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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 59 | Edição 3029 | 26 de novembro a 2 de dezembro de 2014

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O que fazer no período Editorial do O SÃO PAULO: de férias escolares? Mãos sujas de petróleo Educadora Simone Fuzaro apresenta dicas que podem tornar o momento de férias mais prazeroso e melhor aproveitado. Página 10

“...observamos, estarrecidos, o escandaloso esquema de corrupção que saqueou a Petrobrás e, por conseguinte, toda a população brasileira”.

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Arquidiocese convida:

Missa pelos 69 anos de ordenação presbiteral de Dom Paulo Evaristo Arns, no domingo, 30, às 11h, na Catedral da Sé, com a presença do Cardeal Arns

Papa critica modelo de desenvolvimento que descarta a dignidade humana

European Union 2014 - European Parliament

Em discurso no Parlamento Europeu, na terça-feira, 25, o Papa Francisco criticou o atual estilo de vida e as políticas públicas europeias, que favorecem a economia em detrimento da vida humana. O Pontífice lamentou que o ser humano esteja sendo tratado como objeto e avaliou que a Europa abandonou os valores que nos anos 90 conduziram à formação da União Europeia. Francisco falou dos problemas do desemprego e da migração “não podemos deixar que o Mar Mediterrâneo se torne um grande cemitério!” - e exortou: “Chegou a hora de construirmos juntos a Europa que não gira ao redor da economia, mas ao redor da sacralidade da pessoa humana, dos valores inalienáveis; a Europa que abraça com coragem o seu passado e olha com fé o futuro para viver plenamente e com esperança o seu presente”. No mesmo dia, ele esteve no Conselho Europeu, órgão que reúne chefes de Estado e de governo dos países da União Europeia, detalhando o que tratou no Parlamento.

European Union 2014 - European Parliament

Papa Francisco em discurso no Parlamento Europeu na terça-feira, 25, critica atual estilo de vida e as políticas públicas europeias

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Natal Iluminado em São Paulo começa na Catedral da Sé As atividades do Natal Iluminado 2014 terão início pela Catedral da Sé no sábado, 29, com celebração ecumênica às 18h, com o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo. Na sequência, às 19h, haverá concerto da Orquestra Sinfônica de Heliópolis e do Coral da Gente do Instituto Bacarelli; e por fim, às 20h15, será realizado um espetáculo de luz e som na fachada da Catedral da Sé.

Cresce número de mulheres atingidas pela Aids 1° de dezembro é o Dia Mundial de Combate à Aids. A doença, que teve uma epidemia em 2002 no País, ainda apresenta números alarmantes de contágio e óbitos. A Igreja no Brasil conta com a Pastoral da Aids, que desenvolve um

trabalho de prevenção e auxílio às pessoas que recebem o diagnóstico de que estão com HIV. Frei Lunardi, assessor nacional explicou ao O SÃO PAULO quais os principais pilares e desafios da Pastoral. Página 11

Consciência Negra é celebrada na Catedral Página 14

Sacerdotes ordenados para servir a Deus e a Igreja No sábado, 6, seis seminaristas serão ordenados sacerdotes, na Catedral da Sé, pela imposição das mãos do Cardeal Scherer. O SÃO PAULO apresenta os candidatos ao presbiterado - Antonio Pedro dos Santos, Everton Augusto de Souza,

Gleidson Luis de Sousa, Maércio Angelo Pissinatti, Pedro Augusto de Almeida e Rodrigo Aguiar Freitas – mostrando um pouco de sua história de vida, discernimento vocacional e perspectiva para o futuro. Páginas 12 e 13

Cardeal Scherer fala a empresários do LIDE

Cimi está no Conselho de Direitos Humanos

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2 | Ponto de Vista |

26 de novembro a 2 de dezembro de 2014 | www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

editorial

Mãos sujas de petróleo O ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln é autor da célebre frase: “Se quiser saber o caráter de um homem, dê poder a ele”. A sentença vem à nossa mente quando observamos, estarrecidos, o escandaloso esquema de corrupção que saqueou a Petrobrás e, por conseguinte, toda a população brasileira. A estatal e um cartel de grandes construtoras fizeram um acordo fraudulento, superfaturando o preço de obras encomendadas pela empresa brasileira de petróleo. De acordo com as investigações da Polícia Federal, para fazer parte do “clube”, as empreiteiras pagavam como propina à Petrobrás uma “comissão”, que engordou

o caixa dos partidos governistas e encheu o bolso de políticos e diretores da companhia. Desnecessário dar aqui mais detalhes do escabroso esquema, já que, a cada dia, novas e cada vez mais assustadoras revelações vêm à tona. Estima-se que pelo menos R$ 10 bilhões foram movimentados no chamado “Petrolão”. Até a publicação do balanço da Petrobrás teve que ser adiada, por causa da magnitude do escândalo. As ações da empresa na Bolsa de Valores despencaram. Triste pensar que, quem perde com isso, não é o grande especulador, sempre bem informado previamente, mas o pobre trabalhador que acreditou na soli-

dez da empresa e investiu nela seu Fundo de Garantia. A Presidente da República deu a senha e partidários do atual governo se apressaram a engrossar o coro de que “nunca na história deste país” se investigou tanto. Presumese que não foi esse governo que inventou a corrupção e as falcatruas. Mas pesa sobre o partido ter vendido a ideia aos trabalhadores, ao povo, de que era diferente. Com a ascensão ao poder, o “somos diferentes”, deu lugar ao “todos os partidos são iguais”. E, agora, vemos a estratégia de que “somos diferentes, porque investigamos”. Os hábeis marqueteiros do governo querem com isso desviar os olhos da população para o que,

de fato, importa: nunca se montou um esquema tão aparelhado, tão “profissional”, para desviar dinheiro público. Começam a surgir notícias de desvios bilionários em outras empresas estatais, envolvendo as mesmas construtoras do chamado “clube da propina”. A investigação está apenas no início e assusta vislumbrar o que ainda virá pela frente. De outra parte, uma generalização preconceituosa e pouco inteligente apregoa que quase nenhum brasileiro tem as mãos limpas, já que até o cidadão comum seria adepto do famoso “jeitinho”. Se isso é verdade, os pequenos corruptores do cotidiano podem argumentar que o bom exemplo deve vir de cima.

opinião

O Sínodo e o estupro na festa

Sergio Ricciuto Conte

Francisco Borba Ribeiro Neto Nas últimas semanas, reportagens sobre festas que acontecem dentro de grandes universidades paulistas, onde até estupros ocorreram, chocaram a opinião pública. O problema não é novo: violência e até mortes já foram amplamente noticiadas em recepções a calouros, o consumo de álcool e drogas nos ambientes universitários também é bem conhecido – sendo até alvo de debates sobre a liberação ou não da maconha. Choca, contudo, o fato de que num local onde teoricamente estão os jovens mais promissores e bem preparados, aqueles que mais receberam e dos quais, portanto, mais se espera, aconteçam manifestações de verdadeira barbárie. Mesmo os mais liberais percebem que aí a autonomia individual e a sexualidade ultrapassaram os limites e impedem o amadurecimento de uma personalidade livre, capaz de realizar-se pessoalmente e contribuir para o bem comum. Evidentemente, existe um problema institucional. As universidades não podem, em nome da autonomia da comunidade, abdicar de sua responsabilidade educacional perante os jovens. Além disso, o problema ultrapassa a questão educacional e adentra na esfe-

ra policial e da segurança pública. Mas, para o conjunto da sociedade, o problema permanece se a festa e seus abusos não acontecem no campus, e sim nas ruas próximas, em baladas ou mesmo nas casas dos jovens. Essa é a etapa derradeira da crise da família atual – incapaz, em grande parte dos casos, de acompanhar, com amor e sabedoria, o jovem que inicia a sua vida adulta e começa a se tornar independente, mas também é o começo da crise de uma nova geração de famílias –, pois esses jovens terão mais dificuldade que seus pais para entender o amor e a responsabilidade de uma vida a dois.

Por isso, a violência que acontece nessas festas universitárias tem tudo a ver com as reflexões do Sínodo da Família. O problema não reside na curiosidade natural dos jovens, tentados a testar a validade da norma e os prazeres ocultos no ilícito. Nem na falta de rigor das famílias e das escolas, pois o rigor atiça a curiosidade e as instituições não têm força para controlar os jovens numa sociedade complexa. A tragédia dos jovens está em encontrar um mundo adulto onde a vida parece não ter outro sentido que não o prazer, o consumo e a ascensão individual – novos ídolos aos quais

deverão imolar sua juventude, seu desejo de vida plena e até sua felicidade. O prazer da festa deixa de ser celebração da vida, para ser uma fuga, um poço sem fundo, no qual cada prazer se revela frustrante e exige mais intensidade e emoção, até chegar à violência. Nosso primeiro desafio é mostrar aos jovens outro modo de viver. Demonstrar, sem moralismo ou rigidez doutrinal, com nosso testemunho, que amor, responsabilidade, construção, felicidade e prazer não são opostos. Pelo contrário, a felicidade e o prazer mais pleno estão ali onde existe amor, responsabilidade e construção. Nossos jovens precisam não só do testemunho da coerência do Evangelho, mas (talvez até mais) do testemunho da alegria do Evangelho. Depois, valorizar e fortalecer a vida de comunidade, entre nós e entre nossos jovens. Para os jovens, uma comunidade firme e sadia é a manifestação mais imediata e segura do amor de Deus. No seio de uma comunidade, o jovem poderá errar, mas sempre terá mais chance de reencontrar o caminho. A Igreja já considerou que a família era seu esteio. Agora está na hora de percebermos que a Igreja é o esteio da família. Francisco Borba Ribeiro Neto, sociólogo, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP.

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

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www.arquidiocesedesaopaulo.org.br | 26 de novembro a 2 de dezembro de 2014

cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

A solenidade litúrgica de “Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo”, no encerramento do ano litúrgico, nos faz olhar para o que nos diz respeito no profundo futuro de Deus. No final de nossa vida, que haverá ainda? No final do peregrinar do Povo de Deus pela história, que haverá ainda? O que sobrará de todos os projetos humanos, no final de tudo? Conta-nos a fé cristã que há uma grande promessa, uma esperança segura, o desfecho redentor de toda realidade humana transitória e frágil: no final de tudo, está Cristo, Salvador da humanidade, que também já está conosco agora e nos acompanha nos caminhos da vida. Com o título de “Senhor”, ou “Rei”, afirmamos com São Paulo que Deus entregou todas as coisas nas mãos de Cristo Salvador, para que restaure a obra de suas mãos, decaída e corrompida pelo pecado do homem, e lhe restitua a grande dignidade que o Criador lhe imprimiu. No final, todas as coisas serão submetidas ao senhorio de Cristo, Senhor do mundo e Senhor da Igreja; aquilo que está submetido à lei do pecado, será resgatado e dignificado pelo dom da redenção; até a morte

Reino de Deus, supremo bem do homem será vencida e haverá vida para sempre (cf 1 Cor 15, 20-26). No entanto, isso não se dará sem a livre participação do homem: “Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti”, dizia Santo Agostinho. No Domingo de Cristo Rei, a Igreja proclama o Evangelho do grande julgamento (cf Mt 25, 31-46); Aquele que é nosso Senhor e Rei do universo também é nosso juiz. A ele, devemos prestar contas de nossa vida, do bem ou do mal que praticamos. Jesus coloca todo o destaque no “exame” que teremos que prestar sobre a prática das obras de misericórdia para com o próximo: “todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40). Temos todo o tempo da vida para nos preparar bem para esse grande e definitivo encontro com o Jesus, Rei-Salvador. Não haverá motivo para desculpas de última hora, pois Ele mesmo nos preveniu sobre nossa prestação de contas. Cada dia, temos a oportunidade de praticar as obras de misericórdia esperadas pelo grande juiz. A festa solene de Cristo Rei nos leva a refletir sobre a realidade do “reino de Deus”, ou também “reino de Cristo”. Que tipo de realidade será? Alguém se perguntará se vale a pena esperar pelo reino de Deus, se isso traz esperança ou alguma compensação. Na nossa mentalidade imediatista e utilitarista, queremos ter a certeza da van-

tagem, antes de nos movermos para algum projeto ou esforço... Certo que haverá vantagens! São Paulo, mais uma vez, nos ensina que “Deus será tudo em todos” (cf 1Cor 15,28). Ter Deus como supremo bem não é coisa pequena! É a realização plena de todos os nossos anseios mais profundos! “Estar com Deus” é a felicidade completa do ser humano. O reino de Deus consiste, portanto, nesse estar com Deus e saciar para sempre a incontida sede de plenitude e de felicidade, que trazemos no coração. O reino de Cristo e de Deus é feito só de coisas boas: “reino eterno e universal; reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da graça, do amor e da paz” (cf Prefácio da Missa de Cristo Rei). O reino de Deus, portanto, é a realização inequívoca da justiça, do amor e da paz, que não se alcançam plenamente neste mundo. Não seria pensável que o ódio e a violência, a maldade e a injustiça, a prepotência e a falsidade tivessem a última palavra sobre nossa existência! O reino de Deus torna-se presente já neste mundo quando acontece a luta e a vitória contra o “antirreino”; Jesus ensinou: “o reino de Deus já está no meio de vós”, e que ainda “sofre violência” e até mesmo rejeição. Portanto, esta vida é o tempo de acolher o reino de Cristo e de Deus, aderindo aos bens e valores do reino de Deus. Aqui se decide a sorte do grande julgamento final.

| Encontro com o Pastor | 3

Encontro de arcebispos de metrópoles mundiais

Arquidiocese de Barcelona

Termina na quarta-feira, 26, em Barcelona, na Espanha, o encontro entre 25 arcebispos das principais metrópoles do mundo. Trata-se da segunda fase do Congresso Internacional de Pastoral das Grandes Cidades, evento que tem o objetivo de refletir sobre os desafios da evangelização e da pastoral nos grandes centros urbanos. Do Brasil, participam do Congresso o arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, e o arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta. Os participantes irão propor um documento conclusivo, que será apresentado ao Papa, na quinta-feira, 27, no Vaticano.

Com as Filhas de Maria

Maria de Lourdes Pinto José

A convite do Padre Emilson José Bento e da senhora Maria de Lourdes Pinto José, respectivamente, o capelão e a presidente da Federação Mariana Feminina da Arquidiocese de São Paulo (Filhas de Maria), o Cardeal Scherer visitou pela primeira vez a sede da associação de leigas consagradas, no bairro da Bela Vista, na tarde do sábado, 22. O Cardeal dialogou com as Filhas de Maria sobre o apostolado que desenvolvem nas paróquias onde atuam, ressaltou a importância de cada uma como leigas atuantes na Igreja e lhes agradeceu pelo testemunho de vida cristã, ao mesmo tempo em que exortou a continuarem marcando presença junto às diversas organizações e iniciativas eclesiais de evangelização. Logo em seguida, Dom Odilo presidiu missa, concelebrada pelos padres Emilson e Ricardo Anacleto, cabendo a execução dos cantos litúrgicos ao Coral Vozes, conduzido pelo maestro Edson Vieira Moreira.

Diálogo com os futuros padres diocesanos Na sexta-feira, 21, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, encontrou-se na casa episcopal com os diáconos transitórios Antonio Pedro dos Santos, Everton Augusto de Souza, Gleidson Luís de Sousa Novaes, Maércio Ângelo Pissinatti Filho, Pedro Augusto Ciola de Almeida e Rodrigo Aguiar Freitas, que serão ordenados sacerdotes em 6 de dezembro, às 15h, na Catedral da Sé. Na reunião, o Cardeal Scherer avaliou o estágio pastoral dos diáconos, tratou sobre o ministério ordenado, especialmente o diretório para a vida dos presbíteros, e falou sobre detalhes da missa de ordenação. (Por Daniel Gomes)


4 | Papa Francisco |

26 de novembro a 2 de dezembro de 2014 | www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

Reinar para Jesus é obedecer ao Pai No domingo, 23, Solenidade de Cristo, Rei do Universo, na praça de São Pedro, o Papa canonizou os beatos Gionanni Antonio Farina, Kuriakise Elieas Chavara dela Sacra Famiglia, Ludovico da Casoria, Nicola da Longobardi, Eufrasia Eluvathingal del Sacro Cuore e Amato Ronconi. A liturgia do dia, lembrou o Papa, convida a fixar o olhar em Jesus como Rei do Universo, cujo reino é de verdade, vida, santidade, graça, justiça, amor e paz (cf o prefácio da missa). E as leituras mostram que Jesus realizou seu reino com proximidade e ternura para conosco. Francisco destaca os verbos utilizados por Ezequiel: procurar, contar, reunir, conduzir ao redil, fazer repousar, buscar a ovelha perdida, reconduzir a que fugiu, enfaixar a ferida, curar a doente, cuidar, apascentar. “De fato, ele é grande pastor das ovelhas e guarda das nossas almas”. Os que entre nós são chamados a serem pastores na Igreja, diz Francisco, não podem dar as costas a esse modelo, para

não se tornarem mercenários. O povo sabe bem reconhecer os pastores e os mercenários. Após a sua ressurreição, Jesus continua concretizando seu reino até que todos os inimigos estejam sob seus pés. Mas Jesus não é um rei à maneira deste mundo. “Reinar para ele não é mandar, é obedecer ao Pai, para que se cumpra o seu desígnio de amor e salvação. Há, então, plena reciprocidade entre o Pai e o Filho. E o último inimigo a ser vendido é a morte. E quando tudo estiver sob o poder régio de Cristo, também o próprio Jesus se submeterá ao Pai e Deus será tudo em todos”. O Reino de Deus nos pede proximidade e ternura como regra de vida, porque seremos julgados por isso, prossegue o Papa, citando Mateus 25. Vinde benditos de meu Pai, dirá o Rei. Tive fome, sede, era estrangeiro, nu, doente, na prisão... e vocês me acudiram: “Na verdade, vos digo: tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes”. “A salvação não começa pela confissão da realeza de Cristo, mas pelas obras de misericórdia pelas quais ele rea-

lizou seu Reino”. Continua o Papa. Quem cumpre as obras de misericórdia, demonstra ter acolhido a realeza de Cristo, “porque abriu espaço no coração para o amor de Deus”. A cada um cabe entrar no reino aberto por Cristo, pela proximidade e pela ternura para com os irmãos. O Papa ressaltou a generosa dedicação dos novos santos a Deus e aos irmãos. “Eles se dedicaram sem economia ao serviço dos últimos, assistindo os indigentes, doentes, anciãos, peregrinos. A sua predileção pelos pequenos e pobres era o reflexo e a medida do amor incondicional a Deus”. E Francisco concluiu: “Com o rito de canonização destes santos, confessamos mais uma vez o mistério do Reino de Deus e honramos Cristo Rei, Pastor cheio de amor por seu rebanho”. E exortou: “Sigamos seus passos, imitemos sua fé e sua caridade, para que também a nossa esperança se revista de imortalidade. Não nos deixemos distrair por outros interesses terrenos e passageiros. E nos guie no caminho para o reino dos céus, a Mãe Maria, Rainha de todos os santos”.

Discurso na FAO O Papa Francisco discursou na Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição, da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), na quinta-feira, 20. “A Igreja, como vocês sabem, sempre procura estar atenta e solícita em relação a tudo o que se refere ao bem-estar espiritual e material das pessoas, primeiramente das que vivem marginalizadas e estão excluídas, para que sua segurança e dignidade sejam garantidas”, disse o Pontífice. L’Ossservatore Romano

Desafios para superar a fome O Papa citou como desafios a manipulação de dados, estatísticas, as exigências de segurança nacional, a corrupção ou lamentos melancólicos sobre a crise econômica e a falta de solidariedade, e precisou mais uma vez que nenhuma forma de pressão política ou econômica na disponibilidade de alimentos pode ser aceitável. Mas, acima de tudo, nenhum sistema de discriminação, de fato ou de direito, vinculado à capacidade de acesso ao mercado dos alimentos, deve ser tomado como modelo das ações internacionais que se propõem a eliminar a fome. O Papa concluiu fazendo um apelo à comunidade internacional para que saiba escutar o chamado desta Conferência e considere esse chamado uma expressão da comum consciência da humanidade: “dar de comer aos famintos para salvar a vida no planeta”.

Romper com isolamento do autismo No sábado, 7, o Santo Padre recebeu em audiência 7 mil participantes na XXIX Conferência Internacional, promovida pelo Pontifício Conselho para a Pastoral dos Agentes Sanitários, que se realiza, no Vaticano, desde quinta-feira, 20, sobre o tema: “A pessoa com distúrbios de autismo: suscitar a esperança”. O Papa afirmou que “os distúrbios de autismo constituem uma das fragilidades que envolvem numerosas crianças e por consequência, às suas famílias. Eles representam uma daquelas problemáticas que interpelam a responsabilidade dos Governos e das Instituições, sem esquecer as comunidades cristãs”. Por isso, disse o Pontífice, é preciso o esforço de todos para promover a acolhida, o encontro, a solidariedade e uma concreta obra de sustento e de renovada promoção da esperança, contribuindo, assim, para acabar com o isolamento e, em muitos casos, com as suas cicatrizes, que agravam o estado de saúde das pessoas afetadas pelos distúrbios do autismo e suas famílias. (por Fernando Geronazzo)


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| Fé e Vida | 5

Espiritualidade

fé e cidadania

2015, Ano dedicado à Vida Consagrada

Maria caminhou conosco antes de ser levada ao céu

Dom Julio Endi Akamine Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa

Querido leitor do jornal O SÃO PAULO, no dia 30 de novembro, iniciaremos o Ano da Vida Consagrada, convocado pelo Papa Francisco e anunciado durante a 82ª Assembleia Geral da União dos Superiores Gerais, em Roma. Naquela ocasião, disse o Papa Francisco: Os religiosos são chamados a seguir o Senhor de uma forma especial. Eles são homens e mulheres que podem acordar o mundo. A vida consagrada é uma profecia. Este ano temático é uma oportunidade para louvar e dar graças ao Senhor pelo dom da vida consagrada. É toda a Igreja que dá graças a Deus Pai, doador de todo o bem, pela dádiva da vocação à vida consagrada. Além disso, o Ano

da Vida Consagrada foi convocado a nos lança ao serviço fecundo aos mais fim de valorizar o testemunho daqueles pobres e sofredores. O voto de pobreza que escolheram seguir Cristo median- não é somente renúncia ao mundo, mas te a prática dos conselhos evangélicos é a resposta consequente de quem encom a promoção do conhecimento e a controu a verdadeira riqueza em Jesus estima da vida consagrada. Para aqueles Cristo. A obediência não é anulação da queridos irmãos e irmãs que abraçaram pessoa em sua liberdade, mas a escuta essa vocação, o Ano da Vida Consagra- da voz de Deus e a busca, em comum, da da deseja ser ocasião para renovar e reavivar os propósitos e as motivações o Ano da Vida Consagrada foi que inspiram a doação da convocado a fim de valorizar vida ao Senhor e, ao mes- o testemunho daqueles que mo tempo, para propor escolheram seguir Cristo aos jovens esse projeto mediante a prática dos de vida como aprofundaconselhos evangélicos com a mento singular e fecundo da consagração batismal. promoção do conhecimento e a No Ano da Vida Con- estima da vida consagrada sagrada, refletiremos com mais frequência sobre esse modo de se- vontade de Deus. Convido todos a parguir Jesus Cristo mais de perto median- ticiparem, em 30 de novembro, da aberte a profissão dos conselhos evangélicos tura do Ano da Vida Consagrada, nas de castidade, pobreza e obediência. A missas paroquiais. Convido, também, os castidade consagrada não é mero sa- consagrados e as consagradas presentes crifício pessoal e negação afetiva; pelo na Arquidiocese de São Paulo a fazerem contrário, é escolha de um amor que se uma vigília de oração em suas respectienraíza no mistério de Deus Trindade e vas regiões episcopais.

eSPAÇO ABERTO

Feliz Dia Nacional do Cristão Leigo e Leiga Marilza José Lopes Schuina Na “Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo”, celebramos, a cada ano, o Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas. Até a década de 70 do século passado, nesta solenidade, a Ação Católica promovia a festa dos leigos com confraternizações, encontros, celebrações e, principalmente, renovação das promessas batismais. O Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), em sua X Assembleia Geral, em 1991, decidiu celebrar essa data comemorativa em continuidade com que fazia a Ação Católica, na perspectiva da participação dos leigos e leigas na construção do Reino. Portanto, de 1991 para cá, a Igreja do Brasil vem celebrando esse dia com reflexão, celebrações e confraternização nos

regionais, dioceses, paróquias, movimentos, associações laicais e comunidades. Neste ano, tendo como referência o Documento Estudos da CNBB 107 – “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da Terra e Luz do Mundo”, e a vivência celebrativa dos 50 anos do Concílio Ecumênico Vaticano II, temos refletido sobre a vocação laical e o nosso papel fundamental como membros do Povo de Deus e protagonistas da evangelização e da promoção humana. A vocação do leigo e da leiga é sal que dá sabor, é fermento que faz crescer a massa e soma “com todos os cidadãos de boa vontade, na construção da cidadania para todos”. (CNBB, 107 n.58). Como sujeito eclesial ativo na vida pessoal, nos trabalhos e nas lutas do dia a dia, com uma identidade própria e exer-

cendo-a em toda sua grandeza, o leigo e a leiga assumem sua missão sem limites e sem fronteiras, como “Igreja em saída”, desenvolvendo sua vocação no “mundo vasto e complicado da política, da realidade social e da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos meios de comunicação social e, ainda, outras realidades abertas para a evangelização como sejam o amor, a família, a educação das crianças e dos adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento.” (EN,70). Como sujeitos eclesiais, participam ativamente da vida da Igreja, sendo testemunhas fiéis de Cristo Rei, cumprindo a missão no mundo, como homens e mulheres construtores do Reino. Feliz dia do leigo e da leiga! Marilza José Lopes Schuina é presidente do CNLB

As opiniões expressas na seção “Espeço aberto ” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

ATOS DA CÚRIA NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE CAPELÃO Em 17 de novembro de 2014, foi nomeado Capelão do Hospital do Heliópolis, situado na área do Setor Pastoral Anchieta da Região Episcopal Ipiranga, pelo período de 1 (um) ano, o Revmo. Pe. José Lino Mota Freire.

Agradecimento da Congregação para as Causas dos Santos

Em carta datada de 27 de outubro, o Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, agradeceu ao Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, pela acolhida que recebeu na Arquidiocese quando da passagem como representante do Papa Francisco por conta da beatifica-

ção de Madre Assunta Marchetti, em 25 de outubro, na Catedral da Sé. “Registro igualmente com profundo agrado a excelência na organização dos diversos momentos de todo o programa da beatificação e bem assim a cordialidade do rev. Padre Ricardo Cardoso e o delicado e atento acolhimento das Irmãs da Comunidade do Paço, para quem peço que lhes transmita o meu apreço e gratidão pessoais”, consta em um dos trechos da carta do Cardeal Amato.

Frei Patrício Sciadini, OCD Uma das festas de Nossa Senhora que mais gosto é a da Assunção ao Céu, em alma e corpo. Provavelmente, é uma questão não teológica, mas emocional. Recordo quando, em 1950, foi proclamado o dogma da Assunção. Eu tinha somente 5 anos, mas ficou na minha memória infantil a grande festa na pequena paróquia da Toscana. Fogos de artifícios, fiquei tocado por aquilo, além da devoção da minha mãe, Domênica, muito devota da Virgem Maria, que me falava de Nossa Senhora que estava no Céu. Voltando depois da festa para casa, numa noite estrelada, minha mãe me dizia: “meu filho, olha para o Céu, é lá que está Nossa Senhora e nos acompanha e nos vê.” Tudo isso, guardado na minha memória de menino, que não entendia nada, me ajudou a desenvolver o meu amor pela Virgem Maria. Na escola de Maria, aprendi a ser disponível, mas especialmente aprendi a valorizar o corpo humano como lugar da experiência de Deus e experiência humana. Celebrar a Festa da Assunção é compreender a beleza do nosso corpo como lugar onde cada um de nós vive o amor de Deus. Maria caminhou conosco, na sua terra, viveu situações difíceis, de sofrimento, mas de alegria e especialmente o seu corpo foi escolhido por Deus para ser o templo vivo, onde o Verbo se fez carne para habitar entre nós. Hoje, vivemos a idolatria do corpo como se nós nunca deixássemos esta terra. Há uma ilusão de viver para sempre, da longevidade que não pode ser sem fim. Somos passageiros sobre esta terra, mas temos uma missão bela, importante: cantar a misericórdia de Deus. Caminhamos não sozinhos, mas com a Virgem Maria, Mãe, mestra e irmã, que nos indica sempre a seu único Filho, como caminho, verdade e vida... Quantas pessoas vivem uma existência “indigna porque não têm nem pão, nem cultura, nem o básico para poder viver com dignidade o tempo que lhes é dado. Mas por que tudo isso? Será que falta pão, falta possibilidade, meios? Não. Falta algo de muito mais profundo, falta amor, solidariedade. Que a Virgem Maria, que caminhou conosco antes de ser levada para o Céu, ensine a cada um de nós a caminhar na Terra com dignidade e depois, um dia, também nós iremos para o Céu, para vivermos juntos a alegria que não tem fim. A Festa da Assunção ao Céu de Maria já foi celebrada, mas continua em nossos corações. É festa de esperança: olhamos alguém que nos toma pela mão e nos convida a não parar no nosso caminho.


6 | Fé e Vida |

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LITURGIA E VIDA 1º DOMINGO DO ADVENTO 30 DE NOVEMBRO DE 2014

Ao encontro com Cristo ANA FLORA ANDERSON

A Igreja ensina que para celebrar o mistério da Encarnação no Natal, precisamos de um tempo de preparação e de conversão. A antífona promete que quem confia em Deus não será desiludido e a oração reza que quem deseja o Reino celeste deve fazer boas obras agora. A primeira leitura (Isaías 63, 16-17.19; 64, 2-7) apresenta uma síntese para o tempo do Advento. Devemos ter confiança, pois Deus é nosso Pai e Redentor. Por amor, ele vai nos colocar no caminho certo para a conversão de nossos corações. Deus se revela a todos que praticam a justiça com alegria, pois ele não esconde sua face daqueles que o procuram. Na segunda leitura (1 Coríntios 1, 3-9), São Paulo ensina que fomos enriquecidos em palavra e em conhecimento pela graça que recebemos de Cristo. Jesus nos dará perseverança para palmilhar nos caminhos que levam à vida junto com seu Pai. O Evangelho de São Marcos (13, 33-37) explica o tempo de Advento com uma parábola de Jesus. Cada ser humano recebe um dom e uma missão de Deus. A vida humana consiste em realizar os dons recebidos. Na parábola, Jesus ensina que, em qualquer momento, Deus pode pedir um balanço de nossa vida. Ele, então, declara que devemos vigiar sempre. Advento é um tempo especial de vigilância e de abertura às graças que virão no Natal.

você pergunta

Devemos orar por um ateu falecido? Padre Cido Pereira

Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação

A Cristina (que não disse seu sobrenome), do Jardim Tremembé, conhece uma pessoa que se diz ateia e não deixa ninguém falar de Deus para ela. E ela me pergunta: “Devemos rezar por um ateu na hora de sua morte, mesmo tendo ele negado Deus?”. Cristina, eu sempre fiquei intrigado com uma frase de Jesus. É aquela em que ele diz que não se devem jogar pérolas aos porcos. Mas, eu acabei entendendo o significado dessa frase e vou passar para você. Há sim, como você diz, pessoas que não deixam ninguém falar de Deus perto delas. Não querem escutar. Agridem quem fala de Deus para elas. Com muito respeito a essas pessoas, eu penso que é a elas que se aplica a expressão de Jesus. Se é inútil falar de Deus para elas, porque não entendem a importância de Deus em suas vidas, o tentar falar é como se a gente jogasse pérolas aos porcos. Eles pisam nas pérolas. Elas não se dão conta da importância dessas pérolas. Agora a sua pergunta é se devemos orar por elas na hora da morte a despeito delas terem negado a Deus. E eu digo a você que não só podemos rezar por elas como também devemos orar, porque elas precisam mais do que ninguém da misericórdia de Deus. Há uma história muito bonita na vida de um santo da Igreja. Uma mulher desesperada foi se confessar ao Santo. Estava preocupada com a salvação da alma do marido que era um ateu. E o pior é que o marido dela tinha cometido suicídio, atirando-se nas águas profundas de um rio. E o Santo, sorrindo, disse àquela mulher: “Fique tranquila, minha filha. Entre o barranco e a água do rio havia certa distância e houve tempo para seu marido se arrepender”. Rezar por alguém que não crê é fazer um ato de confiança na misericórdia infinita de Deus e um ato de amor por aquela pessoa que decidiu viver sua vida prescindindo de Deus. É isso aí, Cristina. Deus abençoe você e oremos uns pelos outros.

novos santos e beatos

Santo Humilde de Bisignano 26 de Novembro

Luca Antonio nasceu na cidade de Bisignano, província de Cosenza, na Itália, em 26 de agosto de 1582. Desde jovem, tinha o dom de contínuos êxtases contemplativos, motivo pelo qual era chamado de “o frade extático”. A partir de 1613, esses dons se tornaram públicos e por isso seus superiores o submeteram a uma longa série de provas e humilhações para certificarem-se se estes provinham, realmente, de Deus. Essas provas, felizmente suportadas, só vieram aumentar sua fama de santidade junto aos irmãos e ao povo. Frei Humilde gozou da confiança dos sumos pontífices Gregório XV e Urbano VIII, que o chamaram ao Vaticano e se beneficiaram com suas orações e conselhos. Permaneceu em Roma por muitos anos, sendo hóspede no Convento de São Francisco, em Ripa, e, durante alguns meses, no de Santo Isidoro. Por volta de 1628, Humilde apresentou um pedido para poder ir como missionário aos países dos muçulmanos, mas obteve resposta negativa dos superiores, tendo de continuar na Itália. As orações de Humilde eram simples, porém suas preces eram sempre dedicadas ao bem da humanidade e à paz universal. Apesar de ser muito estimado por todos, ele se humilhava, continuamente,

Reprodução

perante Deus, por considerarse um grande pecador. Disse, certa vez, ao Papa Gregório XV: “Enquanto todas as criaturas louvam e bendizem ao Senhor, eu sou o único que o ofende”. Ele faleceu no dia 26 de novembro de 1637, na sua

cidade natal, onde passou os últimos anos de vida. Beatificado, em 1882, foi somente em 2002 que o Papa João Paulo II o declarou Santo Humilde de Bisignano, cuja festa litúrgica ocorre no dia de sua morte. Fonte: www.paulinas.org.br

50

anos

Paulo VI encerra penúltima sessão do Concílio Vaticano II

Capa da edição de 29/11/1964

A edição do O SÃO PAULO de 29 de novembro de 1964 apresentou como reportagem de capa o encerramento da penúltima sessão do Concílio Ecumênico Vaticano II, quando foram promulgados os decretos conciliares sobre o ecumenismo (Unitatis Redintegratio) e sobre as igrejas orientais católicas (Orientalium Ecclesiarum), além da constituição conciliar sobre a Igreja (Lumen Gentium). “Sejam alegrados e consolados aqueles nossos irmãos e filhos que vivem nas regiões onde ainda lhes é negada ou muito restringida a suficiente e digna liberdade religiosa, de maneira que devemos inscrevê-los na ‘Igreja do Silêncio e

das Lágrimas’”, afirmou o Papa Paulo VI. O Sumo Pontífice apontou, ainda, que “a Igreja é para o mundo, a potência terrena que não ambiciona para si mais que a faculdade de servir e amar. Aperfeiçoando seu pensamento e sua estrutura, não se desinteressa pela experiência dos homens do seu tempo, porém, tende a compreendê-los melhor, a compartilhar com eles seus sofrimentos e boas aspirações e a confortá-los em seu esforço”. Paulo VI também anunciou que a sessão seguinte do Concílio seria a de encerramento dos trabalhos, e proclamou solenemente a Virgem Maria como “Mãe da Igreja”.


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| Geral/Pastorais | 7

Cardeal Scherer encoraja leigos a serem missionários inseridos na sociedade Luciney Martins/O SÃO PAULO

Fernando Geronazzo

Especial para O SÃO PAULO

missão que Jesus Cristo confiou à sua Igreja: ‘vós sereis minhas testemunhas’”.

Na solenidade Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo e Dia Nacional do Leigo, celebrado domingo, 23, na Catedral da Sé, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, encorajou os leigos, enquanto batizados, a anunciar Jesus Cristo no meio do mundo, não somente nas muitas organizações eclesiais, mas também na família, no mundo do trabalho e nas relações sociais. “Os cristãos leigos e leigas são os ‘missionários do Reino de Deus no meio do mundo’, onde vivem, trabalham, se relacionam e exercem suas múltiplas responsabilidades”, afirmou Dom Odilo, em sua mensagem para a Arquidiocese publicada no folheto litúrgico Povo de Deus em São Paulo. Na homilia, Dom Odilo explicou o significado da celebração de Cristo Rei, para o qual toda a criação, tudo que existe, está orientado. “Jesus está no começo, no fim e no centro da história, da criação, da nossa existência e da existência do ser humano. Ele dá sentido também a nossa vida pessoal, à vida da Igreja, que existe em função de Jesus Cristo”, disse. “O Reino de Deus não é feito de coi-

Ser sal da terra e luz do mundo Neste ano, o Dia Nacional do Leigo tem a motivação do documento de estudo 107 da CNBB – “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da Terra e Luz do Mundo”, e a celebração dos 50 anos do Concílio Vaticano II, que deu novo destaque para a vocação dos cristãos batizados. Essas realidades também foram destacadas na mensagem do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (leia na página 5). Carlos Alexandre Campos, coordenador arquidiocesano da Pastoral da Pessoa com Deficiência na Arquidiocese, afirmou para O SÃO PAULO que é uma satisfação poder atuar como cristão leigo e colaborar na ação evangelizadora. Para ele, o maior desafio é conscientizar as pessoas sobre o bem que é se colocar a serviço da Igreja. Membro da coordenação da Pastoral da Moradia, Irene Brito chamou a atenção para os muitos cristãos que ainda sentem “vergonha” de manifestar que professam a fé cristã nos ambientes onde atuam. “Claro que temos que ter uma atuação concreta nos vários âmbitos da sociedade, mas quando se trata propriamente de evangelização, nem sempre as pessoas dizem que creem em Jesus Cristo, que participam de uma comunidade eclesial. Precisamos perder essa vergonha”.

Dom Odilo Scherer com leigos da Arquidiocese, em missa na Catedral da Sé, no domingo, 23

sas, é feito da felicidade, da plenitude de estar com Deus, o reino prometido como herança de Deus que se doa a nós. Por isso mesmo, a esperança que nos deve animar no caminho da vida, para que nós pratiquemos o que é bom, o que é justo o que é digno, conforme o Evangelho, vale muito a pena”, acrescentou o Cardeal. “Os batizados são chamados a abraçar em tudo o Reino de Deus, tendo sempre diante de si o Reino de Deus, como referência e critério maior para

tudo o que fazem e pensam: ‘buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo’”, também salientou o Cardeal na mensagem, que pode ser lida na íntegra no Site da Arquidiocese de São Paulo (www.arquidiocesedesaopaulo.org.br). Dom Odilo ressaltou, ainda, que “todos os batizados, enquanto vivem neste mundo e esperam a realização plena das promessas de Deus, são participantes da

pastoral do menor

Pastoral da Mulher Marginalizada

‘Mega Eventos: Mulher, Direitos e Violações’ é tema de encontro

Divulgação

Arquivo pessoal

Agentes da Pastoral da Mulher Marginalizada posam para foto durante encontro realizado em São Paulo, entre os dias 14 e 16

Com o tema “Mega Eventos: Mulher, Direitos e Violações” foi realizado, de 14 a 16 de novembro, o 13º Encontro Nacional da Pastoral da Mulher Marginalizada (PMM). Com diversas palestras, o encontro discutiu “A Caminhada da Mulher no Brasil: Avanços e Desafios; Mega Eventos e as Violações de Direitos da Mulher; Tráfico Humano e Exploração Se-

xual e Violência contra a Mulher”. Nas oficinas foram trabalhados os temas: “Mulher, Força e Transformação”; “Oficina de planejamento das ações de enfrentamento as violações de Direitos das Mulheres”; “Oficina de Psicodrama”, ambas sugerindo o empoderamento das mulheres na Pastoral da Mulher Marginalizada.

Participaram do evento 76 pessoas, sendo mulheres atendidas pelas equipes de Pastoral em São Paulo e outros estados brasileiros, agentes de PMM e parceiros. O evento foi realizado pela PMM com apoio da Adveniat, Cáritas Brasileira, CNBB e Misereor. Colaborou Pastoral da Mulher Marginalizada


8 | Igreja em Missão |

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Destaques das Agências Nacionais

Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Um passo a mais no combate ao tráfico de pessoas Em 2014, muitos grupos e entidades foram mobilizados para a questão do tráfico de pessoas, devido à Campanha da Fraternidade promovida pela CNBB. Mas o trabalho de monitoramento e combate a esse tipo de tráfico não é simples, pois não há dados disponíveis para facilitar uma devida e eficaz articulação.

Um passo em relação a isso foi dado pela Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça (SNJ/MJ) que realizou, no dia 13, a primeira reunião de monitoramento com o grupo gestor da metodologia integrada para a coleta de dados sobre tráfico de pessoas, realizada por instituições governamentais. A iniciativa é para cumprir uma

das metas do II Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico, e vai permitir um diagnóstico mais amplo e preciso sobre o crime no País, com a formação de estatísticas e informações mais confiáveis. A SNJ já publicou o Segundo Relatório de Dados Sobre o Tráfico de Pessoas, com dados de 2012, e com ele

foi possível constatar que a vítima desse tipo de crime normalmente é mulher, jovem, com até 29 anos, negra, de baixo poder aquisitivo e mãe solteira. A nova plataforma vai ampliar o acesso a essas informações para que haja uma melhor prevenção e campanha de conscientização. Fonte: traficodepessoas.org

Dom José Luiz é novo vice-presidente do Regional Nordeste 1 Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos, bispo auxiliar de Fortaleza (CE), é o novo vice-presidente temporário do Regional Nordeste 1. A escolha foi realizada durante a reu-

nião do Conselho Episcopal Regional (Conser), entre os dias 18 e 20, em Fortaleza. Nesses dias, os bispos e coordenadores de pastorais e organismos

receberam formação sobre a eclesiologia da constituição dogmática Lumen Gentium na perspectiva do texto de estudos da CNBB Nº 107, “Cristãos leigos e leigas na Igreja e

na Sociedade: sal da terra e luz do mundo”. A assessora foi a professora da Faculdade Católica de Fortaleza, Tania Couto. Fonte: CNBB com Regional Nordeste 1

Em 2015, Ano da Vida Consagrada Religiosa, CRB organiza Seminário Nacional Luciney Martins/O SÃO PAULO

Conferência dos Religiosos do Brasil prepara seminário nacional que acontecerá em Aparecida (SP)

O Papa Francisco convocou para toda a Igreja um ano dedicado à Vida Religiosa Consagrada. Em vista disso, de dar continuidade a um processo de intercongregacionalidade e de assumir o Núcleo Identitário da VC, a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) prepara um seminário nacional. O tema do Seminário será “Assumir o Núcleo Identitário da VC: Atitude Profética,

Processo Mistagógico” e o lema “Não ardia nosso coração quando ele nos falava pelo caminho?” (Lc 24,32). A data escolhida para a realização do Seminário será de 7 a 10 de abril de 2015, no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho, que fica no Complexo do Santuário de Aparecida, em Aparecida (SP) e deve reunir religiosos de todo o País. Fonte: CRB

Novo Código de Mineração pode ser votado na quarta-feira, 26 A Comissão Especial da Câmara dos Deputados, que analisa o novo Código de Mineração, adiou para quarta-feira, 26, a votação do Novo Código de Mineração, pois o atual (DecretoLei 227/67) foi publicado durante o regime militar. Para atualizá-lo, o Governo Federal enviou ao Congres-

so Nacional uma nova proposta (PL 5.807/13), que se juntou a outros seis projetos de lei (PL 37/11 e apensados) sobre o assunto que já tramitavam na Câmara dos Deputados desde 2011. O deputado federal Leonardo Quintão, (PMDBMG) de Minas Gerais, é o atual relator do projeto, mas

há um pedido de substituição feito pelo Deputado Chico Alencar (PSOL). O argumento é que Quintão teve suas duas últimas campanhas financiadas pelo setor e seria diretamente e pessoalmente beneficiado com a aprovação do novo Código. A proposta do novo Có-

digo de Mineração é considerada pelos ambientalistas e movimentos sociais frágil e destrutiva. Na nova lei, existiria uma “clara intenção” do Governo Federal de abrir espaço e das grandes empresas de mineração em expandir suas atividades em áreas sensíveis como unidades de conservação am-

biental e preservação permanente e terras indígenas e quilombolas. Entre as mudanças, está da aumento de 4% para 20% a receita líquida que será distribuída a órgãos da administração direta da União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios. Fonte: Camara do Deputados

Música caipira e cavalgada valorizam a cultura e alimentam a fé Divulgação/Canção Nova

Cavalgada conclui o “VIII Canção Nova Sertaneja”, evento acontece entre os dias 21 e 23

O “VIII Canção Nova Sertaneja” aconteceu este ano com o tema: “Família, Pai e Mãe: a porteira da vida!” entre os dias 21 e 23 no Centro de Evangelização da Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP). O objetivo principal do evento foi unir fé e cultura popular sertaneja, pois esta última sempre cantou e valorizou a dimensão da fé. Palestras, orações e canções unirão as raízes caipiras à fé católica. A missa para a cultura sertaneja, da qual participaram cerca de 50 mil pessoas, teve a presença dos carrei-

ros e cavaleiros, e ainda, toques de berrantes. No último dia pela manhã, houve a cavalgada, chamada popularmente de “Cavalgada de Cristo Rei”, pois acontece na conclusão do ano litúrgico. Com aproximadamente 3 mil cavaleiros, vindos de cidades do interior dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Goiás, a romaria a cavalo saiu às 9h do Sindicato Rural de Lorena (SP) e durante o trajeto houve música raiz, toques de berrantes e reza do terço. Fonte: Canção Nova


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Destaques das Agências Internacionais

| Igreja em Missão | 9 Filipe david

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Turquia

Papa visita o País a partir do dia 28 CNS Paul Haring

Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu, em Jerusalém

O Papa Francisco irá à Turquia na sexta-feira, 28, onde ficará até domingo, 30. O Santo Padre começará a viagem por Ancara, onde chegará por volta das 13h (horário local). No mesmo dia, o Papa visitará o Mausoléu de Atatürk – Mustafa Kemal Atatürk, que é considerado o pai fundador da moderna Turquia, após a derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial e a consequente ocupação pelos aliados, que terminou com uma guerra de independência. Além da visita ao Mausoléu,

o Papa também se encontrará com o presidente Recep Tayyip Erdogan e outras autoridades do País. No dia seguinte, pela manhã, o Papa Francisco viajará para Istambul, onde visitará o famoso museu de Santa Sofia. Originalmente construída no ano 532, a igreja foi a sede das cerimônias oficiais do Império Bizantino até o final da idade média (1453) com a conquista da cidade pelos Otomanos. Santa Sofia tornou-se, então, uma mesquita até ser transformada em museu, em 1935, pelo presidente Atatürk.

Presidente islamista pode ficar no poder até 2023 O Presidente Erdogan, oriundo do movimento islamista turco, é o primeiro presidente diretamente eleito e pode permanecer no poder até o ano de 2023. Recep Tayyip Erdogan começou sua carreira política em um partido islamista que foi extinto em 1998. O próprio Erdogan foi condenado a dez meses de prisão (dos quais cumpriu

quatro antes de ser libertado) por incitação de ódio religioso. Primeiro ministro entre 2003 e 2014, Erdogan obteve estabilidade política e econômica para o País, mas mostrou-se pouco tolerante com críticos e manifestantes opositores do seu regime. Seus principais adversários são os secularistas, que temem a transformação da

No mesmo dia, o Papa também visitará a Mesquita Sultão Ahmet. Em seguida, celebrará missa na Catedral do Espírito Santo, que será seguida por uma oração ecumênica na Igreja Patriarcal de São Jorge e por um encontro privado com o patriarca ecumênico ortodoxo, Bartolomeu I. No dia seguinte, domingo, 30, a liturgia terminará com uma bênção ecumênica e a assinatura de uma declaração conjunta com o Patriarca Bartolomeu. O retorno para Roma está previsto para o fim da tarde.

Uma viagem perigosa?

Turquia em um regime religioso islâmico. Em agosto deste ano, Erdogan tornou-se o primeiro presidente eleito diretamente pelo povo, com 52% dos votos, e quer aumentar os poderes associados à sua nova função, que, até recentemente, era mais ceremonial que efetiva. Fonte: BBC

Uma das preocupações com relação à viagem do Papa à Turquia é a sua segurança. O País faz fronteira com a Síria e o Iraque, que são palco de uma guerra civil e das recentes tragédias humanitárias promovidas pelo grupo fundamentalista Estado Islâmico. Segundo o jornal italiano La Nazione informou em setembro, o embaixador iraquiano

junto à Santa Sé teria declarado que o grupo tem manifestado sua intenção de assassinar o Papa Francisco. O porta-voz do Vaticano, Padre Federico Lombardi, assegurou que o Santo Padre está seguro e que “não há nenhuma preocupação específica [com a segurança do Papa] no Vaticano”. Fonte: The Independent/ The daily beast

Comunidade católica conta com 54 mil pessoas Do total da população da Turquia – 76 milhões de pessoas – apenas 54 mil são católicos e um número não muito maior é o de cristãos

ortodoxos. O percentual de não muçulmanos caiu de 19%, em 1914, para 2,5%, em 1927. Uma das razões foi o massacre da população armê-

nia a partir de 1915 – conhecido como holocausto armênio, em que mais de um milhão de pessoas perderam suas vidas – e da perseguição

a outras minorias na mesma época. Hoje, o percentual oficial de não muçulmanos é inferior a 1%. Fontes: ACI/ e outras agências


10 | Viver Bem |

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Férias à vista Simone Ribeiro Cabral Fuzaro Final de ano escolar, as crianças começam a feliz contagem regressiva para as tão esperadas férias! Já para a maioria dos pais, iniciase um período de preocupações, pois tomados por uma vida repleta de compromissos com o trabalho, acabam tendo pouco tempo para o convívio, e, cada vez mais, veem as férias escolares como um “empecilho” para darem conta de seus compromissos. Também acreditam que as crianças hoje estão muito exigentes, querem mais e se tornam incontentáveis, o que transforma esse período em uma maratona de programas que ao invés de promover o descanso os deixa exauridos. É verdade, sair da rotina é sempre trabalhoso e demanda uma nova organização, mas precisamos considerar: em tempos tão intensos, em que o trabalho ocupa grande parte de nossas vidas, em que nossas rotinas são marcadas por compromissos excessivos, nada como um período de férias para cultivarmos o convívio familiar, estreitarmos as relações com os filhos e nos dedicarmos a estar “por inteiro” nessa relação que, com certeza, é o que temos de mais importante para fazer em nossas vidas! Então, vamos lá! Seguem algumas considerações para aproveitarmos bem esse momento tão esperado pelos nossos filhos. 1. Mais importante do que a programação de férias é a companhia, é o ambiente criado. Se estamos empenhados em transformar esse período em um momento gostoso de relacionamento familiar mais intenso, até mesmo ficar juntos em casa é um belíssimo programa de férias! Crianças percebem rapidamente se estamos

inteiros no que estamos fazendo, se estamos felizes por estarmos simplesmente ali - ouvindo, conversando, contando uma história, fazendo um aviãozinho de papel... 2. Crianças se divertem com coisas simples, nós adultos é que complicamos. Tomados pela mentalidade “mega” deste mundo pós-moderno, pensamos em mil ocupações e programas para as crianças nas férias. Se colocarmos o “foco” no convívio, saberemos criar muitas situações gostosas e divertidas no dia a dia: fazer juntos um gostoso bolo, brincar com joguinhos próprios para a idade deles, envolvê-los numa arrumação dos brinquedos e do próprio quarto, passear num parque, andar de bicicleta, enfim, atividades simples e diferentes da rotina. 3. Para valorizarmos de fato o convívio, precisamos colocar horários restritos para TV, videogames e internet, senão, como sabemos, eles “perderão” as férias nessas atividades que são tão pouco formativas. 4. Ao nos envolvermos com alegria e intensidade nesse período de férias, estamos ensinando valores importantes aos nossos filhos: que o que constrói é a relação com os outros, que a família é importante e

por ela podemos abrir mão de outras ocupações, que há alegria em servir aos outros atendendo suas necessidades, que organizar a casa, os brinquedos, também é prazeroso, que não precisamos de muito dinheiro, brinquedos e objetos para sermos

Alternativa para aprender gratuitamente um novo idioma Aprender uma nova língua é um sonho de consumo cultural de muitas pessoas. Na maior parte dos casos, isso custa dinheiro. Uma quantia não desprezível é gasta em cursos, professores particulares, viagens e livros. Nem todos podem pagar. Nesta coluna, apresento uma alternativa eficaz para você aprender um idioma sem gastar dinheiro: chama-se “Duolingo”, que está disponível para diversos modelos de celulares e também pode ser usado no computador. Consiste numa série de pequenas lições de 10 a 15 minutos feitas no aparelho (celular, tablet ou computador) que vão aumentando progressivamente o seu domínio do vocabulário e da gramática. Além de ser totalmente gratuito, esse método é eficaz. Um estudo da City University of New York, de 2012, mostrou que uma média de 34 horas de uso do Duolingo, na forma de pequenos exercícios diários, é suficiente para

adquirir um nível básico para leitura na língua desejada. Comparivamente, para atingir o mesmo nível num curso convencional foram utilizadas mais de cem horas. Se é gratuito e aparentemente mais eficaz que um curso pago, por que todas as pessoas não usam? A resposta é simples: disciplina. Nem todos possuem a disciplina necessária para executar tarefas de forma rotineira sem que haja algum tipo de pressão social ou financeira. Mas se você está interessado em tentar, existe outra tecnologia gratuita para ajudar a ter disciplina, não só para aprender idiomas, mas para adquirir outros hábitos e superar defeitos. Chama-se “Beeminder” e trataremos dele na próxima coluna. Pedro Paulo de Magalhães Oliveira Jr. é engenheiro pela PUC-Rio e Doutor em Medicina pela USP. Atualmente ocupa o cargo de diretor de operações da Netfilter.

Cuidar da saúde

Tecnologia

Comportamento

Sergio Ricciuto Conte

felizes, pois a felicidade é construída por gestos pequenos e cotidianos! Tenham todos, boas e felizes férias! Simone Ribeiro Cabral Fuzaro é fonoaudióloga, educadora, Mestre em Distúrbios da Comunicação pela PUC-SP, especialista em linguagem e coordenadora da Escola de Educação Infantil Pedrita

Úlcera de pressão Cássia Regina Em 18 de novembro é lembrado o Dia Mundial da Prevenção de Úlcera de Pressão, também conhecida como escara, que é uma lesão de pele causada pela interrupção sanguínea de um determinado local que fica sob pressão por um período prolongado ou a combinação entre pressão e fricção. Pacientes imobilizados, com incontinência urinaria ou fecal em uso de fraldas, desidratado, idade avançada, com diabetes e com alteração do estado de consciência são considerados pessoas com fatores de risco. Alguns cuidados são essenciais para que isso não ocorra: mudar o paciente de posição

a cada duas horas, e, sempre que possível, sentá-lo; manter a pele sempre hidratada com óleos ou cremes hidratantes; observar diariamente a pele das proeminências óssea (sacro, calcâneo, cotovelos são os locais mais frequentes); usar o colchão adequado, o mais utilizado é conhecido como o “casca de ovo”; trocar a fralda a cada três horas ou assim que necessário; e manter as roupas de cama sempre bem esticadas e limpas. Importante: ao observar que a pele começou a ficar vermelha, não faça massagem, mas o quanto antes consulte o médico, pois pode ser o início de uma úlcera de pressão. Dra. Cássia Regina é médica na Estratégia de Saúde da Família (PSF)


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Ninguém está imune A Pastoral da Aids realiza atividades de prevenção, assistência e acompanhamento das políticas públicas no combate à doença que já atingiu 656.701 pessoas no País Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Ela tem mais de 70 anos e contraiu o vírus da Aids durante uma transfusão de sangue, a única que fez na vida. Desde lá, tudo mudou. A luta não é só contra a doença, é, sobretudo, contra o preconceito. Ela se pergunta frequentemente: “Como uma senhora casada e mãe de filhos contraiu o vírus?”. A situação de Maria (nome fictício), que preferiu não se identificar, é a mesma vivida por milhares de pessoas, que são o foco do trabalho realizado pela Pastoral da Aids, que, desde 2002, atua oficialmente no País, como uma resposta à epidemia que aconteceu naquele ano. Em entrevista à reportagem, Frei Luiz Carlos Lunardi, assessor nacional da Pastoral da Aids, explicou que, desde o início da epidemia, a Igreja esteve envolvida no acolhimento e acompanhamento das pessoas que vivem e convivem com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). “No tempo em que ainda não se sabia nada sobre a doença, muitas pessoas eram abandonadas à sua própria sorte, muitos morriam sem ajuda e acompanhamento. Então, foram criadas muitas casas com objetivo de acolher as pessoas. Logo, o rosto da epidemia foi ganhando outro formato e a Igreja foi avançando para o trabalho de prevenção”, disse o Frei. A Pastoral faz parte de todas as esferas de articulação das organizações da sociedade civil e participa ativamente dos fóruns ONGs Aids, Comissões de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Conselhos de Assistência Social e de Saúde. “Entendemonos como uma porta aberta para que todos os que buscam a Pastoral encontrem acolhida, apoio e tenham novas perspectivas de vida. Todos somos vulneráveis ao HIV

e, por isso, devemos nos sentir todos corresponsáveis, acrescentou Frei Lunardi. São quatro os pilares de atividade da Pastoral da Aids no Brasil: a prevenção; a assistência; a reestruturação pessoal e dos laços familiares em vista da reinserção social e a incidência política, com atividades para propor e acompanhar as políticas públicas. Ao ser perguntado sobre os avanços na prevenção e tratamento no País, o Religioso insistiu que ainda há muito caminho a ser feito. “Temos elevado o número de novas infecções e óbitos. Há dificuldades com a rede de saúde para a assistência, faltam campanhas permanentes de prevenção para manter a pauta da Aids na sociedade. Mas, os esforços são visíveis. O Brasil disponibiliza medicamentos e toda logística de exames garantidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e também possui um programa de DST/Aids organizado com profissionais qualificados em todas as esferas.”

Braços abertos para a vida “Vivo diariamente neste meio. O que mais me engrandece é conseguir compreender que a partir da fragilidade humana e física é possível encontrar forças e reestabelecer o sentido da vida. São muitos que dizem ‘na Pastoral da Aids me

lho da Pastoral o tornou mais humano, mais sensível às violências e mais atento “aos gritos que tantos hoje teimam em não ouvir. A vida quer viver e quero gastar meu tempo e minhas forças com estes que, muitas vezes, sofrem simplesmente por serem humanos e adoecerem”. Por isso, o grande e principal desafio é o de ampliar as equipes diocesanas de agentes para as 125 dioceses que ainda não possuem. “Hoje, já estamos em aproximadamente 150 dioceses com equipes organizadas”, explicou Frei Lunardi.

encontrei, nela senti que é possível continuar vivendo, sonhando com o futuro e com coragem superar estigmas e discriminações’. A Igreja é casa de todos, a Pastoral é braços abertos. Seguimos com coragem, esperança e alegria, pois somos orientados por Jesus Cristo que nos convoca a estarmos onde a dor é mais forte, onde a esperança emudece e onde a vida está ameaçada”, disse o Assessor Nacional da Pastoral da Aids. Para ele, o contexto do traba-

Cresce o número de casos de Aids entre mulheres O Brasil tem 656.701 casos registrados de Aids desde o início da epidemia, em 1980, até junho de 2012, de acordo com o último Boletim Epidemiológico. Em 2011, foram notificados 38.776 casos da doença e a taxa de incidência de Aids no Brasil foi de 20,2 casos por 100 mil habitantes. Atualmente, ainda há mais casos da doença entre os homens do que entre as mulheres, mas essa diferença vem diminuindo ao longo dos anos. Em 1989, a razão de sexos era de cerca de seis casos de Aids no sexo masculino para cada um caso no sexo feminino. Em 2011, último dado disponível, chegou a 1,7 caso em hoDivulgação Pastoral da Aids

mens para cada um em mulheres. A faixa etária em que a Aids é mais incidente, em ambos os sexos, é a de 25 a 49 anos de idade. Chama atenção a análise da razão de sexos em jovens de 13 a 19 anos. Essa é a única faixa etária em que o número de casos de Aids é maior entre as mulheres. A inversão apresenta-se desde 1998. Em relação aos jovens, os dados apontam que, embora eles tenham elevado conhecimento sobre prevenção da Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis, há tendência de crescimento do HIV. Quanto à forma de transmissão, entre os maiores de 13 anos de idade, prevalece a sexual. Nas mulheres, 86,8% dos casos registrados em 2012 decorreram de relações heterossexuais com pessoas infectadas pelo HIV. Entre os homens, 43,5% dos casos se deram por relações heterossexuais, 24,5% por relações homossexuais e 7,7% por bissexuais. O restante ocorreu por transmissão sanguínea e vertical. Pessoas com idades entre 15 e 24 anos respondem por um a cada três novos casos. O foco no público jovem se dá pelo crescimento dos índices de infectados pelo vírus do HIV na população nessa faixa etária, que responde atualmente por um a cada três novos casos da doença no Brasil. Somente entre 2008 e 2013, o número de casos aumentou 11% no Brasil. Uma vez infectado, o paciente terá que conviver com uma doença crônica, que exige disciplina e disposição para o uso contínuo de várias medicações combinadas (o coquetel) e que podem causar inúmeros efeitos colaterais.

Campanha “Cuide bem de você e de todos os que você ama” Envolvida na superação da Aids desde o início da epidemia e de muitas maneiras, a Igreja Católica mantém casas de apoio e centros de convivência. Porém, este ano, junto com o Ministério da Saúde lança uma campanha com o objetivo de informar à população sobre a necessidade do diagnóstico precoce para o HIV. “Cuide bem de você e de todos os que você ama. Faça o teste HIV”. A Campanha será lançada na quinta-feira, 27, na sede da CNBB, em Brasília, com a presença do ministro da Saúde Arthur Chioro e de Dom Leonardo Steiner, secretário geral da CNBB.


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Daniel Gomes e

osaopaulo@

Seis vidas e u servir a Deus por meio ‘Espero exercer o ministério para ajudar as pessoas a se encontrarem com Deus’ Pedro Augusto Ciola de Almeida 31 anos

Lema: “Que todos sejam um” (Jo 17,21)

O jovem Pedro de Almeida cursava a faculdade de Engenharia Elétrica quando, orientado por um padre, começou a amadurecer a vocação ao sacerdócio. “A vida de oração é muito importante para discernir o chamado vocacional. Também o Padre Vandro Pisaneschi, que na época era vigário da Paróquia Santa Cecilia, localizada perto da Universidade Mackenzie, onde eu estudava, me ajudou e me levou para a Pastoral Vocacional e, consequentemente, ao Seminário”, recorda-se o diácono Pedro. “Se não há um padre que faça a ponte para a Pastoral Vocacional pode ser que o vocacionado não saiba como corresponder a sua vocação”, complementa. Em 2006, ele iniciou a preparação para o sacerdócio, mas bem antes já havia sentido atração à vocação. “Eu me senti chamado a ser padre participando de uma missa na Paróquia Santíssimo Sacramento, na Região Sé. Foi uma experiência forte de Deus que marcou a minha vida. Na época, fazia pouco tempo que havia terminado o ensino médio e tinha 19 anos de idade”, conta. Diácono Pedro garante que nunca pensou em desistir da vocação ao sacerdócio. Em 2014, ele teve vivência pastoral na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, na Região Ipiranga, e agora já projeta a vida como padre após 6 de dezembro. “O padre continua o ministério de Jesus Cristo, por isso, eu estarei sempre aprendendo. Eu terminei a minha formação inicial, mas a formação de um padre nunca acaba. Com serenidade e com o auxilio da graça de Deus, espero exercer o ministério para ajudar as pessoas a se encontrarem com Deus, a se santificarem, para favorecer a construção de uma comunidade cristã fraterna e que se preocupe com os últimos”.

Em 6 de dezembro, às 15h, na Catedral da Sé, pela imposição das mãos do Cardeal Odilo P Antonio Pedro dos Santos, Everton Augusto de Souza, Gleidson Luis de Sousa Novaes, Maér Todos têm vivência pastoral na Arquidiocese e em entrevistas ao O SÃO o período de estudos e como esperavam s

‘Sempre pensava: por que não trabalho para Deus, só para ele?’ Rodrigo Aguiar Freitas 33 anos

Lema: “Fiz-me tudo para todos” (1 Cor 9,22b) Rodrigo Freitas passou a juventude envolvido nas atividades pastorais da paróquia que frequentava em Vitória (ES) e gostava especialmente de participar dos encontros da Renovação Carismática Católica (RCC). “Desde então, comecei a perceber que Deus tinha um propósito maior para minha vida”. Na época, ele trabalha, estudava e fazia planos, mas não se via plenamente satisfeito. “Tudo o que eu fazia se tornava questionável na minha vida, sempre pensava: ‘por que não trabalho para Deus, só para ele? Até que um dia, passei por um pobre morador de rua, continuei meu trajeto, inquieto e profundamente compadecido. Voltei e dei-lhe uma moeda. Continuei meu trajeto, mas uma voz interior me disse: ‘não é isso’... Isso me deixou mais inquieto, comecei a pensar o que eu poderia fazer para ajudá-lo”. Segundo Rodrigo, as respostas que procurava vieram há 14 anos, quando conheceu a associação privada de fiéis Aliança de Misericórdia, que estava iniciando atividades em São Paulo. “Desde então, comecei um caminho vocacional e percebi que o que Deus queria era que eu pudesse responder um chamado para o sacerdócio”, relata o hoje Diácono, que iniciou estudos para ser padre em 2005. Diácono Rodrigo enfatiza, ainda, que já no primeiro ano de vivência na Aliança de Misericórdia, sentiu a confirmação da vocação e agradece de modo especial a três pessoas: “Padre Antonello Cadeddu, Padre Joao Henrique e a Maria Paola, consagrada da Aliança, falecida em 2008, que foi minha primeira orientadora espiritual”. Em 2014, o diácono Rodrigo realizou vivência pastoral na Área Pastoral Santo Antônio, na Região Brasilândia. Ele se diz pronto para ser padre. “Sinto-me preparado, pois minha formação em 14 anos de comunidade me ajudou a ter clareza e certeza do passo dado ao diaconato e agora para o sacerdócio. Embora acredite, também, que seria muita ousadia dizer estar plenamente preparado, pois, quem pode medir a grandeza dessa graça de ser um sacerdote de Deus? Isso não cabe dentro do homem, mas Deus faz caber por sua graça, uma graça depositada em vasos de barro”, conclui.

Na ordem das entrevistas, diáconos: Pedro Augusto de Almeida, Rodrigo Aguiar Freitas, Gleidson Luís d

‘Vale a pena dizer sim’ Gleidson Luís de Sousa Novaes 32 anos

Lema: “A minha alma engrandece o Senhor”. (Lc 1,46) “A missão de férias ajudou-me a enxergar outra igreja, fora do templo. A Arquidiocese de São Paulo é maior que nossos olhos podem alcançar e, muitas vezes, eu não enxergava os outros. O que me ajudou a acordar (me preocupar com as pessoas, enxergá-las, abraçálas) foram duas missões: na penitenciária de Franco da Rocha, em 2012, e a missão com os missionários da Missão Belém, junto aos moradores de rua, em 2014. Nas duas, eu vi o sofrimento nu e cru...” Natural de Caeté (MG), Gleidson Novaes afirma que não se pode medir a vocação por um tempo cronológico, pois, “ela é feita de constante construção”. Na sua decisão de ser sacerdote, uma pessoa que teve grande influência em sua vida foi sua mãe, pois de acordo com ele, ela aguentava suas lágrimas, reclamações e o aconselhava nos momentos de angústia. Ao longo da caminhada de formação, Gleidson conta que teve vontade de desistir, porém, ao conversar com o reitor do seminá-

rio, Padre Cícero Alves de França, e relatar o que estava acontecendo, percebeu que não se pode tomar decisões de cabeça quente, pois “isso pode custar muito, todo um trabalho e a própria vocação. As crises são construtoras, ajudando a crescer e a amadurecer”. “Eu escrevi de próprio punho a carta ao Cardeal solicitando minha ordenação presbiteral, após a aprovação da Igreja. Meus irmãos de presbitério podem esperar um padre missionário e pastor. Afirmo isso não para embelezar a entrevista, mas sim, pois já o faço. Aproveitei-me de algumas atividades na paróquia [Nossa Senhora de Fátima] para colocar isso em prática, e graças a Deus, deu certo, principalmente indo ao cemitério da Lapa e nas casas das famílias”. Dirigindo-se a quem deseja seguir a vocação sacerdotal, Gleidson aconselha que “ame a vocação que Deus lhe deu e nunca deixe que nada a apague. A vocação ao sacerdócio é belíssima, vale a pena dizer sim e não ter medo de largar tudo, pelo chamado verdadeiro de Deus”.


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Edcarlos Bispo

@uol.com.br

uma vocação: meio do sacerdócio

Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, serão feitos sacerdotes os diáconos transitórios ércio Angelo Pissinatti Filho, Pedro Augusto Ciola de Almeida e Rodrigo Aguiar Freitas. ÃO PAULO contam sobre o processo do discernimento vocacional, servir a Deus e à Igreja no sacerdócio. Luciney Martins/O SÃO PAULO - Dez.2013

Ser um ‘bom instrumento’ na vida das pessoas

‘Proclamar as verdades da fé’ Everton Augusto de Souza 33 anos

Lema: “Desejei ardentemente comer com vocês esta ceia pascal”. (Lc 22,15) “Não posso dizer que estou cem por cento preparado para ser um padre, mas vou procurar dar o meu melhor a cada dia, de acordo com o trabalho que a Igreja hoje já me confiou e irá me confiar amanhã. Agora, quanto aos paroquianos e ao clero, espero corresponder de acordo com os ensinamentos do próprio Cristo amando a todos e respeitando suas diferenças, mas sempre proclamando a verdade da Fé”. Com essas palavras, o diácono Everton Augusto de Souza fala do sentimento que o cerca a menos de três semanas para sua ordenação sacerdotal, que acontecerá na Catedral da Sé. O futuro sacerdote conta que descobriu sua vocação por volta dos 22 anos, porém, ainda na infância, teve como um dos incentivadores o Padre Edemilson Camargo, que atualmente trabalha na rádio 9 de Julho. Na caminhada do discernimento vocacional, Everton salienta o papel de um tio com quem conversava sobre o futuro e as escolhas de vida, além do Padre Airton Bueno, que o

ajudou a trabalhar esse “despertar vocacional”. Ao longo da caminhada de preparação para o sacerdócio, muitas dificuldades podem aparecer. Para Everton, o falecimento do seu pai, quando ainda estava no primeiro ano da Filosofia, foi uma das dificuldades que o fez repensar sua vocação, porém o apoio da família permitiu que ele seguisse o caminho de sua vocação, no qual, salienta, que é “muito feliz”. “Gostaria muito de agradecer a minha família e aos amigos que sempre rezaram pela minha vocação, e àquelas pessoas que encontramos em diversas paróquias de nossa Arquidiocese, que também souberam motivar minha caminhada”, fala agradecido o Diácono. Ele, ainda expressa sua gratidão ao formador do Seminário, Padre Cícero Alves de França. “Não posso esquecer-me de agradecer ao Padre Cícero, que me ajudou muito a crescer na vocação e entender que um padre deve acima de tudo rezar primeiro para ele e assim poder celebrar com o povo de Deus”.

Maércio Ângelo Pissinatti Filho 28 anos

Antonio Pedro dos Santos 40 anos

Lema: “O bom pastor dá a sua vida pelas suas ovelhas” (Jo 10,11)

O mais velho dos seis diáconos que serão ordenados em dezembro, Antonio Pedro dos Santos, é natural de Sanharó (PE), e conta que descobriu sua vocação ainda na adolescência “por meio dos diversos acontecimentos da vida”. Ao longo desses anos, ressalta o futuro sacerdote, já pensou em sair do seminário, mas não em desistir de sua vocação. Antonio destaca que se sente preparado e confiante “na graça de Deus e no esforço diário em servir a Igreja pelo seu ministério”. Deseja ser um padre misericordioso, que “experimentou a misericórdia de Deus” e quer ser um “bom instrumento dele na vida das pessoas”. Ao longo da caminhada, conta que teve a ajuda do Padre Jose Florentino que, ao ser procurado por ele, o incentivou que rezasse e, de modo especial, a oração do terço todos os dias. Outro sacerdote que ele agradece é Padre Marcelo Maróstica, que o enviou para o Seminário, e Padre Reginaldo Donadoni e, sobretudo a todas as pessoas que rezam por ele. “Agradeço a minha mãe que sempre rezou e reza pela minha vocação, também as minhas madrinhas de oração Irmãs Maria Cecília e Maria Inês, que rezam todos os dias por mim e pelas vocações, ao Padre Cícero de França, que me acompanhou nos últimos cinco anos no Seminário com muita dedicação”. Aos jovens que desejam fazer a experiência da vida no Seminário, Antonio pede que “não tenham medo de seguir Jesus, de deixar tudo para seguí-lo, pois, se ele o chama, coragem!”, conclui, reforçando “venha ser feliz e fazer outras pessoas felizes, sendo padre”.

Nascido em família católica, em Itapira (SP), Maércio Filho teve o despertar da vocação ao sacerdócio ainda na adolescência. “No período da catequese de Crisma, percebi que o chamado de Deus surgiu com grande força em minha vida, e não pude deixar de ouvir, refletir e responder ao chamado para o sacerdócio”, recorda. Em 2004, ele chegou à capital paulista, ingressando no seminário propedêutico e no ano seguinte começou os estudos no Seminário de Filosofia Santo Cura D’Ars. “Meus pais sempre apoiaram minha iniciativa de discernir a vocação, também o Padre Messias de Moraes Ferreira ajudou no discernimento inicial. Certamente, o discernimento vocacional não é feito sozinho, por isso, agradeço e rezo sempre por todas as pessoas que ajudaram na vocação”, conta. A sequência da preparação ao sacerdócio foi feita no Seminário de Teologia Bom Pastor, desde 2010. No ano passado, Maércio foi ordenado diácono. “Ao longo destes nove anos no processo formativo, passei por alguns desafios que foram importantes para discernir e amadurecer a vocação. Nunca pensei em desistir. Como nos ensina São Paulo: ‘Eu sei em quem depositei a minha fé’ (2 Tm 1,12). Por isso, a vocação é um grande dom de Deus em minha vida”. Neste ano, diácono Maércio realizou vivência pastoral na Paróquia Santa Rosa de Lima, na Região Santana. “Foi um período para conhecer mais de perto a dinâmica da vida paroquial, uma experiência muito positiva no ministério diaconal, além disso, destaco o conhecimento das pastorais e organismos arquidiocesanos, e a frutuosa continuação do processo formativo no Seminário”. E agora, às vésperas da ordenação sacerdotal, como ele imagina que será a vida de presbítero? “Ser padre não é uma conquista pessoal, é dizer, com coragem e firmeza, a cada dia de minha vida, sim para seguir Cristo, na caminhada como discípulo-missionário, no serviço à Igreja e a todo povo de Deus, nesta imensa cidade de São Paulo”, conclui.

Lema: “Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”. (Mt 5,7)

de Sousa Novaes, Everton Augusto de Souza, Antonio Pedro dos Santos e Maércio Ângelo Pissinatti Filho

‘Ser padre não é uma conquista pessoal, é dizer sim para seguir Cristo’


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Cardeal Scherer alerta os empresários:

corrupção e crime organizado ferem a fraternidade, exploram os pobres e derramam sangue inocente Fredy Uehara/LIDE Empresarial

Padre Michelino Roberto osaopaulo@uol.com.br

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, conferiu uma palestra para os empresários brasileiros membros do LIDE (Grupo de Líderes Empresariais), reunidos no Hotel Grande Hyatt, em São Paulo, no dia 19. Discorrendo sobre temas ligados à Doutrina Social da Igreja, o Cardeal Scherer convidou os empresários “a ouvirem o clamor dos pobres” e promoverem a justiça e a fraternidade. Lembrou que a força e a violência suscitam o ódio enquanto a justiça e a fraternidade, juntas, são a base sólida para a paz. “A corrupção e o crime organizado ferem profundamente a fraternidade, exploram povos miseráveis e derramam sangue inocente. O oxigênio da fraternidade é o engajamento para a criação de uma nova mentalidade”, defendeu o Cardeal. Ao fim da palestra, Dom Odilo respondeu a perguntas que lhe foram dirigidas por alguns dos presentes sobre os mais variados temas da atualidade, tais como: educação dos filhos, eleições, relação Igreja-Estado, aborto e programas sociais e de distribuição de renda. Indagado pelo empresário Sergio De Nadai, que referindo-se às recentes notícias de desvio de dinheiro da Petrobrás e de cor-

Cardeal Odilo Scherer confere palestra a membros do Grupo de Líderes Empresariais (LIDE)

rupção política, perguntou a Dom Odilo se ele absolveria um penitente que viesse confessar o roubo de R$ 60 milhões, o Cardeal disse que sim, “desde que o mesmo estivesse verdadeiramente arrependido, manifestasse firmemente os propósitos de emenda e reparação dos danos causados”. Sobre a relação Igreja-Estado, Dom Odilo lembrou que o Estado laico não é

um “Estado-ateu”, e que a função deste é o de garantir e não o de impedir a liberdade religiosa. Sobre os programas sociais e de distribuição de renda, o Cardeal Scherer respondeu que são importantes, mas devem seguir um caminho com metas claras de começo-meio-fim, que “tirem as pessoas da miséria e pobreza e não favoreçam a dependência” .

Notas dos empresários para o desempenho do governo Ao final do evento foi apresentada a 100ª edição da Pesquisa Clima Empresarial LIDE-FGV, realizada com os 307 empresários presentes ao Almoço-Debate, que revelou resultados preocupantes. “Os índices apontaram as piores notas em todas as esferas, do Municipal ao Federal”, avaliou Fernando Meirelles, responsável pela pesquisa e presidente do LIDE CONTEÚDO. O índice, calculado pela Fundação Getúlio Vargas, é uma nota de 0 a 10, resultante de três componentes com o mesmo peso: governo, negócios e empregos. A eficiência gerencial e o desempenho dos governos obteve a menor nota ao longo dos 11 anos nos quais a pesquisa é realizada: 1,2% para a esfera federal; 5,2% para estadual; e 2,5% para municipal. Sobre o LIDE Presidido pelo empresário João Doria Jr, o LIDE é uma organização que agrega empresas com faturamento igual ou superior a U$S 100 milhões/ano, companhias que praticam a governança coorporativa e organizações notórias que tenham imagem pública de alta reputação. Tem como objetivos fortalecer o pensamento, relacionamento e a livre iniciativa pautados pelos princípios éticos de governança corporativa: valorização do ser humano em todos os níveis, respeito ao meio ambiente e apoio a programas de educação e responsabilidade social.

Uma data para não esquecer o genocídio da juventude negra Luciney Martins/O SÃO PAULO

Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

Ao som dos atabaques, diversos membros da Pastoral Afro da Arquidiocese de São Paulo celebraram, na quinta-feira, 20, o Dia da Consciência Negra. A Catedral da Sé estava lotada durante a missa presidida pelo coordenador da Pastoral, Padre José Enes de Jesus, pelo cura da Catedral, Padre Eduardo Vieira, e demais padres da Arquidiocese e dioceses vizinhas. Na homilia, o Padre José Enes ressaltou os resultados do 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que mostram o alto número de homicídios no Brasil, e de forma mais específica, o assassinato de negros/pardos que são mais da metade do número total. “Nós não podemos esquecer-nos desse genocídio que é feito com a juventude negra. A oração nos ajuda a enfrentar esse desafio, desafio grande, mas que juntos, vamos vencer”, afirmou. Para o Padre José Enes, os negros estão a cada dia conquistando mais espaços na sociedade e a oração é uma ajuda para que não se perca o foco. A oração dá “esperança para que continuemos caminhando”, afirmou o Sacerdote.

Durante celebração, imagem de Nossa Senhora Aparecida é acolhida na Catedral da Sé

Irmã Lindaura Araújo, Missionária de Jesus Crucificado, destacou que é preciso, que as pessoas se “assumam como negro”. Para a Religiosa é necessário vestir a camisa e ser quem se é, “eu sou negra sim, como Deus criou”, afirmou. A Irmã que também coordena a Pastoral Afro, disse sentir um crescimento da Pastoral junto às comunidades negras da cidade, além de uma maior conscientiza-

ção. Para 2015, ela espera poder aumentar o número de multiplicadores da Pastoral nas regiões, além de aumentar o trabalho com as crianças e jovens “para que levem a frente a luta do povo negro”. À frente da animação da liturgia da celebração, o grupo LEMA – Levando o Evangelho Através das Missas Afro – apresentou em diversos momentos, danças e ritmos próprios dos povos negros.

O coordenador do grupo, Carlos Alberto de Farias conta que para ele é muito emocionante tocar em uma missa do Dia da Consciência Negra. “Para nós é uma luta que não acaba nunca, vamos continuar fazendo esse trabalho para valorizar o negro no Brasil”.

Presença inter-religiosa Líderes de religiões de matriz africana também estiveram na celebração do Dia da Consciência Negra na Catedral da Sé. Para a ativista do Movimento Negro Unificado (MNU) e coordenadora estadual do Instituto Nacional da Cultura Afro Brasileira, a mãe de santo Ebomi Conceição Reis de Ogum, a celebração é importante, pois faz memória dos heróis do Brasil, a exemplo de Zumbi dos Palmares, mas também das “heroínas, como a esposa de Zumbi, Dandara” e várias outras. “A história agora é nossa”, afirmou a Ebomi, que afirmou se sentir feliz ao ver cinco sacerdotes negros celebrando a missa, além de ver temas como o genocídio da juventude negra ser abordados na celebração. Para ela, as religiões devem andar juntas para superar a discriminação e o preconceito, “não esquecemos de Padre Batista, como não esquecemos de Mãe Menininha do Gantois”, afirmou.


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| Entrevista | 15

Adelar Cupsinski

Cimi: o terceiro membro da sociedade civil mais votado no Conselho Nacional de Direitos Humanos Nilson Bastion

Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Em 18 de novembro, fez três anos que cacique Nisio Gomes desapareceu e seu corpo ainda não foi encontrado. Devido à multiplicação de casos como esse, a comunidade GuaraniKaiowá do tekoha Kurusu Ambamunicípio de Coronel Sapucaia (MS) escreveu no dia 15, uma carta para a Presidente Dilma Rousseff, pedindo que o caso seja investigado e comunicando que irá resistir à mega-operação da Força Armada e Polícia Federal que deu aos indígenas cinco dias para deixar o território. A carta está disponível na íntegra na rede social oficial da comunidade Aty Guasu e demonstra uma tensão que existe há décadas no País, a da demarcação das terras indígenas. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), é uma das entidades criadas para levar aos órgãos as demandas dessas comunidades e, recentemente, passou a integrar o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH). “Estes povos tradicionais são sujeitos de direitos nacional e internacional. Iremos defender que os caminhos para a solução dos conflitos existem, basta optar”, disse Adelar Cupsinski, assessor jurídico do Cimi, ao O SÃO PAULO. Na entrevista, ele explica o que mudou a partir da criação do CNDH e como o organismo atuará na defesa dos direitos dos povos indígenas.

O SÃO PAULO - O que mudou com a criação do Conselho Nacional de Direitos Humanos em relação ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH)? Adelar Cupsinski – A Lei nº 12.986, de 2 junho de 2014, transforma o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana em Conselho Nacional dos Diretos Humanos. O Conselho traz inovações importantes, tornou-se mais democrático, ao ampliar a participação da sociedade civil, uma reivindicação antiga. Dos seus 22 membros, 11 serão da sociedade civil e outros 11 serão dos órgãos públicos. Vinculado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), o CNDH tem por finalidade a promoção e a defesa dos direitos humanos, mediante ações preventivas, protetivas, reparadoras e sancionadoras das condutas e situações de ameaça ou violações de direitos.

Quais as principais denúncias no que se refere à violação dos direitos dos povos indígenas? O Cimi foi o terceiro membro da sociedade civil mais votado e assumiu

compromissos dentro de uma composição com outras organizações, portanto, atuaremos levando demandas de muitas entidades, principalmente as do campo. Em relação às violações de direitos dos povos indígenas, estamos percebendo que há ações nos três Poderes da República: o Executivo paralisou os processos administrativos de demarcação das terras indígenas e apostou nas forças policiais como forma de repressão e, a partir daí, começaram a aparecer muitos casos de violência policial; o Legislativo, através de dezenas de projetos de leis, tenta restringir os direitos dos povos indígenas, como, por exemplo, a PEC 215/00; e, o Poder Judiciário tem concedido dezenas de reintegrações de posse contra os índios e, recentemente, decidiu por anular processos administrativos de demarcação das terras indígenas que tramitaram no Executivo por longos anos. Nossa atuação será para demonstrar que a Constituição de 1988 garantiu os direitos de todas as partes envolvidas nas disputas por terras indígenas e não apresenta contradições. O propósito é a convivência pacífica entre povos, sociedades indígenas e envolvidos, com suas diferenças culturais, costumes e tradições. Entendemos que cabe aos órgãos governamentais a resolução dos conflitos, promovendo os direitos diversos e não substituir suas ações por forças policiais. Do mesmo modo que combatemos a violência policial, iremos combater as ações de milícias privadas, violadoras dos direitos humanos.

Sobre a questão da violação de direitos, como o Cimi vê o trabalho da Comissão da Verdade

Nacional em relação aos indígenas? Temos conhecimento de que a Comissão da Verdade está dedicando uma parte específica, nos trabalhos e em seu relatório final, sobre as violações dos direitos humanos dos índios no período compreendido entre 18 de setembro de 1946 até 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição. Foi durante os trabalhos da Comissão da Verdade que se descobriu o Relatório Figueiredo, que relata inúmeras violações dos direitos dos povos indígenas. Contudo, o relatório final ainda não foi concluído. Há um programa específico do Cimi no CNDH? O Cimi não substitui o protagonismo indígena e nem poderia, pois a Constituição reconhece sua autonomia e sua organização social. Anteriormente, levamos demandas dos povos Guarani e Kaiowá, Xukuru, Tupinambá entre outros. Além das demandas dos Guarani e Kaiowá e Tupinambá que não foram solucionadas, já analisamos as demandas dos Terena, Munduruku, Kaingang e Tenharin, este último com seus caciques presos desde janeiro deste ano, em decorrência de uma investigação completamente falha e cheia de lacunas. Os Tenharin enfrentam um processo de criminalização que pode estar relacionado aos interesses econômicos sobre seu território, como a extração ilegal de madeira e garimpo. A partir da reeleição do atual governo, há possibilidades de um avanço nas demarcações das terras indígenas?

O governo anterior paralisou os processos administrativos de demarcação das terras indígenas e impôs, a ferro e fogo, seus projetos desenvolvimentistas nos territórios indígenas como, por exemplo, as hidrelétricas na região amazônica. Além do mais, optou por não receber e dialogar com o movimento indígena e militarizar as regiões onde os índios apresentaram sua tradicional e secular resistência. O governo chegou a implantar bases militares, com a presença de forças federais e do Exército, no interior da terra indígena Tupinambá, na Bahia. Desse modo, esperamos que o governo reconheça os seus erros, reveja seus projetos e cumpra a Constituição. Caso contrário, as violações de direitos humanos dos índios irão aumentar. Até porque quando o governo investe na repressão e não na solução dos conflitos, surgem as ações das milícias travestidas de empresas de segurança ou mesmo formadas por pistoleiros. Temos esperança que o governo, nos próximos quatro anos, dialogue com o movimento indígena e promova uma adequação nas instituições estatais que se relacionam com os povos indígenas. E que esse diálogo seja baseado em princípios legais, no respeito às diferenças e não nas perspectivas de imposição e de visões de mundo opostas.

Quais são os principais desafios e também as oportunidades do Cimi como membro do CNDH? Os desafios são imensos e envolvem direitos dos povos da terra e das águas: ribeirinhos, pescadores, sem terra, índios e demais populações tradicionais. As demandas destes povos foram reprimidas nos últimos governos. O modelo desenvolvimentista acolhido pelos governos não levou em consideração essas populações. No início do primeiro governo do presidente Lula, havia sinais de que os direitos dessas populações seriam respeitados. Porém, logo na sequência, os governos despejaram bilhões de reais no agronegócio e reprimiram as populações tradicionais. Esses povos tradicionais são sujeitos de direitos nacional e internacional. Iremos defender que os caminhos para a solução dos conflitos existem, basta optar. Não é a repressão a esses atores sociais que irá por fim ao conflito, isso já foi tentado pelos militares e rechaçado pela população brasileira. Estamos confiantes no bom senso, na boa governança e no respeito aos direitos humanos das populações tradicionais. Ainda daremos especial importância às questões ambientais por entender ser uma pauta de interesse de toda a sociedade brasileira.


16 | Fé e Cultura |

26 de novembro a 2 de dezembro de 2014 | www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

Irmã Dulce Estreiou neste mês o filme “Irmã Dulce”, que conta a história da religiosa brasileira nascida em Salvador (BA), em 1914, e que se tornou freira da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Já na infância, a Irmã começou a acolher mendigos e doentes em sua casa, transformandoa em um verdadeiro centro de atendimento. Irmã Dulce foi responsável pela fundação da primeira organização operária católica da Bahia. Como religiosa, ela dedicou a vida ao trabalho junto aos pobres, criando uma das maiores e mais respeitosas instituições filantrópicas do País. A religiosa foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz e beatificada pela Igreja em 2011. Seu processo de canonização está em andamento.

Divulgação

Padre Elias: um apocalipse

Ópera

Para mais informações sobre a Irmã Dulce: www.irmadulce.org.br.

Tosca – de Giacomo Puccini Entre os dias 29 de novembro e 13 de dezembro, os amantes de ópera poderão assistir à obra de Giacomo Puccini, Tosca, no Theatro Municipal de São Paulo. Trata-se de uma história

carregada de paixão – como é de se esperar em uma ópera – repleta de desejo e violência, incluindo tortura, assassinato e suicídio, tudo com belíssimas músicas, especialmente a famo-

sa ária “E lucevan le stelle”. A regência estará a cargo de Oleg Caetani. Para mais informações: www.prefeitura. sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/ theatromunicipal

espaço do leitor As eleições presidenciais em números (edição 3028) “Gostei do debate, foi em um bom nível e, além disso, a página ficou visualmente boa de ver. A entrevista com o jurista, o ministro Toffoli

Dica de leitura

Cultura

Divulgação

também ficou muito interessante. Aprecio que o jornal O SÃO PAULO amplie o campo de suas análises para os temas seculares. Isso é fundamental”. José de Almeida Amaral Junior (por e-mail)

Redação do jornal O SÃO PAULO. Endereço: Avenida Higienópolis, 890, São Paulo (SP), CEP. 01238-000. E-mail: osaopaulo@uol.com.br Twitter: @JornalOSAOPAULO Facebook: Jornal O SÃO PAULO

Em “Padre Elias”, Michael O’Brien constrói uma vibrante história apocalíptica na qual as condições do mundo moderno, as forças e as debilidades do “sentimento religioso” da contemporaneidade são exploradas pelo personagem principal, o padre carmelita Elias Schäfer, que sai em uma missão secreta do Vaticano e se emaranha numa série de crises e subterfúgios concernentes ao destino último da Igreja. O Padre Elias é um convertido do Judaísmo, um sobrevivente do holocausto, um homem que já teve muito poder em Israel. Pelos últimos 20 anos, ele esteve “enterrado na noite escura do Carmelo”, sobre a montanha do profeta Elias. O Papa e o cardeal secretário de Estado do Vaticano o convocam da obscuridade e o incumbem de uma missão da mais alta sensibilidade: infiltrar-se

nos círculos de íntima convivência de um homem que eles creem ser o próprio Anticristo. O objetivo: convocar o tal homem ao arrependimento, adiando, assim, a grande tribulação, o tempo suficiente para que se pregasse o Evangelho ao mundo inteiro. Nessa história, o protagonista atravessa a Europa e o Oriente Médio, movese pelos altos escalões do poder mundial, conhece santos e pecadores, presidentes, juízes, místicos, jornalistas em pleno embate cultural, padres fiéis e outros, traidores, em conspiração dentro da própria Igreja. Trata-se de uma trama apocalíptica no antigo sentido literário do termo, escrita à luz da Revelação. FICHA TÉCNICA Autor: Michael O’Brien Páginas: 704 Editora: Vide Editorial


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Mais de 50% dos melhores de 2013 voltam a vencer em 2014 Em 23 das 43 modalidades, atletas escolhidos em premiação do COB são os mesmos do ano anterior; entrega do Prêmio Brasil Olímpico será em 16 de dezembro

Fotos: COB

Ana Marcela

Martina e Kahena

Mayra Aguiar

Arthur Zanetti

Marcus Vinicius

Tiago Splitter

Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) anunciou no dia 19 a relação dos melhores atletas do ano em 43 modalidades. Destes, 23 já foram vencedores em 2013, incluindo nove relacionados entre os melhores também em 2012 (veja ao lado). Uma análise comparativa feita pelo O SÃO PAULO aponta que nas confederações que receberam a maior cota de repasses de verbas por meio da Lei Agnelo Piva (que destina 2% do prêmio pago aos apostadores de todas as loterias ao COB e ao Comitê Paraolímpico Brasileiro) – R$ 3,9 milhões – o vencedor de 2014 foi diferente do de 2013 – Atletismo, Judô, Vela, Voleibol e Desportos Aquáticos (com exceção dos saltos ornamentais). Em contrapartida, em cinco das dez confederações que tiveram as menores cotas entre R$ 1,6 milhão e R$ 1,8 milhão, o mesmo atleta foi escolhido nos dois últimos anos – Desporto de Neve (Isabel Clark), Desportos no Gelo (Isadora Williams), Badminton (Lohaynny Vicente), Levantamento de Peso (Fernando Reis) e Rúgbi (Julia Sardá).

Novatos e experientes concorrem ao Prêmio Brasil Olímpico Também no dia 19, o COB anunciou os atletas indicados ao Prêmio Brasil Olímpico 2014: entre os homens, Arthur Zanetti (ginástica artística), Marcus Vinicius D´Almeida (tiro com arco) e Tiago Splitter (basquete); e entre as mulheres, Ana Marcela Cunha (maratonas aquáticas), Mayra Aguiar (judô) e a dupla Martine Grael e Kahena Kunze (vela). Os vencedores serão anunciados em 16 de dezembro, no Rio de Janeiro, na solenidade de entrega da 16ª edição do Prêmio, que vai homenagear, ainda, os melhores técnicos nos esportes individuais e coletivos. “Certamente, minha indicação se deve aos resultados obtidos nas etapas do circuito mundial de 10 km - FINA 2014 (distância olímpica), com cinco vitórias e pódio nas oito etapas, feito inédito, considerando todas as edições, entre todos os nadadores - masculino e feminino - de todos os países participantes”, avaliou, à reportagem, Ana Marcela Cunha. “Foi uma temporada perfeita, cada item do planejamento foi cumprido plenamente, o traba-

lho de minha equipe multidisciplinar foi fantástico, cada fez mais afinada, fizemos tudo certo”, completou. As concorrentes de Ana também tiveram excelente temporada. Mayra Aguiar se recuperou de uma lesão no joelho e foi campeã da categoria até 78 kg no Mundial de Judô. Já a dupla Martine Grael e Kahena Kunze venceu o mundial da classe 49erFX da Vela, e as duas foram eleitas pela federação internacional da modalidade como as melhores velejadoras do mundo. Na disputa masculina, Arthur Zanetti, que já venceu o Prêmio Brasil Olímpico em 2012, revelou estar lisonjeado por ser sua terceira indicação consecutiva ao Melhor do Ano no Prêmio Brasil Olímpico. O ginasta que em 2014 conquistou cinco medalhas de ouro, além da prata no Mundial de Ginástica Artística na prova das argolas, ainda comentou: “Acho que esse reconhecimento ao trabalho da ginástica artística do Brasil e ao meu trabalho é o mais importante desse Prêmio. Não estou fazendo só para mim e sendo em vão. Estamos fazendo e as pessoas que formam a opinião pública estão reconhecendo. Isso é bom porque eleva o nome da ginástica”. Os outros concorrentes também apresentaram excelente performance em 2014. Marcus Vinicius D´Almeida, aos 16 anos, conquistou medalhas de prata

no tiro com arco na copa do mundo da modalidade e nos Jogos Olímpicos da Juventude. Já Tiago Splitter se tornou o primeiro brasileiro campeão da NBA, defendendo o San Antonio Spurs na temporada 2013/2014.

Público pode votar no Atleta da Torcida Uma categoria foi criada pelo COB para a votação popular: o Atleta da Torcida. Foram selecionados esportistas que marcaram positivamente o esporte brasileiro em 2014, seja pela performance, exemplo de superação, atitudes e condutas, conquista inédita ou proximidade e identificação com o público. Os concorrentes são Cesar Cielo (natação), Diego Hypolito (ginástica artística), Isaquias Queiróz (canoagem velocidade), Marcus Vinícius D’ Almeida (tiro com arco), Matheus Santana (natação), Tiago Splitter (basquete), Aline Ferreira (lutas), Flávia Saraiva (ginástica artística), Larissa e Talita (vôlei de praia), Martine Grael e Kahena Kunze (vela), Mayra Aguiar (judô) e Sheilla Castro (vôlei). A definição do vencedor será feita pelo público, que já pode votar através do Facebook ou do Twitter, utilizando hashtags que devem conter #EuVotoPBO e o nome do atleta. Outros detalhes podem ser obtidos em www.cob.org.br/pbo.

Washington Alves/Cruzeiro

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Relação dos vencedores por modalidade em 2014 Desde 2012 (9 esportistas) Ana Sátila canoagem slalom Arthur Zanetti ginástica artística Bruno Soares tênis (este ano junto com Marcelo Melo) Cesar Castro saltos ornamentais Doda de Miranda Neto hipismo (saltos) Fabiana Beltrame remo Neymar Júnior futebol Pâmela Oliveira triathlon Yane Marques pentatlo moderno Vencedores em 2013 e 2014 (14) Angélica Kvieczynski ginástica rítmica Flavio Cipriano ciclismo de pista Fernando Reis levantamento de peso Henrique Avancini ciclismo mountain bike Hugo Calderano tênis de mesa Isabel Clark desportos na neve Isadora Williams desportos no gelo Isaquias Queiróz canoagem velocidade Julia Sardá rúgbi Lohaynny Vicente badminton Rafael Andriato ciclismo estrada Renato Rezende ciclismo BMX Robson Conceição boxe Tiago Splitter basquete Vencedores em 2012 e em 2014 (3) Ana Marcela Cunha maratonas aquáticas Eduarda Amorim handebol Renzo Agresta esgrima Vencedores apenas em 2014 (17) Aline da Silva Ferreira lutas Bruno Mendonça hóquei sobre grama Camila Lopes Gomes ginástica de trampolim Edival Marques (Netinho) taekwondo Fabiana Claudino vôlei Fabiana Murer atletismo Felipe Perrone polo aquático Giovana Stephan nado sincronizado João Victor Oliva hipismo (adestramento) Juliana e Maria Elisa vôlei de praia Márcio Jorge Carvalho hipismo (CCE) Marcus Vinícius D´Almeida tiro com arco Martine Grael e Kahena Kunze vela Matheus Santana natação Mayra Aguiar judô Rafael Becker golfe Rodrigo Bastos tiro esportivo

AGENDA ESPORTIVA Cruzeiro, de novo! – com duas rodadas para o término do campeonato, o Cruzeiro conquistou no domingo, 23, o título do Brasileirão 2014, ao vencer o Goiás por 2x1 no Mineirão, com gols de Everton Ribeiro e Ricardo Goulart. Esse é o quarto título brasileiro do clube, também campeão em 1966, 2003 e 2013.

Quarta-feira (26) 20h – Liga Nacional de Basquete Paulistano x Uberlândia (Ginásio do Paulistano – rua Colômbia, 77, Jardim América) 22h – Copa Sul-americana - semifinal São Paulo x Atlético Nacional (Morumbi) Sexta-feira (28) 21h30 – Liga Nacional de Basquete Paulistano x Minas (Ginásio do Paulistano) Domingo (30) 17h – Brasileirão de Futebol São Paulo x Figueirense (Morumbi)


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Brasilândia

Renata Moraes

Colaboradora de Comunicação da Região

‘É para a liberdade que Cristo nos libertou’ Renata Moraes

Padre José Enes acolhe imagem de Nossa Senhora Aparecida durante missa

Para celebrar a festa da Consciência Negra, a Pastoral Afro da Região Brasilândia realizou missa em rito romano inculturado, fazendo memória a Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares, que morreu lutando por seu povo em 20 de novembro de 1695. A missa aconteceu na Paróquia Nossa Senhora do Retiro, no Setor Pereira Barreto, e foi presidida pelo Padre José Enes de Jesus, coordenador de pastoral da Região Sé e assessor da Pastoral Afro da Arquidiocese de São Paulo. Com o tema da Campa-

nha da Fraternidade deste ano, “É para a liberdade que Cristo nos libertou”, a celebração levou o povo a refletir sobre a história de luta do povo negro no Brasil em busca da igualdade entre as raças. Na homília, Padre José Enes relembrou que a data festiva, feriado em mais de cem cidades brasileiras, foi uma vitória e fruto da luta dos movimentos negros e de direitos humanos articulados e organizados. “A importância deste dia é o momento para resgatarmos a história e trazer de volta o legado de Zumbi dos Palmares”.

O Padre também fez uma prece por todas as mães que sofrem por seus filhos assassinados, vítimas da violência, que morrem todos os dias nas periferias. “Em 2013, mais de 57 mil jovens morreram assassinados, deste número, aproximadamente 68% eram jovens negros de 15 a 19 anos”, comentou sobre o alarmante número das estatísticas. Ao final da celebração, a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi entronizada e aclamada entre os fiéis, sinalizando a busca da união entre os povos e raças.

Dom Milton agradece vivência pastoral na Brasilândia Na manhã do sábado, 22, os coordenadores regionais de pastorais, juntamente com o Padre Reinaldo Torres, atual coordenador de pastoral da Região Brasilândia, participaram do último Conselho Regional de Pastoral (CRP) de 2014. Pela última vez, a atividade teve a presença de Dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia, que em 21 de dezembro tomará posse como bispo

da Diocese de Barretos (SP). Dom Milton refletiu sobre as propostas assumidas pela Arquidiocese para os próximos anos. “Sinto que a Igreja está aberta para acolhida, está preocupada com a formação de novas lideranças para construir caminhos de evangelização com olhar para os pobres, para os que sofrem”. O Bispo também agradeceu a cada membro do CRP pelo empenho no trabalho à Igreja na Brasilândia. “Foi um

tempo de graça, de aprendizado e de desafios o que vivi aqui na Brasilândia. Cada um de vocês fez parte da minha história. Obrigado pela paciência, pela generosidade que vocês tiveram nestes anos de convivência”, encerrou, emocionado. A missa de despedida de Dom Milton da Região Brasilândia será em 12 de dezembro, às 20h, na Paróquia São Luiz Gonzaga (praça Dom Pedro Fulco Movirdi, 1, Vila Pereira Barreto).

Juçara Terezinha Zottis

Dom Milton Kenan coordena último CRP de 2014 na Brasilândia

Belém

João Carlos Gomes

Colaborador de Comunicação da Região

‘Maria: modelo de transmissão da fé na vida’

Preparando-se para o dia em que a Igreja Católica celebra a Aparição de Nossa Senhora, em 27 de novembro, a Paróquia Nossa Senhora das Graças, do Jardim Elba, no Setor Sapopemba da Região Episcopal Belém, mobilizou suas oito comunidades, pastorais e movimentos para realizar, desde o dia 18, a novena em honra à Padroeira. No terceiro dia da novena, na quin-

AGENDA REGIONAL Domingo (30), 19h30 Jubileu de 25 anos de ordenação sacerdotal do Padre Carlos Roberto Froes, na Paróquia São José do Belém (largo São José do Belém, s/nº). Terça-feira (2), 19h30 Assembleia da Cáritas, no Centro Pastoral São José (avenida Álvaro Ramos, 366, no Belém).

ta-feira, 20, o bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, Dom Edmar Peron, presidiu a missa, que teve como tema “Maria: modelo de transmissão da fé na vida”, concelebrada pelo pároco, Padre Francisco Reginaldo Henriques de Miranda, o Padre Reginaldo, com a participação de cerca de 200 fiéis, que lotaram a igreja.

Viver com fé e sem discriminação Aproveitando que era Dia da Consciência Negra, Dom Edmar ressaltou a necessidade de os cristãos viverem como Maria, com a sua fé e seu compromisso sem medida com a justiça. “Celebrar esta festa é olhar para o jeito que Nossa Senhora viveu, a maneira como ela transmitiu a sua fé; muito me alegro em ver esta igreja cheia e num feriado tão significativo, que nos lembra que ninguém, nenhuma pessoa, pode ser discriminada, pois somos todos ir-

João Carlos Gomes

200 pessoas participam da terceira noite da novena à Nossa Senhora das Graças

mãos, filhos e filhas de Deus Pai e esse é o motivo de nossa missão, tal como foi o de Nossa Senhora”. Padre Reginaldo agradeceu a presença de Dom Edmar, dos grupos e comunidades que ajudaram na organização do evento. “Agradeço sua presença, Dom Edmar, neste momento

importante para nossa Paróquia, pois nos anima ainda mais a viver a nossa fé continuamente e a viver como irmãos fazendo a vontade de Deus”. Ao final da celebração, Padre Reginaldo e as lideranças da Paróquia presentearam Dom Edmar com uma imagem de Nossa Senhora das Graças.


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Benigno Naveira

Colaborador de comunicação da Região

A formação integral de jovens em cinco dimensões evangelizadoras Na noite da sexta-feira, 21, a reportagem da Pastoral da Comunicação da Região Lapa acompanhou o primeiro retiro “Formação Integral de Jovens” (FIJ), que foi realizado na Escola Municipal Desembargador Amorim Lima, no Butantã, entre os dias 21 e 23, coordenado por Erick Almeida e Flaviany Almeida, da Pastoral da Juventude da Área Pastoral São João Batista, do Setor Butantã, reunindo aproximadamente 35 jovens de paróquias da Região Lapa e um grupo de jovens de Governador Valadares (MG). No primeiro dia do retiro, João Carlos Barcelos, da coordenação do encontro, iniciou fazendo uma oração e conduzindo, na sequência, a apresentação dos grupos participantes,

convidando a união e a integração de todos no trabalho de evangelização. João Carlos comentou, ainda, sobre os temas refletidos no encontro: “5 dimensões: Personalização – Quem sou eu?; Integração - Quem é o outro?; Conscientização Política – Qual meu papel na sociedade?; Dimensão Teológico e Teologal – De onde venho? Para onde vou? Quem é Jesus para você?; Dimensão Capacitação Técnica – O que posso fazer para construir uma civilização do amor?” No segundo dia, aconteceu a visita do bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa, Dom Julio Endi Akamine, que parabenizou a todos participantes e refletiu com

Lapa

Dom Julio Endi Akamine posa para foto com participantes do retiro ‘Formação Integral de Jovens’

eles sobre a Jornada Mundial da Juventude Rio 2013. Também esteve presente o vigário paroquial da Área Pastoral São João Batista, Padre Antonio Francisco Ribeiro, que durante todo o período

da manhã ouviu confissões dos jovens. No domingo, 23, último dia, às 16h, na Área Pastoral São João Batista, foi celebrada missa, presidida pelo Padre Antonio Ribeiro, encerrando o evento.

Jovens são confirmados na fé por Dom Julio No sábado, 22, na Paróquia São Patrício, no Setor Rio Pequeno, aconteceu a celebração da Crisma de 80 crismandos, entre jovens e adultos, presidida pelo Dom Julio Endi Akamine, bispo

auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa, e concelebrada pelo Padre João Carlos Borges, pároco, e pelo Padre Mario Lopes. Na manhã do domingo, 23, na Paróquia Santíssima Trindade,

no Setor Rio Pequeno, realizou-se a celebração da Crisma de 75 jovens, também presidida por Dom Julio e concelebrada pelo Padre Marco Roberto Pires, pároco. No mesmo domingo, à noite, na Pa-

róquia São João Maria Vianney, no Setor Lapa, o Bispo conferiu o Sacramento a outros crismandos, em missa concelebrada Padre Raimundo Rosimar Vieira da Silva, pároco.

72 pessoas recebem a 1ª Comunhão na Santa Maria Goretti Na Paróquia Santa Maria Goretti, no Setor Butantã, na manhã do domingo, 23, realizou-se o Sacramento da Eucaristia, a 1ª Comunhão, de

Ângela Santos

72 catequizandos, que durante o ano participaram da Catequese aprendendo os ensinamentos e mandamentos da Palavra de Deus. A missa foi

presidida pelo Padre Geraldo Pereira, pároco, que antes da bênção final, agradeceu a todos os catequistas pelo trabalho de evangelização.

AGENDA REGIONAL Sábado (29), 15h Missa da Crisma na Paróquia Cristo Jovem (largo da Lapa, 106, Lapa de Baixo). Domingo (30) 11h - Missa da Crisma na Paróquia Nossa Senhora de Fátima (rua Barão da Passagem, 97, na Vila Leopoldina). 18h - Missa da Crisma na Paróquia São Tomás More (rua Juvevê, 52, na Vila Dalva).


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Santana

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

‘O encontro com Jesus nos faz evangelizadores’ Diácono Francisco Gonçalves

Coordenadores regionais de pastorais e movimentos participam de retiro anual no Recanto Consolata, no sábado, 22

No sábado, 22, no Recanto Consolata, os coordenadores regionais de pastorais e movimentos se reuniram para retiro anual, sendo acolhidos por Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, e pelo coordenador regional de Pas-

toral, Padre João Luiz Miqueletti. Os participantes começaram o momento de espiritualidade com oração inicial, feita com participação musical do Grupo Canto de Maria. A pregação do retiro foi do Padre Paulo Cesar Gil, coordenador

regional da Animação Bíblico-Catequética. O evento teve como tema “O encontro com Jesus nos faz evangelizadores”, e foi dividido em três momentos de reflexão: “De frente com Jesus”; “Aprendendo com Jesus” e “Um amigo para sempre”. “A Igreja hoje deve ser diferen-

ciada, mas para isso precisamos, nós mesmos, cristãos, sermos diferenciados. Neste sentido, a fé comporta viver a vida de Jesus Cristo, os seus ensinamentos. Somos chamados a pertencer a ele”, disse Padre Gil, que alertou que Jesus chama, mas ele é exigente, daí que se deve perguntar para que chamou, que missão cada um tem que desempenhar? Durante o retiro, o pregador procurou evidenciar que os responsáveis pelas pastorais são antes de tudo, evangelizadores, por isso a importância do encontro pessoal com Cristo, o qual pode ocorrer em pequenos detalhes, como um abraço. “O abraço é muito bom porque carrega nele o que somos. Por isso, devemos abraçar sempre, principalmente se damos com amor. Às vezes, nós cumprimentamos as pessoas e, caso nos defrontamos com pessoas a quem já abraçamos, dizemos que já o fizemos e deixamos de dar aquilo que é tão nosso e que nunca deve ser usado com parcimônia, pois o abraço leva o nosso interior para o outro. Ora, mais ainda se formos dar um abraço em Jesus”, ressaltou o Assessor.

Um retiro para atrair casais afastados da Igreja O Centro Pastoral Frei Galvão da Região Santana sediou, no primeiro final de semana de novembro, um retiro para casais, organizado pela Comunidade “Anjos da Vida”. Trata-se de um encontro querigmático, que tem como objetivo atrair de maneira particular casais afastados da Igreja e, a partir daí, engajá-los na comunidade. “São muitos os testemunhos de vidas e Matrimônios restaurados. A Comunidade Anjos da Vida promove dois encontros por ano. Desta vez, participaram 30 casais e trabalharam 150 missionários”, disse o coordenador Regy Velasco. Esses retiros fazem parte

do carisma da comunidade que nasceu como um grupo de jovens, em junho de 1998, por iniciativa do casal Regy e Vanuza Velasco, quando auxiliavam na Catequese da Crisma na Paróquia Santíssima Trindade. Com o tempo, o grupo cresceu e suscitaram novas iniciativas, como ministérios de música, dança e teatro, encontros, formações e retiros abertos para jovens e também para seus pais e familiares, que foram incluídos ao grupo. Em 2012, foi concluída a redação da regra de vida da Comunidade, que pode ser conhecida no site www.anjosdavida.org.br ou no telefone (11) 3853-2628.

Regy Velasco

Casais e missionários reunidos na capela da Cúria da Região Santana após encerramento de retiro

AGENDA REGIONAL Para assinar O SÃO PAULO: Escolha uma das opções e a forma de pagamento. E nv i e e s s e c u p o m p a r a : F U N DAÇ ÃO METROPOLITANA PAULISTA, Avenida Higienópolis, 890 São Paulo - SP - CEP 01238-000 - Tel: (011) 3666-9660/3660-3724

ASSINATURA SEMESTRAL: R$ 45 ANUAL: R$ 78 FORMA DE PAGAMENTO CHEQUE (Nominal à FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA) DEPÓSITO BANCÁRIO Bradesco ag 3394 c/c44159-7 COBRANÇA BANCÁRIA

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Quarta (26) 10h - Missa de jubileu de prata sacerdotal do Padre José Benedito Brebal Hespaña, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima (rua Gomes Leal, 329, na Vila Dionísia). 20h - Encontro da Catequese para coordenadores paroquiais, na Paróquia Menino Jesus (avenida Mazzei, 491).

Domingo (30), 10h30 Missa com Dom Sergio Borges na Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres (avenida Ataliba Leonel, 3.013), pelos 60 anos de ordenação sacerdotal do Padre Nadir Sergio Granzotto.


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Fernando Geronazzo

Colaborador de comunicação na Região

‘Ser coroinha não é só servir o altar, é preciso ter uma vida de fé’ A Pastoral Vocacional da Região Episcopal Sé realizou um encontro com os coroinhas no sábado, 22, no Colégio Santa Marcelina, em Perdizes. Com o tema “Mestre, onde moras? Vinde e vede”, as crianças e adolescentes participaram de momentos de formação, oração e partilhas, assessoradas pela Irmã Terezinha Lubiana, da Congregação das Pias Discípulas do Divino Mestre, e pela Irmã Maria Regina Gomes, da Congregação das Irmãs de Santa Cruz. “Nosso objetivo foi de oferecer aos coroinhas a oportunidade de viver uma experiência de quem é Jesus, ajudando-os a ver este Cristo que mostra um caminho. Ele é o caminho, a verdade e a vida”, explicou Irmã Terezinha, que também destacou a impor-

tância de os coroinhas perceberem o valor de sua missão além da liturgia e do cuidado com as coisas do altar. Para a secretária regional da Pastoral Vocacional, Estela Maria Bueno, esses encontros são também ocasião de trabalhar com os coroinhas o discernimento vocacional, não apenas para o sacerdócio ou a vida consagrada, mas igualmente enquanto cristãos leigos no meio do mundo. “A Pastoral Vocacional realiza dois encontro anuais, um arquidiocesano, em agosto, e o regional, além de promover formações nas paróquias, quando solicitadas”. Edvan Cosme Fabiano Poli, 14, é coroinha na Paróquia São Cristóvão há quatro anos, e gosta dos encontros. “Esses encontros são uma forma de nos ajudar a perceber que ser coroinha não é só

Fernando Geronazzo

Coroinhas participam de momento de oração durante encontro promovido pela Pastoral Vocacional

servir o altar, mas é preciso ter uma vida de fé”. Para ele, os momentos de oração e partilha ensinam, sobretudo, os mais jovens, a viver uma espiritualidade. O ponto alto do encontro foi a celebração eucarística, presidida pelo coordenador da Pastoral Vocacional na Região Sé, Padre Domingos Geraldo Barbosa de Almeida Junior.

Fernando Geronazzo

A Paróquia Santa Cecília celebrou solenemente sua padroeira no sábado, 22. Mártir e padroeira dos músicos, Santa Cecília foi recordada em celebrações marcadas pela presença de musicistas e corais, que foram abençoados assim como seus instrumentos.

Concerto em Perdizes Para encerrar as comemorações dos 100 anos da Paróquia São Geraldo (Largo Padre Péricles, Perdizes), no domingo, 30, às 12h, acontece um concerto da “Nona Sinfonia” de Beethoven, apresentada pelo Coro e Orquestra da Fundação Teatro Municipal de São Paulo, sob a regência do maestro Carlos Moreno.

Divulgação

O Mosteiro de São Bento (próximo à estação São Bento) realiza de 28 a 30, a I Feira do Livro, com a presença das principais editoras, e com descontos de até 30%. A feira funciona no dia 28, das 12h às 18h, e nos dias 29 e 30, das 9h às 18h. A entrada é franca.


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Ipiranga

Francisco David e Ana Paula Yokoyama

Colaboradores de Comunicação da Região

Dom José Roberto conhece ambientes de acolhida a seminaristas internacionais e a crianças carentes Francisco David

Dom José Roberto durante visita ao Seminário Internacional João XXIII, no dia 18

O bispo auxiliar de São Paulo, Dom José Roberto Fortes Palau, visitou o Seminário Internacional João

XXIII da Pia Sociedade dos Missionários de São Carlos, na terça-feira, 18. Nesse seminário, há 15 semina-

ristas de vários lugares do mundo, como Haiti, Vietnã, Paraguai e México. No mesmo prédio, encontra-se o Instituto São Paulo de Estudos Superiores (Itesp), onde são oferecidos cursos de Teologia e Filosofia. As congregações mantenedoras do Seminário são os Carlistas, os Missionários do Verbo Divino ou Verbitas e os Redentoristas. No mesmo dia, o Bispo visitou o Instituto Cristóvão Colombo, fundado pelo Padre José Marchetti, irmão da recém-beatificada Madre Assunta Marchetti, local que acolhe 220 crianças carentes de toda a cidade, em período integral. Padre Marchetti, que foi capelão de um navio lotado de imigrantes expatriados italianos, chegou ao Rio de Janeiro, em 1894, com uma criança órfã no colo, cujos pais haviam falecido durante a viagem. Desembarcando, procurou um orfanato para deixá-la e, não encontrando, entregou-a a um porteiro de uma casa religiosa. Impressionado com o ocorrido, começou a idealizar uma institui-

ção de amparo aos órfãos, a qual foi fundada em São Paulo, com a ajuda do Conde José Vicente de Azevedo, que doou um terreno na colina do Ipiranga, dotado de uma pequena capela, dedicada a São José, e de 50 mil tijolos, telhas, pedras e outros materiais de construção. Após a obtenção da autorização e bênção de Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, então bispo de São Paulo, começaram os trabalhos de construção do orfanato em 15 de fevereiro de 1895, que foram concluídos em 8 de dezembro do mesmo ano. O novo instituto, denominado Cristóvão Colombo, abriu suas portas a numerosos órfãos, divididos em seções masculina e feminina, acolhendo a muitos. Desde o início, a direção do Orfanato foi confiada a um grupo de quatro religiosas da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo, que teve como fundador Dom João Batista Scalabrini e como cofundadores o Padre José Marchetti e Madre Maria Assunta Marchetti.

Crismandos, ‘sejam o bom perfume de Cristo’

Ana Paula Yokoyama

Dom José Roberto preside celebração da Crisma na Paróquia Sagrada Família, no dia 22

No sábado, 22, a missa das 16h30 na Paróquia Sagrada Família, do Setor Cursino, foi especial, pois 24 jovens e adultos receberam o sacramento da Crisma, em celebração presidida por Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Episcopal Ipiranga, e concelebrada pelo pároco, Frei Marcelo Alves. Dom José Roberto explicou aos crismandos e aos demais participantes o significado da Crisma, bem como do óleo perfumado que é ungido naqueles que recebem o Sacramento. Também falou a respeito da importância do seguimento aos sete dons do Espírito Santo: sabedoria, ciência, conselho, fortaleza, enten-

dimento, piedade e temor de Deus. Porém, ressaltou o dom da fortaleza, pois é somente sendo fortes que as pessoas suportam situações adversas e ambientes hostis. Além disso, fez outro pedido especial aos crismandos. “Amem e evangelizem por atração, mostrem como vale a pena viver com amor, paz e em harmonia. Sejam o bom perfume de Cristo”, afirmou. Ao final, Frei Marcelo Alves, pároco da Paróquia Sagrada Família, agradeceu a Dom José Roberto pela presença e o convidou a retornar à comunidade sempre que for possível. Ao final da celebração, houve confraternização entre os crismados, seus amigos e familiares.


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European Union 2014 - European Parliament

Em discurso ao Parlamento Europeu, no dia 25, Papa Francisco enfatiza que é hora de construir “a Europa que não gira ao redor da economia, mas ao redor da sacralidade da pessoa humana”

Recuperar o valor da União European Union 2014 - European Parliament

Em discurso no Parlamento Europeu, Papa Francisco critica modelo de desenvolvimento que favorece economia em vez da vida humana Filipe Domingues

Especial para O SÃO PAULO, em Roma

Envelhecida, abatida, desestimulada, desconfiada, solitária, consumista, individualista. São características nada desejáveis em uma pessoa, muito menos em toda uma sociedade. Foram essas algumas das palavras que o Papa Francisco usou para descrever a Europa atual, em um forte discurso pronunciado no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França, na terça-feira, 25. Pela primeira vez, Francisco falou aos 751 deputados europeus que representam cerca de 500 milhões de habitantes de 28 países. O contexto hoje é completamente diferente daquela visita de João Paulo II, em 1988, quando o mundo estava dividido entre capitalismo e socialismo. Mas o Papa não poupou críticas ao atual estilo de vida e às políticas públicas europeias. Porém, no fundo, acredita o Pontífice, existe a esperança. “A partir de minha vocação de pastor, desejo direcionar a todos os cidadãos europeus uma mensagem de esperança e encorajamento”, declarou, logo no início de sua fala. Para o Papa Francisco, a Europa abandonou no meio do caminho os valores de seus “pais fundadores”, aqueles líderes políticos que desde o fim da Segunda Guerra Mundial começaram a promover a “união” dos países do continente – que viria, em 1992, a se formalizar com o nome de

Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, saúda o Papa Francisco, na terça-feira, 25

União Europeia. Eles visavam a “um futuro baseado na capacidade de trabalhar juntos para superar as divisões e favorecer a paz e a comunhão entre todos os povos do continente”, recordou o Papa Francisco. “Ao centro desse ambicioso projeto político, estava a confiança no homem, não tanto como cidadão nem como sujeito econômico, mas como pessoa dotada de uma dignidade transcendente.”

Pessoa ou objeto? É aí que, para Francisco, mora o problema: colocando a economia em primeiro lugar, a Europa esqueceu seus valores “humanistas”. O ser humano passou a ser tratado como objeto, “dos quais se podem programar a concepção, a configuração e a utilidade”. Para ele, é preciso voltar a promover a dignidade de cada pessoa. “Que dignidade existe quando falta a possibilidade de se exprimir livremente o próprio pensamento ou de se professar, sem coerção, a própria fé religiosa? Que dignidade é possível sem um marco jurídico claro, que limite o domínio da força e faça prevalecer a lei sobre a tirania do poder? Que dignidade pode jamais ter um homem ou uma mulher alvos de

todo tipo de discriminação? Que dignidade poderá encontrar uma pessoa que não tem alimento ou o mínimo essencial para viver e, pior ainda, que não tem o trabalho que lhe unge de dignidade?” Segundo o Papa, aqueles ideais que um dia inspiraram a Europa parecem ter perdido força, “em favor de tecnicismos burocráticos de suas instituições”. O egoísmo faz com que a pobreza seja ignorada. O ser humano “corre o risco de ser reduzido a uma simples engrenagem de um mecanismo que o trata da mesma forma que um bem de consumo a se utilizar”. Assim, no que chamou de uma “cultura do descarte”, a vida deve ser funcional ou acaba sendo descartada sem hesitação: “Como nos casos dos doentes terminais, dos idosos abandonados e sem cuidados, ou das crianças assassinadas antes de nascer.”

Desocupação e migração O Bispo de Roma não poupou censuras quando citou dois dos problemas mais polêmicos na Europa atual, que se refletem em todo o mundo: o desemprego e a migração. Com a acentuada crise econômica, muitos europeus não têm trabalho e

dependem de assistência social para viver – a pobreza aumenta e o desemprego chega a superar 40% da população jovem em alguns países. “É tempo de favorecer políticas de ocupação, mas, sobretudo, é necessário dar novamente dignidade ao trabalho”, reclamou Francisco. No tema das migrações, ele pediu que os homens e as mulheres estrangeiros que chegam à Europa sejam acolhidos e auxiliados. “Não podemos deixar que o Mar Mediterrâneo se torne um grande cemitério!”, lamentou, referindo-se às milhares de pessoas que acabaram morrendo em embarcações superlotadas a caminho da Europa.

O princípio é o ser humano A mensagem de esperança do Papa Francisco aos europeus é a de que possam redescobrir a relação entre duas dimensões inseparáveis: o céu e a terra. “O céu indica a abertura ao transcendente, a Deus, que desde sempre caracterizou o homem europeu, e a terra representa a sua capacidade prática e concreta de enfrentar as situações e os problemas”, explicou. Em outras palavras, para o Papa, é preciso que a Europa retome a centralidade da pessoa humana.

“Chegou a hora de construirmos juntos a Europa que não gira ao redor da economia, mas ao redor da sacralidade da pessoa humana, dos valores inalienáveis; a Europa que abraça com coragem o seu passado e olha com fé o futuro para viver plenamente e com esperança o seu presente.”

Repercussão O discurso foi aplaudido por dez vezes pelos parlamentares, especialmente ao final, e teve grande impacto na imprensa, no ambiente eclesiástico e entre políticos europeus. No mesmo dia, o Papa falou ao Conselho Europeu, órgão que reúne chefes de Estado e de governo dos países da União Europeia, detalhando pontos apresentados no Parlamento. Pediu “unidade na diversidade”, atenção ao meio ambiente, um esforço maior pela paz. O Papa disse que, apesar dos pecados de seus filhos, a Igreja é uma “especialista em humanidade” – como definiu certa vez o Papa Paulo VI – e colocou-se à disposição para colaborar. “Não buscamos nada mais do que servir e testemunhar a verdade. Nada mais do que esse espírito nos guia ao sustentar o caminho da humanidade.” De fato, o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, que acolheu o Papa em nome dos deputados, comentou que o continente vive uma crise dramática, que “os cidadãos perderam a confiança nas instituições nacionais e internacionais”, mas que a Igreja busca promover valores parecidos àqueles da União Europeia, como respeito, solidariedade e paz, e enfrenta desafios parecidos, como o da distribuição das riquezas. “Papa Francisco, suas palavras têm uma importância enorme. Para todos nós, são temas universais. Suas palavras oferecem orientação em tempos de grande desorientação”, declarou Schulz.

O SÃO PAULO - edição 3029  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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