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Mulheres pela Paz - Intervenção Urbana | Women for Peace - Urban Intervention 2009 - Praça Rosa Muki Bonapart / Dili / Timor-Leste

O Edital Apoio a Residências Artísticas no Exterior

The announcement Support to Foreign Artistical

do Fundo de Cultura da Bahia, promoveu ao

Residences from Bahia Cultural Funds, promoted

projeto “Mulheres no Timor” uma experiência

the project “Women in Timor”, an artistical

artística com mulheres timorenses, envolvendo

experience with timorese women involving music,

música, teatro, escultura, pintura e uma

theater, sculpturing, painting and also an artistic

intervenção artística na Praça que recebe o nome

intervention on a Square named after Rosa Muki

de Rosa Muki Bonapart, um ícone feminino da

Bonapart, a female icon in national liberation

luta de libertação nacional. Esta produção teve

struggle. This production had as main theme the

como tema central o papel da mulher como

role of women as a creative agent in promoting

agente criativa para a construção da paz e fez

peace and it’s part of the schedule from East Timor

parte da programação da Segunda Conferência

Second International Conference “Women for

Internacional do Timor-Leste “Women for Peace”.

Peace”.


Falha - Performance e Vídeo Instalação | Fault - Performance and Video Installation 2007 Québec / Canadá

A motivação para a concepção desta experiência

The motivation for the conception of this artistic

artística foi imensa falha geológica de Québec,

experiment was the Québec immense geological

responsável por dotar a cidade de uma topografia

fault, which is responsible for the very singular

urbana muito singular, mas, coincidentemente,

urban topography of this city, but, coincidently,

muito parecida àquela de Salvador, cidade em que

very similar to that of Salvador, city where I live.

vivo. Parto do sentido geológico de falha - uma

My starting point is the geological sense of fault – a

fratura que rompe uma determinada continuidade

fracture that disrupt a determined continuity – to

-, para pensar a falha como a quebra de uma

think the fault as the rupture of an established

certeza, verdade ou crença instituída segundo

conviction, truth or belief according to mainstream

os valores dominantes, constituindo-se como

values, constituting itself as a creative processes-

o fator deflagrador de processos criativos. O

generating factor. The “New Saint Roch”, a

“Novo Saint Roch”, bairro que passa por um

district which has been passed through a process

processo de revitalização voltado para a política

of revitalisation orientated towards the corporate

corporativista das grandes lojas de grifes, mas

policies of big Brand Shops, but particularly the

especificamente a Rua Saint Joseph que foi

Saint Joseph Street, where the social fracture of

detectada a fratura social de Quebec – o disparate

Quebec was detected – the gulf between the people

entre a população que habita o bairro e o comércio

that live in this district and the luxurious trade

luxuoso que ocupa recentemente esta rua. A partir

recently established in this street. Starting with

de caminhadas neste lugar chave e do encontro

walks in this key location and from encounters

com alguns habitantes, foi elaborado uma vídeo-

with some inhabitants, a video installation was

instalação que aproximam as duas cidades a partir

elaborated that approaches the two cities using

da sua falha. O projeto teve como colaboradoras

their faults as a starting point. The project had as

Silvana Olivieri arquiteta-urbanista e a artista visual

contributors Silvana Olivieri, urbanist-architect,

Emilie Baillargeon.

and the visual artist Emilie Baillargeon.


Falha - Frames | Fault - Frames 2007-Québec / Canadá


Falha - Frames | Fault - Frames 2007 Québec / Canadá


Falha - Diário Processual | Fault - Processual Diary 2007 Québec / Canadá


Falha - Objetos | Fault - Objects 2007 Québec / Canadá


Sérgio e Simone (Recorte erótico) - Vídeo 20min | Sérgio and Simone (Erotic snippet) - Video 20min 2009 - São Paulo - Brasil

Quando conheci Simone, uma travesti, ela morava há pouco tempo com seu companheiro numa casa arruinada na Ladeira da Montanha, antiga ligação entre a Cidade Alta e Baixa. Como a maioria dos

When I met that transvestite, there was a little time

habitantes desta área, uma das mais degradadas

she used to live with her partner in a rundown house

da cidade de Salvador, Simone era usuária de

at Montanha Slope, an old link between the lower

drogas, mas também cuidava espontaneamente

and upper parts of the city. As most of this area

de uma fonte que havia ali, a Fonte da

dwellers, one of the most degraded from Salvador

Misericórdia, que tratava como um santuário para

city, Simone was a drug addict, but she also took

culto de seus orixás.

care of a fountain over there spontaneously, the Misericórdia Fountain, which she treated as a

Cerca de um mês depois da primeira filmagem,

sanctuary to celebrate her orixas.

Simone entra em convulsão por causa de uma overdose de crack, seguida de um delírio místico,

About one month after the first video shots, Simone

no qual acredita ter se encontrado com Deus,

has a convulsion due to a crack overdose, followed

um encontro que a teria feito escapar da morte.

by a mystical delirium in which she believes to

A partir desse episódio Simone abandona a

have met god, a meeting that made her escape from

sua condição de travesti, volta para casa dos

death. After this episode, Simone gives up being a

pais, retoma o seu nome de batismo Sérgio e,

transvestite, goes back to her parents’ home, starts

num surto de fanatismo, se considera uma das

to reuse her baptism name, Sergio, and during a

últimas pessoas envidas por Deus para salvar a

fanatical outbreak, starts to consider herself one of

humanidade.

the last persons sent by god to save the humankind.


A Guardiã da Fonte - Frames Adesivados e Literatura The Fountain Keeper - Stickered Frames and Literature 2007 - Salvador - BRASIL

Tem dias em que as coisas ao nosso redor perdem a espessura. E sem profundidade o mundo se apresenta fraco de sentido. Há alguns dias me encontrava assim – medíocre e mortal. O corpo sem determinação ensaiava movimentos, as palavras tartamudeavam na minha boca e um gosto de emoção envenenada queimava minha saliva, produzindo uma energia muito peculiar. Sai de carro. Nesse estado, o carro me parecia nada mais do que uma cápsula mecânica que me proporcionava uma sensação de movimento. Me movia sem mover-me de mim. Tinha olhos fixos e corpo-alvo a qualquer infortúnio. Afortunado infortúnio sorria à minha apatia! Qualquer incidente me salvaria desse estado mórbido que meu espírito se deleitava para o meu desgosto. Dentro do carro-cápsula a cidadetúnel, galeria comprida de amplas fachadas e teto de vidro me engoliam. Imaginei o tanto de cidades que existem fora do túnel, quando, ao seu final, desenhou-se um traço de sangue que escorria do lado direito do meu rosto. Obra de navalha feita pela mão certeira de um confiante jovem da Ladeira Montanha, lugar que a muito me acariciava com as pontas dos dedos carcomidos pelo abandono e me arranhava com unhas sujas de detrito e tempo. Área degradada da velha Salvador. Abrigo de decadentes mundanas, seus filhos, ladrões. Sem que eles o queiram, o gesto desses meninos, os seus destinos, são tumultuosos. A alma deles suporta uma violência que não havia desejado. Domesticava-a. Aqueles cuja violência e o clima habitual são simples diante de si mesmos... Jean Genet. O meu fascínio pela desordem devastadora desses lugares talvez seja perpendicular à dura ordem que torna impotente o lugar onde estou. Assim a cidade Montanha me chamava. Sacudi a cabeça a fim de não incorporar o corte ainda aberto no meu rosto. Mas, timidamente vi nascer no mesmo rosto um sorriso ácido, calmo, aderente. Senti tesão. Que lugar esse túnel comunica? Por um momento tive certo receio da latente vida, encoberta pelo hábito, que pulsa no meu corpo, aonde me levaria? Pensei em estacionar o carro no Sulacap e descer a Montanha. Lembrei do “Studio Butterfly”, sala 313, Ed. Sulacap. Senti saudades desse trabalho, das tantas travestis que conheci e das descobertas que fiz. Lembrei que há muito desejei descer a Montanha e entrar no opaco que meus sentidos não podiam alcançar do alto do Sulacap. Lembrei de todas as advertências amigas que cercam a Ladeira. Mas, começava a sentir no pulsar da vida a própria sensação de mudança. Sabia. Meu coração antecipava um tempo por vir. Subi e desci a Montanha no carro-cápsula, Ladeira da Conceição, Ladeira da Misericórdia. Surda-muda acelerei atrás do tempo entrante que me anunciava trovões. Parei frente à Fonte. Lembrei devaneio errante, ao raiar do sol, em baixo do elevador Lacerda, nas partes baixas da cidade, na Cidade Baixa. Foi esse, o primeiro dia que encontrei a Fonte da Misericórdia – minadouro que brota das pedras e que invisivelmente torna a vida menos árdua na Montanha. Olhei o fio de água, de finura cristalina e importância que mal se apercebe, que da natureza é pura providência. Ao redor ruínas, penhascos, Salvador para se esquecer. Tomeilhe a benção, como milagre me tivesse envolvido. Conheci Simone... “O ano passado eu cheguei aqui. Uma pessoa me trouxe da Ilha para aqui. Eu cheguei aqui, neste canto. Aí quando eu olhei para essas águas... Só quem crê. Quando eu olhei para estas águas... Pode acreditar no que eu estou lhe dizendo. Quando eu olhei para estas águas. Eu vi uma força, nestas águas, tão simples que está aí! A força de Oxum! A força do Axé! Tem muito fundamento... Então estas águas me prendeu aqui. Estas águas me escravizou aqui ao lado dela. Para conservar aqui sempre limpo e bonito.” Simone cuidava da Fonte espontaneamente. Até pedra assentou. Era o santuário dela. Simone a guardiã da fonte. Trabalha com fogo e água. No fogo vai Iansã na água vai Oxum, as duas juntas fazem Oxum-apará. “Não é pra todo mundo não, viu? Carregar um santo tão bonito, como o meu. O fogo do lado e a água do outro. Eu tô com o tempo no fogo e com o tempo na água. Se o fogo estrondar demais, se espalhar demais eu posso apagar porque tenho a água.” Simone cheia de fundamento falava de magia. E a magia enfeitiçou aquela semana. O ar circulava sentido. Arrepiado. Travesti de rua, Simone tirava um tempo na Montanha. Ganhava espaço e adquiria intriga com Mãe Preta. “É, aquele negócio de menopause. Não é isso? Que dizem que sobe para a cabeça. Subiu para a cabeça de Mãe Preta. Tá doida.” Mãe Preta, que no primeiro dia era o coração da montanha, já não merecia nenhuma confiança. Já não valia nada. Simone interesse, sobrevivência gratidão. Eu toda desconfiança, carinho, feitiço. Simone, flor de algodão - chumaço macio entrelaçado em casca dura espinhenta. Eu romantismo. Nesta semana, fomos à casa dos seus pais, em Lobato, Dona Maria e Seu Carlos, casa azulzinha, toda serventia, cheia de criança gritando tio Sérgio, tio Sérgio, tio Sérgio. “Tio Sérgio não, menino, Simone. Não tá vendo. Oxente, quem já viu, oh Virginia. Eu toda de mulher!”. Fomos pegar os documentos de Mauricio para dar entrada na cirurgia. Eu só ia sossegar depois que Mauricio fizesse a cirurgia. Não podia fazer o vídeo antes disso. Era certo perder os pés, quebrados a 10 dias. –“Maurício é perigoso, Virginia. Tô querendo ajustar ele. Tirar ele do crime. Ele não é mole não. Vou ver se boto ele pra trabalhar lavando o carro dos policias. Lá em cima todo mundo me conhece. Todos os policias me adoram!” Simone era uma espécie de cagüete da Montanha. Trabalhava para a polícia. Tarefa perigosa, dedo duro dos sacizeiros. Consegui fazer o vídeo com Simone e ajudar ao menino perigoso que com doçura me tomou por sua irmã. Mulher, branca, como eu, que há muito havia deixado em Alagoas. Encontrei Mauricio recentemente, sambando, sorrindo e manco na Fábrica de amendoim, da mulher do pastor, aonde trabalha com Simone, em São Caetano. Não o reconheci. Mauricio? Dançando! Gordo. Neste mesmo dia, encontrei Simone, que já não era mais Simone e nem mulher de Mauricio. Agora, é Sérgio – o enviado do senhor, ex-Simone, ex-travesti, ex-traficante, ex-sacizeiro, ex-cagüete. Um fanático evangélico. Conheci, neste mesmo dia o pastor da igreja que eles fazem parte. O pastor, também dos ex, ex-pagodeiro. São muitas histórias que separam Simone de Sérgio e que ainda não se assentaram, flutuam como partículas de poeira, nevoando meus pensamentos.

Sometimes things around go nuts. And by going nuts, the world doesn’t make sense. Some days ago that was how I felt – ordinary and mortal. A body with no determination tried to do some moves, words flew from my mouth and a taste of poisoned emotion burnt my saliva, producing a very peculiar emotion. I got off the car. Due to this state, the car seemed to me nothing but a mechanical capsule with a movement sensation. I moved without moving from myself. I had fixed eyes and a body opened to any disgrace. Lucky disgrace that smile to my apathy! Any incident would save me from this morbid state that unfortunately made my spirit rejoice. Inside the capsule-car the tunnel-city, wide gallery with great façades and a glass ceiling, swallowed me. I imagined how many cities would exist outside the tunnel, when, in its end, a trace of blood run from the right side of my face. A work done by a razorblade hold by a confident young man from Montanha Slope, a place that had been caressing me with their disgustingly solitary fingertips and scratching me with their nails full of dirty and time. A rundown area from Salvador. A shelter for mundane decadents and their children, the thieves. Even not wanting to, the manners and the destiny of these boys are tumultuous. Their souls can handle a kind of violence they’ve never thought of. Domesticating. Those ones whose violence and natural atmosphere are simple for themselves... Jean Genet. Maybe my fascination for the devastating disorder of this place is perpendicular to the tough order that make the place I am so impotent. So Montanha city called me. I shaked my head in order to not to incorporate the cut still opened in my face. But shyly I watched an acid, calm, adherent smile rise onto my face. I felt horny. Where’s this tunnel going? At that moment I feared the life that beats in my body, hidden by habits, where would it take me? I thought about parking at Sulacap and go down Montanha Slope. I reminded of “Studio Butterfly”, room 313, Sulacap Building. I missed this job, missed so many transvestites I met and the discoveries I made. I remembered my desire of going down Montanha and going into the shadows my sense couldn’t reach from the top of Sulacap. I remembered all friendly warnings surrounding the slope. But I started to feel the sensation of change in the beating of life itself. I knew it. My heart anticipated a time that was still to come. I went up and down Montanha Slope in the capsule-car, Conceição slope, Misericórdia slope. Dumb-deaf I speeded up after the rising time that announced thunders. I stopped in front of the Fonte. I remembered a wandering reverie on the sunrise, under Lacerda Lift, on the lower parts of the city, at Cidade Baixa. That was the first day I saw Misericordia Fountain, spring that rises from stones and invisibly turns life less hard on Montanha Slope. I looked the stream of water, so crystallinelly thin, almost invisible, a providence of nature. Taking a look around, only ruins, cliffs, unforgettable Salvador. I asked for a bless, as if a miracle had involved me. Then I met Simone. “I arrived here last year. A person brought me from the island. I arrived here, in this corner. Then when I looked to these waters... You gotta believe. When I looked to these waters... You gotta believe what I’m saying. When I looked to these waters... I saw a power on these waters, so simple that it’s right there. The power of Oxum! The power of Axé! It really makes sense. So these waters locked me here. These waters slaved me here by their side. To keep this place always clean and nice.” Simone took care of the fountain spontaneously. Even did some bricklayer work. It was her sanctuary. Simone, the fountain keeper. Working with fire and water. Fire is Iansã, water is Oxum, both together create Oxum-apará. “Not everybody can handle it! Carrying a so beautiful saint as it’s mine. Fire in one side, water on the other. I have some time on the fire and some on the water. If fire gets too strong, if it spreads too much, I can extinguish it cause I got water.” Simone, full of arguments, talked about magic. And magic enchanted on that week. The air was thick, creepy. Simone, a street transvestite, took some time on Montanha Slope. Conquering some space and arguing with Mãe Preta. “It’s that thing called menopause, right? People say it twirls your head. It twirled Mãe Preta’s head. She’s crazy.” If Mãe Preta used to be the heart of the mountain, she was not anymore. She was worthless now. Simone was interesting, surviving and gratitude. I was all distrust, affection, enchantment. Simone was cotton flower – soft wad interlaced in a thorn hard crust. I was romanticism. On that week we went to her parents’ house, in Lobato. Ms. Maria and Mr. Carlos, nice blue house, all tidy up, lots of kids screaming “ uncle Sergio, uncle Sergio, uncle Sergio”. “Kids, It’s Simone, not uncle Sergio, can’t you see? Gosh, who haven’t seen Virginia? I’m all woman now!” We went to get Mauricio’s documents to sign the papers for the surgery. I wouldn’t settle until Mauricio had the surgery done. I couldn’t do the video before that. He was going to have his feet amputated since they were broken for 10 days. “Mauricio is dangerous, Virginia. I wanna help him. Take him off the world of crime. He’s not soft. I’ll try to get him a job as police’s car washer. Up there everybody knows me. All policemen love me!” Simone was a kind of informer on Montanha Slope. She worked for the police. A tough task, sacinzeiros’ informer. I managed to the video with Simone and help the dangerous boy who, tenderly, considered me as his sister. A white female like me, who had left Alagoas long time ago. Recently I’ve found Mauricio, smiling, sambing and lame, at the peanut factory owned by the priest’s wife in Sao Caetano. That’s where Simone works too. I didn’t recognized him. Mauricio? Dancing? Fat. On the same day I’ve found Simone, who is not Simone anymore, neither Mauricio’s woman. Now it’s Sergio, the lord’s envoy. Ex-Simone, ex-transvestite, ex-drug dealer, exsacinzeiro, ex-informer. An evangelic fanatic. On the same day I met the priest of the church in which they belong to. The priest, also an ex, ex-pagodeiro. So many stories involving Simone and Sergio, some still not settled down, still floating as dust particles, snowing on my thoughts.


A Guardiã da Fonte - Intervenção urbana | The Fountain Keeper - Urban Intervention 2007 - Fonte da Misericórdia, Salvador - BRASIL

A guardiã da fonte inicia uma série de trabalhos audiovisuais realizados a partir de vivência em ambientes opacos e marginais da cidade de

The Fountain keeper start a series of audiovisuals

Salvador. Esses lugares são frágeis, precários,

works performed using the life in the ignored

movediços, abandonados ao tempo, que deles se

environments in the periphery of Salvador as a

apropria e constrói suas estranhas arquiteturas.

starting point. Those places are fragile, precarious,

Os projetos urbanísticos contemporâneos falam

volatile, derelict, which time appropriated and built

constantemente em “revitalização”, como estes se

its strange architecture.

fossem lugares mortos, precisando de uma nova

The contemporaneous urban projects constantly

vida. Pretendo mostrar justamente o contrário,

speak about the “revitalisation”, as though these are

que são lugares de grande vitalidade, povoados

dead places that need a new life. I intend to show

de mistério, de lembranças e espíritos, de lendas

the opposite, that these are places of great vitality,

criadas por seus habitantes.

imbued with mysteries, memories and spirits, with

Nesse primeiro trabalho me infiltrei na área em

legends fostered by their inhabitants.

torno da ladeira da Montanha, antiga ligação

In this first work I infiltrated in the area around the

entre a parte alta e baixa da cidade e atualmente

Montanha slope, old junction between the lower

bastante degradada, habitada por famílias de

and upper parts of the city, currently very degraded,

sem-teto, prostitutas, bandidos e viciados em

inhabited by homeless families, prostitutes, thugs

droga. Mas o que me interessou foi uma Montanha

and drugs-addicts. But what raised my interest was

mais profunda, que me foi apresentada por

to go deeper into Montanha, introduced to me by

Simone, uma travesti que mora em uma casa em

Simone, a transvestite that live in a ramshackle

ruínas e que cuida, espontaneamente, da Fonte da

house and who care, spontaneously, of Misericórdia

Misericórdia.

Fountain.


Sonhos Explícitos - Obra em processo/Co-autoria Silvana Olivieri - Instalação Sonora Explicit Dreams - Processual Work / Co-authorship Silvana Olivieri - Sound Installation 2006 - Recife - Brasil

“Sonha-se além do mundo e aquém das realidades humanas mais bem definidas.”

“We dream beyond the world and inferior of more

G. Bachelard

definite human realities.” G. Bachelard

Os sonhos eróticos constituem-se como uma manifestação involuntária de libido. Desafiam

The erotic dreams constitute an unintentional

regras sociais, religiosas, morais, que normalmente

manifestation of libido. They challenge the social,

interditam ou capturam os fluxos libidinosos. Não

religious and moral rules that usually interdict

serão aqui interpretados ou decifrados, pois não

or seize the libidinous flows. They will not be

representam nada, nem precisam de explicação.

interpreted or decoded here, because they don’t

Eles são reais, sua diferença reside em ser a

symbolize anything, neither need any explanation.

expressão pura e ideal do lado misterioso e opaco

They are real, and its difference lies in the fact that

da vida, que opera por combinações disparatadas

they are the clear and ideal aspect of the mysterious

e nexos irracionais. Os sonhos formam um mundo

and opaque side of the life, which act through

particular, que, simplesmente, queremos conhecer

incongruent combinations and irrational nexus. The

e fazer conhecer.

dreams constitute a particular world that, simply, we

Os sonhos não podem ser considerados morais ou

want know and make known.

imorais, errados ou certos, verdadeiros ou falsos.

The dreams can’t be considered moral or immoral,

Nos sonhos não há crimes nem criminosos: não

wrong or right, true or false. In the dreams neither

é possível se julgar pelos sonhos, pois neles as

crime nor criminal exists: it’s impossible to judge

regras sociais, morais, religiosas estão suspensas

from the dreams, because in them the social, moral

ou irreversivelmente perturbadas.

and religious rules are suspended or irreversibly

“Sonhos Explícitos” é uma obra em processo. Esta

disturbed.

obra foi iniciada na cidade do Recife, durante a

“Sonhos Explícitos” is a work in progress. This

Semana de Artes do Recife de 2006. A proposta

work was initiated in the city of Recife, during the

de trabalho compreende duas etapas: num

2006 Recife Arts Week. The proposal of this work

primeiro momento recolher o relato de sonhos

comprise two stages: in a first moment, to collect the

eróticos de pessoas que circulam em diferentes

account of erotic dreams of people that circulates

contextos sociais e em diferentes cidades, cujo

in distinct social contexts and in distinct cities,

registro irá para um banco de áudio. Num outro

whose record will be stored in a audio base. In a

momento, esses relatos vão ser editados numa

second moment, theses accounts will be edited and

instalação sonora.

presented in a sound installation.


Studio Butterfly - Vídeo Instalação | Studio Butterfly - Video Installation 2006 - São Paulo - Brasil

27ª Bienal de São Paulo [Guia] - Entrevista

27ª Bienal de São Paulo [Guide] - Interview [Luisa Duarte] Fale sobre cada um desses três momentos que constam do seu processo de trabalho com o universo das travestis em salvador: infiltração, negociação e mediação. [Virginia de Medeiros] Essas três etapas não foram elaboradas a priori. Elas aconteceram. Só depois de ter vivenciado toda a experiência posso pensá-las. Inclusive como procedimentos para outros trabalhos. As idéias começaram a emanar a partir dos encontros com os lugares e as pessoas – mudança de bairro, caminhadas noturnas e o fascínio por um movimento à margem das normas, que desestabiliza e sabota qualquer tentativa de categorização. Foi assim que conheci Machelle, uma travesti que me intrigava. Gostava de perguntar as horas sempre que passava por ela, nas madrugadas de volta para casa. Aquilo virou mais que um hábito. Uma obsessão. Sou tomada por essa personagem e, em um caderno, anoto as minhas primeiras impressões. Inicia-se o trabalho, que já aflorava em desenhos e pinturas, mas que ganhou outra dimensão pela experiência vivida. A minha infiltração nesse universo ganha a dimensão da gota d’água que, introduzindo-se pelos interstícios de uma parede, de forma delicada e lenta, a põe abaixo e aproxima territórios. Nunca uma invasão. Entrelacei-me nos comportamentos das travestis e me aproximei delas. O trabalho perde a materialidade e ganha a “fabulação” da vida. Precisava partilhar meu ganho. Intermediei conversas com familiares, namorados; problemas e sonhos. Negociei um book – realizava ensaios fotográficos para as travestis, objeto prático, mas também simbólico – em troca de relatos pessoais e fotos de família. Aluguei uma sala num edifício comercial, no centro de Salvador, localizado numa área onde vivem e trabalham as travestis. Montei ali um estúdio para recebê-las, ornamentei uma poltrona à qual dei o nome de “poltrona dos afetos”. Nela as travestis contavam suas histórias. Posicionei-me como mediadora de uma fala que se encontra aprisionada por uma imagem estereotipada. Tive como desafio expressar a vida dessas travestis que atravessaram a minha vida, me fazendo experimentar um estado de vibração nunca antes sentido – me tornei travesti; com toda diferença que me cabe. [Luisa Duarte] Como você vê a importância da dimensão da troca no seu trabalho? [Virginia de Medeiros] Só existe troca se existir a instância do afeto. A troca é o afeto, e sem afeto nunca poderia ter feito esta obra. Um afeto estabelecido não apenas com as travestis, mas que contagiou outros que participaram deste trabalho, Studio Butterfly, que nomeia um autor, mas deixa invisíveis tantos outro atores.

[Luisa Duarte] Tell me about each of these three stages of your work within the domain of transvestism in Salvador: infiltration, negotiation and mediation. [Virginia de Medeiros] These stages were not planned in advance. They just happened. Only now, after having the experience, can I think about them – also as procedures to be adopted in other works. The ideas for this project began to arise from my contact with different places and people: moving to a different neighborhood, taking evening strolls, and nurturing a fascination for movements on the margin of the conventional that destabilize and sabotage any effort at categorization. This is how I met Machelle, a transvestite that I found rather intriguing. I enjoyed asking her the time as I walked by on my return home, way past midnight. More than a habit, this routine became an obsession for me. I became spellbound by this character and decided to jot down my impressions of her in a notebook. And so my work began, initially as drawings and paintings, before achieving a different dimension through actual experience. My infiltration in this domain was analogous to the drop of work that slowly and delicately passes through the interstices of a wall, permeating and dismantling it, and bringing territories close together. It is never an invasion. I became closer to the transvestites behavior patterns and became their pal. Mywork lost materiality and turned into a “fabulation” oj life. I had a need to share my achievements. I facilitated discussions with family members and significant others, I listened to problems and dreams. I shot photos for portfolios that were not only practical objects, but also symbolical, and which I traded for personal accounts and family photographs. I rented an office in the downtown section of Salvador where transvestites live and work. There I set up a photo studio, complete with an armchair that I called “the chair of affections”, on which transvestites sat to tell their stories. I became an advocate for a discourse that is confined to a stereotyped image. My challenge was to represent the life of the transvestites that came into my life, leading me to reach a state of vibrations I had never attained before: differences granted, I became a transvestites. [Luisa Duarte] How significant are the instances of exchanges in your work? [Virginia de Medeiros] Exchanges occur only when there is affection. Exchange is affection, and without affection, I could never have made this work. The feelings of affection I have shared with transvestites have also spread to other participants in this project, Studio Butterfly – which names an author but renders invisible so many other players.


Studio Butterfly - Instalação | Studio Butterfly - Installation 2004/2005 - SALVADOR - Brasil

O Studio Butterfly funcionou, durante aproximadamente um ano e meio, numa pequena sala de um edifício comercial do centro de Salvador. Ele foi pensado como um ponto de encontro com as travestis, instalado em uma área onde elas vivem e trabalham. Os elementos utilizados para a construção do espaço se

The Studio Butterfly did work in a small room of

baseiam na memória visual que guardei dos

a downtown commercial building in the centre of

quartos das travestis que habitaram a pensão de

Salvador for about a year and half. It was conceived

Rosana – a primeira travesti que conheci e que

as a meeting place for transvestites. The elements

me fez adentrar nesse universo. Rosana morreu

used for the constitution of the room were based

em 2001 de Aids, e a ela dedico esse trabalho. No

on the visual memory I had from the transvestites’

Studio, as travestis me traziam suas fotos antigas

rooms who lived at Rosana’s Boarding House –

e recentes, junto a familiares, amigos, amores, e,

the first transvestite that I met and the one who

sentadas na “Poltrona dos Afetos”, me contavam

introduced me to this universe. At Studio Butterfly,

algumas historias de vida, que eu registrava

transvestites used to bring me their old and new

em vídeo. Em troca, fazia com elas um ensaio

photos posed with relatives, friends, loves, and

fotográfico, e ao final lhes dava um book.

sitting in the “armchair of affections”, they told

Se os movimentos que compõem essas

me some stories of their lives, which I recorded in

existências são breves, descobri com as travestis

video. In return, I did photo sessions with them,

a beleza maior da fabulação, que imortaliza a vida.

giving a photo book in the end.


Studio Butterfly Réplica - Instalação | Studio Butterfly Reply - Installation 2006 - SÃO PAULO / RIO DE JANEIRO / FORTALEZA - Brasil

Studio Butterfly é resultado do encontro da artista Virginia de Medeiros com um universo de travestis da cidade de Salvador. Sabemos a quanto a arte contemporâneas está permeada por intervenções desta natureza, nas quais o artista, munido de um pathos antropológico, busca conhecer um mundo diverso do seu. Sabemos também como tais investidas correm o risco de cair numa fórmula invasiva, que em vez de provocar um novo olhar sobre o universo retratado, acentua seu exotismo e faz dos seus personagens espécies de “vítimas”. O trabalho de Virginia corre na contra mão destes perigos, alcançnado de maneira delicada e poética uma esfera afetiva, singular, de cada uma daquelas travestis. Em um processo, sublinhando assim a diferença entre invadir um outro mundo, e infiltra-se nele. Ali estando, Virginia busca conhecer aquelas vidas. Em troca de relatos pessoais registrados em vídeo e fotos de álbuns de família, a artista negocia um Book – realiza ensaios fotográficos para s travestis, objeto prático, mas também simbólico. Ou seja, estabelece uma troca. Ao longo de todo o processo registra suas experiências em contos, hoje reunidos num livro. Entrar em contato com todo repertório que compreende Studio Butterfly faz com que, por vezes, esqueçamos que estamos diante de travestis, mas sim diante de Patrícia, Thalia, Sendy, Michelle, baiacu, e tantas outras, cada uma de suas personagens, não tratando o Gênero travesti como território homogêneo. Se pensarmos que a estabilidade das visões normativas, preconceituosas, perpetua a intolerância e a discriminação, a colocação em obra deste novo olhar – que tem morada na arte - teria também uma dimensão ética. No lugar do “outro”, entraria “o nós”. Assim, Virginia de Medeiros nos provoca a pensar o que seria uma “aposta por um universo mais benigno, onde as relaç˜eos entre os humanos seriam guiadas, não por rótulos, classificatórios de cor, crença ou sexo, mas sim , antes de mais nada, por um desejo de afeto e solidariedade.”

Studio Butterfly from the encounter between Virginia de Medeiros and transvestites from the city of Salvador. We all know the great extent to which contemporary art is permeated by these kind of interventions, in which the artist, driven by an anthropological pathos, seeks to understand a world that is different to his or her own. We also know how this type of approach runs the risk of becoming an invasive formula which, instead of giving rise to fresh ideas about the universe portrayed, accentuates its exotic aspect, marking its characters be perceived as something like ‘victims’. Virginia’s work avoids all those pitfalls, delicately and poetically reaching the affective and singular character of each of the transvestites, thus underscoring the difference between invading and infiltrating another world. Once she amongst them, Virginia seeks to know their lives. In exchange for personal accounts – which the artist records on video and family photo albums – the artist produces photo essays to be included on the transvestites portfolios, a practical but symbolic act. That is, she establishes an exchange. Throughout the process, she narrates her experience in short stories, currently published collectively as a book. Coming into contact with the whole repertoire that makes up Studio Butterfly, we sometimes forget that these people are transvestites. They become Patrícia, Thalia, Sendy, Michelle, Baiacu and many others, each with her own personal history. The artist shows each of her characters as individuals as she refrains from treating the genre of transvestites as a homogeneous territory. If we agree that the stability of normative, prejudiced views perpetuates intolerance and discrimination, the materialization into artwork of this novel gaze also has an ethical dimension. In place of the ‘other’, there could be ‘us’. Thus, Virginia de Medeiros challenges us to think about the ‘wish for a kinder world, where relations amongst human beings are guided not by labels or categorizations of color, beliefs or gender, but, first and foremost, by a willingness for kindness and solidarity’.

Luisa Duarte

Luisa Duarte

Trecho do texto publicado por ocasião da mostra “Entre o Público

Extract of the published on the occasion of the exhibition Entre o Público e o

e o Privado”, realizada no Museu de Arte Contemporânea Dragão

Privado, at the Museu de Arte Contemporânea do Dragão do Mar, Fortaleza,

do Mar, Fortaleza, CE, Brasil, que fez parte da intinerância do

Brazil, as part of the traveling exhibition program Rumos Artes Visuais

programa Rumos Artes Visuais 2005-2006.

2005-2006.

1. “Ela é... o que você quiser.”, ensaio de Daniela Ropa sobre o

1. ‘Ela é … o que você quiser’ (She is… whatever you want). Daniela Ropa’s

filme “Traídos pelo Desejo.” De Neil Jordan. In COSTA, Jurandir

essay on the film The Crying Game, in COSTA, Jurandir Freire (org.).

Freire (org.). Redescrições da Psicanálise, Relume Dumará, 1994.

Redescriçnoes da Psicanálise, Relume Dumará, 1994.


Studio Butterfly Réplica - Fotografias do álbum e do book Studio Butterfly Replica - Book and album’s photos 2006 - SÃO PAULO / RIO DE JANEIRO / FORTALEZA - Brasil


Studio Butterfly - Vテュdeo 20min | Studio Butterfly - Video 20min 2006 - Sテグ PAULO / RIO DE JANEIRO / FORTALEZA - Brasil


Studio Butterfly - Livro de Contos | Studio Butterfly - Storybook 2006 - Sテグ PAULO / RIO DE JANEIRO / FORTALEZA - Brasil


Redobras da Matéria - Intervenção Artística | Refolding Matter - Artistic Intervention 2003 - SALVADOR - BRASIL

A intervenção foi realizada na casa de no 423 da Rua do Sodré, centro de Salvador, numa antiga pensão para travestis que vinha freqüentando, desde 2000. Sua proprietária, a travesti Rosana, falecera em 2002, vítima da AIDS, e, logo depois, por apresentar risco de desabamento, a pensão foi

Foldings of matter is intervention made at 423

fechada. Na época da intervenção, quem morava

Sodré Street, downtown Salvador, at an old boarding

na casa era a irmã de Rosana com a família.

house for transvestites that I used to stay since

Nesse trabalho, quis proporcionar ao público um

2000. Its landlady, the transvestite Rosana, passed

encontro com o mundo das travestis. Centrei-me

out in 2002 by AIDS and, right after that, the

na memória afetiva de Rosana, apropriando-me de

boarding house was shut down. From the residence’s

seus objetos pessoais – roupas, sapatos, perucas,

new occupant – Rosana’s sister – I inherited some

o vídeo de aniversário dos seus 35 anos e imagens

of her private objects: clothes, shoes, wigs, stuffed

de seus álbuns pessoais, a partir das quais

animals, the video of her 35th birthday etc. Taking

elaborei fotos-montagens que foram projetadas na

possession of Rosana’s belongings, the work was

fachada da casa.

built centered in her affective memories.


Que o teto caia que o afeto saia - Performance | Let to roof fall and affection go - Performance 2003 - SALVADOR - BRASIL

Performance com as travestis Dara e Kely Lôra.

Performance with the transvestites Dara and Kely

Madeira, vela, uvas, vinho, gesso, penas, tule,

Lôra. Wood, candle, grapes, wine, plaster, feathers,

corda, música”Mixturação” de Walter Franco.

tule, rope, music “Mixturação”, of Walter Franco.


Quem Passar por Cima Verá - Instalação | Quem Passar por Cima Verá - Installation 2003 - PORTO ALEGRE - BRASIL

Apropriação / Coleção / Justaposição Tadeu Chiarelli Curador Muito de Quem passar por cima verá... – intervenção de Virginia de Medeiros no espaço do Santander Cultural – também está ligado às relações muito próximas entre colecionismo e morte. A artista vem juntando, faz algum tempo, fotografias publicadas em revistas especializadas em relatar o cotidiano glamourizado de personalidades celebradas pelos meios de comunicação de massa, sobretudo em uma coluna determinada da revista Caras, onde são apresentadas fotos de corpo inteiro de atrizes, cantoras, mulheres da sociedade e aspirantes. O que chama desde o início a atenção de Virginia de Medeiros foi que, em sua maioria, as mulheres – de diferentes idades, profissões e status – posavam de uma determinada maneira: um sorriso cristalizado nos lábios, uma das pernas ligeiramente colocada à frente, as mãos segurando uma bolsa e os braços envoltos num xale ou estola. Emoldurando essa pose, grande parte delas posavam com vestidos longos, usavam jóias e estava com os cabelos cuidadosamente penteados. A artista, interessada em identificar e problematizar os estereótipos da imagem da mulher no campo social, num segundo momento comparou essas fotos com outras de seu antigo arquivo pessoal, repleto de retratos onde ela mesma aparecia em poses muito semelhantes àquelas da revista. Eram fotos de uma época em que – ao construir sua personalidade – Virginia tentava construirse como mulher, a partir dos estereótipos femininos estabelecidos pela sociedade de massa. Consciente dessa relação intrínseca entre suas fotos pessoais e aquelas de inúmeras mulheres, a artista desenvolveu uma estratégia para, pelo menos simbolicamente, destruir os esquemas predeterminados socialmente para a constituição desse mito de feminilidade pautado na pura superficialidade. A artista, após ampliar essas imagens por meio de fotocópia em preto-e-branco, seciona cada uma delas, enfatizando algumas partes das fotos: aquelas que representam o rosto cristalizado num sorriso, os pulsos com pulseiras e/ou relógios e as mãos com anéis, segurando a bolsa sobre o vestido, os pés adornados com sandálias ou sapatos sofisticados, um normalmente virado para a direta e o outro para frente. Essas partes, por sua vez, são transferidas para lajotas de cimento que após receberem as imagens, são instaladas no chão. Nesse processo de instalação, a artista, num ato de supostamente reconstituir as imagens secionadas, vai misturando as partes das diversas fotografias, demonstrando cabalmente o quanto aquelas imagens, antes de apresentarem individualidades, mostram derivações de um mesmo conceito estratificado de mulher. Disposta no chão, tomando toda a extensão de espaço dedicado ao fluxo do público, a artista assim obriga o visitante a caminhar sobre sua intervenção. Ao fazê-lo, as lajotas tendem a trincar e quebrar, ao mesmo tempo em que as imagens impressas tendem a perder cada vez mais a nitidez. Com o tempo, destruído o trabalho, ele se transforma quase num ritual de morte simbólica de um estereótipo de mulher que, durante décadas, vem sendo reforçado pelas imagens copiosamente divulgadas pelos meios de comunicação.

Appropriation / Collection / Juxtaposition Curator Tadeu Chiarelli A great part of Quem passar por cima verá... – Virginia de Medeiros’ intervention at Santander Cultural – is also connected to the very close relations between collectionism and death. The artist has been collecting photographs from celebrities’ magazines, mainly from a gossip column from Caras magazine, in which full-body pictures of actresses, singers, society women and aspirants are portrayed. Virginia de Medeiros noticed right from the beginning the fact that most women – from several ages, occupations and status – posed in a certain way: a crystallized smile on their lips, one of their legs slightly put forward, hands holding a purse and arms wrapped by a scarf. In addition to it, many of them did pose with long dresses, jewellery and had their hair carefully done. The artist, interested in identifying and problematizing the stereotypes of women’s image in society, compared these photos with another ones from her old personal files, full of pictures in which she was portrayed in poses very similar to those ones from the magazine mentioned. Those were photos of a period in which – to build her own personality – Virginia was trying to build a female figure, based on the feminine stereotypes established by mass society. By having consciousness of this intrinsic relation between her personal photos and those ones from the famous women, the artist developed a strategy to, at least symbolically, destroy the socially predetermined ideas that constitute this myth of femininity based on superficiality. After enlarging these images through a black-and-white photocopier, the artist sectioned each one, emphasizing some parts of the pictures: the ones portraying their faces crystallized in a smile, the wrists with bracelets and/or watches, the hands with rings, holding the purse over their dresses, and the feet adorned with sophisticated sandals or shoes, having one of them turned to the right and the other one turned to the front. These pieces were transferred to cement floor tiles that, after receiving the images, were installed on the floor. During the installation process, in order to recompose the sectioned images, the artist mixed the pieces of several photos, showing conclusively how these images, rather then portraying individualities, show derivations of a same petrified concept of women. Disposed on the floor, occupying all the scope of the room dedicated to the public’s flux, the artist forces the visitor to walk across her intervention. By doing this, the floor tiles tend to crunch and break, at the same time that the printed images tend to lose its clearness. As time goes by, the shattered work turns into an almost symbolic death ritual of a woman stereotype that, for decades, has been reinforced by images overspread by the media.


Quem Passar por Cima Verá - Instalação | Quem Passar por Cima Verá - Installation 2003 - SALVADOR - BRASIL


Série Catatônicos - Acrílica s/ tela 120 x 80 cm | Catatonic series – Acrylic on canvas 1995 - SALVADOR - Brasil


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Acrílica s/ tela | Acrylic on canvas 1995/1996 - SALVADOR - Brasil 01 - “A poderosa” 120 x 70 cm | “She powerful” 02 - “O santo” 200 x 200 cm | “The saint” 03 - “Isis” 60 x 40 cm | “Isis” 04 - “Gonzaga” 120 x 80 cm | “Gonzaga” 05 - “S/ título” 120 x 70 cm | “No title” 06 - “O grito” 120 x 75 cm | “The Scream”


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1997/1998 - SALVADOR - Brasil 01 - “O Mergulho” 200 x 200 cm - Acrílica s/ tela | “The Diving” Acrylic on canvas 02 - “Os amantes” 200 x 200 cm - Acrílica s/ tela | “The Lovers” Acrylic on canvas 03 - “O livro dos sonhos” 29,7 x 21 cm - Acrílica s/ papel | “The Book of Dreams” Acrylic on paper 04 - “Auto retrato” 200 x 120 cm - Acrílica, arame s/ tela | “Self Portrait” Acrylic, wire on canvas 05 - “Mulher velada” 200 x 80 cm - Acrílica s/ tela | “Veiled Woman”


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Série A Descoberta - Acrílica s/ tela | The Discovery series – Acrylic on canvas 1999/2000 - SALVADOR - Brasil 01 - 200 x 180 cm 02 - 200 x 120 cm


A Noiva - Acrílica s/ tela 200 x 120 cm | The Bride – Acrylic on canvas 2000 - SALVADOR - Brasil


Série Auto Retrato - Acrílica s/ tela 200 x 130 cm | Self Portrait series 2000 - SALVADOR - Brasil


Auto Retrato - AcrĂ­lica s/ tela 200 x 130 cm | Self Portrait 2000 - SALVADOR - Brasil


Croquis - Nanquim | Sketch - Nankin 2000 - SALVADOR - Brasil


S/ Título - Transferência de Toner s/ concreto, acrílica e ferro No title – Toner transfer on concrete, acrylic and steel 2002 - SALVADOR - Brasil


Amor - Cerâmica e ferro | Love – Ceramic and steel 1993 - SALVADOR - Brasil


01

03

02


1991/1992 - SALVADOR - Brasil 01 - Escultura em pedra sab찾o | Soapstone sculpture 02 - Escultura em pedra sab찾o | Soapstone sculpture 03 - Escultura em cer창mica | Ceramic sculpture


1994 - SALVADOR - Brasil 01 - Objeto - ratoeira, bonecos plásticos e argila | Object – mouse trap, plastic dolls and clay


01

02


1994 - SALVADOR - Brasil 01 - Caneca em madeira | Mug in wood 02 – Caneca em cerâmica | Mug in Ceramic


Santo Ant么nio - Objeto | Santo Antonio - Object 2000 - SALVADOR - Brasil


Curriculum-Vitae 2009

Virginia Sousa de Medeiros, nascida em Feira de Santana, Bahia no ano de 1973. Endereço: Rua Paulistânia, Ed. Jatiúca, nº 558, ap. 32, Sumarezinho, São Paulo/SP, CEP:05440-001. Telefones: 0-XX-11-7734-1770 / 0-XX-71-9178-7737 E-mail: vismedeiros@uol.com.br Educação 2002 Mestrado em Artes Visuais, Escola de Belas Artes-UFBA, Salvador, Bahia, Brasil. 1997 Bacharelado em Artes Plásticas, Escola de Belas Artes-UFBA, Salvador, Bahia, Brasil.

Atividade didática 2008-2009 Tutora Especializada do Curso de Pós-Graduação em Arte Visuais: Cultura e Criação da Rede-EAD, SENAC, Bahia, Brasil. 2008 Banca examinadora do TCC – Memorial descritivo-analítico do vídeodocumentário Travesti: o desejo de ser, Cursos de Comunicação Social c/ Hab. Publicidade e Propaganda e Comunicação Social c/ Jornalismo, Faculdades Jorge Amado, Salvador, Bahia, Brasil. 2006-2008 Professora Substituta do Departamento de História da Arte e Pintura – Disciplina Pintura I, Escola de Belas Artes - UFBA, Salvador, Bahia, Brasil. 2004-2005 Professora Mestre dos Cursos de Comunicação Social c/ Hab. Publicidade e Propaganda e Comunicação Social c/ Jornalismo – Disciplina Filosofia e Arte, Faculdades Jorge Amado, Salvador, Bahia, Brasil. 2002-2004 Professora Substituta do Departamento de História da Arte e Pintura – Disciplinas Teoria e Técnica da Pintura e Pintura I, Escola de Belas Artes - UFBA, Salvador, Bahia, Brasil. 1997-1998 Educadora da Oficina de Artes Plásticas, Projeto UFBA: Cidadania e Aprendizagem pelo Trabalho, Escola de Belas Artes - UFBA, Salvador, Bahia, Brasil. 1994-1995 Estagiária como Regente de Classe na área de Artes Plásticas, Hora da Criança, Salvador, Bahia, Brasil.

Exposições coletivas 2008 É Claro que Você Sabe do que Estou Falando?, Galeria Vermelho, São Paulo, São Paulo, Brasil. 2006 Sonhos Explícitos, 5ª Semana de Artes Visuais de Recife – SPA, Recife, Pernambuco, Brasil. 2006 Geração da Virada10 + 1: os anos recentes da arte brasileira. Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, SP, Brasil. 2006 27ª Bienal Internacional de São Paulo Como Viver Junto, Pavilhão da Bienal, São Paulo, SP, Brasil. 2006 Entre o Público e o Privado: Transições na Arte Contemporânea, Dragão do Mar, Fortaleza, CE, Brasil. 2006 Paradoxos Brasil, Paço Imperial, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 2006 Paradoxos Brasil, Itaú Cultural, São Paulo, SP, Brasil. 2005 Festival da Livre Expressão Sexual, Salvador, BA, Brasil. 2002 Apropriações / Coleções, Santander Cultural, Porto Alegre, RS, Brasil. 2001 Instalações Bahia 2001, Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador, BA, Brasil. 2001 +100 Artistas Plásticos da Bahia, Galeria Prova do Artista, Salvador, Bahia, Brasil 1999 V Bienal do Recôncavo, Centro Cultural Dannemann, São Félix, BA, Brasil. 1999 XXVII São Regional de Artes Plástica da Bahia, Centro Cultural de Valença, Valença, BA, Brasil. 1997 IV Bienal do Recôncavo, Centro Cultural Dannemann, São Félix, BA, Brasil. 1997 XXI Salão Regional de Artes Plásticas da Bahia, Centro Cultural de Alagoinhas, Alagoinhas, BA, Brasil. 1996 XI Salão FASC de Artes Plásticas, Galeria de Arte Florival Santos, Aracajú, SE, Brasil. 1995 XI Salão Regional de Artes Plásticas da Bahia, Centro Cultural Amélia Amorim, Feira de Santana, BA, Brasil. 1995 III Bienal do Recôncavo, Centro Cultural Dannemann, São Félix, BA, Brasil.

Prêmios 2005-2006 Programa Rumos Itaú Cultural Artes Visuais, São Paulo, São Paulo. 2003 Bolsas Vitae de Artes 2003, São Paulo, São Paulo. 2001 Prêmio Copene de Cultura e Arte, Salvador, Bahia. 1999 Mensão Honrosa, XXVII São Regional de Artes Plástica da Bahia, Valença, Bahia. 1995 Destaque especial do júri, XI Salão Regional de Feira de Santana, Bahia.

Residências Artísticas 2009 Women for Peace, Dili, Timor-Leste 2007 La Chambre Blanche, Québec, Canadá.

Catálogos 2006 LAGNADO, Lisette; PEDROSA, Adriano, cat. exp. 27a Bienal de São Paulo: Como viver junto. São Paulo: Fundação Bienal, 2006. 2006 ANJOS, Moacir dos; FARIAS, Agnaldo, cat. Exp. Geração da virada 10 + 1: os anos recentes da arte brasileira. Instituto Tamie Ohtake, São Paulo, 2006 2006 AMARAL, Aracy et al., cat. exp. Rumos Artes Visuais Itaú Cultural 2005-2006, São Paulo, Itaú Cultural, 2006. 2002 CHIARELLI, Tadeu, cat.exp. Apropriações / Coleções, Santander Cultural, Porto Alegre, Santander, 2002. 2001 OLIVEIRA, Denisson de, cat. exp. + 100 Artistas Plásticos da Bahia, Museu de Arte Sacra, Salvador, Prova do Artista, 2001. 2001 SANTOS, Eriel de Araújo et al., cat. exp. Instalações Bahia 2001, Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador, Bigraf, 2001.


Virginia Sousa de Medeiros, born in Feira de Santana, Bahia, 1973. Address: Rua Paulistânia, Ed. Jatiúca, nº 558, ap. 32, Sumarezinho, São Paulo/SP, ZIP code:05440-001. Tel: 0-XX-11-7734-1770 / 0-XX-71-9178-7737 E-mail: vismedeiros@uol.com.br Training 2002 Master IN Visual Arts, Escola de Belas Artes [School of Fine Arts] (UFBA), Salvador, Bahia, Brazil. 1997 Bachelorship IN Plastic Arts, Escola de Belas Artes [School of Fine Arts] (UFBA), Salvador, Bahia, Brazil.

Didactic Activities 2008-2009 Specialized Tutor of Postgraduation Course, Visual Arts: Culture and Criation of EAD-net, SENAC, Bahia, Brazil. 2008 Examining Board of TCC (Trabalho de Conclusão de Curso [Completion of Course Work]0 – Descriptive-Analitical Memorial of vídeo-documentary Travesti: o desejo de ser, Social Comunication Courses with qualification IN Advertising & Propaganda and Social Comunication with Journalism, Faculdades Jorge Amado [JorgeAmado Faculties], Salvador, Bahia, Brazil. 2006-2008 Substitute Lecturer, History of Art and Painting Department – Subject Painting I, Escola de Belas Artes [School of Fine Arts] - UFBA, Salvador, Bahia, Brazil. 2004-2005 Lecturer Master, Social Comunication courses with qualification in Advertising and Propaganda & Social Comunication with Journalism – Subject Philosophy and Art, Faculdades Jorge Amado [Jorge Amado Faculties], Salvador, Bahia, Brazil. 2002-2004 Substitute Lecturer, History of Art and Painting Department – Subjects Painting Theory & Technique and Painting I, Escola de Belas Artes [School of Fine Arts] – UFBA, Salvador, Bahia, Brazil. 1997-1998 Educator, Plastic Arts Workshop, UFBA Project: Citizenship and Apprenticeship by the Work, Escola de Belas Artes [School of Fine Arts] - UFBA, Salvador, Bahia, Brazil. 1994-1995 Trainee as Class’s Conductor in Plastic Arts subject, Child’s Hour, Salvador, Bahia, Brazil.

Colective Exhibitions 2008 É Claro que Você Sabe do que Estou Falando?, Galeria Vermelho [Vermelho Gallery], São Paulo, São Paulo, Brazil. 2006 Sonhos Explícitos, 5th Visual Arts Week of Recife – SPA, Recife, Pernambuco, Brazil. 2006 Geração da Virada10 + 1: os anos recentes da arte brasileira. Instituto Tomie Ohtake [Tomie Ohtake Institute], São Paulo, SP, Brazil. 2006 São Paulo 27th Art Biennial Como Viver Junto, Pavilhão da Bienal [Biennial Pavilion], São Paulo, SP, Brazil. 2006 Entre o Público e o Privado: Transições na Arte Contemporânea, Dragão do Mar [Sea Dragon], Fortaleza, CE, Brazil. 2006 Paradoxos Brasil, Palácio Imperial [Imperial Palace], Rio de Janeiro, RJ, Brazil. 2006 Paradoxos Brasil, Itaú Cultural, São Paulo, SP, Brazil. 2005 Festival da Livre Expressão Sexual, Salvador, BA, Brazil. 2002 Apropriações / Coleções, Santander Cultural, Porto Alegre, RS, Brazil. 2001 Instalações Bahia 2001, Museu de Arte Moderna da Bahia [Modern Art Museum of Bahia], Salvador, BA, Brazil. 2001 +100 Artistas Plásticos da Bahia, Galeria Prova do Artista [Prova do Artista Gallery], Salvador, Bahia, Brazil 1999 V Recôncavo Biennial, Centro Cultural Dannemann [Danemann Cultural Center], São Félix, BA, Brazil. 1999 XXVII Visual Arts Regional Exhibition of Bahia, Centro Cultural de Valença [Cultural Center of Valença], Valença, BA, Brazil. 1997 IV Recôncavo Biennial, Centro Cultural Dannemann [Dannemann Cultural Center], São Félix, BA, Brazil. 1997 XXI Plastic Arts Regional Exhibition of Bahia, Centro Cultural de Alagoinhas [Cultural Center of Alagoinhas], Alagoinhas, BA, Brazil. 1996 XI Plastic Arts FASC Exhibition, Galeria de Artes Florival Santos [Florival Santos Art Gallery], Aracajú, SE, Brazil. 1995 XI Plastic Arts Regional Exhibition of Bahia, Centro Cultural Amélia Amorim [Amélia Amorim Cultural Center], Feira de Santana, BA, Brazil. 1995 III Recôncavo Biennial, Centro Cultural Dannemann [Dannemann Cultural Center], São Félix, BA, Brazil.

Awards 2005-2006 Rumos Itaú Cultural Artes Visuais Culture Program, São Paulo, São Paulo. 2003 Bolsas Vitae de Artes 2003, São Paulo, São Paulo. 2001 Copene Award of Culture and Art, Salvador, Bahia. 1999 Honor Mention, XXVII Plastic Arts Regional Exhibition of Bahia, Valença, Bahia. 1995 Destaque especial do júri, XI Regional Exhibition of Feira de Santana, Bahia.

Artistics Residences 2009 Women for Peace, Dili, Timor-Leste 2007 La Chambre Blanche, Québec, Canadá.

Catálogos 2006 LAGNADO, Lisette; PEDROSA, Adriano, cat. exp. 27a Bienal de São Paulo: Como viver junto. São Paulo: Fundação Bienal [Biennial Foundation], 2006. 2006 ANJOS, Moacir dos; FARIAS, Agnaldo, cat. Exp. Geração da virada 10 + 1: os anos recentes da arte brasileira. Instituto Tomie Ohtake [Tomie Ohtake Institute], São Paulo, 2006 2006 AMARAL, Aracy et al., cat. exp. Rumos Artes Visuais Itaú Cultural 2005-2006, São Paulo, Itaú Cultural, 2006. 2002 CHIARELLI, Tadeu, cat.exp. Apropriações / Coleções, Santander Cultural, Porto Alegre, Santander, 2002. 2001 OLIVEIRA, Denisson de, cat. exp. + 100 Artistas Plásticos da Bahia, Museu de Arte Sacra [Sacred Art Museum], Salvador, Prova do Artista, 2001. 2001 SANTOS, Eriel de Araújo et al., cat. exp. Instalações Bahia 2001, Museu de Arte Moderna [Modern Art Museum], Bahia, Salvador, Bigraf, 2001.

Portifolio  

Apresentação dos trabalhos da artista baiana Virginia Medeiros

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