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O retorno dos bodies

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E STA D O D E M I N A S

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D O M I N G O ,

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N O V E M B R O

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FEMININO& MASCULINO

❚ DE VOLTA

De tempos em tempos

BODIES! CIA MARÍTIMA/DIVULGAÇÃO

Das academias para a moda casual, os bodies voltam com roupagem chique e uniformizam as adeptas das gerações que cultuam o corpo e adoram exibir a silhueta

JULIANO ARANTES/DIVULGAÇÃO

Adriana Barra

N

MOS/DIVULGAÇÃO

Cia Marítima

Mos

FOTOS: O QUE VESTIR/DIVULGAÇÃO

Divina Pelle

Lolitta

IZABELLA FIGUEIREDO

em ouse chamá-los maiôs. Afinal, aqui o patamar é bem mais glamouroso. Peças de material colante e maleável, os bodies até podem servir como vestimenta para nadar, mas a verdade é que eles são elegantes demais para isso. Eternizados na década de 1980 pelos estilistas Azzedine Alaia e Donna Karan, que lotaram as passarelas com os bodysuits, no Brasil, ganharam fama durante a exibição do inesquecível folhetim Dancin' days, no qual era costumeiro ver a então jovem Sônia Braga bailando com seus colants cintilantes, calças agarradas ao corpo e meias de lurex. Além do efeito discoteca, outro fator alavancou a popularidade dos bodies no país. “O uso da peça sempre acompanhou a mentalidade das mulheres da década em questão”, explica a consultora de moda Ana Paula Pedras. Nos anos 1980, houve um boom do culto ao corpo: o surgimento da expressão "geração saúde", a febre das aulas de aeróbica, os primeiros refrigerantes diet e, logo, o uso de roupas esportivas para sair. “Daí a primeira mania dos bodies, diretamente dos salões de ginástica para as ruas", explica Ana. Já nos anos 1990, a moda era ser grunge: descolado era quem abarrotava o guarda-roupa com calças baggy, camisetões de flanela e jaquetas com lavagens rasgadas. Não cabia ostentar o corpo nessas produções e o body caiu no esquecimento. Décadas depois, em meados de 2013, fitness se transformou na expressão do momento e mulheres começaram a incluir em sua dieta grãos, chás, sucos funcionais e seguir perfis voltados à vida saudável e emagrecimento em suas contas de Instagram. O culto ao corpo estava de volta. No segmento fashion, nada mais natural que o esporte voltasse a se misturar com a moda e a exibição da silhueta ficasse em voga novamente, dando mais uma chance aos bodies de ressurgirem na lista de desejos femininos. Desta vez, entretanto, eles voltaram repaginados: com manga, estampados, decotados, com babado, listras e até bordados em pedrarias. A estilista paranaense Adriana Barra vem incluindo bodies e releituras das peças em suas coleções há três temporadas e se declara verdadeira fã da peça. “Acho o body prático, sexy e casual. É fácil de usar no dia a dia e em diversas situações”, enfatiza. Só no último verão de Adriana foram cinco modelos diferentes. Entretanto, a estilista corrobora com a ideia de que o body pode ir e voltar sem aviso prévio. “Acho que ele imprimiu temporalidade, mas não ficará como um clássico”, opina. Tetê Vasconcelos, estilista da Cila há sete anos, criou há apenas dois meses na unidade da Avenida do Contorno um córner onde pudesse vender criações diferentes das peças tradicionalmente comercializadas na loja convencional. De olho no mercado, Vasconcelos não poderia deixar de investir nos bodies. "Vejo que a procura por eles é enorme desde o verão do ano passado, e por isso tenho apostado em modelos com tecidos diversificados como o veludo e também em acabamentos diferenciados, como os de manga longa e três-quartos que podem ser usados casualmente". A estilista ainda ressalta que raramente uma cliente procura um body para ser usado como maiô. "Meus materiais até resistem a água, mas têm uma pegada urbana e caem bem com uma produção mais elaborada porque sei que esse é o objetivo", diz. Apesar de icônico, existem algumas restrições para o uso do body, ressalta Ana Paula Pedras. A profissional dá dicas para quem não quer deixar de usá-lo, mas quer fazer bonito. "Para as mais cheinhas, recomendo peças lisas, já que a estampa muda de acordo com o volume do corpo e para braços mais gordinhos é melhor optar por um modelo com manga. As que têm ombros e quadris largos é interessante combinar a peça com uma saia mais larga ou uma pantalona", adverte. No mais, os bodies são bastante democráticos e permitem diversas combinações. É só escolher bem o modelo.


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