

Imagens da cabine da carreta mostram condutor cochilando antes de atingir carro que foi esmagado entre caminhões; o advogado, Gláucio Rogério Gonçalves Gouveia, de 53 anos, morreu na colisão
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CIDADES
BADY BASSITT
Polícia investiga causas de incêndio que matou menino de 3 anos dentro de casa
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CIDADES
TABAPUÃ
Tradição, cultura e desenvolvimento no caminho para o título de Município de Interesse Turístico
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CIDADES
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Imagens de câmera de caminhão apontam que motorista teria dormido ao volante antes esmagar veículo em que a vítima estava
Por Luiz Aranha luiz@gazetainterior.com.br
Um grave acidente registrado no fim da tarde de 20 de agosto, na rodovia Washington Luís (SP-310), em São José do Rio Preto (SP), resultou na morte do advogado Gláucio Rogério Gonçalves Gouveia, de 53 anos.
A colisão ocorreu no km 444 da pista, sentido Mirassol, em um trecho que passava por obras e apresentava tráfego lento. O veículo da vítima, um Renault Captur, foi atin-
gido por uma carreta carregada com ácido sulfúrico e acabou esmagado entre dois caminhões. O impacto foi tão forte que o carro ficou completamente destruído.
As investigações apontaram que o motorista da carreta, de 58 anos, teria cochilado ao volante. O veículo era equipado com câmeras internas e externas que registraram o condutor adormecendo instantes antes do choque.
Além do Captur, um Fiat Mobi
também foi atingido, mas o motorista escapou sem ferimentos graves. A Polícia Rodoviária Estadual e a perícia estiveram no local, confirmando que não havia sinais de ingestão de álcool pelos condutores envolvidos.
Gláucio Rogério foi sepultado no Cemitério Jardim da Paz, em Rio Preto, e deixou familiares e amigos consternados. Conhecido por sua atuação na advocacia, sua morte comoveu a comunidade ju -
rídica da região.
A empresa responsável pela carreta informou, em nota, que o veículo modelo 2024 estava em perfeitas condições de manutenção e que colabora com as autoridades no esclarecimento do caso. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as responsabilidades.
O motorista do caminhão foi afastado do trabalho. Ele não foi encontrado pela reportagem para comentar o assunto.
Moradores relatam constantes “piscas” na rede elétrica, queima de aparelhos e insegurança no fornecimento; CPFL Paulista admite falha momentânea e promete investimentos
Por Luiz Aranha luiz@gazetainterior.com.br
Os moradores de Potirendaba voltaram a sofrer com a oscilação no fornecimento de energia elétrica, popularmente conhecida como “piscas”. A Gazeta do Interior tem acompanhado de perto o drama da população, que há anos enfrenta interrupções repentinas na rede, muitas vezes resultando em prejuízos com a queima de eletrodomésticos e equipamentos.
Na segunda-feira (18/08), a reportagem registrou quatro oscilações em poucos minutos. Os aparelhos de ar-condicionado e a iluminação foram desligados em todas as vezes, e só não houve maiores transtornos porque os computadores estavam li-
gados em nobreaks.
Diversos moradores também entraram em contato com a Gazeta pelo WhatsApp relatando problemas semelhantes e questionando a estabilidade da rede elétrica.
Uma promessa que não acompanhou o crescimento
Em novembro de 2016, a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) inaugurou uma subestação de energia em Potirendaba, com investimento de mais de R$ 2 milhões. O projeto começou em 2015 e, segundo a concessionária, tinha capacidade de 12,5 MVA, suficiente para atender a demanda da época, que girava em torno de 8 MVA, garantindo inclusive uma reserva para
o crescimento do município.
Quase dez anos depois, a realidade é diferente: a demanda de energia aumentou, mas a capacidade de fornecimento não acompanhou na mesma proporção, e os moradores seguem convivendo com constantes falhas.
Melhorias em andamento
Procurada pela reportagem, a CPFL afirmou que vem realizando melhorias na rede de distribuição de Potirendaba em 2025. A concessionária informou que o projeto de expansão da rede está em fase de planejamento, dentro do plano de investimentos contínuos na região.
“Somente em 2024, a distribuidora
destinou mais de R$ 3 milhões em obras de expansão, modernização e manutenção da rede elétrica do município, além de ações voltadas para qualificar o atendimento aos clientes de Potirendaba”, informou a companhia em nota.
Sobre os “piscas” registrados na segunda-feira, a CPFL confirmou que houve uma interrupção momentânea e disse que equipes foram mobilizadas rapidamente para normalizar o fornecimento.
Enquanto isso, moradores seguem convivendo com a instabilidade da rede e com o medo de prejuízos ainda maiores, cobrando soluções definitivas para um problema que já se arrasta há anos.
Pai, mãe e irmã de apenas 5 meses também se feriram
Por Luiz Aranha luiz@gazetainterior.com.br
AA cidade de Bady Bassitt viveu momentos de dor e comoção nesta semana após a morte do pequeno Noah Guilherme Fava Damasceno, de apenas 3 anos, vítima de um incêndio que destruiu a casa onde morava com os pais e a irmã bebê. O fogo começou durante a madrugada de quarta-feira (20) e se espalhou rapidamente. Segundo testemunhas, Noah foi encontrado já sem vida, embaixo da cama, no quarto onde as chamas teriam iniciado. O cômodo foi o mais atingido pelas labaredas. A tragédia abalou não apenas os moradores da cidade, mas também toda a região. Brinquedos espalhados pela frente da casa, em contraste com as paredes queimadas, reforçavam o cenário de devastação visto pela reportagem da Gazeta.
O pai, de 19 anos, e a mãe, de 21, conseguiram escapar das chamas junto com a filha de apenas 5 meses. Todos foram socorridos ao Pronto-Socorro de Bady Bassitt. Os pais receberam alta ainda pela manhã, enquanto a bebê precisou ser transferida para o Hospital da Criança e Maternidade (HCM), em Rio Preto, de onde recebeu alta horas depois.
O corpo de Noah foi velado na Capela Prever de São José do Rio Preto a partir da tarde de quarta-feira e seguiu para sepultamento na quinta (21), no Cemitério São João Batista. Equipes do Corpo de Bombeiros de Rio Preto demoraram cerca de uma hora para chegar até a residência, mas vizinhos e o pai da criança já haviam controlado as chamas. As causas do incêndio estão sendo apuradas pela Polícia Civil.
Criminoso foi detido pela Guarda Municipal dentro de uma loja de calçados, onde se preparava para cometer um segundo assalto
Por Luiz Aranha luiz@gazetainterior.com.br
Um assaltante, de 26 anos, foi preso em flagrante pela Guarda Civil Municipal (GCM) na tarde da segunda-feira (18/08), após assaltar uma loja de roupas no Centro de Potirendaba (SP). Imagens de câmeras de segurança mostram que, por volta das 12h, o criminoso entrou no estabelecimento com o rosto descoberto e fez menção de estar armado. Mediante grave ameaça de morte, ele obrigou a funcionária a entregar todo o dinheiro do caixa em um saco plástico. Não satisfeito, foi até a gaveta para conferir a quantia pessoalmente e ainda exigiu transferência via PIX, que não pôde ser feita. Na ação, o assaltante levou mais de R$ 360 em dinheiro e dois celulares. Em seguida, saiu tranquilamente e se dirigiu a uma loja de calçados na mesma rua,
onde, segundo a GCM, se preparava para cometer outro assalto.
Assustada, a funcionária da primeira loja avisou a proprietária, que acionou a GCM. Com base nas características repassadas, os agentes localizaram o suspeito dentro da loja de calçados e conseguiram prendê-lo em flagrante.
Com o homem, identificado como R.S.P., natural de São Paulo e já com passagens por furto e violência doméstica, foram recuperados o dinheiro e os celulares roubados. Ele foi levado à delegacia, onde permaneceu preso à disposição da Justiça.
A proprietária da loja de roupas, Maytissa Duarte Matias, agradeceu o trabalho da Guarda. “Graças à ação rápida da GCM conseguimos recuperar o que foi levado e evitar que outra pessoa fosse vítima. Foi um grande alívio ver tudo resolvido tão rápido”, disse.
Com vocação rural e forte identidade caipira, Tabapuã avança na tramitação do título de MIT enquanto vizinha Uchoa já desponta como referência regional, com museu dos dinossauros e infraestrutura consolidada
Por Luiz Aranha luiz@gazetainterior.com.br
Desde 2017, a pequena cidade de Tabapuã (SP) tem se dedicado a construir uma base sólida para o turismo local. A criação e atualização do Plano Diretor de Turismo, além do funcionamento ativo do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR) e sua presença constante em eventos regionais, demonstram seriedade no planejamento. A proposição de reconhecimento como Município de Interesse Turístico (MIT) aguarda a confirmação da Assembleia Legislativa (Projeto de Lei nº 820/2025), depois do reconhecimento inicial pelo Projeto 97/2019. Tabapuã se destaca pelo forte vínculo com a cultura caipira, o associativismo rural e o tradicionalismo. Museus como o Museu da Roça Professor Mário Tertuliano Jardim Ornellas e o Museu Histórico Municipal Izabel Margarida Lerro Ortenblad, junto às memórias preservadas no Bairro Japurá, são pontos que reforçam essa identidade. Turismo rural ganha forma com iniciativas como o Sítio São João Batista, que oferece contato direto com a vida no campo, artesanato, orquidário, biblioteca particular e o acolhimento típico
da hospitalidade interiorana. A culinária regional também tem papel de destaque, com locais como a Charcutaria Rebuá e o Bistrô Seo Natal.
Praças, igrejas históricas, recintos de eventos como a Festa do Peão, e o Centro Recreativo de Lazer ampliam a oferta turística com lazer, fé e convivência comunitária. Sem falar no patrimônio genético: o Gado Mocho Tabapuã, símbolo de orgulho local, reforça o papel do município no agronegócio brasileiro.
A Festa da Mandioca, além de valorizar a cultura local, tem caráter beneficente — com recursos destinados ao Lar São Francisco de Assis. Já a Festa do Peão, em sua 51ª edição, exalta a tradição e fortalece a economia local com montarias, shows e turismo.
Visão além da fronteira: Uchoa como inspiração turística
Vizinha de Tabapuã, Uchoa já é um Município de Interesse Turístico (MIT) reconhecido desde outubro de 2015. E tem investido com sucesso no setor:
Museu de Paleontologia Pedro Candolo: com mais de 400 peças — fósseis de dinossauros, crocodilos e tartarugas en-
contrados na região, atendimento ao público e pesquisa ativa.
Museu do Carnaval: acervo de alegorias e objetos de escolas de samba renomadas, com entrada gratuita e valorização cultural.
Centro de Turismo e Cultura, revitalização urbana e portal de entrada com melhorias recentes que somam mais de R$ 1,3 milhão em investimentos estaduais via Dadetur.
Parque dos Dinossauros: projeto em construção, com maquete em 3D e previsão de espaço tematizado de 5.000 m² com réplicas de dinossauros e estrutura para receber público familiar.
Uchoa demonstra que planejamento
cultural, investimento e identidade local eficaz podem posicionar um município no mapa turístico de forma sustentável.
Conclusão
Tabapuã caminha com passos firmes em direção ao reconhecimento como MIT, alicerçado por planejamento, participação comunitária e cultura viva. Enquanto isso, Uchoa serve como exemplo inspirador — um MIT consolidado, com museus relevantes, infraestrutura moderna e atrativos diversificados. O título para Tabapuã representará, assim, não apenas uma chancela, mas a materialização de um legado cultural e rural construído com cuidado ao longo de anos.
Jessé Breschi, de 19 anos, supera infância difícil e se torna peça-chave no Sub-20 do clube rio-pretense, o menos vazado do Paulista
Por Luiz Aranha luiz@gazetainterior.com.br
Atrajetória de Jessé Breschi de Souza, 19 anos, goleiro do América Futebol Clube Sub-20, é marcada por superação dentro e fora de campo. Com 1,87m de altura, o jovem é peça fundamental da defesa do time rio-pretense, que terminou a primeira fase do Campeonato Paulista como o menos vazado, sofrendo apenas quatro gols. Natural de Cajobi (SP), Jessé cresceu em Ruilândia, distrito de Mirassol (SP), e teve uma infância difícil. Sua mãe biológica, que enfrentou paralisia infantil, sofreu depressão pós-parto e há 16 anos vive em situação de rua. Ao lado do pai e da madrasta, o ambiente também não era favorável. “Eu era como uma criança perdida, sem compreender o sentido da minha história”, relembra. Foi aos 10 anos que descobriu talento como goleiro e, aos 13, passou a treinar no sub-15 do Mirassol. A pandemia, em 2020, interrompeu seus planos e o levou a uma fase de rebeldia. Entre bebidas e más escolhas, Jessé chegou a pensar em desistir do sonho. Mas a convivência com os avós em Cajobi reacendeu sua fé e o fez encontrar um novo rumo.
“Um dia simplesmente lembrei do ambiente da casa dos meus avós, da igreja, da presença de Jesus. Lembrei que minha avó orava todas as noites. Então comecei a orar também. Foi quando minha vida começou a mudar”, conta.
Em 2021, surgiu a grande chance: um teste no Guarani, em Campinas. Jessé passou e permaneceu três anos no clube, amadurecendo como atleta e fortalecendo ainda mais sua fé. Depois, vestiu as camisas do Tanabi e do Metropolitano até chegar ao América, onde encontrou um destino improvável, assim como ele.
O clube, que passou por anos de dificuldades administrativas e perdeu espaço no cenário esportivo, ressurgiu nas competições de base. No Sub-20, com Jessé no gol, o time avançou de forma invicta para a segunda fase do Paulista. “Eu creio totalmente que foi Deus que me colocou aqui. Porque, queira ou não, eu sou uma pessoa improvável e o América, aos olhos humanos, também é um clube improvável. E Deus fez se tornar provável”, afirma. Hoje, Jessé reconhece que a fé e o futebol caminham juntos em sua vida. “O América tem sido uma resposta às minhas orações. Estou vivendo momentos grandiosos no esporte e com Deus. Aqui temos liberdade para viver a fé. O menino perdido conseguiu achar o caminho.”