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Dom Odilo esclarece transferências de padres

Penas alternativas são cumpridas no Arsenal

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Encontro articula intercontinental das CEBs

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Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Na Brasilândia, dom Angélico celebra 81 anos

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ano 58 | Edição 2986| 21 a 27 de janeiro de 2014

R$ 1,50

www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

Especial

São Paulo, 460 anos de fé No sábado, 25, a capital paulista completará 460 anos e o jornal O SÃO PAULO preparou um especial sobre a história da Igreja na cidade e do Apóstolo Paulo, testemunha de Cristo e inspirador dos discípulos missionários de Jesus para o anúncio da Palavra. Importante lembrar como os arcebispos metropolitanos e toda a comunidade de fiéis colaboraram com o

Iniciação Cristã é foco do 11º Plano de Pastoral em 2014 O 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo completa um ano de vigência no sábado, dia 25. Para 2014, a urgência “Igreja – Casa da Iniciação Cristã” estará em destaque. Para dom Milton

Kenan Júnior e padre Tarcísio Marques Mesquita, do Secretariado Arquidiocesano de Pastoral, o Plano já deixa marcas na ação pastoral da Arquidiocese. Página 11 Luciney Martins/O SÃO PAULO

crescimento da metrópole e a capilaridade da presença eclesial. Os desafios para a evangelização no atual contexto e os trabalhos das pastorais, movimentos e novas comunidades são destaques desta edição, que conta, ainda, a trajetória do semanário arquidiocesano, que em 2014 completa 59 anos. Luciney Martins/O SÃO PAULO

O diálogo inter-religioso 50 anos após o Concílio Para relembrar a promulgação dos documentos do Concílio Vaticano 2º sobre o diálogo ecumênico e inter-religioso, a Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo

Inter-Religioso da CNBB promoveu, entre os dias 17 e 19, um simpósio que teve como assessores os padres Marcial Maçaneiro e Gabriele Cipriani. Página 20

Prefeitura realiza ação para o fim da Cracolândia Começou na terça-feira, 14, a operação “De Braços Abertos”, promovida pela Prefeitura de São Paulo, com a meta de revitalizar a região da Cracolândia e proporcio-

nar nova perspectiva àqueles que viviam no local. Padre Julio Lancellotti, vigário episcopal para a Pastoral do Povo da Rua, faz ressalvas à iniciativa. Página 12 Luciney Martins/O SÃO PAULO


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Fé e Vida

www.arquidiocesedesaopaulo.org.br 21 a 27 de janeiro de 2014 Gabirante

frases da semana

“O objetivo é fazer uma leitura da realidade social e eclesial para vislumbrar as temáticas, problemáticas e estratégias na caminhada das CEBs. Queremos ainda aprofundar a eclesiologia, neste momento, para caminhar com maior segurança.”

Socorro Martinez, na reunião ampliada da CEBs

“A operação trouxe os efeitos imediatos e de mudança de panorama. Mas ficam as perguntas: até quando essas pessoas vão ficar no hotel? Serão encaminhadas para moradias definitivas? Isso não respondeu ao direito à moradia.”

Padre Julio Lancellotti, sobre o programa “De Braços Abertos”, da Prefeitura

“Nós, como igrejas, somos peregrinos da verdade. Então o mistério sobre Deus e o sagrado não se esgota em nenhuma Igreja. Isso mostra que o Evangelho não está trancafiado dentro de doutrinas ou estruturas de Igrejas e religiões.”

Padre Elias Wolff, no 5º Simpósio de Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso da CNBB

você pergunta

Espiritualidade

Como é sentir a presença de Deus?

Assinei um cheque em branco e me dei bem

Diretor do O SÃO PAULO, semanário da Arquidiocese de São Paulo

Padre Cido Pereira

A Meire Cristina Cruz, de Santo Amaro, quer saber como sentir a presença de Deus. Meire, certamente o sentir a presença de Deus é uma experiência de quem tem fé. Quem não vive numa dimensão de fé não vai sentir jamais essa presença. E há muitos que não vivem nessa dimensão. Seja porque não aprenderam no seio da família, no colo dos pais, seja porque foram batizados ou tiveram uma pequena iniciação cristã, mas, como na parábola da semente, deixaram que os espinhos sufocassem a plantinha que mal acabara de nascer da semente semeada no coração. Mas eu penso que quem busca estar em plena comunhão com Deus, quem faz da oração uma regra de vida, quem nas alegrias e dores se entrega confiante nas mãos de Deus, certamente terá momentos em que Deus se fará sentir quase que concretamente em sua vida. Sinais dessa presença é a paz interior, a alegria, que pode coincidir até mesmo com a tribulação, é a esperança que não morre quando parece tudo perdido, é a vontade de estar junto aos que sofrem. O papa Bento 16 disse certa vez a uma criança que não ver certas coisas não significa que essas coisas inexistem, como é o caso da eletricidade, que não vemos numa sala iluminada, o sol que nos faz ver as coisas, embora oculto nas nuvens. Deus está presente em suas ações, a vida que transcorre. Quantas vezes nos perguntamos como escapamos de determinadas situações? E a resposta nós mesmos a damos quando dizemos: “Graças a Deus, nada me aconteceu”. Sente a presença de Deus, Meire, quem se esforça para estar na presença de Deus! Que esse Deus de amor abençoe você e a faça experimentar sua presença amorosa.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Frei Patrício Sciadini

Sempre me disseram que não assinasse cheques em branco nem cruzá-los, para que outros não aumentassem as cifras nem pudessem descontá-los. Acreditei. Faz tempo que, em todo início de ano, assino um cheque em branco e nem cruzo, e sempre me dei bem. Quem o recebeu foi honesto, atento e o preencheu abundante e exageradamente bem. Entreguei esse cheque em branco a Deus, meu Senhor, e ele, o Senhor de tudo, pode preenchê-lo como quiser, quando quiser e segundo a sua vontade. Devo confessar que sempre me dei bem, nunca me senti defraudado, mas recompensado com abundância.

Às vezes, nós desconfiamos de Deus e pedimos o que pensamos ser melhor para nós, mas na verdade pedimos de olhos fechados, sem saber, com cabeça dura, e insistimos achando que o que pedimos nos deve ser dado, custe o que custar. Na verdade, essa maneira de agir é boa somente 40%, mas os outros 60% são coerção que não serve. Devemos aprender a pedir tudo o que achamos que necessitamos, mas ao final saber dizer como Jesus, nosso mestre: “Pai, se for possível, afaste este cálice, mas não seja feita a minha vontade, mas a tua vontade!”. A vontade do Pai é e será sempre o melhor para nós. É belo poder começar este ano de 2014 com plena confiança em Deus e saber que ele, Pai bondoso e cheio de ternura e misericórdia, nos dará com abundância o que nós necessitamos. E se um dia necessitarmos de um cascudo bem dado, para que possamos nos converter e sermos me-

lhores na vida, Deus saberá dá-lo e depois nos fará uma carícia para que a dor passe rápido. Assinar um cheque em branco pode, num primeiro momento, provocar medo, incerteza, insegurança, mas depois se sente uma grande paz interior, porque se descobre que Deus, sendo Pai, não pode exigir nada do que nós não sejamos capazes de dizer sim. É ele que nos dá força, ele que conduz, ele que nos restaura à sombra tranquila e à água refrescante e nos leva às pastagens verdes. O que será de 2014, que trará de novo, de bom? Tudo é bom quando se ama a Deus e tudo é luz mesmo quando ao nosso redor as trevas podem ser espessas. E tudo é doce, mesmo quando o rio amargo da vida pode tentar submergir a nossa existência. Um cheque sem fundo é escutar o Senhor que nos diz: todos vocês que sofrem, venham a mim e eu os aliviarei…

palavras que não passam

‘Os 16 chips’ do Concílio PADRE AUGUSTO CÉSAR PEREIRA

Chamo de “os 16 chips do Concílio” os documentos que emanaram do Vaticano 2º. Eles serão o instrumento de como a Igreja vai tentar resolver seu problema de comunicação com o mundo. Também indicarão por onde ela deverá caminhar em sua própria renovação, e, ainda, qual é a melhor maneira de desempenhar a missão de serviço ao mundo moderno, no espírito de serviço do Lava-pés. Os documentos do Concílio são como “chips”, detectores de regiões e áreas carentes do serviço da Igreja. Cada um dos documentos mostra em que a Igreja precisa adaptar sua linguagem para conseguir dialogar com as realidades do mundo moderno. Paulo 6º usou a expressão “pontes” que levam a Igreja ao mundo e

trazem o mundo para a Igreja; João 23, de “janelas” que trazem novo ar e por onde se descortina o vasto mundo, palco da missão. Na mensagem ao 13º Intereclesial de CEBs, o papa Francisco afirma que elas “trazem um novo ardor evangelizador e uma capacidade de diálogo com o mundo que renovam a Igreja”. A Lumen Gentium (LG), ou “Cristo, a luz dos povos”, concentra a primeira preocupação da Igreja, de revelar o que ela pensa de si mesma e de sua missão no mundo e para o mundo. Gaudium et Spes (GS), ou “Alegria e Esperança”, mostra o que a Igreja serviçal deverá fazer na sua missão no ambiente do mundo moderno. A Igreja não se atreveu a por si escolher e decidir o que e como ela deveria ser. Ela quer se convencer a si e ao mundo do que ela é, ou seja, a sua natureza como Deus a arquitetou; é fiel à missão na finalidade para que foi fundada. Não há escolha para a atuação da Igreja a não ser no mundo moderno.

A Igreja não saiu do coração de Jesus como rainha do mundo, mas como serva. Recebeu de Jesus Cristo o que ele conquistou na trajetória do Mistério Pascal, para a tarefa de tomar conta desse tesouro e distribuí-lo ao homem moderno. Outro problema de relacionamento é trazer Deus ao alcance das inquietações do homem moderno e seus questionamentos. A saída é converter-se e restaurar a sua face, demonstrando felicidade, alegria, compreensão em atitude materna ao alcance do entendimento dos simples e dos letrados (cf. Discurso de Paulo 6º, na retomada do Concílio em 29/9/1965, 5). Os documentos do Concílio, mais os discursos decisivos de João 23 (11/10/1962) e o de Paulo 6º (29/09/1963) são setas que orientam o conteúdo e a prática das novas relações da Igreja com o mundo. Elaborados com seriedade, submetidos a várias redações e votações, receberam aprovação e publicação sob a autoridade do papa Paulo 6º.

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Antônio Aparecido Pereira • Reportagem: Daniel Gomes, Edcarlos Bispo de Santana e Nayá Fernandes • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Assinaturas: Djeny Amanda • Projeto Gráfico e Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Impressão: Atlântica Gráfica e Editora Ltda. • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 36669660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinatura) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail• A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


Fé e Vida encontro com o pastor

Paulo, pedagogo dos cristãos

Arcebispo metropolitano de São Paulo

cardeal dom odilo pedro scherer

A “Conversão de São Paulo”, comemorada como festa patronal na Arquidiocese de São Paulo, nos convida a descobrir no Apóstolo um exímio educador dos cristãos na fé em Cristo. O Apóstolo não apenas se interessou em anunciar o Evangelho e dar início a comunidades cristãs, mas também as acompanhava, dando-lhes respaldo e formação cristã. Nas suas Cartas, encontramos passagens com a exposição, aprofundamento e defesa da fé; em outras, ele vai às consequências do Evangelho para a vida pessoal, familiar e comunitária. Em outras, ainda, aparecem correções de erros e desvios no caminho do cristão, bem como exortações vigorosas para progredir e amadurecer no caminho da fé. Ninguém nasce cristão completo, mas aprende-se a sê-lo; não basta ter, um dia, recebido a fé cristã: é preciso dar passos, aprofundar e ampliar a experiência da fé, aprender mais sobre o “mistério da fé” abraçado, perseverar e produzir os frutos da fé. São Paulo nos dá o exemplo de verdadeiro pai e educador na fé para suas comunidades. Ele não apresenta um código de regras para a vivência cristã, mas coloca diante dos fiéis as referências fundamentais, a partir das quais eles devem modelar a cada passo a sua vivência na fé: precisam deixar a maneira antiga de viver e conformar a vida ao Evangelho (cf. Ef 4,22); abandonar o homem velho e revestirse do homem novo (23s). A vida cristã é feita de escolhas: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa

maneira de pensar (...), segundo a vontade de Deus” (cf. Rm 12). Uma referência constante nessa formação do cristão é seu relacionamento novo com Deus. Uma mudança substancial realizou-se na vida de quem foi batizado, e o fiel deve tratar com Deus como “filho querido”, e não mais como alguém distante e estranho a Deus; não deve mais comportar-se como se nunca tivesse conhecido a Deus (cf. Ef 4,17s). Os cristãos são chamados mesmo a serem “imitadores de Deus, como filhos queridos” (cf. Ef 5,1s). Daí decorre que a dignidade e a santidade são a única forma de vida que lhes convém: “Procedei como filhos da luz (...), discerni o que agrada ao Senhor” (5, 9-10). Outra referência fundamental para a educação na fé é a vida nova em Cristo. Quem foi batizado, se tornou filho de Deus pela fé em Cristo, se revestiu de Cristo, se tornou um só em Cristo, com os outros batizados, e tem a mesma esperança por causa da promessa de Deus realizada por meio de Cristo (cf. Gl 3, 26-29). A vida cristã é um constante “estar em Cristo” e perseverar nele. Por isso, Paulo convida a levar a vida digna da vocação cristã, de

acordo com esta nova condição recebida por graça de Deus (cf. Ef 4,1), a “buscar as coisas do alto” e a não mais viver apenas para as coisas terrenas (cf. Cl 3,1). Ele próprio diz que o sentido de sua vida mudou totalmente depois de encontrar Cristo: “Para mim, agora, o viver é Cristo” (cf. Fl, 1,21). “Quem está em Cristo é uma nova criatura” (cf. 2Cor 5,17). A terceira referência para a educação do cristão é a relação com a comunidade de fé. O cristão não vive isolado, nem crê sozinho, de maneira individualista: ele precisa crescer como membro do corpo de Cristo, cada um dando a sua contribuição para o crescimento da Igreja (cf. Ef 4,1ss). Os dons que cada um recebeu do Espírito Santo devem ser colocados a serviço do “corpo de Cristo, do qual todos somos membros (cf. 1Cor 12). Cada um deve ajudar a edificar o templo de Deus, mas ver bem com que material está construindo (cf. 1Cor 3,10). A boa qualidade da vida cristã é pedida a todos. Enfim, Paulo exorta ao esforço cotidiano, a não desanimar, mas a perseverar na fé: “Aquele que começou em vós a boa obra há de levá-la a bom termo” (cf Fl 1,6). Luciney Martins/O SÃO PAULO

@DomOdiloScherer nha resposta aos que me insultam: eu conto com a palavra do Senhor!” 20 – Eclesiástico 24,30: Diz a Sabedoria: “Quem me obedece não terá de que se envergonhar... aqueles que me tornam conheci-

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editorial

Uma edição muito especial é esta! Uma edição muito especial é esta que chega às mãos de nossos leitores. E ela é especial porque há muito a comemorar. No dia 25 de janeiro, a cidade de São Paulo comemora 460 anos de fundação. Aquela pequena aldeia nascida na colina onde tinha sido plantado o colégio dos Jesuítas, praticamente na confluência do rio Tietê com o rio Tamanduateí, se tornou a grande metrópole de hoje. Imensa no tamanho, no número de habitantes, nos desafios. É preciso comemorar estes 460 anos. Nasceu lá também, no mesmo dia e hora, a Igreja. Os padres jesuítas plantaram as sementes daquela que seria diocese até os inícios do século 20 e arquidiocese a partir daqueles inícios. Igreja particular atuante esta que aniversaria com a cidade. Dela e nela atuaram homens e mulheres, cujo compromisso cristão foi tanto a ponto de ser reconhecida a santidade de vida deles. O 25 de janeiro chama atenção para esta Igreja que aponta para o céu, as torres de sua Igreja maior, a Catedral da Sé, e de outras centenas de muitas Igrejas, a lembrar que a cidade tem que ser dos homens e também de Deus. É preciso comemorar estes 460 anos. Mas faz aniversário também este semanário O SÃO PAULO. A Arquidiocese sempre entendeu a importância da comunicação para o anúncio do Evangelho. Até 1956, contava sua história o jornal O LEGIONÁRIO. A partir de 1956, O LEGIONÁRIO deu lugar a O SÃO PAULO. E este chegou para ser boa imprensa, capaz de informar e de formar mentes e corações à luz do Evangelho de Jesus Cristo. E cá está o jornal da Arquidiocese, com tamanho e roupagem novos para continuar registrando a história da Igreja na cidade e querendo ser comunhão ao interno desta Igreja. Esta edição especial é um presente aos leitores fiéis do O SÃO PAULO. Nosso semanário mudou o seu formato gráfico, mudou a sua linguagem, muda até de direção a partir de fevereiro. Só não mudará, e nem pode, no que se refere à sua missão de ser instrumento de comunicação a serviço da missão que a Igreja na cidade tem de anunciar Jesus Cristo numa Nova Evangelização, em que a transmissão da Palavra chegue aos que já foram evangelizados e aos que ainda não ouviram falar de Jesus Cristo e de seu Evangelho.

A Arquidiocese sempre entendeu a importância da comunicação para o anúncio do Evangelho. Até 1956, contava sua história o jornal O LEGIONÁRIO. A partir de 1956, O LEGIONÁRIO deu lugar a O SÃO PAULO. E este chegou para ser boa imprensa, capaz de informar e de formar mentes e corações à luz do Evangelho de Jesus Cristo

Tweets do Cardeal

20 – Sl 118,42: “Esta será a mi-

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da, terão a vida eterna”. 20 – Eclesiástico 24,25: Diz a Sabedoria: “Em mim se encontra toda a graça do caminho e da verdade, em mim toda a esperança da vida e da virtude”. 14 – Eclesiástico (11,30): “Antes da morte não louves homem algum,

pois no seu fim é que se conhece o homem”. Bom dia para todos! Deus abençoe! 14 – O que haverá de mais admirável que a beleza divina, que a grandeza de Deus? É totalmente indescritível o fulgor da beleza de Deus – São Basílio.

agenda do Cardeal

Sábado (25)

9h – Missa na Catedral da Sé pelo aniversário da cidade e a Conversão de São Paulo Apóstolo.

Domingo (26)

11h – Missa na Catedral da Sé, com envio missionário.


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Fé e Vida

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liturgia e vida

palavra do papa

3º DOMINGO DO TEMPO COMUM 26 DE JANEIRO DE 2014

O Batismo nos faz discípulos missionários

Ana Flora Anderson

Surgiu uma grande luz Neste domingo, os textos litúrgicos continuam a refletir sobre a fé que faz nascer a alegria. Na primeira leitura (Isaías 8,23 - 9,3), o profeta anuncia que o povo está saindo da escuridão e entrando num tempo de grande luz. Na medida em que o povo cresce na fé, aumenta a sua alegria. Ao ser libertado dos pesos políticos e econômicos, começa a conhecer a felicidade de viver na luz de Deus. Na segunda leitura (1 Coríntios 1, 10-13), São Paulo mostra aos cristãos de Corinto que não basta o dom de pregar bem sobre Deus. O essencial da vida cristã é o amor mútuo. Nesta vivência da unidade entre os diversos irmãos, Jesus é verdadeiramente revelado no mundo. Foi o orgulho dos coríntios que levou o povo cristão a se dividir em quatro grupos dentro da Igreja, o que levou Paulo a fazer um grande apelo à unidade. O Evangelho de São Mateus (4, 12-23) narra o começo do ministério de Jesus. Depois de seu batismo na Judeia, Ele volta à Galileia para morar na cidade de Cafarnaum, perto do mar. É aí que Jesus começa a chamar seus primeiros discípulos e realizar a profecia de Isaías. Ao ouvir o anúncio do Reino dos Céus, o povo viu uma grande luz. Junto com seus discípulos, Jesus continua a pregar o Evangelho e curar as doenças dos povos. leituras da semana

SEGUNDA (27): 2Sm 5, 1-7.10; Mc 3, 22-30 TERÇA (28): 2Sm 6,12b-15.17-19; Mc 3, 31-35 QUARTA (29): 2Sm 7, 4-17; Mc 4, 1-20 QUINTA (30): 2Sm 7, 18-19.24-29; Mc 4, 21-25 SEXTA (31): 2Sm 11, 1-4a.5-10a.13-17; Mc 4, 26-34 SÁBADO (1º): 1Sm 12, 1-7a.10-17; Mc 4, 35-41

Santos e heróis do povo – 24 de janeiro

“Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16) A festa de hoje é muito importante. Trata-se da memória de São Francisco de Sales. Esse santo oferece a mais perfeita lição do quanto se pode conseguir pela bondade e pela doçura. Foi bispo de Genebra, na Suíça, tendo vivido entre 1567 e 1622. Viu-se logo cercado pelos calvinistas, que naquele tempo eram tomados por uma grande aversão contra tudo o que fosse católico. Ao invés de comprar briga, de entregar-se à oposição, São Francisco de Sales preferiu seguir o caminho de um humanismo suave. Fez valer esta máxima: “Mais moscas se caçam com um pingo de mel do que com um barril de vinagre”. Mas não é só isso que ensina o Santo de hoje. Ele passou a vida escrevendo. E, hoje, é patrono dos jornalistas. Seus dois livros: “Tratado do Amor de Deus” e “Introdução à vida devota”, se leem, atualmente, com a mesma facilidade e atração como no tempo em que foram escritos. Fundou a ordem da Visitação e foi capaz de interpretar o que Deus deseja e o que está no fundo de cada coração humano. Fonte: “Santos e heróis do povo”, livro do cardeal Arns

Papa francisco Em virtude do Batismo nós nos tornamos discípulos missionários, chamados a levar o Evangelho ao mundo (cf. Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, 120). “Cada um dos batizados, independentemente da própria função na Igreja e do grau de instrução da sua fé, é um sujeito ativo de evangelização... A Nova Evangelização deve implicar um novo protagonismo” (ibid.) da parte de todos, de todo o Povo de Deus, um novo protagonismo de cada batizado. O Povo de Deus é um povo discípulo – porque recebe a fé – e missionário – porque transmite a fé. É isto que o Batismo faz entre nós: confere-nos a graça, transmite-nos a fé. Todos na Igreja somos discípulos, e somos sempre, a vida inteira; e todos nós somos missionários, cada qual no lugar que o Senhor lhe confiou. Todos, até o mais pequenino é missionário; e aquele que parece maior é discípulo. Mas algum de vós dirá: “Os bispos não são discípulos, eles sabem tudo; o Papa sabe tudo, não é discípulo”. Não, até os bispos e o Papa devem ser discípulos, pois se não forem discípulos não farão o bem, não poderão ser missionários nem transmitir a fé. Todos nós somos discípulos missionários. Existe um vínculo indissolúvel entre as dimensões mística e missionária da vocação cristã, ambas arraigadas no Batismo. “Ao receberem a fé e o Batismo, os cristãos acolhem a ação do Espírito Santo, que leva a confessar a Jesus como Filho de Deus

e a chamar Deus ‘Abba’, Pai. Todos os batizados e batizadas... são chamados a viver e a transmitir a comunhão com a Trindade, pois “a evangelização é um chamado à participação da comunhão trinitária” (Documento final de Aparecida, n. 157). Ninguém se salva sozinho. Somos uma comunidade de fiéis, somos Povo de Deus e, nesta comunidade, experimentamos a beleza de compartilhar a experiência de um amor que nos precede a todos, mas que ao mesmo tempo nos pede para ser “canais” da graça uns para os outros, apesar dos nossos limites e pecados. A dimensão comunitária não é apenas uma “moldura”, um “contorno”, mas constitui uma parte integrante da vida cristã, do testemunho e da evangelização. A fé cristã nasce e vive na Igreja, e no Batismo as famílias e as paróquias celebram a incorporação de um novo membro a Cristo e ao seu corpo, que é a Igreja (cf. ibid., n. 175b). A propósito da importância do Batismo para o Povo de Deus, é exemplar a história da comunidade cristã no Japão. Ela padeceu uma

perseguição árdua no início do século 17. Houve numerosos mártires, os membros do clero foram expulsos e milhares de fiéis foram assassinados. No Japão, não permaneceu nem sequer um sacerdote, todos foram expulsos. Então, a comunidade retirou-se na clandestinidade, conservando a fé e a oração no escondimento. E, quando nascia um filho, o pai ou a mãe batizavamno, pois todos os fiéis podem batizar em circunstâncias particulares. Quando, depois de cerca de dois séculos e meio, 250 anos mais tarde, os missionários voltaram para o Japão, milhares de cristãos saíram do escondimento e a Igreja conseguiu reflorescer. Sobreviveram com a graça do seu Batismo! Isto é grande: o Povo de Deus transmite a fé, batiza os seus filhos e vai em frente. E, apesar do segredo, mantiveram um vigoroso espírito comunitário, porque o Batismo os tinha levado a constituir um único corpo em Cristo: viviam isolados e escondidos, mas eram sempre membros do Povo de Deus, membros da Igreja. Podemos aprender muito desta história! Luciney Martins/O SÃO PAULO

OpapaFranciscoassinalounoVaticano,nodomingo,19,acelebraçãodoDiaMundialdoMigrante e dos Refugiados. “Gostaria de agradecer aos que trabalham com imigrantes, para os acolher e acompanhar nos seus momentos difíceis, para os defender daqueles que o beato Scalabrini definia como ‘mercadores de carne humana’ que querem escravizar os migrantes.” Fonte: Agência Ecclesia

há 50 anos

Papa Paulo 6º na Terra Santa A peregrinação do papa Paulo 6º à Terra Santa marca um novo tempo na história da Igreja. O tema foi capa da edição, que mostrou fotos do Pontífice no avião. Outro tema foi a presença da vida religiosa nas casas de detenção de São Paulo. “Apostolado dos mais difíceis esse entre os presidiários, tanto pelas condições pessoais, como pelo ambiente em que se desenvolve.” Na seção “Diário do Concílio”, o semanário da Arquidiocese noticiou o trabalho das Congregações Gerais que tratou de temas como o Diaco-

nato, a desatenção aos presbíteros, os novos problemas relacionados ao diaconato, a ação colegiada, os bispos e padres, a diocese, os poderes episcopais e a relação entre papa e bispos. A edição destacou ainda as encíclicas sociais tais como a Mater et Magistra. “Quisemos indicar toda a matéria existente nessa obra a fim de tornar patente, não só o valor da mesma, como a praticidade que o autor deu ao trabalho, um vez que se tornaram, essas encíclicas, o verdadeiro guia social do nosso século.”

Capa da edição de 19/1/1964


Viver Bem

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literatura

dicas de cultura

Pinturas levam público aos séculos 19 e 20 Divulgação

Fazer uma viagem à capital francesa dos séculos 19 e 20. Isso é o que propõe a exposição “Passagens por Paris“, que leva 51 obras-primas dos mais importantes artistas modernistas da época ao MASP. A mostra está em cartaz desde 7 de dezembro por tempo indeterminado e pode ser conferida de terças a domingos, das 10h às 18h, e às quintas, das 10h às 20h. Os ingressos custam até R$ 15 e, às terças, a entrada é Catraca Livre. As obras foram produzidas entre 1866 e 1948, e todos os renomados pintores que fazem parte da mostra, como Paul Cézanne, Cândido Portinari, Van Gogh e Renoir, viveram, pintaram e passaram por Paris. O título da mostra inspira-se em uma citação de Walter Benjamin em seu ensaio “Paris, capital do século 19”. A exposição traz em seu repertório o nascimento do moderno com o abandono do academicismo dominante, além da chegada do contemporâneo e do abstrato. SERVIÇO O que: “Passagens por Paris” Quando: de 7/12 a 30/4 - Terças, Quartas, Sextas, Sábados e Domingos das 10h às 18h Quintas das 10h às 20h Quanto: R$ 15* / Catraca Livre** Onde: MASP - Museu de Arte de São Paulo * R$ 7,00 (meia-entrada); às quartas, quintas, sextas, sábados e domingos ** às terças

vamos cuidar da saúde!

direito do consumidor

Hipotiroidismo

Imagem do Trabalhador

Deficiência de hormônios produzidos pela glândula tireoide. É uma doença que tem tratamento fácil e acessível. Essa glândula é muito importante, e sua deficiência, nos adultos, pode provocar: Ganho de peso; Sensibilidade ao frio; Sonolência excessiva; Cabelo seco e grosso; Prisão de ventre; Pele seca e frágil; Aumento dos níveis de colesterol; Letargia (cognição lenta); Inchaço das pernas; Fala lenta e rouca; Perda de desejo sexual; Dor em articulações e músculos; Irritabilidade; Ciclos menstruais anormais. Fadiga Depressão. Por isso, a importância de ir, regularmente, ao seu médico, pois muitas vezes vários sintomas que nos preocupam podem ser resolvidos com apenas um único tratamento. Na próxima edição, faleremos sobre hipotiroidismo na criança. Dúvidas, dracassiaregina@gmail.com

A divulgação de propagandas comerciais de fornecedores da empresa nos uniformes, sem que haja concordância do empregado, configura utilização indevida da imagem do trabalhador a ensejar o direito à indenização por dano moral, nos termos dos arts. 20 e 186 do Código Civil e 5o, X, da CF, pois na esteira da jurisprudência do TST e do STF, a imagem é bem extrapatrimonial, cuja utilização não autorizada configura violação a direito personalíssimo, tornando desnecessária a demonstração concreta de prejuízo. Foi esse o entendimento no Processo TST-E-RR-19-66.2012.5.03.0037, SBDI-I, rel. Min. Renato de Lacerda Paiva, 10.10.2013. Saiba dos seus direitos, procure um advogado.

Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF).

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O jornal O SÃO PAULO

Questionário vaticano em preparação ao próximo Sínodo Na época em que vivemos, a evidente crise social e espiritual torna-se um desafio pastoral que interpela a missão evangelizadora da Igreja para a família, núcleo vital da sociedade e da comunidade eclesial. Para o papa Francisco, em concordância com essa afirmativa, propor o Evangelho sobre a família é mais urgente e necessário do que nunca. Com isso, o pontífice decidiu estabelecer um itinerário de trabalho em duas etapas: a primeira, Assembleia Geral Extraordinária de 2014, destinada a especificar o status questionis (o estado da questão) e a recolher testemunhos e propostas dos bispos, para anunciar e viver de maneira fidedigna o Evangelho para a família; a segunda, Assembleia Geral Ordinária de 2015, em ordem a procurar linhas de ação para a pastoral da pessoa humana e da família. O recente lançamento da Paulus, “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização: 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos” é o documento que traz perguntas de preparação às Igrejas particulares, para que elas possam participar ativamente na preparação do próximo Sínodo dos Bispos. Hoje, existem em todo o mundo, problemáticas que até há poucos anos eram inéditas; a difusão dos casais de fato, que não oficializam o Matrimônio religioso, uniões

entre pessoas do mesmo sexo, às quais não raro é permitida a adoção de filhos. Essas e numerosas novas situações do mundo atual, o Papa Francisco acredita que exigem a atenção e o compromisso pastoral da Igreja. O documento, ao final, traz um questionário que chama a atenção do episcopado mundial, perante esses desafios. São questões que permitem às Igrejas particulares participar ativamente na preparação do Sínodo Extraordinário, que tem como finalidade anunciar o Evangelho nos atuais desafios pastorais a respeito da família. Para papa Francisco, é fundamental que o maior número de católicos possível, de diversas opiniões, respondam ao questionário vaticano, e não apenas aqueles que podem desemaranhar questões complicadas sobre o papel da lei natural na vida familiar. Além dos católicos praticantes, também os que se sentem excluídos da Igreja, para que este sentimento de exclusão possa ser revertido.

Ronald Quene é formado em Direito

está de cara nova

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Fé e Vida

direito canônico

fé e cidadania

O Código Canônico, livro de cabeceira

Fraternidade e tráfico humano

Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano e professor da Escola Dominicana de Teologia (EDT)

Edson Luiz Sampel

Diz o adágio que devemos pôr ao lado da cama os livros mais importantes da nossa vida. Nesse sentido, um católico deveria ter sempre à mão uma Bíblia e um exemplar do Catecismo da Igreja Católica, síntese da sagrada tradição. Na cerimônia de promulgação do Código Canônico, em 25 de janeiro de 1983, o beato João Paulo 2º enfatizava a perfeição de uma trilogia: de um lado, as atas do Concílio Vaticano 2º, do outro, o Código Canônico, e no ápice, a Sagrada Escritura. Se pensarmos em livros relevantes, haverá tantos, que a nossa cama ou o criadomudo não vão aguentar. Pensemos, por exemplo, na Constituição federal, outra obra imprescindível para exercitarmos uma plena cidadania. Sabemos que o Código Canônico está escrito em latim. Isso dificulta ainda mais nossa familiaridade com a lei exponencial da Igreja. As melhores traduções são espanholas e custam muito caro. Mas, como pude asseverar algures, a tradução é um mero fantasma da lei. Como, então, fazer do Código um livro de cabeceira, se não sabemos latim e se a maior parte do povo não dispõe de recursos financeiros para adquirir um bom exemplar do aludido diploma legal canônico? A expressão livro de cabeceira está sendo empregada de forma analógica. Quero

apenas frisar a necessidade sempre premente de aproximar o Código ao Povo de Deus, que deve cumprir as normas jurídicas. No fundo, a lei, civil ou canônica, está constantemente presente, sem que o percebamos. Quando tomamos um ônibus, celebramos um contrato de transporte com a empresa viária, um negócio jurídico regido pela lei. Se requerermos a administração do Sacramento do Batismo para um parente, também a legislação canônica estará atuante, de modo um tanto quanto invisível. Para que o Código Canônico se transforme num livro de cabeceira, é mister que os párocos divulguem a lei eclesial em variados momentos, inclusive em certas homilias. Pouco a pouco, o povo vai se inteirando dos dispositivos legais, conscientizando-se, outrossim, dos seus direitos e deveres. Paulatinamente, cria-se uma autêntica “cidadania eclesial”, em que o leigo assume seu papel de protagonista, de membro genuíno da sociedade eclesial. Outros meios existem com vistas em tornar mais conhecido o Código Canônico. Cuido que a sugestão exibida no parágrafo anterior é um recurso utilíssimo para nos dirigirmos principalmente às pessoas mais simples. A seção Direito Canônico, deste jornal, igualmente tem o objetivo de pôr o leitor a par dos seus direitos e deveres. O mais significativo é que consigamos absorver o essencial do Código Canônico e o guardemos em nossa mente e em nosso coração, tal como um livro de cabeceira.

Padre Alfredo José Gonçalves

Esse é o tema da Campanha da Fraternidade de 2014, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no tempo da Quaresma. O lema, extraído da Carta de São Paulo aos Gálatas (Gl 5,1) – “É para a liberdade que Cristo nos libertou”– nos remete ao fio condutor de toda a Doutrina Social da Igreja, isto é, à defesa dos direitos e da dignidade da pessoa humana. Nessa perspectiva, o tráfico de seres humanos para o trabalho escravo ou degradante e para a exploração sexual, por exemplo, representa um atentado à liberdade dos filhos e filhas de Deus. Com esse tema e lema, abrese uma janela para o contexto mais amplo da mobilidade humana em toda a sua intensidade, complexidade e diversidade. Estima-se hoje em mais de 220 milhões o número de pessoas que residem fora do País em que nasceram. Deslocar-se faz parte do “direito de ir e vir”, sem dúvida, mas a migração torna-se compulsória quando motivada por forças externas, tais como a pobreza, a violência, a guerra e, no caso da CF-2014, a exploração do corpo e do trabalho dos mais frágeis. Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (EG), o papa Francisco chama a atenção para o drama geral dos deslocamentos humanos, ao mesmo tempo, que, positivamente, aponta uma

As pedras do Maranhão Padre Antonio Manzatto

ASSINATURA SEMESTRAL: R$ 45 ANUAL: R$ 78 FORMA DE PAGAMENTO CHEQUE (Nominal à FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA) DEPÓSITO BANCÁRIO Bradesco ag 3394 c/c44159-7 COBRANÇA BANCÁRIA

NOME___________________________________________________________ _________________________________________________________________ DATA DE NASC. ___/___/____CPF/CNPJ _________________________________ ENDEREÇO ___________________________________________________________ __________________________________________________________ nº __________ COMPLEMENTO ______________________ BAIRRO ___________________________ CEP ____________ - ___________ CIDADE____________________________________ ESTADO ______ E-MAIL: ________________________________________________ TEL: (__________) ______________________________________ DATA ____/___/____

nerosa abertura, que, em vez de temer a destruição da identidade local, seja capaz de criar novas sínteses culturais. Como são belas as cidades que superam a desconfiança maligna e integram os diferentes, e que fazem de tal integração um novo fator de desenvolvimento! Como são belas as cidades que, mesmo no seu desenho arquitetônico, estão cheias de espaços que entrelaçam, põem em relação, favorecem o reconhecimento do outro” (cf. EG, nº 210). Com isso, o tempo da Quaresma nos convida a uma dupla conversão: pessoal, no reencontro e reconciliação com Deus; e social, na solidariedade com os irmãos mais necessitados.

espaço aberto

Professor de Teologia na PUC-SP

Para assinar O SÃO PAULO: Escolha uma das opções e a forma de pagamento. Envie esse cupom para: FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA, Avenida Higienópolis, 890 São Paulo - SP - CEP 01238-000 - Tel: (011) 3666-9660/3660-3724

via de superação, através da acolhida e da criação de valores culturais integrados. Ouçamos o que diz o Santo Padre: “É indispensável prestar atenção para estar vizinhos às novas formas de pobreza e de fragilidade, onde somos chamados a reconhecer Cristo sofredor, mesmo se isso aparentemente não nos traz vantagens imediatas: os semteto, os toxicodependentes, os refugiados, os povos indígenas, os anciãos cada vez mais sós e abandonados, etc”. “Os migrantes me colocam um desafio particular” – admite o Pontífice – “porque sou Pastor de uma Igreja sem fronteiras que se sente mãe de todos. Por isso exorto os países a uma ge-

Recentemente, repercutiu muito na imprensa a situação do presídio de Pedrinhas, no Maranhão, por conta da violência ali reinante em virtude da disputa de poder entre organizações criminosas. A situação ali apresentada é, realmente, degradante, porque os presos são obrigados a viver em situação de ofensa à dignidade humana e, por outro lado, o governo como que perdeu o controle do presídio, fatos que não se restringem àquela prisão, mas se repetem em outras cadeias do Ma-

ranhão e, se olharmos bem, em outros lugares do País. Dois fatos precisam ser colocados diante de nossos olhos. O primeiro é que o Maranhão, há muito tempo, é governado pelo mesmo clã político. O que se conseguiu em praticamente 50 anos de exercício de poder no Estado foi transformá-lo na unidade mais pobre do País e, agora, em exemplo de abandono à violência. Nesse período de tempo, cresceu o clã político, seu poder, influência e riqueza, e o povo empobreceu, foi explorado e, agora, é abandonado à violência do crime organizado. Tudo isso não é acaso, mas fruto do tipo de governo ali instalado há tanto tempo. O segundo fato, que choca a todos, é a onda de violência,

cuja crueldade parece não conhecer limites. Criança que morre em decorrência dos ferimentos causados pelo incêndio provocado por criminosos no ônibus onde ela estava é sinal de que a crueldade do crime ultrapassa, realmente, qualquer limite. E não nos esqueçamos da responsabilidade do Estado aqui, porque parece que o crime consegue ser mais organizado que o próprio Estado. Como se permitem tantos celulares em presídios? Como não se consegue atuar contra as organizações criminosas? Anos e anos de poder no governo do Estado trouxeram esta realidade ao povo maranhense. As pedras que atrapalham o caminho do Maranhão parecem não ser pequenas.


Igreja em Ação

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setor juventude

bioética

Setor Juventude: perspectivas para 2014

Crise de humanismo

Secretário-executivo do Setor Juventude da Arquidiocese de São Paulo

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Padre Christian de Paul de Barchifontaine

Nei Márcio Oliveira de Sá

Depois do grande ano de 2013, em que, com toda a Igreja em São Paulo, realizamos a Semana Missionária e fomos encorajados pela presença do papa Francisco na JMJ Rio 2013, o Setor Juventude da Arquidiocese quer centrar esforços na articulação das regiões episcopais e na formação de assessores e coordenadores para criar e animar os grupos de jovens existentes nas paróquias. O Setor Juventude é o espaço que articula, representa e reúne as várias expressões da Igreja que atuam na evangelização da juventude: pastorais, movimentos eclesiais, novas comunidades e congregações religiosas. É, sem dúvida, a primeira referência da Igreja em relação ao trabalho com jovens. Dele participam o bispo referencial, os padres assessores, os leigos assessores adultos e os jovens, em comunhão com o Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo. Duas regiões episcopais, Sé e Ipiranga, estão dando passos importantes para a organização do trabalho de evangelização da juventude, nomeando novos assessores e coordenadores para realizar um trabalho de comunhão e animação de atividades voltadas para os jovens e adultos. As outras quatro regiões (Belém, Brasilândia, Lapa e Santana) também continuam seu trabalho de acompanhamento e organização das expressões juvenis. O Setor Juventude iniciará o ano de 2014 com um Retiro Espiritual, no dia 22 de fevereiro, sábado, no Arsenal da Esperança. Esse retiro será conduzido pelo bispo referencial para o Setor Juventude, dom Tarcísio Scaramussa, sdb, vigário episcopal para a Região Sé, e todos os jovens e

adultos atuantes na evangelização da juventude são convidados. No mês de março, após vários anos, o Setor Juventude da Arquidiocese realizará um curso para assessores adultos, nos dias 29 e 30 de março. Sem assessores, os grupos de jovens não caminham. É preciso investir na formação de pessoas que conheçam a metodologia e a pedagogia necessárias para um bom trabalho de acompanhamentos da juventude. Em junho, o Setor Juventude, junto com o Secretariado Arquidiocesano de Pastoral e a Dimensão BíblicoCatequética das regiões episcopais, mobilizará jovens e crismandos para a Celebração Arquidiocesana de Pentecostes, em 8 de junho. A partir de agosto, serão iniciados os trabalhos de organização do Dia Nacional da Juventude, com momentos de formação e articulação

de diversas frentes para atingir a juventude: artes em geral, esportes, formação e celebração. Cada Região Episcopal participará também preparando os grupos de jovens para o grande evento que acontecerá em 9 de novembro. E, no mês de outubro, Mês das Missões, as pastorais, movimentos eclesiais, paróquias, escolas serão convidados a preparar e organizar “Missões Jovens”, procurando ir ao encontro dos jovens e adolescentes não atingidos por nossas comunidades. Como se vê, o ano de 2014 promete ser de muito empenho, formação e animação para o trabalho de evangelização da juventude em nossa Arquidiocese, nas regiões episcopais, nas paróquias e outras diversas realidades eclesiais! Para mais informações e contatos, o e-mail é setordejuventude@uol.com.br e o blog: setorjuventudesp@blogspot.com

O SÃO PAULO está cada vez melhor. E não digo isso somente pela matéria do Belém, pois acompanho pelo site issuu.com todas as atualizações!

colaborado um pouquinho para divulgar todo material emitido. Isso ajuda cada vez mais provocar mudanças neste mundão de Deus! Parabéns.

neste momento tão especial para as nossas comunidades. Espero poder ir a Londrina, aqui mais pertinho de nós.

João Carlos Gomes – colaborador de comunicação da

Cecília de Paiva

espaço do leitor

Região Belém

Sobre a cobertura do 13º Intereclesial de CEBs Foi lindo demais ver tanta gente comprometida com o outro. O povo ainda tem muita fé e esperança. Experiência contada nestes dias em Juazeiro. Regina Pereira

O encontro em Juazeiro do Norte estava maravilhoso. Omir Oliveira

Gostei muito da matéria e, mais ainda, de ter participado e também

Parabéns a todos os participantes! É a nossa Igreja viva, com a Bíblia numa mão e o jornal na outra! Deus seja louvado!

Jucelene Rocha

Muito bom! Parabéns! Trabalho de profissional! Ficou ótimo! Andrea Bonatelli

A foto no jornal ficou excelente!

Monica Picco

Sidney de Paula

Parabéns pela matéria. Foi um prazer imenso tê-los em Juazeiro do Norte. Viva o jornalismo comprometido com a causa do Evangelho.

Parabéns pelo trabalho no Juazeiro. Equipe mandou bem demais!

Jaime Patias

Parabéns pela reportagem! Fiquei feliz em ver O SÃO PAULO presente

Passamos por uma profunda crise de humanismo. Em escala mundial, presenciamos grandes transformações em várias instâncias, tais como economia, política, desenvolvimento tecnológico, direitos e deveres dos cidadãos, funções familiares, saúde e sobrevivência de muitos povos, entre outras. Da globalização excludente seria possível passar à globalização da solidariedade? O que está acontecendo com as pessoas? Onde está o humano? O simples estar com o outro, a compaixão, a tolerância, a solidariedade se tornaram valores descartáveis que contam pouco ou nada? Até quando? A humanização das instituições de saúde passa pela humanização da sociedade como um todo. Não podemos esquecer que uma sociedade violenta, iníqua e excludente interfere no contexto das instituições de saúde. O contexto macro influi de modo contundente no condicionamento e determinação da cultura, relacionamentos no contexto micro das instituições prestadoras de serviço na área da saúde. Estas são um espelho fiel e cruel do que de mais nobre, lindo, heroico e fantástico a sociedade produz, bem como o que nela existe de mais degradante e aviltante em relação ao ser humano. Aqui, antes da humanização, temos como desafio a “hominização”, ou seja, criar oportunidades aos seres humanos de existirem e viverem dignamente. Para além desta condição somos desafiados a sermos agentes institucionais de ações inovadoras. Os feitos da tecnociência são notórios e abundantemente proclamados pela mídia e até mesmo endeusados. Deparamo-nos diuturnamente com ambientes tecnicamente perfeitos, mas sem alma e ternura humana. A pessoa vulnerabilizada pela doença deixou de ser o centro de atenções e foi instrumentalizada em função de um determinado fim. Esqueceu-se de que as coisas têm preço e podem ser trocadas, alteradas e comercializadas, porém, as pessoas têm dignidade e clamam por respeito. A manipulação sutilmente se faz presente e rouba aquilo que é mais precioso à vida do ser humano: sua dignidade. Entramos num círculo vicioso de coisificação das pessoas humanas e sacralização das coisas, inversão cruel dos valores! Surge neste horizonte a necessidade de políticas de humanização e, no nosso País, temos alguns sinais promissores.

Hélio Sousa

Redação do jornal O SÃO PAULO. Endereço: Avenida Higienópolis, 890, São Paulo (SP), CEP. 01238-000. E-mail: osaopaulo@uol.com.br Twitter: @JornalOSAOPAULO Facebook: Jornal O SÃO PAULO

A manipulação sutilmente se faz presente e rouba aquilo que é mais precioso à vida do ser humano: sua dignidade. Entramos num círculo vicioso de coisificação das pessoas humanas e sacralização das coisas, inversão cruel dos valores! Surge neste horizonte a necessidade de políticas de humanização e, no nosso País, temos alguns sinais promissores


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Igreja em Ação

Mundo do trabalho – pastoral operária

pastoral do dízimo

CF-2014 tem que refletir: trabalho escravo ainda existe?

Para bem iniciarmos 2014

Operário, ex-metalúrgico, é coordenador da Pastoral Operária na Arquidiocese

José Lucas dos Santos

analisar com mais atenção. Onde trabalhavam três, quatro, hoje trabalha apenas um, fazendo o mesmo trabalho que os anteriores e sendo exigido ainda mais. Hoje se trabalha mais que na época da escravidão negra no Brasil. O trabalhador não tem direito de definir o que produzirá, já que isto é definido nos escritórios centrais, muitas vezes em território estrangeiro e atendendo a interesses de lá. Também, geralmente, não pode usufruir do que produz, veja o caso da indústria que é uma das maiores contratadoras de trabalhadores do País, a indústria da construção civil: quem constrói prédios, barragens, casas, geralmente, paga aluguel por não ter onde morar. Também não pode definir se continua ou não no trabalho, já que as contas continuam em casa e o desempre-

Definir o que é trabalho escravo deve ser o primeiro passo para definir se ainda existe ou não o tal do trabalho escravo. Poderíamos definir trabalho escravo como aquele em que o(a) trabalhador(a) é obrigado a trabalhar acima de suas capacidades físicas ou intelectuais, que não tenha direito de definir o que produzirá e o direito de definir se poderá ou não continuar neste trabalho, e se pode usufruir do fruto do seu trabalho. Ou seja, a definição de seu futuro não é dele. Se essa definição de trabalho escravo é a correta, então nós temos muito trabalho escravo espalhado pelo Brasil O trabalhador não tem direito afora. Comede definir o que produzirá, cemos pelo já que isto é definido nos mais divulgado escritórios centrais, muitas atualmente. O vezes em território estrangeiro corte de cana para produção e atendendo a interesses de lá do agrocombustível (erroneamente cha- go... Quantas pessoas que mado de biocombustível, já estudaram para uma profisque não defende a biodiversi- são gostariam de fazer o que dade nem a vida do ser huma- estudaram e estão em outro no). Este trabalho, que já ma- trabalho? Quantos gostariam tou dezenas de trabalhadores de estudar determinada área este ano, é massacrante. A e não o fazem porque não popessoa é obrigada a cortar dem pagar para a indústria do mais de 10 toneladas de cana diploma? Poderíamos perpor dia, são mais de 10 mil guntar qual o grau de decisão golpes de foice por dia (em- dos trabalhadores nas emprebaixo e em cima da cana), ain- sas? Qual o grau de decisão da empilhar e carregar toda dos trabalhadores em suas viesta carga. E o trabalhador das? É sim, nas vidas? Quem não tem direito a acompanhar determina como ele irá viver a pesagem do fruto de seu é quem determina quanto ele trabalho, e recebe R$ 2,50 por irá receber pelo trabalho exetonelada. É um trabalho aci- cutado. Mas quem determina ma da capacidade física, não isso? O trabalhador? Não o tem direito de definir o que tal do deus mercado, que está produzirá, já que, se produzir em todo lugar e controla tudo. menos de 10 toneladas, será Ou melhor o grande capital, demitido como improdutivo que fica no poder e determina (pelas leis do deus mercado), o que será feito e o que não não poderá usufruir do que será feito. Agora estamos chegando produziu e ainda deverá pagar as contas junto à empresa à barbárie, com a reforma que o contratou. Também não trabalhista tem quem queira poderá buscar outro trabalho, tirar o direito do governo de já que este não existe. Está fiscalizar o trabalho escravo. enquadrado como trabalho Isto mesmo, querem liberar escravo. Assim também os geral. O neoliberalismo volbolivianos que se submetem tando aos primórdios do caa trabalho clandestinamente pitalismo, onde tudo era feito no Brás, para produzir roupas e nada era proibido. Daqui a pouco teremos crianças do mais baratas. Peguemos o caso das orfanato sendo contratadas grandes empresas com car- para trabalhar 14, 16 horas teira assinada, lá existe ou por dia, sem férias, feriado ou não trabalho escravo? Apa- descanso semanal remunerarentemente não, mas vamos do (domingo)

Marta Sampaio Lima Elia

É importante iniciarmos bem 2014, para que ele transcorra o mais repleto de bênçãos possível. Como fazer, caro, dizimista? São muitos os caminhos, mas o mais seguro é dando as mãos a Deus. Para conseguir, tenhamos como exemplo a Sagrada Família. Analisemos as virtudes humanas, as virtudes teologais, os dons e os frutos do Espírito Santo: A - Olhando as virtudes humanas, vemos que todas as outras se agrupam em torno delas. São elas: prudência, justiça, fortaleza e temperança. 1) Prudência: “É a virtude que dispõe a razão prática a discernir, em qualquer circunstância, nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para realizá-lo. Não se confunde com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou a dissimulação” (cf. Catecismo da Igreja Católica, CIC, 1806). 2) Justiça: “É a virtude moral que consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. Para com os homens, ela nos dispõe a respeitar os direitos de cada um e a estabelecer nas relações humanas a harmonia que promove a equidade em prol das pessoas e do bem comum” (CIC 1807).

3) Fortaleza: “É a virtude moral que dá segurança nas dificuldades, firmeza e constância na procura do bem. Ela firma a resolução de resistir às tentações e superar os obstáculos na vida moral” (CIC 1808). 4) Temperança: “É a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade” (CIC 1809). B - Analisando as virtudes teologais, vemos que elas se referem diretamente a Deus. As três virtudes teologais são: fé, esperança e caridade. C - Quanto aos dons do Espírito Santo, vemos que a vida moral dos cristãos é sus-

tentada pelos dons do Espírito Santo. Estes são disposições permanentes que tornam o homem dócil para seguir os impulsos do mesmo Espírito. Os sete dons do Espírito Santo são: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus (cf. CIC 1830, 1831). D - Os frutos do Espírito são perfeições que o Espírito Santo forma em nós como primícias da glória eterna. A Tradição da Igreja enumera 12: caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade (cf. CIC 1832). O dizimista que deseja exercer a santidade deve praticar as virtudes humanas, as virtudes teologais, os dons, para obter os frutos do Espírito Santo. Luciney Martins/O SÃO PAULO

PASTORAL FAMILIAR

Sogro, sogra, genro, nora Secretários da Pastoral Familiar Arquidiocesana

Zuleica e João Abrahão

São notórias as dificuldades iniciais de relacionamento entre recém-casados e seus respectivos pais. Aliás, ao falar de sogra (interessante que o sogro é menos lembrado) alguma piada sempre é repassada. A sabedoria divina nos ensina que “o homem[a mulher] deixa o seu pai e a sua mãe para se unir à sua[seu] mulher [marido]” (Gn 2,24). Na história de Tobias e Sara, lemos os conselhos que os pais de Sara lhe deram: “Os pais beijaram sua filha e deixaram-na partir, recomendandolhe que honrasse seus sogros,

amasse o seu marido, educasse bem a sua família” (Tb 10,13). Como seria bom se os pais, no dia do Matrimônio de seus filhos, fizessem as mesmas recomendações e, diante do altar do sacramento, os abençoassem de coração, não só deixando-os ter plena liberdade para a construção de uma nova família, como procurando se afastarem, o “necessário”, para não influenciar diretamente no relacionamento dos recém-casados. Devido a isso, com facilidade, ocorrem casamentos que se desfazem pela presença pouco oportuna dos pais ou sogros. Feliz é a colocação do Pe. Zezinho, quando canta: “Que ninguém interfira no lar e na vida dos dois” (“Oração pela família”). Contudo, os bons conselhos e o testemunho de

vida dos pais não devem ser olvidados, pois narram as palavras dos sábios: “Dá ouvidos a teu pai, àquele que te gerou, e não desprezes tua mãe quando envelhecer” (Pr 23,22). Veja-se o exemplo de Pedro, ao levar Jesus Cristo a sua casa para curar sua sogra (cf. Mt 8,14). Há muitos casos em que os pais ou os sogros têm de morar com os filhos ou viceversa. Nesse caso, a melhor atitude cristã é fazer de tudo para uma boa acolhida e primorosa integração na vida da “nova” família, evitando interferências no relacionamento íntimo de cada casal. Pais, filhos, sogros e sogras, genros e noras, em vez de provocar ingerências, que rezem, pois, uns pelos outros, na busca da harmonia e do bom entendimento.


Geral

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Padre e religiosas serão enviados em missão à Amazônia No domingo, 26, na missa das 11h, na Catedral da Sé, haverá o envio para missão na Amazônia do padre Fabiano de Souza Pereira, 40, e das irmãs Isabel Patuzzo, da Congregação Missionárias da Imaculada (PIME); Julia Maria Peccim, dominicanas de São José Ilanz, e Luiza Ferreira da Silva, da congregação Sagrada Família de Bordeaux.

Articuladores das CEBs participam de encontro Jaime C. Patias/POM

Atividade foi realizada de 13 a 17, na Diocese do Crato, e apresentou as diversas realidades das comunidades em outros países Edcarlos Bispo de Santana

redação

Após o 13º Intereclesial de CEBs, realizado na Diocese do Crato, cidade de Juazeiro do Norte (CE), assessores e membros da ampliada nacional das CEBs participaram do encontro de articulação latino-americana e caribenha das Comunidades Eclesiais de Base, de 13 a 17. Participaram do encontro, no Mosteiro Nossa Senhora da Vitória, articuladores das CEBs vindos de Honduras, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Peru, Paraguai, Colômbia, Haiti, República Dominicana, Argentina, Nicarágua, além de representantes das Filipinas e Áustria. Pertencente a “Ação dos Três Reis Magos, o Movimento de Crianças”, entidade que colabora com o trabalho das CEBs, a austríaca Angela Kemper destacou que leva para o seu país a experiência da aco-

Após 13º Intereclesial de CEBs, representantes de países latino-americanos permanecem no Crato para encontro de articuladores realizado até dia 17

lhida, “como é bom ser acolhido, fomos bem acolhidos nos espaços onde estamos”. Sobre as comunidades na Áustria, Angela afirmou que são “comunidades pequenas que se organizam. Muitas vezes não tem vigários, pois temos uma falta de padres na Áustria, e elas assumem todo tipo de trabalho e ministério. Dividem o trabalho, reúnem-se e têm equipes de serviço social, de preparação de jornadas de formação e também de liturgia,

pois muitas celebrações são feitas pelas próprias comunidades”. “Esta reunião é uma oficina pautada pela construção coletiva. A conjuntura eclesial atual é favorável para ressituar as CEBs”, explicou a irmã mexicana, Socorro Martinez, membro da equipe de Articulação Continental. “O objetivo é fazer uma leitura da realidade social e eclesial para vislumbrar as temáticas, problemáticas e estratégias na caminhada das CEBs.

Queremos ainda aprofundar a eclesiologia, neste momento, para caminhar com maior segurança. Outra questão sempre presente é a identidade das CEBs, que está unida à eclesiologia”, complementa Socorro. Estela Padilla é das Filipinas, onde acompanha as CEBs em todo o país e também na Conferência dos Bispos da Ásia. É a segunda vez que ela participa desse encontro e conta que sempre foram inspirados pelas CEBs da América La-

tina e que estas influenciaram as CEBs nas Filipinas. “Quero conhecer mais sobre a caminhada das CEBs na América Latina através dos assessores que estão aqui. Estou interessada no seu desenvolvimento e nos desafios que enfrentam.” Padilla faz pesquisas sobre as CEBs na Ásia, África e América Latina. “O estudo é sobre as CEBs e a recepção do Concílio Vaticano 2º após 50 anos de sua realização”, comenta. (com site http://www.intereclesialcebs.org)

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Posse dos conselheiros participativos municipais será dia 25 Os 1.125 conselheiros participativos municipais tomarão posse no sábado, 25, às 10h30, em cerimônia no auditório do Anhembi (avenida Olavo Fontoura, 1.209, Portão 34). Os conselheiros serão responsáveis por exercer o controle social e serão consultados no planejamento e fiscalização das ações e gastos públicos nas subprefeituras.

Arsenal da Esperança, espaço de ressocialização Luciney Martins/O SÃO PAULO

Medida punitiva tem caráter educativo e socialmente útil imposta ao autor da infração penal que não afasta o indivíduo da sociedade Edcarlos Bispo de Santana

reportagem na zona leste

“Eu estudei quatro anos aqui do lado, mas só conheci o lugar assim.” Essa foi a afirmação de Daniel Queiroz Consani, 30, jornalista de formação, que, desde 2011, cumpre medida alternativa no Arsenal da Esperança, na Arquidiocese de São Paulo. Na página da Secretaria de Administração Penitenciária, no site do governo do estado de São Paulo, a medida alternativa “trata-se de uma medida punitiva de caráter educativo e socialmente útil imposta ao autor da infração penal que não afasta o indivíduo da sociedade, não o exclui do convívio social e familiar e não o expõe às agruras do sistema penitenciário”. É como conta Daniel à reportagem do O SÃO PAULO. De acordo com ele, após um acidente de trânsito em 2005, que resultou na morte de um motociclista, o jornalista foi julgado e condenado em 2008, sendo notificado pela Justiça em 2011 e, a partir desta data, iniciaria a cumprir a pena alternativa.

Desde 2006, o Arsenal da Esperança, mantido pela Fraternidade da Esperança, acolhe condenados em delitos leves para cumprimento de medidas alternativas

Daniel escolheu o Arsenal da Esperança, entidade mantida pela Fraternidade da Esperança, que acolhe diariamente, 1.200 homens que se encontram em dificuldades devido à falta de trabalho, casa, alimentação, saúde e família. A princípio, comenta, a escolha foi pautada na comodidade, pois já conhecia a região, hoje não vê a hora de sua pena acabar para quitar sua dívida com a sociedade, porém confessa que

permanecerá frequentando e ajudando nos trabalhos da entidade. Desde quando começou a cumprir sua pena no Arsenal da Esperança, Daniel já realizou tarefas nos diversos setores da casa de acolhida, atualmente trabalha na biblioteca, onde organiza os livros e tenta catalogá-los. São muitas histórias, recorda o jornalista, coisas que o fizeram pensar não apenas no acidente que se en-

volveu, mas em toda a sua história de vida, seus problemas, sua condição humana. Em artigo publicado no site da Arquidiocese de São Paulo (www.arquidiocesedesaopaulo. org.br), Lorenzo Nacheli, um dos missionários da Fraternidade da Esperança, ressalta que desde 2006 o Arsenal já recebeu mais de 2 mil pessoas para o cumprimento de medidas alternativas. “Acreditamos que as 115

mil horas de serviço no Arsenal e de convivência com a Fraternidade da Esperança e com os mais pobres ajudaram muitíssimas pessoas não apenas a reparar simbolicamente um dano, mas também a fazer uma reflexão positiva, sobre si mesmas e sobre uma sociedade sempre pronta a condenar e pouco treinada a amar, arriscar, inventar, socorrer e, sobretudo, a perdoar”, escreve Lorenzo em seu artigo.

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Geral

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Missa solene na Catedral da Sé pelo aniversário de São Paulo, no dia 25 No aniversário de 460 anos de São Paulo, no sábado, 25, data da Festa da Conversão do Apóstolo Paulo, patrono da Arquidiocese, haverá missa solene na Catedral da Sé, às 9h, presidida pelo cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano. Antes, entre os dias 22 e 24, haverá tríduo preparatório, sempre com missa às 12h.

11º Plano de Pastoral completa primeiro ano Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Em 2014, urgência “Igreja – Casa da Iniciação Cristã” estará em destaque; encontros formativos também acontecerão

Síntese das indicações pastorais da urgência ‘Igreja – Casa da Iniciação Cristã’ Busca de uma pastoral catequética vigorosa nas paróquias e comunidades, com catequistas bem formados e em número significativo, com espaços para a Catequese; Pregação assídua e sistêmica sobre os temas da fé e da moral;

Daniel Gomes Redação

No sábado, 25, o 11º Plano de Pastoral “Arquidiocese de São Paulo- testemunha de Jesus Cristo na Cidade” completa um ano de vigência, já tendo deixado marcas na ação pastoral da Arquidiocese, conforme avaliaram, ao O SÃO PAULO, dom Milton Kenan Júnior e padre Tarcísio Marques Mesquita, respectivamente, bispo referencial e coordenador do Secretariado Arquidiocesano de Pastoral. Para dom Milton, no primeiro ano do 11º Plano, foram marcantes o encontro do Secretariado com os padres responsáveis por diferentes coordenações e a realização de assembleias paroquiais, setoriais e regionais que culminaram na Assembleia Arquidiocesana de Pastoral, em novembro. “Foram passos importantes que demonstram não só a abertura para a proposta do Plano de Pastoral, mas a consciência de que nossa ação pastoral, para ser eficaz, precisa da graça de Deus e planejamento. Não podemos improvisar, mas planejar.” De acordo com o padre Tarcísio, em 2013, houve mobilização para tornar o 11º Plano conhecido, subsidiando as lideranças em nível paroquial, setorial e regional para a elaboração de projetos pastorais.

Atendimento personalizado das pessoas, através da acolhida, diálogo interpessoal, reflexão sobre a experiência de vida, no respeito à liberdade de cada pessoa; Destaque para o encontro com Jesus Cristo, a conversão e o discipulado, a comunhão e a missão; Atenção especial para a formação dos leigos, para favorecer o interesse e a participação de mais pessoas na vida e missão da Igreja;

11º Plano, que segue até 2016, é a base para elaboração de projetos pastorais em toda a Arquidiocese de São Paulo

“Houve, dessa forma, treinamento sobre como se elabora um projeto pastoral em todas as instâncias, o que permitiu que o Plano fizesse ressoar em toda a Arquidiocese o que cada comunidade e pastoral pode dar de si em vista da presença da Igreja na cidade como um todo”, explicou o Padre. Em 2014, serão prioridades, conforme o Projeto de Evangelização que orienta a aplicabilidade do 11º Plano, as temáticas “A fé que celebramos e rezamos”, do Catecismo da Igreja Católica; o documento conciliar Sacrosanctum Concilium; e as urgências “Igreja – Casa da Iniciação Cristã” e “Igreja em estado permanente de missão”, esta última transversal aos quatro anos do Plano. “É importante destacar que

há uma grande unidade entre as diversas indicações: ‘A fé que celebramos e rezamos’ tem na constituição Sacrosanctum Concilium uma indicação de maior importância, por se tratar de um documento do Concílio Vaticano 2º que diz respeito à liturgia. Ao mesmo tempo, a urgência pastoral: ‘Igreja: Casa da Iniciação Cristã’ exige uma ação eclesial que conjugue transmissão da fé, celebração litúrgica e vida de comunidade”, detalhou dom Milton. Ainda segundo o Bispo, a urgência “Igreja – Casa da Iniciação Cristã” exige repensar a abertura à fé ao longo de toda a vida. “Levar as pessoas ao encontro com Jesus Cristo, estimulá-las ao seu seguimento, despertar nelas o interesse e o compromisso com a vida

das comunidades eclesiais, e ajudá-las a assumir a paixão e a tarefa de transmitir a fé onde quer que estejam, nos ajudam a entrever o caminho a ser percorrido durante este ano, a fim de fazer de nossas comunidades, de fato, casas de iniciação cristã.” Segundo padre Tarcísio, Cursos e encontros formativos para o clero e o laicato estão no calendário deste ano para subsidiar e incentivar a aplicação do 11º Plano. Está previsto, ainda, que um grupo formado por agentes de pastoral das regiões episcopais assessore os aprofundamentos de projetos de pastoral e se espera que os meios de comunicação da Arquidiocese auxiliem no maior conhecimento sobre o 11º Plano.

Celebração do Ano da Fé, estudo do Catecismo da Igreja Católica e do YouCat. Formação e acompanhamento da fé do cristão adulto, no interior das paróquias, comunidades, famílias e instituições católicas; Estímulo e acompanhamento dos jovens na educação da fé e na elaboração de um projeto de vida; Formação bíblico-teológica, com o oferecimento de cursos de formação; Programa de Catequese Familiar; Formação de catequistas atentos à realidade, a partir da Doutrina Social da Igreja, a fim de que contribuam para cultivar a fé encarnada, a relação fé e vida. Fonte: 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo.


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Dia de São Sebastião na Arquidiocese do Rio de Janeiro Para iniciar o dia de comemorações ao padroeiro da Arquidiocese e da cidade do Rio de Janeiro (RJ), o Arcebispo, dom Orani, presidiu a missa na Paróquia São Sebastião, na Tijuca, na manhã de segunda-feira, 20. À tarde, houve procissão e missa na Catedral. O dia também ficou marcado pelo Ano da Caridade na Igreja Arquidiocesana do Rio.

Uma nova tentativa para o fim da Cracolândia Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Programa “De Braços Abertos”, iniciado pela Prefeitura de São Paulo, pretende recuperar viciados em drogas, mas não é unanimidade

Padre Julio faz ressalvas ao programa Redação

Daniel Gomes

Reportagem no centro

Após quatro anos vivendo na Cracolândia, Bruno Cesar Marcelino está confiante em um futuro melhor. “Desde ontem, estou sem usar droga. Fui para o hotel, dormi, tomei meu banho e vim trabalhar. Agora, onde a gente passa é bem-visto, olham pra gente como ser humano.” Bruno é um dos 316 antigos moradores dos barracos que existiam nas ruas Helvétia e Dino Bueno, na região da Cracolândia, no bairro da Luz. Na terça-feira, 14, os próprios moradores desmontaram as precárias habitações, recolheram os pertences e foram encaminhados para hotéis na região. A ação deu início ao programa “De Braços Abertos”, da Prefeitura de São Paulo, que tem a meta de revitalizar a região da Cracolândia e proporcionar nova perspectiva àqueles que por lá viviam, por meio da oferta de abrigamento, tratamento em saúde, alimentação, trabalho e qualificação profissional. Na quinta-feira, 16, 80 dos cadastrados começaram a atuar na zeladoria da cidade (varrição de ruas, calçadas e praças), recebendo R$ 15,00 a cada um dia trabalhado. Em breve, participarão de cursos de capacitação profissional, com duração de duas horas diárias. “Em dois dias, conseguimos mudar a cara da região e integrá-los numa frente de trabalho, com tratamento médico, que é o que pode construir um novo horizonte para a pessoa”, disse o prefeito Fernando Haddad, na quinta-feira. No dia seguinte, em visita à região, ele cobrou de seus assessores ações para a recuperação do largo Coração de Jesus, onde

Programa “De Braços Abertos” é iniciado com o desmonte de barracos na região da Cracolândia, na terça-feira, 14

Ações do poder público para pôr fim à Cracolândia não são novidade. A última aconteceu em janeiro de 2012, na gestão do prefeito Gilberto Kassab, com o apoio do governo do estado. Tentou-se retirar os usuários com o uso da força policial e jatos de água. Outros pontos para consumo de dro-

gas se formaram pelo centro da cidade e, meses depois, usuários voltaram à Cracolândia. Desta vez, a Prefeitura garante que haverá monitoramento permanente da Guarda Civil Metropolitana, para impedir a construção de novos barracos e inibir o tráfico de entorpecentes e a prática de delitos. Viciado em crack desde a juventude, Luiz Antonio do Nascimento, 47, está na Cra-

Luiz, há 20 anos vive na Cracolândia

Bruno tem esperança de dias melhores

os usuários de drogas se reúnem para consumo.

O que muda desta vez?

colândia há 20 anos. Ele aceitou participar do programa “De Braços Abertos”, mas confessou ao O SÃO PAULO que sua recuperação não será fácil. “Essa medida pode funcionar para uns, mas para outros não, porque tem muito dependente químico e não sei se eles vão aguentar trabalhar e modificar a vida que levavam. Eu mesmo quero modificar meu ritmo de vida, mas não adianta querer trabalhar para daqui um dia, dois, largar tudo para fumar crack.” De acordo com a secretária municipal de Assistência Social, Luciana Temer, a meta não é fazer com que os usuários larguem o vício de imediato, mas que despertem para o desejo de transformação; e o secretário municipal de Saúde, José de Fillippi Jr, garantiu que cada participante receberá atendimento personalizado. A Prefeitura informou que o programa poderá ser adotado em outras áreas da cidade e está prevista a inscrição das pessoas que não vivem na Cracolândia, mas que, periodicamente, por lá circulam para consumir drogas.

Padre Julio Lancellotti, vigário episcopal para a Pastoral do Povo da Rua, disse, ao O SÃO PAULO, ainda não ter uma opinião definitiva sobre o programa “De Braços Abertos”, mas estranhou que tenha começado antes de a Prefeitura ouvir as sugestões do Comitê Intersetorial da Política Municipal para a População em Situação de Rua, formado por representantes do governo e da sociedade civil. O Padre é um dos membros. “A operação trouxe os efeitos que a Prefeitura queria: imediatos e de mudança de panorama. Mas ficam algumas perguntas: Até quando essas pessoas vão ficar no hotel? Serão encaminhadas para moradias definitivas, um programa habitacional? Isso não respondeu ao direito à moradia. Vão receber esses R$ 15,00 por dia sem direitos previdenciários e trabalhistas até quando? O que nos espantou na primeira apresentação foi dizerem que é um projeto piloto e não dizerem qual é a segunda fase do projeto, qual que é a sequência”, opinou. Na avaliação do Sacerdote, a diferença dessa ação para as outras já realizadas na Cracolândia é o não uso de violência. “Mas novamente é um mês de janeiro, uma ação no mesmo palco, com os mesmos personagens. Tentaram mudar o enredo, mas sempre sem um processo, e sem garantir que essas pessoas tenham acesso àquilo que é básico: moradia definitiva. E a questão do tráfico como é que fica? É preciso um trabalho de acompanhamento bastante consistente.” (DG)


Entretenimento

passa tempo

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Região Ipiranga

Até o dia 24, Semana Catequética de Formação Pascom

Atividade acontece na ParóquiaSantuário Santa Edwiges, com assessoria de professores e articuladores Padre Paulo Siebeneichler Reitor do Santuário Santa Edwiges

A Paróquia-Santuário Santa Edwiges promoIPIRANGA ve entre os dias 20 e 24 a 4ª Semana Catequética de Formação, trazendo neste período final de férias uma semana de integração pastoral e formação com os temas definidos no ano anterior no Conselho de Pastoral Paroquial (CPP). Animados pelo Ano da Fé, proclamado pelo então papa Bento 16, depois continuado pelo seu sucessor, papa Francisco, a comunidade, em comunhão com a animação do arcebispo metropolitano de São Paulo, cardeal dom Odilo Pedro Scherer, participa da Semana de Formação Catequética, que segue a seguinte programação: dias 20 e 21, estudo da Lumen Fidei (A Luz da Fé), carta do

Como em anos anteriores, a Paróquia-Santuário Santa Edwiges sedia, entre os dias 20 e 24, Semana Catequética de Formação na Região Episcopal Ipiranga

Papa por ocasião do encerramento do Ano da Fé; o segundo tema a ser estudado, no dia 22, será a Teologia Diaconal; no dia 23, o terceiro tema será o estudo do 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese, e, por fim, dia 24, retomando o estudo do Catecismo pedido no Ano da Fé, haverá o estudo, de modo particular, do quarto mandamento. Os professores ou facilitadores dos temas serão o padre Antônio de Lisboa Lustosa Lopes, pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, na Vila Guarani, que introduzirá a primeira parte da Lumen Fidei. A segunda parte fica com o padre Mauro Negro, superior provincial dos Oblatos de São José. Padre

Mauro também falará sobre o diaconato. O terceiro tema a ser tratado, no dia 22, será o 11° Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo e o facilitador será o padre Tarcísio Marques Mesquita, da Região Belém e coordenador arquidiocesano de pastoral. A semana será finalizada com o padre Pedro Luiz Amorim, pároco da Paróquia Santa Paulina, no Heliópolis, que abordará o quarto mandamento, no estudo do Catecismo. Na preocupação de oferecer uma literatura de qualidade aos cristãos da comunidade, o Santuário disponibilizará, por preço abaixo do valor de mercado, os últimos documentos do Papa “A Luz da Fé” e “A Ale-

gria do Evangelho”, sendo que o segundo já é previsto para ser utilizado na Semana de Espiritualidade, em julho, que o Santuário retomou há três anos, e que a fez por mais de 20 anos, porém tinha ficado inativa por uma década. Buscando a comunhão e participação de todos os grupos, pastorais e movimentos, a comunidade animada pela Palavra, terá a presença dos seminaristas Oblatos de São José, visitando os enfermos da comunidade durante o dia e à noite, animando a espiritualidade da Semana Catequética de Formação, dentro do programa de integração, formação e experiência pastoral, que se prevê para

a etapa formativa do juniorato da vida religiosa Oblata. O cume da Semana será a celebração do Padroeiro da cidade e Arquidiocese, São Paulo, no dia 25, finalizando com a ordenação diaconal do jovem Edenilson Silveira, dos Oblatos de São José, na missa das 11h no Santuário, por imposição das mãos de dom Sergio de Deus Borges. A esperança é de uma semana cheia de estudo, crescimento e integração como já foram as anteriores, gerando crescimento da comunidade na fé, no conhecimento e na atitude junto a Arquidiocese e na vida onde cada um destes está inserido.


Região Lapa

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Paróquia São Patrício desenvolve projetos sociais Centro de convivência para idosos e alfabetização de jovens e adultos estão entre as iniciativas

lúdicas e recebendo alimentação. Teresa disse, ainda, que diariamente são acolhidas 120 pessoas acima de 70 anos de idade no Centro de Convivência para Idosos São Patrício, onde são oferecidas várias atividades. Outro entrevistado pela reportagem foi o secretário da Paróquia, Valmir Silva, que dando continuidade, ressaltou o projeto de alfabetização de

adultos, que tem dois núcleos do Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (Mova), um no Rio Pequeno e outro em uma comunidade no Jardim D’Abril, onde são atendidos 80 adultos por meio de cinco professores. As aulas acontecessem nos períodos matutino e noturno. Valmir mencionou outro trabalho que é realizado com 170 jovens autores de pequenos delitos.

Eles são acolhidos juntamente com as famílias e participam de atividades de medidas socioeducativas, com supervisão de assistentes sociais e psicólogos. Valmir mencionou, ainda, a farmácia comunitária, as distribuições de cestas básicas a 50 famílias, o Centro de Recuperação de Antialcoólicos e Drogados e o atendimento a 150 famílias por meio da Pastoral da Criança.

Benigno Naveira

A administração do Centro Social é realizada por meio de voluntários e do pároco padre João Carlos Borges, que também exerce outras funções eclesiásticas na Região Episcopal Lapa. Padre Borges disse à reportagem que realizar a ação social é evangelizar, ir ao encontro do irmão e caminhar para promover a vida em vista de uma sociedade justa e fraterna. Arquivo pessoal

Colaborador de comunicação da Região

Na manhã de quarta-feira, 15, a Pascom da LAPA Região Episcopal Lapa visitou a Paróquia São Patrício (avenida Octacílio Tomanik,1.555, no Setor Rio Pequeno), para conhecer o trabalho que vem sendo realizado nos projetos sociais mantidos pela Paróquia em benefício da comunidade. Padre João Carlos Borges, pároco, e a professora e teóloga Teresa Duarte, em entrevista, contaram como foram iniciados os projetos sociais. A Paróquia, que está próxima a completar jubileu de 50 anos de evangelização, desde seu início, por meio de seu pároco fundador, padre Kirano Cirian Needham, realizou inúmeros trabalhos em benefício das pessoas carentes do ponto de vista socioeconômico. Teresa ressaltou que no ano de 1987 um grupo de leigos e leigas, juntamente com o pároco na época, decidiu criar uma entidade social com personalidade jurídica para contribuir na organização do trabalho realizado. Assim, se iniciou o Centro Social Santo Dias. Atualmente são realizados vários projetos sociais com parceria da Paróquia e dos órgãos públicos, como a Secretaria de Assistência Social e a Secretaria da Educação. Diariamente, 70 crianças na faixa etária de 2 a 4 anos de idade são atendidas em período integral no Centro de Educação Infantil Nossa Senhora da Assunção, participando de várias atividades educativas, culturais, agenda regional

Domingo (26), 10h Missa na Paróquia Nossa Senhora dos Pobres (avenida Vital Brasil, 1.185, Setor Butantã), presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese na Região, que dará posse ao novo pároco, padre Paulo Franckowiak, ressurreicionista.

Junto aos leigos, padre João Carlos Borges conduz atividades sociais, como parte das iniciativas de evangelização da Paróquia São Patrício, da Região Lapa

palavra do bispo

Pelo Batismo, o cristão é sacramentalmente assimilado a Jesus Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa

Dom Julio Endi Akamine

Caro leitor do jornal O SÃO PAULO, o Batismo de Jesus no Jordão levanta espontaneamente uma pergunta: pode o Filho de Deus se submeter a um rito de purificação? Como é possível que aquele que veio salvar o povo do pecado possa descer às águas junto com a multidão dos pecadores? Pode Jesus confessar os pecados? Essas questões não são meramente teóricas: refletem de algum modo o que o próprio João Batista pessoalmente exprime a Jesus: “Sou eu que devo ser batizado por ti e és tu que vens até mim”.

A resposta de Jesus dá a chave do seu gesto e do significado do acontecimento: “Deixa estar por enquanto, pois assim nos convém cumprir toda a justiça” (Mt 3,15). Jesus se faz batizar em solidariedade aos pecadores. Ele se apresenta humilde, como servo que se confunde com a massa dos pecadores, mas que tem com o Pai uma relação particularíssima. No Batismo, Jesus carrega sobre si o peso da culpa de toda a humanidade para mergulhála nas águas do Jordão. Ele começa a sua vida pública tomando o lugar dos pecadores. Ao fazer assim, antecipa a sua Cruz, na qual se cumprirá toda a justiça. A “justiça cumprida” será assim revelada não mais como aplicação fria da lei

e imposição de penas, mas como a vitória definitiva sobre o mal. A voz do céu “este é o meu Filho amado” é já um anúncio da ressurreição. No Batismo, Jesus revela que é o servo que assume sobre si os pecados do povo. Ele é o Filho que vive o seu ser filial ao dar a vida. A justiça que ele comunica é a libertação definitiva do poder do maligno; o seu Batismo é o início dessa libertação, e a Páscoa será o seu cumprimento. O Catecismo da Igreja Católica sintetiza os principais conteúdos do “mistério de fé” do Batismo do Senhor, principalmente nos parágrafos 535 e 536. O parágrafo 537 nos diz com toda a clareza que pelo Batismo o cristão é sacramentalmente assimilado a Jesus, que antecipa em

seu Batismo a sua Morte e a sua Ressurreição; deve entrar neste mistério de rebaixamento humilde e de arrependimento, descer à água com Jesus para subir novamente com ele, renascer da água e do Espírito para se tornar, no Filho, filho bem-amado do Pai e “viver em uma vida nova” (Rm 6,4). O papa Francisco no Ângelus do dia 12 de janeiro afirmou que, com o seu Batismo, Jesus recebeu a aprovação do Pai celeste, que o enviou para compartilhar da nossa condição humana, da nossa pobreza. Compartilhar é o verdadeiro modo de amar! Jesus não se dissocia de nós, mas nos considera irmãos, partilha da nossa vida e nos torna filhos de Deus Pai. Eis a revelação e a fonte do verdadeiro amor.


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Região Santana

Vagas para escolas de Teologia e Evangelização Diácono Francisco Gonçalves/Pascom

Cursos com duração de um a três anos desenvolverão os temas ‘A fé que celebramos’ e ‘A Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia’ Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de Comunicação da Região

O Centro de Formação Pastoral Frei Galvão, da SANTANA Região Episcopal Santana, abriu inscrições para a Escola de Teologia para Leigos, que busca dar uma formação mais profunda ao agente pastoral, durante três anos e para a Escola de Evangelização que tem duração de um ano. Neste ano de 2014, a Escola de Evangelização desenvolverá os temas “A Fé que celebramos” no primeiro semestre e “A Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liagenda regional

Sexta-feira (24), 20h Posse do padre Gil Fábio Moretto na Paróquia São Sebastião, Setor Vila Maria (praça Stélio Machado Loureiro, 1, Vila Guilherme).

Sábado (25), 19h Missa presidida por dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar na Região Santana, na Paróquia São Paulo Apóstolo (rua Quedas, 564 - Vila Isolina Mazzei, Setor Tucuruvi).

Domingo (26) Às 11h, missa presidida, pelo cardeal dom Odilo Scherer e concelebrada por dom Sergio Borges, de envio missionário do padre Fabiano de Souza Pereira, pároco na Paróquia São José Operário, Setor Jaçanã, que estará em missão na Diocese de Castanhal (PA). A missa será na Catedral da Sé. Às 18h, posse do padre Wilson Pereira dos Santos, Paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Matias (rua Saint Gall, 412, Lauzane Paulista, Setor Mandaqui).

Centro de Formação Pastoral Frei Galvão promoveu, em 2013, Semana Teológica com grande número de participantes, no campus Santana da PUC-SP

turgia”, no segundo semestre. Para aqueles que já concluíram o curso de Teologia, a Escola de Teologia para Leigos, dentro de seu espaço Formação Permanente, oferece um módulo anual de “A Fé na Bíblia” e “Mariologia”, aos sábados, e outro módulo com “Documentos Conciliares / Geral” e “Constituição Sacrosanctum Concilium”, às quintas-feiras. Este ano, haverá a disponibilidade de um horário alternativo para a Escola de Teologia (somente 1º ano), nas noites de sextas-feiras, exclusivamente na Paróquia de Santana (avenida Voluntários da Pátria, 2.060, próxima à estação Santana do Metrô). Todos os demais cursos se desenvolvem no Centro de Formação (avenida Marechal Eurico Gaspar Dutra, 1.853, próximo à estação Parada Inglesa do Metrô). Mais informações e disponibilidade dos horários podem ser obtidas na secretaria do Centro de Formação Pastoral de 2ª à 6ª feira, das 13h30 às 18h, no telefone 11 2991-5882 ou no e-mail cpfreigalvao@ gmail.com. Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar na Região Santana, presidirá a missa de abertura dos cursos na Paróquia de Santana, dia 14 de fevereiro, às 20h. As aulas começarão a partir do sábado, dia 15 de fevereiro. No início do mês de janeiro, dom Sergio enviou carta a cada padre solicitando seu apoio para as escolas: “Nós, eu e você, somos responsá-

veis pela esperança que nos foi confiada; como nos recorda o apóstolo Pedro: devemos estar prontos a dar a razão e não só com palavras, com a capacidade de doação, a doçura, o respeito e a capacidade de sofrer por causa da esperança (1Pd 3,15ss). Precisamos ser difusores da esperança. E, aqui, gostaria de uma atenção especial sua, porque um dos meios de difundir a esperança em nossa Região Episcopal é a Escola de formação, através da Escola de Teologia e a Escola de Evan-

gelização. Peço que incentive em sua comunidade paroquial estas escolas. anime os discípulos missionários no processo de compreensão e crescimento da fé”, disse o Bispo. O investimento mensal para a Escola de Teologia é de R$ 50 e para a Escola de Evangelização é de R$ 30. Caso o aluno leve um amigo para estudar, terá um mês grátis. A cada semestre os alunos receberão um certificado de extensão universitária da PUC/SP. O Centro de Formação Pasto-

ral Frei Galvão, além dos cursos normais, promove anualmente sua já tradicional Semana Teológica, dedicada a temas atuais e destinadas não só aos alunos, mas a todos os interessados. Em 2013, com o tema “A Nova Evangelização na Cidade à Luz do Documento de Aparecida”, com presença média de 250 participantes, a semana teve assessoria do professor João Décio Passos, da PUC-SP, e do professor Alexandre Awi Isch, doutorando em Mariologia nos EUA.


Região Sé

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As inscrições para Itelsé já estão abertas Curso de Teologia para leigos na Região Sé retoma as aulas em 10 de fevereiro Fernando Geronazzo

Colaborador de Comunicação da Região

O Instituto de Teologia da Região Episcopal SÉ Sé (Itelsé) está com as inscrições abertas para o ano letivo de 2014. As aulas começam no dia 10 de fevereiro. Há 38 anos, o Itelsé oferece um caminho de ‘formação pastoral’ para facilitar a compreensão das várias dimensões e orientações da Teologia no que diz respeito à linguagem, aos métodos e à sua importância na reflexão e na vida prática da Igreja e da sociedade. Padre Sérgio Bradanini, diretor do Instituto, destaca o valor do estudo teológico para os leigos. “Recordemos que o Documento de Aparecida manifestou o desejo da Igreja em ter leigos adultos e maduros. A Teologia bem entendida, não só como ciência acadêmica, ajuda a compreender o andamento do mundo inteiro. É necessária para todos, para o povo cristão, para que sejam testemunhas do mundo no coração da Igreja e testemunhas da Igreja no coração do mundo.” Ao reforçar o convite para que os leigos se interessem pelo estudo da Teologia, padre Sérgio mencionou a exortação apostólica Evangelii Nuntiandi, do papa Paulo 6º. A exortação que diz que o mundo de hoje acredita mais em testemunhas

do que nos mestres e aceita os mestres na qualidade de testemunhas, aspecto fundamental vivido pela Igreja, sobretudo nesse contexto de Ano da Fé. Para dom Tarcísio Scaramussa, bispo auxiliar de São Paulo e vigário episcopal da Região Sé, o Itelsé é uma verdadeira comunidade de aprofundamento da fé. Ele espera que 2014 seja “mais um ano de estudos e compromisso na fé, à luz do que o papa Francisco tem reforçado de que todos são chama-

dos a anunciar o Evangelho”. Marlene de Oliveira Pantoja, 21, é natural da Ilha do Marajó (PA). Atualmente morando em São Paulo, ingressou no Itelsé no ano passado. “Está sendo ótimo. É muito bom aprender sempre mais e trocar experiências com os colegas de diferentes realidades, sem contar os professores. Percebo que eles transmitem para nós uma fé vivida concretamente”, disse a jovem que está fazendo experiência vocacional na Congregação das

Agostinianas Missionárias. O curso de Teologia tem duração de três anos e conta com um quarto ano opcional. Em sua programação, são abordados os seguintes temas: Introdução geral à Teologia; Atenção particular ao estudo da Sagrada Escritura; A importância da Teologia Sistemática, que ressalta as grandes questões da Revelação cristã; ALiturgia que celebra o mistério de Cristo e a vida da Igreja como comunidade de irmãos; A Teologia Moral, que indaga a

dignidade e o comportamento humano à luz da fé. O curso acontece todas as segundas-feiras, no Colégio Maria Imaculada (avenida Bernardino de Campos, 79, no bairro do Paraíso). Além do curso de Teologia, o Itelsé oferece cursos extras de Catequese. As informações sobre matrícula e grade curricular dos cursos também estão no site da Região Sé (www.regiaose. org.br) ou pelo telefone (11) 3826-4999. Arquivo/Centro de Pastoral – Região Sé

Padre Sérgio Bradanini é diretor do Itelsé, que há 38 anos oferece curso de Teologia para leigos na região; aulas para as novas turmas começam dia 10 de fevereiro

A I U Q TU20R14

01Maio – São Paulo / Istambul 02 Maio – Istambul 03 Maio – Istambul 04 Maio – Istambul / Konia 05 Maio – Konia / Capadocia 06 Maio – Capadocia 07 Maio – Capadocia 08 Maio – Capadócia / Antioquia 09 Maio – Antioquia / Silifke 10 Maio – Silifke / Alanya

11 Maio – Alanya / Antalya 12 Maio – Antalya 13 Maio – Antalya 14 Maio – Antalya / Pamukkale 15 Maio – Pamukkale 16 Maio – Pamukkale / Izmirna 17 Maio – Izmirna 18 Maio – Izmirna / Pergamo / Tróia / Çanakkale 19 Maio – Çanakkale / Istambul 20 Maio – Istambul / São Paulo

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Região Brasilândia

Dom Angélico Bernardino comemora 81 anos Renata Moraes

Junto ao povo, Bispo que têm sua história marcada pelas lutas em favor da melhoria de vida dos mais pobres, festejou aniversário natalício Renata Moraes

Colaboradora de comunicação da Região

Na manhã do domingo, 19, reunido com o povo em tor- BRASILÂNDIA no à mesa do altar, dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC) e primeiro bispo da Região Brasilândia, celebrou 81 anos de vida. A missa foi presidida pelo aniversariante, na Paróquia Santos Apóstolos, no Jardim Maracanã, e concelebrada pelos padres Antônio Leite Barbosa Júnior (padre Toninho), pároco, Armênio Rodrigues Nogueira, vigário paroquial, e Hamilton Wagner da Rosa, pároco na Paróquia Nossa Senhora das Dores. A igreja estava lotada. Fiéis dos sete setores pastorais que compõem a Região, autoridades políticas, amigos e membros de pastorais da Arquidiocese de São Paulo foram levar abraços de “quebrar ossos” ao Bispo. Em sua homilia, dom Angélico falou sobre o amor de Deus. “Todos podemos sim amar mais e melhor. Nós seremos santos, à medida que amamos a Deus e ao próximo.” E encerrou dizendo que “podemos iluminar o mundo com nossos gestos de amor”. Em ação de graças, o Bispo recebeu homenagens do clero atuante na Brasilândia, representado pelo padre Toninho e recebeu flores dos leigos. Momento forte da celebração foi quando a música de Roberto Carlos, “Meu querido, meu veagenda regional

Sexta-feira a domingo (31 de janeiro a 2 de fevereiro), 10h 3º Acampamento Jovem Levanta-te, da Missão Mensagem de Paz (avenida Paula Ferreira 3715, em Pirituba). Inscrições em http://acampamento. mensagemdepaz.org.br. Informações no telefone (11) 2362-8093.

Ao comemorar 81 anos, dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC), preside missa na Paróquia Santos Apóstolos, na Brasilândia

lho, meu amigo”, foi entoada como homenagem. O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) e sua esposa, Alice Yamaguchi, que são amigos há muito tempo de dom Angélico, também expressaram sua gratidão. Paulo Teixeira lembrou a importância do Bispo. “Dom Angélico na Igreja de São Paulo teve um papel

fundamental na organização dos trabalhadores por meio da Pastoral Operária, das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e também pela sua coragem de denunciar e fazer o enfrentamento necessário no período da ditadura militar.” E completou: “Ele é alguém que só traz mensagens positivas, e que é capaz de traduzir o Evangelho

de uma maneira muito simples”. Em entrevista à Pascom Brasilândia, o Bispo expressou seu agradecimento a Deus pelo dom da vida. “A vida é um grande dom de Deus. Comemorar meus 81 anos com o povo reunido em torno à mesa do altar, dando graças a Deus, é uma alegria maior. Eu me sinto pro-

fundamente grato, por ser um pequenino discípulo de Jesus e missionário dele, só posso dizer que Deus é Amor.” E também agradeceu ao povo que lhe faz irmão na caminhada. “E que juntos, de mãos dadas, continuemos a caminhar em solidariedade, justiça, transparência e em verdade, na construção do Reino”, encerrou.

palavra do bispo

São Paulo Apóstolo: testemunha de vida cristã (2) Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia

Dom Milton Kenan Júnior

Em nossa preparação para a festa patronal da Arquidiocese de São Paulo, a Festa da Conversão de São Paulo, que ocorrerá no próximo sábado, vamos, nos próximos dias, realizar o tríduo em honra de São Paulo, refletindo sobre os temas: “A fé cresce quando se reparte”, “Na Igreja, a Palavra produz frutos” e “Ide, sem medo, para servir”. Esses temas nos levam a compreender a importância de apresentar a fé como escolha pessoal, decisão intransferível e compromisso comunitário; razão para a compreensão da iniciação à vida cristã, proposta neste

ano como um dos destaques pastorais. A fé é sempre uma escolha! Nos inícios da Era Cristã, como hoje, em muitas partes do mundo, a fé implicava riscos, consequências, até mesmo a perda da vida. Daí o fato de que, ao crermos, fazemos uma escolha que hoje, sobretudo, parece não corresponder às expectativas “normais” das pessoas, pois rompe com os padrões e acaba por produzir um estilo novo de vida, com novos critérios para julgar e decidir. A fé é decisão, uma decisão pessoal, algo que não podemos delegar ou transferir a outro. Na profissão de fé, quando interrogados: “Credes em Deus Pai...”; “Credes em Jesus Cristo...”; “Credes no Espírito Santo...”, respondemos: “Creio”. É uma resposta sempre no singular! Embora a

pergunta se dirija à assembleia reunida, a resposta é sempre pessoal, demonstrando assim que se trata de uma decisão pessoal, uma escolha própria, que se faz em nome próprio e jamais no lugar do outro. A fé implica sempre um compromisso comunitário. Nós não fabricamos a fé, nós a herdamos da Igreja; e, ao professá-la, nós nos inserimos na esteira de muitos irmãos e irmãs nossos que abraçaram a fé e a testemunharam com suas vidas e professaram com seus lábios. Professando a fé, nós nos inserimos na grande assembleia de fiéis de todos os tempos e, ao mesmo tempo, nós manifestamos nosso compromisso em viver esse compromisso no seio de uma comunidade de fé. O Apóstolo São Paulo, cuja festa nos preparamos para celebrar, nos convida a refletir

sobre esses três aspectos da nossa adesão ao Evangelho: escolha, decisão e compromisso. É em razão desses elementos que falamos em “Igreja: casa de iniciação cristã!”. Deveria ser essa a preocupação, em nossas comunidades, ao acolher crianças, jovens e adultos na Catequese e nos diversos encontros de formação cristã. O exemplo de São Paulo, testemunha da vida cristã, atesta quão difícil possa ser viver a fé nessas três dimensões; mas, ao mesmo tempo, nos manifesta a beleza desse ato e o quanto ele pode ser iluminador para nossas vidas. Celebremos, com alegria, a festa da conversão de São Paulo, considerando que a conversão sempre implica escolha, decisão e compromisso. Só assim ela nos garante alegria e ardor missionário.


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Papa nomeia novo bispo para Bom Jesus de Gurgueia (PI) Na quarta-feira, 15, o papa Francisco nomeou o padre Marcos Antônio Tavoni, 46, como bispo da Diocese de Bom Jesus de Gurgueia (PI). Natural de São Carlos (SP), foi ordenado padre em novembro de 1996, em Brasília. Quando seminarista, ele participou de uma missão itinerante na Amazônia, nas cidades de Belém, Manaus e Porto Velho. Cardeal dom Odilo Scherer

Arcebispo Metropolitano de São Paulo

Tendo regressado, hoje [dia 20], de um período de descanso, tomei conhecimento de manifestações e interpretações, nem sempre corretas, de alguns grupos, insatisfeitos por causa de transferências de alguns párocos na Região Episcopal Ipiranga nos dias 6 a 9 de dezembro de 2013, por mim decididas após reunião com a Comissão de Presbíteros e o vigário episcopal daquela Região, e após dialogar pessoal e individualmente com eles. Tendo em vista a repercussão que tais manifestações suscitaram, a bem da verdade, venho esclarecer o que segue. Tenho compreensão por visões e pareceres diferentes sobre a questão, que algumas pessoas possam ter; e me alegro em saber do apreço pelos padres, sinal de que eles marcaram positivamente a comunidade com seu trabalho e dedicação. Deus seja louvado! No entanto, é prática usual na Igreja que haja transferências de párocos e que estes possam ser chamados a desempenhar novas missões, conforme previsto pelas orientações e normas da Igreja. Tal decisão, finalmente, deve ser assumida, em consciên-

Esclarecimento sobre a transferência de párocos Luciney Martins/O SÃO PAULO

cia, por quem de direito e dever: o bispo diocesano. Afirmo que nada foi feito à revelia do que a Igreja prescreve para as transferências de párocos. Esclareço também que nenhum padre ficou sabendo de sua transferência por mídias sociais, uma vez que essas decisões só foram confirmadas com eles no diálogo pessoal de cada padre interessado comigo. E apenas um Padre, por escolha

Vaticano, 17 de dezembro de 2013 Senhor Cardeal, Tenho a alegria de lhe comunicar que o Santo Padre, aceitando o pedido feito pela Rev.da Irmã Alda Mônica Malvessi, Superiora Geral do Instituto das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo, concedeu que a celebração do Rito de Beatificação da Venerável Serva de Deus, Maria Assunta Catarina Marchetti, seja realizada nessa Cidade no sábado, 25 de outubro de 2014. Será representante do Santo Padre o Em.mo Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos. Ao lhe comunicar quanto precede, apraz-me pedir a Vossa Eminência que faça contato diretamente com a Congregação das Causas dos Santos para tratar daquilo que se refere à organização da celebração. Aproveito a oportunidade para confirmar-me com sentimentos de profunda consideração: Arcebispo Angelo Becciu Substituto da Secretaria de Estado

dele mesmo, foi atendido na Catedral metropolitana, após a celebração de uma missa, no dia 8 de dezembro. Agradeço a cada padre que se dispôs, aceitar uma nova missão, mesmo que isso lhe possa ter custado alguma renúncia ou desconforto. Agradeço aos leigos e às comunidades, que aceitaram generosamente, mesmo com alguma dor, “perder” o seu pároco e “ganhar” um outro. As mudan-

ças, vistas à luz da fé eclesial, trazem benefícios e fazem crescer. Convido todos os paroquianos a acolher bem os novos párocos, em qualquer parte da Arquidiocese de São Paulo e a colaborar com eles no desempenho da sua missão. Acolhamos bem igualmente o convite do papa Francisco a sermos uma “‘Igreja em saída’, em processo de conversão missionária, sempre prontos a renovar-nos na missão, para prestar um bom serviço ao Evangelho e a Jesus Cristo, Pastor dos pastores” (cf. Evangelii Gaudium/A Alegria do Evangelho, nn. 19-49). Nestes dias, em que nos preparamos para a festa do nosso Patrono, o apóstolo São Paulo (25/01), quero recordar uma palavra insistente dele à comunidade de Corinto, onde estavam sendo infiltradas sementes de divisão e discórdia: “Irmãos, eu vos exorto, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, a que estejais todos unidos no que falais e que não haja divisões entre vós, pelo contrário, sede bem unidos no sentir e no pensar” (1Cor 1,10). Que São Paulo nos contagie mais e mais com seu ardor missionário! Deus abençoe a todos! São Paulo 20.01.2014 Card. Odilo P. Scherer, Arcebispo de São Paulo

Paulo, apresentado pelo Rev.mo Côn. Antonio Aparecido Pereira, CÚRIA nomeio para o mesmo cargo o METROPOLITANA Rev.mo Pe. Michelino Roberto, DE SÃO PAULO para o mandato de 5 anos. O Espírito Santo o ilumine e assista no desempenho de sua missão. Esta provisão entrará em vigor no dia NOMEAÇÃO 31 de janeiro de 2014, revogadas todas as disposições em contráDE DIRETOR RESPONSÁVEL PELO JORNAL O SÃO PAULO rio. São Paulo, 17 de dezembro de DA ARQUIDIOCESE DE SÃO 2013. PAULO Odilo Pedro Scherer Arcebispo de São Paulo Tendo acolhido o pedido de exoneração do cargo de Diretor Responsável do Jornal O SÃO Pe. Eduardo Vieira dos Santos Chanceler do Arcebispado PAULO, da Arquidiocese de São

Direto de Roma Encontro anual do Apostolado do Mar

O Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes promove, no Vaticano, desde a segunda-feira, 20, até o próximo dia 24, o Encontro Anual dos Coordenadores Regionais do Apostolado do Mar, que contará com a participação de delegados de nove regiões do Apostolado de todo o mundo. O evento, que será presidido pelo cardeal Renato Raffaele Martino e pelo arcebispo Agostinho Marchetto, tem o objetivo de avaliar o trabalho desenvolvido pela entidade e refletir sobre os projetos e estratégias, que podem ser lançados no setor marítimo. A Obra do Apostolado do Mar foi fundada há 90 anos para promover uma pastoral específica para as pessoas que vivem e trabalham no mar. Os participantes estarão presentes na próxima Audiência Geral de quarta-feira, no Vaticano, para receberem o encorajamento e a bênção do Santo Padre.

Concluídos trabalhos da Comissão vaticana de investigação sobre Medjugorje

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi – interpelado por jornalistas –, confirmou que na sexta-feira, 17, se realizou a última reunião da Comissão internacional de investigação sobre Medjugorje, constituída pela Congregação para a Doutrina da Fé – sob a presidência do cardeal Camillo Ruini – em março de 2010. A Comissão concluiu assim seus trabalhos. Como previsto, o êxito do estudo será agora submetido às instâncias competentes do referido dicastério vaticano.

Fundação Centesimus Annus lança 2ª edição do Prêmio Internacional reservada para jovens investigadores na Doutrina Social da Igreja

Para promover o conhecimento da Doutrina Social da Igreja Católica, a Fundação Centesimus Annus - Pro Pontífice anunciou num Comunicado a segunda edição do Prêmio internacional “Economia e Sociedade”. O aviso de concurso consiste em duas seções: - uma que se refere ao Prêmio Internacional, no valor de 30 mil euros para publicações no âmbito econômico e social, que dão conta dos resultados de investigações científicas realizadas por estudiosos que no curso das suas atividades se dedicaram e distinguiram particularmente neste campo do conhecimento ; a outra seção do Prêmio, e que representa a novidade desta segunda edição, é destinada a jovens investigadores na Doutrina Social, e tem o valor de 20 mil euros para serem distribuídos entre dois ou mais jovens investigadores.


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Divulgada mensagem do Papa para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações O Vaticano divulgou na quinta-feira, 16, a mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será em 11 de maio, com o tema “Vocações, testemunho da verdade”. Na mensagem, o Papa diz que “toda vocação exige sempre um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho”.

‘Nós, como Igrejas, somos peregrinos da verdade’ Os documentos do Concílio Vaticano 2º que tratam do diálogo ecumênico e inter-religioso foram tema de Simpósio promovido pela CNBB em São Paulo Nayá Fernandes

so que já existem nas dioceses e nos regionais”, disse padre Elias Woff, assessor da Comissão da CNBB. Ele destacou que é necessário fomentar a criação de comissões diocesanas para o ecumenismo, a formação dos agentes de pastoral para vincular ecumenismo e pastoral e a produção de subsídios para os professores de Ensino Religioso, principalmente nas escolas públicas. Ao ser questionado sobre algumas posições mais polêmicas que dificultam esse diálogo,

o Padre recordou que “a Igreja não é a única verdadeira e, por isso, vale a pena recuperar o que João Paulo 2º disse: ‘A verdade ninguém a possuiu. Ela nos possui’”. “Nós, como Igrejas, somos peregrinos da verdade. Então o mistério sobre Deus e o sagrado não se esgotam em nenhuma Igreja. Há muitos cristãos não católicos que vivem coerentemente o Evangelho e que são santos e salvos porque vivem o Evangelho. Isso mostra que o Evangelho não está trancafiado dentro de doutri-

nas ou estruturas de Igrejas e religiões”, afirmou padre Elias. O papa Paulo 6º, ao referirse sobre a questão do diálogo, diz que este acontece “em tese” no Concílio, “quiçá” acontecesse realmente. O movimento ecumênico nasce fora da Igreja Católica, porque os protestantes veem que as divisões significavam um impedimento à evangelização. Para Edison Costa, membro do Movimento Ecumênico do Rio Grande do Sul e do Centro de Estudos Bíblicos (Cebi), os documentos do Concílio Ecu-

Reportagem na zona sul

O 5º Simpósio: “Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso – 50 anos de Unitatis Redintegratio, Nostra Aetate e Dignitatis Humanae” aconteceu entre os dias 17 e 19, no Centro de Formação Sagrada Família, no Ipiranga. O evento, que teve assessoria dos padres Marcial Maçaneiro e Gabriele Cipriani, foi promovido pela Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da CNBB e reuniu pessoas de todo o Brasil. “O objetivo é rever e aprofundar os documentos do Concílio Ecumênico 2º, que orientam o diálogo inter-religioso e fazer com que aqui no Brasil se fortaleçam as iniciativas de diálogo ecumênico e inter-religio-

mênico Vaticano 2º dão luzes de como se deve agir em relação às demais Igrejas. “Os documentos dão as orientações. Depois, cada grupo deve adequar à sua realidade. No incêndio da boate Kiss, em Santa Maria (RS), os movimentos ecumênicos participaram desde o início com celebrações e apoio às famílias e continuam ainda hoje. Já em Pelotas (RS), por exemplo, o grupo ecumênico está diretamente ligado ao Ensino Religioso na cidade”, explicou. Luciney Martins/O SÃO PAULO

Estudantes, professores e agentes de pastoral de todo o Brasil participam do 5º Simpósio de Diálogo Ecumênico e Inter-religioso, entre os dias 17 e 19

O decreto conciliar Unitatis Redintegratio Aprovado no dia 21 de novembro de 1964, o decreto tem o objetivo de promover a restauração da unidade entre todos os cristãos, com o argumento de que Cristo Senhor fundou uma só e única Igreja. “Todavia, são numerosas as comunhões cristãs que se apresentam aos homens como a verdadeira herança de Jesus Cristo”, diz o preâmbulo do decreto. Assim, o movimento chamado ecumênico iniciou na ala evangélica e isso é documentado pelo Unitatis Redintegratio. “O Senhor dos séculos, porém, prossegue sábia e pacientemente o plano de sua graça a favor de nós, pecadores. Começou ultimamente a infundir de modo mais abundante nos cristãos separados entre si a compunção de coração e o desejo de união. Por toda a parte, muitos homens sentiram o impulso desta graça. Também surgiu entre os nossos irmãos separados, por moção da graça do Espírito Santo, um movimento cada vez mais intenso em ordem à restauração da unidade de todos os cristãos. Este movimento de unidade é chamado ecumênico.” O documento, que teve uma aprovação polêmica, sobretudo no que se refere à liberdade religiosa, frutificou em outro documento também aprovado no Concílio e intitulado Dignitatis Humanae, sobre a liberdade religiosa.

A declaração conciliar Nostra Aetate Esta declaração foi promulgada no dia 28 de outubro de 1965, pelo papa Paulo 6º, sendo um dos importantes documentos do Concílio Vaticano 2°. “Hoje, que o gênero humano se torna cada vez mais unido, e aumentam as relações entre os vários povos, a Igreja considera sua relação com as religiões não cristãs.” O trecho acima encontra-se logo no início do documento e revela a preocupação da Igreja com a unidade de todos os povos. Ela, afirma porém, que o fim de todos é Deus e que as diversas religiões são procuradas como resposta para esse enigma humano sobre o que há depois da morte. Logo após a introdução, a Igreja fala diretamente a Hinduístas e Budistas: “A Igreja Católica nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo. Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver”. À religião Islâmica, a Igreja Católica reconhece o fato de eles adorarem ao Deus Único e “exorta todos que, esquecendo o passado, sinceramente se exercitem na compreensão mútua”. Por fim, a Declaração fala sobre a fraternidade universal e a reprovação de toda a discriminação racial ou religiosa possível e conclui desejando que todos “tenham paz com todos os homens, quanto deles depende, de modo que sejam, na verdade, filhos do Pai que está nos céus”.

A declaração conciliar Dignitatis Humanae O documento foi um dos mais controversos do conjunto dos documentos do Concílio Ecumênico Vaticano, promulgado em 7 de dezembro de 1965. Não o mais significativo do ponto de vista eclesial ou ecumênico, mas, relevante pelas tensões levantadas e pelo longo período de discussões dos grupos até que fosse aprovada no último período do Concílio. O documento, nas entrelinhas, traz à tona todo o trabalho incansável de grupos que trabalharam para que uma realidade tão importante na sociedade não fosse desconsiderada no evento de maior importância da Igreja Católica do século e que acontecessem avanços em todos os âmbitos. Mas, a pergunta que dificultava a aprovação do documento e causou divisão entre os votantes era: dar ou não liberdade ao erro? As tensões destes grupos com ideias divergentes podem ser percebidas após uma leitura atenta da Dignitatis Humanae, e também algumas contradições como a afirmação de que as religiões são caminhos para se chegar a Deus e a religião católica o único caminho, no primeiro artigo. As novidades e avanços trazidos pela declaração dizem respeito à dignidade humana e suas escolhas, bem como o respeito à liberdade religiosa.


Luciney Martins/O SÃO PAULO

ESPECIAL 460 ANOS | Edição 2986| 21 a 27 de janeiro de 2014

São Paulo, 460 anos de fé


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Especial 460 anos

Arquidiocese surge no século 20 Redação

Em 7 de junho de 1908, a Diocese de São Paulo se tornou Arquidiocese e sede da Província Eclesiástica de São Paulo. O primeiro arcebispo foi dom Duarte Leopoldo e Silva, tendo

sido precedido, no começo do século, ainda na fase de diocese, por dom Antonio de Alvarenga (1899-1903) e dom José de Camargo Barros (1904-1906). Ao longo do tempo, cada arcebispo buscou atender às necessidades pastorais da cidade. (DG)

Dom Duarte Leopoldo e Silva (1908-1938) Criou o Museu de Arte Sacra, o Arquivo Metropolitano (1918) e o Seminário Central do Ipiranga (1934), iniciou as obras da Catedral da Sé (1913) e organizou o 1º Congresso Eucarístico de São Paulo (1915). Também exortou os fiéis à solidariedade diante da epidemia de gripe espanhola, em 1918, e das mortes no levante Tenentista (1924) e na Revolução Constitucionalista (1932). No período, surgiram na cidade o viaduto Santa Ifigênia (1913), a Universidade de São Paulo (1935) e o Aeroporto de Congonhas (1936). Também começaram a operar os primeiros ônibus (década de 1920). A população, que em 1920 era de 579 mil pessoas, ultrapassou a marca de 1,3 milhão, em 1940.

Cidade e Igreja crescem ao longo dos séculos Assim descreveu, em carta aos seus superiores Jesuítas, José de Anchieta, que ainda não era padre: “A 25 de janeiro do ano do Senhor de 1554, celebramos, em paupérrima e estreitíssima casinha, a primeira missa, no dia da conversão do Apóstolo São Paulo e, por

isso, a ele dedicamos nossa casa”. Da “casinha” que os Padres Jesuítas, entre os quais Manuel de Paiva e Manuel da Nóbrega, construíram, surgiu, em 1556, o Colégio de São Paulo de Piratininga (atual Pátio do Colégio), ao redor do qual se formou um povoado, elevado a vila em 1558. Ao longo dos séculos, cidade e Igreja não pararam de crescer.

Reprodução

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Daniel Gomes Redação

Dom José Gaspar d´Afonseca e Silva (1939-1943) Reorganizou os serviços eclesiásticos, criou mais de 40 paróquias e o Amparo Maternal (1939), e coordenou o 4º Congresso Eucarístico Nacional (1942), antes de falecer em um desastre de avião, em 1943. No período, a cidade passou pela remodelação do sistema viário, para expandir vias no centro. Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta (1944-1964) O primeiro cardeal da história da Igreja em São Paulo implantou na Arquidiocese as reformas do Concílio Vaticano 2º. Além disso, fundou a PUC-SP (1946), a rádio 9 de Julho e o O SÃO PAULO (1956), idealizou a campanha “Uma paróquia em cada bairro” e inaugurou, ainda sem as torres, a Catedral da Sé (1954). Em 1964, tornou-se o primeiro arcebispo de Aparecida. No período, a indústria era a força econômica da capital, que, com a intensa chegada de migrantes nordestinos, superou a marca de 3,7 milhões de habitantes, em 1960. Dom Agnelo Rossi (1964-1970) Mesmo no auge do regime militar, não se esquivou de questionar os ditadores. Também estimulou o protagonismo dos leigos e deu atenção às comunidades estrangeiras. Em 1966, a Arquidiocese foi dividida em quatro regiões episcopais. Em 1970, dom Agnelo foi designado para chefiar a Congregação para a Evangelização dos Povos. Naquele ano, viviam na capital paulista 5,9 milhões de pessoas. Cardeal dom Paulo Evaristo Arns (1970-1998) Umas de suas primeiras ações foi vender o Palácio Episcopal, utilizando o dinheiro para construir comunidades de base na periferia. “Na Campanha da Fraternidade de 1972, ele convidou os representantes das nove regiões, na época, e colocou o objetivo de criar comunidades, lideranças, e servir ao povo. A grande inovação foi de não querer estruturas ou pensar em uma Igreja instituição, mas numa Igreja povo”, recordou, ao O SÃO PAULO, o padre Ubaldo Steri, primeiro responsável pela Operação Periferia, como ficou conhecida a iniciativa. Dom Paulo enfrentou a repressão do regime militar, que impôs censura ao semanário arquidiocesano e cassou a concessão da rádio 9 de Julho. Em 1972, o Cardeal criou a Comissão Justiça e Paz. Motivou o povo pelas Diretas Já (1983-1984) e a Constituinte de 1988. No período, a cidade passou por significativas mudanças: perdas de indústrias, aumento das atividades do setor de serviços e intensificação das desigualdades sociais. Em 1974, foi inaugurado o metrô e, em 1982, o Terminal Rodoviário do Tietê. Em 1991, 9,6 milhões de pessoas viviam em São Paulo. Cardeal dom Cláudio Hummes (1998-2006) Revisitou a cidade no Seminário da Caridade, incentivando a presença da Igreja junto aos pobres. Articulou o restauro da Catedral da Sé (de 1999 a 2002) e a reabertura da rádio 9 de Julho (1999), e foi o responsável pela organização da cerimônia de canonização da Madre Paulina, em 2002. Nomeado prefeito da Congregação para o Clero, deixou a Arquidiocese em 2006. No período, houve a expansão das linhas de trens às margens do rio Pinheiros e a intensificação de ações governamentais na tentativa de solucionar as mazelas sociais. Em 2000, mais de 10,4 milhões de pessoas viviam em São Paulo. Cardeal dom Odilo Pedro Scherer (desde 2007) Entre seus feitos está a organização da celebração de canonização de Santo Antônio de Sant´Anna Galvão (2007), a condução do Ano Paulino na Arquidiocese (2008-2009), do 1º Congresso Arquidiocesano de Leigos (2010) e da Semana Missionária da JMJ (2013). Lançou as cartas pastorais “Paróquia, torna-te o que tu és” (2011) e “Senhor, aumentai a nossa fé!” (2012). A cidade mantém uma economia centrada no setor de serviços e as mazelas sociais persistem. De acordo com o Censo de 2010, 11,2 milhões de pessoas vivem na capital. Fonte de pesquisa: O SÃO PAULO, sites da Prefeitura de São Paulo e SPTrans, e livro“A Igreja nos quatro séculos de São Paulo”(1955).

Século 17: bandeirantes e a expulsão dos Jesuítas A coroa portuguesa incitou os vassalos de São Paulo a expedições pela colônia, e os bandeirantes foram: primeiro para o aprisionamento de índios ao trabalho escravo,

depois para a descoberta de riquezas minerais. Contrários à captura e escravização dos índios, os Jesuítas foram expulsos em 1640.

Século 18: surge a Diocese de São Paulo Em 1711, o rei dom João 5º elevou a vila a cidade, e começou a se cogitar a criação de um bispado, o que aconteceu em 1745. O primeiro bispo foi dom Bernardo Rodrigues Nogueira (1745-48), seguido, naquele século, por dom Antonio da Madre de Deus (1751-64), dom Manuel da Res-

surreição (1771-89) e dom Mateus Pereira (1795-1824). A cidade manteve-se como entreposto comercial para escoamento da produção da colônia. Em 1774, foi inaugurado o Mosteiro da Luz, construído por frei Antônio de Sant´Anna Galvão, canonizado em 2007.

Século 19: a chegada dos imigrantes Capital da Província desde 1815, a cidade foi palco da proclamação da Independência do Brasil, por dom Pedro 1º, em 1822, às margens do Ipiranga. A iniciativa teve o apoio do bispo dom Mateus Pereira, que foi sucedido, naquele século, por dom Manoel Joaquim Andrade (1827-47), dom Antonio de Mello (1852-61), dom Sebastião do Rego (186268), dom Lino de Carvalho (1873-94) e dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque (189497). No período, houve as inaugurações da Faculdade de Direito (1827), da linha férrea

(1865), da rede de bondes com tração animal (1872), da avenida Paulista (1891) e do Museu do Ipiranga (1895). A expansão da lavoura cafeeira no estado elevou a população na capital, especialmente pela chegada dos imigrantes. O Censo de 1872 indicava 31.385 moradores, o de 1900, 239.820. A Arquidiocese foi criada em 1908, disseminando a presença da Igreja pela cidade, sob o comando de sete arcebispos nos séculos 20 e 21 (veja ao lado)


Especial 460 anos

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Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Para comunicar a Palavra às pessoas de hoje A Igreja em São Paulo e os desafios à evangelização, a partir do olhar de quem vive o dia a dia na metrópole Nayá Fernandes Redação

A Igreja na cidade de São Paulo busca, a cada dia, novas formas de anunciar a Palavra com aquele mesmo espírito do Apóstolo que falou a todos: judeus, gentios, gregos. E ele tem muito a ensinar, pois para alguns estudiosos, Paulo foi um dos únicos, na história da Igreja, a viver a inculturação do Evangelho. Hoje, a comunidade dos fiéis continua o projeto de comunicar às pessoas do seu tempo a mensagem perene da Boa-Nova. Para falar sobre os desafios da evangelização na metrópole, O SÃO PAULO ouviu o jornalista e leigo Paulo Teixeira; a irmã Lizete Soares da Cunha, religiosa da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, e o

padre Antonio Manzatto, professor de teologia na PUC-SP. Lizete acolhe as pessoas que passam pela Casa de Encontros que a Congregação tem no bairro do Ipiranga. Para ela, “o maior desafio é a inculturação, para acolher e compreender expressões culturais peculiares. São Paulo, por ser também um grande polo econômico que foi constituído a partir do fenômeno migratório e, portanto, carrega em seu bojo as contradições das desigualdades sociais. Assim, há muitas pessoas vivendo de forma desumana, abaixo da

linha da pobreza, e esse também é outro grande desafio”. Paulo afirmou que a Igreja na grande cidade tem o desafio de mostrar que também é grande. “Ela precisa mostrar que não é somente o templo, nem só o padre, mas que os católicos formam uma grande comunidade. Acho que é um desafio formar comunidades que acolham e evangelizam. As paróquias devem ser mais do que um grupinho ou uma prestadora de serviços religiosos.” O jovem apontou o desafio de entender que a evangelização se dá além das paróquias.

“Outro dia, uma senhora me disse que, às vezes, é difícil conciliar a vida social com a vida religiosa, mas o ideal é que o fiel leigo paute sua vida pelos valores cristãos e não haja distinção. A coerência é um testemunho que evangeliza”, disse. Padre Antonio Manzatto destacou dois desafios. O primeiro é a realidade da periferia. “Facilmente abandonada e esquecida por todos, sua força é grande e seu dinamismo é imenso. Foi a periferia inventar os ‘rolezinhos’ e o centro imediatamente se preocupou. De lá poderia vir, também,

grande impulso evangelizador atingindo o cerne da cidade.” “Mesmo quando se pergunta se da periferia pode vir algo de bom, é forçoso ver que as grandes transformações acontecem de baixo para cima. E Jesus mesmo rezava dizendo: ‘Eu te louvo Pai porque escondestes estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos; sim, Pai, porque assim foi do teu agrado’ (Mt 11, 25)”, lembrou. Para o Padre, que atua nas comunidades de base da Brasilândia, zona noroeste da capital, o segundo desafio é o do protagonismo dos leigos. “Em tempos de clericalismo, leigos e leigas são facilmente esquecidos ou então vistos simplesmente como enviados do clero, a quem devem serviço e obediência. A afirmação do sagrado ahistórico apenas aumenta o poder clerical, visto como representante ou controlador do sagrado. O papa Francisco alerta contra este perigo. Privilegiar a formação de leigos e leigas e abrir-lhes espaço de participação na vida e na estrutura eclesial pode trazer renovada força evangelizadora para a Igreja desta cidade grande”, explicou.

São Paulo e os desafios para a evangelização edcarlos bispo de santana

Redação

Quando se fala em Arquidiocese de São Paulo, deve-se ter desenhada a ideia de que essa circunscrição eclesiástica é formada por uma parte da capital paulistana, sendo alguns extremos pertencentes a outras dioceses – Santo Amaro, São Miguel Paulista e Campo Limpo. De acordo com o Secretariado Arquidiocesano de Pastoral, nos dados enviados ao Vaticano no fim de 2012, a Arquidiocese de São Paulo possui mais de 6 milhões de habitantes, dos quais aproximadamente 5 milhões são católicos. Compreen-

de seis regiões episcopais, 300 paróquias, 2 vicariatos episcopais, aproximadamente 40 pastorais, 38 movimentos, 48 novas comunidades, além de outros organismos e entidades. Este é o cenário da Igreja Católica em São Paulo. No seu imenso desafio de evangelizar, o 11º Plano de Pastoral faz um convite a todos os católicos que vivem na metrópole, ser “Testemunha de Jesus Cristo na cidade” e mostrar que “Deus habita esta cidade imensa”, como recorda o arcebispo metropolitano, dom Odilo Pedro Scherer. O coordenador do Secretariado Arquidiocesano de Pastoral, padre Tarcísio Mar-

ques Mesquita, destacou, em entrevista ao O SÃO PAULO, que a palavra “dificuldade” é a mais adequada para definir “os imensos desafios desta grande cidade, com seus abismos sociais, suas imensas periferias povoadas por gente simples que merece uma grande e constante atenção do Poder Público e de todos nós”. “Há desafios pastorais a serem enfrentados no que tange a compreender e se expressar de acordo com a linguagem e o entendimento dos diversos grupos, tribos e movimentos, religiosos ou não, que estão presentes por toda a cidade. Há o desafio não somente das

periferias geográficas, mas as imateriais também”, afirmou o Padre. Para o Sacerdote, na realidade atual da cidade, um dos desafios que se destacam é a compreensão da juventude e atualização dos ensinamentos do Evangelho para sua linguagem e compreensão. “Não basta somente ensinar, mas é preciso reunir, formar comunidade em que os jovens sejam também agentes da evangelização”, afirmou. É preciso lembrar ainda, comenta o coordenador, os idosos e solitários, os presídios da cidade, as casas para menores infratores, o povo de rua, as

pessoas de outra denominação cristã e outras religiões, os sem religião ou ateus, os poucos recursos humanos para evangelizar e os poucos recursos financeiros para investir na formação e liberação de agentes de pastoral para tantos desafios onde a Igreja sempre deve estar presente. “A meu ver, o que se define por desafio acaba se tornando incentivo na promoção de um valor cristão inalienável: servir árdua e generosamente, sem esperar ganhos financeiros, mas prazerosamente em meio de todos como simples servidor, jamais como quem manda e oprime”, conclui padre Tarcísio.


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Especial 460 anos

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Um evento muda a história O encontro com Jesus transformou a vida do apóstolo que soube anunciar o Evangelho nas grandes cidades do seu tempo Nayá Fernandes Redação

São 720 pizzas por minuto para atender a 19 milhões de pessoas da cidade que conta com 160 teatros, a segunda maior frota de helicópteros do mundo e realiza 90 mil eventos por ano, cerca de 1 evento a cada 6 minutos. Os dados do site oficial de turismo da cidade de São Paulo (www.cidadedesaopaulo.com) mostram a grandiosidade da metrópole, que completa 460 anos no dia da Solenidade da Conversão do Apóstolo que lhe deu o nome. No tempo de Paulo ainda não tinha sido inventada a pizza, e ele só teve a experiência de viajar a cavalo, camelo ou de barco. Mas, o Apóstolo, que desejou ir até o centro do Império para ali testemunhar o Evangelho, passou em grandes cida-

des como Corinto, Atenas, Jerusalém e Roma e participou de importantes eventos, até a ponto de comparar sua vida a uma grande corrida. “Combati o bom combate. Completei a carreira. Guardei a fé” (2 Tm 4,7). Mas, o maior evento da vida do Apóstolo foi o encontro com Jesus na estrada de Damasco, como lembrou irmã Zuleica Silvano, biblista e professora na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia e no Serviço de Animação Bíblica em Belo Horizonte (MG). “Um evento marcante da história, que a Igreja sempre faz memória é a experiência de fé que fez o apóstolo Paulo. Experiência essa narrada nos Atos dos Apóstolos (At 9, 1-19; 22, 1-21 e 26, 2-23) e recordada pelo próprio Apóstolo nas cartas aos Gálatas, Filipenses e Coríntios.” Para celebrar a solenidade do dia 25, a Arquidiocese de São Paulo preparou um tríduo que tem como tema principal “São Paulo: Testemunha de vida cristã” e como temas cada um dos três dias: a fé, os frutos da Palavra e a missão dos discípulos missionários de Jesus. Irmã Zuleica explicou que, para Paulo, fé é, antes de tudo, aderir a Jesus Cristo Crucificado e Ressuscitado, o Filho de Deus. “Desse modo, fé é um dom de Deus e uma adesão livre. Adesão celebrada no seio de

uma comunidade, por meio do Batismo. Todo batizado é chamado a ser uma ‘nova criação’, que consiste no processo de configuração a Cristo (Gl 4,19). A palavra configuração, utilizada por Paulo, significa a dinâmica de crescimento do feto no ventre materno, deste modo somos gerados pelo Espírito e, pouco a pouco, assumimos as feições de Cristo.” A Religiosa lembrou que a fé não é separada de uma comunidade e da responsabilidade social e ética (cf. Caritas in Veritate 1-9), que Paulo chama de caridade (1Cor 13), baseada no esvaziamento de Cristo Jesus (Fl 2, 1-11). “Diante dessa certeza, Paulo formou as comunidades do seu tempo, num empenho constante. Hoje, mesmo sabendo que o cenário cultural não é tanto favorável à fé “se faz necessário um empenho eclesial mais convicto, para redescobrir a alegria de crer e de reencontrar o entusiasmo (Porta fidei 7).” “Assim, ao recordarmos o evento da experiência de Paulo, que sejamos capazes de mudar os critérios de discernimento da realidade; de confrontar nossa vida com a vontade de Deus; e nos fortalecer na vivência da comunhão, celebrar a vida e o Mistério Pascal na ação litúrgica e nos inserir no mundo como testemunhas da justiça e da caridade”, destacou irmã Zuleica.

Os 59 anos do jornal O SÃO PAULO PADRE CIDO PEREIRA

DIRETOR DO O SÃO PAULO

No dia 25 de janeiro, a Igreja celebra na liturgia a solenidade da Conversão de São Paulo, e a cidade e a Igreja de São Paulo celebram sua fundação e seu patrono. É preciso, porém, lembrar que também faz aniversário de fundação este semanário, o jornal O SÃO PAULO. Ele completa 59 anos. Além de registrar a história da Igreja em São Paulo, este jornal também tem sua história. Na história do jornalismo no Brasil e do jornalismo confessional estão reservadas para o O SÃO PAULO bonitas páginas, que, além de mostrar a missão evangelizadora da Igreja, falam da presença da Igreja na vida da cidade, nas lutas pela redemocratização do Brasil, na árdua tarefa de tornar a cidade mais fraterna, solidária, acolhedora. Uma página importante da história do semanário arquidiocesano foi a sua resistência à censura política nos tempos da ditadura. De maneira firme, o jornal disse não à mordaça, seja mantendo os espaços em branco onde deveriam estar

matérias censuradas e, nesses espaços, a frase “Leia e divulgue O SÃO PAULO”; seja ainda mimeografando as matérias censuradas e enviando-as às paróquias e comunidades. Não contente de tentar calar a voz da Igreja, o regime de força chegou a divulgar uma edição apócrifa colocando na boca de dom Paulo Evaristo Arns um pedido de perdão, como se o “cardeal dos direitos humanos” se arrependesse por arrancar das garras da ditadura os que sonhavam um caminho novo para o Brasil. Jornal O SÃO PAULO! Quem assina este texto, padre Cido Pereira, é um padre cuja matrícula no seminário metropolitano, aos 12 anos, está registrada na primeira edição do jornal em 25 de janeiro de 1956. Hoje, com 43 anos de sacerdócio e 31 anos como repórter, editor e diretor do O SÃO PAULO, ele deixa a direção. Leva consigo, porém, o santo orgulho (orgulho santo a gente pode ter) de ter colaborado para que O SÃO PAULO continuasse sua missão de informar e formar o Povo de Deus, de construir comunhão na Igreja de São Paulo, de contribuir para que cada vez mais Deus habite esta cidade.

Em 1956, na primeira edição do O SÃO PAULO, o então arcebispo, cardeal Motta, afirmava que queria que o jornal enfrentasse a batalha da informação, fosse a “boa imprensa” que a Igreja e a sociedade brasileira precisavam. Naquele momento, chegava ao Brasil a televisão e outros meios de comunicação. A Igreja de São Paulo não perdeu tempo. No mesmo janeiro em que cidade e a Arquidiocese aniversariavam, o semanário O SÃO PAULO começava sua história e a rádio 9 de Julho também. Hoje novos meios se somam a eles. E vamos em frente. A missão da Igreja é evangelizar. Evangelizar é comunicar. E a competência no uso de todos os meios de comunicação permite colher mais frutos ainda da missão. Uma nova direção, com nova disposição, com novas ideias para tornar o jornal mais ansiosamente acolhido e lido pelo Povo de Deus, se apresenta agora. E vamos em frente! Que não faltem à brilhante e jovem equipe do O SÃO PAULO, agora até com novo formato, mais dinâmico, e ao novo diretor, o querido irmão padre Michelino, as bênçãos do grande apóstolo das nações, o incrível comunicador e apóstolo Paulo de Tarso.

O SÃO PAULO - edição 2986  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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