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Natália Nascimento

JORNAL‐LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO UFU ● ANO 03 ● Nº 13 ● DEZEMBRO/2012‐JANEIRO/2013

Ameaça escondida UFU adota medidas de prevenção contra focos do mosquito da dengue [6] ATUALIDADES: Aplicação da Lei de Cotas Sociais e Raciais altera processos seletivos [3]•Práticas na área da saúde ajudam a formar profissionais mais capacitados [4] •Universidade movimenta economia de Uberlândia [4]•O que fazer depois da formatura? Entenda melhor suas opções [5] CULTURA E LAZER: Descobrir sua vocação é o melhor caminho para o sucesso [7]• Reflexos do tempo sobre a vida cotidiana das sociedades [8]


Editorial

VOZES

Jornalismo ad salutem

Tempo de renovar

O Senso (in)comum entrou oficialmente, com o início do semestre 2012.2, em seu terceiro ano de existência. Ao longo desse período, mais de 80 alunos já passaram pela publicação, seja regularmente matriculados, seja como bolsistas ou, até, como voluntários. O periódico, inicialmente pensado para ser uma produção interdisciplinar do quarto semestre do Curso de Jornalismo, cresceu e transformou-se em projeto de graduação e de extensão. Em razão da greve de docentes, discentes e técnicos administrativos, o início de um novo ciclo do jornal, com a entrada da terceira turma de estudantes responsáveis por sua realização, coincidiu com o final do ano e todas as inspirações que essa época nos traz. Assim, renova-se o ano, revigoram-se as expectativas e transforma-se nosso jornal que, a partir do próximo número, trará novidades para você, leitor. Nessa edição, você vai encontrar informações sobre as ações da UFU no combate

aos focos do mosquito transmissor da dengue e entender o que fazer para participar desses esforços. Também vai entender melhor a decisão de aplicar a Lei de Cotas Sociais e Raciais nos processos seletivos de ingresso à universidade e a opinião de todos os segmentos nos quais essa medida se reflete. Você encontra ainda nessa edição informações sobre como funcionam as atividades práticas na área da saúde da Universidade Federal de Uberlândia e uma reportagem na qual especialistas respondem à uma dúvida que atinge a todo universitário com a proximidade do final do curso: o que é melhor, especializar-se ou buscar experiência no mercado? O jornal ainda traz variadas dicas culturais, além de colunas de curiosidades e opinião. Desejamos a todos uma ótima leitura e que 2013 chegue para renovar nosso compromisso de qualidade com você, nosso leitor!

Bazinga!

Brunner Macedo

Ao percorrer essa estrada que me leva ao jornalismo, senti-me, às vezes, descaracterizado pela sequência dos caminhos que tomei. Caminhos em que me perdi, me iludi, ou que abracei. E, muitas vezes, fui além: achei que salvar o mundo fosse fácil. Eu sei, é utopia de aprendiz. Cercados de tanto mar, mar de água, ideias e ideais, estamos nós jornalistas e aspirantes a tal. Somos, todos nós, limitados, delimitados e delimitantes, mas projetamos, para além da nossa fronteira, o nosso chão. Achamos que entendemos tudo, cravamos nossa bandeira nas mais variadas causas, e esquecemo-nos de resgatar nosso barquinho a naufragar. Mas não estamos sós, essa insalubridade floreia a mente média, em média, da classe-média dos BRICS, dos EUA, dos EUs e de todos mais. Defendemos a linha reta, apontada doravante, tendo em mira o culpado, o motivo, o ladrão. Na mídia-agulha, essa linha acerta, percorre o pano, espanta o mundo e some tipicamente no palheiro que lhe convém. Eu prefiro a linha curva, humana, mal

acabada, passiva de ser traço, de ser seta, de ser nada. Ao texto não ser duro, não ser rude, não ser fechado, ser o espelho do que sinto, do que vejo e do que falo. Se quiser tocar o humano, ser humano, humanizado. Nunca falar das flores simplesmente por falar. Em curva, sigo conhecendo e desmontando o mundo e, com ele, aprendendo a desaprender: desaprender alegorias fáceis, clichês baratos e continuar, desaprender que o norte é melhor que o sul porque tem IDH. Nem as aves que aqui no Porto gorjeiam são tão diferentes das de lá. Conhecer e se aprofundar nas essências é a única receita para sanar vícios e preceitos enviesados. E independentemente do que vem depois, tornamo-nos capazes de abandonar as análises cegas e passamos a construir um novo modo de pensar. Conseguimos alcançar, sem violência, o indivíduo, a sociedade e a honestidade que almejamos. E se calhar, ajudamos a salvar um mundo, dentre os mundos que há para se salvar.

VOZES

Um brinde ao tempo

Stella Vieira

VOZES

Prestando atenção em cores Uma quase comunidade de heterossexuais, homossexuais, transexuais e travestis que durou cinco dias. O Encontro Nacional Universitário sobre Diversidade Sexual (ENUDS), sediado na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) entre os dias 15 e 20 de novembro abriu brechas para discussões sobre cabras, espinafres e diversidade sexual – prestando muita atenção em cores de Almodóvar, de Frida Kahlo, e filtrando os graus das coisas. Discutir diversidade sexual é ressuscitar os números sanguinolentos trazidos pelo Grupo Gay da Bahia (GGB): 282 assassinatos por homofobia em 2011. No ENUDS descobrimos que um dos números de assassinatos que serão lançados no relatório deste ano contará com a morte de Lucas Fortuna, um ex-militante da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (ENECOS). Lucas lutava incessantemente pela causa LGBT e foi encontrado morto na praia de Cabo de Santo Agostinho, próxima à cidade de Recife – PE.

Isley Borges

Lucas inaugurou o Movimento PróSaia na ENECOS, quando se sentiu constrangido pela administração superior da Universidade Católica de Brasília em um dos congressos da Executiva, ocorrido em 2004, uma vez que a mesma havia separado os alojamentos entre “feminino” e “masculino”. Desde então, os militantes da ENECOS utilizam saias em, pelo menos, um dia de seus encontros, como forma de combater a opressão à mulher e à diversidade sexual. O ENUDS, na triste manhã de domingo (18/11), fez um minuto de muita gritaria em homenagem a um cabra muito corajoso e de luta. Enviamos uma mensagem aos que não dominam o seu asco e nos assassinam: até que parem de matar, nossas saias vão rodar. Vão rodar com força, vão rodar fazendo vento. Vento pra espantar o ódio, a intolerância, a ignorância. Vento pra contar pra todo mundo que não fomos feitos para apanhar, que não somos bons de ser cuspidos, que não damos pra qualquer pessoa. Que não somos malditos.

Lucas Felipe Jerônimo

O tempo é algo precioso. Ainda que relativo e de difícil mensuração, ele é o responsável pelos grandes movimentos da vida. Corrente, contínuo e impossível de ser controlado, o tempo nos leva adiante de qualquer situação. Exemplos não faltam: quando temos o coração partido, nos recomendam tempo; para uma ferida cicatrizar, mais uma dose de tempo; para conhecer bem uma pessoa, passe mais tempo com ela. Assim também construímos nosso cotidiano: com base no tempo, nos calendários e em marcas que dão sentido à nossa existência. A ideia de dividir os períodos em dias, semanas, meses e anos surge a partir dos movimentos da natureza. Mas é da mente humana que vêm os conceitos que foram colocados nesses ciclos. Uma prova é que nos sentimos renovados quando viramos o ano, a perspectiva é que estamos deixando pra trás tudo aquilo que não deu certo e podemos, enfim, nos apegar a novos projetos, expectativas e, claro, promessas. Já os meses, juntamente com as estações do ano, dão o

tom dos ciclos menores à nossa rotina. Cada mês possui suas características determinadas: as chuvas do verão de janeiro, os carnavais de fevereiro, a quaresma de março, a páscoa de abril, as noivas de maio, os festejos juninos, as férias de julho, a superstição de agosto, a primavera de setembro, o outubro rosa, os feriados de novembro e o natalino dezembro. Por muitas vezes, precisamos desses ciclos para obter a sensação de pertencimento, quando alguma estrutura sofre modificação notamos que tem algo errado. Podemos não pular a fogueira em junho, ou sequer apreciar a montagem de presépios quando chega o natal, mas temos que saber que há alguém por aí fazendo isso. A repetição pode ser cansativa, como a presença garantida de vinhetas de fim de ano na telinha, constrangedores amigos secretos do trabalho, e Jingle Bells que começam a tocar em outubro. Por outro lado, a reinvenção dos ritos pode levar a inspiração para que as novas gerações façam do mesmo, algo diferente.

Expediente

colaboração

O jornal-laboratório Senso (in) Comum é produzido por discentes, docentes e técnicos do curso de Comunicação Social – habilitação em Jornalismo da Universidade Federal de Uberlândia, como projeto de graduação, extensão e atividade curricular.

instituição

Reportagem e redação: Clarice de Freitas, Deisiane Cabral, Eric Dayson, Maria Tereza Borges, Sabrina Tomaz e Valquíria Amaral/Opinião: Brunner Macedo, Isley Borges, Lucas Felipe Jerônimo e Stella Vieira/Fotografia: Ana Flávia Bernardes, Cindhi Belafonte, Lucas Felipe Jerônimo, Milton Santos e Natália Nascimento/Revisão: Mônica Rodrigues Nunes

As imagens que foram utilizadas na página 8, Reitor: Alfredo Julio Fernandes Neto/ Diretor da nas seções Senso Musical, Página Aberta, SesFACED: Marcelo Soares Pereira da Silva/Coorde- são Pipoca e Penso, Logo Clico, são de divulnador do curso de Jornalismo: Gerson Sousa gação. Tiragem: 2000 exemplares equipe Impressão: Imprensa Universitária/Gráfica UFU Editora-chefe: AnaSpannenberg(MTb 9453) /Re- E-mail: sensoincomumufu@gmail.com portagem, redação e edição: Ana Flávia Bernardes, Blog: sensoincomumufu.blogspot.com Cindhi Belafonte, Lucas Felipe Jerônimo e Natália Twitter: @_sensoincomum Nascimento/Arte e Diagramação: Danielle Buiatti Telefone: (34) 3239-4163


INSTITUIÇÃO

UFU aplica plenamente Lei de Cotas a partir de 2013

Medida acarretou extinção do PAAES e gerou protestos

e ela é feita dentro do hospital, isso pode ser um problema. Está tudo esquematizado: as turmas são de 40 alunos por que lá na frente divide em oito turmas para ficar cinco alunos por turma”, explica.

Polêmica

Cindhi Belafonte

Estudantes secundaristas fazem protesto Pró PAAES

O Conselho Universitário da UFU (CONSUN/UFU) aprovou, em 20 de novembro, a aplicação integral da Lei de Cotas Sociais e Raciais nos processos seletivos para ingresso à universidade. A medida já havia sido deliberada pelo Conselho de Graduação (CONGRAD), mas só entrou em vigor com a sanção da instância superior. A lei, que estabelece reserva de 50% das vagas das Instituições Federais de Ensino para alunos da rede pública, garante às universidades e institutos um período de quatro anos para implementação progressiva. De acordo com o professor Waldenor Barros, Pró-Reitor de Graduação da UFU, a implantação de todo o percentual exigido pela lei já em seu primeiro ano é importante para que a instituição reafirme o seu compromisso com a lei e com a sociedade. Mas, segundo ele, a medida apresenta dois impactos: “É importante porque a UFU mostra que reconhece a importância da lei de inclusão e que, como política de estado, deve absorvê-la de imediato. Por outro lado, cinquenta por cento de uma vez implica que nós vamos ter que criar mecanismos administrativos para dar conta de gerenciar esse volume de matrículas e de pessoas ingressando em processos seletivos, porque há mudanças no processo”, diz. Max Ziller, estudante do 4º período de Ciência da Computação, concorda com a decisão do Conselho de implantar a Lei de Cotas integralmente em 2013. “As cotas são uma medida paliativa necessária em uma sociedade que não conseguiu curar as feridas históricas por conta própria”, afirma. O universitário adverte que, mesmo com a ampliação do acesso ao Ensino Superior, é importante cobrar investimentos de base na educação. Amanda Alessi, estudante do 7º período de Medicina da UFU, é contrária à adoção das cotas pela universidade. Segundo ela, com o regime do PAAES apenas para alunos de escola pública e com a entrada de estudantes de escolas particulares por meio de liminares, as turmas do curso de Medicina se tornaram cheias. “Em termos práti-

cos isso não funciona na Medicina. O normal são 40 alunos, tem turma que possui até 50 alunos, eles tiveram que dividir microscópio, isso é um fator que pode prejudicar muito o aprendizado”, diz. Para a estudante, outra preocupação é a queda de nível dos alunos por conta de reprovações. “Você sobrecarrega as outras turmas, como o curso de Medicina tem uma parte prática,

A implantação da Lei de Cotas na UFU estimulou debates dentro da universidade e na comunidade externa. A decisão do CONSUN, de aplicar integralmente a lei em seu primeiro ano de vigência, ocasionou a extinção do Programa de Ação Afirmativa de Ingresso ao Ensino Superior (PAAES), processo seletivo de avaliação seriada destinado a alunos que tenham cursado os últimos sete anos de ensino na rede pública. Alunos secundaristas e alguns professores de escolas públicas da região, com o apoio do Movimento Estudantil, organizaram manifestações contra a extinção do programa. Aline Guerra, professora da Escola Estadual Américo Renê Gianetti, e apoiadora do movimento discorda da suspensão do programa. “Nós entendemos que o PAAES tem um caráter local e regional que é importante ser respeitado por conta das peculiaridades. E, por ser um processo seriado, com pesos progressivos nas notas, é importante, porque mantém o aluno empenhado nos seus estudos durante esse período da educação”, afirma. Vitor Hugo Resende, estudante do 4º período de Filosofia, defende que a inclusão da universidade na Lei das Cotas não deveria implicar na extinção do PAAES. “O vestibular seriado ajuda muito o aprendizado do aluno e, por ser dividido em conteúdos, valoriza inclusive o trabalho de base do professor”, explica. O estudante afirma que, para ele, a proposta mais avançada consiste na continuidade do PAAES e na aplica-

Cindhi Belafonte e Lucas Felipe Jerônimo

ção das cotas, mas pondera que isso causaria um desequilíbrio no sistema, já que implicaria em apenas 25% das vagas para concorrência universal. Para solucionar o problema, ele propõe que o percentual destinado ao PAAES seja mantido, e que a ele seja aplicada a Lei de Cotas, de modo que 50% das vagas do programa sejam destinadas a alunos de escolas públicas e a outra metade, a alunos de escolas particulares. De acordo com Waldenor Barros, a extinção do programa ocorreu porque a universidade adotou um sistema de ingresso mais abrangente e com a mesma finalidade inclusiva. “O PAAES tem um caráter micro regional. Então, manter o PAAES é manter vagas exclusivas para as escolas de Uberlândia”, afirma. Com a decisão do Consun, a UFU modifica, já em 2013, o seu processo de ingresso. Para o próreitor, o aspecto de maior preocupação consiste no gerenciamento do novo quadro dentro da universidade. “Há uma interpretação de que muitos desses alunos que vêm de condição socioeconômica frágil podem demandar um apoio institucional maior, e a universidade tem que se programar pra isso”, explica.

Entenda a lei

A Lei nº 12.711/2012 foi sancionada pela presidente Dilma Roussef em 29 de agosto deste ano. Também denominada de Lei de Cotas, a regulamentação estabelece que as Instituições Federais de Ensino de todo o país reservem 50% de suas vagas a alunos que tenham cursado o ensino médio em escolas da rede pública. A norma também prevê a divisão das vagas reservadas conforme a renda bruta familiar e prevê a distribuição proporcional das vagas entre negros, pardos e indígenas.


CURRÍCULO

Prática na área da saúde visa preparar profissionais Cumprir além das disciplinas regulares é uma alternativa para aumentar a experiência

Fotos: Lucas Felipe Jerônimo

O contato direto com os pacientes ajuda adquirir experiência e reduz os erros

Neste ano, alguns casos de morte ocasionados por erros de profissionais da saúde chamaram a atenção na mídia nacional. Para que a forma��ão dos profissionais da área da saúde atenda às demandas do dia a dia dos hospitais e postos de saúde é preciso que, durante a graduação, o estudante alie a teoria à prática. De acordo com o coordenador do curso de Medicina da UFU, Álvaro Barale, quando um estudante da área da saúde se forma ele está habilitado à prática do cuidado. “A forma-

ção do indivíduo deve priorizar não só o conhecimento técnico, mas uma plena aplicação prática desses conhecimentos, em cenário real”, afirma. Para o coordenador, o aprendizado deve ser ampliado. “O cenário real habilita o estudante ao ambiente social e político dos indivíduos usuários do sistema de saúde. A saúde não é apenas um ser biológico doente. É um ser que vive num meio que tem influência na sua doença, e na cura”. Sebastião Francisco Sales Neto terminou

o curso de Enfermagem na UFU este ano e conta que a carga horária de algumas disciplinas práticas é pequena e que é preciso estudar por conta própria para completar o aprendizado. “É importante porque, como a gente está lidando com o ser humano, tudo o que a gente vê na teoria e pratica em bonecos no curso, para lidar diretamente com o paciente, tem que praticar para diminuir a incidência de erros”, afirma. Segundo Sales Neto, durante o estágio na emergência do pronto socorro os pacientes apresentavam resistência aos procedimentos feitos por estudantes. “No meu primeiro plantão eu peguei um paciente com 90% do corpo queimado, foi marcante porque ele chegou consciente”, diz. Já Rafael Luís Dias Borges é dentista formado pela UFU e atua em uma clínica popular. Segundo Rafael, durante a faculdade, o aluno tem o respaldo dos professores. Com o próprio registro, o recém-formado passa a responder por aquilo que aprendeu durante o curso. Nesse sentido, Rafael conta que se sentia preparado para atuar quando concluiu o curso. “Eu me senti por que eu não fiquei preso ao mínimo da grade, nunca fiz só o mínimo das matérias. Participei do PET, que tem muita prática extra. A ‘Odonto’ tem muita clínica extra, e eu fazia todas, ocupava todas as minhas janelas”, diz. Durante o curso, o dentista teve a oportunidade de lidar com diversas situações. “Atendi paciente de tudo quanto é tipo: com problema cardíaco, paciente especial, infantil, do pronto-socorro, que é urgência e emergência. A ‘Odonto’ te põe diante de todo tipo de paciente o idoso, o adulto, o chato, o bonzinho”, conclui.

Lucas Felipe Jerônimo

No curso de Psicologia os estudantes têm a possibilidade de passar por um período de terapia, além disso, as práticas complementam a formação dos futuros psicólogos. João Camilo de Souza Junior é aluno do 9º período do curso e participou de projetos relacionados a disciplinas, projetos de iniciação científica e estágio em clínica. “A prática ajuda a sintetizar o que foi estudado e dá a oportunidade de colocar à prova o conhecimento teórico de diferentes autores”, diz. A partir da clínica, o estudante teve a chance de passar por diversas situações mas, para João Camilo, ainda é preciso mais preparo. “Com a ajuda de cursos externos e de grupos de estudos me sinto preparado para atuar, mas acho que o que é aprendido na sala de aula é insuficiente para exercer a profissão”, afirma.

"Eu não fiquei preso a grade, eu nunca fiz só o mínimo das matérias", diz Rafael

Universidade movimenta economia de Uberlândia De alimentação a moradia, UFU gera impacto financeiros da cidade Clarice de Freitas, Deisiane Cabral, Maria Tereza Borges, Sabrina Tomaz e Valquíria Amaral

O aumento de pessoas no ensino superior influencia direta e indiretamente vários setores econômicos, principalmente os que se localizam nos arredores das universidades. De acordo com dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Educação (UNESCO), 20% dos jovens brasileiros estão na universidade. Em 2010, segundo o censo do Ensino Superior do Ministério da Educação, o Brasil tinha 6,3 milhões de universitários. Isso significa um aumento de 46%

desses alunos nos últimos seis anos. Segundo o Anúario 2011 da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), só em 2010 a Universidade recebeu a matrícula de 14.566 estudantes de graduação. Dentre os setores influenciados pela universidade, os que mais se destacam são as copiadoras, os restaurantes e as imobiliárias. Henrique Barros, pesquisador do Centro de Pesquisas Econômico-Sociais (CEPES) da UFU, fala que basta observar os arredores da universidadepara perceber a influência que ela tem na economia local. “Crescendo muito o número de alunos de uma Universidade, vem demandaporespaço, porrestaurante e pelos serviços urbanos básicos”. Lucas Felipe Jerônimo Ao redor do Campus Santa Copiadoras próximas ao campus ficam lotadas no período letivo

Mônica da UFU, por exemplo, existem cerca de cinco copiadoras e seis restaurantes. As copiadoras próximas ao campus obtém mais lucros durante o período letivo, principalmente na época das provas, em que os alunos precisam da cópia dos textos para estudar. José Alencar dos Santos, dono da Ideal Copiadora, diz que o lucro cai em 60% no período de férias. “Serviço de qualidade e preço atrativo são nossa estratégia para atrair mais clientes”, afirma. Pelo fato de precisarem voltar rapidamente para as aulas, os restaurantes em volta da Universidade se tornam uma opção rápida de alimentação para os estudantes que desejam uma refeição reforçada na hora do almoço e jantar, ou que querem diversificar o cardápio. Eliane de Almeida dona de um restaurante próximo à instituição conta que o número de estudantes que passam no estabelecimento chega a 150 por dia. Uma das estratégias do local para o movimento não cair durante o período de férias são as promoções. “Nós temos o cartão fidelidade que oferece ao cliente, a cada dez refeições, um desconto de R$ 2,50”, explica Almeida. O início do período letivo faz com que os estudantes universitários movimentem também o mercado imobiliário. Nos meses que precedem o periodo letivo, muitas pessoas

vêm de outras cidades para estudar na universidade e os aluguéis e compras geram impacto na economia. Os empreendedores ficam atentos a essa tendência e apostam em imóveis próximos aos polos educacionais, aliando facilidade e praticidade aos universitários. Segundo Leonardo Garcia, no período de matrícula a procura por imóveis chega a ser 90 % maior. “A única diferença que a gente tem das outras imobiliárias é em relação ao cadastro, porque a gente tenta facilitar a vida dos estudantes, aceitando fiador de longe”, explica. Além de influenciar no comércio local, a UFU desenvolve projetos de pesquisa e extensão que afetam a economia da cidade. Henrique Barros conta que há um impacto direto, pois as pesquisas propõem coisas novas para a sociedade, em termos de produto e inovação. O pesquisador garante que a universidade influencia tanto no mercado formal de empregos, quanto no informal e gera um fluxo direto da economia. Para ele, a UFU funciona como uma grande âncora de estabilidade para Uberlândia, além de tornar a cidade mais rica. “Uma sociedade dotada de Universidade é muito mais rica economicamente, diversificada e tem maior produtividade, pois ela é a principal demandante de bens e serviços”, completa.


FORMAÇÃO

Mercado: desafios dos recém‐formados Curiosidade 3Q, 5O, 4K, 8C? Trabalhar ou se especializar? Entenda as opções para sua carreria

Lucas Felipe Jerônimo

Ana Flávia Bernardes dos Santos

Lucas Felipe Jerônimo

A graduação é o momento para conhecer as opções e adquirir experiências

Uma das perguntas mais frequentes dos estudantes universitários é: para ingressar no mercado de trabalho é necessário mais experiência ou especialização? No final da graduação, essa dúvida se amplia, pois o ingresso na profissão escolhida acaba se tornando uma cobrança, tanto da sociedade, quanto do próprio profissional, que dedicou anos de sua vida nessa preparação. Ao responder à questão, a psicóloga Fernanda Morais, que trabalha no núcleo de avaliação e treinamento da Secretaria de Administração da Prefeitura Municipal de Uberlândia, destaca a combinação de ambas. “O recém-formado tem que estar durante o curso ou finalização da graduação agregando os conhecimentos teóricos e práticos vistos na universidade com estágios e trabalhos voluntários”, sugere. Segundo Morais, com essas

experiências os estudantes terão mais segurança e confiança quando forem questionados em uma entrevista de trabalho. Fernanda acredita que “hoje em dia quanto mais a pessoa se especializar, com certeza ela adquire uma capacidade de conhecimento”. Entretanto, ela destaca que isso não garante a competência. “Se a pessoa tem, aliado ao conhecimento técnico, dedicação e crescimento profissional, ela também tem capacidade de desenvolvimento em uma empresa”, explica. Os recrutamentos de pessoas feitos por empresas observam, principalmente, se a formação do candidato está relacionada ao cargo ao qual concorre, se tem conhecimento técnico e experiência profissional. De acordo com a psicóloga, as principais características de um bom profissional no mercado de trabalho são: dedicação, responsabilidade social, criatividade, compromisso ético, vontade de aprender e curiosidade.

Sala de aula

Ana Flávia Bernardes dos Santos

Para Fernanda, quanto mais a pessoa se especializar ela adquire capacidade de conhecimento

A professora da Faculdade de Educação – FACED - da UFU, Maria Irene Miranda, afirma que há várias maneiras do professor de graduação e pós-graduação trabalhar a questão do mercado de trabalho nas salas de aula. Segundo ela, “o professor pode relacionar o conteúdo de sua disciplina às ofertas existentes no mercado, ou explicitar ao aluno de que forma o seu conteúdo pode respaldar uma determinada atividade profissional”. Ela ainda sugere que os professores podem convidar profissionais para fazer um relato de experiência sobre sua atuação no mercado e também trazer textos disponíveis na mídia sobre o assunto. Maria Irene destaca o papel dos pais em auxiliar os jovens a enfrentar o mercado. De acordo com a professora, isso acontece “conversando sobre o assunto, estimulando e favorecendo a participação dos filhos em eventos relacionados à sua futura profissão, respeitando

as escolhas e orientando conforme as necessidades”. Para a educadora os recém-formados devem buscar informações atualizadas em relação à profissão, participar de eventos da área, conversar com profissionais, demonstrar iniciativa e interesse em aprender e, se possível, fazer um estágio durante a graduação. “Em suma, investir na própria formação, pois o saber confere segurança e competência para uma atuação diferenciada”, acrescenta. A professora da FACED ainda reforça a importância da formação acadêmica - inicial e continuada - pois existem muitos profissionais no mercado, porém a maioria está despreparada. De acordo com Maria Irene, a competência, a criatividade e a capacidade de comunicação, são os diferenciais almejados. “A demanda do mercado de trabalho não é sempre a mesma, portanto o aluno não pode estar preparado somente para esse momento histórico. Ele precisa dispor de fundamentos para propor alternativas de ação em diferentes tempos e espaços”, conclui. Essa é a meta da estudante Mariana Sivieri Lambertucci, do curso de Fisioterapia da UFU. Ela acredita que os cursos de pósgraduação favorecem os recém-formados na busca pelo emprego. “As especializações, mestrados e doutorados fazem os estudantes aprenderem mais sobre a área em que vão atuar no mercado de trabalho. Além disso, os recémformados ficam com mais segurança e confiança na hora de exercer seu trabalho”, opina.

Entenda as opções

No Brasil, os recém-formados podem enriquecer o conhecimento com os cursos de pós-graduação lato sensu (especializações), stricto sensu (mestrados e doutorados) ou o famoso MBA, ou seja, Master in Business Administration (Mestre em Administração de Negócios). A UFU oferece cursos dos três tipos em diferentes áreas do conhecimento. Os cursos de pós-graduação lato sensu podem ser oferecidos por qualquer universidade do país, seja particular, pública ou à distância. Eles não necessitam do reconhecimento do Ministério da Educação (MEC), apenas devem seguir as normas da Resolução CNE/CES nº1, de julho de 2007. Uma das regras é apenas inscrever pessoas portadoras de diploma em curso superior. Os cursos de especialização são destinados aos estudantes que pretendam aprofundar em uma área específica para atuar no mercado de trabalho. Já os MBAs são cursos de formação destinados para as áreas de administração, finanças, marketing, contabilidade, recursos humanos, entre outros. De modo distinto, os cursos stricto sensu precisam ser oferecidos dentro de programas de pós-graduação reconhecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior (Capes), fundação vinculada ao MEC. Esses cursos são, geralmente, voltados para a pesquisa. O mestrado acadêmico visa à formação de professores especializados em determinaria área do conhecimento, enquanto o mestrado profissional busca qualificar para o desempenho profissional e o doutorado tem como intuito formar pesquisadores, em que o objeto de estudo contribua para a ciência.

Lucas Felipe Jerônimo

Bloco 8C do Campus Umuarama inaugurado em 2012

Quando chegamos à universidade pela primeira vez temos que nos acostumar com uma série de números, símbolos e siglas: são os dados da matrícula, os registros de livros da biblioteca, siglas que identificam as diversas disciplinas. Para se localizar nos campi da Universidade Federal de Uberlândia a atenção se volta para a combinação, aparentemente aleatória, de letras e números. O início do processo de denominação dos blocos da UFU, com números e letras, seguia uma lógica de relação. Segundo informações da Diretoria de Infraestrutura da UFU, no Campus Santa Mônica, as letras eram escolhidas de acordo com a destinação dos blocos, como, por exemplo, bloco A – Administração, bloco B – Básico das Engenharias, Bloco C – Engenharia Civil, Bloco E – Engenharia Elétrica. No Campus Umuarama, as letras seguiam o alfabeto, bloco A (Anatomia) do curso de Medicina. Com o crescimento da universidade e o surgimento de novos campi e novos blocos, foi adotado outro critério. No Campus Santa Mônica, os números ímpares deveriam ser seguidos por letras em ordem alfabética e, logo após, as iniciais do Campus, independente da ocupação do bloco. Assim, tínhamos, por exemplo: bloco 1ASM, ou seja: bloco 1A do Campus Santa Mônica. Quando acabassem as letras do alfabeto, deveria passar para bloco 3ASM, bloco 5ASM, e assim sucessivamente. Já no Campus Umuarama a ideia foi usar o mesmo esquema com números pares, como por exemplo, bloco 2AJU, ou seja, bloco 2A do Campus Umuarama. A sigla JU significa Jardim Umuarama, nome do bairro onde se encontra o campus. Os demais campi, fazendas e unidades alugadas passaram a possuir denominações semelhantes, como o número 1 seguido da letra e da sigla do campus ou local, independente da ocupação. Assim, temos, por exemplo: Bloco 1AEF (Portaria) do Campus Educação Física; 1APA – Cobrição/Gestação da Fazenda Capim Branco/Posto Agropecuário (PA); 1ARP – Casa do zelador da Reserva/Fazenda do Panga; 1AFG – Bloco 1ª (Silos para Grãos) da Fazenda do Glória; 1ACP – Bloco 1A do Campus do Pontal em Ituiutaba; 1ACA – Bloco 1A do Campus Avançado – Bloco de Pesquisas da Engenharia Química no Bairro Segismundo Pereira; 1APM – Bloco 1A do Campus de Patos de Minas; 1AMC – Bloco 1A do Campus de Monte Carmelo; Unidades Alugadas blocos 1AAL, etc.


PREVENÇÃO

UFU se protege da dengue Calor e chuvas são fatores favoráveis à doença, mas ações simples podem ajudar a preveni‐la Natália Nascimento

Natália Nascimento

Eliminar a água parada é uma forma de evitar a proliferação do mosquito

Com a chegada do verão e a temporada de chuvas, a dengue passa ser uma preocupação para toda população. A UFU conta com trabalhos específicos para a prevenção da doença em seus campi. “Na UFU nós temos um trabalho diferenciado, em função do Umuarama, que tem o Pronto Socorro que recebe doentes da região com dengue, por isso não podemos, de forma alguma, permitir que ali tenha o vetor”, conta José Humberto Arruda, coordenador do Programa Municipal de Controle da Dengue. Já nos outros campi, Santa Mônica e Educação Física, a visita do agente funciona de acordo com a rotina do bairro, diz ele. O Diretor de Logística da Prefeitura Universitária, Enivaldo Tironi, afirma que a UFU tem um agente da Zoonoses encarregado especificamente da vistoria dos campi. “O agente faz a vistoria e passa para a Prefeitura Universitária onde há algum risco ou foco da doença e, com isso, acionamos nossas áreas de manutenção, setor de obras ou setor de limpeza, dependendo do local”, esclarece o diretor. Os locais, dentro da Universidade, onde há uma maior possibilidade de proliferação do vetor, de acordo com Tironi, são nas calhas dos blocos dos campi e nas caixas de passagem rede hidráulica ou elétrica, “com relação à parte térrea, nossos funcionários da limpeza estão sempre

atentos para esse risco”. Com a chegada do período chuvoso, a Universidade intensifica suas medidas, “o nosso setor de obras começa a fazer uma limpeza mais intensiva nos bueiros, na rede pluvial, nas caixas de passagem. Intensificamos a manutenção em função desse período chuvoso”, explica.

Números da cidade

Larissa Rosa, estudante de Jornalismo, e Igor Mariano, estudante de Educação Física, ambos da UFU, têm algo em comum, os dois já tiveram dengue no passado. “Na época que peguei estava tendo um surto na cidade. Comecei com mal estar em todo corpo, só tinha vontade de ficar deitada”, conta Larissa. “Meus principais sintomas foram fraqueza, dores corporais, enjôos, dor lombar muito forte e febre”, diz Igor. Os dois estudantes permaneceram com os sintomas por volta de uma, duas semanas. Segundo o CCZ, a cidade teve uma queda nos casos de dengue registrados em 2012 em comparação com o passado. “Estamos fechando com cerca de duzentos e oitenta casos confirmados, um número que, para uma população superior a seiscentos mil, é de extremo controle”, explica Arruda. Mas nem por isso os cidadãos devem deixar de tomar medidas para a prevenção da proliferação do Aedes aegypti, pois

com a intensificação das chuvas, “naturalmente a presença do mosquito vai aumentar, devido ao aumento da oferta de água”, afirma. De acordo com Arruda, a população tem papel crucial no combate ao vetor da doença, “nenhum programa faz controle de dengue sozinho”. Igor contou com seu pai para ajudá-lo na prevenção da doença, “quando eu tive dengue eu morava numa casa ao lado de um terreno baldio, mesmo a gente tentando cuidar, acaba que muita gente joga coisas no mato que podem acumular água”, conta ele. Muitos estudantes de fora podem contar com a ajuda dos agentes do Centro de Controle de Zoonoses de Uberlândia (CCZ) para a prevenção. Porém, Arruda chama a atenção porque nas casas dos estudantes localizadas nas imediações dos campi Umuarama e Santa Mônica, os agentes do Centro de Controle de Zoonoses de Uberlândia (CCZ) têm dificuldade de trabalhar. “Principalmente nas repúblicas, pois no final de semana os moradores não estão e em horário comercial, estão estudando”, relata. O Ministério da Saúde, com suas propagandas em parceria com as Secretarias de Saúde das cidades do Brasil, conscientizam a população sobre como evitar e precaver a doença: a prevenção de focos do vetor. Todo cidadão deve vistoriar as calhas de sua casa,

O que é Dengue? Febre alta com início súbito, diminuição do apetite, extremo cansaço e mal estar, moleza no corpo, manchas vermelhas na pele, são sintomas de uma enfermidade que se torna mais preocupante no período chuvoso: a dengue. “É uma doença febril aguda causada por um vírus, o arbovírus, de evolução benigna na maioria casos, e seu principal vetor é o mosquito, o Aedes aegypti”, alerta a doutora Lauren Olívia Alves, médica do Hospital de Clínicas da UFU (HCU). Os sintomas dessa enfermidade aparecem em

um prazo de três dias após a picada, esclarece Lauren, e existem dois tipos: a Dengue Clássica e a Hemorrágica. Os sintomas para as duas são diferentes, “os da dengue hemorrágica iniciam como os da clássica, porém quando a febre começa a abaixar, dores abdominais fortes, vômitos permanentes, sangramento pelo nariz, boca e gengivas, entre outros, aparecem”. Todos esses são sinais de que o paciente está em choque, que pode culminar em óbito, explica a médica. A transmissão da doença acontece so-

mente pela picada do mosquito portador do vírus, não havendo possibilidade de contágio entre as pessoas, esclarece Lauren. “A proliferação é aquela que todos conhecem: a fêmea do mosquito deposita seus ovos em recipientes com água parada, e ao saírem dos ovos, as larvas vivem na água”. Com o passar de uma semana, tornam-se mosquitos adultos, as fêmeas se alimentam de sangue, e ao picarem uma pessoa portadora da doença, carregam o vírus, contaminando assim, outras, esclarece.

higienizar e trocar a água dos bebedouros de animais de estimação com frequência, entre outras ações do tipo, como formas de impedir a proliferação do vetor, esclarece Arruda. “Os moradores têm de abraçar para si essa causa, pois nós não conseguimos a eliminação completa dos focos”, afirma ele. As ações do Programa Municipal de Controle da Dengue são pautadas por uma cartilha do Ministério, explica Arruda. “Uberlândia tem hoje um conjunto de ações que funcionam rotineiramente, e sempre que se inicia o período chuvoso, nós as intensificamos”, ressalta. Vistoria dos imóveis, inspeções em pontos estratégicos cadastrados, visitas em borracharias, entre outras, estão entre as formas de controle que o CCZ tem como prevenção dos focos de dengue. A incidência da dengue em Uberlândia está baixa e a participação da comunidade contribui para esse resultado que a cidade vem obtendo, diz o coordenador. “O Ministério da Saúde diz que saber por si só não leva à atitude, então, nós temos uma gama muito grande de pessoas que sabem que a dengue é uma doença que é transmitida por um mosquito que se prolifera na água, mas que ainda não fez nada de fato”, conclui.

Vamos prevenir

A prevenção é a única arma contra a doença. Ações simples que fazem a diferença: -Coloque o lixo em sacos plásticos e mantenha a lixeira bem fechada; -Encha os pratinhos dos vasos de plantas com areia até a borda; -Não deixe água da chuva, folhas e galhos acumulados sobre a laje; -Mantenha bem tampado tonéis, barris e caixas d’água; -Lave semanalmente, com água e sabão, a parte interna dos tanques utilizados para armazenar água.


COMPORTAMENTO

Orientação ajuda definir profissão a ser seguida Testes e acompanhamento possibilitam diminuir dúvidas

Para Rafael, o despertar vocacional acontece diariamente

Escolher uma profissão não é algo simples. Atualmente, essa opção tem sido feita cada vez mais cedo, por volta dos 17 anos, durante uma conturbada fase de transição. Diversos pensamentos passam pela mente dos jovens que pretendem prestar vestibular. Eles consideram o mercado de trabalho, as oportunidades do país e da região, os salários e ainda a satisfação pessoal. A orientação vocacional pode auxiliar o estudante a definir os caminhos a seguir. Para a

psicólogaMicheleFalco, a identificação é uma das partes fundamentais desse processo. “É importante que se conheça a profissão e a orientação profissional serve a isso: ela te ajuda a se informar, o que faz aquele profissional, quais são os campos de trabalho e as suas possibilidades”, afirma. Segundo Michele, os estudantes têm feito a escolha profissional muito jovens, nesse sentido, a informação pode ser um instrumento de auxílio na opção por uma carreira. Além disso, Fotos: Lucas Felipe Jerônimo para a psicóloga essa é uma alternativa que pode ser mudada. “Uma escolha, não necessariamente, tem que ser pra vida toda, pessoas nos relatam que trabalhavam com tal coisa e, lá na frente, descobriram outra vocação que trouxe prazer”, completa. Liliane Silva de Almeida é analista contábil. Em 2005, durante o ensino médio, participou de encontros de orientação vocacional promovidos por estagiários do curso de Psicologia da UFU. A sua primeira alternativa era o curso de Psicologia, a opção por Ciências

Contábeis se deu ao final da orientação. “Achei bem legal, lá deu para conhecer um pouco mais das profissões e saber escolher a que mais tinha a ver com meu perfil, hoje sou realizada”, diz. Para ela, sua atuação é importante no cenário financeiro da empresa, visto que é através da contabilidade que os usuários internos e externos das empresas têm informações para a tomada de decisões. Quando terminou o ensino médio, em 2006, Igor Sttorino conseguiu auxílio através do PROUNI e decidiu fazer o curso de Administração numa faculdade particular, por influência da família. Um ano antes da formatura, o aluno percebeu que não queria atuar na área, mas decidiu concluir o curso. Através do ingresso como portador de diploma, Igor estuda hoje Zootecnia na UFU. “Tem algumas matérias comuns como Administração Rural, o zootecnista é, na verdade, um pouco administrador rural, dá pra conciliar bastante”, diz. Sobre o mercado de trabalho, o estudante afirma que quando se faz o que gosta, a força de vontade supera os obstáculos. “Eu quero mexer com genética, melhoramento animal, inseminação, eu precisei fazer Administração para perceber que vocação é o que conta”, conclui.

Lucas Felipe Jerônimo

dicação, ter amor a essa causa. Para que, verdadeiramente, a vocação se torne uma realidade visível no testemunho daquele que recebe a graça da vocação e do serviço e para os outros que querem também participar”, afirma. É nesse sentido que Rafael Barbosa se sentiu motivado a seguir a vida sacerdotal. Sua família não era tradicionalmente católica, mas a partir do ingresso do irmão ao seminário, os pais passaram a frequentar. Rafael, que já foi coroinha, acólito e cerimoniário, está no seminário há um ano e três meses e possui uma rotina extensa de serviço, oração e estudo. “O chamado acontece no dia a dia, na vivência em comunidade, ao ver um padre celebrando a missa, trabalhando com o povo, o despertar vocacional é dessa maneira”, diz. Para ele, seguir a vocação é o que dá sentido à sua formação. “Conhecendo a realidade dos padres e da Igreja é um sentimento diferente, quando nós estamos fora da Igreja nós ficamos incompletos, não somos preenchidos”, afirma.

Religião

O termo vocação também é bastante usado quando se refere a escolhas religiosas. De acordo com o pároco da Catedral de Santa Teresinha, a vocação é importante para serviços, ministérios e pastorais. “Toda função, todo serviço que se exerce na vida da Igreja tem que ter vocação, quer dizer, ter jeito, ter paixão, ter de-

De acordo com o pároco, a vocação é importante para serviços, ministérios e pastorais

Projeto visa reduzir número de animais abandonados

A boa ação se alia à prática dos estudantes de Medicina Veterinária pela posse responsável Eric Dayson

Milton Santos

Cristiane explica que não há políticas voltadas para solução do problema

A Faculdade de Medicina Veterinária da UFU (FAMEV/UFU), em parceria com a Associação de Proteção Animal (APA), desenvolve o Projeto Posse Responsável, que ajuda animais abandonados a encontrar um novo lar. O projeto já existe há quatro anos e tem o Apoio da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), com bolsas do Programa Institucional de Bolsas de Extensão (PIBEX). Segundo a professora responsável pelo projeto, Cristiane Amaro da Silveira, a proposta partiu de um diálogo com alunos que se interessaram pelo assunto e que também conheciam a realidade e a necessidade dos animais que vivem nas ruas. “As políticas de governo, tanto estaduais e federais, quanto municipais não conseguem resolver o problema por vias tradicionais. Foi na perspectiva

de juntar forças que a gente decidiu fazer um projeto como esse”, comenta. A aluna Jéssica Queiroz participa do projeto e conta que, além de ajudar os animais a encontrar um lar, ela consegue aliar o conhecimento adquirido em sala de aula e levá-lo até a prática. “O professor sempre nos auxilia a descobrir qual doença o animal apresenta e, com o tempo, a gente consegue identificá-las com mais facilidade”, relata.

APA

A Associação de Proteção Animal (APA) de Uberlândia existe desde 1996 e, no último balanço, foram contabilizados 400 cães e 40 gatos vivendo no local. O gasto diário com ração para os animais é, aproximadamente, de 110 quilos. E, por mês, o custo total ultrapassa os R$ 7 mil. Segundo a Diretora Financeira da APA, Maria Aparecida de Assunção Mesquita, o Hospital Veterinário da UFU auxilia nos trabalhos cedendo alguns atendimentos veterinários, como exames e cirurgias. Na busca por um lar para esses animais, a APA, em parceria com os alunos do curso de Veterinária da UFU, promove todos os domingos, das 9h às12h, a Feirinha na Praça Sérgio Pa-

checo. A ação é organizada por voluntários, assim como todo o trabalho na sede, que também é voluntário. Os animais são levados para as feirinhas e os futuros donos precisam apresentar RG e comprovante de residência, e terem mais de 18 anos. Até o momento de ser adotado, o animal passa por tratamento. Cristiane conta que os alunos do curso vão até a associação para fazer uma abordagem preventiva e, assim, conseguem levar animais saudáveis para a Feira. “Eles passam por uma triagem, para avaliar a saúde do animal. Os voluntários tratam e dão banho nos cães e gatos para serem levados à feira”, diz. Mas o trabalho não termina aí. Depois disso, os alunos visitam os lares para onde os animais foram levados e verificam se estão sendo bem tratados. Ao adotar um animal é preciso ter consciência da dependência direta desse ato. Maria Aparecida alerta: “isso é compromisso para muitos anos. Várias situações acontecem nesse período, como viagens, mudanças, nascimento de bebês, perda de emprego e mortes. Caso tenha dúvida, não adote um animal, pois você poderá contribuir com o aumento de animais abandonados nas ruas”, conclui.


FIM DE ANO

O tempo que organiza a sociedade

Datas caracterizam o cotidiano de diversas áreas

Lucas Felipe Jerônimo

As festas religiosas hoje assumem caráter de consumo

Uma das bases da organização de qualquer sociedade é o conceito de tempo. A sua influência está presente em diversas áreas: usamos o tempo para separar os períodos em que deve-

mos trabalhar daqueles em que podemos descansar; as fases de plantação e colheita são baseadas em temporadas determinadas; além da sensação de pertencimento a ciclos sociais devido aos acontecimentos que se renovam a cada ano. Para Florisvaldo Paulo Ribeiro Júnior, professor do Instituto de História, ao analisar o comportamento dos indivíduos durante os períodos festivos, podemos observar o modo como as relações sociais se estabelecem. Segundo o professor, há uma ideia propagada de que no Brasil existem muitos feriados e que a sociedade trabalha pouco. “Essa configuração do calendário também gera um conjunto de representações sobre o povo brasileiro que nem sempre coincidem com aquilo que esse povo é, mas são representações, pré-conceitos que acabam estabelecendo uma marca muito forte de caracterização desse povo”. O historiador afir-

ma que, na sociedade contemporânea, as festas estão muito relacionadas ao consumo. “As celebrações religiosas e festejos populares podem ser observados como um momento em que a sociedade brasileira se dedica de maneira intensa ao consumo, seja pra presentear os entes queridos, seja para compor uma mesa farta”, diz. A agricultura, uma das atividades fundamentais para a sobrevivência do homem, é regida por calendários específicos, afim de que da plantação à colheita o proveito seja o mais eficaz possível. Segundo, Beno Wendling, professor do curso de Agronomia da UFU, as diversas culturas seguem o zoneamento agroclimático. “Esse zoneamento estabelece a época do ano que você pode plantar, mas ele é independente de lua, é feito em função da duração do dia, da radiação solar, de temperatura”, diz. Segundo Beno, os fatores que

Lucas Felipe Jerônimo

interferem na plantação são: climáticos, a temperatura média, a topografia, a altitude e a latitude. Os calendários de plantio são modificados a partir desses dados. A prática jornalística visa acompanhar o calendário a partir de datas comemorativas e também relembrando fatos importantes. Renata Neiva, assessora de imprensa da UFU, completa 25 anos de carreira no ano que vem e concorda que as datas são importantes, mas propõe um olhar diferente sobre o calendário. “Quando você senta em frente a uma TV para assistir aos telejornais, ou quando você vai analisar vários sites de notícia, as reportagens são muito parecidas. É o que eu chamo de receita de bolo: as pessoas pegam os personagens, e sempre aquele calendário, e todo ano é como se você fosse tirar da gaveta aquela matéria, reeditar e colocar no ar”, afirma.

Sessão Pipoca Now is Good

Lucas Felipe Jerônimo

A Viagem

De Pernas Pro Ar 2

Gambit

Após ser diagnosticada com Dos diretores da trilogia Matrix, Alice agora é uma workaholic Harry Deane, um malandro que uma doença terminal, Tessa de“A Viagem” apresenta seis histódona de uma rede de sex shops trabalha no mundo das artes cide fazer tudo o que uma adorias que vão e voltam no tempo, que, ao tentar conciliar a dura plásticas, planeja passar para lescente normal experimentaria, com personagens que se crurotina de trabalho e a vida familitrás um dos mais ricos colecioincluindo perder a virgindade. zam, desde o século XIX até um ar, sofre colapso nervoso e se vê nadores do mundo. Para isso, Com a ajuda de sua amiga, ela futuro pós-apocalíptico. Cada obrigada pelo marido a se intercontrata uma rainha de rodeios faz uma lista, e enquanto sua faum é narrador de sua história, nar em um spa. É quando surge para concluir seu plano. Mas ele mília lida com o medo de perdê-la, Tessa explora de um viajante no Oceano Pacífico em 1850 a uma oportunidade de expandir seus negócios e não esperava que acabaria fisgado por sua isca. um novo mundo. Com Dakota Fanning, estreia um jornalista durante o governo Reagan. Estreia ela viaja para Nova York com toda a família. Es- Com Colin Firth, Cameron Diaz e Alan Rick14 de dezembro. 25 de dezembro. treia 28 de dezembro. man. Estreia 04 de janeiro.

Penso, logo clico!

Senso Musical

Lucas Felipe Jerônimo

Você começou a ver uma série e foi pego de surpresa pelo seu cancelamento?! Só quem é viciado em seriados sabe como isso pode ser chato. Acompanhe o dia a dia do seu programa favorito, fique por dentro dos calendários, das resenhas e da situação dos diversos canais norte-americanos. http://caldeiraodeseries.blo Série “The Newsroom” retorna em 2013 gspot.com Com o gerador de memes você cria, a partir de um conjunto de imagens base, um meme bem humorado com os mais diversos contextos. Além disso, o site apresenta o histórico de cada imagem, explicando a sua origem e popularização. http://memegenerator.net Opção para quem passa horas na internet e surge aquele sentimento de já ter visto de tudo, Somente Coisas Legais sempre traz uma novidade. Objetos de desejo, invenções, curiosidades, imagens e vídeos interessantes, arte, decoração e muito mais. Além disso, o site possui um espaço para quem se interessa em divulgar seu trabalho. http://somentecoisaslegais.com.br Portal para quem gosta de ficar por dentro de vários assuntos! Criado por uma publicitária, tem de tudo um pouco: beleza, casa, moda, música, seção para interesses masculinos, tecnologia e viagem. Além disso, colunistas alimentam o site com posts sobre arte, cultura, dicas de maquiagem, comportamento e mais. http://juliapetit.com.br Confira informações diversas sobre a cena do rock nacional e internacional. Com entrevistas exclusivas, instantaneidade e aprofundamento, o site ainda faz divulgações e coberturas de shows. Novidades e velharias do Rock n’ Roll interagem com a sociedade, o cinema, a moda e a literatura. http://redutodorock.com.br

Página Aberta

Natália Nascimento

Tudo de Novo ‐ Negra Li

Com a produção de Rick Bonadio, Negra Li se renova nesse trabalho. “Tudo de Novo” traz uma coletânea de 11 canções, com participações de Edgar Scandurra, Di Ferrero, Gee Rocha, Leandro Lehart e Sergio Britto, nas quais a cantora se afasta do hip hop, se voltando para um pop romântico com acento soul. Rua dos Amores ‐ Djavan

“Rua dos Amores” é o 21º álbum do cantor e o primeiro com músicas inéditas, desde 2007. Grande nome da música popular brasileira, Djavan sempre escreveu letras poéticas. Sem perder essa identidade, o cd contém 13 músicas e foi todo composto, arranjado e produzido pelo artista.

Sei ‐ Nando Reis

Completando 30 anos de carreira, Nando Reis trouxe de volta o seu lado compositor ao lançar o disco “Sei”, um cd independente. O álbum foi gravado em Seattle, em parceria com sua banda de apoio Os Infernais, e produzido por Jack Endino. “Sei” conta ainda com a participação de Marisa Monte.

Cindhi Belafonte

Tom Jobim ‐ Histórias de Canções Luiz Roberto Oliveira e Wagner Homem

Quarto volume da coleção “História de Canções”, a obra Tom Jobim recompõe a trajetória de um dos grandes nomes da música brasileira. O livro, que é um lançamento da editora Leya Brasil, traz histórias de composições e parcerias que marcaram a vida e a carreira do artista.

Cinquenta Tons do sr. Darcy Emma Thomas

Obra de um famoso escritor inglês sob pseudônimo feminino, o livro é uma paródia que satiriza dois bestsellers: “Orgulho e Preconceito” e “Cinquenta tons de Cinza”. Com ironia e bom humor, a autora mescla as duas histórias, dando origem a um romance divertido e moderno.

Mensalão Marco Antonio Villa

Durante o primeiro mandato de Lula, um vídeo amador vaza na mídia e denuncia um esquema de corrupção envolvendo homens ligados ao presidente. Sete anos mais tarde, o escândalo chega ao fim com inúmeras condenações. A obra relata o caso e analisa sua repercussão na sociedade.


Senso Incomum 13