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ISSN 1679-0189

o jornal batista – domingo, 28/10/12

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Órgão Oficial da Convenção Batista Brasileira Fundado em 1901 Rua Senador Furtado, 56 . RJ

Ano CXII Edição 44 Domingo, 28.10.2012 R$ 3,20

Outubro, um mês histórico O mês de outubro é rico em comemorações históricas, temos no dia 31 de outubro a memorável Reforma Protestante, veja nas páginas 4 e 5 reflexões sobre o espírito batista na Reforma. Em 15 de outubro foi o aniversário da Primeira Igreja Batista da Bahia, a qual faz registro por sua história escrita pelos primeiros missionários no Brasil e como impulso na missão evangelística no país (pág. 13). Nas páginas 8 e 9 você encontrará a história de Willian Buck Bagby e Ana Luther Bagby, o casal que chegou ao Brasil em 2 de março de 1881 e fazem parte deste grupo de missionários.

Campos do Leste Europeu clamam por líderes Na Ucrânia, Rússia e Bielo-Rússia o número de igrejas e frentes missionárias é maior do que o número de pastores e líderes. Há um grande clamor pela presença de pastores para assumirem os trabalhos nessas igrejas. Hoje, os batistas brasileiros mantêm, com suas ofertas e orações, um missionário em cada Estado da Ucrânia. São 25 missionários locais no país coordenados pelos pastores Lyubomyr Matveyev e Anatoliy Shmilikhovskyy (pág. 11).

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EDITORIAL O JORNAL BATISTA Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso. Fundado em 10.01.1901 INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189 PUBLICAÇÃO DO CONSELHO GERAL DA CBB FUNDADOR W.E. Entzminger PRESIDENTE Paschoal Piragine Júnior DIRETOR GERAL Sócrates Oliveira de Souza SECRETÁRIA DE REDAÇÃO Arina Paiva (Reg. Profissional - MTB 30756 - RJ) CONSELHO EDITORIAL Macéias Nunes David Malta Nascimento Othon Ávila Amaral Sandra Regina Bellonce do Carmo

EMAILs Anúncios: jornalbatista@batistas.com Colaborações: editor@batistas.com Assinaturas: assinaturaojb@batistas.com REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA Rua Senador Furtado, 56 CEP 20270.020 - Rio de Janeiro - RJ Tel/Fax: (21) 2157-5557 Fax: (21) 2157-5560 Site: www.ojornalbatista.com.br A direção é responsável, perante a lei, por todos os textos publicados. Perante a denominação batista, as colaborações assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião do Jornal. DIRETORES HISTÓRICOS W.E. Entzminger, fundador (1901 a 1919); A.B. Detter (1904 e 1907); S.L. Watson (1920 a 1925); Theodoro Rodrigues Teixeira (1925 a 1940); Moisés Silveira (1940 a 1946); Almir Gonçalves (1946 a 1964); José dos Reis Pereira (1964 a 1988); Nilson Dimarzio (1988 a 1995) e Salovi Bernardo (1995 a 2002) INTERINOS HISTÓRICOS Zacarias Taylor (1904); A.L. Dunstan (1907); Salomão Ginsburg (1913 a 1914); L.T. Hites (1921 a 1922); e A.B. Christie (1923). ARTE: Oliverartelucas IMPRESSÃO: Jornal do Commércio

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mês de outubro é rico em comemorações históricas, temos no dia 31 de outubro a memorável Reforma Protestante, um movimento reformista cristão liderado por Martinho Lutero em 1517. Em 15 de outubro foi o aniversário da Primeira Igreja Batista da Bahia, a qual faz registro por sua história escrita pelos primeiros missionários no Brasil e como impulso na missão evangelística no país. Também faz parte desta história a família Bagby, que doou toda uma vida para a missão do evangelho no Brasil. Esta edição de O Jornal Batista, que fecha o mês de outubro, não deixa de registrar tais marcos da trajetória ba-

tista. Como o órgão oficial da Convenção Batista Brasileira, noticia os acontecimentos da denominação, assim como as ações missionárias, além de expandir reflexões sobre assuntos da atualidade. O Jornal Batista, além de meio de comunicação, se coloca como registro histórico. Por essas razões, esta edição em especial, está rica em trechos dos fatos notáveis que escreveram os batistas brasileiros. Nas páginas 8 e 9 você encontrará a história de Willian Buck Bagby e Ana Luther Bagby, o casal que chegou ao Brasil em 2 de março de 1881 e escreveram um caminho de grandes conquistas. Construíram uma família em terras brasileiras e foi esta família que trabalhou na orga-

Ca do rtas s le ed ito ito r@ ba r tis tas es .co m

As mensagens enviadas devem ser concisas e identificadas (nome completo, endereço e telefone). OJB se reserva o direito de publicar trechos. As colaborações para a seção de Cartas dos Leitores podem ser encaminhadas por e-mail (editor@batistas.com), fax (0.21.21575557) ou correio (Rua Senador Furtado, 56 - CEP 20270-020 - Rio de Janeiro - RJ).

nização de igreja com doutrina bíblica, fundou colégios, investiu na educação cristã, e foi marcada pela própria história da nação brasileira. Esta história precisa ser conhecida, principalmente pelas novas gerações. A organização da Primeira Igreja Batista da Bahia se fez marco histórico, e hoje tem o nome de Primeira Igreja Batista do Brasil, situada em Salvador. O registro da construção da igreja ficou em Ata: “Ata de organização da Primeira Igreja Batista da Bahia. No dia 15 de outubro de 1882 da Era cristã, estando nesta cidade da Bahia, no lugar denominado Canela, às 10:00 horas de manhã, os abaixo assinados, membros da Igreja Batista de Santa

Bárbara, na província de São Paulo, tendo-se retirado daquela província para esta, uniram à igreja batista, fazendo a sua instalação legalmente. São os seguintes: Sr. Antônio Teixeira de Albuquerque, Sr. Zachary Clay Taylor, Da. Catharina Taylor, Sr. William Buck Bagby, Da. Anna Luther Bagby”. Na página 13 desta edição o leitor encontrará a história da PIB da Bahia, igreja que completou neste mês 130 anos de caminhada. O Jornal Batista agradece a colaboração do pastor Francisco Bonato Pereira e do irmão Othon Ávila Amaral, pessoas que contribuíram com este jornal e acreditam que certas histórias precisam ser eternizadas devido ao seu grau de importância. (AP)

Parabéns ao trabalho com crianças

conseguindo o objetivo de educá-las porque é pouco o tempo que elas (as crianças) passam nas Igrejas. Creio que as Escolas ainda são a maior fonte de evangelismo que possa existir. Não existe nada melhor e de maior volume de assistência, do que ter todos os dias, crianças aprendendo que Cristo é o único Salvador. Oxalá, que os que estão à frente das lideranças de nossas organizações possam pensar nisso, e que no futuro possamos ter homens e mulheres edificados, transformados e crendo que Só Jesus Cristo é a Única Esperança.

• Quero parabenizar ao Jornal Batista pela matéria referente as Crianças. Lembro-me bem quando ouvi da Missionaria Margarida Lemos Gonçalves (já na glória), que precisávamos investir na preparação de líderes para trabalhar com as crianças do nosso Brasil. Com a extinção dos Colégios Batistas, ficou uma lacuna vazia na preparação de cidadãos para a Pátria Terrena e Pátria Celestial. Sabem de uma coisa. Hoje não vemos preparação de líderes para trabalhar com as crianças como havia no passado. Se percebemos estamos dando alguns passos para trás e as Igrejas não estão

Rosana Brelaz Batista Colégio Estadual Batista Beatriz Rodrigues da Silva Tocantínia - Tocantins


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bilhete de sorocaba Julio Oliveira Sanches

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udo contribuiu para a realização do culto que agrada a Deus e faz bem àqueles que cultuam. Começou e terminou à hora preestabelecida. Introito coral. Orações, hinos e cânticos sem heresias doutrinárias. Leitura bíblica e participação ativa da congregação. O som sem ruído, sem ferir os tímpanos dos ouvintes. Os que receberam salários naquela semana contribuíram com alegria. Ninguém depositou os dízimos do Senhor em conta própria em represália ao pastor. Tampouco enviou para sustentar programas de pessoas que não creem o que a Igreja prega. Deus ama ao que oferta com alegria. Não houve pequenas “mensagens” dos denominados “levitas” durante os cânticos. Os instrumentistas ensaiaram com antecedência. Até o baterista tocava com pauta musical. Não houve destaque da bateria sobre os violinos e demais instrumentos. Harmonia e ritmo perfeitos. O regente, bem trajado, conduziu o povo com alegria, sem malabarismos, ao encontro do Senhor. O pastor pregou

com unção. Mensagem simples fundamentada na Bíblia. O povo gosta de Bíblia. Não contou piadas. Não mandou os salvos rasgar da Bíblia textos, que segundo os “teólogos” modernos não são inspirados, mas sim interpolações. Mensagem simples e bem preparada. Com inicio, meio e fim. Significa que gastou tempo na preparação da mensagem de trinta minutos. O auditório tinha certeza que ocorreu estudo na preparação da mensagem. Aliás, o pastor é PASTOR. Nada de filosofias humanas, ou citações de supostos “teólogos alemães”. Apenas a palavra. Ele havia aprendido quando seminarista e seguia com fidelidade a recomendação paulina: “Prega a Palavra” (II Tim. 4.2). O povo comparecia ao templo para ouvir a Palavra de Deus. Não anunciá-la seria trair a confiança dos salvos que um dia o convidaram para pastoreá-los. Os não salvos que acorriam ao culto eram instados ao arrependimento e a fé em Cristo, como único Salvador e Senhor. Encerrado o culto com a bênção, ninguém saiu corren-

do para ver o “Fantástico”. À porta o pastor e alguns líderes cumprimentavam o povo. Na cantina outros aproveitavam para saborear saborosos lanches, preparados com amor e carinho. Abraços, conversas, comentários positivos sobre a igreja, o culto, o ministério e os desafios do reino. Até os namoradinhos se comportavam com dignidade. Não houve “crente” esperando outro para pedir satisfação ou agredir os mais fracos. Todos sabiam que a igreja é lugar de alegria, crescimento espiritual e expansão do Reino de Deus. O rebanho vivia em perfeita harmonia. Não havia segredos só conhecidos pela liderança. Os relatórios financeiros, liberados a todos, diziam que havia responsabilidade na administração das coisas santas. Todos conheciam e sabiam onde eram aplicados os dízimos e ofertas, pois os relatórios prestados nos cultos administrativos, pelos tesoureiros, eram claros e transparentes. Igreja feliz, salvos alegres e comprometidos com o Evangelho em sua totalidade. Como ocorriam todos os domingos uma irmã oferecia

“carona” a alguns jovens, que eram deixados ao longo do trajeto. A alegria do culto continuou no carro. Cânticos, risos, alegria e companheirismo cristão. Mas, o guarda de trânsito não conhecia tal verdade, não havia participado do culto e desconfiou do grupo. A cena é a mesma de sempre: Carro parado, verificação da documentação. Farol baixo, farol alto, seta pra esquerda, seta pra direita, pisca-pisca, pisa no freio, tudo normal. O guarda não se conformou. Algo estava errado com o grupo. Muita alegria!!! Vamos ao teste do bafômetro! Mas seu guarda: “estamos vindo do culto e da Igreja”. O guarda não acreditou. O teste deu negativo para espanto do guarda. O grupo aproveitou para falar de Jesus ao guarda e a razão de tamanha alegria que os salvos sentem ao cultuar ao Senhor, sem exageros ou descontrole emocional. O culto continuava após o seu término. Hoje não são muitos os salvos que desfrutam de tal privilégio. São muitos os que deixam os templos aborrecidos. Quizombas com “ir-

mãos”. Ausência de mensagem. O púlpito não cumpriu o seu papel. Mensagens “eruditas” sem conteúdo bíblico. Povo faminto de ouvir a Palavra de Deus. Barulho ensurdecedor. Algazarra, palmas em excesso, surdez dos ouvintes e ausência de compromisso da Igreja em cumprir o seu papel. O culto que continua, inicia-se antes do salvo chegar ao templo, continua no templo e após deixar o santuário. Desafia os não salvos, leva os salvos à santificação e até desperta suspeita no guarda que está atento ao trânsito. Como explicar? Simples! Basta que o culto seja apenas culto com adoradores que adoram em Espirito e em verdade. O mundo suplica por cultos assim. Os verdadeiros salvos os desejam e Deus sente prazer em recebê-los. Tais cultos geram no salvo o desejo de voltar no culto seguinte. A comunhão entre os salvos cresce a cada dia e antecipa um pouco do céu numa terra tão sofrida pela ausência da verdadeira comunhão com Deus. Há quanto tempo você não participa de um culto assim?


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embora não como voto, por Manoel de Jesus The Pastor e colaborador de OJB todos os lugares pregando a salvação e o sacerdócio o último dia de de todos os que crerem. Ao outubro, a cristan- negar a transubstanciação, dade protestante, provocou forte oposição. As celebra mais um classes menos favorecidas se aniversário da Reforma Pro- sublevaram contra a ordem, testante, cujo nome central e, ele nada tendo a ver com é Martinho Lutero. Em 1328, isso, foi denunciado como data de exatidão não confir- culpado, e seus pregadores mada, nascia em Hipswell, foram presos. O rei Carlos IV, do Santo na província de Yorkshire, Inglaterra, um menino que Império Romano, obteve o recebeu o nome de João estabelecimento do arceWyclif. Mente brilhante, bispado de Praga, e fundou tornou-se um conferencista a terceira universidade do erudito em Oxford, e passou mundo, em Praga, e ali se a ensinar que as Escrituras encontrava um dos adepera a única lei da Igreja. Ne- tos de Wycliff, o sacerdogava ser bíblico que a Igreja te João Huss, ordenado em tivesse um centro de onde 1401, vindo a ser reitor da partiria mandamentos para a universidade, e também o cristandade. Cometeu grave pregador na Capela de Besacrilégio, diante da igreja lem, em Praga. Em 1415 João predominante, quando, tra- Huss foi queimado como duzindo as Escrituras para herege. Huss exaltava a Bío idioma inglês, colocou-a blia, denunciava a corrupção ao alcance do povo. Criou do clero, e seu movimento um grupo de pregadores que foi envolvido por interesses iam, demonstrando pobreza, políticos, provocando uma

grande luta, e ele se tornou uma figura central da libertação da Boêmia. Os seguidores valdenses, lolardos, taboristas, e utraquistas, do movimento, deram origem aos morávios. No mapa da República Tcheca temos as três regiões chamadas “terra dos morávios”, e em Praga, temos o bairro chamado Monte Tabor, onde viveram os taboristas. Dos morávios tivemos o maior avivamento da história pós-apostólica. Nas três vezes que passei perto da Igreja onde Huss pregava, produziu-me forte emoção. Hoje o templo é apenas peça arquitetônica histórica, e paga-se cinco reais para visitá-la. Lutero também decidiu debater com o clero superior de Roma, defendendo-se das acusações de herege, e alimentando a esperança de que pudesse convencê-los. Lembrados do que acontecera com Huss os príncipes alemães o impediram de ir a

Roma, e com isso salvaram-lhe a vida, o que podemos concluir que, indiretamente, Huss salvou a vida de Lutero. A separação que a Igreja Romana faz entre secular e sagrado, dando primazia ao sagrado (padres, ordens religiosas, autoridades eclesiásticas), diferencia-se do protestantismo, onde a ocupação secular fica em igualdade com o sagrado, o que, segundo Max Weber, levou o protestantismo a tornar as nações que a ele aderiram, mais adiantada que as demais. Ao mesmo tempo, o protestantismo de Missão, diferenciando-se do protestantismo de Migração, passou a acreditar que, basta a conversão ao protestantismo, para afastar seu seguidor da miséria. Ocorre que, num país onde as oportunidades, por muito tempo, só era possível nas grandes metrópoles, esse pressuposto não foi possível torna-se realidade, em nosso Brasil.

Os heróis que antecederam a Reforma, algum princípio ou outro, herdaram dos anabatistas, e os batistas atuais também, todavia, isso é ignorado pela maioria batista. Aliás, ser batista, tem hoje, pouca importância até para os batistas, mormente pela juventude, pouco interessada no seu passado histórico. Hoje, não temos nenhum monumento de pedras tirado do fundo mar, conforme os israelitas tiveram, mas, tirar os olhos dos princípios que herdamos de nossos antepassados, e que custou a vida de milhares deles, causa-me tristeza e muita dor. O que nos torna fracos hoje, é não termos homens como Baltazar Hubmayer, Wycliff, Huss, Tchendorff, Lutero, Calvino, e tantos outros, mas temos certeza que, quando eles forem necessários, ressuscitarão em outros que personificarão os mesmos ideais. Deus é o mesmo, ontem, hoje e sempre. Amém.

mesmo é seguir a orientação do sábio Salomão quando diz: “Ensina o menino no caminho que ele deve andar, e quando se envelhecer não desviará dele” (Prov. 22.6). Seguir esta orientação é sem dúvida a coisa mais acertada a se fazer, mesmo porque, há que se obedecer a Palavra. Ensinar desde menino resulta em bênçãos, porque assim fazendo serão incutidas em sua mente e coração valores temporais e eternos. Mas voltando ao “Instruir o menino”, de Provérbios 22.6, o princípio da instrução na infância é comprovadamente eficaz, com poucas exceções. Os valores morais, éticos, sociais fazem do menino um cidadão de bem, os valores espirituais, além disso, fazem dele um cidadão dos céus. Por um bom cidadão podemos entender aquele que cumpre seus deveres e obrigações não onerando o estado, resultado menos violência, menos presídios, menos dependência química, menor a necessidade de clínicas de recuperação, melhor será a convivência social e melhor será também a qualidade de vida, saúde.

O cidadão dos céus é aquele que foi resgatado das trevas do pecado, liberto da morte eterna para a maravilhosa luz de Cristo e vida eterna com Deus, anunciador das boas novas do evangelho de Cristo. A organização Embaixadores do Rei, da Convenção Batista Brasileira, tem como lema “Construir meninos para não remendar homens”, por isso prepara o menino moral, física e espiritualmente, e tem moldado e transformado a vida de meninos ao longo dos últimos 64 anos, e desses tem saído bons pais de família, ótimos profissionais nas mais diversas áreas de atuação no mercado, pastores, missionários e líderes denominacionais exemplares. Hoje se faz necessário a implantação de novas embaixadas, a revitalização das já existentes que necessitam de ajuda (liderança capacitada, investimento das igrejas), a dinamização e fortalecimento das que estão em plena atuação. O tempo é hoje! Igrejas clamam, a sociedade está em desespero, o Estado não tem solucionado o problema das drogas e da marginalidade de

menores em várias camadas da sociedade. Deus quer que façamos a obra enquanto é dia. O que você tem feito ou o que pretende fazer? Se você sabe fazer o bem e não o faz comete pecado. Por isso eu conclamo a você a se engajar nesse ministério, através dos Embaixadores do Rei você pode

mudar a realidade da sua vizinhança, bairro, cidade, estado e do país. Não transfira a responsabilidade. Deus o tirou das trevas para sua maravilhosa luz, para que você proclame as suas maravilhas. Ele quer usar você. Procure a coordenação dos Embaixadores do Rei da sua associação ou do seu estado.

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Pr. Edemilson Benedito de Oliveira Missionário dos ER Coordenador Estadual dos ER

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revenção é o melhor remédio. Segundo informações do IBGE 92% dos municípios brasileiros estão envolvidos com drogas e o estado não sabe como resolver o problema. Muitas vezes começa com drogas legalizadas como cigarro e bebidas alcoólicas seguindo, após essas, drogas ilícitas. A situação já é considerada pandemia e a consequência disso é o aumento da violência, com destruição de famílias inteiras, super lotação de delegacias e presídios, super lotação de hospitais públicos por causa de acidentes e brigas, o que tem provocado déficit no atendimento para medicina preventiva. E o estado continua gastando milhões para “apagar incêndio”, dito popular, e claro sem resultado visível por que a solução está em investir na prevenção. Como diz o ditado: “prevenir é melhor que remediar”. Mas melhor


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Almir de Oliveira Pastor da PIB em Cruzeiro do Oeste, PR

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Reforma Protestante dividiu a história do mundo em duas partes: O Antes e o Depois da Reforma! Temos agora na presente história a liberdade de Culto, a Autonomia das Religiões e Igrejas, a liberdade de expressão religiosa, antes sufocada e combatida de forma veemente. Devemos isso hoje, a homens de Deus do passado, muitos dos quais pagando com a própria vida a verdade que defendiam, ou seja, a pureza do Evangelho apresentado na Bíblia Sagrada. A Reforma Protestante deu origem a formação das Denominações Confessionais de variadas ênfases doutrinárias. Porém, unificadas, na doutri-

na da Salvação mediante a fé em Jesus Cristo, tendo a autoridade da Bíblia como sua regra de fé e prática. A partir da Reforma o livre arbítrio se valoriza e as formas de expressão religiosa ganham força. É inegável a marca que a Reforma Protestante deixa na história do mundo! Poderíamos mencionar muitos Reformadores e Pré-Reformadores. Todos foram importantes e indispensáveis. Com a sua vida e voz marcaram o seu tempo, sendo arautos da verdade que culminou no dia 31 de outubro de 1517, à 495 anos atrás, quando Martinho Lutero, um monge alemão, o personagem destacado da Reforma Protestante afixou na porta da Igreja de Wittemberg 95 teses em que expôs seus protestos com o objetivo de repensar e debater alguns pontos relacionados

a fé, a Igreja, a doutrina e etc... Lutero apontava a necessidade de uma Reforma, ou seja, um debate com esse objetivo. No entanto sofreu severa perseguição. Mas, foi protegido pela providência de Deus que usou Príncipes da Alemanha para ajudá-lo dos constantes perigos de morte. Martinho Lutero aos 20 anos de idade tornou-se professor na Universidade de Wittemberg onde ensinava sobre os livros da Bíblia, recebendo o grau de Doutor em Teologia. Experimentou um encontro real e marcante com Cristo ao estudar na Bíblia o livro de Romanos, onde descobriu o ensino da justificação pela fé, sem as obras da Lei. Esse ensino marcou a sua conversão, recebendo pela fé, o Senhor Jesus, como o seu Único Salvador.

Junto a Martinho Lutero podemos ainda destacar outros Reformadores tais como: João Huss, Hubmaier, Erasmo, Calvino, Zwinglio, Guilherme Farrel e Melancton. Inclusive Melancton foi um grande aliado de Lutero. Esse jovem de apenas 21 anos, professor de Grego e Hebraico na Universidade de Wittemberg contribuiu em muito para o sucesso da Reforma Protestante. Podemos dizer que Melancton foi o Teólogo da Reforma e Lutero o Proclamador, o porta-voz que Deus usou para proclamar a verdade, à séculos abafada, reprimida e relegada ao esquecimento. Em abril de 1521, Lutero precisou comparecer perante a Dieta de Worms, ou seja, uma assembléia geral, para defender os pontos que margeavam a Reforma

Protestante. Na Dieta de Worms, Lutero com a Bíblia na mão corajosamente respondeu: “Não posso e não quero retratar coisa alguma, porque não é seguro para o cristão falar contra a sua consciência. Aqui estou. Não posso fazer de outro modo. Deus me ajude. Amém.” Deus preservou a vida de Lutero e ele continuou o seu trabalho pregando a verdade registrada na Bíblia, sendo pela mão de Deus um instrumento para o surgimento de uma Reforma que marcou a história da humanidade. Lutero à cinco séculos atrás levantou essa bandeira e hoje também nos juntamos a ele para continuar a proclamar: “Sola scriptura” (Só a Bíblia Sagrada), “Sola gratia” (Só a Graça de Jesus), “Soli Deo Glória” (Só a Deus Glória), Amém.

152 páginas

Coloridas e ilustradas destacando personagens, lugares e o contexto dos livros da Bíblia, estimulando a criança a estudar a Palavra de Deus.

“Instrui o menino em que caminho deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” Pv. 22:6

Também disponívell em versão acompanhada da Bíblia Sagrada.

(versão Almeida Corrigida) a))

/geograficaeditora

@geograficaed

www.geograficaeditora.com.br

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Igrejas que estão perdendo o foco Pr. Araúna dos Santos Vitória, ES

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recomendação bíblica, sintetizada pelo apóstolo Paulo, quando escreveu sua carta aos cristãos de Roma, é simples: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação de suas mentes, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rom. 12.2). Através dos séculos de revelação bíblica, a Palavra de Deus a Israel e à Igreja foi sempre esta: “Olhai para mim, e sereis salvos ...” (Is. 45.22). Todavia, a tendência à aculturação tem estado presente no cotidiano do povo de Deus, na história. Profetas do passado e pregadores do presente têm sido vocacionados por Deus para alertar israelitas e cristãos sobre o cuidado necessário no relacionamento sociocultural. O escritor da carta aos hebreus cristãos enfatizou: “Deixando todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia, corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé” (Heb. 12.1). E o profeta Jeremias já havia proclamado: “Não aprendais o caminho das nações...” (Jer. 10.2). E explicado: “Os costumes religiosos das nações são inúteis.” (Jer. 10.3). Viver com sabedoria o aqui e o agora, para não se afastar do propósito de Deus e firmar-se na realização plena da vontade do Senhor são os grandes desafios da fé bíblica, da fé cristã. O processo de contextualização requerido por muitos entre o povo de Deus é perigoso, nisto que, em sua atualização da fé, o cristão, a igreja, pode perder Jesus de vista, o Jesus de Nazaré, o Cristo da fé. A ação iconoclasta, destruidora de tradições, pode ir além dos costumes passageiros, destruindo também princípios bíblicos fundamentais e supraculturais. Uma vez. John Stott advertiu pregadores evangélicos para “não sacrificar a revelação no altar da relevância”. No desejo de ser relevante para a cultura, muito sutilmente, o cristão sucumbe a esta pressão. O.S. Hawkins, que pastoreou, por longos anos, três das maiores igrejas batistas norteamericanas, escreveu categórico: “Há uma nova tendência evangélica, propagada por alguns pastores, que não seria reconhecida

por nossos pais apostólicos que foram mordomos do Novo Testamento” (The Pastor’s Prime - pág. 41). O autor estava se referindo à contextualização do Evangelho levada a extremos em que os costumes das culturas humanas falam mais alto do que os princípios da fé, segundo a revelação bíblica. E esclarece: “O evangelho do Novo Testamento ensina a autonegação. A nova tendência “gospel” esposa a autoestima, autorealização. O Evangelho do Novo Testamento está focalizado em Cristo e seu plano de redenção. A nova tendência “gospel” está focalizada no homem e em seu desejo de felicidade na vida. Essa nova tendência evangélica tem uma antropologia defeituosa. Ela tende a ver o homem como alguém, basicamente, bom e amigo de Deus e que, simplesmente, se afastou da igreja em razão de seus métodos inadequados e ultrapassados”. Há cristãos que buscam uma igreja segundo os seus próprios critérios. É famoso nos meios teológicos o livro de Richard Niebhur - Cristo e Cultura – que discute cinco posições da igreja na dinâmica da fé em sociedade. Sem dúvida o tema precisa de considerações firmadas em bases razoáveis do tratamento adequado do texto bíblico – que se construiu num período, mais ou menos aceito, de dezesseis séculos de revelações de Deus – e também de uma compreensão da cultura, em sua dimensão psicossocial, política e econômica e suas manifestações sob a influência da natureza humana contaminada pelo pecado, com forte atuação satânica – “O mundo todo está sob o poder do Maligno” (I João 5.19). Niebhur levanta questões e as responde com o testemunho de pensadores bíblicos e históricos, buscando um entendimento de Cristo e também de Cultura, mas sempre valorizando a supremacia daquele sobre esta. Atribui-se a Karl Barth, teólogo protestante da primeira metade do século XX, uma afirmação que sugere a importância da leitura do jornal diário ao lado da Bíblia, para as devidas aplicações no púlpito. Mas, o que se tem visto e ouvido vai além dessa informação necessária. Há uma tendência de amoldar-se ao mundo, à cultura, aos costumes. Cristãos e igrejas sofrem a pressão, e

sucumbem à tentação, de repetir e assumir comportamentos e padrões de pensamentos que significam a forte influência secular na expressão da “fé” – que parece não objetivar o Jesus de Nazaré nem o Cristo da fé, mas um personagem aculturado – O Cristo contemporâneo, a Igreja pós-moderna, o Evangelho Gospel. John MacArthur, o pastor e escritor norteamericano, em seu livro “The Truth War” (A Verdadeira Guerra) chama a atenção de seus leitores para essa tendência em que a Igreja perde o foco do Jesus Cristo – “autor e consumador de nossa fé” – para criar seu próprio Cristo e seu próprio Evangelho atualizado, mais afinado com a filosofia pós-moderna, herdeira do humanismo não cristão, que cultua o prazer, a superficialidade, as incertezas, o consumismo, a rapidez, o entretenimento e o vazio, principalmente do Deus pessoal da Bíblia que fala, expõe sua vontade,além de ouvir nossas preces e nos “coroar de bênçãos”, como desejam os “gospels”. O foco da Igreja deve ser Jesus – o revelado pela Bíblia – e não os homens e seus modelos. Através de séculos de história, não foi difícil para cristãos e igrejas

se enganarem com “as astutas ciladas do Diabo”. O acessório acabou sendo o principal, e o desnecessário tomou o lugar do essencial. Em sua oração pelos crentes e pela igreja em Colossos, Paulo, o apóstolo, assim se expressou: “Por essa razão, desde o dia em que o ouvimos, não deixamos de orar por vocês e de pedir que sejam cheios do conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria e entendimento espiritual. E isso para que vocês vivam de maneira digna do Senhor e em tudo possam agradá-lo, frutificando em toda boa obra, crescendo no conhecimento de Deus e sendo fortalecidos com todo o poder, de acordo com a força de sua glória, para que tenham toda a perseverança e paciência, com alegria...” (Col. 1.9-11 ). O alvo dessa oração é o essencial para a igreja. Igrejas e seus pastores, especialmente estes, que são seus líderes espirituais, precisam refletir sobre a pergunta sugerida por Paul McKaughan: “A quem estou seguindo?” (in Mensagem da Cruz - nº 154). Ele explica a importância da liderança. “Os líderes são os que influenciam, dando o exemplo aos olhos de todos. Os líderes se tornam pessoas especiais. Eles podem con-

tribuir para que coisas muito boas ocorram”. Também, James Hunter, autor do livro “Como tornar-se um líder servidor”, assim conceitua liderança: “Habilidade de influenciar pessoas para trabalharem, entusiasticamente, visando atingir objetivos comuns, inspirando confiança por meio da força de caráter”. Ele acrescenta: “Liderar significa conquistar as pessoas, envolvê-las de forma que coloquem seus corações, mentes, espíritos, criatividades e excelências a serviço de um objetivo”. O que caracteriza bem a palavra liderança é a capacidade de influenciar outros para o bem (ou para o mal), de acordo com um objetivo comum. Assim, pastores e líderes nas igrejas precisam saber para onde estão conduzindo o povo de Deus. Se estão com o foco em Jesus Cristo – cabeça da Igreja – e Sua Palavra revelada, ou se estão se deixando levar por modismos, contextualizações secularizadas e, igualmente, se perdendo nesse emaranhado de novidades “gospels”, trazendo o mundo (a cultura deste século) para a igreja ao invés de penetrar o mundo com a mensagem do verdadeiro Evangelho – a significativa contracultura cristã. Que o Senhor da Luz nos ilumine, nos esclareça!

Velho ou idoso? Pr. Noélio Duarte Membro Titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil (AELB) Na vida temos dilemas; Alguns, muito complicados. Dia a dia, temos problemas Que precisam ser solucionados.

Idoso é quem tem muita idade Mas sempre lutou e resistiu; Velho é quem não tem vitalidade E vive pelos cantos, pois desistiu!

Ser velho ou ser idoso? Este é um dilema perfeito! Entender isto é imperioso Para se poder viver direito.

Idoso é aquele que ainda aprende - está sempre em busca do saber; Velho é apático e desaprende, não ensina e não quer se envolver.

O idoso tem planos constantes, Tem alegria, fé e suavidade; O velho é sempre implicante E vive somente de saudades!

Idoso é alguém que exercita Músculos, cérebro e sua visão; O velho vive que nem parasita Sentado e quer tudo à mão!

O idoso tem paixão pela vida, Ele tem projetos de porte; O velho tem a visão falida E só vê aproximação da morte!

E então: ser velho ou idoso? Esta é uma seríssima decisão! Ser velho é viver bem choroso, Ser idoso é viver a realização!

O idoso pensa forte no “amanhã” Seu calendário é futurista; O velho vive uma vida vã: Só tem o “ontem” em sua lista.

Eu lutarei para ser um idoso E ter uma vida de resultados... E um dia afirmarei orgulhoso: Agi, insisti – Hoje estou gratificado!

O idoso declara que sonha E luta para ver algo realizado; O velho leva uma vida tristonha E deita – não quer ser incomodado!

Pra você, idoso, viver muito mais, Leia sempre o eterno evangelho: Você terá segurança e muita paz E nunca, jamais será um velho!


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missões nacionais

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Avançando para ser 24 horas de luz em meio às trevas oração pelo Brasil

Tiago Monteiro Redação de Missões Nacionais

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campanha Em um Brasil em Trevas, Seja Luz teve grandes repercussões em igrejas batistas de todo o país. Movimentos de oração, congressos e outras ações de apoio à obra missionária permearam nas agendas eclesiásticas, desenvolvendo uma postura de avanço contra as trevas que assolam a nação. O clima missionário envolveu os irmãos de Governador Valadares, MG, com a realização do Congresso Missões Brasil. O evento foi mais uma ação de aproximação da JMN que gerou grandes expectativas de desenvolvimento de projetos na região. O evento aconteceu na primeira semana de setembro, na Primeira Igreja Batista da cidade. Para os cerca de 800 participantes, representando mais de 16

igrejas batistas, o congresso foi também o pontapé inicial para o mês de Missões Nacionais. Participaram da programação o coral da Cristolândia RJ e o pastor Fernando Brandão, diretor executivo da JMN. Além disso, oficinas sobre os principais desafios missionários (crianças, tribos urbanas, plantação de igrejas, entre outros) do Brasil levaram capacitação aos presentes. Acima de tudo, como afirma o pastor da Primeira Igreja Batista de Governador Valadares, pastor Bruno Jorge Rodrigues Magalhães, “fomos despertados e desafiados para uma nova postura cristã diante dos desafios. A PIBGV está vibrando e com certeza vamos avançar. Somos gratos à JMN pelo privilégio que nos concedeu de recebermos este maravilhoso congresso”. Durante o evento, houve ainda um encontro da liderança local com o pastor Fernando Brandão. Em um

Aniversariando com a JMN

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o estado do Rio de Janeiro, a Primeira Igreja Batista de Nova Iguaçu, liderada pelo pastor Edgard Barreto Antunes, fez questão de dar à celebração de seus 90 anos de fundação um tom missionário. As festividades tiveram 90 horas de duração, com início no dia 21 de setembro e conclusão no dia 24. Parte do culto de encerramento ficou por conta da JMN, sendo representada pelos pastores Fernando Brandão e Cleber Souza, gerente regional da JMN para o RJ, e pelo Coral da Cristolândia. “Não há um programa sequer da igreja que não tenha momento missionário”, afirmou

o pastor Edgard, e completou: “Tenho dito à igreja que tenho o privilegio de estar em todas as assembleias da CBB e conheço esse coral, o testemunho dos irmãos. A presença do coral pra mim é uma coisa que estava no meu coração há muito tempo, mas queria trazê-lo no momento mais nobre. E não há momento melhor que este”. A igreja recebeu uma placa da JMN em gratidão a Deus pela vida dessa grande parceira que tem mantido a visão de alcançar vidas em todo o Brasil. A homenagem foi passada às mãos do pastor Edgard pelos pastores Cleber Souza e Diego Machado, líder da Cristolândia Rio.

Cristolândia nos 90 anos da PIB Nova Iguaçu

café da manhã, preparado com muito carinho pela Igreja, pastores discutiram ações para o progresso do Reino de Deus na cidade, em especial a abertura de uma Missão Batista Cristolândia para dar resposta ao crescimento de usuários de drogas na região. O pastor José Ângelo de Souza, coordenador da Associação Central Riodocense, afirmou que os pastores estão tão entusiasmados com a proposta de combate às drogas que já estão buscando parcerias para viabilizar esse sonho. O pastor Sebastião Arsênio (IB Esplanada), um dos 19 pastores participantes do congresso, também falou da necessidade da abertura de uma Cristolândia, confirmando a alegria dos colegas. “Nós, os pastores da Associação, ficamos vibrantes e eufóricos com a ideia da implantação da Cristolândia em Valadares, principalmente porque nossa cidade é bem marcada pela presença do crack e outras drogas”.

Foto: Selio Morais

Momento de oração

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omo tem sido feito nos últimos anos, Missões Nacionais conclamou as igrejas para a realização das 24 horas de oração pela Pátria, iniciadas às 20h do dia 11 até as 20h do dia 12 de outubro. Em São Paulo, a jornada foi realizada na Primeira Igreja Batista do Brás com a participação de 25 igrejas e cerca de

250 pessoas, liderada pelos gerentes regionais, pastor Exequias e Maria Helena Santos. “Oramos pela campanha 2012, pelos missionários e seus projetos, pastores, igrejas e todos os assuntos relacionados à obra missionária nacional. Foram momentos de muita alegria e dependência de Deus”, declararam nossos gerentes.


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Sr. e Sra. Bagby no Brasil

Othon Ávila Amaral Membro do Conselho Editorial de OJB

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illian Buck Bagby e Ana Luther Bagby, respectivamente com 26 e 22 anos chegaram à cidade do Rio de Janeiro no dia 2 de março de 1881 trazendo no coração as lembranças de seus pais, de seus familiares, de seus amigos, de suas igrejas, de instituições educacionais, de universidades e de seminários, enfim de tudo quanto desfrutaram nos poucos anos de suas vidas para darem início a uma epopeia marcada por conquistas memoráveis. Para recordar as conquistas do casal Bagby em nossa Pátria mencionaremos alguns momentos extremamente belos e emotivos de vidas tão singulares e tão submissas à vontade de Deus. Tudo o que realizaram foi movido pelo amor. Foi o amor de um pelo outro e o amor deles para com Deus e de Deus por eles que alimentou os sonhos e as realizações de cada um. Foram 120 anos de suas vidas à causa do Evangelho! Recapitulemos, pois, epopeia tão grande e tão cheia de ensinamentos e lições. Início de um grande amor “Estava na igreja, quando notei, logo na primeira reunião, um moço muito simpático, cujo olhar cruzou com o meu. Após o encerramento dos trabalhos tive o prazer de ser-lhe apresentada. A mim, a Convenção pareceu ser curta demais e enquanto nos preparávamos para o nosso retorno, queixei-me às companheiras o quanto lamentava não ter tido oportunidade de conhecer melhor um certo pregador. E eis que, para surpresa nossa, um bilhete me chega às mãos, solicitando um encontro imediato. Ouvimos alguém bater. As companheiras saíram apressadamente da sala e, pela primeira vez na vida, vi-me à frente de um namorado. O moço, cujo nome era William Bagby, formara-se na Universidade de Baylor. Era pregador e sabia muito bem como conduzir uma conversa. Colocou sua cadeira em frente à minha e, fitando-me com olhar penetrante, pôs-me tão à vontade, que abri meu coração como nunca fizera antes. Suponho que dominei a conversa, pois falei-lhe do meu desejo, ou melhor, de minha determinação de ser missionária em um país estrangeiro, possivelmente na Birmânia. Contei-lhe que gostava muito de poesias e que já havia até escritos algumas. Dei-lhe um exemplar do Central Baptist,o jornal que meu pai dirigira no Estado do Missouri, e que publicara uma de minhas poesias”.

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Há 130 anos os Bagbys seus três anos em Louisville ou talvez aparecesse diante de seus olhos a imagem de uma pálida birmanesa, o que lhe fez pensar na minha longa permanência entre elas, tão distante de tudo o que amo na terra. Será que você não se florescente igreja de cidade, com ela ao seu lado? Nesse caso, suponho que você sorrisse, pois sem dúvida seria bem mais fácil e agradável, esquecer-se de mim e amar alguém que julgasse certo e permanecer na América e viver ao seu lado para sua felicidade. Espero que isto seja mesmo uma suposição tola, pois nem por um momento posso aceitar a ideia de que você pudesse se esquecer de mim. Mas, de outro lado, penso também quão doloroso será a separação a que você terá de sujeitar (se de fato me ama de verdade). No entanto, bem pode ser o plano de Deus que fiquemos separados. Só ele sabe?” O General Hawthorne interfere nos planos de Ana Luther Imagine! O General Hawthorne deseja que eu siga imediatamente ao Brasil como missionária! Ele diz que o povo lá é simpático, o governo favorável à evangelização e que o clima do país é agradável. Você se lembra do interesse que o Sr. Zacarias C. Taylor falava do Brasil? Papai concorda plenamente comigo em que esse seja o meu campo de trabalho, o mesmo acontecendo com mamãe e com a tia Addie. Parece que o dedo de Deus está mesmo apontando nessa direção. Agora, a questão: quando deverei ir? Sei que me sentiria mais feliz se imediatamente entrasse nessa atividade que sempre tive receio de adiar. Todavia, não desejo absolutamente interferir em nenhum de seus planos. Eles acham que eu posso ir só, mas pensam que seria muitas vezes melhor se eu fosse já casada. Quanto ao sustento, o General Hawthorne acha que poderá conseguir os recursos. Por intermédio de Mary, mandei um bilhete no qual peço que você vá se encontrar com esse senhor em Bryan. Sei o quanto isso será difícil e talvez esteja pedindo demais. Ele, porém, está tão ansioso de falar-lhe, estando mesmo disposto a ir visitá-lo, se souber onde poderá encontrar você. Parece que tudo é obra da Previdência, não acha? Sr. Bagby, de maneira alguma desejo alterar os seus planos e quero que fique bem claro que o que eu disse é meramente uma apresentação do assunto no que tange a mim e aos amigos. Estou de pleno acordo em manter nossa primeira decisão. Estou pronta a ir sozinha e esperá-lo como estou pronta a ir com você, isto é, farei conforme você achar melhor... A decisão de W. B. Bagby “A sorte está lançada!” – a decisão feita. Tanto quanto está em mim para fazê-lo, estou pronto a seguir para o Brasil, logo que a Junta nos queira enviar. Não é um mero impulso, tampouco um capricho que me levou a decidir, porém sincera e cuidadosa consideração, de joelhos. Confio que o nosso Pai me esteja guindo. O Dr. Carrol visitará as igrejas batistas das diversas associações do Texas a fim de apresentar o nosso caso, e o General Hawthorne fará o mesmo no Leste do Estado. Se alcançarem o ideal que alimentam, isto é, se conseguirem os meios para o nosso sustento por alguns meses, e promessas para o futuro, escreverão ao Dr. Tupper, Secretário da Junta de Richmond, solicitando que seja designada uma Comissão de irmãos daqui para nos examinar, o que será econômico, evitando despesas de viagem à Richmond, e para fazer sem demora, nossa nomeação para o Brasil”.

A propósito de uma fotografia “Sua fotografia está tão boa que quando a olho é como se estivesse perto de você. A única resSaudades do lar paterno trição que poderia fazer é a expressão um tanto “Você não pode calcular quantas saudades eu triste que geralmente não é a que você costuma sinto de casa. Todas as tardes, especialmente apresentar. Talvez você estivesse pensando nos à hora do crepúsculo, elas me assaltam e me

envolvem de tal maneira, que tenho de fazer um esforço enorme para suportá-las. Foi assim ontem à noite, e eu chorei quase todo o tempo enquanto aguardava a passagem do ano. Eu já sabia que isso ia acontecer, mas de modo algum ousaria voltar atrás porquanto muito claramente via a mão de Deus. Porém, não estou dizendo com isso que me sinto infeliz. Geralmente es- Os filhos Bagby (da esquerda para a direita tou alegre e bem (S.M. Sowell), Alice (Sra. Smith Harley), T. disposta. Aprecio imensamente a companhia do Sr. Bagby. Ele reúne todas as qualidades que eu poderia desejar numa pessoa. Está sempre pronto a qualquer sacrifício em favor de meu bem estar e, constantemente, de diversos modos expressa o seu amor”. 48 dias de viagem – 12/01/1881 a 02/03/1881 Após viagem de 48 dias de Baltimore, estamos ancorados esta noite nas águas quietas do Rio. É o mais lindo panorama que os meus olhos já contemplaram. Não posso descrever a beleza desta aureola de montanhas, enroupadas de verde e entremeadas de vilas e capelas. Nunca vi a baia de Nápoles nem a (Golden Horn) de Constantinopla, mas esta certamente deve ser rival das paisagens encantadas do mundo. Olhando, porém, esta noite para o lindo panorama de luzes cintilantes à beira do mar, ao lado das montanhas confundindo-se com as estrelas, entristece-se o meu coração por haver aqui milhares de almas sem Deus e sem esperança, sob a sombra triste de um eclipse! Ó Deus, concede que a tua verdade, como está em Cristo Jesus, encha esta terra, de Norte a Sul, do Atlântico aos Andes”. Quase cinquenta anos depois “América Latina, eu te amo! Aqui já gastei dois terços de minha vida; aqui nasceram os meus filhos e neto; e os meus filhos espirituais. Aqui espero morrer e ir para o céu, e certo estou que lá encontrarei uma multidão inumerável de toda a parte destas terras do Centro e Sul das Américas, naquele dia! Sim, nesta hora solene e histórica do quinquagésimo ano do trabalho batista entre os povos da América Latina, emoções inefáveis fazem transbordar o meu coração quando olho em retrospecto para os longos anos desde aquele dia quando nós dois, eu e a minha esposa, sozinhos embarcamos num pequeno navio de vela lá em nossa terra natal, para empreendermos uma viagem para um novo mundo debaixo do Cruzeiro do Sul. Nunca tínhamos visto um brasileiro, nem um argentino, nem um chileno. Não conhecíamos nenhuma alma em toda a América do Sul. Ninguém havia de dizermos “Bem vindos” ao chegarmos a longínqua baia do Rio de Janeiro. Nada sabíamos das línguas latinas. Era esta uma terra desconhecida para nós. Não sabíamos o que nos esperava. Só sabíamos que o nosso Deus havia de dirigir os nossos pés, e escolher a nossa sorte. E que maravilhas temos visto e estamos de dia em dia e de hora em hora. Graças a Deus pelo passado, pelo presente e pelo futuro!


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deixaram suas marcas

As duas primeiras igrejas batistas da América do Sul “Havia duas igrejas batistas quando os Bagbys chegaram – igrejas estas compostas de estrangeiros e para os estrangeiros. A primeira destas, a da Guiana Britânica, (igreja de chineses), foi organizada por um dos maiores heróis de nossa fé, Lough Fook, que veio de Cantão, China, em 1864, a) Helen (Sra. W.C. Harrison), Arminho e voluntariamente T.C. Bagby, Albert I. Bagby se tornou escravo para se a longa viagem de Cantão a Demerara e ensinar o Evangelho, aos pobres “coolies” chineses de lá! Deus abençoou os esforços e sacrifícios deste nobre batista chinês e em poucos anos aquela pequena igreja de escravos cresceu e se tornou uma organização forte, com duzentos membros. Edificou três capelas e enviou um de seus membros, Tso Sune, como missionário à China. A segunda foi a de Santa Bárbara, na Província de São Paulo, organizada pelos norte-americanos, em 1871”. A Igreja Batista Vernacular “Para organizar a Primeira Igreja Batista da Bahia, em Salvador, os dois casais americanos pediram suas cartas de transferência à PIB de Santa Bárbara e o ex-padre Antonio Teixeira de Albuquerque saiu com carta de transferência da Igreja Batista da Estação. Assim nasceu a Primeira Igreja Batista da Bahia. Bagby foi escolhido como moderador e Albuquerque como secretário. A Igreja adotou a Confissão de Fé de New Hamsphire, posteriormente adotada pela Convenção Batista Brasileira, com o nome de Declaração de Fé das Igrejas Batistas do Brasil”. “A Primeira Igreja Batista da Bahia, é propriamente reconhecida como a primeira Igreja batista nacional do Brasil, porque foi organizada com o fim definitivo de pregar o Evangelho ao povo brasileiro e todos os seus cultos eram realizados no vernáculo”. As Igrejas fechadas Conheço, pelo menos três igrejas, que o missionário W. B. Bagby trabalhou para que elas cerrassem suas atividades e seus membros procurassem outras igrejas. A primeira foi a Igreja Batista da Estação, em Santa Bárbara. Ele teria sugerido a “dissolvência da Igreja”. Foi a Igreja da Estação quem tomou a profissão de fé do ex-padre Antonio Teixeira de Albuquerque e o batizou e consagrou ao pastorado no dia 20 de junho de 1880. A segunda foi a Igreja Batista de Santos. Em junho de 1903 o missionário Bagby presidiu sessão da Igreja que votou o seu encerramento. “Porém aqueles irmãos fervorosos e ativos não permitiram o encerramento do trabalho batista na sua cidade que não tinha nenhuma outra igreja evangélica”. Menciono ainda a Igreja Batista de Campinas que perdeu alguns anos de sua história. Sua organização inicial foi em dezembro de 1900 e sua reorganização em outubro de 1907. Colégios fundados pelos Bagbys Duas notáveis instituições fundadas por D. Ana Bagby e Harley Smith e sua esposa, Alice Bagby Smith, respectivamente em São Paulo e Porto Alegre foram os colégios batistas. O primeiro

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em janeiro de 1902 e o segundo em fevereiro de 1926. As duas instituições funcionam até os nossos dias. Observem que estamos apenas registrando instituições que foram idealizadas e concretizadas pela família Bagby. É bom mencionar que o Colégio de Porto Alegre, fundado por Harley e Alice, teve quase que em seguida a excelente cooperação de W. C. Harrison e Helen Bagby Harrison que, de 1928 a 1939, dedicaram suas vidas ao colégio. O sonho tríplice de Harrison era Hospital, Colégio e Convenção. William Buck Bagby e a vida pública Foi muito interessante descobrir que em São Paulo existe uma loja maçônica cujo nome foi uma homenagem ao missionário William Buck Bagby. Na relação de brasileiros que foram membros da referida loja encontramos nomes referenciais na vida pública brasileira: Aristides Lobo; Benjamin Constant, “O Pai da República”; Carlos Gomes; Evaristo da Veiga; Joaquim Gonçalves Ledo; Gioia Júnior, poeta e filho do ex-padre Raphael Gioia Martins que teve como preceptor batista Emilio W. Kerr; Joaquim Nabuco, fundador da Academia Brasileira de Letras; Mário Covas, nosso contemporâneo; Nilo Peçanha, Presidente da República; Quintino Bocayuva; Rui Barbosa; Lamartine Babo; Silva Jardim.

General A. T. Hawthorne

Helena Bagby Harrison (35 anos e 6 meses); Alberto Bagby (35 anos e 4 meses) e Samuel Bagby (4 anos). Cônjuges: Frances Bagby (45 anos); Harley Smith (46 anos); W. C. Harrison (34 anos); Thelma Bagby (35 anos) e Sara Bagby (4 anos). Total geral: 448 anos! Acrescentando ainda a presença da família Bagby na Argentina temos: Ermine Bagby Sowell (36 anos); Sidney Sowell (50 anos) e Ane Sowell Margrett (27 anos), totalizando 113 anos que juntando o Brasil com a Argentina são 581 anos dos Bagby A tragédia na Família Bagby Quase ninguém conhece os filhos de Babgy na América do Sul! É possível que depois da e Ana Bagby, que acarretaram profundos sen- data das informações acima outros descendentes timentos à vida de seus pais. O primeiro foi tenham vindo cá para a América Latina. Wilson que, num pique-nique na praia José Sepultados no Brasil Menino, em Santos, com um grupo de cerca de É notável saber que tanto William Buck Bagby 70 alunos e funcionários do Colégio Progresso e quanto Ana Luther Bagby morreram e foram semembros da PIB de São Paulo saiu com mais três pultados entre nós. Ele em Porto Alegre e ela em alunos num barco e à medida que se afastavam Recife. O Dr. Bagby, como era chamado, desda praia a embarcação naufragou e foi um esforcansou no Senhor no dia 5 de agosto de 1939. ço extraordinário de Wilson para tentar salvar o D. Ana Bagby descansou no Senhor no dia 23 companheiro, Luís que não sabia nadar, foi por de dezembro de 1942. Na Igreja da Capunga, ele arrastado e ambos sucumbiram. D. Ana teria foi realizado o culto in memorian, presidido dito a seguinte frase na sua oração: “Senhor, se pelo Pastor José Munguba Sobrinho. Pregou o levaste para ti a alma de nosso filho, permite que Pastor John Mein. De sua mensagem confortatenhamos o seu corpo intacto”. Foi o que acontedora destacamos: “O homem propõe, mas Deus ceu. Sete anos após esta tragédia que aconteceu dispõe. No Norte começou o casal Bagby o seu no 7 de setembro de 1912 a família Bagby sofreu trabalho, no Sul o concluiu, permanecendo ele outro abalo com o desaparecimento de Oliver, ali para aguardar a ressurreição. D. Ana ficará que no Estados Unidos cursava o último ano de medicina. Era plano dele ser médico missioná- entre nós. Norte e Sul ligam assim as mãos na rio. Em fevereiro de 1919, deixou suas malas morte de seus pioneiros”. arrumadas, desapareceu da Faculdade, sem que A República e seus benefícios nunca mais fosse descoberto seu paradeiro. Um Estávamos no regime do Império e da união dia as filhas de Helena Babgy estavam vendo da Igreja e do Estado. Não havia verdadeira o álbum da família quando surgiu o retrato de liberdade de consciência. Os sacerdotes romaOliver. Então disse a primeira, Alicinha: “Cada nos gozavam de todos os privilégios de poder vez que mamãe vê este retrato ela chora, portirânico quase absoluto. De repente, como de que ele era estudante de Medicina na América um relâmpago do céu sereno, proclamou-se a do Norte (...) Nunca mais ninguém o viu, mas República. Tudo se mudou imediatamente. O vovó, quando era viva, sempre tinha esperança General que proclamou a República escolheu de um dia encontrá-lo”. como ministros do governo provisório homens de sentimentos liberais e de ideias esclarecidas e A pedrada que deixou marcas “Bagby levantou-se e começou o sermão, mas adiantadas, - como Rui Barbosa, Demétrio Ribeifoi o mais curto que jamais pregou, pois uma ro, Aristides Lobo, Quintino Bocayuva e outros. pedra o jogou no chão e ele foi removido da Estes ministros aconselharam o General Deodoro sala, inconsciente. Antes de recuperar os sentidos a proclamar a separação da Igreja e do Estado, a o relógio bateu meia noite, porém, os ouvintes secularização dos cemitérios, o casamento civil estavam à sua espera. A perseguição resultou em e outras grandes reformas. Em poucos anos, sim conversões... Taylor não estava presente na reu- meses, o sentimento público mudou notavelmennião, porém, ao contemplar o ferimento na testa te em referência à religião, como também em de Bagby, no dia seguinte, declarou com franca referência ao Evangelho e à Bíblia. As salas de inveja: “Bagby, essa ferida é a coisa mais linda culto se enchiam. Principiamos as reuniões nas que já vi. Como desejava estar ali também. Pre- ruas e praças públicas. O número de crentes ia feriria ter uma ferida adquirida como você obteve aumentando em toda a parte e logo todo munesta, a usar a coroa de qualquer rei da Europa”. do reconhecia a transformação nas ideias e nos sentimentos do povo a respeito dos evangélicos. Bem escreveu Quintino Bocayúva: “No regime Quase cinco séculos dedicados ao Brasil “William Buck Bagby (58 anos e sete meses); antigo estes ministros evangélicos não tinham Ana Luther Bagby (62 anos); Tecê Bagby (45 influência, mas agora as palavras deles cravam-se anos); Alice Bagby Smith (48 anos e sete meses); no solo brasileiro onde caem”.


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Maria das Dores Cardoso e Sebastião Clementino Cardoso celebram Bodas de Vinho

Eliana C. Freire

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o dia 15 de setembro de 2012, os filhos de Maria das Dores Cardoso, de 92 anos, e Sebastião Clementino Cardoso, de 98 anos, organizaram um culto de gratidão à Deus em comemoração aos 70 anos de casamento de seus pais (Bodas de Vinho). O casal foi membro da Igreja Batista de Mantenópolis (ES), Igreja Batista de Morro Grande (SP) e atualmente congregam na Igreja Batista do Jardim Rincão (SP). Ambos tiveram suas vidas dedicadas na obra do Senhor, onde constituíram família com 7 filhos, 20 netos e 14 bisnetos, entre eles: pastores, diáconos e levitas. O evento aconteceu em uma chácara, com a presença de familiares e amigos. O culto ocorreu pela manhã, com cânticos e hinos dirigidos pela família, momento de honra de seus filhos

Com profunda gratidão honramos vocês pelo sustento em oração, pois através delas recebemos bênçãos e livramentos até hoje. Pedimos perdão pelas marcas deixadas; marcas emocionais e até mesmo Carta de Honra Nós, seus filhos, quere- físicas. Somente hoje, como mos agradecer a Deus pela oportunidade de honrar-lhes, diante de nossos filhos, netos, irmãos e amigos. Honrar pela vida que nos deram, provisão, proteção e o amor com que nos criaram. Reconhecemos os sacrifícios e renúncias de seus sonhos para nos dar um lar. Lar equilibrado, vendo em vocês exemplo de servos, salvos em Cristo Jesus. Honrar-lhes pela sabedoria de nos consagrar a Deus bem cedo,ensinando-nos a Palavra do Senhor em casa e na Igreja. Reconhecemos que Deus os separou como levitas, nos deu a oportunidade de crescermos em Sua Casa e no momento oportuno, fomos salvos. e, após a palavra pastoral, houve troca de alianças com renovação de votos. Durante toda tarde, houve confraternização abençoada entre os irmãos.

pais, compreendemos este amor incondicional. Nos esforçaremos para seguir seu exemplo. “Meu pai e minha mãe”: como família, testemunhamos que vivemos bênçãos decorrentes da sua obediência a Deus. Com estas palavras quere-

mos honrar e reverenciá-los com muita gratidão pela maior e melhor herança que pais podem deixar para seus filhos: a salvação e a vida eterna com o Senhor. Com amor e carinho, Euzi, Neuza, Leudes, Eudir, Elecir, Edilon e Eliana.


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missões mundiais

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Missionários em Portugal testemunham Evangelho de Cristo

César e estão recebendo discipulado todas as semanas. “Este é um preparo cuidadoso de ensino, pois elas eram católicas e não veem a necessidade do batismo”, conta o missionário. “Temos ensinado a importância de obedecer à ordenança do Senhor, e por isso pedimos que orem por elas. Seus nomes são Diana, Fernanda e Dulce”, acrescenta.

Willy Rangel Redação de Missões Mundiais

O

s missionários César e Eliane Corsete têm enfrentado muitos desafios para testemunhar o Evangelho de Cristo em Portugal, onde atuam na cidade de Portimão, mas louvam a Deus por conseguirem anunciar a mensagem da salvação em Jesus. Nossos missionários têm investido no trabalho com idosos, faixa etária que o casal considera um “desafio missionário na Europa”. Segundo dados oficiais, Portugal é o país europeu com uma das maiores taxas de envelhecimento da população. “Isso é visível nas ruas das cidades, onde os idosos caminham ou conversam nas praças. Graças a Deus, eles também estão nas igrejas, mas muitos ainda precisam

País em crise

Pr. César Corsete com membros da IB Portimão

da graça do Pai”, diz o missionário. “Temos pedido ao Senhor que nos dê estratégias para alcançar os idosos, e já sabemos

que a principal delas é o amor incondicional por essas pessoas, que já deram tanto de si e que, em muitos casos, estão abandonadas”, acrescenta.

O pastor César também pede oração por Portugal, por causa da grande crise que afeta o país. Segundo ele, há uma necessidade urgente da pregação do Evangelho. “Os evangélicos em PorBatismos tugal não chegam a 1% da população. Os descobridores Três novas irmãs em Cris- do Brasil precisam descobrir to estão se preparando para Cristo, o Salvador”, diz o serem batizadas pelo pastor missionário.

Campos do Leste Europeu clamam por líderes Ailton de Faria Redação de Missões Mundiais

H

oje, os batistas brasileiros mantêm, com suas ofertas e orações, um missionário em cada Estado da Ucrânia. São 25 missionários lo cais no país coordenados pelos pastores Lyubomyr Matveyev e Anatoliy Shmilikhovskyy, missionários de Missões Mundiais no Leste Europeu. No total, eles coordenam cerca de 130 autóctones em nove países daquela região. Segundo o missionário Lyubomyr, é costume na Ucrânia, como também em outros países vizinhos, realizar batismos no mês de agosto. “É nesse mês que começa a colheita dos campos. Ou seja, colheitas física e espiritual estão ligadas uma a outra. Infelizmente, aqui no Leste Europeu, colhemos mais no físico do que no espiritual. No entanto, no dia 5 de agosto, realizamos dois batismos na Igreja Batista em Kiev, Ucrânia”, conta o missionário. Eles estão muito felizes, pois a igreja tem batizado pessoas há três anos consecutivos, cumprindo assim a missão de Jesus Cristo e

Pr. Lyubomyr

Pr. Lyubomyr (de preto) com líderes da Convenção Batista Ucraniana

crescendo como parte de seu corpo. Deus está interessado não somente em nossos frutos, mas em nosso envolvimento, compromisso e crescimento. Para Lyubomyr, é impossível para uma árvore dar frutos sem antes crescer, enraizar no solo fértil e em águas profundas. E completa: “Deus espera de nós, seus filhos, que cresçamos cada vez mais para depois, no tempo apropriado, dar nossos frutos. Cada crente deve compre-

ender que o crescimento espiritual tem que fazer parte da sua vida”. Na Ucrânia, Rússia e Bielo-Rússia o número de igrejas e frentes missionárias é maior do que o número de pastores e líderes. Na Ucrânia e na Rússia, por exemplo, há 700 igrejas em cada país sem a presença de um pastor que a lidere. Isto quer dizer que muitos pastores assumiram ministérios em mais de uma igreja. Há um grande clamor pela presença de pastores

para assumirem os trabalhos nessas igrejas. Pastores voluntários De 12 a 15 de setembro, dois pastores do Rio de Janeiro, João Emílio Cútis Pereira (PIB de Irajá) e Wander Gomes (PIB do Recreio) estiveram em um acampamento cristão em Kóbren, Bielo-Rússia. Eles ministraram a 80 pessoas e aos autóctones daquela região. Segundo o missionário Lyubomyr, as palavras desses servos do Se-

nhor despertaram o chamado ministerial e os desafiaram a continuar a tarefa entregue a cada um. “Eles falaram poderosamente aos nossos corações. Nos motivaram a trabalhar nosso caráter e modo de viver; provocaram lágrimas de arrependimento, conversas de desabafo e pedido de aconselhamento. Com isso, foram renovadas nossas forças físicas, psicológicas e espirituais. Louvamos a Deus e agradecemos à JMM e aos pastores João Emílio e Wander Gomes pelo apoio ao nosso trabalho”, finaliza o missionário Lyubomyr Matveyev.


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IB de Cubatão completa 65 anos com vitórias e muitos desafios

Marcos Vinicio Dias Ribeiro e Pr. Rômulo Vinicius Dias

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Igreja Batista de Cubatão, em Itaperuna, no Noroeste Fluminense comemorou os seus 65 anos de organização com uma grande festa. Entre os dias 27 a 29 de julho realizou uma série de conferências evangelísticas para a grande celebração. Na sexta-feira, a Igreja recebeu o pastor Josias Ribeiro (IB Parque dos Ipês) e banda. Foi uma noite muito especial. No sábado e no domingo, a Igreja recebeu a Família Davs de Vitória (ES). Foram dois dias marcados pela ação do Espírito Santo sobre toda a Igreja. Histórico Tudo começou há quase 80 anos atrás, quando José Rodrigues da Cunha e Maria Rita da Cunha, chegando para aquela região onde a terra era cortada por mata, resolveram adquirir terras para criar os filhos, com certeza iriam erguer um santuário ao Deus que começavam ouvir falar d’Ele. O casal comprou as almejadas terras e construíram a primeira casinha para abrigar os filhos. As novas do Evangelho chegaram até eles e foram salvos pela misericórdia de Deus, e batizados em nome de Jesus. No início foi muito difícil, os irmãos caminhavam vários quilômetros à pé, e alguns à cavalo para irem à Igreja em São Felipe, onde foram batizados. Depois mais tarde se tornaram membros da Igreja Batista de São Domingos e, posteriormente, junto com outros irmãos de Itaperuna, organizaram a Primeira Igreja

Batista em Itaperuna. Lá ficaram por algum tempo até que um ponto de pregação foi instalado na casa dos irmãos José e Maria Rita. As almas começaram a aceitar a Jesus, e eles cumpriram o que votaram, construíram uma casa para a realização dos cultos. Esta casa ficou conhecida como Congregação da PIB de Itaperuna. A Congregação começou a crescer e os irmãos viram a necessidade de se organizarem em Igreja. No dia 29 de julho de 1947 foi organizada a Igreja Batista de Cubatão, com 30 membros: João Rodrigues da Cunha, Esdras Manoel Rodrigues, José Albino Sobrinho, Neemias Gomes da Silva, Francisco Rodrigues da Cunha, Celso Ernesto Dias, Manoel Gomes da Silva, Ester Gomes da Silva, Rute Gomes da Silva, Daniel Gomes da Silva, João Monteiro da Silva, Aristeu José Ferreira, Francisco Januário de Souza, Manoel Gomes dos Santos, Carolina Faria Gomes, Maria Rodrigues da Silva, Noemia Rodrigues da Cunha, José Rodrigues Filho, Zita Coutinho Picanço, Margarida Ferreira da Silva, Maria Rita da Cunha, Rosa Rodrigues Duarte, Francilino José Meireles, Jacinto José Ferreira, Pedro Silva, Rosalina Silva, Rita Fernandes Moreira, Rosa da Costa Cunha, Adelina Cassiano e Ana Gomes da Silva. A Igreja viva do Senhor florescia para honra e glória do Seu Santo Nome. Não tendo aquele primeiro templo capacidade para abrigar o povo que ali ia para adorar a Deus, resolveram construir um novo templo. Muitas batalhas foram travadas, mas a vitória sempre

Pr. Rômulo Vinicius Dias da IB em Cubatão celebra as vitórias

IB Cubatão em celebração

sorriu no seu final. Durante 65 anos de vida, a Igreja tem realizado o trabalho do Senhor para Sua honra e glória: Cultos nos lares, vigílias, campanhas evangelísticas com o saudoso Pr. David Gomes, Pr. Chock (EUA), Pr. Josué P. Brum, Pr. Waxuel P. Rodrigues, Pr. Anderson Clayton, Pr. João Neto, Pr. Heitor Antonio da Silva, Pr. Leopoldo Tadeu do Vale, Pr. Wilson Macedo, Pr. Marcos Salomé, Pr. Zezinho, entre outros grandes homens de Deus que colaboraram para o crescimento da Igreja. Vários outros pastores aqui deram o seu valor para que a obra continuasse: Pr. Nilo de Cerqueira Bastos até 10.06.1962; Pr. Darcy José dos Santos (09.09.1962 – 14.07.1963); Pr. Abelar Suzano de Siqueira (14.07.1963 – 14.09.1969; Pr. Teobaldo da Silva Fraga (22.03.1970 - 28.10.1973); Pr. Delphino Eugênio Vieira (02.12.1973 – 03.07.1981); Pr. Gessy Fructuoso (03.07.1981 - 29.07.1982); Pr. Francisco Quirino da Costa (29.07.1982 – 29.08.1990); Pr. Mizael Pimentel (12.01.1991 –

30.12.1994); Pr. José Guilherme Souza e Silva (30.12.1994 – 31.12.1998) e o atual Pr. Rômulo Vinícius Dias que tomou posse em 02.01.1999. A Igreja Batista de Cubatão continua com sua obra em crescimento. Já foi construída a Congregação da Capelinha (um bairro em Itaperuna), e também foi comprado um ônibus para locomoção dos irmãos. Hoje, alguns membros fundadores da Igreja já estão na glória, seus filhos continuam juntos com os demais aqui na vida de combater o bom combate a caminho para o céu. A Igreja Batista de Cubatão com seus 65 anos de lutas e vitórias, continua pregando o amor de Cristo, indicando aos homens o caminho para Deus. Em 2009, com a posse do pastor Rômulo Vinícius Dias, que além de ser pastor, é advogado e diretor do Seminário Teológico Batista de Itaperuna (SETEBI), a Igreja passou por algumas transformações. A Igreja recebeu como Ministra de Música, a irmã Nilciene Pereira Bastos Dias e aceitou o desafio de construir um novo templo. Com a contratação do

arquiteto, o projeto foi aprovado e colocado em prática. Tudo ficou novo: o santuário, novos banheiro, salas para as crianças, berçário e gabinete pastoral climatizados. Enfim, um grande desafio. No dia 11/11/2011, o templo foi consagrado a Deus com a presença do pastor Márcio Antunes (PIB Pádua). Foi um dia de grande alegria, pois estava sendo dedicado a Deus o novo santuário, sem nenhuma dívida. No IX Congresso da ABENF (Associação Batista Extremo Norte Fluminense) o templo foi apresentado à denominação. Nesses 65 anos, a Igreja teve o privilégio de consagrar ao Ministério Pastoral, os pastores Carlos Augusto Cunha (hoje, secretario executivo da OPBB do Espírito Santo) e Silvio Santana Messias. Hoje foi dado início ao mais novo desafio da Igreja: Construir uma quadra poliesportiva nas dependências do terreno da Igreja para servir como local para a prática esportiva, bem como também servirá como um salão social para festividades. Dessa forma, a Igreja se prepara para a celebração dos 70 anos de organizada.

A Egreja Baptista de Tabua completa 100 anos em novembro

Pr. Francisco de Assis Pereira de Lima

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Egreja Baptista de Tabua (Vila Pastor Salvador Borges) tem a honra de neste tempo celebrar e agradecer ao nosso Deus por uma história linda e de grande relevância, de uma igreja comprometida com a pregação séria do Evangelho e que sempre esteve e continuará a serviço do Reino de Deus. Ela é a 4ª igreja batista organizada no município de São Fidélis. As celebrações terão início no dia 09 de novembro,

com as presenças do Pr. Fernando Brandão (Diretor Executivo da JMN), orador da abertura; e do Conjunto Vocal Integração que permanecerá nos três primeiros dias de celebração. Mas não para por aí, as manifestações de gratidão seguirão no dia 10 com a presença do Pr. Levi Azevedo da Costa, da IB Jardim do Senhor, e no dia 11 receberemos o Pr. Samuel Meira Moutta (ex-pastor da igreja e atual Gerente de Expansão Missionária da JMN). Nas semanas seguintes de novembro as celebrações continuarão e adentrarão

todo o ano de 2013, com presença de ex-pastores que ainda estão em atividade e intercâmbios com as igrejas filhas. Entre os dias 20 e 23 de março/2013, a igreja sediará a Assembleia anual da Associação Batista Centro Fluminense (ABACENF), que terá como orador oficial o Pr. Antônio Mendes Gonsales, da PIB de Atibaia (SP), e como orador substituto o Pr. Lúcio Figueira Senra, da PIB de Aperibé (RJ). Ainda com data a confirmar, teremos um culto com a presença da Diretoria da CBF, pois vale lembrar que em 1928 a igreja sediou a

Assembleia da Convenção Batista Fluminense. Serão dias de gratidão, exposição bíblica, adoração, homenagens e muito mais.

Todos os batistas brasileiros, a começar pelas lideranças, os membros de sempre, ex-pastores, irmãos e amigos já são nossos ilustres convidados.


o jornal batista – domingo, 28/10/12

notícias do brasil batista

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A PIB da Bahia (1882): 130 anos da expansão do cristianismo batista no Brasil

Antonio Teixeira de Albuquerque Kate Crawford Taylor

Pr. Francisco Bonato Pereira Membro do IAHGP Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano

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s membros da Igreja Batista em Santa Bárbara (1871), na Província de São Paulo, clamaram aos patrícios nos Estados Unidos para enviarem obreiros para pregar o Evangelho de Cristo neste país continental. O clamor foi atendido com a chegada ao Brasil dos casais Anna Luther e William Buck Bagby (1881) e Kate e Zacarias Clay Taylor (1882). Em Santa Bárbara, tornaram-se membros da Igreja Batista de Santa Bárbara (1871), e passaram a estudar a língua portuguesa com o pastor Antonio Teixeira de Albuquerque, que era membro da Igreja Batista da Estação (1879). Olhando o mapa do Brasil, os casais Bagby e Taylor oraram e escolheram a cidade de Salvador (BA), para iniciar a semeadura do Evangelho, para início da obra da proclamação do Evangelho de Cristo, para onde se deslocaram em junho de 1882, acompanhados do brasileiro Antonio Teixeira de Albuquerque e da sua família

(Betty Antunes de Oliveira - Centelha em restolho seco). Alugaram um edifício antigo, que servira de prisão religiosa (ALJUBE), situado na parte alta da cidade de Salvador, o qual foi reformado para servir-lhes de residência e de um local para os cultos, acomodando no salão principal duzentas pessoas. Iniciaram a divulgação do Evangelho debaixo de perseguição e agressões. Estabelecidos no local, os missionários resolveram organizar a Primeira Igreja Batista da Bahia, hoje denominada Primeira Igreja Batista do Brasil, na cidade de Salvador, Província da Bahia, em 15 de outubro de 1882, no lugar denominado Canela, tendo como membros os missionários norte-americanos Zachary Clay Taylor, Catharina Taylor, William Buck Bagby, Anna Luther Bagby, e o brasileiro Antônio Teixeira de Albuquerque, os quatro primeiros com cartas de transferência da IB Santa Barbara e o último com carta da IB Estação. A ata do evento, lavrada por Teixeira, descreve o acontecimento histórico nos seguintes termos: “Ata de organização da Primeira Igreja Batista da Bahia. No dia 15 de outubro de 1882 da Era cristã, estando

Zacarias Taylor

Anna Luther Bagby

William Buck Bagby

nesta cidade da Bahia, no lugar denominado Canela, às 10:00 horas de manhã, os abaixo assinados, membros da Igreja Batista de Santa Bárbara, na província de São Paulo, tendo-se retirado daquela província para esta, uniram à igreja batista, fazendo a sua instalação legalmente. São os seguintes: Sr. Antônio Teixeira de Albuquerque, Sr. Zachary Clay Taylor, Da. Catharina Taylor, Sr. William Buck Bagby, Da. Anna Luther Bagby. (…) Depois de instalada a igreja, com os cinco membros supra mencionados, adotamos unanimemente a Confissão de fé, chama-se “The New Hampshire”, confissão de fé como praticada geralmente pelas igrejas batistas missionárias. Adotamos o seguinte pacto: o Sr. Bagby foi eleito por unanimidade de votos – moderador – o Sr. Antônio Teixeira de Albuquerque – idem – secretário. O nome foi intitulado: 1ª Igreja Batista na Bahia. Por unanimidade de votos foi designado o 2º domingo de cada mês para Ceia do Senhor, depois da pregação às 11:00 horas da manhã. Foi designado que haveria reunião da igreja para oração e negócios da igreja. Encerrada a sessão, tem em seguida: o culto, pregação do evangelho e ce-

lebração da Ceia do Senhor. Eu secretário a escrevi e assino-me. Antônio Teixeira de Albuquerque. Bahia, 10 de maio de 1883” (REILY, Duncan A. História documental do protestantismo no Brasil. São Paulo: ASTE, 2003). Organizada a base do trabalho na Bahia, inclusive com penetração no interior do Estado, os missionários voltaram os olhos para outros pontos da pátria brasileira. Dois grandes centros lhes chamam a atenção. O Rio de Janeiro, sede do Governo Imperial, com sua grande massa populacional e Pernambuco, que com sua capital Recife, um grande centro comercial e cultural por excelência, desde a Capitania de Duarte Coelho. A partir dessa base na Bahia, o trabalho dos batistas, na divulgação do cristianismo evangélico, se expande para o Rio de Janeiro, para Alagoas e para Pernambuco. Na PIB da Bahia serão consagrados os primeiros obreiros nacionais: “(...) Foram ali [no Casarão do ALJUBE] consagrados os missionários nacionais. O primeiro deles, um verdadeiro apóstolo e mártir, João Gualberto Batista, que hoje descansa na mansão dos justos, consagrado ao ministério em 1883, e o velho Antonio Marques, que ainda está entre nós. (...)”

(BARRETO, Archiminia. Os primeiros batistas na Bahia. OJB, 23.06.1921, p. 9). Consolidada Igreja, Bagby entendeu ser tempo de expandir a obra, mudando para o Distrito Federal, a Capital do Brasil (1884), onde encontrou uma senhora membro do Tabernáculo Batista, de Londres. Organizou a PIB do Rio de Janeiro (DF), em 24 de agosto de 1884, tendo como membros o casal William Buck Bagby e Anne Luther Bagby, Mary O´Rourke e Elizabeth Williams. Surgia a quarta igreja batista no Brasil. Na mesma época Antonio Teixeira de Albuquerque desejou levar mensagem do Evangelho de Cristo a família e aos amigos de Rio Largo e de Maceió, partiu para a província. Enviou, antes, alguns textos de sua autoria, a respeito da sua concepção do Evangelho e um dando as razões porque deixara o sacerdócio católico romano – “Três razões porque deixei a Igreja de Roma”, os quais causam grande impressão naqueles que os leram. O missionário Zacarias Taylor e o pastor Antônio Teixeira de Albuquerque organizaram, em 17 de maio de 1885, a Igreja Batista de Maceió, com dez membros.

14 anos de bênçãos em Artur Nogueira Cleverson Pereira do Valle Pastor da PIB em Artur Nogueira

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os dias 27 e 28 de outubro acontecerão as festividades de comemoração do 14º ano de organização da Primeira Igreja Batista em Artur Nogueira. Os batistas marcam presença há 140 anos no Brasil, o início foi em Santa

Barbara do Oeste-SP. Hoje só no estado de São Paulo somos mais de 200.000 membros espalhados nos 1.100 templos. No Brasil já ultrapassamos à casa de 1.500.000 batistas reunidos em mais de 10.000 templos. Aqui em Artur Nogueira o movimento batista teve início com a iniciativa do Valdir Pommer e família, por volta de 1987. Em 24 de outubro

de 1998 ela foi organizada em igreja através da Primeira Igreja Batista em Cosmópolis, SP. Nestes 14 anos os batistas nogueirenses tem investido em vidas, mostrando amor e compaixão a exemplo do nosso Mestre Jesus. Cremos na Bíblia como nossa única regra de fé e prática, entendemos que só temos acesso ao céu através de Jesus Cristo, as nossas igrejas

são autônomas, isto é, cada igreja batista toma as suas próprias decisões. Ensinamos que todos os membros do corpo de Cristo, ou seja, a igreja, tem acesso direto a Deus. Não precisamos de intermediários, Jesus Cristo é o nosso mediador entre Deus e os homens. Defendemos o direito que temos de pregar o evangelho de forma livre, isto é, a nossa

liberdade religiosa. Outra característica dos batistas é a separação de igreja e estado. O nosso desejo é ver pessoas felizes e completas através do evangelho de Cristo. Este evangelho transforma, liberta e salva a pessoa do abismo eterno. Agradecemos a Deus pela oportunidade de servir ao próximo. Temos grandes desafios pela frente.


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o jornal batista – domingo, 28/10/12

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texto está em Mateus 26.36-46. Deus se agrada quando somos obedientes a Ele. O substantivo obediência quer dizer: “Cumprimento, acatamento, acato, respeito, subserviência, apoio, submissão, consentimento, obtemperação, aquiescência, condescendência, complacência, disciplina, sujeição, fidelidade, fieldade, lealdade, constância, preito, deferência, vassalagem, dedicação, adesão, tributo, subordinação, jugo, preito de obediência, torre, mensagem” (Dicionário Analógico – Francisco

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o longo dos anos tem sido possível observar que muita gente acaba transformando o seu modo de ver a vida e o Cristianismo como se fosse o único e infalível modo de aceitar ou rejeitar as outras pessoas. Há quem acredite que é necessário ter a experiência cristã certa, desde que essa experiência certa seja o que essa mesma pessoa legitima como experiência válida. Talvez seja uma maneira de “ouvir a voz de Deus” ou mesmo outras experiências (sem aqui discutir a sua legitimação teológica e bíblica) tais como falar em línguas, ser batizada no Es-

ponto de vista

Azevedo). Observe quantas implicações dessa palavra. Ela tem todas estas conotações. É impressionante o seu alcance. Fala-se muito em obediência, mas são poucos os obedientes. Jesus foi obediente até à morte e morte de cruz. A proporção da Sua obediência ao Pai deve ser imitada por nós. Não foi uma obediência condicional, mas incondicional. Na verdadeira obediência não há barganha, mas entrega sem reservas. Uma vez que se coloca a mão no arado não se pode olhar para trás. Jesus se deixou pregar na cruz fazendo toda a von-

tade do Pai. Toda a Trindade estava envolvida no sacrifício vicário. A experiência no Getsemani é a do descando/trabalho (vv.36-38). Do compartilhamento da tristeza de Jesus com os discípulos mais próximos, mais íntimos. Foi no jardim do Getsemani (gath shemen), um lagar de azeite, onde se prensava as azeitonas, que Jesus teve a luta entre fazer a Sua vontade e a vontade do Pai. Esta é a nossa luta. Sim, foi num jardim a leste de Jerusalém, além do vale de Cedrom. Era um retiro favorito frequentado por Cristo e Seus discípulos,

o qual se tornou a cena da agonia de Jesus, da traição de Judas e do aprisionamento do Senhor. É muito interessante o contraste entre o Jardim do Éden onde o primeiro Adão desobedeceu a Deus e o Jardim do Getsemani onde o segundo Adão obedeceu. O local é a antessala do Calvário, do Gólgota. Jesus foi prensado pela vontade do Pai. Ao Pai agradou moê-lo fazendo-O enfermar (Is. 53.10). Foi da vontade do Senhor esmagá-lo, fazendo-O sofrer até à morte em nosso favor, em nosso lugar. Na verdade, não somos maiores do que o nosso Mestre. É no

sofrimento que muitas vezes aprendemos a obediência. Como discípulos, devemos ser obedientes sempre. É o custo do discipulado, da relação com Jesus. A obra suficiente de Cristo basta como motivação para a nossa obediência, para a nossa diaconia. Precisamos passar pela experiência do Jardim onde Jesus sofreu. Que o Senhor nos livre de ficarmos sonolentos, absortos em nós mesmos, vivendo de forma egoísta. Aprendamos a obediência com Cristo Jesus, nosso Senhor, que a Si mesmo se ofereceu por nós na cruz do Calvário.

pírito Santo, ser ministrador do Espírito para a vida dos outros, etc. Mas há também quem acredite que o que legitima a vida de uma pessoa é estar envolvida no trabalho da igreja e em toda a sua formalidade, não importa necessariamente a sua vida pessoal, pois afinal está salva e agora deve pregar que Cristo salva e isso é tudo. Também tem os que defendem certos pontos doutrinários ou de práticas de vida de modo que se alguém crê de forma diferente está excluída da comunhão. Sem dúvida ter experiência com Cristo, estar envolvido com a obra de Deus e buscar a doutrina compatível com os

ensinos bíblicos não podem ser atitudes desprezadas. Mas, ainda que tenhamos tudo isso, de nada adianta se não tivermos amor. E amor, muito mais do que uma palavra deve ser algo que se concretize com ações que germinem em respeito, bondade, benignidade, humildade, mansidão, paz, alegria, domínio próprio e isso envolve construir relacionamentos fortes e saudáveis, mesmo havendo discordâncias. Aliás, estas atitudes lembram muito as características do fruto do Espírito (Gálatas 5.22,23) e das bem-aventuranças (Mateus 5). Precisamos de ordem e decência, pois Deus não é de confusão (I Coríntios

14.33,40), mas isso não pode legitimar que classifiquemos outros irmãos que também foram salvos por Jesus como crentes de “quinta categoria” ou inferiores. Tenho observado crentes e líderes que marginalizam irmãos em Cristo somente porque não pensam como eles ou não alcançaram o elevado nível da experiência cristã como eles. Julgam, detratam, excluem, agem com arrogância e altivez. Se Deus tivesse agido dessa mesma forma nem vivos estaríamos, afinal as suas misericórdias se renovam a cada manhã (Lamentações 3.22-24). Não podemos compactuar com o pecado, com a here-

sia, com a indolência, com a frieza espiritual, mas também não podemos marginalizar as pessoas, discriminá-las. Uma coisa não dispensa a outra. Afinal Paulo nos ensina de que de nada adiantaria falar em línguas, profetizar e até socorrer os pobres, se não houver amor. Assim, ainda que possamos ter títulos, ser dedicados ao trabalho eclesiástico ou mesmo denominacional, julgar ter a doutrina certa, ter conceitos éticos ou morais certos, ter experiências espirituais espetaculares, de nada adianta se não agirmos como Deus – tendo o amor e o respeito como molas impulsoras de nossa convivência neste mundo.


o jornal batista – domingo, 28/10/12

ponto de vista

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Teologia Prática

Isaias Andrade Lins Filho Pastor da IB dos Mares, BA

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omo prometi aos amados leitores, estamos neste artigo, encerrando a série de estudos com a finalidade única e exclusiva de abençoar o povo de Deus, e estaremos usando o mesmo texto que nos deu a base para analisar algo sobre os Dons Ministeriais. Efésios 4.11 e 12, que diz: “E Ele mesmo deu uns para apóstolos e, outros para profetas, e outros para evangelistas e, outros para pastores e mestres, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a edificação da obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo”. Estamos concluindo neste artigo os estudos desta série abençoada, onde procuramos mercê da graça do Senhor, compartilhar com os queridos leitores sobre esses aspectos e essas dádivas espirituais que têm no decurso dos séculos, servindo ao Corpo de Cristo com o fito de promover tão somente edificação e capacitação. Vamos aos dois últimos Dons Ministeriais: 4. PASTORES Este é o mais conhecido dos Ministérios e, o dom sempre mencionado na igreja, pois emerge da própria igreja a necessidade insubstituível da existência deste Ministério, haja vista que, sendo a igreja o rebanho de Deus, carece de ser apascentada. No Novo Testamento, aparecem três palavras que caracterizam o Ministério Pastoral e, a respeito delas tecerei alguns comentários, pois veremos o Pastor Presbítero conforme nos ministra a Palavra do Senhor em Atos 20.17, e Tito 1.5, o Pastor

Epíscopos “bispos” aquele que dirige, que supervisiona, que preside, nos termos de I Timóteo 3.1 e Tito 1.7, e o Pastor como apascentador de ovelhas, “ποιмεν”. A sublime missão do pastor é zelar, cuidar da sã doutrina, combater todo e qualquer tipo de distorção e de heresia, é o que nos ensina Paulo quando escreveu a Epístola de Tito, no capítulo 1.9-11, tendo ainda a responsabilidade de ensinar a Palavra de Deus e exercendo a direção da igreja local, vide os textos de I Tessalonises 5.12; e I Timóteo 3.1-5. A responsabilidade do servo que é dotado do Dom Ministerial de Pastor, tem ainda de ser exemplo de caráter e de alguém comprometido com a sã doutrina, é o que Paulo o apóstolo continua a ensinar em Tito 2.7-8, tendo também o pastor a grande responsabilidade de envidar esforços, objetivando que as suas ovelhas e os crentes gerais da igreja, sejam constantes e permaneçam debaixo da graça do Senhor. Sua tarefa é assim descrita em Atos 20.28-31: Salvaguardar a verdade apostólica e o rebanho de Deus contra as falsas doutrinas e os falsos mestres, os quais surgem dentro da igreja, todos os dias e em todos os momentos. Pastores são ministros que cuidam do rebanho, tendo como modelo o Senhor Jesus que é o Bom Pastor (João 10.11-16; I Ped. 2.25; 5.2-41). Segundo o NT, a igreja local era dirigida por um grupo de pastores (Atos 20.28; Fil 1.1). Os pastores eram escolhidos, não por política, mas segundo a sabedoria do Espírito concedida à igreja enquanto eram examinadas as qualificações espirituais do candidato.

O pastor é essencial ao propósito de Deus para sua igreja. A igreja que deixar de selecionar pastores, simples piedosos e fiéis, que na verdade sejam preparados para a obra, não será pastoreada segundo a mente do Espírito conforme I Timóteo 3.1-7. Devemos ter muito cuidado, porque a Igreja de Cristo, não pode ficar vulnerável às forças destrutivas de Satanás e do mundo é o que diz a Palavra em Atos 20.28-31. Temos de estar alertas, porque, caso contrário, campeará uma distorção da Palavra de Deus, e os padrões do evangelho serão relegados e abandonados. Basta que leiamos II Timóteo 1.13,14 e, se este cuidado não for observado, as ovelhas dos rebanhos da igreja e seus familiares não serão doutrinados, ministrados, conforme o propósito de Deus, vide os textos de I Timóteo 4.6,14,16; 6.20,21. Este Dom Ministerial é fundamental para evitar que muitos se desviem da verdade e se voltem para as fábulas tolas de que Paulo fala em II Timóteo 4.4. Acontece que, se por outro lado os pastores forem piedosos, comprometidos com a obra e o Senhor da obra, os crentes serão nutridos com as palavras da fé e da sã doutrina, e também haverão de ser disciplinados de acordo com o propósito da piedade que tanto se reclama nos dias atuais (I Tim. 4.6,7). 5. DOUTORES OU MESTRES Por fim, apreciando este último dos Dons Ministeriais, posso salientar que os Mestres ou Doutores são essenciais no cumprimento do propósito do Senhor para a sua Igreja e para o seu povo. Os Mestres são servos

vocacionados pelo Espírito e que atendem ao chamado de Jesus, para exercitar, expor e proclamar a Palavra de Deus, com a finalidade de edificar a Igreja que é o Corpo de Cristo, é o que se depreende da leitura da Bíblia conforme Efésios 4.12. A Igreja não pode deixar se descuidar, nem tampouco rejeitar a ministração dos servos e servas que desempenham com raro zelo e cuidado, ensinos fiéis à Escritura Sagrada e à sua revelação. Os Mestres ou Doutores têm a sublime missão conferida pelo Espírito Santo de preservar e defender a integralidade do Evangelho, cujo zelo doutrinário, é lhe confiado nos termos do que o apóstolo dos gentios menciona em II Timóteo 1.11-14. É bem verdade que são denominados de Mestres ou Doutores, não porque estudaram mais do que as demais pessoas, vez que esse título não é de caráter cultural, como são os títulos nos campos universitários e acadêmicos, essa classificação, não pode deixar de ser entendida como alguém, servo ou serva do Senhor, que recebe do Espírito Santo uma capacitação sobrenatural e que é precedida de uma chamada específica para a obra, tendo o mestre ou doutor graça e unção para o exercício do ministério. Como os demais dons ministeriais, este também tem o fito de edificar, de solidificar, de abençoar a igreja do Senhor, primando pela firmeza da verdade revelada pela Palavra de Deus. Este Dom Ministerial tem um lugar todo especial no desenvolvimento do Reino, de tal modo que esses que exercitam esse ministério estão e devem estar sempre em constante atividade, e nunca

devem estar calados, mas voltados e preocupados com a educação cristã do povo de Deus, se prestam a Ministrar sob as mais diversas formas e maneiras, tanto através de palestras, aulas, seminários, pregações e outros meios, usando também daqueles inclusive que a tecnologia dos dias atuais oferece, para que os integrantes do Corpo de Cristo, da Igreja de Jesus, sejam enriquecidos de conhecimentos, de preparo, de consistência nos ensinos proclamados sobre a Palavra de Deus e, posso, sem nenhuma dúvida citar, sem desmerecer os demais servos que são dotados deste dom ministerial, as figuras conhecidas e maravilhosas de Russel Shedd e de Luiz Sayão como exemplos e expressão do exercício, da notada e sentida evidência deste dom. A finalidade da atuação deste dom ministerial, bem como dos demais acima referidos, é aperfeiçoar os santos, e capacitá-los para desenvolver o trabalho do Senhor. O desejo do apóstolo Paulo é que “o homem seja perfeito e capacitado para toda a boa obra...”. Para levar a efeito este Ministério de Mestres ou Doutores, não basta simplesmente dizer que vai ensinar e ministrar, mas tem de haver a “unção de mestre”, da mesma forma que o Pastor, o Profeta, o Evangelista e o Apóstolo, têm de ter também uma unção específica para o exercício do dom. Finalizo trazendo à memória e à consideração de todos a exortação para a Igreja, muito conhecida, quando em II Timóteo 2.15 Paulo diz: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e, que maneja bem, a Palavra de verdade”.



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