marginalizar ninguém. Esses são os treinamentos para se seguir Jesus: a oração, os sacramentos e o serviço ao próximo. Para sermos bons atletas na vida cristã, devemos seguir os conselhos do nosso “treinador”, Jesus: conversando com Ele em nossa oração, recebendo o seu perdão na Confissão, para nos levantarmos das quedas, e para fortalecermos a nossa alma com a Eucaristia. Assim estaremos em condições de corresponder ao que Deus e a Igreja esperam de nós.

Frei Patrício Sciadini, ocd. Não posso impedir que o corpo “envelheça”, ele deve fazer o seu curso e não se pode parar, porque as células se gastam e o corpo se cansa sem fazer nada. Nem a inteligência e nem a medicina têm poder de dizer: “não envelhece!” Mas a velhice do coração, não físico, mas espiritual, pode ser impedida, parada; ela depende do fluxo de entusiasmo que você deixa fluir e da misericórdia de Deus que você bebe todos os dias. Se você deixar o Espírito Santo entrar em você, a força do Espírito Santo nunca sofrerá esclerose do coração. Ele vive a juventude de Deus. A Trindade não pode envelhecer. Há em nós um jovem que se rebela contra a velhice. Aos jovens que estiveram reunidos na Polônia eu direi simplesmente: “não deixem envelhecer o entusiasmo, nem a evangelização e nem o Espírito Santo! Não deixem envelhecer as palavras de Jesus, que diz ‘ide e pregai o evangelho a todas as criaturas’!”. Uma Igreja que envelhece torna-se museu, vai armazenando coisas e ideias que não servem mais. A Igreja que envelhece é uma Igreja de “trabalho de restauração de coisas velhas”, mas não tem mais capacidade de ser nova e sempre nova. Diria aos jovens: sejam sempre jovens e sejam mediadores de misericórdia, uma chuva benfazeja que deve renovar a todos! Precisam colocar de lado um pouco a teologia, os esquemas, e sair pelas ruas abraçando a todos sem olhar se ele é de uma religião ou de outra, se ele tem preferências sexuais com que eu não concordo, ou se aquele que encontro tem tendências políticas que me fazem mal. Quem está convencido de que o mundo pode mudar só pela misericórdia não aceita esquemas do passado, porque “sempre se fez assim”, mas também tem a sabedoria de Jesus, de tirar coisas novas e velhas dos baús da história e da experiência. Juventude pelo corpo é uma realidade cronológica, mas juventude do coração de espírito não é problema cronológico. Quem não permanece jovem e atento às novidades do Espírito Santo deixa de ser evangelizador. Jesus chama e chama os que “são jovens de coração”, isto é, que têm força e capacidade de mudar a si mesmos, de seguir a novidade de Jesus. O cântico dos jovens é muito simples: Vamos ontem, hoje e amanhã, levemos o Cristo a todos com fé, com entusiasmo e com amor. Quem ama não envelhece e quem não ama, mesmo que tenha 20 anos, é já como alguém dentro do cemitério. Não quer envelhecer? Uma única receita: coloque-se na escuta de Jesus, que diz “vai, prega o evangelho, cura, expulsa os demônios, faz o bem... não pare, levantate e anda!”. As opiniões da seção “Fé e Cidadania” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do O SÃO PAULO.


6 | Viver Bem |

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Comportamento

Família - uma grande oportunidade

Simone Cabral Fuzaro educativas desde muitíssimo cedo, algumas desde os 4 meEm pleno século XXI, diante ses de vida. Normalmente essas da realidade de trabalho e de vida instituições são particulares ou que levamos, certamente contar vinculadas à empresa onde os com terceiros para nos auxiliar pais trabalham. As creches púnos cuidados com os filhos vai blicas são poucas e atendem a se tornando cada vez mais neces- uma parte bastante pequena da sário. A maioria das famílias já população. Da creche ou berçánão consegue se estruturar para rio as crianças já ingressam na a chegada dos filhos sem apoiar- educação infantil e assim prose numa ajuda externa – a avó, a gressivamente até o ensino médio. Não é errado afirmarmos, babá, a tia, a escola. Ocorre, porém, que a edu- portanto, que a escola acaba se cação, enquanto processo de transformando num parceiro formação do sujeito e de seu ca- importantíssimo no que diz resráter, de transmissão de valores, peito à formação e educação de posturas e atitudes, acontece nossos filhos. Apesar disso, não continuamente nas diferentes podemos nos enganar: a famírelações que a criança estabe- lia é o mais importante agente lece com os que com ela convi- de formação e educação dos vem. Desse modo, atribuir a ou- filhos. A escola, por mais que tros a tarefa de cuidar implica, se empenhe, sempre terá um necessariamente, compartilhar papel secundário na formação com eles o ato de educar. do caráter e transmissão de vaNo que diz respeito à esco- lores aos pequenos, aliás, ainda la, algum tempo atrás, poucos a bem – pois isso permite que, se frequentavam antes dos 7 anos. a família exercer bem seu papel, As crianças eram educadas em não se surpreenda com alguém casa até essa idade e depois iam “desconhecido” vivendo sob o para a escola, onde aprendiam a mesmo teto. ler, escrever, contar, etc. A funA parceria entre familia e ção educativa propriamente dita escola precisa se fortalecer de era exercida pela família, que se modo claro e bem estabelecido responsabilizava pela formação para que os resultados do promoral, transmissão de valores cesso educativo sejam alcançareligiosos e éticos e de posturas. dos. Nenhuma das partes pode Esse cenário foi histori- declinar de suas funções e rescamente sofrendo alterações ponsabilidades. O que a escola (mais intensas desde o final do nos oferece é muitíssimo mais último século) e, hoje, as crian- do que um serviço qualquer ças frequentam instituições pelo qual pagamos e usufrui-

mos. O que ela nos oferece é toda uma filosofia, uma postura, uma estrutura educativa que contribuirá na vida daqueles que amamos. É preciso muita responsabilidade para escolhermos esse parceiro. É preciso nos dedicarmos a conhecer quem são os profissionais envolvidos, o que pensam sobre educação, que valores propõem e como conduzem o processo, para que possamos escolher aquilo que, de fato, acreditamos ser o melhor para os nossos. Antes mesmo disso, é necessário termos em mente que tipo de pessoas queremos formar. É preciso planejarmos a educação dos nossos filhos e aí sim, sairmos em busca do parceiro que mais tem condições de nos auxiliar nessa missão. Se a escola muda a conduta para atender os diferentes desejos ou expectativas, cuidado, talvez não haja valores bem estabelecidos sustentando essa instituição. Para muito além de um vínculo comercial, de prestação de serviço, há que se formar um vínculo de confiança, de luta por objetivos comuns em torno desses pequenos sujeitos em formação. Um vínculo onde haja respeito, diálogo, aprendizagens mútuas na aventura difícil e encantadora de formar pessoas. Simone Ribeiro Cabral Fuzaro Fonoaudióloga e educadora Blog educandonacao.com.br

Cuidar da Saúde

Hipotireoidismo Cássia Regina Aproximadamente 15% da população sofre com problemas na tireoide, em sua maioria as mulheres e uma grande porcentagem não sabe que tem algum tipo de disfunção nessa glândula por falta de conhecimento dos sintomas. O hipotireoidismo acontece por uma variação autoimune, quando o próprio corpo começa a atacar a tireoide ou pela deficiência de iodo. A tireoide se localiza no pescoço, e libera dois importantes hormônios essenciais para o bom funcionamento

do organismo, o T3 (tri-iodotironina) e o T4 (tiroxina). Eles regulam a velocidade do metabolismo e interferem no desempenho de órgãos importantes, como o coração, rins e também no ciclo menstrual. Os sintomas podem ser resumidos em todos aqueles sinais de que o metabolismo está desacelerado, como menor número de batimentos cardíacos, intestino preso, menstruação irregular, diminuição da memória, cansaço excessivo e dores musculares. Além disso pode provocar pele seca, queda de cabelo, ganho de peso, aumento de colesterol

no sangue e alterações no humor. Alguns sintomas depressivos podem também aparecer devido à alteração significativa da tireoide. O diagnóstico é feito por meio do exame físico e exames laboratoriais. Com relação ao tratamento, ele é simples, é feito com medicamento via oral. Importante: o comprimido deve ser tomado em jejum e só se alimentar 40 minutos após o ter tomado. Na próxima semana, falaremos sobre o hipertireoidismo. Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF) E-mail: dracassiaregina@gmail.com


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| Política | 7

Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

Tecnologia a serviço dos eleitores

Tela inicial do aplicativo Meu Deputado

Já imaginou ter os deputados na palma da sua mão? Essa é a proposta do aplicativo Meu Deputado, desenvolvido por estudantes de Ciências da Computação da PUC-RS. O Meu Deputado foi desenvolvido durante o programa de capacitação em tecnologia do sistema operacional da Apple, o Brazilian Education Program for iOS Development (BEPiD). O programa é oferecido pela PUC-RS através da Faculdade de Informática e pelo Instituto Eldorado. O aplicativo foi construído após uma tarefa do curso. Nela, as equipes deveriam realizar um app que compreendesse alguma solução para a sociedade. A ideia do app é facilitar a vida do cidadão. Ao invés de ter que ir nos sites dos políticos e olhar as notas e prestações de conta de cada parlamentar e cruzar os dados com as verbas de gabinete, viagens e mais aquela complicação de siglas e dados, o aplicativo Meu Deputado apresenta de forma simples e direta essas informações. No aplicativo, os deputados federais são apresentados por ordem alfabética, mas é possível criar uma espécie de pasta para seguir determinados parlamentares. Com isso, pode-se criar perfis com os políticos do partido de sua preferência ou do seu estado. No perfil de cada político, tem uma foto, nome, partido, estado e e-mail do parlamentar. São apresentadas as despesas gerais, a presença em plenário e a posição do parlamentar em algumas votações. Infelizmente o app está disponível apenas para o sistema iOS, mas de acordo com Claudio da Silva Dias Junior, 28, um dos criadores do aplicativo, a ideia é fazer uma “vaquinha virtual” para conseguir melhorá-lo, tornando-o mais rápido, com atualizações dos dados dos políticos mais frequentes e na plataforma Android. Desde que foi disponibilizado, o Meu Deputado já contabilizou mais de 15 mil downloads. A ideia do aplicativo, de acordo com Claudio, ganhou força quando amigos e colegas foram questionados se lembravam de quem votou para deputado nas últimas eleições, realizada há menos de dois anos, e a resposta era sempre a mesma: não.

No inicio, a ideia era criar um aplicativo mais abrangente que seria batizado de “Meu Político”, mas devido à falta de conhecimento especifico na área de Ciência Política e com as informações todas pulverizadas em diversos lugares, o projeto de apresentar dados e informações de todos os políticos nas esferas municipal, estadual e federal ficou para um segundo momento. Claudio acrescenta que o aplicativo é o uso da tecnologia para o bem, o momento de dar poder ao eleitor para que, nas próximas eleições, ele tenha consciência de que o político que ele esta votando fez coisas importantes em seu último mandato, agiu com honestidade e transparência. “O corrupto agora vai pensar e ter a noção de que está sendo fiscalizado e que as pessoas podem perceber que há algo de errado em suas contas”, afirmou o estudante. Muitas vezes não é apenas a corrupção que pode chocar o eleitor, mas despesas que, para Claudio, são questionáveis. Ele conta que em dezembro de 2015 algumas notas fiscais de gastos de deputados o deixaram surpreso. “Em meio a uma crise econômica, nos perguntávamos se era preciso um parlamentar gastar R$ 190 mil com divulgação. Esse é o dado real de uma nota fiscal. Quando você vai ver a somatória de dinheiro é muita grana, com um impacto direto e indireto nos serviços básicos como saúde e segurança”, afirmou. Além da proposta de ampliar o app para o “Meu Político”, há também a ideia de, em cada perfil de políticos, criar campos com informações suplementares como, por exemplo, se o político está sob investigação, se está envolvido em escândalos de corrupção ou coisas semelhantes. Além de Claudio, entrevistado pelo jornal O SÃO PAULO, os demais integrantes do grupo que ajudou a elaborar e executar o projeto são Anderson Kloss (Ciência da Computação – PUC-RS), Felipe Vielitz (Jogos Digitais – Unisinos), Gianfranco Meneguz (Sistemas para Internet – IFRS), e Kévin Cardoso de Sá (Jogos Digitais – Unisinos).

Outra ferramenta

O site Congresso em Foco (congressoemfoco. uol.com.br) apresenta o app OPS Fiscalize, aplicativo que permite a qualquer pessoa fiscalizar os gastos realizados por deputados federais com a verba indenizatória, dinheiro público destinado à reposição de despesas feitas pelos parlamentares no exercício do mandato. Disponível para Android e iOS, o OPS Fiscalize divulga informações sobre gastos realizados por deputados da 55ª legislatura. Os usuários podem também manifestar se consideram cada um dos gastos “confiável” ou “suspeito”. O aplicativo não possui qualquer filtro para a escolha do parlamentar ou das despesas que serão apresentados. Cabe ao usuário apenas a missão de analisar brevemente se a despesa aleatoriamente apresentada é plausível – por exemplo, se a despesa em uma pizzaria no valor de R$ 500 é confiável ou suspeita. Após a escolha, novos dados serão apresentados, o processo será reiniciado e continuará até que o usuário o interrompa. Diferentemente do “Meu Deputado” o OPS Fiscalize está disponível para iOS e Android. Para baixar os aplicativos é só ir na sua loja virtual e fazer o download.

Faltas de deputados

Apesar de os deputados federais terem comparecido em massa no primeiro semestre, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), mostrava preocupação, no final de julho, ao falar sobre o quórum para votações no início da segunda metade do ano. Questionado por jornalistas, ele disse que poderia recorrer ao desconto em folha pelas faltas dos deputados – nada além do que determina o regimento da Câmara para as ausências não justificadas – como forma de pressioná-los a comparecer. Segundo dados da Coordenação de Pagamento de Pessoal da Câmara, 288 deputados tiveram, juntos, R$ 1,437 milhão em cortes na folha de pagamento pelas 1.373 faltas registradas entre fevereiro e junho. Pelas regras, o parlamentar tem descontos proporcionais quando não justifica ausências a sessões no plenário ou, mesmo estando presente, a cada votação de que deixa de participar. O limite para o abatimento é de R$ 21.101,88, ou 62,5% da remuneração mensal de R$ 33.763.

Máfia da merenda

A Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), investigada por um suposto esquema de desvios e pagamentos de propina envolvendo a merenda escolar em São Paulo, não poderia ter sido habilitada para uma concorrência da Secretaria Estadual da Educação que lhe rendeu contratos de R$ 11,4 milhões com o governo paulista. Para cumprir uma exigência do edital, a cooperativa entregou à secretaria uma declaração falsa de que era registrada na Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (OCESP). A secretaria não detectou a fraude.

Presidente do STF

Os magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF), elegeram na quarta-feira, 10, a ministra Cármen Lúcia para a presidência da Corte pelos próximos dois anos. Ela foi eleita com 10 votos favoráveis e um contrário. É comum que o ministro que assumirá a presidência vote em seu vice. A eleição foi protocolar, na medida em que o tribunal adota para a sucessão de seus presidentes um sistema de rodízio baseado no critério de antiguidade. É eleito para o comando do Supremo o ministro mais antigo que ainda não presidiu a Corte. Também na sessão desta quarta-feira, o ministro Dias Toffoli foi eleito vice-presidente do Supremo para o próximo biênio.

Flexibilização do pacote anticorrupção

A comissão especial da Câmara criada para analisar o pacote das 10 medidas contra a corrupção estuda adotar “alternativas” para ações consideradas polêmicas do projeto. Entre os pontos que podem ser flexibilizados estão: a criminalização do caixa dois, o aumento da pena para crime de corrupção, a possibilidade de que provas ilícitas sejam consideradas válidas se forem colhidas de boa-fé e a hipótese de prisão preventiva para a recuperação de recursos desviados.

Lava Jato

O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, recebeu denúncia na Operação Lava Jato contra ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e outras 12 pessoas. O despacho foi registrado na noite da última sexta-feira, 12.

Impeachment

A defesa da presidente afastada Dilma Rousseff foi informada na sexta-feira, 12, por meio de uma notificação entregue no Senado, que o julgamento final da petista no processo de impeachment começará às 9h do dia 25 de agosto. A data foi definida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, que comandará o julgamento. Fontes: Congresso em Foco, Folha de São Paulo, G1,


8 | Pelo Mundo |

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Filipe david

Especial para O SÃO PAULO

Destaques das Agências Internacionais

Colômbia

Estados Unidos

Pais e educadores marcham contra a ideologia de gênero Dezenas de milhares de colombianos – somente na capital, foram mais de 20 mil – foram às ruas, em dez cidades diferentes, para protestar contra a imposição da ideologia de gênero nas escolas por parte do governo de Juan Manuel Santos. Com cartazes como “os meus filhos, educo eu mesmo” e “firmes com a família”, os manifestantes exigiram a renúncia da ministra da educação, Gina Parody, por tentar implementar essa ideologia com mudanças nas cartilhas utilizadas nas escolas e na formação dos professores. Após os protestos, o governo anunciou que não implementará a ideologia de gênero no País. A Conferência dos Bispos da Colômbia disse, em comunicado, que seguirá de perto as próximas ações do governo na educação.

Híbrido animalhomem: governo quer pesquisas Foto: Life Site News

Fontes: Actuall/ Church Militant/ CNA

Colômbia/ Venezuela

Fonte: Church Militant

Após 1 ano, fronteira reabre Foi reaberta a fronteira entre a Venezuela e a Colômbia, que estava fechada há quase um ano por ordem do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. O motivo alegado para o fechamento foi o combate ao tráfico de

drogas e ao contrabando. Entretanto, devido à crise econômica que atravessa a Venezuela, faltam produtos básicos nos supermercados do País. O acesso ao vizinho era feito, muitas vezes, para adquirir esses itens de

primeira necessidade. De acordo com os dados oficiais, mais de 80 mil pessoas transitaram entre os dois países no domingo, 14, primeiro dia da reabertura. Fontes: Fides/ G1

Oriente Médio/ Jordânia Católicos e ortodoxos trabalham juntos em crise humanitária Na segunda-feira, 8, foi apresentado na Jordânia um novo projeto – o PEER (Preparando-se para Superar em Resposta a Emergências, na sigla em inglês) para atender à emergência humanitária do Oriente Médio. O projeto é realizado com o apoio da Caritas

Jordânia e da Catholic Relief Services e tem como objetivo aumentar as sinergias e a capacidade de interação entre os diversos grupos cristãos que atuam na região. Entre os grupos de trabalho existentes, estão a comunidade da juventude cristã greco-orto-

O Instituto Nacional para a Saúde (NIH, na sigla em inglês), órgão ligado ao governo federal americano, está propondo mudar a sua política de financiamento de pesquisas para permitir estudos com células tronco embrionárias humanas implantadas em embriões animais. A ideia é poder cultivar tecidos ou órgãos humanos nos corpos de animais. Desde 2009, esse tipo de pesquisa era considerado antiético, já que ninguém sabe o que pode acontecer ao se misturar células tronco humanas com um embrião animal; de acordo com os cientistas é difícil prever o resultado de uma experiência dessas: seria algo puramente animal, ou corre-se o risco de ele desenvolver um sistema nervoso humano e talvez até mesmo uma consciência humana?

doxa e ONGs como a Orthodox Progress Association. Segundo o diretor da Caritas Jordânia, Wael Suleiman, o projeto vai beneficiar muitos refugiados e pessoas que vivem em estado de necessidade. Fonte: Fides

Ex-professor agride aluna por não usar véu Um ex-professor assistente da Universidade de Misoursi, Youssif Z. Omar, 53, foi preso após arrastar pelos cabelos uma aluna de 14 anos, pertencente à sua família, da escola Hickman High School. Ele lhe teria dado uma bofetada no rosto e a arrastado por um lance de escadas, até chegarem ao seu carro. O motivo da agressão foi o fato de ter encontrado a jovem sem a hijab – o véu utilizado pelas mulheres muçulmanas. O homem foi preso no dia seguinte por suspeita de abuso infantil e responderá ao processo em liberdade, após pagar uma fiança de 4,5 mil dólares. Fontes: Columbia Tribune/ Actuall

África/ Malawi Seca e miséria levam à ‘caça aos albinos’ Devido a forte seca na região sul da África, mais de 12 milhões de pessoas correm o risco de passar fome. Os países mais afetados são Angola, Lesoto, Malawi, Moçambique, Suazilândia, Zimbábue e Madagascar. Do Malawi, chegam relatos assustadores. O Padre Piergiorgio Gamba, missionário monfortano, conta que a miséria tem provocado uma “caça aos albinos”, porque, segundo as práticas de bruxaria locais, quem possui um pedaço do corpo de um albino se torna rapidamente rico: “houve um caso em que um pai vendeu o seu filho de nove anos por pouco mais de mil euros”, contou o missionário. Fonte: Fides


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FILIPE DOMINGUES

Especial para O SÃO PAULO

Papa Francisco defende mulheres vítimas de violência L’Osservatore Romano

Dois momentos importantes marcaram a defesa das mulheres vítimas de violência na semana do Papa Francisco. O primeiro, na sexta-feira, 12, quando encontrou 20 mulheres que foram libertadas de redes de prostituição e hoje vivem sob esquema de proteção no Centro Giovanni XXIII, em Roma. Todas elas sofreram forte violência física e sexual e têm, em média, 30 anos de idade. As mulheres provêm da Romênia, Albânia, Nigéria, Tunísia, Itália e Ucrânia. A visita se deu no âmbito das “Sextasfeiras da Misericórdia” do Papa Francisco. Neste Ano Jubilar da Misericórdia, convocado por ele mesmo, o pontífice decidiu visitar pessoas em diferentes situações de sofrimento e fazer gestos que recordem as chamadas “obras de misericórdia”. Segundo a Sala de Imprensa da Santa Sé, a visita às mulheres vítimas da pros-

tituição forçada foi um alerta para combater o tráfico de seres humanos, “que o Santo Padre muitas vezes definiu como ‘um crime contra a humanidade’ e ‘uma chaga no corpo da humanidade contemporânea’, uma ‘chaga na carne de Cristo’”. O segundo momento em que o Papa recordou o sofrimento das mulheres foi durante a oração do Ângelus na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, na segunda-feira, 15. O feriado é um dos mais importantes na Itália e no Vaticano, marcando o início do período de férias de verão (popularmente chamado de ferragosto). “A Assunção de Maria é um mistério grande que se refere a cada um de nós, diz respeito ao nosso futuro”, declarou, completando com palavras fortes: “O Senhor se inclina sob os humildes, para exaltá-los, como proclama o cântico do Magnificat.

Almoço com hóspedes refugiados O Papa almoçou na quinta-feira, 11, com os 21 sírios refugiados que atualmente são hóspedes no Vaticano. Alguns chegaram na Itália em abril, a convite do Papa após sua viagem à ilha de Lesbos, na Grécia. Num gesto de acolhida aos refugiados, e simbólico para toda a Europa, o pontífice levou

uma família de muçulmanos da Síria. Outros, cristãos, já estavam na Itália desde junho e foram hospedados no Vaticano. Segundo a Rádio Vaticano, o encontro foi “um momento familiar, de festa, mas também de forte recolhimento”. As crianças deram ao Santo Padre alguns

desenhos. Um deles mostra o Papa Francisco como um anjo que os acolheu sob suas asas e os levou, voando, para o Vaticano. Os refugiados estão sob os cuidados da Comunidade de Santo Egídio, um grupo católico de leigos empenhados no diálogo, no ecumenismo e em projetos de ação social.

Portugal ‘a arder’ Fortes queimadas atingem a Ilha da Madeira e a região montanhosa da Serra da Arada, em Portugal. Pelo menos três pessoas morreram e muitas desalojadas. O Papa enviou

um telegrama às vítimas, com suas condolências. Manifestou “participação na dor de todos os afetados”. Desejou o rápido “restabelecimento dos feridos, coragem e consola-

ção de esperança cristã para todos os afligidos pela tragédia”. E enviou um “pensamento especial” aos 900 bombeiros que combatem as chamas.

Esse canto de Maria nos leva também a pensar em tantas situações dolorosas atuais, em particular; nas mulheres dominadas pelo peso da vida e pelo drama da violência; nas mulheres escravas da prepotência dos poderosos; nas meninas obrigadas a trabalhos desumano; nas mulheres obrigadas a se render no corpo e no espírito à cobiça dos homens.” Ele prosseguiu com uma oração para que essas mulheres encontrem conforto físico e espiritual. “Possam alcançar o quanto antes o início de uma vida de paz, de justiça, de amor, de espera no dia em que finalmente se sentirão agarradas por mãos que não as humilham, mas que, com ternura, as elevam e as conduzem na estrada da vida, até o céu”, disse. “Maria, uma mulher que tanto sofreu na vida, nos faz pensar nessas mulheres que sofrem tanto.”

Às vítimas da guerra no Congo No mesmo Ângelus, o Papa rezou pelas vítimas da violência em conflitos em Kivu do Norte, na República Democrática do Congo. Recentemente, a população local vem sofrendo com uma nova fase do conflito armado entre o exército do país e milícias rebeldes. A guerra foi mais forte entre 2004 e 2008, mas agora vive uma onda de agravamento nos combates. Segundo o Papa Francisco, são “novos massacres que ocorrem há muito tempo num silêncio vergonhoso, sem nem ao menos chamar a nossa atenção”. Ele afirmou que “essas vítimas fazem parte, infelizmente, dos tantos inocentes que não têm peso na opinião mundial”.

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10 | Pelo Brasil |

17 a 23 de agosto de 2016 | www.arquisp.org.br

Destaques das Agências Nacionais

Igor Andrade e Edcarlos Bispo osaopaulo@uol.com.br

Abertas as inscrições para o Curso de Agentes de Pastoral Universitária Reprodução

O Setor Universidades, da CNBB, realiza o III Curso para Agentes de Pastoral Universitária a partir das perspectivas das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Com o objetivo de oferecer formação integral aos estudantes, professores e colaboradores do Ensino Superior, assim como aos voluntários interessados em atuar como agentes da ação evangeliza-

dora neste âmbito, o curso acontecerá entre os dias 23 e 25 de setembro, no Centro de Acolhida Assunção, no Rio de Janeiro. As inscrições para participar do evento seguem abertas até o dia 21 de agosto. Para se inscrever, é necessário preencher o formulário disponível no site Universitários Cristãos (http:// www.universitarioscristaos.com.br). Fonte: CNBB

Bispo denuncia que PEC 241 vai desmontar o SUS A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou, em 9 de agosto, a admissibilidade da PEC 241, enviada aos deputados pelo presidente interino da República, Michel Temer. Agora será instalada uma comissão especial para a sequência da tramitação da proposta, que visa limitar pelos próximos 20 anos o aumento dos gastos públicos de um ano à inflação registrada no ano anterior.

A PEC 241 tem sido alvo de críticas diversas por representar uma ameaça aos direitos conquistados pela sociedade brasileira. Em carta aos bispos do Brasil, Dom Roberto Francisco Ferreira Paz, titular da Diocese de Campos (RJ) e referencial nacional da CNBB para a Pastoral da Saúde, alerta que a PEC 241 representa, entre outros riscos, o desmonte e a privatização do Sistema Único

de Saúde (SUS). Para o Bispo, a PEC 241, se aprovada, “significa cortes drásticos na saúde, educação, habitação, transportes, etc … para priorizar o absoluto do déficit nominal e da dívida pública. Essa visão econômica que volta aos anos 90 da hegemonia neoliberal e do Acordo de Washington, deixa claro que a dívida está muito acima da vida do povo e que a economia para ser

Cesáreas caem em hospitais que integram projeto sobre parto adequado Marcello Casal/ABr

Balanço divulgado na quinta-feira, 11, pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostra que, em maio, 37,5% dos partos feitos nos hospitais participantes do Projeto Parto Adequado foram normais. O percentual é superior ao registrado em fevereiro, que chegou a 31%. Foram avaliados os hospitais que fazem parte do projeto. Em três meses, houve aumento de 6,5 pontos percentuais no parto normal e redução de 17,7 pontos em relação às cesarianas, na comparação ao índice de cesáreas antes do projeto (média de 80,2%). O Projeto Parto Adequado teve início em abril de 2015 e visa a aumentar o número de partos normais. A participação no projeto é voluntária. Atualmente, 34 hospitais integram a iniciativa. Fonte: Agência Brasil

sanada exige o sacrifício da população especialmente aqueles que não estão incluídos no mercado… Trata-se não só de limitar despesas, mas de desconstruir a arquitetura dos direitos sociais que consolidou o sistema de seguridade social da CF de 1988, quer se eliminar o Estado Social de Direito desmontando o SUS, levando-o a falência e colapso total”. Fonte: Pastoral Carcerária

Pastoral da Aids organiza VI Seminário Nacional de Incidência Política Junto com outras organizações como a Casa Fonte Colombo, a Pastoral da AIDS realizou, de 12 a 14 de agosto, o VI Seminário Nacional de Incidência Política, em Porto Alegre (RS). Um dos objetivos da iniciativa foi qualificar lideranças da Pastoral que participam nas instâncias de controle social dos Conselhos de Saúde, ou que coordenam as ações da Pastoral nas dioceses. “Formação, engajamento e participação política com a pergunta norteadora Política de AIDS: para onde vamos?”, foi o tema do debate realizado acerca do processo de integração da AIDS no contexto do SUS. No evento também foram discutidas a universalidade, integralidade e equidade do sistema de saúde, promovendo uma oportunidade de diálogo para uma atuação mais eficaz por parte da Pastoral. Fonte: CNBB

Fumaça de queimada intoxica 12 alunos em escola no interior de SP

Polícia Federal deflagra Láquesis contra pornografia infantil

Doze alunos ficaram intoxicados depois que grande quantidade de fumaça de uma queimada invadiu o prédio da escola Municipal Vereador Joaquim Viscaino Filho na quarta-feira, 10, em Campo Limpo Paulista (SP). De acordo com a Defesa Civil municipal, as chamas começaram num terreno ao lado da escola onde, além de vegetação seca, havia restos de lixo e entulho. A fumaça densa atingiu primeiro o andar superior do prédio e de-

A Polícia Federal no Distrito Federal deflagrou na quinta-feira, 11, a Operação Láquesis, para combater crimes de armazenamento, produção e divulgação de pornografia infantil. Estão sendo cumpridos 29 mandados de busca e apreensão em Brasília (DF), 3 em Anápolis (GO), 1 em Vila Velha (ES), 1 em Sinop (MT) e 1 em Cuiabá (MT). Ao todo, participaram da operação cerca de 150 policiais federais. Os envolvidos foram identificados durante o armazenamento e distribuição do

pois se espalhou por toda a escola. O prédio foi evacuado, mas a falta de visibilidade levou parte dos alunos a não encontrar a saída. Com sintomas de intoxicação, eles precisaram ser levados ao hospital, onde receberam soro e oxigênio. Mesmo sem efetuar a limpeza do terreno, a prefeitura vai apurar as causas do fogo, já que uma lei municipal impede as queimadas. Fonte: UOL

material ilícito em redes ponto-a-ponto na internet. No curso da investigação, foram tomados depoimentos de investigados e testemunhas. Na operação de quinta-feira, os agentes apreenderam notebooks, celulares, smartphones, pen drives, tablets, HDs externos, cartões de memória, entre outros. Todo o material recolhido passará pela perícia nas unidades da Polícia Federal responsáveis pela execução das buscas domiciliares. Fonte: UOL


www.arquisp.org.br | 17 a 23 de agosto de 2016

| Reportagem | 11

Entronizada a nova imagem de Nossa Senhora da Assunção na Catedral da Sé Luciney Martins/O SÃO PAULO

Millena Guimarães

Especial para O SÃO PAULO

No domingo, 14, na Catedral Metropolitana de São Paulo, houve uma solene bênção e entronização da nova imagem da padroeira, Nossa Senhora de Assunção. Em seguida, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, presidiu a Celebração Eucarística. A imagem de madeira foi esculpida exclusivamente para a Catedral da Sé pelo artista Carlos Calsavara, nascido em São João Del Rei (MG), local onde se encontram boa parte das obras de Aleijadinho. Carlos disse ter despertado o interesse em ser escultor por causa do artista mineiro conhecido internacionalmente e que em seu trabalho sacro procura fazer uma ponte entre o plano físico e o espiritual através do êxtase causado pelo impacto estético. “Quanto mais bonito o resultado da imagem, mais atinjo esse objetivo”, disse ao O SÃO PAULO. Durante a missa, Padre Luiz Eduardo Pinheiro Baronto, Cura da Catedral, agradeceu aos benfeitores que ajudaram a financiar a confecção da nova imagem, entre eles, o Monsenhor Vicente Ancona, vigário regional do Opus Dei no Brasil, que estava presente na cerimônia. Padre Baronto também agradeceu ao artista Carlos Casalvara que “com sua delicadeza própria, mostra a beleza de Deus” e acrescentou: “agora, as pessoas que buscam a Catedral encontram essa belíssima imagem de Nossa Senhora da Assunção”.

Homenagem aos pais

O Cardeal Scherer, na homilia, falou sobre a importância do papel de ser pai. Referiu-se a um vídeo que compartilhou em sua conta no Facebook , em que um pai ensina o filho a rezar o “Pai-Nosso”, e comparou o pai da terra com o Pai do céu: “ O pai na terra é imagem para o Pai do céu”. Dom Odilo disse que “o Pai do céu é o melhor dos pais, Jesus mesmo falou que Ele é um Pai bom, misericordioso, justo”.

De autoria do artista mineiro Carlos Calsavara, imagem da padroeira da Catedral da Sé foi inspirada na arte barroca

Programação da Festa de Nossa Senhora da Assunção A solenidade de Nossa Senhora da Assunção este ano é celebrada em 21 de Agosto. Na Catedral, haverá missas às 9h, 11h e às 17h, antecedida pelo Ofício Divino das Vésperas às 16h30. A programação inclui

Luciney Martins/O SÃO PAULO

um tríduo preparatório nos dias 18, 19 e 20 com início às 11h30, com a recitação do Ofício Divino seguido de missa.

Consagrados peregrinam pelo Ano Santo da Misericórdia Igor andrade

especial para o são paulo

Religiosos que atuam na Arquidiocese peregrinam pelas ruas do centro da capital paulista

Com informações do portal da Arquidiocese de São Paulo

No último sábado, 13, diversos religiosos presentes na Arquidiocese de São Paulo fizeram sua peregrinação pelo Jubileu Extraordinário da Misericórdia e passaram pela Porta Santa da Catedral da Sé. Os religiosos se concentraram no Pátio do Colégio às 14h e seguiram em procissão à Catedral. A missa foi presidida por Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar referencial para a Vida Consagrada na Arquidiocese, e concelebrada por Dom Eduardo Vieira dos Santos, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé. Na homilia, ao mencionar o evangelho do domingo, no qual Jesus diz: “Eu vim lançar fogo sobre a terra e como gostaria que ele estivesse já aceso”, Dom Júlio explicou que aquilo que Jesus mais deseja, “é servir o Reino, e fazer a vontade do Pai”. “O fogo é também aquilo que nós podemos considerar como a inspiração carismática dos nossos fundado-

res e fundadoras. Não é novidade para ninguém que ao estudarmos nossos fundadores, vamos perceber pessoas apaixonadas pela causa do Reino” acrescentou o Bispo. “Esse fogo nos faz exercer com fervor as obras de misericórdia. Como o Senhor foi misericordioso conosco, assim podemos ser misericordiosos para com nossos irmãos”, concluiu. Ao fim da missa, Padre Rubens Pedro Cabral, coordenador da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) de São Paulo, leu algumas palavras da carta pastoral que Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, escreveu aos religiosos em outubro de 2015. “Somos todos filhos carentes de misericórdia que restaura e salva capacitando-nos para a prática das boas obras que enriquecem os nossos carismas particulares ou comunitários”, diz a carta. Padre Rubens terminou sua alocução dizendo que “ninguém seria capaz de adquirir seguidores de um determinado carisma caso estivesse impossibilitado de exprimir a misericórdia em palavras e sobretudo em generosas ações”.


12 | Reportagem |

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Marcas mais fortes que as do tempo A violência contra os idosos é uma realidade mais comum do que se imagina e acontece, em muitos casos, dentro do próprio círculo familiar Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Aos 64 anos sai de casa ao anoitecer com sua bicicleta pela pequena cidade de Unaí (MG). Não esperava que naquele dia, porém, um rapaz de carro iria atropelá-lo propositalmente, após dizer a frase: “Ô velhinho, sai do meio da rua! ” José Joaquim de Sousa respondeu dizendo que não estava no meio da rua, mas enraivecido o homem deu ré no carro e derrubou Joaquim no chão. Machucado, ele foi ajudado por outras pessoas a se levantar e o dono do carro fugiu. Casos de intolerância e violência se repetem de diferentes formas e, no exemplo citado acima, não teve punição, apesar de ter ocorrido entre dois estranhos. Mas, grande parte dos casos não têm punição pois acontecem entre os membros da própria família. Acontece que, por se tratarem de pessoas conhecidas e, muitas vezes até muito próximas, os idosos têm medo ou preferem preservar o agressor. A Organização Mundial de Saúde, define violência contra a pessoa idosa como “ações ou omissões cometidas uma vez ou muitas vezes, prejudicando a integridade física e emocional da pessoa idosa, impedindo o desempenho de seu papel social. A violência acontece como uma quebra de expectativa positiva por parte das pessoas que a cercam, sobretudo dos filhos, dos cônjuges, dos parentes, dos cuidadores, da comunidade e da sociedade em geral”. É importante considerar, contudo, que “a população idosa é constituída por diversas faixas etárias, as pessoas vivem, por exemplo, com rendas diferentes. Muitos idosos contribuem com uma parcela significativa do orçamento familiar, cuidam de netos. Outros acamados necessitam de cuidados permanentes. Enfim, há uma variedade de traços e particularidades que tornam a população idosa bastante heterogênea”, lembrou Áurea Soares Barroso, membro da equipe nacional da Pastoral da Pessoa Idosa (PPI), mestre em Gerontologia e doutora em Serviço Social. Ela insistiu que compreender essas distinções é essencial para não alimentar um discurso de preconceito contra os idosos que, de alguma forma, antecede os diversos tipos de violência sofrida por eles.

Por ocasião dos 10 Anos do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso, em 2013, a Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal publicou uma coletânea de publicações, textos e diretrizes resultantes do trabalho desenvolvido ao longo desse período por profissionais especializados no assunto, com base em suas próprias perspectivas e reflexões pessoais. Logo no início, o texto apresenta um panorama da situação do idoso e afirma que a terceira idade “é uma etapa da vida em que se apresentam limitações e a pessoa idosa perde o papel social que ocupava anteriormente. A falta de modelos prévios de inserção social desta população oportunizou situações de exclusão que afetaram sua qualidade de vida, dignidade e o exercício de seus direitos humanos conquistados. Novas necessidades foram explicitadas pela pessoa idosa, como de autonomia, mobilidade, acesso a informações, serviços, segurança e saúde preventiva”. Tais situações de exclusão são em si exemplos de violência social, mas além desses, há outros casos que incluem a violação física e até abusos sexuais. Para que o tema da violência contra os idosos, ainda pouco discutido na sociedade, tenha uma maior repercussão e possa ser um alerta para que os idosos, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa instituiu em 2006, o Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa, lembrado a cada ano, no dia 15 de junho. O principal objetivo é criar uma mobilização mundial visando criar uma consciência sobre o assunto e que não pode ser tratado como normal. Para marcar a data na cidade de São Paulo, a PPI em parceria com a promotoria da área do idoso, promoveu um evento para refletir sobre esta data.

Pouco se fala sobre isso Áurea comentou à reportagem que, segundo estudos realizados por Maria Cecília Minayo, da Fiocruz, até os anos 2000 foram localizados apenas sete trabalhos publicados na área da saúde sobre essa questão. A partir desse período, o número foi crescendo de forma significativa. “No Brasil, nos últimos anos, o debate foi ganhando maior visibilidade e densidade, por diversas razões, como o envelhecimento da população que tem despertado interesse de gestores públicos”, salientou. “Os idosos estão saindo de suas casas e ocupando o espaço público. Em quase todos os municípios brasileiros há serviços de convivência, lazer e cultural que são oferecidos pelo poder público ou ONGs para grupo etário. Iniciativas com essa finalidade têm contribuído para

ampliação da autonomia dos idosos. Ao frequentarem esses espaços, os idosos se sentem mais fortalecidos emocionalmente e menos vulneráveis à violência doméstica, local onde acontece a maioria das agressões”, continuou Áurea. Délton Esteves Pastore, promotor de Justiça de Direitos Humanos da Área do Idoso lembrou que “o envelhecimento da população brasileira está dentre as preocupações do poder constituído, por quaisquer das suas esferas políticas e deve contar com o suporte da sociedade para a minimização dos efeitos que o fenômeno acarreta. Considerando-se que hoje, 12% da população é considerada idosa, ou seja, que tem 60 anos ou mais, e que até 2050 esse percentual sofrerá sensível e considerável aumento, ao mesmo tempo em que as famílias têm reduzido o número de filhos por casal; a família, a sociedade, a comunidade e o estado devem dar as mãos para o seu enfrentamento”. Ele explicou à reportagem do O SÃO PAULO que são várias as modalidades desses maus tratos, pois a violência contra a pessoa idosa apresenta-se subdividida nas seguintes espécies: física, psicológica ou emocional, sexual, financeira, econômica, patrimonial ou material; abandono ou negligência, e para alguns autores devem se acrescentar a institucional e a autonegligência.

O agressor pode estar bem perto E o fato de a violência contra o idoso acontecer, na maior parte das vezes, no circuito familiar, dificulta ainda mais o reconhecimento por parte do próprio sujeito que sofre de reconhecer-se numa situação de violência. Délton salientou ainda que está presente em todas as classes e lugares. “A violência praticada contra a pessoa idosa, por ser universal, está presente em qualquer classe social, pode ocorrer em qualquer lugar, seja na via pública, nos serviços de acolhimento, nas unidades de saúde e até mesmo dentro do seu lar natural. O idoso abandonado pelos filhos na sua própria casa, sem que receba visitas ou os cuidados de que necessita; o que é negligenciado pelos órgãos públicos e privados, que não lhes dispensa o necessário tratamento que a lei lhe assegura, como a preferência em filas, atendimento na área da saúde, vagas reservadas em estacionamentos, assento reservado no transporte público.” Délton disse ainda que qualquer um pode ser ator. “Em se tratando de violência praticada no seio familiar, por um ou mais dos seus integrantes, muitas vezes o idoso adota postura de defesa do ente querido, buscando minimizar a violência de que é vítima, valendo lembrar


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aquele ditado popular: ‘ruim com ele, pior sem ele’. São situações que exigem muita sensibilidade para a busca da melhor solução. Evidentemente, se o idoso é espancado ou abusado de alguma maneira, a melhor saída é a separação dele e do agressor. ” Áurea, que pela Pastoral da Pessoa Idosa realiza visitas às casas dos idosos, reforçou que “os dados revelam que as violações mais comuns são a negligência, a violência física ou psicológica e o abuso financeiro e econômico, também chamado de violência patrimonial. Isso

amigo da família e, desde que este senhor morreu, ela passou aos cuidados do filho e da nora. “Porém, eles não davam a assistência necessária, ao ponto de negligência. Ao conhecermos e vermos a situação, chamamos imediatamente o Samu e ela ficou internada por mais de 50 dias. Na ocasião, fizemos a denúncia para o Conselho do Idoso do Município, que advertiu a família. Hoje auxiliada por uma sobrinha que com o valor da pensão da própria idosa paga uma outra pessoa para ajudar, ela está numa situação bem melhor e, além disso, damos

Um lugar para recomeçar O Disque 100, canal da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos recebe denúncias de violações de direitos. Registrou 12.454 denúncias de violência contra a pessoa idosa nos quatro primeiros meses de 2016, de janeiro a abril. As representações recebidas pela Promotoria de Justiça do Idoso chegam por várias vias, tais como: Rede pública da Assistência ou da Saúde, Disque 100 (Secretaria Nacional de Direitos Humanos), Ouvidoria do Ministério Público, Arte: Sergio Ricciuto Conte

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Onde denunciar?

Disque 100 – da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos – Basta ligar para o número 100, de qualquer telefone. Não é necessário se identificar, mas a pessoa deve fornecer dados bem completos da vítima e, se for possível, do agressor. Entretanto, as soluções exigem encaminhamentos e providências com resultados nem sempre imediatos, pois este órgão nacional terá de fazer contatos com os órgãos locais; Conselho Municipal do Idoso (CMI) – Não é executor da política, mas lhe compete zelar pelo cumprimento do direito do idoso. Ele avaliará a denúncia e cobrará ação dos órgãos municipais competentes; CREAS/PAEFI – serviço de proteção e atendimento especializado a famílias e indivíduos (se não houver CREAS no município, denunciar para a Secretaria Municipal de Assistência Social ou equivalente); Delegacia do Idoso ou Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso; Ministério Público do Município ou Comarca – Promotoria de Justiça, Órgão fiscalizador da Lei, que atua na garantia dos direitos individuais e coletivos, prevenindo violações ou propondo medidas no caso de ofensa aos direitos da coletividade ou quando o idoso não estando em plena condições de autonomia, encontrar-se em risco, sem o apoio familiar. Procon – Quando se tratar de abuso contra o idoso enquanto consumidor, como por exemplo, alguém que tenta convencê-lo a fazer empréstimos e depois cobrar juros abusivos.

acontece, geralmente, quando a pessoa perde a capacidade de gerenciar os seus recursos e necessita de ajuda de terceiros para realizar operações financeiras. No primeiro quadrimestre de 2016, este tipo de violação representa quase 39% dos casos denunciados.” Conceição Aparecida de Carvalho, coordenadora Arquidiocesana da PPI em São Paulo, ressaltou que “muitos idosos ficam constrangidos em falar sobre o assunto”. Na cidade de São José dos Campos (SP), o casal Josely e Aparecido Antunes Paschoal está acompanhando uma senhora que era cuidada por um senhor

a assistência necessária, na medida do possível”, contou Aparecido. A sensibilidade e cuidado com os idosos é uma tarefa coletiva, tanto quanto o é, o cuidado com as crianças e adolescentes. Porém, numa sociedade onde se valoriza mais o corpo, a vitalidade, a agilidade e a tecnologia do que a experiência por exemplo, os idosos tornamse alvo de preconceito e são esquecidos como se não fosse mais necessários para a convivência social. Tal realidade pode ser facilmente verificada quando alguém reclama da presença de um idoso ocupando lugares nos transportes públicos ou em espaços de lazer.

Poder Judiciário. Esses são alguns dos canais em que os idosos podem fazer a denúncia caso estejam sendo vítimas ou conheçam pessoas que precisam de ajuda. Se houver indícios de violência, o representante (pessoa que leva ao conhecimento da autoridade essa espécie de evento) poderá se dirigir a uma Delegacia de Polícia, de preferência a do Idoso, Polícia Militar, Ministério Público, Rede Pública da Assistência ou da Saúde. Já no trabalho da Pastoral da Pessoa Idosa, os líderes, pessoas preparadas para visitar as pessoas idosas e, além de outros cuidados, conversar sobre a mes-

ma fé que os une, são orientados a respeitarem a dinâmica de cada família, observar uma situação que pode indicar algum tipo de violência e procurar a ajuda de profissionais do Serviço Social, da Saúde, entre outros. Conceição afirmou “que muitos casos chegam à Pastoral após estas visitas domiciliares mensais, por ligações recebidas e, às vezes, por pessoas que procuram diretamente as paróquias da comunidade, buscando soluções. Relatos comprovam que, após essas denúncias há melhoras e os idosos passam a receber mais atenção de seus familiares como alimentação adequada e cuidados com a higiene”. No artigo 193 da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, sobre o amor na família, o Papa Francisco afirma que “uma família que não respeita nem cuida dos seus avós, que são a sua memória viva, é uma família desintegrada; mas uma família que recorda é uma família com futuro. Por isso, numa civilização em que não há espaço para os idosos ou onde eles são descartados porque criam problemas, tal sociedade traz em si o vírus da morte porque se separa das próprias raízes”.


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Belém, capital Eucarística do Brasil Edson Lima/Jornal Voz de Nazaré

Jucelene Rocha e Renata Moraes Especial para o São Paulo em Belém (PA)

A força da Eucaristia e a ação missionária da Amazônia levou mais de 35 mil pessoas ao Estádio Olímpico do Pará, popularmente conhecido como Mangueirão, na noite da segunda-feira,15, para a abertura do XVII Congresso Eucarístico Nacional (CEN), em Belém (PA). Depois de seis anos de preparação, a capital paraense sedia pela segunda vez um Congresso Eucarístico, abre suas portas e acolhe toda a Igreja tornandose a capital eucarística do Brasil, até domingo, 21. Com o tema:“Eucaristia e Partilha na Amazônia Missionária”, e o lema “Eles o reconheceram no partir do Pão”, a edição deste ano marca as comemorações dos 400 anos de fundação da cidade de Belém, e o quarto centenário da Evangelização na Amazônia. A capital paraense nasceu em 1616 como parte da estratégia da Colônia Portuguesa para povoar a região e assim evitar a invasão desse território por outros exploradores europeus como holandeses e franceses.

Belém acolhe a Igreja do Brasil

Segundo estimativa da organização, todo o evento deve reunir aproximadamente 500 mil pessoas, entre as quais 300 bispos, 1500 padres, e 50 mil congressistas, para professarem publicamente sua fé na presença real de Cristo na Santíssima Eucaristia. Da Arquidiocese de São Paulo participam o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, seus bispos auxiliares e alguns padres do clero arquidiocesano. A abertura solene contou com a presença de autoridades civis e eclesiásticas, além de milhares de leigos vindos de vários lugares do país, religiosos e religiosas, padres, bispos e cardeais, como também da presença do Núncio Apostólico do Brasil, Dom Giovanni D’Anielo, que leu a carta enviada pelo Papa Francisco ao Cardeal Cláudio Hummes, nomeado pelo pontífice como seu representante pessoal para o CEN 2016, encargo pastoral denominado como Legado Pontifício. A mensagem destaca especialmente a necessidade de colocar em prática o mandato de Jesus Cristo: “Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda a criatura, quem crer e for batizado será salvo”. Ainda na mensagem, o Papa exorta a Igreja a fortalecer a fé do povo com a catequese e a oração, lembrando a importância da vivência do amor na vida cotidiana. O pontífice recorda também que a família é uma igreja doméstica, lugar onde nasceram e cresceram gerações de cristãos e missionários.

Por Maria vamos a Jesus

A cerimônia de abertura do CEN coroou a trajetória de preparação para este momento marcante de grande testemunho público da fé. Assim como acontece em todas as iniciativas religio-

Legado pontifício, Cardeal Cláudio Hummes preside missa de abertura do XVII Congresso Eucarístico Nacional, no Estádio Olímpico do Pará

sas no Pará, a devoção a Nossa Senhora de Nazaré, padroeira da Amazônia, abriu as atividades. A entrada da imagem no Estádio Olímpico encheu de luz e emoção o espaço ocupado pelos fiéis nas arquibancadas que foram iluminadas com velas distribuídas aos participantes. Emocionada, a belenense Jaciara Vasconcelos, sintetizou o clima do momento. O Congresso começou com o que, segundo ela, o povo paraense tem de melhor a oferecer, o grande testemunho de fé e comunhão eclesial. “Eu fiz questão de trazer meu filho para este momento lindo! Foi muito emocionante a entronização da imagem da Virgem de Nazaré a nos abençoar”, destaca. De fato, assim como acontece na tradicional procissão do Círio de Nazaré, que se realiza em Belém no mês de outubro e reúne mais de dois milhões de pessoas, a fisionomia da devoção mariana em terras amazônicas também se fez

Ostensório do CEN 2016

notar na abertura deste que é o maior evento em torno da Sagrada Eucaristia. No meio do povo, histórias de veteranos na fé se misturam com novas experiências nascidas ali mesmo, diante do Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Participando pela primeira vez de um congresso Eucarístico Nacional a jovem Ana Kate, de São Luís (MA) partilha os motivos que a trouxeram à Belém: “Busco aqui um momento de encontro pessoal com Jesus na Eucaristia, vim também para rezar pelo mundo que está tão sedento de Deus, tão necessitado de paz. Foi a certeza na força da Eucaristia como luz para o mundo que me trouxe até aqui”.

‘Cristo aponta para a Amazônia’

A missa de abertura foi presidida pelo Legado Pontifício, Cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Pau-

A Arquidiocese de Belém conseguiu tornar ainda mais solene a exposição pública da Sagrada Eucaristia ao apresentá-la em um ostensório que traz em sua estrutura a síntese da identidade amazônica e brasileira. A peça que é uma verdadeira obra de arte mede 1,60m de altura e foi adornada com pedras preciosas da Amazônia. Na base apresenta quatro anjos que trazem no rosto características da população que forma o povo brasileiro. A grande estrutura que parte da base e forma o resplendor simboliza a Samaumeira, uma das maiores árvores do mundo e conhecida entre os povos indígenas como a árvore da Vida. Na natureza esta árvore pode atingir mais de 60m de altura, com diâmetro de até dois metros. Esta inspiração da natureza trouxe ao ostensório do CEN todo simbolismo presente na cultura dos povos da floresta. Como explica o vigário geral da arquidiocese de Belém e idealizador da obra, Monsenhor Raimundo Possidônio da Mata, “transformada emblematicamente em custódia ou ostensório do Congresso, a Samaumeira acolhe em seu seio e manifesta de um modo sublime a nossa realidade natural, histórica, humana e eclesial em profunda comunhão com o mistério eucarístico. Aos pés do ostensório estão representações de nossa sócio diversidade nos rostos de indígenas, afrodescendentes, brancos e mestiços que seguram, em profunda adoração e comunhão, o Deus humanado na Samaumeira sustentada por uma Vitória-Régia, a flor símbolo da Amazônia”.

lo, e Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB. Na homilia, Dom Cláudio reforçou a importância da Sagrada Comunhão. “A Eucaristia é fonte de toda a Evangelização. A Eucaristia é o centro da Igreja”. Ao falar sobre os desafios da Igreja na Amazônia, o Cardeal Hummes destacou a necessidade do cuidado com a Casa Comum e a preservação da natureza, defendidos e incentivados pelo Papa Francisco na encíclica Laudato Si’. Ainda falando sobre o tema Eucaristia e Partilha na Amazônia Missionária, recordando os Discípulos de Emaús que reconheceram Cristo ao partir o Pão, Dom Cláudio enfatizou: “Os povos da Amazônia reconhecerão o Cristo se repartimos com eles o nosso pão: o pão material e o Pão Espiritual”. Ao citar o Beato Paulo VI, o Cardeal Hummes recordou a necessidade de se renovar a urgência missionária e o cuidado com os povos indígenas e ribeirinhos ao reafirmar: “Cristo que aponta para a Amazônia”.

Origem e motivos do Congresso

O primeiro Congresso Eucarístico foi celebrado em 1881 em Lille, na França por iniciativa de um grupo de leigos apoiados por São Pedro Julião Eymard. No Brasil, o primeiro Congresso aconteceu em 1933, em Salvador (BA), com o tema: “Vinde, adoremos o Santíssimo Sacramento”. O texto-base para esta 17ª edição descreve os objetivos de um Congresso Eucarístico: “Aprofundar a doutrina cristã sobre a Eucaristia; prestar culto público e solene ao Santíssimo Sacramento; manifestar a universalidade e a unidade da Igreja e sua dimensão missionária. Irradiar para a Igreja e a sociedade os frutos da Eucaristia na ação social; e realizar seminários temáticos públicos específicos, com temas ligados a teologia da Eucaristia”.


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Cardeal Cláudio Hummes

Igreja na Amazônia deve ter um ‘rosto amazônico’ e um ‘clero autóctone’ Arquivo pessoal

Fernando Geronazzo

osaopaulo@uol.com.br

Enviado do Papa Francisco para o XVII Congresso Eucarístico Nacional que começou segunda-feira, 15, em Belém (PA), o Cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, é o porta-voz da atenção pastoral do Santo Padre pela Igreja na Amazônia missionária, para que assuma um “rosto amazônico” e “não tenha medo de arriscar perante os grandes problemas de evangelização e desenvolvimento da região”. Presidente da Comissão Episcopal para Amazônia, da CNBB, e da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), Dom Cláudio, antes de embarcar para Belém, falou com exclusividade ao O SÃO PAULO sobre a realidade e desafios da Igreja na Amazônia onde tem visitado com frequência desde 2011. Ele destacou a importância da formação de um clero autóctone e de missionários junto aos indígenas frente ao crescimento de seitas protestantes neopentecostais. Também salientou os problemas inerentes à crescente urbanização da região, que gera “pobreza, com periferias inchadas e abandonadas pelo poder público”. Esta é a segunda vez que o Cardeal Hummes representa um pontífice em um Congresso Eucarístico Nacional. Em 2010, ele foi enviado pelo Papa Bento XVI para a edição anterior do evento, em Brasília (DF). Confira a entrevista.

O SÃO PAULO – Na última assembleia da CNBB, o senhor enfatizou a necessidade de um “rosto amazônico” da Igreja. Qual seria esse rosto? Cardeal Cláudio Hummes – Foi o Papa Francisco que, em seu discurso aos bispos brasileiros, durante a JMJ no Rio, em 2013, disse que a Igreja na Amazônia deve ter um “rosto amazônico” e um “clero autóctone”, isto é, clero nascido na região. Entendo que o Papa quer uma Igreja que, em sua evangelização, se envolva realmente com a cultura, a história, os problemas, os sonhos e os projetos do povo amazônico, incluindo de modo particular o universo dos povos indígenas, que são os povos originários da região. A formação de um “clero autóctone” faz parte necessária deste processo. Hoje é possível falar nesse clero autóctone? Hoje, há algumas poucas arquidioceses e dioceses na Amazônia que já têm

considerável número de clero autóctone. As demais, bem menos ou nenhum. Não tenho estatísticas, mas creio que somando todo o clero da Amazônia a grande maioria é de missionários vindos seja de outras dioceses do Brasil seja do exterior. Clero autóctone continua sendo um grande desafio. Se considerarmos a evangelização específica dos índios, padres indígenas infelizmente quase não há. Mas serão necessários, se quisermos realmente promover o direito dos indígenas de voltarem a ser sujeitos de sua história. Como é o trabalho de evangelização junto aos povos indígenas? Os indígenas da região que chegaram a ser contatados pelos missionários e missionárias no passado, se converteram ao catolicismo. E foram muitos. Hoje, podemos constatar uma nova situação. Trata-se do fato que muitos deles e até mesmo aldeias inteiras migram da Igreja Católica para Igrejas e seitas protestantes neopentecostais, devido à intensa atividade destes grupos religiosos e por falta de presença maior de nossos pastores junto às aldeias. Precisamos de muito mais presença constante de nossos padres junto às comunidades indígenas católicas. Mas os missionários nossos são muito poucos. Além da pressão dos neopentecostais, temos que reconhecer que apesar do grande esforço de nossos missionários, as comunidades indígenas e também as dos ribeirinhos e de

outros na área interiorana, só raramente podem participar da Eucaristia, receber o Sacramento da Reconciliação e a Unção dos Enfermos. Como pode uma comunidade católica florescer se faltam quase totalmente estes três sacramentos fundamentais do cotidiano dos católicos, somado à ausência física quase constante dos seus pastores? A Igreja precisa refletir seriamente sobre isso. Há também inúmeras realidades sociais desafiadoras na Amazônia. Quais o senhor destaca? Sim; podemos destacar primeiro a intensa urbanização da região, com todos os seus problemas inerentes para os que migram para as cidades, a saber, migração desorganizada, pouca ou nenhuma estrutura urbana para recebê -los, consequente pobreza, com periferias inchadas e abandonadas pelo poder público. Assim a Igreja na cidade enfrenta novos e complexos desafios para a evangelização urbana, além dos desafios da evangelização da população interiorana, ribeirinha e indígena. Depois, há o grande problema do desmatamento para favorecer o agronegócio, que reina soberano, e a mineração. Ambos quase sempre devastam para acumular lucros, mesmo que seja às custas da população local e da natureza. Outro desafio são os projetos do governo federal de construir dezenas de novas hidrelétricas que, a seu modo, devastam natureza e populações.

Como tem sido o trabalho da Rede Eclesial Pan-Amazônica para enfrentar os desafios da Igreja na Amazônia Legal? É bom lembrar que além da Rede Eclesial Pan-amazônica existe a Comissão Episcopal para a Amazônia. Esta última já existe há mais de uma década e pertence à CNBB. A REPAM foi criada em 2014 e é do Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM), porque engloba 9 países latino-americanos, mas a Comissão de Bispos para a Amazônia é co-fundadora e membro da REPAM, junto com a Conferência Latino Americana dos Religiosos (CLAR), as Cáritas Latino-americanas e o Departamento de Solidariedade e Justiça do CELAM. De ambas, por ora, sou presidente. As duas entidades atuam autonomamente, mas muito conectadas. Ambas têm seus programas próprios. É um grande trabalho em favor da Amazônia nos nove países, em favor da preservação e desenvolvimento, bem como de uma evangelização inculturada, com “rosto amazônico” e “formação de clero autóctone”. Uma das formas de dinamizar estes programas são minhas visitas às (arqui) dioceses e prelazias da Amazônia Legal do Brasil. Já visitei 36, com visitas de três a quatro dias, com encontros, palestras, celebrações com o povo local, visitas a aldeias indígenas e assim por diante. Agora, estou também iniciando, como presidente da REPAM, visitas aos outros oito países que tem parcelas da região amazônica, mas estas visitas serão às conferências episcopais de cada país e não a todas as dioceses. Já visitei assim a Guiana e está programada ainda para este ano uma visita ao Equador. Qual mensagem do Para Francisco que o senhor leva a Belém? Como sabemos, o Papa Francisco manifesta um grande amor e zelo pastoral pela Igreja na Amazônia, incentiva uma nova evangelização missionária, que assuma um “rosto amazônico” e inclua toda a problemática da preservação da natureza e meio-ambiente, cultive as vocações missionárias necessárias, não tenha medo de arriscar perante os grandes problemas de evangelização e desenvolvimento da região e tenha como prioridade os pobres, os excluídos, os indígenas, no sentido de uma Igreja missionária, misericordiosa, pobre e para os pobres. Entrevista concedida em 03 de agosto de 2015

As opiniões expressas na seção “Com a Palavra” são de responsabilidade do entrevistado e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do jornal O SÃO PAULO.


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Filipe David

osaopaulo@uol.com.br

Dica de Leitura

Ser ou não ser santo... Eis a questão Há mais de quarenta anos, enquanto professor de Teologia espiritual na Faculdade de Teología de San Esteban de Salamanca, o Padre Royo Marín escreveu uma extensa obra de mais de mil páginas, intitulada Teologia de la perfección cristiana. Não demorou para que se tornasse referência em todo o mundo. No entanto, considerando a sua extensão, e também, como dizia o próprio padre Royo, que “hoje em dia produz certo pânico ter de abordar um livro de mil páginas, por mais importante que seja”, ele mesmo decidiu fazer neste livro uma breve exposição daquilo que é mais importante e essencial na sua obra maior, uma espécie de vade-mécum da Teología de la perfección cristiana. Portanto, assegura o Padre Royo que “ninguém encontrará aqui nada verdadeiramente essencial que não esteja muito mais desenvolvido em nossa primeira obra; mas esta tem a indubitável vantagem de sua maior brevidade, que a

Para refletir

Uma ponte para o céu

Reprodução

torna mais acessível ao público cristão em geral”. Ficha técnica: Autor: Padre Antonio Royo Marín Páginas: 372 Editora: Ecclesiae

“Em uma sociedade tradicional, o rei está no centro, ele é o ponto de equilíbrio e o ponto de passagem entre a terra e o céu. Num mundo estilhaçado pelo pecado original, o rei é a lembrança viva da unidade original da Criação, é ele que evita o caos da dispersão. Como dizia Santa Joana d’Arc, ele é o ‘tenente do rei dos Céus’, no sentido etimológico de tenente: ‘aquele que tem’ ou exerce uma função no lugar de outro. Para sublinhar esse papel, o rei romano Numa Pompílio assumiu o título de ‘pontifex’ (criador de pontes), que mais tarde seria retomado pelos papas; os chineses escrevem a palavra ‘rei’ com um traço vertical ligando três traços horizontais, que representam o céu, os homens e a terra. (...). Se o rei permanece dentro dos limites de sua condição e do espírito de serviço que é próprio à sua função, então ele pode executar seu papel de ‘eixo do mundo’, permitindo que o temporal e o espiritual não sejam duas potências em guerra, mas que

um seja uma passarela em direção ao outro. Esse ideal, que foi mais ou menos bem incarnado de acordo com os diferentes homens e épocas, é completamente estranho aos nossos regimes democráticos, que se proíbem toda transcendência e não aspiram a nada além do conforto material dos povos. Assim, o mundo se divide, a sociedade se torna esquizofrênica, as preocupações materiais e as crenças espirituais se viram as costas numa indiferença mútua. Na verdade, como apenas as preocupações materiais têm sua legitimidade reconhecida pela sociedade, elas acabam destruindo na raiz toda crença espiritual. E é assim que essa sociedade fragmentada engendra um homem atrofiado. Não é de surpreender que este alimente, contra um sistema que o privou de sua melhor parte, um rancor surdo e inexprimível.” (Laurent Dandrieu, comentando um ensaio de Christophe Levalois. O texto integral pode ser lido, em francês, em valeursactuelles.com).


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Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

Thiago Braz ‘voa’ a mais de 6 metros para o ouro A missão parecia impossível: desbancar o recordista mundial do salto com vara, o francês Renaud Lavillenie, na final olímpica no estádio do Engenhão, na noite da segunda-feira, 15. Porém, para Thiago Braz da Silva, 22, que sempre acreditou que “sem sonhos, a vida não tem brilho”, o improvável reluziu na medalha de ouro por ele conquistada ao voar a 6,03m, superando os 5,93m alcançados pelo esportista francês. “Disseram que o salto que eu fiz na qualificação foi um milagre. Então, hoje eu confirmei o milagre de Deus e bati o recorde olímpico. Quem saltou comigo também foi o público brasileiro. A emoção que eles passaram para mim foi muito importante”, disse Thiago em entrevista ao site dos Jogos Rio 2016. Nascido em Marília (SP), Thiago ingressou no atletismo aos 14 anos, por influência do tio, Fabiano Braz, que, junto com os avós do agora campeão olímpico, ajudou na criação do garoto deixado pela mãe na infância. Aos 16 anos, Thiago

Prata na canoagem, Isaquias Queiroz assegura: ‘Vem mais por ai`

Isaquias Queiroz, 22, conquistou na manhã da terça-feira, 16, uma inédita medalha para o Brasil na canoagem velocidade. Em disputa acirrada com o alemão Sebastian Brendel, o brasileiro cruzou a linha de chegada da prova do C1 1.000m na segunda posição e se emocionou no pódio ao receber a medalha de prata. “Abri mão de muita coisa para estar aqui. Por isso, é muito emocionante ganhar essa medalha no Rio. A torcida foi maravilhosa. Tem que aproveitar. Vou dormir com essa medalha hoje, e amanhã batalhar para conquistar as outras. É gratificante. Mas vem mais por aí”, disse ao site dos Jogos Rio 2016. Isaquias ainda competirá no C1 200m, no qual foi ouro no Pan de Toronto, e no C2 1.000m, com Erlon Souza, prova em que são os atuais campeões mundiais. (Com informações do site Rio 2016)

Polêmicas, superações e medalhas para Zanetti, Nory e Diego

A campanha da ginástica artística brasileira nos Jogos Rio 2016 foi histórica, especialmente pela conquista das medalhas de Arthur Zanetti, prata nas argolas, na segunda-feira, 15, e Diego Hypolito, prata, e Arthur Nory, bronze, no solo, no domingo, 14. Aos 30 anos, Diego deu a volta por cima na carreira, após duas quedas inesperadas nas finais de Pequim 2008 e Londres 2012. Além disso, neste ciclo olímpico, superou a perda de patrocinadores, lesões e até um quadro depressivo em 2013. “Na minha última passada, veio na cabeça um filme de Pequim e Londres e só pensei em tirar isso, pois sei o quanto trabalhei

Alexandre Hassenstein/GettyImagem/Rio 2016

Thiago Braz comemora primeira medalha de ouro olímpica do Brasil na história do salto com vara masculino, conquistada na segunda-feira, 15

conquistou a prata nos Jogos Olímpicos da Juventude de Cingapura 2010 e em 2012 foi campeão mundial juvenil. Em 2014, sofreu uma lesão no punho esquerdo. Recuperado, era favorito a uma mepara ter essa oportunidade novamente”, afirmou em entrevista ao site da Confederação Brasileira de Ginástica. Arthur Zanetti, ouro em Londres 2012, foi superado no Rio de Janeiro pelo grego Eleftherios Petrounias, atual campeão mundial. “Foi maravilhoso e até mais difícil por defender o título no Brasil. Esse resultado tem um gostinho a mais. Antes só tínhamos uma medalha, agora já temos mais três. Isso mostra que a ginástica artística brasileira vem crescendo muito”, ressaltou o medalhista de prata, que em 2013 ameaçou competir por outra nação por conta da falta de estruturas no Brasil, crítica que levou a melhorias nas instalações de treinos em diversos pontos do País. Para Arthur Nory, 22, o bronze na prova do solo, vencida pelo britânico Max Whitlock, pode ter sido a reconstrução da própria imagem. Em 2015, ele ficou marcado pelo episódio de ofensas raciais ao colega de seleção Ângelo Assumpção. “Eu cresci bastante, amadureci bastante. Não é querer ser o melhor só ali dentro, no treino, é querer ser melhor como pessoa também”, afirmou horas depois da conquista da medalha. (Com informações dos sites El País, CBGinástica, Rio 2016 e EBC)

Poliana Okimoto conquista única medalha brasileira nos esportes aquáticos

Ao cruzar a linha de chegada da prova de maratonas aquáticas na segunda-feira, 15, Poliana Okimoto não estava entre as medalhistas, mas já fazia festa pelo 4º lugar alcançado, afinal, em Londres 2012 teve que abandonar a prova após sofrer uma hipotermia (queda extrema da temperatura corpórea). Minutos depois, a paulistana de 33 anos foi informada da desclas-

dalha no Pan de Toronto 2015, mas não passou da primeira fase. Alheio às críticas que recebeu, o atleta seguiu treinando, na Itália, com o técnico ucraniano Vitaly Petrov - que conduziu os ex-atletas Sergey

sificação da francesa Aurelie Muller (que terminou em 3º) e comemorou a inédita medalha de bronze. “Estou olhando para a medalha e nem acreditando. A gente treina tanto, espera demais por esse momento e, quando chega, demora para acreditar. Eu mereci muito essa medalha”, disse a nadadora ao site dos Jogos Rio 2016. Poliana Okimoto foi a única brasileira medalhista nos esportes aquáticos. Na natação, mesmo com uma delegação recorde, o máximo que o País conseguiu foi chegar a oito finais. A projeção da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), no início do ano, era alcançar 21 finais nas piscinas e ao menos duas medalhas. “Vamos analisar o que efetivamente aconteceu. Numa equipe de 33 nadadores, 20 participam dos Jogos pela primeira vez”, declarou à imprensa Ricardo de Moura, supervisor executivo da CBDA, complementando no próximo ciclo olímpico os atletas mais jovens deverão participar com mais frequência de competições em outros países.

Bubka e Yelena Isinbayeva a medalhas de ouro em outras edições olímpicas – e teve o esforço recompensado com a medalha dourada no Rio de Janeiro. (Com informações dos sites BBC, CBAt, COB e Rio 2016)

nos jogos ri o 2 o 16 Praia? Só na próxima visita

O baiano Robson Conceição, 27, é o quinto boxeador da história do Brasil a conquistar uma medalha olímpica. No início da noite da terça-feira, 16, ele disputou a final da categoria peso leve (até 60 kg) contra o francês Sofiane Oumiha (o combate foi finalizado após o fechamento desta edição). A medalha de Robson é a quarta do Brasil nos esportes de combate nos Jogos do Rio. As outras três vieram do judô, com Rafaela Silva (ouro), Rafael Silva (bronze) e Mayra Aguiar (bronze).

Viver a Olimpíada entre a sexta-feira, 12, e o domingo, 14, como turista no Rio de Janeiro foi uma missão de fôlego. Assisti às disputas do tiro com arco, no Sambódromo; de vôlei de praia, em Copacabana; de tênis de mesa, no Riocentro; e de vôlei, no Maracanãzinho. A quase todos os locais, cheguei de metrô e para ir ao Riocentro também precisei fazer uso do sistema BRT (ônibus que trafegam por um corredor exclusivo). De modo geral, foram viagens tranquilas, apesar de lotadas, por conta da grande quantidade de pessoas. Muitas, aliás, aproveitaram a Olimpíada para conhecer a Catedral do Rio, a Igreja da Candelária e o histórico Convento de Santo Antonio, na região central da cidade, como pude testemunhar. Próximo aos locais de competição, me senti muito seguro. À exceção foi no sábado à noite, 13, quando percorri a pé, por 15 minutos, o trecho entre o Riocentro e o Terminal Olímpico do BRT e não vi a presença de agentes da guarda municipal ou da Força Nacional de Segurança pelo caminho. Dentro das arenas esportivas, tive a confirmação da “vocação” do brasileiro para ser torcedor: o público sempre optava por um dos atletas, adaptando cantos ao nome do país do esportista e fazendo coro aos grupos de torcedores sul-coreanos, indianos, holandeses, sérvios, portugueses, camaroneses... Nada comparável, claro, a quando um brasileiro estava em ação, como pude vivenciar na partida das oitavas de final do vôlei de praia, vencida por Ágatha e Bárbara Seixas contra uma dupla chinesa. Aliás, essa foi a única vez que estive perto da praia: com tantos esportes em disputa, me esqueci do banho de mar. Farei isso na próxima visita, afinal a olimpíada não voltará, mas o Rio continuará lindo e de braços abertos para o mundo.

(Com informações do site Rio 2016)

(Por Daniel Gomes)

(Com informações dos sites CBDA e Rio 2016)

Brasil garante mais um pódio nos esportes de combate


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Brasilândia Vocação de Santa Rita de Cássia é exemplo para a Juventude

Larissa Alves, Ernesto Dias Souza Colaboradores de comunicação da região

No primeiro domingo de agosto, 7, mês dedicado às vocações, os jovens da Paróquia Santa Rita de Cássia, no Setor Pastoral Nova Esperança, participaram de uma formação sobre a história vocacional e exemplo de vida cristã de sua padroeira. A formação foi ministrada por José Jadson, que apresentou detalhes da vida de Santa Rita em sua infância, como a vontade de fazer suas tarefas com presteza e rapidez para ter mais tempo para se dedicar à oração. Também foram apresentadas passagens de sua vida adulta, como esposa e mãe, com destaque para seu esforço para converter seu marido e afastá-lo da violência e da rivalidade que era comum entre os nobres daquela época, bem como na condução de seus filhos no caminho do bem para afastá-los da ânsia de vingança após a morte de seu marido. Finalizando o tema desse primeiro dia de formação, José Jadson falou sobre a vontade de Rita em se tornar freira após ter ficado viúva e da morte de seus filhos,

Ernesto Dias Souza

Jovens participam de formação vocacional sobre a vida e missão da padroeira da Paróquia Santa Rita de Cássia, no Setor Nova Esperança

que era sua vocação desde criança e que, por meio de sua imensa fé, de seu testemunho de vida e de suas orações, ela era transportada para o jardim do convento,

de muros altos e cujos portões ficavam trancados, sem que ninguém pudesse explicar como havia chegado até lá. “É gratificante vermos jovens reuni-

dos numa manhã de domingo. Rezamos para que o exemplo de fé de Santa Rita possa fazer brotar a vocação nesses jovens”, destacou o palestrante.

Jovens do Movimento Escalada prepararam retiro Os membros da equipe de Pirituba, Alphaville e Araras do Movimento Escalada São Paulo se reuniram nos dias 23 e 24 de julho em Santana do Parnaíba (SP) para a preparação de seu retiro anual que acontecerá de 2 a 4 de setembro em Vinhedo (SP). No decorrer do fim de semana, várias decisões importantes foram tomadas. “Isso agrega muito, pois por mais que somos localidades diferentes, somos um só. E esse ‘um’ se junta em setembro, e não podemos esperar até lá. É preciso se reunir para ver o que o outro

está preparando”, conta Arthur Correa, 19, coordenador do retiro Escalada 2016. Ele completou, contando sobre a sensação de ver isso tudo acontecendo: “É uma emoção tamanha ver a entrega das pessoas e o tempo que disponibilizam da vida delas por algo muito maior, que não é somente a igreja, mas o próximo, e acho que a maior entrega está aí: se doar completamente para outras pessoas, e isso não tem preço”. A união e empenho para transformar vidas que ainda nem se conhecem, é o que motiva Clariane Amorim, 16, que atua esse ano

como equipe do encontro pela primeira vez. “Fiquei impressionada com a logística de ver e ouvir cada atividade, saber o que vai acontecer, viver o encontro, mas de outra forma. É legal adquirimos uma crítica para nós mesmos e com os outros. Tudo isso, para o bem dos cursistas”. No sábado, os jovens contaram com a

presença do Padre Rafael Casarin, Pároco da Paróquia Bom Pastor, Alphaville, que encorajou os jovens a serem nesse mundo protagonistas e corajosos. “Se vocês rezarem escondidos jamais tocarão outras vidas. Rezem confiantes, para que outras pessoas tenham também o desejo de rezar.” Larissa Alves

Isadora Félix

Membros do Movimento Escalada são encorajados a serem jovens protagonistas e corajosos

ADVOCACIA TRABALHISTA

No sábado, 13, os Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão da Região Brasilândia estiveram reunidos na Paróquia São Luís Gonzaga, em Pirituba, para uma manhã de espiritualidade. Segundo a organização ao todo mais de 1000 ministros participaram do encontro, que foi assessorado por Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia. Ao final, o bispo conduziu a Adoração ao Santíssimo Sacramento.

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Peterson Prates

Colaborador de comunicação da região

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Belém

Santa Clara inspira vivência Eucarística em comunidade paroquial A Paróquia Santa Clara, setor pastoral Guarani, celebrou o dia de sua padroeira na quinta feira, 11. Passaram pela comunidade aproximadamente mil pessoas entre as três celebrações do dia. Houve também o bazar do artesanato, as barracas e o bingo, fechando assim as festividades que iniciaram em 16 de julho com a abertura da 36ª Festa de Santa Clara e a visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, por ocasião dos 300 anos do en-

contro da imagem da Padroeira do Brasil. De 27 de julho a 10 de agosto, foi celebrado um tríduo em Louvor a Santa Clara, no qual foi apresentada a vida da santa sob o método ‘ver, julgar e agir’, e reforçou-se os pilares de sua vocação: Oração e Eucaristia. A comunidade paroquial espera crescer a cada dia nos ensinamentos da padroeira, para bem caminhar rumo ao jubileu de ouro, a se celebrar em 2018. (Colaboração: Reinaldo Malinauskas)

Pascom Belém

Fiéis da Paróquia Santa Clara lotam Igreja no Setor Guarani para celebrar festa de sua Padroeira, no dia 11

10 anos da morte de Dom Luciano Mendes

Pascom Belém

O setor pastoral Conquista realizou no sábado, 13, peregrinação ao Santuário Nossa Senhora do Sagrado Coração, para a passagem pela Porta da Misericórdia, por ocasião do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia. A missa foi presidida pelo Pe. Alex Sandro Sudré, MSC, e concelebradas por outros padres do setor.

Em 27 de agosto completa-se 10 anos da morte de dom Luciano Mendes de Almeida (1930-2006), arcebispo de Mariana (MG) entre 1988 e 2006 e bispo auxiliar de São Paulo para a Região Episcopal Belém, de 1976 a 1988. Dom Luciano se destacou fortemente no trabalho junto aos pobres e marginalizados, junto às crianças e forte defensor dos direitos humanos. Dom Luciano foi secretário geral da CNBB (1979-1986) e presidente (19871994) da CNBB, fazenda parte do Conselho Permanente desta entidade de 1987 até sua morte. Fez parte da Pontifícia Comissão Justiça e Paz, do Conselho Episcopal Latino-Americano, e da Comissão Episcopal

para a Superação da Miséria e da Fome. Em 2014 foi autorizada pela Santa Sé a abertura do processo de beatificação de dom Luciano, recebendo o título de “Servo de Deus”. A Região Belém solicita o envio de fotos e depoimentos, do arquivo pessoal, da comunidade ou do grupo pastoral, sobre o Servo de Deus, Dom Luciano Mendes de Almeida. O material pode ser enviado para o e-mail: ‘memoriaregiaobelem@gmail.com’. A missa em memória dos dez anos de falecimento de Dom Luciano será celebrada dia 26, às 15h, no Centro de Educação Infantil Dom Luciano Mendes de Almeida (rua Esteban Araciel, 87, Jardim Dona Sinhá).


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Santana Pastoral Familiar realiza mutirão de pastorais e movimentos

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região Santana

Com o tema “Como ser uma pastoral inteligente, corajosa e amorosa”, a Pastoral Familiar da Região Episcopal Santana promoveu, dia 6, na Cúria Regional de Santana, um mutirão entre as diversas pastorais, movimentos, associações, grupos e serviços da nossa Igreja. “O objetivo foi que esse evento fosse um meio de inovar e renovar o ardor missionário e evangelizador em buscar uma maior integração entre pastorais e ampliar sempre mais as parcerias entre todas elas”, disse Antonio Ribeiro, coordenador regional da Pastoral Familiar. Padre Andrés Marengo, coordenador regional de pastoral, fez a apre-

sentação dos objetivos do Conselho Regional de Pastoral (CRP) e, em seguida, diversas pastorais apresentaram seus carismas e suas ações pastorais para que todos tivessem conhecimento. Dentre elas, se apresentaram: Pastoral da Juventude, Pastoral da Ecologia, Encontro de Casais com Cristo, Pastoral Carcerária, Comunidade Famílias Novas, Pastoral Missionária e Equipes de Nossa Senhora. O encontro teve participação também dos assistentes eclesiásticos padres Eduardo Higashi, da Pastoral Familiar, e Antonio dos Santos, Pastoral Missionária.

Diácono Francisco Gonçalves

Membros do conselho reunidos na Cúria de Santana em mutirão de integração de pastorais

Ministros extraordinários da Comunhão participam de preparação Diácono Francisco Gonçalves

Ministros da Sagrada Comunhão reunidos no Colégio Consolata em manhã de formação

Em preparação à missa na qual os ministros extraordinários da Sagrada Comunhão receberão seus mandatos, que será realizada dia 16 de outubro, às 15h, no ginásio do Colégio Salesiano (rua Dom Henrique Mourão, 201), a coordenação da Pastoral para a Liturgia, sob a coordenação dos padres Everaldo Sanches Ribeiro, Coordenador Regional, e Roberto Lacerda, reuniu cerca de 450 ministros pertencentes aos Setores Casa Verde e Imirim, no Colégio da Consolata. A reunião aconteceu no sábado, 13, na 8ª formação anual destinada a todos os ministros da Região Santana sob os temas “Identidade e missão do Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão”, e “O serviço litúrgico-pastoral confiado

aos Ministros”. Durante o evento, Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, esteve presente para incentivar os participantes. As próximas formações serão realizadas aos sábados, das 8h às 12h, nas seguintes datas: setores e locais: 27 de Agosto – Santana, Tucuruvi, Mandaqui, na Paróquia Nossa Senhora da Salette (rua Dr. Zuquim, 1746); 17 de Setembro – Medeiros, Vila Maria, na Paróquia Nossa Senhora da Candelária (praça Nossa Senhora da Candelária, 1). Para ministros que não podem participar aos sábados, haverá formação, no domingo, dia 18 de setembro, das 13h às 17h, na Paróquia de Santana (rua Voluntários da Pátria, 2060).

Diácono Francisco Gonçalves

Diácono Francisco Gonçalves

Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, esteve, dia 12, na Paróquia São Roque na abertura do tríduo em honra do padroeiro, sendo acolhido pelo pároco, Padre Antônio Lima da Silva.

Na tarde do sábado, 13, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida do Jardim São Paulo, em missa presidida por Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, e concelebrada pelo pároco, Padre Antônio Moura, 44 jovens receberam o sacramento da Confirmação.

EDITAL DE CONVOCAÇÃO

A FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA, convoca seus membros diretores para a assembleia ordinária a realizar-se no dia 02 de setembro de 2016, às 14h, em sua sede à Avenida Higienópolis, 890, sala 16, São Paulo, SP, em primeira chamada com todos os diretores presentes, e, às 14h30, em segunda chamada, com os que estiverem presentes. A assembleia terá como pauta: 1 - assuntos ordinários da “Rádio 9 de Julho”; 2 – assuntos ordinários do Jornal “O SÃO PAULO”; 3 – outros assuntos. São Paulo, 17 de agosto de 2016. O Presidente

EDITAL DE CONVOCAÇÃO

A FUNDAÇÃO CAPELLA MENINO JESUS E SANTA LUZIA, convoca seus membros diretores para a assembleia extraordinária a realizar-se no dia 02 de setembro de 2016, às 15h, em sua sede à Avenida Higienópolis, 890, São Paulo, SP, em primeira chamada com 2/3 dos diretores presentes, e, às 15h30, em segunda chamada, com os que estiverem presentes. A assembleia terá como pauta: 1 - assuntos ordinários da Fundação Capella Menino Jesus e Santa Luzia; 2 - outros assuntos. São Paulo, 17 de agosto de 2016. O Presidente

EDITAL DE CONVOCAÇÃO

A FUNDAÇÃO SANTA TEREZINHA, convoca seus membros da mesa administrativa para a assembleia extraordinária a realizar-se no dia 02 de setembro de 2016, às 16h, em sua sede à Avenida Higienópolis, 890, São Paulo, SP, em primeira chamada com 2/3 dos membros presentes, e, às 16h30, em segunda chamada, com os que estiverem presentes. A assembleia terá como pauta: 1 - assuntos ordinários da Fundação Santa Terezinha, 2 – outros assuntos. São Paulo, 17 de agosto de 2016. O Provedor


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Da Redação

osaopaulo@uol.com.br

Padre João Bechara vai estudar Sagrada Escritura em Roma Luciney Martins/O SÃO PAULO

Padre João Bechara foi ordenado em dezembro de 2013

Os fiéis das paróquias Nossa Senhora do Brasil e São Vito Mártir se despedem do Padre João Bechara Ventura, que parte para a Itália, quinta-feira, 18, onde iniciará o mestrado em Sagrada Escritura e Ciências Bíblicas no Pontifício Instituto Bíblico de Roma. Natural de São Paulo, Padre João tem 32 anos e foi ordenado sacerdote em 7 de dezembro de 2013. Ele relatou à reportagem que está esperançoso pelo novo tempo de formação. “Será uma oportunidade de fazer um curso intenso e exigente sobre a Sagrada Escritura e também poder viver em um lugar onde se manifesta a universalidade da Igreja com pessoas de várias partes do mundo”, disse.


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Lapa Paróquia Santo Alberto Magno apresenta vocacionados

BENIGNO NAVEIRA

COLABORADOR DE COMUNICAÇÃO DA REGIÃO

O início do mês vocacional na Paróquia Santo Alberto Magno, Setor Butantã, foi marcado pela apresentação dos candidatos ao sacerdócio e ao diaconato permanente, domingo, 14. Os vocacionados foram apresentados na missa presidida pelo pároco, Padre Antonio Francisco Ribeiro que, na homilia, destacou a importância da Pastoral Vocacional ao despertar e promover uma consciência vocacional em toda a ação evangelizadora. O vocacionado ao sacerdócio Helton Cardoso, 24, falou à reportagem que a vocação é um dom da Igreja que ela cultiva durante anos, e que o chamado justamente é sentir

no coração e no íntimo a presença de Deus para servir e doar-se a sua vida à Igreja. O jovem José Antônio Garcia, 26, afirmou que acredita muito neste chamado de Deus para o serviço pastoral, quando Jesus fala que há muito trabalho, mas poucos são os operários. Paulo José Oliveira, 50, que será ordenado diácono permanente da Arquidiocese em dezembro, enfatizou a missão de conciliar o cuidado da família, trabalho e demais afazeres com o serviço diaconal. Ao final da celebração Padre Antônio pediu que Deus ilumine o caminho de todos os vocacionados no seu trabalho de evangelização e pediu a oração da comunidade por eles.

Benigno Naveira

Padre Antonio com os candidatos ao sacerdócio e ao diaconato da Paróquia Santo Alberto Magno Lucia Rilco

Angela Santos

A Paróquia São Francisco de Assis, no Jaguaré, realizou entre os dias 9 e 12, a Semana Catequética com o tema da Exortação Apostólica Pós Sinodal do Papa Francisco Amoris Laetitia, sobre o amor na família.

O Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa, Dom Julio Endi Akamine, celebrou missa de instituição dos ministros extraordinários da Sagrada Comunhão da Paróquia São José do Jaguaré, domingo, 14.


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Para viver a misericórdia em família

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Famílias da Arquidiocese peregrinam à Catedral da Sé e passam pela Porta Santa da Misericórdia no sábado, véspera do dia dos pais Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Sábado, 13, foi a vez das famílias peregrinarem à Catedral da Sé e passarem pela Porta Santa por ocasião do Ano da Misericórdia. Após uma breve caminhada do Pátio do Colégio até a Catedral, durante a qual os peregrinos cantaram e rezaram o terço, pais, mães e filhos renovaram suas promessas batismais e celebraram a Eucaristia. Presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo na Região Episcopal Santana, Dom Sergio de Deus Borges, que é o bispo referencial da Pastoral Familiar, a missa começou ao meio dia e foi também um momento forte de fé para as famílias às vésperas do Dia dos Pais. Para Arthur Ribeiro das Neves foi a primeira vez na Catedral da Sé. Ele tem apenas dois meses de vida e os pais Cleana e Ademar Neves o levaram para apresentá-lo ao Senhor, pois após nascer, Arthur ficou cinco dias na Unidade de Tratamento Intensiva (UTI), o que deixou seus pais angustiados. “Viemos agradecer porque hoje nosso filho está bem”, disse Cleana, que participa com a

Famílias da Arquidiocese peregrinam à Catedral da Sé e passam pela Porta Santa da Misericórdia, na abertura da Semana Nacional da Família

família da Paróquia São Felipe Néri, da Região Episcopal Belém. Muitos outros pais levaram seus filhos para a peregrinação, como Alexandra e Fábio Predolim que foram com Sofia, 8 anos, e Santiago, que aos dois anos, foi levado de carrinho pelo pai pelas ruas do centro enquanto observava com atenção toda a movimentação das pessoas. Também foi a primeira vez que a família participou de uma peregrinação, mesmo sendo membros da Pastoral Familiar, na Paróquia Nossa Senhora da Salete, da Região Episcopal Santana, desde o ano 2000. “Com os filhos nem sempre é fácil

se organizar para vir, mas este ano nós encaramos o desafio”, afirmou o pai Fábio.

Uma Igreja em saída

Junto a tantas pessoas que circulam na Praça da Sé, algumas em situação de rua, trabalhadores ambulantes e, provavelmente, muitos a procura de emprego, os peregrinos rezaram e Padre Zacarias José Paiva, assessor arquidiocesano da Pastoral Familiar, lembrou que “temos que ser uma Igreja em saída”. E, durante a homilia da missa, ao salientar o início da Semana da Família, Dom Sergio con-

vidou a todos a “continuarem perseverantes para realizar a grande missão de ser família”. Tendo assumido a coordenação da Pastoral Familiar em 2016, o casal Ana Filomena Silveira Garcia e Luiz Fernando Garcia se empenhou para que a peregrinação tivesse o maior alcance possível. “Convidamos todos os grupos que trabalham com as famílias na Igreja e também as comunidades paroquiais em geral, pois muito mais do que um momento da Pastoral Familiar, este é um momento forte para todas as famílias”, ressaltou Ana.

Peregrinação dos Coroinhas da Arquidiocese à Porta Santa Luciney Martins/O SÃO PAULO

Fabio Augusto

Especial par ao São Paulo

“Estamos com um grupo mais numeroso do que nos anos anteriores, eu fico muito feliz que vocês tenham vindo para essa celebração no Ano Santo da Misericórdia. Sintam-se acolhidos pela misericórdia de Deus”, disse o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo no início da homilia da missa em que houve a peregrinação dos coroinhas, acólitos e cerimoniários à Catedral da Sé na manhã de sábado, 13. Antes do início da celebração, os coroinhas se concentraram em frente ao Pátio do Colégio e seguiram em procissão até a Catedral da Sé, onde aconteceu o rito de passagem pela Porta Santa, que faz parte do Ano Santo da Misericórdia, proclamado pelo Papa Francisco que convidou a todos os católicos a praticar obras de misericórdia sendo, como indica o lema do Jubileu, “misericordiosos como o Pai”. Na homilia, Dom Odilo recordou ainda os ensinamentos da Catequese sobre as Obras de Misericórdia Corporais e Espirituais e a figura do Bom Pastor. “Quando Jesus diz: ‘Eu sou o Bom Pastor’, significa que ele veio ao mundo para cuidar de suas ovelhas, que somos nós. Quando há alguma ovelha mais fraca e necessitada, doente, perdida por aí, ele vai procurar e a carrega nos ombros. A

O encontro dos Coroinhas é celebrado em agosto por causa da memória litúrgica de São Tarcísio

ovelha perdida é cada um que precisa da misericórdia de Deus”. Tales Damasceno Alves, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, da Região Episcopal Santana, disse à reportagem do O SÃO PAULO, que “ser coroinha é uma grande bênção, porque você pode ficar lado a lado com Jesus, auxiliando e ajudando os jovens nas necessidades e também servir e ajudar os paroquianos”. Já para Juliana Tavares Pimentel, da Paróquia Santa Marina, da Região Episcopal Belém, ser coroinha a aproxima de Jesus como seu melhor amigo. “Eu sempre tive o desejo de servir o altar, desde bem pequena, pois eu queria me aproxi-

mar ainda mais de Deus e da Igreja, além de que quando você se torna coroinha passa a ser bem acolhida pela comunidade, pois ajudamos em diversas funções e devemos sempre ser exemplos”, enfatizou.

Exemplo de um jovem mártir

O Encontro Anual dos Coroinhas é celebrado no mês de agosto por causa da memória litúrgica de São Tarcísio, padroeiro dos servidores do altar, celebrado no dia 15 do mesmo mês. Tarcísio era “coroinha” na Igreja de Roma, no ano 258 aproximadamente, acompanhando

o Papa Sisto II na Missa. Nessa época, a Santa Eucaristia era celebrada no subsolo das cidades, nas catacumbas, devido as perseguições do imperador romano, Valeriano. Quando os cristãos eram presos, quase sempre eram mortos, e era costume levar a Eucaristia às escondidas para que eles não desanimassem e nem perdessem a fé. Um dia, às vésperas de um martírio de cristãos, era preciso levar a Eucaristia a eles. O problema, era a falta de pessoas que fizessem isso. Foi quando Tarcísio se ofereceu para tal serviço. O Papa Sisto II e os demais cristãos que estavam nas catacumbas não concordaram com a ideia, pois Tarcísio poderia ser morto. Tarcísio, porém, argumentou que por ser uma criança, ninguém desconfiaria dele. Afirmou, ainda, que preferia morrer a entregar a Eucaristia aos pagãos romanos, dito isso deixaram Tarcísio ir. O jovem, então, foi cumprir sua missão, mas rapazes caíram sobre o pobre menino para lhe arrancar à força as hóstias. Tarcísio segurava com tanta firmeza o tesouro, que força alguma conseguiu arrancá-lo, foi aí que os garotos lhe bateram e o apedrejaram até a morte. Tarcísio já estava quase morto, mas movido pela força de Deus, o menino soltou o Corpo de Cristo, entregou a caixa de prata ao soldado e faleceu, depois disso seu corpo foi sepultado.


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O SÃO PAULO - 3115  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 60 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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