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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 62 | Edição 3136 | 1º a 7 de fevereiro de 2017

R$ 1,50

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Na festa de São Paulo, Cardeal pede às autoridades atenção aos pobres Luciney Martins/O SÃO PAULO

Encontro com o Pastor ‘Fazei isto em memória de mim’, Cardeal Scherer explica seu lema episcopal Página 3

Espiritualidade Igreja agradece à Vida Religiosa na Festa da Apresentação Página 5

Editorial Testemunhar o amor é o primeiro passo para a paz Página 2 Luciney Martins/O SÃO PAULO

Roteiro para conhecer as obras de Cláudio Pastro

Páginas 12 e 13

A celebração da festa da Conversão de São Paulo e pelos 463 anos de fundação da cidade teve a presença de autoridades civis e religiosas

A Catedral da Sé estava lotada na quarta-feira, 25, festa da Conversão de São Paulo Apóstolo e os 463 anos de fundação da cidade. Ao falar sobre os desafios da metrópole, o Cardeal Scherer ressaltou que a cidade precisa priorizar a educação de boa qualidade para todos. E, dirigindo-

se aos governantes presentes na celebração, exclamou: “Faço votos para que seus serviços à cidade possam reverter em benefício de todo o povo, dando atenção prioritária aos mais pobres, fragilizados e excluídos de nossa população”.

Cardeal Scherer comemora 15 anos de ordenação episcopal

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Página 14

Marcha pela vida leva milhares de pessoas às ruas dos EUA Página 8

Região Santana dá último adeus ao Padre Pedro Vicente

Página 22

Página 24

Reforma Trabalhista causa amplo debate na sociedade Economistas, juristas, professores e toda a sociedade se debruça sobre o Projeto de Lei (PL) 6787/2016, mais conhecido como Reforma Trabalhista. O intuito é entender as mudanças propostas pelo governo e o seu impacto sobre a economia e a geração de empregos neste momento de retomada de crescimento no país. Liberação do negociado sobre o legislado é a principal aposta do governo federal. Página 17

Vitor Alves Loscalzo

Peregrinar: experiência de busca e de transcendência Página 11


2 | Ponto de Vista |

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Editorial

O medo, a paz e o amor

N

o último domingo, 29, foi celebrado o IX Dia de Intercessão pela Paz na Terra Santa, um evento mundial de oração por essa tão sofrida região, berço das religiões judaico-cristãs. A iniciativa partiu conjuntamente de algumas associações de jovens católicos em comunhão com a Santa Sé, do Patriarcado Latino de Jerusalém e da Custódia da Terra Santa. O Cardeal Peter Turkson, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, em sua mensagem aos participantes, disse que: “Os jovens são e podem ser um recurso para a paz se viverem a sua liberdade em união com a verdade, com o bem e com Deus. Só assim enraí-

zam seu compromisso pela justiça e pela paz”. O Cardeal retomava uma célebre passagem da Pacem in terris, de São João XXIII (n. 35-38): “A ordem que há de vigorar na sociedade humana é de natureza espiritual. Com efeito, é uma ordem que se funda na verdade, que se realizará segundo a justiça, que se animará e se consumará no amor, que se recomporá sempre na liberdade, mas sempre também em novo equilíbrio cada vez mais humano”. Essas palavras se mostram ainda mais proféticas nesse nosso tempo em que a mentira imposta pela mentalidade hegemônica vem pomposamente chamada de “pósverdade”. Tempo em que todos clamam por justiça, mas no qual o

medo faz com que as pessoas optem até mesmo por uma ordem sem justiça. Tempo em que a paz deveria ser maior do que nunca, mas no qual os corações indignados ou amedrontados não se deixam pacificar. “Não tenhais medo”, clamava São João Paulo II na homilia de início do pontificado. Ah! Se tivéssemos a percepção de toda a extensão desse brado... O mundo pós-moderno, com todos os seus avanços tecnológicos, socioculturais e políticos, não nos livra do medo: do terrorismo, da crise econômica, do desemprego, da perda de conforto, do menino pedindo esmola (pode ser um delinquente perigoso!), do encarcerado num presídio superlotado, do refugia-

do sem pão nem lar, da solidão, da doença e da morte. São todos medos razoáveis, baseados em acontecimentos reais, mas que não ajudam a construir um mundo em paz. Ao contrário, conduzem a um mundo irracional, pois a razão não consegue ordenar uma realidade em que o medo é maior que o amor. Onde está a verdade, que poderá ajudar os jovens a vencer o medo e a viver com liberdade e solidariedade? Está em que somos todos pecadores, porém acolhidos e amados pela misericórdia de Deus, que supera todos os nossos limites e todas as nossas fraquezas, diria Papa Francisco. Testemunhar esse amor, com liberdade, alegria e solidariedade, é o primeiro passo para a paz.

Opinião

Estado subsidiário e não substituto: uma oportunidade para a Igreja Arte: Sergio Ricciuto Conte

Ana Lydia Sawaya Estudo recente mostra que as áreas da administração pública onde ocorrem os maiores desvios de dinheiro são as áreas da educação e saúde. E não só, o estudo mostra também que as cidades menores e mais pobres com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) baixo são aquelas onde os desvios são mais escandalosos. Há descrição de políticos e servidores públicos desviando recursos destinados a hospitais, postos de saúde, remédios, escolas e merenda escolar, para comprar uísques e vinhos importados, festas, etc. Quando lemos estas notícias ficamos desanimados, achando que não há solução, ou ainda, que a solução passa apenas pela ação do Poder Judiciário. Muitos procuradores, porém, têm afirmado que a mera aplicação das leis não dará conta de vencer a corrupção sistêmica. O conhecimento destes fatos já é um sinal importante do amadurecimento de nossa democracia. Mas justamente, por causa disso, abre-se uma oportunidade única para a Igreja e que não deve ser perdida: propor, como parte da sociedade civil organizada, caminhos para a melhoria da qualidade dos serviços de educação e saúde, que sempre fizeram parte da nossa tradição. A Constituição de 1988 afirma que educação e saúde são direitos do cidadão e, portan-

to, devem ser providos pelo Estado gratuitamente. Há séculos, porém, a Doutrina Social da Igreja vem nos ensinando que este não é o melhor modo de gestão para garantir o respeito à dignidade e liberdade humanas e o bem comum. Ela afirma, ao contrário, que é melhor um Estado subsidiário que participa do financiamento de escolas e hospitais, ou seja, subsidia-os, mas deixa a gestão direta a cargo de organizações intermediárias da sociedade civil. Este compartilhamento de respon-

sabilidades permite maior controle e garantia de serviços de qualidade. As congregações ou ONGs da Igreja, que gerenciam escolas e hospitais, o fazem por ideais, desejo de bem e amor ao próximo, além de serem mais econômicas e terem mais cuidado na gestão dos recursos financeiros do que a enorme máquina burocrática do Estado. Durante muitas décadas o Estado brasileiro foi refratário a esta forma de gestão, não a favorecendo, salvo em situações em que os recursos eram

insuficientes ou o Estado não tinha capacidade de gestão, ou até a dificultando. Por isso, tantos colégios e hospitais católicos fecharam ou estão em grave situação econômica, muitos tendo que se desdobrar na busca de doações e financiamentos que são esporádicos e descontinuados. Um exemplo de subsidiariedade que ocorre em países como a Itália é a existência de leis que permitiram que escolas de ensino fundamental e médio confessionais se sustentem com duas fontes de renda complementares: uma bolsa paga pelo governo para cada aluno (e que depende da renda da família) e uma mensalidade complementar paga pelos pais. A mesma coisa se poderia fazer com os hospitais confessionais e tratamentos médicos que poderiam ser pagos pelo SUS com uma complementação para o tratamento paga pelo paciente de acordo com sua renda. Talvez poucos saibam, mas esses hospitais em SP são os que mais atendem o SUS, e estão sofrendo muito com os repasses insuficientes enquanto o governo diz que não tem dinheiro. A sustentabilidade e qualidade dos serviços à população poderia se beneficiar muito com esse sistema subsidiário e de complementariedade de pagamento. Ana Lydia Sawaya é professora da UNIFESP, fez doutorado em Nutrição na Universidade de Cambridge e foi pesquisadora visitante do MIT. É conselheira do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP.

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Redator chefe: Daniel Gomes • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Edcarlos Bispo, Filipe David, Nayá Fernandes e Fernando Geronazzo • Institucional: Rafael Alberto e Renata Moraes • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Secretaria de Redação: Djeny Amanda • Assinaturas: Ariane Vital • Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Revisão: Sueli S. Dal Belo • Impressão: S.A. O ESTADO DE S. PAULO • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinaturas) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail • A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


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In meam commemorationem: cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

A

trás das várias formas de atuação da Igreja, ou das Igrejas, há diferentes ideias de Igreja, que determinam a sua ação e encarnação histórica. A mesma coisa vale para as expectativas que se tem em relação àquilo que a Igreja deveria ser e como deveria se apresentar na sociedade. E então nos perguntamos: como deve ser e atuar a Igreja? Deve ela ser uma espécie de empresa, com o objetivo da eficiência na administração dos bens para conseguir o melhor ganho econômico e financeiro através de sua atuação? Deve ela ser uma organização de sucesso, que pode ostentar os resultados mais lisonjeiros de prestígio e reconhecimento público e até político? Uma iniciativa econômica especializada em “bens religiosos”, colocados no mercado e expostos à concorrência, de acordo com o gosto dos consumidores? Deveria ela identificar-se com alguma ideologia, que abraça um sonho de construção do mundo e promove iniciativas para a realização desse sonho? Muitas vezes, a Igreja é confundida com um empreendimento econômico, um partido político, um movimento social inspirado por alguma ideologia, uma espécie de fundação cultural, patrocinadora e protetora de patrimônios artísticos e culturais... E isso pode estar na cabeça dos que estão à frente das Igrejas, nas expectativas dos que a procuram ou na ideia de quem, de fora e de longe, fala da Igreja. Em todas essas maneiras de ver a Igreja há erros, equívocos e insufici-

A propósito dos meus 15 anos de bispo ências na maneira de compreender a Igreja. Embora ela também deva tratar e cuidar de questões econômicas, administrativas, políticas e culturais, a Igreja, no entanto, existe em primeiro lugar para ser no mundo a testemunha de Jesus Cristo e anunciadora do seu Evangelho. Ela existe em função de Jesus Cristo e de sua missão que, após a sua glorificação no céu, continuou com os apóstolos e continua através dos tempos. Essa é a identidade primeira da Igreja, que também deve orientar toda a sua atuação histórica. Quando instituiu a Eucaristia, na última ceia, Jesus ordenou aos Apóstolos: “Fazei isto em memória de mim” - in meam commemorationem (Lc 22,19). Ele se referia ao seu “corpo doado” e ao seu “sangue derramado”. Era a referência à sua morte na cruz, mas também à sua inteira vida doada pela humanidade, desde o primeiro instante de sua vinda ao mundo. Portanto, é em memória d’Ele, tendo-o sempre diante dos olhos, que também a Igreja deve se fazer presente no mundo e exercer a sua missão. A “memória de Jesus Cristo”, para nós, não é simples lembrança de uma ação do passado, mas a contínua consciência de que Jesus Cristo e sua Igreja estão unidos; ela nada seria, nem teria força e eficácia nas suas ações, sem estar unida a Cristo. Em última análise, na vida e na ação da Igreja, é o próprio Jesus Cristo que continua a agir através do seu Espírito Santo. Sem a constante referência a Cristo, a Igreja seria apenas uma ONG ou um empreendimento humano, que atua com objetivos, estratégias e eficácia próprios, talvez até distantes daquilo que Jesus esperavas dela, ao dizer aos discípulos: “Ide por todo o mundo, anunciai o Evangelho a toda criatura” (Mt 28,

19). Ou quando disse aos apóstolos: “Vós sois testemunhas dessas coisas” (Lc 24,48). Em memória de Jesus Cristo, portanto, nós anunciamos o Evangelho, celebramos a Eucaristia e os demais Sacramentos e atos litúrgicos; em memória de Jesus Cristo, nós promovemos as atividades missionárias, evangelizadoras e pastorais. Com a mesma motivação e pelo mesmo motivo, promovemos a educação e a comunicação; atuamos na internet, na vida política e econômica, participamos de modo responsável da ecologia e dos cuidados da “casa comum”. Em memória de Jesus Cristo, promovemos a caridade, a justiça e a solidariedade social; e também defendemos a inviolabilidade da vida e da dignidade de cada ser humano, promovemos o respeito aos direitos humanos, o cuidado dos doentes, dos pobres e de todos os “descartados” do convívio humano. Em memória de Cristo, enfim, anunciamos a esperança a todos, aquela grande esperança, que supera tudo aquilo que o homem pode dar a si mesmo e que está fundada no Deus vivo e fiel a si mesmo e às suas promessas. Portanto, para ser fiel a si mesma e à missão recebida, a Igreja, corpo vivo de Cristo na história, não poderia jamais ser identificada com nenhum governo, partido político ou sistema econômico, com nenhum movimento social ou cultural, nenhuma ideologia ou corrente filosófica. Ela é diferente de tudo isso, embora esteja misturada a tudo isso. Em sua maneira de ser, de agir e estar no mundo, a Igreja é o “corpo de Cristo” na história e, por isso, deve ter sempre diante dos olhos Jesus Cristo, “Senhor da Igreja”. Tudo deve fazer em memória dele – “in meam commemorationem”.

| Encontro com o Pastor | 3 Assembleia da Missão Belém Missão Belém

Dom Odilo Scherer presidiu na terça-feira, 31, missa no último dia da assembleia da Missão Belém, realizada em Jundiaí (SP). A celebração aconteceu na Casa Nossa Senhora de Fátima, que acolhe cerca de 100 mulheres que viviam em situação de rua.

Benção de faculdade Padre Pedro Almeida

Na manhã da segunda-feira, 30, o Cardeal Scherer abençoou as dependências da Faculdade de Filosofia e Teologia Paulo VI, na Diocese de Mogi das Cruzes (SP).

Ordenação diaconal Congregção Padres Rogacionistas

Dom Odilo Scherer celebrou a ordenação diaconal do religioso Rodrigo Chaparro, da Congregação dos Padres Rogacionistas, sábado, 28, na Comunidade Nossa Senhora da Esperança, da Paróquia Nossa Senhora das Graças, no Morro Doce, Região Brasilândia.

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4 | Fé e Vida |

1º a 7 de fevereiro de 2017 | www.arquisp.org.br

Liturgia e Vida 5º DOMINGO DO TEMPO COMUM 05 de fevereiro de 2017

Vós sois a luz do mundo Cônego Celso Pedro Quando Jesus saiu de Nazaré e foi morar em Cafarnaum, no território de Zabulon e Neftati, o evangelista São Mateus viu a realização de uma profecia de Isaías. O profeta viu uma luz brilhar nas trevas que encobriam o povo que vivia naquela região. Um povo sofrido, esmagado pela opressão das botas dos soldados e do peso dos impostos, reencontra a esperança e vê surgirem dias novos, cheios de alegria. Resplandece uma luz para os que habitavam nas sombras da morte. Jesus entra na história da humanidade pelas portas de Cafarnaum, mas não entra sozinho. Chama logo seus primeiros apóstolos para serem pescadores de gente. Chama seus primeiros apóstolos que formam uma comunidade em contínuo crescimento e que se torna com ele a luz que brilha nas trevas da morte. “Vocês serão pescadores de gente, vocês serão a luz do mundo. Brilhe essa luz diante das pessoas para que, vendo o que vocês fazem de bom, glorifiquem o Pai do Céu.” O profeta Isaías traduz para nós em termos práticos o que significa ser luz do mundo e brilhar nas trevas. Nossa luz nasce nas trevas e brilha como a aurora quando, ao encontrarmos alguém nu, nós o cobrimos; quando destruímos os instrumentos de opressão; quando deixamos nossos hábitos autoritários e a linguagem maldosa; quando acolhemos de coração aberto o indigente e prestamos socorro ao necessitado. Como, porém, não deixamos de ser “interesseiros” em tudo o que fazemos, podemos perguntar o que significa para nós, também em termos práticos, brilhar nas trevas. Praticamos as boas obras da justiça e da misericórdia somente para brilhar? Não, diz o profeta, “a tua saúde há de se recuperar mais depressa”, “invocarás o Senhor e ele te atenderá”, “a tua vida obscura será como o meio-dia”. Alguma coisa boa sobra para nós também, além de brilharmos como a aurora e de ver a justiça caminhar diante de nós; e, atrás de nós, a glória do Senhor. No entanto, o bom mesmo é fazer tudo de graça somente para a glória de Deus. As boas obras devem ser feitas e devem ser vistas para o louvor de Deus. Que em tudo o que fizermos e dissermos se manifeste o poder do Espírito. É esta a orientação que Paulo dá aos coríntios. Referindo-se ao modo de falar, à linguagem, às pregações, o que ele diz vale também para as ações. Em tudo o que fazemos e dizemos, anunciamos o mistério de Deus e demonstramos o poder do Espírito, por isso não recorremos ao prestígio da sabedoria humana. Não brilhamos com luz própria. Vestimos os nus e socorremos os indigentes baseados no poder de Deus e não na sabedoria dos homens.

Você Pergunta Podemos orar por meio de mantras? padre Cido Pereira

osaopaulo@uol.com.br

A Dolores Costa, residente em Palmas (TO), quer saber se existem mantras em nossa Igreja. E ela pede alguns exemplos. Minha querida irmã. Se entendermos o mantra como aquela forma de orar repetitiva em que vamos pronunciando a mesma frase, seja de louvor, seja de pedido de perdão, seja de invocação a uma divindade, podemos encontrar algo semelhante na nossa fé católica. Por exemplo,

nossas ladainhas, o próprio rosário, aquele jeito oriental que muitos equivocadamente classificaram como terço bizantino, são formas de orar que focam a nossa atenção, que não permitem que percamos o foco enquanto oramos. Existe uma comunidade ecumênica na França, a Comunidade de Taizé, cuja forma de rezar e louvar a Deus com cânticos repetitivos se tornou conhecida em todo o mundo. São salmos e invocações belíssimos que em muitas de nossas comunidades nós entoamos com um bom fruto, porque

favorecem o clima de contemplação, de comunhão profunda com Deus. Você entendeu, minha irmã? A grande diferença de nossas preces e cânticos repetitivos é que somos monoteístas, adoramos o único e verdadeiro Deus e a ele nos dirigimos. No hinduísmo, cada deus tem seu mantra, trata-se de uma religião politeísta. Tudo que favoreça a oração, a comunhão com Deus, é bem-vindo. Esta experiência oriental de rezar pode sim nos ajudar muito a viver em maior comunhão com Deus. Deus abençoe você!

Atos da Cúria NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE PÁROCO Em 25 de janeiro de 2017, foi nomeado e provisionado Pároco da Paróquia São Vito Mártir, na Região Episcopal Sé, Setor Pastoral Brás, o Revmo. Pe. Anderson Bernardes Banzatto, pelo período de 6 (seis) anos. PRORROGAÇÃO DA NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE PÁROCO Em 20 de janeiro de 2017, foi prorrogada a nomeação e provisão de Pároco da Paróquia Menino Jesus, na Região Episcopal Santana, Setor Pastoral Tucuruvi, do Revmo. Pe. Paulo Cesar Gil, pelo período de 3 (três) anos. Em 20 de janeiro de 2017, foi prorrogada a nomeação e provisão de Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, na Região Episcopal Santana, Setor Pastoral Tucuruvi, do Revmo. Pe. Antônio Bezerra Mou-

ra, pelo período de 3 (três) anos. Em 25 de janeiro de 2017, foi prorrogada a nomeação e provisão de Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Brasil, na Região Episcopal Sé, Setor Pastoral Jardins, do Revmo. Pe. Michelino Roberto, pelo período de 3 (três) anos. Em 25 de janeiro de 2017, foi prorrogada a nomeação e provisão de Pároco da Paróquia São Joaquim, na Região Episcopal Sé, Setor Pastoral Aclimação, do Revmo. Pe. José Donizeti Coelho, pelo período de 3 (três) anos. NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE VIGÁRIO PAROQUIAL Em 1º de janeiro de 2017, foi nomeado e provisionado Vigário Paroquial “ad nutum episcopi” da Paróquia São Mateus, na Região Episcopal Belém, Setor Pastoral São Mateus, o Revmo. Pe. Rodrigo Aguiar Freitas.

Para assinar O SÃO PAULO: Escolha uma das opções e a forma de pagamento. Envie esse cupom para: FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA, Avenida Higienópolis, 890 São Paulo - SP CEP 01238-000 - Tels: (011) 3666-9660/3660-3724 osaopaulo@uol.com.br

Em 1º de janeiro de 2017, foi nomeado e provisionado Vigário Paroquial “ad nutum episcopi” da Paróquia São Pedro Apóstolo, na Região Episcopal Belém, Setor Pastoral Vila Alpina, o Revmo. Pe. Edélcio Serafim Ottaviani. Em 1º de janeiro de 2017, foi nomeado e provisionado Vigário Paroquial “ad nutum episcopi” da Paróquia São Pedro Apóstolo, na Região Episcopal Belém, Setor Pastoral Vila Alpina, o Revmo. Pe. Gerson de França Silva. PROVISÃO E NOMEAÇÃO DE VICE-REITOR Em 25 de janeiro de 2017, foi nomeado e provisionado Vice-Reitor do Oratório Público de Nossa Senhora da Boa Morte ou da Dormição da Bem-Aventurada Virgem Maria, na Região Episcopal Sé, Setor Pastoral Catedral, o Revmo. Pe. Luiz Fábio Alves Peixoto, pelo período de 1 (um) ano.

SEMESTRAL: R$ 45 ANUAL: R$ 78 exterior ANUAL: 220 U$ FORMA DE PAGAMENTO: COBRANÇA BANCÁRIA

NOME___________________________________________________________ _________________________________________________________________ DATA DE NASC. ___/___/____CPF/CNPJ _________________________________ ENDEREÇO ___________________________________________________________ __________________________________________________________ nº __________ COMPLEMENTO ______________________ BAIRRO ___________________________

CIDADE____________________________________ E S TA D O _ _ _ _ _ _ E - MA I L : _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ TEL: (__________) ______________________________________ DATA ____/___/____

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Espiritualidade A Vida Religiosa – ‘para mim o viver é Cristo’ (Fl 1,21) Dom Luiz Carlos Dias

Q

Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém

uarenta dias após o Natal do Filho de Deus, a liturgia da Igreja propõe a celebração da Festa da Apresentação, evocando a fidelidade de José e Maria, ao peregrinarem a Jerusalém para o cumprimento da Lei Mosaica quanto à purificação da parturiente e ao resgate do primogênito. A presença da família de Nazaré no Templo alegra e desperta esperança naqueles que conservavam a fé vétero-testamentária e aguardavam a realização das suas promessas, como os anciãos Simeão e Ana. Nesta festa, a Igreja também agradece a Deus a presença da Vida Religiosa, na qual muitos de seus filhos e filhas se dispõem a seguir Jesus Cristo com total dedicação. Esses discípulos e discípulas do Senhor, se empenham, com a graça, a segui-lo de modo próximo de como Ele viveu, e tudo deixam para abraçarem a castidade, a pobreza e a obediência na ótica de um carisma particular. A vocação religiosa surge do encontro com a presença amorosa e misericordiosa do Senhor, fonte de encanto e arrebatamento, como testemunham os Evangelhos. Pedro, com o deleite da ex-

periência do Tabor, exclamou: “Senhor, Na mesma direção, São João Paulo II é bom estarmos aqui” (Mt 17,4). Paulo, disse acerca dos consagrados: “O mundo após ver e ouvir Jesus (cf. At 9,3-6), ex- e a Igreja procuram autênticas testemuclamou “Para mim o viver é Cristo” (Fl nhas de Cristo. E a vida consagrada é um 1,21). Mas o maior exemplo é Maria, a dom oferecido por Deus para que seja Mãe de Deus, que devotou sua vida in- colocada à vista de todos ‘a única coisa tegralmente a seu Filho e suas palavras necessária’ (Lc 10,42) ” (VC n. 109). (Lc 2,19.51). Nas sociedades atuais, caracterizadas Na trilha destes personagens bíbli- por imensas regiões urbanas, nas quais cos, desde os primórdios da Igreja, mui- as pessoas estão em contato constante tos cristãos também entenderam que com a onipotente tecnologia e a farta “o viver é Cristo” (Fl 1,21). Passaram a produção humana, a “questão Deus”, segui-lo com total dedicação, quer de para muitos, torna-se desinteressante ou modo solitário como os eremitas, quer em comunidades. A história A vocação religiosa surge da Igreja testemunha do encontro com a presença uma rica variedade de amorosa e misericordiosa Ordens, Congregações e do Senhor, fonte de encanto Institutos, e o atual fenô- e arrebatamento, como meno das “novas comutestemunham os Evangelhos. nidades” com pessoas e famílias consagradas. A Vida Consagrada, ao renunciar a mesmo sem importância. Mas o ser huelementos do cotidiano da grande maio- mano possui uma irrenunciável dimenria das pessoas, periga ser entendida são religiosa que o impulsiona à busca como uma espécie de “fuga do mundo”. do absoluto, ou Deus, às vezes na forma No entanto, o Papa Francisco, na Car- de um processo inconsciente de felicidata Apostólica às Pessoas Consagradas de e plenitude (VDQ n.1). (novembro de 2014), realçou a dimenNesse contexto, comunidades de pessão profética desta modalidade da vida soas imbuídas do desejo de servir a Deus cristã: “A radicalidade evangélica não é e os irmãos com o coração indiviso e própria só dos religiosos: é pedida a to- casto suscitam questionamentos de coidos. Mas os religiosos seguem o Senhor sas caras ao “mundo” de hoje, e ampliam de uma maneira especial, de modo pro- o horizonte da sociedade para além da fético. Esta é a prioridade que agora se superficialidade utilitarista vigente. requer: ser profetas que testemunham Louvado seja Deus pela Vida consagrada! como viveu Jesus nesta terra” (II, n.2).

| Fé e Vida | 5

Fé e Cidadania Pode existir um bom apostolado sem a oração Frei Patrício Sciadini, ocd Fazer apostolado é um “espaço de vida” mais ou menos longo que nos é dado de realizar, mas, lentamente vai chegar o momento em que isto não será possível, pela idade, pela lucidez, pela capacidade física ou por outros motivos, mas sempre podemos e devemos ser apóstolos, cheios de amor pelo anúncio do evangelho. Quantas vezes temos ouvido falar e temos falado uma frase bonita de ser pronunciada e difícil de ser vivida: “O que importa não é o fazer, mas é o ser.” Santa Teresinha do Menino Jesus, que destas coisas entendia, diz: “Na Igreja minha mãe, serei o amor e assim serei tudo: sacerdote, missionária, apóstolo, mártir, profeta, doutor...” Através da consciência do amor, podemos chegar a todos os continentes, em todos os lugares. E São João da Cruz, um mestre de fina espiritualidade, afirmava: “Vale mais um ato de puro amor, que todas as obras juntas”. Há um texto deste místico e doutor da Igreja que diz: “Considerem aqui os que são muito ativos, e pensam abarcar o mundo com suas pregações e obras exteriores: bem maior proveito fariam à Igreja, e maior satisfação dariam a Deus – além do bom exemplo que proporcionaram de si mesmos –, se gastassem ao menos a metade do tempo empregado nessas boas obras em permanecer com Deus na oração (Cântico Espiritual 28). Santa Teresa de Ávila, por sua vez, proclamava: “Obras quer o Senhor!” São afirmações de místicos que sabem bem unir Marta e Maria, como irmãs que trabalham juntas. Mas o que é a oração? É água que fecunda o nosso agir, como fecunda o deserto. As obras são necessárias, e não podemos nos refugiar numa estéril “contemplação”, mas devemos sempre ter os olhos fixos na parábola mais bela do evangelho, que é a da videira: “Eu sou a videira, o Pai é o agricultor, e vós sois os ramos. O Pai poda a videira para que ela produza frutos e frutos abundantes”. Sem a oração, o apostolado é uma obra humana e, quando chegar a noite das obras, nos sentiremos inúteis e jogados de escanteio. Jamais o orante deveria se sentir inútil na Igreja. Ele sabe que sua oração silenciosa, sua oferenda da vida é agradável a Deus. Ele é fermento, sal e luz. O ato sublime do apostolado de Jesus é quando ele morre na Cruz, dando a vida por nós e sendo assim verdadeiramente missionário do Pai, que realiza tudo por amor e no amor. No entardecer da vida não seremos julgados pelas obras, mas pelo amor. Esta reflexão me ajuda e quem sabe pode ajudar também os outros a nunca se sentirem inúteis. Quando não puderem mais fazer apostolado, serão sempre apóstolos. As opiniões da seção “Fé e Cidadania” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do O SÃO PAULO.


6 | Viver Bem |

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Cuidar da Saúde Hepatite A, tem cura Cássia Regina A hepatite A é transmitida pela via fecaloral. A pessoa infectada elimina o vírus em suas fezes. No caso de infecção, é preciso que o vírus entre em contato com a boca. O contato oral com fezes de outros pode, em um primeiro momento, parecer uma via improvável, porém, é muito mais comum do que imaginamos. Quanto pior for a condição de higiene do meio, mais fácil será a transmissão. Exemplos de como se pode transmitir a hepatite A são: comidas preparadas por pessoas que não lavam as mãos após evacuação; mergulhar em praias ou lagoas que recebem esgoto não tratado; frutos do mar oriundos de águas poluídas com esgoto não tratado; tocar em objetos contaminados e logo após levar a mão à boca. A hepatite não é uma doença sexualmente transmissível. Um dos grandes problemas da hepatite A é que o paciente contaminado começa a eliminar o vírus antes mesmo dos sintomas se iniciarem. Por exemplo, cozinheiros com maus hábitos de higiene podem trabalhar semanalmente transmitindo o vírus sem que se suspeite da contaminação. Nos adultos, a hepatite A costuma ser mais sintomática. Inicialmente a hepatite A se apresenta como uma virose gastrointestinal, com perda de apetite, náuseas, vômitos, fraqueza, dor muscular, dor de cabeça e febre, passando por uma forte gripe. O tratamento indicado é repouso com medicamentos, para aliviar os sintomas. Tem cura, mas a pessoa não pode doar sangue. Lave sempre as mãos e tome cuidado com ambientes com pouca higiene. Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF) E-mail: dracassiaregina@gmail.com

Comportamento

Como criar filhos responsáveis Simone Ribeiro Cabral Fuzaro

Educar filhos é um grande desafio. Hoje em dia tendemos a acreditar que, com o tempo, as crianças aprenderão as virtudes necessárias para o bom convívio, mesmo se não formos exigentes com elas desde pequenas. Também tendemos a não desagradá-las enquanto pequenas, porque “não entendem”, choram muito quando frustradas, fazem birra etc. O que acontece, porém, é que a formação das crianças é um trabalho árduo. Se queremos criar filhos responsáveis, precisamos nos empenhar nessa tarefa desde cedo. Seguem algumas atitudes importantes para isso: 1. Seja modelo – para os pequenos, os pais são os maiores e melhores exemplos. Em suas brincadeiras, costumam imitar o comportamento dos pais. Portanto, antes mesmo de atribuirmos funções às crianças, é fundamental que sejamos modelos de responsabilidade com nossos pertences, com a casa e com os mesmos cuidados dedicados aos próprios filhos. 2. Não realize todos os seus caprichos – é importante que os filhos percebam que nem tudo convém ou é possível apenas porque

“querem”. Quando se habituam a receber com facilidade tudo o que desejam, não aprendem a conquistar, lutar e discernir o que é ou não positivo e adequado. Certamente não ficarão contentes quando não forem atendidos; porém, se eles estiverem sempre contentes com nossas decisões, devemos questionarnos: estamos cumprindo nossa função de pais adequadamente? 3.  Comece desde cedo a atribuir funções às crianças – existem tarefas adequadas para cada idade. Crianças pequenas, de 2 ou 3 anos, já podem exercer algumas funções simples dentro de casa: cuidar de seus brinquedos, guardando-os e organizando-os; cooperar com o adulto em tarefas simples: tirar o pó de algo, secar alguns objetos... Gradativamente (até os 7 anos), as tarefas podem se tornar mais complexas: colocar a mesa, regar as plantas, ajudar a fazer as camas, atender ao telefone, cuidar de algum animal, varrer o chão ou tirar o lixo. É importante que as funções sejam sistemáticas, que haja uma rotina e que a criança perceba o quanto é importante sua tarefa para todos da casa. Elogiar e reconhecer é fundamental para que a criança se sinta motivada a realizá-las. Também é impor-

tante perceber que responderá por elas caso não as fizer. Dos 7 aos 11 anos já estão bem aptas a vivenciar com mais autonomia essa virtude [qual é a virtude?], sendo então preciso exigir dela outras tarefas: que prestem conta dos trabalhos a que foram encarregadas, do dinheiro que utilizaram, que realizem seus trabalhos sem interrupção, que terminem o que começaram e que assumam a responsabilidade pelos seus erros. Não devemos tomar partido deles quando erram – ensinar a assumir as faltas e corrigir o que for possível é fundamental para que sejam adultos responsáveis. 4. Procure não fazer as tarefas a eles atribuídas – embora seja um caminho aparentemente mais fácil, em algumas situações será extremamente danoso para que ganhem a virtude da responsabilidade. Se acompanharmos atentamente nossos filhos nesse processo de crescimento e aquisição de virtudes, empenhando, para isso, nosso tempo e esforço, teremos um resultado maravilhoso e estaremos contribuindo ativamente para uma sociedade melhor. Simone Ribeiro Cabral Fuzaro Fonoaudióloga e educadora Blog educandonacao.com.br


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Destaques das Agências Internacionais

Filipe domingues

Especial para O SÃO PAULO, em Roma

Estados Unidos

Centenas de milhares marcham pela vida A versão americana da Marcha pela Vida contou com a impressionante participação de centenas de milhares de manifestantes em Washington DC, na sexta-feira, 27. Pela primeira vez na história, um vice-presidente do país participou do evento anual: “A vida está vencendo novamente nos Estados Unidos”, disse então Mike Pence à multidão. Abby Johnson, uma das grandes lideranças pró-vida nos Estados Unidos, trabalhara durante anos na indústria do aborto. Tendo se convertido, e amargamente arrependida por ter destruído tantas vidas humanas, fundou uma organização para tentar convencer quem trabalha na indústria abortista a abandoná-la e

Chip Somodevilla/Getty Images

mudar de vida. Abby participou da Marcha pela Vida com outras 12 pessoas, que, assim como ela, mudaram de vida: “Por causa do poder da conversão, por causa do poder de Cristo, estou diante de vocês como uma mulher que se redimiu de seu passado!”, disse emocionada à multidão. Estima-se que 58 milhões de bebês foram mortos no país desde a decisão da suprema corte americana no caso Roe versus Wade em 1973, que, na prática, legalizou o aborto até o 9º mês da gravidez. Hoje, metade dos americanos já se identifica como pró-vida, e é possível que a decisão que legalizou o aborto seja revista nos próximos anos. Fonte: Life Site News

Mundo Hanseníase, velha conhecida da Igreja O último domingo de janeiro é o dia mundial dos hansenianos, instituído em 1954 graças ao trabalho do escritor e jornalista francês, o católico Raoul Follereau. A Igreja tem uma longa história de misericórdia com os portadores da hanseníase, doença conhecida histori-

camente como “lepra”. Além dos testemunhos de grandes santos que se dedicaram a ajudar os leprosos, como São José Damião em Molokai, e um histórico de atendimento aos doentes em diversos locais e épocas, a Igreja possui hoje 612 centros de assistência aos han-

Egito

senianos, a maior parte deles na Ásia. O Prefeito do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, Cardeal Peter Turkson, publicou uma declaração pelo Dia Mundial dos Hansenianos: “O medo desta doença, uma das mais temidas na história humana, der-

rota a razão; a falta de conhecimento sobre essa patologia em uma comunidade exclui aqueles que já estão curados e que, por sua vez, por causa do sofrimento e discriminação, perderam o sentimento de dignidade a que têm direito”, disse o Cardeal. Fonte: Fides/ News.va

Iraque

Nova lei para impedir Nínive: após a libertação, a reconstrução os ‘divórcios fúteis’ O Patriarca dos católicos caldeus, Louis Raphael I (equivalentes a 1,3 milhão de reais). O dinheiro vem do O governo egípcio pretende apresentar um projeto de lei para limitar o divórcio por declaração. Trata-se de um mecanismo usual naquele país, pelo qual o homem pode pôr fim ao seu casamento com sua esposa mediante apenas uma declaração oral, sem necessidade de testemunho ou documento escrito, algumas vezes após uma briga por motivos fúteis. Segundo o projeto de lei, será necessário o testemunho de uma autoridade religiosa autorizado pelo governo para o divórcio ser reconhecido. Estima-se que 40% dos casamentos terminem nos primeiros cinco anos naquele país. Fonte: Fides

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Sako, visitou a planície de Nínive, libertada do grupo Estado Islâmico pelo exército iraquiano. Segundo o patriarcado, serão destinados à reconstrução de casas e igrejas danificadas 500 milhões de dinares iraquianos

próprio patriarcado e de diversas dioceses iraquianas. O objetivo é permitir o retorno dos habitantes locais que foram forçados a fugir e se refugiar em outras regiões. Fonte: Fides

Dois anos e meio escondida na casa dos vizinhos Georgette Hanna, com 60 anos de idade, é uma cristã iraquiana que não conseguiu fugir quando sua cidade foi conquistada pelo grupo Estado Islâmico. Ela procurou abrigo com os vizinhos muçulmanos, que a esconderam em sua casa durante esses dois anos e meio de ocupação. Quando Georgette viu os soldados ira-

quianos, pensou que eram ainda os soldados do grupo terrorista e cobriu sua cabeça com um véu, como fazem as mulheres muçulmanas. Depois, ao saber que eram soldados iraquianos, pôde finalmente sair de casa e de seu isolamento forçado. Fonte: Fides


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A força da Igreja perseguida e os mártires ocultos pela mídia L’Osservatore Romano

júlia cabral

osaopaulo@uol.com.br

Na missa celebrada na segunda-feira, 30, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco falou sobre a Igreja que sofre com constantes perseguições. Ao comentar a Carta aos Hebreus, na homilia, retratou a memória e obediência do Povo de Deus perante a longa caminhada à Terra Prometida e como os mártires partilham das mesmas características; um grupo “que faz grandes coisas e testemunha também Jesus Cristo até o martírio”. “Os mártires são aqueles que levam avante a Igreja, são os que a amparam, que a ampararam no passado e a amparam hoje. E hoje existem mais mártires do que nos primeiros séculos. A mídia não fala porque não faz notícia, mas muitos cristãos no mundo hoje são bemaventurados porque perseguidos, insultados, presos. Há muitos nas prisões somente por carregar uma cruz ou por confessar Jesus Cristo! Esta é a glória da Igreja e o nosso amparo e também a nossa humilhação: nós que temos tudo, tudo parece fácil para nós e, se nos falta alguma coisa, reclamamos.... Mas pensemos

nesses irmãos e irmãs que hoje, num número maior do que nos primeiros séculos, sofrem o martírio! .” O Pontífice referiu-se também à força e beleza da Igreja nos dias atuais. “Também nós, é verdade e também justo, ficamos satisfeitos quando vemos uma ação eclesial grande, que teve muito sucesso, os cristãos que se manifestam. Isso é bonito! Esta é a força? Sim, é a força, mas a força maior da Igreja hoje está nas pequenas Igrejas, pequeninas, com pouca gen-

te, Igrejas perseguidas, com os seus bispos no cárcere. Esta é a nossa glória hoje. Esta é a nossa glória e a nossa força hoje.” Recordando Tertuliano, um antigo escritor que nos primeiros séculos da Igreja dizia ser o sangue dos mártires, a “semente dos cristãos”, o Papa ousou dizer que “uma Igreja sem mártires é uma Igreja sem Jesus”. “Eles, com o seu martírio, seu testemunho, com o seu sofrimento, doando a vida, oferecendo a vida, semeiam

cristãos para o futuro e em outras Igrejas. Ofereçamos esta missa pelos nossos mártires, por aqueles que agora sofrem, pelas Igrejas que sofrem, que não têm liberdade, e agradeçamos ao Senhor por Ele estar presente com a força de seu Espírito nesses nossos irmãos e irmãs que hoje dão testemunho d’Ele.” Concluiu pedindo orações pelos mártires e Igrejas que não têm liberdade de se expressar.

vivem com tantas dificuldades, para doar a eles a alegria e a segurança da grande família que é a nossa Igreja”. Após a leitura, o Papa deu o sinal para que, na Praça, fossem soltos balões simbolizando a paz. Há 37 anos, no último domingo de janeiro, a Caravana da Paz marcha do centro de Roma até a Praça São Pedro. Neste ano, o percurso foi feito por per-

sonagens do circo, estudantes, professores e famílias de 60 paróquias romanas. Celebraram-se também os 150 anos da Ação Católica. Teresa Borrelli, responsável nacional pela Ação Católica, comentou que o grupo trabalhará por “continuar sendo amigos de Jesus, a ser construtores da paz e a cercar o mundo de alegria.”

(Informações Rádio Vaticano)

Caravana de jovens pela paz Ao final do Angelus de domingo, 29, o Santo Padre fez a tradicional saudação aos presentes na Praça São Pedro e recebeu, em seu escritório, dois dos três mil jovens da Ação Católica de Roma pela Caravana da Paz. O Pontífice acolheu, com alegria e descontração, Cristiana, de 9 anos, e Francisco, de 13 anos, que leram uma mensagem explicando as atividades de-

senvolvidas pela associação no decorrer desse mês da paz. O pequeno Francisco, frisando palavras do Papa, comentou que “a alegria de um sorriso é um passo em direção à paz, é um sinal de não violência. Como no circo”. E continuou dizendo ser o desejo da Ação Apostólica “acolher embaixo da nossa lona todos os jovens que não têm as mesmas oportunidades que nós e que

(Informações Rádio Vaticano)


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vitor alves loscalzo osaopaulo@uol.com.br

Cármen Lúcia homologa as 77 delações de executivos e ex-executivos da Odebrecht A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, homologou as 77 delações de executivos e ex-executivos da Construtora Odebrecht. Homologadas, as delações passam a ter validade jurídica. Cármen Lúcia decidiu não atrasar o andamento das investigações da Lava Jato e, por isso, valeu-se da prer-

rogativa de presidente para homologar as delações. Na sexta feira, 27, os juízes auxiliares do gabinete de Teori, morto em um acidente aéreo em 19 de janeiro, autorizados pela presidente do STF, concluíram as audiências com os 77 depoentes envolvidos na Operação Lava Jato, a fim de realizarem acordo.

Destaques das Agências Nacionais Felipe Sampaio/SCO/STF

Durante as audiências, os juízes interrogaram os delatores, a fim de certificarem-se de que eles estavam depondo de livre e espontânea vontade, sem coação por parte dos investigadores. Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira e hoje preso em Curitiba (PR) foi um dos últimos a falar.

Eike Batista entra para a lista de empresários presos pela Lava Jato

Justiça suspende prazo para Samarco depositar R$ 1,2 bi

Foi preso o empresário Eike Batista, na segunda-feira, 30, às 10h, no aeroporto Galeão do Rio de Janeiro, quando voltava de Nova York (EUA). Os agentes da Polícia Federal, responsáveis pela prisão, cumpriam decreto do Juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal, na operação Eficiência, nova fase da Lava Jato no Rio de Janeiro. Encaminhado diretamente para o Instituto Médico Legal (IML), Eike foi submetido a exame de corpo de delito e, em seguida, por volta das 11h, conduzido ao presídio Ari Franco. Após duas horas, foi transferido para a Penitenciá-

Por determinação da Justiça Federal, a mineradora Samarco foi suspensa, por tempo indefinido, de pagar R$ 1,2 bilhão como medida reparatória dos danos causados pelo desastre ocorrido em Mariana (MG) em novembro de 2015. Controlada pela Vale e pela BHP, a Samarco foi responsabilizada pela tragédia que vitimou 19 pessoas e atingiu 128 residências. A tragédia foi considerada o maior desastre ambiental do país. Segundo o juiz Mário de Paula Franco Júnior, sua decisão levou em conta “a demonstração de atitudes concretas

ria Bandeira Stampa, conhecida como Bangu 9. O Ministério Público Federal acusa o empresário de corrupção ativa. Segundo os procuradores, em 2011 Eike Batista pagou 16 milhões de dólares como propina ao então governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, hoje preso. Os investigadores afirmam que o pagamento feito a Cabral por Eike se deu pela “boa vontade” do então governador do Rio com os negócios do empresário. Mas ainda não sabem, ao certo, que vantagens o empresário recebeu em troca dos milhões.

e a postura cooperativa das partes, do Ministério Público Federal (MPF) e das instituições envolvidas em buscarem a solução da presente lide”. Previsto para novembro de 2016, o pagamento bilionário de reparação parcial dos danos causados pela mineradora foi prorrogado três vezes, até a atual suspensão por tempo indeterminado. A determinação do depósito de R$ 1,2 bilhão atendeu a uma ação civil pública movida pela União, pelos Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo e por diversos órgãos ambientais, logo após a tragédia.

Cresce 247% a perda da casa própria no Estado de São Paulo Devido à falta de pagamento de financiamentos, pelo menos 14.184 imóveis no Estado de São Paulo foram restituídos por bancos em 2016. O crescimento da perda de imóveis é de 247% ante 2015, quando 4.083 unida-

des foram retiradas de inadimplentes. Apurados pela Associação dos Registradores Imobiliários (Arisp), o levantamento abrange 80% dos cartórios do Estado paulista e considera apenas contratos com alienação fidu-

ciária, que, como garantia da dívida, transferem o bem ao credor. Entre 5 e 7 mil dos imóveis retomados ficam na capital. “A tendência é de continuidade. Não vemos mudança de cenário em 2017”,

afirma o assessor da Arisp, que não encontra razões para otimismo diante dos números do desemprego. No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são 12 milhões os desempregados.


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‘Diante de vós, não passamos de estrangeiros e peregrinos, como todos os nossos pais’ (1 Crônicas 29, 15) Paresh Patel

vitor alves loscalzo osaopaulo@uol.com.br

As palavras acima, do Rei Davi traduzem a condição passageira da vida terrestre e o perfil antropológico do homem que espera um mundo que há de vir. De fato, a história nos revela o homem como homo viator, um caminhante sedento de novos horizontes e em busca da felicidade, mas que se depara com conflitos, dissonâncias e enigmas inerentes à vida. Esta reportagem trata das peregrinações pelo Brasil e pelo mundo, do novo ao velho continente, transpassando séculos e realizando uma viagem no tempo capaz de revelar o caráter itinerante inscrito no DNA cultural da humanidade. O relógio não foi capaz de desbotar os principais anseios, motivações e medos do homem; a busca pelo transcendente não é fruto de uma precária construção social e, portanto, segue desperta, mesmo que em outro ritmo.

O que é peregrinar?

As peregrinações fazem parte de uma tradição milenar, e consistem em realizar, por motivos religiosos, uma caminhada a um lugar sagrado. O destino a ser alcançado é o protagonista da jornada, mas o caminho percorrido assume grande importância, pois, caminhando, o peregrino pode deparar-se consigo mesmo e com Deus, dando passos em direção à conversão pessoal, ao mesmo tempo que encontra adversidades, renúncias e sacrifícios que o caminho pode determinar. A palavra peregrinação vem do latim per agros, “pelos campos”. No entanto, é um fenômeno que precede o idioma romano, pois já em 2000 antes de Cristo documentam-se peregrinações massivas de natureza pagã a lugares sagrados da Babilônia, na região da Mesopotâmia. O termo também é usado de forma alegórica para expressar a semelhança entre a viagem a um lugar sagrado e a vida humana; o esforço físico para se alcançar o destino é interpretado como metáfora da viagem espiritual do ser humano, marcada por renúncias e sacrifícios. “Peregrinar é a experiência de saída, de busca, de transcendência. Para o homem com sede do divino, a peregrinação é um encontro de renovação plena e de profunda necessidade de Deus. O ser humano é um viajante por excelência”, comentou o Padre Nilton Cesar Boni, que realizou peregrinações na Itália, França, Israel, México e Brasil. Considerando sua dispersão geográfica e cronológica, bem como a repercussão sociocultural e, mais importante ainda, a sua transcendência, a peregrinação é um fenômeno antropológico de alcance universal.

O italiano Giacomo Pia percorre etapa do Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, uma das principais peregrinações do cristianismo

Grande Jubileu do Ano 2000, “Ao longo da história, o cristão pôs-se em caminho para celebrar a sua fé nos lugares que indicam a memória do Senhor ou daqueles que representam momentos importantes da história da Igreja. Aproximou-se dos santuários que honram a Mãe de Deus e daqueles que mantêm vivo o exemplo dos Santos. A sua peregrinação foi processo de conversão, anseio de intimidade com Deus e súplica confiante pelas suas necessidades materiais”. No Antigo Testamento, encontramos comunidades itinerantes, habituadas a realizarem longas caminhadas pelos desertos. É o que se vê, por exemplo, no Livro do Êxodo, no qual é narrado como Moisés liderou os israelitas em sua fuga do Egito, alcançando o Monte Sinai. “Fazer esta peregrinação ajudou-me a pertencer ao povo bíblico, àquela comunidade itinerante, que caminhava pelos desertos. Assim, pude vivenciar um pouco desta tradição bíblica.” É o que testemunha o Padre Patrick Royet, da Diocese de Gre-

noble, na França, após realizar, por dois meses, o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. O sacerdote francês, ainda cansado depois de caminhar por 60 dias, afirmou que “a Deus não lhe agrada que busquemos apenas o descanso e a tranquilidade; Ele nos quer em saída à conversão pessoal e a dos outros”.

Rotas de Peregrinação no Brasil

A exemplo da peregrinação à cidade espanhola de Santiago de Compostela, no Brasil também se desenvolveram rotas nacionais de peregrinação. Concentradas na Região Sudeste, são três as principais rotas brasileiras: - Caminho da Fé (São Paulo – Minas Gerais) Tendo como destino a cidade Aparecida (SP) e, mais especificamente, o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, recebe uma média de 12 milhões de turistas por ano. Vitor Alves Loscalzo

Informações: http://www.caminhodafe.com.br

- Caminho do Sol (São Paulo) A rota que liga o município de Santana de Parnaíba a Águas de São Pedro passa por bosques e construções históricas perdidas no meio do mato e canaviais. Grande parte do percurso se dá em estradas de terra, dormindo em casas de moradores da região ou em escolas rurais. O ponto final é a capela que abriga a imagem de São Tiago Apóstolo, doada por peregrinos de Compostela. Informações: http://www.caminhodosol.org.br/

Peregrinação cristã

Segundo o documento publicado em 1998 pela Santa Sé, A Peregrinação no

Criado há 13 anos, o Caminho da Fé oferece estrutura àqueles que fazem peregrinação ao maior santuário do Brasil e segundo maior do mundo (atrás apenas da Basílica São Pedro, em Roma). Segundo Camila Bassi Teixeira, 37, gestora executiva do Caminho da Fé, a rota de peregrinos vem fomentando o desenvolvimento econômico da região: “Tem um impacto muito positivo e direto da economia local, pois promove o desenvolvimento de uma série de serviços e atividades, como hospedagem, alimentação, transporte e comércio de produtos de aventura”. Maria do Carmo Figueiredo Soares, 72, é enfermeira e atriz e realizou a peregrinação até Aparecida, em 2010 com sua família. Maria destacou o cansaço físico e a percepção de que precisa de pouco para viver. “Chegar, como peregrino, à terra da nossa padroeira e ao santuário é uma grande emoção”, comentou Maria.

Igreja São Francisco de Assis a apenas alguns metros do destino final do Caminho de Santiago

- Os Passos de Anchieta Da capital capixaba Vitória até a cidade de Anchieta são 105 km; rota percorrida quinzenalmente por São José de Anchieta, conhecido como “Apóstolo do Brasil”. O destino do trajeto é o Santuário de Anchieta, erguido no final do século XVI pelo padre espanhol e índios tupis. Informações: http://www.abapa.org.br/passos.php


12 | Reportagem |

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cláudio Pastro nas igrejas de são paulo

Um grande, belo e solidário projeto Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Já bem perto da Serra da Cantareira, num bairro tranquilo da zona norte de São Paulo, a Paróquia São Marcos Evangelista é um imponente e, ao mesmo tempo, simples projeto do artista Cláudio Pastro Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Do alto do bairro Pedra Branca, na rua Itá, 313, está a Igreja São Marcos Evangelista. Do altar, ao dar a bênção, o padre abençoa não só a assembleia, mas simbolicamente, toda a cidade de São Paulo. Elaborado inteiramente pelo artista sacro Cláudio Pastro (19482016), o projeto foi pensado aproveitando o formato do terreno, e realizado graças à solidariedade da comunidade. Com formato de trapézio, o primeiro croqui da igreja é datado de 2002. A construção começou em 2004, e completaram-se quase três anos até a dedicação, que ocorreu no dia 17 de dezembro de 2006. Por conta de problemas de saúde – o artista chegou a entrar em coma –, Cláudio Pastro realizou muitos dos ajustes enquanto estava no hospital. Além disso, não cobrou nada pelo projeto, pelos desenhos das peças litúrgicas nem pelas sucessivas assessorias que deu. “Tudo aqui foi doação, do Pastro e dos membros da comunidade. No início, até os pregos a gente tirava de madeira velha, endireitava e usava de novo”, contou Domingos Fernandes Aguiar, que acompanhou a reportagem na visita à igreja. Nascido no bairro, demonstrando grande carinho pela comunidade que viu crescer, Domingos, formado em arquitetura, assinou o projeto arquitetônico que foi encaminhado ao município. Contudo, afirmou várias vezes que não há nenhuma ideia sua. Os diálogos aconteciam entre o Cláudio e o Padre José Radici, Missionário da Consolata que acompanhou toda a construção da igreja, mas faleceu em 2012. Membro da Comunidade desde 1973, quando ainda era chamada ‘Sagrado Coração de Jesus’, Domingos se denomina um executor, e conhece cada metro da igreja que ajudou a construir. Somente ele tinha guardado os primeiros rascunhos do projeto feitos por Pastro quando, em 2016, por ocasião da celebração de dez anos da igreja, quiseram recordar sua história e agradecer a todos os que ajudaram a erguê-la. “Ele sugeria, a gente ia até o fim das nossas possibilidades para manter tudo conforme o projeto dele”, contou. E assim foi construída essa igreja em que cabem cerca de 400 pessoas sentadas e mais de mil em pé. Animada pelos pa-

dres Missionários da Consolata, a São Marcos Evangelista foi constituída Paróquia em 2014, pois antes pertencia à Paróquia Nossa Senhora da Penha. São Marcos foi escolhido como padroeiro porque, quando a comunidade, que se reunia para ler e meditar o Evangelho, começou a pensar na construção de uma capela, celebrava-se o ano litúrgico A, dedicado especialmente ao Evangelho de São Marcos. “Além disso, aqui na Comunidade temos muita devoção à Nossa Senhora de Fátima, São José, Santo Antônio de Pádua e Santa Filomena”, contou Domingos.

Pedra sobre pedra

Ornado com diferentes tipos de pedra, o espaço sagrado é em si uma catequese para os que o frequentam ou

visitam. Há unidade entre altar, sédia (cadeira do presidente da celebração) e pia batismal, feitos com o Travertino Romano Scalanato, um mármore que surpreende pela sua autenticidade e apresenta uma irregularidade típica da pedra, da qual buscou inspiração. O efeito rústico está presente em toda parte. Em entrevista à arquiteta Vânia Oliveira de Moraes, o artista explicou que revestiu a igreja com pedras que contrastam com as paredes brancas. Isso devido à localização do terreno, na rua Itá, nome que em tupi guarani significa “pedra” e, tomando também a citação bíblica de Mateus 16,18: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja”.

Pensado como uma grande tenda, o teto da igreja foi feito como se tivesse sido confeccionado em tecido marrom. No chão, o mármore vermelho de Bragança lembra o sangue do sacrifício. Nas portas laterais, há a representação de quatro parábolas desenhadas em vidro jateado, que, além da beleza, permite uma iluminação natural. Com relação à capela lateral, a comunidade sugeriu que o sacrário fosse modificado. “O tabernáculo tem a forma arquitetônica da igreja e é uma homenagem do padre José Radici ao Pastro. O Cláudio havia projetado um outro tabernáculo, mas aceitou a homenagem feita pelo padre e autorizou a mudança”, recordou Vânia. Na nave central, entre as colunas de bancos, há a representação de um rio feito de granito, que sai do altar e vai até a pia batismal. “Ele desenhou e pediu que fosse um traço aleatório. Então, eu fui na fábrica e riscamos manualmente as peças de mármore, numerando cada uma delas para que depois fossem montadas na igreja”, contou Domingos. “O traço dele é simples. Não tem rococó, mas é tudo muito solene”, completou Domingos que, aos 68 anos, disse à reportagem que Cláudio Pastro foi um amigo que ele ganhou. No dia 17 de dezembro de 2016, os paroquianos organizaram a “missa da gratidão”, para celebrar os dez anos de dedicação da igreja. Foram homenageados, além do Cláudio Pastro, o Padre José Radici e Dom Joaquim Justino Carrera, que era bispo auxiliar na Região Santana em 2006, quando a igreja foi dedicada. Enquanto ligava a pia batismal e o barulho da água transformava a entrevista num momento de espiritualidade, o olhar de Domingos se dirigia para o horizonte, onde se pode ver, ao longe, os prédios da capital. “Aqui é um cantinho do céu na terra”, disse ele.


Roteiro para conhecer as obras de Cláudio Pastro Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

| Reportagem | 13

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

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Paróquia Nossa Senhora Mãe de Deus

São Paulo é a cidade do Brasil e do mundo onde há mais obras do artista Cláudio Pastro. A maioria é composta por projetos de igrejas, mas não só. O Hospital Santa Catarina, por exemplo, em plena avenida Paulista e aberto 24 horas, tem diversas obras do paulistano, como o painel denominado “As sete artérias da vida”. Já na livraria do Apostolado Litúrgico, na República, há uma pequena capela com um afresco de Cristo Mestre. O lugar é um oásis de silêncio no agitado centro urbano. Na Catedral da Sé, o altar, o ambão e sédia são de Cláudio Pastro, peças novas em mármore maciço e antigo capitel recuperado. A Casa de Oração do Povo da Rua, na Luz é um espaço ecumênico de oração, que faz parte da história do povo da rua. Ali, o visitante poderá ver um Cristo crucificado, que, colocado entre bancos de madeira, torna o espaço um convite ao recolhimento e à reflexão. O SÃO PAULO sugere aqui alguns locais onde as obras de Pastro podem ser vistas, numa diversidade de temas e formatos. casa de oração do povo da rua

Igreja de São Bento

Painel “A História da Salvação” Rua Santo Américo, 357, Jardim Colombo Segunda à sexta, das 8h às 19h30 e sábado, das 8h às 18h (11) 3501-7727 (manhã) (11) 3501-1155 (tarde)

Catedral de São Miguel Paulista

Presbitério e murais Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra, 11, São Miguel Paulista Segunda a domingo, das 6h às 21h (11) 2032-4160

Catedral da Sé

Altar, ambão e sédia Praça da Sé Domingo à sexta feira, das 7h30 às 19h e sábado das 7h30 às 17h (11) 3107-6832

Capela do Apostolado Litúrgico

(Pias Discípulas do Divino Mestre) Afresco “Cristo Mestre”, altar, cruz Rua Conselheiro Crispiniano, 109, República Segunda à sexta das 9h às 17h30 e sábado, das 9h às 12h (11) 3255-2286

Capela Jesus Mestre

(Irmãs Paulinas) Tabernáculo, altar, vida de São Paulo nas paredes, e pinturas “Cristo Mestre” e “Mãe de Deus” Rua Dona Inácia Uchoa, 62 Ainda não está aberta ao público (11) 2125-3500

paróquia nossa senhora do bom parto

Hospital Santa Catarina

Painel Recepção e painéis internos Avenida Paulista, 200 24 horas (11) 3016-4133

Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos

Presbitério, mistérios do rosário Rua Ouvidor Portugal, 598, Vila Monumento Segunda à sexta, das 8h às 18h; sábado, das 8h30 às 16h e domingo, das 8h às 20h (11) 2063-2893

Hospital Santa Catarina

Paróquia Nossa Senhora Mãe de Deus

Afresco “Mãe de Deus”, presbitério, tabernáculo e cruz processional Rua Manuel de Arzão, 85, Vila Albertina Terça a sábado, das 9h à 17h e domingo, das 8h às 19h (11) 3931-4001

Capela Jesus Mestre

Casa de Oração do povo da Rua

Afresco com Cristo Rua Djalma Dutra, 3, Luz Segunda à sexta, das 8h às 17h; sábado, das 9h às 17h e domingo, das 8h às 12h (11) 3228-6223

Paróquia São Marcos Evangelista

Projeto da Igreja externo e interno Rua Itá, 313, Pedra Branca Segunda à sexta-feira, das 14h às 18h; sábado, das 14h às 18h e domingo, das 8h às 19h (11) 2231-2328

Pontifícia universidade católica de sp

Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos


14 | Reportagem |

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Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Dom Odilo: 15 anos de episcopado e de missão em São Paulo Arquivo O SÃO PAULO

Cardeal Scherer celebra aniversário de ordenação episcopal em 2 de fevereiro Fernando Geronazzo

osaopaulo@uol.com.br

“Eu vou para São Paulo com muita esperança, embora com muita simplicidade e humildade. Eu vou também para aprender e com muita disposição para trabalhar.” Estas foram as palavras do então Monsenhor Odilo Pedro Scherer ao O SÃO PAULO, na véspera da sua ordenação episcopal, em 2 de fevereiro de 2002. Arcebispo de São Paulo e Cardeal da Igreja, Dom Odilo celebra 15 anos de episcopado e também como sucessor dos apóstolos na Igreja em São Paulo. Nascido em Cerro Largo (RS), em 1949, Odilo Scherer cresceu em Toledo (PR), onde foi ordenado sacerdote, em 1976. Quando foi nomeado bispo auxiliar de São Paulo por São João Paulo II, em 28 de novembro de 2001, Dom Odilo era oficial da Congregação para os Bispos, no Vaticano, e colaborava na Paróquia Santi Patroni d’Italia, San Francesco e Santa Caterina, em Roma, onde também foi capelão da Clínica Ancelle Francescane del Buon Pastore. Scherer recebeu a ordenação episcopal na Catedral de Toledo, tendo como ordenante principal, o então arcebispo de São Paulo, Cardeal Cláudio Hummes, e como coordenantes, Dom Armando Círio, arcebispo emérito de Cascavel (PR), e Dom Anuar Battisti, então bispo de Toledo e atual arcebispo de Maringá (PR).

Na Arquidiocese

Como bispo auxiliar da Arquidiocese, Dom Odilo foi designado vigário episcopal para a Região Santana, função que exerceu até 2005. Entre 2003 e 2007, também foi secretário-geral da CNBB. Em 20 de março de 2007, com a nomeação de Dom Cláudio Hummes como prefeito da Congregação para o Clero, no Vaticano, o Papa Bento XVI nomeou Dom Odilo como sétimo arcebispo de São Paulo. Sua posse foi em 29 de abril do mesmo ano. Em maio do mesmo ano, o novo arcebispo teve a missão de acolher Bento XVI em sua visita a São Paulo, ocasião em que foi canonizado Santo Antonio de Sant’Anna Galvão, no Campo de Marte. Em 24 de novembro de 2007, o Santo Padre o tornou cardeal com o título de Sant’Andrea al Quirinale. Como arcebispo, o Cardeal Scherer

Dom Odilo Scherer é ordenado bispo pelo Cardeal Cláudio Hummes, em fevereiro de 2002

também celebrou, em 2008, o centenário da Arquidiocese de São Paulo e, em 2015, os 270 anos da criação da Diocese de São Paulo. Ao longo desses 15 anos de episcopado, ele ordenou 76 sacerdotes, 47 diáconos permanentes e foi ordenante principal de 10 bispos.

Ser mensageiro do Evangelho

Na entrevista concedida ao O SÃO PAULO (edição de 06/02/2002), o então bispo eleito afirmou que chegava a São Paulo com “inteira disposição de ser mensageiro do Evangelho”. “E a força vem do Espírito Santo, vem de Cristo. Por isso mesmo, não é a nossa força ou o poder e nem são nossas qualidades que devem prevalecer”, acrescentou.

“Fazei isto em memória de mim.” Na ocasião, o próprio Dom Odilo explicou o significado de seu lema episcopal. “O lema ‘fazei isto em memória de mim’ (Lc 22,19) diz muito, diz da missão que Jesus conferiu aos apóstolos para fazer o que Jesus fez. Anunciar o Evangelho, a verdade, a palavra da salvação. Em memória de Jesus Cristo, que deu a vida por nós, que se deu inteiramente sobre a cruz para nos salvar, Ele que, ressuscitando, vive para nós. Em memória de Jesus Cristo, que é pão partido, vida doada, seja no serviço aos pobres, no serviço aos necessitados como bom pastor, mas também como vida doada concretamente no dia-a-dia, sem reservas, inteiramente pelo bem da humanidade” (leia mais na página 3).


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| Com a Palavra | 15

Cardeal Odilo Pedro Scherer

É preciso superar esquemas engessados de prática pastoral Luciney Martins/O SÃO PAULO

Fernando Geronazzo

osaopaulo@uol.com.br

Ao falar sobre o 12º Plano Arquidiocesano de Pastoral, o arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, destaca a necessidade de uma Igreja “em saída” e cada vez mais em “estado permanente de missão” na cidade. “Precisamos fazer uma pastoral mais voltada para as pessoas, do que para alimentar esquemas ‘que sempre foram assim’”, disse. Confira a íntegra da entrevista concedida com exclusividade ao jornal O SÃO PAULO:

O SÃO PAULO – Quais os principais pontos que o senhor destaca no 12º Plano Arquidiocesano de Pastoral? Dom Odilo Pedro Scherer – O 12° Plano de Pastoral, que deverá orientar a Pastoral de Conjunto da Arquidiocese de São Paulo nos próximos quatro anos, mantém a motivação de seus predecessores: a preocupação missionária diante das várias urgências da evangelização em nossa Arquidiocese. Nele, também continua presente a preocupação com o testemunho do Evangelho de Cristo na Metrópole paulistana, uma vez que somos uma Igreja inserida inteiramente no contexto da cidade grande. Ainda mais, o novo Plano traz a preocupação com a família, direcionado para uma nova pastoral familiar, conforme os estímulos vindos das últimas duas assembleias do Sínodo dos Bispos e do Papa Francisco, na Exortação Apostólica Amoris Laetitia. Na apresentação do Plano, o senhor escreve que “ainda estamos longe de ser uma Igreja ‘em saída’ e ‘em estado permanente de missão’”. O que nos falta? Falta-nos traduzir esses apelos da Igreja em práticas pastorais eficazes, que renovem a vida eclesial. Estamos falando de uma “nova evangelização” como uma necessidade urgente, desde a Conferência de Santo Domingo, do Episcopado da América Latina e do Caribe (1992). Em 2007, a Conferência de Aparecida teve a mesma preocupação; e isso vem sendo repetido em vários momentos e documentos da Igreja no Brasil, em São Paulo, na América Latina... Sínodos e vários documentos pontifícios foram feitos em vista desta nova evangelização. Nesse sentido, o Papa Francisco vem falando constantemente da necessidade de sermos uma “Igreja em saída” e “em estado permanente de missão”. Certamente, muitos passos já foram dados, mas tenho a impressão de que há muito ainda para ser feito. Nossa Igreja continua pouco missionária.

Muitos fiéis continuam distantes e sem formação cristã, sem acompanharem a vida eclesial; outros, abandonam com facilidade a Igreja e a própria fé católica; as vocações sacerdotais, religiosas e missionárias escasseiam; o modelo cristão de família está em profunda crise; e o modo cristão de educação dos filhos, onde também se prevê a transmissão da fé, está sendo abandonado. De uma geração a outra, passamos de pais fervorosamente católicos a filhos indiferentes e, por fim, netos pagãos... Acho que está faltando muita coisa para sermos verdadeiramente uma Igreja “em estado de missão”! Precisamos achar a maneira de romper e superar certos esquemas engessados de prática pastoral, certa forma de trabalhar a evangelização que não se deu conta de que a sociedade e a cultura mudaram; precisamos falar mais ao coração das pessoas, concentrar os nossos esforços no que é essencial, conforme orientou o Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (2013). Precisamos fazer uma pastoral mais voltada para as pessoas, do que para alimentar esquemas “que sempre foram assim”... Uma novidade deste plano é a sexta urgência, “Igreja, família de famílias”. Quais os motivos que levam a Arquidiocese a olhar com maior cuidado para esse âmbito da sociedade? Não é de hoje que a Igreja se preocupa com a família e faz pastoral familiar. Mas, no presente, a família atravessa uma situação nova: no contexto da cultura contemporânea, a proposta cristã de casamento e família está em profunda crise; há muitos casais católicos em situações “irregulares” e que se sentem “fora da Igreja”, abandonados por ela, mesmo que a Igreja não os tenha abandonado ou excluído. Tal mal-estar de muitos casais e famílias católicas é um fato. Diante disso, poderíamos ser tentados a dar

toda a razão ao ambiente cultural e dizer: aquilo que a Igreja prega para as famílias e sobre o casamento não é viável.... Ou então, pensar que, em relação à família e ao casamento, não há o certo e o errado, mas, simplesmente, as situações reais, diante das quais não temos nada a dizer e fazer.... Estaríamos então abandonando o Evangelho. O Papa Francisco, na Exortação Amoris Laetitia, convida a Igreja a restabelecer a sua aliança com a família, tendo em vista o desígnio de Deus sobre ela e o valor e a importância da família para a pessoa, a comunidade humana e para a própria Igreja. É preciso que voltemos a nos relacionar com todas as famílias; que as acolhamos e convidemos a percorrer o caminho do Evangelho de Cristo. A família é importantíssima para a evangelização e transmissão da fé cristã, e, sem contar com ela, fica difícil transmitir a fé às novas gerações. O novo Plano de Pastoral traz essa preocupação para nossa Arquidiocese. O Plano também fala da necessidade urgente de retomar a catequese sistemática e propõe, inclusive, a elaboração de um “catecismo arquidiocesano”. O que seria este catecismo? De fato, foi constatado que a iniciação à vida cristã se apresenta falha ou insuficiente: ela precisa ser mais sistemática e aprofundada. A formação cristã apenas superficial do povo católico é um fato e precisa ser enfrentada com discernimento e coragem. Ela é uma das razões da falta de perseverança na fé e na vida cristã, do abandono fácil da Igreja, da “mudança de religião” e também da pouca coerência no testemunho de vida cristã de muitos católicos. Precisamos investir na formação de catequistas, na oferta de material catequético adequado e consistente, na busca e chamada das crianças, adolescentes, jovens e adultos para fazerem um caminho de formação cristã. De fato, compete aos bispos zelarem pela

catequese em suas dioceses e isso inclui a preparação, ou indicação de catecismos e itinerários de formação cristã. Também é proposta uma revisão do Diretório dos Sacramentos da Arquidiocese. O que precisa ser revisto neste documento? O Diretório dos Sacramentos oferece as orientações e normas básicas para a pastoral dos Sacramentos; nosso Diretório foi elaborado há mais de 15 anos e vale para todas as dioceses da Província Eclesiástica de São Paulo. O Diretório precisa ser adequado, isto é, de acordo com as novas necessidades e circunstâncias; exemplo disso é a pastoral matrimonial, que precisa ser revista depois dos Sínodos sobre a família; também as orientações para a catequese de iniciação à vida cristã e para os Sacramentos de iniciação à prática da fé precisam ser adequadas. Qual é a motivação do Sínodo Arquidiocesano proposto para ser iniciado durante a vigência deste Plano de Pastoral? A proposta do Sínodo arquidiocesano está amadurecendo, e ele deverá ser anunciado ainda no decorrer deste ano de 2017. Um Sínodo diocesano é uma ação eclesial de grande envergadura e significado, que precisa ser bem preparada, planejada e organizada. Não somente é realizado em diversas etapas, mas com diversos níveis de envolvimento do povo de Deus e das lideranças da Igreja. Será uma novidade para nossa Arquidiocese e tenho a esperança de que ele trará muitos frutos. Desde agora, convido todo o povo da Arquidiocese a rezar pelo bom êxito do Sínodo! Uma vez lançado o Plano de Pastoral, quais os próximos passos que devem ser dados para a sua implementação prática? O Plano já está lançado desde outubro de 2016. Passado o intervalo das férias, vamos então intensificar a divulgação do 12º Plano e estimular seu estudo e recepção em toda a Arquidiocese, para que possa surtir os efeitos práticos desejados. O Plano de Pastoral requer que suas diretrizes sejam assimiladas pelas diversas organizações e expressões organizadas da vida eclesial: regiões, setores pastorais, paróquias, organizações do laicato e da vida consagrada, das várias formas de comunidades menores, pastorais, movimentos, associações de fiéis; todas essas realidades eclesiais são chamadas a traduzir as indicações do novo Plano de Pastoral em projetos e programas pastorais. E esse trabalho precisa ser feito cada ano, ao longo dos próximos quatro anos.

As opiniões expressas na seção “Com a Palavra” são de responsabilidade do entrevistado e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do jornal O SÃO PAULO.


16 | Fé e Cultura/Geral |

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Filipe David

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Dica de Leitura Deus ou nada “Há quem diga que a vida do Cardeal Sarah é uma espécie de milagre, pois traz uma sucessão de acontecimentos, aparentemente impossíveis de serem realizados sem a intervenção dos céus. Seguramente ela está edificada sobre a rocha da fé, o combate pela verdade de Deus, a humildade, a simplicidade e a coragem. Nascido num pequeno povoado do continente africano, em uma família humilde da etnia coniagui, que vivia em uma modesta casa de alvenaria próxima à capital da Guiné, deixou a casa dos pais aos onze anos para entrar no seminário menor, levando consigo apenas um tesouro, uma mala confeccionada pelo próprio pai. Após ter sido ordenado sacerdote em um país corroído por uma das mais sangrentas ditaduras da África, tornou-

Divulgação

se, aos trinta anos o mais jovem arcebispo do mundo e lutou com uma energia extraordinária para libertar o seu povo. João Paulo II o chamou ao Vaticano em 2001 para servir como Secretário para a Evangelização dos Povos, Bento XVI o sagrou cardeal em 2010, e Francisco o fez um de seus mais próximos colaboradores, nomeando-o prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Em ‘Deus ou nada’ o Cardeal Sarah fala sobre novos paradigmas da Igreja, que, por sua orientação, deveria ouvir muito mais os católicos procedentes de culturas onde a fé ainda é incipiente e ouvir muito menos os que estão preocupados com os problemas particulares das Igrejas do Ocidente. Questões diversas, desde o drama dos

abusos sexuais do clero até as grandes teses do mundo pós-moderno, que vive como se Deus não existisse, estão entre os diferentes temas que nortearam a entrevista que resultou na obra. Entre suas páginas, ainda se alternam intensas discussões sobre política, permeadas com a história de vida do cardeal e da Igreja em sua terra natal. À família é dedicado o capítulo intitulado ‘As pedras angulares e os falsos valores’ com os desafios pastorais da defesa da sacralidade da vida, da natureza sacramental do matrimônio, da santidade da família. O cardeal finalmente declara que a sua preocupação ‘é mais devido à forma como alguns estados e organizações internacionais estão tentando impor em todos os sentidos, etapas, muitas vezes forçados, a filosofia destrutiva do gênero’. ”

Ficha técnica: Autores: Cardeal Robert Sarah e Nicolas Diat Páginas: 368 Editora: Fons Sapientiae

Evento em São Paulo recorda vítimas do Holocausto Luciney Martins/O SÃO PAULO

Redação

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Dom Odilo Scherer participa de Ato em Memória às Vítimas do Holocausto, no domingo, 29

No domingo, 29, às 18h, aconteceu o Ato Nacional em Memória às Vítimas do Holocausto, organizado em conjunto pela Congregação Israelita Paulista, pela Confederação Israelita do Brasil e pela Federação Israelita do Estado de São Paulo. O evento acontece anualmente para recordar o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, que foi estabelecido pela Assembleia Geral

das Nações Unidas em 2005. A data escolhida, 27 de janeiro, marca a libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, esteve presente no Ato, que aconteceu na Sinagoga da Congregação Israelita Paulista (CIP). Outras autoridades civis e religiosas também participaram. Entre elas, Michel Temer, presidente da República, Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, e João Doria Junior, prefeito da capital paulista.

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| Política | 17

Livre negociação e mudança na jornada são as apostas da reforma trabalhista Luciney Martins/O SÃO PAULO

“patrimônio jurídico” do trabalhador não será afetado. “Para cortar um benefício, outro ponto terá que ser compensado. No total, o trabalhador não perde”, disse o presidente do TST. Em entrevista ao site ConJur, em maio, o ministro Ives Gandra disse não defender em todos os casos a prevalência do negociado sobre o legislado. “Defendo que se prestigie a negociação coletiva, como mandam as Convenções 98 e 154 da Organização Internacional do Trabalho e nossa Constituição Federal, em seu artigo 7º, inciso, XXVI. E, no momento em que vivemos, ela está bastante desprestigiada. Ao conversar com parlamentares, empresários e sindicalistas, tenho sugerido que se adote um critério bem claro nesse tema. Que os direitos trabalhistas flexibilizados por acordo ou convenção coletiva tenham, no próprio instrumento normativo, cláusula expressa da vantagem compensatória do direito temporariamente reduzido em sua dimensão econômica, de modo que o patrimônio jurídico do trabalhador, no seu todo, não sofra decréscimo.”

Edcarlos Bispo

edbsant@gmail.com

Com a justificativa de aquecer a economia e gerar mais empregos, o governo apresentou em dezembro de 2016, o Projeto de Lei (PL) 6787/2016, mais conhecido como Reforma Trabalhista, com a expectativa de que seja aprovado o mais breve possível. De acordo com a professora de Economia da PUC-SP, Cristina Helena Pinto de Mello, o PL causará um grande impacto na economia, pois a flexibilização altera significativamente os custos unitários do trabalho, aumenta a competitividade, impulsiona as exportações e pode aumentar o número de contratações quando a economia demonstrar sinais de recuperação. Não obstante, considerando a situação atual, em que, segundo Cristina, os estímulos ao crescimento são insignificantes, a reforma deve implicar ganhos desiguais favorecendo os contratantes. Os ganhos para os trabalhadores dependem do aquecimento da economia e das condições do mercado de trabalho. Assim, seria no cenário de uma economia aquecida e de oferta de mão de obra reduzida que a negociação poderia favorecer o empregado. Na Alemanha, fonte de inspiração para a proposta, a reforma trabalhista se mostrou eficaz, mas foi acompanhada de outras medidas como, por exemplo, investimentos altos em educação, ciência e pesquisa, além da canalização de recursos para o financiamento de pequenas e médias empresas que gerassem emprego ou inovação. Além disso, havia estímulos ao crescimento voltado às exportações. Sobre os investimentos e estímulos ao crescimento, o professor de Relações do Trabalho da FEA-USP, José Pastore, presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomercio-SP, pensa de outra forma. Em artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, Pastore destaca que “com a ativação de obras de infraestrutura, o mercado de trabalho deve entrar em fase de recuperação a partir do segundo semestre de 2017. E a geração de empregos decorrentes de infraestrutura tem impacto positivo em vários outros setores da economia”. “Além disso, as medidas microeconômicas recém-aprovadas – que melhoram a situação das firmas endividadas; aumentam a sua liquidez; facilitam o acesso ao crédito; e barateiam o uso do cartão de crédito – devem começar a apresentar bons resultados no primeiro semestre de 2017, inclusive, com geração de empregos”, afirma Pastore. Para ele, a aprovação da reforma trabalhista com as prerrogativas anunciadas pelo governo estimulará ainda mais o ambiente de negócios no país. “Leis não geram empregos, é verdade. Mas reduzem o medo de empregar que hoje decorre do complicado cipoal da Conso-

Flexibilização da jornada de trabalho

lidação das Leis do Trabalho (CLT).” Ou seja, em sua visão, não apenas há estímulos ao crescimento como eles se mostrarão eficazes. No âmbito jurídico, o Ministério Público do Trabalho (MPT) publicou no dia 24 de janeiro, um estudo apontando que as mudanças na legislação trabalhista propostas pelo Governo Federal são inconstitucionais. De acordo com o MPT, as alterações contrariam a Constituição Federal e as convenções internacionais firmadas pelo Brasil geram insegurança jurídica, têm impacto negativo na geração de empregos e fragilizam o mercado interno.

Negociado sobre o legislado

A ideia do negociado sobre o legislado, ou seja, o que for decidido entre patrões e empregados sendo acompanhado por um representante do sindicato terá mais força do que a lei trabalhista é criticado pelo MPT. Para os procuradores, o negociado sobre o legislado já é garantido pela lei, desde que assegure uma situação mais benéfica ao trabalhador. “De fato, há de concluir que a exclusiva razão de ser da proposta é garantir que se possa reduzir direitos dos trabalhadores através de acordos e convenções. Se a intenção com o PL fosse beneficiar os trabalhadores com novos direitos e melhores condições de trabalho, a proposta seria completamente desnecessária”, afirma a nota técnica do MPT.

Já o professor Pastore entende que as convenções devem valer tanto quanto a legislação, não se sobreporem a ela. Dessa forma, as partes teriam a possibilidade de negociar o que consideram melhor para ambas. Quem não quiser negociar ficaria então com as proteções estampadas nas leis. Em entrevista ao jornal O Globo ele exemplifica, “digamos que empregados e empregadores queiram reduzir o horário do almoço de 60 para 30 minutos e fazem isso para os empregados saírem mais cedo do serviço, e empregadores gastarem menos insumos. Os dois ganharam. Infelizmente, a lei e a Justiça do Trabalho não permitem que as partes exerçam essa liberdade. Os empregadores terão mais coragem para empregar se as regras forem ajustadas aos seus negócios.” Em outra entrevista, desta vez a Globo News, o professor Pastore destacou que a lei dá liberdade e segurança para as partes negociarem, pois “o que for negociado vale hoje e vale amanhã. Isso diminui o medo de empregar, já que o medo de empregar hoje em dia é muito alto”. Para o professor, após aprovadas em seis ou oito meses as partes, empregadores e empregados, entenderão que isso é uma coisa boa para os dois lados. Ives Gandra Martins Filho, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), estava presente na cerimônia de anúncio do projeto de lei e disse que o

Como exemplo da flexibilização, poderão ser negociados, se a reforma for aprovada, a jornada de trabalho respeitando o limite de 220 horas mensais; a redução do intervalo intrajornada com um mínimo de 30 minutos; o parcelamento das férias em três intervalos, sendo que um deles deve ter, no mínimo, duas semanas. Além da prevalência do negociado sobre o legislado, outro ponto que gera polêmica no PL é a regulamentação de um contrato de trabalho em tempo parcial, flexibilizando o que dispõe hoje a Constituição e a CLT, permitindo que um trabalhador seja contratado para jornada reduzida, com salário e benefícios proporcionalmente reduzidos.

Contratações temporárias

Sobre os contratos temporários, o MPT explica que a experiência dos demais países que adotaram essa medida, ao invés de gerar adicionais postos de trabalho, revelou a substituição de trabalhadores contratados por tempo integral para trabalhadores por tempo parcial e temporários, com redução de renda e de segurança no trabalho. Os postos de trabalho foram precarizados e a retomada do crescimento econômico não conduziu ao status quo anterior, de modo que o patamar de temporários e contratados por prazo parcial não diminuiu. A proposta de reforma trabalhista não é específica para nenhuma categoria, ou faixa salarial. Apenas trabalhadores do setor público não serão atingidos pela reforma, “mantendo a enorme diferença nas condições de trabalho entre servidores públicos e empregados no setor privado”, conclui a professora Cristina.


18 | Pastorais |

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Pastoral da Saúde

Pastoral da Saúde inicia cursos para agentes em março Com o objetivo de dar melhor assistência aos enfermos e promover a saúde do povo, a Pastoral da Saúde da Arquidiocese de São Paulo promove cursos de agentes da pastoral nas regiões episcopais, além do curso de agentes de pastoral hospitalar. A abertura dos cursos acontece no dia 4 de março, às 9h, com uma missa na Paróquia Nossa Senhora da Saúde (rua Domingos de Morais, 2387, Vila Mariana). Em seguida, o Padre Antônio Mendes, provincial da Ordem dos Ministros dos Enfermos (Camilianos), dará uma palestra sobre a “Mística do agente da Pastoral da Saúde”. “Estamos atendendo ao apelo do nosso arcebispo, Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, para que em todos os hospitais haja assistência religiosa católica para todos os doentes, familiares e profissionais da saúde”, explicou o assistente eclesiástico da Pastoral da Saúde da Arquidiocese, Padre João Inácio Mildner, em carta enviada a todas as paróquias e comunidades. O curso para agentes de pastoral será realizado aos sábados, a partir das 9h, no Mosteiro São Bento, no centro. Já os cursos de agentes da Pastoral da Saúde nas regiões episcopais acontecem nos seguintes locais:

Região Sé – Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompeia (avenida Pompeia, 1250, Vila Pompeia) aos sábados. Informações com Iracema pelos telefones: (11) 97323-8286/3862-9009 – e-mail: iracemadetoledo@gmail.com Paróquia São Francisco de Assis (largo São Francisco, 133, Centro) aos sábados. Informações com Maúde pelos telefones: (11) 98755-5314/3331-8934 – e-mail: maudeamaral@hotmail.com Região Lapa – Paróquia Nossa Senhora da Lapa (rua Nossa Senhora da Lapa, 298, Lapa) às terças-feiras. Informações com Izabel pelos telefones: (11) 99585-6522/3727-1040 – e-mail: izabelguimaraes1@gmail.com Região Brasilândia – Paróquia Santa Cruz de Itaberaba (Avenida Itaberaba, 2093, Itaberaba), às sextas-feiras. Informações com Diácono Otoniel pelo telefone: (11) 97291-6170 – e-mail: tonimoraisp@hotmail.com; ou com Alencar pelo telefone: (11) 96551-5506/3924-0129 – e-mail: alencartobias@hotmail.com Região Ipiranga – Centro Universitário São Camilo (avenida Nazaré, 1501, Ipiranga).

Comunidade Shalom Reviver 2017: opção para a juventude no Carnaval Redação

osaopaulo@uol.com.br

A Missão São Paulo da Comunidade Católica Shalom realiza o seu tradicional retiro de Carnaval de 26 a 28 de fevereiro. Este ano, o Reviver será realizado na Paróquia Santa Luzia (rua da Padroeira, 83, Jardim Nordeste, próximo à estação Artur Alvim do Metrô). Promovido anualmente por mais de 80 missões da Comunidade Shalom pelo Brasil, o retiro, em alguns lugares também chamado de Renascer, teve sua primeira edição em 1986 na cidade de Fortaleza (CE). Em formato de retiro aberto, com entrada gratuita, o evento é composto por apresentações teatrais, pregações, adoração eucarística, oração, missas, aconselhamentos e confissões, com o objetivo de proporcionar aos jovens uma oportunidade de experiência pessoal com Deus. O tema escolhido para este ano é “Alegra-te”, em referência ao alegre “sim” de Maria ao receber o anúncio do anjo Gabriel (cf. Lucas 1,28). O retiro será

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Informações

conduzido pelo Frei José Almir, da Ordem dos Pregadores (Dominicanos). As crianças também terão programação específica durante os dias de evento por meio do espaço Reviver Kids, com brincadeiras, peças de teatro e momentos de oração.

Informações

REVIVER 2017 Tema: “Alegra-te” Data: 26 a 28 de fevereiro Horário: Das 8h às 18h Local: Centro Social da Paróquia Santa Luzia – Rua da Padroeira, 83, São Paulo Entrada: gratuita – inscrições no local Contato: (11) 3853-1782

Informações com Diácono Mendonça pelo telefone (11) 98645-1461/20633513 – e-mail: agmendonca@ymail.com Região Santana – Paróquia de Sant’Ana (avenida Voluntários da Pátria, 2060, Santana) às quintas-feiras. Informações com Penha pelos telefones (11) 99226-5193/3858-9418 – e-mail: penharamos@terra.com.br Curso de Agente da Pastoral Familiar Mosteiro São Bento (Largo São

Bento, centro) aos sábados. Informações com Maúde, pelo telefone (11) 98755-5314/3331-8934 – e-mail: maudeamaral@hotmail.com; ou com Iracema pelos telefones (11) 97323-8286/3862-9009 – e-mail: iracemadetoledo@gmail.com; ou com Penha, pelos telefones (11) 992265193/3858-9418 – e-mail: penharamos@terra.com.br. As inscrições também podem ser feitas pelo telefone: (11) 3660-3673, das 14h às 17h.

Há 25 anos consagrada à Igreja de São Paulo Redação

Arquivo pessoal

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A leiga consagrada Maria Elilda dos Santos (foto) comemorou, no dia 26 de janeiro, os seus 25 anos de consagração à Igreja. O jubileu de prata foi celebrado com uma missa na Paróquia Imaculada Conceição, na Região Episcopal Sé, presidida por Dom Julio Endi Akamine, arcebispo eleito de Sorocaba (SP), e concelebrada pelo Padre Messias de Moraes Ferreira, coordenador da Pastoral Vocacional Arquidiocesana. Também participaram da celebração inúmeras consagradas da Arquidiocese e da Diocese de São Miguel Paulista. No final da missa, Maria Elilda dos Santos manifestou sua gratidão a Deus pela sua vocação e recordou momentos marcantes desses 25 anos de consagração. “Aqui em São Paulo, atuei junto aos menores de rua, cuidando, orientando, e, em momentos cruciais, enterrando jovens e crianças excluídas da sociedade”, disse. A Consagrada lembrou ainda que, por mais de uma década, foi missionária na África, na Arquidiocese de Nampula, em Moçambique. A missão fez parte do projeto “Igreja solidária Brasil-Moçambique”, da CNBB. Por fim, pediu a graça

de ser fiel ao projeto de Jesus Cristo, para o qual foi chamada. A modalidade de consagração vivida por Maria Elilda, conhecida por “Ordem das Virgens”, remonta aos primórdios da Igreja, e foi revitalizada após o Concílio Vaticano II, quando, em 1970, promulgou-se um novo rito de consagração laical à Igreja local. “A palavra ‘ordem’, neste caso, não designa uma congregação religiosa, mas o conjunto das mulheres que fizeram a mesma escolha de consagração. Como consequência, as consagradas não vivem dentro de uma comunidade, mas em suas próprias casas” , e se colocam a serviço da diocese nas mais variadas atividades eclesiais.


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| Esporte | 19

Paulistão 2017 terá menos clubes na disputa pelo título vitor alves loscalzo

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Os torcedores dirigem a atenção para o Campeonato Paulista 2017, que começa na sexta-feira, 3. A Federação Paulista de Futebol (FPF) fez alterações significativas no formato do torneio, diminuindo de 20 para 16 o número de equipes. Além disso, a Federação trouxe de volta a disputa do Campeão do Interior. Diferentemente das edições anteriores, as quartas e semifinais serão disputadas em jogos de ida e volta, sendo o duelo decisivo realizado na casa do time de melhor campanha. Segundo o jornalista esportivo William Douglas, 39, da equipe de esporte da TV Brasil, esta medida faz o campeonato ficar mais disputado e mais emocionante. A pontuação do campeonato é cumulativa, e os pontos serão contabilizados mesmo durante a fase de mata-mata.

Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos – os quatro maiores de São Paulo – serão cabeças de chave de cada um dos grupos A, B, C e D. Neste ano, o time a ser batido é o Santos, atual campeão, contabilizando 22 títulos, igualmente ao Palmeiras. Já o tricolor paulista tem 20 troféus, e o Corinthians lidera a lista com 27 conquistas.

Fonte: Federação Paulista de Futebol

1ª rodada do campeonato paulista 2017

Campeão do Interior

Outra novidade para o Paulistão 2017 é a volta da disputa do Campeão do Interior, pré -aprovado no Conselho Técnico. As seis equipes que não avançarem às quartas de final e não forem rebaixadas brigarão pelo troféu em uma competição à parte, em formato a ser definido. O Regulamento do Paulistão 2017 prevê que a fórmula de disputa será definida em Conselho Técnico a ser realizado após o término da primeira fase da competição. Estão excluídos desta disputa os clubes localizados na capital do Estado de São Paulo – Palmeiras, São Paulo e Corinthians –, bem como o Santos Futebol Clube. “Restituir a discomo ficaram os quatro puta do Campeão grupos do paulistão 2017 do Interior é também uma medida Grupo A Grupo C política da FederaCorinthians Palmeiras ção Paulista de FuSão Bernardo São Bento tebol. Pois é uma Ituano Novo Horizontino maneira de valoBotafogo Santo André rizar os times do interior que têm, a Grupo B Grupo D priori, menos exSão Paulo Santos pressão diante dos Red Bull Brasil Audax grandes”, comentou Linense Ponte Preta o jornalista William Ferroviária Mirassol Douglas.

Reforços nos clubes paulistas Corinthians

Após ser campeão brasileiro pelo time alvinegro em 2015, Jadson, 33, fez as malas e assinou por dois anos com o Tianjin Songjiang da China, por € 5.000.000. O meia acertou novamente com o Corinthians e deve estar em campo já na primeira partida, no sábado, 4, às 17h contra o São Bernardo. Comandado por Fábio Carille, o clube ainda aguarda o desfecho da possível contratação de Didier Drogba. O presidente Roberto de Andrade e o departamento de marketing estão confiantes na possibilidade de contratar o artilheiro marfinense e aguardam por uma resposta dele nos próximos dias.

Palmeiras

O atual técnico do Palmeiras, Eduardo Baptista, já tem

à disposição o novo reforço do time alviverde. O volante Felipe Melo, 33, que defendia a Inter de Milão, na Itália, foi contratado por três temporadas. Além de Felipe Melo, o Palmeiras anunciou a contratação de Keno, ex-Santa Cruz, Raphael Veiga, ex-Coritiba, Alejandro Guerra, ex-Atlético Nacional, Hyoran, ex-Chapecoense, e Michel Bastos, ex-São Paulo.

Santos

O time da Vila Belmiro, junto ao Palmeiras, disputará a Libertadores e terá de conciliar os campeonatos, exigindo mais de seu elenco. Diferentemente de Corinthians, Palmeiras e São Paulo, o Santos não avançou muito nas contratações de 2017. Há dois jogadores já contratados pela equipe de Dorival Junior: o lateral-direito Matheus Ribeiro, antigo

Atlético-GO, e o atacante Vladimir Hernández, ex-Junior Barranquilla, da Colômbia.

São Paulo

O tricolor paulista terá pela primeira vez, como técnico, aquele que mais jogos disputou com a camisa do São Paulo. O ex-goleiro Rogério Ceni assumiu o time no final do ano passado e começou bem a temporada, com a vitória sobre o rival Corinthians na Copa Flórida. O São Paulo acertou a contratação do meia Cícero, 32. O jogador, que assinou por dois anos, preenche algumas características que o novo técnico deseja agregar ao grupo: é alto, bom no jogo aéreo e pode atuar em mais de uma função; como meia ou como volante de mais saída para o ataque, mas também já foi centroavante e até zagueiro.


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Brasilândia Paróquia Santa Rita recebe imagem peregrina de Aparecida

Ana Lucia Contarelli, Ernesto Souza, Jenniffer Silva Colaboradores de comunicação da Região

Ernesto Souza

A Paróquia Santa Rita de Cássia, no Jardim Progresso, acolheu no domingo, 29, a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida. O evento foi marcado por uma celebração eucarística presidida pelo pároco, Padre Jaime Estevão Gomes. O Pároco destacou o significado da peregrinação, que comemora os 300 anos do encontro da imagem da Padroeira do Brasil no rio Paraíba do Sul. Segundo ele, a imagem peregrina traz consigo a força das orações, dos pedidos e intenções feitos pelos fiéis e devotos em cada local por onde passa. No domingo, 2, às 15h, a imagem seguirá para a Paróquia Santo Antonio, na Vila BrasiNo Jardim Progresso, fiéis recebem com festa imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, que percorre paróquias da Região, dia 29 lândia.

Formação para catequistas na Paróquia Imaculado Coração de Maria A Paróquia Imaculado Coração de Maria, no Setor São José Operário, promoveu entre os dias 23 e 26, sua tradicional Semana Catequética. Catequistas e líderes de pastoral da Paróquia participaram do encontro realizado na Comunidade Nossa Se-

nhora de Fátima, no Jardim Elisa Maria. Os painéis da Semana Catequética foram conduzidos por Erenice Jesus de Sousa, membro do Núcleo de Catequese da Paulinas Editora. O primeiro assunto tratado foi “O ser catequista, seu rosto humano e cristão”. A proposta desta te-

mática era desvendar a espiritualidade do ser catequista a partir de sua própria vivência. Também foram tratados temas relacionados à espiritualidade e pastoral, além de estudos sobre diversos docu-

mentos que tratam da iniciação cristã propostos pela Pastoral Bíblico-Catequética da Arquidiocese. O encontro foi encerrado com uma missa presidida pelo vigário paroquial, Padre Gilson Feliciano Ferreira.

Jenniffer Silva Ana Lucia Contarelli

Catequistas participam de Semana Catequética na Paróquia Imaculado Coração de Maria

Ipiranga

A Imagem de São Paulo Apóstolo, Patrono da Arquidiocese, foi entronizada solenemente na matriz da Paróquia Santa Luzia e Santa Izabel, no Jardim Primavera. A celebração foi presidida pelo pároco, Padre Severino dos Ramos Lima Araújo, na quarta-feira, 25, festa da Conversão de São Paulo e 463º aniversário de fundação da Capital paulista.

Conceição Aparecida de Carvalho

Colaboradora de Comunicação da Região

Formação paroquial da Pastoral da Pessoa Idosa No sábado, 28, a Paróquia São João Clímaco realizou uma formação para líderes da Pastoral da Pessoa Idosa. O encontro foi conduzido pela coordenadora paroquial da Pastoral, Eunice Lopes Alves, pela coordenadora regional, Maria Delfina, e pela coordenadora arquidiocesana, Conceição Aparecida de Carvalho. O evento também contou com a participação de agentes da Paróquia Santa Ângela e São Serapião. Os participantes trataram de assuntos relacionados à mudança de hábitos de vida e do comportamento alimentar do brasileiro com base na revisão do

Guia Alimentar da População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde em 2014. O Guia traz sugestões de como aproveitar bem os alimentos, melhorar a digestão e transformar as refeições em oportunidades de convivência com familiares e amigos. Também houve, por meio de uma apresentação teatral, uma explicação sobre como deve ser feita a visita ao idoso. Por fim, todos receberam um exemplar do Guia do Líder da Pastoral da Pessoa Idosa, subsídio elaborado pela Pastoral em âmbito nacional, com orientações básicas sobre sua implantação e trabalhos.

Pastoral da Pessoa Idosa

Líderes da Pastoral da Pessoa Idosa participam de formação na Paróquia São João Clímaco


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Eva Yu Bertani e João Hansen Colaboradores especiais da Região

Padre Bogaz toma posse na Paróquia Nossa Senhora Achiropita O Padre Antônio Bogaz tomou posse como pároco da Paróquia Nossa Senhora da Achiropita, no domingo, 29, durante a Santa Missa presidida por Dom Eduardo Vieira dos Santos, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Sé. Padre Bogaz retorna à cidade de São Paulo e ao Bairro do Bixiga após nove anos na cidade de Rio Claro (SP), onde foi pároco

da Paróquia Nossa Senhora da Saúde. Desde 1926, a Paróquia está sob os cuidados dos Padres da Pequena Obra da Divina Providência (Orionitas), cujo fundador é São Luís Orione. Padre Bogaz é teólogo, escritor, pintor e cineasta de obras religiosas, além de professor universitário. Ao assumir a paróquia, ele também terá a missão de

acompanhar as obras sociais da Nossa Senhora Achiropita – Creche Mãe Achiropita, Casa Dom Orione, Centro Educacional Dom Orione, Casa São José, Movimento de Alfabetização de Adultos e Casa de Acolhida Rainha da Paz –, que atendem crianças, idosos e pessoas em situação de rua. Na homilia, Dom Eduardo recordou

o recém-encerrado Ano da Misericórdia, e enfatizou a importância da dedicação dos padres e da comunidade ao serviço aos mais carentes. Lembrando as palavras do Papa Francisco, o Bispo convidou todos a serem homens e mulheres de misericórdia, puros de coração, para que se possa ver Cristo representado em suas ações.

Paróquia Nossa Senhora Achiropita

Dom Eduardo Vieira saúda Padre Antônio Bogaz em sua posse como pároco, na Bela Vista

Abertas inscrições de curso de Teologia para leigos aprofundamento da fé e da vivência cristã. “O Itelsé tenta dar uma resposta a este desafio para que leigos e leigas estejam preparados para testemunhar o Evangelho na Igreja e na sociedade”, destaca o Padre. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail: centropastoral@regiaose.org.br ou pelo telefone (11) 3826-4999.

CNPJ N. 71.929.509/0001-61 SÃO PAULO, 30 DE JANEIRO DE 2017.

CONVOCAÇÃO PARA ASSEMBLÉIA 17 DE FEVEREIRO DE 2017, ÀS 20h00min .

Estamos convocando os sócios, diretoria e membros do conselho fiscal para comparecerem à ASSEMBLÉIA do Centro Social Santa Rosa de Lima, que será realizada no dia 17 de fevereiro de 2017, Sexta Feira, às 20h00min horas, em 1ª. Convocação e, às 20h30m, com qualquer números de sócios presentes, na sede na R Apiacás, 250, CEP 05017-020, Perdizes, Município de São Paulo, Capital, em primeira convocação para discutir e deliberar sobre a seguinte: ORDEM DO DIA: -1– A  presentação do encerramento de contas de resultado do ano calendário de 2015 e 2016; -2 – Cronograma do ano de 2.017; -3 – Eleição da nova Diretoria e do Conselho Fiscal para o biênio 2017/2019; -4- Consolidação do Estatuto. CENTRO SOCIAL SANTA ROSA DE LIMA Pe. Sérgio Lucas Câmara Presidente

Saudável

Vida

O Instituto de Teologia para Leigos da Região Episcopal Sé (Itelsé) abriu as inscrições para o ano letivo de 2017. O coordenador do Instituto, Padre Sérgio Bradanini, explica que o 12º Plano Arquidiocesano de Pastoral deixa transparecer a necessidade de um processo de formação constante e permanente para o

ATENDIMENTO GRATUITO

AJUDA PSICOTERAPÊUTICA Você pode viver bem, ter vida saudável melhorando seu modo de ver a si mesmo, os outros e o mundo. O Dr. Bruno e o Dr. José darão a você ajuda continuada, indicando o caminho a seguir Os interessados devem comparecer as quartas-feiras, às 14h30, nas instalações das paróquias:

Nossa Senhora da Assunção e São Paulo Pessoal Nipo-Brasileira de São Gonçalo Praça João Mendes 108, Tels. 3106-8110 e 3106-8119


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Santana Morre Padre Pedro do Carmo Vicente Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região Santana

O Padre Pedro do Carmo Vicente, que prestava assistência espiritual na Paróquia São Gabriel da Virgem Dolorosa, no Jardim Tremembé, faleceu na madrugada do sábado, 28. Padre Pedro tinha 55 anos e estava internado desde o último dia 20; a causa da morte foi falência múltipla dos órgãos. Ele havia sofrido, há alguns anos, um acidente vascular cerebral (AVC) que o deixara em uma cadeira de rodas. Durante o sábado, foram celebradas missas de corpo presente na Paróquia São Gabriel da Virgem Dolorosa, presididas por Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, e Dom Sérgio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana. O sepultamento aconteceu no domingo, 29, no Cemitério do Santíssimo Sacramento, no Centro. “Nas orações e súplicas, confiemos nosso irmão ao Senhor Jesus ressuscitado, que por sua morte destruiu a morte e deu-nos vida para sempre”, expressou Dom Sérgio, em sua nota de pesar.

Fotos: Diácono Francisco Gonçalve

Na Paróquia São Gabriel da Virgem Dolorosa, Cardeal Odilo Pedro Scherer preside missa de corpo presente do Padre Pedro Carmo Vicente

Padre Zacarias José de Carvalho Paiva, pároco da Paróquia São Gabriel da Virgem Dolorosa, lamentou a morte do amigo. “Logo depois que assumi a Paróquia São Gabriel, Dom Joaquim Justino Carreira [então bispo na Região] pediu-me que

pudesse ajudá-lo e lhe ofertasse algumas missas para que ele celebrasse. Esse foi o início de uma amizade que durou quase nove anos. Foram momentos alegres: aniversários de vida e ordenação. Fazíamos aniversário no mesmo mês, tanto de vida,

quanto de padre! Gostava de conversar com ele... de falar dos desafios da vida pastoral e da vida de fé. Tantas vezes o busquei para que atendesse a minha confissão. Hoje está no céu! E de lá reza por nós. Vai em paz! Amigo de todas as horas! .”

Padre Alexandre Alves toma posse em Paróquia no Jardim Guançã Dom Sérgio de Deus Borges deu posse ao Padre Alexandre Alves Moreira como pároco da Paróquia São José Esposo da Virgem Maria, no Jardim Guançã, no sábado, 28. Nascido na cidade de São Tomé (PR), em 30 de abril de 1978, Padre Alexandre ingressou no seminário

aos 16 anos, motivado pelo trabalho dos padres do Instituto Missionário de São José, que atuavam em sua cidade. Foi ordenado sacerdote em 5 de fevereiro de 2005 e iniciou seu trabalho missionário na Diocese de Taubaté (SP). Em seguida, atuou na cidade de Diácono Francisco Gonçalve

Pontalina (GO) e, por último, na Diocese de Três Lagoas (MS), onde ficou sete anos. Agora sua congregação religiosa o transferiu para atuar em São Paulo. “Trago uma mensagem de alegria, que venho servir, trabalhar em comunhão com o que existe, esperando a

AGENDA REGIONAL Sábado (4/02), 9h30 Convocação para Assembleia Eletiva no Conselho Nacional do Laicato do Brasil da Região Episcopal Santana (CNLB-Santana), a ser realizada na sede do Centro Pastoral Frei Galvão (avenida Marechal Eurico Gaspar Dutra, 1877 – Parada Inglesa), em primeira convocação às 9h30 e em segunda convocação às 10h.

Dom Sérgio entrega as chaves da Paróquia ao seu novo pároco, Padre Alexandre, sábado, 28

colaboração e o carinho de todos. De minha parte, espero contribuir com a acolhida a todos”, disse o Pároco. Concelebraram os padres Ronaldo de Castro Neto, superior-geral do Instituto Missionário de São José, Edilson Paes Landim de Farias, Giovanni Cerutti e Edgardo Zagada.

Sábado (11) 10h - Celebração de Jubileu de Prata

Sacerdotal na Paróquia Nossa Senhora Aparecida (rua Maestro Bortolucci, 307) do Padre Adailton Costa. 18h – Ordenação sacerdotal de Eli Marcel de Abreu, SDC, na Paróquia Santa Cruz (avenida Santa Inês, 2229). Bispo ordenante: Dom Protógenes José Luft, SDC. Domingo (12), 10h Missa na Paróquia Santa Luzia (rua Padre Agostinho Poncet, 134) pelos 25 anos de ordenação do Padre José Chapron.

Diácono Francisco Gonçalve

Diácono Francisco Gonçalve

Dom Sérgio Borges presidiu missa, no domingo, dia 29, na Paróquia Santa Cruz, ocasião na qual abençoou o templo reformado. Concelebrou o Padre Odacir Lazzaretti, SDC, pároco, com a assistência do Diácono Eli Marcel de Abreu, SDC.

A comunidade da Paróquia São Paulo Apóstolo e seu administrador paroquial, Padre Wagner Scarponi, CAM, receberam Dom Sérgio Borges, que presidiu missa solene na festa do padroeiro, dia 25.


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Lapa Começam os preparativos para a Campanha da Fraternidade 2017 Benigno Naveira

Colaborador de comunicação da Região

Reprodução

Na sexta-feira, 27, a equipe da Campanha da Fraternidade (CF) da Região Episcopal Lapa realizou a primeira reunião do ano. A CF 2017 tem como tema “Fraternidade, Biomas Brasileiros e Defesa da vida”, e o lema “Cultivar e guardar a criação”. A intenção da Campanha é cuidar da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos, à luz do Evangelho. Um bioma é formado por todos os seres vivos de uma determinada região com vegetação similar e contínua. De acordo com o Texto-Base da Campanha, a CF 2017 tem como objetivo geral despertar o espírito comunitário e cristão do povo de Deus, comprometendo em particular os cristãos na busca do bem comum, educar para a vida em fraternidade a partir da justiça e do amor, exigência central do Evangelho; renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da Igreja na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e solidária. A reunião, realizada na sede da Região Episcopal, foi coordenada pela responsável da CF, Rosa dos Santos Ramicelli, e contou com a participação dos representantes dos setores da Região, que planejaram os encontros de formação que acontecerão nos meses de fevereiro e março. Esses encontros de formação são dirigidos para todas as paróquias, pastorais e movimentos e serão realizados no dia 18 de fevereiro, para o Setor Pastoral Pirituba, das 9h às 12h, na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora (rua Padres Valombrosanos, 126, Pirituba), e para os setores pastorais Butantã e Rio Pequeno, das 14h às 17h, na Paróquia São Patrício (avenida Otacílio Tomanik, 1555, Rio Pequeno). Já para os setores pastorais Lapa e Leopoldina, o encontro acontece no dia 4 de março, das 14h às 17h, na Paróquia Nossa Senhora da Lapa (rua Nossa Senhora da Lapa, 298, Lapa).

Belém

redação

osaopaulo@uol.com.br

São Paulo Apóstolo

A Paróquia São Paulo Apóstolo, Setor Belém, celebrou a festa de seu patrono dia 25. Um tríduo preparatório antecedeu a festa, que contou com carreata pelas ruas do bairro e almoço paroquial; a missa solene foi presidida pelo pároco, Padre Reginaldo Donatoni.

Semana de Iniciação à Vida Cristã em fevereiro A Semana de Iniciação à Vida Cristã, promovida pela Comissão de Animação Bíblico-Catequética da Região Episcopal Belém, acontece de 6 a 10 de fevereiro deste ano. O evento, também conhecido como Semana Catequética, aprofundará o tema: “Catequese e Missão”, com enfoque na missão na família, na comunidade cristã e na sociedade. A Catequese para as pessoas com deficiência também será discutida. As formações acontecerão simultaneamente em quatro lugares da Região sempre com o mesmo tema, para que mais catequistas tenham acesso à formação. Os encontros serão realizados às 20h. No último dia, sexta-feira, 10, os participantes dos setores pastorais se reunirão no Centro Pastoral São José (avenida Álvaro Ramos, 366, Belém) para a celebração de encerramento.

Informações:

Setores Belém, Carrão e Vila Formosa Paróquia São Rafael (largo São Rafael, Mooca) – tel.: (11) 2292-4528; Setores Guarani, Vila Alpina e Vila Prudente Paróquia São Pedro Apóstolo (avenida Alberto Ramos, 614, Jardim Independência) – tel.: (11) 2211-4241; Setores São Mateus, Sapopemba e Vila Antonieta Paróquia Nossa Senhora Aparecida (praça Antonio Alves Vilares da Silva, 12, Vila Nova York) – tel.: (11) 27219515; Setor Conquista Paróquia Santo André Apóstolo (rua Dias Moreira, 18 – Jardim Santo André (11) 2753-0961.


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Dom Odilo pede atenção aos mais pobres, fragilizados e excluídos Luciney Martins/O SÃO PAULO

Solicitação foi dirigida ao prefeito e ao governador durante saudação inicial da missa na festa da conversão de São Paulo e aniversário da cidade, na quarta-feira, 25 Edcarlos Bispo

edbsant@gmail.com

“São Paulo Apóstolo, que dá nome ao estado, à cidade, e à Arquidiocese, é o nosso padroeiro e, também, padroeiro da cidade desde 1958, declarado pelo Papa Pio XII”, recordou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, no início da celebração do dia 25 de janeiro, festa da Conversão de São Paulo Apóstolo e dos 463 anos de fundação da capital paulista. O Arcebispo falou sobre a comemoração desta data e sua importância, recordando que a cidade nasceu em torno de um colégio e de uma capela. “São Paulo começou com uma missa, e hoje se recorda a primeira missa em São Paulo”, lembrou. Para o Cardeal, os fundadores da cidade jamais imaginaram a grandeza que ela teria, tanto em quantidade de pessoas como de importância para o país. Atualmente, o município possui quase 12 milhões de habitantes, sendo o mais populoso do Brasil. Aqui se expressam várias formas de cultura e de fé, além de uma convivência pacífica e colaborativa entre povos de diversos lugares do mundo. Ao falar sobre os desafios da metrópole, o Arcebispo ressaltou que a cidade pre-

Catedral da Sé estava lotada na missa da quarta-feira, 25, festa da conversão de São Paulo Apóstolo e 463 anos de fundação da capital paulista

cisa priorizar a educação de boa qualidade para todos. E, dirigindo-se aos governantes presentes, exclamou: “Faço votos para que seus serviços à cidade possam reverter em benefício de todo o povo, dando atenção prioritária aos mais pobres, fragilizados e excluídos de nossa população”. Pedindo que Deus ilumine e oriente as decisões dos governantes, responsáveis pela condução do bem comum, desejou “que o Apóstolo São Paulo, padroeiro desta cidade, interceda por todos nós!” Na celebração presidida pelo Cardeal, concelebraram os bispos auxiliares da Arquidiocese, bispos das Igrejas católicas de rito oriental e dezenas de sacerdotes. Houve a presença também de líderes cristãos ortodoxos e de outras tradições religiosas. Entre as autoridades civis, estavam presentes o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da Capital, João Doria. Na homilia, o Arcebispo refletiu

sobre as leituras bíblicas do dia, recordando a conversão de São Paulo narrada pelo próprio Apóstolo. “A conversão de São Paulo foi uma obra da graça de Deus, uma obra extraordinária. Nesta festa, nossa Arquidiocese e nossa Igreja de São Paulo roga ao seu padroeiro e pede sua intercessão a Deus.” O Arcebispo também reforçou que devemos sempre agradecer a Deus o testemunho de fé cristã do Apóstolo Paulo. Por fim, Dom Odilo animou a todos a seguir o exemplo do Apóstolo: de estar atentos à voz de Deus e de renovar o propósito de seguir nos caminhos do bem. “Na festa da conversão de São Paulo, somos convidados a olhar o exemplo de Paulo, o homem que aceitou o desafio de mudar de vida radicalmente, dando ouvidos à voz de Deus e à voz de Cristo, que o chamava e lhe cobrava uma atitude.” E completou: “Para todos existe a possibilidade de ouvir a voz de Deus e de seguir

o que essa voz diz. Deus procura nos encontrar em todos os caminhos”.

Autoridades civis

Ao fazer sua saudação, o prefeito João Doria expressou seu compromisso na gestão municipal. “Desejo que a cidade esteja protegida, e é dos seus dirigentes o compromisso com os mais pobres, os mais humildes e os excluídos. Se unirmos a missão do poder público com a solidariedade da comunidade e das pessoas, a nossa cidade será mais justa, mais humana e mais bela.” Na mesma linha de discurso, o governador Geraldo Alckmin parabenizou o aniversário da cidade, enfatizando o fato de que São Paulo se transformou na terceira maior metrópole do mundo, destacando que a capital paulista “é uma terra de coração grande, que acolheu e acolhe pessoas de todo o Brasil e do mundo”. (Com informações do portal arquisp.org.br)

Monumento ao apóstolo Paulo é vandalizado Logo após a deposição de flores no monumento que homenageia os fundadores da cidade, o Cardeal e o prefeito seguiram até a praça da Sé para depositar flores em frente à estátua de São Paulo. Para tristeza de todos, a imagem havia

sido vandalizada na manhã do dia 25. “Depositamos as flores aqui não só em homenagem, mas em solidariedade à tristeza que é. Isso é o vermelho do sangue”, afirmou o prefeito. “As pessoas que fazem isso não gostam

da cidade de São Paulo. São pessoas que agridem a nossa cidade. São pessoas que não amam São Paulo. E por não amarem São Paulo, também não têm amor-próprio. Quem não tem amor-próprio não tem fé”, destacou o prefeito João Doria.

O Prefeito afirmou que pediu ao prefeito regional da Sé, Eduardo Odloak, que mantivesse a pintura exatamente como foi feita na madrugada. Na sequência, funcionários da Prefeitura iniciaram a limpeza do monumento.

Fábio Arantes/Secom Fábio Arantes/Secom

Prefeito de São Paulo, durante deposição de flores, critica pichação a imagem de São Paulo

As comemorações pelo aniversário de 463 anos de São Paulo começaram com um ato cívico, no Pátio do Colégio, durante o qual houve a deposição de coroas de flores no monumento Glória Imortal dos Fundadores de São Paulo.

O SÃO PAULO - 3136  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há mais de 60 anos levando informação e formação para os católicos da maior cidad...

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