Issuu on Google+


Maiss do que dar, En Passant pede, é um uma peça carente de estória, carente de teorias e conclusões. Uma peça de sensações a serem divididas, que, assim como a vida, chegamos a odiá-la, blasfemá-la, mas que, em momento algum, tivemos coragem de largá-la.


En Passant En Passant retrata o encontro de um homem e uma mulher, dois desconhecidos em plena madrugada, sentados nos balanços de uma praça. O diálogo é embaraçoso, atrapalham-se com os próprios pensamentos e jamais conseguem se fazer entendidos. Os personagens se vêem sufocados diante da impossibilidade de apreensão do mundo e dos mistérios a respeito da existência. Estragam, assim, a própria vida, talvez porque pressintam a inutilidade de viver. A tristeza e a névoa de melancolia pairam sobre eles. No fundo, são apenas concretizações de um sentimento e de uma inquietude. Fundem-se entre si e também ao autor e atores. Um texto fragmentado em diversas elipses que vão se distanciando do real para dar vazão às sensações. O vazio é a principal matéria, a qual o espetáculo tenta dar forma. O que importa em En Passant não é a “trama”, mas a tradução poética do abismo existencial e da ausência de respostas às nossas perguntas mais íntimas. A fragilidade do homem diante do que não entende. O que resta é sentir. Daí a idéia de uma peça que valorize, acima de tudo, o que não é falado. Um espetáculo incompleto, que precisa ser amarrado pelo público, e que cada um receberá de acordo com suas experiências individuais. Uma peça que põe em xeque as fronteiras entre realidade e loucura; existência e morte; teatro e vida; ator, autor e personagem. Enfim, um grito para dentro.


“S AUDADE T E M D I R E ÇÃO.

O QUE EU SINTO NÃO TEM”.


“ S Ó FA L E S E F O R PA R A MELHORAR O SILÊNCIO”.


Vão Não era de nossa intenção. Sequer nos empenhamos nisso. Não imaginávamos, ao nos reunirmos para pensar o espetáculo En Passant, que estaríamos nos formando enquanto coletivo de teatro. Aconteceu assim, naturalmente. Simplesmente fomos e continuamos indo. Empilhávamos nossas experiências diferentes, nossas percepções sobre a vida, nossas perguntas sem fim. Queríamos fazer disso tudo o material de nossa arte. Com o tempo, alguns começaram a nos referir como grupo. De modo gradual, sem alarde, fomos entendendo que En Passant não era um espetáculo avulso. Demos nome a algo que já existia. A Companhia Vão surgiu da necessidade de busca, da procura por nós mesmos. Da tentativa de reparar os desencaixes entre a arte e o restante do mundo. Não nos preocupamos em ser inovadores, nem com o contrário disso. Queremos apenas ser fiéis a nós mesmos, fazer ao nosso modo. Vão é simples, é ir, mas não ir sozinho. É o espaço vazio e desconfortável no qual entramos juntos. É o nada. É voltar ao zero na tentativa de não ser em vão, de fazer algum sentido. Ou quem sabe, como artistas que somos, ao menos inventá-lo.


“Todo conformismo é confortável, passivo e sempre pouco criativo. Mas as ousadias são incômodas e, quando tecidas com talento, prazerosas. (...) Os fios da arte, os mistérios de Ariadne estavam todos lá, em labirintos de silêncio. Só quem não se incomodou foi que deixou de perceber”. Tércia Montenegro, escritora Jornal O Povo · 07 de março de 2008

“Mais que amigos, Rafael Martins, Jadeilson Feitosa e Milena Pitombeira são contemporâneos de uma geração para qual a decisão e o ato de fazer teatro implicam diretamente num questionar constante. Perguntando desenfreadamente — como os tipos criados por Martins para “En Passant” — o teatro se afirma como dúvida e abre mão da tentativa, vã, de arremate”. Magela Lima, jornalista e crítico teatral Diário do Nordeste · 18 de março de 2008

“É assim que o espectador se sente no espetáculo, capturado na sua insistente e vã tentativa de compreensão racional. E se vê, repentinamente, tocado e emocionado, sem saber bem o porquê”. Daniel Dias, autor e diretor Diretor do Teatro João Caetano- RJ · 07 de abril de 2008


FICHA TÉCNICA

Rafael Martins · texto, assistência de direção e sonoplastia Jadeilson Feitosa · direção, ELE Milena Pitombeira · ELA Yuri Yamamoto · cenário, figurino, caracterização Walter Façanha · iluminação Mário Alves · produção da montagem - PROCULT Ale Rubim · assistência de produção da montagem Christiane Góis e Jailson Feitosa · produção circulação Ayrton Pessoa · composição da música Intervalos Claudiu’s · confecção de figurino Jorge Ferreira · arte gráfica Henrique Silvério · vídeo Intervalos Ursa Maior/ Ernani Paiva · vídeo Intervalos e VT de divulgação Eufrásia Bizarria · confecção de cachecol Josuéé · cenotécnico Raíssa Starepravo, Paulo Victor Aires e Araci Breckenfeld d · equipe de operação Celina Hissa · marca EN PASSANT 101º Macaco/Andrey Ohama · marca Companhia Vão de Teatro Duo Design · customização do projeto gráfico Companhia Vão de Teatro AGRADECIMENTOS Walmick Campos, Andrei Bessa, Ricardo Tabosa, Clara Otoni, Celina Hissa, Tércia Montenegro, Lúcia Sales, Eufrásia Bizarria, Cláudia Targino, Henrique Silvério, Samya de Lavor, Démick Lopes, Caio Quinderé, SESC-CE, nossos pais, familiares, amigos e apoiadores. APOIADORES

C O N TAT O S companhiavao@hotmail.com



Programa