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w w w . j o r n a l c a n a . c o m . b r Julho/2017

Série 2

Nº 282

“Sistema Integrado Koppert cria novo conceito de manejo de pragas e doenças da cana”

IMPRESSO - Envelopamento autorizado. Pode ser aberto pela ECT.


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ÍNDICE DE ANUNCIANTES

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Í N D I C E ÁREAS DE VIVÊNCIA ALFATEK

3

11 26826633

21

16 35134000 11 21355400 19 21279400

25 15 9

INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO E CONTROLE

16 35138800

20

METROVAL

17 35311075

3

16 35132600

7

16 39452825

50

16 39413367

4, 52

17 35319600

31

19 21279400

9

ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO CIVIL ENGEVAP

16 35138800

20

ENGENHARIA INDUSTRIAL PRG ENGENHARIA

16 32038653

MELAÇO BRASILEIROS 19 34392529

34

16 35134000 11 21355400 31 30572000 19 34753055 11 30605000 16 35124300

LEVEDURAS ICC BRAZIL

11 30930792

19

METALÚRGICA RIO GRANDE 16 31738100

10

METALÚRGICA MONTAGENS INDUSTRIAIS 16 35138800

20

NUTRIENTES AGRÍCOLAS 34 33199500

6

PLANTADORAS DE CANA DMB

16 39461800

33

PRODUTOS QUÍMICOS 81 32674760

“Sou anunciante do JornalCana há 4 anos e reconheço sua importância nacional pelo sucesso da parceria e sua equipe altamente qualificada e engajada no setor sucroenergéco.”

13

SISTEMAS DE ENERGIA HPB ENGENHARIA 25 15

16 35134600

11

SOFTWARE INDUSTRIAIS S-PAA

8 51

TESTON

16 35124312

30

44 33513500

2

16 39137700

12

TURBINAS 43 48 39

SIEMENS JUNDIAÍ

TUBULAÇÕES PARA VINHAÇA DHC TUBOS

18 36437923

Chrisano Massoni Diretor Comercial da ALFATEK

TRANSBORDOS

FEIRAS E EVENTOS FENASUCRO SINATUB ÚNICA FORUM

9

PROSUGAR

ESPECIALIDADES QUÍMICAS QUÍMICA REAL SOLENIS

33

38

EQUIPAMENTOS E MATERIAIS ELÉTRICOS AUTHOMATHIKA DANFOSS DO BRASIL

16 39461800

19 21279400

UBYFOL

CONTROLE DE FLUIDOS METROVAL

20

IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS

ENGEVAP

CONEXÃO HIDRÁULICA METALQUIP

47

MELAÇO

COLETORES DE DADOS MARKANTI

16 21014151

HIDRÁULICA E PNEUMÁTICA

DMB

CENTRÍFUGAS VIBROMAQ

SÃO FRANCISCO

35

CARROCERIAS E REBOQUES SERGOMEL

GRÁFICA

16 30198110

CARRETAS ALFATEK

41

36, 37

50

CALDEIRAS ENGEVAP

MIN. DA AGRICULTURA

16 39452825

CALCÁRIO CALCÁRIOS ITAÚ

41 30719100

PW HIDROPNEUMATICA 19 38019500

BALANCEAMENTOS INDUSTRIAIS VIBROMAQ

ALTA

GOVERNO FEDERAL

AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL AUTHOMATHIKA DANFOSS DO BRASIL METROVAL

A N U N C I A N T E S

FERTILIZANTES

17 35311075

AUTOMAÇÃO DE ABASTECIMENTO DWYLER

D E

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CARTA AO LEITOR

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carta ao leitor

índice

Josias Messias

Agenda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 Mercado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8 a 14  A aposta no RenovaBio  Entrevista com Roberto Rodrigues na estreia do Quem é Quem  Por que o arrendamento de terras ficou caro  55 usinas passam a pagar pelo uso da água no estado de SP

Industrial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .16 a 26  Como fazer a correta manutenção de bombas  Secagem de levedura pode gerar renda extra de R$ 40 milhões  Cozimento contínuo ganha espaço no setor

Geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .30  Empresas têm até 31 de agosto para aderir ao Refis

Agrícola . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .24 a 34  Endividamento sucateia sistemas de irrigação em Alagoas  Previsões para a safra 17/18 no Nordeste  Investimentos em herbicida devem crescer até 30% na 17/18  Manejo integrado em controle ambiental gera maior produtividade

Gestão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .37  Os departamentos de compliance avançam nas empresas do setor

Usina do Bem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .38  Usinas doam energia elétrica para hospital em Barretos

Negócios & Oportunidades . . . . . . . . . . . . . . . .40 a 42

FUNDO DE RECEITA FIXA “Nem ponham sua esperança na incerteza da riqueza, mas em Deus, que de tudo nos provê ricamente” Recomendação de Paulo, apóstolo a Timóteo, na primeira carta, capítulo 6, verso 17

josiasmessias@procana.com.br

Reduzir o uso de água é regra! Assim como outros importantes segmentos da indústria da transformação, o setor sucroenergético é um grande consumidor de água. Esse líquido é prioritário nos processos industriais das usinas e destilarias. Para se ter ideia, na safra 2010/2011 as unidades produtoras do Estado de São Paulo consumiam em média 1,52 metro cúbico por tonelada de cana. Naquela safra, segundo a União da Indústria de Cana-deAçúcar (Unica), foram colhidas 362 milhões de toneladas nos canaviais paulistas, que exigiram 550,2 milhões de metros cúbicos de água. Não significa que todo o volume foi consumido pelas unidades produtoras. Há muito o setor empreende ações e sistemas para reduzir e tornar eficiente o uso do líquido. O reuso é uma palavra de ordem nas empresas sucroenergéticas. Com ações como o reuso, o setor sucroenergético paulista despencou as captações de água. O consumo médio de 1,52 na safra 2010/2011 caiu para 0,91 metro cúbico na safra 2016/17. Ou seja, em dez anos as usinas paulistas captaram 39,7% menos água para os processos industriais. A queda resulta do fechamento de circuitos com reuso de água; aprimoramento dos processos industriais, com maior eficiência e menor captação; e avanço da limpeza a seco com a colheita mecanizada. As informações sobre uso de água e a redução na captação pelas unidades foram apresentadas no dia 06 de junho pelo secretário estadual da Agricultura, Arnaldo Jardim, em evento na sede da Unica, em comemoração dos dez anos do Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético. O Protocolo integra o Projeto Etanol Verde, das Secretarias estaduais da Agricultura e do Meio Ambiente, e representa um modelo de parceria e diálogo desenvolvido entre o setor produtivo e o Estado. A segunda fase do Protocolo entra em cena neste mês de julho, formatada por técnicos das duas Secretarias e da Unica. Nesse mesmo mês de julho, entra em vigor a cobrança pelo uso da água em quatro bacias hidrográficas do Estado de São Paulo: Pardo, Baixo-Pardo/Grande, Sapucaí-Mirim e Mogi-Guaçu. Conforme reportagem desta edição do JornalCana, 55 unidades sucroenergéticas captam água dessas bacias. O custo médio da cobrança de água por tonelada de cana varia de acordo com o reuso pelas unidades, mas a média é projetada entre R$ 0,03 e R$ 0,12 por tonelada. A Unica explica na reportagem que o avanço dessa cobrança não assusta porque o setor sucroenergético paulista se preparou ao longo dos anos para arcar com esse custo e colaborar com a gestão das bacias hidrográficas. Conforme o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), do governo paulista, os valores arrecadados com essa cobrança irão para o Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), que os usará nos projetos demandados pelas próprias bacias. No mês em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, as usinas fazem questão de reassumir e manifestar seu compromisso com o meio ambiente e com o uso sustentável de água. E água é sinônimo de vida! Boa leitura!

NOSSOS PRODUTOS

ISSN 1807-0264 Fone 16 3512.4300 Fax 3512 4309 Av. Costábile Romano, 1.544 - Ribeirânia 14096-030 — Ribeirão Preto — SP procana@procana.com.br

NOSSA MISSÃO “Desenvolver o agronegócio sucroenergético, disseminando conhecimentos, estreitando relacionamentos e gerando negócios sustentáveis”

 Presidente Josias Messias josiasmessias@procana.com.br

www.jor nalcana.com.br

Comitê de Gestão - Comercial & Eventos Rose Messias rose@procana.com.br 

 Comitê de Gestão - Relacionamento Com Clientes Lucas Messias lucas.messias@procana.com.br  Comitê de Gestão - Controladoria & TI Mateus Messias presidente@procana.com.br

COLABORADORES Relacionamento Com Clientes Robertson Fetsch 16 9 9720 5751 publicidade@procana.com.br 



 Assistente Thaís Rodrigues thais@procana.com.br

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 Assinaturas & Exemplares Paulo Henrique Messias (16) 3512-4300 atendimento@procana.com.br www.loja.jornalcana.com.br

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FINANCEIRO contasareceber@procana.com.br contasapagar@procana.com.br

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JornalCana - O MAIS LIDO! Anuário da Cana Brazilian Sugar and Ethanol Guide A Bíblia do Setor! Quem é Quem no setor sucroenergético JornalCana Online www.jornalcana.com.br BIO & Sugar International Magazine Mapa Brasil de Unidades Produtoras de Açúcar e Álcool

Prêmio MasterCana Tradição de Credibilidade e Sucesso Fórum ProCana USINAS DE ALTA PERFORMANCE SINATUB Tecnologia Liderança em Aprimoramento Técnico e Atualização Tecnológica

Artigos assinados (inclusive os das seções Negócios & Oportunidades e Vitrine) refletem o ponto de vista dos autores (ou das empresas citadas). JornalCana. Direitos autorais e comerciais reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, distribuição ou disponibilização pública, por qualquer meio ou processo, sem autorização expressa. A violação dos direitos autorais é punível como crime (art. 184 e parágrafos, do Código Penal) com pena de prisão e multa; conjuntamente com busca e apreensão e indenização diversas (artigos 122, 123, 124, 126, da Lei 5.988, de 14/12/1973).


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AGENDA

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MasterCana Centro-Sul reunirá lideranças do setor Lideranças e empresários do setor sucroenergético participam em 22 de agosto próximo, em Sertãozinho, da cerimônia do Prêmio MasterCana Centro-Sul. Maior premiação do setor sucroenergético no País, o MasterCana será realizado no Maison VS, em Sertãozinho (SP). Durante o evento, também será realizada a 10ª Edição do Prêmio MasterCana Social, promovido pela ProCana, em parceria com o Grupo de Estudos em Recursos Humanos na Agroindústria (GERHAI). O Prêmio MasterCana Social é uma iniciativa que visa incentivar, reconhecer e premiar práticas de gestão de pessoas e responsabilidade socioambiental das empresas do setor sucroenergético, empresas de bens de capital da cadeia produtiva, entidades representativas e fornecedores de produtos e serviços, que contribuem para a promoção do bem-estar social e do desenvolvimento sustentável.

Usinas de Alta Perfomance

Curso de Processos e Fermentação

Como evento da programação oficial da Fenasucro & Agrocana 2017, o Usinas de Alta Performance está programado para o dia 23 de agosto e apresentará cases e informações relevantes para obtenção da máxima produtividade agrícola nas usinas. O público-alvo é formado por acionistas, diretores, executivos, gerentes e demais tomadores de decisão nas áreas agrícolas e de mecanização de empresas do setor.

O ProCana Sinatub realiza em 20 de setembro o quinto Curso de Processos e Fermentação no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho (SP). Especialistas do setor sucroenergético apresentarão palestras sobre temas como tratamento de caldo e inovações no controle e monitoramento do processo fermentativo industrial. Inscrições: http://www.sinatub.com.br/curso-de-processos-e-fermentacao/


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MERCADO

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55 unidades começam a pagar pelo uso da água na indústria Cobrança tem início em julho em quatro bacias de SP; m3 captado custa até R$ 0,12 por tonelada de cana B RÁS H ENRIQUE, DE R IBEIRÃO PRETO (SP)

A partir de 1º de julho, 55 unidades sucroenergéticas paulistas começam a ser cobradas pelo uso da água em suas indústrias. Elas estão distribuídas em quatro Bacias Hidrográficas: Pardo, onde ficam 13 das unidades produtoras, Baixo-Pardo/Grande (11), Sapucaí-Mirim/Grande (6) e Mogi-Guaçu (25). A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), representante de unidades da região Centro-Sul do País, afirma que o setor sucroenergético paulista se preparou ao longo dos anos para arcar com o custo da cobrança pelo uso da água. O custo está estimado em cerca de R$ 20 milhões por ano quando todos os Comitês de Bacias estiverem cobrando. O montante financeiro leva em consideração a racionalização da água já feita pelas empresas sucroenergéticas. Segundo a Unica, a racionalização significa captação de água de 1 metro cúbico (m3) por tonelada de cana-de-açúcar, consumo de 2 m3/t cana e zero de lançamento de

Para a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), o setor sucroenergético paulista se preparou ao longo dos anos para arcar com o custo da cobrança

efluentes (esgoto). O custo médio da cobrança de água por tonelada de cana varia de acordo com o reuso da água pelas unidades, mas a média é projetada entre R$ 0,03 e R$ 0,12/t cana.

INTERVENÇÕES A cobrança segue a Lei 12.183, de 2005, e tem como objetivos, entre outros: reconhecer a água como bem público de valor econômico, incentivar o uso racional e sustentável da água, obter recursos financeiros para o financiamento

dos programas e intervenções contemplados nos planos de recursos hídricos e saneamento, distribuir o custo socioambiental pelo uso degradador e indiscriminado da água, utilizar a cobrança da água como instrumento de planejamento. Os comitês das Bacias Hidrográficas definiram assim os valores da cobrança: R$ 0,01/m3 pela captação, R$ 0,02/m3 pelo consumo e R$ 0,10/kg de lançamento de carga orgânica/esgoto (Demanda Bioquímica de Oxigênio-DBO).

A Unica participa de 15 (dos 21) Comitês Paulistas de Bacias, além de 3 federais com limítrofes como o Estado de São Paulo, e lembra que o setor investiu pesado em reuso e racionalização da água para uso industrial nos últimos 30 anos, com sistemas de tratamento e recirculação de água, trazendo benefícios ambientais. Portanto, conforme a instituição, o impacto da cobrança, que de início chegou a assustar, foi superado com o planejamento das empresas do setor.


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Para empresas, valor não é considerado exorbitante O início da cobrança pelo uso da água nas indústrias sucroenergéticas em quatro bacias hidrográficas paulistas será um custo a mais, mas não é um valor considerado exorbitante. “O valor é muito baixo perto do volume da empresa”, afirma o diretor industrial e administrativo da Usina Pitangueiras, João Henrique de Andrade. “Estamos focados em diminuir o consumo e ampliar o reuso de água em favor do meio ambiente”, emenda Andrade, lembrando que, no passado, a unidade chegou a captar 700 m3/h, sendo que atualmente capta 270 a 280 m3/h. A Pitangueiras (que vai moer 2,4 milhões t de cana na safra 17/18) faz captação superficial de água para a indústria no córrego Grande, um veio do Mogi-Guaçu, e já tem o valor simulado para o pagamento deste ano. Com captação prevista de 1.157.760 m3, consumo semelhante e lançamento de cargas (esgoto) de 36.000 m3, ela pagará R$ 19.343,00 (já com os 50% de abatimento previsto para o primeiro ano), em seis vezes. Esse valor da primeira cobrança equivale a 300 sacas de 50 kg de açúcar ou 11 mil litros de etanol. “É mais cara a energia da bomba captando a água do que essa tarifa”, compara Andrade. “Se o valor chegar a R$ 60 mil, ainda não dá R$ 0,01 por saca de açúcar.”

RACIONALIZAÇÃO O Grupo São Martinho, dentro de sua política de sustentabilidade, informa que investe há anos na racionalização e reuso dos recursos hídricos. Portanto, a cobrança “não irá gerar impactos significativos nos custos da companhia, que se preparou para esse cenário”, afirma a empresa, em nota. A São Martinho ainda ressalta que reitera o posicionamento da Unica sobre o tema, com destaque para o um caráter educativo da medida, que o setor público deva continuar a investir no sistema, que a cobrança não pode impactar o setor produtivo ou ser encarada com mais um imposto. Seguindo esse caráter educativo, os recursos a fundo perdido obtidos com a cobrança devem ser exceção e não regra para o financiamento dos projetos de gestão hídrica nos Comitês de Bacia. A Biosev afirma em nota que o grupo atende as solicitações do órgão estadual e segue estratégias de investimentos para reduzir o consumo de água no processo industrial e que os valores a serem pagos estão dentro do planejamento orçamentário. E entende que “os valores obtidos com a cobrança serão revertidos em melhorias ou adequações de obras e projetos que visam a otimização dos recursos hídricos".

9

Por ora, fornecedor de cana está livre da cobrança Cerca de 2.400 produtores e fornecedores, que produzem cerca de 9,5 milhões de t de cana, recebem orientações da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste). Segundo o advogado Juliano Bortoloti e o engenheiro agrônomo, Fábio Soldera, que trabalham para a Associação, a preocupação atual é realizar a recuperação das áreas de preservação permanente marginais aos recursos hídricos existentes em suas propriedades e se preparar para a futura cobrança. O custo da restauração destas áreas é muito alto, mas os profissionais afirmam acompanhar de perto as discussões sobre o assunto. A cobrança pelo uso de água rural e agrícola não ocorrerá agora, apenas da indústria e de empresas de saneamento. Mas o produtor rural já busca informações na entidade sobre valores, como será mensurado o volume de água utilizado, e fazerem o cadastramento no Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), do governo estadual.

“ANTIGA” A presidente do conselho da Associação Brasileira do Agronegócio de Ribeirão Preto (ABAG-RP), Mônika Bergamaschi, lembra que a discussão pela cobrança é antiga.

No Comitê do Mogi-Guaçu, por exemplo, o tema está em pauta há quase 19 anos. “O processo ficou mais justo na medida em que será cobrado mais de quem poluir mais, ou seja, o princípio de ‘poluidor pagador’”, diz ela. Mônika destaca que as indústrias sucroenergéticas investiram em sistemas de circuito fechado, ampliando o reuso e reduzindo a captação de água, além de tratar os efluentes. Ela cita que o valor a ser pago pelas unidades tem um cálculo complexo e as normativas variam de Bacia para Bacia, com diversos fatores analisados. No primeiro momento, as empresas pagarão valores distintos, dependendo do quanto e de como usam e do quanto já investiram na preparação. “Se ficará caro ou barato é muito relativo. Caro é não ter água, e o ideal é tratar bem e pagar um preço justo pelo uso da água”, conclui Mônika.


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Arrendamento de terra deixa de ficar caro com volta da produtividade Avaliação é de Antonio Padua Rodrigues, diretor Técnico da União da Indústria de Cana-deAçúcar (Unica) D ELCY MAC CRUZ, DE SÃO PAULO (SP)

O aumento do custo do arrendamento de terra para produzir cana-de-açúcar gera confusão entre empresas do setor com unidades produtoras no interior paulista? Para Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-deAçúcar (Unica), não há nada confuso. Em entrevista ao JornalCana em 08/06 na sede da Unica, na capital paulista, Padua explica: “o arrendamento de terra não tem nada a ver com o Consecana [sistema pelo qual é paga a tonelada de cana ao fornecedor]. O arrendamento é um acordo contratual entre o dono da terra e a usina que quer fazer parceria e plantar cana com o proprietário da terra.” “Quando acabou a intervenção do governo no preço dos produtos do setor, havia a cana padrão. E ela, naquele momento, significava 121,97 quilos de ATR por tonelada de cana”, disse. “O que as empresas fizeram? Transformaram o preço da cana, que era arrendada e tabelada pelo governo, para o mercado.”

QUANTIDADE “As empresas também assumiram uma quantidade de toneladas de cana por hectare, 121,97 quilos de ATR, equivalentes à cana padrão no período de tabelamento, e houve os contratos”, explica. Conforme Padua, se os contratos previam 15 toneladas de cana, com 121,97 quilos de ATR, e havia produtividade de 15, mas 145 quilos de ATR, evidentemente isso hoje caiu

Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica: “valor do contrato de arrendamento pode decrescer com volta da produtividade”

porque a produtividade de 85 TCH hoje é de 75 TCH, com 133 quilos de ATR. “Relativamente, o custo do arrendamento aumentou.” Em sua opinião, “agora cabe a renegociação entre empresas e os proprietários de terras. Ninguém é obrigado a

pagar o valor do quilo de ATR.” Mas como se volta a reduzir o custo do arrendamento? Padua: “só há uma alternativa: aumentar a produtividade e voltar às 85 TCH. E ganhar produtividade no manejo de colheita para voltar aos 145 quilos de ATR por tonelada.”

Assim, acrescenta, não será preciso renegociar contrato. “Da mesma maneira que o contrato cresceu, porque houve perda de produtividade, e porque houve perda de quilos de ATR por tonelada, o valor do contrato pode decrescer se se voltar a produtividade agrícola e o ganho de ATR por tonelada.”


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Congresso deve iniciar avaliação do RenovaBio a partir de agosto Previsão é do Ministério de Minas e Energia, que pretende enviar as minutas de propostas legislativas do Programa depois do recesso parlamentar As propostas legislativas do programa RenovaBio deverão chegar ao Congresso Nacional em agosto próximo. “Estamos trabalhando minutas de propostas legislativas a serem encaminhadas ao Congresso no início de agosto, após o recesso parlamentar”, disse em 13/06 o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. Coelho Filho destacou que o RenovaBio marca a retomada da interlocução com o setor e incentiva novos investimentos, além de ajudar no processo de redução de 43% das emissões de gases do efeito estufa e elevar a participação dos biocombustíveis para 18% na matriz energética até 2030, conforme metas firmadas na COP 21, em Paris. “O Brasil assumiu uma série de compromissos internacionais para a redução de emissões. Para isso, o Governo tem que oferecer os sinais corretos para que os setores se sintam seguros e retomem investimentos. Com o RenovaBio, estamos

A expansão da produção de biocombustíveis no Brasil é o foco do RenovaBio, programa do Governo Federal lançado pelo Ministério de Minas e Energia, em dezembro de 2016

dando o pontapé inicial para ocupar espaço no cenário nacional e global”, afirmou. O programa foi aprovado em 08/06 pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e, agora, as minutas de propostas legislativas seguirão para tramitação e votação pelo Congresso Nacional. Em evento realizado em 13/06, em São Paulo, Coelho Filho reforçou as diretrizes do RenovaBio no Comitê de Agroenergia da

Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), que reuniu empresários do setor de biocombustíveis na sede da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB). Na oportunidade, o ministro enfatizou a participação de todos os agentes do setor para construção do Programa RenovaBio e realçou o interesse que o Ministério dá ao desenvolvimento do setor de biocombustíveis.

RENOVABIO O RenovaBio é um programa do Governo Federal lançado pelo Ministério de Minas e Energia, em dezembro de 2016, cujo objetivo é expandir a produção de biocombustíveis no Brasil, baseada na previsibilidade, na sustentabilidade ambiental, econômica e social, e compatível com o crescimento do mercado.


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ENTREVISTA— Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura

“Setor precisa resgatar a cadeia produtiva” Ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues acredita que a revisão do Consecana pode reequilibrar o senso de cadeia produtiva e trazer novo crescimento ao setor

ROBERTO RODRIGUES Nome completo: João Roberto Rodrigues Nascimento: 12/08/1942 Natural de: Cordeirópolis Estado: SP

Inaugurando a seção “Quem É Quem no Setor”, nova publicação da ProCana Brasil que traz um registro histórico das pessoas e organizações que são e foram referenciais do setor nos últimos 30 Anos, o “eterno” ministro da agricultura e atual coordenador do Centro de Agronegócio da FGV em São Paulo, Roberto Rodrigues concedeu ao JornalCana a entrevista a seguir: JornalCana — Quais lições do passado o setor precisa aplicar no presente para continuar avançando? Roberto Rodrigues — A grande lição que o passado nos deu é a de que o setor é desunido e desarticulado, onde poderosos fazem valer seu poder em detrimento da categoria como um todo. A falta de união, a falta de visão coletiva de cadeia produtiva, no sentido lato desta expressão, é o grande erro histórico cometido pelo setor. Deixamos de conquistar temas importantes para o agronegócio canavieiro por causa de vaidades e ambições pessoais maiores que o interesse coletivo. Isso desequilibrou o setor. Houve uma melhora recente em relação a essa divisão? Sim, houve uma melhora. A Unica tem assumido um protagonismo importante nas discussões mais recentes com uma postura técnica consistente e coerente. Seus embasamentos têm caráter inovador, tecnológico, sem viés politico individualizante. Portanto, a Unica tem um papel relevante. Porém, isso não é suficiente. Então, o que é preciso acontecer? Para chegar nesta resposta vou recordar o que foi feito pelo Barbosa Lima Sobrinho, nos anos 40 do século passado, quando foi estabelecido o Instituto da Lavoura Canavieira. Sobrinho sabia que o mercado para a cana-deaçúcar era limitado, já que era um produto barato, cuja rentabilidade do produtor era determinada pela distância da usina. Portanto, o produtor de cana não poderia vender como faz o produtor de laranja, milho, soja ou café, que vende para qualquer tipo de empresa. Ele tinha que vender especificamente para a usina. Isso gerava um desequilíbrio dentro do setor. Sobrinho então definiu como regra que toda usina era obrigada a moer 50% de sua cana, vinda de fornecedores. Ao estabelecer esse mecanismo, ele foi o pioneiro na criação de uma prática chamada de cadeia produtiva. O que foi mais tarde, em 1957, replicado por pensadores de Harvard (EUA) como agribusiness. Mas foi o Barbosa Sobrinho que criou o conceito prático. E a premissa básica deste conceito era o equilíbrio. Quando o ex-presidente Collor extinguiu o Instituto do Açúcar e do álcool (IAA), abolindo por consequência o regime de cotas, tudo isso desapareceu. Felizmente o setor teve inteligência e criou o Consecana, nos anos 90 do século passado, mantendo o conceito de cadeia produtiva, na medida em que os agentes econômicos: produtor de cana e a indústria tinham sua remuneração flutuando em conjunto. O problema é que se passaram mais de 20 anos e o setor mudou. As tecnologias agrícolas e industriais mudaram. Novos subprodutos surgiram e o Consecana ficou parado no tempo. Portanto, é preciso retomar o espirito de cadeia

APRESENTAÇÃO RESUMIDA: Seguindo os passos de uma família de agrônomos, especialmente os de seu pai, Antônio Rodrigues, fundador de entidades de classe do agronegócio e “eterno” ministro da agricultura, João Roberto Rodrigues compôs sua carreira na academia, no mundo empresarial e na política, tornando-se um dos grandes responsáveis pelas bases da agricultura moderna e sustentável. Trabalhou sempre pelo desenvolvimento técnico, pela inserção da biotecnologia, produtos orgânicos e inovações tecnológicas; e pelo cooperativismo e formas inovadoras de comercialização que ampliaram o comércio agrícola e trouxeram maior estabilidade e competitividade ao produtor rural.

produtiva de forma que o equilíbrio seja resgatado entre os agentes dessa cadeia. O setor encolheu nos últimos anos difíceis pelo qual passou. O cenário político-econômico da atualidade não é favorável ao mercado. Diante disto, o setor pode voltar a crescer? Acredito que sim. Bom, primeiramente, o cenário — ainda que precariamente —melhorou. Com a mudança no mercado determinada pela oferta mundial de açúcar e com as ações introduzidas pela atual administração da Petrobras o cenário mudou. É um momento de melhor rendimento. O setor tem pela frente um ou dois anos positivos — ano passado foi bom e esse ano deve ser bom ainda... talvez o ano que vem dependendo das condições da oferta mundial de açúcar. Então temos um momento positivo em relação ao mercado. Em segundo lugar, temas como o RenovaBio, por exemplo, criaram uma condição de avançar com inovação e tecnologia, o que é muito positivo. Em terceiro lugar, houveram muitos investimentos em tecnologia e novos produtos surgiram como as MPB e novas variedades de cana, a Cana energia e outros, mas que são novidades tecnológicas que ainda não conquistaram um espaço adequado no mercado, porque a renda do setor não permitiu. Mas agora com essa melhoria de rentabilidade, toda essa tecnologia desenvolvida será aplicada e teremos saltos de produtividade que irão viabilizar uma melhor condição para o setor. O que mais falta para que essas tecnologias avancem? Falta uma nova tributação ambiental semelhante a CIDE, que ofereça ao produtor de etanol uma compensação pelas vantagens não mensuráveis da produção de um combustível renovável e que contribui de forma relevante para o Brasil cumprir seus compromissos na COP21. É que falta para que o setor volte a crescer na proporção anterior ao desastre do governo Dilma Rousseff. Mas garanto que sem o reequilíbrio da cadeia produtiva, mesmo com medidas de compensação, o setor não irá avançar. E creio que uma mudança no balanço da renda da cadeia como um todo. O Consecana é um instrumento adequado para isso.

Foi empresário rural em São Paulo, Minas Gerais e no Maranhão e dirigente de cooperativas agrícolas e de crédito rural, com abrangência local (Guariba/SP), regional (Campinas/SP) e estadual (São Paulo/SP), chegando a presidir as principais entidades do agronegócio brasileiro, como ABAG e SRB, e do cooperativismo internacional, como a Aliança Cooperativa Internacional – ACI. É Coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas, Embaixador Especial da FAO para o Cooperativismo e membro de diferentes conselhos de empresas e principais instituições ligadas direta ou indiretamente ao agronegócio internacional. PRINCIPAIS CONQUISTAS: Como Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (janeiro de 2003 a junho de 2006), promoveu a completa reestruturação da Instituição, trabalhou pelas leis de biotecnologia, dos produtos orgânicos, seguro rural, novos documentos de comercialização, regulamentou a defesa sanitária, ampliou o comércio agrícola brasileiro e implementou as bases de uma agricultura moderna. Foi um dos maiores defensores da implantação do pagamento de cana pelo teor de sacarose, que ampliou a renda de todo o complexo agroindustrial ligado ao setor sucroenergético. Presidiu o Conselho Deliberativo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) entre junho de 2014 e janeiro de 2015. Como agricultor, recebeu vários prêmios nas áreas ambiental, social, de conservação do solo e de produtividade, e também a Ordem do Mérito Agrícola, no grau de Cavaleiro, concedido pelo governo da França. Coordenou o setor privado no Fórum Nacional da Agricultura e, juntamente com a ABAG, SRB, Abimaq e ANDA, criou a Agrishow, a mais importante feira de tecnologia agrícola do país. Foi um dos maiores defensores da implantação do pagamento de cana pelo teor de sacarose, que ampliou a renda de todo o complexo agroindustrial ligado ao setor sucroenergético. FORMAÇÃO: Curso: Engenheiro Agrônomo Instituição: Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ, da Universidade de São Paulo - USP Turma: 1965 Pós-Graduação: Curso: Doutor Honoris Causa Instituição: Universidade Estadual Paulista – UNESP Turma: 1998 Curso: Especialização em Administração Rural Instituição: Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP) e pelo IDORT Turma: 1998 PREMIAÇÃO: Prêmio MasterCana - Os Mais Influentes do Setor Categoria: Área Institucional e Política Edição: Brasil 2009, 2011, 2013 Edição: Nordeste 2003


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Manutenção adequada de bombas gera economia. Mas como fazer isso? Executivo de unidade produtora dá dicas para realizar uma ação preditiva nos equipamentos da indústria R ENATO ANSELMI, DE CAMPINAS, SP

A manutenção preditiva e preventiva de bombas apresenta um custo médio de apenas 10% dos gastos proporcionados por uma corretiva urgente, avalia Geraldo Guimarães, gerente de manutenção industrial da Usina Goianésia, de Goianésia (GO). Se for considerada a interrupção não programada de uma caldeira ou de uma fábrica de açúcar, a manutenção preditiva e preventiva de uma bomba não representa nem 1% de uma hora de usina parada – ressalta. Segundo ele, o conserto emergencial de uma bomba, incluindo montagem e desmontagem, tem a duração de três a quatro horas. “Se quebrar uma bomba na fábrica de açúcar e não tiver reserva para substituí-la, vai parar a usina inteira”, diz. A usina que mói 24 mil toneladas de cana por dia vai deixar de moer de três a quatro mil toneladas nesse período de parada – exemplifica. “Isto é representativo”, enfatiza. Mas, afinal o que é uma manutenção

Indústria sucroenergética: o investimento em manutenção corretiva de bombas evitar custos de desmontagem durante a entressafra

eficiente de bombas? A realização de uma boa preditiva começa pela análise do próprio processo, afirma Geraldo Guimarães. “O que deve ser feito, nesse caso, é o controle de nível por meio de inversor de frequência. E, com isto, o resultado é extraordinário. Uma bomba que quebra muito, que tem bastante defeito com selo mecânico, gaxeta e rolamento, quando utiliza

inversor de frequência, tanto para controle de nível como para controle de pressão, tem uma sobrevida muito alta”, explica. De acordo com ele, a maioria dos defeitos está relacionada ao processo. “Quando a bomba tem uma vazão bastante elevada e manda um volume muito alto (de fluído ou massa), seca o tanque ao qual está ligada, pegando ar, o que gera um processo

chamado de cavitação”, observa. Esse processo desencadeia uma série de fatores que danificam os rolamentos e até mesmo o eixo, podendo inclusive trincá-lo – detalha. Por isso, a análise de processo e a utilização de inversores de frequência tornam-se fundamentais para criar condições para um funcionamento adequado das bombas.


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Retorno de investimento em inversores ocorre em uma safra Uma boa manutenção de bombas deve incluir análises de vibração e de óleo, além de ações preventivas A instalação de bombas em usinas e destilarias deve ser acompanhada pela utilização de inversores de frequência e automação, destaca Geraldo Guimarães, da Goianésia. Segundo o gerente de manutenção industrial, as novas unidades sucroenergéticas já “nascem” com esse conceito e as antigas precisam se modernizar nessa área. “Na Goianésia, são poucas bombas que não trabalham com inversor de frequência”, informa. Se for considerada a economia com manutenção e energia, o retorno de investimento com inversores de frequência ocorre em uma safra – enfatiza. Essa energia, que está sendo economizada, pode ser comercializada – constata. Além disso, o inversor aumenta a vida útil da bomba. Uma boa manutenção de bombas deve incluir a análise de vibração, durante a safra, para assegurar um balanceamento correto para o rotor e avaliação do próprio eixo para verificar inclusive se a ponta não está empenada – diz. Outra medida importante, adotada na manutenção preditiva, é a análise de óleo.

Unidade sucroenergética: a instalação de bombas em usinas e destilarias deve ser acompanhada pela utilização de inversores de frequência e automação

“Na rota de inspeção do mecânico ou do próprio operador mantenedor deve ser feita a análise de óleo para verificar se não entrou água no óleo da bomba” – exemplifica. A melhor maneira de cuidar de uma bomba é a manutenção preditiva, incluindo as análises de processo, de vibração e de óleo. A preventiva também desempenha papel essencial para o funcionamento das bombas, o que inclui, entre outros itens, a troca de óleo na data correta e a programação de substituição de rolamentos. “Esse processo de desmontar todas as bombas, na entressafra, colocando tudo na bancada, gera um custo enorme. Se o trabalho for desenvolvido de uma maneira mais preditiva e preventiva, há uma diminuição da quebra e da necessidade de manutenção corretiva”, comenta. Outro procedimento, que exige bastante cuidado, é o alinhamento. “Tem que ser perfeito. A recomendação é fazer o alinhamento a laser. Quem não tem essa possibilidade, pode utilizar o relógio comparador, de alta precisão”, diz. De acordo com ele, um mecânico especialista consegue fazer um bom alinhamento com esse instrumento de medição. È preciso ter também atenção redobrada na hora de adquirir bombas e acessórios. “A qualidade das bombas é fundamental. Um acoplamento ruim provoca vibração. Há rolamento falsificado no mercado. Tem fornecedor que vende rolamento recondicionado como se fosse novo”, alerta.


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Cozimento contínuo economiza vapor e amplia espaço no setor 100% automatizada, tecnologia apresenta menor custo operacional, apesar de exigir mais gastos com manutenção R ENATO ANSELMI, DE CAMPINAS (SP)

Entre as diversas tecnologias concorrentes, disponibilizadas para as plantas industriais de unidades sucroenergéticas, a de cozimento – etapa importante no processo de fabricação de açúcar – é uma das que causa polêmicas e dúvidas. Afinal, qual é o sistema mais eficiente e econômico: o contínuo ou em batelada? A resposta padrão e “diplomática” sempre recomenda fazer cálculos e avaliações, considerando consumo de vapor e água, qualidade, custo operacional, de manutenção, entre outros fatores. Mas, na verdade, o cozedor contínuo tem ampliado o seu espaço. Pode ser até redundante. Mas, é justamente na continuidade do processo que está um dos segredos das vantagens do cozimento contínuo em relação ao sistema em batelada. No cozimento em batelada, há uma variação do nível de consumo de vapor. No reinício do processo ocorre uma oscilação na linha de vapor, o que desregula o fluxo e aumenta o consumo, segundo um especialista

A continuidade do processo é um dos segredos das vantagens do cozimento contínuo em relação ao sistema em batelada

em fabricação de açúcar. Existe, no entanto, uma diferenciação nessa oscilação de planta para planta. “O cozedor contínuo apresenta menor consumo de vapor e de água pelo fato de ser automático”, observa o engenheiro José Ieda Neto, diretor da INEL - Ieda Neto Engenharia. Esse equipamento só tem parada para limpeza após dez ou quinze dias de funcionamento – diz. O consumo de vapor é menor em decorrência também da introdução de menor volume de água no processo – esclarece

A quantidade de água depende do controle automático ou manual. “No cozimento contínuo, não há a introdução desnecessária de água. No sistema em batelada, de operação manual, há maior consumo de água. No cozedor em batelada, com operação automática, não há também consumo desnecessário”, compara. De acordo com Ieda Neto, além da economia de água e vapor, o cozimento contínuo apresenta outras vantagens, como maior controle dessa etapa do processo e

menor custo operacional. O custo de manutenção é maior, porque essa tecnologia requer mais instrumentação do que o sistema em batelada. “Nas usinas novas tem ocorrido a introdução do cozimento contínuo, porque esses equipamentos tornaram-se mais eficientes de uns dez anos para cá. Antes, eram muito mais caros e ainda não estavam com a tecnologia dominada. Agora, há fabricante no Brasil e o custo tornou-se competitivo”, constata.


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Resultado do cozimento depende de cuidados em outras fases Cozimento contínuo oferece operação mais uniforme ante o sistema em batelada, que tem interferência do trabalho manual R ENATO ANSELMI, DE CAMPINAS (SP)

O cozimento contínuo oferece condições para a fabricação de um produto mais uniforme, diz José Ieda Neto. “Mas, se tiver mal controlado, vai proporcionar uniformemente um produto de má qualidade”, alerta. Tudo depende da operação – enfatiza. O tacho contínuo é 100% automatizado, proporcionando uma operação mais uniforme e regular. O sistema em batelada é parcialmente automatizado e, em decorrência disso, tem

também interferência do trabalho manual. “O fato do cozimento ser contínuo favorece um controle mais apurado. No sistema em batelada tem que parar e lavar toda hora. Precisa de maior manuseio. Nesse processo, todos os cozimentos, com certeza, serão diferentes. Podem ser até próximos, principalmente se forem automáticos”, avalia. O cozimento interfere no tamanho do cristal. “No processo contínuo será mais uniforme e no sistema em batelada tende a apresentar menor uniformidade” – diz. A obtenção de resultados positivos, tanto no sistema em batelada como no contínuo, está ligada aos cuidados adotados durante o processo. “A fabricação de um açúcar de qualidade depende do tratamento de caldo bem feito para que se tenha um caldo límpido e, consequentemente, um xarope de qualidade. Se tiver um flotador, a usina vai ter um xarope melhor ainda”, exemplifica.

A obtenção de resultados positivos, tanto no sistema em batelada como no contínuo, está ligada aos cuidados adotados durante o processo

Semente de boa qualidade é fundamental para a cristalização Em todo o processo de produção de açúcar, uma etapa acaba dependendo da outra. Se a semente for desenvolvida de maneira inadequada, a cristalização será mal conduzida – afirma José Ieda Neto. E, consequentemente haverá um cristal de qualidade inferior, o que acaba afetando outras etapas e a obtenção de um açúcar de qualidade. Na cristalização, é preciso controlar a temperatura, o brix e a pureza da massa – detalha. “Para cristalizar, é necessário começar com um xarope, um mel rico ou pobre, conforme decisão de cada usina. Eu

começaria com mel pobre. É preciso ter uma pureza em torno de 75%, conduzindo o cozimento até chegar no ponto de cristalização, quando é necessário introduzir a semente previamente preparada”, observa. Segundo ele, um processo cuidadoso possibilita a preparação da semente de boa qualidade. Para isto, é necessário – recomenda – moer açúcar em moinho de bola com álcool para que em 24 horas (no mínimo) possa ser obtida uma semente bem homogênea. Dessa maneira, o tamanho dos cristais vai estar muito próximo um do outro.

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Gerando riqueza sem desembolso financeiro Neste artigo, apresento respostas às dúvidas mais frequentes sobre tecnologia que permite ganhos em curto prazo sem CAPEX e sem aumento de custos N ELSON NAKAMURA*

Na safra de 2016 foram apurados ganhos de 4,2 milhões de reais na Usina Vertente do Grupo Tereos, 2,4 milhões na Estiva e Pitangueiras e de 3,6 milhões na Bevap com a implementação do software de Gerenciamento em Tempo Real de Plantas Sucroenergéticas, o S-PAA. Estes ganhos obtidos com o S-PAA nessas usinas só vêm confirmar os resultados já obtidos em outras plantas. Com destaque para a Usina Terra Rica, do Grupo Santa Terezinha (Usaçúcar), que implementou o software em 2012 e reportou ganhos da ordem de R$ 7 milhões de reais só na safra 2015/16, como resultado das atuações no processo industrial do software, seja em Laço Aberto (PDCA On-Line) ou pelo controle on-line de set-points estratégicos da planta pelo SPAA, denominado controle em Laço Fechado.

Quando estes ganhos são demonstrados aos gestores de usinas, algumas dúvidas surgem com certa frequência, as quais procuro responder neste artigo. Como o software propicia estes ganhos? Em que áreas atua? Como atua? Resumidamente o software modela toda a planta industrial física numa planta virtual, incluindo utilidades (geração de vapor e energia e seus usos, sejam internos ou exportações a terceiros), produção de açúcar, produção de etanol e demais sub-produtos. Todas as informações de processo disponibilizados pelos equipamentos de medição disponíveis (pressão, temperatura, vazão, etc) e de qualidade (brix, umidade, teor de fibra, etc) são coletados automaticamente pelo sistema, tratados se necessário, e utilizados para fechar o balanco de massa e energia. Isto é feito com base nas propriedades físico-químicas dos produtos envolvidos (água, caldo, bagaço, etanol, etc) e dos princípios de engenharia. Neste processo, são estimadas as correntes sem medição e calculados os indicadores de eficiência dos equipamentos envolvidos e/ou do processo como um todo.

(ii) os limites operacionais e de confiabilidade e a (iii) qualidade requerida para avaliar e predizer as possibilidades de se obter uma melhoria na eficiência global através de mudanças nos “set points” estratégicos da planta. Este modo mais eficiente de se operar é repassado para o operador atuar (Laço Aberto – PDCA On-Line) ou pelo controle on-line de set-points estratégicos da planta pelo SPAA, denominado controle em Laço Fechado. O quadro que se segue mostra os ganhos obtidos em 4 usinas na safra 2016/17.

O S-PAA leva em conta (i) as restrições ligados aos equipamentos,

Ganhos em eficiência energética já vêm em 3 meses do início do projeto Neste texto, iremos nos ater aos ganhos em eficiência energética, pois são mais simples de avaliar e são o resultado da implementação de Laços Fechados que são implantados em operação em apenas 3 meses após o início do projeto. Também é este o motivo dos ganhos em fermentação e na recuperacão de açúcar estarem indicados como “em avaliação” no Quadro ‘Ganhos reportados pelos clientes’. Estes outros ganhos, potencialmente maiores que os obtidos com energia, são mais complexos de serem avaliados na sua totalidade e serão objeto de outro artigo específico. O quadro indica que obteve-se uma sobra de bagaço ou um aumento de exportação de energia entre 1,23 MWh e 2,9 MWh. Quando este aumento é valorado por R$ 200,00 o MWh, tem-se um ganho mensal da ordem de R$ 177.000,00 a R$ 417.000,00/mês.

Mas como o S-PAA propiciou este ganho em Energia? O software procura gerar, com os recursos disponíveis, o vapor na qualidade requerida e de forma mais eficiente possível. Uma vez produzido este vapor, procura maximizar o seu uso, reduzindo ao mínimo o seu desperdício. Atuando na geração de vapor, o S-PAA define a melhor combinação das cargas entre as caldeiras, identificando e levando a operação para uma região de maior eficiência. Já quando atua na embebição da moenda, pode maximizar a extração, fazendo inclusive um trade-off entre extração da sacarose versus umidade do bagaço e/ou extração versus consumo de vapor no processo como um todo.


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Sistema permite o melhor ajuste do vapor de escape O S-PAA também calcula a todo instante a demanda de energia requerida pelo processo. Desta forma permite o melhor ajuste do vapor de escape de modo a garantir a demanda de energia minima que mantém a eficiência do processo, e o vapor economizado com esta estratégia pode ser direcionado para o aumento da exportação de energia ou sobra de bagaço para geração futura. Além disso, o software verifica as alternativas existentes à utilização das válvulas redutoras, reduzindo ao mínimo o seu uso. Identifica também os trocadores de calor e outros equipamentos com baixa eficiência, recomendando a sua manutenção e evitando o desperdício de energia térmica. Este conjunto de atuações propicia o controle da qualidade e da variabilidade do vapor, como ilustram as figuras das caldeiras da Vertente.

projeção específica para cada usina. A Soteica desenvolveu uma sistemática para estimar os ganhos, considerando a moagem, o layout de utilidades e do processo produtivo, os principais indicadores de rendimento e principalmente na variação observada durante a safra destes indicadores. Os dados são oriundos do tradicional boletim industrial das usinas.

QUAL O MEU RISCO EM INVESTIR E NÃO TER O RETORNO ESPERADO?

Aumento da pressão em aproximado de 1 kgf/cm2 e redução da variabilidade em 84%.

INSTRUMENTAÇÃO/AUTOMAÇÃO EXISTENTE E A FREQUÊNCIA DAS ANÁLISES SÃO SUFICIENTES PARA O GERENCIAMENTO EM TEMPO REAL

O risco é baixo, pois o valor estimado pela ferramenta é bastante aderente com a realidade. Nas 5 usinas implementadas na safra passada, todos os ganhos obtidos foram superiores aos valores inicialmente projetados. A Soteica tem adotado a estratégia de implementar, após 3 meses do início do projeto, dois laços fechados sem custo adicional. Isto tem permitido que as usinas avaliem os ganhos e, em alguns casos, paguem o projeto com a receita adicional gerada pelo software.

PELO S-PAA? QUERO IMPLEMENTAR NESTA As unidades que cogeram, possuem instrumentação suficiente na área de utilidades (vapor e energia) para uma implementação do SPAA. No fábrica de açúcar e na fermentação e destilaria, em não havendo instrumentação suficiente, serão utilizados príncipios de engenharia para determinar informações faltantes nas correntes. Naturalmente, quanto maior for número de medidores confiáveis, maior será a precisão do modelo. De qualquer modo o sistema é bastante flexível, sendo que na maioria das vezes são suficientes as informações básicas de medidores de temperatura, pressão e vazão usualmente utilizados para a operação da planta. Quanto a análises laboratoriais, as informações mais sensíveis estão mapeadas pelo sistema, sendo que poderá haver alguma mudança na frequência de determinadas análises em detrimento de outras, não refletindo em nenhuma sobrecarga adicional para o laboratório. O sistema sempre irá utilizar a última informação disponível e confiável para executar as suas simulações e otimizações.

SAFRA, MAS NÃO TENHO VERBA PARA INVESTIMENTO (CAPEX)! EXISTE ALGUMA ALTERNATIVA? Aumento da temperatura em 1,83 ºC e redução da variabilidade em 40%.

O SISTEMA EXIGE UM COI? O S-PAA é a ferramenta ideal para o líder de COI, pois fornece uma visão global de toda a planta, indicando os pontos de melhoria e atuando em Laços Fechados na otimização global da Usina. No entanto, ela pode ser implementada em usinas sem esta centralização física. Este é o caso, por exemplo, da Estiva e mais recentemente a Baldin, que não possuem um COI, mas operam com o S-PAA com retorno bastante interessante e ainda proporcionando por si só a disseminação da informação do processo como um todo para todos os setores. Para isso, o S-PAA busca as informações das diversas ilhas de controle da planta e as consolida para sugerir a atuação para cada uma

das ilhas. O único requisito para tal é que haja uma rede interligando as informações de cada uma destas ilhas.

ESTES GANHOS SÃO SUSTENTÁVEIS? VOU OBTER GANHOS SEMELHANTES NA MINHA USINA, VISTO QUE O LAYOUT, O NÍVEL DE AUTOMAÇÃO E A EQUIPE DE TRABALHO TÊM CARACTERÍSTICAS PRÓPRIAS?

O S-PAA encontra-se instalado em 13 usinas, algumas operando há mais de 9 anos em diversas condições operacionais e com ganhos continuados. Temos clientes com diferentes tipos de mix de produção, processo de extração com moenda e difusor, fermentação contínua e em batelada, etanol hidratado e anidro, operação de caldeiras utilizando bagaço, palha, cavaco. Em termos de arquitetura de sistemas, o S-PAA já funciona integrado com diversos supervisórios como Ifix, Rockwell, Emerson e Smar. Quanto aos ganhos, é possível fazer uma

Caso não haja verba para investimento nesta safra, existem as alternativas de aluguel, com valor das prestações bastante inferior ao ganho mensal propiciado pelo software, e “Success fee”, na qual calcula-se o ganho mensal com base no comparativo do antes e do depois dos laços fechados de energia e embebição e parte dos ganhos fica com a usina e parte retorna como pagamento até o valor de aqusição do software. Neste caso o cliente não terá nenhum desembolso financeiro,e já começa a capturar ganhos econômicos a partir de 3 meses do início da implantação. Com o S-PPA, a Soteica e o Pró-Usinas mostram que é possível gerar ganhos econômicos resultante da operação mais eficiente da cogeração e da planta industrial, com fornecimento de energia mais estável, maior rendimento na produção de açúcar e etanol, e maior estabilidade e enriquecimento da equipe. E o melhor, tudo isto sem riscos e nenhum investimento financeiro! *Diretor da Soteica, é engenheiro mecânico com pós-graduação em produção, especialização em engenharia química e PHD em administração de empresas


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CONTEÚDO PATROCINADO

Treinamento sobre aplicação de polímeros leva à redução no consumo Um diferencial no mercado POR ANTONIO H ENRIQUE LIMA

Este treinamento visa debater sobre as melhores práticas durante a utilização dos polímeros em uma usina. A redução de consumo começa a ser discutida já no preparo deste insumo. Nesta etapa, uma correta adição de polímero no tanque de preparo dentro de uma concentração ideal, sem a formação de grumos, evita desperdícios, gerando uma grande economia já nesta fase.

Alguns paradigmas quanto à utilização e dosagem deste insumo são quebrados atingindo-se o melhor desempenho desta especialidade para cada aplicação. Este é um diferencial no mercado ofertado gratuitamente pela Skills Química que comercializa e distribui polímeros SNFFLOERGER o setor sucroenergético a nível nacional. Conta com polímeros aniônicos, catiônicos e poliaminas descolorantes. A Skills Química preza pela total satisfação dos seus clientes, para isso, oferece, além do treinamento, assistência técnica contínua. Esta capacitação é voltada

para todos os profissionais que estejam comprometidos com a utilização dos polímeros em suas aplicações. O Engenheiro José Ieda Neto, consultor/INEL Engenharia, fez um depoimento sobre sua experiência com o treinamento oferecido pela Skills Química. “Como consultor do setor sucroenergético na área industrial, trabalho desenvolvendo treinamento contínuo dos colaboradores com palestras sobre as fases de produção de açúcar e etanol. Desenvolvemos no Grupo USJ/SJC um treinamento voltado para a área de clarificação, visando equalizar conhecimentos teóricos e práticos com os

operadores, inclusive como preparo e dosagem de forma correta dos polímeros. Este ano, contamos com o suporte da Skills Química, que, através de seu técnico, promoveu um treinamento sobre o manuseio, preparo e aplicação correta dos polímeros comercializados pela empresa, esclarecendo dúvidas e propondo sugestões de melhorias, proporcionando assim uma utilização econômica e consciente dos polímeros utilizados na Usina São João de Araras (SP).” Skills Química 14 3652.5156 www.skillsquimica.com.br


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Secagem de levedura pode gerar lucros adicionais de 65 milhões de reais em 10 anos Processo faz com que a levedura gerada durante a fermentação do etanol tornese o coproduto mais rentável para as usinas A levedura gerada durante o processo de fermentação alcoólica tornou-se um valioso produto para nutrição animal. Nos últimos anos, as leveduras foram reposicionadas como um aditivo funcional, melhorador da saúde intestinal, trazendo benefícios em todas as espécies de animais, e por isso a levedura tem encontrado um mercado aquecido em todo o mundo. Um estudo recente demonstrou que a secagem de levedura para um grupo de usinas que produz 270 milhões de litros de etanol/ano pode gerar o faturamento bruto anual de R$12 milhões e um lucro líquido anual, de R$8,5 milhões, já descontadas as despesas com vapor e energia elétrica. Em 10 anos, após a amortização dos equipamentos, o projeto pode gerar lucro líquido de R$65 milhões. É o que garante Glycon Santos, CEO da ICC, uma ¬¬multinacional brasileira com filiais em 5 países, incluindo China, Índia, EUA e Inglaterra, que exporta leveduras para mais de 50 países. “O mercado para o etanol é muito competitivo, com margens de lucro estreitas, por isso entendemos que a secagem da levedura que é gerada durante o processo de fermentação é uma forma imprescindível de incrementar receita e lucratividade às unidades produtoras de etanol. Quem descarta levedura pela vinhaça, perde a fração mais lucrativa do processo de fermentação. Não

Glycon Santos, CEO da ICC: "conseguimos oferecer para a unidade produtora a possibilidade de escoar toda a produção durante a safra, sem a necessidade de a usina fazer a estocagem".

processar a levedura é mesmo que jogar açúcar fora, pois para produzir etanol a levedura se multiplica e consome açúcar; infelizmente a prática de não processar o excedente de levedura ocorre na da maioria das usinas”. Santos afirma que a levedura seca pode ser o coproduto mais lucrativo produzido por uma usina que produz açúcar, etanol e cogeração de energia elétrica. Porém, este coproduto tem passado despercebido para maior parte dos empresários, porque a levedura não pode ser produzida em larga escala. “O faturamento do negócio levedura seca sempre representará no máximo 1,0 % do faturamento de uma usina e é por isso que eu acredito que as usinas não tem dado a devida atenção a este coproduto. Mas essa é uma realidade que está mudando, pois

alguns empresários tem percebido que este 1,0% de faturamento adicional é altamente lucrativo, “levedura seca é dinheiro no caixa”, e representando mais uma atividade descolada dos ciclos de alta e baixa típicas do açúcar e etanol”. Ele explica que todas as usinas, ao produzirem etanol, inevitavelmente geram um excedente de levedura. O excedente de levedura gerada durante a fermentação, de acordo com os consultores mais renomados do Brasil, é de cerca de 60 gramas de levedura por litro de etanol produzido. Quando a levedura não é extraída para secagem, ela se perde na centrifugação do vinho. Esse residual de leveduras passa pelos equipamentos de destilação, agravando os problemas de incrustação, causando maior consumo de vapor além da perda de etanol

na degasagem dos condensadores. Finalmente a levedura é descartada junto com a vinhaça aumentando sua carga DBO e DQO, sem agregar nenhuma receita ao processo produtivo. “As 60,0 gramas de levedura por litro de etanol significam 6,0% da produção de etanol. As usinas mais desenvolvidas têm recuperado até 35 gramas de levedura seca por litro de etanol, as demais cerca de 20 a 25 gramas levedura seca por litro de etanol, ou seja, em massa, secar levedura significa incrementar a produção de etanol de 2,0% a 3,5%. É um ganho de produtividade enorme! Mas é preciso destacar que enquanto o etanol traz uma margem média de lucratividade de 10,0%, a levedura seca pode gerar uma margem próxima de 70,0% de lucro para a usina”, calcula o CEO da ICC.

Parceria atende usina desde a produção até à venda da levedura A ICC entrega fábricas completas, “turn key”, estoca e escoa o produto até o Porto de Santos, onde a levedura é exportada para mais de 50 países Por se tratar de um coproduto, de pequena escala de produção, e do mercado consumidor ser pulverizado, a ICC oferece um pacote integrado de serviços, que vai da instalação da fábrica de secagem da levedura até a venda do produto. “A missão da ICC é permitir que as usinas agreguem valor às leveduras, sem desviar o foco dos seus negócios principais: açúcar, etanol e energia elétrica”, destaca Glycon Santos, CEO da ICC Brasil. Outro ponto muito importante no pacote de serviços oferecido pela ICC é o seu compromisso com o desenvolvimento

do mercado. A ICC investe cerca de 2,0 milhões de reais por ano em pesquisa científica para esclarecer as propriedades extra nutricionais da levedura de cana, participando de todos os eventos mais importantes para saúde e nutrição animal. “Este investimento é fundamental para garantirmos que o mercado para a levedura de cana será sempre crescente” reitera Santos. Em relação às usinas, tudo começa com um estudo de viabilidade econômica realizado pela ICC juntamente com empresa. “Uma usina que produz 100.000 m3 de etanol por safra, já apresenta viabilidade para comportar uma unidade de secagem de levedura. O conceito de “hub” de produção está se consolidando, onde a levedura de 2 a 4 usinas é industrializada em uma mesma planta. Quanto maior a escala, maior o retorno. No estudo de viabilidade, verificamos a demanda por vapor e energia elétrica e outras utilidades e a sanidade da fermentação alcoólica. Com essas informações apresentamos os valores do

Capex [investimento] e do Opex [operação]”, explica o executivo. A fábrica — anexa à destilaria — é um projeto “turnkey”. Considerando-se a produção de 6.000 tons/ano de levedura, o investimento estimado é de 11,0 milhões de reais. A ICC avalia e implanta a fábrica. A operação pode ficar sobre a responsabilidade da ICC ou da própria usina. Os projetos garantem à usina o retorno do investimento feito em um prazo máximo de cinco anos. “O projeto implantado gera um fluxo de caixa positivo desde o primeiro dia de produção, as receitas são suficientes para cobrir o custo operacional: mão-de-obra, sacaria, energia, vapor, manutenção e transporte do creme (no caso de hub); e também a amortização do equipamento instalado; e ainda gera renda adicional para a usina”. De acordo com CEO da ICC, a planta é de fácil operação e baixa manutenção. Todos os equipamentos envolvidos são fabricados no Brasil. São necessários apenas dez meses para a construção da fábrica. Há também uma equipe técnica

disponível que dá manutenção nas fábricas e assistência técnica quando existem problemas de qualidade relativos à levedura. A operação de uma planta de secagem de levedura com capacidade de 25,0 t/dia necessita de cerca de 8 colaboradores diretos, os quais são treinados pela equipe técnica da ICC, que, por fim a ICC também cuida da estocagem e da comercialização da levedura. “A ICC possui 2 centros de distribuição, um localizado em Macatuba (SP), com 13.000 m² de área coberta, e outro localizado em Santos (SP), com 3.000 m² de área coberta, de onde exportamos nossos produtos. Assim conseguimos oferecer para a unidade produtora a possibilidade de escoar toda a produção durante a safra, sem a necessidade de a usina fazer a estocagem. A estocagem da levedura é muito importante porque a demanda pela mesma ocorre durante o ano todo. O cliente exige serviço e a garantia de entrega regular é parte fundamental do pacote de serviços” esclarece Santos.


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Empresas têm até 31 de agosto para aderir ao Refis Programa Especial de Regularização permite liquidação de dívidas perante a Receita Federal e a PGFN vencidas até o dia 30 de abril de 2017 Empresas do setor sucroenergético que quiserem aderir ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), o Refis, têm até 31 de agosto próximo para fazer a adesão. O PERT foi instituído pela Medida Provisória nº 783, de 31 de maio de 2017, do Governo federal. Pelas regras do programa, os contribuintes poderão liquidar dívidas perante a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional vencidas até o dia 30 de abril de 2017. Segundo a Secretaria da Receita Federal do Brasil, a adesão ao PERT poderá ser feita mediante requerimento a ser efetuado até o dia 31 de agosto de 2017 e abrangerá os débitos indicados pelo sujeito passivo, na condição de contribuinte ou responsável, mesmo que se encontrem em discussão administrativa ou judicial, desde que o contribuinte previamente desista do contencioso. Da mesma forma, o contribuinte poderá incluir neste programa as dívidas que já

vista, com, no mínimo, 20% de entrada e o restante a ser quitado com créditos de prejuízo fiscal e Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) ou outros créditos próprios de tributos administrados pela Receita Federal, sem reduções, podendo parcelar eventual saldo em até 60 meses.

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Para débitos na Receita e na Procuradoria da Fazenda Nacional, a opção pode ser pelo parcelamento em 120 prestações, sem reduções, sendo:  0,4% da dívida nas parcelas 1 a 12;  0,5% da dívida nas parcelas 13 a 24;  0,6% da dívida nas parcelas 25 a 36;  parcelamento do saldo remanescente em 84 vezes, a partir do 37º mês

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Para débitos na Receita e na Procuradoria da Fazenda Nacional, a opção pode ser pelo parcelamento em 120 prestações, sem reduções

tenham sido incluídas em outros parcelamentos. Ao aderir ao programa o contribuinte se compromete a pagar regularmente os débitos vencidos após 30 de abril de 2017, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, e a manter a regularidade das obrigações com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A adesão implica confissão irrevogável e irretratável dos débitos indicados para

compor o PERT, ficando vedado a inclusão do débito em qualquer outra forma de parcelamento posterior, exceto em pedido de reparcelamento ordinário.

MODALIDADES O PERT possibilita ao contribuinte optar por uma dentre quatro modalidades:

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Exclusiva para débitos na Receita, o contribuinte pode optar pelo pagamento à

Também para débitos na Receita e na Procuradoria da Fazenda Nacional, pode ser feita opção pelo pagamento de 20% em 2017, em 5 parcelas, sem reduções, e o restante em uma das seguintes condições:  quitação em janeiro de 2018, em parcela única, com reduções de 90% de juros e de 50% das multas; ou  parcelamento em até 145 parcelas, com reduções de 80% dos juros e de 40% das multas; ou  parcelamento em até 175 parcelas, com reduções de 50% dos juros e de 25% das multas, com parcelas correspondentes a 1% sobre a receita bruta do mês anterior, não inferior a 1/175.


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Investimento em herbicida chega a crescer 30% na 17/18 Aporte maior é para garantir a produtividade agrícola diante o avanço de ervas daninhas na safra em andamento

resultados. E investir em moléculas, que dão mais resultados nas ações, e trocar informações com profissionais da área foram os objetivos dos participantes (engenheiros agrônomos, técnicos agrícolas e produtores) do Herbishow, realizado pelo Grupo Idea, em Ribeirão Peto (SP), no mês de maio.

B RÁS H ENRIQUE, DE R IBEIRÃO PRETO (SP)

ALASTRAMENTO

No desafio para evitar impacto negativo na produtividade de seus canaviais e combater as ervas daninhas, as unidades mantêm os investimentos anteriores ou os aumentam em até 30% em herbicidas na atual safra. “Estamos sempre buscando o aperfeiçoamento de misturas para a cada dia para conseguir seletividade, boa relação custo-benefício e eficiência dos produtos e longo residual”, diz o supervisor de tratos culturais da Iaco Agrícola, de Chapadão do Sul (MS), Danilo Gasparetto.

Representante de uma unidade produtora de Minas Gerais, capacitada para moer 3,5 milhões de toneladas por safra, revelou ao JornalCana que manterá o investimento anterior e busca novas técnicas no combate ao alastramento da grama-seda. Já o técnico de uma unidade paulista já usa drone na catação de mamona, além de aplicações terrestres (manuais e com máquinas) e aéreas, e busca novos produtos para melhorar a produtividade e chegar aos 3 dígitos: acima de 100 toneladas de canade-açúcar por hectare.

Investir em aplicações terrestres (manuais e com máquinas) e aéreas é o foco de muitas unidades, em busca novos produtos para melhorar a produtividade e chegar aos 3 dígitos

A unidade já colhe cana desde o final de janeiro e, atenta às ervas de difícil controle, como corda-de-viola e mamona,

braquiária e colonião, projeta gastar 30% a mais em moléculas novas e fazer readequações das doses para ter melhores

As chuvas registradas no mês de maio em regiões canavieiras

Uma estratégia de combater o avanço das ervas daninhas é fazer

do Centro-Sul propiciam a infestação de plantas daninhas

planejamento prévio, com mapeamento e combater por via aérea

Chuvas recentes favorecem a infestação de ervas daninhas Além dos profissionais das indústrias, produtores e fornecedores de cana também estão atentos a novas técnicas para combater as ervas daninhas e evitar perdas na safra. “Será muito importante (o impacto), pois maio foi muito chuvoso e mais propício à infestação de plantas daninhas”, afirma Ricardo Delarco, proprietário da Delarco Agro, de Monte Azul Paulista (SP). A preocupação de Delarco é, como a dos demais produtores presentes em evento do Grupo Idea em Ribeirão Preto: as ervas de difícil controle, especialmente mamona e mucuna-preta, além de corda-de-viola, cipó, braquiária, colonião e bucha. Delarco prevê uma safra de 190 mil toneladas e sua estratégia é utilizar o sistema pré-total, usando herbicidas logo após o fim da safra e antes da brotação da cana e da daninha. Ele mantém o investimento em moléculas novas para misturar a outros produtos.

EFICÁCIA Produtor de cana em Santa Rosa de Viterbo (SP), Chady Moussa el Debs estima colheita de 35 mil toneladas na safra 2017/18 e pretende evitar prejuízos. “Queremos reduzir custos e ter mais eficácia no combate às ervas daninhas”, explica ele, que prevê aumento de 15% em área de plantio e igual gastos com herbicidas. El Debs tem cana nova, de primeiro corte, e até com mais de sete cortes. “O controle é igual, mas o investimento maior é com os novos cortes”, destaca ele. Esses novos cortes representam perspectiva de mais produtividade, enquanto os velhos já apresentam falhas. Glauber Moraes, proprietário da Fazenda Chaparral, também em Santa Rosa do Viterbo, colherá 80 mil toneladas e mantém o investimento em herbicidas.

Drones e troca de informações: vale tudo no combate às ervas O agrônomo José Luís Moretti Júnior, da Usina Santa Fé, de Nova Europa (SP), diz que a estratégia da unidade de combater o avanço das ervas daninhas é fazer planejamento prévio, com mapeamento por drone para identificar daninhas e combater por via aérea. Além disso, emenda, é preciso redobrar a atenção para evitar a propagação de ervas com a colhedora de cana e também passar informações aos fornecedores. “Quanto mais eles produzirem cana-deaçúcar por hectare, melhor para os dois lados”, comenta Moretti.

produtividade em 5% na safra. “A meta de todos é buscar a seletividade de molécula em relação à cultura e evitar mistura de produtos, aumentando o controle das daninhas”, afirmou.

CORURIPE “Se as daninhas não forem controladas, podemos ter perdas desastrosas, de 5 a 10 toneladas por hectare”, diz o agrônomo Welinton Silva, do Grupo Coruripe, focado nas unidades da empresa em Minas Gerais. A unidade usa aplicação de herbicidas na fase pré-total, ou seja, antes da brotação.

CLIMA “Acredito que o impacto será grande por contas das condições climáticas atípicas que temos passado”, afirma João Marcelo Stabile, gerente da Agrícola Stabile, que aplica mais 20% nos custos com herbicidas. Segundo ele, pode ocorrer redução de

TIETÊ O supervisor de planejamento da Tietê Agroindustrial, de Paraíso (SP), Ary Roberto Frigeri, destaca que a unidade está introduzindo o uso do quadriciclo no combate às daninhas.


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Monitoramento é a chave da eficiência no manejo de pragas e doenças Controle biológico aplicado com manejo integrado entrega ao produtor 6 toneladas a mais de cana O manejo integrado de pragas e doenças é uma das premissas básicas do trabalho da Koppert, de Piracicaba (SP). A empresa de origem holandesa atua há quatro safras no controle biológico de lavouras de cana-de-açúcar no Brasil. Para eles a chave que abre as portas da eficiência é o monitoramento integral das aplicações feitas, dando condições de que o produtor acompanhe de perto os resultados. Em busca de aumentar a produtividade da cana-de-açúcar e reduzir os custos no trato cultural a empresa disponibiliza em seu portfólio soluções biológicas que custam em alguns casos 80% menos que o custo do defensivo químico. “Temos produtos que custam de 20 a 80% menos que os químicos. E em relação a aumento de produtividade, estão entregando em média seis toneladas a mais de cana. Contribuem também com a redução do grau de risco relacionado à definição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) necessários”, revela Caê Alonso Ramos, coordenador de vendas para o setor de cana-de-açúcar, da Koppert. Segundo Ramos, o monitoramento é a

Caê Alonso Ramos, coordenador de vendas para o setor de cana-de-açúcar, da Koppert

palavra-chave para economia e correto controle biológico. “Exemplo disso é a tolerância em relação a “cigarrinha da raiz”. Em casos onde ela atua em uma cana colhida em final de safra (três meses, por exemplo,) a tolerância à infestação é reduzida, já uma cana colhida em início de safra, com 6 meses, pode suportar ainda sem danos uma infestação relativamente superior, conforme a variedade sendo essencial o monitoramento para decisão da necessidade de aplicação de defensivo químico ou biológico. Damos este tipo de orientação ao produtor o que gera uma boa forma de economia. Não queremos empurrar um produto ao produtor, mas ajudá-lo a monitorar sua lavoura e utilizar os produtos no momento adequado”, explica. O coordenador de vendas informa que a empresa possui consultores técnicos capacitados para juntamente com o gestor da usina tomar as melhores decisões para o manejo integrado, monitorando o processo completo, que vai do levantamento, passa pela aplicação até os resultados. Além de verificar o armazenamento dos produtos. De acordo com Ramos, a Koppert sensível ao momento político-econômico disponibiliza aos produtores seus serviços e produtos com facilidade de aquisição. “Trabalhamos com cooperativas, portanto temos boas opções de crédito ou fazemos um financiamento diretamente conosco”, revela.


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Usina reduziu 2,98% de infestação da broca com biológico

Thiago Gomes Veloso Araújo, supervisor agrícola da Ipiranga Agroindustrial

O supervisor agrícola da Ipiranga Agroindustrial, que possui três unidades e tem com sede em Descalvado (SP), Thiago Gomes Veloso Araújo conta que houve redução significativa na infestação da Broca através da utilização do Hopper. O produto é um agente biológico de controle composto por parasitoides do gênero Trichogramma galloi. “Sempre foi comum a ação da Broca em nossa lavoura. Trabalhando com manejo estratégico verificamos que um dos casos de sucesso foi a aplicação do Hopper, atingimos 2,98% de índice de infestação

menor do que a testemunha”, afirma Araújo. O gestor trabalhou no início da safra com manejo estratégico usando biológicos em uma área de cerca de 10 mil dos 95 mil hectares de cana pertencentes ao grupo. Ele acredita que em até um ano a unidade produtora deva reduzir boa parte da aplicação química, investindo em produtos biológicos. “Aplicamos produtos biológicos em cerca de 13% de nossos canaviais nesta safra, mas devemos aumentar exponencialmente este volume nos próximos ciclos”, revela.

Fungicida e parasitoide biológico comprovaram eficiência em usinas Gerente da Fazenda Cachoeira, de Jateí (MS), Paulo Francisco dos Santos Neto fornece cana-de-açúcar para a Usina Adecoagro, de Ivinhema (MS). Ele conta como a utilização do Trichodermil, da Koppert, contribuiu para restabelecer o equilíbrio do solo e a performance do canavial, controlando doenças do solo e suprimindo a ação dos nematoides. “Temos 1540 hectares de cana plantados, que nos rende em média de 90.000 toneladas de cana por safra. Utilizamos o Trichodermil esse ano em uma área de 332 hectares. O uso foi satisfatório, controlamos as doenças do solo, não tivemos danos com nematoides e o canavial ganhou um vigor. Como o produto é biológico o nosso interesse em usá-lo é cada vez maior”. A eficiência dos biológicos também foi confirmada na Cerradinho Bioenergia. De acordo com o supervisor de tratos culturais e fertirrigação Luiz Fernando de Almeida a usina sempre fez uso do Metarhizium anisopliae nas suas safras, nas diferentes formulações, para controle do complexo de cigarrinhas nas áreas de produção de cana de açúcar. Neste ano, incluíram o desenvolvimento do controle da broca com a utilização do Trichogramma galloi, ainda em fase de testes. “A Cerradinho Bioenergia mantém o índice de infestação de broca final baixo ao longo de suas safras, mesmo assim, a ideia é desenvolver tecnologias que auxiliem a Cotesia flavipes, padrão de tratamento biológico,

Paulo Francisco dos Santos Neto, fornecedor de cana

no controle da praga reduzindo perdas e os custos totais da atividade”, afirma Almeida. Ele conta que foram realizadas aplicações de Metarhizium anisopliae em

aproximadamente 65% das áreas cultivadas, onde o índice de infestação médio foi de 0,6 ninfas por metro, com maiores incidências nos meses de janeiro a março. Almeida também faz boa referência

ao trabalho da fornecedora de biológicos. “O ponto forte dos produtos Koppert é a inovação na tecnologia dos produtos, com novos produtos e formulações, mantendo competitividade dos preços”, destaca.


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Koppert inova com aplicação por aviação reduzindo custo e infestação Por ser mais leve do que a calda do produto químico, aplicação de insetos aumenta número de voos com mesma quantidade de combustível O aumento da demanda por controle biológico nas lavouras de cana-de-açúcar do Brasil fomenta uma busca desenfreada por inovação tecnológica. Acompanhando este raciocínio a Koppert tornou-se pioneira na aplicação de macrobiológicos através da aviação agrícola. O coordenador de vendas para o setor sucroenergético, Caê Alonso Ramos, explica as vantagens. “Os aviões agrícolas já são comuns nas fazendas. A inovação de nossa empresa foi adaptar nosso equipamento para que a aplicação seja feita por equipamentos ajustados no avião. Com isso o produtor de cana não precisa investir em uma nova tecnologia aérea e, sim, em tecnologia de controle biológico”. Ramos acrescenta que a aplicação reduz custo liberando insetos através do avião agrícola. “O custo é cerca de 30% inferior em comparação a aplicação de inseticida. Não só pela insalubridade do produto químico, mas também pelo peso do volume líquido, que o faz gastar mais combustível.

Koppert adaptou aplicação biológica através de avião agrícola para reduzir custos

Além disso, utilizando os insetos o avião aplica com o mesmo combustível de três a quatro vezes a aplicação que faria uma única vez com inseticida”. Ele destaca que em um voo é possível aplicar macrobiológicos como o Trichogramma galloi —que combate a broca da cana — em 250 hectares de canade-açúcar, diferente da aplicação de

inseticida químico, limitada à 30 hectares por voo. Se o tanque do avião for maior, 50 hectares por voo. O coordenador de vendas da Koppert afirma que o custo do produto biológico em relação ao químico é semelhante, a diferença no bolso do produtor está na redução da praga na próxima safra. “Quando se libera um parasitoide de ovos a intenção é baixar o

nascimento e infestação da broca. Por conta disto, na próxima safra pode ser que você não precise da aplicação de químicos, consiga manter apenas com o manejo biológico. A aplicação química tem seu modo de ação após a eclosão dos ovos da broca, já o parasitoide de ovos poderá reduzir essa infestação antecipadamente em até 60 a 70%”, explica.


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Grupo Barralcool é eleito a Melhor Indústria para Trabalhar em Mato Grosso O Grupo Barralcool foi reconhecido na noite do dia 24 de maio como a “Melhor Indústria para Trabalhar em Mato Grosso”, na categoria grande porte. A solenidade, realizada pelo Sistema Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso, premiou três empresas em cada categoria: micro, pequena, média e grande indústria. A cerimônia ocorrida durante o “Dia da Indústria”, em Cuiabá/MT, contou com a presença de empresários e autoridades, além da palestra com o economista Ricardo Amorim. Com o objetivo de estimular, valorizar

e divulgar as melhores práticas de gestão de pessoas, o prêmio contou com a participação de 217 indústrias situadas em 31 cidades do estado. “É uma tendência cada vez maior entre as empresas aprimorar a gestão de pessoas, com impacto na obtenção de resultados. Esta iniciativa visa valorizar as boas práticas desenvolvidas pelas indústrias do estado”, disse o presidente do Sistema Fiemt, Jandir Milan. O prêmio, que é uma iniciativa do Sistema Fiemt em parceria com a TV Centro América (Rede Globo), considerou indicadores como: meritocracia, política de

cargos e salários, satisfação dos colaboradores, benefícios, saúde e segurança no trabalho, educação profissional, instalações, comunicação, gestão, além de uma pesquisa respondida pelos colaboradores. Para o gerente de RH da Barralcool, Roberto Romas, conquistar o 1º lugar indica que estão no caminho certo. “É o reconhecimento do excelente trabalho que a empresa vem executando, uma premissa da nossa direção em oferecer um ambiente de trabalho seguro e em condições de gerar satisfação aos nossos trabalhadores. Mas é

preciso sempre avançar, nunca estagnar, trazendo para a gestão de pessoas essa responsabilidade de interlocução entre a estratégia empresarial e as necessidades dos colaboradores”, ponderou. “Procuramos sempre investir na qualidade de vida dos nossos colaboradores, seja através de um ambiente de trabalho seguro, seja pela capacitação profissional, buscamos ofertar condições onde o funcionário possa se desenvolver da melhor forma” acrescenta João Nicolau Petroni, diretor-presidente do Grupo Barralcool.


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Seca preocupa, mas há otimismo para a safra no Nordeste Afetado por intensa estiagem nos últimos anos, setor nordestino está cercado de incerteza e expectativas para a 17/18 B RÁS H ENRIQUE, DE R IBEIRÃO PRETO (SP)

A seca intensa registrada nos últimos cinco anos preocupa as unidades sucroenergéticas nordestinas. Na safra 2017/18, prevista para iniciar oficialmente em agosto na região, essa incerteza ainda cria expectativas. Pedro Robério Nogueira preside o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool do Estado de Alagoas (Sindaçúcar-AL), que abrange 20 unidades de Alagoas e duas de Sergipe, e aposta em aumento de 10% em relação à anterior no Norte/Nordeste. A moagem nas 72 unidades produtoras das regiões Norte e Nordeste, segundo ele, deverá ficar em torno de 49,5 milhões de t de cana (superando 44,8 mi t da última, que teve redução de 9,37% em relação a 15/16).

Segundo o Sindaçúcar-AL, a moagem nas 72 unidades produtoras das regiões Norte e Nordeste na 17/18 deverá ficar em torno de 49,5 milhões de t de cana, ante as 44,8 mi t da última temporada

Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar-PE, espera uma moagem de 42 milhões t na região. A estiagem que ocorre desde a safra 12/13 continua preocupando. “Certamente a próxima safra também já foi um pouco prejudicada”, comenta Cunha.

“As secas diminuem a produção e a produtividade, além de chegarem a matar as raízes”, lamenta ele, cujo estado, Pernambuco, deverá ter 15 unidades em operação na safra 17/18. Reflexos negativos

“Nos últimos 5 anos enfrentamos os efeitos da seca, notadamente em grande parte da região Nordeste, com reflexos negativos na produtividade agrícola dos canaviais, principalmente em Alagoas”, atesta Nogueira. “Esperamos para os próximos meses uma melhor precipitação pluviométrica.” Na safra 16/17, o ATR da região N/NE foi de 136,88 kg/t cana, ganho de 6,5% em relação à anterior (15/16), decorrente da baixa pluviosidade. Para a 17/18, Nogueira diz que vai depender do índice de precipitação pluviométrica, principalmente no período de moagem. Nogueira cita que na safra anterior o Norte/Nordeste produziu 3,1 milhões/t de açúcar (53,24% da produção) e 1,6 milhão de m3 de etanol (46,76%). Assim, a região Norte foi alcooleira: 85,6% de etanol e 14,85% de açúcar; e a Nordeste foi açucareira: 58,02% de açúcar e 41,18% de etanol. “A carência de recursos financeiros e uma boa distribuição de chuvas, que favoreceriam a renovação e a recuperação dos canaviais, são os fatos que mais nos preocupam”, afirma Nogueira.

Fornecedor já estima remuneração menor de preços

Conforme a Feplana, a 17/18 será marcada por oferta menor de cana devido a elevada morte de socarias, já que passou um período superior a seis meses seguidos sem chuva, situação inédita da região

Produtores e fornecedores de cana também estão preocupados com os preços. “Será, certamente, uma safra que remunerará menos o nosso segmento, ainda mais se comparada com a última safra, quando houve excelentes preços praticados”, comenta Alexandre Andrade Lima, presidente de três entidades – Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) e Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP). Ele cita que a produção de açúcar prevalece na região. Pernambuco, por exemplo, não terá nenhuma unidade

produzindo apenas etanol nesta safra. Porém, o mix de produção será ditado pelo mercado, conforme a melhor remuneração.

SECA E DANINHAS A maior preocupação é a ausência de água devido à seca. “Assim, o investimento em irrigação é vital para termos uma maior produtividade”, diz Lima. A erva daninha também tem preocupado o setor, especialmente o capim-colonião. Sobre a qualidade do açúcar (ATR), Lima não faz projeção. “Não dá para dizer ainda, depende de como serão as chuvas no período da safra”, diz ele.

Produtores e fornecedores de cana preveem novo déficit Os números apresentados por Alexandre Andrade Lima, presidente de três entidades – Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) e Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) – não são animadoras. “Estimamos um novo déficit em função da seca de cinco anos seguidos na região”, afirma Lima, projetando produção de 42 milhões de t na safra 17/18 (abaixo da safra 16/17, que teve 46,9 mi de t). Lima diz que a redução decorre da elevada morte de socarias, já que passou um período superior a seis meses seguidos sem chuva, situação inédita da região.

“Os canaviais mais afetados foram os de Sergipe e de Alagoas, este o maior produtor do Nordeste”, comenta ele.

CENÁRIO DIFERENTE No Rio Grande do Norte e na Paraíba, o cenário é diferente, pois as chuvas chegaram, embora tardiamente. “A cana está com um desenvolvimento exuberante”, afirma Lima. Porém, os dois estados não representam muito na safra nordestina. As unidades da Paraíba começam a safra em julho, diferente do que ocorre nos demais estados nordestinos, onde costuma-se iniciar no fim de agosto ou meados de setembro.

A carência de uma boa distribuição de chuvas, que favoreceria a renovação e a recuperação dos canaviais, está entre as maiores preocupações


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Endividamento sucateia sistema de irrigação em Alagoas Mas diversas unidades alagoanas mantêm investimentos na tecnologia, que é fundamental para elevar a produtividade R ENATO ANSELMI, DE CAMPINAS, SP

Existe hoje uma situação paradoxal no setor sucroenergético, pelo menos no estado de Alagoas, em relação ao uso da irrigação nos canaviais. Enquanto algumas unidades ampliam as áreas irrigadas e utilizam cada vez mais tecnologias eficientes – como gotejamento e pivôs –, outras usinas estão sucateando seus sistemas de irrigação, deixando de fazer manutenção, reforma ou mesmo a reposição de equipamentos, conforme revela o engenheiro agrônomo Cândido Carnaúba Mota, presidente da Stab Regional Leste, com sede em Maceió (AL). O endividamento das empresas, a crise financeira e os preços muito baixos dos produtos do setor durante quatro ou cinco anos estão entre os motivos responsáveis por esse sucateamento da irrigação, segundo Cândido Mota. E essa situação vira uma “bola de neve” em relação à elevação de custos – afirma.

A irrigação tornou-se prioritária para a cana no Nordeste: sem essa tecnologia, a produtividade tem queda significativa

Quando deixa de irrigar e, consequentemente, registra redução de sua produtividade agrícola e da longevidade da lavoura, a usina aumenta o seu custo de produção por tonelada de cana. E, em decorrência dessa situação, disponibilizará menor quantidade de matéria-prima para a fabricação de açúcar e etanol, caso não amplie a sua área de cana, o que acarretará – de uma maneira ou de outra – uma elevação de gastos. “Devido ao sucateamento do sistema em diversas unidades, hoje não sei precisar qual é o total da área de irrigação do estado”, admite o presidente da Stab Leste. Segundo ele, Alagoas já teve um índice elevado de irrigação em seus canaviais. Com uma área de cana entre 400 a 450 mil hectares, o estado chegou a contar, antes dos efeitos provocados pelas crises conjuntural e setorial, com 280 a 300 mil hectares de cana irrigada. Apesar das dificuldades, a utilização da tecnologia da irrigação é significativa em usinas que apresentam uma situação financeira mais estável. Os resultados obtidos, nesses casos, são bastante expressivos. A produtividade de uma área com 70 toneladas de cana por hectare pode aumentar para 120 TCH com o uso do pivô e para até 150 TCH com o gotejamento – exemplifica.

Gotejamento e pivô geram os melhores resultados Sistemas de aspersão mais antigos, que usam canhão de irrigação, devem ser substituídos conforme as possibilidades “A irrigação se paga, desde que seja bem utilizada”, ressalta Cândido Carnaúba Mota, presidente da Stab Regional Leste, com sede em Maceió. “É necessário fazer a escolha correta do sistema para que a obtenção de resultados positivos seja maximizada. Em algumas condições, pode ser mais indicado o gotejamento; em outras, o pivô”, observa. “Com o gotejamento, a produtividade do canavial chega a dobrar, ou, até mais, talvez, triplicar. Com o pivô, a usina consegue dobrar a produtividade. O pivô é geralmente utilizado como irrigação complementar. Pode ser utilizado também como irrigação plena”, diz. Mas, geralmente esse sistema com pivô é complementar em Alagoas, pois a usina irriga, a partir de outubro, na época em que não tem chuva – esclarece. De maio a setembro, não há – na maioria das vezes – irrigação com pivô. “Além de serem mais eficientes, o gotejamento e o pivô

Com uma área de cana entre 400 a 450 mil hectares, Alagoas chegou a contar com 280 a 300 mil hectares de cana irrigada

utilizam pouca mão de obra. Possibilitam também uma distribuição mais homogênea da água”, comenta o presidente da Stab Leste.

IMPLANTAÇÃO O investimento inicial para a implantação do

gotejamento é elevado. Mesmo assim, diversas usinas têm investido nessa solução devido aos benefícios proporcionados pela tecnologia. Nos projetos novos de irrigação, a implantação de pivô tem sido predominante. “Uma das vantagens desse sistema é fazer a irrigação em uma grande área. O pivô pode atender 500 a 600 hectares pelo fato de ser rebocável”, afirma. De acordo com ele, os sistemas por aspersão mais antigos como os que usam o canhão de irrigação, devem ser deixados de lado de acordo com as possibilidades da usina, pois envolvem diversos equipamentos e o trabalho de muitas pessoas devido à necessidade de mudança da tubulação. O custo operacional desses sistemas é bastante elevado – constata. Como os solos em Alagoas são mais arenosos e mais fracos, o canhão é usado como irrigação de salvação para evitar a morte do canavial. Para isto, ocorre geralmente a aplicação de duas lâminas.. “Há um aumento de produtividade. Mas, não chega a ser tão elevado”, observa. Outro sistema utilizado no estado é o carretel enrolador, considerado um pouco melhor do que a montagem direta, de acordo com a opinião de Cândido Mota. A demanda por mãode-obra é menor em comparação ao canhão.

Escolha correta exige a avaliação de vários fatores

Diferentes soluções para a aplicação da vinhaça

Na hora de escolher o sistema de irrigação – que tem um custo elevado – mais adequado para a usina, é preciso considerar diversos fatores que estão relacionados ao desenvolvimento da cultura de cana, como tipo do solo, topografia, índice pluviométrico, variedades responsivas, além da integração nutrição-água que é muito importante – detalha Cândido Carnaúba Mota. No gotejamento, existe a possibilidade de fazer a adubação parcelada, junto com a água usada na irrigação, conforme as exigências da planta – diz. Segundo ele, aspectos envolvendo o consumo, disponibilidade e outorga pelo uso da água também devem ser considerados na definição dos equipamentos a serem utilizados. “Um sistema implantado em uma área

As unidades sucroenergéticas alagoanas têm buscado diferentes soluções para a distribuição de vinhaça, misturada à água residuária, nas áreas de cana – informa Cândido Mota –, incluindo a adoção de sistemas mistos. “Em diversos casos, usinas fazem o transporte por caminhões e acoplam algum sistema, como o canhão irrigador. O carretel tem sido também bastante usado", diz. Outro recurso é o sistema dutoviário que conta com estações de bombeamento, tubulações e canais. Há ainda experiências com o uso do pivô que precisam ter tubulações em aço inox devido à ação corrosiva desse efluente do etanol. “A aplicação da vinhaça, junto com a água de lavagem, por meio do gotejamento é mais complicada, pois depende da instalação de filtros e outras medidas para que não ocorra o entupimento do sistema”, comenta.

com solo arenoso vai consumir muito mais água do que a mesma tecnologia utilizada em solo argiloso”, compara. No Nordeste, a irrigação tornou-se viável por conta das barragens que são abastecidas nos períodos de chuvas – observa. Sem o uso dessa tecnologia, a produtividade tem queda significativa na região. “As usinas alagoanas não estão usando tanto a irrigação como utilizava anteriormente. No ano passado, a produtividade ficou em torno de 55 toneladas de cana por hectare. Mas, neste ano, vai cair ainda mais. Houve dois anos de seca pesada em Alagoas”, enfatiza. No Centro-Oeste, a cana também responde bem à irrigação, afirma. A região utiliza muito a irrigação em grãos, sendo inclusive campeã nacional de produtividade em trigo, milho, soja – destaca.


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Gestão da colheita mecanizada exige medidas específicas É preciso considerar os parâmetros de cada área, distância entre o canavial e a unidade, massa de cana, ATR, entre outros itens R ENATO ANSELMI, DE CAMPINAS (SP)

A adoção de medidas específicas, a partir do diagnóstico detalhado das áreas de cana-de-açúcar, pode minimizar os efeitos negativos causados pela mecanização da colheita que reduziu, em diversos casos, a produtividade agrícola. Neste processo de gestão das atividades no campo, existe a necessidade de considerar os parâmetros de cada área, considerando condições edafoclimáticas, distância do canavial, massa de cana, ATR, entre outros itens, visando a obtenção do melhor resultado possível, de acordo com Pedro Henrique Dorizzotto, gerente de operações agrícolas da unidade de Tarumã, SP, da NovAmérica, que é voltada à produção e fornecimento de cana. O fim da queima da palha criou novos paradigmas e desafios para a cultura. “A mecanização da colheita é um fator e o manejo da cana crua é outro aspecto que deve ser considerado nas mudanças que estão ocorrendo nos canaviais. Às vezes, os dois fatores são associados simultaneamente, porque quando acontece a mecanização, há a colheita de cana crua”, observa. No caso do corte mecanizado, o monitoramento das perdas de cana, proveniente das operações das colhedoras, tem sido uma das preocupações da NovAmerica na gestão da mecanização. “A regulagem do equipamento, a adequação da

A adoção de medidas específicas, a partir do diagnóstico detalhado das áreas de cana-de-açúcar, pode minimizar os efeitos negativos causados pela mecanização da colheita

velocidade, a rotação do extrator, o tamanho do tolete são algumas variáveis avaliadas frequentemente com a finalidade de controlar as perdas” – detalha Pedro Dorizzotto. Existem situações ao longo do dia, que exigem intervenções específicas. “Procuramos dar subsídios ao operador para que ele faça a gestão, junto com o coordenador ou o supervisor. Ele precisa entender que operar a máquina às 14h, quando há o mínimo de umidade e o máximo de temperatura, é muito diferente das condições de operação das 5h da

madrugada, principalmente no período de inverno quando há orvalho” – exemplifica. Nesses períodos, que apresentam condições climáticas específicas, há a necessidade de regulagens diferentes para a colhedora, visando o controle das perdas e das impurezas – explica. Segundo o gerente de operações agrícolas, existem alguns mitos em relação à velocidade da máquina. “Colher devagar não é sinônimo de qualidade. É preciso, em qualquer situação, monitorar a performance da colhedora, verificando se não houve o arranquio de soqueira. Neste caso, é

Diversas ações visam redução do pisoteio e da compactação Cana crua altera manejo das lavouras, requerendo, por exemplo, monitoramento de pragas que ficaram mais presentes na cultura A compactação do solo tem sido outro problema proveniente da mecanização da colheita. Para minimizar os efeitos negativos do tráfego de máquinas nas áreas de cana, a NovAmérica utiliza pneu de transbordo de alta flutuação, que trabalha com 30 libras de calibragem a partir de uma ação conjunta com o fabricante de pneus – explica Pedro Dorizzotto. “O mercado utiliza 45 libras. O pneu com essa calibragem praticamente não flutua

nem absorve a carga. O ideal seria usar de 16 a 18 libras. Mas, se trabalhar com essa calibragem, vai acabar vazando ar e isto estraga o pneu”, comenta. Outra preocupação da NovAmérica é a utilização de bitola adequada nos equipamentos para que seja evitado o pisoteio da soqueira. A bitola dos tratores e dos transbordos é de três metros. O espaçamento utilizado é sulco simples, de 1,50 metro – informa o gerente de operações agrícolas. O uso de piloto automático no plantio, para as linhas ficarem equidistantes, tem proporcionado também resultados positivos na gestão da mecanização – revela. “Temos procurado fazer, dentro das possibilidades, sulcos retos”, diz. Segundo ele, houve o desenvolvimento de projeto de sulcação visando a realização do mínimo de manobras na área, ou seja, ter mais metros de linhas. “Nas manobras,

costuma ocorrer pisoteio nas cabeceiras”, observa. De acordo com Pedro Dorizzotto, para minimizar esse problema, há a escolha de pontos no talhão para todos fazerem a manobra no mesmo lugar. Outra medida é a definição dos pontos de transbordamento para que não ocorra um aumento das áreas compactadas. A cana crua requer um manejo diferente em relação à cana queimada – afirma. Com a palhada, houve um aumento da incidência de algumas pragas, como a cigarrinha das raízes e o Sphenophorus. O monitoramento dessas pragas e a adoção de medidas de controle também fazem parte dos procedimentos adotados pela NovAmérica. “Para deixar o ambiente menos favorável para a cigarrinha e mais adequado para a brotação, há a retirada da palha de cima da linha de cana”, exemplifica o gerente de operações agrícolas.

necessário alterar a velocidade”, observa. A definição da velocidade depende de diversos fatores. “Deve ser avaliado se o canavial é ereto ou deitado”, diz. A média da velocidade das colhedoras, na NovAmérica, é de cinco quilômetros por hora. “A gestão tem que ocorrer no momento em que a operação está sendo realizada. Em muitos casos, há possibilidade de andar um pouco mais rápido sem danificar o canavial. Em alguns lugares, a velocidade tem que ser 1 ou 1,5 quilômetro por hora. É necessário ter um olho na produção e outro na qualidade. As coisas não andam separadas”, afirma.

NovAmérica “flerta” com produtividade de três digitos Com a aplicação de soluções específicas, a NovAmerica tem conseguido superar alguns problemas gerados pela mecanização que costumam “empurrar” a produtividade para baixo, chegando a obter resultados que “flertaram” com os três dígitos. Na safra 2015/16, entre outros registros, alcançou 104 toneladas de cana por hectare (TCH). No ciclo 2016/17, houve uma queda da produtividade para 86 TCH em decorrência de alguns fatores “extras”, como a ocorrência de três geadas durante o ano, excesso de chuva, aumento da idade média do canavial. Para a safra 2017/18, a estimativa de 93 TCH já indica recuperação da produtividade.


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GESTÃO

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Compliance ajuda a reduzir riscos em empresas do setor Avança a implantação de departamentos especializados deixar as companhias em conformidade com as leis e regulamentos FABIANA MARQUES, DE R IBEIRÃO PRETO (SP)

Em cenário de crise econômica conjugada com o aumento da possibilidade de detecção e punição de infrações das mais diversas naturezas, o departamento de compliance (a palavra vem do verbo em inglês to comply, ou agir em conformidade com uma regra) das empresas ganhou destaque e importância. No setor sucroenergético não poderia ser diferente. Embora, assim como no mercado em geral, a função do termo compliance já existisse há alguns anos, desde 2014 houve um aumento da demanda, especialmente devido às fusões e vendas de usinas para empresas internacionais, situações nas quais as companhias precisam mostrar, e comprovar, para o mercado que estão adotando boas práticas. A função do compliance office (ou departamento de conformidade) é manter a empresa em conformidade e longe de riscos, ou seja, deve assegurar que ela conduza seus negócios de acordo com as normas e regulamentos nacionais e internacionais, assim como se certificar de que as decisões internas sejam responsáveis, e as práticas empresariais sejam éticas.

BOAS PRÁTICAS O compliance é um selo de boas práticas, capaz de emprestar à empresa uma imagem de

Quanto recebe um compliance officer?

ética, conformidade e responsabilidade da sua conduta e de seus funcionários. O perfil do profissional da área é personalidade pragmática e analítica, que saiba se comunicar bem com todas as esferas da empresa. Atualmente as demandas da atividade vão além de normas e políticas, incluindo procedimentos internos da companhia e gestão e mapeamento dos processos, portanto a função não é exercida somente por advogados, mas também por contadores, auditores, administradores e economistas.

Devido a escassez de profissionais bem preparados e com experiência, a remuneração costuma ser bem atrativa. O salário médio para um cargo gerencial fica entre R$ 15 mil e R$ 25 mil, enquanto o de um diretor pode chegar a R$ 45 mil.

ENTREVISTA — Jeffrey Abrahams, Managing Partner do Fesap Group

“Compliance é necessário para acessar o mercado externo” As fusões ocorridas no setor sucroenergético e a venda de usinas para empresas estrangeiras criaram uma necessidade maior da implantação de práticas de compliance nas empresas do setor. Tornouse condição indispensável para uma empresa conseguir acesso ao mercado internacional. Em entrevista ao JornalCana, Jeffrey Abrahams, que é Managing Partner do Fesap Group e responsável pela gestão do time de Agronegócios, explica mais sobre a importância do Departamento de Compliance no setor sucroenergético. JornalCana – Por que a implementação do setor de Compliance chegou ao setor sucroenergético? Jeffrey Abrahams – Na verdade, a área sempre existiu nas empresas do setor, o que aconteceu é que de uns dois anos pra cá, devido às fusões e vendas de unidades para companhias internacionais, elas passaram a ter mais necessidade de transparência financeira e contábil frente a novos investidores. Além, é claro, do ambiente de negócios existente no país hoje.

principalmente nas grandes, que têm ligação com o setor internacional e precisam desse comprovante de boas práticas.

Então são só as grandes companhias sucroenergéticas que buscam implantar práticas de compliance em suas atividades?

Para transparência nos negócios essa função vem se tornando cada vez mais importante nas organizações em geral. Mas

O que exatamente faz um executivo na função de compliance? A função tem o objetivo de fornecer diretrizes e padrões de compliance a todas as áreas, com foco forte em processos. Seu dever é implementar um sistema de monitoramento que assegure a obediência da empresa no ambiente de negócios. Podemos dizer que são agentes mitigadores de risco. Portanto trabalham diretamente com essas áreas de risco. Por exemplo, conduzem processos de investigação, implementação de hotlines e disque denúncias, para evitar fraudes relativas a fornecedores, logística e transportes, finanças, transferência de valores. Orientam os funcionários para evitar acusações de assédio social e moral. A área regulatória é também outra área de cobertura, visando todas demandas de segurança do trabalho definindo novas práticas.


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USINA DO BEM

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BOA AÇÃO ALTA MOGIANA CAPACITA PROFISSIONAIS

Estrutura do Hospital do Câncer de Barretos: redução na conta de luz com o fornecimento de energia elétrica produzida por quatro usinas

Usinas doam eletricidade para Hospital Projeto Energia do Bem já fez o Hospital do Câncer de Barretos economizar R$ 1 milhão na conta de luz em 2016. Participam as empresas Tereos, São José da Estiva, Pitangueiras e Virálcool FABIANA MARQUES, DE R IBEIRÃO PRETO (SP)

A ação solidária de quatro usinas do setor sucroenergético possibilitou que o Hospital de Câncer de Barretos (HCB) economizasse em 2016 mais de R$ 1 milhão com energia elétrica. No fim de abril, convênio entre as empresas e a instituição foi renovado por mais dois anos. Atualmente participam as empresas Tereos (Guarani), São José da Estiva, Pitangueiras e Virálcool O Projeto Energia do Bem, idealizado pela gestora e comercializadora de energia Comerc, consiste em viabilizar a doação de energia gerada a partir da biomassa da cana-deaçúcar e o fornecimento de eletricidade abastece a demanda do Hospital de Câncer infanto-juvenil. Desde a criação do programa em 2012, já foi registrada a doação acumulada de 10.054 MWh de energia gerada a partir

da queima da palha e do bagaço de cana, resultando em cerca de R$ 2,8 milhões de economia para o Hospital de Câncer de Barretos. Além de ajudar o HCB a equilibrar suas finanças, a ação das usinas possibilita a realocação de recursos para outras áreas, melhorando a qualidade dos serviços e tratamentos prestados. Menos déficit De acordo com Henrique Prata, presidente do hospital, as doações, de um modo geral, vêm ajudando a manter o hospital nas últimas cinco décadas, mas devido à crise econômica no país, diminuíram nos últimos tempos. “A economia gerada por esta doação nos ajudará a diminuir o déficit operacional, em um momento de crescimento do hospital, com expansão de unidades por diversas regiões do país e a inauguração do novo Centro de Pesquisa, que vai demandar um aumento substancial de energia neste ano”, afirmou. Jacyr Costa Filho, diretor do Grupo Tereos, salientou que, para a empresa, contribuir com o funcionamento de uma entidade como o Hospital de Câncer de Barretos é motivo de muito orgulho. “Nossa parceria com a entidade existe desde 2009 e o objetivo é contribuir com o funcionamento do hospital, que se tornou referência por oferecer tratamento humanizado e de tanta qualidade”, disse. Com a renovação do convênio, o Grupo Tereos aumentou em 50% a doação de energia, disponibilizando um volume total de 2.100 MW/h em dois anos.

Programa busca mais usinas para doar energia Segundo o presidente da Comarc, Cristopher Vlavianos, a doação de energia viabilizada pelo projeto corresponde a somente cerca de 20% de economia nos gastos com eletricidade do Hospital, por isso o objetivo da empresa é conseguir mais doadores. “Hoje, conseguimos suprir 15% da energia consumida em cinco unidades do Hospital, mas a nossa meta é chegar aos 100%. Queremos divulgar o projeto para outras empresas que ainda não doam, conhecerem o quão importante é o trabalho realizado e o quanto isso irá ajudar”, afirmou. Segundo o presidente do Hospital de Câncer de Barretos, Henrique Pratta, a entidade precisa cada vez mais de apoiadores. “ É preciso que as pessoas conheçam a nossa história e entendam que precisamos de ajuda. O Hospital está crescendo para poder oferecer cada vez mais o melhor tratamento. Mas para isso, precisamos de mais apoio”, declarou Prata. Cada megawatt-hora doado representa um custo médio de R$ 120,00 para uma usina e uma economia de R$ 250,00 para o Hospital de Câncer de Barretos. Lembrando que a energia doada é totalmente limpa, por ser proveniente da biomassa, uma fonte incentivada pelo governo. Vlavianos explicou que o processo para doação do excedente de bioeletricidade é simples. E ressalta que as

Desde 2015, a Usina Alta Mogiana S/A, com unidade em São Joaquim da Barra (SP), empreende o Programa de Capacitação Profissional e Inclusão de Pessoas com Deficiência em parceria com o Senai de Franca. O Programa surgiu após diagnóstico quanto às dificuldades de encontrar perfis e selecionar profissionais com deficiência no mercado de trabalho. O objetivo do programa é promover a inclusão e a capacitação de pessoas com este perfil, dando-lhes oportunidade de iniciar uma carreira no mercado de trabalho. Atualmente, a companhia sucroenergética mantém em seus quadros 22 colaboradores contratados.

PINDORAMA PRESTA APOIO A DESALOJADOS A Cooperativa Pindorama, controladora de unidade produtora em Pindorama (AL), empreendeu gesto de solidariedade às famílias desabrigadas e desalojadas no município de Marechal Deodoro (AL), um dos afetados no Estado pelas fortes chuvas registradas em junho último. A companhia doou 25 fardos de açúcar de sua produção e a carga foi entregue no começo de junho. “O drama dessas famílias, que chegaram a correr risco de vida, nos comoveu bastante. Estamos oferecendo nossa ajuda no intuito também de ajudar a superar essa experiência traumática”, disse Klécio Santos, presidente da Pindorama, por meio de relato.

PEDRA EMPREENDE PROGRAMA JOVEM APRENDIZ O Grupo Pedra Agroindustrial, controlador de unidades produtoras no interior paulista, empreende o Programa Jovem Aprendiz com instituições como o CIEE, Senai, Senar e Etecs. Aberto a jovens entre 14 e 24 anos, o programa proporciona oportunidades para o primeiro emprego aos que procuram um curso de qualificação tendo não apenas experiência prática, mas também capacitação teórica adequada.

AGROPÉU DOA VIATURAS PARA A POLÍCIA

A ação das usinas possibilita a realocação de recursos do Hospital para outras áreas, melhorando a qualidade dos serviços e tratamentos prestados

doações podem ser feitas de forma pontual, sem necessidade de comprometimento mensal ou anual, e que qualquer quantidade de energia pode ser doada também. As usinas interessadas em participar do projeto Energia do Bem podem procurar a Comerc Energia (www.comerc.com.br e 16 3442-4055, no escritório de Ribeirão Preto) para obter mais informações sobre a parceria.

A diretoria da companhia sucroenergética Agropéu doou duas viaturas para as Polícias Militar e do Meio Ambiente do município de Pompéu (MG). A entrega foi em cerimônia em 30/05. Geraldo Octacílio, presidente da Agropéu, parabenizou à corporação pelo recebimento da viatura e espera que este novo veículo possa ajudar a dar mais agilidade na realização dos trabalhos diários e que eles continuem com o empenho e a dedicação aos serviços prestados à comunidade.


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Novozymes lança o primeiro anti-espumante para a produção de etanol A enzima FermaxTM é uma biossolução brasileira e a primeira forma de controle biológico de espuma A produção sucroalcooleira do Brasil é uma das maiores do mundo uma usina de médio porte processa em torno de 15 a 20 mil toneladas de cana por dia. Para ajudar nesse processo produtivo, a Novozymes, multinacional dinamarquesa líder mundial no segmento de produção de enzimas, apresenta a primeira enzima que substitui produtos químicos no processo de produção do etanol a partir da cana-deaçúcar. Essa é a primeira forma de prevenção e controle biológico de espuma no mundo, o FermaxTM. Essa enzima previne o desenvolvimento de espuma durante o processo de fermentação do etanol, ao mesmo tempo em que permite a substituição de alguns produtos químicos. Durante estudos feitos pela companhia, e validações em diversas usinas de diferentes características de substrato, tamanho e layout, demonstrou-se a redução de até 70% dos químicos convencionais utilizados para controle de espuma. Além disso, as usinas relataram maior estabilidade no processo fermentativo, podendo trabalhar com seus fermentadores em nível mais alto e diminuição de

“A espuma durante a fermentação, quando não prevenida ou controlada de forma eficiente, pode causar o transbordamento do tanque de fermentação, o que leva a perdas de produção. A formação excessiva de espuma também obriga as usinas a aumentar o tempo de fermentação e a operar em menor capacidade nos tanques”, diz Cardinali. Ao contrário dos produtos químicos convencionais tradicionais, o FermaxTM não remove a espuma, mas impede que ela se forme. “A enzima muda a estrutura da espuma quebrando as proteínas estabilizadoras para torná-las mais leves e menos densas. Isso permite um melhor controle da fermentação e que as indústrias atuem de forma mais eficiente”, destaca o executivo.

SOBRE O SETOR NO BRASIL

floculação da levedura, em alguns casos. A enzima foi desenvolvida no centro de pesquisas da Novozymes, em Araucária, no Paraná, e será também comercializada no exterior. “Essa é a primeira solução biológica para essa área, que é uma questão crítica para os produtores. Com o FermaxTM, eles podem usar uma tecnologia sustentável para reduzir seus custos e diminuir o uso de produtos químicos, além de aumentar a quantidade de etanol que pode ser produzido

em seus tanques de fermentação”, explica Daniel Cardinali, Head de Business Development na América Latina para as plataformas de cana-de-açúcar e biorrefinaria. Os produtores de etanol usam, tipicamente, uma combinação de produtos químicos anti-espumantes e dispersantes para reduzir a formação de espuma, mas seu desempenho varia de acordo com as condições do processo e da matéria-prima.

O FermaxTM é a primeira biossolução brasileira criada exclusivamente para a produção de etanol gerado a partir da canade-açúcar. Essa indústria é composta por cerca de 380 unidades de produção no Brasil, com mais de mil municípios com atividades relacionadas à indústria. O setor emprega, diretamente, mais de 950 mil pessoas, já que o país é o maior produtor e exportador mundial de açúcar e o segundo maior produtor de etanol. Novozymes (41) 3641.1000 www.novozymes.com


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Alta tecnologia em áreas de vivências aumento de produtividade em campo Luminosidade, segurança e conforto nas áreas de vivência projetadas pela Alfa Tek permitem rurícolas trabalharem à noite com mesma produtividade do dia Atendendo ao setor desde 2002, a Alfa Tek, de Catanduva, SP, revolucionou o conceito de fabricação de áreas de vivência para colaboradores que atuam na lavoura de cana-de-açúcar. O fato é comprovado pelo mercado, já que a empresa possui mais de 1.600 áreas de vivência em uso nas áreas agrícolas das usinas. A empresa iniciou sua atuação no setor fabricando Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para rurícolas, mas com o avanço da tecnologia no campo apostou na construção das áreas de vivência, conforme conta Luiz Carlos Massoni, diretor-presidente da empresa. “Percebi que com a colheita mecanizada iria revolucionar o campo. Pensando em melhorar a qualidade do trabalho daqueles que trabalham na colheita motomecanizada desenvolvemos uma área de vivência”. Massoni relata que desde então, passou a consultar recorrentemente os engenheiros de segurança para saber como aperfeiçoar às áreas de vivência, além de enquadrá-las em todas as Normas

Regulamentadoras (NRs) estabelecidas pela Ministério do Trabalho. O diretor da Alfa Ttek ressalta que a alta tecnologia aplicada nas áreas de vivência aumenta a produtividade dos colaboradores na área de Corte Transbordo e Tansporte (CTT). A segurança, luminosidade e conforto permitem que os rurícolas trabalhem no período noturno com o mesmo desempenho do diurno. “Além da autossuficiência energética obtida através dos

painéis solares, o sistema possui pontos de emissão de luz com alcance superior a 50 metros. Não gera calor — o que atraí a presença de animais peçonhentos, e não gera ruído, o que preserva a integridade sonora dos rurícolas”. Outro destaque está no conforto, que segundo Massoni é uma forma de dignificar o trabalho dos colaboradores do campo. “A área é espaçosa, permitindo com tranquilidade a movimentação dos rurícolas. O piso é feito de

alumínio sobreposto ao aço, e o espaço atende às normas de claridade e ventilação. Além disso, destaco os sanitários e lavatórios, rotomoldados com acionamento por pedal. Os dejetos são tratados organicamente antes do descarte no meio ambiente”, explica. Alfa Tek (17) 35311075 www.redparts.com.br


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NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES

Julho 2017

Otimização em águas industriais traz economia Soluções e tecnologia Solenis garantem mais eficiência com redução de custos Torres de resfriamento e caldeiras de usinas pouco otimizadas. Esse é o cenário comum presenciado pelo engenheiro químico e gerente de Contas Corporativas para Biorrefinaria da Solenis, Alexandre Santos. “Tenho visto áreas de tratamento de águas industriais com ciclos de concentração baixo nesses equipamentos, o que gera, por exemplo, mais consumo de combustível, de água e, consequentemente, mais gastos”, conta o especialista. “Porém, após fazermos um estudo minucioso desse sistema e implantarmos aplicações e tecnologia Solenis, conquistamos uma economia entre 15 e 20% nos custos totais do cliente. Maximizar a produção, por meio de aplicações e tecnologia de ponta, é o foco da Solenis, líder mundial no setor de Celulose e Papel e, atualmente, a empresa com o maior e o mais completo portfólio para o setor sucroalcooleiro, tanto em processos como em águas industriais. “Reunir em uma mesma fornecedora toda essa expertise é um grande diferencial”, afirma Alexandre. “Junta-se a isso a maneira como atuamos, ao oferecer soluções customizadas, produtos inovadores e profissionais altamente capacitados.” Nesse pacote de conhecimento e

experiência, está a tecnologia exclusiva Solenis, chamada OnGuard™. A combinação de hardware com software desse equipamento monitora a performance dos químicos e libera a quantidade correta de aplicações para garantir maior eficiência operacional, com redução no consumo de água, de energia e de períodos ociosos. Essa medição reduz o processo de corrosão e incrustação, proporcionando maior vida útil dos ativos industriais. “Nas usinas, há ainda alto risco de contaminação com substâncias orgânicas”,

observa o gerente de Contas Corporativas para Biorrefinarias. “Mas o OnGuard™ é capaz de identificar esse risco, realizar ações corretivas, além de mandar alertas no celular ou e-mail para pessoas-chaves do processo, orientando o que e quando há necessidade de alguma atuação pontual. Essa tecnologia possibilita a tomada de decisão rápida, para evitar que um problema se agrave e provoque a interrupção na cadeia de produção da usina.” Outro importante diferencial da Solenis, de acordo com o diretor comercial da divisão IWT (Industrial Water Treatment), para o

Brasil, Magno Meliauskas, é seu novo Centro de Tecnologia, localizado na unidade de Paulínia (SP), com cinco laboratórios para pesquisas e testes. “Sua estrutura traz respostas mais rápidas às necessidades específicas do cliente”, avisa Magno. “Nesse centro de pesquisa local, podemos desenvolver aplicações ou ajudar a solucionar um problema de forma ainda mais customizada.” Solenis 16 3311.1800 www.solenis.com


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