O som da diva Amy Winehouse ganhou uma autêntica versão em solo gaúcho. Kelly Carvalho, 28, da Banda Mr. Soul, reproduz o poderoso e profundo contralto vocal da britânica, em um tributo cheio de estilo, que já ganhou os palcos da Região Sul. Na sexta-feira à noite, celebrou o sucesso do tributo Amy Winehousem, no Bar Opinião, em Porto Alegre. O show fez parte da última edição do Rock'n Bira. Kelly é de Estrela e vem de uma família de artistas. É professora e maquiadora.
Inspire-se
O que a música lhe proporciona?
A música me proporciona uma imensidão de sentimentos bons. Sinto-me em paz e conectada.
Venho de uma família de artistas. Cresci dentro da música e tenho ela nas minhas veias. Meu pai Clairton virava as noites ensaiando, compondoeseapresentando.Meuavô paterno também era músico e radialista. Já o avô materno é regente de corais. Meu pai tem um projeto musical e teatral chamado Cowboy Olá!. Ele compõe e produz as músicas. Convidou minha mãe, tio e primos para fazer parte do espetáculo. A ideia principal é espalhar alegria. Cresci com esse sentimento de que a música tem um poder muito grande. Como dizia Amy, “A música tem o poder de conectar as pessoas". Por isso tudo, respiro música!
Como iniciou a atividade?
No momento, me dedico ao projeto com a banda Mr. Soul. Também curso Pedagogia e, após me formar, quero fazer uma pós-graduação dentro da área da música. Para o próximo ano, novidades virão. Escolhi fazer Pedagogia pelo amor que sinto pelas crianças, pois cada uma vive em uma realidade diferente e, assim, consigo me realizar sabendo
que estou auxiliando elas no dia a dia.
Por que pratica?
Trabalhar com crianças ou mesmo com música é uma troca de sentimentos, de energia e aprendizado. Aconselho as pessoas a experimentarem ver a música e a pureza das crianças como uma oportunidade de mudar o mundo. Porque ambas têm esse poder.
Como concilia com a rotina?
No momento me dedico totalmente ao projeto com a minha banda Mr. Soul. Além dos ensaios semanais, procuro estar sempre estudando para aperfeiçoar meu trabalho como intérprete da Amy. Faço exercícios e técnicas vocais, assisto aos shows dela constantemente para pegar os trejeitos e toda influência. Também estudo o inglês britânico para aperfeiçoar a pronúncia.
Agenda de eventos
15/12
Roupa Nova – Todo Amor do Mundo
Local: TeatrodaUnivates Horário: 21h
O novo trabalho do Roupa Nova, Todo Amor do Mundo,mapeiaossucessos que atravessaram gerações. São 35 anos de banda, 37 álbuns e mais de 20 milhões de cópias vendidas. O espetáculo traz a história do início da carreira do grupo no fim dos anos 60, quando os integrantes ainda eram seis adolescentes querendo viver de um sonho: a música.
18/12
Intervenção artística Pequena Crônica de Natal Local: Decks do Laguinho na Univates, Horário: 18h
A música me proporciona uma imensidão de sentimentos bons. Sintome em
paz e conectada”
Envolvido por sentimento de sensibilidade, o Grupo de Teatro da Univates apresenta uma crônica sobre o amor e a tolerância, e apresenta o nascimento do Menino Jesus de forma singela e cênica, levando ao público um chamado de humanidade em tempos de tanto individualismo e desunião.
QUEM FEZ ESTA EDIÇÃO voce@jornalahora.inf.br
Direção Editorial e Coordenação: Fernando Weiss - Produção: Taciana Colombo, Anderson Lopes e Carolina Chaves - Arte: Gianini Oliveira e Fábio Costa - Foto de capa: divulgação - Tiragem: 7.000 exemplares. Disponível para verificação junto ao impressor (ZH Editora Jornalística)
2 | Você. | FIM DE SEMANA, 10 E 11 DE DEZEMBRO DE 2016
Kelly Carvalho, 28
Coluna
E
m meio ao ruído incessante do trânsito paulistano, eu aguardava um táxi e observava duas adolescentes conversando. Entre uma fala e outra, faziam caras e principalmente bocas (ou melhor, biquinhos) e disparavam muitas selfies. Continuei observando quando ouvi uma dizer para outra: “Queria ser como ela. Ela é demais!”
Vivemos em um tempo em que ser ou estar entre os “very importante person” tem sido uma obsessão para muitas pessoas. Ainda assim, cá entre nós, o que afinal esse tal “demais” expressado por aquelas garotas pode significar para causar o desejo de serem iguais “a ela”? Penso, penso e parece-me que esse “demais” está associado a altos níveis de expectativa. As pessoas em geral esperam muito de tudo. Esperam que as festas sejam
Nem demais, nem de menos
sempre divertidas. Que todos os amigos sejam leais. Que o trabalho seja agradável o tempo todo. Que os casamentos e romances durem até que a morte os separe. Que a sua aparência seja do tipo “fit” (não me pergunte sobre isso!). Em outras palavras, que a vida seja perfeita demais em tudo. Continuo pensando e per-
Sabe, amiga, copos que não saem das cristaleiras é que me preocupam e fique sabendo, minha querida, que algumas pessoas preferem o aconchego das camas desarrumadas.
gunto-me então se essa expectativa toda não seria algo que está fora da medida, fora do equilíbrio? Dia desses cheguei no apartamento de uma amigae,aomesmotempo emque ela me convidou, para entrar disparou a frase: “Não repare na bagunça, não tive tempo de organizar.” Dito isso, seguimos nosso bate-papo. Fiquei intrigada e antes de ir embora não resisti e perguntei por que ela havia me dito para não reparar, quando na verdade o que eu avistara era um ambiente aconchegante e arrumado. Ela imediatamente começou a apontar tudo o que podia para me provar o contrário e foi citando espontaneamente: “Vês aquele casaco sobre a cama? E aquele copo sobre a escrivaninha? Também tem aquelas xícaras na pia. Mas o pior é minha cama que não arrumo desde ontem!”
Por alguns instantes, fiquei
parada, quietinha, ouvindo-a e pensando sobre o que poderia estar passando dentro da sua cacholinha e que lhe causava tamanho tormento? Senti vontade de dizer para ela que a louça não foge da pia, que os problemas não fogem pela porta dos fundos e que eu prefiro pensar que o copo deixado sobre a escrivaninha não é vestígio de desordem e sim uma pista de que alguém esteve por ali. Sabe amiga, copos que não saem das cristaleiras é que me preocupam e fique sabendo, minha querida, que algumas pessoas preferem o aconchego das camas desarrumadas. Sinto a vida como um movimento magnífico por conter todos os seus altos e baixos. Afinal, o que seria da arte, da poesia, da literatura e de tudo o mais que exige a presença da exclusiva sensibilidade humana se vivêssemos em um excedente e constante contenta-
mento, tão ofuscante quanto as nossas ilusões? Certamente é necessário que a tristeza e a dor, assim como as outras faltas, ou melhor, o “de menos” esteja presente ora aqui, ora ali, para que se realize a perfeição estética das emoções. Não tenho nada contra esperarmos o melhor de tudo, mas temo que, quando essa expectativa entra em crise com o que a vida por regra pode nos entregar, acabe em antidepressivos demais. Eu particularmente espero que a vida me sirva um pouquinho de cada, nem demais, nem de menos.
Raquel Winter
Fale comigo pelo e-mail cronicasraquel@gmail.com ou pelo WhatsApp (no número 99844-2774).
A perigosa corrida
Dietas e tratamentos milagrosos trazem riscos à saúde. Especialistas alertam sobre os cuidados necessários
Aproximidade da estação mais quente do ano é sinônimo de preocupação para algumas pessoas. Principalmente quando o assunto é deixar o corpo à mostra. Os quilos a mais incomodam homens e mulheres, que correm contra o tempo para emagrecer o máximo possível, e se livrar de qualquer imperfeição.
Dietas malucas, que prometem perda de cinco quilos por semana, e tratamentos estéticos revolucionários são as saídas mais comuns na hora do desespero. Alternativas que até trazem resultados imediatos para alguns, afirma a nutricionista Angelita Ewald.
Mas que, em contraponto, também causam inúmeros danos à saúde. Dietas restritivas, por exemplo, podem eliminar músculo e líquido, ao invés de gordura. Enquanto medicamentos causam uma verdadeira desordem no organismo. Sem contar que os quilos perdidos logo voltam a aparecer.
Angelita relata que, apesar de conhecer esses riscos, 90% dos pacientes chegam ao consultório querendo essas receitas mágicas. “Pedem um milagre
para emagrecer em duas ou três semanas.” Mas isso não é possível porque elas mantiveram hábitos inadequados durante todo o ano, afirma.
Normalmente, já passaram por outros profissionais e pensam que uma nova forma de emagrecimento pode ajudá-las. Porém, nada vai além de aliar a alimentação saudável à prática de exercícios físicos.
Um processo a longo prazo, que exige total mudança de comportamento e comprometimento. “O teu organismo conhece uma história, e agora é necessário contar outra, totalmente diferente para ele.” Tudo sempre realizado com acompanhamento profissional. “É preciso respeitar o tempo de cada pessoa.”
Uma batalha diária
O auxiliar administrativo Alex Kemmerich, 24, demorou até tomar consciência disso. Ainda na infância, ganhou os primeiros quilos extras. No início da adolescência, tentou as primeiras dietas, emagrecia um quilo, mas engordava quatro, até chegar aos 147 quilos.
Kemmerich faz exercícios físicos cinco vezes por semana para mudar o estilo de vida
ANDERSON LOPES
contra a balança
Desesperado com o problema, que parecia não ter solução, ele arriscou a própria vida e acabou doente. Em 2010 teve bulimia “Até fiquei dois dias sem comer.” Na época, ele chegou aos 122 quilos, mas a permanência de manchas na pele foram o alerta para que se recuperasse da doença. Os quilos voltaram a aparecer, e fizeram Alex tomar uma nova atitude para eliminá-los. Desta vez, apostou nos exercícios físicos e na redução da quantidade de comida.
Em dois anos, 50 quilos a menos. Precisou até passar por uma abminoplastia para retirar o excesso de pele, resultado do emagrecimento.
Apesar de conseguir manter hábitos saudáveis, Alex voltou a engordar. Fato que lhe fez buscar acompanhamento médico no início deste ano. “Sair da zona de conforto é complicado, exige muito mais que o físico, o psicológico. Precisamos nos acostumar aos poucos”, comenta.
“Eu não deixo de comer o que gosto”
Em junho, como uma forma de monitorar a própria rotina, ele criou o perfil @gordofitness no Instagram. Por meio das fotos, mostra seu diário de exercícios e alimentação para chegar ao peso ideal. Aos poucos, ganhou o apoio dos seguidores. Hoje são mais de 16 mil, que o ajudaram a eliminar outros 20 quilos.
O temor das estrias e celulites
O verão ainda traz outros dois temores, principalmente às mulheres: a aparição de estrias e celulites. Para tentar diminuí-las, o mais comum é recorrer a tratamentos estéticos. Alguns, arriscados, como cita o doutor em Medicina e Ciências da Saúde pela PUCRS, professor da Univates, João Tassinary.
A Hora – Existem tratamentos capazes de reverter as estrias e celulites?
Quais?
É preciso respeitar o tempo de cada pessoa”
Angelita Ewald, nutricionista
Com o vai e vem na balança, Kemmerich conseguiu chegar aos 105 quilos. Hoje pratica exercícios físicos cinco vezes por semana e mantém uma alimentação regrada, sem abdicar dos alimentos que gosta.
Entre frutas e verduras, também cabe um pastel, um pedaço de pizza e um chocolate. “A questão principal é o quanto tu deposita de vontade para optar por uma vida mais saudável, é persistir e se for preciso começar de novo.”
João Tassinary – Sim, existem inúmerosaparelhosecosméticos que podem melhorar e até mesmo resolver esses problemas estéticos que assombram principalmente as mulheres. Os tratamentos que, segundo estudos científicos, apresentam bons resultados para o tratamento de celulite são: ultrassom, endermologia, radiofrequências, drenagem linfática manual e cosméticos à base de cafeína e rutina. No tratamento de estrias: peelings químicos e físicos, radiofrequência, carboxiterapia, laser e cosméticos à base de fatores de crescimento.
Quais não surtem efeito e ainda podem causar riscos à saúde?
Ao que mais as pessoas devem ficar atentas quando buscam um tratamento estético?
Tassinary – Principalmente a duas situações na hora de buscar um tratamento estético. A primeira é procurar profissionais habilitados, com formação e conhecimento científico sobre os tratamentos, pois assim não correm risco de ter danos à saúde. A segunda é desconfiar de propagandas com resultados milagrosos, pois a estética é como qualquer outra área da saúde, depende de inúmeras variáveis para que os resultados positivos possam aparecer e isso não é do dia para noite.
Tassinary – Infelizmente muitos tratamentos não são eficazes, como o uso da manta térmica para celulite ou hidratantes corporais para estrias. Em relação aos riscos à saúde, esses estão relacionados ao uso de aparelhos sem registro na Anvisa, ou ainda, à falta de conhecimento por parte dos profissionais na hora da aplicação desses equipamentos, que podem levar, por exemplo, à queimadura de pele.
Felicidade
estampada
A marca Sueka e a Padríssimo foram anfitriãs de uma festa colaborativa no domingo, 4, no espaço do restaurante mexicano. Os convidados participaram de uma programação bem pontuada, ao gosto da “cocina” mexicana. No evento, leve e contemporâneo, as gurias da Ventre Terapia de Guarda-Roupa conduziram uma conversa sobre empoderamento feminino, aceitação do corpo e padrões de beleza. As fotos são do fotógrafo Douglas
Tainá Gross
Júlia e Felipe Feil
Maria Wulff com Camille e Karina Fleck
Danielle Kilpp Giovana Ochoa
FOTOS DOUGLAS KERBER/DIVULGAÇÃO
Ao sabor da música
A rede Carpe Vita Weekend celebrou os sete anos de atividade com uma festa no Parque Gigante, em Porto Alegre. A ocasião ganhou sabor com os drinques da Coca-Cola Mix. Por lá circulou gente do Vale do Taquari, como a modelo Hamanda Dal Molin Saccol.
A Carpe Vita é uma rede social formada por pessoas com estilos similares, que buscam aproveitar o melhor da vida entre amigos, ao som de muita música eletrônica de qualidade. No roteiro, estão festas em Porto Alegre, Gramado, Caxias do Sul e também em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Balneário Camboriú, Florianópolis, Curitiba e Goiânia/Brasília,
Tudo num clique
O fotógrafo lajeadense Cláudio Zagonel Neto reuniu, no dia 1o, no Sesc de Lajeado, amigos em vernissage de lançamento do novo livro. A obra registra as belezas da bacia Taquari/Antas. Entre os convidados, Paulo Gregory e Laura Fensterseifer.
Entre as celebs da Alemanha
AlajeadenseHannaBergeschparticipoudoMoviemeets Media, no dia 28, no Hamburg Nobel Hotel Atlantic Kempinski, em Hamburgo, na Alemanha. A atriz, que faz anos adotou o país como morada, circula entre inúmeras celebridades da empresa de transmissão televisiva e de produção de mídia, que dá nome ao evento. A festa em atmosfera de total glamour reuniu gente ligada ao entretenimento, esporte e aos negócios da empresa.
Hamanda Dal Molin Saccol na Carpe Vita Weekend
DIVULGAÇÃO
DIVULGAÇÃO
FERNANDA TAVARES
Lajeadense Hanna Bergesch , em HamburgoHanna com a atriz brasileira Júlia Wulf
Cláudio Zagonel Neto autografa seu recente livro para os amigos
Relacionamento sem tabu
Como os casais vivenciam as uniões monogâmicas em “tempos líquidos”
Os lajeadenses Mário e Alice*, juntos faz mais de 30 anos, procuram novos parceiros para apimentar o relacionamen-
to, que parece ter esfriado de uns tempos para cá. O sofrimento do casal gira em torno do problema de disfunção erétil dele. “Gostaria de satisfazer minha mulher, mas não consigo”, conta. Em festas privê ou em redes sociais, os amantes buscam por homens interessados numa relação sexual a três. “É fuga. Uma forma de re-
alizar-se no outro, o desejo que tem para si. Uma troca de prazeres.” O fetiche não envolve compromisso. “É de comum acordo e não encaramos como traição. Precisamos esquecer o machismo. As mulheres querem sentir prazer.”
A instabilidade dos relacionamentos amorosos é tema estudado pelo sociólogo Zygmunt Bauman. Os tempos “líquidos”, como o polonês traduz a contemporaneidade, seguem mediados por incertezas. Cada um vive por si. Tudo muda rapidamente e nada é feito para durar.
Apesar da máxima do pen-
Casais buscam felicidade de formas mais intensas e abertas
ANDERSON LOPES
sador, Daniela Duarte, terapeuta cognitiva comportamental e de esquemas, dá créditos ao amor. Para ela, homens e mulheres ainda preferem relacionamentos estáveis, baseados na monogamia. O que muda é a forma como nos relacionamos. “As pessoas têm acesso a relacionamentos abertos e muita exposição. O mundo virtual tecnológico facilitou a busca pelo outro”. O novo comportamento, entretanto, não explica o crescente número de traições e divórcios. “As pessoas estão atrás da sua felicidade de formas mais intensas e mais abertas, e, por isso, suportam menos uma relação que não atende de forma plena”, lembra a especialista. “Em alguns casos, os casais optam por manter uma relação pela dificuldade de romper, mas criam outros tipos de contato, que vão atender suas necessidades.”
Vivemos para suprir nossa carência por segurança, conforto, prazer e, às vezes, de alívio. Para muitos, a necessidade de alívio é ainda maior do que a de prazer. É por isso que procuramos por outras relações”
Daniela Duarte, terapeuta
Infidelidade autorizada
Segundo a terapeuta, cada casal lida de uma forma diferente com a traição. Para alguns, a infidelidade é algo natural. “Pode ser que os dois ou um deles perceba que não é capaz de atender suficientemente o outro. A partir de então, estabelecessem um pacto.” Para esses, basta conquistar uma vida social e familiar plena. “Autorizam o companheiro a procurar novas relações para continuarem sexualmente ativos.”
Sem segredos
O respeito é apontado como o principal alicerce para os relacionamentos de sucesso. Conforme Daniela, há uma necessidade de conhecer o companheiro e entender o que será desrespeitoso para aquele outro
Amor e sexo
indivíduo. “Tentar descobrir o que ele precisa, além das minhas necessidades. Compreender que é diferente de mim e isso não o torna melhor ou pior que eu. Esse é o segredo de um relacionamento adulto e maduro.” Outra questão é
saber que o outro não pode dar conta de todas os vazios. “As carências devem ser supridas de diferentes formas, não só nas relações.”
*Nomes fictícios para preservar a identidade da fonte
Relações mais abertas quando o casal não se basta
De acordo com a terapeuta de esquemas, todo ser humano busca suprir suas insuficiências. “Isto é do ser humano. Vivemos para suprir nossa fome, sede, atenção; carência por segurança, conforto, prazer e, às vezes, de alívio. Para muitos, a necessidade de alívio é ainda maior do que a de prazer. É por isso que procuramos por outras relações.”
Mesmo assim, algumas pessoas só sabem se relacionar pela via sexual. “Os abusos velados na infância, por exemplo, são muito maior do que a gente imagina Geram uma percepção de que 'ser cuidado' é entregar-se ao sexo.”
O mundo virtual abre uma janela para novas formas de se relacionar. “Com o acesso mais protegido e fácil, acabamos suprindo algumas necessidades não só sexuais, mas de afeto, de reconhecimento. Do elogio e da validação dele. Necessidades que, por vezes, são supridas por uniões com outros propósitos. “A relação familiar e monogâmica se mantém por vários motivos. Alguns preservam pela dificuldade de viverem sozinhos, outros pela dificuldade finan-
Como manter relações saudáveis, segundo a terapeuta Daniela Duarte
•É necessário conhecer a si mesmo e ao outro para saber quais são as necessidades de cada um.
•Preservar a individualidade. “Sermos indivíduos apesar da nossa relação. Buscar na relação somente aquilo que ela pode nos dar.”
•Evitar o excesso de expectativa e não esperar que tro dê conta do seu vazio. “O desencontro é que tor casal distante.”
ceira ou necessidade familiar”, comenta Daniela. “Percebo que há casais se mantendo não mais por uma relação amorosa, mas por dificuldade de separação. Dá trabalho se separar. Questionam o preço que pagarão ao tomar a decisão. Resolvem, assim, manter-se na relação e suprir suas necessidades de outras formas.”
Há também quem só consiga encarar o amor desassociado do sexo. “É estratégia de sobrevivência,
Vicky Cristina Barcelona
A comédia de Woody Allen se passa em Barcelona e conta a história de Cristina, que sofre de “insatisfação crônica” com a falta de um rumo na vida. Tudo muda quando ela conhece o pintor Juan Antonio (Bardem), que vive uma relação difícil com Maria Elena (Penélope).
mas não é algo natural”, explica. “Ela aprendeu assim e não consegue enxergar a vida de outro modo.” Na terapia, a especialista trabalha para que o paciente não repita padrões sem buscar o questionamento. “Quando alguém está infeliz, é mais fácil buscar uma via secundária para suprir o problema. Por isso, surgem outros relacionamentos. Resolvemos a questão sexual, necessidade do elogio e do olhar por outro viés.”
Na literatura Amantes:UmaHistória daOutra
A obra destrincha as motivações e virtudes das mulheres, fictícias ou reais, que foram dispostas à margem da sociedade ao se verem na posição de amantes. A pesquisadora Elizabeth Abott retrata a intimidade de mulheres por meio dos séculos, entreelas,afrancesaSimonede Beauvoir. Ainda desconstrói a figura de garotas de mafiosos, a ideia da amante como troféu e o poder das amantes modernas.
Na televisão A Regra do Jogo
A novela da Globo mostrou o dia a dia de um relacionamento a três entre duas mulheres e um homem. No enredo, o funkeiro Merlô (Juliano Cazarré) vivia um romance entre Ninfa (Roberta Rodrigues) e Alisson (Letícia Lima), de forma consensual.
No cinema
Vista-se de atitude
Amoda hiperconectada com o universo jovem é plural e descomplicada. Peças-chaves, como o jeans e t-shirts estampadas são ideais e transitam tanto pelo guarda-roupa feminino quanto masculino. Para elas, o top combinado com saias ou shorts traz frescor para o look da estação. Para eles, a novidade é o maxicolete, que vai super bem em produções com camiseta e bermuda.
Fotografia: divulgação
Loja que participou deste editorial: Gang (51) 3748-4494.
Blusa estampada e short da Gang
Blusa cropped estampada e short da Gang
Blusa e short Gang
Vestido Gang
Camiseta e bermuda da Gang
Blusa floral verde da Gang
Short jeans da Gang
Vestido floral da Gang
Camiseta e bermuda da Gang
Colete, camiseta e bermuda da Gang
Camiseta e bermuda da Gang
Camiseta polo listrada e bermuda da Gang
Camiseta estampada e bermuda da Gang
Histórias na potência máxima
Ismael Caneppele dá a receita de como turbinar o processo da escrita em oficinas ministradas no Sesc Lajeado
Oescritor, diretor e roteirista, Ismael Caneppele, ministra oficinas de escrita criativa entre os dias 12 e 19, das 19h às 21h, no Sesc Lajeado. Em dois encontros de duas horas cada, os participantes terão contato com técnicas narrativas destinadas a turbinar a potência das histórias. O evento é voltado aos interessados nas questões humanas, escritores, roteiristas, professores, amantes de cinema, leitores vorazes e todos aqueles que compreendem a força do processo de contar histórias. O lajeadense é uma das mais festejadas revelações da literatura contemporânea recente. Condecorado pela Academia Brasileira de Letras com o Prêmio Machado de Assis, é autor de A Vida Louca da MPB, Os FamososeosDuendesdaMorte e MúsicaparaQuandoasLuzes seApagam. Os dois últimos ganharam versões para o cinema.
“Há uma fisicalidade intencional na minha criação que
contaminaaescrita.Ocorpoem risco é matéria de praticamente todo o meu trabalho. Gosto de atentar aos aspectos dos cor-
pos, o que move os corpos e por quais percursos de perigo, desejo e tensão eles transitam no decorrer de uma história.”
Nas primeiras obras, como Os famosos e os Duendes da Morte, Caneppele tratava da questão adolescente. “Hoje, me interessam as questões envolvendo indumentárias de gênero,imigraçãoenegritude.” O seu mais recente livro, ONegrinho do Guaíba, atualiza a lendadoNegrinhodoPastoreio paraosdiasatuais.“Tratasobre um transboy de rua, que se traveste para tentar não sofrer violência sexual. Gosto da voz do fraco, daquele que está em desconforto. Não me interesso
pela voz do dominante.”
Arma poderosa
Segundo Caneppele, escrever é uma arma. “Se pensarmos que o mundo nunca foi tão escrito e lido como agora, o ato de escrever se torna um fazer filosófico poderoso. No decorrer do meu processo de escrita, percebi sermos movidos a narrativas. Estamos o tempo todo criando narrativas, para nós mesmos e para os outros.” Sendo assim, Caneppele acredita que o contarmos nos revela,parasieparaooutro.“É um ato micropolítico capaz de produzir pequenas e poderosas fissuras no pensamento.”
Influenciadores
Processo criativo do escritor vem sendo turbinado por três pensadores. Gilles Deleuze, Christopher Vogler e Robert McKee. “Com o estudo profundo e sistemático desses três autores, acredito ser possível desenvolver uma boa metodologiadetécnicadestorytelling.” Para ele, escreve-se para ser lido. “Mesmo os mais íntimos diários conservam o fetichismo do vir a ser lido à revelia do autor.Oserqueseescreveéum,o ser que se lê é outro. Escreve-se sobre o outro. Um processo de escrita que seja 'essencialmenteumaconstruçãoindividual'é um processo autista.”
Investimento: R$ 100 (público em geral); R$ 50 (funcionários do comércio, estudantes, idosos, artistas e funcionários públicos em situação de parcelamento de salários); gratuito para pessoas carentes mediante carta de justificativa enviada para nahausportoalegre@gmail.com