DE PESQUISA
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O presente caderno de pesquisa mostra o processo de estudo sobre as habita ções no Brasil Colônia, incluindo na pesquisa os contextos históricos, artísticos e cul turais aplicados na arquitetura da época.
Ademais, nosso trabalho tem como proposta informar, com clareza, as carac terísticas, curiosidades, materiais e métodos de construção do tema (habitações colo niais brasileiras) e mostrando o motivo e as utilidades de tais características terem sido empregadas nas construções.
Assim, será possível obter, através do caderno, um conhecimento amplo sobre as moradias do Brasil Colônia e maior facilidade para a realização da maquete pro posta pelo professor, visto que já teremos o conhecimento necessário o qual pode ser aplicado futuramente em outros projetos.
O período colonial brasileiro compreende os anos de 1530 a 1822; seu início se deu poucos anos após a chegada dos colonizadores portugueses ao Brasil, com a realização das primeiras expedições da “missão colonizadora”, onde as tropas portuguesas passaram a ocupar pequenas regiões na costa brasileira.
O quadro (Fig 1) do pintor brasileiro Oscar Pereira representa o momento em que os navios portugueses desembarcam em território Americano, mais especificamente na região que hoje se encontra a cidade de Santa Cruz Cabrália, na Bahia. Essa cena é muit0 famosa por apresentar Pedro Alvares Cabral como figura central se contrapondo com a situação dos nativos.
No começo do século XV, as Índias (forma como os portugueses referiram-se à atual Índia) eram uma região onde o comércio se desenvolvia rapidamente, porém com a tomada de Constantinopla pelos otomanos, esse mercado começou a entrar em declínio. Em frente a essa decadência, Portugal demonstrou interesse nas terras da América do Sul, motivo pelo qual foi enviada uma expedição marítima, liderada por Pedro Álvares Cabral, para explorar o território desconhecido. A região recebeu o nome de Vera Cruz, maneira como Pero Vaz de Caminha se referia ao local em suas cartas para o então rei de Portugal, carta essa que é considerada o primeiro documento escrito da história do Brasil.
Fig. 1 - “Desembarque de Cabral”, por Oscar Pereira da Silva.“Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos cor pos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem. Também andavam entre eles qua tro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descober tas, que não havia nisso desvergonha nenhuma.” - Nesse trecho, o escrivão descreve com suas palavras a primeira impressão sobre os nativos que encontrou assim que atracou na costa brasileira. Ele busca exagerar nos detalhes observados naquele povo com o objetivo de passar uma imagem mais fiel o possível à realidade. Em completa discordância com os portugueses, os indígenas se mostravam nus e com sua cultura estampada sobre a pele.
Antes mesmo de embarcarem na expedição, Portugal já tinha um acordo de explora ção firmado com a Espanha, o Tratado de Tordesilhas. O acordo assinado em 1494 consis tia na divisão de todo território descoberto e por descobrir na América do Sul. A região foi dividida ao meio por um meridiano traçado a 370 léguas de Cabo Verde, região da África onde já havia algumas colonia portuguesas, onde as terras dentro dessa marcação era pro priedade de Portugal e a Espanha ficava com as terras além da linha imaginária. Entretan
Fig. 2 - Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei dom Manuel.
to, em 2 de Julho do mesmo ano, o tratado foi rompido, pois a Espanha anexou Portugal à sua colonia, formando a União Ibérica.
A partir desses acontecimentos, iniciou-se o processo de colonização em si. A pri meira tentativa de ocupar as terras conquistadas foi a criação do sistema de capitanias hereditárias; onde todo o território conquistado pelos portugueses foi dividido em grandes faixas de terra que eram entregues aos membros da nobreza com o objetivo de povoar a colônia e dividir a administração do território. Esse modelo não obteve sucesso, durando apenas 16 anos.
Havia uma grande dificuldade de administrar os territórios conquistados e as pes soas que ali residiam. Em vista desse problema foi criado o Governo-Geral, onde Tomé de Souza foi eleito como o primeiro governador-geral, que desempenharia a função de admi nistrar a colonia portuguesa após o fracasso das capitanias.
Fig. 3 - Mapa clássico das capitanias hereditárias produzido por Luís Teixeira.
Juntamente com esse novo método, surge também a Companhia de Jesus; ordem religiosa composta por jesuítas que tinha o objetivo de catequizar e “pacificar“ os nativos por meio da catequese, método que utilizavam para impor a religião católica e aculturar os indígenas.
O açúcar foi a primeira grande riqueza produzida em terras brasileiras. Durante o século XVI, tornou-se a principal fonte de riqueza da colônia. O sistema que implementou a produção em massa da cana-de-açúcar que conciliou a monocultura, os solos férteis e a mão de obra escrava. Foi nesse período que surgiram os senhores de engenho, donos de grandes propriedades de terra, os latifúndios, que também são característicos desse tipo de produção. Muitos indígenas também foram vítimas desse processo; este tipo de escravidão foi abolida oficialmente pelo Marquês de Pombal, no final do século XVIII.
Os negros africanos vinham substituir os nativos brasileiros na produção canavieira, pois esse tráfico dava lucro à Coroa Portuguesa, que recebia os impostos dos traficantes. Até 1850 a economia era quase que exclusivamente movida pelo braço escravo. Os escravos foram utilizados principalmente na agricultura e na mineração sendo, assim, essenciais para a manutenção da economia. Alguns deles desempenhavam também vários tipos de serviços domésticos e urbanos. A escravidão total só foi oficialmente abolida no Brasil com a assinatura da Lei Áurea em 1888 pela princesa Isabel.
O sistema Colonial encerrou-se com uma forte crise em sua economia. Na Europa, a Inglaterra se tornou a grande potência econômica mundial devido ao crescimento de um novo sistema industrial, cujo Portugal não adaptou-se rapidamente. Juntamente, o traba lho assalariado ganhou força no comercio de diversos países; então a escravidão passou a ser uma prática repudiada pelos europeus. O processo de independência foi muito influen ciado por outros países que passavam pelo mesmo processo.
Fig. 4 - A Primeira Missa no Brasil, por Victor Meirelles.
Não é de se duvidar que a cultura brasileira é apreciada e conhecida pela sua enor me diversidade. Isso se deve ao fato de que, durante todo o período de colonização do país, houve a participação de muitos povos, como os portugueses, que foram os colonizadores e responsáveis pela criação das cidades e civilizações no Brasil; os indígenas, primeiros ha bitantes e nativos do país, que foram praticamente exterminados e injustiçados durante a colonização; e os africanos, que foram trazidos como escravos, sendo alvos de preconceito, tortura e atos desumanos.
Apesar de não haver uma igualdade social entre a população, sendo clara a percep ção de que os portugueses assumiram o papel principal, todos os povos tiveram participa ção na formação da cultura brasileira em si. Durante o Brasil Colônia, costumes e hábitos europeus, indígenas e africanos foram homogeneizados numa combinação única, repre sentada na culinária, na arte, na língua e na arquitetura. Vale ressaltar que, no período colonial, a cultura brasileira ainda não era totalmente formada, pelo fato de ser o “início“ do país, tendo assim a cultura de todos os povos não misturadas em uma só.
Muitos elementos característicos da época ainda estão muito presentes na atualida de, como por exemplo a feijoada, que foi uma receita criada a partir dos restos de alimentos que eram deixados aos escravos; várias lendas indígenas, que acabaram incorporando o folclore brasileiro; e as festas mais icônicas do país, carnaval e festa junina, que foram her dadas dos portugueses.
Fig. 6 -A culinária indígena no Brasil é fruto de uma mistura de ingredientes de mais de duzentas etnias indígenas oficialmente reconhecidas no Brasil. Os povos indígenas passam por modificações nos costumes alimentares nativos, a caminho da ocidentalização de seus hábitos alimentares.
Fig. 7 - Porto sedia é uma das mais populares festas de São João na Europa.
A arte no Brasil colônia
A arte colonial brasileira se expressou quase totalmente com um caráter religioso, de forma que facilitou o doutrinamento católico na colônia através de esculturas, desenhos e pinturas que eram utilizados principalmente nas construções, nos ornamentos das igrejas, nos conventos e nos mosteiros.
Ademais é importante ressaltar que a maioria das artes do período colonial brasilei ro foram feitas pela perspectiva de artistas europeus, sendo assim, a expressão do artista tendia mais para o lado da Europa como salvadora e correta
A cena retratada acima (Fig. 8) é uma das obras do francês Jean-Baptiste Debret, mais difundidas pelos livros de História que abordam as relações cotidianas do Brasil Co lonial. É de extrema facilidade identificar os livres e os escravos, isto se dá única e exclusivamente pela cor da pele. O banquete que está sendo consumido pelo casal é o principal elemento que reflete a desigualdade social existente na época.
A estátua ao lado (Fig. 9) é uma das 66 peças que compõem a obra “passos da pai xão”. Esta obra é considerada o altar da arte do Brasil colonial. Como ocorre com outros artistas coloniais, a identificação das obras do Aleijadinho é dificultada pelo fato dos artis tas da época não assinarem suas obras e pela escassez de fontes documentais; entretanto, diversos traços característicos de suas obras podem ser identificados nas esculturas, como por exemplo os olhos amendoados e as sobrancelhas contraídas formando um “V”.
As casas coloniais são caracterizadas por sua riqueza de detalhes. Dado isso, serão citadas a seguir suas principais características. A arquitetura do Brasil Colônia seguia o mesmo estilo da europeia, principalmente a portuguesa, sendo encontradas construções com traços maneiristas, barrocos, rococós e neoclássicos, porém sendo adaptadas às con dições socioeconômicas, climáticas e aos materiais existentes.
A porta principal e as janelas acima dela eram circundadas por ornamentos do mes mo tipo dos que decoram as fachadas das igrejas, que eram feitas por marceneiro. Geral mente as casas possuíam telhados de quatro águas. Também eram muito usadas escadarias externas, cunhais decorados, colunas para sustentação e decoração da fachada. O piso era de terra batida no andar térreo e de assoalho nos demais pavimentos.
A porta principal tinha o objetivo de expressar poder, sempre sendo detalhada, gran de e pesada. Ela também tinha o objetivo de definir a simetria na construção do imóvel, uma vez que os detalhes e medidas eram fielmente repetidos. As janelas, geralmente em madeira e estilo veneziano, eram usadas em grandes quantidades para melhor iluminação e ventilação, sempre eram iguais e do mesmo tamanho. Não havia exagero de mobiliário. Eram feitos de madeira natural brasileira e executados por carpinteiros portugueses.
Fig. 10 - Fazenda São Luiz da Boa Sorte, Vassouras - RJ.Um grande diferencial das casas coloniais é que a maioria dos quartos não tinham janelas, cujos aposentos eram chamados de alcovas. Os quartos das filhas dos senhores eram mais resguardados e não tinham acesso direto ao corredor, sendo interligados ao quarto dos pais. Os banheiros não eram comuns nessas residências, as necessidades bási cas eram realizadas em uma penico ou em uma espécie de cabine fora da casa, já que não havia a existência de esgoto. Nas periferias, as chácaras pertenciam às famílias mais ricas e tinham facilidade de abastecimento e serviço, na época ainda muito dependentes do meio rural. Nos sobrados, o segundo andar era habitado apenas pela família e o térreo era para os escravos, mostrando assim uma hierarquia social em que os ricos sempre estavam aci ma. Os escravos, além de prestar serviços à família, também eram responsáveis pela cons trução das casas de seus senhores.
As cidades eram erguidas com aspectos uniformes, sem a presença de calçadas e vegetação; as ruas eram formadas pelas casas, uma espécie de construção em fita e não ger minada. Em dias muito frios nas grandes fazendas, os senhores colocavam seus escravos no andar subsolo, extremamente apertado, para que o calor humano aquecesse o piso do andar superior.
Muitas construções dessa época, atualmente, são consideradas patrimônios históricos, com destaque para as cidades de Ouro Preto - MG, Olinda - PE, Salvador - BA e São Luís - MA.
O bairro do Pelourinho (Fig. 12 ) recebeu esse nome pois, na época do Brasil colonia, o termo era utilizado para nomear uma coluna de madeira ou pedra erguida em praça pú blica para castigar os escravos que fugiam ou cometiam algum tipo de delito. Idealizado na Europa na Idade Média, esse hábito foi trazido para o Brasil pelos portugueses no período da fundação da cidade de Salvador. O bairro é a parte mais conhecida do centro histórico. Igreja São Francisco de Assis (Fig. 13 e 14) é católica e teve sua construção iniciada em 1766 com o projeto de autoria de Antônio Francisco Lisboa. A obra segue o estilo Bar roco, com elementos decorativos Rococó. A Igreja São Francisco de Assis foi um dos pri meiros bens tombados individualmente em Ouro Preto, em âmbito Nacional em 1938. Em 2009 foi eleita uma das 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo.
Fig. 12 - Vista do bairro Pelourinho, Salvador - BA.
Fig. 13 - Igreja São Francisco de Assis, Ouro Preto - MG.
Fig. 14 - Interior da Igreja São Francisco de Assis
Eram casas localizadas mais no centro das cidades, tendo a largura entre 5m e 11m, eram dispostas lado a lado, sem recuos naturais e no limite das ruas que, na época, não tinham calçadas, passeios nem vegetação. Havia três principais tipos: as residências térre as, os sobrados e os sobrados com térreo de loja; ambas sempre com uma planta estreita e alongada, com janelas apenas na parte frontal e nos fundos.
Todas as casas seguiam uma mesma espécie de divisão, sendo ela caracterizada por uma porta de entrada central que dava acesso a um vestíbulo, seguido de uma escada (nos sobrados), que levava ao piano nobile (onde a família residia) e, ao lado da escada, um cor redor que dava para os fundos nos quais eram localizados pequenos quartos que serviam de despensa, depósitos e locais para os escravos.
No primeiro pavimento, havia uma grande sala de estar no hall, acompanhada de uma varanda ou portas-janelas com balcão, após a sala, tinha um corredor central ou late ral em que eram localizados os quartos e, ao fim do corredor, os fundos, onde ficava uma grande sala de jantar e a cozinha, com uma escada externa, descendo para o quintal. Essa tipologia de planta era repetida tanto nas casas térreas como nos sobrados, sendo sua única diferença a presença ou falta das escadas.
Ademais, ainda temos as categorias das habitações térreas que eram nomeadas em : marada inteira (porta central com duas janelas de cada lado) e meia morada (porta no canto seguida de duas janelas) e , desse modo, seguia-se uma lógica para outras tipologias, como uma morada e meia, duas moradas, entre outras. Essas divisões serviam para a de marcação de cômodos e também o nível social da família, no sentido de que, quanto mais janelas, maior o poder aquisitivo.
Fig. 15 - tabela de distribuição dos vários tipos de residências coloniais.
As propriedades rurais eram divididas em chácaras, geralmente de grande porte, porém tendo a presença apenas da casa, e as fazendas de engenho, que dispunham de três principais elementos: a senzala, a usina de engenho, casa grande e, em alguns casos, uma capela.
As senzalas apresentavam uma planta comprida, com várias celas, feitas de alvena ria de pau a pique ou taipa de pilão e com cobertura vegetal (método adquirido dos indíge nas). A usina de engenho consistia numa coberta sustentada por pilastras de tijolos e era dividida em duas partes, a do engenho (moenda) e a da caldeira. Enfim, a casa grande, sede das fazendas, tinha forma muito variada, apresentando um pavimento de habitação único, elevado, e outro inferior, como uma espécie de porão, para armazenamento e pessoas de serviço. Sua divisão interna seguia a mesma das casas urbanas, porém com cômodos maio res e mais janelas.
No período do Brasil Colonial os materiais utilizados nas construções eram pedras, madeira, fibras vegetais e barro. As paredes autoportantes, que são paredes estruturais, tinham como função tanto a vedação quanto a sustentação, que suportavam todo o peso do telhado e distribuía para a construção.
Havia cinco métodos mais comuns para as estruturas das paredes:
- O adobe: utilizava formas de madeira onde era colocado o barro, essas formas passavam para o processo de secagem na sombra por alguns dias e depois ao sol, após esse processo eram assentadas no barro e revestidos de argamassa feita de cal e areia.
- O tijolo de cerâmica: feito também com argila, tinha o tamanho um pouco menor que do adobe e a secagem era feita dentro de fornos de altas temperaturas, como na época a infraestrutura era precária, aplicava-se essa técnica apenas para as telhas.
- A taipa de pilão: consistia em uma base de barro vermelho. Eram formas de madeira de aproximadamente 1,0 m de altura por 3,0 a 4,0 m de lateral e espessura final de, 0,6 m a 1 m em que depositavam o barro que em seguida era socado com uma madeira, mas o pro cesso tinha um tempo longo, pois a secagem necessitava de messes de um módulo para o outro. Seu alicerce eram valas preenchidas de pedras e matérias para dar liga, como estru me de animais e até mesmo restos de seus corpos (Fig. 18).
- O pau-a-pique: método utilizado até hoje em regiões precárias. Consiste em entrelaça mento de galhos e madeira, amarrados com cipós ou fibras naturais, que em seguida o barro era jogado e apertado com as mãos, muito utilizado também nas paredes internas (Fig.19).
- O enxaimel é um sistema parecido com o pau-a-pique mas nesse caso a estrutura era feita de madeira mais reforçada nos cantos e no meio formando quadros, onde eram preenchi dos nos vãos com adobe ou até mesmo tijolos. Está é uma técnica milenar que veio da Eu ropa e é muito utilizada no sul do país.
Já nas divisórias internas dos cômodos, utilizava-se o tabique feito com vigas de madeira e revestida de tábuas. As telhas eram feitas de barro e moldadas artesanalmente por escravos, cozidas em fornos e tinham formas irregulares. Os beirais protegiam as pa redes de taipa ou pau-a-pique da chuva, já as beiras são ornamentos de pequenas profundidades na alvenaria. As varandas e alpendres eram extensões do próprio telhado da casa. Vale ainda ressaltar o uso dos famosos ladrilhos portugueses e as pedras de rio para o ca minho da entrada da casa e em volta dela. Havia uma tipologia de telha denominada telha de coxa, na qual o molde era feito nas coxas dos escravos (Fig. 12).
Fig. 18 - Fotografia que mostra três traba lhadores operando na construção de uma pa rede utilizando a téc nica de taipa de pilão. Essa técnica consiste em prensar o barro em um molde de madeira pré feito.
Fig. 19 - Parede feita com a utilização de técnica de pau a pique. Consiste no entrela çamento de madeiras verticais fixadas no solo, com vigas hori zontais, geralmente de bambu amarradas en tre si por cipós, dando origem a um painel perfurado que é pre enchido com barro.
Para a realização da maquete começamos estudando o tema proposto, para que assim tivéssemos uma base acerca do contexto histórico, da cultura e da arquitetura da época; podendo assim darmos continuidade ao processo de criação de projeto.
Foi feito uma modelagem 3D, utilizando o software SketchUp, do modelo que iria ser representado por meio da maquete física.
No término dessa pesquisa, tivemos o conhecimento não só sobre a arquitetura colonial brasileira, como também sobre a história, cultura e arte da época. Sendo assim, foi possível entender melhor o funcionamento e criação das cidades e casas brasileiras, além da riqueza cultural do nosso país, do povo brasileiro e de suas diversas culturas. Além disso, durante o trabalho, foi possível observar que, apesar das casas coloniais do Brasil terem grande inspiração na arquitetura europeia, as outras culturas do nosso país tiveram grande participação, como a africana e indígena. Vale ressaltar que tais povos foram grandes alvos de preconceito e tortura durante toda esse período e que a arquitetura colonial brasileira representa não apenas a história da colonização, mas também demarca a vida e os momentos de todas os grupos, mantendo suas memórias vivas e refletidas na sociedade até hoje. Dado isso, é imprescindível que todos os profissionais envolvidos no projeto de ar quitetura, estejam familiarizados com as questões da história, cultura e arte aplicadas na arquitetura, ainda que no campo conceitual. E é fundamental que os pesquisadores conti nuem seus trabalhos, para que, cada vez mais, a cultura mundial seja enriquecida. Portan to, nosso caderno de pesquisa serviu como grande fonte de conhecimento, ajudando-nos a alcançar os objetivos da UC e desenvolver mais repertório cultural, conceitual e profissio nal para nossa carreira.
Bell MT - tam 30 - título da capa Monotype Corsiva - tam. 34 - título Georgia - tam. 14 - subtítulo Georgia - tam. 12 - corpo do texto Georgia - tam. 10 - descrição das imagens
Optamos por utilizar fontes que remetessem aos documentos da época. A Bell MT e a Georgia são fontes com o corpo fino e que contém serifa, lembrando a fonte utilizada nas maquinas de datilografia; enquanto a Monotype Corsiva é uma fonte mais romântica e desenhada, remetendo uma escrita manual.
Para a capa, fizemos colagens de ilustrações das famosas janelas de São Luis. Essas janelas são uma marca bem icônica da arquitetura do período colonial, sempre bem ornamentadas e presentes em grande quantidades, principalmente para sinalizar o poder aquisitivo dos senhores.
Para a contracapa, utilizamos um mosaico de azulejos portugueses. Esse era um material muito utilizado para orna mentar diversas superfícies; também con siderado uma característica marcante na arquitetura da época.
Realizamos uma pesquisa de cam po e nos reunimos para visitar a casa do ex-presidente Wenceslau Braz, em Itaju ba - MG. Utilizamos ela como referência e inspiração para nossa pesquisa, já que a residencia é considerada patrimônio his tórico.
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