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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 59 | Edição 3025 | 29 de outubro a 4 de novembro de 2014

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‘Rádio 9 de Julho Dia de Finados: a Igreja Relatório final do Sínodo está no coração do povo’ celebra o mistério pascal da Família, parte II Padre José Renato, diretor geral da rádio, fala dos desafios da emissora, da programação e dos festejos pelos 15 anos de reinauguração. Página 11

No domingo, 2, na “comemoração de todos os fiéis defuntos”, paróquias da Arquidiocese de São Paulo organizam missas nos cemitérios da capital. Página 7

O SÃO PAULO resume mais uma parte do relatório da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, com comentários de Dom Odilo.

Páginas 14 e 15

Madre Assunta: a ‘mãe dos órfãos e migrantes’ é beatificada em SP No sábado, 25, às 10h, a praça da Sé ficou repleta de fiéis, que dentro e fora da Catedral Metropolitana, por meio de um grande telão, e também pelos meios de comunicação, acompanharam a missa em que a Serva de Deus, Madre Assunta Marchetti, foi declarada beata. Presidida pelo Cardeal Odilo Scherer, a missa, participada por bispos, padres, religiosos e leigos de diversos países e estados brasileiros, trouxe a alegria viva das crianças acolhidas nos institutos por ela fundados em São Paulo. A presidência do rito de beatificação foi do Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação da Causa dos Santos. O SÃO PAULO ouviu familiares da Beata, peregrinos que vieram da Itália e a artista responsável pelo quadro que se transformou em um grande banner, descoberto logo após a leitura da carta apostólica.

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Páginas 12 e 13

Após a eleição, é hora de retomar as amizades Reconduzida ao Planalto por mais de 54 milhões de votos, no domingo, 26, a presidente Dilma Rousseff já falou na necessidade de ampliar o “diálogo”. Esse mesmo diálogo deve acontecer entre os eleitores, pois muitos, no calor dos debates políticos, romperam amizades, reais e virtuais, e protagonizaram uma eleição repleta de piadas, memes engraçados, como também desentendimentos e comportamentos preconceituosos e violentos. Página 24

Regional Sul 1 capacita lideranças para CF 2015 Página 7

CNBB diz que indígenas têm direito à terra Página 8

Cardeais Odilo Scherer e Angelo Amato com a relíquia de Madre Assunta Marchetti, beatificada no sábado, 25, em cerimônia na Catedral da Sé


2 | Ponto de Vista |

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editorial

Fora de foco Uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo (F. S. Paulo, Cotidiano, p.C1 e C3) denuncia a existência de sites no Brasil, que, além de fornecer fármacos abortivos proibidos, ensinam “passo a passo” a praticar o aborto ilegal. A reportagem da Folha chama a atenção para o fato de que, apesar de o aborto ser crime no Brasil, com penas previstas de um a três anos de detenção para a mulher; de um a quatro anos de prisão para equipe que faz aborto, e de três a dez anos de prisão para abortos praticados sem consentimento da gestante, conseguir abortivos e informações sobre o procedimento não requer qualquer esforço.

Dados apresentados a partir de números oferecidos pela Febrasco (Federação Brasileira das Associações de Ginecologistas e Obstetrícia) e da Pesquisa Nacional de Aborto, da Universidade de Brasília (UnB), divulgados pelo Ministério da Saúde, são alarmantes: em 2013, no Brasil, foram realizados 1.523 “abortos legais” pelo SUS e 196.661 procedimentos hospitalares pós-aborto. Estima-se em 800 mil o número de abortos realizados todos os anos pelo País e que uma a cada cinco mulheres já fez aborto. Frequentemente, esses números são utilizados como argumento em defesa da descriminalização do aborto, enquadran-

do o tema sob os prismas reducionistas expressos nas formulações “questão de saúde pública”, “direito da mulher” e em benefício de milhares de mulheres que morrem em decorrência de procedimentos realizados em clínicas clandestinas. Em tais perspectivas, aqueles que defendem o direito incondicional à vida são frequentemente vendidos como insensíveis e desumanos. Mas o que mais preocupa: esses frames desfocam o tema do aborto de importantes questões de fundo. Não se encontram manchetes de jornais denunciando que 800 mil crianças são todos os anos impedidas de nascer, enfatizando o

direito à vida; fecham-se os olhos para a desproporção numérica entre mães que perdem a vida por uma decisão mal tomada e filhos que são mortos. Pouco ou nada se fala das sequelas morais e psicológicas de milhares de mulheres, que não irão desaparecer pelo simples fato de o aborto que fizeram ser descriminalizado. Por fim, não se enfrenta a questão da afetividade imatura e fragmentada, fruto da “revolução sexual” e que está na origem de tantas gravidezes indesejadas. O resultado final é a propagação da barbárie e selvageria de uma geração de seres humanos incapazes de transformar reações instintivas em atitudes humanas.

opinião

Eleições 2014: qual a essência deste processo? Sergio Ricciuto Conte

José Mário Brasiliense Carneiro Diante de uma situação complexa como das eleições de 2014 é justo buscar a essência do fenômeno que se apresenta à nossa percepção, consciência e razão. Essa era a postura da filósofa Edith Stein, judia convertida ao catolicismo, que se fez monja carmelita como o nome de Teresa Benedita da Cruz e, em 1942, morreu como mártir no campo de concentração de Auschwitz. Em 1925, Stein publicou uma pesquisa sobre o Estado, na qual afirmava que sua essência é a soberania e que esta não decorre do poder do Exército ou da polícia. São as pessoas, comunidades e sociedades que constituem um povo e este confere personalidade soberana ao Estado. Nessa perspectiva da fenomenologia, poderíamos afirmar que a essência dos processos eleitorais é exatamente transferir a soberania de um povo aos governos por meio de mandatos limitados no tempo, espaço e escopo. Poderíamos acrescentar, do ponto de vista do ensino social cristão, que os mandatos deveriam ter como finalidade, necessariamente, o bem comum, a unidade e a liberdade do povo. Nas eleições deste ano, vimos que, muitas vezes, em lugar de apontar para o bem comum, campanhas personalistas com conteúdos superficiais conduziram à fragmentação do eleitorado. Parte disso se explica pela legislação que há anos disciplina o sistema eleitoral e partidário. O

Código Eleitoral Brasileiro é de 1965 e o sistema multipartidário atual nasceu da lei nº 6.767, promulgada em 1975. O espírito que orientou a criação dessas leis é aquele do regime autoritário militar que buscava dividir a oposição, enfraquecer a unidade e calar a voz do povo. Apesar de mudanças operadas nessa legislação, a fragmentação tem sido uma constante nos últimos plei-

tos e expressa-se no número excessivo de partidos e candidatos. Contribui com isso, a má distribuição do tempo dos partidos no discutível horário eleitoral, o financiamento injusto das campanhas e o poder de persuasão do marketing político. Independentemente dos resultados, podemos dizer que a essência do processo eleitoral perdeu-se em meio a um mecanismo

confuso e até desagradável para o eleitor. Parece-nos que chegamos ao limite desse sistema e, por isso, as regras devem ser revistas por uma reforma política orientada pelos princípios da subsidiariedade e da solidariedade. Somos favoráveis ao voto distrital misto, financiamento público, cláusula de barreira e fidelidade partidária. Alguns movimentos propõem uma assembleia constituinte que teria a tarefa de realizar esta reforma, tese com a qual discordamos, pois trata-se de alterar uma legislação infraconstitucional. A Constituição de 1988 traz um bom projeto de Estado Democrático de Direito, que precisa de tempo para realizar-se, assim como um Concilio da Igreja. Religião e política requerem paciência! Cidadãos e cidadãs deverão formarse melhor em política e organizar-se para participar e fortalecer as associações, partidos, poderes legislativos e executivos da Federação. Na Igreja, as leigas e leigos estão sendo convidados pelo Papa Francisco a engajar-se com coragem na vida pública. Como no período autoritário, devemos lutar pelas reformas das estruturas que aquele regime produziu e que ainda minam a democracia. Uma tarefa urgente, pois as eleições de 2016 e 2018 já batem às nossas portas. José Mário Brasiliense Carneiro é advogado, com doutorado em Administração, diretor da Oficina Municipal, uma escola de cidadania e gestão pública vinculada à Fundação Konrad Adenauer, e conselheiro do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP.

espaço do leitor Seleção brasileira 100 dias após o vexame (edição 3024) “Gostei da matéria, pois o

jornalismo tem o dever de relembrar fatos importantes, como esse vexatório placar. Não acho que o Dunga vai ser o salvador

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

da pátria, que vai resolver as coisas na seleção. Nos primeiros jogos, ele pode sair vitorioso, mas o que interessa é o trabalho em

longo prazo e a preparação para as próximas competições internacionais”. Elisângela Silva (pelo Facebook)

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| Encontro com o Pastor | 3 Luciney Martins/O SÃO PAULO

cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

No dia 25 de outubro passado, foi realizada na Catedral de São Paulo a beatificação da Serva de Deus, Madre Assunta Marchetti, cofundadora das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu (Scalabrinianas). Houve intensa participação e alegria de fiéis vindos de várias partes do Brasil e também de diversos outros países, onde as Irmãs Scalabrinianas trabalham. O Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação das Causas dos Santos, presidiu a cerimônia da beatificação em nome do Papa Francisco. Foi um momento muito belo, vivido pela nossa Igreja, em São Paulo, onde a nova Bem-aventurada passou a maior parte de sua vida missionária. O testemunho de vida cristã, missionária e religiosa de Madre Assunta é muito para o nosso tempo e a aprovação da sua beatificação, pelo Papa Francisco, é paradigmática e confirma os rumos apontados pelo seu Pontificado. Ele nos chama a sermos uma Igreja da caridade, uma espécie de “hospital de campo”, atentos às feridas e sofrimentos da humanidade; uma Igreja samaritana, sensível e solidária, que se

Madre Assunta: bem-aventurada! coloca ao serviço de todos. Madre Assunta, no início do século XX, foi “mãe dos órfãos, dos migrantes e dos pobres”, dedicando-se inteiramente a lhes aliviar os sofrimentos e privações a que eram submetidos. Somos convocados a ser uma Igreja missionária, uma “Igreja em saída”, que leva a todos a alegria do Evangelho (Evangelii gaudium) pela palavra e, sobretudo, pelos gestos e atitudes concretas. Madre Assunta deixou a sua Itália e seus parentes, para ser missionária no Brasil, entre os pobres e abandonados. Além disso, seu dinamismo missionário levou muitas outras pessoas a se agregarem a ela, estendendo ainda mais amplamente sua ação missionária. Foi também cofundadora de uma congregação missionária, que continua a viver o seu dinamismo missionário. O Papa Francisco chama toda a Igreja a dar novo valor ao carisma da vida consagrada religiosa, que é um dom de Deus para a Igreja; para isso, será em breve aberto o Ano da Vida Consagrada, que se estenderá até o início de fevereiro de 2016. Madre Assunta viveu com alegria e fecundidade a vida consagrada e ajudou a fundar a Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu (Scalabrianas), dando o testemunho das bem-aventuranças e da caridade de Cristo.

No próximo dia 1º de novembro, a Igreja comemora, com ação de graças e louvor a Deus, todos os santos. A santidade é a vocação de todos os batizados e discípulos de Cristo: “sede santos porque o Senhor, vosso Deus, é santo” (cf Lv 19,2). Só está no céu quem é santo e vive em plena sintonia com Deus. Os santos e bem-aventurados nos deixaram um exemplo de vida que nos estimula e encoraja a fazermos bem a nossa parte também. Graças a Deus, a Igreja tem muitos santos! Eles são os belos frutos da vida da Igreja, os frutos amadurecidos das sementes do Evangelho, que encontraram terreno bom em suas vidas. Beata Assunta, São José de Anchieta, Santa Paulina, Santo Antônio de Sant´Anna Galvão e o Beato Padre Mariano de la Mata estão profundamente ligados à nossa Cidade e à Igreja que está nessa Metrópole. Os santos e bem-aventurados não são figuras míticas nem idealizadas. Foram grandes cristãos, bons católicos, fiéis testemunhas do Evangelho. Foram pessoas reais e históricas, caminharam pelas ruas de São Paulo... Eles testemunharam com clareza e continuam a testemunhar que “Deus habita esta cidade e quer bem ao seu povo”... Eles agora nos encorajam no caminho da vida cristã e intercedem por nós junto de Deus.

Encontro com delegação da Diocese de Trier Na segunda-feira, 27, o Cardeal Odilo Pedro Scherer acolheu a uma comitiva da Diocese de Trier, da Alemanha, que visitou à Arquidiocese de São Paulo. O grupo, formado por um bispo, padres e leigos, participou de missa na Paróquia Pessoal Alemã São Bonifácio, na Vila Mariana, e depois visitou a Catedral da Sé, o Pátio do Colégio e a Casa de Oração do Povo da Rua, na região central da cidade.

Com o Povo da Rua

De acordo com o relato do Padre Julio Renato Lancellotti, vigário episcopal para a Pastoral do Povo da Rua, a comitiva alemã ficou “muito tocada e impressionada” durante a visita à Casa de Oração. De acordo com o Sacerdote, o que mais chamou a atenção dos visitantes foi o fato de o local não ser apenas uma casa de assistência, mas uma casa de convivência, um ambiente onde a Igreja de São Paulo acolhe os moradores de rua.

Pão partilhado

Padre Julio destacou que um dos momentos mais emocionantes da visita foi quando os moradores de rua partilharam, com a comitiva, um pão que eles mesmos haviam preparado. “Somos Igrejas que geograficamente estão longe e, ao mesmo, tempo tão próximas”, afirmou o Vigário, destacando o sentimento de unidade e proximidade que permeou o encontro.

TWEETS DO CARDEAL @DomOdiloScherer 26 - Sb 1, 1-15 “A Sabedoria não entra

numa alma que trama o mal nem mora num corpo sujeito ao pecado”.

26 - Sb 1,1 -15 “Pois os pensamentos

perversos afastam de Deus; e seu poder, posto à prova, confunde os insensatos”.

26 - Sb 1,1 -15 “Amai a justiça, vós

que governais a terra; tende bons sentimentos para com o Senhor e procurai-o com simplicidade de coração”.

22 - “O Senhor é minha luz e salvação; de

quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?”

22 – “Não tenha medo de coisa alguma,

ou de nada. Não tenha medo das fraquezas humanas, nem dos mistérios de Deus” – São João Paulo II


4 | Papa Francisco |

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Não se pode amar a Deus sem amar o próximo O domingo, 26, foi o 30º do Tempo Comum e o Papa Francisco, antes da oração do Ângelus, refletiu com os peregrinos reunidos na praça de São Pedro, sobre o mandamento do amor, dado por Jesus em resposta a alguns fariseus que lhe perguntaram qual seria o maior mandamento. Jesus citou o livro do Deuteronômio: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente”. “Jesus poderia ter parado ali”, disse Francisco. Ele, porém, acrecentou: “O segundo é semelhante: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. E também Jesus não inventou esse mandamento. Tirou-o do livro do Levítico. O que Jesus fez de novo foi unir os dois mandamentos, provando que um e outro são “dois lados da mesma moeda”. “Você não pode amar a Deus sem amar o próximo e não pode amar o próximo sem amar a Deus”, insistiu o Papa. Ele explicou que o cristão testemunha o amor a Deus pelo amor aos irmãos. Tanto que o mandamento do amor a Deus e ao próximo está no centro da lista dos man-

damentos “porque é o coração de onde tudo deve partir e para onde tudo deve retornar e ser referência”. Referindo-se à primeira leitura (Ex 22, 20-26), o Papa diz que a exigência de ser santo incluia o dever de cuidar dos mais fracos, o estrangeiro, o órfão e a viúva. “Jesus cumpre a lei da aliança e une em si mesmo, na sua carne, a divindade e a humanidade, em um único mistério de amor”. À luz da palavra de Jesus, o amor é a medida da fé e a fé é a alma do amor. Não se pode separar a vida religiosa, a vida de piedade, do serviço aos irmãos encontrados concretamente. Não se pode dividir oração e encontro com Deus nos sacramentos, do ouvir o outro, do estar próximo de sua vida, especialmente de suas feridas.O amor é a medida da fé. “Quanto você ama? Que cada um responda. Como está a sua fé? Minha fé é como eu amo. E a fé é a alma do amor.” Segundo o Papa, Jesus em vez de dar mais dois preceitos, dá um rosto, o de Deus, que se reflete em muitas faces, “porque no rosto de cada irmão, especialmente o menor, mais frágil, indefeso e

necessitado, está presente a própria imagem de Deus”. E outra vez o Papa convida a todos a se perguntarem: “quando encontramos um desses irmãos, somos capazes de reconhecer nele o rosto de Deus?” A mensagem se conclui com a afirmação de que Jesus oferece a cada homem um critério fundamental para apoiar a própria vida. E ele deu à humanidade o Espírito Santo, que capacita, como ele, a amar a Deus e ao próximo com o coração livre e generoso. Após o Ângelus, o Papa lembrou a beatificação de Madre Assunta Marchetti, acontecida em São Paulo, no sábado, 25. “Ela era uma freira exemplar no serviço aos órfãos dos imigrantes italianos; ela via Jesus presente nos pobres, órfãos, doentes e migrantes. Agradecemos ao Senhor por essa mulher, um modelo de espírito missionário incansável e de dedicação corajosa no serviço da caridade. Esse é um apelo e, sobretudo, uma confirmação do que dissemos antes, no que diz respeito a buscar a face de Deus na irmã e no irmão necessitado.” (por Padre Cido Pereira)

Na Academia de Ciências: Deus cria por amor O Papa Francisco saudou na manhã da segunda-feira, 27, no Vaticano, os acadêmicos da Pontifícia Academia das Ciências, reunidos para a sua plenária. A presença do Pontífice se deu por ocasião da inauguração de um busto em homenagem a seu predecessor Bento XVI, a quem ele definiu como “um grande Papa”. Sem entrar no mérito do tema em debate, “A evolução do conceito de natureza”, o Pontífice destacou a companhia de Deus e de Cristo na caminhada do ser humano. “Quando lemos no Gênesis, o capítulo da Criação, corremos o risco de imaginar que Deus tenha agido como um mago, com uma varinha mágica capaz de criar todas as coisas. Mas não é assim”, explicou o Papa, acrescentando que Deus é o criador que dá o ser a todas as entidades. O início do mundo não é obra do caos, mas deriva de um princípio supremo que cria por amor, de modo que a teoria do Big-Bang não contradiz a intervenção criadora, mas a exige.

Viagem à Turquia

L’Osservatore Romano

Durante audiência com a delegação da Fundação Lumen, que reúne os cristãos de tradição oriental nos Estados Unidos, liderados pelo metropolita ortodoxo Kàllistos de Diokleia, o Papa Francisco falou sobre sua viagem à Turquia, em novembro. “A visita do Bispo de Roma ao Patriarcado Ecumênico [Istambul], e este novo encontro entre o Patriarca Bartolomeu e a minha pessoa serão sinal da profunda relação que une as sedes de Roma e Constantinopla e do desejo de superar, no amor e na verdade, os obstáculos que ainda nos dividem”, disse o Pontífice.

Movimento de Schoenstatt Mais de 7 mil peregrinos membros do Movimento de Schoenstatt, provenientes de cerca de 50 países, lotaram a Sala Paulo VI, para serem recebidos pelo Papa no sábado, 25. A obra está comemorando 100 anos. O encontro com Francisco começou em forma de diálogo, com perguntas e respostas. Antes de terminar o evento, o Papa revelou que desde que lhe foi presenteada, há alguns anos, uma imagem de Nossa Senhora de Schoenstatt, ele a toca todos os dias. E, concluindo, concedeu a todos a sua bênção apostólica e o envio missionário. (por Fernando Geronazzo)


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| Fé e Vida | 5

Espiritualidade

fé e cidadania

‘Ide, anunciai a Boa-Nova a toda criatura’

Os cuidados paliativos: agora na agenda da Organização Mundial da Saúde

Dom Edmar Peron Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém

O Evangelho segundo Marcos, considerado o mais antigo, apresenta o encontro de Jesus Ressuscitado aos 11 discípulos no contexto de uma refeição. A eles, o Senhor deu esta ordem: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa-Nova a toda criatura” (Mc 16,15). Esse mandato missionário, confiado à Igreja, não perdeu sua validade, continua atualíssimo. Ultimamente, o Papa Francisco, com sua exortação apostólica Evangelii Gaudium (EG), sobre “a Alegria do Evangelho”, conferiu um novo vigor a esse mandato missionário, recebido do Senhor. Recordou a cada pessoa batizada e às suas inúmeras comunidades, a necessidade de um acurado discernimento, a fim de compreenderem o caminho por onde andarão. Contudo, a ninguém é concedido se esquivar de responder ao chamado: “sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” (EG 20). Somos uma Igreja enviada às “periferias”. Quando o Papa fala dessas “periferias”, poderíamos nos lembrar imediatamente dos bairros mais afastados das grandes cidades, e que às pessoas desses lugares, a Igreja é enviada. Sim, a essas pessoas certamente. Mas a proposta tem um horizonte muito mais amplo; as “peri-

ferias” incluem “os pobres, os presos, os doentes e quantos estão tristes e abandonados”, afirmou Francisco, na homilia da missa crismal de 2013. Essas “periferias humanas” são, pois, tanto geográficas como existenciais. Ser uma “Igreja em saída”: A Igreja a partir de sua dimensão missionária é a maneira com que o Papa a entende, em sua exortação apostólica. A essa Igreja “com as portas abertas” (EG 46), ele confia o grande horizonte da evangelização, que haverá de incluir três âmbitos (EG 14): por primeiro, o “da pastoral ordinária, [...] orientada para o crescimento dos crentes, a fim de corresponderem cada vez melhor e com toda a sua vida ao amor de Deus”; depois, o “das pessoas batizadas que, porém, não vivem as exigências do Batismo, não sentem uma pertença cordial à Igreja e já não experimentam a consolação da fé”; e, por fim, o “das pessoas que não conhecem Jesus Cristo ou que sempre o recusaram”. Entre nós, na Arquidiocese de São Paulo, foi-nos dado, no último sábado, outro exemplo de “Igreja em saída”, preocupada com as “periferias humanas”: Madre Assunta Marchetti foi beatificada. Deixou a Itália e veio ao Brasil, onde se consagrou ao serviço dos migrantes e dos órfãos. Outros santos: São José de Anchieta, o jovem de 19 anos, que em 1553 chegou ao Brasil e tornou-se um missionário incansável, o “Apóstolo do Brasil”; Santa Paulina, a ação do Espírito se manifesta de modo especial também na vida e missão de Madre Paulina, inspirando-a a constituir, juntamente com um grupo de jovens amigas, uma casa de acolhi-

da, pouco depois batizada pelo povo de “Hospitalzinho São Virgílio”, destinada à atenção material e espiritual de doentes e desamparados. Esse “estar para os outros” constituiu-se como o pano de fundo de toda sua vida. Os pobres e os doentes foram os dois ideais da vida ascética da Madre Paulina, que, no seu serviço, encontrava o incentivo para crescer no amor de Deus e na prática das virtudes; Santo Antonio de Sant’Anna Galvão, morto em 1822, Frei Galvão, “homem de paz e de caridade”; Beato Mariano de la Mata Aparício, morto em 1983, o Padre Mariano, que foi beatificado já e buscou a santidade nas pequenas coisas, no seu trabalho pastoral, na vida em comunidade; atendeu com paciência às crianças, levou conforto aos mendigos e aos doentes, além de ser um bom professor; e o venerável Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida. Para concluir, gostaria de acrescentar dois aspectos. Primeiro: “Todos têm o direito de receber o Evangelho. Os cristãos têm o dever de anunciálo, sem excluir ninguém, e não como quem impõe uma nova obrigação, mas como quem partilha uma alegria, indica um horizonte estupendo, oferece um banquete apetecível. A Igreja não cresce por proselitismo, mas “por atração” (EG 14). Segundo: “A alegria do Evangelho é uma alegria missionária. Experimentam-na os 72 discípulos, que voltam da missão cheios de alegria. Vive-a Jesus, que exulta de alegria no Espírito Santo e louva o Pai, porque a sua revelação chega aos pobres e aos pequeninos. [...] Esta alegria é um sinal de que o Evangelho foi anunciado e está dando frutos” (EG 21).

eSPAÇO ABERTO

1 ano de atividades da Cátedra João Paulo II Padre Valeriano dos Santos Costa No dia 22 de outubro, a Cátedra João Paulo para a Nova Evangelização completou um ano de atividades e foi celebrada em um evento no campus Ipiranga, do qual participaram a magnífica reitora da PUC-SP, a Dra. Anna Maria Marques Cintra, os alunos e os professores. A Cátedra João Paulo II tem sua sede na Faculdade de Teologia, campus Ipiranga. Constitui-se como instância de estudos avançados da PUC-SP, vinculada à Faculdade de Teologia e referida à reitoria, de caráter investigatório e propositivo, com transversalidade institucional, coordenadoria própria e autonomia metodológica, cujo objetivo é aprofundar o significado teológico-pastoral e ético-cultural da nova evangelização, sua urgência e alcance no contexto atual. As atividades deste primeiro ano consistiram basicamente em duas pesquisas avançadas que representam

uma contribuição pertinente para nova evangelização: uma delas organizada pelo professor Matthias Grenzer, sobre a Palavra de Deus e os casais em tempos de nova evangelização; a outra, do professor Doutor Padre Valeriano dos Santos Costa, sobre o contexto da “modernidade líquida”, segundo o sociólogo Zigmunt Bauman, como desafio para a nova evangelização proposta pela Igreja. Trata-se de uma segunda fase da modernidade, caracterizada por uma “modernização” compulsiva e obsessiva, capaz de impulsionar e intensificar a si mesma, em consequência do que, como ocorre com os líquidos, nenhuma das formas consecutivas de vida social é capaz de manter seu aspecto por muito tempo. Essa pesquisa já se encontra em avaliação numa revista internacional. O evento do primeiro aniversário da Cátedra João Paulo II para a Nova Evangelização contou com a animação do Coral del Chiaro, dirigido pelo maestro

Danilo Ferreira, que cantou cinco músicas sacras, entremeadas com a participação dos alunos Rodrigo Molina Lovatel e Adriano Pereira da Silva, os quais recitaram textos de Karol Wojtyla, representando o drama e as utopias do ser humano em sua busca de Deus, e a apresentação das pesquisas do professor Matthias e do Padre Valeriano. A última palavra foi da reitora Anna Maria Marques Cintra, que falou sobre a importância das pesquisas que a Cátedra vem desenvolvendo e a contribuição que significam para toda a PUC-SP, além de uma contribuição acadêmica para a nova evangelização. Depois das palavras da Reitora, um clima de alegria tomou conta de todos, que aplaudiram de pé a execução do aleluia de Händel pelo Coral. Foi um momento de júbilo e de celebração, que apontou para um futuro promissor, o qual, segundo a Reitora, tende a ser longo e frutuoso. Padre Valeriano dos Santos Costa é diretor da Faculdade de Teologia da PUC-SP

Leo Pessini

SUPERIOR GERAL DOS CAMILIANOS

A Organizacão Mundial da Saúde (OMS) estima que anualmente no mundo em torno de 40 milhoes de pessoas necessitam de serviços de cuidados paliativos no final de suas vidas. Desse total, 67% são idosos, com mais de 60 anos, e em torno de 80% vivem em países pobres, além de 6% serem crianças. Essas estatísticas não levam em conta aqueles que necessitam de cuidados paliativos ao longo do curso da vida, como, por exemplo, os portadores de doenças crônico-degenerativas. A inexistência de cuidados paliativos e de medicação para alívio da dor, causam um quadro desolador, estamos diante de um tratamento cruel, degradante e desumano. O que a OMS entende por cuidados paliativos: “trata-se de uma abordagem que aprimora a qualidade de vida dos pacientes e suas famílias que enfrentam problemas relacionados com doenças ameaçadoras de vida, através da prevenção e alívio do sofrimento, com identificaçao precoce, rigorosa avaliaçao, tratamento da dor e outros problemas físicos, psicossociais e espirituais” (2002). Um paciente em cuidados paliativos, pode receber cuidados à domicílio, no hospital, num centro de hospício, ou numa instituiçao de longa permanência. Hoje, um terço das pessoas que necessitam de cuidados paliativos sofrem de câncer. Outras têm doenças progressivas que afetam o coração, pulmão, fígado, rim, cérebro, doenças ameaçadoras de vida, incluindo o HIV/Aids e a tuberculose. Em 2011, 3 milhões de pacientes no final de suas vidas recebiam cuidados paliativos, na sua grande maioria, residiam em países desenvolvidos. Somente em 20 países no mundo, os cuidados paliativos estão integrados nos sistemas de saúde. Urge ampliar esse serviço para os países mais carentes de recursos. Hoje, apenas 10% das necessidades em cuidados paliativos são atendidas e isso crescerá ainda mais no futuro com o envelhecimento populacional em curso. A partir dessa realidade, a OMS aprovou recentemente (maio de 2014) uma histórica resolução intilulada de “Fortalecendo os cuidados paliativos como um componente integrante do tratamento contínuo ao longo da vida”. Essa resolução encoraja os países membros a integrar os cuidados paliativos nos sistemas de saúde, formação de profissionais da saúde especializados e a proposta de assegurar qual a medicação necessária, incluindo aquelas que aliviam a dor. E, ainda, aumentar sua assistência técnica para os países membros desenvolverem e implantarem os cuidados paliativos. Esses cuidados paliativos, hoje, começam a ser tratados como um “direito humano”. Há que se reiterar que trata-se de um grande avanço histórico o reconhecimento dos cuidados paliativos como sendo parte integrante do “direito à saude”, pelas Naçoes Unidas, bem como reconhecidos pela OMS pela já citada resolução. Acena-se também para progressos maiores. A comunidade internacional de cuidados paliativos, reunida em Montreal, no Canadá, recentemente, faz um apelo às Naçoes Unidas de incluir a pràtica dos cuidados palitivos no novo plano mundial prestes a ser assumido por todos os Estados-membros, denominado “Objetivos do Desenvolvimento Sustentável 2015-2030”, no item especifico, “objetivos do desenvolvimento sustentavel para a saude”, que substitui os Objetivos do Milênio.


6 | Fé e Vida |

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você pergunta

novos santos e beatos

Assunta Marchetti

É pecado ler e guardar em casa um livro de outra religião? Padre Cido Pereira

Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação

Quem pergunta é a Maria (que não disse seu sobrenome), da Freguesia do Ó. Maria, não! Não é pecado ler, nem ter consigo um livro de outra religião. Mas, eu penso ser uma falta de carinho com sua própria religião se você alimenta seu coração com tanta literatura que existe por aí e não estuda, não lê e não aprofunda a sua fé. Eu acho que sou até repetitivo demais por insistir que a gente é aquilo que a gente come. E isso vale tanto para o alimento material como para o alimento intelectual e espiritual. Se você só se alimenta de livros e textos de outra religião, como você vai poder viver a sua? A fé que você abraçou vai se enfraquecer, vai morrer. Pense nisso. É uma pena que nós católicos colecionemos textos que, sem nenhum fundamento, criticam a nossa fé ou apontem o que outras religiões ensinam. Se temos que dar testemunho de nossa fé, devemos ter como livros de cabeceira da gente aqueles que nos instruem. Uma boa tradução da Bíblia, o Catecismo da Igreja Católica, livros que nos fazem crescer no conhecimento e na vivência de nossa fé, não podem faltar em nossa vida. Se estamos firmes em nossa fé, podemos até conhecer o que ensinam outras religiões. Mas, primeiro, aprofundemos a nossa.

LITURGIA E VIDA TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS 2 DE NOVEMBRO DE 2014

Viver na Esperança ANA FLORA ANDERSON

Esta linda liturgia da Festa dos Finados sublinha que o amor de Deus é fonte de vida e da esperança da vida eterna. A antífona canta que Deus nos ressuscitará como ressuscitou a Jesus. A oração pede que nossa fé em Jesus Ressuscitado aumente a esperança na nossa própria ressurreição. A primeira leitura (Jó 19, 1.23-27) transcreve a fé e a confiança do sábio Jó. Ele afirma que, depois da sua morte, verá a Deus com seus próprios olhos. O nosso Redentor é eterno e nos receberá na eternidade. Na segunda leitura (Romanos 5, 5-11), São Paulo afirma que não podemos nos decepcionar, pois o amor de Deus já está em nós pela presença do Espírito Santo. O Filho de Deus morreu para salvar a todos os seres humanos. Nele, recebemos a reconciliação e seremos salvos por sua vida. No Evangelho de São João (6, 37-40), Jesus anuncia à multidão que Ele não afastará a quem o Pai lhe confiou. Ele afirma que não perderá nenhum dos fiéis que o Pai lhe entregou e promete ressuscitá-los no último dia. É a vontade do Pai que quem crê em Jesus tenha a vida eterna. Deus é Amor e seu amor é eterno. É deste amor que nasce a vida eterna.

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1º DE JULHO

Beatificada em 25 de outubro deste ano, em cerimônia na Catedral da Sé, em São Paulo (leia mais nas páginas 12 e 13), Madre Assunta Marchetti nasceu em Lombrici di Camaiore, em Lucca, na Itália, em 15 de agosto de 1871. Chegou como missionária ao Brasil, aos 24 anos, e nunca mais voltou à sua terra natal. Morreu entre as órfãs, como sempre havia desejado, no dia 1º de julho de 1948, no bairro da Vila Prudente, em São Paulo, e essa é a data de sua memória litúrgica. Madre Assunta é a cofundadora da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo - Scalabrinianas. Ela amou intensamente o próximo, especialmente as coirmãs de vocação, dedicando-se com ternura aos órfãos, pobres, doentes e migrantes em diversas cidades de São Paulo e do Rio Grande do Sul. Pela intercessão de Madre Assunta Marchetti, em 1994, na cidade de Porto Alegre, atribui-se a cura milagrosa de um senhor que havia sofrido um ataque cardíaco. Aconteceu que socorrido imediatamente e internado no hospital, ele recebeu alta após um tratamento, mas, passados alguns dias, o fenômeno repetiu-se com maior gravidade e foi necessária uma intervenção cardiológica, durante a qual aconteceu uma parada cardíaca, que durou por mais de 15 minutos. Porém, hou-

Reprodução

ve um fato peculiar: uma irmã da Congregação da Venerável Serva de Deus, sabendo da difícil situação do paciente, dirigiu invocação à Madre Assunta, pedindo que intercedesse para a cura do paciente. Uniram-se a ela em oração as demais coirmãs scalabrinianas da comunidade do Hospital Mãe de Deus, de Porto Alegre, e alguns familiares do enfermo. O doente foi transferido para a UTI e teve excelente recuperação das funções do coração,

em um tempo muito breve, e não apresentou nenhuma sequela decorrente da grave doença sofrida. O processo de beatificação de Madre Assunta foi iniciado em 1987, na Arquidiocese de São Paulo. Em 2012, a Congregação para as Causas dos Santos aprovou o milagre a ela atribuído, e em 17 de dezembro do ano passado foi anunciada a data da cerimônia de beatificação, ocorrida no último sábado. Fonte: www.madreassunta.com

0 5 Papa Paulo VI visita a há

anos

restaurada abadia de Montecassino A visita do Papa Paulo VI à abadia de Montecassino, em Nápoles, na Itália, restaurada após ter sido bombardeada em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, foi manchete de capa na edição do O SÃO PAULO de 1º de novembro de 1964. Durante a visita, o Papa destacou que “aqui a paz nos parece tão verdadeira como viva, aqui nos parece ativa e fecunda. Estes muros falam da paz que os ergueu. Assim como nos parece ainda incrível que a guerra tenha tido para com esta abadia, monumento incomparável

de religião, de cultura e de civilização, um dos gestos mais ferozes e mais cegos de furor, parece-nos quase incrível ver hoje ressurgir o majestoso edifício como se este quisesse dar-nos a ilusão de que nada se passou, que sua destruição foi um sonho e que podemos esquecer a tragédia que o converteu em um amontoado de ruínas”. O Pontífice enalteceu a população e as autoridades locais pela reconstrução da abadia e fez um apelo: “Celebremos a paz. Queremos, quase simbolicamente, marcar aqui o epílogo da

Capa da edição de 1º de Novembro de 1964

guerra. Queremos converter as espadas em relhas de arado e as lanças em foices”. Na oportunidade, Paulo VI exaltou a vida monástica: “A Igreja necessita ainda hoje desta forma de vida religiosa”.


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| Geral | 7

A memória dos defuntos em São Paulo Luciney Martins/O SÃO PAULO

Santuário das Almas (rua Guaporé, 429, Armênia) Missas de hora em hora, a partir das 6h, sendo a última às 19h30. Confissões e bênçãos individuais durante todo o dia.

Com a celebração de finados, a Igreja afirma com fé o mistério Pascal, na certeza de que todos, pelo Batismo, ressucitarão

Paróquias da Arquidiocese organizarão celebrações em diferentes horários no próximo domingo, dia 2

Redação

osaopaulo@uol.com.br

No domingo, 2, a Igreja celebra a “Comemoração de todos os fiéis defuntos”. Segundo o Missal Romano, “a Igreja, desde os primeiros tempos, vem cultivando com grande piedade a memória dos defuntos e oferecendo por eles seus sufrágios”. Ainda pode-se ler no Missal Romano que “nos ritos fúnebres,

a Igreja celebra com fé o mistério pascal, na certeza de que todos que se tornaram pelo Batismo membros do Cristo crucificado, através da morte, passam com ele à vida sem fim”. Nessa data, além das missas nas diversas paróquias da Arquidiocese de São Paulo, haverá missas nos cemitérios da capital (veja ao lado lista de horários nos cemitérios e no Santuário das Almas, na zona norte).

Cemitério Gethsêmani Anhanguera (rodovia Anhanguera, Km 23,4, Vila Sulina) 8h, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer 10h, presidida pelo Padre José Osmar. 16h, presidida pelo Padre Juarez de Castro. Cemitério da Lapa (rua Bergson, 347, Alto da Lapa) 8h e 17h, missa presidida por Dom Julio Endi Akamine. Haverá ainda missa às 10h, 12h e 15h. Cemitério São Pedro de Vila Alpina (Rua Francisco Falconi, 437, Vila Alpina). 8h, 10h, 12h e 15h.

Cemitério de Vila Formosa (avenida João XXIII, 2.537, Vila Formosa). 6h, 8h, 10h, 12h, 14h e 16h. Cemitério da IV Parada 8h e 15h, na capela antiga (entrada pela rua Tobias Barreto) 11h, na capela nova (entrada pela avenida Salim Farah Maluf), presidida por Dom Odilo Pedro Scherer. Cemitério da Consolação (rua da Consolação, 1.660, Consolação) 8h, 10h, 12h, 14h e 16h Cemitério da Vila Nova Cachoeirinha (avenida João Marcelino Branco, s/nº, Vila dos Andrades) - 8h, 10h e 16h Cemitério Dom Bosco de Perus (Estrada do Pinheirinho, 860, Perus) 10h, missa presidida por Dom Angélico Sândalo Bernardino.

Em Itaici, encontro prepara a Campanha da Fraternidade 2015 Arquivo pessoal

Representantes do Regional Sul 1 da CNBB participam, dos dias 24 a 26, de encontro preparatório da CF 2015

Aconteceu na Vila Kostka, em Itaici, bairro de Indaiatuba (SP), nos dias 24 a 26, o Encontro Estadual da Campanha da Fraternidade. O evento, realizado todos os anos, é uma preparação para a CF. Nessa ocasião, foi discutida a Campanha de 2015 cujo tema escolhido Fraternidade: Igreja e Sociedade” e o lema “Eu vim para servir” (Mc 10,45). Estiveram no encontro Dom Fernando Legal, bispo emérito de São Miguel Paulista e responsável pela Campanha da Fraternidade no Regional Sul 1 da CNBB, Padre Antônio Frizzo, coordenador estadual, e Toninho Evangelista, secretário da CF. Representantes de quase todas as dioceses do Estado também se fizeram presentes, totalizando 161 pessoas. A

Arquidiocese de São Paulo estava representada por 14 agentes de pastoral envolvidos com a Campanha da Fraternidade e que agora têm a missão de animar as várias regiões da Arquidiocese para que a Campanha continue sendo um momento forte de evangelização no tempo quaresmal e expressão eloquente da Pastoral de Conjunto de toda a Igreja no Brasil. A Campanha do próximo ano quer lembrar os 50 anos do Concílio Vaticano II, de modo particular a constituição dogmática Gaudium et Spes sobre a Igreja no mundo de hoje. Tem como objetivo geral: “Aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro,

para a edificação do Reino de Deus”. O Texto Base se divide em quatro partes. A primeira parte faz um breve histórico das relações da Igreja com a sociedade no Brasil, apresenta a sociedade brasileira atual e seus desafios, fala da índole do serviço que a Igreja deve prestar à sociedade e, por fim, são analisadas as convergências e divergências do binômio: Igreja e Sociedade. A segunda parte corresponde “ao julgar” da metodologia Ver, Julgar e Agir, e propõe o estudo da relação Igreja e Sociedade à luz da Palavra de Deus, do Magistério da Igreja e da Doutrina Social. Por sua vez, a terceira parte introduz o serviço, diálogo e cooperação que a Igreja deve prestar à Sociedade, conduzida por critérios precisos: respeito à dignidade humana,

promoção do bem comum e justiça social e, concluindo essa parte, o texto sugere como a Campanha da Fraternidade deve ser vivenciada. Por fim, a quarta parte foca a CF em si mesma e, entre outros assuntos, são lembrados seus objetivos permanentes, sua história, os temas dos 52 anos de campanha, a importância do gesto concreto e os

fundos de solidariedade. Nas palavras de Dom Fernando Legal, a Campanha da Fraternidade deste ano deveria se chamar Campanha da Esperança, porque, para além dos desafios que a Igreja tem pela frente, é uma oportunidade de valorizar a presença positiva da Igreja na Sociedade. Colaborou Padre Manuel da Conceição Quinta


8 | Igreja em Missão |

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Destaques das Agências Nacionais

Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

‘Interesses econômicos têm impedido a demarcação das terras indígenas’, afirma CNBB Na quinta-feira, 23, a CNBB publicou uma nota em que se manifestou em relação aos direitos dos povos indígenas, após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) de anular os efeitos das portarias do Ministério da Justiça que reconheciam territórios ocupados por povos indígenas no Maranhão e no Mato Grosso do Sul. Aprovada pelo Conselho Permanente da Conferência, reunido em Brasília, de 21 a 23, a nota afirmou que “lamenta, igualmente, a anulação, pela mesma 2ª Turma do STF, da Portaria 3.508/2009 que declara a Terra Indígena Porquinhos, no Maranhão, como de posse permanente do grupo indígena Canela-Apãniekra”.

Para a CNBB, “a garantia dos territórios aos povos indígenas é um direito conquistado e consignado na Constituição Federal. Infelizmente, interesses econômicos têm impedido a demarcação das terras indígenas, que é a concretização do direito constitucional. Questionar as demarcações no poder judiciário tem sido uma estratégia utilizada com vistas a retardar ou paralisar as ações. Enquanto aguardam a demarcação de suas terras, várias comunidades indígenas ficam acampadas à beira de rodovias ou nas poucas áreas de mata nos fundos de propriedades rurais, sem direito à saúde, à educação, à água potável, sofrendo ações violentas”.

Segundo a nota, a entidade espera que não haja retrocesso na conquista dos direitos indígenas, e concluiu pedindo a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, para ter forças e continuar lutando pelo direito dos povos indígenas.

O povo Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul No Estado do Mato Grosso do Sul está a segunda maior população indígena do País, com os piores índices de terras demarcadas e com os maiores índices de violações de direitos humanos. Os índigenas reivindicam 1% do território do Estado, sendo que população total indígena chega a 50.068 indivídu-

os. Segundo o censo do IBGE de 2010. Por esse motivo, o povo indígena Guarani-Kaiowá, por meio do seu Conselho Aty Guassu e dos seus advogados, elaborou um memorial, entregue aos ministros do STF, em Brasília, em que pedem a revisão da posse da terra de Guyraroká e o fim da violência contra a polulação. Além disso, relatam que tem crescido o número de suicídios do povo indígena, principalmente entre os jovens e que, nos últimos anos, várias lideranças indígenas morreram por conta da luta pela terra e, nesses casos, sempre há empresas de segurança privada ou serviços de pistolagem envolvidos. Fonte: CNBB/Adital

Anistia Internacional apoia comunidade quilombola no Maranhão Na cidade de Matinha, no Maranhão, tem se agravado a situação de ameaça à comunidade quilombola de São José de Bruno. Cerca de 20 famílias estão sendo intimidadas por um fazendeiro local que colocou um homem armado na região para pressioná-las a deixarem as terras. O litígio começou há três meses, quando um fazendeiro invadiu parte do território da comunidade,

desmatou, cercou a área e soltou seu gado ali, impedindo que algumas das famílias mantivessem seus cultivos. Diversas tentativas de protesto contra as ações ilegais do fazendeiro foram feitas, mas ele reagiu usando a força para pressionar os moradores com ameaças de morte. Oficialmente reconhecida como território quilombola em setembro de 2013, São José do Bruno possui

uma área de 380 hectares e, mesmo após sucessivas denúncias às autoridades, não houve retorno e o homem armado continua na área. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais também entrou com uma petição requerendo que o Estado tomasse providências para proteger as terras da comunidade contra invasões, sem resposta. Tendo ouvido e presenciado

relatos de medo dos moradores, a Anistia Internacional começou uma campanha de apoio no seu site (www.anistia.org.br) e pede aos internautas que enviem cartas às autoridades locais para pedir a proteção dos membros da comunidade quilombola de São José de Bruno e a expulsão do homem armado da propriedade. Fonte: anistia.org.br

Movimentos Populares brasileiros participam de encontro com Papa L’Osservatore Romano

Papa Francisco posa para foto com representantes de movimentos populares de todo o mundo

Entre segunda-feira, 27, e quarta-feira, 29, acontece no Vaticano o “Encontro Mundial do Movimento Popular com o Papa Francisco”. O evento é realizado pelos movimentos representativos de todo o mundo com o Pontifício Conselho Justiça e Paz e a Academia Pontifícia de Ciências Sociais. João Pedro Stédile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), é um dos brasileiros que representa o Brasil em Roma. “Como MST e Via Campesina, somamos a esse esforço, porque consideramos uma oportunidade histórica de convergir os esforços dos movimentos populares em diálogo com o

Vaticano e o Papa”, afirmou. Destinado às organizações e movimentos dos excluídos, espera-se a participação de cerca de 100 delegados e os objetivos centrais são os de: compartilhar o pensamento social de Francisco, em especial da exortação apostólica a Evangelii Gaudium e debatêlo a partir da perspectiva dos movimentos populares; elaborar uma síntese da visão dos movimentos populares em torno das causas da crescente desigualdade social e criar uma espécie de “rede” global de coordenação das organizações populares, com o apoio e a colaboração da Igreja. Fonte: Rádio Vaticana/Adital

Começa dia 6, Seminário Nacional de Iniciação à Vida Cristã Com o lema: “Quanto a nós, não podemos deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos” (Atos 4,20), a Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB prepara o “Seminário Nacional de Iniciação à Vida

Cristã”, que ocorrerá de 6 a 9 de novembro, em São Caetano do Sul (SP). As equipes de animação bíblico-catequética dos 18 regionais da CNBB, a equipe executiva da Catequese Junto às Pessoas com Deficiência e o Grupo de Reflexão Bíblico-

Catequética (Grebicat) são o público alvo do evento, que está previsto no 21º Plano Quadrienal (2012 – 2015) das lideranças de Catequese ligadas à Comissão. Fonte: CNBB


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Destaques das Agências Internacionais

| Igreja em Missão | 9 Felipe David

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ÁFRICA/zâmbia

Aos 50 anos de independência, Igreja é essencial ao país “A Igreja Católica é parte integrante da sociedade da Zâmbia, compartilhando as alegrias e sofrimentos da nação. Por isso, é considerada com grande respeito, e sua influência aumentou, graças às suas orientações e à sua voz profética”, escreveu, à agência Fides, o Padre Bernard Makadani Zulu, diretor das Pontifícias Obras Missionárias da Zâmbia, por ocasião dos 50 anos de independência da nação. Além de sua evidente contribuição espiritual, a Igreja se faz presente também para ajudar com o bem-estar material da popula-

ção. Na saúde, ela possui 17 hospitais, 38 postos de saúde rurais e diversos programas comunitários, fornecendo 40% da assistência médica do País e atendendo mais de 200 mil portadores do vírus da AIDS e mais de 100 mil crianças que ficaram órfãs por causa do vírus. Além da saúde, a Igreja também é fundamental no campo da educação e para o desenvolvimento econômico. Devido à quantidade de vocações, a Zâmbia tornou-se autossuficiente com relação ao número de sacerdotes, chegando mesmo a enviar missionários para

Arquivo pessoal

Saint Francis Hospital, no distrito de Katete, um dos hospitais administrados pela Igreja na Zâmbia

outros países africanos e até para a Europa e América. Alguns dos desafios enfren-

tados pela Igreja na Zâmbia são a difusão da feitiçaria e do satanismo – crenças res-

ponsáveis por muitas mortes – e o alcoolismo. Fonte: Fides

COLÔMBIA

Mil pessoas participam do IV Congresso da Fundação Ratzinger Mil participantes – na maioria colombianos, mas muitos também de outros países – se encontraram para o IV Congresso promovido pela Fundação Vaticana Joseph Ratzinger – Bento XVI, cujo tema central foi “Respeito pela Vida, um caminho para a paz”. O even-

to foi organizado pela Pontifícia Universidade Bolivariana de Medellin. O Papa Francisco enviou uma mensagem saudando os participantes e desejando que “à luz do Magistério da Igreja, reflitam sobre a relação inseparável que une a paz ao

respeito pela vida humana, de modo que o desejo de paz, compartilhado por todos os homens de boa vontade, seja cada dia mais enraizado nos seus corações”. O Papa Emérito Bento XVI enviou mensagem ao Congresso, cujo tema ele considera de grandíssima

atualidade: “Na verdade, o compromisso com a paz - tão crucial em um mundo dilacerado pela violência começa com o respeito incondicional pela vida humana, criada à imagem de Deus e, portanto, com uma dignidade absoluta”. Fonte: Zenit

ESPANHA

Em petição eletrônica, 200 mil pedem proteção aos cristãos perseguidos A fundação espanhola CitizenGo e a fundação internacional Novae Terrae promovem uma petição, que possui mais de 200 mil assinaturas, pela proteção aos cristãos e diversas minorias religiosas que sofrem perseguição pelo mundo. O documento chama a atenção para o fato de que, segundo a Sociedade Internacional pelos Direitos Humanos, 80% dos atos de discriminação re-

ligiosa são direcionados contra cristãos. Já o Centro de Estudos da Cristandade Mundial, nos Estados Unidos, estima que 100 mil cristãos morrem a cada ano por causa de sua religião e diversas minorias religiosas também sofrem devido à violência e à perseguição em diversos países. Em locais como Iraque, Síria, Nigéria, Camarões, Sudão, Paquistão, Somália e Egito, milhões de

pessoas vivem na insegurança: muitos são expulsos de suas casas, presos por blasfêmia ou assassinados, enquanto meninas são sequestradas e Igrejas são incendiadas. As duas fundações solicitam o comprometimento dos líderes dos países ocidentais em proteger essas pessoas e sua liberdade de religião e de culto. Fontes: CNA/ Fides

Roma

Papa Bento XVI: ‘renunciar à verdade é letal para a fé’ Em discurso lido por seu secretário na Pontifícia Universidade Urbaniana, o Papa Emérito ressaltou que a missão da Igreja é ensinar a verdade de Cristo, embora se possa ter a tendência de renunciar à ver-

dade em nome da “paz” ou de certo realismo: “muitos pensam hoje que as religiões devem se respeitar e, em seu diálogo, tornar-se uma força comum pela paz”. No entanto, o Papa Emérito chama a atenção para o fato

de que “segundo essa forma de pensar, pressupõe-se que as diferentes religiões são variações de uma única realidade”. Assim, “entende-se que a verdade autêntica sobre Deus é, em última análise, inalcançavel”. Ben-

to XVI afirmou que essa tendência pode parecer útil e realista para se chegar à paz entre as religiões, mas seria letal à fé, que perderia sua seriedade e poder. Fonte: LifeSiteNews


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A tecnologia e a escravidão do consumo Pedro Paulo de Magalhães Oliveira Jr. Eu trabalho com tecnologia e quero que as pessoas comprem os produtos da minha empresa, mas não quero que as pessoas comprem produtos, mesmo da minha empresa, se não precisam deles. O surgimento de novas tecnologias impulsiona o consumo, que impulsiona o surgimento de novas tecnologias. No entanto, no meio desse processo, existem seres humanos que sentem a atração de ter coisas, e cada vez mais coisas. Sugiro ao leitor que faça o seguinte exercício: abra suas gavetas e armários, observe todas as coisas tecnológicas que você comprou e que estão sem uso. Vale desde aquela capinha do Mickey Mouse para seu iPhone, até a balança digital wireless que você adquiriu na esperança de que ela faça você perder peso. Separe as que você não usou ou utilizou muito pouco nos últimos meses. Para cada uma dessas peças, tente anotar numa folha de papel onde você comprou, quanto pagou e por que comprou? Agora, você, no futuro, julgue a sua própria compra do passado e veja se foi algo oportuno ou inoportuno. Se foi um dinheiro bem empregado ou não. Pensar nas nossas próprias compras tecnológicas pode nos levar a tomar decisões mais acertadas no futuro. Pode nos ajudar a comprar melhor e mais barato e a fazer uso da tecnologia sem nos deixar escravizar pelo consumismo tecnológico. Depois de um tempo agindo assim, com essa prudência de consumo tecnológico, suas finanças agradecerão e as pessoas ou instituições que se beneficiarem dos recursos extras de que irá dispor, também.

Direito do Consumidor

Pedro Paulo de Magalhães Oliveira Jr. é engenheiro pela PUC-Rio e Doutor em Medicina pela USP. Atualmente ocupa o cargo de Diretor de Operações da Netfilter.

Há garantia de troca em produtos de mostruário? De acordo com o artigo 24 do Código de Defesa do Consumidor (CDC), todo e qualquer produto exposto à venda tem garantia legal de prazo mínimo de 30 dias, para bens não duráveis, e de 90 dias, para bens duráveis, contados a partir da data da compra. Sendo assim, os produtos de mostruário devem ser trocados pela loja durante o prazo estipulado pela mesma, independentemente de ser ou não de mostruário. Caso o produto apresente vício após o prazo de troca (da loja), o consumidor deverá procurar a assistência técnica para sanar o vício (Art.18, §1° CDC). É imprescindível que o fornecedor descreva detalhadamente os supostos vícios que o produto apresenta, uma vez que o direito pré-estabelecido ao consumidor o faz por meio da informação certa e clara (Art.6°, III CDC). Ronald Quene é bacharel em Direito

Comportamento

Tecnologia

10 | Viver Bem |

Em busca da verdade Tempo de propaganda eleitoral, de eleição. Assistindo aos programas e aos debates, devemos nos questionar seriamente: em que consiste a verdade? Que papel essa virtude fundamental tem tido em nossas vidas e na sociedade em que vivemos? Quais os danos que são causados pela falta dessa virtude, ou seja, pela mentira e enganação? Não é possível nos “acostumarmos” a viver na mentira e na enganação e tomarmos como natural o fato de sermos constantemente ludibriados pelos políticos, pelas pesquisas, pelos dados apresentados... Não, esse não é o melhor, não é o “normal”, o próprio do ser humano! Nós, homens, somos constituídos com capacidade para a verdade. Sentimos em nosso coração e buscamos com nossa mente a possibilidade de nos relacionarmos com os demais com vínculo de confiança e, para isso, faz-se fundamental a sinceridade. O homem lúcido, sensato, que construiu de modo saudável sua consciência moral, sente-se mal quando não diz a verdade, pois sabe que mentir fere as relações, abala a confiança e fragiliza o vínculo. Sabe que os outros depositam nele uma grande confiança e, mentindo, sofre como que um “abalo interior”. O problema, porém, é que esse sentimento desconfortável gerado no homem pela mentira, vai diminuindo conforme se cria o hábito de mentir. A mentira vai facetando a personalidade do homem e produzindo diversas “caras”, diversas máscaras. Mentindo, ele age como se estivesse “colocando em circulação uma moeda falsa” (conforme afirmou Paulo Ramalho, em palestra proferida este ano no Centro Cultural Estela) e, que pânico seria causado se, por um momento, tomássemos consciência das muitas e muitas mentiras - moedas falsas - que estão sendo colocadas em circulação! As consequências da mentira são enormes e trazem um grande ônus para a sociedade: Cria um “estado de desconfiança”, em que todos são tomados como mentirosos até que provem o contrário. O saudável e esperado seria exatamente o oposto, deveríamos confiar plenamente nos outros até que percebêssemos sinal de falta de sinceridade! (Como é desagradável quando ao entrarmos numa loja, precisamos ter uma sacola lacrada, como se todos fôssemos ladrões! Crise absoluta de confiabilidade); Influencia-se

a opinião pública com dados ou fatos mentirosos que, de tão repetidos, são tomados como verdade por muitos; Naturaliza-se o mentir. Hoje ouvimos com frequência: todos mentem! É assim mesmo! “A decadência da verdade é a principal causa da decadência de qualquer sociedade”, afirma Paulo Ramalho (na já referida palestra). É urgente resgatarmos a virtude da veracidade. Não podemos nos acostumar com esse ambiente de desconfiança e descrédito gerado pela mentira A veracidade e a sinceridade são virtudes que fortalecem a personalidade do homem, promovem um ambiente mais saudável de relacionamento, aumentam a liberdade! Quantos bens são produzidos quando um homem honra e se responsabiliza pelo que diz. Que alegria é gerada num ambiente onde reina a possibilidade de confiar que o outro vai cumprir com o compromisso assumido comigo, ou ao menos,

Sergio Ricciuto Conte

vai se empenhar ao máximo para isso! Não podemos priorizar os benefícios próprios e imediatos que a mentira pode nos trazer, afinal, a médio e longo prazo, o próprio “mentiroso” será vítima da sua falta de sinceridade, pois o mal social é imenso. Vamos colocar em prática a virtude da sinceridade em nosso dia a dia, não mentindo para nossos filhos, para a esposa ou marido, no trabalho, para um amigo... Nem pequenas mentiras, nem aquelas ditas “sociais”. Vamos exercitar no cotidiano essa virtude tão importante, vamos resgatar uma sociedade onde reine a confiança e não o engodo, a mentira! Vamos cobrar de nossos políticos uma postura ética, responsável, comprometida com a verdade! Simone Ribeiro Cabral Fuzaro é fonoaudióloga, educadora, Mestre em Distúrbios da Comunicação pela PUC-SP, especialista em linguagem e coordenadora da Escola de Educação Infantil Pedrita.


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Padre José Renato Ferreira

Rádio 9 de Julho: no coração do povo e com qualidade de programação Luciney Martins/O SÃO PAULO

Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

Em 23 de outubro de 1999, após ficar 26 anos fora do ar por ter tido seus transmissores lacrados pelo Regime Militar, em 1973, a rádio 9 de Julho, da Arquidiocese de São Paulo, foi solenemente reinaugurada. Passados 15 anos, comunicadores, funcionários e ouvintes festejarão o aniversário da rádio com um missa na Catedral da Sé, no dia 9, às 11h, e em um evento, no dia 1º, sobre o futuro das rádios católicas. Nesta entrevista ao O SÃO PAULO, Padre José Renato Ferreira, 51, diretor geral da rádio desde 2011, comenta o panorama atual da emissora, os desafios do rádio diante das novas tecnologias e os trâmites para que a 9 de Julho opere também em FM. “Estamos fazendo os melhores esforços para que a rádio fique ainda mais no coração do povo e tenha qualidade na sua programação”, garante.

O SÃO PAULO - 15 anos após ser reaberta, a rádio 9 de Julho é tão reconhecida quanto foi entre 1956 e 1973, quando funcionou de forma ininterrupta? Padre José Renato Ferreira – O carinho pela rádio é bastante perceptível tanto que alguns ouvintes daquela época sempre se manifestam. Também hoje há um reconhecimento. As pessoas têm trânsito aqui, vão ao Mosteiro da Luz para a missa dos amigos da rádio, conversam com os comunicadores, então, existe um carinho, um reconhecimento, um compromisso e até uma fidelização dos nossos ouvintes.

Qual a missão da 9 de Julho, especialmente enquanto rádio da Arquidiocese de São Paulo? A missão fundamental da rádio 9 de Julho é a mesma da Igreja: evangelizar. Nosso arcebispo, Dom Odilo Pedro Scherer, costuma dizer que ela é a voz da Igreja de São Paulo. Muito conscientes dessa verdade, temos procurado evangelizar a partir da Igreja de São Paulo, que, por sua vez, está em profunda sintonia e comunhão com a Igreja no Brasil, as diretrizes da CNBB, a Igreja na América Latina, que tem o grande compromisso, assumido desde 2007, de ser de discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida. Isso só se faz se tivermos em comunhão com nossa Igreja, com o papa, com as orientações que saem de Roma. Nós anunciamos em nome da Igreja, e os comunicadores têm o desafio de apresentar, por mais específico que sejam seus programas, a missão da Igreja no mundo.

Qual o perfil do ouvinte da rádio 9 de Julho? São pessoas a partir dos 40 anos, a maioria mulheres, embora o público masculino não seja pequeno. Atingimos principalmente as classes C e D, mas temos ouvintes de todas as classes. Na nossa programação há a participação de crianças, e sendo o microfone da Arquidiocese, os movimentos organizados, pastorais, têm a possibilidade de ocupar esse espaço, porque a meta é a mesma: a evangelização. Algo tem sido feito para alcançar outros públicos? Esse é o desafio permanente, inclusive porque o rádio, como meio de comunicação, tem que se adaptar às novas tecnologias. No momento em que o rádio precisa se reinventar, porque não vai deixar de existir, precisamos saber como pensar isso em um mundo em que a participação é cada vez mais exigida. Claro que esbarramos nos limites: há propostas interessantes, mas nem sempre existe gente suficiente para poder concretizá-las. Sempre analisamos a programação para atingir outros grupos. Em termos de audiência, qual a posição da rádio 9 de Julho? Temos oscilado e hoje estamos em sexto lugar, o que é muito bom, estamos entre as 10 AMs mais ouvidas de São Paulo! Nosso público fiel nos estimula a procurar outras respostas, a qualificar melhor os nossos programas para chegarmos a mais gente. E é confortador saber que entre as emissoras religiosas, somos a mais ouvida na Arquidiocese de São Paulo e na maioria das dioceses irmãs, como Guarulhos, Osasco, São

Miguel Paulista e Mogi das Cruzes. Aliás, uma das coisas novas que a gente tem feito depois de percorrer, em um de nossos programas, as paróquias da Arquidiocese de São Paulo, é também falar da história, da arte e da pastoral das paróquias dessas dioceses, nada mais justo.

Como a rádio se mantém financeiramente? Temos a Família dos Amigos, com cerca de 4.200 colaboradores. É uma ajuda muito importante, significa em torno de 24% de tudo que mensalmente é arrecadado. Temos ainda a cessão de espaço na programação, que fazemos com parceiros, e nesse sentido, devo lembrar que houve um aumento significativo das congregações religiosas na programação. Inclusive, um dos prêmios que ganhamos [Microfone de Prata da CNBB, categoria religioso, em 2014], foi com o programa Sala Franciscana, no qual os Franciscanos mostram o trabalho que têm. Outra fonte de recursos nossos vem da publicidade e há, ainda, donativos esporádicos. Qual a opinião do senhor sobre o Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Comunicação Social Eletrônica, que em seu artigo 13 vedaria as outorgas de rádio e televisão para Igrejas ou instituições religiosas? Isso não vai conseguir ser concretizado. Numa sociedade democrática, não se pode impedir que as várias confissões existentes se manifestem e tenham seus meios. Mobilizaremo-nos para garantir a livre expressão. O fato de o Estado ser laico não significa que as religiões não se manifestem. Eu acredito que as várias confissões religiosas

continuarão a ter seu espaço nos meios de comunicação.

Voltando ao aniversário da rádio, que atividades estão programadas para comemorar os 15 anos da reinauguração? Teremos dois momentos. Um convocatório e aberto à participação de todos, que é a missa em ação de graças no dia 9 de novembro, às 11h, na Catedral da Sé. Para este dia, estamos fazendo um apelo aos ouvintes para que levem a doação de um quilo de café ou de sabonete líquido infantil, que serão destinados ao Amparo Maternal. Além disso, em 1º de novembro, no Colégio São Bento, em uma atividade mais restrita, nós vamos discutir sobre o futuro da rádio católica. Vai ser um momento de reflexão, um painel aberto com pessoas que atuam no ramo, para saber para aonde vamos. Queremos ter perspectivas em relação a migração para a FM, as tecnologias, a manutenção das emissoras. A propósito da migração para a FM, desde 2013, o decreto 8.139, do Ministério das Comunicações, autoriza as emissoras AMs a pedirem essa migração. A rádio 9 de Julho estará na FM? A 9 de Julho já fez inscrição nesse processo de migração. Estar na FM é um projeto desde que a rádio voltou suas atividades, mas não conseguiu porque não havia mais espaço no dial. Quando surgiu a possibilidade dessa migração, nos inscrevemos e estamos esperando uma melhor orientação do Ministério das Comunicações. Ainda não está tudo claro. Eu penso que até o primeiro semestre do ano que vem, tenhamos uma coisa bem mais definida. E para quem vão os agradecimentos pelos 15 anos? Agradeço a todos que, de um modo ou de outro, se empenharam para que esta rádio estivesse a serviço da Arquidiocese e do Evangelho: a Dom Paulo Evaristo Arns e seus esforços, e a Dom Cláudio Hummes, que era o arcebispo de São Paulo quando a rádio voltou a funcionar. Agradecemos nossos ouvintes e ainda nossos parceiros comerciais, comunicadores e os funcionários. Também agradeço a Dom Odilo, sempre presente, sempre nos orientando, animando, aos bispos auxiliares, que sempre que solicitados participam com alegria da nossa programação. Há uma corresponsabilidade, uma pertença real, que deixa a gente muito feliz. Nossa palavra é de gratidão, a Deus e a toda essa estrutura. Juntos, estamos fazendo os melhores esforços para que a rádio fique ainda mais no coração do povo e tenha qualidade na sua programação.


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Crianças dos institutos fundados por Madre Assunta Marchetti, em São Paulo, particpam da celebração em que a Religiosa é beatificada; Irmãs Scalabrinianas com as relíquias da Beata demonstram g

Bem-aventurada, a ‘mãe dos órfãos e m Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

“Ela dedicou a vida inteira para ajudar as pessoas”. Esta foi a expressão utilizada por João Lucas Cambraia, com apenas 15 anos, de Caxias (RS), ao ser entrevistado pela reportagem e também por Irmã Gleiciani Matos Gomes, 26, de Porto Velho (RO), e por Mariantonia Vitale, italiana que mora na Alemanha, para definir a Beata Madre Assunta Marchetti. Essas pessoas, junto com cerca de 5 mil fiéis, participaram da celebração em que a Venerável Serva de Deus, Assunta Marchetti foi beatificada. A missa, no sábado, 25, na Catedral Metropolitana de São Paulo, foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, e o rito de beatificação pelo Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação da Causa dos Santos. A cofundadora das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo (Scalabrinianas), veio da Itália para o Brasil aos 24 anos, em 1895 e não mais retornou para a sua cidade Natal, Lombrici di Camaiore, na província de Lucca, na Itália. A Beata morreu entre as órfãs, em 1948, na Vila Prudente, em São Paulo. A Catedral da Sé ficou repleta de peregrinos e das missionárias scalabrinianas, que estavam presentes em grande número, bem como de toda a Família Scalabriniana, padres, religiosas, leigos de diferentes países e de muitos lugares do Brasil onde as irmãs têm casas, hospitais ou projetos sociais. Dinarte Paz, educador do “Projeto Social Padre José Marchetti”, que funciona em Caxias do Sul (RS), viajou 18 horas de ônibus junto a quatro educadores e 16 educandos do Projeto. “Acabamos de chegar a São Paulo, estamos cansados, mas muito felizes. A ‘gurizada’ está aprendendo muito com esta experiência”, disse. João Lucas Cambraia é do mesmo Projeto e, aos 15 anos, é a primeira vez que sai do Estado do Rio Grande do Sul. “Bah! Estou até meio tonto, é bem diferente esta nova parte da minha vida! É uma coisa boa ver os diretores da nossa entidade tão emocionados com esta ocasião. Vejo que isto era um sonho pra eles e agora se concretiza. Madre Assunta era uma pessoa que se preocupava com os outros e estava presente entre os mais carentes, isso é muito bonito”, expressou o jovem. A “mãe dos órfãos e migrantes”, desde a

Monumento é inaugurado com a presença da Família Scalabriniana

primeira viagem de navio para o Brasil e, durante toda a sua vida, se dedicou às crianças órfãs, sobretudo aos filhos de imigrantes. Ela era chamada de mãezinha por eles, como enfatizou, em diferentes momentos, o Cardeal Amato. As crianças que participaram da missa no sábado entraram vestidas como marinheiros e levaram rosas dedicadas à nova beata da Igreja, no momento em que as religiosas trouxeram as relíquias da Beata. Elas eram do “Instituto Cristóvão Colombo”, que atende crianças em situação de vulnerabilidade social no Ipiranga e da “Casa Madre Assunta Marchetti”, na Vila Prudente, ambos fundados pela Madre. Fernando Luiz da Silva trabalha como monitor há dois anos no “Instituto Cristóvão Colombo”. “No começo, as meninas ficavam na Vila Prudente, agora meninos e meninas estão nas duas casas. Pra simbolizar o tempo que a irmã ficou por lá e a dedicação que ela dispensava às crianças, nós viemos com eles, que estavam ansiosos para participar da missa. Foi uma verdadeira festa”, afirmou. Cauã Abreu dos Santos, 10, disse à reportagem que gostou muito de tudo e que agradece à Madre porque foi ela “quem criou a nossa escola, que é muito boa!”.

Objetos que contam a história da Beata fazem parte do Memorial em SP

em 1887. Por esse motivo, ela é considerada cofundadora do Instituto, juntamente com seu irmão, Padre Marchetti. Presente em 27 países, a Congregação mantém o carisma do fundador e continua o trabalho entre os migrantes. O processo diocesano de beatificação de Madre Assunta Marchetti foi aberto pelo então Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, no dia 12 de junho de 1987 e encerrado em outubro de 1991. Desde lá, as virtudes heroicas da religiosa foram reconhecidas e ela foi declarada Serva de Deus pela Igreja. Para a beatificação foi aprovado e reconhecido um milagre que aconteceu em Porto Alegre (RS), no Hospital Mãe de Deus, no ano de 1994. Na Carta Apostólica do Papa Francisco, lida no rito de beatificação, ela é declarada pa-

droeira dos órfãos e migrantes. O Papa afirma que a Religiosa foi “testemunha da caridade de Cristo para com os migrantes e órfãos, dos quais foi ‘mãe’ terna”. Cardeal Angelo Amato ressaltou “o incansável apostolado realizado com a confiança na providência de Deus. Ele enfatizou como ela se ocupava pessoalmente das meninas, as tratava como se fossem suas filhas”. Em entrevista ao O SÃO PAULO ele falou sobre a santidade vivida no dia a dia. “A santidade não é feita de coisas extraordinárias, mas de coisas ordinárias, com fidelidade ao Evangelho, bondade, caridade e espírito de acolhida e criatividade. Madre Assunta era muito criativa, se havia necessidade de ajudar uma família pobre, rápido ela corria para fazê-lo. Igualmente, se havia necessidade de ajudar os órfãos, de dá-los um senso de

Uma ‘mãezinha’ fiel ao Evangelho

Assunta Marchetti veio para o Brasil logo após a profissão dos votos religiosos na Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo, fundada em 1895. O Bispo de Piacenza, Dom João Batista Scalabrini, foi o fundador das Scalabrinianas e também da Congregação dos Padres Scalabrinianos,

Na sexta-feira, 24, durante inauguração do “Memorial Madre Assunta Marchetti”, comunidade eclesia


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gratidão à Igreja, ao Papa Francisco e a todo o povo de Deus que se une a elas para a missa, que reúne milhares de fiéis de todo o mundo na Catedral Metropolitana da Sé e pelos meios de comunicação

migrantes’, MadreAssunta Marchetti Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Crianças realizam apresentação sobre vida de Madre Assunta Marchetti

maternidade, ela foi a “mãezinha” que acolhia e suportava sempre com paciência todas as coisas das crianças. A santidade é uma coisa alcançável por todos, mas precisa constância e perseverança, precisa ser fiel ao Evangelho”, afirmou o Cardeal Amato. Cardeal Scherer também enfatizou a beleza da caridade vivida pela Religiosa e salientou três aspectos válidos para toda a Igreja a partir da Beatificação: “Primeiro, é importante sermos a Igreja da caridade e da ternura; segundo, sermos missionários, uma Igreja em saída para irmos ao encontro das pessoas, como fez Madre Assunta, e não ficarmos nas nossas seguranças; terceiro, o Santo Padre chama toda a Igreja a uma valorização da vida consagrada religiosa”. Em seguida o Arcebispo também agradeceu ao Papa Francisco pela grandeza de ter

Na Vila Prudente, estátua feita por artista da cidade natal da Religiosa

mais uma Beata na Arquidiocese de São Paulo e na Igreja do Brasil e recordou São José de Anchieta e a Beata de Nhá Chica. Dom Odilo citou ainda os novos fluxos migratórios no mundo como em São Paulo e lembrou que a Igreja está prestes a iniciar o ano dedicado pelo Papa Francisco à Vida Religiosa e, por isso, a beatificação de uma religiosa e cofundadora de uma congregação ganha ainda mais relevância. “Madre Assunta foi solícita na sua doação aos órfãos e aos pobres, ela não buscou vantagens pessoais e, por isso, também conseguiu mover tantas pessoas a colaborarem com ela, quer as irmãs que se agregavam à Congregação que ela ajudou a fundar, quer os leigos e as comunidades locais”, destacou o Arcebispo de São Paulo. Dom Ítalo Castellani, arcebispo de Lucca,

al reza na Capela que traz a espiritualidade do Carisma Scalabriniano e a missão com os migrantes

província da região Toscana da Itália, veio com um grupo de 24 fiéis, a maioria da cidade de Lombrici di Camaiore, onde nasceu a Religiosa. “É belo pensar a comunhão do espírito, a comunhão dos santos e a comunhão eclesial que supera espaços e horários. É uma honra para a Igreja de Lucca e para mim, como pastor, falar durante esta celebração. Em Lucca, Madre Assunta recebeu o dom da fé, pelo qual iniciou a falar ao mundo e a espalhar os dons de Deus”, disse. A Irmã Neusa de Fátima Mariano, superiora geral das Irmãs Scalabrinianas, agradeceu a todos que se empenharam para tornar conhecida a vida de Madre Assunta. “Expresso uma saudação especial às crianças, migrantes e refugiados e àqueles que se encontram nos caminhos da migração. Estamos próximos na oração e na ação. Hoje, data de fundação das Irmãs Scalabrinianas, agradeço pelos 119 anos de presença do Instituto na Igreja e pedimos ao fundador, João Batista Scalabrini, que nos ajude a viver nossa missão. Sorri-nos uma grande esperança.” Irmã Gleiciane Matos Gomes, 26, é natural do Pará e mora em Rondônia. Para ela, a celebração foi um momento profundo de unidade e de conhecer outras irmãs da própria Congregação. “Para mim, o mais bonito da vocação é o doar-se ao outro. Sinto-me muito feliz na minha vocação e acredito que existe felicidade além do ter, mas no ser”, afirmou a jovem scalabriniana.

Uma grande família reunida

Aos 96 anos, Ana Lúcia Bianco, sobrinha de Madre Assunta, mora em São Paulo

e recorda momentos de sua infância em que conviveu com a tia. “Íamos sempre ao Colégio na Vila Prudente porque mamãe ensinava bordado para as crianças e, no fim do ano, a gente ia expor os bordados e também vendíamos para o sustento. Eu não sei como vou chamá-la agora... tia madre Assunta?”, disse, sorrindo, Ana Lúcia. Já Isabel Marchetti Capoche mora em Santos (SP) e é sobrinha neta de Madre Assunta. Para ela, há dois componentes essenciais. “Um é a uma honra de ter uma Beata na família, o outro é a responsabilidade, pois somos herdeiros dessa atitude de questionar a questão da injustiça social hoje.” Albanesa, Julieta Nazere mora há quatro anos na Itália, em uma cidade vizinha àquela que Assunta Marchetti nasceu. Ela conheceu a história da Religiosa e fez uma experiência de cinco anos na Congregação. “Também sou migrante na Itália e estou muito feliz com esta experiência em que eu pude verdadeiramente ver o milagre da beatificação de madre Assunta em outro País”, disse. Outra peregrina que veio com o grupo de Camaiore foi Mariantonia Vitale. Ela é da Sicília, na Itália e mora há 40 anos na Alemanha com a família. Emocionada, Mariantonia afirmou que está fazendo uma belíssima experiência e que sempre desejou ver, com os próprios olhos, aquilo que se vive fora da Europa. “Como peregrinos, visitamos a “Casa Marchetti”, o “Memorial Madre Assunta”, o centro de São Paulo, gostei muito da praça em que tem o sino da paz, no Pátio do Colégio. Vimos também a pobreza e, ao mesmo tempo, a acolhida do povo. É impressionante, as pessoas te olham e te saúdam.” Natalia Tsarkova é russa, mora em Roma e já fez inúmeros retratos oficiais para a Santa Sé, no Vaticano. Ela foi a artista escolhida para realizar a arte que se transformou em um grande banner da Beata Madre Assunta Marchetti, descoberto logo após a leitura da Carta Apostólica. “Estou muito emocionada porque coloquei todo o meu coração neste quadro. Quis fazer ver a coragem da Beata Assunta, a fé, a esperança e a caridade que sempre a guiaram nele. Ela está com um barco nas mãos. O barco é o símbolo da salvação e da Igreja e está cheio de pessoas que foram também, de alguma maneira, salvas pela Madre”, explicou Natalia à reportagem.


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Relatio Synodi da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos:

‘Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização’ PARTE II

O olhar em Cristo: O Evangelho da família Verdade, paciência e misericórdia no anúncio das exigências do Reino de Deus “Jesus olhou as mulheres e os homens que encontrou com amor e ternura acompanhando seus passos com a verdade, paciência e misericórdia, no anunciar as exigências do Reino de Deus”. (N.12) A indissolubilidade do Matrimônio não é um peso, mas sim, um dom “Em razão da pedagogia divina, segundo a qual a ordem da criação está envolvida naquela da redenção através de etapas sucessivas, ocorre compreender a novidade do sacramento nupcial cristão em continuidade com o Matrimônio natural das origens”. (N.13) “O próprio Jesus, referindo-se ao desígnio primitivo sobre o casal humano, reafirma a união indissolúvel entre o homem e a mulher, ao dizer que “pela dureza do vosso coração, Moisés vos permitiu repudiar as vossas mulheres, mas no princípio não foi assim” (Mt 19,8). “A indissolubilidade do Matrimônio não deve ser entendida como um peso imposto aos homens, mas como um ‘dom’…” (N.14)

A família no desígnio salvífico de Deus Foi pela dureza dos vossos corações... “As palavras de vida eterna que Jesus deixou aos seus discípulos compreendiam o ensinamento sobre o Matrimônio e a família. Tal ensinamento de Jesus nos permite distinguir três etapas fundamentais no projeto de Deus sobre o Matrimônio e a família. No início, há a família das origens, quando Deus criador institui o matrimônio primordial entre Adão e Eva, como fundamento sólido da família. Deus não apenas criou o ser humano homem

e mulher (Gn 1,27), mas os abençoou para que fossem fecundos e se multiplicassem (Gn 1,28). Por isso, “o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher e serão uma só carne” (Gn 2,24). Essa união foi danificada pelo pecado e tornou-se a forma histórica de Matrimônio no Povo de Deus, pela qual Moisés concedeu a possibilidade de liberar um atestado de divórcio (cf. Dt 24,1ss). Tal prática estava em uso nos tempos de Jesus. Com a sua vinda e a reconciliação do mundo caído, graças a redenção por ele operada, teve fim a era inaugurada por Moisés”. (N.15)

Gaudium et Spes, que dedica um capítulo inteiro à promoção da dignidade da família (GS 47-52). Esta definiu o Matrimônio como comunidade de vida e de amor (cf. Gaudium et Spes, 48), colocando o amor no centro da família, mostrando, ao mesmo tempo, a verdade desse amor diante das diversas formas de reducionismo presentes na cultura contemporânea. O “verdadeiro amor entre marido e mulher” (Gaudium et Spes, 49) implica a mútua doação de si, inclui e integra a dimensão sexual e a afetividade, correspondendo ao desígnio divino (cf. Gaudium et Spes, 48-49).

Jesus resgata o plano original

Paulo VI (Humanae Vitae): amor conjugal e a geração da vida

“Jesus que reconciliou todas as coisas em si, recolocou o Matrimônio e a família à sua forma original (cf Mc 10, 1-12). A família e o Matrimônio foram redimidos por Cristo (cf Ef 5, 21-32), restaurados à imagem da Santíssima Trindade, mistério de onde emana todo verdadeiro amor. A Aliança esponsal, inaugurada na criação e revelada na história da salvação, recebe a plena revelação de seu significado em Cristo e na sua Igreja. De Cristo através da Igreja, o Matrimônio e a família recebem a graça necessária para testemunhar o amor de Deus e viver a vida de comunhão. O Evangelho da família atravessa a história do mundo desde a criação do homem à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 26-27) até o cumprimento do mistério da Aliança em Cristo até o fim dos séculos com as núpcias do Cordeiro (cf. Ap. 19,9; João Paulo II, Catequeses sobre o amor humano)”. (N.16)

A família nos documentos da Igreja Gaudium et Spes: o verdadeiro amor entre homem e mulher é doação de si “No curso dos séculos, a Igreja não deixou faltar o seu constante ensinamento sobre o Matrimônio e a família. Uma das expressões mais elevadas desse Magistério foi proposta pelo Concílio Vaticano II, na constituição pastoral

“Na esteira do Concilio Vaticano II, o Magistério pontifício aprofundou a doutrina sobre o Matrimônio e sobre a família. Em particular, Paulo VI, com a encíclica Humanae Vitae, trouxe à luz o íntimo vínculo entre o amor conjugal e a geração da vida. (N.18) João Paulo II (Familiaris Consortio): família, um caminho de santidade São João Paulo II dedicou à família uma particular atenção através de suas catequeses sobre o amor humano, a carta às famílias (Gratissimam Sane) e, sobretudo, com a exortação apostólica Familiaris Consortio. Nesses documentos, o Pontífice definiu a família “caminho da Igreja”; ofereceu uma visão conjunta sobre a vocação ao amor do homem e da mulher; propôs as linhas fundamentais para a pastoral da família e para a presença da família na sociedade. Em particular, tratando da caridade conjugal (cf. Familiaris Consortio, 13), descreveu o modo de os casais, em seu mútuo amor, recebem o dom do Espírito de Cristo e vivem a sua chamada à santidade (Instrumentum Laboris, 5). (N.18) Bento XVI (Deus Caritas est): Matrimônio, ícone da relação entre Deus e a Igreja “Bento XVI, na encíclica Deus Caritas Est, retomou o tema da

verdade do amor entre homem e mulher, que se ilumina plenamente somente à luz do amor de Cristo crucificado (cf. Deus Caritas Est, 2). Ele reitera como “o Matrimônio, baseado sobre um amor exclusivo e definitivo, se torna o ícone da relação entre Deus e o seu povo e vice-versa: o modo de amor de Deus se torna a medida do amor humano” (Deus Caritas est, 11). (N.19) Papa Francisco (Lumen Fidei): o amor é confiável quando o seu fundamento se encontra na fidelidade de Deus “Papa Francisco, na encíclica Lumen Fidei tratando o vínculo entre a família e a fé, escreve: “O encontro com Cristo, o deixarse aferrar e guiar pelo seu amor, alarga o horizonte da existência, lhe doa uma esperança sólida que não desilude. A fé (...) faz descobrir uma grande chamada, a vocação ao amor, e assegura que este amor é confiável, que vale a pena entregar-se a esse, porque o seu fundamento se encontra na fidelidade de Deus... (Lumen Fidei, 53)”. (Instrumentum Laboris, 7). (N.20) Misericórdia em direção às famílias feridas e frágeis “A Igreja, enquanto mestra segura e mãe zelosa, ainda que reconhecendo que para os batizados não existe outro vínculo nupcial que o sacramental, e que a ruptura com esse é contra a vontade de Deus, é também consciente da fragilidade de muitos de seus filhos, que encontram dificuldades no caminho da fé. “ Portanto, sem diminuir o valor do ideal evangélico, é preciso acompanhar com misericórdia e paciência as possíveis etapas de crescimento das pessoas que se vão construindo dia após dia”. (N.24) Uniões civis, divorciados recasados e uniões de fato: acompanhamento gradual “Em ordem a uma abordagem pastoral em direção as pessoas que contraíram Matrimônio civil, que se divorciaram e recasaram, ou que simplesmente convivem, compete a Igreja revelar a eles a

divina pedagogia da graça em suas vidas a ajudá-los a atingir a plenitude do plano de Deus. (…) Seguindo o olhar de Cristo, cuja luz clareia todo homem (cf. Gv 1,9; Gaudium et Spes, 22) a Igreja se volta com amor àqueles que participam de sua vida de forma incompleta, reconhecendo que a graça de Deus atua também em suas vidas, dando a eles coragem para praticar o bem, para cuidarem um do outro e para estar a serviço da comunidade na qual vivem e trabalham”. (N.25) Apreensão da Igreja em relação aos divórcios “A Igreja olha com apreensão para a falta de esperança de tantos jovens em relação ao compromisso conjugal, sofre pela precipitação com que tantos decidem pôr fim ao vínculo assumido, instaurando um outro. Esses fiéis, que fazem parte da Igreja, necessitam de uma atenção pastoral misericordiosa e encorajante, distinguindo adequadamente cada situação”. (N.26) Nova dimensão da Pastoral Familiar “Neste sentido, uma nova dimensão da Pastoral Familiar atual consiste em prestar atenção à realidade dos matrimônios civis entre homem e mulher, aos matrimônios tradicionais e, consideradas as devidas diferenças, também às convivências. Quando a união atinge uma notável estabilidade através de um vinculo público, é permeada de afeto profundo, da responsabilidade em relação aos filhos, da capacidade de superar as provas, pode ser vista como uma ocasião a ser acompanhada em direção ao sacramento do Matrimônio” (N.27) “Conforme o olhar misericordioso de Jesus, a Igreja deve acompanhar com atenção e zelo os seus filhos mais frágeis, marcados pelo amor ferido e perdido, conferindo esperança e confiança, como a luz de um farol de um porto ou de uma chama levada em meio às gentes, para iluminar àqueles que perderam a rota ou se encontram em meio à tempestade”. (N.28)


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Síntese Final do Sínodo da Família (II) Luciney Martins/O SÃO PAULO

Cardeal Odilo Pedro Scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

A segunda parte da Síntese Final (Relatio Synodi) da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos é um convite a acolher o “Evangelho da família”. O tema da Assembleia era “os desafios pastorais da família”, e foram levantados muitos. No entanto, não basta saber que são tantos e quais são. Os melhores diagnósticos, por si só, ainda não curam as doenças... É preciso dar uma palavra de orientação e indicar o caminho para as famílias enfrentarem esses desafios e também para a ajuda que a Igreja pode e deve dar às famílias e aos casais. E o que fez o Sínodo? Antes de tudo, convidou a olhar para Jesus Cristo. A Igreja fala a partir do horizonte da sua fé, com base no Evangelho: neste caso, do “Evangelho da família”: o que Deus pensa da família? Qual é o significado do Matrimônio e da família na história da salvação, na vida de Cristo, na pedagogia divina, que conduz o homem à realização do fim último de sua existência? A Igreja deve fidelidade a Deus e ao Evangelho de Cristo e, por isso, os caminhos e soluções que ela indicar para os atuais desafios pastorais da família e do casamento não poderão estar em contradição com esse pressuposto. Mas isso não lhe impede de “perscrutar as Escrituras” e também o ensinamento dela própria; e o Papa Francisco nos encoraja a deixar-nos conduzir pelo Espírito Santo e a colocarnos de forma aberta e fiel diante da Palavra de Deus. O que diria Jesus diante desses desafios? Como agiria? Quando os doutores da lei lhe apre-

‘O ensinamento da Igreja é rico de sabedoria e traduz a experiência da fé vivida por muitas gerações’

sentaram o caso do divórcio, achavam que tinham a interpretação segura das Escrituras: “Moisés nos ensinou assim...” Jesus, no entanto, lhes mostra que isso não era suficiente: “no início não foi assim... mas foi por causa da dureza dos vossos corações que Moisés permitiu mandar embora a mulher e casar-se com outra” (cf Mc 10,1-10). Será que, sobre casamento e família, não falam mais alto os critérios dos movimentos da cultura circunstante do que a Palavra de Deus? Esses podem ter coisas boas; outras, porém, precisam ser iluminadas e transformadas com a luz do Evangelho.

Por outro lado, o ensinamento da Igreja, “mãe e mestra”, é rico de sabedoria e traduz a experiência da fé vivida por muitas gerações. É preciso conhecer mais e melhor o tesouro dos ensinamentos do Magistério sobre Matrimônio e família. Corremos o risco de nos deixarmos envolver tanto pelos “problemas” e desafios, que esquecemos o que há de belo, grandioso e atraente no casamento e na família. Recordo aqui um provérbio: na escuridão, vale mais acender uma lâmpada do que xingar as trevas... Infelizmente, os maus exemplos e os

estímulos negativos sobre casamento e família são postos bem mais em evidência do que as coisas belas e animadoras. E essas ainda existem em grande quantidade e qualidade! No coração dos jovens, continua o desejo de casar e formar família; muitas vezes, estão apreensivos e inseguros em relação à proposta cristã do casamento. É preciso falar-lhes mais e que vejam e ouçam testemunhos de casais que vivem bem o casamento; que saibam que é uma vocação e um projeto de vida abençoado por Deus. Nessa segunda parte da Síntese Final, tratou-se da indissolubilidade, como um dos elementos constitutivos do Matrimônio. Mas também foi lembrado o significado alto e, ao mesmo tempo, tão humano, do amor esponsal fiel “para sempre”: o amor humano verdadeiro requer isso! A união matrimonial é algo tão profundo e envolve as pessoas de tal maneira, que não pode ficar entregue à precariedade de relações sem um compromisso recíproco total. Além disso, a aliança nupcial dos esposos é imagem do amor salvador e fiel de Deus pela humanidade; supõe um dinamismo de relações que se constroem ao longo de uma existência inteira. A Igreja tem consciência de que nem todos os casais conseguem vivem plenamente as qualidades do Matrimônio. Contudo, os encoraja a viverem de forma generosa tudo aquilo que já conseguem viver; a vida matrimonial e familiar também está sujeita à lei do crescimento e do amadurecimento. A graça e a misericórdia de Deus não faltarão para quem tem fé e boa vontade.


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Irmã Maria Antônia – Cecy Cony No início do século XX, uma menina gaúcha recebeu de Deus a graça da presença sensível do seu anjo da guarda. Durante 21 anos, ele a acompanhou em todos os momentos, formando sua delicada alma nos caminhos da santidade. Aos 26 anos, sendo religiosa franciscana, sua superiora pediu que escrevesse suas memórias. O resultado é este livro autobiográfico, ao mesmo tempo singelo como uma criança e profundo como uma mística de verdade. O Padre Reus, jesuíta alemão que viveu no Brasil, foi seu confessor. FICHA TÉCNICA Autor: Irmã Maria Antônia Editora: Permanência Páginas: 215 Reprodução

ATOS DA CÚRIA COORDENADOR ARQUIDIOCESANO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE Em 15 de setembro de 2014, foi nomeado Coordenador da Campanha da Fraternidade da Arquidiocese de São Paulo, o Revmo. Pe. Manoel da Conceição Quinta, SSP, para um mandato de 3 (três) anos, a partir de 17 de outubro de 2014.

Filosofia

Dica de Leitura

Felipe David osaopaulo@uol.com.br

Entre o gênio mau e o espírito da verdade Reprodução

Qualquer pessoa que já tenha passado por uma faculdade ou curso universitário de Filosofia sabe que uma das primeiras coisas que são ensinadas é que a modernidade – o jeito moderno de pensar e de enxergar o mundo, de filosofar – começa com René Descartes (1596-1650). E quem assistiu ao filme “Matrix” deve conhecer a ideia de que o mundo que conhecemos talvez seja apenas uma ilusão criada para nos enganar. Pois bem, um dos textos mais famosos de Descartes levanta exatamente essa possibilidade, de que tudo o que conhecemos seja apenas um mundo de aparências enganadoras, criado por um “gênio” ou “deus” mau. Trata-se do famoso método da dúvida radical, utilizado por Descartes para procurar um conhecimento indubitável, e que lhe permite chegar à certeza do “penso, logo existo”.

Mas como devemos entender Descartes? Uma das formas de se ler um autor é analisar o conteúdo do seu pensamento tal como ele aparece nos seus escritos, no seu formato final. A atenção de quem adota essa maneira de ler está concentrada na argumentação, no encadeamento lógico do que ele diz. O método é útil e necessário, mas deixa de lado a pessoa humana por trás dos discursos. Uma segunda maneira de se ler um autor é a do psicologismo, isto é, de buscar na vida e na psicologia do autor a explicação última de toda a sua filosofia. Esse método tem o grave defeito de ignorar o conteúdo e a validade objetiva do seu pensamento. Paradoxalmente, ao analisar a obra de um autor a partir de sua biografia, costuma-se esquecer do essencial: trata-se de um homem, um ser dotado de razão como eu e você, capaz de apreender a verdade e de enxergar o mundo ao seu redor. Em seu livro “Visões de Descartes” – editado neste ano pela Vide Editorial – o filósofo Olavo de Carvalho não faz nem uma coisa, nem

outra. O pensamento do “pai da modernidade” é aqui analisado objetivamente não apenas na sua forma final nos textos publicados, mas também a partir de uma reconstitução de sua experiência interior, cognitiva, que deu origem ao discurso final. Segundo o autor, para se compreender o discurso filosófico, devese encará-lo como uma partitura musical: enquanto não formos capazes de “tocá-la” e de ouvir a melodia interiormente, de refazer a mesma experiência na nossa própria alma, não teremos compreendido o que ele quis dizer. O livro reúne o essencial do que o autor tem ensinado em seus cursos e palestras sobre Descartes: “Con-

vencido de que a filosofia não nasce do gosto pelo raciocínio abstrato, mas do impulso de apreender e expressar o sentido universal da experiência acessível, o autor nos conduz a um retorno das ideias de Descartes às experiências reais que as originaram. Esse método não pretende dar uma explicação psicológica de uma filosofia, mas esclarecer o sentido efetivo que as ideias tinham na consciência individual do filósofo que as pensou, para além – e por baixo – do sentido formal e dicionarizado que elas adquiriram ao longo da tradição filosófica. Para Olavo de Carvalho, a filosofia de Descartes não é um sistema abstrato de ideias, mas um drama cognitivo.” (Descritivo do livro).


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Arquivo pessoal

Priscila Gubiotti, em um dos momentos com o tricampeão de Fórmula 1, o piloto Ayrton Senna

| Esporte | 17 Botafogo de Futebol e Regatas

Garrincha, herói do Botafogo e da seleção brasileira, ainda hoje é lembrado por admiradores

Vai-se o esportista, ficam os fãs

Heróis já falecidos do esporte brasileiro, como Garrincha e Ayrton Senna, são ‘imortalizados’ por quem os admira Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

“Eu continuo tentando manter viva a memória do Ayrton. Eu visito exposições, compro produtos relacionados a ele, mas, principalmente, procuro falar e divulgar imagens dele. Como leciono para pessoas que eram muito jovens ou nem nascidas quando ele morreu, procuro sempre mencioná-lo. Em abril deste ano, dias antes do aniversário de 20 anos de sua morte, eu publiquei fotos e histórias diariamente, relatando momentos especiais que vivi”. O relato é de Priscila Gubiotti, 37, professora universitária e fotógrafa, que duas décadas após a morte do piloto brasileiro Ayrton Senna, em trágico acidente no GP de San Marino, em 1º de maio de 1994, não se esquece do tricampeão de Fórmula 1. Priscila não está sozinha. Ao menos no Brasil, Alemanha, Austrália, Bélgica, Canadá, França, Itália, Japão e Suiça, há fãclubes do piloto e nas redes sociais facilmente são encontradas dezenas de páginas dedicadas a Ayrton Senna.

A também professora Janete de Cassia Campos, 35, diz que quase sempre assistia às corridas de Ayrton Senna pela tevê, mesmo as que eram transmitidas de madrugada. A fã não deixa que os feitos do ídolo caíam no esquecimento. “Sempre faço alguma homenagem a ele. Lembrome de chegar ao colégio e dizer aos amigos: ‘Ei, sabia que hoje faz tantos anos que o Senna morreu?’ E falava um pouco aos amigos sobre a importância que ele tinha para mim e minha família. Depois de alguns anos, com o surgimento das redes sociais, sempre que me lembro dele, divulgo fotos ou vídeos de suas ultrapassagens mais famosas. Acompanho páginas sobre ele no Facebook bem como as do Instituto fundado pela Viviane Senna [irmã do piloto] e procuro divulgar o trabalho social”, contou ao O SÃO PAULO.

Eterno e internacional ‘Mané’ Faltavam apenas três dias para o início da Copa de 2014, quando um torcedor polonês, identificado apenas como Chris, foi à sede do Botafogo, no Rio de Janeiro, para, como ele mesmo disse, “conhecer o clube de Garrincha” e mostrar a tatuagem que fez na barriga em homenagem ao jogador. Manoel Francisco dos Santos, o Garrincha, morreu em 1983, aos 49 anos, vítima de cirrose hepática. Bicampeão do mundo com a seleção brasileira nas Copas de 1958 e 1962, o “Mané”, como também

era conhecido, é lembrado em diferentes ambientes da sede do Botafogo e pelos torcedores. “Durante a Copa, centenas de estrangeiros visitaram o Botafogo e declararam torcer pelo ‘Fogão’ por causa de Garrincha. É impressionante como há fãs em todo o mundo”, garantiu Julio Gracco, 27, coordenador de comunicação do clube, que lembrou, ainda, que o francês naturalizado norte-americano, Dominique Beaucant, admirador do jogador, escreveu o livro “Garrincha, o Rei dos Reis – O Divino Anjo Voa Novamente”, com fotos raras, artigos e quase 300 páginas. “Todo ano, Dominique vem ao Brasil para visitar o túmulo do craque e prestar sua homenagem”. Ainda segundo Julio, “os produtos sobre Garrincha têm uma procura muito alta, vide que diversos artigos, como camisas-retrô e bonecos, estão esgotados”.

Limites entre fanatismo e admiração Na avaliação do psicólogo e mestrando em Psicologia Social José Fernando Andrade Costa, 24, ter admiração ou afeto por outras pessoas é algo natural, “o problema é quando essa identificação se torna muito rígida e a pessoa que admira não consegue ver que a figura admirada também possui defeitos, como qualquer ser humano. Ao negar que o ‘ídolo’ possa ser alvo de críticas, ele passa a ser idealizado, e

HERÓIS ESPORTIVOS DO BRASIL Ayrton Senna (Ayrton Senna da Silva) Morto aos 34 anos, em acidente no GP de San Marino, de Fórmula 1, em 1º de maio de 1994. Foi tricampeão mundial de automobilismo (1988, 1990 e 1991). Saiba mais: www.ayrtonsenna.com.br

Mané Garrincha (Manoel Francisco dos Santos) Morto aos 49 anos, no Rio de Janeiro, em decorrência de cirrose hepática, em 20 de janeiro de 1983. Foi bicampeão do Mundo com a seleção brasileira de futebol (1958 e 1962) Saiba mais: www.botafogo. com.br/idolos.php

Fotos: Divulgação

a admiração pode se tornar fanatismo. Mas o fanatismo só se torna um risco quando se enrije na estrutura de personalidade. Nesse caso, a identificação com o ‘ídolo’ faz com que a pessoa o defenda como se fosse a si mesma, e isso pode gerar conflitos quando esse ‘ídolo’ é objeto de críticas pelos outros”. Ainda segundo o Psicólogo, “o fanatismo pode compor algum tipo de transtorno de personalidade caso atrapalhe a pessoa em suas tarefas diárias, como, por exemplo, deixar de cumprir com seus compromissos e obrigações para ficar em função do ‘ídolo”’, afirmou, complementado que “às vezes, a identificação ocorre com uma figura já falecida porque, desse modo, apenas as características positivas são ressaltadas e não há risco de a pessoa agir de forma diferente do esperado pelos fãs”. Janete e Priscila, fãs de Ayrton Senna, garantiram que nunca fizeram loucuras pelo piloto e disseram admirar não apenas o esportista. “Eu comecei a observá-lo, primeiro como piloto e depois como ser humano. O lado humano dele é o que eu mais admirava”, revela Priscila. “Ayrton era um grande piloto, mas acima de tudo, um grande brasileiro e um grande ser humano”, opinou Janete.

AGENDA ESPORTIVA Quarta-feira a domingo (de 29 a 2) Copa Internacional de Badminton (Ginásio do Paulistano – rua Colômbia, 77, Jardim América). Quarta-feira (29) 19h – Paulista Feminino de Vôlei - Semifinal SESI-São Paulo x São Cristovão (Ginásio do SESI – rua Carlos Weber, 835, Vila Leopoldina) Quinta-feira (30) 18h30 – Paulista Feminino de Vôlei Semifinal Pinheiros x Molico/Nestle (Ginásio do Pinheiros - Rua Hans Nobling, s/n° Jardim Europa). 20h15 – Copa Sul-americana de Futebol São Paulo x Emelec (Morumbi) Sábado (1º) 21h – Brasileirão de Futebol Corinthians x Coritiba (Arena Corinthians)


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João Carlos Gomes

Colaborador de comunicação da Região

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Belém

Uma Aliança de Amor centenária com o Movimento de Schoenstatt Quatro paróquias da Região Episcopal Belém homenagearam na última semana os 100 anos de Fundação do Movimento de Schoenstatt e também da Aliança de Amor, representados pela Campanha da Mãe Peregrina. As paróquias São Rafael, do Setor Belém; Santa Cruz, do Setor Vila Antonieta; São Mateus Apóstolo, do Setor São Mateus; e São Vicente Pallotti, do Setor CarrãoFormosa, celebraram, desde o dia 18, o centenário do movimento mariano. “Somos enviadas para edificar a cultura da Aliança de Amor em todos os lugares onde atuamos e para olhar as pessoas como a Mãe de Deus nos olha no Santuário. Somos Missionárias! Por meio de nós, ela vai com Jesus ao encontro das pessoas, por isso, temos prontidão para ajudar a escrever a história do novo

Paróquia São Rafael

Zeladoras de capelinhas da Mãe Peregrina participam de missa na Paróquia São Rafael pelo centenário do Movimento de Schoenstatt

século de Schoenstatt: ‘Somos tuas mãos, teus pés, tua voz!’, ‘Eis-me aqui, envia-me!’”, disse Sandra Ungaretti, da Paróquia São Rafael.

“Celebrar a Aliança de Amor é uma alegria e uma grande responsabilidade, dada a importância que é evangelizar tal como nossa Mãe Maria. Sou muito

agradecido pela visita da Mãe Peregrina em nossa Paróquia”, expressou o pároco da São Vicente Pallotti, Padre Luiz Braz Rezende.

Em 8 de novembro, ‘Somos todos Educadores’ O Núcleo São Mateus da Pastoral da Educação realiza, em 8 de novembro, das 8h30 às 13h, o seminário “Somos todos Educadores”, que será nas instalações da Paróquia São Mateus Apóstolo. O evento tem como objetivo buscar

a articulação entre as diversas pastorais, especialmente às ligadas à Educação, tais como: Família, Criança, Juventude, Escolar, Comunicação, Batismo, Saúde, Moradia e Meio Ambiente. Embora seja aberto a todos, pretende-se

que esse seminário atinja principalmente os agentes de pastoral e educadores que atuam nas áreas abrangidas pelos setores São Mateus, Conquista e Sapopemba. Para tanto, conta-se com a colaboração dos párocos e administradores da Região.

AGENDA REGIONAL Quinta-feira (30), 20h Missa pelos 54 anos da Paróquia Sagrada Família (rua João Cordeiro, 772, no Carrão). Sexta-feira (31), 20h Crisma, na Paróquia Santo Emídio (rua Ingaí, 67, na Vila Prudente).

Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade

Dom Carlos faz primeira visita pastoral ao Colégio de São Bento Diego Monteiro

especial para o são paulo

O Colégio de São Bento, um dos mais antigos da capital, que recentemente completou 111 anos de fundação, recebeu a visita pastoral de Dom Carlos Lema Garcia, bispo auxiliar de São Paulo e vigário episcopal para a Educação e a Universidade, dialogou na manhã de quinta-feira, 23, com representantes da centenária instituição de ensino. Dom Carlos tomou conhecimento das atividades desenvolvidas no colégio e externou o seu contentamento pela visita pastoral. “Estou satisfeito porque é um colégio onde, graças à presença dos monges atuando diretamente nas atividades, há uma forte presença da Igreja diante dos alunos e das famílias”. A satisfação pela visita pastoral

Juliana Wu

de Dom Carlos ao Colégio de São Bento foi recíproca. Dom Camilo de Jesus Dantas, vice-reitor, disse que a visita serviu como estímulo e sinal de que estão no caminho certo, e que estreitarão laços com o Vicariato, aprimorando toda dimensão pastoral pedagógica-cristã beneditina.

Colégio oferece uma educação humanista cristã Situado no centro de São Paulo, mas precisamente na região da rua 25 de Março, o Colégio de São Bento, ao longo dos anos, tornou-se referência no ensino de crianças, adolescentes e jovens, filhos de imigrantes, na sua maioria, chineses, peruanos e bolivianos, que trabalham no comércio local. A Missão Católica Chinesa, por intermédio do Padre Lucas Xiau, vice-reitor, é uma

Vigário Episcopal para a Educação e a Universidade durante visita ao centenário Colégio de São Bento

das grandes parceiras do colégio. Dom Camilo explica que, com a proposta escolar do Ministério da Educação (MEC), o Colégio de São Bento procura fornecer uma educação genuinamente cristã, com as características beneditinas da hospitalidade, da espiritualidade,

da busca da ciência e da arte, num clima de congraçamento. O Colégio possui uma capelania com uma pastoral atuante, por meio da qual é oferecida assistência religiosa aos alunos, pais de alunos e funcionários, estendendo-se a toda a comunidade. “O Mosteiro vê o

colégio como um apostolado, e não como uma fonte de renda. Temos a preocupação em oferecer uma educação humanista cristã, buscando sempre conciliar tradição e inovação”, concluiu Dom Camilo.


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Santana

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

Enviados para levar a Sagrada Comunhão a todos os cristãos

Na tarde do domingo, 19, aproximadamente 2.400 ministros extraordinários da Sagrada Comunhão (Mesac) da Região Santana participaram da celebração eucarística e rito de colação, presididos por Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana. “Essa celebração marcou o ápice da preparação realizada nos encontros setoriais do Mesac, com o lema ‘Aviva a tua obra, Senhor, no decorrer dos anos,

e, no decurso dos anos, fazei-a conhecida’ (Hb 3,2). Tudo tinha o objetivo de um chamado ao ‘primeiro amor’ (Ap 2,4), um avivamento para um novo ardor na missão, a partir do alegre anúncio: ‘Jesus Cristo te ama, deu a sua vida para te salvar, e agora vive contigo todos os dias para te iluminar, fortalecer, libertar’ (cf. EG 164), situando esse seu ministério na direção de uma ‘Igreja em saída’, missionária (cf. EG 24). Busca-se que o ministério encontre toda a sua

força na missionariedade, fazendo com que a Eucaristia chegue a quem não veio participar da celebração, seja por idade avançada, seja por enfermidades, sejam os encarcerados, e ainda aos pequenos grupos de irmãos e irmãs que se reúnem em torno da Palavra de Deus nas casas, na conversão da paróquia em comunidade de comunidades (CNBB, Documento 100)”, disse Padre Everaldo Sanches Ribeiro, coordenador regional de Liturgia.

‘Protagonistas da nova evangelização’ Dom Sergio, durante a homilia da celebração eucarística de colação, enfocou o aspecto missionário do ministério, sinalizando que os ministros estão

AGENDA REGIONAL Sábado (1º) 8h30 às 12h30 - encontro da Cáritas com as pastorais sociais e entidades, no Centro de Formação Pastoral Santo Frei Galvão (avenida Mal. Eurico Gaspar Dutra, 1.853). 18h - celebração de 25 anos de ordenação presbiteral do Padre Maurício Vieira de Souza, na Paróquia Santa Zita (rua Padre Sabóia de Medeiros, 827).

Terça-feira (4) 8h30 - reunião do clero, na Cúria de Santana (avenida Mal. Eurico Gaspar Dutra, 1.877). 13h30 - reunião de coordenadores de setor na Cúria de Santana.

entre os protagonistas da nova evangelização que a Igreja empreende e faz progredir, não sem dificuldades, mas com o mesmo entusiasmo dos primeiros cristãos. O Bispo citou o exemplo do Beato Mateus Moreira, patrono dos ministros extraordinários, que habitou o Brasil, por volta de 1645, quando a intolerância religiosa dos invasores holandeses calvinistas não admitia a prática do catolicismo no território por eles ocupado. Nos seus instantes finais de vida, ao lhe ser arrancado o coração pelas costas, o Beato ainda proclamou a fé na Eucaristia, dizendo: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”. “O maior evangelizador de todos os tempos, o apóstolo Paulo, nos ensina como ser discípulo missionário. Ele nos diz, antes de tudo, que não se evangeliza de maneira isolada, com efeito, também ele tinha como colaboradores Silvano e Timóteo (cf. 1 Ts 1,1), além de muitos outros. Eu e os párocos temos vocês

Diácono Francisco Gonçalves

Dom Sergio preside rito de colação de ministros extraordinários da Sagrada Comunhão

como colaboradores”, disse Dom Sergio. O Bispo complementou, citando São Paulo: “Que o anúncio deve ser precedido, acompanhado e seguido pela oração. Com efeito, escreve: ‘Damos graças a Deus por todos vós, lembrando-nos sem cessar de vós nas nossas orações’ (v. 2). Depois, o apóstolo diz que está bem consciente de que os membros da

comunidade não foram escolhidos por ele, mas por Deus: ‘fostes escolhidos por Ele’ — afirma (cf. v. 4). Enfim, Paulo deixa-nos um ensinamento muito precioso, tirado da sua própria experiência. Ele escreve: ‘O nosso Evangelho não vos foi pregado somente com palavras, mas também com poder, com o Espírito Santo e com convicção’” (v. 5).


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Ordem dos Mínimos de São Francisco de Paula – 2012 C.N.P.J./M.F. n. 47.085.758/0001-33

Balanço Patrimonial ATIVO 2012 2011 Circulante Caixa e Equivalentes de Caixa 185.663,45 140.439,93 Créditos 91.632,44 76.005,86 Despesas do Exercício Seguinte 3.577,96 3.906,92 Total do Circulante 280.873,85 220.352,71 Imobilizado Imobilizado Líquido 664.492,15 676.383,17 Intangível Líquido 400,00 400,00 Total do Imobilizado 664.892,15 676.783,17 TOTAL DO ATIVO 945.766,00 897.135,88 Contas de Compensação Renúncia Fiscal IRPJ S/ Superávit do Exercício 11.291,43 4.188,22 CSLL S/ Superávit do Exercício 6.774,86 2.513,29 PIS S/ Receita 3.411,97 2.694,68 COFINS S/ Receita 15.747,53 12.437,00 Total 37.225,79 21.833,19 PASSIVO Circulante Obrigações Trabalhistas/Tributárias 7.092,70 4.935,26 Outras 1.634,07 30.454,02 Total do Circulante 8.726,77 35.389,28 Patrimônio Social 937.039,23 861.746,60 TOTAL DO PASSIVO 945.766,00 897.135,88 Contas de Compensação Renúncia Fiscal IRPJ S/ Superávit do Exercício 11.291,43 4.188,22 CSLL S/ Superávit do Exercício 6.774,86 2.513,29 PIS S/ Receita 3.411,97 2.694,68 COFINS S/ Receita 15.747,53 12.437,00 Total 37.225,79 21.833,19 As notas explicativas da administração são parte integrante das demonstrações financeiras.

Demonstração do Superávit/(Déficit) do Exercício

explicativa, retroativo a 1º de Janeiro de 2012. Porém a Entidade iniciou as adaptações não sendo possível implantar todas as normas ainda no período de 2012. 3 – RESUMO DAS PRINCIPAIS DIRETRIZES CONTÁBEIS a) Moeda funcional e de apresentação As Demonstrações contábeis estão apresentadas em reais, que é a moeda funcional da Entidade.

Demonstração do Fluxo de Caixa – Método Indireto 2012

2011

75.276,23 53.889,02 16,40

27.925,48 42.842,17 -

(15.626,58) 328,96 2.155,74 1,70 (28.819,95)

(5.186,45) 1.891,10 594,88 1,78 24.608,39

87.221,52

92.677,35

(10.408,00) (31.590,00)

(56.819,88) -

(41.998,00) 45.223,52

(56.819,88) 35.857,47

140.439,93 185.663,45 45.223,52

104.582,46 140.439,93 35.857,47

As notas explicativas da administração são parte integrante das demonstrações financeiras.

NOTAS EXPLICATIVAS ÀS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

EM 31/12/2012 E 31/12/2011

1- Contexto Operacional Com a denominação de “Ordem dos Mínimos de São Francisco de Paula”, também conhecida por Ordem dos Mínimos, fica constituída uma associação civil de direito privado, inteiramente beneficente, sem finalidades econômicas, de duração, com sede e foro em São Paulo, SP, na rua Dr. Luiz Fonseca Galvão, 171 – Parque Maria Helena, no Bairro de Capão Redondo, Santo Amaro, tem os seguintes objetivos sociais e, para tanto, se propõe a: - Promover o aperfeiçoamento humano e espiritual de seus membros; - Favorecer a educação, nos seus diversos graus, da juventude em especial das classes menos favorecidas e em situação de vulnerabilidade social; - Promover a integração na sociedade, das crianças e adolescentes em estão de necessidade, sem fazer distinção do credo religioso ou político, da cor, da raça ou nacionalidade do indivíduo; - Favorecer a juventude, podendo concedê-los bolsas de estudo, bem como auxílio e subvenções necessárias a tanto. - Promover com iniciativas de caráter religioso, cultural, assistencial e filantrópico, a coletividade local onde a Associação desempenhe suas atividades. 2 – APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS As Demonstrações Contábeis e Financeiras foram elaboradas em observância às práticas contábeis adotadas no Brasil e atendendo a Resolução 1409 do Conselho Federal de Contabilidade – CFC que instituiu o ITG 2002 – Entidade sem finalidade de lucros, que estabelece critérios e procedimentos específicos de avaliação, de registros dos componentes e variações patrimoniais e de estruturação das demonstrações contábeis, e as informações mínimas a serem divulgadas em nota

Fernando Geronazzo

c) Estimativas contábeis Na elaboração das demonstrações contábeis, é necessário utilizar estimativas para contabilizar certos ativos, passivos, e outras transações. As demonstrações incluem, portanto, estimativas referentes a provisões, créditos a receber e outras similares. Os resultados reais podem apresentar variações em relação às estimativas. d) Instrumentos financeiros Instrumentos não-derivativos incluem caixa e equivalente de caixa, contas a receber e outros recebíveis, contas a pagar e outras obrigações. e) Ativos circulantes e não circulantes Disponibilidades – caixa e equivalentes de caixa Os valores registrados em disponibilidades referem-se a saldos bancários de livre movimentação e aplicações financeiras de liquidez imediatas com baixo risco de variação no valor do mercado, e consideradas como equivalentes de caixa. Aplicações financeiras São registradas pelos valores de custo acrescidos dos rendimentos auferidos até as datas dos balanços, que não excedem o seu valor de mercado ou de realização. Ativo imobilizado A Entidade elaborou controle individualizado do ativo imobilizado. f) Passivos circulantes e não circulantes São demonstrados pelos valores conhecidos ou calculáveis acrescidos, quando aplicável , dos correspondentes encargos, variações monetárias e/ou cambiais incorridas até a data do balanço patrimonial. Quando aplicável os passivos circulantes e não circulantes são registrados em valor presente, com base em taxas de juros que refletem o prazo, a moeda e o risco de cada transação.

Demonstração das Mutações do Patrimônio Social

EXERCÍCIO FINDO EM Superávit / Déficit Líquido (+) Depreciação e Amortização Ajustes Credores – Exercícios Anteriores Lucro Líquido Ajustado (Aumento) Redução de Outros Créditos (Aumento) Redução de Despesas Antecipadas Aumento (Redução) de Obrigações Trabalhistas Aumento (Redução) de Obrigações Tributárias Aumento (Redução) Outras Obrigações 1. Disponibilidades líquidas geradas pelas aplicações nas atividades operacionais – subtotal 01 2. Das Atividades de Investimentos ( - ) Aquisições de Ativo Imobilizado ( - ) Baixa de Ativo Imobilizado 2. Disponibilidades líquidas geradas pelas aplicações nas atividades de investimento – subtotal 02 Aumento (Redução) das Disponibilidades (1+2+3) Saldo Inicial do Exercício Saldo Final do Exercício Aumento (Redução) nas Disponibilidades

b) Apuração das receitas e despesas As receitas e despesas são registradas considerando o regime de competência de exercícios.

Provisões As provisões são reconhecidas, quando a entidade possui uma obrigação legal ou Receitas 2012 2011 constituída como resultado de um evento passado, e é provável que um recurso Contribuições de Pessoas Físicas 50.966,15 7.976,75 que um recurso econômico seja requerido para saldar a obrigação. As provisões Contribuições de Pessoas Jurídicas 215.437,00 187.670,00 são registradas tendo como base as melhores estimativas do risco envolvido. Receitas Financeiras 4.548,25 4.425,90 Receitas de Aluguel 258.514,64 218.919,89 g) Patrimônio Social Outras Receitas 122,18 1.990,26 O superávit será destinado à manutenção das atividades, para atender aos dispoReceitas não operacionais 14.000,00 13.514,89 sitivos legais vigentes e a continuidade das atividades da Associação. TOTAL DAS RECEITAS 543.588,22 434.497,69 CAIXA E EQUIVALENTE DE CAIXA Custos/Despesas 2012 2011 Custos com Ensino e Formação 461.461,27 374.898,38 Caixa 3.525,29 3.954,98 Despesas Administrativas - 27.827,95 Banco Conta Movimento 40.361,15 22.867,73 Despesas Tributárias 4.104,87 1.547,48 Aplicação Financeira 141.777,01 113.617,22 Despesas Financeiras 2.745,85 2.298,40 185.663,45 140.439,93 TOTAL DAS DESPESAS 468.311,99 406.572,21 IMOBILIZADO SUPERÁVIT / (DÉFICIT) LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 75.276,23 27.925,48 O Imobilizado é demonstrado ao custo de aquisição, iniciando em 2009 a depreAs notas explicativas da administração são parte integrante das demonstrações financeiras. ciação calculada pelo método linear com base em taxas que levam em considera ção a estimativa útil e dos bens. Patrimônio Superávit/(Déficit) Total Social Exercício Saldo em 31/12/2010 826.619,73 7.201,39 833.821,12 Superávit / ( Déficit) do Exercício - 27.925,48 27.925,48 Saldo em 31/12/2011 826.619,73 35.126,87 861.746,60 Transferência 35.126,87 (35.126,87) Ajuste Credor Exerc. Anteriores 16,40 - 16,40 Superávit / ( Déficit) do Exercício 75.276,23 75.276,23 Saldo em 31/12/2012 861.763,00 75.276,23 937.039,23 As notas explicativas da administração são parte integrante das demonstrações financeiras.

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Imobilizado 2012 2011 Imóveis R$ 674.914,92 R$ 674.914,92 Móveis e Utensílios R$ 55.938,03 R$ 54.690,03 Outros R$ 303.503,40 R$ 294.343,40 Total Imobilizado R$ 1.034.356,35 R$ 1.023.948,35 ( - ) Depreciação Acumulada R$ 369.464,20 R$ 347.165,18 Total geral R$ 664.892,15 R$ 676.783,17 RECEITAS E DESPESAS As receitas e despesas da Entidade são apuradas e contabilizadas através dos comprovantes de recebimento, entre eles, avisos e depósitos bancários, e através de notas fiscais e recibos, em conformidade com as exigências legais; não possuindo a Entidade restrições na aplicabilidade dos recursos. As principais Receitas são: 2012 2011 Doações - Pessoa Jurídica R$ 215.437,00 R$ 187.670,00 Doações - Pessoa Física R$ 50.966,15 R$ 7.976,75 Aluguel R$ 258.514,64 R$ 218.919,89 Total R$ 524.917,79 R$ 414.566,64 A Entidade não recebe auxílios ou subvenções do Poder Público. REMUNERAÇÃO A Entidade não remunera, nem concede vantagens em benefícios por qualquer forma ou título a seus diretores, conselheiros, instituidores, benfeitores ou equivalentes. VOLUNTÁRIOS No presente exercício não dimensionou os valores tomados de voluntários, entretanto entende sua Administração que o valor não é representativo. PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS Não foi provisionado valores estimativos, pois entende a Administração da Entidade não haver possíveis riscos de perdas de qualquer tipo. COBERTURA DE SEGURO A Entidade possui seguros para cobrir eventuais prejuízos contra incêndio, roubo ou danos a bens. GRATUIDADES O total das gratuidades concedidas no atendimento aos internos, compõe o total dos custos com ensino e formação reportado na Demonstração de Superávit/ (Déficit) totalizando: 2012 = R$ 461.461,27 2011 = R$ 374.898,38 RENUNCIA FISCAL A renúncia fiscal contabilizada em 2012 segue abaixo, bem como para fins comparativos determinou-se os valores de 2011 sem o registro contábil na ocasião. IRPJ S/ Superávit do Exercício CSLL S/ Superávit do Exercício PIS S/ Receita COFINS S/ Receita TOTAL

2012 2011 11.291,43 4.188,22 6.774,86 2.513,29 3.411,97 2.694,68 15.747,53 12.437,00 37.225,79 21.833,19

SUPERÁVIT DO EXERCÍCIO O superávit do exercício de R$ 75.276,23 é destinado para a manutenção das atividades, para atender aos dispositivos Legais vigentes, Estatutários e da Continuidade da Entidade, e será incorporado à conta Patrimônio Social (PL) após a aprovação da Assembléia Geral dos Associados. São Paulo, 31 de Dezembro de 2012 Constantino Mandarino CPF: 329.008.487-68 Presidente

Sílvia Regina Schwarz CRC CT 1SP 172.399/O-0 Contadora

Professor Márcio durante 4º encontro de formação regional

Canto litúrgico: uma experiência que ultrapassa a superficialidade do texto e da música Fernando Geronazzo

Colaborador de comunicação na Região

A Comissão de Liturgia da Região Episcopal Sé realizou o 4ª Encontro de Formação Litúrgica de 2014 nos dias 21 e 22, na Paróquia Nossa Senhora da Consolação, no centro da capital. Dando continuidade ao tema do canto litúrgico, o professor, músico e liturgista, Márcio de Almeida, abordou a música no Ano Litúrgico. “Começamos falando do sentido de cantar a liturgia, para, depois, passar pelos vários ministérios, partes da missa até chegar a trabalhar o Ano Litúrgico”, explicou o Professor, que também é membro do Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard e da Equipe de Reflexão de Música Litúrgica da CNBB. No material entregue aos participantes, desenvolvem-se assuntos como a “mistagogia da música ritual”, por meio de passos como descrever a ação ritual e “dialogar” com os sinais sensíveis da música ritual – texto, melodia, contexto –, aprofundar sua raiz bíblica e o sentido teológico, além de vivenciar a experiência da salvação. “O canto se torna fato de experiência. Unido aos passos anteriores, permite ultrapassar a superficialidade do texto e da música. Canta-se o “mistério”. O mistério canta em nós e em todo o universo. Algo se modifica”, ressalta Márcio de Almeida. Padre Helmo Cesar Faccioli, coordenador regional da Comissão de Liturgia, avaliou positivamente os quatro encontros de formação. “É um trabalho de conscientização lento, com uma expressiva participação dos leigos e encarregados das músicas nas paróquias da Região”. Em 2015, o tema do canto litúrgico continuará enquanto aprofundamento em tempos específicos do ano litúrgico, nos encontros regionais e nos dois encontros arquidiocesanos. Cláudia Magalhães Alves de Freitas, animadora, tecladista e cantora na Paróquia São Joaquim, no Cambuci, participou dos três últimos encontros. “O Márcio traz uma bagagem que não temos, uma cultura diferente, um aprendizado novo. Há algumas coisas que não absorvemos logo de primeira, por isso, os encontros acontecem com certa frequência. De um modo geral, está sendo proveitoso”, avaliou.


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Ipiranga

Priscila Nuzzi

Colaboradora de Comunicação da Região

São Judas Tadeu: o intercessor das famílias Arquivo Paróquia-santuário São Judas Tadeu

A cada ano, fiéis lotam celebração campal de encerramento da Festa de São judas Tadeu, no dia 28

A evangelização no Santuário A imagem de São Judas Tadeu que fica na igreja antiga da Paróquia-santuário leva nas mãos a Palavra de Deus que o Apóstolo anunciou e a machadinha de seu martírio em testemunho do que pregava. Os dois símbolos o identificam e lembram a seus devotos a necessidade de praticar o mesmo, imitando seu exemplo de discípulo e missionário e sua fidelidade a Cristo. Os sacerdotes dehonianos, da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, desenvolvem seu trabalho de evangelização na Paróquia-santuário há 74 anos e nada fariam sozinhos, sem a participação de centenas de agentes pastorais e voluntários que assumem com eles essa missão. Entre os agentes pastorais, consi-

deram-se, também, os funcionários que trabalham com os padres a serviço dos devotos. Há cerca de 50 anos, a Paróquia-santuário vem fazendo maior uso dos meios de comunicação e das novas tecnologias na evangelização e hoje possui, além de um jornal e uma revista, sites, páginas nas redes sociais, Webtv São Judas, quatro programas de rádio próprios veiculados pela rádio 9 de Julho, e, auxiliados pelo patrocínio da Ultrafarma, missas e programas de tevê veiculados pela Rede TV e TV Gazeta. Outras informações sobre a Paróquia-santuário São Judas Tadeu podem ser obtidas pelos telefones (11) 3504-5700 ou 5072-9928 ou pelo site www.saojudas. org.br.

A Paróquia-santuário São Judas Tadeu realiza a cada ano, no mês de outubro, a novena em preparação à Festa do Padroeiro, que aconteceu entre dias 18 a 26, com missa às 15h e às 19h30. Na segunda-feira, 27, às 15h, houve a Ladainha, e na terça-feira, 28, a Festa Maior, com celebrações entre às 5h e às 22h. O tema central da festa foi “Com São Judas Tadeu, oremos pelas Famílias!”, tema que está em comunhão com a 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos. Além disso, a “Oração pela família”, composta pelo

Padre Zezinho, foi lembrada em cada dia da novena, enaltecendo os 50 anos de evangelização deste Padre comunicador e músico, que iniciou seu sacerdócio na Paróquia São Judas, em 1964. Padre Zezinho foi o animador da missa campal solene das 20h, encerrando a Festa do dia 28 de Outubro. A celebração foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, e concelebrada por Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Episcopal Ipiranga.

Arquivo pessoal

Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar de São Paulo e vigário episcopal da Região Ipiranga, visitou na quinta-feira, 23, as áreas pastorais Santo Estevão e São Paulo Apóstolo, onde falou com fiéis e ouviu apelos e experiências da vida comunitária.


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Benigno Naveira

Colaborador de comunicação na Região

Lapa

Dom Julio detalha relatório final do Sínodo dos Bispos Na noite de quinta-feira, 23, na Paróquia Nossa Senhora de Fatima, no Setor Leopoldina, a Pastoral da Comunicação regional acompanhou a palestra de Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa, sobre a assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos, realizada em outubro, no Vaticano, que teve como tema “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”. A atividade, que reuniu cerca de cem pessoas, teve início com uma oração feita pelo pároco, Padre Tarcisio Justino. Na sequência, Dom Julio

refletiu sobre a divisão em três partes do relatório final da assembleia extraordinária: primeira parte, “A Escuta” (o contexto e os desafios da família; o contexto sociocultural; o desejo para a pastoral); segunda parte, “Olhar para Cristo” (o Evangelho da família; a família no desígnio salvífico de Deus; a família nos documentos da Igreja; a indissolubilidade do Matrimônio não é um “Jugo” imposto aos homens, mas um “Dom” feito às pessoas unidas em Matrimônio para que tenham a alegria de viver juntos; a verdade e a beleza da família e a misericórdia para as famí-

lias feridas e frágeis); terceira parte, “O Confronto” (perspectivas pastorais; anunciar o Evangelho da família; guiar os nubentes no caminho da preparação ao Matrimônio; cuidados das famílias feridas, separadas, divorciadas, e dos que vivem juntos). O Bispo destacou o contexto sociocultural em seus aspectos positivos: a maior liberdade de expressão e reconhecimento dos direitos da mulher e das crianças, mas indicou alguns aspectos negativos, como o perigo crescente do individualismo exagerado que desnatura os laços familiares. Finalizando, Dom Julio

Benigno Naveira

Dom Julio fala sobre o Sínodo, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima

comentou que o relatório indica uma situação de crise de fé que surge das grandes pobrezas da cultura atual, sendo

uma delas a solidão, fruto da ausência de Deus na vida das pessoas e da fragilidade das relações.

Em louvor a Aparecida, comunidades unem-se em oração Benigno Naveira

Crianças rezam o Terço na Comunidade Nossa Senhora Auxiliadora

Na tarde do sábado, 25, os fiéis atuantes na Área Pastoral São João Batista, no Setor Butantã, realizaram caminhada e visita pastoral à Comunidade Nossa Senhora Auxiliadora, da Paróquia Santo Alberto Magno. Durante a peregrinação, houve a reza do Terço. Os participantes levaram

doces, salgados e brinquedos para as crianças da Comunidade. No local, cerca de 80 pessoas rezaram o Terço em homenagem a Nossa Senhora da Conceição Aparecida e às crianças da comunidade, que coroaram a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora e nela jogaram pétalas de rosa.

A coordenadora da Comunidade Nossa Senhora Auxiliadora, Maria Ivameide Gomes dos Santos, expressou sua alegria em receber os fiéis da comunidade da Área São João Batista, que, segundo ela, demostraram uma integração e união entre as comunidades no “amor de Cristo”.

Crisma: mais um passo no caminho da fé Na noite de domingo, 26, aconteceu, na Paróquia Nossa Senhora da Lapa, a celebração do sacramento da Crisma a 25 crismandos. A missa foi presidida por Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região, e concelebrada pelo pároco, Padre Adalton Pereira de Castro, e o Padre Jair Ari Scariot, da Paróquia Santo Antonio da Vila Jaguara. Em seu pronunciamento inicial, Dom Julio falou sobre os irmãos e irmãs que iriam receber o sacramento da Confirmação e suplicou ao Pai de bondade que envie sobre eles o dom de Deus, o dom do Espirito Santo. Após a proclamação do Evangelho, Padre Adalton apresentou a Dom Julio os crismandos, “jovens e adultos que fizeram uma caminhada na Catequese e na formação e descoberta no caminho de Jesus. Hoje, querem dar mais um passo nesse caminho da fé, através do sacramento da Crisma”. Dom Julio respondeu que muito se

alegrava com esses irmãos e irmãs e perguntou ao Pároco se eles estão conscientes do que pedem à Igreja, e Padre Adalton respondeu que os crismandos estão preparados. Dom Julio, na homilia, ressaltou, conforme o Evangelho do dia, que “Deus é

amor” e refletiu sobre os mandamentos. Na sequência, o Bispo iniciou a cerimônia da Crisma. Antes da bênção final, Padre Adalton agradeceu a presença de Dom Julio e da comunidade e parabenizou os crismandos e os catequistas.

AGENDA REGIONAL Sábado (1º) 9h - palestra de Dom Julio Endi Akamine, na Editora Paulus (Rodovia Raposo Tavares, 8.962). 15h - missa de Crisma na Paróquia Santo Antônio de Pádua (avenida Otacílio Tomanik, 520, no Jardim Bonfigliolli). 18h - missa de Crisma na Paróquia Nossa Senhora dos Pobres (avenida Dr. Vital Brasil, 1.185, no Butantã).

Vende: Dois (2) jazigos, 5 gavetas cada um Cemitério Gethsêmani – Morumbi/SP Terezinha: (11) 3321.0050 / 9.9242.5597

Benigno Naveira

Dom Julio confere a Crisma a jovem na Paróquia Nossa Senhora da Lapa


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Após a confirmação da reeleição, presidente sinaliza para ‘diálogo’ Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

Reeleita com mais de 54 milhões de votos, a presidente Dilma Rousseff (PT), em seu discurso após a publicação oficial do resultado das eleições, disse estar “disposta ao diálogo”. “Minhas primeiras palavras são, portanto, de chamamento e união. Democracia madura e união não significam necessariamente unidade de ideias nem ação monolítica conjunta, mas, em

primeiro lugar, disposição para o diálogo. Esta presidente aqui está disposta ao diálogo”, enfatizou. No palanque, cercada por líderes de outros partidos e pelo ex-presidente Lula, Dilma falou ainda sobre economia e reforma política. A Presidente afirmou que promoverá, com urgência, ações localizadas na economia para retomar o ritmo de crescimento do país e garantir níveis altos de emprego com valorização dos salários. Dilma destacou que seguirá

combatendo com rigor a inflação e que pretende avançar no terreno da responsabilidade fiscal. “Conclamo, sem exceção, a todas as brasileiras e brasileiros para nos unirmos em favor do futuro de nossa pátria. Não acredito que essas eleições tenham dividido o País ao meio. Creio que elas mobilizaram ideias e emoções, às vezes contraditórias, mas movidas por um sentimento comum: a busca por um futuro melhor”, afirmou.

Por mais que tenha falado em diálogo, a presidente não encontrará um cenário positivo no Congresso Nacional. Diferentemente do que houve em 2010, quando a base aliada era mais sólida, Dilma encontrará uma oposição, em teoria, mais organizada e fortalecida que, provavelmente, será conduzida pelo senador mineiro Aécio Neves (PSDB – MG), candidato derrotado nas eleições, porém, agora, possuidor de um grande capital político e conhecido em todo o País.

Nas eleições, uso das redes sociais protagoniza debates acalorados “Gente, quem perdeu família ou amigos por causa dessa eleição vamos combinar de passar o Natal juntos”, esse foi um dos posts mais curtidos e retuitados nas eleições deste ano. A frase reflete um comportamento dos eleitores internautas durante os quase dois meses de campanha. Amigos reais e virtuais desfazendo amizades, familiares e parentes rompendo laços, e uma série de “memes” – um fenômeno em que uma pessoa, um vídeo, uma imagem, uma frase, uma ideia, uma música, uma hashtag, um blog etc., alcança muita popularidade entre os usuários – fizeram parte do pleito eleitoral, porém, sem serem contabilizados pelos institutos de pesquisa ou pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De acordo com a professora Lívia Silva de Souza, Mestre e doutoranda em Ciências da Comunicação pela USP, em relação ao volume de uso das redes sociais, essa foi a primeira vez que, no Brasil, as redes foram usadas dessa forma, por exemplo, os dois candidatos que chegaram ao segundo turno investiram em redes sociais, com perfis no Facebook e no Twitter. Enquanto Dilma Rousseff somou mais de 1,7 milhão de curtidas no Facebook, Aécio Neves chegou a 3 milhões. Já no Twitter, Dilma está na frente, com mais de 2,9 milhões de seguidores, e Aécio tem cerca de 188 mil. Porém, Lívia considera que as eleições presidenciais de 2010 foram “o verdadeiro marco no uso das redes sociais virtuais por candidatos, se pensarmos em relevân-

Imagens da Internet

destacou que vê de forma positiva e com “ótimos olhos” o uso que os eleitores deram para as redes sociais neste ano. Contando que postou em seu Facebook que “é melhor esse tipo de discussão que discussão nenhuma”, o professor da Oficina Municipal afirmou que “ver as pessoas debatendo e tentando se informar é algo bom”. cia e em inovação na campanha”. Ao tratar o comportamento dos eleitores nas redes sociais, a professora afirmou que os eleitores “nada mais fazem do que já faziam nos almoços de domingo em família”. Para ela, a diferença, está na “amplitude que seus enunciados tomam - e isto é relevante”. “Não acredito que as redes sociais online sejam algo à parte do mundo offline, mas sim que ambos sejam elementos de uma mesma paisagem”, ressaltou. O Mestre em Administração Pública Local pela Korea University (Coreia do Sul), Eder Brito,

Rede serve para espalhar mentiras Como a professora Lívia destacou, muitos usuários que foram mais ofensivos no tom de seus posts e comentários nas redes sociais já faziam isso nas conversas com a família, ou com os amigos, porém, segundo ela, os internautas não se dão conta do real alcance que as redes sociais possuem. “O problema está no alcance que certos comentários inverídicos ou difamatórios tomam”, afirmou. Para a professora, a conduta errada de alguns internautas “teve um grande destaque, tornando o processo eleitoral menos democrático

do que poderia ser. Eu mesma cheguei a realizar uma denúncia online à Procuradoria Regional Eleitoral quanto a boatos espalhados de maneira imprudente e irresponsável na rede”. Por parte das próprias campanhas, peças publicitárias e post em blogs, sites e redes sociais foram retirados a pedido do Superior Tribunal Eleitoral, além de canais que foram abertos para que comentários e publicações ofensivas com cunho racista ou preconceituoso fossem investigadas. “Por se sentirem ‘protegidas’ por trás de uma tela, algumas pes-

soas agem como se houvesse um grande clima de impunidade, cometendo verdadeiros crimes com a consciência tranquila. Isso precisa ser coibido”, afirmou a professora.

Uma mudança para além das eleições Eder, que também é bacharel em Comunicação Social, destacou que “por mais que tenham pessoas tentando monopolizar as informações” isso, nas redes sociais, se torna mais complicado, pois “tem muita gente produzindo conteúdo” e que quanto mais for utilizada, mais qualidade será obtida. A professora pensa da mesma forma, para ela, com a difusão da internet e de seus suportes materiais cada vez mais acessíveis e a intensificação do uso das redes online haverá uma contribuição para “criar cada vez mais uma inteligência e uma criatividade coletiva que permitam maior autonomia ao indivíduo e, portanto, cada vez mais liberdade ao cidadão. Mas, para isso, algumas estruturas de poder precisam ser revistas”. Para Eder, é preciso avançar ainda mais, a começar, segundo ele, pela gestão pública, em que poucas prefeituras utilizam-se das redes sociais para criar canais de conversa com os cidadãos, pois temem que “o muro do Facebook vire um muro das lamentações”. Para o Mestre em Administração Pública, se os governos começam a fazer isso no dia a dia, quando chegarem as eleições as pessoas estarão mais informadas e conscientes. (EB)

O SÃO PAULO - edição 3025  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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