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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 59 | Edição 3030 | 3 a 9 de dezembro de 2014

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A solidariedade faz o Natal dos Sonhos em São Paulo

Com o povo, Dom Paulo celebra 69 anos de padre

Promovido pela Arquidiocese de São Paulo, por meio da Pastoral do Menor, aconteceu no sábado, 29, na Fapcom, o Natal dos Sonhos, iniciativa que, até o dia 15, arrecada brinquedos para crianças carentes.

Dom Paulo Evaristo Arns celebrou 69 anos de sacerdócio no domingo, 30. Participaram da missa muitas pessoas que trabalharam com ele na defesa dos direitos humanos, sobretudo durante a Ditadura Militar.

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Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Pastoral urbana: ação, presença, conteúdo e gestos O Papa recebeu na quinta-feira, 27, no Vaticano, os arcebispos de metrópoles que participaram da segunda fase do Congresso Internacional de Pastoral das Grandes Cidades, realizado em Barcelona, entre os dias 24 e 26. Francisco propôs que a pastoral urbana seja mais do que ação, seja presença, conteúdo e gestos, que saia “para encontrar Deus que habita nas cidades e nos pobres”. Ao comentar sobre a audiência

do Papa com os arcebispos, Dom Odilo disse que “para a Igreja, a cidade é seu campo de ação natural. Afirmar que ‘Deus vive na cidade’ é mais que uma expressão poética ou retórica. Faz parte de nossa fé, Deus ama as pessoas onde quer que elas estejam e deseja que tenham vida plena”. Ele esteve no Congresso, assim como o Cardeal Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro. Páginas 3 e 24

Papa Francisco 11 diáconos para realiza viagem a Arquidiocese à Turquia de São Paulo Entre os dias 28 e 30, o Papa Francisco demonstrou sua convicção em fortalecer o diálogo ecumênico e inter-religioso na viagem à Turquia. Para ele, a aproximação entre as religiões é uma forma concreta de promover a paz onde há guerras coordenadas por extremistas. Dois pontos principais resumem os objetivos da visita: combater o fanatismo religioso diante da violenta perseguição aos cristãos no Oriente Médio, e aproximar ainda mais católicos e ortodoxos. Página 9

Natal Iluminado – A Catedral da Sé acolheu no sábado, 29, a abertura do projeto Natal Iluminado. A atividade foi marcada por um momento de oração ecumênica, pontuando o sentido cristão do Natal. O evento teve um concerto da Orquestra Sinfônica Heliópolis e do Coral da Gente, que apresentaram canções natalinas; outro momento esperado foi o espetáculo de projeção na fachada da Catedral, com temas de obras sacras. Página 14

No sábado, 13, às 15h, na Catedral da Sé, pela imposição das mãos do Cardeal Odilo Pedro Scherer, a Arquidiocese de São Paulo ganhará 11 novos diáconos (dois seminaristas e nove leigos casados), para o serviço da Tríplice Diaconia Sacerdote-Diácono, para santificar o povo de Deus; Profeta-Diácono, para transmitir a salvífica Palavra de Deus; Pastor-Diácono, para servir o Povo de Deus, administrando-lhe generosamente a economia da salvação. Páginas 12 e 13

Times de SP encerram Com a Palavra, o pianista Álvaro Siviero 2014 sem títulos Página 17

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Sé faz a abertura do Ano Ações para o casamento não cair na rotina da Vida Consagrada Página 21

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2 | Ponto de Vista |

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editorial

De esperança em esperança

Nada melhor do que começar o tempo do Advento matando saudades de Dom Paulo Evaristo Arns, celebrando 69 anos de sacerdócio. Advento é o tempo da esperança no Senhor que veio, vem e virá. Veio e realizou a nossa salvação. Trouxe para nós o perdão que redime, que liberta, que reconcilia, que gera a paz. Vem a cada Natal para alegrar-nos. E virá para nos julgar a respeito do amor vivido e dado aos pobres. Com Dom Paulo Evaristo Arns, durante muitos e fecundos anos, aprendemos a ter esperança. Esperança no Senhor que não decepciona quem nele confia. Esperança na pessoa humana, que é marcada pela dignidade de ser imagem e semelhança de Deus. Esperança no Reino de Deus que Jesus já plantou no mundo e cujo crescimento e fortalecimento dependem de cada um de nós. Esperança nos pobres, porque o Reino dos Céus é deles.

Que bom foi ver novamente Dom Paulo Evaristo Arns na Catedral da Sé, onde ele ensinou, onde ele clamou por justiça, onde ele defendeu os direitos humanos, onde ele fazia o Povo de Deus repetir palavras de ordem marcadas pela coragem e pela ousadia dos profetas. Que bom ver novamente Dom Paulo Evaristo Arns, que continua conosco, silencioso, é verdade, mas atento ao que se passa no mundo, no Brasil, na sua amada cidade de São Paulo, na Igreja de Jesus que vem servindo com coragem. Enganam-se os que pensam em Dom Paulo Evaristo Arns apenas como um líder político. Ser um líder na luta pelos direitos humanos, na luta pela redemocratização do Brasil, na defesa dos pobres não foi nada mais do que a consequência de sua fé inabalável, de sua esperança teimosa, de seu amor

incondicional a Cristo e aos pobres, da sua consciência de pastor. A convivência com Dom Paulo Evaristo Arns – testemunham os que evangelizaram mais de perto, ao lado dele – sempre foi marcada pela reflexão séria do Evangelho, pela oração. Ele foi sempre o Bom Pastor. Ele teve sempre o cheiro das ovelhas, por abraçá-las, por estar com elas, por conhecer os clamores delas, por falar-lhes palavras de fé e confiança, por se incomodar e não se conformar com o abandono, com a dor, com os perigos que as ameaçavam. Impressiona-nos ouvir Dom Paulo afirmar que em tantos anos de sacerdócio, jamais deixou de celebrar a Eucaristia. Diariamente, há 69 anos, ele vem oferecendo o Corpo e o Sangue de Cristo pela Igreja, pelo mundo, pelos que sofrem, pelos que têm fé, pelos que não têm fé, pelos que, mesmo não

tendo fé, buscam a Deus e a verdade de coração sincero. Louvado seja Deus por Dom Paulo Evaristo. Ele sempre teve e tem o carinho de Dom Cláudio Hummes, de Dom Odilo Pedro Scherer, dos seus bispos auxiliares de um tempo, dos bispos auxiliares de hoje. Ele tem o carinho das mais de duas centenas de sacerdotes que ordenou, tem o carinho do povo de Deus em São Paulo, que não se esquece dele. Dom Paulo Evaristo Arns, Deus lhe pague por não ter enterrado seus talentos. E como tantas vezes fizemos, foi bom demais repetir com o nosso amado arcebispo emérito, em coro com Dom Odilo Pedro Scherer, com bispos e padres e com o Povo de Deus, no domingo passado: “Vem Senhor, vem nos salvar! Com teu povo, vem caminhar”.

opinião

Lei nº 2004, de 1953: a Petrobras Sergio Ricciuto Conte

Wagner Balera Foi motivo de enorme orgulho para os brasileiros a criação, pela lei nº 2004, de 1953, da Petrobras. Tratou-se do coroamento da campanha nacionalista que empunhava a bandeira “O petróleo é nosso”. Ocorre que, ao longo dos anos, a Petrobras, maior empresa brasileira, foi cada vez mais se enroscando em confusões que culminaram com a falta de publicação, no tempo adequado, dos seus resultados financeiros. Talvez, um dos males principais que essa gigantesca empresa estatal tenha sofrido ao longo desses mais de 60 anos de existência ressalte, à toda evidência, a falta de transparência na gestão. Só essa obscuridade pode explicar (mas, jamais justificar) que as obras e atividades da Petrobras que, afinal, não interessam tão somente aos acionistas privados, mas a todos nós, que indiretamente pagamos para que o Brasil tivesse uma Petrobras, custassem sempre muito mais caro do que poderiam custar, demorassem sempre muito mais tempo do que deveriam demorar para serem concluídas. Tudo isso agora veio a furo porque tocaram em outra das feridas desse organismo cheio de feridas em que se transformou a Petrobras. Os cargos de comando da estatal, que deveriam ser ocupados pelos mais capacitados, são notoriamente loteados entre os partidos políticos e se tornam alvo preferencial dos políticos que, a todo custo,

querem indicar quem ocupará postos de relevância na empresa. Nós, brasileiros, devemos reiniciar a campanha dos anos 50 do século passado. Recomecemos com a campanha do “petróleo é nosso”, com um novo mote: “a Petrobras é nossa”. Que ela volte para nós, devidamente dedetizada, descupinizada e desratizada e que possa se preparar para as competições futuras, limpa da sujeira que a invadiu de modo brutal e gritante. Não que, a priori, a privatização da

Petrobras seja um mal em si mesmo. Se bem refletirmos sobre os ensinamentos da Doutrina Social da Igreja, nos recordaremos do conhecido princípio da subsidiariedade. Pio XI, na Quadragesimo anno (1931) já alertava que: “é injusto subtrair aos indivíduos o que eles podem efetuar com a própria iniciativa e capacidade, para confiá-lo à coletividade, do mesmo modo passar para uma sociedade maior e mais elevada o que sociedades menores e inferiores podiam con-

seguir, é uma injustiça, um grave dano e perturbação da boa ordem social. O fim natural da sociedade e da sua ação é subsidiar os seus membros, não destruí-los nem absorvê-los”. Nos começos da industrialização do Brasil, notadamente nos anos 40 do século passado, o Estado se viu na contingência de promover atividades econômicas em setores estratégicos. É o caso do tripé siderurgia, mineração e petróleo. Quanto à siderurgia, foi erigida a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Depois, operou a subsidiariedade e a área se desenvolveu de modo adequado, permitindo-se que o Estado saísse de cena com o Programa Desestatização. Quem cotejar os resultados da CSN quando tocada pelo Estado com os resultados posteriores, a revelar quão ineficiente gestor é o Estado. É, igualmente, o caso da Vale do Rio Doce, incumbida de explorar o imenso potencial de minérios do Brasil. Enquanto estatal, amargava crescentes prejuízos. Depois de privatizada, revelou incrementos nos ganhos dos acionistas. Tudo na conformidade do princípio da subsidiariedade. Não é o momento de se mexer na Petrobras, para que não entremos no jogo dos que querem detratá-la para, depois, comprarem a preço vil. Mas, o debate é urgente e necessário. Afinal, o pré-sal está ai. Wagner Balera, professor titular de Direitos Humanos na Faculdade de Direito da PUC-SP e conselheiro do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP.

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

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| Encontro com o Pastor | 3 Celebração ecumênica

cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

De 24 a 26 de novembro, realizou-se em Barcelona, na Espanha, um Congresso de bispos de grandes metrópoles do mundo; participaram os arcebispos de Barcelona, Madri, Lisboa, Lyon, Bordeaux, Zagreb (Croácia), Nápoles, Saigon, Mumbai (Índia), Seul, Kinshasa (Congo), Abuja (Nigéria), Douala (Camarões), São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Santiago, Monterrey e São Francisco (Estados Unidos). Também participou o Vigário de Roma, Cardeal Agostino Vallini. As reflexões tinham como tema – “Deus vive na cidade”. De fato, essa foi a segunda etapa de uma iniciativa, que também contou com um simpósio de sociólogos e pastoralistas, em maio passado, igualmente em Barcelona. Ao todo, esses pastores de metrópoles têm na sua responsabilidade um rebanho de mais de 200 milhões de pessoas! No dia 27, o Papa Francisco recebeu em audiência, no Vaticano, os participantes do Congresso. As grandes metrópoles requerem uma urgente atenção pastoral; nelas joga-se o futuro da humanidade e também da Igreja. Quase a metade da população mundial já é urbana; no Brasil, já chega perto dos 80%. Não dá mais para imaginar o mundo sem as grandes cidades; pelo contrário, elas crescerão em número e em extensão nos próximos anos.

A Igreja na metrópole Para a Igreja, a cidade é seu campo de ação natural. Afirmar que “Deus vive na cidade” é mais que uma expressão poética ou retórica. Faz parte de nossa fé que Deus ama as pessoas onde quer que elas estejam e deseja que tenham vida plena. E Jesus enviou os apóstolos “a todo o mundo”, para proclamar o Evangelho a toda criatura! Os habitantes das metrópoles não poderiam ser excluídos desse mandato universal. As grandes cidades crescem aceleradamente, sobretudo nos países em vias de desenvolvimento, por causa das migrações e do êxodo rural; esse fenômeno acarreta, geralmente, todo tipo de degrado social e moral, por causa da falta de infraestrutura urbana e de condições adequadas para a vida digna de tantas pessoas. A própria Igreja enfrenta desafios imensos para oferecer acolhida e serviços de evangelização e assistência religiosa a tantas pessoas. O Papa Francisco disse aos participantes do Congresso que o desafio das metrópoles requer uma “mudança de mentalidade pastoral”; a Igreja não é mais a única referência cultural para as pessoas. Não é que devamos deixar-nos levar por um relativismo pastoral, perdendo a referência no Evangelho: “É preciso ter a coragem de uma pastoral evangelizadora audaz e sem temores” para apresentar Jesus e o Evangelho ao homem e à mulher da cidade grande. É necessário o “diálogo com a multiculturalidade”, sem perder a própria identidade. Para tanto, é necessário conhecer a fundo o fenômeno urbano, seus imaginários

coletivos as “cidades invisíveis” e suas linguagens, para encontrar o coração do homem urbano e oferecer-lhe o Evangelho da vida. Elemento importante para a evangelização da cidade é a religiosidade do povo: se Deus habita a cidade, é necessário buscá-lo e reconhecê-lo onde Ele está e se manifesta, nas situações da vida urbana. Um bispo observou, durante o Congresso, que em sua diocese “metropolitana” foi assumido o propósito de prestar atenção aos “vigários de Cristo” na cidade e de ir ao seu encontro: os pobres, os doentes, os prisioneiros, os moradores de rua, os imigrados... Francisco observou que o desafio da Igreja em relação aos pobres e rejeitados das metrópoles é duplo: acolhê-los com caridade e valorizar a sua fé, tantas vezes simples e até mesclada com elementos mágicos, mas deve ser valorizada, discernida e evangelizada. A transformação da Igreja nas metrópoles requer “pensar tudo em termos de missão”, observou o Papa: sair, ir ao encontro em vez de esperar que as pessoas venham, adequar-se ao ritmo da cidade e inserir-se nele: horários de celebrações e atendimentos adequados às possibilidades do povo, igrejas de portas abertas, testemunho vigoroso da fé, incidência na cultura urbana, ir às periferias geográficas, humanas, sociais e existenciais, pastoral ecumênica, participação efetiva dos leigos na missão da Igreja. O Deus que vive na cidade pede que a Igreja de Cristo se coloque ao serviço do seu reino com novo dinamismo e criatividade pastoral.

O Cardeal Odilo Pedro Scherer participou na segunda-feira, 1º, da celebração ecumênica do Advento, realizada na Catedral Ortodoxa Antioquena, no Paraíso, organizada pelo Movimento de Fraternidade de Igrejas Cristãs (Mofic). Em sua homilia, o Arcebispo de São Paulo destacou as várias circunstâncias que marcaram o encontro: “O sofrimento de muitos cristãos perseguidos e martirizados em situações de guerra ou de terrorismo, como na Síria, no Iraque, na Nigéria e em outras partes da África e da Ásia; O falecimento recente de Dom Datev Karibian, bispo da Igreja Armênia Apostólica de São Paulo; O encontro ecumênico do Papa Francisco com o Patriarca Bartolomeu I, neste último fim de semana”.

Busca da unidade “Damos graças a Deus pelos sinais positivos do avanço ecumênico entre muitos cristãos, atentos à oração de Jesus antes de sua paixão: ‘Pai, que todos sejam um...’ E o sofrimento, a perseguição e o martírio de muitos irmãos, ‘por causa do nome de Cristo’, é um convite a mais para caminharmos na solidariedade e na unidade, em prol da paz e do respeito pela dignidade de todo ser humano. Neste caso, pelo respeito à liberdade religiosa e de consciência de nossos irmãos na fé’”, afirmou o Cardeal na celebração. Arquivo pessoal

Testemunhar a esperança “O tempo do Advento está centrado na esperança cristã, que se refere à realização plena das promessas de Deus: salvação de toda contingência, limitação e mal que ainda nos afligem neste mundo; vida em plenitude, como participação na beatitude de Deus e de Jesus Cristo glorificado, homem novo, juntamente com seus santos”, disse Dom Odilo, que acrescentou: “Nós cristãos, a partir da nossa fé no Deus fiel e salvador, no Deus justo e providente, temos a missão comum de anunciar e testemunhar ao mundo a esperança solidamente fundada em Deus”.

Cristãos perseguidos “Os cristãos perseguidos e martirizados por causa do nome de Cristo nos dão o testemunho desta esperança; para eles, bastaria negar a fé ou mudar de religião, e estariam salvando suas vidas; mas eles preferem sofrer, ser desterrados, torturados e martirizados, antes de renegar o dom precioso da fé; é porque têm esperança e confiança firme no Deus fiel e justo; não temem perder o que têm de mais precioso neste mundo, para não perder a esperança sobrenatural”, salientou o Arcebispo, reforçando que eles são um “estímulo para que continuemos firmes na fé e na esperança”. Acesse a íntegra da homilia no site da Arquidiocese de São Paulo (www.arquidiocesedesaopaulo.org.br). (Por Fernando Geronazzo)


4 | Papa Francisco |

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L’Osservatore Romano

Consagrados devem ter alegria, coragem e amor O Papa Francisco não pôde celebrar em Roma a missa de abertura do Ano da Vida Consagrada, pois estava em viagem à Turquia. Coube ao Cardeal João Braz de Aviz, brasileiro, celebrar a missa, durante a qual leu a mensagem do Papa aos consagrados. Francisco fala de sua alegria em dirigir-se aos religiosos numa “circunstância tão significativa” como aquela celebração que iniciava o Ano da Vida Consagrada. Na mensagem, ele dá as razões para convocar este ano especial, passados 50 anos da promulgação do decreto conciliar Perfectae Caritatis, sobre a renovação da vida religiosa. “Eu quis, antes de tudo, repropor a toda a Igreja a beleza e a preciosidade desta peculiar forma de seguimento de Cristo, representada por todos vocês que decidiram deixar tudo para imitar Cristo mais de perto pela profissão dos conselhos evangélicos”. Entende o Papa que a multiplicidade de iniciativas que serão efetivadas nos próximos meses, em Roma e em todo o

mundo, porá em evidência o luminoso testemunho de vida dos religiosos... “Será como uma lâmpada colocada no candelabro para dar luz e calor a todo o povo de Deus”. E prossegue Francisco: “Renovo, portanto, também a vocês aqui presentes, o insistente convite que dirigi, um ano atrás, aos Superiores Gerais: acordem o mundo e o iluminem com vosso testemunho profético e contracorrente!” O Papa oferece três dicas, que ele classifica como “três palavras programáticas” para concretizar esse testemunho. “Sendo alegres”, mostrando que seguir Cristo e viver seu Evangelho enche o coração de felicidade. Que os religiosos se contagiem com essa alegria. Isso fará com que as pessoas peçam a razão e sintam o desejo de partilhar com eles “esta esplêndida e entusiasmante aventura evangélica”. “Sendo corajosos”, porque quem se sente amado pelo Senhor sabe colocar nele plena confiança. Assim fizeram os fundadores das famílias reli-

giosas. Eles abriram caminhos novos de serviço ao Reino de Deus. Quer Francisco que “os consagrados andem pelas estradas do mundo e mostrem o poder inovador do Evangelho que, se colocado em prática, opera maravilhas também hoje e pode dar resposta a todas as interrogações do homem”. Em terceiro lugar, os religiosos devem ser mulheres e homens de comunhão. Enraizados na comunhão pessoal com Deus, devem ser “construtores de fraternidade”, praticando a lei evangélica do amor entre si e com todos, particularmente com os mais pobres. “Mostrem que a fraternidade universal não é utopia, mas o sonho de Jesus para toda a humanidade”. A mensagem termina com um agradecimento a todos que estão trabalhando para que o ano dos consagrados aconteça e a Dom João Braz de Aviz, que presidiu a celebração. Francisco concluiu confiando o Ano à Virgem Maria, o modelo perfeito dos consagrados.

Religiões contra a escravidão O Papa Francisco e líderes de várias tradições religiosas assinaram na terça-feira, 2, um documento no qual as religiões se comprometem em eliminar a escravidão moderna até 2020. “Qualquer relação discriminatória que não respeite a convicção fundamental que o outro é um semelhante constitui um delito, e tantas vezes um delito aberrante”, condenou Francisco, que acrescentou: “Por isso, declaramos em nome de todos e de cada um dos nossos credos que a escravidão moderna, identificada pelo tráfico de seres humanos, trabalho forçado, prostituição, tráfico de órgãos, é um crime contra a humanidade”, reafirmou o Papa, no encontro realizado no Vaticano.

Escravos modernos O Pontífice nominou cada uma das situações de escravidão moderna e onde elas estão escondidas. “No turismo, inclusive. Esse crime contra a humanidade se disfarça em aparentes situações normais, mas, na realidade, faz as suas vítimas na prostituição, no tráfico de pessoas, no trabalho forçado, no trabalho escravo, na mutilação, na venda de órgãos, no tráfico de drogas, no trabalho infantil. Esconde-se atrás de portas fechadas, em casas privadas, nas ruas, nos automóveis, nas fábricas, no campo, em barcos pesqueiros e em muitos outros lugares”, descreveu Francisco.

Comunicar o Evangelho com gratuidade L’Osservatore Romano

(Por Padre Cido Pereira)

O Santo Padre recebeu em audiência, na quinta-feira, 27, milhares de peregrinos da Família Paulina que foram ao Vaticano para celebrar o centenário de sua fundação. Francisco destacou a gratuidade com a qual se deve comunicar o Evangelho “aos tantos que ainda esperam a chegada da Palavra”: é preciso comunicar com “gratuidade, não fazer negócios. Gratuidade. A alegria do dom recebido por amor puro se comunica com amor. Gratuidade e amor”, reiterou o Papa. Com essas palavras, Francisco encorajou a Família Paulina para que prossiga no “caminho aberto por Padre Alberione... Levando o Evangelho àqueles que ainda não conhecem o Cristo ou sempre o refutaram”. Fernando Geronazzo


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Dom Sergio de Deus Borges Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Santana

Caminhando pelas ruas da cidade, já vemos, no comércio e em alguns edifícios, símbolos do Natal. E, à medida que nos aproximamos do Natal, vamos percebendo gradativamente uma explosão de luz e beleza em todos os recantos da cidade, na periferia e no centro, que nos levam diretamente ao prólogo do Evangelho de São João: “E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la” (Jo 1,5). Quando parece que estamos sendo dominados pelas trevas de um ano perdido, projetos não concretizados como quería-

Espiritualidade

fé e cidadania

A Luz brilha...

Advento e cidadania

mos, cansados pelo trabalho, pelas dificuldades da família e pela correria que o atual ritmo de vida nos impõe, nos deparamos com a Luz que vence as trevas e sentimos como que uma mão estendida a nos dar novo vigor. Quando estamos desanimados pelo caminho pastoral percorrido, porque achamos que fizemos tão pouco ou que as pessoas não estão acolhendo a mensagem e somos tentados pelas trevas a fazer aquela triste promessa – “este é o meu último ano de dedicação pastoral, vou fazer como muitos, vou somente participar da santa missa” -, nos encontramos com a Luz que ilumina a partir da gruta de Belém. E experimentamos em nosso cotidiano como a Palavra de Deus é eficaz, realiza o que promete, é atual, porque as trevas interiores e exteriores, neste ano, não conseguiram dominar a Luz (Jo 1,5). Jesus, a Luz do mundo, continua vencendo e será sempre vitorioso.

E somos convidados, neste tempo que antecede o Natal, a voltar nossos olhos para a gruta de Belém, onde podemos fixar o olhar interior em Cristo e receber as graças que fortalecerão nossa caminhada. Um caminho espiritual para fixar os olhos na gruta de Belém é a montagem do presépio em casa e na Igreja. Em torno do presépio, poderemos saborear, em família, a Luz que nos dá de braços abertos o Menino Jesus. “Aquele Menino que nos recorda que os olhos de Deus estão abertos para o mundo e para cada homem (cf. Zc 12,4). Os olhos de Deus estão abertos para nós, porque Ele é fiel ao seu amor!” (Bento XVI). Assim, a Luz que tem origem na gruta de Belém poderá nos guiar para metas de paz e de prosperidade, nos fará levantar a cabeça para retomarmos com entusiasmo o caminho pastoral e a missão na família, porque essa Luz foi acesa em nosso coração e continuará a brilhar mesmo quando a luz dos edifícios e das praças se apagarem.

eSPAÇO ABERTO

Caim e a Esperança João Baptista Herkenhoff A sentença criminal condenatória, transitada em julgado, retira do indivíduo a condição de primário. Decorridos dois anos do dia em que for extinta a pena ou terminar sua execução, o condenado pode obter a reabilitação. Entretanto, mesmo assim, o estigma do processo criminal é extremamente cruel. A primariedade não está, em algumas hipóteses, disciplinada sabiamente. A lei omitiu um tratamento diferenciado aos criminosos absolutamente ocasionais. Coloquemos um caso que facilite o raciocínio. Chefe de família, cidadão trabalhador e conceituado, não obstante a modéstia de sua profissão, é condenado pelo Tribunal do Júri na rubrica do homicídio privilegiado. Havia praticado o crime impelido por motivo de relevante valor moral. Depois de cumprir uma parte da pena, primário que era, mereceu o livramento

condicional. Livre da prisão, queria recomeçar sua vida em outro Estado. Compareceu à presença do juiz e colocou um problema para cujo encaminhamento pedia conselho e ajuda: “O que vou fazer de minha vida? Embora eu seja um profissional competente, como poderei arranjar emprego se minha folha corrida vai registrar que eu matei meu semelhante?” Ao despachar o pedido, o juiz invocou São Tomás de Aquino que, à luz da Filosofia, estabelece uma distinção entre a verdade substancial e a verdade formal. A verdade formal é aquela que decorre da aparência das coisas. A verdade substancial é aquela que expressa a natureza profunda do ser das coisas. A partir da concepção de São Tomás de Aquino, o magistrado concluiu que a verdade formal apontaria o réu como criminoso, carente de primariedade, com folha corrida manchada. Sob o prisma da verdade substancial, o réu, que já cumprira o tempo de prisão ne-

cessário para alcançar o livramento condicional, não devia receber o carimbo de criminoso. O crime que cometera, e pelo qual já pagara, não devia ser para ele a marca de Caim a impossibilitar inteiramente sua volta à sociedade. Respaldado na lição de São Tomás de Aquino, o juiz determinou que se expedisse em favor do ex-preso um atestado de bons antecedentes. O réu conseguiu emprego no Rio de Janeiro. Encontrando-se casualmente com o velho juiz, já agora aposentado, convidouo para almoçar em sua casa. O magistrado aceitou o convite e testemunhou a vida digna do ex-preso junto à esposa e filhos. Quisera que essa página seja um conselho para os jovens magistrados. Entre a esperança e as marcas de Caim, escolham a esperança. João Baptista Herkenhoff é magistrado aposentado, professor e escritor. E-mail: jbpherkenhoff@gmail.com

As opiniões expressas na seção “Espeço Aberto ” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

ATOS DA CÚRIA NOMEAÇÃO DE VIGÁRIO PAROQUIAL Em 24 de novembro de 2014, foi nomeado Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora do Brasil, Setor Pastoral Jardins da Região Episcopal Sé, o Revmo. Pe. Alessandro Enrico de Bourbón. Em 25 de novembro de 2014, foi nomeado Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrate, Setor Pastoral Pi-

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nheiros da Região Episcopal Sé, o Revmo. Pe. Benedito Medeiros da Silva. Em 26 de novembro de 2014, foi nomeado Vigário Paroquial da Paróquia São Luís Gonzaga, Setor Pastoral Santa Cecília da Região Episcopal Sé, o Revmo. Pe. Padre Paulo de Arruda D’Elboux, SJ . Em 28 de novembro de 2014, foi nomeado Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Consolação, Setor Pastoral Santa Cecília da Região Episcopal Sé, o Revmo. Pe. Assis Donizeti de Carvalho.

NOMEAÇÃO DE CAPELÃO Em 26 de novembro de 2014, foi nomeado Capelão da Igreja Menino Jesus e Santa Luzia, Setor Pastoral Catedral da Região Episcopal Sé, pelo período de 2 (dois) anos, o Revmo. Pe. Jonas dos Santos Lisboa. PROVISÃO DE PÁROCO Em 24 de novembro de 2014, foi prorrogada a nomeação de Pároco da Paróquia Santa Francisca Xavier Cabrini, Setor Pastoral Santa Cecília da Região Episcopal Sé, pelo período de 1 (um) ano, do Revmo. Pe. Domingos Geraldo Barbosa Almeida Junior.

Padre Alfredo José Gonçalves Diferentemente do calendário civil, o tempo do Advento abre o ano litúrgico. Advento quer dizer vinda, chegada. “Período das quatro semanas antes do Natal, fixado pela Igreja Católica para os preparativos religiosos desta festa”, diz o Dicionário Aurélio. Em termos teológico-pastorais, significa preparar-se para a vinda do Senhor, celebrando a cada ano o mistério da Encarnação. Figuras bíblicas, como o profeta Isaías, o precursor João Batista e a Virgem Maria povoam as leituras desse período. Isaías relembra a renovação da aliança e da promesa: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz, uma luz brilhou para os que habitavam um país tenebroso” (Is 9,1). João Batista, “voz daquele que clama no deserto”, alerta: “Convertam-se, porque o Reino de Deus está próximo... Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas” (Mt 3, 2-3). Maria indica o caminho a seguir: “Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a sua Palavra” (Lc 1,38). Assim, somos convidados a uma dupla conversão. Por um lado, uma reaproximação ao Deus que “vê a aflição do povo no Egito, ouve seu clamor, conhece seu sofrimento e desce para libertá-lo da ecravidão do Faraó”, acompanhando-o pelas estradas do êxodo, do deserto e do exílio. Com a chegada do Advento, realiza-se, por meio do Menino que nasce em Belém, a plenitude da aliança, ou melhor, a nova aliança: “o Verbo se faz carne e arma sua tenda entre nós” (Jo 1,14). Por outro lado, somos igualmente convidados a renovar o compromisso com o outro, especialmente no rosto dos pobres e excluídos, os pequenos e indefesos, os últimos e mais necessitados, para usar uma expressão tão cara ao Papa Francisco. Nessa dupla conversão, está em jogo o amor a Deus e o amor ao próximo, síntese da lei dos profetas e da Boa-Nova do Evangelho. Numa palavra, preparando-nos para o Natal, o tempo do Advento nos estimula a renovar também o compromisso com a cidadania. Esse compromisso tem como horizonte último o bem-estar socioecômico e políticocultural, a defesa dos direitos básicos de todo cidadão e a centralidade da dignidade humana, linha mestra da Doutrina Social da Igreja. Jesus nasce pobre para nos enriquecer com sua presença e salvação, nasce nu para nos revestir com seu amor infinito e misericordioso, nasce à margem da sociedade para mostrar a necessidade de incluir a todos, como filhos e filhas de Deus, no grande banquete do Reino. O Filho de Deus se faz homem para nos elevar à luminosa morada do Pai.


6 | Fé e Vida |

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você pergunta

novos santos e beatos

O que é manter uma boa saúde espiritual?

Beato Charles de Foucauld

padre Cido Pereira

Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação

A Ana Lúcia Brás, do Tremembé, se preocupa em ter uma boa saúde espiritual. Mas não sabe como mantê-la. Ana Lúcia, manter uma boa saúde espiritual é viver a fé, é viver em comunhão com Deus, é alimentar a fé com o estudo da Palavra de Deus e, sobretudo, com a oração. Na nossa vida material, todos sabemos que os hábitos saudáveis, que uma alimentação sadia, que exercícios físicos ajudam a prevenir doenças e a manter a saúde. Na vida espiritual também é preciso ter hábitos saudáveis, como viver as virtudes, ser firme na fé, na esperança, no amor. É preciso uma boa alimentação. A santa comunhão, o estudo da Palavra de Deus, as boas leituras que alimentam a fé, ajudam a nossa saúde espiritual. Também na vida espiritual, é preciso prevenir-se contra o pecado. É por isso que oramos no Pai N osso: “Não nos deixeis cair em tentação”. Então, é preciso que fujamos das ocasiões de pecado, que não brinquemos com fogo, isto é, que não confiemos demais em nós mesmos, porque nossa natureza humana é fraca, é frágil demais. E é bom que você saiba que a penitência, a mortificação dos sentidos, a fuga de situações que podem nos levar ao pecado, são chamadas de “ascese”, palavra que significa ginástica. Esse tipo de ginástica nos previne contra o pecado. Então, Ana Lúcia, procure crescer na fé, alimentar sua fé, viver sua fé, ter uma vida cristã digna desse nome, assumir a sua condição de filha de Deus, orar sempre, sozinha e em comunidade, partilhar sua fé com irmãos e irmãs da comunidade... tudo isso nos ajuda a adquirir e a manter uma boa saúde espiritual. Vamos começar? Fique com Deus, ouviu?

LITURGIA E VIDA 2º DOMINGO DO ADVENTO 7 DE DEZEMBRO DE 2014

A alegria do coração ANA FLORA ANDERSON

Neste segundo domingo do Advento, a antífona canta que Deus vem nos salvar e trazer alegria para nossos corações. A oração nos ensina que, ao recebermos a misericórdia de Deus e o dom da sabedoria, nenhuma atividade terrena nos impedirá de participar da vinda do seu Filho. Na primeira leitura (Isaías 40, 1-5.9-11), o profeta anuncia a Boa Nova ao Povo de Deus. Ao preparar o caminho do Senhor, nossos pecados são perdoados e ficamos libertados para fazer a vontade de Deus. Ele é nosso Pastor, que nos reúne, nos carrega no colo e nos protege com seus braços fortes. A segunda leitura (2 Pedro 3, 8-14) é um anúncio de esperança. O povo fiel não deve desanimar, pois Deus não tardará para realizar as suas promessas. Ele espera a conversão de todos os seus filhos para, de repente, vir como o ladrão no meio da noite. O Evangelho de São Marcos (1, 1-8) cita o profeta Isaías para explicar a vocação de João Batista. É ele que prepara o caminho para a realização do ministério de Jesus. João batiza com água, símbolo da origem e do sustento da vida. João, porém, profetiza que Jesus nos batizará com o próprio Espírito de Deus. O Batismo no Espírito é a realização de todas as promessas de Deus. É a comunicação pessoal de Deus conosco.

1º de dezembro

Charles de Foucauld nasceu em Estrasburgo, na França, em 15 de setembro 1858. Aos 16 anos, Charles escolheu a carreira militar e, ao final dos estudos nas melhores escolas militares, era um subtenente do Exército francês. Em 1883, Charles deixou o Exército e viajou para o Marrocos, na África. Desde a saída do Exército, começou a mudança de vida. Com grande apoio dos parentes e de seu conselheiro espiritual, retornou à fé cristã, que o arrebatou de vez. Em 1890, Charles decidiu viver apenas para servir a Deus. Ingressou como noviço no Mosteiro Trapista de Nossa Senhora das Neves, onde ficou por alguns anos. Abandonou o Mosteiro e foi à Terra Santa. Lá, sentiu-se mais próximo de Jesus e adotou a vida de pobreza total. Foi aceito no Mosteiro das Irmãs Clarissas de Nazaré, trabalhando nos serviços gerais. Em 1912, estourou a guerra entre a Turquia e a Itália. A tensão entre as tribos tuaregues aumentava. Embora o eremitério de Charles parecesse uma fortaleza, não era suficiente para protegêlo. No dia 1º de dezembro de 1916, ele foi brutalmente assassinado com um tiro na cabeça, por um adolescente de 15 anos, durante uma tentativa de sequestro e roubo naquele local. Em 1933, seus seguidores fundaram a União dos Irmãozinhos

Reprodução

de Jesus, em sua homenagem. Mais tarde, em 1939, uma congregação feminina foi fundada com o mesmo nome. Ambas adotaram o estilo de vida que ele sugerira.

A Santa Sé considerou venerável Charles de Foucauld, em 2001, e, em 13 de novembro de 2005, o Papa Bento XVI o beatificou. Fonte: www.paulinas.org.br

50 Papa vai à Índia para participar do anos

Congresso Eucarístico Internacional

Capa da edição de 6 de dezembro de 1964

A visita do Papa Paulo VI à Índia, para participar do Congresso Eucarístico Internacional, foi o destaque da edição do O SÃO PAULO de 6 de dezembro de 1964. Antes de chegar à Índia, o avião do Papa fez escala em Beirute, no Líbano, sendo o Pontífice saudado pelas autoridades locais e por duas freiras, que “romperam o cordão de segurança e beijaram suas mãos”. Parte da população entregou ao Papa uma mensagem reclamando sobre “a injustiça feita por Israel aos refugiados palestinos” e manifestando a esperança de que ele apoiasse “o direito dos árabes à Palestina”. Ao chegar à Índia, Paulo

VI expressou: “Vimos como peregrinos de paz, de felicidade, de serenidade e de amor”. Na praça onde se realizava o Congresso Eucarístico Internacional, em Bombaim, ele foi saudado por mais de 70 mil pessoas. “Uma fantasia de cores rodeava o ambiente, sobre o verde céspede. Os coloridos característicos das vestimentas das mulheres indianas contrastavam com as manchas brancas e pretas dos religiosos”, descreveu a reportagem. Ainda neste primeiro dia de visita, o Pontífice solicitou ao primeiro ministro indiano que libertasse os extremistas hindus detidos por terem ameaçado causar tumulto durante a visita do Papa.


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| Pastorais | 7

Arsenal da Esperança

ceseep

Arrecadação de donativos para os acolhidos do Arsenal

Curso de Verão 2015

Há alguns anos, o Arsenal da Esperança arrecada “ítens” para presentear os seus 1.200 acolhidos. Nas campanhas dos anos anteriores, foram arrecadados chinelos, meias e cuecas. Para 2014, foi decidido que seria arrecadado produtos de higiene masculina (sabonete, pasta de dente, shampoo, talco, aparelho de barbear descartável). Essa grande arrecadação acontece graças à participação de inúmeros amigos da casa, voluntários, vizinhos e também com a boa vontade de algumas escolas, paróquias e empresas. Este ano, a campanha chama-se

Divulgação

“Feliz Natal do Arsenal”. A entrega será no domingo, 14, das 14h às 18h. Nessa data, os acolhidos poderão assistir algumas apresentações de músicas e danças, haverá contadores de histórias, além de terem a possibilidade de escreverem cartões de Natal para os familiares e, claro, receberão os kits de presente. Quem quiser doar, poderá fazê-lo até o dia 8. Outras informações entrar em contato com o Arsenal da Esperança, pelo telefone 2292-0977, ou no endereço: rua Dr. Almeida Lima, 900,Mooca.

Pastoral Fé e Política A Escola de Fé e Política Waldemar Rossi está com as inscrições abertas. Mais informações pelo email: escolafp@pastoralfp.com, ou pelos telefones(11) 3022-6821 e (11)

96400-6231 (com Caci Amaral). As aulas serão todas as segundas-feiras, a partir de 23/02/15, no Centro Pastoral São José, no Belém (avenida Álvaro Ramos, 366).

“Juventude e relações afetivas” é o tema do Curso de Verão de 2015. Será abordado no horizonte da corporeidade, da espiritualidade e da sua diversidade. Indagar-se sobre o afeto e a sexualidade é tocar sempre na dimensão maior do amor humano, de sua grandeza e contradições e ser capaz de aproximar-se com respeito de suas diferentes formas de expressão e vivências, sem a ilusória pretensão de desvendar inteiramente seu mistério. A casa do ser humano é sua corporeidade. Essa se exprime na busca por sentido mais profundo na espiritualidade e no incessante afã por tornar-se sujeito respeitado e reconhecido no seu direito à diversidade e não mero objeto na teia de relações sociais e pessoais no seio da família, dos círculos de amigos(as), no trabalho, no lazer e na aventura das escolhas amorosas. Com esse tema desafiador das relações afetivas (2015), o Curso de Verão completa o triênio de estudos voltados para a juventude. Em 2013, foi abordada a temática das redes digitais e, em 2014, Juventudes em foco, com o exame das políticas públicas inclusivas em educação, trabalho e cultura.

Pontifícias Obras Missionárias

Assembleia do Comire Sul 1 debate desafios contemporâneos da missão O Conselho Missionário do Regional (Comire) Sul 1 da CNBB (Estado de São Paulo) realizou no sábado, 29, a sua Assembleia anual. A reunião aconteceu no Centro Missionário São Paulo, sede da Obra dos Cenáculos Missionários (OCM), na capital paulista. Iniciou-se com celebração eucarística, presidida por Dom Vicente Costa, bispo de Jundiaí e presidente do Comire. “Às vezes, encontramos mis-

sionários e missionárias cansados, desanimados e é preciso dar novo ânimo à missão. Vigiai e orai, é o que manda o Senhor Jesus. Vigiai e orai para não cairdes no desânimo”, disse Dom Vicente ao comentar o tema “Nossa Senhora, Advento dos Povos”. O bispo e Maria de Fátima da Silva (Fatiminha), coordenadora do Comire, fizeram a acolhida dos representantes das sub-regiões e organismos ligados ao Conselho. Divulgação

O texto sobre as orientações para a animação missionária da Igreja no Brasil que está sendo elaborado pelo Conselho Missionário Nacional (Comina) foi o tema central da Assembleia. O documento foi apresentado pelo Padre Everton Aparecido da Silva, assessor do Comire Sul 1. “O Comina espera a nossa colaboração com o subsídio sobre a Missão e Cooperação Missionária, e é importante que enfrentemos os desafios contemporâneos

da missão”, disse Padre Everton. Com várias citações de passagens bíblicas e do Magistério da Igreja, o documento pretende priorizar a cooperação missionária, sua dimensão universal, a animação, articulação e formação missionária. A falta de clareza quanto à dimensão social da missão foi um dos itens destacados na contribuição dos participantes na explanação. Padre Everton destacou, ainda, que “o conhecimento da distin-

ção dos três âmbitos essenciais da missão deve ser referência para o missionário: Pastoral, Nova Evangelização e Missão ad gentes. A cooperação missionária é a dimensão universal da missão. Leva-se em conta o legado de Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das Missões, que é a Comunhão Espiritual, e ainda a comunhão dos bens materiais e da entrega da vida”, completou o Assessor. Comunicação do Comire Sul 1 Divulgação


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Destaques das Agências Nacionais

Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Muitas histórias nas mãos para saudar o Cardeal Arns Após 4 anos, Dom Paulo Evaristo, arcebispo de São Paulo entre 1970 e 1998, aparece em público, na comemoração dos seus 69 anos de ordenação sacerdotal O “empurra-empurra” depois da missa de domingo, 30, foi motivado por um grande carinho para com o Cardeal Paulo Evaristo Arns, arcebispo de São Paulo durante 28 anos. De 1º de novembro de 1970 a 22 de maio de 1998 o Cardeal Arns, nascido em Forquilhinha, Santa Catarina, esteve à frente como pastor da Igreja em São Paulo, “amigo das crianças, dos doentes e dos pobres”. Dom Paulo comemorou 69 anos de ordenação sacerdotal aos 93 anos de idade e levou à Catedral da Sé pessoas que trabalharam com ele na luta pelos direitos humanos como Margarida Genevois, Dalmo Dalarii, Maria Cecilia Domezi, Ana Flora e Antonia Accarino Mucciolo. “Agradeço ao senhor Cardeal Odilo Pedro de ter aceitado a presidência dessa celebração e peço a todos os fiéis aqui presentes uma fervorosa oração pelas vocações sacerdotais. Nossa querida Arquidiocese de São Paulo é tão grande e se desenvolve tanto que jamais terá vocações suficientes se assim continuarmos. Que Deus abençoe as famílias e

os jovens que desejam seguir a Jesus Cristo, sumo e eterno sacerdote. Obrigado. Amém!”, foi o discurso curto que Cardeal Arns fez, com voz forte e um grande sorriso. Celebrando o 1º Domingo do Advento, o Cardeal Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, lembrou, na homilia, a esperança cristã que deve conduzir a vida dos fiéis no tempo do Advento. Em homenagem à Dom Paulo, que é franciscano, cantou-se a “Oração de São Francisco” e um ramalhete foi entregue por Pedro Paulo Pedrini, 5 anos. “O nome dele é em homenagem à Dom Pedro Casaldáliga [bispo emérito de São Félix do Araguaia] e ao Cardeal Arns”, disse Paulo Pedrini, membro da Pastoral Operária, que foi junto ao filho entregar as flores. Antônia Accarino Mucciolo, 76, presidente da Cáritas Arquidiocesana durante 27 anos, foi uma das muitas pessoas que acompanharam Dom Paulo até a saída, numa procissão cheia de encontros emocionados. Para ela foi um privilégio ter convivido com o Cardeal Arns durante tantos

anos. Em entrevista à reportagem, Antonia recordou sua atuação na Cáritas e disse que, àquela época, “cada vez que ele me confirmava no cargo eu pensava: ‘Como uma pessoa tão grandiosa confia numa pessoa tão pequena como eu’”. Padre Tarcísio Mesquita, coordenador arquidiocesano de Pastoral, lembrou o carinho com que Dom Paulo acompanhava os sacerdotes e o conselho que ele repetia a cada nova ordenação: “Não se esqueçam dos pobres”. No ano em que o Brasil recorda os 50 anos do início da Ditadura Militar e muitos fatos são trazidos à tona em congressos e seminários, a pessoa do Cardeal Arns aparece como alguém que viveu intensamente seu ministério episcopal lutando contra situações de violência e violação dos direitos humanos. “São Paulo só não foi mais massacrado na época dos militares, graças à força de Dom Paulo”, disse Antonia, que trabalhou também 30 anos ao lado de Dom Luciano Mendes de Almeida, que foi arcebispo de Mariana(MG.

No Brasil, começa o ‘Ano da Paz’ O primeiro Domingo do Advento, 30, foi marcado pelo início do ‘Ano da Paz’ em todo o País. De acordo com os últimos dados do Mapa da Violência, mais de 56 mil pessoas foram assassinadas no Brasil em 2012. Os jovens são os principais afetados, somando mais de 27 mil vítimas.

Aprovado por unanimidade durante a 52ª Assembleia Geral da CNBB, o Ano se estenderá até o Natal de 2015, com objetivo de ajudar na superação da violência. Para celebração serão aproveitados os meses temáticos do Ano Litúrgico. Fonte: CNBB

Por Nayá Fernandes

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Cardeal Scherer saúda o Cardeal Arns na Catedral da Sé

Dom Paulo reencontra amigas Margarida Genevois e Ana Flora

Em 2014, Dioceses em São Paulo celebram jubileu A Diocese de Campo Limpo (SP) celebrou, no domingo, 23, a Ação de Graças pela Missão Popular Diocesana e pelo jubileu de 25 anos de criação da Diocese. Mais de 2 mil pessoas participaram da missa, presidida pelo bispo diocesano, Dom Luiz Antônio Guedes. Outras três dioceses foram

desmembradas da Arquidiocese de São Paulo na ocasião, e celebraram jubileu em 2014, são elas: São Miguel Paulista, Santo Amaro e Osasco. As quatro dioceses foram criadas no dia 15 de março de 1989, no Pontificado do Papa João Paulo II. Fonte: Diocese de Campo Limpo


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Destaques das Agências Internacionais

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Filipe Domingues

Especial para O SÃO PAULO, em Roma

Filipe david

osaopaulo@uol.com.br

Turquia

Papa busca aproximação com Igreja Ortodoxa e alerta sobre fanatismo religioso O Papa Francisco demonstrou sua convicção em fortalecer o diálogo ecumênico e inter-religioso na viagem à Turquia, entre 28 e 30 de novembro. Para ele, a apro-

ximação entre as religiões é uma forma concreta de promover a paz onde há guerras coordenadas por extremistas. “Uma contribuição importante pode vir do diálogo

inter-religioso e intercultural, de modo a banir qualquer forma de fundamentalismo e terrorismo, que humilha gravemente a dignidade de todos os homens e instru-

Combate ao terrorismo Há um verdadeiro massacre de cristãos no mundo. Estudos recentes da Sociedade Internacional para Direitos Humanos (ISHR, na sigla em inglês, um grupo não religioso que reúne membros de 38 países) indicam que 80% dos atos de discriminação religiosa hoje são contra cristãos. O Centro para Estudos da Cristandade Global, nos Estados Unidos, estima que 100 mil cristãos são mortos todos os anos por causa da sua fé. A maior parte, justamente, no Oriente Médio. Por isso, o Papa pediu na Turquia uma ação mais firme das autoridades de países de maioria muçulmana contra os terroristas que também se dizem muçulmanos. Em especial, teme-se a ação do chamado “Estado Islâmico”, grupo que atua no Iraque e na Síria, que declarou guerra aos cristãos. No voo de ida à Turquia, Francisco reiterou o conceito de “guerra justa”, dizendo que, quando necessário, “é legítimo parar um agressor injusto, respeitando o direito internacional”. Membros do “Estado Islâmico” estupram, queimam, enterram vivos, apedrejam, degolam e esquartejam aqueles que consideram inimigos – principalmente cristãos e curdos (minoria étnica predominante na região)-, inclusive mulhe-

res e crianças. Ou, então, os obrigam a se converterem ao islamismo. Mas, para Francisco, esse não é o verdadeiro Islã. No voo de volta a Roma, explicou: “O Alcorão [livro sagrado dos muçulmanos] é um livro de paz. Não se pode dizer que todos os islâmicos sejam terroristas. Em todas as religiões existem esses grupos”. Mas a decisão do Papa de tocar no assunto junto ao presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, foi estratégica. Atualmente, o governo de Erdogan visa a uma posição de liderança no Oriente Médio, mas a Turquia é branda nas condenações ao terrorismo, porque, muitas vezes, esses grupos combatem inimigos que os árabes turcos têm em comum – como os mesmos curdos e o ditador da Síria, Bashar al-Assad, cujo regime também é extremamente violento. Erdogan, por sua vez, propôs um acordo indireto ao Papa: aceita a crítica, mas também o Ocidente precisa se empenhar contra o que ele chamou de “islamofobia”, isto é, o preconceito contra muçulmanos em países ocidentais. “O racismo, a discriminação e a ‘islamofobia’, infelizmente, estão aumentando”, disse. De qualquer forma, para o presidente turco, a visita do papa é um símbolo de aproximação.

mentaliza a religião”, afirmou, logo na chegada a Ancara. Mas dois pontos principais resumem os objetivos da visita: combater o fanatismo religioso diante da violenta

Francisco e Bartolomeu I L’Osservatore Romano

Na Turquia, Francisco encontra-se com Bartolomeu I, líder da Igreja Ortodoxa

O segundo objetivo da visita do Papa à Turquia era, na verdade, o oficial: um encontro com o patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, da Igreja Ortodoxa. As duas igrejas eram uma só até 1054, quando houve o Grande Cisma, mas hoje a proximidade entre o bispo de Roma, sucessor de apóstolo Pedro, e o bispo de Constantinopla, sucessor do apóstolo André, é muito grande. O gesto que ganhou as páginas dos jornais de todo o mundo foi quando, de improviso, Francisco se inclinou no peito de Bartolomeu e pediu que ele o abençoasse, e também à Igreja de Roma. O patriarca beijou a cabeça do Papa. Alguns observadores do Vaticano,

China

só Deus pode salvar o homem”. Na China, o catolicismo é permitido somente à Associação Patriótica Católica Chinesa, entidade controlada pelo Partido Comunista Chinês. A Igreja Católica, fiel ao papa, vive em uma situação de relativa clandestinidade e perseguição, e as relações entre o Vaticano e o País foram rompidas em 1951, pouco depois da chegada dos comunistas ao poder, após mais de 20 anos de guerra civil. O País é reconhecidamente um dos campeões em violações de direitos humanos. Devido à política do filho único, utilizada para estabilizar a po-

no entanto, minimizaram a importância desse gesto. De acordo com Sandro Magister, do jornal italiano L’Espresso, não é a primeira vez que Francisco se inclina para um líder de outra igreja. “O momento que se sobressaiu do encontro foi a troca de promessas de unidade entre as Igrejas”, escreveu Magister, referindo-se à declaração conjunta que os dois bispos assinaram ao fim de uma oração ecumênica. Para Francisco, “a unidade é um caminho que se deve fazer, e se deve fazer juntos, é o ecumenismo espiritual, rezar juntos trabalhar juntos. Depois, há o ecumenismo do sangue: quando matam os cristãos, o sangue se mistura. Os nossos mártires estão gritando: somos um”.

Índia/Ásia

‘O comunismo destruiu os valores humanos’ A declaração foi feita pelo Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, bispo emérito de Hong Kong, ao grupo ACI, em Roma, por ocasião do evento “Missão na Ásia: Papa João Paulo II e Francisco”. Durante sua intervenção no evento, o Cardeal também chamou atenção para o perigo do ateísmo humanista: “o caminho da Igreja é o homem, o ser humano. Por isso, acho que agora a batalha está no terreno. Na realidade, o que ameaça a Ásia é um ateísmo humanista, em que as pessoas opõem Deus ao homem e o homem a Deus. Temos que pregar a Deus porque

perseguição aos cristãos no Oriente Médio, especialmente no Iraque e na Síria; e aproximar ainda mais a Igreja Católica da Igreja Ortodoxa, rumo à unidade das igrejas.

‘Apostolado educativo é central’

pulação, a China se tornou também a campeã mundial de abortos (13 milhões por ano), muitos dos quais forçados, feitos contra a vontade da mãe. Hong Kong é um caso especial, que usufruiu de grande liberdade devido à soberania britânica sobre a cidade até 1997, quando passou para o domínio da China. Recentemente, tem sido palco de protestos, principalmente de estudantes, que pedem liberdade para escolherem os seus líderes em 2017, sem interferência de Pequim. Fonte: ACI

É o que afirmou, à Fides o Padre Felix Raj, SJ, diretor do Colégio São Francisco Xavier, em Calcutá: “A instrução é o principal instrumento de desenvolvimento integral da família humana. Ela permite o crescimento individual de cada pessoa e contribui à construção da nação (...). É por isso que o apostolado educativo é central na missão da Companhia de Jesus desde o seu surgimento e é essencial para os jesuítas na Ásia”. Segundo o sacerdote, a semente do apostolado educativo no sul da Ásia foi lançada em 1544, com a fundação do Colégio São Paulo de Goa, em Goa Velha, antiga capital da Índia portuguesa durante o período colonial. Padre Felix apontou, também, para a importância do engajamento dos jesuítas na área educacional na região, responsáveis por 387 escolas, 50 colégios universitários e 16 instituições de ensino superior. Fonte: Fides


10 | Viver Bem |

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Como vencer a rotina no casamento Valdir Reginato Desde os primeiros dias do casamento, os esposos percebem que se estabelece uma nova rotina em suas vidas. Morar com alguém, estar casado por toda a vida, muda o comportamento das pessoas. Já não seremos os mesmos de antes... Diante das novidades, desde acordarem juntos e terminarem o dia na mesma cama, descobre-se que é necessário estabelecer uma rotina para certas atividades que envolvem o casal, e, posteriormente, com a chegada dos filhos, a família no seu todo. Quando se fala em “rotina”, associase, frequentemente, a ideia de hábitos repetitivos, com uma frequência significativa, a intervalos curtos que podem ser diários, semanais ou mensais. Dentro dessas circunstâncias, a “rotina” significa fazer sempre a mesma coisa, da mesma maneira, no mesmo local, com as mesmas pessoas... tornando-se algo que pode esfriar a motivação, chegar a indiferença, algumas vezes, e perdendo o seu sentido próprio; interferindo nas demais atividades do casal e da família. Encontraremos a “rotina” nos horários de acordar, de ir trabalhar, das refeições, de deitar, e mesmo de outras atividades que podem incluir o lazer, o despacho administrativo de contas a pagar, e até o convívio com familiares próximos. Frequentamos sempre a mesma pizzaria, o almoço na sogra de domin-

O que fazer em caso de perda, roubo ou furto do cartão de crédito? Ronald Quene Se isso ocorrer, deve o consumidor imediatamente comunicar à administradora do cartão, mas a administradora não pode exigir que o consumidor arque com as despesas realizadas por pessoas estranhas que utilizaram o cartão perdido ou furtado, antes de feita a comunicação, nem mesmo não tendo contratado seguro para o cartão. Os contratos de cartão de crédito também não podem ter cláusula que transfira para o consumidor essa responsabilidade. Isso é abusivo. A respeito desses casos, há várias decisões dos tribunais favoráveis aos consumidores, inclusive, entendimento no Superior Tribunal de Justiça (STJ) no enunciado sumulado nº. 479. Saiba de seus direitos, procure um advogado. Ronald Quene é bacharel em direito

go. Os finais de semana parecem vídeotapes, exceto pelas mudanças climáticas de ora mais frio, ora calor; chuva ou não. Não devemos confundir “rotina” com as virtudes da ordem ou da disciplina. É bom que haja uma disciplina em certas atividades cotidianas, e ordem com as coisas, até para podermos planejar e aproveitar melhor o tempo. Contudo, não devemos ser “rotineiros”. Quando tudo se faz “da mesma maneira”, perdemos os horizontes de novas perspectivas, deixamos a esperança de alcançar novos objetivos, e corremos o risco de perder o verdadeiro significado de vivermos a dois. O amor jamais pode ser uma “rotina”, pois ele se renova em cada atitude, em cada encontro, em cada decisão. Amar necessariamente implica em crescer, avançar, descobrir, motivar-se e deixarse revelar ao outro como um ser que se sente amado e que deseja amar cada vez mais. Quem ama nunca faz duas vezes a mesma coisa exatamente igual, pois busca melhorar sempre algo que ainda não havia percebido e que agora enriquece o que aparentemente seria o mesmo. Na vida do casal, as circunstâncias mudam, não somos sempre exatamente os mesmos. Devemos, pois, nos esforçar por melhorar e perceber que o mesmo trabalho, o horário de almoço, as visitas, devem conter frequentemente um sabor que atrai certa novidade mais convidativa.

Tecnologia

Direito do Consumidor

Comportamento

Sergio Ricciuto Conte

Podemos apresentar algumas propostas práticas em consideração. Pequenas surpresas podem promover grandes renovações no amor. Colocar no café da manhã de domingo aquele doce diferente que ela gosta. Chegar mais cedo um dia do trabalho e assistir a um filme no cinema. Um telefonema no meio do horário de trabalho para saber como está, ou se melhorou da dor de cabeça que estava pela manhã. Deixar o almoço na sogra e fazer um passeio somente os dois. Convidar um casal novo para fazer crescer uma amizade. Planejar os finais de semana antecipadamente, para que não se fique sempre com o mesmo pro-

grama, assim como também das férias. São muitas as possibilidades, contudo, o mais importante é a disposição interior em querer melhorar. Fazer “novo” o “de sempre”! Para o cristão, a oração é sempre uma renovação do nosso amor a Deus, que deve se traduzir no amor à família e às atividades do cotidiano. Quem ama, jamais vive rotina, e a fonte do amor está em Deus. Portanto, para vencer a rotina é necessário que se esteja sempre vinculado ao amor de Deus. Nele fazemos novas todas as coisas. Dr. Valdir Reginato é médico de família, professor da Escola Paulista de Medicina e terapeuta familiar.

A influência da internet na vida de 3 bilhões de pessoas Luiz Otávio Ugolini Vianna Uma das informações divulgadas pela ONU na última semana é que a internet atingiu, mundialmente, aproximadamente 3 bilhões de usuários. Impressionante, não?! O que impressiona não é somente o número absoluto dos usuários, mas a forma como esse número está crescendo. No início da década de 90, ou seja, há aproximadamente 15 anos, o número de usuários conectados à internet não passava de 15 milhões. Mas, também, o que havia para acessarmos na internet? Ou ainda, com que dispositivo acessaríamos a internet na década de 90? São essas questões que nos fazem olhar para o futuro e imaginar como será daqui a 15 anos, ou menos, talvez daqui a 10 anos. Será que nos lembraremos de hoje pensando como já fomos “atrasados”? Nesse ponto, a velocidade de

evolução da tecnologia parece assustar um pouco, mas ela ainda tem um enorme espaço para se expandir. Digo isso, pois, apesar desse número impressionante de usuários, em termos globais, a internet ainda não atinge cerca de 60% da população mundial. Para aqueles que, como nós, vivem em grandes centros de países desenvolvidos ou em desenvolvimento, o acesso à internet se tornou algo cotidiano e, aparentemente, necessário. Parece difícil imaginar não estarmos inseridos neste mundo. Naturalmente, grandes empresas no mundo estão trabalhando para levar a internet para esse percentual ainda não atingido, mas suas motivações normalmente não são sempre humanitárias e visam aumentar mercados e influências no mundo. Pessoalmente, sou um apaixonado pela tecnologia e profissional da área, vivo disso. Não posso negar o potencial e a utilidade que a internet

nos trouxe. Esse texto que você está lendo, por exemplo, foi transmitido pela internet antes de ser impresso. Mas, pelos mesmos caminhos que trafegam as coisas boas, trafegam as outras. Por isso, vale sempre meditar um pouco sobre a influência da tecnologia nas nossas vidas. Penso que o acesso às tecnologias sempre nos traz uma dupla característica: o componente da utilidade e o componente do vício. Assim, devemos pesar nossa forma e intensidade no uso da tecnologia, percebendo qual dessas características nos impulsiona no seu uso. Que seja sempre, e, principalmente, pela utilidade. Ah, ia me esquecendo: como somos um povo competitivo, sempre queremos saber nossa colocação no ranking mundial: nesse ranking de usuário com acesso à internet, o Brasil ocupa hoje a quarta posição. Luiz Otávio Ugolini Vianna é engenheiro e diretor de tecnologia da MultConect.


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Natal dos Sonhos:

um presente de solidariedade Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Iniciativa da Arquidiocese de São Paulo, por meio da Pastoral do Menor, promove arrecadação de brinquedos a crianças carentes Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

Marcus Vinicius dos Santos, 7, e, Diego Pedroso, 16, subiram ao palco do auditório da Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom), no sábado, 29, no bairro da Vila Mariana. Não estavam na mesma cena, mas fizeram parte de uma só história de solidariedade: a 13º edição do Natal dos Sonhos, promovida pela Arquidiocese de São Paulo, por meio da Pastoral do Menor, com o objetivo de arrecadar brinquedos para crianças carentes, e de valorizar o lúdico, o pedagógico e o direito de brincar. Marcus Vinicius participa das Obras Sociais Vista Alegre, mantidas, com o apoio da Pastoral do Menor, na periferia noroeste de São Paulo. Caracterizado como um dos anões da Branca de Neve, o garoto, junto a outras crianças e adolescentes, encenou as maneiras como o Natal é comemorado nos Estados Unidos. Neste ano, alunos de colégios católicos expressaram como a cultura natalina é vivenciada também na Inglaterra, França, Portugal e em países da América Latina, incluindo o Brasil, em suas cinco regiões. “Lá no palco fiquei assim, com cara de raiva, pra imitar o anão Zangado”, contou Marcus Vinicius à reportagem. “Não sei se vou ter presente de Natal, pois no ano passado, em casa, não ganhei nada”, afirmou o garoto que tem quatro irmãos. Diego Pedroso foi ao palco, junto com os outros estudantes do colégio católico Padre Moye, para encenar o nascimento do Menino Jesus. Em sua escola, segundo conta, houve ampla divulgação da campanha do Natal dos Sonhos, que resultou em muitas doações de brinquedos para crianças carentes como Marcus Vinicius. “Estar aqui é uma sensação muito boa, porque gosto de deixar as pessoas felizes, gosto de ver sorrisos”, contou o adolescente, que interpretou o papel de José.

Natal dos Sonhos tem dia de arrecadação de brinquedos, encenação do nascimento de Cristo e homenagem a Dom Milton

A força da partilha Segundo Maria Célia Câmara Martins Mendoza, professora do Colégio Padre Moye, a participação dos estudantes no Natal dos Sonhos os torna mais atentos às causas humanas. “Muitos valores podem ser transmitidos numa ação como essa, mas o principal é a partilha. Temos que olhar o próximo, respeitá-lo, sermos sinceros naquilo que temos para podermos distribuir com os menos afortunados”, avaliou ao O SÃO PAULO. A força dos gestos de partilha também foi destacada por Dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar da Arquidiocese e referencial das Pastorais Sociais. “A cada

ano, vejo que essa iniciativa se repete com um entusiasmo maior. Isso é motivo de esperança e de percepção de quanto é vivo o sentimento que nos torna fraternos, irmãos”, afirmou o Bispo, que de partida para a Diocese de Barretos (SP), onde tomará posse no dia 21, foi homenageado durante o evento. Na avaliação de Maria Antonia da Costa, educadora das Obras Sociais Vista Alegre, crianças carentes guardam para a vida toda experiências de solidariedade pelas quais tenham passado. “Falamos muito nessa questão de ajuda mútua. Somos de uma classe mais humilde e é bom ver essas ações de quem está em melhores

condições. Ver essa solidariedade marca na cabeça da criança”, garantiu. “Um presente na vida de uma criança é algo mágico!”, completou.

Lições do presépio O Natal dos Sonhos de 2014 teve como tema “As lições do presépio”, o mesmo adotado na novena de Natal da Arquidiocese. “Por ter um grande envolvimento com escolas católicas e universidades, nós achamos que o tema ‘lição’ tinha tudo a ver com o Natal dos Sonhos. Foi uma grande oportunidade de rever a questão da solidariedade, da humildade, da simplicidade, do perdão, tudo isso foi refletido com as crianças e

os jovens”, explicou Sueli Camargo, coordenadora arquidiocesana da Pastoral do Menor. Nas apresentações dos colégios e também durante a celebração da Palavra, presidida pelo Padre Luiz Cláudio Braga, assessor arquidiocesano da Pastoral do Menor, destacou-se que o presépio expressa a beleza e a simplicidade do nascimento de Cristo. “A celebração do Menino Deus que vem em cada Natal é uma presença que dá a cada pessoa esperança. A maior lição do presépio é que Jesus vem pobre para nos enriquecer”, avaliou, à reportagem, o Padre Hélcio Grespan, Verbita, da Arquidiocese de Juiz de Fora (MG), que durante o evento fez um show musical. Outras apresentações foram de Ede Danna, cover de Elvis Presley, e dos Padres Cantores – Rodrigo Papi, da Diocese de Guaxupé (MG) e Padre Sérgio Bedin, da Diocese de Jaboticabal (SP) – que cantaram a música “Santíssima”, no encerramento da encenação do nascimento de Jesus, vivificado em um bebê nascido este ano no Amparo Maternal. “No presépio, a gente encontra o grande mistério da Sagrada Família, uma família amada, abençoada e escolhida por Deus. Que olhando para o presépio, possamos olhar para as nossas famílias, que devem ser regadas de amor, carinho, afeto, companheirismo, diálogo e de muita paz”, avaliou Padre Sérgio. “O presépio é um registro muito forte da nossa fé cristã. A iniciativa do Natal dos Sonhos é importante para unirmos forças e construirmos um mundo melhor”, opinou Padre Rodrigo.

Campanha segue até o dia 15 A arrecadação de brinquedos para o Natal dos Sonhos segue até o dia 15 nas paróquias da Arquidiocese, que podem destinar as doações a obras sociais que conheçam ou repassar os itens à Pastoral do Menor. “O Natal dos Sonhos dá a oportunidade de a Pastoral do Menor fazer exatamente o que ela acredita: ser na cidade de São Paulo, anúncio e denúncia. Ela anuncia a vinda do Salvador, e, ao mesmo tempo, denuncia que o direito de brincar de nossas crianças está sendo roubado pelo tráfico, pela prostituição, pelo descaso do Estado e pelo abandono”, detalhou Sueli Camargo.


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Edcarlo

edbsant@

Ordenados para o serviço da carid ‘Diaconato representa para mim a missionariedade de cada cristão’ Arquivo pessoal

Gilmar Freire Rodrigues, 46 Ele será ordenado diácono permanente no mesmo dia que casou, há 17 anos. Pai de três filhos, Gilmar, 46, é formado em Teologia pela PUC-SP e possui formação em fotografia pelo Senac, e vídeo-comunicação pela Perfil Vídeo Produtora e pela TVN, atualmente trabalha na NET Serviços. Segundo ele, a grande responsável pela sua vocação foi a esposa, “ela é o João Batista que apontou para o cordeiro, então, resolvi encarar e acabei gostando da ideia e agora estou aqui”, comenta. Gilmar afirma que sua família “encara bem” a sua vocação e o chamado ao diaconato permanente, pois “todos participam e comungam da mesma ideia; eles são coroinhas

O diácono deve configurar sua vida ao Cristo Servidor’

na paróquia em que tenho trabalhos pastorais, e minha esposa me ajuda”. “Como Jesus nos pede ser missionários, o diaconato representa para mim a missionariedade de cada cristão para a qual fomos chamados”, afirma. Arquivo pessoal

Francisco Eduardo Lemes Nogueira, 66

lar sob o pretexto do exercício do seu ministério, por isso desenvolverá uma autêntica espiritualidade matrimonial e estará sempre atento para que os trabalhos diaconais não o afastem da necessária convivência com a esposa e os filhos. Com equilíbrio e sabedoria, deve organizar compromissos familiares e sociais, bem como atividades pastorais”, afirmou.

Com apenas 25 anos, João Henrique, seminarista da Arquidiocese de São Paulo, será ordenado diácono na Catedral da Sé, no sábado, 13, às 15h. “O diácono deve configurar sua vida ao Cristo Servidor, dessa maneira, quero servir à Igreja de São Paulo, auxiliando o bispo, através do anúncio da Palavra, da participação na liturgia e do exercício da caridade, sobretudo com os pobres e os doentes que formam o rosto sofrido de Cristo”, afirma o jovem. João ingressou no seminário aos 18 anos, após ter terminado seus estudos regulares e ao final deste ano, conclui a Faculdade de Teologia pela PUC-SP. “Ingressei no seminário porque ouvi fortemente o chamado de Deus em meu coração, percebia que só alcançaria verdadeira realização na minha vida sendo padre, ademais, minha experiência pastoral em minha paróquia de origem, Paróquia Nossa Senhora das Neves, era um impulso ainda maior para

Arquivo pessoal

Arquivo pessoal

Benedito José da Silva, 59

‘É uma forma de devolver o q Há 30 anos, ele frequenta a Paróquia Nossa Senhora do Sagrado Coração, na Região Belém, e sempre na missa das 7h30. Um dia, foi convidado pelo pároco a servir como ministro extraordinário da sagrada comunhão. A partir dai, começou a desenvolver outras atividades em benefício da Paróquia.

“Por um chamado de Deus para servir aos irmãos’ José Jindarley Santos Silva, 40

sua esposa, faz visitas quinzenais a asilos, onde realiza uma pequena celebração e leva a santa eucaristia para os idosos, além de conversar com eles e ouvi-los. “Pretendo exercer este ministério com muita humildade. No diretório do Diaconato Permanente está escrito que o diácono permanente é um homem consagrado, que representa, pública e oficialmente, o Cristo servidor na sociedade, na Igreja, no exercício de sua profissão e na família”, afirma.

me dedicar ao sacerdócio”, conta o jovem seminarista. “Espero realizar em minha vida o sonho de Deus, quero apenas fazer sua vontade e, por isso, me coloco à sua disposição. Pretendo fazer com que Cristo seja mais conhecido e mais amado. Espero ajudar nossa Arquidiocese naquilo que for preciso, também espero aprender cada vez mais com os trabalhos que realizarei e com as pessoas com quem trabalharei”, destaca.

Francisco Jandui Gonçalves, 50

‘Pretendo exercer este ministério com muita humildade’ “Minha esposa sempre esteve comigo nos trabalhos que desenvolvo em minha comunidade e, tenho a certeza, me dará grande apoio no ministério que devo assumir. Meus filhos também participam dos trabalhos; todos nós estamos engajados no serviço de minha comunidade. Portanto, penso que todos estão muito ansiosos para este momento”, destacou Benedito, 59, casado há quase 36 anos. Pai de dois filhos, Benedito, que trabalha com criação e desenvolvimento de modas para magazines, fala com orgulho que sua nora está esperando seu primeiro neto. O diaconato para ele veio por meio do convite de um amigo que também é diácono, na época. Ele comenta: “não sabia o significado e a importância do diaconato permanente, só com o passar do tempo pude compreender o compromisso que estava assumindo com a Igreja de São Paulo, e com minha comunidade”. Atualmente, Benedito, juntamente com

Transit

João Henrique Novo do Prado, 25

‘O diácono casado não descuidará de seu lar’ “O diácono deve testemunhar que o serviço de Cristo não se reduz a determinadas atitudes, mas engloba toda vida. Significa assumir as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, bem como carregar com eles a cruz de cada dia e com eles repartir a vida nova de filhos de Deus e cordeiros de Cristo”, afirma o professor Francisco, 66, casado há 43 anos. Francisco é pai de uma filha de 41 anos, e afirma que deseja ser diácono permanente para exercer “com fé e entusiasmo a Tríplice Diaconia” - Sacerdote-Diácono, para santificar o povo de Deus; Profeta-Diácono, para transmitir a salvífica Palavra de Deus; PastorDiácono, para servir o Povo de Deus, administrando-lhe generosamente a economia da salvação. “O diácono casado não descuidará de seu

No sábado, 13, às 15h, na Catedral da Sé, pela imposição das mãos do Cardeal Odilo Pedro Scherer, a Arquidiocese de São Paulo ganhará 11 novos diáconos. Dois deles se preparam para o sacerdócio, João Henrique e Wellington Laurindo, por isso recebem esse primeiro grau da ordem como mais um passo em direção ao presbiterado.

José, 40, completará 15 anos de casado no dia 25 de dezembro, no Natal. Pai de duas filhas, o analista contábil trabalha na Igreja desde os 9 anos, e, como ressalta, já participou da liturgia, do ministério de música, Pastoral da Juventude, Pastoral da Confirmação, Ministro da Palavra e Extraordinário da Sagrada Comunhão, coordenador do CPP e atualmente está na Pastoral do Batismo. Para ele, o diaconato representa estar a “serviço da Igreja por amor a Cristo e aos irmãos, um novo olhar para a vida, um ‘Aggiornamento’. O diácono permanente vive a dupla sacramentalidade: o Matrimônio e a Ordem, ambos em sua plenitude”. José destaca que decidiu ser diácono “por um chamado de Deus para servir aos irmãos”, ao qual ele “simplesmente disse sim”. A família, afirma, acolheu a ideia “com carinho, afi-

Arquivo pessoal

nal minha esposa foi e continua sendo minha motivadora de todas as horas, e Jesus meu maior estímulo”. Sobre a jornada família-Igreja, destaca que durante toda a sua vida aprendeu a conciliar, pois sempre foi bastante atuante na Igreja, “claro que existem as tribulações e desafios do cotidiano, mas todo aquele que serve com alegria, o Senhor não desampara”, afirma.


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os Bispo

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dade e da proclamação da Palavra Os outros nove - Gilmar Freire Rodrigues; Francisco Eduardo Lemes Nogueira; Marcelo Brito; Benedito José da Silva; José Jindarley Santos Silva; Carlos Franco de Barros Fornari; Antonio Ferreira Junior; José Donizeti Leonel; Francisco Jandui Gonçalves – são leigos casados, que, descobrindo a sua vocação, assumem de forma permanente esse serviço.

ransitórios

Luciney Martins/O SÃO PAULO

‘É necessário estar voltado inteiramente ao Senhor’ Wellington Laurindo dos Santos, 31 “Depois de oito anos de preparação no seminário, espero novamente renovar o meu ‘sim’ e me lançar, sem reservas, nos braços de Deus. Não cheguei aqui pelos meus méritos, mas pela sua bondade e

misericórdia, por isso, eu quero o que Ele quer e se preciso for irei aonde Ele me enviar, fazer com que a vontade dele se faça em mim, ser presença dele em meio à liturgia e no serviço aos mais necessitados, como nos lembra o Papa Francisco na Evangelli Gaudium ‘ir às periferias existenciais da humanidade’”, afirmou Wellington, 31, seminarista que será ordenado diácono. Filho de Antônio Laurindo dos Santos e Maria Cileide Policarpo dos Santos, é o mais novo de quatro irmãos. Formado em Teologia pela PUC-SP, Wellington afirma saber do “grande desafio e das realidades da cidade de São Paulo”, porém, não se amedronta e se coloca “à disposição da Igreja, na pessoa do Cardeal Odilo Pedro Scherer”. “Sei da grande responsabilidade que estou assumindo; como o apóstolo Paulo adverte ‘carregamos preciosos perfumes em vasos de barro’ (2 Cor. 4,7), é necessário estar voltado inteiramente ao Senhor, para que a cada dia, apesar das nossas limitações, ele nos capacite em seu amor, para servir ao Povo de Deus em São Paulo”, afirmou o futuro diácono.

que eu recebi gratuitamente’ Francisco, 50, é casado há 24 anos e pai de duas filhas. Empresário autônomo, formado em Direito, afirma que consegue conciliar a vida de trabalho com a vida familiar, lazer e a religião. “Sou bastante exigente, mantenho uma rotina disciplinada de trabalho, sempre conciliado com o contato com a família e o lazer, além de sempre servir fielmente à Igreja. Costumo reservar tempo para desen-

volver as atividades relacionadas à Paróquia”. Para ele, o diaconato “representa uma forma de retribuir a Deus tudo o que ele me proporcionou. É uma forma de expressar minha gratidão a Deus diante de tudo que consegui superar em minha vida, todas as realizações, pela querida família que constitui, enfim, é uma forma de devolver o que eu recebi gratuitamente”.

‘Atendendo às necessidades do povo carente’ Carlos Franco de Barros Fornari, 65 “Em 2006 decidimos – eu e minha esposa - após o casamento de nossos filhos, que deveríamos agradecer a Deus tudo que recebemos e continuamos a receber, e resolvemos que eu começaria a me preparar para ingressar na Escola Diaconal São José, da Arquidiocese de São Paulo, o que ocorreu em agosto de 2007. Sempre tive o apoio irrestrito e a compreensão total de minha e esposa e de meus filhos, que me acompanham no trabalho pastoral”, afirma João Carlos, 65, gerente de vendas em uma imobiliária e corretor autônomo. Casado há 41 anos, é pai de seis filhos e avó de sete netos. Para ele, o diaconato permanente representa uma “possibilidade de poder prestar serviço à Igreja de São Paulo, atendendo às necessidades do povo carente de pão e da Palavra, trabalhando na promoção social, na Pastoral da Saúde e onde mais

‘O diaconato é o serviço de todo cristão’ Marcelo Brito, 44 “Deus se revela na história, e durante o percurso da minha fui percebendo cada vez mais forte o seu chamado; o diaconato veio ao encontro deste chamado e o complementou me dando ferramentas sólidas e uma base para exercer o chamado. Sempre tive o apoio de minha família, minha esposa trouxe para o diálogo os pontos de vistas que nos levaram a refletir sobre a fé e compromisso, me dando mais solidez para a caminhada, tendo a oração como nosso alicerce”, afirma Marcelo, 44, casado há 13 anos e pai de uma menina de 10. Marcelo trabalha há 22 anos na Guarda Civil Metropolitana de São Paulo; atuou por mais de 20 anos no policiamento escolar, atualmente é educador corporativo no Centro de Formação em Segurança Urbana e luta pela implementação da Capelania para a humanização e propaga-

Arquivo pessoal

ção da fé entre seus colegas de trabalho. “O diaconato é o serviço de todo cristão, do pai para com o filho, do marido para com a esposa e vice-versa, no entanto, como ministro ordenado, somos levados a ser sinal visível como Igreja Católica a uma comunidade, a um povo, imagem do Cristo servo’, afirmou

‘O diaconato representa um serviço gratuito’

Arquivo pessoal

José Donizeti Leonel, 58 Aposentado há dois anos, José Donizeti, 58, afirma que com a aposentadoria pode conciliar melhor o seu tempo com a Igreja. Casado há 31 anos e pai de um único filho, o contador aposentado destaca que, desde jovem, o seu “coração sempre esteve voltado para a Igreja” e que sua família recebeu com alegria, a notícia de que ele havia decidido ser diácono permanente. “O diaconato representa um serviço gratuito, voltado sempre para os mais pobres e excluídos. O diácono deve estar sempre disposto a servir a Igreja, com amor, levando o Evangelho a todos sem distinção de cor e de raça. Sendo como Jesus (a verdadeira luz) para aqueles que vivem na escuridão”, afirmou.

José fez o estágio da faculdade na Paróquia São José, na Região Lapa, onde realizou os trabalhos pastorais como coordenador da Catequese, e vem auxiliando sempre nas missas. Em 2015, iniciará um novo trabalho junto à Pastoral do Batismo.

‘Somente sabemos que estamos a serviço de Deus’

Arquivo pessoal

Antonio Ferreira Junior, 47 Arquivo pessoal

meu bispo e meu arcebispo entenderem que precisam de meu trabalho”. “Sempre conciliamos a vida familiar e o serviço à Igreja, pois desde o inicio de meu casamento, minha esposa e eu trabalhos em alguma pastoral. Quando nossos filhos nasceram, nós os levávamos conosco e este trabalho também os auxiliou a criarem gosto para servirem como leigos engajados”, afirmou.

“O Diaconato é para mim, fundamentalmente, uma resposta a um chamado de Deus. E esse chamado somente pode e deve ser considerado privilégio, se for privilégio de serviço. É um mergulho na fé, não se sabe aonde vai levar, somente sabemos que estamos a serviço de Deus, da Igreja e dos irmãos, nos quais devemos sempre enxergar o rosto de Cristo”, destacou Antonio, 47. Casado há 19 anos, Antonio e sua esposa não têm filhos. O técnico em telecomunicações trabalha como assistente técnico em setor de suporte do Banco do Brasil. O desejo ao diaconato surgiu após a conversa com um sacerdote amigo. Sua esposa, que já conhecia sua história, pois ele havia sido seminarista da Arquidiocese, sempre o apoiou e incentivou. Atualmente, faz trabalhos pastorais na Paróquia Natividade do Senhor, na Região Santana, onde coordena a liturgia e assessora a Pastoral do Batismo. Antonio destaca que,

como não possui filhos, consegue “conciliar bem as nossas necessidades familiares e o trabalho na comunidade”. Para ele, o diaconato é estar a serviço: da Palavra, da liturgia e da caridade. “Embora tenha uma predileção sobre as questões morais e éticas, sobretudo ligadas à Doutrina Social da Igreja, até pela herança filosófica, não estou criando expectativas, espero em Deus, e me coloco à disposição dele”.


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Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Abertura do Projeto Natal Iluminado, na Catedral da Sé, conta com celebração ecumênica e concerto da Orquestra Sinfônica Heliópolis e do Coral da Gente, do Instituto Bacarelli, no sábado, 29

Luzes anunciam o Natal para São Paulo Fernando Geronazzo

cidade que se agita com as compras de Natal, há também “um grande número de iniciativas de solidariedade para pensar nos pobres, nos doentes e nos aflitos de todo tipo, para também a eles levar alegria e esperança”.

Especial para O SÃO PAULO

A Catedral da Sé acolheu no sábado, 29, a abertura de mais uma edição do projeto Natal Iluminado, promovido pela Associação Comercial de São Paulo, em parceria com a Prefeitura da capital e com o apoio da Arquidiocese de São Paulo. O objetivo é deixar a cidade mais iluminada e decorada para o Natal. Acolhidos pelo arcebispo metropolitano, Cardeal Odilo Pedro Scherer, líderes das Igrejas Católica de Rito Greco-Melquita, Católica de Rito Maronita, Ortodoxa Antioquina, e representantes das Igrejas Presbiteriana Unida e Episcopal Anglicana do Brasil participaram de um momento de oração ecumênica, marcando o sentido cristão do Natal. O evento também contou com um concerto da Orquestra Sinfônica Heliópolis e do Coral da Gente, ambos do Instituto Bacarelli, que apresentaram canções natalinas. Outro momento esperado foi o já tradicional espetáculo de projeção na fachada da Catedral, com temas de obras sacras de diferentes regiões do mundo.

Tradicional espetáculo de projeção ilumina a fachada da Catedral da Sé no Natal Iluminado

Convite à cidade “É mais do que justo que nos encontremos aqui, terminando o mês de novembro, mas para nós, na liturgia, terminando o ano litúrgico, o Tempo Comum, e amanhã [domingo, 30] iniciando o Advento, tempo de preparação, de encaminhar os nossos olhares para aquele que vem, para aquele que promete, nos faz esperar, alegra o nosso coração, porque ao mesmo tempo que o esperamos, sabemos de sua proximida-

de. Ele está no meio de nós”, afirmou Dom Odilo, no início da oração. O Cardeal também lembrou que os cristãos convidam a cidade inteira a se alegrar na preparação da celebração do nascimento de Jesus Cristo. “E assim, que a cidade toda, alegrando-se, se ilumine, dê sinais de esperança, de conforto, a todos aqueles que também necessitem de um sinal dessa proximidade de Deus, da sua presença em suas vidas”. Para o Arcebispo, é belo perceber que na

O projeto O Natal Iluminado foi idealizado 2000 pela Associação Comercial de São Paulo para deixar a capital paulista mais iluminada e decorada, atraindo consumidores e turistas no fim do ano. Porém, o organizador do projeto, Guilherme Afif Domingues Filho, explicou ao O SÃO PAULO que apesar de a Associação Comercial ter o papel de incentivar o consumo, a entidade busca não estar desconectada dos valores verdadeiros do Natal. Por isso, a escolha da Catedral para o evento de abertura. “A Catedral Metropolitana representa a cidade. A praça da Sé escancara as diferenças entre as pessoas da cidade de São Paulo e do Brasil inteiro. Por isso, queremos promover o convívio com essas diferenças, a tolerância, que é também a mensagem do Natal. Embora o Natal seja uma festa originalmente cristã, queremos que toda a cidade viva esse momento”, disse Afif.


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Álvaro Siviero

A música diz o que as palavras não conseguem Arquivo pessoal

Roberto Zanin

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

Você deve ter vivido estórias divertidas em suas apresentações ao redor do mundo. Poderia citar alguma? Lembro-me de uma situação desesperadora, em que me preparava para o Concerto n.3 para piano e orquestra, Op.30, de Rachmaninov. Ao entrar no palco, percebi que o piano brilhava de modo incomum. Ao iniciar a obra, meus dedos escorregavam no teclado, sem firmeza alguma. Um desespero. Não entendia o que estava ocorrendo. Sem saber o que fazer, concentrei-me, procurando não transparecer nada. Mais tarde, fiquei sabendo que um funcionário, querendo dar o máximo brilho à apresentação, havia passado lustra móveis também sobre o teclado [risos].

O paulistano Álvaro Siviero, pianista de sólida carreira internacional, já atuou como recitalista, camerista e esteve à frente de orquestras como a London Festival Orchestra, Sinfonia Rotterdam, I Musici de Montreal, Prague Philarmonic, além de numerosas orquestras nacionais. Único brasileiro a participar do Encontro Mundial de Artistas, realizou recital oficial de reabertura do local onde viveu Frederic Chopin, em Mallorca, na Espanha. Siviero, que escreve sobre música clássica em um blog do jornal O Estado de São Paulo (www.alvarosiviero.com), fala sobre a relação entre a música, a religião e o homem moderno.

O SÃO PAULO – Que relação existe entre música e ser humano? Álvaro Siviero - A música é capaz de dizer o que as palavras não conseguem e que, ao mesmo tempo, não pode deixar de ser dito. O homem moderno, não por maldade, mas por esquecimento, desviou-se de sua identidade. Surpreende o vazio psicológico, emocional e afetivo de tantas relações humanas, cada vez mais descartáveis, o medo do compromisso, a agressividade azeda que pauta a vida de tantas pessoas, o medo e, acima de tudo, a confusão gerada por essa busca sem freios do que é bom, mesmo não sendo um bem. Busca-se matar a sede com água do mar. Nesse sentido, a boa música ajuda tremendamente a recuperar essa capacidade de reflexão humana, de interiorização, de olhar para dentro de si sem medo. Não é por acaso que a música com a qual trabalho chama-se erudita (do latim ex-rude), precisamente por desembrutecer o ser humano. Quando o homem se desumaniza, esquecendose do seu valor, não é de se estranhar que tantas baixas tendências surjam como em carreata. Humanizar-se não é uma opção, é uma necessidade.

Quando começa a música na formação do indivíduo? Poucos sabem que a audição é o primeiro sentido que desenvolvemos. A partir do quarto mês de gestação, o aparelho auditivo está pronto, preparado para receber estímulos sonoros. Sendo assim, uma mãe pode se comunicar com o filho não somente pelo tato, mas por sons. Conheço casais que colocaram música para a criança ainda em sua fase fetal e o resultado é muito positivo, desenvolvendo nela um sentido crítico mais aguçado, um desenvolvimento sadio do sentido da curiosidade e a capacidade de expressar suas ideias com mais facilidade, entre tantas outras vantagens. Há quem diga que o povo não

compositores da humanidade, dandolhes ao mundo.

gosta e não entende de música erudita e que os concertos são para a elite. Você concorda? E quem disse que sensibilidade está relacionada com classe social? A falta de reflexão e o excesso de rótulos fazem com que muitos repitam slogans sem nem sequer entender o que afirmam. Já vi gente afirmando que música erudita é o oposto de música popular. Outra inverdade. Na Áustria, por exemplo, música popular é Mozart. E o curioso é verificar que as mesmas pessoas que afirmam isso, que rotulam de elite os que se esforçam por adquirir cultura e refinamento, ficam na frente de uma televisão sem se esforçar para nada. Eu acredito que o interesse de um povo para certos assuntos define-se pelo seu nível cultural. E lamento dizer que, infelizmente, o nível educacional e cultural do nosso maravilhoso Brasil ainda é muito baixo. Que relação você faz entre religião e música? Entendo a religião como uma realidade existencial, assim como tantas outras. Da mesma forma que, no plano corporal, o homem necessita de descanso e alimento, no plano anímico, espiritual, necessita amar e ser amado. Dou um exemplo. Na vida musical, pode-se cometer o erro de entender que o sentimento do artista, o que ele sente, deve ser critério e norma da interpretação musical. Isso é perigoso, um engano, pois os sentimentos do artista devem também estar a serviço das indicações da partitura, dos conceitos exigidos pelo compositor, da métrica cronológica da obra, entre tantas ou-

tras coisas. Os sentimentos são um rio caudaloso, que correm sobre o leito em alta velocidade, mas que podem encharcar tudo se não encontram ao seu redor margens bem definidas. Estragaríamos, por exemplo, a interpretação de um Noturno de Chopin se, por dar vazão a sentimentos de raiva, indignação ou rancor, executássemos a obra com fúria, revolta e nervosismo. Não é assim que funciona. Nós brasileiros, talvez pelo nosso enorme coração, esquecemos que os sentimentos devem estar a serviço do homem, e não o contrário. Quando ocorre essa inversão de valores em uma pessoa que, além disso, possui ideias confusas, critérios atrapalhados e conhecimento questionável, aí sim, a confusão está instaurada. Em música, essa atitude seria desonesta. Por que também não o seria no terreno religioso e em tantas outras áreas?

Você costuma fazer apresentações para públicos não acostumados a ouvir música de concerto. Qual é a receptividade da plateia? A receptividade é enorme. Fico feliz por verificar como as salas de concerto estão lotadas, as temporadas quase esgotadas, perceber que essa busca de refinamento e de ajuste tem levado muita gente, que nunca esteve em contato com a música erudita, a ouvi-la de modo entusiasmado. Lembro-me, agora, de um recital que realizei na periferia de São Paulo. Havia mais de 500 pessoas. Nunca vi tamanho silêncio e comoção. Muitos nunca tinham visto um piano na vida. Tudo muito emocionante. E é por isso que quero democratizar os grandes

Há algum senso comum sobre sua profissão que não é verdadeiro? Sim. A de que o artista é, por definição, um vaidoso. Não é bem assim [risos]. O artista, quando verdadeiro, entende-se como um envelope que carrega uma mensagem, que é sua arte. Obviamente, a carta, a mensagem, é o que interessa. O envelope, normalmente, é colocado no cesto de papéis. Essa consciência de se entender como instrumento traz muita lucidez e, eu diria também, muita tranquilidade. O conceito de artista e exibicionista não são compatíveis. Quem trabalha com arte, especialmente, não pode perder o sentido de transcendência da vida. Perder isso é perder o próprio trabalho. Talvez, por isso, nutro especial admiração por Francisco e Josemaria Escrivá. O primeiro sempre me cativou por não estar “nem aí” para o que os outros pensavam dele. O segundo, por ensinar que o trabalho realizado por amor engrandece e resgata o homem. Que mensagem você daria a quem ainda não descobriu a música clássica? O desafio da música erudita é o desafio do silêncio. Em uma cidade repleta de stress acústico, como São Paulo, não entendo o que leva uma pessoa a sair do barulho das buzinas e entrar em um carro para ouvir uma música bate-estacas ou a andar com a orelha habitualmente grudada em um walkman, agitando a cabeça ao som do tunk-tunk-tunk-tunk, sem conteúdo, sem propósito. E para aqueles que pensam que a grande massa humana só está interessada em samba, suor e cerveja, lembro-me do cachorro do meu vizinho, a quem muitos afirmavam que o que ele gostava era de roer um bom pedaço de osso. Será que alguém já pensou em oferecer um pedaço de filet-mignon?


16 | Fé e Cultura |

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Filipe David

Cultura

Recital de fim de ano A Casa Guilherme de Almeida – Instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, gerenciada pela POIESIS Instituto de Apoio à Cultura, à Língua e à Literatura – promove no dia 7, às 11h, um recital de fim de ano, com a presença do Coral do Colégio Oswald de Andrade e do Coral da Cetesb, sob a regência do maestro Gualtieri Belloni Filho. A entrada é gratuita. Serão interpretadas canções brasileiras e natalinas dos compositores Hekel Tavares, Villa-Lobos e Valdemar Henrique, entre outros, incluindo com-

posições para poemas de Guilherme de Almeida. O evento contará com a participação do pianista Rafael Miranda. Gualtieri Beloni Filho é professor de música, arranjador, compositor e violonista formado em Violão Clássico e Composição e Regência pela Unesp. Cantou no Coral Paulistano do Theatro Municipal de São Paulo, de 1990 a 2002. Rege corais corporativos desde 2000. Para outras informações: (11) 3673-1883; www.casaguilher medealmeida.org.br, ou diretamente na Casa Guilherme de Almeida rua Cardoso de Almeida, 1.943).

Dica de leitura

Música

osaopaulo@uol.com.br

Contra o Cristianismo, a ONU e a União Europeia como nova ideologia Um olhar, ainda que seja parcial, sobre tudo o que está acontecendo, faz descobrir um mundo que, inclusive por medo do fundamentalismo islâmico, parece querer substituir toda tradição religiosa por uma ética laica fundada nos direitos humanos, concebidos como negociáveis ou modificáveis. É uma ética que tende a se configurar como religião, que compreende e supera todas as demais, e que deveria garantir o progresso universal e a convivência pacífica de qualquer forma de diversidade. No entanto, a própria re-

cusa em mencionar as raízes cristãs do Velho Continente na constituição europeia é um sintoma inquietante de uma situação muito generalizada sobre a condição dos direitos humanos, direitos aos quais todas as organizações internacionais fazem referência, mas que, ao longo dos anos, foram perdendo sua característica originária de código ético e também o vínculo com a Revelação judaico-cristã. Pouco a pouco, os direitos humanos se converteram na base ideológica de um relativismo totalitário, que busca eliminar toda e qualquer referência

a um direito natural. Ergue-se, assim, uma espécie de religião laica, sem um fundamento superior ao qual se possa recorrer em caso de conflitos. Insinua-se como fundamentada em si mesma para estabelecer as normas de organização de uma nova consciência coletiva que, carente de valores sólidos, é sempre modificada conforme as oportunidades e conveniências. FICHA TÉCNICA Autor: Eugenia Roccella e Lucetta Scaraffia Páginas: 252 Editora: Ecclesiae Reprodução

Retiro de Natal No dia 6, das 9h às 13h, será realizado o Retiro de Natal para o Mundo Acadêmico e da Cultura no Mosteiro de São Bento (largo de São Bento, s/nº, no centro). O evento, promovido pela Pastoral Universitária e pelo Vicariato Episcopal da Educação e Universidade da Arquidiocese de São Paulo, é dirigido espe-

cialmente para professores, estudantes, artistas, jornalistas e outros profissionais da cultura. O retiro será orientado pelo bispo Dom Carlos Lema Garcia, responsável por esse Vicariato. Os interessados devem confirmar presença enviando um e-mail para pastoralpuc@pucsp.br. Informações: (11) 3670-8557.

espaço do leitor Seis vidas e uma vocação: servir a Deus por meio do sacerdócio (edição 3029) “Que Deus os ilumine, traga chuva de bênção para nossos padres”. Solange Aparecida Rodrigues (pelo Facebook)

“Vam o s re z ar p or e l e s , qu e D e u s o s e ns i n e a s e r

b ons e s ant o s p a s t ore s”. Maria do Rosário de Carvalho (pelo Facebook)

Editorial: Mãos sujas de petróleo (edição 3029) “Que grata surpresa começar a leitura do jornal pelo editorial. Estava preocupada com o silêncio da Igreja Católica sobre o assunto. Até o pastor evangélico

Malafaia colocou a boca no trombone, aliás, vem colocando desde antes das eleições, e nós católicos, no silêncio. Parabéns! Dado o primeiro passo”. Cristina Cocenas (pelo Facebook) Redação do jornal O SÃO PAULO. Endereço: Avenida Higienópolis, 890, São Paulo (SP), CEP. 01238-000. E-mail: osaopaulo@uol.com.br Twitter: @JornalOSAOPAULO Facebook: Jornal O SÃO PAULO


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‘É campeão!’, em São Paulo, não Quatro grandes do futebol paulista encerram temporada sem títulos, algo inédito desde o começo do profissionalismo

çou antes mesmo de a bola rolar. Pela primeira vez, desde 1997, nenhum clube paulista conseguiu se classificar para a Libertadores da América. Em 2015, São Paulo e Corinthians retornarão à competição continental. Outro “sintoma” de que algo não vai bem no futebol paulista é a má campanha do Palmeiras no Brasileirão, que a uma rodada do fim do campeonato pode ser rebaixado para a Série B, competição que

Já William Douglas acredita não ser possível generalizar a situação. “Crise mesmo vivem a Portuguesa, afundada na terceira divisão, e o Palmeiras, que faz campanhas muito aquém de sua história. São Paulo e Corinthians oscilaram, não ganharam títulos, mas fizeram bom Campeonato Brasileiro e têm boa base para lutar por títulos em 2015”.

Aprendizados de Minas Gerais Enquanto os paulistas vivem escassez de títulos, em Minas Gerais, Cruzeiro e Atlético acumularam conquistas nas duas últimas temporadas. O clube alviceles-

fazer excelente negócio no mercado de transações e transferências: trouxe o Julio Baptista, de graça, contratou o Dagoberto e o Borges, que em qualquer clube paulista seriam titulares, mas no Cruzeiro são reservas. O Atlético caminhou por outra estrada. Tinha uma base com quatro grandes nomes, mas três saíram do clube – Ronaldinho, Bernard e Jô, este por indisciplina-, mas o Levir Culpi fez uma aposta na base e vem com boas campanhas”, detalhou. Também para William Douglas, “manter a base das equipes e não ter medo de dispensar atletas de ‘nome’, mas que não estejam rendendo, talvez seja o caminho para os clubes de São Paulo”, comentou, ao citar as estratégias de Cruzeiro e Atlético. O jornalista, no entanto, ressalta

Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

Corintianos, palmeirense, santistas e são-paulinos passaram o ano de 2014 sem o prazer de gritar “é campeão”. Seja no Paulistão, na Copa do Brasil, no Brasileirão ou na Sul-americana, os quatro principais clubes paulistas não alcançaram títulos, algo inédito desde a instituição do futebol profissional, no ano de 1933. Mesmo nos anos de 1986, 1990 e 2004, quando os campeões estaduais foram clubes do interior, respectivamente, Inter de Limeira, Bragantino e São Caetano – assim como aconteceu com o Ituano em 2014 (este time também venceu o estadual em 2002, mas o São Paulo conquistou Supercampeonato Paulista daquele ano) -, os grandes paulistas venceram o Brasileirão: São Paulo (1986), Corinthians (1990) e Santos (2004). “As equipes ‘grandes’ não valorizam mais o Paulistão, e o Ituano soube se aproveitar disso. A queda do Corinthians na primeira fase do estadual é emblemática nesse sentido. Houve certo comodismo e muita prepotência dos diretores e comissões técnicas de Santos, Corinthians e São Paulo. Já o Palmeiras está em crise há muito mais tempo e ainda não encontrou uma saída”, analisou, ao O SÃO PAULO, o jornalista esportivo William Douglas, da TV Brasil.

Futebol paulista em crise? A má temporada para o futebol de São Paulo neste ano come-

São Paulo

Libertadores: não disputou Sul-americana: eliminado nas semifinais Brasileirão: vice-campeão, garantiu vaga na Libertadores 2015 Copa do Brasil: eliminado na terceira fase Paulistão: eliminado nas quartas de final

Corinthians

Libertadores: não disputou Sul-americana: não disputou Brasileirão: garantiu vaga para a Libertadores 2015 Copa do Brasil: eliminado nas quartas de final Paulistão: não passou da primeira fase

Santos

Libertadores: não disputou Sul-americana: não disputou Brasileirão: ficou em posição intermediária Copa do Brasil: eliminado nas semifinais Paulistão: perdeu a final para o Ituano

Palmeiras

em 2014 terminou com a queda da Portuguesa para a Série C e a ascensão da Ponte Preta, de Campinas, para a Série A. Na avaliação de Adalberto Leister Filho, professor universitário em jornalismo esportivo e diretor de conteúdo do site Máquina do Esporte, “o futebol paulista vive uma crise há alguns anos. Talvez não se tenha percebido tanto por causa dos títulos recentes do Corinthians e pela presença do Neymar até o ano passado no futebol brasileiro. E o problema não é financeiro, pois boa parte desses clubes possui os melhores orçamentos do País, é uma questão administrativa mesmo”.

te venceu o Brasileirão em 2013 e 2014, enquanto o time alvinegro faturou a Libertadores do ano passado e a Copa do Brasil nesta temporada, justamente contra o Cruzeiro. “Temos que aprender com que está se fazendo em Minas Gerais. Aparentemente, os clubes paulistas não perceberam isso”, enfatizou Adalberto. “Cada clube mineiro escolheu caminhos específicos. O Cruzeiro manteve uma base, bastante forte e boa, se aproveitando, especialmente no ano passado, para

Libertadores: não disputou Sul-americana: não disputou Brasileirão: ainda corre risco de rebaixamento Copa do Brasil: eliminado nas oitavas de final Paulistão: eliminado nas semifinais

que os times mineiros não renderam tudo que podiam na temporada. “As equipes de Minas fracassaram na Libertadores, ou seja, apesar do sucesso nas competições nacionais, ainda é preciso que evoluam”.

Fifa

AGENDA ESPORTIVA Sábado (6) 16h30 – Brasileirão de Futebol Corinthians x Criciúma (Arena Corinthians)

Os melhores do futebol em 2014 – Na segunda-feira, 1º, a Fifa divulgou o nome dos finalistas ao prêmio Bola de Ouro, que terá resultado em 12 de janeiro. No masculino, concorrem o português Cristiano Ronaldo (vencedor em 2008 e 2013), o argentino Lionel Messi (ganhador entre 2009 e 2012) e o goleiro Manuel Neuer, campeão do mundo com a seleção alemã. No feminino, a brasileira Marta buscará a sexta conquista, tendo como concorrentes a alemã Nadine Kessler e a norte-americana Abby Wambach.

Domingo (7) 8h30 – Corrida de Rua Meia Maratona SESC de Revezamento (Parque da Independência, próximo ao Museu do Ipiranga) 17h – Brasileirão de Futebol Palmeiras x Atlético PR (Allianz Parque)


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João Carlos Gomes

Colaborador de Comunicação da Região

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Belém

‘Quero sempre poder retribuir o carinho de todos, com trabalho e fé’ No primeiro domingo do Advento, 30, o Padre Carlos Roberto Fróes celebrou seu jubileu de prata presbiteral na Paróquia São José do Belém, onde recentemente assumiu as funções de vigário paroquial. Cerca de 150 pessoas, da Paróquia e da Igreja Santo André Apóstolo, do Setor Conquista, onde atuou nos últimos anos, participaram da celebração, presidida pelo jubilando, que contou com a presença do bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, Dom Edmar Peron, e dos padres Márcio Leitão,

João Carlos Gomes

Padre Carlos Roberto Fróes, aos 25 anos de sacerdócio, preside a celebração de seu jubileu de prata

Atanásio Enchioglo, Claudio Oliveira e Fausto Marinho. “Que bom podermos celebrar os 25 anos de ordenação do Padre Roberto justamente no Advento”, agradeceu Dom

Edmar. “Esse domingo nos coloca em relação ao dia 25 de dezembro, que nos explica: ‘são quatro domingos antes do Natal do Senhor’, isto é, que o tempo é observado em relação a Jesus,

‘Estarei sempre à disposição de todos’, diz novo assessor da Pastoral Familiar Na última reunião da Pastoral Familiar regional, realizada, no dia 24, na Paróquia São Felipe Neri, do Setor Vila Alpina do Belém, o diácono Mario Braggio, autorizado pelo bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém,

Dom Edmar Peron, apresentou o diácono Roberto Zanchetta como o novo assessor eclesiástico dessa Pastoral na região. A coordenação da Pastoral agradeceu ao diácono Mario pelo tempo em que

assessorou as atividades e deu boas-vindas ao novo assessor. “Sinto-me feliz pela graça de poder ajudar este novo e desafiador ministério; estarei sempre à disposição de todos”, disse o diácono Roberto.

por conta de seu nascimento”, disse o Bispo, valorizando a vida do Padre Roberto e de todo sacerdote, que tem como missão seguir Jesus Cristo. Após o fim da missa, Padre Pascom Região Belém

Diácono Roberto Zanchetta

Roberto agradeceu a presença de todos. “Eu agradeço de coração ao senhor, Dom Edmar, a meus irmãos padres e, sobretudo, às comunidades do Jardim Santo André de onde eu vim e aqui do Belém. Quero sempre poder retribuir o carinho de todos, com trabalho e fé. E para isso, peço a vocês que rezem sempre por mim e pela nossa comunidade. Deus abençoe a nós todos”, disse.

AGENDA REGIONAL Domingo (7) 10h – Missa pelos 75 anos da Paróquia Santo Emídio (rua Ingaí, 67, na Vila Prudente). 14h30 – Apresentação regional da Campanha da Fraternidade 2015, no Centro Pastoral São José (avenida Álvaro Ramos, 366, no Belém). 19h – Missa da padroeira da Paróquia Imaculada Conceição (rua José Barbosa da Silva, 31, no Jardim Sapopemba). Segunda-feira (8) 15h – Festa da padroeira da Paróquia Nossa Senhora da Conceição (praça Silvio Romero, s/nº, no Tatuapé). 20h – Missa pelos 75 anos da Paróquia São Paulo Apóstolo (rua Tobias Barreto, 1.320, no Belém).

Brasilândia

Matheus Maciel

Colaboração especial para a Região

CEBs: rede de comunidades, proféticas, e junto da vida do povo As lideranças das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Região Brasilândia estiveram reunidas, de 28 a 30, no Centro Rogate na Freguesia do Ó para refletir e rezar juntos os desafios das CEBs urbanas, com assessoria de Solange dos Santos Rodrigues, socióloga e mestre em Sociologia pela UFRJ. A acolhida dos participantes aconteceu na sexta-feira, 28, e as atividades se iniciaram no sábado, 29, com a oração do Oficio Divino das Comunidades. Na sequência, Solange conduziu

um momento de apresentação dos participantes e da história das suas respectivas comunidades, e durante o restante da manhã foi feito um apanhado das principais dificuldades que a metrópole tem para com o Pastoreio do Povo de Deus, em especial na periferia, e como se dá a identidade cristã dentro desse panorama. Na parte da tarde, o foco foi entender a metrópole e como ser comunidade nos dias de hoje, levando em consideração o movimento dentro das grandes cidades, os tipos de relações que se dão Arquivo pessoal

Dom Milton Kenan Júnior posa para fotos com participantes da vigília de oração no Colégio Santa Lúcia Filipini, no sábado, 29, que marcou a abertura do Ano da Vida Consagrada na Região Brasilândia.

CEBs Região Brasilândia

entre as pessoas, a relação entre afinidades e o território geográfico e, principalmente, como é possível ser comunidade física em uma cidade de tantas comunidades virtuais. Para encerrar o sábado, houve um momento de Participante do retiro das CEBs, durante momento de oração oração mariano, revivendo a experiência romeira do nidades, proféticas, e junto da vida do 13º Intereclesial das CEBs, realizado povo, mas se atentando para não ser no começo deste ano, em Juazeiro do vista como um conjunto de vazios, e Norte (CE) e partilhando as realidades sim como uma rede que sustenta muitas coisas, com pontos ligados uns aos da Região Brasilândia. No domingo dia 30, a assessora outros. O retiro se encerrou com a celeconvidou os participantes, em grupos, que partilhassem as coisas boas da bração da eucarística, celebrada pelo cidade. A assessora fez a provocação Padre José Domingos Bragheto, assesse era viável tentar ser rede de comu- sor das CEBs da Região Brasilândia, e nidades ou não. Após a discussão em com o compromisso renovado de ser grupos, verificou-se que a melhor so- povo de Deus em movimento e sinal lução é as CEBs serem rede de comu- do Reino de Deus.


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Santana

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

Há 25 anos, ‘Tua bondade e misericórdia me acompanham a cada instante’ Diácono Francisco Gonçalves

Padre Zezé precede Dom Sergio na procissão de entrada da missa de 25 anos de sacerdócio

Na manhã da quarta-feira, 26, aconteceu, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima da Vila Dionísia, a missa do jubileu de prata sacerdotal do Padre José Benedito Brebal Hespaña, o Padre Zezé, pároco. A celebração teve

a participação de Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, de vários sacerdotes e fiéis paroquianos. Nascido em Lorena (SP), em 26 de janeiro de 1954, desde a infância, o

Padre teve contato com os salesianos, tendo recebido a Primeira Eucaristia, em 1962, na Escola Salesiana Agrícola. Foi também intenso o contato com Monsenhor Jonas Abib, o que contribuiu para entrar no noviciado salesiano, em 1974. Graduou-se em Letras, em 1979, pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências, Letras e Psicologia, em Lorena. Mudou para São Paulo, em 1986, sendo acolhido na Arquidiocese de São Paulo pelo Cardeal Paulo Evaristo Arns, então arcebispo, e ingressou no Seminário Maior Imaculada Conceição, convivendo na Casa de Formação da Região Episcopal Santana, com o formador, Cônego Ruy Mello, que teria grande influência na sua vocação. Recebeu o diaconato em 1989, e foi ordenado presbítero em 26 de novembro de 1989, na Igreja Nossa Senhora da Salette, pela imposição das mãos de Dom Joel Ivo Catapan, então bispo auxiliar na Região Santana. No

mesmo ano, atuou como vigário paroquial nas paróquias Nossa Senhora Aparecida do Parque Edu Chaves e Nossa Senhora da Livração. Em 1991, foi nomeado pároco da Paróquia São Francisco de Paula e São Benedito, no Parque Peruche. Transferido, em 1993, para a Paróquia São Camilo de Lellis, ali permaneceu até 2008, quando assumiu a Paróquia Nossa Senhora de Fátima da Vila Dionísia, onde permanece até hoje. “O que mais me marcou nessa caminhada é a vida de comunidade e a sempre renovação de minha disponibilidade ao serviço do Povo de Deus, principalmente trabalhando pelas vocações. Tenho grande satisfação em ter ajudado a formar12 sacerdotes pelo Brasil”, disse Padre Zezé. A vida sacerdotal do jubilando, conforme ele mesmo declara, está no seu lema “Tua bondade e misericórdia me acompanham a cada instante” (Sl. 22,6).

Dia Mundial de Oração pela Criança volta atenção às mais vulneráveis O Dia Mundial de Oração e Ação pela Criança, organizado pela Pastoral da Criança, foi realizado na Paróquia São Roque, no Setor Santana, em 22 de novembro. A data foi instituída durante o terceiro fórum da Rede Global de Religiões pela Infância, realizado em Hiroshima, no Japão, em maio de 2008. No Brasil, foi lançada em 2009. “O objetivo é mostrar que com bons exemplos e oração, uma criança pode seguir um caminho de felicidade. Assim, foi com muita alegria que as crianças, mães, líderes e demais convidados participaram desta linda celebração”, disse Arlete Della Coletta Agostinho, coordenadora regional da Pastoral. Em 2014, o Dia de Oração e Ação incluiu o resultado das ações das tradições religiosas voltadas para o enfrentamento das situações que afetam as crianças mais vulneráveis.

São iniciativas que têm como referência o cumprimento de direitos da criança descritos na Declaração dos Direitos da Criança, proclamada em 20 de Novembro de 1959. Junto com as atividades recreativas e culturais para as crianças, o Dia de Oração e Ação congrega as tradições religiosas para conhecer o que foi desenvolvido, aprender uns dos outros e definir estratégias ou uma agenda comum durante o ano. Na Região Santana, inicialmente, ocorreu uma celebração inter-religiosa com a participação do Padre Paulo Homero Gozzi, da Paróquia Rainha Santa Isabel e coordenador regional do Ecumenismo; do Padre Erly Guillen Moscoso, da Paróquia Santíssima Trindade; Reverendo Eli Marques, da Igreja Presbiteriana Independente do Imirim; Reverendo Ivan Vieira, da Igreja Anglicana do Brasil; Alessandra Soares Pires, do Budismo de Nitiren Daishonin Associação Brasil; Valeria Cristina Teixeira da Fonseca, João Henrique Teixeira Fernandes e Angela Maria Fernandes, do Templo de Um-

Aparecida Gonçalves de Jesus

Dia de Oração e Ação pela Criança é realizado na Paróquia São Roque, no Setor Santana

banda Caboclo Sete Flechas de Ogum. Em seguida, as crianças do grupo de capoeira da Paróquia São Roque se apresentaram e o grupo afro local fez performance de canto e dança. As

crianças também plantaram sementes em potinhos e os levaram para casa com as orientações de cuidados para que brotem e se transformem em alimento saudável.

AGENDA REGIONAL Sábado (6), 10h30 Assembleia geral ordinária do Conselho Nacional do Laicato do Brasil da Região Episcopal Santana, no Centro Pastoral Frei Galvão (avenida Marechal Eurico Gaspar Dutra, 1.877, na Parada Inglesa). Domingo (7), 19h Missa pelos 60 anos de ordenação sacerdotal do Padre Nadir Sergio Granzotto, com a participação de Dom Odilo Scherer, na Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres (avenida Ataliba Leonel, 3.013, Tucuruvi). Segunda (8), 10h Missa pelo jubileu de diamante do Padre Nadir Sergio Granzotto, na Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres.


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Fernando Geronazzo

Colaborador de comunicação na Região

A vida consagrada testemunhada em diversas dimensões Representantes das congregações religiosas que atuam na Região Sé participaram da abertura do Ano da Vida Consagrada, realizado na Basílica de Nossa Senhora do Carmo, na Bela Vista, no sábado, 29. O evento aconteceu em sintonia com as demais regiões episcopais da Arquidiocese. A atividade, organizada em parceria com o Núcleo Sé da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), contou com um momento de oração e testemunhos de religiosos sobre a vida consagrada a partir da proposta do Papa Francisco para este ano temático. A primeira a partilhar a própria experiência foi a Irmã Miria Kolling, da Congregação do Imaculado Coração de Maria. Compositora há 45 anos, ela destacou alguns aspectos importantes da vida consagrada. “O primeiro motivo da nossa vida consagrada é o chamado para estarmos com ele, que é a razão do nosso cantar. Cantamos e vivemos a alegria de sermos cha-

mados por Deus”. O segundo grande núcleo da vida religiosa é a vida comunitária. “A vida comunitária é a nossa força e também a nossa fraqueza. Eu saio bastante pelo Brasil, mas sempre gosto de voltar para casa, para encontrar minhas irmãs, partilhar, se alegrar, realmente se abastecer”, disse Irmã Miria. De acordo com a Religiosa, o terceiro aspecto da vida consagrada, inspirada pela exortação do Papa Francisco, é sair de si e ir ao encontro dos irmãos. “Quem se sente amado por Deus tem que sair pelo mundo afora para anunciar: ‘eu vi o Senhor, eu experimentei o Senhor’”. Frei Rothmans Darles de Campos, da Ordem do Carmo, contou que desde o início da sua caminhada eclesial, na infância, o testemunho de religiosos sempre marcaram sua vida. “A primeira religiosa que marcou minha caminhada foi a Irmã Maria Augusta, religiosa da Providência de Gap. Nunca vou esquecê-la [...]. Ela tinha um grupo de

Fernando Geronazzo

Representantes de congregações religiosas da Região Sé durante a abertura do Ano da Vida Consagrada

mais ou menos 60 coroinhas na cidade de Pouso Alegre (MG). Daquele grupo, saíram médicos, professores, religiosas, padres”, lembrou o Frade, citando os outros religiosos que passaram pela sua vida. Também o Padre Eloir Inácio de Oliveira, Salesiano, relatou sua experiência missionária junto aos povos indígenas.

Vocês são as mãos, a voz e os pés de Cristo’ Participante da atividade, o vigário episcopal para a Região Sé, Padre Aparecido Silva, agradeceu a presença e colaboração dos religiosos na Igreja da São Paulo. “Cada congregação, com seu carisma específico, faz às vezes de Jesus. Vocês são as mãos, a voz e os pés de Cristo, que anun-

ciam a esperança e o amor. Por isso, nossa gratidão por essa presença importante na vida da Igreja”. “É muito importante que haja um ano dedicado à vida consagrada e a CRB está empenhada para que vivamos intensamente esse momento”, acrescentou a Irmã Maria Isabel Botelho, coordenadora do Núcleo Sé da entidade.

Jovens iniciam Advento em Missa da Amizade Dezenas de jovens das sete paróquias que compõem o Setor Santa Cecília participaram da Missa da Amizade, realizada domingo, 30, na Paróquia Santa Francisca Xavier Cabrini, presidida pelo Padre José Roberto Pereira, coordenador setorial e pároco da Paróquia Nossa Senhora da Consolação, e concelebrada pelos padres Domingos Geraldo Barbosa de Almeida Junior, pároco, e Frei Alcides Pereira, pároco da Paróquia Santa Teresinha.

Padre Domingos destacou a oportunidade de um convívio fraterno que a comunidade paroquial teve ao receber os jovens do setor. “Foi muito oportuno que neste primeiro domingo do Advento, quando para começamos a nos preparar acolher o Cristo que vem ao nosso encontro, quis que fôssemos premiados pela presença bonita dessa juventude”. Giulia Faria, 16, que, juntamente com Beatriz Miranda, 16, coordena o grupo de jovens da Paróquia Santa

Diego Monteiro

Paróquia Assunção de Nossa Senhora

Juventude celebra a amizade em missa no Setor Santa Cecília, no domingo, 30

Em 22 de novembro, aconteceu a celebração do sacramento da Confirmação, na Paróquia Assunção de Nossa Senhora, no Jardim Paulista, presidida por Dom Joércio Gonçalves Pereira, bispo emérito de Coari (AM), e concelebrada pelo pároco, Cônego Severino Martins. Entre jovens e adultos, foram 23 crismandos.

Francisca Xavier Cabrini acha importante reunir numa missa os jovens de diversas paróquias. Ela disse que o encontro “vai além de apenas conhecer outros jovens, mas permite aprofundar a nossa experiência na fé”. Padre José Roberto afirmou que os jovens precisam se comprometer com a maneira de evangelizar. “Antigamente, os jovens participavam de teatro, coreografia, de alguma coisa dentro da Igreja. Hoje, os jovens são muito apá-

ticos, estão afastados; até porque, nós, padres, não os acolhemos bem. Então, é uma questão de os padres e o povo os acolherem bem, evitando estes ‘donos da Igreja’”. A Missa da Amizade é celebrada em todas as paróquias do Setor Santa Cecília e tem como objetivo dinamizar os grupos de jovens, para que se comprometam como grupo a sentirem-se parte de uma Igreja, que é dinâmica e que tem uma mensagem a dizer. (por Diego Monteiro)


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Ipiranga

Francisco David

Colaborador de Comunicação da Região

Dom José Roberto visita Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre Francisco David

Dom José Roberto Fortes Palau junto a integrantes da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, no dia 27

Na quinta-feira, 27, o bispo auxiliar de São Paulo, Dom José Roberto Fortes Palau, visitou a sede brasileira da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), localizada no Setor Vila Mariana da Região Ipiranga. Acompanhado pelo diretor, Valter Callegari, Dom José Roberto conheceu as dependências da AIS e tomou café com os colaboradores do local. Na sequência, presidiu missa, durante a qual ressaltou o Dia de Nossa Senhora das Graças: “Maria era cheia de Deus, portadora do mistério de Deus, mas, ao mesmo tempo, era próxima ao povo, sempre preocupada em servir”. O Bispo também citou uma oração de Santo Ambrósio: “Maria, que a tua fé, a tua presença e a tua caridade se tornem nossas; que a tua humildade e simplicidade se tornem nossas. Que o teu amor por Deus se torne nosso! Esteja em cada um de nós a alma de Maria para glorificar o Senhor, esteja em cada um de nós o espírito de Maria para exultar em Deus”, completou o Bispo. A sede da AIS fica na rua Carlos Vitor Cocozza, 149, na Vila Mariana. Outras informações pelo telefone: 0800-77-099-27 ou pelo site www.ais.org.br.

‘Igreja e vida consagrada são binômios inseparáveis’ No sábado, 29, em comunhão com toda a Igreja, a Região Episcopal Ipiranga iniciou o Ano da Vida Consagrada. A missa de abertura

aconteceu na Paróquia Nossa Senhora das Dores, presidida por Dom José Roberto Fortes Palau, e concelebrada pelo Frei Fábio Luiz Ribei-

ro, da Ordem dos Servos de Maria. Na homilia, o Bispo Auxiliar de São Paulo falou sobre a história da Igreja e a vida consagrada: “Igreja e vida consagrada são binômios inseparáveis. A vida consagrada tem sua origem justamente com o advento da Igreja, quando Jesus Cristo, anunciando o Evangelho, chama para junto de si o primeiro grupo de discípulos. A história da Igreja se identifi-

ca com a história da vocação dos primeiros discípulos do Senhor”. Segundo o Bispo, na vocação dos primeiros discípulos, “já está presente a primeira experiência de vida consagrada na Igreja. Entre tantos discípulos, o Senhor ‘chama alguns para viver com ele’, convidando-os a mudar radicalmente seu modus vivendi. Para esse grupo, viver com Jesus significa, antes de tudo, deixar a profissão, a família,

um projeto pessoal de vida.” Dom José Roberto concluiu a homilia, citando São João Paulo II: “a primeira tarefa da vida consagrada é tornar visíveis as maravilhas que Deus realiza na frágil humanidade das pessoas chamadas. Mais do que com as palavras, elas testemunham essas maravilhas com a linguagem eloquente de uma existência transfigurada, capaz de suscitar a admiração do mundo”, afirmou.

Momento para incentivar e alimentar vocações Participante da celebração, a Irmã Cíntia Giacinti, religiosa Apostolina e secretária executiva do Serviço de Animação Vocacional e Pastoral Vocacional da Região Ipiranga (SAV/PV), afirmou que celebrar o Ano da Vida Consagrada implica para o SAV em um momento para incentivar e alimentar, junto com os religiosos e religiosas, a vocação para o seguimento de Jesus e o serviço do Povo de Deus. Assim, conforme a Irmã, neste ano, é preciso estreitar os laços de compromisso, favorecendo momentos de oração, de partilha entre os carismas e dons de cada Congregação, Movimento e Instituto. Para isso acontecer,

Francisco David

Fiéis participam da abertura do Ano da Vida Consagrada no Ipiranga

de fato, acompanhados pelo Conselho dos Religiosos do Brasil (CRB), os religiosos já têm três encontros marcados em 2015. O primeiro será uma missa com o Cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, na Catedral da Sé, em 2 de fevereiro. Em março, haverá uma celebração presi-

dida por Dom José Roberto, na Paróquia Santuário São Judas Tadeu, e em maio, um encontro formativo. Também segundo a Irmã Cíntia, o calendário do SAV/ PV não está completo, pois ainda haverá uma assembleia para definir as ações do próximo ano.


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Benigno Naveira

Colaborador de comunicação da Região

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Lapa

Conselho Regional de Pastoral projeta iniciativas para 2015 Na manhã de sábado, 29, aconteceu a última reunião do ano do Conselho Regional de Pastoral (CRP), realizada na Paróquia Nossa Senhora da Lapa, com a presença de Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região, de padres, leigos e agentes de pastorais. Dom Julio iniciou a atividade fazendo uma oração e passou a palavra para o Padre João Carlos Deschamps, coordenador regional de pastoral, que lembrou que a reunião tinha como objetivos a apresentação dos projetos paroquiais realizados em 2014; a exposição dos projetos paroquiais para 2015 com vista nas urgências “Igreja: a serviço da vida plena para todos” e “Igreja em estado permanente de missão”; e a deliberação

sobre projetos pastorais para a Região a serem apresentados em assembleia arquidiocesana. Na sequência, o Bispo comentou sobre o 11º Plano Pastoral da Arquidiocese, que é animado pelo propósito de “Ser uma Igreja que testemunha Jesus Cristo na cidade de São Paulo”, e que, em 2015, terá como foco a urgência “Igreja – a serviço da vida plena para todos” (cf nn. 98-102); ele falou, ainda, sobre a Campanha da Fraternidade de 2015, com o tema “Fraternidade – Igreja e Sociedade”, e lema “eu vim para servir” (cf Mc 10,45). Dom Julio comentou sobre a iniciativa de apoiar e favorecer a criação das Escolas de Fé e Política na Arquidiocese de São Paulo, envolvendo especialmente os leigos.

Benigno Naveira

Dom Julio, bispo auxiliar da Arquidiocese, fala a participantes do Conselho Regional de Pastoral, dia 29

O Bispo lembrou, ainda, que 2015 será o ano dedicado à vida consagrada religiosa, por determinação do Papa Francisco. Dom Julio refletiu, também, sobre as vocações

sacerdotais e religiosas, especialmente a vocação à vida consagrada religiosa, que é um chamado à doação pessoal para que, em Cristo, todos tenham vida plena.

Na parte final do CRP, os participantes se reuniram em grupos de trabalho para discutir os temas abordados e socializaram o que refletiram na plenária conclusiva.

Vidas consagradas para servir à Igreja e aos mais pobres A Casa Santa Terezinha, das Irmãs Salesianas, acolheu no sábado, 29, a abertura do Ano da Vida Consagrada na Região Lapa, com a realização de uma vigília de oração, e a presença de Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região. Dom Julio, antes da consagração, comentou que a vida consagrada tem esse aspecto do servir, de comunidade não fechada, preocupada só consigo mesmo, com seu bem estar, mas que está a serviço da Igreja, a serviço, principalmente, dos mais pobres. “Vamos fazer essa acolhida consagrada, para nossa renovação, vamos rezar mais pelas vocações e mobilizar toda a Igreja, para pedir que nos dê a benção das vocações, e que também seja o momento de agradecermos a Deus pela nossa consagração”.

O Ano da Vida Consagrada foi convocado a fim de valorizar o testemunho daqueles que escolheram seguir a Cristo mediante a prática dos conselhos evangélicos com a promoção do conhecimento e a estima da vida consagrada, que, antes de ser compromisso, é dom que vem do Alto, é iniciativa do Pai, que atrai para si uma criatura sua por um amor de predileção em vista de uma missão especial (cf VC 17). “Louvemos e agradecemos ao Senhor, que olhou para nós com predileção, que nos tocou profundamente o coração e nos impulsionou pelo Espírito para seguir os passos de Cristo, mediante a assunção dos conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência”, apontou o Bispo.

Benigno Naveira

Dom Julio participa de vigília de oração na Casa Santa Terezinha, no sábado, 29

No domingo, 30, pela manhã, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Setor Leopoldina, Dom Julio presidiu missa pela abertura do Ano da

Corais cristãos: uma tradição secular A reportagem da Pastoral de Comunicação da Região Lapa acompanhou no domingo, 30, na Paróquia São Mateus, no Setor Rio Pequeno, a realização do II Encontro de Corais, organizado pelo pároco, Padre José Oliveira dos Santos, e pelo ministério de música da maestrina Marcia Soldi. O canto coral é o nome dado ao conjunto de atividades ligadas a um coro ou a uma capela. Os primeiros

Benigno Naveira

Corais apresentam-se na Paróquia São Mateus, no domingo, 30

coros apareceram na Europa por volta do ano mil nos mosteiros e comunidades religiosas, numa herança do

culto judaico. Acredita-se, porém, que no século I os cristãos já cantavam em coro. Aproximadamente 200

pessoas assistiram às apresentações do Coral São Mateus (regente Marcia Soldi), Coral São Francisco de Assis (regente Marcia Soldi), Coral dos Servidores da Polícia Federal do Estado de São Paulo (regente Fábio Maciel), Grupo Folkoristico Stella Bianca (regente Jederson Machado). Após o encerramento, Padre Oliveira agradeceu a presença de todos os corais e da comunidade.

Vida Consagrada; e celebrou com o mesmo propósito a missa da noite no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP).

Benigno Naveira

Durante a realização do CRP, no sábado, 29, os agentes de pastoral fazem homenagem a Dom Julio, que no domingo, 30, completou 52 anos de idade.


24 | Geral |

3 a 9 de dezembro de 2014 | www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

Arquidiocese de Barcelona

Arcebispos de metrópoles mundiais, entre os quais os cardeais Odilo Scherer e Orani Tempesta, participam de Congresso Internacional de Pastoral de Grandes Cidades, em Barcelona, na Espanha

Igreja em saída nas grandes cidades Fernando Geronazzo Especial para O SÃO PAULO

O Papa Francisco recebeu na quinta-feira, 27, no Vaticano, os participantes da segunda fase do Congresso Internacional de Pastoral das Grandes Cidades, realizado em Barcelona, na Espanha, entre os dias 24 e 26. Na audiência, estavam 25 arcebispos de metrópoles dos cinco continentes, entre eles, o arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, e o arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta. Também estavam representadas arquidioceses como Kinshasa, Buenos Aires, Monterrey, Santiago de Chile, Nápoles, Seul, Lisboa, Bordeaux, Zagreb, São Francisco, Madrid, Abuja, Mumbai, entre outras. O evento aconteceu por iniciativa do arcebispo de Barcelona, Cardeal Lluís Martínez Sistach. A primeira fase do Congresso se realizou de 20 a 22 de maio passado, com a participação de especialistas em Sociologia, Pastoral e Teologia. Na audiência com o Papa, foi apresentado um documento conclusivo do Congresso. Em seu discurso, o Santo Padre se inspirou em sua experiência à frente da Arquidiocese de Buenos Aires. “Mais do que fazer um discurso formal, desejo falar a partir da minha experiência pessoal, de alguém que foi pastor de uma cidade populosa e multicultural como é Buenos Aires”, disse. O Bispo de Roma propôs que a pastoral urbana seja mais do que ação, mas também presença, con-

L’Osservatore Romano

teúdo e gestos, que O Arcebispo saia “para encondo Rio também trar Deus que habidestacou a desita nas cidades e nos gualdade social pobres”. Porém, perceptível na isso requer uma capital fluminense, em que prativerdadeira transformação eclesial camente todas as e de mentalidade: paróquias possuem favelas em “Não esperar que seus territórios, os outros venham e principalmente ao nosso encontro, a violência e pomas buscá-los, facilitar o encontro breza. “Isso pode com o Senhor”. e deve mudar “Trata-se de com um trabalho pastoral bem uma mudança no feito, um grande significado do testemunho”, explicou desafio da evanFrancisco. “Com Papa recebe do Cardeal Sistach documento de encontro de arcebispos gelização”. o testemunho, podemos incidir nos núcleos mais ressaltou que é preciso encarar Oportunidade de trocar profundos. O testemunho con- a cidade sem medo ou reservas, experiências creto de misericórdia e ternura mas ter um olhar contemplativo Arcebispo de Madri, na Espanas periferias existenciais e pobres sobre ela, que procure perceber nha, desde agosto, Dom Carlos atua diretamente nos imaginários o sinal de Deus na cidade, sobre- Osoro Sierra afirmou, em entresociais, gerando orientação e sen- tudo, “o grande sinal de que Deus vista ao site da Arquidiocese de tido para a vida da cidade”, acres- quer estar com seus filhos”. “Onde Barcelona, que foi ao Congresso centou. Deus está com seus filhos, a Igreja principalmente para ouvir. “Na também deve estar para ajudá-los primeira fase do evento, eu não Conversão pastoral a melhor desenvolver sua vida na compareci porque ainda não era Em entrevista à rádio Vatica- dignidade de filhos de Deus”. (leia arcebispo de Madri, mas estes no, os arcebispos brasileiros que mais na página 3) dias foram dias onde a esperança, participaram do encontro falaram Dom Orani Tempesta salien- onde os mandamentos do Senhor, sobre alguns desafios da pastoral tou que a “Cidade Maravilhosa” foram incorporados em nossa também tem muitos problemas. existência”, disse. nos grandes centros urbanos. Dom Odilo destacou que, “Evidentemente, o Rio de Janeiro “Queremos uma Igreja que como já propõe o Documento de tem muita coisa bonita, um povo saia ao encontro dos homens, Aparecida, é preciso realizar uma religioso, animado, bem partici- que saia do seu centro que é Jesus “conversão pastoral” da Igreja na pativo [...]. Ali, onde já entraram Cristo, fazendo o possível para cidade, mas, antes, uma conver- as religiões neopentecostais, hoje que seja uma “Igreja samaritana”, são pessoal. “A cidade tem ritmo já temos um ‘pós-neopentecos- e que, portanto, se detém ante toe jeito próprios. A Igreja precisa talismo’, no qual o grupo maior das as situações, pessoas e grupos encontrar o seu espaço na cidade”, depois dos católicos são os sem e busque dar-lhes vida e o cuidareligião”, apontou o Cardeal Tem- do que o Senhor quer entregar disse. sempre”, acrescentou o espanhol. O Cardeal Scherer também pesta.

O Cardeal John Olorunfemi Onaiyekan, arcebispo de Abuja, na Nigéria, considera que mesmo um bispo ou um padre sendo muito bons, só os membros ativos da Igreja unidos entre si como uma família podem chegar a todas as periferias da cidade. “A primeira coisa que fazemos com os nossos católicos, que são apenas 50% da população, é unilos e, uma vez que estão juntos e todos são membros ativos da Igreja, podem ir para as cidades e proclamar a mensagem do Evangelho. Não pretendemos chegar simplesmente a todas as cidades, mas queremos chegar a todos”.

‘ABC’ da pastoral Arcebispo mexicano de Monterrey, Dom Rogélio Cabrera López, indicou o que o “ABC” da pastoral é uma saudação e um sorriso. “É o mais básico do que temos com as pessoas. A saúde da Igreja fica na rua. As grandes cidades precisam do toque pessoal, pois já há muitos problemas econômicos da família, do trabalho... Que essas pessoas encontrem alguém que sorri e cumprimente-os e lhes abra uma janela de respiro”. Para o vigário da Diocese de Roma, Cardeal Agostino Vallini, é necessário nas grandes cidades uma abertura, proximidade da Igreja com a realidade do mundo. “Não se trata de fechar a Igreja, mas abri-la às grandes dimensões da história, onde os sinais dos tempos são vistos a partir da presença de novos fenômenos sociais e onde estão o homem e Deus”. (Com Rádio Vaticano e Arquidiocese de Barcelona)

O SÃO PAULO - edição 3030  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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