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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 60 | Edição 3052 | 20 a 26 de maio de 2015

Maria, junto a seus filhos, é modelo para as mulheres

R$ 1,50 Luciney Martins/O SÃO PAULO

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Inspirar-se nos gestos de maternidade e de fé da Mãe de Jesus é uma atitude comum dos fiéis católicos, bem como pedir a ela a intercessão num momento de dificuldade. Na quarta-feira, 13, Maria foi comemorada com o título de Nossa Senhora de Fátima. Em toda a Arquidiocese, paróquias e comunidades a ela dedicadas realizaram celebrações festivas, assim como na Catedral da Sé (foto). Neste mês também de homenagem às mães, O SÃO PAULO apresenta a história de uma mãe que superou dificuldades e engravidou após cinco tentativas. Páginas 12, 18, 19, 20, 21, 23

Possíveis riscos com a revogação do Estatuto do Desarmamento

Vaticano prestes a assinar acordo com autoridades palestinas

Aprovado em 2003, e com um dos artigos referendados pelo povo brasileiro em 2005, o Estatuto do Desarmamento regula o porte e o comércio de armas e munições. De acordo com o Mapa da Violência de 2015, a lei

ajudou a salvar mais de 160 mil vidas. Desde 2012, há um projeto na Câmara dos Deputados que visa revogar a medida e facilitar o acesso a armas e munições. Saiba das implicações dessa proposta.

O Vaticano anunciou, na quarta-feira, 13, que a comissão que discute um acordo com o Estado da Palestina chegou a um con-

Dia das Comunicações tem missa na Catedral e evento da Pascom

Indígenas lutam pelo direito de permanecer em aldeia no Jaraguá

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Pentecostes Domingo, 24 de maio A Arquidiocese de São Paulo convida para a Solenidade de Pentecostes, no domingo, 24. Às 14h, haverá missa solene na Catedral da Sé, e na sequência, às 15h30,

na praça da Sé, um momento cultural com shows e outras atrações. A atividade é aberta a todos, especialmente aos adolescentes e jovens crismandos.

senso das tratativas iniciadas no ano 2000, com vistas a favorecer a vida e a atividade da Igreja Católica em território palestino.

RACISMO Não é brincadeira

As “brincadeiras” de três ginastas da seleção brasileira contra o colega Angelo Assumpção, na última semana, comparando-o a uma tela de celular estragada e a um saco de lixo, repercutiram negativamente entre as autoridades esportivas brasileiras, que repudiaram as injúrias raciais proferidas contra o jovem atleta negro. Especialistas consultados pelo O SÃO PAULO avaliaram que ainda há no Brasil um racismo velado e que os esportistas vítimas de tal situação tendem a não acionar a Justiça contra quem os injuriou, temendo represálias sociais. Página 17

Acordo será apresentado a autoridades dos dois Estados, antes da assinatura definitiva. Página 9


2 | Ponto de Vista |

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Editorial

Misericórdia sem Deus?!

C

om a Bula Misericordiae vultus, o Papa Francisco proclamou o Jubileu da Misericórdia, que terá início no próximo dia 8 de dezembro. Ao longo desse Ano Santo, a Igreja deve “de maneira ainda mais intensa, fixar o olhar na misericórdia” (MV, n. 03). Com efeito, o próprio Jesus apresentou o seguinte programa de vida: “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36). Nas relações humanas, do diálogo entre pais e filhos até a política entre nações, constatamos faltas de perdão, juízos temerários, maledicências, preconceitos, rotulações, injustiças, pouca compreensão e aceitação das diferenças... A misericórdia humana é, nesse contexto, uma condição para a melhora da sociedade e para alcançarmos misericórdia de Deus (cf. Mt 5,7). Contudo, ao lado da autêntica misericórdia, expressão do amor e do

zelo pela salvação das almas, encontra-se o perigo da “falsa misericórdia”, simulacro de compaixão que se insinua de diversos modos. Está em moda a disseminação de uma vertente ideológica aqui definida como “misericórdia sem Deus”. Alguns não percebem que a misericórdia é atributo divino e cresce em nós com a virtude teologal da caridade, por meio da oração, dos sacramentos e do contato diário com o Senhor. Aprendemos a ser misericordiosos conhecendo e amando a Cristo. Sem essa dimensão sobrenatural, a misericórdia vira um moralismo restrito ao esforço humano. Sem o auxílio da graça, reduzimos a “misericórdia” a um ativismo ongueirogovernamental-beneficente; e acabamos por achar-nos “mais misericordiosos do que Deus”, crendo que Ele está “obrigado” a perdoar, tolerar e aceitar tudo; como se

a bondade-maldade de nossos atos Lhe fossem indiferentes. A bondade de Deus não barateia a gravidade do mal; ao contrário, o reconhecimento da malícia do pecado apenas ressalta a grandeza e a liberdade da misericórdia divina. Dessa miopia, surge a “misericórdia relativista”, dissociada da verdade. Apontar o caminho da verdade - dizer “você está errado” - seria uma “falta de misericórdia”. Assim, a Igreja seria misericordiosa não ao apresentar, com caridade, a verdade do Evangelho, mas ao compactuar com tudo, especialmente com as opiniões da moda: a opinião de que não existe uma verdade moral objetiva e universal sobre o homem, expressa no chavão popular “o que é bom para mim pode não ser bom para você”; a ideia de que todas as expressões religiosas são autênticas e não devem ser mexidas pelo Cristianis-

mo porque afinal, “todas as religiões levam à salvação;” e todas as opiniões sobre a diversidade de famílias que têm, como base de apoio, a ideologia dos gêneros. Evidentemente, uma “misericórdia” afastada da Verdade dissocia-se também da caridade. Então, já não se pode fazer a correção fraterna; não podemos “intrometer-nos” na vida dos irmãos... Vivemos aos poucos um gelo, isolados, falsamente “respeitando” opiniões alheias, ofendidos por qualquer discordância, tendo-nos como critério de verdades condicionadas a nós mesmos, pensando que isso é “tolerância”, misericórdia”. Ora, Jesus “nasceu e veio ao mundo para dar testemunho da verdade” (cf. Jo 18,37); e, como recordou Francisco, ensinar a verdade é em si uma obra de misericórdia (cf. MV, n.15). E como bem diz o Evangelho, “A verdade vos libertará” (Jo 8,32).

Opinião

Educação: entre a vocação e o descaso Sergio Ricciuto Conte

Francisco Borba Ribeiro Neto Venho de uma daquelas famílias que respiram o magistério. Sempre fui professor, minha mãe e meus tios eram professores. Durante anos, ensinei na licenciatura, formando futuros professores. Greves e manifestações de professores não podem deixar de mexer comigo. Minha mãe dizia que nunca faria greve, porque seus alunos tinham direito de aprender e não podiam ser penalizados pelos erros dos adultos. Para ela, o magistério era um sacerdócio, uma vocação de doação às novas gerações. Na universidade, um de meus professores, um dos marxistas mais bem preparados do curso e sempre coerente, escandalizou-nos ao dizer que era contra greves na Educação. Greve, dizia ele, é para quem dá prejuízo ao patrão deixando de produzir. Se professores e alunos não produzem, os prejudicados são eles mesmos e a sociedade. Portanto, o que devem fazer é trabalhar e estudar ainda mais, para que o estudo seja realmente um instrumento de transformação da sociedade. Diante do descalabro da Educação no País, das más condições de trabalho e remuneração dos professores, tanto minha mãe como meu professor se posicionariam favoráveis aos protestos de seus colegas atuais e se mostrariam indignados com a repressão violenta que suas manifestações recebem em alguns casos.

Os professores não podem ficar calados diante da situação que está aí. Porém, anos de repetidas greves e manifestações pouco têm feito pela situação docente. Ao mesmo tempo, as promessas e os planos dos governos têm tido sucesso na expansão do acesso à escola, mas pouco influem na qualidade da Educação. Estudos internacionais, como o ranking mundial de educação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), recém-divulgado, colocam o Brasil em 60º lugar entre 76 países.

O PIB é de uma das nações mais ricas do mundo e a qualidade de educação das mais pobres! Um sistema injusto penaliza os trabalhadores não apenas explorando-os com salários baixos e cargas de trabalho desumanas. Ele também os penaliza destruindo o sentido do trabalho, fazendo com que deixe de ser ocasião de construção da humanidade do trabalhador para se tornar apenas “coisa” a ser trocada no mercado. Para minha mãe, educar era um ato sagrado, que enchia sua vida de sentido e sabor e a aproximava de

Deus. Para meu professor, era parte de sua luta para transformar o mundo, e como tal também era ocasião de realização pessoal. Hoje, sei que muitos de meus ex-alunos gostariam de viver a docência assim, mas até essa possibilidade lhes foi tirada – tanto pelas más condições de trabalho quanto por uma mentalidade que esvaziou o sentido da Educação. Outras pesquisas têm mostrado que a Educação é uma das maiores preocupações da população brasileira. Mas qual é o apoio que as pessoas e os movimentos sociais dão aos professores, quando estes reivindicam melhores condições de trabalho, ou às escolas, que estão em condições materiais e humanas críticas? Escolas que contam com mais interação e apoio da comunidade (presença pais e familiares, participação dos estudantes em atividades comunitárias etc.) obtêm resultados melhores do que outras que estão em situação semelhante, mas não têm este apoio. Poucas profissões têm, como a Educação, esse caráter de “vocação”, de chamado para uma missão de dedicação às pessoas e transformação do mundo. Essa é uma riqueza que os professores não podem perder, que o Estado deve sustentar com políticas educacionais adequadas e toda a população deve apoiar com reconhecimento e colaboração. Francisco Borba Ribeiro Neto, sociólogo, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Redator chefe: Daniel Gomes • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Edcarlos Bispo, Filipe David e Nayá Fernandes • Institucional: Rafael Alberto e Fernando Geronazzo • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Secretaria de Redação: Djeny Amanda • Assinaturas: Ariane Vital • Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Revisão: Maria Aparecida Ferreira • Impressão: Alliance Editorial S.A. • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 36669660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinaturas) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail • A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


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cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

A

famosa praça de São Marcos, em Veneza, estava tomada de povo. Não eram os turistas de todos os dias, que visitam a cidade aos milhares e se extasiam ao contemplar os mosaicos da basílica de São Marcos, a torre alta de tijolos e os edifícios harmônicos que compõem um dos cenários urbanos mais bonitos e conhecidos do mundo: no dia 16 de maio passado, foram paroquianos de Veneza e peregrinos de diversos países que encheram a praça, em composta assembleia litúrgica, para acompanhar a beatificação do Padre Luís Caburlotto. Nascido em Veneza em 07.06.1817, filho de gondoleiro, o mais veneziano dos trabalhadores, o menino recebeu sólida educação humana e cristã. Depois dos estudos no seminário de Veneza, foi ordenado sacerdote na basílica de São Marcos, em 24 de setembro de 1842. Em meados do século 19, os tempos eram difíceis em toda Itália: depois da era napoleônica, e em plena revolução industrial, havia crise econômica, migrações, êxodo rural, falta de infraestrutura nas cidades, desemprego, pobreza difusa, violência... Além das tensões ideológicas entre “liberais” e “integristas”, a crise moral e a desestruturação familiar eram marcantes. Será forçado ver aí semelhanças com a situação atual do Brasil, bem 150 anos depois?! Padre Caburlotto foi encarregado de uma paróquia da periferia pobre de Veneza, com muita violência, abandono da infância, falta de escola, desintegração da família e degradação dos costumes. Além da pobreza, os paroquianos haviam também perdido as

| Encontro com o Pastor | 3

Beato Luís Caburlotto referências morais. Sem demora, arregaçou as mangas para ajudar o povo da paróquia San Giacomo dell’Orio; sua primeira preocupação foi dar escola e educação às crianças, com atenção especial para as meninas pobres, vítimas de frequentes abusos O padre olhava longe e queria prepará-las para o futuro: um dia, elas se casariam, seriam mães e poderiam educar bem os filhos e cuidar de suas famílias. Bem depressa, apareceu a ajuda voluntária e providencial de uma jovem senhora, que compreendeu o ideal e a preocupação do pároco e se dispôs a ajudá-lo. Foi o início da Con-

gregação das Filhas de São José, uma Congregação religiosa com o carisma da educação. As religiosas, orientadas pelo Padre Caburlotto, ocuparam-se com escolas, casas para meninas órfãs ou com famílias desestruturadas e em dificuldades. Ele compreendeu o quanto a educação era importante para o futuro das crianças e jovens; por isso, passou a dedicar-se também à escola para meninos e rapazes e aceitou a direção de importantes instituições públicas de educação em Veneza. Não permitiu que a educação fosse aprisionada nas lutas ideológicas entre liberais anticleL’Osservatore Romano

Dom Odilo participa da cerimônia de beatificação do Padre Luís Caburlotto em Veneza

ricais e conservadores fechados, mas defendeu, acima de tudo, o direito das pessoas à boa educação, como condição para formar cidadãos livres e pessoas de bem. Por outro lado, teve a preocupação de promover a educação com valores morais; em todas as suas escolhas, sempre honrou os valores cristãos na educação. Padre Caburlotto, educador visionário, faleceu em 07.07.1897, depois de ver bem consolidado o seu trabalho e também a Congregação das Filhas de São José. Elas estão presentes em vários países; em São Paulo, elas têm um colégio na Vila Matilde e outro em Santo André; mas também estão presentes em outros Estados do Brasil. A educação é motivo de constante preocupação também entre nós e a beatificação desse sacerdote educador, sem dúvida, é um sinal da Providência para que demos renovada atenção e importância à presença educadora da Igreja junto às crianças e jovens. Esse é um aspecto importante da missão da Igreja, que não pode ser abandonado. Santos fazem santos. O menino Luís Caburlotto frequentou a escola dos Bem-aventurados irmãos Cavanis, fundadores de uma Congregação voltada para a educação, também eles; deles recebeu ótima formação cristã. Depois, como sacerdote, teve como bispo e Patriarca de Veneza aquele que se tornaria, mais tarde, o Papa São Pio 10º, que também o assistiu na hora do falecimento. A santidade é contagiante... Na conclusão da beatificação, debaixo de um sol forte de primavera, o atual Patriarca de Veneza, Francesco Moraglia, aplicou ao beato Luís Caburlotto os pensamentos do Papa Francisco: esse sacerdote foi um verdadeiro missionário, que saiu ao encontro das pessoas nas periferias e se fez próximo delas; foi um verdadeiro bom pastor, com “o cheiro das ovelhas”, que se dedicou a elas com todas as suas energias...


4 | Papa Francisco |

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Papa Francisco canonizou quatro beatas, sendo duas palestinas, em missa presidida por ele na manhã do domingo, 17, festa da Ascensão do Senhor. Na homilia, ele destacou, nos atos dos apóstolos, a Igreja nascente escolhendo Matias para substituir Judas na missão de ser testemunha da ressurreição. Fazer parte dos 12, explica o Papa citando Pedro, “significa ser testemunha da ressurreição de Jesus “junto conosco”; não se trata de uma tarefa individual, mas um evento a ser vivido de modo comunitário, com o colégio apostólico e com a comunidade. As comunidades cristãs nasceram desse testemunho comunitário que fez muitos aceitarem a fé. E o Papa olha para a Igreja hoje: “Também nós, hoje, fundamos a nossa fé no Senhor ressuscitado, no testemunho dos apóstolos chegado até nós pela missão da Igreja”, numa sequência ininterrupta ao longo dos séculos, efetivada pelos sucessores dos apóstolos e por gerações e gerações de cristãos. Francisco continua: “Imitando os apóstolos”, cada cristão é chamado a se tornar testemunha da ressurreição de Jesus, “naqueles ambientes humanos onde mais forte é o esquecimento de Deus e o enfraquecimento do homem”.

O segredo dos santos é permanecer em Cristo Permanecer em Cristo ressus- temunho da ressurreição é a unidacitado e no seu amor, como afirma de entre nós discípulos. “Que todos São João, é o caminho para con- sejam um!”, pede Jesus na vigília da cretizar esse testemunho. O segre- Paixão. Esse amor entre o Pai e o Fido dos santos é “permanecer em lho que se derrama sobre nós pelo Cristo”. Isso resplandeceu na vida Espírito Santo ganha força na nossa da Irmã Geovana Emilia de Vil- missão e na nossa comunidade fraleneuve, “que consagrou sua vida terna, e disso brota sempre a alegria a Deus e aos pobres, aos doentes, de servir o Senhor na pobreza, na aos encarcerados, aos explorados, virgindade, na obediência. Trata-se tornando-se para eles e para todos de um amor que convida à prece sinal concreto do amor misericor- contemplativa, como experimendioso do Senhor”. taram as Irmãs Maria Baouardy e O Cristão, prosseguiu Francis- Maria Alfonsina Danil Ghatas. co, vive uma relação com Jesus Ressusci- As comunidades cristãs tado e dessa relação nasceram desse testemunho encontra a força “de comunitário que fez muitos permanecer fiel ao aceitarem a fé. E o Papa olha para Evangelho, mesmo a Igreja hoje: “Também nós, hoje, em meio aos obstá- fundamos a nossa fé no Senhor culos e incompre- ressuscitado no testemunho dos ensões” como acon- apóstolos chegado até nós pela teceu com a Irmã missão da Igreja” Cristina Brando. “Ela foi completamente conquistaFrancisco concluiu a homilia da pelo amor ardente para com o convidando todos a levarem consiSenhor; e pela prece, pelo encontro go a alegria daquele encontro com coração com coração com Jesus o Senhor: “cultivemos no coração ressuscitado, presente na Eucaris- o empenho para permanecer no tia, recebia a força para suportar amor de Deus, permanecendo unios sofrimentos e dar-se como pão dos a ele e entre nós, e seguindo repartido a tantas pessoas distan- os passos dessas quatro mulheres, tes de Deus e famintas de autêntico modelos e santidade, que a Igreja amor.” nos convida a imitar”. Outro aspecto essencial do tes(Por Padre Cido Pereira)

Quatro novas santas L’Osservatore Romano

As beatas irmãs Joana Emília de Villeneuve, da França, Maria Cristina Brando, da Itália; irmãs Maria Baouardy e Maria Alfonsina Danil Ghattas, árabe-palestinas, foram canonizadas no domingo, 17, em cerimônia presidida pelo Papa na praça São Pedro. Francisco recordou que Irmã Joana “foi um sinal concreto do amor misericordioso do Senhor” ao consagrar sua vida a Deus, aos pobres, aos doentes e aos reclusos. Sobre Irmã Maria Cristina, o Pontífice afirmou que a santa “foi completamente conquistada pelo amor ardente ao Senhor”. A respeito da Irmã Maria Baouardy, o Papa disse que o seu constante diálogo com o Espírito Santo a permitiu “dar conselhos e explicações teológicas com extrema clareza”, apesar de ser humilde e iletrada. Já Irmã Maria Alfonsina Danil Ghattas “soube bem o que significa irradiar o amor de Deus no apostolado”, disse Francisco.

‘Rezem pela paz’ Na manhã da segunda-feira, o Santo Padre recebeu um grupo de religiosas do Carmelo de Belém e das Filhas do Rosário de Jerusalém, que foram a Roma por ocasião das canonizações do domingo. Durante o rápido encontro, Francisco dirigiu algumas palavras às religiosas às quais confiou uma missão: “rezem para que as duas novas santas intercedam pela paz na Terra Santa, para que esta guerra interminável chegue ao fim e que os povos vivam em paz”. O Papa pediu, ainda, que as irmãs rezassem pelos cristãos perseguidos, expulsos das próprias casas, de suas terras e também vítimas da “perseguição com luvas brancas”.

Conferência Episcopal Italiana Na tarde de segunda-feira, 18, o Papa abriu a 68ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI), no Vaticano. O tema do encontro este ano é a exortação apostólica Evangelii Gaudium. O Pontífice fez um discurso aos bispos italianos, ressaltando que neste momento histórico desconfortante, com situações de aflição e atribulação, no País e no mundo, a vocação episcopal é “navegar contra a corrente”; ou seja, ser testemunhas alegres de Jesus Cristo e transmitir essa alegria e esperança aos outros. Francisco reiterou que a sensibilidade eclesial se concretiza também reforçando o indispensável papel dos leigos em assumir as responsabilidades que lhes competem. “Os leigos que possuem formação cristã autêntica não precisam de um ‘bispo-piloto’, ou de um ‘monsenhor-piloto’ ou de um estímulo clerical para assumir suas tarefas em todos os níveis: político, social, econômico e legislativo! Eles precisam é de um Bispo -Pastor!”, completou. (Por Fernando GEronazzo)


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Espiritualidade Da euforia ao entusiasmo da evangelização Dom Devair Araújo da Fonseca

O

Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia

s domingos de Ramos, de Páscoa e da Ascensão são três momentos litúrgicos distintos, mas referentes ao único mistério: Jesus Cristo. Separados pelos dias, estão unidos pela única intenção de Deus em comunicar seu amor ao mundo. Ao entrar em Jerusalém, Jesus manifesta que a sua missão está chegando ao fim. Jerusalém é mais que uma cidade, é um ponto de chegada, é onde ele testemunha sua adesão definitiva ao projeto de Deus. Com a alma conturbada, mas com passos de confiança, Jesus define sua oferta final como um ato de amor incondicional e aponta a cruz como porta de entrada na tenda que não foi feita por mãos humanas (Bento XVI - Jesus de Nazaré, p.14). Se, ao longo de seu ministério, ele proibia que os discípulos dessem testemunho a seu respeito (Mc 8,30), agora a situação é bem outra: “No primeiro dia dos Ázimos, quando matavam os cordeiros para a Páscoa, os discípulos perguntaram a Jesus: “Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?” Enviou, então, dois dos seus discípulos e disse-lhes: “Ide à cidade”. Um homem levando uma bilha d´água virá ao vosso encontro. Segui-o. Onde ele entrar, dizei ao dono da

casa: ‘O Mestre pergunta: Onde está a minha sala, em que comerei a Páscoa com os meus discípulos’?” (Mc 14, 12-14). A partir de agora, o que realmente interessa é o cumprimento da vontade do Pai. Comer a Páscoa com os discípulos, confirmando cada gesto, cada palavra, cada situação por ele vivida. Essa é a hora da passagem e a hora do amor (Bento XVI - Jesus de Nazaré, p.54). Da parte dos discípulos, existe um misto de ousadia e covardia. Pedro é ousado para enfrentar os soldados que foram em busca de Jesus, mas não cumpre a promessa de segui-lo até o fim. A confiança dos discípulos é frustrada pela realidade da cruz. Sobre essa rejeição da cruz, diz o Papa Francisco: “Às vezes, sentimos a tentação de ser cristãos mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor” (Evangelii Gaudium, 270). Mas o projeto de Deus não pode ser vencido pelo desânimo. De madrugada, quando as mulheres vão ao túmulo, encontram o inesperado: o túmulo está vazio. O primeiro sentimento é de incompreensão. O que teria acontecido? A resposta para essa pergunta vem da experiência com o Ressuscitado. Jesus está vivo e vem ao encontro dos seus discípulos. A sua presença tem a força para reconstituir a esperança e a confiança dos discípulos. O projeto de Deus não pode ser compreendido em meio à euforia, mas é antes uma realidade que precisa ser experimentada e vivida. Nesse projeto, a cruz não é um obstáculo e nem um desvio. A cruz é sinal da entrega definitiva. Mais uma vez, as palavras iluminadoras do Papa Francis-

co: “O triunfo cristão é sempre uma cruz, mas uma cruz que é simultaneamente estandarte de vitória, que se empunha com ternura batalhadora contra as investidas do mal” (Evangelii Gaudium, 85) Jesus que caminha para Jerusalém se entrega e confia no amor do Pai. É esse amor que une e aproxima o domingo de Ramos, de Páscoa e da Ascensão. Jesus sobe a Jerusalém não para ser aclamado ou aplaudido, da mesma forma que sobe para o Pai não para afastar-se de nós. A morte é vencida pela Ressurreição, a euforia é substituída pela alegria da vida e do cumprimento das promessas: “Vocês estão procurando Jesus de Nazaré, que foi crucificado? Ele ressuscitou! Não está aqui! Vejam o lugar onde o puseram. Agora vocês devem ir e dizer aos discípulos dele e a Pedro que ele vai para a Galileia na frente de vocês. Lá, vocês o verão, como ele mesmo disse” (Mc 16, 6-7). A Ressurreição é o ponto decisivo. “Na Ressurreição de Jesus, foi alcançada uma nova possibilidade de ser homem, uma possibilidade que interessa a todos e abre um futuro, um novo gênero de futuro para os homens” (Bento XVI - Jesus de Nazaré, p.201). Essa é a verdadeira alegria do Evangelho, e que deve ser comunicada a todos. Do alto da montanha, os discípulos são despertados para esta exigência: “Homens da Galileia, por que estais aí a olhar para o céu? Este Jesus, que foi arrebatado dentre vós para o céu, assim virá, do mesmo modo como o vistes partir para o céu” (At 1,11). O entusiasmo da evangelização se funda nessa convicção, dos discípulos de ontem e de hoje.

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Fé e Cidadania Em vez de panelas, reforma política Cônego Antonio Manzatto

A luta contra a corrupção não pode ficar restrita ao barulho de panelas, como se fosse carnaval, porque esse problema não se resolve apenas com troca de pessoas, que podem, mais tarde, serem também corrompidas. É necessário sempre, claro, que as pessoas sejam honestas, mas é preciso também que a estrutura da sociedade, na esfera pública e também na cultural, não favoreça a corrupção. Por isso, para além das reformas de consciência, há que reformar o sistema político e eleitoral do Brasil. A CNBB, a OAB e mais uma centena de entidades apoiam o Projeto de Iniciativa Popular que propõe uma reforma política efetivamente democrática. No Congresso Nacional tramitam várias propostas, algumas propõem reformas que não mudam nada, nem afastam o perigo da corrupção. O Projeto de Iniciativa Popular apoiado pela CNBB vai em outra direção, e propõe o financiamento democrático das campanhas eleitorais e o fim do financiamento por empresas. Corta-se pela raiz a possibilidade de promiscuidade entre empresas e políticos. Propõe, ainda, eleições proporcionais em dois turnos, onde no primeiro se vota na lista elaborada pelos partidos e no segundo se vota no candidato. E estas listas devem ter igualdade de gênero, ou seja, que se assegure às mulheres o direito efetivo de participarem da vida política do país, em igualdade de condições com os homens, até porque elas constituem a metade da população nacional. E, por fim, propõe o fortalecimento dos mecanismos de democracia direta nos assuntos mais importantes, por meio de plebiscitos ou referendos. Essa proposta pode ainda ser melhorada, mas ela efetivamente reforma o sistema eleitoral brasileiro, e por isso tem sido atacada exatamente pelos setores mais conservadores da sociedade. Pode-se perguntar porque a Igreja, por meio da CNBB, se envolve nestas questões. E a gente lembra que o seu papel é exatamente o de serviço à sociedade onde vivem aqueles que professam a fé. Alguns criticam a Igreja não pelo fato dela se envolver em política, mas por não se colocar ao lado dos poderosos. Porque quando a Igreja defende posições que lhes agradam, se derretem em elogios; mas quando ela defende outros interesses, sobretudo o dos pobres, como faz o Papa Francisco, então eles acham que a Igreja não pode se aproximar da política. Para uma reforma consequente, há que haver participação política efetiva, em debate democrático e transparente, que possibilite a construção conjunta de um país de paz e desenvolvimento para todos.


6 | Fé e Vida |

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Liturgia e Vida Pentecostes 24 de maio de 2015

O Espírito fonte do amor ANA FLORA ANDERSON

A oração da liturgia de hoje ilumina a ação de Deus no mundo atual. Ela revela que todas as graças que Deus derramou durante o ministério de Jesus são oferecidas a nós hoje através do Espírito Santo. A primeira leitura (Atos dos Apóstolos 2, 1-11) utiliza a linguagem simbólica do Antigo Testamento para revelar a presença divina: Vento e Fogo. O Espírito se faz presente com o dom da comunicação. Quem recebe e vive no Espírito pode comunicar a Palavra de Deus a todas as raças e línguas. Na segunda leitura (1 Coríntios 12, 3b-7.

12-13), São Paulo ensina de maneira incisiva que a fé em Jesus nasce de um dom do Espírito Santo. A comunidade de Corinto conhecia muitas divisões, mas São Paulo insiste que no meio da diversidade de dons, de ministérios e de atividades tudo é realizado no mesmo Espírito. O Evangelho de São João (20, 19-23) narra a vinda do Espírito Santo sobre os primeiros discípulos. Inicialmente, Jesus deseja-lhes por duas vezes a paz e depois anuncia a nova missão. Ele sopra sobre eles e lhes entrega o Espírito de Deus. Agora, os discípulos devem ir ao mundo pregar a conversão do mal e oferecer a reconciliação.

Atos da Cúria NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE VIGÁRIO PAROQUIAL Em 5 de maio de 2015, foi

nomeado e provisionado Vigário Paroquial da Paróquia Santa Teresinha, da Região Episcopal Santana, Setor Pastoral Santana, o Revmo. Pe. Douglas Verdi, SDB.

Você Pergunta Por que Nossa Senhora tem diferentes denominações apesar de ser única? padre Cido Pereira osaopaulo@uol.com.br

O Célio Borba, de Curitiba (PR), me pergunta sobre a variedade e a quantidade de nomes e títulos dados pelo povo de Deus a Nossa Senhora. Respondo à sua pergunta, Célio, convidando os leitores que façam como você: se têm alguma dúvida, enviem-na para esta coluna e a responderei com o maior carinho. Vamos, então, à infinidade de nomes e títulos dados à Mãe de Jesus, que nossos católicos chamam de Nossa Senhora. Esses nomes e títulos são dados a partir da reflexão sobre o papel de Maria na história da salvação, muitos são ditados pelas necessidades que fazem

o povo de Deus recorrer a ela e muitos outros se referem aos lugares onde ela se manifestou em aparições. Com relação ao papel de Maria na história da Salvação, nós a chamamos de Mãe de Deus, de Imaculada Conceição, de Nossa Senhora da Anunciação, de Nossa Senhora Mãe da Igreja, e tantos outros. Há títulos e nomes dados a Nossa Senhora ditados pelas necessidades do povo. Ela é Nossa Senhora do Bom Parto, é Nossa Senhora da Saúde, é Nossa Senhora das Graças, é Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, e a lista prossegue. E Nossa Senhora recebe também os nomes dos lugares onde se manifestou. Ela é Nos-

Para assinar O SÃO PAULO: Escolha uma das opções e a forma de pagamento. E nv i e e s s e c u p o m p a r a : F U N DAÇ ÃO METROPOLITANA PAULISTA, Avenida Higienópolis, 890 São Paulo - SP - CEP 01238-000 - Tel: (011) 3666-9660/3660-3724

sa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Lourdes, de Fátima, da Sallete, de Guadalupe. E se você quiser lembrar uma quantidade imensa de títulos de Maria, que reze a Ladainha de Nossa Senhora e medite em cada título. Assim, você vai perceber que o carinho filial da Igreja por ela é imenso e que o carinho filial nosso por ela tende sempre a criar novos títulos, dependendo das situações vividas por nós. Quem melhor define essa quantidade imensa de títulos e nomes é Roberto Carlos que, em uma linda canção, afirma, após invocar vários títulos de Maria, que: “Todas as nossas senhoras são a mesma Mãe de Deus”.

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| Geral/Pastorais | 7

‘Encontrar-se é a melhor comunicação’ Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Bispo auxiliar da Arquidiocese presidiu missa na Catedral da Sé, recordando o 49º Dia Mundial das Comunicações Sociais Fernando Geronazzo

Especial para O SÃO PAULO

Missa na Sé, presidida por Dom Edmar, tem a presença de comunicadores

No domingo, 17, a Igreja celebrou a Solenidade da Ascensão do Senhor, ocasião em que se comemorou também o 49º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Na Catedral da Sé, houve missa presidida por Dom Edmar Peron, bispo auxiliar e vigário-geral da Arquidiocese de São Paulo A celebração foi concelebrada pelos padres Luiz Eduardo Baronto, cura da Catedral, e Luiz Cláudio Braga, assistente eclesiástico da Pastoral da Comunicação da Arquidiocese, e contou com

a presença de comunicadores e profissionais dos meios de comunicação da Arquidiocese. Na homilia, Dom Edmar explicou o significado da Ascenção do Senhor ao céu após a ressurreição e enfatizou as palavras de Jesus antes de sua subida. “Cristo envia a todos ‘Ide, pregai o Evangelho a toda criatura’”. A partir desse envio, o Bispo explicou a relação dessa solenidade com a comunicação e referiu-se à mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações, cujo tema é “Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor”. Dom Edmar destacou que o Papa reforça que a comunicação se dá no encontro. “Encontrarse é a melhor comunicação. Esse encontro, ressalta o Papa, acontece por primeiro no ambiente familiar, depois, no ambiente da família eclesial, a Igreja. Ele usa duas imagens para falar dessas duas realidades, dizendo que a fa-

mília e a Igreja são chamadas a ser ‘úteros e escolas de comunicação’”, afirmou. “Damos graças a Deus hoje por todos os meios de comunicação social que nos acompanham, nos ajudam eficazmente na evangelização. E também agradecemos ao Papa Francisco que nos recorda que todos eles ficariam sem sentido, sem um encontro pessoal de uns com os outros, comunicando vida, esperança, justiça liberdade, honestidade pelo nosso jeito de viver”, finalizou o Bispo. Na apresentação das oferendas, comunicadores levaram o pão e o vinho para o altar e simbolicamente receberam das mãos de Dom Edmar o Livro dos Evangelhos. A celebração também foi a primeira em que agentes da Pastoral da Pessoa com Deficiência ofereceram o serviço de tradução da missa na Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) para deficientes auditivos, e de audiodescrição para deficientes visuais.

Pastoral da Comunicação Comunicar a família: lugar do encontro na gratuidade do amor A Pastoral da Comunicação da Arquidiocese de São Paulo (Pascom) e a Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom) realizaram no sábado, 16, no auditório da faculdade, o Encontro dos Comunicadores da Arquidiocese de São Paulo. O evento foi organizado em vista da celebração do 49º Dia Mundial das Comunicações, no domingo, 17. “O objetivo deste encontro não foi para celebrar apenas o dom magnífico que Deus nos deu de nos relacionarmos. Foi oportunidade, também, de poder conhecer quem são, como vivem e o que esperam os comunicadores de nossa Igreja”, afirmou o Padre Luiz Claudio Braga, assistente eclesiástico da Pascom arquidiocesana. “Comunicar a Família: lugar privilegiado do encontro na gratuidade do amor” é o tema deste dia mundial das comunicações. Já no início do encontro, os participantes conheceram a história da ação comunicadora da Arquidiocese, por meio de um documentário e de uma mensagem motivacional gravada pelo Cardeal Scherer, arcebispo de São Paulo. “A mensagem que ficou foi que não temos um anúncio a fazer, como Igreja nós somos o anúncio!”, afirmou Padre Luiz. O grupo de cantores Ir ao povo, esteve no encontro, assim

como o Padre Juarez de Castro, que falou sobre a comunicação a serviço da vida plena para todos. “O evento deste ano foi um bom termômetro para avaliarmos a articulação da Pastoral da Comunicação em nossa Arquidiocese”, declarou Rafael Alberto, secretário executivo do Vicariato da Comunicação. “É claro que tem-se ainda muitos desafios, é preciso criar laços entre todas as equipes de Pascom paroquiais, para que forme-se uma rede de comunicação. Isso é fundamental, sobretudo, no contexto do novo portal”, afirmou. A condução do encontro ficou por conta da comunicadora Cidinha Fernandes, que representou a rádio 9 de Julho. Também parti-

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Agentes da Pascom e funcionários de comunicação da Arquidiocese de São Paulo participam de encontro na Fapcom

cipou da atividade a Irmã Maria Celeste, paulina, ex coordenadora da Pascom da Região Sé e do Regional Sul 1 na CNBB. Mensalmente, a Pastoral da

Comunicação arquidiocesana realiza reunião com os coordenadores da Pascom nas regiões episcopais. A próxima será em 11 de junho, às 19h30, na sede

da Região Santana (avenida Mal. Euríco Gáspar Dutra, 1.877, Parada Inglesa). (Por Padre Luiz Claudio Braga, assessor eclesiástico da Pascom arquidiocesana)

Pastoral do Povo da Rua Solidariedade em meio ao frio Para afugentar o frio e ajudar os moradores em situação de rua, o Vicariato Episcopal da Pastoral do Povo da Rua lançou a Campanha do Agasalho de 2015, que visa a arrecadação de roupas de frio e cobertores. O foco maior da Campanha é a arrecadação de roupas e agasalhos masculinos, mas os demais itens também são bem-

vindos. Na madrugada da terça-feira, 26, já haverá a entrega de cobertores para os moradores em situação de rua da cidade de São Paulo. A Missão Belém, a fraternidade O Caminho e a missão Voz dos Pobres apoiam a entrega dos cobertores. A Pastoral também doará chá, café, chocolate e lanche às pessoas que vivem nas ruas. Segundo o vigário episcopal da Pasto-

ral do Povo da Rua, Padre Julio Lancellotti, 66, nesta época do ano, de outono-inverno, muitos moradores em situação de rua costumam ir à procura de cobertores e agasalhos na Casa de Oração do Povo da Rua (rua Djalma Dutra, 3, na Luz), onde podem ser entregues doações durante todo o ano. (Colaborou Rubya Beranger)


8 | Igreja em Missão |

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Henrique Sebastião

Destaques das Agências Nacionais

Especial para O SÃO PAULO

Cáritas Brasileira e CNBB unidas na campanha SOS Nepal Cidades do Nepal e do norte da Índia foram atingidas, em 25 de abril, por um terremoto de magnitude 7.9 graus, numa catástrofe que deixou como rastro cerca de 8,5 mil mortos, 7,9 mil desaparecidos e mais de 6 mil feridos, além de milhões de pessoas desabrigadas, necessitadas de cuidados médicos e ajuda para reconstruir suas vidas. As estimativas apontam para 8 milhões de pessoas afetadas, sem contar as atingidas por um terremoto de menor magnitude registrado no País, no dia 12 deste mês. Em sintonia com os apelos do Santo Padre frente ao sofrimento dessas famílias, a Cáritas Internacional está trabalhando em Kathmandu, capital do Nepal,

Reprodução

com a Caritas local e equipes do Catholic Relief Services. No Brasil, a CNBB e a Cáritas Brasileira lançaram a campanha solidária “SOS Nepal”, por meio da qual poderão ser feitas doações em contas bancárias, sendo que os recursos arrecadados serão destinados às ações de socorro imediato e de reconstrução das condições de vida das vítimas. Abaixo, as contas disponibilizadas para doações: Banco do Brasil: ag: 3475-4, conta corrente: 31.936-8; Bradesco: ag: 0606-8, conta corrente: 71.000-8; Caixa Econômica Federal: ag: 1041, conta corrente: 3573-5, operação 003. Fonte: Cáritas Brasileira/A12

Ofício Divino pela beatificação de Dom Oscar Romero A Arquidiocese de Campo Grande (MS) realiza, no dia 23, uma celebração em comunhão com a cerimônia

de beatificação de Dom Oscar Romero, arcebispo de San Salvador da América, presidida pelo Papa Francisco, em

Roma. Essa celebração fará memória ao mártir da fé, por sua vida e testemunho. A celebração do Oficio

Divino dos Mártires será às 16h do dia 23, na avenida Calógeras, Esplanada Ferroviária. Está programada,

também, para a ocasião, a “Caminhada Luminosa dos Mártires”. Fonte: Arquidiocese de Campo Grande

Centenário de nascimento de Irmã Dulce

Dom José Sales é reeleito para a Pastoral do Povo da Rua

No domingo, 17, no Santuário da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, em Salvador (BA), aconteceu a missa solene que marcou o encerramento das comemorações pelos cem anos de nascimento do “Anjo Bom da Bahia”, iniciadas no dia 25 de abril. A missa foi presidida por Dom Murilo Krieger, arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, que falou do exemplo deixado “pela mãe dos pobres” e da

Reunida na 2ª Assembleia Nacional, de 15 a 17, em Aparecida (SP), a Pastoral do Povo da Rua reelegeu Dom José Luiz Ferreira Sales, bispo de Pesqueira (PE), como referencial da Pastoral. Na oportunidade, a Pastoral do Povo da Rua fez uma reflexão sobre a espiritualidade junto ao povo da rua e catadores. A assembleia que teve como tema “O Povo da rua nas

responsabilidade de cada cristão de passá-lo adiante. “Ao celebrarmos o centenário da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, estamos fazendo homenagens em memória da freira, que não só a traz e faz estar sempre presente, mas nos torna, também, participantes daquilo que ela fez”, destacou o Frei Vandeí Santana, reitor do Santuário. Fonte: Gaudium Press

fronteiras da cidade” ainda tratou do direito à moradia. Foi também lançada a campanha “Chega de omissão, queremos habitação!”, uma iniciativa da Pastoral que reivindica a promoção de políticas públicas de habitação para a população em situação de rua. Durante o encontro, a senhora Solange Damião assumiu a coordenação nacional da Pastoral.


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Destaques das Agências Internacionais

| Igreja em Missão | 9 Filipe David

Correspondente do O SÃO PAULO na Europa

Vaticano/Palestina

Novo acordo entre o Vaticano e a Palestina O Vaticano anunciou que deverá assinar um novo acordo com as autoridades palestinas. A comissão bilateral que discutia um acordo entre a Santa Sé e o Estado da Palestina se reuniu na quarta-feira, 13, em sessão plenária. Ambas as partes estão de acordo com o texto final, concluindo assim os trabalhos que começaram em 2000, com a assinatura de um primeiro acordo fundamental. O novo acordo ainda deverá ser aprovado pelas autoridades dos dois lados, o que deverá acontecer em um futuro próximo. O anúncio foi feito pelo diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, Padre Federico Lombardi. O sub-secretário para as relações com os Estados, Dom Antoine Camilleri, e o embaixador palestino, Rawan Sulaiman, estiveram à frente dos trabalhos. Chamou a atenção da mídia internacional o fato de o Vaticano se referir ao acordo com o “Estado da Palestina”, em vez de “Autoridade Nacional Palestina” ou outro título, embora o Vaticano tenha se referido ao “Estado da Palestina” desde, pelo menos, 2013. Dom Antoine explicou que como em todos os acordos internacionais assinados pelo Vaticano, o objetivo é “favorecer a vida e a atividade da Igreja Católica, bem como seu reconhecimento jurídico, a fim de tornar

L’Osservatore Romano

Presidente palestino Mahmoud Abbas durante reunião com o Papa Francisco, dia 16

mais eficaz o seu serviço à sociedade”. O preâmbulo e o primeiro capítulo do texto tratam dos princípios e normas fundamentais para as duas partes: “Exprime-se (nessa parte), por exemplo, nosso desejo de ver uma solução para a questão palestina, e ao conflito entre israelenses e palestinos no contexto de uma solução com dois Estados e resoluções da comunidade internacional”. Em seguida, um segundo capítulo trata da liberdade religiosa e de consciência.

Outros capítulos abordam diferentes aspectos da vida da Igreja no território palestino, bem como questões fiscais e de propriedade. As relações entre as autoridades palestinas e o Vaticano remontam a um primeiro encontro entre o Papa João Paulo II e membros da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) em 1979, nas Nações Unidas. João Paulo II e Yasser Arafat encontraram-se finalmente em 1982. Mas foi somente em 1994 que foram es-

tabelecidas oficialmente relações diplomáticas entre as duas partes. Finalmente, em 2000, foi assinado o acordo fundamental, que estabelecia o compromisso da Autoridade Palestina com a liberdade de consciência e religiosa, bem como direitos civis fundamentais, acesso aos locais de culto etc. No sábado, 16, o Santo Padre recebeu o presidente palestino Mahmoud Abbas. Ambos exprimiram grande satisfação com a conclusão dos trabalhos da comissão bilateral. O Papa aproveitou para expressar seu desejo de paz entre Israel e Palestina, pedindo que sejam retomadas “as negociações diretas entre as partes para encontrar uma solução justa e durável ao conflito”. A Igreja canonizou no domingo, 17, duas freiras nascidas no território palestino nos anos 1840 (na época sob domínio Otomano). A Irmã Mariam Baouardy foi um mística, com os estigmas de Cristo, também chamada de Maria Jesus Crucificada. Ela foi a fundadora do Carmelo Descalço de Belém e pertencia ao rito Melquita. A Irmã Marie Alphonsine Danil Ghattas foi cofundadora da Congregação das Irmãs do Rosário. Fontes: Vaticano/ News.va/ CNA

Índia

Estados Unidos

Cristãos abandonam vilarejo após ataque

Estudo: uso de pílula anticoncepcional prejudica o cérebro?

Após um ataque de cerca de cem extremistas hindus, que deixou 18 pessoas feridas, incluindo uma menina de apenas 7 anos, cristãos protestantes residentes no vilarejo de Amtola, no nordeste do País, abandonaram seus lares e fugiram. O pastor da comunidade, David Boro, afirmou

Um recente estudo feito pela Universidade da Califórnia sugere que o uso de pílulas anticoncepcionais pode encolher algumas áreas do cérebro da mulher e prejudicar seu funcionamento. No estudo, as áreas afetadas foram o córtex orbitofrontal lateral e o gíro do cíngulo posterior, responsáveis pela regulação de emoções,

que “neste momento, não há mais cristãos no vilarejo”. Segundo o Pastor, “as famílias estão agora em segurança e os feridos foram hospitalizados”. Os extremistas não apenas atacaram e feriram as pessoas, mas também destruíram suas casas. Fonte: Fides

resposta a recompensas e pensamento introspectivo, como lembrar-se de certas memórias ou planejar o futuro. Nicole Petersen, uma neurocientista da Universidade, explicou que “algumas mulheres experimentam, com o uso da pílula, efeitos colaterais emocionais negativos, mas os resultados das pesquisas

científicas sobre isso têm sido ambíguos”. Nicole detalha que a modificação sofrida pelas duas regiões do cérebro poderia explicar isso. O estudo é um dos primeiros investigando o assunto, então, ainda é difícil para os cientistas tirar uma conclusão definitiva. Fonte: CNA


10 | Viver Bem |

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Comportamento

Dia Internacional da Família Valdir Reginato

Desde 1993, por deliberação da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o dia 15 de maio foi o escolhido para comemorar o Dia Internacional da Família. Oportuno o mês, principalmente para nós, católicos, que iniciamos com São José Operário e associamos às comemorações de Santa Maria, de modo particular no dia 13, onde ela se apresenta sob a denominação de Nossa Senhora de Fátima. Nós brasileiros lembramos, ainda, a liberdade dos escravos pela Princesa Isabel. Para a área da saúde, o dia 12 é o Dia do Enfermeiro/a. Sem esquecer o trabalho no dia 1º, e o Domingo das Mães. Assim, maio apresenta-se como um mês que se reveste pela santidade da Sagrada Família, pela alegria de libertação, pelo afeto do cuidado. Poderíamos resumir em um mês de carinho. Um mês feminino. Atualmente, as datas e comemorações passam muitas vezes em branco como mera notificação no calendário. Algumas outras vezes, lembradas por e-mail ou uma mensagem no Facebook. Mais recentemente, podemos conferir mensagens em WhatsApp como lembranças das datas associadas a vídeos ou fotos que rapidamente escorregam da memória. A humanidade sempre fez questão de manifestar suas festas associadas a eventos da natureza, estações do ano, plantios e coletas, descobertas, conquistas, profissões, grandes personagens, santos. É uma maneira de construirmos a nossa memória. Um modo de reconhecermos quem fomos e quem somos. São datas que carregam consigo uma lembrança, de natureza mais alegre ou quem sabe mesmo de uma dor, mas que iden-

tificam pessoas, um povo, uma do das datas. Estamos fugindo de época, um lugar. Datas que promo- nosso passado. Estamos esquecenvem um colorido para que a vida do quem fomos; e corremos o risco não se acomode no tom cinzento, de não saber o que queremos ser. e encontre na lembrança uma nova “Lembra-te de quem és”, diz o pai esperança de recomeçar. de Simba na fábula do Rei Leão. As Assim também, a exemplo das datas nos ajudam a lembrar quem datas regionais e universais, temos somos, o que queremos e para aonas datas em família. Um amigo de decidimos ir um dia. Seria conveniente que neste meu falava dos feriados familiares. A família passava um dia especial, mês especialíssimo de maio, em comemorativo na sua intimidade. que a ONU comemora o Dia InO mesmo sol de sempre para aque- ternacional da Família, possamos la família seria diferente. avaliar como temos nos comporDevemos refletir em como es- tado diante dessa instituição mitamos levando as nossas comemorações familiares. A humanidade sempre fez Como temos nos questão de manifestar comportado nas suas festas associadas datas de aniversáa eventos da natureza, rios, de nascimento e de casamento? estações do ano, plantios Consideramos im- e coletas, descobertas, portante preparar conquistas, profissões, algo diferente para aquele dia? Tornar grandes personagens, o aniversariante santos um pouco mais feliz, ou quem sabe reconciliar aque- lenar da qual fazemos parte desde la pequena rusga arrastada. Escre- o nascimento até a morte. Para ver umas palavras em papel e tinta este ano, a ONU propõe um esque não serão deletadas, mas terão pecial enfoque sobre as questões a identidade de suas mãos. Colocar que envolvem “trabalho e família”. a música em que se conheceram São muitas as considerações que para o jantar ou o álbum de foto- fazem o nosso cotidiano assografias da família, talvez já crescida ciado a este tema que, diga-se de nos anos, para ver quando foram passagem, marca o primeiro dia crianças. Pequenas coisas. Simples do mês. Os desafios apresentados e baratas, mas com uma riqueza de são grandes aos pais de família coração, sem preço. Laços que se para que possam ganhar o seu pão fortalecem numa memória que se com honestidade e viver a alegria constrói a cada ano, no mesmo dia, no lar. Um esforço que vale a pena mas com um novo sabor. e, portanto, deve ser comemorado Nesses tempos de velocidade, muitas vezes ao longo do ano nas em que se vive somente o presente, datas que se sucedem no calendáutilizando-se do descartável para se rio geral, e naquelas que marcam a comemorar o que deveria ser mar- trajetória de cada família. cado para sempre em nossas vidas, Dr. Valdir Reginato é médico de família, pela importância de determinados professor da Escola Paulista de Medicina e terapeuta familiar. dias, estamos perdendo o significa-

Cuidar da Saúde

Endometriose Cássia Regina

A camada mais interna do útero se chama endométrio e quando esse tecido se prolifera para fora do útero se chama endometriose. Durante o período pré-menstrual há um aumento esperado dessa camada para que haja a fecundação. Quando isso não acontece, é que ocorre a menstruação. Entretanto, em

algumas mulheres, esse tecido migra no sentido contrário, podendo atingir as trompas, ovários, intestino e bexiga. Os sintomas são: fluxos menstruais intensos e com coágulos, cólicas intensas, alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação, dor durante as relações sexuais e dificuldade para engravidar. O diagnóstico é feito por meio de

exame ginecológico e exames de imagem. O tratamento pode ser medicamentoso ou cirúrgico; cabe a seu ginecologista avaliar e escolher o mais adequado. Por isso, faça visitas periódicas ao ginecologista. Algo que você considera normal, seu médico pode descobrir que não é e melhorar sua qualidade de vida. Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF)


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| Reportagem | 11

Revogar o Estatuto do Desarmamento pode aumentar os homicídios no Brasil Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

“A posse de armas deve ser proibida, pois representa ameaça à vida de outras pessoas”. Ao se deparar com essa afirmação, leitor, você concordaria com ela? De acordo com pesquisa do Instituto Datafolha, realizada entre os dias 1ª a 3 de setembro de 2014, com 10.054 pessoas, em 361 municípios, 62% dos entrevistados concordaram. O deputado federal Rogério Peninha Mendonça (PMDBSC) tem outra opinião. Para o autor do projeto de lei que revoga o Estatuto do Desarmamento - PL 3722/2012 – a população não apoia a atual legislação. “Em 2005, 64% dos eleitores disseram ‘não’ ao desarmamento civil. De lá para cá, no entanto, o governo virou as costas para a opinião popular e já investiu milhões de reais para que as pessoas entreguem suas armas”. Ivan Marques, diretor executivo do Instituto Sou da Paz, discorda da afirmação do deputado. Para ele, há um equívoco por parte da dita “bancada da bala”, pois a pergunta do referendo de 2005 referiase à comercialização de armas de fogo, coisa que não parou de acontecer no Brasil. “De acordo com dados da Polícia Federal (PF) e do Exército brasileiro, 121 mil novas licenças

números mostram que houve uma redução de homicídios, sendo registrados 34.187. Essa diminuição foi sendo vista nas décadas seguintes, chegando a 2012, último ano com dados disponíveis, quanVidas foram poupadas? do pelo crescimento dos anos Divulgado na quinta-feira, anteriores à aprovação de po14, o Mapa da Violência – deta- líticas de controle de armas, lhamento realizado pelo pesqui- deveriam acontecer 71.118 sador Julio Jacobo Waiselfisz, mortes, mas foram registradas com cooperação da Unesco, 40.077. Somente neste ano, foque tem por objetivo sistemati- ram poupadas 31.041 vidas e, zar uma série de dados objeti- desde 2004, evitado um total vos, nacionais e internacionais, de 160.036 homicídios (detapara um melhor dimensio- lhes no gráfico). Entre os jovens, as previnamento e entendimento do problema das armas de fogo no sões são ainda mais drásticas. Brasil – mostrou que desde a De acordo com a pesquisa, “se, aprovação do Estatuto do De- no conjunto da população, os sarmamento, em 2003, 160.036 homicídios por arma de fogo homicídios por arma de fogo cresceram 112,4% entre 1993 e 2003, entre os jovens, o cresforam evitados. Para chegar a esse número, o cimento foi de 133,5%. Dessa pesquisador levou em conside- forma, em 2012 deveriam ter ração o crescimento da violên- acontecido, pela análise de tencia no período de 1993 a 2003. dência descrita, 46.668 homi“Os homicídios por armas cídios jovens, mas foram regisde fogo passaram de 17.002 trados 23.867. Nesse ano, foram para 36.115, um aumento de evitados 22.801 homicídios de 112,4%, que corresponde a um jovens por arma de fogo. Socrescimento anual de 7,8%. En- mando as vidas poupadas entre tre os jovens, o incremento foi 2004 e 2012, temos um total ainda maior. Nesse mesmo lap- de 113.071 mortes jovens que so, os homicídios pularam de foram evitadas. Os jovens re9.317 para 21.755, aumento de presentam 27% da população 133,5% ou 8,9% ao ano”. total, mas, pelas análises realiSeguindo o crescimento zadas, as políticas de controle percentual dos anos anteriores, de armas de fogo conseguiram 2004 deveria registrar um total poupar a vida de 113.071 jode 38.939 homicídios, porém vens, num total de 160.036 vinão foi o que aconteceu. Os das poupadas, isto é, 70,7% das mortes evitadas”. Fonte: Mapa da Violência 2015 O deputado Peninha, por sua vez, rebate os dados da pesquisa. Para ele, o critério utilizado nas pesquisas é “bizarro”, pois “não existe na análise da segurança pública a projeção de homicídios”. E prosseguiu: “as determinantes para as taxas de mortalidade intencional não se resumem foram concedidas pela PF. Essa história de que ninguém consegue comprar arma no Brasil e de que o referendo não está sendo respeitado é uma grande bobagem”, afirmou.

à lei - elas compreendem uma complexa junção de fatores essencialmente dinâmicos, como o desenvolvimento humano, momento econômico, eficiência das ações repressivas e investigativas policiais, eficácia do sistema jurídico-punitivo e chance de defesa das vítimas. Tudo isso influencia no número de assassinatos. E tudo isso muda. Exatamente por essa razão, a análise séria de qualquer quadro de violência social se baseia em dados concretos, naquilo que foi registrado, e não no que poderia ser”.

Luciney Martins/O SÃO PAULO

O que muda com o PL 3722/2012 Se aprovado, o projeto de lei facilitará o acesso a armas de fogo. De acordo com o autor do projeto, deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC), atualmente é necessária a comprovação, para a Polícia Federal, da efetiva necessidade do porte da arma. Já o PL estipula: • Ter 21 anos (atualmente a idade mínima é 25) • Comprovar residência e empregos fixos • Não possuir antecedentes criminais • Não estar sendo investigado em inquérito policial por crime contra a vida • Comprovar sanidade mental • Ser aprovado no curso de manuseio de armas e tiro

CNBB é contrária à mudança do Estatuto do Desarmamento Ao final da 53º Assembleia Geral da CNBB, em abril, em nota sobre o momento nacional, os bispos apontaram diversos temas que para eles devem ser olhados e analisados com cuidado pelos políticos e pela sociedade civil. Entre esses temas está a possível revogação do Estatuto do Desarmamento. A nota

destacava que o Projeto de Lei 3722/2012, que altera o Estatuto do Desarmamento, é “outra matéria que vai na contramão da segurança e do combate à violência. A arma dá a falsa sensação de segurança e de proteção. Não podemos cair na ilusão de que, facilitando o acesso da população à posse de armas, combateremos a violên-

cia. A indústria das armas está a serviço de um vigoroso poder econômico que não pode ser alimentado à custa da vida das pessoas. Dizer não a esse poder econômico é dever ético dos responsáveis pela preservação do Estatuto do Desarmamento”. Para o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Jus-

tiça e da Paz da CNBB, Dom Guilherme Antônio Werlang, revogar essa lei é colocar a vida de todos os brasileiros em risco. Para ele, mais pessoas armadas “não trazem nenhum impacto para a redução da criminalidade e dos homicídios. Essa é uma falsa ideia, pois a livre circulação de armas facilitará seu acesso aos que vivem no

mundo do crime. Com a facilidade de obter mais armas, consequentemente, mais crimes serão cometidos. Portanto, revogar o Estatuto do Desarmamento somente aumentará os homicídios no Brasil. A arma de fogo é um instrumento de morte e não de defesa. E o Estatuto é uma forma de defesa, a favor da vida”. (EB)


12 | Reportagem |

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Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

O mês de maio é conhecido como mês das mães, das noivas e, para os cristãos católicos, o mês de Maria, Mãe de Jesus e esposa de José. Por isso, muitos casais decidem realizar o casamento neste mês, tradição que veio do hemisfério norte, onde acontece o início da primavera. Porém, nem tudo são flores quando o assunto é o casamento ou a maternidade. Para muitas mulheres, ser noiva ou esposa pode ser uma experiência de muita ansiedade. Essa espera pelo dia da celebração do casamento ou pelo momento de engravidar é positiva, se o casal a vive em sintonia e tranquilidade, mas pode ser também negativa, se absorve toda a energia de ambos e acaba gerando situações desagradáveis. A reportagem conversou com Rejane Guimarães, 26, noiva do Fernando Geronazzo, com o casamento marcado para outubro deste ano, e com Verônica Neto Cabral Deffert, 37, casada com Danton Dalas Deffert desde 2004, mãe do Miguel Lucas e grávida de gêmeas, que nascerão em agosto. Rejane sentiu mais forte o desejo de se casar, depois que começou a namorar Fernando e a decisão de compartilhar a vida juntos veio num momento de crise do relacionamento. “Durante a Jornada Mundial da Juventude – que aconteceu em julho de 2013, no Rio de Janeiro – eu estava pedindo uma resposta a Deus, se deveríamos continuar ou não o namoro. Então, no final de uma das celebrações, o Papa veio perto da gente. Não sabíamos onde um ou outro estava exatamente, porque era uma multidão, mas pegamos na mão do Papa ao mesmo tempo”, contou Rejane. Fernando, porém, já estava decidido e preparou uma surpresa para namorada, entregando a Rejane um potinho que ela deveria abrir junto dele e somente se quisesse continuar o relacionamento. E foi durante um retiro que eles abriram o pote com as alianças e aconteceu o momento do pedido de casamento. Desde então, começaram os projetos da casa e do dia da celebração de casamento e junto com eles, também a ansiedade, sobretudo para Rejane, em relação à nova rotina e o cuidado com a casa.

Maturidade e fé

Ssmaia Abdul, psicóloga narrativa (CRP06/60674), falou sobre a questão da ansiedade das noivas, e afirmou que quando a mulher opta por se casar, ainda existe um forte desejo da realização perfeita do casamento. “Aquela festa tão sonhada, o vestido mais lindo, semelhante ao de uma princesa, a escolha do lugar ideal, dos padrinhos, a lista de presente do casamento, a organização da festa como um todo, as ‘lembrancinhas’”. A Psicóloga ressaltou que essas tarefas são, geralmente, ansiosamente pensadas ou planejadas pela noiva, fazendo

Maternidade, feminilidade e fé no mês de maio Arquivo pessoal

A responsabilidade aumentou na mesma proporção da alegria, pois, como mencionei, em alguns momentos me achei incapaz de gerar uma vida Veronica Neto Cabral, mãe de Miguel Lucas e grávida de gêmeas

com o que o noivo tenha pouca ou quase nenhuma participação. Tal planejamento vem acompanhado de muitas expectativas. “Caso a noiva tenha o que chamamos de ansiedade positiva, aquela que coloca a pessoa a agir e tomar decisões, não ocorrem tais inseguranças. Mas isto dependerá muito do próprio perfil psicológico da pessoa ou de sua personalidade. Se ela já é uma pessoa um pouco mais ansiosa e com um nível elevado de indecisão, tudo pode se tornar mais difícil, de forma que o período que antecede o rito passe a ser desgastante, podendo acarretar ansiedade elevada, que gera alto nível de stress, podendo, inclusive, evoluir para uma depressão leve ou para um possível transtorno de ansiedade.” Na história de Fernando e Rejane, a dimensão da fé foi fundamental e, mesmo em contextos e épocas totalmente distintos, pode-se dizer que ela está, como Maria estava para José, prometi-

da em casamento. Na Bíblia, não há nenhuma citação sobre os preparativos do casamento de Maria e José, mas quando ela recebeu a visita do anjo Gabriel e o anúncio de que seria mãe de Jesus, “ficou intrigada” e “pôs-se a pensar”. (Lc 1,29). “É importante que haja maturidade para a escolha e, destacaria, a necessidade do diálogo entre os noivos. Cada um carrega, dentro de si, uma expectativa do que é um casamento, e a mesma, geralmente, provém da experiência que temos com o casamento de nossos pais. Podemos vê-lo como ‘modelo’; ou seja, algo que eu quero que seja muito parecido em meu casamento ou como ‘antimodelo’, algo que eu não quero que se repita”, explicou Ssmaia.

‘Não consigo engravidar, e agora?’

Se Maria ficou intrigada quando recebeu a visita inesperada do anjo, con-

forme a narrativa de Lucas, ela também “meditava em seu coração”, conta o evangelista no capítulo seguinte do seu livro. Meditar no coração é uma experiência forte de saber lidar com os próprios sentimentos, refletindo também sobre eles. Para algumas mulheres, porém, a linha entre a esperança e o desespero pode ser tênue quando o assunto é a maternidade. Veronica Neto Cabral Deffert, dentista, demorou cinco anos para engravidar do primeiro filho e antes mesmo do Miguel Lucas completar um ano de idade, descobriu-se grávida de gêmeas. “Sempre falavam para eu desencanar, esquecer, que na hora certa viria o bebê e veio. Contudo, antes do Miguel chegar, em 2011, tive um aborto espontâneo e, naquele momento, me senti muito incapaz”, contou. Ela fez dois ciclos de indução de ovulação com remédios diferentes “mas, por incrível que pareça, as três vezes que esqueci e resolvi seguir minha vida foi quando engravidei”, contou a mãe que, viveu ainda, a experiência de acompanhar o filho recém-nascido na UTI por 15 dias. “Muita coisa mudou, meu modo de olhar o mundo é diferente, as prioridades, os planos que fazia para cinco anos foram reduzidos para o dia de hoje ser um bom dia. A responsabilidade aumentou na mesma proporção da alegria, pois, como mencionei, em alguns momentos me achei incapaz de gerar uma vida. Deus, porém, em sua bondade de Pai, me mostrou que não é assim, que era tudo uma questão de tempo. Agora, nessa gestação das meninas, imagino que tudo será diferente, vamos passar de novo por mudanças, mas sabemos que será para ter a casa mais alegre”, comentou Veronica. Ao falar sobre a ansiedade e dificuldade que algumas mulheres têm para engravidar, Ssmaia explicou que “a mulher é a primeira que vai ao médico realizar uma série de exames, enquanto que o homem acredita estar tudo bem com ele. Mas nem sempre isso ocorre. Pode ser que a dificuldade esteja em alguma disfunção do homem. Cada vez mais se descobre casos com este perfil”. “É uma situação vivenciada de maneira contraditória, pois ao mesmo tempo em que a esperança está presente, existe também o medo de não conseguir engravidar. Esses dois sentimentos caminham juntos, lado a lado, e o medo, que gera ansiedade, pode atrapalhar ou até mesmo dificultar um tratamento médico”, continuou Ssmaia, ao ressaltar que, geralmente, aqueles que não perdem a esperança possuem forte resistência e até mesmo resiliência. “A capacidade de suportar as forças externas negativas e não se entregar, junto à fé, somada à maturidade temporal; ou seja, independente de quanto tempo levar, o casal estará maduro e pronto o suficiente para passar por qualquer situação que possa, um dia, realizar o sonho de se tornarem pais”, afirmou Ssmaia.


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| Reportagem | 13 Luciney Martins/O SÃO PAULO

Lewandowski suspende temporariamente a expulsão de índios da Terra Indígena Jaraguá Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Ari Martim, 72, cacique da aldeia Itakupe, ou em português “Sol Nascente”, estava trabalhando numa plantação e com as mãos sujas de terra durante a visita da reportagem do O SÃO PAULO à Terra Indígena Jaraguá (TI), no município de São Paulo, a 16 quilômetros da praça da Sé. Por lá, moram mais de 700 indígenas da etnia Guarani Mbya, na única área demarcada, sendo a menor terra indígena do País, com apenas 1,7 hectare. Ele e todos os indígenas das demais aldeias do município denunciaram que iriam resistir depois da liminar da Justiça Federal que pedia a reintegração de posse imediata da área da Tekoa Itakupe, no início do mês de maio. “Como Guarani, nossa luta não é física, é espiritual”, afirmou o Cacique, um dos primeiros a permanecer na região de 532 hectares, que foi reconhecida pela Fundação Nacional do Índio (Funai), por meio de um laudo, como terra tradicional indígena. A Funai aprovou e publicou no Diário Oficial da União (Portaria FUNAI/PRES No 544) os resultados dos estudos técnicos que reconheceram a área indígena, e emitiram um laudo antropológico. Para que o território seja definitivamente demarcado, é necessário o Decreto Presidencial nº 1.775. Porém, conforme prevê a lei, as contestações poderiam ser apresentadas no período de 90 dias após a publicação, que foi no dia 30 de abril de 2013. Ou seja, os pedidos de reintegração de posse são inconstitucionais, pois foram feitos fora do prazo. A pequena aldeia de 1,7 hectare, demarcada antes da Constituição de 1988, está localizada próxima à cidade com todas as consequências de uma aglome-

ração de casas em um pequeno espaço. Os moradores se dividem nas aldeias Ytu e Pyau, e a metade são crianças, cerca de 350. Eles sofrem com falta de infraestrutura como saneamento básico e unidade de saúde. Todos sabem falar guarani,

que “todos nós, os Guarani de São Paulo, temos parentes que vivem lá, e nós não abandonaremos nem eles nem esta terra. O Itakupe é o único pedaço de chão de que dispomos para construir nossas casas sem nos espremermos, é a única terra em que po-

premo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, decidiu na sexta-feira, 15, pela suspensão da medida. Antes da decisão, os índios guarani que vivem na Terra Indígena (TI) do Jaraguá, assim declarada pela Funai, teriam de desocupar o terreno a partir Luciney Martins/O SÃO PAULO

Crianças do Jaraguá aprendem o idioma guarani na escola indígena que fica dentro da comunidade

também os menores, que tími- demos plantar nosso alimento e do dia 25, como ficou decidido dos, preferem fugir das câmeras manter nossa cultura”. após uma reunião entre a Polícia fotográficas por medo do descoMilitar e Antônio Tito Costa, que nhecido. Aliás, medo tem sido Medida suspensa, e reclama a propriedade das terras. uma palavra que faz parte do dia agora? Porém, a ação judicial movida Diferentes movimentos so- por ele em 2005 ainda deve ser a dia destes indígenas. Eles lutam contra processos judiciais que pe- ciais e o Conselho Indigenista sentenciada. dem a reintegração de posse e a Missionário (Cimi) vinham atu“Entendo prudente que a dedesocupação da nova área ocupa- ando para suspender a reintegra- cisão judicial objeto desta suspenda que localizada atrás do Parque ção de posse. O presidente do Su- são seja provisoriamente suspensa, neste momento, Estadual do Jaraguá. para que o juízo da Os indígenas têm Processos referentes à Terra Indígena no Jaraguá 10ª Vara Federal em feito manifestações e N ° do Processo: 0001247-88.2004.403.6100 São Paulo promoreuniões constantes Justiça Federal – José Alvaro Pereira Leite (José Adriano Marrey Neto e Fernanda Pereira Leite OAB/SP141216) X Fundação va uma tentativa de contra a reintegra- OAB/SP021725 Nacional do Índio (Alexandre Jabur OAB/SP 246604) ção de posse, mas, Agravo no TRF: 0016182-51.2014.4.03.0000 conciliação entre as ainda assim, sentem partes ou, então, jusN ° do Processo: 0035095-03.2003.403.6100 tifique eventual imque uma das princi- Justiça Federal – Manoel Rodrigues (Simone Cristina Luiz Rodrigues pais dificuldades é o OAB/SP143755 e Vera da Silva Rodrigues OAB/SP171547) X Fundação possibilidade de levá Nacional do Índio (Alexandre Jabur OAB/SP 246604) desconhecimento da Agravo no TRF: 0016181-66.2014.4.03.0000 -la a efeito”, publicou população paulistao presidente do STF, ° do Processo: 0028364-20.2005.403.6100 na. Isto os torna vul- N Lewandowski. Justiça Federal - Antonio Tito Costa (Claudia Cardoso Anafe - OAB/ neráveis a ações até SP052106, Jurema Farina Cardoso Esteves - OAB/SP040731 e Mario de - OAB/SP050589) X Fundação Nacional do Índio (Glaucio de Lima ‘A mata é a mesmo violentas. Em Marco e Castro - Proc. 1642) nossa casa’ carta aberta publicada ainda em abril, os Site da Campanha Resistência Guarani SP: A área de 72 http://campanhaguaranisp.yvyrupa.org.br indígenas afirmaram hectares teria sido

adquirida pela família da falecida mulher de Tito Costa e um sócio, em 1947. A reportagem tentou falar com Tito Costa ou alguém que pudesse representá-lo, mas não obteve retorno. O requerimento enviado pela Funai para o juiz federal da 10a Vara Federal Cível da Seção em São Paulo, “indica o risco de grave lesão à ordem e à segurança públicas, verificados na absoluta desconsideração dos atos administrativos da Funai, que identificam a área como de ocupação tradicional – em contrariedade à orientação do Supremo Tribunal Federal na SL 842, por exemplo, e na possibilidade de conflito real, considerado o ânimo de resistência da comunidade indígena em questão”. O texto afirma: “a existência de estudo antropológico da Fundação Nacional do Índio – que atesta a tradicionalidade da ocupação indígena dos guarani sobre as terras em litígio, ainda que pendente de conclusão o procedimento demarcatório, aliada à constatação de elevados riscos à segurança pública, tem força suficiente, em sede de suspensão de liminar, para garantir direito possessório à comunidade indígena guarani”. Os indígenas continuam esperando a resolução do caso para continuar a viver ali, sem medo de serem expulsos, para preservar a natureza e, sobretudo, a cultura guarani. “Quando chegamos aqui, estava tudo cheio de lixo e escombros. Aos poucos, estamos conseguindo limpar. Todos os dias vou com as crianças pela mata. Quero que elas conheçam a plantas medicinais, as frutas, os diferentes cantos dos passarinhos. O indígena precisa da terra para viver. A mata é a nossa casa”, afirmou o cacique Ari. (Com informações da Comissão Guarani Yvyrupa e de agências)


14 | Geral |

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Domingo, 24 de maio

14h Missa na Catedral da Sé

15h30 Momento cultural na praça da Sé


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| Entrevista | 15

Com a Palavra Maria Luiza Marcílio

História da escola em São Paulo e no Brasil Luciney Martins/O SÃO PAULO

Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Professora titular do Departamento de História da Universidade de São Paulo e presidente eleita do Instituto Jacques Maritain do Brasil, Maria Luiza Marcílio é uma católica de notável experiência como historiadora, tendo recebido, em 2012, o prêmio de melhor historiadora das Américas, pela 54° Conferência Mundial de Americanistas, em Viena, na Áustria. Fundou e dirigiu o Centro de Estudos de Demografia Histórica da América Latina (Cedhal) e é autora de muitos artigos e livros, entre eles, “História da Escola em São Paulo e no Brasil”, sobre o qual ela conversou com a reportagem do O SÃO PAULO nesta entrevista.

Voltando ao Cedhal, qual o principal objetivo do Centro?

O SÃO PAULO – Quando e como se desenvolveu a pesquisa sobre a história da escola? Maria Luiza Marcílio – A ideia surgiu no ano 2000, quando o presidente do Instituto Braudel me convidou para escrever uma história da escola no Brasil, porque só havia livros sobre a história da educação, mas não da escola especificamente. Na USP, participei da fundação de um centro de estudos sobre demografia histórica, que se chama Centro de Estudos de Demografia Histórica da América Latina. Nesse centro, começamos um tema de história novo, a história da criança. Fui às raízes e descobri que a instrução primária no Ocidente foi obra essencialmente da Igreja Católica, seja de padres, clérigos, monges e depois também as universidades, com objetivo de catecumenato e de missão. Mas, era ainda uma educação para poucos. Com o Concílio de Trento, começou-se uma reforma de ensino primário, para que as crianças aprendessem a ler e escrever e pudessem ler a Bíblia. Assim, a Igreja começou a fomentar uma educação para os mais humildes. É dessa época, por exemplo, a Fundação da Companhia de Jesus, que essencialmente se voltou para a educação, porque se acreditava que por aí se mudava o futuro da nação.

Nessa época, então, começou-se a pensar numa educação para todos? Sim. Foi na Alemanha, no século XVII, que se pensou pela primeira vez uma educação popular oficialmente. Primeiro, em alguns reinados da Alemanha e só depois por toda a Europa. Na segunda metade do século XVIII, em Portugal, o

ra escola. O Mackenzie também serviu de inspiração para os republicanos, que propunham uma revolução na educação e começaram uma batalha por uma educação de qualidade. Eles tinham a ideia, correta, enfatizo eu, que a mudança do País só viria pela educação. São Paulo foi o primeiro estado que fez uma revolução no ensino. Eles começaram pelo ensino de base e fundaram uma escola normal modelo, que foi a Caetano de Campos, na praça da República.

Estado, com o Marquês de Pombal, também começou a fundar escolas públicas.

E no Brasil? No período colonial, a educação era praticamente nula no Brasil. Os que vieram para cá eram em grande parte analfabetos e havia somente os colégios jesuítas. Eram cerca de 17 em todo o Brasil. São Paulo, em 1554, foi a única cidade fundada em torno de um colégio e os demais foram sendo criados nos séculos XVII e XVIII. Eu fiz uma conta aproximada e percebi que os brasileiros que frequentavam os colégios jesuítas não passavam de 0,1%, à época. No livro, há muitos documentos mostrando, por exemplo, que os governadores gerais das capitanias, criadas na época de Pombal no século XVIII, não encontravam ninguém que os pudesse secretariar. No século XIX, na época do Império, foram criadas escolas populares, públicas, mas eram poucas e não havia professores preparados. Chegamos ao fim do Império sem nenhuma universidade. Havia somente as escolas de Medicina criadas por Dom João VI na Bahia e no Rio de Janeiro, uma faculdade de Direito no Re-

cife, e em São Paulo a Escola de Direito no Largo São Francisco, em 1827, com objetivo de formar pessoas para governar o Brasil. Na véspera do fim do Império, foi criada a Escola Politécnica de São Paulo. Entramos na República com mais de 80% de analfabetos. Havia um clamor pela criação das escolas, mas ninguém fazia nada.

Então, as primeiras escolas do Brasil são da época da República... como eram? As primeiras escolas no Brasil eram verdadeiros palácios, para que as crianças tivessem orgulho das suas escolas. Mas eram poucas e as coisas só começaram a mudar graças à iniciativa dos norte-americanos, que vieram após a guerra de 1860 para o Brasil. Eles fundaram, por exemplo, a cidade de Americana, e em São Paulo, uma escola para americanos. Então, começou a ser procurada pelos brasileiros e, com apoio americano, construíram uma estrutura onde é hoje o Colégio Mackenzie. Na época, era considerada uma escola modelo, e também era um verdadeiro palácio. Alguns governos criaram escolas inspiradas nessa primei-

O primeiro era a formação dos alunos. Ali se formaram alunos de todos os níveis, ao longo dos dez anos que estive na direção do Centro. Atingimos um leque de pesquisas que era inédito até então no Brasil. Estudávamos a criança pela cor, pela situação social e a exigência sempre, além da metodologia, era que fossem estudos fundados sempre em documentação. Não podia-se ficar no achismo, que é uma das formas mais difundidas no Brasil. Assim, surgiram livros, congressos, artigos em revistas nacionais e internacionais e o Cedhal ficou muito conhecido fora do Brasil. Essa documentação sobre a criança foi muito vasta. Eu mesma fui convidada para assessorar cursos dar aulas nos Estados Unidos, na Europa e pude neste tempo pesquisar arquivos locais sobre o Brasil. Com isso, pude acumular uma vastíssima documentação e bibliografia referentes aos vários aspectos da criança.

No Cedhal havia pesquisas também sobre educação? Não. O único aspecto que não aprofundamos foi o da educação, porque sempre consideramos que este é uma área da Pedagogia, da história da educação e que, provavelmente, deveria ter uma grande produção acadêmica. Mas, na verdade, estava enganada. Quando fui convidada para fazer essa pesquisa, naturalmente juntei toda a documentação, as leituras e a formação que eu tinha sobre história da criança e da família também e comecei a verificar na história da educação o que havia sobre a escola. Há uma grande produção sobre escola, mas pouco sobre a história da escola. Então, seguindo o que tinha aprendido na França, onde tive aulas com o maior historiador na época, Fernand Braudel, propus que fizéssemos um trabalho baseado na história da escola e isso foi aceito, pois era o que faltava e assim nasceu o livro.


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Filipe David

osaopaulo@uol.com.br

Dica de Leitura

Palestra

Esses livros conduzem o leitor por um profundo estudo dos três evangelhos sinóticos, usando como guia o próprio texto bíblico e as diretrizes da Igreja Católica para sua interpretação. Cada página traz várias observações e oferece novos esclarecimentos e comentários dos renomados professores Scott Hahn e Curtis Mitch, especialistas em estudo bíblico, além de algumas interpretações feitas pelos Padres da Igreja, há muito consagradas. Essas notas de estudo ajudam a tornar explícito aquilo que os evangelistas frequentemente tomam por pressuposto, além de fornecerem também preciosas informações históricas, culturais,

Direita, esquerda, socialista, liberal, progressista, conservador. O debate político é carregado de rótulos como esses. Um dos mais utilizados, muitas vezes com o intuito de desqualificar o adversário, é o de “conservador”. Mas o que seria um conservador? Seria alguém que quer manter tudo como está, sem mudar nada? Ou alguém que defende o statu quo e as classes dominantes? Por ocasião da tradução e lançamento do livro “O que é o conservadorismo”, de Roger Scruton, a editora É Realizações promove uma palestra sobre esse tema com Bruno Garschagen, responsável pela apresentação do livro. Roger Scruton é um dos mais conhecidos filósofos conservadores atuais na Grã -Bretanha. No livro, “Scruton tenta equilibrar a exposição do con-

Cadernos de estudo bíblico São Mateus, São Lucas e São Marcos Reprodução

geográficas e teológicas, pertinentes ao Evangelho. Nesse estudo ainda incluemse quadros, ensaios sobre determinados tópicos e estudos específicos sobre determinadas palavras; há em cada página uma seção de referências facilmente utilizável e, para cada capítulo do Evangelho, são propostas algumas questões para aprofundar o entendimento pessoal da Palavra de Deus.

Há, ainda, um ensaio introdutório que abarca questões de autenticidade, data, destinatários, estrutura e temas do Evangelho, além de um esquema de sua estrutura e diversos mapas. Ficha técnica: Autor: Scott Hahn e Curtis Mitch Páginas: 180, 156 e 116 Editora: Ecclesiae

O que é conservadorismo servadorismo como um conjunto de princípios que requer uma ordem, e aqui reside o papel fundamental das instituições autônomas e do governo, com a demonstração do pensamento conservador como o mais adequado instrumento político para a proteção dos diferentes modos de vida, da cultura, da harmonia social e das liberdades”. Bruno Garschagen é mestre em Ciência Política pela Universidade Católica Portuguesa e pela Universidade de Oxford. A palestra será na quintafeira, 28, no Espaço Cultural da É Realizações (rua França Pinto, 498, Vila Mariana – metrô Ana Rosa). Haverá uma recepção a partir das 19h e a palestra começará às 20h. A entrada é franca. Para mais informações entre em contato: (11) 5572-5363 ou no site erealizacoes.com.br.


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| Esporte | 17

Racismo: um ‘jogo sujo’ crescente no Brasil Ricardo Bufolin/CBG

Após Fabiana, do vôlei, e Elias, do futebol, ginasta Angelo Assumpção sofre injúrias raciais dos próprios colegas de seleção brasileira Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

A Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) promete instaurar inquérito para que o STJD da ginástica defina eventuais punições aos ginastas Arthur Nory, Felipe Arakawa e Henrique Flores, que na última semana publicaram na internet um vídeo em que comparam o colega de seleção brasileira, Angelo Assumpção, negro, a uma tela de celular estragada e a um saco de lixo. “Seu celular quebrou: a tela quando funciona é branca... quando ela estraga é de que cor? (risos)”, diz Arthur. “Preto”, respondem os outros dois. “O saquinho de supermercado é branco... e o de lixo? É preto!”, consta no vídeo. Posteriormente, em outro vídeo junto ao atleta negro, os três ginastas justificaram a ação anterior com uma “brincadeira”. Também pelas mídias sociais, Arthur Nory reiterou que o vídeo “tratou-se de uma brincadeira entre amigos, realmente muito infeliz, e que tomou uma proporção que não esperávamos. Peço desculpas pelo meu erro”.

Brincadeira?

Ginasta Angelo Assumpção, vítima de racismo

Em entrevistas após o episódio, o secretário executivo do Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência, Giovanni Harvey, considerou que não houve brincadeira, mas sim

injúria racial na esfera privada e incitação ao racismo, pela publicação do vídeo. Em nota à imprensa, o COB apontou que “não tolera racismo, preconceito e atitudes do gênero”, mas ponderou que “os atletas já se manifestaram arrependidos e a comissão técnica da seleção já chamou a atenção deles”. Para o professor Clodoaldo Meneguello Cardoso, doutor em Educação e coordenador do Observatório de Educação em Direitos Humanos da Unesp, ainda há no Brasil uma cultura de preconceito. “Esse preconceito que está dentro das pessoas, abafado, vez ou outra vem para fora, às vezes em tom de brincadeira. No esporte, onde sempre há competição, o preconceito é um instrumento para enfraquecer o adversário, porque pega em uma parte que fere moralmente o outro e o fragiliza naquele momento”, avaliou ao O SÃO PAULO. Ainda segundo o professor, boa parte das brincadeiras racistas não são previamente pensadas como atos racistas, e assim, especialmente as novas gerações, precisam de melhor orientação. “Falta nas nossas escolas um trabalho em educação em direitos humanos, focando a questão dos preconceitos, no Brasil, especialmente, o preconceito racial”. Com as repercussões do episódio, a CBG informou que será “feito um forte trabalho educacional com as comissões técnicas e atletas” para que a atitude não se repita.

Reagir é prejudicial ao atleta?

Este ano, além de Angelo Assumpção, o jogador Elias Trindade, do Corinthians, e a capitã da seleção brasileira de vôlei, Fabiana Claudino, foram vítimas de injúria racial. Em janeiro, Fabiana foi chamada de “macaca” por um torcedor adversário quando

jogava pelo SESI-SP, em Belo Horizonte. Em abril, Elias foi chamado de “macaco” pelo uruguaio Cristian González, durante um jogo da Libertadores da América, em São Paulo. Ambos lamentaram os episódios, mas não acionaram a Justiça. “Os atletas que sofrem racismo, para não ficarem expostos, perdoam. Às vezes também porque não têm uma consciência clara da situação, pois é difícil uma clareza sendo o racismo uma prática encoberta no Brasil”, comentou a professora Teresinha Bernardo, doutora em Antropologia e livre docente da Faculdade de Ciências Sociais da PUC-SP. “O racismo existe no Brasil, mas é escondido, as pessoas não declaram”, apontou. Para o professor Clodoaldo, o atleta vítima de racismo se vê em situação delicada. “O esportista necessita da aprovação do público e não vai querer bater de frente com determinado setores, como uma torcida, por exemplo”, afirmou. “No Brasil, há um histórico de pôr panos quentes, de deixar pra lá, quando uma reação mais positiva seria promover um debate sério sobre isso dentro do esporte”, analisou.

AGENDA ESPORTIVA SÁBADO (23) Brasileirão de Futebol 18h30 – São Paulo x Joinville (Morumbi) DOMINGO (24) Circuito Popular de Corrida de Rua de São Paulo 7h – Etapa de Guaianases (Avenida José Pinheiro Borges, 60, Guaianases). Brasileirão de Futebol 11h – Palmeiras x Goiás (Allianz Parque)


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Brasilândia

Juçara Terezinha Zottis

Colaboração especial para a Região

A fé e o compromisso social nas diferentes vertentes da vida Juçara Terezinha

Professor Ladislau, durante palestra com participantes da Semana de Fé e Compromisso Social

A equipe da Pastoral Fé e Política da Região Brasilândia realizou entre 14 e 16, na Paróquia Santa Cruz de Itaberaba, a Semana de Fé e Compromisso Social, com reflexões sobre a regulação da mídia, a crise econômica e a reforma política. Na primeira noite de atividade, o jornalista Altamiro Borges, coordenador do Centro de Estudos Barão de Itararé, analisou do poder da mídia comercial no processo de manipulação e “enburrecimento” da sociedade. Ele destacou a necessidade de o Brasil ter um marco regulatório das comunicações. “O

fim da propriedade cruzada dos meios de comunicação é um dos pontos que o projeto de lei de iniciativa popular está propondo. O Brasil está atrasado nessa questão. A lei que regula a comunicação no Brasil é de 1962”, comentou. Padre Cilto José Rosembach, assessor regional da Pastoral da Comunicação, trouxe para o debate a preocupação da Igreja Católica com relação aos meios de comunicação católicos e comunitários. Ele destacou que o Diretório de Comunicação, documento 99 da CNBB, trouxe para a Igreja do Brasil uma linha de refleArquivo pessoal

Vida

Saudável

xão sobre a comunicação, e sobre o desafio de fortalecer os meios de comunicação alternativos e populares. A crise na economia e o desenvolvimento foi o tema da segunda noite do evento, com a assessoria do professor Ladislau Dowbor, professor titular de economia da PUC-SP, e de Waldemar Rossi, da Pastoral Operária Metropolitana. O professor criticou os elevados lucros dos bancos e as altas taxas de impostos no País. Ele defendeu a redução progressiva da taxa Selic e das taxas de juros ao tomador final na rede de

A comunidade da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima, no Setor Pereira Barreto, celebrou o dia da padroeira na quarta-feira, 13. A festividades seguiram durante a semana, com atividades como a carreata de Nossa Senhora de Fátima, no domingo, 17, quando o Padre Reinaldo Torres, pároco, fez a bênção dos carros. No sábado, 23, às 10h, a festa terá continuidade com a missa para as crianças; no sábado, 30, às 9h, haverá o ofício de Nossa Senhora. No domingo, 31, às 11h30, acontecerá um almoço comunitário. Outras informações em (11) 3975-3406.

bancos públicos, bem como o resgate de um mínimo de equilíbrio tributário. Já Waldemar Rossi disse que os ajustes que o Governo brasileiro tem feito para combater a crise econômica têm prejudicado os trabalhadores e beneficiado as multinacionais, os bancos e o agronegócio. Na tarde do sábado, 16, o Cônego Antonio Manzatto recordou a dimensão missionária de cada cristão e o compromisso com as pessoas que são injustiçadas. Também destacou o chamado do Papa Francisco para o Ano da Caridade, não uma caridade voltada para o assistencialismo, mas que mexa nas estruturas que geram as desigualdades.

Na sequência, Julio Turra falou sobre o projeto da Constituinte Exclusiva e Soberana. Ele explicou que a reforma política precisa ser feita pela sociedade civil e não pelos parlamentares, que em sua maioria foram eleitos para defender interesses do agronegócio, dos bancos e das multinacionais. Opinião similar manifestou o professor Américo Sampaio, que tratou do projeto de lei Eleições Limpas. Para ele, com o atual Congresso qualquer projeto de iniciativa popular terá muitas dificuldades para ser colocado em debate. Ele lembrou que o projeto Eleições Limpas vai ser apresentado no Congresso no dia 20 deste mês.

Arquivo pessoal

No domingo, 17, no largo da matriz Nossa Senhora do Ó, os fiéis da Paróquia Nossa Senhora da Expectação, na Região Brasilândia, participaram, da cerimônia do levantamento do mastro da 194ª Festa do Divino Espírito Santo. A Festa teve origem no século 16, em Portugal. No Brasil, chegou pelos colonizadores portugueses no século seguinte, passando a ser realizada nas paróquias de São Paulo. A festa segue durante a semana com missas sempre às 20h. Outras informações em (11) 3932-1702.

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| Regiões Episcopais | 19

Peterson Prates

Colaborador de comunicação da Região

Belém

Sapopemba, 13 de maio: Dia de pedidos e agradecimentos a Nossa Senhora de Fátima Na quarta-feira, 13, a Paróquia Nossa Senhora de Fátima e São Roque, no Setor Sapopemba da Região Belém, celebrou a festa da aparição de Nossa Senhora de Fátima. Ao longo de todo o dia, fiéis de diversas paróquias vizinhas também se reuniram para rezar junto à Virgem de Fátima. Durante as semanas que antecederam a festa, os fiéis realizaram a novena de Nossa Senhora de Fátima, organizada pelas diversas pastorais. No dia 13, ao meio-dia, houve a reza do Terço meditado, e foram celebradas quatro missas na Paróquia, uma das quais presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, às 15h, após a qual os fiéis saíram em procissão pelas ruas de Sapopemba, carregando os andores de Nossa de Fátima e de São Benedito. A última missa, às 19h30, foi presidida por Dom Edmar Peron, bispo

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Peterson Prates

No dia de Nossa Senhora de Fátima, Dom Edmar e Cardeal Scherer presidem missas em Sapopemba

auxiliar da Arquidiocese na Região Belém. Na missa que contou com quase 700 pessoas, o Bispo recordou que “se nós temos sempre o que pedir na festa de Nossa Senhora, temos também o que agradecer”. Durante a homilia, Dom Edmar lembrou da importância de que se preserve a paz para uma convivência mais fraterna, e exortou: “não vamos desistir de ninguém, não vamos desistir de construir relações de paz”. Ao fim da celebração eucarística, foi

proferida a bênção das imagens e objetos de devoção. Dom Edmar cumprimentou a comunidade franciscana, que é responsável pela Paróquia e também as Irmãs Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramentado, que vivem e trabalham na comunidade paroquial. As comemorações do mês mariano seguem até o fim de maio, com quermesses aos fins de semana. No dia 31, haverá a coroação de Nossa Senhora de Fátima.

Situação dos conselhos tutelares é apresentada ao clero Peterson Prates

Dom Edmar Peron fala ao clero atuante na Região Belém, dia 13

Na manhã de quarta-feira, 13, padres e diáconos atuantes na Região Episcopal Belém se reuniram no Centro Pastoral São José com Dom Edmar Peron, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região. Dom Edmar qualificou a atividade como uma “oportunidade de encontro”, muito mais que uma reunião. O primeiro assunto da pauta foi sobre o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA), tratado por Sueli Camargo, con-

selheira eleita do CMDCA e coordenadora arquidiocesana da Pastoral do Menor, e por Ivan Bezerra dos Santos, agente da Pastoral. Sueli esclareceu questões sobre a situação financeira do Conselho e lembrou a importância de os setores se organizarem para a eleição dos conselheiros tutelares, que será em outubro. Dom Edmar recordou a 53ª Assembleia Geral da CNBB e partilhou os frutos do encontro com bispos de todo

o Brasil, realizado em abril. Ele afirmou que “ninguém é bispo sozinho”, lembrando a importância do colégio episcopal e do presbitério. Ao longo da reunião, o Padre Reginaldo Donatoni tratou de questões administrativas da Região, e o Padre Marcelo Monge, diretor da Cáritas arquidiocesana, realizou a prestação de contas da Ação entre Amigos 2015, e agradeceu o empenho de todos os que colaboraram com a iniciativa.

Catequese começa com o Batismo e se desenvolve ao longo da vida Catequistas atuantes em nove dos dez setores pastorais da Região Belém se reuniram no sábado, 16, no Centro Pastoral São José para refletir sobre a iniciação à vida cristã, a partir do “Itinerário Catequético – um processo de inspiração catecumenal”, preparado pela Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB. A formação foi assessorada por Reinaldo Malinauskas, da Comissão de Iniciação à Vida Cristã da Região Belém. Houve o estudo da primeira parte do Itinerário Catequético: “Fundamentação Bíblica, Teológica e Pastoral”, refletindo temas como a

unidade dos sacramentos de iniciação à vida cristã, o catecumenato ontem e hoje e a mudança de época e os novos desafios para a Catequese. Em um segundo momento do encontro, os catequistas se dividiram em grupos por setores pastorais e discutiram a possibilidade de formarem comissões de animação bíblico-catequética em nível setorial, para promoverem a unidade setorial da Catequese e a integração entre os planejamentos catequéticos paroquiais com a Região. As discussões dos grupos foram baseadas no livreto: “Sugestões Pastorais para implementação da Iniciação à Vida Cristã”, trabalhado des-

Peterson Prates

AGENDA REGIONAL Sexta-feira (22), 19h

Missa com Dom Edmar Peron na festa da padroeira da Paróquia Santa Rita (rua Santa Rita, 799, Pari).

Sábado (23), 19h

Crisma na Paróquia Divino Espírito Santo (avenida Arquiteto Vilanova Artigas, 1.185, Cohab Teotônio Vilela).

Domingo (24), 10h Reinaldo Malinauskas, durante evento sobre iniciação à vida cristã

de o ano passado em toda a Arquidiocese. Reinaldo Malinauskas recordou que o papel das comissões e dos catequistas é “pensar a Catequese como um processo que começa

com o Batismo e se desenvolve ao longo da vida”. Durante o ano, os catequistas irão se encontrar outras vezes para continuarem a reflexão sobre o processo de iniciação à vida cristã.

Crisma na Paróquia Santíssima Trindade (rua Padre Jósimo Moraes Tavares, 56, Jardim Alto Alegre).

Terça-feira (26), 8h30

Formação de secretárias pastorais no Centro Pastoral São José (avenida Álvaro Ramos, 366, próximo ao metrô Belém).


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Santana

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

Com Cardeal Scherer, fiéis expressam devoção a Nossa Senhora de Fátima Diácono Francisco Gonçalves

Cristo ensinou: a importância da esperança da vida eterna. Outro ponto destacado pelo Cardeal foi a visão do inferno mostrada aos pastorinhos, apontando o sofrimento para aqueles que se afastam de Deus, mas que pela misericórdia divina ainda podem obter o perdão e a vida eterna. A celebração foi um momento histórico para a Paróquia, cuja matriz fica na rua Maria Amália Lopes Azevedo, 2.249, no bairro do Tremembé, que teve sua origem a partir do desmembramento das terras da família Vicente de Azevedo, no século 19. O bairro permaneceu relativa-

mente isolado porque a região norte da cidade de São Paulo demorou a se desenvolver. Até 1950, o principal acesso ao bairro se dava através da linha de trem, surgida em 1894 para auxiliar na construção dos reservatórios de água da cidade, o Tramway da Cantareira, que com seus trilhos passava ao lado onde hoje fica situada a Cúria de Santana. A estação Tremembé era a penúltima antes da estação Cantareira. A operação da linha de trem foi encerrada em 1964. Hoje, a rua onde está a Paróquia tem um fluxo grande de veículos que a utilizam como uma das principais artérias do bairro.

Cardeal Scherer diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima, no bairro do Tremembé

Na quarta-feira, 13, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, presidiu missa na Paróquia Nossa Senhora de Fátima na solenidade da padroeira, tendo como concelebrantes os padres Ricardo Anacleto, Roberto Lacerda e Eduardo Higashi, o pároco. Dom Odilo, na homilia, mostrou a razão para tantos títulos para Maria e recordou o que ela disse como mensagem de Deus. Tendo em vista o

contexto histórico de ser um período de guerra, em 1917, a mensagem tem um conteúdo de paz. Aliado a isso, era uma época em que o comunismo tinha um projeto contra Deus e a religião, trazendo muito sofrimento para a Igreja. Maria pediu, então, a conversão dos pecadores, àqueles que se opõem a Deus e, por consequência, também ao próximo. De acordo com o Cardeal, essa mensagem serve para os dias atuais, pois recorda o que

Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, presidiu missa, na quartafeira, 13, na Comunidade Nossa Senhora de Fátima, na Vila Maria, pertencente à Paróquia Nossa Senhora da Candelária. A comunidade realizou novena à padroeira, com o tema “Como Maria, somos chamados a viver as ‘Bem-Aventuranças’”.

Alessandra Santos

Congregação Humildes Dom Sergio: na Crisma, jovens recebem a força do Espírito Santo Servos da Rainha do Amor: Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, visitou as paróquias Nossa Senhora das Dores e Sant’Ana, respectivamente nos dias 16 e 17, para ministrar o sacramento da Crisma. Na Paróquia Nossa Senhora das Dores, foi acolhido pelo Cônego Antonio Aparecido Pereira, pároco, popularmente conhecido como Padre Cido, pelo diácono Francisco Donizete Machado e pelos 34 jovens crismandos. Padre Cido explicou ao Bispo que além da preparação para o recebimento do sacramento, os jovens haviam participado do Cursilho para jovens, num final de semana. Na homilia, Dom Sergio ressaltou que para os jovens serem discípulos e missionários de Jesus Cristo, iriam precisar muito do auxílio do pároco e da comunidade, por

Diácono Francisco Gonçalves

Dom Sergio e Padre Cido abençoam jovens crismandos

isso, pediu que todos rezassem pelos novos crismandos. Dom Sergio sinalizou que está em voga a preocupação com os próprios destinos, porém todos devem se lembrar de uma expressão do apóstolo Paulo: “Somemos predestinados à salvação”. Referindo-se ao domingo da Ascensão do Senhor, lembrou: “temos evidenciado a nossa predestinação que é céu”. O Bispo também

ressaltou a força do Espírito Santo que os jovens na Crisma estariam recebendo em seus corações para testemunhar Jesus Cristo, e que aquele momento já era um testemunho para tantos amigos deles que não praticam a religião. No domingo, 17, Dom Sergio crismou os jovens preparados na Paróquia Sant’Ana, que atualmente tem como pároco o Padre Maurício Vieira de Souza.

21 anos a serviço dos pobres

Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, presidiu, na sexta-feira, 15, missa em ação de graças pelo 21º Aniversario da Congregação Humildes Servos da Rainha do Amor, na Capela Rainha do Amor, tendo como concelebrante o Padre Pietro Plona, IMC, pároco da Paróquia Nossa Senhora da Penha, em cujo território está localizada a Capela. A Congregação foi fundada em 15 de maio de 1994 pela Madre Maria de Jesus, falecida em 2007, que escreveu esta regra para carisma da Instituição:

“A meta prioritária dos Humildes Servos da Rainha do Amor, em todos os tempos, é atender e acolher os pobres”. Seguindo esse carisma, na casa mãe (rua Desembargador Rodrigues Sette, 93, Jardim Peri), a Congregação mantém a Escola Fundamental Maria Rainha do Amor-Educação Infantil, totalmente gratuita e que tem como público alvo as crianças residentes nas favelas no entorno de sua sede. Atualmente, a Congregação possui 40 consagrados na casa mãe, que foi visitada por Dom Sergio. Ele passou alguns momentos ao lado das crianças. Arquivo pessoal

Dom Sergio é acolhido por crianças de escola mantida pela Congregação


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Fernando Geronazzo

Colaborador de Comunicação da Região

Diretório traz indicações para homilias O clero que atua na Região Episcopal Sé participou de sua reunião mensal, na quarta-feira, 13, na Paróquia Nossa do Carmo, na Aclimação. O tema principal refletido foi o Diretório Homilético, publicado pela Congregação para o Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos, em dezembro de 2014. O assessor do tema foi o Padre Cícero Alves de França, reitor do Seminário de Teologia Bom Pastor. Ele apresentou a estrutura do documento, abordou seus aspectos principais e estimulou os padres a lê-lo e estudá-lo. O Diretório está articulado em duas partes. Na primeira, intitulada “A homilia e âmbito litúrgico”, se descreve a natureza, a função e o contex-

to peculiar da homilia, como também alguns aspectos que a qualificam, ou seja, o ministro ordenado a quem compete, a referência à Palavra de Deus, a sua preparação próxima e remota, os destinatários. Na segunda parte, intitulada “A arte de pregar”, são exemplificadas as coordenadas metodológicas e de conteúdo que o sacerdote deve conhecer, as quais deve levar em consideração ao preparar e pronunciar a homilia. Chaves de leitura, numa forma indicativa e não exaustiva, são propostas para o ciclo dominical-festivo da missa a partir do coração do Ano Litúrgico (Tríduo e Tempo Pascal, Quaresma, Advento, Natal e Tempo Comum), com acenos também às missas durante

a semana, de Matrimônio e Exéquias. Padre Cícero também salientou que para entender o Diretório é importante ler a constituição sobre a liturgia Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, a exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini, de Bento XVI e a exortação apostólica Evangelii Gaudium, do Papa Francisco. “O diretório não está desvinculado dos demais documentos da Igreja, e, sim, vem em continuidade, até porque já no sínodo sobre a Palavra de Deus (2008), se pedia um diretório como este”, explicou. Foi destacada, ainda, a importância da preparação das homilias. “A homilia não é vista fora do âmbito da litur-

gia, mas como uma dimensão importante que faz com que passemos da liturgia da Palavra para a liturgia eucarística”, acrescentou o Assessor. Como formador, Padre Cícero também reforçou que o Diretório é de grande contribuição para a formação dos futuros padres. “A homilética está dentro do estudo da teologia prática e, por isso, esse Diretório é um instrumental importante tanto para aqueles que se preparam para o sacerdócio, quanto para aqueles que já exercem o ministério. O Diretório vai ao encontro com a dimensão da identidade sacerdotal, que é o pregador da Palavra de Deus, e, portanto, vem mostrar lugar importante que a pregação tem na Igreja”. Na ocasião, os padres rece-

beram exemplares do Diretório. Dom Eduardo Vieira dos Santos, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé, também entregou ao clero exemplares da Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, Misericordiae Vultus (O rosto da misericórdia), do Papa Francisco.

Santa Teresa é modelo de espiritualidade para os leigos Dando continuidade aos eventos comemorativos dos 500 anos de nascimento de Santa Teresa de Jesus, reformadora da Ordem Carmelita, a Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, em Higienópolis, realizou um encontro de formação sobre o tema “A Espiritualidade Teresiana para leigos”, na noite da sexta-feira, 15. O encontro, que começou com um momento de oração do Ofício das Vésperas, foi assessorado pelo Frei Rothmans Darles de Campos, pároco da Paróquia Nossa

Senhora do Carmo, na Bela Vista. O Frei iniciou sua reflexão com paralelo entre o 5º centenário da mística espanhola de Ávila, e os 50 anos do encerramento do Concílio Vaticano II, ambos celebrados em 2015, além do reflexo da influência do Papa Francisco frente aos desafios da vida moderna. O Assessor ressaltou o quanto o retorno à regra primitiva da Ordem Carmelita buscada por Santa Teresa, no século XVI, tinha no núcleo o mesmo sentimento do discurso do Papa Francisco

Ernesto Valdemar Moraes

sobre o “mundanismo” na Igreja no contexto do Ano da Vida Consagrada, instituído por ele e também o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que terá início em dezembro próximo. Frei Rothmans destacou, ainda, a grandeza da “Santa Madre” carmelita, suas virtudes, “sua garra e coragem incomensuráveis, seus desafios frente à Igreja de sua época”. Concluindo, o Frei recordou que Santa Teresa foi proclamada doutora da Igreja, modelo a ser seguido na vida de oração e que, por isso,

Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus

Frei Rothmans fala a participantes do encontro na sexta-feira, 15

também os cristãos leigos de hoje podem aprender muito de seus ensinamentos, por meio de um conhecimento da Palavra, da prática da ora-

ção como um relacionamento concreto com Deus, como dizia a própria Santa, um trato “com quem tanto nos ama e dá caridade”.

Redação

osaopaulo@uol.com.br

2,5 mil demonstram devoção a Nossa Senhora de Fátima

Três missas são realizadas na Paróquia no dia da padroeira

Cerca de 2,5 mil devotos de Nossa de Senhora Fátima lotaram a matriz da paróquia a ele dedicada na Vila Leopoldina, na quarta-feira, 13, durante três missas realizadas. Na celebração das 7h, a imagem de Nossa Senhora de Fátima foi entronizada na Paróquia. Após a celebração das 15h30, presidida pelo Padre Edilberto Alves da Costa, foi realizada uma pequena quermesse com iguarias típicas de Portugal e do Brasil, que se

estendeu até a missa noturna, às 20h, presidida por Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa. No tríduo que antecedeu a festa, três temas marianos foram destacados a cada dia: “Maria, exemplo de mãe”, no domingo, 10; “Maria, a serva do Senhor”, na segunda-feira, 11; e “Maria, mulher da Palavra”, na terça-feira, 12. (Colaborou Eduardo Araújo de Castro/Pascom paroquial)

Lapa

AGENDA REGIONAL Quarta-feira (20), 19h

Formação de estudos do Documento nº 107 da CNBB, na Paróquia Nossa Senhora da Lapa (rua Nossa Senhora da Lapa, 298, Lapa).

Quinta-feira (21), 17h

Missa no Hospital Universitário (USP), na capela ecumênica (avenida Prof. Lineu Prestes, 2.565).

Sexta-feira a domingo (22 a 24) 5º Encontro de Casais com Cristo, na Paróquia São João Gualberto (rua Miguel Pereira Landim, 85, Pirituba).


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Ipiranga

Padre Ricardo Antônio Pinto

Colaborador de comunicação da Região

67 novos ministros preparados para proclamar a Palavra de Deus na Vila Arapuá Renata Quito

Dom José Roberto Fortes Palau posa para foto com novos ministros da Palavra da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, dia 17

No domingo, 17, Dom José Roberto Fortes Palau presidiu missa na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, do Setor Anchieta, na Vila Arapuá, durante a qual realizou a investidura de 67 ministros da Palavra. – “Quero!”, disseram com força e convicção os 67 Ministros da Palavra ao serem questionados pelo Bispo se desejavam assumir o mi-

nistério de proclamar a Palavra de Deus, como serviço à evangelização e como testemunhas de Jesus Cristo na cidade de São Paulo. A pergunta e a resposta fez parte da bênção e do envio que aconteceu, não por acaso, no Dia Mundial das Comunicações Sociais. “Foi pela segunda vez, e com o aumento de 20 novos ministros, inclusive vários

Festa Junina no Instituto Meninos de São Judas Tadeu Começa no dia 31 e segue durante todos os domingos do mês de junho, das 10h às 21h, a Festa Junina do Instituto Meninos de São Judas Tadeu (IMSJT), entidade que atende, atualmente, 1.810 crianças, adolescentes e jovens. Durante o evento, haverá apresentações culturais variadas, em meio à decoração temática, diversas barracas com comidas e bebidas típicas. A atividade será no estacionamento do IMSJT (avenida Itacira, 2.801, bairro Planalto Paulista – atrás do Santuário São Judas Tadeu, na zona sul). O IMSJT é uma obra social da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (dehonianos). Foi fundado em 1946 pelo Padre João Büscher, SCJ. No início, o atendimento prestado era em regime de internato, abrigava crianças órfãs e abandonadas. Hoje, pautadas pelo Estatuto da Criança e do

Divulgação

Adolescente (ECA), as atividades da Instituição englobam um centro para crianças e adolescentes (CCA), creches, ensino social profissionalizante e educação para jovens e adultos. Para mais informações: www.imsjt.org.br ou (11) 5586-8666.

jovens, que realizamos o curso de preparação a esse Ministério, porque sentimos que a Paróquia está crescendo no estudo, na meditação e, sobretudo, na vivência da Palavra de Deus, e é preciso preparar-se para anunciar”, afirmou Eloísa Dias, coordenadora do Ministério. Os novos ministros participaram de um curso com formação

pastoral, litúrgica e técnica, assessorados por paroquianos e pelo Serviço de Apoio à Pastoral da Comunicação (Sepac), das Irmãs Paulinas. Semanalmente, o Ministério se reúne para realizar a leitura orante e refletir a Palavra que será proclamada no domingo seguinte. “E isso tem feito uma grande diferença na vida desses ministros e, consequentemente, nas celebrações e nos encontros paroquiais”, afirmou o Padre Ricardo Pinto, administrador da Paróquia. Na homilia, Dom José Roberto citou o papa emérito Bento XVI, que definiu a Palavra como “performativa”. “Ela não somente informa, mas dá nova forma ao íntimo de quem a conhece, vive e proclama”, refletiu. No agradecimento final feito a Dom José Roberto, um dos ministros, em nome dos demais, manifestou que receber a bênção e o envio no Dia Mundial das Comunicações Sociais os responsabiliza, ainda mais, como profetas na comunicação e na proclamação da Palavra de Deus.

Fraternidade e serviços em feira da Paróquia Nossa Senhora Aparecida A Feira da Fraternidade e Serviços (FESERV) acontecerá na celebração da vigília e festa de Pentecostes, no sábado, 23. O evento, promovido pela Paróquia Nossa Senhora Aparecida da Vila Arapuá, tem como objetivo envolver as comunidades, as pastorais e os movimentos da Paróquia em uma experiência de fraternidade e dar visibilidade aos serviços que realizam na realidade social da região. Momentos formativos e culturais fazem parte da programação. “O mais importante, porém, será acolher fraternalmente todos aqueles que queiram conhecer a vida paroquial, frequentando, ou ainda não, a Paróquia”, afirma Renata Quito, coordenadora da Pascom paroquial. Segundo Renata, o slogan “A fé sabe servir!”, tem estimulado os paroquianos a se envolverem na Feira. “Montamos uma equipe para organizar a Feira e auxiliar na preparação dos 29 estandes, representando as comunidades, pastorais e movimentos presentes na Paróquia. As pessoas se interessaram de tal forma que nas últimas reuniões participa-

Divulgação

ram várias outras pessoas demonstrando um grande desejo de colaborar”, concluiu. A atividade que terá início no sábado, 23, às 8h, com a abertura dos estandes, se encerrará no domingo, 24, às 18h30. Além da programação religiosa, acontecerão shows, teatros, cinema e corte de cabelo gratuito. A FESERV marca o início do triênio de preparação para celebrar o jubileu dos 50 anos da Paróquia, em 2017. O endereço da Paróquia é rua Epiacaba, 590, na Vila Arapuá. Outras informações em (11) 2946-0634.


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Luciney Martins/O SÃO PAULO

Nossa Senhora de Fátima

‘Esta Mãe olha por nós, não quer estar longe dos filhos’ Fernando Geronazzo

Especial para O SÃO PAULO

O arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, presidiu na quarta-feira, 13, missa na Catedral da Sé na memória de Nossa Senhora de Fátima.

Antes da celebração, os fiéis se reuniram para a meditação do Terço. Em seguida, a imagem de Nossa Senhora de Fátima foi entronizada na Catedral, ao som da canção popular “A 13 de maio”, entoada pelo cantor português Roberto Leal.

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Na Catedral da Sé, Cardeal Scherer preside celebração na memória litúrgica de Nossa Senhora de Fátima, dia 13

Na homilia, Dom Odilo recordou que na Arquidiocese há muitas paróquias com o título de Nossa Senhora de Fátima. Ao refletir sobre as aparições da Virgem Maria, o Arcebispo explicou que essa é uma maneira de a Mãe de Jesus estar junto aos

Vicariato para a Educação e a Universidade

seus filhos. “Jesus deu Maria por mãe a todos nós, e a nós todos como filho a ela. Essa mãe olha por nós, não quer estar longe dos filhos. Está glorificada no céu, junto com o seu Filho, os anjos e santos, mas fica olhando por nós que aqui estamos para que um dia estejamos com ela”, disse. Ainda sobre as aparições, o Arcebispo esclareceu que a Igreja, normalmente, não dá reconhecimento oficial e nem obriga ninguém a crer nas aparições. “Porém, aquelas que assim se mostram mais consistentes quanto à sua manifestação e mensagem, a Igreja acompanha com especial devoção”, afirmou. Também de acordo com o Cardeal, em Fátima, a Virgem Maria apareceu em um contexto de grande angústia não só da Igreja, mas da humanidade. “Era durante a Primeira Guerra Mundial, muito sofrimento, muita dor, muita morte. E Nossa Senhora, que está junto dos seus filhos que sofrem, se manifestou como consoladora”. Dom Odilo,

ainda, enfatizou que a Mãe de Jesus também apareceu com um pedido: “fazei penitência para a conversão dos corações para o fim das violências”, e continuou: “1917 também era o ano da revolução comunista que resultou no surgimento da União Soviética, com uma propaganda ateia contra a fé, a religião, a Igreja, contra Deus. Nossa Senhora chama a atenção para que a humanidade se volte para Deus, para que os corações não se deixem levar pela ideologia materialista”, afirmou, destacando, ainda, que essa mensagem continua valendo hoje “não só contra o comunismo, mas contra toda forma de se voltar contra Deus”. Por fim, Dom Odilo afirmou que Nossa Senhora, aos três “pastorinhos” de Fátima, também mostrou a esperança cristã da vida eterna. “Nossa Senhora fala claramente aos ‘pastorinhos’ que quer vê-los juntos com ela no céu. A esperança cristã da vida eterna é o maior bem que podemos desejar”. Luciney Martins/O SÃO PAULO

Na quarta-feira, 27, às 20h, no Auditório da Fapcom, o Professor Dr. Ulisses Barres de Almeida, físico Ph.D em Astrofísica pela Durham University,

apresentará a Conferência Explorers, mostrando o que a pesquisa espacial pode revelar sobre o ser humano, em um momento de diálogo entre a ci-

ência e a fé. Serão emitidos certificados para os interessados. Outras informações em (11) 3660-3747 ou vicariatoeducacaouniversidade@gmail.com.

Cantor português Roberto Leal expressa devoção a Nossa Senhora de Fátima


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O SÃO PAULO - 3052  

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