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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ ESCOLA DE CIÊNCIAS DA VIDA CURSO DE PSICOLOGIA

ISADORA NOGUEIRA RISSO

A NOITE ESTRELADA de VINCENT VAN GOGH: UM ESTUDO SOBRE ARTE E PSICOLOGIA ANALÍTICA.

CURITIBA 2019


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ISADORA NOGUEIRA RISSO

A NOITE ESTRELADA de VINCENT VAN GOGH: UM ESTUDO SOBRE ARTE E PSICOLOGIA ANALÍTICA.

Monografia

apresentada

ao

Curso

de

Graduação em Psicologia, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, como requisito à obtenção do título de Bacharel em Psicologia. Orientadores: Prof. Ms. Viviane Tetu e Prof. Dr. Luiz Fernando Ribeiro.

CURITIBA 2019


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“Antes de uma criança começar a falar, ela canta. Antes de escrever, ela desenha. No momento que consegue ficar de pé, ela dança. Arte é fundamental para a expressão humana” - Phylicia Rashad.


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RESUMO

Os grandes artistas tocam a alma e influenciam diversas pessoas, sendo um deles, Vincent Willem van Gogh com sua obra “A Noite Estrelada”, uma das mais famosas e visitadas de todos os tempos. O quadro chama bastante a atenção pela sua composição de cores, e foi pintado através da visão de uma das janelas do asilo no qual o artista internou-se voluntariamente em 1889. Até hoje uma grande referência para diferentes artistas e a arte moderna (FELL, 2000). Com isso, o presente estudo visa compreender o fenômeno artístico através do entendimento da Psicologia Analítica (ou Complexa) proposta por Carl Gustav Jung, relacionando-o, posteriormente, com a obra “A Noite Estrelada” de Vincent Willem van Gogh a fim de aplicá-lo em obras estáticas, como o quadro, por exemplo, para uma melhor visualização do conhecimento adquirido. Por fim, esse trabalho procura estabelecer uma relação interdisciplinar da ciência com a arte, preservando a importância de um olhar científico, reflexivo e crítico ao mesmo tempo. Para isso, foram realizados estudos bibliográficos sobre a produção de conhecimento em livros de Carl Gustav Jung e outros centrados na mesma abordagem a respeito da arte e a Psicologia Profunda, assim como estudos de biografias do artista Vincent van Gogh, e produções dentro da Psicologia Analítica que explore a simbologia das cores e conteúdos presentes no quadro “A Noite Estrelada”. Todos os temas e obras foram encontrados com facilidade nos bancos de dados online e na biblioteca da universidade de maneira separada, sendo apenas uma tese relacionando estudos psicológicos com as obras de Van Gogh. Pode-se concluir que este trabalho estabelece uma relação entre a arte e a ciência psicológica, uma vez que mostrou ser possível conhecer um artista e suas representações mentais através da análise e compreensão de sua obra. Para isso, a abordagem

psicologia

analítica

apresentou

consideráveis

ferramentas

para

interconectar a arte produzida por uma pessoa com os seus conteúdos psíquicos.

Palavras-chave: Arte; Psicologia; Jung; Vincent van Gogh.


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ABSTRACT The greatest artists touch the soul and have influenced many people, one of them being Vincent Willem van Gogh with his work “Starry Night�, one of the most famous and visited of all time. The painting is very striking for its color composition, and was painted through the view of one of the asylum windows in which the artist voluntarily entered in 1889. To this day a great reference for different artists and modern art. Thereby, the present study aims to comprehend the artistic phenomenon through the understanding of the Analytical (or Complex) Psychology proposed by Carl Gustav Jung, consecutively relating it to Vincent Willem van Gogh's work of art " Starry Night" in order to apply it in static works, such as the painting, for a better visualization of the developed knowledge. Finally, this study seeks to establish an interdisciplinarity of science and art, preserving the importance of a scientific, reflective and critical research at the same time. To this end, bibliographical studies on the production of knowledge in books by Carl Gustav Jung and others focusing on the same approach to art and Deep Psychology, as well as studies of biographies by artist Vincent van Gogh, and productions within Complex Psychology were conducted to explore the symbology of the colors and contents in the painting "Starry Night". All themes and works were easily found in the online databases and in the university library, being only a thesis relating psychological studies with the works of Van Gogh. It can be concluded that this work establishes a relationship between art and psychological science, since it has shown that it is possible to know an artist and his mental representations through the analysis and understanding of his work. To this end, the analytical psychology approach has presented considerable tools for interconnecting a person's art with its psychic contents.

Key words: Art; Psychology; Jung; Vincent van Gogh.


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LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 – A Noite Estrelada........................................................................................17


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SUMÁRIO RESUMO ABSTRACT 1 INTRODUÇÃO………………………………………………………………….

01

2 PROBLEMA DE PESQUISA………………………………………………….

03

3 OBJETIVOS…………………………………………………………………….

04

3.1 Objetivo Geral………………………………………………………………...

04

3.2 Objetivos Específicos………………………………………………………..

04

4 REFERENCIAL TEÓRICO…………………………………………………....

05

4.1 A psicologia proposta por Carl Gustav Jung………………………..…….

05

4.2 O inconsciente……………….………………………………………………..

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4.3 Símbolos…………………...………………………………………………….

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4.4 Processo de individuação……………………………………..…………….

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4.6 Manifestação artística e psicologia………………………………………....

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4.7 Vincent Willem van Gogh……………………...…………………………….

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5 MÉTODO………………………………………………………………………...

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6 RESULTADO……………………………………………………………………

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7 DISCUSSÃO…………………………………………………………………….

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8 CONSIDERAÇÕES FINAIS…………………………………………………...

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REFERÊNCIAS


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1 INTRODUÇÃO

A arte está presente desde os primórdios da existência humana. As pinturas rupestres expressavam o cotidiano do homem naquela época, bem como animais, caças e expressões corporais. Pode-se dizer que a manifestação artística está presente, também, em todas as culturas posteriores. Seja em forma de pintura, escultura, música, teatro, cinema, ou literatura, por exemplo, ela é utilizada como fonte tradutora das diferentes realidades existentes. É uma das principais referências históricas utilizadas para o entendimento do passado, e por isso está presente nos mais diversos museus ao redor do mundo. Sua característica atemporal é notada uma vez que essas diferentes manifestações tocam e inspiram outras pessoas até hoje. Logo, a arte está carregada de experiências, sentimentos e emoções vividas por determinada pessoa ou povo que transcende o objeto produzido em si. A arte traduz a vida, transforma a objetividade e concretude do cotidiano em traços e poesia. O contato com ela é fundamental para a construção da identidade de qualquer ser humano, uma vez que de maneira simbólica, o faz refletir e buscar novas possibilidades para sua existência. Portanto, é de extrema importância que a Psicologia se aproxime da arte para entender como são percebidos esses fenômenos artísticos na vida de cada pessoa em particular, bem como utilizá-la como chave de acesso para a criatividade e até mesmo os sentimentos mais profundos com dificuldade para conectarem-se à consciência. Os grandes artistas tocam a alma e influenciam diversas pessoas, sendo um deles, Vincent Willem van Gogh com sua obra “A noite estrelada”, uma das mais famosas e visitadas de todos os tempos. O quadro chama bastante a atenção pela sua composição de cores, e foi pintado através da visão de uma das janelas do asilo no qual o artista internou-se voluntariamente em 1889. Até hoje uma grande referência para diferentes artistas e a arte moderna. Vincent possuía diversas questões psicológicas nitidamente expressas em seus quadros, advindas de seu desequilíbrio emocional e oscilação de humor. Sendo esses fenômenos psicológicos objeto de estudo da psicologia, é necessário reconhecer que há sentimentos difíceis de serem acessados através da fala, e que a arte pode servir como uma técnica para ganharem forma e até mesmo para organizar uma mente perturbada.


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Considerando que o artista coloca um pouco de si no mundo, bem como toca outras pessoas por expressarem temas humanos, o presente estudo busca compreender como a psicologia enxerga as manifestações artísticas no sujeito, tendo um enfoque na psicologia analítica (ou complexa) proposta por Carl Gustav Jung e seus seguidores. Além disso, é relevante que o conhecimento adquirido possa ser correlacionado com uma arte para um melhor esclarecimento de como visualizá-lo e aplicá-lo, sendo esta, o quadro “A noite estrelada” de Vincent Willem van Gogh. Logo, se vê necessária a escolha de uma pintura artística, pois apesar de paradas e se apresentarem como uma foto da alma, as manifestações artísticas dessa categoria manifestam uma dinâmica e fluidez por si só. Um quadro comunica algo através de uma língua desconhecida e a partir disso se busca compreender sua linguagem e seu sentido, como uma música. Toda obra estática possui um conflito, um ritmo, e um silêncio. É uma melodia ouvida através dos olhos. Por fim, deve haver uma interdisciplinaridade da ciência com a dimensão crítica presente na arte, uma vez que atualmente há uma imensa demanda de produzir artigos científicos com agilidade, afastando o cientista da importância a respeito da reflexão sobre o seu trabalho e uma crítica interna. Ambos os campos se nutrem da experimentação e curiosidade humana, concebendo algo novo para a cultura e humanidade. E para isso, torna-se relevante utilizar a história e produção artística de Vincent van Gogh para estabelecer um paralelo entre a arte e o estudo da loucura, obtendo tanto um olhar artístico quanto psicológico.


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2 PROBLEMA DE PESQUISA Como a psicologia analítica compreende a obra “A noite estrelada” de Vincent Willem van Gogh?


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3 OBJETIVOS 3.1 Objetivo geral -

Estabelecer uma relação entre a Psicologia Analítica e a obra “A noite estrelada” de Vincent Willem van Gogh.

3.2 Objetivos específicos -

Compreender o histórico da abordagem Psicologia Analítica e seus principais conceitos.

-

Entender como a Psicologia Analítica compreende as manifestações artísticas no sujeito.

-

Identificar aspectos da história do artista Van Gogh para uma melhor compreensão de sua obra.

-

Relacionar o referencial teórico estudado com a obra “A noite estrelada” de Vincent van Gogh.


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4 REFERENCIAL TEÓRICO

4.1 A psicologia proposta por Carl Gustav Jung Carl Gustav Jung nasceu em 1875 na Suíça, onde cresceu e estudou medicina na Universidade de Basiléia em 1900. Após esse período, iniciou a sua residência em psiquiatria no Hospital Burghölzli, em Zurique onde trabalhou por nove anos (STEIN, 2006). Foi no período de trabalho nesse hospital psiquiátrico que Jung centrou na pesquisa de “associação de palavras”, a fim de aclarar as estranhas analogias feitas por seus pacientes esquizofrênicos. Esse teste consistia em apresentar palavras previamente selecionadas, sendo o paciente responsável em devolver a primeira coisa que lhe vinha à mente com um tempo rigorosamente marcado, uma vez que um maior tempo de reação poderia aparecer quando determinada palavra se relacionasse de maneira desagradável com a vida do sujeito (MARONI, 1999). Maroni (1999) coloca que a partir desse momento Jung passou a se interessar pela análise dos complexos constelados, ou ativados, dos pacientes submetidos ao teste de associação de palavras, sendo eles, estruturas inconscientes que emergem para além do controle do ego. Tanto as alucinações, como os sonhos, e os lapsos de linguagem são obras desses complexos, portanto, não se pode afirmar que são parte de uma patologia, “patológico é não saber que os tem, pois nesse caso, é provável que o ego seja possuído por um deles” (MARONI, 1999 p. 8). A partir das suas descobertas realizadas com o teste de associação de palavras, Jung fez-se a estudar as obras de Sigmund Freud, das quais as confirmavam e o fez adquirir novos significados (MARONI, 1999). O importante trabalho realizado por esses dois autores aconteceu entre os anos de 1907 e 1913, seguido por uma ruptura, uma vez que Jung se entregou para uma profunda autoanálise e através dela ter emergido sua própria teoria, denominada psicologia analítica, sendo apresentada para o mundo no livro “Tipos psicológicos” em 1921 (STEIN, 2006). Segundo Maroni (1999), as principais divergências entre Jung e Freud consistia principalmente na ideia do trauma sexual infantil, já que não colocava a sexualidade em primeiro lugar, como Freud o fez. Além disso, Jung estudou as estruturas psíquicas psicóticas e esquizofrênicas, sendo a psicanálise uma teoria apropriada e de grande eficácia no campo das neuroses e não apropriada para as fantasias apresentadas por


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seus pacientes, muitas vezes relacionadas a temas universais e não pessoais, ou produtos de um recalque, como visto na psicanálise. Os complexos observados por Jung possuem uma resistência em tornarem-se conscientes, e são apresentados, muitas vezes, como estranhas fantasias sem relações estabelecidas com a vida pessoal do sujeito que os imagina. Portanto, o método redutivo causal (proposto por Freud) explicaria esses conteúdos de maneira reduzida, com um olhar direcionado apenas à história pessoal do paciente, excluindo a possibilidade do diálogo com a história, cultura, e a mitologia (MARONI, 1999). Maroni (1999) coloca que Jung sempre apresentou um grande interesse pelo estudo da religião, e notou certa semelhança entre os conteúdos trazidos nas fantasias de seus pacientes com as ilustrações mitológicas dos povos antigos. Foi através disso, que pode incluir os mitos como uma forma de compreendê-las e desenvolveu o conceito de arquétipo. Logo, o pensamento fantástico e o poder das imagens obtiveram um importante reconhecimento para a sua teoria desenvolvida, sendo elas analisadas através do método de amplificação, recusando a ideia de suas origens serem apenas frutos de acontecimentos passados da vida do sujeito. Em 1930, apesar de grande parte da sua teoria já ter sido desenvolvida e documentada, ainda se vira necessário um detalhamento de diversos pontos. Foi a partir dessa década que Jung centrou seus estudos no aprofundamento e validação das hipóteses trazidas até então, incluindo elementos da física moderna, história e religião, até a sua morte em 1961. Suas fontes de origem, ainda não muito documentadas, se embasam nos estudos de antigos alquimistas, além de Nietzsche, Kant, Goethe, Schopenhauer, Carus e Hegel (STEIN, 2006). Por fim, Jung dirigia a si mesmo como um explorador e pioneiro da alma humana, uma vez que a psique é um enorme e misterioso território, ainda não muito estudado em sua época. Seu estudo possui uma grande importância histórica para o século XX, que além dos grandes avanços científicos e tecnológicos, também foi um momento de introspecção e estudo da subjetividade humano, campo hoje conhecido como psicologia profunda. Logo, o modelo de psique elaborado por Jung é bastante aberto, até porque, é classificado para ele como um território desconhecido a fim de ser explorado, respeitando então, o fato de não poder ser explicado ou moldado em termos racionais (STEIN, 2006).


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4.2 O inconsciente Stein (2006) compara a estrutura psíquica com o sistema solar, sendo a Terra a consciência do ego, e o espaço ao redor dela, o inconsciente. Todo e qualquer satélite ou objeto espacial próximo a Terra seriam os complexos, que habitam o inconsciente, sendo esse o território que Jung buscou explorar em sua carreira como psiquiatra, batizando-o, posteriormente, de inconsciente pessoal. Jung (2008) caracteriza duas camadas do inconsciente, sendo elas o pessoal e o impessoal (ou coletivo). Este último é totalmente universal e, portanto, desvinculase do inconsciente pessoal pelo fato de seu conteúdo ser encontrado em diversas culturas. Para Jung (2008), quando nos esquecemos de alguma coisa, ela não deixa de existir, apenas passa a fazer parte do inconsciente. Logo, parte dele é constituído de pensamentos, imagens e impressões que apesar de parecerem perdidos, possuem uma grande influência na consciência. Um estado de consciência total seria empiricamente impossível, já um nível extremo de inconsciência seria caracterizado por instintos e processos impulsivos. O inconsciente, portanto, se encontra em um estágio instintivo ou animal (JUNG, 2008). O homem é dotado de capacidades instintivas de criação por ser capaz de produzir novas formas, assim como a natureza. Esta, é designada ‘força criativa’, por ter uma relação íntima com os demais instintos, como a fome e a sexualidade, por exemplo (JUNG, 2008). Jung admitiu que há conteúdos inconscientes que perturbam a consciência, denominando-os ‘complexos’. Estes, foram constelados, observados e registrados por meio de estímulos verbais, no teste de associação de palavras realizado por ele, e indicavam sinais de perturbação. Os resultados desse teste comprovaram para Jung que de fato, há entidades psíquicas encontradas além da consciência (STEIN, 2006). Segundo Stein (2006), os complexos se encontram na história pessoal de cada um. Porém, há outros caracterizados familiares ou sociais, pertencentes ao coletivo, dos quais o sujeito pega para si. Um exemplo disso seriam os traumas culturais, como a da ‘grande depressão’, e por isso, pode-se pensar na existência de uma camada cultural da inconsciência. Esta, por sua vez, é diferente do inconsciente coletivo, e pode ser estruturada por amplos padrões e atitudes culturais que interferem nas atitudes de cada ser.


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Para Jung, todo complexo possui em seu núcleo uma imagem, sendo ela entendida como a essência da psique. Uma imagem psíquica pode estar relacionada a um evento externo, na medida que produz espontâneas reações em situações ou com pessoas específicas. Portanto, um complexo é um instinto construído (STEIN, 2006). Além das recordações pessoais, percepções, lembranças perdidas ou reprimidas e outras temáticas pessoais, há uma camada do inconsciente que carrega temas universais e imagens primordiais, denominadas ‘arquétipos’. Essas imagens são formas antigas da imaginação humana, e se comportam como tendências à repetição de uma mesma experiência (JUNG, 2008). Os arquétipos, segundo Jacobi (1957), transcendem a capacidade de compreensão racional e sua origem é desconhecida, uma vez que parte do reino das sombras, ou inconsciente coletivo. O que se sabe é que ele não está presente na esfera orgânica do ser humano, mas surge com a vida. Jung compreende que eles são responsáveis pelos conteúdos mitológicos, dos contos de fada e lendas, e expressam comportamentos comuns dos seres humanos presentes em todas as culturas ao redor do mundo. Todo arquétipo se apresenta por meio de em uma imagem arquetípica na psique de uma pessoa, uma vez que ele é universal e vai além do que a percepção individual possa captar (JACOBI, 1957). Jung (2008), em seu livro ‘Os arquétipos do inconsciente coletivo’ coloca: “O inconsciente coletivo é uma parte da psique que pode distinguir-se de um inconsciente pessoal pelo fato de que não deve sua existência à experiência pessoal, não sendo portanto uma aquisição pessoal. Enquanto o inconsciente pessoal é constituído essencialmente de conteúdos que já foram conscientes e no entanto desapareceram da consciência por terem sido esquecidos ou reprimidos, os conteúdos do inconsciente coletivo nunca estiveram na consciência e portanto não foram adquiridos individualmente, mas devem sua existência apenas à hereditariedade. Enquanto o inconsciente pessoal consiste em sua maior parte de complexos, o conteúdo do inconsciente coletivo é constituído essencialmente de arquétipos” (p. 53).

O arquétipo, portanto, revela a existência de formas na psique presentes em todos os lugares e de diversas formas, e pode ser entendido como “pensamentos elementares ou primordiais” (JUNG, 2008). Além disso, se referem a um padrão de comportamentos e revela-se de maneira numinosa, isto é, proporciona uma vivência


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emocional ou com algum significado para alguém, por ser revestido de símbolos (JACOBI, 1957). O inconsciente coletivo é, portanto, uma junção de todos os arquétipos, ou seja, o conjunto de toda a vivência humana que vem desde os seus primórdios. Pode-se dizer que ele é uma enorme fonte de instintos, no qual o arquétipo é uma forma de representação dos mesmos (JUNG, 2008).


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4.3 Símbolos Para Jung (2009), o símbolo é uma forma de expressão daquilo que se é desconhecido em nossa psique, e liga um determinado arquétipo com uma imagem específica. Jaffé (2008), no capítulo que contribui para a obra “O homem e seus símbolos” coloca que qualquer coisa pode apresentar uma significação simbólica, sejam elas objetos naturais ou fabricados pelo homem, assim como formas abstratas presentes nas artes plásticas, por exemplo. O homem carrega dentro de si uma propensão a criar símbolos, ou seja, transforma de maneira inconsciente objetos ou formas e o transforma em símbolo, atribuindo-lhes uma forma de se expressar psicologicamente. Foi por meio da religião e da arte que as pessoas puderam registrar tudo o que lhe emocionaram e trouxeram significações, mantendo-as vivas até hoje (JAFFÉ, 2008). Ronnberg e Martin (2012) apontam que as imagens simbólicas são sementes vitais e veículos de potencialidade, e certamente, cada símbolo necessitaria de um livro inteiro para contextualizá-lo, uma vez que não se esgotam. O símbolo representa uma paisagem psíquica, e vem carregado de projeções inconscientes. Jung dedicou parte de sua vida estudando os simbolismos de diversas mitologias e religiões, assim como mergulhou dentro da alquimia para estudar os processos psíquicos dos alquimistas que aconteciam sincronisticamente durante as suas experiências alquímicas. Logo, constatou que o conteúdo alquímico, carregado de simbolismos, faz parte da psique inconsciente, e suas imagens, portanto, descrevem o percurso de vida, no qual Jung denominou ‘processo de individuação’ (EDINGER, 1995).


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4.4 Processo de individuação Von Franz (2008) em seu capítulo ‘O processo de individuação’ na obra ‘O homem e seus símbolos’ questiona qual seria o papel ou o propósito da análise de sonhos ou o contato com o inconsciente na vida de um sujeito e coloca que todo esse processo diz respeito a uma grande conexão de fatores psicológicos. Observa-se que na vida, diversos temas surgem através dos sonhos, e ao serem percebidos e analisados, gera-se um lento processo de crescimento psíquico, denominado por Jung de “processo de individuação”. Toda pessoa possui a oportunidade de desenvolver-se nesse processo de crescimento e maturação, pois é através dele que surgirá lentamente uma personalidade mais ampla, amadurecida, e consciente de si própria. Essa personalidade é regulada pelo ‘centro organizador’, chamada de self, que constitui portanto, a totalidade da psique (Von Franz, 2008). Maroni (1999), coloca que individuar-se é tornar-se um indivíduo separado da sociedade, ou seja, é um processo em que aos poucos se deixa de fazer parte de um todo e passa a ser quem realmente se é através da diferenciação entre a personalidade consciente (ego) e o inconsciente coletivo. Portanto, é necessário fazer uma ligação entre o eixo ego-self, ou seja, ligar as experiências conscientes com a totalidade da psique, que incluem também a persona, sombra, anima e animus. Para Von Franz (2008), o processo de individuação só acontece quando o sujeito está consciente e mantém uma relação com ele, a fim de participar ativamente de seu desenvolvimento, e a harmonização do consciente com o self vem, portanto, do reconhecimento dos sonhos e fantasias vindos do inconsciente, principalmente as mais dolorosas, que representam constatações daquilo que não se gosta em si mesmo. É através das verdades amargas, ou sombra, que esse processo se inicia, pois é ela que está por trás da persona (uma pequena parte de si que se escolhe mostrar para o mundo). Para conseguir olhar os aspectos sombrios de cada um, é importante reconhecer o oposto de si mesmo, ou seja, as figuras personificadas no interior de cada um. Jung chamou de ‘animus’, o aspecto masculino presente na mulher, e ‘anima’, o aspecto feminino do homem. A exploração de ambas se torna necessária para fortalecer quem se é, e não aceitar que o inconsciente viole com suas sugestões as manifestações do self.


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4.6 Manifestação artística e psicologia analítica A arte, ou manifestação artística, pode ser entendida como uma “capacidade ou atividade humana de criação” (AURÉLIO, 2001 p. 71). Já para Coli (1995), é um problema definir um conceito para a arte, uma vez que são exclusivas, divergentes e contraditórias. Porém, é um tema de fácil acesso, do qual qualquer pessoa pode pensar em um exemplo, seja mencionando o quadro “Mona Lisa”, uma peça de teatro ou uma música. É um assunto de grande admiração. Apesar da dificuldade em estabelecer uma definição única para a arte, é de grande facilidade saber a o que ela corresponde, entretanto, a cultura em si se dispõe de instrumentos para deliberar o que é ou não arte, assim como os locais que elas se manifestam, seja em museu, numa galeria, em uma sala de teatro ou de cinema, a fim de engrandecê-las (COLI, 1995). Coli (1995) constata que a cultura é responsável por permitir que determinado objeto possa ser considerado uma manifestação artística, por exemplo: uma galeria concede a um pintor a oportunidade de manifestar o seu trabalho, definindo que tipo de produto é ou não considerado arte. Por consequência, há uma linha divisória para diferenciar os objetos artísticos dos não artísticos. Todavia, o autor aponta como exemplo de contradição, o reconhecimento tardio dado para diversos artistas, como no caso de Vincent van Gogh e outros impressionistas, e que amanhã, a cultura poderá considerar outros objetos artísticos, atualmente desvalorizados. Tolstói (2016) reflete que a arte é uma atividade humana, na qual o homem a utiliza para comunicar-se de maneira consciente todos os sentimentos que experienciou dentro de si a fim de colocá-los para que outros possam, também, experimentá-los. Logo, uma “boa arte” seria sempre aquela que contamina outras pessoas das vivências do próprio artista, sendo ele, um “modelador da vida”, que ensina os homens a se moverem para a sua própria humanidade. Diniz (2018) coloca que “a arte é a linguagem da alma” (p. 13), bem como é um eficiente canal para escutá-la. Tendo em vista esse conceito, é importante que o sujeito em análise se abra para músicas, poemas, pinturas, e outras manifestações artísticas a fim de estabelecer uma comunicação com o coletivo e o individual de maneira não verbal, já que apenas o intelecto não consegue contemplar a completude da alma humana. O verbal não se encarrega de transmitir todas as questões internas e a expressão artística auxilia o ser humano a lidar com suas angústias internas, medos


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e dúvidas a respeito do desconhecido, visto que ela revela a abundância do inconsciente. Portanto, a arte relaciona o sujeito intimamente com a própria alma (DINIZ, 2018). Jung (2009) coloca que a arte é advinda da manifestação psicológica de determinado sujeito, assim, a psicologia deve olhar para o processo de criação, visto que uma obra é sempre uma manifestação do si mesmo. O ser é o propagador da criatividade, processo este, essencial para a alma humana e que transcende a captação da consciência. Mas para isso, se vê necessário estabelecer uma relação entre o artista e sua obra específica, já que pode suas reações podem ser diferentes para cada uma delas. Silveira (1992) em seu livro “O mundo das imagens”, coloca que a imagem não pode ser vista como uma reprodução de fatores externos, mas uma representação do mundo interior do artista, abrangendo conteúdos conscientes e inconscientes, podendo apresentar também temas arquetípicos. São produzidas através da capacidade imaginativa do inconsciente, encobertas de desejo, energia e impulsos. Uma obra notoriamente simbólica chama mais a atenção pois fala por si, muito além do que se pode captar. Quando se fala da psicologia relacionada a arte, a tendência é reduzir o seu conteúdo em imagens, sentidos e histórias e isso a afasta dos mistérios da vida. A psicologia pode se apropriar do símbolo a fim de explorá-lo, mas jamais conseguirá o desvendar por inteiro, dado que é sempre um desafio para a consciência a sua compreensão por inteiro (JUNG, 2009). Toda imagem consiste em um sentido amplo, e vista como símbolo alcança um grau que transcende o pessoal, podendo ser ampliada a uma esfera mitológica. A psicologia assim como a ciência, possuem uma explicação válida e pode contribuir modestamente para o entendimento dos fenômenos humanos, mas longe de alcançálos integralmente, pois parte também do olhar social de uma obra (JUNG, 2009). A arte reflete o espírito de determinada época, trazendo os moldes dos quais há uma maior demanda. O artista anseia em encontrar no seu próprio inconsciente uma forma de compensar a unilateralidade presente no momento, portanto, o gênero e características das obras permite uma conclusão sobre um período histórico. Assim sendo, a manifestação artística permite a realização inconsciente do sujeito, representando um recurso para a regulação da alma, bem como das nações e momentos históricos (JUNG, 2009).


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4.7 Vincent Willem van Gogh Muitas pessoas pensam em Vincent van Gogh como um grande, porém lunático e perturbado artista que arrancou fora sua própria orelha. Por ter tido uma vida cheia de contradições, é hoje uma personalidade muito estudada por historiadores da arte, teólogos e psicólogos, nos quais procuram explorar a complexidade de seu temperamento (FELL, 2007). Além disso, Silva (2011) coloca que Vincent apresenta um grande papel na área da saúde, uma vez que desperta grande interesse para psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, educadores entre outros profissionais devido a seu grande sofrimento psíquico vivido, que gerou episódios de automutilação e internamentos psiquiátricos. Vincent Willem van Gogh nasceu no dia 30 de março de 1853 em Groot Zundert, zona rural da Holanda. Época marcada pelo grande desenvolvimento cultural e industrial na Europa, e como consequência, a criação de uma numerosa classe média com uma boa renda e lazer, mantendo uma classe trabalhadora que enfrentava grandes jornadas de trabalho e por baixos salários (FELL, 2007). Foi o primeiro de seis filhos de Theodorus e Anna, havendo um natimorto cerca de um ano antes de seu nascimento. Seu pai, chefe de família, pastor calvinista e autoritário fazia Vincent sentir-se pouco à vontade em sua casa, onde apresentava uma baixa autoestima e tinha acesso a intensos momentos de raiva. Seus vizinhos o descreviam como acanhado, ranzinza e com um jeito de pessoa velha (FELL, 2007). Fell (2007) conta que Vincent descreveu sua infância como “triste, fria e estéril”, além de mencionar sobre não se sentir amado por sua mãe. Essa profunda mágoa é decorrente ao luto que ela vivenciou pelo irmão natimorto ainda quando era criança, sendo batizado em homenagem com o mesmo nome, ou seja, era visto como o “filho substituto”, e por isso sofreu uma profunda rejeição emocional. Quando criança, frequentemente assistia aos cultos na igreja onde seu pai era pastor, e ao lado ficava o cemitério onde seu irmão havia sido enterrado. Logo, via uma lápide com o seu próprio nome gravado: “Vincent Willem van Gogh” e a data “0303-1852”. Essa cena, segundo as cartas que trocou posteriormente com seu irmão Theo, o provocava o sentimento de estar morto psicologicamente e ocupando o lugar de outra pessoa (RIBEIRO, 2000). Segundo Fell (2007), todos os domingos Anna levava seu filho para visitar o túmulo do irmão e o decorava com flores, ou seja, a lápide era um lembrete daquilo que ele jamais seria: o Vincent perfeito que tinha o amor da mãe. Vincent passou a


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ser cada vez mais introvertido e solitário, que preferia andar pelos campos sozinho para ler e pintar ao invés de brincar com as outras crianças. Aos dezesseis anos, interrompeu os estudos para trabalhar com um tio em sua galeria chamada “Goupil”. Foi nesse local que ele pode entrar em contato com as artes plásticas e as obras de sua época (RIBEIRO, 2000). Sweetman (1993), coloca que foi a primeira vez que pode apreciar as cores e cheiros da tinta óleo e verniz, e foi nessa época que Vincent passou a escrever regularmente cartas para seu amado irmão, Theo. Em junho de 1879 escreve: “Não conheço melhor definição da palavra arte que essa: “A arte é o homem acrescentando à natureza” à natureza, à realidade, à verdade, mas com um significado, com uma concepção com um caráter, que o artista ressalta, e os quais dá expressão, “resgata”, distingue, liberta, ilumina” (GOGH, 1997, p. 19).

Ribeiro (2000) aponta que apesar de Vincent ter se apresentado como um bom profissional e tido um bom desempenho na galeria do tio, apresentava características depressivas muito marcantes, bem como problemas de relacionamento, e por isso foi demitido. Se sentia bastante rejeitado na época devido a uma desilusão amorosa e decidiu seguir uma carreira religiosa. Sua carreira teológica foi desde sempre muito incerta. Foi reprovado em diversos exames pois se recusava a aprender grego e latim na escola missionária de Laeken, na Bélgica. Posteriormente, outro colégio de evangelização em Bruxelas o aceitou como aluno e o colocou em uma comunidade de mineiros localizada em Borinage. Vincent se solidarizou com eles, uma vez que desceu até a mina para averiguar suas condições, e achou aquela realidade perturbadora (FELL, 2007). Na primavera do mesmo ano (1879), ocorre uma explosão da qual matou e feriu diversos trabalhadores. Vincent trabalhou até sua exaustão para ajudá-los e como uma pessoa altruísta, cedeu seu confortável aposento para um sem teto, e passou a viver em um barraco sem cama, aquecimento e calor. Dividia sua comida com ratos, além de se recusar a trocar de roupas e manter a higiene. Todo esse sacrifício fez os mineiros acreditarem que ele era um homem louco, despedindo-o (FELL, 2007).


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O isolamento da sociedade e seu trabalho com os pobres foi uma importante influência para a sua manifestação artística (RIBEIRO, 2000), e em julho de 1880, aos 27 anos de idade, escreve para seu irmão Theo sobre a sua decisão de tornar-se artista: “Quando eu estava em um outro ambiente de quadros e de coisas de arte, você sabe muito bem que tive então por aquele ambiente uma paixão violenta, que chegava ao entusiasmo. E não me arrependo, e ainda agora, longe dele, muitas vezes sinto saudades do mundo dos quadros (...). Agora não estou mais nesse ambiente, no entanto essa coisa que se chama alma, pretende-se que não morre jamais, e que vive sempre e busca sempre mais e mais e ainda mais. Em vez de sucumbir em saudades, eu disse: “O país ou a pátria estão em todos os lugares”. Em vez de me deixar levar pelo desespero, tomei o partido da melancolia que espera e que aspira e que busca, àquela que embota e, estagnada, desespera” (VAN GOGH, 1997, p. 22).

Durante os anos de 1886 e 1888, Vincent morou em Paris com o seu irmão Theo, que na época era comerciante da arte impressionista e apresentou o artista Paul Gauguin, que mais tarde tornou-se seu melhor amigo. O contato com a técnica impressionista foi de grande influência para o aperfeiçoamento de sua arte, e a partir disso, seus quadros ganharam a suas identidades, passando também a serem mais claros e coloridos (SILVA et. al. 2011). Em fevereiro de 1888, mudou para o sul da França, na cidade de Arles para formar uma colônia de artistas, e o único pintor que aderiu a sua ideia foi Gauguin. A partir disso, os dois passaram a ter intensas convivências, com muitas discussões a respeito de arte, projetos de vida, literatura e mulheres (SILVA et. al. 2011). Seu biógrafo Sweetman (1993), coloca que Gauguin passou a morar posteriormente em outra cidade, mas que prometera visitá-lo. Após certo tempo solitário, Vincent e Gauguin se reencontraram, o que de certo foi o fato que mais perturbou a relação dos dois, pois Vincent insistira que ele ficasse mais tempo do que havia planejado. No dia 23 de dezembro daquele mesmo ano, a tensão adquiriu o seu estado máximo, e Vincent correu atrás de Gauguin com uma navalha e ao se aproximar, abaixou a cabeça e retornou para casa, onde cortou a sua própria orelha e entregou para uma mulher que frequentava a “casa amarela”, onde morava. No dia seguinte foi hospitalizado para tratar de seus ferimentos, apresentando ao mesmo tempo violentos ataques e confusão mental (SWEETMAN, 1993).


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No dia 7 de janeiro de 1889, pode deixar o hospital. Após um mês de volta para a casa amarela, passou a ter novos ataques repentinos de violência e instabilidade, muitos deles após ingerir significativas quantidades de álcool, e por isso foi preso e levado de volta ao hospital Hôtel-Dieu, onde o colocaram em uma solitária. No dia 19 de abril foi proposto que se internasse no asilo Saint-Rémy-de-Provence, ao norte de Sales. Vincent sabia que não estava louco, mas tinha muito medo que a loucura tomasse conta de si a qualquer momento (SWEETMAN, 1993). Neste asilo, pode ser tratado de maneira tranquila, e recebeu diferentes diagnósticos como esquizofrenia e epilepsia. Com o tempo, passou a ficar cada vez mais desgostoso com o local, pois todo o irritava e passou a querer ir embora (SWEETMAN, 1993). Além do ateliê onde tinha permissão de confeccionar suas pinturas, Vincent também tinha autorização para pintá-las em seu quarto (SILVA et. al. 2011) quando em junho de 1889 escreve para Theo: “Esta manhã eu vi uma paisagem da minha janela muito tempo antes do nascer do sol com nada além da estrela da manhã, que parecia muito grande” (VAN GOGH, 2008, p. 16).


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Figura 1- Noite Estrelada (1889). Vincent Van Gogh. Óleo sobre tela (73x 92 cm). Museum of Modern Art, New York.

Segundo Cruz (2014) a obra “A Noite Estrelada” (figura 1) é uma das mais famosas do pintor, sendo seu diferencial, o fato de não ter sido pintada ao ar livre. Ao analisar seus elementos visuais, o céu apresenta uma lua crescente e um céu estrelado evidenciados de forma grandiosa e que despertam tranquilidade e conforto. “No vasto céu iluminado pelas estrelas, Van Gogh disse a Theo que vislumbrava "algo que só pode se chamar Deus". As estrelas deste quadro fulguram com redemoinhos brilhantes de cor. No entanto, a pintura apresenta acuradamente as constelações e os astros que reluziam no céu noturno de junho de 1889, mês em que Van Gogh pintou o quadro (GREEN, 2004, p. 31).

Ribeiro (2000) aponta que a natureza adquire um papel especial nessa obra, pois Vincent não pinta somente a realidade em si, mas colocando a si mesmo como um ponto de partida, e pinta o quadro de maneira espiritualizada, evidenciando até mesmo, sua motivação religiosa. Além disso, é um quadro que expressa que o artista está em um local solitário, onde brilha uma estrela central e outras que giram em um turbulento céu, que representam uma ameaça pois quase invade o plano terreno. Vincent van Gogh saiu voluntariamente do asilo em maio de 1890 e mudou-se para Auvers Sur Oise, que em menos de dois meses, pintou cerca de 80 quadros, e quando estava próximo de seu reconhecimento como artista devido às vendas que seu irmão Theo fazia de suas telas, suicidou-se nesse mesmo ano, com um tiro no peito, aos 37 anos (SILVA et. al. 2011). Apesar de mencionar diversas vezes a morte como uma possibilidade, em 24 de julho de 1890, Vincent solicita alguns tubos de tintas para o irmão Theo, e seu biógrafo Claude Millon não acredita que três dias depois possa ter puxado o gatilho contra si mesmo, uma vez que não houve nenhum sinal de crise (FELL, 2007). Já Veiga (2013) coloca que há diversas especulações acerca da morte do pintor, que há possibilidade de ter sido um caso de suicídio, porém há grandes indícios de que tenha sido uma morte causada a partir de complicações dos ferimentos provocados acidentalmente por uma arma de fogo em uma bebedeira com amigos. Vincent carregava consigo uma carta para Theo no dia de sua morte:


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“Pois assim é, e isto é tudo, ou pelo menos o principal, que eu tenho a lhe dizer num momento de crise relativa. Num momento em que as coisas estão muito tensas entre merchands de quadros de artistas mortos e de artistas vivos. Pois bem, em meu próprio trabalho arrisco a vida e nele minha razão arruinou-se em parte (...)” (VAN GOGH, 1997, p. 175, 175).

Vincent Willem van Gogh viveu períodos de sua vida marcados pelo abuso de bebida alcóolica e uma profunda depressão e melancolia. Trocou cerca de 800 cartas com seu irmão Theo e pintou centenas de telas. Apesar disso, somente uma delas foi vendida durante a sua vida, e após a sua morte, tornou-se o maior pintor holandês do século XX (YACUBIAN, 2010).


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5 MÉTODO Este é um estudo teórico a respeito da visão da Psicologia Analítica, proposta por Carl Gustav Jung, a respeito da arte como expressão do inconsciente. Ao final, será estabelecida uma relação com a obra “A noite estrelada” de Vincent van Gogh. Para tanto, foram realizados estudos bibliográficos sobre a produção de conhecimento em livros do próprio autor e outros centrados na mesma abordagem a respeito da arte e a Psicologia Profunda. Em seguida, foi apresentado o quadro “A noite estrelada” de Vincent Willem van Gogh, com o objetivo de discutir e estabelecer uma relação do conteúdo estudado com a obra, obtendo uma interdisciplinaridade entre a arte e a ciência. Para tanto, se viu necessário o estudo de biografias do artista, bem como produções dentro da Psicologia Analítica que explorasse a simbologia das cores e conteúdos presentes no quadro. Barros e Lehfeld (2000) apresentam a pesquisa teórica como aquela que visa aprofundar um conhecimento a respeito de um tema, não necessitando de coleta de dados, como em uma pesquisa de campo, por exemplo. Logo, é um estudo de conceitos, biografias, e discussões planejando introduzir e investigar o que se deseja pesquisar através da revisão de literatura, seja em livros, artigos científicos, monografias, enciclopédias etc. (DEMO, 2012). A pesquisa teórica é uma maneira eficiente de organizar os pensamentos e conhecimentos já apresentados sobre determinado assunto, pois insere um problema e analisa uma teoria para compreendê-lo, discuti-lo e explicá-lo (HENDGES & SANTOS, 2011).


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6 RESULTADOS Para poder compreender a Psicologia Analítica proposta por Carl Gustav Jung, foi necessário aprofundar o conhecimento teórico nesta abordagem. Os principais temas foram pontuados e buscados dentro da literatura, e para isso, foram lidas obras do próprio autor e de seus seguidores, também escritores conceituados e reconhecidos dentro da linha teórica. Já os temas referentes à arte e a história de Vincent Willem van Gogh foram buscados nas biografias escritas sobre o artista, e nos bancos de dados online SciELO e Redalyc. Todos os temas e obras foram encontrados com facilidade nos bancos de dados online e na biblioteca da universidade de maneira separada, sendo apenas uma tese relacionando estudos psicológicos com as obras de Van Gogh. Durante a pesquisa foi possível observar alguns confrontos de ideias, principalmente em relação a história do artista e a sua verdadeira causa da morte. Além disso, foram lidos alguns autores pós-junguianos (como James Hillman da escola Arquetípica), que apresentou um posicionamento divergente à teoria complexa clássica de Jung, exigindo outras leituras para uma melhor compreensão de sua abordagem. Por fim, a literatura que relaciona o tema arte com a ciência da psicologia analítica encontrada foi bastante ampla, uma vez que os dois temas tendem a estar interligados.


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7 DISCUSSÃO Foi visto, portanto, que a psicologia analítica compreende a arte como uma ferramenta de expressão da alma, e assim como os sonhos, ela apresenta conteúdos do inconsciente pessoal e coletivo. Com Vincent van Gogh não foi diferente, pois apesar da maioria de seus quadros retratarem paisagens externas, eram carregados de manifestações internas, que até mesmo contam a história pessoal do pintor e a da época em que vivia. Vincent carregava dentro de si muita angústia, presenciava constantes ataques de raiva e desmaios, era uma pessoa psicologicamente perturbada e sentia-se sozinho na maioria das vezes. Porém, é evidente o quanto sua arte o organizava e lhe fazia bem, uma vez que mesmo sem o reconhecimento da sociedade, continuou a fazer. Quando estava em crise, pintar era o que lhe fazia sentido, ele relacionou-se consigo mesmo através de seus quadros, uma vez que o verbal nunca deu conta de expressar tudo o que sentia. A arte alimentou a sua alma. Jung estudou a complementaridade do ser (ou os opostos que regem a psique como forma de compensação), e Vincent evidenciou essa dualidade, uma consciente e a outra inconsciente. Em determinados momentos esteve lúcido, e sua força criativa era tamanha a ponto de ter produzido dezenas de quadros em um mesmo dia. Já em outros, entrou em momentos de profunda depressão, desmaiou, e agiu com impulsividade, não lembrando o que lhe havia ocorrido. A obra “A Noite Estrelada” pode ser analisada pela perspectiva da psicologia analítica através do seu conteúdo simbólico. Para isso, é importante explorá-la através de sua amplificação, assim como relacioná-lo com diversas culturas, lembrando que o símbolo é inesgotável, e portanto, jamais poderá ser interpretado de maneira integral. O quadro chama a atenção pela oposição de suas cores, conteúdo este escolhido para a amplificação de sua simbologia. De acordo com a sua história, a obra foi pintada no asilo em que esteve internado, onde pode entrar ainda mais em contato com seus sentimentos e emoções a fim de se recuperar. Dentro do azul escuro e do quase preto, se sobressaem chamativas e ardentes estrelas pintadas de amarelo, contrastando e evidenciando a dualidade, como pontos de luz meio a escuridão. Toda e qualquer imagem é carregada de símbolos, que de certa forma, transcendem o conteúdo de quem a produz. Para amplificar a simbologia dessas duas


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cores, é preciso buscar compreender como elas são vistas também para além da história pessoal de Vincent, e a alquimia torna-se uma importante ferramenta para tal, uma vez que foi estudado por Jung para entender os processos psicológicos. Para Hillman (2011), o azul na alquimia é uma cor de transição entre o branco e o preto, ou seja, o nigredo e a albedo, contendo afinidade com ambos os processos. Essa transição é baseada em uma profunda tristeza emergida de um grau de desespero, já que o azul está associado também a escuridão, à medida que caminha para uma reflexão e um maior grau de consciência. O azul traz o preto consigo, e protege o branco da inocência. Apesar de percorrer um processo de branqueamento, o preto é muito presente e não deixa as coisas irem embora. Até mesmo o azul mais escuro não é preto, logo, não pode ser visto como a morte da alma, mas um momento de autorreflexão em que a depressão azula-se em melancolia. Ao retardar o branqueamento, o azul é a ansiedade imersa na depressão, a vontade de entender o que acontece dentro de si mesmo a fim de colocar tudo em ordem (HILLMAN, 2011). “O azul é a escuridão tornada visível” (CIRLOT, 2005 p.51). A noção junguiana do azul, por ser considerada a cor do elemento ar, está associada à função pensamento, a filosofia, a moral, e a verdade. Para o poeta Stevens (1951), azul é a cor da razão e estabilidade intelectual, mas também da imaginação. É um momento em que o pensamento e a imagem começam a se entrelaçar, ou seja, as reflexões tomam um caminho imaginativo para a saída da nigredo, assim como a imaginação oferece subsídios para os pensamentos (HILLMAN, 2011). Hillman (2011) explica que o mundo concreto precisa do imaginal, que trará as profundezas aos elementos captados de forma sensorial. É por causa do azul que são produzidas as metáforas, analogias, o insight, e até mesmo a música azul (blues), e “o presente específico do azul é para a mente, de forma que a sua visão seja um insight [visão anterior], sua visão seja visionária, e a metáfora a sua terra firme” (p. 177). Além disso, é nessa fase que a mente dissolve o literal na fantasia além de mover-se para uma sensibilidade poética, e o azul traz a metáfora da importância de não cair no pensamento dos opostos, do preto e do branco, do bom e do mau, do certo e do errado. O azul evoca frieza, é uma cor calmante, que diminui o ritmo cardíaco e abaixa a pressão sanguínea. É a cor da tristeza, da melancolia, isolamento, e do frio. Seu ritmo musical (blues) veio da população negra e pobre e mistura a tristeza com o


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humor, logo, o azul é o meio do caminho entre o desespero e a esperança (RONNBERG, 2010). A cor que predomina a obra “A Noite Estrelada” é o azul. Ela representa uma noite fria, vista da janela do quarto de Vincent, isolado de tudo e todos. Apesar de uma cor calma, o céu está em movimento, como se ventasse, podendo representar uma certa inquietude psíquica. O vento para os navajos era visto como uma força unificadora da natureza, da qual abrange a escuridão e a luz (representada no quadro pela lua e as estrelas). Jung (2009), que caracteriza quatro estágios na alquimia, sendo eles: melanosis

(enegrecimento),

leukosis

(embranquecimento),

xanthosis

(amarelecimento) e iosis (enrubecimento), sendo o amarelecimento uma fase de transição para a rubedo, tendo sida omitida mais tarde pelos alquimistas. Logo, Hillman (2011) questiona qual seria a importância do amarelecimento alquímico para as práticas analíticas, uma vez que a mudança de cor resulta na mudança de sua essência. O amarelo significa essa mudança (muitas vezes para pior), seja no amarelecimento das páginas de um livro, nas folhas secas ou dentes velhos. Ele diz respeito ao processo do tempo. Porém, o amarelo subentende também a alegria e a luz solar. No alemão gelb significa brilhante ou radiante. Em sua oposição encontra-se o azul, uma cor fria, profunda e sóbria, logo, o amarelo seria quente, raso e louco. Kandisky (1977) coloca que o amarelo faz um paralelo com a loucura, e que mentes perturbadas costumam seduzir-se por ele, assim como o fez Vincent van Gogh e Edgar Allan Poe, segundo Birren (1962). (HILLMAN, 2011). Hillman (2011) afirma que para Van Gogh, o amarelo era a cor do amor. Além disso, ao preparar um quarto em sua casa para hospedar seu amigo Gouguin, Vincent criou diversas pinturas de girassóis amarelos e as pendurou nas paredes (RONNERG, 2010). O simbolismo japonês relata que o amarelo e o vermelho são cores que se encontram do lado de fora, assim como o branco e o preto do lado de dentro, sendo a transição do branco para o amarelo um estado de aumento da temperatura e conversão de dentro para fora (HILLMAN, 2011). O branco na análise por sua vez remete a perfeição, a sentimentos positivos e movimentos suaves. É a meta para muitos alquimistas, recusando-se a serem amareladas, pois é remetido a um estrago de sua cor, um certo apodrecimento, referindo-se também a um leite no processo de virar queijo. Porém, o amarelecimento


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vai além do estrago, pois representa uma iluminação e expansão do branco, sendo puramente intelectual, uma continuidade da capacidade reflexiva de todo o sofrimento encontrado na nigredo, ou seja, o amarelo traz o conhecimento, além de resgatar a alma da brancura, uma vez que não é nesse estado que se vive, apenas se reflete sobre (HILLMAN, 2011). Através do conteúdo simbólico analisado, é possível hipotetizar que Vincent estava passando por um momento de escuridão, isolamento e autorreflexão, mas que de certa forma, movimentava-se através do vento para algum lugar, sendo a luz da lua e das estrelas usadas para guiá-lo em seu processo de individuação. O amarelo que ilumina esta noite fria e escura representa o seu oposto: a vivacidade, espontaneidade e extroversão, presentes desde sempre dentro do artista. Apesar de um céu turbulento, a vila encontra-se calma. “A Noite Estrelada” evoca um misto de sentimentos e sensações, marcada pela dualidade de suas cores e movimentos. Trata-se uma pintura expressiva, advinda de uma mente triste e perturbada em busca de compensar-se na alegria e leveza. Na alquimia, tanto o amarelo quanto o azul representam cores de transição, não representando uma morte da alma ou falta de sentido na vida. Era um momento em que esteve por refletir sobre seu período de tristeza a fim de esclarece-lo, o que justificaria ainda mais a hipótese de sua morte ter sido acidental e não causada por si próprio. Por ser considerada uma pessoa altruísta, Vincent não tinha a intenção de ferir os outros, apresentando comportamentos impulsivos de maneira sombria. Sua arte evidenciou sua tamanha tristeza e solidão, assim como a sua impulsividade e perturbação, e foi aos poucos, conforme ele entrava em contato com quem se era por inteiro, incluindo esse lado sombrio, que pôde vivenciar o seu processo de individuação. Ao longo de sua vida, Van Gogh procurou se encaixar nos padrões exigidos pela sociedade para adquirir reconhecimento por sua arte, mas sempre que isso lhe era exigido, havia uma perda de controle das suas emoções, impossibilitando que recebesse dos outros o amor e dedicação dos quais buscava. E foi através da instabilidade de suas relações, que se isolou e pode entrar em contato com suas emoções a fim de buscar o que fazia sentido para si além do esperado pelos outros. Portanto, Vincent van Gogh conectou-se com seu processo por meio dos quadros que pintou, processo este não reconhecido na época, uma vez que vendeu


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pouquíssimas obras em vida. Ele as carregou de conteúdos simbólicos do seu mundo interior e até mesmo arquetípicos, apesar de representarem paisagens externas. “A Noite Estrelada” até hoje chama muito a atenção e sensibiliza diversas pessoas ao redor do mundo, sendo considerada uma das obras mais famosas de todos os tempos.


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8 CONSIDERAÇÕES FINAIS Através do referencial teórico estudado, o presente estudo pode estabelecer uma relação entre a arte e a ciência psicológica, uma vez que mostrou ser possível conhecer um artista e suas representações mentais através da análise e compreensão de sua obra. Para isso, a abordagem psicologia analítica apresentou consideráveis ferramentas para interconectar a arte produzida por uma pessoa com os seus conteúdos psíquicos, uma vez que entende o processo criativo como intrínseco ao ser, e suas criações mapeiam a alma e onde ela pretende levá-lo. A obra, apesar de estática, comunicou de maneira simbólica uma riqueza de conteúdos para a sua análise, sendo estes inesgotáveis. A escolha da pintura “A Noite Estrelada” possibilitou interpretações relacionadas a determinado momento da vida do artista, já próximo a sua morte. Para um entendimento mais completo de todo o seu processo, seria necessário analisar outras obras produzidas em diferentes momentos de sua trajetória. Além disso, é importante ressaltar que para a realização deste trabalho não foi encontrado um número significativo de pesquisas que relacionassem artistas com suas respectivas obras através de um olhar psicológico. A junção destes possibilita um olhar crítico e reflexivo para a grande demanda de produção de conhecimento objetivo exigido no ramo científico, e sendo esta considerada uma rica ferramenta de estudo tanto para o campo criativo, quanto para o da ciência, por que não buscar explorar mais essa forma de conhecimento? Por fim, o conteúdo abordado para a realização desta monografia foi de grande importância não só para a formação profissional dentro no campo da psicologia através do estudo do referencial teórico, mas também humana, uma vez que possibilitou uma leitura crítica e sensível do ser humano em seus processos pessoais e histórico.


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"A Noite Estrelada" de Vincent van Gogh: Um estudo sobre arte e psicologia analítica.  

Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Psicologia, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, como requisito à obtenção do títu...

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