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Boletim da Junta de Freguesia

Distribuição Gratuita

Ano 22 - nº 83 - 4º Trimestre de 2011

“O verdadeiro Espírito de Natal revela-se nas nossas acções”

Para esta Quadra Natalícia, escolhi do meu baú, a seguinte história: “Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos de que dispunha naquele dia atribulado para comer e consertar alguns bugs de programação de um sistema que estava desenvolvendo, além de planejar minha viagem de férias, que há tempos não sei o que são. Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga, uma salada e um suco de laranja, pois afinal de contas fome é fome, mas regime é regime, né? Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim: - Tio, dá um trocado? - Não tenho, menino. - Só uma moedinha para comprar um pão. - Está bem, compro um para você. Para variar, minha caixa de entrada estava lotada de e-mails. Fico distraído vendo poesias, as formatações lindas, dando risadas com as piadas malucas. Ah! Essa música me leva a Londres e a boas lembranças de tempos idos. - Tio, pede para colocar margarina e queijo também? Percebo que o menino tinha ficado ali. - OK, mas depois me deixe trabalhar, pois estou muito ocupado, tá? Chega a minha refeição e junto com ela o meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir. Meus resquícios de consciência me impedem de dizer. Digo que está tudo bem. - Deixe-o ficar. Traga o pão e mais uma refeição decente para ele. Então o menino se sentou à minha frente e perguntou:

- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse. - Legal isso. Gostei! - Mocinho, você entendeu o que é virtual? - Sim, tio, eu também vivo neste mundo virtual. - Você tem computador? - Não, mas meu mundo também é desse jeito... Virtual. Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome, e eu dou água para ele pensar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas eu não entendo, pois ela sempre volta com o corpo. Meu pai está na cadeia há muito tempo. Mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos de Natal, e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isto não é virtual, tio? Fechei meu notebook, não antes que as lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o menino terminasse de literalmente “devorar” o prato dele, paguei a conta e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que eu já recebi na vida, e com um “Brigado tio, você é legal!” Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de verdade, e fazemos de conta que não percebemos!” Pois, meus caros leitores em geral, e Mamedenses em particular, sem dúvida, que o verdadeiro Espírito de Natal se revela nas nossas acções, pelo que penso exatamente assim há já muitos anos e não é em vão que venho (sempre que possível) apregoando e pugno para que S. Mamede de Infesta, seja uma Cidade cada vez mais Moderna, Desenvolvida e, sobretudo, solidária. Naturalmente, nem sempre é assim, pois como diz a história, na sua parte final: Ali, naquele instante, tive a maior prova de virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia a verdade, e fazemos de conta que não percebemos!”

- Tio, o que está fazendo? - Estou lendo uns e-mails. - O que são e-mails? - São mensagens electrónicas mandadas por pessoas via Internet. Já dizia Madre Teresa de Calcutá “A falta de amor é a maior de todas as pobrezas” Sabia que ele não iria entender nada, mas a título de livrar-me de maiores questionários disse: Natal… tempo de Paz, Tempo de Reflectir… - É como se fosse uma carta, só que via Internet. - Tio, você tem Internet? Que 2012, seja de saúde, felicidade e, sobretudo, solidário. - Tenho sim, é essencial no mundo de hoje. - O que é Internet, tio? - É um local no computador onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem tudo no mundo virtual. - E o que é virtual, tio? Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza O Presidente da Junta que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha António Moutinho Mendes refeição, sem culpas.


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Afinal o que é ser solidário nos dias de hoje? Basta lembrarmo-nos nesta quadra daqueles com menos recursos a quem podemos dar uma ajuda de modo a que o Natal seja melhor ou não será melhor criarmos condições para que “Natais” sejam os dias todos do ano e em menos dificuldades? Com base nestas e noutras interrogações promoveu-se em S Mamede de Infesta, no passado dia 16 de Dezembro uma palestra/debate com duas individualidades de enorme destaque e que a partir Matosinhos, fizeram e fazem ouvir a sua voz deixando deslumbrados quem os ouve e com razões para pensar que podemos ser muito melhores, no que diz respeito a solidariedade. Refiro-me ao Dr. Antonio Teixeira de Sousa, ex Padre Antonio, que com um grupo de jovens liderou a Mojaf, obra de grande impacto social nos anos sessenta e que marcou profundamente em S. Mamede de Infesta quem nela participou, e a Frei Fernando Ventura um enorme referência dos dias de hoje no apelo a que transformemos o “ Nós solitário em Nós solidário” e que numa incansável maratona corre o País a divulgar o seu apelo à consciência solidária de cada um para que “ se faça a revolução dos não violentos antes que sejam os violentos a fazê-la”. Foram 3 horas a ouvi-los que pareceram 5 minutos, ficando a sensação de que teria sido melhor fazer dois debates em vez de um, tal a sensação de que muito ficou por dizer. Sem se conhecerem, estiveram de acordo em tantas coisas, que pudemos concluir que vivemos um tempo “ viúvo de afectos e solteiro de emoções” Deveríamos fazer jus às suas palavras e, pondo de lado alguns minutos dos nossos sofás, pensarmos em agir de modo solidário, criando afectos nomeadamente através das colectividades que em S Mamede e noutros lugares vem fazendo um trabalho excepcional para melhorar a nossa

sociedade, aproveitemos enquanto vamos tendo referencias para ouvir e nos contar a história do que foi ser solidário em condições muito difíceis, como o foi na Mojaf. Depois de os ouvir, parece tão fácil ser solidário, basta começar por nós. Aproveitemos a crise, para conseguirmos um Natal de menos ter, para termos um Natal de mais ser. O ter nunca apazigua nem satisfaz porque precisa de mais para ser, enquanto o ser apenas precisa de ser para ser. A todos um desejo sincero de um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.

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Editorial Ser Solidário Hoje | Áureo Almeida Ser Cidadão | Joaquim Ferreira Grupo Dramático Musical Flor de Infesta Associação Popular Moradores do Seixo CLAC | Clube Lusítano Automóvel Clássico São Mamede Solidária São Mamede Solidária Olhares | Exposição Fotografia 100 Anos Uma Vida Rotary Clube S. Mamede Infesta | As Homenagens Notícias do Futebol Clube de Infesta Notícia da Associação Académica S. Mamede It’s You - Escola d’artes Correio do Leitor | José Dias Momento de Poesia | Fernando Taveira Figuras do Passado | Paulo Vilas Boas

Áureo Almeida


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“...Eu não fiz nada, apenas fui o rastilho...” Esta foi uma das afirmações que mais me marcou na palestra/ debate realizada no passado dia 16 de Dezembro, Sexta-Feira no Flor de Infesta com dois Grandes Homens deste mundo. Frei Fernando Ventura e o Dr. António Sousa, para mim o sempre Padre António, deram uma enorme aula sobre solidariedade, dedicação, amor e cidadania. Um pelo que fez, o ex Padre António, o outro pelo que ainda faz, o Frei Fernando Ventura, levaram os presentes a uma reflexão profunda sobre o que é partilhar, ajudar, construir para os outros, sem qualquer ambição, sem qualquer agenda ou objectivo pessoal. Quando questionados sobre a obra que fizeram ou que estão a realizar a resposta é de um altruísmo sem limites. “Eu não fiz nada, apenas fui o rastilho. Os que me acompanhavam é que tudo construíram”. Que grande lição de humildade, de amor ao próximo. de cidadania em toda a sua plenitude. Olhei em redor pela plateia e senti alguma tristeza por não ver entre os presentes muitos dos políticos, pseudopoliticos e os novos candidatos a políticos da nossa cidade. Penso que a todos fazia muito bem ouvir aqueles dois Homens que, sem nada em troca ou sem qualquer ambição, olham para os mais desfavorecidos não como uma janela de oportunidade de fazerem alguma encenação mediática, mas sim um instrumento de trabalho no sentido de colmatar as dificuldades e sanar a sua dor e tristeza. Senti que estes dois Homens do Mundo, da Fraternidade, da Partilha e da Solidariedade, deveriam ser multiplicados vezes sem fim. Senti que hoje e nomeadamente na nossa Cidade, ao contrário destes Homens apenas somos confrontados com homenzinhos de ambições desmedidas, com agendas bem definidas para assalto ao poder em que o próximo mais desfavorecido apenas é e será mais um número nas

estatísticas da desgraça. Para estes, ser caridoso é mais importante que ser solidário. Ao ouvir o Dr. António de Sousa a falar sobre as dificuldades e a perseguição a que foi sujeito por causa da construção das casas da Mojaf, fico cada vez mais revoltado com os que defendem, mesmo que em forma de rumor a sua demolição. Como foi dito por alguns dos presentes, que eu subscrevo, a Mojaf, pelo movimento que foi, pelo que representou para o povo de S. Mamede, pelo simbolismo de solidariedade que representa, deve ser mantida e sobretudo respeitada. Frei Fernando Ventura, tal como no seu livro “ Do Eu Solitário ao Nós Solidário” referiu que a partilha, a ajuda e a solidariedade, será nos próximos tempos mais necessária que nunca. Senti que estes dois Homens são um exemplo de cidadania, que todos nós deveríamos beber um pouco desta sabedoria. Ser Cidadão é ser a imagem destes Grandes Senhores em que o dar um pouco é muito mais importante que muito receber. A todos os mamedenses os meus votos de um Bom Natal e que 2012, como dizia um dos conferencistas tendo em conta as dificuldades que nos esperam, seja um Ano muito Solidário. Sejamos cidadãos!!!

Joaquim Ferreira | Membro da Assembleia


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PLANO DE ATIVIDADES 2012 INTRODUÇÃO Um novo ano se aproxima e, com ele, a responsabilidade de continuar a pugnar pela melhoria do nosso lugar. É um novo ano, mas as dificuldades mantêm-se. São as dificuldades em fazer com que a comunidade se envolva mais nas nossas atividades, são as dificuldades nos apoios às atividades, que cada vez são mais escassos… mas mesmo assim não desistimos e aqui estaremos para continuar a batalhar e a lutar para que consigamos atingir os nossos objetivos. Além das atividades a desenvolver, este ano teremos de dar mais atenção à nossa Sede Social. Já no ano que está a terminar estamos a preparar todo o processo de licenciamento do nosso bar e consequentes obras necessárias. Tudo isto nos obrigará a uma grande ginástica financeira, bem como a solicitar apoios para que esta obra se possa realizar - o que, nos dias que correm, poderá não ser nada fácil. COMEMORAÇÕES 36º ANIVERSÁRIO Se, em 2011, as comemorações foram marcantes, com uma grande festa e diversos eventos, as comemorações do ano de 2012 serão menos grandiosas, mas pretendemos sempre que também sejam marcantes. Temos agendado, para o início de Janeiro, uma exposição, que será o culminar do concurso de fotografia a decorrer no final de 2011, intitulada “Mostra-me o teu Seixo”. Para o final da exposição temos agendada a Sessão Solene que concluirá a comemoração de mais um aniversário da nossa Associação. Serão mais curtas as comemorações, mas esperamos que assinalem mais um belo momento de alegria e de festa pois, cada vez mais, comemorar um aniversário, numa Associação, é um momento marcante nos dias que correm, onde o associativismo está cada vez mais difícil. JORNAL A VOZ DO SEIXO Ao longo dos anos, esta nossa “Voz” tem sido o meio privilegiado de mostrarmos aquilo que fazemos, aquilo que queremos fazer e aquilo que deveria ser feito. Os reparos, as chamadas de atenção e as reivindicações, mas também as atividades e as opiniões estão sempre presentes, o que é fundamental para este jornal. Mas 2012 é também o ano do número 100 do jornal, e por isso mesmo, iremos levar a cabo uma comemoração especial. Lançaremos uma edição especial que nos levará a parar em alguns números anteriores, revisitando textos marcantes. A sua tiragem, que se tem mantido estável, pretende-se que seja maior, bem como a sua divulgação para que chegue a mais pessoas. Trimestralmente “A Voz do Seixo” aí estará pronta ser lida e apreciada por todos. Biblioteca Depois de um ano em que, na primeira metade do ano, a formação informática esteve bastante ativa, na segunda parte do ano não teve lugar nenhuma formação, pois não surgiram interessados em número suficiente. Em 2012 pretendemos recomeçar, se necessário do zero, e voltar a ter ações de formação na nossa Biblioteca. Como já anteriormente mencionámos, estas formações são abertas a todas as pessoas, mas sobretudo a adultos, pois são eles que, em muitos casos, têm mais dificuldades em se adaptarem às novas tecnologias, cada vez mais necessárias. ESCOLA DE MÚSICA Depois de alguns anos em que esta atividade estava suspensa – pois foi sempre nossa intenção reativá-la, assim que fosse possível – ela ai está novamente. Fruto de uma parceria da nossa Associação com o professor de música estamos novamente em condições de possibilitar aulas de música a todos quantos assim o queiram. Seja órgão, cavaquinho, acordeão, ou viola, todos estes instrumentos se podem aprender na nossa Escola!

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PESCA DESPORTIVA Embora ainda estejamos à espera da certeza da realização do Campeonato da Associação dos Pescadores Amigos de Entre Pontes do Rio Douro, é nossa intenção participar no mesmo. Este campeonato, que funciona com uma organização desta A.P.A.E.P.R.D., mas com a colaboração e participação de mais de uma dezena de equipas. Mesmo com esta participação no campeonato, pretendemos ainda organizar 2 concurso de pesca em datas a calendarizar. OUTRAS ATIVIDADES Está prevista e planificada a colaboração e participação em mais um cortejo de carnaval da nossa cidade de S. Mamede Infesta. Como em anos anteriores, existem outras atividades pensadas mas que ainda não são passíveis de planificação e calendarização. Contudo estamos em crer que surgirão ao longo do ano. CONCLUSÃO Muito mais poderíamos projetar e agendar para 2012, mas pensamos sempre que é melhor planificar aquilo que temos a certeza de podermos fazer e não prever e agendar atividades que possivelmente não serão realizáveis. Era, como sempre, nosso desejo fazer muito mais, mas planificamos o possível, embora tenhamos sempre a esperança de poder realizar ainda mais. Acima de tudo, continuaremos a estar atentos à realidade da nossa Zona, às suas necessidades e às suas exigências. O Presidente da Direção

FALECIMENTO JOSÉ PAIVA Cumpre-nos participar o falecimento do Vogal da Direção, e nosso amigo, José Paiva, que faleceu no dia 1 de Dezembro de 2011. Estamos mais pobres e de luto... contudo com a certeza que ele estará sempre connosco. Descansa em Paz.

CONCURSO DE FOTOGRAFIA

A Associação levou a efeito um Concurso de Fotografia “Mostra-me o teu Seixo”, o Seixo, as suas pessoas e os seus lugares, foi o mote para este concurso. Os trabalhos a concurso foram entregues até ao dia 20 de Dezembro de 2011, e os mesmos integrarão uma exposição de fotografia a ter lugar em Janeiro de 2012. Vem visitar-nos, e conhecer o “teu Seixo”, pelas objectivas e inspiração dos concorrentes.


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Realizou-se no passado dia 10 de Dezembro de 2011, na cidade de Viseu, o XLIX Meeting do nosso Clube. Este evento é sempre um dos mais participados do ano e apesar das condições climatéricas muito adversas, com imenso nevoeiro, chuva tipo “cats and dogs” estiveram presentes quase 4 dezenas de Classicos que de todo o país se deslocaram até às terras de Viriato. O espirito de Natal prova a verdadeira família que é este Clube. Este ano a Organização esteve a cargo de um dos Associados mais antigos do Clube o Socio pioneiro Fundador José Ribeiro, que contou com a coorganização de Paulo Nunes um dos nossos mais jovens Associados. A eles, pelo brilhante trabalho desenvolvido, pelo empenho, paixão e amizade ao nosso Clube, a nossa imensa gratidão. A concentração iniciou-se na Lemos & Irmão onde contamos com a presença do Sr. Augusto Passos - Presidente do CA - também um socio pioneiro do nosso Clube que nos brindou com um magnífico cocktail de receção. Apesar do temporal todos os Classicos se deslocaram sem quaisquer avarias e provaram o magnifico estado de conservação e manutenção em que se encontram. De Norte a Sul do País foram chegando a Viseu os quase 30 Opel, sempre maioritários nas nossas caravanas, destacandose vários modelos Olympia que se fizeram à estrada para percorrer centenas de Km's sem quaisquer receios. Também sem dificuldades chegaram os cerca de 6 Citroen onde se destacavam 5 magníficos “Bocas de Sapo”. Referência ainda para modelos de outras marcas presentes nomeadamente Toyota Corolla, Mazda MX5, Renault 4 e um Peugeot 404. Conduzir por entre serras debaixo de nevoeiro com muita chuva e com a “chauffage” no máximo faz-nos verdadeiramente lembrar como o automóvel evoluiu. Apesar de utilizarmos os equipamentos no máximo não podemos ainda prescindir do velhinho “paninho” para limpar o parabrisas e os restantes vidros, tentando assegurar uma visibilidade minimamente aceitável. Acresce a ausência de mecanismos de ajuda ao condutor que tornam os carros muito mais instáveis e deslizantes e transformam uma viagem nestas condições numa verdadeira aventura. Um autêntico regresso ao passado!

A Organização brindou os participantes com inúmeros brindes, alguns com muita utilidade e piada com por exemplo uns magníficos aparelhos de “esfrega” para limpeza das viaturas! Após o check-in e a distribuição das primeiras lembranças do evento a caravana arrancou, uma vez mais debaixo de chuva, para um magnífico percurso rural em automóvel que nos levou até à Casa da Lavoura e Oficina do Linho Museu Etnográfico. Situado numa das poucas aldeias da região de Viseu em que se trabalha o linho, este Museu está instalado numa antiga habitação senhorial recentemente requalificada. Inaugurado em Setembro de 2009 é um espaço lúdico-pedagógico que congrega todo o património relacionado com o ciclo do linho e outros aspetos da cultura tradicional que se encontravam dispersos pela aldeia nomeadamente utensílios ligados à lavoura, aos ofícios artesanais que lhe estão associados e ao cultivo e trabalho do linho desde a sementeira até ao tecido e confeção. Magnifico espaço e para o qual recomendamos uma visita. Para terminar efetuamos um verdadeiro banquete no Telheiro do Milénio Quinta Fontinha Pedra, um local de sonho e perfeitamente adequado para um almoço de Natal. Seguiu-se um final fantástico com distribuição de mais lembranças e vários sorteiros que permitiram aos nossos Associados regressar a casa com os automóveis mais carregados. Este ano foi um ano solidário já que todos os participantes levaram géneros alimentícios, em detrimento das habituais prendas para troca. Estes bens alimentícios serão depois doados a uma Instituição de Solidariedade que os irá colocar junto dos mais carenciados. Registo para a homenagem discreta e reservada que efetuamos junto da família à nossa amiga e saudosa Ilda Ribeiro. Uma pessoa cuja alegria, amizade e companheirismo nunca esqueceremos. Uma palavra muito especial para os múltiplos apoios que tivemos neste Evento nomeadamente: Stand Ribeiro, Lemos & Irmão, Herdade da Comporta, Aroma Global, Colinas de S. Lourenço, Casa da Lavoura Oficina de Linho, Recauchutagem Viriato e ID - Imagem Design. O CLAC - Clube Lusitano do Automóvel Clássico ® encerrou assim as suas Atividades em 2011 num ano que podemos considerar magnifico e bem longe da crise que nos assola, destacando-se uma vez mais a presença assídua e muito ativa dos Associados do Clube.


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A Junta de Freguesia de São Mamede de Infesta rege-se por alguns valores de retidão, entre os quais o da Solidariedade, que cada vez mais assume um papel importantíssimo na sociedade atual. Fazendo jus a esta orientação a Junta de Freguesia, nesta época que evoca os laços e a partilha, distribuiu cerca de 100 Cabazes de Natal por famílias carenciadas e peças de vestuário a quem delas necessita. Embora esta ação não resolva o problema efetivo de carência destas famílias, será nesta época minimizada e poderão festejar com espirito natalício a ceia característica da época. A Junta de Freguesia pretende também com este gesto disseminar a pratica de benemerência e solidariedade entre os mamedenses para que se possam distribuir sorrisos por mais, e mais das nossas gentes! Acrescente-se ainda por uma questão de dar a "Deus o que é de Deus e a César o que é de César", a solidariedade do Sr. Marcelino Soares, do Sr. Miguel Soares (ver texto na primeira pessoa, abaixo), da D. Maria Madalena Ferreira Saldanha Nascimento e ainda do senhor Jorge Manuel Sequeira Baptista, a quem em meu nome pessoal quero agradecer. Aproveito para apelar mais uma vez, que São Mamede de Infesta seja cada vez mais solidário. Um Natal iluminado de Paz, Alegria e Amor, e que 2012 seja com muita Saúde. António Moutinho Mendes PEQUENOS GESTOS PARA PEQUENAS MUDANÇAS Confesso não me lembrar de quem o disse, mas recordo-me de ouvir e ler, que em primeiro lugar, ainda que mais pequenos, devemos tratar ou mesmo arrumar os nossos problemas, para depois, saudavelmente, podermos olhar para os dos outros. Foi neste contexto “ poético “ que pude olhar para S. Mamede, cidade que a ver pela dimensão, não aparenta grandes necessidades ou dificuldades por parte dos seus cidadãos. Pois bem, aqui por perto vivem-se momentos de aperto para muitas famílias. O desenrasque de outrora virou enrasque, mas não devemos perder o nosso espirito solidário, alheando-nos desta dura realidade. Muitos dirão que não têm tempo nem jeito para descobrir quem são essas pessoas. Estejam descansados, pois graças à nossa junta de freguesia, um grupo expressivo de famílias carenciadas já foi identificado. Ou seja, a apenas cinco minutos das nossas casas, estará a rasão pela qual não deveremos virar costas a esta realidade. Salvaguardo no entanto, para efeito de descongestionamento da Bondade Natalícia, a existência de mais onze meses no ano, para além do Dezembro. Para que sintam a facilidade e simplicidade com que podemos ajudar, relato-vos a minha pequena história. A iniciativa que levei a cabo, foi simplesmente aproveitar um evento particular com 50 amigos, sugerindo-lhes apenas um euro para além do valor estipulado. Apesar de um resultado pouco expressivo, desloquei-me a um dos supermercados da nossa cidade na companhia do meu filho Manel, a fim de nos abastecermos dos bens alimentares essenciais. Para meu espanto, admitindo alguma inexperiência na área, conseguimos quantidades muito expressivas de produtos, que resultaram em dois apreciáveis cabazes para duas famílias. O processo continuou com a gentil colaboração do presidente da Junta de freguesia de S. Mamede o Sr. António Mendes e a Responsável pela inserção profissional, Sandra Sousa. Identificamos o perfil das famílias pretendidas, sendo que um dos objectivos, seria a existência de crianças menores. A primeira fase do processo estava concluída seguia-se agora a entrega final. Desde o início que o meu objectivo foi contactar directamente com as pessoas, dentro das suas próprias habitações, tentando descobrir algo mais para além dos habituais relatos jornalísticos e rumores urbanos. As dificuldades lá estavam, as limitações também. Entre alguma vergonha e cerimónia vi ansiedade e preocupação. Mas entendi sobretudo, o privilégio de ter uma vida equilibrada, com problemas e chatices de dimensão quase caricata, quando comparadas com outras realidades existentes a meia dúzia de metros dos nossos quintais. Escrevi estas palavras, não pela dimensão do gesto mas pela expectativa de o poder “contagiar”. Miguel Soares


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SER SOLIDÁRIO HOJE Numa organização da Associação de Socorros Mútuos de s Mamede de Infesta realizou-se no passado dia 16 de Dezembro um debate com Dr. António Teixeira de Sousa (ex. Padre António da Mojaf) e Frei Fernando Ventura. Fez-se história e projetou-se o futuro em termos de solidariedade. Ficamos orgulhosos em saber que Dr. António Sousa, nos seus 82 anos ficará eternamente grato a S Mamede e ao mamedenses pela solidariedade criada nos anos sessenta e que fez com que se construíssem as habitações pata pessoas com menos possibilidades. Para futuro ficaram sempre as referências de Frei Fernando Ventura da revolução que temos de fazer em nós mesmos para que o mundo melhore. Um bem haja a estes dois “Senhores” pelo seu contributo.

Na sequência do nosso XLIX Encontro Nacional – Almoço de Natal em Viseu, conforme notícia anterior, os Associados do Clube disponibilizaram géneros alimentícios para distribuição aos mais carenciados, em substituição da habitual troca de prendas entre os presentes. De tudo aquilo que o CLAC recebeu dos seus Associados o inventário final é foi: 2 latas de sardinhas, 11 latas de salsichas, 20 latas de atum, 1 lata pêssego, 13 pacotes de esparguete, 23 pacotes Kg arroz, 4 garrafas óleo, 4 pacotes Kg açúcar, 4 pacotes macarrão, 2 pacotes KG farinha, 3 pacotes massa Fusilli, 3 pacotes massa cotovelos, 3 garrafas azeite, 10 pacotes bolacha Maria, 2 pacotes de Aletria, 2 Pacotes de Massinha, 12 pacotes de caldo de Galinha, 1 lata de feijão de manteiga, 1 lata ervilhas, 1 pacote grão de bico, 1 pacote feijão branco, 2 frasco mel, 1 frasco compota cenoura, 1 frasco de compota de Kiwi e Maça. Este conjunto de bens foi entregue à Comissão de Culto da Capela de Santo António Telheiro, na pessoa do Sr. Jorge Silva, pelo nosso diretor Jorge Baía. O Objetivo é que estes bens alimentícios disponibilizados pelos generosos Associados do CLAC cheguem agora aos mais carenciados. O nosso Clube promete continuar empenhado em causas sociais e humanitárias, juntando, no ano em curso, esta ação à do já habitual passeio de idosos do Lar Cati. Aproveitamos o momento para desejar a todos um Feliz Natal. Saudações Clubistas


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A Junta de Freguesia de S. Mamede de Infesta, conforme é habitual, tem sempre a amabilidade de congratular pessoalmente, quando tem conhecimento, todos os seus cidadãos que festejam os seus 100 anos. Este trimestre foi recheado desses felizes momentos, pois tivemos a oportunidade de felicitar duas maravilhosas mamedenses, DONA ALBERTINA BAPTISTA VALENTE (na foto abaixo), e a DONA ESTER DELFINA PIMENTA BARBOSA RODRIGUES (na foto da direita), a que se junta um agradecimento dos seus cunhados pelo nosso gesto. Exmos. Senhores, Com os nossos melhores cumprimentos vimos, em nosso nome e da nossa cunhada, Dona ESTER DELFINA PIMENTA BARBOSA RODRIGUES, agradecer ao vosso Exmo. Presidente a gentileza que teve em se deslocar à Maia, no passado sábado dia 19 de Novembro, para cumprimentar pessoalmente a D. Ester Delfina na passagem do seu CENTÉSIMO Aniversário natalício. Devemos acrescentar que tanto esta centenária assim como todos os familiares, ficamos muito agradecidos e sensibilizados com esta simpática atitude do vosso Presidente. Os Cunhados, Maria Figueiredo Emílio & Manuel Figueiredo Emílio


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O convite do Rotary Clube era do seguinte teor: “Homenagear uma Entidade e Personalidades a ela ligadas, da nossa comunidade mamedense, dentro do mês dedicado em Rotary aos Serviços Profissionais”. Assim, o Rotary Clube, que é uma prestigiosa colectividade da nossa terra que tem por divisa “Dar de si antes de pensar em si”, levou a efeito no passado dia 31 de Outubro, um jantar de homenagem à ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DE SÃO MAMEDE, que estava a comemorar o 65º aniversário da sua fundação e a duas personalidades a ela ligadas, que deram sobejas provas nos seus percursos de vida de um elevado pendor profissional no exercício das actividades que abraçaram: FORTUNATO ÁLVARO DE OLIVEIRA e TITO JOAQUIM LAGO CONRADO. À sessão presidiu o Presidente de Direcção dos Rotários, José Maria da Cunha Ferreira. Esteve presente o Senhor Presidente da Junta de Freguesia, que felicitou os homenageados, retirando-se de seguida, por razões que se prenderam com o seu alto cargo. Após o repasto, foi dada a palavra ao Engº Tito Conrado, que há 14 anos vem sendo o Presidente da Direcção da Associação Académica de S. Mamede. Começou por agradecer a homenagem de que era alvo o seu clube, cujo percurso ao longo dos seus 65 anos de existência tem sido um marco assinalável no âmbito do desporto regional e nacional. O clube, com cerca de 1200 associados tem, actualmente, perto de 600 atletas distribuídos pelas diversas modalidades que pratica: voleibol, andebol de sete, ténis, triatlo e ginástica, tendo, orgulhosamente, e ao longo dos anos da sua existência conquistado 40 campeonatos nacionais, muitos regionais e a honra de ter dado cerca de 70 atletas, nas diversas modalidades, à Selecção Nacional. No voleibol já competiu em provas europeias e, por cinco vezes, foi finalista (vencido) da Taça de Portugal, duas pelo andebol e três pelo voleibol. Conquistou, ainda, o Troféu Presidente da República, no andebol, na época 2009/2010. Foi, ainda, o primeiro CLUBE do concelho a inaugurar um Pavilhão Gimnodesportivo, que ocorreu no dia 13 de Dezembro de 1969. E, em 1961, foi-lhe atribuído o Diploma de Homenagem pela Federação Portuguesa de Badminton, por ter sido o pioneiro da modalidade no norte do país. Em 1971 é-lhe concedido pelo Automóvel Clube de Portugal o Alvará de Organizador de Provas Automobilísticas para, em Dezembro de 1971, nas Comemorações das “Bodas de Prata” da Associação Académica de São Mamede, por iniciativa da Presidência da República, o pavilhão ter sido visitado pelo Presidente da República de então, Almirante Américo Thomaz; em 1981 sendo Primeiro-Ministro o Dr. Pinto Balsemão, é reconhecido como Instituição de Utilidade Pública; em 1982 é considerado “Sócio Honorário” da Associação de Andebol do Porto; em 1991 é geminado com o Clube Sport Athlétique de Mérignacais (Bordéus); em 1997 é considerado “Sócio Honorário” da Associação de Voleibol do Porto; em 2000 é-lhe atribuído a Medalha de Ouro de Valor Desportivo pela Câmara Municipal de Matosinhos; em 2007 recebe o Troféu “Reconhecer o Mérito” do Instituto do Desporto Nacional; em 2010 recebe a Medalha de Ouro de Valor Desportivo da Junta de Freguesia de S. Mamede de Infesta e, finalmente, em 26 de Novembro de 2010 foi-lhe concedido pelo Governo a “Medalha de Bons Serviços Desportivos” entregue pelo Secretário de Estado da Juventude e Desportos, Dr. Laurentino Dias. Tem ainda, e desde 2001, o seu nome numa rua perto do seu pavilhão. Ao terminar a sua alocução de agradecimento ao Rotary Clube, Tito Conrado, agradeceu, ainda, a todos aqueles que estiveram presentes a associar-se a este acto de homenagem ao seu clube, que considera mais um momento de glória para a sua História. Leu, depois, uma mensagem de congratulações, enviada pelo actual Presidente da Assembleia-Geral, Dr. José Albino da Silva Peneda, que lamentou não poder estar presente.

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Seguiu-se no uso da palavra, Eduardo Soares, que foi encarregado dos elogios aos dois profissionais homenageados. Começou por falar de Fortunato Álvaro de Oliveira que, para além das várias profissões que teve, foi, em 1969, contratado pela Associação Académica de S. Mamede para seu empregado, remunerado, que aceitou, sem reservas. E foi aí que desenvolveu uma actividade profissional de elogiar, pois sempre foi de uma grande honestidade, cumpridor dos seus deveres e atento aos problemas que a profissão lhe causava e que ele com a sua longa experiência de vida, ia solucionando. Respeitado por todos e depois de cerca de 40 anos de exercer a sua profissão, pediu a reforma. Foi homenageado em 26 de Junho de 2006 em Assembleia-Geral, passando por decisão dos associados, por unanimidade e aclamação, a “Sócio de Mérito”. Ao terminar o elogio Eduardo Soares, disse: “Julgo que o Rotary Clube de S. Mamede de Infesta ao honrar o Fortunato com a sua escolha, honrou-se a si próprio, pois lembrou-se de uma figura popular de bom carácter, de boa educação e de uma grande generosidade no cumprimento da sua profissão”. Seguidamente, fez, igualmente, o elogio do Engº Tito Conrado, formado em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, sendo, presentemente, o Director de Operações e, ainda, de Segurança, Ambiente e Qualidade da Cepsa Portuguesa de Petróleos, SA, acumulando estes cargos com o de administrador da empresa Beta (Betumes da Madeira), empresa detida maioritariamente pela Cepsa. Ora, com este currículo, compreender-se-á melhor o seu sucesso na empresa, onde é devidamente apreciado o rigor e a capacidade do seu trabalho, orientando todas as suas acções com uma grande honestidade e elevado carácter. Para além da profissão é, há 14 anos, o Presidente da Direcção da Associação Académica de São Mamede, onde, com o seu trabalho, eficiência, rigor e objectividade, tem desenvolvido uma acção constante no clube, ao ponto de ser o principal responsável pelos êxitos da Associação Académica nos últimos anos, com destaque para a inauguração da Sede Social no ano 2000 e, ainda, de uma infinidade de iniciativas, quer desportivas, quer culturais, quer de lazer. Foi nomeado na Assembleia-Geral de 2 de Abril de 2010, por unanimidade e aclamação, “Sócio Honorário”, tendo o seu retrato sido descerrado na “Galeria dos Presidentes”. O orador terminou, dizendo: “o Engº Tito Conrado, um Homem de letra grande, rigoroso, eficiente, empreendedor, meticuloso, generoso e trabalhador, só cabe numa palavra: INTELIGÊNCIA. E é com muita inteligência que tem dirigido quer a sua vida familiar, quer a sua vida profissional, quer, ainda, a vida do clube do seu coração: a Associação Académica de São Mamede”.


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FUTEBOL SÉNIOR Ao fim de onze jornadas no Campeonato Nacional da 3ª Divisão, o Infesta lidera a tabela classificativa com 19 pontos, os mesmos de Grijó e Sousense. Depois de um início algo tremido com um empate em casa com o SC Mêda e uma derrota em Grijó, a equipa de José Manuel Ribeiro venceu seis encontros em sete jornadas, o que catapultou a equipa para o topo da tabela. Nas duas últimas jornadas da primeira volta, sofreu duas derrotas que permitiram aos mais directos perseguidores, “apanhar” o Infesta na liderança. A primeira fase do campeonato vai a meio e o objectivo traçado no inicio da época, continua intacto, pois passa por se classificar nos seis primeiros lugares no final da primeira fase. Como curiosidade, o Infesta a partir da 4ª jornada, ficou privado dos seus dois guarda-redes, Miguel e Victor Pádua, devido a castigos. Duarte, treinador de guarda-redes, teve de assumir a baliza do Infesta e fê-lo com afinco, tendo estado muito bem em todos os jogos que actuou até à 9ª jornada, data em que Miguel regressou após o castigo. Na Taça de Portugal, o Infesta só não foi mais longe, porque não teve sorte no sorteio. Depois de iniciar a competição com uma vitoria em casa com o Real Massamá na 1ª eliminatória e uma outra na deslocação à Madeira, frente ao Machico na eliminatória seguinte, o Infesta teve de se deslocar na 3ª fase da competição, ao terreno do Desportivo das Aves, equipa que milita na Liga Orangina e que se encontra na disputa pela subida de divisão, onde perdeu por 4-0, ficando a boa imagem que a equipa demonstrou, apesar do avolumar do resultado.

ANDEBOL No andebol, os seniores mantêm-se na luta pela permanência na 2ª Divisão Nacional. A equipa encontra-se na 8ª posição e tem tido a particularidade de conquistar pontos, a equipas que estão no topo da tabela. Académica de S. Mamede, Avanca e Académico do Porto, os actuais três primeiros classificados, perderam pontos com o Infesta, pontos esses preciosos, que podem no final desta fase, ditar um destino positivo. Na formação, os juniores falharam o objectivo de se apurarem para a fase de promoção, ao contrário de juvenis e infantis que conseguiram o apuramento para a fase final. Os iniciados, que disputam o Campeonato Nacional da 1ª Divisão, encontram-se na quarta posição do grupo. A destacar a chamada do guardaredes desta equipa, Hugo Pinho, à Selecção Nacional de Juniores D. Uma prova de que se trabalha bem, nos escalões de formação do Infesta.

FUTEBOL DE FORMAÇÃO Na formação, os juniores, que estão a competir na 2ª Divisão Nacional, depois de um início de época bastante agitado, onde em nove jogos, perderam oito, vencendo apenas um, parecem ter encontrado o caminho das vitórias e nos últimos sete encontros, conquistaram quatro vitórias. A manutenção na 2ª Divisão Nacional, está ao alcance da equipa orientada por José Catalão. Nas restantes equipas da formação, todas elas estão em lugares de meio da tabela, estando a cumprir os objectivos mínimos, embora os juvenis, iniciados e infantis, estejam na luta pelos primeiros lugares para disputar posteriormente a subida de divisão.

A

Academia FCInfesta tem vindo a desenvolver um excelente trabalho na área da formação. Em apenas três meses já conta com mais de 80 jovens de ambos os sexos, o que de facto nos dá um grande orgulho e motivação para continuar a crescer de forma sustentável. No passado dia 9 de Dezembro, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de São Mamede de Infesta, organizamos uma apresentação focada na gestão de expectativas dos Pais. Este tipo de iniciativa voltará a acontecer durante o ano de 2012, pois a Academia tem uma responsabilidade Social e Cultural assumida no seu projecto. De salientar a festa que decorreu no passado dia 17 de Dezembro com a participação dos Pais nas actividades dos alunos. Academia FCInfesta


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65º ANIVERSÁRIO No dia 30 de Novembro realizou-se o Jantar de Confraternização dos associados da Associação Académica de São Mamede, em comemoração do 65º aniversário da sua fundação. Presidiu o Presidente da Direcção, Engº Tito Conrado, que estava ladeado pelo Vereador do Desporto, Dr. Guilherme Aguiar, e pelo Presidente da Junta de Freguesia, Senhor António Moutinho Mendes. Esteve presente, igualmente, o Dr. Guilherme Pinto, Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, que, num breve improviso, disse que se congratulava por mais um aniversário da Académica de São Mamede, mas tinha de se ausentar por razões inerentes ao seu elevado cargo. Entretanto, pelo Presidente da Assembleia-Geral cessante, Prof. Engº Vasco Sá, foi lida uma mensagem do actual Presidente da AssembleiaGeral, Dr. José Albino da Silva Peneda, que, ausente no Brasil, quis associar-se ao evento, desta forma: “Hoje é um dia de festa da família da Académica de São Mamede. Um dia para fazermos duas coisas. Uma, para darmos graças ao passado e outra para podermos sonhar com o futuro. Sobre a homenagem ao Professor Dr. Vasco Sanches Silva e Sá, é uma homenagem especialmente dirigida ao homem que, no trato com os outros, soube sempre conciliar as virtudes de quem sendo intelectualmente superior nunca disso fez alarde. A nossa homenagem é fundamentalmente dirigida à sua envergadura moral e ao comportamento ético irrepreensível. Sobre os outros homenageados, ao Artur Fonseca, que saudade!; à Carolina Costa; ao Francisco Ferreira; à Teresa Serra; ao Pintor Rui Alberto e ao nosso primeiro internacional, Jorge Guimarães, felicito-os pela elevação a “Sócios de Mérito” e Sócio Honorário”. E faço votos por uma nova etapa na vida da nossa Associação Académica de São Mamede”. Após a refeição, que decorreu com elevação e manifestações de amizade entre todos, usou da palavra o Presidente da Direcção para se congratular com o amadorismo com que o clube vem sendo gerido, mas, mesmo assim (e isso é de enaltecer), com resultados muito animadores nos vários escalões etários das diversas modalidades que o clube pratica. Seguiu-se a homenagem a Vasco Sá, um sócio-fundador que, durante 35 anos ocupou, com todo o brilhantismo, o lugar de Presidente da Assembleia-Geral e que, na sua juventude foi um atleta do clube que ficou como um dos grandes baluartes dos desportos que aqui praticou. Foi-lhe entregue o diploma de “Presidente Honorário da Assembleia-Geral”, com a assistência, de pé, a dedicar-lhe uma estrondosa ovação. Seguiu-se, depois, a entrega do diploma de “Sócio Honorário” ao Dr. Jorge Guimarães, que foi o primeiro atleta internacional da Académica ao serviço da Selecção Nacional, tendo sido, mais tarde, Presidente da Direcção. Entretanto, no seguimento das homenagens, foi prestada uma homenagem póstuma a Artur Avelino Fonseca, um sócio fundador-legalizador, pelos valiosos serviços prestados ao longo de muitos anos de fervor clubístico, sendo o diploma de “Sócio de Mérito” entregue ao seu filho mais velho, José Fonseca. Entregues, depois, os diplomas de “Sócio de Mérito” a: D. Carolina Costa, a primeira mulher a ocupar um lugar na Direcção, salientando-se por um trabalho notável, tal o empenho que demonstrou, durante nove anos; a D. Teresa Serra, associada dedicada que tem dado provas de uma grande generosidade para com o clube; ao Pintor Rui Alberto, que tem sido de uma grande dedicação, colaborando no clube com a sua Arte e profissão, de uma maneira generosa e desinteressada; e ao dirigente, Francisco Ferreira, que vem há anos a notabilizar-se pela sua dedicação e pelo trabalho desenvolvido, tornando-se um elemento imprescindível. No final da entrega destas honrosas distinções, falou, para agradecer, e fê-lo de um modo muito emocionante, o Prof. Vasco Sá, que lembrou muitos dos inesquecíveis e bons momentos que passou no clube do seu coração, dizendo que ninguém terá que lhe agradecer nada do que fez, já que é ele que está grato à Académica de São Mamede, pelos maravilhosos tempos que nela viveu. Falou, ainda, D. Carolina Costa, que disse estar muito orgulhosa por ter sido a primeira mulher a fazer parte do elenco de uma Direcção, e que, os seus nove anos inesquecíveis que passou no clube, foram simplesmente maravilhosos.

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Finalizou esta série de discursos o Dr. Jorge Guimarães que, de entre outras coisas, disse este pensamento tão extraordinário, quanto emocionante: “Ser “Sócio Honorário” da Associação Académica de São Mamede é de certeza um free-pass para o Paraíso”. Foram, depois, entregues as faixas de Campeão Nacional de Triatlo, aos atletas, Carla Mendes, Pedro Magalhães e Carlos Mendes. Entregues, ainda, as Medalhas de “Mérito Desportivo” aos mesmos e aos atletas internacionais de Voleibol de Praia e Andebol, Fernando Rui Silva e Hugo Maia Silva, respectivamente, assim como, aos atletas Campeões Regionais de Andebol e Triatlo. Encerrou a sessão, o Dr. Guilherme Aguiar, que, num notável improviso, dedicou palavras de muito apreço e elogio à Associação em festa, não só pelo seu percurso impecável, como pela forma como encara o desporto de uma maneira totalmente amadora e que, sendo assim, só encontra uma palavra para a distinguir e a todos os que compõem tão prestigioso clube: Fantástico! Hoje foi, na verdade, uma das manifestações mais fantásticas a que assisti em toda a minha vida desportiva. Parabéns. Depois, no dia 1º de Dezembro, dia da fundação, de manhã, foi içada a Bandeira da Associação, pelo associado nº 1, Serafim Santos Silva e, de tarde, numa sessão solene, foram entregues as Medalhas de 25 e 50 anos de Dedicação a diversos associados. Entregue, igualmente, a Medalha de Assiduidade “Eduardo Soares” a todos os atletas que, durante o ano, se notabilizaram pela assiduidade aos treinos e jogos. Esta sessão foi encerrada pelo Presidente da Direcção, que se congratulou pela forma como decorreram as festividades do 65º aniversário. No Domingo, dia 4 de Dezembro, como habitualmente, foi rezada Missa, na Igreja Matriz, por intenção dos sócios e atletas falecidos. Logo de início, o Revº Padre Ângelo fez uma alocução muito sentida, referindo, ainda, quanto a Académica de São Mamede tem projectado o nome da freguesia e do concelho, com a sua notabilíssima actividade.

NOTÍCIAS DESTAQUE Em dia de aniversário destaque com sala cheia para uma conversa com Arnaldo Rocha, considerado o melhor árbitro de sempre do Voleibol, que veio à Académica falar sobre as regras deste jogo e também sobre as motivações nos tempos que correm para se ser árbitro. Será uma sessão para repetir pois ficou muito por dizer! Relativamente a atividades são muitas as iniciativas agendadas, um concerto de música dado por atletas do clube, outros debates sobre temas como “alimentação dos desportistas”, “como prevenir lesões” entre outros, vai ser também editado um boletim para apresentação de todas as equipas e ainda a mais recente iniciativa, “Académica Solidária”, tendo como principais diretrizes, ajudar o próximo de uma forma desinteressada, que assume nos dias de hoje, uma nova prioridade. Libertamo-nos do que eventualmente temos a mais e partilhar esse excesso com os outros será fundamental para já a curto e médio prazo. Deste modo, não obstante a necessidade de recolha de fundos para as várias modalidades da nossa instituição, surgiu a ideia de uma outra ajuda que este nosso clube pode dar… Nasce assim a Académica Solidária, um projeto que pretende recolher todo o tipo de ofertas da família academista, sejam eles alimentos, vestuário, brinquedos e tudo o mais que algum de nós sinta que pode disponibilizar aos outros. Privilegiando a ajuda a famílias academistas que a nós recorram, bem como iremos trabalhar com as entidades competentes locais, na identificação de famílias de risco de S. Mamede de Infesta para providenciar ajuda concreta. Esta é a ideia forte do nosso Natal 2011, uma ideia que servirá de mote para todo o ano 2012. Ser Amigo e Solidário faz bem à Saúde bem como praticar Desporto


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O MEU APONTAMENTO

H

á precisamente 2 anos que não participava nos meus apontamentos no Boletim de S. Mamede por motivos pessoais e que o fazia normalmente em todos os trimestres. Quero no entanto informar os leitores de que enviei um apontamento para ser publicado no Boletim do anterior trimestre, o qual não foi publicado, sem eu saber o porquê. Só sei que no dia em que andavam a distribuir o referido Boletim, logo ali manifestei o meu desagrado e surpresa, pela não publicação desse apontamento, que era mesmo interessante o qual dava a conhecer tudo o que se passou em S. Mamede no mês de Junho. Segundo o Sr. Áureo, foi uma troca de datas, mas na verdade alguém falhou, a intencionalidade fica para quem a cometeu, porque no fundo fui eu o atingido. O Sr. Áureo até me disse para entregar a ele futuros apontamentos e foi o que fiz. Nos apontamentos que omitiram, falava no Cati, que é um centro de apoio à terceira idade e que a maioria dos Mamedenses desconhecem aquilo que lá fazem, pois só os utentes e todos os que lá trabalham, têm conhecimento. É o meu caso que estou ligado à Setentuna e também ao grupo de teatro, que por tal vou lá 3 vezes por semana para ensaios, posso até informar que na Quinzena do Sénior, organizada pela Câmara Municipal, no Auditório Padre Ramos em Lavra, o Cati fez-se representar com a sua Setentuna e o grupo de teatro, em atuações, conjuntamente com outros centros da terceira idade de todas as Freguesias do Conselho. Quero salientar que o grupo de teatro, que tem como ensaiador o Professor Jorge, é composto com elementos da Setentuna, a qual tem como ensaiador o Professor Pedro. Aconteceu ainda nos princípios de Outubro o lançamento da primeira pedra, para a construção de um novo pavilhão, necessário para novas instalações. Estiveram presentes nessa cerimónia, o Vice-Presidente da Câmara Municipal, o Presidente da Junta de Freguesia de S. Mamede, o pároco Padre Ângelo, todo o elenco executivo do Cati e muita gente ligada ao centro. Posso mesmo adiantar que fui informado de que o início das obras, serão ainda este ano. Ainda sobre o meu apontamento não publicado, falava também na cascata de S. João, exposta ao público no Flor de Infesta durante o mês de Junho da autoria do associado Sr. Luís Lopes, que considero um espetáculo em movimento. Para terminar este apontamento, desejo que desta vez seja publicado, para bem da boa informação e pela consideração de quem gosta de informar. S. Mamede de Infesta, Novembro de 2011

José Dias

CHICANAS Ficamos um País que se masturba, Sonhando com grandezas já passadas, Precisamos, do mundo, dar a curva, E sair de tantas encruzilhadas. Sem vergonha daquilo que fizemos, Que outros nos quiseram saquear, É mister que agora trabalhemos, Para novas lições ao mundo dar. E deixemos (já basta) de lamúrias, De culpas, de ódios e incertezas, Ao abandonar terras africanas, Não mergulhemos em novas incúrias, Confiemos nas gentes Portuguesas, E acabemos, por fim, com as chicanas.

Fernando da Costa Taveira


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PAULO VILAS BOAS Por Eduardo da Costa Soares

Cada vez vou ficando mais pobre!, de tantos e bons amigos que vão partindo, deixando-me um vácuo difícil de superar. Faleceu no dia 11 de Julho de 2011 o Paulo Vilas Boas, de seu nome artístico, dado que o seu verdadeiro nome era o de Paulino Vilas Boas Pereira, morte que muito me consternou e lembrou os bons e inesquecíveis momentos que ficaram a atestar uma amizade sã, que foi solidificada durante os muitos anos que convivemos um com o outro. Conhecemo-nos no fim do ano de 1982, na altura em que o pintor expunha a sua Arte no Salão Nobre do Ateneu Comercial do Porto. Nessa oportunidade e ao visitar a exposição, achei que o mais adequado para comemorar o 1º aniversário natalício de meu filho, em Janeiro de 1983, seria oferecer-lhe um quadro, com direito a dedicatória, pelo que adquiri a “Margem do Rio Douro”, que muito me agradou. Em tons de azul, claro está. Do Pintor dos Azuis! Que ninguém ousou, como ele, pintar o Porto naquela cor – e tantas vezes o fez e bem. A partir desse dia, fomo-nos encontrando e, de quando em quando, a seu convite, entrava pela Rua de Sampaio Bruno, subia no elevador até ao 5º andar onde, no torreão do prédio estava instalado o seu ateliê, que dava para a Praça da Liberdade e Avenida dos Aliados, divisando-se daí uma notável panorâmica, que o inspirava a aliar a arte à liberdade de criar o belo! Vilas Boas nasceu em 7 de Abril de 1940 em Alvelos, Barcelos. Dezassete anos depois fixa residência no Porto e em 1960 inicia estudos na Escola Industrial Infante D. Henrique, onde conhece o Pintor Mestre Mendes da Silva, que o estimula na arte de bem pintar. Em 1962 executa os seus primeiros desenhos para estamparia e publicidade luminosa. E, em 1969, expõe pela primeira vez os seus trabalhos, no Hotel Castor, na cidade do Porto. Depois, expõe em Braga, Póvoa de Varzim, Ofir, Barcelos, Guimarães, Museu Soares dos Reis, Sociedade de Belas Artes de Lisboa, Espinho, Aveiro, Amarante e Coimbra. Em 1974, apresenta-se na Galeria de “O Primeiro de Janeiro” (onde é hoje o Via Catarina), salão onde muitos e muitos artistas expuseram a sua arte, com inegáveis êxitos. Visita Paris e expõe na rua. Depois Roma, Florença e Londres. Fixa residência em Paris em 1978 e, em 1979, já no Porto, expõe na Galeria da Fundação Engº António de Almeida. Sempre ávido de procurar enriquecer os seus conhecimentos pictóricos, visita a Suiça e a Espanha para, em 1982, expor, então, no Ateneu Comercial do Porto. A partir daí, são incontáveis as exposições que realiza. As duas últimas foram nas cidades que mais pintou e amou e que, agora, lhe devem uma homenagem: no Porto, na Cooperativa Árvore e em Barcelos, na Galeria Municipal, onde, até era, desde há alguns anos, o Consultor de Arte. Ainda sobre o seu passado, é-me grato registar, aqui, certos e determinados momentos que eu penso terem sido bem significativos para ele, tais como: em 1985, quando expunha, de novo, no Ateneu Comercial do Porto, determinada pessoa apareceu por lá, olhou, apreciou toda aquela arte que se lhe deparava, dizendo, depois, para o pintor: posso deixar-lhe a minha mensagem? E escreveu: “Uma opinião... O poeta inglês John Keats disse, num dos seus versos: “ A thing of beauty is a joy forever.” Ou, na língua que mamámos com o leite materno: “uma coisa bela é uma alegria para sempre”. É com essa alegria, Snr. Paulo Vilas Boas, que eu saio da sua Exposição. O senhor é um poeta dos crepúsculos, dos fins de tarde, ou do romper do dia. Não há, nos seus quadros, a orgia da cor. É discreto. É profundo. É recolhido. E, por vezes, talvez, torturado, ou angustiado. Pois não é verdade que um dos seus quadros foi, por si, intitulado Angústia? Um dos motivos da sua pintura são as águas, os barcos e o casario reflectido na tranquilidade das águas. As aguarelas – pois pudera! – estão mesmo ao... pintar desses motivos! A nota dos telhados é primorosamente dada! Não sou crítico de arte. Isso é coisa de especialistas. O que aí fica escrevinhado (para que não diga que saí da sua Exposição em branco e em... bruto) é dum homem vulgar de Lineu... Clínica geral... Cruz Malpique / 30-XI-1985” Nesse mesmo dia, apareci por lá e ele entusiasmado,

diz-me: “lê isto, que muito me tocou, mas não sei de quem é”. Lembrei-lhe que o Dr. Cruz Malpique era um grande escritor e professor no Liceu Alexandre Herculano e que dele, eu até tinha alguns livros autografados e, de entre eles, o Ensaio de Filosofia de Arte, com o título de “Como se faz um artista”. E lembrei-lhe, ainda, que nesse livro, o escritor, em determinada altura escreve: “O Artista é o Inquieto por excelência, o torturado Ideal, aquele em quem os conflitos interiores revestem uma forma angustiadamente cruciante. O animal apenas tem que lutar contra as ameaças do mundo exterior. Mas o homem superior – o Artista – tem, a mais, que se defrontar com o seu drama interior, com o seu Desespero, com o seu Ideal.” Estava eu longe, nessa altura, de imaginar que estas palavras no fim da sua vida, se ajustariam, perfeitamente, à angustia cruciante que, de dia para dia, se ia apoderando da vivência do artista. Em 1986, pinta motivos de S. Mamede de Infesta, quer a óleo, quer a aguarela, terra onde deixou, desse jeito, a marca do seu talento. E, no mesmo ano, ganha o Prémio Nacional de Jubileu de Turismo, no VI Salão de Outono do Casino do Estoril, com o quadro “Neve na Pousada”, quadro que pode ser admirado na Pousada do Marão. E, em 1987, volta ao VII Salão de Outono, no mesmo casino, onde lhe é atribuída uma “Menção Honrosa”. O Poeta José Viale Moutinho, também em 1988, consagra-lhe o poema “Dizeres Portuenses para Paulo Vilas Boas”, assim: “Este rio que por detrás do porto cresce/ sem barcos sem casas apenas nos mistérios/ de umas quantas pedras ao longo das águas/ e uma doce cortina de cinzas que o cobre// Este rio anda debaixo das ruas/ atravessa a cidade em surdas viagens/ ninguém o conhece: o douro cabe-te num/ quadro como um pássaro entre as estações// Este rio fica na europa dos nossos olhos/ nele se afogam os sonhos como as leves cores/ e em toda essa névoa que se vai tecendo, tecendo/ há sempre um pintor a amanhecer nas brumas//”. E, em 8 de Agosto de 1988, estando de férias em Armação de Pêra, escreve-me, num postal, o seguinte: “Amigo: um dia, Leonardo da Vinci pensou desta forma: Ó tu que dormes, o que é o sono? O sono assemelha-se à morte. Porque não constróis antes da morte, Uma obra que te dê uma aparência De vivo, mesmo depois da morte?!... Bom, é um pouco aquilo que eu pretendo realizar. Um abraço amigo do Paulo.”

CAPELA DA ERMIDA


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Dezembro - 4º Trimestre de 2011

PAULO VILAS BOAS Este pensamento do grande e célebre mestre Florentino, nunca lhe saíu da cabeça, pelo que, determinado e audaz como era, perseguiu e tentou encontrar com uma vida árdua de muito trabalho, e numa busca contínua, outras formas de expressar o seu temperamento de artista, para além daquelas que, já entretanto, lhe deram notoriedade. E voltou, então, com uma maior actividade e com outro valor artístico, do que aquele produzido em 1979, a pintar as suas maravilhosas composições da característica mais evidente de Barcelos: o artesanato, numa combinação cromática que causou sensação, já que, até aí, poucos tinham tentado abordar tal tema. E, perseverante como era, as suas telas passaram a ser disputadas pelos coleccionadores e observadas com um misto de admiração e de interesse. Mais: para além de ter pintado o artesanato da sua terra natal, tentou, com êxito, os artesanatos de Viana do Castelo, de Bisalhães (Vila Real), com a louça de barro preto, e de Gondomar, com os brinquedos lúdicos que foram a alegria da criançada do passado. Com os críticos de arte sempre atentos ao seu trabalho, o Jornalista César Príncipe, escreve dele, o seguinte: “A arte integra e desintegra espaços. A arte traduz um tempo de representação. A arte é uma das linguagens da magia da vida e do engodo do irreal. Paulo Vilas Boas fez-se no Porto e fez o Porto, acrescentando à história a sua visão do corpo físico e anímico de um centro fundador de afectos, de justificações territoriais e civilizacionais. Não se tornou um pintor documental no estrito sentido do fotográfico e da maquetagem turística. Somou à factualidade um incontido enamoramento. Enamoramento pela respiração das janelas e pela dignidade das torres. E é certo que Barcelos, nos seus cultos estéticos e nos seus rogos e jogos de infância, também ocupa um lugar de privilégio”. Muitas e variadíssimas citações sobre o artista e a sua arte justificariam ser divulgadas nesta despretensiosa crónica sobre este Amigo que me tratava por Irmão. Será, pois, nesta condição que me arrogo o direito de falar abertamente sobre a sua vida, tantos e tantos foram os momentos que me confidenciou sobre a sua felicidade ou infelicidade. Quanto a mim, Paulo Vilas Boas foi um Homem que procurou ser feliz, fazendo os outros felizes, mas em meu entender, não era infeliz. Vivia para a arte.

A sua pintura exaltava-lhe a alma, ao ponto de entregar-se-lhe totalmente, sempre na esperança de concretizar os seus sonhos, isto é, sabendo que era um pintor que não frequentara as “Belas Artes”, era alguém que “fazia” artes belas! Os últimos dias da sua vida, vivi-os de facto, como ele me tratava: vivi-os como se ele fosse meu irmão! E, ao ver o seu fácies, sereno, no caixão, julguei poder adivinhar que, finalmente, na morte, encontrara a Paz que buscava. Manuel Cruz, um seu amigo que falou dele no Jornal dos Carvalhos, de que é director, escreveu estas sentidas e emocionantes palavras: “Partiu o velho amigo Paulo Vilas Boas. Talvez quisesse ter morrido. Creio que à partida reencontrou a felicidade de que andava arredado”. Ao terminar, e em jeito de desabafo, quero lembrar as palavras que o Pintor escreveu, com orgulho, no seu 2º livro (Trinta Anos de Pintura), em Maio de 2001, assim: “Não tenho a certeza se hoje, após trinta anos de sonho e, por vezes, de desalento, de teimosia e de conflito, sou um homem feliz. Sei, isso sim, que a edição deste livro me dá uma certa felicidade, constituindo quase uma dádiva da Arte ofertada a mim mesmo e assegurando-me que nada foi em vão. Afinal, alguém reparou em Paulo Vilas Boas...” Afinal, digo eu, agora, com uma certa mágoa, e parafraseando-o, poucos foram os que repararam na sua morte, na morte de Vilas Boas – o PINTOR DOS AZUIS! E, ao pintar em 1987, a “Homenagem à Paz” (em tons de azul), penso que esse excepcional óleo sobre tela, para além de exortar à Paz na Terra, com as pombas a encimar o motivo da pintura, também apelava à sua própria paz – a uma tranquilidade de espírito que perseguia. Pois bem: que lá no azul do Céu, lá nas Alturas, encontre, por fim, a Paz que ele sempre procurou e desejou. Ao fim e ao cabo, julgo bem que essa pintura era, tão-só, uma homenagem a si próprio! O seu corpo foi cremado no Prado do Repouso e as suas cinzas lançadas no Roseiral do mesmo Cemitério, nesse Espaço Sagrado que pede uma oração a quem por lá passe. Eduardo da Costa Soares

Boletim nº83  

Boletim da Junta de Freguesia de S. Mamede de Infesta

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