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Ano I - n.º 1 junho de 2017

Projeto de Educação Sexual do 7.º E - 2016/2017 - Escola Básica de Lamego (Agrupamento de Escolas Latino Coelho)


Ano I - n.º 1 junho de 2017

Editorial

Com PES e Cabeça Ficha técnica: Turma - 7.º E: 1.– Alexandre Lourinho; 2.– Beatriz Teixeira; 3.– Bruna Medeiros; 4.– David Teixeira; 5.– Diana Oliveira; 6.– Diogo Tomás; 7.– Eliana Medeiros; 8.– Francisco Cardoso; 9.– Francisco Polónio; 10.– João Adrega; 11.– Joaquim Reis; 12.– Luana Pinto; 13.– Mariana Morgado; 14.– Mariana Pereira; 15.– Patrícia Pereira; 16.– Tatiana Gomes; 17.– Vítor Vitorino. Coordenação: João Pereira Colaboração: Professor António José Rodrigues Professora Amélia Sousa Agradecimentos: Padre Manuel Pereira Gonçalves Enfermeira Deolinda do Carmo Coelho Costa Rodrigues

No início deste ano letivo de 2016/2017, foi-nos pedido que trabalhássemos a Educação Sexual de modo diferente, que fossemos inovadores no processo e que produzíssemos algo de novo. No seio da turma E do sétimo ano, surgiu a ideia de fazermos uma revista. Amadurecemos a ideia e resolvemos pôr mãos à obra. A turma foi dividida em grupos, de dois e de três alunos, e os temas foram sorteados. Os grupos de três alunos ficaram com dois temas, enquanto os de dois ficaram apenas com um. Deste modo, conseguimos abranger todos os temas propostos para o terceiro ciclo, que, abreviadamente, são os seguintes: Dimensões da sexualidade, Aparelhos reprodutores: masculino e feminino, Ciclo menstrual e ovulatório, Métodos contracetivos, Infeções sexualmente transmissíveis, Maternidade e paternidade na adolescência, Interrupção voluntária da gravidez, Noção de parentalidade no quadro de uma saúde sexual e reprodutiva saudável e responsável e, por último, Maus tratos e aproximações abusivas. Com este trabalho, não se pretendeu esgotar os temas elencados. É apenas uma abordagem que poderá e deverá ser aprofundada nos restantes anos deste ciclo de escolaridade.

Os alunos pesquisaram os temas em sítios da Internet, nomeadamente no www.apf.pt e no www.dgs.pt. Devo, no entanto, sublinhar que este trabalho não é constituído somente por trabalhos originais. Com este projeto também tivemos a pretensão de divulgar o trabalho feito por outros. Assim sendo, podem encontrar nestas páginas textos que foram retirados da Internet e que se encontram referenciados como tal. Todos os textos têm o seu mérito. Não querendo ser injusto, deixemme, contudo, salientar as entrevistas que publicamos nesta nossa revista. A primeira é a do senhor Padre Manuel Pereira Gonçalves, pároco de Tabua-

ço. A segunda é a da senhora Enfermeira Deolinda do Carmo Coelho Costa Rodrigues. Valem muito a pena serem lidas! Esta revista será disponibilizada em suporte papel, para quem assim o queira, mas também estará disponível em formato digital, através da ferramenta ISSUU.

Espero que gostem do trabalho feito. Nós gostámos de o fazer!

João Pereira, docente do grupo 400 e diretor de turma do 7.ºE Nota: No nome da revista, PES alude ao “Programa de Educação para a Saúde”. É, pois, uma sigla.

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Dimensões da sexualidade O que é a sexualidade?

sexual com prazer e livre de discriminação, enquan-

A sexualidade é uma parte integrante da vida de

to os Direitos Reprodutivos compreendem o direito

cada indivíduo que contribui para a sua identidade

básico de todos os casais e de todas as pessoas de-

ao longo de toda a vida e para o seu equilíbrio físi-

cidirem, livre e responsavelmente, sobre o número,

co e psicológico.

o espaçamento e a oportunidade de ter filhos/as,

A sexualidade é "uma energia que nos motiva a procurar amor, contacto, ternura e intimidade, que se integra no modo como nos sentimos, movemos,

assim como ter a informação e os meios para assim o fazer, usufruindo do mais elevado padrão de saúde sexual e reprodutiva.

tocamos e somos tocados, é ser-se sensual e ao

Alguns dos Direitos Sexuais constam na legislação

mesmo tempo sexual; ela influencia pensamentos,

de determinados países, como sejam o direito ao

sentimentos, ações e interações e, por isso, influ-

casamento ou o direito à não discriminação basea-

encia também a nossa saúde física e men-

da no sexo ou na orientação sexual. No entanto,

tal" (Organização Mundial da Saúde, 1992).

existem vários países em que muitos dos Direitos Sexuais não são reconhecidos em termos legais nem respeitados. Diversos Organismos Internacionais (Organização das Nações Unidas, Federação Internacional de Planeamento Familiar e a Associação Mundial de Sexologia) constataram a necessidade de criar uma Carta de Direitos Sexuais.

1 – O Direito à Vida Nenhuma mulher deve ter a vida em risco por razões de gravidez. Nenhuma pessoa deve ter a vida em risco por falta de acesso aos serviços de saúde e/ou informação, aconselhamento ou serviços relacionados com a

Direitos Sexuais e Reprodutivos Os Direitos Sexuais e Reprodutivos são uma com-

saúde sexual e reprodutiva.

ponente dos Direitos Humanos universais, referen-

2 – O Direito à liberdade e segurança da pessoa

tes à sexualidade, saúde sexual e saúde reproduti-

Todas as pessoas têm o direito de poder desfrutar

va que emanam de direitos de liberdade, igualda-

e controlar a sua vida sexual e reprodutiva, no res-

de, privacidade, autonomia, integridade e dignida-

peito pelos direitos dos outros.

de para todos os seres humanos. A fim de assegurar que todas as pessoas desenvolvam uma sexualidade saudável, os direitos sexuais e reprodutivos devem ser reconhecidos, respeitados, promovidos e

defendidos

por

toda

a

sociedade.

Os Direitos Sexuais são os direitos que garantem que toda e qualquer pessoa possa viver a sua vida

Todas as pessoas têm o direito de não estarem sujeitas a assédio sexual. Todas as pessoas têm o direito de estar livres do medo, vergonha, culpa, falsas crenças ou mitos e outros fatores psicológicos que inibam ou prejudiquem o seu relacionamento sexual ou resposta se-

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Dimensões da sexualidade xual. 3 – O Direito à igualdade e o direito a estar livre de todas as formas de discriminação Ninguém deve ser discriminado, no âmbito da sua vida sexual e reprodutiva, no acesso aos cuidados e/ou serviços. Todas as pessoas têm o direito à igualdade no acesso à educação e informação de forma a preservar a sua saúde e bem-estar, incluindo o acesso à informação, aconselhamento e serviços relativos à sua saúde e direitos sexuais e reprodutivos. Nenhuma pessoa deve ser discriminada no seu

privacidade e confidencialidade. 5 – O Direito à liberdade de pensamento

acesso à informação, cuidados de saúde, ou servi-

Todas as pessoas têm direito à liberdade de pensa-

ços relacionados com as suas necessidades de saú-

mento e de expressão relativa à sua vida sexual e

de e direitos sexuais e reprodutivos ao longo da sua

reprodutiva.

vida, por razões de idade, orientação sexual,

Todas as pessoas têm o direito à proteção contra

“deficiência” física ou mental.

quaisquer restrições por motivos de pensamento,

4 – O Direito à privacidade

consciência e religião, no seu acesso à educação e

Todos os serviços de saúde sexual e reprodutiva,

incluindo a informação e o aconselhamento, deve-

informação relativas à sua saúde sexual e reprodutiva.

rão ser prestados com privacidade e a garantia de

Os profissionais de saúde têm o direito de invocar

que as informações pessoais permanecerão confi-

objeção de consciência na prestação de serviços de

denciais.

contraceção e aborto e o dever de encaminhar os

Todas as mulheres têm o direito de efetuar esco-

utentes para outros profissionais de saúde dispos-

lhas autónomas em matéria de reprodução, inclu-

tos a prestar o serviço solicitado de imediato. Este

indo as opções relacionadas com o aborto seguro.

direito não é contemplado em casos de emergên-

Todas as pessoas têm o direito de exprimir a sua

cia, quando esteja em risco a vida de uma pessoa.

orientação sexual a fim de poder desfrutar de uma

Todas as pessoas têm o direito de estar livres de

vida sexual segura e satisfatória, respeitando con-

interpretações restritas de textos religiosos, cren-

tudo o bem-estar e os direitos dos outros, sem re-

ças, filosofias ou costumes, como forma de delimi-

ceio de perseguição, perda da liberdade ou interfe-

tar a liberdade de pensamento em matérias de cui-

rência de ordem social.

dados de saúde sexual e reprodutivos e outros.

Todos os serviços de cuidados em saúde sexual e

Este documento foi retirado do site www.apf.pt

reprodutiva incluindo os serviços de informação e

Foi retirado no dia 23-02-2017

aconselhamento devem estar disponíveis para to-

Pesquisa elaborada pelos alunos:

das as pessoas e casais em particular os mais jovens, numa base de respeito aos seus direitos de

Alexandre Lourinho, Francisco Polónio e Vítor Vitorino

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Outros tempos, felizmente... A vida das mulheres durante o Estado Novo era

As mulheres só puderam ser polícias em 1971 e até

muito diferente da de hoje. Esperava-se que a mu-

ao 25 de abril de 1974 elas não podiam aspirar à

lher fosse uma dona-de-casa perfeita, atenciosa

carreira diplomática ou a exercer o cargo de juiz.

com o marido, atenta aos filhos e muito prendada

Vivia-se num ambiente conservador, onde os te-

em relação aos labores domésticos. A mulher não

mas amor e sexo eram perfeitos tabus. As demons-

podia sair do país sem a autorização do esposo,

trações de afeto entre namorados eram proibidas

não podia ter um emprego sem autorização do ma-

na via pública. O simples facto de um casal de na-

rido, não podia ter um contrato de arrendamento

morados andar de mão dada estava sujeito a mul-

em seu nome ou sequer uma conta no banco. Algu-

ta, sendo esta de dois escudos e cinquenta centa-

mas não podiam mesmo casar-se, como foi o caso

vos.

das telefonistas, até 1939, das enfermeiras dos

Alexandre Lourinho,

hospitais civis, até 1962, das funcionárias do Minis-

Francisco Polónio,

tério dos Negócios Estrangeiros e das hospedeiras de voo da TAP, até 1974. As professoras primárias, por sua vez, tinham que pedir autorização para casar. Na imagem, podemos ver a minuta do pedido de autorização que as professoras tinham que pre-

Vítor Vitorino. Nota: Este texto foi escrito com base na leitura de diversos artigos, nomeadamente da professora Irene Pimentel, que encontrámos em diversas páginas da Internet.

encher e endereçar ao ministro da Educação Nacional. O Decreto-Lei, referido nesta minuta da década de 50, dizia no seu artigo 9.º: "O casamento das professoras não poderá realizar-se sem autorização do Ministro da Educação Nacional, que só deverá concedê-la nos termos seguintes: -1.º Ter o pretendente bom comportamento moral e civil; -2.º Ter o pretendente vencimentos ou rendimen-

tos, documentalmente comprovados, em harmonia com os vencimentos da professora." Fica claro que se o noivo vencesse de ordenado uma quantia inferior à professora não podia desposá-la. Ainda no que diz respeito às professoras, até a altura das saias que elas usavam nas salas de aula estava regulamentada!

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Espaço de Entrevista Entrevista ao senhor Padre Manuel Pereira Gonçal- sos, atenciosos, a criar momentos diferentes… Conves, pároco de Tabuaço. tudo, há rotinas e cansaços que é preciso prever e Senhor Padre, os afetos são uma dimensão impor- até prevenir. Por outro lado, o diálogo, a capacidatante na sexualidade. Pode falar-nos um pouco de de escutar e de falar, sobre as coisas mais importantes mas também sobre as pequenas coisas. desta dimensão? O que corrói a relação são os pormenores, um esR.: São os afetos que nos humanizam e nos diferenquecimento, uma palavra não dita, um elogio não ciam dos outros animais. O ser humano não se relafeito, uma desatenção, a falta de uma carícia. E o ciona com o outro numa dinâmica meramente rerespeito pelo espaço de cada um, sabendo que são produtiva ou de sobrevivência da espécie. Também diferentes, que ambos terão que fazer cedências, e faz parte da sexualidade. Com efeito, o ser humano não ceder sempre o mesmo. precisa de carinho, atenção, de compreensão, de falar sobre o que vive e quando há relação sexual Para além do curso de preparação para o matritem necessidade de se sentir realizado e satisfeito mónio, o senhor transmite alguma mensagem esmas também, a ser autêntico, que o outro sinta, pecial aos jovens casais? responda, fale, diga o que gostou e não gostou. R.: Como disse anteriormente, e a meu ver, o diáloClaro que na atualidade há uma grande variedade go e o respeito pelo outro, procurando compreende relações e algumas não passam de momentos, der e aceitar os seus defeitos e as suas manias. de sexo, e não propriamente de sexualidade, pois Com o tempo acentuar-se-ão as diferenças. É neesta precisa de falar, de se expressar antes e depois cessário estar atentos aos pormenores, para não do momento. Sexo sem sentimentos, sem afetos, deixar de mimar o outro. provocará, penso eu, uma satisfação momentânea, No início de uma relação constrói-se uma imagem mas não passará de um momento robotizado. O que se quer dar a conhecer ao outro: simpatia e outro é apenas um instrumento de prazer. Sentir- bondade, tentando “convencer” o outro de que me-ei preenchido se não falar dos meus sentimen- somos pessoas agradáveis, bem-humoradas, que tos? Se o outro não me disser que gostou de estar ao pé de nós não há rotinas, somos compreensivos, comigo e que se sente bem comigo? Que gosta de tolerantes. Mas, como acontece em família, com o mim? E da minha parte, de que serviria a lingua- tempo deixamos cair as “máscaras”, naturalmente, gem (das palavras, do silêncio e das carícias) se não e quando estamos mais relaxados, dando a relação para comunicar ao outro a importância que tem como adquirida, já não temos a mesma delicadeza, para mim? Como me faz feliz e me faz sentir impor- a mesma tensão, sentindo-nos seguros mas ao tante? mesmo tempo com a urgência de ser agradáveis. É Em linhas gerais, quais são os ensinamentos que preciso treinar esta tensão, avivar o que nos aprotransmite aos jovens quando os prepara para o xima, o que nos faz sentir amados. casamento? Senhor Padre, o sexo é só para a reprodução ou R.: Na preparação próxima, procuro que entendem pode servir para outros fins na vida de um casal? que é um compromisso sério, que exige muito dos R.: Primeiramente, a relação sexual é expressão do dois, que devem estar cientes que o matrimónio amor, da entrega, de um ao outro. É como que o não é um namoro contínuo, ainda que durante o cume do compromisso assumido. Visa estreitar a mesmo devam continuar a namorar, a ser carinho- cumplicidade entre os dois, enriquecendo-se mutu-

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Espaço de Entrevista amente, conhecendo o corpo e a alma do outro. A relação sexual não é apenas uma troca de fluidos ou de prazeres, mas tem a preocupação de criar mais intimidade, fazendo com que o outro se sinta seguro, confortável, sem sentir vergonha ou temor do outro. A relação sexual, por certo, ajudará a que o outro se sinta em casa. Por isso também quando falamos em sexo ou relação sexual entre duas pessoas, falamos em sexualidade, a pessoa como um todo que se expressa pelos afetos, mas os afetos comunicam -se com o corpo, com as carícias, com os beijos, com os abraços, com o sorriso e com o olhar, com as brincadeiras, os presentes e as surpresas, sem secundarizar nunca a relação sexual propriamente dita. Penso que a relação sexual amadurece os laços que unem um casal, pois sinalizam a entrega e a confiança, o despir-se diante do outro (e não apenas da roupa), com a sua sensualidade e com as suas imperfeições, é entregar-lhe o corpo e a vida, e a alma vai no corpo!

E qual é a sua posição sobre o uso de contracetivos? A pílula pode ser usada para o planeamento familiar? E há alguma situação em que o uso do preservativo seja recomendado? R.: São várias questões. Em todo o caso, a Igreja aponta um ideal: que na relação entre os dois cônjuges não haja nenhum artifício, nada que seja artificial, mas total abertura um ao outro, também na expressão do corpo, com a consequente abertura à vida, tornando o casal fértil ou, pelo menos, com essa possibilidade. A este propósito os métodos naturais são muitos seguros, ainda que não haja muita simpatia por eles. Tem uma exigência, a de conhecer o próprio corpo, neste caso da mulher, respeitando os seus ritmos biológicos, sem pressas, convidando a conversar, a saber esperar, a criar expetativa para o tempo da relação sexual, com o propósito de gerar

filhos, ou aguardando os tempos da não fertilidade. Por vezes há tanta pressa na relação sexual que não há tempo para esperar, para criar ritmos, para adiar o sexo… O planeamento familiar levará o casal a refletir sobre o número de filhos, o espaçamento dos mesmos e o tempo mais favorável. Com esta responsabilidade, e sabendo que a relação sexual não visa apenas a procriação, mas também a proximidade, a intimidade, o fortalecimento dos laços entre os dois, a necessidade de usar métodos contracetivos. Não vale tudo, mas o casal tem a última palavra. Em consciência o casal opta pelo método que seu entender é mais adequado. O ideal apontado pela Igreja é possível e alguns casais seguem-no. Mas pode haver outros casais que não tenham a disponibilidade (afetiva e espiritual) para observar estes métodos. Em consciência devem escolher o método mais saudável para os dois. A preocupação da Igreja é que os membros do casal se respeitem, se sintam seguros. A Igreja, e todos somos igreja, não se mete dentro dos lençóis do casal. Por outro lado, também a atenção não apenas ao ato sexual propriamente dito, mas a todos os momentos do dia, o carinho, as carícias, a amizade, as cumplicidades, as brincadeiras. Os métodos escolhidos devem ser consensuais e, sempre, quanto possível, contribuírem para a saúde física e afetiva dos dois. Quando ao preservativo vale o que se disse para os outros métodos contracetivos. Pode haver situações em que seja aconselhável, ou pelo facto de outro método não ser seguro, por exemplo, a toma de antibióticos que cortem o efeito da pílula… algum dos dois teve uma relação sexual fora do casamento… claro que aqui já se levantam outras questões bem mais delicadas… Estamos a falar em casais e planeamento familiar. Claro que o uso do preservativo em relações provisórias, espontâneas, experimentais, casuais ou com vários parceiros… deveria ser crime não usar pre-

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Espaço de Entrevista servativo, pois perigam a própria saúde/vida e a dos outros… Senhor Padre, o que entende por saúde sexual? R.: Quando a pessoa se sente realizada, integrando as diferentes dimensões corporal, afetiva e espiritual. A pessoa sente-se bem com o seu corpo, relaciona-se aberta e harmoniosamente com os outros, não vive obcecado por alguém, projetando nele/a as suas frustrações, a causa dos seus fracassos ou a solução para os seus problemas. Numa relação a dois, a saúde sexual tem a ver com o facto de ambos se sentirem bem com os corpos (ou melhor, com a sua corporeidade), bem como olharem para o outro com alegria e confiança, aceitando o outro como outro, como pessoa, com quem podem e querem contruir uma vida conjunta. E o que entende por parentalidade/paternidade responsável? R.: Há uma expressão popular que pode dizer muito quanto aos filhos: não custa fazê-los, difícil é criá -los, educá-los. A paternidade responsável permite olhar para os filhos não como um direito mas como uma vocação e uma missão. Não gero um filho porque me apetece, porque os outros casais já têm filhos… o filho é o aprofundamento da relação entre os membros do casal, ponderando com generosidade o número e o espaçamento entre os filhos, tendo em conta as condições para lhes proporcionar um ambiente seguro, onde possam crescer, brincar, aprender… Se não sei o que quero da vida… se a relação em casal está em crise… não é por certo a altura para tentar ter um filho, pois este não resolverá os problemas do casal e também não vai converter uma pessoa infantil em pessoa adulta… Em seu entender, por que razão há uma tão elevada taxa de divórcios em Portugal? R.: Há por certo muitas razões. Antes de mais dizer que a mudança de mentalidade e as condições de

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vida facilitaram as separações. Antigamente, a mulher saía da casa paterna para ter alguma liberdade ou em consequência de um acordo entre as famílias. Em tudo ela dependia do marido. Se precisasse de “fugir” e de se separar, não podia… os pais reenviavam-na para o marido, pois socialmente ela é que seria condenada por sair de casa, mesmo que servisse de “saco de boxe” para o marido. Não tinha forma de sobreviver. Com a evolução de mentalidades, por um lado, e com a emancipação da mulher, por outro, com as mulheres a também trabalharem, fazerem carreira, terem um emprego (que não apenas o trabalho doméstico) passaram a ter condições para se afirmarem como pessoas, com a possibilidade de sair de casa em situações de maus-tratos. Hoje em dia a sociedade aceita perfeitamente que alguém constantemente violentado saia de casa ou responda da mesma forma. Depois há outras questões que acentuam o número de divórcios. Também a questão religiosa tem reflexos, pois “aquilo que Deus uniu não separe o homem” era mais que suficiente para adiar ou impedir algumas separações não apenas defensáveis mas recomendáveis. Claro que ponderar a vida não é mau. Mas há situações insuportáveis e desumanizadoras. Tudo isto não é mau. Pelo contrário, valoriza a dignidade da pessoa, sobretudo das mulheres. Em sentido oposto, qualquer pequena discussão ou dificuldade já é razão para separar, para cada um ir à sua vida, não é necessário dar satisfações ao outro, cada um sabe da sua vida. Uma sociedade em que sobrevém o egoísmo e o bem-estar. Se uma relação me permite viver tranquila e principescamente, ótimo, senão, parto para outra relação. Há mais comodismo e menos diálogo, mais egoísmo e menos respeito pela pessoa do outro. Os meios de comunicação favorecem também uma sociedade mais líquida, mais erotizada, ajudando a perceber a vida como supermercado, queres, compras… é pre-


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Espaço de Entrevista - Conclusão ciso mudar, experimentar, tudo está ao alcance da mão, sem consequências… como novos produtos, novas pessoas, novas relações… para quê manterse fiel e não desfrutar da vida, onde e quando e com quem quiser? Em Portugal há ainda muitas mulheres a sofrerem violência por parte dos seus companheiros. Como se pode explicar esta situação em pleno século XXI? R.: Há uma belíssima expressão do Papa Bento XVI sobre a evolução científica e tecnológica: os meios de comunicação tornaram-nos vizinhos, mas não fizeram de nós irmãos. Ou, como quem diz, a edução não se compra e ter “um canudo” não significa que se está mais crescido, mais amadurecido. Dificuldades sempre houve. Diga-se também que os meios de comunicação social informam-nos de tudo e de mais alguma coisa e trazem-nos variadas histórias de violência e agressão. Há 20 anos, com muito menos informação, não sabíamos em tempo real das situações e quando sabíamos tinha sido longe e há muito tempo. A difusão de crimes e violência alerta, informa, denuncia. Isso é muito bom. Mas também pode levar à imitação. Já temos visto homicidas a ser aplaudidos… e sobretudo quando se percebe que se podem cometer alguns crimes e sair impunes e até ser ajudados ou desculpados ou justificados. Seja como for, a prevenção passa pela educação, pela cultura, pela religião. Acha que faltam valores à nossa sociedade? Se sim, quais? R.: Um dos valores perenes é, sem dúvida, o amor, não apenas espiritual, idílico, romântico, mas o amor concreto, que chora e que ri, que envolve o corpo e a vida, os gestos e as palavras, que nos leva a confiar ao outro o que somos, com os nossos sonhos e as nossas limitações. São Paulo diz-nos, numa das suas cartas (aos Coríntios), que o amor é paciente, prestável, não é invejoso, não é arrogan-

te nem orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. É o amor ao jeito de Cristo, isto é, predisposição para gastar a vida e partilhá-la, em tudo, com os outros. Na sociedade, como nas famílias, falta a PACIÊNCIA, saber escutar e saber esperar pelo outro, respeitando o seu ritmo e o seu espaço. Queremos tudo e imediatamente, não deixamos amadurecer a vida nem os sentimentos. A vida servida de bandeja como num grande centro comercial, procuramos o que salta à vista, o que está na moda. Não temos tempo para degustar. O diálogo e o respeito. Mas certamente o saber esperar, a paciência. E a persistência. O não desistir das pessoas só porque não temos tempo para a escutar, para tentar compreendê-la, para esperar por ela… Vivemos a correr, não temos tempo para nada. Antes… vamo-nos conhecer e logo se vê o que pode acontecer… agora fazemos acontecer e depois logo se vê, há de haver tempo para nos conhecermos… O mistério e a descoberta são importantes. Uma imagem muito masculina e talvez machista: a sensualidade do corpo feminino também está no que esconde e, por conseguinte, por vezes é mais provocadora uma mulher vestida de minissaia do que uma em topless (ou em triquini, se não souberdes o significado de triquini, perguntai ao vosso professor de EMRC)…

E, para terminar, mais um apontamento… não nos levarmos tão a sério! Os alunos e os professores do 7.ºE agradecem imenso ao senhor Padre Manuel Pereira Gonçalves, pároco de Tabuaço, pela extraordinária colaboração. Este agradecimento é extensivo ao senhor professor António José Rodrigues, que tornou possível a realização desta entrevista. Muito obrigado!

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Aparelhos reprodutores feminino e masculino Feminino

No sistema reprodutor feminino, externamente, podemos observar: - a vulva, que é constituída pelo monte de vénus parte de tecido adiposo coberto de pelos - e por lábios - pregas da pele. Existem os grandes lábios, que cobrem a vulva, e os pequenos lábios, que rodeiam o clitóris - órgão de excitação sexual -, o orifício urinário e o orifício vaginal. Internamente, o sistema reprodutor feminino é constituído por: - gónadas (ovários) que têm a forma de amêndoa e estão situados na parte inferior da cavidade abdominal (cavidade pélvica). Nos ovários são produzidos os gâmetas femininos, os ovócitos; - vias genitais: são as trompas de Falópio ou ovidutos. São dois tubos que estabelecem contacto entre o ovário e o útero; - útero, cuja parte inferior está ligada à vagina pelo colo do útero. É um órgão em forma de pera que possui uma espessa parede musculosa cujas contrações ajudam os espermatozoides a alcançarem o ovócito; - vagina, um canal através do qual o útero comunica com o exterior. Na sua entrada pode encontrarse o hímen (membrana muito fina e elástica que está perfurada para permitir a saída da menstruação). Pesquisa efetuada pelas alunas: Mariana Pereira e Tatiana Gomes Texto retirado da Infopédia (23/02/2017)

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Masculino O pénis é um órgão externo essencialmente formado por três cilindros: o corpo esponjoso, localizado na parte inferior, e os corpos cavernosos que são contíguos ao pénis. Os três corpos compõem-se de um tecido esponjoso e irregular, por onde passam vários vasos sanguíneos e que no momento da excitação sexual se enchem de sangue e incham, provocando a ereção do pénis. À extremidade do pénis chama-se glande, extremamente sensível a estimulações físicas, uma vez que possui várias terminações nervosas. Na sua base encontramos a coroa e, na ponta, temos o orifício da uretra, o canal por onde passam a urina e o esperma. O prepúcio é a pele que cobre a glande e que pode ser retirada através da circuncisão. Os testículos são um par de corpos de forma oval envolvidos pelo escroto ou saco escrotal. Normalmente, o testículo esquerdo descai um pouco mais do que o direito. Os testículos têm duas funções: a de produzir testosterona e produzir os espermatozoides. O canal que recolhe os espermatozoides dos testículos e onde estes amadurecem em condições ideais chama-se epidídimo. Os canais deferentes fazem a ligação entre o epidídimo e a vesícula seminal sendo vias de passagem do esperma durante a ejaculação. A próstata, ou glândula prostática, localiza-se debaixo da bexiga e contorna a uretra, o canal por onde passa a urina e por onde é ejaculado o esperma. A próstata e as vesículas seminais produzem substâncias que vão alimentar os espermatozoides. Pesquisa efetuada pelas alunas: Mariana Pereira e Tatiana Gomes Texto retirado do sítio www.apf.pt (23/02/2017)


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A menstruação e a ovulação A duração do ciclo menstrual da mulher é variável, sendo que o mais habitual é ele durar entre os 23 e os 35 dias. Qualquer variação na duração do ciclo é mais provável que ocorra na fase anterior à ovulação. A maioria das mulheres tem um ciclo de 12 a 16 dias entre a ovulação e o início do período menstrual seguinte (a chamada fase lútea). O ciclo menstrual A menstruação O primeiro dia do ciclo menstrual é o primeiro dia da menstruação. Geralmente, a partir daí a menstruação prolonga-se por cerca de 3 a 7 dias. As dores menstruais, nas mulheres que as têm, são mais fortes no primeiro dia da menstruação. Isto devese ao facto de as hormonas do organismo estarem a forçar o útero a libertar o revestimento interior que se formou no ciclo anterior. No início do ciclo, o organismo envia um sinal ao cérebro para que comece a produzir a hormona estimuladora dos folículos (FSH), a principal hormona envolvida na produção de óvulos maduros. Os folículos são as cavidades cheias de líquido existentes nos ovários. Cada folículo contém um óvulo imaturo. A FSH estimula uma série de folículos a desenvolverem-se e a iniciarem a produção de estrogénios. No primeiro dia do período menstrual, os estrogénios estão no seu nível mais baixo. A partir daí, começam a aumentar. Normalmente, um folículo torna-se dominante e o óvulo amadurece dentro do folículo à medida que ele se torna maior. Simultaneamente, a quantidade crescente de estrogénios no organismo garante o engrossamento do revestimento interior do útero com sangue e nutrientes. Assim sendo, se realmente engravidar, o óvulo fertilizado terá todos os nutrientes e apoio de que necessita para crescer. Os níveis elevados de estrogénios estão também associados ao aparecimento de muco cervical (corrimento esbranquiçado semelhante à clara de ovo). Este muco pode aparecer sob a forma de corrimento fino, escorregadio, num branco baço. O esperma move-se com maior facilidade neste muco e pode sobreviver nele durante vários dias.

Entender o ciclo da ovulação Ovulação O nível de estrogénios no organismo continua a aumentar e, finalmente, provoca uma subida rápida da hormona luteinizante. Este pico dá ao óvulo maduro o empurrão final necessário para que ele termine o seu amadurecimento total e se liberte do folículo. Este processo é conhecido como ovulação. Muitas mulheres pensam que fazem a ovulação no 14º dia do ciclo menstrual, mas nem sempre isso acontece. Ou seja, o dia da ovulação varia consoante a duração do seu ciclo. Algumas mulheres sentem "alguns sinais” durante a ovulação, mas muitas há que não sentem nada e não há mais nenhum sinal que indique que está em curso a ovulação. Depois de se soltar, o óvulo (ou óvulos) move-se ao longo da trompa de Falópio em direção ao útero. O óvulo pode sobreviver até 24 horas. A sobrevivência do esperma é mais variável mas é, normalmente, de 3-5 dias, pelo que os dias que conduzem à ovulação e o dia em que ocorre a própria ovulação são os seus dias mais férteis – aqueles em que a mulher tem mais hipóteses de engravidar. Logo após a ovulação, o folículo começa a produzir outra hormona: progesterona. A progesterona tem agora a missão de engrossar o revestimento interior do útero, preparando-o para um óvulo fertilizado. Entretanto, o folículo vazio começa a encolher, mas continua a produzir progesterona e inicia igualmente a produção de estrogénios. Nesta fase, pode notar sintomas de tensão pré-menstrual (TPM), como peito sensível, inchaço, letargia, depressão e irritabilidade. À medida que o folículo vazio encolhe, se o óvulo não for fertilizado, os níveis de estrogénio e progesterona diminuem porque estas hormonas deixam de ser necessárias. Sem os elevados níveis de hormonas para ajudar a mantê-lo, o espesso revestimento interior do útero começa a subdividir-se e o organismo liberta-o. Este é o início do seu período e também do seu próximo ciclo. Se tiver sido fertilizado, o óvulo pode implantar-se com sucesso no revestimento interior do útero. Isto ocorre, normalmente, cerca de uma semana depois da fertilização. Após a implantação do óvulo fertilizado, o organis-

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A menstruação e a ovulação (conclusão) mo começa a produzir a hormona da gravidez, a gonadotrofina coriónica humana que mantém ativo o folículo vazio. Continua a produzir estrogénios e progesterona para impedir que o revestimento interior do útero seja libertado, até que a placenta (que contém todos os nutrientes necessários ao embrião) esteja suficientemente madura para manter a gravidez.

Artigo pesquisado pelos alunos: Diogo Tomás, João Adrega e Joaquim Reis.

Pílula do dia seguinte Um dos métodos contracetivos utilizados incorretamente pela mulher é a pílula do dia seguinte. Esta está a ser utilizada como um método contracetivo, mas não o é! Ficámos muito surpreendidas quando soubemos que uma em cada três adolescentes já tomou a pílula do dia seguinte. Por outro lado, também é preocupante constatar que as jovens portuguesas continuam a correr muitos riscos. Um dos maiores estudos sobre as práticas contracetivas já realizados em Portugal revela que uma em cada seis raparigas, entre os 15 e os 19 anos, não utiliza qualquer método anticoncecional. Estes são resultados preliminares de um dos maiores estudos epidemiológicos sobre as práticas contracetivas das mulheres portuguesas até à data realizados no país, numa iniciativa da Sociedade Portu-

guesa de Ginecologia e da Sociedade Portuguesa da Medicina de Reprodução. O elevado recurso à contraceção oral de emergência pelas jovens dos 15 aos 19 anos acaba por ser o resultado mais surpreendente deste estudo. O uso frequente desta pílula deve ser evitado. Pode provocar infertilidade, pode causar uma gravidez ectópica (gravidez nas trompas), prejudica o funcionamento do aparelho reprodutor feminino e dificulta futuras gestações. Texto elaborado pelas alunas Bruna Medeiros, Eliana Medeiros e Luana Macedo, a partir de várias pesquisas levadas a cabo na Internet.

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Espaço de Entrevista Entrevista à senhora enfermeira Deolinda do Carmo Coelho Costa Rodrigues. Alunas – O que é a menstruação? Senhora Enfermeira – É uma perda de sangue que ocorre periodicamente em decorrência da descamação do revestimento interno do útero, o endométrio. A – Como funciona a menstruação? S. E. – Saída periódica de sangue e células corpóreas pela vagina. Esta marca o início da capacidade da mulher gerar filhos. A – O que é e como funciona o ciclo menstrual? S.E. – É o termo científico para as alterações fisiológicas que ocorrem nas mulheres férteis que tem como finalidade a reprodução sexual e fecundação. Contempla três fases: folicular, ovulatória e lútea. A – O que é a menarca? S.E. – É a primeira menstruação de uma mulher. A – Há uma idade específica para o aparecimento da primeira menstruação? S.E. – Não, poderá ocorrer na adolescência, entre os 10 e os 15 anos de idade. A – Há sinais de que a menstruação está a chegar pela primeira vez? S.E. – Sim, com eventuais cólicas, dores abdominais, etc. A – Quantos dias é que a menstruação pode durar? S.E. – Varia de mulher para mulher, mas a sua duração é entre 3 e 5 dias. A – É normal haver atrasos na menstruação ou ela surge sempre na mesma altura do mês? S.E. – Poderá haver atrasos na menstruação e consequentemente a mesma não vir na mesma altura do mês. A – O que é que pode provocar os eventuais atrasos? S.E. – Gravidez, ansiedade e stress, interrupção da pílula, infeções ou doenças, obesidade, amenorreia, menopausa, etc. A – Existe mesmo a Tensão Pré-Menstrual? Se existe, o que é? S.E. – TPM é a tensão que precede a menstruação e também é designada por síndrome pré-menstrual e

sim, ela existe. A – Quais são os principais sintomas da Tensão Pré Menstrual? S.E. – Em relação à TMP há sintomas físicos e psicológicos. Em termos físicos temos os enjoos, o sono, tonturas, etc.; em termos psicológicos ela evidencia -se pelo mau humor, pela angústia, pelo cansaço, etc. A – Podemos fazer exercício físico durante a menstruação? S.E. – A menstruação não impede de fazer desporto. No entanto, se o esforço físico for muito doloroso, é claro que é melhor repousar. A dor é algo pessoal que só nós sabemos avaliar a intensidade que tem e as limitações que esta provoca. A – Podemos comer todos os alimentos durante a menstruação? S.E. – Sim, embora que para evitar dores da menstruação recomenda-se um aumento do consumo de produtos frescos, ricos em vitaminas e minerais e evitar os fritos. A – Por que razão as raparigas têm acne nesta etapa das suas vidas? S.E. – Acne é uma secreção sebácea. Oito em cada dez mulheres tem acne. Este pode resultar de vários fatores, sendo um deles o hormonal, visto que as hormonas femininas são as responsáveis por esse mesmo acne/secreção sebácea. A – Quais são os mitos associados à menstruação? Pode dar alguns exemplos? São mesmo só mitos? S.E. – Mitos nunca irão passar de meros mitos. Temos, por exemplo, mulheres que convivem costumam menstruar na mesma época; a mulher engorda no período menstrual; TPM não existe, é tudo psicológico; ou suspender a menstruação faz mal à saúde. A - Muito obrigada, senhora Enfermeira, pela disponibilidade e pelos conhecimentos que nos passou. Bem-haja! Entrevista concebida pelas alunas da turma.

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Práticas anticoncecionais ao longo da história As práticas anticoncecionais são já muito antigas.

gesterona evitando a gravidez.

Neste texto, vamos apenas abordar a utilização de

Por outro lado, a prática da introdução de substân-

substâncias naturais e o preservativo masculino.

cias na vagina também foi utilizada como contrace-

Já na Antiguidade eram utilizadas, por homens e

tivo em diversas regiões do nosso planeta. No Anti-

mulheres, determinadas plantas com esse propósi-

go Egito, houve mulheres que utilizaram tampões

to. Por exemplo, no século I a.C., Dioscórides afir-

vaginais feitos com excrementos de crocodilo, linho

mou que tomar extratos de uma variedade da ma-

e folhas comprimidas. Em papiros datados de 1550

dressilva (Lonicera periclymenum), durante 36 dias,

a.C., está documentado que tampões embebidos

podia causar a esterilidade masculina. No caso fe-

em leite de burra ou feitos de estrume e folhas de

minino, Hipócrates, o célebre “pai da medicina”,

acácia fermentadas eram métodos usados para evitar a gravidez. Há cerca de três mil anos, na Índia, eram utilizados estrume de crocodilo e de elefante para impedir a gravidez. Este método era pouco sofisticado, mas a sua elevada acidez permitia alguma proteção. No primeiro século da nossa era, um farmacêutico grego recomendou supositórios vaginais de hortelã e pimenta. No Islão, em meados do século X, um cirurgião defendia o uso de supositórios para bloquear o colo do útero como meio contracetivo. Prescrevia supositórios compostos por estrume de elefante, couves e breu. Um outro método utilizado pelo Mundo, aqui há uns séculos,

Hipócrates

consistia na colocação do sumo de metades de limões espremidos na vagina das mulheres. A acidez

referiu que a semente da cenoura selvagem era

do limão tornava o pH da vagina ainda mais baixo,

capaz de prevenir a gravidez. Já Aristóteles, famoso

e deste modo, os espermatozoides não se conse-

filósofo grego, mencionou a utilização da Mentha

guiam deslocar até ao útero. Por fim, na Islândia,

Pulegium como anticoncecional. Ainda na Grécia,

houve mulheres que tinham por prática anticonce-

houve mulheres que ingeriam ervas que interferi-

tiva a introdução de algas na vagina.

am na sua fertilidade, como, por exemplo, o pinho

A utilização de uma barreira aplicada no pénis tam-

e o poejo. Numa outra parte do Mundo, as mulhe-

bém é já muito antiga. Na Antiga Grécia, os ho-

res indianas comiam todos os dias uma papaia

mens utilizavam as bexigas natatórias dos peixes e

quando não queriam engravidar. Curiosamente, na

as bexigas de cabra para se protegerem de doen-

década de 90 do século XX, descobriu-se que esse

ças. Também para impedirem a transmissão de do-

fruto contém uma enzima que interage com a pro-

enças, por volta do ano 1000 a.C., os egípcios usa-

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Práticas anticoncecionais ao longo da história (conclusão) vam bainhas feitas de linho à volta dos seus mem- tamanho do pénis, embebido numa substância probros viris. Na Roma Antiga, também eram utilizadas duzida a partir de ervas, que funcionava como esbexigas de animais para a proteção das doenças permicida. William Shakespeare denominou-o de sexualmente transmissíveis. No outro lado do Mun- “luva de Vénus”. do, na China, os preservativos eram feitos de papel No século XVIII, começou a ser popular a utilização de seda e untados com óleo.

de intestinos animais como preservativo. Contudo,

Do período entre a Idade Média e a Idade Moder- estes profiláticos eram muito dispendiosos e o seu na, existem alguns documentos produzidos por mé- reuso levou à perda da sua eficácia e à consequendicos da altura que recomendam a utilização de te propagação de doenças. envoltórios penianos produzidos com linho. Além Já no século XIX, mais precisamente na década de deste tecido, eles também recomendavam a aplica- 40, a empresa de pneus Goodyear descobriu o méção de substâncias medicinais como chás de ervas, todo de vulcanização da borracha, o que permitiu a absinto e urina como forma de prevenção da sífilis, produção de preservativos em borracha. A partir uma doença que na altura recebia o nome de “mal de 1919, começou-se a usar látex para a produção francês” ou “mal napolitano”. Precisamente no sé- dos preservativos, pois este material não apresenculo XVI, uma epidemia desta doença propagou-se tava odor, era mais resistente e mais fino. pela Europa. Então, o cirurgião Gabrielle Fallopio A “revolução sexual” dos anos sessenta do século XX quase acabou com o recurso aos preservativos. As mulheres mostravam-se mais dispostas para a atividade sexual e por isso os homens recorriam menos às “profissionais do sexo”; as doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis ou a gonorreia, eram facilmente tratáveis; a pílula e o DIU eram os meios contracetivos mais populares. No entanto, na década de 80, o vírus da SIDA foi identificado. Tornou-se óbvio que o uso do preservativo era o método mais eficaz para conter esta pandemia. A utilização deste meio contracetivo cresceu

muito desde então. Gabrielle Fallopio Texto elaborado pelas alunas Bruna Medeiros, Eliaconcebeu um deste “preservativos”, que o próprio

na Medeiros e Luana Macedo

descreveu como uma “bainha de tecido leve, sob

Nota: Este artigo foi feito a partir de pesquisas efe-

medida, para proteção das doenças venéreas”. Era,

tuadas em diversos sítios da Internet, nos meses de

como acima foi referido, um envoltório de linho do

dezembro de 2016 e janeiro de 2017.

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Métodos contracetivos O que são os métodos contracetivos? São um conjunto variado de serviços, medicamentos e produtos que possibilitam às pessoas, individuais e em casal, alcançar e planear o número de filhos desejados e o espaçamento dos nascimentos. A decisão de ter ou não filhos, assim como a escolha do momento para ter filhos, é um direito que assiste a todos os indivíduos e famílias. Exemplos de métodos contracetivos: -Pílula; -Preservativo; -DIU/SIU; -Implante; -Anel; -Adesivo; -Diafragma; -Injetável; -Espermicida; -Definitivos; -Naturais; -Emergência. Desta lista, escolhemos três para desenvolver um pouco. Pílula O que é? A pílula é um método contracetivo muito eficaz. Se tomada corretamente, a pílula apresenta um elevado grau de eficácia. Cada comprimido contém hormonas sintéticas semelhantes às que são produzidas pelos ovários das mulheres. Que tipos de pílula existem? As pílulas diferenciam-se umas das outras pela dosagem e pelo tipo de hormonas que as constituem, com a finalidade de se adaptarem melhor a cada mulher, tendo em conta a sua idade e a sua história clínica.

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Preservativo O que é? Também conhecido por “camisa de Vénus” ou “camisinha”, é um método contracetivo utilizado pelo homem. É fabricado em látex ou em poliuretano ultrafino, pré-lubrificado. Vem enrolado numa embalagem (que deve ser aberta sem o recurso aos dentes, pois pode danificar o preservativo) e deve ser colocado no pénis ereto antes de qualquer contacto genital. Como atua? O preservativo atua como barreira, impedindo que os espermatozoides (células reprodutoras masculinas) entrem na vagina e atinjam o óvulo (célula reprodutora feminina), fecundando-o e dando origem a uma gravidez. Para além dessa função, o preservativo é fundamental na prevenção das Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST), tais como a infeção VIH/Sida, a

hepatite B, a clamídia, a gonorreia ou blenorragia. Como se utiliza? Para que o preservativo atue de uma forma eficaz, deverá ser colocado corretamente desde o início da relação sexual, com o pénis em ereção e antes de qualquer contacto genital. Deverá ser retirado logo após a ejaculação, ainda com o pénis em ereção, para evitar que fique retido na vagina ou que derrame esperma e haja risco de gravidez e transmissão de agentes infeciosos . Após a utilização do preservativo, deverá dar-se um nó na sua abertura, impedindo que o esperma saia. Em seguida, deve ser colocado no lixo. Podemos utilizar o preservativo juntamente com


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Métodos contracetivos

IST

outro método contracetivo? O preservativo pode e deve ser utilizado em simultâneo com outro método contracetivo (pílula, DIU, implante, adesivo contracetivo, etc.). Apesar de não ser uma situação comum, existem pessoas que fazem alergia ao látex e/ou ao lubrificante dos preservativos e, neste caso, o melhor será adquirir preservativos de poliuretano. Cada preservativo só pode ser usado uma vez. Não devem ser usados lubrificantes não aquosos, pois alteram o material do preservativo, diminuindo a sua eficácia na proteção da gravidez e das IST.

As infeções sexualmente transmissíveis mais conhecidas são: Sida, vírus do papiloma humano (HPV), clamídia, sífilis, herpes genital, blenorragia ou gonorreia, tricomoníase e hepatite B. SIDA A Sida é provocada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana. A transmissão pode acontecer de três formas: relações sexuais, contacto com sangue infetado, de mãe para filho, durante a gravidez, no parto e pela amamentação.

DIU/SIU O que é? É um pequeno dispositivo, normalmente em forma de “T”, que é introduzido na cavidade uterina, por um profissional de saúde. Pode ser hormonal e é conhecido por Sistema Intrauterino (SIU). A hormona que contém é um progestativo semelhante à progesterona produzida pelo ovário. Pode ser não hormonal e é conhecido por Dispositivo Intrauterino (DIU), contendo cobre em quantidade muito reduzida. É muito eficaz e reversível. É uma forma de contraceção de longa duração.

VÍRUS DO PAPILOMA Existem mais de cem tipos de HPV. Em determinados casos afetam a pele e causam verrugas. Há cerca de quarenta tipos que afetam o aparelho genital, causando condilomas (também chamados verrugas genitais). Estima-se que 80% das mulheres e dos homens têm contacto com o vírus em alguma fase da sua vida. Na maioria das situações não resultam em problemas mais graves. Contudo, se o sistema imunitário estiver mais vulnerável pode tornar-se uma infeção persistente e causar cancro do colo do úte-

Artigo elaborado pelas alunas Bruna Medeiros, Eliana Medeiros e Luana Macedo.

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IST - Infeções Sexualmente Transmissíveis ro. A forma mais fácil de diagnosticar é através do exame citológico (Papanicolau). São fatores de risco: relações sexuais muito precoces, elevado número de parceiros e o tabagismo. Clamídia A clamídia é uma infeção do tipo bacteriano que pode afetar o pénis, a vagina, o colo do útero, o ânus, a uretra, a garganta ou os olhos. É a IST mais comum. A infeção transmite-se por via sexual e também de mãe para filho.

Sintomas Na maioria dos casos não apresenta sintomas, no entanto, quando existem, podem ser: Na mulher: -dor pélvica -corrimento vaginal -dor durante a relação sexual ou ao urinar -hemorragia entre as menstruações -poderá existir corrimento purulento (amarelo e espesso). No homem:

-ardor ou dor ao urinar -pus ou corrimento proveniente do pénis -inchaço nos testículos ou no ânus. Vias de transmissão das IST As principais vias de transmissão de IST são: -as relações sexuais não protegidas, ou seja, sem preservativo;

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- algumas infeções resultam das relações sexuais orais; ou seja, quando a vagina, o clitóris ou o pénis estão em contacto direto com a boca do parceiro/ a, sem uma barreira protetora; -o risco de transmissão está também relacionado com determinadas práticas ou comportamentos, como, por exemplo, a partilha de brinquedos sexuais; para evitar a transmissão deve-se utilizar preservativos e lubrificantes. É fundamental encontrar profissionais de saúde com os quais se sinta confortável para conversar e que possam assegurar o acompanhamento. Sempre que se inicia uma nova relação sexual é importante falar com o/a parceiro/parceira sobre as relações anteriores, de modo a prevenir os riscos de contrair uma IST. Prevenção e deteção A melhor estratégia para prevenir o aparecimento de uma IST é a prática de sexo mais seguro. O preservativo é o método mais eficaz para evitar uma IST. É fundamental estar consciente dos riscos, sobretudo quando se desconhece o comportamento e o estado clínico das/os parceiras/os sexuais. Logo que se sintam incómodos ou se detetem lesões na zona genital, deve consultar-se um médico. Quando se diagnostica uma IST, devem informar-se as pessoas com quem se teve sexo nos últimos tempos; dependendo da IST e de outros fatores, "últimos tempos" pode significar nas últimas semanas, nos últimos meses, ou nos últimos anos. Os exames periódicos são essenciais para despiste das IST, uma vez que os sintomas são muito difíceis de detetar. A prevenção e a deteção precoce são a melhor maneira de evitar complicações de saúde mais graves. Esteja atento aos sinais!

Trabalhos elaborados pelas alunas Beatriz Teixeira e pela Diana Oliveira Fonte: www.apf.pt


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Mães adolescentes

Gravidez na adolescência

Em 2015, em média, houve seis adolescentes por dia a darem à luz, em Portugal. Com efeito, nesse ano houve 2295 nascimentos de bebés cujas progenitoras tinham entre os onze e os dezanove anos. Este número tem vindo a diminuir. Em 1980 registaram-se cerca de dezoito mil partos de mães adolescentes. No início da nossa década (2011), em média, ainda nasciam dez crianças por dia filhas de mães adolescentes. O decréscimo destes números pode explicar-se pela diminuição do número de adolescentes no nosso país (dado o recuo demográfico que se observa em Portugal), mas não só! Atualmente, o acesso à informação é mais fácil e a educação para a saúde nas escolas é hoje uma realidade.

Uma gravidez na adolescência é sempre um risco. A probabilidade de o bebé nascer com um peso abaixo da média ou desnutrido é superior numa adolescente. O risco de a grávida sofrer uma anemia é também superior numa rapariga com menos de vinte e um anos, assim como o da gestante ter problemas de hipertensão arterial. A probabilidade de o parto ser prematuro é também mais elevada nas faixas etárias mais baixas. O risco de haver complicações no parto é também superior. Há que ter em consideração o facto de que o corpo de uma adolescente ainda não ter a estrutura óssea completamente desenvolvida, o que pode impossibilitar a passagem do bebé pelo canal vaginal, o que implica a realização de uma cesariana. O número de mães com depressão pós-parto também é superior entre as mães adolescentes.

Por outro lado, o número de interrupções da gravidez entre as mulheres mais jovens também tem vindo a diminuir. De acordo com o INE (Instituto Nacional de Estatística), em 2011, houve 2274 interrupções da gravidez em jovens entre os quinze e os dezanove anos (11,1% do total em todas as mulheres). Em 2015, as interrupções voluntárias da gravidez diminuíram para 1708 (10,38 %). Por fim, deve referir-se que o número de jovens com quinze anos com vida sexual ativa é cada vez menor, isto segundo o estudo Health Behaviour in School-Aged Children, que também incluiu a realidade portuguesa. No entanto, está a aumentar o número de jovens que praticam sexo sem proteção, o que é muito preocupante! Artigo elaborado pelos alunos Diogo Tomás, João Adrega e Joaquim Reis.

Por fim, temos que falar em algumas implicações de se ser mãe na adolescência. Nem sempre o pai da criança dá o apoio que devia dar à mãe; nem sempre as famílias providenciam a retaguarda que uma jovem mãe precisa, porque não podem ou porque não querem, e estas raparigas acabam em instituições de acolhimento; muitas adolescentes têm que abandonar os estudos, queimam etapas e entram demasiado cedo no mundo dos adultos! Artigo elaborado pelos alunos Diogo Tomás, João Adrega e Joaquim Reis.

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A interrupção voluntária da gravidez O que é o aborto? Um aborto consiste na interrupção de uma gravidez com menos de 20-22 semanas de gestação. Há dois tipos de aborto: - Aborto espontâneo consiste na interrupção de uma gravidez devido a uma ocorrência acidental ou natural. A maioria dos abortos espontâneos tem origem numa incorreta replicação dos cromossomas e/ou em fatores ambientais. O aborto espontâneo pode ser precoce (se ocorrer até às 12 semanas de gestação) ou tardio (após 12 semanas de gestação). - Aborto induzido é um procedimento usado para interromper uma gravidez, também denominado Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG). Quando realizado precocemente, em serviços de saúde legais e autorizados, é um procedimento médico seguro e com reduzidos riscos para as mulheres. Quadro legal Até 1984, o aborto era proibido em Portugal. A Lei n.º 6/84 veio permitir a interrupção voluntária da gravidez em casos de perigo de vida da mulher, perigo de lesão grave e duradoura para a saúde física e psíquica da mulher, em casos de malformação fetal ou quando a gravidez resultou de uma violação. Em 1997 a legislação foi alterada ( Lei n.º 90/97), com um alargamento do prazo para interrupção em casos de malformação fetal e em situações de “crime contra a liberdade e autodeterminação sexual da mulher”. Apenas em 2007, e após uma consulta popular (Referendo), foi incluída na lei a possibilidade de se realizarem interrupções de gravidez a pedido das mulheres. Em resumo, com a Lei nº 16/2007, a interrupção da gravidez pode atualmente ser realizada em estabelecimentos de saúde oficiais ou oficialmente reconhecidos desde que: a) Constitua o único meio de remover perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida; b) Se mostre indicado para evitar perigo de morte ou de grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida, e

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seja realizada nas primeiras 12 semanas de gravidez; c) Haja seguros motivos para prever que o nascituro venha a sofrer, de forma incurável, de grave doença ou malformação congénita, e for realizada nas primeiras 24 semanas de gravidez, excecionandose as situações de fetos inviáveis, caso em que a interrupção poderá ser praticada a todo o tempo; d) A gravidez tenha resultado de crime contra a liberdade e autodeterminação sexual e a interrupção for realizada nas primeiras 16 semanas de gravidez; e) Por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas de gravidez. Artigo feito pela aluna Eliana Medeiros com informação pesquisada em http://www.apf.pt/aborto-einterrupcao-da-gravidez, 21/01/2017 Interrupções voluntárias da gravidez nos hospitais: total e por natureza institucional - Portugal Anos

Natureza Institucional Oficial

Privado

Total

1999

447

7

454

2000

571

5

576

2001

672

3

675

2002

825

3

828

2003

529

34

563

2004

699

11

710

2005

786

12

798

2006

1203

12

1215

2007

4195

130

4325

2008

13222

319

13541

2009

17596

336

17932

2010

17078

183

17261

2011

17247

104

17351

2012

15647

104

15751

2013

15265

101

15366

2014

14509

126

14635

2015

14366

103

14469

Nota: Os dados referentes a 2015 são provisórios. Fontes/Entidades: INE | DGS/MS, PORDATA Última atualização: 2016-12-21


Ano I - n.º 1 junho de 2017

A despenalização do aborto aconteceu há 10 anos. - Os dados sobre a IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez) do período anterior à despenalização são escassos. No entanto, há estimativas que apontam para vinte mil interrupções por ano, na década de noventa. - De 2001 a 2007, registaram-se catorze mortes maternas relacionadas com o aborto. - A 11 de fevereiro de 2007 teve lugar o referendo sobre a aprovação da lei relativa à “interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas dez primeiras semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado”. - O “Sim” venceu com 59,25%. Dez anos depois - O número de interrupções tem vindo a diminuir e a contraceção aumentou. - A maioria das mulheres que recorre à IVG fá-lo uma única vez e em condições de segurança. - Após a realização de uma IVG, 95,7% das mulheres optaram por um método contracetivo. - Foi erradicada a mortalidade materna relacionada com o aborto. - De 2008 a 2012, houve uma morte materna relacionada com o aborto legal. Desde 2012, não se registou qualquer morte materna relacionada com a IVG. - Portugal está abaixo da média europeia na totalidade de IVG’s realizadas. Dados coligidos pela aluna Eliana Medeiros. Fontes: Relatório da Direção Geral de Saúde e jornal Expresso.

10 princípios sobre a parentalidade positiva 1.- As crianças têm direito a cuidados e orientação apropriados. Para um desenvolvimento adequado, as crianças necessitam de cuidado físico, emocional, padrões de comportamento e regras que as façam sentir-se amados e seguras. (Artigo 5º da Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU ). 2.- A parentalidade positiva é baseada em: conhecer, proteger e dialogar. A parentalidade positiva requer paciência e esforço. É baseada em três premissas: -Conhecer e compreender as crianças e jovens: como pensam, sentem e reagem de acordo com seu estádio de desenvolvimento; -Proporcionar segurança e estabilidade: as crianças têm que confiar nos seus pais, desenvolvendo um sentimento de proteção e orientação em relação a estes. -Opte pela resolução de problemas de forma positiva: sem recorrer a castigos físicos, gritos punição, ameaças ou insultos. 3.- O vínculo afetivo é crucial. Os laços emocionais são laços invisíveis mas de grande intensidade emocional criado entre as crianças ou a criança e os seus pais ou cuidadores, desde o momento do nascimento. Definir a relação entre e ambos têm uma influência decisiva no desenvolvimento das crianças, na sua personalidade e estima. É essa ligação que dá a segurança às crianças. 4.- O carinho deve ser demonstrado abertamente para que as crianças se sintam amadas. As crianças não assumem que são amados, elas precisam ver e sentir para se sentirem seguras. As expressões explícitas de amor são importantes: beijos, abraços, elogios, sorrisos. Não há nada mais gratificante para uma criança se sentir que é importante para os seus pais e estes estão orgulhosos dela. O afeto também se manifesta mostrando interesse pelo que as crianças sentem e pensam, dedicandolhes tempo. 5.- As regras e limites são importantes: dão-lhes segurança.

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10 princípios sobre a parentalidade positiva (cont.) As regras e os limites são tão necessários para o desenvolvimento emocional, cognitivo e social como o afeto. A criança precisa de um ambiente previsível, saber o que esperar dele ou dos seus pais dá-lhe segurança. As regras devem ser claras, simples e estáveis e servem para facilitar a vida familiar e a vida em sociedade. Estas regras e limites devem ser acompanhados de uma explicação coerente para a criança. 6.- As crianças devem participar no processo da tomada de decisão e sentir-se responsáveis. Ao envolver a criança na definição das regras e limites é mais fácil a sua compreensão e aceitação. Todos os membros da família estão mais motivados quando se trata de aplicar as regras se estas forem discutidas e existir um consenso. Desta forma, podem alcançar-se decisões mais criativas que sejam entendidas como sendo justas. Isto vai permitir às crianças desenvolver uma boa autoestima, autoconfiança e sentido de responsabilidade. 7.- As crianças devem ser punidas quando se comportam mal, mas não de qualquer forma. Quando as crianças violarem uma regra ou tiverem “um acesso de raiva”, não é serem más ou por quererem dificultar-nos a vida. Como muitas vezes acontece connosco adultos, as crianças têm dificuldade em controlar as suas emoções e tolerar a frustração. Quando as regras não são respeitadas ou a criança ultrapassa sua reação à proibição ou ordens (partindo coisas, agredindo a outras crianças, etc.), as sanções deverão servir para reparar os danos causados ou podem ser aplicadas para que a criança entenda que o que fez é errado e não deve fazê-lo novamente. As sanções devem ser aplicadas de forma clara e implementadas rapidamente e com firmeza, mas calma e de forma respeitosa. As sanções devem ser mantidas, devendo ser proporcionais, realistas e não durar muito tempo. 8.- A bofetada, o insulto, a ameaça ou gritos não são eficazes ou adequados para educar crianças. Porquê? Porque a criança aprende que o amor e a violência podem andar de mãos dadas, quando alguém mais forte exercer poder sobre o outro para impor a sua vontade. Sabe de imediato que a força é mais útil do que a opção do diálogo e do estabelecimento de regras e limites. Quando uma criança é insultada por algo que fez de errado sentir-se-á desamparada e rejeitada pelos seus pais. Essas emoções não a vão deixar pensar na razão pela qual é punida. A correção sem violência, acompanhada de uma explicação clara, com exemplos e alternativas ajuda-a a interiorizar as normas e respeitá-las de forma responsável. 9.- Conflitos podem ser resolvidos sem violência. Conflitos nos relacionamentos íntimos podem fortalecer os laços desta união se resolvidos pacificamente. Resolver problemas sem violência ou agressão, física ou verbal, requer exercício, autocrítica, para explorar as nossas motivações e respeito pelos outros. Ela exige ferramentas de comunicação e negociação, tais como: A escuta ativa. Tentar entender o que o outro tem a dizer (embora não partilhe o seu ponto de vista). Coloque-se no lugar do outro: como é que se sente? É importante mostrar empatia. Não use atitudes agressivas como insultos, acusações, chantagem ou ameaças. As posições extremas e opostas das pessoas poderão criar um clima muito desfavorável. Negociar saídas para o problema, cedendo em algumas coisas e fazendo compromissos. 10.- Muito importante: Para que as crianças estejam bem, os pais têm de estar bem. Mães e pais são confrontados diariamente com muitas situações e por vezes reagem de forma imediata, sem parar para pensar. Algumas situações podem ser fontes de preocupação, tais como a educação e a

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10 princípios sobre a parentalidade positiva (conclusão) saúde dos filhos. É natural que por vezes se sinta oprimido, triste ou frustrado, mas temos de evitar que este estado se generalize ou prolongue no tempo. Assumir a maternidade ou paternidade responsável e positiva também significa cuidar de si mesmo, procurar momentos para si mesmo, de relaxamento, descanso e força para a sua família. Assim, o segredo poderá estar em saber cuidar-se e amar-se. Por Sofia Basto (Dir. Pedagógica de Aprender sem Limites) Retirado do Blogue “Aprender Sem Limites”, novembro de 2016. Pesquisa efetuada pelos alunos: Alexandre Lourinho, Francisco Polónio e Vítor Vitorino.

Abusos sexuais Em todo o mundo, milhões de pessoas (nomeadamente, crianças menores de 18 anos), são sexualmente abusadas por outras pessoas (por mulheres e por homens). Mas, noutros casos, são os homens que abusam das mulheres, por serem mais fortes do que elas e por terem vontade de ter uma relação sexual.

Sinais de alerta para o reconhecimento de abusos sexuais em menores: - Distúrbios no sono e no apetite; - Ansiedade; - Agressividade; - Baixa estima; - Depressão; - Isolamento social; - Dificuldades de aprendizagem e concentração (queda no rendimento escolar); - Fuga ou relutância em voltar para casa; - Comportamentos inapropriados para a idade; - Doenças sexualmente transmissíveis; - Medo constante e medo de adultos; - Fantasias excessivas, insónias e pesadelos; - Uso inopinado de palavrões, desenhos e brincadeiras sobre órgãos sexuais; - Dor ou inchaço nas áreas genital e anal.

Artigo elaborado pelos alunos David Teixeira e Francisco Cardoso.

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Ludomania Crucigrama sobre “Sexualidade e Afetos”

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Horizontais

1.- Grupo de pessoas com laços de parentesco e que, normalmente, vivem juntas na mesma casa; 2.- Pessoa adulta do sexo masculino; 3.- Pessoa adulta do sexo feminino; 4.- Manter uma relação amorosa com outra pessoa (os namorados gostam de…); 5.- Antónimo de triste; 6.- Sentimento de ternura, sinónimo de afeto; 7.- União civil/religiosa entre duas pessoas, sinónimo de matrimónio; 8.- Antónimo de antipático; 9.- Conjunto de características físicas e funcionais que distinguem o homem da mulher; 10.- O amor entre duas pessoas do mesmo sexo.

Verticais

1.- O período da vida humana entre a puberdade e a idade adulta; 2.- Tornar-se maior, no tamanho ou na idade; 3.- Que é relativo à mulher; 4.- Que é relativo ao homem; 5.- Mulher que tem um ou mais filhos, sinónimo de progenitora; 6.- Estado de pessoa solteira, que não tem intenção de casar ou não pode casar; 7.- Homem que tem um ou mais filhos, sinónimo de progenitor; 8.- Limpeza do corpo ou da roupa, sinónimo de asseio; 9.- Amor ardente; 10.- Forte afeição; 11.- Que é simpático, atencioso; 12.- Estado da mulher quando está à espera de bebé; 13.Sinónimo de apaixonado. Bom trabalho! (Este crucigrama foi feito por Paulo Freixinho).

Com pes e cabeça  

Projeto de Educação Sexual do 7.º E - 2016/2017 - Escola Básica de Lamego Agrupamento de Escolas Latino Coelho, Lamego

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