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INFORME Abril, 2015 - Edição 07

Revista Oficial da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança

EMPRESAS DE TODO O MUNDO SE REÚNEM NO RIO DE JANEIRO PARA A MAIOR FEIRA DE DEFESA E SEGURANÇA DA AMÉRICA LATINA VERDE AMARELAS

PROJETOS ESTRATÉGICOS

TROCA DE COMANDO

Ministro da Defesa, Jaques Wagner, fala sobre seus desafios à frente da pasta

COBRA pode impulsionar indústria de defesa nacional

Brigadeiro Rossato, novo comandante da FAB, discorre sobre o futuro da corporação


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SEJA UM ASSOCIADO

(11) 3170-1860

Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança

Sindicato Nacional das Indústrias de Materiais de Defesa

Avenida Paulista, nº 460, 17º andar, cj B Bela Vista, São Paulo, SP | CEP 01310-000


INFORME Ano 02 – Número 07

EXPEDIENTE CONSELHO DIRETOR DA ABIMDE Presidente Sami Youssef Hassuani 1o Vice-Presidente Carlos Frederico Q. de Aguiar Vice-Presidente Executivo Carlos Afonso Pierantoni Gambôa Vice-Presidentes Antonio Marcos Moraes Barros Celso Eduardo Fernandez Costa Eduardo Hermida Moretti Marcelio Carmo de Castro Pereira André Amaro da Silveira Diretores Wilson José Romão Gustavo Ramos José Carlos Cardoso Jorge Ramos de Oliveira Júnior Celso José Tiago Diretora Administrativa Heloísa Helena dos Santos Diretor Técnico Armando Lemos CONSELHO EDITORIAL Jornalista Responsável e Diretora de Redação Valéria Rossi | MTB: 0280207 Editora Claudia Pereira | MTB: 29.849 Diretora de Arte Luciana Ferraz Repórter Especial Karen Gobbatto Editora de Fotografia Carla Dias

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ÍNDICE 04 | EDITORIAL LAAD: Importante vitrine para a indústria nacional 05 | VERDE AMARELAS Novo Ministro da Defesa, Jaques Wagner, fala de seus desafios para 2015, sobre projetos estratégicos e planos para manter as metas da END 09 | POR DENTRO DA ABIMDE Novo governo, KC-390, LAAD 10 | COMITÊ NAVAL Carlos Erane de Aguiar, Vice-presidente da Firjan e presidente do SIMDE, fala sobre a indústria marítima brasileira 12 | TROCA DE COMANDO Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato acredita que investimentos em defesa serão mantidos para preservar a integridade e a soberania nacional 15 | INOVAÇÃO Sistemas e equipamentos eletrônicos da Imbel ajudam o combatente brasileiro atingir a era digital com material nacional e seguro 16 | COMITÊS Novidades sobre os comitês da ABIMDE: VNT, COMCIBER e CSTA 18 | VEÍCULOS MILITARES Chinesa Shacman chega ao Brasil com o objetivo de nacionalizar seus caminhões e iniciar a produção e a venda para o mercado nacional, Mercosul e África

24 | TÚNEL DO TEMPO A história da Mectron e de seu investimento tecnológico no País 28 | P & D Bradar se destaca no desenvolvimento e produção de radares e está presente em importantes projetos das Forças Armadas Brasileiras 30 | EMBARCAÇÕES Emgepron apresenta produtos e soluções para o mercado marítimo 32 | OFFSET Iacit é uma das empresas brasileiras que opera com sistema de transferência de tecnologia 34 | ESPECIAL Almirante-de-Esquadra, Gilberto Max Roffé Hirschfeld, fala sobre a atuação da Coordenadoria do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (COGESN) 38 | TRAJETÓRIA Rockwell Collins completa 40 anos no Brasil 42 | ROTEIRO LAAD Perfil das Associadas presentes na edição 2015 do evento 46 | PONTO DE VISTA Base Industrial de Defesa: Os Primeiros Passos – Parte II

INFORME Dezembro, 2015 - Edição 07

Assistente Administrativa Cássia Ruivo INFORME ABIMDE é uma publicação da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) Avenida Paulista, 460, 17o andar, conjunto B, Bela Vista, CEP 01310-000 Tel./Fax: (11) 3170-1860 Escritório Brasília:(61) 8183-0034 Lourenço Drummond Lemos Produção Editorial Rossi Comunicação Correspondência Rua Carlos Sampaio, 157, Mezanino, Bela Vista, São Paulo, SP | CEP 01333-021 Tel.: (11) 3262-0884 informeabimde@rossicomunicacao.com.br Foto capa: Reprodução Gráfica HR – (11) 3349-6444

20 | PROJETOS ESTRATÉGICOS Exército Brasileiro avalia empresas para compor o Projeto Combatente Brasileiro (COBRA) e espera que o contrato possa ser efetivado ainda este ano 22 | NOTAS Canadá marca presença na LAAD e Kryptus fornecerá para Autoridade Certificadora da Defesa 23 | INTERCÂMBIO ABIMDE apoia o Seminário Industrial Brasil-França, que reuniu importantes nomes da defesa nacional e de autoridades brasileiras e francesas

Revista Oficial da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança

EMPRESAS DE TODO O MUNDO SE REUNEM NO RIO DE JANEIRO PARA A MAIOR FEIRA DE DEFESA E SEGURNANÇA DA AMÉRICA LATINA

VERDE AMARELAS

PROJETOS ESTRATÉGICOS

TROCA DE COMANDO

Ministro da Defesa, Jaques Wagner, fala sobre seus desafios à frente da pasta

COBRA promete impulsionar empresa nacional

Brigadeiro Rossato, novo comandante da FAB, discorre sobre o futuro da corporação

41 | CAPA LAAD Defence & Secutity, maior feira do setor da América Latina, chega a sua 10ª edição


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EDITORIAL

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m abril, o Rio de Janeiro será novamente a sede de mais uma edição da LAAD Defence & Security, maior e mais importante feira dos setores de defesa e segurança da América Latina. A cada edição a feira tem se mostrado mais vigorosa, atingindo um público maior. Um dos pilares de sucesso do evento é a participação maciça das empresas associadas da ABIMDE, que atuam fortemente na difusão das empresas brasileiras e no fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID). O número crescente de empresas nacionais na LAAD também atesta o grau de desenvolvimento e maturidade da indústria de defesa brasileira. Não podemos deixar de reforçar o apoio institucional e operacional do Ministério da Defesa, que contribui para o êxito da feira, tornando-a ainda mais especial e abrangente. Considerada uma excelente plataforma de negócios, a LAAD é uma importante vitrine para a indústria brasileira, que tem a oportunidade de promover os seus produtos para as nações amigas, com foco na América do Sul e nos países emergentes do mundo todo. O Brasil está entre os maiores players mundiais, com mão de obra qualificada e tecnologia de nível internacional, demonstrando que o País está em expansão nas áreas de Defesa e Segurança.

Divulgação

LAAD: importante vitrine para a indústria nacional

Sami Youssef Youssef Hassuani Sami Hassuani Presidente da Presidente da ABIMDE ABIMDE


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VERDE AMARELAS

Ministro da Defesa diz que meta para 2015 é preservar planos da END

por Valéria Rossi

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m entrevista a revista INFORME ABIMDE, o ministro Jaques Wagner destaca que a defesa do País é inseparável do seu desenvolvimento. “Podem estar certos de que farei o meu melhor para garantir a continuidade dos nossos programas estratégicos, pois eles são vitais para o Brasil”, garante. Também ressaltou que dará continuidade à direção da rota traçada pela Estratégia Nacional de Defesa (END). “Meu papel é, antes de tudo, o de preservar esse rumo; é uma responsabilidade não só com os brasileiros de hoje, mas com as gerações que nos seguirão”. Em suas visitas às diversas organizações militares, de Norte a Sul do País, o novo ministro diz ter constatado o alinhamento das Forças Armadas em torno deste ideal, e que visualiza a superação da crise de forma conjunta e articulada com os demais ministérios e agentes governamentais. INFORME ABIMDE - Logo que assumiu o ministério, o senhor realizou visitas aos Comandos das Forças Armadas, participou do processo de escolha dos novos comandantes e foi conhecer alguns projetos. Gostaria de saber como o senhor avalia os projetos estratégicos que estão em desenvolvimento e qual a importância deles para o País? Ministro da Defesa Jaques Wagner - A Política Nacional de Defesa condiciona o planejamento de ações destinadas à defesa nacional, coordenadas pelo Ministério da Defesa. Ela

estabelece objetivos e orientações para o preparo e o emprego dos setores militar e civil em todas as esferas do Poder Nacional. Esta política destaca que a defesa do País é inseparável do seu desenvolvimento. Assim, entendo que o tema defesa está diretamente relacionado à esfera interministerial, no qual o Ministério da Defesa, como órgão central, coordena os esforços das instituições governamentais para a criação de uma agenda positiva que possibilite a nação avançar nos aspectos de desenvolvimento econômico e social. Os investimentos em defesa se transformam em alavanca que proporcionam este crescimento de forma contínua. Aliado à política, a Estratégia Nacional de Defesa estabelece, como uma de suas prioridades, a reorganização da indústria nacional de material de defesa para assegurar que o atendimento das necessidades de equipamento das Forças Armadas se apoie em tecnologias sob o domínio nacional, evitando a dependência do conhecimento exclusivamente estrangeiro. Em minhas visitas às diversas organizações militares, de Norte a Sul do País, tenho constatado o alinhamento das Forças Armadas em torno deste ideal de esforço conjunto na busca de aprimoramento, capacitação e modernização operacional, estimulando o desenvolvimento de nossa base industrial. Os projetos estratégicos das Forças Armadas objetivam, além da recuperação da capacidade operacional, fortalecer três setores de importância estratégica nacional: o espacial, o cibernético e o nuclear. Po-

demos citar como exemplos o Projeto de Desenvolvimento do Submarino Nuclear, a concretização do Laboratório de geração de energia nucleoelétrica, no interior de São Paulo, o desenvolvimento do reator multipropósito, e a criação do Centro e da Escola de Defesa Cibernética. Sem nos esquecermos do desenvolvimento, em parceria com o Ministério das Comunicações e de Ciência e Tecnologia, do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), que irá assegurar a soberania em nossas comunicações estratégicas, tanto na área civil quanto militar. Destaque também para a produção da aeronave KC-390, que é um marco na indústria nacional. Uma aeronave de transporte e reabastecimento que proporcionará ao País a possibilidade de exportações, representando importante mecanismo de fortalecimento do parque aeroespacial brasileiro. Além destes, há vários projetos que fomentam sobremaneira nossas indústrias como o Projeto Guarani, com a nova família de blindados; , o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), que permitirá reduzir o prazo de resposta frente a possíveis ameaças nas áreas de interesse, com especial atenção à Região Amazônica. O desenvolvimento de mísseis e foguetes ASTROS 2020, que consiste em um míssil com alcance de até 300 km com elevada capacidade de dissuasão, e a modernização de nossa defesa antiaérea. Estendemos também nossos esforços na implantação do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), cuja


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implementação total está pre- e dos produtos de defesa, sendo necimento de produtos de intevista para ocorrer até 2024 e utilizado em proveito do País. resse das Forças Armadas. permitirá o monitoramento e Há um esforço contínuo Podemos citar como controle das águas jurisdicio- exemplo o desenvolvimento do por parte dos centros avançanais brasileiras, ampliando nos- Programa Amazônia Conectada, dos de pesquisa, dos laboratósa presença na Amazônia, no que prevê a instalação de cabo rios das Forças Armadas, das Centro-Oeste e em áreas fron- ótico subfluvial na região para instituições acadêmicas brasileiteiriças, adensando a vigilância proporcionar a expansão da in- ras e das nossas empresas de nas grandes bacias fluviais e fraestrutura de comunicações defesa na busca do domínio do provendo incremento significa- na Amazônia, incrementando conhecimento, da não depentivo à segurança da navegação o Programa Nacional de Ban- dência, da absorção de tecnomarítima. da Larga no local e permitindo logias estratégicas e de interes Na vertente espacial, a expansão dos programas go- ses da Defesa. Este movimento possuímos o Programa Nacional vernamentais de tele-ensino e conta com o apoio relevante de de Atividades Espaciais (PNAE), telessaúde na Amazônia. Isso outras estruturas governamenpromovendo a utilização do es- proporcionará também a inclu- tais como, principalmente, os paço exterior como meio de su- são digital de povos indígenas e Ministérios da Ciência, Tecnoloporte às atividades de defesa, das populações ribeirinhas. gia e Inovação e de DesenvolOs resultados dos de- vimento, Indústria e Comércio com os programas de lançadores de satélites e microssatélites. senvolvimento dos projetos es- Exterior, e vem possibilitando a Além da capacitação em veícu- tratégicos são grandiosos: o ampliação das capacitações teclos lançadores, existe a identi- combate ao narcotráfico; as so- nológicas no País, inclusive em ficação dos requisitos necessá- luções para atingir a autossufici- torno de tecnologias que estão rios para o desenvolvimento de ência logística; a diminuição da na fronteira do conhecimento. satélites para Além disso, as emsensoriamento presas brasileiras Podemos citar como exemplo o remoto e metevêm assumindo desenvolvimento do Programa Amazônia orologia. Outro uma participação Conectada, que prevê a instalação ponto a destacada vez mais atide cabo ótico subfluvial na região car é o controle va na internalizado espaço aéreo, que tem sido dependência externa; a majora- ção de tecnologias, sobretudo aprimorado com a implantação ção do valor agregado dos pro- nas áreas relativas aos projetos de novas tecnologias, visando dutos com conteúdo nacional; a estratégicos citados. É possídar suporte à operação segura e geração de novos negócios e a vel visualizar a participação das eficiente do transporte aéreo do criação de novos empregos; a nossas indústrias conquistando capacitação de pessoal; os ga- um maior espaço na exportaPaís. Todos os Projetos men- nhos na escala produtiva e de ção de produtos com alto valor cionados demostram a impor- competitividade por meio de agregado para o mercado intertância da área de Defesa para o inovação e incentivos à indús- nacional. País, com foco na capacidade de tria brasileira para exportação, Avalio que precisamos preservar a integridade de suas especialmente dos produtos es- persistir na intensificação e na estruturas estratégicas cuja tratégicos, frutos de pesquisa, coordenação dos esforços, com destruição total ou parcial pode- desenvolvimento e inovação, a participação das agências goria tornar-se uma séria ameaça preservando competências e vernamentais, das não goverà segurança do Estado e da so- tecnologias críticas de interesse namentais, dos institutos de ciedade. Faz-se imperativo que nacional. Todos estes benefícios ciência e tecnologia e das ema nação disponha de uma efe- não se constituem em projetos presas de defesa, de modo a tiva capacidade militar, legítima exclusivos das Forças Armadas, preservarmos as capacitações e perceptível, como forma de mas sim da nação brasileira. adquiridas, as que estão em dedissuasão para defender seus senvolvimento, e reduzir a devalores e seus bens. IA. Como o senhor avalia as pendência externa por tecnolo Por outro lado, todos os tecnologias oferecidas pelas gias sensíveis, principalmente, avanços obtidos no escopo de empresas brasileiras? as decorrentes de ações de cerdefesa se convertem em benefí- Ministro da Defesa - O que te- ceamento. cios diretos entregues à socieda- nho observado é que a indústria de brasileira. Existe claramente de defesa vem se capacitando IA. O que é preciso para que uma característica de transver- tecnologicamente e incremen- as Forças utilizem mais o salidade, com o transbordo tec- tando a sua participação, ao produto nacional? nológico oriundo das empresas longo dos últimos anos, no for- Ministro da Defesa - Uma das


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produto com alto teor de conteúdo nacional; e maior participação do Estado no processo produtivo por meio de garantias e de concessões de financiamento. Não podemos deixar de reconhecer o importante papel da nossa BID, procurando oferecer produtos que

atendam às exigências de qualidade que um produto específico de defesa requer, trabalhando coordenadamente com atores governamentais, principalmente as Forças Armadas. IA. Quais os maiores desafios do senhor como mi-

PH Freitas/Ministério da Defesa

principais características dos produtos de defesa é o fato de possuírem como principal consumidor as Forças Armadas que, historicamente, realizam suas compras de forma sazonal e descontinuada, o que restringe a manutenção das cadeias produtivas. Este fato se deve, em grande parte, às dificuldades orçamentárias. O MD procura atuar na sustentabilidade da Base Industrial de Defesa (BID) por ações que buscam encontrar dualidade para a utilização dos produtos do segmento e também por medidas de fomento às exportações. Esta última, particularmente desempenhada pelo recém-criado Núcleo de Promoção Comercial, que conta com a implantação de um Sistema Integrado de Produtos de Defesa, e que vai permitir a definição de estratégias coordenadas de promoção comercial. Em paralelo, a Comissão Mista da Indústria de Defesa (CMID) possui papel essencial ao integrar o Ministério da Defesa e os órgãos públicos e privados à BID, atuando nas propostas de credenciamento de empresas e produtos estratégicos de defesa. A partir de uma escala de produção adequada, podem-se abordar outras questões que propiciem maior regularidade de aquisições como aspectos orçamentários, tanto em volume quanto em constância de desembolso, permitindo planejamento e previsibilidade para o setor produtivo; questões tributárias que, atualmente, oneram o custo do produto nacional; melhorias nos processos de aquisição que incentivem a preferência pelo


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nistro da defesa? Ministro da Defesa - Permita-me colocar essa questão em perspectiva. O País, e boa parte das economias do G-20, vive um momento econômico complicado. Alguns já passaram pelo pior e agora começam, queremos crer, a se recuperar sustentavelmente. O Brasil foi um dos países que passou melhor pela crise, mas enfrenta também um momento adverso. Agora teremos pela frente um tempo de ajuste desafiador. Mas o que quero sublinhar é que o momento de crise não nos deve fazer perder de vista o quadro geral. É evidente que isso afetará todos os setores do País, inclusive o de defesa. Nossa rota está explicitada na Estratégia Nacional de Defesa (END) e no Plano de Articulação e Equipamentos de Defesa (PAED), onde meu papel é, antes de tudo, de preservar esse rumo. É uma responsabilidade não só com os brasileiros de hoje, mas com as gerações que nos seguirão. Isto posto, creio que podemos dividir nossas ações por prazos: o que é para os próximos meses; o que se concentrará no ano que vem e até 2016 – chamemos de médio prazo; e o que vai estar no foco depois dos jogos olímpicos. No curto prazo, como prioridade, está a preservação dos projetos estratégicos. Em paralelo, incentivar programas de inovação e fomento. A defesa passou a fazer parte da agenda nacional por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Inova Aerodefesa e do programa Plataformas do Conhecimento. Precisamos direcionar esforços e utilizar o aprendizado oriundo destes programas para aprimorar a condução dos projetos de forma articulada e sinérgica. No médio prazo, temos que construir e robustecer uma agenda positiva para a base industrial de defesa, envolven-

do, sobretudo, o Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e, eventualmente, outros órgãos. Será preciso retomar a trajetória ascendente procurando realizar as ações previstas no Plano de Articulação e Equipamentos de Defesa. Naturalmente, a própria regulamentação e detalhamento do PAED são fundamentais, mas também toda a agenda a que me referi anteriormente, de transpor a fase da capacidade tecnológica para a fase de competitividade empresarial, que envolve avançar em um sistema de substituição de importações. Finalmente, no longo prazo, retomamos de forma mais completa o objetivo internacional, que é colocar a nossa BID na estatura geoestratégica do Brasil. Acredito que o PAED comece a ser, paulatinamente, a diretriz que orienta as compras e o orçamento. Há que retomar a agenda de consolidação e fortalecimento da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), embora certamente a agenda da escala e da competitividade também se manterá em curso, possivelmente ganhando impulsão própria. IA. Quais as expectativas do setor para 2015? Os investimentos para a continuidade dos grandes projetos serão mantidos? Ministro da Defesa - Apesar da crise, visualizo a superação dos desafios de forma conjunta e articulada com os demais ministérios e agentes governamentais. E eu acho que, se por um lado apenas começamos, e haja muito por fazer, por outro temos de ser realistas. E o que temos aqui são avanços notáveis.

Nós sabemos que há um longo caminho até possuirmos várias empresas nacionais fortes e com capacidade produtiva e competitiva em nível internacional. Mas há um cenário positivo destoando do que tem se passado no resto da indústria de transformação, cujas exportações vêm sofrendo. Em diversos setores de defesa as exportações têm crescido e, mais importante, crescido com base em agregação de valor. Podem estar certos de que farei o meu melhor para garantir a continuidade dos nossos programas estratégicos, porque são vitais para o Brasil. IA. Qual a importância da ABIMDE para o setor de defesa? Ministro da Defesa - A ABIMDE existe para representar os interesses das indústrias de defesa e segurança brasileiras em todos os fóruns pertinentes; é a legítima representante de seus associados, contribuindo para o esforço nacional de geração de riquezas, aumento das exportações e do nível de emprego no País. A Associação realiza a interface entre os entes governamentais e a BID e é também a interlocutora dos interesses nacionais junto às associações congêneres dos países amigos. Cumpre ressaltar que seu perfil atual é composto de uma maioria de pequenas e médias empresas, muitas delas erigidas com base na inovação e no talento de pequenas equipes, verdadeiras “start up” da tecnologia de defesa. Como ministro, ressalto que é fundamental para o MD e Forças Armadas continuar a receber da ABIMDE os insumos necessários para a continuidade do diálogo profícuo e enriquecedor entre o Poder Público e a Base Industrial de Defesa.


Carla Dias

NOVO GOVERNO, KC-390, LAAD

Carlos Afonso Pierantoni Gambôa Vice-Presidente Executivo

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ano de 2015 mal começou e já se passaram três meses. Novo governo, novas Associadas, novas ideias e a renovada disposição da equipe administrativa na procura do melhor atendimento às empresas componentes da Base Industrial de Defesa. Realisticamente, entendemos que estamos passando por ajustes internos no Brasil, o que nos faz trabalhar com ênfase no mercado externo, onde podemos mostrar a capacitação de nossas Associadas. Deste modo, procuraremos apoiar muito de perto as empresas que participarão dos eventos no exterior. Não nos descuidaremos, entretanto, do aprimoramento de nossas relações com os Três Poderes Constituídos, Confederação da Indústria, Federações, Agências de Fomento, Arranjos Produtivos e demais Associações parceiras. Apesar da conjuntura econômica desfavorável, entendemos que os projetos estruturantes das Forças Armadas e os grandes eventos serão realizados em sua plenitude. Vibramos com o primeiro voo do KC-390 e esperamos vê-lo em breve participando de eventos no Brasil e no exterior. Ficamos entusiasmados com as informações do Projeto Combatente Brasileiro (COBRA) e com os avanços do Programa Nuclear da Marinha. Apesar das dificuldades, a indústria do conhecimento, criatividade e engenharia cresce apoiando um Brasil soberano. Estamos incrementando a autoestima de nossos competentes engenheiros e técnicos, estimulando um maior profissionalismo, divulgando a nossa capacidade tecnológica e atraindo parceiros nacionais e estrangeiros por meio do “Concurso de Engenharia de Defesa de Segurança”, que promoveremos no decorrer do ano. Nesta edição, preparada com a habitual competência pelo Conselho Editorial da “INFORME ABIMDE”, destacamos a feira LAAD, onde temos a certeza de que apresentaremos aos visitantes nacionais e estrangeiros produtos no “estado da arte”, produzidos no Brasil, por brasileiros. Uma excelente feira para todos ! (é um desejo, não uma afirmação, é isso?) Estaremos no Pavilhão ABIMDE apoiando as pequenas e médias empresas, mas à disposição de todas as Associadas.

ABIMDE

POR DENTRO DA ABIMDE

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Comitê Naval

A CRISE VAI PASSAR

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crise instalada na Petrobras e a instabilidade econômica do País vêm gerando grandes preocupações em todos os setores. A Petrobras, maior empresa brasileira, é responsável por cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e da taxa de investimentos, e por 5% da arrecadação de impostos. Portanto, uma crise dessa magnitude na companhia afeta gravemente todo o País. No segmento marítimo, que tem na Petrobras seu principal cliente, as dificuldades são mais significativas, tais como cortes de postos de trabalho e programas de demissão voluntária. O cenário assusta, mas o Vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), Presidente do Sindicato Nacional Das Indústrias De Materiais De Defesa (SIMDE), e Coordenador do Fórum de Defesa e Segurança, Carlos Erane de Aguiar fala em entrevista à INFORME ABIMDE sobre o grande potencial do setor e chama a atenção: “Essa fase vai passar”.

Divulgação

INFORME ABIMDE - O que o levou a criar, no âmbito do Fórum, o Comitê Naval Almirante Armando Amorim Ferreira Vidigal? Carlos Erane de Aguiar - Está no Rio de Janeiro mais de 80% da capacidade instalada da indústria de construção naval nacional. É aqui que se encontram as principais bases operacionais, incluindo a sede da Esquadra Brasileira, várias instalações industriais e grande parte dos efetivos da Marinha do Brasil. É no Estado que se encontram também os mais importantes centros de formação técnica e superior, bem como de pesquisa e inovação para a indústria naval. No tocante à estratégia marítima, temos ainda, no Rio, a Escola de Guerra Naval e o estaleiro de construção do futuro submarino a propulsão nuclear da Marinha (SN-BR), além da base de submarinos, em Itaguaí. A criação de três comitês - Naval, Aeroespacial e Força Terrestre - foi uma decorrência natural para dar mais

foco e organicidade às atividades. Recentemente, criamos o Comitê da Segurança Pública. IA: Quais os impactos dessa crise da Petrobras no segmento industrial marítimo? Carlos Erane - Toda a economia brasileira é afetada pela crise da Petrobras, responsável por cerca de 10% do PIB e por 5% da arrecadação de impostos. A importância da Petrobras para o dinamismo da economia pode ser medida pelos investimentos anuais, de cerca de R$ 100 bilhões/ ano em aquisição de equipamentos e bens, de contratos com construtoras e outros. No caso do Rio, o estado é o mais afetado devido ao peso da Petrobras na economia. Dos 73 mil empregos no setor naval no Brasil, 32,6 mil estão no Sudeste e, desse montante, 30 mil no Rio, ou seja, 41% do total nacional. Com a crise da Petrobras, obras estão sendo repassadas para o exterior e, nos últimos meses, a indústria naval brasileira já demitiu cerca de 10 mil trabalhadores, sendo 36,5% no Rio. No estado, 90% do setor naval são dependentes da Petrobras. O efeito multiplicador da crise é muito grande e representa um sério risco para a indústria marítima, que na década de 80 chegou a ser a segunda maior do mundo, foi reduzida a quase zero nos anos 90 e, agora, se encontra entre as cinco maiores do planeta - em 15 anos, o setor passou de 2.500 empregos para 73 mil. IA: Como imagina que as empresas das cadeias produtivas do Rio de Janeiro, que aportaram recursos em seus investimentos, vão contornar as dificuldades? Carlos Erane - É importante ressaltar que a indústria marítima é maior que a construção naval, englobando ainda a construção náutica e de plataformas, e reparo naval. Por isso, acredito que, após absorver os impactos da crise, os setores irão se adaptar, buscar alternativas nos mercados doméstico e internacional e, no médio prazo, voltar a crescer. Uma das saídas possíveis é promover a internacionalização, por meio de fornecedores de peças, máquinas e equipamentos, via inclusão nos catálogos do Ministério da Defesa junto à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e à Organização das Nações Unidas (ONU). Outro movimento será a vinda de novos agentes para atuar no mercado brasileiro, em especial no setor de petróleo e gás. Há ainda as encomendas da indústria náutica e governamen-


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tais para o Ministério da Defesa, via Marinha. A indústria marítima já resistiu a crises piores. Não vai naufragar. IA: De que forma o Comitê Naval pode auxiliar o MD e os demais ministérios a dirigir os investimentos para o setor ? Carlos Erane - O Comitê Naval da FIRJAN está estruturando uma série de ações para alinhar interesses e objetivos da indústria marítima, do Ministério da Defesa, e de órgãos correlatos. Está em gestação no comitê o cluster da Indústria Marítima, que busca criar uma gestão integrada entre o setor privado e o setor público em todos os níveis de governo, além de bancos de fomento, de forma a permitir a identificação de todas as empresas da cadeia produtiva. Com a catalogação, as empresas poderão se tornar fornecedoras internacionais dentro dos critérios, por exemplo, da OTAN. Com o cluster busca-se um ambiente amigável para as indústrias da cadeia, com diferimento tributário, incentivos específicos, criação de distritos industriais voltados para a indústria de defesa e interface mais simplificada junto às esferas de governo. Estamos também elaborando o projeto de gestão integrada, em parceria com os governos estadual e federal, para que, em breve, tenhamos um modelo moderno com foco no desenvolvimento e na competitividade para fazer avançar a indústria marítima. IA: Qual o potencial de postos de trabalho, geração e divisas e domínio de tecnologias estratégicas deste segmento para o País? Carlos Erane - A construção naval, embora dependente da Petrobras, possui um enorme mercado que vai desde navios mercantes, de apoio, de lazer, de defesa, até os projetos de renovação e ampliação da frota da Marinha do Brasil, incluindo o Programa de Submarinos (PROSUB) e outros. É claro que os estaleiros ganham maior eficiência quando são especializados em um tipo de embarcação, mas a tecnologia e a engenharia construtiva podem ser utilizadas em diversos tipos de embarcações, o que permite a migração para um setor mais aquecido e a volta para outro segmento quando este se aquecer. Passada a crise da Petrobras, a empresa retomará seus investimentos, focados principalmente na exploração do pré-sal, levando o Brasil a registrar forte crescimento de sua participação no cenário energético mundial. Nas próximas décadas, o pré-sal se tornará uma das maiores fontes petrolíferas do mundo, e o País será exportador de energia e o maior produtor na América do Sul. Este cenário exigirá maior participação da indústria marítima. Podemos dizer que, em condições políticas e econômicas normais, a expectativa é de

que, apenas no setor naval, o País possa dobrar o número de trabalhadores nas próximas duas décadas. Não é exagero estimar que a geração de empregos possa superar um milhão de vagas no Brasil durante o mesmo período. As encomendas previstas para os próximos 13 anos, para atender ao crescimento da demanda do pré-sal, totalizam R$ 15,13 bilhões/ano. Isso significa 0,31% do PIB de 2013. Com o efeito multiplicador sobre a cadeia, este valor pode chegar a 1% do PIB ou R$ 48 bilhões/ano. IA: O que será necessário para atingirmos esse crescimento? Carlos Erane - A complexidade da exploração no pré-sal exigirá melhores tecnologias, que se tornarão estratégicas para o setor, e a transferência de tecnologia elevará a capacidade do parque de pesquisa e desenvolvimento brasileiro. Por isso, ressaltamos o quanto o governo federal é essencial como fomentador, financiador e demandador dos avanços tecnológicos. Exemplo de quanto um país necessita de um governo inovador pode ser mensurado por equipamentos, hoje comuns, desenvolvidos para fins militares no século passado, como o GPS, a Internet, e a tela touch screen. No Brasil falta essa participação governamental, via uma política que incentive maior integração entre a indústria, as universidades e os centros de pesquisa. O governo precisa ser essa ponte, financiando e apoiando as pesquisas e não aguardando que o setor privado o faça para atender aos editais e concorrências. Isso atrasa o desenvolvimento nacional. É nesse vácuo que vai atuar o Comitê Naval, estruturando propostas e modelos por meio de um mecanismo de gestão compartilhada de discussões, ideias e proposições. IA:Que mensagem o senhordeixaria para os empresários que acreditaram e investiram na indústria marítima brasileira? Carlos Erane - É perceptível o imenso potencial de realizações desse segmento de mercado. Os empresários vinculados a ele estão acostumados a acreditar e a dedicar o que têm de melhor em disposição, tecnologia e investimentos. Nos últimos dez anos, a indústria naval brasileira deu um salto tanto em projetos estruturantes como na contratação de mão de obra, chegando a quase 200 mil empregos diretos. O desmonte da indústria naval brasileira, nas palavras do jornalista Leonardo Attuch, “pode ser pior do que perder o grau de investimento”. Portanto, nós empresários ligados ao setor de defesa e segurança, não temos saída a não ser perseverar.


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Divulgação/ FAB

TROCA DE COMANDO


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novo comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato, aponta para um cenário futuro mais positivo. Independentemente do contexto econômico, ele acredita que o Brasil não deixará de investir em defesa para manter a integridade e a soberania nacional. O Brigadeiro ressalta que sua meta é ter uma Força Aérea ainda mais atualizada, com capacidade de pronta resposta, ágil, proativa, enxuta e que seja orgulho para a população brasileira. Para isso, ele diz que é preciso capacitar ainda mais os militares e manter investimentos em projetos estratégicos. Em entrevista à revista INFORME ABIMDE, o novo comandante reforça a importância da indústria de defesa para o País: “Governo e empresas devem caminhar lado a lado com incentivos e estímulos devidamente discutidos com a sociedade. A indústria de defesa precisa ser cada vez mais fortalecida, pois é uma das principais impulsionadoras do desenvolvimento científico e tecnológico do País”. INFORME ABIMDE – Quais as expectativas do senhor como novo Comandante da FAB? Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato - Um dos meus desafios é melhorar a gestão administrativa da Força Aérea Brasileira (FAB), principalmente a que se refere a pessoas, com foco na qualificação e motivação de nossos militares. O processo de modernização da nossa frota nos últimos anos foi uma grande conquista. Mas queremos ter uma Força Aérea ainda mais atualizada e com capacidade de pronta resposta, ágil, proativa, enxuta e que seja orgulho para a população brasileira. Para alcançar por Valéria Rossi essa meta, é preciso capacitar ainda mais os militares sob meu comando e manter investimentos em projetos estratégicos. O fomento de tecnologias aeroespaciais e o controle de tráfego aéreo são prioridades, tendo em vista a importância de sistemas de comunicação e o crescente aumento no fluxo de aeronaves no País. Outra perspectiva é o aprimoramento da interoperabilidade com as outras Forças Armadas, no qual já alçamos muitos resultados positivos. Essa integração resulta em economia de meios e amplia a capacidade operacional das Forças Armadas do Brasil. Deste modo, vislumbramos um futuro com muitos desafios, mas com perspectivas promissoras para a Força Aérea Brasileira e para o País.

Novo comandante da FAB fala sobre o futuro da corporação

IA - As restrições orçamentárias vão atrapalhar os projetos da FAB? Brigadeiro Rossato - O Comando da Aeronáutica é solidário aos esforços de consolidação fiscal e diminuição do déficit público do governo federal. Além disso, a FAB tem buscado cumprir as diversas tarefas a ela atribuídas por meio de uma gestão eficiente e responsável, visando maximizar os resultados com os recursos orçamentários disponibilizados. Apesar do momento econômico, o governo entende que é importante fortalecer a nossa capacidade dissuasória com investimentos consistentes. IA – Quais projetos estão em andamento? E quais ficam em stand by? Há possibilidade de novos projetos em 2015? Brigadeiro Rossato - A FAB tem se esforçado para garantir o cum-


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primento de todos os contratos celebrados. O desenvolvimento do KC-390 e Gripen NG é prioridade para a Força Aérea. Muitos projetos estratégicos da FAB estão no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e ainda não há uma definição junto ao Ministério da Defesa sobre possíveis cortes orçamentários. Independentemente do contexto econômico, acreditamos que o Brasil não deixará de investir em defesa para manter a integridade e a soberania nacional.

Acredito que é necessário um investimento maior em tecnologias duais, com aplicações civis e militares que ampliam as possibilidades de mercado para estas empresas. Governo e empresas devem caminhar lado a lado com incentivos e estímulos devidamente discutidos com a sociedade. A indústria de defesa precisa ser cada vez mais fortalecida, pois é uma das principais impulsionadoras do desenvolvimento científico e tecnológico do País.

IA – Como ficam projetos como o F-X2, KC390 e KC-X2? Brigadeiro Rossato - Os projetos F-X2, KC-390 e KC-X2 são estratégicos e fundamentais para o cumprimento da missão de “manter a soberania do espaço aéreo nacional com vistas à defesa da pátria”. Além de equipar as unidades aéreas da FAB, essas demandas estimularam o crescimento da indústria nacional de defesa, gerando não apenas empregos, mas também conhecimento e desenvolvimento de tecnologia. Não haverá país verdadeiramente soberano sem Forças Armadas capazes de proteger os interesses nacionais. E não há, no mundo, Forças Armadas respeitadas que não tenham forte apoio na indústria de defesa de seus países.

IA – As empresas nacionais atendem a demanda da FAB? O que o senhor poderia destacar em termos de tecnologia hoje dominada pelo Brasil? Como o senhor avalia as parcerias feitas com empresas estrangeiras? Brigadeiro Rossato – Atualmente, não é possível suprir todas as necessidades da FAB apenas com produtos nacionais. O alto nível de investimento necessário para dominar algumas tecnologias torna este objetivo muito difícil de ser alcançado no curto prazo. Em aquisições internacionais, a FAB insere acordos de offset que permitem trazer para o Brasil tecnologias relacionadas aos sistemas mais avançados. Essa é uma determinação que permeia todos os contratos internacionais conduzidos pela Comissão Coordenadora Do Programa Aeronave De Combate (COPAC), cumprindo o que preconiza a Estratégia Nacional de Defesa (END). Com isso, a indústria nacional recebe tecnologias que possibilitam a atualização de negócios que geram empregos e renda no País.

IA – Quanto as Olimpíadas, como a FAB está se preparando? Brigadeiro Rossato - Executado pelo Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA) e pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), o plano prevê áreas de exclusão aéreas nas quais o voo de aeronaves será restrito, assim como foi feito na Copa do Mundo. Caças e helicópteros ficarão de prontidão ou em voo durante todo o período do evento e interceptarão qualquer aeronave não autorizada que esteja sobrevoando as áreas restritas. A coordenação da Jornada Mundial da Juventude, da Copa das Confederações e da Copa do Mundo foi um aprendizado muito grande para a FAB. O sucesso na condução desses eventos mostrou que estamos preparados para as Olimpíadas. IA – Como o senhor avalia a tecnologia desenvolvida pela BID? O que falta, na opinião do senhor, para a BID? Qual o conselho que o senhor daria para as empresas brasileiras neste atual momento econômico? Brigadeiro Rossato - As indústrias de defesa, em todo o mundo, têm grande dependência de projetos governamentais. É importante que as empresas brasileiras se capacitem para que possam competir no mercado internacional e, assim, consigam manter-se a longo prazo, principalmente nos casos de restrições orçamentárias.

IA - Qual a opinião do senhor sobre o papel da ABIMDE no setor? Brigadeiro Rossato - A ABIMDE tem um papel fundamental para o fortalecimento das indústrias de defesa no Brasil. A associação realiza um ótimo trabalho na coordenação conjunta das companhias, garantindo não apenas um diálogo com os órgãos governamentais, mas também estimulando parcerias e fomentando o desenvolvimento de tecnologias, entre outras ações. Em função do volume de recursos envolvidos e dos enormes desafios para desenvolvimento e produção de sistemas de defesa, é evidente que ações isoladas estarão condenadas ao insucesso. A ABIMDE contribui decisivamente para que tenhamos um setor industrial competitivo, apoiando os esforços não apenas da Força Aérea, mas de todas as Forças Armadas e órgãos de segurança do Brasil. Um país que quer ter voz no cenário internacional precisa ter uma indústria de defesa forte e avançada tecnologicamente. Parceira histórica, a FAB vai continuar estimulando o desenvolvimento da indústria de defesa nacional.


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INOVAÇÃO

CTV -1410: O Sistema de Transmissão de Vídeo do Combatente Brasileiro

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IMBEL® – Indústria de Material Bélico do Brasil, Empresa Estratégica de Defesa, por intermédio da Fábrica de Material de Comunicações e Eletrônica (FMCE), desenvolve e produz os sistemas e equipamentos eletrônicos que ajudam o combatente brasileiro atingir a era digital com material nacional e seguro. Em 2014, a FMCE lançou o Transceptor Portátil Pessoal TPP-1400 que hoje é adotado pelo Exército Brasileiro. O equipamento permite a transmissão de voz e dados. O TPP-1400 conecta e dá voz ao soldado no ambiente de operação, que precisa constantemente de uma comunicação segura entre os membros do grupo com as suas lideranças. Além da voz, a IMBEL® agora trabalha para dar olhos ao combatente por intermédio do Compressor Tático de Vídeo CTV-1410, o mais novo Produto IMBEL® na linha de comunicações e eletrônica. O CTV-1410 permite a codificação e a transmissão de vídeo em tempo real para o comandante de fração ou centro de operações. O equipamento é totalmente compatível com o Transceptor TPP-1400. O CTV-1410 é um produto de desenvolvimento e fabricação nacional, que pode ajudar a diminuir a dependência brasileira de equipamentos de origem estrangeira aplicados às áreas de defesa e segurança. Utilizando a codificação H.264, o codificador CTV1410 é capaz de realizar a transmissão em banda reduzida, evitando o congestionamento do canal. A alimentação é fornecida pelo próprio transceptor, dispensando a necessidade de utilizar uma bateria dedicada. Tendo peso e dimensões reduzidas, é inserido no próprio TPP-1400 (push-to-talk) em linha do combinado. Pode ser utilizado com diferentes optrônicos comerciais, fixados em diferentes regiões do uniforme como em capacetes ou armamentos, de acordo com a necessidade do cliente. Com construção robusta (resistente a choque, queda e vibração) e sendo totalmente imersível, o Compressor Tático de Vídeo é uma valiosa ferramenta no assessoramento dos comandantes na tomada de decisão sem afetar a operacionalidade do usuário.


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COMITÊS

A INDÚSTRIA BRASILEIRA DA VANT AGUARDA POR REGULAÇÃO DA ANAC por Antonio Castro*

As 12 indústrias brasileiras que atuam no setor de Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) estão há quatro anos à espera da regulação de voos comerciais pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O projeto de regulação está pronto, foi discutido com o nosso Comitê e o consideramos muito favorável à indústria, principalmente, pelo aspecto de facilitar consideravelmente os voos de aeronaves de até 25 kg, o que abrangeria mais de 90% dos serviços civis que os VANTs podem prestar.

O projeto entrou em pauta na reunião da diretoria da Anac há cerca de dois meses. Um diretor pediu vistas e o devolveu para a área técnica, para que esta fizesse algumas modificações, o que já foi providenciado e devolvido para a diretoria. Novamente na expectativa de uma pronta aprovação do projeto, eis que finda o mandato de um dos diretores e a Anac agora está com apenas dois dirigentes (são cinco normalmente), portanto, sem quórum para deliberações. Essa situação já perdura algumas semana e o governo não nomeia novos diretores. Como resultado, nos sentimos no limbo novamente. *coordenador do Comitê de VNT da ABIMDE

O ano de 2015 trará grandes mudanças para o setor de Segurança Cibernética no País por Roberto Gallo*

Redução de risco e compliance são, possivelmente, os dois maiores motores do setor de segurança cibernética em uma nação pacífica. No Brasil, entretanto, tanto a baixa percepção de risco como a não existência de framework legal e completo sob o assunto atrasaram o setor. Porém, com os escândalos de espionagem de 2013, o que era preocupação de um círculo mais restrito de especialistas nos setores de defesa e de inteligência passou a ser questionado por pessoas comuns. Ficou claro para os tomadores de decisão do mais alto nível e para o público em geral que o risco cibernético é real e que os ataques atingem diretamente o nosso País. Em uma resposta rápida e acertada, Executivo e Legislativo aproveitaram a oportunidade para o robustecimento do quadro legal que regula a segurança cibernética em geral, com desdobramentos em todas as áreas: militar, civil, governo, sociedade e com um viés de primazia das soluções soberanas. No contexto da defesa e da Segurança Pú-

blica, é de interesse especial o movimento para a criação de sistema nacional unificado de homologação de produtos cibernéticos tanto no escopo da defesa como no da área civil, respectivamente, capitaneados pelo Centro de Defesa Cibernética (CDCiber/EB) e pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG). Tal sistema tem potencial de impacto em todo e qualquer sistema comunicante e de comando, de emprego militar e civil, não estando limitados a produtos típicos de TI. Neste sentido, o COMCIBER (Comitê de Cibernética da ABIMDE) tem atuado de forma a harmonizar objetivos soberanos de Estado com a proteção da indústria nacional, sempre pautado pelas medidas viabilizadoras da ABIMDE e do próprio Comitê. *coordenador do COMCIBER


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DESAFIOS DO CSTA PARA 2015 por Auro Azeredo*

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ano de 2014 propiciou excelentes conquistas. Dentre elas, a definição de uma política clara para a aquisição de dispositivos de Simulação e Treinamento (S&T) por parte das Forças Armadas. Isso ocorreu respeitando a prioridade de participação das empresas nacionais no fornecimento de soluções não proprietárias Commercial Off de Shelf (COTS), que pudessem ser integráveis a outros ambientes de simulação ou gestão de conhecimento para ambientes de treinamento baseados em computador. Como toda mudança implica um ajuste ao longo do tempo para ser plenamente assimilada, não conseguimos adequar as premissas de algumas contratações nesta nova Política de aquisição de S&T. Isso se deve, em primeiro lugar, por esses processos de aquisição e manutenção terem sido iniciados anteriormente à definição desta política e, em segundo lugar, pela falta de comunicação dos órgãos responsáveis na especificação de requisitos de projetos junto aos setores especializados de S&T. Ainda assim, o que muito aflige o CSTA (Comitê de Simulação e Treinamento da ABIMDE) é a falta de maior consciência para a prioridade no emprego de tecnologias de capacitação nos programas de defesa. Hoje, a criação de meios operacionais implica em testes e validações que são realizados, muitas vezes, com o emprego de simuladores, concomitantemente à efetiva construção do meio operacional e ao uso efetivo de tecnologias que assegurem a plena atualização e padronização da documentação técnica e também da capacitação de seus operadores e mantenedores. Estamos na era do conhecimento, em que o volume de informação é abrangente, complexo e volátil, demandando cada vez mais recursos tecnológicos que permitam absorvê-los com maior eficácia e de forma padronizada, mantendo-o em mídia digital segura e não mais apenas em manuais ou nas cabeças de instrutores e técnicos. O CSTA acredita que as restrições econômicas que despontam para o exercício dos próximos anos vão exigir, tanto de nossas Forças Armadas quanto das empresas de S&T, uma atitude mais reflexiva, inovadora e corajosa. A falta de recursos financeiros pode motivar a exploração da contratação de serviços em vez da compra de produtos de S&T. Isso poderá eliminar o risco da obsolescência tecnológica sem comprometer o domínio sobre dados sensíveis, evitar gastos elevados no curto prazo e ampliar as perspectivas econômica de médio e longo prazo, fortalecendo as expectativas econômicas para a indústria nacional de S&T. Sendo assim, o CSTA pretende, por meio de workshops, participação em feiras e eventos promocionais, dando maior visibilidade de oportunidades de negócios de S&T, não apenas para as Forças Armadas como para as empresas participantes da ABIMDE, potencializar o interesse dos Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs) em projetos afins, além de motivar parcerias entre as empresas do CSTA para ampliação de oportunidades locais e internacionais. *coordenador do CSTA


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Veículos Militares

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SHACMAN chega ao Brasil para atender demanda do setor de Defesa

Shacman chega ao Brasil com a proposta de atender o setor de defesa, tendo como objetivo nacionalizar os veículos militares e iniciar a produção e a venda para o mercado brasileiro, Mercosul e África. Na unidade de Tatuí, no interior paulista, serão produzidos, inicialmente, os modelos 4x4, 6x6 e 8x8 para a área militar. São veículos off road, capazes de alcançar e superar terrenos onde os veículos comuns não chegam. A expectativa é que, em 2016, a empresa comece a fabricar os primeiros modelos de caminhões pesados civis. Já em 2017, dará início a produção militar, trazendo para o Brasil sua linha de veículos originalmente voltada para o setor de defesa. Em diferentes versões, os caminhões são planejados para atender as necessidades das tropas, independentemente das condições dos terrenos. A linha de produtos é baseada em veículos de tração integral em todos os eixos, 4x4, 6x6 e 8x8, com capacidade de carga que varia de 3,5 até 40 toneladas em qualquer terreno. Além disso, os veículos contam com sistemas de suspensão independente, chassi rígido e suporte para reboques e implementos. As inovações da empresa para a área militar podem ser vistas na LAAD Defense & Security 2015 – Feira Internacional de Defesa e Segurança, onde a Shacman apresenta três veículos de tração 6x6, sendo que um deles terá suspensão independente em cada roda. Os visitantes podem conhecer o projeto da empresa para a área de defesa e avaliar a operacionalidade, robustez e tecnologia empregadas nos veículos. Além disso, a Shacman apresenta um driveline com conteúdo nacional desenvolvido para o projeto civil trabalhará em sinergia com o projeto de nacionalização e desenvolvimento do veículo militar. O trabalho de nacionalização do segmento militar da Shacman se beneficia de uma sinergia positiva, já desenvolvida no projeto do veículo civil, que contou com a parceria de fornecedores reconhecidos no mercado brasileiro como Cummins, Eaton, ZF, Meritor, Dana, Maxion, entre outros, facilitando o desenvolvimento e fomentando a indústria. O foco desse processo é atender com operacionalidade e robustez as reais demandas e necessidades de aplicação das Forças Armadas e de segurança pública do País, oferendo veículos idealizados, projetados e manufaturados para serem militares. Atualmente, a Shacman está trabalhando na realização de testes internos com os protótipos dos veículos militares, em parceria com fornecedores nacionais, para adequação ao mercado brasileiro. Em breve, os veículos deverão ser submetidos à homologação pelos órgãos competentes. “A Shacman tem total disposição e competência de suportar nas melhores condições as demandas para fabricação, desenvolvimento e pós-vendas com amplo atendimento aos requisitos operacionais e necessidades de cada equipe a qual se propõe a atender”, explica Alan Satiro, Primeiro Tenente R/2 do quadro de

por Karen Gobbatto


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Material Bélico e gerente do departamento de veículos militares da Shacman do Brasil. Após se associar, recentemente, à Anfavea (Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores), a Shacman se associou a ABIMDE (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança) com o objetivo de auxiliar a congregar, representar e defender os interesses da indústria. Mercado civil Desde 2011, quando a Shacman do Brasil se instalou em Tatuí, iniciou o desenvolvimento de caminhões pesados para atender as demandas do mercado brasileiro. Após intenso trabalho de engenharia da área de pesquisa e desenvolvimento, foi possível a companhia montar e testar o primeiro caminhão com mais de 80% de componentes produzidos no Brasil. Na edição da Fenatran 2013, a empresa apresentou ao público o veículo conceito a ser produzido na fábrica de Tatuí. Para atender o mercado civil, o carro-chefe será o TT 440 6x4, com carga máxima de tração de 74 toneladas.

Instalada na cidade chinesa de Xi’an, em uma área de 5,4 milhões de metros quadrados, a empresa conta, atualmente, com mais de 30 mil trabalhadores capacitados para a produção de mais de 150 mil veículos ao ano. Com quase 50 anos, a Shacman abastece o mercado chinês e mundial exportando para mais de 50 países em diferentes continentes. Desenvolvidos com parceiros tradicionais da Europa e dos Estados Unidos, o resultado é uma configuração única que alia a avançada tecnologia e os padrões internacionais de produção. Na América Latina, os caminhões Shacman estão presentes no Brasil, no Chile, no Equador, na Venezuela, no Peru e na Bolívia.

Pesquisa e Desenvolvimento A Shacman possui um moderno Centro de Tecnologia, instalado em uma área de 50 mil metros quadrados, e conta com mais de mil profissionais entre cientistas e técnicos. Nessa estrutura, valendo-se das mais modernas ferramentas eletrônicas e de sistemas informatizados, os produtos Shacman são desenvolvidos e atualizados constantemente, desde a pesquisa, o projeto e a Marca chinesa fase experimental até a incorporação das novas A Shacman é uma marca de caminhões tecnologias. nascida na China, em 1968, cujos carros são fa- As mais modernas técnicas e processos bricados pela Shaanxi Heavy DutyAutomobile, de produção de última geração mundial são apliintegrante do Grupo SAG, reconhecido como o cados na fabricação dos caminhões e de seus maior exportador de veículos pesados da China. componentes. São processos com alto grau de Os caminhões Shacman possuem grande parti- automação, alta eficiência de produção e que cipação nos mercados da Ásia, Oceania, Médio atendem aos padrões internacionais de seguranOriente, África e América Latina, sendo uma das ça e de qualidade, orientados para a proteção marcas fornecedoras de uso militar para o Exér- ambiental e a economia de energia. cito Chinês.

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PROJETOS ESTRATÉGICOS

EXÉRCITO BRASILEIRO AVALIA EMPRESAS PARA DESENVOLVER O PROJETO COBRA

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por Claudia Pereira, de Brasília

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o final de março, o Exército Brasileiro recebeu as propostas iniciais para o desenvolvimento integrado do Projeto Combatente Brasileiro (COBRA) como resultado da Requisição Inicial de Propostas feita por meio de chamada pública no lançamento do projeto, em 30 de outubro de 2014. As propostas estão em avaliação no Departamento de Ciência e Tecnologia, e as empresas bem avaliadas deverão ser chamadas para a próxima fase do processo de escolha da integradora para que estabeleçam seus projetos consolidados e aperfeiçoados. Ao final deste trâmite será contratada a empresa com melhor proposta técnica e comercial para o desenvolvimento da primeira fase do programa. A expectativa é que o contrato possa ser efetivado ainda este ano. O COBRA tem sua concepção em torno de sete capacidades: Observação, Mobilidade, Proteção, Comunicações, Consciência Situacional, Letalidade e Sobrevivência. O principal objetivo do projeto é aumentar a efetividade de combate do soldado brasileiro inserido em sua área de operação. As capacidades abrigam uma lista de inúmeros componentes como armamentos, munições, uniformes, rádios, computadores, binóculo, câmera fotográfica/filmadora, capacetes, coletes balísticos, óculos tático, entre outros. Por ter alto valor agregado e ampla visibilidade, o COBRA foi definido pelo Estado Maior do Exército (EME) como um dos projetos prioritários para os próximos anos. Seguindo diretriz governamental prevista na Estratégia Nacional de Defesa (END), de priorizar a contratação de empresas nacionais para o desenvolvimento e implementação de projetos das Forças, foram estabelecidas


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as seguintes condições para o desenvolvimento do Projeto COBRA: • seleção e contratação de Empresa Estratégica de Defesa (EED) como integradora; • especificação de “gabaritos” adequados para as diferentes brigadas do Exército; • utilização de equipamentos desenvolvidos pela Indústria de Material Bélico (IMBEL); • busca do conceito de evolução dinâmica, ou seja, os requisitos absolutos e desejáveis elaborados para a 1ª versão deverão ser atualizados para as seguintes, com a finalidade de os equipamentos, materiais e sistemas evoluírem com o incremento de novas tecnologias; • utilização de “software” de Comando e Controle com padrões abertos, sob a orientação do Sistema de C&T do EB; • utilização de uniformes desenvolvidos pela indústria brasileira; • transferência de tecnologia para o Brasil; • estabelecimento de parcerias em áreas onde o Brasil não domina a tecnologia; • busca da flexibilidade e adaptabilidade, a fim de permitir que frações constituídas, até o nível Unidade, possam compor-se nas diferentes formas exigidas pelas missões impostas e pelos ambientes operacionais em que atuarão, seja no País ou no exterior; • dualidade, ou seja, o material deve ter utilidade civil, se devidamente adaptado. “O projeto COBRA dará vigor às empresas brasileiras. Vai além da questão da aquisição, trata-se da viabilização do desenvolvimento nacional”, comenta o General-de-Divisão Antonino dos Santos Guerra Neto, Vice-Chefe de Tecnologia da Informação e Comunicações do EB. De acordo com o General, o que não puder ser adquirido no País, com um mínimo de conteúdo nacional, estará fora do projeto. “Todo item do COBRA precisa ter um processo produtivo no Brasil, não apenas a montagem final, mas itens fabricados em território brasileiro”. Os aspectos considerados no escopo do projeto são: Prazo de seis anos; Ampliar capacidades individuais e coletivas; Aumentar poder dissuasório da Força Terrestre – Letalidade; Custo X Conteúdo Nacional; Integração com Projetos Estratégicos do Exército (PEE): Recuperação da Capacidade Operacional (ReCOp), Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), Sistema Integrado de Proteção de Estruturas Estratégicas Terrestres (Proteger); Impactos positivos em todos os 15 Objetivos Estratégicos do Exército (OEE)/Sistema de Planejamento do Exército (SIPLEx); Estímulo à Base Industrial de Defesa (BID)/Estratégia Nacional de Defesa (END): Produção de mais de 150 itens; Incremento progressivo do conteúdo nacional; Gera-

ção de novos empregos e renda; Possibilidade de exportação de itens; Interoperabilidade e conectividade - Operações Conjuntas; Evolução contínua. “O objetivo é ter uma empresa integradora das soluções que compõem cada capacidade desejada para cada ambiente operacional. O COBRA é um sistema, buscamos um projeto de desenvolvimento dos itens e da solução. Será um contrato, principalmente, de desenvolvimento e não de logística, embora haja questões logísticas associadas ao COBRA. A meta do processo de contratação é chegar a um conjunto de empresas, lideradas por uma integradora, que nos apresente uma solução completa. A integradora fará as subcontratações, num modelo assemelhado ao Projeto Sisfron, que está em implantação”, finaliza o General Santos Guerra.

RAIO-X Cronograma O planejamento contratual está definido da seguinte forma, mas ainda dependente de uma decisão do Comando da Força, tendo em vista as questões orçamentárias do corrente ano: • Termo de Referência: 30/04/2015 • Convite às integradoras selecionadas:10/05/2015 • Apresentação das propostas (RFP – Request for Proposal): 30/06/2015 Benefícios Esperados • Geração de empregos na Indústria Nacional • Capacitação tecnológica da Base Industrial • Diversificação da pauta de exportação • Maior eficácia nas operações • Salto tecnológico • Aumento da capacidade de cooperar com as demandas do governo, vigilância e monitoramento de fronteiras • Melhoria da capacidade de apoio às Operações de Garantia da Lei e da Ordem


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NOTAS

CANADÁ MARCA PRESENÇA NA LAAD 2015

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mpresas que integram a Associação Canadense das Indústrias de Defesa e Segurança (CADSI) marcam presença na edição 2015 da LAAD. No total, 19 companhias apresentam seus produtos e serviços ligados à alta tecnologia desenvolvida no país. O objetivo da delegação canadense é apresentar suas capacidades e identificar potenciais parceiros e oportunidades na região, com especial foco no Brasil. De acordo com a CADSI, a LAAD tornou-se um importante evento internacional no mercado de defesa e segurança e o Canadá, sendo uma das principais nações com atuação nesta área em todo o mundo, enxerga neste evento uma grande oportunidade de fortalecer relações com o Brasil. Segundo a associação, a América Latina é um mercado que apresenta um enorme crescimento e que tem aprimorado suas potencialidades, novos requisitos de tecnologia, sistemas de treinamento e desenvolvido parcerias conjuntas. A intenção dos canadenses na feira é encontrar cooperações mutuamente benéficas e complementares para fins comerciais, técnicos e tecnológicos. A delegação do Canadá está no pavilhão 4, estande I48.

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AUTORIDADE CERTIFICADORA DA DEFESA TERÁ TECNOLOGIA 100% NACIONAL

Autoridade Certificadora da Defesa (AC-Defesa), que consiste em uma Autoridade Certificadora (AC) no âmbito do Ministério da Defesa (MD), atendendo aos padrões estabelecidos pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), conferindo autenticidade, confidencialidade e integridade na troca de documentos em forma eletrônica para o MD e Forças Armadas, contará com tecnologia 100% nacional. As chaves criptográficas utilizadas no programa serão geradas e protegidas pelo módulo de segurança criptográfico ASI-HSM, da empresa Associada ABIMDE, Kryptus. Os serviços oferecidos pela companhia nacional contemplam cifração de dados, mensagens e conexões, autenticidade de documentos e fluxos de C2, identificação e autenticação forte de usuários, dentre outros. Os equipamentos ASI-HSM, da Kryptus, foram desenvolvidos em mais de dez anos de pesquisas com parcerias que envolvem os setores públicos, privados e a academia. Por sua confiabilidade e alto nível de segurança lógica e física, equipa as principais autoridades certificadoras do País, incluindo a Autoridade Certificadora Raiz da ICP-Brasil, AC SERPRO, RFB, Justiça, e outros.


23 Helcio Nagamine/ FIESP

INTERCÂMBIO

ABIMDE APOIA SEMINÁRIO INDUSTRIAL BRASIL – FRANÇA por Claudia Pereira

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ABIMDE foi uma das apoiadoras do Seminário Industrial Brasil – França, que ocorreu nos dias 11 e 12 de março, em São Paulo. O encontro teve como objetivo fomentar discussões, promover soluções e gerar oportunidades nas áreas de Defesa e Aeroespacial entre os dois países. O evento, uma parceria do Ministério da Defesa com o Departamento da Indústria de Defesa da FIESP (Comdefesa), e apoio da ABIMDE, contou com a participação de importantes nomes da defesa nacional e de autoridades brasileiras e francesas como o embaixador da França, Denis Pietton; o diretor titular do Departamento de Defesa (Comdefesa) da Fiesp, Jairo Cândido; o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), Sami Hassumi; o presidente da Associação das Indústrias Francesas Aeroespaciais (GIFAS), Marwan Lahoud; e o diretor de Catalogação e Núcleo de Promoção Comercial do Ministério da Defesa, Wagner Lopes Moraes Zamith. Em seu discurso, Hassuani disse que a reunião não poderia ser desvinculada do cenário econômico atual e que a ABIMDE tem consciência da situação econômica de incerteza vivida pelo País. “Do ponto de vista empresarial este evento é muito importante, pois buscamos oportunidades e elas podem estar no exterior. Não podemos perder tempo, precisamos buscar soluções com

países que possamos trabalhar juntos, pois não existe cooperação onde só um lado tem vantagem. É preciso uma busca conjunta, parcerias globais com fornecedores, tecnologias, entre outros”. No primeiro dia do seminário foram apresentados painéis de projetos estratégicos, e também de acordos governamentais envolvendo as indústrias dos dois países e as Forças Armadas do Brasil. No dia 12, as empresas participantes se reuniram para discutir modelos de negócios, experiências e interesses em rodadas de relacionamento. As Forças Armadas estiveram representadas pelo Contra-Almirante Roberto Gondim Carneiro da Cunha, Diretor da Diretoria de Projetos Estratégicos da Marinha; pelo General-de-Divisão Luiz Felipe Linhares Gomes, Chefe do Escritório de Projetos do Exército Brasileiro (EPEx); e pelo Brigadeiro-do-Ar Antonio Carlos Alves Coutinho, Subchefe da 6ª Subchefia do Estado-Maior da Aeronáutica. Houve ainda um painel falando sobre os acordos governamentais envolvendo as indústrias francesas e as Forças Armadas Brasileiras, com a participação do Contra-Almirante EN Sydney dos Santos Neves, Gerente de Construção dos Submarinos Convencionais, que apresentou informações sobre o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), e do Brigadeiro-do-Ar José Augusto Crepaldi Affonso, que discorreu sobre o Projeto HxBR.


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TÚNEL DO TEMPO

Mectron eleva nível tecnológico do país

Fotos: Divulgação

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por Karen Gobbatto

a década de 1980, muitos profissionais optaram sair do Brasil para trabalhar no Iraque. O país, naquela época, apesar de viver uma ditadura comandada por Saddam Hussein, era uma terra de oportunidades para muitos profissionais que trabalhavam na área de defesa, já que o setor vivia uma crise no País. Dentre as dezenas de brasileiros que lá viviam, havia cinco engenheiros formados pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA): Antonio Rogério Salvador, Wagner Campos do Amaral, Azhaury da Cunha, Renato Zanetta e Carlos Alberto Carvalho. Chegaram ao país do Oriente Médio, a serviço da Engesa, para atuar nas pesquisas de desenvolvimento de um míssil. Com a invasão do Kuwait, no segundo semestre de 1990, e com a determinação do bloqueio econômico estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), os brasileiros tiveram que retornar prematuramente e, dessa forma, começou a história de sucesso da Mectron. No início, a empresa era formada apenas pelos cinco sócios-fundadores. Ao final de seu terceiro ano de atuação, em 1994, contava com 24 profissionais. Dez anos depois, em 2004, este número subia para 212. Hoje, são aproximadamente 430 funcionários. Ao fundarem a empresa, os sócios somaram suas experiências profissionais adquiridas anteriormente no setor de defesa. Porém, com a aguda crise ainda vigente, a Mectron iniciou suas atividades com a prestação de serviços para o mercado de automação industrial, tendo como clientes empresas como a Johnson & Johnson e a General Motors. Em seus primeiros anos de atividades, também desenvolveu e colocou no mercado civil produtos que eram novidades tecnológicas para a época como o Celina, um controlador de semáforos para adequação do controle do tráfego às variações do fluxo de trânsito; o MEC 2128, um validador de bilhetes magnéticos para transportes coletivos; e o Bioware, um eletroencefalógrafo portátil para monitoramento contínuo de atividades cerebrais e cardíacas com gravação por 24 horas em ambiente cotidiano. Em 1994, a Mectron foi agraciada, em razão do Bioware, com o Prêmio Paulo Pupo, concedido pela Academia Brasileira de Neurologia e, até hoje, há médicos que o utilizam. Nos anos seguintes, com uma lenta recuperação do setor de defesa e aeroespacial, e também com a gradual retomada de importantes projetos das Forças Armadas que foram paralisados, a Mectron


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retornou à sua vocação original. Focou suas atividades no desenvolvimento e fabricação de produtos na área de defesa, com os quais atua até hoje. Ao longo de sua história, tem se dedicado ao desenvolvimento e fabricação de armamentos inteligentes, radares, sistemas aviônicos e equipamentos para satélites e veículos lançadores de satélites. Nos últimos anos, agregou forte capacitação para sistemas de comunicação segura por enlace de dados, ou seja, sistemas de data-link militares. Diferentemente do que muitos possam imaginar, a empresa nunca teve um grande parceiro internacional que transferisse a ela a tecnologia que hoje está em seus produtos e serviços. A companhia muito se orgulha do nível tecnológico que alcançou e considera que, ao longo dos 24 anos de sua história, seus grandes parceiros foram os clientes com os institutos de pesquisas: a Força Aérea Brasileira (FAB) com o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA); o Exército Brasileiro com o Centro Tecnológico do Exercito (CTEx); a Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha (DSAM) e outros. Isto porque, principalmente, no desenvolvimento de mísseis e outros armamentos inteligentes, o trabalho é realizado “a quatro mãos”. O cliente apresenta seus requisitos e especificações básicas e a empresa passa a ser responsável pela concepção, pelas especificações detalhadas, pelo projeto, desenvolvimento e homologação. Vocação para defesa O primeiro contrato da Mectron com a área de defesa foi firmado com a Marinha do Brasil e consistia em uma consultoria para análise da eficiência da defesa antiaérea das fragatas Niterói, que estavam sendo modernizadas. Foi uma demonstração de que a experiência e a especialização de seus sócio-fundadores eram reconhecidas. A empresa também participou do desenvolvimento do simulador e do equipamento de testes encomendado pelo Exército Brasileiro junto à Embraer. Mas o grande marco para a Mectron foi o contrato firmado com a FAB para a retomada do desenvolvimento do míssil ar-ar MAA-1 “Piranha”. Com projeto iniciado em meados da década de 80, na própria FAB, no antigo Centro Técnico Aeroespacial (CTA), hoje DCTA, seu programa de desenvolvimento passou por enormes dificuldades como a falta de recursos, embargos de componentes, entre outros problemas. Coube à Mectron, a partir de 1994, concluir o desenvolvimento, realizar sua certificação e homologação nas aeronaves AT-26 Xavante, F-5 e F-5M e fabricar lotes encomendados pela FAB. A homolo-

gação, em tão curto período, foi considerada um grande êxito. Entre 1996 e 1999, além do desenvolvimento e homologação do MAA-1 “Piranha”, a empresa também realizou o reprojeto e a nacionalização do míssil anticarro MSS 1.2 e, posteriormente, de sua Unidade de Tiro (disparo). Em 1997, iniciou o programa de desenvolvimento do míssil ar-superfície antirradiação MAR-1. Além da consolidação da empresa como desenvolvedora de tecnologia para a área de Defesa, a Mectron também passou a investir na melhoria dos sistemas e na governança, o que resultou na certificação ISO 9000, em 2000. Quatro anos depois, um novo contrato foi firmado para o desenvolvimento do míssil ar-ar brasileiro de quarta geração. O míssil ar-ar brasileiro de quinta geração também conta com a participação da Mectron. O projeto, conduzido pela sul-africana Denel Dynamics, em parceria com empresas brasileiras, está em desenvolvimento e, nos próximos anos, o País contará com o míssil ar-ar A-DARTER, fabricado no Brasil. Após associar-se com a BNDES Participações (BNDESPAR), sociedade gestora de participações sociais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em 2007, a Mectron teve condições de iniciar as atividades na área de integração de sistemas aviônicos. O primeiro contrato neste segmento foi assinado com a Força Aérea do Paquistão para a exportação de mísseis MAR-1. Este trabalho envolveu a integração do míssil em aeronaves das quais não se tinha acesso ao OFP (Operational Flight Program) e, para tanto, foram desenvolvidas soluções inovadoras, não intrusivas, de integração de sistemas aviônicos, possibilitando uma completa operação do armamento das aeronaves Mirage 5 e JF-17. Também foi necessário o desenvolvimento de lançadores de mísseis dedicados a cada tipo de aeronave, bem como todo o suporte logístico associado. Um novo contrato com a Marinha do Brasil selou novamente o destino da Mectron. A empresa iniciou o desenvolvimento de subsistemas de controle e navegação para o Míssil Antinavio Nacional (MAN-SUP), um míssil superfície-superfície antinavio da classe “EXOCET” e totalmente nacional. Esse projeto foi contratado pouco depois da Odebrecht comprar o controle acionário da Mectron. Essa união ocorreu com a junção de dois fatores. A Odebrecht estava em busca de uma empresa detentora de alto conteúdo tecnológico para a nascente Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT). Já a Mectron procurava um parceiro empresarial para fortalecer os sistemas corporativos da empresa, permitindo aperfeiçoar sua gestão e


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ter maior solidez diante das cíclicas dificuldades do setor no Brasil. Com isso, em 2011, a ODT adquiriu o controle acionário da Mectron. Juntas, Mectron e Odebrecht são detentoras de competências e tecnologias que possibilitam apoiar as Forças Armadas do Brasil e o governo brasileiro nos desafios de assegurar a soberania nacional e fortalecer a indústria nacional de defesa. Em 2012, a empresa venceu concorrência para desenvolvimento do Link BR-2, sistema de comunicação por enlace de dados, com alto nível de desempenho e segurança, para diferentes plataformas aéreas e meios terrestres. Dois anos depois, a organização assinou contrato com a Marinha do Brasil para o desenvolvimento do Torpedo Pesado Nacional em Escala Reduzida (TPNer), que fará parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). Para a execução deste contrato, ODT e Mectron firmaram parceria com a Atlas, empresa alemã cuja capacitação na área de torpedos é internacionalmente reconhecida. A empresa realiza ainda a integração do produto nas plataformas onde ele será utilizado e fornece toda a logística necessária à sua operação e assistência técnica pós venda, bem como participação técnica/gerencial ao longo de todo este ciclo de vida, que pode durar anos ou mesmo décadas. Porém, todo este trabalho é realizado em parceria e com o apoio dos clientes. Estrutura A Mectron é uma empresa nacional e com sede em São José dos Campos (SP). O município foi escolhido por ser o coração do maior polo industrial e de tecnologia aeroespacial da América Latina e do Hemisfério Sul. A empresa está privilegiadamente instalada nas proximidades de grandes empresas e institutos de pesquisas com os quais mantém relações de parceria, fornecedor e/ou cliente, muitas vezes compartilhando com eles recursos como campos de provas, laboratórios, equipamentos e serviços de ensaios. Dentre estas parcerias, destacam-se o DCTA e seus institutos, como por exemplo o ITA, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), o Instituto de Estudos Avançados (IEAv), o Instituto de

Fomento e Coordenação Industrial (IFI), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e as empresas parceiras e fornecedoras como a Avibras, Cenic e Embraer. A primeira sede foi uma sala instalada em um edifício comercial no centro de São José dos Campos. Ao fim do primeiro ano, a empresa mudou-se para um sobrado comercial, localizado na Vila Letônia, próximo ao principal trevo de acesso à cidade e à portaria do DCTA. Com o crescimento nos anos seguintes, a empresa foi alugando vários imóveis vizinhos até que, de 1996 a 2000, reinvestindo todo lucro obtido adquiriu um terreno e construiu sua atual sede e planta industrial, também nas proximidades do DCTA e aeroporto da cidade. A Mectron está instalada num terreno de 37.000 m2, com aproximadamente 6.400 m2 de área construída. Suas instalações abrangem: • Escritórios de projeto e administração; • Sala limpa classe ISO 8 para montagem de componentes críticos; • Laboratório radar, incluindo um campo de antenas com câmara anecóica semiaberta, plataforma posicionadora e torre transmissora para simulação de alvos-radar; • Laboratórios eletrônicos; • Laboratórios de sistemas de comunicação; • Laboratório de sistemas aviônicos; • Área de montagem de placas eletrônicas, dispondo de máquinas de inserção e soldagem de componentes convencionais e SMD; • Área de integração mecatrônica, dispondo de sistema de controle de temperatura e umidade; • Área de montagem mecânica; • Área de usinagem mecânica, onde estão instalados tornos, fresadoras, CNC, máquina de inspeção tridimensional, etc; • Área de ensaios ambientais, incluindo laboratório de ensaios de temperatura e umidade; laboratório de ensaios de vibração (shaker); laboratório de ensaios de aceleração (centrífuga); laboratório de ensaios estruturais e câmara anecóica fechada com robôs posicionadores de itens sob teste; • Auditório; • Área social.


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Momentos A história da Mectron tem treze momentos marcantes (s/ vírgula) que definiram o destino da empresa rumo ao sucesso: 1992 - primeiro grande contrato na área de defesa, firmado com a Embraer para desenvolvimento e fornecimento de um Simulador e equipamentos de teste do míssil anticarro MSS 1.2, tendo como cliente final o Exército Brasileiro; 1993 - contratação pela FAB para retomada do desenvolvimento do míssil ar-ar MAA-1 “Piranha”; 1996 a 1999 - reprojeto e nacionalização do míssil anticarro MSS 1.2 e, posteriormente, de sua Unidade de Tiro (disparo); 1997 – início do programa de desenvolvimento do míssil ar-superfície antirradiação MAR-1; Jan/ 2000 – mudança para a sede própria; Jul/ 2000 – expansão do leque de produtos com a inclusão do radar multimodo SCP-01 para as aeronaves AM-X da FAB, em parceria com a empresa italiana Selex ES, antiga Galileo; 2007 - transformação do tipo jurídico da Mectron, de Empresa de Responsabilidade Limitada para Sociedade Anônima. BNDESPAR passa a ser acionista; Abr/ 2008 - exportação de mísseis MAR-1 para a Força Aérea do Paquistão; Dez/ 2008 – contrato com a FAB para participação no programa de desenvolvimento do míssil ar-ar A-DARTER, de quinta geração; Mai/ 2011 - Odebrecht Defesa e Tecnologia adquire controle acionário da Mectron; Dez/ 2011 - desenvolvimento de subsistemas de controle e navegação para o MAN-SUP; 2012 – contratação do desenvolvimento do Link BR-2; 2014 - contrato com a Marinha do Brasil para desenvolvimento do Torpedo Pesado Nacional em Escala Reduzida (TPNer).

Principais projetos Armamentos Inteligentes • MAA-1B, míssil ar-ar de curto alcance, 4ª geração (para a FAB) – desenvolvimento; • A-Darter, míssil ar-ar de curto alcance, 5ª geração (para a FAB) - desenvolvimento; • MAR-1, míssil ar-superfície, antirradiação (para a FAB e Força Aérea do Paquistão) - Desenvolvimento, Produção, Integração a Aeronaves e Suporte Logístico; • ACAUAN, kit de guiamento por GPS e sistema inercial para bombas convencionais (para a AEQ Aeroespacial) – Desenvolvimento; • MSS 1.2, míssil superfície-superfície, anticarro (para a Exército Brasileiro e Marinha do Brasil) Desenvolvimento, Produção e Suporte Logístico; • MANSUP, míssil superfície-superfície, antinavio (para a Marinha do Brasil) - Desenvolvimento, Produção e Suporte Logístico; • TPNer, torpedo pesado nacional, escala reduzida (para a Marinha do Brasil) – Desenvolvimento. Sistemas de Comunicação • Link BR2, sistema de comunicação por enlace de dados (data-link) para emprego militar (para a FAB) - Desenvolvimento, Produção e Integração em Aeronaves; • RDS, rádio definido por software para emprego na área de defesa (para a Exército Brasileiro) – Desenvolvimento. Aviônicos • SCP-01, radar multimodo embarcado na aeronave AM-X (A-1M) (para a FAB) - Desenvolvimento, Produção e Suporte Logístico. Espaço • PMM - Plataforma Multimissão, Satélites Ama zônia (para a AEB - Agência Espacial Brasileira e INPE) - Desenvolvimento e Fabricação; • PSS - Subsistema de Suprimento de Energia, incluindo painéis solares e seus servoposicionadores, baterias e unidade de condicionamento, e distribuição de alimentação; • TT&C - Subsistema de Rastreamento, Telemetria e Telecomando, incluindo transponders e antenas; • CBERS 3 e 4 (para a AEB e INPE) - Desenvolvimento e Fabricação; • Transponders para o TTCS - Subsistema de Rastreamento, Telemetria e Telecomando; • DDR – Gravador Digital de Dados; • VS-40/ SARA: redes elétricas (eletrônica embarcada) e atuador a gás frio (para a FAB / DCTA / IAE – Instituto de Aeronáutica e Espaço) - Desenvolvimento e Fabricação; • VSISNAV: redes elétricas (eletrônica embarcada) e bancos de controle em solo (para a FAB/ DCTA/ IAE) - Desenvolvimento e Fabricação.


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BRADAR CONSOLIDA PRESENÇA NO MERCADO DE RADARES

P&D

D

e base tecnológica genuinamente brasileira, a Bradar, empresa controlada pela Embraer Defesa & Segurança, é especializada em radares de abertura sintética para Sensoriamento Remoto e Defesa e Segurança, e está presente em importantes projetos das Forças Armadas Brasileiras. A inovação é uma marca da organização, que este ano apresentará ao mercado nacional novos produtos como o BradarSar e o S200R (Sistema Radar Secundário). O S200R foi criado em parceria com o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Com investimentos provenientes da própria companhia, do CTEx, do ITA e da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), o equipamento foi projetado para conectar-se a Centros de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo. O radar tem o objetivo de “interrogar” os transponders instalados nas aeronaves, que fornecem informações de identificação e altitude. Os transponders enviam a resposta ao radar, sendo que os tipos mais básicos enviam apenas a altitude do avião e um código do voo, com quatro dígitos, mas as estações de radar são capazes de estabelecer a velocidade do avião e sua direção ao monitorar sucessivas transmissões. O S200R permite interrogar aeronaves distantes até 200 milhas náuticas (370 km). O desenvolvimento do sistema foi realizado em um prazo de quatro anos. Partiu de um projeto em parceria com o ITA e teve como base o radar SABER M-200, desenvolvido para o CTEx (Centro Tecnológico do Exército) e criado para fazer parte de um sistema de defesa antiaérea com mísseis de média altura (30 a 40 km de alcance) e capaz de

RADARES COM A MARCA BRADAR

por Karen Gobbatto

operar nos modos de busca, vigilância, diretor de tiro e guiamento de míssil. Já o BradarSar é um novo sistema de sensoriamento remoto InSAR multibanda (X e P). O equipamento aerotransportado será utilizado para mapeamento e monitoramento em alta precisão e resolução, podendo ser operado, inclusive, à noite e com a presença de nuvens. De fácil instalação, o radar pode ser operado em aeronaves de pequeno porte e baixo custo, utilizando a mesma furação (orifício de aeronaves já homologadas para operação) de câmeras digitais. Suas principais aplicações são: geração de imagens, mapeamento topográfico, monitoramento de mudanças geográficas (ex.: desmatamento, inundações, invasões, processos erosivos), estimativa de biomassa, busca e salvamento, vigilância terrestre e marítima, controle de fronteiras, entre outros. Para o presidente da empresa, Astor Vasques, a produção de radares com tecnologia 100% nacional auxilia o Brasil a ser cada vez mais soberano no que se refere à defesa de seu território e de suas riquezas. Ele também ressalta a consolidação da organização como líder no setor de radares: “Estamos desenvolvendo pesquisas para produzir uma série de projetos de modo a atender às demandas das Forças Armadas e do mercado de sensoriamento remoto. Hoje, a Bradar tem plena condição de oferecer o que há de mais preciso nesses sensores. Para nós é um orgulho contribuir para a autonomia do País.” Os centros tecnológicos da empresa contam com especialistas de diversas áreas, que hoje são responsáveis por desenvolver pesquisas e patentear um grande número de projetos de alta tecnologia nas unidades de São José dos Campos, Campinas e Barueri.

SABER M-60 - Radar de vigilância antiaérea auxilia de forma eficaz na proteção de pontos e áreas sensíveis como indústrias, usinas, instalações governamentais e locais de eventos importantes. Já foi utilizado na segurança da Copa das Confederações, na Rio + 20, na visita do Papa Francisco ao Brasil e na Copa do Mundo de 2014.


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Carla Dias

Astor Vasques, presidente da Bradar

SENTIR M-20 - capaz de executar operações de vigilância, aquisição, classificação, localização, rastreamento e exibição gráfica automática de alvos em terra tais como: indivíduos em solo, tropas, blindados, caminhões, trens e helicópteros.

S200R - tem o objetivo de “interrogar” os transponders instalados nas aeronaves que fornecem informações de identificação e altitude.

BradarSar - novo sistema de sensoriamento remoto InSAR multibanda (X e P) aerotransportado e utilizado para mapeamento e monitoramento em alta precisão e resolução, podendo ser operado, inclusive, à noite e com a presença de nuvens.


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EMBARCAÇÕES

A

EMGEPRON produtos e soluções NAVAIS

Emgepron (Empresa Gerencial de Projetos Navais), que está presente na LAAD Defence & Security 2015 (Feira Internacional de Defesa e Segurança), é uma empresa pública, com mais de 30 anos de existência, vinculada ao Ministério da Defesa por meio do Comando da Marinha do Brasil (MB). Atua no gerenciamento de projetos de interesse da MB e na comercialização de produtos e serviços da Base Industrial de Defesa (BID) como embarcações militares, munição de artilharia, sistemas navais, estudos do mar e apoio logístico. Nos últimos anos, a companhia tem se destacado no gerenciamento de projetos de alta complexidade como a integração do sistema de combate da Corveta “Barroso”, a revitalização de navios da Esquadra, o levantamento de plataforma continental, o desenvolvimento de sistemas navais, dentre outros. No estande X-50 da LAAD, pertencente à empresa, os visitantes poderão conhecer as funcionalidades da Corveta Tamandaré, do Navio-Patrulha 500-BR e Grajaú, e do Aviso de Patrulha Classe Marlim, que serão apresentados em maquetes. As munições produzidas pela Emgepron também serão apresentadas, além do Sistema de Controle e Monitoração, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM).

Divulgação

História A história da Emgepron tem início no final da década de 1970, quando a Marinha do Brasil começou os estudos para

projetar e construir uma nova classe de corvetas, batizadas de “Inhaúma”. Inicialmente, a empresa atuava no apoio a projetos de construção de meios navais da MB. Posteriormente, a Marinha incluiu no rol de suas atribuições uma ampla gama de atividades como a comercialização de material de defesa e o gerenciamento de projetos referentes à produção de munição, construção e modernização de navios de guerra, estudos do mar, entre outras. Dentre os principais projetos, destacam-se a primeira exportação de um navio de guerra do Brasil, ocorrida em 1985 para a Armada do Paraguai, o gerenciamento do projeto de Modernização das Fragatas Classe “Niterói”, e a produção de munição da Fábrica Almirante Jurandyr da Costa Müller de Campos (FAJCMC), subordinada à Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha. Além de gerenciar todas as operações da FAJCMC, a Emgepron também deu início à comercialização da munição produzida, contribuindo, assim, para a manutenção da capacitação e para o crescimento daquela planta. Expandindo seus serviços em outras áreas, a organização exportou, em 2001, sistemas táticos, serviços para o Levantamento da Plataforma Continental de países da África e, em parceria com a Diretoria de Obras Civis da Marinha (DOCM), participou de estudos visando o projeto e/ou a revitalização de bases navais no exterior. Com tal experiência adquirida, a Emgepron assinou contrato para a construção de um navio-patrulha e lanchas-patrulha para países africanos. A partir desse ano, a instituição procurou expandir ainda mais seus trabalhos no mercado interno, incrementando o volume de serviços de reparo naval, de treinamento de pessoal e de projetos ligados ao meio ambiente. Assim, foram comercializadas várias lanchas-patrulha para as forças policiais, lanchas para controle de poluição hídrica, lanchas de uso social, além de ministrar diversos cursos de treinamento aeronáutico, sempre com a participação das Organizações Militares Prestadoras de Serviços (OMPS) da MB empregando sua capacidade disponível.

Corveta Tamandaré


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LAAD2015 – O que será apresentado A Emgepron apresenta na LAAD 2015 algumas das mais modernas soluções em corvetas, navios-patrulha, munições e sistemas de controle. Confira algumas funcionalidades de cada produto: Corveta Classe “Tamandaré”– navio projetado sob o conceito “stealth”; adequado para missões diversas e para emprego contra ameaças aéreas, de superfície e submarinas; deslocamento de cerca de 2.700 toneladas e velocidade máxima de 25 nós; capacidade para tripulação de até 136 militares; conta com centro médico e enfermaria, convoo e hangar para helicóptero orgânico; pode ser configurada com vários sistemas e armas como canhões de médio e grosso calibres, metralhadoras e sistemas de controle tático. Navio-Patrulha 500-BR - voltado para missões de vigilância e patrulhas navais; navio versátil, podendo ser equipado com sistemas de última geração; possui radar de busca de superfície e de navegação; emprega sistema automatizado de controle tático e de armas. Navio-Patrulha Classe “Grajaú”- embarcação versátil, projetada para operações de patrulhamento em águas territoriais e costeiras, proteção de plataformas “offshore”, combate ao tráfico de drogas, contrabando e pesca ilegal, além de realizar missões de busca e salvamento; facilidade de operação, ótima manobrabilidade, alto desempenho e confiabilidade de seus sistemas e armamento; conta com um canhão de 40 mm e metralhadoras de 20 mm. Aviso de Patrulha Classe “MARLIM”– para operações de policiamento naval; com duas linhas de propulsão do tipo V-drive, dispondo cada uma de 1000 bhp de potência, proporcionando velocidade máxima de 25 nós; excelente comportamento no mar, mesmo em condições adversas; adequado ao combate à pesca ilegal, ao tráfico de drogas e contrabando e a operações de salvamento.

sui expectativa de vida útil superior a dez anos. Representada pelos seguintes tipos: EX-SUP: munição de exercício de superfície; AE-VT: munição com alto explosivo e espoleta de proximidade; EX-AA: munição de exercício, antiaérea, com carga sinalizadora e espoleta de proximidade; e SAP: munição semiperfurante com espoleta de base. Munição 105mm “Leopard” - linha de munições 105mm de última geração para canhões 1A5 BR, US M68, UK L7 e similares. Inclui os seguintes tipos: APFSDS-T (M1060A2) - munição para emprego contra carros de combate de blindagem pesada; TPCSDS-T (M1057) – munição para tiro de treinamento da munição APFSDS-T, com versão de alcance reduzido e mesmo comportamento balístico até 2.000m; HEP-T/HESH-T (M393A3-E) – munição de múltiplas finalidades, como emprego contra casamata, muro de concreto, veículos leves e obstáculos diversos, com excelente efeito de fragmentação antipessoal; HEAT-MP-T (M1061A1) – munição para emprego contra alvos blindados, com alta fragmentação antipessoal; HEATTP-T (M490A1) - munição para tiro de treinamento da munição HEATMP-T, com mesmo rendimento balístico até 1.000m; e CNT (M1204) – munição eficaz para emprego contra alvos leves e de infantaria à distância de até 250m. Munição 105 mm – a família de munição 105 mm é representada pelos seguintes tipos: 105 mm AE M1, munição desengastada, de artilharia, alto explosiva, para emprego em obuseiros M2A1, M2A2, M49, M103 e M137; e 105 mm “light gun”, munição desengastada, de artilharia, para emprego em canhão L 118. Pode ser fornecida em duas versões distintas: alto explosiva, com carga de projeção normal, ou super, com aumento de alcance; e de exercício, com carga sinalizadora.

Sistema de Controle e Monitoração (SCM) sistema de controle de propulsão integrado a um sistema de controle de avarias composto por três subsistemas: Controle e Monitoração de Propulsão e Auxiliares, Controle de Avarias e Manual Remoto; arquitetura em subsistemas independentes garante flexibilidade e escalabilidade, permitindo a instalação de um ou mais subsistemas ou do sistema completo em qualquer tipo de embarcação ou plataforma marítima, sendo poderosa ferramenta para a segurança da navegação.

Munição 40 mm L/70 - os cartuchos foram projetados para emprego em canhões BOFORS, BOFI, TRINITY, OTOBREDA e similares, exceto o 3P, que é utilizado no canhão 40 mm L/70 SAK 40/70 F. A munição, mantida em sua embalagem original e estocada em condições controladas de temperatura e umidade, possui uma expectativa de vida útil superior a dez anos. Representada pelos seguintes tipos: EX-T: munição de exercício traçante; AET-AD: munição de alto-explosivo com traçante e autodestruição; EX-AA: munição de exercício com carga sinalizadora e espoleta de proximidade; PF-AE: munição de alto-explosivo com espoleta de proximidade e granada pré-fragmentada; e 3P: munição de alto-explosivo com granada pré-fragmentada e espoleta de proximidade programável.

Munição 114,3 mm - os tiros foram projetados para emprego em canhão naval Vickers 114,3 mm MK8. A munição é embalada em perfeitas condições para armazenamento, manuseio e transporte. Pos-

Munição 40 mm L/60 - representada pelos seguintes tipos: EX-T: munição de exercício traçante e AET-AD: munição alto-explosiva traçante com autodestruição.


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Offset XXXXXXXXX

IACIT

Soluções tecnológicas e parcerias estratégicas por Karen Gobbatto

O

ano de 2015 promete ser de importantes avanços para a IACIT, empresa nacional que atua no desenvolvimento de produtos e serviços de alta tecnologia nas áreas de defesa e segurança, CNS/ATM, redes integradas e meteorologia. Dentre outras soluções, a empresa tem como expectativa disponibilizar três novos produtos aeronáuticos, DME, ADS-B e MLAT, e dois novos produtos de softwares meteorológicos para a navegação aérea. Na meteorologia oceânica, a IACIT disponibilizará o primeiro radar oceânico para operação integral que atenderá o mercado brasileiro e o regional. Além disso, será implantado o sistema Jammer para bloqueio de comunicações indesejáveis, com foco em defesa e segurança. Esses projetos reforçam os objetivos da companhia de ampliar o conhecimento e o desenvolvimento de soluções tecnológicas por meio de pesquisa, inovação, absorção de tecnologia e serviços técnicos especializados, na busca da autonomia nacional, para produzir e fornecer produtos, sistemas e suporte logístico integrado. Para isso, a IACIT firmou parcerias e investiu em uma equipe própria multidisciplinar, que atua no desenvolvimento de tecnologias inovadoras que incluem hardware, software e soluções em rádio frequência. Desde 2008, a IACIT tem investido por volta de 12% de sua receita bruta em projetos de novos produtos e tecnologias. Dois

fatos importantes neste período sedimentaram a estratégia: o Prêmio Finep de Inovação (Finep – Financiadora de Estudos e Projetos), conquistado pela empresa em 2012, e a certificação CMMI nível 2 (Modelo de Maturidade em Capacitação – Integração), em dezembro de 2014. Além dos produtos desenvolvidos, a capacitação tecnológica e os conhecimentos adquiridos representam um ganho importante para a melhoria da competitividade e a conquista de novos mercados. Entre as empresas parceiras que participam dos processos com a IACIT estão a ELTA e a TAMAM, de Israel; a GAMIC, de processadores e softwares para radar meteorológico; COMSOFT e Helzel. As três últimas da Alemanha. “As parcerias e desenvolvimentos feitos pela IACIT visam soluções que não são produzidas no Brasil e que têm grande potencial de negócios tanto no País quanto no mercado regional”, destaca o diretor-presidente da empresa, Luiz Teixeira. Por ser uma EED (Empresa Estratégica de Defesa), os parceiros estrangeiros identificam uma grande oportunidade para a transferência de conhecimento e de tecnologia para a IACIT, mesmo com o requisito de manutenção da autonomia no comando da empresa brasileira. Em contrapartida, a organização estrangeira leva para seu portfólio os produtos produzidos pela IACIT, proporcionando assim a possibilidade de alcance do mercado global. As parcerias estratégicas para a absorção de tecnologia têm proporcionado um grande avanço, com rapidez, para atender a demanda potencial do mercado. No último mês de março, na feira ATM Global, em Madri, com a presença das autoridades do DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), a IACIT assinou acordo de transferência de know-how e tecnologia com a empresa alemã COMSOFT para o desenvolvimento da solução nacional de dois produtos essenciais para o futuro da navegação aérea no Brasil e no mundo: o ADS-B e MLAT –Multilateração. Contratada pela Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (CISCEA), a IACIT está concluindo o desenvolvimento de dois produtos de softwares que proporcionarão um aumento significativo na segurança do tráfego aéreo: o TEND-MET (Tendências Meteorológicas de Curto Prazo para Aeródromos) e o STSC (Sistema de Tempo Severo Convectivo). Os projetos serão implantados na REDEMET (Rede de Meteorologia do Comando da Aeronáutica), os quais beneficiarão toda a navegação aérea brasileira, sendo os principais usuários dos produtos gerados para o apoio às previsões meteorológicas os controladores de tráfego aéreo e os demais usuários externos ao Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB),


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como empresas aéreas e pilotos. “A expectativa de ganho operacional é enorme, uma vez que ambos os sistemas constituem ferramentas adicionais para auxílio à tomada de decisão de curto prazo e planejamento de navegação, envolvendo tanto o controle do tráfego aéreo quanto a gestão de aeródromos”, comenta Teixeira. De acordo com o executivo, por meio do uso das tecnologias envolvidas será possível obter viagens mais rápidas, com menos gastos de combustível e trajetórias de voo muito mais precisas e confortáveis. Uma das características mais marcantes será a diminuição do risco para as aeronaves em vôo, que contarão com identificação prematura e acompanhamento de situações meteorológicas extremas. “Os projetos STSC e o TEND-MET representam a vanguarda da tecnologia neste segmento, e estão alinhados com o conceito inovador de Navegação Baseada em Performance (PBN). Este conceito é considerado, hoje, um fator determinante na guinada pela qual passará o transporte aéreo nos próximos anos, colocando a IACIT e o Brasil numa posição de destaque no cenário tecnológico internacional”, conclui Teixeira. Aplicando o conceito de mesclar desenvolvimento próprio com parcerias para a absorção de tecnologia, a IACIT acaba de fechar também a parceria com a empresa alemã Helzel para receber tecnologia dos radares oceânicos WERA e passar a produzí-los no Brasil. Projetos Os projetos desenvolvidos pela IACIT podem ser classificados em segmentos distintos: CNS\ATM; Meteorologia; e Defesa e Segurança. CNS\ATM: • Em 2008, com a transformação do Radar Meteorológico Analógico para estado sólido. Após a validação da modernização, o DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) contratou a IACIT para implementação das modificações na sua rede de radares meteorológicos em todo o Brasil. • No mesmo ano, foi iniciado o desenvolvimento do Sistema de Aumentação, baseado em GNSS – GBAS com apoio da Finep, que se encontra hoje instalado e em fase de ajustes para o estágio 2, que visa à certificação. • Em 2013, foi iniciado o desenvolvimento com 100% de inovação do DME - Distance Measuring Equipment, modelo 0200, em substituição ao DME 0100 analógico, fabricado pela empresa. • O TEND-MET (Tendências Meteorológicas de Curto Prazo para Aeródromos) é um sistema que utiliza redes neurais artificiais para gerar informações de tendências meteorológicas de

teto, visibilidade, ocorrência de rajadas, velocidade e direção do vento, para um horizonte de até 3 horas. O sistema possui uma interface web onde os usuários poderão acessar, diretamente, os gráficos de tendências e efetuar cadastros para receber alertas automáticos quando as informações indicarem que o aeródromo pode entrar em restrição operacional. • O STSC (Sistema de Tempo Severo Convectivo) é um sistema cujo objetivo é identificar o volume ou área do espaço aéreo sob efeito de formações meteorológicas que possam apresentar risco às aeronaves em rota, permitindo monitoração dos eventos severos e prevendo o seu deslocamento para uma projeção de até 30 minutos. Meteorologia: • Projeto de evolução do Radar Banda S para dupla polarização, um Radar Banda X transportável e três produtos de software de meteorologia de vanguarda para atingir o mercado internacional. • Em 2011, a IACIT iniciou o desenvolvimento da Plataforma radar HF com apoio da Finep e culminou com o primeiro produto: o Radar Oceânico modelo RADH 0100, que tem como objetivo a medição das correntes oceânicas. A recente parceria firmada com a Helzel visa a transferência de tecnologia e know-how empregada nos radares WERA, tecnologia esta complementar ao RADH, que proporcionará à IACIT a disponibilização ao mercado de uma ampla gama de soluções para o monitoramento de correntes marítimas, de ventos superficiais, de ondas e de detecção de tsunamis, imediatamente. Defesa e Segurança • Radar Além-do-horizonte brasileiro, desenvolvido pela IACIT com apoio tecnológico da Elta Systems e apoio da Marinha do Brasil. • Solução de Jammer, utilizado para bloqueio de comunicação inimiga ou não desejáveis. • Quatro radares da linha da Elta: ELM 2105 e ELM2180 aplicados a vigilância terrestre e ELM 2022 (utilizados pela FAB no P3) e ELM 2032 (utilizados pela Marinha no A4). • TAinda relacionadas às tecnologias aplicadas a Defesa e Segurança, a IACIT assinou acordo com a TAMAM, subsidiária da IAI (Israel Aerospace Industries), para a produção no Brasil de sistemas eletro-ópticos, iniciando pelas câmeras. A infraestrutura começa a ser preparada e nos próximos meses a IACIT estará apta a iniciar as atividades. A primeira fase de transferência de know-how foi realizada no último mês de março.


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Transferência e absorção de tecnologia: o caminho para a autonomia do País

ESPECIAL

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inguém discorda que o caminho para se chegar à autonomia tecnológica depende, principalmente, de um bom programa de transferência de tecnologia. No Brasil, muitos projetos estratégicos das Forças Armadas Brasileiras vêm aplicando essa metodologia com

Fotos: Divulgação/Marinha do Brasil

sucesso. Um bom exemplo disso é o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), da Marinha. Atualmente, apenas China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia detêm esse domínio tecnológico. Com o PROSUB, o Brasil passará a integrar este seleto grupo, aumentando em muito nossa capacidade dissuasória. Na opinião do Almirante-de-Esquadra Gilberto Max Roffé Hirschfeld, Coordenador-

por Valéria Rossi

-Geral da Coordenadoria do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (COGESN), esse progresso fortalece a indústria nacional e garante melhoria na qualificação técnica de profissionais brasileiros. O almirante destaca também a importância em manter e disseminar o conhecimento adquirido para outras possíveis aplicações. Para conhecer um pouco mais sobre esse processo, a INFORME ABIMDE traz nesta edição uma entrevista com o coordenador da COGESN. INFORME ABIMDE - O senhor poderia falar sobre a Coordenadoria-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com propulsão nuclear? Almirante-de-Esquadra Gilberto Max Roffé Hirschfeld - A Coordenadoria-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (COGESN), foi criada em 26 de setembro de 2008 e é subordinada direta da Diretoria-Geral do Material da Marinha (DGMM). É a principal condutora do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), com a responsabilidade pela execução do Contrato Principal e dos sete Contratos Subordinados correspondentes, bem como da gestão dos recursos financeiros alocados ao programa. A COGESN tem as atribuições de gerenciar os projetos, o desenvolvimento dos estaleiros de construção e manutenção e a base de submarinos; a construção dos submarinos convencionais, além do projeto e da construção do submarino com propulsão nuclear. IA - Quantos projetos estão sendo acompanhados pela COGESN? Almirante Max – A COGESN é responsável pela gestão dos sete contratos comerciais listados a seguir: Construção de Submarinos Convencionais (SBR); projeto e construção do Submarino com Propulsão Nuclear (SNBR); Fornecimento de Torpedos F21 e Despistadores de Torpedo (CANTO); Projeto e Construção dos Estalei-


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ros, uma Base Naval (EBN) e uma Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM); Administração, Planejamento e Coordenação do Objeto Precípuo; Transferência de Tecnologia (ToT); e Offset. IA - O senhor poderia falar um pouco sobre o PROSUB? Como está o programa? Almirante Max – Até o momento, o PROSUB está progredindo adequadamente, sendo feito, sempre que necessário, ajustes naturais a um programa dessa complexidade, e implementadas ações mitigadoras para manter os riscos dentro de um grau aceitável. IA - Como o PROSUB contribui para a Base Industrial de Defesa (BID) nacional? Almirante Max – Por meio da priorização da obtenção de serviços e materiais na indústria brasileira, dando ênfase à utilização de um conteúdo local e nacionalização maior possível, é importante mencionar os resultados que estão sendo obtidos e esperados: • Na construção da Infraestrutura Industrial: participação na construção da EBN de mais de 600 empresas nacionais de vários tamanhos, prestando serviços e fornecendo materiais diversos, equipamentos e insumos. Sendo 190 principais (maiores valores). Isto possibilitou obter um índice de conteúdo local entre 90 e 95% de produtos e serviços nacionais e, por conseqüência, uma injeção na indústria nacional de R$ 241,36 milhões. De forma similar na construção do Estaleiro e Base Naval (EBN), há uma previsão de manutenção do mesmo índice entre 90% e 95% de conteúdo local; • Na Construção dos Submarinos Convencionais (S-BR): o processo de nacionalização dos S-BR objetiva que os equipamentos e sistemas com alto teor tecnológico possam ser aplicados em outros setores industriais, possibilitando a capacitação de empresas nacionais para se tornarem fornecedoras independentes para futuros projeto da Marinha. Envolve um valor de € 100 milhões para ser investido em 104 projetos de nacionalização, sendo 56 prioritários, visando: 1. Fabricação de sistemas, equipamentos e componentes; 2. Treinamento para o desenvolvimento e integração de softwares específicos de importantes sistemas; 3. Suporte técnico para as empresas durante a fabricação dos itens.

No Projeto e Construção do Submarino com propulsão nuclear (SN-BR): o processo de nacionalização de sistemas e equipamentos do SN-BR, além de usar a nacionalização de materiais e equipamentos empregados no SBR, incluirá outros, sendo alguns de origem nacional, usando transferência de tecnologia de empresas estrangeiras, utilizando não só a experiência obtida como adicionando outras, tendo como objetivo a maior nacionalização possível, com um mínimo previsto de € 100 milhões. IA - Como se encontra o cronograma do PROSUB? Almirante Max – Inicialmente, o cronograma de construção do primeiro submarino convencional S-BR1 (futuro S-40 Riachuelo) previa a prontificação para o lançamento em 2016. No entanto, em função das dificuldades na construção do casco resistente, tivemos um prolongamento das etapas de execução da obra, ampliando a curva de aprendizado neste tipo de construção. Apesar de tentarmos obter um cronograma realístico, verificou-se que as dificuldades não se limitavam à produção do casco resistente, mas também à entrega de materiais/ equipamentos para a construção dos mesmos. A empresa DCNS, detentora do projeto dos S-BR, vem enfrentando dificuldades para entrega dos materiais/equipamentos necessários à construção do S-BR1 no Brasil. Isso ocorre também em função das alterações de projeto que foram necessárias para atender aos requisitos operativos do mesmo, bem como em função da rápida evolução tecnológica dos equipamentos e sistemas que exigiram diversos reprojetos. Dessa forma, a Marinha, juntamente com a DCNS e a ICN, está trabalhando a fim de obter um cronograma integrado que hoje aponta para 2018. O programa foi criado em 2008, a partir de acordo de cooperação e transferência de tecnologia entre Brasil e França. O senhor poderia falar como está esse processo? Ele vem ocorrendo? O Contrato de Transferência de Tecnologia do PROSUB está dividido em três áreas de interesse: Transferência de Tecnologia para Construção dos SBR; Transferência de Tecnologia para o Detalhamento do projeto dos SNBR; e Transferência de Tecnologia para o Projeto do EBN. Até o presente momento, 243 brasileiros participaram do processo de transferência de tecnologia na França, sendo 99 servidores da MB (civis e militares), 79 funcionários da Itaguaí Construções Navais (ICN) e 65 funcionários da NUCLEP. A MB tem empregado esse pessoal como multiplicadores do conhecimento. Ressalta-se que o Programa de Naciona-


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lização engloba a transferência de tecnologia e de conhecimento. Para tal, podemos citar como alguns resultados já alcançados: o desenvolvimento de módulos de software para o projeto de engenharia e integração do Sistema de Combate pela Fundação Ezute (São Paulo - SP); e para o projeto do Sistema de Gerenciamento Integrado da Plataforma pela empresa Mectron (São José dos Campos - SP); a transferência de tecnologia (em andamento) da empresa Exide - Alemanha para a empresa Rondopar (Londrina - PR), visando a produção das baterias; o desenvolvimento das ligas e fabricação de tubos de cuproníquel para trocadores de calor e de cobre para tubos de emprego geral nos submarinos pela empresa Termomecânica (São Bernardo do Campo - SP); o Sistema de Monitoramento de Baterias pela empresa Datapool (Itajubá - MG); entre outros. Destacam-se ainda projetos como: produção dos consoles para o Sistema de Combate pela empresa Atech (São Paulo - SP); conversores estáticos, gabinetes do quadro elétrico secundário, módulos de carga e transformadores pela Adelco (Barueri - SP); gabinetes do quadro elétrico principal pela Schneider (Sumaré - SP); mancal de escora pela Zollern (Cataguases - MG); e, em parceria com a UNESP (Universidade Estadual Paulista - Ilha Solteira), o desenvolvimento de equipamentos de teste para os mancais; ventiladores pela empresa Howden (Itatiba - SP); espelhos e chicanas para os trocadores de calor pela Cecal (Lorena - SP); cabeçotes dos motores diesel pela MTU do Brasil (São Paulo - SP); acumuladores hidráulicos pela Cilgastech (Sumaré - SP); elipses de tanques pela Bardella (São Bernardo do Campo - SP); proteção anticorrosão pela Sacor (Rio de Janeiro - RJ); e motores elétricos pela WEG (Jaraguá do Sul - SC). Estão em fase de contratação a produção das válvulas de casco, geradores, bombas hidráulicas de água doce e salgada, compressores de ar e cabos elétricos. IA – Quantas empresas participam de processos de transferência de tecnologia? Almirante Max – No caso dos quatro S-BR, o processo de nacionalização está disposto, contratualmente, em 104 projetos. Estima-se que, para cada submarino a ser produzido no Brasil, mais de 36 mil itens serão fabricados por mais de 100 empresas brasileiras, incluindo sistemas, equipamentos e componentes, treinamento para o desenvolvimento e integração de softwares específicos, e suporte técnico para as respectivas empresas durante a fabricação dos itens. IA - Quais os planos da Marinha após o domínio dessa tecnologia?

Almirante Max – Estar pronto para dar continuidade aos projetos estratégicos da Marinha, de forma a manter a disseminação dessa tecnologia, podendo ainda empregá-la em outras aplicações. IA - Sendo o programa parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como o senhor vê a estabilidade financeira do PROSUB para os próximos anos? Almirante Max – Com otimismo, pois no patamar que se encontra este programa podemos considerá-lo um projeto de Estado, concebido por meio da parceria estratégica estabelecida entre o Brasil e a França, desde 2008, e, como você bem colocou, inserido no Plano de Aceleração do Crescimento. IA - O que acontecerá com estas instalações após 2025, quando for entregue o Submarino Nuclear? Almirante Max – A parte operativa das instalações será entregue à Força de Submarinos, e o complexo industrial naval ficará a cargo do setor do material da Marinha para dar continuidade aos novos projetos estratégicos. IA - Como o senhor avalia a participação da ABIMDE no setor de defesa? Almirante Max – A ABIMDE tem um papel fundamental na divulgação do potencial das empresas que compõem a Base Industrial de Defesa. Desde 2012, promove, anualmente, a Mostra BID-Brasil, onde diversas companhias do setor expõem as principais soluções tecnológicas desenvolvidas pela indústria nacional, e a qualidade de seus produtos a potenciais compradores internacionais. A ABIMDE vem crescendo com o passar do tempo, mostrando sua grande importância como representante das empresas do setor de material de emprego militar. Tem sido observado um aumento expressivo no seu trabalho junto a todas as federações e entidades da classe da indústria brasileira de todo o País, contribuindo para o engrandecimento social e econômico e também para a autonomia tecnológica do Brasil.


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“É preciso por a mão na massa para absorver tecnologia” Não existe absorção de tecnologia sem colocar a mão na massa. Recentemente, um grupo de engenheiros da Fundação Ezute aportou no Brasil direto da França. Eles participaram de um programa de treinamento, transferência e absorção de tecnologia por três anos. Ao todo foram nove profissionais, que ainda estão sendo treinados nas dependências da DCNS, na cidade francesa de Toulon. Em entrevista à revista INFORME ABIMDE, cinco deles que já estão no Brasil, são unânimes ao dizer “que é preciso produzir em conjunto para aumentar o conhecimento transferido”. Eles participaram de um processo intenso para conhecer e absorver o Sistema de Combate (SC), responsável por gerenciar os sistemas de detecção (sonar, radar, emissões eletromagnéticas, navegação e periscópio), calcular e realizar, quando necessário, o lançamento de torpedos, mísseis e contramedidas pelo submarino. Dentro do SC, eles tiveram à frente o desafio de desvendar o CMS (Subsistema de Gerenciamento Tático e de Controle e Lançamento de Armamentos). Para eles, uma experiência enriquecedora. “Foi um privilégio fazer parte deste time, dada a importância do projeto para a Marinha e para o nosso País”, ressalta o engenheiro e coordenador da equipe CMS, da Ezute, Carlos Eduardo de Almeida, 35 anos. Ele se mudou com a família para a França e garante, três anos depois, que o Brasil tem condições de dar manutenção e ainda evoluir com o sistema. Outro engenheiro que compôs o grupo foi Gabriel Vilela, 32 anos. Ele conta que a tarefa não foi fácil. “Tivemos que conquistar a confiança dos franceses e mostrar que éramos capazes para, então, começarmos a produzir em conjunto”. Douglas Santana, 32 anos, também ressalta momentos turbulentos. “Estávamos num outro país, com pessoas totalmente desconhecidas e com uma missão de conhecer e absorver tecnologias que eles mantêm há anos”. Segundo Santana, a missão foi cumprida e a certeza que ele traz na bagagem é que “tecnologia não se transfere, se conquista”. Alexandre Bianchi, 35 anos, também esteve na França. “Fiquei surpreso com o tamanho da DCNS, sua estrutura e os investimentos dos franceses em defesa. Mas também voltei com uma certeza. “Nós, brasileiros, temos capacitação técnica e, agora, experiência para realizar projetos desta complexidade”.

Divulgação

Equipe Ezute: em pé, da esq. para a dir.: Sérgio Claudio M. Ferreira Junior, Carlos Eduardo de Almeida B. Junior e Gabriel Teixeira Vilela; sentados, da esq. para a dir: Douglas Fernando Santana, Rafael Alves de Souza e Alexandre Luiz Bianchi


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TRAJETÓRIA

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Rockwell Collins amplia sua atuação na área de Defesa transferir a filial brasileira para o município de São José dos Campos, no interior de São Paulo, para melhor atender às necessidades da Embraer no suporte à produção do EMB 120 Brasília. Esta foi a primeira aeronave nacional a receber o sistema aviônico Pro Line2 da Rockwell Collins, que à época era o que havia de mais moderno no mercado e adequava-se às exigências do projeto. Isso ampliou substancialmente o relacionamento estabelecido no programa Bandeirante. Aliás, sistemas de comunicação são um dos pilares da Rockwell Collins. Fundada em 1930, a empresa começou fornecendo equipamentos de comunicação para empresas e veículos, e ao longo dos anos foi encontrando outras oportunidades em setores complementares. Os sistemas aviônicos são um bom exemplo disso. Com a expertise adquirida com o desenvolvimento de projetos de comunicação, a empresa avançou para a produção de tal tecnologia embarcada para auxiliar os pilotos durante todas as etapas do voo. A produção dos equipamentos e dos sistemas Rockwell Collins no Brasil começou a partir do programa AMX. Uma empresa nacional foi licenciada para realizar a produção no País, com a consequente transferência de tecnologia. O avião de ataque ar-superfície da Embraer utilizava rádios de comunicação e navegação embarcados da empresa.

Fotos: Divulgação

á 40 anos, o Brasil recebia a Rockwell Collins. A empresa americana, sediada no estado de Iowa, chegava para ficar mais próxima dos clientes e oferecer maior e melhor suporte no pós-venda. O ano era 1974, e o BEM 110 Bandeirante, primeira aeronave comercial fabricada no Brasil, iniciava sua operação e contava com equipamentos de rádio navegação da empresa, assim como muitas das aeronaves das Forças Armadas e de operadores da aviação geral e executiva de grandes empresas aéreas comerciais da época, dentre elas: Varig, Vasp e Transbrasil. Na ocasião, a cidade escolhida para a instalação da empresa foi o Rio de Janeiro, locação ideal para oferecer os serviços àquela diversificada gama de operadores de seus produtos e, em dezembro de 1974, o Centro de Serviços da empresa recebeu a certificação CHE-7412-05/DAC das autoridades locais, iniciando, desde então, operações efetivas no País. “Nossos equipamentos sempre são projetados com esmero, mas a empresa também pauta suas ações pela necessidade de se posicionar nos mercados em que atua para oferecer toda a estrutura de suporte e pós-venda”, explica o presidente da empresa no Brasil, Nelson Aquino. Em 1987, com o mesmo objetivo de manter-se próxima do cliente, a empresa decidiu

por Karen Gobbatto

Pro Line Fusion aplicado no KC-390


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A geração seguinte de sistemas aviônicos, designada Pro Line4, foi apresentada para um projeto da Embraer em parceria com FMA Argentina, o CBA 123 Vector. O projeto não chegou à fase comercial, embora tivesse dois protótipos construídos. Mas, apesar disso, o programa foi importante para a Rockwell Collins do Brasil, pois, devido a ele, a empresa recebeu investimentos significativos para a ampliação do Centro de Manutenção, com a implantação de novas instalações como estações de testes automáticas, uma novidade para o mercado nacional. Após este projeto, a Rockwell Collins manteve sua parceria com a Embraer fornecendo equipamentos de rádio navegação e rádios VHF para a família Tucano e Super Tucano. Recentemente, esta relação foi novamente fortalecida com a seleção da aviônica Pro LineFusion, que representa o estado da arte dessas tecnologias para equipar a família Legacy 450 e Legacy 500, aeronaves executivas de médio porte. O Legacy 450 encontra-se em desenvolvimento e o Legacy 500 foi recentemente certificado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). “Podemos dizer que o Pro LineFusion foi construído por várias mãos com a ajuda de engenheiros, pilotos experientes e operadores. Eles nos mostraram como a aviônica ideal deveria funcionar para que a operação da aeronave fosse a mais fácil e simplificada possível durante cada fase do voo”, destaca Aquino. Segundo ele, a aviônica do Pro LineFusion assimilou os conceitos passados pelos pilotos e trouxe para o mercado uma operação simplificada e intuitiva nas mais diferentes fases de operação da aeronave. Essa mesma linha foi adaptada para o cargueiro Embraer KC-390, sendo customizada para atender as necessidades específicas da operação militar dessa aeronave. O atendimento aos operadores atuais de aviação comercial evoluiu na mesma medida. Dentre as principais linhas aéreas brasileiras e outras, que também são atendidas pela empresa, destacam-se a Avianca Brasil, Azul, GOL e TAM. Podemos ressaltar, inclusive, o expressivo número de aeronaves executivas equipadas com os modernos sistemas de aviônica, entretenimento de passageiros e o suporte local prestado a partir das instalações, em São José dos Campos. Setor de Defesa A participação no projeto da KC-390 ampliou a atuação da Rockwell Collins na área de Defesa no Brasil. Assim, a expansão da equipe local de engenheiros para suporte técnico ao projeto e o estabelecimento do Departamento de Gestão de Programas Complexos para administração local do programa, resultaram em sig-

nificativa transferência de conhecimento para a subsidiária brasileira. Consolidada como um dos principais players mundiais no fornecimento de soluções de comunicação e aviônica para a aviação comercial e executiva e para clientes militares em todos os continentes, a Rockwell Collins tem direcionado seus esforços no Brasil para atender, cada vez mais, o setor de defesa. E esse foco tem se intensificado nos últimos anos. Dentre as soluções que a empresa traz para o País, além dos aviônicos, e que já operam com sucesso em outras partes do mundo, em todo o espectro de frequências seguras e em rede, destacam-se os sistemas de comunicação de voz e dados, rádios definidos por software, sistemas para consciência situacional, sistemas de navegação para aeronaves e veículos tripulados ou remotamente comandados, ampla variedade de soluções de simulação e treinamentos e, até mesmo, soluções de Guerra Eletrônica. Uma enorme gama de produtos e soluções disponíveis no Brasil, e com suporte local prestado pelos técnicos e engenheiros brasileiros, opera a partir da sede da empresa, em São José dos Campos. “O nosso portfólio é muito grande e temos capacidade de adequar nossos sistemas às necessidades do cliente. Todos os programas da Rockwell Collins já são empregados em diversos países com muito sucesso, não apenas na área civil”, destaca Aquino. Entre as soluções de comunicação que atendem bem as características do território brasileiro, segundo Aquino, está o HF Celular, um sistema de comunicação de longa distância, além da linha de visada, que se adapta bem até mesmo em áreas remotas como, por exemplo, na região Amazônica. Na área de comunicação e navegação, a empresa forneceu rádios V/UHF para helicópteros do Exército Brasileiro e sistemas inerciais para o VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado) Horus 100 da FT Sistemas. A empresa conta ainda com uma unidade de negócios específica para a área de Simulação e Treinamento, que vai desde os sistemas básicos, como sistemas de treinamento de mesa, até as soluções mais complexas como simuladores de voo completos, contendo movimentação e simuladores de cenários com alto grau de realismo. “Com a nova fase da Estratégia Nacional de Defesa, por meio da qual o país está adquirindo ou modernizando aeronaves, embarcações, submarinos e veículos terrestres, os militares e demais profissionais que irão atuar com essas tecnologias precisam de treinamento prático para operar e prestar manutenção a essas plataformas. Podemos, certamente, contribuir muito para que atinjam esses objetivos por meio da


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utilização das inovadoras e eficientes soluções de simulação e treinamento que disponibilizamos, e que representam o que há de mais preciso no mercado”, ressalta Aquino. Já com os sistemas de Guerra Eletrônica, adquire-se a habilidade para mapear as diversas entidades envolvidas em eventos variados para distinguir o inimigo e se comunicar com segurança por meio da transmissão de voz e de dados. “Temos importantes projetos para a área de defesa. A empresa já está consolidada como fornecedora de aviônica. Também serão fabricados, localmente, os displays do KC-390, mas a Rockwell Collins tem muito mais a contribuir com soluções customizadas e tecnologia de ponta. Vamos explorar isso com mais intensidade no Brasil. O País está em busca do fortalecimento da indústria de defesa e o nosso movimento é nesse sentido também. Vamos trazer soluções para o Brasil, nacionalizá-las e atuar com os parceiros locais para o fortalecimento da indústria brasileira, criando e mantendo conhecimento e empregos regionalmente, como já o fazemos há quatro décadas”, conclui Aquino.

Entrega de placa comemorativa 25 anos de operação no Brasil

Gestão e crescimento Instalada em um parque industrial às margens da Rodovia Presidente Dutra, no município de São José dos Campos (SP), a Rockwell Collins tem planos de expandir sua operação, tendo adquirido uma área integrada aos já 820 metros quadrados ocupados atualmente. Esse novo espaço irá, praticamente, dobrar a capacidade instalada da empresa. No atual sítio concentram-se os laboratórios, o centro de manutenção e a área administrativa.) O novo prédio permitirá que a empresa amplie a área de atuação das equipes de engenharia e de desenvolvimento de novos negócios, além de expandir o centro de manutenção. Há, ainda, planos de se instalar um laboratório de pesquisa e desenvolvimento e integrar empresas parceiras para a nacionalização de produtos para a área de Defesa. No local trabalham, atualmente, cerca de 50 funcionários. A equipe é um dos maiores valores da Rockwell Collins, que possui uma política de valorização profissional muito significativa. “Temos um dos índices mais baixos de rotatividade no mercado, muito próximo a zero. Isso porque valorizamos nossa equipe e a seleção de um profissional avalia muito mais o perfil atrelado aos nossos ideais e ao tipo de missão que a empresa se propõe. A experiência profissional é importante, mas os valores é que são determinantes para se integrar à equipe”, ressalta Aquino, que está na empresa praticamente desde sua chegada ao País. O atual presidente começou na Rockwell Collins como estagiário, enquanto cursava engenharia. Com o término do estágio, Aquino saiu da empresa para logo retornar e ocupar uma vaga efetiva. De lá para cá já são mais de 32 anos, tendo passado por diversos cargos e sempre buscando novos desafios. “Sinto-me um privilegiado por trabalhar aqui. A empresa valoriza sua equipe, investe e promove o desenvolvimento profissional. Esse posicionamento, atrelado à idoneidade da empresa deixa a todos muito satisfeitos”, comenta Aquino.

Raio-X Fundação: 1930 Estados Unidos; 1974 Brasil Número de funcionários: Mundo - 20.000; Brasil - 50 diretos Área: 820m² + 780m² para expansão Estrutura: Centro de Manutenção, Engenharia de Integração, Desenvolvimento de Novos Negócios, Gestão de Programas

Primeiras bancadas em 1987


CAPA

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Expositores de todo o mundo REUNIDOS na 10ª edição da LAAD

LAAD Defence& Security 2015, maior e mais importante feira dos setores de defesa e segurança da América Latina, reune mais de 700 expositores nacionais e internacionais em três pavilhões do Riocentro, no Rio de Janeiro, entre os dias 14 e 17 de abril. O evento, que está em sua 10ª edição, destaca-se por ser um dos principais ambientes para a disseminação de novas tecnologias, equipamentos, serviços e conhecimento voltados para esses segmentos, assim como um espaço estratégico para o fomento de negócios junto às Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica), Forças Policiais e Especiais, consultorias, segurança corporativa e agências governamentais. Defesa e segurança são segmentos industriais da maior relevância no mercado global, além de serem propulsores intensivos de avanços tecnológicos. Especificamente no Brasil, que representa 41,2% dos investimentos militares na América Latina, esses setores têm registrado crescimento nos últimos anos. Com o lançamento da Estratégia Nacional de Defesa (END), em 2008, ressaltou-se a necessidade de modernização e reaparelhamento das Forças Armadas do Brasil por meio de projetos estratégicos. Tal crescimento também foi evidenciado pela escolha do País para sediar grandes eventos esportivos internacionais. “Com esse

cenário, a 10ª edição da LAAD Defence& Security reafirma o evento como o principal ambiente para a disseminação do conhecimento, tecnologia e inovação no campo da Defesa e Segurança na América Latina”, comenta Sergio Jardim, diretor geral da ClarionEvents Brasil, empresa organizadora da feira. Os visitantes encontrarão no evento o que há de mais moderno para tecnologia e serviços em mais de 20 setores das indústrias de defesa e segurança, tais como: armamento e munição; autenticação, controle de acesso e vigilância; construção em defesa e segurança; consultoria, treinamento e serviços; emergência, salvamento e resgate; engenharia aeronáutica; engenharia naval; equipamentos pessoais; ópticos e optrônicos; perícia criminal e forense; sistema de proteção QBRNe; tecnologia da informação e cyber security; transmissão, comunicação e posicionamento e veículos. Em sua última edição, realizada em 2013, a LAAD Defence& Security reuniu 693 expositores nacionais e internacionais e o Programa de Delegações Oficiais trouxe cerca de 320 autoridades de defesa e segurança pública, somando 128 delegações oficiais de 61 países. Para este ano, os organizadores estimam números ainda maiores e a participação de mais de 70 países. Mais informações no site http://www.laadexpo.com.br/.

Divulgação


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ROTEIRO LAAD AEL - P.60 Empresa brasileira que há 30 anos dedica-se ao projeto, desenvolvimento, fabricação, manutenção e suporte logístico de sistemas eletrônicos militares e espaciais, para aplicações em plataformas aéreas, marítimas e terrestres. Contato: + 55 (51) 2101-1200/www.ael.com.br AEROMOT - M.28 Empresa que atua na área de aviônicos, manutenção aeronáutica / manutenção de aeronaves. Contato: +55 (51) 3357-8500/www.aeromot.com.br AGORA TELECOM - J.44a Empresa com foco em câmera de registro policial, simuladores e telecomunicações. Contato: +55 (11) 4058-9608/ www.agoratelecom.com.br AGRALE - F.50 Atua nos seguimentos de moto bombas, geradores e iluminação, veículos militares sobre rodas/ viaturas sobre rodas, veículos policiais/ viaturas policiais, motores para embarcações, propulsão/ propulsores navais. Contato: +55 (54) 3238-8000/www.agrale.com.br AIRMOD CONSULTING - 63a (Pavilhão ABIMDE) Auditoria/ consultoria, engenharia de estruturas aeronáuticas. Contato: +55 (12) 3949-2289/ www.airmodconsulting.com AIRSHIP DO BRASIL - L.35 Plataformas mais leves que o ar para múltiplos usos. Contato: +55 (16) 2106-9494/www.airshipdobrasil.com.br AKAER - S.24 Aeronaves, aeronaves de asa fixa, engenharia aeroespacial, engenharia de estruturas aeronáuticas, engenharia de sistemas aeronáuticos, projetos aeroespaciais, serviços aeronáuticos (asa fixa). Contato: + 55 (12) 2139-1100/ www.akaer.com.br AKER - C.15 Infraestrutura de TI, segurança da informação, telecomunicações. Contato: +55 (61) 3038-1900/ www.aker.com.br ALFADELTA - Rio - 64b (Pavilhão ABIMDE) Atua no segmento de software. Contato: +55 (21) 9851-4038/ adiasmf@uol.com.br ALLTEC - 67 (Pavilhão ABIMDE) Especializada em manutenção aeronáutica / manutenção de aeronaves. Contato: +55 (12) 3931-4178 www.allteccomposites.com.br AMAZUL - Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A - Z44 Engenharia nuclear, projetos navais, submarinos. Contato: +55 (11) 3815-4791/www.amazul.mar.mil.br ANACOM - V.50 Simuladores. Contato: +55 (11) 3422-4200/ www.anacom.com.br

ARES - D.50 Colimadores, câmeras de visão noturna, câmeras termais, sistemas de armas, foguetes, optrônicos, armamento leve, armamento pesado, sistemas de combate naval, sistemas de defesa antiaérea, canhões, equipamentos navais, estação de armas, simuladores, lançador de foguetes, mísseis e bombas, projetos navais, entre outros. Contato: +55 (21) 2677-5350/ www.ares.ind.br ATECH - Q.60 Atua no segmento de integração de sistemas, sendo responsável por todo o sistema de tráfego aéreo no Brasil. Contato: +55 (11) 3040-7320/ www.atech.com.br ATLAS AIR - ATLAS TAXI AEREO - M.35 Aeronaves, aeronaves de asa rotativa, helicópteros, serviços aeronáuticos (helicópteros). Contato: +55 (21) 3214-2500 / + 55 (22) 7834-9808/ www.atlasair.com.br ATRASORB - Y.42 Absorvedores de co2 para atividades subaquáticas, cal sodada. Contato: +55 (11) 5521-2076/ www.atrasorb.com.br AVIBRAS - G.50 Produz aeronave remotamente pilotada (ARP), antenas, explosivos, veículos aéreos não tripulados (VANT), foguetes, armamento pesado, sistemas de defesa antiaérea, mísseis, viaturas blindadas, motores de foguete, sistemas lançadores, lança foguetes / lançador de foguetes. Contato: +55 (12) 3955-6000/ www.avibras.com.br AVIONICS SERVICES - 64a (Pavilhão ABIMDE) Componentes eletro-eletrônicos, aviônicos, projetos eletro-eletrônicos, integração de sistemas aviônicos, simuladores. Contato: +55 (11) 5031-2801/www.avionics.com.br BCA TEXTIL - V.40 Blindagem/blindagem balística, material balístico/proteção balística. Contato: +55 (12) 3966-6303/ www.bcatextil.com.br BAE SYSTEMS - M.40 Aeronave remotamente pilotada (ARP), aeronaves de asa fixa, aviônicos, foguetes, veículos terrestres não tripulados (VNT), construção naval / embarcações, armamento leve, armamento pesado, sistemas de defesa antiaérea, veículos militares sobre rodas / viaturas sobre rodas, radares, munições pesadas, sistemas lançadores, projetos aeroespaciais, entre outros. Contato: +55 (61) 3328-0946/ www.baesystems.com BOEING COMPANY - L.15 Aeronaves, bombas, aeronaves de asa fixa, bombas aéreas, aeronaves - partes e peças, projeto e desenvolvimento de armamento, satélites. Contato: +55 (61) 3203-5668/ www.boeing.com.br BRADAR - G.56 Especializada em radares de abertura sintética para Sensoriamento Remoto e Defesa e Segurança. Contato: +55 (12) 3202-2700/www.bradar.com.br


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BRDEFESA - V.60a Blindagem / blindagem balística Contato: +55 (91) 3321-4050/www.brdefesa.com

ção de aeronaves, modernização de aeronaves. Contato: + 55 (12) 3904-3500 / + 55 (12) 3904-3501/ www.digex.com.br

BRVANT - L.40 Veículos aéreos não tripulados (VANT). Contato: +55 (11) 3565-2591/ www.brvant.com.br

DUPONT - D.49 Blindagem / blindagem balística, alimentação / alimentos, material balístico / proteção balística, polímeros e borrachas, embalagens especiais, Equipamento de Proteção Individual (EPI). Contato: + 55 (11) 4166-8628/ www.dupont.com.br

CBC - Z.22 Blindagem/ blindagem balística, coletes balísticos, material balístico/ proteção balística, armamento leve, coletes balísticos para vestimenta, munições leves, munições não letais. Contato: + 55 (11) 2139-8200/ www.cbc.com.br CECIL -64 (Pavilhão ABIMDE) Forjaria/ usinagem, latão - copos e bobinas para munições de pequeno calibre, latão - discos para fabricação de munições de grande calibre, metalurgia de metais não ferrosos, cobre e ligas de latão. Contato: +55 (11) 4143-7276/ www.cecil.com.br CEPPE - X.69 (Pavilhão ABIMDE) Manutenção de armamento. Contato: +55 (11) 3641-3603/www.ceppe.ind.br COMTEX - J.44a Eletrônicos, equipamentos de vigilância eletrônica, software, câmeras e vídeo monitoramento. Contato: +55 (24) 2291-7700/www.comtex.com.br CONDOR - F.69 Armas não letais, pirotécnicos, munições não letais, pistola elétrica, spray incapacitante, material de salvatagem. Contato: +55 (21) 3974-3355 www.condornaoletal.com.br CPqD - D.64 Inspeção, certificação, testes, ensaios e perícias, pesquisa e desenvolvimento, infraestrutura de ti, segurança da informação, telecomunicações. Contato: +55 (19) 3705-6826/www.cpqd.com.br DEFENSEA CONSULTORIA - V.18 Apoio marítimo e offshore, assessoria, auditoria / consultoria, equipamento de auxílio à navegação, equipamentos navais, estudos cartográficos / oceanográficos, representação comercial. Contato: +55 (21) 3923-5921/ www.defensea.com.br DEFII - X.75a (Pavilhão ABIMDE) Simuladores. Contatos: +`55 (55) 3028-1051/www.defii.com.br DCNS - U.20 Construção naval / embarcações, motores para embarcações, torpedos, propulsão / propulsores navais, submarinos. Contato: + 55 (21) 2275-0899/www.dcnsgroup.com DGS - W.36 Construção naval / embarcações. Contato: + 55 (21) 2589-4415/ www.dgs.ind.br DIGEX - S.58 Aeronaves, aeronaves - partes e peças, integração de sistemas aviônicos, manutenção aeronáutica / manuten-

EDT (EFLY) - 74 (Pavilhão ABIMDE) Simuladores. Contato: + 55 (11) 5032-2789/ www.efly.com.br EMBRAER DEFESA & SEGURANÇA - G.56/Y.34/Q.60 Aeronaves, aeronaves de asa fixa, aviônicos. Contato: + 55 (12) 3927-1841/www.embraer.com.br EMGEPRON - X.50 Equipamento de guerra eletrônica, construção naval / embarcações, armamento pesado, sistemas de combate naval, manutenção de embarcações, munições pesadas, projeto e desenvolvimento de armamento, projetos navais. Contato: + 55 (21) 3907-1800/ www.emgepron.com.br EQUIPAER - Q.96a Alvos e equipamentos para tiro, aeronaves - partes e peças, manutenção aeronáutica / manutenção de aeronaves, simuladores, sistemas lançadores. Contato: + 55 (11) 5034-6388/www.equipaer.com ESPAÇO VIRTUAL - 74a (Pavilhão ABIMDE) Auditoria / consultoria, simuladores, software. Contato: + 55 (61) 3326-9656/www.evirtual.com.br FLY SISTEMAS - V.74b (Pavilhão ABIMDE) A Fly Sistema é especializada em tecnologia de câmeras embarcadas e equipamentos para segurança e defesa. Contato: + 55 (21) 3553-6262/www.flysistemas.com FORJAS TAURUS - Z.22 Forjaria/ usinagem, armamento leve, projeto e desenvolvimento de armamento. Contato: + 55 (51) 3021-3109/ www.taurus.com.br FT SISTEMAS S/A - V.60 Atua na produção de Aeronave Remotamente Pilotada (ARP), Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT). Contato: + 55 (12) 4009-9535/ www.flighttech.com.br FUNDACAO EZUTE - X.70 Projetos estruturantes, sistemas para operação, apoio na gestão de projetos complexos e aplicações duais de sistemas de comando e controle. Contato: + 55 (11) 3040-7301 / www.ezute.org.br GEHR INTERNATIONAL - I.67 Aviônicos. Contato: + 55 (21) 2221-0644/ www.gehr.com GLAGIO DO BRASIL - I.70 Blindagem / blindagem balística, coletes balísticos, material balístico / proteção balística, coletes balísticos para vestimenta. Contato: + 55 (31) 3295-4843 /www.glagio.com.br


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GRUPO INBRA FILTRO - E.50 Aeronaves - partes e peças, satélites. Contato: + 55 (11) 2148-8600 /www.grupoinbra.com.br HELIBRAS - L.119 Aeronaves, aeronaves de asa rotativa, helicópteros, serviços aeronáuticos (helicópteros). Contato: + 55 (11) 2142-3700 / www.helibras.com.br HOBECO SUDAMERICANA - M.51 Equipamento meteorológico / meteorologia. Contato: + 55 (21) 2518-2237/ www.hobeco.net IACIT - V.69 Aviônicos, radares. Contato: + 55 (12) 3797-7777 / + 55 (12) 3797-7753/ www.iacit.com.br IDS BRASIL - 66 (Pavilhão ABIMDE) Manutenção de eletro-eletrônicos, equipamentos de vigilância eletrônica, telecomunicações. Contato: + 55 (11) 2372-4770/www.icconsulting.com.br IMBEL - X.10 Arma branca / faca / canivete / espada, armamento leve, armamento pesado, munições pesadas, projeto e desenvolvimento de armamento. Contato: + 55 (12) 3156-9042/www.imbel.gov.br INDIOS PIROTECNIA - L.40 Munições não letais, spray incapacitante. Contato: + 55 (11) 4656-2422 www.indiospirotecnia.com.br IPI DO BRASIL - 75 (Pavilhão ABIMDE) Explosivos, pirotécnicos. Contato: + 55 (21) 3532-5530/ mangelonovaes@gmail.com/ ISRAEL AEROSPACE INDUSTRIES (IAI) - G.40 Integração de sistemas aviônicos, manutenção aeronáutica / manutenção de aeronaves, manutenção e reparo de aviônicos, modernização de aeronaves, sistemas lançadores, lança foguetes / lançador de foguetes, satélites, satélites - partes e peças. Contato: + 55 (61) 3039-8135/ www.iai.co.il IVECO - I.68 Veículos militares sobre rodas / viaturas sobre rodas Contato: + 55 (31) 3888-7222/ www.iveco.com KMW - G.70 Armamento pesado, veículos militares sobre rodas / viaturas sobre rodas, viaturas blindadas, simuladores. Contato: + 55 (55) 3027-5673/ www.kmweg.de KRYPTUS - C.53a Criptografia, comunicações seguras, segurança cibernética, segurança da informação. Contato: + 55 (19) 3289-4377/ www.kryptus.com KUDELSKI SECURITY - C.53 Segurança cibernética, software, telecomunicações, acesso seguro à documentos, 4g / lTE seguro. Contato: + 55 (11) 5180-1729/www.nagra.com

LMI DO BRASIL - P80 Ensino, treinamento e formação técnica, sistemas de comando e controle, simuladores. Contato: + 55 (21) 3958-1100/ www.lmbr.net LOGSUB - Y.42 Logística. Contato: + 55 (21) 3325-8980/ logsub@uol.com.br/ M1TECNOLOGIA - N.54a Ensino, treinamento e formação técnica, auditoria / consultoria, representação comercial. Contato: +55 (19) 3834-5988/ www.m1tecnologia.com.br MAKO INDÚSTRIA - T.48 Cabos para aeronaves. Contato: + 55 (12) 3933-8258/ www.makocables.com.br MALIGAN - E.76A Bolsas e cases, malas, mochilas. Contato: + 55 (11) 5624-2728/www.maligan.com.br MAYNARDS TACTICAL EQUIPAMENT - D.60 Equipamento individual de campanha, mochilas. Contato: + 55 (41) 3332-9272/www.maynards.com.br MÓDULO SECURITY SOLUTIONS - J.44a Centro integrado de comando e controle, integração de sistemas, ensino, treinamento e formação técnica, sistemas de apoio à decisão / inteligência, auditoria / consultoria, data center, sistemas de comando e controle aéreo, sistemas de comando e controle naval, sistemas de comando e controle terrestre, defesa cibernética, infraestrutura de TI, segurança cibernética, software, proteção de infraestruturas críticas, telecomunicações. Contato: + 55 (21) 2123-4600/ www.modulo.com.br MOTOROLA - L.29 Sistemas de comando e controle, sistemas de comunicação, telecomunicações. Contato: + 55 (11) 5171-9200/ www.motorolasolutions.com ODEBRECHT - X.60 Centro integrado de comando e controle, integração de sistemas, sistemas de apoio à decisão / inteligência, automação de navios, assessoria, sistemas de armas, aviônicos, gerenciamento de projetos de defesa, construção naval / embarcações, segurança cibernética, segurança da informação, projeto e desenvolvimento de armamento, simuladores, sistemas lançadores, torpedos, projetos navais, projetos aeroespaciais, telecomunicações, satélites - partes e peças, submarinos, dentre outros. Contato: + 55 (11) 3096-8000/www.odebrecht.com OMNISYS Engenharia - 63 (Pavilhão ABIMDE) Equipamento de guerra eletrônica, optrônicos, sistemas de comando e controle, equipamentos navais, mísseis, engenharia aeroespacial, sistemas espaciais, radares, radar móvel, monitoramento, software, projetos navais, projetos aeroespaciais, satélites - partes e peças. Contato: + 55 (11) 3303-1200/ www.omnisys.com.br PITER PAN - L.76 Equipamento coletivo de campanha, equipamento individual de campanha. Contato: + 55 (11) 3354-0000/www.piterpan.com.br


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PROTECÃES - I.76 Equipamento de segurança, equipamentos de vigilância eletrônica, monitoramento, segurança patrimonial, câmeras e vídeo monitoramento. Contato: + 55 (51) 3232-1001 / www.protecaes.com.br

SAUER DO BRASIL - Y.42 Submarinos, compressores especiais para embarcações, compressores especiais para aeronaves. Contato: + 55 (21) 3976-4383 www.sauercompressors.com.br

RADIOMAR ELETRONICA NAVAL - X.59 integração de sistemas, eletrônicos, equipamento de auxílio à navegação, equipamentos navais. Contato: + 55 (21) 2187-2437/www.radiomar.com.br

SHACMAN - I.140 Veículos militares sobre rodas / viaturas sobre rodas, viaturas especializadas, caminhões. Contato: + 55 (15) 3251-6161/ www.shacman.com.br

RC CONSULTORIA MILITAR E DEFESA - L.40 Assessoria, auditoria / consultoria. Contato: + 55 (12) 3941-9235 www.rcconsultoriamilitar.com.br

SIEM CONSUB - X.36 Integração de sistemas, apoio marítimo e offshore, sistemas de combate, minas submarinas. Contato: + 55 (21) 3515-9700/ www.consub.com.br

RF COM - C.54 Antenas, geradores e iluminação, sistemas de comunicação, equipamentos de RF / transceptor de RF. Contato: + 55 (12) 3933-1204/www.rf.com.br

SITMED - Z1.10a Equipamentos médico-hospitalares. Contato: + 55 (54) 3292-1024/www.sitmed.com.br

ROCKWELL COLLINS - K.44A Aeronaves, aeronaves de asa fixa, aeronaves de asa rotativa, aeronaves - partes e peças, ensino, treinamento e formação técnica, aviônicos, engenharia de estruturas aeronáuticas, engenharia de sistemas aeronáuticos, integração de sistemas aviônicos, radares, manutenção aeronáutica / manutenção de aeronaves, manutenção e reparo de aviônicos, simuladores, serviços aeronáuticos (asa fixa), serviços aeronáuticos (helicópteros). Contato: + 55 (12) 3908-6202/www.rockwellcollins.com ROHDE & SCHWARZ - N.47 Calibração e manutenção de equipamentos, componentes eletro-eletrônicos, ensino, treinamento e formação técnica, equipamento de guerra eletrônica, equipamentos de vigilância eletrônica, inteligência / contraespionagem, radares, monitoramento, manutenção de sistemas de navegação e comunicação, manutenção e reparo de aviônicos, software, telecomunicações. Contato: + 55 (11) 2246-0000 www.rohde-schwarz.com.br SAAB - Q.20/L.125 Aeronaves, aeronaves de asa fixa. Contato: + 55 (61) 3327-9100/ www.saabgroup.com SAFETY WALL - G.72 Blindagem / blindagem balística, material balístico / proteção balística. Contato: + 55 (11) 3082-9003/ www.safetywall.com.br SAFRAN - Q.39 Integração de sistemas, equipamento de visão noturna, válvula de controle de fluxo de hexafluoreto de urânio, sistemas de apoio à decisão / inteligência, laser, câmeras de visão noturna, câmeras termais, sistemas de armas, lentes, aviônicos, optrônicos, sistemas de comando e controle, equipamento de observação, sistemas óticos para aplicações espaciais, equipamentos de vigilância eletrônica. Contato: + 55 (12) 3949-6070/www.optovac.com.br SAT - I.70A Aeronaves - partes e peças. Contato: + 55 (12) 3681-2241/www.ssat.com.br

SKM - W.50 Integração de sistemas, sistemas de apoio à decisão / inteligência, sistemas de comando e controle naval, telecomunicações. Contato: + 55 (21) 2283-1230/ www.skmtech.com.br SUPMAR SUPRIMENTOS MARITIMOS - U.66 Manutenção de embarcações. Contato: + 55 (13) 2138-2760/www.supmar.com.br THYSSENKRUPP MARINE SYSTEMS GMBH - N.54 Construção naval / embarcações, equipamentos navais, projetos navais, submarinos. Contato: + 55 (11) 5105-7555 www.thyssenkrupp-marinesystems.com TRUCKVAN - L.144 Unidades móveis. CONTATO: + 55 (11) 2086-5555/www.truckvan.com.br VERTICAL DO PONTO - L.76A Pára-quedas. Contato: + 55 (21) 2457-4338 www.verticaldoponto.com.br WEATHERHAVEN - X.57a Barracas / tendas. Contato: + 55 (11) 4704-1458/www.weatherhaven.com XTIRE - 68a (Pavilhão ABIMDE) Blindagem / blindagem balística, viaturas - peças e partes. Contato: + 55 (11) 3223-4344/ www.xtire.com.br


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PONTO DE VISTA

Parte II*

BASE INDUSTRIAL DE DEFESA: Os Primeiros Passos

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urante o período colonial, nas principais cidades do litoral, havia estaleiros artesanais onde eram construídas pequenas embarcações e realizados reparos nos navios maiores que chegavam de Portugal. Esses estaleiros passaram a ser chamados pelos portugueses de Ribeiras das Naus, ou simplesmente Ribeiras, substituindo o termo medieval “Tercenas”. Seguiam a padronização estabelecida pela Junta das Fábricas da Ribeira (estaleiro de Lisboa), que ditava proporções e regras simples, facilitando o projeto de peças dos mais variados tipos de embarcação. A história registra a existência de estaleiros importantes em vários locais do litoral brasileiro, desde Belém, passando por Recife, costa de Alagoas, Salvador, Rio de Janeiro, Santos, Paranaguá, até a costa de Santa Catarina, Porto Alegre e Ladário. Destaque para a Fábrica de Fragatas da Ilha do Governador, instalada em 1666, onde foi construído o galeão Padre Eterno , considerado na época o maior navio do mundo. O esforço de construção de navios de grande porte, armados com dezenas de canhões, propiciou o desenvolvimento de novos materiais e de engenhosas aplicações dos recursos naturais. Ensejou, também, o surgimento de pequenas indústrias de apoio para a produção e manutenção de mastros, velas, lonas, ferragens, cabos e cordas, breu, lemes, armas e munições. As entradas e bandeiras, por seu lado, incentivaram a produção de mosquetes, pólvoras e armas brancas. Nenhum desses pequenos empreendimentos, no entanto, resistiu ao tempo. As atividades de construção e reparos navais foram reorganizadas em meados do século XVIII, no bojo dos esforços de recuperação dos estragos causados pelo terremoto de Lisboa. Em busca de melhores condições para a construção de navios de grande porte, o governo português promoveu a criação dos Arsenais de Marinha que, além de reunir e modernizar as diversas oficinas da cadeia produtiva, passaram também a produzir munições e armamentos e a realizar obras civis e hidráulicas. Em Belém, no Pará, existiam oficinas destinadas à construção e reparo de canoas de guerra e telheiros para armazenar as munições dos canhões, num conjunto conhecido, na época, pelo nome de “Casa das Canoas”. Ressalte-se que as canoas de guerra

Almirante Marcílio Boavista da Cunha Membro do Conselho Consultivo da ABIMDE

eram o dispositivo de defesa mais usado na desembocadura do Rio Amazonas. Em 1761, as oficinas da Casa das Canoas foram reunidas como o Arsenal de Marinha do Pará, com atribuições mais amplas, entre elas, a construção de navios de guerra de maior porte para operarem em mar aberto. No período áureo de sua existência, o Arsenal construiu uma nau armada com 74 canhões, cinco fragatas de 44 canhões e grande número de charruas e chalupas artilheiras . Em torno dos estaleiros e das principais fortificações existentes, uma série de edificações complementares foram construídas. Fundições, ferrarias, carpintarias, casas de velas, oficinas de pintores e de alfaiates, e depósitos ou armazéns diversos para armazenar água, madeiras, tintas, cabos, armas e munição. Um tipo desses depósitos, normalmente chamado de Armazém do Trem ou Casa do Trem guardava diversos materiais (trem), normalmente, mas não exclusivamente, armas, munições e apetrechos de guerra. Havia depósitos desse tipo, com nomes como casa do trem naval, do trem de construção, do trem de artilharia e do trem bélico, em toda a colônia. Em Santos, no litoral paulista, ainda existe o prédio que abrigou a Casa do Trem Bélico, que armazenava as armas e munições para proteção da então Vila de Santos. Trata-se de uma das edificações mais antigas existentes no País, um exemplo da arquitetura colonial setecentista . No século XX, o imóvel abrigou o Tiro de Guerra nº 11, razão pela qual a rua onde se localiza passou a se chamar Tiro Onze. No Rio de Janeiro, uma nova Casa do Trem foi construída em 1762, ao lado do Forte de São Tiago, destinada à guarda dos armamentos (trem de artilharia) das novas tropas enviadas por Portugal para reforçar a defesa da cidade, ameaçada por corsários em busca do ouro vindo das Minas Gerais. Nos dias atuais, o imóvel que abrigou a Casa do Trem insere-se no conjunto de edificações do Museu Histórico Nacional. A sede do Estado do Brasil foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro em 1763, por motivos políticos, econômicos e de defesa. Em maio, uma carta régia nomeou o Conde da Cunha Vice-Rei do Estado do Brasil, ordenando-lhe que passasse a residir na cidade do Rio de Janeiro; em dezembro, o Conde escreveu ao rei D. José I comunicando ter tomado posse do governo.

*A continuação deste artigo será publicada na próxima edição.


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