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S a in d o d e c a s a

Lucas Felipe Jerônimo

JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO UFU ● ANO 01 ● Nº 04 ● AGOSTO - SETEMBRO/2011

D ividir apartamento, morar em pensionato ou sozinho? E scolhas e transformações da vida universitária

CIÊNCIA: Mostra itinerante de rochas, minerais e petróleo revela trabalhos do Campus Pontal• Tecnologia desenvolvida na UFU auxilia processo de logística• ATUALIDADES: Novas medidas de segurança limitam acesso noturno aos campi• Vigilante organiza campanha para adoção de cães• CULTURA: Colecionismo, hábito que pode se transformar em arte• Vídeos, imagens e frases que viram mania na rede: conheça os memes


Editorial

Vida fervilhante!

Ciência, pesquisas, serviços, culturas, novos hábitos, compromissos, diversidades de pessoas e convivências. Ao ingressar na universidade, o estudante é bombardeado com uma série de informações e exigências que, em um primeiro momento, parecem trazer confusão e desajuste, mas logo em seguida passam a representar crescimento e amadurecimento. Logo após o primeiro impacto, vem a descoberta. A vida fervilha no campus de uma universidade e os seus alunos são, em grande parte, responsáveis por esta pulsação. É a inovação e a irreverência que nasce dos

Caiu na rede estudantes que alimenta este movimento. A quinta edição do Senso (in)comum procurou trazer um pouco dessa diversidade que compõe o mundo universitário como um todo e a Universidade Federal de Uberlândia, em particular. Aos alunos que estão chegando e àqueles que já são leitores, recebam nossas saudações e saibam que este jornal é feito para vocês e conta com suas críticas, sugestões e colaborações. Escrevam, opinem e participem do Blog do Senso (sensoincomumufu.blogspot.com). Que tenhamos todos um excelente e vibrante semestre!

Dani Calabresa Imitando Luciana Gimenez http://www.youtube.com/watch?v= 18Gty7Q4t-w

Arthur Franco

Noite da Xoxota Louca - OFICIAL http://www.youtube.com/watch?v= Nvx3iAdyf1Y

Uma noite para coroar as mulheres mais bonitas A comediante faz uma imitação impagável da de um povoado do Maranhão. Será? apresentadora do SuperPop, além de dar uma palinha do programa ” A Desgraça É Sua”, apresentado por Dani como Sônia Abrão.

Molecagem do dia [Shampoo infinito] http://www.youtube.com/watch?v= KN2Y-O8CDME

Quanto mais o cara enxágua a cabeça, mais shampoo aparece. Muito engraçado.

Bazinga!

Queria comprar um NaiteBruique http://www.youtube.com/watch?v=lSCSjOvGq-0&feature=related

Você pode até ter um notebook, mas com certeza não vai querer comprar um Naite Bruique. VOZES

Vá de bike

Stella Vieira

VOZES

Uma fase de mudanças Metamorfose. A biologia define o termo como as mudanças na forma e estrutura do corpo, envolve o crescimento e a diferenciação. Na linguagem popular, podemos caracterizar a metamorfose como aquela transformação pessoal e radical. As mudanças são necessárias, e as adaptações são fundamentais para a nossa sobrevivência social. Ao ingressar no ensino superior, vivemos isso intensamente. Na universidade, cultivamos o estilo de vida da correria, do estresse e da urgência, e a cada dia que passa, criamos novos compromissos. Quando nos reinventamos, procuramos preencher espaços que às vezes são criados por nós mesmos. Em outros momentos, precisamos mudar para dar conta de necessidades que, aos poucos, descobrimos. Entre provas, pesquisas e projetos estamos mergulhados em convites para festas, baladas e eventos. Temos a oportunidade de elevar as experiências ao nível máximo, do conhecimento formal e acadêmico às lições de vida que só quem passou por um banco de faculdade aprende. Uma dessas lições é que, na vida, exercemos uma infinidade de papéis. Não representamos, mas moldamos nosso comportamento conforme a ocasião. Na escola, procuramos um lugar ao sol, é quando os peculiares rótulos caem sobre nossas cabeças: nerd, fútil, atleta. Cresce-

Lucas Felipe Jerônimo

mos, e com isso buscamos nos diferenciar, fugir daquelas classificações. Na universidade temos a oportunidade e, mais que isso, a liberdade de construir um novo caminho e buscar ser aquela pessoa que queremos ser. Ao descobrir quem queremos ser e do que gostamos, o ciclo se fecha. Quando fazemos algo de que gostamos, não tem como esconder: nossos olhos brilham, nos sentimos confortáveis e nos entregamos ao momento. Concluir uma maquete, compreender a aplicação de cálculos, descobrir o funcionamento de um órgão. Cada um possui paixão por alguma atividade, durante a graduação, nos redescobrimos a todo o momento e encontramos várias formas de nos sentir plenos. Nesse período, aprendemos a ter paciência, devido à série de complexidades que nos são expostas diariamente. Ao adquirir conhecimentos cotidianamente, acabamos por nos acostumar a um hábito bastante saudável: querer sempre mais e mais saber sobre novos conteúdos. O período que passamos na universidade é único, podemos vir a cursar uma nova graduação, alguns se tornam professores, mas cada época tem a sua peculiaridade, é especial. Com certeza, ainda passaremos por várias mudanças em nossas vidas, mas esse momento de intenso aprendizado, ficará marcado para sempre.

Avenida Nicodemos Alves dos Santos esquina com rua Antônio Marques Póvoa Júnior. Seis horas da tarde. Estou no ônibus. Tenho quinze minutos para chegar onde preciso. “Não vai dar tempo”, penso. Enquanto isso, o trânsito começa a andar, mas logo pára. De repente, me imagino fora dali, em uma via sem carros, só com ciclistas. Me vejo entre eles, sentindo o vento no rosto e chegando ao meu destino sem atrasos. Segundo dados do Detran-MG e da Settran de Uberlândia, o número de veículos na cidade cresceu mais de 80% entre 2000 e 2010, enquanto a população aumentou cerca de 20% nesse mesmo período. As implicações disso podem ser facilmente percebidas. Além do trânsito mais lento, o aumento da frota de veículos gera mais poluição no ar e um número maior de acidentes. Existem algumas medidas que amenizam as conseqüências, como a rotatividade de carros, veículos com motores elétricos e campanhas de conscientização no trânsito. Entretanto, não eliminam totalmente o problema. Uma alternativa barata e eficaz é o uso

Expediente

O jornal-laboratório Senso (in)comum é produzido por discentes, docentes e técnicos do Curso de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade Federal de Uberlândia como projeto de graduação e atividade curricular.

instituição

Dayane Nogueira

de um transporte menos poluente, saudável e econômico: a bicicleta. Os gastos para comprar e manter uma são praticamente nulos quando comparados com as despesas de um carro. Há, ainda, a economia de tempo e a vantagem de estar se exercitando. Algumas vezes, porém, fazer essa opção não é simples. O governo cria incentivos para a compra de carros e motos, mas o mesmo não acontece para o uso das bicicletas. Faltam ciclovias para que os ciclistas andem entre os veículos com segurança. De acordo com o Ministério das Cidades, o Rio de Janeiro possui a maior infraestrutura para o tráfego de bicicletas, com 140 quilômetros de ciclovias, o que é muito pouco, tendo em vista o tamanho da cidade. Em Uberlândia, falta uma política concreta que apoie o uso das bicicletas e que as oficialize como meio de transporte. É necessário mais ciclovias, incentivos fiscais para sua aquisição e a divulgação dos benefícios que ela traz. Enquanto isso não acontece, seu uso fica restrito a um pequeno grupo de pessoas, que improvisam como podem para fazer sua parte na construção de uma cidade melhor. Revisão: Mônica Rodrigues Nunes

colaboração

Reportagem e redação: Aline de Sá, Arthur Franco, Cindhi Belafonte, Dayane Nogueira, Elisa Chueiri, Lucas Felipe Jerônimo e Paula Arantes Opinião: Dayane Nogueira, Lucas Felipe Jerônimo e Stella Vieira Fotografia: Lucas Felipe Jerônimo, Danielle Buiatti e Ana Spannenberg

Reitor: Alfredo Júlio Fernandes Neto Diretora da FACED: Mara Rúbia Alves Marques O Senso (in)Comum não se responsabiliza e Coordenadora do curso de Jornalismo: Adriana nem pode ser responsabilizado pelos textos opinativos publicados em suas páginas, pois eles Cristina Omena dos Santos representam as opiniões dos seus autores.

equipe

Tiragem: 2000 exemplares Editora-chefe: Ana Spannenberg (MTb 9453) Impressão: Imprensa Universitária - Gráfica UFU Reportagem, redação e edição: Laura Laís e E-mail: sensoincomumufu@gmail.com Marina Martins Telefone: (34) 3239-4163 Arte e Diagramação: Danielle Buiatti


LABORATÓRIOS

Exposição de minerais visita campi

Segunda edição divulga trabalhos de alunos do Campus Pontal

Marina Martins

cessário para expor o material, explica.

Foto divulgação

Petróleo, minerais e rochas são alguns dos materiais presentes na mostra

Com o objetivo de divulgar os trabalhos realizados no Laboratório de Geologia do Campus Pontal, acontece, desde 13 de junho até 25 de novembro, a Exposição de Petróleo, Minerais e Rochas. A exposição itinerante começou em Ituiutaba, está em Campina Verde e chega a Uberlândia no dia 7 de novembro. O projeto é uma parceria entre a UFU, Campus Pontal, e a Fundação Cultural da Prefeitura de Ituiutaba. O material exposto é produto de trabalhos feitos pelos alunos na graduação, na pesquisa e na extensão no Laboratório de Geologia. O setor dá apoio didático aos cursos de Geografia e Química do Pontal e recebe também todos os produtos de pesquisa e trabalhos de campo. “A gente traz material de dinossauro, material de rocha, vai pra coleção do laboratório”, comenta o coordenador da exposição e professor de ambos os cursos, Carlos Roberto dos Anjos Candeiro. Ele relata que a ideia da exposição surgiu a partir da sugestão dos próprios alunos de Química, que conseguiram muitos minerais bonitos em um trabalho de campo e resolveram divulgar todo o acervo do laboratório. Essa é a segunda edição da

exposição. Em 2010, foram expostos fósseis de dinossauros do Triângulo Mineiro encontrados pelos alunos. Esse ano, a exposição é dividida em quatro partes: petróleo, minerais, rochas e generalidades (que trata, principalmente, do garimpo na região). “No ano passado, a gente já definiu que a segunda exposição seria sobre petróleo, minerais e rochas. Em fevereiro, já montamos os grupos”, afirma Candeiro. Cada grupo de alunos fica responsável por uma parte do trabalho, por montar os painéis explicativos e providenciar o que é ne-

Expectativas A primeira exposição feita teve uma resposta muito positiva do público, segundo o coordenador. Neste ano, já se observou um retorno bom em Ituiutaba, o que gera expectativas para Campina Verde e Uberlândia. “O que chama mais a atenção é o petróleo. Algumas crianças até queriam pegar. É um líquido muito bonito”, conta. O evento conta com a colaboração dos cursos de História e Ciências Biológicas do Campus Pontal. “Nós temos uma facilidade: como estamos muito próximos, ou a gente partilha, ou entra em rota de colisão. E essa opção por unir a História, a Geografia, a Biologia e a Química tem nos dado uma experiência muito boa”, avalia. Para o coordenador, a exposição é também uma forma de mostrar para as pessoas o que a região oferece. Muita gente não sabe, por exemplo, da existência de fósseis em Campina Verde e outras cidades do Pontal. Além de incentivar os alunos, valorizando o produto de seus trabalhos, a ação oferece à comunidade externa acesso a todos esses materiais. No ano passado, ao final da exposição, foi montado um livro, com capítulos escritos pelos próprios alunos. Ao final dessa edição da exposição, pretende-se fazer o mesmo. Mirley Cristiane Mendes, aluna do curso de Geografia, ressalta a importância da exposição para o papel da universidade. "A nossa exposição busca fomentar o conhecimento acadêmico de forma didática e em uma linguagem acessível a toda sociedade, buscando oportunizar trocas de experiências nas várias áreas do saber, cumprindo, desta forma, com o papel da universidade, que tem como tripé o ensino, a pesquisa e a extensão.” A estudante afirma que a meta desta segunda edição é atingir a mesma visibilidade da edição anterior.

Foto divulgação

A iniciativa da exposição partiu dos próprios alunos do curso de Química

Ação da Famev em escolas

Palestras visam conscientização de crianças e adolescentes

Eric Dayson

O Projeto de Bem-Estar animal é desenvolvido por alunos da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em parceria com a PróReitoria de Extensão (PROEX), desde 2010. O objetivo da ação é promover, entre estudantes do ensino médio, a conscientização sobre doenças transmitidas por animais, bem como conhecer o nível de informações deste público a respeito das zoonoses. As palestras, principal meio utilizado nas atividades, são realizadas em escolas públicas e particulares de Uberlândia. Segundo uma das integrantes do projeto, aluna do curso de Veterinária Beatriz Loesch Patrony, o trabalho segue um padrão que visa levantar dados com os alunos envolvidos e também passar informações, de forma sistemática. “É distribuído um questionário, como forma de avaliação, antes e depois das palestras”, explica Beatriz. Através dele, os estudantes conseguem medir o nível de conhecimento das pessoas a respeito de causas e meios de transmissão de doenças comuns nos centros urbanos e nas periferias. “O nosso objetivo é conscientizar crianças e adolescentes sobre o perigo de doenças específicas”, comenta. Gustavo Ferreira Motta, aluno da Famev que também faz parte do projeto, cita o exemplo da Leishmaniose, doença causada por parasitas que invadem e se reproduzem dentro das células do sistema imunológico da pessoa infectada. “É uma doença que hoje está presente nas periferias da cidade. Mas, apesar das pessoas saberem que é necessária a prevenção, não sabem quais são os riscos e a forma de transmissão”, relata Gustavo. Para ele, um dos resultados das ações nas escolas é obter conhecimento sobre o nível de informação da sociedade para sanar as dúvidas e evitar o aparecimento de mais casos. “Essa é a intenção do projeto”, conclui o universitário.

Jornada PET discute desafios profissionais Evento leva Universidade até estudantes do ensino médio A IX Jornada PET acontece de 3 a 7 de outubro com o tema "Universidade e os Desafios Profissionais". O evento é organizado pelo InterPET, que reúne representantes de todos os grupos do Programa de Educação Tutorial (PET) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Toda comunidade externa, em especial os estudantes do ensino médio de escolas públicas e particulares de Uberlândia e Ituiutaba,

pode participar das atividades. Os interessados devem ir às bibliotecas da UFU entre os dias 19 e 23 de setembro para se inscreverem. Após essa data, basta procurar uma das salas dos grupos PET em qualquer campi até o dia 30 de setembro. No ato da inscrição, o estudante deve pagar uma taxa de R$ 10 e escolher as atividades das quais queira participar. Cada PET oferece um minicurso dentro da sua

Dayane Nogueira

área de conhecimento voltado para a temática desta edição. De acordo com o coordenador do InterPET, Tiago Martins Araújo, as expectativas para este ano são as melhores possíveis. “Contamos com mais grupos no InterPET, além da divulgação, que será maior do que no ano anterior. Só podemos esperar um sucesso ainda maior do que nas últimas edições”, afirma.


PESQUISA

Mecatrônica cria sistema de monitoramento

Quando implementada, tecnologia poderá evitar erros de entrega e reduzir furtos

Foto: Ana Spannenberg

Professor José Jean-Paul mostra os equipamentos que estão sendo desenvolvidos

Com o mesmo princípio da tecnologia usada na Segunda Guerra Mundial para diferenciar aviões amigos de inimigos, um sistema para monitoramento em tempo real é estudado em um projeto do curso de Engenharia Mecatrônica. O coordenador da pesquisa é o professor José Jean-Paul Tavares, que afirma que a aplicação da tecnologia é pensada, principalmente, nas áreas de logística e distribuição de produtos. O sistema funciona com antenas, leitores e etiquetas (tags), que são colocadas nos produtos contendo microchips. As informações

inseridas nessas tags são captadas pelas antenas e reconhecidas pelos leitores. Uma tag pode carregar, por exemplo, informações referentes ao percurso de um determinado produto (produtor, distribuidor, vendedor). Com esse caminho definido na etiqueta, o sistema acusa qualquer tipo de extravio ou mudança de rota. “Se ela carregar, por exemplo, a informação que tem que ser entregue em determinado lugar e tal local está esperando aquela etiqueta, que é específica, a gente reduz entrega errada e avalia se a carga é roubada ou não”, descreve Tavares.

O coordenador explica que “essa tecnologia também é falível, pode ter erro de leitura e gravação”. Para que funcione bem, diz, é preciso que o sistema esteja atualizado para reconhecer se a gravação foi feita com êxito ou não, se a leitura foi possível ou não. Como ainda é necessário desenvolver todas essas possibilidades, a aplicação não é imediata. “A gente tem que refinar para que, se der algum problema, o sistema avise ‘isso aqui saiu do processo’”, explica Tavares, e enfatiza: “Tem muita coisa ainda a ser estudada, ver como é que vai ser tratada, antes de se aplicar na prática”. O projeto pretende desenvolver um sistema que permita visualizar na tela do computador em qual etapa está um produto dentro de um processo de distribuição, de acordo com as informações captadas e lidas nas etiquetas com microchips nele instalados. Mas, para isso, afirma Tavares, é necessário trocar todo sistema de informações atual das empresas envolvidas no processo, algo que leva tempo.

Automação A tecnologia ainda gera dúvidas e polêmica sobre substituir o sistema de código de barras, o que poderia reduzir o trabalho de pessoas que fazem parte desse processo de monitoramento de produtos. Tavares ressalta que “a automação não

Aprendendo fora da Universidade

EXTENSÃO

Alunos do curso de odontologia fazem atendimento em escolas

Arthur Franco

Foto divulgação

Estagiários realizou avaliação da saúde bucal das crianças

Prevenção de doenças bucais, promoção e reabilitação de saúde, além do contato direto com o contexto sócio-econômico de alunos do primeiro ao quinto ano de escolas públicas de Uberlândia. Essas são algumas atividades que os alunos do terceiro período do curso de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) desenvolvem. O atendimento faz parte do estágio acadêmico, componente obrigatório do currículo do curso e, a cada semestre, duas escolas são beneficiadas. A

escolha das instituições é feita de acordo com a necessidade da população alvo e as possibilidades de intervenção. Aulas de escovação, palestras e brincadeiras sobre higiene bucal, análise de risco de cáries e aplicação dos evidenciadores de placa bacteriana, conhecidos popularmente como “boca roxa”, são algumas das atividades desenvolvidas com as crianças. Rogério Arcieri, professor do curso de Odontologia, enxerga a ação com benefícios para as duas partes

Marina Martins

serve para substituir pessoas, serve para gente ter trabalhos mais nobres”. Para ele, o sistema de código de barras continuará sendo útil, mesmo que essa tecnologia dê certo e seja aplicada, porque ambas atendem à diferentes necessidades de empresas com variadas dimensões. “Eu vou ter código de barras sendo usado pra uma coisa e essa tecnologia sendo usada pra outra. A aplicação dela mais estudada é para logística e para distribuição de produto”, relata. Os alunos Thiago Silva Pereira, do décimo período de Engenharia Elétrica e Guilherme Peixoto, do oitavo período de Engenharia Mecatrônica, bolsistas da pesquisa, tiveram artigos aprovados em congresso internacional para divulgação do projeto. A pesquisa que, começou no pós-doutorado de Tavares na Universidade de São Paulo (USP), foi trazida pelo professor para a UFU no início de 2009. Atualmente, recebe suporte da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e também de São Paulo. Apesar de contar ainda com poucas pessoas envolvidas, o projeto tem crescido, explica o coordenador. Ele se entusiasma ao falar das possibilidades do produto: “As aplicações são diversas, dá pra pensar na aplicação em casa, no hospital, no atacadista, no distribuidor, no varejista. E quem mais tira valor dessa etiqueta é o varejista”.

envolvidas. Por um lado, os universitários, a partir do estágio desde os primeiros períodos, “podem ter uma vivencia das necessidades reais dessas crianças”, explica. Já para as crianças, diz Arcieri, muitas vezes, essa é a única oportunidade que têm de ter uma atenção odontológica. Ao longo do semestre, os graduandos desenvolvem as atividades durante dez sextasfeiras, sempre no turno da manhã. Todas as ações são supervisionadas e auxiliadas por dois professores. Depois de examinar a saúde bucal das crianças, os estudantes da UFU encaminham aqueles que precisam mais cuidados para unidades de atendimento público próximas das suas residências. Isabella Cristina, estudante do terceiro período de Odontologia, participou das atividades de atendimento às crianças durante o primeiro semestre de 2011. Ela considera que o estágio é positivo, por ser uma forma de colocar em prática o que foi aprendido na sala de aula. A aluna também destaca a importância da ação para os alunos beneficiados. “Eles aprendem desde pequenos a ter mais cuidado, a prevenir futuramente doenças periodontais”, explica a futura odontóloga. Uma das escolas atendidas no primeiro semestre de 2011 foi a Escola Estadual Enéas de Oliveira Guimarães, localizada no Bairro Fundinho, próximo ao Centro de Uberlândia. A diretora, Nadir Luiza Silveira, diz que os pais ficaram satisfeitos com o resultado do estágio. Segundo a diretora, ações como esta são positivas, pois é muito “importante esse trabalho direto com o aluno, porque tem a prevenção e o auxílio”.

Ciência para a comunidade O Projeto “Ciência UFU”, desenvolvido pelo Curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), tem como meta divulgar para a comunidade extra-campus os resultados de pesquisas realizadas na instituição, com linguagem fácil e acessível. Idealizado pela professora Adriana Omena, coordenadora do curso, no primeiro semestre de 2010, o projeto conta com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). A equipe envolvida tem em torno de 20 pessoas, incluindo professores, técnicos administrativos e alunos, bolsistas e voluntários. Na primeira etapa, que iniciou em agosto de 2010, foi realizado um levantamento de dados sobre pesquisas desenvolvidas na universidade, a fim de mapear assuntos de interesse do público em geral. Em um segundo momento, notícias sobre tais projetos estão sendo construídas utilizando a linguagem jornalística adaptada a diferentes mídias, como rádio, jornal impresso, web e televisão. O objetivo é informar sobre as pesquisas de modo acessível a diversos públicos, concretizando a proposta de popularização da ciência. No segundo semestre de 2011, os primeiros resultados já deverão ser publicados. O prazo inicial de conclusão do projeto é final de 2011, mas ele poderá ser renovado.


MUNDO UNIVERSITÁRIO

Agora eu moro fora

O Senso (in) comum apresenta diferentes histórias de quem saiu de casa para estudar

Foto: Acervo pessoal

Filipe Souza considera cozinhar o principal desafio

A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) é referência acadêmica na região e possui um número cada vez maior de alunos devido à abertura de novos cursos de graduação. A composição desse grupo estudantil é diversa, mesclando adolescentes e adultos. A instituição recebe alunos de diferentes cidades da região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, além de estudantes de estados vizinhos como Goiás e São Paulo. Eles deixam família, amigos e todas as mordomias da casa dos pais. Essa é a realidade de vários jovens que saem de suas cidades e escolhem a UFU para estudar. Começa então um novo caminho. Morar sozinho é um momento de adaptação, que exige responsabilidade e gera amadurecimento. Foi o que Gabriel Feres, Ana Beatriz Tuma, Filipe Fagundes de Souza, Felipe Meneghetti e Igor Pelegrini contaram à reportagem do Senso Incomum.

Moradias alternativas A partir do ingresso na UFU, os alunos de outras cidades, muitas vezes, precisam se mudar para Uberlândia. Alguns optam por morar em repúblicas, as moradias coletivas que geralmente são formadas por universitários e podem ser exclusivamente masculinas, femininas ou mistas. Além dessa opção, há quem prefira dividir apartamento. Em ambos os casos, o clima é de total liberdade, mas os moradores são os principais

responsáveis por todas as despesas. Para cursar Engenharia Mecatrônica, Gabriel Feres veio de Barretos, São Paulo, e divide apartamento com duas pessoas. Além de estudar, Gabriel é responsável por lavar e passar suas roupas, cozinhar e administrar o dinheiro que a mãe envia todo mês. Mesmo assim, ele afirma que a experiência de morar longe da família tem mais vantagens, entre elas, a sensação de liberdade: “a gente não tem que dar satisfação para ninguém”. O universitário conta que volta poucas vezes para sua cidade, devido a correria do curso e, por isso, a família sente muito a sua falta. No entanto, Gabriel relata que o retorno para casa é motivo de alegria. “Minha mãe, meus avós sentem muita saudade, mas quando eu vou pra lá fica tudo bem. Eles adoram, fazem festa e tudo o que eu gosto de comer”. Já outros decidem pelos pensionatos, onde são alugados quartos. Quem faz essa opção tem serviço de lavanderia, alimentação, limpeza e as contas estão incluídas na mensalidade paga ao pensionista. Ana Beatriz Tuma veio para Uberlândia há um ano e meio. Recém-chegada na cidade, a paulista de Ribeirão Preto, foi morar em um pensionato. “Tem pontos positivos e negativos” conta a estudante de Jornalismo. Segundo Ana, o interessante é conhecer novas pessoas, com modos diferentes de levar a vida, mas as regras e a falta de liberdade são pontos negativos dessa experiência.

Outro ponto que merece destaque é a volta para casa. Ana, que voltava toda semana, agora demora mais tempo para voltar. “No primeiro mês eu voltava toda semana, depois mudou pra 15 em 15 dias. Aí, mais pro final do ano passado, eu volto de um mês em um mês e meio. A saudade, é claro que existe, a cada dia ela aumenta, mas a experiência é muito válida, você aprende a se virar sozinho, sem seus pais.” Uma terceira alternativa para quem se muda para uma nova cidade é morar sozinho. Geralmente, em um apartamento nas imediações do campus. O aluno do 5º período de Administração, Filipe Fagundes Ribeiro de Souza nasceu em Araguari. As viagens diárias entre as duas cidades se tornaram cansativas e o estudante veio para Uberlândia há dois anos, hoje mora sozinho. Para Filipe, a vida se tornou mais fácil pela liberdade que tem em um apartamento só seu. Sobre a desvantagem afirma: “a comida da mãe faz falta”. No que diz respeito à organização, Filipe criou um sistema: “Toda quinta-feira à tarde eu limpo a minha casa, tudo tem que ficar sempre no lugar certo, fios não podem aparecer pela casa”. A adaptação à nova rotina não foi fácil, a maior dificuldade apontada por ele diz respeito a aprender a cozinhar. Outro problema é receber visitas que fazem bagunça. Sobre morar sozinho, ele afirma “eu fico tranquilo, não tenho medo de nada. A solidão, o fato de não ter ninguém pra conversar às vezes incomoda, mas a gente acostuma”.

Amadurecimento Felipe Meneghetti, de Franca, São Paulo, conta que morar fora foi uma boa experiência: “Me ajudou a amadurecer bastante, aprendi muita coisa”. O estudante de Artes é responsável pelas contas e limpeza da casa e revela: “é um pouquinho trabalhoso, mas é bom”. No que tange a saudade de casa, Felipe conta que no começo era bem mais forte, mas com o tempo ele foi se acostumando. Igor Pelegrini vive a mesma situação, a responsabilidade do apartamento é dele e do amigo. Porém, quando precisa de alguma coisa, Igor liga para os pais, que sempre o orientam no que é preciso. O estudante de Brasília conta que veio estudar na UFU, pela qualidade da universidade. “Meu pai já estudou aqui, então eu sabia que era uma faculdade muito boa”. A família está distante apenas fisicamente, pois Igor revela que a mãe liga todo final de semana, e os pais vem para Uberlândia nos feriados, nas férias ou quando é possível. A responsabilidade é grande, pois o estu-

Lucas Felipe Jerônimo e Paula Arantes

dante conta que tem que organizar o dinheiro que ganha com gastos da faculdade, para se sustentar e se divertir. Apesar de todas as dificuldades, a experiência vale a pena: “Você amadurece e tem uma certa liberdade, então você fica confortável”, diz. Para suprir parte da falta da família, Igor adotou um gato. O felino, que estava abandonado na UFU começou a seguir o universitário, que desde então assumiu mais essa responsabilidade: ração, banho, remédios e vacinas. Apesar de gerar mais despesas, a adoção compensa. “Ele me faz companhia, de vez em quando desestressa quando eu tô cansado. Fico brincando com ele, é uma boa companhia”. “Geralmente não é uma mudança fácil, muitas vezes ela é cercada de incertezas, de medo”, afirma Michele Falco, psicóloga que atua no Setor de Atendimento Psicológico ao Aluno da UFU (SEAPS). Por outro lado, Michele acredita que este também é um momento de crescimento para os estudantes: “Pode levar ao amadurecimento, eles passam a assumir novas responsabilidades, a ter mais autonomia sobre a própria vida”. Segundo a psicóloga, não existe uma receita para se passar por essa fase, entretanto, cada jovem pode trabalhar suas potencialidades, a partir do significado pessoal que esta mudança representa. A liberdade que os alunos experimentam surge acompanhada de obrigações cotidianas, como lavar a roupa ou fazer a própria comida. De acordo com a psicóloga, muitas vezes isso escapa do habitual, daquilo que o estudante estava acostumado: “quando o jovem está diante de uma situação que ele precisa dar conta de tudo é diferente, causa um estranhamento, é difícil”, ressalva.

Foto: Lucas Felipe Jerônimo

Para a psicóloga Michele Falco, assumir responsabilidades faz crescer

Cães que circulam na UFU são adotados

Os animais são abandonados pelos seus donos no campus A presença de cachorros no campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) é percebida por toda a comunidade que transita pelo local. Não há estatísticas oficiais, mas o número de cães existentes chama a atenção. A vigilante Regina Célia de Paula, porém, tem liderado uma campanha para a adoção dos animais e obtidos bons resultados. Regina, que trabalha na UFU há cerca de dois anos, conta que sempre auxiliou os cães com alimentação e atendimento médico-veterinário. A vigilante já ajudou na adoção de 22 animais e

comenta que isso é importante, pois alguns podem ser agressivos em determinados momentos. “Quando as pessoas passam, às vezes fazendo muito barulho, chamando a atenção deles, eles costumam correr atrás e latir”, relata. O prefeito universitário, Renato Alves Pereira, afirma que não há como a UFU eliminar o problema: “pelo caráter de ser universidade e ser instituição pública, nós temos que nos habituar a conviver com determinadas situações”. Enquanto existem pessoas que adotam os cachorros, outras abandonam os animais dentro do campus, explica o prefeito.

Dayane Nogueira

Foto: Danielle Buiatti

Neguinha, Pretinha, Rajada e Cabeludo são alguns dos que ainda aguardam na UFU para serem adotados


INSTITUIÇÃO

Circular restringe acesso à universidade

Problemas ocorridos em festas na UFU justificam medida de segurança

Cindhi Belafonte e Elisa Chueiri

Foto: Danielle Buiatti

O fechamento do Campus visa garantir a segurança das pessoas e do patrimônio público, explica a divisão de vigilância

A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) divulgou uma circular que estabelece novas medidas de segurança para a instituição. O documento visa restringir o acesso da comunidade externa nos campi após as 22 horas e entrou em vigor em junho deste ano. Na circular, consta que “fatos ocorridos recentemente, como vandalismo e depredações de prédios, jardins e instalações causaram enorme transtorno ao ambiente universitário”. O acesso fica permitido, apenas, mediante identificação. O Gerente da Divisão de Vigilância e Segurança da universidade, Gilvander Fernandes, explica que o fechamento do campus acontece para garantir a segurança, tanto de pessoas quanto do patrimônio público. “Duas festas nos chamaram a atenção: uma com sete mil pessoas e outra com seis mil. A universidade não tem

FALA ESTUDANTE!!!

estrutura para atender a essa quantidade de pessoas. E aí vem o vandalismo: pessoas arrancando canos, com torneiras, arrancando portas, quebrando vidraças. Isso tem acontecido frequentemente. Bebem, usam drogas, e depois fazem as suas necessidades em qualquer lugar, trazendo um transtorno muito grande no dia seguinte, pra quem usa o espaço onde aconteceram essas coisas.” Para Inaê Vasconcellos, membro do Diretório Central dos Estudantes (DCE), a medida já começou com um problema: não ter sido uma decisão de conselho superior. Além disso, ela afirma que a vigilância pode ter recebido a informação e tratado dela erroneamente. “Na verdade, a vigilância não tem permitido nem que o estudante se identifique. Dizem que ele não pode entrar depois das 10 e, às vezes, o estudante não tem a informação de

“Eu acho uma medida interessante, no sentido de aumentar a segurança dentro do campus, no entanto, considerando que milhares de pessoas entram e saem a todo o momento, antes das 22h, pode não ser tão efetivo, mas deve inibir um pouco os atos ilegais dentro da universidade.” “De uma certa forma, dá a entender Eduardo Antônio Mendes, 5º per. de que passa uma segurança para a comunidade Odontologia/UFU universitária, mas, por outro lado, atrapalha determinadas atividades culturais organizadas pe“É até uma medida sensata. Mas tilos próprios estudantes, que é uma forma de nha que controlar com algum documento os confraternização dentro do campus. O cam- alunos da UFU, porque, às vezes, tem aula, alpus é um espaço público, então tanto os estu- gum trabalho em laboratório que vai até dedantes quanto a sociedade, que mantém a pois das 22 horas. No meu curso, às vezes, universidade, podem frequentar.” deixamos solo na estufa e, de seis em seis hoMarco Aurélio Gomes de Oliveira, Mestra- ras, tem de ir lá e acrescentar nutrientes. Uma do em Educação/UFU vez tive que ir à UFU do Umuarama às 22h30. Se o segurança não me deixasse entrar, perde“Eu acredito que é um absurdo, por- ria todo o experimento.” que se tá com problema de segurança, deveria Laís M. Morais, 4º per. de Agronomia/UFU aumentar a quantidade de guardas na UFU, e não restringir o acesso aos alunos. E assim, co“Eu acho que é meio injusto porque brar a identificação pra entrada e pra saída é aqui é um lugar público, mas eu acho que é restringir um bem que é público. bom pra questão de segurança, porque aqui Gabriela de Morais, 7º per. de Ciências So- tem muito assalto à noite.” ciais Patrícia Melo, 4º per. de Economia/UFU “Essa medida não adianta de nada, porque quem tiver de entrar, entra até as 10. E, outra coisa, a universidade é pública, em nenhum momento aquele portão deveria ser fechado.” Larissa Borges, 4º ano de Pedagogia/UFU

que ele pode entrar com identificação ou o vigilante não tem a informação de que o estudante pode se identificar pra entrar”. Para ela, houve problemas na comunicação entre a prefeitura universitária, a gerência da vigilância da UFU e os vigilantes terceirizados. Admis Santos é funcionário da vigilância terceirizada e explica que tem que cumprir o que a UFU determinar. “Nosso papel aqui é evitar danos, furtos, roubos e qualquer tipo de depredação no campus.” O estudante Humberto Xavier cursa Arquitetura em outra instituição de ensino superior, mas frequenta a universidade em dias de festa. Para ele, a medida é justa e correta. “Eu acho que tem que ter limite mesmo, porque a faculdade é primeiramente para estudar. Se tem festa, claro que é muito bom, só que pelo menos nesses dias, como vai ter uma portaria só, serial legal deixar os carros de som do lado de fora, porque a maioria do público vai lá para escutar a banda. Quanto à questão do vandalismo, é investir na segurança do campus”, comenta. Já Fernando Lima, aluno do 5º período do curso de Relações Internacionais da UFU, é contra a medida. “Eu moro aqui do lado. O portão fechado inviabiliza totalmente a minha circulação no campus, porque agora qualquer

coisa que eu for fazer eu tenho que dar a volta e entrar pelo portão principal”, declara. Inaê pondera que a decisão põe em risco a segurança dos alunos fora da universidade. “Se só um portão é aberto pra todos os estudantes saírem depois das suas aulas, que acabam às dez e meia da noite, aquela entrada, obviamente, vai ficar visada”, explica. Juliana Borges estuda Direito em outra universidade e entende a norma como algo, de certa forma, discriminatório. “Acaba sendo preconceituoso, porque não são só as pessoas de fora que trazem esse tipo de transtorno”. Para ela, a medida é radical e não vai resolver muita coisa, pois a solução seria aplicar mais segurança dentro do campus. A representante do DCE também adverte que o que está acontecendo é uma forma de impedir a realização de festas no Centro de Convivência (CC), principalmente devido ao tamanho do público. “Antes de proibir a entrada e de dizer que a comunidade externa é um problema pra universidade, é preciso conversar. Informar por cartaz, por faixas, por falas no palco, durante toda a festa, frases de conscientização”. Ela afirma que é uma forma de mostrar que as festas só continuarão a acontecer se os presentes se comportarem adequadamente.

Assistência Judiciária da UFU

Escritório volta a prestar serviços para a comunidade Laura Laís

Reinaugurada no mês de junho, a Assessoria Jurídica Popular da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) recebeu melhorias e agora conta com 24 estagiários e quatro professores do Curso de Direito, além de um advogado. O projeto, iniciado em 1969, com o nome de Assistência Judiciária, tem o objetivo de oferecer serviços jurisdicionais gratuitos à população. O serviço, desenvolvido a partir de parcerias com associações de bairros e ONGs, é rea-

lizado nos bairros durante seis semanas. Os moradores recebem orientações e são atendidos pela equipe da assessoria. A cada semana, o atendimento é voltado para uma área, como Direito Cível, Previdenciário, Trabalhista, entre outros. Após esse trabalho, é realizada uma conciliação das ações que foram apresentadas. O Escritório de Assessoria Jurídica Popular (Esajup) está localizado na Avenida João XXIII, 263, Bairro Santa Mônica. Informações pelo telefone (34) 3235-5013.


COMPORTAMENTO

Mais do que um hobby Colecionar é uma arte que pode trazer conhecimento e prazer

Arthur Franco e Lucas Felipe Jerônimo

suas coleções e que quando querem presenteá-lo, sempre procuram alguma coisa diferente que vai agradá-lo e ajudar a aumentar um de seus conjuntos.

Filatelia Uma das coleções mais populares é a de selos, também conhecida como filatelia. Uberlândia é uma das quatro cidades de Minas Gerais que possui uma Agência Filatélica e Numismática, que possibilita trocas de selos, moedas e cédulas entre colecionadores do Brasil e do mundo. O presidente do Clube Filatélico, Francisco Salles, reúne itens há mais de quarenta e cinco anos. Ele explica que, para colecionar selos, é necessário Foto: Lucas Felipe Jerônimo ter organização e conhecimento para embasar sua pesTeófilo coleciona chaveiros desde criança e tem mais de cem itens quisa e que essa prática traz Canetas, chaveiros, moedas, selos. São conhecimento e prazer. “Selo não é uma figurimuitos os objetos que podem ser colecionados. nha, selo é um documento que serviu para uma As diversas formas de coleções são respeitadas e correspondência e que conta a história do munadmiradas em muitos países e tornam-se temas do, a história da geografia, das artes,” completa. de livros, revistas e exposições realizadas em lugaPercebendo a importância dessa atividares públicos. Esse é um hábito que atravessa gera- de, o Ministério da Cultura incluiu a Filatelia na ções e continua atraindo pessoas de diferentes Lei Federal de Incentivo à Cultura, a "Lei Rouaidades. net", permitindo, assim, que projetos obtenham Teófilo Godoi, estudante de Administra- incentivos fiscais. Além disso, a Secretaria Estação, é um exemplo de colecionador. Ele faz cole- dual da Cultura de São Paulo possui uma Comisção de chaveiros, de canetas e de miniaturas e são de Filatelia e Numismática, sendo o único explica que o hábito começou por acaso. Para ele, Estado da Federação a ter um órgão deste tipo. não existe nenhum objeto mais especial dentro Os membros do Clube Filatélico de das suas coleções. “Cada um representa para mim Uberlândia se reúnem todos os últimos sábados uma coisa, cada um foi presente de um amigo ou de cada mês na Agência Filatélica, localizada no representa algum lugar que eu visitei”, explica. Correio Central. Não é necessário ser membro Teófilo ainda revela que seus amigos sabem das do clube para participar das reuniões. ARTE

Reflexão com pipoca

Amantes do cinema não precisam sair da UFU para assistir a bons filmes Cultura e diversão. Essas são as palavras-chave das sessões de cinema oferecidas pelos cursos da UFU. Mais do que simplesmente assistir um filme, as coordenações dos projetos buscam trazer temas que propõe aos participantes uma reflexão crítica. Os projetos, em sua maioria, trazem, além das películas, um debatedor para discutir o assunto com os participantes após a exibição. O InterPET, que é uma unidade que reúne 18 Programas de Educação Tutorial (PET) da universidade, uma vez por mês designa dois cursos responsáveis por oferecer uma sessão de filme para a comunidade acadêmica. É o chamado “Cine InterPET”. Os cursos responsáveis pela exibição em cada mês são escolhidos por sorteio. No primeiro semestre, foram exibidos os filmes “Uma prova de amor”, “A invenção da mentira”, “A rede social”, entre outros. Os Centros Acadêmicos de alguns cursos também oferecem, por contra própria, sessões de filme e debate. Um exemplo é o curso de Jornalismo, que iniciou no mês de maio o projeto “Segunda segunda”, que ocorre regularmente todas as segundas segundas-feiras de cada mês. No semestre passado foram exibidos os filmes “Jogo de poder” e “Narradores de Javé”. Os debates foram ministrados por professores do curso, que focaram a discussão fazendo comparações com o cotidiano dos alunos. Augusto Seiji Ikeda, 21, aluno do curso de Jornalismo, participou da primeira exibição do projeto e relata a experiência. “É outra maneira que nós temos de interagir, tanto entre os alunos quanto com os professores e, até mesmo, com as pessoas de fora do curso”, opina. Augusto também propõe melhorias para os debates. “O ideal seria que houvesse dois debatedores, cada um com uma opinião diferente em relação ao tema do filme, para que seja realmente um debate e não uma palestra”, conclui. Além da cultura nacional, as sessões oferecidas pelo Instituto de Letras e Linguística (ILEEL) trazem também filmes de outros países, em outras línguas. São os projetos “Allons au cinema”, que apresenta longas franceses três vezes no semestre, e o “Ciclo de cine Argentino”, que uma vez por mês traz películas pro-

Laura Laís

duzidas na Argentina. Confira abaixo a programação para este semestre. Além da França e da Argentina, o Canadá também tem seus filmes exibidos no campus da universidade. O “Cine Canadá”, organizado pelo PET do curso de Letras em parceria com o Núcleo de Estudos Canadenses (NEC), divulga a cultura do país. Os filmes apresentados são emprestados pela Embaixada do Canadá. Os eventos são abertos também à comunidade externa. A divulgação é feita por meio de cartazes espalhados em locais estratégicos da universidade e pela internet. Em alguns filmes é oferecido certificado com carga horária e também pipoca e refrigerante gratuitos para os participantes.

ALLONS AU CINÉMA

Local: Anfiteatro do bloco 3Q Horário: 18h30 às 21h30 24/09 - Le premier venu (O primeiro a chegar), de Jacques Doillon (2008) 22/10 - Safrana ou le droit à la parole (Safrana ou o direito à palavra), de Sidney Sokhona (1997) 26/11 - Les mille et une mains (As mil e uma mãos), de Souheil Bem Barka (1971)

CICLO DE CINEMA ARGENTINO

Horário: 16h às 19h 13/08 - La ciénaga (O pântano), de Lucrecia Martel (2001) 10/09 - Las viudas de los jueves (As viúvas das quintas), de Marcelo Piñero (2009) 08/10 - El hombre de al lado, de Mariano Cohn & Gastón Duprat (2009) 12/11 - Carancho (Abutres), de Pablo Trapero (2010)

Na ponta do pé

Festivais e mostras de dança são opções para público de Uberlândia

Para quem gosta de dança, Uberlândia oferece diversas opções. A Universidade Federal de Uberlândia (UFU), inserida nesse contexto, promove todos os anos um painel de dança que é avaliativo na disciplina de Prática Pedagógica do Estudo da Linguagem Corporal (PIPE 7) do curso de Educação Física. Este ano foi a vez dos alunos da 70ª turma produzirem o evento, que trouxe o tema “Radiarte - Sintonize em nosso ritmo e curta a freqüência.” O painel foi realizado no Ginásio do Campus Educação Física, no dia 17 de junho. Na plateia estavam alunos, parentes e admiradores do trabalho artístico. O painel trouxe apresentações diferenciadas para todos os públicos. A palavra chave foi diversidade, de ritmos, de estilos e de faixa etária, pois até mesmo a terceira idade teve participação garantida com a apresentação da

música “Dancing Queen”, do grupo Abba. Para quem perdeu o evento, ainda vem muito por ai. A escola Uai QDança iniciou, em junho, um projeto que oferece à população de Uberlândia quatro meses de apresentações de dança gratuitas. A programação vai até o dia 29 de novembro. Mais informações pelo telefone (34) 3236-5056 ou pelo e-mail uaiqdanca@uaiqdanca.net. E, para fechar o ano, entre os dias 27 de outubro e dois de novembro, a comunidade uberlandense poderá conferir mais uma edição do tradicional Festival de Dança do Triângulo, que este ano traz como tema “Partilhas na Dança: Criação, Viabilidade e Resistência”. O evento, que está em sua 23ª edição, reúne artistas e públicos de toda a região. Os locais e a programação ainda serão definidos.

Laura Laís

Foto divulgação

O painel de Dança UFU 2011 teve como tema “Radiarte - Sintonize em nosso ritmo e curta a freqüência”


NA REDE

Memes, febres da internet em alta velocidade

Se você ainda não sabe o que é meme, vai entender agora

Seleção com as famosas carinhas expressivas

Você pode até não saber o que é um meme, mas com certeza já esteve diante de um quando navegou pela internet. Memes são vídeos, fotos e, até mesmo, frases, publicados na internet que ganham popularidade e passam a ser repetidos e a fazer parte do cotidiano das pessoas. A professora e jornalista Mirna Tonus

trabalha com os conceitos de cibercultura e afirma: “os memes participam de uma cultura específica dentro da internet, por que eles vêm de um termo biológico, de mimetização, de reprodução”. Entre os memes, são comuns os vídeos de erros de programas de televisão como o da apresentadora do Jornal Hoje, Zileide Silva que, por ter perdido a lente de contato, não conseguiu ler as notícias. Além desses, vídeos musicais inusitados se tornam populares, seja pela má qualidade da canção ou pela estética do conteúdo, tais vídeos ganham até paródias e novas versões. Os vídeos se tornam populares no site Youtube, o acesso é imediato e em pouco tempo atingem milhares de visualizações. A norte-ameri-

Lucas Felipe Jerônimo e Arthur Franco

cana Rebecca Blackficou conhecida mundialmen- “Aham, Cláudia, senta lá”. A apresentadora diste pelo clipe da música “Friday”, apareceu em parou a frase enquanto uma criança tentava lhe programas de TV e participou do clipe de “Last mostrar algo. Friday Night”, da cantora Katy Perry. O estudante de Jornalismo e apresentador Os sites de humor são responsáveis por de um programa de rádio, Victor Barão afirma que espalhar as imagens que se tornam memes na for- a cidade também possui seu meme: “Em Uberlânma de tirinhas. As carinhas expressivas ganham es- dia, tem o famoso ‘um dia dá certo’ da tia do docipaço e a sua utilização atravessa o contexto das nho. Acho que todo mundo que frequenta o redes sociais e as ferramentas de bate-papo, como centro de Uberlândia conhece e brinca com isso”. o MSN. As frases e bordões se aderem às conversas dos internautas conforme sua fonte fica conhecida. A partir de um vídeo do programa “Clube da Criança” da Ilustração: http://www.capinaremos.com extinta TV Manchete, apreEntenda na prática como algumas carinhas funcionam(esquerda para a direita): O sentado por Xuxa Me- uso de “Troll face” para brincar com um colega, “FUUUUU” para mostrar que se esneghel nos anos 1980, se tá com um grande problema, “Me Gusta” para indicar algo prazeroso. Tudo isso tornou comum a expressão com muito humor.

Saindo do forno José Simão – A esculhambação geral da República

“Buemba! Buemba!” Macaco Simão, autor da coluna mais lida do país, selecionou seus textos para a composição do material do livro. São 128 páginas que retratam a sociedade brasileira e seus personagens. O autor mostra que, no “país da piada pronta”, rir é sempre a melhor saída.

Letra a letra

Dayane Nogueira

Red Hot Chili Peppers – I’m with you

Os norte-americanos chegam ao seu décimo álbum de estúdio, o primeiro que conta com a participação do novo guitarrista, Josh Klinghoffer. O baterista Chad Smith disse que foram compostas mais de 20 canções, mas só 14 faixas farão parte do disco, que será lançado dia 30 de agosto.

Esteban – ¡Adiós, Esteban!

Elisa Chueiri

Fabrício Carpinejar - Borralheiro

O novo livro do poeta gaúcho traz, em 100 crônicas, o cenário de inversão de papéis que pode ocorrer na vida a dois, em que o homem não precisa ter vergonha de assumir sua sensibilidade, e muito menos de tomar conta das tarefas domésticas. Algumas crônicas já estão disponíveis em: http://migre.me/58S4z

Penso, logo clico

Aline de Sá

http://sitedecuriosidades.com/

Como o próprio nome já diz, nesse site encontramos curiosidades sobre assuntos que há décadas mexem com o imaginário, como extraterrestres, lendas urbanas e o mundo sobrenatural. Tudo com uma boa pitada de humor.

http://harkavagrant.com/archive.php

O Hark oferece um acervo de quadrinhos para os apaixonados por literatura e histórias em geral. Romances de Janeu Austen, obras de Duchamp, aventuras de Napoleão, tudo isso e muito mais na versão ‘comics’.

Esteban é o nome do projeto solo do baixista da banda Fresno, Rodrigo Tavares. Foi o próprio cantor que gravou quase todos os instrumentos das 12 faixas que compõem este primeiro CD. Segundo ele, as músicas do álbum contam a história de sua vida durante o ano de 2009. O lançamento está previsto para agosto.

Umnavio – Mais 6 meses no mar

A banda de Uberlândia, formada em 2008, lança seu segundo CD, com cinco faixas. O álbum, que está em processo de gravação há mais de um ano pela Chederrecords, será lançado no dia 6 de agosto. O grupo disponibilizará o disco para download e para venda, basta acessar o site da gravadora: www.chederrecords.com

Stephen King – Ao cair da noite

Um vendedor de livros dá carona para um mudo e surpreende-se durante o trajeto. Objetos de mortos no ataque de 11 de setembro atormentam a vida de um sobrevivente que se sente culpado. Essas histórias estão entre os 13 contos lançados neste livro do consagrado autor de tramas de suspense e terror.

Película perfeita

Lucas Felipe Jerônimo

Sem Saída

No original “Abduction”, traz Taylor Lautner no papel de um rapaz que vive a vida de outra pessoa. Quando descobre ter sido considerado desaparecido quando criança, Nathan passa a procurar sua identidade com a ajuda de Karen, personagem de Lily Collins. Estreia em 23 de setembro.

Lanterna Verde

O filme conta a história da Tropa dos Lanternas Verdes. Uma irmandade de guerreiros designada a manter a ordem intergaláctica, na qual cada soldado possui um anel que lhe garante superpoderes. Com a chegada do inimigo Parallax, surge um novo recruta: Hal Jordan, de Ryan Reynolds. Estreia dia 19 de agosto.

http://tweetstats.com/

Para os twitteiros de plantão, essa é um ótima ferramenta que representa, através de gráficos, a quantidade de tweets que você postou em determinado período. Basta inserir o nome de usuário e conferir os resultados.

http://solarsystemscope.com/

Se você curte astronomia, o Solar Sytem Scope irá lhe mostrar o universo de uma maneira bem diferente. Com imagens em 3D e um bom fundo musical, você viajará por todo o universo. O site oferece a opção de idioma português.

Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo

No cenário brasileiro, está em cartaz um filme com Tarcísio Meira e Gregório Duvivier. O ator de comédia stand up, Lalau viaja se apresentando em pequenas cidades e recebe uma proposta milionária para fingir ser um famoso Guru. Algo não dá certo e ele precisa da ajuda do pai, que, nas situações complicadas, solta o bordão: “Não se preocupe, nada vai dar certo”.

Senso (in)comum 05  
Senso (in)comum 05  

5ª edição do jornal Senso (in)comum da UFU. Ao ingressar na universidade, o estudante é bombardeado com uma série de informações e exigência...

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