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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 61 | Edição 3107 | 22 a 28 de junho de 2016

R$ 1,50

www.arquisp.org.br

A fé transpassa as grades, é possível recomeçar

Encontro com o Pastor No dia 2, Arquidiocese agradecerá pelos 50 anos do episcopado de Dom Paulo

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Página 3

Editorial Atenção às pessoas em situação de rua é um problema complexo Página 2

Espiritualidade Dom Eduardo: professar a fé em Cristo é assumir o caminho da cruz Página 5

Comportamento

Adolescentes que cumprem internação na Fundação da Casa participam de missa com Dom Eduardo e acolhem a imagem de Nossa Senhora

Daniel Zappe/CPB/mpix

acompanhou o dia em que a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida foi levada a uma unidade da Fundação Casa. Páginas 12 e 13

esporte Bruno Carra: um vencedor determinado a grandes conquistas paralímpicas Aos 27 anos, Bruno Carra estará pela primeira vez em uma paralimpíada, em setembro. Medalhista de prata nos pans de Guadalaraja 2011 e Toronto 2015, ele superou as dificuldades por ser anão, bem como as lesões na carreira e até um doping acidental. Católico praticante, o atleta encontra na fé a força para treinar, focado no sonho de ser medalhista nos Jogos Rio 2016. Página 11

Igreja em São Paulo tem permanente solidariedade com os ‘irmãos da rua’ Página 23

Migrantes buscam acolhida e superação de barreiras na Metrópole

Página 6

Com a Palavra Irmã Helen Alford: o dinheiro não deve ser um fim em si mesmo Vice-decana da Faculdade de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino, em Roma, Irmã Helen Alford falou ao O SÃO PAULO sobre a atual economia global e como os princípios cristãos podem impactar nos negócios. Página 15

Página 14

CNBB pede a parlamentares especial atenção com projetos no Congresso Página 22

http://ucu.edu.ua

Proporcionar aos adolescentes e jovens que cumprem medida socioeducativa de internação uma experiência de fé é a proposta do projeto Evangelizando a Casa. O SÃO PAULO

Simone Fuzaro: ensinar e aprender a empatia


2 | Ponto de Vista |

22 a 28 de junho de 2016 | www.arquisp.org.br

Editorial

Um problema complexo

Q

uem caminhar pelo centro da cidade, a partir do fim da tarde, perceberá uma total mudança de cenário. A agitação das pessoas que caminham de um lugar a outro, que ocupam os assentos dos escritórios ou disputam clientes nas casas comerciais e os camelos que formam um tapete de retalhos com todos os tipos de produtos, dão lugar a barraquinhas de acampamento ou improvisadas com papelões, a colchões ou cobertores esticados sob os vãos dos edifícios e sobre esses, e dentro desses, pessoas diferentes, com histórias diferentes e algumas coisas em comum. Encontrará pessoas como Angélica, 28, que cursou dois semestres do curso de Direito e foi para a rua após a morte de sua mãe; encontrará Luiz Fernando, 24, com ensino fundamental completo

e família no interior do estado, na companhia de Cornélio F. M, 56, do sul da África, com mulher e filhos deixados em Johanesburgo e que não fala uma única palavra em português. O que fez essas pessoas desistirem dos ideais de vida que tinham? Em comum, boa parte dos irmãos de rua com quem O SÃO PAULO conversou na noite da segunda-feira, 20, tem em seu histórico de vida o uso de drogas. Esse é o caso dos sete jovens que foram resgatados das ruas e estão em fase de recuperação em uma das casas da Missão Belém e que acompanharam a reportagem do jornal no centro da cidade. O frio que este ano castiga os moradores de rua da cidade de São Paulo, com as mortes resultantes e anunciadas pela imprensa, gerou uma verdadeira rede

de solidariedade entre os paulistanos. Por todos os lados, nas últimas semanas, foi possível perceber o florescimento de iniciativas e mobilizações, conjuntas e individuais, fazendo bom uso das redes sociais para despertar o desejo de ajudar e na tentativa emergencial de impedir que mais alguém morra de frio, de fome, de doença não tratada em algum canto escuro das ruas da cidade. No Pátio do Colégio e na praça da Sé, foi possível observar as caravanas de ajudas que chegavam com roupas, cobertores e alimentos. Ao amanhecer, muito desse material é deixado para trás, formando pequenas pilhas, que podem ter o efeito de um banho de água fria em quem ajudou. Mas essa percepção não é correta. A realidade dos cobertores largados nas ruas revela, simplesmente, que os problemas dos moradores

de rua é mais complexo e para além de doações emergenciais. Reclamam programas de recuperação, de reintegração e atenção constantes. Sugerem, sim, que essas ajudas podem ser mais eficazes se realizadas de maneira integrada com as pastorais e movimentos da Igreja que atuam de modo permanente com essa população. Que a cidade economicamente mais ativa do País possua, segundo os dados da Prefeitura, mais de 14 mil pessoas sem um teto e condições mínimas de vida e subsistência, de modo que dependam permanentemente da ajuda e caridade alheia para continuarem vivas, é uma contradição que reclama políticas públicas, as quais, para serem eficazes, necessitam considerar as inúmeras variantes procedentes da complexidade que é própria da natureza humana.

Opinião

Usar a internet de forma positiva e lutar por uma sociedade melhor Arte: Sergio Ricciuto Conte

Alexandre Ribeiro O meu pai vem de uma cidade pequena do sul de Minas Gerais. Ele me contava que a honestidade era algo muito valorizado por lá. Todos tinham palavra, e se podia confiar uns nos outros. Até porque, sendo um povoado pequeno, se alguém faltasse com a honestidade, todos ficariam sabendo. Hoje, de certa forma, vivemos numa cidadezinha. Pelo menos no sentido de que os malfeitos estão mais difíceis de esconder. Uma hora ou outra, alguém bate à porta da nossa timeline para contar em detalhes os mais recentes escândalos. Mas não só de notícias ruins vive o mundo virtual. A internet nos permite aprofundar um aspecto fundamental da vida em sociedade: a cooperação. A base de uma sociedade é a cooperação. Duas pessoas cooperam entre si quando o comportamento social de cada uma delas é valioso para a outra ou para um terceiro. Os primeiros evolucionistas, entre eles o Prêmio Nobel de Medicina, Konrad Lorenz (1903-1989), afirmavam que ao lado da cooperação vinha sempre a competição. A luta pela existência seria uma dinâmica entre cooperar e concorrer. Mas competir não significa, necessariamente, prejudicar ou causar danos ao próximo. Significa reconhecer que a sua expressão esbarra com a de outros. Apesar das tensões que existem entre

as pessoas e os grupos, a cooperação é um valor maior do que a competição. Como a própria natureza ensina, a cooperação é indispensável para a sobrevivência. As espécies que mantêm relações simbióticas – ou seja, relações de cooperação, nas quais indivíduos e grupos se beneficiam uns dos outros – acabam apresentando melhores condições de vida e descendência. Cooperar e compartilhar os seus valores individuais, como por exemplo a sua honestidade e a sua disponibilidade

em ajudar, contribui realmente para o desenvolvimento da sociedade. Aqueles que se comportam na contramão da cooperação, pautados pelo egoísmo e a busca de vantagens ilícitas, estão fadados a um destino desfavorável. O seu voo, de aparente sucesso, é curto. Os políticos corruptos e seus súditos, por exemplo, hábeis em se infiltrar em todos os partidos, ideologias e setores da sociedade, não entendem que não podem comprar um destino favorável. Assim, eles costumam viver

em bandos, buscando cúmplices, pois sempre têm algo a esconder. Sua marca é a miséria humana, pois se sentem ameaçados pela vida, pelo próximo e por todos que sabem amar e cooperar. A ação direta ou indireta dos cidadãos contra a corrupção é imprescindível. E nisso as redes sociais na internet podem ser de grande utilidade. A internet é uma ferramenta de grande potencial no combate aos corruptos e na busca de mais cooperação entre os indivíduos. Quando os usuários das redes sociais têm como norte o comportamento simbiótico, ou seja, aquele que busca a cooperação e o compartilhamento de valor, eles estão automaticamente combatendo os grupos antibióticos e parasitários, que são aqueles que causam prejuízo à sociedade e querem ganhar em cima da perda de outros. Quando você navegar nas redes sociais, procure observar se está estimulando a cooperação e a difusão de comportamentos valiosos. Por outro lado, pressione os corruptos e parasitas. E assim, mesmo que de forma aparentemente imperceptível, você estará dando à megalópole digital aquele ar de cidadezinha do interior. Um lugar onde a palavra e a conduta têm valor, e onde os corruptos não têm vez. Alexandre Ribeiro é jornalista, foi editor no Brasil do site católico de notícias Zenit e é atualmente editor do site Aleteia. É membro do conselho do Núcleo de Fé e Cultura da PUC-SP

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Redator chefe: Daniel Gomes • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Edcarlos Bispo, Filipe David, Nayá Fernandes e Fernando Geronazzo • Institucional: Rafael Alberto e Renata Moraes • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Secretaria de Redação: Djeny Amanda • Assinaturas: Ariane Vital • Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Revisão: Maria Aparecida Ferreira • Impressão: S.A. O ESTADO DE S. PAULO • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinaturas) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail • A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

N

o próximo dia 2 de julho, será comemorado o Jubileu de Ouro episcopal do cardeal Paulo Evaristo Arns, Arcebispo emérito de São Paulo, numa solene celebração eucarística. Será às 10h, na Catedral metropolitana da Sé de São Paulo. Passaram 50 anos desde que, no dia 3 de julho de 1966, Frei Paulo Evaristo foi ordenado bispo pela imposição das mãos do cardeal Agnelo Rossi, Arcebispo de São Paulo, de Dom Anselmo Pietrulla, bispo de Tubarão, e de Dom Honorato Piazzera, bispo coadjutor de Lages. Foi na paróquia do Sagrado Coração de Jesus, em Forquilhinha, cidadezinha de Santa Catarina, que viu nascer o menino Paulo Evaristo em 14 de setembro de 1921. Grande foi a alegria na comunidade local e na numerosa família Arns, que teve vários filhos consagrados a Deus na vida religiosa; alegria na Ordem dos Frades Menores Franciscanos, que teve Frei Paulo entre seus membros, como professor de Francês, letras clássicas, Filosofia, História da Igreja e Patrística, em Petrópolis e Curitiba. Grande alegria e esperança para a Arquidiocese de São Paulo, para a qual ele havia sido nomeado, como bispo auxiliar, pelo Papa Paulo VI, em 2 de maio de 1966. Dom Paulo adotou o lema episcopal “ex spe in spem” - de esperança em esperança. Era logo após o Concílio Vaticano

Cardeal Dom Paulo: de esperança em esperança! II, tempo repleto de vivacidade e de esperança para a Igreja. O cardeal Rossi confiou-lhe a região Norte (Santana) da Arquidiocese para pastoreá-la como Vigário Episcopal. Havia vários outros bispos auxiliares na imensa Igreja de São Paulo, cuja população crescia rapidamente. Com os migrantes que chegavam sem parar à Metrópole, bairros novos iam se formando na extensa periferia, necessitando de assistência religiosa e de evangelização. No dia 22 de outubro de 1970, o Papa Paulo VI nomeou Dom Paulo como arcebispo metropolitano de São Paulo; a Arquidiocese havia ficado vacante depois que o cardeal Rossi foi posto pelo mesmo Papa à frente da Congregação para a Evangelização dos Povos. No Consistório de 5 de março de 1973, Dom Paulo foi criado cardeal por Paulo VI e recebeu a igreja titular de Santo Antônio de Pádua, na Via Tuscolana, em Roma. Dom Paulo esteve à frente da Arquidiocese de São Paulo por quase 28 anos, até que resignou do governo pastoral em 15 de abril de 1998, por decorrência de idade. Sua dedicação à Igreja e ao povo de São Paulo foi imensa. Tratavase de implementar as reformas do Concílio Vaticano II, para promover mais eficazmente a evangelização, o testemunho e a presença da Igreja no meio da sociedade. Era necessário ampliar as estruturas para os serviços eclesiais, religiosos e assistenciais nas imensas periferias da cidade

e traduzir em novas práticas pastorais os ensinamentos bonitos do Concílio sobre a Igreja; era urgente promover uma renovada formação do clero, dos religiosos e leigos; era necessário difundir a justiça social em sintonia com a Doutrina Social da Igreja; afirmar e defender a dignidade da pessoa, em conformidade com a antropologia cristã e as ricas orientações do Concílio, especialmente na constituição pastoral Gaudium et Spes. E era necessário que a Igreja se empenhasse na renovação da vida social, cultural e política do país em tempos de limitação e cerceamento das liberdades democráticas, de perseguição política e de graves agressões contra a dignidade humana promovida pelo Estado autoritário. E Dom Paulo se empenhou pessoalmente, mediando a solução de conflitos e dando coragem, apoio e confiança a muitas pessoas engajadas na luta para que o Brasil voltasse a ser um país livre e democrático. Dom Paulo exerceu seu ministério episcopal em São Paulo com grande dedicação e zelo, deixando marcas profundas no povo e na Arquidiocese. No dia 2 de julho, toda esta Igreja Particular vai reunir-se em torno do seu arcebispo emérito para agradecer a Deus pelos 50 anos de sua ordenação episcopal. Foi muita graça de Deus para ele e para a Igreja! Dom Paulo, na sua veneranda idade de quase 95 anos, continua a nos lembrar: coragem, nunca desanimar! De esperança em esperança!

| Encontro com o Pastor | 3

Visita à Arca do Brasil Divulgação

Na manhã do sábado, 18, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, visitou a Arca do Brasil, no Jardim Elisa Maria, na região Noroeste de São Paulo. A entidade atua na atenção às pessoas com deficiência intelectual, em um ambiente familiar, oferecendo a elas oficinas pedagógicas, artísticas e culturais.

Festa de São Luiz Gonzaga

Alessandro Okumura

O Cardeal Odilo Pedro Scherer esteve na noite do sábado, 18, na Paróquia São Luiz Gonzaga, no Setor Pastoral Jaçanã da Região Santana, onde presidiu missa por ocasião da festa do padroeiro, cuja memória litúrgica é celebrada em 21 de junho.

Tweets do Cardeal @DomOdiloScherer 19 – “Obras todas do Senhor, glorificai-o. A Ele louvor, honra e glória eternamente!” 19 – “Vinde, povo do Senhor e rebanho que ele guia: vinde todos, adoremos!” Bom Domingo, dia do Senhor! 17 – Ef 2, 8-9 - “É pela graça que sois salvos, mediante a fé. E isso não vem de vós; é dom de Deus! Não vem das obras, para que ninguém se orgulhe”

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www.arquisp.org.br | 22 a 28 de junho de 2016

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4 | Fé e Vida |

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Liturgia e Vida

Você Pergunta

Yoga é coisa do diabo?

13º Domingo do Tempo Comum 26 de junho

Tomar a cruz de Cristo e renunciar a si mesmo Padre Nilo Luza, SSP Próximo de ser levado para o céu, Jesus inicia a grande viagem para Jerusalém. Nessa caminhada, seus seguidores, aos poucos, vão compreendendo o que significa tomar a cruz, renunciar a si mesmos e optar por Ele. Na ida a Jerusalém, Jesus encontra resistências e apresenta as condições aos que desejam segui-lo. A hostilidade entre judeus e samaritanos era antiga. A região da Samaria era formada por diversos povos e culturas diferentes, e os judeus consideravam os samaritanos impuros por causa dessa diversidade étnica. Mas Jesus não os despreza, porque Ele veio para todos os povos e sabia acolher todos os que se aproximassem ou necessitassem dele. Ao longo dessa jornada, Jesus apresenta, em três cenas, as condições a quem se propõe segui-lo. O Mestre é claro e não quer enganar ninguém, por isso dá a conhecer as exigências de forma decisiva. Na primeira cena, alguém se oferece para segui-lo a qualquer lugar que fosse.

Jesus adverte a pessoa de que nem sequer tem lugar para repousar a cabeça. O Mestre não oferece nem bem-estar nem futuro. Seguir Jesus não é buscar estabilidade econômica ou refúgio na religião. Na segunda cena, Jesus convida para o seguimento, mas a pessoa pede antes um tempo para enterrar o pai. Trata-se de estabelecer prioridades: não há tempo a perder para quem se propõe seguir o Mestre. Nada nem ninguém deve atrasar nossa decisão de segui-lo. Não podemos nos refugiar num passado já “morto”. Na terceira cena, outro se oferece para segui-lo, mas pede para se despedir dos seus. Jesus é decisivo, não é possível segui-lo olhando para trás. O Mestre nos desafia a olhar para a frente; ficando presos ao passado, podemos perder a chance de colaborar com o dinamismo do Reino de Deus. O cristão não vive de saudosismo. As propostas de Jesus aos seus discípulos-missionários exigem renúncia, despojamento e disponibilidade. Fonte: Paulus Editora *Excepcionalmente nas próximas semanas a articulista Ana Flora Anderson não escreverá para a seção “Liturgia e vida”.

EDITAL DE CONVOCAÇÃO

padre Cido Pereira osaopaulo@uol.com.br

A Jéssica, que não disse seu sobrenome, mora em Santa Helena (PR). Ela quer saber sobre as técnicas de relaxamento que os psicólogos tanto recomendam, pois a psicóloga dela recomendou-lhe por conta de uma ansiedade. Porém, a Jéssica ouviu um padre falando sobre yoga, dizendo que um cristão não pode fazê-lo porque “o conjunto de crenças do yoga é indissociável do hinduísmo. O yoga, que significa literalmente ‘união’, pretende levar o homem à união com a divindade impessoal (iluminação), por meio de determinados ritos e invocações (entoação de mantras), aos quais vêm atribuída uma eficácia ‘espiritual’. Não se trata apenas de determinadas técnicas de relaxamento, como pensam muitos, e sim, na realidade, gestos carregados de significados espirituais, que afastam as pessoas da verdade e da graça que Jesus e abrem o coração à ação diabólica”.

Ô Jéssica! Por este mundo afora, o yoga tem feito um bem enorme às pessoas. São técnicas de relaxamento que ajudam no tratamento da ansiedade. Eu sempre vi com bons olhos os grupos de yoga que se reúnem em nossas paróquias. As pessoas se sentem bem e eu jamais vi alguém por conta desses exercícios abandonar a fé católica. Eu sei, Jéssica, que há padres e grupos católicos que costumam ver em tudo a ação do diabo. E eu fico cá pensando comigo: se são coisas diabólicas, como podem fazer bem às pessoas? Por isso, o que você tem a fazer é o seguinte: aproveite a técnica. Veja se os instrutores são pessoas sérias que não doutrinam ninguém e faça o seu relaxamento. Podemos com essas técnicas até mesmo melhorar a nossa comunhão com Deus. Minha irmã, para terminar, não me parece fraterno, nem respeitoso, achar que nessas técnicas de relaxamento o diabo se faz presente. Até porque o “diabo” é um elemento da fé católica. Eu penso que em outras expressões religiosas, o mal deve ter outro nome.

Atos da Cúria NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE VIGÁRIO PAROQUIAL Em 10 de junho de 2016, foi nomeado e provisionado Vigário Paroquial “ad nutum episcopi” da Paróquia São Paulo Apóstolo, na Região Episcopal Belém, o Revmo. Pe. Kristianto Ratu Marius Naben, SVD.

Pelo presente edital fica convocada a Sra. MARIA LUCIA CAVALHEIRO, com endereço desconhecido para que compareça de terça à sexta feira, das 13:00 hrs., às 15:00 hrs., ao Tribunal Eclesiástico Regional e de Apelação de São Paulo, à Av. Nazaré, 993 – Ipiranga – São Paulo – SP, para tratar de assunto que lhe diz respeito. São Paulo, 22 de Junho de 2016.

EDITAL DE CONVOCAÇÃO

A FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA, convoca seus membros diretores para a assembleia geral ordinária a realizar-se no dia 19 de julho de 2016, às 10h, em sua sede à Avenida Higienópolis, 890, sala 16, São Paulo, SP, em primeira chamada com todos os diretores presentes, e, às 10h30, em segunda chamada, com os que estiverem presentes. A assembleia terá como pauta: 1 - assuntos ordinários da “Rádio 9 de Julho”; 2 – assuntos ordinários do Jornal “O SÃO PAULO”; 3 – outros assuntos. São Paulo, 22 de junho de 2016. O Presidente

CONVOCAÇÃO

ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA

Conforme Estatuto Social, em seu artigo 19, a Venerável Irmandade de São Pedro dos Clérigos vem pela presente convocar seus membros para se reunirem em Assembleia Geral Ordinária. A Assembleia Geral Ordinária terá a seguinte pauta: 1 – Oração inicial; 2 – Leitura da Ata da Assembleia Geral Ordinária realizada em 30/06/2015; 3 – Prestação de contas do Exercício de 2015; 4 – Relatório da Auditoria; 5 – Eleição e Posse de Diretoria para o triênio 2016-2019; 6 – Assuntos Gerais; 7 – Almoço de confraternização. Data: 05 de julho de 2016. Hora: 9h30h em 1ª convocação e 10h em 2ª convocação, conf. Art. 16. Local: Salão de Eventos da Churrascaria Radial Grill Radial Leste nº 3.300 – à 100 mts da Estação Belém do Metrô Estacionamento próprio São Paulo, 17 de junho de 2016. Venerável Irmandade de São Pedro dos Clérigos Pe. Márcio Leitão - Provedor

Para assinar O SÃO PAULO: Escolha uma das opções e a forma de pagamento. Envie esse cupom para: FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA, Avenida Higienópolis, 890 São Paulo - SP - CEP 01238-000 - Tel: (011) 3666-9660/3660-3724

ASSINATURA SEMESTRAL: R$ 45 ANUAL: R$ 78 FORMA DE PAGAMENTO CHEQUE (Nominal à FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA) DEPÓSITO BANCÁRIO Bradesco ag 3394 c/c44159-7 COBRANÇA BANCÁRIA

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Espiritualidade

‘Tu és o Cristo de Deus’ (Lc 9, 18-24) Dom Eduardo Vieira dos Santos

D

Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé

epois de ouvir a resposta dos discípulos acerca da opinião das pessoas sobre a sua identidade, Jesus se volta para os discípulos e lhes pergunta: “E vocês, quem vocês dizem que eu sou?” (cf. Lc 9,20). A resposta de Pedro é profunda: “Tu és o Cristo de Deus”. A nosso ver, responder hoje que Jesus é o Cristo de Deus, o Messias prometido, pode parecer simples, óbvio, o que certamente não foi para os seus discípulos e, até hoje, continua não sendo para nós, novos cristãos. Jesus revela sua identidade como ungido do Pai (cf. Lc 4,18) em suas palavras e ações: “os pobres são evangelizados, os cativos são libertos, os cegos recuperam a vista, os oprimidos são libertos e a todos é anunciada a Boa-Notícia do Evangelho” (cf. Lc 4, 18-19). Com sua vida inteiramente voltada para Deus, Jesus revela a face misericordiosa de Deus e seu projeto de vida e liberdade para todas as pessoas. A profissão de fé de Pedro, “Tu és o Cristo de Deus”, nos ensina o ca-

minho a seguir, Jesus Cristo, filho perseguido, em muitos casos, diado Deus vivo, enviado ao mundo riamente, pois não é fácil lutar conpara nos salvar. Professar a fé em tra os projetos de discriminação, de Jesus como Cristo, filho de Deus, é exclusão e de morte que se instalam assumir o caminho da cruz, como nas sociedades. Seguir Jesus é estar Ele o fez, caminho percorrido por consciente dos nossos compromisinúmeros homens e mulheres, por sos de cristãos, é aceitar ser tratado amor a Jesus e a sua Palavra. As como malfeitor, como marginal, ascondições para tal seguimento são sim como Jesus foi tratado. É aceibem explícitas: “Se alguém quiser tar ser morto, violentado nos seus me seguir, renuncie a si mesmo a direitos, ser banido da sociedade cada dia, tome sua cruz e siga-me” injusta, que com seu comportamen(cf. Lc 9,23). Essas condições postas to egoísta, ambicioso e dominador, aos discípulos e a nós, seus seguido- segue matando pobres, crianças, jores, são como provas de fidelidade vens, homens e mulheres inocentes a Jesus, que para fazer a vontade do Pai, Com sua vida inteiramente teve que enfrentar as estruturas de morte, voltada para Deus, Jesus renunciando à pró- revela a face misericordiosa pria vida, para com a de Deus e seu projeto de sua morte, destruir a vida e liberdade para morte. Nesse sentido, re- todas as pessoas nunciar a si mesmo significava para Jesus e, também e indefesos, para garantir seus pripara aquele que o quer seguir nos vilégios e interesses. Professar a fé dias de hoje, se desfazer de toda como Pedro, que Jesus é o “Cristo de ambição pessoal, seja de sucesso, de Deus”, é aceitar se comprometer com poder financeiro e de controle da a causa dos mais pobres e injustiçaverdade. É ser pobre de espírito (cf. dos, assumindo suas dores e sofriMt 5,3), capaz de nunca fazer aliança mentos, suas lutas e derrotas, certos com o mal, com tudo o que ameaça de que a Ressurreição de Jesus é a ou possa ameaçar a vida das pesso- nossa força, que a sua vitória sobre o as e sua liberdade de filhos de Deus. pecado e o mal é a nossa vitória e de Nessa trajetória, tomar a cruz é o todos quantos resistem e enfrentam mesmo que admitir sofrer pela ver- os mecanismos de morte para salvar dade, admitir ser criticado, rotulado, suas vidas e de seus semelhantes.

| Fé e Vida | 5

Fé e Cidadania Governo novo? Cônego Antonio Manzatto Instalado há pouco mais de um mês, o novo governo mostra sua cara. Revela, de um lado, a preocupação de quem o conduziu ao poder: recolocar a economia nos trilhos neoliberais; de outro lado, revela os mecanismos da conquista e manutenção do poder: as práticas fisiológicas do famoso “toma lá, dá cá” da política conservadora do País. Nada há de espantoso nisso, já que se trata de crônica anunciada. Rapidamente, o governo interino foi chacoalhado por denúncias de corrupção e cabeças coroadas de seu partido tiveram prisão solicitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e são réus em processos no Supremo Tribunal Federal (STF). Vindas a público, tais denúncias não foram saudadas pela orquestra de panelas que se manifestava em situações semelhantes até recentemente. Quando se demonstrou o plano para desativar a Lava Jato, nem a mídia se exaltou, nem as panelas soaram. Talvez porque já soubessem que a tão propalada luta contra a corrupção era apenas uma forma de derrubar o partido que não se conseguia derrotar nas urnas. E aí aparece o verdadeiro interesse: recolocar a economia nos trilhos neoliberais, favorecendo os donos do País e recolocando em espécie de ilegalidade os programas sociais que tentavam, com algum sucesso, reduzir a distância que separa os ricos dos pobres no Brasil. Todo o discurso de que em pouco tempo o País vai voltar a crescer esconde a simples vontade de voltar a praticar a economia que favorece os grandes. Prova disso são as reformas econômicas que estão sendo preparadas e que vão, aos poucos, aparecendo para a mídia torná-las aceitáveis. Tais reformas se resumem a confiscar conquistas trabalhistas e penalizar a população com novas formas de impostos. Está se ensaiando, por exemplo, mais uma reforma na Previdência de maneira a alongar o tempo de trabalho antes da aposentadoria, além de encontrar maneiras de impedir o crescimento dos salários dos aposentados. E outras mais desse tipo virão por aí, em verdadeiro pacote de maldades, como a revisão do SUS. Ao lado disso, se justifica o aumento de impostos pelo crescimento de gastos do governo com pagamentos do funcionamento da máquina estatal. O que não se podia fazer com gastos sociais, é permitido com despesas de funcionamento, e se anuncia até mesmo a CPMF. O novo governo não veio para acabar com a corrupção. A faz permanecer nas negociatas em troca de apoio político. Também não veio para acertar a economia do País, apenas devolvê-la a seus antigos senhores que, desde sempre, dominam e controlam a riqueza do País e não querem, de forma alguma, deixar que ela seja utilizada em benefício de toda a população brasileira. As opiniões da seção “Fé e Cidadania” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do O SÃO PAULO.


6 | Viver Bem |

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Comportamento

Conviver é uma arte: educar para a empatia Simone Fuzaro sugeridos pelo psicólogo Ri-

Estamos no mundo em pleno convívio. Cotidianamente, encontramos pessoas: familiares, amigos, vizinhos, colegas de trabalho e centenas de desconhecidos... Pessoas queridas, que amamos; pessoas difíceis, que gostaríamos de evitar. Por isso, conviver é uma das maiores e mais belas artes e precisamos de talento para isso. Tal talento não é inato, é aprendido. Alegria, bom humor, gentileza e respeito são virtudes fundamentais para a arte do convívio. O bom convívio torna o ambiente melhor, as pessoas mais felizes e a sociedade mais equilibrada. Para além dessas virtudes, existe uma capacidade psicológica que, quando bem desenvolvida, evita muitos problemas relacionais: a empatia. Empatia é a capacidade de colocar-se no lugar do outro, de compreender os sentimentos do outro sem perder de vista, porém, que são do outro. A empatia é uma habilidade e, portanto, pode ser ensinada e aprendida. Os pais são fundamentais na formação dos filhos, são referência sempre. Daí a importância de tomarem a sério o compromisso de ensinar virtudes, valores e desenvolver habilidades. Num artigo do The Washington Post, Amy Joyce apresenta os cinco caminhos

chard Weissbourd, de Harvard, para os pais educarem seus filhos com o objetivo de adquirirem a capacidade de empatia. Esse psicólogo dirige o projeto Making Caring Common, que tem por objetivo ajudar as crianças a adquirirem empatia. Eis os caminhos (os comentários são de minha autoria): 1) Fazer do cuidado para com os outros uma prioridade: Por meio de atitudes e conversas, é importante deixar claro que o cuidado com os demais é tão importante quanto o cuidado próprio. Desde pequenos, podemos estimular que nos ajudem a “cuidar” de pessoas próximas da família: levar algo para a vovó que ela goste ou precise; visitar alguém que está doente; conversar sobre as dificuldades de algum parente. 2) Dar oportunidades às crianças para a prática da gentileza e gratidão: Ensiná-las a gratidão. Agradecer pequenos atos de carinho e delicadeza, pequenos favores, serviços prestados por empregadas domésticas, babás. A gratidão abre espaço para a solidariedade. Estimular atitudes de gentileza com exemplos e conversas. Também é importante que se sintam parte daqueles que cuidam da casa, fazendo pequenas tarefas adequadas a cada idade (isso as ensina a valorizar os serviços que são prestados a elas,

bem como a solidariedade). 3) Expandir o círculo de cuidado das crianças: Aos poucos, alertá-las para situações de pessoas mais distantes, mas que precisam de cuidados - algum trabalho social em que possam ser envolvidas, por exemplo. 4) Ser um mentor e modelo de moral: Que os pais busquem viver de fato esse envolvimento com os outros, sendo referência e exemplo. Quando errarem, pedir perdão e mostrar no que erraram. Isso ajuda para que cresçam na autoconsciência e percepção de que todos têm dificuldades e limitações. Conversar sobre as dificuldades que elas encontram em seu cotidiano e ajudá-las a identificar seus sentimentos, necessidades e os dos demais. Conversar com os filhos sobre pequenos “dilemas” do cotidiano - brigas na escola, situações difíceis vivenciadas por eles ou por nós, pais. Ajudá-los a formar critérios éticos sobre as mesmas e encontrar soluções e posturas adequadas. 5) Guiá-las para que aprendam a lidar com sentimentos negativos (raiva, medo, vergonha): Identificar sentimentos, compreendê-los, pensar em atitudes adequadas e positivas, ajudá-las, aos poucos, a substituir a reação pela ação. Simone Ribeiro Cabral Fuzaro é Fonoaudióloga e educadora. Mantém o blog http://educandonacao.com.br

Cuidar da Saúde

Repouso no pós-operatório de hérnia é fundamental Cássia Regina Hérnia é toda massa circunscrita formada por um órgão (ou parte de órgão) que sai por um orifício, natural ou acidentalmente. Existem diferentes tipos de hérnia. As mais comuns são: inguinal, femoral, umbilical ou incisional. Existe também a hérnia de disco na coluna. Geralmente, hérnia não dói, à exceção da hérnia de disco, que dependendo do grau causa muita dor.

As hérnias são visíveis, exceto a de coluna. Aparece um aumento de volume na região afetada, que diminui quando se aperta e aumenta com esforço físico ou quando se tosse. Para o diagnóstico, é necessário exame físico e de imagem, como ultrassom ou tomografia (no caso da hérnia de disco). O tratamento geralmente é cirúrgico, mas o mais importante é o pós-operatório. O repouso solicitado é essencial para que a hérnia não volte

a sair. Importante: se você tem uma hérnia (inguinal, femoral ou umbilical) e se ela começar a doer muito e não diminuir como antes, procure um pronto-socorro. Ela pode estar estrangulada e nesse caso deve ser realizada uma cirurgia de urgência. Não é comum, mas pode acontecer. Siga a risca as orientações médicas. Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF) E-mail: dracassiaregina@gmail.com


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Daniel Gomes, Fábio Augusto, Milena Guimarães e Nayá Fernandes

| Pelo Brasil | 7

Destaques das Agências Nacionais

osaopaulo@uol.com.br

Idosos são vítimas constantes de violências físicas e psicológicas Luciney Martins/O SÃO PAULO

Em evento em SP, Doutor Délton Esteves Pastore comenta situações de violência contra idosos

No Dia Mundial da Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, no dia 15, a Pastoral da Pessoa Idosa da Arquidiocese de São Paulo realizou uma tarde de debates no auditório das Paulinas Livraria, na zona Sul. Doutor Délton Esteves Pastore, promotor de Justiça para a Área do Idoso, comentou que a violência contra os idosos atinge todas as classes sociais e é mais abrangente que possa parecer. “Violência não é só ofender a integridade física de alguém, mas a violência psicológica é tão grave quanto a física e fere integridade do idoso”, comentou o Promotor, lembrando que muitos idosos não denunciam os maus-tratos que sofrem, pois na maioria dos casos o agressor é um dos membros da família. Em entrevista ao portal ArquiSP, a

Campanha Missionária destaca a urgência de cuidados com a Casa comum

Receita Federal será mais rígida na fiscalização de empresas de bebida e fumo

“O cuidado pela Casa comum é a nossa missão” é o tema da Campanha Missionária no Brasil. Recentemente, as Pontifícias Obras Missionárias do Brasil lançaram o subsídio “Novena Missionária” para a animação da Campanha. A novidade dessa novena é o fato de que narra as situações em que os missionários vivem e indicam como cuidar da Casa comum. Para cada dia, há uma breve leitura da realidade; tes-

O Diário Oficial da União publicou na terça-feira, 21, uma nova instrução para aumentar o controle da Receita Federal sobre as entradas e saídas de produtos nas empresas fabricantes de bebidas e fumo, bem como os saldos em estoque. A Receita destaca que, como os setores de bebidas e cigarros são muito sensíveis em relação às questões de arrecada-

temunhos missionários, a luz da Palavra de Deus; reflexões, orações e o convite ao engajamento missionário. Todo o material de animação da Campanha será enviado em fins de junho a 276 dioceses e prelazias do Brasil, para ser distribuído nas paróquias e comunidades. A Campanha Missionária terá seu ápice no mês de outubro,. Fonte: Agência Fides (Redação: Daniel Gomes)

advogada Nina Garção, participante do evento, comentou sobre outras formas de violência com as pessoas da terceira idade. “Infelizmente, o idoso é tratado muito mal, falta respeito e, principalmente, falta o amor da família”, afirmou. “O idoso tem que ser inserido e não encostado”, completou. A atividade também teve a presença do Padre Helmo Faccioli, assessor eclesiástico arquidiocesano da Pastoral da Pessoa Idosa, que lembrou que “nenhuma criatura humana merece a violência. O respeito tem uma dimensão humana, mas tem também uma dimensão divina de revelação teológica, pois cada ser humano, seja ele quem for, é imagem e semelhança de Deus”, enfatizou. Fonte: Portal ArquiSP (Redação: Fábio Augusto e Milena Guimarães)

ção tributária, há necessidade de maior acompanhamento econômico-tributário desses setores. A medida será importante instrumento para coibir a utilização de selos de controle falsos. As microempresas e as empresas de pequeno porte foram excluídas dessa obrigação pelo tratamento diferenciado, com processos simplificados. Fonte: Agência Brasil (Redação: Nayá Fernandes)

Brasil tem maior número de mortes provocadas por conflitos rurais Foi divulgado na segunda-feira, 20, o relatório “Em Solo Perigoso”, da ONG Global Witness, que coloca o Brasil no topo do ranking de assassinatos violentos provocados por disputas de território rural. Em 2015, 185 pessoas morreram em situações de violência no campo em todo mundo - o número é 59% maior

do que o de 2014. Só no Brasil, foram 50 mortes. Os estados mais violentos são Rondônia e Pará, com 20 e 19 mortes, respectivamente. No relatório, há o alerta para a falta de investigação de crimes relacionados a conflitos de terra no Brasil e o pedido de maior proteção a ativistas da

causa. A Global Witness também chama a atenção para a violência provocada pela extração ilegal de madeira, pois há uma estimativa de que 80% da madeira extraída no Brasil seja fruto de operações ilegais - isso representaria 25% da madeira ilegal no mercado mundial, cujos maiores compradores

são os Estados Unidos, a China e o Reino Unido. A ONG coloca como principais responsáveis pelas mortes no campo a indústria de minérios, o agronegócio, a extração de madeira e as usinas hidroelétricas. Fonte: BBC Brasil (Redação: Nayá Fernandes)

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8 | Pelo Mundo |

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Destaques das Agências Internacionais

Filipe David

Correspondente do O SÃO PAULO na Europa

França

Reforma fecha o cerco ao ensino privado O governo francês implementará uma reforma das escolas que deve modificar drasticamente o ensino básico e reduzir a autonomia das escolas privadas. Existem três regimes diferentes para as escolas francesas: escolas públicas, escolas privadas sob contrato com o Estado e escolas privadas sem contrato com o Estado. Essas últimas sempre gozaram de maior liberdade de ação, enquanto as privadas sob contrato estão submetidas a um maior controle estatal, mas em con-

trapartida são parcialmente financiadas com dinheiro público. Com relação ao conteúdo, a reforma abre as portas para se cortar do programa os autores clássicos franceses, como Victor Hugo, La Fontaine e Molière, permitindo que sejam substituídos por textos mais modernos ou até mesmo por séries de televisão. O ensino da Gramática será reduzido ao mínimo necessário para se escrever sem muitos erros. Parte do conteúdo de Geometria será suprimido.

As escolas privadas sob contrato também serão afetadas. O diretor de uma delas, José Bonte, denunciou que a reforma é “puramente ideológica” e que tem como objetivo “uniformizar o ensino, nivelando por baixo”. O grande problema da reforma, segundo Bonte, é ser “por princípio, contra a excelência”. O governo também pretende aumentar o controle sobre as escolas sem contrato, em boa parte de confissão católica. A ministra da educação, Najat Vallaud-

Belkacem, reclamou que hoje “qualquer um pode abrir uma escola em seu próprio salão, desde que tenha um diploma de ensino médio e não tenha antecedentes criminais”. Na verdade, já existem diversos tipos de inspeções e controles que são praticados, mas o governo francês claramente não está satisfeito. A reforma começa a ser aplicada no início do próximo ano letivo, que começa em setembro de 2016. Fontes: Famille Chrétienne/ Reformeducollege.fr

Grécia 200 metropolitas participam de concílio ‘pan-ortodoxo’ em Creta Líderes das igrejas ortodoxas se reúnem em Creta, no primeiro concílio “pan-ortodoxo” desde o início do cisma de 1054. O último concílio aceito pelos ortodoxos é o 2º Concílio de Niceia, em 787, quando as igrejas ortodoxas ainda estavam em plena comunhão com Roma. O atual Concílio começou no dia 18 e vai até o dia 27. Quase 200 metropolitas e outros bispos trabalham sob a presidência do patriarca ecumênico Bartomeu de Constantinopla. Das 14 igrejas-mãe em que se divide o mundo ortodoxo, dez compareceram ao evento. A principal ausente foi a Igreja Ortodoxa Russa, justamente a maior de todas, com cerca de 100 milhões de fiéis – um terço de todos os ortodoxos do mundo. Entre os assuntos a serem tratados no Concílio estão a missão da Igreja Ortodoxa no mundo de hoje; a “diás-

pora ortodoxa” – isto é, todos os fiéis ortodoxos que vivem em outros países submetidos a uma das 14 igrejas-mãe –; a autonomia e os meios pelos quais deve ser reconhecida; o sacramento do Matrimônio e seus impedimentos; a importância do jejum e sua prática hoje; e as relações da Igreja Ortodoxa com o resto do mundo. O Papa Francisco enviou uma mensagem pelo Twitter durante a abertura do Concílio: “Unamo-nos à oração de nossos irmãos ortodoxos, invocando o Espírito Santo para que sustente com os seus dons os patriarcas, os arcebispos e bispos reunidos no Concílio”.

Reino Unido

A Aliança São João Maria Vianney começou em 2012, quando um padre espanhol e um grupo de leigos decidiram começar um jejum a pão e água por um jovem sacerdote em dificuldade. A iniciativa chegou à França depois de al-

Saída da União Europeia? O referendo sobre a permanência ou saída do Reino Unido da União Europeia – conhecido por “Brexit”, uma mistura de Britain (Bretanha) e Exit (saída) – ocorrerá nesta semana, na quinta-feira, 23. O referendo é uma resposta à pressão dos parlamentares conservadores e independentistas, fortes críticos da centralização política no continente e do poder cada vez maior da União Europeia sobre os assuntos internos do Reino Unido. No referendo, os eleitores britânicos deverão responder a uma simples pergunta: “O Reino Unido deve permanecer um membro da União Europeia ou sair da União Europeia?”. As pesquisas de opinião mais recentes mostram o eleitorado dividido, de forma que é muito difícil prever o resultado. Fonte: BBC

L’Osservatore Romano

Líderes das igrejas ortodoxas participam do concílio ‘pan-ortodoxo’ na cidade grega de Creta

Espanha/França Jejum permanente pelos sacerdotes guns anos. Atualmente, já são dezenas de pessoas que se revezam em um jejum permanente pelos sacerdotes. Cada pessoa que deseje participar escolhe de um a quatro dias por mês para jejuar. Um grupo de pessoas é responsável pelo

planejamento, de forma que a cada dia, pelo menos uma pessoa esteja jejuando pelos sacerdotes. A iniciativa já recebeu as bênçãos de bispos de vários países diferentes. Fontes: Alliance Saint Jean-Marie Vianney/ L’homme Nouveau

Solenidade em honra a Nossa Senhora do Carmo A Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo convida para a Novena e Solenidade em Honra a Nossa Senhora do Carmo, com a seguinte programação. 07 a 15 de julho – Santa Missa e Novena Solene 18h – Santa Missa – 19h – Novena Solene 16 de julho – Solenidade de Nossa Senhora do Carmo 07h – Santa Missa Solene presidida por Pe. Emilson Bento 09h – Santa Missa Solene presidida por Cardeal Dom Odilo Scherer 12h – Santa Missa Solene presidida por Frei Alonso Malaquias 15h – Santa Missa Solene presidida por Frei Alonso Malaquias 18h – Santa Missa Solene presidida por Pe. Emilson Bento Igreja da Venerável Ordem Terceira do Monte do Carmo Avenida Rangel Pestana, 230, Sé São Paulo – SP Fone: 3242-8361 Email: ordemter@ordemterceiradocarmo.com.br


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Agradecimento ao Pontifício Conselho para os leigos

‘Famílias não são um problema, são uma oportunidade’

O Santo Padre recebeu, na sexta-feira, 17, no Vaticano, 85 participantes na Assembleia do Pontifício Conselho para os Leigos, entre os quais o Cardeal Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, e Moysés Azevedo, fundador da Comunidade Católica Shalom. A partir de setembro, aquele organismo vaticano será fundido com Pontifício Conselho para a Família e a Pontifícia Academia para a Vida em novo Dicastério da Cúria Romana para os Leigos, a Família e a Vida, cujo estatuto foi aprovado em fase experimental no dia 4. Em seu discurso, Francisco agradeceu ao Senhor pelos abundantes frutos desse organismo vaticano que, em todos estes anos, suscitou o nascimento de tantas associações laicais, movimentos e comunidades de índole missionária. “O mandato que receberam do Concílio era exatamente o de ‘impelir’ os fiéis leigos a se engajarem, cada vez mais e melhor, na missão salvífica e evangelizadora da Igreja. Com o Batismo e a Confirmação, o fiel leigo se torna discípulo missionário do Senhor, sal da terra, luz do mundo e fermento que transforma a sociedade”.

Na abertura do Congresso Eclesial da Diocese de Roma, realizado na Basílica de São João do Latrão, na quinta-feira, 16, o Papa Francisco disse querer recuperar algumas “ideias/tensões-chaves” que emergiram durante o caminho sinodal dedicado à família, as quais podem ajudar a compreender melhor o espírito que se reflete na Exortação apostólica Amoris laetitia – fruto dos dois últimos sínodos dos bispos. “Nossas famílias, as famílias em nossas paróquias com seus rostos, suas histórias, com todas suas complicações, não são um problema, são uma oportunidade”, ressaltou o Papa. “Oportunidade que nos desafia a suscitar uma criatividade missionária capaz de abraçar todas as situações concretas, em nosso caso, das famílias romanas”, acrescentou.

Fotos: L’Osservatore Romano

O Papa advertiu para a tentação de se ter uma lógica separatista. “Cremos ganhar identidade e segurança toda vez que nos diferenciamos ou nos isolamos dos outros, especialmente daqueles que estão vivendo numa situação diferente”, obser-

vou. “Todos precisamos converter-nos, todos precisamos colocar-nos diante do Senhor e renovar sempre a aliança com Ele e dizer como o publicano: meu Deus, sede propício a mim, pobre pecador”, completou.

Dia Mundial do Refugiado No final da oração mariana dominical, no dia 19, o Santo Padre recordou o Dia Mundial do Refugiado, promovido pela ONU e comemorado segunda-feira, 20. “Os refugiados são pessoas como nós, mas a guerra tirou deles casa,

trabalho, parentes e amigos. As suas histórias e seus rostos nos convidam a renovar o compromisso para construir a paz na justiça. Por isso, queremos estar com eles: encontrá-los, acolhê-los, ouvi-los para nos tornar juntos artesãos da

paz, segundo a vontade de Deus”, disse. Este ano, a data promovida pela ONU tem como tema “Com os refugiados, estamos do lado de quem é obrigado a fugir”. Fonte das notícias: rádio Vaticano (Redação: Fernando Geronazzo)

Visita a padres idosos Na sexta-feira, 17, o Papa Francisco realizou mais uma visita da iniciativa jubilar “Sexta-feira da Misericórdia”, desta vez a duas comunidades que acolhem sacerdotes idosos e enfermos. A primeira foi a “Monte Tabor”, onde residem oito sacerdotes provenientes de

diferentes dioceses. O Pontífice encontrouse com os sacerdotes na pequena capela da comunidade, ouvindo-os e rezando com eles. Em seguida, Francisco visitou a “Casa São Caetano”, que acolhe os sacerdotes idosos da Diocese de Roma, atualmente 21 padres, alguns deles muito doentes.

‘Seja a Misericórdia de Deus’ “Apelo a todos os homens e mulheres de boa vontade no mundo inteiro para que façam em cada cidade, em cada diocese, em cada associação, uma obra de misericórdia”. Dessa maneira, o Papa Francisco inicia sua vídeo-mensagem por ocasião do lançamento, na sexta-feira, 17, da campa-

nha internacional “Seja a misericórdia de Deus”, uma iniciativa do próprio Pontífice para convidar as pessoas a realizarem obras de caridade dirigidas a refugiados, detentos ou cristãos perseguidos. “Nós, homens e mulheres, precisamos da misericórdia de Deus, mas também

precisamos da nossa misericórdia; precisamos dar a mão uns aos outros, de nos acarinhar, cuidar uns dos outros e de não fazer tantas guerras”, continuou o Papa, mencionando o dossiê que a obra pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) preparou sobre obras de misericórdia no mundo.

O Papa Francisco acaricia tigre durante audiência com milhares de artistas que foram a Roma para participar do jubileu dos circenses, na quinta-feira, 16. “Vocês são os ‘artesãos’ da festa, da maravilha, da beleza”, disse Francisco.


10 | Política |

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Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

Aviação

A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira, 21, uma medida provisória que retira qualquer restrição para que estrangeiros possam assumir cargos de direção e o controle acionário de empresas aéreas brasileiras. Na prática, companhias estrangeiras poderão deter 100% das ações. Os deputados ainda analisam destaques que poderão alterar o teor do texto. A proposta segue depois para análise do Senado.

Projeto de lei quer endurecer combate à corrupção Agência Brasil

5) Celeridade nas ações de improbidade administrativa - Acaba com fase preliminar da ação de improbidade administrativa e prevê agravo retido contra decisão que receber a ação; - Criação de turmas, câmaras e varas especializadas no âmbito do Poder Judiciário; - Instituição do acordo de leniência para processos de improbidade administrativa – atualmente existente apenas em processos penais, na forma de delação premiada; e administrativos, na apuração dos próprios órgãos públicos.

Bolsonaro

O Supremo Tribunal Federal aceitou na terça-feira, 21, denúncia e transformou em réu o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) por incitação ao crime de estupro. O Tribunal ainda acolheu uma queixa-crime contra o Congressista por injúria. Com isso, ele passa a responder por duas ações penais. As acusações foram motivadas por declaração de Bolsonaro no plenário da Câmara e também durante entrevistas, afirmando que só não estupraria a colega Maria do Rosário (PT-RS), ex-ministra de Direitos Humanos, porque ela “não merecia”.

Eduardo Campos

Um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a compra do avião que caiu matando o ex-candidato à Presidência da República Eduardo Campos (PSB) em agosto de 2014 pode ter servido “para irrigar” a campanha presidencial da chapa de Campos e Marina Silva naquele ano, além da eleição para governador dele em 2010, de acordo com a operação “Turbulência”, deflagrada pela Polícia Federal para investigar o suposto esquema, em Pernambuco e Goiás, suspeito de ter movimentado cerca de R$ 600 milhões desde 2010.

Pesquisa Ibope

Oficialmente, a corrida para a Prefeitura de São Paulo ainda não foi iniciada, mas os partidos já começaram a divulgar nomes de pré-candidatos ao cargo de mandatário do Executivo municipal. Pesquisa Ibope divulgada na terça-feira, 21, mostrou que Celso Russomanno, deputado federal e précandidato pelo PRB, lidera a corrida eleitoral com 26% das intenções de voto, seguido pela senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), que tem 10%, pela deputada Luiza Erundina (Psol-SP), que tem 8%, pelo atual prefeito, Fernando Haddad (PT), com 7%, e pelo empresário e pré-candidato do PSDB, João Doria, com 6%. O vereador Andrea Matarazzo (PSD) e o pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) têm 4% cada um. O Delegado Olim (PP) está com 3% e o Major Olímpio (SD) alcançou 2%. Fontes: Folha de SP, G1, EBC

da pena após o julgamento na instância superior.

Assinaturas em apoio às ‘10 Medidas contra a Corrupção’ são entregues à Câmara dos Deputados

Pouco mais de dois meses depois de ser entregue pelo Ministério Público Federal (MPF) à Câmara dos Deputados, em 14 de junho o presidente em exercício da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), assinou autorização de criação de uma comissão especial para analisar o projeto das “10 medidas contra a corrupção”. O projeto reúne 20 propostas de alterações legislativas que visam aprimorar a legislação brasileira de combate à corrupção. As sugestões do MPF foram incorporadas ao Projeto de Lei 4850/16, que agora será analisado pela comissão especial que já convocou para a quarta-feira, 22, um debate para tratar do assunto. Várias das propostas do MPF já haviam dado origem a projetos de lei, mas o PL 4850/16 buscou encampar quase todos os pontos. Das sugestões propostas pelos procuradores federais, quase todas foram incorporadas no projeto que tramita na Casa. Ficou de fora a sugestão para que o condenado possa iniciar o cumprimento da pena após decisão do tribunal de 2ª instância, mesmo antes do julgamento de recursos. O tema deve ser analisado no Congresso por meio de Proposta de Emenda Constitucional (PEC).

Quais são e o que propõem as 10 medidas contra a corrupção 1) Prevenção à corrupção, transparência e proteção à fonte de informação - Regras para prestação de contas por parte de tribunais e procuradorias, além de investimento mínimo em publicidade de combate à corrupção, com ações de conscientização e educação; - Testes de integridade: um agente público disfarçado poderá oferecer propina para uma autoridade suspeita; se ela aceitar, poderá ser punida na esfera administrativa, penal e cível;

- Manter em segredo a identidade de um delator que colaborar com as investigações, dando maior segurança ao informante. 2) Criminalização do enriquecimento ilícito de agentes públicos - Posse de recursos sem origem comprovada e incompatível com a renda do servidor se tornaria crime, com pena de três a oito anos de prisão. 3) Aumento das penas e crime hediondo para corrupção de altos valores - Punição mínima por corrupção (recebimento de vantagem indevida em troca de favor) passaria de dois para quatro anos de prisão. Aumentaria também o prazo de prescrição (quando se perde o direito de punir), que passaria de quatro para oito anos; - Quanto maior o volume de dinheiro envolvido, maior a pena. Até R$ 80 mil, a pena varia de quatro a 12 anos. Se a propina passar de R$ 80 mil, a pena será de sete a 15 anos. Se for maior que R$ 800 mil, a prisão será de dez a 18 anos. Caso seja superior a R$ 8 milhões, a punição prevista é de 12 a 25 anos de prisão. 4) Aumento da eficiência e da justiça dos recursos no processo penal - Trânsito em julgado (declarar a decisão definitiva) quando o recurso apresentado for protelatório ou for caracterizado abusivo o direito de recorrer; - Mudança nas regras para apresentação de contrarrazões em segunda instância, revogação dos embargos infringentes, extinção da revisão do voto do relator no julgamento da apelação, mudança na regra dos embargos de declaração, do recurso extraordinário e dos habeas corpus em diversos dispositivos; - Possibilidade de execução provisória

6) Reforma do sistema de prescrição penal - Fim da “prescrição retroativa”, pela qual o juiz aplica a sentença ao final, mas o prazo é projetado para o passado a partir do recebimento da denúncia. 7) Ajustes nas nulidades penais - Restringir as nulidades processuais a casos em que são necessários; - Introduzir o balanço de custos e benefícios na anulação de um processo. 8) Responsabilização dos partidos políticos e criminalização do ‘caixa dois’ - Responsabilidade objetiva dos partidos políticos pelo “caixa dois”. Com isso, o partido poderá ser punido mesmo se não ficar provada culpa do dirigente partidário, mas ficar comprovado que a legenda recebeu recursos não declarados à Justiça Eleitoral; - Quanto mais grave, maior a punição: além de multas maiores, o partido poderá também ter o funcionamento suspenso se for reincidente ou mesmo ter o registro cancelado. 9) Prisão preventiva para evitar a dissipação do dinheiro desviado -Possibilidadedeprisãopreventiva(antes da condenação, por tempo indeterminado), caso se comprove que o suspeito mantenha recursos fora do país. 10) Recuperação do lucro derivado do crime - Confisco alargado: obriga o criminoso a devolver todo o dinheiro que possui em sua conta, exceto recursos que comprovar terem origem lícita; - Ação civil de extinção de domínio: possibilita recuperar bens de origem ilícita, mesmo que não haja a responsabilização do autor do fato ilícito, em caso de morte ou prescrição, por exemplo. (Com informações do Portal G1)


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Bruno, um ‘carra’ determinado a vencer

Halterofilismo paralímpico

Miriam Jeske/brasil2016.gov.br

Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

Ele estava prestes a realizar o sonho de competir em uma paralimpíada, mas a poucas semanas do inicio dos Jogos de Londres 2012, já em solo britânico, um exame antidoping constatou que Bruno Carra, hoje com 27 anos, havia consumido a substância hidrocloritiazida, proibida para esportistas. Quando o Comitê Paralímpico Internacional constatou que a substância compunha um chá-verde que Bruno costuma tomar, mas que não estava descrita no rótulo do produto, o esportista foi inocentado do doping, mas a chance de competir nas provas de halterofilismo na Paralimpíada de 2012 já havia passado. Bruno, que um ano antes conquistara a medalha de prata no Parapan de Guadalaraja 2011, não desistiu do sonho e voltou aos treinos, mas em pouco tempo teve uma nova dificuldade. “Em 2013, eu sofri uma lesão na coluna quando estava voltando a competir. Tive que parar por quase um ano para fazer uma cirurgia e me recuperar. Foram momentos difíceis. Pensei até em parar, mas persisti e dei a volta por cima”, contou ao O SÃO PAULO.

Determinação

Desde a infância, Bruno nunca se intimidou diante dos desafios. Portador de nanismo (síndrome que provoca crescimento esquelético abaixo da média), ele sentia muitas dores nos joelhos, no quadril e na coluna, e buscou nos exercícios físicos uma alternativa para melhorar sua qualidade de vida. E foi em meio aos exercícios de musculação e jiu-jitsu, que o homem de apenas 1,42m descobriu o levantamento de peso e a versão para-

| Esporte | 11

Nesta modalidade, todos os atletas com deficiência física nos membros inferiores ou com paralisia cerebral são divididos conforme a categoria de peso. Na disputa, cada competidor, deitado em um banco, deve executar o movimento chamado de supino: com o braço totalmente estendido, o atleta inicialmente segura a barra com os pesos que escolheu. Depois, deve descê-la até a altura do peito, e posteriormente elevá-la à altura inicial. O esportista pode realizar o movimento por até três vezes com o maior peso que conseguir. Fontes: Brasil2016.gov.br e COB

Bruno Carra tem duas pratas em pans no halterofilismo e irá pela 1ª vez a uma paralimpíada

límpica desse esporte, o halterofilismo. Bruno Carra chegou à seleção brasileira de halterofilismo em 2011 e para se manter entre os melhores esportistas do continente não mediu esforços. “Antes, eu fazia faculdade de Engenharia da Computação. Acordava às 5h, treinava das 6h às 7h, trabalhava das 8h às 17h e às 18h já estava na academia, onde treinava até às 19h30. De lá, ia para a faculdade, estudava até às 23h. Chegava em casa entre 23h30 e Meia-noite, jantava, arrumava minha roupa e a comida do dia seguinte, e dormia”, recordou. Com o término da faculdade, Bruno

Rafael Ribeiro/CBF

A CBF apresentou na segunda-feira, 20, Tite como o novo técnico da seleção brasileira. O treinador comandará o Brasil nas eliminatórias para a Copa de 2018. Nos Jogos Olímpicos Rio 2016, o técnico da seleção masculina será Rogério Micale.

ganhou um pouco mais de tempo para treinar. No entanto, conciliar trabalho e treinos ainda não era o cenário ideal para um esportista de alto rendimento, por isso, ele tomou uma decisão. “Pensando na Paralimpíada, eu pedi afastamento do meu serviço. Estou afastado até uma semana depois dos Jogos Paralímpicos. Eu sempre chegava muito tarde, dormia pouco, tinha que acordar cedo, e como o sono está atrelado diretamente à performance, eu não queria que nada atrapalhasse meu rendimento. Por isso, fiz essa opção, mesmo baixando bem a minha renda”, conta o esportista que somente este ano conseguiu patrocínio das Loterias Caixa.

Com fé e com verdadeiros amigos

Mesmo com a tripla jornada que levava até o ano passado, Bruno se manteve em alto nível, tanto assim que no Parapan de Toronto 2015 voltou a ser medalhista de prata no halterofilismo para atletas com até 59kg. O paulista, nascido em Salto (SP), ergueu 162kg, 22kg a mais do conseguiu no Parapan de 2011. A constância nos treinos certamente foi determinante para a evolução nos resultados e persistir na fé e confiar nos amigos também fizeram toda a diferença para Bruno. “Eu sempre busquei força na fé para superar esses momentos. No caso do doping, eu sempre tive ciência que eu esta-

va certo, que não tinha a má fé de sabotar ninguém nem as regras. Tudo foi da vontade de Deus. Foi difícil para mim naquelas horas, mas eu sabia que no futuro teria um motivo. Sempre mantive minha fé. Quem me conhece, me apoiou, sabia que eu tinha sido vítima. Houve quem pensasse que estava burlando as regras, mas eu nunca me importei muito para a opinião dos outros, a não ser de quem está perto de mim e conhece meu trabalho”, comentou. Católico praticante, Bruno sempre vai às missas e auxilia nas atividades da Igreja. “Todo dia, ao acordar, faço minhas orações. Vou à missa toda a semana, tenho uma vida católica ativa dentro das minhas possibilidades de tempo, pois tenho muito compromisso e sempre acaba sendo muito corrido. É na fé que eu busco forças para seguir adiante”, detalhou.

‘Que o Brasil tenha uma visão melhor do esporte paralímpico`

A menos de 80 dias para o início da Paralimpíada Rio 2016, em 7 de setembro, Bruno Carra segue um plano de treinamentos em Itu (SP), próximo de sua cidade natal. “Logicamente, queremos ganhar tudo o que for possível, mas nossa meta concreta é ficar entre os cinco primeiros. Se eu e minha equipe conseguiremos uma medalha ou não, dependerá do dia, do estar nos Jogos e também da vontade divina”, comentou. Acima das medalhas que possam ser alcançadas, Bruno espera que após os Jogos Rio 2016 a atenção da sociedade brasileira mude em relação movimento paralímpico. “Que o esporte paralímpico tenha mais visibilidade, que as pessoas comecem a olhar com bons olhos os atletas, pois hoje em dia ainda há um muito preconceito e até quem ache que ser vencedor no esporte paralímpico é mais fácil que no olímpico. Espero que depois desses Jogos, o Brasil tenha uma visão melhor do nosso esporte e veja a lição de vida que damos. Quando as pessoas virem a superação de cada um e o que podemos fazer mesmo sendo deficientes, tenho certeza que a visão da sociedade sobre todas as pessoas com deficiência vai melhorar”, concluiu.


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‘Se espelhar em Nossa Senhora No final de maio, imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida foi levada à unidade feminina da Fundação Casa Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

Uma típica manhã de sábado de outono. Tempo nublado e frio. Em um dos cantos do pátio, pouco mais de 40 meninas, com seus moletons iguais, tingiam de lilás aquela manhã. Quando a equipe do projeto Evangelizando a Casa chegou, a rotina das manhãs de sábado foi quebrada. Os olhos das adolescentes logo perceberam que ali encontravam-se pessoas diferentes das que estavam habituadas a ver nos sábados anteriores. Os visitantes foram logo cumprimentar as meninas. Algumas mais tímidas apenas davam um cordial aperto de mão, outras, que já pareciam conhecer a equipe, permitiam um abraço e um sorriso. A equipe do Evangelizando a Casa e a coordenação da Pastoral do Menor preparavam os instrumentos e objetos de liturgia para a celebração de acolhida da imagem peregrina de Nossa Senhora da Aparecida. Uma das jovens, I. V. S., 17, se aproximou do bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, Dom Eduardo Vieira dos Santos, para fazer uma solicitação: “O senhor pode me confessar?” O Bispo, com um sorriso no rosto, preparou duas cadeiras mais afastadas do local onde estavam as demais meninas. Após a confissão, a jovem levantou com um semblante de felicidade, “me confessei, graças a Deus”, contou. Durante toda a celebração, cantou, ficou

sentada na frente e recebeu a Eucaristia. “A importância da Igreja é meu encontro pessoal com Deus e com Jesus na Eucaristia. Tinha uns quatro anos que não participava da missa”, recordou. Apreendida por tráfico, I. V. S. contou que desde pequena frequenta a Igreja. Em sua primeira passagem pela Fundação Casa, estava lá há 20 dias. “Estes dias me fizeram repensar. Repensar meus erros. Eu estava abandonando minha família, abandonando a Cristo. Vou voltar para Cristo de novo, para minha escola e para minha família”, disse. A alegria da jovem era tamanha que, para ela, poderia ser realizada “uma missa todo sábado”. “É importante participar dos sacramentos. Independentemente de qualquer pessoa, de qualquer lugar que estejamos, Deus está conosco”. Para a família, que infelizmente não pode visitá-la naquele sábado, a jovem fez uma prece e um pedido. “Eu diria para meus familiares que os amo muito e peço perdão novamente. Diria para minha mãe que ela é a melhor mãe do mundo”.

A celebração

A missa, presidida por Dom Eduardo, contou com a participação de muitas famílias das internas. O Bispo fez questão de, pessoalmente, chamar os familiares que estavam nas salas de visitas para participarem da celebração. A imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida foi levada por

algumas internas até o altar, onde Dom Eduardo a acolheu e destacou que “Nossa Senhora quer visitar cada um de nós, uma visita especial como a visita de nossas famílias hoje. A Mãe de Jesus e Nossa Mãe vem nos visitar. Com Maria, queremos fazer a caminhada. Caminhar pelos caminhos da vida superando as dificuldades, os traumas e os problemas. Como ela, que superou aos pés da cruz a morte do seu filho, nós queremos superar tantos sinais de morte em nossa vida”. Em pé, na frente do altar, uma família se abraçava e chorava. Avó, mãe e filha. “Hoje foi a primeira vez que eu, minha mãe e minha filha assistimos a uma missa juntas. Fora daqui, a gente nunca tinha feito isso”, afirmou V. J., 35, que ao lado de sua mãe, E. A. R., 61, visitava sua filha, N. S., 17. Emocionadas, elas parti-

cipavam da Eucaristia. “Se espelhar em Nossa Senhora é um conforto, voltamos para casa mais aliviadas. A pior hora é a de ir embora e deixar ela aqui”, disse V.J. A jovem não consegue conter as lágrimas diante das palavras da mãe e dá avó. Quer ir embora, mas reconhece que errou e que terá que responder por isso. Apenas deseja recomeçar, se perdoar e olhar para frente. A avó quer trocar de lugar com a neta. Aproveita para passar um sermão: “Espero que essa tenha sido uma lição para ela, porque ela não precisava estar aqui”, diz. “Agora, é só Deus e Nossa Senhora para ela fazer as coisas certas daqui para frente e retornar à sociedade. Ela sabe que não precisa disso, mas se Deus quiser Ele vai nos amparar”, acrescenta a avó da adolescente.


Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

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a é um conforto’ Para E. A. R., a Igreja, com sua presença dentro das unidades da Fundação Casa, “é uma forma de ajudar a fazer as meninas pensarem e saírem daqui melhores”. E essa foi a mensagem de Dom Eduardo na homilia. “Não importa o que fizemos, Deus nos ama”. O Bispo recomendou que as jovens usem o tempo em que estão lá dentro para repensarem suas atitudes e ações. Ele desejou que o tempo de afastamento da sociedade, seja uma oportunidade para avaliação e mudança. “Não deixem o tempo passar em vão”, recomendou. Dom Eduardo ressaltou a importância de Deus e da fé na vida das pessoas. “Todos nós precisamos de Deus, e Deus não é aquele que bate a porta na nossa cara, que fecha a porta em nossa cara, Deus não faz isso”. E prosseguiu: “Pode ser um pecado maior que tenhamos cometido, mas se abrirmos o coração para acolher o perdão de Deus, Deus transforma nossa vida”, disse. “Deus nos ama, ainda que não acreditemos, que não sintamos, isso não muda o amor de Deus por cada um de nós”, concluiu o Bispo.

Mudança de vida

Trabalhando na Fundação Casa há 13 anos e na unidade Ruth Pistori há três anos, Daniela Hipólito destaca que a celebração foi um momento maravilhoso. “As meninas participaram, houve uma adesão enorme, coisa que não pensei que fosse ter por conta de elas participa-

rem mais do movimento evangélico. Estou muito feliz com as meninas”, contou. Daniela, que é católica, fez a segunda leitura da celebração. “A Igreja é uma oportunidade de acalmar e encaminhar as meninas para um bom caminho”, comentou. Muito emocionada e feliz, essa foi a sensação que Daniela por mais de mais vez repetiu após ter celebrado ao lado das internas e com alta adesão - segundo ela mesmo contou, já que muitas meninas são mais ligadas a igrejas evangélicas. “Elas precisam desse ‘start’, de uma atenção voltada para elas. Sabem que isso daqui é para elas”, afirmou. “São seres humanos que às vezes não têm uma palavra amiga. Quando têm uma oportunidade de ouvir, muitas vão acatar. Mas é só ter a oportunidade, porque muitas vezes não há quem fale e leve coisas boas para elas”, avaliou Daniela. O coordenador pedagógico Luciano Francisco Righeto contou que a unidade é provisória. As adolescentes apreendidas ficam por no máximo 45 dias ali esperando o julgamento. Luciano diz que os delitos mais comuns são o tráfico de drogas, seguido pelo roubo, e em alguns casos, furto e agressão. Com 14 anos de Fundação Casa, Luciano destaca que sempre que tiverem espaço, este será destinado para ações e trabalhos da Igreja Católica, pois, de acordo com ele, “a presença das religiões é fundamental. É o que dá para elas a esperança de que terão algo melhor do que hoje”. “É gratificante para nós sermos reconhecidos enquanto executores de uma medida socioeducativa e receber a visita da Pastoral [do Menor]. É muito bom para as meninas terem esse contato com a Igreja Católica, que infelizmente ainda está pouco presente na Fundação. É algo essencial neste período em que elas precisam refletir sobre o certo e o errado”, afirmou.

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Evangelizando a Casa: vivência do Ano da Misericórdia Criado em 2014, o projeto Evangelizando a Casa é uma iniciativa de evangelização nas unidades da Fundação Casa. A proposta foi apresentada em assembleia nacional da Pastoral do Menor, com objetivo de fortalecer o anúncio e retomar às origens da Pastoral. A Arquidiocese de São Paulo propõe a implantação do projeto nas seis regiões episcopais (Belém, Brasilândia, Santana, Sé, Lapa e Ipiranga). A iniciativa está de acordo com o 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo, que traz como meta orientadora “ser testemunha de Jesus Cristo na cidade de São Paulo”, em sintonia com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, vindo ao encontro da primeira urgência do Plano - “Igreja em estado permanente de missão” - e da sexta - “A Igreja e evangelização dos jovens”. O projeto tem por objetivo levar os adolescentes e jovens, que cumprem medida socioeducativa de internação, a fazer uma experiência de fé, se descobrir na sua relação com Deus, com o irmão e consigo. “Com a presença dos agentes evangelizadores e através do exercício da oração comunitária e da liturgia, contribuir com a superação de conflitos; através do encontro com Jesus Cristo, proporcionar o resgate de valores que contribuirão com o retorno à sociedade para uma vida digna e fraterna”, descreve o projeto. Um dos principais instrumentos na concretização desse projeto é Youcat – Catecismo Jovem da Igreja Católica. São 527 perguntas e respostas que fazem parte da obra, sobre assuntos e questionamentos que os jovens vivenciam no cotidiano e que respondem às principais dúvidas dos jovens, com linguagem simples, envolvente e que aprofunda o conhecimento de fé. O Youcat é dividido em quatro partes: “Em que cremos” (1ª); “Como celebramos os mistérios cristãos” (2ª); “A vida em Cristo” (3ª); e “Como devemos orar” (4ª). Dentro no território de abrangência da Arquidiocese de São Paulo, há 27 unidades da Fundação Casa, dentre essas três femininas. O projeto Evangelizando a Casa está presente em 13 unidades e já há negociação com mais duas. A próxima a iniciar é a Unidade Chiquinha Gonzaga, na Mooca, onde mães com seus bebês cumprem medida de internação. Neste ano, parte dos seminaristas da Arquidiocese fará a missão de férias junto a Pastoral do Menor, nas visitas do Evangelizando a Casa. “Destaco que é um grande desafio a realização des-

se projeto. Os grupos são rotativos. A identificação com o trabalho exige total entrega e compromisso, ter a capacidade de ver no menino ou na menina além do ato infracional que cometeu. Não julgar, mas imitar Jesus, que condena o pecado e não o pecador”, afirmou Sueli Camargo, coordenadora arquidiocesana da Pastoral do Menor. De acordo com Sueli, o projeto mobiliza um grande número de voluntários, padres e bispos, dentre eles Dom Fernando Penteado, bispo referencial arquidiocesano da Pastoral do Menor, além dos bispos auxiliares da Arquidiocese, Dom Sergio de Deus Borges e Dom Eduardo Vieira dos Santos. Sueli aproveita o Ano da Misericórdia e o apelo do Papa Francisco para que os católicos vivam de forma prática este Ano Jubilar para fazer um apelo a todas as pessoas que desejem se juntar à equipe e visitar alguma unidade da Fundação Casa. Basta entrar em contato com a Pastoral e saber dos detalhes pelo e-mail pastoralmenor@gmail.com.


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Cardeal Scherer institui a Comissão do Diaconato Permanente na Arquidiocese Luciney Martins/O SÃO PAULO - 12.dez.2015

Fernando Geronazzo osaopaulo@uol.com.br

Com o objetivo de promover a pastoral do diaconato permanente na Igreja de São Paulo, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, instituiu a Comissão do Diaconato Permanente da Arquidiocese de São Paulo (Comdiac-SP). Trata-se de um organismo consultivo e de assessoria no que se refere à vida e ao ministério dos diáconos, e animador da comunidade diaconal e de sua comunhão com os demais membros do clero. É também missão da Comdiac-SP promover as iniciativas e ações voltadas para a promoção da vida e ministério dos diáconos, como explica o Regulamento da Comdiac-SP, publicado no dia 8. A Comissão será constituída por diáconos representantes das regiões episcopais eleitos pelos seus pares, membros da Escola Diaconal Arquidiocesana São José, um sacerdote designado para acompanhar os diáconos, o representante dos diáconos na Arquidiocese no Regional Sul 1 da CNBB (Estado de São Paulo) e membros escolhidos pelo Arcebispo. O Diácono Ailton Machado, secretário da Escola Diaconal, explicou ao O SÃO PAULO que a Comdiac-SP ajudará na formação continuada dos diáconos. “A Arquidiocese é gigantesca, somos 83 diáconos espalhados em mais de 300 paróquias, quase mil comunidades. Precisamos, enquanto grupo, ter uma referência que nos reúna, nos organize e direcione nossa missão. Precisamos refletir constantemente sobre os desafios futuros a enfrentar em nosso ministério”, afirmou o Diácono,

Conselho do Diaconato Permanente terá a missão de organizar, acompanhar e animar a comunidade diaconal na Arquidiocese de São Paulo

reforçando, ainda, que a Comissão os auxiliará a continuar caminhando sempre como Igreja.

O diaconato

O diaconato é o primeiro grau do sacramento da Ordem – seguido do presbiterato (padres) e do episcopado (bispos). A palavra grega diakonia significa serviço. O serviço dos diáconos é documentado desde os tempos apostólicos, como relata o Livro dos Atos dos Apóstolos (6, 1-6) sobre instituição dos “sete” homens encarregados do serviço à Palavra, às mesas e aos necessitados. “Entre outros serviços, pertence aos diáconos assistir o bispo e os sacerdotes na celebração dos divinos mistérios, sobretudo da Eucaris-

tia, distribuí-la, assistir ao Matrimônio e abençoá-lo, proclamar o Evangelho e pregar, presidir aos funerais e consagrarse aos diversos serviços da caridade”, indica o Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 1570. A instituição diaconal foi florescente na Igreja do Ocidente até ao século V. Depois, por várias razões, acabou por permanecer como etapa intermediária para os candidatos à ordenação sacerdotal. O Concílio de Trento, no século XVI, dispôs que o diaconato permanente fosse retomado como nos primórdios, mas não chegou a se concretizar. Foi somente o Concílio Vaticano II que estabeleceu que o diaconato pudesse “ser restaurado como grau próprio e permanente da

hierarquia” e “ser conferido a homens de idade madura, também casados”, como destaca a Constituição Dogmática Lumen Gentium. Em 1967, o Papa Paulo VI estabeleceu as regras gerais para a restauração do diaconato permanente por meio da carta apostólica Sacrum diaconatus ordinem. A Escola Diaconal Arquidiocesana São José foi instituída em 19 de agosto de 2000 pelo então arcebispo de São Paulo, Cardeal Cláudio Hummes. A primeira grande turma de diáconos da Arquidiocese foi ordenada em 2005. Além da instituição da Comdiac-SP, será publicado, em breve, um diretório para vida e o ministério dos diáconos permanentes da Arquidiocese.

No Dia Nacional do Migrante, a luta é por romper as barreiras do egoísmo Luciney Martins/O SÃO PAULO

Renata Moraes

Especial para O SÃO PAULO

“Migração e Ecologia. O Grito que vem da Terra” foi o tema da 31ª Semana do Migrante, encerrada no domingo, 19, Dia Nacional do Migrante, com missa na Catedral da Sé, presidida por Dom Adilson Pedro Busin, bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre (RS) e vigário regional da Congregação dos Missionários de São Carlos (scalabrinianos) para a região Sul-americana. “Lembramos as milhões de pessoas e famílias que são obrigadas a saírem de sua pátria, por causa das guerras e conflitos armados, da violência religiosa e do terrorismo. Em busca de paz e segurança para reconstruir suas vidas, e mesmo assim no caminho de saída, encontram mais sofrimento e até a morte”, recordaram, no comentário inicial da missa, a jovem Dora Martins e o seminarista scalabriniano Lucas Henrique Santos, integrantes do Serviço Pastoral do Migrante (SPM). Segundo a Organização das Nações

‘Migração e Ecologia. O Grito que vem da Terra’ é o tema da 31ª Semana do Migrante

Unidas (ONU), aproximadamente 60 milhões de pessoas estão fora de seus países de origem por causa de conflitos, guerras e perseguições. Desse total, mais de 20 milhões cruzaram uma fronteira internacional em busca de proteção, isto é, são refugiados. Dom Adilson, na homilia, agradeceu o

trabalho feito pelos religiosos scalabrinianos, leigos e voluntários da Missão Paz e demais entidades que acolhem os migrantes em São Paulo, e ao falar sobre os migrantes e refugiados que atravessam os mares fugindo das guerras e conflitos, enfatizou: “É preciso romper com as fronteiras das pessoas, com as barreiras do egoísmo e das

economias fechadas”, disse, fazendo um convite à plena acolhida aos imigrantes. Padre Antenor João Dalla Vechia, pároco da Igreja Nossa Senhora da Paz e diretor da Casa do Migrante da Missão Paz, agradeceu o trabalho da Pastoral do Migrante da Arquidiocese e pediu que todas as pessoas fiquem atentas à realidade de acolhida, atenção e proximidade com aqueles que chegam. O Sacerdote comentou, ainda, sobre o acompanhamento que a Missão Paz, o SPM e demais entidades que trabalham no acolhimento dessa população migrante faz do Projeto de Lei 143/2016, que instituirá na cidade de São Paulo a Política Municipal para a População Imigrante. O PL, entregue à Câmara Municipal por Fernando Haddad, em 31 de março, foi aprovado pelos vereadores na terça-feira, 21, e seguirá para a sanção do Prefeito. O propósito da lei é garantir ao imigrante o acesso a direitos sociais e serviços públicos, impedir violação de direitos, promover o respeito à diversidade e à interculturalidade.


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| Entrevista | 15

Com a Palavra: Irmã Helen Alford, OP

‘O dinheiro é um bom servo, mas um mestre ruim’

Arquivo pessoal

Filipe Domingues

Especial para O SÃO PAULO, em Roma

Qual é o impacto dos princípios cristãos no mundo dos negócios? Esse é o campo de pesquisa da religiosa dominicana Helen Alford, vice-decana da Faculdade de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino (Angelicum), em Roma, onde ensina Economia e Ética dos Negócios. Irmã Helen é britânica e engenheira industrial. Sempre defendeu a ideia de que o mundo das tecnologias, do trabalho e dos negócios deve ser mais humano. Uma das mulheres que mais se destaca em posição de liderança na Igreja de Roma, Irmã Helen conversou com O SÃO PAULO.

Alguns economistas católicos defendem a economia social de mercado. O que é?

O SÃO PAULO – O Papa Francisco

diz que “esta economia mata”. Como a senhora interpreta isso?

Irmã Helen Alford – O Papa Francisco usa uma linguagem muito dramática, com a intenção de virar manchete. Mas diz também coisas menos dramáticas e que tendem a não chegar aos jornais, como “a atividade empresarial é uma nobre vocação”. Ele usa uma linguagem forte, como um profeta do Antigo Testamento. Às vezes, parece condenatória, mas os profetas não estão tentando condenar. Tentam acordar as pessoas para um problema, trazê-las de volta para uma relação de amor e comunhão com Deus. É um tipo de operação de choque. Os profetas também dizem coisas bonitas sobre como Deus ama seu povo. Vejo o que o Papa diz como um profeta. Acordar as pessoas, mas reconhecer que nem tudo é negativo. Tratar o empresariado como uma vocação: é como ser um religioso, um médico, um professor, um enfermeiro. É algo nobre para a comunidade humana.

Poderia dar um exemplo disso?

A questão migratória. O principal motivo que leva as pessoas a migrarem são problemas econômicos. Elas não têm acesso a bens de que precisam e querem uma vida melhor para seus filhos. Então, se mudam, e isso cria enormes problemas, para si mesmos e para os governos. Fazer algo que ajude a melhorar a base econômica é uma coisa muito nobre. Ajuda o bem comum. Se não construirmos uma economia saudável, com pessoas que servem à comunidade humana, não vamos chegar a lugar algum.

Mas é difícil quando envolve dinheiro…

O dinheiro é uma importante fundação de uma sociedade. É um bom ser-

nível econômico. Porém, quando eles entram nisso, precisam iniciar uma jornada e ir mais longe. Perceber que a responsabilidade social é algo importante em si, algo a ser feito como homem ou mulher de negócios para seguir uma vocação, cuidar do ambiente ou dos funcionários, ou de outras partes interessadas (stakeholders) naquela atividade, independentemente dos resultados da empresa. Inclui os resultados, mas essa não pode ser a motivação. Aí temos a verdadeira responsabilidade social. Muitas empresas ficam só no primeiro estágio. Usam a responsabilidade social só para ganhar mais dinheiro e a esvaziam de sentido. Torna-se mais uma peça de marketing.

vo. É um bom instrumento, mas é um mestre ruim. É uma meta ruim. Não o queremos como um fim em si mesmo. O Evangelho mostra que isso distorce a vida humana: nossa vida é controlada pelo dinheiro. Temos que ter uma relação adequada com o dinheiro. Só então, podemos pensar na economia adequada.

Como os governos devem atuar na economia?

A coisa melhor que o governo pode fazer é estabelecer uma estrutura jurídica adequada, para que as pessoas tenham a certeza de que podem recorrer à Justiça. Isso ajuda a criar uma economia viva. As pessoas podem investir. Depois, há toda a atuação em política econômica, mas isso depende muito da história de cada país. Os Estados Unidos não têm tanta intervenção como a Europa, por exemplo. É uma questão de julgar as liberdades. O ponto básico é a questão legal, com a qual todos os governos têm que se comprometer.

O Papa Bento XVI mostrou na encíclica Caritas in veritate que é um grande crítico do sistema econômico. Qual é a diferença em relação a Francisco?

A grande diferença é a ênfase. Há também uma ligeira diferença na linguagem. O Papa Francisco tem essa

linha muito profética. O Papa Bento XVI ia mais em direção ao engajamento: vamos analisar os problemas e promover mudanças. Bento XVI introduziu ideias novas para o pensamento social da Igreja. Falou muito de dom e gratuidade na economia. Nenhuma economia pode funcionar sem isso. Precisamos do amor humano por meio da generosidade. Pessoas em dificuldades precisam encontrar generosidade nos outros. Uma empresa também pode ajudar a outra. Não basta seguir contratos, mas permitir que as pessoas tenham flexibilidade para manifestar gentileza. Bento XVI também fala da transcendência da pessoa humana na economia. Se não tivermos amor, não podemos construir uma comunidade verdadeiramente humana de que precisamos, um ponto muito desafiador para os economistas.

As empresas estão realmente preocupadas com sua responsabilidade social ou só querem melhorar sua imagem?

A responsabilidade social, de fato, tem essa ambiguidade. Você não pode dizer para um empresário que se ele for ético, responsável, vai reduzir suas chances de ter sucesso no mercado. Se você disser isso, os empresários nunca vão fazê-lo. Você precisa convencê-los de que isso vai funcionar também em

É uma abordagem que surgiu na Alemanha, após a 2º Guerra Mundial. É um sistema no qual se aceita que uma economia não é Física ou Química. É influenciada por um sistema social. Podemos gerenciar o sistema social, especialmente por meio do governo, mas não somente. E nesse sistema funciona o mercado, ou seja, podemos ter vários tipos de economia de mercado. Não precisamos eliminar o mercado para modificar o capitalismo. O mercado é importante porque permite eficiência, destinação dos recursos, competitividade, prosperidade. Mas no nosso sistema atual não está entregando muitos bons resultados. Precisamos repensar o sistema social que está ao redor do mercado. Uma economia social de mercado é um modo de fazer isso.

O que a senhora sugere para uma pessoa comum entender melhor sobre economia?

Primeiro, tente procurar boas fontes. Quem são as fontes de informação independentes no Brasil? É preciso encontrar duas ou três fontes que estão tentando produzir informação econômica de forma mais imparcial e bem fundamentada. O problema da questão econômica é que é muito carregada de emoção e ideologias. Segundo, se você puder dedicar mais tempo para mudar as coisas, se envolver com pessoas que estão tentando fazer algo diferente. Tente obter experiência. Terceiro, procure uma universidade, um instituto, onde possa estudar Economia e Ciências Sociais. Tente entender melhor as coisas. Ou, nos negócios, tente aplicar algo novo que possa mudar a economia. Aprenda o máximo que puder e será capaz de mudar.

As opiniões expressas na seção “Com a Palavra” são de responsabilidade do entrevistado e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do jornal O SÃO PAULO.


16 | Fé e Cultura |

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Filipe David

osaopaulo@uol.com.br

Dica de Leitura

Cinema

Desejo sexual – uma investigação filosófica

Procurando Dory

Reprodução de internet

Roger Scruton (foto), filósofo britânico contemporâneo mundialmente reconhecido por suas investigações filosóficas a respeito da beleza, da arquitetura e da música, aborda agora, talvez pela primeira vez na história do Ocidente com tamanha objetividade, o fenômeno mais típico da

nossa natureza: o desejo sexual. Depois de definir o que é o desejo sexual especificamente humano, Scruton busca afirmar o que muitos sempre consideraram impossível: que há uma moralidade intrínseca ao ato sexual humano, simplesmente por ser humano, independentemente

de códigos morais religiosos ou condutas sociais impostas. Ficha técnica: Autor: Roger Scruton Páginas: 564 Editora: Vide Editorial

“‘Procurando Dory’ é a continuação do clássico desenho animado ‘Procurando Nemo’. O novo filme começa com Dory curtindo sua vida com Marlin, seu filho Nemo e todos os outros peixes em um lindo coral no Oceano Pacífico. Repentinamente, Dory se lembra de que tem uma mãe e um pai em algum lugar, mas onde? Dory não consegue se lembrar exatamente porque sofre de perda da memória de curto prazo. Ela tem apenas uma pista enigmática. Com a ajuda de Marlin e Nemo, a busca de Dory por seus pais a conduz ao Instituto de Vida Marinha Monterrey, na Califórnia, nos Estados Unidos. No entanto, Marlin e Nemo acabam se separando de Dory. Será que ela encontrará seus pais? Será que seus amigos vão perdê-la para sempre? ‘Procurando Dory’ é uma jornada encantadora e inesquecível. Ao longo do caminho, novos amigos aparecem. O resultado é uma aventura fantástica e divertida, um oceano de diversão para toda a família. E o melhor de tudo é que ‘Procurando Dory’ mantém a visão otimista e alegre que o público aprendeu a amar em ‘Procurando Nemo’. Ele celebra os amigos e a família, incluindo as mães e os pais. ‘Procurando Dory’ mostra que ajudar os outros é sempre a coisa certa a fazer, custe o que custar” (Movie Guide). O filme estreia na quinta-feira, 30, nos cinemas.


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Benigno Naveira

Colaborador de comunicação da Região

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Lapa

Santo Antonio: homem de fé, de amor e de caridade Os fiéis da Paróquia Santo Antonio de Pádua, no Setor Pastoral Rio Pequeno, festejaram seu padroeiro, participando de um tríduo, entre os dias 10 e 12, com missas presididas pelos padres Amado Lopes, Geraldo Pereira e Jorge Pierozan. No dia do Santo, 13 de junho, o Padre João Carlos Deschamps, pároco, presidiu missas às 11h e 19h30. Em uma das celebrações, ele destacou, na homilia, que Santo Antonio foi um grande pregador da Palavra de Deus, homem de fé, de amor, de caridade, que partilhou os próprios bens com os pobres e dedicou a vida a serviço da Igreja. O Pároco salientou, ainda, que celebrar o dia do Padroeiro não significa ape-

nas recordar a memória do Santo, mas, sobretudo, festejar a união e a caminhada de toda a comunidade. “As pessoas que aqui passaram por longos anos foram colocando tijolo por tijolo para formar não só uma igreja física, material, mas, sobretudo, a igreja espiritual. O maior objetivo dos que aqui passaram antes de nós foi fazer com que essa comunidade vivesse a fé, para que todos os seus membros pudessem fazer ressoar a Palavra de Deus, ecoando em todos os cantos, principalmente aqui no nosso bairro, para que, assim, pudéssemos evangelizar as crianças e as famílias, a partir da Palavra de Deus”, afirmou. Fernando Silva, paroquiano e coor-

Angela Santos

Padre João Carlos preside missa na festa do padroeiro da Paróquia Santo Antonio de Pádua

denador da Catequese, em conversa com a Pastoral da Comunicação, ressaltou que todas as pastorais trabalharam jun-

tas para que a comunidade estivesse em um clima de oração e celebrasse unida os festejos do Padroeiro.

Encíclica Laudato si’ é estudada por catequistas, pais e crianças Para recordar o primeiro ano da publicação da Encíclica Laudato si’, do Papa Francisco, a Paróquia Santo Alberto Magno, no Setor Pastoral Butantã, tem realizado uma formação sobre como colocar em prática as orientações do Pontífice. A atividade é orientada por Maria Paula Rossi, Genivaldo Vasconcelos e

Edwino Aloysius Royer, coordenadores da Catequese, a pedido do Padre Antonio Ribeiro, pároco. Toda sexta-feira às 20h, aproximadamente cem crianças da Catequese têm um encontro de formação, enquanto seus pais participam de palestras e discutem assuntos relacionados à Igreja. Benigno Naveira

Em conversa com Pastoral da Comunicação da Região Lapa, na sexta-feira, 17, Edwino, 82, ressaltou a importância da Encíclica, que também lembra a temática da Campanha da Fraternidade deste ano “Casa Comum, nossa responsabilidade”, a qual salienta a preocupação com o meio ambiente, a preservação da natureza em relação com o saneamento básico, ecologia, atmosfera e água. Nos encontros, as crianças contri-

buíram com apresentação de trabalhos artísticos que expressaram a necessidade de uma conscientização sobre a atual crise ecológica no mundo. Meire Aricó, que participou do encontro, parabenizou os coordenadores da iniciativa. “Eles são ótimos. Nós participamos discutindo, dando opiniões, conhecendo mais a nossa Igreja e podemos realizar os nossos trabalhos como evangelizadores”, afirmou. Benigno Naveira

No domingo, 19, o Cardeal Scherer, arcebispo metropolitano, presidiu missa na Paróquia São Thomas More, no Setor Rio Pequeno, no tríduo preparatório para a festa do “Padroeiro dos Políticos”, celebrado em 22 de junho. O Santo, que viveu entre 1478 e 1535, foi martirizado por não compactuar com a corrupção.

REDAÇÃO

osaopaulo@uol.com.br Divulgação

Com catequistas, crianças e pais participam de momento de estudo sobre a Laudato si’

Paróquia Nossa Senhora Achiropita

No sábado, 18, Dom Eduardo Vieira dos Santos, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé, conferiu o sacramento da Crisma a 33 jovens e adultos da Paróquia Nossa Senhora Achiropita, que em 2016 completa 90 anos de história.


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Belém Dom Luiz Carlos Dias: ‘Proclamamos a nossa fé no Deus da vida’ Peterson Prates

Colaborador de comunicação da Região

Aline Lima

Dom Luiz Carlos Dias preside missa no velório do Cemitério de Vila Formosa, na quarta-feira, 15

Dom Luiz Carlos Dias, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, visitou, no dia 15, pela primeira vez, o velório de Vila Formosa, na companhia do dirigente da Pastoral das Exéquias no Cemitério, o diácono João Bottura. O Bispo presidiu missa com a participação de mais de cem pessoas, concelebrada pelos padres Emerson da Silva, Syllas Reschilliani, José Osterno e Luís Gutiérrez. Dom Luiz Carlos enalteceu o trabalho da Pastoral das Exéquias realizado no Cemitério e enfatizou a neces-

sidade de os cristãos testemunharem a esperança e a certeza da ressurreição. “Proclamamos a nossa fé no Deus da vida. Devemos mostrar o sentido que só Cristo pode nos dar e resplandecer a luz de Cristo para o mundo”, disse o Bispo, afirmando, ainda, que a Pastoral das Exéquias deve ajudar as famílias nos momentos de dor e sofrimento, quando muitos perdem o sentido da vida. Ele incentivou que mais pessoas façam parte da Pastoral e motivou as que já estão a não desanimarem com os trabalhos. (Colaborou Aline Lima)

Nova coordenação regional dos leigos é eleita “Conselho de leigos não é pastoral, é organismo, formado por representantes de pastoral”, expressou Antônio Zanon, que é membro do Conselho de Leigos da Região Belém (Clerb) desde sua fundação, há 18 anos, durante assembleia eletiva do Conselho, no sábado, 18, no Centro Pastoral São José. A primeira parte da assembleia teve a assessoria de Márcia Castro, integrante da Pastoral Fé e Política da Região Belém, que falou sobre a

Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016. Na sequência, aconteceu a eleição da nova coordenação para os próximos dois anos. Maura Venzon e Luiz Antonio foram eleitos presidente e vice-presidente, respectivamente, com Conceição Aparecida Brito, como secretária, e Marta Maria, mantida como tesoureira do conselho. Foram também eleitos o segundo secretário, o segundo tesoureiro e os membros do conselho fiscal.

Peterson Prates

Integrantes do Conselho de Leigos da Região Belém participam de assembleia eletiva, dia 18

Bispo participa de reunião com o clero “Vocês ganharam mais um bispo para ensinar a ser bispo”, expressou Dom Luiz Carlos Dias, vigário episcopal da Região Belém, em sua primeira reunião com o clero atuante na Região, no dia 15, no Centro Pastoral São José. “A reunião do clero, o presbitério, deve ser o lugar da nossa casa, não pode ser um fardo pesado, mas lugar de encontro”, afirmou o Bispo.

Durante a reunião, o Cônego Celso Pedro tratou sobre o capítulo 14 da carta de Paulo aos Romanos, e o Padre Edênio Valle falou sobre a pessoa do presbítero, enfatizando a necessidade de uma “escola de presbíteros”, com cursos longos, para refletir o ministério presbiteral. A realidade da população em situação de rua em São Paulo neste período de frio

intenso foi apresentada pelos padres Julio Lancellotti, vigário episcopal para a Pastoral do Povo da Rua, e o Padre Gianpietro Carrara, da Missão Belém. Segundo o Padre Julio, os centros de acolhida da Prefeitura “recolhem, mas não acolhem”, daí a resistência de muitos moradores em situação de rua a essas unidades. Por fim, Dom Luiz Carlos enfatizou: “Quero reiterar que ‘vim para servir’”.

Ajude-nos a contar esta história

Em 2016, a Região Episcopal Belém completa 40 anos de existência. Ajude-nos a contar essa história por meio de relatos de episódios, fotos, vídeos e memórias de agentes de pastoral, religiosos, padres e bispos que marcaram presença na Região. Envie o conteúdo para o e-mail: memoriaregiaobelem@gmail.com.

Constantino Palmeira

Peterson Prates

A Paróquia Coração Eucarístico de Jesus e Santa Marina celebrou no sábado, 18, a festa da padroeira. Os festejos começaram às 6h na alvorada, com fogos e os sinos da igreja. Às 10h, o bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, Dom Luiz Carlos Dias, presidiu missa. Durante a tarde, houve carreta pelas ruas do bairro e a tradicional festa junina.

Aconteceu no sábado, 18, o primeiro “Despertar Vocacional da Região Belém”, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, no Tatuapé. O encontro, conduzido pelo Padre Rodrigo Thomaz, da Pastoral Vocacional, contou com a presença de consagradas de diversas congregações religiosas e de jovens da Região e da Diocese de São Miguel Paulista.


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Ipiranga Como os santos, é preciso não desanimar diante das dificuldades Padre José Ronaldo, André Bezerra, Claudio Seiji, Érika Augusto e Laize Teixeira Colaboração especial para a Região

Érika Augusto

Vestido como Santo Antônio, o pequeno Ângelo acompanha a mãe na missa do dia 13

‘Amoris laetitia’ é tema de estudo para o clero A Exortação apostólica Amoris laetitia, do Papa Francisco, foi tema de estudo do clero atuante na Região Ipiranga, no dia 14, durante reunião na cúria regional com Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região. O Bispo ressaltou alguns pontos do documento e enfatizou sobre a postura do Papa Francisco em relação aos casais em segunda união e a atitude de diálogo e misericórdia que cada pastor deve exercer diante de tal questão. Ainda durante a reunião, o Padre Pedro Luiz Amorim falou sobre o comprometimento dos padres com as famílias e destacou a missão da Pastoral Familiar e a abrangência das ações no dinamismo da nova evangelização. Foi enfatizada a necessidade de resgatar e fortalecer a beleza do amor conjugal numa perspectiva de renovação da Pastoral Familiar e seus movimentos.

A devoção a Santo Antonio foi vivenciada intensamente no dia 13 em muitas paróquias da Arquidiocese de São Paulo, entre as quais a Paróquia São Francisco de Assis, na Vila Clementino. Os fiéis lotaram o templo e participaram das atividades e missas realizadas, uma dessas às 15h, presidida pelo Frei Valdecir Schwambach, pároco, que motivou todos a manterem a fé e a esperança, mesmo diante das dificuldades. “Não desanimem, porque até mesmo os grandes santos também se sentiram muitas vezes frustrados em sua caminhada

existencial e espiritual. O problema é que muitas vezes, queremos começar onde o santo terminou”, comentou. Maria Lucia e sua filha Mara (que não disse seu sobrenome) foram à igreja junto com o pequeno Ângelo, que prestes a completar 2 anos chamava a atenção por vestir um hábito marrom, igual ao do Santo. E por qual motivo? Por que Maria Lucia fez uma promessa a Santo Antônio após sua filha perder um filho. Quando Mara ficou grávida, a avó prometeu que traria o neto vestido como o Santo por 3 anos e participaria da missa todo dia 13 de junho.

Santuário São Judas Tadeu acolhe peregrinos da Paróquia São João Clímaco Laize Teixeira

Peregrinos da Paróquia São João Clímaco, do Setor Pastoral Anchieta, posam para foto com Dom José Roberto Fortes Palau, no sábado, 18

Os fiéis da Paróquia São João Clímaco, no Setor Anchieta, e o pároco, Padre Antônio de Lisboa, peregrinaram no sábado, 18, à Porta Santa do Santuário São Judas Tadeu, por ocasião do Jubileu extraordinário da Misericórdia. Claudio Seiji

O grupo Jovens Ativos no Amor de Cristo (Jaac), da Paróquia Santa Cristina, no Setor Pastoral Cursino, festejou os sete anos de fundação com a realização da “Festa Neon”, no sábado, 18, com a participação de mais de 150 pessoas, representando os grupos de jovens dos seis setores pastorais da Região.

Os peregrinos realizaram um momento de oração, renovaram as promessas do Batismo e participaram da missa, presidida por Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga. A todos os peregrinos, foi ressaltada

a necessidade de que vivam as obras de misericórdia, como visitar os doentes, consolar os enfermos, dar de comer a quem tem fome, acolher as pessoas e mostrar o amor de Deus por elas, para que verdadeiramente tenham uma vida cristã.

Igreja é apoio e acolhimento para a família A Pastoral Familiar da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Setor Pastoral Anchieta, promoveu na sextafeira, 17, o segundo encontro sobre as conclusões do Sínodo da Família, realizado em 2015. A assessoria foi da Irmã Imaculada Conceição, a Irmã Maria Crepas. No encontro foram apresentadas as conclusões referentes aos capítulos III e IV da primeira parte do documento final do Sínodo. Diante dos vários temas, como jovens, casais em segunda união e não casados, pessoas com necessidades especiais, mulher, homem, entre outros,

Irmã Maria destacou a importância do apoio e acolhimento da Igreja e os desafios de se partilhar o amor misericordioso de Deus frente as várias ideologias e à perda de valores da sociedade, coisas que interferem diretamente nas famílias. Padre William Day Tombini, pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, destacou a atuação a Pastoral Familiar integrada às demais pastorais e movimentos, como forma de evangelização. O próximo encontro será no dia 12 de agosto, às 20h, para iniciar o estudo da Exortação Apostólica Pós-sinodal Amoris laetitia.


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Santana

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

A Igreja missionária está sempre em saída Luciana Pinheiro

Vindos de diferentes regiões episcopais, participantes do 1º Encontro Missionário Arquidiocesano posam para foto na Cúria de Santana, dia 18

“A Igreja em saída, projeto do Papa Francisco” foi o tema do 1º Encontro Missionário Arquidiocesano realizado na Cúria de Santana, no sábado, 18.

Organizado pela Irmã Rosa Clara Franzoi, coordenadora regional do Conselho Missionário Diocesano (Comidi) e pelo assessor eclesiástico,

Padre Antônio dos Santos da Silva, que também são responsáveis pelo Conselho Missionário Arquidiocesano (Comiar), o encontro reuniu

agentes das regiões episcopais da Arquidiocese. Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana e referencial do Comiar, presidiu a missa de abertura do evento. O Bispo expressou sua alegria com o esforço missionário de todos e propôs que este seja o início de um processo missionário na Arquidiocese. O encontro foi assessorado por Paulo Suess, assessor teológico do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Ele motivou que todos se inspirem em Jesus. Segundo o Assessor, a missão é sinal de contradição, como foi Jesus. Paulo disse que o missionário não deve brigar com todo mundo, mas propor um mundo novo. Em visita ao encontro, o Cardeal Scherer, arcebispo metropolitano, abençoou os participantes.

Antônio Grandi

Acolhidos pelo pároco da Paróquia Nossa Senhora da Salette, Padre Marcos Almeida, 41 jovens e oito adultos receberam o sacramento da Confirmação, no dia 12, pela imposição das mãos de Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa. Simone Carvalho e Fernando Amado

Diácono Francisco Gonçalves

Dom Sergio de Deus Borges presidiu na sexta-feira, 17, missa na Paróquia Nossa Senhora da Consolata, por ocasião do tríduo em homenagem à Padroeira, cuja festa foi celebrada na segunda-feira, 20. Concelebrou o Padre Moisés Facchini, pároco. Padre Pedro Augusto

A Renovação Carismática Católica (RCC) da Região Santana promoveu na Paróquia São Luiz Gonzaga, em 29 de maio, um encontro para cerca de 300 pessoas. Durante o evento, houve oração do Terço, adoração ao Santíssimo e pregação de Roniel Rodrigues. Diácono Francisco Gonçalves

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, presidiu no domingo, 19, missa na Paróquia São Marcos Evangelista, no Setor Pastoral Mandaqui, na qual conferiu o sacramento da Crisma a 25 pessoas.

VENDO SOBRADO

JABAQUARA No sábado, 18, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima do Imirim, Dom Sergio de Deus, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, crismou 52 pessoas, durante missa concelebrada pelos padres Dalmir dos Anjos, pároco, e Hermenegildo Ziero, vigário.

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Brasilândia Enviados para representar a fé e a alegria da juventude do Brasil Larissa Fernandes, Flavio Rogério e Katia Maderic Colaboradores de Comunicação da Região

Jovens da Região Brasilândia que irão à Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia, na Polônia, participaram na sexta-feira, 17, na Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima, no Setor Pastoral Pereira Barreto, de um encontro, iniciado com a missa presidida por Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia. Os jovens se reuniram com o Bispo após a celebração. Dom Devair enfatizou que a participação na JMJ não é um passeio turístico para outro país ou um simples momento de proximidade com o Papa, mas sim um verdadeiro encontro com Jesus Misericordioso. Ao todo, 25 jovens irão representar a Região na JMJ, que ocorrerá de 25 a 31 de julho. Um destes será Diego Brigatto, 22, da Paróquia Santa Cruz de Itaberaba, no Setor Freguesia do Ó. “Participar da JMJ é mais um sonho que estou realizando. Sonho de representar a fé e a alegria da Juventude do Brasil e de nossa comunidade.

Larissa Fernandes

Jovens do Setor Pastoral Freguesia do Ó em foto com Dom Devair após peregrinação à Porta Santa da Igreja Nossa Senhora da Expectação

É a oportunidade de me encontrar com Jesus Misericordioso por meio de cada jovem peregrino que estará lá, independentemente de sua nacionalidade, língua ou costume”, disse em entrevista à Pascom Brasilândia. Também no sábado, 18, jovens do Setor Freguesia do Ó que irão à JMJ peregrinaram à Porta Santa da Igreja Nossa Senhora da Expectação, por ocasião do

Jubileu extraordinário da Misericórdia, e participaram da missa presidida por Dom Devair. “Cristo é a porta que todos nós somos convidados a passar”, destacou o Bispo, que também lembrou aos jovens de que todos os acontecimentos da vida são baseados na intervenção de Deus. Após a missa, os jovens participaram de uma festa junina na Paróquia Nossa Senhora Mãe de Deus, onde puderam com-

partilhar suas expectativas sobre a ida para a Jornada. “Quero agir como Jesus. Não quero pensar em luxo, ou numa viagem de lazer”, afirmou Camila de Gaspri, 27, que irá à JMJ com um grupo de mais sete jovens. Ela já esteve na Jornada de 2013 no Rio de Janeiro e acredita que assim como há três anos, “todos falarão a língua do Espírito Santo”.

Dom Odilo abençoa sacrário da Paróquia Nossa Senhora das Graças Ricardo Souza

Cardeal Scherer diante do sacrário da igreja-matriz da Paróquia Nossa Senhora das Graças

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, visitou pela primeira vez, na manhã do domingo, 19, a Paróquia Nossa Senhora das Graças, na Vila Carolina, onde presidiu missa e abençoou o sacrário, que foi restaurado, após ser danificado durante uma tentativa de furto na Paróquia em 20 de abril. Dom Odilo, na homilia, lembrou que todos são chamados a ser testemunhas de Cristo. “Vocês da Paróquia Nos-

sa Senhora das Graças e da comunidade Nossa Senhora das Dores são as testemunhas de Cristo! Todos nós, padres, fiéis, juntos com os exemplos dos santos, formamos a comunidade de fé, testemunhando Jesus Cristo. Professamos esse testemunho em cada Eucaristia: Ele está no meio de nós! Que Deus abençoe vocês e a cada uma de suas famílias, para que sejam essas testemunhas”, disse o Arcebispo.

Orlando Morais

Pascom Setor Jaraguá

No domingo, 19, os fiéis da Paróquia São Luiz Gonzaga, no Setor Pastoral Pereira Barreto, acolheram a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida. Além de missa, houve carreata com a imagem pelas ruas próximas à igreja, após a qual o Padre Pedro Ricardo Pieroni, pároco, abençoou carros e motos.

Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia, conferiu no domingo, 19, o sacramento da Crisma a 60 jovens durante missa por ele presidida na igreja-matriz da Paróquia Nossa Senhora Mãe e Rainha, no Setor Pastoral Jaraguá, localizada no Jardim Panamericano.

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CNBB: Turbulências não devem desviar a atenção dos projetos em tramitação no Congresso REDAÇÃO

osaopaulo@uol.com.br

O Conselho Permanente da CNBB, reunido em Brasília, entre os dias 14 e 16, emitiu uma nota pública (veja a íntegra abaixo) sobre três projetos em tramitação no Congresso Nacional. O apelo da CNBB aos parlamentares

é enfático: “não aprovem esses projetos”, referindo-se à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/2000, que transfere do Executivo para o Congresso Nacional a demarcação de terras indígenas - “um golpe mortal aos direitos dos povos indígenas, atingindo também comunidades quilombolas”; à PEC 171/1993, que propõe a redução da maioridade penal

- “insistir que a prisão de adolescentes infratores seja caminho de solução para a violência no país é atribuir aos jovens uma situação da qual são mais vítimas do que autores”; e ao Projeto de Lei 3722/2012, que revoga o Estatuto do Desarmamento – “Facilitar o acesso às armas é sustentar a falsa ideia de que a segurança está no armamento das pessoas, além de au-

mentar as oportunidades de homicídios”. Ainda segundo a nota do Conselho Permanente da CNBB, as atuais turbulências da vida socioeconômica e política brasileira “não devem ser usadas para desviar nossa atenção de vários projetos de lei que, em avançada tramitação no Congresso Nacional, ameaçam conquistas e direitos de populações mais vulneráveis do país”.

NOTA DA CNBB SOBRE PROJETOS EM TRAMITAÇÃO NO CONGRESSO

“Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24) Reunido em Brasília (DF), nos dias 14 a 16 de junho de 2016, o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) dirige-se à população brasileira e, em especial, aos atuais responsáveis pelo destino do país, para manifestar, mais uma vez, sua apreensão em relação à grave instabilidade institucional pela qual passa o Brasil. Esta situação exige dos três poderes da República o cuidado corresponsável para preservar os fundamentos de nossa Democracia e para propor ações que assegurem e ampliem os direitos sociais já conquistados, sob pena de sacrificar ainda mais os pobres e excluídos. A vida socioeconômica e política brasileira passa por turbulências que não devem ser usadas para desviar nossa atenção de vários projetos de lei que, em avançada tramitação no Congresso Nacional, ameaçam conquistas e direitos de populações mais vulneráveis do país. Dentre eles, citamos três sobre os quais já nos pronunciamos em outras ocasiões, no cumprimento de nossa

missão humanista e evangelizadora. A Proposta de Emenda Constitucional 215 (PEC 215/2000), que transfere do Executivo para o Congresso Nacional a demarcação de terras indígenas, é um golpe mortal aos direitos dos povos indígenas, atingindo também comunidades quilombolas. A sede de lucro do agronegócio e os grandes projetos não podem se sobrepor ao direito originário dos indígenas, reconhecido pela Constituição Federal. O compromisso dos parlamentares, juntamente com o Executivo e o Judiciário, é envidar esforços para colocar fim aos conflitos e à violência que têm ceifado inúmeras vidas. “A violência usada para acumular dinheiro que mina sangue não nos torna poderosos nem imortais. Para todos, mais cedo ou mais tarde, vem o juízo de Deus, do qual ninguém pode escapar” (Papa Francisco, Misericordiae Vultus, 19). Preocupam-nos também as articulações de bancadas no Congresso pela aprovação da PEC 171/1993, que propõe a redução da maioridade penal. Insistir

que a prisão de adolescentes infratores seja caminho de solução para a violência no país é atribuir aos jovens uma situação da qual são mais vítimas do que autores. Dos 56 mil assassinatos ocorridos no Brasil em 2012, segundo o Mapa da Violência 2014, 30 mil (53,5%) foram de jovens, dos quais 77% eram negros. Apostar nas medidas socioeducativas, em políticas públicas para a juventude e no fortalecimento da família, com educação e qualidade de vida, é eficaz caminho para o fim da violência. Outro projeto extremamente danoso à sociedade é o Projeto de Lei 3722/2012 que, na prática, revoga o Estatuto do Desarmamento. A quem interessa armar a população? Quem ganha com a venda de armas? Facilitar o acesso às armas é sustentar a falsa ideia de que a segurança está no armamento das pessoas, além de aumentar as oportunidades de homicídios. É preciso promover a cultura da paz pela não violência e investir em políticas públicas eficazes para toda a população.

Atentos ao futuro e conscientes de que a cidadania deve ser construída e defendida a cada dia, sobretudo em tempos adversos, fazemos um apelo aos parlamentares: não aprovem esses projetos! Ao povo brasileiro, conclamamos: mantenha viva a esperança, porque “a esperança não decepciona” (Rm 5,5). Confiamos a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, a proteção de seus filhos e filhas. Brasília-DF, 16 de junho de 2016. Dom Sergio da Rocha Arcebispo de Brasília (DF) Presidente da CNBB Dom Murilo S. R. Krieger Arcebispo de São Salvador da Bahia (BA) Vice-presidente da CNBB Dom Leonardo Ulrich Steiner Bispo Auxiliar de Brasília (DF) Secretário-geral da CNBB


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| Reportagem | 23

Presença da Igreja junto ao povo da rua é efetiva e constante Michelino Roberto e Fernando Geronazzo osaopaulo@uol.com.br

Quem chega na região central da cidade de São Paulo, no corredor formado pela praça da Sé, Pátio do Colégio, rua Boa Vista, rua São Bento até o largo São Francisco, à noite, verá uma outra cidade, muito diferente da que se pode ver durante o dia, com transeuntes caminhando a passos rápidos, lojistas arrumando suas mercadorias e abrindo o seu comércio, pessoas indo de um lado a outro a caminho de seu trabalho. À noite, essa população dá lugar para os “irmãos de rua”, que, com seus cobertores e roupas doadas por inúmeras instituições religiosas católicas, espíritas, evangélicas, se agrupam ao longo de todo esse corredor à espera das diversas caravanas de carros provenientes de todas as partes da Cidade, com alimentos, roupas, luvas e meias. O maior ponto de distribuição ocorre no Pátio do Colégio. Lá, tão logo as caravanas chegam e anunciam suas doações, as filas rapidamente se formam em volta dos veículos cheios de promessas de uma noite melhor e mais aquecida. Nas últimas semanas, as caravanas com distribuição de roupas e alimentos se multiplicaram por causa do frio intenso na cidade. Diversos grupos católicos ou não confessionais, sensibilizados com a situação da população em situação de rua, organizaram ações em suas paróquias ou entre amigos e compraram roupas e cobertores a serem distribuídos.

Rede de solidariedade

Um exemplo é o casal Edna Lara Moura, 54, e Roberto Moura, 59. Católicos praticantes e casados há 33 anos, eles, junto com os seus quatro filhos, criaram uma rede de solidariedade pelas mídias sociais para capitar recursos e nas últimas semanas passaram parte das madrugadas frias distribuindo sopa, cobertores e meias às pessoas em situação de rua. Edna disse em entrevista ao O SÃO PAULO que “sabe bem o que é passar frio”, porque quando menina, era muito pobre. Por isso, não consegue ficar confortavelmente em seu lar sabendo que tantas pessoas sofrem com as baixas temperaturas da Cidade”. Enquanto a reportagem estava no Pátio do Colégio na noite da segundafeira, 20, outra caravana de benfeitores chegou. Eram membros da Paróquia São Pedro, na Mooca. Também eles se mobilizaram e desenvolveram o projeto Semeadura, pelo qual arrecadaram, até o momento, R$ 5 mil, que destinaram à compra de cobertores que, em menos de dez minutos, já haviam todos sido distribuídos. Apareceu também um grupo formado por uma rede de amigos que atualmente conta com cerca de cem participantes, quase todos empresários. À sua

chegada, houve um pouco de tumulto: crianças subiam em seus carros, moradores de edifícios ocupados na região do Glicério disputavam com o povo de rua as prendas, dando mesmo a impressão de um campo de refugiados. Um pessoa em situação de rua pediu a estes que trouxessem material de higiene pessoal. Essas ondas de solidariedade mostram o quanto as pessoas estão sensíveis à necessidade do próximo, mas talvez seriam mais eficazes se todos somassem esforços com as inúmeras iniciativas que a Igreja promove junto à população de rua. Conheça, a seguir, algumas delas.

Comunhão de carismas

Criado em 1993, o Vicariato Episcopal para a Pastoral do Povo da Rua arti-

soas por dia, que de lá são encaminhados para as outras casas. Muitos desses missionários são jovens que no passado viviam nas condições anteriormente escritas, e hoje tentam mudar a vida de seus irmãos. Os missionários da Comunidade Voz dos Pobres, surgida em 1996, no bairro do Butantã, também realizam um trabalho de atendimento e acolhida de pessoas em situação de rua. Hoje, eles contam com quatro casas de acolhida na Arquidiocese, uma casa e um sítio na Diocese de Campo Limpo, onde abrigam em torno de 60 pessoas. Além da acolhida, eles realizam a pastoral de rua em diversos bairros, levando alimentos, acompanhando e direcionando as pessoas para atendimento médico, tratamento psiqui-

oferecem acolhida ou algum trabalho mais específico”, acrescentou.

70 anos de solidariedade

Ligado à Pastoral do Menor, o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto foi fundado em 1946 por um grupo de senhoras católicas que frequentavam a Igreja Nossa Senhora do Bom Parto, no Tatuapé. Elas decidiram se unir para desenvolver ações com foco na assistência a jovens da região. A iniciativa cresceu e há mais de 30 anos são inúmeros trabalhos, inclusive com a população de rua. A Entidade possui dois grandes abrigos que atendem aproximadamente 1,4 mil pessoas por dia, com refeições, assistentes sociais e psicólogos à disposição. Desde a semana passada, foram disponibilizaMichelino Roberto

No Pátio do Colégio, diversos grupos de paróquias, famílias e amigos distribuem alimentos, cobertores e roupas para os ‘irmãos de rua’

cula e anima ações eclesiais junto à essa realidade, tendo como vigário episcopal o Padre Julio Lancellotti. Uma das referências da atuação do Vicariato é a Casa de Oração do Povo da Rua, no bairro da Luz, que há 20 anos é um espaço de vivência da fé, fraternidade e formação entre os irmãos de rua. De terça a sexta-feira, são oferecidas aulas de francês, xilogravura, estudo bíblico e Catequese, sempre acompanhadas de refeições. Aos domingos, há o café da manhã e a celebração da Palavra. O café da manhã da Casa de Oração é oferecido pela fraternidade O Caminho, mais um dos grupos que realiza uma missão permanente junto aos mais pobres em casas de acolhida, doação de roupas, calçados, material de higiene pessoal, encaminhamento das pessoas para casas de recuperação e acolhida, para outras comunidades. O local serve como casa de apoio para a missão junto à população da região da Cracolândia. Fundada em 2005, a Missão Belém acolhe hoje cerca de 2 mil pessoas entre crianças a idosos nas suas 160 casas na Grande São Paulo. No Centro Guadalupe, no Belém, os missionários atendem aproximadamente 150 pes-

átrico. “As pessoas caídas, que não têm mobilidade, não têm mais vínculo familiar, nós fazemos questão de levar para as nossas casas para tentarmos dar uma vida digna para eles, para tentar reaver novamente contatos e laços familiares”, relatou o Frei Agostino, um dos missionários da Voz dos Pobres. Originários de Campinas (SP), há 22 anos, os missionários da Fraternidade Toca de Assis atuaram por 15 anos em São Paulo e depois de um período sem uma casa na Cidade, há seis meses contam com uma comunidade fixa que atua na região da praça da Sé, onde fazem a pastoral nas ruas. “De segunda a sábado, nós vamos ao encontro dos irmãos de rua, para oferecer corte de cabelo, entregar alimentos e realizar pastoral da partilha, da conversa”, explicou o Irmão Rodolfo Costa Pimentel, um dos quatro missionários que residem na casa paulistana. “Uma vez por mês, temos uma atividade na Cracolândia e atrás da Catedral da Sé, onde cortamos o cabelo das pessoas e oferecemos um café da manhã, enquanto acontece adoração dentro da Catedral. Nós fazemos o encaminhamento das pessoas atendidas para outras comunidades que

das cem vagas para pernoite em uma das casas. O Bom Parto também possui a Morada São Martinho, no Brás, onde moram de 50 a 60 pessoas em situação de mais fragilidade. O programa “Agente na Rua” atende aproximadamente 6 mil pessoas diariamente. Médicos, enfermeiros, assistentes sociais que documentam, avaliam a situação de cada um e encaminham para unidades básicas de saúde e abrigos. Outra iniciativa é o Espaço Dom Luciano – Família em Foco, voltado para o atendimento de famílias inteiras que vivem nas ruas. Atualmente são atendidas 35 famílias. No caso do Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, há convênios com a Prefeitura para a realização desses trabalhos, mas seus programas sempre ultrapassam os limites de atendimentos previstos pelos convênios. Por isso, assim como as demais obras, conta-se muito com a colaboração financeira, material e voluntária para que a solidariedade aconteça de forma organizada, sistematizada e eficaz. Saiba outras informações com o Vicariato Episcopal para a Pastoral do Povo da Rua, pelo telefone (11) 3228-6223.


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O SÃO PAULO - 3107  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 60 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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