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Ribeirão Preto/SP

Fevereiro/2013

Série 2

Nº 229

R$ 20,00

Elizabeth Farina, nova presidente da Unica, entende que o setor deve fazer mais investimentos para ampliar e solidificar as conquistas

ELA É A ÚNICA

Para a Avanzi, 2013 pode ser o ano do apagão na telefonia móvel


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ÍNDICE DE ANUNCIANTES

Fevereiro/2013

Í N D I C E ACESSÓRIOS INDUSTRIAIS

CENTRÍFUGAS

16 21328936

5, 49 E 53

PROCANA BRASIL

16 35124300

37 E 43

SINATUB TECNOLOGIA

16 39111384

6

16 36269001

69

19 35473539

12

19 34518210

54

VIBROMAQ

FRANPAR

16 21334383

32

COLETORES DE DADOS

16 39474732

74

COMBATE A INCÊNDIO - EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS

DOCEPAN

16 21334383

32

ARGUS

DURAFACE - DURAPARTS

ACOPLAMENTOS VEDACERT

MARKANTI

AÇOS FRANPAR

18 39056156

52

AGRICULTURA DE PRECISÃO VALAGRO

11 50440517

2

19 38266670

11 30169619

10

15

WIABILIZA

11 55848570

11

METROVAL

19 21279400 19 34234000

44

CURSOS E UNIVERSIDADES

10

UNAERP

74

16 36036877

AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL

9

19 34374242

16

19 38129119

52

43

DEFENSIVOS AGRÍCOLAS

16 36225744

74

AGRÁRIA

16 36902200

71

METROVAL

19 21279400

30

BASF

11 30432125

8

PROJELPI

19 34348083

27

DESTILARIAS

11 50336400

75

PROCANA BRASIL

ELETROCALHAS

VIBROMAQ

16 39452825

72

DISPAN

BOMBAS

16 35124300

16 36260716

19 34669300

64

ENERGIA ELÉTRICA - ENGENHARIA E SERVIÇOS PROJELPI

16 39464766

26

16 32513001

19 34348083

14

19 34391101

46 74

DIAMANTE

41 36453400

51

FETZ

49 35669800

68

ENTIDADES

CSJ METALÚRGICA

19 34374242

16

APDC

MARC-FIL

18 39056156

52

EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO

16 35138800

74

CAMINHÕES 41 33178111

55

CAMINHÕES - PEÇAS E SERVIÇOS VOLVO

41 33178111

CARROCERIAS E REBOQUES SERGOMEL

16 35132600

39

11 33563100

58

16 39464766

26

16 39464766

26

16 39468777

23

11 30169619

10

19 34374242

16

11 56948377

13

TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO AVANZI

11 21014069

19

TELAS ELETROFORMADAS STORK

19 32499571

46

TELECOMUNICAÇÃO/RADIOCOMUNICAÇÃO AVANZI

11 21014069

19

RADIOPLAN

16 39756495

66

16 39461800

72

TRANSBORDOS TRANSPORTADORES INTERNOS 18 39056156

52

TRATAMENTO DE ÁGUA/EFLUENTES EDRA SANEAMENTO

19 35769366

17

ENGENHO NOVO

21 22230899

67

VLC

19 38129119

52

11 47952000

76

TROCADORES DE CALOR

PRODUQUÍMICA

11 30169619

10

AGAPITO

16 39479222

72

UBYFOL

34 33199500

7

MARC-FIL

18 39056156

52

CONTUFLEX

11 29418044

25

FRANPAR

16 21334383

32

19 35473539

TUBOS E CONEXÕES 12

EQUILÍBRIO

16 39452433

75

VIBROMAQ

16 39452825

72

MARC-FIL

DMB

16 39461800

72

VÁLVULAS INDUSTRIAIS DURCON-VICE

11 44477600

47

FOXWALL

11 46128202

22

FRANPAR

16 21334383

32

JEFFERSON ENGENHARIA

16 36225744

74

VÁLVULAS SF

19 31243124

28

VARIEDADES DE CANA

PLANTAS INDUSTRIAIS

FUNDIÇÃO

BRUMAZI

16 39468777

23

CTC

FERRUSI

CSJ METALÚRGICA

19 34374242

16

VEDAÇÕES E ADESIVOS REZENFLEX

19 34121144

21

COMERCIAL RODRIGUES

16 35135230

40

VEDAÇÃO BRASIL

19 32386566

61

SL PNEUS

16 33221201

72

VEDACERT

16 39474732

74

16 39464766

26

16 21014151

63

16 32513001

14

PNEUS

GRÁFICA SÃO FRANCISCO GRÁFICA

FEIRAS E EVENTOS

UTP BOHLER

VALTRA

PLANTADORAS DE CANA

45

14

74

42

11 50568900

72

16 32513001

16 35138800

14

FIOS E CABOS

16 39479222

SEMAG

ENGEVAP

55 32227710

52

AGAPITO

TRATORES

16 32513001

18 39056156

SOLDAS INDUSTRIAIS

46

SEMAG

60

59

19 34391101

AGRIMEC

16 32897156

75

11 44224000

MARC-FIL

FILTROS INDUSTRIAIS

MAXTER LÃ

11 50336400

IRSA ROLAMENTOS S/A

DMB

PLAINAS

FIBRA DE VIDRO

NAMBEI FIOS E CABOS 24

EVAPORADORES CSJ METALÚRGICA

55

41 36216234

ESPECIALIDADES QUÍMICAS PRODUQUÍMICA

31

PENEIRAS ROTATIVAS

16 35138800

ANSELL

16 36286622

PEÇAS E ACESSÓRIOS AGRÍCOLAS

27

COBRA ROLAMENTOS

CONGER

DURAFACE - DURAPARTS

ENGEVAP

CALDEIRAS

42

MONTAGENS INDUSTRIAIS

56

50

VOLVO

BRUMAZI

37

41 36563266

CALDEIRARIA

55 32227710

MOENDAS E DIFUSORES

46

CIBRACAL

ENGEVAP

FERRUSI

ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO CIVIL CONGER

CALCÁRIO

21

NUTRIENTES AGRÍCOLAS

SEMAG

BRONZE E COBRE - ARTEFATOS FERRUSI

19 34391101

21

BOMBAS HIDRÁULICAS

25

19 34121144

MOENDAS

EMPILHADEIRAS 19 34121144

12

METAIS

EDITORA

75

19 35473539 11 29418044

LOPES TRATORES

73

SUPRIMENTOS DE SOLDA 69

REZENFLEX

FERRUSI

41 36218055

16 39452433

16 36269001

MATERIAIS RODANTES

VLC

EQUILÍBRIO

73

CONTUFLEX

AGRIMEC

18

JEFFERSON ENGENHARIA

BALANCEAMENTOS INDUSTRIAIS

16 36265540

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS

CSJ METALÚRGICA

CONGER

3

MANGUEIRAS E CORREIAS

30

DAIKEN

AUTOPEÇAS

10

LEVEDURAS E ENZIMAS

DURAFACE - DURAPARTS

DECANTADORES 58

19 36827070

MANCAIS E CASQUEIROS

19 34023399

11 38482900

AUTOPEÇAS MAURÍLIO

10

11 30169619

ISOLAMENTOS TÉRMICOS REFRATÁRIOS RIBEIRÃO

16 36265540

ROLAMENTOS

IRRIGAÇÃO GERMEK

11 30169619

30

INSUMOS AGRÍCOLAS

SUGARSOFT

11 30169619 11 26826633

REFRATÁRIOS RIBEIRÃO

19 21279400

DOCEPAN

PROLINK

AUTOMAÇÃO DE ABASTECIMENTO

REFRATÁRIOS

METROVAL

CONSULTORIA/ENGENHARIA INDUSTRIAL

PRODUQUÍMICA

REZENFLEX

FERRAMENTAS

PRODUQUÍMICA

INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO E CONTROLE

PRODUQUÍMICA

FERTILIZANTES

BETABIO/WALLERSTEIN

COBRA ROLAMENTOS

FERMENTO

CORRENTES INDUSTRIAIS

ANTIBIÓTICOS - CONTROLADORES DE INFECÇÕES BACTERIANAS

DWYLER

6

CONTROLE DE FLUÍDOS

ANTI-INCRUSTANTES PRODUQUÍMICA

16 39413367

CONSULTORIA EM RH

AÇOS INOXIDÁVEIS MARC-FIL

72

A N U N C I A N T E S

MULTIPLUS

BGL

16 39452825

D E

GUINDASTES SEMAG

ALCANTARA MACHADO

11 30604942

20

IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS

IBC BRASIL

11 30176852

29

DMB

16 39461800

72

19 34298199

41

VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

PRODUTOS QUÍMICOS BETABIO/WALLERSTEIN

11 38482900

44

EQUILÍBRIO

16 39452433

75

PRODUQUÍMICA

11 30169619

10

VLC

19 38129119

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CARTA AO LEITOR

Fevereiro/2013

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carta ao leitor índice

Fábio Rodrigues

fabio@procana.com.br

Agenda & Cana Livre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8 e 9 Eventos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10 Saúde & Segurança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .12 a 16  Implantação

da NR-12 requer planejamento

Administração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .17 a 25  Por A

que 2013 pode ser o ano do apagão na telefonia móvel?

profissionalização está chegando ao Nordeste

Tecnologia Agrícola . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .26 a 36  Aplicação

de agroquímicos exige conhecimentos específicos

 Planejando

a colheita mecanizada

Produção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .40 a 48  Muda

sadia é “arma” eficaz contra a queda de produtividade

 ENTREVISTA  Aumento

- Manoel Souza Jr, Embrapa Agroenergia

da mistura de etanol na gasolina tem sinal verde

Política Setorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .50  ENTREVISTA

- ELIZABETH FARINA, presidente da Unica

Setor em Destaque

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .51

Tecnologia Industrial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .52 a 61  Mancais  Tempo

e casquilhos necessitam de atenção especial

de manutenção é menor em plantas modernas

Destaque do Setor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .64 Encarte Especial – Energia Mundo . . . . . . . . . . .65 a 70 Negócios & Oportunidades . . . . . . . . . . . . . . . . .71 a 74

VERDADEIRA ALIANÇA “Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. ” (Profeta bíblico Jeremias, capítulo 31, verso 33)

Mais um passo do etanol O ano de 2013 começa com uma boa notícia para o setor em geral e uma ótima notícia para um derivado importante, o etanol. É que neste 28 de janeiro, a BM&FBovespa — Bolsa Mercantil e de Futuro lançou dois novos contratos derivativos de commodities para o setor sucroenergético, um contrato futuro de açúcar cristal deles e um contrato futuro de etanol anidro carburante. Com isto, a BM&FBovespa torna-se a primeira bolsa no mundo a oferecer à cadeia um portfólio completo de derivativos de commodities sucroenergéticas, uma vez que já possui um de etanol hidratado. Para o setor brasileiro em geral esses contratos são interessantes por possibilitar ao mercado fazer as negociações internacionalmente, com formação de preços a partir do Brasil. A possibilidade de negociação destes três contratos na mesma Bolsa facilitará as operações de todas as empresas e produtos ligados ao setor, informa Marcelo Maziero, diretor executivo de produtos e clientes da BM&FBovespa. Para o setor de etanol a notícia de lançamento do contrato é ótima. De acordo com o presidente do Conselho Administrativo da Ietha — International Ethanol Trade Association, Tarcilo Ricardo Rodrigues, o contrato futuro do etanol anidro carburante da BM&FBovespa foi trabalhado para dar suporte para a precificação do produto no mercado interno. Até agora, o contrato futuro do é usado como referência para o anidro. Tarcilo, assim como outros técnicos, consideram que o contrato futuro é mais um passo no sentido da commoditização do etanol. “É uma das ferramentas necessárias para transformar o anidro em commodity”, disse. Se o contrato da BM&FBovespa tornar-se forte e representativo poderá ser utilizado como referência em negociações internacionais. Caso o valor do anidro esteja elevado na Bolsa de Chicago, nos Estados Unidos, o comprador— exemplifica — levará em consideração o preço praticado na bolsa brasileira para a aquisição do produto. Ele lembra que o Brasil precisará de produção, além de preço competitivo, para atender a demanda do mercado internacional. A commoditização do etanol não acontecerá de uma hora para outra. É um processo lento. Mas, a disseminação da produção em outros países foi um passo para isto. “Para ser caracterizado como commodity, um produto não pode ser monopólio de um país”, observa Tarcilo. Segundo ele, a criação de programas de biocombustíveis, que estão em curso na Europa, também faz parte desse processo. A commoditização vai ocorrer quando houver a movimentação do produto, no mercado internacional, em grande escala. Isto vai depender, entre outros fatores, de aumento da produção e de decisões políticas de governos de diferentes países. O processo acontece passo a passo. Um passo de cada vez. O importante é que a caminhada já começou. (O JornalCana publicará reportagem especial sobre este assunto em sua próxima edição). Boa leitura

NOSSOS PRODUTOS

O MAIS LIDO! ISSN 1807-0264 Fone 16 3512 4300 Fax 3512 4309 Av. Costábile Romano, 1.544 - Ribeirânia 14096-030 - Ribeirão Preto - SP procana@procana.com.br

NOSSA MISSÃO Prover o setor sucroalcooleiro de informações sérias e independentes sobre fatos e atividades relacionadas à cultura da cana-de-açúcar e seus derivados, visando:  Apoiar o desenvolvimento sustentável, humano, tecnológico e socioeconômico;  Democratizar o conhecimento, promovendo o intercâmbio e a união entre seus integrantes;  Ser o porta-voz da realidade e centro de informações do setor; e  Manter uma relação custo/benefício que propicie parcerias rentáveis aos clientes e aos demais envolvidos.

w w w. jo r n a lc a n a . c o m . b r REDAÇÃO PRESIDENTE Josias Messias josiasmessias@procana.com.br

GERENTE DE OPERAÇÕES Fábio Soares Rodrigues fabio@procana.com.br

ADMINISTRAÇÃO  Controle e Planejamento Asael Cosentino - asael@procana.com.br  Coordenador Administrativo Manoel Brandalha Junior administrativo@procana.com.br  Eventos Rose Messias - rose@procana.com.br

 Edição Luiz Montanini - editor@procana.com.br  Coordenação e Fotos Alessandro Reis editoria@procana.com.br  Editor de Arte - Diagramação José Murad Badur  Consultor Técnico Fulvio Machado  Reportagem Andréia Moreno - redacao@procana.com.br André Ricci - reportagem@procana.com.br  Foto de Capa Alessandro Reis  Arte Gustavo Santoro  Revisão Regina Célia Ushicawa

ASSINATURAS E EXEMPLARES

Anuário da Cana Brazilian Sugar and Ethanol Guide

BIO & Sugar International Magazine

www.jornalcana.com.br O Portal do setor sucroalcooleiro

Mapa Brasil de Unidades Produtoras de Açúcar e Álcool

JornalCana A Melhor Notícia do Setor Prëmio BesiBio Brasil

Prêmio MasterCana Os Melhores do Ano no Setor

Anderson Franco exemplares@procana.com.br Tiragem auditada pelos

MARKETING / PUBLICIDADE  Comercial Gilmar Messias 16 8149.2928 gilmar@procana.com.br Leila Milán - 16 9144.0810 leila@procana.com.br Matheus Giaculi 16 8136.7609 matheus@procana.com.br Michelle Freitas 16 9128.7379 michelle@procana.com.br

Artigos assinados (inclusive os das seções Negócios & Oportunidades e Vitrine) refletem o ponto de vista dos autores (ou das empresas citadas). JornalCana. Direitos autorais e 10.000 exemplares comerciais reservados. É proibida a Publicação mensal reprodução, total ou parcial, distribuição ou disponibilização pública, por qualquer meio ou processo, sem autorização expressa. A violação dos direitos autorais é punível como crime (art. 184 e parágrafos, do Código Penal) com pena de prisão e multa; conjuntamente com busca e apreensão e indenização diversas (artigos 122, 123, 124, 126, da Lei 5.988, de 14/12/1973).


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AGENDA E CANA LIVRE

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A C O N T E C E U

A C O N T E C E

CANA SHOW 2012 O Centro de Tecnologia Canavieira promoveu no dia 5 de dezembro, o Cana Show 2012, em São Paulo, SP.

LÍDER AGRÍCOLA QUER SER CONTRATADO Marcelo Rodrigues Dias, de Itobi, SP, busca por uma vaga de emprego de Líder Agrícola. Possui CNH Categoria A/B, segundo grau completo, curso de Técnico em agropecuária incompleto, curso básico de informática Windows , Word , Excel , Internet, Power Point, curso: Inseminação Artificial em Bovinos ( IATF ), curso: Casque - amento e Medicamentos em Bovinos, cursos: Liderança e Motivação, Estratégias de Avaliações de Pessoas, Administração de RH, Como Influenciar Pessoas, de Gestão de pessoas e Gestão de equipes, entre outros. Entre as empresas que atuou está a Abengoa Bioenergia Brasil, como líder agrícola por dois anos. Contato : (19) 3647 – 7515; 9857 – 5301; 8344 – 5787; 9204 – 0272 ou E-mail: mrdias1@live.com.

FLUID & PROCESS Em sua 2ª edição, a Feira Internacional de Produtos e Soluções para a Indústria de Processos, acontece de 19 a 21 de Março de 2013, em São Paulo. www.fluidprocess.com.br

AGRISHOW A 20º Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação acontecerá de 29 de abril a 3 de maio de 2013, em Ribeirão Preto (SP). www.agrishow.com.br

MASTERCANA BRASIL O tradicional Prêmio MasterCana Brasil, reunirá as principais personalidades do setor no dia 21 de outubro de 2013, em São Paulo. www.mastercana.com.br

MASTERCANA NORDESTE

BESTBIO

O Nordeste recebe o MasterCana Nordeste em 28 de novembro de 2013, em Recife, PE, quando terá seus líderes homenageados. www.mastercana.com.br

As inscrições para a segunda edição do prêmio BestBIO, que acontece no dia 19 de março, em São Paulo, seguem até o dia 28 de fevereiro. O evento é uma realização da ProCana Brasil, e em 2013, será realizado durante a 9ª edição do F.O.Licht’s Sugar & Ethanol Brazil.As inscrições devem ser enviadas para o email bestbio@procana.com.br.

MASTERCANA CENTRO-SUL No dia 26 de agosto, o MasterCana Centro-Sul homenageará os principais ícones do setor sucroenergético, em Sertãozinho (SP). O Prêmio é o evento social de abertura da Fenasucro & Agrocana. www.mastercana.com.br

B A L C Ã O D E E M P R E G O S

ENCARREGADO DE MONTAGEM E OPERAÇÃO DE CALDEIRAS Raimundo Nonato de Oliveira Santos, de Lençóis Paulista (SP), busca por uma vaga de emprego de Encarregado de montagem e operação de caldeiras e termoelétricas /Instrutor NR-13. Santos trabalha com montagem e start-up de caldeiras de baixa e alta pressão, principalmente, leito fluidizado BFB/CFB, onde foi o primeiro operador do Brasil a operar caldeira a leito fluidizado na Vale do Rio Doce/ Pará, caldeira CBC/OUTOKUMPU e demais caldeiras tipo VP-W/ VS-VU com Monodrum e Doubledrum (steam and waterdrum). Trabalhou em empresas como: Goiás Verde Alimentos ltda; Montercal Engenharia; Aalborg industries; Usina de Álcool e Açúcar Usaçúcar - Santa Terezinha, entre outras. Contato: 14 9889-7545.


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CANA LIVRE

Fevereiro/2013

C A R T A

APLAUSOS À PROCANA BRASIL A Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco aprovou, na sessão do dia 29 de novembro de 2012, o voto de aplausos a ProCana Brasil pela realização do Prêmio MasterCana Nordeste, que por mais um ano homenageou os principais destaques do segmento na região. O voto de aplausos foi proposto pelo deputado Aluísio Lessa e direcionado ao presidente da ProCana Brasil, Josias Messias, que agradece a honraria.

RETIFICAÇÃO Na página 97 da Revista MasterCana 2012, o Prêmio de Gestão da Qualidade do MasterCana Norte/Nordeste foi para a Cooperativa Pindorama, representada por Margarida Maria Teixeira Amorim, bióloga.

Campanha alavanca consumo de etanol em SP Em seu primeiro mês de veiculação, a campanha publicitária “Etanol, o Combustível Completão”, criada para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e lançada no dia 11 de novembro, impulsionou em cerca de 10% o consumo de etanol no Estado de São Paulo com relação ao mês anterior, atingindo o objetivo de reforçar a imagem do biocombustível como uma opção limpa,

renovável e com importantes impactos sociais e econômicos. “A campanha procurou destacar os pontos positivos do etanol, que vão muito além da questão do preço. O etanol gera ganhos ambientais, sociais e promove o crescimento econômico de forma significativa em mais de mil municípios brasileiros,” lembra o diretor de Comunicação Corporativa da Unica, Adhemar Altieri.

Clealco promove cursos na entressafra O Grupo Clealco firmou a parceria com o Centro Paula Souza e o governo do Estado de São Paulo, para oferecer os cursos do programa Via Rápida Emprego. No último dia 17 de janeiro, o Grupo Clealco realizou a aula inaugural das turmas do programa, em Clementina (SP). Em 2013 serão oferecidos os cursos de Mecânico de Manutenção de Máquinas Agrícolas, Operador de Máquinas Agrícolas e Operador de Colhedora destinados para colaboradores da

empresa que estão com o contrato de trabalho suspenso durante o período de entressafra. O Grupo Clealco optou, desde 2011, por realizar as suspensões de contrato de seus colaboradores (Lay-off) que permite manter o vínculo empregatício, além de possibilitar a chance de profissionalização.

9

O Livro de Joanna "O Livro de Joanna", de Bernadette Barbieri, é uma narrativa romanceada que se mescla aos dois últimos séculos da história empresarial brasileira. Ao narrar a trajetória de Joanna, à frente das indústrias sucroalcooleiras da família, o romance traz questões típicas do mundo empresarial: a gestão e a sucessão familiar, as estratégias para contornar crises, as fusões e internacionalização do capital, as preocupações do desenvolvimento sustentável no início do novo milênio. Como pano de fundo da narrativa da vida de Joanna, o leitor percorre vários momentos importantes da nossa economia recente: o Pró-Álcool, a crise do governo Collor, as investidas do capital estrangeiro nas indústrias tradicionais brasileiras, o interesse recente pela bioenergia. Além das livrarias, o livro pode ser encomendado diretamente na editora por e-mail ou telefone: contato@oficiodaspalavras.com.br. 11 3473-7674.


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EVENTOS

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Cursos na área industrial também estão no calendário

Feiras e eventos se renovam em busca de melhores resultados ANDRÉ RICCI, DA REDAÇÃO

O calendário sucroenergético passará por mudanças em relação aos anos anteriores. Isso porque em meio à crise vivida no último ciclo, algumas feiras foram adiadas e outras serão reformuladas, tendo como objetivo atrair um público maior. Em 2012, o Sugar & Ethanol Brazil, produzido pela F.O.Licht e IBC Brasil, reuniu produtores nacionais e internacionais, tradings, instituições financeiras, pesquisadores, fornecedores de produtos e soluções e superou os resultados da edição anterior. Segundo Tatiana Dalben Munhoz, gerente da Divisão de Biocombustíveis, do Informa Group, mesmo com a situação do setor, a expectativa é boa para a 9ª edição. “É previsto um crescimento de 20% no evento deste ano, que será realizado os dias 18, 19 e 20 de março, em São Paulo”. Em sua grade de debates estão temas como políticas públicas para superar os desafios e estabelecer condições propícias ao crescimento do setor, visão de grandes produtores acerca do direcionamento do futuro da indústria, avaliação de custos e rentabilidade das usinas, entre outros. Já a Reed Exhibitions Alcantara Machado terá como destaque a mudança no formato da Fenasucro & Agrocana, que acontece entre os dias 27 e 30 de agosto,

em Sertãozinho (SP). Segundo o diretor da empresa, Fernando Barbosa, o evento passará a ser segmentado, o que deve facilitar a escolha dos visitantes. “Neste ano as feiras terão novo formato e nome. A Nova Fenasucro será dividida pelos setores agrícola, processos industriais, transporte e logística e fornecedores industriais, contemplando toda a cadeia produtiva do setor, além de unificar a Fenasucro, Agrocana e a Forind SP”, explica. A empresa organizará também a 5ª edição da Sucronor - Mostra Sucroenergética do Nordeste, entre os dias 15 e 18 de abril, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda (PE). Contudo, nem toda mudança no calendário será positiva. Por conta dos problemas no segmento, a Feicana FeiBio - Feira de Negócios do Setor de Energia -, realizada em Araçatuba (SP), adiou o evento para 2014. Em comunicado oficial, a Safra Eventos, que organiza o evento, explicou a decisão. “Em decorrência do período de crise pelo qual passa o setor sucroenergético, sem novos investimentos em greenfields e bronwfields, a Safra Eventos realizou uma pesquisa junto a seus parceiros e expositores sobre a viabilidade da realização da Feicana FeiBio 2013. Atendendo a maioria dos consultados, decidimos adiar a realização da mostra de 2013 para os dias 18, 19 e 20 de março de 2014”, diz a nota.

Sabendo da necessidade de evolução do setor sucroenergético, a Sinatub Tecnologia, em parceria com a ProCana Brasil, prepara diversos cursos voltados aos profissionais da área industrial, onde serão discutidas novas tecnologias em equipamentos, acessórios, projetos e normas dentro de um processo industrial. Segundo Luiz Cláudio Pereira Silva, diretor técnico da empresa, o ano de 2013 promete ser produtivo. “A expectativa é a mais otimista possível, já que os cursos/treinamentos previstos vão de encontro às necessidades do usuário industrial”. Ao analisar a grade de cursos oferecida em 2012, o diretor cita o tema de maior sucesso, quando aproximadamente 280 pessoas, em cada evento, estiveram presentes. “O balanço é positivo, já que alcançamos praticamente todos os objetivos com relação ao público. Neste ponto podemos citar os cursos de “Caldeiras e Energia e Moenda e Difusor”, que superaram as expectativas”. Para este ano, temas como “Manutenção Preditiva e Inspeção de Equipamentos”, “Caldeiras e Energia”, “Moenda e Difusor” e “Tratamento de Caldo e Fermentação”, além dos cursos/treinamentos de “NR10", “Vasos de Pressão”, “Planejamento e Controle de Manutenção”, “Balanço de Massa e Energia”, já estão programados. Outro destaque vai para a realização do III Simpoeste - Feira de Tecnologia e Negócio Agroindustrial do Centro-Oeste Brasileiro. Nesta edição, além da área industrial, também farão parte do evento, os setores agrícola e de mecanização/automatização. Mesmo com o preocupante momento econômico do setor, Luiz Cláudio se mostra otimista e confiante no trabalho realizado. “Acreditamos que o aumento nos investimentos, em função dos fatores que já falamos, é inevitável”. Mais informações através do telefone 16 3911-1384, email sinatub@sinatub.com.br ou também pelo site www.sinatub.com.br.


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Implantação da NR-12 requer planejamento Repaginada, norma regulamentadora traz exigências voltadas à segurança no trabalho em máquinas e equipamentos RENATO ANSELMI, FREE

DE

LANCE PARA O

CAMPINAS, SP

JORNALCANA

O perigo vem, em muitas ocasiões, de onde menos se espera. Por isso, todo o cuidado é pouco nas atividades desenvolvidas no campo e na indústria. A instalação, operação e manutenção de máquinas e equipamentos utilizados nas áreas agrícola e industrial das unidades sucroenergéticas pode oferecer riscos à saúde e à integridade física dos trabalhadores, caso não sejam adotadas medidas nessa área previstas na Norma Regulamentadora 12 (NR 12), que foi repaginada em 2010 e contou ainda com a inclusão de um anexo no ano seguinte. Não é nada fácil, no entanto, colocar em prática as dezenas de itens que fazem parte da NR-12 (segurança no trabalho em máquinas e equipamentos). “O parque industrial das usinas é grande e complexo e o cumprimento das exigências da norma requer planejamento, sendo necessário um levantamento inicial para a priorização das necessidades de proteção e posterior instalação dos recursos para a operação segura”, avalia João Augusto Ribeiro de Souza, diretor executivo do GSO – Grupo de Saúde Ocupacional da Agroindústria Sucronergética. Segundo ele, a dificuldade reside na identificação ordenada dos riscos existentes na instalação, operação e manutenção. As usinas e destilarias vêm ao longo do tempo passando por um processo de modernização, porém os aspectos de segurança das máquinas e equipamentos não acompanharam esta evolução, analisa o engenheiro de segurança do trabalho Carlos Gustavo Jacoia, que é diretor da Ambiental, de Lençóis Paulista, SP. Ele observa que não existem soluções prontas. Os sistemas de segurança precisam ser adaptados à realidade de cada usina que apresenta a sua capacidade produtiva e característica operacional. “Com o aumento do nível de detalhamento desta norma, o trabalho seguro em máquinas e equipamentos se tornou fato fundamental e irreversível, considerando a garantia das condições de segurança nos ambientes de trabalho”, enfatiza. A NR-12 trata, entre outros itens importantes – conforme destaca Carlos Jacoia – de questões relacionadas aos dispositivos de partida, acionamento e parada, os sistemas de segurança, bem como os dispositivos de paradas de emergência, os aspectos ergonômicos, procedimentos de trabalho e segurança e a capacitação.

Carlos Jacoia: aspectos de segurança das máquinas e equipamentos não acompanharam modernização do setor


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Usinas apresentam dificuldades para cumprimento de norma Identificação das máquinas e análise de riscos estão entre as medidas que devem ser adotadas para o atendimento da NR-12 “A maioria das unidades sucroenergéticas não está cumprindo a NR12 em sua íntegra”, revela Carlos Jacoia. De acordo com ele, as principais ações de usinas e destilarias estão voltadas às proteções fixas de partes rotativas. Este procedimento, no entanto, é apenas a ponta do iceberg – afirma –, pois a norma é muito mais ampla. O engenheiro de segurança do trabalho alerta que a fiscalização está se preparando tecnicamente para a intensificação das inspeções. Em 2012, diversas empresas já foram fiscalizadas e autuadas – informa – pelo descumprimento da norma, principalmente em função de alguns acidentes graves ocorridos. Segundo João Augusto de Souza, do GSO, existe uma mobilização de unidades sucroenergéticas no sentido de se levantar as necessidades nessa área e aplicar as exigências contidas na NR 12. “Nos processos de aquisição já se acordam a inclusão dos requisitos da norma. É

João Augusto de Souza, do GSO: mobilização de unidades sucroenergéticas

oportuno enquadrar todos os setores envolvidos, como: RH, treinamento, projetos, produção, manutenção, Segurança e Medicina do Trabalho, nas exigências da nova NR 12”, sugere. Mesmo com toda dificuldade é possível atender as exigências da norma.

Carlos Jacoia recomenda que o trabalho seja iniciado a partir da identificação e localização de todas as máquinas e equipamentos da unidade agrícola e industrial. Após o cumprimento desta etapa, é necessária a realização da análise de risco de cada equipamento por meio de

alguma ferramenta específica. Ele sugere a utilização da NBR 14.009 que fornece informações para a avaliação de riscos e permite a avaliação sobre a segurança da máquina considerando a determinação dos limites da mesma, a identificação do perigo e a estimativa do risco. Em seguida, deve ser feita a avaliação da categoria de segurança conforme a NBR 14.153, esclarece Carlos Jacoia, que coordena a área de segurança do trabalho na Ambiental. O passo seguinte é a realização do inventário das máquinas, considerando os aspectos descritos no item 12.153 da norma. “A partir da identificação dos perigos e riscos de cada máquina, são adotadas as medidas de controle tanto corretivas como preventivas”, afirma. Para finalizar o processo, deve ser feito o acompanhamento das medidas adotadas, avaliando-se também a redução – ou não – do risco, definindo o nível de segurança de cada máquina e equipamento, orienta o especialista. “Podemos considerar a NR-12 como uma dificuldade em sua aplicação, porém se não tomarmos nenhuma ação, esta dificuldade se tornará um problema, em seguida uma crise e por fim, um verdadeiro caos. Devemos encarar esta dificuldade como uma oportunidade, que sem dúvida alguma nos levará ao sucesso de nossos negócios e a garantia da segurança e saúde dos trabalhadores”, comenta. (RA)


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Exigências garantem integridade física do trabalhador Especialista alerta sobre a necessidade de ficar atento a situações conflitantes para que não ocorra aumento nos investimentos O cumprimento da NR-12 em sua totalidade garante a integridade física do trabalhador, de acordo com Carlos Jacoia, que é também conselheiro fiscal do Grupo de Saúde Ocupacional da Agroindústria Sucronergética (GSO). Isto é possível por causa do conteúdo e do processo de elaboração dessa norma que é baseada em regulamentações técnicas nacionais e internacionais. “Do ponto de vista prevencionista, todas as exigências da NR12 são pertinentes e necessárias, buscando sempre o trabalho seguro, sistemas anti burla ou a falha segura”, enfatiza. “A dificuldade está na adaptação de proteções de máquinas já instaladas, aí há necessidade de um estudo conforme as orientações da NR 12. Não pode haver improvisação nem instalação de proteções fora dos conceitos técnicos”, comenta João Augusto de Souza, diretor executivo do GSO. Em alguns aspectos, a NR-12 é conflitante com outras normas regulamentadoras ou até mesmo com outros itens da própria NR-12, observa Carlos Jacoia. “Em função disto a norma está passando por uma revisão sistemática para dirimir estas dificuldades. Como toda e qualquer norma, a questão interpretativa é aplicável em diversos itens, ficando a critério do profissional a definição da ação a ser conduzida”, esclarece. De acordo com ele, é preciso ficar atento a essa questão de conflitos para que não ocorra a adoção de medidas desnecessárias e, consequentemente, aumento nos investimentos. Carlos Jacoia informa que a portaria

da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) nº 197, de 17 de dezembro de 2010, é precursora de todas estas significativas mudanças. Na sequência, houve a publicação da portaria SIT nº 293, de 8 de dezembro de 2011, que inseriu o Anexo XII (Equipamentos de Guindar para Elevação de Pessoas e Realização de Trabalho em Altura) na Norma Regulamentadora nº 12. Segundo ele, esta foi a alteração mais recente e significativa, pois a área de segurança no trabalho estava muito carente quanto aos requisitos legais e preventivos para elevação de pessoas e realização de trabalho em altura. “Esta

questão interfere diretamente nas áreas industriais das unidades sucroenergéticas, principalmente nas entressafras, quando a maioria das manutenções passa por algum trabalho em altura”, afirma. As mudanças são sempre necessárias, pois toda regulamentação envolve – constata – diversos fatores e interesses. “A NR-12 veio para ficar e não terá alterações significativas em sua revisão que está em andamento. O setor deverá se adaptar a esta nova regulamentação, porém o fator tempo é o mais importante neste instante. A maioria dos prazos da norma já expirou”, revela. Segundo ele, alguns

aspectos em relação aos sistemas de segurança deverão provavelmente ser flexibilizados. Mas, para isto, será necessário que sejam “amarrados” a outros itens que poderão garantir a integridade física do trabalhador. Entre as alterações recentes da NR-12, João Augusto, do GSO, afirma que a inclusão do item treinamento operacional possibilita que os trabalhadores tenham maior segurança na operação de máquinas e equipamentos com conhecimento aprofundado de detalhes que fazem diferença na questão de prevenção de acidentes e qualidade de trabalho. (RA)


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RAIOS, RAIOS DUPLOS! Duas unidades do Centro-Sul foram atingidas; prevenção não basta, é preciso ter sorte, diz consultor ALESSANDRO REIS,

DA

COMO SE PROTEGER NAS TEMPESTADES

REDAÇÃO

Não fosse pela tristeza dos incidentes, o bordão “Raios, raios duplos”, que o personagem dos desenhos animados Dick Vigarista usava, teria se tornado real no setor sucroenergético no início de janeiro. Em consequência da chegada das chuvas de verão ao Centro-Sul do país, duas unidades produtoras sofreram com a queda de raios. A primeira delas, Usina São Luiz, de Ourinhos, SP, teve um de seus tanques atingido em 6 de janeiro. O incidente queimou quase cinco milhões de litros de etanol. Onze dias depois, no dia 17, a Usina Rio Claro, que pertence ao Grupo ETH, localizada em Caçu, GO, foi igualmente vítima de um raio que caiu no tanque de combustível. O incêndio perdurou por mais de 24 horas, causando sérias e onerosas avarias. Felizmente, os raios que caíram em Ourinhos e Caçu não causaram nenhuma morte. Mas quando se trata de raios, por conta de seu poder letal e destruidor, todo cuidado é pouco. O Brasil é o país com a maior incidência de raios no mundo, de acordo com o Grupo de Eletricidade Atmosférica – Elat. Aqui, caem em média, cerca de 50 milhões de raios por ano. E raios podem causam graves prejuízos. Nos últimos dez anos, por exemplo, as descargas elétricas mataram 1.321 pessoas, duas delas

recentemente: na tarde de domingo, 6 de janeiro, um casal de turistas morreu, na praia do Centro, em Bertioga, ao ser atingido por um raio. Thiago Ribeiro da Costa, de 31 anos, e a portuguesa Inês Cruz, de 29, caminhavam pela parte rasa da praia quando foram atingidos. Os dois foram encontrados caídos de costas e de mãos dadas. A viatura do resgate chegou rápido ao local, mas já não havia o que fazer. Descargas elétricas podem se transformar em drama para indústrias, sobretudo as do segmento sucroenergético, que se localizam geralmente em regiões descampadas e afastadas dos centros urbanos. Mas, afinal, é possível prevenir ou amenizar os efeitos dos raios? De acordo com especialistas, é possível, sim, se precaver, mas sempre se deve contar com

alguma dose de sorte. — Para se proteger uma usina precisa de precaução e sorte. Precaução na instalação e manutenção de para-raios, e sorte, para não ser atingido por eles, já que a instalação deste equipamento de segurança não traz total garantia de não ser afetado por uma descarga elétrica, observa o consultor técnico da ProCana Brasil, Fulvio Pinheiro Machado. Como medida de precaução, o consultor alerta às empresas que se cumpra com rigor a Norma NBR 5419, estabelecida pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, para indústrias do porte sucroenergético. Enfim, as empresas devem fazer a sua parte, que é cumprir à risca o item prevenção, e esperar que não sejam sorteadas pelo destino como destinatárias da descarga mortífera.

 Evite arar a terra ou dirigir um trator sem capota; em uma cabine sem proteção, a cabeça é o ponto mais alto e atrai os raios;  Evite ficar em locais onde há uma árvore. A árvore atrai o raio;  Evite contato com qualquer objeto que possua estrutura metálica, tais como torneiras, canos, etc;  Procure permanecer dentro de um carro. Ele é uma ótima proteção, pois o veículo é blindado a raios;  Fuja do contato com material inflamável;  Nas instalações, observe as normas vigentes da ABNT para rede elétrica em baixa tensão (NBR 5410) e para sistemas de proteção contra descargas atmosféricas SPDA (NRB 5419);  Evite ligar aparelhos e motores elétricos, para não queimá-los;  Afaste-se das tomadas e evite utilizar o telefone;  Desconecte das tomadas todos os aparelhos e eletrônicos;  Desligue os fios de antena dos aparelhos;  No banho, evite usar chuveiro. Tomar banho durante tempestades não significa que o raio vá cair dentro da sua casa, mas pode atingir as linhas de energia na rua e provocar sobretensão na rede. O resultado pode ser um choque em quem estiver debaixo d´água;  Evite nadar em superfícies lisas como piscinas, rio ou mar porque a cabeça do banhista é o ponto mais alto na área, atraindo os raios; pela mesma razão, evite jogar futebol.


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Por que 2013 pode ser o ano do apagão na telefonia móvel? POR DANE AVANZI*

Segundo informações da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), o Brasil já possui 260 milhões de linhas telefônicas móveis. Este número que supera em aproximadamente 30% a população brasileira, nos causa certa perplexidade, mas pode ser explicado pelos diversos tipos de serviços prestados pelas operadoras de telefonia móvel, bem como pelos diferentes tipos de perfis dos consumidores. Uma parte considerável dessas linhas pertence a pessoas de baixa renda que, para economizar, possuem chips de várias operadoras e procuram se beneficiar das promoções ou isenções de tarifas em ligações oferecidas em cada plano. Além do uso para assuntos particulares, outra parcela dos consumidores ainda recebe uma linha cedida pela empresa, que é de uso estritamente profissional. Há também aqueles que moram em fronteiriças entre Estados ou que precisam, passam períodos alternados em outras cidades e acabam tendo que habilitar uma nova linha para evitar pagar Roaming (tarifa de visitante mais alta), e por isso possuem um chip de cada código de área. Afora isso, além dos serviços de dados e voz disponíveis em todos os aparelhos, desde os mais básicos aos mais tecnológicos, existe uma gama de produtos que as operadoras desenvolveram para o público corporativo, tais como: pagamentos e transações bancárias via cartão de crédito, monitoramento de imóveis utilizados por empresas de segurança, rastreamento de veículo pelas seguradoras, alarmes em agências bancárias, entre tantos outros que são vendidos aos milhares de linhas. O problema é que na maioria das vezes onde há ampla concentração de usuários utilizando esses serviços como, por exemplo, em shoppings, eventos e shows, ocorre o congestionamento da rede.

Celular fora de área: Brasil já possui 260 milhões de linhas telefônicas móveis

Decorre daí algumas das principais causas da má qualidade do serviço, tais como: a incapacidade de realizar ou receber uma chamada, o não processamento de mensagens de texto, sem falar no baixo desempenho dos pacotes de dados dos smartphones vendidos como “3G”, mas que na verdade possuem velocidade das antigas conexões discadas. Aliás, os Smartphones, que são capazes de transmitir arquivos volumosos de imagens e vídeos, é hoje uma das principais preocupações dos grupos de estudos da UIT

(União Internacional de Telecomunicações), em razão da grande quantidade de espectro que os milhões de aparelhos em uso no mundo ocupam. Tal preocupação de ordem ambiental constitui um grande desafio às agências reguladoras de telecomunicação de todas as nações, que necessitam cada vez mais aprimorar a gestão do espectro de modo a garantir o acesso a todos os seus cidadãos e evitar a saturação dos sistemas e do próprio meio ambiente, questões de grande dilema da era da informação.


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Separação entre demandas de telefonia de grande e pequeno portes revela as maiores dificuldades Para compreender melhor as dificuldades de operação da rede pública nacional de telefonia móvel, que faz parte de um sistema complexo que se entrelaça também com a telefonia fixa, precisamos separar as demandas de grande porte das de pequeno porte, para assim percebermos quais são as maiores dificuldades. Para entender a macro demanda, levemos em consideração a estrutura do setor eletricitário – que é bastante semelhante ao da telefonia–, onde existem atividades de geração da energia com grandes usinas como Furnas e Itaipu, e atividades de transmissão e distribuição do que foi gerado – trabalho realizado pelas concessionárias de energia elétrica. Fazendo uma analogia, é correto afirmar que hoje no Brasil não existe nas telecomunicações a infraestrutura adequada às novas tecnologias (cabos de fibra ótica) com capilaridade e capacidade de prover o serviço com níveis de qualidade equivalentes em âmbito nacional. Por ser uma obra de

eminente valor estratégico para a nação, e demandar vultuosos recursos financeiros, deve obrigatoriamente ser feita pelo governo brasileiro. Já as dificuldades de disponibilização do serviço ao consumidor final, são exclusivamente responsabilidade das operadoras de telefonia móvel, que tem obrigação de prover o serviço. As áreas com baixa densidade demográfica, onde as receitas não são tão atraentes mediante a instalação de torres e equipamentos em qualidade e quantidade compatível ao número de linhas e planos de serviços comercializados e ativos, também ficam por conta das operadoras. O governo federal, com o Plano Nacional de Banda Larga, capitaneado hoje pela Telebrás, deve liderar esse processo junto aos demais "players" (operadoras do sistema que incluem também provedores de internet locais) do setor para que haja uma mudança significativa do quadro que se agrava. (DA)

Hoje, no Brasil, não existe nas telecomunicações a infraestrutura adequada às novas tecnologias


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Brasil está prejudicado pela falta de um backbone, de torres e equipamentos das operadoras em regiões rurais

Operadores precisam utilizar sistema de qualidade para maior tráfego de dados Outra falha das operadoras de telecomunicações e que deve ser pontuada é não fazer uso de um “backbone” nacional (sistema que possibilita maior tráfego de dados) de qualidade e projetado para uma economia em crescimento. Mas, justiça seja feita. O problema da falta desse sistema não ocorre somente no Brasil. Nos Estados Unidos da América também existe um Plano Nacional de Banda Larga que está duro de sair do papel, ainda mais agora com o agravamento da crise financeira mundial.

Via de regra, em qualquer lugar do mundo, os grandes centros, onde há concentração de consumidores recebem maior atenção das operadoras em detrimento de áreas rurais onde o retorno do investimento e a capacidade de renda é menor. A lógica é financeira. Investe-se mais onde o retorno é maior e mais rápido. Nesse quadro, o Brasil, um país com forte vocação agrícola, carente de serviços de telecomunicações de qualidade no campo,

tem sido muito prejudicado pela falta de um backbone, de torres e equipamentos das operadoras em regiões rurais. A Anatel, por sua vez, deve fiscalizar as receitas às empresas e determinar metas de investimento para serem aplicadas no custeio e ampliação da infraestrutura da rede, bem como qualificação de mão de obra. A rede pública de telefonia é um sistema complexo que possui uma determinada capacidade que se encontra saturada e necessita de ações e

investimentos urgentes por parte do governo e das concessionárias. *Dane Avanzi é advogado especializado em telecomunicações, diretor superintendente do Instituto Avanzi, entidade sem fins lucrativos de defesa dos direitos do consumidor de telecomunicações Avanzi 11 2101.4080 www.itavanzi.org.br


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A profissionalização está chegando ao Nordeste Região acompanha fato histórico com posse de novo executivo da Coruripe ANDRÉIA MORENO, DA REDAÇÃO

A história da profissionalização parcial ou total no setor sucroenergético atravessou um longo caminho desde os primeiros engenhos de açúcar que surgiram no Nordeste até o advento do livre mercado. Em 500 anos do cultivo da cana no país, o último dia 7 de janeiro, marca a chegada da profissionalização na presidência de um grupo sucroenergético daquela região. Nesta data, mais de 1500 colaboradores da Usina Coruripe, de Alagoas, acompanharam a posse de seu novo diretor presidente, Jucelino Sousa, um executivo do mercado de combustíveis. Sousa assumiu a gestão da empresa, em uma decisão pioneira da família Wanderley. A indicação do diretor presidente é o desfecho do processo de profissionalização da Coruripe que foi iniciado há dois anos. Todos os acionistas que faziam parte da antiga gestão integrarão o Conselho de Administração, em sistema de rodízio, que contará também com conselheiros independentes.

Equipe afinada: Carlos Marques, diretor de produção; Vitor Junior, conselheiro; Jucelino Sousa, presidente, Tércio Neto e Márcio Wanderley de Paiva, conselheiros

Na oportunidade, o ex-vice-presidente da Alesat, foi apresentado pelos ex-diretores da unidade sucroenergética, Vitor Wanderley Junior, Tércio Wanderley Neto e Marcio Wanderley de Paiva. Vitor Junior explica que os ex-diretores ficarão na área estratégica da empresa e Carlos Marques, será o novo diretor de produção. “Depois vão existir mais três diretores: comercial, administrativo e financeiro”, reforça. Para Sousa, o desafio maior em ser presidente dessa empresa não será cuidar da lavoura, da eficiência industrial ou realizar bons negócios, mas honrar as

tradições do Grupo Tércio Wanderley. “Buscaremos sempre a melhoria contínua, preservando a cultura e os princípios construídos pelo comendador Tércio Wanderley, filosofia tão bem defendida pelas gerações que o sucederam”, declara. Segundo a empresa, o diretor presidente terá a missão de implantar um novo ambiente de governança corporativa, reestruturar o organograma da empresa e dar continuidade ao crescimento do grupo, que tem foco maior na produção de açúcar. “A profissionalização foi uma iniciativa que nasceu da vontade de fortalecer ainda mais a governança na Usina Coruripe. Deixamos

de ser uma empresa dirigida diretamente por integrantes da família proprietária para uma gestão técnica, cujos profissionais têm a missão de colocar a Coruripe num patamar ainda mais elevado no mercado”, revela a assessoria em nota. Em uma rápida retrospectiva, Roberto Hollanda Filho, que assumiu a administração da Usina paulista São José da Estiva nos anos 90, revela detalhes dessa fase de transição. “Até o período do Proálcool a administração das usinas eram totalmente familiares, e bem ou mal, cresceram e se modernizaram, porém, não havia uma verdadeira concorrência dentro do setor. Os preços eram fixados pelo governo, as cotas de produção e venda também, portanto sempre estivemos amparados pelo governo. Os riscos eram bem menores, mesmo com uma administração desastrosa”, confirma. Segundo ele, com o advento do Proálcool, a grande maioria das destilarias foram formadas por grupos de acionistas, familiares e não familiares, e portanto a gestão já não ficava nas mãos de apenas um grupo familiar, começou a ser pulverizada entre os sócios, e os assumiram os mais capacitados e com formação escolar e profissional nas diversas áreas das empresas. “Nesse momento começou uma forma de profissionalização, e quando saímos da tutela do governo para um livre mercado uma boa administração se tornou um ponto crucial para a sobrevivência das empresas”, revela.


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Usina profissionaliza gestão no processo sucessório Há 17 anos, a paulista, Usina São José da Estiva decidiu profissionalizar a gestão e foi exatamente durante o processo sucessório da família. Foi nesse momento que a nova geração que assumiria a empresa decidiu profissionalizar a gestão, evitando conflitos e diminuindo riscos no negócio. Nesse período assumia a superintendência, Roberto Hollanda Filho, um executivo do mercado, que chegava para assumir o desafio. “Como superintendente, junto com os gerentes, planejamos toda a gestão do negócio, transmitimos aos proprietários as ações que serão tomadas e as executamos. Como todos os gestores profissionais participam em tempo integral na usina, as decisões são tomadas rapidamente”, diz. De acordo com o executivo, profissionalizar a gestão da empresa é uma realidade sem volta. “Basta olhar os países desenvolvidos e perceber que o único setor produtivo, que ainda tem uma grande concentração de gestão familiar é o setor sucroenergético brasileiro”, afirma. Na Estiva, atualmente os proprietários são diretores estatutários, acompanham a gestão, participam das reuniões, definem a política de trabalho,

porém, não interferem na área técnica e financeira. Segundo Hollanda, quando começou o processo sucessório nas usinas, filhos e netos muitas vezes sem o preparo ideal, assumiram a administração. “A partir desse ponto é que a profissionalização passou a ser necessária, pois além da questão de sobrevivência das empresas, chegou a concorrência com grandes usinas, grupo de usinas e muitas delas multinacionais. Hoje não há mais espaço para uma má administração”, explica. Em um balanço da gestão, o superintendente aponta que um dos principais fatos que marcaram a atual administração ocorreu em 2007, antes da crise mundial. “Na época contatamos todos os bancos que trabalhávamos e criamos um limite de crédito para três anos, com juros pré-definidos, porém pagamos uma taxa aos bancos por isso. Em 2008, no auge da crise financeira, tínhamos crédito aprovado a juros muito inferiores ao do mercado. Foi nesse momento de crise que resolvemos dobrar a capacidade de produção da usina, aproveitando o fato dos fornecedores de equipamentos estarem ociosos, conseguimos preços muito aquém do praticado, além de ter crédito a juros baixos”, lembra.

Roberto Hollanda Filho, da São José da Estiva: profissionalização evitou conflitos familiares


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Destilaria Tabu possui gestão profissionalizada

Destilaria de Alagoas trabalha com governança corporativa há 35 anos A Destilaria Tabu, de Alagoas, é um exemplo de modelo de governança corporativa. Apesar de não ter formalizado o processo, Flávio Cavalcanti, controller, explica que há 35 anos a Destilaria Tabu possui gestão profissionalizada, pois a administração sempre ficou a cargo dos diretores executivos. “O proprietário sempre foi o presidente mas nunca administrou a empresa. Acho que esse modelo muito positivo, pois dessa forma as famílias não interferem e nem comprometem a gestão, que se torna mais atualizada e moderna”, comenta.

Para ele, essa é uma tendência no Nordeste, principalmente a partir da compra das empresas familiares por grandes grupos. “Esse modelo profissional consegue evitar crises ou até mesmo passar por elas sem nenhum problema, pois os contratados precisam dar resultados, o comprometimento é diferente”, diz. Outro que abriu caminho para o modelo de profissionalização foi Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar de Pernambuco, ex-executivo dos Grupos Farias e EQM. O Estado foi o primeiro a

ter um executivo como presidente de Sindicato do setor. Em 2000, o advogado, Renato Cunha, mestre em economia, além de tocar a entidade, junto com a equipe, também administra um terminal açucareiro do Sindaçúcar. “Um grande exemplo é do Grupo Louis Dreyfus, que implantou a profissionalização no Nordeste através da aquisição da Usina Estivas, do Rio Grande do Norte, em 2007”. Para ele, a Coruripe certamente abre caminho para outras empresas profissionalizarem sua gestão no

Nordeste. “Este convívio entre acionista e executivo é muito saudável, com uma governança compartilhada. Por isso, tende a surgir modos operantes de gestão muito profissionais. É uma tendência no setor nordestino e muito bem visto pelo mercado. O Coruripe, grupo muito importante no Nordeste, faz um movimento de consolidação e criou um modelo saudável e moderno. Acho que o Nordeste sempre teve uma mentalidade de vanguarda, já que iniciou nas exportações privadas de açúcar em 1988 e tem vocação para o novo”, conclui. (AM)


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Profissionalização é fundamental para sobrevivência Com a crise atual que ronda o setor, questões climáticas e falta de profissionalização, muitas empresas não estão suportando a pressão do mercado. Silvano da Silva, gerente administrativo e de suprimentos da Usina Sinimbu, que acompanha a empresa familiar desde a primeira geração, explica que há muitas usinas abrindo falência em Alagoas e Pernambuco, pois não prepararam seus sucessores. “O mercado é duro, sem muitos incentivos fiscais, por isso é preciso criar competências. A mudança na Coruripe faz parte da evolução do setor em Alagoas, principalmente em um momento em que a profissionalização se tornou fundamental para sobrevivência no mercado. Essa novidade poderá abrir oportunidades no Nordeste, não para todas, mas algumas empresas poderão buscar administração personalizada e deixarão de encerrar suas atividades. É preciso que as usinas tenham um conselho atuante, mas que deixem os executivos tomarem conta do negócio, pois eles são aptos para essa função”, lembra. Para ele, alguns empresários mais tradicionais não querem soltar as “rédeas”, o que causa o enfraquecimento da empresa. “Muitos mudam por bem ou por mal. Vejo três caminhos para os próximos dez anos no setor: em um deles, os antigos empresários não devem abrir mão da gestão e devem caminhar para falência; no outro, os sucessores continuam assumindo a gestão, se especializam, ou passam para o

Silvano da Silva: usinas estão falindo por não preparar sucessores

executivo; e no terceiro, os executivos entram com planos de metas, remodelando a empresa e cobrando resultados. Sem atritos familiares a empresa irá caminhar melhor”, afirma. O coach executivo, Carlos Casarotto, diretor da Casarotto Desenvolvimento Humano e Organizacional, também concorda que a profissionalização no Nordeste não é uma tendência, mas uma

necessidade. “A primeira geração cria a empresa, a segunda usufrui e a terceira destrói. Se não houver mudança de mentalidade, muitas empresas acabarão sendo vendidas. Fico feliz por saber que a Coruripe passou por esse processo e contratou uma empresa especializada para isso”, revela. De acordo com ele, muitos empresários do setor ainda pensam que

profissionalização significa perda de poder. “A profissionalização traz novos processos de melhorias para driblar a competitividade do mercado. A improdutividade e o conformismo matam a empresa. Não vejo sentimentos no setor atual, mas muito desânimo. Não vejo o setor se profissionalizando tão cedo, esse processo deverá passar por gerações”, finaliza. (AM)


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Profissionalização não pode ser “maquiada” O processo de profissionalização exige uma mudança completa na presidência, ou seja, uma ruptura dos laços familiares. Por isso, André Rocha, gerente de geração de valor e oportunidades da Exame Auditores Independentes, ressalta que no processo de profissionalização não adianta contratar um profissional se a família continua ditando as regras. “Dessa forma seria uma gestão maquiada. Além disso, o processo envolve a formação do conselho com membros da família e com profissionais do mercado que enxergam a empresa de forma diferente”, reforça. Rocha ressalta que a Coruripe é um exemplo para as outras empresas, mas acredita que seja um caso isolado. “A empresa já vinha tomando uma série de ações nos últimos anos que culminaram nessa mudança. Sem dúvida é uma empresa diferenciada em seu estilo de gestão, porém esse tipo de iniciativa não ocorre a curto prazo, vem de um processo longo. Não vejo a profissionalização da gestão como uma tendência no Nordeste. A região carrega uma administração arraigada e a herança do coronelismo. Quem geralmente está no poder é o dono da empresa, que entende que os filhos tem

que estar à frente do negócio. Não vejo problemas dos filhos continuarem a administração, mas na maioria das vezes, não se preparam profissionalmente”, diz. Outro ponto fundamental desse modelo, segundo o especialista, é ter uma gestão com políticas e processos bem definidos e evitar decisões baseadas na emoção. “É preciso ainda valorizar as competências profissionais das pessoas, sem politicagem ou jogo de vaidades, lutas de ego. Outro ponto que é preciso evitar é a relação pessoal à frente da profissional (antiguidade relação de amizade x competências). O que geralmente ocorre é a valorização das pessoas erradas e desmotivação das certas”. Ele também revela que é necessário ter um plano de sucessão bem definido para o caso de um membro da família assumir a gestão. “Além de se preparar, seria importante ter outras experiências fora da empresa, para provar sua competência. Se não tiver membros da família para administrar, o empresário deverá pensar em contratar alguém de fora. Será preciso ainda driblar os riscos através do planejamento, fazer provisões para gerenciar esses riscos para se manter no mercado”, conclui. (AM)

André Rocha: não adianta contratar profissional se a família continua a ditar regras

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Aplicação de agroquímicos exige conhecimentos específicos Problema fitossanitário, produto químico, área física são fatores que devem ser considerados nessa operação RENATO ANSELMI, FREE

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A obtenção de resultados positivos na aplicação de agroquímicos nas lavouras de cana-de-açúcar depende de diversos fatores. As decisões nessa área devem ser baseadas em conhecimentos específicos. Nada pode acontecer por acaso. A correta identificação do problema fitossanitário a ser controlado e o nível de dano

apresentado são fundamentais para a escolha do melhor método de controle e para a aplicação eficiente, segundo o engenheiro agrônomo Luís César Pio, diretor da Herbicat, de Catanduva, SP. O conhecimento do produto químico a ser utilizado, da área física onde ocorrerá a aplicação, das condições ambientais e do equipamento também é determinante para o sucesso da operação, observa Luís Pio. ”O tipo de equipamento, o seu estado de manutenção e as formas de regulagem definirão a seleção do tamanho de gota ideal para o produto escolhido, resultando na solução do problema de forma segura, respeitando as questões ambientais durante a aplicação”, afirma. A escolha do equipamento adequado está relacionada com a formulação do produto a ser utilizado, esclarece o diretor da Herbicat. Um agroquímico na

Luis Pio

formulação pó seco deve ser aplicado por uma polvilhadeira, produtos em grânulos por uma granuladeira e, na maioria das situações – detalha –, os produtos são aplicados por pulverizadores. Neste caso, os equipamentos mais comuns são os pulverizadores hidráulicos e, em cana-deaçúcar, os mais usados – informa – são os de barra com pontas hidráulicas de pulverização. O especialista alerta sobre a importância de contar com um equipamento em bom estado de conservação e regulado adequadamente, para que não ocorram problemas durante a operação no campo. Ele diz que se deve optar, quando possível, pelo uso de sistemas que gerem gotas extremamente grossas, a fim de evitar grande número de paradas durante o dia devido às condições climáticas.

Soluções customizadas atendem demandas do setor Para equacionar as diversas variáveis que envolvem as operações nessa área, a Herbicat oferece soluções customizadas para a aplicação de agroquímicos. No caso de herbicidas, trabalha com as pontas de pulverização da família TTI para obtenção de gotas extremamente grossas e uma excelente distribuição, mesmo com barras de alturas mais baixas do que os padrões normais. A empresa oferece também os controladores de pulverização, que podem ser associados à tecnologia de GPS. Nos pulverizadores, as barras são montadas no centro do trator para garantia do melhor controle de altura das barras e ajuste nas condições de topografia mais adversas. Os espaçamentos dos bicos na barra são dimensionados de acordo com a necessidade do cliente, customizando a montagem para cada cliente, afirma Luís Pio. Na linha de pulverizadores de barra, o destaque da empresa é o HerbiPlus Geração 3 (G3), com elevado rendimento. Entre outras soluções voltadas ao atendimento das demandas do setor, a Herbicat disponibiliza aplicador combinado à colhedora de cana-de-açúcar, conjugados para aplicação de inseticidas no preparo do solo e no plantio, além de aplicadores de fungicidas e inseticidas no plantio. (RA)


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Falha na seleção da ponta reduz eficiência na operação As condições climáticas devem ser observadas para a obtenção de bons resultados na aplicação O desperdício de produtos, a falta de eficiência da operação e a elevação de custos estão entre os resultados indesejados provenientes de erros cometidos durante a aplicação de agroquímicos. “O ponto crítico é a falha na seleção da ponta de pulverização adequada”, afirma Luís Pio, diretor da Herbicat. Segundo ele, a escolha correta é fundamental, pois a ponta é componente que define as três principais variáveis na aplicação: a vazão, a distribuição e o tamanho de gota. “A escolha errada propicia trabalhar em faixa de pressão fora dos limites, podendo aumentar a deriva e causar erros irreparáveis na aplicação”, comenta. Outros erros estão relacionados ao volume de calda e à dosagem do produto. “É comum observar erros de fechamento superiores a 10%. Isso significa que ocorrem aplicações com dosagens maiores ou menores (normalmente maiores) dos produtos por área, diferentes do indicado”, diz. O clima é outra variável que deve ser considerada no equacionamento de

diversos fatores que interferem no resultado da aplicação. “Uma gota lançada ao ar fica dependente das condições do ambiente para alcançar o alvo”, constata Luís Pio. De acordo com ele, as condições de umidade relativa do ar abaixo de 50% e temperaturas elevadas são inadequadas ao uso de gotas menores, que evaporam durante a trajetória da ponta ao alvo, causando menor eficiência na aplicação, danos ambientais e risco para a segurança do aplicador. Nesse caso, deve ocorrer a interrupção das aplicações. “Algumas

formulações com baixa pressão de vapor, que usam gotas extremamente grossas ou maiores, podem ser utilizadas em condições mais críticas, porém dentro de alguns limites”, esclarece. O vento, associado à condição de temperatura e umidade relativa do ar, causa o grande problema da deriva. “Nos casos comprovados de deriva, observamos danos em culturas vizinhas mais sensíveis ao produto em uso”, afirma. Ele explica que existem alguns produtos que não provocam danos. “Mas, a deriva existe e a sua ocorrência deve ser reduzida a cada

dia. Isso pode ser feito usando gotas maiores ou mesmo evitando as aplicações nas condições de ventos fortes”, recomenda. Luís Pio afirma que é possível trabalhar, com gotas médias a grossas, com ventos de 3 a 10 quilômetros por hora. Segundo ele, no caso de gotas extremamente grossas, com produtos de baixa pressão de vapor, é possível trabalhar com ventos de 15 a 18 Km/h. “Esses números não são parâmetros fixos, mas uma orientação de faixa de trabalho”, observa. (RA)


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Troca de bico evita desperdício de produto Aumento de consumo do produto pode chegar a 10% caso não haja a substituição na hora certa A manutenção adequada é uma prática essencial para evitar contratempos e minimizar perdas durante o processo de aplicação. “As revisões periódicas são necessárias e devem ser realizadas por empresas especializadas, pois é comum observar equipamentos reformados apenas por meio de uma pintura”, comenta Luís Pio, da Herbicat. Ele enfatiza que é importante investir um tempo maior na regulagem do equipamento, analisando os parâmetros necessários para o produto em uso e para as condições do ambiente. A adequação e a troca dos componentes por outros – sempre que houver necessidade – são também práticas que interferem na boa performance dessa operação, orienta o especialista. Um dos problemas bastante comum nessa área está relacionado à substituição dos bicos desgastados dos pulverizadores, revela o engenheiro agrônomo Walter Wagner Mosquini, especialista em tecnologia de aplicação da Jacto, de Pompéia, SP. A demora na troca do bico – que apresenta uma determinada vida útil provoca desperdício de agroquímico, aumentando o consumo do produto em torno de 10% e, consequentemente, a elevação do custo da operação, constata. Para evitar esse problema, não há necessidade de investimentos significativos. As despesas com bicos são muito menores em relação aos gastos – compara – com agroquímicos. A escolha correta do modelo de bico é outro fator que interfere na eficiência da operação, de acordo com ele. No caso das lavouras de cana-de-açúcar, a recomendação de Walter Mosquini é o uso

Controlador afasta risco de sobreposição O mercado disponibiliza diversas soluções para a aplicação de agroquímicos. No caso de herbicidas – que exigem equipamentos específicos –, os costais são utilizados para a realização da chamada catação, que ocorre após a aplicação pré-emergente, visando o controle de plantas daninhas em diversos pontos (um distante do outro) do canavial, conforme descreve Walter Mosquini. Além desse equipamento, a Jacto oferece os tracionados por tratores, com até 14 metros de barras, para aplicação pré-emergente e pósemergente com o uso de pingente, para aplicação nas entrelinhas da cultura, abaixo da folha. Outra modalidade é o equipamento automotriz que é a máquina mais tecnificada, segundo o especialista da empresa de Pompéia. O Uniport Canavieiro, que é o pulverizador automotriz da Jacto para o setor sucroenergético, possui o controlador eletrônico – entre outros recursos – que evita a sobreposição do uso de herbicidas em uma mesma área. É indicado para aplicações préemergentes e, alguns casos, nas pósemergentes com a utilização de pingentes. (RA)

de bicos mais tecnificados, como os dotados de indução de ar. Ele também considera a calibração do equipamento como um fator importante para a eficiência da operação, o que inclui o ajuste de diversos parâmetros, como tamanho da gota, pressão de trabalho. Em relação à manutenção do equipamento, é necessário estar atento

também às condições do filtro, afirma Walter Mosquini. Se estiver rasgado, criará condições para a presença de impurezas, o que acaba afetando a qualidade da aplicação. Os equipamentos de pulverização geralmente apresentam – revela Luís Pio, da Herbicat – defeitos básicos de manutenção. “Devemos observar a existência de vazamentos do tanque,

circuito ou qualquer outro ponto do pulverizador”, recomenda. Além disso, é preciso verificar – orienta - se o sistema de agitação está funcionando corretamente, se as mangueiras estão dobradas e se os filtros estão adequados à formulação escolhida. Existem filtros muito finos – exemplifica – que retêm produtos nas telas quando ocorre o uso de formulação pó molhável. (RA)


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Muda sadia é “arma” eficaz contra a queda de produtividade Usar cana velha, na reforma ou expansão, é uma ameaça para o bom desempenho das lavouras RENATO ANSELMI, FREE

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A falta de renovação dos canaviais tornou-se a grande vilã da queda de produtividade agrícola no setor sucroenergético. A reforma das lavouras – que começou a ser retomada – tem certamente a sua parcela de culpa nesse episódio. Mas, não pode assumir sozinha a responsabilidade por este “delito” contra as boas práticas agronômicas. Conta, no mínimo, com mais uma aliada importante nessa “conspiração”: a escassez de mudas de qualidade, tanto para a renovação, como também para a expansão das lavouras. Trocar plantação velha por cana ruim não vai resolver a questão da produtividade, alerta o engenheiro agrônomo Álvaro Sanguino, diretor da Asas – Assessoria, Consultoria e Planejamento, de Piracicaba, SP. Ninguém é contra a renovação, considerada estratégica para o crescimento vertical do setor. Mas, é preciso fazê-la com muda sadia que pode assegurar, juntamente com outras práticas adequadas, elevado rendimento agrícola. Baixa produtividade significa aumento de custos e redução de competitividade, enfatiza Álvaro Sanguino. A questão da falta de mudas de qualidade, que afetou o setor durante o Proálcool na década de 70, voltou a acontecer em 2006 e 2007 devido à expansão da atividade sucroenergética, está se agravando e tornando-se um grande desafio. O uso de cana ruim no plantio já chegou ao fundo do poço, afirma o diretor da Asas. A importância do uso de mudas sadias, cultivadas em viveiros, não é segredo para os profissionais de usinas e destilarias, afirma. Mas, por que existe então essa resistência para a adoção sistemática da prática correta? “O setor quer fazer tudo de maneira rápida. Falta planejamento. No caso do plantio, usa a cana mais próxima da área de reforma ou expansão para não encarecer o transporte”, comenta. E, na esteira desse ritmo veloz, não faz a “investigação” detalhada e correta dos motivos que derrubaram a produtividade. Culpa o clima, as pragas e, logicamente, a falta de renovação. A ausência de mudas sadias escapa ilesa, em diversos casos, de averiguações precipitadas e superficiais.

Álvaro Sanguino: uso de cana ruim no plantio já chegou ao limite


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Plantio de cana comercial propaga doenças e pragas Mudas sadias proporcionam diversos benefícios, como a elevação de 15% a 20% da produção de tonelada de cana por hectare Afinal, quem derrubou a produtividade agrícola em diversos polos sucroenergéticos? Não dá para negar: a cana comercial, que substituiu mudas sadias, tem grande responsabilidade nisso tudo. A expansão do setor que incluiu o Oeste de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Tocantins utilizou bastante cana velha – em alguns casos até de terceiro e quarto cortes – , o que contribuiu para a propagação de doenças e pragas, avalia Álvaro Sanguino, que atuou durante 37 anos no centro de pesquisa da Copersucar. O retorno do cultivo de mudas sadias, de maneira ampla, vai afastar diversos problemas relacionados ao declínio do rendimento agrícola. A implantação de viveiros, apesar de exigir investimentos, torna-se compensadora devido aos benefícios gerados, como a melhor capacidade de brotação e o vigor no desenvolvimento da cana. A prática do tratamento térmico dos

toletes – conhecido como termoterapia – elimina diversas doenças, como raquitismo da soqueira, escaldadura, mosaico, de acordo com Álvaro Sanguino. Entre os

sintomas das doenças – exemplifica o agrônomo – destaca-se o entupimento dos vasos do xilema que fazem o transporte de água e nutrientes, vitais para o

desenvolvimento da planta. O roguing é outra maneira – afirma - de assegurar a sanidade vegetal da cana, além de eliminar variedades “intrusas” no viveiro. Os ganhos proporcionados pela utilização de mudas sadias são altamente vantajosos. Há uma elevação de 15% a 20% da produção de tonelada de cana por hectare, observa o diretor da Asas. Mas, não é só isto. O canavial tem um aumento da sua longevidade em pelo menos um ciclo. Além disso, um hectare de muda sadia e jovem pode ser utilizado para o plantio de 5 a 6 hectares de lavouras, enquanto um hectare de cana velha – utilizada no plantio – não gera mais do que 4 hectares de canaviais. Álvaro Sanguino afirma que a implantação de viveiros de mudas deve seguir alguns critérios e cuidados. Precisam ser planejados com dois anos de antecedência e localizados nas proximidades das áreas de plantio. O cultivo de mudas em viveiros deve seguir também procedimentos específicos em relação à adubação, irrigação e outras práticas agrícolas. As unidades sucroenergéticas podem contar com mudas que estão sendo produzidas por empresas multinacionais, observa o consultor de Piracicaba. Outra opção é a aquisição de mudas de meristemas, provenientes de fornecedores idôneos que adotam, entre outros procedimentos, o tratamento térmico. (RA)


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Pureza genética e saúde das plantas podem ser afetadas A falta de práticas adequadas abre espaço para a mistura de variedades O uso de cana comercial para o plantio não lesa apenas a “saúde” das plantas. A ação “dolosa”, nesse caso, vai além da questão fitossanitária. Pode afetar também a pureza genética de uma variedade. Essa questão preocupa os profissionais envolvidos com a pesquisa de melhoramento genético da cana-deaçúcar no país, revela Marcos Antonio Sanches Vieira, coordenador do programa de Produção de Mudas Sadias da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa). A utilização de cana comercial e a aquisição de mudas de procedência duvidosa abrem espaço para que plantas indesejadas – que poderiam ser eliminadas pelo roguing – se desenvolvam no lugar errado, misturando-se a variedades originalmente alocadas para determinadas áreas. Essa situação faz com que os benefícios proporcionados pela pesquisa de melhoramento genético não sejam totalmente aproveitados. Marcos Vieira também alerta sobre

os problemas causados pelas doenças geradas pelas canas de má qualidade usadas no plantio - , principalmente pelo raquitismo da soqueira. “As perdas são sensíveis. Há a diminuição do diâmetro e da altura do colmo”, comenta. O plantio realizado de maneira inadequada, sem a utilização de mudas sadias, gera prejuízos por diversos anos, durante todos os cortes, lembra Marcos Vieira, que é também professor do Centro

de Ciências Agrárias da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), campus de Araras, SP. A plantação, iniciada com canas mais velhas, sente mais as condições adversas em situações de estresse. Além disso, poderá ser mais exigente de tratos culturais e apresentar maior risco de disseminação de doenças e pragas. O setor deve investir na melhoria do rendimento agrícola para tornar a

atividade mais sustentável, comenta o coordenador do programa da Ridesa. Enquanto formam viveiros com mudas sadias – procedimento que foi abandonado por diversas unidades sucroenergéticas –, usinas e destilarias devem usar as melhores canas para o plantio, sugere Marcos Vieira. “Não é a solução mais recomendada. Mas, pode ser uma opção intermediária nesse momento”, comenta. (RA)

Programa distribui material sadio e prepara mão de obra A volta da produção de mudas sadias exige disponibilidade de mão de obra qualificada. Com essa preocupação, o programa de Produção de Mudas Sadias da Ridesa realiza o curso de formação de roguistas, que tem a finalidade de habilitar ou aprimorar profissionais para a atividade de roguing. Segundo Marcos Vieira, o treinamento – que pode ser realizado nas usinas –

aborda, entre outros temas, o diagnóstico de doenças e pragas e a identificação de variedades, que têm o objetivo de assegurar a sanidade e a pureza genética das mudas. Outra ação importante desse programa da Ridesa, que tem a participação de oito universidades federais, é a distribuição de mudas de qualidade para pequenos e médios produtores de diversas

regiões do país. O objetivo é que esse material seja utilizado para multiplicação, pois a quantidade disponibilizada não é grande – em torno de 100 colmos para cada um –, esclarece Marcos Vieira. “Dessa forma, o produtor obtém material sadio e tem acesso a novas variedades”, enfatiza. De acordo com ele, o programa faz a distribuição de 6.500 toneladas de mudas por ano. (RA)


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ENTREVISTA - Manoel Souza Jr, Embrapa Agroenergia

Cana é uma das culturas mais pesquisadas da Embrapa ANDRÉIA MORENO, DA REDAÇÃO

Em entrevista exclusiva, o chefe geral da Embrapa Agroenergia, Manoel Souza Jr, evidencia as diversas linhas de pesquisa no setor sucroenergético que envolvem o campo e a indústria, desde a cana geneticamente modificada até o etanol de primeira, segunda e terceira gerações. JornalCana - Quais as principais pesquisas da Embrapa Agroenergia direcionada a cana? Manoel Souza Jr – A Embrapa Agroenergia tem um foco de pesquisa na desconstrução da biomassa. No setor onde a cana é a principal estrela, temos trabalhado tanto na primeira como na segunda geração do etanol. Trabalhamos para melhorar microorganismos da fermentação, para tornar esta primeira geração mais eficiente. Estamos também avaliando outras fontes de biomassa para fermentação de primeira geração que é o caso de sorgo sacarino, em parceria com a unidade Milho e Sorgo. Hoje existe uma demanda para análise de uma série de fontes de açúcares como por exemplo para avaliar o arroz, batata doce, a produção de etanol a partir de mandioca. E para o etanol de segunda e terceira geração, quais as pesquisas? Referente a etanol lignocelulósico, estamos trabalhando para quantificar e qualificar matérias-primas como cana, cavaco de madeira e capins. O Brasil precisa ter acesso ao mapeamento das áreas, volumes e tipo de matéria para demostra que existem oportunidades nesta linha de trabalho. Na segunda, geração a Embrapa foca na descoberta de outros microorganismos, fungos, bactérias e de outros processos como: térmico, termoquímico, químico para desconstruir a parede celular e assim viabilizar a utilização da celulose e lignocelulose para converter em açúcar e em etanol de segunda geração. Quanto ao etanol de terceira geração, a Embrapa contratou, no segundo semestre deste ano, duas pesquisadoras para abrir a área de microalgas. A expectativa é iniciar as primeiras parcerias no próximo ano. A microalga pode ser utilizada para produção de óleo e etanol e a nossa tendência é focar na prospecção e melhoramento genético delas e trabalhar com setor privado para produção. Quais os resultados obtidos nestas pesquisas? Avançamos em alguns trabalhos como no mapeamento e caracterização do resíduo da cana e da palhada. Esse estudo faz parte de um projeto realizado em conjunto com outros países da América Latina e com um consórcio com a União Europeia. O estudo mostra o volume das variedades mais plantadas e o volume de palha que pode ser utilizada para diversos fins dentro da indústria do etanol. Também precisamos saber quanto

Manoel Souza Jr: foco de pesquisa na desconstrução da biomassa

Resultados demonstram êxitos em diversas linhas de pesquisa

podemos tirar de palha do campo porque parte será deixado para ser incorporado para enriquecer o solo. Estamos preparando algumas publicações e esperamos que em 2013 os dados sejam divulgados. A prospecção e caracterização de microoorganismos foram reunidas em um projeto que acaba de ser enviado ao BNDES em parceira com o CTC, que visa

basicamente buscar na biodiversidade microbiana, microorganismos e enzimas que aumentem a eficiência para produção de etanol lignocelulósico. Estamos aguardando a aprovação deste projeto. Como estão as pesquisas com canas transgênicas? Descobrimos genes para caraterísticas específicas como tolerância a seca e

estamos trabalhando na integração desses transgenes do genoma da cana e desenvolvendo canas transgênicas que serão avaliadas. Já temos alguns materiais e no momento estamos propondo em parceria com uma rede de universidades (Ridesa) e também com IAC, um novo trabalho que envolve a questão de seleção genômica ampla e que será financiado pela Finep. O objetivo do projeto é gerar conhecimentos e ferramentas para reduzir o tempo de geração de novas variedades, ou seja, passar de 10 a 12 anos para entre 7 e 8 anos. A seleção genômica pode reduzir tempo e aumentar eficiência na seleção do material superior e a transgenia possibilitará trazer características que antes não existiam para fortalecer a cultura. Em quanto tempo será possível obter resultados? Entre a obtenção de uma planta transgênica em laboratório e os testes, antes de levar ao campo, dependendo da característica, pode durar entre dois e três anos. Agora estamos no segundo ano dessa fase. Esperamos no futuro próximo levar os mais promissores para testes a campo e serão mais seis anos. Em 2014 devemos levar os materiais para testes a campo, se tudo correr bem. Existe um outro componente, a análise de biossegurança que é feita em paralelo e o processo dependerá da exigência das agências reguladoras. Embora não seja sua área, na sua opinião qual é o melhor caminho para o setor sair da crise? Trabalhar e modificar o ICMS sobre o etanol seria uma alternativa. É preciso investir mais em pesquisa e na transferência dessas informações para o setor produtivo. Outra possibilidade de fortalecer o setor é o sorgo sacarino na lógica de ampliar o período de funcionamento das usinas. Um dos componentes fortes dessa crise está dentro da fazenda, pois houve aumento do custo da produção. Com o preço final do etanol limitado ano a ano reduz-se a margem de lucro do produtor e do ponto de vista de empresa de pesquisa, nosso papel é desenvolver conhecimento e tecnologia que garantam aumento de produtividade. A Embrapa realizou um trabalho de reavaliação de todos projetos do setor sucroenergético e reorganizou isso na forma de um portfólio. Os resultados mostraram que existem gargalos que a empresa não estava atuando e precisa atuar. Isso está nos direcionando para apresentação de novos projetos para promover parcerias entre as unidades da Embrapa, ou com outras instituições e empresas privadas no Brasil. Diversas unidades da Embrapa ainda estão estabelecendo parcerias com o CTBE (Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol) ligada a mecanização para plantio e colheita e desenvolvendo máquinas.


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Planejando a colheita mecanizada Mecanização exige novos conceitos na lavoura FULVIO PINHEIRO MACHADO, DE

SÃO CARLOS, SP

CONSULTOR

DO

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A mecanização em escala acelerada tornará rapidamente a queima da cana e a colheita manual coisas do passado, favorecendo o meio ambiente. No entanto, sua adoção por parte das usinas sucroenergéticas obriga a uma revisão dos conceitos tradicionalmente aplicados na lavoura canavieira, com o intuito de se aproveitar melhor os novos recursos sem incorrer em perdas. Como acontece com toda inovação, existe um período de adaptação de que técnicos e trabalhadores necessitam para poderem usufruir vantajosamente das novas condições. Um dos aspectos que foram sensivelmente alterados com a mecanização da colheita é a distribuição e formato da área dos talhões. Agora é necessário que se pense em reduzir o número de manobras que as colhedoras fazem para acessar as diversas linhas de cana, sob pena de aumentar muito o tempo morto necessário a essas operações e também o consumo de combustível. Os novos talhões precisam ser dimensionados de forma a proporcionar o maior “tiro”, ou deslocamento da colhedora sem retornos, além de não

A lavoura deve ser adaptada à colheita mecanizada

possuírem desníveis acentuados que possam desestabilizar a colhedora, resultando em risco para a operação. Especial atenção deve ser dada quando da execução de curvas de nível, prevendo que sejam compatíveis com a operação das máquinas. Um outro aspecto importante a ser considerado é o espaçamento entre linhas de cana, que deve ser o mais uniforme

possível, uma vez que com o aumento de trânsito de máquinas na mecanização, as plantas não alinhadas podem sofrer danos, resultando em prejuízos. A adoção do plantio georreferenciado assegura a distribuição correta das plantas nas linhas. Outro cuidado a ser observado é com a compactação do solo pela passagem mais intensa de veículos quando da mecanização. Solos compactados podem

prejudicar o enraizamento e diminuir a permeabilidade do solo, ocasionando deficiência hídrica e desuniformidade no desenvolvimento do canavial. As variedades a serem plantadas devem ser apropriadas para a colheita mecanizada, caso contrário, não só haverá um aumento de perdas por corte incorreto, mas também um aumento de impurezas vegetais transportadas para a indústria.

Cuidados simples garantem o sucesso da colheita mecanizada

Colheita mecanizada na Usina Guaíra, em Guaíra, SP

Na lavoura canavieira, uma vez observados os quesitos quanto a área, dimensão dos talhões, declividade e uniformidade da lavoura é necessário se fazer a correta manutenção das colhedoras, assim como treinar adequadamente os operadores. As colhedoras modernas são dotadas de muitos dispositivos que facilitam a operação, no entanto, para que a colheita se faça de forma satisfatória, uma série de detalhes devem ser observados durante sua operação. A velocidade de trabalho das máquinas deve ser escolhida de forma criteriosa de modo que o trabalho de colheita seja constante e uniforme. Velocidades demasiadamente elevadas implicam em cortes mal executados, causando desgaste e maior necessidade de manutenção, com consequente aumento de custos, além de elevar a quantidade de impurezas para a usina, causando prejuízos ao processo produtivo de industrialização Os operadores devem se ater em cortar as canas o mais próximo possível do solo, onde o teor de açúcar é maior,

sem que no entanto possam nessa operação danificar as soqueiras mecanicamente, ou mesmo arrancá-las do solo. Danos na soqueira podem propiciar a entrada de microrganismos, prejudicando o desenvolvimento futuro da cana. Caso o corte se faça muito baixo, também há o risco de se aumentar o teor de impurezas minerais a serem levadas para a indústria, além de provocar um desgaste severo das facas e demais partes da colhedora. A manutenção das máquinas deve ser criteriosa para que não sejam repetidas por desgaste prematuro de partes e componentes. As facas devem estar corretamente amoladas para que efetuem corretamente o corte da planta, caso contrário, além de diminuir a eficiência operacional, podem causar danos às plantas. Essas são algumas das condições que se observadas corretamente, podem diminuir significativamente o risco de perdas na lavoura, reduzir os custos de manutenção e prolongar a vida útil das colhedoras, independentemente de modelo ou fabricante. (FPM)


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Planejamento da lavoura incrementa produtividade Sistemas gerenciais facilitam planejamento da lavoura As usinas sucroenergéticas, como um empreendimento agroindustrial, requerem uma atividade multidisciplinar perfeitamente integrada para que se alcance o resultado desejado. Isto torna sua gestão bastante complexa, principalmente por conter no espectro de sua atuação fatores não perfeitamente previsíveis, como os climáticos ou decorrentes da logística que podem alterar totalmente a performance esperada. Esses aspectos diferenciam bastante a atividade de produção de açúcar e etanol de outros tipos de indústria seriada, baseadas em linhas de montagem, que embora possam ter um alto grau de sofisticação, também podem ter seus parâmetros operacionais mais facilmente avaliados. Nos últimos anos, com o aumento de produção generalizado de todas as unidades industriais, acompanhado de uma necessidade cada vez maior de aumento de produtividade e redução de custos para se manter a competitividade, tornou-se imperativo o uso de ferramentas de gestão que permitam não só informar situações e ocorrências em tempo real, mas também permitir a tomada de decisões no mínimo espaço de tempo possível. Há muito tempo a informática fornece ferramentas adequadas a tratar de grande quantidade de dados, incluindo estratégias de ação pré-definidas, que consistem nos chamados SIG – Sistemas Integrados de Gerenciamento. No entanto, foi somente com o avanço da microeletrônica, produzindo processadores mais potentes e o advento dos sistemas baseados na arquitetura cliente/servidor, tornando os custos desses sistemas mais baixos e funcionais, que foi possível generalizar seu uso. A adoção desses sistemas permitem várias vantagens organizacionais, como: eliminar interfaces manuais, agilizar o fluxo e a qualidade das informações, eliminar atividades duplicadas, facilitar o processo de gerenciamento e decisão, reduzir o “lead-time” e suas

Planejamento é essencial nas modernas usinas sucroenergéticas

incertezas, e ainda incorporar práticas pré-definidas em seu código. Assim, nos dias de hoje, é impensável a gestão de qualquer empreendimento sem essas ferramentas. No caso das usinas, seu uso pode ser dividido, a grosso modo, em três áreas: administrativa, industrial e agrícola. Especificamente na área agrícola os desafios de gestão são enormes, envolvendo a identificação das áreas quanto aos tipos de solo e declividade, manejo varietal, tratos culturais, colheita. Os procedimentos de colheita, como corte, carregamento e transporte detêm grande importância, pois representam aproximadamente 25% dos custos totais de produção. Além disso, a correta operação da indústria é dependente do fluxo constante de matéria-prima, no caso a

cana-de-açúcar, para que também possa ter uma performance correspondente à produtividade desejada. O correto equacionamento através da gestão dos recursos existentes, como máquinas e mão de obra, são fundamentais para o sucesso da operação, que envolve várias frentes ao mesmo tempo e em situações de trabalho diferentes. Isto se torna mais evidente ainda com a crescente adoção da mecanização da lavoura, com suas múltiplas máquinas e necessidades logísticas. Focando essas necessidades, várias empresas têm atuado no sentido de fornecer softwares específicos para essas atividades, possibilitando uma gestão eficaz dos recursos disponíveis na usina. Para que esse trabalho seja consistente é importante que os programas utilizados para cada área de atividade sejam capazes de se comunicar entre si, permitindo uma total integração. (FPM)

Agricultura de precisão proporciona melhor manejo do solo Na agricultura tradicional, relativamente poucos pontos são amostrados e as características consideradas importantes, como a necessidade de fertilizantes ou as propriedades do solo, são determinadas via de regra por uma média de amostragens. Na Agricultura de Precisão a amostragem se faz de forma muito mais intensiva e precisa, dividindo-se a área em pequenos segmentos, que são posteriormente representados em uma grade ou mosaico no mapa da área que está sendo trabalhada, representando as variações das características do ambiente mensuradas pelas amostras. Assim, a técnica da Agricultura de Precisão pode ser explicada como um conjunto de sistemas de gerenciamento e procedimentos práticos baseados nas variações que são encontradas no ambiente em que se faz o cultivo agrícola, visando o aumento de produtividade e a redução de custos, otimizando os ganhos econômicos e preservando o meio ambiente de modo mais efetivo. Portanto, por exemplo, ao invés de se aplicar uma formulação fixa de corretivo

Agricultura de precisão otimiza a lavoura

de solo por toda a área, é feita a dosagem específica para cada segmento de área. É isto que não só possibilita uma grande economia, mas também livra o ambiente de aplicações excessivas. No entanto, como a necessidade de amostragens se torna extremamente elevada, assim como a localização precisa de cada segmento de área, essa nova técnica não pode ser feita pelos métodos usuais. É necessário se lançar mão de

sistemas de determinação por sensoreamento e de posicionamento georreferenciais. É por esses motivos que a Agricultura de Precisão só se tornou uma possibilidade prática a partir da existência dos sistemas de posicionamento globais, como o GPS e seus similares mais recentes. Para que as medições das características desejáveis da lavoura sejam possíveis, métodos de sensoreamento

indiretos, como condutividade do solo, foram desenvolvidos para quantificação de uma determinada variável. Portanto, para que se atinjam os resultados almejados com a AP, também é necessária a mecanização de todas as atividades, sem o que, o trabalho de determinação das variáveis e práticas culturais subsequentes não poderia ser realizado em um período de tempo adequado. (FPM)


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Rodotrem fabrica centros de convivência para trabalhadores do campo Local para refeições, descanso e sanitários trazem conforto aos trabalhadores Já vão longe os dias em que os trabalhadores de campo da lavoura canavieira executavam seu trabalho em condições improvisadas e muitas vezes desfavoráveis ou inseguras, como transporte em carrocerias de caminhão, ausência de equipamentos de segurança, locais para refeição e sanitários adequados. A evolução empresarial, juntamente com legislações mais restritivas, possibilitaram que o trabalho no campo fosse realizado de modo mais confortável. Uma das primeiros medidas a serem tomadas foi o transporte por meio de ônibus, com as ferramentas alojadas em compartimentos separados de forma a garantir a segurança pessoal. Com o objetivo de tornar mais confortável e consequentemente mais produtivo o trabalho no campo foi que a Rodotrem Implementos Rodoviários, empresa sediada na cidade de AraçatubaSP, desenvolveu uma série de carrocerias de convivência, dotadas de local para refeição e aparelhos sanitários especialmente desenhadas para atender as necessidades dos trabalhadores rurais. Disponíveis em diversos tamanhos, essas carrocerias oferecem um local ao abrigo do sol, através de lona extensível em

Carroceria de Convivência da Rodotrem

sua lateral, além de serem construídas com revestimento térmico, de modo a evitar o aquecimento de seu interior. O espaço interno destinado a refeições é formado por mesas e bancos perpendiculares ao comprimento da carroceria, variando as dimensões de acordo com o modelo da carroceria. Nesse espaço estão disponíveis reservatórios para água potável e água bruta para asseio de mãos, construídos em aço inoxidável e complementados por dispenser para

sabonete líquido e toalheiro. O interior da carroceria é revestido com lâminas de PVC que facilitam o trabalho de limpeza e higienização e é dotado de janelas em vidro deslizante para proporcionar iluminação e ventilação. Na parte frontal da carroceria está situado o sanitário do tipo químico, acompanhados de uma pia de água bruta para lavagem de mãos, dispenser de sabonete e toalheiro semelhantes aos da área de refeição.

Na parte inferior da carroceria, em compartimento fechado, ficam alojadas as mesas e cadeiras plásticas para uso externo quando não estejam sendo usadas, ou com o veículo em trânsito. Há também compartimentos para ferramentas e para as escadas de acesso aos recintos da carroceria, quando as mesmas não estejam em uso. Junto à porta do espaço sanitário ficam as lixeiras plásticas para material reciclável e orgânico. (FPM)

Aproveitamento total da cana na geração de energia já é possível O mundo contemporâneo com sua multiplicidade de máquinas, luzes e facilidades requer cada vez mais energia como nunca antes na história da humanidade. A multiplicação da população, o acesso cada vez maior de partes mais significativas da população às comodidades proporcionadas pela energia como: conservação de alimentos, climatização, iluminação, equipamentos industriais e domésticos tornaram mais do que nunca os meios provedores de energia fundamentais ao mundo atual. Paralelamente, meios de obtenção de energia através de carvão e petróleo, utilizados em larga escala, é sabido que provocam grandes impactos ambientais, além de serem finitos. Outras formas de energia como a nuclear, por mais que disponham de dispositivos de segurança, apresentam grandes riscos potenciais. Diante disso, há na atualidade uma intensa procura por fontes de energia que além de renováveis, não apresentem características que possam degradar o meio ambiente. Dentre essas formas de energia se enquadram a energia solar, a eólica e a representada pela biomassa. Todas essas formas de energia são um meio de se aproveitar direta ou indiretamente a irradiação solar que chega ao planeta.

Bagaço e palha da cana contribuem para a geração de energia

A própria indústria sucroenergética é um exemplo do aproveitamento a energia solar, pois nas folhas da cana se realiza o processo a fotossíntese, resultando na sacarose que é a matéria-prima para a produção do açúcar e do etanol. Mas também as fibras que constituem o caule as folhas também são polissacarídeos que já contribuem parcial ou totalmente para geração de energia.

Há não muito tempo atrás, o bagaço da cana que hoje alimenta as caldeiras das usinas, gerando vapor e energia elétrica, era considerado um estorvo e representava custos para sua movimentação para fora da área industrial. Nessa época, a posta em marcha de caldeiras dotadas de fornalhas menos elaboradas necessitava de lenha para sua partida na safra. À medida que o custo da energia se tornava mais

dispendioso e caldeiras mais eficientes foram sendo desenvolvidas, as usinas passaram a gerar energia própria para consumo, deixando de usar a eletricidade das concessionárias. O bagaço da cana passou então a ser valorizado e até comercializado para outras indústrias que acabaram por montar suas próprias centrais térmicas para geração, como foi o caso das indústrias cítricas. Com o domínio da tecnologia pela indústria nacional de caldeiras de alta pressão e turbinas de alta potência, mais recentemente, tornou-se então possível gerar maiores quantidades de energia, graças ao maior salto entálpico, tornando viável as estações de cogeração, que não só abastecem as usinas em seu consumo próprio, mas também possibilitam o fornecimento de uma larga soma de energia para o sistema elétrico nacional. Com o avanço da mecanização da colheita, surgem agora novas possibilidades de geração extra de energia, quer pelo aproveitamento da palha como combustível, que outrora era perdida pela queima no canavial para se fazer a colheita de forma manual, ou ainda para se produzir, juntamente com o bagaço, o álcool obtido a partir do desdobramento da celulose, o chamado álcool de 2ª geração. (FPM)


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Aumento da mistura de etanol na gasolina tem sinal verde VALTER CAMPANATO/ABR

Confirmação será feita em abril, quando a safra 2012/13 se encerrará oficialmente

Produção de etanol será suficiente para atender a demanda Após a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, informar que a mistura de etanol na gasolina deve subir de 20% para 25% em abril, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento confirmou que a produção de etanol será suficiente para atender a demanda. O aumento na mistura é planejado pelo governo para aliviar o impacto de eventual reajuste do preço da gasolina na inflação. "A safra está andando bem e o clima está ajudando. Em fevereiro ou março o governo vai analisar a produção e decidir se o aumento será antecipado para abril ou se ficará para junho", disse o secretário de produção e agroenergia do ministério, Gerardo Fontelles.

ANDRÉ RICCI, DA REDAÇÃO

Uma das principais reivindicações do setor sucroenergético, parece, finalmente, ter sido atendida pelo Governo Federal. No dia 17 de janeiro, a diretora geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, disse que o percentual de etanol misturado na gasolina passará de 20% para 25% no final da safra de cana de açúcar, possivelmente em abril deste ano. A informação foi divulgada pela Agência Brasil. A iniciativa deve impulsionar o mercado de etanol, além impedir que o preço da gasolina suba tanto. Nos últimos anos a Petrobras tem passado por problemas de fluxo de caixa, já que para manter os valores nacionais, tem importado gasolina para revendê-la a preços mais baixos no mercado brasileiro. Teoricamente, com o aumento da mistura do etanol, passaria a importar menos combustível fóssil. A mistura foi reduzida em outubro de 2011 por conta de uma escassez do biocombustível e um aumento no preço. Porém, hoje, o setor sucroenergético afirma ser capaz de suportar a demanda, mantendo as exportações e também a fabricação de açúcar. Bem por isso, líderes do segmento solicitavam a volta da mistura. Mário Campos, secretário executivo interino da Siamig - Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais, destacava a importância do aumento. “Sobre o etanol, aguardamos medidas que possam provocar competitividade no Brasil, como o retorno da mistura de 20% para 25% de anidro na gasolina. A

Magda Chambriard, diretora geral da ANP

expectativa é que a produção de etanol e que também as exportações fiquem em patamares elevados”, afirma. Na época, preocupado com o caminho percorrido pelos produtores de cana-deaçúcar em 2012, Ismael Perina, presidente da Orplana (Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil), se mostrou indignado com a demora da ação. “O governo não

age da mesma forma em assuntos iguais. Por exemplo, quando foi preciso baixar o valor da mistura do etanol na gasolina, aconteceu rapidamente. Hoje, na volta dos 25%, surgem vários empecilhos e a assinatura não sai. Isso nos preocupa demais, causa insegurança nos trabalhadores e empresários”. Defensora do etanol, no fim de 2012, a presidente da Petrobras, Graça Foster, disse ser a favor da volta da mistura de 25% de anidro na gasolina. “O etanol é uma solução para o Brasil, que tem a cara do etanol”, enfatizou. Agora, a expectativa é de que em abril, com o balanço final da safra, a mistura volte de forma definitiva.


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Aumento da área de cana contribuirá para a retomada da produtividade Foram 365 dias difíceis. Em 2012, o setor sucroenergético se deparou com os mais variados problemas, passando pelas condições climáticas, falta de investimentos, assim como o tão falado descaso por parte do governo. A soma destes, e muitos outros, fizeram com que os custos de produção subissem, e a matéria-prima perdesse seu valor. “Mais uma vez, o setor viu o ano de 2012 passar sem a implementação de políticas públicas para o que o segmento volte a crescer”, comenta Roberto Hollanda Filho, presidente da Biosul – Associação dos Produtores de Bioenergia do Estado de Mato Grosso do Sul . Mas é neste momento que o trabalho aparece. É o que nos conta Mário Campos, secretário executivo interino da Siamig Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais. “Tivemos avanços quanto ao aumento da produção de cana, principalmente, em virtude da recuperação da produtividade agrícola. As empresas priorizaram os produtos mais rentáveis como açúcar e anidro, já que a produção do etanol hidratado caiu, haja visto os preços congelados da gasolina nas bombas”. Em relação à safra 2013/14, Campos se mostra otimista, apostando em uma retomada, principalmente, do biocombustível. “A produção de cana deve crescer por conta de um aumento de área e, com isso, teremos a recuperação da produtividade. Já a tendência para o

Mário Campos: empresas priorizaram produtos mais rentáveis como açúcar e anidro

mercado de açúcar é de queda se comparado aos últimos anos”. Como a maioria dos representantes do segmento, o secretário avalia ser necessário uma melhora na relação com o governo, hoje, muito distante dos produtores. “O setor precisa ter uma articulação maior com o governo federal, pois as decisões que vêm sendo tomadas têm impactado fortemente o resultado das empresas”.

“A recuperação só acontecerá de fato com a implementação de políticas públicas. Não depende de nós. O setor tem feito sua parte”, diz Hollanda. O representante cita ainda que, mesmo em relação a falta de apoio, o segmento continuará trabalhando por dias melhores. “Temos investido nos canaviais e em novas tecnologias. Nós já fizemos nossa parte, continuamos fazendo e faremos ainda mais”. Para encerrar, Campos lembra que não

adianta apenas pedir apoio, mas sim, manter o trabalho realizado. “Outro ponto é que o setor precisa cuidar bem da matériaprima, em todos os seus aspectos de tratos culturais, colheita, plantio mecanizado e gestão de terras, já que a área agrícola representa entre 60% e 70% do custo final de produção e pode provocar o sucesso ou insucesso da empresa naquele ano”, finaliza. (AR)


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ENTREVISTA - Alexandre Andrade Lima, da Unida

“Há uma política equivocada em relação aos combustíveis” A seca que atinge o nordeste segue afligindo os produtores locais. Os estados do Ceará e da Paraíba já decretaram emergência diante da gravidade da situação. Por este e outros problemas, o JornalCana entrevistou o presidente da Unida União Nordestina dos Produtores de Cana, Alexandre Andrade Lima, que fez um balanço de 2012, do atual momento e das perspectivas futuras. Confira a entrevista. JornalCana: Como anda a safra nordestina? Quais os reais resultados da seca? Alexandre Andrade Lima: “Ruim. A redução regional deve ficar em 25% (média), tendo o Estado com déficit de até 35% em média, a exemplo de Pernambuco. Em alguns municípios da Zona da Mata Norte, região mais crítica da área canavieira deste Estado, há fornecedores com redução de até 60%. Diversas cidades já decretaram Estado de Emergência. Muitas outras estão em processo de reconhecimento da Defesa Civil Nacional. A decretação de emergência é importante, já que, sem a referida condição, os agricultores não terão condição de honrar seus compromissos com as instituições financeiras, uma vez que existe um decreto da presidente Dilma que prorroga as dívidas em até cinco anos com juros menores dos municípios que decretarem a situação emergencial. Outro agravante é que enquanto os custos de produção aumentaram bastante, a matéria-prima está sendo comercializada em média 15% mais barata que o ano passado”. Qual resumo o senhor faz de 2012 para o setor sucroenergético? “Ano difícil. O destaque vai para política equivocada de preços de combustível do governo Dilma. Ela decidiu comprar gasolina mais cara no exterior e vender mais barata no mercado

Alexandre Andrade Lima: Ministério da Agricultura precisa recuperar influência

interno. A intervenção criou um preço artificial, desestimulando o consumo do etanol e causando um rombo na conta da Petrobras. A ação ainda teve reflexo negativo nas usinas do setor. As unidades foram obrigadas a optar em produzir

mais açúcar, desequilibrando a oferta do mesmo e fazendo com que seus preços despencassem nas bolsas de valores”. Qual a principal lição que podemos tirar dos acontecimentos? “Serve de aprendizado. O setor sucroenergético tem que ter uma melhor interlocução junto ao Governo Federal. É preciso fortalecer o Ministério da Agricultura, que perde cada vez mais a sua influência nas decisões”. Em relação ao futuro, quais as expectativas para 2013? Podemos contar com a recuperação do segmento? “Novo ano difícil. O setor sucroenergético nordestino, principalmente, os fornecedores independentes terminaram a safra descapitalizada. A situação dificultará os tratos culturais dos canaviais, por conseguinte, resultará em nova diminuição na produtividade. Em relação ao clima, a expectativa dos meteorologistas é de que seja um período dentro da média histórica. No entanto, será preciso aumentar as áreas irrigadas, pois, infelizmente, sabemos que a seca é cíclica na região, portanto, a única certeza é de que a estiagem virá outra vez”. (AR)

Safra de etanol deve alcançar 23,6 bilhões de litros Segundo o terceiro levantamento de cana-de-açúcar da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em dezembro, a safra de etanol deve alcançar 23,62 bilhões de litros. Deste total, 9,66 bilhões de litros serão de etanol anidro, e 13,96 bilhões de litros serão de etanol hidratado. Assim, o etanol anidro deverá ter redução de 0,88% na produção, e o etanol hidratado terá redução de 8,01%, quando comparados com a produção de etanol da safra anterior. O diretor do departamento da cana-de-açúcar e agroenergia do ministério, Cid Caldas, disse que a redução não influencia os planos do governo.


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Briquetes e pellets podem ampliar renda de usinas DANIELA COLLARES

Fabricados com biomassa da cana, esses produtos são considerados uma alternativa energética limpa e renovável RENATO ANSELMI, FREE

DE

LANCE PARA O

CAMPINAS, SP

JORNALCANA

A destinação do bagaço e da palha de cana-de-açúcar para a fabricação de briquetes e pellets pode se tornar uma boa fonte de renda para as unidades sucroenergéticas. Esses produtos contam com um mercado crescente, afirma o pesquisador da Embrapa Agroenergia, José Dilcio Rocha. Chamados de lenha ecológica, os briquetes podem ser usados em fornos de pizzarias, padarias, hotéis, olarias, laticínios, ou mesmo como combustível de caldeiras no setor industrial. Os pellets, de tamanho menor, são utilizados principalmente no aquecimento de ambientes e no fornecimento de água

José Dilcio Rocha, com briquete de carvão: lenha ecológica

quente em países europeus e nos Estados Unidos. “Substituem carvão mineral, gás natural e óleo diesel”, observa o pesquisador. No Brasil, são usados também em pizzarias e caldeiras. A fabricação de pellets e briquetes é uma alternativa energética limpa e renovável, comenta. Esses produtos são fabricados por prensagem dos resíduos agrícolas,

agroindustriais e florestais em máquinas desenvolvidas para essa finalidade. Além de bagaço e palha, podem ser utilizados resíduos, como serragem, casca de arroz, fibra de coco, casca de café, casca de babaçu, entre outros. A briquetagem e a peletização da biomassa podem se tornar uma nova oportunidade de negócio no setor. “É

preciso considerar que cada unidade sucroenergética apresenta uma realidade diferente”, avalia Dilcio Rocha. A maior eficiência das caldeiras pode gerar em algumas usinas excedente de energia – exemplifica –, que não é comercializada devido às dificuldades de conexão à rede. Neste caso, pode-se pensar na instalação de uma planta industrial anexa para a fabricação de briquetes e pellets, trabalhando-se o conceito de biorrefinaria das unidades sucroenergéticas, de acordo com o pesquisador da Embrapa Agroenergia. Segundo ele, a fabricação de briquetes e pellets exige conhecimento e produção em escala. “A rentabilidade é grande. Existe um mercado enorme a ser explorado”, enfatiza. Entre outros trabalhos nessa área, a Embrapa Agroenergia avalia o aproveitamento de resíduos provenientes de podas de árvore. Há diversas possibilidades para a fabricação de briquetes e pellets. Dilcio Rocha informa que o mercado já disponibiliza equipamento que permite a fabricação de briquetes e pellets para diversos tipos de matérias-primas, exigindo apenas alguns ajustes.

Venda de biomassa é outra opção para elevar faturamento A comercialização da biomassa de cana para empresas que produzem briquetes e pellets está se tornando, em alguns casos, uma opção para a ampliação de ganhos de usinas e destilarias. Apesar de ser um negócio bastante lucrativo, a briquetagem e a peletização não estão incorporadas ao mix de produção de usinas e destilarias. As unidades sucroenergéticas ainda não apresentam “um interesse concreto nessa atividade”, afirma Michel Rodrigo Santos, agente de vendas da Lippel, empresa de Agrolândia, SC, que fornece todos os equipamentos que fazem parte do processo de fabricação desses produtos. “As usinas estão vendendo o bagaço in natura aos investidores, são poucos os casos em que estão fazendo briquetes”, constata. O bagaço de cana é considerado uma excelente biomassa para a produção de pellets e briquetes, segundo Michel Santos. O processo de fabricação desses produtos inclui diversas etapas, entre as quais, a secagem, moagem e compactação. A fabricação de briquetes pode variar conforme a biomassa utilizada e a

Bagaço de cana é considerado excelente biomassa para produzir pellets e briquetes

produção desejada. O briquete apresenta inúmeras vantagens, como alto poder calorífico e baixa umidade. Além disso, não produz fumaça e tem reduzido teor de cinzas. Rende cinco vezes mais do que os combustíveis convencionais. Pode ser

utilizado em caldeiras de todos os tipos, fornalhas, churrasqueiras, lareiras, fogões a lenha, fornos, secadores, forjas. O pellet pode ser feito com diversos tipos de resíduos que são triturados e secos. Esses materiais se transformam em pó que são posteriormente, comprimidos a altas

pressões para a obtenção de sua forma final. Apresenta também elevado poder calorífico e a sua queima não gera fumaça. De acordo com José Dilcio Rocha, os briquetes medem em torno de 40 centímetros de comprimento – podendo ter, no entanto, diversos tamanhos e formatos – e são comercializados atualmente para o mercado interno, enquanto os pellets, com tamanho semelhante a de ração animal, estão sendo produzidos para exportação. “Essa situação pode mudar, com a abertura da venda de briquetes para o exterior e o aumento da comercialização de pellets para o mercado interno”, comenta. Segundo ele, existem ainda muitas oportunidades que podem ser exploradas nessa atividade. A produção de briquetes e pellets proporciona benefícios sociais, econômicos e ambientais. O pesquisador observa que o aproveitamento de diversos tipos de resíduos ajuda na renda dos produtores rurais e industriais, além de evitar que esses materiais sejam queimados a céu aberto, o que causa danos ao meio ambiente. (RA)


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II Seminário do Pecege foi realizado em Piracicaba No evento foram apresentados os dados da safra 2012/2013 FULVIO PINHEIRO MACHADO, DE

PIRACICABA, SP

CONSULTOR

DO

JORNALCANA

Foi realizado em dezembro último nas dependências da Esalq-USP em Piracicaba,SP, o II Seminário de Informações Econômicas do Setor Sucroenergético que apresentou os custos e índices de preços da produção de cana, açúcar e etanol na safra 2012/2013. Essas pesquisas sobre os custos de produção do setor sucroenergético são desenvolvidas desde a safra 2007/2008 pelos pesquisadores do Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas, conhecido pela sigla PECEGE. Esse Programa executa dois projetos contínuos de pesquisa. O primeiro deles é o Relatório de Custos de Produção, que está em sua oitava edição e é realizado em parceria como CNA-Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e com apoio das instituições assinantes do portal sucroenergético. O segundo projeto é o Cálculo de Índices de Preços, financiado pela Fapesp-

Carlos Eduardo Xavier, um dos coordenadores do Pecege durante o II Seminário

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. O Pecege é coordenado pelo Engenheiro Agronômo João Henrique Rosa, pelos Doutores em Economia Carlos Eduardo Xavier e Daniel Sonoda e pelo Professor Titular do Departamento de Economia da Esalq-USP, Pedro Marques. O Relatório de Custos referente a safra 2012/2013 detalha os resultados para os sistemas de produção de fornecedores de cana e usinas produtoras, classificados em duas regiões: a denominada Centro-Sul Tradicional, englobando São Paulo e Paraná e a Centro-Sul Expansão, incluindo os Estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Da Região Centro-Sul Tradicional constam os painéis de Assis, Catanduva, Jacarezinho, Jaú, Piracicaba, Porecatu e Sertãozinho. Fazem parte da Centro-Sul

Público presente no II Seminário Pecege

Expansão os painéis de Goiatuba, Maracaju, Nova Olímpia, Quirinópolis e Uberaba. Dentre os vários dados apresentados na conclusão dos trabalhos, pode-se destacar diversos resultados. O primeiro deles é que nas duas regiões em relação à safra passada houve aumentos de produtividade agrícola da ordem de 6% em média, sendo que em Sertãozinho-SP e Porecatu-PR esses aumentos atingiram índices de 14%. No entanto, apesar do aumento de produtividade o ATR da cana-de-açúcar apresentou uma sensível redução em relação à 2011/2012. Quanto à colheita mecanizada, a região Centro-Sul Expansão apresentou índices de 100% e a Centro-Sul Tradicional chegou aos 65%. O plantio mecanizado é utilizado em 100% dos casos em Goiatuba, Maracaju e

Quirinópolis, mas não é empregado pelos fornecedores de cana em nenhum dos painéis da Centro-Sul Tradicional. Na apresentação dos custos de produção, evidenciou-se que devido ao uso de práticas mais conservacionistas como plantio direto e rotação de culturas, na região Centro-Sul Expansão os custos de preparo do solo são inferiores, mas os de plantio são maiores pelo uso do plantio mecanizado onde se utiliza um maior número de mudas. Em relação aos custos de produção para a produção de açúcar e atanol foi apurado que de maneira geral nas últimas seis safras houve um aumento de custos da ordem de 8,5% na região Centro-Sul Tradicional e 7,4% na Expansão, portanto, superiores ao IPA-Índice Preços no Atacado que no mesmo período teve uma variação de 6,7% ao ano.


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Prorenova deu certo e deve continuar em 2013, afirma técnico do BNDES O programa do BNDES para renovação de canaviais deu certo, ainda que tenha atingido em 2012 um resultado aquém do esperado. Esta é a opinião do gerente do departamento de biocombustíveis da Área Industrial do BNDES (Debio), Artur Yabe Milanez, que defende a continuidade do programa para 2013. Milanez será um dos palestrantes do Sugar & Ethanol Brazil 2013, tradicional encontro da F.O.Licht e da IBC, que acontecerá em março, com o apoio do JornalCana. Lançado no início do ano passado, com orçamento de R$ 4 bilhões, o programa do BNDES é destinado à expansão e renovação dos canaviais, condição fundamental para aumentar a produtividade da lavoura brasileira de cana-de-açúcar e, assim, reduzir a ociosidade industrial da produção de açúcar e etanol. Até dezembro, o Prorenova havia fechado 18 projetos,

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totalizando R$ 1,384 bilhão e 393 mil hectares beneficiados. Na opinião de Milanez, alguns fatores dificultaram o desempenho do Prorenova em 2012, como a regra que impedia o acesso aos recursos por empresas que possuem capital estrangeiro (alterada no final do ano pela AGU), e o endividamento das empresas do setor. Dados da UNICA mostram que 45% das usinas estariam sem condições de aportes, e 30% em condições precárias. Há que se considerar também que, ao longo do ano, a queda nas taxas de juros promovida pelo Governo tornou elevada a taxa inicialmente oferecida pelo Prorenova. Contudo, acredita o especialista do BNDES, tais questões foram equacionadas ao longo de 2012 e para este ano o Departamento de Biocombustíveis defende a continuidade do Prorenova. Ainda que o programa do governo não tenha atingido a expectativa inicial, o ano de 2012 termina com o maior índice de renovação de canaviais dos últimos três anos. Juntos, usinas e produtores renovaram 1,3 milhão de hectares só na região Centro-Sul do país, um investimento de mais de R$ 6 bilhões. De acordo com a Conab, a área plantada com cana-de-açúcar cresceu 2% na safra 2012/2013. A produção na região Centro-Sul, onde a colheita já acabou, chegou a 535 milhões de toneladas, 8% mais que na colheita anterior.

Expectativas para 2013 O cenário de 2013 para as usinas será semelhante ao do ano passado, se não for até mais apertado, afirma o analista de mercado da Informa Economics FNP, Márcio Perin. Considerando uma produção maior para um mercado do mesmo tamanho, teremos pressão sobre o preço, explica Perin. Uma medida salutar seria o anúncio desde já do

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aumento da mistura de 25% a partir do início da próxima safra, para que os contratos de venda de anidro sejam firmados refletindo a nova realidade, avalia o especialista. O otimismo também se revela na análise da Fitch Ratings, que divulgou relatório sobre o setor no início de janeiro. De acordo com a agência internacional, as perspectivas para o açúcar brasileiro e etanol são de estabilidade em 2013. A opinião é sustentada por análises que apontam estruturas de capital melhoradas, recuperação da safra brasileira de cana, maior flexibilidade para ajustar a produção entre açúcar e etanol, além do gerenciamento dos estoques.

Encontro da F.O.Licht Além da questão da renovação dos canaviais, aumentar a eficiência industrial das usinas tem sido o objetivo do setor sucroenergético e, como tal, estará em debate durante a 9ª. edição do Sugar & Ethanol Brazil, que acontece em São Paulo entre 18 e 20 de março de 2013. Considerado o encontro oficial da safra, o evento promovido pela F.O.Licht e pela IBC do Brasil reunirá líderes nacionais e internacionais para discutir como aumentar a produtividade agrícola, otimizar a eficiência industrial e produzir etanol celulósico e químicos renováveis a custos competitivos. A 9ª. edição do Sugar & Ethanol Brazil é uma iniciativa da F.O.Licht e da IBC, com o apoio do Jornal Cana. A edição de 2013 tem o patrocínio da Clariant, Petrobras, OpenLink e SAP, além do apoio institucional da Unica, Assocana, Orplana, Udop e da Informa Economics. IBC Brasil 11 3017.6808 imprensa@ibcbrasil.com.br


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PRODUÇÃO

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Clima não sofrerá grandes peraltices Brasil não sofrerá influência do El Niño e da La Niña do Pacífico; águas do Atlântico trarão frentes frias ANDRÉIA MORENO, DA REDAÇÃO

Desde a primavera do ano passado a falta de chuva começou a dar sinais de alerta no país, período em que mais há precipitações. Isso ocorreu, segundo a metereologista do Climatempo, Fabiana Weycamp, principalmente em dezembro, com volumes significativamente reduzidos. Mas o quadro que coloca os produtores em alerta é a redução significativa de chuvas em fevereiro e março. “Em janeiro, as chuvas volumosas voltaram, mas há uma tendência de que ela permaneça mais frequente este mês no Sudeste e CentroOeste, em torno de 200 a 300 mm. Porém em fevereiro e março, meses comumente chuvosos, os volumes não devem persistir, já que as previsões indicam pluviosidade de forma irregular”, revela. Ao ouvir a notícia, um engenheiro agrônomo de uma usina de Minas Gerais, diz que o canavial foi bem sacrificado nesse final de ano com a seca persistente. “Se a chuva não acontecer em fevereiro e março, nossas lavouras poderão ter grandes perdas, pois não temos sistema de irrigação em todas as áreas”, comenta. Fabiana Weycamp explica que este ano não haverá a influência do El Niño e da La Niña do Pacífico. “Dessa forma, apenas sofreremos a influência das águas do Atlântico, que interferem na umidade e na circulação atmosférica, ou seja, no avanço das frentes frias responsáveis pelas chuvas. O mês de janeiro registrou águas mais frias do que o normal no Sudeste que influenciou essas chuvas”, diz. A especialista revela que a falta de

Fabiana Weycamp: possível falta de chuva em fevereiro e março preocupa

pluviosidade atingiu fortemente o Norte de Minas Gerais, onde as chuvas da primavera atrasaram consideravelmente, chegando apenas em novembro e em dezembro, com volumes abaixo da média ou até praticamente escassas em algumas regiões. “No Centro-Oeste as chuvas foram bastante irregulares, ficando abaixo da média, principalmente em dezembro. Algumas regiões de São Paulo registraram índices pluviométricos acima da média neste período mas com chuvas mal distribuídas, fenômeno bem atípico para a época”, afirma. Dados do Climatempo revelam que o Norte de Minas Gerais chegou a registrar menos de 50 mm. “O Estado registrou pluviosidade que variou entre 100 mm a 150 mm, com média de 300 mm em dezembro. Já o Centro-Oeste registrou uma média de 100 mm a 150 mm, contra média

histórica de 200 mm. A região de Ribeirão Preto, por exemplo, registrou pluviosidade em dezembro de 400 mm, o dobro da média de 200 mm. Em contrapartida, em novembro, as chuvas ficaram abaixo da média histórica na região (menos de 100 mm), contra uma média de 150 mm “,conclui.

CHUVAS DE VERÃO PODERÃO AJUDAR Da mesma forma que a chuva de inverno compensou a safra 2012, da metade do ano para frente, as chuvas de verão também poderão ajudar no maior desenvolvimento da lavoura da próxima temporada. Essa é a conclusão de Oswaldo Alonso, consultor técnico da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo – Canaoeste. Mas há outro fator positivo para o desenvolvimento dos canaviais, pois o especialista revela que

a chuva de setembro passado ajudou no desenvolvimento da cana, com temperaturas mais altas. “Esses fatores ajudarão na safra 2013, desde que os produtores tenham feito a lição de casa, como a reforma. Por esses motivos, a safra 2013/14 começa com condições favoráveis, apesar da falta de chuva no trimestre passado, aquém da média histórica. As chuvas do trimestre inicial de 2013 podem compensar o último trimestre do ano passado. O Inpe mostra que a pluviosidade de toda área canavieira do Centro-Sul ficará em torno da média histórica”, explica. Segundo a Somar Metereologia, as chuvas do Centro-Sul devem ser concentradas próximas dos 800 mm no primeiro semestre de 2013, os mesmos patamares de 2004, de aproximadamente 1.170 mm. (AM)


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ENTREVISTA - ELIZABETH FARINA, presidente da Unica

“Setor precisa de mais investimentos para ampliar e solidificar conquistas” POR CARLOS ALBERTO PACHECO, DE

SÃO PAULO, SP

FREE

LANCE PARA O

JORNALCANA

Em entrevista exclusiva ao JornalCana, a nova presidente da Unica - União da Indústria de Cana-de-Açúcar, Elizabeth Farina, afirmou que o setor precisa fazer mais investimentos para ampliar e solidificar as conquistas alcançadas nos anos anteriores. Primeira mulher a dirigir a maior entidade do setor, Farina tomou posse em 30 de novembro de 2012. “Minha postura será de preservar o caráter que a Unica tem, de ser um lugar aberto, acessível e transparente”, disse, em discurso aos jornalistas na sede da entidade. Confira a entrevista completa: JornalCana - Quais são as suas metas à frente da entidade? Elizabeth Farina - A prioridade é fortalecer o mercado interno. Quero, também, construir uma relação de confiança com o governo, empresários, fornecedores e consumidores principalmente. No mercado internacional, será preciso preservar o que a gente ganhou e conseguir avançar ainda mais. Esse é um espaço importante. O agronegócio brasileiro é o responsável pelo sucesso da balança comercial, sobretudo o setor de açúcar e álcool. Nós temos de fazer investimentos para dar amplitude e solidificar às conquistas já alcançadas nos anos anteriores. Como a senhora vê as perspectivas do setor sucroenergético para os próximos cinco anos? São excelentes. Há perspectivas de crescimento de demanda no País, embora mais lenta do que desejaríamos. A frota de veículos também tem crescido, o que pode ser um problema em certas circunstâncias, mas, do ponto de vista de quem trabalha o combustível, isso é positivo. Nós oferecemos um combustível renovável, ambientalmente melhor, e que preserva a saúde das pessoas no setor urbano. O que temos de cuidar são as regras do jogo estabelecidas pelo governo ou mesmo nas relações internacionais, que alavanquem os negócios do setor. Segundo a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, assim que atingir preços atrativos, o etanol deve voltar a ser mais procurado. Como viabilizar esse desejo na prática?

Se a presidente da Petrobras precisar de ajuda, estamos à disposição. Eu concordo com ela. O etanol não saiu do mercado, mas perdeu um espaço que ele já tinha conquistado anteriormente. É muito difícil obter ganhos de eficiência que compensem. É muito importante o preço da gasolina para a competitividade do etanol. Como esses preços não estão refletindo na dinâmica de valor do petróleo e da gasolina, você atrai um risco, este muito além daquele típico do mercado que o empresário tem de enfrentar. Em suma, precisamos repor o etanol para o nível de investimento. A Unica projetou uma expectativa sobre a porcentagem de carros flex para 2020. Durante 2013, será possível superar a tormenta do mercado, esperando um fim da tempestade?

A produtividade já começou a responder porque há investimentos nessa direção. É bom lembrar que o investimento é feito em um prazo superior a um ano. O ambiente institucional, as regras do jogo, a regulação e o respeito a contratos direcionam e impulsionam os investimentos. Por isso, o empresário nunca olha 2013 e, sim, 2020, 2030, porque a capacidade produtiva e o retorno do investimento superam o período de doze meses. Entendo que 2013 pode ser um ano importante de transição na direção correta, mas precisamos olhar atentamente o mercado. Veja bem: 80% da frota de carros são ligados ao estoque flex. Não basta pensar só no fluxo, mas também no estoque e isso tem um impacto importante na dinâmica de abastecimento. A publicidade desencadeada sobre o

uso do etanol apresentou resultados? Tivemos um bom resultado com a ação. Há uma curiosidade. Em novembro, um mês que normalmente se espera que caia o consumo do combustível, houve, de fato, uma queda na gasolina e não no etanol, o que traduz os resultados obtidos da propaganda implementada. Qual será a política da Unica em relação ao mercado externo? Há grande espaço no mercado internacional que precisa ser preservado e ampliado. Na verdade, a Unica fez um grande investimento junto ao setor no sentido de ampliar as oportunidades de venda de etanol nos Estados Unidos. O produto brasileiro é excepcional – e isso ninguém tem dúvidas. Evidentemente, existem combustíveis nos Estados Unidos que são nossos competidores e exibem um belo orçamento para brigar no Congresso e conquistar o consumidor. Então, nós temos de fazer a mesma coisa. A entidade parece concentrar esforços em políticas sociais também. Evidentemente. Se você já visitou usinas em determinados municípios é possível perceber que a Unica é o grande motor ali, impulsionando a criação de empregos e de renda para a população local. Nessa nova dinâmica urbana, vários desdobramentos precisam ser acompanhados. Vou citar um exemplo. O projeto “Renovação” é espetacular e sou orgulhosa dele. E não só porque o projeto oferece melhores oportunidades para milhares de trabalhadores rurais, e sim pela mudança de patamar tecnológica que ele proporciona. É um processo a ser efetivado ao longo dos anos. Hoje, o governo defende a requalificação de trabalhadores e pequenos empresários rurais como fator básico para elevar a produtividade. Veja uma coisa. Quando falamos em ganho de produtividade, devemos levar em consideração o avanço de tecnológico. Naturalmente, com isso, no campo, haverá menos máquinas, menos pessoas e menos serras, enfim. Então, às vezes, a produtividade gera impactos negativos para uma parcela da população. Nesse caso, eu entendo que o ‘Renovação’ é uma antecipação ao progresso. E como você requalifica as pessoas? Trata-se de um investimento idealizado de forma coletiva e privada. Repito: eu tenho muito orgulho desse programa.


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10ª Fersucro também celebrará 30 anos do simpósio da cana Maceió sediará um dos maiores eventos técnico-científicos e uma das maiores feiras de exposições do país FABRÍCIO CAMBOIM,

ESPECIAL PARA A

STAB

Quando o 30º Simpósio da Agroindústria da Cana-deaçúcar de Alagoas e a 10ª Fersucro começarem no dia 2 de julho de 2013 no Centro de Convenções de Maceió, em Alagoas, o setor sucroenergético nacional estará comemorando 30 anos de um dos maiores eventos técnicocientíficos do país e 10 anos de uma das maiores feiras de exposições do Brasil. Lá em 1983 talvez nem mesmo os próprios idealizadores do Simpósio da Cana-de-açúcar imaginassem o quanto o evento iria influenciar o setor ao longo dessas três décadas. Integrantes do antigo Programa Nacional de Melhoramento da Cana-de-Açúcar – Planalsucar, e membros da Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil – Stab, em Alagoas, montaram à época um pequeno evento apenas com trabalhos técnicos de usinas para avaliação dos pontos positivos e negativos da safra alagoana. Entre os mentores da ação estavam grandes nomes do setor como Jarbas Elias Oiticica, Saul Hernan Risco, Luiz Ernesto Maranhão, Alfredo Cortez, Cariolando Guimarães, Geovane Albuquerque e Auriberto Alves. Ao longo dos anos e com o fim do Planalsucar a Stab, em parceria com o Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas, profissionalizou o Simpósio e o tornou uma das maiores referências técnico-

científicas do país. A cada ano cerca de mil pessoas de várias partes do mundo, entre estudantes, profissionais e empresários do setor participam de palestras, mesas redondas e conferências ministradas por professores e cientistas de entidades como Esalq, Ufscar, UFRJ, UFPE, entre outras. O engenheiro agrônomo e presidente da Stab Regional Leste, Cândido Carnaúba, à frente do evento desde o ano de 2004 e participante desde 1986, enaltece a importância do evento. “O Simpósio começou localmente, mas cresceu e influenciou o setor nacional. Hoje, quem participa se sente prestigiado por estar em um evento de grande porte, de alto nível”, diz o engenheiro. Carnaúba também foi um dos idealizadores da Fersucro, feira de exposições que iniciou em 2004 e é

organizada todos os anos em conjunto com o Simpósio. A Fersucro também acontece no Centro de Convenções em um espaço amplo, moderno e climatizado. O evento atrai os participantes do Simpósio e visitantes de todo o país que podem conferir a apresentação e desenvolvimento de novas tecnologias do setor, além da exposição de equipamentos, serviços e produtos, e ainda palestras técnico-comerciais dos expositores. “Esperamos por um grande público nos eventos de 2013, são datas especiais e devem ser comemoradas em grande estilo”, destacou o organizador, Cândido Carnaúba. Stab 82 33279632 www.stableste.org.br


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Mancais e casquilhos necessitam de atenção especial FULVIO PINHEIRO MACHADO, DE

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Moendas, redutores e turbinas a vapor estão entre os equipamentos que se utilizam de mancais ou casquilhos em suas partes girantes. Para estes, os mesmos cuidados e inspeções semelhantes aos dos rolamentos devem ser seguidos, principalmente no que diz respeito à folgas e alinhamento. Com estes cuidados, é possível se evitar o desgaste prematuro desses itens, que normalmente fazem parte de equipamentos críticos para a operação da planta, como é o caso de turbinas, moendas e seus acionamentos. Atenção especial deve ser dada à lubrificação, com a utilização de óleos e graxas adequadas a cada aplicação, isentos de contaminantes e empregados de acordo com as instruções do fabricante do equipamento, e do fornecedor dos lubrificantes. Os trocadores de calor para óleos devem ser submetidos a inspeções regulares e estarem perfeitamente limpos, sem obstruções de modo a assegurar que os lubrificantes fluam livremente e operem sempre dentro da margem de temperatura admissível para cada caso. No caso de mancais refrigerados, como nas moendas, é fundamental que o

Nas moendas, a correta refrigeração dos mancais é essencial

sistema seja alimentado por uma qualidade de água adequada, de forma a não criar depósitos, ou formação de matéria orgânica que possa obstruir os condutos do liquido e prejudicar desse modo a correta refrigeração dos mancais, sempre submetidos à grandes esforços, podendo, desta forma, serem irremediavelmente

danificados pela ausência de uma correta refrigeração. No caso de turbinas a vapor de alta potência, como as usadas nas centrais de cogeração, é imprescindível observar todas as regras de aquecimento e partida estipuladas pelos fabricantes sob pena de desgaste anormal ou mesmo, quebra do

equipamento. Quanto mais cuidadosas forem as operações de manutenção na entressafra, maior a certeza de que durante a operação da planta não haverá surpresas desagradáveis que resultem em horas paradas ou desperdiçadas com reparações não previstas.


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Capas de mancais convencionais e refrigerados para moendas Semicasquilhos são produzidos com a liga TM23, exclusiva da Termomecânica Componentes essenciais em qualquer máquina ou equipamento rotativo onde são aplicados, os mancais estão sujeitos a condições severas de operação nas usinas sucroenergéticas, quer pela elevada carga a que estão submetidos, como pela sempre possível presença de caldo, água ou bagacilho que podem interferir e acarretar um desgaste prematuro, especialmente em moendas. A eventual falha desses componentes pode resultar em um grande número de horas paradas para sua substituição, causando um severo prejuízo para a operação da usina. Portanto, além de uma inspeção regular e a manutenção de condições adequadas de operação é necessários se contar com um produto de qualidade assegurada que propicie a maior vida útil possível. A Termomecânica São Paulo S.A, empresa sediada em São Bernardo do Campo-SP, detém uma larga experiência de mais de 65 anos no fornecimento de produtos acabados e semielaborados em

Semicasquilhos termomecânica para moendas

cobre e suas ligas nos mais diversos formatos, também fornece capas de bronze para a indústria sucroenergética,

equipando originalmente as moendas e os acionamentos de vários fabricantes. O bronze é uma liga metálica que

tem cobre (Cu) como base e o estanho (Sn) como liga, altamente resistente, inclusive à corrosão e que tem uma excelente capacidade de acabamento permitindo um alto grau de polimento, o que a torna adequada à construção de mancais como os empregados nas usinas produtoras de açúcar e etanol. Fruto de sua experiência tecnológica, a Termomecânica desenvolveu uma liga de bronze especial, denominada TM23, que é aplicada na execução de capas ou casquilhos para moendas. Essa liga é composta basicamente de 73% de cobre, 4% de estanho, 8% de zinco e 15% de chumbo. Essa liga possui a característica de conter um alto teor de chumbo (Pb), material que sendo insolúvel na liga sólida de bronze, fica isolado sob a forma de pequenos nódulos que se interpõem entre a superfície do mancal e o eixo, impedindo ou retardando um travamento por falha ou falta de lubrificação por breves períodos e com isto prolonga a vida do mancal. Além do semicasquilho convencional, a empresa também oferece um modelo com sistema interno de serpentina de refrigeração, construído em aço, o que confere ao conjunto maior eficiência de troca térmica e também garante maior vida útil. (FPM)


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Rolamentos e acoplamentos são itens críticos Aplicação correta evita manutenção prematura Nos últimos anos, a adoção de novas tecnologias, tanto em processos de fabricação como em equipamentos, para se obter maior capacidade e produtividade nas unidades produtoras de açúcar e etanol, também implicaram em um aumento do uso de equipamentos rotativos. Esses equipamentos, em sua grande maioria, empregam rolamentos em seus acionamentos. São esteiras, bombas de diversos tipos, agitadores, ventiladores, entre outros. Sendo partes vitais desses equipamentos, onde qualquer falha pode implicar em paralisação, ou mesmo quebra, os rolamentos devem receber uma atenção especial, não só em sua instalação, mas também quanto a sua procedência. Entre as técnicas existentes para se manter em ordem esses componentes, as análises de vibração são particularmente úteis na determinação dos múltiplos rolamentos instalados. De posse dos dados organizados em um software de manutenção preditiva é possível determinar um histórico da vida útil dos rolamentos e outros tipos de mancais, prevendo-se não só sua substituição antes que possa apresentar falhas, mas também comparar modelos de diversos fabricantes e se estabelecer o tipo ótimo a ser usado para cada aplicação. Fornecedores como a Cobra Rolamentos, colaboram com a redução de estoques de componentes nas usinas, pois mantém um estoque diversificado sob demanda para seus clientes, acessado online por seus representantes comerciais. Isto facilita sobremaneira o atendimento das necessidades de seus clientes em tempo reduzido. Em relação aos acionamentos, outro item relevante se refere aos diversos tipos de acoplamentos utilizados, que não só devem estar conformes com a aplicação, mas também serem observadas suas características de desalinhamento permitidas, para que não sofram ruptura ou quebra prematura por estarem operando fora das especificações dos fabricantes. Acoplamentos “caseiros” ou inapropriados para a aplicação podem causar danos ou abreviar severamente a vida útil de equipamentos, com elevados custos de reparação e de horas paradas. Vale também a observação de que esses itens críticos para a boa operação devem ser adquiridos de fornecedores idôneos para que tenham o desempenho e a durabilidade prevista.

Rolamentos são partes vitais dos equipamentos rotativos

Um outro aspecto que merece atenção é que nas instalações industriais das usinas sucroenergéticas destacam-se à vista os inúmeros motores acionando esteiras, bombas e equipamentos diversos. Todos esses itens são equipamentos rotativos de maior ou menor porte que necessitam de cuidados especiais para proteger o pessoal operacional das plantas, pois representam pontos onde há risco de acidentes. Acionamentos de bombas ou esteiras operando em alta rotação, frequentemente aparentam aos menos avisados estarem parados, quer por ausência de oscilações ou vibrações, ou ainda por efeito

estroboscópico. No passado, esses pontos de risco eram muitas vezes negligenciados, ou procurava-se uma solução paliativa, muitas vezes improvisada, de promover proteção para evitar contato acidental com essas máquinas rotativas, sem se ater às normas de segurança e ao correto projeto dos dispositivos de proteção. Atualmente, com a preocupação cada vez maior em relação à segurança operacional, o uso de sistemas de proteção corretamente elaborados se faz necessário e fabricantes têm oferecido protetores projetados e fabricados de acordo com normas internacionais. (RA)


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TEMPO DE MANUTENÇÃO É MENOR EM PLANTAS MODERNAS Técnicas preditivas reduzem necessidade de desmontagens na entressafra FULVIO PINHEIRO MACHADO, DE

SÃO CARLOS, SP

CONSULTOR

DO

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No passado, para se fazer a manutenção de entressafra nas usinas, era comum a desmontagem completa de todos os equipamentos, tarefa que demandava muito tempo e mão de obra. A correta manutenção é fundamental para que a safra subsequente corra com tranquilidade, evitando-se as paradas não programadas por quebra ou deficiência operacional dos equipamentos. Na atualidade, as unidades industriais são maiores e mais complexas, utilizando um maior número de equipamentos, o que demandaria um tempo maior para as tarefas de manutenção pelos métodos tradicionais anteriormente empregados. Por outro lado, com a disponibilidade de variedades de cana mais precoces foi possível diminuir o período de entressafra, o que resultou em uma diminuição do tempo disponível para manutenção. Em função dessas mudanças, novas estratégias tiveram de ser adotadas, como a Manutenção Preditiva. Prever o desgaste ou a possível falha de um equipamento ou de seus acessórios antes que ocorra passou a ser uma ferramenta valiosa para se reduzir a necessidade de desmontagem integral das máquinas. Graças ao desenvolvimento e a disponibilidade de sensores de diversos

Manutenção preditiva simplifica o trabalho na entressafra

tipos, como temperatura e vibração, é possível se prever com grande precisão quais equipamentos necessitam serem desmontados para reparação. É a técnica da manutenção preventiva que, mais e mais, vem sendo adotada pelas indústrias, economizando tempo e mão de obra. Assim, requerem desmontagem somente aqueles itens que necessariamente são substituídos a cada safra por desgaste normal, como é o caso de bagaceiras, pentes e camisas de moenda no setor de preparo e extração, assim como bombas, ventiladores e exaustores quando necessitam de recuperação das partes sujeitas a desgaste. Cestos de centrífugas e outros equipamentos rotativos necessitam de inspeção e posterior balanceamento para manter a vida útil de seus mancais e

rolamentos. As correntes das esteiras também necessitam de uma atenção especial, principalmente na atualidade, onde a colheita mecanizada na lavoura traz maior quantidade de impurezas minerais capazes de causar um maior desgaste em pinos e superfícies de contato dos elos. Motores elétricos de acionamentos de bombas, esteiras, ventiladores, exaustores e agitadores devem ser mantidos protegidos contra a umidade, para que não tenham a isolação prejudicada e acabem por falhar ou entrar em curto-circuito quando de uma nova partida, como comumente acontece. O mesmo cuidado deve ser tomado com painéis elétricos ou de instrumentação locados no campo. Os sensores e transmissores de sinal de campo e suas conexões pertencentes às

malhas de automatização, embora protegidos por carcaças para ambiente industrial, são sensíveis a choques mecânicos quando desmontados, pois frequentemente são dotados de diafragmas, eletrodos ou elementos delicados que podem ser danificados por impactos quando fora de seus locais de instalação. Quando da desmontagem de equipamentos pesados ou reconstrução de superficies desgastadas é necessário um cuidado especial para que não sejam danificados os cabeamentos de energia e de sinal de instrumentação. Danos a esses itens são corriqueiros quando da manutenção mecânica dos equipamentos e acabam por trazer grandes prejuízos, pois podem causar falhas na partida dos equipamentos quando do início da safra.


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CALDEIRA É O CORAÇÃO ENERGÉTICO DA USINA MODERNA Caldeiras de grande porte e alta pressão equipam as usinas da atualidade O vapor sempre foi a fonte de energia primária para as usinas produtoras de açúcar e etanol que mais recentemente também se tornaram geradoras de energia elétrica. Até a década de 80 as usinas eram dotadas de caldeiras que em sua grande maioria não ultrapassavam a capacidade de 50 toneladas de vapor por hora, gerando vapor a uma pressão máxima de 21 kgf/cm². O conceito de construção dessas caldeiras era baseado em modelos dotados de dois ou três balões, grande parte dotada de fornalhas do tipo ferradura que apresentavam o inconveniente de necessitarem a interrupção da alimentação de bagaço em cada segmento da fornalha de tempos em tempos para limpeza, o que afetava consideravelmente seu rendimento, além de necessitarem de reconstrução de seus refratários internos a cada entressafra. As mais modernas eram dotadas de grelhas do tipo basculante, mais eficientes no

Nas caldeiras modernas a superfície de troca ocupa todo o corpo do equipamento

processo de queima do bagaço. A evolução que se seguiu permitiu uma grande parte da superfície de troca térmica pelas paredes laterais, possibilitando um considerável aumento de eficiência e uma rápida recuperação de produção de vapor nas ocasiões de picos de demanda. Dedini e Zanini foram as empresas que introduziram esses avanços na época.

O passo seguinte foi utilizar pressões mais elevadas, aproveitando-se a maior queda entálpica para gerar um excedente de energia que poderia ser comercializado, dando início à cogeração. Com o aumento de demanda por caldeiras maiores para gerar vapor a pressões mais elevadas, a Caldema lançou no mercado caldeiras com somente um

tubulão de vapor, denominadas de “Monodrum”, em que a própria reserva de água da caldeira era distribuída pela superfície de aquecimento. Empresas como a Dedini, Sermatec Zanini, HPB, Engboiler e Proboiler também introduziram novos conceitos construtivos, como fornalhas de queima em suspensão e “pin-hole”. Mais recentemente, a HPB, em parceria com a Babcock & Wilcox, foi a pioneira a introduzir no mercado sucroenergético as caldeiras dotadas de fornalha com leito fluidizado, capazes de queimar bagaço e outros combustíveis com até 65% de umidade, vislumbrando o uso da palha deixada pela colheita mecanizada. Essa evolução não ocorreu somente na concepção construtiva das caldeiras, mas também em seus acessórios, como os lavadores de gases, que possibilitam eliminar a fuligem decorrente da queima e consequentemente trazer um benefício para o meio ambiente. Com isto, em poucas décadas, chegamos às modernas caldeiras que hoje já romperam a barreira dos 100kgf/cm², com capacidades de produção de mais de 300 toneladas por hora de capacidade de geração de vapor e que são o coração energético das modernas usinas, o que possibilitou que o bagaço da cana conquistasse uma posição destacada na matriz energética nacional. (FPM)


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PRODUZINDO ETANOL COM EFICIÊNCIA Destilarias autoportantes e de grande capacidade equipam as mais novas unidades Desde a implantação do Proálcool, a produção de etanol tem sido um dos agentes evolutivos mais significativos para a grande evolução ocorrida no setor. Como não poderia deixar de ser, a fermentação e a destilação estão entre os setores das modernas usinas que receberam o maior número de inovações no decorrer das últimas décadas. Das múltiplas dornas abertas do passado, passamos às fechadas, operando em sistema contínuo ou em batelada, dotadas de recuperação de etanol, onde a fermentação se processa a uma velocidade significativamente maior. Fermentos selecionados visando atingir uma alta produtividade e teor alcoólico mais elevados foram introduzidos em substituição aos fermentos de panificação outrora usados. Novas técnicas de controle biológico permitiram a obtenção de fermentações livres de contaminantes e consequentemente mais produtivas. A Fermentec teve um papel de destaque na introdução desses novos conceitos de otimização e das técnicas laboratoriais que permitiram um controle mais eficaz do processo fermentativo. Na destilação, outrora limitada a aparelhos com capacidade máxima de 240.000 litros/dia, hoje já ultrapassamos a 1.000.000 de litros produzidos por dia em um único aparelho, graças ao empenho de fabricantes como a Conger, NG, Dedini, Sermatec Zanini e JW.

Destilaria Conger em montagem na unidade Terra Rica do Grupo Usaçúcar

As colunas de destilação abrigadas em grandes prédios ou estruturas e dotadas de pratos com calotas, com construção segmentada, que necessitavam de desmontagem a cada entressafra deram lugar às modernas colunas autoportantes munidas de pratos valvulados ou perfurados que hoje se destacam na paisagem industrial das modernas usinas. A desidratação que antes era feita apenas com o uso de benzeno, componente de elevada toxidez, foi substituída pelo ciclo-hexano e pelo monoetileno glicol, técnica denominada “MEG”, introduzida pela JW, empresa fabricante de destilarias.

Outras técnicas de desidratação foram introduzidas, como as peneiras moleculares, que dispensam o uso de desidratantes. Outro avanço significativo realizado nos últimos anos foi a introdução dos concentradores de vinhaça que permitem a redução do volume desse efluente para que seja transportado à lavoura como insumo de fertilização. A empresa pioneira na construção desses concentradores, a Citrotec, lançou mão de sua experiência em evaporadores de névoa turbulenta empregado no segmento de Cítricos, que se mostraram eficazes na concentração da vinhaça. (FPM)


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A EVOLUÇÃO NA EXTRAÇÃO Moendas e difusores competem em eficiência de extração O setor de extração é sem dúvida um dos mais importantes na produção de açúcar e etanol nas usinas. Toda sacarose não recuperada nesse setor é definitivamente perdida no bagaço que segue como combustível para as caldeiras. Até a década de 80, o sistema de extração por moendas reinava absoluto nas usinas. A busca por maior eficiência de extração e a diminuição do uso de equipamentos mecânicos pesados como são as moendas e seus acionamentos, fez com que se introduzissem os difusores. Os difusores operam pelo princípio de diluição ou lavagem da sacarose existente na cana, ao contrário das moendas onde o processo é executado por pressão. Segundo os adeptos dessa tecnologia, a difusão tem a vantagem de reduzir o número de moendas e seus acionamentos, economizar energia e pode ser instalado totalmente ao tempo, sem a necessidade de prédios, entre outros aspectos vantajosos. Os difusores são fabricados pela Dedini Bosch, Sermatec Zanini, Uni-Systems e Sermasa

Acionamento rolo a rolo é uma opção nas moendas modernas

Aqueles que preferem as moendas, justificam seu emprego pela maior flexibilidade operacional, possibilidade de ampliação e manejo de grandes quantidades de cana por um só conjunto, como é o caso dos modelos de 90 e 100 polegadas. Ao longo das últimas décadas, as moendas foram os equipamentos que mais

aprimoramentos sofreram no curso do tempo. Devemos lembrar que uma das maiores dificuldades da operação das moendas sempre foi manter constante sua alimentação e obter um alto índice de extração. E isto era particularmente difícil com canas inteiras.

Essa questão passou a ser solucionada com a introdução dos desfibradores pela Copersucar, e fabricantes como a Dedini e Zanini, além da introdução do “press-roller” e alimentadores do tipo Donelly. Mais recentemente, a eletrificação do acionamento das moendas, foi talvez o maior passo na modernização das usinas, por proporcionar um ganho no aproveitamento energético e possibilitar a cogeração. Isso foi possível graças ao empenho de fabricantes como a TGM e a Renk Zanini. A TGM foi pioneira na introdução dos redutores planetários que possibilitaram o acionamento rolo a rolo, tornando possível a execução prática de moendas acima de 100 polegadas. A Renk Zanini desenvolveu redutores paralelos que permitiram também substituir os acionamentos por engrenagens abertas e também planetários. Outras técnicas também foram importantes, como a aplicação de chapisco para aumentar a rugosidade dos rolos, o controle de alimentação de cana e da manutenção do paralelismo dos rolos, como proporcionado pelo Sistema DHMA da Dínamo. Dessa forma foi possível para as usinas chegarem ao patamar de 5.000.000 de toneladas de cana moídas por safra com alta eficiência, graças ao empenho de novos projetos de moendas, como os realizados pela Empral Piracicaba em conjunto com a Simisa, além da Dedini. (FPM)


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A RÁPIDA EVOLUÇÃO DAS USINAS Novos conceitos de projeto e operação foram introduzidos Há pouco mais de uma década as usinas se beneficiaram de uma evolução sem precedentes. Tidas há tempos atrás muito mais como lembranças de um passado primitivo, as unidades produtoras de açúcar e etanol hoje se equiparam em termos de eficiência e aprimoramento tecnológico a outros avançados segmentos de processo industrial. Toda essa transformação em relativamente pouco espaço de tempo se deve à dedicação de técnicos, fabricantes e empresários que possibilitaram à indústria sucroenergética moderna atingir os patamares atuais de capacidade e rendimento. Para aqueles que não vivenciaram essas mudanças desde seu início, vale a pena tentar descrever como eram as usinas há décadas atrás e os conceitos básicos de como foram construídas. Ainda hoje podemos observar que várias usinas no passado foram construídas às margens de rios e em áreas relativamente pequenas, o que posteriormente dificultou sobremaneira as ampliações de capacidade de moagem. Um outro aspecto que chama a atenção é o uso de prédios em alvenaria de grandes proporções e altura que abrigavam cada um dos setores do processo produtivo. Para justificar esses conceitos, devemos lembrar que muitas das usinas foram instaladas em regiões pioneiras, que muitas vezes nem dispunham de eletricidade, ou quando havia, não tolerava a carga necessária à operação nos moldes como se faz hoje com a profusão de acionamentos por motores elétricos.

Destilaria convencional com estrutura de grande porte

A energia disponível era a produzida pela queima do bagaço em caldeiras e os acionamentos eram restritos a motores a vapor que acionavam esteiras, os famosos “burrinhos”, moendas e até a produção do vácuo necessário ao processo. Paulatinamente foram sendo instalados geradores de energia elétrica, sendo frequentemente equipamentos importados de segunda mão com capacidade de geração insuficiente para toda a necessidade da indústria, complementando apenas aquilo que era consumido da concessionária. Daí pode-se entender o porquê de prédios tão altos, que eram assim construídos para usar ao máximo a força da gravidade para o deslocamento dos diversos fluídos de processo. Isso pode ser observado nos aparelhos de destilação mais antigos, alojados em estruturas de mais de

30 metros de altura, e tendo em seu topo caixas de água industrial e vinho de grande capacidade. Esses prédios necessariamente eram sólidos, construídos para alojar uma ou mais pontes rolantes, necessárias, já que na entressafra praticamente se desmontavam todos os equipamentos das usinas para manutenção e não haviam os recursos de guindastes como nos dias de hoje. Uma outra razão para a existência dos prédios era a proteção contra intempéries para o pessoal, já que a operação dos equipamentos era feita no próprio local onde estavam instalados, não havendo recursos de instrumentação e controle e muito menos Centros de Operação como os que existem nos dias de hoje. Na realidade, o pouco de automação que existia estava restrita às caldeiras para o controle de nível, sendo bastante rudimentares.

Um resquício desse conceito construtivo é o prédio que abriga as moendas, que ainda hoje é dotado de pontes para a manutenção, em função do peso dos equipamentos desse setor e da necessidade de desmontagem dos rolos e demais componentes a cada entressafra. No entanto esses prédios são proporcionalmente menores do que no passado. A razão disso é que a cana era colhida inteira, por corte manual, somente no período diurno. Assim, para que as usinas não interrompessem a moagem, era necessário estocar a matéria-prima que seria moída à noite. Portanto uma parte do prédio servia como depósito, uma prática danosa ao rendimento, pois a cana estocada muitas vezes lá permanecia por longo tempo e se deteriorava, perdendo grande parte da sacarose contida na cana. (FPM)


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A REVOLUÇÃO DA AUTOMATIZAÇÃO TI foi decisiva no aprimoramento da automatização e projeto das modernas usinas Ao se falar das modernas plantas sucroenergéticas não se pode deixar de mencionar a importância que a eletrônica de estado sólido e a as tecnologias de informação tiveram como facilitadoras do processo não só de automatização integral que hoje se vivencia na indústria, como também em seu projeto e gestão. No início, na década de 80, uns poucos controles, como automatização de alimentação de moendas, dosadores de antiespumantes na fermentação e medições de pH na calagem evoluíram para o estado da arte que as usinas empregam nos dias atuais. A princípio vistos com muita relutância pelas usinas, os instrumentos e controles eletrônicos eram considerados frágeis demais para serem utilizados na operação de uma agroindústria, mas pouco a pouco foram mostrando sua versatilidade e precisão. Outra resistência foi do pessoal de operação, em substituir as ações manuais de abrir e fechar válvulas e outras manobras, por atuação em mouses e teclados, atitude totalmente contrária à dos operadores atuais, acostumados que já estão com os Centros de Operação Integradas. Coube aos fabricantes de sistemas de automatização se empenharem em introduzir essa nova cultura nas usinas. Empresas como a Smar, Run Time, Fertron, Authomathika e DLG são algumas daquelas que tornaram

essa nova realidade possível. Nas usinas atuais, os controles automáticos e informações transitam por uma miríade de cabos, fibras óticas atuando nos mais diversos setores como extensões virtuais daqueles que são os responsáveis pelas operações do processo produtivo. Com o recente desenvolvimento de controles baseado em comunicação wifi, já se prevê que até os cabos de interligação entre instrumentos sejam substituídos. As técnicas de TI não influíram somente no processo de automatização industrial, mas também no projeto das unidades. Ferramentas como o CAD e softwares 3D permitiram

às empresas de projeto, como a SugarSoft, detalhar cada setor da planta industrial, facilitando sobremaneira o inventário do material necessário. Projetos detalhados evitam a ocorrência de interferências entre tubulações, estruturas e equipamentos, como frequentemente ocorria no passado, necessitando de um técnico na obra para decidir mudanças de última hora nos projetos e locação de equipamentos. Ao falar de facilidades para execução de obras nas usinas, não se pode esquecer que as empresas de montagens, como a JPM Montagens e Serviços, também se aparelharam com equipamentos que facilitam sobremaneira a execução dos serviços. (FPM)


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Por Fábio Rodrigues – fabio@procana.com.br

VLC faz parceria para processos de centrifugação Fornecer sistemas para filtração e sedimentação de efluentes e processos industriais é o principal objetivo da VLC, empresa genuinamente brasileira com vinte e um anos de experiência nos mercados de açúcar, etanol, cogeração de energia, mineração, saneamento, química, siderurgia, celulose e papel oferecendo soluções tecnológicas para separação líquido | sólido. Em 2012 a VLC concretizou parceria com a empresa americana Centrisys para atender uma grande demanda do mercado brasileiro oferecendo outro equipamento para desaguamento com melhores rendimentos, custos operacionais e de manutenção. As Centrífugas Espessadoras da série THK da Centrisys oferecem maior

aproveitamento da área de instalação e uma diminuição considerável no volume do lodo. Segundo a empresa, este produto também proporciona uma redução nos custos de energia entre 35 e 50% e menor espaço de instalação. A eficiência dessas centrífugas é muito grande em função do sistema hidráulico de controle altamente confiável e diariamente utilizado em

diversas áreas como meios de transportes, indústrias e até aplicações militares. Os sistemas hidráulicos aumentam a capacidade, fornecendo altos torques com baixas potências instaladas e com controle absoluto de velocidade e rotação. O sistema Centrisys é patenteado com utilização da tecnologia KERS (Sistema de Recuperação de Energia Cinética) e também é utilizado em sistema de carros híbridos (gasolina e eletricidade). A energia é capturada da rotação da rosca transportadora, armazenando energia para utilização posterior, permitindo que mesmo em falta de energia, a centrífuga possa continuar operando a descarga dos sólidos e evitando o bloqueio dos pontos de descarga.

Rockwell Automation expande portfólio A Rockwell Automation anunciou a inclusão de EtherNet/IP em seus Centros de Controle de Motores (CCMs) AllenBradley Centerline de média tensão. Com os recursos de uma rede EtherNet/IP integrada, os fabricantes agora têm acesso a informações de produção de toda a empresa e podem aproveitar a programação de dispositivos simplificados com Premier Integration. Utilizar uma rede única e padronizada simplifica a comunicação em toda a empresa e oferece aos usuários a

flexibilidade de controlar, configurar e coletar dados de qualquer ponto do sistema. Além disso, ao aproveitar os recursos do Premier Integration, os usuários podem configurar e dar a partida em seus CCMs mais rapidamente, com o ambiente de engenharia e projeto Rockwell Software Studio 5000, que ajuda a eliminar erros devidos a programação redundante. Adicionalmente, a conexão Ethernet permite que os usuários de CCMs Centerline acessem as informações

remotamente. Isso permite o monitoramento, a pesquisa e o diagnóstico do defeito no CCM com segurança, sem expor pessoas a condições potencialmente perigosas e a equipamentos energizados. Saber como um CCM está operando a partir de qualquer local também economiza tempo, por minimizar a necessidade da entrada do pessoal da manutenção no CCM. Esta ação envolve vestir e usar equipamentos de proteção individual para ajudar a proteger contra exposição a condições perigosas.

Danfoss apresenta linha flexível de componentes O elemento principal da recém lançada plataforma Flexline™SVL é o corpo comum, disponível nas versões angular e reta. Todos os cinco módulos de função (bloqueio; regulagem; bloqueio e retenção; retenção; filtro) se encaixam no mesmo corpo e possuem a mesma especificação, facilitando o projeto e a montagem do seu sistema. Um corpo comum permite a troca fácil e rápida entre as funções. Se, por alguma razão, um componente tiver sido montado no local errado no sistema, a situação poderá ser rapidamente resolvida substituindo-se o incerto. As peças de reposição compartilhadas e o seu design modular reduzem a complexidade e os custos de estoque, permitindo ao mesmo tempo uma manutenção fácil e rápida. A seleção de peças de reposição é mais simples devido à necessidade de menos códigos em estoque para abranger todas as configurações possíveis. Com múltiplas aplicações para uma determinada peça de reposição (único código de referência), seu estoque será muito mais útil e flexível. A plataforma Flexline™SVL inclui tampas coloridas para uma fácil identificação da função da válvula e sistema de vedação de última geração.

Destaque-se Sugestões de divulgação de lançamento de produtos, informativos, anúncios de contratações e promoções de executivos e demais notas corporativas ou empresariais devem ser enviadas a Fábio Rodrigues, email: fabio@procana.com.br


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Gestão eficaz de resíduos sólidos gera novas oportunidades Medida integra conjunto de ações voltadas a garantir a sustentabilidade ambiental da atividade empresarial ARQUIVO VERDE GHAIA

Renato Anselmi, de Campinas, SP Free lance para o JornalCana

Os resíduos sólidos podem se tornar uma grande “dor de cabeça” ou uma boa oportunidade para as unidades sucroenergéticas. Tudo depende como esse material, descartado em diferentes áreas das unidades sucroenergéticas, for gerenciado. Práticas como ocultar sobras indesejadas por debaixo da terra ou despejá-las em lixões, entre outros procedimentos ecologicamente incorretos, devem ficar totalmente para trás. Quem persistir nesse erro poderá comprometer a sustentabilidade ambiental da sua atividade, o que acaba afetando também a econômica. Além disso, provoca prejuízos enormes e incalculáveis para o meio ambiente. A gestão eficaz dos resíduos sólidos, além de ser um procedimento recomendado para a boa imagem da empresa, abre novos caminhos para usinas e destilarias. A geração e a comercialização de bioeletricidade durante a entressafra estão entre essas alternativas, de acordo com Deivison Pedroza, presidente da Verde Ghaia, de Belo Horizonte, MG. A medida não favorece apenas o melhor aproveitamento da biomassa da cana-de-açúcar (bagaço e palha). Possibilita a utilização de resíduos, que não são recicláveis, como sobras de papel, cavaco de madeira, serragem, que são oriundos de outros segmentos da atividade industrial. Deivison Pedroza informa que a Verde Ghaia realiza testes voltados ao uso desses resíduos em unidades do Grupo Tércio Wanderley. Essa prática é uma forma das usinas ampliarem os seus ganhos em um período que as caldeiras – que exigem investimentos elevados – ficam inativas. Os resíduos utilizados – esclarece – devem ter poder calorífico adequado. O reaproveitamento da torta de filtro, cinza, fuligem e vinhaça, provenientes do processo de produção industrial, como fertilizantes nas lavouras de cana-de-açúcar é outra medida que proporciona ganhos para as unidades sucroenergéticas. Uma das maiores dificuldades na destinação correta de resíduos sólidos está relacionada aos materiais enquadrados na classe 1, como borras oleosas, luvas, botas, sobras de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s), filtros de óleo, sobras de bagaço contaminados, que não são recicláveis. “Neste caso, é preciso pagar para

Novo sistema atende demandas da política nacional Com o objetivo de otimizar o gerenciamento de resíduos sólidos, a Verde Ghaia lançou em novembro o sistema VG Resíduo que faz o monitoramento desde a geração até o tratamento final das sobras de materiais provenientes de todas as áreas de uma organização. Criado para atender as demandas da Política Nacional de Resíduos Sólidos, esse software é um aprimoramento e modernização do Sistema de Caracterização e Acompanhamento de Resíduos Industriais (Scori) que já era implantado pela Verde Ghaia em diversas empresas, de acordo com Deivison Pedroza. O novo sistema de gestão possui módulos voltados ao controle da geração; identificação, caracterização e identificação de resíduos; controle do armazenamento; gestão do transporte; gestão de disposição final e dos prestadores de serviços envolvidos. (RA)

Deivison Pedroza: valor a sobras de papel, cavaco de madeira e serragem

dispor os resíduos”, observa. Mas, para a empresa que quiser ter uma gestão ambiental correta, assegurando certificações ISO 9.000 e 14.000, não há outro caminho. Além de manter e ampliar mercado, a sustentabilidade ambiental é inerente à atividade

Gestão eficaz do resíduo sólido permite até gerar e comercializar bioeletricidade

empresarial, conforme a opinião de Deivison Pedroza. “Da mesma forma que temos a obrigação de sermos honestos, as empresas têm a obrigação de serem sustentáveis”, compara. Segundo ele, o processo de gestão deve criar condições para que “a empresa produza

Um banho na fuligem No melhoramento contínuo do processo industrial é preciso adquirir equipamentos modernos para obter melhores rendimentos respeitando o meio ambiente. Para isso, as Usinas têm investido em tecnologias que buscam reduzir o uso e captação da água, que proporcionem uma água de qualidade para o reúso, com circuitos fechados, aproveitamento dos resíduos industriais para contemplar o campo com as cinzas e torta ricas em nutrientes com baixo teor de umidade na saída do filtro. A Usina Mandu, de Guaíra/SP é um exemplo de evolução tecnológica ambientalmente correta. O sistema de lavagem de fuligem foi implantado em 2004 e serviu de exemplo para outras unidades. “A Mandu foi pioneira na implantação. Recebemos vários representantes de outras unidades interessados na tecnologia”, frisa o gerente industrial Marcos Antônio Barreto Miranda. O sistema, instalado próximo a chaminé das caldeiras, possui lavadores de gases, peneira, rosca sem fim, decantador e filtro. “É um ótimo processo para a atmosfera porque reduz os índices de particulados

emitidos”, informa. Miranda explica que na saída dos gases estão localizados os lavadores e a água suja com fuligem é bombeada para peneiras. Em seguida, o material sedimentado cai na rosca sem fim que tira sua umidade e posteriormente na moega. Nesta etapa a água suja segue para o decantador onde em seu fundo sai um lodo que é bombeado para um filtro tipo manta (à vácuo). “O filtrado, água limpa, cai em um tanque e o material preso no filtro (cinza + torta) sai com 60% de umidade. “A água clarificada cai no mesmo tanque que caiu o filtrado e o lodo cai na mesma moega que caiu o material peneirado. As bombas enviam essa água para os lavadores novamente. Assim fechamos o circuito com uma pequena reposição de água”, diz. A unidade economizou com este sistema da VLC 1,5 m3 a 2 m3 de água por tonelada de vapor produzido ou 360 m3 a 480 m3/h. Outro ponto positivo da tecnologia é o aproveitamento dos resíduos industriais como baixa umidade das cinzas. “Ela é rica em fósforo, potássio e nitrogênio e unida a torta melhora a fertilidade do solo e substitui parcialmente a adubação mineral”. (RA)


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Jalles Machado adota diversos procedimentos de controle Usina reaproveita resíduos, provenientes da área industrial, na adubação de lavouras de cana-de-açúcar As iniciativas do setor sucroenergético voltadas à destinação correta de resíduos sólidos têm aumentado. Diversas unidades e grupos sucroenergéticos desenvolvem um trabalho eficiente nessa área. Exemplo disso é a Usina Jalles Machado, de Goianésia, GO, que faz o gerenciamento de 100% dos resíduos gerados e, para isto, adota diversos procedimentos visando assegurar o controle dos níveis de poluição ocasionados por suas atividades, de acordo com Ivan César Zanatta, gestor de Qualidade e Meio Ambiente dessa unidade sucroenergética. “Temos na empresa um Sistema de Gestão Integrada, que acompanha a geração de todos os resíduos oriundos das áreas atividades administrativa, agrícola e industrial”, observa. As quantidades de resíduos são lançadas em uma Planilha de Controle e Desempenho Ambiental. A partir da definição de metas anuais, ocorre a avaliação ao longo da safra do comportamento dos resíduos em relação aos indicadores ambientais por meio da realização de reuniões que contam com a participação de todos os gestores e gerentes.

Ivan César Zanatta, da Jalles Machado, investe na destinação correta dos materiais

A gestão de resíduos não é tarefa das mais fáceis em uma unidade sucroenergética que gera uma grande quantidade e diversidade desse material. A lista de resíduos mais comuns produzidos pela Jalles Machado, por exemplo, inclui bagaço, torta de filtro, cinzas, fuligens, vinhaça, pneus, plásticos, papéis, resíduos ferrosos e não ferrosos, óleo lubrificante usado, resíduos contaminados com óleos e graxas, EPI’s usados, resíduos de serviço de saúde, resíduos provenientes da estação de tratamento de esgoto, embalagens de defensivos agrícolas e resíduos orgânicos. Alguns resíduos são reaproveitados no processo de produção, utilizados na adubação de lavouras de cana-de-açúcar, como a torta de filtro – gerada no processo de clarificação do caldo de cana –, as cinzas e fuligens provenientes da queima do bagaço na caldeira para geração de energia. “Esses resíduos são encaminhados para compostagem, retornando às lavouras em forma de adubo orgânico. A vinhaça, fertilizante natural rico em potássio, é usada na fertirrigação”, afirma. A usina possui também uma área voltada para a segregação de todos os resíduos – informa Ivan Zanatta – enquanto eles não são reaproveitados ou destinados para o tratamento ideal. (RA)

Reduzir, Reutilizar e Reciclar Outro objetivo do sistema de gestão de resíduos da Jalles Machado é a destinação correta dos materiais, que não são reutilizados, contratando empresas da área devidamente licenciadas pelo órgão ambiental. Resíduos contaminados com produtos químicos, medicamentos, reagentes vencidos, lâmpadas são destinados para tratamento e disposição final, segundo informações do gestor de Qualidade e Meio Ambiente da usina, Ivan Zanatta. Plásticos, papel, big bags, sucatas ferrosas e não ferrosas, vidros são encaminhados para empresas de reciclagem. “Sempre que possível é feita a devolução do resíduo para o fornecedor ou fabricante do produto”, revela. Em diversos casos, esse procedimento é incluído no pedido de compra ou no contrato de fornecimento do produto. As embalagens vazias de defensivos agrícolas recebem a tríplice lavagem e são encaminhadas para a Central de Recebimento de Embalagens Vazias devidamente credenciada pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV). A Jalles Machado possui um aterro sanitário, licenciado pela Secretaria do Meio Ambiente dos Recursos Hídricos de Goiás, que recebe diariamente todo o resíduo doméstico gerado pela unidade. A usina também está preocupada com

a diminuição da produção de resíduos. De acordo com Ivan Zanatta, a empresa incentiva e adota princípios dos 3R’s – Reduzir, Reutilizar e Reciclar –, priorizando o uso inteligente dos recursos naturais e investindo na melhoria contínua do seu desempenho ambiental para obter os melhores resultados econômicos. Além do reaproveitamento de resíduos que poderiam causar danos ao meio ambiente, essa usina de Goianésia investiu nas instalações de sistemas “scrubber”, que evitam o lançamento na atmosfera de fuligem, poeira e outros particulados resultantes da queima do bagaço da cana. A Jalles Machado colocou em funcionamento uma estação de tratamento de esgoto para tratar 100% do seu esgoto doméstico. O efluente é incorporado ao processo de fertirrigação na área agrícola, eliminando qualquer possibilidade de destinação incorreta desse resíduo. Para a obtenção de resultados positivos na gestão de resíduos sólidos, a Jalles Machado conta com o envolvimento dos funcionários de todas as áreas. No processo de integração, voltado aos novos contratados, ocorre a ministração de palestras e treinamentos de conscientização, que abordam aspectos e impactos ambientais relacionados a cada atividade, incluindo os resíduos sólidos. (RA)


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Beleza da conservação desperta interesse por tintas industriais Produtos oferecem proteção mesmo em situações de intemperismo e de exposição a fluídos agressivos Renato Anselmi, de Campinas, SP Free lance para o JornalCana

Pintar estruturas, tubulações, tancagens, equipamentos e fachadas de parques industriais de usinas e destilarias têm um significado que vai além da questão estética. A pintura pode até dar um toque de beleza e harmonia ao ambiente em alguns casos e contribuir para a identificação visual quando ocorre a utilização do padrão de cor da empresa em determinados lugares. O papel mais importante, no entanto, desempenhado pelas tintas industriais e revestimentos anticorrosivos está relacionado à conservação. O encanto desses produtos tem a ver com a capacidade de proteção que podem oferecer, mesmo em situações de intemperismo e de exposição a atmosferas e fluídos agressivos, quer alcalinos ou ácidos. E como saber que o fascínio não vai virar posteriormente decepção? Existem alguns critérios que devem ser observados na hora de escolher tintas e revestimentos, pois não são todos iguais. Não têm o mesmo rendimento e não oferecem a mesma proteção e resistência. A qualidade das matérias-primas usadas na fabricação, ou seja, resinas, pigmentos, solventes e aditivos diferenciam o padrão de tintas, de acordo com informações de Antonio Freitas, gerente de desenvolvimento de mercado da Sherwin-Williams. Além disso, há outra característica importante que deve ser observada nessa avaliação: produtos de primeira linha apresentam maior quantidade de sólidos. As tintas de

baixa qualidade têm índice elevado de solventes – podendo chegar até a 60% – que evaporam e, consequentemente, diminuem o rendimento, explica Antonio Freitas. A resistência química dos produtos e o alto teor de sólidos, entre outras características, proporcionam – enfatiza – elevado rendimento, facilidade de aplicação e

alta performance. Segundo ele, existem atualmente aproximadamente 500 fabricantes de tintas no mercado. Mas, índice significativo dos produtos disponibilizados não apresenta desempenho de tintas de primeira linha. A aplicação de fórmula para calcular o rendimento por metro quadrado é uma maneira – observa – de comparar a qualidade do produto.


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Maior volume de vendas de tintas e revestimentos acontece na entressafra As principais aplicações, nesse período, são para manutenções e reparos nos equipamentos de processo e em novas obras Tintas e revestimentos por todos os lados: piso, paredes, laboratórios, componentes e interligações da planta industrial. Esses produtos podem se tornar garantia de conservação e redução de despesas com reformas. Colorir e revestir o parque fabril exige, no entanto, critério. Nada é aleatório. Cada produto tem a sua característica e função. “Temos tintas e revestimentos que atendem 98% dos equipamentos de usinas e destilarias”, afirma Antonio Freitas, gerente de desenvolvimento de mercado da Sherwin-Williams. Segundo ele, o grande volume de vendas é sazonal. Ocorre na entressafra. “As principais aplicações são para manutenções e reparos nos equipamentos de processo e em novas obras, que normalmente são finalizadas nesse período”, relata.

Antonio Freitas afirma que os produtos da empresa diminuem gastos com reparos na pintura, pois são mais resistentes e apresentam maior durabilidade. Uma tinta da Sherwin-Williams, composta de epóxi e poliuretano, aplicada em tanque de etanol tem durabilidade longa – exemplifica –, podendo requerer repintura após 10 anos, quando deve ser aplicada uma demão, caso seja necessário. A cada cinco anos – observa –, é recomendada a realização de inspeção no tanque e, se for preciso, devem ser executados reparos. Outro destaque da empresa é a linha de tintas de grau alimentício. “Esses produtos são usados internamente nos equipamentos de processo na fabricação do açúcar, como por exemplo, cozedores, secadores e silos”, diz. Um dos benefícios da utilização desse tipo de tinta é impedir o arraste de resíduos do aço carbono – material ainda predominante nos equipamentos – que provoca o aumento de pontos pretos no açúcar cristal. (RA)

Antonio Freitas: testes e avaliações das tintas antes do lançamento comercial

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Pintura evita gastos mais elevados com reparos Tintas e revestimentos protegem equipamentos de desgastes provocados por processos corrosivos Fica mais barato investir em manutenção preventiva do que ter gastos com recuperação de equipamentos. A comparação é de Akiko Ribeiro gerente de negócios da unidade PMC (Protective and Marine Coatings) da PPG Industrial no Brasil ao comentar a importância do uso de tintas e revestimentos em plantas industriais do setor sucroenergético. Entre outras soluções, a empresa possui em seu portfólio produtos para pintura em locais onde ocorrem alta temperaturas, que evitam processos corrosivos e, consequentemente, protegem equipamentos de desgastes, inclusive rachaduras. Akiko Ribeiro destaca o Hi-temp1027, que pode ser aplicado com eficiência na proteção de caldeiras. Este produto é um dos itens que integra a linha voltada para a aplicação em sistemas de alta temperatura da Hi-Temp Coatings Technology, que é distribuída pela PPG com sede em Pittsburgh, nos Estados Unidos -, a partir de acordo global. O revestimento PSX-700, utilizado em exteriores, também faz parte do conjunto de soluções apresentadas pela empresa para o setor sucroenergético. Segundo a gerente de negócios, esse epóxi, com elevada resistência química, tem durabilidade de até 10 anos, sem que ocorra perda de brilho da cor. Pode ser usado também – informa – no interior de tanques de água. Uma das preocupações de empresas que fornecem tintas e revestimento para usinas e destilarias é encontrar soluções que sejam ambientalmente corretas. A PPG disponibiliza, por exemplo, o Sigmacover 805, que substitui com eficiência os derivados de alcatrão que são prejudiciais ao meio ambiente, observa Akiko Ribeiro. De acordo com ela, esse produto pode ser utilizado em tanques para vinhaça, entre outras aplicações. O Dimetcote 9, voltado para áreas com elevada corrosão, e o Phenguard, usado no revestimento de tanques, estão entre os produtos da empresa que são

Akiko Ribeiro: soluções adequadas à cada aplicação

indicados para uso em unidades sucroenergéticas. Akiko Ribeiro destaca ainda a linha de epóxis que podem ser expostos ao meio ambiente – nem todos os epóxis têm essa característica – e os

produtos de grau alimentício. Com dois anos de atuação no Brasil, a divisão de tintas industriais da PPG – que é detentora das marcas Renner, Majestic, entre outras -, conta com uma área de

engenharia e assistência técnica que fornece orientações ao cliente sobre as soluções mais adequadas para cada aplicação, de acordo com a gerente de negócios. (RA)

Produtos apresentam elevada resistência química O desenvolvimento de soluções que atendem diferentes necessidades das unidades industriais é uma das preocupações dos fabricantes de tintas e revestimentos. Após a realização de testes e avaliações em três usinas, a SherwinWilliams – unidade Sumaré, voltada a tintas industriais e aerosol, apresentou na Fenasucro 2012 o produto Cor Cote HT – informa Antonio Freitas – que pode ser utilizado no revestimento interno de

locais de retorno de condensado de caldeiras, autoclave, além de ter diversas aplicações. Esse epóxi pode ser utilizado na pintura de superfícies e tubulações com isolamento térmico operando na faixa de 45ºC negativo até 205ºC positivo. Outra característica desse produto é alta resistência química, suportando o ácido carbônico proveniente da condensação em interiores de chaminés. O Duraplate UHS – também lançado

recentemente – é outro produto diferenciado da empresa. Indicado para pinturas internas de tanques, esse epóxi é livre de solventes, 98% sólido, não requerendo diluição para aplicação. Outros destaques são o Sumadur FC HS e o Euronavy ES 301. O Sumadur FC HS é um produto de base epóxi, de secagem rápida e de fácil aplicação, indicado principalmente para estruturas metálicas, faces internas de tubulações de água não

potável, válvulas e hidrantes, podendo ser utilizado como fundo (primer) ou acabamento. O Euronavy é um epóxi poliamina com 100 % de sólidos por volume. Esse produto pode ser aplicado em superfícies úmidas e é isento de metais pesados. A empresa conta ainda com produtos consagrados como Phenicon Primer e Phenicon BR, Sher-Tar 200, Sumacril Fast Line, Sumastic 228, entre outros. (RA)


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Anatel aumenta tributo sem aprovação do Congresso e onera o setor de bioenergia POR DANI AVANZI*

A Anatel recentemente majorou a tarifa pública denominada Preço Público do Direito de Uso de Radiofrequências (PPDUR). O aumento da tarifa, que em alguns casos chega a 20 vezes do seu preço normal, tem incidido com maior frequência, em sistemas de radiocomunicação muito comum em Usinas de médio e grande portes. Ressalte-se, que ao contrário do que ocorre em outros países, onde existe somente uma taxa para o serviço de radiocomunicação, aqui paga-se uma tarifa pela Outorga (PPDESS), uma taxa pela Instalação (TFI), outra pela fiscalização (TFF), outra pela frequência (PPDUR) e mais uma de Contribuição ao Fomento da Radiodifusão Pública (CFRP). Conceitos do Direito Tributário como Hipótese de Incidência e Fato Gerador foram totalmente ignorados e desrespeitados pela Anatel nos últimos anos. Destaque-se, que os tributos acima são pagos por todas as Empresas de Bioenergia que necessitam das ferramentas de Tecnologia da Informação, sendo as principais dentre elas, o serviço de radiocomunicação de voz, transmissão de dados, Piloto Automático, link de internet, entre outros que são essenciais ao desenvolvimento das atividades de gestão e

controle do processo produtivo fabril, seja no campo, seja na indústria. O Instituto Dary Bonomi Avanzi, entidade sem fins lucrativos dedicada à defesa do consumidor de telecomunicações, gratuitamente presta auxílio a pessoas físicas e jurídicas orientando quanto as ações necessárias para retificação do valor, quando cobrado indevidamente pela Anatel. Dúvidas, consultas e conferências de boletos podem ser encaminhadas ao Instituto Avanzi através do site

www.itavanzi.org.br ou telefone 55 11 2101-4080. *Dane Avanzi é advogado especializado em telecomunicações, diretor superintendente do Instituto Avanzi, entidade sem fins lucrativos de defesa dos direitos do consumidor de telecomunicações Avanzi 11 2101.4080 www.itavanzi.org.br


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Setor procura alternativas para retomar o crescimento

Grupo Ansell anuncia compra da Hércules Equipamentos de Proteção

É com o objetivo de reunir a cadeia produtiva e desenhar um cenário de recuperação para o setor sucroenergético que a Reed Multiplus, marca associada ao grupo Reed Exhibitions Alcântara Machado, realiza a Sucronor - 5ª edição da Mostra Sucroenergética do Nordeste, entre os dias 15 e 18 de abril, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda/PE. O evento, que acontece simultaneamente à Forind NE - Feira de Fornecedores Industriais vai apresentar produtos, novas tecnologias e serviços de planejamento, facilitando a realização de negócios e a rede de relacionamentos entre produtores e fornecedores. De acordo com a promotora, a expectativa é de que 11 mil profissionais do setor sucroenergético e industrial de 15 estados brasileiros visitem e conheçam as novidades que os 280 expositores levarão para os eventos. Na ocasião, acontecerá o 17º Seminário Regional sobre a Cana-deAçúcar, realizado pela Stab Setentrional Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil. Temas como corte mecanizado em encosta, novas variedades e código florestal, serão alguns assuntos debatidos na ocasião. Segundo o presidente da Stab Setentrional, Djalma

No dia 17 de dezembro de 2012, o Grupo Ansell, um dos líderes globais em barreiras de proteção, anunciou a aquisição da Hércules Equipamentos de Proteção, uma das maiores empresas de Equipamento de Proteção Individual (EPI) do país, e que possui uma fábrica localizada na cidade de São Bernardo do Campo, SP. O mercado de EPI tem apresentado um grande crescimento, alimentado por uma economia em expansão e aumento da sensibilização da segurança, com base, também, na legislação. — Estamos todos muito animados com esta mudança e as novas oportunidades que nos trarão como uma única empresa. É nossa convicção que isso será benéfico para o nosso negócio, funcionários, bem como nossos parceiros, celebra, Marcos da Costa, diretor geral. Ele também destaca, que não somente o nome permanecerá, como, também, o negócio, com os mesmos

SERVIÇO V Sucronor - Mostra Sucroenergética para a Região Nordeste e V FORIND NE - Feira de Fornecedores Industriais Data: 15 a 18 de abril de 2013 Horário: 16h às 22h Local: Centro de Convenção Pernambuco - Olinda/PE Av. Professor Andrade Bezerra, s/n, Salgadinho / www.sucronor.com.br Entrada Gratuita para profissionais do setor

Euzébio Simões Neto, outros assuntos que devem ganhar destaque na edição deste ano serão os principais problemas enfrentados pela região nordestina nesta safra, como as alterações climáticas, irrigação e mão de obra. Reed Exhibitions Alcantara Machado | Multiplus Feiras e Eventos 16 2132.8936 www.reedmultiplus.com.br

funcionários, na mesma localização e em conjunto com os mesmos parceiros de distribuição. — A união das empresas fortalecerá a posição da Ansell, alavancando as vendas e a base de clientes, além de estabelecer uma nova plataforma de produção local. Assim, a Hércules será mais uma empresa do Grupo Ansell, operando com o mesmo perfil de qualidade e comprometimento, conclui Costa. Ansell 11 3356.3100 www.ansell.com


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Logística e transporte ganham destaque em nova Fenasucro Busca da indústria sucroenergética por mais agilidade e economia faz com que estes serviços ganhem espaço no evento Desde a plantação até o acesso ao produto final pelo consumidor, existem processos aos quais a cana-de-açúcar é submetida. Entre corte, carregamento, transporte, abastecimento da usina, embalagem e muitas outras etapas, é possível observar prejuízos ocasionados pela falta de integração entre todas as fases da produção. Cada vez mais a indústria sucroenergética percebe que técnicas de planejamento e aprimoramento de sistemas logísticos otimizam consideravelmente a produção e evitam danos, como paralisação de moendas devido ao abastecimento irregular ou deterioração de parte da colheita, por permanecer longo período em fila de abastecimento. Com isso, a Fenasucro 2013 - 21ª Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética, promovida pela Reed Exhibitions Alcantara Machado e organizada pelo Ceise Br, terá na edição deste ano um setor específico para os expositores ligados à logística e ao transporte. O Governo Federal anunciou em

Feira terá setor específico para os expositores ligados à logística e ao transporte

meados de 2012 um pacote de investimentos no valor de R$130 bilhões para os segmentos de logística e transporte que, entre outras melhorias estruturais, prevê a integração de modais rodoviários e

ferroviários. A medida mostra o interesse das autoridades no desenvolvimento desses serviços. A maior parte do açúcar e do álcool é transportada em território nacional pelas rodovias. Transportes alternativos

como trens e navios, ainda pouco utilizados, demonstram crescimento graças a estudos logísticos que mostram a maior eficiência dessas operações de carregamento para grandes distâncias. O caminho via alcooldutos também é complexo por exigir conexão direta entre usinas e portos, além de infraestrutura específica para a carga chegar até o navio, visto que se trata de material inflamável. Uma análise logística somada a um transporte eficiente pode garantir não só economia para o produtor, como também maior qualidade do produto final. A edição deste ano, que acontecerá de 27 a 30 de agosto, no Centro de Eventos Zanini em Sertãozinho-SP, integrará em um único evento setores das já tradicionais Fenasucro e Agrocana, para proporcionar aos visitantes o contato com a parte agrícola e industrial na mesma oportunidade. Na nova Fenasucro, os expositores terão a chance de estar em contato com os maiores representantes de todas as áreas do setor sucroenergético. Trata-se de uma excelente oportunidade para que empresários dos ramos de logística e transporte engatilhem novos negócios com um mercado cada vez mais interessado em seus serviços. Reed Exhibitions Alcantara Machado/Multiplus Feiras e Eventos 16 2132.8936 www.reedmultiplus.com.br


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Contuflex transfere fábrica para parque industrial Especializada na fabricação de tubos flexíveis metálicos, conexões e mangueiras hidráulicas, a Contuflex tem se destacado no mercado pela qualidade e rapidez oferecidas, além da customização de peças para atender a necessidade de cada cliente. Em pleno desenvolvimento no mercado, com um crescimento anual de 12%, e aproveitando o aquecimento da economia brasileira, a empresa transfere sua fábrica para o Parque Industrial São Lourenço, em São Paulo. A nova instalação possui mais de cinco mil metros quadrados de área construída que abriga 140 máquinas operatrizes, entre as quais, 40 são tornos CNC de última geração. Além disso, mais amplo, o local permite a integração entre os setores fabris e administrativos. “A ideia é aproveitar o espaço de forma que todos os departamentos estejam interligados para aumentar a comunicação entre eles e, consequentemente,

a agilidade dos processos e a redução dos prazos de entrega”, explica José dos Santos, diretor comercial da Contuflex. A localização facilitará as entregas já que o local tem fácil acesso para as principais rodovias. Outro fator que influenciou o investimento foi o desenvolvimento dos mais de 210 profissionais que colaboram para o crescimento da Contuflex.

PRONTA ENTREGA Interessada em suprir a necessidade do cliente, a Contuflex investiu em um conceito de pronta entrega abrindo uma loja capacitada a atender as empresas com mais de 3.000 itens em acessórios industriais, além da sua linha de fabricação (tubos metálicos flexíveis, mangueiras hidráulicas e conexões). Contuflex 11 2941.8044 www.contuflex.com.br

Vista interna da nova fábrica, no Parque Industrial São Lourenço

Cibracal é referência em cal para processo de clarificação de caldo e correção de PH Fundada em 1977, a Cibracal, é hoje uma das maiores produtoras de cal do sul do país. Localizada no maior centro mineral do Brasil, a região metropolitana norte de Curitiba no estado do Paraná, a empresa possui uma capacidade industrial instalada de mais de 15 mil toneladas mês, incluindo nesta produção toda linha de cal industrial e para construção civil. Há nove anos no mercado industrial sucroenergético, o produto CibraPlus (cal virgem dolomítico de alto desempenho), tem sido satisfatório no processo de clarificação de caldo, correção de PH entre outras funções no processo industrial sucroenergético.

A Cibracal é associada à Associação Brasileira dos Produtores de Cal - ABPC e da Associação Paranaense de Derivados de Calcário - APDC, onde através de seus programas setoriais de qualidade cumpre todas as exigências que o mercado sucroenergético necessita. A equipe comercial da Cicabral está à disposição para pronto atendimento. Para falar com Fabio Vieira, ligue para 16 8125.5752, ou 16 7813.4459, ou com Ivone Bianchi, ligue 16 9766.0807. Cibracal 41 3656.3266 cibracal@cibracal.com.br


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JornalCana 229 (Fevereiro/2013)  

Ela é a Única

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