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Semanário da arquidioceSe de São Paulo ano 60 | edição 3044 | 25 a 31 de março de 2015

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Com fé e em procissão, um só pedido: ‘Senhor, enviai a bênção da chuva’ Em procissão penitencial organizada pela Arquidiocese de São Paulo, 2 mil pessoas participaram no domingo, 22, Dia Mundial da Água, de uma manifestação pública de fé para pedir

a Deus a bênção da chuva. Durante o trajeto entre a Igreja Nossa Senhora da Consolação e a Catedral da Sé, foram distribuídas garrafas de água mineral para as pessoas em situação

de rua e o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, lembrou que, muitas vezes, há uso inadequado e até irresponsável da água, sendo preciso tomar consci-

ência “de que a água é um bem, mas Deus coloca em nossas mãos o seu cuidado, para que a água possa vir para todos”. Página 24 Luciney Martins/O SÃO PAULO

Junto a Dom Odilo Scherer, bispos auxiliares, padres, religiosos e leigos fazem procissão penitencial no centro da cidade com a imagem de Nossa Senhora da Penha, pedindo a Deus a bênção da chuva

semana santa na catedral e regiões episcopais Em todas as paróquias da Arquidiocese, e de modo especial na Catedral Metropolitana de São Paulo (Catedral da Sé), a Semana Santa e a Páscoa do Senhor serão intensamente vividas pelos fiéis católicos, a partir do Domingo de Ramos. Confira a programação celebrativa para esses dias fundamentais à fé cristã. Página 13

Acolhida de haitianos: constante desafio Luciney Martins/O SÃO PAULO

Haitianos com passaportes e carteiras de trabalho na sede da Missão Paz

Com a Carteira de Trabalho em mãos é mais fácil conseguir emprego e ter direitos garantidos. A afirmação, válida para qualquer brasileiro a procura de uma oportunidade profissional, tem sido também a de muitos imigrantes. Do Haiti até chegar ao Acre, eles viajam por mais de um mês e gastam até 5 mil dólares com objetivo de trabalhar e reconstruir o País devastado pelo terremoto em 2010. Página 14

Gesto concreto é dever na quaresma Página 12

canção nova reúne 11 mil no ‘abraça são paulo’ Página 21

américa latina unida na difusão da doutrina social Página 11


2 | Ponto de Vista |

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editorial

‘A corrupção fede’ Somente o Papa Francisco, com o seu gênio comunicativo e poder de síntese, seria capaz de expressar um juízo sobre a corrupção de um modo tão simples, mas, ao mesmo tempo, tão contundente e profundo: “A corrupção fede”. Fede como tudo o que é corroído e que corrói o que era são; fede como tudo o que é podre e tem o poder de apodrecer, de cima para baixo e de baixo para cima, os diversos tecidos da sociedade. “Uma coisa corrupta é uma coisa suja. A sociedade corrupta fede! Um cristão que deixa entrar dentro de si a corrupção não é um cristão, fede!”. Francisco, em um discurso pronunciado em Nápoles, no último dia 21, de-

finiu a corrupção como um mal moral, uma tentação a que todos estamos sujeitos a “escorregar” em direção aos “negócios fáceis”, à “delinquência”, ao “crime”. O resultado é sempre o mesmo: a exploração de pessoas. E sentencia: quem voluntariamente toma esse caminho do mal “rouba um pedaço de esperança, ganha alguma coisinha, mas rouba a esperança a si mesmo, aos outros, à sociedade. O caminho do mal é uma via que rouba sempre a esperança, a rouba de gente honesta e trabalhadora”. E se assusta: “Quanta corrupção existe no mundo!”. A corrupção vem sempre de mãos dadas com a mentira, com o propósito

deliberado de enganar para obter alguma vantagem pessoal. Faz-se presente nas pequenas escolhas da vida cotidiana, como colar na prova em vez de estudar, furar a fila ao invés de respeitar a vez do outro, não cumprir bem contratos de serviços, vender um produto e entregar outro, dar aquela caixinha para não ser multado ou comprar a carta de motorista. Faz-se também presente nos grandes negócios, como o pagamento de propinas, e na má política em que o desvio e má gestão de verbas públicas em favor de interesses partidários ou pessoais é aceito como comum, quando não se torna a regra. Onde começa e termina a corrupção?

Das camadas sociais mais simples para os líderes ou vice-versa? Não se sabe ao certo. O que se sabe, com certeza, é que quando aqueles que são líderes ou governam fazem vistas grossas, condescendem, ou mesmo fazem parte de esquemas corruptos, a população tende a perder a dimensão da gravidade da corrupção e assimilá-la como normal e até necessária. Ela, a corrupção, essa “senhora de idade avançada que não poupa ninguém”, segundo Dilma Rousseff, na visão do Papa é um mal certo a ser combatido, expurgado das sociedades humanas em um movimento que vem de dentro para fora, a partir da conversão do coração humano.

opinião

A culpa não é só dos outros Francisco Borba Ribeiro Neto Já faz quase um ano que um clima de ressentimento se instaurou no Brasil. A campanha eleitoral acirrou os ânimos e criou um clima de “nós contra eles”. Ainda não havíamos processado adequadamente nossas divergências quando as manifestações de março fizeram o clima de divisão e ressentimento voltar fortalecido. Após as eleições, os eleitores de Aécio culpavam os que votaram em Dilma por lançarem o Brasil em mais quatro anos de desgoverno político e econômico. Acusavam os “dilmistas” de falta de consciência política, de se deixarem enganar por políticas assistencialistas, sem ver as inevitáveis consequências de uma crise econômica, que se abateria inclusive sobre os programas sociais. Agora, os defensores de Dilma atacam os manifestantes contrários a ela. Eles são culpados por uma eventual desestabilização do governo, por defenderem “o golpe” do impeachment e por quererem a volta da ditadura militar. São acusados de serem de classe média e não estarem atentos às dificuldades das classes populares e dos mais pobres, de não quererem ver o quanto as políticas sociais amparadas por governos petistas fizeram bem aos mais pobres. Um observador externo, alheio às polarizações, verá facilmente que existe uma boa dose de verdade e um tanto de exagero nas duas posições. Em ambos os casos, encontramos a mesma dificuldade de sair de nosso lugar social e ideológico para procurar entender as razões do outro. Mas o diálogo e as alternativas

consensuais dependem justamente dessa capacidade de olhar o mundo procurando entender a ótica do outro – mesmo que nunca possamos estar exatamente no lugar em que ele está. Por que isso é tão difícil, num momento em que a sociedade precisa tanto de alternativas e unidade na

Sergio Ricciuto Conte

luta pela superação dos problemas? Um teórico liberal dirá que nossa tendência é sempre a de buscar atender a nossos interesses privados, e a convivência social se faz justamente a partir de um contrato que acomode todos os interesses, inclusive os conflitantes. Um marxista dirá que o problema é o lugar social que cada

um ocupa, que faz com que olhemos o mundo a partir de nossos interesses de classe. Novamente, teremos que reconhecer que existe boa dose de verdade nas duas posições. Mas liberais e marxistas têm de reconhecer que alguns são capazes de superar seus interesses particulares e sua posição social, criando um real encontro entre diferentes, uma nova posição na sociedade. O Cristianismo chama de “conversão” a essa mudança de posição, a esse dedicar-se a um outro de uma forma que supere interesses particulares e posições de classe. Nunca é completa e perfeita, porque não somos completos e perfeitos, mas pode ser real e incidente. Para que um líder possa subir num carro de som e direcionar milhares para uma busca real ao bem comum, para uma luta que supere os particularismos, é necessário que milhões tenham vivido e educado seus filhos segundo essa lógica. Os cristãos não detêm o privilégio dessa conversão. Outros podem chegar a ela por outros caminhos, mas a adesão a Cristo será falha se não tiver essa capacidade de abertura ao outro e de percepção da própria responsabilidade social. Num contexto como o atual, a culpa não é só dos outros. Nós também temos uma parcela dela. Talvez muito pequena, quase ínfima, talvez muito grande. O ressentimento e a justificação das próprias posições não mostrarão caminhos. Esses são tempos de descobrir as razões do outro, não de absolutizar as nossas. Francisco Borba Ribeiro Neto é sociólogo, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP.

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

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cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

Estamos no final da Campanha da Fraternidade de 2015. O tema - “Fraternidade: Igreja e Sociedade” - serviu para refletir sobre um dos aspectos fundamentais do Concílio Ecumênico Vaticano II, de cuja conclusão estamos lembrando 50 anos. O Concílio tratou da relação Igreja-mundo. Não se trata de duas instâncias separadas ou antagônicas, nem também redutíveis a uma única realidade: ambas as realidades coexistem e interagem. O “mundo” tem sua autonomia legítima, diz o Concílio, e isso significa que as “realidades terrestres” têm sentido e valor por si próprias, e não, apenas, porque a religião lhes dá sentido. A Igreja reconhece que no mundo da natureza há uma lógica interna, que possui um sentido positivo, conferido por Deus Criador; e o próprio homem, organizando a sua convivência, é também capaz de realizar a boa obra, mesmo sem que isso dependa de um direcionamento religioso. A vida social precisa ser ordenada retamente, não por causa da religião, bem sim, por causa dos valores do bem e da justiça, para os quais devem estar ordenadas toda a vida e ação humanas. Qual é, então, a parte da Igreja, inserida no mundo e na socieda-

Igreja na sociedade: fraternidade de? Ela é testemunha do Evangelho do Reino de Deus e tem uma contribuição importante a dar ao convívio social e a toda atividade humana: apresentando à luz do Evangelho, ela ajuda a sociedade a encontrar mais facilmente os caminhos da retidão, da justiça e da realização da obra boa. Em uma palavra, a Igreja indica a verdadeira fraternidade, como forma de convivência na grande família humana. Apontando para Jesus Cristo, “caminho, verdade e vida”, ela convida a seguir seus passos; e indica o Reino de Deus como o grande bem para o homem, a partir do qual se julgam toda decisão e ação humanas e todos os valores terrenos. A partir de sua antropologia, ela ajuda a compreender o valor e a dignidade de cada pessoa, que deve estar no centro de toda organização social, política e econômica. Com a Campanha da Fraternidade, a Igreja no Brasil indica um valor fundamental para o convívio social: a fraternidade, expressão concreta do amor ao próximo. A Igreja ajuda a sociedade a orientar-se pela fraternidade, buscando a justiça, o respeito à pessoa e a solidariedade. Os referenciais para a vida social, econômica e política, propostos pela Igreja, podem ajudar a superar mais facilmente tantos problemas que afligem o convívio social: desonestidade e corrupção, a injustiça e violência, guerras, fome e exclusão social...

Tudo isso é contrário à fraternidade e fere profundamente a dignidade humana. A Igreja não é uma instância concorrente com a sociedade organizada, mas faz parte dela, mesmo não se confundindo com ela. Através de seus membros, que também são cidadãos do mundo, a Igreja se faz presente e atuante em toda parte. Ela age na sociedade e nos diversos níveis das relações sociais, quer através de seus representantes hierárquicos e de iniciativas que lhe são próprias; quer, ainda mais, através da presença de seus filhos em todo o tecido social. É grande o campo de atuação e testemunho cristão dos leigos! A Campanha da Fraternidade se encerra no Domingo de Ramos; mas os temas por ela postos e suas reflexões, bem como iniciativas suscitadas por ela, continuam ao longo do ano inteiro. Não é demais lembrar que o grande documento do Concílio, que trata das relações Igreja-sociedade, é a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, cuja leitura e estudo são muito úteis e recomendados. No Domingo de Ramos, todos somos chamados a fazer nosso “gesto concreto de solidariedade”, como fruto da nossa penitência quaresmal. As ofertas recolhidas servirão para apoiar projetos pastorais de caridade social, nas dioceses e, em âmbito nacional, promovidos e apoiados pela CNBB.

| Encontro com o Pastor | 3

Missa no Seminário Missionário São José

Na quarta-feira, 18, o Cardeal Scherer presidiu missa no Seminário Missionário São José da Associação Aliança de Misericórdia, nas festividades do padroeiro. Na homilia, o Arcebispo de São Paulo recordou que a Festa de São José marca também o aniversário de pontificado do Papa Francisco. O Cardeal afirmou ainda que não por acaso o seminário da Aliança de Misericórdia foi posto aos cuidados de São José, pois a Igreja necessita de sacerdotes bem preparados, atentos às necessidades do povo e que sejam testemunho da Misericórdia de Deus em suas ações, indo ao encontro dos que mais necessitam.

Posse de Dom Peruzzo em Curitiba (PR)

Cerca de 5 mil pessoas acompanharam na quinta-feira, 19, a celebração de posse de Dom José Antônio Peruzzo, 54, como arcebispo Metropolitano de Curitiba. A solenidade foi realizada na Catedral Basílica de Curitiba. O Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, presidiu o início da cerimônia. Dom Peruzzo tem como lema episcopal “Fazei discípulos… Ensinai”, e é o sexto arcebispo de Curitiba.

Direitos humanos na cidade

A convite da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese, o secretário de direitos humanos da cidade de São Paulo, Eduardo Suplicy, participou de uma reunião na segunda-feira, 23, na Cúria Metropolitana, para tratar das questões de direitos humanos em São Paulo, especialmente sobre a situação da população em situação de rua, indígenas que lutam pela demarcação de terras no bairro do Jaraguá, condições de vida dos migrantes, combate às drogas, violência urbana e ações contra a construção de prédios em áreas de proteção ambiental. O Cardeal Scherer participou da reunião, assim como algumas lideranças de movimentos sociais e agentes das pastorais sociais, além do ouvidor das Polícias do Estado de São Paulo, Dr. Júlio César Fernandes Neves. (Por Daniel Gomes – colaboraram Paula Leme, Irene Brito, Dr. Antonio Funari e Arquidiocese de Curitiba)


4 | Papa Francisco |

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É a hora da cruz!

Em seu comentário sobre o Evangelho do quinto domingo da Quaresma, antes de oração mariana do Ângelus com os peregrinos reunidos na praça de São Pedro, o Papa Francisco lembra-se das pessoas que estavam em Jerusalém para celebrar a Páscoa: os “pequenos e simples”, que o aclamaram na entrada da cidade, e os sumo sacerdotes e os chefes do povo que queriam eliminar Jesus. As palavras “Queremos ver Jesus”, ditas pelos gregos “revelam um desejo presente no coração de tantas pessoas”, explica Francisco. Elas “revelam um desejo que atravessa as épocas e as culturas, um desejo presente no coração de tantas pessoas que ouviram falar de Cristo, mas que ainda não o encontraram. ‘Eu quero ver Jesus’, isso sente o coração deste povo”. O Papa comenta a resposta de Jesus, “que revela a sua identidade e indica o caminho para conhecê-lo verdadeiramente:

‘Chegou a hora do Filho do Homem ser glorificado’”. “É a hora da cruz!”, afirma o Papa. Hora da “derrota de Satanás” e do “triunfo definitivo do amor misericordioso de Deus”. E prossegue, lembrando que a declaração de Cristo que será “elevado da terra”, tem duplo significado: elevado porque crucificado, e elevado porque “exaltado pelo Pai na Ressurreição para atrair todos a si e reconciliar os homens com Deus e uns com os outros”. A hora da Cruz é, ao mesmo tempo, a mais escura da história, e a “fonte da salvação para todos os que acreditam nele”. Jesus prossegue falando do “grão de trigo” que morre sob a terra para dar fruto. E o Papa, refletindo sobre a fecundidade da cruz de Cristo, diz. “A morte de Jesus, de fato, é uma fonte inesgotável de vida nova, porque traz em si a força regeneradora do amor de Deus.” O Batismo nos imerge nesse amor e nós podemos ser grãos e dar muitos, perdendo a vida por amor. Por isso, aos que querem ver Jesus, aos que buscam a face de Deus, aos que não aprofundaram a fé recebida na Catequese e até perderam-na, podemos

oferecer três coisas, acentua Francisco: o “Evangelho”, onde encontramos Jesus; o “crucificado”, que é sinal do amor de Deus, e uma fé traduzida em gestos de caridade fraterna. Nele, podemos encontrar Jesus, escutá-lo, conhecê-lo. O Crucificado: sinal do amor de Jesus que se entregou por nós. E, depois, o testemunho de fé, que se traduz em simples gestos de caridade fraterna. O Papa conclui a mensagem chamando atenção para a coerência entre fé e vida, entre palavras e ações. “Evangelho, crucifixo, testemunho. Que Nossa Senhora nos ajude a levar essas três coisas”. Após a oração do Ângelus, Francisco aludiu ao Dia Mundial da Água. “A água é o elemento mais essencial para a vida, e da nossa capacidade de cuidar e compartilhar depende o futuro da humanidade.” Ele pediu à comunidade internacional que proteja as águas do planeta e que ninguém seja excluído no uso desse bem comum. Francisco ofereceu um Evangelho de bolso aos que estavam na praça e aos moradores de rua de Roma, incentivando a todos que o lesse. (Por Padre Cido Pereira)

Oração em Pompeia

L’Osservatore Romano

No sábado, 21, o Papa Francisco fez uma visita pastoral às cidades de Nápoles e Pompeia, no sul da Itália. No Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia, o Pontífice recitou a “Pequena Súplica”, extraída da histórica oração, composta pelo Beato Bartolo Longo. Em seguida, falou de improviso do lado de fora do Santuário à multidão que esperava por suas rápidas palavras: “Muito obrigado, muito obrigado por esta calorosa acolhida. Todos rezamos a Nossa Senhora para que nos abençoe, a nós todos, a vocês, a mim, ao mundo inteiro. Precisamos que Nossa Senhora nos proteja em tantas coisas. Rezem por mim, não se esqueçam”, disse.

Contra a corrupção Em Scampia, na periferia de Nápoles, Francisco se encontrou com a população local e com diversas categorias sociais. Em seu discurso, foi categórico: “A corrupção fede. Uma sociedade corrupta fede. Um cristão que deixa a corrupção entrar dentro de si, não é cristão, mas fede. Entenderam?” O Pontífice também disse que quem escolhe, voluntariamente, o caminho do mal, rouba uma parte da esperança de tanta gente honesta e trabalhadora, da boa fama da cidade e da sua economia. Nesse sentido, dirigiu-se à pessoa que falou em nome dos imigrados e dos sem-teto, pedindo-lhe uma palavra de esperança. “Esta palavra existe, mas não está escrita só em livros, mas na carne, no coração e tem um rosto, um nome: Jesus”, afirmou.

‘A pena de morte é inadmissível’ Em audiência com uma delegação da Comissão Internacional contra a Pena de Morte, na sexta-feira, 20, o Santo Padre voltou a condenar a pena de morte, como já havia feito no ano passado em carta enviada à Associação Internacional de Direito Penal e à Associação Latino americana de Direito Penal e Criminologia. “Os Estados podem matar por ação quando aplicam a pena de morte, quando levam seus povos à guerra ou quando realizam execuções extrajudiciais ou sumárias. Podem matar, também, por omissão, quando não garantem a seus povos o acesso aos meios essenciais para a vida”. Francisco alertou para as penas de morte disfarçadas, como a prisão perpétua, “que não privam o culpado da liberdade, mas, sim, da esperança”, e acrescentou: “Hoje em dia, a pena de morte é inadmissível, por mais grave que tenha sido o delito do condenado”. (Por Fernando Geronazzo)


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Espiritualidade

fé e cidadania

Sentido da vida e felicidade Dom Carlos Lema Garcia Bispo auxiliar da Arquidiocese e vigário episcopal para a Educação e Universidade

O Papa Francisco enviou aos jovens de todo o mundo a mensagem para a 30ª Jornada Mundial da Juventude, que ocorre no próximo dia 29, Domingo de Ramos, em Roma. Vale a pena reler alguns trechos dessa mensagem que nos fala – entre outras coisas - do desejo de felicidade, muito vivo no coração dos jovens. Vamos ouvir o Papa: “Deus colocou no coração de cada homem e de cada mulher um desejo irreprimível de felicidade, de plenitude. Porventura, não sentis que o vosso coração está inquieto buscando sem cessar um bem que possa saciar a sua sede de infinito?” “E assim, queridos jovens - continua o Papa - em Cristo encontra-se a plena realização dos vossos sonhos de bondade e felicidade. Só Ele pode satisfazer as vossas expectativas tantas vezes desiludidas por falsas promessas mundanas. Como disse São João Paulo II, ‘Ele é a beleza que tanto vos atrai; é Ele quem vos provoca com aquela sede de radicalidade que não vos deixa ceder a compromissos; é Ele quem vos impele a depor as máscaras que tornam a vida falsa; é Ele quem vos lê no coração as

decisões mais verdadeiras que outros quereriam sufocar. É Jesus quem suscita em vós o desejo de fazer da vossa vida algo grande’ (Vigília de Oração em Tor Vergata, 19 de agosto de 2000)”. A mensagem do Papa convida a aprofundar sobre a verdadeira felicidade e a identificar as falsificações da felicidade humana, tão frequentes entre os jovens: a procura contínua de novas sensações, no excesso de bebida, nas drogas, na prática do sexo desenfreado etc. Tudo isso representa uma fictícia realização, que não preenche o coração, não leva à felicidade verdadeira, mas desemboca na frustração e no desencanto. “Uma vez, fiz-vos a pergunta: Onde está o vosso tesouro? Qual é o tesouro onde repousa o vosso coração? É verdade! Os nossos corações podem apegar-se a tesouros verdadeiros ou falsos, podem encontrar um repouso autêntico ou então adormentar-se, tornando-se preguiçosos e entorpecidos. O bem mais precioso que podemos ter na vida é a nossa relação com Deus... Quando essa percepção esmorece, o ser humano torna-se um enigma incompreensível, pois o que dá sentido à nossa vida é precisamente saber que somos amados incondicionalmente por Deus.” No final da mensagem, o Papa faz três propostas aos jovens: “Por isso, pergunto-vos: Vós rezais? Sabeis que tendes possibilidade de falar com Jesus, com o Pai, com o Espírito Santo, como se fala com um amigo? E não um amigo qualquer, mas o vosso amigo melhor e de maior confian-

ça! Tentai fazê-lo, com simplicidade.” Em segundo lugar, recomenda a leitura meditada da Palavra de Deus: “Uma vez mais, convido-vos a encontrar o Senhor, lendo frequentemente a Sagrada Escritura. E, se não tiverdes ainda o hábito de o fazer, começai pelos Evangelhos. Lede um pedaço cada dia.” Por fim, o Papa Francisco renova a proposta de servir aos mais necessitados: “Descobrireis que se pode ‘ver’ a Deus também no rosto dos irmãos, especialmente os mais esquecidos: os pobres, os famintos, os sedentos, os forasteiros, os doentes, os presos (cf. Mt 25, 31-46).” Nestes dias de preparação para a Semana Santa, para experimentarmos a felicidade de abrir o coração a Deus, o Papa nos recomenda: “Todos somos pecadores, necessitados de ser purificados pelo Senhor. Mas basta dar um pequeno passo em direção a Jesus para descobrir que Ele está sempre à nossa espera de braços abertos, especialmente no sacramento da Reconciliação, ocasião privilegiada de encontro com a misericórdia divina que purifica e recria os nossos corações.” Vamos acolher generosamente as propostas da mensagem do Papa: abrir um espaço diário para a oração e para a leitura do Evangelho, purificar o nosso coração na Confissão e dedicar-nos a um serviço de caridade aos mais necessitados. Assim, experimentaremos uma felicidade profunda em nossos corações e estaremos dirigindo-nos ao verdadeiro sentido da vida. Feliz Páscoa a todos!

eSPAÇO ABERTO

Eu vim para servir e o tempo presente Irineu Uebara Vivemos o tempo da Quaresma em preparação à Páscoa, refletindo sobre “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, com o lema “Eu vim para servir” (cf. Mc 10,45). São tempos conturbados em que o noticiário político e econômico se mistura ao policial, mentiras e verdades se sobrepõem, trazendo mais confusão do que esclarecimento, mais trevas do que luz, espertezas de todos os lados, instituições em que se confundem heróis e vilões em papéis que se alternam, passado e presente comprometendo o futuro e a plateia atônita e perplexa, relegada ao esquecimento, como que inexistente! Plateia imensa a quem cabe o silêncio, o conformismo e a parte que lhe cabe, tão somente, pagar a elevada conta! Eu vim para servir! é o alerta dado por quem se fez servidor por excelência! Totalmente homem e totalmente Deus: Jesus Cristo! É quem dá sentido à ex-

pressão bíblica “à imagem e semelhança de Deus”, referindo-se à criação do homem. Ante toda a corrupção que grassa abundantemente, soa forte a mensagem conclamada pelos bispos do Brasil! Não é para ser servido que vive o cristão! É para servir! Que nestes tempos de profunda reflexão destinada à conversão, possamos a cada dia enfrentar com coragem e determinação a batalha que se trava dentro de cada um de nós: entre o enriquecimento fácil e a conquista pelo esforço persistente, entre o caminho íngreme da honestidade e a larga estrada da facilidade, entre o fazer-se servidor e o desfrutar das benesses do cargo e do poder! Triste perceber, observando tudo o que acontece, até aonde vai o egoísmo e a ganância quando se tem o poder! A nossa Constituição Federal dispõe sobre direitos sociais (artigo 6º) visando a promoção do bem-estar social e econômico, a conquista do bem comum consoante o objetivo da política, da boa qualidade de vida das pessoas, especialmente

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das mais desfavorecidas, além de prover a justa distribuição de renda e riqueza. É o que se depreende do aprendizado de lições de Direito. Parece sem eficácia, no entanto, o dispositivo constitucional tão pleno de direitos elencados, ante a cruel realidade que se impõe. Não tenham o mesmo destino as palavras das Sagradas Escrituras: Eu vim para servir, que serve de lema à Campanha da Fraternidade de 2015. Façamos valer a atitude que pregamos! Condenar e denunciar tudo aquilo que deforma o viver social é compromisso profético do cristão ao lado do anúncio da Boa-Nova e do Reino de Deus. Não é justo que poucos se refestelem com o banquete do poder (propiciado pela corrupção) enquanto milhões tenham que se satisfazer com as migalhas que sobram! Aprendamos com Cristo que nos exorta a servir e não ser servido, com o testemunho da própria vida! Irineu Uebara é advogado, tesoureiro da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo.

As opiniões expressas na seção “Espaço Aberto ” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Fazer da vida o maior dos poemas Padre Alfredo José Gonçalves, CS Dias atrás, fiz aniversário, completei mais um ano de existência: já se vão algumas dezenas de primaveras, na linguagem humana; na linguagem divina, apenas um instante, um “sopro” de vida. Naquele dia, em uma de minhas costumeiras insônias, levantei-me de madrugada e pus-me a pensar comigo mesmo: como fazer da própria existência uma prece, uma oração?!... O que, a partir do presente, comporta duplo esforço: um olhar para trás, ao passado; e um olhar para frente, ao futuro. Retrospectivamente, se trata da tentativa de reavivar a memória; descobrir nas dobras deste pergaminho que é a história pessoal, as impressões digitais da mão invisível de Deus nesta travessia terrestre; quantas vezes, nos momentos cruciais, difíceis, nas situações-limite, Ele enviou seus anjos para enxugar minhas lágrimas, fazer-me levantar a cabeça, comer e beber algo e retomar a marcha, “pois o caminho é longo”!... Desse ato de garimpagem, resulta, de um lado, um sentimento de gratidão, e, de outro, um gesto de reverente oblação no altar da própria existência. Do ponto de vista prospectivo, o horizonte se revela naturalmente mais nebuloso: não faltam medos e dúvidas, incertezas e interrogativos – tudo sem resposta! Mas sorrateiramente uma imagem vai tomando corpo, faz-se viva e sugestiva. Suponhamos um bloco de mármore, pedra bruta, informe, irregular: um empresário do ramo fará cálculos sobre o peso, a medida e a possiblidade de negócio, e, evidentemente, o quanto poderá render em dinheiro aquela “mercadoria”; o pedreiro, por sua vez, igualmente atento à própria profissão, põe-se a imaginar quantos metros quadrados de piso ela poderá cobrir; somente o escultor, porém, com seu olhar estético de artista e poeta, será capaz de ver ali, naquele bloco inculto, pesado e disforme, o segredo da mais bela imagem de sua capacidade criativa. A existência humana, em seus acontecimentos diversos e contraditórios, não deixa de ser uma espécie de matéria bruta, irregular e destituída de forma. A partir dela, é possível privilegiar um golpe de sorte e de fácil enriquecimento, uma profissão que garanta uma condição digna de vida e trabalho, ou, o que é mais raro, uma visão mística e sublime diante do mistério. Desnecessário lembrar que as três vias são absolutamente legítimas, mas somente a última é capaz de, além de ter os pés firmes sobre a terra, sonhar e criar, erguer um voo ao ar livre, ao céu azul aos raios de um sol iluminador; capaz de despir a roupagem do verme para ganhar asas de borboleta, capaz de um olhar ao tesouro oculto na curta trajetória humana pela face da terra. E somente a alquimia da oração pode realizar semelhante metamorfose. O caminho místico, espiritual, transfigura as pedras brutas das coisas e dos fatos: no caos e nas trevas primordiais, sabe identificar a chama viva da criação, com inusitada sensibilidade e delicadeza, descortina o véu do significado escondido, desvendando-lhe o sentido último e grávido de novas potencialidades. Poeta, na verdade, não é tanto aquele que faz versos, organiza estrofes e compõe epopeias, mas, sobretudo, é aquele que, da própria vida aparentemente informe, sabe fazer um poema! A atitude de oração, meditação, e contemplação faz da existência o maior dos poemas!


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liturGia e vida

novos santos e Beatos

DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO 29 DE MARÇO DE 2015

São Luís Scrosoppi

A pobreza salvadora ana Flora anderson Neste domingo, celebramos a alegria do povo reunido em Jerusalém para receber Jesus como aquele que vem em nome do Senhor. Mas, logo em seguida, Jesus é preso e julgado. A oração do dia pede que aprendamos com Jesus o dom da humildade. Na pobreza está a salvação! Na primeira leitura (Isaías 50, 4-7), o profeta narra como ele foi escolhido por Deus para ir ao encontro dos abatidos. Ele levanta a cada manhã como discípulo que enfrenta a perseguição daqueles que não aceitam a Palavra de Deus. Na segunda leitura (Filipenses 2, 6-11), São Paulo ensina que a divindade de Jesus o levou a se esvaziar por amor. Ele, para nos salvar, abraçou a humilhação da cruz. Por isso, Deus o exaltou e nós o louvamos eternamente. O Evangelho de São Marcos (15, 1-39) apresenta a dificuldade que a sociedade teve para aceitar a bondade e a verdade da vida de Jesus. O Evangelho de hoje mostra o que acontece quando tudo que há de mal converge contra o bem. As autoridades religiosas condenam Jesus por inveja (v.10). O poder romano o condena porque quer agradar à multidão (v.15). Jesus é acusado de querer ser o Rei dos Judeus, mas responde que é Rei não porque se impõe, mas porque dá a sua vida na obediência e na doação aos outros.

3 de aBril

Luís Scrosoppi nasceu em 4 de agosto de 1804, em Udine, cidade do Friuli, no Norte da Itália. Aos 12 anos, ingressou no seminário diocesano de Udine, e, em 1827, foi ordenado sacerdote. Dedicou-se, com outros sacerdotes e um grupo de jovens professoras, à acolhida e à educação das “derelitas”, as mais sozinhas e abandonadas jovens de Udine e dos arredores. Com essas senhoras, chamadas de “professoras”, hábeis no trabalho de costura e de bordado, que estavam aptas à alfabetização, dispostas a colocarem suas vidas nas mãos do Senhor para servi-lo e optando por uma vida de pobreza, Padre Luís Scrosoppi fundou a Congregação das Irmãs da Providência. Já no fim da vida, Padre Luís transferiu a direção de suas obras às Irmãs, que aceitaram a missão com serenidade e esperança. Morreu no dia 3 de abril de 1884. Toda a população de Udine e das cidades vizinhas foram vê-lo pela última vez e pedir-lhe ajuda do paraíso celeste. Padre Scrosoppi foi proclamado santo pelo Papa João Paulo II, em 2001. Na solenidade, estava presente um jovem sul-africano que foi curado pela intercessão do

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santo, em 1996, da Aids. Por esse motivo, esse mesmo pontífice declarou São Luis Scrosoppi padroeiro dos portadores do vírus da Aids e de todos os doentes incuráveis. O jovem sul-africano que se curou desse vírus entrou no Oratório de São Felipe Néri, tomando o nome de Luís. Fonte: www.paulinas.org.br

anos

vocÊ perGunta

Missas no 3º e 7º dias, e no aniversário de morte, por quê? padre cido pereira

viGário episcopal para a pastoral da comunicaÇão

A pergunta da Maria Benvinda nos faz pensar em como a Igreja confia na misericórdia de Deus, que é sem limites. Ele nos exorta a orar pelos mortos, ao contrário de algumas denominações cristãs que afirmam que após a morte começa o tempo do julgamento e não há porque orar. A Igreja Católica crê, sim, e tem razões bíblicas para isso, para orar pelos mortos. Uma coisa é preciso que tenhamos bem claro no coração. A missa pelos mortos não é uma homenagem a eles. É em sufrágio de suas almas. O que fazemos é implorar a misericórdia de Deus para aquele irmão. Não é cristão, não está de acordo com o que a Palavra de Deus nos fala sobre a infinita misericórdia de Deus, achar que alguém foi condenado por este ou por aquele motivo. Nossos critérios humanos veem pecado onde Deus, em sua infinita sabedoria e misericórdia, não vê. Os mortos precisam de nossa oração porque eles não podem orar por si mesmos. É tão bonita a parábola do Lázaro e do rico egoísta. O rico, queimando no inferno, intercede por seus irmãos. Se no inferno ele intercede por nós, imagine você os que estão no céu! E nós podemos interceder por eles para que a misericórdia sem limites de Deus os perdoe e purifique. Isso dito, vamos responder à sua pergunta: A missa no sétimo dia é uma referência ao descanso de Deus no sétimo dia após os seis dias da criação. A missa de três dias nos faz lembrar a ressurreição de Jesus, que afirmou ser a ressurreição e a vida e que ressuscitará no final dos tempos os que nele creem.

Reprodução

Capa da edição de 21 de março de 1965

Em carta à FAO, Paulo VI expressa preocupação com a fome mundial Por conta da realização de uma assembleia da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em Viña Del Mar, no Chile, o Papa Paulo VI enviou mensagem aos participantes, demonstrando preocupação com os destinos da segurança agrícola e alimentar do planeta. O assunto foi uma das manchetes de capa da edição do O SÃO PAULO de 21 de março de 1965. “O texto da mensagem entregue ao diretor regional adjunto da FAO diz, entre outras coisas, que ‘os nobres intentos que animam os que se

reúnem em Viña Del Mar e as altas metas que estes se fixaram não podem despertar em nosso coração se não sentimentos de admiração e gratidão’”, consta no texto. Paulo VI defendeu medidas para racionalizar o uso dos bens naturais do planeta, em especial nos países da América Latina. “O Papa acrescenta em sua mensagem que para se atenuar também uma das grandes preocupações centrais da nossa época, a fome, devem reformar-se, serena e ponderadamente, as estruturas agrícolas menos eficientes e educar as populações rurais”.

atos da cúria ATOS DA CÚRIA nOMEAÇÃO E PROVISÃO DE PÁROCO Em 8 de março de 2015, foi nomeado e provisionado Pároco da Paróquia nossa Senhora da Livração, da Região Episcopal Santana, o Revmo. Pe. Edilson Paes Landim de Farias, MSJ, pelo período de 6 (seis) anos. Em 8 de março de 2015, foi nomeado e provisionado Pároco da Paróquia Santa Terezinha, da Região Episcopal Santana, o Revmo. Pe. João Luiz Miqueletti, pelo período de 6 (seis) anos.

Em 8 de março de 2015, foi nomeado e provisionado Pároco da Paróquia Sant´Ana, da Região Episcopal Santana, o Revmo. Pe. Maurício Vieira de Souza, pelo período de 6 (seis) anos.

Administrador Paroquial da Paróquia Santa Zita e nossa Senhora do Caminho, da Região Episcopal Santana, o Revmo. Pe. Marcel Joseph Leopoldo Martineau.

PRORROGAÇÃO DE PROVISÃO DE PÁROCO

Em 21 de março de 2015, foi nomeado Administrador Paroquial da Paróquia São José Operário, da Região Episcopal Brasilândia, o Revmo. Pe. Paulo Roberto de Oliveira, PF.

Em 10 de março de 2015, foi prorrogada a provisão de Pároco da Paróquia Santíssimo Sacramento, da Região Episcopal Sé, do Revmo. Pe. Aparecido Silva, pelo período de 3 (três) anos. nOMEAÇÃO E PROVISÃO DE ADMInISTRADOR PAROQUIAL Em 6 de março de 2015, foi nomeado

nOMEAÇÃO E PROVISÃO DE VIGÁRIO PAROQUIAL Em 5 de março de 2015, foi nomeado e provisionado Vigário Paroquial da Paróquia Santíssima Trindade, da Região Episcopal Santana, o Revmo. Pe. José Avari Campos.


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| Pastorais | 7

Diáconos permanentes recebem formação sobre aspectos do Tríduo Pascal redaÇão

osaopaulo@uol.com.br

Aconteceu no sábado, 21, no Centro Pastoral São José, na Região Belém, o Primeiro Encontro dos Diáconos Permanentes da Arquidiocese de São Paulo, com o Cônego Celso Pedro, sacerdote que acompanha os diáconos da Arquidiocese. Diversas resoluções foram tomadas na ocasião, como, por exemplo, o tema do Tríduo Pascal. Cônego Celso Pedro falou sobre as relações e a íntima ligação entre a Instituição da Eucaristia, na última Ceia do Senhor, celebrada na Quinta-feira Santa, e a Cruz, celebrada na Sexta-feira

da Paixão, sendo complementares, de modo que não devem ser celebradas separadamente. Mesmo se tratando de momentos historicamente distintos, os atos de salvação estão presentes em ambos. O que acontece na Ceia acontece na Cruz e vice-versa, sendo que as duas realidades também representam a realidade da vida humana. Outro tema abordado foi o das diaconias e os documentos que estão sendo elaborados, com acolhimento das sugestões e da participação de todos. Posteriormente, esses documentos serão enviados ao Cardeal Scherer, arcebispo de São Paulo. (Com informações de Fábio José Parpinelli)

Fábio José Parpinelli

Cônego Celso Pedro conduz palestra para diáconos permanentes no Centro Pastoral São José, na Região Belém

pastoral carcerária

pastoral da educaÇão

Entidades publicam nota de repúdio à Secretaria Estadual de Educação

‘Viver a mensagem do Vaticano II como leigo educador cristão’

Após a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo não enviar representante à audiência pública que debateu o Plano Estadual de Educação nas Prisões, no dia 11, a Pastoral Carcerária do Estado de São Paulo e outras entidades que compõem o Grupo de Trabalho em Defesa do Direito à Educação nas Prisões divulgaram nota de repúdio à Secretaria, enfatizando que a elaboração do Plano deve considerar às opiniões da sociedade e as demandas expostas pela população prisional. No dia 11, no auditório da Defensoria Pública de São Paulo, foi realizada audiência para debater o Plano Estadual de Educação nas Prisões. O objetivo era discutir, publicamente e com ampla participação das entidades de defesa de direitos humanos, movimentos sociais e da população em geral, a elaboração de estratégias e metas para garantir a educação da população carcerária do Estado, como previsto pelo Plano Nacional de Educação nas Prisões (Decreto 7.626/2011). A representante da Secretaria de Educação de São Paulo, Andrea dos Santos Oliveira, não compareceu e não justificou a ausência. Em janeiro de 2013, uma resolução conjunta entre as Secretarias de Educação e de Administração Penitenciária criou o Programa de Educação nas Prisões. O Programa instituiu diretrizes curriculares e determinou que as aulas nas prisões paulistas sejam ministradas por professores da Secretaria Estadual de Educação, como previsto nas Diretrizes Nacionais para Educação de Jovens e Adultos em situação de privação de liberdade (Res. nº 2/2010 do Cons. Nacional de Educação). A resolução, porém, não apresenta metas e estratégias de implantação, tais como prazos e recursos.

Para promover o aprimoramento das ações da Pastoral da Educação, estiveram reunidos entre os dias 13 e 15, na casa de Retiros Emaús, em Araras (SP), os coordenadores diocesanos da Pastoral da Educação do Regional Sul 1 da CNBB. Os trabalhos tiveram início com palestra do Frei Carlos Josaphat, OP, que apresentou o tema “Viver a mensagem do Vaticano II como leigo educador cristão”. A análise foi ilustrada com a apresentação do DVD “Vaticano II”, publicado pela Verbo Filmes. O núcleo central do encontro foi a análise do texto-base preliminar da Pastoral da Educação Nacional, com assessoria do relator, o Padre José Adalberto Vanzella, da Diocese de Taubaté. O documento será tema de estudo do episcopado na próxima Assembleia Geral da CNBB com o objetivo de definir o documento orientador para a ação evangelizadora da Igreja no Brasil no mundo da educação. Durante o evento, o professor Luiz Antonio de Souza Amaral, coordenador regional da Pastoral da Educação, apresentou cartilha CF na Escola, dirigida a professores e alunos, preferencialmente da rede pública e distribuída gratuitamente. O coordenador Regional da Pastoral da Educação anunciou que a cartilha pode ser solicitada pelo e-mail lasamaral@uol.com.br. Segundo o Coordenador Regional, “este encontro teve uma importância especial pois, na comemoração dos 50

anos do Concílio Vaticano II, com certeza muito de suas orientações iluminarão a nossa pastoral e, com o tema da CF 2015 – ‘Fraternidade: Igreja e Sociedade’, teremos ocasião para rever nossa ação pastoral”, afirmou. Outros assuntos também foram discutidos, como a reforma política e a análise do projeto de lei de iniciativa popular denominado “Eleições Limpas”, feita pelo professor Américo Sampaio,

do Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE) e da Escola de Governo. O plenário ao final dos trabalhos apresentou sugestões para o planejamento da Pastoral da Educação Regional e Diocesano. As orações e Celebrações Eucarísticas no encontro foram decorrentes da solicitação do Papa Francisco para as “24 Horas Para o Senhor”, orando pela Paz no Mundo. (Fonte: Comunicação Regional Sul 1 da CNBB)

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Destaques das Agências Nacionais

Henrique Sebastião Especial para O SÃO PAULO

Grupo de ateus perde ação contra atuação de bombeiros em procissão A Justiça de São Paulo indeferiu, na sexta-feira, 20, a petição pela proibição da participação do Corpo de Bombeiros na “Procissão pela chuva em São Paulo”, realizada no domingo, 22. O juiz Emílio Migliano Neto, da 7ª Vara da Fazenda Pública, extinguiu o processo proposto pela Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA), que pretendia defender a laicidade do Estado contra a Mitra Arquidiocesana de São Paulo. Segundo a ATEA, o fato de o caminhão dos bom-

beiros ser utilizado para o transporte da imagem de Nossa Senhora da Penha feriria a laicidade do Estado. Para o magistrado, porém, a procissão “não vulnera a liberdade de religião e a laicidade”, pois “quando a manifestação religiosa deixa de pertencer apenas ao ritual de determinado templo e invade os espaços públicos, ganhando adesão da população, transforma-se em manifestação cultural e pode ser incentivada pelo município, pelo Estado-membro e pela União, encarregados também da promoção de valores humanos

Assessoria de Imprensa da Causa de Beatificação

Bispo de Joinville (SC) durante lacre dos documentos enviados ao Vaticano

Fonte: Portal Terra

Diocese de Joinville conclui fase do processo de beatificação do Padre Aloísio Boeing Foi encerrada no dia 17 a etapa diocesana da beatificação do Padre Aloísio Sebastião Boeing (foto em detalhe), primeiro candidato a santo de Joinville (SC). Toda a pesquisa levantada na diocese será levada à Congregação para as Causas dos Santos, em Roma, pelo postulador Paolo Vilotta. A fase diocesana consiste numa pesquisa da vida, virtudes e fama de santidade do candidato. Os representantes do tribunal, escolhidos pelo bispo diocesano, ficam responsáveis por realizar entrevistas e resgatar testemunhos sobre o Padre, enquanto a comissão histórica pesquisa toda a documentação.

Para a realização da fase romana, a seguir, o postulador pede a abertura do processo de beatificação e canonização. Segundo o vice-postulador, Padre Léo Heck, é preciso elaborar também o Positio, resumo de todo o trabalho da primeira etapa. “Tudo é feito conforme rigorosa metodologia e será levada em consideração no exame dos teólogos e dos cardeais e bispos”, destaca. Com o reconhecimento de suas virtudes heroicas, Padre Aloísio passa a ser chamado “venerável”. A próxima fase é a comprovação de um milagre, que levaria à beatificação. Quando isso acontecer, abre-se um novo processo. Fonte: CNBB

Dom João Braz de Aviz lança livro em Brasília

Dom Enemésio Lazzaris é reeleito para Presidência da CPT Os participantes da 27ª assembleia da Comissão Pastoral da Terra (CPT) reelegeram o bispo de Balsas (MA), Dom Enemésio Lazzaris, para a presidência da Comissão por mais três anos. Na reunião, realizada entre os dias 17 e 19, também foi eleito o bispo de Ruy Barbosa (BA), Dom André de Witte, para a vice-presidência. A carta final lembra que em julho, em Porto Velho (RO), acontecerá o 4º Congresso Nacional da CPT, com o lema 4º “Faz escuro, mas eu canto”. Além disso, destaca os elementos que “obscurecem a democracia na negação de direitos dos povos da terra e da cidade” e os direitos fragilizados de comunidades

que, com o passar do tempo, se tornam tradições locais, regionais ou até nacionais. Assim já aconteceu com o Carnaval, cuja origem religiosa está até esquecida, inúmeras procissões em louvor aos santos, realizadas no interior, a Festa do Círio de Nazaré, patrocinada pelo estado paraense e pela municipalidade de Belém, Marcha para Jesus, romarias ao Padre Cícero no nordeste, ofertas a Yemanjá, Congadas e o próprio Natal”, avaliou.

tradicionais que geram sofrimento para a juventude, as mulheres e as crianças. A Assembleia também elegeu os membros da nova coordenação executiva nacional da CPT. Foram escolhidos Jeane Bellini, agente da CPT nos regionais Araguaia/Tocantins e Mato Grosso; Ruben Siqueira: agente da CPT Bahia e um dos coordenadores do Projeto São Francisco Vivo, nos últimos dez anos; Paulo César Moreira: agente jovem da CPT no Mato Grosso; e Thiago Valentim, agente jovem da CPT no Ceará. Para a suplência, foram eleitas Isabel Cristina Diniz, do Paraná; e Darlene Braga, do Acre. Fonte: CNBB

O prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica do Vaticano, Cardeal João Braz de Aviz, lançou na tarde do domingo, 22, na Cúria Metropolitana de Brasília, o livro intitulado “Sou João – verdade e diálogo por uma Igreja-Comunhão”, que apresenta sua trajetória como cardeal, seu pensamento sobre a Igreja e seus desafios em nível nacional e internacional. Participaram do lançamento o arcebispo de Brasília, Dom Sérgio da Rocha; o arcebispo emérito de Brasília, Dom José Freire

Falcão; a presidente nacional da Conferência dos Religiosos do Brasil, Irmã Maria Inês Ribeiro; além de bispos auxiliares, religiosos e leigos vindos de diversas paróquias da Arquidiocese e um dos autores do livro, o focolarino Adelmo Cordeiro Galindo. O lançamento foi uma inciativa da Editora Cidade Nova, do Movimento dos Focolares. Os participantes puderam dialogar com Dom João acerca de sua vida e experiência no Vaticano e da sua relação com o Papa Francisco. Fonte: CRB Nacional

Bispos latinos apresentam Rede Eclesial Pan-Amazônica em Washington “Direitos humanos e indústrias extrativas na América Latina” foi o tema do encontro, no dia 19, em Washington, nos Estados Unidos. Bispos e leigos representantes da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) foram recebidos em audiência pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A

delegação expôs a ação do extrativismo e o impacto das obras que atingem diretamente os direitos humanos das populações indígenas e campesinas no Brasil, Equador, Honduras, México e Peru. O bispo de Roraima (RO), Dom Roque Paloschi, que representa a CNBB, disse que a intenção

“é fazer saber aquilo que a Igreja pensa e o trabalho que tem desenvolvido diante desta grande problemática que é a Indústria extrativa e o desrespeito às populações originárias ou não da grande região da Pan-amazônia”. Fonte: Cáritas Brasileira


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Destaques das Agências Internacionais

| Igreja em Missão | 9 Filipe David

Correspondente do O SÃO PAULO na Europa

Arábia Saudita

Grão-mufti da Arábia Saudita pede destruição de igrejas Falando a uma delegação no Kuwait, o grão-mufti da Arábia Saudita – país aliado do Ocidente no Oriente Médio –, o xeique Abdul Aziz bin Abdullah, pediu a destruição de todas as igrejas na península arábica, o que, segundo ele, é absolutamente necessário de acordo com a lei islâmica. O grão-

mufti é a maior autoridade islâmica no País e encabeça a Suprema Corte dos Ulemás – conselho de “sábios” muçulmanos – e o Comitê Permanente para Pesquisa e Emissão de Fátuas. Ele é um dos principais responsáveis no mundo islâmico sunita por julgar e emitir fátuas, decisões que determinam como a

charia, a lei islâmica, deve ser aplicada. Não é a primeira vez que o grãomufti faz esse tipo de afirmação. Em setembro de 2013, ele havia declarado que “é preciso destruir todas as igrejas da região”. O curioso é que praticamente não existem igrejas na Arábia Saudita, já que todo culto não muçul-

Índia

Fontes: Catholic Herald/ Times of Israel/ Fides

Reino Unido

Esterilização em massa Há seis meses, a morte de 12 mulheres em um campo de esterilização na Índia atraiu a atenção da mídia internacional. Embora esses campos normalmente não matem tantas mulheres de uma só vez, o problema é epidêmico no País: em média, três mulheres morrem a cada semana por esterilizações mal realizadas. A Indía é o segundo país mais populoso do mundo, com mais de 1,2 bilhão de habitantes. Para manter a população sob controle, as autoridades fazem uso indiscriminado da esterilização de mulheres em idade fértil, muitas vezes sem o consentimento das pacientes e em condições precárias de higiene. Além dos casos de imperícia e negligência – como uma mu-

mano é ilegal no País. Existem alguns locais de culto para não muçulmanos dentro das embaixadas estrangeiras no País e algumas igrejas em certos Estados do Golfo, para os fiéis estrangeiros – normalmente das Filipinas e da Índia – que trabalham na região.

Aniversário de bebê cuja bolsa se rompeu na 18ª semana

lher que teve o esôfago cortado acidentalmente durante o procedimento – há relatos de muitas mulheres que foram deixadas no chão logo após a cirurgia, sem colchão nem cobertor, e de cirurgias realizadas à luz de lanternas devido à falta de eletricidade. Segundo dados do próprio governo, mais de uma em cada três mulheres entre 15 e 45 anos foi esterilizada. Aos 35 anos, uma em cada duas mulheres foi submetida ao procedimento. Uma em cada três não foi informada de que a esterilização é definitiva. A maior parte das esterlizações são realizadas em jovens entre 20 e 35 anos, mas há casos de adolescentes que foram submetidas à operação.

Quando estava na 18ª semana de gravidez, Michelle Moloney sentiu seu bebê chutar. Algumas horas depois, sua bolsa havia se rompido, o que normalmente só acontece pouco antes do parto. Os médicos se ofereceram para induzir o trabalho de parto – o que, na prática, seria um aborto, já que terminaria com a morte do bebê, que ainda não tinha condições de sobreviver. Michelle recusou e voltou para casa, aguardando ter um aborto espontâneo, que deveria acontecer em até dez dias, segundo informaram os médicos. Entretanto, contra todas as expectativas, seu bebê não morreu e a gravidez continuou até a 26ª semana. Apesar de ter nascido prematuro, Michael hoje é um bebê saudável e celebrou seu primeiro aniversário há duas semanas.

Fonte: LifeSiteNews

Fonte: LifeSiteNews/ DailyMail

Paul Lewis

O bebê Michael completa 1 ano de idade

Estados Unidos

Liberdade religiosa O arcebispo de Filadélfia, Dom Charles Chaput, advertiu que os Estados Unidos deverão sofrer cada vez mais pressão para abandonar sua tradicional proteção à liberdade religiosa. A afirmação de Dom Charles foi feita durante seu discurso sobre a Dignitatis Humanae, documento do Concílio Vaticano II sobre a liberdade religiosa. O Arcebispo explicou o que é a liberda-

de religiosa: “é o direito de pregar, ensinar, e cultuar em público e em privado”. Ela implica o “direito dos pais de proteger seus filhos de um ensino prejudicial. Ela significa que temos o direito de atuar no espaço público com um debate moral e trabalho social”. Segundo Dom Charles, o atual governo americano de Barack Obama é “o menos preocupado com a liberdade religiosa na

história”. Ele citou especificamente as áreas dos “direitos homossexuais”, contracepção e aborto, bem como o direito de testemunhar publicamente a fé e agir de acordo com sua consciência. Outra preocupação do Arcebispo são as políticas educacionais que “transformam as escolas em centros de doutrinação em matéria de sexualidade humana”.

Dom Charles concluiu dizendo que para manter a liberdade religiosa é preciso praticar a fé: “na prática, nenhuma lei e nenhuma constituição podem proteger a liberdade religiosa a não ser que as pessoas realmente acreditem e vivam sua fé – não apenas em casa ou na igreja, mas em suas vidas públicas”. Fonte: CNA


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Olhar para José Valdir Reginato

Tecnologia

Comemoramos no dia 19 de março a festa de São José. Possivelmente, o nome mais usado no batismo de meninos, na história do mundo ocidental. E pergunto: o que aprendemos nos dias de hoje a respeito da vida desse santo? A pessoa de José está intimamente ligada à figura da paternidade. Falar de José é pensar na imagem do pai, em como um pai deve comportar-se, em como um chefe de família deve agir. É ver o cuidado e atenção à esposa e aos filhos. É olhar para como José trabalhava. É desejar aprender de José como ele vivia a presença de Deus. A história deste homem de carne e osso, como qualquer outro, é fascinante! Não é uma lenda. Não é um mito. Ele foi, em toda expressão, simplesmente, um verdadeiro homem. Um homem que soube cumprir a vontade de Deus. Um “justo”, nas

palavras do Evangelho. É importante observar o comportamento de José diante das diferentes circunstâncias da vida cotidiana. Quando procura se afastar de Maria, conhecida grávida, assume o abandono para si diante da eventual possibilidade de difamação dela que pudesse passar pelos pensamentos dos demais. Do contrário, a lei dava-lhe o direito de apresentar a sua comprometida ao rigor do apedrejamento. Embora desconhecendo a razão, não consegue ver em Maria culpa. A notícia do anjo em sonhos esclarece e faz de José o pai adotivo de Jesus, com todos os seus deveres. Aprendemos a não julgar precipitadamente, a não culpar de modo leviano e a aceitar a vontade de Deus. Deixar a casa com a esposa grávida a fim de cumprir uma ordem cívica é um comportamento de cidadania. O nascimento do Menino, que chega

sem lugar para ficar, deve ter levado profunda tristeza a José, que, incansável, bateu a todas as portas só encontrando espaço na estrebaria. Onde está o berço que, como artesão, deveria ter feito para o filho? Onde está o conforto que todo esposo espera poder oferecer a mãe e ao filho? Somente do seu coração poderia emanar o calor e a alegria necessários para aquelas circunstâncias. Não reclama da pobreza. Não desfalece diante de tantos inconvenientes. Não pensa em si. Pelo contrário, após servir o melhor que pode, se prostra em adoração ao mistério do nascimento do Menino Deus. Aprendemos com José a nos comportamos com espírito de serviço. Não fazer ecos aos elogios. Afastar-se do reconhecimento. Não lamentar as perdas, mas agradecer por poder estar lá e fazer mais. Ele não descansa. O alerta da fuga para o Egito chega sem

avisos prévios no meio da noite. É preciso levantar sem demoras e cumprir o pedido. Não há reservas. Não há horizontes certos. Não há estradas seguras. Não há trabalho garantido. Existe apenas um enorme desafio! José se comporta com a prontidão e a serenidade que se espera daqueles que se abandonam na confiança em Deus. São as mudanças inesperadas da vida. Mudanças de cidades, de empregos, de profissão, de vizinhos. Deixar amigos próximos para se lançar ao novo desconhecido. Circunstâncias que podem afetar qualquer chefe de família de hoje. Sem explicações, retorna à terra natal por solicitação do anjo. Talvez quando tudo já estivesse se organizando. Quando já havia um novo emprego, certa estabilidade. É preciso voltar e não há questionamentos em José ao que Deus aponta. No entanto, não volta às cegas. José tem uma obediência de alguém

Reconhecimento facial ou da íris para identificação de usuário Luiz Otávio Ugolini Vianna Uma das coisas mais legais da tecnologia é que ela vive a nos surpreender. De repente, podemos ter em nossas mãos aqueles recursos e dispositivos futuristas que vimos nos filmes. Sem que percebamos, acabam por se tornar triviais em nossas vidas. Uma dessas situações parece estar prestes a acontecer. Na última semana, a Microsoft anunciou mais alguns recursos que estarão disponíveis na próxima versão do principal produto da empresa, o Windows 10 e tem relação com o processo de identificação por senhas por parte dos usuários. Convenhamos: para nós, usuários, é muito complicado administrar senhas. Cada sistema na internet tem um formato ou uma exigência. Deixar todas as senhas iguais é inseguro, senhas diferentes é impossível de memorizar. A tecnologia precisa re-

almente melhorar nesse sentido. Semanas atrás, escrevi, aqui mesmo, sobre a identificação por biometria (impressão digital). Prometida como a “solução para seus problemas”, o reconhecimento biométrico foi colocado na berlinda depois que um hacker teria falsificado a digital da ministra da defesa da Alemanha, utilizando uma foto de suas mãos. A novidade agora é o reconhecimento facial ou da íris como forma de identificação do usuário, e foi justamente isso o que a Microsoft anunciou. Segundo a empresa, o novo recurso chamado “Microsoft Hello”, permitirá que o computador seja desbloqueado pelo usuário apenas olhando para ele. Por meio do reconhecimento facial ou da íris, o usuário é identificado e o acesso ao computador é liberado. Muito interessante. Desbloquear o computador pode facilitar, mas não resolve o problema

inicial: aquele monte de senhas de tantos sites. Para isso, o fabricante anunciou outro recurso denominado “Microsoft Password”. O objetivo é guardar no seu computador o conjunto de senhas que você utiliza. Uma vez tendo feito o seu reconhecimento facial ou pela íris, o dispositivo faria a identificação por você nos outros sistemas, de forma transparente. Segundo a divulgação, isso garantiria ainda mais segurança, pois o invasor precisaria de sua senha, de seu dispositivo e de sua biometria para acessar recursos. Seria realmente muito mais fácil se pudéssemos acessar tudo sem tanto esforço. Vamos aguardar e ver se isso tudo vai vingar. Para que todos possam utilizar, resta saber se o seu uso será simples e se os dispositivos necessários para esses recursos não vão custar os olhos da cara. Luiz Otávio Ugolini Vianna é engenheiro e diretor de Tecnologia da Mult.Connect

Cuidar da saúde

Comportamento

10 | Viver Bem |

que faz a sua parte com inteligência. Muda o caminho de volta ao saber dos riscos em retornar para onde está o filho de Herodes, e segue para Galileia. José silencioso, oculto, mas determinado, atuante. Pela última vez, o encontraremos no templo na busca que faz, junto a Maria, pelo filho adolescente, que está a cumprir “a vontade de Seu Pai”. A vontade do Pai Eterno. José não interfere no diálogo entre a Mãe que transmite as preocupações dos pais e a resposta do filho. Sabe que está ali para servir e assim o fez, quando foi necessário ensinar uma profissão: “o filho do carpinteiro”, ficou assim conhecido. Quando foi necessário, apresentou as Escrituras. Quando precisou mostrar ao Menino Deus como se comportava um Homem de Deus, fez isso! Que em José, continuemos a meditar o comportamento que nos leva à santidade.

Cuidados da Mulher: papanicolau, densitometria óssea e atividade física CÁSSIA REGINA Neste mês em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, no dia 8, sugerimos que as mulheres façam exames de papanicolau e densitometria óssea, além de muita atividade física. Papanicolau: deve ser realizado anualmente ou a cada dois anos, após um ano de início da vida sexual. Recomenda-se que seja feito até os 65 anos, mas isso deve ser individualizado. Densitometria óssea: recomenda-se na menopausa, pois a queda dos hormônios pode levar à osteoporose. Seu médico é quem vai determinar de quanto em quanto tempo fazer. Mulheres com baixa ingestão de alimentos que contêm cálcio e em uso prolongado de corticóide, precisam ter maior atenção. Atividade física: deve ser feita 150 minutos por semana, regularmente, e não há idade limite. Entre os benefícios estão: melhora do sono, da autoestima, redução da comorbidades, ajuda no controle de hipertensão, manutenção da funcionalidade e mente ativa, ajuda na memória, no abandono de vícios e reduz os sintomas de fibromialgia. Dra. Cássia Regina é médica na Estratégia de Saúde da Família (PSF)


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Rosana Manzini

América Latina em rede para difusão da Doutrina Social Luciney Martins/O SÃO PAULO

Fernando Geronazzo e Rafael Alberto Especiais para O SÃO PAULO

Na segunda-feira, 16, a coordenação da Rede Latino-Americana e Caribenha do Pensamento Social da Igreja (REDLAPSI) foi recebida em audiência pelo Papa Francisco no Palácio Apostólico, no Vaticano. No encontro de 35 minutos, o Pontífice teve a oportunidade de conhecer mais de perto o trabalho da Rede, presidida pela brasileira Rosana Manzini, que também é professora de Teologia Moral da Faculdade de Teologia da PUC-SP e chefe de Departamento de Teologia Prática do Centro Universitário Salesiano (Unisal). Também participaram da audiência os demais membros da coordenação da REDLAPSI – Roxana Esqueff (Uruguai), Victor Chavez (México), Guillermo Sandoval (Chile), Eduardo Ramos (Honduras) – acompanhados do filósofo jesuíta, Padre Juan Carlos Scannone, que foi professor do então estudante Jorge Mario Bergoglio. A REDLAPSI tem como objetivo a difusão do pensamento social da Igreja, além de auxiliar os diversos centros de estudos da DSI espalhados no continente. Hoje, são aproximadamente 28 desses centros e pessoas engajadas unidas à Rede. Em entrevista exclusiva ao O SÃO PAULO, Rosana contou como foi a conversa com o Papa, que também manifestou sua preocupação com a difusão da Doutrina Social da Igreja (DSI) entre os católicos e seu papel no combate às injustiças da “cultura do descarte” vigentes no mundo. O encontro no Vaticano também foi marcado pelo bom humor do Papa, que não perdeu a oportunidade de brincar com a brasileira, ao recordar a clássica disputa entre Brasil e Argentina, perguntando-lhe: “Pelé ou Maradona?”. Confira a íntegra da entrevista.

O SÃO PAULO – O que a REDLAPSI apresentou ao Papa?

Rosana Manzini – Em primeiro lugar, renovamos nossa comunhão com o Papa e colocamos a Rede à disposição de seu pontificado. Além disso, manifestamos nossa preocupação com o enfraquecimento da formação de DSI dos cristãos católicos. Informamos, também, que a Rede é sensível ao drama que vivem os jovens na sociedade atual. Apresentamos, ainda, os principais objetivos da REDLAPSI na difusão do pensamento social da Igreja, que são: reconhecimento e promoção da dignidade dos

Nós apoiamos iniciativas, como, por exemplo, o Congresso Internacional de Doutrina Social da Igreja, realizado em outubro de 2014 pela PUC-SP e Unisal, em São Paulo.

Por que a DSI ainda é pouco conhecida pelos católicos?

Não se privilegia a DSI na formação principalmente dos leigos. Existem cursos esporádicos e não uma formação sistemática dessa doutrina. No fundo, isso é o resultado da afirmação que São João Paulo II fez sobre o “divórcio entre fé e vida”. Ainda há preconceito de que dimensão social não está incorporada na vida cristã. Se desde as primeiras formações catequéticas fosse introduzida a DSI, obviamente de acordo com cada etapa da Catequese, nós teríamos uma visão de prática cristã integral e não “departamentalizada” como vemos hoje em dia.

Você citou o congresso realizado no ano passado. O que mais tem sido feito para difusão da DSI em São Paulo?

trabalhadores; combate à pobreza, mediante o impulso e a prática da DSI; revisão da economia a partir da ótica do pensamento social da Igreja.

Como o Papa reagiu?

O Papa mostrou-se igualmente preocupado com todas as questões apresentadas. Incentivou os membros da Rede a tornarem concretos os valores da DSI na vida da sociedade, sobretudo em função da situação dos trabalhadores (adultos, imigrantes e jovens). Para dar exemplos, ele nos apresentou alguns dados sobre o desemprego juvenil em alguns países europeus. Francisco compartilhou sua grande preocupação com aqueles que vivem dentro de uma cultura do descarte que afeta, entre outros, muitos jovens e mesmo os mais idosos, que sofrem uma forma de “eutanásia silenciosa”, já que os serviços de saúde são limitados. Por outro lado, o Santo Padre também se referiu às formas de trabalho escravo em todo mundo, situação que afeta especialmente os imigrantes. O Pontífice falou da necessidade de manter os jovens ocupados e uma forma ou de outra. Para isso, é preciso que se organizem cursos de artes e ofícios e outras coisas interessantes, para evitar que caiam no ócio e em muitos outros perigos.

Quais foram as orientações dadas por Francisco?

O Papa nos pediu claramente para

que não descuidemos da principal finalidade da Rede, que é difundir o pensamento social da Igreja e promover sua prática. Nesse sentido, pediu especial atenção no cuidado com a dignificação do trabalhador contra a precarização do trabalho e contra toda forma de exploração laboral, buscar valorizar a prioridade da pessoa sobre as coisas, da ética sobre a técnica e do trabalho sobre o capital. Lembrou-nos que é necessário resgatar e aprofundar a dimensão humana e divina do trabalho. Francisco fez um apelo para que se dê atenção para a difícil condição juvenil de nossos países, que vivem um verdadeiro drama existencial, inadmissível em um continente repleto de jovens. O Santo Padre elogiou a iniciativa do trabalho em rede e incentivou-nos a estarmos cada vez mais interligados para a difusão da DSI. Ele reiterou, ainda, que nos empenhemos pela mudança das estruturas sociais que produzem toda forma de injustiça, e não somente para eliminar ou amenizar os efeitos que a ocasionam.

Concretamente, o que a REDLAPSI já tem feito nesse sentido?

A Rede propriamente não tem ações efetivas. A sua atuação é no sentido de articular os centros de estudo de DSI espalhados pela América Latina, animando e subsidiando as suas ações nas igrejas locais.

Com o incentivo de nosso arcebispo, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, criamos no ano passado o Núcleo de Estudos de Doutrina Social da Igreja na PUC-SP, que tem por objetivo o estudo e divulgação da DSI. Estamos oferecendo um curso livre no campus Ipiranga da PUC-SP nas manhãs de sábado. Também estamos preparando o lançamento de uma pós-graduação na área e organizaremos outros eventos que deem ênfase ao tema.

O que vocês esperam daqui para frente com a REDLAPSI?

Com o impulso do Papa Francisco, nós temos claro que a REDLAPSI é chamada a ser uma boa notícia para a Igreja e a sociedade do nosso continente. Cremos que a Rede pode ser um espaço de desenvolvimento da DSI na América Latina e no Caribe. Trabalhar em rede é uma novidade, mas estamos aprendendo e atuando em espírito de serviço e em trabalho conjunto. Sonhamos que a rede cumpra sua função eclesial e social de forma realista e prática e que a comunhão com a Igreja possa ser um distintivo dessa experiência interinstitucional de clara inspiração cristã católica. Cremos que devemos trabalhar com decisão, com os meios adequados, com uma real opção preferencial pelos mais pobres, a fim de que possamos anunciar aos nossos povos a alegria do Evangelho e daquilo que desponta como civilização do amor.


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25 a 31 de março de 2015 | www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

Um gesto concreto de uma Igreja samaritana Padre Cido Pereira osaopaulo@uol.com.br

Acontece todo ano, em toda Quaresma. O povo de Deus no Brasil, depois de mergulhar fundo na reflexão sobre o tema da Campanha da Fraternidade, testemunha seu amor ao próximo num gesto concreto, numa oferta financeira que representa um despojar-se de alguma coisa para colaborar com projetos que visem ajudar quem vive a dura realidade sobre a qual se pensou, se rezou, se deixou sensibilizar pelo Evangelho. A oração, o jejum e a caridade são os três meios que marcam a preparação para caminhada rumo ao Cristo Pascal. A oração nos aproxima de Deus. O jejum nos faz dominar nossa vontade para que a vontade de Deus prevaleça em nós. E a caridade nos aproxima do próximo. A soma desses três meios dá sentido à caminhada quaresmal. Quem se aproxima de Deus não vai sozinho, leva no coração os dois amores, base de uma vida que busca a santidade, o amor a Deus e ao próximo. Quem se exercita na penitência, no jejum, se esvazia interiormente para encher-se de amor a Deus e ao próximo. E quem se aproxima do próximo, consegue ver o rosto de Deus nele. Por essa razão, o gesto de colocar num envelope o resultado de nosso sacrifício quaresmal, a nossa oferta em dinheiro, o nosso gesto concreto de fraternidade é cheio de sentido. Significa que nossa reflexão deu frutos. Significa que queremos passar das palavras à ação. Pensemos nos projetos que o povo de Deus irá financiar. Esses projetos visibilizarão a presença da Igreja na sociedade, humanizandoa, tornando-a solidária, fraterna. Mais uma vez, a Igreja mostrará o que a “Gaudium et Spes” nos vem dizendo há 50 anos: que as alegrias e esperanças, as angústias e dores da humanidade, são alegrias, esperanças, angústias e dores da Igreja. O resultado do gesto concreto não é para ser retido nas comunidades, por mais justa que seja a intenção. Neste Domingo de Ramos, a comunidade se une a todas as demais num gesto maior de solidariedade. É a Igreja no Brasil que mostra querer continuar presente na sociedade com ações fraternas e humanizantes, querendo ser samaritana no atendimento aos caídos à beira do caminho.

No dia 27, crianças e adolescentes estarão em via sacra no centro de SP Redação

osaopaulo@uol.com.br

A Via-Sacra da Criança e do Adolescente de 2015 será realizada pela Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo, na sexta-feira, 27. A partir das 8h30, no Pátio do Colégio, na região central, será dada a bênção inicial e rezada a primeira estação. O Padre Luiz Claudio Braga será o animador da ca-

minhada, que contará com a presença de Dom Fernando Penteado, bispo emérito de Jacarezinho (PR), e de Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Episcopal Brasilândia e referencial para a Coordenação Pastoral da Caridade Justiça e Paz. A Via-Sacra refletirá o tema e o lema da Campanha da Fraternidade de 2015, respectivamente, “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e “Eu vim para servir” (Mc

10,45). Para tanto, haverá quatro Estações: “Os Crucificados da Sociedade”, “O Amor que Brota da Cruz”, “O Resgate da Vida” e “Eu Vim para Servir”. Durante a caminhada, serão realizados, de forma lúdica, através da voz das crianças, adolescentes e jovens, “encontros com Jesus”, dentre os quais o encontro com Zaqueu, com a mulher hemorrágica e com a Samaritana. (Com informações de Sueli Camargo) Divulgação


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A GRANDE SEMANA

Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

“A Páscoa não é simplesmente uma festa entre outras: é a ‘festa das festas’, ‘solenidade das solenidades’, como a Eucaristia é o sacramento dos sacramentos (o grande sacramento). Santo Ata-

násio a denomina ‘o grande domingo’, como a Semana Santa é chamada no Oriente ‘a grande semana’. O mistério da ressurreição, no qual Cristo esmagou a morte, penetra o nosso velho tempo com a sua poderosa energia, até que tudo lhe seja submetido” (Catecismo da Igreja Católica 1169).

Em todas as paróquias da Arquidiocese de São Paulo e de modo especial na Catedral da Sé, a Semana Santa e a Páscoa da Ressurreição do Senhor serão intensamente vivenciadas pelos fiéis, a partir do Domingo de Ramos, 29. O SÃO PAULO apresenta

a seguir a agenda de atividades previstas para a Catedral da Sé e as regiões episcopais, tendo em conta as celebrações que serão presididas pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, pelo Cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito, e pelos bispos auxiliares nas seis

regiões episcopais, além das encenações sobre a Paixão de Cristo. Na paróquia mais próxima de sua casa também haverá uma intensa semana de celebrações, confissões e orações. Informe-se na secretaria paroquial e participe.

enterro e a sepultura de Jesus e o Sermão das Sete Palavras.

Senhora da Expectação (largo da Matriz Nossa Senhora do Ó, s/nº, Freguesia do Ó).

CATEDRAL DA SÉ REGIÃO SANTANA Quarta-feira Santa (1°) 20h – Missa regional dos santos óleos, na Paróquia Sant´Ana (rua Voluntários da Pátria, 2.060, Santana). Sexta-feira Santa (3) 15h – Dom Sergio de Deus Borges presidirá a celebração da Paixão do Senhor, na Paróquia Sant´Ana. Na sequência, haverá um momento de oração e procissão com o Senhor morto. Sábado Santo (4) 20h – Dom Sergio presidirá a Vigília Pascal, na Paróquia São Luiz Gonzaga (rua Orminda, 173, Vila Santa Maria). REGIÃO SÉ Domingo de Ramos (29) 10h – Dom Eduardo Vieira presidirá celebração na Paróquia São Joaquim (avenida Lacerda Franco, 2, Cambuci). Quinta-feira Santa (2) 19h – Dom Carlos Lema Garcia presidirá a celebração da Ceia do Senhor – com rito do Lava-pés, na Paróquia Nossa Senhora Mãe da Igreja (alameda Franca, 889, Jardim Paulista). 20h – Dom Eduardo Vieira presidirá a celebração da Ceia do Senhor – com rito do Lava-pés, na Paróquia Nossa Senhora dos Remédios (rua Tenente de Azevedo, 182, Aclimação). Sexta-feira Santa (3) 10h – Dom Eduardo Vieira atenderá confissões na Paróquia Santa Cecília (largo Santa Cecília, s/nº, centro). 15h – Dom Eduardo Vieira presidirá a celebração da Paixão do Senhor, na Paróquia Santa Cecília, após a qual haverá procissão com o Senhor morto, às 18h. 17h – Encenação da Paixão de Cristo, na praça Nossa Senhora do Brasil, no Jardim Paulista. Antes, às 15h, haverá a celebração da Paixão do Senhor, na Paróquia. Sábado Santo (4) 19h – Cardeal Cláudio Hummes presidirá a Vigília Pascal na Paróquia Nossa Senhora do Brasil (praça Nossa Senhora do Brasil, s/nº, Jardim Paulista). 20h - Dom Eduardo Vieira presidirá a Vigília Pascal na Paróquia Divino Salvador (rua Casa do Ator, 450, Vila Olímpia). Domingo de Páscoa (5) 10h – Dom Eduardo presidirá a Páscoa da Ressurreição do Senhor, na Paróquia São Januário (rua da Mooca, 950, Mooca). 11h15 - Dom Carlos Lema Garcia presidirá a Páscoa da Ressurreição do Senhor, na Paróquia Nossa Senhora do Brasil (praça Nossa Senhora do Brasil, s/nº, Jardim Paulista).

Haverá celebrações e confissões todos os dias. Detalhes sobre a programação podem ser obtidos pelo telefone (11) 3107-6832. Domingo de Ramos (29) 10h45 – Bênção dos ramos na praça da Sé, seguida de missa na Catedral, presidida pelo Cardeal Scherer. Terça-feira Santa (31) 15h – Via-sacra da Fraternidade, seguida de missa às 17h. Quarta-feira Santa (1°) 15h – Momento com Maria meditando à Luz da Palavra de Deus e as suas sete dores; oração pelas dores e sofrimento da humanidade.

REGIÃO LAPA Domingo de Ramos (29) 19h – Dom Julio Endi Akamine presidirá celebração na Paróquia São Francisco de Assis (avenida General Mac Arthur, 1.130, Jaguaré). 19h - Dom Eduardo Vieira presidirá celebração na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora (rua Padres Valombrosanos, 126, Pirituba). Quarta-feira Santa (1°) 15h – Missa com os enfermos, na Paróquia São Francisco de Assis (avenida General Mac Arthur, 1.130, Jaguaré).

Quinta-feira Santa (2) 9h – Missa do Crisma, presidida pelo Cardeal Scherer e concelebrada pelos bispos auxiliares e padres, especialmente os que atuam na Região Sé. 19h – Celebração da Ceia do Senhor – com rito do Lava-pés, presidida pelo Cardeal Scherer. 21h – Adoração ao Santíssimo Sacramento. Sexta-feira Santa (3) 9h – Via-Sacra com o Povo da Rua. 15h – Celebração da Paixão do Senhor, presidida pelo Cardeal Scherer. 17h – Encenação da Paixão de Cristo, nas escadarias da Catedral. 18h – Procissão recordando o

Pascal na Comunidade Nossa Senhora Aparecida, da Paróquia Santa Luzia (rua Serra Dourada, 40, Vila Jaguari). Domingo de Páscoa (5) 7h – Procissão da Ressurreição, na Paróquia São Francisco de Assis (avenida General Mac Arthur, 1.130, Jaguaré), seguida de missa. 11h – Dom Julio presidirá a Páscoa da Ressurreição do Senhor, na Comunidade Voz dos Pobres (rua Guajaraúna, 157, Rio Pequeno), com a participação de moradores em situação de rua. REGIÃO IPIRANGA

20h – Missa regional dos santos óleos, na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes (rua Brentano, 437, Vila Hamburguesa).

Domingo de Ramos (29) 9h – Dom José Roberto presidirá a celebração na Paróquia São João Clímaco (largo São João Clímaco, 4, São João Clímaco).

Quinta-feira Santa (2) 20h – Dom Julio presidirá celebração da Ceia do Senhor – com rito do Lava-pés, na Paróquia São João Maria Vianney (praça Cornélia, s/nº, Água Branca).

Quarta-feira (1°) 20h – Missa regional dos santos óleos, na Paróquia-santuário São Judas Tadeu (avenida Jabaquara, 2.682, Jabaquara).

Sexta-feira Santa (3) 15h – Dom Julio presidirá a celebração da Paixão do Senhor, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima (rua Barão da Passagem, 971).

Quinta-feira Santa (2) 20h – Dom José Roberto presidirá celebração da Ceia do Senhor – com rito do Lava-pés, na Paróquia Imaculada Conceição (avenida Nazaré, 993, Ipiranga).

19h – Dom Julio conduzirá a procissão do Senhor morto, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima. 20h – Encenação da Paixão de Cristo, na praça próxima à Paróquia São Francisco de Assis (avenida General Mac Arthur, 1.130, Jaguaré). Sábado Santo (4) 20h – Dom Julio presidirá a Vigília

Sexta-feira Santa (3) 15h – Dom José Roberto presidirá a celebração da Paixão do Senhor, na Paróquia Santa Cristina (rua Benedito Tolosa, 252, Parque Bristol). Sábado Santo (4) 19h – Dom José Roberto presidirá a Vigília Pascal na Paróquia Santo Antônio (rua Álvaro Fragoso, 674, Vila Carioca).

Sábado Santo (4) 9h – Ofício da Sepultura do Senhor, seguido de recolhimento silencioso na Catedral. 11h – Concerto Musical “The Crucifixion” – Meditação sobre a Paixão do Divino Redentor (J. Stainer), com o coral “A Tempo”. 20h– Celebração daVigília Pascal, presidida pelo Cardeal Scherer

20h - Procissão do encontro entre a Paróquia Cristo Libertador, Área Pastoral Santo Antônio e Paróquia Nossa Senhora das Dores, com término na matriz da Nossa Senhora das Dores (avenida Elísio Teixeira Leite, 7.400, Taipas).

Domingo de Páscoa (5) Celebração da Páscoa da Ressurreição do Senhor, com missas às 9h, 11h e 17h. A missa das 11h será presidida pelo Cardeal Scherer.

Quinta-feira Santa (2) 20h – Dom Devair presidirá celebração da Ceia do Senhor – com rito do Lava-pés, na Paróquia São Luís Gonzaga.

REGIÃO BELÉM Quinta-feira Santa (2) 20h – Dom Edmar Peron presidirá celebração da Ceia do Senhor – com rito do Lava-pés, na Paróquia São José de Vila Zelina (praça República Lituana, 74, Vila Zelina). Sexta-feira Santa (3) 15h – Dom Carlos Lema Garcia presidirá a celebração da Paixão do Senhor, na Paróquia Santíssima Trindade (rua Padre Jósimo Moraes Tavares, 56, Jardim Alto Alegre). 15h – Dom Edmar Peron presidirá a celebração da Paixão do Senhor, na Paróquia São José de Vila Zelina (praça República Lituana, 74, Vila Zelina). 19h – Dom Edmar Peron conduzirá a procissão do Senhor morto, na Paróquia São José de Vila Zelina. Sábado Santo (4) 20h – Dom Edmar Peron presidirá a Vigília Pascal na Paróquia São José de Vila Zelina. Domingo de Páscoa (5) 6h - Dom Edmar Peron presidirá a Páscoa da Ressurreição do Senhor, na Paróquia São José de Vila Zelina. REGIÃO BRASILÃNDIA Domingo de Ramos (29) 11h – Dom Devair presidirá a celebração na Paróquia São Luís Gonzaga (praça Dom Pedro Fulco Morvidi, 1, Vila Pereira Barreto). Terça-feira Santa (30) 15h – Missa com unção dos enfermos e idosos, na Paróquia Nossa

Quarta-feira Santa (1°) 20h – Missa regional dos santos óleos, na Paróquia São Luís Gonzaga (praça Dom Pedro Fulco Morvidi, 1, Vila Pereira Barreto).

Sexta-feira Santa (3) 15h – Dom Devair presidirá a celebração da Paixão do Senhor, na Paróquia São Luís Gonzaga, seguida de procissão do Senhor morto. 19h – Encenação da Paixão de Cristo, no estacionamento do supermercado Atacadão de Taipas (avenida Raimundo Pereira de Magalhães, 11.980, Taipas). 19h – Encenação da Paixão de Cristo, na Paróquia Nossa Senhora das Graças (Rua Marcelino de Camargo, 152 - Vila Carolina). 19h30 - Encenação da Paixão de Cristo, na Paróquia Bom Jesus dos Passos (rua Professor João Machado, 856, Moinho Velho). Sábado Santo (4) 20h – Dom Devair presidirá a Vigília Pascal na Paróquia São Luís Gonzaga (praça Dom Pedro Fulco Morvidi, 1, Vila Pereira Barreto). 20h – Dom Carlos Lema Garcia presidirá a Vigília Pascal na Paróquia Nossa Senhora do Carmo (avenida Elísio Teixeira Leite, 1.317, na Vila Brasilândia). Domingo de Páscoa (5) 6h - Dom Devair presidirá a Páscoa da Ressurreição do Senhor, na Praça do Cruzeiro (praça Itálico Ancona Lopez, 33, Vila Albertina). 6h – Procissão do Ressuscitado e missa da Páscoa da Ressurreição do Senhor, na Paróquia Bom Jesus dos Passos (rua Professor João Machado, 856, Moinho Velho). 11h - Dom Devair presidirá a Páscoa da Ressurreição do Senhor, na Paróquia São Luís Gonzaga (praça Dom Pedro Fulco Morvidi, 1, Vila Pereira Barreto).


14 | Reportagem |

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Burocracia pode gerar trabalho escravo Luciney Martins/O SÃO PAULO

Um ônibus por dia desembarca na Barra Funda e, do Haiti ao Glicério, continua o desafio da acolhida de imigrantes em São Paulo Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Ao chegar à “Missão Paz”, no Glicério, centro da Capital paulista, automaticamente eu, você ou qualquer visitante passa a ser fonte de informação para as dezenas de haitianos e outros imigrantes que circulam por ali. A maioria em busca de orientações sobre como conseguir a carteira de trabalho. Na instituição que mantém a ‘Casa do Migrante’ e os eixos trabalho, educação e cultura, além de um Centro de Estudos Migratórios (CEM) e outros serviços, o clima na segunda-feira, 23, era de correria, ansiedade e esperança. O Ministério do Trabalho publicou recentemente uma Portaria, na qual autoriza a Prefeitura de São Paulo, “em caráter excepcional e pelo prazo de 120 dias, podendo ser prorrogado uma única vez, por igual período, a emitir Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) para estrangeiros com nacionalidade haitiana ou senegalesa amparados pelo pedido de refúgio”. A Portaria nº 275, emitida no dia 12 de março, é uma conquista, mas, ao mesmo tempo, motivo de tristeza, na avaliação de Padre Paolo Parise, coordenador do CEM.

Imigrantes recém-chegados à cidade de São Paulo, especialmente haitianos, buscam auxílio na ‘Missão e Paz’

“É um avanço e um retrocesso, porque há outros imigrantes que nos procuram e que não conseguirão o benefício, pois não foram contemplados pela Portaria”, lamentou. A emissão da carteira de trabalho para estrangeiros era realizada somente nas sedes das Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego e com uma demora mínima de 45 dias. Agora, haitianos e senegaleses poderão receber a carteira no mesmo dia. “Isso evita muitos problemas, sobretudo, o do trabalho escravo. Já soubemos de carros que param nas proximidades da Missão e fazem convites com promessas que, na maioria das vezes, não serão cumpridas”, acrescentou Padre Paolo. Diferentemente do que está sendo divulgado, o Padre ressaltou que as cheias no Acre agravaram, mas não são a causa principal de um novo fluxo intenso

de imigrantes haitianos em São Paulo. “Eles continuaram vindo, em grande número. Hoje, temos a chegada de um ônibus por dia em São Paulo e é importante frisar, que, embora os governos do Acre e de São Paulo não tenham uma conversa franca sobre propostas conjuntas, o Governo do Acre tem feito o possível para ajudar e a cobrança deve ser feita também ao Governo Federal.”

Uma longa viagem

Após cerca de um mês de viagem, saindo do Haiti, passando pelo Equador e entrando pelo Acre, Sony Lucen, 36, e Mena Rd, 27, desembarcaram na estação rodoviária da Barra Funda e, junto com outros compatriotas procuraram, imediatamente, a “Missão Paz”, referência na chegada à capital paulista. Com olhos assustados, Mena repetiu diversas vezes: “Muito trabalho para chegar até aqui”.

O gasto pago em passagens, visto e aos chamados atravessadores, fica em torno de 4 a 5 mil dólares por pessoa. “Isso acontece porque o Governo Brasileiro concede visto humanitário para apenas 20% dos haitianos, como uma maneira de cercear a vinda deles. Isso faz com que optem por vias ilegais e é um erro, pois o dinheiro empregado na viagem poderia ser utilizado na chegada ao País para evitar que fiquem tão vulneráveis, além de movimentar a economia local”, explicou Padre Paolo. Ao serem questionados sobre o que se ouve dizer a respeito do Brasil, os haitianos afirmaram serem as oportunidades de trabalho o principal motivo da migração. O objetivo é o de ajudar a família que ficou no País que, desde o terremoto em 2010, continua em escombros. Dispostos a encarar qualquer trabalho, grande parte dos imigrantes têm

Caminhos abertos e novas perspectivas Notícias boas de integração dos imigrantes também fazem parte do cotidiano na “Missão Paz”. Um casal que pediu para se casar na Igreja Nossa Senhora da Paz, que fica ao lado da Missão, ou uma jovem que passou em primeiro lugar para Medicina, ganhou uma bolsa integral e auxílio para estudar em Foz do Iguaçú (PR). Ou ainda os imigrantes que ligam para agradecer pelo trabalho conseguido que os possibilitaram alugar uma casa e ajudar a família. A presença dos voluntários também é essencial. Alunos e professores da Universidade de São Paulo têm dado aulas de por-

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Imigrantes aprendem português com professores voluntários da USP

tuguês todos os dias para grupos interculturais, além disso, a Missão conta atualmente com o apoio da Sietar Brasil, associação que tem como finalidade a elimina-

ção de todo tipo de preconceito e propõe a partilha de experiências interculturais para profissionais da área, além de outros cursos profissionalizantes e palestras.

formação acadêmica e profissional, abandonada ou ignorada por falta de oportunidades em suas respectivas áreas. Monica Quenca, assistente social na “Missão Paz” tem feito o acompanhamento das imigrantes grávidas que procuram a Instituição. “Devido a situações extremas, como uma em que a mãe deixava a criança com pouco mais de um ano sozinha em casa, pois precisava trabalhar para sobreviver, conseguimos que essas mães tivessem prioridade na lista de vagas nas creches. Além disso, orientamos para exames como o pré-natal, incomuns em seus países de origem. Temos recebido doações de fraldas descartáveis e leite em pó, que ainda são insuficientes.”

Imigração e as muitas faces da mídia

Um dos serviços que foram beneficiados com as notícias publicadas na mídia no ano passado foi o “Eixo Trabalho”, que contata empresas interessadas em empregar os imigrantes. “Houve um grande aumento das empresas e isso foi extremamente positivo”, disse Padre Paolo. Por outro lado, são comuns reportagens que tratam a imigração como invasão e enfatizam a ideia de que “eles vêm para roubar nosso trabalho”, completou. Importante lembrar que, em números, os imigrantes não chegam a 1% da população brasileira. As empresas vão ao CEM buscar os trabalhadores e, para isso, é essencial que tenham a carteira de trabalho. Além da mediação entre os trabalhadores e empresas, a “Missão Paz” tenta acompanhá-los na pós-contratação.

Como ajudar? Juntamente com os Missionários Scalabrinianos, que mantém a “Missão Paz” e a “Casa do Migrante”, destacando-se a dedicação do Padre Paolo Parise, a Paróquia Nossa Senhora da Luz, na zona norte da capital abriu as portas para acolher os imigrantes. No mais, a “Missão Paz” têm recebido doações pontuais de pessoas físicas, paróquias e outras instituições religiosas. A Prefeitura de São Paulo fornece 150 refeições diárias e a Secretaria de Direitos Humanos, na pessoa do Secretário Eduardo Suplicy, tem mantido uma relação de acessível cooperação.

As doações para a “Missão Paz” podem ser entregues na rua do Glicério, 225, na Liberdade. No momento, as principais necessidades são de material de limpeza, material de escritório, como resmas de sulfite A4 e alimentos perecíveis como carne e legumes. Informações: contato@missaonspaz.org ou pelo telefone (11) 3340-6952. Para doações monetárias, os dados são: Banco Bradesco Agência 0515 C/C 037060-6 Mitra Arquidiocesana de São Paulo CNPJ: 63.089.825/0232-76 Para fazer parte do grupo de voluntários, é preciso encaminhar um e-mail com as motivações, currículo e disponibilidade para voluntariado@missaonspaz.org.


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16 | Fé e Cultura |

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Filipe David

‘OSESP MASP’ “Osesp Masp” é uma série de nove programas, realizados ao longo de todo o ano de 2015 no grande auditório do MASP, onde as instituições criarão conexões entre composições clássicas consagradas e obras de arte do Acervo do MASP. No repertório da Osesp, músicas de câmara e coral servem de inspiração para a escolha de pinturas do Acervo do MASP, e vice-versa. O objetivo do projeto é estabelecer diálogos entre as duas formas artísticas, relacionando similaridades estéticas e históricas entre ambas.

O espírito romântico

A liberdade, a individualidade, o gosto pelo risco: o romantismo sintetiza essas características em alguns processos artísticos. Os dois concertos que abrem a série são, cada um a seu modo, expressão do espírito romântico; nesse caso, as forças criativas da subjetividade individual tomam o centro do palco. Quando: 31 de março, às 19h30 Endereço: Av. Paulista 1.578, 1º subsolo Vendas na bilheteria do MASP e por internet (ingresse.com). Para mais informações: (11) 32515644.

As Sete Últimas Palavras de Cristo O Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, que em 2015 comemora 80 anos, apresenta a Série Haydn e Mozart, com os quartetos destes dois mestres da música ocidental. Na quinta-feira, 2, o Quarteto apresentará a obra “As Sete Últimas Palavras de

Para assinar O SÃO PAULO: Escolha uma das opções e a forma de pagamento. Envie esse cupom para: FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA, Avenida Higienópolis, 890 São Paulo - SP - CEP 01238-000 - Tel: (011) 3666-9660/3660-3724

Cristo”, de Joseph Haydn. Local: Sala do Conservatório (praça das Artes) Quando: 2 de abril, às 20h Ingressos à venda por internet em compreingressos.com ou pelo telefone (11) 2626-0857.

ASSINATURA SEMESTRAL: R$ 45 ANUAL: R$ 78 FORMA DE PAGAMENTO CHEQUE (Nominal à FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA) DEPÓSITO BANCÁRIO Bradesco ag 3394 c/c44159-7 COBRANÇA BANCÁRIA

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Dica de leitura

Música e Arte

osaopaulo@uol.com.br

Sementes de uma nova geração A dor, o desespero e os momentos mais duros da vida existem e ocorrem de tempos em tempos para todos nós. O modo como os enfrentamos é o grande diferencial. No livro “Sementes de uma Nova Geração”, lançamento da parceria entre a Editora Planeta e a Canção Nova, o missionário Francisco José dos Santos, ou simplesmente Dunga, como é conhecido, mostra que são nessas situações que compreendemos quem somos e como estamos. O autor é um dos que mais vende produtos, entre livros, CDs e DVDs, pelos canais da Canção Nova e, apesar de diversos convites, nunca lançou títulos por outras editoras por entender que a sua missão era com essa principal rede de comunicação católica. Atuando como missionário desde 1991, é o representante da evangelização jovem na Canção Nova há 17 anos com o movimento PHN (Por Hoje Não Vou Mais Pecar) e utiliza-se da descontração e dinamismo com que encanta milhares de jovens também no programa televisivo PHN, promovendo uma reflexão sobre a vida cristã e sua transformação por testemunhos de pessoas que assumiram a missão do “Por Hoje Não Vou mais Pecar”. “Este livro é fruto de uma vivência intensa com jovens que estão renascendo ou ressurgindo dos escombros do pecado”, afirma o autor. Dunga não se esquece também da figura dos pais na responsabilidade de assumir e compartilhar o tempo e a sabedoria para o que acontece no dia a dia de seus filhos. O objetivo é um só: declarar guerra constante aos comportamentos que atraem os jovens às drogas e à prostituição. Dunga também usa suas experiências pessoais como forma de mensagem, relembrando algumas

Reprodução

passagens de sua vida: do medo à dependência das drogas e da libertação do cigarro às noites na prostituição. Mas Deus não o abandonou, acompanhando-o sem se espantar com as misérias e os erros. “Após um período de sofrimento, Deus, no Seu amor, ressuscita o que em nós estava morrendo, e foi assim comigo”, relembra. Sementes de uma Nova Geração traz verdadeiros ensinamentos de como ser um bom cristão por meio de alguém que vivenciou o lado ruim da vida, conseguiu superar os obstáculos e tornou-se um missionário católico. O lançamento dessa parceria entre a Editora Planeta e a Canção Nova é uma extensão do trabalho já desenvolvido por Dunga em encontros, missões e em programas de TV. Ficha Técnica Autor: Francisco José dos Santos (Dunga) Páginas: 144 Editora: Canção Nova/ Planeta

EXTERNATO POPULAR SÃO VICENTE DE PAULO

Rua Voluntários da Pátria, 1653 – Santana – CEP: 02011-300 – São Paulo - CNPJ – 62.837.059/0001-96 EDITAL DE CONVOCAÇÃO ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA Em cumprimento ao disposto nos artigos 22, 23, 25, 26, 34 e 36, alínea “b”, todos do Estatuto Social do Externato Popular São Vicente de Paulo, registrado sob nº 555.920, na data de 06.01.2009, com alteração estatutária posterior registrada sob nº 587.303, na data de 30.05.2011, e última ata registrada sob nº 604.362, na data de 27.08.2012, todas junto ao Quarto Serviço Registral de Títulos e Documentos da Comarca da Capital de São Paulo, na condição de Diretor Presidente em exercício, promovo o presente edital de convocação dos associados, diretores e demais membros, para a Assembléia Geral Extraordinária, nos termos infra-descritos, afixando-se este no átrio da sede da Associação e publicando-se na imprensa:

“O EXTERNATO POPULAR SÃO VICENTE DE PAULO, SITO À RUA VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA Nº 1.653, BAIRRO DE SANTANA, SÃO PAULO, SP, CONVOCA SEUS ASSOCIADOS, DIRETORES E DEMAIS MEMBROS PARA A ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA A REALIZAR-SE EM SUA SEDE, NO DIA 13 DE ABRIL DE 2015, ÀS 09:00 HORAS, EM PRIMEIRA CHAMADA PODENDO SER INSTAURADA COM A PRESENÇA DE PELO MENOS 2/3 (DOIS TERÇOS) DOS ASSOCIADOS; E NA MESMA DATA, ÀS 09:30 HORAS, EM SEGUNDA CHAMADA, PODENDO SER INSTAURADA COM A PRESENÇA DE QUALQUER NÚMERO DE ASSOCIADOS. A ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA TERÁ COMO PAUTA: 1) DESLIGAMENTO DE ASSOCIADO, NOS

TERMOS DO ARTIGO 17, ‘CAPUT’, DO ESTATUTO VIGENTE, RESPEITADA A ALTERAÇÃO PROMOVIDA PELA ATA REGISTRADA SOB Nº 587.303, NA DATA DE 30.05.2011; 2) ADMISSÃO DE ASSOCIADO POR PROPOSTA DA DIRETORIA, NOS TERMOS DOS ARTIGOS 13 E 31 - ALÍNEA ‘B’, AMBOS DO ESTATUTO VIGENTE, RESPEITADA A ALTERAÇÃO PROMOVIDA PELA ATA REGISTRADA SOB Nº 587.303, NA DATA DE 30.05.2011; 3) ELEIÇÃO E POSSE DE MEMBROS DA DIRETORIA, NOS TERMOS DO ARTIGO 31 - ALÍNEA ‘C’, E PARÁGRAFO SEGUNDO, E DO ARTIGO 33, DO ESTATUTO VIGENTE, RESPEITADA A ALTERAÇÃO PROMOVIDA PELA ATA REGISTRADA SOB Nº 587.303, NA DATA DE 30.05.2011; 4) ELEIÇÃO E POSSE DE MEMBROS DO CONSELHO FISCAL, NOS TERMOS DO

ARTIGO 38-A, E PARÁGRAFO PRIMEIRO, DO ESTATUTO VIGENTE; 5) CONSOLIDAÇÃO DO ESTATUTO, CONSOANTE A ALTERAÇÃO PROMOVIDA PELA ATA REGISTRADA SOB Nº 587.303, NA DATA DE 30.05.2011, NOS TERMOS DO ARTIGO 31, ALÍNEA “D” E DO ARTIGO 49 DO ESTATUTO VIGENTE; 6) PROPOSTA DE NOVA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DO COLÉGIO LUIZA DE MARILAC, ENQUANTO FILIAL DO EXTERNATO POPULAR SÃO VICENTE DE PAULO; 7) OUTROS ASSUNTOS DE INTERESSE ADMINISTRATIVO.” São Paulo, 17 de março de 2015. Pe. Sr. João Julio Farias Junior Diretor Presidente


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MP 671: refinanciamento, gestão responsável ou interferência nos clubes? medida provisÓria lançada pelo Governo Federal permite QUe times parcelem dívidas com a União em até 20 anos, mas contrapartidas dividem opiniões

1º 3º

Atlético Mineiro R$ 282,6 milhões

Botafogo R$ 219,9 milhões

daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

As dívidas dos clubes brasileiros em impostos federais, FGTS e contribuições previdenciárias cresceram significativamente nos últimos anos. Ao final de 2014, por exemplo, os times de maior torcida do País deviam mais de R$ 1,5 bilhão à União (veja quadro ao lado). Por conta disso, têm sido pensadas alternativas para o refinanciamento das dívidas. Na quinta-feira, 19, o Governo Federal anunciou a criação do Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro, por meio da Medida Provisória 671. O texto da MP levou em conta apontamentos de dirigentes dos times, integrantes do movimento Bom Senso F.C., jornalistas, atletas, árbitros e técnicos de futebol. Os procedimentos de adesão ainda serão detalhados e pode haver mudanças, já que a MP também será apreciada pelo Congresso Nacional. Pela atual redação, os clubes que aderirem ao Programa terão um período de 36 meses de adaptação, no qual farão pagamentos à União, comprometendo de 2% a 6% de suas receitas brutas, e o restante da dívida poderá ser parcelado entre 120 a 240 meses. No entanto, eles terão obrigações a cumprir, entre as quais, pagar em dia tributos e a remuneração dos atletas, investir nas categorias de base e no futebol feminino e não gastar mais que 70% das receitas com o futebol profissional (veja detalhes abaixo). “Estamos propondo um programa que permite ao clube superar dificuldades financeiras e adotar boas práticas de gestão, inspiradas nos melhores exemplos do futebol internacional. Em troca, queremos a contrapartida que é para melhoria: o cumprimento de regras de governança e transparência, responsabilidade fiscal” afirmou a presidente Dilma Rousseff, na apresentação da MP.

Gestão responsável

Para Anderson Gurgel, professor universitário e autor do livro “Futebol S/A – A Economia em Campo”, a MP 671 é uma alternativa para equilibrar as finanças dos clubes, sem um “calote” à União, e ainda uma oportunidade de aprimoramento de gestão, tendo em vista que os clubes que

Dida, que representou o Bom Senso F.C. no lançamento da Medida.

Dívidas dos clubes com a União*

5º 7º 9º 11º

Fluminense R$ 172,8 milhões

Internacional R$ 129,9 milhões

Santos R$ 66 milhões

Cruzeiro R$ 19,7 milhões

Inconstitucional?

Flamengo R$ 241,3 milhões

Corinthians R$ 186,5 milhões

Vasco da Gama R$ 147,7 milhões

Palmeiras R$ 73,3 milhões

10º

Grêmio R$ 40,9 milhões

12º

São Paulo R$ 7,8 milhões

Fonte: Procuradoria Geral da Fazenda, dezembro de 2014

descumprirem as normas serão, gradualmente, advertidos, proibidos de fazer contratações, rebaixados de divisão ou eliminados nas edições seguintes das competições. “Os clubes, efetivamente, deverão ter uma gestão responsável, profissionalizada, porque essa ajuda vem com uma contrapartida, que até redunda em punições. Os clubes vão ter facilidades que outras pessoas não têm quando estão endividadas, mas a contrapartida é se acontecer de novo, os gestores serão punidos, há até risco de o time ser rebaixado. O rigor dessa medida, se virar lei, é inédito dentro do cenário brasileiro”, analisou ao O SÃO PAULO. “Começa-se a criar uma lógica que não existe hoje, pois o comum é os clubes, por

exemplo, contratarem jogadores acima do valor que têm condições de pagar”, complementou Anderson. Na avaliação do presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, “foi encontrada uma solução que atende a urgência dos clubes. Na adoção de medidas de responsabilidade fiscal, social e orçamentária e também no parcelamento das dívidas fiscais”, disse durante o lançamento da MP. “A exigência de contrapartidas claras de transparência e de governança será para dar fim aos desmandos e às más gestões. Com essas medidas, podemos iniciar um círculo virtuoso. Reconhecemos também a postura do Parlamento e esperamos a aprovação da Medida”, disse o goleiro

Principais contrapartidas que o Governo exigirá dos clubes Publicar demonstrações contábeis padronizadas e auditadas; Pagar em dia as obrigações tributárias, previdenciárias, trabalhistas e contratuais, inclusive direitos de imagem, dos atletas e funcionários; Gastar, no máximo, 70% da receita bruta com a folha de pagamento do futebol profissional;

Manter investimento mínimo e permanente nas categorias de base e no futebol feminino; Não antecipar ou comprometer receitas referentes aos próximos mandatos, salvo em casos específicos; Ter cronograma de redução progressiva dos déficits, que deverá ser zerado a partir de 2021; Respeitar as regras de transparência previstas na Lei Pelé

A MP 671 não agradou a todos, especialmente por duas exigências a quem aderir ao Programa: a de somente disputar competições organizadas por entidades que sigam as regras da Medida (como a limitação dos mandatos dos dirigentes a quatro anos, com uma reeleição, algo que não está previsto hoje na CBF), e a limitação de investimento de 70% das receitas dos clubes no futebol profissional. Em entrevista ao Site Globoesporte. com, o deputado federal Andrés Sanchez (PT-SP), atual superintendente de futebol do Corinthians, avaliou que os clubes devem ter liberdade para gastar as receitas, e classificou como inconstitucional uma eventual limitação de mandatos dos dirigentes de clubes e federações. Ao Portal UOL, Delfim Peixoto, vicepresidente eleito da CBF, criticou possíveis medidas que obriguem a Confederação a mudar seus estatutos. “É uma intervenção. Não pode. [O clube] Pediu o parcelamento, tem de pagar, só isso. Mas não é por causa disso que tem de se submeter a vontades do governo, ou de qualquer poder”, enfatizou. Na sexta-feira, 20, Joseph Blatter, presidente da Fifa, sem citar explicitamente a MP 671, atacou a Medida. “Temos estatutos claros e falamos em autonomia, principalmente nas organizações dos campeonatos. A resolução da ONU é clara ao pedir que políticos não interfiram no esporte”.

aGenda esportiva QUARTA-FEIRA (25) 22h – Paulistão de Futebol Palmeiras x São Paulo (Allianz Parque) QUINTA-FEIRA (26) 19h30 – Paulistão de Futebol Corinthians x Penapolense (Arena Corinthians) SEXTA-FEIRA (27) 19h – Liga Nacional de Basquete Pinheiros x Bauru (Ginásio do Pinheiros – rua Hans Nobling, s/nº, no Jardim Europa). SÁBADO (28) 16h – Superliga feminina de vôlei – quartas de final SESI-SP x Brasília (Ginásio do Sesi – rua Carlos Weber, 835, na Vila Leopoldina) *Caso o SESI-SP vença a partida em Brasília no dia 25, não haverá este jogo.

DOMINGO (29) 16h – Paulistão de Futebol São Paulo x Linense (Morumbi) TERÇA-FEIRA (31) 20h30 – Superliga masculina de vôlei – semifinal SESI-SP x Taubaté (Ginásio do Sesi)


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Brasilândia

Juçara Terezinha Zottis e Ana Lúcia Contarelli Colaboração especial para a Região

Igreja e sociedade na conjunta brasileira e nos problemas do cotidiano Maria Lopes Peixoto

Cônego Manzatto dialoga com leigos sobre conjuntura política do País

Motivados pelo tema da CF 2015 “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, paróquias, pastorais e grupos de base têm realizado na Região Brasilândia debates, reflexões e plenárias populares sobre a atual conjuntura brasileira e os problemas que afetam

o cotidiano das comunidades. Nesse contexto, a Pastoral Fé e Política da Paróquia Santa Cruz de Itaberaba promoveu, na terça-feira, 17, uma noite de reflexão sobre a conjuntura política brasileira. Mais de cem pessoas participaram da ativi-

dade, assessorada pelo Cônego Antonio Manzatto. “Nossa missão é contribuir para acabar com as injustiças, com os desmandos, com a corrupção e suscitar no povo o sonho de continuar a nossa caminhada do Reino de Deus”, afirmou Maria Lopes, da coordenação organizadora do evento. No sábado, 21 a equipe regional de Fé Política, em sua reunião mensal, na Paróquia Santos Apóstolos, realizou um momento de análise da conjuntura nacional e local, e decidiu participar do ato unificado de 7 de abril em defesa do SUS de qualidade, que começará

em frente à Secretaria Estadual de Saúde (rua Dr. Enéas Carvalho de Aguiar, 188, próximo ao Hospital das Clínicas) e seguirá até o centro de São Paulo. Também se decidiu que a equipe estará nas diferentes plenárias populares que têm acontecido nos bairros da região noroeste, colaborará com o projeto do fórum mundial que acontecerá em julho, em São Paulo, e participará de maneira efetiva da semana de coleta de assinaturas pelo projeto de lei de iniciativa popular por eleições limpas e democráticas. O projeto de formação política apontado na reunião de fevereiro e assumido pelo

Conselho Regional de Pastoral, recebeu atenção especial da equipe, que reafirmou o compromisso de realizar entre 14 e 16 de maio, debates e reflexões sobre a democratização da comunicação, a crise econômica e a perda dos direitos dos trabalhadores, aumentos de tarifas e impostos, reforma política democrática e eleições limpas. A meta dos debates é proporcionar que as lideranças entendam a conjuntura social e eclesial do Brasil e do mundo. Na primeira semana de abril, as paróquias receberão o material de divulgação com os assessores confirmados e os locais da atividade.

Em Perus, fiéis pedem a intercessão de São José diante de mazelas sociais Após 13 dias, a Paróquia São José, no Setor Perus, encerrou no domingo, 22, a festa em honra ao padroeiro, que teve como tema “Com São José, queremos servir”. Padre Cilto José Rosembach, pároco, na quinta-feira, 19, dia do padroeiro, destacou que a festa contribuiu com a espiritualidade das lideranças, reforçou o agir pastoral e estimulou os fiéis na preparação para a Semana Santa.

Além das pessoas que frequentaram as celebrações, muitas outras puderam acompanhar as missas por meio da Webtv Saojose, que registrou média de 120 acessos. As realidades sociais das comunidades que compõem a Paróquia São José de Perus foram colocadas em prece ao padroeiro: trata-se de uma localidade distante do centro da cidade e que registra frequentes problemas nos serviços

públicos de saúde, transporte, saneamento básico, além de altos índices de violência e desemprego. “Mesmo diante de um cenário difícil, cheio de incertezas, estamos vivendo um momento de graça”, comentou Padre Cilto, ao dirigir os agradecimentos a todos que participaram da festa do padroeiro. O Sacerdote também agradeceu pela presença de Dom Angélico Sândalo Ber-

Pascom Paróquia São José

Devotos de São José durante missa em honra ao padroeiro, em Perus

nardino, bispo emérito de Blumenau (SC), que presidiu a missa do dia 20, e fez ainda

menção à bênção das chuvas, obtidas pela intercessão do santo nas últimas semanas.

ECAT: preparação permanente para bem educar na fé Juçara Terezinha Zottis

Catequistas participaram de formação do ECAT, no sábado, 21

AGENDA REGIONAL Quarta-feira (25), 19h30

Reunião da Escola de Formação RCC, na Comunidade Santo Antônio de Taipas (Estrada de Taipas, 149, no Jardim Rincão).

Sábado (28), 9h

Reunião do Conselho Regional de Pastoral, na Paróquia Santos Apóstolos (avenida Itaberaba, 3.907, no Jardim Maracanã).

Com a participação de 80 catequistas, a Escola de Catequese da Região Brasilândia (ECAT) realizou, nos dias 7 e 14, uma formação sobre o processo de iniciação à vida cristã, com o tema “Quem é Jesus, o caminho”, que propõe que o processo catequético de formação adotado pela Igreja seja assumido em todo o continente como maneira ordinária e indispensável de introdução

na vida cristã e como catequese básica e fundamental. O ECAT preparou para este ano nove encontros de formação, um a cada mês. No sábado, 21, teve inicio a formação da dimensão bíblica, Antigo Testamento, com assessoria do professor Antonio Claro Leite. O projeto contempla o estudo da Catequese de inspiração catecumenal, a pedagogia de trabalho, as dimensões sacramental, litúrgica e mística. Também faz parte do plano de trabalho, a assembleia de Catequese do Regional Sul 1 da CNBB, em julho, e o encontro arquidiocesano dos catequistas, em agosto. “Hoje os catequistas precisam estar bem preparados para atender às demandas das crianças e adolescentes. Uma realidade desafiadora para os que se propõem fazer o trabalho de educação na fé destas crianças”,

afirmou Leda Maria, uma das coordenadoras do ECAT. O próximo encontro de formação do ECAT acontecerá em 11 de abril, às 15h, no espa-

ço Creche Azul (avenida Deputado Cantídio Sampaio, 6.481, Parada de Taipas). Saiba mais detalhes em (11) 3976-6516, com Leda Maria.

Ana Lúcia Contarelli

RENOVAR DA FÉ – No dia 14, 130 pessoas participaram do retiro anual do Apostolado da Oração atuante na Região Brasilândia, com o tema da misericórdia de Deus. A orientação do retiro foi do Padre Valdiran Ferreira dos Santos, pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, da Vila Sousa. Atualmente, o Apostolado da Oração está organizado em 35 paróquias e áreas pastorais da Região, com a missão de estar a serviço da comunidade local. Dentre as atividades, realiza visita às famílias, participa da liturgia e auxilia as pastorais.


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BeniGno naveira

colaBorador de comunicaÇão da reGião

Lapa

São José: modelo a ser imitado pelos pais

No Jaguaré, homenagens a São José: homem de oração, aberto à vontade de Deus

Os fiéis da Paróquia São José Operário, no Setor Rio Pequeno, comemoraram o dia de São José, com missa realizada na quinta-feira, 19, presidida pelo Padre Raimundo Ribeiro Martins, pároco. Às mais de 150 pessoas participantes da missa, o Padre recordou que São José é o esposo da bem-aventurada Virgem Maria, Patrono da Igreja Universal, e um testemunho vivo do que a fé realiza no coração e na prática existencial de quem crê. Padre Raimundo, na homilia, refletiu que São José é modelo a ser imitado pelos pais cristãos, homem que se guiou pela fé, cultivou as tradições da religião e as transmitiu ao filho, dedicando atenção e carinho à família, cuidando da educação do filho, consciente de que Jesus não lhe pertencia, mas devia ser amparado e orientado para corresponder ao projeto que Deus. Durante a missa, o Padre lembrou ainda que naquela celebração se recordava os 65 anos de Fundação da Sociedade Joselitos de Cristo, fundada em 19 de março de 1950, em Boquim (SE), pelo salesiano Padre José Gumercindo, o qual, guiando-se pelas palavras do Salmo 10,14 “A ti confiar-se o Padre, tu serás um socorro para o órfão”, dedicou a própria vida ao serviço dos pobres. O Joselito de Cristo é aquele que abraça o ser eleito ou escolhido por Cristo para seu seguimento, procurando cultivar a humildade e a simplicidade de São José, para assim tornarse fiel servidor dos pequenos, conforme inspiração e testemunho do fundador.

A Paróquia São José do Jaguaré, no Setor Butantã, festejou na quinta-feira, 19, o dia do padroeiro, com a participação de mais de 200 fiéis. A missa foi presidida pelo Padre Roberto Grandmaison, pároco, que no início da celebração recordou que no mês de fevereiro aconteceu a comemoração dos 70 anos da Paróquia, que está sob a responsabilidade da Congregação de Santa Cruz. Na homilia, Padre Roberto lembrou que São José foi esposo e companheiro de Maria, caminharam juntos, trabalharam juntos, se preocuparam juntos. O Padre frisou, ainda, que São José conviveu com os altos e baixos, com alegria e tristeza, às vezes com muitas preocupações. “Nós temos em São José um exemplo, um modelo, um homem que não gritava, ficava em silêncio, e seu silêncio falava muito alto”. O Padre refletiu, ainda, que São José foi presente na vida de Maria e

Benigno Naveira

Junto ao Padre Roberto, fiéis lotam a Paróquia São José na missa em louvor ao padroeiro

de Jesus, e se destacou pelo trabalho como carpinteiro. “São José é um homem de oração, um homem aberto a vontade de Deus”, apontou o Sacerdote. São José é um dos Santos mais po-

pulares da Igreja Católica, tendo sido proclamado “Protetor da Igreja Católica Romana”; por seu ofício, “Padroeiro dos Trabalhadores” e, pela fidelidade a sua esposa, como “Padroeiro das famílias”.

Mutirão de confissões reforça a vivência da Quaresna Na noite de sexta-feira, 20, na Paróquia São Mateus, no Setor Rio Pequeno, a reportagem da Pastoral da Comunicação regional acompanhou o mutirão de confissões da Quaresma, no qual os fiéis puderam se confessar com os padres atuantes no Setor: Padre José Oliveira dos Santos, pároco da São Mateus; Padre João Carlos Borges, pároco da São Patrício; Padre Raimundo Ribeiro Martins, pároco da São José Operário; e Padre Marcos Roberto Pires, pároco da Santíssima Trindade. Bruna Caraman Naveira, paroquiana da Santíssima Trindade, destacou que graças ao mutirão as pessoas que não têm muito tempo puderam se confessar. O mutirão faz parte do programa da Quaresma da Igreja Católica. Esse compromisso lembra à comunidade

Benigno Naveira

Mutirão de confissões é realizado na sexta-feira, 20, na Paróquia São Mateus

que a Quaresma é tempo de conversão “Convertei-vos e crede no Evangelho”, e o sacramento da Confissão é o meio pelo qual os fiéis se aproximam

de Deus. O segundo mandamento da Igreja Católica prescreve que todo fiel deve confessar os próprios pecados ao menos uma vez ao ano.

Morre Inez Mariza Sanchez, secretária da Região Lapa redaÇão

osaopaulo@uol.com.br

Amigos e familiares de Inez Mariza Sanchez participaram na noite da terça-feira, 24, na Paróquia São Pedro Apóstolo, da missa de 7º Dia da secretária geral da Região Episcopal Lapa, que faleceu na quarta-feira, 18, e foi sepultada no dia seguinte no Cemitério da Lapa. “O eterno repouso dê a ela, Senhor! E a luz perpé-

tua a ilumine. Repouse em paz. Amém”, manifestou, pelas redes sociais, Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa. Em postagem no Site da Arquidiocese de São Paulo, o Padre João Carlos Borges, assessor da Pastoral das Secretárias da Região Lapa, também manifestou seu pesar pelo falecimento de Inez. “A morte que hoje nos toca pela perda de nossa colega é um acontecimento impor-

tante para nós. É algo que não podemos negar, mas que devemos assumir, como nos ensina o próprio Cristo: ‘Se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só, mas se morre, produz muitos frutos’ (Jo 12,14). E como a flor não volta para debaixo da terra depois de desabrochada, a vida humana segue seu curso, sem voltar para o lugar de onde brotou a vida nova. Seus frutos, porém, ficam. O que fez, o que deixou e o que amou ficará, para

sempre, em nossa memória. e todo amor vivido reanimará em nós a certeza do prêmio da vida eterna”.

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Santana

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

‘Sonho com uma Igreja onde a busca de comunhão seja uma constante’, afirma novo pároco de Sant´Ana Diácono Francisco Gonçalves

Padre Maurício e Padre Maércio são empossados como pároco e vigário da Paróquia Sant´Ana por Dom Sergio

Os fiéis da Paróquia Sant’Ana receberam, no dia 8, em missa solene presidida por Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, seu novo pároco, Padre Maurício Vieira de Souza. No mesmo dia, foi também apresentado, como

vigário paroquial, o Padre Maércio Ângelo Pissinatti Filho. Padre Maurício, que recentemente comemorou 25 anos de sacerdócio, expressou, ao assumir a nova missão, que suas maiores alegrias no exercício do ministério presbiteral foram vividas na

celebração do sacramento da Reconciliação. “É gratificante ver como Deus toca os corações e leva as pessoas a uma confiança e entrega filial a Ele e à mãe Igreja, experimentando o amor que cura corações feridos e reconstrói vidas. Cla-

ro que é uma grande alegria também quando o povo assume com a gente grandes desafios pastorais ou materiais. Uma construção que é colocada a serviço da fé e da vida do povo é um grande dom que um padre nunca pode fazer sozinho”, afirmou. Padre Mauricio disse estar consciente das possíveis dificuldades que terá na nova missão. “As maiores que eu percebo são as que vêm de mim mesmo. Eu não sou tão santo quanto deveria, muitas vezes esbarro em minhas deficiências humanas ou espirituais, mas estamos a caminho. Sonho com uma Igreja onde a busca de comunhão seja uma constante, onde o partilhar as experiências de Deus seja o cotidiano, onde as diferenças,

longe de separar, nos ajudem a admirar a criatividade do Espírito que vai suscitando novas formas de viver a fé e nos ajudem a buscar a comunhão na mesma fé e amor”, comentou o Sacerdote. “Aos meus novos paroquianos, gostaria de pedir que tenham paciência e misericórdia para comigo, assim como eu peço a Deus que me dê esses dons para o serviço pastoral. Pensando na posse da função de pároco aqui, me ocorreu que, na verdade, a paróquia é que deveria tomar posse do meu ministério presbiteral, graça concedida a mim, sem mérito algum de minha parte, mas em função do povo de Deus”, deixou como mensagem Padre Maurício.

Padre Edilson assume Paróquia Nossa Senhora da Livração Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, empossou, no dia 8, o Padre Edilson Paes Landim de Farias, MSJ, como pároco da Paróquia Nossa Senhora da Livração, e apresentou o Padre Silvano Alves dos Santos, MSJ, como vigário. Filho de um casal originário da Bahia, Padre Edilson nasceu em 24 de maio de 1963, na cidade de São Paulo. Em 1966, a família se mudou para Suzano (SP) e lá seus pais fizeram parte de um grupo de casais que deu origem à Comunidade Imaculada

Conceição, da Paróquia São Sebastião. “O envolvimento e trabalho na formação da comunidade, mutirões e quermesses são o exemplo de meus pais, que faziam os filhos acompanharem as atividades, eventos e promoções, como também um grande incentivo para nossa participação na Catequese para primeira comunhão”, recordou Padre Edilson. A vocação do Padre Edilson foi ganhando expressão na juventude, quando da preparação para a Crisma e o grupo da Pastoral da Juventude (PJ). Naquele tempo, sua paróquia era atendida pelos

Diácono Francisco Gonçalves

Padre Edilson faz juramento como pároco da Nossa Senhora da Livração

padres e seminaristas do Instituto Missionário São José. Vendo esse trabalho, foi motivado a ingressar, em 1984, no seminário daquele Instituto,

em Taubaté (SP). “Olhando estes quase 24 anos de ministério, encontrei mais alegria em formação e animação de comunidades,

visitas àquelas mais distantes formação, das lideranças e seu despertar e consciência como missionários”, relembra o novo pároco. “Diante desta nova missão, minha palavra e desejo é colocar-me como aquele que vem para caminhar, construir, crescer e servir como Missionário do Senhor e do Reino que somos enviados a trabalhar. São José e Santa Teresinha nos acompanhem e ajudem na missão. A Virgem Maria, Senhora da Livração, nos proteja e cuide de nós, seus filhos e filhas”, enviou como mensagem aos paroquianos.

‘Todo filho precisa de uma mãe que reze por ele’ Foi realizado no dia 8, na Comunidade Mãe do Bom Conselho, pertencente à Paroquia Santa Rita de Cássia, o 1º Congresso das Mães Môni-

ca, com apoio do pároco, Frei Maciel Bueno, OSA, e do Frei William Micheleto, OSA, tendo como tema “todo filho precisa de uma mãe que reze por ele”. Isabel Cristina Ramos Lima Werneck

1º Congresso das Mães Mônica na Comunidade Mãe do Bom Conselho

O movimento tem como objetivos implantar no coração das mães o consolo da fé, a imitação de Santa Mônica, oração diária compartilhada por grupos de mulheres que se comprometam em rezar pelos filhos de todas as outras. Participaram cerca de 70 mulheres, membros dos vários grupos de mães Mônica das seis comunidades da Paróquia e um grupo de Campinas (SP), vindo da Paróquia Santo Antonio, do bairro Ponte Preta daquela cidade.

Giuseppe D’Aleo

No dia 15, a Paróquia São Luiz Gonzaga promoveu o retiro de catequese de 1ª Eucaristia e da Catequese para adultos, com pregação de Padre Benedito Hercules Daniel.


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Fernando Geronazzo

Colaborador de comunicação da Região

11 mil pessoas participam do Canção Nova Abraça SP A Comunidade Canção Nova promoveu o quarto Kairós Canção Nova Abraça São Paulo, no domingo, 22, no ginásio do Ibirapuera, na zona Sul da Capital. O tema do encontro, “Agindo Deus, quem impedirá?” (Is 43,13), norteia todas as iniciativas evangelizadoras da Canção Nova em São Paulo no ano de 2015. O programa que reuniu 11 mil pessoas contou com momentos de oração, adoração e pregações. O Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, também esteve na atividade para deixar sua mensagem de incentivo aos participantes. Ele ressaltou que o evento de oração acontece no tempo propício da Quaresma. “Hoje vocês estão

aqui para um dia de reflexão, oração, convivência. Que seja isto parte do caminho quaresmal, que possa ajudálos a preparar bem a Páscoa que já se aproxima e, assim, viver bem este momento mais importante das celebrações da Igreja”, disse. “O Papa Francisco, em sua mensagem para a Quaresma, nos convidou a intensificar a oração e, sobretudo, a oração pela paz [...]. A força da oração é muito importante. Se nós não podemos estar lá para fazer alguma coisa concretamente pelos nossos irmãos que sofrem, a oração é a força espiritual que lhes dá sustento para poderem perseverar na fé e darem testemunho de Jesus Cristo mesmo na prova mais dura”, acrescentou Dom Odilo.

Canção Nova

Cardeal Scherer é saudado por participantes do Kairós Canção Nova Abraça São Paulo, dia 22

O Canção Nova Abraça São Paulo também contou com as presenças dos padres Adriano Zandoná, Paulinho

e Chrystian Shankar, além do missionário Márcio Mendes e dos cantores Celina Borges, Dunga e Ministério

de Música Canção Nova. Para entrar no evento, cada participante doou um quilo de alimento não perecível.

Dom Eduardo: 50 anos de vida entregue à Igreja “Me sinto muito amado por Deus”, afirmou Dom Eduardo Vieira dos Santos, bispo auxiliar de São Paulo e vigário episcopal para a Região Sé, na missa em ação de graças pelo seu 50º aniversário, celebrado na quarta-feira, 18, na Paróquia Santa Cecília. A celebração contou com a presença de representantes de paróquias e comunidades da Região e do clero atuante na Sé, que mais uma vez manifestou a acolhida ao novo bispo, ordenado em 7 de fevereiro. Ao agradecer a Deus pelo dom da vida, o Bispo recor-

Fernando Geronazzo

Aos 50 anos de vida, Dom Eduardo Vieira dos Santos preside missa na Paróquia Santa Cecília, dia 18

dou seus pais, Augusto Vieira, falecido há 4 anos, e Maria Alves, que faleceu há quatro meses. Em nome do clero atuante Reprodução

na Região, Padre José Roberto Pereira, coordenador do Setor Santa Cecília, saudou Dom Eduardo. “Queremos agradecer a Deus por nos en-

viar como bispo alguém que fosse muito próximo de nós, que vem do nosso clero. Que o senhor possa ser esse pastor próximo do povo de Deus.

Seja muito feliz aqui”, disse. O Padre José Enes de Jesus, coordenador regional de pastoral, também cumprimentou o aniversariante em nome de todos os agentes de pastorais da Região. “Conte com o Conselho Regional de Pastoral. Estamos aqui para ajudar o senhor a levar adiante os ensinamentos do Bom Pastor”. Pela manhã, Dom Eduardo também presidiu missa na Cúria Metropolitana de São Paulo, onde foi saudado pelos colaboradores e pelo arcebispo metropolitano, Cardeal Odilo Pedro Scherer.

500 anos de Santa Teresa d’Ávila Os Frades Carmelitas Descalços, da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus (rua Maranhão, 617, Higienópolis), convidam para programação especial de comemoração do 5º centenário de nascimento da fundadora de sua Ordem, Santa Teresa de Jesus. No sábado, 28, às 9h, será celebrada uma missa votiva à Santa, com oração pela paz. Às 10h, acontecerá uma oficina de oração pelo Método Teresiano. As comemorações dos 500 anos de nascimento de Teresa d’Ávila, como também é conhecida a mística espanhola e doutora da Igreja, começaram em 15 de outubro de 2014, data em que se comemora sua memória. Para marcar o jubileu, acontece a peregrinação intitulada “Caminho de Luz”, que leva o bastão que a Santa

usava para se locomover em suas andanças para realizar a reforma da Ordem Carmelita. A relíquia, que irá percorrer

30 países, já passou pelo Brasil e esteve recentemente no Vaticano, onde foi venerada pelo Papa Francisco.


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Ipiranga

Francisco David

Colaborador de comunicação da Região

Quaresma: tempo de conversão e espiritualidade também para os padres Francisco David

Dom Mathias Tolentino Braga, abade do Mosteiro São Bento, conduz encontro de espiritualidade, dia 18

Na quarta-feira, 18, os padres da Região Episcopal Ipiranga participaram da Manhã de Espiritualidade da Quaresma para o Clero. Cerca de 50 padres estiveram noo encontro, que aconteceu na Centro de Formação Sagrada Família, da Congregação das Irmãs da Imaculada

Conceição, no Setor Ipiranga. No começo do encontro, o Padre Pedro Luiz conduziu a oração da Hora Média. Logo após, Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga, saudou os padres e acolheu Dom Mathias Tolentino Braga, abade do Mosteiro São Ben-

to, em São Paulo, que fez uma reflexão sobre a conversão e o tempo quaresmal na Igreja. Logo após, aconteceu a celebração penitencial, também conduzida por Dom Mathias, onde os padres tiveram a oportunidade de se confessar. Dom José Roberto entregou aos padres um livre-

to-calendário com as datas de aniversários natalícios e de ordenação dos sacerdotes da

Região, e pediu que rezassem uns pelos outros nessas datas comemorativas.


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Leigos são eleitos para Conselhos do município atentar-se à ação dos conselhos municipais nas políticas de transporte, habitação, meio ambiente, paisagem urbana, uso do solo, e proteção ao patrimônio histórico e cultural. As reuniões do Conselho acontecem pelo menos a cada dois meses e qualquer munícipe pode participar.

Acompanhamento das políticas públicas voltadas às crianças e adolescentes e ao desenvolvimento urbano são atribuições dos escolhidos ao CMDCA e CMPU Redação

CMDCA

Irene Brito e Iracema da Silva, eleitas titular e suplente para o CMPU

osaopaulo@uol.com.br

Após um período de formação, debates e incentivos, representantes indicados pela Arquidiocese de São Paulo foram eleitos para dois conselhos da cidade. As eleições foram realizadas no domingo, 15, e a posterior publicação no Diário Oficial do Município – chancelando os nomes escolhidos – aconteceu na sexta-feira, 20. Para o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de São Paulo, foram eleitos Iracema Araújo, Valdir Gurgiel, Sueli Camargo, Andréia Souza, Geraldo Heliópolis, Will, Solange Sampaio e Carlos Junior. Desses oito nomes, três são leigos engajados e atuantes na Arquidiocese. Em carta enviada à Arquidiocese, Sueli Camargo, coordenadora da Pastoral do Menor, agradeceu o empenho e a articulação dos diversos membros de pastorais e movimentos. “Destacamos que foi lindo de se ver a nossa Igreja organizada! A democracia se faz com a participação popular da sociedade civil nos espaços de construção de políticas públicas. A ida à urna, no ultimo dia 15 de março, votar no CMDCA-SP contribuiu para a construção de uma política justa e igualitária para nossas crianças e adolescentes da cidade de São Paulo. Agradecemos de forma especial ao Cardeal Odilo Pedro Scherer e a todos os bispos que nos apoiaram neste novo desafio em defesa da criança e do adolescente na cidade de São Paulo. Sabemos que não será fácil, mas a conquista de uma cadeira neste Conselho é concretizar a proposta da Campanha da Fraternidade de 2015 e, também, colocar em prática as ações do 11º Plano de Pastoral”. Para o Conselho Municipal de Política Urbana (CMPU), foram eleitas as duas candidatas que representavam a Arquidiocese de São Paulo, Irene Brito e

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Iracema da Silva, sua suplente. Pela primeira vez, o CMPU teve representação para o segmento Entidade Religiosa. Em uma rede social, Irene, ainda na noite do dia 15, agradeceu a todos pelo apoio. “Quero agradecer a quem foi votar, a quem deu uma curtida, a quem pensou em me dar uma força, a quem partilhou minhas mensagens”, escreveu. Ao fim da publicação, Irene ressaltou que não receberá nenhuma remuneração financeira por este trabalho, e que o realizará com “alegria e na esperança de dar minha humilde contribuição como cristã e cidadã”. O apoio da Arquidiocese de São Paulo à candidatura de membros das pastorais e pessoas que

têm uma trajetória de engajamento social demonstra também uma ação concreta da Campanha da Fraternidade deste ano, que tem como tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade”.

CMPU

O Conselho possui 60 integrantes - 26 membros representantes do poder público e 34 da sociedade civil - e é um órgão ligado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano. Instituído em 2002, pela lei nº 13.430, o CMPU tem, entre outras atribuições, a missão de debater a política urbana do município e as questões relativas ao Plano Diretor Estratégico, acompanhar a aplicação dos recursos do Fundo de Desenvolvimento Urbano, e

Criado para propor, deliberar e acompanhar as políticas públicas em prol das crianças e adolescentes do município, o CMDCA é composto por 32 membros, sendo 16 representantes da sociedade civil. O Conselho também auxilia na seleção de projetos que poderão ser beneficiados com os

Sueli Camargo, eleita para o CMDCA

fundos públicos disponíveis para as crianças e adolescentes e atua junto aos conselheiros tutelares das regiões e dos municípios.

Luciney Martins/O SÃO PAULO

No sábado, 21, o Cardeal Scherer, arcebispo de São Paulo, se reuniu com os representantes de movimentos, novas comunidades e associações de fiéis da Arquidiocese de São Paulo, no centro pastoral da Região Ipiranga, para tratar de assuntos ordinários referentes a tais grupos


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Luciney Martins/O SÃO PAULO

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Durante procissão, moradores de rua, os mais atingidos pela crise hídrica, recebem água potável

Na Catedral, Dom Odilo asperge fiéis com a água benta, bem da criação, que recorda o Batismo

Uma manifestação de fé, súplica e agradecimento pela água Luciney Martins/O SÃO PAULO

Pelas ruas do centro de São Paulo, 2 mil pessoas fizeram procissão penitencial no domingo, 22, pedindo a bênção da chuva Fernando Geronazzo Especial para O SÃO PAULO

“Pai bondoso, que sobre todos fazes brilhar o sol e fazes cair a chuva, tem compaixão de todos os que sofrem duramente pela seca que nos ameaça nestes dias”. Este é o trecho da oração do Beato Paulo VI, que foi invocada pelas cerca de 2 mil pessoas que caminharam em procissão pelas ruas do centro de São Paulo para pedir a Deus a “bênção da chuva”, na tarde do domingo, 22. A procissão penitencial organizada pela Arquidiocese de São Paulo e convocada pelo arcebispo metropolitano, Cardeal Odilo Pedro Scherer, também contou com a presença dos bispos auxiliares, padres e fiéis, no Dia Mundial da Água, para uma manifestação de fé, súplica e agradecimento pela água, bem natural escasso na Capital e no Estado nos últimos meses. A caminhada partiu da Igreja de Nossa Senhora da Consolação e seguiu em direção à Catedral Metropolitana, onde foi celebrada uma missa. “Acabamos de fazer um ato de fé no Deus da vida, no Deus providente. Nós cremos que Deus é Senhor da natureza, é nosso pai, pode ouvir nossas preces, pode olhar para a angústia dos seus filhos e, por isso, atender

Com imagem da padroeira da cidade, Nossa Senhora da Penha, católicos caminham pelas ruas para pedir chuva

as nossas preces”, afirmou Dom Odilo, na homilia. Ao longo do percurso, os fiéis entoavam cantos, orações, levando a imagem de Nossa Senhora da Penha, padroeira da cidade de São Paulo, e de São José, patrono universal da Igreja. E durante quase toda a procissão, a tão pedida chuva acompanhou o povo. “A chuva era esperada. Nós, naturalmente, tínhamos organizado a procissão para que acontecesse com chuva ou sem chuva. Mesmo debaixo de chuva, o povo participou. Foi uma demonstração de fé e também da resposta do nosso povo a este apelo, compreendendo a situação da água na nossa cidade, que é bastante preocupante”, afirmou Dom Odilo aos jornalistas.

Uso responsável e solidário

O Arcebispo também ressaltou que, dentro do contexto quaresmal, a procissão teve um caráter penitencial para pedir a Deus per-

dão, pedir a conversão do coração também em relação ao uso da água, “muitas vezes, inadequado, impróprio, senão irresponsável até”, afirmou. “Assim, tomamos consciência de que a água é um bem, mas Deus coloca em nossas mãos o seu cuidado, para que a água possa vir para todos”, disse. O Cardeal também salientou que pedir a Deus a bênção da chuva não exime os governantes, nem os cidadãos de sua parcela de responsabilidade. “Agora que estamos com água em menos quantidade, descobrimos que dá pra viver com menos água, em outras palavras, dá para gastar menos água. É possível captar água da chuva para usos secundários ou, então, reutilizar a água para esses usos”, lembrou Dom Odilo, que frisou que é necessária atenção em relação à política pública da água. “Fala-se muito na necessidade de renovação de encanamentos, tubulações onde muita água boa, tratada, se perde pelo caminho e nem chega às torneiras”.

Gesto concreto

Durante a procissão, também foram distribuídas garrafas de água mineral para as pessoas em situação de rua, iniciativa da Pastoral do Povo da Rua, que arrecadou água das comunidades a paróquias da Arquidiocese, chamando a atenção para essa parcela da população que mais sofre com a crise hídrica, por não ter acesso à água potável e nem condições de armazená-la. “O povo da rua é o primeiro atingido pela falta de água e pelo racionamento, pois não tem acesso à água potável, não tem reservatórios, nem como conservar a água”, salientou, ao O SÃO PAULO, o Padre Julio Lancellotti, vigário episcopal para a Pastoral do Povo da Rua.

Chover nos reservatórios

A dona de casa Estelina da Silva, 66, veio de Taboão da Serra, cidade região metropolitana de São Paulo que na última se-

mana foi fortemente atingida pela chuva, resultando na morte de um homem de 69 anos levado pelas águas. Estelina destacou à reportagem que o racionamento continua na cidade. “Em alguns bairros, a água é cortada no início da noite e retorna só na manhã do dia seguinte. Mas há outros bairros que ficam muitos dias sem água”, contou. De acordo com os institutos de meteorologia, as pancadas de chuva intensas, típicas de verão, que têm acontecido em São Paulo nos fins de tarde desde fevereiro, não aumentam o nível dos reservatórios. Isso porque a capital paulista fica na faixa leste do Estado de São Paulo, e o Sistema Cantareira (reservatório que fornece água para um terço da população da região de São Paulo - 6,5 milhões de pessoas, o mais atingido pela seca) fica no sul de Minas Gerais. Isso significa que para melhorar a situação dos reservatórios, é preciso chover na região de quatro municípios: Extrema (MG), Itapeva (MG), Monte Verde (MG) e Joanópolis (SP). São essas cidades que acabam abastecendo os mananciais por conta da geografia e da posição dos reservatórios. Vale salientar também que o Sistema Cantareira não fica na Serra da Cantareira em São Paulo, ou seja, são duas regiões distintas que têm nomes iguais. A chuva que atinge a Serra da Cantareira não está enchendo o manancial. Dona Estelina é consciente de que não basta só chover, é preciso chover no lugar certo. “Deus vai nos abençoar. Precisamos da água, senão não vivemos. Mas é preciso que chova na cabeceira da represa, lá no Sistema Cantareira”.

O SÃO PAULO - 3044  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 60 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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