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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 61 | Edição 3109 | 6 a 12 de julho de 2016

R$ 1,50

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Encontro com o Pastor Diaconato Permanente tem novo diretório na Arquidiocese de São Paulo Página 3

Editorial A desafiadora missão da geração de filhos digitais, de pais analógicos Página 2

Há 50 anos, de esperança em esperança, com Dom Paulo Luciney Martins/O SÃO PAULO

Dom Odilo e Dom Giovanni D´Aniello felicitam o Cardeal Arns, dia 2

O Cardeal Arns foi homenageado pelos 50 anos de seu episcopado, no sábado, 2, em missa na Catedral da Sé, presidida pelo Cardeal Scherer, e concelebrada por bispos de todo o Brasil e pelo núncio apostólico, Dom Giovanni D´Aniello. O Papa enviou ao “Cardeal da Esperança” felicitações pelo jubileu de ouro. Páginas 9 e 11

Na Solenidade de São Pedro e São Paulo, seminaristas saem em missão Página 23

Bispos de grandes cidades dialogam sobre desafios pastorais comuns Página 22

Jornalista grego destaca avanços na aproximação de igrejas cristãs Página 15

Caroline Kumahara, do tênis de mesa, está entre os olímpicos no Rio Página 14

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Catedral da Sé

patrimônio histórico de são paulo Palco de eventos históricos da vida religiosa, política e social do País, a Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção e São Paulo (Catedral da Sé) agora é patrimônio histórico do Estado de São Paulo. Além do templo,

foram tombados os monumentos do “Marco zero” e de São José de Anchieta, bem como a praça da Sé. Páginas 12 e 13


2 | Ponto de Vista |

6 a 12 de julho de 2016 | www.arquisp.org.br

Editorial

Filhos digitais, pais analógicos

O

conflito entre gerações é um tema conhecido. Desde que o homem é homem, há uma incompreensão dos mais velhos em relação aos mais jovens e vice-versa. Conflito que acompanha a “explosão do eu”, que todo ser humano passa na transição da infância para a vida adulta, a adolescência. Momento de um novo descobrimento sobre si, formação da identidade, da interioridade, de seu próprio corpo com suas mudanças físicas, do mundo que o rodeia, das relações com os demais e com Deus. Isso, podemos dizer, é comum em todas as gerações, mas a cada época traz desafios novos e próprios, e uma das principais preocupações que temos hoje é acompanhar essa geração de filhos digitais, de pais analógicos. Estamos em um momento delicado, em que gerações que viveram uma relação com a informação muito diferente coexistem. Os avanços tecnológicos e dos processos comunicativos chegam com ve-

locidades sempre maiores. Apresentam-se de forma muito atrativa e interessante para a grande maioria, mas sem prévia advertência sobre regras de segurança e riscos, deixando a quem tem o dever de educar, ensinar, orientar sem parâmetros para acompanhar devidamente os mais novos enquanto estão amadurecendo. Além dos temas que comumente estão no centro das atenções da relação pais e filhos, educadores e educandos – álcool, drogas, sexualidade, boas notas, vestibular, carreira profissional, exigências para a vida adulta - se impõe, em relação à juventude digital, novas questões: estamos acompanhando devidamente os adolescentes? Sabemos onde estão navegando, com quem estão se relacionando, pelo que se interessam e o que estão fazendo no ambiente digital? Já ouviu falar nos “desafios” que ultimamente estão virilizando os adolescentes na internet? O relato feito por uma estudiosa do comportamento dos jovens na mídia social assusta: “o jovem prende a

respiração enquanto um amigo vem por trás dele e pressiona fortemente seu peito, ou pressiona-o contra a parede. A apneia impede momentaneamente a oxigenação do cérebro provocando um desmaio.” Esses desafios são filmados pelo celular por amigos e postados, desafiando outras pessoas a “provarem sua coragem e valor”. Por mais absurdo que possa parecer, o que leva adolescentes e jovens a aderirem a esse como a outros desafios perigosos é a necessidade que sentem de pertencerem a grupos, vencerem limites, provarem seu valor. Os desafios são novos, mas os motivos são sempre os mesmos. E o remédio também: famílias bem constituídas que ofereçam estabilidade afetiva aos seus membros; pais interessados em participar do dia a dia de seus filhos e que através do diálogo saibam orientar e formar para o bem a consciência de seus filhos e a transmissão amorosa da fé no lar. Sim, no meio dos comportamentos que nos assustam há algo mais profundo

emergindo e a tarefa que nos é dada é “ler e desvelar” o jovem para, a partir do que “ele” busca, poder abrir os horizontes de caminhos, de pessoas, de possibilidades, de encontrar seu verdadeiro valor, de poder ser livre realmente, não se deixar levar pelo grupo, pela massa, pelo risco sem sentido, sem valor autêntico que não preenche o que busca. Todo ser humano quer ter uma vida valiosa, busca felicidade e para isso precisa ter um ideal, um sentido pelo qual valha a pena se sacrificar, valha a pena ir contra a corrente. O jovem precisa de companhia no caminho, com seus erros e acertos, e de alguém que possa ver nele o bem, não só seus erros, o potencial que nem mesmo ele consegue ver, e possa apresentar valores autênticos e, ao mesmo tempo, dar espaço para que ele faça as coisas por si próprio. Que possa querer viver uma vida mais real, menos virtual, aproveitando-se da tecnologia como um meio positivo, que está a seu serviço, e não se diluir nela se deixando levar pela corrente.

Opinião

Comunidade de leigos: uma urgência Arte: Sergio Ricciuto Conte

Ana Lydia Sawaya Quando vemos as vicissitudes políticas deste tempo e a falta impressionante de políticos que almejem o bem comum do povo, mas também a grande desigualdade e violência, o crescimento do crime organizado e do tráfico de drogas, percebemos que o Brasil precisa de uma evangelização profunda que chegue à conversão dos costumes. Por que a vida de tantos cristãos parece dividida entre o âmbito da religiosidade privada ou dominical e o âmbito do mundo? Há uma longa história e um ambiente cultural que levam a essa situação, mas o que nos interessa é saber como sair dessa cisão, pois nem Cristo, nem os apóstolos, nem tampouco as primeiras comunidades, ou os cristãos dos primeiros séculos, a viviam. Uma das iniciativas que mais contribuem para vencer essa dicotomia é a formação de comunidades de leigos que se encontrem periodicamente para compartilhar uma educação permanente à fé. Essas reuniões já são realizadas em muitos lugares, não só nas paróquias, mas também nas casas das pessoas, em clubes, escolas e universidades, nos locais de trabalho, associações de bairro etc. Nessas comunidades, os leigos compartilham a vida, compreendem textos e obras que ajudam na educação à fé no cotidia-

no, no trabalho e na vida de família como: as cartas e encíclicas da Igreja, a vida dos santos, a história da Igreja, a Doutrina Social da Igreja, livros de espiritualidade. Nelas, muitos aprendem, por exemplo, a oração da liturgia das horas, a meditação das leituras da missa, a Lectio Divina ou a reza do Terço. São comunidades de amigos que, num caminho crescente de maturidade de fé, podem chegar até a se aventurar na construção de obras sociais, de associações da sociedade

civil, realizando atividades de impacto social; e, por que não, a construção de empresas que vivam o trabalho de acordo com os costumes cristãos. Nem sempre esses grupos se tornam verdadeiras comunidades de fé e vida, mas se perdem em aspectos que podem ter sua importância, mas que são secundários. O que dá início a uma experiência comunitária não é um discurso ou uma atividade comum, mas uma presença que se impõe e que provoca nossa vida,

abrindo-a à promessa de um “a mais”. É preciso, portanto, o encontro na vida real com uma pessoa na qual a fé se expresse por um jeito de ser, antes que de fazer. Alguém que viva a serenidade, a paz que nasce da familiaridade com a oração. Que reconheça o Espírito presente e o siga. Essa pessoa será uma verdadeira autoridade na medida em que valorizar toda a riqueza que Deus desperta em qualquer pessoa que é verdadeira. Somente se as pessoas se reconhecerem interpeladas por essa humanidade provocadora, é que poderão viver a responsabilidade, ou seja, responder seriamente à vida. Mas se numa comunidade, ou sociedade, não se vive isso, a responsabilidade se reduz a obedecer passivamente às regras de uma organização e se identifica a autoridade com quem tem um projeto de poder ou com quem se vive um apego sentimental. A construção de comunidades de leigos que vivam uma verdadeira religiosidade no cotidiano, garantida por responsáveis que sejam autoridades reais e não idolátricas ou meramente burocráticas, é urgente, para que a Igreja possa dar uma contribuição real para o incremento da liberdade e crescimento do povo brasileiro. Ana Lydia Sawaya é professora da Unifesp, fez doutorado em Nutrição na Universidade de Cambridge e foi pesquisadora visitante do MIT. É Conselheira do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP. *O artigo continua a reflexão do artigo da edição 3097

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Redator chefe: Daniel Gomes • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Edcarlos Bispo, Filipe David, Nayá Fernandes e Fernando Geronazzo • Institucional: Rafael Alberto e Renata Moraes • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Secretaria de Redação: Djeny Amanda • Assinaturas: Ariane Vital • Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Revisão: Maria Aparecida Ferreira • Impressão: S.A. O ESTADO DE S. PAULO • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinaturas) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail • A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

O

Diaconato existiu na Igreja desde os tempos apostólicos. Nos Atos dos Apóstolos, lemos a passagem que trata da escolha dos primeiros diáconos e sobre a missão que lhes foi confiada (cf. At 6, 1-6). A missão principal era a atenção e o serviço da caridade aos esquecidos e desassistidos da comunidade. Depois, os diáconos aparecem ao lado dos bispos, que os encarregavam do serviço aos pobres em nome da Igreja. Mas também há os diáconos catequistas e teólogos, como Santo Efrém, no século IV, em Nísibi na Síria. A partir do século V, os diáconos permanentes desaparecem da cena da Igreja, por motivos não totalmente conhecidos; o Diaconato permanece como um grau de acesso à Ordem presbiteral. No Concílio Vaticano II (19621965), o Diaconato permanente foi restaurado na Igreja (cf. LG 29) e o Papa Paulo VI o aprovou e regulamentou em 1967 para toda a Igreja Latina. Compete a cada bispo a formação e a ordenação de diáconos em sua diocese. As Conferências Episcopais podem oferecer diretrizes e normas locais para a formação de diáconos. Na Arquidiocese de São Paulo, o Diaconato permanente foi introduzido pelo Cardeal Cláudio Hummes no ano 2000, instituindo também a Escola São José para o Diaconato Permanente, onde os candidatos recebem a formação durante seis anos. Enquanto isso, realizam também os estudos de Filosofia e Teologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Os primeiros diáconos foram

Diaconato Permanente: Novo Diretório ordenados em 2005. Desde então, já passa de 90 o número dos diáconos permanentes na Arquidiocese de São Paulo. Os diáconos permanentes recebem o primeiro grau do Sacramento da Ordem, que também inclui o Presbiterato e o Episcopado. O fundamento último do Diaconato está na participação da diaconia de Cristo Salvador, servo da humanidade, e na força do Espírito Santo conferida pelo Sacramento da Ordem. O diácono é figura do Cristo servidor e participa da comunhão hierárquica da Igreja para ser, a seu modo, ministro-servo de Deus e da humanidade, em nome de Cristo. Ser ícone de Cristo-Servidor constitui a identidade profunda do Diaconato. O diácono é, por excelência, testemunha da misericórdia de Deus, manifestada aos homens por meio de Jesus Cristo, “rosto humano do Pai misericordioso” (misericordiae vultus). Ele é testemunha e presença viva do amor misericordioso e samaritano de Cristo entre os homens e da caridade de toda a Igreja; desta forma, ele contribui para a edificação do Corpo de Cristo, voltando sua atenção prioritária aos irmãos necessitados de todo tipo ajuda. Historicamente, as funções dos diáconos têm sido múltiplas, mas todas elas marcadas pelo caráter do serviço eclesial. Fortalecidos com a graça sacramental, eles servem ao povo de Deus na caridade, na palavra de Deus e na liturgia, em comunhão com o bispo e o presbitério (LG 29). Em seu grau, participam da missão de Cristo, Sacerdote, Profeta e Pastor da Igreja. O diácono é, antes de tudo, testemunha e presença viva do

amor misericordioso e samaritano de Cristo entre os homens e da caridade de toda a Igreja; dessa forma, ele contribui para a edificação do Corpo de Cristo. Mas sua caridade também se expressa no serviço à Palavra de Deus, que não se restringe à homilia litúrgica. O diácono é um discípulo e ouvinte assíduo do Evangelho, que ele vai transmitir à comunidade. Ele deve identificar-se com a Palavra anunciada: “transforma em fé viva o que leres; ensina aquilo que creres e procura realizar o que ensinares” (Rito da Ordenação diaconal). Na Liturgia, os diáconos permanentes também podem exercer tudo o que lhes compete, de acordo com a disciplina litúrgica da Igreja. Em particular, eles podem administrar o Sacramento do Batismo e assistir e abençoar os Matrimônios; assistir ao celebrante durante a Missa, proclamando o Evangelho, servindo ao altar, distribuindo a Eucaristia. Além disso, podem presidir celebrações da Palavra de Deus e fazer homilias, levar a Eucaristia aos enfermos, rezar com os moribundos em nome da Igreja, oficiar exéquias, abençoar pessoas, animais e coisas. No dia 26 de maio foi promulgado o novo Diretório para a vida e o ministério dos diáconos permanentes na arquidiocese de São Paulo. Após uma criteriosa avaliação e estudo, foram introduzidas numerosas mudanças no Diretório anterior, promulgado em 2009. Na edição nova também consta uma explicitação maior do que seriam as ”diaconias” e a Comissão do Diaconato Permanente da Arquidiocese; no Diretório, consta em anexo, inclusive, o Regulamento aprovado dessa Comissão.

| Encontro com o Pastor | 3

Beata Assunta Marchetti Padre Pedro Augusto

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, presidiu na sextafeira, dia 1º, missa na Capela Nossa Senhora de Lourdes, que é dedicada à Beata Madre Assunta Marchetti, na Vila Prudente, na zona Leste da cidade. Cofundadora da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu, a Madre, que viveu em São Paulo dedicando-se às crianças carentes, foi beatificada em outubro de 2014. (Com informações do Portal ArquiSP)

Irmandade São Pedro dos Clérigos Arquivo pessoal

Na terça-feira, 5, foi realizada a Assembleia Anual da Irmandade São Pedro dos Clérigos, criada há mais de 250 anos para cuidar do bemestar físico e espiritual dos padres da Arquidiocese por meio de ações fraternais. Houve a apreciação e aprovação das contas do ano de 2015 e a eleição da nova diretoria, que ficou assim composta (foto): Cônego Walter Caldeira (provedor), Cônego Alfredo Nascimento de Lima (vice-provedor), Padre Aldenor Alves de Lima (tesoureiro) e Padre Fausto Marinho de Carvalho Filho (reeleito secretário). A assembleia contou com a presença de 62 padres membros da Irmandade; do Cardeal Scherer, arcebispo de São Paulo; e dos bispos auxiliares Dom Luiz Carlos Dias e Dom Devair Araújo da Fonseca. (Com informações do Padre Fausto Marinho)

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4 | Fé e Vida |

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Liturgia e Vida 15º DOMINGO DO TEMPO COMUM 10 DE JULHO DE 2016

Ano Santo extraordinário da Divina Misericórdia Padre Boris Nef Ulloa O refrão do Salmo nos apresenta o sentido da liturgia da Palavra deste domingo: Humildes, buscai a Deus e alegrai-vos: o vosso coração reviverá! (Sl 68/69). De fato, os humildes se aproximam do Senhor e se deixam instruir por sua Palavra, por seu mandamento. Afirma o Deuteronômio, na primeira leitura: “Na verdade, este mandamento que hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance... Ao contrário, essa palavra está bem ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que possas cumpri-la”. E qual é o mandamento do Senhor para nós, hoje? Responde a esta pergunta o doutor da Lei, no Evangelho segundo Lucas: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!”. A resposta é tão acertada que o próprio Jesus o confirma e lhe aconselha: “Faze isso e viverás”. Podemos observar, por intermédio da resposta de Jesus, que o caminho da vida é colocar em prática esse mandamento. Mas questiona o doutor da lei: Quem é o meu próximo para que eu possa amá-lo? Jesus inverte a pergunta do letrado na Escritura: Segundo Jesus, o importante não é “quem é o meu pró-

ximo?”, mas sim, “de quem eu sou próximo?” Como eu me posiciono diante do outro! Para Jesus, o(a) seu(sua) discípulo(a) não se pergunta “quem é meu próximo”, mas “de quem eu sou próximo?” Isto é, para os cristãos, a proximidade ou não proximidade diante do semelhante não depende da atitude do outro em relação a nós! O discípulo cristão é chamado a viver uma nova postura. Por isso, deve-se perguntar: de quem eu sou próximo? Diante dessa pergunta, contemplando o paradigma de vida que é Jesus de Nazaré, existe uma única resposta: Eu sou próximo de todos(as)! Afinal, seguindo o Evangelho de Cristo, sendo transformado pelo seu modo de ser e de viver, nós somos exortados(as) e convidados(as) a sermos irmãos(as) universais!! Quem foi o próximo desse homem? Aquele que usou de misericórdia para com ele! Que se aproximou, que se deixou interpelar por sua condição, aquele que enxergou naquele ferido, machucado, semimorto, o seu irmão. Aquele que não foi indiferente, que se comprometeu e fez tudo que estava ao seu alcance para que a situação fosse modificada! Usou de misericórdia para com ele! Faze isso e viverás, diz o Senhor! * Excepcionalmente nas próximas semanas a articulista Ana Flora Anderson não escreverá para a seção “Liturgia e Vida”

Você Pergunta É correto dizer na Ave-Maria: ‘do vosso ventre nasceu Jesus?’ padre Cido Pereira

as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”. Diante dessa saudação que o Anjo e Isabel fizeram à Mãe de Jesus, só nos cabe suplicar a Ela: “Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém”. Quando dizemos: “Bendito é o fruto do vosso ventre”, Aparecida, o que estamos dizendo? Que no ventre de Maria foi formado o corpo santíssimo de Jesus e que desse ventre nasceu, saiu, Jesus para ser Deus conosco. E eu fico perguntado aqui comigo: Para que complicar? Para que acrescentar coisas na-

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A Aparecida, não disse seu sobrenome. Ela mora na Água Rasa, na zona Leste paulistana, e quer saber se ao rezar a AveMaria é correr dizer: “...do vosso ventre nasceu Jesus.” Aparecida, a Ave-Maria é uma prece linda e plenamente bíblica. Ela foi formada da saudação do anjo Gabriel e da saudação de Isabel a Maria. O Anjo disse a Maria: “Ave-Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo”. E Isabel disse: “Bendita és tu entre

quilo que está dito na Ave-Maria que todos rezamos? A síntese feita na Ave-Maria é perfeita, não precisa acrescer mais nada. Aparecida, uma parte do povão reza como você disse. Não está errado dizer que “do ventre de Maria nasceu Jesus”, porque nasceu mesmo. O que eu entendo é que já dizemos tudo quando rezamos: “Bendito é o fruto do vosso ventre”. E glória a Deus porque do ventre de Maria nasceu para nós Jesus, nosso Senhor e Mestre, nosso Salvador e Redentor. Fique com Deus, minha irmã.

Atos da Cúria Em 27 de junho de 2016, o Emmo. senhor Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, enviou ao Exmo. Dr. Márcio Fernando Elias Rosa, secretário de Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, resposta ao ofício GSJDC n° 1244/2016, de 15 de junho de 2016, e em cumprimento à Resolução SDJC nº 3/2016, o senhor Arcebispo indicou dois

Para assinar O SÃO PAULO: Escolha uma das opções e a forma de pagamento. E nv i e e s s e c u p o m p a ra : FUNDAÇ ÃO METROPOLITANA PAULISTA, Avenida Higienópolis, 890 São Paulo - SP - CEP 01238-000 - Tel: (011) 3666-9660/3660-3724

representantes da Igreja Católica Apostólica Romana/Arquidiocese de São Paulo, sendo um titular e um suplente, para compor o Fórum Inter-religioso para a Cultura de Paz e Liberdade de Crença. São eles: Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar de São Paulo, como representante titular; e Pe. José Bizon, professor de Teologia e encarregado pela Casa da Reconciliação para a promoção do diálogo ecumênico e inter-religioso.

ASSINATURA SEMESTRAL: R$ 45 ANUAL: R$ 78 FORMA DE PAGAMENTO CHEQUE (Nominal à FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA) DEPÓSITO BANCÁRIO Bradesco ag 3394 c/c44159-7 COBRANÇA BANCÁRIA

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Espiritualidade Misericordiosos como o Pai Dom Luiz Carlos Dias

O

Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém

Ano Santo proposto pelo Papa Francisco avança, exalando o bálsamo da misericórdia do Pai, capaz de suscitar ternura e compaixão nos corações e nas relações, atitudes tão necessárias num momento da história com muitos sinais de indiferentismo e de violência. É sempre oportuno realçar que o ser humano recebeu de Deus, seu criador, os dotes para ser misericordioso, compadecer-se diante dos infortúnios do semelhante e de situações de injustiça, como de servir ao próximo empregando os próprios bens, a exemplo do personagem do evangelista Lucas, denominado Bom Samaritano (Lc 10, 25-37). No entanto, o contrário também é verdadeiro: uma pessoa pode assumir um estilo de vida ensimesmado, empenhada somente no alcance de seus objetivos, com a aridez dos desertos no coração e na consciência, indiferente e insensível, inclusive diante de um irmão ferido e no chão. O acento da cultura atual no individualismo, no ter e no consumir, dissemina essa postura. Na modernidade é comum ver o individuo centrado na realização de seus

desejos e intentos, em meio à diversidade deixadas à margem, o sofrer, isto é, o líquida. Dentro dessa lógica, o outro é mundo vital e a eticidade. E faz ver que bem-vindo se contribuir na consecução os anseios de transformação acalentados de um projeto particular; mas se causa na sociedade com suas crises, passam incômodo, desconforto ou reclama algu- necessariamente pelo agir misericordioma renúncia, melhor seguir o caminho so e atento às interpelações dos irmãos e sem ele, como fizeram os dois da parábo- irmãs, sobretudo dos mais necessitados. la citada acima. Essa lógica não favorece O olhar humano, perpassado pela o desenvolvimento de uma sociedade misericórdia, liberta a própria pessoa solidária. do fechamento estéreo em si mesmo, do Com a proclamação deste Ano Santo, distanciamento alienante da realidade e o amado Papa Francisco convida todas permite vislumbrar modos de cooperação as pessoas a deterem-se diante da mise- para transformar as relações e estruturas ricórdia de Deus, “que não é uma ideia abstrata, É sempre oportuno realçar mas uma realidade conque o ser humano recebeu creta” (MV, 6) no rosto de Deus, seu criador, os de Jesus Cristo, seu Filho. “Os sinais que rea- dotes para ser misericordioso, liza, sobretudo para com compadecer-se diante dos os pecadores, as pessoas infortúnios do semelhante pobres, marginalizadas, e de situações de injustiça, doentes e atribuladas, como de servir ao próximo são caracterizados pela empregando os próprios bens misericórdia. Tudo n’Ele fala da misericórdia. N’Ele, nada há que da vida. O percurso desse caminho certaseja desprovido de compaixão” (MV, 8). mente liberta os corações da desesperança Na figura do Bom Samaritano que se e do desencanto, geradores do sentimencurva diante daquele homem ferido, o to de impotência, que imobiliza, destila qual antes o desprezava e maltratava, está amargor e torna o viver sombrio. Que seja acolhido o apelo provenieno próprio Jesus, em sua doação generosa te do lema deste Ano Santo, “Misericore gratuita, salvando a humanidade. A misericórdia, como a resgata e diosos como o Pai”. Que se multipliquem propõe o Papa Francisco, renova os co- gestos samaritanos de atenção e cuidado rações e as estruturas da sociedade, por- para com o próximo, que é irmão e irmã. que recoloca no centro das preocupações Que avance a vivência de estruturas soas pessoas, a proximidade, as relações lidárias e fraternas para a edificação do cotidianas, as feridas abertas, situações Reino do Pai misericordioso.

| Fé e Vida | 5

Fé e Cidadania Cruz pessoal e cruz social Padre Alfredo José Gonçalves, CS Na prática pastoral, muitas vezes, trabalhamos com extremos: ou dedicamo-nos inteiramente à cruz pessoal de determinado indivíduo necessitado de cuidados especiais - visitas, tempo de escuta, atenção à família, comunhão em casa, unção dos enfermos, e assim por diante - ou toda dedicação se volta para as condições socioeconômicas de uma determinada situação. Daí a insistência nos movimentos e organizações sociais. Em certas paróquias ou comunidades, desenvolve-se uma dicotonia entre os dois pólos. As coisas podem chegar até a um estado de aberta oposição: uns dizem que o mais importante é a atenção à salvação da pessoa; outros, que o mais importante são os direitos humanos em geral. Os primeiros afirmam que por meio do indivíduo se pode chegar à sociedade; os segundos garantem que o cuidado com o bem-estar social acaba por atingir cada pessoa ou família em particular. Como resolver semelhante dualismo infundado e infecundo? A primeira coisa é dar-se conta que toda a cruz pessoal, seja ela qual for e venha ela de onde vier, insere-se num contexto social e histórico do qual é impossível desconhecer as características e implicações. Isso quer dizer que tal situação social, econômica e política, conforme é levada em conta, contribui para agravar ou melhorar o sofrimento de todo e qualquer cidadão. De outro lado, não podemos ignorar que as condições reais e concretas de vida, em toda sociedade, são em geral diretamente proporcionais ao nascimento, proliferação e desenvolvimento das cruzes de ordem pessoal ou familiar. O nível de vida de uma sociedade pode multiplicar ou diminuir as cruzes individuais, como também pode aliviar-lhes o peso e a duração. Oportunidades de trabalho, salário justo, moradia digna, direito à saúde, à escola e à segurança pública, entre outras, são coisas que estão diretamente relacionadas tanto à cruz social quanto pessoal. Chegamos, assim, à fusão de ambas as dimensões do sofrimento humano. Uma e outra costumam ser, ao mesmo tempo, causa e feito de cruzes individuais e coletivas. Essas se entrelaçam de tal forma, que, em muitas ocasiões, se torna difícil distinguir uma da outra. Dito de outro modo: se por uma parte a dor pessoal sobrecarrega a dor social, por outra, a cruz socioeconômica faz aumentar o peso da cruz que se abate sobre qualquer indivíduo ou família. Conclui-se que a solicitude sociopastoral deve ter em conta ambos os pólos da condição humana, revestida da espiritualidade centrada na cruz e ressurreição de Jesus – fermento e um bálsamo para todo tipo de cruz. As opiniões da seção “Fé e Cidadania” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do O SÃO PAULO.


6 | Viver Bem |

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Comportamento

A santidade no comportamento cotidiano Valdir Reginato todas as limitações humanas, passa a ser o desafio para o coEstamos em tempos difí- tidiano. A conscientização da ceis. O século XX não foi dos necessidade de um humilde remais pacíficos e o XXI já se começar constante do pecador, adianta com fatos desagra- diante da misericórdia de Deus, dáveis de toda natureza. Mas torna a santidade algo possível. foi exatamente nesse contexto “Deus nunca se cansa de perque existiram pessoas que fi- doar. O homem é que cansa de zeram a diferença, apesar de pedir perdão”. Essas palavras do tudo: Padre Pio, Madre Tereza Papa Francisco são um incende Calcutá, Padre Kolbe, Ma- tivo a todos que se afastam dos dre Paulina, Irmã Dulce, São bons ideais, distantes diante das João Paulo II e tantos outros. adversidades da vida. A grande maioria deles tem em Nessas circunstâncias, São comum a condição de serem Josemaria ensina que não se religiosos. E os leigos, onde es- trata de se fazer atividades além tão? Foi exatamente sobre eles daquelas que já sobrecarregam que um sacerdote espanhol uma mãe de família, um trabachamou a atenção em meados lhador que necessita do pão de do século XX, quando o Concí- cada dia, seja no campo, na fálio Vaticano II enfatizou para a brica, no escritório ou hospital; participação dos leigos na vida do estudante que se esforça por de santidade. Esse sacerdote foi avançar nos estudos, enfim, em São Josemaria Escrivá (1902- todos os trabalhos lícitos a um 1975): o santo do cotidiano, cristão. O que é fundamental como passou a ser conhecido. é que se passe a fazer todo o Redescobrindo a vibração mesmo de uma maneira nova: apostólica dos primeiros cris- com Deus e por Deus. Aí está a tãos, responsáveis pela expan- santidade. Uma santidade possão pujante do Cristianismo sível a todos que se esforçam, pelo mundo, quando os discí- contando com a graça de Deus. pulos não passavam de um puD ess e comp or t amento nhado de homens, São Josema- comprometido com o amor, ria propunha uma atitude nova muitos se tornaram mártires para o cristão leigo, baseado desde as arenas romanas, transnaquilo que sempre se fez na formando sangue em sementes Igreja: a santidade da vida or- de cristãos, que não pararam dinária. Dessa maneira, espa- de crescer e alcançar todos os lhou-se a vocação a muitos que lugares do mundo. É atual a foram percebendo a maravilha lembrança do Papa em revelar de se poder tornar “santos de o martírio de muitos, ainda altar”, ainda que não se fosse hoje. Contudo, para a maioria, um religioso. o “martírio” se faz no silêncio A disposição de comporta- do cotidiano. Assim falava São mento por se tornar uma pes- Josemaria do “martírio” de inisoa cada vez melhor, apesar de ciar e acabar o trabalho bem

feito; de levantar na hora certa e encerrar quando terminou, sem demoras, “sem pressa e sem pausa”. De sorrir aos filhos pequenos em família, quando os negócios andam difíceis; de ouvir a esposa sem interrompêla já sabendo de tudo; de optar pelo que os outros se afastam, quer na simples escolha da comida nas refeições diárias, quer envolvendo-se na amizade de quem ninguém tolera acompanhar. Não viver reclamando do que não está bem, das calamidades do mundo; em vez disso, agradecer por pequenas alegrias do dia que enchem corações, quando poderiam ser desperdiçadas. Foi a esse Santo que mais um ano muitos foram agradecer e pedir por sua intercessão diante de Deus, no exemplo de seu amor a Maria Santíssima e a São José, na Catedral de São Paulo, em 25 de junho. Um modelo deixado pela Igreja a todos que desejam encontrar a alegria da santidade na simplicidade da vida corrente, mesmo nas adversidades. E dessa maneira, crescer nos seus encontros diários com o Senhor, nas pequenas devoções ao longo do dia que acompanham o trabalho e, de modo especial, na Santa Missa. “Que estejas sempre contente, porque a alegria é parte integrante do teu caminho. - Pede essa mesma alegria sobrenatural para todos.” (Josemaria Escrivá, “Caminho”, 665) Dr. Valdir Reginato é médico de família, professor da Escola Paulista de Medicina e terapeuta familiar.

Cuidar da Saúde

Pais, não deixem de levar o bebê à consulta de puericultura Cássia Regina Existem algumas queixas que preocupam as mães com bebês recém-nascidos ou menores de 1 ano de idade. Uma delas é quando a criança apresenta aumento de volume no umbigo que incha quando a criança chora. Isso é hérnia umbilical e acontece por uma

insuficiência muscular ao redor do umbigo, que pode fechar até os 2 anos de idade. Em alguns casos, em sua minoria, é preciso realizar uma cirurgia. Não se deve passar faixas na barriga do bebê nem colocar moedas no umbigo. Isso pode causar dor abdominal e complicar a hérnia. O importante é não faltar à consulta de puericultura, pois

esse é o espaço onde esclarecemos dúvidas, tranquilizamos os pais e tomamos providências quando necessárias. Mesmo você achando que seu bebê está bem, vá à consulta conforme solicitado pelo pediatra. Ele só quer o melhor para seu filho. Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF) E-mail: dracassiaregina@gmail.com


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| Pelo Brasil | 7

Destaques das Agências Nacionais

Daniel Gomes e Renata Moraes osaopaulo@uol.com.br

Diocese de Joinville (SC) despede-se de Dom Irineu Scherer

Diocese de Joinvile

Foi encontrado morto no sábado, 2, em sua casa, em Joinville (SC), Dom Irineu Roque Scherer, 65. Ele sofreu um infarto na noite da sexta-feira, 1º. Natural de Cerro Largo (RS), Dom Irineu foi criado em Toledo (PR). Sacerdote desde 1978, ele foi ordenado bispo em 1998, assumindo a Diocese de Garanhuns, em Pernambuco, até ser transferido para Joinville, em 2007. O velório e a missa de exéquias de Dom Irineu, presidida por seu primo, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, aconteceram na Catedral São Francisco Xavier, em Joinville, no domingo, 3. Na sequência, houve o sepultamento na cripta da Catedral. O prefeito de Joinville, Udo Döhler, decretou luto oficial de três dias pela morte do Bispo. O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, em nota, lamentou o falecimento do “homem que buscava por meio de sua vocação promover o entendimento, diminuir as desigualdades nas comunidades onde atuava”. Também a CNBB, por meio de seu secretário-geral, Dom Leonardo Steiner, expressa “solidariedade aos familiares, amigos e à Igreja Particular de Joinville. Ao mesmo tempo, agradece a Deus pela vida e ministério deste nosso irmão”. Fontes: G1 e Diocese de Joinville (edição: Daniel Gomes)

Morre o Padre Augusto Cesar, de destacada atuação na comunicação da Igreja Luciney Martins/O SÃO PAULO

Aos 85 anos, 58 dos quais dedicados à vida religiosa, morreu na terça-feira, 5, em Varginha (MG), o Padre Augusto Cesar Pereira, que estava internado desde segunda-feira, 4, com problemas renais.

Natural de Itajaí (SC), Padre Augusto pertencia à Congregação do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos) e atuou na Arquidiocese de São Paulo por mais de 30 anos. Primeiro sacerdote brasileiro com

formação superior em Comunicação, pela Faculdade Cásper Líbero, ele teve destacada atuação nas comunicações da Igreja, incluindo a apresentação de um programa diário na rádio 9 de Julho e a manutenção de uma coluna no O SÃO PAULO, relacionando a religiosidade às situações do cotidiano. Em um dos seus últimos textos ao Semanário Arquidiocesano, publicado em fevereiro de 2015, Padre Augusto tratou, por exemplo, da relação entre fé e ciência. “Nós, pessoas religiosas, agradecemos ao nosso Deus e Pai que nos presenteia com a alta tecnologia, mostrando que a inteligência humana tem a tarefa de se manter à procura de Deus, usando a inteligência para penetrar as belezas da natureza que nos ‘falam’ de seu amor”. Em entrevista à Rádio da Arquidiocese, o Cardeal Scherer, arcebispo metropolitano, recordou a atuação do Padre Augusto na Igreja em São Paulo. “Que

Ministro da Justiça diz que não há risco de terrorismo na Olimpíada “Não temos probabilidade de algum evento terrorista [nos Jogos Rio 2016]. A possibilidade existe no mundo todo, mas não há a probabilidade. Porém, trabalhamos como se houvesse”, disse o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, em entrevista coletiva na terça-feira, 5, no Rio de Janeiro. “Podem ficar absolutamente tranquilos”, afirmou, ao pedir tranquilidade à população e aos turistas que irão ao Rio de Janeiro.

Nesta semana, o Ministério da Justiça assumiu a segurança patrimonial das arenas olímpicas, com a Força Nacional de Segurança Pública. Segundo Moraes, a atuação da Força Nacional nos locais de competição permitirá que a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro se dedique exclusivamente à segurança pública durante os jogos. Fonte: Agência Brasil (edição: Daniel Gomes)

Deus abençoe e recompense o Padre Augusto por todo o seu trabalho. Ele tinha problemas de saúde há algum tempo, mas continuava a trabalhar e colocar-se à disposição da Igreja. Que Deus o acolha e conforte seus familiares, parentes e todos os sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus”, expressou. Segundo informações da Secretaria Provincial Brasil São Paulo dos Dehonianos, na terça-feira foram realizadas duas missas de exéquias na Paróquia Divino Espírito Santo, em Varginha, antes do translado do corpo para Taubaté (SP), onde ocorrerá, na quarta-feira, 6, pela manhã, outra missa de exéquias no Convento Sagrado Coração de Jesus, em Taubaté, após a qual haverá o sepultamento no próprio Convento. Fonte: Congregação do Sagrado Coração de Jesus, rádio 9 de Julho e portal ArquiSP (edição: Daniel Gomes e Renata Moraes)

Vacinação contra a poliomielite será apenas para crianças ainda não imunizadas O Ministério da Saúde anunciou na terça-feira, 5, que a partir da próxima campanha de vacinação, prevista para setembro, apenas crianças entre 6 meses e 5 anos de idade que não tenham completado o esquema vacinal contra a poliomielite serão imunizadas. Até a campanha do ano passado,

todas dessa faixa etária tomavam reforço anual da vacina, como forma de evitar que alguns ficassem sem a dose. O Ministério garantiu que as mudanças não prejudicarão a imunização da população. A poliomielite está erradicada no Brasil desde 1990. Fonte: Agência Brasil (edição: Daniel Gomes)


8 | Pelo Mundo |

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Destaques das Agências Internacionais

Filipe david

correpondente dO o SÃO PAULO na europa

Europa/Polônia

Governo resiste à União Europeia sobre gênero e aborto O comissário do Conselho de Direitos Humanos da Europa, Nils Muižnieks, após sua visita à Polônia, publicou seu relatório oficial, no qual exige que o governo polonês institua a “educação sexual” obrigatória, promova a ideologia de gênero e facilite o acesso da população a anticoncepcionais e ao aborto. Sobre os “direitos sexuais e reprodutivos”, o documento critica o direito dos pais de dispensar seus filhos das aulas de educação sexual e o direito dos professores de ensinar de acordo com suas cons-

ciências. O documento também critica a “objeção de consciência” – isto é, o direito de alguém se recusar a fazer alguma coisa por ser contrário à sua consciência, sobretudo com relação aos anticoncepcionais e ao aborto – assim como o direito dos médicos de se recusarem a prescrever anticoncepcionais, bem como dos farmacêuticos de vendê-los, ou dos médicos e instituições de saúde de se recusarem a realizar abortos por serem contrários à sua consciência. Outra preocupação do comissário é o projeto de lei, apoiado

pelos bispos católicos, que praticamente proibirá o aborto no País. Além de aborto e contracepção, o documento promove a ideologia de gênero, exigindo o combate aos “estereótipos de gênero” e a “igualdade de gênero”, citando como pretexto o combate à violência contra a mulher. O governo polonês respondeu ao relatório com firmeza. Sobre a questão do gênero, manifestou: “A opinião (...) sobre o impacto das crenças tradicionais sobre os papéis de gênero não é fundamentada em nenhuma evidência e reflete um pen-

samento ideológico em vez de descrever um problema real”. O governo também afirmou que os “valores tradicionais, como a família e o casamento, têm raízes no sistema constitucional polonês e sua natureza não é opressora”. As autoridades polonesas também criticaram o Comissário por ter ultrapassado os limites de suas funções e enfatizaram que o respeito à vida é um valor muito presente na sociedade polonesa e também está na constituição do País. Fontes: Life News/ Life Site News/ Conselho da Europa

Venezuela

Iraque/ Bangladesh Agressão contra Grupo Estado Islâmico seminaristas assume autoria de ataques terroristas e escalada da violência

Reprodução da internet

Na sexta-feira, dia 1º, na cidade de Mérida, um grupo de homens atacou estudantes que iam à escola, entre os quais seminaristas da Arquidiocese de Mérida. Parte dos estudantes fugiu, mas os cinco seminaristas foram agredidos, despidos e humilhados. Um deles teve que ser levado ao pronto-socorro. O ataque ocorreu em plena luz do dia. O episódio revela o caos da segurança pública que a Venezuela vem enfrentando recentemente. Devido à omissão do Estado, diversos grupos – gangues, crime organizado e organizações paramilitares – têm procurado ocupar o vácuo de poder, lutando para dominar certas regiões de grandes cidades, como Mérida, Valência e Caracas. As agressões a cidadãos inocentes fazem parte da estratégia de intimidação utilizada por esses grupos. Os ataques têm sido cada vez mais frequentes, mesmo à luz do dia. Caracas já está sendo considerada a cidade mais violenta do mundo. O arcebispo de Mérida, Dom Baltazar Cardozo, comentou o incidente. “Este não é o modo para resolver as diferenças que podem existir na sociedade, porque nos leva a um clima de violência e de desespero, que é o que desqualifica um governo que não se ocupa da integridade dos cidadãos”. Fonte: Fides

Honduras

Atentado em Bagdá, na capital iraquiana, resulta na morte de 165 pessoas e centenas de feridos

Dois ataques a bomba em Bagdá, capital do Iraque, no sábado, 2, durante a noite, deixaram 165 mortos e 200 feri-

dos. Um carro bomba explodiu em uma rua movimentada no distrito de Karrada. No momento da explosão, a área

estava cheia de consumidores xiitas que aproveitam a noite para sair durante o mês – sagrado para os muçulmanos – do Ramadã. Uma segunda bomba também explodiu num bairro xiita ao norte da Cidade, matando mais cinco pessoas. O grupo Estado Islâmico assumiu a autoria dos ataques. Já em Bangladesh, um ataque terrorista num café em Dhaka levou à uma situação com reféns e acabou com a morte de 28 pessoas, incluindo os seis terroristas e dois policiais. A maior parte dos 20 reféns mortos eram estrangeiros – da Itália, Japão, Índia e Estados Unidos. Embora o ataque tenha sido realizado por terroristas muçulmanos, as autoridades afirmam que eles não tinham relações com o grupo Estado Islâmico. No domingo, 3, o Papa Francisco lembrou-se das vítimas dos ataques e rezou pela conversão das pessoas “cegas pelo ódio” que cometem tais atos. Fonte: CNA/ BBC

Estados Unidos Relatório indica que há 20 milhões de escravos no mundo O relatório anual do Departamento de Estado do governo norte-americano sobre tráfico humano foi publicado na quinta-feira, 30. Segundo o documento,

existem 20 milhões de escravos no mundo atualmente. Um dos fatores que contribuem para o problema são as turbulências políticas e os conflitos armados,

que produziram centenas de milhares de refugiados, criando grandes populações vulneráveis ao tráfico humano. Fonte: CNA

Campanha valoriza a tolerância e a paz nas escolas “Tolerar não significa se cansar de amar. É aceitar os outros, saber esperar o melhor e a paz por toda a humanidade”. Esse é o lema de uma campanha nacional sobre a tolerância, que está em vigência em Honduras.

Estão envolvidos na iniciativa 1.391 centros educacionais, dentre estes 193 em San Pedro Sula. Dom Angel Garachana Perez, bispo diocesano, afirmou à agência Fides que já se lê pelo País que “nas escolas se educa para inteligência, o

coração e a vontade das crianças”, e que a tolerância como valor significa “aceitar e valorizar o outro que é diferente de nós”. Durante as próximas semanas, serão realizadas várias atividades sobre a tolerância. Em San Pedro Sula, há 39 mil

crianças com as quais 1.493 professores trabalharão. Em âmbito nacional, aderiram seis dioceses. No total, serão 276,5 mil crianças e 12 mil professores envolvidos na iniciativa. Fonte: Agência Fides (edição: Daniel Gomes)


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Pontífice envia mensagem ao Cardeal Arns Por ocasião dos 50 anos de episcopado do Cardeal Paulo Evaristo Arns, o Papa Francisco enviou mensagem saudando o Arcebispo emérito de São Paulo. Abaixo segue a íntegra, lida na missa festiva do sábado, 2, na Catedral da Sé (leia a reportagem na página 11)

Mensagem do Papa Francisco a Dom Paulo Evaristo Arns

Ao Nosso venerável Irmão, o Cardeal Paulo Evaristo Arns, OFM, Arcebispo emérito de São Paulo: No Ano da Misericórdia, na festa do Apóstolo São Tomé, Venerável Irmão Nosso, que há 6 meses completaste com alegria o septuagésimo ano de sacerdócio e, no próximo dia 3 de julho, terás a felicidade de celebrar teu jubileu áureo episcopal, contigo exultará toda tua Província religiosa da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria e também a inteira Ordem dos Frades Menores, uma vez que por muitos anos desempenhaste vários encargos na Família Franciscana. Mas alegrar-se-a pela tua jubilosa recordação também a Igreja na América Latina, que já por meio século se beneficia do teu zelo episcopal e tem o senhor por 43 anos no Colégio dos Cardeais, dos quais te tornaste proto-presbítero e sênior. Por esse motivo, os Irmãos no Episcopado, teus confrades, parentes e amigos, te cer-

carão nesse dia especial com manifestações de sincera gratidão e reconhecimento, pois podem com razão gloriar-se do seu tão ilustre e venerando Pai. Por esses motivos, apraz também a Nós expressar por esta carta o nosso afeto e alegria e congratular-nos contigo por esse festivo evento e pelo teu frutuoso apostolado. No teu ministério diuturno, gozaste da confiança e da estima dos teus Superiores, do povo brasileiro e também dos Sumos Pontífices. O Beato Paulo VI te nomeou bispo e, poucos anos depois, te colocou à frente da insigne Arquidiocese de São Paulo e também te inscreveu no número dos Pais Purpurados. São João Paulo II te encontrou várias vezes e contigo tratou de questões de grande importância. Também Nós Mesmos te vimos e saudamos com reverência em várias ocasiões. Quem, de fato, não conheceu a tua grande dedicação na promoção dos direitos dos pobres, na defesa da vida digna para todos, na ajuda às famílias e aos oprimidos. No entanto, não achamos necessário que sejam recordados cada um dos teus encargos e méritos, que são muitíssimos e que, por certo, somente por Deus são conhecidos. A Ele, mais que tudo, é necessário dar glória e graças, conforme o dizer do Apóstolo: “é Deus, de fato, que opera em vós tanto o querer como o agir, conforme Fotos: L’Osservatore Romano

O Santo Padre recebeu a nova prefeita de Roma, Virginia Raggi, na sexta-feira, dia 1º. Ela é a primeira mulher eleita para o cargo na história daquela cidade.

o seu agrado” (Fl. 2,13). Portanto, motivados por esse espírito, te convidamos agora, Venerável Irmão Nosso, e a todos os que participam das tuas alegrias jubilares, a dar graças ao Senhor por todos os seus benefícios, com estas palavras de São Francisco de Assis: “em todo lugar, a toda hora e em todo o tempo, todos os dias, continuamente (...) conservemos no coração e amemos, honremos, adoremos, sirvamos, louvemos e bendigamos, glorifiquemos e exaltemos, magnifiquemos e rendamos graças ao altíssimo e sumo Deus eterno” (Regra não bulada, XXIII, 11). Aceita, enfim, Venerável Irmão Nosso, esta manifestação de nosso amor e de nossa estima, juntamente com a Bênção Apostólica, penhor de graças celestes, que invocamos com muito afeto primeiramente para ti, e também para ser depois comunicada aos demais bispos, presbíteros, para os confrades de tua Ordem, os religiosos e religiosas, parentes, amigos e para todos os fiéis presentes, que contigo celebram com grande alegria teu tão singular Jubileu, ao mesmo tempo que peço as orações pelo bom exercício do Nosso supremo ministério. Vaticano, dia 22 de junho de 2016 Jubileu da Misericórdia, 4º ano do Nosso Pontificado. Papa Francisco

Pelo fim da guerra na Síria “Hoje desejo falar de algo que entristece muito o meu coração: a guerra na Síria, que já entrou no seu quinto ano”. Com essas palavras, o Papa Francisco inicia uma vídeo-mensagem divulgada na terça-feira, 5, pela campanha promovida pela Cáritas Internacional “Síria: a paz é possível”. O Pontífice define como “indescritível” o sofrimento da população, obrigada a sobreviver sob as bombas ou a procurar caminhos de fuga para outros países ou para zonas da Síria menos atingidas pela guerra. O convite do Pontífice é o de rezar pela paz no País em vigílias de oração, em iniciativas de sensibilização com grupos, paróquias e comunidades. Francisco se dirige também aos que estão envolvidos nas negociações de paz, para que levem a sério os acordos e façam um esforço concreto para facilitar o acesso à ajuda humanitária. “À oração, devem seguir as obras de paz”. Fonte das notícias: rádio Vaticano (edição: Fernando Geronazzo)

Pálios a novos arcebispos Na missa da solenidade de São Pedro e São Paulo, no dia 29, na Basílica Vaticana, o Papa Francisco abençoou os pálios dos novos arcebispos metropolitanos que serão impostos pelos núncios apostólicos nas respectivas arquidioceses. Quatro brasileiros receberam os pálios na ocasião. São os arcebispos de Porto Velho (RO), Dom Roque Paloschi; de Feira de Santana (BA), Dom Zanoni Demettino Castro; de Passo Fundo (RS), Dom Rodolfo Luís Weber; e de Diamantina (MG), Dom Darci José Nicioli.


10 | Política |

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Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

São Paulo pode ter lei que aumenta a participação popular Luciney Martins/O SÃO PAULO - set.2014

Impeachment

O coordenador da perícia do Senado no processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, João Henrique Pederiva, disse na terça-feira, 5, durante depoimento à comissão especial que analisa o caso, que a edição, por parte da petista, de decretos de crédito suplementar sem autorização do Congresso descumpriu a Lei Orçamentária Anual (LOA) vigente, o que é ilegal. Já sobre a outra acusação contra Dilma, ele afirmou que as chamadas “pedaladas fiscais” desobedeceram a Lei de Responsabilidade Fiscal, mas disse que não há prova de que a Presidente afastada agiu diretamente para ordená-las.

Impeachment 2

Dilma Rousseff afirmou na terça-feira, 5, em sua conta no microblog Twitter, que não irá depor na quarta-feira, 6, na comissão especial do Senado que analisa o processo de impeachment. Pelo cronograma, o depoimento estava marcado para o dia 6, mas desde a semana passada, o advogado de Dilma, José Eduardo Cardozo, já dizia que havia a possibilidade de ela não comparecer.

Senado

Plebiscito é uma consulta feita a população, para que responda ‘sim’ ou ‘não’ a uma pergunta específica; o resultado não tem poder de lei

Foi aprovada em 22 de junho, na Câmara Municipal de São Paulo, a chamada “Lei do Plebiscito” (PL 476/2015), uma iniciativa da Rede Nossa São Paulo, em articulação com vereadores de diversos partidos. No aguardo da sanção do prefeito Fernando Haddad para que se torne lei, a proposta estabelece critérios para que o artigo 10 da Lei Orgânica do Município (que prevê as regras para a realização de plebiscitos na cidade para grandes obras) possa ser colocado em prática. O SÃO PAULO ouviu Américo Sampaio, da Rede Nossa São Paulo e da Frente Parlamentar Pela Democracia Direta (composta por vereadores de diferentes partidos e que tem por objetivo abrir debate sobre temas específicos a democracia direta), que teve forte contribuição na elaboração da lei. Américo destacou que a legislação vai “destravar” o artigo 10 da Lei Orgânica do Município. “O Legislativo e o Executivo tomarão a iniciativa de propor a convocação de plebiscitos antes de proceder à discussão e aprovação de obras de valor elevado ou que tenham significativo impacto ambiental, segundo estabelecido em lei”, prescreve o artigo 10. A Lei Orgânica do Município é de 1990 e prevê duas modalidades de plebiscitos: uma modalidade que

pode ser usada pela Prefeitura em relação a políticas públicas, por exemplo, a construção de escolas, vagas em creches, ou seja, qualquer assunto de política pública; e a outra relacionada a obras de grande impacto. O plebiscito municipal é obrigatório em duas situações: no desmembramento do território das cidades – no caso de uma cidade quer virar duas ou de duas cidades querem se tornar uma; e para o caso de mudança de nome de uma cidade, como aconteceu recentemente em Embu das Artes. De acordo com Américo, há duas situações distintas: a convocação e a aprovação de um plebiscito. Podem convocar um plebiscito, o prefeito, a Câmara dos Vereadores e a própria população, no caso de São Paulo, a partir de uma coleta de assinaturas com 2% do eleitorado. Porém, somente os vereadores, em votação no plenário da Casa, podem aprovar a realização de um plebiscito.

Como é o Plebiscito

A proposta, segundo Américo, surgiu a partir de dilemas recentes que envolveram a Cidade. “Por exemplo, o trecho norte do Rodoanel. Uma obra gigantesca que tem um impacto ambiental fenomenal e valor orçamentário grande. Se houvesse uma mobilização da popula-

ção para opinar sobre o trecho norte do Rodoanel, essa demanda iria para a Câmara e a Câmara aprovaria a realização do plebiscito”, explicou. Por lei, o plebiscito tem que ter campanha pelo “sim” e pelo “não”, com apenas uma pergunta específica. Se for aprovado pelo Legislativo, terá que ser definida a pergunta. As regras da campanha são determinadas pela Câmara dos Vereadores. “O plebiscito pode ser feito em algumas das eleições que são realizadas a cada dois anos, ou convocado em outra data. Quem coordena, do ponto de vista técnico, é o Tribunal Regional Eleitoral (TER). Ou a Prefeitura contrata o serviço do TRE ou aproveita a estrutura das eleições de dois em dois anos para realizar o plebiscito que sairá a custo zero para a Prefeitura”, descreve Américo.

O plebiscito é apenas consultivo

Segundo Américo, o resultado do plebiscito não obrigatoriamente precisa ser acatado pelos vereadores. “Só que a questão é: ele é extremamente pedagógico e forte do ponto de vista da pressão social. Na maioria dos plebiscitos que tivemos no Brasil, quase nunca a classe política foi contrária ao que decidiu a população”, destacou.

Um grupo de senadores quer retirar da pauta de votações o projeto de lei que pune o abuso de autoridade por parte de delegados, promotores, procuradores, juízes, desembargadores e até ministros de tribunais superiores. O tema está em tramitação há sete anos e só agora, às vésperas do recesso, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou que quer votá-lo até a quarta-feira, 13, antes do recesso parlamentar do meio do ano.

Máfia do Futebol

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Máfia do Futebol convocou na terça-feira, 5, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, que deverá comparecer ao colegiado no dia 19. Teixeira já faltou a uma convocação da comissão em 14 de junho. Ele é investigado nos Estados Unidos e na Suíça por suposto envolvimento em um esquema de corrupção na Fifa.

Eduardo Cunha

Adversários do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), vão contestar na Comissão de Constituição e Justiça o relatório de Ronaldo Fonseca (PROS-DF) que deve aceitar pontos do recurso em que Cunha tenta anular seu processo de cassação.

Contas do PT

A Justiça Federal determinou o desbloqueio da conta do PT que tinha sido alvo da investigação que apura supostos desvios em contratos de crédito consignado. O juiz federal Paulo Bueno de Azevedo, responsável pela operação Custo Brasil, desdobramento da 18ª fase da Lava Jato, porém, manteve bloqueio de até R$ 102,6 milhões do ex-ministro Paulo Bernardo, do ex-secretário do Partido, João Vaccari Neto, e das empresas Consist e CSA NET. Fontes: EBC, G1, Folha de S.Paulo e Agência Senado


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| Reportagem | 11

Aos 50 anos de episcopado, Dom Paulo é homenageado por leigos, religiosos, padres, bispos, pelo núncio apostólico Dom Giovanni D’Aniello e pelos cardeais Scherer, Tempesta, Hummes e Assis

‘Quem não conheceu a tua dedicação na defesa da vida digna para todos’ Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

jubileu de ouro da ordenação episcopal de Dom Paulo Evaristo Arns foi celebrado no sábado, 2, na Catedral da Sé NAYÁ FERNANDES

nayafernandes@gmail.com

Ele é o tio mais idoso da família Arns e teve o episcopado mais longo do século XX. Além disso, “quem, de fato, não conheceu a tua grande dedicação na promoção dos direitos dos pobres, na defesa da vida digna para todos, na ajuda às famílias e aos oprimidos”. O trecho entre aspas, citado aqui, é parte da mensagem do Papa Francisco, lida durante a missa no sábado, 2, na Catedral da Sé. Foi o dia da celebração dos 50 anos de ordenação episcopal de Dom Paulo Evaristo, o Cardeal Arns. Maria Margaret e Eduardo Arns são casados e ambos sobrinhos de Dom Paulo. Eles vieram de Forquilhinha (SC) e trouxeram os filhos José Max, 4, e Helena, 6, para a festa do tio-avô. Outros familiares participaram da celebração, como a Irmã Helena Arns, que aos 92 anos acabou de escrever seu último livro, e Lilian Arns que, em 1968, foi batizada pelo tio. Aos 94 anos, Dom Paulo concelebrou a Eucaristia com um sorriso no rosto e recebeu homenagens, seja em público, seja das muitas pessoas que estiveram ali silenciosamente para agradecer por, em algum momento da história, terem se encontrado com ele. Muitos bispos e padres concelebraram a missa, que foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano. Dom Leonardo Steiner, secretáriogeral da CNBB e primo de Dom Paulo, representou os familiares; Chico Whitaker, da Comissão Justiça e Paz, falou em nome dos leigos; Irmã Lindaura Araújo, pelos religiosos e religiosas, e Padre Fernando Carneiro, primeiro sacerdote a ser ordenado por Dom Paulo, lembrou o compromisso do Cardeal Arns durante os “anos de chumbo” da di-

tadura militar, nos quais ele gritou contra as brutalidades ocorridas. Pela CNBB, o vice-presidente da Conferência, Dom Murilo Krieger, disse que se sentiu “na obrigação de agradecer pela defesa intransigente dos direitos humanos” e que com o trabalho de Dom Paulo, “o Brasil tornou-se melhor e mais justo”. Frades franciscanos levaram ao Arcebispo emérito, que esteve à frente da Arquidiocese de São Paulo entre 1970 e 1998, um quadro de São Francisco, enquanto cantou-se “Senhor, fazei-me instrumento da vossa paz”, a Oração do Pobre de Assis. E, na homilia, Dom Odilo destacou que o lema “de esperança em esperança” marcou o episcopado de Dom Paulo, que “movido pela esperança cristã, continuou firme na promoção da vida, que a fé ensina e o amor inspira”. Crianças da Pastoral do Menor da Arquidiocese ofertaram a ele flores, e um álbum de fotografias foi entregue ao Cardeal Arns como presente da Arquidiocese. Todos puderam levar da celebração a edição do O SÃO PAULO com o caderno especial sobre o jubileu de ouro e um santinho com a imagem do “Cardeal da Esperança”. Transmitida pela Rede Vida de Televisão, TV Ultrafarma e rádio 9 de Julho, a celebração teve grande repercussão na mídia e após a missa, houve um almoço de confraternização no Convento de São Francisco.

Em agradecimento, Dom Paulo pronunciou algumas palavras, saudando a todos, sobretudo bispos e padres. “Que Deus faça tudo o que os profetas prometeram em nome da Santíssima Trindade e chova quando for para chover, que venha sol quando deve vir sol e que a alegria nunca passe do coração daqueles que preparam a vida das próximas gerações. Somos o começo de uma geração que não termina senão na eternidade, e na eternidade não termina nunca. Deus é bom e quem é bom como Deus pode dizer: hoje é o dia em que cada um de nós é congratulado. A coragem se divide por tantos benefícios prestados por Deus nesta terra”, disse.

40 anos ao lado de dom paulo

Ela tinha 28 anos quando Dom Paulo, ainda bispo auxiliar da Arquidiocese na então Região Episcopal Norte, a convidou para ajudar a organizar sua mesa e digitar algumas cartas dele. “Eu era muito tímida e achei que não seria capaz, mas aos poucos fui aprendendo e, quando vi, era secretária do Arcebispo de São Paulo”. Maria Angela Borsoi tem atualmente 77 anos e trabalha na organização e catalogação de documentos no Arquivo Metropolitano, mas de 1967 a 2007, ela dedicou seu tempo voluntariamente

para secretariar Dom Paulo, continuando no dia a dia a exercer sua profissão de nutricionista. Por 40 anos, acompanhou o Cardeal Arns e, como ela mesma disse ao O SÃO PAULO, sentia-se parte da família dele. “Éramos a comunidade dele: as irmãs religiosas que moravam na casa, uma outra leiga que trabalhava mais diretamente na Cúria e eu. Juntos, celebrávamos a Eucaristia, partilhávamos da mesma mesa, visitávamos e éramos acolhidos pela família de Dom Paulo”, recordou Maria Angela. Nos 50 anos de episcopado, antes mesmo dele ser nomeado arcebispo, em 22 de outubro de 1970, ela esteve ali, num trabalho dedicado e escondido. Marcando compromissos, organizando agendas, digitando mensagens, sendo a cronista da Arquidiocese, cujos livros, com escrita à mão, podem ser consultados no Arquivo. Maria Angela participou da missa no sábado e revelou que “hoje percebe o quanto deve agradecer a Deus por como as coisas foram acontecendo espontaneamente”. Na última visita que fez ao Cardeal Arns, em janeiro deste ano, Maria Angela perguntou a Dom Paulo sobre o Papa Francisco e ele sorriu olhando o quadro do Pontífice que está na sala da casa onde mora, em Taboão da Serra (SP). Francisco, o Papa, saudou Dom Paulo, franciscano, e a ele enviou uma “manifestação de amor e estima, juntamente com a Bênção Apostólica”. “Portanto, motivados por esse espírito, te convidamos agora, venerável Irmão Nosso, e a todos os que participam das tuas alegrias jubilares, a dar graças ao Senhor por todos os seus benefícios, com estas palavras de São Francisco de Assis: ‘em todo lugar, a toda hora e em todo o tempo, todos os dias, continuamente (...) conservemos no coração e amemos, honremos, adoremos, sirvamos, louvemos e bendigamos, glorifiquemos e exaltemos, magnifiquemos e rendamos graças ao altíssimo e sumo Deus eterno’”, disse o Papa Francisco, na mensagem que pode ser lida na íntegra na página 9 desta edição.


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Catedral da Sé agora é patrimônio Além do templo inaugurado em 1954, também foram tombados os monumentos do “Marco zero” e de São José de Anchieta, bem como a praça da Sé Fernando Geronazzo osaopaulo@uol.com.br

Localizada no coração da maior cidade da América Latina, a Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção e São Paulo (Catedral da Sé) é há 62 anos o referencial da fé e da presença da Igreja Católica na Capital Paulista. Quem entra na “igreja-mãe” da Arquidiocese de São Paulo encontra um lugar de silêncio, recolhimento e oração, mas também se depara com a manifestação da beleza expressa na arte e na arquitetura do imponente templo de pedra de 111 metros de comprimento, 46 metros de largura e 65 metros de altura (com exceção das torres), em estilo neogótico, erguido na praça da Sé. Palco de eventos históricos da vida religiosa, política e social do País, não restam dúvidas de que a Catedral da Sé é um verdadeiro patrimônio. Isso foi confirmado em 20 de junho, quando o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) oficializou o tombamento da Catedral como patrimônio histórico do Estado de São Paulo. Além do templo, foram tombados a praça da Sé e os monumentos do “Marco zero” e de São José de Anchieta. Tombamento é o ato de reconhecimento do valor histórico de um bem, previsto na Constituição Federal, que o transforma em patrimônio oficial, levando em conta sua função social. Destina-se a proteger o patrimônio, bens de ordem histórica, artistíca, arqueológica, cultural, científica, turística e paisagística. A advogada Ana Paulo Grillo, procuradora da Fundação São Paulo, que ocupa a cadeira da CNBB junto ao Condephaat, explicou ao O SÃO PAULO que o processo para o tombamento começou há 18 anos. “O Processo de nú-

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mero 38971/1999 foi aberto por Lilian de Oliveira de Paiva, em 1998, por meio do Estudo de Tombamento. Lilian, à época, era uma estudante de Arquitetura, que ao realizar um trabalho acadêmico se encantou com a Catedral e identificou nela a importância de diálogo com a Cidade, junto à área em que está inserida”, detalhou.

Importância histórica

A doutora Ana Paula destacou, ainda, que o que moveu o Condephaat ao tombamento da Catedral foi “a importância histórica, cívica, política e social que o conjunto tombado desempenha, acrescida evidentemente do símbolo religioso que representa”. Nesse sentido, a Advogada ressaltou que a Catedral está diretamente ligada à formação da cidade de São Paulo, recordando a igreja-matriz inicialmente edificada em taipa de pilão, entre os anos de 1598 e 1622, no lado oposto da praça da Sé. “Foi já no século XVIII, com a mudança dos atos sacramentais para a Igreja da Misericórdia, que a praça da Sé começou a desempenhar uma função central da atividade social para a Cidade, o que foi intensificado ao longo dos séculos XIX e XX”, explicou Ana Paula.

Origem

A pedra fundamental da Catedral da Sé foi colocada em 1912, pelo primeiro arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva. A inauguração estava prevista para 1922, durante a comemoração do centenário da Independência do Brasil. Porém, devido à falta de verbas e a ocorrência de duas grandes guerras mundiais que atrapalharam as importações dos materiais de construção, o templo foi inaugurado somente em 1954, nas comemorações do IV Centenário da Cidade, pelo Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, ainda que parcialmente concluída.

Construção

A construção da Catedral desde o seu início foi muito difícil devido as suas proporções, pois tudo nela era grande. O projeto, de autoria do arquiteto Maximiliano Emil Hehl, previa que a mesma fosse construída em pedras. Para ser fiel ao projeto, foi adquirida uma pedreira Reprodução

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Imagem da manifestação pelas ‘Diretas Já’, na dé da importância histórica e social da Catedral, q

Nos detalhes: 1, Catedral em construção na década de 1940; 2, parte 4, tatu esculpido na pedra de uma das colunas; 5, púlpito de em Ribeirão Pires (SP). Além dos alicerces, as pedras foram utilizadas no serviço de cantaria, nas escadas e nas principais partes externas do templo. O projeto da Catedral esteve sob a responsabilidade de muitos engenheiros e arquitetos, mas o principal deles foi Maximiliano Hehl, que acompanhou a construção por apenas três anos, pois morreu em 1916. A construção passaria por outros arquitetos e também por algumas modificações no projeto original, tais como o mobiliário, os vitrais, a capela do Santíssimo. Para terminar as obras, foi convidado o arquiteto Luís de Anhaia Luciney Martins/O SÃO PAULO

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Melo. As estátuas, altares laterais e o altar-mor foram confiados ao arquiteto romano Conde Bruno Apolloni Ghetti.

Estilo

O projeto da Catedral foi muito criticado na Semana de Arte Moderna de 1922. As teorias de modernidade nacionalista da época questionavam uma obra com características europeias e ainda mais gótica (medieval) na Cidade. Essas discussões influenciaram em algumas inovações nos detalhes arquitetônicos do templo. Ao redor de toda a fachada, por exemplo, em vez de gárgulas Luciney Martins/O SÃO PAULO


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o histórico do Estado de São Paulo Reprodução

lo, o Regente Feijó e o Cacique Tibiriçá, personagens importantes do início da história da Cidade. A cripta foi inaugurada em 16 de janeiro de 1919, por Dom Duarte. Destaca-se o seu piso em mármore branco e preto vindo da Itália e as esculturas feitas pelo irmão do Arcebispo, Francisco Leopoldo e Silva, em mármore de Carrara.

Órgão e sinos

O órgão foi fabricado em Milão e é o maior da América Latina, com 10.800 tubos. Está desativado desde 1999. Já o carrilhão de sinos, localizado nas torres, é um dos maiores do País, com 61 sinos, sendo 35 acionados eletronicamente. Passou recentemente por uma reforma geral e está em pleno funcionamento.

Vitrais e mosaicos

A construção da cúpula também foi bastante discutida desde o início da obra, sendo o projeto enviado até para a Escola Politécnica de Berlim, na Alemanha. Em 1950, o Cardeal Motta pediu novos estudos com relação à colocação da cúpula. Outros projetos foram feitos, prevendo substituí-la por um agulhão e um terraço. Porém, a comissão executiva decidiu pela permanência da mesma.

Os vitrais da Catedral também foram projetados e executados por artistas europeus. Porém, devido à 2ª Guerra Mundial, o Brasil não podia importar qualquer material da Europa. Logo, a solução deveria vir de dentro do próprio País, e surgiu pelo alemão Conrado Sorgenicht, que desenvolveu a técnica vitralista para decorar os palacetes da aristocracia paulista. Em 1947, já existiam 20 vitrais instalados com assinatura nacional da Casa Conrado. Com o fim da Guerra, os vitrais restantes foram concluídos por outros artistas europeus. O vitral de maior destaque é a grande rosácea central colocada na fachada da igreja. Por ser muito grande, não foi colocado na época da inauguração. Encontrado intacto durante o restauro, o vitral foi instalado em 2001. Essa rosácea também é inovadora, pois pela primeira vez, em meio a uma arquitetura sacra, era incorporado um elemento civil. No centro do grande vitral, encontra-se o brasão a cidade de São Paulo, criado por José Wastch. Já os grandes mosaicos do apóstolo São Paulo e de Sant’Ana, que adornam os altares laterais, foram presenteados pelo Papa Pio XII, por ocasião da inauguração da Catedral.

A cripta

Mobiliário

écada de 1980, na praça da Sé, é um dos retratos que motiva seu tombamento pelo Condephaat.

do carrilhão de 61 sinos; 3, rosácea da fachada inaugurada em 2001; madeira; 6, mosaico de São Paulo em um dos altares laterais de pequenos dragões, que são comuns no estilo gótico, encontram-se figuras de animais comuns da fauna brasileira, como um sapo, um porco do mato, um macaco-prego, um gavião e um tatu. Já no interior, em cima dos capitéis, dividindo espaço com as esculturas de Dom Duarte e Pio X, encontram-se peixes, uma garça, um tatu, um tucano, além de flores de maracujá, café e guaraná. Tanto o altar-mor quanto a capela do Santíssimo foram ornados em malaquita, mármore de Siena e lazulita, cujas tonalidades são verde, amarelo e azul, respectivamente, cores da bandeira nacional.

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A primeira parte da Catedral a ser concluída foi a cripta, no subsolo, onde estão sepultados os bispos de São PauMárcio Sallowicz

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O projeto original previa grandes peças de mármore Carrara como mobiliário. Os púlpitos, por exemplo, seriam Márcio Sallowicz

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grandes pontes de mármore. Devido ao alto custo e dificuldade importação do material na época da Guerra, o projeto foi adaptado por Anhaia Melo, em 1950, por púlpitos de madeira nogueira, de origem italiana. O restante do mobiliário, esculpido em jacarandá -bahia, foi produzido no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, como os bancos, estalas, cadeiras, confessionários, mesas e a cátedra do arcebispo. Em 1953, a Catedral já possuía oito portas externas, também confeccionadas pelo Liceu.

Restauração

Fechada entre 1999 e 2002, a Catedral da Sé passou por um restauro, no qual foram concluídos os 14 torreões, previstos no projeto original. No restauro, também foram feitos os reparos de trincas, descupinização, sistema de águas, limpeza, restauração dos vitrais, elementos artísticos, mobiliário e portas, novas instalações elétricas, prevenção de combate a incêndio, recuperação da escadaria e construção de novos banheiros, reservatórios, elevador para deficientes físicos entre outras melhorias.

Referencial coletivo

Para o cura da Catedral, Padre Luiz Eduardo Baronto, a Sé de São Paulo é um referencial coletivo muito importante. “Em primeiro lugar, um referencial religioso. Ali é a Catedral, onde está a cátedra do arcebispo, é o templo onde a Igreja Particular de São Paulo se reúne em torno do seu bispo para as grandes celebrações. É um lugar de convergência, da vida da Arquidiocese”, disse, recordando, ainda, que a Catedral foi espaço para a realização de importantes movimentos e eventos para a vida política, e social do país, como as manifestações pelas “Diretas Já”, na década de 1980, o ato inter-religioso em repúdio à morte do jornalista Vladmir Herzog e a missa de corpo presente do operário Santo Dias. Ao também recordar a manifestação pelas eleições diretas, a doutora Ana Paula Grillo reforçou que “a Catedral da Sé, em conjunto com a praça de mesmo nome, possuem o que se pode chamar de uma ‘vocação de espaço público’”. (Colaborou Igor Andrade) Luciney Martins/O SÃO PAULO


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O saque de Caroline Kumahara vai para o Rio ITTF/Divulgação

Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

Quando a família Kumahara mudou-se do apartamento em que morava para uma casa, certamente não imaginava que a escolha seria determinante para o destino da pequena Caroline. No novo lar, a garota trocou a diversão dos jogos de futsal com os irmãos e o pai pela mesa de ping-pong e não demorou muito para que fosse apresentada à versão esportiva profissional daquela brincadeira. “Mais ou menos dois meses depois, eu comecei a frequentar uma escolinha de tênis de mesa, duas vezes na semana, e um ano depois, passei a treinar todos os dias. As coisas aconteceram de forma muito natural, sem muito planejamento. Aos poucos, vi que gostava muito e queria isso para minha vida”, recordou Caroline Aiko Kumahara, ao O SÃO PAULO. Já aos 12 anos de idade, Caroline se tornou líder do ranking Paulista Infantil de tênis de mesa. Com a sequência de bons resultados nacionais e internacionais, ela chegou à seleção brasileira de tênis de mesa e com apenas 17 anos disputou sua primeira olimpíada, em Londres 2012. “É uma sensação única você estar no evento sabendo que o mundo todo está de olho, então, é uma coisa muito especial. Estar na vila olímpica, onde todos os atletas sonham estar, é muito legal, no mesmo ambiente de vários atletas que você vê na TV, como o Usain Bolt [campeão olímpico de atletismo], por exemplo”, comentou.

Muitos treinos e bons conselhos

Em Londres 2012, Caroline perdeu logo no jogo de estreia, mas a jovem paulistana não desanimou. Seguiu determinada na carreira, para a qual tinha decidido se dedicar integralmente já no ano anterior, quando largou os estudos no ensino médio. Em 2013, venceu o torneio Latino-Americano individual, título que voltaria a conquistar em 2016. Caroline também é tricampeã da Copa Latino-Americana (2012, 2014 e 2015) e no Pan de Toronto 2015 faturou a prata por equipes e a medalha bronze no individual. “Eu atribuo tudo isso a muito treino. Trabalho muito duro todos os dias mesmo. Também tenho a sorte de ter muitas pessoas que querem o meu melhor, que têm o coração bom e fazem de tudo para me ajudar, incluindo minha família, atribuo isso a eles também”, avaliou Caroline, que atualmente é a brasileira mais bem colocada do ranking da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF), 119ª posição, sendo que em março chegou ao 105º lugar no ranking, a melhor posição já alcançada por uma mesa-tenista do País.

Caroline revelou que neste ciclo olímpico, entre 2014 e 2015, passou por “alguns problemas pessoais. “Deixei cair a minha motivação, um pouco da dedicação nos treinos, achava que não estava melhorando mais. Consegui superar isso conversando muito com o Jean-René [Mounie, técnico da seleção) e com o Paco [Francisco Arado, técnico de São Caetano do Sul e da seleção]. Eles me fizeram lembrar de como eu era antes, sempre animada, e me ajudaram muito. Sei que são pessoas que querem a minha evolução e me motivaram a lutar pelo que eu queria”, comentou, afirmando que os dois treinadores, assim como Lincon Yasuda (da seleção) e Hideo Yamamoto e Nelson Kazuaki (do São Caetano) têm,

com o empenho dos atletas, alavancado o nível técnico do tênis de mesa brasileiro.

‘Eu vou lutar muito para tentar vencer’

A um mês para o início das competições do tênis de mesa nos Jogos Rio 2016 (as partidas acontecerão entre 6 e 17 de agosto), Caroline Kumahara está focada nos treinos. “Eu vou lutar muito para tentar vencer adversárias de alto nível e conseguir um bom resultado. Não sei apontar as principais adversárias, porque acho que todas vão ser muito fortes”, comentou. “É uma honra muito grande pra gente receber esse evento e fazer parte da geração de atletas que jogará em casa. Sei que vai

TÊNIS DE MESA Origens: fim do século XIX, na Inglaterra Nos Jogos Olímpicos desde: Seul 1988 Principal potência: China, onde a modalidade chegou em 1900. De 28 medalhas de ouro já distribuídas em olimpíadas, 24 foram conquistadas por mesatenistas chineses. Forma de disputa: Individual, em melhor de sete sets (vence quem conquistar quatro sets primeiro) ou por equipe, em melhor de cinco sets (vence quem conquistar três sets primeiro). Conquista o set o jogador que chegar aos 11 pontos, tendo ao menos dois pontos de vantagem sobre o adversário. Curiosidades: É o esporte de raquete mais praticado do mundo, com aproximadamente 300 milhões de jogadores. Em um jogo, a bolinha do tênis de mesa, que tem 40mm de diâmetro, alcança velocidades superiores a 200 km/h Disputa nos Jogos Rio 2016: entre 6 e 17 de agosto Time Brasil: Masculino - Hugo Calderano, Gustavo Tsuboi e Cazuo Matsumoto (apenas por equipes); Feminino - Carolina Kumahara, Lin Gui e Bruna Takahashi (apenas por equipes) Fontes: CBTM e Rio2016.org

ser muito especial jogar com a torcida a favor. Será único”, avaliou. A jovem, que nos Jogos estará com 21 anos de idade, aposta em um bom desempenho na disputa por equipes, quando atuará ao lado de Lin Gui e Bruna Takahashi, uma formação diferente da que conquistou a medalha de prata em Toronto 2015, quando Lígia Silvia jogou em vez de Bruna. “Nós três jogamos juntas no Latino de tênis de mesa no início deste ano, pela primeira vez. Acho que tem tudo para dar certo, pois é uma equipe nova, que tem potencial e ainda temos muito a crescer como equipe”. Crescer na carreira, aliás, é o que projeta Caroline para os próximos anos. Por isso, para ela, o resultado obtido na Olimpíada não será o parâmetro absoluto. “Seguirei treinando forte para atingir o alto nível a longo prazo, não só para a Olimpíada. Com certeza, é um campeonato especial, mas no fundo é mais uma competição que eu espero que seja mais uma dentre muitas que ainda vou jogar” A jovem mesa-tenista acredita que os Jogos Rio 2016 podem trazer benefícios ao esporte brasileiro, mas que o mais importante é manter os investimentos nas modalidades. “Acho que o principal legado que a Olimpíada vai deixar será o de que o aumento do investimento feito rende resultados. O que eu posso falar é do tênis de mesa, mas quando se dá valor ao esporte, o Brasil tem muitos atletas. Não sei realmente se vai aumentar o número de praticantes, mas acho que o caminho para isso é multiplicando os projetos no País e não através de uma olimpíada”, concluiu.


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Com a Palavra: Nikos-Giorgos Papachristou

‘Devemos dedicar toda energia para unir as Igrejas cristãs’ Arquivo pessoal

FILIPE DOMINGUES

Especial para O SÃO PAULO, em Roma

A Igreja Ortodoxa acaba de realizar seu “Santo e Grande Sínodo”, entre 18 a 26 de junho, um encontro internacional que reuniu líderes cristãos em Creta, na Grécia, para discutir a unidade e os desafios da Igreja no mundo atual. As Igrejas Católica e Ortodoxa têm a mesma origem, em Cristo e nos apóstolos, mas estão separadas desde o Grande Cisma entre Oriente e Ocidente, em 1054. Todos os encontros de bispos realizados desde então não representaram o Cristianismo em sua totalidade, menos ainda após outras divisões históricas. De qualquer forma, o recente concílio dos ortodoxos vinha sendo chamado de “pan-ortodoxo”, pois, idealizado pelo patriarca ecumênico Bartolomeu, de Constantinopla, visava reunir todas as igrejas dessa tradição. Com a desistência de algumas, perdeu essa característica, mas não deixou de ter um grande peso para todo o Cristianismo. Para entender melhor o concílio ortodoxo, O SÃO PAULO conversou com o jornalista grego Nikos-Giorgos Papachristou, especialista nos assuntos da Igreja Ortodoxa e autor do site Amen.gr. Ele é muito próximo ao Patriarca Bartolomeu. Atualmente, Papachristou vive em Roma, a convite do Vaticano, para promover o diálogo ecumênico.

O SÃO PAULO – O que é o Sínodo

Ortodoxo?

Nikos-Giorgos Papachristou - O Santo e Grande Sínodo da Igreja Ortodoxa é um evento histórico na vida da cristandade ortodoxa. É fruto de uma preparação que começou nos anos 1960, mas fatores históricos e dificuldades nas igrejas ortodoxas locais e autocéfalas (isto é, com governos autônomos) adiaram a sua implantação. No primeiro milênio, quando havia unidade dos cristãos, grandes encontros foram feitos, chamados “ecumênicos”. Mas houve, também, eventos menores, e os bispos discutiam questões importantes. Depois do Grande Cisma entre Roma e Constantinopla, em 1054, os patriarcas do Oriente (Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém) e a Igreja autocéfala do Chipre mantiveram a tradição conciliar. Continuaram a enfrentar juntas as questões eclesiásticas. Depois do século XV, e especialmente após o século XIX, o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla reconheceu como autocéfalas as igrejas da Rússia, Sérvia, Romênia, Bulgária, Geórgia, Grécia, Albânia, Polônia e as

zes, a Igreja Ortodoxa parece cautelosa ou conservadora no que diz respeito as suas relações com o resto do mundo cristão, mas isso se deve às diferentes experiências e a questões históricas que cada igreja local enfrenta. Com muito diálogo e oração, os primazes e bispos do Concílio tentaram combinar diferentes opiniões, experiências e percepções, para manifestar uma voz comum para nossos irmãos e irmãs com quem não estamos em comunhão eclesial. Eles também discutiram assuntos internos à ortodoxia, como o assunto da “diáspora”, do jejum e do Matrimônio na realidade social contemporânea, em um mundo globalizado.

Como você descreve a atual relação entre as Igrejas Católica e Ortodoxa?

igrejas Tcheca e Eslovaca. Portanto, a importância do Sínodo atual é enorme. Foi a primeira vez em que se reuniram antigas e novas igrejas ortodoxas em um Concílio, para discutir os assuntos do povo de Deus.

Quais foram as igrejas representadas?

Participaram dez das 14 igrejas ortodoxas locais, e o Concílio foi presidido pelo Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu. Participaram: o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, o de Alexandria, o de Jerusalém, os novos patriarcados da Sérvia e da Romênia, bem como as igrejas autocéfalas do Chipre, da Grécia, da Albânia, da Polônia, da República Tcheca e da Eslováquia. Um pouco antes de o Concílio iniciar, quatro igrejas anunciaram que não iriam: os patriarcados de Antioquia, Rússia, Bulgária e Geórgia, apesar do fato de em janeiro do ano passado terem se comprometido a participar. O Patriarcado de Antioquia disse que o sínodo não aconteceria por causa de disputas com o Patriarcado de Jerusalém sobre o controle do Catar. Trata-se de um país onde vivem poucos cristãos. A maioria trabalha em

empresas estrangeiras. Infelizmente, a ausência do Patriarcado de Antioquia eliminou a oportunidade de dar uma resposta à angústia que essa igreja local vive com a guerra na Síria, onde milhares de cristãos foram mortos, cidades foram destruídas e milhões de pessoas tiveram que deixar a terra de seus ancestrais. As outras três igrejas locais deram várias desculpas para pedir o adiamento do encontro.

A ausência dessas igrejas foi um grande problema?

Os primados e delegações de bispos das dez igrejas ortodoxas autocéfalas lamentaram a decisão repentina das quatro igrejas locais, mas enfatizaram que isso não afetaria o Concílio, pois, até nos concílios ecumênicos, houve, casos em que algumas das igrejas não participaram.

Quais foram os assuntos mais importantes nos debates?

A missão da Igreja Ortodoxa nos tempos modernos e as relações com o resto do mundo cristão. O primeiro tema se refere ao diálogo com a sociedade e o outro ao diálogo com outras igrejas e confissões cristãs. Muitas ve-

As Igrejas Católica e Ortodoxa estão em comunicação. Em diálogo de amor, costuma-se dizer, nos últimos 50 anos, após mais de 500 anos de silêncio. Desde 1980, o diálogo teológico oficial começou e continua, apesar das dificuldades. Esse foi um fato importante apontado pela maioria dos padres que participaram do Santo e Grande Sínodo. Para mim, todos os cristãos deveriam participar e rezar com toda a energia, para fortalecer os esforços de aproximação das duas igrejas, para resolver os problemas e as diferenças e restaurar, com a ajuda de Deus, a unidade visível e a comunhão entre elas.

O Patriarca Bartolomeu teve um papel essencial na articulação deste Sínodo. Poderia nos contar como ele se sente?

O Patriarca Ecumênico vem trabalhando para a realização do Santo e Grande Sínodo da Igreja Ortodoxa desde o primeiro momento de sua eleição, em 1991. Em várias ocasiões, ele destacou a sua emoção, mas também a convicção de que somente por meio do sistema sinodal a Igreja é capaz de lidar com os tempos modernos. “Não é meramente uma questão de tradição canônica, que recebemos e preservamos, mas uma fundamental verdade teológica e doutrinal, sem a qual não há salvação”, afirmou o Patriarca. “Sem a sinodalidade, a unidade da Igreja é rompida, a santidade de seus membros é reduzida à mera moralidade individual e a uma articulação sobre virtudes, a catolicidade é sacrificada em favor de interesses específicos individuais, coletivos, nacionais ou outros interesses ou intenções seculares”, assim acentuou o Patriarca Ecumênico. Sinto que essa seja uma mensagem forte para todos.

As opiniões expressas na seção “Com a Palavra” são de responsabilidade do entrevistado e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do jornal O SÃO PAULO.


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Filipe David

osaopaulo@uol.com.br

Dica de Leitura

O sacrifício da Palavra Este é o livro de estreia de Rudy Albino de Assunção, tradutor e organizador especialista nas obras de Bento XVI-Joseph Ratzinger. Na obra, o autor apresenta a seus leitores a compreensão “ratzingeriana” da liturgia da missa, em seus mínimos e preciosos detalhes. Trata-se de uma pesquisa profundamente embasada e apresentada com maestria e objetividade, que busca evidenciar a natureza autêntica da liturgia por meio de uma “retradução” dos textos do missal, na intenção de torná-los realmente inteligíveis e eficientes. Ficha técnica: Autor: Rudy Albino de Assunção Páginas: 332 Editora: Ecclesiae

Evento

Divulgação

Medeia – apresentação teatral Em parceria com a Casa Mário de Andrade, a Casa Guilherme de Almeida traz a São Paulo uma nova montagem adaptada da tragédia de Eurípides, a partir de tradução direta do grego, coordenada por Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Por três sábados sucessivos, as apresentações acontecerão na Casa Mário de Andrade e, aos domingos, a temporada se complementará com leituras dramáticas e debates a serem realizados na Casa Guilherme de Almeida. O espetáculo, que leva a direção artística de Andreia Garavello, é resultado de um processo criativo da Truπersa – Trupe de Tradução de Teatro Antigo, coordenada por Tereza Virgínia. Medeia estreou no IIº Congresso Nacional de Retórica, em Belo Horizonte, em 2012, esteve na Campanha de Popularização do Teatro, em 2013, e também no IIº Student Forum (National and Kapodistrian University of Athens) e no Festival Nacional de Teatro, em Vitória, no Espírito Santo. Houve, ainda, intervenções e performances em vários congressos, colóquios e seminários sobre tradução. A tragédia – que data do ano 431 antes de Cristo – conta a estória da vingança de Medeia contra seu marido Jasão, depois que este decide se casar com outra mulher, a filha do rei de Corinto. A primeira apresentação será no sábado, 16, às 19h, na Casa Mário de Andrade (rua Lopes Chaves, 546, no bairro da Barra Funda).


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Peterson Prates

Colaborador de comunicação da Região

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Belém

Santa Isabel Rainha: uma vida dedicada à paz “Cada um tem um milagre ou uma história pra contar da sua relação com Santa Isabel”, disse o Padre José Carlos dos Anjos, pároco da Paróquia-santuário Santa Isabel Rainha, ao fiéis que participaram de uma das missas realizadas na segunda-feira, 4, na festa da Padroeira. Com a igreja lotada, Padre José Carlos recordou a história da Santa, que foi Rainha de Portugal e ficou conhecida pelos seus atos de caridade, doação aos pobres e seu agir pacificador. “Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”, lembrou o Pároco, afirmando que Santa Isabel Rainha (1270-1336) cumpriu esse propósito em vida. Há poucas semanas, a Paróquia-santuário recebeu da Confraria da Rainha Santa Isabel, em Coimbra, uma relíquia com um fragmento da veste mortuária da Santa, que segue exposta na igreja. Neste ano, completam-se os 500 anos da

Peterson Prates

Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, e Padre José Carlos durante missa solene na festa de Santa Isabel Rainha, dia 4

beatificação da Santa, em 1516. Por esse motivo, sua mão será exposta em Coimbra, onde o corpo incorrupto da Santa está sepultado. A missa solene de encerramento

da festa da Padroeira foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, que enfatizou, na homilia, as obras de misericórdia praticadas por Santa Isabel. Ele lembrou que ela era

educadora, misericordiosa e conciliadora, grande mãe e protetora da família. Dom Odilo exortou que as mães sejam as conciliadoras de seus lares, seguindo o exemplo de Santa Isabel.

Peterson Prates

Peterson Prates

Com a participação de 90 pessoas, aconteceu na noite da segunda-feira, 4, o “Sopão Teológico”, promovido pela Escola de Teologia Dom Helder Câmara, do Setor Sapopemba, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima e São Roque. A temática da atividade, assessorada pelo Padre Tarcísio Mesquita, foi a atuação dos leigos e leigas na Igreja.

Na solenidade de São Pedro e São Paulo, no domingo, 3, três paróquias dedicadas a São Pedro e duas a São Paulo, na Região Belém, celebraram seus padroeiros. Dom Luiz Carlos Dias, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região, presidiu missa na Paróquia São Pedro Apóstolo, da Vila Oratório, concelebrada pelo Padre Jesus Andrade, pároco.


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Ipiranga Preparação é indispensável para se iniciar um grupo de jovens

Antônio Miletti Junior, Deborah de Limas e Matheus Pereira

Colaboração especial para a Região

Thomas de Almeida Prado

Participantes do curso com o Padre Ricardo Pinto, assessor eclesiástico regional da juventude

O Setor Juventude da Região Ipiranga realizou, nos dias 2 e 3, o Curso de Dinâmica Cristã (CDC), no Centro de Apostolado Salvatoriano, na Vila Guarani, com a participação de assessores e

articuladores jovens e do Padre Ricardo Pinto, assessor eclesiástico regional para a juventude e pároco da Paróquia São João Batista, no Setor Imigrantes. A proposta foi partilhar experiências

e apresentar subsídios para a formação de grupos de jovens nas paróquias da Região. Entre os 28 participantes do curso, muitos buscavam uma base para iniciar um grupo de jovens. Esse foi o caso da Irmã Mariana Dadalt de Souza, da Congregação do Sagrado Coração do Verbo Encarnado, e dos jovens Larissa de Souza Torrente e João Marcos Figueiredo Silva, que fazem parte da Paróquia Imaculada Conceição, no Setor Ipiranga. Eles relataram que estão com dificuldade para cativar os jovens na Paróquia, pois muitos participam somente da missa. A Irmã, nascida em Curitiba (PR), tem colaborado com a Paróquia desde fevereiro e com os dois jovens pretende articular a formação de um grupo, valendo-se de projetos esportivos e culturais que a Paróquia já possui. Ao longo do curso, os jovens puderam desenvolver o trabalho em equipe,

Fiéis da Paróquia Nossa Senhora da Esperança peregrinam no Ano da Misericórdia Em atenção ao Jubileu extraordinário da Misericórdia, um grupo de cem paroquianos da Paróquia de Nossa Senhora da Esperança, no Setor Pastoral Vila Mariana, na companhia do Padre Edson Donizete Toneti, vigário paroquial, peregrinou à Porta Santa do Santuário São Judas Tadeu, no sábado, 2. Após passarem pela Porta Santa e refletirem sobre o Jubileu, os peregrinos participaram da missa na igreja antiga do Santuário, concelebrada pelos padres

Aloísio Knob e Ney de Souza, este último também vigário na Paróquia Nossa Senhora da Esperança. Na avaliação dos paroquianos Antônio Miletti Junior e Deborah de Limas, “a peregrinação foi um momento singular para a Paróquia, cujos fiéis deram uma belíssima demonstração de que num universo dito ‘elitizado’ há lugar para testemunhar Jesus Cristo na cidade e não há medo quando nos deixamos surpreender por Deus”.

por meio de dinâmicas e discussões em grupos aleatórios. Também cumpriram tarefas de organização para aprimorar a responsabilidade e o comprometimento. A meta foi mostrar que um grupo de jovens precisa ter a atitude de ver, julgar e agir. No segundo dia do encontro, os participantes analisaram a formação de um grupo de jovens tendo em consideração o 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo. Além de subsídios e dinâmicas a serem usadas, foram tratadas questões sociais, com o propósito de que os jovens desenvolvam um senso crítico, leiam e pesquisem, principalmente sobre as questões que envolvem a Igreja. O encerramento do CDC foi com uma missa, presidida pelo Padre Ricardo, que enfatizou a necessidade de a Igreja ser “estrutura”, apoiada em São Pedro, e “carisma”, inspirada no apóstolo São Paulo.

Ligia Cássia

No sábado, 2, Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar na Região Ipiranga, presidiu missa na Paróquia Imaculada Conceição, na qual foram acolhidos os quatro seminaristas que até o dia 10 lá estarão em missão de férias: Cleveland Rodrigues do Prado, Yago Barbosa Ferreira, Daniel dos Santos Silva e Claudio José Ribeiro. No domingo, 3, eles visitaram o Hospital Dom Antonio de Alvarenga e participaram da Caminhada Missionária no Museu do Ipiranga, com membros das pastorais e movimentos da Paróquia.

REDAÇÃO

osaopaulo@uol.com.br

Paróquia Nossa Senhora Aparecida dos Ferroviários

No domingo, 3, mais de 60 catequistas da Região Sé participaram de um retiro no Arsenal da Esperança, que ministrado pelo Padre Humberto Robson de Carvalho, teve o mesmo tema da semana catequética deste ano “A misericórdia na vida do catequista – Anúncio e vivência da misericórdia”. Ao final, houve missa presidida por Dom Eduardo Viera dos Santos, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região, concelebrada pelos padres Simone Bernardi e Lorenzo Nacheli.

‘O ministério sacerdotal é uma resposta amorosa a Deus’ Com a presença de Dom Eduardo Vieira dos Santos, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé, aconteceu em 22 de junho, na Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrate, no Setor Pastoral Pinheiros, o encontro do clero atuante na Região. Na acolhida aos participantes, o Padre Bartolomeu da Silva Paz, pároco, fez um breve histórico da Paróquia e ressaltou que São José de Anchieta esteve por ali para encontrar-se com os índios. No local, havia uma capela chamada Nossa Senhora dos Pinheiros, devido ao número de araucárias da região. O encontro do clero foi assessorado pelo Padre Ronaldo Zacharias, salesiano,

doutor em Teologia Moral. Ele desenvolveu o tema “Reconciliação e Ministério”, destacando que o discernimento se impõe como condição para amar como Deus ama. Segundo o Assessor, os presbíteros manifestam esse amor por meio do serviço e o ministério sacerdotal é uma resposta amorosa a Deus, que chama e ao mesmo tempo provoca. O desafio consiste em renunciar a fazer do “eu” o centro, a norma e a meta da própria vida, e sempre sentir-se provocado por Deus, para agir de maneira a demonstrar a presença de Deus em si e entre todos. Desse modo, o presbítero deve ser portador do amor e da misericórdia de Deus. (com informações do Padre Manoel Quinta)


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Brasilândia Dom Devair: ‘Cristão de verdade não esconde sua fé’ Natali de lima

Colaboradora de comunicação da Região

“Se nós somos cristãos autênticos, verdadeiros, não precisamos ter preocupação se aqueles amigos que nós temos de fora estão gostando ou não do nosso jeito, se eles estão aceitando ou não a nossa fé. Cristão que esconde a sua fé, que esconde aquilo que acredita para estar bem no meio dos amigos, não é cristão de verdade”. Essa foi uma das mensagens de Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia, na homilia da missa que presidiu no domingo, 3, na Paróquia Nossa Senhora Mãe e Rainha, no Jardim Panamericano, no encerramento do encontro da juventude do Setor Pastoral Jaraguá. Ao longo do dia, 200 jovens participaram da atividade, que teve como tema “Evangelização da Juventude”. Dom Devair alertou os jovens sobre os riscos de agir apenas para agradar as pessoas. “Às vezes, nos deixamos conduzir pelo outro, não queremos

Isadora Félix

Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese na Brasilândia, junto aos jovens do Setor Pastoral Jaraguá, no domingo, dia 3

desagradar. Muitas vezes, os jovens começam a fazer algumas coisas para agradar os amigos. Quantos não começam a usar drogas para agradar a turminha de amigos? Ou entram no mundo do álcool, da bebedeira, para fazer parte da turma? Às vezes, com a preocupação de fazer parte do grupo ou

de agradar os outros, nós começamos a mudar o nosso jeito de ser, de fazer as coisas”, disse, comentando que os jovens devem seguir o exemplo de Cristo, que sempre agiu pela vontade Deus na busca da verdade. Ainda segundo o Bispo, todos os cristãos são uma pedra bruta, lapidada por

Deus ao longo do tempo. “Os jovens estão chegando agora, fazendo parte dessa comunidade, estão sendo lapidados pela Palavra de Deus. É preciso que tenham a vida aberta para que Deus vá trabalhando, para que sejamos uma pedra bonita”, disse, exortando os jovens a testemunharem a fé, onde quer que estejam.

Jardim Pirituba está sob a intercessão de São Pedro Apóstolo Carolina Leandro

Padre Natanael Pires preside missa na Comunidade São Pedro Apóstolo, no domingo, dia 3

A comunidade dedicada a São Pedro Apóstolo, no Jardim Cidade Pirituba, esteve em festa no domingo, 3, por ocasião do dia do padroeiro, comemorado na solenidade litúrgica de São Pedro e São Paulo. “Pedro enxergou em Jesus a dimensão divina. ‘Tu és o Messias o filho do Deus vivo, por isso estamos o seguindo’. Pedro enxergou não com os olhos da carne, mas com os olhos do coração”, afirmou o presidente da celebração, o

Padre Natanael Pires, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Retiro, da qual a Comunidade faz parte. O Sacerdote recordou que Pedro foi escolhido por Cristo para se tornar uma coluna da Igreja. Padre Natanael enfatizou, ainda, que Igreja espera que as pessoas testemunhem a fé, assumindo o chamado de discípulos de Jesus. Ao final da missa, o Padre proferiu a bênção das chaves dos devotos de São Pedro.

Isadora Félix

Gerson Moreira

No domingo, 26, a Paróquia Nossa Senhora Mãe e Rainha, no Setor Pastoral Jaraguá, acolheu a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida. Durante toda a semana, a imagem permaneceu na Paróquia, sendo venerada durante as missas e encontros pastorais.

Na tarde do sábado, 2, as pastorais sociais da Região Brasilândia peregrinaram à Porta da Misericórdia da Igreja Nossa Senhora da Expectação, onde participaram da missa presidida por Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região.

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Santana

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

Em ‘Encontrão de líderes’, Dom Sergio enaltece atuação da Pastoral da Criança A Pastoral da Criança da Região Santana promoveu, no sábado, 2, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, na Vila Albertina, o “Encontrão de líderes”. Após a missa de abertura, presidida pelo Padre Geremias dos Santos, assessor eclesiástico regional da Pastoral, houve um momento de espiritualidade, em que cada coordenadora paroquial apresentou a imagem do padroeiro ou padroeira de sua paróquia e foram feitas orações. O tema da formação, conduzida por Aparecida Gonçalves de Jesus, coorde-

nadora arquidiocesana da Pastoral da Criança, foi o acompanhamento nutricional das crianças. Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, palestrou sobre o trabalho de discipulado missionário da Pastoral da Criança, salientando que isso é uma das formas de abençoar, pois quando um integrante da Pastoral abençoa uma criança, na verdade, é Jesus que está abençoando. No encerramento do “Encontrão”, aconteceram brincadeiras e danças típicas dos festejos juninos.

Diácono Francisco Gonçalves

Diácono Francisco Gonçalves

Dom Sergio de Deus durante palestra a integrantes da Pastoral da Criança da Região Santana Diácono Francisco Gonçalves

No domingo, 3, os fiéis do Setor Pastoral Medeiros peregrinaram à Porta Santa da Igreja Sant´Ana, onde participaram da reza do Terço e da celebração da Eucaristia, presidida por Dom Sergio, bispo auxiliar na Região Santana. Os padres atuantes no Setor acolheram aqueles que desejaram receber o sacramento da Reconciliação. As próximas peregrinações serão no dia 31, do Setor Mandaqui, e no dia 4 de setembro, do Setor Santana. Lucas Mesquita

A Pastoral Familiar da Região Santana realizou, em 25 de junho, a segunda parte da formação sobre a Preparação para o Matrimônio e para a Vida Familiar aos agentes de pastorais, movimentos e serviços. Os palestrantes foram Dom Sergio de Deus Borges, Padre Eduardo Higashi, assessor eclesiástico regional da pastoral, e o casal Benedito e Maria Gattolini. Diácono Francisco Gonçalves

No dia 26 de junho, na Paróquia São João Evangelista, Dom Sergio, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, crismou 21 pessoas, em missa concelebrada pelo Padre Everaldo Sanches Ribeiro, pároco. Participou o diácono José Luiz Silvério.

Bazar Beneficente Capela do Menino Jesus e Santa Luzia (Região SÉ) Todo dia 13 a comunidade da capela promove o bazar a fim de angariar recursos para a reforma do salão comunitário anexo à Capela. Com esse objetivo você poderá doar desde roupas, sapatos, utensílios e objetos de adorno à Rua Tabatinguera, 104 – Sé – Fone 3104 8032.

A sua colaboração é muito importante!

Padre Roberto Lacerda, assessor eclesiástico dos coroinhas e cerimoniários da Região Episcopal Santana, assessorou encontro de formação, em 18 de junho, para coroinhas, realizado na Cúria de Santana.


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Lapa Contos de uma vida difícil, mas feliz Benigno Naveira

Colaborador de comunicação da Região

Paulo Guilherme Cescon, 22, nasceu com uma doença degenerativa, a Amiotrofia Espinhal Progressiva. Isso faz com que precise da solidariedade de outras pessoas em muitos 0momentos, mas ele leva a vida como todo ser humano, com alegrias e tristezas. Na tarde do sábado, 2, a Pastoral da Comunicação da Região Episcopal Lapa visitou a casa do jovem que é autor do livro “Contos da Minha Vida, Difícil, mas Feliz”, onde ele relata momentos alegres e felizes de sua vida, até os dias de hoje. Morador do bairro do Butantã, onde nasceu e cresceu, Paulo vive com a mãe – Maria Aparecida Cano Cescon – e as suas três irmãs - Fabíola, Louise, Renata. O escritor disse que não costuma ter dificuldade para escrever histórias fictícias. “Eu as invento naturalmente. Mas escrever a história que ‘alguém lá em cima inventou para mim’, é um pouco mais difícil. Nem sei por que decidi escrever sobre mim. Por causa da deficiência, eu não brincava tanto como as outras crianças saudáveis, então, come-

Benigno Naveira

Paulo Guilherme Cescon posa para foto com seus familiares no Butantã; ele é autor do livro ‘Contos da Minha Vida, Difícil, mas Feliz’,

cei a brincar com a minha criatividade, escrevendo histórias”, recordou. “Nesses contos, quero mostrar os momentos alegres, pois a vida pode ser difícil, mas nem sempre tem que ser triste”, enfatizou.

Na Catequese também há tempo para aprender a rezar o Terço Márcia Rodrigues

Paulo disse, ainda, que ninguém quer ser deficiente físico, mas que ele e a irmã Louise (que cursa Faculdade de Veterinária junto com Fabíola), que tem a mesma doença, buscam encontrar “o lado bom da vida e até nos orgulhamos um pouco da nossa deficiência. Dizemos que somos o time deficiente, portanto, aceitamos e estamos sempre brincando com a nossa deficiência para constranger os ‘andantes’”, comentou. Por fim, Paulo agradeceu aos que viabilizaram a publicação do livro: Claudio Machado, Dirceu Barreto Rosolia Junior, Liliane Rodrigues dos Santos, Ellen do Amaral - prima de Paulo, que editou e diagramou o livro, Teresa Duarte, Maria Lúcia Duarte, João Ba-

tista do Amaral, Padre João Carlos Borges e Padre Jorge Pierozan (Rocha), que escreveu o texto do prefácio do livro.

AGENDA REGIONAL Visita da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida Até o dia 9 – Paróquia São João Bosco (Setor Pastoral Leopoldina) De 9 a 16 – Paróquia Rainha da Paz (Setor Pastoral Leopoldina) De 16 a 23 – Paróquia Nossa Senhora da Assunção (Setor Pastoral Pirituba) De 23 a 30 – Paróquia São João Gualberto (Setor Pastoral Pirituba)

José Trindade Celis

Na tarde do sábado, 2, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, presidiu missa na Paróquia São Pedro Apóstolo, no Setor Pastoral Lapa, concelebrada pelo Padre Edson Siqueira da Silva, pároco (apuração: redação O SÃO PAULO)

Na Paróquia Santo Antônio de Pádua, no Setor Pastoral Rio Pequeno, todos os sábados há um encontro em que as crianças aprendem a rezar o Terço. Em conversa com a Pastoral da Comunicação regional, no sábado, 25, Fernando Silva, que coordena a atividade, com o apoio do Padre José Carlos Deschamps, pároco, disse que o chamado Terço Vivo é um dos momentos

realizados pela Catequese, reunindo semanalmente 60 crianças. Segundo Fernando, no início as crianças têm grande dificuldade para acompanhar de forma correta as contas do Terço. “Assim, desenvolvemos um trabalho pelo qual cada criança torna-se um conta do Terço, onde cada dezena se diferencia pela cor”, detalhou.

Saudável

Vida

Crianças durante a Catequese aprendem a rezar o Terço na Paróquia Santo Antônio de Pádua

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Bispos de grandes cidades debatem educação católica, refugiados e população em situação de rua Luciney Martins/O SÃO PAULO

Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

Na segunda-feira, 4, arcebispos e bispos de 23 dioceses se reuniram no Centro de Formação Sagrada Família, no bairro do Ipiranga, em São Paulo (SP), para um encontro que debateu temas diversos, como as questões do mundo da educação, dos imigrantes e refugiados e da população em situação de rua. De acordo com o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, o objetivo do encontro foi partilhar, de modo informal as “questões desafiadoras e encaminhamentos pastorais nas grandes metrópoles, que têm muita coisa em comum”, a fim de melhor conhecer tais desafios e encontrar possíveis encaminhamentos. Dom Carlos Lema Garcia, bispo auxiliar da Arquidiocese e vigário episcopal para a Educação e a Universidade, falou aos prelados sobre a atuação do Vicariato e das iniciativas que tem realizado, como, por exemplo: curso de extensão em ensino religioso; visitas às diretorias de ensino da rede pública; seminários de formação para professores de história; palestras para coordenadores de ensino; cartilha sobre uso da água, com base na CF 2016; e parcerias com escolas particulares e públicas. O Bispo ressaltou, ainda, a necessidade de “relançar a identidade católica, assumir como próprias as conquistas científicas e sociais. Por exemplo, dignidade da pessoa humana, respeito pela vida desde a concepção à morte natural, família-célula da sociedade, doutrina social e ecologia”. Dom Airton José dos Santos, arcebispo de Campinas (SP), comentou sobre a preocupação com a “terceirização” do ensino católico. Para o Arcebispo, é preciso que as escolas que nascem católicas tenham cuidado para não deixar, com o passar dos anos e o envelhecimento da Congregação que a fundou, que a identidade católica da instituição se perca. Os padres Júlio Lancellotti, vigário episcopal para o Povo da Rua, Marcelo Matias Monge, diretor da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, e Paolo Parise, diretor do Centro de Estudos Migratórios,

Inicialmente realizado entre os arcebispos de São Paulo e Rio de Janeiro, diálogo sobre os assuntos das grandes cidades já reúne mais de 20 bispos

pertencente à Missão Paz, apresentaram a realidade da população em situação de rua em São Paulo e a acolhida realizada aos migrantes e refugiados. De acordo com o Padre Marcelo Monge, a experiência de falar aos bispos das grandes cidades foi muito interessante, pois “as situações que enfrentamos em São Paulo imagino que são parecidas as que enfrentam em suas dioceses”. Padre Júlio falou aos bispos sobre a necessidade de um censo nacional sobre a população em situação de rua, que seja feito pelo IBGE, para que se saiba o número real de pessoas que estão nas ruas dos municípios, a fim de direcionar políticas públicas específicas. “Por meio do interesse desses bispos, podemos ter o resgate da condição humana e não ficar sempre no ‘penduricalho’, mas ter um resgate humano dessa pessoa”, afirmou. A conversa com os bispos, de acordo com Padre Júlio, mostrou a necessidade de uma articulação melhor de todo o trabalho realizado pela Igreja para a população em situação de rua. Para o Padre, é preciso entender que “elas [pessoas nas ruas] não são as causas, são os efeitos, e a Igreja tem que ir ao encontro das causas também e não só dos efeitos”.

Igreja nos Jogos Rio 2016

O arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani Tempesta, falou ao O SÃO PAULO sobre a preparação para a Olímpiada e os trabalhos sociais e de evangelização que

serão feitos durante o megaevento. “[Temos] a preocupação com a capelania na vila olímpica, proporcionando culto nas diversas religiões aos atletas que virão e irão participar, além das igrejas em várias línguas, vários aconselhamentos para acolher as pessoas e realização de panfletagem nos locais de disputa esportiva”. “Abrimos os 100 Dias de Paz, que é tradição da trégua olímpica, com essa proposta de fazer com que os Jogos Olímpicos nos façam pensar que se é possível que nações antagônicas e até contrárias umas às outras politicamente estejam juntas no mesmo refeitório, no mesmo lugar de hospedagem e no mesmo campo de disputa, sem briga, mas apenas vivendo o esporte, é possível também trabalharmos juntos buscando a paz”, afirmou.

Congresso Eucarístico Nacional

O arcebispo de Belém do Pará, Dom Alberto Taveira Corrêa, falou dos preparativos para a realização do Congresso Eucarístico Nacional, que acontecerá em agosto. “Está sendo preparado desde 2010. Pensamos na escolha do tema ‘Eucaristia e partilha na Amazônia missionária’, porque quem vê de fora pensa na Amazônia ‘missionada’, sempre recebendo e recebendo, mas quando vivemos na Amazônia, vemos o quanto a região tem a oferecer ao País e à Igreja, tanto que o lema foi dos discípulos de Emaús, ‘eles o reconheceram no partir do pão’. Na partilha, a Amazônia

faz essa experiência missionária, o que é muito importante para nós e para o Brasil todo”, afirmou o Arcebispo, destacando que Belém começou, há 400 anos, a evangelização da região amazônica. Dom Alberto contou, com alegria, que há 15 dias foi aprovada a Faculdade Católica de Belém, “um passo para a primeira Universidade Católica da Amazônia. Ainda não somos uma universidade, pois temos que caminhar pouco a pouco, mas o sonho é esse e os passos serão dados nessa direção”.

Bispos participantes: Dom Alberto Taveira (Belém); Dom João Justino (Belo Horizonte); Dom Sérgio da Rocha (Brasília); Dom Airton dos Santos (Campinas); Dom Luiz Antônio Guedes (Campo Limpo); Dom José Antônio Peruzzo (Curitiba); Dom Tarcísio Nascentes (Duque de Caxias); Dom Wilson Tadeu (Florianópolis); Dom José Antônio Aparecido (Fortaleza); Dom Washington Cruz (Goiânia); Dom Edmilson Caetano (Guarulhos); Dom Antônio Saburido (Olinda e Recife); Dom João Bosco (Osasco); Dom Jaime Spengler (Porto Alegre); Dom Moacir Silva (Ribeirão Preto); Cardeal Orani Tempesta, Dom Roque Costa Souza e Dom Antônio Augusto (Rio de Janeiro); Dom Gilson Andrade da Silva (Salvador); Dom José Negri (Santo Amaro); Dom Pedro Carlos Cipolini (Santo André); Dom Tarcísio Scaramussa (Santos), Dom Manuel Parrado Carral (São Miguel Paulista); Dom Luiz Mancilha (Vitória); e Cardeal Odilo Pedro Scherer, Dom Luiz Carlos Dias, Dom Sergio Borges, Dom Devair Araújo e Dom Eduardo Vieira (São Paulo).

Exposição retrata os feitos da Beata Teresa de Calcutá Luciney Martins/O SÃO PAULO

REDAÇÃO

osaoopaulo@uol.com.br

Exposição sobre a Beata Teresa de Calcutá está na Paróquia-santuário São Francisco de Assis

Iniciada no domingo, 3, a exposição “Madre Teresa de Calcutá – vida, mensagem e espiritualidade”, segue até o dia 31, na Paróquia-santuário São Francisco de Assis (largo São Francisco, 133, centro). A exposição retrata a vida da Madre Teresa (1910-1997), a partir de fotografias, textos, mensagens e relíquias da Beata. Há, ainda, uma réplica do quarto de Madre Teresa e o visitante poderá assistir a um documentário sobre a Religiosa, que nasceu em Skopje, na Macedônia, mas que marcou sua vida pelos trabalhos

de solidariedade em favor dos mais pobres na cidade de Calcutá, na Índia. Madre Teresa é a fundadora da ordem das “Missionárias da Caridade”. Em 1979, foi condecorada com o Prêmio Nobel da Paz. Seis anos após sua morte, São João Paulo II a beatificou em 19 de outubro de 2003. A exposição gratuita já passou por países como Espanha, Inglaterra e Estados Unidos e por outros locais da cidade de São Paulo. Na Paróquia-santuário São Francisco de Assis, pode ser visitada de terça-feira a sábado, das 9h às 17h, e aos domingos, das 8h às 12h. (Com informações da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo)


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A solene missão da Igreja: ser misericordiosa Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Na Solenidade de São Pedro e São Paulo Apóstolos, seminaristas da Arquidiocese são enviados para a missão de férias nas paróquias e pastorais de fronteira NAYÁ FERNANDES

nayafernandes@gmail.com

As colunas da Catedral da Sé são muitas e imponentes. Quem ali entra, pode sentir-se protegido e, ao mesmo tempo, vislumbrado diante de uma construção tão importante para a cidade e para a Arquidiocese de São Paulo. No domingo, 3, foi o dia em que a Igreja celebrou a Solenidade de São Pedro e São Paulo Apóstolos. Conhecidos como as colunas da Igreja, desde o início do Cristianismo, são eles a sustentação e novidade para aqueles que seguem o caminho de Jesus. Pedro, escolhido a partir de sua fé, e Paulo, a quem Jesus chamou por vias totalmente inusitadas para ele, são hoje exemplo para toda a comunidade que busca viver de forma comprometida com os demais. Por isso, na missa aconteceu também o envio dos seminaristas arquidiocesanos que, durante o mês de julho, vivem a Missão de Férias nas paróquias e junto às chamadas pastorais de fronteira. “Paulo diz que a fé que não se transforma em amor é vazia. E é por isso que o Papa diz que é preciso que a Igreja reaprenda a misericórdia. ‘Talvez por demasiado tempo, nós temos esquecido de praticar a misericórdia’, disse o Papa. A misericórdia tem a ver com aquele que é pobre, sofredor. Assim, ela deve ser praticada, sobretudo, com aqueles mais sofridos”, afirmou o Cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito da Arquidiocese, que foi o presidente da celebração. Além do envio dos seminaristas, lembrou-se a comemoração dos 70 anos do Serviço Social da Indústria (Sesi). De acordo com as informações no site da Instituição, o Sesi tem o propósito de ser o agente de transformação social, induzindo a competitividade da indústria e a melhoria das condições de vida dos trabalhadores. Suas atividades estão focadas em Educação, Segurança e Saúde do Trabalho e Promoção da Saúde, tendo a virtualidade e mobilidade como estratégica para ampliar a sua atuação. Por ocasião dos 70 anos, houve após a missa a apresentação da Orquestra Bachiana Filarmônica Sesi-SP, sob a direção e regência do maestro João Carlos Martins.

‘Não há sentido numa Igreja monolítica’

Dom Cláudio, na homilia, falou sobre a necessidade de a Igreja reaprender a misericórdia e ter caminhos novos para a mensagem de Jesus. “O Filho de Deus se fez homem e, assim, Deus se fez his-

Dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito da Arquidiocese, preside missa na Solenidade de São Pedro e São Paulo Apóstolos, no domingo, 3

tória. Ele é nosso amparo, nosso encorajamento. A ternura de Deus acompanha seu povo e assim a Igreja tem que se inculturar em cada momento histórico. Jesus tem sua mensagem que ontem, hoje e sempre é a mesma, mas Ele tem respostas, caminhos novos para situações novas e para as culturas que são diferentes. O mundo é diferenciado e, nesse sentido, a Igreja tem que ser capaz de se diferenciar. A fé é uma só, mas ela se realiza e se concretiza diferentemente. Não há sentido numa Igreja monolítica que se refugie em normas e cânones, porque o que salva não é a lei. O que salva são o amor e a misericórdia. A lei deve nos ajudar a amar melhor. A primeira manifestação da escolha de Pedro foi da fé dele”, falou Dom Cláudio. Ele insistiu sobre quem são os destinatários da missão. “Todos devem ser incluídos e o mundo está excluindo cada vez mais. Chega a excluir países inteiros que não são produtivos ou competitivos no mercado, e esses países ficam à margem. Ninguém pode ficar à margem, excluído ou descartado. Há milhões e milhões de famintos no mundo, de esquecidos, abandonados. É ali que a Igreja tem que fazer a misericórdia. Por isso, Jesus diz a Pedro: ‘Se tu me amas, apascenta minhas ovelhas’”. “Vocês que vão na missão de fronteira devem agir com o coração de misericórdia e não simplesmente para ser manchete de jornal. Isso que temos que reaprender, e é isso que vai transformar o mundo. É isso que faz a diferença. A Igreja só fará a diferença se for misericordiosa. Não basta a fé. Ela deve se transformar em misericórdia”, orientou o Cardeal aos seminaristas.

Em saída, nas fronteiras As pastorais do Menor, Carcerária e do Povo da Rua, além de hospitais e algumas paróquias das seis regiões episcopais da Arquidiocese recebem até o domingo, 10, os seminaristas que vivem a Missão de Férias, com o objetivo de proporcionar a eles uma experiência de pastoral urbana missionária, capaz de melhor prepará-los para atuarem na evangelização da Cidade com todos os seus desafios. Além das visitas aos locais onde essas pastorais atuam diretamente, os seminaristas são convidados a visitar principalmente os doentes em suas casas, desempregados, enlutados, pessoas solitárias, portadores de HIV, marginalizados e pessoas em situação de rua. São, ao todo, 64 seminaristas dos seminários: Nossa Senhora da Assunção, que estão no propedêutico; Santo Cura D’Ars, que cursam Filosofia; e Bom Pastor, que estão estudando Teologia. No domingo, durante a missa na Catedral da Sé, foram enviados os 32 seminaristas que irão para as realidades de fronteira junto às pessoas em situação de rua, aos doentes, às crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, e aos encarcerados. Dois meninos que são irmãos de sangue e, há mais de 10 anos vivem em situação de abrigo, participaram da missa. Levados por Sueli Camargo, coordenadora arquidiocesana da Pastoral do Menor, eles foram acolher os missionários que irão acompanhar o trabalho da Pastoral. Na programação, além da visita aos abrigos e creches, está a ida a unidades da Fundação Casa e a integração com o trabalho de defesa dos direitos das crianças e adolescentes que a Pastoral desenvolve.


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6 a 12 de julho de 2016 | www.arquisp.org.br

O SÃO PAULO - 3109  

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