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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 59 | Edição 3031 | 11 a 16 de dezembro de 2014

R$ 1,50

Papa Francisco nomeia 2 bispos auxiliares para a Arquidiocese de São Paulo Na quarta-feira, 10, o Papa Francisco nomeou dois bispos auxiliares para São Paulo: o Monsenhor Eduardo Vieira dos Santos, 49, do clero de São Paulo, e o Monsenhor Devair Araújo da Fonseca, 46, da Diocese de Franca. Este será ordenado em 1º de fevereiro de

2015 e aquele no dia 7 do mesmo mês. “Demos graças a Deus por esses dois novos bispos, eleitos pelo Papa Francisco para o serviço do povo de Deus na Metrópole paulistana!”, expressou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano.

Diocese de Franca

Luciney Martins/O SÃO PAULO

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Filipinas: país em reconstrução receberá o Papa Entre 15 e 19 de janeiro de 2015, o Papa Francisco realizará visita apostólica às Filipinas, país asiático que tenta restabelecer a normalidade um ano após a passagem do tufão Haiyan, em novembro de 2013.

Em reportagem especial, O SÃO PAULO mostra o cotidiano da nação em que 90% da população se declara católica e onde missas são celebradas até em shoppings centers. Depois da passagem do tufão, “as

pessoas não estão curadas, estão disfarçando seus sentimentos reais e ainda não conseguem levar uma vida normal”, declarou a jovem filipina Lewina. Páginas 12 e 13

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Padres recém-ordenados irão atuar em quatro regiões episcopais

Igreja leva em missão à Amazônia 72 jovens Página 8

Editorial: ‘Na calada da noite’ muda-se a LDO Página 2

Com a Catedral da Sé repleta de fiéis, seis diáconos transitórios foram ordenados padres pelo Cardeal Scherer, no sábado, 6: Antonio dos Santos, Everton de Souza, Gleidson Novaes, Maércio Pissinatti Filho, Pedro de Almeida e Rodrigo Freitas. Designados pelo Cardeal, eles irão atuar, inicialmente, nas re-

Trabalho escravo cresce nas zonas urbanas Artigo publicado no Relatório de Direitos Humanos 2014 enfatiza a questão da aprovação da PEC sobre o trabalho escravo e, ao mesmo tempo, a ameaça de redefinição do conceito, que significará um retrocesso na luta pelos direitos

humanos. Relatório foi lançado em São Paulo na quarta-feira, 10, pela Rede Social. Daniela Stefano, organizadora do documento, destacou o texto sobre pessoas em situação de rua. Página 11

giões Brasilândia, Belém, Santana e Sé. “O chamado à vocação é constante e mesmo ordenado o padre precisa continuamente seduzir-se pelo amor à vocação que Deus o confiou”, expressou o neossacerdote Gleidson, em nome de todos os recém-ordenados. Página 14

Anunciadas mudanças nos seminários Página 23

O SÃO PAULO entrevista superior dos Jesuítas Página 15


2 | Ponto de Vista |

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editorial

Na calada da noite O eleitor brasileiro já se acostumou a tomar um “chapéu” de governantes que, durante a campanha eleitoral, prometem “x” e, depois de eleitos, fazem “y”. Mas a presidente Dilma Rousseff superou, de longe, a concorrência nesse quesito. Com a reeleição garantida, Dilma se apressou em aprovar, em sessão “Coruja” do Congresso Nacional, o projeto que derrubou a meta fiscal prevista para 2014. Com tantas benesses, escândalos e má gestão, o governo gastou mais do que devia e descumpriu a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A solução,

despudorada, foi mandar ao Congresso o artifício que alterou a LDO, maquiando o descumprimento do superávit primário (saldo positivo entre receitas e despesas). A aprovação se deu às 3h45 da madrugada. Ora, vejam. O Congresso Nacional, tão criticado por trabalhar pouco e gastar muito, mostrou que quando o projeto é de interesse do governo e de seus apaniguados, o dia de labuta pode varar a noite. E nas mais de 18 horas de “trabalho” que durou a sessão, acompanhamos como os governistas tratam a população que ousa discordar de seus

métodos. Uma senhora de 79 anos foi agredida por um segurança do Senado. A perigosa inimiga da pátria levou uma “gravata”. Lembramos que para minimizar o escândalo da Petrobras, alguns defensores do governo fizeram uma comparação com o que ocorre no cotidiano do povo. Disseram que a população não pode ficar horrorizada com a corrupção, já que o cidadão comum, via de regra, procura dar “um jeitinho”, com pequenas desonestidades diárias. Seguindo nessa linha, comparemos o que fez o governo ao que

ocorre na vida de qualquer pessoa. Quem vive sob um apertado orçamento doméstico e gasta mais do que o valor de seu salário, ou corta suas despesas ou cairá nos abusivos juros do cheque especial. Pois bem. O que o governo deveria fazer? Cortar despesas. Gordura para ser dissolvida não falta. Um bom começo seria a extinção de boa parte dos 39 ministérios. Nunca tivemos tantos. Mas a Presidente, em ano eleitoral, não pôde mexer nessa e em tantas outras estruturas. Ela pôde, porém, fazer o que ninguém pode. Mudar a lei. E mudou. Na calada da noite.

opinião

Realismo econômico e políticas sociais Sergio Ricciuto Conte

Antonio Carlos Alves dos Santos Um dos principais desafios do segundo governo da presidente Dilma Rousseff é superar os vários equívocos na condução da política econômica do primeiro mandato, que podem pôr em risco, inclusive, as conquistas sociais do governo. Por que é necessário mudar o rumo atual da política econômica? Isso não coloca em risco o que foi alcançado em inclusão social? Não seria o caso de esquecer o superávit primário e outras metas macroeconômicas? A resposta passa pela análise de alguns dados do mês de outubro: dívida bruta (62% do PIB); conta corrente do balanço de pagamentos (déficit de 3,7% em relação ao PIB); inflação distante do núcleo da meta (acumulada até outubro, 6,59%); crescimento pífio do PIB. Eles sinalizam que o experimento heterodoxo do primeiro mandato da presidente Dilma, a “nova matriz macroeconômica” (câmbio desvalorizado, gastos públicos crescentes, juros baixos) não apresentou o resultado prometido e deixou como legado graves desequilíbrios macroeconômicos, agravados pela situação pouco favorável da economia mundial. Uma casa que não tenha um equilíbrio entre despesas e receitas não se sustenta. Por isso, é necessário mudar até para manter os ganhos sociais já conseguidos. O primeiro passo para evitar o agravamento do cenário econômico atual, preocupante, mas não desesperador, e reverter essas expectativas desfavorá-

veis, foi dado com a escolha de uma equipe econômica com os requisitos necessários para uma boa gestão da política econômica. A escolha de Joaquim Levy, pelo seu histórico profissional, causou certa surpresa e apreensão em relação à manutenção dos programas sociais. Mas não há razão para alarme: sua função, assim como a de Nelson Barbosa, ministro do Planejamento, e Alexandre Tombini, presidente

do Banco Central, será recuperar a credibilidade na política econômica, necessária à retomada do crescimento econômico com inclusão social. Agora, é necessário implementar as medidas anunciadas na apresentação dos três ministros e reafirmadas pela presidente Dilma. Essas medidas implicam em cortes de gastos, aumentos de impostos e contribuições, e revisão da política adotada pelo BNDES, cujo foco será redire-

cionado para pequenas e médias empresas, já que as grandes têm condições de obter financiamento junto ao setor privado. Elas são necessárias para viabilizar a meta de superávit primário (receitas menos despesas, desconsiderados gastos com juros) de 1,2% do PIB, em 2015, e ao redor de 2%, em 2016 e 2017. No curto prazo – primeiro semestre de 2015 – essas medidas poderão ser dolorosas, podendo, até mesmo, levar ao aumento do desemprego e à inflação acima do teto da meta. Mas serão sacrifícios justificados se as expectativas negativas forem revertidas. Uma política fiscal consistente, transparente e sem o uso de contabilidade criativa, é a pedra fundamental de uma política econômica a serviço da construção de um país socialmente mais justo. A incompatibilidade entre essa nova política econômica e a preocupação social é falsa. Trata-se de resgatar o tripé macroeconômico (superávit primário, câmbio flutuante e foco em atingir a meta de inflação de 4,5% ao ano) que foi o alicerce sobre o qual se construiu a política social do governo do presidente Lula. Não é preciso reinventar a roda para traçar uma rota consistente de crescimento econômico com justiça social. É apenas necessário não confundir ideologia com política econômica. Os eleitores mostraram que querem justiça social. Caberá à nova administração honrar o compromisso assumido com eles. Antonio Carlos Alves dos Santos é professor titular de Economia da PUC-SP e conselheiro do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Redator chefe: Daniel Gomes • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Edcarlos Bispo, Filipe David e Nayá Fernandes • Institucional: Rafael Alberto e Fernando Geronazzo • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Secretaria de Redação: Djeny Amanda • Assinaturas: Ariane Vital • Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Revisão: Maria Aparecida Ferreira • Impressão: Alliance Editorial S.A. • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinaturas) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail • A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


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| Encontro com o Pastor | 3 Arquivo pessoal

O presente de Natal cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

Natal é tempo de presentes. Quantos presentes! E quem não gosta de receber um presentinho?! É festa, é alegria e nada é mais natural que presentear, para homenagear e compartilhar a alegria... Será que já nos perguntamos sobre o motivo do presente de Natal? Qual é a razão da festa, da homenagem, da alegria? Para nós, cristãos, o motivo vem da fé: recebemos de Deus um presente de valor inestimável; estamos muito felizes e agradecidos ao Pai do céu e manifestamos aos outros essa alegria, convidamos a participar de nossa festa e expressamos isso nos presentes, nos votos, nas mensagens de Natal; mas também nas ações de solidariedade e caridade fraterna, indo ao encontro dos que sofrem de diversas maneiras, para que também eles recebam um sinal dessa alegria. De fato, os presentes de Natal já aparecem na cena do primeiro Natal da história: os “magos do Oriente” prostraram-se diante de Jesus e o adoraram; “depois, abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra” (cf Mt 2,11). E que presentes! Eram a expressão da homenagem ao supremo Deus, ao grande Rei e ao Salvador. Antes, porém, de desembrulhar seus dons, os “reis magos” manifestaram sua fé: “ajoelharam-

se diante dele e o adoraram”. Sem essa percepção da fé sobre o que se celebra no Natal, o presente chama para si toda a atenção e torna-se ele mesmo o grande homenageado. E os presentes, então, precisam ser cada vez maiores, mais caros, mais respondentes aos nossos desejos, vaidades e ambições. Será que o presente de Natal ainda tem sentido? Pode ter, e muito! A Liturgia do Natal traz uma verdadeira pérola, que nos ajuda a compreender melhor o sentido dos presentes do Natal. Na “Oração sobre as Oferendas”, da missa da noite do Natal, a Igreja pede: “Ó Deus, acolhei a oferenda da festa de hoje, na qual o céu e a terra trocam os seus dons, e dai-nos participar da divindade daquele que uniu a si a nossa humanidade”. Deus nos dá de presente o que tem de melhor: o próprio Filho eterno; e a terra também oferece a Deus o que tem de melhor, embora infinitamente inferior: nossa pobre humanidade. Deus não fica mais pobre, mas nós ficamos infinitamente mais enriquecidos! Eis porque presenteamos no Natal: estamos muito felizes e queremos que também outros participem da nossa alegria! Nosso gesto será tanto mais significativo, quanto mais tivermos feito, antes, a experiência da adoração daquele que o céu nos presenteou. Assim fizeram os “magos do Oriente” e os pastores de Belém: voltaram da manjedoura “louvando e glorificando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido” (cf Lc 2,20). Entendo que o gesto de oferecer presentes no Natal, talvez, esteja muito desvinculado de tudo isso que estou dizendo aqui. Dar

presentes no Natal ficou muito envolvido numa trama de comércio e de conveniências sociais. Há quem se pergunte, sobretudo quem não é cristão: por que tenho que oferecer presentes de Natal? Por que, todos os anos, a mesma correria das compras de presentes? Por que precisam ser sempre mais interessantes que os do ano anterior? Vistos desse modo, de fato, os presentes de Natal tornam-se um verdadeiro motivo de stress... A própria festa do Natal vai se desvinculando sempre mais do seu significado cristão originário; acontece muita festa, sem citar o nome de Jesus, até mesmo omitindo a palavra “Natal”. É uma pena que até os votos de “feliz Natal” sejam substituídos por um genérico “boas festas”! Bem, aqui está nossa tarefa de cristãos: não deixemos que se perca na cultura do nosso tempo o significado cristão do Natal e sua referência necessária ao nascimento de Jesus Cristo. Cabe a nós testemunhar ao mundo o significado verdadeiro do Natal. Não importa que nem todos tenham a mesma fé, como nós temos. No Natal, são os cristãos que oferecem ao mundo o motivo da festa: estamos muito felizes porque comemoramos o nascimento de Jesus Cristo, em quem reconhecemos o Filho de Deus, Salvador. Não temos por que ocultar ou camuflar o motivo de nossa festa! E convidamos todos a se alegrarem conosco. Afinal, foi o próprio anjo que anunciou, na noite do nascimento de Jesus: “eu vos anuncio uma grande alegria, que será alegria também para todo o povo” (cf Lc 2,10). Preparemos, pois, a festa! E os presentinhos também...

Profissão de fé de futuros diáconos Na sexta-feira, 5, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, acolheu a profissão de fé e os juramentos dos candidatos que rão ordenados diáconos permanentes no sábado, 13, às 15h, na Catedral da Sé. São eles: Antonio Ferreira Junior, 47; Benedito José da Silva, 59; Carlos Franco de Barros Fornari, 65; Francisco Eduardo Lemes Nogueira, 66; Francisco Jandui Gonçalves, 50; Gilmar Freire Rodrigues, 46; José Jindarley Santos Silva, 40; José Donizeti Leonel, 58; e Marcelo Brito, 44.

75 anos de paróquias da Arquidiocese Luiz Carlos Manho

Três paróquias na Arquidiocese de São Paulo festejaram 75 de criação no último fim de semana. No sábado, 6, o Cardeal Scherer presidiu a missa festiva pelo jubileu de diamante da Paróquia Nossa Senhora da Consolata, na Região Santana (foto). Na homilia, Dom Odilo ressaltou a importância dos trabalhos de todos os que precederam aos atuais membros da comunidade e estimulou que especialmente os mais jovens continuem na caminhada de serviço à Paróquia, que conta com a ação missionária dos Padres do Instituto Missionário Consolata (IMC). Ainda na Região Santana, na segunda-feira, 8, a Paróquia Nossa Senhora da Anunciação, na Vila Guilherme, completou 75 anos, com missa festiva, às 8h, reza do Terço, às 15h, e missa solene, às 20h, presidida pelo pároco, Padre Edival Alves dos Santos, com a participação do diácono Rogério Soler. Cercado de anjinhos personificados por crianças, foi entronizado o certificado da Bênção Apostólica concedida pelo Papa Francisco ao Padre Edival. No domingo, 7, também a Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, na Água Rasa, na Região Belém, festejou seus 75 anos de criação, em missa presidida pelo Cardeal Scherer e concelebrada pelo Padre Derville Alonso, pároco. (Por Daniel Gomes)


4 | Papa Francisco |

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Entrevista ao La Nacion

L’Osservatore Romano

Deixemo-nos consolar pelo Senhor! O texto de Isaías para o segundo domingo do Advento, “tempo maravilhoso que desperta em nós a espera pelo retorno de Cristo e a memória de sua vinda história”, foi o tema da reflexão do Papa antes da oração mariana do Ângelus, no domingo, 7. A mensagem é de esperança e um convite do Senhor a consolar seu povo que sofre no exílio. Pelo profeta, Deus nos faz “o anúncio da alegre libertação com o fim da tribulação e o retorno à pátria”. Às pessoas que vivem um tempo de provação é anunciado o tempo da consolação, em que a tristeza e o medo dão lugar à alegria porque Deus guiará seu povo à libertação como um pastor, dando-lhe unidade e segurança, alimentando-o, buscando as ovelhas perdidas, principalmente as mais frágeis. Essa é a atitude de Deus para conosco, diz Francisco. Por isso, Isaías convida quem o escuta e a nós, também, a levar avante essa mensagem

de esperança. Devemos ser mensageiros da consolação, não antes, porém, de experimentarmos a alegria de ser consolados e amados por Ele. E a consolação nos vem pela escuta do Evangelho, na oração silenciosa, no encontro com Cristo na Eucaristia e na Penitência. Que o convite de Isaías – “Consolai, consolai o meu povo – ressoe no nosso coração no Advento”, exorta Francisco. Hoje, são necessárias pessoas que testemunhem a misericórdia e a ternura “que sacuda os resignados, reanime os desanimados, acenda o fogo da esperança”. É o Senhor e não nós que acende o fogo da esperança. Precisamos “ser pessoas alegres e consoladas”. O Papa afirma ter em mente os oprimidos, os injustiçados, os escravos do dinheiro, do poder, do sucesso, da mundanidade. “Pobrezinhos!”, lamenta Francisco. Suas consolações são maquiadas, não são verdadeiras.

Devemos consolá-los “testemunhando que somente Deus pode eliminar as causas dos dramas existenciais e espirituais”. Isaías fala ao nosso coração. Sua mensagem é um bálsamo sobre as nossas feridas e um estímulo a preparar com empenho o caminho do Senhor. “O profeta fala hoje ao nosso coração para nos dizer que Deus esquece os nossos pecados e nos consola, se nós confiamos nele com coração humilde e arrependido”. Não tenhamos medo de ser consolados, porque se na tristeza somos protagonistas, na consolação o Espírito Santo é o protagonista. “Por favor, deixem-se consolar pelo Senhor!”, exorta o Papa, que conclui a mensagem falando de Maria, como o caminho que Deus escolheu para vir ao mundo. “Confiemos a ela a espera de salvação e de paz de todos homens e mulheres do nosso tempo.” (Por Padre Cido Pereira)

Em entrevista concedida ao jornal argentino La Nacion, o Papa Francisco abordou vários temas e teve a oportunidade de esclarecer muitos equívocos veiculados pelos meios de comunicação, como a reforma da Cúria Romana, o Sínodo dos Bispos e suas declarações. Sobre a reforma da Cúria, O Santo Padre explicou que não estará pronta no próximo ano, conforme se especulava. Está sendo feita em pequenos passos e disse que não concorda com expressões como “limpeza” dos dicastérios e, mais uma vez, reiterou que o que se busca é colocar em prática as sugestões dadas pelos cardeais nas Congregações Gerais antes do Conclave que o elegeu.

Conhecer seus escritos O Papa também alertou que geralmente as pessoas não leem o que ele realmente diz. “Veja, eu escrevi uma encíclica, é verdade, a quatro mãos, e uma exortação apostólica. Continuamente, faço declarações, faço homilias e isso é magistério. Isso está lá é o que eu penso, não o que a mídia diz que eu penso. Vão lá e vão encontrar, e está muito claro. A Evangelii Gaudium é muito clara”.

Sínodo Respondendo perguntas sobre o Sínodo dos Bispos sobre a família, realizado em outubro passado, afirmou ter “sentido uma busca fraterna para saber como lidar com problemas familiares pastorais”. “O Sínodo foi um processo e as opiniões levantadas pelos padres sinodais eram pessoais; tudo foi coletado. Falamos sobre como uma família que tem um filho ou uma filha homossexual deve educar, como se pode ajudar essa família a levar adiante uma situação inédita. Assim, falamos dos homossexuais em relação às suas famílias porque é uma realidade que a todo momento encontramos nos confessionários: um pai e uma mãe que têm um filho ou filha assim. A mim já aconteceu diversas vezes em Buenos Aires. E bem, é preciso ver como ajudar esses pais a acompanharem seu filho ou filha”.

Cardeal Raymond Leo Burke Em relação à transferência do Cardeal Raymond Leo Burke do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica para a Ordem de Malta, Francisco desmentiu as especulações que a mudança foi feita por causa de sua resistência às algumas discussões do Sínodo. Pelo contrário, sua transferência já havia sido conversada bem antes do Sínodo. “Eu lhes disse: ‘Isto será depois do Sínodo, porque quero que você participe do Sínodo como chefe de dicastério’, porque como capelão de Malta não poderia”, afirmou o Pontífice, informando, ainda, que o Cardeal lhe agradeceu muito. (Por Fernando Geronazzo)


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| Fé e Vida | 5

Espiritualidade

fé e cidadania

Advento: ‘Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria’

O ódio não constrói

isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes’ (Mt 25, 40)” (179). Quem são esses irmãos nos “quais somos chamados a reconhecer Cristo sofredor”? Eles são “os mais frágeis da terra”, entre os quais se encontram “os sem abrigo, os toxicodependentes, os refugiados, os povos indígenas, os idosos cada vez mais sós e abandonados, os migrantes” (210). Para ir ao encontro do Senhor que vem, seguindo o caminho chamado “irmão sofredor”, não bastam mapas, GPSs, Google, Waze, enfeites e compras natalinas; precisamos mudar a nossa “cabeça”, a nossa mentalidade (Rm 12,1-2), precisamos nos converter cada dia, e vencer a tentação de “ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor”. Cristo quer que “toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros... que renunciemos a procurar aqueles abrigos pessoais ou comunitários que permitem manter-nos à distância do nó do drama humano”, que aceitemos “entrar em contato com a vida concreta dos outros”. Assim agindo, conheceremos “a força da ternura” e nossa vida irá se complicar “sempre maravilhosamente” e viveremos “a intensa experiência de ser povo, a experiência de pertencer a um povo” (270)! Feliz Advento! Feliz Natal!

Cônego Antonio Manzatto

Dom Edmar Peron Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém

O Padre Jaime Luiz Coelho, cura da Catedral de Ribeirão Preto (SP), quando foi nomeado bispo da recémcriada Diocese de Maringá (PR), pelo Papa Pio XII, em 3 de dezembro de 1956, comprou um mapa, na esperança de localizar Maringá. Mas ele não encontrou essa cidade, pois no mapa de então ela ainda não estava sinalizada. Hoje, passados nem 60 anos, quem compraria um mapa? Adquiriria certamente um GPS ou faria uma busca pelo Google Maps ou, quem sabe, pelo Waze. Quanta mudança! Todo esforço – o de ontem e o de hoje – têm grande importância para que as pessoas possam encontrar um caminho, traçar uma rota, encurtar distâncias, estabelecer relações. Eis que estamos novamente no tempo de encontrar caminhos: é tempo do Advento. Lembremo-nos, pois, que o próprio Senhor é simultaneamente “trajeto, rota” e “meta de chegada”: “Eu

sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). O tempo do Advento recordanos que aquele mesmo Jesus que um dia veio, nascido da Virgem Maria, pela ação do Espírito Santo – “O Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (Jo 1,14) – virá um dia em sua glória; assim é que ele irá se manifestar: glorioso, “para julgar os vivos e os mortos”. Quando veio pela primeira vez, o Caminho assumiu o caminho da nossa humanidade para chegar até nós. Esse é o caminho que ele nos indica para que cada um de nós – e a Igreja inteira – possamos chegar até ele. É o caminho da descida, da simplicidade, da pobreza. Trilhando esse caminho, poderemos encontrar o Senhor e fazer a experiência indicada pelo Papa Francisco: “Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria” (Evangelii Gaudium, nº 1). Sim, quem encontra o Senhor reconhece que seu coração e sua vida inteira ficam inundados pela alegria do Evangelho. “Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento”. Mas poderíamos nos perguntar – talvez como desculpa! – qual é esse caminho que nos conduz a Jesus Cristo? Reconheçamos: é serviço às pessoas que sofrem. Assim, lemos na Evangelii Gaudium: “no irmão, está o prolongamento permanente da Encarnação para cada um de nós: ‘sempre que fizestes

eSPAÇO ABERTO

2015: Ano da Paz Padre Nelito Dornelas Na 52ª Assembleia Geral da CNBB, foi aprovada, por unanimidade, a realização do Ano da Paz, iniciado no primeiro domingo do Advento, em 30 de novembro, e que vai até o Natal de 2015. De acordo com o secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, a paz está vinculada com as relações. “A paz é vital para as relações, a paz nasce de relações novas e de relações equilibradas”. Para ele, o aumento da violência dá a sensação de relações quebradas. “É preciso ajudar a reconstruir este tecido de elos, de relações”. Será este ano, tempo oportuno para uma reflexão sobre todas as dimensões da paz. Quem melhor sistematizou um pensamento circular sobre a paz são os povos andinos Quetchua e Aymará com a expressão “o Bem viver”. O Bem viver refere-se a duas palavras com significados semelhantes em Quetchua e em Aymará: sumak muito bom, e kawsay ou camaña conviver. Sua ideia central é a vida em harmonia: harmonia consigo mesmo, com outras pessoas do mesmo grupo, com grupos diferentes,

com a Pachamama, a Mãe Terra e seus filhos e filhas de outras espécies e com as realidades espirituais. O Bem viver implica em se construir uma sociedade fundamentada nos sete caminhos para a paz. O primeiro é a paz para trás: com o nosso passado pessoal e coletivo; o segundo é a paz para frente: com as gerações futuras; o terceiro é a paz para o alto: com a divindade; o quarto é a paz para baixo: com o ambiente onde se vive; o quinto é paz para a direita: com os vizinhos; o sexto, para a esquerda: com a família, e o sétimo, para dentro: consigo mesmo. Os princípios do Bem viver dialogam com a proposta das Bem aventuranças proclamadas por Jesus. Das oito Bem aventuranças, destaquemos três: Bem aventurados os puros de coração porque verão a Deus (princípio religioso); Bem aventurados os mansos porque possuirão a terra (princípio político); e Bem aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia (princípio ético). O Bem viver constitui-se numa alternativa espiritual, política, econômica, cultural e social ao sistema produtivistaconsumista, que tudo transforma em

mercadoria, inclusive a vida humana. Daí a razão da violência e da banalização da vida e de todas as formas de vida. O Bem viver nos mostra que cada ser humano compõe a comunidade de vida e estabelece teias de relações com todas as criaturas. Cada ser está interligado e é interdependente de tudo e de todos. Em vez de extrair, transformar, consumir, descartar, destruir e matar, as nossas relações devem ser regidas pelo princípio do respeito, da harmonia e da comunhão com a terra e todas as criaturas. Só o respeito e a veneração poderão favorecer em nós a consciência do Bem viver, Pertencer, Conviver e Ser. O Ano da Paz, ao entrar no debate sobre o Bem viver, poderá contribuir também para transformá-lo em expressão política de uma Sociedade do Bem viver para todos e na superação de uma sociedade do viver bem para alguns poucos, causadora da violência. Ao Bem viver dos povos indígenas, acrescentamos o Pertencer dos afro descendentes e o Conviver e Ser da tradição cristã. Padre Nelito Dornelas está em ano sabático para estudos sobre ecumenismo; foi coordenador da 5ª Semana Social Brasileira, encerrada em setembro de 2013.

As opiniões expressas na seção “Espaço Aberto ” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

As urnas falaram e sua voz é soberana. Esta é uma compreensão antiga que, no entanto, os que perderam as eleições têm dificuldade em aceitar. Tentam outra saída, pensam em alternativas, querem deixar o País ou sonham com algum ato de vale-tudo, como golpe de Estado, atentado ou qualquer coisa parecida. A campanha eleitoral deste ano, que a imprensa gosta de apresentar como a mais disputada da história, incitou o ódio, transformou em inimigo quem pensa diferente, acabou com amizades e tornou-se briga de rua em muitos lugares. As mentiras foram de todos os tamanhos e quilates e tinham o objetivo de incitar o ódio como para dizer que o voto deveria ser de uma única maneira. Não havia escolha, não poderia haver direito de escolha. Pois o povo escolheu. A ditadura acabou há muito tempo, e só quem não sabe o que é ditadura vive repetindo que vivemos em um país assim. Houve possibilidade de escolher entre duas propostas, e a maioria do eleitorado brasileiro escolheu dizer que o ódio não constrói. Preferiu outro caminho, o do diálogo e da convivência, caminho que os mais abastados não conhecem e não trilham, acostumados a dar ordens e impor seus pontos de vista pela força. Porém, os tempos são outros e há que respeitar o direito de escolha dos mais simples e pobres. As eleições não dividiram o País, ele já está dividido há muito tempo, pois não é de hoje que o Nordeste é empobrecido. Acontece que políticas em benefício dos mais pobres não são aceitas em um ambiente onde as pessoas entendem o espaço público como quintal de suas casas. O que choca é o preconceito, e, por isso, é preciso lembrar que o Nordeste não é apenas um lugar para passar férias de verão, e que o ódio não constrói. Programas sociais são caminhos de democracia, pois igualam as oportunidades. Não se pode viver em uma “sobrenomecracia” ou no tempo das capitanias hereditárias. É claro que os programas de redistribuição de renda precisam ser feitos a expensas de quem tem mais, não há outro jeito. A recusa de programas sociais, a acusação constante de corrupção e a manipulação dos meios de comunicação, como vimos nesta campanha, escondem uma visão deturpada da realidade assim como um preconceito imenso. Seria bom que a oposição entre azul e vermelho ficasse restrita à disputa entre o Boi Garantido e o Boi Caprichoso, em Parintins (AM), que concorrem e são adversários, mas não inimigos porque sabem que um precisa do outro. Agora é tempo de reconstruir o Brasil, de recomeçar. A presidenta eleita tem pela frente o desafio de reconstruir a unidade nacional, enfrentando as reformas necessárias e sempre adiadas, como a reforma política, a do judiciário, a tributária e outras ainda, como a democratização dos meios de comunicação e a reforma agrária. Desenvolver o País não é fazê-lo rico para alguns, mas sim espaço de convivência para todos. A oposição precisa cumprir o seu papel de fiscalização, pensando no bem do País, e não de partidos. Afinal, quem perdeu pode concorrer novamente em quatro anos. Daqui até lá, há um País a construir. E para construí-lo, é preciso desvestir o ódio e o preconceito, reconhecer como cidadão quem pensa diferente e cantar a plenos pulmões que se é brasileiro (?) com muito orgulho e com muito amor? Orgulho dos caminhos e das decisões do País, amor para fazê-lo, enfim, fraterno e solidário.


6 | Fé e Vida |

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LITURGIA E VIDA

novos santos e beatos

3º DOMINGO DO ADVENTO 14 DE DEZEMBRO DE 2014

O Senhor está perto ANA FLORA ANDERSON Neste domingo, a Igreja celebra com alegria a sua fé na vinda de Jesus no Natal. A antífona repete que devemos nos alegrar, pois o Senhor está perto. Na oração, pedimos que essa nossa espera litúrgica nos leve às alegrias da salvação. Na primeira leitura (Isaías 61, 1-2.10-11), o profeta se apresenta como o ungido de Deus para anunciar a Boa-Nova aos humildes. É essa profecia que Jesus cita para explicar a sua missão: curar os feridos, pregar aos cativos e libertar os presos. São os sinais da salvação. Deus fará nascer no mundo a justiça e conheceremos a sua glória. Na segunda leitura (1 Tessalonicenses 5, 16-24), São Paulo ensina a comunidade a viver na alegria, rezando sem cessar e dando graças a Deus. No caminhar da vida, devemos examinar tudo e guardar somente aquilo que é bom. O Evangelho de São João (1, 6-8.19-28) narra um diálogo de João Batista com as autoridades religiosas de seu tempo. João responde às acusações, afirmando que não é o Messias, nem Elias, nem o profeta. Ele afirma que é a voz que clama no deserto para preparar o caminho do Senhor. Ele não é a luz esperada pelo povo, mas a sua missão consiste em dar testemunho à verdadeira Luz do Mundo.

você pergunta

Por que Deus permite violência e guerras? padre Cido Pereira Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação

A Rosana Marques, da Bela Vista, sabe que Deus é bom e não entende porque Deus permite tanta violência e guerras, sobretudo nos Lugares Santos. Rosana, minha querida. Deus é bom sim, é maravilhoso, é o próprio bem. São João define Deus como “amor”. Deus é a fonte de todo bem, de todo amor. Agora, minha irmã, pense bem: o mal, a violência, as guerras não vêm de Deus nem são permitidos por Deus. Só que entre os bens que Deus nos deu, o mais bonito é a nossa liberdade. E fazer bom uso da liberdade é que é problema. Se Deus interviesse a todo instante na história da humanidade, nós seríamos escravos de Deus e não seus filhos. Além disso, conforme conta Jesus na parábola do joio e do trigo, Deus é paciente. Deus deixa que o bem e o mal cresçam juntos. Mas ele está atento e haverá a hora do juízo, do prestar de contas. Eu sei, é muito triste toda a violência que anda sacudindo o nosso mundo. E o que é pior é que muitos entendem suas atitudes hostis, que ferem, que aleijam, que matam, como coisa agradável a Deus. Imaginem só: ferir, mutilar, matar em nome de Deus. Veja a que ponto, chegamos. É um pecado que clama aos céus, e sobre isso já nos alertou o Papa Francisco. E o que fazer então? Deve estar se perguntando você. Pois é! Não contraponhamos violência a violência, paremos com o círculo vicioso do mal, oremos pela paz. Tenhamos viva dentro de nós a certeza de que a paz é possível. Testemunhemos nossa paz interior. Multipliquemos gestos de ternura, de acolhimento. Superemos os preconceitos todos, os religiosos inclusive. Aprendamos a conviver com o diferente. Viu Rosana? Sua pergunta nos permitiu uma linda reflexão. Deus abençoe você.

São João Diego Cuauhtlatoatzin 9 de dezembro

Os registros oficiais narram que Juan Diego, para nós João Diego, nasceu em 1474. Era um índio nativo, que antes de ser batizado tinha o nome de Cuauhtlatoatzin, traduzido como “águia que fala” ou “aquele que fala como águia”. Dedicava-se ao difícil trabalho no campo e à fabricação de esteiras. Possuía um pedaço de terra, onde vivia feliz com a esposa, Maria Lúcia, numa pequena casa, mas não tinha filhos. A esposa ficou doente e faleceu em 1529. Durante uma de suas idas à igreja, no dia 9 de dezembro de 1531, entre a vila e a montanha, ocorreu a primeira aparição de Nossa Senhora de Guadalupe, num lugar hoje chamado “Capela do Cerrinho”, onde a Virgem Maria o chamou em sua língua nativa, nahuatl, dizendo: “Joãozinho, João Dieguito”, “o mais humilde de meus filhos”, “meu filho caçula”, “meu queridinho”. Em 12 de dezembro, João Diego estava indo à cidade quando a Virgem apareceu e o consolou. Em seguida, pediu que ele colhesse flores para ela no alto da colina de Tepeyac. Após o milagre de Guadalupe, ele foi morar numa sala ao lado da capela que acolheu a sagrada imagem, depois de ter passado seus negócios e propriedades ao seu tio. João Diego amou, profundamente, a santa eucaristia, e obteve uma especial permissão do bispo para receber

Reprodução

a comunhão três vezes na semana, um acontecimento bastante raro naqueles dias. João Diego faleceu no dia 30 de maio de 1548, aos 74 anos, de morte natural. O Papa João Paulo II, durante

sua canonização, em 2002, designou a festa litúrgica para 9 de dezembro, dia da primeira aparição, e louvou São João Diego pela sua simples fé nutrida pelo catecismo, como um modelo de humildade para todos. Fonte: www.paulinas.org.br

50 Paulo VI: ‘todos os povos do anos

mundo são irmãos sob a paternidade divina’

Capa da edição de 13 de dezembro de 1964

A edição do O SÃO PAULO de 13 de dezembro de 1964 trouxe como reportagem de capa os acontecimentos dos primeiros dias da viagem do Papa Paulo VI à Índia, por conta da realização do Congresso Eucarístico Internacional, em Bombaim. Na chegada à cidade, o Pontífice dirigiu mensagem a todos os indianos e os demais povos da Ásia. “Possam eles lembrar que todos os povos do mundo são irmãos sob a paternidade divina, possam aprender a amar-se uns aos outros”. “Papa Ki Ji, gritavam os indianos católicos, budistas, muçulmanos... Papa Ki Ji... como estamos longe das petulantes insistências daqueles que, no conforto de uma sala de conferências, pretendiam

atestar o óbito da religião, da Igreja e do papa”, consta no texto. Em seus primeiros dias de visita, o Papa fez discursos sobre a doutrina católica, dialogou com representantes das comunidades cristãs não católicas e das religiões não cristãs, e teve encontro com o presidente Servapalli Radhakrishiman. O Papa ainda discursou para cerca de 100 mil pessoas. “Não podemos esquecer tudo o que representa para a Igreja a fé das populações cristãs libanesas, expressa na harmoniosa diversidade de ritos, na abundância e na variedade das comunidades religiosas e monásticas, em múltiplas atividades de ordem apostólica, educativa, cultural ou caritativa”.


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| Pastorais | 7

Vicariato para a Educação e a Universidade

Cami

Educadores e pesquisadores reafirmam vocação cristã em retiro de Natal

Imigrantes marcham pelo fim da violência

Dezenas de professores e pesquisadores participaram do “Retiro de Natal para o Mundo Acadêmico e da Cultura,” realizado na manhã do sábado, 6, na Capela do Mosteiro de São Bento, e pregado por Dom Carlos Lema Garcia, bispo auxiliar de São Paulo e vigário episcopal para a Educação e a Universidade. Durante o retiro, Dom Carlos lembrou que o Natal é tempo de recomeçar, “ocasião para cada professor ou pesquisador se recolocar pessoalmente diante da sua vocação cristã”. Para tanto, é preciso encontrar em Jesus a verdade que oferece um sentido de vida e que ultrapasse a dimensão terrena. Outra ideia importante destacada no retiro foi sobre como Cristo vence o medo humano anunciando uma vida nova. “Nós não devemos ter medo de nada porque Jesus traz

Pastoral da Juventude

a paz, o perdão, a reconciliação com Deus e a vida eterna”. Padre Vando Valentim, coordenador da Pastoral Universitária da Arquidiocese, afirmou que o retiro foi um momento para rezar, para se colocar diante de Deus e rever a missão dos professores de testemunhar Cristo na universidade. Cristiana Fusco, diretora do campus Consolação da PUC-SP, disse que o retiro foi bastante proveitoso e que as palavras de Dom Carlos foram enriquecedoras, levando-a à reflexão em meio à correria do dia a dia. “Para mim, foi um retiro completo: nós ouvimos, refletimos, pudemos confessar; e foi encerrado com a missa. O retiro foi um alimento para a alma e eu saí renovada”, enfatizou. Colaborou Diego Monteiro

Imigrantes, migrantes e defensores dos direitos humanos se juntaram em uma manifestação popular, no domingo, 7, para recordar ao País que ainda há direitos pelos quais deve-se lutar. Na Marcha havia cartazes, bandeiras de luta e reivindicações, exigindo respeito, reconhecimento e o fim da violência. A Marcha junta-se às manifestações mundiais em torno do Dia Internacional do Imigrante, 18 de dezembro, instituído pela ONU, que tem como objetivo difundir os direitos humanos e liberdades fundamentais dos imigrantes e criar um fórum para o intercâmbio de experiências e a luta pelos direitos. Nesse contexto, a caminhada teve o lema: “Basta de Violências contra @ Imigrantes”. Os manifestantes, além de carregarem seus sonhos e desejos de uma vida melhor, desfilaram suas reivindicações com cartazes, faixas, bandeiras de luta exigindo direito ao voto, nova lei de

migração, ratificação da convenção dos migrantes por parte do Estado Brasileiro, políticas públicas, menos burocracia no trato dos imigrantes, e contrariedade ao trabalho escravo, tráfico de pessoas e pediram o fim da criminalização do imigrante indocumentado. O bloco das mulheres, presente na manifestação, exigiu o combate à violência de gênero, que seja assegurado o tratamento com respeito aos seus usos e costumes, tanto na rede pública de saúde quanto na de assistência social, pelo fim da violência doméstica, pelo acesso à justiça e às leis protetivas, bem como a igualdade nos salários e postos de trabalho. Além dos imigrantes latinos, numeroso grupo de refugiados juntou-se à Marcha desse ano, exigindo o fim da discriminação, da xenofobia, por uma Síria livre, direitos a oportunidades e ao trabalho. Colaborou assessoria Cami

Pastoral da Pessoa com Deficiência

Projetando as ações pastorais para 2015/2016

Pastoral da Pessoa com Deficiência

No domingo, 7, a Pastoral da Pessoa com Deficiência realizou, na Paróquia Nossa Senhora do Bom Parto, na Região Belém, missa em Ação de Graças pelo Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, comemorado no dia 3 do mesmo mês. A celebração teve diversos recursos de acessibilidade, bem como a participação ativa dos deficientes.

A Pastoral da Juventude da Arquidiocese de São Paulo realizou, no final de semana de 6 a 8, na Casa Nossa Senhora do Cenáculo, em Taboão da Serra (SP), sua assembleia. Com o tema “Organizando a esperança e projetando os sonhos”, e lema “Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter”, os jovens das seis regiões episcopais de Arquidiocese discutiram e pensaram o trabalho para os biênio – 2015/2016. Colaborou Juliana Silva

ATOS DA CÚRIA NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE ADMINISTRADOR PAROQUIAL Em 8 de dezembro de 2014, foi nomeado e provisionado Administrador Paroquial da Paróquia Santo Antônio, da Região Episcopal Brasilândia, o Revmo. Côn. José Adriano, em decreto que entrará em vigor a partir de 15 de dezembro. NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE COORDENADOR DE PASTORAL Em 8 de dezembro de 2014, foi nomeado e provisionado Coordenador de Pastoral da Região Episcopal Ipiranga, o Revmo. Pe. Pedro Luís Amorim Pereira, em decreto que entrará em vigor a partir de 15 de dezembro. NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE VIGÁRIO PAROQUIAL Em 8 de dezembro de 2014, foi nomeado e provisionado Vigário Paroquial da Paró-

quia Nossa Senhora do Carmo, da Região Episcopal Brasilândia, pelo período de 6 (seis) anos, o Revmo. Pe. Pasquale Priolo, em decreto que entrará em vigor a partir de 14 de dezembro. NOMEAÇÃO DE DIRETOR ESPIRITUAL Em 8 de dezembro de 2014, foi nomeado Diretor Espiritual do Seminário de Filosofia Santo Cura D´Ars, o Revmo. Côn. José Adriano, em decreto que entrará em vigor a partir de 25 de janeiro de 2015. NOMEAÇÃO DE REITOR Em 8 de dezembro de 2014, foi nomeado e provisionado Reitor do Seminário de Filosofia Santo Cura D´Ars, o Revmo. Pe. Frank Antônio de Almeida, em decreto que entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2015. Em 8 de dezembro de 2014, foi nomeado e provisionado Reitor do Seminário Propedêutico Nossa Senhora da Assunção, o

Revmo. Pe. José Adeildo Machado, em decreto que entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2015.

vmo. Pe. Jorge Pierozan, para a Pastoral dos Nômades; e o Revmo. Dom Fernando José Penteado, para a Pastoral do Menor.

NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE ASSISTENTES ECLESIÁSTICOS DE PASTORAIS Por mandato de Sua Eminência, o Sr. Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, em 3 de dezembro de 2014, foram nomeados e provisionados, ou confirmados no encargo, pelo período de 3 (três) anos, os seguintes assistentes eclesiásticos de pastorais arquidiocesanas: Revmo. Pe. Marcelo Maróstica, para a Coordenação das Pastorais Sociais; Revmo. Pe. Gilberto Orácio de Aguiar, para as Comunidades Eclesiais de Base; Revmo. Pe. Helmo César Faccioli, para a Pastoral da Pessoa Idosa; Revmo. Pe. Vicente B. Abreu, para a Pastoral da Terceira Idade; Revmo. Pe. Valdir João Silveira, para a Pastoral Carcerária; Revmo. Pe. Tarcísio Marques Mesquita, para a Pastoral da Pessoa com Deficiência; Revmo. Pe. Antenor Dalla Vecchia, para a Pastoral dos Migrantes; Re-

EXERCÍCIO DO MINISTÉRIO SACERDOTAL DE NEOSSACERDOTES Em 6 de dezembro de 2014, foram ordenados seis presbíteros, incardinados na Arquidiocese de São Paulo, e que receberam o uso de Ordens em toda a Arquidiocese. Eles deverão exercer inicialmente o Ministério Sagrado nas seguintes regiões episcopais: Região Episcopal Brasilândia (Revmo. Pe. Gleidson Luís de Sousa Novaes e Revmo. Pe. Rodrigo Aguiar Freitas, este último da da Aliança de Misericórdia); Região Episcopal Belém (Revmo. Pe. Éverton Augusto de Souza); Região Episcopal Sé (Revmo. Pe. Pedro Augusto Ciola de Almeida); Região Episcopal Santana (Revmo. Pe. Maércio Ângelo Pissinatti Filho e Revmo. Pe. Antônio Pedro dos Santos). Os neossacerdotes devem se apresentar aos Bispos Vigários Episcopais das referidas Regiões, para receberem o primeiro encargo pastoral.


8 | Igreja em Missão |

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Destaques das Agências Nacionais

Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

1ª Missão Jovem no Amazonas Setenta e dois jovens de diferentes lugares do Brasil, durante 15 dias, vão conhecer a realidade da Igreja numa região com grandes distâncias e uma cultura ainda pouco conhecida pelo restante do País: a Amazônia. A “Primeira Missão Jovem na Amazônia” começou em 30 de novembro e segue até 15 de dezembro, e abrange as dioceses de Coari, Parintins e Roraima e a Prelazia de Borba. A iniciativa foi organizada em conjunto pelas Comissões Episcopais para a Juventude, Amazônia, Ação Missionária, Missão Continental da CNBB e pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM). Luis Alfredo Hormazábal Solar é de Talcahuano, no Chile, mas sendo um padre missionário, mora em Manaus e trabalha na Prelazia de Borba, como procurador geral da Prelazia, administrador e ecônomo. Além disso, acompanha os

Jovens Conectados

De diferentes pastorais, movimentos e comunidades, jovens fazem experiência missionária em dioceses na Amazônia até o dia 15

seminaristas e coordena a Pastoral da AIDS. Ele acompanhou os jovens na chegada à capital amazonense. “Têm jovens de quase todos os estados brasileiros e

vi situações diferentes. Para uns, era de temor pelo desconhecido... eu vi isso nas roupas que traziam. Na opinião de Luis, a missão é importante para

Dom Cláudio Hummes visita Manaus e participa da missão com os jovens O Cardeal Cláudio Hummes, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Amazônia da CNBB, visitou a Arquidiocese de Manaus entre os dias 28 a 30 de novembro. Na programação, o Arcebispo emérito de São Paulo participou da reunião do clero e visitou o Seminário Arquidiocesano. Conheceu uma comuni-

que os jovens ultrapassem alguns preconceitos gerados pela mídia. Os desafios da missão na Amazônia são tão grandes quanto o seu território, mas

o missionário chileno enfatizou que, para ele, não é a questão financeira a maior dificuldade, mas sim os recursos humanos. Fonte: CNBB

80 mil fiéis na procissão da padroeira

dade ribeirinha na companhia do bispo auxiliar de Manaus, Dom Mário Antônio, e participou de uma celebração perto de onde há o projeto de um santuário dedicado a Nossa Senhora da Amazônia. Dom Cláudio continua na região para acompanhar a 1ª Missão Jovem no Amazonas. Fonte: Arquidiocese de Manaus

Aproximadamente 80 mil fiéis acompanharam a procissão na Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, na capital do Amazonas, Manaus. A festa da Padroeira da cidade deste ano teve como tema “Maria, Mãe-Profeta da Libertação” e como lema “Porque o

Todo-Poderoso fez em mim maravilhas”. Na programação, os devotos rezaram o Terço às 15h, seguido do Ofício da Imaculada. Em seguida, aguardaram a procissão e a missa, presidida pelo arcebispo de Manaus, Dom Sérgio Castriani. Fonte: Jornal “Em Tempo”

Prêmio Alceu Amoroso Lima Poesia e Liberdade Ariano Suassuna é o homenageado desta edição do “Prêmio Alceu Amoroso Lima Poesia e Liberdade”, promovido pela Universidade Cândido

Mendes (UCAM) e o Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade (CAALL). A entrega será na quinta-feira, 11, no Rio de Janeiro (RJ).

O nome do prêmio está Ligado ao legado literário, cultural, político e eclesial do intelectual católico Alceu Amoroso Lima, que no contexto literário tam-

Filme ‘Descalço sobre a terra vermelha’ é premiado internacionalmente “Descalço sobre a terra vermelha”, filme que conta a história da vida de Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia (MT), e a luta ao lado da comunidade, sobretudo com os indígenas, recebeu dois prêmios internacionais. A minissérie de dois episódios do cineasta catalão Oriol Ferrer, ganhou o prêmio

FIPA de Ouro, na 27ª edição do Festival Internacional de Programas Audiovisuais de Biarritz, sudeste da França e do New York International TV & Film Awards. A produção poderá ser acompanhada pelos espectadores da TV Brasil nos dias 13, 20 e 27 de dezembro, sempre às 22h30. Fonte: Agência Brasil

bém é conhecido como “Tristão de Ataíde”, essa premiação foi criada em 1983, e é dividida em duas categorias: Direitos Humanos (nos anos ímpares)

e Poesia e Liberdade (nos anos pares). Nascido em 1893, Alceu participou como representante do Concílio Vaticano II. Fonte: CNBB

Comissão apresenta relatório sobre o papel das Igrejas durante a Ditadura A Comissão Nacional da Verdade apresentou na quarta-feira, 10, em Brasília (DF), o relatório final que abrange o papel das Igrejas durante a Ditadura. O relatório foi realizado a partir das informações apuradas sobre as ações realizadas pelas Igrejas, bem como as omissões relevantes que permitiram ou consolidaram as ações de violações de Direitos Humanos pelo Estado.

Como instrumentos, o grupo de trabalho utilizou as pesquisas acadêmicas ou jornalísticas já realizadas, bem como documentos e acervos, incluindo os das Igrejas. A Comissão também ouviu relatos, como por exemplo, de Dom Tomás Balduíno, fundador do Conselho Indigenista Missionário. Fonte: Comissão Nacional da Verdade


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Destaques das Agências Internacionais

Filipe david osaopaulo@uol.com.br

ESTADOS UNIDOS

Menos governo, mais caridade Um casal de católicos norte-americanos aposta em iniciativas não governamentais e locais para ajudar os pobres. Com quase 80 anos, John Saeman foi um importante executivo no setor de telecomunicações e foi nomeado Cavaleiro de São Gregório pelo Papa João Paulo II, por seu trabalho e dedicação à Igreja Católica e à sua missão. John e Carolyn, sua esposa, têm três filhos e 14 netos. Ambos trabalharam no conselho da Papal Foundation, uma organização norte-americana criada para ajudar financeiramente o Santo Padre com obras pastorais e de caridade por todo mundo. John tam-

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bém foi o diretor de outra fundação, a Daniels Fund, com investimentos em educação e no combate à dependência de álcool e drogas, entre outras atividades. O casal lembra que o ensinamento social da Igreja se baseia nos princípios da dignidade humana, solidariedade e subsidiariedade: “A solidariedade estipula que a sociedade deve se unir na busca do bem comum; a subsidiariedade requer que as mazelas sociais sejam tratadas no nível local”. Segundo o casal, os três princípios são ameaçados pela concentração ou centralização de poder. Um dos exemplos são os

programas governamentais mal projetados, feitos de tal forma que promovem a dependência do auxílio financeiro em vez de ajudar as pessoas a ascender socialmente. Com essa visão, eles concentram seu trabalho e dinheiro em apoiar organizações católicas não governamentais, investindo no auxílio a pessoas sem moradia e em um programa chamado “Sementes da esperança”, que oferece bolsas de estudo a jovens de baixarenda. O casal não tem medo de afirmar: “nossa convicção é que um governo reduzido é mais conveniente para tirar as pessoas da pobreza”. Fonte: CNA

Campanha pró-vida enfatiza adoção Uma recente campanha realizada na internet apresenta a adoção como uma opção preferível ao aborto. A campanha mostra mulheres que engravidaram sem ter condições de criar o bebê por elas mesmas, mas que nem por isso se voltaram ao aborto, preferindo preservar a vida de seus filhos e escolhendo para eles famílias adotivas. Um filme, lançado em 2007, trata da mesma situação, em que uma jovem de 16 anos engravida e, após uma má experiência em uma clínica de aborto e um

encontro com uma amiga pró-vida, decide levar a gravidez até o fim. A campanha pretende mudar uma dura realidade: nos Estados Unidos, o aborto é legal até o final da gestação. Estima-se que um milhão de bebês sejam mortos em abortos a cada ano em um país com apenas 18 mil adoções. Enquanto isso, milhares de casais aguardam anos (em média entre um e dois anos para casais juridicamente assessorados) para conseguir adotar um bebê. Fonte: CNA

REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA

Missa pela paz com 4 mil refugiados no Carmelo de Bangui Há um ano, milhares de pessoas vivem refugiadas no Convento Nossa Senhora do Monte Carmelo de Bangui, capital do País, devido aos confrontos que ocorreram na região. Embora precária, a situação hoje é um pouco mais tranquila, graças à criação de um governo de unidade nacional e a chegada de forças de paz internacionais, mas ainda

4 mil pessoas continuam a ser abrigadas no Convento. Por isso, no dia 5, foi celebrada uma missa pela paz com todos os refugiados, para “implorar de Deus o dom de uma paz duradoura e de uma verdadeira reconciliação para toda a República Centro-Africana”, afirmou o Padre Federico Trinchero, missionário carmelita

descalço, à agência Fides. A missa é também por todos os afetados pela violência, cristãos e muçulmanos, Antibalaka e Seleka (as duas milícias em conflito), bem como por todos os que morreram nos confrontos e por aqueles que têm trabalhado pelo restabelecimento da paz no País. Fonte: Fides

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Missionários carmelitas descalços prestam solidariedade à população

SERRA LEOA

Camilianos arriscam suas vidas na luta contra o Ebola Em meio à epidemia de Ebola na África ocidental – com mais de 17 mil casos e 6 mil mortes – muitos voluntários continuam a colocar suas vidas em risco para ajudar a combater a doença. Entre eles, estão os religiosos camilianos em Serra Leoa. A ordem dos clérigos regulares ministros dos enfermos, ou Camilianos, foi fundada em 1590 pelo religioso São Camilo de Lellis e é voltada à assistência espiritual e corporal dos doentes.

Em testemunho à agência Fides, o Padre Baby Ellickal, vigário da província da Índia, contou que quatro novos religiosos de sua equipe devem se juntar aos que já estão em Serra Leoa após um período de treinamento em Roma: “Nosso compromisso é particularmente focado em três áreas de intervenção: a reabertura do Hospital do Espírito Santo da Diocese de Makeni, (...) a assistência à força de trabalho diocesana (...) em matéria de mobilização social e prevenção em meio às comunidades locais,

bem como no apoio humanitário às famílias e vilarejos afetados. O terceiro ponto é o apoio psicológico individual e comunitário (...) às famílias em quarentena e em particular às crianças vítimas do vírus”. O Religioso concluiu seu testemunho afirmando que, como o trabalho é enorme, outros irmãos devem se juntar ao combate, vindos da Índia, da Itália e das Filipinas. Fonte: Fides


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Mais Jesus, menos ‘Noel’ Sergio Ricciuto Conte

É delicioso presentearmos os filhos! Não se trata de não o fazermos! Mas, precisamos fazê-lo com sobriedade... SIMONE FUZARO A vida foi mudando, muitas coisas foram criadas ao longo dos séculos e trouxeram às nossas vidas muitos benefícios: mais saúde, mais conforto, maiores possibilidades de atualização, de entretenimento, enfim, hoje não podemos sequer comparar nosso estilo e qualidade de vida com o de duas ou três gerações atrás. É verdade, também, que com a melhoria de condições de vida, fomos nos acomodando e criando necessidades. Hoje, temos dificuldade de enfrentar situações relativamente simples sem os “facilitadores” que a modernidade foi nos oferecendo. Evidentemente, não há mal nenhum em buscarmos melhores condições e certo conforto para vivermos. O que precisamos, porém, é não fazer isso sem uma reflexão constante, sem uma análise crítica sobre o que de fato nos trará os benefícios que procuramos e o que acabamos adquirindo por nos deixarmos levar pelo apelo

consumista, pela boa propaganda. Outro ponto importante para análise tem em vista algo mais sério, formativo: esse bem que nos traz determinado objeto ou serviço, não nos torna mais acomodados ou talvez, menos livres? Não acabamos criando uma dependência de algo que acaba por tirar nossa liberdade e domínio diante de diversas situações? Por meio dessa breve reflexão, convido-os a pensarmos no apelo consumista do Natal em nossa sociedade moderna e pagã. Quando vai se aproximando o Natal, já se iniciam as diversas propagandas que têm como alvo principal as crianças: brinquedos, jogos eletrônicos, computadores, tablets, celulares... Eles, ainda em formação e muito mais volúveis ao desejo, sem dúvida, acabam transformando esses objetos em alvo do mais intenso querer. Passam a ser uma verdadeira necessidade na vida dos pequenos que sonham com o que pedir ao Papai Noel, ou melhor, aos “Papais Noéis”, pois raramente ganham somente um presente de Natal! Muitos nem sequer sabem o real significado do Natal, a grandeza que representa essa festa cristã, que traz em si um grande exemplo

Ajudas externas para adquirir bons hábitos Pedro Paulo Oliveira Jr. Adquirir hábitos e ter disciplina exige um constante esforço e atenção que nem sempre conseguimos. A motivação inicial é necessária, mas a constância depende de ajudas que, muitas vezes, vêm de fora: cobrança do chefe, bronca dos pais, sugestão do cônjuge etc. Uma dessas fontes externas é o programa gratuito Beeminder (beeminder.com). A ideia é simples, mas bastante eficaz: ele pergunta a você, diariamente, como foi a meta que você estabeleceu. No Duolingo, por exemplo, do qual falamos semana passada, ele consegue obter essa informação

diretamente do programa e faz um gráfico do seu progresso. No entanto, se um gráfico não é suficiente para lhe motivar, existe uma modalidade em que o Beeminder toma dinheiro seu, uma quantia que você estipula, cada vez que você sai da linha. Achou estranho? Pode parecer que sim, mas muitas pessoas são sensíveis a pagar uma multa caso infrinjam alguma regra e, apesar de não ser a multa a principal coisa que nos faz respeitar as regras de trânsito, temos que confessar que, algumas vezes, ela é fundamental. Há uma série de usos criativos para o Beeminder: acordar no horário, dormir no horário,

quantidade de horas estudadas por semana, perder peso, fazer exercício, menos tempo de Facebook, melhorar alguma métrica de produtividade no trabalho etc. Há algum tempo, ouvi de um homem sábio que se a cada ano removêssemos um defeito ou adquiríssemos uma qualidade, em poucos anos, seríamos pessoas muito melhores. O Beeminder é uma excelente sugestão para pequenas mudanças concretas em sua vida, e o fato de talvez pesar no bolso, pode lhe ajudar a ficar nos eixos. Pedro Paulo de Magalhães Oliveira Jr. é engenheiro pela PUC-Rio e Doutor em MedicinapelaUSP.Atualmente,ocupaocargo de Diretor de Operações da Netfilter.

Endereço: Estrada das Lágrimas, 910 - Sacomã Fone/ Fax: 2274-2853 / 2215-6111 Emails: secretaria@santuariosantaedwiges.com.br/ comunicacao@santuariosantaedwiges.com.br Site: http://www.santuariosantaedwiges.com.br

Direito do Consumidor

Tecnologia

Comportamento

10 | Viver Bem |

de pobreza, pois têm ao seu redor uma verdadeira maratona consumista - adultos, às pressas, se dirigindo às compras e enchendo a casa de presentes! Alguns pais chegam a gastar muito para oferecer ao filho aquilo que ele deseja e, via de regra, poucos dias depois, nem brincam mais com o que ganharam. É delicioso presentearmos os filhos! Não se trata de não o fazermos! Mas, precisamos fazê-lo com sobriedade, tendo em vista que somos responsáveis pela formação deles e que, por isso mesmo, precisamos considerar que tipo de presente será o melhor para cada um. O que pode ajudar a criança a de fato se entreter de modo construtivo e saudável e não simplesmente atender ao seu querer, ou pior, àquele velho e, infelizmente, forte argumento: “mas todos os meus amigos têm isso, só eu ainda não tenho”. Será que nos deixando levar pela onda consumista, pelo movimento da maioria, não estamos criando filhos escravizados pelo ter e pouco comprometidos com o ser? Simone Ribeiro Cabral Fuzaro é fonoaudióloga, educadora e Mestre em Distúrbios da Comunicação pela PUC-SP, especialista em linguagem e coordenadora da Escola de Educação Infantil Pedrita.

Passagem de ônibus: nova viagem ou reembolso Ronald Quene As passagens de ônibus para viagens intermunicipais, interestaduais e até mesmo internacionais têm validade de um ano a partir da compra. A Lei nº 11.975/09 prevê que se o consumidor não puder embarcar no horário pré-definido, deve comunicar à empresa com até três horas de antecedência para usar a passagem em outra viagem, sem custo adicional. Além disso, consta na lei que a validade das passagens é de um ano, independentemente de estarem com data e horário marcados. Esses bilhetes poderão, dentro do prazo de validade, ser remarcados. Você terá 12 meses para poder utilizar o bilhete em outra viagem, sem nenhum custo adicional, mesmo que haja aumento de tarifa. Se o passageiro desistir da viagem, terá o direito ao reembolso. Saiba dos seus direitos, procure um advogado.

EXPEDIENTE PAROQUIAL MISSAS Segunda a sexta-feira às 15h e às 19h30 Sábados às 16h e Domingos às 7h, 9h, 11h e 18h30. Dia 16 de cada mês às 7h, 9h, 11h, 13h, 15h, 18h e 19h30. Secretaria Paroquial Segunda a Sexta- Feira das 8h às 19h30 Sábados das 8h às 12h e das 14h às 18h Confissões Segunda à sexta-feira: das 8h30 às 11h, das 14h às 15h e das 16h às 17h Sábado: das 8h30 às 11h Dia 16 de cada mês: das 6h30 às 19h Bazar de Objetos Religiosos Segunda a Domingo das 8h00 às 19h30

Ronald Quene é bacharel em Direito


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Fotos: João Roberto Ripper

Multas milionárias são suficientes para frear a exploração do ser humano?

MPF Vamos limpar essa mancha da nossa sociedade.

Tema da Campanha da Fraternidade em 2014, trabalho escravo tem crescido nas zonas urbanas do País Nayá Fernandes nayafernandes@gmail.com

Zara, Renner e Casas Pernambucanas estão na lista das empresas condenadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) por manter pessoas em situação análoga à escravidão. A multa de R$ 2,5 milhões e a sentença contra a Casas Pernambucanas foi proferida na sexta-feira, 5, em primeira instância, na capital paulista. A problemática do trabalho escravo está sendo largamente discutida este ano nas comunidades católicas devido ao tema da Campanha da Fraternidade sobre o tráfico humano e, como disse Padre Ricardo Rezende Figueira, professor de direitos humanos na Universidade Federal do Rio de Janeiro, “conhecer é o primeiro passo para compreender o drama”. Embora tenha sido considerado referência mundial no combate ao trabalho escravo, em declaração feita pelo coordenador do Projeto de Combate ao Trabalho Escravo no Brasil, da Organização Internacional do Trabalho

Ministério Público Federal Seu direito, nosso dever.

(OIT), Luiz Machado, o País ainda enfrenta situações críticas de violação de direitos humanos no que se refere ao cumprimento das leis trabalhistas. Em São Paulo, a maioria dos casos ainda acontece na zona rural, mas esse número tem crescido no meio urbano, sobretudo na construção civil e no ramo têxtil. O problema tende a se agravar com a chegada de imigrantes que vêm em busca de emprego e, muitas vezes, por falta de informação ou mesmo devido a dificuldades com a língua, ficam vulneráveis aos aliciadores. “A lei contra a escravidão e o problema que invade a cidade” foi o título do artigo escrito por Ricardo, Edna Galvão e Suliane Sudano para o livro lançado na quarta-feira, 10, em São Paulo pela Rede Social. “Direitos Humanos no Brasil 2014”. É um relatório que está na 15ª edição, anualmente escrito a várias mãos, com textos de autores que atuam em movimentos e organizações

sociais com objetivo de mostrar um panorama da atual conjuntura.

Escravidão na cidade O artigo, escrito no Rio de Janeiro, desenvolve a questão a partir da aprovação do Projeto de Emenda Constitucional (PEC) sobre o trabalho escravo. “A PEC foi aprovada e isso é positivo. O problema é que a bancada ruralista está querendo redefinir o que é trabalho escravo. A definição já foi realizada e consta, desde 2003, no artigo 149 do Código Penal Brasileiro. Agora, o que se busca no Congresso é retomar esta definição e isso seria um retrocesso”, explicou Padre Ricardo. Segundo o Professor, o problema central é essa proposta de redefinição. “Se chegarem a fazer isso, teria sido melhor não aprovar a PEC. A principal mudança que a bancada quer refere-se à retenção da liberdade, quando o eixo deve ser o da ofensa à dignidade.” Sobre as empresas multadas

recentemente, Padre Ricardo mostrou-se espantado, pois mesmo depois de tantas medidas, inclusive legais, elas continuam a insistir em atos criminosos. “Em São Paulo há uma lei estadual que prevê, além da multa, a proibição de a empresa funcionar no Estado durante 5 anos. Ainda assim, são muitas as empresas que estão com problemas nesta área. Esse é só mais um caso”, constatou. Na capital paulista, a situação dos bolivianos nas oficinas de costura é um problema tanto sério, quanto parece ser ignorado. America Joselin Viruez, é boliviana e mora em São Paulo há três anos. Recentemente, ela ajudou a libertar de uma oficina do Brás uma amiga que estava sendo ameaçada. “Fui lá com outro amigo e o dono não queria me deixar falar com a A.F. Disse a ele que iria chamar a polícia, e, então, ele cedeu. Minha amiga estava sendo ameaçada e tinha medo, inclusive de ser abusada, pois havia visto

Brasil adere ao Plano de Trabalho contra o Tráfico de Pessoas Durante a 4ª Reunião de Autoridades Nacionais em Matéria de Tráfico de Pessoas, que aconteceu em Brasília, os governos de 35 países do continente americano se comprometeram a seguir o Segundo Plano de Trabalho contra o Tráfico de Pessoas, cuja adoção oficial aconteceu na sexta-feira, 5. Além dis-

so, foi aprovada a Declaração de Brasília, que reitera a condenação do tráfico de pessoas em todas as suas formas de manifestação e destaca a necessidade de ações de prevenção e de recursos para políticas públicas, entre outras medidas. Com Agência Brasil

outros casos na mesma oficina”, contou America.

Relatório de Direitos Humanos Daniela Stefano é a jornalista responsável pela organização do Relatório de Direitos Humanos deste ano. O lançamento, organizado pela Rede Social, aconteceu na quarta-feira, 10, em São Paulo. O Relatório também participa do projeto Autor na Praça pela 11ª vez e será lançado no sábado, 13, na Praça Benedito Calixto, na capital. A jornalista explicou que, embora os temas sejam recorrentes, eles ganham enfoques diferentes a cada edição. “Dois temas que a gente sempre trata são a educação e o trabalho. Em relação ao trabalho, o foco deste ano está nos jovens e sobre a educação, o autor enfatizou os projetos apresentados nas campanhas eleitorais presidenciais”, completou Daniela. Ela chamou atenção para o texto sobre pessoas em situação de rua, que têm como título: “O canto da sereia: população em situação de rua e direitos humanos no Brasil”, escrito por Alderon Costa, ouvidor externo na Ouvidoria Geral da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, fundador e vice-presidente da Organização Civil de Ação Social (OCAS), instituição que edita a Revista Ocas.


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Programa da visita do Papa Francisco ao Sri Lanka e às Filipinas (horários locais)

12/01

19h – Partida do Aeroporto de Roma

13/01

9h – Chegada ao Aeroporto Internacional de Colombo e cerimônia de boas-vindas 13h15 – Encontro com os bispos do Sri Lanka no Arcebispado de Colombo 17h – Visita de Cortesia ao presidente da República na Residência Presidencial 18h15 – Encontro Inter-religioso no Bandaranaike Memorial International Conference Hall

14/01

8h30 – Missa e canonização do Beato José Vaz, no Galle Face Green, em Colombo 15h30 – Oração mariana no Santuário de Nossa Senhora do Rosário, em Madhu

15/01

8h15 – Visita à Capela “Nossa Senhora de Lanka”, em Bolawalana 8h45 – Cerimônia de Despedida no Aeroporto Internacional de Colombo 9h – Partida de Colombo para Manila 17h45 – Chegada à Base Aérea Villamor de Manila - Recepção Oficial

16/01

9h15 – Cerimônia de boas-vindas no Palácio Presidencial - visita ao presidente 10h15 – Encontro com autoridades e com o corpo diplomático na Sala de Cerimônias Rizal do Palácio Presidencial 11h15 – Missa com os bispos, sacerdotes, religiosas e religiosos na Catedral da Imaculada Conceição, em Manila 17h30 – Encontro com as famílias no Mall of Asia Arena, em Manila

17/01

8h15 – Partida em avião de Manila para Tacloban 9h30 – Chegada ao aeroporto de Tacloban 10h – Missa junto ao Aeroporto Internacional de Tacloban 12h45 – Almoço com alguns sobreviventes do tufão Yolanda na Residência do Arcebispo de Palo 15h – Bênção do “Pope Francis Center for the Poor” 15h30 – Encontro com sacerdotes, religiosas, religiosos, seminaristas e famílias de sobreviventes, na Catedral de Palo 17h – Partida em avião para Manila 18h15 – Chegada à Base Aérea Villamor de Manila

18/01

9h45 – Breve encontro com os líderes religiosos das Filipinas, na Universidade de São Tomás em Manila 10h30 – Encontro com os jovens, no campo esportivo da Universidade 15h30 – Missa no Rizal Park, em Manila

19/01

9h45 – Cerimônia de despedida no Pavilhão Presidencial da Base Aérea Villamor, em Manila 10h – Partida de Manila para Roma 17h40 – Chegada ao Aeroporto de Roma Fonte: vatican-va

Filipinas: um país em recon Pontífice visitará nação localizada no continente asiático em janeiro; população tenta reconstruir a vida após passagem do tufão Haiyan, em novembro de 2013 Bianca Fraccalvieri Especial para O SÃO PAULO, nas Filipinas

“Misericórdia e compaixão” é o lema da viagem do Papa Francisco às Filipinas, de 15 a 19 de janeiro de 2015. O Pontífice expressou o desejo de visitar o arquipélago em novembro de 2013, depois da passagem do tufão Haiyan – ou Yolanda, como o chamam os filipinos – que devastou, sobretudo, a região central do País. A cidade mais atingida foi Tacloban, que perdeu cerca de 7 mil moradores – e é ali que Francisco quer manifestar sua solidariedade. A jovem Lewina Tibe sobreviveu à tragédia, com seus dois filhos. Ela estava em Manila de férias, pois seu marido reside na capital, e voltou a Tacloban quatro dias antes do tufão. Em entrevista ao O SÃO PAULO, Lewina narrou os momentos de pânico daquela manhã de 8 de novembro de 2013, quando bastaram poucas horas para que a chuva destruísse a cidade. Ela e os dois filhos, de 8 e 13 anos, se refugiaram no vizinho, no segundo andar do prédio, enquanto a água inundava sua casa. Depois de três dias sem sair do apartamento, decidiram ir para o aeroporto e seguir para Manila. Lewina e as crianças ficaram na lista de espera para abandonar a cidade, com 800 pessoas à sua frente. Antes de embarcar, passaram duas noites e três dias no saguão de espera. Desde então, milhões de dólares foram doados ao país – inclusive do governo brasileiro –, dos quais muitos ainda não saíram dos cofres públicos filipinos. Somente no início de setembro, e em vista da visita do Papa, o aeroporto da cidade foi fechado para reformas e se teme que não fique pronto a tempo. Mas, para Lewina, a presença de Francisco na região é motivo de gratidão e de esperança: “Depois da passagem do Yolanda, as pessoas não estão curadas, estão disfarçando seus sentimentos reais e ainda não conseguem levar uma vida normal. Com a vinda do Papa, elas terão uma nova oportunidade de reviver e de superar o trauma; será uma grande ajuda”, declara, emocionada, Lewina, que nunca mais quis voltar a Tacloban. Além do atraso nos socorros, ela acusa as autoridades de não terem alertado os moradores a tempo sobre a potência do tufão.

Um ano após a passagem do tufão Haiyan, população filipina tenta reconstruir o País, com a ajuda da

Religiosidade filipina As Filipinas são formadas por mais de 7 mil ilhas, localizadas numa zona sísmica, onde se registram cerca de 20 tempestades

tropicais por ano, concentradas, sobretudo, de junho a novembro. Nesse período, alagamentos e evacuações fazem parte do cotidiano dos filipinos de baixa renda, sus-


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nstrução à espera do Papa Francisco Fotos: Bianca Fraccalvieri

a Pastoral da Criança; ao lado da filha e do esposo, Lewina conta como sobreviveu à tragédia de 2013; Padre Paulo Prigol, Scalabriniano, capelão de Manila, expõe realidade à embaixatriz Celme Fernandes

pensos num escasso equilíbrio entre fatalismo, descaso político e religiosidade popular. “Se não houvesse inundações, acho que não rezaria”, disse um morador da pe-

riferia de Manila, após a passagem do último tufão, Mário, em meados de setembro. Com o Timor-Leste, as Filipinas representam a exceção religiosa no continente

asiático, pois cerca de 90% da população se declara católica. “A Igreja filipina ainda se concentra nos sacramentos, nas missas, em novenas e Terços”, analisa a freira catarinense Terezinha Kunen, que implementou no País, há 10 anos, a Pastoral da Criança. Um fenômeno curioso são as missas celebradas em dezenas de shoppings centers espalhados por Manila, uma metrópole de 18 milhões de habitantes. “Quando eu cheguei às Filipinas, fiquei chocado de ver o padre lá no meio do shopping celebrando a missa. Depois de alguns anos, eu mesmo me encontrei nessa situação. Dentro da nossa paróquia, temos dois grandes shoppings, com missas regulares”, relata o sacerdote brasileiro Everaldo dos Santos, reitor da Comunidade Internacional Xaveriana de Teologia. Há 18 anos nas Filipinas, Padre Aldo – como é conhecido – diz que se adaptou à realidade, mas não sem espanto: “O que me questiona é o fato de que nos shoppings, não existe comunidade. Eu penso: será que eles sabem onde é a paróquia deles? Será que eles têm ideia de que nós pertencemos a uma diocese? Qual é a visão de Igreja que essas pessoas estão tendo, vivendo a experiência de fé dentro de um shopping center? Agora, quem sou eu também para julgar que quando as pessoas se reúnem e celebram a eucaristia, essa comunidade, de certa maneira, transforma aquele solo, aquele espaço, em algo sagrado também?”.

DNA marítimo Por viverem num arquipélago, os filipinos são conhecidos mundialmente como exímios marinheiros. De cada quatro marítimos no mundo, um é filipino – e muitos se encontram também no Brasil. O capelão de Manila é um brasileiro, o Padre Paulo Prigol, Scalabriniano, há 20 anos no País.

O SÃO PAULO - Qual o tipo de assistência os Scalabrianos prestam aos marítimos? Padre Paulo Prigol - A primeira é casa e comida. Nós temos três centros, basicamente, eles pagam um dólar e 20 centavos por dia – pouco para uma cidade como Manila. Depois, temos toda uma assistência social, jurídica, religiosa e psicológica. Tem gente que fica aqui um dia, dois, um mês. Mas há quem possa ficar com a gente até um ano. Quando isso acontece, é possível imaginar tudo o que passa pela cabeça de uma pessoa que espera um trabalho por um ano: problemas pessoais, problemas familiares etc. Nos três centros, por dia, assistimos cerca de 300 pessoas. Que mensagem o senhor espera ouvir do Santo Padre em janeiro de 2015? Eu só tenho um sonho: eu acho que os organizadores da visita papal deveriam fazer com que Francisco encontrasse uma família de marítimos. Estamos falando de milhares e milhares de pessoas. Praticamente em cada barco no mundo existe um filipino. A contribuição deles não é somente de mercado, mas é também religiosa, pois a maioria deles é católica e testemunham sua fé dentro do barco. O sinal do Papa seria extraordinário. (BF)


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Padres configurados ao Cristo: Pastor, Palavra e Sacerdote Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

“Tu, tu és sacerdote pra sempre. Tu, tu és sacerdote pra sempre. Segundo a ordem do rei Melquisedec”. O refrão do Salmo 109 ecoava pela Catedral da Sé. No sábado, 6, a “Igreja Mãe da Arquidiocese de São Paulo” estava repleta de fiéis vindos de diversas comunidades e paróquias para acompanharem a ordenação presbiteral dos diáconos Antonio Pedro dos Santos, 40, Everton Augusto de Souza, 33, Gleidson Luis de Sousa Novaes, 32, Maércio Angelo Pissinatti Filho, 28, Pedro Augusto Ciola de

Almeida, 31, e Rodrigo Aguiar Freitas, 33. A celebração foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, e concelebrada pelos bispos auxiliares e dezenas de padres. Na homilia, o Arcebispo destacou que os sacerdotes recebem a participação no sacerdócio de Cristo de três formas: “São configurados, assemelhados a Cristo pastor do rebanho, das ovelhas; configurados com Jesus, Palavra de Deus, que quer continuar fazer ressoar sua Palavra através dos seus ministros; e configurado ao Cristo sacerdote, para dispensar, em seu nome, os dons da santificação em favor do povo de Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Deus, por meio dos sacramentos”. Essa foi a primeira turma que o Padre Cícero Alves de França, reitor do Seminário de Teologia, acompanhou desde o início. Para ele, a formação não termina com a ordenação, mas é contínua e segue “até o fim da vida”, pois com a ordenação se conclui o que o Padre definiu como “formação de base”, mas os neossacerdotes “deverão continuar crescendo, amadurecendo e no caminho de Jesus”.

Amor à vocação Ao ler a mensagem de agradecimento, o Padre Gleidson Luis afirmou que “quem olha os necessitados se encontra com Deus” e prosseguiu destacando que “quando o padre deixa-se e olha o outro, se torna mais amável e mais humano, pois o outro nos converte”. “O chamado à vocação é constante e mesmo ordenado o padre precisa continuamente seduzir-se pelo amor à vocação que Deus o confiou. Junto à vocação sacerdotal, vem a missão que Deus vai confiando o chamado a deixar-se e olhar os outros. O outro é Deus. Nosso Senhor está nos hospitais, nos presídios, nas favelas nas ruas, abandonado nos asilos e entregues à solidão”, afirmou o sacerdote. Uma bênção na família Robson de Souza Novaes, irmão do Padre Gleidson, veio de

Eleição do Candidato Os candidatos são apresentados diante do Arcebispo, antes da homilia. Propósito do Eleito Após a homilia, somente os que serão ordenados ficam de pé e são interrogados pelo arcebispo e afirmam publicamente o propósito de aceitar os encargos do sacerdócio. Ladainha O Arcebispo convida o povo a rogar a Deus Pai que derrame com largueza a sua graça sobre este seu servo, que ele escolheu para o cargo de presbítero. O eleito prosta-se, como sinal de sua total entrega a Deus. Imposição das mãos e Prece de Ordenação Esta parte decorrente é tida como aquela que, no silêncio do coração, o bispo e todos os presbíteros presentes pedem a Deus pelos ordenandos. Esses, estando de joelhos, em silêncio, o bispo impõe as mãos sobre suas cabeças, seguido pelos presbíteros. E em seguida, profere a prece de ordenação. Unção das mãos e entrega do pão e do vinho Terminada a Prece de Ordenação, os ordenados revestemse com a estola e a casula, vestes utilizadas pelos padres, para presidirem as celebrações eucarísticas. Em seguida, os ordenados recebem das mãos do Arcebispo, o pão na patena e o vinho e a água no cálice para a celebração da missa.

Caeté (MG) para participar da ordenação. De acordo com ele, é uma alegria muito grande ter um padre na família, pois “um padre na família é uma coisa rara de se ver atualmente”, e afirmou, ainda: “nós temos uma bênção em nossa família”. A mãe do neossacerdote, Maria Júlia Souza Novaes, destacou que sempre acompanhou com oração a caminhada do filho e que desde novo, ao leva-o à missa e à Catequese, viu nele uma busca, por estar inserido na Igreja e dela participar, ali ela percebeu a vocação do filho.

Um sacerdote para a Aliança de Misericórdia Rodrigo Aguiar Freitas é membro da comunidade Aliança de Misericórdia, comunidade que conheceu por volta dos 19 anos. Na missa de ordenação, dezenas de membros da Comunidade estavam na Catedral e comemoravam a ordenação dele. Um dos fundadores da comunidade, Padre João Henrique, contou e entrevista ao O SÃO PAULO que o Padre Rodrigo

servirá à Arquidiocese de São Paulo trabalhando em uma paróquia na periferia da cidade, em Taipas. Lá, de acordo com o Padre joão Henrique, terá contato com os pobres e viverá com missionários da Aliança que realizam trabalho no local. Além disso, Padre João Henrique destacou que Padre Rodrigo viverá como é próprio do carisma da Comunidade Aliança de Misericórdia, ou seja, fazendo missão de rua, indo ao encontro dos moradores de rua e dependestes químicos. “Mais que ganhar um padre, a Aliança oferece um sacerdote para a Arquidiocese, para a Igreja e para os pobres”, afirmou. Para onde irão os sacerdotes: Região Brasilândia Gleidson Luis de Sousa Novaes Rodrigo Aguiar Freitas Região Belém Everton Augusto de Souza Região Sé Pedro Augusto Ciola de Almeida Região Santana Antonio Pedro dos Santos Maércio Angelo Pissinatti Filho

Reprodução


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Padre Adolfo Nicólas Páchon

Jesuítas devem ir aos limites de onde a Igreja fala com a sociedade Luciney Martins/O SÃO PAULO

Daniel Gomes danielgomes.jornalista@gmail.com

A respeito do futuro, o senhor já anunciou que em 2016 deixará a função de superior geral dos Jesuítas. Quais as motivações dessa decisão?

Aos 78 anos, Padre Adolfo Nicólas Páchon, superior geral da Companhia de Jesus (Jesuítas) desde 2008, anunciou, no último mês de maio, que em 2016 deixará o comando da ordem que hoje atua em 130 países, com mais de 17 mil religiosos. Ser superior geral por toda vida não é bom para a ordem religiosa. Há talentos mais dinâmicos, pessoas muito bem preparadas, mais jovens, e é preciso deixar que eles tomem as responsabilidades. Eu dou conta das minhas limitações”, afirma Padre Adolfo nesta entrevista exclusiva ao O SÃO PAULO, em que também analisa os desafios da missão dos Jesuítas no Brasil e no mundo. O Superior Geral dos Jesuítas esteve em São Paulo em 15 de novembro, quando presidiu missa no Pateo do Collegio. No dia seguinte, no Rio de Janeiro, ele oficializou a criação da Província dos Jesuítas do Brasil, que unifica as outras três províncias existentes até então – Brasil Meridional, Brasil Centro Leste e Brasil Nordeste, além da região missionária Brasil Amazônia. Na ocasião, também deu posse ao Padre João Renato Eidt, como provincial no Brasil.

O SÃO PAULO - O senhor veio ao País para a criação oficial da Província dos Jesuítas do Brasil. Como imagina que será a atuação da Província? Padre Adolfo Nicólas Páchon Vai ser uma província muito grande. Os indianos, por exemplo, em Roma, estavam muito impressionados porque o Brasil é três vezes maior que a Índia, e lá, temos mais de 20 províncias em duas regiões. E no Brasil, que é três vezes maior, há somente uma província, e isso impressiona.

O senhor já esteve no Brasil outras três vezes. O que lhe parece mais desafiador para a ação dos Jesuítas aqui no País? Para o novo provincial no País será muito desafiador o tamanho do País. O Brasil tem dimensões enormes, toda a Europa cabe no Brasil. Um desafio muito grande que ele vai ter é estar sempre presente com os Jesuítas e, ao mesmo tempo, não ficar movendo-se de um lado para

importantes decisões olhando para o futuro.

Ser superior geral por toda vida não é bom para a ordem religiosa. Há talentos mais dinâmicos, pessoas muito bem preparadas, mais jovens, e é preciso deixar que eles tomem as responsabilidades. Eu dou conta das minhas limitações. Fiz o que podia fazer e agora é o momento de pensar em outros, mais jovens, que tomem essa responsabilidade. Não é bom que os Jesuítas fiquem se perguntando: “aquele velhinho de Roma segue em Roma?’ Então, prefiro sair antes de que comecem a questionar isso. Temos a experiência, tanto na Companhia de Jesus quanto na Igreja em geral, experiências recentes aliás, de que os últimos anos de uma pessoa não são muito eficazes, produtivos. A pessoa tem que cuidar da própria saúde. Talvez fará suas atividades de superior geral ou será como um objeto de decoração, sem função qualquer, sem vida ativa. outro, ou seja, precisará demarcar presença, mas não viver em aeroportos, em aviões continuamente. Ele terá que encontrar um modo particular para responder a esse desafio.

Há pontos de atenção específicos sobre a ação dos Jesuítas em São Paulo? Eu acredito que a presença dos Jesuítas está em todas as partes. Neste momento da história em que o mundo está mudando muito, está se mudando a forma de pensar religiosamente e não religiosamente, temos que discernir, em todas as partes, qual é a melhor maneira de estar presente e onde. No Brasil, eu falo que é preciso se fazer um discernimento de quais são os pontos-chaves das mudanças sociais, das mudanças de mentalidade e das mudanças culturais para estar em diferentes locais em nome da Igreja, para servi-la. Essa é nossa missão em todas as partes, e eu creio que agora ganha tons muito especiais.

O Papa Francisco tem exortado a todos os fiéis, insistentemente, que sejam parte de uma Igreja em saída.

Como isso é vivenciado pelos Jesuítas? Isso casa muito bem com a visão que temos sobre nossa missão de Jesuítas. Os papas, desde Paulo VI, estão nos falando de ir às fronteiras, e isso é ir aos limites de onde a Igreja fala com a sociedade. O que o Papa Francisco está dizendo é para sairmos de nós mesmos, o que já está muito incorporado na maneira dos Jesuítas de entender a missão, ou seja, se encaixa perfeitamente conosco.

Em 2014, os Jesuítas comemoram os 200 anos da restauração oficial da Companhia de Jesus, feita em 7 de agosto de 1814, pelo Papa Pio VII, por meio da bula Sollicitudo omnium Ecclesiarum. Como tem sido vivenciado este momento celebrativo? Estamos celebrando com muita sobriedade, aprendendo tudo o que temos que aprender com o passado, com os acontecimentos da supressão e da restauração. E o Papa Francisco tem nos ajudado muito bem, fazendo reflexões sobre estes tempos difíceis nos quais a Companhia tem tomado

Na congregação dos Jesuítas de 2016, além da possível escolha de um novo superior geral, o que mais estará em discussão? Eu creio que estamos passando por um processo de mudança lenta. As congregações antigas eram congregações apostólicas, com decretos muito concretos sobre o apostolado, mas veio o Concílio Vaticano II e mudou muito da mentalidade e da visão da Igreja, da liturgia, a visão de tudo. As congregações gerais de 31 [ano de 1965] a 34 [1995] dos Jesuítas tiveram decretos de reflexão para ajustar a visão da Companhia aos tempos modernos. Agora, temos que nos voltar para a missão e acredito que isso está acontecendo, pois já a Congregação Geral 35 [ano de 2008] foi muito concreta em ajustar o modo como entendemos a missão hoje e tocar em problemas do fazer da missão. Eu creio que nos voltaremos para uma congregação de decretos concretos, que toca na missão e não tem que refletir sobre o que é a vida religiosa ou sobre o que se supõe sobre os votos, etc. Isso já está feito.


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Filipe David

Ser cristão na era neopagã A revista 30 giorni nella Chiesa e nel mondo (30 dias na Igreja e no mundo), criada na Itália, em 1983, começou a ser publicada no Brasil em 1986 e chegou ao seu último volume em maio de 2012. Voltada prioritariamente a acompanhar a Igreja de perto, a começar pela observância atenta à vida da Santa Sé, muito espaço e escuta foram dedicados nela ao Cardeal Ratzinger, na intenção de que seus ensinamentos, sempre profundos, fossem ouvidos e compreendidos. Essa série de três volumes reúne e apresenta grande parte dos discursos, homilias, debates e entrevistas concedidas à revista pelo Cardeal, no período de 1986 a 2004.

Neste primeiro volume consta uma rica amostra da variedade de temas sobre os quais o teólogo Joseph Ratzinger discorreu: a exêgese bíblica, a formação sacerdotal e o fundamento bíblico do sacerdócio, bem como a identidade e o papel dos leigos, a função do teólogo e do magistério eclesial, o

Leitura começa em casa

ecumenismo, a questão da verdade e da consciência, a Encarnação do Verbo, a atualidade de Santo Agostinho, a natureza e as diferentes formas de liturgia – entre outros. Esses textos são de considerável relevância não só aos fiéis que buscam aprofundar seus conhecimentos a respeito da própria fé, mas também a todo estudante sincero que esteja procurando uma orientação espiritual consistente em meio às alternantes correntes de pensamento e ação do nosso mundo moderno.

Educação

Dica de Leitura

osaopaulo@uol.com.br

FICHA TÉCNICA Autor: Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI) Páginas: 204 Editora: Ecclesiae

Uma pesquisa recente realizada pela Universidade Católica de Brasília, com 800 estudantes universitários, mostrou que cerca de metade deles são analfabetos funcionais, isto é, sabem ler, mas não conseguem entender o que leem. Além disso, apenas um em cada mil adolescentes brasileiros é capaz de ler no nível mais alto estabelecido pelo Pisa, programa internacional de avaliação de estudantes. Para que isso não aconteça com o seu filho, o melhor remédio deve ser aplicado em casa. Ele começa com a leitura. Mas não é o seu filho quem deve ler, é você. É o que explica o educador Carlos Nadalim: “pais, vocês precisam ler em casa, não só para as crianças, mas também coisas que sejam do interesse de vocês, porque a criança só vai tomar gosto pela leitura por meio de um exemplo, ela precisa ver um leitor”. Nadalim faz a seguinte comparação: “uma criança sonha em ser jogador de futebol não porque ouviu falar de jogos de futebol, mas porque viu alguém jogando!”.

Segundo o educador, muitas pesquisas mostram que a etapa que antecede a alfabetização é decisiva para o sucesso do aprendizado da leitura. Nadalim recomenda a leitura em voz alta de histórias infantis para os filhos, mas permitindo à criança ver as imagens e manusear o livro por si mesma. Descrever as imagens e estimular a imaginação da criança para explicar o que está desenhado também são excelentes maneiras de prepará-la. O educador afirma que não se deve ter receio de escolher obras clássicas da literatura infantil para as crianças, mesmo que tenham palavras desconhecidas, porque é assim que elas adquirem vocabulário. E recomenda o Dicionário Crítico da Literatura Infanto-Juvenil Brasileira, escrito por Nelly Novaes Coelho, para auxiliar os pais nessa escolha. Para mais dicas e informações sobre educação infantil, vale a pena conferir o blog do professor Carlos Nadalim: (http://comoeducarseusfilhos. com.br/blog/boas-vindas).

espaço do leitor Muitas histórias nas mãos para saudar o Cardeal Arns (edição 3030) “Parabéns pela matéria! As fotos também estão belíssimas. Obrigada por incluir meu nome, embora eu fique com vergonha, porque lá estavam muitas pessoas que trabalharam incansavelmente e com paixão pelo Reino, junto com

o querido Dom Paulo. Sem dúvida, ele é uma referência importantíssima na minha vida e missão”.

do seja, meu Senhor, por este profeta, sacerdote, pastor! Dom de Deus para o povo brasileiro e paulista!”

ma é bom para o futebol brasileiro (dentro de campo); a cartolagem, porém, continua a mesma...”.

Maria Cecília Domezi (por e-mail).

Johannes Gierse (pelo Facebook)

Gilberto Cruz (pelo Facebook)

“Querido Dom Paulo Evaristo Arns, grande profeta e pastor que muito admiro e amo” Bonifácio Santos (pelo Facebook)

“Parabéns, Dom Paulo! Louva-

‘É campeão!’, em São Paulo, não (edição 3030) “A hegemonia paulista acabou. Veja só os times de Minas e Santa Catarina. Isso de certa for-

“Com os empresários do futebol emaranhados em situações escusas, a Lei Pelé que transformou os atletas em mercenários da bola, quer dizer da grana... o futebol brasileiro está cada vez

pior... não pelo fato de São Paulo e Rio perderem a hegemonia, pois mesmo em Minas e nos outros Estados a situação não é nada boa”. José Eduardo Souza (pelo Facebook) Redação do jornal O SÃO PAULO. Endereço: Avenida Higienópolis, 890, São Paulo (SP), CEP. 01238-000. E-mail: osaopaulo@uol.com.br Twitter: @JornalOSAOPAULO Facebook: Jornal O SÃO PAULO


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Correr, jogar e ‘dar o sangue’ pelo próximo Sangue Corinthiano

Solidariedade do Natal inspira eventos e mobilizações de torcedores em prol de causas sociais Daniel Gomes danielgomes.jornalista@gmail.com

A chegada do Natal é também momento para que muitas pessoas promovam ou apoiem ações de solidariedade. No esporte não é diferente, e ao menos três iniciativas solidárias estão programadas antes de 25 de dezembro: a Corrida da Cidadania, o jogo beneficente “Fome Só de Bola” e a campanha de doação “Sangue Corinthiano”. Nesta edição, O SÃO PAULO apresenta detalhes dessas ações. tir da ordem de cadastro. Excepcionalmente dessa vez, só poderão participar pessoas com idades entre 18 e 69 anos. No dia da doação, é fundamental que o participante porte documento original com foto e apresente boas condições de saúde - pesar no mínimo 50 quilos; estar descansado (ter dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas antes da doação); e ter se alimentado (evitando alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem a doação). Além da Arena também haverá postos de doação, independentemente do time do doador, na Fundação Pró-Sangue, Colsan, Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Hospital Sírio Libanês (veja os endereços www.saude. sp.gov.br/doesangue).

Bola rolando contra a fome Neymar Jr. estará no Estádio Jayme Cintra, em Jundiaí (SP), no dia 22, às 18h, para fazer o que mais sabe: gols. O camisa 10 do Brasil será um dos protagonistas do jogo beneficente “Fome Só de Bola”, promovido pelo atacante Nenê, jogador do Al-Gharafa, do Catar.

Para prestigiar o jogo, cada torcedor terá que doar dois quilos de alimentos não perecíveis, exceto sal e açúcar. Os mantimentos arrecadados serão divididos, em partes iguais, entre o Fundo Social de Solidariedade de Jundiaí e o Instituto Projeto Neymar Jr., que deve ser inaugurado pelo craque do Barcelona neste mês e iniciará atividades em 2015, atendendo 2, 3 mil crianças carentes, com idades de 7 a 14 anos, e que tenham, no mínimo, 90% de frequência escolar. A proposta, conforme consta no site do Instituto, é fazer com que cada criança aprenda valores como respeito e disciplina, além de ter melhor qualidade de vida. “Aceitei o convite na hora pela amizade que temos e por ser um jogo beneficente. Depois que ele [Nenê] me falou como seria o jogo,

vimos uma oportunidade de ajudar quem precisa e tivemos a ideia de ter essa parceria com o meu Instituto. E, claro, de jogar bola e juntar os amigos que é o que eu mais gosto de fazer”, afirmou Neymar. O “Fome Só de Bola” terá, ainda, a participação dos jogadores Lucas, do Paris Saint Germain, e Luís Fabiano, do São Paulo, além do piloto Felipe Massa, da Fórmula 1, Falcão, do Futsal, e do cantor Gusttavo Lima. A troca antecipada de ingressos foi iniciada no dia 6, em duas redes de supermercados de Jundiaí e na portaria do Estádio Jayme Cintra (mais detalhes em www. institutoneymarjr.org.br). Para quem está na capital paulista, é possível chegar a Jundiaí através dos ônibus que partem do Terminal Tietê ou pela linha 7 da CPTM. Divulgação

AGENDA ESPORTIVA

Rafael Ribeiro/CBF

Melhores do Brasileirão Na noite da segundafeira, 8, a CBF anunciou os melhores do Brasileirão. Marcelo Oliveira, do Cruzeiro, foi escolhido como melhor técnico; Everton Ribeiro (foto), também do clube alviceleste, venceu pelo segundo ano consecutivo o prêmio de craque do campeonato; e Erick, do Goiás, foi o atleta revelação.

Quinta-feira (11) 19h – Liga Nacional de Basquete Pinheiros x Paulistano (Ginásio do Pinheiros – rua Hans Nobling, s/n°, Jardim Europa). 21h – Liga Nacional de Basquete Palmeiras x Liga Sorocabana (Ginásio Palestra Itália - rua Turiassú, 1.840, Perdizes). Sábado (13) 16h10 – Corrida de Rua Corrida da Cidadania (Estádio do Pacaembu) Domingo (14) 7h30 – Corrida de Rua Circuito Popular de Corrida de Rua de São Paulo (Parque Trote – avenida Nadir Dias de Figueiredo, s/nº, na Vila Maria).

Uma corrida que constrói cidadania

Projeto Arrastão

‘Sangue corintiano’ para todas as torcidas Diariamente, o Brasil necessita de 5,5 mil bolsas de sangue. Pensando nisso, Milton Oliveira, doador voluntário desde 2005, idealizou a campanha “Sangue Corinthiano”, realizada pela primeira vez em 2008. Neste mês, a ação acontecerá entre os dias 13 e 20, incluindo, um momento especial de doações, no sábado, 20, das 9h às 16h, na Arena Corinthians, organizado pelo clube e pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, com tema “Sangue Tipo C”. “Não importa se você é torcedor de arquibancada, de torcida organizada ou acompanha o Timão só pelo rádio ou TV. O importante é fazermos nossa parte na sociedade, doar um pouco do sangue corinthiano que corre em nossas veias”, afirma Milton, no site da campanha www.sanguecorinthiano.com.br. Na ação na Arena Corinthians, a meta é coletar 600 bolsas de sangue. Os interessados em participar devem fazer um pré-cadastro no site, até o dia 11. O limite de vagas é de 780 pessoas, selecionadas a par-

Na região de Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, 24% da população vive em favelas e 20% dos chefes de família não possuem renda. Em meio a essa realidade de vulnerabilidade social existe, desde 1968, o Projeto Arrastão, que atende, diariamente, 1.200 crianças, jovens e adultos, em ações de promoção social, educacional e cultural. Para garantir a manutenção do Projeto, é realizada anualmente a Corrida da Cidadania, que acontecerá no sábado, 13, no Estádio do Pacaembu, com provas infantis, a partir das 16h10, e corrida de seis quilômetros e caminhada de três quilômetros para adultos, às 18h30. A atividade é feita em parceria com o preparador físico Marcos Paulo Reis. “A Corrida pela Cidadania é o nosso principal evento de captação de recursos e ajuda a manter projetos há muitos anos realizados no Campo Limpo, como o Arrasta-lata, que trabalha a questão ambiental com música com crianças e adolescentes, e o nosso Programa de Educação Infantil, que acolhe crianças pequenas. O evento é essencial para a organização e hoje corresponde a 10% do nosso orçamento anual”, explicou, à reportagem, Selma Ramos Dau Bertagnoli, diretora executiva do Projeto Arrastão. Segundo os organizadores, são esperados 2 mil corredores, entre profissionais e amadores, que ao pagarem pela inscrição da prova ajudam o Projeto. Outras informações podem ser obtidas em http://arrastao.org.br/corrida-pela-cidadania.


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João Carlos Gomes Colaborador de Comunicação da Região

Dom Edmar lança pedra fundamental da Capela Madre Paulina A Paróquia Santo André Apóstolo, do Setor Conquista da Região Belém, celebrou, em 30 de novembro, não somente o dia de seu padroeiro, mas também o lançamento da pedra fundamental de mais uma de suas 11 comunidades, a Comunidade Madre Paulina. O dia de festa começou com a missa do padroeiro na matriz, presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo na Região Belém, Dom Edmar Peron. Concelebraram os padres João Paulo Rizeck, administrador paroquial, e Boris Agustín Nef Ulloa, pároco da Paróquia Imaculada Conceição, da Região Ipiranga. Além dos cerca de 100 fiéis que participaram da missa, esteve presente o engenheiro Mutum Minoda, responsável pelo projeto e a planta da construção da Capela Santa Paulina. Ao final da celebração, todos saíram em

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Belém Paróquia Santo André Apóstolo

carreata para o terreno onde será erigida a Capela. Ali foi feita a solenidade do lançamento da pedra fundamental, que foi depositada na terra. Na pedra, estavam os dizeres: “Pedra Fundamental – Capela Madre Paulina – 30/11/2014”. “Todos somos responsáveis por cada tijolo, por cada grãozinho de areia, por cada pedra e elemento que for necessário na construção; junto com ela, devemos - com muita perseverança e ajuda de Deus - construir também a Igreja-Povo de Deus, cuidando da Catequese para todas as idades, formação bíblica, cuidando para que todas as pessoas sejam bem acolhidas e amadas e não descuidando do grupo de liturgia para preparar bem as celebrações da Palavra e da Eucaristia”, disse Dom Edmar. “A Comunidade deve ser também o lugar do encontro para oração e lugar onde se acolhe a juventude”, finalizou Dom Edmar Peron abençoa pedra fundamental da Capela Madre Paulina o Bispo.

‘Texto-base da CF é para ser lido, estudado, compartilhado’ No domingo, 7, cem lideranças dos dez setores da Região Episcopal Belém participaram do estudo da Campanha da Fraternidade de 2015, cujo tema é “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, e o lema “Eu vim para servir” (Mc 10,45). A assessoria do evento ficou a cargo do coordenador da Campanha da Fraternidade da Arquidiocese, Padre Manuel da Conceição Quinta, com a participação do bis-

po auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, Dom Edmar Peron, que recomendou: “O texto-base não é para ficar guardado na gaveta, é para ser lido, estudado e compartilhado”. Todos os participantes receberam de presente o texto-base da CF e a velinha da Campanha da Cáritas “10 milhões de estrelas - uma luz pela paz e pelo fim da fome no mundo”.

AGENDA REGIONAL Sábado (13), 9h Festa da Padroeira da Paróquia Santa Luzia e São Pio X (avenida Sapopemba, 1.500, na Vila Ema). Domingo (14) 10h30 – Bênção do Menino Jesus, na Paróquia Nossa Senhora do Bom Parto (rua Serra de Japi, 1.146, no Tatuapé). 18h – Bênção do Menino Jesus, na Paróquia Natividade do Senhor (avenida Antônio Buono, 62, na Vila Guarani).

Fernando Geronazzo Colaborador de comunicação na Região

Momento para recordar 2014 e festejar a vida sacerdotal

O clero que atua na Região Episcopal Sé realizou sua última reunião de 2014, na quarta-feira, 3, na Paróquia Nossa Senhora da Fátima, no Sumaré, na zona oeste de São Paulo. O encontro foi um momento de ação de graças pelo ano que termina e de confraternização dos padres. O clero recordou os principais acontecimentos deste ano, entre eles, a despedida de Dom Tarcísio Scaramussa, então bispo auxiliar de São Paulo e vigário episcopal para a Região, nomeado pelo Papa Francisco para bispo coadjutor de Santos (SP), em julho. Entre as mui-

tas atividades desenvolvidas ao longo do ano, destacou-se a prioridade pastoral da Iniciação à Vida Cristã. Padre Aparecido Silva, vigário episcopal para a Região, também lembrou e saudou os padres que comemoram o jubileu de ordenação sacerdotal em dezembro: Padre José Enes de Jesus, Cônego Severino Martins, Padre Vicente de Paulo Moreira, Padre Domingos Geraldo Barbosa de Almeida Júnior e Padre Enivaldo Santos do Vale, que comemoram 25 anos de ordenação; Padre João Affonso Zago, que completa 50 anos de sacerdócio;

Padre Mário Cury, 60 anos de presbítero. Também se recordou os 73 anos de ordenação do Padre Rubens Lázaro e os 76 anos de padre do Monsenhor Luiz Geraldo Amaral Mello. Também foram recordados os sacerdotes idosos e enfermos. A reunião contou, ainda, com a presença de Dom Carlos Lema Garcia, bispo auxiliar da Arquidiocese e vigário episcopal para a Educação e a Universidade, que conversou brevemente com os padres sobre o trabalho realizado pelo novo Vicariato Episcopal e pediu a colaboração do clero nessa missão. “Se vocês

Fernando Geronazzo

Padres participam de confraternização e relembram momentos de 2014

têm conhecimento de algum colégio em suas paróquias em que há algum professor que já mobiliza algum trabalho de catequese fora do período escolas, isso nos interes-

sa conhecer”, disse o Bispo. Além da avaliação de 2014, os padres apresentaram sugestões de temas e das paróquias onde acontecerão as reuniões de 2015.


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Santana

Diácono Francisco Gonçalves Colaborador de comunicação da Região

50 anos de dedicação à Igreja na Índia e no Brasil Diácono Francisco Gonçalves

Padre Victor recebe homenagens por seu jubileu de ouro sacerdotal

“O zelo por tua casa me consome” (Sl 69,10). Com o lema de sua ordenação sacerdotal, Padre Victor Santana Milagres Fernandes comemorou no sábado, 6, 50 anos de vida sacerdotal, com missa solene na Paróquia Santíssima Trindade, onde é pároco, e que contou com a participação de Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, padres, diáconos e fiéis. Nascido em Goa, antiga possessão portuguesa no território indiano, ao terminar o segundo grau escolar e realizando um curso de Português, Victor recebeu em casa a visita do reitor do Seminário de Goa, que se dirigiu a seus pais convidandoos a cederem o filho à Igreja. Convite aceito, Victor, aos 12

anos, iniciou a caminhada sacerdotal, sendo ordenado padre durante o Congresso Eucarístico de Bombaim, na Índia, em 1° de dezembro de 1964, evento que teve a participação do Papa Paulo VI. Em sua primeira atividade como sacerdote, Padre Victor auxiliou um padre idoso. Naquela época, um padre português amigo, por suas posições contrárias à anexação de Goa pela intervenção militar dos indianos, foi expulso de Goa. Esse padre, diante daquela situação política, conseguiu bolsa de estudos para alguns sacerdortes indianos entre os quais Victor, que foi estudar em Madri, Espanha, onde cursou uma especialização denominada “Teologia dos leigos”. Porém, com o tempo, o dinheiro da bolsa não lhe foi

entregue, e Padre Victor teve que ministrar aulas para se sustentar. Foi então que conheceu, por meio do padre amigo de Goa, o Cônego Celso Pedro, da Arquidiocese de São Paulo, que estava em Madri a estudo. Dom Agnelo Rossi, então arcebispo de São Paulo, em passagem pela capital espanhola e vendo a situação de Padre Victor, o convidou para atuar no Brasil. Chegou para ser vigário da Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres, onde permaneceu por dois anos. Depois, assumiu a Paróquia Santo Antonio do Lausane, onde ficou por 21 anos, até ser transferido para a Paróquia de Sant’Ana, lá permanecendo por oito anos, até ser transferido para a Paróquia Santíssima Trindade, há 16 anos.

Leigos: capacitados em Teologia e em evangelização Com missa presidida por Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, em 26 de novembro, com participação de padres, diáconos, professores e alunos, na Capela São José, da Cúria de Santana, foram concluídos os cursos de 2014 das escolas de Teologia para Leigos e de Evangelização.

As escolas têm o objetivo de oferecer uma formação teológica, pastoral e espiritual para os agentes de pastoral, assessores e lideranças, para que possam dar testemunho da fé e serem discípulos e missionários de Jesus Cristo. “Sob a orientação de Dom Sergio de Deus, busco sempre maior excelência nos currículos”, disse Padre José

Luiz Carlos Manhos

No sábado, 6, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, presidiu missa na festa de 75 anos da Paróquia Nossa Senhora da Consolata, na Região Santana.

Esteves Filho, mais conhecido como Padre Gabriel, coordenador. A Escola de Teologia para leigos é um curso com duração de três anos, com uma aula por semana que pode ser de manhã, tarde ou noite. A Escola também oferece cursos de formação permanente, abertos para quem deseja participar, com duração de um ano.

A Escola de Evangelização tem cursos de duração anual sobre temas da atualidade para dar subsídios evangelizadores aos agentes de pastoral. Em janeiro de 2015, começa um novo período de matrículas. Informações em (11) 2991-5882 ou site www. regiãosantana.org.br ou ainda pelo email cpfreigalvão@gmail.com.

Padre Nadir é homenageado em Santana pelos 60 anos de sacerdócio O gaúcho de Erechim, Padre Nadir Sérgio Granzotto, 87, vigário paroquial na Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres, cumpre extenso calendário de celebrações comemorativas do jubileu de diamante – 60 anos – de sua ordenação sacerdotal. As comemorações começaram em 21 de setembro, na Paróquia São Paulo Apóstolo, comunidade que ajudou a fundar, com missa presidida por Dom Antônio Gaspar, bispo emérito de Barretos (SP). Em 30 de novembro, na Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres, Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, presidiu missa. Na mesma Paróquia, na noite do domingo, 7, Dom Odilo Pedro Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo, prestou homenagem ao sacerdote, presidindo a missa.

Diácono Francisco Gonçalves

Padre Nadir na procissão de entrada da missa festiva de 60 anos de sacerdócio

Na segunda feira, 8, na Igreja Nossa Senhora dos Prazeres, se reuniram padres e diáconos para homenagear esse sacerdote, com missa de ação de graças. Depois da celebração, o pároco, Padre Humberto Robson de Carvalho, ofereceu um almoço de confraternização.

A última celebração desse ciclo de homenagens será dia 28, às 9h, com missa presidida por Padre Nadir, na Catedral Nossa Senhora da Glória (travessa Frei Donato, 289 – Centro - Francisco Beltrão, no Paraná). Nessa cidade, reside grande parte de seus familiares.


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Benigno Naveira e Padre Antonio Ribeiro Colaboradores de Comunicação da Região Lapa

Os ‘sacramentos da cura’ são mais fortes que a fragilidade humana Na noite de quarta-feira, 3, na Paróquia Nossa Senhora da Lapa, aconteceu o curso de Catequese, com enfoque na Iniciação Cristã, ministrado pelo bispo auxiliar da Arquidiocese na Região, Dom Julio Endi Akamine. Dom Julio iniciou a atividade com uma oração, na qual recordou os sete sacramentos. Na sequência, falou sobre “os sacramentos de cura” e por que se confessar. O perdão dos pecados cometidos após o Batismo é concedido por um sacramento próprio, chamado sacramento da Conversão, da Confissão, da Penitência ou da Reconciliação. É preciso tomar consciência da grandeza do dom de Deus oferecido

nos sacramentos, que pela iniciação cristã para compreender até que ponto o pecado é algo que deve ser excluído daquele que se “vestiu de Cristo” (Gl 3,27). Afirma, porém, o apóstolo São João: “Se dissermos que não temos pecado, estamos enganando a nós mesmos, e a verdade não está em nós” (1 Jo 1,8). Entretanto, a nova vida, recebida na iniciação cristã, não suprimiu a fragilidade e a fraqueza da natureza humana, nem a inclinação ao pecado, que a tradição chama concupiscência (indignação para o mal), as quais continuam nos batizados para proválos no combate da vida cristã.

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Lapa

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Dom Julio confere sacramento da Penitência a preso

Acolher bem é missão e desafio para as secretarias paroquiais Arquvo pessoal

Padre Antonio Ribeiro fala de comunicação a secretárias paroquiais

“Um dos grandes desafios da comunicação na Igreja Católica no Brasil hoje é acolher bem os fiéis para que possam se sentir integrados às comunidades paroquiais e se engajar em algum trabalho”. Essa foi a conclusão das secretárias da Região Episcopal Lapa em encontro de reflexão realizado na quinta-feira, 4. A convite do Padre João Carlos Borges, coordenador de Pastoral das Secretárias da Região Lapa, o Padre Antonio

Francisco Ribeiro, assessor de comunicação da Região, falou sobre os desafios da comunicação na secretaria paroquial, destacando a necessidade atual do acolhimento. Técnicas, organização e formação são importantes, mas a atitude de quem acolhe é o que realmente aproxima as pessoas. A eficiência da secretária dependerá de seu preparo e da sua flexibilidade em concatenar várias ações ao mesmo tempo, sem

80 crianças felizes com presentes de Natal Na tarde do sábado, 6, a reportagem da Pastoral da Comunicação regional acompanhou as agentes da Pastoral da Criança da Área Pastoral São João Batista - Lourdes Cunha Martins e Maria Cristina de Checchi - que levaram para 80

crianças da Comunidade Nossa Senhora Auxiliadora, da Paróquia Santo Alberto Magno, presentes de Natal. Após a encenação do nascimento de Jesus, pelo grupo de teatro, com a direção geral de Jenny de La Rosa e locução do Padre

Geraldo Pereira, aconteceu a festa e a entrega dos presentes de Natal para as crianças. Cada uma o recebeu com um grande sorriso, demostrando o verdadeiro agradecimento a todos pela organização da festa.

desperdiçar tempo. No dia a dia, o contato com o povo e a orientação do pároco marcará a vida da secretária, produzindo a experiência necessária para planejar ações concretas geradoras de atitude de acolhida e bom atendimento que levem à construção de uma autêntica “cultura do encontro”. O serviço realizado na secretaria paroquial também é uma forma de evangelização e, por isso, exige uma boa preparação. Angela Santos

Pais e crianças participam de entrega de brinquedos, na tarde do sábado, 6

Morre, aos 84 anos, Dom Alfredo Novak Natal comunitário 2014 Faleceu na madrugada de quinta-feira, 4, o bispo emérito de Paranaguá (PR), Dom Alfredo Ernest Novak, que tinha como lema episcopal “Enviou-me a proclamar a Boa-Nova”. O pároco da Paróquia Nossa Senhora da Lapa, Padre Adalton Pereira de Castro, que conheceu Dom Alfredo, lembrou-se da biografia do Bispo. Ele nasceu em Dwight, em Nebraska, nos Estados Unidos, em 2 de junho de 1930, e foi ordenado padre no dia 2 de junho

de 1956, sendo missionário Redentorista, e por muitos anos atuou na Amazônia brasileira. Sua nomeação para o episcopado ocorreu em 28 de abril de 1979, por decisão do Papa João Paulo II, sendo designado bispo auxiliar da Região Lapa, onde ficou por dez anos. Seu Corpo foi velado e sepultado na Catedral Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá (PR), com missa presidida pelo bispo diocesano, Dom João Alves dos Santos.

Diocese de Paranaguá

Dom Alfredo Ernest Novak

A abertura do Natal comunitário aconteceu entre os dias 5 a 7, na Paróquia São João Maria Vianney, no Setor Lapa, com a apresentação do Coral Authos Pagano. No sábado, 6, na programação da missa na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, Setor Leopoldina, houve a abertura do presépio na praça John Lennon. No domingo, 7, nessa praça, pela manhã, foi realizada a chegada do Papai Noel, com a apresentação de corais

e da cantora Luiza Possi, e, no começo da noite, aconteceu o encerramento das atividades, com a missa presidida pelo Padre Tarcísio Loro, com procissão da imagem do Menino Jesus, da Paróquia Nossa Senhora de Fatima, do Setor Leopoldina. As paróquias e colégios participantes arrecadaram leite para serem distribuídos às entidades assistenciais da Região, reforçando o tema do evento “Leite alimenta a vida”.


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Ipiranga

Francisco David Colaborador de comunicação da Região

Padres, ‘quanto mais perto de Deus, mais próximos das misérias humanas’ Francisco David

Dom José Roberto fala aos padres no Ipiranga sobre Advento e missionariedade da Igreja, dia 2

No dia 2, os padres atuantes da Região Ipiranga participaram da última reunião geral do clero, neste ano. Cerca de 50 padres estiveram no encontro que aconteceu na Casa de Apostolado Salvatoriano, no Setor Imigrantes da Região Ipiranga. No começo das atividades, o diácono permanente Anivaldo Blasques conduziu a oração da Hora Média. Logo após, Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga, saudou os padres e fez uma reflexão sobre o Advento e a missionariedade da Igreja:

“Quanto mais próximo de Deus, mais próximo das misérias humanas”. O Bispo exortou os padres a serem próximos da porção do Povo de Deus a eles confiado. Logo após, aconteceu o momento penitencial, quando os padres tiveram a oportunidade de se confessar, e depois a Hora Santa Eucarística, que também foi conduzida pelo diácono Anivaldo Blasques. Ao final do encontro, os padres almoçaram juntos e Dom José Roberto agradeceu a presença de todos e lhes pediu que tenham mais momentos de fraternidade.

Padre Pedro Luiz é o novo coordenador de Pastoral da Região Durante o Encontro de Espiritualidade do Clero, no dia 2, Dom José Roberto anunciou a nomeação do Padre Pedro Luiz Amorim Pereira como coordenador de Pastoral da Região Episcopal Ipiranga. O cargo, até então, era ocupado pelo padre Benedito Vicente de Abreu, pároco da Paróquia Santo Afonso Maria de Ligório, no Bairro Água Funda. Padre Vicente, como é conhecido, foi nomeado como coordenador de Pastoral pelo arcebispo de São Paulo, o Cardeal Odilo Pedro Scherer. Padre Pedro Luiz disse, em entrevis-

ta, que vê nesse trabalho um serviço à Igreja: “Encaro essa nova função como um serviço que a Igreja me pede e que eu, que estou disponível ao serviço, aceito. Espero ajudar as comunidades para que essa porção da Arquidiocese de São Paulo seja testemunha de Jesus Cristo na cidade de São Paulo”. O Padre também diz que espera estar junto do povo: “Caminho em comunhão com toda a Igreja, o povo e o clero. Espero caminhar”, concluiu o Padre. O Padre Pedro Luiz foi ordenado em 2009 pelo Cardeal Odilo Scherer. Traba-

lhou na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Ipiranga, como administrador paroquial e assumiu a Paróquia Santa Paulina, no Heliópolis, em 2012, como pároco. Também foi assessor eclesiástico da Pastoral da Comunicação regional. Dom José Roberto agradeceu ao Padre Vicente pelo trabalho, que durante longo período exerceu na Região Ipiranga, como vigário geral, econômo e coordenador de pastoral. A nomeação do Padre Pedro Luiz entra em vigor em 1º de janeiro, e terá validade de três anos.

Francisco David

PadrePedroLuizAmorimPereira


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Cardeal Scherer anuncia mudanças nos seminários da Arquidiocese Luciney Martins/O SÃO PAULO

Durante missa na solenidade da Imaculada Conceição, no dia 8, foram anunciados nomes de reitores das casas de formação e do diretor espiritual Fernando Geronazzo Especial para O SÃO PAULO

O Seminário Arquidiocesano Imaculada Conceição, complexo que agrega as casas de formação presbiteral da Arquidiocese de São Paulo, teve celebração de festa patronal na segunda-feira, 8. Os seminaristas se reuniram no Seminário de Teologia Bom Pastor, no Ipiranga, para a missa presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, e concelebrada pelos bispos auxiliares Dom Edmar Peron, que também é referencial para os Seminários e Pastoral Vocacional, Dom Julio Endi Akamine, Dom José Roberto Fortes Palau e Dom Carlos Lema Garcia, além de demais padres formadores, colaboradores, entre eles, os seis sacerdotes ordenados no último sábado, 6. Na homilia, o Cardeal agradeceu aos formadores pelo trabalho realizado neste ano. “Uma missão que exige muita responsabilida-

Dom Odilo, bispos auxiliares, padres formadores e seminaristas rezam diante da imagem da Imaculada Conceição

de”, destacou, recordando que também já foi formador quando padre na Diocese de Toledo (PR). O Arcebispo ainda saudou os seminaristas que dão um passo a mais no caminho do discernimento para o sacerdócio e na preparação em suas várias dimensões - espiritual, intelectual e humana. Agradeceu, ainda, ao trabalho da Pastoral Vocacional, representada pelo coordenador arquidiocesano, Padre Messias de Moraes Ferreira. Na missa, os seminaristas João Henrique Novo do Prado e Wellington Laurindo dos Santos fizeram a profissão de fé e o juramento de fidelidade, que antecedem à ordenação diaconal, que acontecerá no sábado, 13.

Nomeações No final da celebração, também foram anunciadas mudanças na estrutura do Seminário Arquidiocesano para 2015: a unificação dos dois seminários propedêuticos, que agora funcionarão no Seminário Nossa Senhora da Assunção, tendo como novo reitor o Padre José Adeildo Machado, até então vice-reitor do Seminário de Filosofia Santo Cura D’Ars, que terá novo reitor, Padre Frank Antonio de Almeida, até o momento reitor do Seminário Propedêutico Santo Antonio de Sant’Anna Galvão. O Cônego José Adriano, reitor do Propedêutico Nossa Senhora da Assunção, deixa o cargo

para assumir uma paróquia na Região Brasilândia e também terá a função de diretor espiritual do Seminário de Filosofia. O Padre José Edivaldo Melo concluiu seus trabalhos como reitor do Seminário de Filosofia e assumirá uma paróquia na Região Sé (leia as nomeações na página 7). Cônego Adriano atuava na formação há 22 anos, enquanto o Padre Edivaldo, há 16. Ao falar sobre o encerramento dessa etapa de trabalho, Cônego Adriano afirmou, ao O SÃO PAULO, que está muito feliz e lembrou o apóstolo São Paulo, quando disse: “completei a carreira”. “Tenho o sentimento de uma missão cumprida”, disse. Sobre o

novo trabalho em uma paróquia, o Cônego garantiu que essa mudança o ajudará a “rejuvenescer e a retomar as forças”. Sucessor do Cônego, Padre Adeildo assume a nova função com alegria. “É uma grande responsabilidade que a Igreja nos dá. Temos muita confiança em Deus para desempenhar nosso trabalho da melhor maneira possível, acolhendo àqueles que estão chegando ao seminário, para ajudá-los no discernimento vocacional”.

Ação de graças Para o Padre Cícero Alves de França, reitor do Seminário de Teologia, o seminário arquidiocesano tem muito a agradecer em 2014. Além das ordenações dos padres e dos diáconos que serão ordenados no próximo sábado, os formadores também agradecem porque estão começando a colocar em prática o Diretório de Formação da Arquidiocese. “Também rendemos graças a Deus pela perseverança dos candidatos. Temos muito a agradecer a Deus pela abertura no processo formativo, que sempre exige muito empenho e que requer do seminarista uma abertura. A centralidade que temos buscado dar na formação espiritual, como centro da qual todas as outras dimensões estão ligadas, também é motivo de agradecimento”.

No Hospital A.C. Camargo, voluntários são portadores de esperança Luciney Martins/O SÃO PAULO

Fernando Geronazzo Especial para O SÃO PAULO

Uma celebração eucarística marcou o Dia Internacional do Voluntário, no Hospital A.C. Camargo, na região central de São Paulo, na sexta-feira, 5. A missa, presidida por Dom Carlos Lema Garcia, bispo auxiliar da Arquidiocese, reuniu a Rede de Voluntários da instituição que é referência no combate ao câncer no País. O evento de confraternização e ação de graças pelo trabalho dos voluntários que atuam no hospital também contou com a presença do arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, que levou sua saudação e recordou que a Igreja vive nesses dias o tempo do Advento, que por natureza é cheio de esperança. Por isso, ele incentivou os voluntários a serem portadores da esperança aos que sofrem. Na homilia, Dom Carlos ressaltou que o trabalho voluntário é expressão do amor do coração de Jesus. “Felizes aqueles que fazem

Voluntários do Hospital A.C. Camargo participam de missa presidida pelo bispo auxiliar Dom Carlos Lema Garcia

o trabalho que vocês fazem aqui com os enfermos e seus familiares. Sentimo-nos felizes quando vivemos para os outros. Aprendemos muito nesse serviço”. O A.C. Camargo tem cerca de 200 voluntários, entre homens e mulheres, embora a maioria seja feminina, geralmente acima de 50 anos.

“Este evento foi um momento de agradecimento aos voluntários, de compartilhar com eles um pouco do que foi o ano, de mostrar para eles o quanto são importantes para a instituição e para os nossos pacientes. Hoje, o voluntariado tem a melhor nota de aceitação junto aos nossos pacientes”, afirmou o coordenador Paulo Sergio Aleixo.

Acolhida e conforto Os voluntários desenvolvem trabalhos junto aos ambulatórios, sobretudo, no acolhimento. “Quando o paciente chega ao hospital, a primeira recepção que ele tem é do voluntariado, que facilita a vida do paciente aqui dentro, uma vez que este chega bastante debilitado por conta da doença”, explicou Paulo Sergio. Antônio Maria Failde, 79, é voluntário há 12 anos. Ele trabalha mais no atendimento da portaria. “É maravilhosa essa experiência. Na minha casa, toda minha família faz trabalhos voluntários. Temos que dar exemplos para os nossos filhos, para que as gerações futuras também se interessem por esse serviço”. Anézia Antunes dos Anjos, 62, é voluntária no A.C. Camargo há pouco mais de um ano, e também colabora no Hospital do Tatuapé. “Eu, particularmente, ajudo mais com oração e conversando com os pacientes, trazendo um pouco de conforto e esperança. Minha vida mudou muito depois que comecei a ser voluntária”.


24 | Reportagem |

11 a 16 de dezembro de 2014 | www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

Novos bispos auxiliares de São Paulo serão ordenados em fevereiro Daniel Gomes danielgomes.jornalista@gmail.com

O Monsenhor Eduardo Vieira dos Santos, 49, do clero de São Paulo, e o Monsenhor Devair Araújo da Fonseca, 46, da Diocese de Franca, foram nomeados bispos auxiliares da Arquidiocese de São Paulo, na quarta-feira, 10, pelo Papa Francisco.

“Demos graças a Deus por esses dois novos bispos, eleitos pelo Papa Francisco para o serviço do povo de Deus na Metrópole paulistana! Eles virão em boa hora para substituir os caríssimos Dom Tarcísio Scaramussa e Dom Milton Kenan Júnior, nomeados pelo Papa, respectivamente, bispo coadjutor de Santos e bispo diocesano

de Barretos”, manifestou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, em mensagem enviada aos bispos, padres e leigos da Arquidiocese. A ordenação episcopal do Monsenhor Devair está marcada para 1º de fevereiro de 2015, às 9h30, em Franca (SP), em local a ser definido. Já o Monsenhor Eduardo será ordenado em

‘Amo servir o povo de Deus e como bispo não será diferente’

7 de fevereiro, às 9h30, na Catedral da Sé. A designação dos dois futuros bispos ainda será anunciada pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano. Atualmente, a Região Sé está sem bispo auxiliar desde a transferência de Dom Tarcísio para a Diocese de Santos e esta será também a situação da Região Brasilândia a

‘Já rezo pela Igreja de São Paulo e por aqueles com quem vou trabalhar’

Luciney Martins/O SÃO PAULO

do o coração de Jesus, ser pastor”. Na mensagem que dirigiu à Arquidiocese, o Monsenhor agradeceu à confiança do Papa Francisco e de Dom Odilo, lembrou-se, com gratidão, dos pais já falecidos e dos familiares, e manifestou que “o acolhimento, a alegria e o serviço, sobretudo aos que mais sofrem em nossas paróquias - crianças, jovens, idosos, negros e negras, pobres e humildes - devem aumentar em nós o amor por Jesus e por sua Palavra”. À reportagem, Monsenhor Eduardo comentou o fato de ser o primeiro afrodescendente nomeado bispo na Arquidiocese. “Ser o primeiro bispo negro da Arquidiocese de São Paulo é de grande responsabilidade, mas também motivo de grande alegria e orgulho para o povo negro. Tenho militado desde o ingresso na vida religiosa na Pastoral Afro e isso me traz certa compreensão do que é ser negro na Igreja e na sociedade, e eu espero que minha atuação episcopal contribua ainda mais para mudanças de como se vê o povo negro na cidade e na Igreja”.

Monsenhor Eduardo Vieira dos Santos soube de sua nomeação para bispo auxiliar, em 25 de novembro, por meio do núncio apostólico do Brasil, Dom Giovanni D´Aniello. “Confesso que para mim foi uma surpresa e uma grande alegria, porque como padre da Igreja, eu amo servir o povo de Deus e creio que como bispo não será diferente. As responsabilidades, as cobranças, certamente serão maiores, mas Deus me dará forças para ser fiel a esse compromisso”, afirmou à reportagem. Sacerdote da Arquidiocese desde 2000, MonseMonsenhor nhor Eduardo foi por sete Eduardo Vieira dos Santos anos pároco da Paróquia São João Gualberto, na 49 anos Região Lapa, antes de se Natural de Bom Sucesso (PR) tornar vice-reitor do SePertenceu à Congregação de Santa Cruz, minário de Teologia Bom onde foi ordenado diácono Pastor, função que ocupou Ordenação presbiteral: 15/12/2000, na Arquidiocese de São Paulo entre 2008 e 2013. Atual Formação: bacharel e licenciado em Filosofia chanceler do Arcebispado (PUC-SP), Teologia (Instituto Teológico Pio de São Paulo, ele também é XI) e Mestre em Direito Canônico (Pontifícia cura da Catedral da Sé, desUniversidade Lateranense de Roma) de agosto de 2013. Como Atividades na Arquidiocese: pároco na bispo, pretende usar toda Paróquia São João Gualberto, vice-reitor do essa experiência adquirida. Seminário de Teologia Bom Pastor (2008-2013), “Na Arquidiocese de cura da Catedral da Sé (desde agosto de 2013) e São Paulo e na Igreja em chanceler do Arcebispado (desde 2008) geral, a missão de um bispo Nomeado, em 10 de dezembro, bispo é ser solícito, estar pronto auxiliar de São Paulo e bispo titular de “Bladia”, para ouvir, para entender os pelo Papa Francisco, será ordenado em 7 de fevereiro de 2015 sofrimentos dos padres, do povo de Deus, é ser segun-

partir de 21 de dezembro, quando Dom Milton assumirá a Diocese de Barretos (SP). “Nossa Arquidiocese com esses dois nomeados terá novamente o grupo completo de sete auxiliares, para junto com o Arcebispo coordenar e animar toda a vida da Arquidiocese”, afirmou o Cardeal, em coletiva de imprensa, no dia 10.

Diocese de Franca

Sacerdote desde 1998, graduado em processamento de dados, Mestre em Teologia Dogmática na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e reitor na Diocese de Franca, no interior paulista. É com essa experiência que o Monsenhor Devair Araújo da Fonseca chega à Arquidiocese de São Paulo para ser bispo auxiliar. “Meus trabalhos anteriores ajudam porque foram de conhecimento das pessoas, das realidades pastorais, mas também de aprender a ler a história, para depois poder fazer algo, pois a gente não pode servir se não conhece a quem vai servir”, expressou ao O SÃO PAULO, afirmando ter expectativa de, em breve, saber mais sobre a cidade, a Arquidiocese e a região episcopal para onde for designado. O futuro bispo afirmou que só conhece São Paulo “pela literatura e por aquilo que já li a respeito da Igreja de São Paulo, pelos documentos que o próprio

Cardeal Scherer fez e por alguns encontros. São Paulo, como grande cidade, é, para mim, uma realidade desconhecida”. Segundo o Monsenhor, após receber da nunciatura apostólica, em 24 de novembro, o comunicado de sua nomeação, viveu dias de ansiedade e de um pouco de medo pela nova missão, mas rezou e manteve “muita confiança na ação de Deus”. Tanto à reportagem quanto na mensagem que dirigiu aos fiéis e ao clero da Arquidiocese, Monsenhor Devair pediu que Monsenhor rezem por ele. “Na oraDevair Araújo da Fonseca ção, nós estaremos unidos. Quem puder venha 46 anos à ordenação, será um Natural de Franca (SP) prazer, uma alegria poder Ordenação presbiteral: 20/12/1998 Formação: Filosofia (Instituto Agostiniano contar com todos, e já de de Filosofia), Teologia (Centro de Estudos da antemão rezo pela Igreja Arquidiocese de Ribeirão Preto) e Processamento de São Paulo e por todos de Dados (Universidade de Franca), Mestre em aqueles com quem eu vou Teologia Dogmática (Pontifícia Universidade trabalhar futuramente”, Gregoriana de Roma) disse na entrevista. Atividades na Diocese de Franca: vigário “Reitero que do mesparoquial e pároco em paróquias da diocese, coordenador diocesano, vice-reitor do Seminário mo modo como tenho Nossa Senhora do Carmo, vigário forâneo exercido meu ministério da Forania Santa Gianna. Foi ainda docente presbiteral, na comunhão em institutos na Diocese de Jaboticabal e na e servindo no limite das Arquidiocese de Ribeirão Preto minhas capacidades, com Nomeado, em 10 de dezembro, bispo simplicidade, desejo conauxiliar de São Paulo e bispo titular de “Uzali”, tinuar a servir à Igreja”, pelo Papa Francisco, será ordenado em 1º de fevereiro de 2015 expressou em sua mensagem.

O SÃO PAULO - edição 3031  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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