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ANO CXX EDIÇÃO 36 domingo, 05.09.2021

R$ 3.20 ISSN 1679-0189 Órgão oficial da convenção batista Brasileira

Fundado em 1901

Carreta missionária do Sertão já é realidade dos Batistas brasileiros!

A carreta missionária foi um sonho que nasceu no coração do casal coordenador da Mobilização Voluntária de Missões Nacionais, Misael e Silvana Martines, que já fizeram diversas viagens missionárias para o sertão. O sonho foi lapidado, organizado, colocado em prática e, agora, vai percorrer o sertão do Brasil, levando a compaixão, a graça e mensagem de Cristo Jesus para moradores de vários estados do país. Dicas da Igreja Legal

Vida em Família

JBB

Missões Mundiais

Perguntas que toda Igreja precisa responder

Cuidado!

Esperançar é preciso

Chorar com os que choram

Coluna traz última parta do checklist para Igrejas

Artigo da semana fala dos perigos no casamento

JBB traz primeiro artigo sobre a campanha Setembro Amarelo

Missões Mundiais fala dos desafios no Haiti e no Afeganistão

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reflexão

O jornal Batista Domingo, 05/09/21

Editorial

Jesus Cristo é a única esperança “Cristo é a única esperança Neste mundo tão hostil, Para a santa liderança Do Evangelho no Brasil!” Provavelmente, você leu esses versos cantando. Este trecho do hino “A única esperança”, tão famoso entre os Batistas brasileiros, marcou uma geração, por conta da Campanha Nacional de Evangelização, em janeiro de 1965, quando aconteceu um grande desfile pelo centro da cidade do Rio de Janeiro,

no sábado, 30 de janeiro de 1965, e no domingo, 31 de janeiro, com uma grande concentração no Maracanã, quando 150 mil pessoas se reuniram para ouvir sobre “Cristo, a única esperança”. Agora, 56 anos depois, teremos um “remake” deste tempo que ficou marcado em nossa história e serviu para levar salvação a muitas pessoas. Chegamos em setembro, o mês que, segundo nosso calendário anual, é destinado para celebrarmos Missões Nacionais. Para a campanha deste ano, a nossa Junta

de Missões Nacionais (JMN) escolheu o tema “Jesus Cristo é a única esperança”. O texto base está em Atos 4.12: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”. Temos certeza de que esta campanha será uma bênção em todas as Igrejas filiadas à CBB e para os nossos bairros, cidades e estados. Vamos, juntos, compartilhar a Esperança, vamos compartilhar Jesus.

Que o mês de setembro seja um tempo de crescimento para todos nós. Esperamos, mais uma vez, que os conteúdos publicados nas páginas de OJB abençoem e edifiquem a sua vida. Boa leitura! n Estevão Júlio jornalista no Departamento de Comunicação da Convenção Batista Brasileira

( ) Impresso - 120,00 ( ) Digital - 50,00

O JORNAL BATISTA Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso. Fundado em 10.01.1901

Secretário de Redação Estevão Júlio Cesario Roza (Reg. Profissional - MTB 0040247/RJ) CONSELHO EDITORIAL Francisco Bonato Pereira; Guilherme Gimenez; Othon Ávila; Sandra Natividade

INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189 PUBLICAÇÃO DO CONSELHO GERAL DA CBB

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FUNDADOR W.E. Entzminger PRESIDENTE Fausto Aguiar de Vasconcelos DIRETOR GERAL Sócrates Oliveira de Souza

REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA Caixa Postal 13334 CEP 20270-972 Rio de Janeiro - RJ Tel/Fax: (21) 2157-5557

Fax: (21) 2157-5560 Site: www.convencaobatista.com.br A direção é responsável, perante a lei, por todos os textos publicados. Perante a denominação Batista, as colaborações assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião do Jornal. DIRETORES HISTÓRICOS W.E. Entzminger, fundador (1901 a 1919); A.B. Detter (1904 e 1907); S.L. Watson (1920 a 1925); Theodoro Rodrigues Teixeira (1925 a 1940);

Moisés Silveira (1940 a 1946); Almir Gonçalves (1946 a 1964); José dos Reis Pereira (1964 a 1988); Nilson Dimarzio (1988 a 1995) e Salovi Bernardo (1995 a 2002) INTERINOS HISTÓRICOS Zacarias Taylor (1904); A.L. Dunstan (1907); Salomão Ginsburg (1913 a 1914); L.T. Hites (1921 a 1922); e A.B. Christie (1923). ARTE: Oliverartelucas IMPRESSÃO: Folha Dirigida


reflexão

O jornal Batista Domingo, 05/09/21

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DICAS DA IGREJA LEGAL

Perguntas que toda Igreja precisa responder (última parte) Esta é a última parte da checklist que propus aos leitores deste imprescindível canal de comunicação dos Batistas brasileiros. Além de perguntas, há pontuações que devem integrar este trabalho. Como disse anteriormente, este material não é da minha autoria, mas o considero de extrema importância para toda e qualquer Igreja ou mesmo outro tipo de organização, obviamente fazendo-se eventuais adaptações. Não sendo de minha autoria, a qualquer tempo cumprirei com prazer o dever ético de conferir o crédito a quem de direito. “A quem honra, honra”. 1. Obrigações com a Receita Federal (SRF): Escrituração Contábil Fiscal (ECF); Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF); e Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF); 2. Certidão de Regularidade junto à Receita Federal; 3. Certidão de Feitos Trabalhistas; 4. Certidão de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS); 5. Certidão de débito estadual; 6. Certidão de débito municipal; 7. A Igreja possui Alvará de Localização? 8. A Igreja possui Certificado de Aprovação do Corpo de Bombeiros? 9. A Igreja possui o “Habite-se” do imóvel? 10. A Igreja efetua o pagamento anual da contribuição sindical patronal? 11. Os funcionários são filiados ao sindicato da classe? 12. A diretoria da Igreja é compota por quantos membros? 13. Qual o período de mandato da atual diretoria e do Conselho Fiscal? 14. A Diretoria e o Conselho Fiscal são atuantes? 15. O plano de contas reflete as atividades constantes do estatuto da Igreja? 16. Os registros contábeis são suportados por documentos idôneos?

17. Os documentos contábeis ficam arquivados no escritório do contador ou na Igreja? 18. As demonstrações contábeis estão de acordo com a NBC ITG 2002 (R1)? 19. O Livro Diário está devidamente escriturado e registrado? 20. Os controles de conta-corrente bancária estão atualizados? 21. Há registro individualizado de doações em dinheiro, materiais e serviços? 22. Análise financeira, patrimonial e econômica. 23. A Igreja passou por algum processo de auditoria independente nos últimos cinco anos? 24. Há recomendações de auditorias a serem cumpridas? 25. A Igreja tem escrito normas e políticas de gestão financeira? 26. Padrões contábeis de acordo com Normas Brasileiras de Contabilidade? 27. Todas as contas bancárias são regularmente (mensalmente) conciliadas de forma adequada e são aprovadas? 28. Há controles adequados para os fundos do pequeno caixa (Inclui: custódia, segurança física, registro na contabilidade, segregação de funções)? 29. Os recursos do fundo fixo e os talões de cheques são guardados adequadamente? 30. Quantos signatários assinam as contas bancárias? 31. Há autorização legal para essas assinaturas? 32. Há transparência perante a Igreja? 33. Os relatórios financeiros são acessíveis a todos os membros? 34. Os imóveis em nome da Igreja estão registrados em Cartório? 35. Há certidão vintenária atualizada dos imóveis? 36. Há inventário físico dos bens móveis e imóveis que compõem o patrimônio da Igreja?

37. Quais os procedimentos para com- 58. Há exigência de apresentação de pra de bens de ativo imobilizado? propostas competitivas para forneci38. Bens recebidos como doação são mento de bens e serviços? devidamente valorados? 59. Há um nível adequado de segrega39. Os bens são devidamente etique- ção de funções no processo de compras e contratação de serviços? tados? 40. Um inventário físico é realizado regu- 60. Os bens e serviços são verificados larmente (pelo menos uma vez por ano?) e/ou a entrega é assegurada antes do 41. Os bens baixados são devidamente pagamento ser feito? aprovados? 61. As compras efetuadas estão dentro do orçamento estabelecido e aprovado 42. Os ativos são assegurados? 43. A manutenção do imóvel é feita com por quem de direito? 62. São feitos negócios com parentes da 44. Há garantia de acesso às dependên- diretoria e do Conselho Fiscal? cias do templo para pessoas portadoras 63. A Igreja tem e cumpre os procedide necessidades especiais? mentos justos de desembolso de des45. Os bebedouros passam por manu- pesas? tenção regular? 64. As despesas são devidamente apro46. A cantina goza de bom estado de vadas, classificadas e levadas à contaasseio? bilização? regularidade?

47. Os banheiros são mantidos limpos? 65. Todos os cheques exigem duas ou 48. Mesas, cadeiras e bancos estão em mais assinaturas? bom estado? 66. Os signatários assinam cheques em 49. Todas as receitas/doações recebi- branco? das são identificadas e devidamente re- 67. Os cheques são “sacados” na boca gistradas nos livros contábeis da Igreja? do caixa?

50. Há blocos de recibos oficial (com 68. Há pagamentos por meio de recurlogo marca) numerados e com três vias? sos eletrônicos? Os recursos recebidos são suportados 69. Há um nível adequado de segregapelos recibos oficiais numerados? ção de funções no processo de paga51. Os recibos são lançados pela data mento? de emissão, cronologicamente? 70. A variação mensal/anual das despe52. O dinheiro recebido relacionado com sas é acima de 10% do orçamento? Caso a receita é depositado em banco imepositivo, as despesas são devidamente diatamente ou é gasto com pagamento aprovadas? de despesas? 71. As despesas realizadas estão de 53. As doações e serviços voluntários são devidamente valorados (pelo justo acordo com as atividades aprovadas pela diretoria da Igreja? n valor) e contabilizados? 54. Há normas e políticas de compras? 55. A Igreja cumpre com os procedimentos de compras estabelecidos? 56. Há requisição de compras oficial? 57. Todas as compras requerem uma aprovação apropriada?

Jonatas Nascimento Empresário contábil, diácono Batista e autor da obra “Cartilha da Igreja Legal” E-mail: jonatasnascimento@hotmail.com WhatsApp: (21) 99247-1227


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reflexão

O jornal Batista Domingo, 05/09/21

Uma igreja simplesinha Davi Nogueira

Pastor, colaborador de OJB

Quando seminarista, todos os meses ía para Resende-RJ ajudar uma Igreja muito pobre. Não tinha aonde ficar. Dormia nas dependências daquela humilde igreja. Faltava som, salas, ventiladores, material. Tudo com muita simplicidade. Mas naquele lugar de tantas carências materiais, recebi muito amor. Andava nas vielas daquela comunidade e era recebido pelo povo com muito carinho. No domingo, a Igreja lotava. Irmãos dedicados para adorar a Deus e aprenderem a Palavra. Adorava as crianças. Sentava no

Olavo Feijó

Pastor & professor de Psicologia

Pregando com coragem e liberdade

chão com elas. Contava as histórias de Jonas, Davi, Sansão, Daniel. Elas se alegravam. Ali plantei muitas sementes naqueles corações férteis. Tinha uma senhora, que eu sempre visitava sua casa. O saboroso cafezinho e o gelado copo de água que me oferecia, foram um dos melhores que tomei. Pois sabia que era tudo compartilhado com muito amor. Eu sou um pouco franciscano. Não me esqueço dos pobres. Claro que quero a ascensão deles. Mas me sinto muito alegre em sua companhia. Saudades daquela Igreja simplesinha... n

“Pregando o reino de Deus, e ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum” (At 28.31). Jesus sempre usou de franqueza, quando ensinava Seus discípulos. Após escolher aqueles que seriam Seus apóstolos, disse-lhes abertamente: “Todos odiarão vocês, por serem Meus seguidores. Mas quem ficar firme, até o fim, será salvo” (Mt 10.22). Escrevendo aos Gálatas, Paulo declarou|: “Vocês, irmãos, foram chamados para ser livres” (Gl 5.13). A coragem e dignidade com que os cristãos enfrentavam as perseguições e o martírio levou historiadores a constatar: para cada cristão que era

martirizado publicamente, dez novas pessoas aceitavam o Cristo! As pessoas que se tornaram prisioneiras da natureza pecaminosa deste mundo continuam odiando Jesus Cristo e, consequentemente, lutando contra a verdade revolucionária da salvação pela fé no Filho de Deus. A Grande Comissão permanece como a declaração da vontade do Senhor, quanto ao significado de nossa vida, enquanto neste mundo. “Deus é amor. Aquele que vive no amor vive unido com Deus e Deus vive unido com Ele... Nós amamos porque Deus nos amou primeiro... O mandamento que Cristo nos deu é este: quem ama a Deus, que ame também o seu irmão” (I Jo 4.16,19).

150 anos dos Batistas no Brasil Cleverson Pereira do Valle Pastor, colaborador de OJB

No dia 10 de setembro de 1871 teve início o trabalho Batista no Brasil, em Santa Bárbara do Oeste, no estado de São Paulo. Naquele pequeno começo estavam duas famílias americanas, os Bagbys e os Taylors. Posteriormente chegou para juntar-se ao grupo o ex padre Antonio Teixeira de Albuquerque. Deste início, hoje os Batistas brasileiros, membros da Convenção Batista Brasileira (CBB), são mais de 10.000 Igrejas

e mais de um milhão de membros. Temos duas Juntas Missionárias, uma que envia missionários para todo o Brasil e outra que envia missionários para várias nações, são elas: Junta de Missões Nacionais (JMN) e Junta de Missões Mundiais (JMM). Os Batistas têm evangelizado e discipulado pessoas nestes 150 anos, têm mostrado o amor de Cristo de forma prática. Os Batistas são organizados da seguinte forma: temos Associações regionais, Convenções estaduais e a Convenção Batista Brasileira. Dois Ba-

tistas brasileiros já chegaram a presidir a Aliança Batista Mundial, são eles: João Filson Soren e Nilson do Amaral Fanini. Um pastor Batista brasileiro fundou a União Batista Latino-Americana (UBLA), trata-se do pastor João Falcão Sobrinho. Nestes 150 anos, os Batistas cresceram muito. Através da Imprensa Bíblica Brasileira produziu Bíblias em português, teve um parque gráfico e a Junta de Educação Religiosa e Publicações, (JUERP) responsável por todo material da Escola Bíblica e Educação Cristã; hoje é a Convicção Editora.

Temos três Seminários Teológicos: Seminário Teológico Batista do Sul (STBSB); Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil (STBNB); e Seminário Teológico Batista Equatorial (STBE) E muitos outros ligados às ConvençõeS Estaduais e Associações. Através da Junta de Missões Nacionais, hoje temos a Rede 3.16, uma rádio que transmite a palavra de Deus 24 horas por dia. Louvamos a Deus pelos Batistas brasileiros. n


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O jornal Batista Domingo, 05/09/21

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Iletrados, porém sábios Rubin Slobodticov

Pastor, colaborador de OJB

O Dia Mundial da Alfabetização, 08 de setembro, foi instituído pela Organização das Nações Unidas e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura a fim de destacar a importância da alfabetização em uma sociedade, sempre atrelada ora à saúde, ora ao empoderamento etc. Esses estímulos, além de bem-vindos, são necessários para ampliar a capacidade cultural de sua gente que não consiste apenas em saber ler e escrever, mas sobretudo de facilitar o acesso a meios de comunicações em expansão capaz de ampliar a possibilidade de acesso à saúde e aos direitos individuais. É sabido que apesar de muitos serem encontrados iletrados, porém sábios, à miúde se encontram analfabetos funcionais mesmo a despeito de ostentarem graus de escolaridade. Assim, pois todos são desafiados a entender que, desde criança, pessoa que é desafiada a saber ler e a entender o que lê, tem mais facilidade de comunicação e compreensão da vida em sociedade. O valor do conhecimento estimula o crescimento de um povo. Em história familiar de imigrantes do início do século passado, se ouviu de um pai que pouco conhecia do vernáculo nacional, a dizer

para sua prole, em sua língua nativa: “filhos, não sejam burros como eu: estudem!”. Na verdade, família conhecida educou a seus filhos de modo que todos se graduaram em universidades, sendo ele um próspero relojoeiro e sitiante. Na verdade este é a figura do iletrado, porém sábio. Assim, pois se estabelece o valor da alfabetização eficaz. Ao se observar as atitudes de uma criança que brinca e se diverte com satisfação, já se sabe que ela aprenderá mais rápido a se levantar de manhã para fazer as tarefas que a professora passou no dia anterior. E, assim, copiando e compartilhando com a mamãe e especialmente com sua professora, aprenderá com satisfação e desenvolverá melhor seu raciocínio. Então, desde a infância, já se tem o perfil do indivíduo para as etapas da vida que se sucedem. Importante anotar algo importante sobre a educação dos antigos hebreus, chamados judeus. A educação era ministrada de início, na própria casa, e continuava quando a família ia cultuar a Deus em um lugar predeterminado. Assim, as tradições eram ensinadas e aprendidas pela prática da vida. Nesse tempo, a educação era patriarca, isto é, pai era o “professor principal”. Assim que as crianças começavam a falar, por volta dos três anos, eram encaminha-

das para comunidades formais, restritas onde a disciplina era severa. Este aspecto se dava em virtude de recomendações passadas e que foram anotadas pelo sábio Salomão: “Não retires a disciplina da criança, pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá; tua fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno” (Pv. 23.13-14). Entretanto, com o passar do tempo, e em face a escravidão, como a sofrida pelos egípcios, a disciplina foi se atenuado onde os professores passaram a criticar a injustiça e as condutas sociais impróprias impostas sobre eles, hebreus. Embora iletrados, muitos porém eram sábios. O Egito seguia a trilha dos sábios, entretanto não se vislumbrava melhor cultura entre muitos da realeza. Exemplo foi um de seus Faraós que, perturbado por pensamentos, e por não encontrar melhor interpretação, determinou como está escrito: “Pela manhã, perturbado, mandou chamar todos os magos e sábios do Egito e lhes contou os sonhos, mas ninguém foi capaz de interpretá-los”. Então, Faraó apelou para um estrangeiro, José, e assim está registrado o fato: “A interpretação que José deu sobre o sonho Faraó, é que Deus estava avisando que teriam 7 anos de bonança e 7 anos de fome. Esta é a palavra que tenho dito a Faraó; o que Deus há de fazer, mostrou-o a Faraó. 29 E eis que

vêm sete anos, e haverá grande fartura em toda a terra do Egito” e as narrativas dos sonhos por José (Gênesis 41.25-46; 41.25-36). E, Faraó convencido da interpretação, lhe favorece no reino. Decorre daí, a importância dos sábios, mesmo que cativos. Malba Tahan teria dito que “a pessoa que não lê, mal fala, mal ouve e mal vê”. Assim pois, as letras são para quem as sabe interpretar, isto é, o que a visão vê o intelecto digere e produz a graça da cultura intelectualizada. Então, uma escola, esteja onde estiver é um laboratório que serve a humanidade, a partir da própria família, quando mais habilidosa, inteligente for sua sala de aula. Observe-se que um computador só é melhor quando o indivíduo sabe se utilizar habilidosamente dele, e, assim ocorre com a capacidade de ler: só é virtuosa quando interpretativa para a própria vida. Assim, pois como Abraão migrou da civilização mesopotâmica em busca de um mundo melhor, sua descendência encontrou a “terra prometida”, isto é “uma terra boa e espaçosa, uma terra que manava leite e mel” (Êxodo. 3.8). Então, “conheça a verdade e ela te libertará”, como disse o Mestre Jesus (João 8. 32). n

A que tipo de comunidade de fé você pertence? Sérgio Dusilek

Pastor da Igreja Batista Marapendi - RJ

O Evangelho na perspectiva de João (ou da comunidade joanina, como preferir), no capítulo 8, fala de uma mulher surpreendida em adultério que foi coercitivamente levada até Jesus. O intuito era o teste; a motivação, o desejo de apedrejamento da pecadora. O acinte estava calcado na injustiça: que adultério é esse que a mulher comete sozinha? (Alguns comentaristas sugestionam um corporativismo aqui: o adúltero seria também

um fariseu, liberado no caminho). Decepcionando a todos, Jesus tratou com Graça aquela mulher e expôs o farisaísmo daquele grupo, como num espelho. Moral da história: 1) em comunidades farisaicas, o pecado é tratado sob o prisma do punitivismo e não sob a égide da restauração; 2) em comunidades farisaicas sempre haverá uma recusa ao amadurecimento espiritual. O pecado do meu irmão, ensinava Paulo em Gálatas 6.1-2, é um convite ao elevado grau de maturidade representado pela mansidão, que

nada mais é que abrir mão dos meus direitos em prol do outro. Paulo convida as igrejas da Galácia a pararem de se devorar uns aos outros para cumprirem a Lei do amor que é a única “lei” que tem valor para quem é de Cristo. 3) em comunidades farisaicas, o pecado do outro é tratado com pedras; o dos nossos com mentira e ocultamento; 4) em grupos farisaicos, sempre haverá dois pesos e duas medidas para os mesmos casos. Farisaísmo não é sinônimo de aplicação rigorosa da lei, mas certificação da injustiça;

5) a única e cristã saída é levar o pecador/a pecadora aos pés de Jesus, ministrar Graça. Note bem: o texto deixa claro: da dupla pecadora, somente uma parte recebeu Graça (somente a adúltera foi levada a Jesus; somente a parte pecadora pode se arrepender; somente ela recebeu Graça). No entanto, a outra parte acobertada pelo cinismo e pelo protecionismo do grupo, seguiu sem ver Jesus, sem perdão, sem experimentar a Graça. Quem tem olhos para ler, então que leia. n


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reflexão

O jornal Batista Domingo, 05/09/21 vida em família

Sinais de “perigo” no casamento Todo relacionamento conjugal passa por crises, por causa das diferenças que existem entre homens e mulheres, das circunstâncias da vida, das dificuldades e rotina diárias, entre tantas outras coisas. Os problemas no relacionamento a dois são comuns; no entanto, existem algumas coisas que precisam ser observadas com cuidado, pois representam um sinal de perigo para o casamento. Vamos falar sobre alguns desses sinais. Procure detectar se eles estão presentes na sua vida conjugal para que possam ser eliminados. O primeiro sinal de perigo num casamento é a rotina. É necessária para os horários de trabalhar, comer, dormir, educar os filhos, etc. Mas é perigosa para o relacionamento conjugal, pois torna a vida sem graça, sem beleza. E a vida já é, por si mesma, bastante dura. Então, para não deixar que a rotina nos “endureça” demais, a criatividade precisa fazer parte do casamento. Marido e mulher, de vez em quando, devem trazer alguma novidade ao casamento, para quebrar a rotina, seja através de uma surpresa ou de uma combinação dos dois.

Falta de respeito é o terceiro sinal de perigo num casamento. Respeito é fundamental. Nenhum relacionamento é saudável se não existe respeito pelo jeito de ser do outro, pelas suas opiniões, pelas suas ideias, pelos seus interesses, pelas suas potencialidades e também pelos seus limites. Rir do outro, desmerecer o que faz ou diz, querer mudá-lo a qualquer custo faz com que a pessoa se sinta desmerecida e, consequentemente, baixa sua autoestima. Daí, surge a insegurança, a falta de credibilidade, o mal-estar que irá afetar terrivelmente a vida do casal.

Em quarto lugar, podemos afirmar que frieza no amor é importante sinal de perigo para um casamento. O amor pode esfriar no casamento, sim; se ele não for cultivado e demonstrado através de palavras amorosas, carinhos, abraços, beijos, agrados, companheirismo. O amor é sentimento, mas também é ação. Se há amor, há demonstração dele; se há demonstração dele, há amor. E, sendo uma ação, podemos perfeitamente decidir amar o outro; mesmo que seja um sentimento já frio, pois ao tomar esta decisão o coração se aquece e volta a Outro sinal: Falta de plano em co- amar. mum. Quando o casal estabelece objetivos a serem alcançados a curto, médio Desinteresse sexual é o quinto sinal. e longo prazos, está criando um laço. A sexualidade é inerente ao ser humano, Sobretudo, os objetivos para longo prazo o desejo sexual é natural e saudável. fazem com que o casal crie expectativas Quando há desinteresse, falta de desede permanecer junto; a falta deles pode jo ou falta de atração sexual por parte fragilizar o desejo de estar junto para de um dos cônjuges, é sinal de que o sempre. relacionamento está em perigo. O desin-

teresse sexual é um dos sintomas mais fortes de que o relacionamento conjugal não está bem. E quando falamos sobre desinteresse, não estamos falando somente sobre a pouca frequência das relações sexuais ou total falta delas, mas falamos também sobre o desinteresse em proporcionar prazer ao outro, da existência do egoísmo em que só se importa em satisfação própria e despreza-se a satisfação do outro. Tudo isto gera o perigo da carência física e emocional, que leva ao perigo da atração por outra pessoa, que leva ao perigo do adultério. Desconfiança é um outro sinal. A desconfiança sem fundamento é sinal de insegurança; portanto, desconfiança e insegurança andam de mãos dadas. Desconfiar do outro é não acreditar, é duvidar. Quando um dos cônjuges não confia no outro gera no relacionamento tensão, mágoa e rancor. A pessoa que não confia no parceiro conjugal, quando nunca houve motivos para tal, pode ser uma pessoa insegura de si mesma e de sua capacidade de receber amor. No entanto, infelizmente, há cônjuges que desconfiam com razão, porque já foram traídos. Mesmo nestes casos, a confiança deve ser restabelecida, pois ela é fundamental num relacionamento. Muitos casais que passaram por este problema precisaram de ajuda para superá-lo. Concluindo, sem esgotar o assunto, destaco as agressões. Elas acabam com

o respeito, a estima e o brio da pessoa individualmente e entre o casal. Também é um grave sintoma de que o casamento vai mal. As agressões físicas e verbais são uma lástima. Jamais deveriam acontecer! É, praticamente, o último estágio antes de uma separação, a menos que o casal já tenha perdido a vergonha. O plano de Deus para o casamento é que haja troca de palavras de amor, carinho e afeição e não troca de tapas, gritos e palavras que ferem. Temos visto casamentos que persistem mesmo quando todos os sinais de perigo estão acesos. Mas não são casamentos saudáveis. Porque um relacionamento saudável dá frutos saudáveis de “amor, respeito, confiança, interesse comum, planos em comum, prazer sexual mútuo, querer bem. Numa cesta de frutas, uma podre contamina as demais. Para que isto não aconteça, é necessário retirar a fruta podre e jogá-la fora. No relacionamento do casal também deve ser assim. Os perigos que ameaçam o casamento devem ser identificados e retirados para que o laço conjugal permaneça intacto. Que os casais se empenhem em produzir os frutos do Espírito: “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gl 5.22). n

Por: Elizabete Bifano Psicóloga E-mail: oikos@ministeriooikos.org.br


missões nacionais

O jornal Batista Domingo, 05/09/21

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Carreta do Sertão já é realidade!

A carreta missionária está pronta e seguirá viagem rumo ao sertão brasileiro compartilhando a Palavra de Deus até mesmo enquanto estiver nas estradas. Na frente do veículo está o Salmo 23.1, “O Senhor é o meu Pastor e nada me faltará”; na lateral, João 3.16, que diz “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”; e na parte de trás está João 14.6, “Disse-lhe Jesus:

Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. Dessa forma, o trabalho não acontecerá apenas quando a carreta for estacionada em uma comunidade, mas, mesmo de longe, muitos poderão ser impactados pelos versículos bíblicos. “Hoje é dia de alegria, de exaltação, de glorificação ao nosso Deus, que é o Caminho, a Verdade e a Vida! E ninguém vai ao Pai a não ser através de Jesus. Onde a carreta passar, todos hão de ver

que Jesus Transforma! Ele é a única esperança para a nossa nação!”, comentou o pastor Fabrício Freitas. Hoje realidade, a carreta missionária foi um sonho que nasceu no coração do casal coordenador da Mobilização Voluntária de Missões Nacionais, Misael e Silvana Martines, que já fizeram diversas viagens missionárias para o sertão. O sonho foi lapidado, organizado, colocado em prática e, agora, vai percorrer o sertão do Brasil, levando a compaixão, a

graça e mensagem de Cristo Jesus para moradores de vários estados do país. “Obrigado, Senhor, pelo presente que nos concedeu. Enquanto nós sonhávamos em ter uma carreta, o Senhor já estava preparando todas as coisas”, foram as palavras de Misael Martines, em oração durante o momento de dedicação da carreta. Agradeça ao Senhor você também por mais esta bênção! n


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notícias do brasil batista

O jornal Batista Domingo, 05/09/21

Ministério com Surdos da IB do Parque Ipê - BA avança em tempos de Pandemia Desde 2019 na ativa, Ministério tem realizado diversas ações. Sátila Ribeiro

Professora de Libras na Universidade Federal do Recôncavo Baiano; membro da Igreja Batista do Parque Ipê – BA

Na busca por minimizar as barreiras da comunicação enfrentadas pelas pessoas surdas e transmitir o amor de Deus, através da Língua Brasileira de Sinais (Libras), surge o Ministério com Surdos, da Igreja Batista do Parque Ipê (IBPI), em Feira de Santana-BA, coordenado por Sátila Souza Ribeiro, intérprete de Libras há 21 anos. A justificativa para este Ministério está baseada em Mateus 28.19: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações...”, levando a mensagem salvadora a todas as pessoas. Em todo o Brasil, de acordo com dados do Censo de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há 9,7 milhões de pessoas com algum grau de surdez, e, segundo a pesquisa do Instituto Locomotiva (2019), este número aumentou para 10,7 milhões de pessoas. O Ministério com Surdos nasceu em outubro de 2019, através da primeira turma do curso de Libras para ouvintes, com 65 alunos. Ao final do curso, iniciouse a capacitação para intérpretes e o “Minuto Libras”, a fim de proporcionar aos membros da Igreja o conhecimento da Libras e a interação com os Surdos. Devido à suspensão das atividades presenciais, em março de 2020, considerando a condição de pandemia pela COVID-19, o Ministério com Surdos da IBPI não parou, ao contrário, se fortaleceu ainda mais. Com isso, a Escola Bíblica e o Discipulado com Surdos foram acontecendo pela plataforma Google

Membros do Ministério com Surdos foram batizados

Ministério com Surdos adaptou os encontros durante o período de pandemia

Meet, alcançando Surdos de Feira de Santana e Região. No decorrer de suas ações, outros surdos foram frequentando a Igreja, e, atualmente, ela conta com 11 irmãos surdos congregados, dentre estes, seis são batizados, além de 12 intérpretes de Libras atuando nas atividades e programações da Igreja, respeitando o tempo de revezamento para cada intérprete. Mesmo em tempos de pandemia, com uso dos protocolos de segurança em combate à COVID-19, ações online e presenciais, como: eventos sobre inclusão, interpretação dos cultos, discipulado com Surdos, Libras para crianças, a fim de prepará-las para o avanço na

CBP volta a realizar reunião presencial Encontro reuniu diretores e executivos.

Redes Sociais da Convenção Batista Paranaense Após diversas reuniões online, por conta da pandemia, no dia 11 de agosto, a Convenção Batista Paranaense (CBP) realizou uma reunião presencial com diretores e executivos. Cumprindo todos os protocolos de distanciamento social, uso de máscara e álcool em gel, os participantes se reuniram com o diretor-geral, pastor Izaias Querino, para alinhar as ações das diversas áreas de atuação da Convenção Batista Paranaense.

aprendizagem da Libras e evangelização de pessoas surdas, capacitação para intérpretes e produção de material para a evangelização de Surdos, fazem parte das atividades deste Ministério e o maior objetivo é despertar a Igreja, para se envolver na propagação do Evangelho discipulador para Surdos. Para Ismália Nasser, professora surda da Escola Bíblica, “é importante entender os propósitos de Deus para o Ministério com Surdos, conhecer a cultura surda e motivar a Igreja para aprender a Libras e se comunicar de forma fluente com os Surdos”. A preocupação com a realidade socioeconômica também integra o Minis-

tério com Surdos da IBPI. Nesse sentido, são atendidos os Surdos economicamente vulneráveis, através de cestas básicas, dentre outros auxílios, além de buscar parcerias com empresas para o encaminhamento de Surdos para o mercado de trabalho. “A Igreja Batista do Parque Ipê tem apoiado o Ministério com Surdos, recebendo-os com muito amor, quebrando a barreira da comunicação, através do aprendizado da Libras”, destaca o pastor José Ricardo. Siga a página no Instagram (@ministeriocomsurdos_ibpi) e o canal no YouTube (IBPIFSA). n

CB do Mato Grosso do Sul ajuda Igreja em mutirão

Doações e voluntariado fizeram a diferença no trabalho. Paulo José da Silva pastor, ministro de Relacionamento e Expansão da Convenção Batista SulMato-Grossense

Em nome da Convenção Batista SulMato-Grossense (CBSM), auxiliamos a Igreja Batista Adonai de Campo Grande-MS com um mutirão para ajudar na construção de salas e principalmente os banheiros novos para a Igreja. O trabalho aconteceu no dia 17 de julho. A Igreja possuía apenas um ba-

nheiro que era utilizado por homens e mulheres, causando evidentemente constrangimentos. Foram 23 voluntários na construção, e mais as irmãs que ficaram na cozinha na preparação do almoço. Dos 23 voluntários da obra, cinco são da Igreja e 18 foram a convite da Convenção, ou pagos por ofertas recolhidas pela Convenção Batista Sul-Mato-Grossense. Alguns irmãos e Igrejas ofertaram em dinheiro para ajudar. A todos, nosso muito obrigado. Juntos, tendo Cristo à frente, somos vencedores.


JBB

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notícias do brasil batista

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Igreja Batista em Jussari - BA promove o Desperta Jovem Congresso foi realizado durante o Mês da Juventude. Nathalia Dias Secretária da Juventude da Igreja Batista em Jussari - BA

Realizado nos dias 21 e 22 de agosto, o Desperta Jovem, Congresso de jovens da Igreja Batista em Jussari-BA, liderada pelo pastor Neirival Souza, teve como tema “O que tempos difíceis revelam sobre os cristãos”, baseado em II Coríntios 4.16-17: “Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles”. Para a exposição, tivemos como preletores o pastor Misael Alcântara e o teólogo Tiago Nascimento. À luz da Bíblia, compreendemos nesses dois dias que o Cristão deve,

no momento difícil, revelar unicamente Jesus, O Cristo. O cristão deve revelar a fé genuína no Salvador, a glória de Deus, a paz do Espírito Santo. Tempos difíceis revelam nosso verdadeiro caráter e como cristãos devemos revelar o caráter de Jesus. Assim como Cristo, em Seu ministério, sendo um com o Pai, revelou o caráter de Deus,

a paz, o perdão, o amor, a cura, a humildade e a fé. E por vezes, os dias difíceis não poderão ser evitados, mas, como “pequenos Cristos”, temos a responsabilidade de viver o evangelho. Isso é um ato de amor, confiança, fidelidade e a certeza de que Deus está conosco em todo o tempo. n

Núcleo Social de Diadema - SP distribui 12 toneladas de alimentos e cobertores Projeto da CB Pioneira foi um sucesso e diversas famílias foram beneficiadas. Claudice Calixto da Silva Funcionária do Núcleo Social de Diadema - SP

O mês de julho chegou e com ele uma frente fria que Diadema-SP ainda não havia presenciado. Dessa forma, o Núcleo Social, preocupado com seus atendidos, realizou uma campanha de inverno com o objetivo de doar uma cesta básica para as famílias e um cobertor novo para cada criança e adolescente. A campanha foi um sucesso e cada família recebeu uma cesta recheada de alimentos, guloseimas, laticínios e produtos para aquecer o frio tão intenso, totalizando 12 toneladas de alimentos nessa ação. A campanha também proporcionou que cada atendido, bem como seus irmãos, recebesse um cobertor novo, que foi a alegria das crianças e o alívio de passarem por esses dias frios bem aquecidos. Foram distribuídos 375 cobertores novos. Por conta da pandemia, a entrega foi realizada através de agendamentos, o que possibilitou à equipe social e

pedagógica, em parceria com o pastor capelão, realizar um atendimento individualizado, com devocional e oração com a família, um momento muito especial. Como instituição, estamos gratos a Deus pelo cuidado e amor derramados sobre nós e sobre a comunidade que atendemos; gratos também aos nossos parceiros, que com o coração disposto e voltado ao próximo, fizeram com que o objetivo da campanha fosse alcançado. Entre julho e agosto, a Tabea Diadema também ampliou a área de cursos

gratuitos para a comunidade, como: Auxiliar de Marcenaria, Montadoras de Móveis (para mulheres), Informática Básica, Operador de Microcomputador, Empreendedorismo, Panificação e Confeitaria. Os cursos foram realizados em parceria com SENAI, SEBRAE, Instituto Léo Social e Tecnoset. Alguns alunos do curso de Marcenaria foram encaminhados para emprego e alunas do curso de Montadora de Móveis foram empregadas temporariamente. Ao todo, 93 alunos tiveram formação neste período. A comunidade tem demonstrado muito

interesse pelos cursos oferecidos, os quais têm proporcionado qualificação, perspectiva de futuro, oportunidades de emprego, e assim a instituição tem desempenhado com êxito a sua missão de “Resgatar a dignidade do ser humano para uma nova perspectiva de vida”. Louvamos a Deus pela Sua soberania. Ele tem sustentado a Sua Obra e capacitado a Tabea Diadema para ser luz nesta cidade. A nossa oração é para que através da instituição o nome do Senhor Jesus seja reconhecido e engrandecido. n


Missões mundiais

O jornal Batista Domingo, 05/09/21

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Há fome no Haiti: ajude agora Os recentes acontecimentos que colocaram o Haiti e o Afeganistão em destaque no noticiário mundial nos trazem ao coração o verso “Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram” (Rm 12.15). Este é o tempo de chorar com os haitianos que sofrem a perda de seus entes queridos no devastador terremoto que atingiu sobretudo o sul do país no sábado, 14 de agosto. E também com os afegãos que, no dia seguinte, 15 de agosto, tiveram um de seus piores dias dos 20 últimos anos, quando o grupo extremista Talibã ascendeu ao poder. Haiti O terremoto de 7.2 na escala Richter foi mais forte que aquele que devastou o país em 2010, deixando cerca de 300 mil mortos. Neste ano, o número de vítimas fatais já somava mais de 1.300 até o dia do fechamento desta matéria, 18 de agosto. Há ainda centenas de feridos e outros desaparecidos que, possivelmente, ainda se encontram debaixo dos escombros. Segundo o pastor Ruy Oliveira, coordenador de Missões Mundiais para as Américas, “nossos obreiros no Haiti estão bem. Não temos projetos atualmente no sul do país, onde ocorreu o terremoto. Estamos em contato constante com eles para mantermos as informações atualizadas. Os familiares de nossos obreiros também estão bem”. Mas não há como fechar os olhos para a situação no restante do país. Por isso, neste primeiro momento, recorremos às orações. Pedimos à grande rede de intercessores do PIM - Programa de Intercessão Missionária - que ore conosco para que o Espírito Santo console os enlutados e dê sabedoria às autoridades e equipes de segurança no socorro aos sobreviventes desta tragédia. O Haiti também passa por uma forte crise política após o assassinato de seu presidente, em julho, e uma crise humanitária com escassez de alimentos e aumento da violência que perdura ao longo dos anos. Há ainda o agravante no sistema de saúde; o país recebeu as primeiras doses da vacina contra a COVID-19 há menos de um mês. Missões Mundiais espera poder, em breve, com o apoio de todos os Batistas brasileiros, enviar ajuda aos haitianos através dos obreiros que lá estão. Desde já, pedimos aos nossos parceiros que reforcem suas ofertas ao programa “Há Fome no Mundo” para a compra de cestas básicas para os mais vulneráveis. Também é possível adotar um de nossos obreiros no país. Fale com a Central de Atendimento JMM ou acesse o nosso Canal de Relacionamento, fazendo uma busca por Haiti.

Afeganistão Se no Haiti são as forças naturais que fazem vítimas, do outro lado do mundo, mais precisamente no Afeganistão, é o próprio homem que subjuga outros seres humanos. A ascensão do Talibã ao poder, após 20 anos, tempo em que tropas norte-americanas ocuparam o país após os atentados de 11 de setembro, trouxe consigo o temor pelo aumento da perseguição aos cristãos no país que, por seu histórico hostil, não conta ainda com a presença de missionários dos Batistas brasileiros. Apenas conseguimos falar com afegãos quando eles migram para outros países. “Missões Mundiais não tinha obreiros no país, pois os que estavam sendo preparados para serem enviados no primeiro semestre de 2020, tiveram seus planos frustrados pelo início da pandemia. Temos colaborado com a Igreja afegã em todo mundo através do projetos “Bíblias para os Povos” e com refugiados”, disse o pastor João Marcos B. Soares, diretor executivo de Missões Mundiais. As cenas vistas pelo mundo inteiro e que viralizaram nas redes sociais, mostra como o medo tomou conta da população afegã. O presidente Ashraf Ghani deixou o país, bem como os integrantes

de embaixadas de outras nações que ainda estavam por lá. A população tenta fazer o mesmo e, no desespero de fugir, pessoas têm morrido até mesmo penduradas na fuselagem de aeronaves. Diante do caos que se instalou no país, os poucos pastores na região estão fugindo de lá para não serem torturados, escravizados ou mortos. A informação foi relatada pelo pastor Mario Rui Boto, da Hillsong Church de Portugal em suas redes sociais. O país ocupa o terceiro lugar na lista de países que mais perseguem cristãos, levantada por Missões Mundiais. O futuro no Afeganistão ainda é incerto. Apesar do porta-voz do grupo extremista ter sinalizado com um tom moderado, as lembranças que o mundo tem são do regime de cinco anos nos quais o Talibã governou o país, entre 1996 e 2001, quando foi retirado do poder por uma junta militar liderada pelos Estados Unidos. Nesse período, a interpretação da Sharia (conjunto de leis que rege o Islamismo baseado no Corão) que estava em vigor no país era uma das mais rígidas e violentas do mundo. O país tinha execuções públicas, apedrejamentos, amputações e punições com chicotadas. Gangues paramilitares circulavam

nas ruas, atacando homens que mostravam os tornozelos ou usavam qualquer tipo de roupa ocidental. Homens eram obrigados a deixar a barba crescer e as mulheres só se aventuravam a sair se tivessem permissão por escrito dos homens. Elas não podiam trabalhar ou estudar e precisavam usar a burca, uma vestimenta que as cobria completamente. Mais do que nunca, precisamos colocar o Afeganistão diante do Senhor. Fazer com que eles saibam que apesar de perseguidos, jamais serão desamparados. “Ore pela paz na região. Clame pelos que sofrerão ainda mais perseguições. Peça que Deus derrame mais do Seu Espírito sobre os cristãos daquele país. Ore pelas mulheres e crianças que ficam em situação ainda mais aflitiva, assim como as minorias”, pede o pastor João Marcos. Ore com Missões Mundiais para que vidas se rendam a Cristo no Afeganistão e o choro possa se transformar em risos de alegria. Clame ao Senhor por estratégias para levar o Evangelho de Cristo mesmo em um contexto tão hostil de perseguição religiosa. E que, em breve, possamos nos alegrar com os que se alegram. n


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De que forma a Igreja poderá exercer uma evangelização relevante dentro do contexto dos que estão em vulnerabilidade social? Daniel Novais

Seminarista pela Faculdade Batista do Estado do Rio de Janeiro; membro da Primeira Igreja Batista em Vila J. Lima-MA, no momento servindo a Primeira Igreja Batista em Ernesto Machado, São FidélisRJ; já atuou como missionário radical Cristolândia

Praticando o Evangelho! Mais do que falar de Cristo, devemos viver. Nosso Senhor e Salvador sempre estava preocupado com aquela multidão que O ouvia. Ele, ao ver a necessidade, lhes pregou a salvação, mas também lhes deu pão (Marcos 6.30-56). É claro que a salvação não é por obras, mas exclusivamente pela fé (Efésios 2.8,9), mas também está escrito: “A fé sem obras é morta” (Tiago 2.26). Somente praticando o Evangelho poderemos exercer uma evangelização

relevante no contexto que estamos inseridos. Vale lembrar que boas obras sem a mensagem da cruz não é evangelismo, pois a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.17), pois, se for somente boas obras sem a mensagem que salva, será só mais uma ação social; como um ateu faz, um espírita, um budista, enfim... Cristo não nos chamou para um ativismo social, mas sim, para sermos suas testemunhas na sociedade. A Igreja não pratica as boas obras, não dá assistência social, para garantir sua salvação; pelo contrário, ela age dessa forma porque foi salva, foi lavada pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo (Tito 3.5) e a garantia de sua salvação está na obra perfeita e eficaz de Cristo. Como disse Lutero: “Deus não precisa de tuas boas obras, mas teu vizinho sim”. A melhor maneira de apresentar o Cristo de Deus neste con-

texto é servindo como o próprio Cristo e Salvador nosso nos deixou o exemplo, a fim de que possamos seguir os Seus passos. Um ponto bem interessante: devemos, sim, praticar o Evangelho; praticar boas obras, servir a sociedade, mas nunca diminuir o escândalo da cruz. Cristo alimentou multidões, transformou água em vinho, teve compaixão e ressuscitou mortos, mas nunca suavizou a verdade de Deus. “Em verdade, em verdade vos digo: vocês me buscam não porque viram os sinais, mas porque comestes os pães e vos fartastes” (Jo 6.26). Muitos acharam duro esse discurso, mas Jesus não aliviou, pelo contrário. A Igreja, muitas vezes, acha que porque alimenta um homem em situação de rua, oferece espaço banho ou doa roupas, deve poupá-lo do escândalo da cruz; Jesus não poupou, devemos seguir o exemplo de

Cristo em tudo, pois Ele não aponta o caminho da salvação, Ele é o próprio caminho, a própria salvação. Portanto, não devemos desistir de fazer o bem e lembrar-nos sempre que a Religião pura e imaculada que nosso Deus e pai considera, é aquela que: ama a todos, mas que lhes transmitem toda verdade de Deus; é aquela que exerce compaixão e graça aos perdidos, mas sem massagear seu ego; é aquela que visita os órfãos e viúvas em suas aflições (Tiago 1.27), sem deles esconder o escândalo da cruz, que todos pecaram e estão separados de Deus (Romanos 3.23), que estão debaixo da ira de Deus (João 3.36), e que devem se arrepender dos seus pecados e crerem em Cristo para que seus pecados sejam cancelados (Atos 3.19), pois somente por meio de Cristo temos paz com Deus (Romanos 5.1). n


ponto de vista

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A depressão não é o fim. Mas, pode ser um recomeço! Roberlan Julião

pastor da Segunda Igreja Batista em Vila Pauline, Belford Roxo - RJ

Olá, gente boa! É muito comum alguém dizer que está deprimido ou depressivo quando se sente triste ou se sente mal com alguma coisa ruim que acontece nos altos e baixos dessa vida. No entanto, depressão é uma doença. Não é tristeza! Ficamos tristes quando algo que não queríamos acontece ou quando algo que desejávamos muito não aconteceu. É natural sentir tristeza diante da perda de alguém ou de um diagnóstico que interrompe os nossos sonhos. No meu caso, porém, tudo estava bem. Estava feliz com meu primeiro carro, minha pós-graduação, atuante na Igreja local e na denominação Batista, agenda de pregação cheia... Eu estava feliz! Quando dei por mim, comecei a sentir muito sono e uma angústia muito forte. Acordar pela manhã era uma das

piores coisas da vida. E dormir era tudo de bom! Como se não bastasse passar o dia angustiado e sonolento, perdi o gosto pela vida. Até aquele bife de contrafilé – minha paixão! – ou aquele filme da Marvel e da DC Comics não tinha mais graça. Perdi a paixão pelo ministério, a libido sumiu, os problemas começaram a parecer mais difíceis de resolver do que realmente eram e o único pensamento que me trazia algum alívio era a possibilidade da morte. Meus sofrimentos teriam fim se minha vida, de algum modo terminasse. Comecei a pedir a Deus que me levasse desse mundo cruel, dessa vida difícil! Lembro-me como se fosse ontem. Sob forte agonia, fui à emergência para arrancar tamanha agonia do meu peito. Mas, a médica me encaminhou ao psiquiatra, alegando que o trabalho dela não resolveria o meu problema. O psiquiatra (março/2016), ao saber qual era a minha ocupação (pastor de Igreja), recomendou-me a abandoná-la e

a buscar tratamento psicológico, alegando que eu precisava de alguém para me escutar. Ele desconstruiu, também, meu preconceito para com os medicamentos, inclusive os de tarja preta. Afinal, além de substituir pensamentos e migrar para outros relacionamentos, eu precisava de medicamentos, pelo menos inicialmente, para corrigir a debilidade do organismo. Na psicoterapia (abril/2016), descobri que piorei querendo melhorar. Adoeci querendo ser mais do que eu realmente era. Sofri por valorizar demais as críticas e as rejeições, num vício de querer agradar a todos sem ter com quem compartilhar minhas dores. Ou por não confiar em ninguém ou por ouvir o que falam dos pastores que assumem fragilidades e pedem ajuda em suas crises. Em cinco anos de tratamento aprendi que minha presunção me derrubou e que meu orgulho retardou meu pedido de socorro. A partir dessa consciência, em cinco anos eu fui mudando bem lentamente. Mas, a mudança aconteceu! Voltei para a musculação, comecei a

fazer kickboxing, engravidei minha esposa (depois de 19 anos de casados!) e fiz o vídeo “Sou pastor e luto contra a Depressão! E Daí?”, no meu canal do YouTube “Roberlan Julião Palavra Simples”. Foram cinco anos de tratamento e de aprendizado! Comecei usando ansiolíticos e antidepressivos diariamente. Depois do desmame, no final do ano retrasado (2019) o uso do antidepressivo foi descontinuado. No ano passado (2020) recebi alta das consultas do psiquiatra e retirada do uso de ansiolíticos. Em maio deste ano, a psicóloga me deu alta da psicoterapia, após uma jornada de cinco anos de tratamento. Antes, ela me deu 15 dias para pensar, tocando a bola para mim, e só isso já me deixou feliz demais, com aquele frio na barriga... Se você está passando pelo que eu passei, busque ajuda! Vamos dar a volta por cima?  n

Adoração e serviço Jeferson Cristianini

pastor, colaborador de OJB

Há um cântico contemporâneo que entoamos com frequência que diz “Se não for para te adorar, para que nasci? Se não for para servi, porque estou aqui?”. Essa canção nos leva a reflexão de que não estamos nesse mundo a passeio. Fomos criados para o louvor da glória de Deus. Somos na linguagem paulina “feituras dele, criados em Cristo Jesus” (Efésios 2.10). Ou seja, foi Deus Quem nos moldou e nos formou no ventre materno e Ele tem um propósito para nossa vida. A nossa missão é vivermos para a

honra e a glória do Senhor e isso envolve adoração e serviço. Fomos criados para adorar e servir ao Senhor Criador. Quando entendemos que formos criados com um propósito eterno e que temos que agradar o Senhor de nossas vidas com nossa adoração e serviço, nossa vida ganha sentido. Quando chegamos a esse entendimento entoamos esse cântico com vibração e devoção. Russell P. Shedd, no livro “Adoração Bíblica”, nos lembra de que adoração é serviço. Adorar a Deus é viver servindo o Senhor. Essa proposta é claramente explicada por Paulo quando disse assim: “Rogo-vos, pois, irmãos pelas misericór-

dias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, sano e agadável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12.1). A proposta bíblica é que apresentemos nossos corpos como sacrifício para o serviço cristão. É um chamado ao uso dos dons. Somos convocados a oferecer um culto de forma racional ao Senhor com nossos dons, e assim usarmos nossos corpos como sacrifício. Assim como no Antigo Testamento, as pessoas ofereciam sacrifícios, ou seja, o melhor; nós oferecemos nossos corpos como sacrifício vivo. Os sacrifícios do Antigo Testamento sobre o altar eram animais mortos; o nosso sacrifício cris-

tão é vivo, pois nós entregamos nossos corpos para o louvor da glória de Deus através do nosso serviço. Deus nos deu dons e talentos a fim de servimos a Ele e para mostrarmos ao mundo a Sua glória refletida em nós. Portanto, adorar a Deus é oferecer nossos corpos em sacrifício, ou seja, é servir ao Senhor. Russell P. Shedd: “Assim como o navio foi feito para flutuar e a caneta para escrever, o objetivo único da criatura é servir ao Criador”. Não faz sentido sermos criados para adorar e servir e desperdiçar a vida. Adore-O com sua vida e com seus dons! Sirva ao Senhor com alegria!  n


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OJB EDIÇÃO 36 - ANO 2021  

A Carreta do Sertão já é realidade! Neste primeiro domingo de setembro celebramos essa importante conquista dos Batistas brasileiros para an...

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