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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 59 | Edição 3002 | 13 a 19 de maio de 2014

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Durante assembleia, CNBB finaliza documento sobre a paróquia O tema “Comunidade de comunidades uma nova paróquia” já havia resultado, no ano passado, durante a 51ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, no documento de estudos 104. Após um ano em que as dioceses, paróquias, comunidades, pastorais e congregações estu-

Superlotação do metrô é uma das causas para aumento de abusos sexuais A questão do número crescente de casos de abusos sexuais, considerados crimes de importunação ofensiva ao pudor e até mesmo de estupros, tem sido pautada pela mídia com frequência. O jornal O SÃO PAULO entrevistou Leonardo Faria, psicólogo criminal, para tentar entender quem são esses indivíduos que cometem tais delitos e porque acontecem. Segundo o psicólogo, é preciso analisar “a história de vida destas pessoas para entender a forma como estabelecem os princípios de afetos, limites e sexualidade durante a infância”. Página 23

Arquidiocese entra na Copa com as pastorais Página 21

Equipes de Nossa Senhora completam 64 anos Página 22

Universidades católicas realizam 5º fórum nacional Página 20

Código Penal não abrange tráfico de pessoas Página 24

daram e enviaram suas contribuições para a Comissão Episcopal para o Tema Central da 52ªAssembleia Geral, os bispos, reunidos em Aparecida (SP), finalizaram o texto do documento e o apresentam à Igreja do Brasil. Nessa assembleia, ainda foram apresen-

tados documentos sobre a questão agrária no Brasil, a reforma política - “Pensando o Brasil: Desafios diante das eleições 2014”- e, para o próximo ano, os bispos debaterão o papel do laicato na Igreja. Páginas 12 e 13

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO


2 | Fé e Vida |

13 a 19 de maio de 2014 | www.arquidiocesedesaopaulo.org.br Sergio Ricciuto Conte

frases da semana

“A mídia pode contribuir como qualquer outra situação que venha a provocar ou estimular contatos sexuais indevidos. O que é observado é que a mídia é apenas um meio que possa levar o sujeito a aprender condutas inadequadas, como qualquer outro meio de exposição”.

Leonardo Faria, psicólogo criminal e neuropsicólogo.

“A CNBB pretende que a participação de todas as pessoas seja uma participação consciente, o voto consciente é o voto de quem sabe que está fazendo. Aqui pensamos em todos os cidadãos. Um voto consciente faz a diferença nas eleições”.

Dom Joaquim Giovanni Mol Guimarães, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação da CNBB.

você pergunta

Espiritualidade

Por que Jesus não apareceu aos que o crucificaram?

As polêmicas são fruto de cabeças fechadas

Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação na Arquidiocese de São Paulo

Padre Cido Pereira

Márcia, ouvinte da Rádio 9 de Julho, me escreve com a seguinte pergunta: “por que Jesus Cristo apareceu apenas aos apóstolos e não às pessoas que o crucificaram para que elas acreditassem também ? Márcia, você se lembra da parábola do rico e do Lázaro? O rico vivia em festa. Lázaro na miséria. Queria comer as migalhas que caiam da mesa do rico e até isso lhe era negado. Os dois morrem. O rico vai para o fogo eterno. Lázaro vai para o seio de Abraão. E o rico pede ao Pai Abraão que Lázaro molhe o dedo na água e vá lhe refrescar a língua. E lhe é negado isso devido o abismo que os separa. Pede, então, que Lázaro vá avisar seus parentes para que não caiam na mesma desgraça. O pedido é negado. E o rico insiste: “se um morto ressuscitar e for avisá-los, eles acreditarão”. Resposta: “O coração deles é tão fechado que mesmo se um morto ressuscitar eles não acreditarão”. Jesus ressuscitado tinha mesmo de aparecer, Márcia, para os que creram nele. Afinal de contas, eles é que deveriam correr o mundo anunciando o Evangelho e a vitória de Cristo sobre a morte. Os que não aceitavam Jesus e o crucificaram, sempre arranjariam uma desculpa para negar sua ressurreição. Não foi isso que aconteceu? Eles subornaram soldados para dizer que o corpo de Jesus tinha sido roubado de noite. Por isso, Márcia, Cristo apareceu a testemunhas qualificadas, àqueles que ele quis. Fortaleceu a fé deles de tal maneira que eles deram a vida, morreram anunciando a verdade da ressurreição de Jesus. A experiência foi tão forte neles que mesmo sofrendo os mais bárbaros tormentos não mudaram sua fé: “Jesus ressuscitou mesmo!” - diziam. “Nós vimos e damos testemunha disso!” Por isso, neste tempo da Páscoa, nós proclamamos com toda a alegria que Jesus está vivo e está conosco, caminhando pelas estradas do mundo. Mil aleluias por isso, não é mesmo, Márcia? Fique com Deus.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Frei Patrício Sciadini

Sei que este título vai fazer endireitar as orelhas de muita gente, mas é o que quero mesmo. Precisamos aprender a escutar e principalmente buscar juntos a verdade, com coração aberto, que nos abra a cabeça, os olhos, e nos faz sentir em tudo a presença do amor de Deus. Ler a história com os olhos de Deus é sempre bom. Não faz muito tempo que li notícias que me fizeram refletir, não sobre a grandeza do coração humano e nem sobre o vento do Espírito Santo que sopra como quer e, de forma diferente, nos anuncia sempre a verdade, que é única e não deve ser diferente. A verdade nos liberta quando é acolhida, não como ideologia, mas como pessoa que deve ser amada. Primeira notícia que queria comentar com os meus leitores é a seguinte: por que não mudar o texto do Apóstolo Paulo quando

diz que as mulheres devem ser submissas aos maridos, como ao Senhor? (Col 3,18). Perdoem-me os polemizadores que gostam de criar caso e confusão, quando não é necessário. Não é necessário mudar nada. Paulo apóstolo é muito inteligente, sábio e santo, para saber que essa submissão deve ser como convém “no Senhor”. O que quer dizer isso? No amor, no respeito, na capacidade de diálogo e não na escravidão. Paulo não diz que as mulheres sejam “escravas do marido e nem dominadas pelo marido”. Paulo conhecia muito bem o dicionário e sabia o que queria dizer. Fazer confusão para quê? O coração da lei não é a lei, é o amor, e onde não há amor, sim, lá existe a escravidão, seja qual for. Está dito o que eu queria. A segunda reação que tive quando foi necessário que o Vaticano desmentisse que o Papa aboliu o pecado. Não era necessário. Jamais o papa de nenhum tempo e de nenhum momento da história vai “abolir o pecado”. Não é necessário dar explicações. Quem quer abolir o pecado não é o Papa e nem Jesus

o fez, em nenhum momento. Todavia, são os que não querem viver a virtude, o amor. E não querem lutar contra o mal que está à vista de todos, onde se vê que é necessário lutar contra o mal e que não é necessário escrever nenhum tratado filosófico ou teológico para provar que o mal se vence somente com o bem, e com o amor. Não é necessário jogar gasolina na fogueira que

Quem quer abolir o pecado não é o Papa e nem Jesus o fez, em nenhum momento. Todavia, são os que não querem viver a virtude, o amor nem está acesa, mas a nossa vocação não é jogar fósforo para o circo pegar fogo, mas apagar as fogueiras inúteis. Tranquilos? – Pois, então, Paulo não quer ver as mulheres escravas dos homens, e o Papa não vai abolir o pecado.

palavras que não passam

A volta à casa fraterna PADRE AUGUSTO CÉSAR PEREIRA

O propósito de restabelecer relações com o mundo moderno fez a Igreja perceber a necessidade da retomada do diálogo com as demais Igrejas Cristãs. O caminho iniciado é conhecido como o Ecumenismo que, em grego, significa casa (oikós). Simboliza o esforço e a convocação das pessoas que estão fora de casa a retornarem para a casa comum. No linguajar do Concílio Ecumênico é uma convocação de todas as Igrejas Cristãs separadas entre si para o esforço fraterno de reconstrução da unidade, em nome de Jesus Cristo. Todas essas Igrejas se declaram fundadas por Jesus Cristo e, por isso, discípulas. Porém, seguem caminhos diferentes, como se Jesus estivesse dividido, porque

cada qual se considera a verdadeira Igreja (cf. 1 Cor 1,13). Sentindo-se elas próprias responsáveis pelo contratestemunho dessa hostilidade mútua, pecaminosa, e atentas ao sopro do Espírito, as principais Igrejas se deixaram provocar pelo imenso desejo de reconstruir a unidade da única Igreja de Cristo. E, arrependidas do escândalo dado ao mundo até agora, querem tornar-se testemunhas de que, se as Igrejas conseguirem distinguir pontos comuns de reencontro e bases sólidas para se relacionarem na concórdia fraterna perdida, o mundo dilacerado poderá ser estimulado a perseguir e realizar o sonho de paz entre as nações. Entendamo-nos no que temos de igual, para, com esta força, caminhar em busca do grande dom da reconciliação, naquilo que ainda nos separa. Trata-se, portanto, de um movimento de reunificação das Igrejas nos aspectos comuns de crença e de atividade no seguimento de Jesus Cristo. Pensando nisso, o Concílio Ecumê-

nico Vaticano 2º quis fazer pública a sua parte, propondo-se a liderar o esforço comum incluindo o tema do Ecumenismo, não só em seus trabalhos (pelo decreto Unitatis Redintegratio – sobre o Ecumenismo), mas no seu próprio título para atestar a importância do assunto em resposta à ânsia geral de unidade. Entre as diversas Igrejas já se percebe a significativa virada no relacionamento cotidiano da vida. Como exemplo, basta citar o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) que, no Brasil, também realiza a cada cinco anos, a Campanha da Fraternidade Ecumênica. A Igreja Católica abre mão de sua exclusividade na Campanha da Fraternidade, para acolher o cristão para testemunharem juntos, no que lhes é comum. Essa proposta leva a Igreja ao diálogo com as Igrejas não cristãs como Judaísmo e Maometismo. Além disso, no diálogo inter-religioso, o conhecimento recíproco propicia a confiança mútua e fraterna.

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Daniel Gomes, Edcarlos Bispo e Nayá Fernandes • Institucional: Rafael Alberto • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Assinaturas: Djeny Amanda • Projeto Gráfico e Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Impressão: Atlântica Gráfica e Editora Ltda. • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinaturas) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail• A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


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encontro com o pastor

| Fé e Vida | 3

editorial

Algumas vocações dão certo. Sim às redes sociais do bem... Outras, não

Arcebispo metropolitano de São Paulo

cardeal odilo pedro scherer

dedicar a sua vida inteira a ele e ao anúncio da Boa Nova aos povos: “o meu viver é Cristo” (cf Fp 1,21). Mas houve também os que desistiram de acompanhar Jesus, depois de tê-lo seguido por algum tempo: “dura é esta palavra, quem pode suportá-la?!” (cf Jo, 6,60). A palavra de Jesus exigia o passo da fé sincera e desapegada; muitos discípulos não foram capazes desse passo. Lembramos também aquele homem (“jovem rico”?) que se aproximou de Jesus com boas intenções, mas acabou se distanciando dele, “porque tinha muitos bens” e não foi capaz de trocar um tesouro na terra pelo tesouro no céu (cf Lc 18,22). Tantos passos bíblicos de “vocações falidas” poderiam ser recordados... O papa Francisco recorda, na sua mensagem, que as vocações sacerdotais e outras, de especial consagração, despertam e se sustentam na escuta da voz de Cristo,

O 4º Domingo da Páscoa, 11 de maio, “Domingo do Bom Pastor”, foi também celebrado como Jornada Mundial de Oração pelas Vocações. O que desperta uma vocação autêntica? O que sustenta uma vocação pela vida afora? Por qual razão as vocações autênticas andam raras hoje? Na sua mensagem para essa ocasião, o papa Francisco traz as palavras de Jesus que, vendo as multidões cansadas e famintas, teve compaixão delas e ordenou: “pedi ao Senhor da messe que envie operários à sua messe, pois a messe é grande e os operários são poucos!” (cf Mt 9, 35-38). A vocação na Bíblia aparece como fruto O povo seguia Jesus e quede uma forte experiência do amor de ria ouví-lo e estar próximo dele; em Jesus, as pessoas Deus. Paulo, bem depois do encontro viam um “homem de Deus” surpreendente com Jesus às portas de que os atraía; queriam estar perto dele e ser beneficiados Damasco, tendo já padecido um bocado pelo “poder” que irradiava. por causa de Cristo, recorda a própria Buscavam a verdade, o amor; buscavam Deus. E concluíam: vocação e o motivo de tanto ardor e “um grande profeta apareceu dedicação ao Evangelho entre nós e Deus visitou o seu povo” (cf Lc 7,16). Jesus “falava com autoridade, e não que ressoa na Igreja, naqueles que se deicomo os nossos escribas” (cf Mt 7,29). xam transformar pelas palavras de Cristo, Alguns concluíam: “Ele tem feito bem to- que “são espírito e são vida” (Jo 6,62). E das as coisas. Fez os surdos ouvirem, os convida a “ouvir Jesus” nos muitos apemudos falarem” (cf Mc 7,37). As multi- los da vida comunitária. dões não sabiam definir bem, mas eram Pede mesmo para ir contra a corrente atraídas por Jesus: “ninguém jamais falou da busca sôfrega de satisfações pessoais como este homem!” (Jo 7,46). Pedro, em e egoístas, como é próprio da cultura do certo momento de crise no discipulado, nosso tempo: “a vocação é fruto que amaquando muitos abandonavam Jesus, re- durece no campo bem cultivado do amor sume a razão mais profunda porque ele e mútuo, que se torna serviço recíproco no alguns continuam a permanecer como ele: contexto de uma autêntica vida eclesial. “Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens pa- Nenhuma vocação nasce por si mesma ou lavras de vida eterna e nós cremos e sabe- vive para si mesma. A vocação brota do mos que tu és o santo de Deus (Jo 6,68). coração de Deus e germina na terra boa A vocação na Bíblia aparece como do povo fiel, na experiência do amor frafruto de uma forte experiência do amor terno”. Deus continua a chamar. Haverá de Deus. Paulo, bem depois do encontro também hoje quem se dispõe a responder surpreendente com Jesus às portas de Da- sim. masco, tendo já padecido um bocado por O que pode despertar vocações autêncausa de Cristo, recorda a própria voca- ticas e sustentar a sua perseverança nesção e o motivo de tanto ardor e dedicação tes tempos de individualismo e busca deao Evangelho: ”Cristo morreu por nós senfreada do gozo imediato da vida? Por quando éramos ainda pecadores! (Rm quais motivos tantas vocações aparentes 5,8). A tanto amor gratuito, só se pode não vingam e acabam frustradas? Como responder com a entrega total da vida: cultivar vocações autênticas numa cultu“Ele me amou e por mim se entregou so- ra subjetivista e narcisista, de relativismo bre a cruz!” (Gl 2,20). Para Paulo, nada extremo diante da verdade? Os textos na vida vale mais do que “ser de Cristo” e acima convidam a refletir...

não às do mal!

O mundo ficou cada vez menor por conta dos meios de transporte e das tecnologias da comunicação. Isso deveria nos aproximar mais uns dos outros. Afinal de contas, estamos nos interligando cada vez mais, nos tornamos interdependentes. Acabaram, porém, as divisões? Não. E a distância entre o luxo dos ricos e a miséria dos pobres? Continua! Exclusão, marginalização, pobreza aí estão por motivos políticos, econômicos, ideológicos e até religiosos. A constatação é do papa Francisco. Ele está preocupado e revela isso no começo de sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais deste ano. E não é que de repente começam a ser detectadas duas formas de redes sociais, uma do bem e outra do mal? A do bem aproxima, gera solidariedade, mostra o bem feito, faz de cada pessoa um comunicador, mobiliza para a cidadania, exige respeito aos direitos, exorta ao cumprimento dos deveres. É sinal de esperança ver as redes sociais do bem aproximando pessoas, superando preconceitos, acentuando valores. E bom ver os fiéis partilhando suas experiências de Deus. O Evangelho está sendo anunciado nas redes e é comentado, curtido e compartilhado. Quanta convocação para o que é bom, útil e necessário. As redes do mal, porém, semeiam ódio, acentuam preconceitos, não respeitam o diferente, julgam e condenam pessoas, desrespeitam a vida, convocam para o mal. Exemplos? Já os temos e dolorosos, como o linchamento insano e cruel de uma dona de casa, mãe, linchada com requintes de crueldade por populares que a confundiram com alguma outra acusada de bruxaria com menores. Ouçamos, de novo, o papa Francisco que quer a cultura do encontro. Diz ele literalmente: “Uma boa comunicação ajuda-nos a estar mais perto e a conhecer-nos melhor entre nós, a sermos mais unidos. Os muros que nos dividem só podem ser superados se estivermos prontos a ouvir e a aprender uns dos outros. Precisamos harmonizar as diferenças por meio de formas de diálogo, que nos permitam crescer na compreensão e no respeito.” Já se faz necessário retomar a reflexão que já há alguns anos vem marcando as mensagens pontifícias para o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Essa reflexão começou com São João Paulo 2º, continuou com Bento 16 e prossegue com o papa Francisco. Os discípulos missionários de Cristo precisam estar presentes nas redes sociais para que elas sejam cada vez mais do bem e cada vez menos do mal. Sergio Ricciuto Conte


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liturgia e vida

palavra do papa

5º DOMINGO DA PÁSCOA 18 DE MAIO DE 2014

Oremos pelos pastores da Igreja e pelas vocações

Ana Flora Anderson

Uma herança eterna Neste 5º Domingo da Páscoa, a Igreja reflete sobre a realidade de ser uma verdadeira comunidade. A primeira leitura (Atos dos Apóstolos 6, 1-7) apresenta uma divisão no começo da Igreja. Jesus e seus primeiros discípulos eram judeus, mas, pouco a pouco, o número de gregos cristãos começou a aumentar. Seguindo o ministério de Jesus, os primeiros discípulos apresentaram a missão da Igreja na pregação e no serviço. Assim, havia um ministério que servia os judeus cristãos necessitados. Com o tempo, os gregos cristãos reclamaram e os apóstolos superaram a divisão ao escolher sete gregos para servir o seu povo. A segunda leitura (1 Pedro 2, 4-9) apresenta uma teologia do povo de Deus. Este forma uma raça escolhida, um sacerdócio do reino e uma nação santa. Somos pedras vivas que juntas constroem um edifício espiritual. Em todo edifício há uma variedade de pedras, mas é somente na unidade que a casa de Deus se estabelece. O Evangelho de São João (14, 1-12) narra o diálogo de Jesus com seus discípulos na Última Ceia. Jesus pede a Deus que os seus seguidores aceitem que na casa do Pai há muitas moradias. Tomé pergunta a Jesus qual é o caminho para chegar à casa do Pai. Jesus revela que Ele mesmo é o Caminho, a Verdade e a Vida. A herança eterna, prometida na oração no começo da liturgia, é o dom que Deus nos dá quando aprendemos a viver no amor e na fraternidade, superando as divisões. leituras da semana

Segunda-feira (19): Terça-feira (20): Quarta-feira (21): Quinta-feira (22): Sexta-feira (23): Sábado (24):

At 14, 5-18; Sl 113b; Jo 14, 21-26. At 14,19-28; Sl 144; Jo 14, 27-31a. At 15, 1-6; Sl 121; Jo 15, 1-8. At 15, 7-21; Sl 95; Jo 15, 9-11. At 15, 22-31; Sl 56; Jo 15, 12-17. At 16, 1-10; Sl 99; Jo 15, 18-21.

santos e heróis do povo – 12 de Maio

12 de maio - “Dia do Enfermeiro”- Nossa oração especial por todos os doentes e por todas as pessoas que lhe dedicam a vida, a ciência e o coração. Na Guatemala, venera-se no dia 12 de maio um missionário belga, Oblato de Maria Imaculada: Walter Voodckers. Um de seus companheiros escreveu sobre ele: “Obrigado, meu irmão Walter, pela tua fidelidade até o último suspiro! Tua vida e morte me ajudaram a compreender o sentido profundo do Evangelho e a encontrar nele um sabor novo, cheio de vida”. Walter morreu aos 40 anos. Do nosso tempo, voltamos ao século 1º do Cristianismo. Aí encontramos dois santos. Ambos foram militares, convertidos à fé cristã. Seus nomes Nebreu e Aquiles. Aliás, a representação em baixo relevo de Aquiles, sendo morto a golpes de espadas, é considerada a mais antiga - século 4º. E vamos relembrar um jovem de 14 anos chamado Pancrácio (imagem). Perdeu os pais, e como era muito rico, distribuiu toda a sua fortuna aos pobres. Isso lhe mereceu a ira dos perseguidores. Ninguém pode ser caridoso sem atrair ciúmes sobre si. Isso, desde aquele tempo, desde a morte de São Pancrácio. Fonte: “ Santos e Heróis do Povo” livro do cardeal Arns

Papa francisco

No 4º Domingo da Páscoa, dia 11, às 12 h, o papa Francisco, antes de rezar a oração Regina Coeli, convidou os peregrinos na praça de São Pedro a orar pelos pastores da Igreja e pelas vocações. Neste domingo, rezemos pelos pastores da Igreja, por todos os bispos, incluindo o bispo de Roma, por todos os sacerdotes, por todos! Em particular, rezemos pelos novos sacerdotes da diocese de Roma, que ordenei agora há pouco, na Basílica de São Pedro. Uma saudação a estes 13 novos sacerdotes! O Senhor ajude a nós, pastores, a sermos sempre fiéis ao Mestre e guias sábios e iluminados do povo de Deus a nós confiado. Também a vocês, por favor, peço que nos ajudem: ajudem-nos a sermos bons pastores. Uma vez, li uma coisa belíssima de como o povo de Deus ajuda os bispos e os sacerdotes a serem bons pastores. É um escrito de São Cesário de Arles, um padre dos primeiros séculos da Igreja. Ele explicava como o povo de Deus deve ajudar o pastor e dava este exemplo: quando o bezerrinho tem fome, vai até a vaca, até a mãe, para tomar o leite. A vaca, porém, não o dá de imediato: parece que o retém para si. E o que faz o bezerrinho? Bate com o seu nariz na mama da vaca, para que venha o leite. É uma bela imagem! “Assim

vocês – diz este santo – devem ser com os pastores: bater sempre às suas portas, aos seus corações, para que vos deem o leite da doutrina, o leite da graça e o leite da orientação”. E vos peço, por favor, para importunarem os pastores, para perturbarem os pastores, todos nós pastores, para que possamos dar a vocês o leite da graça, da doutrina e da orientação. Importunar! Pensem naquela bela imagem do bezerrinho, como importuna a mãe para que lhe dê de comer. À imitação de Jesus, cada pastor “às vezes se colocará diante para indicar o caminho e para apoiar a esperança do povo – o pastor deve estar à frente às vezes – às vezes estará simplesmente em meio a todos com a sua proximidade simples e misericordiosa e em algumas circunstâncias deverá caminhar atrás do povo, para ajudar àqueles que ficaram para trás”. Que todos os pastores sejam assim! Mas

vocês, importunem os pastores, para que deem a orientação da doutrina e da graça. Neste domingo, acontece o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Na mensagem deste ano, recordei que “cada vocação requer em todo caso um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho” (n.2). Por isso, o chamado a seguir Jesus é ao mesmo tempo entusiasmante e desafiador. Para que se realize, é necessário sempre entrar em profunda amizade com o Senhor para poder viver Dele e para Ele. Rezemos para que também neste tempo tantos jovens ouçam a voz do Senhor, que tem sempre o risco de ser sufocada entre tantas outras vozes. Rezemos pelos jovens: talvez aqui na praça haja alguém que escuta esta voz do Senhor que o chama ao sacerdócio; rezemos por ele, que está aqui, e por todos os jovens que são chamados. L’Osservatore Romano

Na última sexta-feira, 9, o papa Francisco realizou audiência, no Vaticano com cerca de 70 participantes do Conselho dos Chefes Executivos das Nações Unidas, dirigido por Ban Kin Moon. Francisco pediu que o desenvolvimento sustentável futuro fosse realizado generosamente e com coragem, para que chegue a cair sobre as causas estruturais da pobreza e da fome.

há 50 anos

Homenagem ao Núncio Apostólico e aos pequenos peregrinos Em 17 de maio de 1964, o jornal O SÃO PAULO publicou um artigo de homenagem do Cardeal Mota para o núncio apostólico no Brasil, que falecia aos 59 anos. “A nação brasileira se associa, neste momento, com a mais profunda emoção, ao pesar do mundo católico e do corpo diplomático pela perda do seu grande amigo, monsenhor Armando Lombardi, núncio apostólico no Brasil... O corpo diplomático, aqui acreditando, pode testemunhar o zelo e a dedicação com que se desempenhou de suas funções no Brasil, durante estes dez anos”. Um segundo artigo publicado pelo

Semanário Arquidiocesano dedicava-se ao pedido do papa Paulo 6º para que as crianças orassem pela paz mundial. “O papa Paulo 6º pediu às crianças da Associação do Rosário Vivente que rezassem pelo Concílio Ecumênico, pela união dos cristãos e pela paz entre os povos, durante uma missa que celebrou para vários grupos de peregrinos na Igreja de São Pedro... Cerca de 2 mil crianças foram à Roma numa peregrinação patrocinada pela Ordem Dominicana e o Pontífice fez o pedido nessa missa especial para os pequenos peregrinos”.

Capa da edição de 17 de maio de 1964


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dicas de cultura

literatura

O poema de João Cabral de Melo Neto é materializado em litogravuras Reprodução

A Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura –, em parceria com a Fundação Bunge – promove, até 18 de maio, a mostra “Imagem Palavra em ‘Morte e Vida Severina’”. O poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, materializado nas litogravuras (técnica em gravuras com água e óleo), da artista Liliane Dardot, é trazido a público pelo Centro de Memória Bunge, na mostra “A Arte da Imagem e A Arte da Palavra”. Originalmente, o encontro entre o escritor recifense e a artista plástica se deu em 1984, em um livro editado para comemorar os 70 anos da S. A. Grandes Moinhos do Brasil, que na época pertencia ao grupo Bunge. As dez litogravuras e os dois exemplares originais dos livros estarão expostos para que os visitantes possam conhecer as imagens, ao mesmo tempo fortes e leves, da natureza e do homem do sertão. O QUE: Exposição Imagem Palavra em “Morte e Vida Severina” QUANDO: Diariamente, até 18 de maio, das 10h às 22h. QUANTO: Gratuito ONDE: Casa das Rosas (avenida Paulista, 37, Bela Vista, São Paulo).

vamos cuidar da saúde!

Gota

| Viver Bem | 5 Reprodução

A vida de João Paulo 2º, o grande peregrino No dia 27 de abril de seu extraordinário pontifi2014, o papa João Paulo cado, que durou 26 anos. 2º foi declarado Santo pela Igreja Católica, em Roma. Ficha Técnica A vida deste novo Título: Santo pode ser conhecida A Vida de João Paulo II. O em uma coleção, em três Grande Peregrino volumes, que a Editora Autores: Corvara traz ao público Dominique Bar, Louis-Bernard Koch e Guy Lehideux brasileiro. 40 O segundo volume, “A Páginas:informações: Vida de João Paulo II. O Outras corvara@corvara.com.br Grande Peregrino” traça

direito do consumidor

Gota é uma doença causada por uma elevada concentração de ácido úrico, que causa crise de dor intensa nas articulações (vulgo juntas). A gota se manifesta diferente em jovens, adultos e idosos. Nos adultos é comum iniciar com dor nas articulações de membros inferiores (joelho e tornozelo) e depois de anos de evolução pode desencadear, nas mãos, aumento das articulações, conhecida como tofos. Nos idosos, a gota pode se manifestar já com o aparecimento de tofos e as dores articulares pode também estar presentes nas articulações

Sobreaviso

de membros superiores (mãos, punhos, cotoO sobreaviso consiste na velos e ombros) como também dor na coluna. possibilidade de o emPor isso, é necessário fazer exames periódicos pregado permanecer em sua residência ou noutro e ter uma dieta adequada, pois alguns alimentos, tais como embutidos e carne vermelha polocal combinado com o empregador, aguardando dem desencadear uma nova crise. Seu médico ordens da empresa. Nespode informar quais as melhores medicações se caso, receberá apenas para usar durante a crise e nos períodos de 1/3 da hora normal e poderá ficar nesse reinter-crise também. gime por, no máximo, 24 horas. A utilizaDúvidas: dracassiaregina@gmail.com ção de aparelhos eletrônicos (telefone ceDra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF). lular, notebook, tablets etc), por si só, não

configura as horas de sobreaviso. Entretanto, configura horas de sobreaviso se a utilização dos instrumentos informatizados, como celular, notebook etc: a) mantiverem o empregado sob o controle do empregador; b) deixarem o trabalhador conectado e ligado à empresa, como responder e-mails durante à noite etc; c) submeterem o empregado a regime de plantão, podendo ser acionado a qualquer momento. Saiba de seus direitos, procure um advogado. Ronald Quene é formado em Direito

O SÃO PAULO: UMA EQUIPE TRABALHANDO POR VOCÊ

LUANA DE OLIVE IRA

Ela tem 26 anos e há mais de uma década colabora com a administração do jornal O SÃO PAULO. Luana de Oliveira Silva, atualmente cursa graduação superior em Tecnologia e Mídias Digitais e se mantém atenta às coisas do Semanário Arquidiocesano. “Posso dizer que aqui é a minha segunda casa, é um privilegio ter em primeira mão as notícias ‘quentinhas’ e saber que, indiretamente, eu colaborei para isso. Nada melhor do que trabalhar em um ambiente bacana com pessoas maravilhosas. Eu tenho orgulho de fazer parte da equipe”.

(PARÓ) MARIA APARECIDA

Há dois meses, Maria Aparecida Ferreira, a Paró, é a revisora do O SÃO PAULO. Aos 61 anos, ela é graduada em Letras e Pedagogia, e tem especialização em Língua Portuguesa e Comunicação, pela PUCSP, e em Arte-educação, pela ECA-USP. “Como acredito sermos todas as pessoas seres comunicáveis, aponto que fazer parte de um instrumento de comunicação é muito relevante, pois poderei, por meio dele, continuar desenvolvendo novos aprendizados, além de colocar em prática os conteúdos que trago de minha formação acadêmica e pessoal, ‘fazendo ecoar’ palavras e ações que possam contribuir para a construção de um mundo mais humano, justo e fraterno”.


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INSTITUTO DO NEGRO PADRE BATISTA

fé e cidadania

18ª Marcha Noturna pela Democracia Racial

O futebol e a cidadania

Presidente do Instituto

PADRE JOSÉ ENES DE JESUS

barco pelo Rio Tamanduateí até o embarcadouro, onde hoje está instalado o Mercado Municipal (Mercadão). No Mosteiro de São Bento, caso o horário fosse favorável (até às 15 horas), eles seriam conduzidos direto para venda, se ao contrario, fosse mais tarde, os escravos seriam “abrigados” na senzala que há no Mosteiro, para serem comercializados no dia seguinte; 6ª estação: Rua São Bento; 7ª estação: Praça do Patriarca. No centro da praça havia um bebedouro e chafariz para os animais. Os negros eram ali instados a fazerem uma higiene (eram lavados e tinham os dentes polidos), pois seriam vendidos logo depois; 8ª estação: Travessia do Rio Anhangabaú e da Chácara do Chá; 9ª estação: Praça Ramos de Azevedo. A Praça foi o principal local de venda dos escravos em São Paulo, tanto os vindos da África quanto os imigrados de outras regiões do Brasil. Nesse local, eram sepa-

A Marcha Noturna pela Democracia Racial vivenciou no 18º ano, no dia 12 de maio, uma forma de protesto. Foi um estudo (resgate/memorial) da história do negro em São Paulo e suas constantes lutas por cidadania, libertação e reconhecimento. No percurso, a Marcha percorreu pontos históricos do Centro Velho de São Paulo, locais onde, outrora, os escravos eram conduzidos para serem vendidos, açoitados (torturados) ou enterrados. 1ª estação: Concentração: Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte (rua da Glória). Este monumento tombado pelo patrimônio histórico da cidade de São Paulo, por sua riqueza artística e arquitetônica, é a reafirmação do louvor e da fé católica do povo negro, que, mesmo despossuído enquanto esNo percurso, a Marcha cravo, alçou de suas estranhas percorreu pontos históricos meios financeido Centro Velho de São Paulo, ros e adquiriu o terreno e erigiu locais onde, outrora, os a capela da sua escravos eram conduzidos para padroeira em 1810. Os esserem vendidos, açoitados cravos, quando (torturados) ou enterrados condenados à morte, rogavam por sua padroeira, pela sua in- rados dos seus irmãos e irmãs tercessão, no sentido de ter uma de etnia, tribo e familiaridade boa morte (sem sofrimento) na linguista; 10ª estação: Rua Consecerteza de ter um local onde seriam depositados seus despojos; lheiro Crispiniano; 2ª estação: Paróquia Nossa 11ª estação: EncerramenSenhora do Carmo (rua do Car- to: Igreja de Nossa Senhora do mo//Poupatempo); Rosário dos Homens Pretos, 3ª estação: Catedral da Sé; que é símbolo da devoção do 4ª estação: Rua Boa Vista – povo negro afrodescendente, Praça Antonio Prado. Nesta pra- consoladora de todas as nossas ça, em 1711, foi erigida a Igreja mazelas e das nossas lágrimas. de Nossa Senhora do Rosário A 18ª Marcha, com o tema dos Homens Pretos, sede da Ir- “Pelos 514 Anos de Tortura e mandade de mesmo nome, e que Genocídio da População Negra, possuía em um dos seus altares Pobre e Periférica, aos 50 anos laterais as imagens de Santa Ifi- do Golpe Militar”, foi promovida gênia e de São Elesbão (santos pelo Instituto do Negro Padre Banegros), cujas irmandades cons- tista, uma entidade civil sem fins truíram o Santuário de Santa lucrativos, fundada no dia 20 de Ifigênia em 1809; a tradicional e novembro de 1987 pelo falecido histórica Igreja do Rosário, como Padre Benedito Batista de Jesus é conhecida, foi transferida para Laurindo. Em 26 anos de atividao atual Largo da Paissandú. des, o Instituto do Negro promo5ª estação: Mosteiro de veu o ingresso e ofereceu suporte São Bento. O percurso da Rua para jovens universitários negros do Carmo, Praça da Sé e Rua com baixa renda, que como uma Boa Vista é o caminho pelo qual forma de reciprocidade desenvolo escravo era conduzido sob veu um Departamento Jurídico e o açoite da chibata para o seu um Departamento de Psicologia destino. Eles vinham de Santos com ex-bolsistas, atuando até os (SP) e depois eram levados por dias de hoje.

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Padre Alfredo José Gonçalves

No clima da Copa do Mundo, podemos tomar o futebol como alegoria no sentido de tecer algumas considerações sobre o conceito de cidadania. Desdobrando a alegoria, digamos que o estádio se confunde com o Estado ou nação, o espaço retangular do campo representa o conjunto das instâncias decisórias de uma democracia, onde se tomam as decisões conforme as circunstâncias da partida e conforme o jogo de forças. A bola, em seu itenerário sempre imprevisível e sinuoso, tendo como meta o gol, simboliza a política econômica, em seus projetos e programas públicos a serem alcançados. Sobre o espaço do gramado, os jogadores figuram como os políticos, partidos e coligações em ação, tentando responder às expectativas do povo/plateia. Nas arquibancadas, a população/torcida exprime sua euforia ou desilusão, anseios e esperanças. Torce, aplaude, grita, vaia, chora, canta, agita a faixa, ergue a bandeira... de acordo com o desempenho dos jogadores e com o placar. Os números da derrota ou da vitória oscilam ora para um lado, ora para o outro, determinando o humor da multidão dividida pelas cores dos times em disputa. Mediadores entre os interesses diferentes e contraditórios do país/estádio estão os poderes da União: legislativo, executivo e judiciário. Este último, em especial, na qualidade de juiz da partida, representa a instância máxima a quem apelar em caso de divergência ou desentedimento. Mas, no fim das contas, tudo deve reger-se não pelas inclinações do árbitro ou auxiliares em questão, e

sim pelas regras do jogo, vale dizer a Constituição Nacional. Como toda a alegoria, porém, o futebol comporta boa dose de ambiguidade. Se, de um lado, ajuda a entender o funcionamento de uma democracia, de outro, é um esporte dividido entre os atores em campo, e os espectadores fora do campo. Passivos estes, ativos aqueles! Como num teatro ampliado, a ação se desenrola entre, de um lado, um palco iluminado, onde as pessoas falam, gesticulam e se movimentam e, de outro, uma massa escura, imóvel e silenciosa. E aqui, do ponto de vista da alegoria democrática, surge um primeiro desafio: como fazer com que o resultado do jogo não dependa unicamente dos atores/jogadores sobre o tapete verde, mas de toda a plateia envolvida no desenrolar dos acontecimentos? Como fazê-la passar do simples aplauso ou vaia a uma participação consciente e responsável? A palavra - chave é o exercício da cidadania! Esta, quando levada a sério, exige um salto qualitativo da democracia representativa a uma democracia mais direta e participativa. A prática efetiva da cidada-

nia, para ser verdadeira, requer a formação de novos canais de participaçao popular, tais como os conselhos de saúde, educação, transportes, desenvolvimento, reforma agrária e agrícola... Novos mecanismos de tomada de decisões, tais como consultas, assembleias e plebiscitos populares... Novos instrumentos de controle do orçamento público e da prática política, tais como auditorias independentes, imprensa sem rabo preso e liberdade de pensamento. Tais canais, mecanismos e instrumentos têm como tarefa primordial definir a posse de bola. Se esta, como vimos, simboliza a política dos projetos e programas a serem levados em conta para chegar à meta/gol, é preciso garantir que todos tenham oportunidade de um toque, um pontapé, um passe, um pelo menos, por menor que seja. A posse de bola não pode ser monopólio de um só time. Aplicando a alegoria ao exercício da democracia, porém, a posse de bola tampouco pode ser monopólio dos jogadores. Os espectadores devem ser convidados a entrar no jogo.

para todo mundo. Os discursos dos principais candidatos são muito semelhantes e todos falam no bem do Brasil. Aos poucos, a população vai conhecendo as tendências de todos eles, embora poucas vezes possa realmente perceber os interesses que estão presentes em cada candidatura. As doações de campanha também já começaram e, civicamente, empresas fazem doações para todos os candidatos, como que para ter segurança, no final, de ter investido no candidato certo. Para nós, duas coisas são importantes. A primeira é conhecer profundamente os candidatos, tanto à presidência quanto aos outros cargos e funções. Conhe-

cer os interesses encobertos ou explícitos em cada candidatura, saber da história do candidato, de seu partido e da aliança que o sustenta politicamente, para escolher com liberdade e com seriedade. A segunda coisa é escapar do clima de “fla-flu” que se faz presente na campanha. Nela não somos torcedores, somos eleitores. É preciso discernir não com sentimentos, mas com a razão, pensando no que se faz e naquilo que aquele voto vai significar para os próximos quatro anos. Eleição não é campeonato de futebol, e há uma responsabilidade grande envolvida no ato de votar.

A íntegra do artigo pode ser acessada em www.adital.org.br

espaço aberto

Eleições à vista PADRE ANTONIO MANZATTO

Já está a pleno vapor a campanha eleitoral para a presidência da República. Os candidatos, ainda chamados eufemisticamente de pré-candidatos, ocupam todos os espaços possíveis na mídia e já começam a atender eleitores e fazer promessas. Oficialmente, a campanha ainda não começou, mas, hipocritamente, na prática ela já está a todo o vapor. Os discursos de 1º de Maio revelaram isso, e houve vaias


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PASTORAL CARCERÁRIA

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bioética Pastoral Carcerária

O futuro da vida no planeta em perigo (1) padre leo pessini

Pastoral Carcerária realiza assembleia estadual em Piracicaba imprensa@carceraria.org.br

Entre 25 e 27 de abril, em Piracicaba (SP), a Pastoral Carcerária do Estado de São Paulo realizou sua assembleia anual, no Seminário Imaculada Conceição. Na pauta da assembleia, a exortação apostólica do papa Francisco “A Alegria do Evangelho”, a análise do sistema prisional no Brasil e em São Paulo, a justiça restaurativa, o direito humano à educação de pessoas em situação de privação de liberdade, a mulher encarcerada e a campanha pelo fim da revista vexatória, serviram de temas para a formação e a reflexão.

Como tem sido todo ano, aproximadamente uma centena participantes, de todo o Estado de São Paulo, pertencentes ao Regional Sul 1 da CNBB, se reuniram e, fraternalmente, buscaram aprofundamento nas questões que compreendem a atuação da Pastoral Carcerária, como presença da Igreja Católica no interior dos cárceres. Os membros da PCr compartilharam experiências, boas práticas e esclarecimentos no sentido de qualificarem, ainda mais, a intervenção pastoral na privação da liberdade. Todos os sub-regionais do estado se fizeram presentes. O encontro esteve sob a orientação do bispo de Catanduva, dom Otacílio

Luziano da Silva, que foi também um dos expositores da assembleia. Também participaram o padre Valdir João Silveira e Heidi Cerneka, membros da coordenação nacional da Pastoral. Junto à coordenação estadual executiva da Pastoral Carcerária, formada por Deyvid Livrini, Antonia Alexandrina e Adolfo Oliosi, e à equipe da Diocese de Piracicaba, foram presenças marcantes muitos jovens, coordenados pelo diácono Joaquim. No encerramento, decidiu-se que em 2015, a próxima assembleia ocorrerá na Grande São Paulo, no município de Embu das Artes. Por Wilson Roberto

PASTORAL FÉ E POLÍTICA

Em busca de ser testemunha de Jesus Cristo na cidade Pastoral Fé e Política

marcia@pastoralfp.com

Em continuidade ao trabalho iniciado em 2013 e em sintonia com o atual Plano de Pastoral arquidiocesano “Testemunha de Jesus Cristo na cidade de São Paulo”, a Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo dedica-se à formação política em vista de ação na cidade. Em 2014, são duas escolas semeando a cidadania ativa na cidade: na Região Santana, a Escola de Fé e Política Dom Paulo Evaristo Arns, e na Região Belém, a Escola de Fé e Política Waldemar Rossi, esta em seu segundo ano de caminhada. No Belém, os participantes têm discutido temas como a relação fé e política a partir do Evangelho, a Doutrina Social da Igreja e a exortação apostólica Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho) do papa Francisco. Os participantes, em vista do preparo para a ação cidadã, têm conhecido as políticas que organizam a vida da cidade, bem como o monitoramento do Programa de Metas 2013-2016. Outra política acompanhada é o processo participativo de revisão do Plano Diretor da cidade, que tem como princípios orientadores a função social da cidade, a função social das propriedades urbanas, o direito à cidade, a gestão democrática, equidade social e territorial. Por fim, neste mês de maio, o tema será como acompanhar o orçamento da cidade e da subprefeitura.

Em virtude da parceria com a Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp, e com o objetivo de que os participantes se apropriem dos instrumentos de ação política, os estudantes desenvolvem um trabalho de conclusão de curso. Recentemente, eles elegeram quais temas irão se dedicar: 1. Reforma Política, conhecendo as iniciativas populares como o M2M - máximo de dois mandatos para parlamentares, o projeto Eleições Limpas e o Plebiscito Popular Por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político; 2. O Conselho Participativo Municipal que está em

seu primeiro ano de ação em cada uma das 32 subprefeituras da cidade; 3. O Controle Social que pode ser feito individualmente, por qualquer cidadão, ou por um grupo de pessoas pelos canais efetivos de participação, que permitem estabelecer uma sociedade na qual a cidadania deixe de ser apenas um direito, mas uma realidade.; 4. A Habitação como desafio de incluir os excluídos no Direito à Moradia; 5. O Grupo de Trabalho Saúde no Conselho Participativo Municipal; 6. A Situação da Criança, Adolescente e Juventude. Por Márcia Castro

O órgão das Nações Unidas responsável para produzir informações científicas e monitorar as mudanças climáticas - Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPPC) - realizou mais um encontro, em Berlim, na Alemanha, no início de abril deste ano, e aprovou um importante documento sobre as “formas de mitigar o impacto das mudanças climáticas”. A humanidade necessita urgentemente começar a utilizar combustíveis limpos, senão vai ser impossível limitar os efeitos nocivos do aquecimento global. Os principais vilões responsáveis pelo aquecimento global, segundo o documento, são os sistemas de produção de energia, com 47% das emissões; a indústria, com 30%; o transporte, com 11%; e a construção civil, com 3%. Os crescimentos econômicos e populacionais continuam sendo os mais importantes fatores de aumento das emissões de CO2 a partir da queima de combustíveis fósseis. Os registros climáticos científicos tiveram início em 1850. Antes não havia medições confiáveis. Hoje, sabemos até que ponto o aquecimento global é influenciado pelo ser humano. “Com 95 % de certeza, a maior parte das mudanças climáticas que vêm ocorrendo desde meados do século 20 é resultante da ação de nossa civilização”, afirma o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri. Se não forem tomadas medidas para reduzir as emissões de CO2, a temperatura da Terra em 2100 será entre 3,7% e 4,8% maior do que em relação aos níveis anteriores à Revolução Industrial (século 18). Para se evitar esse cenário apocalíptico, o IPCC apontou medidas para limitar as emissões de CO2, de forma a limitar o aumento médio da temperatura a 2ºC até 2100. Entre as medidas mais importantes, menciona-se “cortes substanciais de emissões de gases de efeito estufa até o meio do século e mudanças em sistemas de energia e uso da terra”. O IPCC defende a substituição de combustíveis fósseis por bioenergia, energia nuclear (com algumas restrições), reflorestamento e redução de desmatamento. Diz o documento que “bioenergias podem desempenhar um papel crítico para mitigação ambiental”. Em termos de Brasil, existe a preocupação mundial com o progressivo desmatamento da Amazônia. Segundo Rajendra Pachauri, cientista indiano, um dos experts do clima agraciados com o prêmio Nobel da paz, a mensagem deste relatório do IPCC seria: ou se substitui com urgência os combustíveis fósseis, ou será impossível limitar a temperatura a 2ºC. Temos que melhorar muito nossa eficiência energética e quadruplicar o fornecimento de energias por fontes com baixa ou zero emissão de CO2. Não vamos atingir esse objetivo se não começarmos agora. Para limitar a concentração de CO2 em níveis que nos permitam chegar a 2100 a uma média de 2ºC de aquecimento, até 2030 teremos uma perda de consumo entre 1% e 4%. Até 2050, será de 3% a 6%, e até 2100 de 3% a 11%. Respondendo aos críticos que acusam que esses estudos sobre mudança climática estão “deixando de ser ciência para virar crença”, devido a inúmeras previsões inexatas ocorridas, ele reafirma que “o trabalho é ciência pura, e não crendice”. Para fazer o atual relatório, foram consultados 831 pesquisadores de altíssimo nível das melhores universidades do mundo. “Tomamos muito cuidado para que não haja erros nos textos, mas é bom lembrar que esse é um trabalho humano. Ninguém é perfeito, ninguém é Deus, podemos falhar. O importante é que nossas conclusões são sólidas e estamos preparados para defendê-las”, conclui.


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PASTORAL DO POVO DA RUA

Papa responde, a padre Júlio, carta de estima da população de rua Arquivo pessoal

Por meio do monsenhor Peter Wells, assessor para questões gerais da Secretaria de Estado do Vaticano, em carta datada de 7 de abril, o papa Francisco respondeu a uma correspondência enviada pelo padre Julio Lancellotti, vigário episcopal para a Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo, em outubro de 2013, na qual o Sacerdote manifestou, em nome da população em situação de rua de São Paulo, estima, confiança e gratidão ao Pontífice. Ao lado segue a carta. espaço do leitor

O SÃO PAULO 3 mil edições “Prezados senhores, em nosso nome, dos nossos filiados e dos milhares de beneficiários dos círculos operários paulistas, enviamos sinceros parabéns à equipe do jornal O SÃO PAULO pela edição número 3000. A leitura semanal do O SÃO PAULO é um prazer intelectual e maneira única de nos colocarmos

a par do movimento católico. Queira transmitir aos diretores, articulistas, funcionários e colaboradores nosso desejo de progresso, paz e saúde. Deus os abençoe”. Newton Zadra, presidente da Federação de Trabalhadores Cristãos do Estado de São Paulo

Redação do jornal O SÃO PAULO. Endereço: Avenida Higienópolis, 890, São Paulo (SP), CEP. 01238-000. E-mail: osaopaulo@uol.com.br Twitter: @JornalOSAOPAULO Facebook: Jornal O SÃO PAULO

Instituto Brasileiro de Comunicação Cristã – INBRAC

Rua Traipu, 273 – Perdizes – Telefone PABX (11) 2202-8400 01235-000 – São Paulo – SP – e-mail Inbrac@uol.com.br CNPJ 69.271.849/0001-04 EDITAL DE CONVOCAÇÃO DA ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DO CONSELHO SUPERIOR DE ADMINISTRAÇÃO E ORIENTAÇÃO DO INSTITUTO BRASILEIRO DE COMUNICAÇÃO CRISTÃ – INBRAC O Presidente do Conselho Superior de Orientação e Administração do Instituto Brasileiro de Comunicação Cristã, no uso de suas atribuições e amparado nos preceitos do artigo 11 c.c artigo 18, item III, do Estatuto Social, convoca os integrantes do Conselho Superior de Orientação e Administração, nos termos do artigo 34, lll e 35 do referido Estatuto, para a reunião extraordinária que realizar-se-á no dia 09 de junho de 2014, às 09h00, na Rua Traipú, nº 273, na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, para eleição do presidente e Vice-Presidente do Concelho Superior de Orientação e Administração – CONSUP, preenchimento dos cargos da Diretoria Executiva e dos integrantes como membros do Consup, eventualmente vagos até a data da Assembleia, para o mandato que iniciar-se-á dia 07.06.2014, com término em 07.06.2017, correspondente ao triênio previsto nos artigos 16 e 20 do estatuto. São Paulo, 12 de maio de 2014 DOM ORANI JOÃO TEMPESTA Presidente do Conselho Superior de Orientação e Administração - CONSUP – INBRAC

EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA A associação Civil Gaudium Et Spes- EGES com sede provisória nesta cidade, rua Aliança Liberal, 703 Vila Leopoldina, por meio de seus presidente de honra, Dom Julio Endi Akamine, Bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e vigário Episcopal da Região Lapa, e do seu representante legal, Dom Fernando José Penteado, Bispo Emérito CONVOVA seus associados para a assembleia Extraordinária, no dia 07 de junho de 2014, das 08h00 às 12h00, na Rua Guaipá, 1605, Vila Leopoldina, com a seguinte ordem do dia: 1) Apresentação e aprovação do Balanço Financeiro 2013; 2) Apresentação e aprovação do Relatório Social 2013; 3) Alterações jurídicas, contábeis e de endereços dos programas; 4) Informações gerais A assembleia Geral instalar-se-á em primeira convocação as 08h30min com a presença da maioria dos associados e, em segunda a convocação, com qualquer número, de acordo com o estatuto. São Paulo, 25 de abril de 2014


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A Igreja

Pelo Mundo

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Destaques das Agências Internacionais Católicas Padre MICHELINO ROBERTO, Diretor de o São Paulo

vaticano

Beatificação do papa Paulo 6º L’Osservatore Romano

O papa Francisco promulgou em 9 de maio o decreto que reconhece como verdadeiro um milagre atribuído à intercessão de Paulo 6º (Giovanni Battista Montini) e autorizou a divulgação de que o mesmo será declarado beato, em 19 de outubro de 2014, em uma cerimônia que ocorrerá no Vaticano. O milagre que permitiu a beatificação de Paulo 6º é a cura inexplicável de um feto humano. Giovanni Battista Montini foi o 261º sucessor do Apóstolo Pedro. Nasceu em 26 de setembro de 1897, em Concesio, Lombardia, ao norte da Itália, e faleceu em Castelgandolfo, residência estiva dos papas, em agosto de 1978. Foi eleito papa em 21 de junho de1963, após a morte de João 23. Em sua primeira mensagem como papa, anunciou a intenção de continuar os trabalhos do Concílio Vaticano 2º, iniciado por seu antecessor. O documento que mais marcou o de seu pontificado foi a encíclica Humanae Vitae (A vida humana), de 1968, sobre a regulação da natalidade humana. Foi também reconhecido o milagre da intercessão do Venerável Luigo Caburlotto, sacerdote italiano fundador dos Instituto das Filhas de São José, nascido em Veneza em 1817 e as virtudes heroicas do padre Giacomo Abbondo, nascido em Salomin, Itália, em agosto de 1720, do padre Giacinto Alegre Pujals, espanhol, nascido em dezembro de 1874, e da mãe de família, Carla Barbara Colchen Carré de Malberg, francesa, nascida em Abril de 1829 e Fundadora da Sociedade das Filhas de S. Francisco de Sales. Fonte: NEWS.VA/ Rádio Vaticano

áfrica Um estudo realizado pelo cientista inglês Neil Ferguson, do Imperial College London, em parceria com a OMS, indica que as campanhas de vacinação em massa, contra a Febre Amarela, reduziram em 27 % os casos de contaminação pela doença, no continente africano, durante o ano de 2013. Mesmo assim, estimase que no mesmo período, 78 mil africanos morreram por causa dessa enfermidade viral aguda. Fonte: La cara amabible del mundo

china Um grupo formado por filhos de dirigentes políticos chineses tem desenvolvido uma discreta campanha junto ao Partido Comunista para excarcerar o prêmio Nobel, Liu Xiaobo e colocá-lo em liberdade condicional, melhorando a imagem internacional da China. Lio Xiaobo, 58, é um conhecido mili-

tante dissidente do partido, envolvido em diversas manifestações pró-democracia na China. Em 2009, foi condenado a 11anos de prisão após organizar uma petição demandando o fim o governo monopartidário na China. Ganhou o prêmio Nobel da paz em 2010. Fonte: La cara Amabible del mondo

filipinas Reprodução

A Rede Cáritas Internacional lançou um plano pós-emergência destinado a financiar projetos de reforma e reconstrução de instalações nas Filipinas e espera, nos próximos anos, beneficiar cerca de 100 mil pessoas que foram danificadas pela passagem do furação Haiyan, em 8 de novembro de 2013. Com ventos de até 300 quilômetros por hora, o furacão arrasou cidades e povoados, destruiu fábricas e plantações, matou 6.200 pessoas e deixou mais de 1 milhão de famílias desabrigadas. Até o ano de 2017, a Rede Cáritas destinará 9,7 milhões de euros para a Filipinas, que serão destinados a financiar projetos de construção de moradias, reparação de estruturas de água e saneamento básico e à recuperação dos meios de vida da população mais afetada. Fonte: La cara amabible del mondo/BBC


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Morre dom Celso Pereira de Almeida, bispo emérito de Itumbiara (GO) O bispo emérito de Itumbiara (GO), dom Celso Pereira de Almeida, faleceu no domingo, 11, em Goiânia (GO), aos 86 anos. Natural de Santa Cruz do Rio Pardo (SP), dom Celso atuou junto à Comissão Pastoral da Terra (CPT), que se despediu recentemente do bispo emérito de Goiás, dom Tomás Balduíno, e do vice-presidente do organismo, dom José Moreira Bastos.

América Latina é campo privilegiado para Doutrina Social da Igreja Rafael Alberto

Em reunião no Vaticano com membros da Cúria Romana, rede de teólogos procura dar novo ânimo ao estudo e difusão da matéria Rafael Alberto

Especial para O SÃO PAULO, em Roma

A Doutrina Social da Igreja parece um fantasma na Europa. Todos a citam, mas ninguém a pratica. A maioria dos católicos nem a conhece. Essa é a avaliação de dom Mario Toso, secretário do Pontifício Conselho Justiça e Paz, da Cúria Romana. A situação, segundo dom Toso, não é muito diferente no restante do mundo. Na América Latina, porém, o arcebispo italiano percebe um campo privilegiado, não apenas para a difusão do ensino social da Igreja, mas, sobretudo, para potencializar as práticas que valorizam a dimensão social da evangelização. Dom Toso atendeu com exclusividade ao O SÃO PAULO, durante a primeira reunião de trabalhos do grupo de teólogos que coordena a Rede Latino Americana e Caribenha do Pensamento Social da Igreja (RedLapsi), entre os quais a brasileira Rosana Manzini, professora da PUC-SP e diretora da Unisal. Em Roma, o grupo pretende estreitar os laços de comunicação com a Cúria Romana e dar novo impulso à rede que, apesar

Dom Mário Toso, secretário do pontifício Conselho Justiça e Paz, com teólogos que coordenam a RedeLapsi

de existir há quase quatro anos, institutos que trabalham com o “não pegou”. tema, apoiar iniciativas da Igreja em matéria de Doutrina SoRedeLapsi cial e ser um ponto de encontro Nascida em 2010 por iniciativa para quem tem interesse pela do Instituto Mexicano de Dou- questão. trina Social Cristã, a rede tem o Para dom Toso, a rede “pode objetivo de articular organiza- fazer uma grande animação ções, instituições e pessoas inte- cultural, pode instituir cursos ressadas em investigar, ensinar online de Doutrina Social da e difundir a Doutrina Social da Igreja, pode elaborar um novo Igreja na América Latina. pensamento político, em vista Segundo Vitor Chaves (Méxi- de novos movimentos sociais e co), outro coordenador da Rede- políticos dos católicos”. Lapsi, todo o trabalho é realizado em vista de “buscar transformar Católicos estão a realidade social dos nossos po- dormindo na política vos”. Ligada indiretamente ao “Os católicos estão dormindo!”. Pontifício Conselho Justiça e Paz, Foi a reação imediata de dom ao Celam e a organismos de Igre- Toso diante da pergunta sobre jas locais, a RedeLapsi tem sua a presença dos católicos na vida própria autonomia. política em vista da difusão da “Nós queremos dar a conhe- Doutrina Social da Igreja. Para dom Toso, a Igreja cer as experiências locais de ensino, investigação e difusão”, precisa refletir sobre a maneira explicou Chaves. Além dis- como age no mundo da política, so, a rede quer vincular outros uma vez que o costume de não assumir uma posição partidária clara e deixar que os católicos se insiram em todos os partidos, apresenta um grande risco: “os católicos dispersos perdem a força. E, na democracia, vale o princípio da maioria”. Frente à nova situação cultural, econômica, financeira e política do mundo, em que domina o individualismo, o consumismo e um neoliberalismo, avalia dom Toso, é importante levar a Doutrina Social da Igreja como matriz para a criação de um novo pensamento e uma nova economia de inclusão.

O Arcebispo acredita que há uma “desertificação dos movimentos sociais e dos partidos políticos de inspiração cristã”. “Há partidos de todas as ideologias, mas não temos partidos de católicos e de inspiração cristã que possam confrontar essa cultura”.

Problemas na América Latina

Para o teólogo Victor Chavez, a Doutrina Social da Igreja na América Latina perdeu espaço nos últimos anos em função da falta de interesse dos padres pelo assunto e, também, pela complexidade dos temas sociais, que exigem novas respostas. “As pessoas tem preguiça de pensar”, avalia. A professora Rosana Manzini vai além e coloca a questão da falta de conhecimento da maioria dos leigos sobre a matéria. Além disso, segundo os coordenadores da RedeLapsi, não há articulação entre as pessoas que pensam a Doutrina Social e isso diminui a potencialidade dos já poucos resultados. “Por isso, o impulso da rede é importante”, disse Manzini.

Papa Francisco e Doutrina Social da Igreja

Apesar das dificuldades de compreensão e difusão da Doutrina Social da Igreja, os teólogos da RedeLapsi fazem uma avaliação positiva da maneira como o papa Francisco tem destacado a importância da dimensão social

na evangelização. “A primeira exortação apostólica do papa Francisco, Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho) não é, como dizem alguns, um documento superficial e sem peso”, avalia dom Toso. O Arcebispo chamou a atenção para o fato de o Papa ter dedicado um capítulo inteiro à dimensão social da missão evangelizadora da Igreja, mesmo o documento não sendo uma “encíclica social”. “De fato, aí no capítulo se encontra a afirmação de que a Doutrina Social da Igreja é um valioso instrumento que deve ser conhecido e experimentado”, disse.

Congresso internacional

O Arcebispo do Pontifício Conselho Justiça e Paz será um dos palestrantes do Congresso Internacional de Doutrina Social da Igreja, promovido em parceria entre a PUC-SP e a Unisal entre 29 e 31 de outubro, no campus Santa Teresinha da Unisal (Rua Augusto Tolle, 575). Com o tema “Continuidade e desafios da Doutrina Social da Igreja no Magistério recente”, o congresso vai contar com palestrantes como o jesuíta Sérgio Bernal, da Universidade Javeriana de Bogotá, e do Padre Angel Galindo, reitor da Pontifícia Universidade de Salamanca. Em seguida, nos dias 1 e 2 de novembro, a RedeLapsi realiza, também em São Paulo, no Pio 11 (rua Pio XI, 1.100, Alto da Lapa), sua 5ª assembleia ordinária.


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Arquidiocese agradece a Deus pelo testemunho e santidade dos papas No domingo, 11, na missa das 11 horas na Catedral da Sé, presidida pelo cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, os fiéis rezaram agradecendo a Deus pelo testemunho e santidade dos papas João Paulo 2º e João 23 que foram canonizados pelo papa Francisco no dia 27 de abril no Vaticano, em Roma.

Carisma da mulher na Igreja é o amor

Para presidente do Focolares, serviço é mais importante que governo; Emmaus esteve no Brasil para conhecer projetos do Movimento

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Rafael Alberto

Especial para O SÃO PAULO

Entre os dias 22 de março e 23 de abril, Maria Voce (Emmaus), primeira presidente do Movimento dos Focolares depois da morte da fundadora Chiara Lubich, visitou diversas cidades do Brasil. Em São Paulo, além de se reunir com o cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, e de participar da missa do Crisma na Quinta-feira Santa, na Catedral da Sé, Emmaus teve um encontro com empresários e políticos de todo o Brasil, envolvidos nos projetos da Economia de Comunhão e do Movimento Político pela Unidade, na Mariápolis Ginetta, em Vargem Grande Paulista (SP). Nesta entrevista exclusiva ao O SÃO PAULO, a presidente dos Focolares fala sobre as impressões que teve do Brasil e de temas como a cultura do individualismo e o papel da mulher na Igreja.

O SÃO PAULO – Como a senhora avalia a presença dos Focolares no Brasil? Maria Voce (Emmaus) – O Brasil me encantou! Se tivesse que dar um título a esta viagem, usaria uma expressão de Chiara Lubich: “Bordados de luz”, porque penso nos frutos maravilhosos que vimos realizados aqui, nas mais diferentes fronteiras da vida social, política, econômica, eclesial. Realmente, como Chiara escreveu, é esta “a grande atração” que muitos seguiram: “feitos partícipes dos desígnios de Deus sobre a humanidade”, um desígnio de unidade, “traçaram sobre os povos recamos de luz”, por terem partilhado com o próximo “a vergonha, a fome, os ultrajes, as alegrias fugazes”. Penso naquele jovem de Recife que da rua, onde era mestre da capoeira mais violenta, tornou-se mestre de paz entre as crianças e adolescentes em situação de risco; nos empresários que, enfrentando muitas dificuldades, levam para frente uma economia inspirada na comunhão, na “par-

realiza:

tilha” e não na lei consumista do “ter”; nos políticos que num ambiente muitas vezes de luta e corrupção, almejam a fraternidade para promover o bem comum. Muitas vezes é uma única pessoa que acende uma centelha e muitas forças são catalisadas. O cardeal Odilo Scherer, que tive a ocasião e a alegria de encontrar em São Paulo, fez os votos de que “o carisma transborde sempre mais na vida da Igreja, em todos os lugares e na vida da sociedade”. Fiquei surpresa com esse transbordar do carisma para além do Movimento, em obras como a Missão Belém, Fazenda da Esperança, Casa do Menor e em tantas outras inspiradas no carisma da unidade, que conhecemos ao longo dessa viagem. O SÃO PAULO – Os Focolares têm um carisma que valoriza a unidade. Como viver essa espiritualida-

de numa sociedade de valores desfragmentados? Emmaus – É justamente para isso que o carisma foi suscitado pelo Espírito Santo: ainda nos primeiros anos, Chiara repetia que a nossa primeira função é “correr para aonde não existe a unidade e construí-la”. Porque essa fragmentação, esse trauma, essa divisão, esse conflito, têm um nome e o semblante daquele que deu a vida para corrigí-los: Jesus, que na cruz chegou a gritar o abandono por parte do Pai, para recompor o vínculo rompido com ele e entre nós. É ele a chave da unidade. Quantas vezes, nesses 70 anos de vida do Movimento, em todas as latitudes, nas situações mais dramáticas e nas dificuldades diárias, experimentamos a alquimia divina que ele realiza: o sofrimento, nas suas mil facetas, se transforma em amor. E nos

dá a capacidade, treinando continuamente, de amar como ele, com um amor que não exclui, mas ama a todos, que toma a iniciativa sem esperar nada do outro, que sabe abrir-se ao irmão para partilhar suas alegrias e sofrimentos, porque reconhece o semblante de Jesus em cada pessoa. Esse estilo de amor, muitas vezes suscita a reciprocidade e, na comunhão, se experimenta, com admiração sempre nova, que ele mesmo torna-se presente, como prometeu no Evangelho. É uma presença tangível, se diria, porque traz consigo dons de luz, amor, nova força. E quando ele está presente, transforma tudo. O SÃO PAULO – Como a senhora vê a participação das mulheres na vida da Igreja? Há caminhos para avanços? Emmaus – Penso que o papel da mulher na Igreja começou com Maria entre os apóstolos na primeira comunidade de Jerusalém. No decorrer da história, vimos sempre uma prevalência masculina pelo fato de que sacerdotes, bispos e papa, se identificam particularmente com a hierarquia da Igreja, papel que não compete à mulher. Mas existe um papel, um carisma que é específico da mulher, que ainda não foi plenamente expresso: o amor, que é mais importante do que o governo. Deus, criando o homem à sua imagem, criou homem e mulher, duas criaturas diferentes, mas para que fossem complementares e testemunhassem a filiação do homem com Deus, portanto, com a mesma dignidade. Não só. A complementaridade entre o homem e a mulher permitiria à Igreja se mostrar como aquele mistério de comunhão, aquela realidade de unidade, que Jesus quis criar, constituindo os apóstolos com Maria no início da Igreja. Todavia, é inegável que existe uma evolução na Igreja, como também na sociedade. Há algumas décadas, era inimaginável que uma mulher, também pensando no futuro, pudesse dirigir um movimento como o nosso, que engloba homens e mulheres, sacerdotes, religiosos e religiosas das mais diferentes vocações, inclusive bispos. Isso foi possível com João Paulo 2º, após anos de dificuldades. Justamente porque ele reconheceu na nossa Obra, um timbre mariano, uma expressão daquele perfil mariano que identificou nos movimentos eclesiais e nas novas comunidades, declarando-o “coessencial” ao perfil petrino. Leia a íntegra no site www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

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Após contribuições e reflexões, bispos entreg ‘Comunidade de comunidades uma nova paróquia: A conversão pastoral da paróquia’ Presidente da Comissão Episcopal para o Tema Central da 52ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, o arcebispo de Manaus (AM), dom Sérgio Eduardo Castriani, destacou as linhas gerais sobre o documento “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”. A discussão sobre o texto teve início na 51ª Assembleia da CNBB, em 2013. O texto foi enviado aos regionais e dioceses para que refletissem e enviassem suas contribuições, colaborando, assim, para uma nova versão. Durante a explanação, a comissão falou sobre a recepção do Estudo 104 da CNBB, o processo da redação, a metodologia e delimitação, e, por fim, a estrutura e o conteúdo do novo texto. Dom Castriani destacou que o titulo do documento, “Comunidade de comunidades uma nova paróquia”, teve o acréscimo de um subtítulo, “A conversão pastoral, da paróquia”, que, segundo ele, “dá o sentido do documento, nós queremos que as paróquias se convertam pastoralmente. Esperamos que o documento final faça com que esse movimento todo continue. O documento traz à situação atual, a história das paróquias, a reflexão bíblica e pistas de ação para a renovação da paróquia”. O processo para a elaboração deste documento percorreu um longo caminho, logo após a assembleia de 2013, os bispos aprovaram o documento de Estudo 104. Daí em diante, este documento passou a ser estudado pelas comunidades, paróquias, dioceses, regionais da CNBB e congregações religiosas, toda a contribuição que chegava dos diversos lugares foi traba-

lhada pela Comissão do Tema Central e apresentada aos bispos. “Creio que raramente um documento da CNBB tenha sido tão trabalhado como foi o 104”, destacou. De acordo com o bispo, o objetivo final é que as paróquias evangelizem, anunciem o Reino de Deus, sejam missionárias, acolhedoras e que nelas os fiéis façam a experiência da vida cristã. “A ideia básica é que na comunidade se vive a vida cristã, a vocação cristã é pessoal, parte de um encontro pessoal com Cristo que sempre tem que ser renovado, agora esse encontro nos coloca automaticamente em uma comunidade. A comunidade é o lugar da vivência cristã, a Igreja brota de uma comunidade, a Santíssima Trindade.” Dom Castriani destacou que o Documento apresenta a importância da Palavra de Deus na comunidade, “a Palavra deve ser o centro da vida da paróquia”. A acolhida, também foi apresentada como um dos desafios para as paróquias, “a comunidade é acolhedora, nós propomos o serviço de acolhida, acolhida às pessoas que chegam às paróquias, a secretária paroquial tem que ser lugar de acolhida, mas os presbíteros tem que ser homens de misericórdia, de acolhimento homens de reconciliação”. É preciso ainda pensar em como tornar a comunidade participativa e ativa, fazendo funcionar os conselhos de pastoral, de administração e o missionário, que devem estar atento às realidades que envolvem a paróquia, além de estabelecer estratégia para responder aos desafios que a paróquia encontra. Luciney Martins/O SÃO PAULO

A comunidade é acolhedora, nós propomos o serviço de acolhida, acolhida às pessoas que chegam às paróquias, a secretaria paroquial tem que ser lugar de acolhida, mas os presbíteros tem que ser homens de misericórdia de acolhimento homens de reconciliação

Na opinião dos bispos, a 52ª Assembleia Ger possibilitando a finalização do tema “Comun Edcarlos Bispo

enviado especial à Aparecida (SP)

Dom Sérgio Eduardo Castriani

Durante 10 dias a cidade de Aparecida (SP), acolheu a 52º Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Cerca de 350 bispos refletiram sobre temas de grande importância para a Igreja no País, tanto no âmbito eclesial, como no social. De acordo com o arcebispo do Maranhão e vice-presidente da Conferência, dom José Belisário da Silva, os bispos ficaram muito satisfeitos com os resultados

da Assembleia, um encontro, muito “trabalhoso, mas não cansativo”, afirmou. Em resultados preliminares, dom Belisário contabilizou a elaboração de três textos que terão, após a assembleia, consequências e continuidade. Dos aprovados destaca-se o documento oficial e definitivo sobre a paróquia, “Comunidade de comunidades uma nova paróquia”, outro sobre a reforma agrária e um documento, que vai para além de uma nota, e trata as questões das eleições. Para o ano que vem os bispos discutiram o papel do laicato na Igreja do Brasil.


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egam um novo documento à Igreja do Brasil Fotos: Imprensa CNBB

‘Pensando o Brasil: Desafios diante das eleições 2014’ “Desta vez os cidadãos brasileiros vão às urnas depois das significativas manifestações de junho e julho de 2013, quando milhares de pessoas ocuparam as ruas exigindo melhores serviços de transporte, de saúde, de educação, além de outras tantas demandas por políticas públicas realmente comprometidas com os interesses populares. Destaca-se no ‘discurso das ruas’, também, a insatisfação com a maneira como políticos eleitos vêm exercendo o poder, distanciados das necessidades da população, fazendo da política um balcão de negócios, onde se barganha bens da coletividade como se fossem particulares. O direito de representar os eleitores, que um candidato conquista nas urnas, tem de ser assumido pelo político como um dever de servir. Ao contrário disso, uma lógica perversa tem pautado a atuação de inúmeros eleitos, desvirtuando a finalidade da própria política que, ao invés de tratar do bem comum, se converte em espaço de conchavos e negociações espúrias. O protesto das ruas pode ser compreendido como um clamor contra o poder que se torna fim em si mesmo e que deixa, portanto, de ser verdadeira representação popular.” (Pensando o Brasil: Desafios diante das eleições 2014, nº 4) Mais que uma nota ou uma mensagem, este ano, os bispos do Brasil quiseram contribuir com um texto para que os fiéis, católicos ou não, reflitam sobre as eleições que se realizarão em outubro deste ano. De acordo com o bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação da CNBB, Dom Joaquim Giovanni Mol Guimarães, o documento pode ser dividido em três pontos: A participação dos eleitores, a es-

colha do candidato e a preocupação com a reforma política. “A CNBB pretende que a participação de todas as pessoas seja uma participação consciente, o voto consciente é o voto de quem sabe que está fazendo. Aqui pensamos em todos os cidadãos. Um voto consciente faz a diferença nas eleições”, afirmou o bispo. Sobre os candidatos, dom Mol afirmou que a nota aponta para a escolha de políticos dignos, de acordo com os bispos, pessoas dignas são as de princípios e valores que todos conheçam, “não posso votar em uma pessoa que não conheço seus princípios e valores”, e acrescentou “o que mesmo essa pessoa defende. O que ela pensa dos assuntos importantes da vida”. Para o bispo, é preciso identificar as pessoas dignas, “estou convencido que no mundo há mais pessoas merecedoras de confiança, dignas, do que pessoas que não são, porém não nos iludamos, pois as pessoas não dignas e não merecedoras de nosso voto estão aí, soltas, espalhadas em nosso meio e com muita facilidade tentam enganar as pessoas no processo eleitoral”. E, por fim, é preciso que o candidato seja “uma pessoa de boas ideias, bons projetos, bons programas e apresente a população aquilo, de fato, que pretende fazer se for eleito, para acompanharmos depois de eleito”, afirmou. O bispo destacou como terceiro ponto, a urgência da reforma política e, para isso, o documento da CNBB alerta para que os fiéis se preocupem em descobrir e eleger políticos comprometidos com essa reforma no País. A própria CNBB encabeça o recolhimento de assinaturas para a apresentação de uma lei de iniciativa popular, a fim de acelerar o processo dessa reforma.

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Estou convencido que no mundo há mais pessoas merecedoras de confiança, dignas, do que pessoas que não são, porém não nos iludamos, pois as pessoas não dignas e não merecedoras de nosso voto estão aí, soltas, espalhadas em nosso meio e com muita facilidade tentam enganar as pessoas no processo eleitoral

eral da CNBB foi positiva e muito trabalhosa, nidade de comunidades uma nova paróquia” “No documento das eleições estamos preocupados com o desgaste da figura do político e da política em si mesma. Há um risco de um retrocesso na democracia, porque as pessoas estão desmotivadas [em relação à política]. Esse documento inicialmente teve o título de ‘Projeto Brasil’, mas agora é ‘Pensando o Brasil: Desafios diante das eleições 2014’, em vista das eleições, estamos pensando o Brasil”, salientou o vice-presidente. Dom Eduardo Pinheiro da Silva, bispo auxiliar de Campo Grande (MS) e referencial para a juventude da CNBB, destacou

que a construção do documento final foi fruto de um processo de participação e colaboração dos bispos. “É mais um documento em vista daquilo que o Documento de Aparecida pediu na busca da conversão pastoral”, destacou. O bispo pediu ainda que os agentes de pastoral tomem o documento e o estudem, pois o documento em si não muda nada, só terá efeito se estudado e posto em prática. Além disso, dom Eduardo destacou que a assembleia correu com tranquilidade e a presidência agilizou no que foi possível.

Dom Joaquim Giovanni Mol Guimarães


14 | Região Ipiranga |

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Conselho reflete as sugestões da Iniciação Cristã Catequese de adultos é uma das pastorais que mais valoriza e incentiva o compromisso cristão Francisco David

Colaborador de Comunicação da Região

Aconteceu na manhã do sábado, 10, o encontro do Conselho Regional IPIRANGA de Pastoral (CRP), encontro este que reuniu as diversas expressões pastorais presentes na Região Episcopal Ipiranga. A pauta do encontro iniciou-se com um momento de oração, conduzido pelo coordenador do Conselho de Leigos da Região Ipiranga, Edson Silva. Ele utilizou o Evangelho do dia para realizar uma breve reflexão. Logo após, Benedito Vicente de Abreu, Coordenador de Pastoral para a Região Ipiranga e pároco da Paróquia Santo Afonso Maria de Ligório, deu a introdução da apresentação das sugestões dos cinco setores da Região, redigido com base nas propostas enviadas pelas paróquias e sintetizada pelo Secretariado de Pastoral da Região Ipiranga. Frei Rildo da Fonseca, religioso agostiniano e pároco da Paróquia Santo Ivo, falou sobre o Setor Vila Mariana e sobre suas contribuições para a implementação da Iniciação à Vida Cristã. Ele destacou, entre várias ideias, que a Catequese de adul-

Pascom Ipiranga

tos é a pastoral que mais se aproxima do Caminho Catecumenal, com a valorização da profissão de fé e a apresentação das pessoas iniciadas. Percebe-se também uma preocupação com a valorização da dimensão Catecumenal, ao se enfatizar a necessidade da dimensão simbólica e celebrativa e não apenas teórica. Logo após a apresentação e as primeiras abordagens entre os coordenadores de setores, os participantes do encontro foram divididos em grupos para que discutissem os trabalhos da Iniciação à Vida Cristã, como pede a Arquidiocese de São Paulo na reelaboração do Diretório dos Sacramentos. No plenário, o leigo Valdomir Padre Anísio Hilário durante encontro do Conselho Regional de Pastoral, que trata da Iniciação à Vida Cristã Remiro, diácono permanente, colaborador na paróquia Nossa Senhora do Sião, apresentou que seu grupo destacou a presença da família na Iniciação Cristã, sendo um elo com os sacramentos nas paróquias. Desde fé esteja sempre aberta e dispos- firmação e alimentará da Eucaristia tacou também que a Região é diverda região episcopal ta e em permanente processo de como membro da comunidade de sa com muitas pastorais e que cada setor deveria assumir sua identidade No dia 29 de abril os membros do conversão para acolher com o amor fé da Igreja. Sendo sempre sustenConselho Pastoral Setorial, se reu- de Cristo aqueles ou aquelas que tada pela Palavra de Deus, pelo Tesparticular. O vigário episcopal, padre Aní- niram na paróquia Nossa Senhora manifestam o desejo de converter e temunho da comunidade e pela parsio Hilário, destacou a nomeação Mãe de Jesus, setor Cursino, Re- vivenciar a sua fé em Jesus Cristo. ticipação na Celebração Litúrgica. Para ajudar estas pessoas que Aquele ou aquela que encondos novos bispos auxiliares para a gião Ipiranga, para estudar e refletir Arquidiocese de São Paulo e fez os sobre as sugestões Pastorais para exprimem a vontade de conhecer tra com a pessoa de Jesus passará comunicados das missas de ordena- repensar e implementar a Iniciação e “experienciar” o Ressuscitado na por uma mudança de vida radical à Vida Cristã. fé; é conveniente promover a Cate- tornando-se um (a), verdadeiro (a), ção e posses de ofício. Todos foram unanimes em acen- quese que obedece ao estilo catecu- autêntico (a), seguidor (a), discípuPadre Anísio falou sobre o testemunho, e enfatizou que a palavra tuar que é necessária que as pessoas menal e não tratando os três sacra- lo (a) e missionário (a) com uma fé não basta para a Igreja. Destacou que estão há mais tempo participan- mentos da Iniciação Cristã como se adulta a serviço do reino de Deus. A aplicação do estilo catecutambém os trabalhos dos assesso- do da comunidade ou que possuem fossem separados um do outro. Na verdade o Batismo, a Cris- menal levará em consideração a res paroquiais, pois é na secretaria uma determinada responsabilidade paroquial, onde se tem o primeiro sejam nas pastorais e movimen- ma e a Eucaristia formam uma situação de cada pessoa que deseja acolhimento e que os padres devem tos tenham um coração e atitudes unidade. A pessoa que manifesta seu encontro com a pessoa de Jeincentivá-los neste trabalho. Por como as pessoas que compunham o desejo de converter e aderir ao sus; para umas será proposto o cafim, o padre Anísio fez a oração, que as primeiras comunidades cristãs. Ressuscitado pela fé recebera o Ba- tecumenato batismal e para outras Cada liderança da comunidade tismo, fortalecerá sua fé pela Con- o catecumenato pós-batismal. concluiu o encontro do CRP do mês de maio.

Setor Cursino estuda sugestões pastorais


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Paróquia Cristo Jovem está em festa Com trabalho e contribuição de toda comunidade, depois de 20 anos, fiéis celebraram a dedicação da igreja

uma paroquiana apresentou o saltou que a dedicação da igreja ção da igreja e do altar com óleo conseguido nada. Conseguimos arquiteto Orlando Cedini Júnior é um gesto de fé e que marca do Crisma incensando-os poste- tudo isso pelo trabalho, pela luta, que, junto ao Instituto de Pesqui- para sempre a história daquela riormente. O rito continuou com garra e fé da comunidade Cristo sas Tecnológicas (IPT) e a um paróquia. Ele lembrou que Deus o revestimento do altar e o acen- Jovem”, afirmou. O pároco conperito, chegou à conclusão que aceita a atitude de dedicar uma dimento das velas. vidou o responsável pela obra, a obra estava condenada e foi nova morada a ele, mas que Padre Euclides, antes da bên- Orlando Cedini, para uma homederrubada. Padre Euclides ficou Deus é maior que todos os tem- ção final, falou de sua alegria nagem e a entrega de uma placa muito triste, pois pensou que seu plos. pela dedicação da nova Paró- em agradecimento. sonho havia terminado, mas com Após a profissão de fé e a la- quia, agradeceu a presença de Dom Odilo lembrou ainda de trabalho e contribuição dos paro- dainha, o Cardeal conduziu a de- dom Odilo, dom Julio, dos pa- todas as mães no dia dedicado Benigno Naveira quianos, em 1996, as obras foram posição sob o altar das relíquias dres e de todos os paroquianos. a elas. Após a celebração, todos reiniciadas. dos santos. Na sequência, dom “Sem a ajuda de vocês, de sua foram convidados para o almoço COLABORADOR DE COMUNICAÇÃO DA REGIÃO Na homilia, o Arcebispo res- Odilo proferiu a prece de dedica- orações constantes, não teríamos comunitário na paróquia. Na manhã de Pascom Lapa sábado, 10, a reportagem da PasLAPA toral da Comunicação da Região Episcopal Lapa acompanhou junto a centenas de fiéis, a celebração de dedicação da igreja e do altar da Paróquia Cristo Jovem, no Setor Lapa. A missa foi presidida pelo arcebispo metropolitano de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer e concelebrada pelo bispo auxiliar da Região Lapa dom Julio Endi Akamine, pelo pároco da Igreja padre Euclides Eustáquio de Castro e outros padres. Em entrevista à reportagem, padre Euclides disse que “logo após sua ordenação como padre, em 20 de agosto de 1983, na cidade de João Monlevade (MG) já fui marcado para essa igreja. O bispo dom Alfredo Lavarca me colocou aqui por tempo indeterminado, por isso vou fazer trinta e um anos em agosto, que estou à frente da comunidade, criando uma família bonita (família Cristo Jovem)”. Padre Euclides também dei- No sábado, 10, fiéis participam da celebração solene em que a Igreja Cristo Jovem é dedicada pelo cardeal Scherer, após quase 20 anos de construção xou uma mensagem aos jovens da paróquia: “Meu jovem escute, medite, pense, a juventude palavra do bispo não pode ser jogada ao léu, há vida pela frente, muito a realizar, tantas alegrias para dar aos pais, amigos. Não pegue o caminho auxiliar da constantemente. Crer é, portanto, gostaria de chamar a sua atenção fiel declara que adere a ela unierrado da vida, venha falar co- Bispo Arquidiocese na tomar parte numa convicção co- para o fato de que na profissão camente na medida em que a nosco, participe da nossa banda Região Lapa mum. A fé dos outros transporta- de fé, a Igreja está presente não reconhece como um dos efeitos Cristo Jovem”. O pároco falou -me, como também o fogo da somente como sujeito, mas tam- da ação salvadora de Deus no ainda do seu sonho de construir Dom Julio Endi minha fé incendeia os outros e os bém como objeto de fé. mundo e, por isso, instrumento uma paróquia maior para acolher Akamine fortalece (Youcat, p. 24). Você já notou que, além de que Deus usa para convidar a hutodos os fiéis. De fato, “a fé é um ato pes- dizer: “eu creio”, dizemos tam- manidade a entrar em comunhão. As obras começaram em Rigorosamente falando, o 1994, depois da construção da Querido leitor do JORNAL O soal, uma resposta livre do ho- bém: “creio na Igreja”? A fé laje, padre Euclides e outras SÃO PAULO, continuando mem à proposta de Deus que se cristã é uma fé eclesial porque o cristão crê na Igreja, não faz dela pessoas perceberam que a obra a reflexão sobre a fé, podemos revela. Mas não é um ato isola- sujeito que o realiza é primaria- objeto de fé, uma vez que somenestava com problemas. Então, afirmar que o sujeito da fé é tanto do. Ninguém pode acreditar so- mente a Igreja e também porque te Deus pode ser digno de nossa a pessoa que crê, quanto a Igre- zinho, tal como ninguém pode ela mesma é conteúdo de fé. Se- confiança absoluta e incondicioja quando professa: “eu creio ou viver só. Ninguém se deu a fé gundo a profissão de fé, a Igreja nal. Quem recita a profissão de nós cremos”. a si mesmo, como ninguém a si é um objeto de fé e só pode ser fé, portanto, crê que a Igreja faz agenda regional A fé é aquilo que uma pessoa mesmo se deu a vida. O cren- assim compreendida. parte dos dons salvíficos do Deus Quarta-feira (14) 20h tem de mais pessoal, mas não é te recebeu a fé de outros; deve Mas, é preciso entender bem vivo, e funda a própria existência Catequese do bispo dom Julio um assunto privado. Quem dese- transmiti-la a outros. Não posso isso. Dizer que a Igreja é objeto somente sobre a rocha da fideliEndi Akamine, na Paróquia ja crer tem de poder dizer tanto crer sem ser amparado pela fé de fé não deve colocá-la no mes- dade do Deus trino. Nossa Senhora da Lapa (rua “eu” como “nós”, pois uma fé dos outros, e pela minha fé con- mo plano de Deus uno e trino, Levando a sério o terceiro arNossa Senhora da Lapa, 298que não possa ser partilhada e co- tribuo também para amparar os que é o objeto e o fundamento tigo do Símbolo, o cristão evita, Lapa). municada seria irracional. Cada outros na fé” (166). verdadeiro e próprio da fé. Em de um lado, qualquer idolatria da crente dá o seu consentimento ao Na profissão de fé, a Igreja outras palavras: nós não cremos Igreja e, de outro, confessa que Sexta-feira (16), 10h Credo da Igreja. Dela recebeu a aparece então como sujeito da fé, na Igreja da mesma maneira que a grandeza e a beleza delaconfé. Foi ela que, ao longo dos sé- sem negar que cada fiel assuma cremos em Deus Pai, Filho e Es- sistem exatamente no fato de ser Às 10h, Reunião de padres Setor culos, lhe transmitiu a fé, a guar- pessoalmente a fé da Igreja. pírito Santo. criatura e obra do Espírito Santo, Lapa na Paróquia Nossa Senhora dou de adulterações e a clarificou Em nossa reflexão de hoje, Dizendo que “crê a Igreja”, o comunhão com Jesus Cristo. da Lapa (rua Nossa Senhora da Lapa, 298- Lapa).

Crer é tomar parte em uma convicção comum


16 | Região Santana |

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Bispo discute ações com pastorais sociais Instituições e associações que atuam em trabalho social nas comunidades paroquiais refletem cooperação com a Cáritas regional

a busca da inclusão social dos pobres. “Dom Sergio discutiu com os participantes sobre a forma como nós estamos indo ao encontro do irmão que sofre, que está a beira do caminho esperando que, como

Pedro, levantemos o caído dando o único que temos: Jesus Cristo”, disse padre Andrés Marengo, coordenador regional da Cáritas. Imediatamente, depois da reflexão, padre Andrés motivou o grupo a responder a duas pergun-

tas formuladas pelo Bispo: “O que a Cáritas regional pode colaborar com o seu trabalho? Como você e sua instituição podem contribuir para o fortalecimento da Cáritas na Região?”. Ao final do encontro, ficaram

agendados os seguintes eventos a se realizarem no Centro Pastoral Frei Galvão: dia 5 de junho, 20h, reunião ordinária da Cáritas Regional; 2 de agosto, das 8h às 12h, manhã de reflexão, reunindo todas pastorais sociais e associações. Diácono Francisco Gonçalves/Pascom

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

Na sexta-feira, 25 de abril, por iniciativa de dom Sergio de Deus SANTANA Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, foram convocadas as 93 instituições e associações sociais, que atuam nas comunidades paroquiais na Região. A partir da exortação do papa Francisco, Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho), dom Sergio motivou os participantes a colocarem em seu trabalho os princípios inseridos no capítulo 4, daquele documento, a “Dimensão Social da Evangelização”. Dom Sergio sinalizou que no próprio coração do Evangelho Dom Sergio e padre Andrés reúnem representantes de instituições e associações sociais que atuam nas comunidades paroquiais na Região para discutir ações reside uma relação íntima entre evangelização e promoção humana. Advém daí a norma para a ação evangelizadora. das igrejas e “ir pelas ruas de são desde domingo, 4, na praça a presença de Deus em suas viParóquia Santa Zita O Bispo apontou que a prosuas cidades e de seus países e Maria Montessori. Lá, catequis- das, contando suas experiências posta do Evangelho não deve prega Querigma na praça anunciar que Deus é Pai e que tas fazem o anúncio do Querig- de misericórdia divina. levar só a uma relação pessoal Jesus Cristo os fez conhecer”, ma, das 9h às 11h, entoando a Os encontros continuam da região episcopal com Deus, mas esse amor deve a Paróquia Santa Zita e Nossa oração da manhã, seguida do nos próximos domingos (dias se estender aos necessitados, isso Em total sintonia com os ensina- Senhora do Caminho (rua Pe. Evangelho e abrindo a oportu- 18, 25, e 1º de junho) na messem incorrer em pequenas ações mentos do papa Francisco que Saboia de Medeiros, 827, Vila nidade, para os que estiverem ma praça Maria Montessori, a sociais só para aliviar a consci- pede aos católicos para saírem Maria Alta) está em plena mis- acompanhando, de testemunhar partir das 9h. ência. Deve pautar esse trabalho agenda regional

palavra do bispo

Terça-feira (13) a quarta-feira (21), 19h30

Recebo-te.... por todos os dias de minha vida!

Novena de Nossa Senhora Auxiliadora na Paróquia Santa Teresinha (praça Domingos Correia da Cruz, 140).

Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana

Quinta-feira (15), 10h Missa com dom Sergio Borges na Comunidade Humildes Servos Rainha do Amor (rua Desembargador Rodrigues Sette, 93).

Sexta-feira (16), 12h Missa com dom Sergio Borges no Hospital Dom Pedro 2º (avenida Guapira, 2674).

Sábado (17) a domingo (18), 8h

Encontro do Bom Pastor Recanto Nossa Senhora de Lourdes (avenida Luiz Carlos Gentile de Laet,1736).

Dom Sergio de Deus Borges

“Recebo-te por minha esposa... recebo-te por meu esposo e te prometo ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-te e respeitando-te todos os dias da minha vida”. Amar quer dizer não só desejar, mas respeitar, merecer e aprender o mútuo respeito e, tendo sempre diante dos olhos, o vínculo que une no matrimônio dois seres humanos. Amar é ter a consciência de que tal ligame é indissolúvel, dura, por instituição divina, até a morte.

Eis o vínculo matrimonial que nasce do amor recíproco, se exprime mediante o juramento conjugal, que começa e se realiza diante da infinita majestade de Deus, por aquele mesmo amor com que o Pai nos amou no seu Filho, Jesus Cristo, Redentor do mundo! Os esposos participam da função redentora de Cristo, ao assumirem integralmente, por vocação divina, a finalidade para a qual o matrimônio foi instituído. Cada união nasce pelo pacto entre um casal, mas com um conteúdo divinamente estabelecido, a unidade e a indissolubilidade, ordenado à procriação e à educação da prole. A presença do Filho de Deus nas bodas de Caná da Galiléia serve de especial confirmação

desta grande verdade. Jesus, ali chega com sua mãe e os apóstolos, e confirma a importância deste sacramento, inclusive, com o primeiro milagre (ou sinal), que realiza pelo bem dos donos da festa, e após o pedido de sua mãe (Cf. Jo 2, 1-11). Depois, com suas palavras, Jesus afirma a indissolubilidade do matrimônio, como instituição divina ao recordar que “desde o início” da criação Deus ‘fez homem e a mulher. E, por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe, e os dois serão uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu o homem não separe’ (Mc 10,6-9). Nestes dois mil anos de caminhada, a Igreja tem ensinado a

verdade sobre a família e o matrimônio. Hoje, precisamos reafirmar esta verdade, principalmente para as novas gerações. Os jovens têm o direito de conhecer a verdade, têm o direito a sonhar com projetos duradouros e permanentes. Não podemos permitir que roubem de nossos jovens o ideal de família ensinado por Jesus. É urgente que seja constituída em todas as paróquias a Pastoral Familiar. Uma pastoral viva, forte, que tenha a família como a grande prioridade pastoral do século 21. Sem uma família respeitada e estável não pode haver um organismo social sadio, sem ela não pode haver uma verdadeira comunidade eclesial! (Cf. João Paulo 2º, mensagens).


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| Região Sé | 17

Igreja São Cristóvão é reaberta na Luz Fernando Geronazzo

Após interdição de mais de um ano, causada por incêndio, templo histórico, construído em 1856, volta a acolher fiéis Fernando Geronazzo

Colaborador de comunicação da Região

A igreja matriz da Paróquia São Cristóvão, no SÉ bairro da Luz, região central da capital paulista, foi reaberta na manhã do domingo, 11, em missa presidida pelo arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer. Fechada há um ano e meio, após um incêndio no prédio anexo ao templo, que causou a interdição do imóvel todo, os fiéis comemoraram a reabertura da igreja que, em dezembro, completa 158 anos de construção. Logo no início da celebração, dom Odilo agradeceu o empenho da comunidade para a reabertura da igreja, que, como ele ressaltou, está muito ligada à história da Arquidiocese, uma vez que foi a capela do primeiro seminário de São Paulo. “Nós nos alegramos pela reabertura desta igreja, e confiamos, também, que a comunidade, junto com o pároco, vai zelar e continuar a cuidar deste templo capela que tem valor histórico para a nossa Igreja de São Paulo”, afirmou o Cardeal. Inaugurada em 1856, a igreja era a capela do Seminário Episcopal Imaculada Conceição, fundado pelo bispo da então Diocese de São Paulo, dom Antônio Joaquim de Melo. Após a transferência do seminário para o bairro do Ipiranga, foi criada a paróquia São Cristóvão em 1940. O prédio onde funcionava o seminário hoje abriga boa parte das lojas da rua São Caetano, popularmente conhecida como “rua das noivas”. Em 2001, a igreja e todo o imóvel passaram por uma ampla restauração. Mas o incêndio no estoque de uma das lojas, embora não tenha atingido diretamente o templo, comprometeu seu funcionamento. O pároco, padre João Benedicto Villano, explicou à reportagem, que enquanto a igreja estava fechada, aconteceram algumas invasões no andar superior, nas quais foram danificados alguns cabos elétricos,

Cardeal Odilo Scherer preside missa de reabertura da igreja matriz da Paróquia São Cristóvão, no bairro da Luz, dia 11

para-raios e o telhado. Isso retardou a reabertura da matriz. Nesse período de fechamento da igreja, a comunidade

paroquial se reuniu na capela da Casa de Oração do Povo da Rua, que fica no bairro. Padre João manifestou sua gratidão

aos frequentadores da casa e ao seu responsável, padre Julio Lancellotti, vigário episcopal para a Pastoral do Povo da Rua.

“A Casa de Oração foi uma bênção para nós. Fomos muito bem acolhidos pelo padre Julio. Lá pudemos nos reunir para celebrar a Eucaristia, Batismos e até casamentos”. Já é tradicional no dia 25 de julho, a fila de carros na avenida Tiradentes para a bênção dos motoristas, uma vez que São Cristóvão é patrono dos motoristas e condutores. Além da devoção ao padroeiro, a Paróquia é muito marcada pelo culto à Santa Filomena, trazido por um antigo pároco, há aproximadamente 100 anos. Até hoje, no dia 10 de cada mês, às 15 horas, é celebrada missa em louvor à Santa. Uma dessas devotas é Ana Salete Laurino Maneti, 82, que frequenta a Paróquia há 55 anos junto com seu marido, Renato Maneti, 86, após receber graça da recuperação de seu filho pela intercessão de Santa Filomena. “Todo dia 10 estamos aqui para agradecer à Santa Filomena. Quando a igreja foi fechada eu fiquei muito triste. Quando ouvi pela rádio 9 de Julho que ela seria reaberta hoje, meu coração até bateu mais forte”.

palavra do bispo

Caminhos da Iniciação Cristã (2) Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé

Dom Tarcísio Scaramussa

Indicarei mais alguns passos no caminho de Iniciação Cristã, com inspiração na Exortação Apostólica “A Alegria do Evangelho”, do papa Francisco. O caminho do amadurecimento de valores (EG, 64) é exigente na realidade atual, marcada pelo processo de secularização, que “tende a reduzir a fé e a Igreja ao âmbito privado e íntimo”, que tende a negar

a transcendência, produzindo “uma crescente deformação ética e enfraquecimento do sentido do pecado pessoal e social e um aumento progressivo do relativismo”, com desorientação generalizada, especialmente dos jovens. Percorrer um caminho de amadurecimento de valores exige “uma educação que ensine a pensar criticamente”. O Papa aprofunda a espiritualidade deste caminho, ressaltando o papel do testemunho de “pessoas que, no deserto, indicam o caminho para a terra prometida” (EG, 86). Ele usa a imagem do deserto e da “desertificação espiritual” para carac-

terizar a cultura de sociedades que “querem construir sem Deus ou que destroem as suas raízes cristãs”. Mas também de outras sociedades que resistem violentamente ao cristianismo, obrigando “os cristãos a viverem a sua fé às escondidas no país que amam. Esta é outra forma muito triste de deserto”. E cita ainda a aridez que atinge “a própria família ou o lugar de trabalho”, como desafio para a vivência da fé. Esta realidade de deserto é oportunidade de aperfeiçoamento e de amadurecimento. A experiência do deserto pode ser enriquecedora para “redescobrir o valor daquilo que é essencial

para a vida. Assim sendo, no mundo de hoje, há inúmeros sinais da sede de Deus, do sentido último da vida, ainda que muitas vezes expressos implícita ou negativamente. E, no deserto, existe, sobretudo, a necessidade de pessoas de fé que, com suas próprias vidas, indiquem o caminho para a Terra Prometida, mantendo assim viva a esperança”. Essas pessoas de fé são chamadas pelo papa de “pessoas-cântaro”, que dão de beber aos outros, assumindo a cruz de Cristo que, “trespassado, Se nos entregou como fonte de água viva. Não deixemos que nos roubem a esperança!”.

Fernando Geronazzo

Formação litúrgica Nos dias 6 e 7, na Paróquia Nossa Senhora da Consolação, aconteceu o segundo Encontro Regional de Formação Litúrgica, sobre o tema “Canto e Música na Liturgia”, assessorado pelo músico e professor Márcio Antônio de Almeida, que falou sobre a funcionalidade da música nas celebrações. O próximo encontro acontece em agosto.


18 | Região Brasilândia |

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Setores pastorais reúnem-se para avaliações Anderson Braz

No sábado,10, o Setor São José Operário, assim como o Perus, Jaraguá e Nova Esperança fizeram reunião mensal Renata Moraes

Colaboradora de Comunicação da Região

A Iniciação Cristã, a inclusão e o fortalecimento da Pastoral da Co- BRASILÂNDIA municação setorial; a formação para Catequese, e a situação de violência contra jovens na periferia, foram os principais temas que nortearam os encontros de quatro dos sete setores pastorais que compõem a Região Brasilândia. No Setor Jaraguá, reunidos na paróquia Nossa Senhora das Dores, em Taipas, os leigos junto com o padre coordenador Alécio Ferreira a Silva avaliaram positivamente a presença dos jovens na abertura da Campanha da Fraternidade e foi o momento também de avaliarem os eventos regionais, como a encenação da Paixão de Cristo, que levou quase 8 mil pessoas a se emocionarem na Sexta-feira Santa. Os presentes identificaram a necessidade de formação sobre o uso das mídias, que será ministrado pela Pascom da Região. Outro assunto foi o centenário da Mãe Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt, que se dará em outubro deste ano, que também foi discutido. Em Perus, reunidos na paróquia São José, liderados pelo padre Cilto Rosembach, a discussão da reunião foi sobre a necessidade de formação para a Catequese, e a data de 17 de junho já foi agendada para as cinco paróquias deste setor. No próximo dia 17 de maio, eles terão uma formação de como organizar a Pastoral da Comunicação nas comunidades e na paróquia. No setor Nova Esperança, as paróquias tiveram um momento formativo sobre a Iniciação Cristã, liderados pelo padre Eduardo Binna, administrador paroquial da Igreja Nossa Senhora agenda regional

Sábado (17), 9h Formação Setorial sobre como organizar a Pastoral da Comunicação, assessorado pela equipe regional da PASCOM na paróquia São José (rua João Jacinto de Mendonça,134, Jardim Russo - Perus ).Outras informações em (11)3917-2423.

São José Operário e Jaraguá, (em destaque), discutem e avaliam as atividades de seus setores no âmbito paroquial, setorial e regional, no sábado, 10

do Carmo, na Vila Brasilândia. Finalizando com o setor São José Operário, reunidos na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, da Vila Souza, e contou com a presença de dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC), que levou ao

povo presente uma explanação resumida sobre a 52º Assembleia dos Bispos do Brasil, ao qual ele esteve presente na última semana. Para a próxima reunião do setor, que será em 7 de junho, na Paróquia Santos Apóstolos, a pauta principal será a situação de

violência que atinge a juventude da Brasilândia, sobretudo os últimos casos no Jardim Eliza Maria e no Parque Belém. Fatos que afligem também as pessoas em situação de rua. Para assessorar este debate, será convidado o padre Júlio Lancellotti, do Vicariato

Episcopal para a Pastoral do Povo da Rua. Como nos demais setores, a questão da comunicação foi debatida, e será promovido no dia 5 de julho, uma formação sobre como organizar a Pastoral da Comunicação, sua atuação e formas de evangelização.

gados num espaço, num objeto, num gesto: aptidões pessoais, beleza, esforço e encanto. É um conjunto de atitudes que se harmonizam, dando àquela ação, àquele espaço, um significado novo, uma beleza e um brilho extraordinários! Assim também ocorre com a oração. No início está sempre a escuta da Palavra de Deus: “Os padres espirituais parafraseando Mt 7,7, resumem assim as disposições do coração alimentado pela Palavra de Deus na oração: ‘Procurai pela leitura, e encontrareis meditando, batei orando, e vos será aberto pela contemplação’.” (CIC 2654) A oração cristã para ser bem vivida precisa ser, antes de tudo, como resposta à um outro que interpela, chama, convoca e envia. É sempre “Amém” a Deus que sempre toma a iniciativa e chama à intimidade consigo.

Fé, esperança e caridade são as ferramentas que utilizamos no exercício da oração (cf. CIC 2656-2658). São as virtudes que tornam a nossa oração, uma obra de arte! Quanto mais iluminada pela fé, sustentada pela esperança e guiada pelo amor; mais nossa oração se reveste de valor e de beleza. Tudo isso correria o risco de ser um princípio apenas se, não estivesse ligado com a vida concreta da existência. O Catecismo da Igreja Católica afirma que “em todos os tempos, nos acontecimentos de cada dia que seu Espírito nos é oferecido para fazer jorrar a oração” (nº. 2659). E conclui: “Orar nos acontecimentos de cada dia e de cada instante é um dos segredos do Reino revelados aos “pequeninos”, aos servos de Cristo, aos pobres das bem-aventuranças. É

justo e bom orar para que a vinda do Reino de justiça e de paz influa na marcha da história, assim é também importante modelar pela oração as simples situações do cotidiano. Todas as formas de oração podem ser esse fermento ao qual o Senhor compara o Reino” (nº. 2660). Tornar nossa oração uma arte, exige reservar cada dia um tempo para orar. Um tempo fixo, em que podemos estar com o Senhor, na escuta da sua Palavra e, no esforço de responder-lhe com nossa fé, nossa esperança e nossa caridade. A oração e a vida se tornam uma arte quando compreendemos que há sempre alguém à nossa espera, Alguém que tem para nós uma Palavra e quer envolver nossa vida de graça e encanto. Deixemo-nos modelar por Deus, fazendo de toda nossa vida, uma oração!

palavra do bispo

A arte de rezar Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia

Dom Milton Kenan Júnior

Ao afirmarmos que a oração é uma arte, afirmamos que a oração, embora seja, por excelência, dom de Deus; é também fruto do esforço e da aprendizagem humanas. “A oração não se reduz ao surgir espontâneo de um impulso interior, para rezar é preciso querer. Não basta saber o que as Escrituras revelam sobre a oração, é indispensável também aprender a rezar. Por uma transmissão viva (a Sagrada Tradição), o Espírito Santo, na “Igreja crente e orante”, ensina os filhos de Deus a rezar” (CIC 2650). Quando nós contemplamos uma obra de arte, vemos conju-


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| Região Belém | 19

Jovens são batizados na Santo André Apóstolo Cinco jovens de 16 a 18 anos receberam o sacramento do Batismo em preparação para a Crisma, que receberão na próxima semana

receberem um sacramento que normalmente é dado para crianças ainda pequenas; é emocionante e também muito importante para eles e para toda a comunidade”, alegra-se. Marcelo Ometto Batista, 18, um dos jovens que foram batizados, avaliou todo o processo

de Catequese e o sentimento de receber o sacramento. “É muito importante para mim, frequentar o grupo e vir sempre para cá, estou me sentindo em paz e fazendo parte da Igreja que participo”. O padre Roberto resume o sentimento dos catequistas e dos jovens batizados. “Embora

ainda não tivessem recebido o primeiro sacramento, o sacramento da Iniciação Cristã, que é o Batismo, nós todos nos alegramos como Igreja, por vocês não virem até a comunidade, trazidos pelos seus pais, mas por sua própria vontade, o que já é uma bela demonstração de

fé”, disse o padre Roberto, que finalizou: “Que vocês possam, com estes sacramentos que receberam hoje e que receberão na próxima semana, experimentar a alegria de fazerem parte do time de Jesus. Sigamos, pois, seus passos com todo o amor, dinamismo, força e fé”. João Carlos Gomes

João Carlos Gomes

Colaborador de comunicação da Região

No domingo, 11, cinco jovens da paróquia Santo bELÉM André Apóstolo, no Setor Conquista da Região Episcopal Belém, receberam o sacramento do Batismo, durante celebração presidida pelo pároco, padre Carlos Roberto Fróes, o padre Roberto, e com a participação de 60 pessoas, entre parentes, padrinhos e catequistas dos novos cristãos. O evento revestiu-se de importância ainda maior por ter sido iniciativa dos próprios jovens a procura pelo sacramento. A paróquia conta com um expressivo número de catequistas, 19 jovens, que atendem às 10 comunidades que formam a paróquia Santo André Apóstolo. Na próxima semana, dia 17, cerca de 100 jovens receberão o sacramento da Crisma, em celebração presidida pelo bispo emérito de Jacarezinho, dom Padre Roberto preside celebração em que cinco jovens da Paróquia Santo André Apóstolo recebem o sacramento do Batismo, no domingo, 11 Fernando José Penteado.

Time de Jesus

Para uma das catequistas da Paróquia Santo André Apóstolo, Ana Carolina Oliveira Fonseca, 20, a celebração do Batismo dos jovens foi um momento muito importante e de muita emoção. “É gratificante ver estes jovens agenda regional

Quarta-feira (14), 8h30 Reunião do Clero no Centro Pastoral São José (av. Álvaro Ramos, 366 – Belém – SP).

Domingo (18) Às 10h, Crisma na Universidade São Judas Tadeu, capela São Judas Tadeu (rua Taquari, 546 – Mooca) Às 15h, Crisma na Paróquia Santa Isabel Rainha (alameda Rainha Santa, 322 – Vila Santa Isabel) Às 19h, Crisma na Paróquia Santíssima Trindade (rua Padre Jósimo Moraes Tavares, 56 – Jardim Alto Alegre)

palavra do bispo

Espiritualidade pascal: um povo santo Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém

Dom Edmar Peron

A espiritualidade do Tempo Pascal quer gerar mulheres e homens santos: um povo santo! O Batismo já nos fez participar sacramentalmente da vida nova, dom de Deus; no entanto, ela precisa manifestar-se em nós a cada dia. Como nos ensina o Apóstolo Paulo, fomos batizados em Cristo Jesus, batizados em sua morte, para que “assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova” (Rm 6,4). É isso, somos chamados a viver uma vida nova. Testemunhas dessa vida são os santos e as santas, homens e mulheres que ouviram a voz do Bom Pastor e

o seguiram; cristãos de ontem e de hoje que buscaram com grande empenho, “as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus” (Cl 3,1-4). Vários deles são comemorados ao longo do tempo da Páscoa, dentre os quais quero destacar alguns. Em primeiro lugar, Maria, aclamada por Isabel como “Mãe do Senhor” (31/05), e José, seu esposo, o Operário de Nazaré (1º/05). Depois: Filipe e Tiago (03/05), e Barnabé (14/05), Apóstolos do Senhor; Rita de Cássia, a santa que tornou possível o que todos consideravam impossível, experimentando em sua própria vida, especialmente nos momentos mais difíceis, o quanto Deus é bom (século 15 – 22/05); Catarina de Sena, doutora da Igreja, que uniu à profundidade da vida contemplativa uma incansável atividade missionária, sendo mensageira da paz

(século 14 – 29/04); Filipe Neri, padre dedicado à evangelização da juventude, que difundia alegria por onde passava, fruto de sua união com Deus e de seu bom humor (século 16 – 26/05); Carlos Lwanga e seus 21 Companheiros, jovens mártires africanos, testemunhas da fidelidade a Cristo, em meio aos mais terríveis tormentos: o próprio Carlos foi queimado vivo (século 19 – 03/06); João 23 e João Paulo 2º, inscritos na lista, isto é, no cânon dos santos no dia 27 de abril: “Foram sacerdotes, bispos e papas do século 20. Conheceram as suas tragédias, mas não foram vencidos por elas. Mais forte, neles, era Deus; mais forte era a fé em Jesus Cristo, Redentor do homem e Senhor da história; mais forte, neles, era a misericórdia de Deus que se manifesta nestas cinco chagas [do Senhor]; mais forte era a proximidade mater-

na de Maria” (papa Francisco, na homilia da canonização). Por fim, você pode certamente continuar a lista com pessoas que conhecem, as quais são hoje, gente santa, testemunhas de Cristo, que por nós morreu, foi sepultado e ressuscitou dos mortos, “conforme as escrituras” (1Cor 15,3-5a). Podemos, pois, afirmar com toda segurança: somos todos chamados à santidade, como nos ensina o capítulo 5, da Lumen Gentium, constituição dogmática sobre a Igreja, do Concílio Vaticano 2º: “Todos os fiéis se santificarão cada dia mais nas condições, tarefas e circunstâncias da própria vida e através de todas elas [...], manifestando a todos, na própria atividade temporal, a caridade com que Deus amou o mundo” (41). “Esta é, pois, a vontade de Deus: a santificação de vocês” (1Ts 4,3).


20 | Geral |

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Universidades católicas buscam ampliar qualidade Luciney Martins/O SÃO PAULO

Em São Paulo, reitores e diretores de instituições de ensino superior ligadas à Igreja refletiram desafios para aprimorar atividades Daniel Gomes

Reportagem na zona sul

Das mais de 2,4 mil Instituições de Ensino Superior (IES) no Brasil, ao menos 200 têm relação com a Igreja Católica e integram a Associação Nacional de Educação Católica (ANEC), que nos dias 8 e 9, no campus Ipiranga da PUC-SP, promoveu o 5º Fórum das IES Católicas. Em palestras e relatos de experiências, diretores, reitores e pró-reitores de universidades, faculdades e centros universitários católicos refletiram a temática “Construindo a qualidade nas IES Católicas”. Segundo pesquisa da ANEC, feita junto a 21 instituições associadas, uma medida da qualidade destas IES é que a maioria tem quadro docente com 80% de

Reitores, pró-reitores e diretores das instituições de ensino superior católicas participam de fórum promovido pela Anec

mestres e doutores, enquanto a média nacional é de 66%. De acordo com o irmão Frederico Unterberg, vice-presidente da ANEC, na busca por qualidade, as IES católicas têm adotado novas tecnologias educacionais, como as ferramentas de Ensino a Distância (EAD), e recomendado aos professores que não se limitem a apresentar conteúdos, mas a orientar discussões em sala de aula a partir do que é apresentado pelos estudantes.

Ainda segundo o Irmão, uma das situações desafiadoras para as IES católicas é a relação com o governo federal. “O governo quer regulamentar tudo e assim está interferindo na autonomia da universidade. Isso incomoda porque a universidade tem que ser um lugar de inovação, de pesquisa, mas quando se engessa tudo, nós ficamos limitados”, avaliou ao O SÃO PAULO. Também para a reitora da PUCSP, Anna Cintra, “o Estado brasilei-

ro interfere muito na vida das universidades” e, por vezes, decisões da presidência da República deixam de ser aplicadas pelo Ministério da Educação. Ela também comentou que a busca de qualidade acadêmica pelas IES católicas requer a definição de parâmetros comuns. Anna Cintra avaliou, ainda, ser desafiador a manutenção da identidade católica das instituições. “É uma luta que nós temos que fazer, é um trabalho lento. Não é por uma

medida de força que vamos resgatar a identidade católica. É por um trabalho de qualificação acadêmica, mostrando que isso é próprio da identidade das universidades”. Ao presidir uma das missas durante o evento, o cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo e grão-chanceler da PUC-SP, também apontou que as IES católicas devem manter a própria identidade, pois têm uma contribuição a dar à sociedade brasileira, mostrando um pressuposto de fé, que não se opõe ao trabalho científico. Para o Arcebispo, quando o Estado dificulta as ações dessas instituições, há impedimento da pluralidade. Outros assuntos foram discutidos durante o evento, entre os quais os dez anos do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e o projeto de lei para a criação do Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação da Educação Superior (Insaes). Segundo o frei Gilberto Gonçalves Garcia, presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, desde 2004, cerca de 650 novas instituições e de 10 mil cursos foram credenciados no País, o que indica a necessidade de ampliar a supervisão e a regulamentação do ensino superior.

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| Geral | 21

CNBB divulga folder com orientações sobre a Copa do Mundo Na terça-feira, 6, a CNBB lançou o folder “Copa do Mundo – Dignidade e Paz”, que, preparado pela Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, aborda a exploração escrava do trabalho, a exploração sexual, o tráfico de pessoas, o tráfico de entorpecentes, e aponta os lados positivos e negativos da Copa.

copa do mundo Igreja em SP se prepara para evangelização de turistas durante o mundial de futebol e à garantia de direitos humanos

Arquidiocese articula ação pastoral na Copa do Mundo Ivan Bezerra

Daniel Gomes

Reportagem no centro

A um mês para o início da Copa do Mundo, a Arquidiocese de São Paulo intensifica os preparativos para a ação pastoral que realizará durante o megaevento esportivo, especialmente na assistência espiritual aos turistas e no auxílio à garantia de direitos da população. Na quinta-feira, 8, representantes de paróquias da Região Sé e de pastorais e movimentos da Arquidiocese participaram de uma reunião no Pátio do Colégio, na qual foram elencadas as propostas de ação para o megaevento. As pastorais da Criança, do Menor, da Mulher Marginalizada, Carcerária e do Povo da Rua já apresentaram as iniciativas e outras foram convidadas a fazer o mesmo. Uma das prioridades do Secretariado Arquidiocesano de Pastoral, promotor da reunião, é que todas as paróquias recebam informações básicas sobre como agir e a quem contatar nos casos de urgências. “Vamos entrar em contato com os órgãos da Igreja que lidam com as questões dos direitos humanos e da defesa das pessoas para que, com as informações básicas que nos passarem, orientemos nossas

Seleção encanta, mas não vence – 1982 e 1986

comunidades a fim de que a Igreja possa ter uma atuação pacifista e contrária a qualquer violação dos direitos humanos durante a Copa”, explicou, ao O SÃO PAULO, o padre Tarcísio Marques Mesquita, coordenador do Secretariado. Na reunião também se falou das incertezas quanto aos limites das áreas de restrição comercial e de segurança durante a Copa (veja abaixo) e da necessidade de mobilizar mais pessoas para a ação pastoral durante o megaevento. O cura da Catedral da Sé, padre Eduardo Viera dos Santos, revelou preocupação com a segurança do templo por conta de possíveis manifestações nas proximidades e

também disse que já está sendo estruturado um serviço de assistência social no local. Sobre possíveis protestos contra a realização da Copa, Paulo César Pedrini, integrante da Pastoral Operária, alertou para a criminalização dos movimentos sociais. “A gente teve exemplos de ações repressivas ou intimidatórias, colocando o policiamento como uma operação de guerra. O povo não pode ser tratado dessa forma, já há um projeto de lei tramitando no Congresso para considerar manifestação como ato terrorista, isso é inadimisível”, opinou. Padre Júlio Lancellotti, vigário episcopal para a Pastoral do Povo da

Áreas de restrição não devem prejudicar a dinâmica da cidade Da redação

A delimitação de áreas de restrição comercial de até dois quilômetros dos locais oficiais da Copa gerou dúvidas sobre empecilhos para a circulação de pessoas durante o período do megaevento, especialmente na região central, onde acontecerá a Fifa Fan Fest, no Vale do Anhangabaú. No documento sobre as Áreas de Restrição Comercial, a Fifa esclarece que estas “não consistem em cercas físicas, mas sim em linhas imaginárias. Portanto, o acesso de pessoas comuns, tais como transeuntes, moradores e torcedores às áreas de Restrição

Comercial é livre e não depende de ingresso ou credencial”. Também há diferenciação entre a área de Restrição Comercial e o perímetro de segurança. “O perímetro de segurança é parte do ‘estádio’ e inclui todas as áreas oficiais do evento (centros de mídia, hospitalidade etc) e, por isso, precisam ser não apenas seguros, como também livre de qualquer tipo de comércio, por questões operacionais”. Ao O SÃO PAULO, a assessoria de imprensa do SPCopa – comitê criado pela Prefeitura para articular as ações voltadas à Copa – garantiu que não haverá limitação à circulação de pessoas nas vias próximas à Fifa Fan Fest.

O assunto é de interesse da Igreja, pois há o temor de limitações para a realização de eventos e acesso aos templos na região central. “Na Paróquia São Francisco, que fica ao lado do Vale do Anhangabaú, vai ter até quermesse nessa época, então seria um prejuízo material e humano se o povo fosse impossibilitado de comparecer. Se houver restrições que impeçam de alguma maneira, nós vamos repudiar, de algum modo manifestar nosso descontentamento diante das autoridades”, garantiu o padre Tarcísio Marques Mesquita, coordenador do Secretariado Arquidiocesano de Pastoral. (DG)

Rua, lembrou que já foram produzidos materiais para orientar as pessoas em situação de rua sobre truculências que possam sofrer. “Hoje a expulsão dessa população é muito sutil, nós estamos vivendo o higienismo gentil, que quer camuflar isso”. Sueli Aparecida Silva, coordenadora da Pastoral da Mulher Marginalizada, alertou que, por conta da Copa, muitas mulheres já estão chegando a São Paulo através das redes de prostituição e de explora-

Sob o comando de Telê Santana, a seleção brasileira na Copa de 1982, na Espanha, encantou pelo chamado “futebol-arte”. Foram quatro vitórias até a partida contra a Itália (que se tornaria campeã), quando Paolo Rossi, com três gols, decretou a eliminação brasileira. Na Copa de 1986, no México, Telê era novamente o técnico e a Copa para os brasileiros também acabou no quinto jogo: no tempo normal, Zico perdeu pênalti e o jogo terminou em 1 a 1. Nas penalidades, a vitória foi da França por 4 a 3. A seleção campeã foi a Argentina, de Maradona.

ção sexual. “Os pontos de prostituição estarão disseminados por toda a cidade, pois há várias realidades de prostituição. Haverá a prostituição para a alta sociedade, que não vai ficar perto do estádio da Copa, pois está localizado na periferia, mas lá também acontecerão casos de exploração sexual, assim como em áreas turísticas”, pontuou.

Convocações: prazo limite é nesta terça-feira

Rafael Ribeiro/CBF

Da redação

As 32 seleções que disputarão a Copa têm até esta terça-feira, 13, para entregar uma lista com 30 jogadores para a disputa do mundial. Desta sairá uma definitiva com os 23 nomes, até 2 de junho. Em 7 de maio, o técnico Luiz Felipe Scolari já anunciou os convocados do Brasil: Júlio César, Jefferson e Victor (goleiros); Daniel Alves, Maicon, Maxwell e Marcelo (laterais); Thiago Silva, David Luiz, Dante e Henrique (zagueiros); Luiz Gustavo, Paulinho, Fernandinho, Hernanes, Oscar, Willian e Ramires (meio campistas); Neymar, Fred, Hulk, Jô e Bernard (atacantes). (DG)


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Equipes de Nossa Senhora: há 64 anos no Brasil

Fotos: Equipes de Nossa Senhora

Em maio, mês de Maria, O

SÃO PAULO

apresenta histórias e experiências de grupos de fiéis e congregações que se inspiram na Mãe de Jesus. Daniel Gomes Redação

O ano era 1938. Na França, a jovem Madeleine d’Heilly procurou o padre Henri Caffarel para se aconselhar sobre a vivência espiritual do Matrimônio. O Padre pediu que ela levasse o marido, Gérard, para ouvir os mesmos conselhos. A seguir, eles apresentaram ao Sacerdote mais três casais, e todos passaram a ser orientados para viver o amor à luz da fé. Esse é o início da história das Equipes de Nossa Senhora (ENS), associação privada de fiéis que hoje está em mais de 70 países, incluindo o Brasil, onde há 45 mil membros. “Nosso movimento é cristocêntrico, portanto, Nossa Senhora é nossa intercessora, protetora e caminho para chegarmos ao Pai”, explicou, ao O SÃO PAULO, o casal Hermelinda e Arturo Zamperlini, responsável pela Província Sul 1 das ENS, e que a partir de agosto estará à frente das Equipes no Brasil. A primeira Equipe brasileira foi lançada há 64 anos, em

Equipes de Nossa Senhora surgem estimuladas pelo padre Henri Caffarel (esq.), na França, em 1938, e hoje estão em mais de 70 países, incluindo o Brasil. Entre os 450 mil membros no País, está o casal Hermelinda e Arturo Zamperlini

São Paulo, em 13 de maio de 1950, pelo casal Nancy e Pedro Moncau, que ao tomar ciência do “Grupo de Casais do Padre Caffarel”, em uma palestra, escreveu ao Padre, que em outras correspondências deu orientações para que fossem montados os grupos. Sobre a dinâmica das ENS, Arturo e Hermelinda explicaram que a primeira atividade é a reunião mensal, quando de cinco a sete casais e um conselheiro espiritual oram, refletem e partilham experiências. “Paralelamente, temos missas mensais, retiros, peregrinações, forma-

ções, interequipes”, afirmam. Segundo o casal, as ENS servem à Igreja por meio da evangelização de grupos de casais que possuam o sacramento do Matrimônio. “O fazemos pelas ‘experiências comunitárias’, coordenadas durante 16 reuniões por um casal equipista. Em agosto, iniciaremos um trabalho semelhante com grupos de casais sem o sacramento do Matrimônio, porém sem impedimento”. Os integrantes das Equipes também participam de pastorais e fornecem apoio a pessoas sós ou viúvas, por meio das Comunidades Nossa Senhora da Esperança, e a jovens

solteiros, de 16 a 30 anos, nas Equipes Jovens de Nossa Senhora. O casal responsável pela Província Sul 1 das ENS recordou a história de Leda e Marcos de Abreu Lisboa, que há 37 anos integram as Equipes. Após o falecimento do pai, a mulher passou a ir à Igreja e foi convidada a ingressar nas Equipes junto com o esposo. “Não se arrependeram, pois o Matrimônio estava entrando numa fase difícil, de desânimo, marasmo, e perceberam que a relação melhorou muito. A prova é que estão casados há 48 anos e muito felizes, apesar das dificuldades que a vida impõe”.

Hermelinda e Arturo comentaram, ainda, que maior desafio das ENS é motivar os casais a aceitarem os convites de Deus. “Percebemos na sociedade atual, como nos diz Santo Agostinho, um conflito entre dois amores: o amor de Deus levado até ao desprezo de si próprio, e o amor de si próprio levado até ao desprezo de Deus. Precisamos encontrar o equilíbrio, e só conseguiremos se tivermos um crescimento de nossa espiritualidade tanto pessoal quanto de casal. E para isso as ENS nos ofertam um ‘banquete espiritual’, mas vemos muitos passarem fome”.


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1º Workshop sobre a Saúde dos Povos Indígenas A Universidade Federal de São Carlos promove o 1º Workshop sobre a Saúde dos Povos Indígenas, para discutir a assistência à saúde com foco na formação de profissionais e implementação do subsistema de saúde indígena no âmbito do SUS. O evento será no dia 24 de maio das 8h às 19h. www.workshopsaudedospovosindígenas.wordpress.com.

Quem é culpado do abuso sexual no metrô? Sergio Ricciuto Conte

Leonardo Faria, psicólogo criminal, analisou possíveis causas para os crimes de importunação ofensiva ao pudor Nayá Fernandes Redação

“Isso é safadeza”. Segundo o dicionário Aurélio da língua portuguesa, safadeza “é a qualidade ou procedimento de indivíduo safado ou dito pornográfico, imoral”. Essa foi a resposta mais repetida pelas pessoas abordadas pela reportagem sobre os casos de abuso sexual nos meios de transporte públicos em São Paulo. Só este ano, no metrô de São Paulo, foram registrados mais de 30 casos. Este crime, conhecido como “encoxada”, pode ser um distúrbio sexual, o “Frotteurismo”, que acontece quando as pessoas têm prazer em esfregar os genitais no corpo de outras pessoas completamente vestidas. Contudo, por ser considerado de matéria leve, os criminosos, na maioria das vezes, não permanecem presos e apenas devem cumprir penas comunitárias por importunação ofensiva ao pudor.

Ponto de vista

Quem é o abusador?

Na maioria dos casos de abuso sexual, a atenção está voltada para as vítimas, sem aprofundar o que leva um indivíduo a praticar esse crime. O SÃO PAULO entrevistou Leonardo Faria, professor, psicólogo criminal e neuropsicólogo, mestrando em Ciências Criminológicas para entender melhor o fenômeno.

O SÃO PAULO - Como você analisa a pessoa que comete um abuso sexual? Leonardo Faria - Ao analisar o comportamento de um indivíduo, é preciso verificar o que realmente estimula estas pessoas. Pode ser o fato de estar em público, apenas o contato corporal, ou ainda se é um padrão de vítima ao qual relaciona com algum tipo de fetiche e/ou fantasia. Em comum, o que pode ser aplicado como teoria interpretativa para uma análise nomotética (grupal), é que são pessoas que tem um desvio de sexualidade, ou melhor, comportamento parafílico sexual. Em geral, o prazer acometido pela excitação é vinculado a uma situação de risco, perigo e dominação. Em alguns casos, podemos ter algum transtorno mental associado, de nível mais grave, como os transtornos de espectro compulsivo, ansioso, ou ainda de personalidade do tipo antissocial (psicopático). A análise da “história de vida”, destes indivíduos é muito importante para entender a forma como estabeleceram os princípios de afetos, limites e sexualidade durante a infância. Experiências traumáticas ou inadequadas de contendo contato sexual podem

viante sexual, menos ainda. Em geral, são pessoas “normais”, ou seja, têm a plena capacidade de entender o que estão fazendo. Tem famílias, trabalham e estudam. Porém, o controle da vontade e de autodeterminar em contexto sexual podem se tornar deficitário por situações nas quais se sentem estimulados cognitivamente, afetivamente e até fisiologicamente. O SÃO PAULO - Quais são os ambientes que podem “estimular” este crime? Leonardo Faria - A característica deste comportamento desviante é justamente praticar o ato num contexto coletivo e, a partir disto, não ser visto ou descoberto. Importante ressaltar que ninguém se torna “encoxador” de uma hora para outra. Há um histórico que modela e estimula o indivíduo. Isto começa com atos masturbatórios, em que a “fantasia mental” vira realidade, e posteriormente, com pequenos contatos físicos (às vezes até com pessoas conhecidas, amigas e familiares), e posteriormente com pessoas desconhecidas.

contribuir para o desencadeamento de um comportamento deste tipo. O SÃO PAULO - Em sua opinião, a mídia contribui para que isto aconteça? Leonardo Faria - A mídia pode contribuir como qualquer outra situação que venha a provocar ou estimular contatos sexuais indevidos. O que é observado é que a mídia é apenas um meio que possa levar o sujeito a aprender condutas inadequadas, como qualquer outro meio de exposição. Filmes, novelas e músicas para isto quando vinculam sexualidade a um comporta-

mento que visa o prazer a qualquer custo, a dominação do homem perante a mulher. Ou seja, as pessoas deixam de ser o que são para se tornar objetos de manipulação perante outro sujeito. Não é isto que ocorre no “encoxamento”? O SÃO PAULO - Como uma pessoa pode verificar tendências de possível abusador? Leonardo Faria - Não há um método determinista para se auto-avaliar e a partir disto ter a percepção de que “sou ou não um abusador”. Falando de comportamentos com característica des-

Após o aumento dos casos de abusos, o metrô de São Paulo começou uma campanha para incentivar as vítimas a denunciar. A companhia também disponibiliza o serviço do SMS-Denúncia (97333-2252), ferramenta que promove o combate às práticas irregulares, infrações ou crimes. Percebo que há uma tendência da sociedade contemporânea de responsabilizar o indivíduo. Quando falta água, quem deve economizar é o cidadão. Quando há enchentes nas ruas, a culpa é de quem joga lixo. Ao aumentar o número de pessoas abusadas sexualmente no metrô, a denúncia individual é a solução. Porém, pouco se fala da responsabilidade dos poderes públicos. Houve acompanhamento e investimento nos sistemas de fornecimento de água ao longo dos anos? Existem ações efetivas para colocação de lixeiras e recolhimento do lixo urbano? Há medidas que podem ser tomadas para evitar a superlotação nos vagões de trens e metrôs? O metrô em São Paulo não têm apresentado projetos para diminuir a superlotação e deve faturar cifras altíssimas com isso. Não basta a conscientização dos indivíduos particularmente, que acaba por desviar o foco de sistemas públicos deficientes e mal administrados. A lotação é ambiente propício para um “encoxador”, que, provavelmente, torce para que o metrô tenha problemas ou para que aconteça greve de ônibus. Por Nayá Fernandes


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Um crime sem lei

Nayá Fernandes

Reportagem no centro

A Missão Paz e a Cáritas Arquidiocesana se uniram na promoção de um seminário sobre migração, refúgio e tráfico de pessoas

“São roubos incomuns”, disse Luciney Martins/O SÃO PAULO Eliana Faleiros Vendramini Carneiro, promotora de justiça do Ministério Público de São Paulo. Ela utilizou este termo quando fez referência a uma família boliviana que foi assaltada no Brás, próximo à Igreja São João Batista do Brás. O pároco, padre Marcelo Monge é também o diretor da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo (Casp). “Uma senhora estava chorando após a missa, e perguntei o que havia acontecido. Então, ela me contou sobre o assalto. Iremos prestar nossa solidariedade e ajudar no que for possível”, afirmou o Padre, presente no segundo seminário organizado conjuntamente pela Casp e pela Missão Paz, que mantém a casa do Migrante no centro da capital. Com o tema “Migração, Refúgio e Tráfico de Pessoas”, o evento reuniu, na quarta-feira, 6, membros das duas instituições, autori- Eliana Vendramini, promotora de justiça, comenta a não tipificação do tráfico de pessoas no Código Penal Brasileiro dades, institutos, ONGs, agentes de pastoral e religiosos. Diante de um caso de tráfico nacional em São Paulo, contatar: Eliana comentou que, no Delegacia da polícia civil www.policiacivil.sp.gov.br 197 caso dos bolivianos assaltados Ministério Público Estadual www.mpsp.gov.br (11) 3119-9903 [os ladrões levaram todo o di- Núcleo de enfrentamento de tráfico netsp@justic.sp.gov.br (11) 3241-4291 nheiro que eles tinham guardado de pessoas de São Paulo em casa], há grande possibilidade que o crime nem chegue à polícia, pois, além da dificuldade Para buscar apoio às vítimas e testemunhas de tráfico de pessoas em São Paulo de atendimento do estrangeiro de ir à delegacia, Posto Aeroporto Cumbica terminal 1- Guarulhos (SP) (11) 2445-4719 a imigrantes a denúncia pode levar à des- humanizado Avenida Emílio Ribas, 642 – Guarulhos (SP) (11) 2409-9518 coberta de uma rede criminosa Asbrad Pastoral da Mulher Marginalizada Rua Guilherme Maw, 64, Luz (11) 3326-0663 de exploração do trabalho. “Os Missão Paz Rua do Glicério, 225, Liberdade (11) 3340-6950 mesmos que oferecem trabalho, Cáritas Arquidiocesena Rua Major Diogo, 834, Bela Vista (11) 4306-4389 muitas vezes em situação análo-

ga à escravidão, são aqueles que planejam roubos para recuperar o dinheiro”, exemplificou a promotora. A identificação e criminalização dos atos relacionados ao tráfico de pessoas é um processo demorado e, muitas vezes inexistente, pois o Código Penal brasileiro não tem o conceito de tráfico de pessoas e esta realidade não está enquadrada no processo penal. “Há apenas um tipo penal para este crime, que é o tráfico de pessoas para exploração sexual. Ainda assim, o termo pessoas foi incluído em 2009, pois, até então, se traficava somente mulheres, segundo a lei brasileira. A maioria dos casos é enquadrada em outros tipos, como tráfico de drogas, o que impede a identificação da rede organizada e criminosa que trafica pessoas”, avaliou Eliana. A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou, no dia 7 de maio, o Projeto de Lei 5317/13, do deputado licenciado Edson Giroto (PRMS), que inclui entre os crimes hediondos o tráfico interno e o tráfico internacional de pessoas para fim de exploração sexual. O projeto altera a lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, que dispõe sobre os crimes hediondos, nos termos do art. 5º, inciso 43, da Constituição Federal, e determina outras providências, para acrescentar o crime de tráfico interno e internacional de pessoas. A proposta ainda deve ser votada pelo Plenário.

A beleza da maternidade, de geração em geração Nayá Fernandes

Reportagem na zona norte

“Ela parece uma criança de tão ansiosa”. Essa foi a expressão utilizada por Geiza César Nnhoncanse, 28, enquanto ela e a avó Hildene dos Santos, 73, se preparavam para ir ao show do cantor Roberto Carlos, no domingo, 11. “Sou fã dele há 53 anos, e esperei você nascer, crescer, se formar, pra que eu tivesse a chance de vê-lo de perto”, disse Hildene para a neta. O presente de Geiza para a avó foi também uma homenagem para a mãe, Cilene César Nhoncanse, 55, secretária da Paróquia Nossa Senhora do Ó e estudante de teologia na PUC-SP. “Este ano, minha filha realizou um dos sonhos da minha mãe e esse foi o melhor presente que ela me deu”, contou Cilene à reportagem. O jornal O SÃO PAULO conheceu um pouco da história das mães Cilene e Hildene pelo olhar de Geiza. Hildene e Cilene nasceram no interior da Bahia, mas Cilene veio para São Paulo ainda criança com os pais. “Minha avó materna faz parte do meu dia-dia desde sempre. Nos momentos mais importantes, nos

momentos mais divertidos, nas viagens de família, ou mesmo fazendo o almoço do domingo, ela sempre esteve lá”, contou a jovem médica. Sobre a mãe, Cilene, Geiza afirmou que teve a grande bênção de ser filha de uma mulher que mostrou diariamente a beleza e a grandiosidade da maternidade. Ela enfatizou que, na mãe, vê a ma-

ternidade tal como deve ser exercida. “Minha mãe é dessas mulheres que foram feitas para a maternidade. Ela não só me deu de comer, me nutriu; não me deu muitos brinquedos, brincou comigo; não me deu as melhores roupas, me ensinou a ser vaidosa e a gostar das peças que eu tinha; não me matriculou no colégio mais caro, me ajudava com a lição de casa e a Fotos: Arquivo pessoal

gostar de estudar. Acordava de madrugada para me buscar nas festinhas... e nunca me disse o que eu deveria ser, ou o que gostaria que eu fosse, mas em alguns momentos acreditou mais em mim mais do que eu mesma; ela não fez faculdade e abandonou a carreira, hoje eu sou a médica da família.” Quando a neta entrou na faculdade e precisou mudar de cidade, foi Hildene a testemunha dos primeiros dias de aula. “Lembro-me de nossas conversas, noite adentro, deitadas em colchões no chão, pois a cama ainda não tinha sido entregue”, contou. “Ela é, sem dúvidas, a mulher mais forte que eu conheço. A vida poderia ter feito dela uma mulher dura, mas ela permaneceu doce, alegre, cheia de sonhos e projetos, mesmo com o avançar da idade”, afirmou a neta. Durante o show do Roberto Carlos foi oferecida uma taça de champanhe para todo o público, para brindar o dia das mães. “Minha avó lembrou a infância e a juventude dela e me disse que jamais imaginou que um dia estaria num lugar tão bonito, vendo o show do ídolo, com uma neta médica. Com essas palavras, quem se emocionou fui eu”, falou Geiza.

O SÃO PAULO - edição 3002  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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