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SEMANÁRIO DA ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO Ano 61 | Edição 3113 | 3 a 9 de agosto de 2016

R$ 1,50

www.arquisp.org.br JMJ Cracóvia 2016

Encontro com o Pastor Cardeal Scherer: ‘Esses jovens não querem ser meros espectadores, mas protagonistas’ Página 3

Editorial A escola deve ser lugar de respeito à diversidade de opiniões Página 2

Espiritualidade Dom Eduardo Vieira: ‘Todas as Jornadas são momentos fortes para a juventude e a Igreja’ Página 5

Comportamento Valdir Reginato: ‘A família como caminho para a JMJ’ Página 6

Em quais esportes os atletas brasileiros têm chances de ir ao pódio no Rio? Os Jogos Olímpicos começam oficialmente na sexta-feira, 5, no Rio de Janeiro, com 11 mil atletas, entre os quais 465 brasileiros. O SÃO PAULO apresenta quais são as reais possibilidades de medalhas para o Brasil em cada modalidade. Página 23

Jovens, a missão é viver a misericórdia no dia a dia Acolher de coração aberto a misericórdia de Deus, ser generoso nas ações e não se acomodar nas ilusões de modelos de vida foram os pedidos centrais do Papa Francisco aos 2 milhões de jovens que estiveram em Cracóvia, na Polônia, entre os dias 26 e 31, para

a Jornada Mundial da Juventude. Entre os peregrinos, 13 mil eram brasileiros, incluindo a delegação da Arquidiocese de São Paulo. O Pontífice visitou, ainda, os antigos campos de concentração e extermínio de Auschwitz. Páginas 11 a 15

Muçulmanos vão a missas na Europa em solidariedade a padre assassinado

Página 8

Sistema tributário afeta mais a população de baixa renda No Brasil, sistema tributário é pautado no consumo e não na renda, com impostos embutidos que incidem mais sobre produtos básicos. O sistema também é regressivo, ou seja, proporcionalmente, paga mais quem ganha menos. Página 22


2 | Ponto de Vista |

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Editorial

A democracia ferida nas salas de aula

O

respeito à diversidade de opiniões é a base de todas as democracias. A escola deve ser o lugar por excelência onde esse conceito é aprendido. Afinal, desde a mais tenra idade, conhecendo os dois lados da moeda da História, da Filosofia e de outras disciplinas ligadas ao pensamento, a criança e o jovem podem exercer a mais sagrada das liberdades: a da sua consciência. Não por acaso, as salas de aula foram utilizadas ao longo da história como locais de doutrinação ideológica para aceitação dos regimes políticos vigentes. E quanto mais totalitário o regime, maior foi a doutrinação. Cientes disso, estudantes e pais brasileiros criaram um movimento chamado “Escola sem Partido”. Em linhas gerais, eles lutam para que as escolas garantam

a pluralidade de opiniões em seu corpo docente; acreditam que o professor não pode se valer de sua autoridade para “fazer a cabeça dos alunos”. Nesse sentido, o grupo atua para que suas causas virem lei. O PL 193, por exemplo, prevê que o programa do “Escola sem Partido” seja incluído na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Amparado pela Constituição Federal e pela Convenção Americana sobre Direitos Humanos, o projeto prevê que os professores não podem promover ou impor em sala de aula seus próprios interesses, concepções políticas, religiosas ou morais. Além disso, não podem favorecer, prejudicar ou perseguir alunos por causa de suas opções políticas ou religiosas. Ao tratar de questões políticas, socioculturais e econômicas, o professor deve

apresentar de forma equilibrada e justa as mais diversas correntes de pensamento. O debate sadio em sociedades que respiram a democracia é aquele em que posições políticas divergentes são passíveis de confrontação no campo das ideias. O ponto de partida deveria ser a isenção de interesses pessoais e ideológicos que estão na raiz das visões enviesadas. Nas questões temporais, sobre matérias que são, por sua própria natureza, opináveis, não deveria haver, a priori, uma posição “correta” e “boa” e outra “errada” e intrinsecamente má. Mas não é isso o que se vê na escola ou na universidade. A forte oposição de sindicatos e formadores de opinião de orientação marxista ao projeto defendido no “Escola sem Partido” sinaliza que não é exagera-

da a preocupação dos autores do projeto. É também sintomática a reação raivosa de quem é relativista no quesito moral. Para os arautos do politicamente correto, a sala de aula deve ser a trincheira onde se combate o que rotulam ser o surgimento de uma “nova onda conservadora”. Nesse ambiente, o corolário do “Escola sem Partido” é a convicção de que o professor deve respeitar o direito inalienável dos pais: são eles que devem ser os responsáveis por transmitir a educação moral aos seus filhos, de acordo com suas convicções. A família vem sendo sistematicamente atacada em várias frentes. A escola é uma delas. Torna-se cada vez mais importante que os pais acompanhem de perto o que seus filhos aprendem na sala de aula.

Opinião

Jogando a toalha, ou o abandono do amor conjugal Arte: Sergio Ricciuto Conte

EDUARDO RODRIGUES DA CRUZ Há pouco tempo, li uma coluna em um jornal intitulada “Com outro alguém…”, na qual uma psicanalista e escritora comentava os sentimentos de pessoas que entram e saem de relacionamentos afetivos. O texto começa relatando uma experiência que se resume a uma frase reveladora: “Ele diz que a ama, mas já está se relacionando com outra mulher”. E cita outros exemplos para o sexo oposto. A primeira lição que a autora tira é de que “há quem invista todas as suas energias no relacionamento amoroso. Homens e mulheres são vítimas dessa fixação, que pode ter efeitos negativos”. É uma interpretação possível e baseada em situações concretas, mas onde isso nos leva? Segundo a autora, não devemos criar uma “dependência emocional forte do outro”, pois poderemos desabar quando “fracassa o projeto amoroso”. Assim, segundo ela, não podemos pensar o casamento como uma “união para a vida toda”, e sim como temporária, “enquanto for satisfatório para ambos”. Ou seja, a partir da constatação de que há muitos casos traumáticos de separação, o melhor seria repensar o casamento, entendendo-o agora como passageiro e utilitário. Há muito se veem casos em que casais se separam de modo mais ou menos traumático, mas, pelo menos na consci-

ência da maioria de nós, ainda persiste o ideal de um relacionamento que dure, o “amor para sempre”. Todavia, agora, alguns teorizam que isso não deveria ser um ideal. Três observações se fazem necessárias para sair do círculo vicioso de tal raciocínio: Em primeiro lugar, está o entendimento do “projeto amoroso” como algo que surge e se esvai, como em muitas novelas. Que visão pobre do amor, que se reduz à paixão e ao tesão! Ao contrário, amor como philia ou ágape é algo que se constrói no

meio de sacrifícios e abnegação, não para quem ama se tornar apenas um satélite do outro, mas sim para fazer crescer o espaço de liberdade onde o casal possa habitar. Amor é como boa performance esportiva: precisa ser cultivado com tempo, persistência e sacrifício, e o resultado só aparece em longo prazo. Não se trata de estar “gostando ou não”. Em segundo lugar, há o projeto utilitário: o casamento passa a ser um contrato entre duas entidades jurídicas, que se mantêm juntas até que não seja mais “convenien-

te para ambos”. O indivíduo concorda em ficar com o outro porque usufrui algo da relação. No momento em que encontrar uma situação de maior fruição (por exemplo, uma mulher mais jovem), um “sócio” simplesmente abandona o outro. Espera-se que esse outro também dê pouco valor ao vínculo, assim não ficará muito transtornado com a traição. Por fim, e mais importante, há uma estranha ausência no texto de um elemento terceiro na relação conjugal: os filhos. Sim, crianças não veem o pai e a mãe de uma forma contratual: julgam que o afeto é para sempre, de preferência com o casal junto. Alguns são cínicos e dizem que é melhor não ter filhos, pois assim é mais fácil se separar. Por ironia, os grupos sociais que pensam assim cometem suicídio, pois a taxa atual de fecundidade é muito baixa, ficando longe do valor de reposição societal. Sim, a sociedade precisa de novas gerações, novos seres que requerem um longo (décadas!) período de cuidados diretos, e cuidados indiretos para o resto da vida. A biologia evolutiva explica: melhor é quando aqueles que contribuíram com os genes se engajem nessa tarefa. Infelizmente, as Igrejas cristãs parecem ser alguns dos últimos bastiões da defesa desse realismo quanto às relações humanas. Eduardo Rodrigues da Cruz é professor titular do Departamento de Ciência da Religião da PUC-SP.

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

SEMANÁRIO DA ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO

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CARDEAL ODILO PEDRO SCHERER Arcebispo metropolitano de São Paulo

A

31ª Jornada Mundial da Juventude foi concluída com a Missa presidida pelo Papa Francisco e acompanhada por cerca de 2 milhões de jovens de todo o mundo, no Campus Misericordiae – Campo da Misericórdia, em Cracóvia, na Polônia. Concelebraram cerca de 2 mil padres, 1.600 bispos e 25 cardeais. Foram dias intensos para os jovens, que participaram intensamente dos diversos eventos programados para cada dia e também fizeram suas programações próprias, visitando igrejas, santuários e museus, ou se confraternizando pelas praças e ruas da cidade antiga, culta e bela de Cracóvia, que foi capital da Polônia por cerca de oito séculos. Os encontros com o Papa Francisco foram um presente para os jovens participantes, mas também para a juventude de todo o mundo. Sua empatia com os jovens foi imediata. Usando uma linguagem familiar a eles, Francisco tocou em temas que interessam a juventude e os desafiou a viverem em profundidade sua jovem idade. “Estamos hoje aqui por causa de Jesus Cristo. Foi ele quem os chamou e vocês responderam; deixaram seus lares e seus afazeres, enfrentaram viagens longas e peregrinações cansativas durante estes dias. Vocês são maravilhosos! É por ele que vieram aqui!” E perguntou, em tom provocador: “Vocês querem viver em profundidade ou se contentam em viver pela metade? Busquem sem-

O Papa aos jovens em Cracóvia pre Jesus Cristo, caminho, verdade e vida. Abram seu coração para o encontro com o Deus da misericórdia”. E se referiu aos jovens que não se lançam à busca de grandes ideais, que requerem generosidade e também sacrifícios, mas trazem grande alegria. Jovens “da poltrona”, que passam longas horas na internet e já não se comunicam com mais ninguém pessoalmente... “É desolador ver certos jovens que já parecem velhos aos 20 anos de idade, ou que entregam os pontos antes mesmo de terem iniciado a partida!” E convidou os jovens a sonharem alto, a não deixarem que seus sonhos sejam roubados por quem lhes quer “vender” ilusões e modelos apenas confortáveis de vida. Há quem não goste do jovem questionador, cheio de iniciativas, que busca, deseja abrir caminho e assumir sua vida. E perguntou de novo, para desafiar os jovens, que seguiam atentos suas palavras: “Vocês querem que outros decidam sobre seu futuro? Sim ou não?” E um coral de centenas de milhares de vozes respondeu em uníssono: Não! Essa resposta era sincera, pois foi precedida por uma caminhada de cerca de 10km, do centro de Cracóvia até o Campus Misericordiae, com mochila pesada às costas, debaixo do sol escaldante de verão e com o programa de dormir ao relento sobre a relva, debaixo das estrelas, ali mesmo, após a vigília que precedeu a conclusão da Jornada. Eram jovens valentes e muito dispostos a abrir caminho, a descer da poltrona, a unir-se à multidão de peregrinos, em busca de algo importante. Sua resposta,

portanto, era coerente e generosa. Esses jovens não querem ser meros espectadores, mas protagonistas da vida que passa! Francisco referiu-se aos obstáculos que os jovens precisam enfrentar na vida, entre eles, o medo e a sensação de impotência diante dos grandes problemas do mundo: “O medo paralisa e contagia as boas disposições, tirando-lhes o vigor; o medo produz o fechamento em si mesmo, o desperdício de energias, a sensação de derrota... Não cedam ao medo, mas tenham a coragem de encarar a vida e de assumir o seu papel!” E referiu-se aos que querem impor medo aos outros pelo preconceito ou pelo terror, criando um clima de desconfiança geral: “Não cedam ao medo! Seria a vitória de quem lhes quer tirar o protagonismo!” O Papa falou das ilusões que se vendem facilmente aos jovens: “Muitos tentam preencher seu coração com respostas falsas, com alienações, que tiram a sua vida ou a fazem ficar sem valor”. E referiuse à “canábis” – maconha, e ao uso de drogas... Também mexeu com os jovens que perderam toda fibra e são vítimas do consumismo e do uso obsessivo das mídias sociais... “Não percam suas vidas, vocês valem muito! Deus os ama infinitamente, acreditem nisso!” As mensagens do Papa sempre orientaram os jovens para a experiência da misericórdia de Deus, que conhece cada um de nós pelo nome e compreende nossas fraquezas e também nossa generosidade. E Francisco convidou os jovens a praticarem a misericórdia para com todos.

| Encontro com o Pastor | 3 No Santuário de Chestokowa Arquivo pessoal

Na segunda-feira, dia 1º, após ter participado da Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, presidiu missa no Santuário de Chestokowa, Nossa Senhora do Monte Claro, na Polônia, concelebrada por Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese. “Este santuário é o coração católico da Polônia, assim como é o de Aparecida para o Brasil. Aqui, a história da Polônia contou muitos capítulos de resistência, de perseverança, de heroísmo e de martírio. Nesta visita, eu lembrei-me também de todo o povo brasileiro, lembrei-me dos cristãos que estão sendo perseguidos no mundo, lembrei-me de vocês todos - dos padres, dos religiosos, de todos os leigos de São Paulo - pedindo a Deus por vocês, pela intercessão de Nossa Senhora”, disse o Cardeal, em entrevista à rádio 9 de Julho.

Catequeses na JMJ Arquivo pessoal

Durante a Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia, o Cardeal Scherer proferiu catequeses para os peregrinos de língua portuguesa. Em uma delas, na Paróquia Santo Alberto, falou sobre “Nossa Senhora, Mãe da Misericórdia”, ressaltando que a misericórdia de Deus também é justiça. Todas as catequeses da JMJ, que aconteceram na parte da manhã, entre os dias 27 e 29, foram concluídas com missa (leia mais sobre a JMJ nas páginas 11 a 15).

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Liturgia e Vida

Você Pergunta

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM 7 DE AGOSTO DE 2016

Não tenha medo, pequeno rebanho CÔNEGO CELSO PEDRO A noite da libertação foi predita a nossos pais para que eles se conservassem intrépidos. Viam com a fé, que é um modo de possuir o que ainda se espera, o que estava por vir. E assim, esses piedosos filhos dos bons fizeram um pacto divino: que os santos participariam solidariamente dos mesmos bens e dos mesmos perigos. A busca da liberdade tornouos corajosos e solidários. Hoje, o Senhor nos diz para não termos medo, porque foi do agrado do Pai dar-nos o Reino. Eles saíram do Egito e enfrentaram o deserto para celebrar a Páscoa. Nós, Igreja em saída, partimos de onde estamos e nos aventuramos nas periferias da existência, com a coragem de fazer exatamente o contrário do que a maioria está fazendo, já que não é o número que faz a verdade. O pacto antigo se repete e os santos de hoje participam solidariamente dos mesmos bens e dos mesmos perigos, o fazem sem medo. Vendem os seus bens e dão esmola, porque sabem que onde está o tesouro, aí também está o coração. Fiquem, portanto, preparados, porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que vocês menos esperarem. Sejam ousados, porque a quem muito foi confiado, muito mais será exigido. Pedro perguntou a Jesus para quem ele estava falando. Jesus respondeu com outra pergunta: “Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa para dar comida a to-

dos na hora certa?” Então, para quem Jesus está falando? Está falando para Pedro e seus companheiros. Pedro é o administrador e com ele todos os seguidores de Jesus. São eles que animam a fé e a esperança do povo de alguma forma ainda escravizado no Egito. Eles tornam o povo intrépido e corajoso na solidariedade. Vigiam para que ninguém seja pego de surpresa em atos de violência e desrespeito. Ao contrário, trabalham para que cada um seja encontrado partilhando os seus bens com os necessitados. Todos unidos e solidários nos mesmos bens e nos mesmos perigos. Muito será exigido daqueles que muito receberam. Pedro e seus companheiros receberam muito para poderem alimentar todo o povo de Deus em tempo oportuno. Façamos nosso exame de consciência sobre o tipo de comunidade que ajudamos a construir, sobre a qualidade da nossa solidariedade, sobre a vigilância atenta e caridosa que exercemos para que a violência não se apodere da cidade, sobre a fé que temos na força de um pequeno rebanho, sobre a coragem com que enfrentamos os perigos. Hoje, podemos não ser numerosos nem fortes, mas ouvimos uma palavra de esperança: Não tenha medo, pequeno rebanho. É da vontade do Pai dar-lhe o Reino. CÔNEGO CELSO PEDRO DA SILVA, A PARTIR DESTA EDIÇÃO, ASSUME A COLUNA DA SEÇÃO “LITURGIA E VIDA”. O SÃO PAULO AGRADECE A ANA FLORA ANDERSON, RESPONSÁVEL POR ESTA COLUNA NAS ÚLTIMAS DÉCADAS.

O que a Igreja pensa da cremação dos corpos? PADRE CIDO PEREIRA

osaopaulo@uol.com.br

Leonardo Santiago Salles, de Goiás, não informou a cidade onde mora. Ele me diz que quando morrer, quer ter o seu corpo cremado. Ele crê firmemente na ressurreição. Mas já deixou por escrito que seu coração ficará no lugar onde ele se criou e as cinzas do seu corpo deverão ser jogadas no mar, em Ilha Bela (SP), onde viveu os dias mais felizes de sua vida. Meu amigo, houve um tempo em que a Igreja foi contrária à cremação. E ela tinha uma razão muito séria. Em sua milenar disputa contra a sociedade secreta chamada maçonaria, a Igreja condenou a postura desse grupo que pleiteava que todos

os corpos fossem cremados e as cinzas usadas como adubo. Com o tempo, a Igreja entendeu as razões de se cremarem os corpos, por motivações sanitárias. Hoje, a Igreja admite a cremação e até publicou um ritual a ser usado no momento de prece que acontece no crematório. Agora, meu amigo, mesmo cremando os corpos, a Igreja insiste no respeito que devemos ter pelo corpo humano, porque cada pessoa humana, corpo e alma, foi criada por Deus à sua imagem e semelhança. Portanto, a Igreja determina que as cinzas dos corpos cremados devam ser sepultadas e não jogadas no mar ou ao vento. Os corpos cremados ressuscitarão com todos os não cremados, porque a ressurreição final é obra

de Deus e não é obra humana. Que se respeitem tanto os corpos como as cinzas deles. Sempre é bom lembrar que todos os corpos viram pó. A cremação apenas acelera o processo. Uma coisa estranha que você deseja que aconteça é que seu coração seja enterrado onde você se criou. Penso que ninguém vá se dar o trabalho de arrancar seu coração para fazer isso. Então, meu amigo, escolha: seja cremado inteiro e suas cinzas levadas ao lugar onde foi criado, ou seja sepultado lá. E não se esqueça que uma sepultura que contenha os restos mortais ou as cinzas de uma pessoa é um lugar sagrado e de referência para quem a ama se lembrar de orar por ela. Pense nisso.

Atos da Cúria NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE PÁROCO Em 26 de julho de 2016, foi nomeado e pro-

Para assinar O SÃO PAULO: Escolha uma das opções e a forma de pagamento. Envie esse cupom para: FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA, Avenida Higienópolis, 890 São Paulo - SP - CEP 01238-000 - Tel: (011) 3666-9660/3660-3724 osaopaulo@uol.com.br

visionado Pároco da Paróquia Santa Maria Madalena e São Miguel Arcanjo, na Região Episcopal Sé, Setor Pastoral Pinheiros, o Revmo. Pe. Donizete José Xavier, pelo período de 06 (seis) anos.

SEMESTRAL: R$ 45 ANUAL: R$ 78 EXTERIOR ANUAL: 220 U$ FORMA DE PAGAMENTO: COBRANÇA BANCÁRIA

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4 | Fé e Vida |

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Espiritualidade Jornada Mundial da Juventude 2016 DOM EDUARDO VIEIRA DOS SANTOS

N

BISPO AUXILIAR DA ARQUIDIOCESE NA REGIÃO SÉ

a última semana, nossa atenção se voltou para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em Cracóvia, na Polônia. Nossa Arquidiocese de São Paulo foi bem representada. No domingo, 24 de julho, depois da recitação do Ângelus, o Papa Francisco saudou com carinho os peregrinos da Arquidiocese de São Paulo e os da Diocese de São João da Boa Vista, e que participariam da Jornada, que se encontravam na praça de São Pedro, em Roma. Nós que aqui ficamos, nos sentimos alegres pelos que lá estiveram e nos representaram. Unimo-nos em oração com todos os jovens dos cinco continentes que lá receberam uma injeção de ânimo, sentindo a presença de Jesus Cristo que bate sempre à nossa porta: “Estou batendo à porta. Se alguém escuta meu chamado e abre, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo” (Ap 3,20). O tema da Jornada escolhido pelo Papa Francisco se insere no contexto do Ano Santo extraordinário da Misericórdia: “Felizes os misericordiosos,

porque encontrarão misericórdia” mesmo com aquilo que contradiz o (Mt 5,7). Mais uma vez, ressonam em Evangelho e é desumano. Nestes dias, nossos ouvidos as palavras de Jesus estamos atentos aos ensinamentos do que nos incitam à misericórdia, para Papa Francisco por ocasião da Jornadela sermos merecedores. da, todavia, para estarmos em estreita Lembramos aqui o diálogo de comunhão com a toda a juventude em Jesus com aquele doutor da lei que Cracóvia, podemos refletir nestes dias lhe queria provocar e que resultou as atitudes e os ensinamentos de Jesus na parábola do bom samaritano. O sobre a misericórdia. Cremos que a doutor da lei sabia o que a lei man- experiência de fé, acolhimento, solidava fazer e respondeu bem: amar a citude e conhecimento da cultura do Deus de todo o coração, com toda a povo polonês deixaram nossos jovens alma e com toda a mente e ao pró- edificados. Esperamos que de volta ao ximo como a si mesmo. Resposta perfeita. NÓS QUE AQUI FICAMOS, NOS Jesus, então, lhe diz: “faze isso e viverás”, SENTIMOS ALEGRES PELOS mas o doutor da lei, QUE LÁ ESTIVERAM E NOS querendo se justificar, REPRESENTARAM. UNIMO-NOS EM fazendo-se de desenORAÇÃO COM TODOS OS JOVENS tendido, pergunta a Jesus: “quem é meu DOS CINCO CONTINENTES QUE próximo?” Então, Je- LÁ RECEBERAM UMA INJEÇÃO DE sus conta uma pará- ÂNIMO, SENTINDO A PRESENÇA bola que mostra que DE JESUS CRISTO QUE BATE não se pode dissociar a fé da vida, não se SEMPRE À NOSSA PORTA pode ser apenas mero espectador do que acontece ao nos- Brasil, eles compartilhem a experiênso redor. As pessoas que passaram cia da Jornada 2016 com os jovens que perto do homem que fora assaltado aqui ficaram. e ferido eram extremamente religioTodas as Jornadas foram mosas, mas viviam uma religiosidade mentos fortes para a juventude e a dissociada da vida (cf. Lc 10, 25-37). Igreja. Agradecemos a Deus por este A misericórdia é compaixão (so- momento e esperamos que nossos frer junto), compadecimento, sensi- jovens retornem mais motivados bilidade. Corremos sempre o peri- e com maior ardor missionário e go de nos acostumarmos com tudo, evangélico.

| Fé e Vida | 5

Fé e Cidadania A dança da doença muda o ritmo da vida FREI PATRÍCIO SCIADINI, OCD A vida é uma dança e devemos aprender a nos lançar fundo ao ritmo da música para que tudo seja harmônico e nos possa dar o verdadeiro sentido da nossa existência. A música é sempre bela, sempre nos convida a um momento de encontro pessoal e com Deus. O ritmo da música da vida depende muito da situação particular que uma pessoa está vivendo. Ninguém de nós pode fugir completamente da doença, seja pequena ou seja grande. A doença não avisa. Ela chega quando nós menos esperamos. Minha mãe Domenica, que tinha a sabedoria do povo, dizia: “A doença chega a cavalo e vai embora a pé”. Diante da doença, devemos entrar no mais profundo de nós mesmos e vê-la com olhos de irmã, saber conviver com ela, entrar num relacionamento de amizade e de uma sincera e fraterna convivência. Sempre nos perguntamos por que adoecemos? Buscamos inutilmente resposta e não encontramos. Somos como os carros, alguns vêm da fábrica com defeitos de construção, outros pelo uso lentamente se desgastam e começam a dar problema. Assim é o nosso corpo. Com toda a atenção que podemos ter, ele necessita de revisão e se descobrem defeitos, peças que não podem ser mudadas, até que, enfim, chega a morte, que resolve os problemas da saúde para sempre. A dança da doença não deve nos apavorar. Devemos saber dançar ao ritmo de sua música. É necessário ver a vida no seu conjunto como dom de Deus e aproveitar de tudo para sermos cada vez mais amigos de Deus, para caminharmos para Ele com confiança e amor. Teresa de Ávila nos diz que a doença nunca nos poderá impedir de rezar, porque a oração para ela é amar e sempre podemos oferecer a nossa vida ao Senhor e amá-lo com todo o coração. O que fazer quando chegar a doença? Devemos confiar no Senhor, deixar-nos amar por ele e, no seu amor, saber oferecer tudo em comunhão com os sofrimentos de Cristo Jesus. E no Ano da Misericórdia, há uma obra de misericórdia corporal que diz: “visitar os doentes”. Visitar os doentes não para falar de doença, mas para infundir a esperança, o ânimo e para fazê-los sentir a proximidade do afeto e do amor cristão. Quando na sua vida chegar a doença, abra seus braços, acolha e dance com ela o ritmo que ela quer dar. E a senhora doença se tornará uma amiga que dançará com você a dança da vida.

As opiniões da seção “Fé e Cidadania” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do O SÃO PAULO.


6 | Viver Bem |

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Comportamento

A família como caminho para a JMJ VALDIR REGINATO Acompanhamos nestes dias o evento da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), desta vez na cidade de Cracóvia, na Polônia, país de São João Paulo II, que a concebeu e a organizou pela primeira vez em 1985. A cada nova edição cresce o envolvimento de participantes direta ou indiretamente neste encontro, que já reuniu por volta de 5 milhões de pessoas nas Filipinas e na última vez, quase 4 milhões nas praias do Rio de janeiro, numa fotografia que percorreu o mundo pela sua beleza e vibração. Um encontro em que todos são jovens, pela idade ou pelo espírito. Os milhões de jovens que lá se encontraram procedem dos mais variados pontos do planeta. Eles partiram com histórias distintas que os motivaram a se reunirem por uma semana junto ao Papa. Certamente, encontramos jovens que vivem desde o berço num lar cristão, até os recém-convertidos, ou mesmo os que acompanham amigos sem um motivo íntimo vocacional, ainda constituído. Mas em todos eles, encontramos três características: liberdade, disponibilidade e alegria. Liberdade - Característica própria da juventude. Não se sai do Brasil para a Polônia para dormir no chão, passar talvez noites ao relento, alimentação de improviso, calor, frio ou chuva para estar com o Papa, se não for com total liberdade da vontade. Não se oferece um prêmio. Não há brindes. E jamais, em se tratando de fé, pode ser por imposição. Disponibilidade - Não se trata de um encontro de desocupados. Todos precisaram se

organizar para poder estar lá. angustiantes, olhamos animados Ocupar os dias de férias para para esses jovens que estiveram esse fim. Trocar outros progra- na JMJ, livres, mas com raízes e mas, quem sabe mais divertidos. laços na educação do berço que Economizar recursos ao longo receberam. O caminho para a do ano, privando-se de compras, JMJ iniciou-se pelo carinho e ou mesmo necessidades com pela dedicação amorosa dos pais. sacrifícios pessoais. Ter consci- E esses filhos arrastam amigos, ência que o hotel não será cinco que talvez não tenham tido o estrelas e a hospitalidade depen- mesmo berço por circunstâncias derá muito mais de si próprio do variadas, mas passam a descobrir que dos demais. E, por isso, são a maravilha do desafio no horijovens alegres. Uma alegria que zonte cristão de comportamento. se torna o idioma de comuni“É impressionante como sencação universal, em que todos se enten- NÃO SE SAI DO BRASIL PARA dem em diversas lín- A POLÔNIA PARA DORMIR NO guas, totalmente diCHÃO, PASSAR TALVEZ NOITES ferentes. Mas como se chega a reunir AO RELENTO, ALIMENTAÇÃO tantos jovens para DE IMPROVISO, CALOR, FRIO uma Jornada Mun- OU CHUVA PARA ESTAR COM O dial da Juventude PAPA, SE NÃO FOR COM TOTAL nessas condições? LIBERDADE DA VONTADE. São João Paulo NÃO SE OFERECE UM PRÊMIO. II, o “Papa da FamíNÃO HÁ BRINDES. E JAMAIS, lia”, aponta a resposta para essa questão: a EM SE TRATANDO DE FÉ, PODE família. É na famí- SER POR IMPOSIÇÃO lia que se aprende desde cedo estas características: timos a vida dos primeiros crisliberdade, disponibilidade e ale- tãos na JMJ”, dizia um jovem, gria, que nos lares cristãos estão que participou na Polônia e no necessariamente envolvidas com Rio de Janeiro. “Nada falta a nina fé que se recebe no Batismo, guém, e todos dividem tudo em com a esperança que se vislum- comum”. São milhões de jovens bra numa educação com virtudes que não provocam ocorrências na convivência de um compor- policiais, que deixam os lugatamento cotidiano com caridade res limpos e ordenados ao sair, entre todos. É na família, com e saudades ao partir. Fica uma todas as dificuldades já conheci- proposta aos pais, por ser um das, que o esforço dos pais forja desafio: estamos fazendo em jovens que descobrem que há um casa a pavimentação da estrada caminho de felicidade que se en- para que nossos filhos sigam licontra na vida de fé e fidelidade. vres, disponíveis e alegres para a Quando na fase da adolescência e próxima JMJ? juventude assistimos tantas famíDr. Valdir Reginato é médico lias se queixarem da fuga de seus de família, professor da Escola Paulista filhos por destinos perigosos e de Medicina e terapeuta familiar.

Cuidar da Saúde

Ovários policísticos podem impedir a gravidez CÁSSIA REGINA Ovário policístico é a causa mais comum de infertilidade reversível durante a idade reprodutiva. Atinge de 5% a 10% das mulheres e pode elevar o risco de diabetes e de obesidade. A combinação de ambos pode resultar em problemas cardíacos. Causado por altos índices de hormônios

masculinos, provoca uma estimulação da ovulação e de ciclos menstruais irregulares. Por essa estimulação, o ovário também pode ficar de duas a cinco vezes maior do que o normal, causando dor. Mulheres com essa síndrome podem ter excesso de pelos no corpo e no rosto, pele oleosa, acne e queda de cabelos. O diagnóstico é simples, feito a partir dos sin-

tomas e por ultrassonografia. O tratamento pode ser medicamentoso, com hormônios, ou cirúrgico, para retirada dos cistos. Não se assuste: fazendo o tratamento correto, o desejo de engravidar pode se tornar realidade. Procure seu ginecologista. Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF) E-mail: dracassiaregina@gmail.com


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| Pastorais/Geral | 7

Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas ‘11º Encontro de Diálogo Bispos e Empresários’acontecerá este mês A Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas do Brasil e a ADCE São Paulo realizam, entre os dias 26 e 27, o “11º Encontro de Diálogo Bispos e Empresários”, com o tema “Ética e responsabilidade socioambiental”, à luz da encíclica Laudato si´, do Papa Francisco.

O encontro será em Guarulhos (SP), no Hotel Panamaby, com início às 19h, do dia 26, e término às 17h, do dia 27. Informações e inscrições pelo e-mail adcesp@adcesp.org.br ou pelo telefone (11) 3726-8292, com Sueli Guirau. A ADCE é uma sociedade civil de

‘Natal em família: a alegria do amor’ REDAÇÃO

osaopaulo@uol.com.br

A Arquidiocese de São Paulo já começou a receber os pedidos de encomenda para o subsídio da Novena de Natal, que neste ano tem como tema “Natal em família: a alegria do amor”. O valor unitário do livreto é de R$ 1 e os pedidos devem ser feitos diretamente nas regiões episcopais, que os encaminharão para o Secretariado Arquidiocesano de Pastoral. “Nosso arcebispo, Dom Odilo Pedro Scherer, pede que todos e todas se unam na preparação do Natal por meio desta no-

vena feita carinhosamente para as pessoas de nossa Arquidiocese. Cada encontro tem relação de reflexão e oração baseada na Exortação Apostólica Amoris laetitia (A alegria do Amor), e tem como objetivo unir nossas comunidades, em um clima fraterno, estimulado pelo seu conteúdo e mensagens que acompanharão o período da novena em tudo que somos e temos para evangelizar esta imensa Cidade: regiões episcopais, rádio, jornal, portal, associações, movimentos, novas comunidades, encontros pastorais etc”, manifestou, em comunicado a toda a Arquidiocese, o Padre Tarcísio Mesquita, coordenador do Secretariado Arquidiocesano de Pastoral.

caráter cultural e educativo, sem fins lucrativos, que tem por objetivo estudar, viver, e definir nas atividades econômica e social os princípios e aplicações dos ensinamentos cristãos, pela educação e a formação do meio empresarial. Para isso, promove estudos, pesquisas, cursos,

conferências, seminários, congressos, publicações e quaisquer atividades que possam contribuir para o atendimento pleno das metas adeceanas e que discutam a questão da responsabilidade social empresarial. Saiba mais detalhes no site www.adcesp.org.br.

Apostolado da Oração Rede mundial de oração do Papa tem encontros na Arquidiocese Apostolado da Oração

Divulgação

Participantes do encontro do Apostolado da Oração na Paróquia Nossa Senhora das Dores

O Apostolado da Oração (AO), a rede mundial de oração do Papa, tem uma intensa agenda de atividades neste mês de agosto, com a participação do Padre Eliomar Ribeiro, SJ, diretor nacional do AO e do Movimento Eucarístico Jovem (MEJ). Na próxima terça-feira, 9, às 14h, acontecerá o Encontro Arquidiocesano do Apostolado, na Paróquia Santuário Nossa Senhora de Fátima (avenida Doutor Arnaldo, 1.831, Sumaré). No sábado, 30, o Padre Eliomar esteve na Paróquia Nossa Senhora das Dores, na Região Brasilândia, onde conduziu um encontro com a participação de 250 pessoas, a maioria associadas ao Apostolado naquela Paróquia. Padre Eliomar incentivou a continuidade das ações do Apostolado na Paróquia e falou da plataforma Click To Pray (www.

clicktopray.org), que envia notificações de orações diárias pela humanidade, em três momentos: com Jesus pela manhã, durante o dia e à noite; e também permite que o usuário coloque suas intenções pessoais. A atividade na Paróquia Nossa Senhora das Dores foi concluída com missa, com os padres Eliomar, Armênio Rodrigues Nogueira, diretor arquidiocesano do AO e do MEJ, e Eduardo Ferrari, da Congregação dos Sacerdotes das Escolas de Caridade Instituto Cavanis. Entre 9 e 11 de setembro, acontecerá em Itaici, no município de Indaiatuba (SP), o 15º Encontro Nacional do Apostolado da Oração, com a temática da misericórdia proposta pelo Papa Francisco para o ano de 2016. As inscrições devem ser feitas até 20 de agosto, pelo telefone (11) 3385-8575. (Com informações de Ana Lúcia Contarelli)

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8 | Pelo Mundo |

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Destaques das Agências Internacionais

FILIPE DAVID

CORRESPONDENTE DO O SÃO PAULO NA EUROPA

Síria

Embuste: ‘Frente Jabhat al-Nusra’ muda de nome A facção islamista Jabhat al-Nusra decidiu mudar de nome (será chamada Jabhat Fatah Al-Sham – Frente pela Conquista do Levante) e anunciou sua saída da rede da organização terrorista Al Qaeda, à qual pertencia. Segundo o bispo caldeu de Aleppo, Dom Antoine Audo, trata-se de “uma medida puramente tática para legitimar uma fantasiosa “rebelião islâmica moderada”, presente no leque de forças empenhadas na

guerra contra Assad [presidente sírio]. Uma entidade que não existe, na realidade”. Para o Bispo, “mudar de nome e declarar, com palavras, a própria saída da rede da Al Qaeda não muda absolutamente nada na realidade. Eles são os mesmos, expoentes do mesmo extremismo sunita jihadista. Mudar de nome é só uma tática. Um jogo que engana. Tentam se apresentar como representantes da Reprodução da internet

imaginária ‘oposição moderada síria’, da qual certos poderes podem precisar para continuar a perseguir suas ambições na Síria”, afirmou. A guerra civil síria começou quando certos grupos decidiram se rebelar contra o governo de Bashar al-Assad. O movimento fez parte do que a grande mídia chamou, na época, de “Primavera Árabe”, que instalaria a democracia nos países árabes. A revolta cresceu em grande

parte com o apoio do Ocidente, liderado pelo governo de Barack Hussein Obama, presidente dos Estados Unidos. Segundo o discurso oficial, a apoio ocidental seria para grupos moderados que buscam a democracia na região. Ocorre que, como denuncia Dom Antoine, esses grupos moderados, se é que algum dia existiram, hoje – está claro – não existem mais. Fonte: Fides

França/ Itália

Muçulmanos vão à missa O líder da Mesquita de Saint-Étienne-du-Rouvray, Mohammed Karabila, foi um dos que assistiram à missa para mostrar que “as duas comunidades (católica e islâmica) estão unidas”. O ministro do interior da república francesa, Manuel Valls, disse que “se o Islã não ajudar a República a combater os que ameaçam as liberdades públicas, ficará mais difícil para a República garantir sua liberdade de culto”.

Monge católico cumprimenta muçulmanos durante missa na cidade de Nice, na França, dia 31

Alguns grupos de muçulmanos da França e da Itália decidiram ir à missa no domingo, 31, em um gesto de solidariedade com os católicos, após o assassinato do Padre Jacques Hamel por um terrorista muçulmano em 26 de julho. Para o arcebispo de Rouen, Dom Dominique Lebrun, foi “um gesto importante de fraternidade”. “Eles nos disseram, e eu penso que foram sinceros, que não foi o Islã que matou o Padre Jacques Hamel”, afirmou o Arcebispo.

Iraque

Venezuela

Coral da esperança

Governo de Nicolas Maduro ataca a Igreja

Em Arbil, no campo de refugiados cristãos de Ashti, vivem milhares de pessoas. Em outubro do ano passado, foi construída no local a igreja Al Bichara. O Padre Emmanuel, responsável do campo, havia pedido, na época, para que se formasse um coral para as celebrações. Desde então, 22 mulheres, sob a liderança de um maestro autodidata, animam os cantos litúrgicos da missa. Youssef Touzer, 44, trabalhava em Mossul como motorista de ônibus. Ele fugiu na época da invasão do grupo Es-

tado Islâmico e hoje vive no campo de Ashti, desempregado. Ele poderia ser professor de música, mas, no campo, “as pessoas são muito pobres para isso”, explica Youssef. Ele recrutou a maior parte das mulheres, que já cantavam nos corais de Qaraqosh ou de Mossul. Todos se reúnem três vezes por semana para praticar o canto. Para as mulheres, os encontros do coral são momentos de alegria na rotina nem sempre fácil da vida num campo de refugiados. Fonte: Famille Chrétienne

Dom Ramon Ovidio Pérez Morales, bispo emérito da Diocese de Los Teques e ex-presidente da conferência episcopal venezuelana, alertou a população para os ataques do governo de Nicolas Maduro contra a Igreja Católica. Em uma declaração na internet, o Bispo disse: “Igreja sob ataque oficial em várias frentes: invasões em casas, clonagens nas redes, ataques midiáticos. Objetivo: ameaçar a credibilidade”. As redes sociais se tornaram um dos meios de comunicação mais eficazes, uma vez que ninguém mais leva a sério

Fonte: CNA

a mídia oficial, que é controlada pelo governo socialista. A crise política no País se agrava à medida que aumentam os protestos e a resistência do governo à convocação de um referendo para a destituição do presidente Nicolas Maduro. Em 28 de julho, a Guarda Nacional impediu a realização de uma marcha da oposição em Caracas, pedindo que o Conselho Nacional Eleitoral não atrase mais os procedimentos para a realização do dito referendo. Fonte: Fides

Iraque Planície de Nínive autônoma? Conforme a planície de Nínive vai sendo libertada do domínio do grupo terrorista Estado Islâmico, líderes locais têm discutido a possibilidade de conceder autonomia administrativa à região, que seria majoritariamente cristã. No entanto, a grande questão é se essa região autônoma faria parte do Estado iraquiano, cujo governo está sediado em Bagdá, ou de um Estado curdo independente, grande ambição da população curda – que constitui hoje o maior “país” sem Estado do mundo. Fonte: Fides


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| Pelo Brasil | 9

Destaques das Agências de Notícias

NAYÁ FERNANDES

nayafernandes@gmail.com

Rede de prostituição infantil aumenta às vésperas da Olimpíada Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro (RJ) descobriu que atrás das promessas de agenciar meninas para trabalharem como modelos, há uma quadrilha de exploração sexual de menores. Graças a um site e outros anúncios em redes sociais, os chefes da quadrilha, Márcio Garcia, 33, e Jonathan

Alves, 24, conseguiam atrair adolescentes para se prostituírem. A dupla mantinha alugados, há um ano, três apartamentos em um condomínio de luxo na Barra de Tijuca, de frente para o Parque Olímpico. A ação envolveu 90 agentes públicos, entre policiais, procuradores e dos serviços

sociais da Prefeitura, mas apenas atingiu a ponta do iceberg de uma rede composta por, pelo menos, 40 meninas exploradas sexualmente e que ainda tinham que pagar R$ 50 pelo seu direito de ocupar a rua. A suspeita da Polícia e do Ministério Público é que os abusos de menores estejam se multiplicando nas vésperas de um

10 anos da Lei Maria da Penha

Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

Penha”, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2015, essa lei teve impacto positivo na redução de assassinatos de mulheres em decorrência de violência doméstica. A lei fez cair em aproximadamente 10% a projeção anterior de aumento da taxa de homicídios domésticos, a partir de 2006, quando entrou em vigor. Segundo os dados, a queda é atribuída ao aumento da pena para o agressor, ao maior empoderamento da mulher, às condições de seguran-

Fonte: El País

Flexibilizadas regras para contratação de obras pelas estatais

ça para que a vítima denuncie e ao aperfeiçoamento do sistema de Justiça Criminal para atender de forma mais efetiva os casos de violência doméstica, ou seja, em um cenário em que não existisse a lei, possivelmente as taxas de homicídios de mulheres aumentariam. No Brasil, os dados do Ipea mostram que a taxa de homicídios de mulheres dentro de casa era de 1,1 para cada 100 mil habitantes, em 2006, e de 1,2 para cada 100 mil habitantes, em 2011.

A Lei das Estatais (a de número 13.303/2016) foi criada como uma das maneiras de moralizar o serviço público, pois impede que cargos de diretorias sejam ocupados por políticos sem experiência comprovada para a função. O problema é que alguns artigos dessa legislação flexibilizaram as regras para a contratação de obras por meio de empresas estatais ou de economia mista em todo o Brasil. Desde 1º de julho, qualquer uma das 220 estatais brasileiras (incluindo as dos governos estaduais e do federal) podem licitar obras sem um prévio projeto executivo ter sido elaborado pela empresa contratante. Na prática, segundo especialistas, isso significa que a empreiteira responsável pela construção de uma rodovia, por exemplo, tocará todas as etapas para concluí-la, desde o projeto básico até o acabamento, sem uma cobrança efetiva com relação aos prazos. Estudiosos do assunto afirmam que se a nova lei não for modificada, novas tramas como a identificada pela operação Lava Jato poderão surgir. Um dos motivos para a série de desvios da Petrobras (que ultrapassaram os R$ 20 bilhões, segundo estimativas dos investigadores) foi que as regras para a contratação de empresas eram mais flexíveis do que as dos demais órgãos públicos. Outro fato que deixou os especialistas em alerta foi que, após a aprovação da Lei das Estatais pelo Congresso, avançou no Senado uma proposta legal que amplia a contratação integrada para outros órgãos. Trata-se do projeto de lei 559/2013, que prevê que não seriam mais apenas empresas estatais – como a Petrobras, a Eletrobrás ou os Correios – que poderiam contratar obras sem um projeto executivo, mas todos os órgãos, desde prefeituras até ministérios.

Fonte: Nações Unidas e Correio Brasiliense

Fonte: El País

Vítima de violência doméstica, Maria da Penha dá nome à lei que completa dez anos e que visa combater maus-tratos a mulheres

Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão e do Data Popular de 2013 apontou que 98% dos brasileiros conhecem, mesmo só ouvindo falar, a Lei Maria da Penha, que completa dez anos em 7 de agosto. Além disso, 86% acham que as mulheres passaram a denunciar mais os casos de violência doméstica após a lei. Para 70% dos entrevistados, a mulher sofre mais violência dentro de casa do que em espaços públicos. De acordo com o estudo “Avaliando a Efetividade da Lei Maria da

evento como a Olimpíada. Sem políticas específicas para resgatar crianças vítimas de exploração sexual, operações como essa “enxugam gelo”, lamentam as autoridades pelo El País. Duas semanas depois da ação policial, a praia do Recreio voltava a ser cenário de bordel.

Governo revê concessão de incentivos para projetos da Capes Depois da extinção do programa de intercâmbio Ciência sem Fronteiras (CsF) para alunos da graduação, as notícias são desanimadoras também para quem batalha uma bolsa de pós-graduação no Brasil. Dos 7.408 incentivos que a Coordenação de Aperfeiçoamento de

Pessoal de Nível Superior (Capes) congelou em abril, 43% permanecem suspensos, sem previsão de serem reativados. O governo defende que os 3.221 auxílios foram bloqueados porque estavam ociosos. A justificativa, porém, é rebatida por estudantes de programas de mestrado e

doutorado pelo País. Há quem já cogite desistir dos cursos. Terminado o prazo de dois meses, de abril a maio, que o governo, ainda na gestão petista, abriu para analisar a eventual ociosidade dos programas, negando que se tratava de cortes, a

esperança dos alunos era por uma normalização. Mas, das 7.408 bolsas suspensas, 4.187 foram reativadas. O número de benefícios congelados representa 3,6% do total de 88.314 bolsas na Capes. Fonte: O Globo


10 | Papa Francisco |

3 a 9 de agosto de 2016 | www.arquisp.org.br

‘O mundo está em uma guerra em partes’ Fotos: L’Osservatore Romano

“O mundo está em guerra, porque perdeu a paz”, afirmou o Papa Francisco aos jornalistas que o acompanharam em sua viagem apostólica à Polônia, entre os dias 27 e 31. Tanto no voo que o levou a Cracóvia, quanto no voo de volta a Roma, o Pontífice tocou no assunto do terrorismo e reforçou o que já havia dito em outras ocasiões: “o mundo está em uma guerra em partes”. Ao comentar o ataque à uma igreja na Normandia, na França, no dia 26, que vitimou o Padre Jacques Hamel, degolado por terroristas ligados ao Estado Islâmico, o Santo Padre afirmou que essa guerra tem

Violência islâmica? Ao tratar do tema no retorno a Roma, o Papa enfatizou que não gosta de falar de “violência islâmica”. “Se eu falasse de violência islâmica, deveria falar também de violência católica. Nem todos os islâmicos são violentos; nem todos os católicos são violentos... creio que em quase

todas as religiões exista sempre um pequeno grupo fundamentalista”, disse. Ainda de acordo com Francisco, o terrorismo está em todos os lugares. “Pense no terrorismo tribal de alguns países africanos... O terrorismo cresce quando não há outra opção, quando no

centro da economia mundial há o ‘deus’ dinheiro e não a pessoa, o homem e a mulher. Esse é o primeiro terrorismo. Expulsou as maravilhas da Criação, o homem e a mulher, e colocou ali o dinheiro. Esse é terrorismo de base contra toda a humanidade. Pensemos nisso”.

afetado muitos cristãos, inocentes e crianças. “Esta é a guerra! Não tenhamos medo de dizer essa verdade”. Francisco também esclareceu que não se refere a uma “guerra de religiões”. “Existe guerra de interesses, existe guerra pelo dinheiro, existe guerra pelos recursos da natureza, existe guerra pelo domínio dos povos: esta é a guerra. Alguém pode pensar: ‘Está falando de guerra de religiões’. Não! Nós, de todas as religiões, queremos a paz. A guerra, a querem os outros. Entendido?”, enfatizou. Fonte das notícias: rádio Vaticano (edição: Fernando Geronazzo)

Esporte e cultura do encontro

Acusações contra o Cardeal Pell Sobre as novas acusações que vieram à tona contra o cardeal australiano George Pell, sobre abuso de menores, o Pontífice respondeu aos jornalistas que não se deve julgar antes que a Justiça julgue. “As primeiras notícias que che-

garam eram confusas. Eram notícias de 40 anos atrás e nem mesmo a polícia deu atenção num primeiro momento... Depois, todas as denúncias foram apresentadas à Justiça e neste momento estão nas mãos da Justiça... Se eu desse

um juízo a favor ou contra o Cardeal Pell, não seria bom, porque julgaria antes”, disse, acrescentando que é preciso aguardar a Justiça antes de fazer um juízo midiático ou de “fofocas”. “Uma vez que a Justiça falar, falarei eu”.

dizer algo de que a Turquia não gostava, mas da qual eu estava certo, eu disse, com as consequências que vocês conhecem”. Francisco afirmou ainda não estar

certo do que ocorre no País. “Estou estudando a situação com os assessores da Secretaria de Estado e a coisa ainda não está clara”.

Crise turca Questionado sobre seu silêncio em relação à tentativa de tomada de poder por parte de um grupo de militares na Turquia, o Papa explicou: “Quando tive que

Comissão sobre o diaconato de mulheres O Papa Francisco instituiu oficialmente a comissão de estudos sobre o diaconato de mulheres. O presidente será Dom Luis Francisco Ladaria Ferrer, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé. Dos 12 membros no-

meados, seis são homens e seis são mulheres, sendo que quatro delas são professoras leigas e duas religiosas. O Santo Padre manifestou o desejo de constituir essa comissão durante o encontro com as participantes da As-

sembleia Plenária das Superioras Gerais, em maio. Na ocasião, ele afirmou que este estudo deveria ser realizado “especialmente no que diz respeito aos primeiros tempos da Igreja”.

“Que o desporto seja uma oportunidade de encontro fraterno entre os povos e contribua para a causa da paz no mundo”. Esta é a intenção de oração do Papa para agosto, mês que se realizam os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Na vídeo-mensagem divulgada na terçafeira, 2, Francisco revelou “sonhar com o esporte como a prática da dignidade humana, convertida num veículo de fraternidade”.

Padre Lombardi: ‘vivemos momentos significativos da história da Igreja’ Ao concluir os trabalhos como diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, o Padre Federico Lombardi publicou uma carta de agradecimento aos colegas e colaboradores que o acompanharam nos dez anos de serviço. “Seguimos juntos o ministério de dois grandes Papas. Vivemos momentos significativos da história da Igreja, e da família humana, buscando ler e entender o significado”, frisou. “Agradeço aos Papas que me chamaram para servi-los de perto, Bento XVI e Fran-

cisco, e todos aqueles que me ajudaram e incentivaram no trabalho cotidiano, nos dias de fadiga e também de alegria. Nunca tive a impressão de não ser acolhido ou respeitado por ninguém”, ressaltou o Jesuíta. Na segunda-feira, dia 1º, Padre Lombardi foi nomeado presidente do Conselho de Administração da Fundação “Joseph Ratzinger – Bento XVI”, com o objetivo de promover pesquisas, estudos, publicações e conferências científicas dedicadas à Teologia.


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| JMJ - Análise | 11

A misericórdia de cada dia JMJ Cracóvia 2016

NA JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE, PAPA FRANCISCO APLICA MENSAGEM DO PERDÃO DIVINO À VIDA CONCRETA DOS JOVENS FILIPE DOMINGUES

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

Há situações que podem parecer distantes de nós, até o momento em que as experimentamos na própria pele: a guerra, a dor, a perda. Uma das mensagens centrais da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Cracóvia foi a de que a misericórdia deve ser um elemento concreto na vida de cada pessoa – neste caso, em especial, dos jovens. “Há realidades que não compreendemos porque as vemos somente por meio de uma tela, do celular ou do computador. Mas quando entramos em contato com a vida, com aquelas vidas concretas, não mais mediadas pelas telas, então, nos acontece uma coisa forte: sentimos o convite a nos envolver”, afirmou o Papa Francisco, na vigília de oração, no sábado, 30. O Pontífice convidou todos a rezarem pelas vítimas da guerra, por aqueles que sofrem, e a lutarem contra a indiferença. Em diversos momentos, pediu um envolvimento direto, pessoal, com os mais abandonados pela sociedade, entre eles os pobres e os idosos. “Convido vocês a rezarem juntos por causa do sofrimento de tantas vítimas da guerra, desta guerra que há hoje no mundo, para que, de uma vez por todas, possamos entender que nada justifica o sangue de um irmão, que nada é mais precioso do que a pessoa que temos ao nosso lado”, completou. Na mesma vigília, o Papa disse que a resposta para a guerra e o terror não é mais ódio, mas a fraternidade. “Nós não vamos agora começar a gritar contra alguém, não começaremos a brigar, não queremos destruir, não queremos insultar. Nós não queremos vencer o ódio com mais ódio, a violência com mais violência, vencer o terror com mais terror.” Em vez disso, continuou, “a nossa melhor palavra, o nosso maior discurso é unir-se em oração”.

AÇÕES MISERICORDIOSAS

A ideia de aplicar na prática de cada dia a misericórdia divina ficou ainda mais evidente durante a Via-Sacra da JMJ, na qual em cada estação fez-se uma reflexão sobre a Paixão de Cristo na vida dos sofredores de hoje, usando também as chamadas 14 obras de misericórdia. “Jesus mesmo escolheu se identificar com nossos irmãos e irmãs provados pela dor, pelas angústias, aceitando percorrer a via dolorosa em direção ao cal-

vário”, afirmou o Santo Padre, em sua reflexão. “Abraçando o lenho da cruz, Jesus abraça a nudez e a fome, a sede e a solidão, a dor e a morte dos homens e mulheres de todos os tempos.” O Papa lembrou que as obras de misericórdia nos ajudam a “pedir a graça de entender que sem misericórdia a pessoa não pode fazer nada”. As sete obras de misericórdia corporais, as mais concretas, são as que o Papa mencionou primeiro: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, dar abrigo aos peregrinos, visitar os enfermos, visitar os presos e enterrar os mortos. “Gratuitamente recebemos, demos gratuitamente também. Somos chamados a servir Jesus crucificado em cada pessoa marginalizada, a tocar a sua carne bendita em quem é excluído”, afirmou. As obras de misericórdia espirituais, segundo o Papa, são uma forma de acolhimento “à pessoa marginalizada que está ferida na alma. São elas: dar bons conselhos, ensinar os ignorantes, corrigir os que erram, consolar os tristes, perdoar as injúrias, suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo, rezar a Deus por vivos e defuntos. O Papa Fran-

cisco insistiu que a humanidade precisa de jovens “prontos a gastar a vida no serviço gratuito aos irmãos mais pobres e mais vulneráveis, à imitação de Cristo que se doou totalmente”.

DEUS NOS AMA COMO SOMOS

O Papa Francisco procurou, ao longo da Jornada, deixar claro para os jovens que Deus os ama como são, perdoa todo o pecado e os convida a sair ao encontro do próximo, especialmente dos que mais sofrem. “Nenhum pecado, defeito ou erro fará Deus mudar de ideia”, observou o Pontífice, na homilia da missa de conclusão da Jornada no domingo, 31, da qual participaram mais de 1,5 milhão de fiéis. “Para Jesus, assim nos mostra o Evangelho, ninguém é inferior e distante, ninguém é insignificante, mas todos prediletos e importantes: você é importante!” Falando pessoalmente a cada jovem na missa, ele convidou os peregrinos a se aproximarem do sacramento da Confissão: “Ele saberá te surpreender com seu perdão e sua paz”. Além disso, disse que Deus os chama pelo nome, como faz com Zaqueu, segundo o Evangelho de São Lucas. “Deus conta com você por

AS OBRAS DE MISERICÓRDIA CORPORAIS: 1) Dar de comer a que tem fome 2) Dar de beber a quem tem sede 3) Dar pousada aos peregrinos 4) Vestir os nus 5) Visitar os enfermos 6) Visitar os presos 7) Enterrar os mortos

ESPIRITUAIS: 1)Ensinar os ignorantes 2) Dar bom conselho 3) Corrigir os que erram 4) Perdoar as injúrias 5) Consolar os tristes 6) Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo 7) Rezar a Deus por vivos e defuntos

aquilo que você é, e não pelo que você tem. A seus olhos, não vale nada a roupa que você veste ou o celular que você usa. Não importa se você anda na moda ou não. Importa você, assim como você é. A seus olhos, você vale. O seu valor é inestimável.”


12 | JMJ - Reportagem |

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Unidade, gratidão e misericórdia JOVENS DE VÁRIOS PAÍSES COMPARTILHARAM COM O SÃO PAULO O QUE LEVAM DA JMJ DE CRACÓVIA ALEXANDRE GONÇALVES ESPECIAL PARA O SÃO PAULO, EM CRACÓVIA (POLÔNIA)

“Diversidade de culturas, unidade de fé.” É assim que o brasileiro Josenilson Araujo, 25, define a Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Em 2013, ele participou do evento no Rio de Janeiro como voluntário. A experiência foi tão transformadora que os discursos do Papa na ocasião tornaram-se seu livro de cabeceira. Já na época, formulou o propósito de vir a Cracóvia para estar de novo com o Papa e com 2 milhões de jovens de todo o mundo. As inúmeras bandeiras que cobriam o Campus Misericordiae, em Błonia, eram uma prova palpável das palavras de Araujo: um testemunho vivo da universalidade e da unidade da Igreja. A freira ganesa Dorothy Kporyi, 33, não esconde o assombro ao ver tanta harmonia entre pessoas tão diversas. Ela recorda que em seu País há 37 línguas e a unidade é sempre um desafio. “Na JMJ, os jovens falam diferentes idiomas, mas não têm qualquer dificuldade para se comunicar”, afirma Irmã Dorothy. “Às vezes, basta um sorriso para que o outro entenda você perfeitamente.” De certa forma, é uma repetição do milagre de Pentecostes, quando a confusão de Babel foi superada pela comunhão no Espírito Santo. Para muitas pessoas, o encontro revela a vitalidade, às vezes oculta, da Igreja. Mary-Pauline Tamakbe, 40, também de Gana, estava acostumada a ouvir que a fé na Europa estava morta. Ela sentiu uma

enorme alegria ao ver multidões de italianos, franceses, espanhóis, portugueses e alemães que cantavam, rezavam e se divertiam nas ruas de Cracóvia: “Quando voltar para a África, preciso contar a todos: ‘A fé na Europa está viva… ela está renascendo!’” O jovem francês Louis-Marie Le Roux, 19, concorda. Para ele, tem havido uma reação ao processo de secularização que varreu o Velho Continente no século XX. “Os jovens percebem que foi um erro deixar Deus de lado e que a religião traz respostas essenciais para a existência humana.” Os filhos da “geração de 1968” redescobrem a contribuição singular da fé cristã na construção de um mundo menos cruel. “Após os trágicos eventos dos últimos meses [os três atentados terroristas que chocaram a França], muitas pessoas tornaram-se mais abertas à mensagem do Evangelho”, pondera Gauthier Le Jemtel, outro jovem francês de 19 anos. “É uma fonte de esperança e um norte para o futuro que não podemos deixar de lado.”

SEGURANÇA E GRATIDÃO

Ao caminhar pelas ruas de Cracóvia, era comum ver moradores da cidade agitarem as bandeiras da Polônia e do Vaticano nas sacadas dos prédios para homenagear os peregrinos, que respondiam com gritos de “Polska!” (Polônia, em polonês). Marcin Glab, um polonês de 28 anos, conversou com policiais encarregados da segurança da JMJ. Ele conta que duas coisas impressionaram os oficiais. Em primeiro lugar, a ausência de incidentes graves, algo incomum em uma aglomeração tão grande. Em segundo lugar, a gratidão que os peregrinos manifestavam pelo trabalho das pessoas que cuidavam da segurança do evento.

“Muita gente fazia questão de agradecer os policiais pelos serviços prestados”, recorda Glab. Já a polonesa Andjelika Leja, 35, recorda que seus conterrâneos estavam com medo. “Medo de um atentado terrorista, de que o sistema de transporte ficaria um caos, de acolher peregrinos nas suas casas… Mas foi um evento único, maravilhoso”, afirma Andjelika. “O Papa disse na noite da vigília que precisamos ser corajosos. De algum modo, a própria Jornada mostra que vale a pena vencer o medo.”

A JORNADA DA MISERICÓRDIA

Essa JMJ certamente entrará para a história como a Jornada da Misericórdia. A brasiliense Luísa Carvalho, 21, entendeu o recado: “Deus quer os meus pecados para me libertar deles, mas Ele não exige perfeição. Ele me abraça como eu sou.” Cada um a seu modo descobriu a libertadora realidade da misericórdia divina. O liberiano Jones Flomo, 24, conheceu um norte-americano durante a ViaSacra, na sexta-feira, 29, que lhe presenteou com um Terço e um pedido: “Reza por mim, para que meu coração seja puro, porque ele ainda não é.” Flomo ficou comovido com a humildade e a simplicidade do norte-americano. “Essa é a principal mensagem da Jornada: graças à misericórdia de Deus, não precisamos fingir. Deus não quer isso de nós. Podemos ser sinceros e contar com a ajuda dos demais”, reflete Flomo. Católicos de regiões devastadas pela violência também recebiam manifestações de apoio e de afeto. Nawar Waheeda, 27, caminhava entre os demais peregrinos com uma bandeira iraquiana. “Muitas pessoas vêm conversar comigo e dizem que estão rezando pelo Iraque”, afirma Waheeda, com um sorriso. Origi-

nalmente de Bagdá, ele vive hoje na cidade de Erbil. Ao contrário de muitos cristãos caldeus, decidiu permanecer no País e talvez colaborar para sua reconstrução caso o grupo terrorista Estado Islâmico seja derrotado. Os jovens palestinos Christine Mansour e Tamer Dabit, de 21 e 18 anos, também caminhavam com uma enorme bandeira e atraíam peregrinos que queriam conhecer os desafios que eles enfrentam todos os dias. Christine estava especialmente feliz, pois esteve perto do Papa Francisco durante a vigília. Para Tamer, a mensagem do Papa possui um grande poder de transformação. “O mundo precisa ouvir o que ele diz e aprender a compartilhar”, pondera Tamer. “Boa parte do conflito na Palestina e em outros lugares nasce de uma grande dificuldade em compartilhar.” A mensagem da misericórdia é especialmente importante em nações que ainda carregam cicatrizes de um passado relativamente recente. Zef Marku, um albanês de 21 anos, afirma que a Igreja no seu País ainda está tentando se levantar do seu recente calvário. Durante o regime do ditador comunista Enver Hoxha, todas as religiões foram banidas oficialmente pelo Estado albanês. Padres e outros líderes religiosos foram assassinados aos milhares. Porém, a luz brilha com mais força na escuridão. Jona Dracini, uma estudante albanesa de 24 anos que recebeu o Batismo na Vigília Pascal este ano, sublinha a misteriosa relação entre misericórdia e esperança: “É impossível negar tanta dor e injustiça…, mas a mensagem da Jornada é que a batalha já foi vencida. Só precisamos ser fiéis à missão que Deus nos confia por meio do Papa Francisco. A Misericórdia de Deus penetra todas as realidades humanas”.


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JMJ Cracóvia 2016

DIÁRIO DE BORDO

Levanta-te (do sofá) e anda! SARA GUENKA

DO VICARIATO EPISCOPAL PARA A EDUCAÇÃO E A UNIVERSIDADE DA ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO, EM CRACÓVIA (POLÔNIA)

Dom Odilo: ‘Que nossos olhos, ouvidos, mãos, língua, pés e coração sejam misericordiosos’ REDAÇÃO

osaopaulo@uol.com.br

Como já é tradição na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), bispos de todo o mundo se encontraram com os jovens nas igrejas de Cracóvia para um momento de catequese e partilha de experiências. Cerca de 800 bispos, entre eles 70 cardeais, participaram desta edição da JMJ. Em uma de suas catequeses, na sexta-feira, 29, na Paróquia de Santo Alberto, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, comentou sobre o tema da misericórdia divina, conforme o evangelho de São Mateus. “Nada em nossa vida pessoal e eclesial deveria ser contrário à misericórdia”, disse o Cardeal. “Precisaríamos ser ativos. Todo misericórdia: na forma de servir, de falar, de pregar. Sermos ministros da reconciliação”, completou. Segundo o Arcebispo de São Paulo, “o caminho da vida cristã passa pelo perdão. E é esse caminho que o Ano Santo da Misericórdia quer nos ajudar a trilhar”. Para Dom Odilo, o Jubileu Extraordinário convocado pelo Papa Francisco é uma oportunidade para ir ao cerne da misericórdia divina e “experimentar a presença do Senhor a nos fortalecer a cada momen-

to para sermos misericordiosos, como o Pai”. Portanto, afirmou Dom Odilo, “vê-se a necessidade de amar e perdoar aqueles que menos se parecem com Jesus, afinal, são eles a face sofredora do Cristo”. O Arcebispo lembrou que o Evangelho de São Mateus indica como exercer a misericórdia, por meio das obras corporais e espirituais. Durante a pregação, que Dom Odilo intitulou “Como exercer a misericórdia?”, ele traçou seis pontos de reflexão para colocá-la em prática no mundo de hoje: 1) Que nossos olhos sejam misericordiosos. Olhar para os outros sem pré-julgamentos; 2) Que nossos ouvidos sejam misericordiosos. Ouvir os outros. Ouvir os clamores, os gemidos dos doentes, moribundos. Não ser indiferentes aos clamores dos mais pobres. 3) Que nossa língua seja misericordiosa. Educar-se para não falar mal do próximo. Que nossa língua seja para pronunciar uma palavra boa. 4) Que nossas mãos sejam misericordiosas. Mãos que se abrem. Mãos que não estão fechadas para o acolhimento. Abertas para generosidade. Sem egoísmos. 5) Que nossos pés sejam misericordiosos. Sair da zona de conforto para decidirmos ir ao encontro das pessoas que estão precisadas de esperança, de conforto. 6) Que nosso coração seja misericordioso. O coração é o símbolo da vida. Se a Misericórdia não acontece no coração, ela não tem vida. Misericórdia é sinal da vida. (Colaborou Padre Robson Caramano) Arquivo pessoal

Cardeal Scherer junto a peregrinos de língua portuguesa após catequese proferida na Paróquia São Judas

Na vigília da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no sábado, 30, o Papa nos falou sobre como facilmente confundimos felicidade com comodismo. Isso me fez pensar em alguns momentos que vivemos nessa peregrinação. Depois de chegarem a Varsóvia e passarem por Chestochowa, os jovens da Arquidiocese foram para Cracóvia. Chegaram num colégio no bairro de Nova Huta por volta das 19h30 e ficaram esperando com suas malas para se alojarem. Conforme o tempo passava, mais gente começava a chegar e a esperar. Só à 1h, os jovens de São Paulo se dirigiram para as suas salas daquele mesmo colégio. Todos estávamos desesperados para tomar banho. As meninas se dirigiram aos chuveiros e ficaram extremamente desconfortáveis: apenas quatro chuveiros, e sem cortinas, totalmente abertos. Claro, os meninos tinham os seus chuveiros e as meninas, os delas. Mas ainda assim, não é lá muito confortável. “Ai, gente! Que horror!”, diziam. “Ah, eu não quero tomar banho neste banheiro! Imagina! Todo mundo me vendo! Não gosto disso! Eu não me sinto bem, sabe?” Quanto à comida, nosso café eram dois sanduíches de picles, rabanete e queijo, uma maçã e uma garrafa de suco de melancia ou limão. “Que saudades do Brasil!”, reclamavam. “Nossa, como eu queria um ‘polenguinho’ agora. A gente não vai comer isso todos os dias, né?” No dia seguinte, alguns de nós fomos visitar Auschwitz, onde estão os campos de concentração nazistas. Ao chegarmos em Auschwitz II Birkenau, que era o campo de extermínio, vimos os grandes portões e os trilhos do trem que traziam os prisioneiros. Eles passavam dias dentro do trem para chegar lá, mais de 80 pessoas por vagão, onde cabiam 20. Ao chegarem, eram separados os homens das mulheres e crianças. E um general passava olhando um por um, e apontando para a direita e para a esquerda. Assim, ele distinguia os que serviam para o trabalho dos que não serviam.

Os que não serviam eram informados de que iriam “tomar banho”. Os prisioneiros, então, se alegravam. Depois de tão árdua jornada, eles finalmente poderiam se refrescar e se purificar. Eles eram obrigados a se despir e entrar em um lugar onde diziam estar os chuveiros, quando, na verdade, eram enviados para morrer nas câmaras de gás. Os que foram escolhidos para o trabalho forçado tinham que se desfazer de todas as suas coisas. Raspar não só a cabeça, mas todos os pelos do corpo. E tinham um número tatuado no corpo. Dormiam nove homens numa mesma cama e comiam pão preto e frutas podres. Quando comiam. Não sabiam se estariam vivos no dia seguinte. Muitos simplesmente desistiam da vida e corriam em direção às cercas elétricas. A Polônia é um país banhado no sangue de perseguidos e mártires. Jamais saberemos quantos santos deram as suas vidas naqueles campos de concentração. Mas saímos de Auschwitz com uma certeza: todas as nossas reclamações perderam completamente o sentido. Não podemos reclamar por tão pouco. O Papa nos falou de comodismo. De fato, nossa geração é extremamente acomodada. Não se vive a misericórdia no sofá. O Papa Francisco nos enviou, no domingo, para sermos o rosto da misericórdia no mundo. Para não termos medo de sonhar alto, de nos arriscar e mudar o mundo. As palavras do Santo Padre não podiam ser mais certeiras. É impressionante como a Igreja conhece os seus filhos e sabe o que precisamos ouvir. Mesmo o Papa falando italiano, todos estávamos com os nossos rádios nos ouvidos, atentos à tradução. Todos começamos a rir, por nos identificarmos com as suas palavras. Depois, o Santo Padre nos falou sobre como é mais fácil construir muros do que levantar pontes, e nos pediu que déssemos as mãos. Mais de 1 milhão de jovens dos cinco continentes se deram as mãos, olharam nos olhos e compartilharam sorrisos. Ali, não éramos brasileiros, poloneses, italianos, chilenos... Éramos filhos de Deus, rostos da misericórdia, protagonistas do nosso futuro e, com certeza, jovens, há uma semana, bem longe de seus sofás.


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‘Senhor, tem piedade do seu povo! Senhor, perdão por tanta crueldade!’ L’Osservatore Romano

FILIPE DOMINGUES

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

Sem dizer nenhuma palavra, o Papa Francisco prestou sua homenagem às vítimas do holocausto nos campos de concentração e extermínio de Auschwitz, localizados em Oświęcim, na Polônia. Pelo menos 1 milhão de pessoas foram assassinadas no local, a maioria judeus perseguidos pelo regime nazista, mas também russos e poloneses, entre eles os santos católicos Maximiliano Kolbe e Edith Stein. As únicas palavras do Papa Francisco na visita, na sexta-feira, 29, foram registradas em um livro de honra, em espanhol: “Senhor, tem piedade do seu povo! Senhor, perdão por tanta crueldade!” Alguns dias antes, ele havia explicado que faria a homenagem em silêncio. “Queria visitar aquele lugar de horror sem discursos, sem gente, a não ser aquelas necessárias. Sozinho, entrar, rezar e que o Senhor me dê a graça de chorar.” De fato, o Papa entrou sozinho pelo portão de ingresso com campo de Auschwitz 1, onde há o conhecido, e irônico, letreiro em alemão “Arbeit macht frei”, que quer dizer “O trabalho liberta”. Em seguida, visitou pontos onde os prisioneiros eram mortos e parou diversas vezes para rezar e tocar as paredes e objetos que recordam a memória dos mortos, como uma forca de ferro e um muro de fuzilamento. Auschwitz 1 foi o primeiro campo de concentração estabelecido pelos nazis-

Papa entra sozinho pelo portão de Auschwitz 1, onde há o irônico letreiro em alemão ‘Arbeit macht frei’, que quer dizer ‘O trabalho liberta’

tas na Polônia e, além de concentrar os prisioneiros e submetê-los ao trabalho forçado, realizava-se ali experimentos e atividades destinadas à manutenção de exércitos alemães para a Segunda Guerra Mundial. No bloco 11, o Papa rezou na cela onde os nazistas assassinaram São Maximiliano Kolbe, sacerdote franciscano que se ofereceu para morrer no lugar de um pai de família, em 1941. Condenado a morrer de fome, Kolbe terminou assassinado com uma injeção letal. O campo de Auschwitz 2, ou Birkenau, era um campo de extermínio, isto

é, uma verdadeira fábrica de morte. Ali, Francisco encontrou uma dúzia de sobreviventes do holocausto, inclusive uma mulher de 101 anos. Também cumprimentou alguns dos chamados “justos”, isto é, pessoas que se arriscaram para esconder judeus e outros perseguidos. Essa foi a terceira visita de um Papa a Auschwitz. Antes dele, João Paulo II esteve nos campos em 1979, e Bento XVI, em 2006. A visita do papa alemão foi marcada por uma forte pergunta, que ele lançou em seu discurso, lem-

brada, inclusive, pelo Papa Francisco na Via-Sacra desta JMJ: “Onde estava Deus naqueles dias? E por que Ele se calou?” Os papas não a responderam. Mas, na ocasião de sua visita, Bento XVI declarou: “O nosso grito a Deus deve ao mesmo tempo ser um grito que penetra o nosso próprio coração, para que desperte em nós a presença escondida de Deus para que aquele seu poder que Ele depositou nos nossos corações não seja coberto e sufocado em nós pela lama do egoísmo, do medo dos homens, da indiferença e do oportunismo.”

Jornada de 2019 será no Panamá O Panamá será a próxima sede da Jornada Mundial da Juventude. O anúncio oficial foi feito pelo Papa Francisco ao final da missa de conclusão da JMJ de Cracóvia, no domingo, 31. Meses atrás, rumores indicavam que a próxima Jornada poderia ser na Ásia ou na África, mas, por fim, confirmou-se o País centro-americano. O Panamá tem menos de 4 milhões de habitantes, dos quais 80% são católicos. Acredita-se que, por sua localização, será forte a presença de peregrinos latino-americanos, dos Estados Unidos e do Canadá. O Arcebispo do Panamá, Dom José Domingo Ulloa Mendieta, que será responsável por liderar a preparação da próxima Jornada, afirmou que seu País foi “abençoado” por receber o evento. Em vídeo-mensagem publicada nas redes sociais, ele disse que “o Panamá abriu o seu canal e agora está pronto para acolher jovens de todo o mundo com os braços abertos”. Como é habitual, o Panamá agora usará a experiência da Polônia para se preparar para receber milhões de peregrinos. A organização da JMJ de Cra-

JMJ Cracóvia 2016

País centro-americano tem menos de 4 milhões de habitantes, dos quais 80% são católicos

cóvia custou cerca de US$ 50 milhões (mais de R$ 160 milhões), e, portanto, estima-se que a Jornada do Panamá possa vir a custar algo parecido – conforme reportagem da vaticanista Inés San Martin, do site Crux. Beata Kempa, chefe de gabinete da primeira-ministra da Polônia, comentou

à imprensa que já conversou com o presidente do Panamá, Juan Carlos Varela Rodriguez, e que se colocou à disposição para oferecer assistência. “O presidente panamenho disse que uma delegação especial virá à Polônia para se familiarizar com a preparação da JMJ de Cracóvia”, explicou.

POLÔNIA PASSOU NO TESTE

Embora alguns peregrinos tenham notado certas dificuldades na organização, especialmente em questões logísticas, Kempa avalia que a Polônia passou no teste de receber um grande evento internacional. “Estou muito feliz que tenhamos conseguido receber tantos jovens e garantido a segurança em todos os encontros da JMJ”, disse. “Além de ser um festival de fé, esperança e amor, a JMJ é um grande projeto de segurança. Os procedimentos que definimos com antecedência correram bem, e acho que estamos prontos para organizar outra JMJ”, brincou. Graças às famílias polonesas, milhões de peregrinos puderam ser acolhidos no País. A primeira-ministra, Beata Maria Szydło, comentou que a juventude de todo o mundo leva “belíssimas impressões da Polônia”, porque viveram ali e puderam conhecer famílias polonesas. “Ouvimos muitas palavras importantes, muitos pensamentos importantes, sobre os quais agora temos que refletir. Especialmente, como disse o Santo Padre, temos que abrir nossos corações aos outros”. (FD)


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Cardeal Odilo Pedro Scherer

‘Jovens, Cristo conta com vocês!’ Arquivo pessoal

REDAÇÃO

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Concluída a Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia, na Polônia, no domingo, 31, com a participação de aproximadamente 2 milhões de jovens, de 168 países, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, que esteve na JMJ, convida os jovens a se organizarem para ida à Jornada em 2019, no Panamá, e espera que quem esteve em Cracóvia dissemine as reflexões feitas pelo Papa Francisco. Nesta entrevista exclusiva ao O SÃO PAULO, Dom Odilo destaca os aspectos principais da JMJ 2016, recorda as catequeses que conduziu na Jornada, a participação dos brasileiros e fala da necessidade da prática da misericórdia cotidianamente. “As Jornadas mostram a face bonita e esperançosa de uma humanidade que sonha em viver em paz e fraternidade”. Abaixo segue a íntegra da entrevista.

e muitos bispos, que encontrei, referiram-se às boas lembranças que guardam da Jornada no Brasil.

O SÃO PAULO – TERMINADA A 31ª JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE, QUAL É A AVALIAÇÃO QUE PODE SER FEITA? Cardeal Odilo Pedro Scherer - Foi um evento extraordinário pela participação de jovens, que passaram dos 2 milhões, vindos de 168 países diversos. O medo do terrorismo deixou preocupações no ar a respeito da segurança do evento e dos participantes, mas, graças a Deus, não aconteceu nada de ruim. O entusiasmo venceu o medo. O serviço de segurança da Polônia foi bom e eficiente. Participaram também numerosos padres (cerca de 2 mil), bispos (cerca de 1.600) e cardeais (25). Isso significa que os jovens são amados por seus pastores, que os acompanharam na Jornada. Chamou a atenção a presença de religiosos e religiosas jovens nas delegações juvenis. A cidade de Cracóvia preparou muito bem o evento e acolheu os participantes com generosidade e simpatia. O Papa estava muito à vontade com os jovens. O fato de ser em Cracóvia, cidade de São João Paulo II, criador das Jornadas, deu um toque muito especial a esta JMJ.

A MISERICÓRDIA FOI O TEMA CENTRAL DAS CATEQUESES. QUAL FOI A PERCEPÇÃO DOS JOVENS PARA VIVENCIÁ-LA NO DIA A DIA? Para muitos, o tema parecia ser algo novo. Percebi, sobretudo, que nem sempre há clareza sobre o verdadeiro significado da misericórdia. A acolhida das catequeses foi muito boa e a percepção de que temos necessidade da misericórdia de Deus não foi difícil. Mais difícil para os jovens, e não só para eles, é combinar a misericórdia, a justiça e a ética. Pareceria que a prática da misericórdia dispensa a justiça e até passa por cima da ética: como usar de misericórdia com quem nos faz o mal? Como usar de misericórdia, em vez da justiça, nos casos de desonestidade, violência e injustiça social? É claro que a misericórdia não dispensa a justiça, que é necessária. Mas quem é credor de justiça pode ir além da mera justiça e, uma vez que esta foi satisfeita, pode usar de misericórdia para favorecer a recuperação de quem foi injusto ou violento. A misericórdia não dispensa a justiça, mas vai além dela.

COMO FOI A PARTICIPAÇÃO DOS BRASILEIROS NESTA JORNADA? Os jovens brasileiros foram o 3º grupo mais numeroso, depois apenas da Polônia e da Itália. Apesar da crise econômica, da distância e dos custos altos, aproximadamente 13 mil jovens do Brasil participaram da Jornada. Só da Arquidiocese de São Paulo, foram mais de 400. Sua presença pelas ruas da cidade e nos eventos era sempre notada; a bandeira verde-amarela estava por toda parte. A Jornada do Rio foi recordada em diversos momentos

NAS CATEQUESES FORAM RECORDADOS OS SANTOS DA MISERICÓRDIA? Sim, e também no encontro do Papa com os jovens. Os santos da misericórdia nos acompanham neste Jubileu da Misericórdia e nos estimulam a fazer como eles fizeram... O nome do jovem santo Piergiorgio Frassatti (1901-1925) foi muito lembrado, e também o de Madre Teresa e da Beata Irmã Dulce dos Pobres. DURANTE A JORNADA, FOI DISTRI-

BUÍDO AOS JOVENS O CATECISMO DA DOUTRINA SOCIAL. QUE TEXTO É ESSE? É o Catecismo da Doutrina Social da Igreja, em inglês (DOCAT – What to do? = O que fazer?). Em breve, esse texto, que explica de maneira fácil aos jovens os princípios fundamentais da Doutrina Social da Igreja, estará traduzido e disponível em mais de 30 línguas, entre as quais o português. Mas, desde agora, o texto inglês já pode ser baixado pela internet. Será mais um subsídio precioso para a formação dos jovens cristãos e católicos. A PRÓXIMA JORNADA SERÁ EM 2019, NO PANAMÁ. QUE PERSPECTIVAS SE ABREM? Em 2019, a Jornada será realizada no Panamá e será mais uma ocasião para muitos jovens brasileiros participarem desse evento de valor extraordinário. Seria bom estimular os jovens, desde logo, a participarem da Jornada no Panamá, inclusive a promoverem iniciativas para recolher o dinheiro necessário para cobrir os custos de viagem e inscrição. O tema ainda será definido pelo Papa, depois que a Congregação para os Leigos fizer suas pesquisas e propostas. À LUZ DAS REFLEXÕES DO PAPA, QUE PERSPECTIVAS SE ABREM PARA A PASTORAL DA JUVENTUDE? Creio que as Jornadas da Juventude são sempre muito motivadoras. Penso que as reflexões do Papa aos jovens poderiam ser retomadas com os jovens das nossas comunidades. Além disso, fica um estímulo para nós, padres e bispos: é preciso acreditar nos jovens e dedicar tempo e atenção a eles. A resposta deles será generosa. E não se deve ter medo de falar com franqueza dos temas que lhes dizem respeito, como fez o Papa; acima de

tudo, é preciso lhes propor o encontro com Jesus Cristo, que transforma a vida dos jovens. QUAL É A MENSAGEM CENTRAL QUE O PAPA DEIXOU AOS JOVENS? A mensagem central diz respeito à misericórdia, experimentada e praticada. Nem podia ser diferente, uma vez que era esse mesmo o tema da Jornada: “bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”. O Papa encorajou os jovens a acolherem de coração aberto a misericórdia de Deus, a serem generosos na prática da misericórdia e a não se acomodarem aos modelos de vida, que não contam com a misericórdia. QUAL PODE SER O SIGNIFICADO SOCIAL E POLÍTICO DAS JORNADAS DA JUVENTUDE? Eu penso que a mensagem das Jornadas é importante e bela para o mundo e isso mereceria uma reflexão especial. Veja: em tempos de várias guerras, de atos de terrorismo, de ódios raciais e discriminações de todo o tipo, reúnem-se pacificamente 2 milhões de jovens e não acontece qualquer ato de violência ou constrangimento. O que explica isso? Como entender que jovens de povos em guerra participem juntos, rezem, cantem e se abracem como irmãos? As Jornadas mostram a face bonita e esperançosa de uma humanidade que sonha em viver em paz e fraternidade. A variedade de 168 bandeiras, de todas as raças, etnias, cores, culturas e línguas do mundo, todas unidas numa grande confraternização, cheia de conteúdo e sentido... é algo muito bonito e cheio de esperança para o futuro da humanidade. E tudo isso em nome de Cristo e sob a guia da Igreja. De fato, é missão da Igreja ser um sinal da humanidade redimida e que vive no amor.


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FILIPE DAVID

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Dica de Leitura

Santos e beatos proclamados por São João Paulo II Nesta obra, organizada pelo Padre Armênio Rodrigues Nogueira, do clero da Arquidiocese de São Paulo, temos todas as homilias de 495 celebrações do período de 1979 a 2004 (25 anos de pontificado) de São João Paulo II - sendo 147 beatificações e 51 canonizações, dando um total de 1.320 pessoas beatificadas e 481 pessoas canonizadas, o que resultou em 1.801 santos e beatos para a Igreja. Além de parte da homilia da missa, há uma breve biografia do santo ou beato, organizada em ordem cronológica. A obra é um estímulo à santidade e tem apresentação de Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC), e é recomendada pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo. Uma leitura edificante e inspiradora que retrata um grande período da Igreja, o pontificado deste grande Santo. FICHA TÉCNICA: Autor: Padre Armênio Rodrigues Nogueira (organizador) Páginas: 768 Editora: Prodígio

Reprodução

Para refletir

‘Je suis Jacques Hamel’ “O alvo dessa vingança não foi o Ocidente em geral, nem sua prosperidade presunçosa e egoísta, que pode parecer um insulto para os habitantes pobres do resto do mundo. O alvo dessa vingança foi a raiz do Ocidente, a fonte viva do Ocidente, mesmo que não seja lembrada – isto é, o Cristianismo, no momento e lugar em que, de forma tácita, mas invencível, se torna mais explicitamente e intensamente real: a celebração da missa. Então, a questão que surge é se os franceses (e os outros) vão se identificar com as vítimas – um velho padre, assassinado brutalmente, e um punhado de fiéis e freiras. Será que muitos dirão ‘Je suis Jacques Hamel’ (Eu sou Jacques Hamel), como disseram ‘Je suis Charlie’? (...) Se os cristãos devem estar mais abalados que as outras pessoas, (...) é porque eles se veem confrontados, de um jeito que ninguém pode desejar ou prever, com o mistério do mal em sua mais nua brutalidade, isto é, o enigma insuportável: o amor não é amado – como foi revelado pela cruz em que o Senhor, o Filho de Deus, aceitou ser pregado. E assim nós continuamos a ir à missa, quaisquer que sejam nossos medos, para receber o amor que vence o ódio sem retribui-lo com ódio. E, porque queremos amar aqueles que acreditam ser nossos inimigos e aqueles que não se importam, as portas de nossas igrejas continuam abertas” (Jean Duchesne, professor emérito do Colégio Condorcet e conselheiro do Arcebispo de Paris. A íntegra do artigo pode ser lida, em inglês, no site FirstThings.com).


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BENIGNO NAVEIRA, MARIA ANGELA PALMA RIBEIRO E MARIANA AL ZAHER COLABORADORES DE COMUNICAÇÃO DA REGIÃO

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Lapa

Solidariedade é marca da ‘Voz dos Pobres’ A Comunidade Eucarística Voz dos Pobres, que tem atividades na Região Lapa, está engajada na “Campanha do Agasalho”. Conforme informou à Pastoral da Comunicação da Região Lapa o Irmão Agostinho, integrante da Comunidade, tem sido feita a distribuição aos moradores em situação de rua das doações recolhidas nas paróquias Santo Alberto Magno, Sagrado Coração de Jesus, São Thomas More, São Patrício, São Mateus, Santo Antonio de Pádua, Nossa Senhora dos Pobres e Área Pastoral São João Batista. Fundada em 1996 por Cláudio Luiz Vaz, no bairro do Butantã, a Voz dos Pobres tem a participação de dezenas de leigos e consagrados, que buscam viver o carisma da solidariedade e a misericórdia dedicada à população em situação de rua.

“Nossa comunidade atua todos os dias junto aos pobres, os mais excluídos pela sociedade. Nosso lema é doar o amor, o mesmo amor que transborda do altar todos os dias na santa missa. Esse amor não julga, simplesmente ama. Vamos para as calçadas das cidades, andamos, vivemos e sofremos com eles. Só encontramos descanso no Céu e aqui no mundo, encontramos alívio quando somos alívio para dor de alguém, matamos nossa fome e nossa sede quando damos de comer e beber aos pobres. Nós vivemos para ser a voz daqueles que ninguém quer escutar, vivemos o evangelho de Jesus. Seguimos seus passos, adoramos o Senhor Jesus Cristo todos os dias na Eucaristia”, consta no site da Comunidade (www. vozdospobres.com), onde é possível saber como colaborar com a Voz dos Pobres. Mariana Al Zaher

No sábado, 30, aconteceu na Paróquia São Mateus, no Setor Rio Pequeno, o encontro de formação para agentes de pastoral com o tema “Sacrosanctum Concilium – A Sagrada Liturgia”, conduzido pelo Professor Marcio de Almeida. Houve um vídeo explicativo sobre esse documento conciliar. O Assessor do encontro e o Padre José Oliveira dos Santos, pároco, estimularam os participantes a estudarem os documentos da Igreja

Voz dos Pobres

Comunidade Voz dos Pobres tem missão permanente com as pessoas em situação de rua

Constituição Dogmática Dei Verbum é tema de curso para integrantes de pastorais O Curso de Teologia para Agentes de Pastoral (Ctap) da Região Lapa promoveu nos dias 25 e 26, na Paróquia Nossa Senhora da Lapa, o XII Curso de Férias, com a temática sobre a Constituição Dogmática Dei Verbum – sobre a Revelação Divina. O encontro foi assessorado pelo Professor Donizete Scardelai, doutor em Sagrada Escritura. Ele apresentou um relato histórico dos documentos da Igreja sobre a interpretação bíblica (encíclicas Providentissimus Deus, do Papa Leão XIII, 1893; e Divino Afflante Spiritu, do Papa Pio XII, 1943) e deu ênfase à Dei Verbum, de 1965, último documento do Concílio Vaticano II que levou seis anos até ter uma redação final. Também comentou sobre o

documento “A interpretação da Bíblia na Igreja”, de São João Paulo II, de 1993, e a Exortação Apostólica Pós-sinodal Verbum Domini – sobre a Palavra de Deus na missão da Igreja, do Papa Bento XVI, de 2010. Conforme Scardelai, há diferença entre revelação e inspiração. A revelação é o conteúdo que Deus quis que os autores da Bíblia conhecessem, e a inspiração é a maneira pela qual esses autores formulam os conteúdos transmitidos. Ele também afirmou que a Sagrada Escritura tem dois autores: Deus que se revela e o povo que capta a mensagem e a transcreve. Para o Professor, a Dei Verbum potencializa o estudo da Sagrada Escritura e mostra a unidade do Antigo e Novo Testamento.


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Brasilândia Jovens unem-se para vivenciar em Pirituba a JMJ O Setor Juventude da Região Brasilândia realizou no sábado, 30, na Comunidade Missão Mensagem de Paz, em Pirituba, uma vigília em sintonia com a JMJ Cracóvia 2016, que aconteceu na Polônia, entre os dias 26 e 31. Padre Fabrício Mendes de Moraes, CRL, vigário da Paróquia São Luís Maria Grignion de Montfort e assessor eclesiástico do Setor Juventude da Região Brasilândia, falou aos jovens que, durante a caminhada, Jesus se encarrega de realizar todas as coisas. “Que todos possam se tornar melhores, buscando o que é correto, falando sobre a família ser a primeira igreja, onde o jovem aprende a amar e evangelizar”, comentou na homilia da missa, destacando que cada pessoa é embaixadora do projeto de Deus. O Padre enalteceu a determinação dos jovens que participaram da JMJ em Cracóvia, mesmo diante da crise política e econômica do Brasil e dos riscos de atentados na Europa. Ele lembrou, ainda, que 35 peregrinos, entre jovens e padres que atuam na Região Brasilândia, estiveram na Polônia. Em entrevista à Pascom Brasilân-

Natali Félix

Jovens da Região Episcopal Brasilândia participam de celebração sobre a JMJ na Comunidade Missão Mensagem de Paz, em Pirituba, dia 30

dia, Caroline Soares, 19, ressaltou a união dos jovens em clima de oração. “Sabem qual é o instrumento para Manoel Luz

Jovens realizam encenação da aparição de Nossa Senhora Aparecida no rio Paraíba do Sul

Aprender o Pai-Nosso, parte a parte, com Sant´Ana “Com Sant’Ana, rezemos a oração que Jesus nos ensinou”. Este foi o tema da festa da padroeira da Comunidade Santana, da Área Pastoral Nossa Senhora e Santana, realizada entre os dias 17 e 26 de julho. Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia, e de Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC), presidiram missas durante a novena, que teve como tema central a

NATALI FÉLIX E LARISSA FERNANDES

COLABORADORAS DE COMUNICAÇÃO DA REGIÃO

reflexão parte a parte da oração do PaiNosso. Diversas comunidades da Região Brasilândia animaram a liturgia a cada dia e houve a bênção de objetos religiosos, além de símbolos das pastorais. No dia da padroeira, 26, o Padre José Domingos Bragheto, vigário paroquial, presidiu a celebração festiva, fazendo referência também ao Dia dos Avós. Segundo o Padre, neste ano, houve um aumento da participação dos fiéis.

evangelizar os jovens? Outro jovem!”, disse, ao recordar as palavras do Papa Francisco.

Após a missa, houve momentos de louvor e oração, em sintonia com a Jornada Mundial da Juventude.

‘Precisamos venerar a nossa Mãe Aparecida’ A Paróquia São José, em Perus, recebeu no domingo, 31, a imagem de Nossa Senhora Aparecida, que está sendo levada em peregrinação a todas as paróquias da Região Brasilândia, no contexto das comemorações dos 300 anos da aparição da imagem. A missa festiva teve uma encenação, realizada pelos jovens da Área Pastoral Santíssima Trindade, onde a imagem estava anteriormente, representando o encontro da Padroeira do Brasil por três pescadores, em 1717, no rio Paraíba do Sul. Padre Cilto José Rosembach, páro-

co, na homilia, questionou a comunidade sobre as apostas e investimentos da vida, ressaltando o que diz o evangelho de Lucas: “aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres”. O Sacerdote também falou sobre a chegada da imagem de Nossa Senhora Aparecida à Paróquia. “Nós precisamos ter uma referência. Não somos órfãos e precisamos venerar nossa mãe”, afirmou. Até o sábado, 7, a imagem irá peregrinar pelas localidades próximas à Paróquia e depois será levada à Paróquia Cristo Rei. Padre José Domingos Bragheto

Dom Angélico Sândalo Bernardino preside uma das missas da padroeira da Comunidade Santana


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REDAÇÃO

osaopaulo@uol.com.br

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Padre Donizete José Xavier assume paróquia na Vila Madalena Em missa com os bispos auxiliares da Arquidiocese, Dom Julio Endi Akamine, vigário episcopal da Região Lapa, e Dom Eduardo Vieira dos Santos, vigário da Região Sé, o Padre Donizete José Xavier tomou posse no domingo, 31, como pároco da Paróquia Santa Maria Madalena e São Miguel Arcanjo, no bairro da Vila

Madalena, no Setor Pastoral Pinheiros. Dom Julio falou sobre a ação pastoral do Padre Donizete junto aos jovens das comunidades da Região Lapa e ressaltou que “o sucesso não pode vir por meio de um trabalho que apenas alimenta a vaidade e não considera o outro com dignidade”. Após a renovação de sua profissão de

fé diante da comunidade, Padre Donizete saudou a presença de seus familiares que vieram de sua cidade natal, Ferraz de Vasconcelos (SP), e dos fiéis das paróquias São Domingos Sávio e Santo Estevão Rei, por onde passou na Região Lapa, lembrando que pretende se aproximar também dos anseios e necessidades

de sua nova comunidade paroquial, assim como trabalhar mais com os grupos que acompanha na universidade, trazendo-os para o convívio dessa comunidade. O Sacerdote é professor de Teologia na PUC-SP e colaborador do Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade da Arquidiocese de São Paulo.

ParóquiaSanta Maria Madalena e São Miguel Arcanjo Divulgação

Dom Julio empossa Padre Donizete como pároco da Santa Maria Madalena e São Miguel Arcanjo Helena Ueno

No sábado, 30, as paróquias Nossa Senhora Aparecida dos Ferroviários, Nossa Senhora de Casaluce e San Gennaro peregrinaram à Porta Santa da Catedral da Sé, onde os fiéis participaram da missa presidida por Dom Eduardo Vieira dos Santos.

Belém

PETERSON PRATES

COLABORADOR DE COMUNICAÇÃO DA REGIÃO

Semana de Fé e Política reafirma 40 anos de defesa da vida e da Justiça A Região Episcopal Belém realizou, entre os dias 25 e 27, no Centro Pastoral São José, a XVII Semana de Fé e Política, iniciativa da Pastoral de Fé e Política e da Escola de Fé e Política Waldemar Rossi, com apoio das comunidades eclesiais de base, da Pastoral da Juventude e do Conselho de Leigos regional. Neste ano, a atividade tratou das quatro décadas da Região Episcopal, com o tema “40 anos de defesa da vida e da Justiça – Belém, Casa do Pão”. Foi utilizado o método “ver, julgar e agir” para os encontros e houve o resgate dos nomes que contribuíram para a trajetória pastoral da Região Belém, que surgiu em 1976, originária da Região Leste, que fora criada em 1966, e despois desmembrada em Leste 1 (hoje Belém) e Leste 2 (atual Diocese de São Miguel Paulista). Na primeira noite do evento, a Pastoral da Juventude, com uma contação de história, recordou o cenário político da época da criação da Região Belém. Eram tempos da ditadura militar, mas mesmo assim surgiram as pastorais do Menor, da Criança

Peterson Prates

Dom Luiz Carlos Dias conduz momento conclusivo da Semana de Fé e Política da Região Belém

e da Juventude, além dos movimentos de Saúde e de Moradia. Américo Sampaio, sociólogo e integrante da Rede Nossa São Paulo e da Escola de Governo, analisou a atual conjuntura nacional e municipal, destacando que as decisões políticas no País são pautadas pelo poder econômico. “40 anos de defesa da vida e da Justiça – Belém, Casa do Pão” foi o tema da segunda noite, assessorada pelo professor Fernando Altemeyer Junior, que recordou o histórico da Região, a começar pelas pa-

róquias da cidade, os processos de imigração e os movimentos organizados. Houve memória sobre leigos, leigas, religiosas, padres e bispos que contribuíram com seu testemunho e missão para a construção da Região, como Miralda dos Santos Lima, Dom Luciano Mendes de Almeida (cujo o processo de beatificação já está aberto), Pablo González Olalla, Irmã Dirce Genésio, Waldemar Rossi, Antônio Caetano, entre outros. Na última noite do evento, os assessores Maurício Broinizi, da Rede Nossa São

Paulo, e Waldir Augusti, da Rede das Escolas da Cidadania, falaram sobre o Plano de Metas da Periferia e o lançamento do Jornal das Metas. A primeira iniciativa propõe um vínculo entre a população, que teve a oportunidade de participar do processo de construção do Plano, e o poder público, que deve assumir as metas estabelecidas. Já no jornal estão as 13 metas para o período 2017-2020, que atendem, sobretudo, as periferias da cidade, e contêm também critérios para a escolha correta de candidatos e um compromisso público, dedicado aos políticos que se comprometem com tais metas. Para cada um dos assessores, foi oferecido um pão, marca da Região Belém, e também uma vela, sinal destes 40 anos. Dom Luiz Carlos Dias, bispo auxiliar da Arquidiocese da Região Belém, saudou os participantes e lembrou que a Região tem “preocupação com as questões sociais”, e completou: “A fé gerou aqui esse empenho com as necessidades sociais, aqui se vive, de fato, essa relação de fé e política”.


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Santana Setor Mandaqui peregrina à Porta Santa no Jubileu da Misericórdia

DIÁCONO FRANCISCO GONÇALVES

COLABORADOR DE COMUNICAÇÃO DA REGIÃO

Na tarde do domingo, 31, os fiéis e padres das paróquias que constituem o Setor de Pastoral Mandaqui – São Marcos Evangelista, São José, Santo Antônio, Santa Inês, Santa Cruz, Sagrada Família, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora da Penha e Nossa Senhora Aparecida e São Matias – peregrinaram à Porta Santa da Igreja Sant’Ana por ocasião do Jubileu extraordinário da Misericórdia. O ato de peregrinar sempre fez parte do povo de Deus, simbolizando a peregrinação definitiva ao encontro com o Senhor. Neste Ano Santo, os fiéis são motivados a fazer peregrinação às portas santas estabelecidas, seja no Vaticano, seja em igrejas escolhidas, como é o caso de Sant’Ana, por ser a mais antiga da Região. “Atravessar a Porta Santa é nos deixar abraçar pela misericórdia de Deus, é nos comprometermos a ser misericordiosos com os outros”, mencionou Cleonice Sampaio, da Paróquia Sagrada Família, ao entrar comovida na igreja. Antes, no pátio da igreja, Dom Ser-

Diácono Francisco Gonçalves

Peregrinos do Setor Mandaqui durante passagem pela Porta Santa da Igreja Sant´Ana, no domingo, 31, por ocasião do Jubileu da Misericórdia

gio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, recepcionou os peregrinos, orientando-os sobre o sentido do ato. Em seguida, todos adentraram à igreja pela Porta Santa,

sendo aspergidos com água benta pelos padres atuantes no Setor Mandaqui. Os peregrinos participaram da missa presidida por Dom Sergio, puderam se confessar e, atendendo a um pedido do

36 jovens e adultos confirmam adesão à vida cristã Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, conferiu, no sábado, 30, o sacramento da Confirmação a 36 jovens e adultos da Paróquia São Gabriel da Virgem Dolorosa, no Setor Jaçanã, em missa concelebrada pelos padres Zacarias José de Carvalho Paiva, pároco, e Eduardo Higashi, pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima do Tremembé. Na acolhida a Dom Sergio, Padre Zacarias destacou que muitos dos crismandos já estavam na comunidade desde a época da 1ª Comunhão. Ao término da missa, Padre Zacarias comentou que a comunidade de fé é uma

Pascom/Paróquia São Gabriel da Virgem Dolorosa

Dom Sergio de Deus Borges em foto com jovens e adultos recém-crismados, no sábado, 30

grande família, não uma dispensadora dos sacramentos, mas um local onde os cristãos encontram o sentido da vida e

devem assumir um firme compromisso com Cristo. (Colaborou Padre Zacarias José de Carvalho Paiva)

Bispo, contribuíram na hora do ofertório, como gesto de obra de misericórdia, para ajudar na construção da Igreja São José, no Jardim Felicidade, na periferia da zona Norte da cidade.

Encontro com candidatos ao diaconato permanente Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, se reuniu em 23 de julho, na Cúria de Santana, com candidatos ao diaconato permanente da Região. Na ocasião, o Bispo deu uma formação sobre a Exortação Apostólica Amoris laetitia do Papa Francisco, e comentou que uma das missões do diácono permanente é recolocar a família no centro da pastoral da Igreja.

Arquivo pessoal

Neusa Batista

A Região Santana esteve representada no XXI Congresso Nacional do Encontro de Casais com Cristo (ECC), realizado entre os dias 22 e 24 de julho, em Belo Horizonte (MG), pelo Frei Ernane Marinho, o casal Edison e Maria Augusta Piccino, e pelo Padre Edival dos Santos, diretor espiritual do ECC. Participaram do Congresso 384 casais congressistas, 20 bispos, 350 religiosos e 450 casais voluntários de apoio.

A Pastoral da Pessoa Idosa promoveu, em 23 de julho, na Paróquia Nossa Senhora da Salette, no Setor Pastoral Santana, um encontro de formação sobre o novo Guia do Líder. Participaram coordenadoras e líderes da Região, bem como coordenadores da Região Belém e da Arquidiocese. Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, falou sobre a importância da Pastoral para a Igreja.


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PADRE RICARDO ANTONIO PINTO, WALDIR CELESTINO E CAROLINE DUPIM COLABORADORES DE COMUNICAÇÃO DA REGIÃO

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Ipiranga

Em oração e com obras de misericórdia, jovens ‘entram no clima’ da JMJ As paróquias Nossa Senhora da Saúde, no Setor Pastoral Vila Mariana, e São João Batista, no Setor Pastoral Imigrantes, realizaram, nos dias 30 e 31, vigílias em comunhão com a Jornada Mundial da Juventude, que aconteceu em Cracóvia, na Polônia. O objetivo dos eventos foi proporcionar aos jovens que não puderam ir à JMJ uma experiência similar e em comunhão com Papa Francisco e a juventude do mundo inteiro. Na Nossa Senhora da Saúde, o “Acampadentro” reuniu jovens de diversos setores pastorais da Região, que permaneceram em vigília e aprenderam sobre São João Paulo II e Santa Faustina Kowalska, patronos desta Jornada e naturais da Polônia. Puderam, ainda, assistir, via internet, as transmissões direto de Cracóvia e guardar, entre as muitas mensagens do Papa Francisco, a seguinte: “Jesus percorre nosso caminho até o fim, pois a fé diz que somos filhos amados de Deus. Ele nos ama assim como somos e nada o fará mudar de idéia. Deus é fiel em nos amar e até obstinado por nós. Sempre nos apoia como o mais irredutível dos fãs”. Durante o “Acampadentro” foram

José Eduardo

Jovens participam de vigília da Jornada Mundial da Juventude na Paróquia Nossa Senhora da Saúde, em sintonia com a JMJ Cracóvia 2016

recolhidos alimentos e roupas entre os jovens como obra de misericórdia, ato este que está cadastrado no Projeto Floresta que Cresce, da Arquidiocese de São Paulo (www.florestaquecresce.org.br). Todos participaram, ainda, da missa dominical na igrejamatriz da Paróquia Nossa Senhora da Saúde. Na Paróquia São João Batista da Vila Guarani estavam muitos jovens que par-

ticiparam da JMJ Rio 2013. Neste ano, impossibilitados de irem à Polônia, eles organizaram uma vigília, no sábado, 30. Desde cedo, foi preparada a sala onde aconteceu a adoração eucarística. Às 14h, teve início uma via-sacra, com a participação dos paroquianos, e às 17h foi celebrada missa, presidida pelo Padre Osvaldo João de Souza, da Diocese de Anápolis (GO), estudante de Direito Canônico e residente na Paróquia. Ele

recordou, na homilia, suas participações em edições anteriores da Jornada. Houve também atendimento de confissões durante a missa. O Padre Ricardo Pinto, pároco, expôs o Santíssimo Sacramento e foi em procissão com os jovens à sala onde permaneceram até às 22h em adoração. Durante a vigília, houve momentos de silêncio, oração pessoal, meditação de textos, reza do Rosário e músicas.

Pastorais Sociais projetam ações conjuntas de solidariedade Os coordenadores das pastorais sociais da Região Ipiranga e Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo na Região, se reuniram no sábado, 30, para um “bate-papo” com a finalidade de integrar as pastorais e pensar trabalhos conjuntos. Padre Paulo Siebeneichler, OSJ, pároco da Paróquia-santuário Santa Edwiges e assessor da Pastoral Social regional, conduziu a reunião, a partir

de um texto que versava sobre o início das pastorais sociais, seus trabalhos e importância para a vida da Igreja. Foram destacados traços comuns das pastorais sociais, como a sensibilidade a todo tipo de sofrimento, seja ele individual ou coletivo, que acontece em situações de exclusão social, bem como a solidariedade, que se concretiza na “mão estendida” às situações de emergência, carência, extrema pobreza e fome, tendo a espiritualidade como

sustento da caminhada, para atenção aos mais pobres da sociedade. Padre Paulo reiterou a importância de haver uma nova interação entre as pastorais, para que possam melhor desenvolver os trabalhos dentro da Região Ipiranga, não só iniciativas sociais, mas também atividades no âmbito cristão-pastoral. As Pastorais Sociais têm se mobilizado para agregar mais pessoas. “Precisamos, enquanto Igreja Católi-

ca, trabalhar nossa doutrina, ressaltar aquilo que cremos e por que cremos. Devemos desenvolver uma solidez em nossa vida de fé. E as pastorais sociais devem se basear nessa solidez, para que assim possam levar essa clareza de fé aos atendidos” disse o Padre. “Essas pastorais são, mais do que nunca, de extrema importância no momento de crise que vivemos atualmente, para dar assistência aos que são mais atingidos”, concluiu.

Caroline Dupim

Caroline Dupim

Dom José Roberto com os membros das pastorais sociais da Região Ipiranga, no sábado, 30

No último fim de semana, Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga, presidiu missas em que realizou a investidura de Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão dos setores Cursino e Imigrantes. Ele ressaltou que “os ministros fazem parte do corpo da Igreja”. Na Paróquia Nossa Senhora das Graças, houve a investidura de 98 Ministros do Setor Imigrantes; e na Paróquia Santa Ângela e São Serapião, de 62, do Setor Cursino (foto)


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EDCARLOS BISPO

Arte: O SÃO PAULO

edbsant@gmail.com

Sistema tributário do Brasil penaliza a população de baixa renda Apesar de o brasileiro ter que trabalhar cinco meses e um dia para pagar impostos – informação publicada na edição 3112 do O SÃO PAULO mais uma vez a proposta de aumento ou criação de impostos para equilibrar as contas públicas volta à cena. Ouvido pela reportagem, o professor de Direito Tributário da PUC-SP e da FMU, Flávio Alberto Gonçalves Galvão, afirmou que o complicado Sistema Tributário brasileiro precisa passar por uma revisão e atualização. Há algumas distorções no sistema tributário no País, entre elas a não progressividade dos tributos. O economista Evilasio Salvador, da Universidade de Brasília, em um artigo publicado em abril deste ano na revista Politika, da Fundação João Mangabeira, ligada ao PSB, explica: “Os tributos sobre o consumo (bens e serviços) representam 51%. Considerando-se que a contribuição dos empregadores para a Previdência Social é um custo que as empresas repassam para ao consumidor, a tributação indireta sobre bens e serviços, na prática, pode representar mais de 60% da carga tributária, ou seja, mais da metade do valor de um produto que se compra ou se consome é imposto”. Ao dizer que um tributo é regressivo, significa que há uma retirada proporcionalmente maior das pessoas com menor capacidade de contribuir, seja por meio de tributos pagos diretamente ou indiretamente suportados, ou seja, paga mais (em termos relativos) quem ganha menos. Um sistema tributário é dito progressivo quando essa participação aumenta na mesma proporção da renda e da riqueza, ou seja, paga mais quem ganha mais. “O principal tributo sobre o consumo é o Imposto sobre Circulação

de Mercadorias e Serviços (ICMS), de competência dos estados e do Distrito Federal. Ele é responsável por 20% da arrecadação tributária. O ICMS é um tributo regressivo, que onera a população mais pobre. Uma das principais questões sobre ele diz respeito às inúmeras alíquotas envolvidas e à falta de harmonização da legislação no País. As alíquotas das operações internas são estabelecidas pelos estados e o Distrito Federal, podendo ser seletivas, conforme a essencialidade do bem: produtos básicos deveriam ter alíquotas menores que os supérfluos”, escreve no artigo. O economista ainda conclui que “a situação que predomina no País é exatamente a inversa, com os bens supérfluos sendo menos tributados que os bens essenciais. O ICMS responde por 45% dos tributos que incidem sobre os alimentos, com uma alíquota-padrão em torno de 17%. Em alguns estados chegam a ser estabelecidas mais de 40 alíquotas diferentes para esses produtos”. Outro ponto, de acordo com o Professor Galvão, é o excesso de burocracia do sistema tributário brasileiro. “O excesso de burocracia faz com que haja uma impossibilidade de criar uma consciência para melhoria da arrecadação e impede que o Estado seja mais otimizado e mais eficiente”, afirmou. Um exemplo da simplificação da burocracia é o chamado Supersimples – a legislação com regras tributárias simplificadas para as empresas de pequeno porte. De acordo com o Professor Galvão, ao facilitar e simplificar a forma de pagar impostos, o Fisco acaba por favorecer que cada vez mais pequenos empreendedores decidam por regularizar sua situação

e, assim, tenham a consciência da importância do pagamento de imposto. Além de aumentar a arrecadação, a simplificação das regras favorece que um maior número de pequenos empresários saia da ilegalidade. Nesse sentido, o Professor criticou as chamadas “obrigações acessórias” - documentos e declarações que devem ser apresentadas à União, aos estados e ao município -, que geram custos para as empresas e, na maioria das vezes, “o contribuinte e as empresas têm enorme dificuldade para entender até mesmo o que o Fisco quer interpretar”, afirmou o Professor.

NO BRASIL, IMPOSTOS PESAM MAIS SOBRE A POPULAÇÃO DE BAIXA RENDA

Como afirmou em seu artigo o Professor Evilasio Salvador, a maioria dos tributos “invisíveis” incide sobre bens essenciais, o que tem peso maior sobre os mais pobres. O Professor Galvão vai além: “por isso, a melhor coisa é você ser rico em país de terceiro mundo, porque você não tributa a renda da forma que deve ser tributada”. Citando como exemplo a Flórida, nos Estados Unidos, o Professor Galvão conta que lá é cobrado um imposto de 6%, mas na nota fiscal, após a compra. No Brasil acontece de forma diferente: aqui se cobra de toda a cadeia produtiva, e não apenas o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). “Quando você compra uma caneta, para trás já teve a incidência de uma série de tributos sem ter acontecido uma única venda para o consumidor”, afirmou. O reforço dessa lógica se encontra em outros impostos e nas alíquotas do Imposto de Renda, por exemplo, em que a faixa máxima é de 27,5%. O Professor Galvão destacou que em países da Europa, a “fatia do leão” pode chegar até 40% e que há várias faixas de cobrança, de acordo com a riqueza e a capacidade produtiva de uma pessoa.

IBOPE

Pesquisa Ibope divulgada na sexta-feira, 29, mantém Celso Russomanno na liderança pela disputa da Prefeitura de São Paulo. O candidato do PRB soma 29% das intenções de votos. Na pesquisa anterior, realizada entre 16 e 19 de junho, ele tinha 26%, mas ainda está dentro da margem de erro do levantamento, de quatro pontos percentuais para mais ou para menos. A senadora Marta Suplicy (PMDB) tem 10%; a deputada federal Luiza Erundina (PSOL) aparece com 8% das intenções de voto; o atual prefeito, Fernando Haddad (PT), candidato à reeleição, tem 7%, assim como o empresário João Doria Jr. (PSDB).

ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Depois de PRB, PSDB, PSOL, PT, PSDC, PCO e PRTB oficializarem os seus candidatos à Prefeitura de São Paulo, agora foi a vez do PMDB lançar o nome da ex-prefeita e senadora Marta Suplicy como candidata do Partido à Prefeitura. A chapa será composta também por Andrea Matarazzo, candidato a vice-prefeito, do PSD. Pelo Solidariedade (SD), o candidato é o deputado federal Major Olímpio.

33ª FASE DA LAVA JATO

Desde a madrugada da terça-feira, 2, a Polícia Federal cumpre 32 mandados judiciais da 33ª fase da operação Lava Jato em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás, Pernambuco e Minas Gerais. A ação foi batizada de “Resta Um” e mira a construtora Queiroz Galvão, suspeita de fraudar licitações da Petrobras e de pagar propina para evitar investigações de uma CPI no Senado.

MANIFESTAÇÕES

O domingo, 31, foi mais um dia de protestos no Brasil. As manifestações contrárias à presidente afastada Dilma Rousseff ocorreram em pelo menos 20 estados, além do Distrito Federal. Já as que pedem a saída do presidente interino Michel Temer aconteceram em pelo menos 14 estados. Em São Paulo, as manifestações começaram no início da tarde. Por volta das 14h30, no entanto, o movimento de manifestantes ainda era fraco. Se na última manifestação, na véspera da votação do impeachment na Câmara, a avenida foi tomada de canarinhos, desta vez o palco pareceu outro. Manifestantes contrários ao presidente interino Michel Temer chegaram a fechar a avenida Faria Lima nos dois sentidos.

IMPEACHMENT

O relator da comissão especial do impeachment, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), concluiu no seu parecer que a denúncia contra a presidente afastada Dilma Rousseff é procedente e que a petista deve ser levada a julgamento final pelo Senado. Para Anastasia, Dilma cometeu um “atentado à Constituição” ao praticar as chamadas “pedaladas fiscais” (atraso de pagamentos da União a bancos públicos para execução de despesas) e ao editar decretos de crédito suplementar sem autorização do Congresso Nacional. Fontes: UOL, Folha de SP, G1, EBC


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Torcemos por vocês! DANIEL GOMES

Jogos Rio 2016 tem chance de pódio. Já Felipe Nascimento não está entre os favoritos.

danielgomes.jornalista@gmail.com

Polo Aquático (26): Medalhas com a seleção masculina ou feminina serão uma surpresa. Time masculino chegou ao bronze em uma etapa da Liga Mundial em 2015.

O sonho de participar de uma olimpíada vai se tornar real para aproximadamente 11 mil atletas, de 206 países, nesta semana, com o início dos Jogos Rio 2016. Nem todas as melhorias prometidas à população do Brasil, em 2009, quando da escolha do Rio de Janeiro como sede olímpica, foram cumpridas. Há, ainda, o temor com atos terroristas e as violências diversas que assolam as grandes cidades do País, mas por que não acreditar na Trégua Olímpica, resolução historicamente assinada pelos países filiados à ONU para que entre sete dias antes da Olimpíada e sete após a Paralimpíada não haja guerras ou registros de hostilidades em todo o planeta? O SÃO PAULO apresenta a seguir um resumo com as perspectivas de desempenho do Brasil nos Jogos, considerando os resultados dos esportistas em 2015 e 2016, especialmente nos mundiais das modalidades. Boa sorte aos 465 representantes do Brasil. Atletismo (67 atletas): A principal favorita a uma medalha é a varista Fabiana Murer. A ausência da equipe da Rússia, pelos escândalos de doping, faz com que o Brasil tenha boas chances de pódios também com o varista Tiago Braz, os marchadores Erica de Sena e Caio Bonfim, e a equipe de revezamento 4x100m feminino. Badminton (2): Ygor Coelho e Lohaynny Vicente serão os primeiros atletas brasileiros do Badminton em uma olimpíada. Chances de medalhas são remotas. Basquete (24): Seleção feminina buscará não repetir o vexame da eliminação na 1ª fase dos Jogos de Pequim 2008 e Londres 2012. Seleção masculina tem mais chances de avançar na competição, tendo a maior parte dos atletas, oito, atuando no exterior. Sem Anderson Varejão, lesionado, Marcelinho Huertas, Leandrinho e Nenê são os astros da equipe. Boxe (9): Não será tarefa fácil ao menos repetir as três medalhas de Londres 2012. Principais chances são com Adriana Araújo, medalhista de bronze na última olímpiada, e com Robson Conceição, bronze no Mundial de Boxe no ano passado. Canoagem (13): O Brasil terá cinco representantes na canoagem slalom, com destaque para Ana Sátila, medalhista no Pan de Toronto. Maior chance de medalha, no entanto, está com um dos oito representantes da canoagem velocidade: Isaquias Queiroz, bicampeão mundial no C1 500m e que conquistou três medalhas no Pan de 2015. Ciclismo (10): Há poucas chances de medalhas. O Brasil terá quatro ciclistas na Estrada, três no Mountain Bike, um na pista e dois no BMX, sendo um deles Renato Rezende, que participou de Londres 2012 e constantemente figura entre os 30 melhores do mundo no BMX. Esgrima (13): A principal chance de medalha do Brasil é com Renzo Agresta, que conquistou bronze na prova de sabre no Pan de Toronto, chegou às oitavas de final no Mundial de 2015 e é o atual líder do ranking das Américas.

NOS JOGOS RI O 2 O 16

Remo (4): São remotas as chances de medalhas com as duplas do double skiff leve, Fernanda Nunes e Vanessa Cozzi; e William Giaretton e Xavier Vela. Rugby (24): Apesar da evolução da modalidade no País neste ciclo olímpico, times masculino e feminino (bronze no Pan de Toronto 2015) não são cotados a medalhas. Saltos Ornamentais (9): Brasil não tem atletas entre os favoritos. Destaques para as participações Juliana Veloso, que irá para sua 5ª olimpíada; e Hugo Parisi, que estará pela 4ª vez nos Jogos.

Fonte: COB

Taekwondo (4): Há chances de medalhas com Iris Sing e Venilton Teixeira, que alcançaram bronze no Mundial de 2015, mas em categorias que não são olímpicas.

Futebol (36): Meta é a mesma de sempre: a conquista do ouro olímpico no masculino, contando com Neymar, que estava no time de prata, em Londres 2012. No feminino, a eliminação nas oitavas de final no Mundial de 2015 acendeu o alerta de que a geração de Marta está longe do bom momento vivido nas conquistas das pratas em Atenas 2004 e Pequim 2008. Ginástica Artística (10): Pela primeira vez, o País classificou-se para as provas por equipes no masculino e no feminino, mas não está entre os favoritos. Arthur Zanetti é cotado a mais um ouro olímpico nas argolas. Com bons resultados na temporada, Diego Hypólito, Flavia Saraiva e Sergio Sasaki têm chances de pódios. Ginásticas Rítmica e Trampolim (7): Medalhas do Brasil serão uma surpresa nas duas modalidades. Rafael Andrade é o representante da ginástica trampolim. Conjunto de ginástica rítmica conta com cinco esportistas e Natália Gaudio competirá no individual. Golfe (3): Mesmo com a desistência de mais de dez golfistas estrangeiros de ir aos Jogos por medo do zika vírus, representantes brasileiros têm remotas chances de medalhas. Handebol (28): Campeã mundial em 2013, seleção feminina chega aos Jogos cotada ao pódio, mas não na condição de favorita, após cair nas oitavas de final do Mundial de 2015. Seleção masculina não deve estar entre as medalhistas. Hipismo (12): O Brasil terá quatro representantes no Adestramento, quatro no CCE e quatro nos Saltos, mas não é favorito a medalhas em nenhuma dessas categorias. Hóquei sobre Grama (16): Pela primeira vez, o País disputará o torneio olímpico, com a seleção masculina. Passar da primeira fase já será uma grande conquista. Judô (14): As sete atletas da seleção feminina são as mesmas que foram a Londres 2012. Mayra Aguiar e Sarah Menezes tentarão chegar ao pódio novamente. Érika Miranda, campeã no Pan de Toron-

to e medalhista de bronze no Mundial de 2015, também pode estar entre as medalhistas. No masculino, Victor Penalber, bronze no Mundial de 2015, Filipe Kitadai, bronze em Londres 2012, e Tiago Camilo, tricampeão pan-americano, têm chances de ir ao pódio.

Tênis (7): Dupla Marcelo Melo e Bruno Soares tem boas chances de ir ao pódio. Com parceiros diferentes, eles venceram etapas do Circuito Mundial de Tênis em 2015 e 2016. Tênis de mesa (6): Hugo Calderano, que está entre os 50 primeiros do ranking mundial, é o principal atleta do Brasil, mas com a modalidade dominada pelos asiáticos, probabilidade de pódio é remota para os mesa-tenistas brasileiros.

Levantamento de Peso (5): Fernando Saraiva Reis, bicampeão pan-americano, é o principal nome do País, mas não está cotado a ser medalhista. Foi o 11º no Mundial de 2015.

Tiro com arco (6): A única chance de medalhas para o País está com Marcus Vinicius D´Almeida, 18, que chegou às quartas de final do Mundial de 2015 e foi bronze por equipes no Pan de Toronto.

Lutas (6): Não será surpresa se Aline Silva, da categoria até 75kg, chegar ao pódio. Ela foi 5ª colocada no Mundial de 2015, vice-campeã do mundo em 2014 e medalhista de bronze no Pan de Toronto. Joice Silva, da categoria até 58 kg, campeã no Pan de 2015, pode surpreender com uma medalha.

Tiro esportivo (9): Líder do ranking mundial da pistola de ar de 10m, Felipe Wu (ouro no Pan de Toronto) tem reais chances de pódio nos Jogos, mas no evento-teste da Olimpíada, em abril, foi apenas o 16º.

Maratonas Aquáticas (3): Ana Marcela Cunha, eleita a melhor atleta do Brasil em 2015, tem chances de ser medalhista. No Mundial de 2015, ela faturou bronze na prova de 10 km. Poliana Okimoto irá para sua 3ª olimpíada, enquanto a Alan do Carmo vai estrear nos Jogos. Nado Sincronizado (9): Seja por equipe ou no dueto, com Luísa Nunes e Maria Eduarda Micucci, chances são de alcançar as finais. Chegar ao pódio é improvável. Natação (33): Serão 22 homens e 11 mulheres. Sem Cesar Cielo, que não alcançou o índice olímpico, as maiores chances de medalhas estão com Bruno Fratus, bronze no Mundial de 2015; Tiago Pereira, prata em Londres 2012 e recordista brasileiro de medalhas em pans; Felipe França, bicampeão pan-americano no nado peito; e Etiene Medeiros, prata no Mundial de 2015, recentemente absolvida em um caso de suspeita de doping. Brandonn Almeida, 19 anos, pode surpreender nos 400m medley e 1.500m livre. Pentatlo Moderno (2): Bronze em Londres 2012 e medalhista de ouro no Pan de Toronto 2015, Yane Marques não está na melhor fase da carreira, tanto que no Mundial da modalidade, em maio, foi a 13ª colocada. Ainda sim, a porta-bandeira do Brasil nos

Triathlon (2): Medalhas de Pâmella Oliveira ou Diogo Sclebin serão uma surpresa. Vela (15): Diferentemente de outras edições, a vela do Brasil chega aos Jogos sem ter um nome favoritíssimo ao ouro. Anteriormente, essa condição coube a Robert Scheidt, detentor de cinco medalhas olímpicas, a última de bronze, em Londres 2012, na classe Star. Ele competirá na classe Laser, onde conquistou ouros nos Jogos de 1996 e 2004, mas não é o favorito. Na 49erFx, Martine Grael e Kahena Kunze têm condições de chegar ao pódio, mas têm registrado queda de desempenho após o título mundial de 2014. Vôlei (24): É esperado que as seleções masculina e feminina do Brasil estejam no pódio. Mulheres, campeãs em Pequim 2008 e Londres 2012, vivem melhor momento com o título do Grand Prix, em julho. Homens, que perderam as duas últimas finais olímpicas, vêm de recente derrota na final da Liga Mundial para a Sérvia, que não disputará os Jogos. Vôlei de Praia (8): Brasil tem reais chances de medalhas com as quatro duplas na competição. Alisson e Bruno Schmidt e Ágatha e Bárbara Seixas, campeões do Mundial 2015 e sempre entre os líderes do Circuito Mundial, são favoritos ao ouro. Retrospecto de resultados indica chances de pódios para Evandro e Pedro Solberg e Larissa e Talita.


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3 a 9 de agosto de 2016 | www.arquisp.org.br

O SÃO PAULO - 3113  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 60 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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