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Harmonia perfeita

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diário de bordo Santa Luzia - Sumidouro, 17 de maio de 2009

“Nosso Lubomir Sonhador” “Em agosto de 1999 ele navegava com um amigo no rio Reno na Alemanha. O sonho dele era tornar o Velhas navegável. Simbolicamente ele vai nadar no Rio”. Lula Abadjieff, filho do seu Lubomir “O que eu mais adorava no seu Lubomir é que ele tratava todos de forma igual, sem distinções e eu era apaixonado por ele por causa disto”. Gilson Alves de Souza, motorista do Projeto Manuelzão Lágrimas descendo os rostos. Clima de respeito e admiração. Foi assim a homenagem póstuma ao seu Lubomir Abadjieff, realizada ontem à tarde, na beira do Velhas. Próximo à ponte Velha de Santa Luzia, as cinzas do seu Lubomir foram jogadas pela família no Rio. A cerimônia fez parte das atividades do FestiVelhas Águas de Luzia. Os familiares presentes estavam muito emocionados com as lembranças do marido, pai e avó. Muitas falas e quase todas destacaram o sonho dele de navegar no Velhas e como esse sonho impulsionava o Projeto Manuelzão a lutar pela Meta 2010. Seu Lubomir, búlgaro radicado no Brasil há mais de 50 anos, queria implantar um barco para navegar o trecho do Velhas de Sabará à Santa Luzia. Ele já está navegando pelo Rio.

E tem gente que segue essa percussão há muito tempo. É o caso do Max Robert. Ele começou a tocar aos 10 anos de idade. Hoje, aos 18, já assume a liderança do grupo nos dias de folga do tio e maestro do grupo, Nilo de Oliveira. O maestro organiza os sons. A mão no alto dobra o som, o movimento da palheta manda parar. Cada movimento indica uma ação. E para ler esse código, só depois de muito treino. “Temos que ficar olhando pro meu tio, a partir dele que vamos saber o que fazer. Precisamos de atenção”, explica com um sorriso no rosto. E qual é a sensação de estar no palco? “Não consigo nem explicar. É muita empolgação”, diz.

O nome pode parecer esquisito pra diacho. Expedição Langsdorff. Era um homem que queria estudar umas coisas de economia, lá no Ouro Preto. Na volta, acabou passando pelas bandas que margeiam o Taquaraçu, nos altos de 1824. Escreveu uns diários, o barão, que tão aí até hoje. Não é que um pessoal, lá do Taquaraçu mesmo, resolveu fazer uma expedição nos caminhos que o homem passou? Saíram há dois dias. Uns do Bom Jesus do Amparo, outros do Taquaraçu. Ontem eles chegaram aqui na Santa Luzia. Umas boas léguas, 80 quilômetros. Eram 17 homens e uma mulher, tudo no cavalo. Passaram nas fazenda todas e até leram pros donos os pedaços do diário antigo que falavam delas. Dizem que deu um trabalhão danado, a tal da Expedição. Mais de quatro mês de preparação. Esse povo estudô o diário e chegou a ir nuns arquivos públicos para entender melhor a história. E durante a cavalgada até fizeram parada nas escolas e comparação do jeito que as coisas tavam com o jeito que as coisas tão. Assim, ó: olharam como era o de comer naqueles tempos com o que é hoje; como é que o povo trabalhava e a cara das florestas e do rio Taquaraçu. Pois é, o povo disse que o Taquaraçu tá melhor agora do que no tempo do Langsdorff. Naqueles tempo dizem que tava tudo estropiado pros lados de lá. Hoje, o rio é um dos melhor que tem caído no Rio Velhas.

Jessica Soares,

Filipe Motta,

estudante de Comunicação Social da UFMG

estudante de Comunicação da UFMG

Foto: Jessica Soares

Humberto Santos, Jornalista

Em busca da batida perfeita: apresentação da Usina do Som no FestiVelhas Águas de Luzia

Harmonia perfeita Quatro repiques, duas caixas, dois cortes à frente e dois atrás, dois surdos, e um maestro. Como descrever o som envolvente resultante dessa combinação? Falar apenas do tum-tumtum dos batuques, da sensação gostosa da batida, do movimento que o corpo começa a fazer, não dá conta de explicar a intensidade do som e da performance dos garotos da Usina Som. Parte do projeto “Escola Aberta” da Prefeitura de Sabará, o grupo de percussão dos alunos da Escola Municipal Professora Irene Pinto animou a tarde de sábado. Como parte do programa municipal, a Usina Som existe há quase três anos. Mas a história começou bem antes. Doze anos atrás eles ainda não tinham esse nome, mas já levavam o som para o pessoal da vizinhança. Mais informações: www.manuelzao.ufmg.br/expedicao2009

Um tal de Langsdorff


Agenda 8h Os canoístas partem em direção ao Sumidouro Entre 10 e 10h30 Parada dos canoístas em Pinhões 10h30 Chegada da miniexpedição Fica Verde Santiago

Sumidouro 8h ás 16h Visitas monitorada às trilhas do Parque do Sumidouro 9h ás 13h Atividades de rua de lazer para crianças 8h ás 12h30 Expedição motorizada Conhecendo as Paisagens Lundianas 14h Roda de Capoeira e Maculelê com o Grupo de Capoeira de Angola de Ouro Preto 14h30 Apresentações de grupos culturais Folclóricos 15h Espetáculo Verdejante 16h Recepção dos canoístas

O tum-tum-tum ainda ecoa em nossos ouvidos. O som da dança afro embalou os movimentos da bailarina Marilene Rodrigues dos Santos no segundo FestiVelhas da Expedição, em Santa Luzia. O público entrou no ritmo e se divertiu com a apresentação que chamava à atenção por suas roupas e coreografias não tão comuns nos palcos, incorporando elementos de diversas culturas. Marilene representa essa diversidade e valorização da tradição afro-brasileira. Tudo começou com debates a respeito do movimento negro, do qual participava em sua cidade natal, Santa Luzia. Seu envolvimento foi tão intenso, que procurou uma forma de incorporar formas de manifestação cultural a essas disCanto e dança: uma forma de manter as tradições cussões. Daí seu interesse pela dança afro. A bailarina vive da dança. ção. “ Favorecer o conteúdo, utilizando-o de Participou durante sete anos na Companhia forma a reconhecer e tirar aproveito dessas Primitiva de Arte Negra. Logo depois atuou diversidades”, diz. Nós vimos essa diverem um trabalho de dança contemporânea, sidade no palco. Ela encerrou sua apreseno Grupo Corpo. Também teve aulas por dois tação cantando em homenagem ao grande anos com Mamour Ba, que aprofundou seus líder Zumbi. conhecimentos sobre danças do Senegal. Trabalhou ainda na Associação Querubins e Anna Carolina Aguiar e Ketrily Andrade, no Programa Fica Vivo. Estudantes de Comunicação Social da UFMG e Mas nem tudo é diversão. Marilene PUC Minas. acredita que valorizar a arte e a dança contribui para a formação dos jovens. Usa a arte como forma de se complementar a educa-

Inimigo oculto Por um lado, eles protegem a agricultura das pragas. Por outro, se tornam pragas quando contaminam lençóis freáticos, águas superficiais e o solo. Os defensivos agrícolas ainda causam problemas de saúde. Esses foram alguns dos pontos levantados pela Miniexpedição “Do agrotóxico à agroecologia” realizada nesse sábado, no Sítio Jatobá, em Santa Luzia. Também foi discutido o incentivo ao cultivo orgânico para agricultores. Mas os expedicionários chegaram a um consenso: mais que falar com os produtores rurais sobre os orgânicos, é preciso estimular o consumo.

“Lubomir era um dos membros do Projeto. Ele ajudou a construir o Manuelzão”. Apolo Heringer Lisboa, coordenador do Projeto Manuelzão, na homenagem á Lubomir Abadjieff

Informativo da Expedição pelo Velhas 2009. Promoção Projeto Manuelzão. Expediente: Elton Antunes, Humberto Santos, Carolina Scott, Anna Carolina Aguiar, Ártemis Brant, Filipe Motta, Gabriella Hauber, Jessica Soares, Ketrily Andrade, Pâmilla Vilas Boas, Stéphanie Bollmann, Thais Marinho, Victor Vieira. Coordenação: Marcus Vinícius Polignano. Diagramação: Stéphanie Bollmann. Tiragem: 200. Concluído às 23h10.

Foto: Anna Carolina Aguiar

Santa Luzia

Movimento duma tradição


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Harmonia perfeita by Jessica Soares - Issuu