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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 59 | Edição 3034 | 14 a 20 de janeiro de 2015

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L’Osservatore Romano

‘Vim para encorajar e rezar com vocês’, diz Papa na Ásia Em visita pastoral à Ásia, o Papa Francisco, na sétima viagem apostólica que faz desde que assumiu o Pontificado, preside a cerimônia de canonização de José Vaz, religioso oratoriano, na quarta-feira, 14, no Sri Lanka. Na terça-feira, 13, no primeiro dia no País, o Papa rezou com a população e defendeu a consolidação da paz. Uma característica original da visita ao Sri Lanka tem sido a acolhida que lhe deram muitos budistas, enfileirados durante a

passagem do papamóvel, sentados em seus elefantes, imagem comum na região. Naquele País, 6,8% da população é católica, ou seja, 1,4 milhão de pessoas. As devoções marianas são Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora de Lanka. Na quinta-feira, 15, Francisco seguirá para as Filipinas, onde permanecerá até o dia 19 Página 9

Francisco é recepcionado por habitantes e autoridades no Sri Lanka, País que conta com 1,4 milhão de católicos; na quinta-feira, 15, o Pontífice seguirá para as Filipinas, também no continente asiático

60 jovens fazem missão na Região Brasilândia

Entregue moção pela beatificação de Zilda Arns

Página 10

Página 8

Como entender e se organizar diante dos aumentos no início do ano? Água, energia, IPTU, IPVA. 2015 começou e, com ele, os reajustes nas tarifas. O SÃO PAULO preparou um caderno especial consultando especialistas para explicar como e quanto foram esses aumentos que deixaram muitas famílias preocupadas. A economista Juliana Inhasz oferece dicas para economizar até mesmo em gastos essenciais. Páginas 11 a 14

Por uma cidade mais acessível e inclusiva Página 15

Relações afetivas é tema de Curso de Verão Página 23

Igreja soma sua a voz a de milhões que pedem o fim do terrorismo Quase 4 milhões de manifestantes saíram às ruas no domingo, 11, em diversas cidades da França para protestar contra os ataques terroristas que mataram 17 pessoas em três dias e chocaram o mundo. O arcebispo de Paris, Cardeal André Vingt-Trois, divulgou nota na qual manifestou enorme tristeza e luto pelas mortes em

sua cidade. “Uma caricatura, ainda que de mau gosto, uma crítica, ainda que se gravemente injusta, não podem ser colocadas no mesmo plano de um homicídio. A liberdade de imprensa é, a qualquer custo, o sinal de uma sociedade madura”, comentou. Página 24


2 | Ponto de Vista |

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editorial

O mundo precisa do direito à vida e de expressão

A respeito do terrível e cruel espetáculo de violência e morte provocado pelo terrorismo e que sacudiu a França e o mundo, duas considerações entre tantas outras é preciso que sejam feitas. A primeira, é que o direito à vida é inalienável. Não há razões que justifiquem o assassinato de quem quer que seja. A vida é sagrada em qualquer circunstância. Admitir que por isto ou aquilo se pode matar, é como abrir um buraco ainda que pequeno num dique: o buraco aumenta e o direito à vida acabará sendo levado pela inundação da intolerância. A segunda consideração diz respeito ao direito de expressão. É um direito também inalienável. Negado esse direito por este ou aquele motivo, cria-se a barbárie. Ainda que se possa constatar aqui e ali o

mau uso desse direito, é sempre melhor defendê-lo, respeitá-lo do que negá-lo. O melhor caminho quando está em jogo o direito de expressão é o debate de ideias, é a palavra contra a palavra, é a charge contra a charge, é o não discordo contra o concordo, é o testemunho vivo que desmente a acusação sem sentido. Nós, cristãos, vivemos momentos terríveis de nossa história, momentos de perseguição, de assassinatos, em que o nome de Jesus proclamado e o Evangelho de Jesus anunciado significavam condenação à morte. Tortura, crucificação, degola, sofreram os mártires, fazendo do martírio o mais sublime testemunho de fé. E que lindas histórias temos de homens e mulheres de todas as idades que, sem opor violência a violência, inscreveram seus

nomes na lista dos santos da Igreja. Também a nossa Igreja viveu momentos terríveis em que caiu na tentação da intolerância. Quis impor com violência a fé cristã, levando ao tribunal da santa inquisição pessoas acusadas de se desviarem da sã doutrina, criando um tal “Index librorum prohibitorum” (lista de livros proibidos). Houve razões para tanto? Quem sabe!? Mas o sopro do Espírito Santo, que purificou a Igreja a partir do Concílio Vaticano II, fez crescer a certeza de que sem se interromper o círculo vicioso da violência não se chega à paz. Todos perdemos. O Brasil viveu momentos terríveis em que o direito de expressão foi cinicamente negado em nome da segurança nacional. Vidas preciosas se perderam por conta da

incapacidade da ditadura entender que é um direito pensar caminhos diferentes para a nação, para o povo. Este semanário O SÃO PAULO viveu por dez anos uma censura absurda, em que o direito de expressão foi negado, com censores sentados ao lado dos jornalistas, com censores indo à gráfica e arrancando os blocos de chumbo onde estavam impressos o que desagradava o regime, com as matérias não chegando à gráfica sem antes passar pela censura. O direito à vida não pode ser negado em circunstância alguma. O direito de expressão também não. Defendamos esses direitos sempre. Saibamos fazer bom uso deles. A paz que todos queremos supõe esses dois direitos e todos os demais que a humanidade reconhece.

opinião

O Papa aos movimentos e novas comunidades: frescor do carisma e unidade eclesial Sergio Ricciuto Conte

Marcos Gregório Borges Num discurso proferido em 22 de novembro de 2014, voltado aos participantes do III Congresso Mundial dos Movimentos Eclesiais e Novas Comunidades, o Papa Francisco apontou alguns elementos que devem permear a caminhada daqueles que estão inseridos nessas novas realidades, às quais, segundo o Santo Padre, caminham para uma fase de “maturidade eclesial”: manter o frescor do carisma original, respeitar a liberdade das pessoas e buscar a comunhão eclesial. Francisco lembrou que a novidade trazida por essas realidades não consiste tanto nos métodos e formas utilizados, mas antes “na disposição de responder com renovado entusiasmo ao chamado do Senhor”, entusiasmo sem o qual sequer existiriam, como demonstra a história de suas fundações. Dessa forma, não se pode, lembra o Papa, cair na tentação de fiar-se em “esquemas tranquilizadores, mas estéreis”. O Santo Padre apontou, também, para o desafio da comunhão eclesial. No entanto, não se ateve, apenas a chamar a atenção, para o sempre necessário esforço de conversão pastoral em vista da unidade com a Igreja hierárquica, integrando plenamente a vida da comunidade dentro da vida da Igreja, mas abordou outro aspecto importante que decorre da unidade: a comunhão para responder às questões mais sensíveis da sociedade de nosso tempo. Segundo Francisco, “os movimen-

tos e comunidades são chamados a trabalhar em conjunto para ajudar a curar as feridas causadas por uma mentalidade globalizada, que coloca o consumo no centro, esquecendo-se de Deus e dos valores essenciais da existência”. Como um bom pastor, o Papa não apontou soluções prontas,

mas apenas o caminho que considera adequado, na certeza de que os movimentos e novas comunidades, se forem capazes de manter o vigor próprio do carisma originário, possuem criatividade para responder a esse desafio de forma nova. Neste novo tempo, chamado pelo

próprio Sumo Pontífice de “tempo de maturidade eclesial”, cada movimento e nova comunidade é convidado a uma experiência de abertura à diversidade de carismas, partilhando seus dons com os demais e acolhendo a riqueza existente em cada realidade, em um caminho de autêntica e fecunda comunhão fraterna, que possibilite o surgimento de novas e verdadeiras amizades. Assim como cada carisma específico só pode desenvolver-se a partir da comunhão de um grupo mínimo de pessoas em torno de um objetivo em comum (ou seja, não basta existir o fundador se não existirem pessoas em comunhão com ele em torno daquele objetivo), não é possível a construção de iniciativas em comum, como nos aponta o Papa, se não existir verdadeira comunhão entre os carismas, e esta não pode ser construída a partir de meras reuniões e iniciativas estratégicas, mas sim a partir de um verdadeiro caminho de amizade, do qual nasce a confiança necessária para trabalhar com o outro em torno de um objetivo em comum. Dessa forma, peçamos ao Espírito Santo que alargue os nossos corações e nos dê a coragem para avançarmos para águas mais profundas, nas águas profundas da diversidade dos carismas existentes, sem medo de acolhermos o novo que Deus quer nos dar a partir do dom da unidade. Marcos Gregório Borges é filósofo e um dos fundadores do Grupo Coração Novo para um Mundo Novo. Participa como colaborador nas atividades do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP.

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Redator chefe: Daniel Gomes • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Edcarlos Bispo, Filipe David e Nayá Fernandes • Institucional: Rafael Alberto e Fernando Geronazzo • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Secretaria de Redação: Djeny Amanda • Assinaturas: Ariane Vital • Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Revisão: Maria Aparecida Ferreira • Impressão: Alliance Editorial S.A. • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinaturas) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail • A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


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cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

Nos anos 80 do século XX, a mortalidade infantil ainda era alta no Brasil. Nada de causas complicadas: subnutrição da gestante e de seu bebê, alimentação inadequada, cuidados higiênicos deficientes, umas diarreias descontroladas... Muita criança morria antes de completar 1 ano de idade. Dia 10 de janeiro passado, cerca de 35 mil pessoas celebraram, na Arena da Baixada, em Curitiba, o 30º aniversário de fundação da Pastoral da Criança. Dona Zilda Arns Neumann, médica pediatra e sanitarista, irmã do Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, foi além da simples análise e compreensão do fenômeno da mortalidade infantil: arregaçou as mangas e pôs mãos à obra. Contando com o apoio do então arcebispo de Londrina, Dom Geraldo Majella Agnelo, ela iniciou um trabalho pioneiro no município de Florestópolis, na região de Londrina, norte do Paraná. Na base do soro caseiro, alimentação simples, mas saudável e fácil de se produzir em qualquer pedacinho de quintal, acompanhamento da gravidez e cuidados neonatais, controle do peso e do desenvolvimento dos bebês, desde a gestação até os 6 anos de idade... Nenhuma fórmula mirabolante, nenhum orçamento

Pastoral da Criança – 30 anos

astronômico, nada de verbas que pesassem sequer no orçamento familiar dos pobres, mas muito amor e dedicação. Um batalhão de voluntários bem motivados e treinados, com material de controle e orientações simples ao alcance das pessoas comuns nas comunidades locais – foi esse o segredo para que a Pastoral da Criança se espalhasse rapidamente por todo o Brasil e também em vários países de outros continentes. A atuação da Pastoral da Criança fez despencar os índices de mortalidade infantil nos lugares que a adotaram e apoiaram. Dra. Zilda, sempre à frente, batalhadora lúcida e tenaz, teve que enfrentar muitas barreiras burocráticas e preconceitos sociais: os cuidados com a saúde não precisam, necessariamente, de um aparelhamento burocrático pesado e oneroso: mais que tudo, dependem de vontade política, transparência na gestão dos recursos disponíveis, mudança de hábitos, educação, amor às pessoas e à vida. Dra. Zilda imprimiu à “Pastoral” um caráter evangelizador e humanizador. A pesagem mensal dos bebês tornou-se um momento para a celebração da vida. Cada quilo ganho por um bebê subnutrido é comemorado como uma vitória! Para Dra. Zilda, tratava-se de uma mística e um ideal de vida. Profissional da saúde, mulher, mãe de vários filhos, católica fervorosa, ela investiu seus dotes pessoais e profissionais concre-

tamente no amor ao próximo, especialmente aos pequenos e desprotegidos. Foi às periferias profundas; rompeu barreiras, bateu às portas de autoridades, negociou convênios com os governos com dignidade. Tinha credibilidade para tanto! Em 2010, ela estava no Haiti, respondendo ao convite da Igreja local para implantar a Pastoral da Criança também naquele país, o mais pobre da América. O terremoto violento de 12 de janeiro daquele ano arrasou a capital, Porto Príncipe, e também matou Dra. Zilda, que estava em plena missão. Sua morte foi motivo de consternação geral; mas o cisma não abalou a Pastoral da Criança, que já estava solidamente organizada e podia prosseguir sua missão, mesmo sem sua fundadora e inspiradora. Suas iniciativas continuaram a se ampliar, beneficiando centenas de milhares de mães e crianças pobres, animada pelo desejo de Cristo – “para que todos tenham vida em abundância”. Em Curitiba, no final da celebração eucarística em ação de graças, presidida pelo presidente da CNBB, o Cardeal Raymundo Damasceno Assis, e acompanhada também por numerosos bispos e padres de todo o Brasil, foi entregue à arquidiocese de Curitiba uma petição popular para que seja aberto o processo de beatificação da Dra. Zilda Arns Neumann. Seu testemunho de vida e suas obras bem recomendam esse pedido.

| Encontro com o Pastor | 3

Homenagem a Dra. Zilda Arns

Pastoral da Criança

No sábado, 10, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, participou da celebração, na Arena da Baixada, em Curitiba (PR), que marcou a entrega oficial da moção, com 130 mil assinaturas, que solicita a abertura do processo de beatificação da Dra. Zilda Arns, morta em 12 de janeiro de 2010, vítima de um terremoto no Haiti, ela foi fundadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa.

TWEETS DO CARDEAL @DomOdiloScherer 12 – 2 Ts 3,10b-13 “Quem não quer trabalhar, também não deve comer... E vós mesmos, irmãos, não vos canseis de fazer o bem” . 11 – Festa do batismo de Jesus. Que grande graça é o nosso batismo! Bom domingo! 11 – “Cristo é poder e sabedoria de Deus; quem ignora as Escrituras, ignora o poder e a sabedoria de Deus. Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”. 9 – Isaías 45, 22-23: “Povos de todos os

confins da terra, voltai-vos para mim e sereis salvos, eu sou Deus e não há outro”.


4 | Papa Francisco |

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Surdos ao Espírito Santo, mudos na evangelização Na oração mariana do Ângelus, do domingo, 11, com os peregrinos que lotavam a praça de São Pedro, o Papa refletiu sobre a festa do Batismo do Senhor, que fecha o tempo do Natal. Francisco recordou o texto de São Marcos, em que Jesus vai ao rio Jordão para ser batizado por João Batista. Jesus sai da água e “o céu se abre”, diz o evangelista. E Francisco recorda a “súplica dramática” de Isaías: “Se abrísseis os céus e descesse!” Essa invocação do profeta aconteceu no Batismo de Jesus. Encerra-se, assim, “o tempo dos ‘céus fechados’, que indicam separação entre Deus e o homem, consequência do pecado”. “O pecado nos afasta de Deus e interrompe a ligação entre a terra e o céu”. Consequência: miséria e falência de nossa vida. Mas, “os céus abertos significam que Deus deu sua graça para que a terra dê o seu fruto”. Assim, “a terra se tornou a morada de Deus entre os homens e cada um de nós

tem a possibilidade de encontrar o Filho de Deus, experimentando todo o seu amor e a infinita misericórdia”. A Eucaristia, os pobres, os doentes, os encarcerados, os prófugos, são os lugares onde encontrar Jesus. “Eles são carne viva do Cristo sofredor e imagem visível do Deus invisível.” Além de se abrirem os céus, no Batismo de Jesus, Deus faz ressoar sua voz: “Tu és o meu Filho, o amado: em ti, pus o meu agrado” (Mc 1,11). A voz do Pai proclama o mistério que se esconde no Homem batizado pelo Precursor. Por fim, o Papa fala da descida do Espírito Santo que permite a Cristo, o Consagrado do Senhor, “inaugurar sua missão, que é a nossa salvação”. O Espírito Santo, para Francisco, é o grande esquecido em nossas preces. Frequentemente, oramos ao Cristo e ao Pai. Ao Espírito Santo, não oramos com frequência. No entanto, é preciso pedir sua ajuda, sua força e

sua inspiração, pois ele, o Espírito Santo, animou o ministério de Jesus e “é o mesmo que hoje guia a existência cristã, do homem e da mulher que se dizem e querem ser cristãos”. E Francisco insiste: “Colocar sob a ação do Espírito Santo, a nossa vida de cristãos e a missão que todos recebemos por força do Batismo, significa reencontrar a coragem necessária para superar fáceis acomodações mundanas”. O cristão que é surdo à voz do Espírito Santo, que nos força a levar o Evangelho até os confins da terra e da sociedade, torna também o cristão e a comunidade mudos que não falam nem evangelizam. Francisco insiste no convite a orar sempre ao Espírito Santo pedindo força, inspiração para ir avante. Nessa caminhada de batizados, Maria nos acompanhe e nos faça crescer no amor a Deus e na alegria de servir ao Evangelho, “para dar, assim, pleno sentido à nossa vida”. (Por Padre Cido Pereira)

Papa batiza 33 crianças Na Solenidade do Batismo do Senhor, celebrada na Capela Sistina, o Papa Francisco batizou 33 crianças (20 meninas e 13 meninos), filhos de funcionários do Vaticano. Em sua homilia, o Papa exortou os pais a darem exemplo com a vivência diária da fé, fazendo os filhos crescer “imersos no Espírito Santo”, recomendando que se rezasse mais ao Espírito. “Todos os dias, adquiram o hábito de ler um pequeno trecho do Evangelho, pequeninho e levai sempre convosco uma pequena Bíblia no bolso, na bolsa, para poder lê-la. E isso será o exemplo para os filhos: ver o pai, a mãe, os padrinhos, avós, tios, lerem a Palavra de Deus”.

5 anos do terremoto no Haiti

L’Osservatore Romano

No sábado, 10, o Papa Francisco participou do encontro “A comunhão da Igreja: Memória e esperança para o Haiti, cinco anos depois do terremoto”. O discurso do Pontífice foi marcado por um profundo sentimento de gratidão e um apelo à comunhão no trabalho de reconstrução do País. “Com a ajuda levada aos nossos irmãos e irmãs no Haiti, manifestamos que a Igreja é um grande corpo, em que os vários membros cuidam uns dos outros”, e é nessa comunhão que “está a razão profunda do nosso serviço de caridade”, manifestou. Francisco ressaltou que “a atividade humanitária e a pastoral não são concorrentes, mas complementares, uma tem necessidade da outra”, e juntas, devem ajudar a formar no Haiti “pessoas maduras e cristãos, que por sua vez, poderão dedicar-se pelo bem dos outros”.

Encontro com líder Iazidi O Santo Padre recebeu na quinta-feira, 8, Sayid Ali Beg, líder da comunidade Iazidi, a minoria que, assim como os cristãos, é perseguida pelos milicianos do Estado Islâmico no Iraque. Com ele, estava o líder espiritual supremo, “Baba Sheikh”, e uma delegação de três representantes iazidis. A comitiva agradeceu o Papa – definido por um dos delegados como “o pai dos pobres” – por seu apoio neste tempo de perseguição e sofrimento. O Pontífice garantiu a sua proximidade espiritual e amparo neste momento de provações, e fez votos que possam se reestabelecer condições de justiça para uma vida livre e pacífica para os iazidis e todas as minorias que são alvo de discriminação e violência. (Por Fernando Geronazzo)


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| Fé e Vida | 5

Espiritualidade

fé e cidadania

Férias: o verdadeiro descanso

A tecnologia joga a favor da fé

Dom Julio Endi Akamine Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa

Querido leitor do jornal O SÃO PAULO, estamos no período de férias e mesmo que muita gente esteja trabalhando, creio que uma reflexão sobre o descanso é bem apropriada e oportuna. O tempo de férias é um momento muito bom para prestar mais atenção ao nosso mundo interior. Muitas vezes, nós nos esgotamos física e espiritualmente porque concentramos nossa atenção somente no mundo exterior: trabalho, família, amigos. É bom que a gente se esmere em cumprir nossas obrigações, que nos esforcemos em ajudar e servir os outros. Mas a preocupação com os outros e com os compromissos não deve levar a nos descuidarmos de nós mesmos. Descanso não é evasão. Quando estamos cansados, temos a tentação de realizar atividades pouco convenientes que neutralizam o sentimento de mal-estar que o cansaço provoca. O consumo de álcool, as navegações pela internet em busca de pornografia, participação em redes sociais promovendo anarquia, o abuso de

drogas, as compras compulsivas, parecem sa e o frenesi. Contemplar a natureza e dar alívio imediato, mas causam escravi- as crianças, ouvir o canto dos pássaros, dão, frustração e mais cansaço ainda. conversar com calma com os que amaDescanso não é preguiça. O verda- mos, tudo isso nos ajuda a prestar mais deiro descanso é incompatível com a atenção a Deus que age em nossa vida e preguiça. Usar bem o tempo das férias nos interpela. A oração nos ajuda a renos ajuda a cultivar o espírito, a estimular colocar no lugar de honra o que de bom nossa criatividade, a formar o caráter e a recebemos de Deus e a nos alegrar com seu amor por nós. enobrecer as pessoas. Um dos objetivos nobres do descanO verdadeiro descanso está ligado ao trabalho. Para trabalhar bem, é preciso so é o exercício da gratuidade. Uma das descansar bem. Mas o inverso é também grandes causas de cansaço e de tristeza verdadeiro: para descansar bem, é preciso é quando vivemos somente em vista do ter trabalhado bem. Sem trabalhar bem, rendimento. Uma das escravidões que sem concluir “a boa obra”, não há verdadeiro descanso. Deus des- Descanso não é evasão. Quando cansou no sétimo dia estamos cansados, temos a não porque necessitas- tentação de realizar atividades se de repor as energias pouco convenientes que gastas. Ele descansou neutralizam o sentimento de malporque completou a obra da criação do céu estar que o cansaço provoca e da terra; porque realizou “a obra muito boa” da criação da mais esgotam e cansam é quando vivemos unicamente em função de ter a mehumanidade. O preguiçoso trabalha de má vontade lhor casa, o melhor emprego, o salário para depois se aborrecer no tempo livre. mais alto, o corpo mais formoso... Para Ele é incapaz de aproveitar a vida e de dar se libertar dessa escravidão, é preciso a si mesmo um descanso autêntico, por- aproveitar o tempo do descanso para faque é incapaz de realizar a boa obra. zer alguma coisa que não seja útil, nem O descanso é experiência de plenitu- importante. Fazer algo bom por pura de. Por isso, é preciso que procuremos gratuidade sem esperar recompensa, padedicar tempo à oração. A contempla- gamento ou reconhecimento é um santo ção é antídoto para o ativismo, a pres- remédio. Querido leitor: bom descanso.

eSPAÇO ABERTO

Comissão da Verdade João Baptista Herkenhoff A Comissão Nacional da Verdade encerrou seus trabalhos e entregou os resultados do esforço à Presidente da República. Dilma Rousseff chorou ao receber o relatório. Não foi a Presidente que chorou, mas sim a mulher, a mãe, o ser humano, aquela pessoa que sofreu no corpo e na alma as chagas da tortura. Esse choro comoveu o Brasil porque nosso povo tem coração. Bendito coração brasileiro, bendito coração das heroínas Bárbara Heliodora (Inconfidência Mineira), Maria Quitéria e Joana Angélica, que pegaram em armas para defender a Independência. Resgatar o passado não tem o acento da vingança. Não se recapitulam os fatos com laivos de ódio, mas com a finalidade pedagógica de advertir, principalmente os jovens, para que jamais aceitem a tese que justifique a tortura, nesta ou naquela situação. Nada autoriza o ato de torturar. É sempre inaceitável, seja para descobrir um crime, seja para castigar, seja como advertência intimidadora, seja em nome do in-

teresse nacional. Essa prática ignominiosa o futuro, do que se debruçando com asco fere o torturado e degrada o torturador. sobre o passado. Essa é a grande lição da Comissão Quando o projeto das Comissões da Nacional da Verdade e das comissões es- Verdade foi anunciado, alguns críticos taduais ou setoriais fundadas com o mes- impugnaram a ideia, dizendo que se tramo objetivo de revelar fatos históricos que tava de uma revanche. mancharam nosso passado. A objeção é, de todo, equivocada. Não se tenha como prioridade a deciAs Comissões da Verdade têm a finasão de punir pessoas envolvidas nesse cri- lidade ética e humanitária de dar a palavra me hediondo. Muitos morreram e só simbo- Nada autoriza o ato de torturar. licamente a memória É sempre inaceitável, seja para poderia ser punida. Outros estão muito descobrir um crime, seja para idosos e até inválidos. castigar, seja como advertência Além disso, alguns intimidadora, seja em nome do agentes da barbárie não interesse nacional tinham plena consciência da enormidade e injustiça dos atos que aos torturados, permitindo que manifesestavam praticando. Justamente porque a tem a revolta à face do que sofreram, pois imprensa circulava sob censura, somente um sofrimento suplementar que lhes foi a versão oficial era divulgada e, na ver- imposto consistiu no silêncio a que foram são oficial, tratava-se de defender a Pátria submetidos. A Bíblia, que é um livro sancontra seus inimigos. A defesa da Pátria to, diz que a palavra liberta (João, 8,32). O direito de falar, que lhes foi negado, as Coera álibi para a brutalidade. O mais importante é descerrar o véu missões da Verdade estão lhes restituindo. que cobriu, protegeu e justificou a ignoJoão Baptista Herkenhoff é magistrado mínia. Vejo as Comissões da Verdade, aposentado, professor e escritor. E-mail: jbpherkenhoff@gmail.com muito mais olhando com esperança para

As opiniões expressas na seção “Espaço Aberto ” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Padre Augusto Cesar Pereira A tecnologia revela que o corpo humano é constituído de tamanha lógica que, teoricamente, qualquer órgão pode ser substituído por outro artificial. A tecnologia não existe para explicar a si mesma. Existe para explicar as coisas diferentes e com as quais ela pode facilitar o uso, e até chegar a Deus. Pode? Deve! Está aí para isso! Em conversa com um amigo médico que se dedica à pesquisa e ao uso da tecnologia na Medicina, trocamos ideias sobre o quanto a tecnologia tem ajudado a descobrir sobre a estrutura do corpo humano e a colaboração inestimável que o uso desta presta às pessoas. Qualquer pessoa que necessite de tratamento com instrumentos mais sofisticados para diagnósticos especializados encontra na tecnologia a ajuda indispensável para tratamento eficaz da saúde. A tecnologia examina os órgãos humanos com tal profundidade e atinge tamanha clareza que dificilmente deixará margem para alguma dúvida. Parece coisa de outro mundo! Como Camões cantou as descobertas “por mares nunca dantes navegados”, com a tecnologia da época do poema “Os Lusíadas”, para a humanidade de hoje parece nada mais haver de novo para descobrir. “Parece”, porque cada descoberta desafia nova pesquisa e surpreende com novas possibilidades. Mas, meu objetivo é apresentar a tecnologia como o melhor instrumento à disposição do homem moderno para novas descobertas abertas a possibilidades incríveis. A tecnologia nada cria, apenas descobre o que já existe há muito mais tempo antes que mesmo da existência dela própria. Por exemplo: a engenharia do corpo humano, antecede aos modelos tecnológicos. Quantas vezes, reclamamos da abundância de exames solicitados por causa de um só problema de saúde. No entanto, praticamente não existe um só problema. O que acontece é que os mínimos detalhes de cada órgão humano se ligam com os demais, e que a solução do que se procura está com muito mais certeza no conjunto do que em um só órgão. Tal é a relação que existe dentro do conjunto e na totalidade dos conjuntos! Ninguém se surpreenderá se a tecnologia não for causa dos problemas nem dispor a maneira e o local dos maravilhosos órgãos humanos. Alguém chegou antes dela. E esse mesmo alguém reserva novas e sensacionais descobertas que desafiam a pesquisa científica. Nós, pessoas religiosas, agradecemos ao nosso Deus e Pai que nos presenteia com a alta tecnologia, mostrando que a inteligência humana tem a tarefa de se manter a procura de Deus, usando a inteligência para penetrar as belezas da natureza que nos “falam” de seu amor. A tecnologia é excelente aliada da humanidade para novas descobertas e para o encontro com Deus. E-mail: peaugustocesar@yahoo.com.br


6 | Fé e Vida |

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LITURGIA E VIDA

novos santos e beatos

2º DOMINGO DO TEMPO COMUM 18 DE JANEIRO DE 2015

Beata Maria Cristina (Brando) da Imaculada Conceição

Comunhão com Deus

20 de Janeiro

ANA FLORA ANDERSON Tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento, a grande revelação consiste na ênfase, no desejo de comunicação de Deus conosco. A oração do dia reflete sobre a bondade divina que escuta as preces de seu povo. Na primeira leitura (1 Samuel 3, 3-10.19), encontramos o jovem Samuel que mora no Templo de Deus com o sacerdote Eli. A narrativa revela o quanto Deus quer comunicar-se com seu povo. Ele chama Samuel, que sem experiência não consegue entender que é o próprio Deus que está se comunicando com ele. É o sacerdote Eli que o ensina a responder: Senhor, fala que teu servo escuta! Na segunda leitura (1 Coríntios 13-15.17-20), São Paulo ensina que somos membros de Cristo e unidos a Ele no mesmo Espírito. Assim, nós nos tornamos santuários do Espírito Santo. O Evangelho de São João (1, 35-42) narra a profunda revelação feita por João Batista ao ver Jesus: Eis o Cordeiro de Deus! Os discípulos que andavam com João entendem a revelação e, imediatamente, vão ao encontro de Jesus. Eles querem saber onde o Mestre mora. A resposta de Jesus é um convite para ir e permanecer com Ele. É esse o sentido da liturgia de hoje. Somos convidados a permanecer com Jesus e ouvir tudo o que Ele quer nos dizer.

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Desejo fazer uma tatuagem. É pecado? padre Cido Pereira

Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação

“Padre, meu nome é William, sou casado e tenho dois filhos. Desde a minha adolescência, sempre quis fazer uma tatuagem. Uma tatuagem que não seja ofensiva a Deus e tenha símbolos religiosos pode ser feita?” William, eu penso que desejar fazer uma tatuagem é normal nos jovens. A gente vê tanta gente fazendo, não é mesmo? Agora, é bom pensar um pouquinho antes de marcar o seu corpo, ainda que seja com alguma coisa bem bonita. Sabe por quê? Porque a moda passa e o seu corpo pode ficar marcado para sempre. Mais tarde, pode acontecer que você olhe para sua tatuagem e diga: “Puxa, mas por que eu fui fazer isso?” Na dúvida, então, é melhor deixar isso pra lá, não é mesmo? Como você sabe, há agências de empregos em que pessoas que têm tatuagem no corpo são recusadas. A Bíblia proíbe marcar o corpo. Mas ela proíbe porque naqueles tempos a tatuagem estava ligada ao culto aos mortos. Por isso, a gente lê no Antigo Testamento: “Pelos mortos, não dareis golpes na vossa carne, nem fareis marca alguma sobre vós. Eu sou o Senhor” (Lv 19,28). Nos nossos tempos, a tatuagem é feita por vários motivos: Há os que marcam o corpo porque acham bonito. Há os que marcam o corpo para ficar na moda. Há os que marcam o corpo em forma de protesto. Nesses casos, a Bíblia não diz nada. Agora, marcar o corpo para lembrar os mortos, é complicado. A melhor maneira de a gente lembrar aqueles que amamos e já morreram é orar por eles. No Novo Testamento, a gente não encontra nenhuma proibição às tatuagens. Eu aproveito para falar a você também dos piercings. É a mesma coisa, só que, sendo uma forma de agressão ao corpo, é bom lembrar o que nos diz São Paulo. Ele afirma que o corpo humano é sagrado. Escute só: “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por um bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”. Espero que tenha ajudado você a se decidir, William. Pense bem antes de se decidir, meu amigo. Fique com Deus, viu?

Adelaide Brando nasceu no dia 1º de maio de 1856, numa família com boa situação financeira. Aos 12 anos, na noite de Natal, ajoelhada diante do Menino Jesus, ela se consagrou a Deus com um voto de perpétua virgindade. Quando desejou ser uma “Sacramentina”, encontrou oposição do seu pai, que depois a abençoou e permitiu que se juntasse à sua irmã, Maria Pia, uma clarissa do mosteiro das Fiorentinas, em Nápoles, na Itália. Porém, uma grave doença a fez regressar para casa duas vezes. Uma vez curada, em 1875, ingressou na congregação das Irmãs Sacramentinas, e depois de um ano, tomou o hábito e mudou o nome para Maria Cristina da Imaculada Conceição. No entanto, tornou a adoecer e foi forçada a deixar o caminho que havia iniciado com tanto fervor. A essa altura, pôde perceber que tinha chegado o momento de criar uma família religiosa. Depois de ter passado por várias sedes, a comunidade, seguindo os conselhos dos seus diretores espirituais, se transferiu para Casoria, não muito distante de Nápoles. No ano de 1897, Maria Cristina emitiu os votos temporários; no dia 20 de julho de 1903, a congregação obteve a aprovação canônica da Santa Sé; e, no dia 2 de novembro do mesmo ano, a Fundadora, junto com

muitas irmãs, emitiu a profissão perpétua. Assim como viveu, morreu, sem marcas de prodígios, mas com um semblante sereno, que significava a vontade de Jesus Cristo totalmente cumprida. Faleceu em 20 de janeiro de 1906, aos 50 anos de idade.

Reprodução

A congregação por ela fundada em Nápoles se espalhou pela Itália e por muitos outros países. O Papa João Paulo II a beatificou em 2003, em Roma, indicando sua festa para o dia da morte da beata. Fonte: www.paulinas.org.br

50

anos

Vaticano condena matança de missionários no Congo Reprodução

Capa da edição de 10 de janeiro de 1965

As recorrentes matanças de missionários na República Democrática do Congo foram classificadas como “indescritíveis atos de violência e crueldade” pela imprensa do Vaticano e o conteúdo foi reproduzido na capa da edição do O SÃO PAULO de 10 de janeiro de 1965. “O ataque concebido em termos enérgicos foi precedido pelo apelo de Paulo VI em favor da paz, dirigido principalmente ao Congo, onde, segundo suas palavras, ‘ainda hoje, irmãos matam irmãos e onde a repressão, a vingança e a guerra são ainda consideradas instrumentos de ordem e

paz’”, consta em um dos trechos da reportagem. O jornal L´Osservatore Romano, do Vaticano, também reiterou a preocupação do Papa, estampando em suas páginas: “ainda há sangue e mártires, ainda há crimes e violência. Crimes gratuitos e indescritíveis atos de violência e crueldade. Esse sangue produz uma grande amargura, nos enchendo de angústia. Sacrificam-se os missionários que levam a luz e a caridade evangélica e humana”. Vale lembrar que em maio de 1965, o número de sacerdotes, religiosos e religiosas mortos chegaria a 116 pessoas.


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| Pastorais | 7

Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade

2014 tem balanço positivo para Vicariato Desde a sua criação, em meados de 2014, na Arquidiocese de São Paulo, o Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade tem realizado a sua missão de aproximar ainda mais a Igreja daqueles que estão inseridos no mundo educativo da cidade de São Paulo, oferecendo a professores e alunos a oportunidade de conhecer a grandeza e a beleza do Evangelho. Com o objetivo de conhecer a riqueza e a diversidade dos colégios e faculdades católicas, o vigário episcopal, Dom Carlos Lema Garcia, começou uma série de visitas a essas instituições de ensino, encontrando alunos, conversando com professores e visitando salas de aula. Nessas visitas, a preparação aos sacramentos e o ensino religioso foram as principais motivações

das conversas. Além da PUC (campus Marquês de Paranaguá), foram visitadas a FEI (campus principal em São Bernardo), a UNIESP (universidade particular com cerca de 20 mil alunos na cidade de São Paulo) e os Colégios São Bento, Agostiniano São José e Mendel, o Colégio Sagrado Coração de Jesus em Perdizes e o Colégio Notre Dame Rainha dos Apóstolos, no Cambuci. Em preparação para o Natal, o vicariato organizou um retiro para professores e educadores e uma vigília universitária na qual muitos estudantes e professores puderam encontrar-se, refletir e rezar diante de Jesus Sacramentado, na firme esperança de que a fé jamais decepciona. Colaborou Padre Vandro Pisaneschi

Arquivo pessoal

Dom Carlos Lema Garcia faz visita pastoral a escolas católicas em São Paulo

Secretariado Arquidiocesano de Pastoral

Arquidiocese de São Paulo celebra seu patrono, dia 25 O dia 25 de janeiro é festejado por ser aniversário da cidade de São Paulo, que em 2015 completa 461 anos de fundação. Para os católicos, porém, a festa tem um sentido especial, pois, nesta data, celebra-se a Conversão do Apóstolo São Paulo, patrono da maior arquidiocese do país. O ponto alto da festa é no próprio dia

25, domingo, quando se realiza, às 9h, na Catedral da Sé, missa solene em honra ao apóstolo São Paulo. A celebração será presidida pelo arcebispo metropolitano, Cardeal Odilo Pedro Scherer, e concelebrada por demais bispos e padres e com a presença de autoridades da cidade e representantes da sociedade.

Todas as paróquias e comunidades da Arquidiocese são convidadas a celebrar solenemente o Patrono. No site da Arquidiocese de São Paulo (www.arquidiocesedesaopaulo.org.br) é possível fazer o dowload do folheto litúrgico da missa da Conversão de São Paulo. Perseguidor dos cristãos, o apóstolo

São Paulo teve sua vida mudada após um encontro pessoal com Cristo, na estrada a caminho de Damasco. Daquele momento em diante, tornou-se pregador do Evangelho, anunciador da Palavra do Mestre e exemplo para os cristãos de um autêntico “discípulo-missionário”. Fonte: www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

Faculdade de Direito Canônico

Curso sobre paróquia e atribuições do pároco A Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo oferece curso de extensão universitária sobre Paróquia e atribuições do Pároco, segundo o Código de Direito Canônico. O objetivo do curso é oferecer formação jurídica e pastoral, tanto para o clero como para os leigos que atuam em cúrias diocesanas, câmaras eclesiásticas, tribunais, paróquias, comunidades, cursos afins. O período do curso será de

2 a 6 de fevereiro, no Campus Ipiranga da PUC-SP. Para mais informações acesse o site da Arquidiocese (www.arquidiocesedesaopaulo.org.br) e baixe a ficha de inscrição do curso.

A Faculdade A Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo teve início como Instituto de Direito, erigida em 1999 e afiliada por cinco anos à Pontifícia Universitas Latera-

Divulgação

nensis de Roma (Itália), que após este período, agregou junto a Congregação para Educação Católica. Essa Congregação no dia 25 de fevereiro de 2014 erigiu essa Faculdade autônoma com todos os direitos e deveres, podendo graduar plenamente mestres e doutores 3 e, ao mesmo tempo, filiar e agregar institutos. Fonte: www.arquidiocesede saopaulo.org.br

Pastoral Fé e Política

Fórum Social Temático pela Reforma Política Com o objetivo de fortalecer a luta pela Reforma Política no País, o grupo da Coalizão Estadual pela Reforma Política convoca as entidades, organizações, movimentos sociais, coletivos, sindicatos, comunidade acadêmica e ativistas do Estado de São Paulo para construírem um novo processo: o Fórum Social Temático pela Reforma Política. O primeiro encontro para a articulação desse Fórum será realizado na sexta-feira, 16, às 16h, na Mitra Arquidiocesana (avenida Higienópolis, 890).

Considerando que a Reforma Política está parada há anos no Congresso Nacional, sem a devida tramitação, e, constatando que da ausência dessa importante reforma decorrem distorções do sistema democrático e eleitoral, diversas entidades e movimentos sociais estão trabalhando para buscar alcançar esse objetivo. Assim, para consolidar esse processo, aprofundar o debate e tornar o tema mais acessível e democrático, foi programado um Fórum Social Temático que permita e estimule a apresentação de propostas,

estratégias, experiências, debates, articulações, e sobretudo, o fortalecimento da luta pela Reforma Política. Um Fórum Social Temático é um processo autônomo em relação a governos, partidos e empresas. É auto organizado por organizações da sociedade civil e movimentos sociais. O Fórum Social Temático pela Reforma Política tem por objetivo ser um grande encontro para discutir a Reforma Política no País. O processo do Fórum Social Temático pela Reforma Po-

lítica pretende se organizar segundo a metodologia do Fórum Social Mundial (FSM), e de acordo com sua Carta de Princípios. Para iniciar este processo será realizado um primeiro encontro sobre o Fórum Social Temático pela Reforma Política, com o objetivo de dialogar sobre a proposta, apresentar a metodologia do FSM, conhecer outras experiências de Fóruns Sociais Temáticos e constituir um Grupo de Facilitação. Fonte: Pastoral Fé e Política


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Destaques das Agências Nacionais

Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Luciney Martins/O SÃO PAULO

130 mil assinaturas pela beatificação de Zilda Arns Há cinco anos, no dia 12 de janeiro de 2010, aconteceu um terremoto que marcou a história do Haiti, deixando 230 mil mortos, 300 mil feridos e 1,2 milhão de desabrigados. Entre os mortos, estava a brasileira, médica e fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns. No sábado, 10, em Curitiba (PR), foi dado o primeiro passo para a beatificação de Zilda, em uma missa que reuniu cerca de 40 mil pessoas de todos os estados brasileiros para a entrega oficial da moção que solicita a abertura do processo de beatificação. A missa começou por volta das 20h30 e teve a presença de Dom Geraldo Majella Agnelo, arcebispo-emérito da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, Dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB, que presidiu a celebração, Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, Dom Aldo di Cillo Pagotto, arcebispo da Paraíba, mais de 20 bispos de vários municípios brasileiros e autoridades municipais e estaduais, além de padres, religiosos, parentes, amigos de

No sábado, 40 mil pessoas participam da missa após 5 anos da morte de Zilda Arns

Zilda Arns e membros da Pastoral da Criança. Na cerimônia, foi entregue um documento com mais de 130 mil assinaturas com o pedido de abertura do processo de beatificação de Zilda Arns. Assim, ficou claro que os fiéis apoiam o reconhecimento à fama de santidade e ao legado social e pastoral da doutora Zilda. Marina Cristina é membro da Pastoral da Criança, e conheceu a doutora Zilda Arns durante encontros da Pastoral em Curitiba. Ela participou da missa e disse que se surpreendeu com a presença de tanta gente. “Ela é um grande testemunho nos novos tempos. Estar presente e celebrar com mais de 30 mil pessoas o grande testemunho de uma “grande-pequena” mulher foi inesquecível. Ela foi uma pessoa de espírito grande e que se fez pequena junto aos pequeninos. É um exemplo de santidade na atualidade, do dia a dia de tantas famílias, para as quais ela ensinava uma multimistura composta de nutrientes, fé e amor”, disse à reportagem. Com informações do site da CNBB

Média das notas em redação tem queda de 9,7% no Enem 2014 O Ministério da Educação divulgou na tarde da terça-feira, 13, o balanço final da edição de 2014 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Segundo a pasta, prestaram o exame 6.193.565 candidatos (71% do total de 8.721.946 inscritos). Entre os alunos participantes, 529.374 obtiveram nota zero na redação da prova (8,5% dos candidatos). Deste número, foram anuladas 248.471 redações. O

MEC informou ainda que 250 candidatos tiveram nota mil na redação, número máximo possível. Além disso, pouco mais de 35 mil alunos obtiveram notas entre 901 e 999. As notas de cada um dos 6.193.565 participantes do Enem também foram divulgadas até o fim do dia, segundo o Ministério nos sites enem.inep.gov.br ou sistemasenem2.inep.gov.br/resultadosenem. Ainda segundo o MEC, a média

Manifestações contra o aumento da tarifa em SP Na sexta-feira, 9, aconteceu, na cidade de São Paulo e em outras cidades do Brasil, mais uma manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus e metrô que passaram a vigorar no dia 6. Vários movimentos sociais, coletivos de juventude e grupos políticos se organizaram para ir às ruas e reivindicar, não apenas a redução da passagem, mas a discussão de um transporte público com qualidade e para todos.

Pelas ruas do centro podia-se ver os manifestantes com bandeiras e cartazes, alguns até mascarados e muitos policiais que acompanharam a movimentação. Mas enquanto a grande mídia dizia ser uma concentração com cerca de 2 mil pessoas, os sites alternativos e as informações das redes sociais apontavam aproximadamente 15 mil pessoas. Com informações de www.pensologodesisto.net.br

das notas em redação teve uma queda de 9,7% em relação ao Enem de 2013. Sobre a queda nas médias das notas de matemática e redação em relação ao ano passado, o ministro da Educação, Cid Gomes, afirmou que não considera que seja algo “tão significativo”. Segundo Cid Gomes, o tema da redação de 2014 – publicidade infantil – não foi tão debatido pela mídia e pela sociedade brasileira quanto o

tema de 2013 – lei seca. “Eu arriscaria uma tese: o tema de 2013 foi a lei seca. Essa questão foi muito debatida, muito discutida. O tema agora, publicidade infantil, não é um tema que houve um processo de discussão tão grande”, analisou. Questionado sobre se considera o tema de 2014 mais difícil, Gomes respondeu: “Eu não diria difícil, é relativo.” Fonte: Inep

Cresce a migração de haitianos para Joinville (SC) Maior cidade do estado de Santa Catarina, à frente até da capital Florianópolis, Joinville é o destino que mais de 500 haitianos escolheram para recomeçar suas vidas no Brasil – trocando Porto Príncipe, capital do país caribenho, pela “cidade dos príncipes” (um dos apelidos de Joinville). A migração começou em abril de 2013 e tem crescido nos últimos meses, o que torna comum encontrar haitianos circulando e trabalhando na cidade. Vindos de Estados como Acre, São

Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, os haitianos chegam em busca de melhores ofertas de trabalho e boa remuneração. Segundo Oscar Biffi, delegado da Polícia Federal de Joinville, como migrantes em território nacional, os haitianos que chegam a Joinville estão com a documentação em ordem. “Eles chegam por cidades com território de fronteira, portanto, não temos estimativas sobre a quantidade de haitianos em Joinville”, confirma Biffi. Fonte: Blog Migra Mundo


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Destaques das Agências Internacionais

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Fernando Geronazzo Especial para O SÃO PAULO

Francisco está novamente na Ásia

O Papa Francisco iniciou na terça-feira, 13, sua sétima viagem apostólica internacional, terceira à Ásia, após a visita à Terra Santa e à Coreia do Sul no ano passado. Dessa vez, o pontífice está no Sri Lanka, onde fica até quinta-feira, 15, seguindo para as Filipinas, lá permanecendo até o dia 19. Não é a primeira vez que um pontífice visita essa região. O Beato Paulo VI esteve nos dois países em 1970, e São João Paulo II foi pela primeira vez às Filipinas em 1981, e depois em 1995, quando também visitou o Siri Lanka. Entre os principais eventos em território cingalês está a canonização, na quarta-feira, 14, do Beato José Vaz, religioso oratoriano, que viveu entre os séculos XVII e XVIII e realizou uma importante obra de evangelização no Sri Lanka. Em seguida, acontece a oração mariana no Santuário de Nossa Senhora do Rosário, em Madhu, o mais frequentado do País, localizado ao norte. Francisco também participou de um encontro inter-religioso no Centro de Congressos Bandaranaike, na terça-feira, 13, com a presença de vários expoentes religiosos do País e cerca mil representantes de suas comunidades, budistas, hinduístas, muçulmana e algumas confissões cristãs. Na ocasião, o Papa reforçou que “não se deve permitir que

se abuse das crenças para a causa da violência ou da guerra”. Nas Filipinas, que se preparam para celebrar os 500 anos de evangelização em 2021, o Papa Francisco encontrará um país que ainda se reconstrói do trágico tufão de 2013, que deixou aproximadamente 8 mil mortos e 15 milhões de pessoas atingidas.

‘Vim encorajar e rezar com vocês’ “Há muito que eu esperava por esta visita ao Sri Lanka e os dias que passaremos juntos”, disse Francisco, na cerimônia de boas-vindas, no aeroporto de Colombo, capital do País. Ele foi acolhido pelo presidente Maithripala Sirisena, que tomou posse do governo dias atrás, após a vitória nas eleições de 8 de janeiro.

Explicando o motivo de sua visita, Francisco disse que seu caráter é, antes de tudo, pastoral. “Como pastor universal da Igreja Católica, vim para encontrar e encorajar os católicos desta ilha, bem como para rezar com eles”. Mas, já em seu primeiro discurso, o Papa tocou pontos sensíveis do povo cingalês, que ainda sofre as consequências da guerra civil de 1983-2009 entre a maioria cingalesa e a minoria tâmil, e que deixou mais de 100 mil mortos. Atualmente, está em andamento um processo de reconciliação nacional. “Durante muitos anos, o Sri Lanka conheceu os horrores do conflito civil e agora tem procurado consolidar a paz e curar as feridas daqueles anos. Só se pode conseguir, superando o mal com o bem e cultivando aquelas

L’Osservatore Romano

Papa Francisco é recepcionado por autoridades e população do Sri Lanka em sua chegada ao País, dia 13

Vaticano nega alerta máximo de segurança O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, negou que o Vaticano esteja em alerta máximo de segurança ou que tenha recebido informações sobre riscos específicos de serviços de segurança de outros países. A declaração foi feita após o telejornal da TV estatal israelense Canal 1 ter divulgado na segunda-feira, 12, que os serviços secretos dos Estados Unidos e de Israel teriam informado que o Vaticano seria o próximo alvo dos terroristas do Estado Islâmico. “Conservam-se os normais

virtudes que promovem a reconciliação, a solidariedade e a paz”, afirmou. No encontro inter-religioso, o Bispo de Roma ressaltou a importância das pessoas de boa vontade que trabalham para reconstruir os alicerces da sociedade. “Que o crescente espírito de cooperação entre os líderes das diferentes comunidades religiosas encontre expressão num compromisso que ponha a reconciliação de todos os cingaleses no centro de qualquer esforço para renovar a sociedade e as suas instituições” Ao longo do percurso feito de papamóvel pelas ruas de Colombo, o Pontífice foi saudado por milhares de pessoas. Além dos católicos, fiéis de outras religiões deram boas-vindas a Francisco, com destaque para muitos budistas acom-

e oportunos entre serviços de segurança que, fazendo referência à situação atual, convidam à atenção e prudência razoável, contudo, não resultam assinalações de motivos concretos e específicos de risco”, garantiu o Porta-voz da Santa Sé. Padre Lombardi reiterou que “não é o caso de alimentar preocupações não motivadas que possam inutilmente perturbar o clima de vida e de trabalho, e isso também no que diz respeito aos tantos peregrinos e turistas que todos os dias frequentam o Vaticano”. (Com News.va)

panhados de seus elefantes, imagem muito comum no País.

1,4 milhão de católicos País insular do Sul da Ásia, a República do Sri Lanka é constituída pela ilha de Ceilão e por pequenas ilhas adjacentes. Situa-se no Oceano Índico e ocupa uma área de cerca 65 mil quilômetros quadrados. Sua economia baseia-se no chá, cereais, algodão, borracha, têxteis e turismo. A agricultura contribui com cerca de 1/4 do Produto Interno Bruto (PIB); contudo, o País não produz o suficiente para as suas necessidades. A população é de cerca 20 milhões de habitantes. A civilização do Sri Lanka remonta ao século VI a.C. Os povos mais antigos da ilha são os tâmiles e os cingaleses. Estes constituem 83% dos habitantes do País, os tâmeis representam 9% e os mouros do Sri Lanka 8%. As principais religiões são o Budismo (69%), Hinduísmo (16%), Islamismo (8%) e o Cristianismo (8%, sendo que 6,8% são católicos, ou seja, 1,4 milhão). A Igreja Católica no Siri Lanka conta com 12 dioceses, com apenas uma sede metropolitana. Existem 21 bispos católicos, 1.230 padres. As padroeiras do País são Nossa Senhora do Rosário, em Madhu; Nossa Senhora de Lanka, São Tomé apóstolo, e São Laurent.

Delegação de bispos visita Gaza Começou no domingo, 11, a visita de 16 bispos a Palestina e Israel. A atividade é organizada pela Holy Land Coordenation (HLC), organismo que reúne bispos e representantes das conferências episcopais da Europa e América do Norte. “Na tarde de domingo, depois de uma pausa de oito horas na passagem de Erez, chegamos a Gaza, celebramos a missa e nos encontramos imediatamente com algumas famílias. Tivemos a impressão de nos encontrar numa situação devastada. Falaram-nos de três crianças mortas nas últimas horas por causa do frio. A corrente elétrica é disponível somente durante algumas horas e nos afeta ver que todos, começando pelas crianças, sabem muito bem que são vítimas de violência e quem são os responsáveis por esta injustiça. Uma menina do terceiro ano nos disse:

destruíram nossas casas, mas, sobretudo, separaram mães de filhos e filhos de suas mães. Um jovem nos advertiu: todos vêm aqui e nos perguntam se precisamos de comida ou ajudas materiais, mas nós precisamos da única coisa que ninguém nos promete: ser considerados como homens e reconhecidos em nossa dignidade”, relatou, à Agência Fides, Dom Ricardo Fontana, arcebispo de Arezzo-CortonaSansepolcro. O programa da visita prevê também um encontro com a população de Sderot – a colônia israelense atingida pelo lançamento de mísseis da Faixa de Gaza durante a campanha militar de julho – e uma passagem pelo Vale de Cremisan, onde deve ser construído o Muro de Separação, projetado por Israel. Fonte: Fides


10 | Viver Bem |

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2015: Gratidão para ser feliz! Valdir Reginato Nos últimos dias de 2014, atendi um jovem, portador de deficiência física importante, que referiu a sua surpresa quando, desanimado com a vida, foi conversar com um amigo próximo, e este lhe falou que ele “precisava ter maior gratidão”. De imediato, o seu sentimento foi de indignação, pois sabendo de suas limitações, como poderia “ter maior gratidão”?! No entanto, continuou ele, este foi o conselho que o fez enxergar o caminho de felicidade que hoje se encontra. Diante da minha escuta, atenta e silenciosa, foi narrando as maravilhas que passou a encontrar na sua vida, nas suas dificuldades, e que agora, com uma nova luz, transformavam-se num coração ardente de amor ao próximo e a Deus! Sempre aprendi muito com os meus pacientes, como com esse jovem: “Gratidão para ser feliz!” Eis uma boa meta para este ano que se inicia! Uma gratidão sincera, de coração, pensada e vivida nos detalhes que passam despercebidos no dia a dia, como se isso fosse “natural”, ou seja, sem grandes efeitos midiáticos, que hoje são necessários para que todos notem, ou que deem muitos “curtis” ou “likes” no Facebook. A gratidão está entre as grandes virtudes que podemos desenvolver; e, como todas, exige certo esforço. Dentre as virtudes cardeais - prudência, temperança, fortaleza e justiça – a gratidão aproximase mais desta última. Temos que ser

Obstipação

(prisão de ventre) cássia regina A obstipação, também conhecida como constipação intestinal, é um sintoma bem comum que causa muito incômodo, provocada por diversas causas de simples resolução. Algumas medicações usadas com frequência, tais como relaxante muscular e analgésicos potentes têm como efeito colateral a obstipação. Sedentarismo também é um fator, já que a atividade física ajuda no movimento do intestino. Algumas frutas como pera e ameixa são aliadas para ajudar o intestino. Outra observação: quando forçamos a evacuação e ficamos sentados no vaso sanitário, fazemos com que as fezes fiquem endurecidas. A alimentação com fibras e muito líquido são peças-chave para um bom funcionamento intestinal. Então, tudo se resume a: fibras, água, atividade física e cuidado com a automedicação. Cássia Regina é médica na Estratégia de Saúde da Família (PSF)

gratos por justiça. Uma justiça que se inicia por agradecer o dom da vida, por existir, por ser! Justo agradecer pelo lar em que nascemos, pela família na qual vivemos, pelo alimento que temos, e pelos bens dos quais desfrutamos. É justo agradecer pela saúde, pelo estudo, pelo trabalho, pela profissão, pelos sonhos futuros e as realizações passadas. É justo agradecer pela natureza que nos acolhe, e nos serve, pelo nascer do sol e pela luz da lua. É justo agradecer por poder ver o sorriso das crianças, a serenidade dos mais velhos, o suor do trabalho; encontrar o amor nas pessoas, e a graça de Deus que recebemos. É justo agradecer pelas dificuldades que nos fazem crescer como pessoas, e pelas necessidades que nos tiram do egoísmo para enxergar os outros... Talvez você esteja pensando que em nenhuma dessas possibilidades você se encontre: nasceu doente, sua família não vive bem, sua filha “fora de casa”, o marido desempregado, os pais envelhecidos e dementes... Parece que a tristeza fez morada em seu lar. Como posso ser grato? Onde está essa justiça? Como alguém pode sofrer tanto e ainda agradecer? Recentemente, acabamos de viver o milagre do Natal. Mais uma vez, recebemos a alegria de nos sentirmos envolvidos na graça desta Luz! O Senhor fez-se nu e indefeso para nascer das entranhas puras de Maria, sob a proteção de José, num mundo com violência e crueldade. Sem culpa de nada, se entrega por nós,

Tecnologia

Cuidar da saúde

Comportamento

Sergio Ricciuto Conte

para pagar o impagável pecado dos homens. Continua a nos esperar, confiante em nós, como o Pai do filho Pródigo, disposto a aliviar o nosso fardo. É incompreensível tanta bondade diante do comportamento dos homens, que sem compreendermos, admitimos por fé ser o mistério da misericórdia divina. Transformar todo o mal numa abundância de bem, ensinando-nos a amar. Quem agradece em vez de contrariar-se, sempre ganha o melhor para si.

Limpemos a casa dos rancores, das brigas, das decepções, das intolerâncias, dos remorsos, das mágoas... e plantemos as sementes da esperança, harmonia e paz: “por favor, perdão, muito obrigado”, que o Papa Francisco nos recorda. Quem sabe, teremos uma revolução no nosso comportamento em 2015, como ocorreu com o meu jovem paciente: “Gratidão para ser feliz”! Dr. Valdir Reginato é médico de família, professor da Escola Paulista de Medicina e terapeuta familiar.

A biometria é totalmente segura? Luiz Otávio Ugolini Vianna No mundo tecnologicamente inseguro em que vivemos, sempre que surge uma nova forma de garantir a proteção de nossos preciosos dados, ficamos um pouco mais tranquilos. Nos filmes, vemos bandidos e mocinhos utilizando métodos de acesso, utilizando leitores de impressões digitais e até mesmo leitores de íris (olhos) como coisas cotidianas há algum tempo. Ocorre que a tecnologia tão moderna dos filmes sempre demora um pouco para surgir na vida real. Dessas, a leitura biométrica (por impressão digital) é uma das que já está bastante difundida e em muitas coisas hoje: computadores, fechaduras, no caixa eletrônico e até mesmo na urna eletrônica brasileira. Mas é de fato segura? Bom, tudo parecia bem até os últimos dias do ano passado quando Jan Krissler, membro de uma comunidade de hackers, tentou mostrar a fragilidade do sistema em uma conferência na

internet. Em sua apresentação, garantiu ter falsificado a impressão digital de ninguém mais do que a ministra da Defesa da Alemanha. Imagine só. Assim como eu, você deve estar pensando como ele fez isso. Se já assistiu a filmes de espionagem, pensou que ele possa ter furtado um talher, um copo, algo que a ministra possa ter tocado, mas foi aí que a coisa ficou ainda pior. Segundo ele, tudo o que precisou para a façanha foi uma fotografia. Em outubro, um fotógrafo esteve em uma apresentação da Ministra. Enquanto ela falava, ele tirou algumas fotos em alta resolução a uma distância de cerca de três metros, seu foco foram as mãos. Com isso, conseguiu algumas fotos da mão direita da Ministra em várias posições, o necessário para a iniciativa. O anúncio da falsificação criou algum desconforto na comunidade de tecnologia, dado aos altos investimentos que os fabricantes estão fazendo em biometria, como é o caso da Apple e Samsung. Apesar da repercussão, essa não foi

a primeira aparição do especialista sobre o tema. Em 2013, ele mesmo disse ter “enganado” o leitor de biometria do Iphone 5S, utilizando para isso apenas cola de madeira. Não bastando, ele vai ainda mais longe. Em sua tese, defende que a biometria é um método de proteção muito menos seguro do que vem sendo apresentado, e que o seu uso deveria ser abolido. Não somos especialistas para avaliar a tecnologia, mas o seu questionamento tem fundamento e pode sim causar alguma inquietação: “É estúpido usar como ‘senha’ algo que você não pode mudar e que você deixa (uma cópia) em todas as coisas que toca, todos os dias”. Essa é para pensar... Segundo comentaristas mais bem humorados, a repercussão vai ser medida em 2015 na medida em que políticos aparecerem para suas apresentações utilizando luvas. Vamos aguardar. Luiz Otávio Ugolini Vianna é engenheiro e Diretor de Tecnologia da Mult.Connect


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Depois das festas: impostos, taxas e aumentos Mídia Ninja

Para economista, famílias devem tomar cuidado para não caírem no endividamento Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

Festas de final de ano, presentes, compras, 13º terceiro salário, pagamentos de contas... Ufa! Chegou 2015, mas ainda não dá para ficar tranquilo, porque de acordo com o economista e professor Cláudio Felisoni de Angelo, presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (IBEVAR), é preciso lembrar que este ano será de ajustes. “Um ano em que os impostos vão subir e as taxas de juros vão se manter relativamente elevadas, apesar da inflação tender a cair, não nos primeiros três meses, por causa do realinhamento dos preços livres e dos produtos monitorados, mas a partir dos próximos nove meses a tendência é cair, porque existe um processo recessivo. Teremos uma economia que vai crescer lentamente e abrir espaço para a redução dos preços”. Para o morador de São Paulo, esse aumento já está sendo sentido. A capital tem para este ano um reajuste do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) - de até 10% para imóveis residenciais, e de até 15% para os comércios –, além da tarifa nos transportes, que subiu de R$ 3 para R$ 3,50 – a integração com a o Metrô e com a CPTM está custando R$ 5,45. O professor explica que era preciso haver aumento nesses valores, pois os “preços monitorados estão defasados em relação aos preços livres”. Os preços de bens e serviços podem ser agrupados em dois grupos: os preços livres e os denominados preços monitorados. O preço livre é, por exemplo, o preço da assinatura de um jornal, ingresso de cinema, as refeições dentro e fora do lar. Os preços monitorados são o gás

Em São Paulo, manifestantes protestam contra aumento de R$ 0,50 no preço das passagens de ônibus, trens e metrô

de cozinha, transporte público, e também os impostos. “Se analisar o período de janeiro de 2012 a novembro de 2014, é possível verificar que os preços livres cresceram 20,9% e os preços monitorados 10,4%. O governo segurou esses aumentos exatamente para não aumentar ainda mais esses índices de inflação”.

IPTU

A mudança na cobrança do imposto prevista para 2014, foi barrada por uma liminar da justiça, após uma batalha judicial em que a Prefeitura de São Paulo venceu a disputa. O prefeito Fernando Haddad, pode, finalmente, reajustar a tarifa. Entidades como Federação das Industrias do Estado de São Paulo (FIESP) criticaram o aumento e dizem que o mesmo faz o contribuinte pagar “além da sua capacidade produtiva”. “Não vamos aceitar aumento de impostos por parte dos governos municipais, estadual e federal”, afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp e

do Ciesp. O IPTU é aplicado sobre o valor venal do imóvel. Essa somatória não se refere ao valor de mercado, mas ao que é definido por tabelas de avaliação das prefeituras, elaboradas por engenheiros. No aumento aplicado pela Prefeitura, alguns distritos de São Paulo tiveram uma redução – mais de 50 dos 96 –, e na sua maioria estão localizados em regiões mais periféricas da cidade. Sobre esse aspecto, o economista explica que o IPTU, assim como os outros impostos, “acaba pesando mais sobre as famílias menos abastadas”, por isso essa medida da Prefeitura é positiva. “No caso do IPTU, os valores dos imóveis são defasados e não acompanham a valorização dos imóveis, então, as famílias ou as pessoas com imóveis em regiões altamente valorizadas acabam se beneficiando bastante de um imposto com uma alíquota que não foi ajustada, muito embora a Prefeitura tenha feito algumas correções querendo ajustar ou trazer para próximo o valor venal do imóvel, sobre o qual

incide a alíquota”.

Transporte

Para esta cobrança, o professor explica que na administração e na economia “não adianta quebrar o termômetro para acabar com a febre”, e que os R$ 0,20 que foram tirados do valor da passagem em 2013, voltaram agora, porém ainda mais elevado. A doutora em Economia pela FGV-SP Cristina Helena Pinto de Mello, professora de Economia da PUC-SP, explica que é possível adotar outras medidas, porém “trata-se de optar por outro pacto social, ou seja, destinar recursos orçamentários para subsidiar o transporte público”. Ela salienta, no entanto, que aumentar subsídios ao transporte significa deixar de gastar com educação, segurança, infraestrutura ou saúde, por exemplo. “É uma escolha difícil. Os reajustes são necessários diante de uma ótica de custos. O subsídio ao transporte faz com que a população que não utiliza o sistema público pague por ele. É uma

discussão que pode ser feita”, afirmou a professora Cristina. Para o professor Cláudio, atualmente o sistema de transporte é “absolutamente caótico e horrível”, além de, na visão dele, não ser público de fato. Esses problemas, para o economista, são causados, em boa parte, pela “incapacidade administrativa do Estado”. “Existem despesas e receitas, os impostos são coletados e é preciso ter mais eficiência no processo de gasto”. Muitas são as propostas para melhorar a qualidade e, consequentemente, diminuir a tarifa do transporte público. A professora Cristina Helena destacou algumas medidas que poderiam contribuir, entre elas, por exemplo, discutir tarifas diferenciadas por distância. Atualmente, os usuários que utilizam o serviço para se deslocar em pequenos trechos pagam o mesmo valor que os usuários que utilizam o sistema para deslocamentos mais longos. Portanto, os primeiros “subsidiam” os custos tarifários para os demais usuário.

Cuidado com os gastos Como o professor Cláudio salientou no começo da reportagem, 2015 será um ano de recessão e ajustes de preços, por isso é preciso que as famílias tomem alguns cuidados para não cair no endividamento. Dificilmente haverá um aumento da receita familiar – a somatória dos valores recebidos pelos membros da família -, por isso é necessário que o ajuste aconteça nas despesas. “O ajuste das despesas se faz observando que se tem as despesas dos indivíduos que compõem a família e as despesas da família como um todo como, por exemplo, a compra de um televisor, de um automóvel, etc. essas despesas feitas de maneira comunitária ou feita para a comunidade familiar precisam ser discutidas no âmbito da própria família, ou seja, é preciso fazer um orçamento doméstico de forma que a despesa caiba na receita que está dada”, completou Cláudio.


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Economizar e cuidar bem d Nayá Fernandes

A palavra ‘economia’ vem da junção dos termos gregos ‘oikos’ (casa) e ‘nomos’ (costume, lei), resultando em ‘regras’ ou administração da casa, do lar

nayafernandes@gmail.com

Entre Jabaquara, na zona sul da capital, e Diadema, cidade da grande São Paulo, está localizada a Vila Clara, uma comunidade de periferia na capital paulista. Lá mora Vanessa Aparecida Pereira Moura, 36, operadora de telemarketing; juntamente com seu esposo, Marcos Moura dos Santos, 32, supervisor de vendas; a filha Cecília Pereira Moura, 5; e mãe, Creusa Maria da Silva Pereira, 54, diarista. Vanessa conversou com a reportagem e falou sobre as dificuldades que tem, como, por exemplo, o aumento da violência e a sensação de que está “entrando em outro mundo”, quando chega à Vila Mariana, onde trabalha de segunda à sexta-feira. Outro desafio encontrado no cotidiano dessa família, que se intensifica principalmente após as festas de fim de ano, é o de ajustar as contas em janeiro, que é sempre um mês carregado de aumento nas tarifas e gastos extras. A tarefa de economizar não é nada fácil, mas é necessária para que a família possa fazer projetos a longo prazo. A palavra “economia” vem da junção dos termos gregos “oikos” (casa) e “nomos” (costume, lei), resultando em “regras ou administração da casa, do lar”. Para que esse cuidado da casa seja eficaz, o foco não precisa estar só na questão financeira, mas é importante considerá-la para que as outras di-

mensões da vida ganhem o espaço que merecem e os membros da família não empreguem todas as suas energias ou noites de sono preocupados com dívidas adquiridas. No caso da família de Vanessa, um percentual 67% das entradas de recursos estava comprometido com gastos fixos como alimentação, saúde, transporte, energia, água, gás, internet, telefone, televisão e celular. Em janeiro, são acrescentados gastos com IPVA e seguro do carro. Eles não pagam IPTU, pois a casa em que moram no mesmo lote em que mora a avó, é isenta. Também não gastam com material escolar, pois a Cecília estuda em uma escola pública que fornece tudo o que ela precisa. “Para o lazer, não consideramos as entradas da minha mãe e procuramos economizar o máximo em roupas e sapatos, por exemplo. Acho os custos de vida muito altos em São Paulo e o que sobra nem sempre é suficiente para termos uma situação estável”, disse Vanessa. Ao falar de aumentos, contas e gastos, e busca de alternativas para viver numa metrópole como São Paulo, é importante ressaltar que a economia trata das questões relativas à vida humana e social e que não tem sentido falar sobre ela, se o objetivo não for a qualidade das relações humanas. Assim, cada vez que alguém pronuncia a palavra economizar, a imagem principal poderia ser a do bem viver na casa comum e não aquela do dinheiro acumulado.

CENÁRIO 1

Aumento de 8% sobre todos os gastos da família Após o reajuste considerado, cerca de 71% do orçamento da família fica comprometido com gastos correntes, antes do aumento, 67% estava comprometido. Isso leva a um gasto adicional de cerca de R$ 190 ou seja, 4% do orçamento total, que poderia ser utilizado, por exemplo, saindo para comer uma pizza três vezes no mês, indo ao cinema, ou ainda adquirindo roupas e sapatos. O reajuste compromete gastos que não são considerados de primeira necessidade para a família,

ainda que sejam desejados. Existe uma realocação da renda da família: R$ 190 que antes eram usados para programações familiares, roupas e acessórios ou afins, agora são gastos com contas essenciais. O poder de compra do orçamento familiar está reduzido. Os dados apresentados indicam que a família dispunha, antes do aumento, de um excedente de R$ 1.650 ao mês, não considerando o mês de janeiro com suas despesas extras. Com o aumento dos gastos, este excedente reduz-se para, aproxi-

madamente, R$ 1.450 ao mês. Uma alternativa para este excedente seria aplicá-lo na poupança, um investimento pouco rentável, mas seguro e de liquidez imediata – geralmente a classe média prefere esse tipo de investimento, pois é possível utilizar este recurso a qualquer momento, para cobrir despesas extras, como as contas específicas do mês de janeiro. Se a família tivesse guardado cerca de R$ 1.450 ao mês, entre fevereiro e dezembro, sendo este o excedente apontado pelos dados,

ela teria, em janeiro de 2015, cerca de R$ 16.430, considerando que R$ 485 são juros do dinheiro aplicado. “Ela poderia retirar dessa quantia o necessário para cobrir as despesas extras em janeiro, e continuar acumulando para, no futuro, trocar o carro, fazer uma viagem etc. Em suma, o reajuste citado leva a um aumento de R$ 190 nos gastos, forçando a família a reduzir outras despesas em detrimento da elevação forçada de seu custo de vida”, considerou Juliana.


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da casa comum Uma ‘ajudinha’ de quem entende Diante dos aumentos nas tarifas, sobretudo do transporte público, que foi de quase 8% na capital paulista, O SÃO PAULO entrevistou Juliana Inhasz, doutora em economia e professora no Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap). Juliana fez duas análises a partir dos dados oferecidos pela família entrevistada. Por primeiro, ela aplicou o ajuste de 8%, o mesmo dos transportes, para os demais gastos fixos. Na segunda, fez uma discriminação das tarifas, utilizando os devidos índices: transportes e afins, em 8%; mercado e feira, em 8,03%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano de 2014; convênio médico, com reajuste igual a 9,65%, valor usado para reajuste em 2013, já que a alíquota para o reajuste em 2015 só é divulgada em meados de abril; televisão, telefone e celular, em 3,98%, segundo o Índice Geral de Preços – Mercado (IGPM) de 2014;

Juliana Inhasz

gás, em 6,41%, usando a inflação medida pelo IPCA cheio; energia, em 17,06%, alíquota de aumento para SP pelo IPCA; e água, em 26%, considerando o aumento previsto pelo governo em 5,5%, adicionado ao possível pagamento de sobretaxa advindo de elevação do consumo em até 20%. “Os gastos da família analisada são muito reduzidos em alimentação. Acredito que aqueles como açougue, alimentação fora de casa, ou mesmo a pizza do final de semana, não foram considerados. Em média, as famílias com essa faixa de renda gastam cerca de 30% a 40% com alimentação no geral. O impacto sobre o orçamento talvez seja maior para uma família mediana representativa”, explicou a economista, que ressaltou, também, que se houvessem gastos com material escolar, aluguel e IPTU, a renda ficaria ainda mais comprometida, impactando bastante nos excedentes para lazer. A apresentação dos cenários a seguir é também de autoria da Juliana.

Aumento de 8% sobre transportes em geral e demais gastos utilizando os índices de reajuste devidos conta dos reajustes aprovados pelo governo no primeiro caso e da possibilidade de sobretaxa no caso de aumento de uso no segundo. Entretanto, este impacto parece arrefecido pelos aumentos em televisão e celular, que apresentaram alíquota baixa no ano. Juliana explicou, também, que alguns reajustes ainda não estão fechados, como é o caso dos convênios médicos. Nes-

Como contornar os reajustes dos preços no início de ano? ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

CENÁRIO 2

Os resultados não se alteram muito entre os dois cenários. O aumento diferenciado das tarifas eleva os gastos da família, num mês normal, ou seja, sem despesas extras como as de janeiro, em 4% do orçamento total, próximo de R$ 200, assim, há um sutil aumento. O impacto significativo fica por conta das tarifas de energia e água, que se elevaram substancialmente, por

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se caso, para esta simulação, foi considerado o reajuste do ano passado. “No geral, este cenário é muito parecido com o cenário anterior, reduzindo o poder de compra do orçamento atual da família. Há a necessidade de readequação dos gastos: retirar recursos de alguns gastos vistos como não essenciais para o pagamento de despesas de consumo vistas como essenciais”, afirmou.

Algumas medidas simples podem ser tomadas para evitar um descompasso no orçamento familiar logo no início de 2015. Tais medidas devem ser pensadas e colocadas em prática o resto do ano. A primeira delas diz respeito às contas com tributos como IPVA e IPTU. Realmente, é viável o pagamento de tais tributos à vista, desde que o consumidor tenha este dinheiro parado na conta corrente ou, se estiver aplicado, que esteja rendendo menos de cerca de 1% ao mês. Caso contrário, é melhor parcelar: você perde o desconto, mas não terá que pagar altos juros pelo empréstimo contraído para pagamento à vista. Criar uma nova dívida para pagar o IPVA à vista, por exemplo, não vale a pena: os custos do empréstimo para isso serão certamente superiores à economia com o pagamento à vista. Boa parte dos gastos da família pode ser otimizada se houver organização dos mesmos. Os gastos com alimentação, por exemplo, podem ser melhorados fazendo-se compras mensais programadas, comprando os alimentos em quantidades maiores nas quais se obtenha preços mais vantajosos. Por exemplo, comprar o arroz no pacote de 5kg ao invés de pacotes de 2kg; ou ainda comprar em mercados que possuam a opção de compras via atacado – maiores quantidades com menores preços. Dessa forma, evitam-se dispêndios excessivos e a dona de casa não terá que ir ao mercado da esquina comprar aquele item que faltou para almoço, pagando 50% a mais do que no mercado maior. Esses gastos extras parecem inofensivos, já que nós não sentimos muito esses impactos, uma vez que essas compras acontecem isoladamente, mas podem ser muito prejudiciais à saúde financeira. A mesma programação vale para passagens aéreas, por exemplo, que possuem preços atraentes se compradas com antecedência. A redução dos consumos de água e energia também é bem vista como maneira de controlar o orçamento familiar. Como existe a possibilidade de sobretaxa na água e desconto para a redução do consumo, é um excelente momento para reduzir a conta e aproveitar o desconto. Assim, é possível obter um ganho de poder de compra, gastando em coisas importantes para a família. Também podemos aproveitar a época de férias escolares para buscar alternativas de lazer que não sejam dispendiosas. Sair com as crianças em parques é uma delas: os custos são mínimos, basicamente só o deslocamento e proporcionam momentos satisfatórios de lazer. Por fim, é importantíssimo salientar que este é o ano para não se endividar. Os ajustes econômicos anunciados pelo ministro da Fazenda deixam claro que os juros ainda irão subir, e que os tributos também serão ajustados. Ou seja, o custo de vida, que já é considerado alto pela família, ficará ainda mais alto. E aumento de tributos e juros impactam diretamente nas dívidas das famílias. Então, o melhor a fazer em 2015 é se programar: gastar apenas aquilo que seu orçamento possibilitar, evitando gastos desnecessários e, se possível, fazendo algum tipo de poupança. Dessa forma, o ano transcorrerá sem grandes transtornos.


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Consumidor vai pagar a conta da crise hídrica e energética Tarifas começam a subir este mês e pode haver mais reajustes no decorrer do ano Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

Reclamações sobre o fornecimento de água e de energia elétrica nos bairros de São Paulo têm sido recorrentes. No último fim de semana, as torneiras ficaram vazias no Itaim Paulista, Freguesia do Ó, Paraíso e Jardim Ângela. Na segunda-feira, 12, a interrupção no fornecimento de energia, provocada pela queda de árvores na rede elétrica em decorrência das fortes chuvas, afetou 800 mil clientes da AES Eletropaulo. Embora a constância no fornecimento esteja incerta, os consumidores atendidos pela Sabesp e a AES Eletropaulo já estão pagando mais pelos serviços de água e de energia.

mas a Arsesp autorizou a cobrança proporcional pela coleta e tratamento de esgoto, passando assim aos percentuais de 40% e 100%, respectivamente. No entanto, na terça-feira, 13, a juíza Simone Viegas de Moraes Leme, da 8ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, deferiu um pedido de liminar feito pela associação Proteste contra a adoção da tarifa de contingência. A juíza acolheu o argumento de que a lei federal nº 11.445/2007 determina que a adoção de sobretaxas para reduzir o consumo de água seja precedida de declaração oficial de racionamento. O Governo do Estado ainda pode recorrer da decisão. Em dezembro, a Proteste juntamente com a Ordem dos Advo-

gados do Brasil (OAB), o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a Aliança pela Água, e a Rede Nossa São Paulo, em nota conjunta, manifestaram que o governo precisava decretar oficialmente o racionamento de água. “A tarifa de contingência proposta pela Sabesp e pelo Governo do Estado de São Paulo é uma – mas não a única – das medidas que devem ser utilizadas para a gestão da demanda na atual crise de abastecimento de água. Todavia, da maneira como está sendo proposta, nos colocamos em posição contrária a tal medida, uma vez que se mostra absolutamente ilegal e abusiva, com efeito meramente arrecadatório”. A Sabesp nega que a meta

seja aumentar a arrecadação, mas “sim reduzir o consumo diante da atual crise hídrica. O recurso adicional obtido com esse acréscimo será colocado em contas separadas e deverá ser utilizado em medidas de uso racional da água”, informou, ao O SÃO PAULO, a Sabesp, por meio de sua assessoria de imprensa.

Bandeira vermelha para a energia elétrica

A conta de energia elétrica também está mais cara em São Paulo. No começo do mês, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a revisão do reajuste das tari-

Consumo de água pode custar o dobro

Desde 27 de dezembro, a tarifa de água em São Paulo está 6,4952% mais cara, conforme percentual definido pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp). Um reajuste de 5,44% havia sido autorizado pela Agência em maio, mas o governo paulista optou por adiá-lo. O percentual final adotado levou em conta a correção monetária no período. Diante da crise hídrica, o governo paulista passou a adotar no dia 8 a chamada tarifa de contingência, com a proposta de que os usuários que excederem em até 20% a média de consumo do ano anterior pagarão taxa de 40% sobre o valor final da conta de água. Esse percentual passa a ser de 100% para consumos superiores a 20% da média. Inicialmente, os percentuais da taxa seriam de 20% e 50%,

O que define o aumento das contas de água e energia? “Antes de uma revisão tarifária, pode-se observar se é possível controlar despesas, mudar processos produtivos, aumentar a produtividade, evitar desperdícios e, também, se é possível aumentar as vendas de forma a não ser necessário repassar integralmente o aumento nos custos para o consumidor final”. A afirmação é da economista Cristina Helena Pinto de Mello, professora da PUC-SP. Segundo Cristina, a revisão tarifária serve para garantir o equilíbrio econômico-financeiro de uma empresa frente o aumento de custo, e é diferente dos reajustes, que ocorrem para manter o valor

real das tarifas perante a inflação. “As tarifas de água e luz se elevam em situações em que fica mais caro produzir ou distribuir o serviço de luz ou a oferta de água”, esclarece, ponderando que “em ambos os mercados, é possível fazer contratos de fornecimento com tarifas diferenciadas. É possível considerar sazonalidades específicas – como férias, por exemplo – para suspender o contrato de ‘demanda firme’, que é o nome dado pela Sabesp para um contrato que define consumo mínimo de água. Os custos de distribuição também podem ser relevantes. O tratamento da água de reuso também é mais caro e, por isso,

BANDEIRAS TARIFÁRIAS As indicações nas contas de energia elétrica das bandeiras verde, amarela e vermelha mostram se a energia elétrica custará mais ou menos: Bandeira verde: condições favoráveis de geração de energia. A tarifa não sofre nenhum acréscimo; Bandeira amarela: condições

o preço final reflete essa realidade. Um custo importante no tratamento de água é o uso de energia elétrica. Portanto, o encarecimento da energia, encarece a água!”, detalha ao O SÃO PAULO. Cristina lembra que segundo a Lei de diretrizes do Saneamento são permitidos reajustes tarifários em situações críticas de escassez ou contaminação dos recursos hídricos. Ela também explica que os critérios para a adoção das bandeiras tarifárias levam em conta os níveis de armazenamento de água e de previsão de consumo. “Portanto, a disponibilidade de água afeta o custo de energia!”

fas da AES Eletropaulo, de 18,66% para 22,19%. A medida atende a uma liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região contra uma decisão da Aneel que obrigava a AES Eletropaulo a ressarcir os consumidores em R$ 626 milhões. Entre 2002 e 2011, a distribuidora paulista incluiu no cálculo dos reajustes de tarifa investimentos para implantar 246 quilômetros de cabos de alumínio. Como os investimentos não foram feitos, a Aneel determinou que a AES Eletropaulo devolvesse o montante ao longo de quatro anos, o que começou a ser feito no último reajuste, em julho de 2014: em vez de subir 22,19%, a conta de energia elétrica teve incremento de 18,66%. Procurada pela reportagem, a AES Eletropaulo não forneceu esclarecimentos. Outro fator que tem tornado mais cara a conta de energia elétrica é a adoção da bandeira tarifária vermelha (veja detalhes abaixo). Trata-se do repasse ao consumidor final do aumento dos custos para gerar energia a partir das termoelétricas, medida adotada em razão das secas que afetam os reservatórios de água das hidrelétricas, prejudicando a capacidade de geração. De acordo com a Aneel, nos dois primeiros meses deste ano, a adoção da bandeira tarifária vermelha deverá injetar R$ 1,6 bilhão na arrecadação das distribuidoras, montante ainda insuficiente para cobrir os R$ 3 bilhões gastos com a compra extra de energia em novembro e dezembro de 2014. O governo federal não descarta, também, uma revisão extraordinária de tarifas para algumas distribuidoras ao longo do ano. “Não consigo ainda fazer essa projeção, mas o que for necessário fazer em termos de reajuste ou de revisão extraordinária será feito”, afirmou Romeu Rufino, diretor-geral da Aneel, na segunda-feira, 12.

MEDIDAS DO GOVERNO DE SP DIANTE DA CRISE HÍDRICA de geração menos favoráveis. A tarifa sofre acréscimo de R$ 1,50 para cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos; Bandeira vermelha: condições mais custosas de geração. A tarifa sobre acréscimo de R$ 3,00 para cada 100 kWh consumidos. Fonte: Aneel

* Para quem aumentar o consumo: Em até 20%, acréscimo de 40% ao valor final da conta Mais que 20%, acréscimo de 100% ao valor final da conta Para quem reduzir consumo: De 10% a 15%: desconto de 10% na conta De 15% a 20%: desconto de 20% na conta Mais de 20%: desconto de 30% na conta

Iniciativas para redução de consumo: Diminuição da pressão da água em alguns locais e horários Distribuição de dispositivos para reduzir a saída do fluxo de água nas torneiras Distribuição de caixas de água de 500 litros para clientes com renda familiar de até três salários mínimos. * Suspensa em 13/01 por liminar judicial, ainda cabe recurso


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Tuca Munhoz

‘Queremos nossos direitos e necessidades garantidos’ Luciney Martins/O SÃO PAULO

Tuca Munhoz, secretário adjunto da Secretária Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, fala ao O SÃO PAULO das ações de inclusão na cidade

Como funcionará o uso da ciclofaixa para cadeirantes?

Edcarlos Bispo

As ciclofaixas passam a ser mais uma opção de mobilidade para as pessoas com deficiência, mas o grande desafio que enfrentaremos muito fortemente neste ano e no seguinte é a requalificação das calçadas da cidade, sobretudo neste primeiro momento nas vias de maior fluxo de pedestre. Os resultados brevemente serão percebidos por todos os cidadãos.

edbsant@gmail.com

Na edição 3033, de 7 a 13 de janeiro, O SÃO PAULO publicou um caderno especial sobre os “Desafios da inclusão”. As reportagens apresentaram um panorama sobre o cotidiano das pessoas com Síndrome de Down, e com outras deficiências, destacando os desafios para a inclusão no ambiente familiar, escolar e profissional. O “Com a Palavra” desta semana segue nesta linha temática e traz uma entrevista com Antônio Carlos Munhoz, mais conhecido como Tuca Munhoz, atualmente secretárioadjunto da Secretária Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo. Ele já coordenou a Pastoral da Pessoa com Deficiência da Arquidiocese de São Paulo. Com sequela de Poliomielite, que adquiriu aos 11 meses de vida, Tuca luta há cerca de três décadas pelos direitos das pessoas com deficiência. Acredita que seu empenho e o das pessoas com deficiência podem sempre contribuir para avanços de toda a sociedade. Atualmente no trabalho como secretário-adjunto, luta, segundo ele, para que a cidade de São Paulo se torne cada dia mais “inclusiva e acolhedora”. Nesta entrevista, Tuca aborda alguns projetos de acessibilidade que são encabeçados pela Secretaria da qual faz parte. “As ciclofaixas passam a ser mais uma opção de mobilidade para as pessoas com deficiência, mas o grande desafio que enfrentaremos muito fortemente neste ano e no seguinte é a requalificação das calçadas da cidade”, afirma. Um dos pontos de problema em São Paulo, para qualquer cidadão, é o transporte público. Sobre esse aspecto, o secretário adjunto conta que atualmente “cerca de 70% da frota de ônibus da cidade está com acessibilidade física. Até o final de 2016, toda a frota será acessível para as pessoas usuárias de cadeiras de rodas”. Além disso, há outra preocupação por parte da Secretaria com a

Atende [modalidade de transporte gratuito, porta a porta, destinado às pessoas com deficiência física severa, com alto grau de dependência, que necessitam de transporte diferenciado], que já está beneficiando centenas de pessoas com deficiência mensalmente.

acessibilidade na comunicação e na informação para as pessoas surdas e para as pessoas cegas. “Estamos buscando soluções para isso, pesquisando a incorporação nos novos veículos do transporte público a incorporação de sinalização sonora e visual, o que será útil para todos os usuários”. Outra conquista de 2014 e que se estenderá em 2015 é a incorporação dos táxis acessíveis ao Serviço Atende, que já está “beneficiando centenas de pessoas com deficiência mensalmente”, como afirma o secretário.

O SÃO PAULO - Quais tem sido as medidas de inclusão adotadas pela Prefeitura de São Paulo? Tuca Munhoz - Logo nos primeiros meses de governo, o prefeito Fernando Haddad assinou o termo de adesão, junto ao Governo Federal, do Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência - Viver Sem Limite. Esse Plano, fundamentado na Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, está sendo implementado na cidade de São Paulo com o nome de Plano Municipal de Ações Articuladas para as Pessoas com Defi-

ciência - São Paulo Mais Inclusiva. Trata-se de um plano absolutamente inovador e pioneiro no Brasil, e tem a perspectiva da construção de uma política de Estado, com o envolvimento de 20 secretarias municipais, tendo como eixos básicos a Acessibilidade, a Educação, a Saúde, a Assistência Social, a Habitação, o Trabalho e a Cultura.

O transporte público, em uma cidade grande como São Paulo, tem atendido às demandas da população com deficiência e mobilidade reduzida? Hoje temos cerca de 70% da frota de ônibus da cidade com acessibilidade física. Até o final de 2016, toda a frota será acessível para as pessoas usuárias de cadeiras de rodas. Estamos também preocupados com a acessibilidade na comunicação e na informação para as pessoas surdas e para as pessoas cegas, e estamos buscando soluções para isso, pesquisando a incorporação nos novos veículos do transporte público, a incorporação de sinalização sonora e visual, o que será útil para todos os usuários. Uma grande novidade no ano que passou foi a incorporação dos táxis acessíveis ao Serviço

Você já coordenou a Pastoral da Pessoa com Deficiência da Arquidiocese de São Paulo. Tem acompanhado o processo de elaboração do Projeto Igreja Acessível, que tem o objetivo de criar uma cultura de inclusão e de acolhimento para as pessoas com deficiência nas igrejas e em outros espaços físicos e de comunicação da Arquidiocese de São Paulo? A Secretaria tem acompanhando alguma coisa nesse sentido? Tenho sim acompanhado, com muita alegria, o desenvolvimento do PIA, Projeto Igreja Acessível. O amigo Carlos Alexandre, que me substituiu na coordenação da Pastoral, tem tocado muito bem esse trabalho, mesmo com todas as dificuldades enfrentadas.

Como os leigos e padres podem tornar as paróquias mais acessíveis e acolher as pessoas com deficiência? O melhor caminho para que as paróquias sejam mais acessíveis e as pessoas com deficiência sejam mais bem acolhidas, com respeito e dignidade, está principalmente, na mudança de atitude das pessoas ao perceberem que não é caridade e assistencialismo que as pessoas com deficiência querem, mas sim participação com igualdade de oportunidades. Queremos ajuda quando pedimos ajuda. Mas, antes, queremos nossos direitos e necessidades garantidos.


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Minúsculos Estreia no dia 22, o filme “Minúsculos”, para quem quiser levar as crianças ao cinema (ou para quem não tem vergonha de admitir que adora um bom filme infantil). Sem nenhuma palavra pronunciada, apenas com sons e imagens, os realizadores conseguiram criar um filme cativante, que conta a história de uma joaninha que se vê separada de sua família e jogada no meio de uma aventura emo-

cionante e de uma guerra de formigas. A história começa quando um casal de jovens faz um piquenique num vale e a moça, grávida, começa a sentir as dores do parto. O casal parte imediatamente, deixando o seu piquenique no chão, incluindo uma caixa cheia de açúcar! Ao mesmo tempo, um casal de joaninhas tem três filhos pequenos e, após as primeiras lições de voo, decide

Dica de leitura

Divulgação

voltar para casa. Mas o filho mais novo é também o mais curioso e deseja explorar o mundo por si mesmo. O filme é a prova de que, às vezes, as palavras não são tão importantes e mostra como a joaninha enfrenta as experiências difíceis da vida. Todo adulto já passou por elas: separação, acidentes, atos de bravura e de covardia, amizade verdadeira e fidelidade, superação dos

A boa vontade O que o autor aponta neste livro, como meio de alcançar o cume da vida cristã, é um caminho fácil e difícil ao mesmo tempo. Fácil, porque nada mais é que amar. E isso é algo acessível a todos. Está longe das complicações dos métodos de adquirir a vida interior ou dos obstáculos provocados pela fraqueza própria. Nada impede que a alma se lance a amar com toda a sua energia. Difícil, porque não é uma receita mágica, já pronta. O homem tem de batalhar arduamente contra as tendências egoístas, as paixões e o apego às coisas e ao próprio “eu”. Qual é a saída? A saída, diz-nos o autor,

é a boa vontade. Em que se manifesta? Em opor à complicação a simplicidade de quem quer fazer sempre o melhor que possa, atento à vontade divina. Não se trata de deixarse levar pela resignação, num quietismo preguiçoso. Exercer a boa vontade exige um caráter forte. Amar na oração, na ação e no sofrimento – esses são os três campos em que essas páginas concretizam o modo de praticar a boa vontade no esforço por alcançar a perfeição cristã. Ficha Técnica: Autor: Joseph Schrijvers Número de páginas: 78 Editora: Quadrante

próprios limites e amadurecimento. No plano político, o filme também não deixa a desejar. As formigas vermelhas, altamente militarizadas, evocam uma sociedade fascista, que não tem problemas em tomar à força o que deseja. As formigas pretas parecem retratar uma sociedade aberta, livre, mas que por isso mesmo é frágil quando atacada de surpresa.

Eventos e conferências

Cinema

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Tropicália A Casa Guilherme de Almeida promove, durante o mês de janeiro, uma série de eventos especiais com foco na Tropicália, movimento cultural nascido na década de 60, responsável por importantes contribuições na música, artes plásticas, cinema e teatro brasileiro. Haverá curso, palestras e recital para relembrar as principais criações artísticas desse período. A entrada para todos os eventos é gratuita. É necessário realizar uma préinscrição. Para outras informações sobre as conferências e sobre como se inscrever, acesse o site casaguilhermedealmeida.org.br ou ligue para (11) 3673-1883.

espaço do leitor Sobre o jornal “Paz e Bem! Lendo o semanário O SÃO PAULO, Ano 59/ Edição 3032, percebi a nova roupagem e a riqueza na diagramação; um

jeito novo de ser do jornal da Arquidiocese de São Paulo. Na oportunidade, venho parabenizar a todos; a nova equipe de trabalho, que sem dúvida conseguiu

os objetivos com esmero.” Maria Aparecida Coscelli (por e-mail).

Multas milionárias são suficientes para frear a

exploração do ser humano? (Edição 3031) “O melhor que um jornalista pode fazer pelos direitos humanos! Investigar, escrever, publi-

car e dar a conhecer!” Gabriela Flores (pelo Facebook) Redação do jornal O SÃO PAULO. Endereço: Avenida Higienópolis, 890, São Paulo (SP), CEP. 01238-000. E-mail: osaopaulo@uol.com.br Twitter: @JornalOSAOPAULO Facebook: Jornal O SÃO PAULO


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Igualdade em campo? Somente na idade Ale Vianna/Juventus

um campo que é só da categoria de base. Essa é a grande diferença hoje do futebol brasileiro: há quem tenha centro de treinamento, uma base supervalorizada, um planejamento melhor”, avaliou.

Confrontos da Copa São Paulo de Futebol Júnior mostram as diferenças de investimentos no futebol de base no Brasil

De volta à realidade

Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

A primeira fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior terminou no último fim de semana. Para a maioria dos 104 times inscritos, a participação se resumiu a três partidas, já que somente 32 equipes se classificaram para a fase de jogos eliminatórios, iniciados na terça-feira, 13. Para alguns clubes, disputar a “Copinha” já foi uma vitória, dadas as dificuldades que encontram para manter suas categorias de base. Esse é o caso do Esporte Clube Tarumã, de Manaus (AM), que assegurou o direito de estar na competição após vencer o Campeonato Amazonense de Juniores, mas quase não viajou a São Paulo por falta de recursos. “O regulamento dizia que o campeão estadual tinha direito à vaga na Copa São Paulo e a 25 passagens, mas no último dia antes de embarcar, a Prefeitura de Manaus disse que só ia dar 12 passagens. Viríamos em 26 pessoas, só viemos em 21. A Prefeitura só deu 12 passagens, o presidente da federação amazonense deu cinco e o clube conseguiu outras quatro”, recordou, ao O SÃO

Escassez de recursos quase inviabiliza vinda do Tarumã (uniforme listrado), de Manaus (AM), para ‘Copinha 2015’

PAULO, Darlan Barroso, técnico do Tarumã. A equipe amazonense perdeu as três partidas que disputou pelo grupo Z da Copinha, no estádio da Rua Javari, na capital paulista, contra Juventus-SP, Santo AndréSP e o líder Figueirense-SC, único da chave a avançar para a segunda fase. “O nível técnico foi igual. O que prevaleceu foi a maturidade dos jogadores na hora de definir as jogadas”, disse Darlan, sobre o desempenho do time, que em 2014 foi vice-campeão juvenil da Copa Norte e que representou o Tarumã na Série B do Campeonato Amazonense profissional.

Treinar é preciso

As equipes participantes da Copa São Paulo de Futebol Júnior

puderam inscrever atletas nascidos entre 1995 e 1999, jovens que em seus clubes encontram diferentes realidades de infraestrutura para treinamentos. No Figueirense, que já venceu a Copinha em 2008, os atletas contam com centro de treinamento, rotinas de trabalho diferenciadas conforme a idade, e campos de dimensões oficiais para treinar, uma realidade bem diferente da vivenciada pelos jogadores do Tarumã. “No Amazonas, a gente não tem nem campo para treinar. Em dezembro, a Vila Olímpica do Amazonas, que toma conta dos estádios em Manaus, liberou somente dois treinos no estádio Colina e quatro no Zamith [utilizados como centros de treinamentos na Copa do Mundo de

2014]. O resto foi tudo com a gente pagando aluguel de campo”, lamentou Darlan. Adversário do Tarumã na estreia da Copinha, o Juventus oferece melhores condições a seus jogadores da base, no que se refere a alimentação, academia e alojamentos. Porém, segundo Celso Spadoti, o Celinho, treinador da base da tradicional equipe da Mooca, Santo André e Figueirense têm estruturas melhores e isso foi determinante para o desempenho final. “O Juventus não tem um centro de treinamento. Tem uma quadra sintética que é dividida com os sócios, com o dente de leite, com o sub 11, sub 12, sub 13, sub 15, sub 17. O período de treinos é só de duas horas por dia, enquanto Figueirense e Santo André têm

Fifa/Divulgação

De novo, CR7 O português Cristiano Ronaldo, 29, conquistou na segundafeira, 12, a Bola de Ouro da Fifa, prêmio dado ao melhor jogador do mundo no ano de 2014. Ele já havia vencido em 2008 e em 2013. CR7, como também é conhecido, superou na disputa o argentino Lionel Messi e o goleiro alemão Manuel Neuer. Entre as mulheres, a vencedora foi a alemã Nadine Kessler. Também são do país germânico os melhores técnicos no feminino e no masculino: Ralf Kellermann e Joachim Löw, este último campeão do mundo com a Alemanha em 2014.

Encerrada a participação das equipes na Copinha, qual o destino dos jovens jogadores? No Juventus, que em 2015 vai disputar a terceira divisão do futebol paulista, a prioridade é negociá-los com outros clubes. “Somos um clube formador. Se houver propostas pelos jogadores, nós negociamos. É o nosso primeiro passo, mesmo que o jogador interesse para o nosso plantel, porque é muito melhor vê-los disputando a Série A1, A2, pois é uma vitrine. Não havendo propostas, aqueles jogadores que interessarem já vão para o profissional do Juventus e os demais vão compor a nossa equipe sub 20”, explicou Francisco Mandarano Junior, o Tito, diretor das categorias de base do Juventus. Segundo Tito, o clube paulistano também busca contratar jovens atletas de equipes de divisões inferiores. “Por exemplo, já conversei com o pessoal do Tarumã e abri a possibilidade: se a gente gostar de algum jogador deles, pretendemos trazê-lo para o Juventus”, detalhou. Darlan Barroso tem outros planos para seus comandados. “Após a Copa São Paulo de Futebol Júnior, a intenção é permanecer com o mesmo grupo, disputar o Campeonato Amazonense sub 20 e conquistar a vaga na Copa Norte e na Copa São Paulo de 2016, porque no grupo há nove jogadores com idade para a Copa São Paulo do ano que vem”, explicou. Porém, a projeção esbarra na realidade. “A dificuldade para manter o time é muito grande. A gente não tem patrocínio, não tem apoio de nada”, desabafou.

AGENDA ESPORTIVA Quarta-feira (14) Copa São Paulo de Futebol Júnior 17h30 – Corinthians x Grêmio Prudente (Arena Barueri, em Barueri). 21h – Flamengo x Taboão da Serra (Estádio Prefeito José Liberati, em Osasco). Quinta-feira (15) Copa São Paulo de Futebol Júnior 16h – Goiás x Guarani (Estádio Nicolau Alayon, Água Branca). 16h – Figueirense x Mirassol (Estádio da Rua Javari, Mooca).


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Brasilândia

Padre Cilto José Rosembach e Daniel Gomes Colaboradores de comunicação da Região

Fotos: Arquivo pessoal

Acolhidos na Paróquia São José, na Região Episcopal Brasilândia, jovens salesianos realizam missão no bairro de Perus, visitando casas, comunidades e projetos sociais na periferia

Jovens salesianos fazem missão de férias na periferia O bairro de Perus, na periferia noroeste de São Paulo, foi espaço de missão para jovens leigos salesianos no início de janeiro: 60 integrantes do Grupo de Animação Missionária (GAM), que participam dos projetos mantidos pelos Padres Salesianos na Lapa, Itaquera, Bom Retiro e Jaçanã, participaram da atividade, encerrada com missa, no domingo, 11, na Paróquia São José, que foi a base de acolhida dos missionários. No dia a dia da missão, os jovens prepararam o próprio café da manhã e o almoço, rezaram antes de iniciar as atividades, visitaram casas dos bairros atendidos pela Paróquia, proporcio-

naram entretenimento para as crianças e marcaram presença nos momentos celebrativos nas comunidades São José (matriz), Mensageiro de Cristo e São Mateus, sempre realizando um diálogo com os fiéis após as celebrações e missas. “Foi um momento de graças de Deus. Muitas famílias foram visitadas, crianças participaram de brincadeiras criativas, equipes fizeram o trabalho de cozinha tanto na chegada como no almoço de despedida. Somos gratos a Deus, aos jovens missionários, aos padres e seminaristas. Agradecemos a todos e todas que se empenharam neste tempo de missão

em nossaParóquia, colaborando de uma ou outra forma”, avaliou o Padre Cilto José Rosembach, pároco da Paróquia São José. “A missão possibilitou novo alento para muitas pessoas, principalmente os jovens. O desafio agora e dar continuidade ao trabalho missionário iniciado por eles”, complementou. Pelo Facebook, os missionários manifestaram alegria por terem participado da atividade. “Mais uma semana cheia de amor e bondade salesiana, momentos inesquecíveis, pois quem evangelizou foi evangelizado. Encontrar o amor de Deus em um simples sorriso ou em simples gestos nos faz

viver melhor”, postou o jovem Vinicius Lima Almeida. “Terceira experiência missionária vivenciada, um misto de sensações me tomam ao ‘deixar a terra de missão’... Deixar um pedaço do coração, deixar a saudade, deixar a semente que foi lançada, a experiência partilhada... Levar cada sorriso, cada palavra, cada aprendizado, cada cena que apertava o coração, outras que o transbordavam de alegria, cada lágrima de desespero, cada lágrima de esperança, cada amizade conquistada, todo o amor compartilhado”, expressou Llana Zago, também pelo Facebook.

Mensagem de Paz realiza ‘4º Acampamento Jovem Levanta-te’ Reprodução

Missão Mensagem de Paz fará Acampamento

Entre os dias 6 e 8 de fevereiro, a Comunidade Missão Mensagem de Paz realiza o 4º Acampamento Jovem Levanta-te, no Sítio Cachoeira da Graça, na cidade de Cotia, na grande São Paulo. A idade mínima para participação é 15 anos, e quem for deverá levar colchonete e, se possível, também barraca. As inscrições para a atividade, que é paga, devem ser feitas no site http://acampamento.mensagemdepaz.org.br. Uma das presenças confirmadas no Acampamento é de João Cláudio Rufino, que é filósofo, teólogo e Mestre em Bíblia. Também estará na iniciativa o pregador e apresentador de programas de rádio Paulo Escudeiro de Maria. Entre as atividades programadas para o 4º Acampamento Jovem Levanta-te

estão momentos de louvor e animação musical, além de entretenimento com trilhas, piscinas, cachoeira e

AGENDA REGIONAL

futebol. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 23628093.

Paróquia Nossa Senhora Mãe e Rainha

Sexta-feira (16), 20h Presença do Cardeal Scherer na missa de apresentação do Padre Gleidson Luis de Souza Novaes, como vigário paroquial da Paróquia São José, em Perus (rua João Jacinto de Mendonça, 134, no Jardim Russo) Domingo (18), 19h Posse, na Paróquia Santo Antônio (Rua Parapuã, 1.903, na Vila Brasilândia), do Padre José Renato Ferreira, como pároco, e do Padre Márcio Clay Chen, como vigário paroquial.

‘Natureza que Deus criou’ – eis o tema da pintura artística dos muros externos da Paróquia Nossa Senhora Mãe e Rainha, no Setor Jaraguá, finalizada na última semana. Anteriormente, foi feita a reforma e pintura externa da matriz.


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Santana

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

Dom Sergio abençoa templo e altar da Capela Nossa Senhora da Saúde Diácono Francisco Gonçalves

Padre Edegardo à esquerda de Dom Sergio, que abençoa templo e altar

A Capela Nossa Senhora da Saúde, pertencente à Paróquia Nossa Senhora Aparecida do Parque Edu Chaves, teve suas instalações abençoadas, em 20 de dezembro, por

Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, que presidiu missa concelebrada pelo Padre Edegardo Manuel Zagada, pároco, pelo Padre

Marcel Martineau e pelo Cônego Laerte Cunha. Auxiliaram na celebração, os diáconos Sebastião Augusto e Jorge Fernandes. Em sua homilia, Dom Sergio evidenciou a importância desse templo em ser um local de encontro com Jesus Cristo, um local para ouvir sua Palavra, uma casa da Palavra, uma casa do Pão Eucarístico. Na alegria da festa, foi lembrado o caminho trilhado por muitos fiéis para a concretização de um sonho: a edificação do templo. O inicio se deu em maio de 1991, quando o então pároco, Padre Antonio Tozelli, procedeu à escolha da padroeira, Nossa

Senhora da Saúde. Em agosto de 1993, foi celebrada a primeira festa, com procissão e missa campal, com as atividades em prol da construção do templo. Até que isso acontecesse, as celebrações eram realizadas nas garagens e a Catequese nas casas das catequistas. Quermesses de rua foram muitas, bem como os carnês para ajudar o projeto. Com o tempo, foram adquiridos dois terrenos conjugados na esquina das ruas Augusto Montenegro e Semyon Kirlian. Em abril de 1992, Maria Paiva, uma das líderes, foi à Prefeitura solicitar a terraplanagem do terreno e as obras começaram. O muro e a calça-

da ficaram prontos e, em 19 de dezembro de 1993, Dom Joel Catapan, então bispo auxiliar da Arquidiocese na Região, celebrou a primeira missa no terreno ao ar livre. Em 1994, a Capela recebeu o Padre Jorge Molinari, novo pároco, e seu auxiliar, o atual diácono permanente Sebastião Augusto, que movimentaram as pastorais e a Catequese. Ao ver a obra inacabada e a boa vontade de todos, Padre Edegardo sentiu que teria que fazer algo, e com a aprovação de Dom Joaquim Justino Carrera, então bispo auxiliar da Arquidiocese em Santana, a obra tomou novos rumos que viabilizaram sua finalização.

Paróquias em Santana estão mais integradas na web Em 27 de dezembro, Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, o diácono Francisco Gonçalves e José Henrique Monfré, respectivamente, assessor eclesiástico e coordenador da Pastoral da Comunicação (Pascom), reuniram na Cúria de Santana os membros da equipe regional da Pastoral e lideranças paroquiais da Pascom para um almoço de confraternização. A atividade encerrou um ano em que a Pascom regional avançou no projeto, idealizado por Dom Sergio, para que as 64 paróquias de Santana

tenham sites e que sejam integrados ao novo site da Região (www.regiaosantana.org.br), que está na web desde dezembro de 2013. Em 2014, a Pascom realizou diversas oficinas de formação no Laboratório de Informática do Colégio Consolata, visando fornecer a todas as paróquias condições para operar seus próprios sites, disponibilizados pela Região. Em mensagem aos participantes dessas oficinas, Dom Sergio resumiu toda a proposta: “Estamos continuando com um bonito trabalho da Pasto-

ral da Comunicação de nossa região, conhecida como Pascom. Um trabalho bonito de evangelização. Através das mídias digitais, nós queremos levar o Nosso Senhor Jesus Cristo, Jesus que amamos, Jesus que é luz de nossa vida e que quer ser luz da vida de todos os homens e mulheres que o acolherem. Para realizar esse projeto de evangelização, é necessário se preparar, conhecer a Palavra e as mídias digitais, e assim fazer essa bela união, para que a Palavra seja conhecida e animada. Por isso, vocês estão reunidos para conhecer melhor os me-

canismos das mídias digitais e assim realizar um serviço com mais ardor, amor e melhor preparados”. Ainda na mensagem, expressa o Bispo: “Não podemos permitir que as dificuldades de conhecimento em relação às mídias digitais impeçam que a missão avance, mas tomando conhecimento, nos aprofundando, fazendo escola, como hoje vocês estão fazendo, tenho certeza que com vossa colaboração e com nosso trabalho conjunto, todos faremos com que a missão na cidade de São Paulo avance sempre mais. Deus os abençoe!”.


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Fernando Geronazzo

Colaborador de comunicação da Região

Aos 75 anos, Paróquia São Francisco é parte da história de São Paulo Entre as paróquias da Região Episcopal Sé que completam 75 anos em 2015, está uma cuja história se confunde com a da própria cidade de São Paulo. Embora tenha sido instituída como território paroquial apenas em 24 de março de 1940, a Paróquia São Francisco de Assis, localizada no largo que recebe o mesmo nome no centro da capital, tem sua origem no século XVII. Em 1640, chegaram os primeiros franciscanos a São Paulo, menos de um

século depois da fundação da cidade, que no próximo dia 25 completa 461 anos. A caravana de sete religiosos franciscanos instalou-se inicialmente em uma casa em frente à Ermida de Santo Antônio, na atual praça do Patriarca. Dois anos depois, os frades ganharam um terreno, doado pela Câmara, de “oitenta braças de chão”, e deram início à construção do Convento. No dia 17 de setembro de 1647, festa das Chagas de São Francisco, foi inaugurado o Convento de

São Francisco e de São Domingos. Na época que foi inaugurado, era o maior já construído em São Paulo. Ocupava todo o espaço que atualmente é da Faculdade de Direito. O terreno do Convento tinha três fontes de água pura, mas sofria com as enchentes do ribeirão Anhangabaú. Em 1870, um incêndio destruiu a capela-mor, onde só foram salvas as paredes e a imagem de São Francisco, considerada a mais bela das que se encontram nos conventos antigos.

Frei Galvão

Faculdade de Direito

Um dos mais ilustres moradores do Convento de São Francisco foi, sem dúvida, Santo Antonio de Sant’Anna Galvão (1739-1822), canonizado pelo Papa Bento XVI em maio de 2007, em São Paulo. Paulista de Guaratinguetá, Frei Galvão ingressou na Ordem Franciscana no dia 15 de abril de 1760, tomando o hábito no Convento de Santo Antônio de Macacu. Em julho de 1762, dois anos após seu ingresso na Ordem Franciscana, o frei foi enviado para São Paulo para cursar Filosofia, onde também completou o curso de Teologia.

Em 1828, foi aberto, em uma sala do Convento que servia de sacristia, o curso jurídico que deu origem à atual Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Em 1860, foi fundada a Irmandade Acadêmica de São Francisco, composta por professores, doutores e alunos da Faculdade, residentes na capital, para ajudar a manter o patrimônio cultural e religioso do Convento. Foi naquela época que eles doaram o altar-mor da Igreja, adquirido em Munique, na Alemanha.

A estrutura atual do Convento São Francisco foi construída em 1941, um ano após a criação da Paróquia. Em 6 de junho de 1997, o Cardeal Paulo Evaristo Arns, então arcebispo de São Paulo, declarou que o Convento de São Francisco passaria a ser também Santuário São Francisco, já que recebe fiéis de toda a grande São Paulo. Desde fevereiro de 2013, o Frei Luiz Henrique Ferreira é o pároco. “Esta paróquia tem grandes desafios porque está no coração da ci-

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Luciney Martins/O SÃO PAULO

Paróquia na Sé fará 75 anos em março

dade de São Paulo. Aqui acorrem pessoas da cidade toda, sobretudo no atendimento diário de confissões. Eu diria que esta comunidade paroquial tem uma característica diferente das demais paróquias nos bairros”, disse o Pároco, na ocasião de sua posse. A Paróquia também conta com um trabalho social com os pobres, principalmente as pessoas em situação de rua, oferecendo café da manhã todos os dias com pães feitos no próprio convento.


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Lapa

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Benigno Naveira

Colaborador de comunicação da Região

Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado vivenciam o carisma em ações sociais Benigno Naveira

Irmãs Maria de Pompéia e Lázara Ferreira, nas dependências do CEPIC, no Setor Rio Pequeno

A reportagem da Pastoral da Comunicação da Região Lapa visitou na sexta-feira, 9, o Centro Comunitário de Educação Popular Imaculada Conceição (CEPIC), no Setor Rio Pequeno, sendo recebida

pelas Irmãs Maria de Pompéia Gomes e Lázara Ferreira de Mello, que falaram sobre a fundação da Congregação, seus projetos sociais e objetivos. Irmã Pompéia disse que o

CEPIC é mantido pela Congregação Missionárias de Jesus Crucificado, que completou 86 anos e que teve seu início em Campinas (SP), em 3 de maio de 1928, pelo então bispo daquela Diocese, Dom

Francisco de Campos Barreto, e pela Madre Maria Villac. Essa Congregação tem por caraterística a mansidão, bondade, acolhimento e alegria. “Dom Barreto foi, com suas missionárias, impulsionador de um novo modelo de vida religiosa, desencadeando com elas uma mudança no conceito de missão. As mudanças nos métodos missionários conferem a ele e às missionárias o mérito da vanguarda”, opinou Irmã Pompéia. A Congregação faz seu trabalho missionário de evangelização em outros países como Angola, Bolívia, Chile, Equador, Moçambique, Nicarágua, Paraguai e Uruguai. Irmã Lázara disse que o CEPIC tem por finalidade a promoção das pessoas por meio de cursos, palestras e outras ati-

vidades que contribuam para o crescimento cultural, social, educacional, religioso e moral da comunidade. Irmã Pompéia afirmou, ainda, que o carisma da Congregação é “ir em busca dos mais necessitados”, sobretudo nos lugares mais difíceis. O trabalho social é realizado pelas duas irmãs há 33 anos junto à comunidade, com recursos próprios, sem auxílio de órgãos púbicos. São iniciativas nas áreas de moradia, acompanhado o mutirão e orientando as pessoas no encaminhamento de propostas para que consigam financiar as próprias habitações; alfabetização, educação de jovens e adultos, Catequese, atenção a pessoas idosas, trabalhos manuais, encontros de fé e politica e momentos de oração.

Ciclofaixas dificultam acesso a igrejas A cidade de São Paulo conta atualmente com mais de 205 quilômetros de ciclofaixas em diferentes regiões. A maioria dos ciclistas aprova a iniciativa da Prefeitura, mas comerciantes e moradores próximos às ciclofaixas fazem ressalvas, pois é proibido o trânsito e o estacionamento de automóveis nesses espaços. Após a implantação de ciclofaixas na Rua Otacílio Tomanik, onde está instalada a Paróquia São Patrício no número 1.555, e na Avenida

Benigno Naveira

Marechal Fiuza de Castro, onde no número 861 está a Paróquia Santíssima Trindade, comerciantes e paroquianos elaboraram um abaixo-assinado para reivindicar à Prefeitura a retirada das ciclofaixas. Especialmente no que se refere às duas paróquias, a proibição de estacionar em frente dificulta o acesso à igreja de idosos e de pessoas com deficiência, e se veem obrigadas a deixar seus carros longe dos templos.

Ciclofaixa dificulta a chegada de fiéis à Paróquia São Patrício, na zona oeste

Na festa do Batismo do Senhor, sacramento é conferido em paróquia Benigno Naveira

Padre Paulino confere Batismo na Paróquia São Patrício, dia 11

As celebrações do domingo, 11, marcaram o início do Tempo Comum na liturgia, após o período do Natal. Na Paróquia São Patrício, no Setor Rio Pequeno, o sacramento do Batismo foi conferido a quatro pessoas, durante a missa das 10h, presidida pelo Padre Mario Lopes (Paulino). Na homilia, o Padre lembrou que se celebrava naquele domingo o Batismo do Senhor, destacado pelos quatro evangelistas. Por meio do Batismo, Jesus compartilha da condição humana, mas permanece plenamente Filho de Deus,

capaz de realizar um Batismo maior, o Batismo do Espirito Santo. Padre Paulino ressaltou que esse sacramento é um símbolo da identidade de Jesus por meio de sua missão, assim como todo Batismo é símbolo da própria identidade cristã. A festa do Batismo do Senhor é celebrada em um domingo entre 9 e 13 de janeiro. Se não houver domingo nesses dias, celebra-se a festa na segunda-feira depois da Epifania, que significa manifestação. Trata-se da solenidade da “manifestação do Senhor”, o dia em que o Senhor se deu a

reconhecer e foi reconhecido pelos pagãos. A palavra Batismo vem da expressão grega “baptizein”, que significa “mergulhar” ou “imergir”. A imersão na água é um símbolo de morte e renascimento: a pessoa batizada “morre” na água e renasce em Cristo, assim como o próprio Cristo morreu na cruz e ressuscitou. A água do Batismo tem um efeito purificador, uma vez que a alma da pessoa batizada é banhada e renovada pelo Espírito Santo. O Batismo também é associado à iluminação espiritual.


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‘Precisamos evitar tratar a sexualidade como algo descartável, banal, ridicularizado’ Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

‘Juventude e relações afetivas’ foi o tema do 28º Curso de Verão, realizado, de 6 a 14, no Tuca, teatro da PUC-SP Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

Mais de 450 participantes, pessoas de diversas partes do Brasil, de países da América Latina, Europa e até da Ásia, participaram do 28º Curso de Verão, promovido pelo Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (Cessep). Neste ano de 2015, o Curso que teve como tema “Juventude e relações afetivas”, encerrando o ciclo de três anos de debates sobre a juventude: “Redes Digitais, tecendo relações, construindo comunidades exercendo cidadania” (2013); “Juventude em foco: por políticas públicas inclusivas” em trabalho, educação e cultura (2014). Iniciado na segunda-feira, 6, o curso terminou na quarta-feira, 14, e foi dividido entre assessorias, na parte da manhã – realizadas no Tuca, teatro da PUC-SP –, e oficinas temáticas, nas salas da mesma universidade, na parte da tarde. Entre os assessores, nomes como o de Ana Cristina Canosa, psicóloga, terapeuta e educadora sexual; coordenadora e professora do curso de Pós-Graduação em Educação Sexual do UNISAL; Edward Guimarães, teólogo, professor do Departamento de Ciências da Religião da PUC-Minas, coordenador do CESTEP (Centro Superior de Estudos Teológicos e Pastorais); Marcelo Barros, monge beneditino, biblista, teólogo e escritor, membro da Comissão Teológica da Associação Ecumênica de Teólogos do Terceiro Mundo (ASETT) e do Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), e Pedro Ribeiro de Oliveira, sociólogo, professor do mestrado em Ciências da Religião da PUCMinas, membro de Assessoria e da coordenação do Movimento Nacional Fé e Política (ISER).

As tendas (oficinas) Na tenda “Zumbi dos Palmares” (Retalhos da História do Povo Negro), os cursistas experimentaram e refletiram sobre

Encontro no Tuca reúne cerca de 450 participantes de diversas cidades do Brasil, América Latina, Ásia e Europa; teólogo Marcelo Barros cumprimenta Padre José Oscar Beozzo, cordenador do Curso de Verão

as culturas do povo afro, além de contar com a participação de um pai de santo, que falou sobre as religiões de matriz africana, apontando para os preconceitos que sofrem na sociedade brasileira. Para a cursista Cris Oliveira, 38, da cidade de Curitiba (PR), todas as dinâmicas na tenda “Zumbi dos Palmares” são importantes. Ela destaca a dinâmica sobre o cuidado com o outro e a recordação dos antepassados nas rodas de conversas, “sem contar com as amizades”, afirmou a cursista. Outra tenda de destaque foi a “Martinho Angelo Miguel” (Poesia: Texto Criativo e Educação Popular), onde “as pessoas são sensacionais, as discussões são boas e o tempo fica pouco para o debate quando as coisas estão esquentando”, relata Luan Viena, 18, cursista vindo da cidade de Teresópolis (RJ). O uso de uma técnica faz conhecer métodos para o desenvolvimento das reflexões trazidas pelos assessores durante o Curso de Verão. Por isso, Mauro

Xavier, 38, da cidade de São José dos Campos (SP), participa da tenda “Dom Luciano Mendes de Almeida” (Contando Histórias em Rodas Brincantes). “Essa é a mística do curso, faz elementos distantes tornarem próximos”, destaca Mauro.

Juventude no Curso de Verão O jovem Daniel Henrique, 21, de Minas Gerais, participa pela primeira vez do Curso. Para ele, o Curso proporciona “uma vivência ampliada da juventude, porque pude conhecer e partilhar experiências pessoais com jovens do Brasil e também do exterior. Acredito que depois desta convivência que eu estou tendo neste curso, eu vou levar uma bagagem de informação e melhorar muito como pessoa”. Maria Ayume, 17, Teresópolis (RJ), participou pela segunda vez do Curso de Verão e acredita que a sociedade tem “preconceito com os jovens”, pois só olham o lado negativo dos jovens. Ela afirma que o curso “ajuda a partilhar

juntamente com o grupo ideias e entender melhor o mundo do jovem através de reflexão ecumênica e histórias de vida”. Valman Fernandes, 20, de Largo da Pedra (MA), participou pela primeira vez do Curso de Verão. O jovem afirma que o curso é “uma ferramenta muito positiva, eu tenho percebido o quanto os jovens têm estado abertos para buscar novas ferramentas para se relacionar. Para que a afetividade venha a ser mais madura, mais sábia mais concreta e verdadeira”. “Este curso ajuda a buscar e encontrar mais sentido para a nossa vida, a perceber o quanto é valioso quando nós conseguimos nos relacionar afetivamente com as pessoas, o mundo e a sociedade”, afirmou Valman.

O olhar bíblico Responsável por apresentar o olhar bíblico/teológico sobre as relações afetivas, o teólogo Marcelo Barros, relatou que a sexualidade não é tratada de forma direta no Novo Testamento, mas revela as questões da sexualidade

a partir dos costumes das pessoas e das práticas nas comunidades com forte influência da cultura judaica e da cultura greco-romana. Por isso, o conflito entre as culturas atinge as práticas sociais e religiosas em certos aspectos. Para se converter ao Cristianismo, o corpo fica comprometido com o sagrado, ampliando o compromisso com Deus para além da organicidade. A própria prática cristã contida no Evangelho aponta para o dever de “amar uns aos outros”, pois “o amor não tem divisão, ele é único, sem separação. Não existe amor de mãe, amor de marido, entre outros. O amor é o mesmo, vindo de uma fonte só, que é Deus”, comenta. Segundo ele, as expressões do amor se diversificam cultural e biologicamente, mas mantêm a dimensão material e sagrada. “Precisamos evitar tratar a sexualidade como algo descartável, banal, ridicularizado. A sexualidade é muito séria, ela é sagrada”, comenta o teólogo. De acordo com ele, falar de sexualidade não é um assunto tranquilo para muitas pessoas. “Alguns a veem como fonte de alegria, paz e realização humana. Mas para outras pessoas, a sexualidade está ligada a sentimentos de insatisfação e preocupação. Daí a necessidade de se integrar a sexualidade ao projeto de vida pensando na plenitude do ser humano”, afirmou. Para o próximo triênio, a equipe do Ceseep desenvolverá a temática da justiça social, tendo como tema principal, em 2016, a “Economia promotora de direitos humanos e ambientais”. O Curso de Verão é um programa de formação popular no campo sócio-político-cultural, a partir da realidade e seus desafios, à luz da Bíblia, Teologia e Pastoral e do empenho na transformação da sociedade. É um espaço ecumênico e inter-religioso de convivência, partilha de vida, intercâmbio de experiências, celebração e compromisso. Com especial atenção aos jovens, acolhe participantes de todas as idades e proveniências, empenhados na busca da compreensão e respeito entre mulheres e homens, no esforço para transformar as pessoas e a sociedade, na linha da justiça, solidariedade e do cuidado com o meio ambiente. Colaborou equipe de comunicação do Curso de Verão


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14 a 20 de janeiro de 2015 | www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

Reprodução

‘As reuniões espontâneas destes últimos dias se distinguem por um grande recolhimento, sem manifestação de ódio nem de violência’, afirma, em nota, arcebispo de Paris, Cardeal André Vingt-Trois

Filipe Domingues

Especial para O SÃO PAULO, em Roma

Quase 4 milhões de manifestantes saíram às ruas no domingo, 11, em diversas cidades da França para protestar contra os ataques terroristas que mataram 17 pessoas em três dias e chocaram o mundo. A sequência de fatos surpreendentes começou em 7 de janeiro, quando atiradores invadiram a sede da publicação satírica Charlie Hebdo, em Paris, e mataram 12 pessoas, entre jornalistas, policiais e funcionários. O jornal é conhecido por fazer fortes provocações a políticos e às religiões, especialmente ao Islamismo, Cristianismo e Judaísmo. Nos dias seguintes, uma policial e outros quatro homens foram assassinados, dessa vez em um supermercado kosher (isto é, alimentos da tradição judaica). A organização terrorista Al Qaeda, formada por extremistas islâmicos, assumiu a responsabilidade pelos crimes. Líderes católicos de todo o mundo manifestaram profundo pesar pelos acontecimentos e criticaram qualquer forma de violência em nome da religião. No mesmo dia 7, o Papa Francisco condenou duramente o “horrível atentado” em Paris, que “semeou a morte e espalhou consternação em toda a sociedade francesa, abalando profundamente todas as pessoas que amam a paz, muito além dos confins da França”. Ele também lançou, em sua conta na rede social Twitter - seguida por 18 milhões

Igreja se une aos 4 milhões que protestam contra o terrorismo na França

de pessoas-, a hashtag #PrayersForParis (orações por Paris, em inglês) e rezou pelas vítimas em missa celebrada na Casa Santa Marta, onde vive. “O atentado em Paris nos faz pensar em tanta crueldade, crueldade humana; seja o terrorismo isolado, seja terrorismo de Estado. Mas a crueldade da qual o homem é capaz!”, disse. “Rezemos pelas vítimas dessa crueldade. Tantas! E peçamos também pelos cruéis, para que o Senhor mude os seus corações.”

Todos em choque O arcebispo de Paris, Cardeal André Vingt-Trois, divulgou nota na qual manifestou enorme tristeza e luto pelas mortes em sua cidade. “Uma caricatura, ainda que de mau gosto, uma crítica, ainda que se gravemente injusta, não podem ser colocadas no mesmo plano de um homicídio. A liberdade de imprensa é, a qualquer custo, o sinal de uma sociedade madura”, comentou. “Na França, estamos todos em choque. A maioria dos nossos cidadãos viveu essa situação como um apelo a redescobrir uma série de valores fundamentais de nossa república, como a liberdade de

religião ou a liberdade de opinião”, acrescentou. “As reuniões espontâneas destes últimos dias se distinguem por um grande recolhimento, sem manifestação de ódio nem de violência.” Dom Vingt-Trois ponderou que é importante não associar o fanatismo religioso a nenhuma religião. “Que ninguém se deixe levar pelo pânico ou pelo ódio; que ninguém se deixe levar pela simplificação de identificar qualquer fanático com a religião inteira. E rezemos também pelos terroristas, para que descubram a verdade do juízo de Deus.”

to ressoa que é “imperativo oporse com qualquer meio à difusão do ódio e qualquer forma de violência, física e moral, que destrói a vida humana”. Além disso, o documento afirma que os líderes religiosos são chamados a promover cada vez mais “uma cultura de paz e de esperança”. Além do Cardeal Tauran, assinam o texto o bispo de Evry, Dom Michel Dubost, e o Padre Christophe Roucou, que trabalham nas relações com o Islã; e os imãs franceses Azzedine Gaci, Tareq Oubrou, Mohammed Moussaoui e Djelloul Seddiki.

‘Sem liberdade de expressão, o mundo está em perigo’ No Vaticano, uma declaração conjunta foi assinada pelo presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, Cardeal Jean-Louis Tauran, e quatro líderes muçulmanos franceses. A reunião entre eles já estava prevista antes mesmo dos ataques terroristas e ocorreu um dia após o primeiro atentado. “Nestas circunstâncias, é bom recordar que sem liberdade de expressão, o mundo está em perigo”, diz a declaração. Repetindo palavras do Papa Francisco, o tex-

O terrorismo não está só na Europa A Nigéria precisa do mesmo apoio que a França recebeu neste momento de dor. A declaração foi do arcebispo de Jos, Dom Ignatius Ayau Kaigama, em entrevista à rádio britânica BBC, após o ataque terrorista organizado pelo grupo extremista Boko Haram, que matou 2 mil pessoas em apenas um fim de semana, na cidade de Baga, localizada na fronteira com o Chade. Alguns dos ataques utilizaram inclusive mulheres suicidas e “crianças-bomba”.

De acordo com a Anistia Internacional, esse foi o massacre mais mortal do Boko Haram até o momento. O exército da Nigéria continua contra-atacando os terroristas para retomar o controle de Baga. “Vejo uma reposta muito positiva do governo francês combatendo este problema da violência religiosa depois da morte de seus cidadãos. Nós precisamos que esse espírito se espalhe, não só quando isso acontece na Europa”, criticou. “Mas também quando acontece na Nigéria, no Níger, em Camarões e muitos países pobres. Que mobilizemos nossos recursos internacionais para confrontar as pessoas que trazem tamanha tristeza para tantas famílias.” À agência Fides, Dom Kaigama contou que a nova estratégia do Boko Haram é usar crianças inocentes nos ataques, que se explodem em meio a multidões, em mercados e outros ambientes públicos. “É uma aberração inimaginável”, lamentou. “Além disso, conhecemos bem o triste fenômeno dos meninos-soldados em diversas zonas da África.” Para o Arcebispo, é preciso fazer mais para combater o terrorismo. “Espero também aqui uma grande manifestação de unidade nacional que supere as divisões políticas, étnicas e religiosas, para dizer ‘não’ à violência e encontrar uma solução para nossos problemas.” Segundo ele, tanto cristãos quanto muçulmanos são vítimas da violência do Boko Haram. Muitas vezes, as pessoas fogem de suas cidades e, juntas, buscam abrigo em outro lugar. (Colaborou Filipe David)

O SÃO PAULO - edição 3034  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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