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Foto: TSE

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ANO IX- NÚMERO 59 – CURITIBA, JUL A SET DE 2018

LEIA NESTA EDIÇÃO Aplicativos de transporte criam serviços exclusivos para mulheres - Página 3 A nostalgia que criou o canal Rebobina, fenda no tempo dos anos 80 e 90 - Página 5 Na Tiradentes, um relógio de sol resiste ao tempo e marca a história da cidade - Página 10

Conteúdo exclusivo

Desilusão política e o voto tardio dos jovens págs.6 a 9

Jornal Laboratório - Curso de jornalismo do Centro Uninter


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Opinião

MARCO

ZERO

N.º 59 – Jul à Set/2018

Larissa

OLIVEIRA

M

inha rotina não é diferente da de milhares de brasileiros. Eu trabalho e estudo. Passo horas preocupada com afazeres e tarefas. Passo horas em ônibus lotados e em outros nem tanto assim. Passo horas com meus fones de ouvido. Richard Wagner e bandas indie, para mim isso é ser eclética, sei lá. Porém essa história vai

Fiz daquela janela uma tela que desfazia pinturas a cada metro andado pelo veículo. Chegando próximo ao centro da cidade, algo chamou minha atenção

além das minhas trivialidades. Num desses dias cinzas de Curitiba, eu seguia meu trajeto, cabisbaixa e cansada encostava minha cabeça contra a janela do ônibus. Fiz daquela janela uma tela que desfazia pinturas a cada metro andado pelo veículo. Chegando próximo ao centro da cidade, algo chamou minha atenção. As filas de carros passaram a inexistir e eu enxerguei apenas um morador de rua que empurrava um carrinho de supermercado com seu cachorrinho dentro. Uma motorista chamou o homem, que correu até o carro. Ela deu dinheiro para ele. Parecia uma nota de vinte reais. Até aí, tudo bem, é normal pessoas darem esmolas, mas continuei observando. Quando ele se afastou contente por ter recebido o dinheiro, a moça o chamou novamente, e dessa vez entregou um pão para o homem. Ele ao receber o pão correu para repartir com o seu melhor ami-

Passo 1 Use o QR-Code ao lado para ser encaminhado à área do aplicativo no Google Play

J

á pensou em assistir a uma entrevista nas páginas de um jornal impresso, em vídeo? Ou quem sabe conferir um mapa em terceira dimensão, ou ainda interagir com elementos gráficos que saem das páginas? O que há poucos anos seria um sonho, agora é possível e está nas suas mãos. Isso mesmo! Venha com o Marco Zero na onda

Passo 2 da Realidade Aumentada, uma tecnologia que permite a interação entre elementos reais e virtuais. Para entrar nesta viagem, é fácil e rápico. Siga as instruções, e participe da experiência da notícia interativa. Nesta primeira versão, o recurso pelo aplicativo do Marco Zero está disponível apenas para aparelhos com sistema operacional Android.

Confira se o seu celular e a versão do seu Android são compatíveis. Depois, clique em instalar.

Passo 3 Com o APP aberto, aponte a câmera do seu celular para a página do MZ quando tiver a imagem ao lado

go, o cão, que esperava seu dono no carrinho. Isso mexeu comigo. Tive que conter minhas lágrimas, despedaçando-me por dentro. Sou alguém que não se comove fácil. A vida exigiu firmeza em meus atos. Mas aquela imagem ficou gravada, talhada em minha memória. Quem pouco tinha, dividiu. Talvez a existência tenha relação com divisão. Não apenas biológica, não somos somente um amontoado de células. A mesmice foi morta naquele dia. O cinza daquele dia já não importava, diante do brilho que a atitude inesperada podia inspirar. Foram segundos...eu quis descer do ônibus e conversar com o homem e seu amigo, mas não pude. Eu ganhei uma história, ganhei um aprendizado, ganhei esperança na humanidade. Eu me senti como aquele rapaz de “Beleza Americana”. Já viu aquela cena da sacola? Sim, aquela em que uma simples sacola sai dançando na rua, conduzida pelo

A mesmice foi morta naquele dia. O cinza daquele dia já não importava, diante do brilho que a atitude inesperada podia inspirar. vento. Esta cena empolga, me anima, me desperta. É uma sensação boa, a estética de um mundo que se criou apenas para mim me deixa estática. Foi a mesma sensação ao ver o homem e o cão, a tristeza de ver a desigualdade, me emocionou, mas ver que ainda existe amizade e pureza, me reconstruiu. E quando voltei para casa, a última coisa que me lembrei antes de dormir foi o sorriso daquele homem.

EXPEDIENTE

Um jornal que não se reinventa corre o risco de se desconectar com o público. Nenhum olhar é o mesmo ao longo do tempo. As notícias mudam, as tecnologias mudam, a leitura muda. Mas o jornalismo, continua o mesmo! Como um espaço de experimentação e de produção laboratorial, o jornal Marco Zero não pode se aquietar ou se omitir às evoluções e às influências do tempo. É por isso que aos poucos, viemos por aqui a “arrumar a casa”. Mas aos poucos. Veja, é uma reforma, e não uma reconstrução. Por isso, seguidos aos poucos que é para não perdermos a noção da planta baixa deste grande edifício que é o jornal Marco Zero. Uma cor aqui, um elemento gráfico lá, uma mudança de editorias por alí, uma nova interação tecnológica acolá, e aos poucos o jornal Marco Zero vai dando seu recado, de inovar e de ser o palco de mutações do processo de produção jornalística no meio impresso. E é isso que estamos apresentando nesta edição, um pouco de “modificações” gráficas, e mais do bom e velho jornalismo. Aquele periodismo que mostra o curioso escondido nas fachadas dos prédios, que denuncia a mesmice e corrupção no campo político que pressiona a desilusão da juventude, que reforça a necessária segurança e políticas públicas para as mulheres, e que não deixa de resgatar a nostalgia de bons momentos e bons tempos com a cultura dos anos 80 e 90. Sim, aqui deixei as dicas dos temas que temos na atual edição. Experimente o novo – porém ainda em construção- layout do jornal Marco Zero, navegue nas suas páginas, se aprofunde no seu jornalismo, espante-se com seu aplicativo, informe-se e nos informe sobre sua experiência. Aqui você ajuda a construir o seu jornal. Boa leitura!

Foto: PMC

Ao Leitor

O jornal Marco Zero é uma publicação feita pelos alunos do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Internacional Uninter

Coordenador do Curso: Guilherme Carvalho Professor responsável: Alexsandro Ribeiro Diagramação: Equipe Marco Zero Projeto Gráfico: Equipe Marco Zero Uninter - Campus Tiradentes Rua Saldanha Marinho 131, CEP 80410-150 |Centro- Curitiba PR E-mail - alexsandro.r@uninter.com Telefones 2102-3377 e 2102-3380.


N.º 59 – Jul à Set/2018

MARCO

Segurança

ZERO

3 Foto: Fotos_abertas

Aplicativos de transporte criam serviços exclusivos para mulheres Medida promete mais segurança para motoristas e passageiras no combate ao crescente assédio e violência sexual

Hemelyn

PARAHYBA

De acordo com a URBS, cerca de 90% dos 4,1 mil condutores de táxis em Curitiba são homens. Os app exclusivos para mulheres atuam na oferta de serviços

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cada dez minutos uma mulher é estuprada no Brasil. Dados do Anuário Estatístico do Fórum de Segurança Pública apontam que mais de 60 mil mulheres foram vítimas de estupro em 2017, cerca de 8,5% a mais que no ano anterior. A crescente violência contra as mulheres tem pressionado para medidas que buscam a proteção e combate ao assédio. Predominantemente masculino, o setor de táxis e transporte comerciais é uma das áreas que vem apresentando soluções. De acordo com a URBS, cerca de 90% dos 4,1 mil condutores de táxis em Curitiba são homens. A proporção segue a mesma lógica nos aplicativos de transporte. Não raras vezes, com medo do assédio ou da violência, muitas mulheres, antes de embarcarem, enviam prints com dados do motorista para a mãe ou até mesmo ligam

Apps de transporte para mulheres

para conhecidos durante o trajeto para se sentirem mais seguras. Camila Lorenzetti foi vítima de assédio quando estava em uma

Mais de 60 mil mulheres foram vítimas de estupro em 2017, cerca de 8,5% a mais que no ano anterior corrida noturna. De acordo com a jovem, o motorista chegou a parar o carro em um lugar sem movimento. “O motorista vendo que eu tinha saído da balada na madrugada, achou que poderia ter algo comigo. Assim que entrei no carro ele disse que tinha sentido uma ‘energia boa’. Ao longo da viagem

foi fazendo várias perguntas íntimas e querendo saber meu status de relacionamento. Por sorte e por meio de ameaças saí ilesa”, desabafou Camila. É neste cenário de insegurança que começaram a surgir os aplicativos de transporte exclusivo para mulheres. A utilização desse serviço vem aumentando e mostrando que as mulheres estão diariamente procurando conforto e segurança. Hoje, diante do crescente uso dos aplicativos exclusivos para mulheres, Camila Lorenzetti diz se sentir mais segura. “Eu sou totalmente a favor de aplicativos com motoristas mulheres, porque além de desmitificar aquele ditado retrógrado de que mulher no volante é perigo constante, também repassa bem mais segurança. Além desses aspectos que já mencionei, estar com uma outra mulher no carro me levando para os lugares

a qualquer hora do dia me deixa muito mais confortável, porque ela me entende, ela também já passou por situações inconvenientes, não

É neste cenário de insegurança que começaram a surgir os aplicativos de transporte exclusivo para mulheres julgará a minha roupa ou o que estou indo fazer”. Os serviços não dão apenas mais segurança para as passageiras, mas também para as condutoras, também vítimas de assédio. De acordo com uma enquete feita pelo aplicativo FemiTaxi, 48%

das motoristas que atuam junto ao serviço exclusivo para mulheres afirmaram terem sofrido alguma forma de assédio no trabalho. O levantamento feito com 200 mulheres diz que três em cada quatro das participantes se sentem inseguras ao transportar homens à noite e algumas já recusaram corridas de homens por medo ou desconfiança. Para o diretor executivo do FemiTáxi, Charles-Henry Calfat, a ideia de criar o serviço surgiu do aumento das reclamações de situações de assédio. “Foi então que surgiu a ideia de criar um app que pudesse unir as motoristas mulheres com passageiras mulheres, com o objetivo de trazer mais segurança, conforto e tranquilidade para elas, uma vez que o assédio ainda é constante e, às vezes, apenas um olhar pelo retrovisor ou o desviar da rota prevista já desperta o medo e insegurança por parte das passageiras”.

FemiTáxi - É um aplicativo exclusivo para taxistas mulheres. O app está disponível no sistema IOS e Android. Lançado em dezembro de 2016 o app está funcionando em seis cidades: São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Campinas, Santos e Goiânia. O usuário faz a chamada e as motoristas mais próximas a recebem e aceitam. Ao chegar, a motorista inicia a corrida. Quando chega ao ponto final, faz a cobrança via app.

Venuxx - APP aceita só motoristas e passageiras mulheres. Atua em São Paulo e Porto Alegre. No aplicativo a cliente pode ver a foto e o nome de quem que está indo buscá-la. Além disso, todos os carros têm um adesivo de segurança que mostra se é Venuxx. O sistema também oferece o botão SOS, por meio do qual a usuária pode adicionar qualquer contato, como amigas e familiares, para ajudar caso algo ocorra.

Lady Drive - Lançado em março do ano passado, o app tem 8 mil condutoras cadastradas na capital paulista e em Guarulhos, na Grande SP. Agora quer expandir o serviço para o Rio de Janeiro. Apenas usuárias mulheres podem se cadastrar e solicitar um carro. Caso estejam acompanhadas de amigo ou namorado, pelo próprio app devem avisar a motorista antes, que pode aceitar ou não a corrida.

Frida Karro - Lançado em em dezembro de 2017, o aplicativo curitibano aceita também passageiros homens, mas as colaboradoras são todas do gênero feminino. Possui um diferencial de contar com botão de pânico e segurança armada, o aplicativo Frida Karro já tem 500 motoristas cadastradas, atua somente em Curitiba, mas os idealizadores já prometem expandir a plataforma para outras cidades.


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Esporte

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ZERO

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Gabriel

MAFRA

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irceu Krüger, brasileiro, natural de Curitiba e morador do bairro Barreirinha, nascido no dia 11 de abril de 1945, 72 anos de idade, 51 deles dedicados ao Coritiba Foot Ball Club, time para o qual torcia na infância. Krüger, ou “Flecha Loira”, como é popularmente conhecido, iniciou no futebol em 1963 com apenas 18 anos. Jogava no Combate Barreirinha, tradicional clube amador da cidade. Depois, foi convidado para jogar no time vizinho, o União Ahú. O atleta teve destaque pelo clube amador e transferiu-se para seu primeiro clube profissional, o Britânia. Naquela época, as três principais forças do futebol paranaense eram Coritiba, Atlético e Ferroviário (que viria a integrar o Paraná Clube). O Britânia era apenas um time ex-campeão e coadjuvante nas competições estaduais. Mesmo assim, Krüger se destacou no seu primeiro campeonato profissional. O Britânia venceu os três times do

O primeiro título pelo Coritiba foi o campeonato paranaense de 1968, no ano seguinte o clube seria bicampeão do estado. “trio de ferro” da capital. Krüger marcou em todos os jogos e virou uma espécie de “carrasco” dos grandes times. Após essas atuações , chamou a atenção do Coritiba. Assinou contrato com o clube

Homem que “ressuscitou” o clube foi homenageado com uma estátua que recepciona a todos no Couto Pereira em fevereiro de 1966. O primeiro contrato era válido por apenas um ano. Nem imaginavam o que Krüger se tornaria para o clube. O jogo de estreia foi contra o Grêmio (RS). Os clubes eram grandes rivais na época. O Coritiba perdia por 1 a 0, até que no último minuto Krüger fez seu primeiro gol com a camisa alviverde, caindo nos braços da torcida logo na estreia. O início no Coritiba foi ótimo. Krüger marcou gols nas oito primeiras partidas e logo tornou-se uma referência no clube.

Jogador que driblou a morte

No dia seu aniversário de 25 anos, em 11 de abril de 1970, o momento mais complicado da carreira. Em jogo contra o Água Verde, chocou-se com goleiro Leopoldo. O joelho do adversário o acertou na barriga. O choque fez com que Krüger rompesse as alças intestinais. Não morreu em campo porque instintivamente pressionou o ferimento. Foi levado ao hospital Cajuru, onde ficou internado por 70 dias. Fiaziam-se romarias quase todos os dias da torcida coxa branca até o hospital. Até o ex-presidente do Atlético, Lauro Rego Barros, mandou rezar uma missa na Igreja do Perpétuo Socorro em nome de Krüger. Ele chegou a receber a extrema-unção por duas vezes. Mas conseguiu vencer mais este desafio e após um longo período afastado, recuperou-se e voltou aos gramados, e principalmente à vida. Primeiro contrato de Kruger com o Coritiba, em fevereiro de 1966, com duração de um ano

Dirceu Kruger até hoje é admirado por muitos torcedores, não apenas pelos do Coritiba

Despedida dos gramados

Krüger precisou se aposentar aos 30 anos. Os remédios que tomava devido à grave lesão eram muito fortes, e depois daquele 11 de abril, todo jogo parecia um desafio à morte. Teve certeza disso em 1975, quando um adversário bateu acidentalmente com o braço no local da lesão, e reacendeu dores de cinco anos antes. Encerrou sua carreira como atleta profissional em um “AtleTiba”, vencido pelo alviverde por 1 a 0. Acabou não tendo uma partida de despedida oficial, mas em seu último jogo foi aplaudido até pelos torcedores adversários. Pendurou as chuteiras com 252 jogos pelo Coritiba e 58 gols. Conquistou o bicampeonato estadual em 68 e 69 e hexacampeonato de 71 a 76. Também foi campeão do Torneio do Povo de 1973.

Profissional fora das quatro linhas

Logo que se aposentou, assumiu como auxiliar técnico. Sempre Durante nove anos Kruger marcou 251 gols para o time e aposentou-se em 1975

que solicitado assumia o time como treinador interino. Em 1984 era treinador efetivo do time. Montou a base do time, que no ano seguinte foi campeão brasileiro, com Krüger como auxiliar de Ênio Andrade. Em 1995 conseguiu o acesso para a Série A como treinador. Passou a ser coordenador técnico das categorias de base, cargo que ocupa até hoje. Foi responsável pelo lançamento de jogadores como Alex e do zagueiro Miranda, titular da seleção brasileira na Copa do Mundo. Para homenageá-lo, o alojamento para atletas da base alviverde foi batizado de “Espaço Dirceu Krüger” em 2011.

50 anos pelo Coritiba

No dia 24 de fevereiro de 2016, data em que completou 50 anos ininterruptos como funcionário do clube, foi homenageado com uma estátua no Estádio Couto Pereira. A estátua foi uma homenagem da torcida do Coritiba, que trabalhou para homenageá-lo ainda em vida. Um grupo de alviverdes viabilizou Em 1986, seria campeão paranaense. Desta vez como técnico do Coritiba

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o projeto através de um crownfunding, uma “vaquinha” virtual, onde vários torcedores fizeram doações. Os R$140 mil necessários inicialmente chegaram a R$160 mil. A estátua tem 1,72m, pesa 320 quilos, é feita em bronze e está localizada em uma praça montada em frente ao estádio Major Antônio Couto Pereira. Dirceu Krüger é sem dúvida o maior jogador da história do Coritiba. Começou como torcedor, dedicou toda a vida ao clube, “ressuscitou” para entrar na história. Hoje, é a maior figura do clube e se vê eternizado em forma de estátua, para que as próximas gerações de coxas-brancas e admiradores do futebol possam conhecer sua grandeza. Em 2016, uma estátua do craque eternizaria seu gesto de vitória e 50 anos de clube

Foto: Divulgação CFC

Os marcos do ídolo

Foto: Sérgio Aparecido

Dirceu Kruger, um ídolo eternizado


N.º 59 – Jul à Set/2018

MARCO

A Nostalgia que inspirou o canal Rebobina Jaqueline

DEINA

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hh…no meu tempo as coisas eram muito melhores. Na minha época as crianças brincavam na rua até tarde da noite: pique-esconde, pega-pega, buliquinha, cabra-cega. Super Mário, Donkey Kong, Pacman e Bomberman. Dirty Dancing, Footloose, Jurassic Park e Toy Story. Essas eram as diversões dos nossos dias... Você já deve ter ouvido muita gente falar sobre os velhos tempos, não é? O ser humano é naturalmente um ser saudosista. Mas existem duas épocas que ganharam destaque no coração das pessoas, e deixaram um legado de nostalgia: os anos 80 e 90. Época que também marcou a vida da estudante de jornalismo Lua-

“Sempre gostei de saber a história das pessoas, conversar. Quando eu era criança, brincava de fazer entrevistas. Cheguei a fazer curso de teatro. na Joly, nascida no final dos anos 80, e foi a inspiração para o canal que ela mantém no Youtube desde 2015, o Rebobina anos 80 e 90 - Curitiba. Ela conta que procurava por um tema para a festa temática do aniversário de 27 anos, e como os pais sempre ouviam músicas das épocas, achou que seria o tema perfeito. A ideia acabou surgindo na festa, quando ela decidiu entreter os convidados fazendo um vídeo com perguntas e curiosidades dos tempos de criança. Esse foi o começo do canal, que no início era apenas uma página do Facebook em que Luana postava

A estudante de jornalismo, Luana Joly, é apaixonada pelos anos 1980 e 1990. A época inspira desde os looks do dia a dia até os objetos de decoração do quarto, e alcançou a vida profissional da jovem

vídeos em casa sobre desenhos que assistia na infância, filmes da Sessão da Tarde e coisas do gênero. Em setembro de 2017, a estudante resolveu levar o canal a sério e começou a investir nas produções fora de casa. Teve a ajuda dos amigos, Jaqueline Hauki e Allan Hauki, que se tornaram parceiros do Rebobina. Após uma participação na rádio Transamérica, Luana pensou em fazer uma série sobre shoppings inaugurados nos anos 1980. Logo veio a Feira do Vinil e tiveram a chance de entrevistar os organizadores. O foco do canal sempre foi a cidade de Curitiba, onde procuram participar de eventos retrô. Luana conta com entusiasmo sobre as oportunidades que recebeu recentemente. Ela entrou em contato com a rádio Ouro Verde pedindo uma visita. Falou sobre seu trabalho com o canal, e foram convidados a participar do programa Saideira, da Caiobá FM. Lá, puderam falar ao vivo e divulgar o projeto. Em outro momento, na Central TV, puderam participar do programa Do Fundo do Baú, apresentado por Osmar Martins. O canal dá uma atenção especial para o público retrô, com desenhos e clipes antigos.

Perfil

ZERO

Ela conta que as participações são fruto de muito esforço. “Eu corro muito atrás. Mando e-mail, ligo, falo que temos o canal e mando links. Todo programa que tem a ver com o nosso conteúdo, eu procuro entrar em contato pra divulgar. Fazer o Networking é essencial para nós.” Muito saudosista, Luana possui uma grande quantidade de objetos que referenciam a época, como discos, disquetes, fitas VHS, bonecos e revistas antigas. “Eu já gostava do tema desde criança, por ter pegado bastante a época dos anos 90. Inclusive, o nome foi inspiração de um programa que eu gostava muito de assistir, do canal Viva, que se chamava Rebobina. Ele abordava temas dos anos 80 e 90, o que me chamou a atenção. Então decidi fazer o canal sobre isso mes-

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Foto: canal do Youtube/Rebobina

mo, mas voltado para a cultura retrô de Curitiba”, lembra. A estudante diz que os planos são deixar o Rebobina cada vez mais com cara de programa, e que, por ser apaixonada por TV, se baseia na programação que assiste. “Futuramente, quem sabe, estar em algum canal como a Central TV. Conseguir patrocinadores, alguém que se interesse pela cultura local. A gente sabe que as parcerias são muito bacanas sempre, e ajuda muito a alcançar seguidores”, diz. “Sempre gostei de saber a história das pessoas, conversar. Quando eu era criança, brincava de fazer entrevistas. Cheguei a fazer curso de teatro. Também peguei o começo da internet, ainda não existia muita facilidade para o acesso. Eu assistia bastante a Xuxa, Sessão da Tarde, Malhação, essas coisas. En-

tão ainda tinha muito essa cultura da televisão, diferente de hoje. Acho que isso me inspira.”, conta. O trabalho já está rendendo frutos. Já até foram convidados a participar de uma Festa Flashback, produzida pelos DJs Carlinhos e Luiz, que promovem eventos em Curitiba. “Tivemos algumas dificuldades com o som, mas foi uma experiência bem bacana, porque foi algo que veio até nós sem que eu precisasse ir atrás. Reconhecimento do nosso trabalho.” A festa marcou a reinauguração do Clube Literário, um dos mais tradicionais da cidade. Para o futuro, Luana ressalta que deseja se dedicar cada vez mais ao canal. “Quero crescer como pessoa e profissional. Conseguir patrocinadores para investir em equipamento e fazer sempre o melhor. A gente erra e acerta, como na faculdade, tem coisas que a gente vai aprendendo”. Atualmente, os vídeos com material externo, entrevistas e participações são publicados toda quinta-feire em seu canal do Youtube. Além disso, ela se dedica em fazer chamadas tanto para os vídeos como para os eventos que acontecem na cidade. Também publica toda sexta-feira no canal do Facebook do projeto a Agenda Cultural, em que dá dicas sobre eventos do fim de semana, shows, teatro, cinema, feiras e dicas de livros, retrô ou não. “A gente tem público desde mais novos até mais velhos, embora o canal seja voltado pros anos 80 e 90, tem muita gente que gosta mas não vivenciou essa época. Nosso cuidado é sempre em não falar palavrão, ter entretenimento e principalmente informação. Passar algo que a pessoa possa gostar e também refletir,e claro, provocar a nostalgia.”, completa.

Conteúdo exclusivo

Foto: Jaqueline Deina


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Especial: política

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Foto:Wilson Dias - Agência Brasil

A desilusão com a política Patrícia

LOURENÇO

Eduardo

IGOR

Redução de emissão de títulos entre jovens e aumento de votos brancos e nulos disparam o alerta para a falta de interresse e de representatividade dos brasileiros com a política

Câmara Federal esvaziada antes da sessão ordinária. Falta de renovação é um dos pontos que interferem na descrença política

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Foto:Patrícia Lourenço e Eduardo Igor

erca de metade dos brasileiros sente-se pessimista com relação às eleições neste ano e com o cenário político. Os dados são da pesquisa Ibope CNI, que revela um Brasil em que predomina a frustração pela não representatividade e a desconfiança e desilusão na política atual. Esse desinteresse pelo cenário político eleitoral é facilmente encontrado nas ruas, sobretudo entre jovens, como a estudante Fabiola, 19

anos, que se vê forçada à participação eleitoral por conta da obrigatoriedade. “Só tirei o meu título de eleitor pois existe a obrigação. Infelizmente irei votar, apesar de não ter ninguém que me represente”. Há uma resistência à participação e ao interesse político. De doze entrevistados nas ruas da capital paranaense, oito se recusaram a falar sobre política. Para o sociólogo Rafael Massuia, parte desse sentimento de desilusão em representações futuras é explicado pelo próprio cenário político nacional, em que a população fica ao largo das decisões dos rumos do país. “As possíveis causas estão no próprio processo de formação histórica do Brasil, em que as classes dominantes sempre optaram por operar mudanças realizadas pelo alto, excluindo as massas da participação política direta tanto quanto o possível. O resultado disso é a constituição de um país com uma dicotomia estrutural entre Estado e sociedade, que funcionam como partes estranhas entre si e não como um todo integrado”, aponta Massuia. Dentre os jovens que foram entrevistados, as principais motivações para a desilusão com a política são a falta de perspectiva e a desconexão entre candidatos e eleitores. Já para os adultos, a obrigatoriedade do voto e a crescente corrupção veiculada diariamente pela mídia têm refletido

no baixo interesse da população em participar das eleições.

Desilusão com a política faz crescer número de brancos e nulos

Em nove capitais, o número de brancos, nulos e ausentes supera a votação dos eleitos ou mais votados. Esse fenômeno demonstra a descrença com o sistema eleitoral e de representação atual e pode ser um anunciador de um crescente mal-estar social. Indecisa sobre em quem es-

colher nas urnas neste ano, a comerciante Rosângela, de 49 anos, afirma que as opções de anulação do voto não estão fora de cogitação. “Já pensei em não votar ou votar nulo, estou indecisa. Não vejo candidatos com propostas viáveis”. A comerciante está na mesma situação de milhares de brasileiros. De acordo com o Datafolha, em pesquisa sobre intenção de votos para presidente, os indecisos, brancos e nulos somados reúnem votos suficiente para chegar no segundo lugar e até conseguir um empate técnico

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como primeiro na pesquisa. Uma pesquisa com as palavras-chave “votar” e “eleições” no site Google Trends, que mapeia as principais pesquisas realizadas pelo principal buscador mundial, mostra

Nível de interesse pelas eleições para presidente, governador, senadores e deputados

Dados: Ibope/CNI 2018 / Gráfico: Marco Zero


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Razões para estar pessimista com as eleições 2018 / Resposta espontânea

Dados: Ibope/CNI 2018 / Gráfico: Marco Zero

um aumento na procura dos termos nos últimos meses. O que poderia ser enfrentado como um crescimento do interesse dos eleitores com a chegada do pleito, revela-se um grande problema quando veFoto:Patrícia Lourenço e Eduardo Igor

o órgão, o que se mantém é a falsa concepção de que o voto em branco pode servir para beneficiar outros candidatos, o que é uma falácia. De acordo com o site do tribunal, a legislação que aborda a nulidade das eleições decorre apenas da constatação de fraudes. “O grande equívoco da teoria reside no que se identifica como nulidade. Não se trata, por certo, do que doutrina e jurisprudência chamam de manifestação apolítica do eleitor. O voto nulo que o eleitor marca na urna eletrônica ou convencional”, informa o site.

Jovens são os mais resistentes à participação política

mos quais as principais consultas realizadas com os termos. De três consultas relacionadas, o Google aponta um aumento repentino em “se ninguém votar nas eleições o que acontece” e “como votar nulo nas eleições”. Diante disso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) promove campanha contínua para quebrar o mito do voto em branco. Segundo

“A nossa luta não está nas urnas, falta mobilização do povo, não temos representatividade. Quem está lá só privilegia quem tem poder, dinheiro”

Dados do TSE apontam que apenas 1,4 milhão de adolescentes com idade entre 16 e 17 anos, ou seja, que possuem direito ao voto facultativo emitiram o título de eleitor neste ano. O número representa menos de um quarto de um total de 6,5 milhões de jovens com idade para emissão do documento. As eleições deste ano terá a participação mais reduzida de adolescentes desde o pleito presidencial de 2002. Riam, 17 anos, é um dos jovens que poderiam retirar o título, mas que vai esperar até a idade obrigatória. O adolescente acredita que sua participação não fará a diferença no cenário nacional. “Não quero tirar o meu título, não estamos em um bom momento. Até me interesso um pouco por política, mas acho que meu voto não faria diferença”. Essa quadro nem sempre foi assim. O direito ao voto foi conquista de uma mobilização no final da década de 1980, em um momento em que a população brasileira estava imersa em um grande debate sobre participação cidadã com a Constituinte. Em três décadas, os jovens passaram de grandes lideranças e protagonistas da política nacional para a omissão. Segundo o sociólogo Rafael Massuia, esta é uma questão controversa. “Por um lado, há o temor de que esses jovens, em geral com o percurso pela educação básica inconcluso, ainda careçam de uma maturidade maior para que possam tomar sua decisão de forma mais em-

Especial: política

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basada e elaborada. Porém, àqueles que se julgarem aptos a fazê-lo, é bom que exista a possibilidade de obterem seu título de rleitor e de contribuírem com seu voto”. Apesar do pessimismo e desilusão com as eleições, ainda resta uma esperança nos corações brasileiros. A mesma pesquisa do Ibope CNI que apontou a descrença com as eleições acredita que o caminho para as melhorias ainda é pelo voto. Mais da metade dos brasileiros apontaram que o voto possui um valor alto para a democracia representativa, e que a política é importante, afinal, é a partir dela que elegemos quem será o representante de toda a população brasileira. Resta ainda fazer esse sentimento contornar a desilusão de quem não vê uma perspectiva de melhoria para o país, para que perceba a importância do voto como condição de escolha e exercício da cidadania. Como é o caso da estudante Yuri, de 20 anos, para quem há necessidade de mobilização fora das eleições. “A nossa luta não está nas urnas, falta mobilização do povo, não temos representatividade. Quem está lá só privilegia quem tem poder, dinheiro. Nós podemos fazer mais”.

“Acho que precisamos ter esperança. A política reflete a cultura brasileira, precisamos fazer diferente, mesmo que o cenário político nos desestimule a votar. O advogado Wilson, 33 anos, acredita que a esperança está na ação consciente dos eleitores brasileiros. “Acho que precisamos ter esperança. A política reflete a cultura brasileira, precisamos fazer diferente, mesmo que o cenário político nos desestimule a votar. Acredito que talvez com os candidatos novos, com menos tempo na política, possa ter algo novo”.

A reforma do sistema político pode conter parte da solução para esta redução na participação da população, sobretudo de jovens, é o que aponta o sociólogo. “Algo mais ou menos em sentido oposto do que vem sendo proposto, cujos resultados mais imediatos são o ataque às siglas menores e o favorecimento a candidatos ricos, que possam bancar sua própria campanha – o que não é nada democrático, diga-se. Algumas questões a serem pautadas: fim das coligações em eleições proporcionais, financiamento público mínimo e, principalmente, criação de formas de participação popular contínua”. Massuia defende que é fundamental uma renovação ou uma ruptura no sistema e no meio atual. “É preciso que se rompa com a estrutura atual, que favorece a formação de um regime que, na prática, opera como um presidencialismo

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de cooptação e que se busque, de fato, a criação de formas verdadeiramente democráticas de participação popular”.

Baixo desempenho do governo federal reforça insatisfação política PATRÍCIA

lourenço

EDUARDO

igor

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arte do desinteresse do eleitorado brasileiro pode ser colocado na conta da má gestão apresentada pelo governo federal nos últimos anos. Entre março e junho deste ano, a insatisfação da população com o governo Temer (MDB) subiu de 72% para 79%. Os dados são de uma pesquisa realizada pelo Ibope com a CNI para saber qual a avaliação do governo. O aumento de 7%, o maior desde o início do governo, reforça a falta de representatividade até mesmo em quem está no governo. O reflexo da insatisfação do governo no cenário político também é reforçado nas respostas dos brasileiros que participaram de uma pesquisa qualitativa feita pelo Instituto Análise para a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom). O resultado da pesquisa é de que os participantes mencionaram que o governo atual é impopular, marcado por dois anos críticos impactados pela crise econômica e política, pela inflação alta e instável e os preços aumentando, pela sensação de queda no poder de compra, pelo aumento do desemprego e demissões em massa e pelo caos na política. De acordo com o levantamen-

to, divulgado em junho, o momento atual na política gera descrédito na imagem dos políticos e, consequentemente, no avanço do país. Aponta o instituto no resultado da pesquisa que “a maioria dos participantes avalia de forma negativa a performance do Governo Federal entre 2016 e abril de 2018. Como a sensação entre a maioria dos participantes ainda é de privação em seu dia a dia, percebem um Governo Federal pouco ativo em que não foram realizadas grandes ações em prol da população e do desenvolvimento do país”. No tocante à política, alguns fatos levaram aos participantes maior descrédito na imagem dos políticos, em geral: conhecimento de políticos envolvidos com corrupção em cada nova fase da Operação Lava Jato; generalização de que toda classe política é corrupta; e investigação do atual presidente da República em corrupção. Além da predisposição negativa em relação ao governo, os participantes não se identificam com o presidente pelo fato de o perceberem distante da população, como membro da “elite” e, consequentemente, em prol dos empresários e das pessoas com maior poder aquisitivo.


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Especial: política

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Redes sociais: mais diversão e menos informação e política Thalita

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enos de 20% dos usuários de redes sociais buscam assuntos sobre política. É o que aponta uma pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação da Presidência ao Ibope, sobre o comportamento de uso de redes sociais pelos brasileiros. O celular está presente em 62,4 milhões de casas (92,3% do total de domicílios do Brasil), e essas pessoas, com acesso aos telefones móveis, dão preferência para a troca de mensagens. Para a estudante Yasmin Nunes, 16 anos, a participação política é fundamental, sobretudo para

Pesquisa do governo aponta que entretenimento ocupa mais da metade dos interesses de usuários de redes sociais. Política e economia estão na rabeira da lista os jovens, pois atua na formação para a cidadania. “É meio difícil mudar a visão de um jovem na adolescência. Se ele não foi estimulado a saber pelo menos o mínimo de política no começo da pré-adolescência, ele já perde o interesse. Mas é possível, sim, fazer com que os jovens se engajem, ainda mais quando a escola estimula debates. A participação do jovem na política é de extrema importância. Nós seremos o futuro do país. Se não houver um engajamento o futuro do país esta-

rá comprometido” concluí. A defesa da jovem vai de encontro com a cena que se forma com o resultado da pesquisa do governo. De acordo com o levantamento, divulgado em junho, metade dos entrevistados afirmaram usar ferramentas de mensagens como Whatsapp para se comunicar. Destes, cerca de 90% disseram usar as redes todos os dias. Contudo, na outra ponta, apenas 16% usam o aplicativo para se informar sobre política, e somente 13% se interessam por economia.

Urna eletrônica: entre a garantia e a dúvida na segurança do voto Jhonatan

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GIOVANINI

screvendo o voto em um papel e o inserindo em uma urna. Essa era a forma de votação que vigorava no Brasil até 1995. Com o objetivo de tornar mais segura e automatizada as apurações de voto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desenvolveu o projeto urna eletrônica, que foi usado pela primeira vez em 1996. Duas décadas de uso, cinco eleições presidenciais e o fato der ter se consolidado como modelo de tecnologia para outros países não livrou o sistema de críticas quanto a credibilidade e transparência. Pensando nisso, o TSE iniciou em 2009 o evento Testes Públicos de Segurança (TPS), que consiste em avaliações realizadas por investigadores pré-aprovados, no sistema de votação utilizado na urna. A ideia era buscar possíveis fraudes e falhas no sistema. Neste ano, um investigador independente mostrou a quebra de sigilo capturando as frequências

de rádio que as teclas emitem ao executar o voto. Em 2016, outra invasão ao sistema permitiu afetar a integridade dos resultados. Mesmo depois de melhorias realizadas pelo TSE para prevenir que os feitos de edições passadas acontecessem, 2017 foi o ano em que mais se detectaram falhas no sistema. O TSE emitiu um relatório técnico sobre as vulnerabilidades e sugestões de melhorias apontadas no teste público de 2017. O documento destaca a importância dos testes para as correções e melhorias do sistema de segurança da urna. Apresenta a visão dos técnicos do Órgão, mostrando o trabalho realizado durante o TPS e também as providências tomadas para corrigir as falhas encontradas. Em maio passado, outro teste foi realizado. Foram convidadas as mesmas equipes que conseguiram quebrar o código no ano anterior. Desta vez, os participantes chegaram ao fim do testo sem sucesso.

Em 2009, na primeira edição do teste, ninguém conseguiu violar a urna e os programas colocados à prova. No entanto, as ideias apresentadas pelos especialistas contribuíram para o sistema. Na segunda edição do teste, em 2012, os investigadores tiveram acesso ao código-fonte da urna eletrônica e conheceram as peculiaridades do sistema. Quatro anos depois, em 2016, na terceira edição do teste, investigadores apresentaram seus planos de ataque previamente e tiveram acesso aos componentes internos e externos do sistema eletrônico de votação. Ano passado, no último teste realizado, dos 13 planos de teste apresentados, dez foram executados, dentre os quais quatro contribuíram para o sistema.

N.º 59 – Jul à Set/2018 Já no Facebook, segunda rede social preferida, logo atrás do Whatsapp, o perfil de engajamento e de interesses altera em comparação ao aplicativo apontado anteriormente. Neste, o interesse por política sobe para 27% dos entrevistados e o tema economia segue para 16%. Os índices são baixos, se comparados aos apresentados pelo tema entretenimento, que dominou as opções de todas as redes sociais, chegando a despertar interresse de 62% dos entrevistados. A pesquisa revela um cenário de pouco engajamento político e atuação em questões públicas nas rede sociais. O quadro tende a deixar o debate político mais raso, uma vez que os compartilhamentos e manifestações se dão em meio a um público que demonstra um pequeno interesse sobre política. A leitura e o debate promovem não apenas o aprendizado sobre a participação política, mas também a educação para o consumo consciente sobre informações verdadeiras na internet. Ou seja, quanto mais se aprofunda em leituras críticas, mais barreiras podemos criar contra notícias falsas. É o que faz Yasmin, que a partir da leitura e do engajamento político cria formas de checar a origem e a qualidade das informações. “Primeiro eu vejo alguns comentários

“É meio difícil mudar a visão de um jovem na adolescência, se ele não foi estimulado a saber pelo menos o mínimo de política no começo da préadolescência ele já perde o interesse. do post e se eu não achar muito verídico, tento procurar a informação em outros blogs. Meus professores sempre dizem para o pessoal da minha sala fazer isso antes de compartilhar alguma coisa”.

Conteúdo exclusivo


N.º 59 – Jul à Set/2018

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O combate à desinformação WELKE

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sidenciais compartilhadas em redes sociais, sites e aplicativos de mensagens privadas. Para a jornalista Daniela Neves, as empresas estão muito ligadas nesse quesito do combate às fake news. “Tem que desconfiar sempre, não interessa quem te mandou ou qual o perfil que você esta vendo nas redes sociais”, relata a jornalista, que orienta ainda para que o leitor desconfie de qualquer informação muito gritante. “Se é uma coisa muito escandalosa sempre desconfie, principalmente evite passar pra frente aquilo que não tem certeza”. A principal dica que alguns jornalistas, assim como Daniela, falam o que é preciso para fazer a checagem da notícia. “Vê se saiu em algum site de notícia que você confia” diz Daniela. Mesmo de for de algum lugar com nome de empresas grandes como o lornal Gazeta, Folha de S. Paulo entre outros desconfie e não passe adiante. Hoje, com os desmanches de Lava Jato, delações premiadas e corrupção que vieram à tona recentemente, muitas pessoas deixaram de acreditar na política e principalmente os jovens não estão mais procurando interagir nesse ramo. Não é só na política que há corrupção, infelizmente. E para que os

Douglas

MIRANDA

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jovens se engajem mais na política a dica que Daniela deixa é para “se engajarem a partir de organizações sociais, grupos políticos inclusive nos quais elas acreditam”. Sempre que receber algo, mesmo que seja da mãe, ou até mesmo de um amigo, verifique para que assim possa diminuir essa disseminação das fake news que só atormentam a sociedade.

apps para

6 POLÍTICA

não cair em fakes

e se manter informado sobre

A tecnologia está a favor dos eleitores, por isso listamos abaixo seis aplicativos que encontramos nas lojas de aplicativos para Android – Play Store e para o sistema IOS – Apple. Se você se interessar por algum deles é só baixar no seu celular e pronto. Só ficar ligada (o) na política e no seu candidato. 1.Detector de Ficha de Político - Chamado também como Detector de Corrupção, o app auxilia na hora de ver a ficha do candidato. É desenvolvido pelo Instituto Reclame AQUI, que considera as informações de políticos relativos a processos que

o candidato tem em seu nome, por exemplo. Tem avaliação de 4,3 na média. 2.Politize! – Produz conteúdo claro e de linguagem acessível. No site é possível saber a missão do aplicativo para celular que é levar educação política facilmente para os eleitores de uma forma mais descontraída e sem fins lucrativos. 3.Politica – Faz a comparação de todas as políticas que a humanidade já teve, desde seu inicio. É um fórum para levantar debate e troca de ideias sobre candidatos e possíveis políticos. 4.Aplicativo Uol – Assim como o site, faz uma compilação

de todas as notícias que saíram sobre qualquer candidato e/ou partido político, e também sobre todas as editorias, cultura esporte entre outras. 5.Mudamos+ - É uma plataforma onde o usuário pode votar em projetos de lei quando liberado para o público assinar também. 6.Detector de Corrupção – Permite a verificação através do nome do candidato se ele possui o nome na ficha limpa ou não, se ele é confiável para ser votado. E conta com mais de 800 candidatos cadastrados na plataforma Todos os aplicativos listados aqui são encontrados em ambas as lojas de aplicativos disponíveis para download e alguns são sem custo algum. Deixe a tecnologia a seu favor.

m época de eleições é muito comum ver promessas de campanha, políticos na rua e outras coisas que marcam o período eleitoral. Para quem começa a leitura, logo deduz que vamos falar sobre o político em si. Não. Falaremos de outro tema importante: a pesquisa eleitoral. Realizada no período pré-eleitoral, eleitoral ou pós-eleitoral, a pesquisa política possui muita relevância no cenário político. Com ela é possível avaliar a imagem ou nível de aprovação do candidato ou partido, avaliar a administração pública, intenção de voto ou até mesmo outras situações que o candidato tenha interesse diante aos eleitores. Curitiba tem seis instituto de pesquisa, mas a receita é a mesma na hora do trabalho. Quanto mais diverso o público for, mais credibilidade fornece para o eleitorado. Podemos destacar dentre os elementos fundamentais para uma boa pesquisa a identificação da idade -qual é o perfil etário da população que vota-; classe

“Muitas pessoas, na hora da coleta, subestimam o seu próprio trabalho. É aí que que nasce a margem de erro. Quanto mais dados, menor a margem” econômica – qual é a situação social dos cidadãos; área quais são as áreas presentes na região, seu eleitoral se concentra em zonas urbanas ou rurais; e escolaridade – qual o grau de instrução da população. Em eleições acirradas, é comum que candidatos e militantes ataquem o resultado de pesquisas eleitorais, especialmente quando o resultado não é favorável. Mas políticos, marqueteiros e partidos conhecem o valor das pesquisas para entender e se posicionar da melhor forma durante a disputa, e muitas vezes encomendam suas próprias pesquisas antes de tomar decisões. Para Riccieri Garbelini, gestor da empresa IRG Pesquisa, que atua no cenário de estatística e le-

Realizada no período pré-eleitoral, eleitoral ou pós-eleitoral, a pesquisa política possui muita relevância no cenário político. Foto:Arquivo pessoal

a mesma medida em que as redes sociais têm possibilitado conexões entre as pessoas, também tem se tornado um espaço de multiplicação de boatos e informações inverídicas criadas de forma imoral e antiética. A desinformação chega a interferir até o cenário político, como é o caso das eleições estadunidenses, em que grupos que pulverizaram fake news na internet teriam dado vantagem para a vitória de Donal Trump para a presidência americana. Contra tais tipos de ações, as próprias redes sociais e grandes conglomerados de mídia têm criado ferramentas ou medidas de combate à desinformação e fake news. Uma das medidas é a limitação criada pelo Whatsapp ao compartilhamento de notícias. Outra ação é o #Fato ou #Fake, seção criada no portal G1 para alertar os brasileiros sobre conteúdos duvidosos disseminados na internet ou pelo celular, esclarecendo o que é notícia (fato) e o que é falso (fake). O Projeto Comprova é outra iniciativa que busca combater notícias falsas no cenário eleitoral. O projeto é uma coalizão de 24 veículos de informação no Brasil, que monitora e fornece relatos precisos sobre peças anônimas de desinformação que dizem respeito às eleições pre-

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Pesquisas nos ajudam a não votar no escuro

Iniciativas empresariais buscam unir forças na luta contra as fake news

Thalita

Especial: política

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vantamentos em Curitiba, há uma enorme responsabilidade na hora da coleta da pesquisa, para que não reste dúvida para quem for ler os resultados. “Muitas pessoas, na hora da coleta, subestimam o seu próprio trabalho. É aí que que nasce a margem de erro. Quanto mais dados, menor a margem”, aponta o pesquisador ao comentar sobre qual a variação de quantidade de respostas. Riccieri ressalta ainda a desconfiança das pessoas sobre as pesquisas. “Existe muita desconfiança. Muitos que falam ser mentira. É igual tomar uma sopa, basta uma colherada para você saber o gosto dela. É a mesma ideia quando se faz uma pesquisa eleitoral. Pegamos uma porcentagem da população de diversos públicos, e efetuamos o levantamento”. Se restam dúvidas em alguns ou não, fato é que as pesquisas eleitorais ainda têm sua credibilidade, mesmo que não seja o único fator de decisão na hora do voto. “Muitos anos atrás as pessoas esperavam a pesquisa para votar no domingo. Hoje, o cenário mudou, pois temos muito mais informação”, finaliza Riccieri.


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Cidade

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N.º 59 – Jul à Set/2018 Foto: Internet

Pergunte as horas ao Sol Alysson

MOURA

Pendurado no topo do centenário prédio Stellfeld, na Praça Tiradentes, o relógio de sol resiste ao tempo e marca a história da cidade

Se acabou a bateria do celular e está sem relógio, passe pela Praça Tiradentes e confira as horas no relógio de sol

O

relógio de sol partido marca do mesmo modo que o inteiro o lapso da mesma hora perdida. O verso de Ricardo Reis, um dos mais conhecidos heterônimos do famoso poeta português Fernando Pessoa, exprime a força da validade de um curioso item que se perdura firme em uma das fachadas no Largo da Matriz, hoje Praça Tiradentes, há uma centena e meia de anos em Curitiba. Trata-se do relógio de sol, que com a indicação da sua data de origem, em 1857, decora a antiga sede da Farmácia Stellfeld, bem em frente à praça, alinhado frontalmente com a catedral. Em 1851, aos 34 anos, Augusto Stellfeld, fundador do estabelecimento que abriga o relógio mais antigo da capital paranaense, migrou da Dinamarca para o Brasil. Graduado em farmácia e

com experiência em assistência a feridos nas várias batalhas em que atuou como voluntário, o jovem dinamarquês abriu uma botica em Curitiba. A construção do estabelecimento foi algo inovador e muito

Em 1851, aos 34 anos, Augusto Stellfeld, fundador do estabelecimento que abriga o relógio mais antigo da capital paranaense, migrou da Dinamarca para o Brasil

“Não conheço a história, mas sabia que o prédio aqui é bem antigo, e sempre achei engraçado as pessoas virem de fora e ficar olhando e tirando foto do estabelecimento”

moderno para a época. Com influências e arquitetura germânica, o prédio cresceu imponente em frente à praça, que servia de ponto de encontro dos moradores. É aí que entra a razão do relógio de sol. Como era raro as pessoas que tinham relógios em suas casas, o objeto no topo do prédio da farmácia funcionava como uma espécie de chamariz. Pouco mais de 150 anos depois, o cenário e as necessidades são outros. Desatentos, corridos, com olhos pregados em seus aparelhos celulares, que acumula dentre suas milhares de funções a de “contador de tempo”, são muitos os transeuntes que sequer reparam na existência do objeto com tecnologia arcaica. É o caso do motorista Ademir Ebelino, que vindo de Jaguariaíva, instalou-se definitivamente em Curitiba há 43 anos. “Eu passo

aqui todo dia e sempre paro para descansar um pouco. Mas realmente nunca notei nada diferente”. O relógio, sua história e sobretudo como funciona, é uma incógnita até para quem frequenta diariamente o prédio que hoje abriga uma loja de roupas infantis. A gerente do estabelecimento, Franciele Silva, de 22 anos, afirma que sempre achou curioso a atenção que turistas dão para o lugar. “Não conheço a história, mas sabia que o prédio aqui é bem antigo, e sempre achei engraçado as pessoas virem de fora e ficar olhando e tirando foto do estabelecimento”. Da mesma forma como alertado pelo poema de Pessoa, antigo ou “partido”, o relógio de sol, de quinze em quinze minutos, ainda registra as horas. Desconhecido ou não, ele resiste, assim como o edifício, que permaneceu firme e não cedeu espaço às novas construções

que se ergueram ao redor. E quando a bateria do celular acabar, ou quando falhar o relógio de pulso, em um dia ensolarado, basta olhar para o prédio ao passar pela Praça Tiradentes, para, com uma experiência histórica, encontrar a hora certa.

te usada para indicar as horas. Fixe o gnomon em um local. Próximo das 10 horas, trace uma circunferência de raio igual à sombra da vareta. Aproveite e já marque o ponto em que a sombra está tocando a circunferência que você acabou de fazer. Depois, lá por 14 horas quando a

sombra estiver no lado oposto, marque novamente o ponto em que a sombra cobre a circunferência. O Norte verdadeiro é apontado pela bissetriz, ou seja, pela metade do ângulo que se formou entre os dois pontos marcados entre 10 horas e 14 horas. Este é o ponto que você usa para

alinhar o centro do mostrador do seu relógio. A outra ponta, é o que chamamos de “linha das doze horas”. Daqui pra frente, enquanto o sol estiver iluminando, você não perderá mais as horas.

Que tal fazer um relógio solar? O relógio de sol funciona como o próprio nome já diz, por meio da sombra projetada pelo sol. No centro do relógio há uma haste que faz com que o sol projete a sombra na superfície em forma de linhas que apontam para os números indicando minutos e horas, como um ponteiro. Com isso, conforme o sol vai mudando de posição, a sombra o acompanha e informa as horas.

Antes de mais nada, escolha um local em que seja possível deixar o material fixo por ao menos quatro horas, que é o tempo necessário para obter o alinhamento do norte geográfico verdadeiro. Para criar o relógio serão necessários lápis, barbante e uma vareta para fazer o papel do Gnomon, que é a has-


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Tecnologia

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@TÁ NA WEB

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Aliana

MACHADO

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machismo pode acontecer de diversas formas, inclusive em redes sociais. As mulheres sofrem preconceitos até mesmo pelos seus colegas de trabalho no quesito confiança, principalmente quando se trata de futebol, pela lógica o homem nasce sabendo tudo de futebol e a mulher precisa provar que sabe. A luta pela igualdade de gênero é diária e as denúncias contra o assédio tem sido cada vez maior. “Deixa ela trabalhar” é uma

#DeixaEla TRABALHAR

Veja o vídeo da campanha

campanha realizada por jornalistas que se uniram contra o assédio após uma delas ter sido beijada a força por um torcedor enquanto trabalhava em uma cobertura esportiva. A ideia dessa campanha é mostrar a indignação por parte das jornalistas que querem fazer o trabalho delas sem serem assediadas, e que elas não aguentam mais conviver com esse tipo de situação.

Use o QR-Code e veja o site da campanha

Feminicídio? Aqui não!

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ulheres são o centro de várias violências todos os dias, desde verbal até a morte. A palavra feminicídio é usada para intitular qualquer tipo de agressão a mulher que pode levar a morte e que, em muitas vezes, o crime acontece apenas “por ser mulher”. O site “chega de fiu fiu”

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enúncias de aplicação de silicone industrial por não profissionais nos corpos das mulheres tem se tornado mais frequente no país. Normalmente pessoas que não tem formação adequada para isso é que tem aplicado esse produto no bumbum das mulheres. Porém muitas mulheres têm morrido por conta disso. E a medida que elas aparecem mortas,

outras mulheres que fizeram procedimentos cirúrgicos com o mesmo profissional, aparecem para testemunhar e contar sobre o local sem equipamentos de emergência e as dores horríveis que sentiram. A polícia tem chamado essas operações de “Roleta Russa”, devido ao enorme risco que as mulheres correm.

Roleta Russa da beleza

Use o QR-Code para conferir a reportagem

é uma tentativa de mostrar os lugares mais perigosos no Brasil. As mulheres que sofreram algum tipo de violência ou foram testemunhas, podem dividir suas histórias com depoimentos. Segundo o site, apenas 47% dos assédios são verbais. O intuito é reunir o máximo de dados possíveis para minimizar esse tipo de problema.


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Ensaio fotográfico

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Ensaio de

Maria Eduarda

BISCOTTO

O TEMPO

Poema de Mário Quintana

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é natal… Quando se vê, já terminou o ano… Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê passaram 50 anos! Agora é tarde demais para ser reprovado… Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.

Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas… Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo… E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo. Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

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Profile for Jornal Marco Zero Uninter

Marco Zero 59  

Um jornal que não se reinventa corre o risco de se desconectar com o público. Nenhum olhar é o mesmo ao longo do tempo. As notícias mudam, a...

Marco Zero 59  

Um jornal que não se reinventa corre o risco de se desconectar com o público. Nenhum olhar é o mesmo ao longo do tempo. As notícias mudam, a...

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