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A arte de bailar promete melhorar diversos âmbitos da vida, da área emocional à saúde. Surge como opção de atividade física e meio de socialização
De instrumento religioso à arte, a dança faz parte da história em diversas sociedades. Vista como uma forma de representação cultural, hoje também é uma alternativa para diversos dilemas relacionados à saúde física e mental.
Estudos divulgados no “International Journal of Neuroscience’ apontam que a dança melhora, inclusive, a depressão, sendo uma forte aliada contra o estresse. Ainda promove a coordenação motora e combate o excesso de peso.
Proprietária da Artte Escola de Dança faz 22 anos, a bailarina Taís Maia sempre soube desses benefícios. E percebe que,
QUEM FEZ ESTA EDIÇÃO voce@jornalahora.inf.br

Muitos não gostam da academia porque é algo repetitivo. Mas na dança é o contrário, sempre tem mais a aprender.”
Taís
Maia,
professora de dança





com os estudos e divulgação na mídia, a percepção dos leigos sobre a dança também se modificou.
As pessoas têm se dado conta desses ganhos, e optado pela dança como uma atividade a longo prazo. Ela afirma que, há cerca de um ano, houve um aumento considerável na busca pela prática como atividade física.
“As pessoas sempre tinham uma ideia de que os cursos tinham um prazo, especialmente nas danças de salão, onde aprenderiam o básico e seria suficiente. Hoje, elas seguem as aulas sem tempo limitado, para manter a atividade.”
Parte disso se deve ao prazer e à falta de rotina da dança. “Muitos não gostam da academia porque é algo repetitivo. Mas na dança é o contrário, sempre tem mais a aprender.”
Policial civil aposentada, Maristela Appelt, 53, compartilha da opinião da




• Fonte de sociabilidade e diversão





• Dá impulsos nervosos que liberam serotonina e endorfina, neurotransmissores que causam prazer




• Queima calorias


• Melhora o aprendizado e retarda o envelhecimento








• Fortalece a musculatura



A escola de dança administrada por Taís tem alunos com idade a partir de 1 ano e seis meses. Eles escolhem os ritmos que querem aprender e a intensidade com qual vão dançar Mas, para todos, o mais importante é a persistência Principalmente para os mais experientes. Taís afirma que os mais jovens têm mais felicidade em aprender.
“Por vezes, as pessoas passaram uma vida inteira dançando de um jeito, e agora precisam modificar tudo. Mas o importante é começar.”
Nada que a prática não possa melhorar. “Quanto mais fazer, melhor fica. Precisamos é focar no modo como cada um aprende. Sempre digo, qualquer um pode dançar. Mas, como tudo na vida, é necessário dedicação.”
Taís afirma que é comum os alunos progredirem nos ritmos, iniciando com danças mais populares nas festas, como sertanejo e pagode. Depois rumando para o samba de gafieira, forró, tango e bolero.

professora. Ela encontrou na arte de bailar a solução para seus problemas.
“Eu tenho pavor de exercícios, mas precisava fazer. Como eu tinha uma vontade antiga de dançar, mas sempre tive dificuldades, resolvi apostar.”
Háalgunsmeses,elafazdançasdesalão, o que inclui sertanejo e pagode. Aprende os ritmos aos poucos, e percebe a evolução no corpo e na mente. “Ficamos felizes em saberqueestamosprogredindo.Éumprocessolongo”,comenta.
A aposta deu tão certo que ela não pensa mais em parar. Já se vê como uma eterna aluna. “Sempre que podia, cancelava as caminhadas. Mas a dança não. É algo muito prazeroso. Não é uma obrigação para mim.”
Melhora a coordenação, concentração e alivia o estresse. Saio de lá leve, renovada”,
Ingrid Baldo, aluna de fitdance
Com o objetivo de atender essa demanda voltada à atividade física, a escola também investe em aulas de dança específicas para o gasto calórico, como o fitdance, ritmos e zumba. Já o fortalecimento muscular pode ser feito por meio do balé, fitness, jazz e dança contemporânea.
“Elas têm mais intensidade. Trabalham várias partes do corpo e acabam eliminando mais calorias do que as demais”, explica a professora.
A esteticista Ingrid Baldo, 27, frequenta as aulas de fitdance uma vez por semana, quando reproduz coreografias de diferentes ritmos.
“Escolhi por conta da parte aeróbica. Trabalho muito em pé ou sentada, e a dança é ótima aliada para a circulação.”
Além do corpo, ela consegue manter a mente em dia.“Melhora a coordenação, concentração e alivia o estresse. Saio de lá leve, renovada.”
Além das mulheres, os homens têm procurado as aulas de dança. Segundo Taís, hoje há vários à espera de um par nas aulas. “Antes tínhamos que chamar os meninos de nossa companhia de dança para ajudar. Hoje, as meninas são bem mais requisitadas nas aulas.”
A falta de aproximação com a dança era o que prendia os homens antigamente. “As mulheres os arrastavam para a dança.” Hoje, para dançar nas festas, eles querem aprender, e acabam gostando da prática, aponta a professora. Com o preconceito afastado, outros motivos também os levam à escola. É o caso de Ari Vieira, 64. É um dos alunos das aulas de salão faz cerca de um ano. Já praticava a dança gauchesca, e começou a fazer as aulas em busca de sociabilidade. “Me separei e buscava uma forma de me entrosar com as pessoas.”
Taís aponta que a busca por essa integração tem se tornado comum, inclusive por pessoas tímidas. “É um momento em que podem fazer amigos, ter o contato mais próximo com os outros. Às vezes, ficam tão próximos que combinam de sair para dançar. Enfim, garantem convívio muito saudável.”
Para Vieira, essa energia da troca na dança é o que lhe traz felicidade. A exaustão, para ele, nunca vai chegar. “Sabe aquele ditado: Quem corre por gosto não se cansa? Então, eu me sinto assim. A dança já faz parte do meu estilo de vida.”
Conteúdo patrocinado
e psicanalista aponta benefícios e malefícios da solidão
Onúmero de brasileiros que moram sozinhos aumenta de forma gradativa. Conforme dados do IBGE, entre 2005 e 2015, a taxa de pessoas que vivem sem a companhia de outras passou de 10,4% para 14,6%, atingindo 10,4 milhões de pessoas.
Uma situação que, por vezes, é fruto de opção, em outras, de obrigação. Para a psicóloga e psicanalista Rebeca Katz, tais circunstâncias influenciam totalmente no modo como as pessoas encaram este momento.
“Para cada pessoa, o enfrentamento de estar só, consigo mesmo, pode ser mais fácil ou mais difícil. As experiências novas sempre despertam algo. Mas cada um pode reagir de modo diferente.”
Há pessoas que sentem-se felizes com isso. Rebeca acredita que isso ocorre, principalmente, quando há uma motivação maior, como um emprego ou oportunidade de aperfeiçoamento.
“De certa forma, morar sozinho é considerado um meio para alcançar um objetivo.” Para outras, residir de modo solitário também é uma maneira de evoluir na área pessoal. Ação que antigamente não era possível. “As pessoas saíam de casa somente para formar uma nova família.”
Agora se testam sozinhas. Isso é muito válido. Sempre é preciso confrontar-se consigo mesmo. “É um autoconhecimento incrível.”
Ela ressalta, inclusive, que ficar só pode representar o preenchimento de um vazio. A solidão interna não tem necessariamente a ver com quantas pessoas estão ao redor, mas sim em como a própria pessoa se sente.
“Às vezes, você pode estar cercado de pessoas, mas sentir-se sozinho mesmo assim. É sempre bom correr atrás daquilo que vai lhe fazer bem. Se manter uma certa distância é melhor, faça isso.”


Em alguns casos, a pessoa não teve escolha, precisou morar sozinha. Ou, optou pela vida solitária para se isolar, se esconder, ou até por “não querer incomodar”.
“Pode ser que a atitude provenha de angústias ou questões não muito bem resolvidas. O que nunca é bom. Isso é um alerta para algo que está por vir.”
A psicóloga ressalta que sempre é necessário manter a convivência. “A gente sempre quer estar perto de quem gosta. Quando isso não acontece mais, é porque há problemas a serem resolvidos.”
Os seres humanos são sociáveis, e precisam desse contato, aponta.
Por outro lado, há pessoas que fazem isso em excesso. Apesar de morarem sozinhas, buscam sempre a companhia de outros. O que também não é saudável.
“É uma espécie de síndrome: se eu paro, penso, se penso, eu choro. Não consigo ficar comigo mesmo, porque

vou bater de frente com meus problemas.”
Esse incômodo gera prejuízos, e pode provocar doenças. Conforme aconselha Rebeca, quando se atinge esses dois extremos – de querer ficar muito só, ou de nunca estar sozinho – é preciso buscar auxílio médico.
Por meio de um trabalho quase investigativo, o psicólogo pode auxiliar a identificar as causas dessas atitudes. “Tudo tem um sentido. É preciso falar, pensar, para saber melhor o que nos angustia.”
Maristela Dick Born, 54, mora sozinha faz três anos – só tem a companhia da cadela Dorinha e da gata Gaia. Uma situação nova, que chegou após a criação dos três filhos, e dois casamentos.
“Primeiro, achei que não me adaptaria. Tinha medo de conhecer meus medos, minhas angústias. Mas aos poucos foi melhorando.”
Hoje, com residência no bairro Flo-


restal, a enfermeira trabalha oito horas por dia. No restante do tempo, se dá a oportunidade de curtir os amigos, dançar, estudar. Enfim, se divertir.
“Mecaseimuitocedo.Nãopudeaproveitar. Agora, tudo é motivo para festa.” Ela afirma que esse foi um dos melhores benefícios em estar só. “Quando tem alguém, a pessoa sempre acaba te cortando. Eu não tenho ninguém que me anime, mas ninguém que me desanime.”
Outra alegria é não precisar dar satisfações, organizar tudo à sua maneira, fazer na hora que quer, se tiver vontade. Além dos ganhos, a nova fase também trouxe desafios. Um deles, aprender a decidir sozinha. “Se tenho um problema, até posso perguntar para o outro: O que tu acha? Mas no fim a decisão é só minha.” Além disso, teve que se aproximar das redes sociais.
Por meio delas, consegue conversar e desabafar. “Gosto muito de ter alguém para contar como foi o dia. Isso me faz falta. Mas aí o Facebook me ajuda.” Maristela se adaptou tão bem que hoje já não quer mais companhia para morar. Nem mesmo de um namorado. Próxima da aposentadoria, já faz planos. Cursa inglês para no futuro ocupar o tempo viajando.
•10,4 milhões de pessoas moravam sozinhas em 2015
•Dessas, 44,3% eram idosas
•15,9% residiam no Centro-Oeste


Eu curto
Artesanato reproduz personagens de universos ficcionais e de músicos
Fã das histórias em quadrinhos, Renata Souza, 36, descobriu que pode transformar parte desse mundo imaginário em realidade.
Faz dois anos, ela produz chaveiros voltados à cultura pop, geek e nerd.
Batman, Super-Homem, Mulher Maravilha até Chaves e a Chiquinha são alguns dos personagens feitos a partir dos recortes e costuras em feltro.
A jornalista conta que sempre gostou de artes, de desenho, de criar. E, faz cinco anos, começou sua trajetória como artesã, produzindo peças pequenas de patchwork.
Porém, o tecido normal não lhe dava muitas possibilidades. A partir de uma busca na internet, encontrou uma alternativa.
“Vi um Mestre Yoda de feltro e pensei: isso eu consigo fazer. Então, tive a ideia de confeccionar personagens diversos, com detalhes fiéis que permitissem ser identificados por quem gosta ou os conhece.”
Os primeiros personagens foram feitos ainda em 2015, quando Renata decidiu passar um tempo com avó, que estava doente. “Quis ficar com ela, ajudar, cuidar. E levei os materiais para distração.”
A cada boneco pronto, maior era a empolgação. O amigo Rivail Teixeira sugeriu a exposição do trabalho no Arte na Praça. “Até aí, eu nem pensava em comercializar. Fui em um Arte e foi um sucesso. A partir daí, a coisa cresceu mais ainda.”
Quando ela começou a fazer, o foco era causar nostalgia aos adultos. Mas com a exploração do universo dos super-heróis pela indústria cinematográfica, a maioria das crianças também passou a reconhecer os personagens e, claro, comprar os chaveiros.
“A clientela infantil me surpreendeu.” Hoje, ela faz desde a Pepa

FOTOS DIVULGAÇÃO Pig, por encomenda, até Ozzy Osbourne, Axl Rose, Audrey Hepburn, Frida Kahlo, Jaspion e Kamen Rider. Quando as características permitem, Renata ainda produz miniaturas personalizadas dos próprios clientes.
O momento da produção é como meditar para mim.
O ego silencia e apenas crio.”
Renata Souza
A técnica utilizada é própria. Foi descoberta após algumas experiências. Hoje, Renata usa costura e colagem. Faz nas horas vagas ou quando chega aquela ideia empolgante. “Se posso, paro tudo e vou lá fazer. O momento da produção é como meditar para mim. O ego silencia e apenas crio.”

Além do Arte na Praça, também comercializa no Arte na Escadaria e por encomendas por meio do Face. “É gratificante ver que as pessoas gostam, que os reconhecem e que não sou a única a ter esse tipo de paixão por cultura geek. Já sofri muitas críticas e preconceito por isso. Hoje sou feliz em ser quem sou e tenho orgulho de mostrar.”


inicio um novo desafio na minha vida. Faz sete anos trabalho na área comercial do jornal A Hora. Meus clientes viraram meus amigos. Meus colegas são parte da minha vida e junto com eles tento dar meu melhor.
Faz duas semanas que a empresa me propôs mais um desafio: assumir a coluna social. Aqui estou! Confesso sentir um frio na barriga. Adoro o que faço, mas o novo sempre causa reações. É preciso se puxar mais, enxergar além do comum.
Me esforçarei para tornar esse espaço agradável, importante e bonito. Quero retratar pessoas, emoções, conhecimentos e ações espontâneas. Isso me move.
Promover e estimular o desenvolvimento humano tem várias vertentes. Ações de solidariedade são legítimas de entidades, empresas ou mesmo indivíduos que se pretendem evoluídos. Os eventos beneficentes em Lajeado e região denotam o avanço da sensibilidade e consciência coletiva.
Na semana passada, pelo menos dois momentos abrilhantaram a solidariedade em prol de crianças e adolescentes da nossa cidade,

Penso que a beleza não está apenas no luxo dos ambientes ou das roupas. Está nas atitudes, na grandeza de ações e nos gestos. Estou feliz pela oportunidade. Agradeço a direção e colegas pelo apoio. Aos leitores, peço um pouco de paciência, pois estou aprendendo. Buscarei compartilhar uma coluna prazerosa, leve e atraente a cada edição.
Enfim, um bom fim de semana a todos!
arrecadando recursos para projetos em entidades assistenciais.
O primeiro ocorreu na quinta-feira, 23, no espaço do Restaurante Cheff Imec. A iniciativa do Rotary Club Lajeado levou 150 pessoas à 2ª Confraria da Cerveja. A degustação da bebida artesanal, queijos, carnes especiais e boa conversa reuniu empresários, profissionais liberais e rotarianos. Garantiu R$ 6,5 mil à Saidan.





No sábado foi a vez da primeira-dama, Aline Caumo, comandar uma ação beneficente em prol das escolas municipais de Lajeado. O Baile de Máscaras levou mais de 600 pessoas ao Clube Tiro
e Caça. Boa música, integração e espontaneidade marcaram o encontro regado pelo espírito solidário. Uma ação muito participativa que arrecadou mais de R$ 40 mil.

O empresário Osvaldo Bergamaschi reuniu amigos e familiares para o lançamento de sua biografia. Faz quase 50 anos que desceu da região da erva-mate e fincou raízes em Lajeado, onde abriu uma casa comercial. Ele conta a trajetória no título Uma Vida de Histórias, apresentado no sábado, no Salão Padel, do Clube Sete de Setembro. O reconhecimento e comemoração com os convidados reuniu mais de 70 pessoas.





“Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.” O ensinamento de Confúcio serve de motivação para pessoas que resolveram mudar de atividades.
Ofuturo da vida profissional, por vezes, ocorre de uma maneira diferente do planejado. A escolha por um trabalho com melhor remuneração, ignorando a aptidão para determinada atividade, interfere na qualidade de vida. Como consequência, profissionais frustrados executam tarefas sem afinco, ampliando as chances de contrair doenças relacionadas as atividades laborais, como o estresse e depressão.
Cátia Schnorr foi professora de escola infantil, também trabalhou na Justiça Eleitoral. Ela tentava ingressar por meio de concurso público, mas não conseguiu a aprovação. Quando terminava o expediente no car-
tório, às 19h, dedicava o tempo para aquilo que mais gostava, cozinhar.
Em 2005 largou de vez o trabalho no cartório e foi em busca do sonho. Começou a ensinar outras pessoas a cozinhar. A forma como falava das receitas, relacionado-as com a vida, encantaram os participantes. A aptidão à cozinha era natural nela.
Logo apareceram os primeiros resultados. Uma loja de móveis e eletrodomésticos a contratou e nasceu o “Show de Cozinha”. As oficinas itinerante passaram a ser divulgadas por diversas cidades do RS.
O público que assistia as oficinas triplicou. Depois, passou a ser realizado em espaços
Aprendi a pagar as contas desde muito cedo. Comi muito pão com ovo para chegar onde cheguei
Cátia Schnorr
cada vez maiores, pois as reservas sempre se esgotavam. Catia percorria dez cidades por mês e chegou e dar oficinas para públicos de até 500 pessoas.
Em algumas cidades, havia turmas na tarde e pela noite.
“Ficava com pena das pessoas na fila, então pedi uma câmera e um telão.”
O Show de Cozinha tinha uma camioneta onde Catia levava tudo o que precisava. “Eu mesmo montava o palco, me arrumava e apresentava.” Vendia ainda, as marcas das panelas de cerâmica em que cozinhava. E passou a vender muito.
Essa fábrica procurou a produção do programa. Queriam saber os segredos daquela iniciativa. Presenciaram uma apre-

sentadora entusiasmada, que conseguia fazer o público rir e chorar com as reflexões sobre a vida. Não era só receita que chamava atenção.
AhistóriadeCátiapoderiater um outro desfecho. Foi abandonada pela mãe e criada pela avó, que tinha sob a guarda mais dez filhos. Foi uma infância pobre no interior de Nova Bréscia. Descendente de imigrantes italianos, a alimentação era simples, sem condições para luxos como bolos, tortas ou outras guloseimas.
Quando Cátia completou 4 anos, a família se mudou para o bairro Bela Vista, em Arroio do Meio. A realidade era outra. Fez amizade com as crianças da redondeza. Na casa dos vizinhos, conheceu pratos que aguçaram o seu paladar. O sabor do bolo de laranja ficou na memória. As brincadeiras com as crianças do bairro eram saborosas no meio da tarde. Isto porque sentia o cheiro de bolo. “Ficava salivando e ia na brincar na vizinha para comer um pedaço.” Aos 9 anos aprendeu uma lição que mudou sua vida. Edy, a vizinha e amiga da família, estava atenta à curiosidade da criança e passou a receita e ensinou a menina a preparar o famoso bolo de laranja.
As laranjas, ovos, fermento, xícaras de açúcar e farinha, além das claras em neve foram por pequenas mãos misturadas com entusiasmo. “Minha inspiração era mesmo a vontade de comer.”
Cátia foi registrada aos 4 anos e ela mesma escolheu o nome, inspirada em uma personagem de uma rádio-novela. Aos 16, a avó morreu e ela foi morar com o namorado, hoje marido. “Aprendi a pagar as contas desde muito cedo. Comi muito pão com ovo para chegar onde cheguei.”
Cozinha na net
Se desde criança a obrigação da Cátia era com os afazeres domésticos, cozinhar era o happy hour depois do trabalho. Ela não entendia nada de reprodução de imagem, vídeos e fotos. O filho passou a orientá-la.
Ao concluir o Ensino Médio, ele não quis fazer faculdade. Então, a mãe o levou para viajar. “Começou a ser meu câmera e a produzir vídeos das minhas oficinas.”
Aos poucos, as primeiras gravações das receitas passaram a ser seguidas e comentadas na web. Quando percebeu, já tinha 300 mil visualizações e o número não parou de crescer. Hoje, mais de 1 milhão de pessoas já viram seus vídeos no canal no Youtube. Tem ainda página no Facebook, vlog, site e no Instagram.
Faz três anos ela deixou o programa Show de Cozinha e passou a postar as receitas na internet. Seguiu o modelo das oficinase conquistou fãs de todas as idades em diversas regiões do país. Ela atribui o sucesso dos cursos de cozinha online a publicitária Ana Laura Neumann. “Se você quer fazer bem feito, junte-se aos melhores.”
Cátia realizou um antigo desejo de comprar a casa onde iniciou as primeiras receitas. Hoje, as oficinas de cozinha são concorridas. Só com agendamento. No quadro ao lado do fogão, a agenda exposta mostra o quanto tem de trabalho pelos próximos meses.
Afirma que hoje, não cozinha pratos, mas cria experiências

gastronômicas. As parcerias firmadas com grandes empresas da região possibilitam manter os canais com publicações periódicas. Uma maneira de oferecer uma receita nova a cada semana.
Melissa Andreazza Fontanella, 40, ainda era criança quando viu a apresentadora Xuxa de cabelos cortados, usando tiara de miçanga. A imagem lhe deu uma ideia: era possível fazer acessórios em casa. A primeira produção chamou atenção na sala de aula. As colegas queriam uma também. Mas a história de superação de Melissa começou em 1996, ano em que um câncer no esôfago matou o pai. Meses depois, passou no vestibular para Arquitetura na Unisinos. “Foi um divisor de águas. Tinha tudo de mão beijada e de repente, perdi o apoio financeiro do pai.”
Como sempre gostou de fazer as próprias bijuterias, passou a produzir para vender aos colegas e amigos, a fim de pagar a faculdade. Ela seguiu trabalhando em estágios e estudando. Não podia fazer muitas disciplinas, por isso levou 12 anos para se formar. A Arquitetura era o sustento da família.
As demandas no trabalho consumiam todo o tempo. A pressão do mercado, da concorrência e dos próprios colegas causaram uma decepção em Melissa. Não era isso que esperava na Arquitetura. “Não gostava mais daquilo, estava infeliz. Mas naquela época ainda era tabu fazer o que se gosta.”
Não gostava mais
daquilo, estava infeliz. Mas naquela época ainda era tabu fazer o que se gosta
Fontanella
Depois de uma viagem, decidiu que não iria mais voltar ao trabalho. Largou o emprego para voltar a se dedicar às bijuterias. O primeiro passo era convencer a mãe, Cleo Fontanella, 67. O apoio dela, foi fundamental. As primeiras encomendas eram personalizadas. “Quando queriam ir em uma festa, combinavam a bijuteria com o vestido.”
As empresas locais se interessaram pelas peças e conseguiu estabelecer uma clientela fixa. Hoje Melissa atende sete estabelecimentos e mantém mais 12 vendedores externos. A produção diária chega a uma média de 50 por dia, alcançando no mínimo, 800 peças por mês.
Segundo a mãe, a graduação serviu muito para inspiração da filha.
“Ajudou na sensibilização para usar as peças e as cores com cuidado e bom senso.” Melissa é convidada a dar workshops e palestras para contar a história.
Daniela Munhoz é psicóloga e master coach (Sbcoaching), especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho (CFP) e Terapia Cognitivo Comportamental (IWP). Faz 18 anos desenvolve trabalho de orientação e desenvolvimento de carreira.
Você – Para quem planeja a vida profissional, como buscar o prazer e o trabalho ao mesmo tempo?
Daniela Munhoz – O ponto fundamental para vivenciar prazer na atividade profissional é o alinhamento dos valores pessoais com aquilo que se faz. Assim é possível encontrar sentido, propósito e engajamento, motivações que proporcionam bons resultados. É preciso avaliar escolhas e pesar os motivos que orientaram a decisão. No cerne desses motivos, estão os valores, aquilo que é prioridade, que não se pode abrir mão. As habilidades também são foco de atenção. Aquilo que se sabe fazer bem, naturalmente.
A escolha de uma carreira, por vezes se mostra equivocada. Que importância tem essas experiências para encontrar a satisfação e o reconhecimento?
Daniela – Tanto as experiências positivas quanto as negativas servem como um termômetro ou referência para identificar aquilo que se gosta ou não. O importante é fazer um balanço de cada situação, numa conversa íntima sobre o que foi positivo ou negativo e o que pode aprender com cada uma delas. O reconhecimento é algo externo e nem sempre depende da atividade em si. Depende do olhar do outro. Por outro lado, é papel do profissional se fazer reconhecer, não ser passivo. É você quem constrói sua carreira.
Até que ponto as frustrações no trabalho provocam a desistência do ofício?
Daniela – Se os pontos anteriores foram bem identificados e estiverem relacionados de forma coerente, é mais fácil lidar com as dificuldades sempre presentes. Pergunte:
se houvesse alguma forma de permanecer com os pontos fortes e minimizar os fracos, eu estaria satisfeito? A resposta pode lhe dar um norte sobre o que mudar e como mudar. Pode ser que a insatis-
fação esteja relacionada mais a como se atua e a solução não será mudar de carreira.
Você – Quando é hora de repensar as prioridades e traçar um novo caminho?


Daniela – Quando a resposta da insatisfação estiver relacionada ao que você faz, à essência da formação ou profissão. É quando não está alinhada aos valores pessoais, às habilidades ou aos interesses. É possível repensar e redesenhar os caminhos. Algumas vezes as mudanças são mais sutis e noutras mais drásticas.
Pode ser que a insatisfação esteja relacionada mais a como se atua e a solução não será mudar de carreira.
Você – As novas gerações têm cada vez mais escolhido atividades que possibilitem rotinasalternativas,semanecessidade de um expediente fechado. Até que ponto esse comportamento interfere no sucesso profissional? E como o imediatismo dessa geração atrapalha para dar sequência à carreira profissional?
Daniela - Vive-se um momento de mudança na forma de ser, estar, pensar e sentir
que são representadas pelas novas gerações, sejam elas Y ou Z. O que os jovens desejam é algo para além da tarefa, é dar um sentido ao fazer. Ocorre que os modelos tradicionais de “trabalhar” ainda não “estão” compatíveis com esse formato. É preciso uma desconstrução do trabalho e isto não ocorre instantaneamente. Exige criar novas formas. O almejado pelos jovens é muito coerente com a ideia integrada de ser humano. Hoje temos enorme velocidade presente, seja nas coisas, nas informações, na necessidade de resultados e outras tantas situações. Os jovens são diretamente afetados pelo senso de urgência. Como saída, estão construindo formas alternativas e novas de resolver a necessidade do imediatismo, priorizando a satisfação no trabalho.








Apesar de ainda estarmos no outono, o frio já deu algumas amostras neste ano. Há algumas semanas, foi possível sentir um gostinho do inverno, estação preferida por muitos. Para quem está com o pensamento nele, já é possível planejar a compra de alguns produtos que podem deixar o dia a dia mais aconchegante e prático.










Os palitinhos salgados são conhecidos como enganadores do estômago ou mesmo passatempo. Uma boa pedida tanto para oferecer em coquéteis como para comer em casa, com a família e amigos.
Compostos praticamente de ingredientes naturais como cereais, incentivam a flora intestinal. São elaborados de forma simples e rápida e abrem um leque de opções para sabores, mantendo a mesma composição da massa.
Ingredientes
- 1 pote de nata 300 gramas
- Mesma quantidade de farinha - de arroz, integral ou farimate
- 1 colher (chá) de sal - Gema para pincelar
- Gergelim, parmesão, chia ou orégano para polvilhar.
Modo de preparo
Em uma vasilha, coloque a nata e a farinha. Acrescente o sal.
No início, a mistura dos ingredientes precisa ser feita com uma colher. Isso porque

a temperatura das mãos pode influenciar no momento da mistura. Depois de obter uma massa uniforme, basta untar as mãos com farinha e amassar, mas não muito.
É preciso sovar até obter uma consistência uniforme e adequada para começar a ser espichada no rolo. Capriche na espessura para não ficar nem tão grossa nem muito fina.
A massa semelhante à pizza
deve ser pincelada com gema de ovo, que funciona como uma espécie de cola para começar o acabamentos dos palitinhos. Coloque por cima gergelim, parmesão, chia, orégano, o que preferir.
O corte das tiras permite optar por palitinhos finos ou mais grossos. Não é preciso untar a forma, pois a massa já tem bastante gordura. É preciso assar em forno médio (200ºC) até dourar.
Coluna
Gostamos do número 1. Geralmente valorizamos muito a primeira vez de qualquer coisa, o primeiro lugar alcançado, a primeira impressão, enfim. O número 1 é único, é escasso e parece que é aí que entra o encantamento. Na escassez. E é pela consciência da escassez que estamos mais sábios quando o assunto é o aproveitamento do tempo.
Entendemos perfeitamente o fato de que a vida é finita e que, na medida do possível, é aconselhável usufruir de cada instante com o que realmente vale a troca do nosso tempo. Penso que essa percepção nunca esteve tão popularizada. É importante compreender que a moeda de troca cada um define a gosto. Se você quer trocar horas da sua vida cultivando uma horta, pescando ou em um relacionamento virtual, faça.
Agora, parece-me que há a necessidade de fazermos outra reflexão que envolva não só a valorização do que será escasso, mas também do que se tornará extinto em nossas vidas. São ações, rituais, tarefas, amizades, amores, enfim, muitas coisas que marcam fases e escrevem os capítulos da nossa história. Viaja comigo um pouco e pensa nisso.
Eu, por exemplo, adoraria entrar em uma máquina do tempo e desembarcar na época da graduação, precisamente nos intervalos em que eu e meus colegas dividíamos a conta da cerveja e do xis-salada sem ovo. Não é menor a saudade que sinto do churrasco que meu pai preparava aos domingos. São ambos momentos extintos. E como era mesmo dormir no mesmo quarto com a minha irmã antes de ela casar? A lembrança é vaga
Seguindo por essa linha, se eu pudesse ter previsto qual seria a última fralda que eu trocaria ou mesmo a última mamadeira que prepararia para minhas filhas, certamente teria sofrido com a extinção daquela fase tão marcante em nossas vidas. Esses ciclos acabaram naturalmente, sem que a gente os programe. Está aí um bom motivo para tantas fotografias. A tentativa desesperada de evitar a extinção dos momentos, ao menos em nossas memórias.
A última vez de qualquer coisa, mesmo as mais triviais, me causam uma sensação estranha, uma tristezinha que não sei explicar. Mesmo quando o fim é bom, positivo, ainda assim, é um fim. Não que seja ruim, mas é um fim. É bem verdade que fins são necessários para que hajam novos começos e talvez a forma de tornar a extinção dos ciclos mais bonitas seria fechá-los com um lindo letreiro imaginário, tipo aqueles que se desenham majestosos no “The End” dos filmes mais antigos.
Pois é, e por falar em escassez, meu limite de caracteres para publicação desta crônica está indo para o fim e todo esse papo já passou da hora de acabar. Poxa! Olha ele (o fim) chegando aí outra vez...mas agora não é pra sempre não...é só o fim desta crônica...volto logo mas...tá, já vou...tô indo... fui... FIM.
Raquel Winter
cronicasraquel@gmail.com


