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Castelo BranCo NOTÍCIAS

Informativo Bimestral da Fundação Educacional Presidente Castelo Branco - Colatina/ES - Ano II - nº 03 - janeiro/fevereiro de 2011

CENTRAL DE EMPREGOS E ESTÁGIOS Banco de currículos da Castelo Branco Social já beneficiou dezenas de alunos.

CIDADANIA EM PAUTA Veridiano Lucas da Silva, coordenador da Castelo Branco Social, fala sobre os projetos e realizações do seu setor para Colatina e municípios vizinhos. ENTREVISTA 04 e 05

ENTREVISTA ESPECIAL Cíntia, Fernanda e Renan foram alguns dos beneficiados pela CEE.

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m 2010, 92 alunos da FCB ingressaram no mercado de trabalho de Colatina e região através da Central de Empregos e Estágios (CEE) da Castelo Branco Social. O projeto é iniciativa do Núcleo de Docentes Estruturantes (NDE) da Faculdade Castelo Branco. 06 E 07

SEJAM BEM-VINDOS! O Castelo Branco Notícias ouviu alguns novos alunos da FCB sobre suas expectativas, sonhos e projetos. 03

NOSSA MALTRATADA LÍNGUA Olney Braga, especialista em língua portuguesa, fala ao CBN sobre a dificuldade crônica que os brasileiros têm em ler, falar e escrever o português. 10 e 11


Castelo BranCo NOTÍCIAS

Colatina/ES - janeiro/fevereiro 2011

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Arquivo pessoal

Opinião

FUNERÁRIOS & PAPOS FUNÉREOS

Fale com a gente!

- Críticas - Sugestões - Comentários - Anúncios Departamento de Comunicação Tel.: (27) 2102-6030 Cel.: (27) 9925-6150 cbn@funcab.br

ERRAMOS Na página 03 da edição passada, na matéria ‘Vila Literária’, o cargo correto do professor Anderson dos Anjos é Coordenador do curso de Pedagogia, e, não, de Letras, como foi informado.

Castelo BranCo NOTÍCIAS

DIRETOR-PRESIDENTE Maurício Sobreira Cortat DIRETOR-GERAL Luciano Carlos Merlo GERENTE ADMINISTRATIVO Elodilson Sabadini EDITOR RESPONSÁVEL Guilherme Augusto Zacharias DIREÇÃO DE ARTE Jefté Dias

Guilherme Augusto Zacharias

Assessor de Imprensa da Fundação Castelo Branco

S

e há uma coisa com que todo mundo concorda é que da morte ninguém escapa. E ainda que isso não seja assim uma unanimidade (tem gente que se acha imortal), ela vai nos alcançar, cedo ou um pouco mais tarde. O que a gente faz aqui e agora, a maneira como levamos a vida, provavelmente irá determinar se ficaremos mais ou menos tempo por estas bandas do universo: mais ou menos estresse, mais ou menos álcool e cigarro, mais ou menos pedaladas, caminhadas e corridas... Mas, ainda que escolhamos o nosso modo de viver, o fim será inevitável. Evitáveis deveriam ser certas coisas que dizem respeito ao momento final. Outro dia, passando com minha filha caçula em frente a uma funerária, ouvi dela,

com uma voz quase de espanto sobre o mais indesejável dos objetos: -Paaaaaaaai, aquilo é um caixão? -Sim – respondi, olhando para dentro da loja ainda a tempo de observar o ataúde de luxo exposto em local de destaque. Até chegarmos ao nosso destino, fui fazendo um exercício de comparação entre a atividade de venda de caixão com a de outros segmentos do comércio. E só aí me dei conta de que funerária é o único ramo da economia onde se o empresário vai bem, o cliente, irremediavelmente, vai mal. Claro, o leitor poderá argumentar que outros produtos podem fazer a alegria de quem os vende e a derrocada de quem os consome, como o tabaco, a bebida alcoólica, Charge do Ivan Cabral

REVISÃO Teresinha Cani Impressão: Gráfica JEP Tiragem: 3 mil exemplares

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as drogas ilícitas... Ainda assim existe a possibilidade de escolha por parte do comprador, do usuário, em consumir menos ou mesmo deixar de consumir esses produtos. Caixão, não. Caixão é compulsório. Fico imaginando como deve

na rodovia... -Aguenta firme, Zé! Agora é época de chuva; quem sabe se nesse início de ano não volta a acontecer desmoronamento por aí? -Deus te ouça... E aí em Teresópolis, tá se dando bem, né, Tião?

ser de arrepiar uma conversa entre dois comerciantes desses caixotes tétricos de madeira enfeitados. -Alô, Zé? -Fala, Tião! -E aí, rapaz, como vão os negócios aí em Angra? -Ah, meu irmão, nada bem... Ninguém morre mais nesta cidade. Aqueles desmoronamentos das encostas, no início de 2010, salvaram o ano; nunca vendi tanto caixão, mas agora... -Pô, mas nem um acidentezinho de ônibus aí na RioSantos? -Nada, com esse monte de quebra-molas que instalaram

-Graças a Deus! Você viu? Mais de trezentos mortos, sem contar os que estão soterrados e ainda não foram encontrados. Já tripliquei os pedidos na fábrica; tô pensando até em abrir filial em Petrópolis e Nova Friburgo. -Que inveja... -Que nada, Zé, dei foi sorte... -Tá bom, Tião, vou desligar e dar uma olhada na previsão do tempo. Quem sabe as coisas não pioram, quer dizer, melhoram por aqui? -Fé em Deus, que ainda vem muita chuva por aí. Abração pra você. -Outro, tchau.


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Castelo Branco NOTÍCIAS

DE BRAÇOS ABERTOS!

Fotos Guilherme Augusto

“E

m nome dos diretores, coordenadores e de todo o corpo docente da Faculdade Castelo Branco, desejo aos nossos novos alunos um excelente começo na vida acadêmica. Estamos todos à disposição para ajudá-los a fazer dessa caminhada uma inesquecível trajetória rumo ao sucesso. Sejam todos bem-vindos.”

Luciano Merlo Diretor-Geral da FCB

O Castelo Branco Notícias ouviu o depoimento de alguns novos alunos da FCB sobre suas escolhas e objetivos nessa nova fase de suas vidas.

Eu sempre quis fazer o curso de Ciências Contábeis, mas, por influência de alguns amigos e na ânsia de conseguir emprego mais rapidamente, acabei cursando Pedagogia até o 3º período. Kerliane Baéssa - Ciências Contábeis

Me apaixonei pelo Direito no meu emprego anterior, quando participava de audiências com clientes. A partir daí, comecei a me interessar pelos direitos e deveres das empresas e dos consumidores. Ana Paula dos Reis - Direito

Tudo tem a ver com a História. A Humanidade, para chegar até aqui, criou várias possibilidades para ela mesma: as descobertas, as invenções, tudo está ligado à História. Esse curso me interessa muito. Arildo Binda - História

Eu gosto muito da língua inglesa, tanto que já faço um cursinho de inglês. Tenho amigos que fizeram o curso aqui na Castelo Branco, foram para o exterior e se deram muito bem lá. Alex Caldonho - Letras

Eu amo criança, quero dar aulas para criança. Minha sogra, que é professora, me incentivou muito a fazer o curso de Pedagogia aqui na Castelo Branco, que, segundo ela, é muito bom. Depois, quero continuar me especializando em Educação. Jennifer Magioni Maria - Pedagogia

Meu sonho era fazer jornalismo; cheguei a passar no vestibular da Faesa, mas não pude me mudar pra Vitória. Optei pelo Marketing da Castelo Branco porque tem a ver com comunicação, e como já trabalho com atendimento ao público, acho que vai me ajudar muito no meu dia a dia. Thayla Chagas de Oliveira - Marketing

Desde o Primeiro Grau, além de gostar muito, sempre fui bom aluno em Geografia; é a matéria que tenho mais facilidade em aprender. Então, por que arriscar em outro curso? Quando terminar, vou fazer pós-graduação, mestrado e outros cursos de especialização. Adriano Mauri Zanetti - Geografia


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ENTREVISTA

“As empresas, por exemplo, podem descontar no imposto de renda os investimentos aplicados nas ações de cidadania.”

VERIDIANO LUCAS DA SILVA

A

Texto e foto - Guilherme Augusto Zacharias

antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Colatina - Fafic, berço da atual Faculdade Castelo Branco – fundada por alguns abnegados cidadãos colatinenses na década de 60 com o apoio da sociedade e do poder público municipal –, não foi criada com o objetivo de ser uma instituição filantrópica. Houve, isto sim, um grande empenho de seus idealizadores em proporcionar aos moradores de Colatina e região a possibilidade de acesso aos primeiros cursos superiores de Pedagogia, História, Letras e Geografia disponibilizados fora da capital do Estado. No entanto, pela índole cidadã que acompanhava aqueles que deram início a uma das mais sólidas instituições de ensino do

Espírito Santo, a semente da solidariedade acabou por se inocular em todo o corpo discente, docente e de colaboradores da Instituição. Ao longo dos anos, não foram poucas as ações de filantropia das quais a Castelo Branco, ainda que nem sempre na condição de idealizadora/gestora, participou. Em 2006, ela foi oficialmente reconhecida como uma empresa filantrópica através do atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social, órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Com a criação da Castelo Branco Social, em maio de 2008, passou a existir um setor específico para cuidar dos projetos sociais em andamento e desenvolver outros de acordo com as demandas da sociedade e da capacidade de absorção da própria Fundação. O mais antigo deles, a Famic – Faculdade Aberta à Melhor

Idade de Colatina (1999), é considerado um dos carros-chefes dos projetos sociais da Castelo Branco, junto com o Programa de Bolsas e Descontos, que em 2011 vai beneficiar 350 alunos. Destaque também para a Central de Empregos e Estágios, que só no ano passado colocou quase uma centena de alunos no mercado de trabalho (leia matéria nas páginas 6 e 7). Na coordenação da Castelo Branco Social está o bancário aposentado, Veridiano Lucas da Silva, professor da FCB há 24 anos, que fala, nesta entrevista, sobre as iniciativas do setor nas ações sociais e dos projetos em andamento, além de fazer um apelo aos alunos da Instituição para que participem ativamente das ações sociais promovidas pela CBS.

Castelo Branco Notícias - O que mudou em relação às ações sociais após a criação da Castelo Branco Social? Veridiano Lucas da Silva - Antes não havia registros organizados dessas ações: relatórios, fotos, vídeos... Hoje, os projetos sociais da Instituição são criados e monitorados pela Castelo Branco Social; temos tudo documentado.

há mais de dez anos com absoluto sucesso. Atualmente temos cerca de 120 alunos frequentando a Faculdade Aberta à Melhor Idade. São idosos que descobriram o prazer e a alegria de conviver com outras pessoas da mesma idade, aprendendo e trocando experiências muito ricas entre si.

CBN - E que ações são essas? Veridiano Lucas - A Instituição tem um grande histórico na área social e também ambiental, pois até atividade de reflorestamento das margens do Rio Doce, efetuado pelos alunos da Escola de Ensino Básico, aconteceu. Atualmente, as atividades de maior frequência estão relacionadas ao atendimento comunitário em campanhas de cuidados com a saúde, como aferição de pressão arterial e medição de glicemia, de prevenção de doenças, de doação de sangue e medula óssea, de arrecadação e distribuição de donativos, doação de livros e muitas outras iniciativas dos vários setores da Fundação.

CBN - Existem outros projetos que foram criados a partir de necessidades detectadas na Famic? Veridiano Lucas - Dois projetos bem-sucedidos da Castelo Branco Social tiveram origem nas carências detectadas entre os alunos da Famic: a Alfabetização de Adultos e a Inclusão Digital. Em função de sua variada origem social, há idosos aqui que não têm condições de comprar um computador; outros têm, mas não havia quem os ensinasse a usá-lo. E ainda havia os que nem mesmo sabiam ler. Então, os dois projetos, que estão funcionando a pleno vapor, vieram em boa hora para trazer ainda mais dignidade aos alunos da Famic.

CBN - Mas há aquelas de caráter permanente... Veridiano Lucas - Sim, a Famic, por exemplo, funciona

CBN - Qual a importância do Programa de Bolsas, lançado recentemente pela Castelo Branco Social?


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Colatina/ES - janeiro/fevereiro 2011

Veridiano Lucas - É um dos nossos maiores projetos sociais, pois proporciona um importante reflexo na sociedade como um todo e, de modo especial, junto aos alunos beneficiados porque muitos não teriam condições de arcar com os estudos. Não se pode esquecer que a renúncia de receita é bem expressiva e ultrapassa, com folga, os percentuais sinalizados pelo CNAS. O Programa de Bolsas e Descontos ainda estimula varias parcerias com municípios vizinhos que proporcionam transporte gratuito dos estudantes. Em 2011 serão 350 alunos beneficiados. CBN - Em relação ao número total de alunos, quanto

a Instituição reserva para o Programa de Bolsas? Veridiano Lucas - O percentual disponibilizado é de 20 por cento, mas esse número, como disse, sempre acaba sendo maior, pois além do programa de bolsas, a Fundação, também, tem concedido descontos, que embora não façam parte do programa de bolsas, diretamente, o beneficiado direto continua sendo o aluno. CBN - Quais os projetos que ainda não entraram em vigor e por quê? Veridiano Lucas - Dois projetos importantes ainda não foram totalmente implantados: o Cidadão Especial e o Seminário Permanente de Discussão de Combate às Drogas,

Castelo BranCo NOTÍCIAS DST/AIDS. O primeiro, em parceria com a Apae/Colatina, tem funcionado através de algumas ações conjuntas com aquela instituição, mas não da forma como pretendemos, que é a de levar apoio e orientação ao seio das famílias assistidas pela Apae, principalmente por sabermos que nem sempre os filhos portadores de alguma anomalia são bem aceitos por familiares e, também, pela não continuidade das orientações auxiliares ao tratamento, dadas pela Apae. Para ambos os projetos estamos nos preparando para formar equipes com profissionais especializados e pessoas que já estão familiarizadas com o trabalho de conscientização dos atores

envolvidos. São projetos que requerem muito cuidado na sua formatação, por toda a complexidade que eles ensejam. Mas estamos tratando com muito carinho esse assunto. CBN - As parcerias são bemvindas? Veridiano Lucas - Sim, claro. Tanto pessoas físicas quanto jurídicas são muito bemvindas. As empresas, por exemplo, podem descontar no imposto de renda os in-

vestimentos aplicados nas ações de cidadania. Já o cidadão comum também pode participar de várias maneiras, especialmente os alunos – principalmente aqueles que foram beneficiados com bolsa de estudo –, têm a oportunidade de ajudar ao próximo, se engajando nas ações da Castelo Branco Social, um setor da Fundação Castelo Branco reconhecido e admirado por toda a comunidade colatinense.

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CENTRAL DE EMPREGOS E ESTÁGIOS Castelo Branco Social mantém banco de currículos. Texto e fotos - Guilherme Augusto Zacharias

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cada vez maior o destaque que a Castelo Branco Social vem dando à questão da empregabilidade. O setor fechou parcerias para a implantação de projetos que levam os participantes a conseguir um lugar no mercado de trabalho. Em 2009, com o governo federal, através do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e com a prefeitura de Colatina, a CBS gerenciou o Projovem, programa de inserção social para jovens com idade entre 18 e 29 anos. Em 2010, foi anunciada à sociedade a criação da Central de Empregos e Estágios (CEE), cuja iniciativa é da Faculdade Castelo Branco, através do Núcleo de Docentes Estruturantes (NDE), composto por professores que auxiliam na implementação e acompanhamento dos Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPC) da FCB e ajudam as Direções em outras atividades pedagógicas “Os professores e diretores eram procurados pelas empresas, com frequência, para indicar alunos para serem aproveitados no mercado de trabalho e não existia um setor, ou alguém, que pudesse dar a devida atenção a esse assunto”, explicou Veridiano Lucas da Silva, coordenador da Castelo Branco Social. No início, a Central de

Empregos e Estágios não pôde funcionar plenamente porque as informações não estavam ainda digitalizadas

o processo de cadastramento e encaminhamento ficou mais ágil, e só no ano passado 650 currículos de

Através do CEE, Cíntia pôde até escolher onde trabalhar.

devido ao grande volume de empresas solicitantes e currículos disponíveis. Com a informatização dos dados,

alunos foram enviados às empresas. Destes, 92 foram contratados, sendo que 149 alunos da Instituição

confirmaram à CBS que estavam empregados. O total de interessados em contratar estudantes da Faculda-

zada, podemos pensar em ampliar o oferecimento dos serviços para nossos egressos e, quem sabe, em um

Fernanda: encaminhada pela CBS a ESMLF.

de Castelo Branco somou 66 empresas dos mais variados segmentos. “Agora, com a estrutura informati-

futuro próximo, para toda a sociedade. Afinal, tratase de um serviço que reflete benefícios aos diversos


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segmentos sociais”, avaliou Veridiano. A aluna do 7º período de Ciências Contábeis, Cíntia Dal’col, 21 anos, assistente comercial da TV Gazeta Noroeste, encaminhada à empresa através da CEE, considera positivo que a Castelo Branco Social mantenha um banco de currículos disponíveis para as empresas de Colatina e região. “Através da Central de Empregos e Estágios, acabei podendo até esco-

feliz aqui porque os colegas são muito prestativos, estão sempre dispostos a ajudar e a empresa reconhece o trabalho da gente, dando oportunidade de crescimento a todos. É uma família maravilhosa”. Já Fernanda Dubberstein, 22 anos, aluna do 3º período do curso de Ciências Contábeis, conseguiu vaga na Empresa Luz e Força Santa Maria, de início, como recepcionista, agora, exercendo a função

Renan: “CEE abre muitas portas para os alunos.”

lher a empresa na qual iria trabalhar, já que recebi diversos convites; optei pela TV Noroeste e estou muito

de operadora de caixa. Apesar de ainda estar em fase de treinamento na função, Fernanda se diz satisfeita

Castelo Branco NOTÍCIAS com a oportunidade de trabalhar em uma das maiores empresas de Colatina. “Aqui a gente tem uma estrutura que só as grandes empresas podem oferecer; por exemplo, o sistema operacional usado no setor de recebimento de contas é um dos mais modernos que existem. Além disso, os colegas de trabalho sempre ajudam a gente em tudo que for necessário”. Formado em Administração de Empresas pela Faculdade Castelo Branco, Renan Getúlio Soares, 23 anos, trabalha no São Bernardo Saúde, onde ingressou como trainee de auxiliar de Cadastro. Hoje, efetivado na função, ele julga que a Central de Empregos e Estágios abre muitas portas para os alunos da Faculdade, que estão querendo entrar no mercado de trabalho. “Assim como eu fui ajudado, muitos outros alunos, que não têm ainda uma profissão, também poderão conseguir uma oportunidade através da CEE”, apostou Renan, que fez questão de frisar a importância de sua empregadora no cenário regional. “O São Bernardo vem crescendo a cada dia em todo o estado, e é uma ótima empresa para se trabalhar”. Um dos pontos de destaque do programa é a adesão das empresas ao projeto. São constantes as consultas feitas à Central de Empregos e Estágios da CBS pelos setores responsáveis pela contratação de pessoal solicitando currículos de alunos. “Ficamos muito felizes com essa receptividade; isso demonstra que o empresariado confia na nossa qualidade de ensino”, destacou Luciano Merlo, diretor-geral da Faculdade Castelo Branco.

Érico Rodrigo, da ESMLF, sempre consulta a CEE para a contratação de funcionários.

Independentemente da procura por parte dos potenciais empregadores, a CEE mantém a rotina de enviar os currículos às empresas, antecipando-se, assim, à procura. “Nós recebemos diversos currículos enviados pela CBS, e sempre que temos vaga aqui na empresa, damos oportunidade aos alunos da Faculdade Castelo Branco”, revelou Érico José Rodrigo, responsável pelo setor de contratações da Empresa Luz e Força Santa Maria. Ele destacou ainda a importância desse diferencial praticado pela Castelo Branco: “Se o aluno sabe que a faculdade disponibiliza esse serviço, que encaminha esses currículos para as empresas, ele já vê a instituição com outros olhos. Além de estar sendo qualificado profissionalmente, o aluno tem um setor que o encaminha para o mercado de trabalho”.

O coordenador da Castelo Branco Social fala sobre a confiança depositada no projeto e conclama a todos a uma participação mais efetiva para o seu aprimoramento. “Aproveitamos a oportunidade para agradecer aos alunos que confiaram no nosso trabalho e, principalmente, à classe empresarial, que muito nos tem prestigiado com suas solicitações, o que deixa nossa Instituição muito orgulhosa. Continuamos aguardando novos contatos e comentários, pois é sabido que todo projeto, para ter continuidade e receber novos investimentos, depende da aprovação dos principais envolvidos”, finalizou Veridiano. A Central de Empregos e Estágios da Castelo Branco Social pode ser contatada pelo telefone (27) 21026015 e pelo e-mail social@ funcab.br .


Castelo BranCo NOTÍCIAS Arquivo pessoal

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COMUNICAÇÃO, CULTURA E ARTE Guilherme Augusto

Kátia Caliari é a nova secretária de Comunicação Social da prefeitura de Colatina. Antes, ela ocupava o cargo de superintendente municipal de Desenvolvimento e Turismo. Na foto, ao seu lado, Dimas Deptulski, secretário de Cultura, que vinha acumulando as duas pastas. O secretário, além das atribuições no poder municipal, corre o Brasil divulgando o seu trabalho de poeta, violeiro e cantador em parceria com o também músico Efrahim Maia, coordenador de Formação Cultural da prefeitura. Juntos, vêm acumulando prêmios em festivais de música por todo o País, o mais recente deles conquistado em Peçanha (MG) com a música “Teia”.

PRÊMIO Luciano Rossoni foi o ganhador do Prêmio Belmiro Siqueira de Administração de 2010, oferecido pelo Conselho Federal de Administração (CFA) em reconhecimento à sua tese de doutorado intitulada “Governança Corporativa, Legitimidade e Desempenho das Organizações

Listadas na Bovespa”. Rossoni é formado em Administração de Empresas pela Faculdade Castelo Branco (2000); atualmente, vive em Curitiba (PR) onde é professor e pesquisador do Programa de Mestrado e Doutorado em Administração da Universidade Positivo.

Papo rápido com... Arquivo pessoal

“Há sempre alguma coisa que pode ser feita; aconselho as pessoas a não desistirem nunca diante de um obstáculo.”

A

distrofia muscular faz parte de um grupo de dezenas de doenças genéticas que afetam o desenvolvimento dos músculos. Apesar de ser progressiva, nas formas benignas pode ser estancada, dando ao seu portador condições de levar uma vida bem próxima do normal. É o caso de Wenderson da Silva, 21 anos, auxiliar de biblioteca da Fundação Castelo Branco, que desempenha suas funções com poucas restrições, como pegar peso, por exemplo. Neste Papo Rápido, Wenderson fala sobre como é conviver com esse diferencial.

Wenderson Veríssimo da Silva

Papo Rápido: Até onde a distrofia muscular atrapalha as suas atividades? Wenderson: Eu me considero um cara normal; sempre convivi com isso numa boa, até porque a distrofia não me impede de fazer a maioria das coisas de que preciso, como dirigir, por exemplo. Meu carro sequer tem alguma adaptação especial, é

um carro normal. No trabalho, desempenho normalmente a maioria das funções, apenas não posso pegar peso, fazer limpeza. Papo Rápido: Clinicamente, como está a sua distrofia muscular? Wenderson: Ela parou de evoluir há uns cinco ou seis anos. Uma vez por ano, vou ao Rio de Janeiro me consultar e monitorar a doença através de alguns exames específicos. Papo Rápido: Psicologicamente, como você convive com a doença? Você se sente discriminado por ser portador de distrofia muscular? Wenderson: Eu nunca me senti discriminado por isso, ao contrário, meus colegas de escola, por exemplo, sempre me ajudaram, e aqui mesmo no trabalho, nunca fui alvo de nenhum tipo de discriminação.

Papo Rápido: Qual a mensagem que você deixaria para as pessoas ditas ‘normais’, sem nenhum impedimento físico, mas que ainda assim desanimam diante dos obstáculos da vida? Wenderson: Que não desistam nunca, que corram atrás... Há sempre alguma coisa que pode ser feita; aconselho as pessoas a não desanimarem nunca diante de um obstáculo. Se eu, que tenho alguns impedimentos físicos, consigo me superar e fazer o que faço, imagine aqueles que são fisicamente perfeitos?


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Divulgação

CARTEIRAS VÊM...

Começaram a chegar as novas carteiras para as salas de aula da Fundação Castelo Branco. Em janeiro, 1.200 foram instaladas. Ergonomicamente corretas, elas proporcionam muito mais conforto aos alunos.

O cantor e compositor Renato Teixeira estará em Colatina no dia 16 de abril, no Clube Itajuby, cantando sucessos como Romaria, Amora, Contador de Causo e outras belas canções que o levaram a ser considerado um dos melhores compositores do País. Amante e divulgador do “caipirismo do Vale do Paraíba”, Teixeira se mantém fiel ao estilo caipira que o consagrou a partir da década de 60. O espetáculo é uma iniciativa da Loja Maçônica Nilo Peçanha, e os ingressos podem ser adquiridos através do telefone (27) 9961-0428, com Manoel Messias. O show terá a participação da dupla colatinense Jam & Jameika.

Arquivo CBN Guilherme Augusto

...CARTEIRAS VÃO A Castelo Branco Social doou mais de mil mesas e carteiras à Paróquia N. S. da Penha, no Bairro Honório Fraga. O padre Giovani Vedoato, diretor administrativo e ouvidor da FCB, pároco daquela igreja, não perdeu tempo e foi pessoalmente ajudar na remoção do material doado.

EM ABRIL

APRENDIZ LEGAL Os adolescentes Wilson Júnior, Bárbara Souto, Luiz Neto, Kíssila Santos e Daniel Júnior são os novos contratados da Castelo Branco para o programa Aprendiz Legal, de acordo com a Lei dos Aprendizes. Os cinco cumprirão estágio remunerado divididos entre a Biblioteca e o Departamento Pessoal até janeiro de 2012. Guilherme Augusto

PELADA X GELADA Na tradicional pelada das quintas-feiras no campo soçaite da Castelo Branco, os “atletas” se aquecem para a partida Administrativo X Pessoal da Obra. O placar de 3 a 0 (segundo o Administrativo), ou 3 a 2 (segundo o Pessoal da Obra) pode até ter causado divergência entre os jogadores, mas só dentro do campo. Guilherme Augusto

No 3º tempo, o Trailer do Zé Carlos, amigo e fornecedor de primeira hora da Castelo Branco, recebe a rapaziada para o churrasco e a cerveja gelada. E aí, a unanimidade passa a reinar entre os peladeiros. Guilherme Augusto

ESTICADA COM SANFONA

Guilherme Augusto

Acabou em sanfonada a comemoração da formatura do aluno do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Castelo Branco, Fabrício Bailke (centro da foto). Ele e alguns amigos vararam a madrugada depois do baile de formatura, no sábado 15 de janeiro, e continuaram tarde adentro em um churrasco improvisado no “Barbante”, tradicional bar do Bairro Maria Ismênia, comandado pelo casal Penha e Jonas Torezani. Fabrício é filho do taxista boa-praça Nilsinho (na foto, de branco), que nas horas vagas dedilha uma sanfona de oito baixos para os amigos.


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ENTREVISTA ESPECIAL

“Até hoje não consegui entender aonde quis chegar o nosso mago.”

OLNEY BRAGA Texto e foto - Guilherme Augusto Zacharias

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le é considerado no meio acadêmico como uma sumidade em língua portuguesa. No magistério desde 1957 e dono de um extenso currículo – é formado pela Faculdade de Direito do Espírito Santo, licenciado em Letras (Português/Inglês e Português/Francês) e graduado em Administração pela Castelo Branco, especialista em Língua Portuguesa pela Castelo Branco e pela Universidade Federal do Espírito Santo – UFES e mestre em Engenharia de Produção pela Uni-

versidade Federal de Santa Catarina –, o colatinense Olney Braga, 73 anos, transformou-se, ao longo do exercício da sua profissão, em crítico contundente das mazelas que assolam o português escrito e falado, principalmente entre aqueles grupos que deveriam cuidar bem da língua pátria, “em especial no caso dos comunicadores da imprensa escrita, falada e televisada”. Nesta entrevista, concedida ao Castelo Branco Notícias, na praça de alimentação do Colatina Shopping, Olney, que atualmente leciona Gestão das Operações de Produção, Leitura e Produ-

ção de Textos e Língua Latina, na Faculdade Castelo Branco, não poupou críticas nem mesmo ao renomado escritor Paulo Coelho: “Os livros dele apresentam erros de português inadmissíveis”. Falou, também, dentre outros assuntos, sobre seu mais recente livro, Nossa Língua: Curiosidades, desafios e armadilhas, em que enfatiza curiosidades linguísticas, propõe exercícios práticos e alerta sobre as “arapucas e cascas de banana que a língua nos reserva a cada instante.”

Castelo Branco Notícias – Por que o brasileiro ainda lê tão pouco? Olney Braga - Por causa da preguiça e da falta de incentivo à leitura. Principalmente os jovens, que preferem passar horas no computador jogando videogame a ler um livro. Além disso, as pessoas, ao longo do tempo, sempre gostaram de vulgaridades. Elas preferem guardar dinheiro, por exemplo, para ir a um show do Luan Santana (cantor de música country e sertaneja), passar horas e horas ao relento, a investir na compra de um livro. E a falta de leitura acaba por ensejar uma péssima escrita, pois quem não lê bem não consegue escrever bem. CBN – Como o senhor vê o hábito dos jovens que frequentam as chamadas redes sociais, como twuitter, msn, e facebook, de praticar uma escrita toda própria, com algumas letras sendo substituídas por outras apenas para ganhar tempo na digitação, muitas vezes criando aberrações gramaticais como ‘pk’ (porque), ‘kbça’ (cabeça), ‘naum’ (não) e ‘ksa’ (casa)? Olney Braga – É a lei do menor esforço. Esses jovens esquecem-se de que um dia poderão precisar fazer um

concurso público, ou mesmo um exame de admissão em alguma empresa. Formando esse hábito, eles irão encontrar inúmeras dificuldades na hora de fazer uma redação, por exemplo. Há pessoas que não conseguem completar uma frase com um mínimo de sentido. CBN – O senhor vê alguma relação de causa e efeito entre o fato de o brasileiro assimilar com facilidade certos traços culturais estrangeiros e o desinteresse pela língua portuguesa? Olney Braga – Sim, isso é sintomático. Posso citar como exemplo o quadro Jovens Talentos do programa Raul Gil, que apresenta jovens calouros maravilhosos que cantam divinamente. Dos dezesseis cantores que ficaram para as finais, quatorze cantam em inglês; a língua portuguesa está definitivamente relegada a um segundo plano. O curso português/português da nossa faculdade (Castelo Branco) há bastante tempo não consegue formar uma turma, pois o número de inscritos é exíguo. Na epígrafe do meu livro, cito uma frase do professor e escritor Napoleão Mendes de Almeida: “A língua é a mais viva expressão de nacionalidade. Saber


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escrever a própria língua faz parte dos deveres cívicos”. Nesse aspecto, nós estamos devendo muito em civismo. CBN – No seu livro Nossa Língua: Curiosidades, desafios e armadilhas, além de explicar a origem de várias expressões populares, o senhor elabora questões e faz advertências sobre as dificuldades na interpretação de textos e palavras que são úteis para aqueles que querem entender melhor o português... Olney Braga – Sim. Há muito tempo eu venho sendo procurado por uma quantidade enorme de pessoas que querem entrar para o mercado de trabalho, mas que, para isso, precisam enfrentar con-

curso público. Como eu havia escrito uma coluna semanal durante quase dois anos no jornal O Colatinista, resolvi selecionar esses escritos, recheá-los de exercícios, corrigi-los e explicá-los em livro. Ao concebê-lo, pensei: por que não começar a obra com um capítulo destinado às curiosidades linguísticas? Há tanta gente que quer saber a origem de certas expressões como ‘a vaca foi pro brejo’, ‘afogar o ganso’ ou ‘pode tirar o cavalinho da chuva’... Para inserir essas expressões, criei um conto, O Grande Amor de João Galinha, e fui inserindo as dezenas de expressões idiomáticas e explicando suas origens. A primeira parte do livro, ‘curiosidades’, estava resolvida; em seguida, pen-

Castelo Branco NOTÍCIAS sei nos ‘desafios’, que são os exercícios, e, fechando o título do livro, as ‘armadilhas’, que são as arapucas e cascas de banana que a língua nos reserva a cada instante. CBN – Qual a sua opinião sobre as mudanças na ortografia? Olney Braga – Penso ter havido certa precipitação em relação às mudanças ortográficas. Poderiam ter ficado para mais adiante, já que não houve uma discussão ampla, com a participação de professores, filólogos, gramáticos etc. Na verdade, a nova ortografia é fruto do pensamento de uma só pessoa, o professor Antonio Houaiss (considerado o ‘pai’ brasileiro do Acordo Ortográfico).

Pela posição de destaque que ocupa no meio acadêmico, acabou impondo a nova ortografia aos nossos senadores, que se limitaram a dar uma de Pilatos. Seria preciso um estudo bem mais aprofundado da questão. O uso do hífen, por exemplo, virou um verdadeiro samba do crioulo doido, não tem um norte. Em Portugal, a nova ortografia ainda não está valendo; boa parte do meio acadêmico de lá não engoliu as mudanças; e o povo português não as aceita, definitivamente. CBN – No prefácio do livro, o senhor cita o escritor Paulo Coelho, referindo-se a erros gramaticais e semânticos em seus livros. É comum escritores famosos comete-

rem erros dessa natureza? Olney Braga – Não. Na língua portuguesa, a exceção é Paulo Coelho. Os livros dele apresentam erros de português inadmissíveis, tanto gramaticais quanto semânticos. Em O Diário de um mago, pude constatar que ele usava o verbo haver indevidamente no plural em várias frases ao longo da narrativa, mesmo nos casos em que ‘haver’ substitui ‘existir’; usava, de forma equivocada, os pronomes demonstrativos, além de vários outros cochilos, todos absolutamente imperdoáveis. Até hoje não consegui entender aonde quis chegar o nosso mago, com tantos crimes perpetrados contra a nossa encantadora língua.

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P A OUTRA FACE DO BOÊMIO Ex-aluno da Faculdade Castelo Branco, conhecido amante da vida noturna, tem processo na Comissão de Anistia por prisão política na década de 1970. Texto e foto - Guilherme Augusto Zacharias

Ivan “Banha”: vida agitada também na esfera política.

Colatina/ES - janeiro/fevereiro 2011

ara a maioria dos colatinenses ele ficou famoso como um dos mais ativos habitués das baladas que agitavam a cidade nos anos 70, 80 e 90, quando ainda fazia da noite uma criança a ser embalada por entre boates, clubes e barzinhos. Ivan Lievore, mais conhecido como “Banha”, fazia da vida noturna o seu modus vivendi, sempre acompanhado dos sabores e dissabores que ela proporciona. Fora essa faceta conhecida por boa parte da sociedade local, Ivan “Banha” carregava outra, nem tão mais discreta, porém bem menos observada por todos: a de ativista político. Em 1973, aos 22 anos, quando entrou para a primeira turma do curso de Administração de Empresas da Faculdade Castelo Branco, logo se engajou no Diretório Acadêmico e, dali, firmou posição contrária ao regime ditatorial imposto ao País pelos militares através do golpe de Estado de 1964, que perdurou até 1985, quando o poder foi devolvido aos civis. Até o final da década de 1990, a família de Lievore foi concessionária, em Colatina e região, de uma das maiores marcas de veículos produzidos no País, a Chevrolet. Ainda que vivendo uma vida de alto padrão social, Ivan se tornou um ferrenho crítico da

ditadura militar, não sendo poucas as vezes em que participava de comícios de desagravo ao regime organizados pelo movimento estudantil da FCB. “Naquela época existiam apenas dois partidos políticos, o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e a Arena (Aliança Renovadora Nacional), o MDB era de oposição, e eu cheguei a ser lançado como pré-candidato a vereador em Colatina pelo partido”, contou Ivan, que revelou ter sido preso em 1978, após participar de uma assembléia de reivindicação de aumento salarial dos funcionários do Banestes. “Eu estava ali para dar o apoio do Diretório Acadêmico da Castelo Branco àquele movimento dos bancários, quando fui detido por agentes do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e levado para Vitória”. Das dependências do DOPS de Vitória, foi encaminhado ao 38º Batalhão de Infantaria do Exército em Vila Velha, onde foi agredido fisicamente e teve dois dedos das mãos quebrados pelo oficial que o interrogou. Dali foi enviado para São Paulo, onde ficou preso por 11 meses. Naquela época, Ivan estava terminando o curso de Administração na Castelo Branco, interrompido em 1974 por causa de um grave acidente de carro, e trabalhava nas empresas da família. Além disso,

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era reservista do Exército na condição de aspirante a 2º Tenente. “Minhas atividades foram bruscamente interrompidas; meus estudos, meu trabalho e o convívio com a família e os amigos estacaram por meses de uma prisão arbitrária e violenta”, desabafou “Banha”. Baseado nisso, em 2008, Ivan Lievore requereu à Comissão de Anistia – órgão do Ministério da Justiça que analisa os pedidos de indenização por danos econômicos causados por motivação exclusivamente política entre 1946 e 1988 – uma vultosa indenização, algo em torno de R$ 1 milhão, e a atualização de sua patente para a de Coronel do Exército. Seu processo na Comissão de Anistia tramita sob o número 080862095 e desde novembro de 2010 encontra-se na fase de diligência. Hoje, aos 59 anos, aposentado por invalidez depois de ser acometido por uma neoplasia da laringe – o que lhe custou a extração das cordas vocais –, Ivan Lievore espera que seu processo tenha um parecer final favorável da Comissão de Anistia. “Foram muitas as privações e humilhações por que passei na cadeia; acho perfeitamente justas as minhas reivindicações”, alegou.

COMEÇANDO PELA COMUNICAÇÃO Governo federal, blogueiros alternativos, imprensa democrática, partidos políticos e vários outros segmentos da sociedade organizada começam a discutir e apoiar a revisão dos métodos usados nas concessões públicas para a radiodifusão no País. Dentre outras questões que envolvem a comunicação, esta é uma das mais delicadas, já que atinge grandes grupos

oligopólicos de mídia e é considerada como uma verdadeira ‘caixa-preta’ do setor. Há quem especule que a aprovação pelo Congresso Nacional da Lei dos Meios, que vai regularizar a comunicação no Brasil, será o pontapé inicial para que os modelos de concessões públicas em outros setores sejam também revistos. É esperar pra ver.


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