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Espaço Memória

Ginásio São Francisco

Conceição do Mato Dentro | Minas Gerais | 2012

Ginásio

São Francisco


Apresentação “Historia testis temporum, lua veritatis, vita memoriae, magistra vitae, nuncia vetustastis”.* Marco Túlio Cícero

Espaço Memória Ginásio São Francisco: Identidade e Tradição A história que permeia a criação da escola Ginásio São Francisco é emblemática na memória da sociedade de Conceição do Mato Dentro. Sua origem e propósito, vivenciados na epopeia dos religiosos franciscanos que aqui chegaram em 1915 é uma manifestação de coragem, fé e espírito missionário. O Ginásio São Francisco, como educandário, está profundamente inserido na formação de gerações de cidadãos durante grande parte do século XX, que formam a base cultural e educacional do município de Conceição. Esta escola é um marco para a história educacional de toda a região centro-leste do estado de Minas Gerais, tendo formado alunos oriundos de várias partes do estado e também da região Sudeste. E é neste contexto que nós, do Instituto Espinhaço, estamos trabalhando para resgatar, preservar e valorizar os elementos constitutivos fundamentais na história da sociedade de Conceição do Mato Dentro, elementos que fortaleçam a identidade, a memória e a tradição do seu povo e que possam servir de base para avançarmos em direção ao futuro, sem perdermos o norte das experiências trilhadas em nosso passado. Nós, do Instituto Espinhaço, acreditamos que a preservação da cultura e da memória e a valorização das tradições de um povo são as bases es-

senciais para o fortalecimento da sociedade. O Projeto Espaço Memória Ginásio São Francisco foi realizado em parceria com a historiadora Sara Pires Ferreira Utsch e teve a coordenação de pesquisas do historiador Dr. Célio Macedo; a edição de imagens e documentos ficou a cargo do fotógrafo Jorge Santos, com a colaboração de outros pesquisadores e apoiadores do Instituto Espinhaço. Para sua viabilização, este Projeto contou com o acolhimento e o patrocínio da empresa Anglo American. É importante dizer que o Projeto teve, desde o seu início, o fundamental apoio dos frades Franciscanos da província do Rio de Janeiro e também da Mitra Diocesana de Guanhães/Paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Em sua primeira fase, o Projeto Espaço Memória tem o objetivo de resgatar, identificar e reunir os elementos que construíram a história deste educandário, deste a sua inauguração em 1918, até o encerramento de suas atividades em 1979. Após esta primeira fase, planejamos e pretendemos iniciar a fase dois do projeto, com o objetivo da montagem física do Espaço Memória, um museu moderno e interativo, que disponibilize, dentro da estrutura do prédio atual, todos os documentos peças e registros encontrados, além de concretizar uma publicação, em formato livro, sobre a história deste importante centro produtor de conhecimento. Luiz Cláudio Ferreira de Oliveira Presidente do Instituto Espinhaço Janeiro/2012

*“A história é a testemunha dos tempos, a luz da verdade, a vida da memória, a mestra da vida, a mensageira da antiguidade”.

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Espaรงo Memรณria | Ginรกsio Sรฃo Francisco

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1ª Parte

A Pesquisa

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Pesquisa foi realizada durante um período de cinco meses, de junho a dezembro, em arquivos de instituições públicas e particulares. Desses arquivos foi reunida uma enorme documentação de natureza manuscrita, impressa e fotográfica, abrangendo praticamente toda a existência do Colégio, que vai de 1918 a 1979. Por documentação entende-se todo registro de cunho manuscrito, impresso, fotográfico, iconográfico e oral produzido pelo e sobre o Colégio São Francisco. No entanto, algumas considerações metodológicas devem ser tecidas inicialmente: O Ginásio Agrícola foi fundado e mantido até o seu final pelos Frades Capuchinhos, que estiveram atuando em Conceição desde 1915, quando ali chegaram, para assumir a Paróquia e a Irmandade de Bom Jesus, permanecendo lá até 1979. Foi considerado, em certo momento de sua história, como o principal centro educacional em regime de internato do nordeste mineiro, formando várias gerações de alunos que se destacaram em diversos campos do saber, nas áreas da ciência, cultura e política.

Lamentavelmente, o arquivo “institucional” do Colégio não chegou até os dias de hoje reunido em sua integridade; além de se ter perdido boa parte de sua documentação oficial, o acervo se fragmentou em vários pequenos arquivos, soltos, separados e desorganizados, espalhados por várias instituições que, à época, mantiveram relações com a escola, sem contar que alguns vieram parar em mãos de particulares. Esta constatação determinou, em primeiro lugar, a identificação de arquivos que pudessem ter “recebido” partes dessa documentação. A primeira ação que se impôs, então, foi descobrir quais poderiam ser esses arquivos. Para tanto, foi elaborada uma lista prévia de todo e qualquer arquivo de instituição pública ou particular, que interagiu com o Colégio durante seu período de existência, como secretarias de educação ou órgãos relacionados, sedes de bispados, no caso de Diamantina, paróquias, jornais etc.

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Geralmente, inicia-se uma pesquisa fazendo-se um levantamento bibliográfico, levantando-se títulos relacionados ao assunto em questão. Assim, a pesquisa direcionou-se a algumas bibliotecas, como às do Arquivo Público Mineiro, em Belo Horizonte; à da Fundação Amilcar Martins, também em Belo Horizonte, e à própria Biblioteca Pública de Conceição.

Biblioteca Pública de Conceição do Mato Dentro (BPCMD) Levantamento bibliográfico sobre pessoas que tiveram um estreito contato com a escola, como o Frei Vicente de Licodia, seu fundador; o ex-secretário da Agricultura Daniel de Carvalho, filho da cidade; e o arcebispo Dom Joaquim Silvério da Silva, que teve a iniciativa de criar um educandário agrícola em Conceição.

Arquivo do Santuário do Bom Jesus de Matozinho (ASBJM) Arquivo com documentação referente à Paróquia de Conceição que, por longos anos, ficou sob controle dos frades Capuchinhos, que também dirigiram o Colégio. Portanto, era de se supor que ali se encontrasse uma boa parcela do arquivo do Ginásio, o que não veio a se concretizar. O arquivo guarda, sim, uma pequena parcela de documentos, referentes ao Centro de Treinamento Agrícola, que funcionou a partir de 1947, anexo ao Ginásio, e alguns documentos soltos sobre a escola. Assim, os documentos ali localizados, datados em sua maioria da década de 1950, são relatórios referentes aos trabalhos realizados no Centro, listas de alunos e folhas de pagamentos. Do Ginásio encontram-se guardados estes documentos: relação de atividades realizadas em alguns anos, lista de recuperação, ofícios, balancetes e termos diversos.

Biblioteca da Fundação Amilcar Martins (BFAM) Foram levantadas informações sobre a atuação dos frades menores capuchinhos em Minas.

Arquivo da Superintendência de Ensino de Diamantina (ASED)

Os livros pesquisados com esse intento foram os seguintes:

Contém uma documentação importante sobre o funcionamento educacional e administrativo da escola, podendo-se citar as Atas sobre a administração do Ginásio, como as Atas de Eleição da Diretoria do Colégio, relativas aos anos de 1949 a 1970; Atas Extraordinárias; relatórios das inspetorias realizadas no Colégio, de 1936 a 1979; Regimento Escolar de 1971, diários de classe, provas, livros de pontos, recibos, lista de alunos e professores, notas, folhas de pagamento, certificados etc. Possui também um acervo de fotos sobre o Colégio.

• Os capuchinhos em Minas Gerais, de Frei Thiago Santiago. • Nas Selvas dos Vales do Mucuri e do Rio Doce, de Frei Jacinto de Palazzolo O.F.M, companheiro de Frei Vicente de Licodia. • Crônicas dos Capuchinhos do Rio de Janeiro, de Frei Jacinto de Palazzolo, O.F.M. • Missionários Capuchinhos - 1840-1997, de Serafim J. Pereira. Ultrapassada esta fase e de posse de informações precisas sobre os primeiros anos do Ginásio, processou-se, então, a etapa de localização e levantamento do arquivo do educandário – ou do que restou dele – em arquivos pertencentes às seguintes instituições:

Arquivo da Cúria Diocesana de Diamantina (ACDD) Neste arquivo foram encontradas informações importantes sobre os primeiros anos do Colégio Agrícola, levantadas em dois tipos de fontes: em edições do Jornal


A Estrela Polar, periódico mantido pela própria Cúria, relativas às décadas de 1910, 1920 e 1930, em correspondências do Frei Vicente de Licodia, dirigidas ao arcebispo Dom Joaquim Silvério da Silva, datadas do ano de inauguração do Colégio, 1918. Apresenta ainda um acervo fotográfico relevante.

Arquivo da Província dos Capuchinhos do Rio de Janeiro (APCRJ) Encontra-se guardado neste arquivo um acervo bem variado, composto de prospectos de estatutos, relatórios da inspetoria federal, documentos oficiais diversos, inclusive sobre o fechamento do Ginásio, cópias de correspondências oficiais, projeto de acordo educacional com a CBAR, relatórios diversos e balanços financeiros. Foi também encontrado, neste arquivo, um acervo fotográfico de interesse para a pesquisa.

Arquivo Particular de Dona Inêz Emanuela Diniz (APIEM) No arquivo desta senhora, que, quando viva, foi uma incansável pesquisadora e devotada guardiã da cultura e história de sua cidade natal, encontra-se guardada uma preciosa coleção de jornais da cidade de Conceição, de inestimável valor, que compreende a década de 1940 até o final da década de 1970. Desses jornais selecionou-se uma rica variedade de informações sobre o Colégio, que nos permitiu vislumbrar, mais do que qualquer outro tipo de documento, o verdadeiro pulsar do Ginásio, a partir de acontecimentos diários, como festividades, jogos esportivos, apresentação de teatro e filmes, paradas cívicas, solenidades de formaturas, bailes etc., e como tudo isso se envolveu fortemente com o ambiente da cidade. É importante ressaltar, ainda, que alguns desses jornais mantiveram uma relação muito estreita com o Ginásio. Como foi o caso

de O Boletim do Bom Jesus, cuja circulação se deu a partir de 30 de março de 1924, como órgão da Irmandade do Bom Jesus, e durou por cerca de seis meses; no dia 20 de junho de 1941, foi reiniciada a circulação do Boletim, tendo por provador o Frei Vicente de Licodia, embora o redator, de fato, fosse o professor do Ginásio, José Leite Vidigal. Mais tarde, depois da morte de Frei Vicente, em 1948, passou-se a gerência do jornal para o vigário Fr. Dionísio de Monterosso. De janeiro de 1955 até dezembro de 1957, foi redator o vigário Frei Agatângelo de Sortino, diretor do Colégio, que o dirigiu novamente de janeiro de 1956 a fevereiro de 1969. Depois da transferência deste para Itambacuri, o Boletim circulou ainda, por alguns meses, sob a orientação do Frei Dimas Neves. Já o Jornal Voz de Conceição foi fundado e dirigido pelo diretor do Ginásio S. Francisco, Frei Agatângelo. O primeiro número saiu no dia 30 de maio de 1950, tendo sido publicados 43 números. O último número circulou no dia 30 de abril de 1953, época em que seu redator foi tirar umas férias na Itália. Além desses dois jornais, a pesquisa englobou os outros três da cidade: Santuário do Bom Jesus, Conceição do Mato Dentro e A Voz de Conceição. O Arquivo de “Dona Inelzinha”, como era conhecida na cidade, guarda também um acervo rico de fotos antigas do Ginásio. Por fim, na Prefeitura Municipal de Conceição, encontram-se guardados alguns quadros em madeira com fotografias de estudantes formandos do Colégio. É importante ressaltar que todos os documentos levantados foram reproduzidos em processo digital e grande parte deles teve o conteúdo transcrito parcial ou integralmente, como se pode observar no Anexo 1 deste relatório.

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2ª Parte

Texto sobre o Ginásio São Francisco elaborado a partir da documentação levantada

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documentação reunida nos permite reconstruir a trajetória histórica do Colégio desde a sua fundação, em 1918, até a sua total desativação, no ano de 1979. Para melhor se contemplar essa trajetória, tornou-se necessário dividir esse processo em três etapas: 1ª – que vai de sua fundação até o ano de 1930; 2ª – que vai de 1931, quando adota o ensino secundário, até 1970; 3ª – que vai de 1971, quando recebe o ensino de 2º grau ou científico, até sua extinção, ao final do ano letivo de 1979. Esta divisão cronológica é necessária, na medida em que reflete a própria situação do ensino no Brasil, em cada etapa acima adotada, cujas mudanças, direcionadas a partir dos poderes públicos federal e estadual, incidiram em cheio sobre as escolas, tanto públicas quanto particulares, localizadas em pontos tão distantes dos grandes centros, como foi o caso do educandário situado em Conceição do Mato Dentro.

1ª Etapa Das origens até o ano de 1930: Tempos de afirmação Antes de entrarmos no âmbito narrativo do Ginásio propriamente dito, é interessante apontar aqui os antecedentes históricos que conduziram à concretização desse empreendimento em Conceição do Mato Dentro. Nessa perspectiva, podemos afirmar que o surgimento do Ginásio Agrícola São Francisco, em fins da segunda década do século XX, está relacionado a três importantes fatores que, de certa forma, se interligam na história mineira, embora também tenham suas raízes lançadas na história do Brasil colonial. O primeiro fator está ligado à fundação da cidade de Itambacuri pelos frades capuchinhos,

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na segunda metade do século XIX. Mas, antes de narrar esta epopeia histórica, é preciso recuar um pouco para demonstrar o papel desses missionários “ambulantes” na formação religiosa e cultural do Brasil. Inicialmente, é importante entender quem eram esses frades capuchinhos. Trata-se de um ramo da família dos Franciscanos, surgido por volta de 1520, quando um monge franciscano, por nome Mateo da Bascio, originário da região de Marche, na Itália, se deu conta de que a roupa vestida pelos franciscanos não era do mesmo tipo daquela vestida por São Francisco. Assim, ele confeccionou um capuz pontudo, deixou a barba crescer e passou a andar descalço. Seus superiores tentaram suprimir essas inovações, mas, em 1528, ele obteve o consentimento do papa Clemente VII. Foi-lhe dada permissão de viver como um eremita e de ir aonde quisesse para rezar pelos pobres. Essas permissões não foram dadas somente a ele, mas a todos que desejassem se juntar a ele, a fim de restaurar a obediência literal às regras do fundador da Ordem, São Francisco de Assis. Logo, outros viriam se juntar ao ermitão. Os Franciscanos Observantes se opuseram ao movimento, mas os Conventuais o apoiaram, de modo que Matteo e seus irmãos se reuniram em uma congregação que se intitulou Frades Menores Eremitas, como um ramo dos Franciscanos Conventuais, mas com um vigário próprio, embora sujeito à jurisdição do Geral dos Conventuais. O nome popular de frade capuchinho deriva do nome do capuz (capucize) usado por eles. Os frades capuchinhos atuaram no Brasil casualmente: a chegada deles não estava ligada a percursos coloniais portugueses. Os primeiros

Lançamento da Pedra Fundamental do Santuário do Bom Jesus do Matozinhos em 1931


que chegaram, em 1672, no Maranhão, foram quatro franceses ligados à tentativa francesa de colonizar aquela parte do país. A eles se juntaram outros, mas todos foram expulsos com a derrota dos franceses no Maranhão. A partir de 1646, outros capuchinhos franceses começaram a chegar a Pernambuco e, após a expulsão dos holandeses do Nordeste, partiram para o sertão do Rio São Francisco, catequizando indígenas que viviam nas pequenas ilhas ali existentes. Porém, essa atividade missionária dos franceses foi interrompida devido ao rompimento das relações diplomáticas entre Portugal e França, em 1698. Os capuchinhos retornariam ao Brasil mais tarde, em 1705, na Bahia, mas então os capuchinhos de origem italiana, reassumindo o trabalho missionário de seus colegas franceses e atuando com intensidade na primeira metade do século XVIII. No tempo da Regência, já no século XIX, esses capuchinhos italianos seriam, por sua vez, expulsos do Brasil, por decreto de 25 de agosto de 1831. Entretanto, eles retornariam no segundo Império, embora em termos inteiramente diferentes, como “agentes indigenistas” do sistema na entrada em longínquas regiões, como Goiás, Mato Grosso e sertões de Minas Gerais. Uma particularidade que distingue os capuchinhos de outros missionários, como os jesuítas e os próprios franciscanos, é que eles dependiam da Congregação de Propaganda Fide (da Fé) da Santa Sé, fundada em 1622 precisamente para combater a opressão que o padroado – regime em que o rei detinha poderes para intrometer-se na gestão e organização da Igreja – vinha exercendo sobre a ação missionária na América, África e Ásia. Capuchinhos são “missionários apostólicos”

e não “reais”, isto é, dependem do papa e não do rei, fato que tornou sua ação menos dependente dos sistemas de governos. Como se disse anteriormente, os capuchinhos italianos iniciaram o seu trabalho missionário na Bahia, em 1705. Três anos depois, instalaram-se em Pernambuco. Em 1721, fundaram um convento no Rio de Janeiro. Já em 1725, Pernambuco passa a ser considerada uma prefeitura religiosa brasileira e, em 1738, também o Rio de Janeiro. Os capuchinhos do Rio estenderam suas missões populares a Minas Gerais, Espírito Santo e províncias do Sul. Os frades missionários que atuaram em Minas estavam, portanto, adstritos à Prefeitura do Rio de Janeiro. Frei Antônio de Perúgia e Frei Jerônimo de Montereale, ambos da Província da Úmbria, foram provavelmente os primeiros a pisar por aqui, iniciando o Movimento Missionário em terras mineiras. Voltando à história de Itambacuri, têm-se o seguinte: por volta de 1872, dois capuchinhos, Freis Serafim de Gorízia e Ângelo de Sassoferrato, receberam do Ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, Barão de Itaúna, a incumbência da catequese dos indígenas do vale do Mucuri, no leste de Minas Gerais. Frei Serafim foi nomeado diretor e Frei Ângelo subdiretor, pelo Superior da Ordem no Brasil. Os dois frades missionários chegaram a uma região de mata fechada, com árvores colossais, o que dificultava a escolha do local para fundar o aldeamento. Mas escolhido o local, foi feita a derrubada, construída pequena choupana para os missionários, outras para os acompanhantes e também foi levantada a capela, quando ocorreu o início do longo e penoso trabalho de aproximação com os índios. Estes, em número superior a mil, eram remanescentes dos Botocudos e Aimorés, que se embrenharam no interior

das terras, entre o Mucuri e o Rio Doce, conservando-se selvagens e ferozes. Na capela erguida, a 13 de abril de 1873, um domingo de Páscoa, foi celebrada a primeira missa, com a presença já de vários índios e alguns brancos.

de abril, é ordenado sacerdote, em Catania. Tomado de zelo pela salvação das almas, o novo ardente missionário parte de Gênova para o Brasil, no dia 15 de maio, aportando na cidade do Rio de Janeiro, em 03 de junho de 1906.

O progresso levado ao lugar pelos frades foi espantoso: foram construídas casas para os índios, escolas, plantações, estrada para ligar a aldeia a Filadélfia (atual cidade de Teófilo Otoni) e, o que é mais importante, os índios foram-se aproximando em número cada vez maior, sendo que, em 1884, já se contavam mais de 800 deles.

Em 20 de fevereiro de 1907, chega a Itambacuri, para onde a Divina Providência o havia levado, para auxiliar os freis Jacinto e Ângelo, na fervorosa missão de catequese dos índios. No ano em que Frei Vicente chega a Minas Gerais, encontravase exercendo a Presidência do estado o serrano João Pinheiro (1906-1908), cuja plataforma de governo era a modernização das práticas de culturas praticadas até então no território mineiro. Pretendia, para isso, atuar na área de educação, com a criação de cursos práticos de agricultura, que difundissem noções de mecanização da lavoura, e também realizar uma reforma econômica que fixasse o homem no campo, através da criação de colônias agrícolas. Por iniciativa do Presidente, foi então instalada com esta finalidade uma colônia agrícola em Itambacuri, objetivando instruir e educar os menores desvalidos, incluindo os pequenos índios. Em meados de 1907, a convite do Secretário da Agricultura, Frei Vicente seguiu para a Fazenda Modelo de Belo Horizonte, na Gameleira, onde técnicos escolhidos lhe ministraram aulas práticas sobre o uso de máquinas agrícolas e noções do aproveitamento das terras.

Para encurtar a história: a Lei nº 556, de 30 de agosto de 1911, criou o distrito de Itambacuri, no município de Teófilo Otoni, que foi solenemente instalado a 05 de junho de 1912. A paróquia, dedicada a Nossa Senhora dos Anjos, cuja nova igreja encontrava-se concluída desde 1883, foi criada por decreto de 23 de dezembro de 1911, do Bispo de Diamantina, D. Joaquim Silvério de Souza. Como os fundadores da vila já se encontravam em avançada idade e, por conta disso, não poderiam suportar as condições de exercer o encargo paroquial, foi então nomeado como primeiro vigário da nova paróquia o jovem Frei Vicente de Licodia. Aqui entra em cena, então, o segundo fator. Frei Vicente nasceu em Licodia (Catania, na Itália) como Giuseppe Trombino. Ingressa na Ordem dos Capuchinhos, tomando o hábito franciscano a 27 de outubro de 1897, em Modica. Faz a sua profissão simples em 28 de outubro de 1898 e os votos solenes, em 24 de maio de 1899. Recebe as Ordens Menores, em Caltagirone, a 28 de maio de 1904; o Subdiaconato a 24 de setembro do mesmo ano, em Catania; o Diaconato, a 17 de dezembro de 1904. Um ano depois, a 08

Através de uma circular de 28 de agosto de 1907, Frei Serafim, diretor da colônia, foi avisado da volta a Itambacuri de Frei Vicente, em companhia de um auxiliar competente, depois de ter cumprido, com pleno êxito, a sua missão. O governo despachou as máquinas necessárias para as demonstrações práticas. Frei Vicente e o seu auxiliar, José Jacinto Júnior, chegaram, porém, antes. O zeloso diretor da colônia,

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enquanto aguardava as máquinas, aproveitou o tempo para iniciar as demonstrações, servindo-se de um arado que tinha comprado no Rio de Janeiro há mais de 20 anos. O vice-diretor, Frei Ângelo, bastante prático no fácil manejo daquele instrumento, diante dos curiosos e interessados, abriu a lavoura e, na presença do auxiliar e de Frei Vicente, deu as primeiras aulas. No dia 10 de dezembro de 1907, chegaram as tão desejadas máquinas agrícolas e, no dia 17, foi feito o primeiro ensaio, sendo, nessa ocasião, empossado na direção do ensino prático, Frei Vicente de Licodia, que assumiu, desde aquele momento, com o auxiliar José Jacinto Júnior, toda a responsabilidade desse novo e importante ramo de atividades da colônia. O Capuchinho Frei Jacinto de Palazzolo, em seu Livro Nas Selvas dos Vales do Mucuri e do Rio Doce, transcreve a impressão que teve Carlos Prates, então Inspetor de Terras e Colônias, sobre o progresso que Frei Vicente trouxe à colônia de Itambacuri: “[...] ficou maravilhado do que viu e ouviu quanto à civilização dos índios e progresso do aldeamento. Ele converteu o campo prático da lavoura mecânica em “aprendizado agrícola” onde até hoje (01 de janeiro de 1915) se conservam nu­ me­rosos aprendizes às expensas do Estado e dirigidos pelo Revmo. Frei Vicente de Licodia, a quem o Governo conferiu o titulo de Mestre de lavoura mecânica. Deu ao Padre Frei Vicente um subalterno com o título de auxiliar e com o salário pago pelo Estado”. Depois de nove anos de valiosos e

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indômitos serviços prestados à pequena Itambacuri, deixando ali um estabelecimento agrícola em plena florescência, Frei Vicente de Licodia se transfere para Conceição do Mato Dentro, e aqui encontramo-nos, então, diante do terceiro fator a ser considerado. Contudo, antes de entrarmos neste novo capítulo, é necessário assinalar que os frades capuchinhos já se encontravam em Conceição antes da chegada de Frei Vicente. Em 1915, o Bispo Dom Joaquim Silvério de Souza entrega aos capuchinhos de Siracusa, a Freguesia de Conceição do Mato Dentro. Frei Gaspar de Modica chega a Conceição a 05 de fevereiro de 1915, instalando casa e assumindo a Paróquia, acontecimento este registrado no livro de Tombo do Convento, como se lê a seguir: “A cinco dias de janeiro de 1915, em casa do Cônego Florenço, vigário, reuniu-se a Mesa Administrativa da Irmandade do Bom Jesus. O vigário exibiu uma carta do Exmo. Sr. Bispo D. Joaquim Silvério de Souza, bispo de Diamantina, com que comunicava a próxima vinda de três capuchinhos a que seria confiada a Direção da Confraria. A notícia foi acolhida por todos com especial agrado. Em data de 16 de fevereiro de 1915, foi pelo Exmo. D. Joaquim provisionado como Pároco encomendado por um ano Frei Gaspar de Módica, que tomou posse a 21 de fevereiro de 1915. Juntamente com ele vieram Fr. João Maria de Chiaramonte e Fr. Eugênio de Palazzoto, que chegaram no dia 13 de março de 1915.” (Jornal A Voz de Conceição, Ano II, nº 37, dez. 1978, 3ª pg.).


Foram os seguintes os vigários Capuchinhos de Conceição do Mato Dentro: 1º 21.02.1915 – Fr. Gaspar de Modica (Giorgio Zappulla); 2º 01.11.1915 – Fr. Michelangelo de Ragusa (falecido aos 53 anos, em 12.05.1917); 3º - 01.01.1917 – Fr. Vicente de Licodia (Giusepe Trombino); 4º 21.03.1922 – Fr. Jacinto de Palazzolo (Giuseppe Infantino); 5º 1922 – Fr. Vicente de Licodia; 6º 1938 – Fr. Francisco de Modica (falecido em 04.10.1940); 7º 1940 – Fr. Vicente de Licodia; 8º 21.06.1947 – Fr. Dionísio de Monterosso (Salvatore Amato); 9º 31.01.1955 – Fr. Agatângelo de Sortino (Vicenzo La Pila); 10º 15.12.1957 – Fr. Rafael de Mineo (Giovani Gangi); 11º 07.06.1959 – Fr. Antônio de Resplendor (Elizeu Zuquetto); 12º 31.03.1963 – Gabriel de Malilli (Emanoele Pitruzzello); 13º 24.06.1966 – Fr. Agatângelo Vicenzo La Pila; 14º 17.02.1969 – Fr. Dimas de Castro Neves; 15º 1975 – Fr. Laudelino Geraldo de Oliveira; 16º 23.01.1978 – Fr. Agatângelo Vicenzo La Pila. (Segundo levantamento realizado pela Sra. Inez Emanuela Diniz – In: Jornal A Voz de Conceição, Ano II, nº 37, dez. 1978, 3ª pg.) Frei Vicente chega a Conceição do Mato Dentro em 1º de janeiro de 1917, para assumir o posto de vigário da Matriz de Nossa

Senhora da Conceição. Como se verifica na lista anterior, seria o terceiro frade capuchinho a assumir esse encargo: antes dele haviam sido párocos o frei Gaspar de Modica e o frei Michelangelo de Ragusa. Frei Vicente dirigiria ainda a Paróquia em duas outras oportunidades: de 1922 a 1938 e de 1940 a 1947. No entanto, Frei Vicente já havia estado antes em Conceição: em 1911, acompanhando o bispo D. Joaquim Silvério em sua visita pastoral, e, em junho de 1916, quando pregou o Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Dos trinta anos que permaneceu na cidade, de onde não quis nunca mais sair – veio a falecer em Conceição, a 13 de junho de 1947, frei Vicente foi um batalhador incansável pelo Frades capuchinhos em frente ao Santuário, destacando-se Frei Isaías da Piedade, Frei Feliciano de Callachibeta e Frei Afonso progresso da região; por conta disso, será sempre lembrado, e com justa razão, como o benfeitor-mor de Conceição. A outro incansável batalhador pela educação, lista de benfeitorias que trouxe ao município tendo sido o idealizador e fundador do Gié enorme; entre as mais notáveis podemos násio Diocesano de Diamantina. O educanarrolar a instalação de luz elétrica na região, dário fundado em Conceição tinha por finalia construção do primeiro hospital da cidade dade básica, como aparece definido em seu mantido pela Associação da Imaculada primeiro estatuto, “somente proporcionar Conceição, da qual foi eleito presidente em aos habitantes da zona rural um meio fá1924, e a edificação do novo Santuário do cil de dar aos seus filhos uma só instrução Bom Jesus de Matozinhos. Além disso, foi e educação e os conhecimentos necessários ele um incansável incentivador da imprensa para aproveitar o solo, donde provém a rilocal. Entretanto, talvez o grande legado de queza da nação”. Frei Vicente tenha sido, sem dúvida, o seu A notícia da construção do Ginásio em pioneirismo na área da educação infantil, Conceição, e mesmo antes de se inaugurámaterializado na idealização e fundação do -lo, causou uma enorme euforia na populaGinásio Agrícola São Francisco. ção de toda aquela enorme região do norte Frei Vicente de Licodia é tido como o mineiro. O Jornal A Estrela Polar, de Diamanidealizador e o fundador do Ginásio Agrícotina, assim descreve este entusiasmo: la São Francisco, mas sempre auxiliado por “É incontestavelmente trabalhador seus pares e incentivado pelo Arcebispo de o Frei Vicente de Licodia. Diamantina, D. Joaquim Silvério de Souza,

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Quase todos os habitantes da Zona da Mata conhecem os grandes benefícios prestados a Itambacury e a outros lugares por este zeloso sacerdote. Agora coube a vez a Conceição do Serro. Adquirido o prédio em lugar apropriado, consultando as regras de higiene, o laborioso filho de São Francisco, transportou-se ao Rio, onde do Ministro da Agricultura, obteve diversas máquinas e sementes, devendo o Colégio ser inaugurado, querendo Deus, no dia 07 de abril. Desnecessário é encarecer os inúmeros benefícios que advirão para os agricultores nortistas, em Conceição; encontrarão um asilo seguro, onde seus filhos aprenderão arrotear a terra, dela tirando prática e cientificando incalculáveis lucros. Nossos aplausos ao incansável franciscano e parabéns à população de Conceição do Serro.” (em 17/02/1918) Porém, o Ginásio, cuja pedra fundamental havia sido lançada em 04 de outubro de 1917 – dia de São Francisco de Assis, não foi inaugurado na data prevista, 07 de abril, mas a 26 de junho de 1918. Nas correspondências de Frei Vicente, enviadas a D. Joaquim Silvério, neste ano de 1918, infere-se o real e obstinado empenho do “zeloso” e “incansável” religioso para concretizar seu tão sonhado ginásio.

Inauguração do Ginásio São Francisco

Em carta datada de 01 de julho, cinco dias após a inauguração do ginásio, relata ele ao Arcebispo: “Exmo. e Revmo. Sr. Arcebispo, Visito afetuosamente Vossa Exmo beijando-lhe o anel. Recebi sua prezada carta que nos enviou de Curvelo a qual respondo.

obra começada e espera que outros venham para auxiliar-nos.

É uma obra nova que se levanta sob os auspícios e proteção de Vossa Exma. Revma. e esperamos um bom resultado.

Não me prolongarei mais na narração dos fatos, que o nosso superior Frei Gaspar e Frei Jacinto pessoalmente lhe darão tudo, apenas lhe pedirei uma bênção especial sobre o nosso Colégio e alunos e, beijando-lhe mais uma vez o anel, subscrevo-me de Vossa Ex. humilde servo em J.C.”

Os padres certamente contar-lhe-ão o brilho da festa, apesar de não ter sabido como era vosso desejo, porque faltava a presença de Vossa Exma. Revma.

No dia da instalação, uns amigos, conhecedores dos nossos sacrifícios, levantaram a ideia de uma subscrição, para auxiliar-nos no pagamento das dívidas contraídas, resultando dessa nobre ideia, só naquele dia, um conto e trezentos mil reis, que recebi e creio que, breve, chegará a dois contos.

Mas Deus seja louvado, tudo ocorreu bem até hoje, e ele nos há de ajudar para que o

O povo está muito animado com a

Ainda não me tinha dirigido ao Ex. Sr. Secretário da Agricultura, porque pensei que primeiro deveria concluir o prédio do Colégio, inaugurá-lo e depois pedir um auxílio. Com a graça de Deus, no dia 26, foi instalado o Colégio Agrícola São Francisco, tendo dado por acabada a primeira parte da minha missão e cumprido o compromisso tomado perante Vossa Exma. os meus superiores e o povo.

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novo Colégio Agrícola São Francisco prospere sempre.

Já em carta datada de 15 de agosto, frei Vicente relata ao Arcebispo sobre suas andanças em gabinetes de Belo Horizonte, em busca de recursos financeiros para as obras do Colégio, sem, no entanto, ter conseguido algo, se-


so, a abertura de uma estrada ligando o local ao centro da cidade. Eram qualidades, naquela época, bem favoráveis ao desenvolvimento de um ambiente escolar sadio e propício à aprendizagem, e das quais a direção da escola soube tirar proveito, por muitos anos, nos anúncios do Ginásio que mandava veicular nos jornais locais. Já do Governo Federal conseguiria a doação de máquinas agrárias e sementes. Segundo relato de um jornal, no dia de São Francisco de Assis, do ano de 1918, foi realizada a primeira solenidade religiosa no edifício do Colégio Agrícola, comemorando-se, assim, o aniversário da colocação da pedra fundamental do estabelecimento, com missa cantada, celebrada pelo vigário e também diretor, o Frei Vicente de Licodia. Durante a missa foi cantada a belíssima ária italiana, “Alla mente confusa” (letra de Giuseppe Giuste, e música de F. Paolo Toste), sendo acompanhada ao “harmonium” pelo distinto amador Joaquim Ribeiro Costa. Após a missa, foi servido um café e chá com sequilhos. E, às 16h30m, foi oferecido um jantar tendo, por sobremesa, finos doces e deliciosos vinhos.

Frei Vicente de Licodia e os alunos no refeitório, observados pelo disciplinador

não promessas de que, no mês de setembro, sairia alguma verba. Entretanto, a viagem não foi em vão, pois diz ter conseguido do Secretário de Agricultura “algumas sementes, uma plantadeira e uma semeadeira, e com o mesmo deixei um requerimento pedindo um auxílio de três contos para o Colégio Agrícola.” Três dias depois, envia outra carta, dizendo estar disposto a “voltar a Belo Horizonte em fins de setembro para ver em que fica o auxílio do governo ao nosso Colégio”. Esses trechos de correspondências demonstram o obstinado desempenho de Frei Vicente na construção e manutenção de seu tão sonhado colégio. Ele sabia perfeitamente

que, sem a ajuda financeira e técnica dos governos Federal, Estadual e mesmo Municipal, nada disso seria possível. Mas sabia também que existia toda uma legislação anterior que viabilizava o investimento de dinheiro público ou subvenções em escolas dessa natureza, como a que se refere à Lei Provincial nº 2545, de 31 de dezembro de 1879, portanto dos últimos momentos do Império, que cria escolas agrícolas no território mineiro. Da Câmara Municipal de Conceição mesmo conseguiu a doação de 10 alqueires de terra, localizadas a mais de um quilômetro da cidade, em localidade salubre e aplausível, possuindo água em abundância, e, além dis-

prol do progresso da cidade.

Na oportunidade, usaram a palavra o frei Jacinto (de Palazzolo), o aluno Sebastião de Almeida e o Professor Polycarpo de Figueiredo, que dissertou sobre o tema “Instrução, Educação e Trabalho”, considerado a partir do ponto de vista agrícola e, em nome dos conceicionenses, dirigiu a Frei Vicente efusivos agradecimentos pelo muito que tinha feito em

Em seguida, em frente ao edifício do Colégio, em homenagem ao Governo do Estado e à Câmara Municipal, foram cantados pelos alunos, em conjunto com as educandas do Asilo São Joaquim e o povo presente, o Hino da Bandeira e o Hino Nacional Brasileiro. Em de 08 de abril de 1921, portanto já em seu terceiro ano de funcionamento, são inauguradas novas dependências do Ginásio, em especial a nova capela, com espaço para receber trezentas ou mais pessoas, que podiam muito comodamente assistir às funções religiosas. A capela estava provida de seis grandes e largas janelas, e uma porta que abria para pavimento superior do alpendre, permitindo a passagem de ar e de luz. Segundo comentário do redator do jornal que traz a notícia, [...] “O Reverendo Frei Vicente empenhou, na sua moderna construção, o melhor do seu invejável talento e da sua operosidade admirável”. Foram inaugurados ainda sete grandes salões para aulas, refeitório e dormitório, sendo este último com 25 metros de comprimento e 10 metros de largura, provido de doze grandes janelas. E ainda diversas outras dependências, tais como cozinhas, quartos para empregados, três pavilhões, engrinaldados de trepadeiras e flores diversas, viveiro de passarinhos, jardins etc.

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Para inaugurar e benzer a parte nova, Frei Vicente convidou o Arcebispo de Diamantina, Dom Joaquim Silvério de Sousa, que foi recebido no Arraial de Córrego por uma comitiva e conduzido até o Ginásio, “soberbamente engalanado”, sendo recepcionado na entrada por

O Posto, considerado de 3ª classe, foi elevado à categoria de 2ª classe em 1928. Estava dotado de excelentes e modernos aparelhos, como barômetro, barógrafo, termógrafo, psicrômetro, termômetros de máxima e mínima, evaporômetro, heliógrafo, catavento e pluviômetro.

“[...] grande número de cavaleiros que de longe o foram encontrar, os alunos em número maior de 60, formados em duas extensas alas, excelentes peças executadas pela banda de música do Colégio, sobressaindo em primeiro lugar o majestoso Hino Nacional Brasileiro, sob a direção e regência do lente João Antônio Moreira, fogos artificiais e girândolas, formidáveis salvas dadas com a tradicional “rouqueira” no alto do Matosinhos, cujo formoso e secular templo [refere-se aqui ainda à antiga igreja] se observa do Colégio a um quilômetro de distância”.

Nos primeiros anos de sua existência, e com base em seu primeiro estatuto, sabe-se que o Colégio ministrava o ensino primário, confiado ao professor Joaquim Ribeiro da

Rocha, conforme programa escolar do Estado, conjuntamente com o ensino teórico e prático de agricultura. O ensino primário naquela época encontrava-se dividido em três cursos: Secundário, Médio e Primário. No Secundário, ministravam-se as seguintes disciplinas: Português, Francês, Aritmética, Geografia, História do Brasil, Desenho, Religião e Agricultura.

No Médio, as matérias ensinadas eram as mesmas, porém sem Francês e Desenho. Já o ensino Primário constava de Língua Pátria e leitura desenvolvida, escrita, conhecimento de redação, narração e descrição; Aritmética, compreendendo as quatro operações sobre números inteiros, frações ordinárias e decimais, sistema métrico e resolução de problemas sobre esses conhecimentos; Religião e Agricultura.

Concluindo a notícia, o artigo relata que “[...] o Colégio Agrícola São Francisco é uma das mais belas e aprazíveis construções deste município e, sob o ponto de vista higiênico, nada deixa a desejar: está assente no alto de um outeiro e o abastecimento de água é completo tendo ao menos de duzentos metros belíssima cascata e banheiros naturais, onde os alunos fazem diariamente exercícios de natação”. Em 09 de março de 1922, foi inaugurado no Colégio Agrícola um Posto Meteorológico . Tal melhoramento foi conseguido pelo esforço de Frei Vicente e devido à boa vontade de um conterrâneo, o Dr. Clodomiro de Oliveira, então Secretário da Agricultura. Cooperaram também nesse empreendimento o Dr. Daniel de Carvalho e o Dr. Coussirat de Araújo, engenheiro gaúcho, que viera a convite do Governo do Estado para organizar a rede meteorológica do Estado.

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Ao centro, sentado, Dom Joaquim Silvério de Souza (Arcebispo de Diamantina) em visita ao Ginásio São Francisco. Ao seu lado está o Monsenhor Mattos e os freis Vicente de Licodia e Gregório


Frei Isaías da Piedade falando aos formandos. Atrás dos formandos, o sr. Silva Carneiro, Diva Doroty e o sr. “Dé”, motorista do ônibus do Ginásio

Em todos os três cursos era ministrado o Ensino Moral e Cívico, além do Religioso. Quanto ao ensino teórico e prático de Agricultura, não temos referência de como era ministrado, mas é possível tirar uma base a partir do Ensino Agrícola, proposto pelo Capítulo III, Artigos 10, 11, 12 e 13 da Lei nº 2.545, de 31 de dezembro de 1879, que criava Escolas Agrícolas na Província. Certamente era, com algumas poucas alterações e inovações, o único regimento existente para esse tipo de escola no Estado, quando Frei Vicente fundou o Ginásio Agrícola de Conceição. Por intermédio daquele capítulo, vemos que o ensino constava de um curso teórico e prático, que deveria ser realizado em “campos próximos do estabelecimento, em fábricas e engenhos, em prados naturais e artificiais, em currais, cercados e es-

tábulos apropriados.” O curso deveria englobar as seguintes lições, em três anos: no 1º ano, haveria aulas de Economia Rural e Contabilidade; no 2º, aulas de Física Experimental, de Química Aplicada à Agricultura, Noções de Botânica, de Geologia e Zoologia; e no 3º, Noções Gerais de Veterinária e Teoria Agrícola. O ensino prático deveria compreender matérias sobre aragem e preparação dos terrenos com fertilizantes ou estrume; arboricultura, conservação de pastagem, cultura de plantas especiais, incluindo as medicinais, horticultura e jardinagem, criação e engorda de gado, mecânica agrícola etc.

Não se tem certeza de que todas essas matérias eram ministradas no Colégio de Conceição, mas algumas delas deveriam ser, pois cumpriam a finalidade, expressa no Estatuto, de “proporcionar aos habitantes da zona rural um meio fácil de dar aos seus filhos uma só instrução e educação e os conhecimentos necessários para aproveitar o solo, donde provém a riqueza da nação”. Outro fator que impediria seguir à risca essa grade disciplinar tão diversificada era a falta de professores especializados à época, apesar de Frei Vicente, devemos lembrar, ter tido um curso intensivo de mecânica agrícola com técnicos do governo mineiro para ser aplicado na colônia agrícola de Itambacuri, quando por lá esteve.

Em seu início, o Colégio aceitaria somente alunos internos – mais tarde, passou a aceitar alunos em regime externo e semi-interno – que deveriam pagar uma mensalidade de 25$000 (25 mil réis), paga por trimestre e por inteiro (diga-se que essas taxas mudariam ao longo dos anos), além de uma “joia” de 20$000, paga no ato da matrícula, quando eram fornecidos ao aluno uma cama, um colchão e um travesseiro. Já o aluno deveria trazer o seu enxoval, composto por “3 ternos de roupa para uso diário, 6 camisas, 6 ceroulas, 2 camisas para dormir, 2 toalhas de rosto, 1 toalha para banho, 1 ceroula curta para banho, 6 lençóis, 6 pares de meias, 4 lençóis e 4 fronhas, 1 cobertor, 2 colchas brancas, 2 pares de botinha, 1 par de chinelos, 1 saco para roupas servidas, 1 bacia de rosto, 1 urinol, 1 talher, 1 tigelinha de ferro esmaltado”. Quanto ao uniforme, confeccionado em brim amarelo, e composto de camisa, calça e quepe, este ficava a cargo do Colégio. Já os alunos eram responsáveis pela lavagem de suas roupas, por médico, remédios, bem como livros, cadernos e mais objetos escolares de uso pessoal. Os alunos não podiam ter menos de 8 anos completos nem mais de 16 anos de idade. E não deveriam apresentar, em hipótese alguma, nenhuma doença contagiosa. Também era conveniente que os alunos provenientes de outras cidades tivessem um representante na cidade. Aos pais e parentes era permitida a visita aos domingos, das 12h às 17h, e, em caso extraordinário, em qualquer dia com a devida licença do diretor. A disciplina era rigorosa, e seguiu sendo muito prezada durante toda a trajetória do educandário. Para deixar os alunos bem à vontade e sem constrangimento, procurava-

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se criar uma disciplina bem próxima àquela imposta em ambiente familiar, estando os capuchinhos, neste caso, em constante vigilância. Aliás, neste aspecto, a Província da Ordem, no Rio de Janeiro, sempre enviava ao Colégio frades para cumprirem a função de disciplinários. O aluno que não tivesse bom comportamento, ou não se mostrasse bem aplicado no estudo, se, depois de admoestado, não corrigisse a sua conduta, era expulso do Colégio, mediante um prévio aviso dirigido aos pais ou responsável. Em seu segundo ano de funcionamento, em 1920, o Ginásio encerrou o ano letivo contando com 73 alunos matriculados, sendo 14 no estudo secundário, 22 no médio e 37 no primário. Naquele ano, a congregação dos professores, para incentivar os alunos aplicados, instituiu prêmios de distinção e, para isso, foram oferecidas pelo frei Vicente de Licodia, diretor do Colégio, 21 medalhas com a inscrição “Honra ao Mérito”, pendentes de fitas com as cores nacionais. Este prêmio se perpetuaria no estabelecimento, sendo, a cada final de semestre dos anos seguintes, ininterruptamente, oferecido aos alunos que se destacassem. As aulas normais do ano letivo de 1920 foram encerradas no dia 13 de novembro, e os exames finais acorreram entre os dias 16 e 25, sendo o dia 28 do referido mês marcado para ocorrer a sessão solene de encerramento. Os exames foram presididos pelo diretor, estando sempre presente o Corpo Docente, constituído pelos lentes Padre Frei Vicente de Licodia, Padre Frei Jacinto Infantino, Padre Frei Gregório Abbo de Licodia e pelos professores Advogado José Ribeiro Costa, Joaquim Ribeiro Costa, José Avelino Pereira e João Antônio Moreira. Estiveram também presentes nos exa-

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mes: o Dr. José Ferreira de Andrade, Presidente da Câmara, o farmacêutico Orlando Augusto Guerra, por si e como representante do Dr. Manoel da Matta Machado, o Major Ernesto Moreira, o farmacêutico Juvêncio de Miranda e Moreira e o professor José Policarpo de Figueiredo e Silva. Segundo um registro da época, o “resultado dos exames foi magnífico, não obstante, como acontece em todos os Colégios bem dirigidos, quando as bancadas examinadoras agem com justiça e sem considerações pessoais, também no Colégio São Francisco, houve diversas inabilitações, e essas “bombas” resultaram em lágrimas ardentes”. Já no ano letivo de 1922, os exames finais ocorreram entre os dias 16 e 23 de novembro, sendo assistidos pelo Dr. Henriguello Cardinali, representante legal do Secretário da Agricultura do Estado de Minas Gerais, Dr. Daniel Serapião de Carvalho.

traído de uma coluna publicada em um jornal local, no ano de 1978. Lembra ele: “Montado em um cavalo pampa, no dia 1º de março de 1925, dirigi-me para o Colégio Agrícola S. Francisco, a fim de iniciar estudos secundários como aluno interno daquele educandário, aqui fundado pelo sempre lembrado Frei Vicente de Licodia, grande benfeitor desta cidade. Recebido pelo Frei Miguelângelo de Terranova (Cela), fui encaminhado ao dormitório, onde deveria cuidar da arrumação da cama e depois à malaria para guardar a canastra, na qual se encontrava o enxoval exigido dos alunos. Daí fui para a sala de aula guardar os livros e objetos escolares, já nesta parte orientado pelo Prof. Antonio Machado Melo, natural de Itambé do Mato Dentro,

Ao final dos exames, ocorreu o encerramento das atividades letivas, com a apresentação de um diversificado programa, executado no salão da escola, artisticamente decorado para a ocasião. A 1ª parte do evento contou com a execução do Hino Nacional e da apresentação de quatro peças, entre drama, farsa e comédia: “Um falso amigo”, em três atos; o “O Cartola”, pelo aluno Joaquim Bento; “Quem faz mal espere outro tal”; e a “Provas do Sertão”, por Adail Rosa. Já a 2ª parte foi preenchida por uma execução de música; pela leitura de notas; por um discurso de despedida, proferido por Silvio Coelho; pela entrega de prêmios, sendo encerrada pelo canto “A Despedida”. Do ano de 1925, temos um interessante depoimento sobre o funcionamento do Ginásio, de um ex-aluno que assina “Jamil”, ex-

Alunos em atividade em frente à Escola

que exercia também as funções de regente (disciplinário), e pelo Prof. Francisco Generoso da Fonseca, nascido na vizinha cidade do Serro, ex-aluno do tradicional Colégio Caraça. Fundado em 26 de junho de 1918, o Colégio Agrícola atravessara um período de crise, atribuída ao fato de não serem ainda reconhecidos os estudos e também a certo disciplinário que não gozava de simpatia dos alunos. A prova dessa assertiva está no fato de que éramos apenas dois alunos no curso secundário: Jorge de Vasconcelos Safe e o autor desta crônica. No curso primário estavam matriculados cerca de vinte alunos. Percorrendo a casa para melhor conhecê-la, entrei no quarto do Prof. Toni, o qual se comunicava com o dormitório dos menores.


Alunos do Ginásio em cerimônia com Dom Frei Manuel de Gela, Monsenhor Levi Pires, Padre Otávio, e os freis Vicente de Licodia e Gregório


Ônibus que transportava os alunos do Ginásio

Examinando os livros de uma estante, e, apanhando um ao acaso, perguntei ao professor que livro era aquele: “De Viris Illustríbus Urbis Romae.” Pela risada do Prof. Generoso, verifiquei ter cometido a minha primeira silabada no idioma de Cícero, que eu apenas conhecia nas respostas decoradas no livrinho de acólito que me foi dado pelo Frei Jacinto. Somente no ano seguinte, quando comecei a estudar o Latim com o saudoso Professor Raimundo Rocha, fiquei sabendo que a palavra “illustribus” era proparoxítona. – Jamil” Trata-se de um depoimento de muito interesse, não só por mencionar, ainda que de passagem, aspectos do dia a dia dos alunos no Colégio, mas porque traz um comentário

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sobre a situação de crise devido ao fato de “não serem reconhecidos os estudos”. Tal fato se devia, certamente, menos pelo disciplinário “antipático” aos alunos do que à própria situação caótica do ensino no Brasil, em fins da década de 20. É sabido que, nessa época, não havia uma estrutura de ensino organizada à base de um sistema nacional. Cada Estado da Federação tinha seu próprio sistema, geralmente aplicado mais ao ensino primário e normal, já que o ensino superior estava, na época, adstrito ao Governo Federal, e o ensino secundário, por não ser obrigatório para admissão aos cursos superiores, não passava de uma rede de “cursos preparatórios”, de caráter propedêutico. Assim, ocorria uma diferença significativa entre os currículos adotados nas escolas, o que dificultava a progressão dos alunos em séries seguintes. Mesmo a reforma de ensino proposta para o

ensino mineiro a partir do Decreto 7.970, de 1927, elaborada por Francisco Campos, então Secretário do Interior, parece não ter interferido muito no funcionamento da escola.

que conduziu à presidência do País Getúlio Vargas, quando as verbas de subvenção destinadas aos denominados “patronatos agrícolas” foram suspensas. Um ofício do Geral da Ordem Franciscana, de 1941, dirigido ao então Ministro da Educação, Gustavo Capanema, expõe bem esta situação:

Uma lei federal nesse sentido só veio a ser sancionada em 02 de janeiro de 1946, denominada Lei Orgânica do Ensino Primário, que propunha, em seu artigo 24, que “Os estabelecimentos de ensino primário, público e particular, formarão em cada Estado, em cada território e no Distrito Federal, um só sistema escolar, e direção.”

“[...] A Ordem dos Padres Capuchinhos, com sede nesta cidade do Rio de Janeiro, à rua Haddock Lobo, nº 266, prestando, há mais de um século, serviço ao Brasil, catequizando índios e difundindo a instrução pelos recantos mais remotos do país, também fundou na cidade de Conceição, Estado de Minas Gerais, um colégio, com finalidade de educar moços pobres, mantendo lá um patronato agrícola até 1930, subvencionado pelos governos Federal, Municipal e Estadual.

Através dessa lei, o ensino primário passaria a abranger duas modalidades de ensino: o primário fundamental, destinado às crianças de 07 a 12 anos de idade, e o primário supletivo, direcionado aos jovens e adultos. O ensino primário fundamental deveria ser ministrado em dois cursos sucessivos: o fundamental e o complementar, sendo que estes deveriam se articular com outras modalidades de ensino, como o curso de aprendizagem agrícola, para o caso do primário elementar. Este deveria ser o tipo de ensino ministrado pelo Ginásio São Francisco de Conceição desde a sua fundação, mas valendo-se de uma nomenclatura (como se viu mais acima) e articulação adotadas em Minas Gerais, e ainda sob impacto de mentalidade de ensino típica do período republicano mineiro. A situação do Ginásio veio a se tornar mais fragilizada depois da Revolução de 1930,

Em 1931, após a Revolução, foram cassados esses auxílios a todas as instituições, determinando não poder continuar o referido patronato. Por conselho do Dr. Olegário Maciel, a Ordem transformou-o em Ginásio, conservando o nome de Colégio Agrícola São Francisco e assim vem funcionando. Em 1932 obteve inspeção preliminar e, em 26 de outubro de 1941, foi-lhe concedida a inspeção permanente, por decreto do Presidente da República, Exmo. Sr. Dr. Getúlio Vargas [...]” Por conta, então, de sua frágil situação financeira, o Colégio se viu obrigado a encontrar novas alternativas de receita, o que veio a ocorrer valendo-se da nova conjuntura imposta ao ensino brasileiro a partir da era Vargas de governo. É o que está afirmando o último parágrafo da carta acima exposta. Aqui se inicia, então, outra etapa na vida do Ginásio Francisco.


2ª fase De 1931 a 1970 tempos de apogeu e glória Esta é a fase mais bem documentada do Colégio, especialmente devido às notícias que dele encontramos nos jornais locais, onde o vemos mencionado sempre relacionado à vida social, religiosa e cultural da Cidade de Conceição. Em 18 de abril de 1931, o Decreto de nº 19.890, do Governo Federal, estabelecia novas diretrizes para o ensino secundário em todo o território nacional, introduzindo reformas que iriam prevalecer até o ano de 1971. Entre as medidas tomadas, destaca-se a imposição de um ensino secundário oficial, tendo por modelo aquele ministrado no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, e a adoção do regime de inspetoria oficial para acompanhar as escolas que adotassem o ensino oficial e a realização obrigatória de um exame de admissão para se ter acesso à 1ª série do curso ginasial. Oficializava-se, então, o ensino secundário, compreendido por dois cursos seriados, o fundamental e o complementar (art. 2º). O fundamental deveria ser ministrado em cinco anos ou séries, cujas matérias seriam as seguintes (art. 3º): • 1ª série: Português - Francês - História da Civilização - Geografia - Matemática - Ciências Físicas e Naturais - Desenho - Música (Canto Orfeônico). • 2ª série: Português - Francês - Inglês - História da Civilização - Geografia - Matemática - Ciências Físicas e Naturais - Desenho - Música (Canto Orfeônico). • 3ª série: Português - Francês - Inglês - História da Civilização - Geografia - Matemática - Física - Química - História Natural - Desenho - Música (Canto Orfeônico). • 4ª série: Português - Francês - Inglês -

Latim - Alemão (facultativo) - História da Civilização - Geografia - Matemática - Física - Química - História Natural - Desenho. • 5ª série: Português - Latim - Alemão (facultativo) - História da Civilização - Geografia - Matemática - Física - Química - História natural - Desenho. Já o curso complementar, obrigatório para os candidatos à matrícula em determinados institutos de ensino superior, seria feito em dois anos de estudo intensivo, com exercícios e trabalhos práticos individuais, compreendendo as seguintes matérias: Alemão ou Inglês, Latim, Literatura, Geografia, Geofísica ou Cosmografia, História da Civilização, Matemática, Física, Química, História Natural, Biologia Geral, Higiene, Psicologia e Lógica, Sociologia, Noções de Economia e Estatística, História da Filosofia e Desenho (art. 4º). A todas as classes se impunha como obrigatórios os exercícios de educação física. Uma consequência imediata da promulgação dessa lei foi a verificação, em todo o Brasil, de um movimento de escolas primárias privadas no sentido de ampliar o atendimento a seus alunos. Elas passaram, então, a criar cursos ginasiais e a solicitar, cada vez mais do Governo Federal, a inspeção de ensino, necessária à equiparação de seus cursos ao ginásio oficial, cujo modelo era o Colégio Pedro II. O requerimento para a criação do curso ginasial na escola deveria ser feito junto ao Ministro da Educação e Saúde Pública, que autorizava, então, o Departamento Nacional do Ensino (DNE) a inspecionar o estabelecimento, verificando se este satisfazia as condições exigidas, tais como dispor de instalações, de edifícios e material didático, que preenchiam os requisitos mínimos prescritos pelo DNE; ter corpo docente inscrito no Registro de Professores; ter regulamento que houvesse sido aprovado, previamente, pelo DNE; e oferecer garantias bastantes de funcionamento normal

pelo período mínimo de dois anos (art. 45). Se as condições fossem aceitas, o DNE expedia, então, uma autorização para que o estabelecimento funcionasse sob o regime de inspeção preliminar, por um prazo não inferior a dois anos, pagando-se, para isso, uma taxa anual mínima de inspeção, no valor de 12$000 (12 mil réis), caso tivesse até 200 alunos matriculados (art. 46). Passados os dois anos – que poderiam ser prorrogados – e sendo observadas e mantidas pelo estabelecimento todas aquelas condições, ser-lhe-ia concedida a equiparação ou inspeção permanente, através de decreto do Governo Federal, mediante proposta do CNE, aprovada por dois terços da totalidade dos seus membros (art. 48). Como se viu no ofício transcrito anteriormente, o Colégio Agrícola São Francisco foi contemplado com a inspeção preliminar em 1932. Em 1º de abril do referido ano foi instalado oficialmente o Colégio Agrícola São Francisco, cujo ato solene teve a presença das autoridades locais, sendo orador oficial o Dr. Joaquim Bento Ferreira Carneiro. Pronunciaram-se ainda o diretor da escola, o Frei Vicente de Licodia, e o Juiz de Direito, Dr. Joaquim Ataíde, presidente da sessão da instalação. Ao final, “os presentes foram servidos de profuso copo de cerveja e lauto jantar”, como narra a notícia publicada no jornal A Estrela Polar, de 24/04/1932. Contudo, somente nove anos depois, em outubro de 1941, através do Decreto nº 8.133, o Colégio viria conseguir a concessão da importante inspeção permanente, que o possibilitaria, a partir de então, a ter seu curso equiparado ao ginasial oficial, podendo expedir certificados de habilitação, válidos para os fins legais, aos alunos nele regularmente matriculados. A partir dessa data adota o nome oficial de Ginásio São Francisco, mantido até dezembro de 1970.

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Espaรงo Memรณria | Ginรกsio Sรฃo Francisco

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Infere-se disso que os dois anos indicados pela lei não foram suficientes para o Colégio se adequar às condições exigidas, talvez por inadequação de seu espaço físico, desqualificação de seu corpo docente, má qualidade do ensino primário etc. Foi necessária muita luta para a escola conseguir a inspeção permanente, ação que envolveu não só toda a comunidade acadêmica, mas também o povo conceicionense, o governo estadual, na figura de seu governador (Olegário Maciel) e políticos da região, notadamente o ex-Ministro da Agricultura, Daniel de Carvalho, natural de Itambé do Mato Dentro. A inspeção do ensino criada pelo governo Vargas introduziu no ambiente escolar a figura do inspetor federal. Cabia a ele visitar frequentemente as escolas inteirando-se de suas atividades escolares, presidindo lições de exposição e demonstração; assistindo, pelo menos uma vez por mês, às aulas de exercícios escolares ou trabalhos práticos dos alunos; acompanhar as realizações das provas semestrais; assistir às provas finais (art. 58); e, ainda, fiscalizar as aulas de Educação Física e de Música; conferir as condições das instalações materiais e didáticas do estabelecimento etc. (art. 57). Como pudemos constatar nos documentados levantados sobre o Ginásio São Francisco, em várias oportunidades consta o nome do inspetor, participando de eventos cívicos e esportivos, inauguração de obras, formaturas, inspecionando as acomodações, materiais didáticos e qualificação dos professores, entre outras tarefas. A título de exemplo, reproduzimos aqui o relatório apresentado por um inspetor, em visita ao Colégio, no ano de 1956: “Acabo de visitar o Ginásio São Francisco, de Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais, percorrendo todas as dependências deste modelar educandário,

internato e externato masculino. Tenho a gratíssima oportunidade de informar que todas elas atendem de maneira plena às exigências da Portaria 501.52. O trabalho educativo é exemplar. A disciplina modelar, isso certamente devido à magnífica orientação impressa pelo Revmo. Sr. Frei Isaías da Piedade, que, com sua dedicação extraordinária e senso exato, executa uma obra digna de ser focalizada como exemplo. Todo o corpo docente é registrado. O secretário possui também o seu registro. O Revmo. Sr. Frei Isaías da Piedade, que ainda não se encontra com sua situação de Professor e Diretor regular, irá fazer a sua inscrição nos exames e cursos de suficiência e requerimento para exercer a função de Diretor. São matriculados no educandário 161 alunos, não se notando ausência de nenhum aluno. Internos são em número de 94. O lema do Estabelecimento é o trinômio religião, instrução e educação, tão bem ventilado no Encontro de Educadores, realizado ultimamente em Belo Horizonte. Fiquei sinceramente bem impressionado com o trabalho educativo que aqui se realiza, apesar do pouco contato com os elementos do Ministério da Educação e Cultura, mas interpretando plenamente as diretrizes por ele traçadas. Está sendo ultimado o primeiro relatório de 1959, obedecendo às determinações da I.S. de Belo Horizonte. Não encontrei falhas no serviço da Secretaria que funciona sob a orientação do professor Jose Leite Vidigal. Não tive casos a solucionar, a não ser a falta de recebimento de uma verba destinada a bolsas de estudo concedidas a alunos pelo Gabinete do Ministério, cujas providências estão sendo tomadas. Parabenizo este educandário, mais uma vez, pela magnífica obra educativa que aqui se realiza sob a sábia e dedicada

orientação de seu Diretor Revmo. Sr. Frei Isaías da Piedade. Conceição do Mato Dentro, 14/ 5/ 1959. Assinado José Monteiro Fonseca - Inspetor Itinerante Frei Isaías da Piedade - Diretor José Leite Vidigal - Secretário” Outra função exercida pelo inspetor era a que se refere especialmente ao acompanhamento da realização dos exames de admissão à 1ª série do ginasial. O exame de admissão foi um instrumento importante para se poder articular o ensino primário ao ensino secundário oficial. Se o aluno não dispusesse de um ensino primário de boa qualidade, a sua progressão nas séries seguintes ficava bastante prejudicada, pois o exame não era muito fácil, e, além do mais, todo seu processo de aplicação era acompanhado de perto pelo inspetor federal indicado. Este podia até, a título de exemplo, desqualificar um candidato, caso percebesse algo de suspeito durante a aplicação do exame. O Decreto 19.890/31 estabeleceu diretrizes para o exame de admissão: Este deveria ser realizado na segunda quinzena de fevereiro; que a inscrição para este exame ocorresse entre 01 a 15 do referido mês, mediante apresentação, pelo candidato, de comprovante de idade, de filiação, de naturalidade, de residência, de vacinação antivariólica e do recibo de recolhimento da taxa de inscrição (art. 18); o candidato teria que ter a idade mínima de 11 anos ou, no caso de educandário de rapazes em regime de internato, 13 anos. (art. 19) O exame seria prestado no próprio estabelecimento de ensino em que o candidato pretendesse estudar e teria acompanhamento

Alunos do Ginásio e os professores (sentados da esquerda para a direita) dr. Antônio Raimundo de Abreu, Oscarino Ferreira Carneiro, João Fernandes Lima, José Leite Vidigal, Frei Agatângelo de Sortino, Raimundo Rocha, José Gomes Abrantes e o disciplinário Albertino Santiago Espaço Memória | Ginásio São Francisco

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de uma banca constituída por dois professores do quadro docente sob a presidência do inspetor do distrito (art.21). O exame constaria de provas escritas, uma de Português (redação e ditado) e outras de Aritmética (cálculo elementar), e de provas orais sobre elementos dessas disciplinas, e mais rudimentos de Geografia, História do Brasil e Ciências Naturais (art. 22). Verifica-se por aí que, ao aluno despreparado, não seria nada fácil passar no exame de admissão. Para ajudar os alunos, o Colégio São Francisco até criou um “Curso de Admissão”, algo parecido aos nossos atuais “cursinhos”, destinado a preparar candidatos ao ensino secundário. O prospecto referente ao Estatuto da escola, para o ano de 1935, já traz a propaganda do Curso de Admissão, cuja finalidade, como ali se lê, é “[...] aperfeiçoar o preparo dos alunos nele matriculados, tornando-os aptos para melhor fazer o curso secundário. Poderão matricular-se neste curso, que é de um só ano, os alunos reprovados em exames de admissão, e aqueles que, embora tenham terminado o curso primário em grupos escolares ou escolas isoladas, ainda não têm o preparo suficiente para, com proveito, ingressar no curso secundário.” Já o ensino secundário é oferecido aos alunos no prospecto do Ginásio São Francisco como um curso preparatório “para a Matrícula nas escolas superiores da República, sendo válidos para todos os efeitos os certificados expedidos.” Outro dado curioso no Estatuto é que o Colégio Agrícola São Francisco é mencionado com a classificação de “bom”, de acordo com lei do ensino vigente, o quarto item assinalado entre as categorias deficiente, sofrível, regular e excelente. Na folha de rosto apresenta a informação de que o estabelecimento encontra-

-se em “inspeção preliminar”, mas com a “inspeção permanente requerida”. Já as informações referentes às condições para se prestar o exame de admissão e proceder à matrícula ao curso secundário repetem, ao pé da letra, o que se lê no Decreto 19.890/31. No final da década de 40, o Ginásio São Francisco teve ainda outro grande favorecimento concedido pelo Governo Federal, e que tinha muito a ver com a sua finalidade de origem, ou seja, prestar um bom ensino na área de agricultura. Esse favorecimento foi possível a partir da conjugação de dois fatores detectados na mentalidade governista daquela época. Primeiramente, a partir de 1937, o Estado Novo tem sua atenção voltada para o meio rural brasileiro, com a criação da Sociedade Brasileira de Educação Rural, que tinha por objetivo expandir o ensino agrícola e preservar a arte e o folclore do povo rural. Em segundo lugar, na década de 1940, principalmente a partir do final da Segunda Grande Guerra, percebe-se uma aproximação muito grande dos Estados Unidos com a América Latina. No caso do Brasil, esta aproximação se concretiza em vários acordos com o Governo Brasileiro. Um desses acordos, celebrado em 20 de outubro de 1945, entre o Governo Brasileiro e a Inter-American Educational Foudation Inc., corporação subordinada ao Governo Norte-Americano, tinha por finalidade a realização de programa de cooperação educacional. Disso resultou a criação, junto ao Ministério da Agricultura, da Comissão Brasileiro-Americana de Educação das Populações Rurais – CBAR. Com apoio financeiro dos americanos, além de professores e técnicos treinados naquele país, passa, então, a atuar na educação do homem do campo, visando ao progresso da agricultura brasileira.

Folha de rosto do Estatuto de 1935 Espaço Memória | Ginásio São Francisco

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Um reflexo dessa política foi o acordo feito entre a CBAR e o Ginásio São Francisco para Treinamento Agrícola de seus alunos. O projeto desse acordo, datado de 1947, portanto já em pleno governo Gaspar Dutra, apresenta as condições dessa parceria: Em primeiro lugar, enumera os problemas detectados no Ginásio: “Os cursos atuais do Ginásio São Francisco são puramente teóricos. O Colégio está situado numa extensa região agrícola, mas, embora uma grande parte dos alunos seja constituída por filhos de lavradores, a escola não proporciona treinamento objetivando auxiliar os alunos a ganharem a vida no ambiente rural. A escola está situada numa fazenda. Embora o solo não seja dos melhores, existem excelentes pastagens e alguns lotes bons para a plantação de hortas e pomares. O abastecimento d’água é excelente, prestando-se tanto à irrigação como para a obtenção de eletricidade. A escola possui um pequeno rebanho de gado leiteiro, alguns animais para trabalho e porcos. A escola funciona sob auspícios dos frades capuchinhos, ordem religiosa que veio da Itália. O diretor é Frei Vicente, que trabalha no Brasil há muitos anos e, por muito tempo, dirigiu a escola à base de ensino agrícola. As circunstâncias são, portanto, favoráveis à reforma desta instituição com a cooperação dos representantes da Igreja, no sentido de transformar a escola em uma escola prática de agricultura, a fim de melhor servir a comunidade”. A seguir traçam-se os objetivos do projeto, que seriam: 1º - auxiliar a restauração de um programa agrícola para todo o corpo de alunos; 2º - estimular a frequência dos cursos regulares pelos filhos dos lavradores;

3º - proporcionar um curso especializado para um número limitado de alunos que não disponham de meios para continuar os estudos. A partir disso, ficaram estabelecidos as seguintes providências, a serem executadas pela CBAR, entre as quais se destacam: a criação de cursos práticos de agricultura; fornecimento de um técnico e um assistente de agricultura prática; compra de equipamentos e de materiais agrícolas; instituição de bolsas de estudos para vinte alunos do curso regular do Ginásio, dando-se preferência aos filhos de lavradores; pagamento de despesas de mais dez alunos, filhos de lavradores, que seriam admitidos no curso prático. Para a execução do projeto junto ao Colégio, a CBAR teria a sua disposição (até 30 de junho de 1948) um fundo de Cr$170.000,00 (cento e setenta mil cruzeiros = US$8.500,00), depositados pelos dois governos. Esses recursos deveriam ser utilizados para cobrir as despesas relativas ao técnico especializado no ensino agrícola, no valor de Cr$1.200,00 por mês, perfazendo um total de Cr$20.400,00 (=US$1.020,00); ao seu assistente, no valor de Cr$800,00 por mês, num total de Cr$13.600,00 (=US$680,00); às bolsas de estudo para 20 alunos, que em três semestres somariam Cr$72.000,00 (=US$3.600,00); às despesas com dez alunos submetidos a curso intensivo, perfazendo Cr$40.000,00 (=US$2.000,00); aos equipamentos utilizados no curso, no valor de Cr$9.000,00 (=US$450,00); aos inseticidas, fungicidas e adubos, num total de Cr$6.000,00 (=US$300,00); aos gastos eventuais, no valor de Cr$9.000,00 (=US$450,00). O curso prático a que se fez referência receberia a denominação de Centro de Treinamento Agrícola, que entrou em funcionamento no mesmo ano de 1947, acomodado em partes do antigo prédio do Ginásio (já demolidas). A primeira turma de “operários” do

Centro formou-se em 22 de fevereiro de 1948, cujos nomes aparecem relacionados em um jornal local: João Crispiniano de Ávila, Antonio Teixeira de Avelar, José de Almeida Vieira, José Morais de Carvalho, Francisco Gonçalves de Carmo e Pedro Morais de Carvalho. A nota diz ainda que, no discurso proferido pelas autoridades presentes, se enalteceu “a dignidade do trabalho e a urgente necessidade do retorno ao campo, condição indispensável à solução de um dos grandes problemas sociais.” Esse discurso está em perfeita sintonia com as pretensões do CBAR e dos governistas à época. Nos anos seguintes, temos as seguintes notícias do Centro de Treinamento Agrícola em pleno funcionamento no Colégio, segundo os relatórios emitidos ao CBAR: Em 1950, o Sr. José Campos, técnico agrícola da CBAR, que por um espaço de dois meses substituiu no Centro de Treinamento o técnico encarregado, elaborou o seguinte parecer sobre os trabalhos realizados neste ano, enviado ao Superintendente do CBAR, cujo teor é o seguinte: “Os trabalhos têm sido eficientes. Os exames demonstram que os alunos aproveitaram bem as práticas agrícolas e outros ensinamentos que lhes foram ministrados pelo técnico encarregado, como trabalhos manuais, aulas de Português e Matemática. A esse Centro de Treinamento, devem, em grande parte, os melhoramentos dos processos de cultivo do solo empregados na região pelos agricultores. Já foram tomadas as providências no sentido de, no próximo ano, serem mais intensificadas as demonstrações práticas de poda, caldagem, seleção de sementes, combate à erosão, enxertia, cuidado com os galinheiros, poleiro, seleção de aves, cuidado com os pintos, escolha de gado

leiteiro, escolha de ovos para incubação, ordenha, suínos, cuidado com os leitões, maternidade, profilaxia etc.” Em 1951 consta terem sido realizados os seguintes trabalhos no Centro: “Sementeira, repicagem, lavra mecânica, destorroamento manual, mecânica, adubação orgânica, capina manual, rega por aspersão, poda verde, transplantio, combate às pragas, colheita, estaquiamento em tomates, fenação, jardinagem, aproveitamento do lixo, amarração do tomate, panificação, lavra manual, montagem de máquina, arrancação de sapê, vacinação de suínos, repacagem, rega por infiltração e por aspersão, avicultura, escarificação, confecção de balaios, plantio de eucalipto, combate a formigas, limpeza de posto, drenagem, fabricação de carvão vegetal, higiene, seleção e vacinação de animais, criação de pintos, galinhas e frangos, criação de abelhas e suas importâncias econômicas, aplicação de cal como corretivo, combate à erosão, feijão, arroz, batata, cana, plantio de árvores frutíferas e jardinagem.” Constaram do curso, neste ano, os seguintes alunos: Adauto de Sousa Amaral, Carlos Perpétuo de Oliveira, José Raimundo de Sousa, Osvaldo Raimundo de Souza, Azis Correia Saldanha, Ramiro Rodrigues Saldanha, Miguel Teixeira de Barros, José Teixeira de Barros, Francisco Ávila de Carvalho, Lauro Ferreira Pinto, Ronald Miranda, José da Silva Roque, Geraldo Moreira Lages, Antônio J. Camargo, Amarílio Pontes, Amauri Alves, Milton Ferreira, Leone Caetano Pinto, Joanito Queiroz, Altino de Matos Santos, Ismar de Oliveira, Jorge L. Cotta, José Lages, Oscarino Marçal, Osvaldo Pereira, José Duarte Ferreira, Geraldo Magela de Carvalho, João Viana Fróis, Plínio Viana Costa, Pedro Autran.

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Foto na página anterior: Juscelino Kubitschek, Frei Agatângelo de Sortino e Frei Cassiano

Frei Jacinto de Palazzolo e Frei Agatângelo de Sortino, nas obras de construção do segundo andar do prédio do Ginásio

Em 1953, os alunos do Centro foram submetidos aos exames finais correntes, tendo sido examinadores o Dr. Olavo Prates, representante da CBAR em Minas Gerais, e o Sr. Adeil José de Resende, técnico agrícola do fomento agrícola federal. Todos os alunos inscritos eram filhos de agricultores e fazendeiros, e eram originários de várias localidades vizinhas à Conceição, como se verifica na relação de matriculados para o referido ano: Justo Geraldo Mendes (de Peçanha), José Augusto Pereira (de São João Evangelista), Nelson Ferreira de Almeida (de São João Evangelista), João Pereira de Almeida (de Congonhas do Norte), João Pereira da Fonseca (de Congonhas do Norte), José Ávila dos Reis (de Congonhas do Norte), Serafim Barreto Saldanha (de Congonhas do Norte), José Evangelista dos Santos(de Conceição), Júlio Primo Morais (de Sabinópolis), Manuel Teixeira dos Santos (de Sabinópolis)

e Alexandre Vieira Brandão (de Congonhas do Norte). O Centro prestava ainda um serviço de extensão aos fazendeiros locais, que eram atendidos em suas propriedades com demonstrações de práticas agrícolas. Nesse ano, de 1953, haviam sido atendidos os seguintes fazendeiros e agricultores: Antônio da Silva Costa, Joaquim Rodrigues, José Pacheco, Geraldo Inácio, José Solva, José Tomé Filho, Nestor Silva, José Pimenta, José Rodrigues, entre outros. Além disso, esses agricultores recebiam gratuitamente as mudas excedentes às necessidades do Curso. Nessa fase que analisamos, o Colégio passaria por substanciais transformações, no que se refere ao seu aspecto físico, tanto de suas dependências quanto de seu extenso entorno natural. A implantação no educandário de novos cursos, além do tradicional primário, como

o curso secundário, o Centro de Treinamento Agrícola e o curso de admissão, sem falar no fomento de atividades extraclasses, como as esportivas, religiosas e culturais, demandou uma multiplicação de espaços que abrigassem, com certa comodidade, toda esta série de atribuições. A primeira referência documental, nesta nova etapa da Escola, refere-se à inauguração de um novo campo de esportes do Colégio, que iria ocorrer no dia 17 de maio de 1942, com uma partida de futebol entre o São Francisco Esporte Clube e um time da cidade, o Independente Futebol Clube. Outra nota, esta datada de 14 de junho de 1942, informa sobre o estágio adiantado das obras da nova construção do Colégio São Francisco. Um prédio em alvenaria e pedra, ao lado do antigo estabelecimento, em estilo moderno e “de acordo com as exigências da

moderna pedagogia”, medindo 31 metros de frente e 26 de fundo. Já em 29 de novembro do mesmo ano, um jornal local traz uma nota informando sobre a inauguração de uma parte do novo prédio onde funcionaria o Ginásio São Francisco, que aconteceria no dia 30 de novembro. Segundo o seu Diretor, Frei Vicente de Licodia, os retratos do Presidente da Républica, Getúlio Vargas, do Governador do Estado, Olegário Maciel Dias, e do Ministro da Educação, Gustavo Capanema, seriam inaugurados no salão nobre do novo estabelecimento. A bênção solene do prédio estava prevista para acontecer no dia 15 de março do ano seguinte, pelo Arcebispo de Diamantina, D. Serafim Gomes Jardim. Os anúncios do Colégio São Francisco, veiculados nos jornais de Conceição a partir de 1943, já exibiam a foto do novo prédio do educandário.

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Em 1954, Frei Agatângelo de Sortino, diretor da Escola, depois de seu regresso das férias na Itália, revela para um jornal local que uma de suas prioridades para o Colégio é a construção de um novo prédio, visto que os existentes eram pequenos e separados. Num só conjunto, colocaria as salas destinadas às aulas, refeitório, dormitório, capela e demais dependências. A planta encaminhada ao Ministério da Educação para exame e aprovação prometia uma notável realização à altura do prestígio de que desfrutava o estabelecimento. A construção deveria iniciar-se dentro de pouco tempo, mesmo porque Frei Agatângelo já havia entrado em entendimento com firmas construtoras, devidamente autorizadas pelos Superiores da Ordem a que pertencia. Em 05 de maio de 1955 é inaugurado um novo campo de futebol do Clube Atlético São Francisco (CASF), o “Stadium Frei Agatângelo”, como saiu noticiado à época. Era um campo medindo 105m por 69m, tido como um dos melhores da região. Na sua construção, tomou-se o cuidado de escolher um local nas proximidades do Ginásio e em posição mais favorável ao acesso da assistência, pois o velho campo se encontrava muito afastado da cidade e relativamente longe do Ginásio, tornando-se quase impraticável para realização de partidas com quadros externos. A inauguração contou com várias solenidades, incluindo missa inaugural, lanche oferecido às madrinhas dos times, aos ex-alunos componentes da “Embaixada José Aparecido”, bênção inaugural e uma partida de futebol entre o CASF e um time de ex-alunos. Uma curta nota trazida em um jornal local, datado de outubro de 1955, informa-nos que a construção do novo prédio do Ginásio São Francisco já havia sido iniciada. O Jornal Santuário do Bom Jesus, de agosto de 1956, apresenta uma lista de colaboradores com suas respectivas contribuições para a construção do novo Ginásio: “Dr. João Costa Chiabi, de Belo Horizonte – Cr$5.000,00; D. Inhá Pimen-

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ta, de Salto da Divisa – Cr$ 5.000,00; D. Alice de Carvalho, do Rio – Cr$1.600,00; Sr. Bento Silva, de Vitória – Cr$1.000,00”. No dia 09 de dezembro de 1956, ocorre a solene inauguração do novo prédio do Ginásio, de 1.600 m2, com amplos dormitórios, malarias, rouparias, refeitórios, cozinhas, sala de festa e outras salas, “tudo feito com os cânones da técnica moderna”. Também foi benta a nova capela pelo Arcebispo Metropolitano de Diamantina, D. José Newton de Almeida Batista. O anúncio diz ainda que “Os conceicionenses podem agora orgulhar-se de possuir o melhor internato da zona do nordeste mineiro, pois aquele educandário, juntamente com o conforto material de instalações modernas, oferece um seleto corpo docente e diretores de disciplina religiosos, pertencentes à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.” Nessa mesma data, ocorreu a formatura dos 31 alunos que concluíram o curso ginasial no ano de 1956. No entanto, apesar da inauguração oficial, os trabalhos de construção e reforma do Ginásio São Francisco continuaram durante as férias de janeiro e fevereiro do ano seguinte. Quase todas as salas do educandário sofreram grandes reformas. Na parte nova, foi cimentado o grande pátio interno, facilitando, assim, a limpeza e o asseio das grandes e numerosas instalações. Encontravam-se em fase de acabamento os dois terraços em frente e em torno da capela nova. Para a escola haviam chegado 30 bancos destinados à capela e 100 armários para as rouparias; foram ainda adquiridas cerca de 200 cadeiras para o salão de festas, onde foi instalada uma pequena tribuna para os alunos. As duas praças em torno do prédio novo estavam sendo trabalhadas por um trator. A estrada que leva à cidade estava sendo consertada, danificada que foi pelas copiosas chuvas de dezembro e janeiro. Segundo a direção da escola, todos esses melhoramentos eram para permitir aos alunos

do Ginásio São Francisco, naquele mesmo ano, experimentarem os confortos que lhes eram oferecidos por aquele tradicional estabelecimento de Ensino Secundário. No dia 08 de fevereiro de 1957, foi celebrada a primeira missa, na capela nova, pelo Padre Frei Agatângelo de Sortino. No final de 1957, a estrada que liga a cidade ao Ginásio S. Francisco, achava-se em fase de acabamento. Foi ampliada e endireitada, ficando sensivelmente melhor. Ao longo dela foram plantadas, de ambos os lados, árvores, com a expectativa de que, dentro de alguns anos, quando crescidas, a estrada viesse a se tornar o passeio preferido dos conceicionenses e – quiçá – o recanto mais pitoresco da cidade. O serviço da estrada, que havia começado no princípio do ano, estava quase concluído, prolongando-se por muito tempo, por causa do comprimento da estrada – cerca de um quilômetro. O trecho final, da ponte ao prédio, em breve deveria ser calçado. A documentação coligida nos permite também registrar as atividades extraclasses desenvolvidas pelo Ginásio nessa etapa. São eventos cívicos, religiosos e esportivos que não se limitam tão somente ao educandário propriamente dito, tendo um envolvimento muito grande e dinâmico com toda a sociedade conceicionense. Em primeiro lugar, devemos listar as comemorações cívicas, como os dias dedicados ao Trabalho, à Pátria, a Tiradentes, à Criança, ao Professor etc., que não passavam em branco na escola. Nesse aspecto é importante ressaltar aqui o papel do Grêmio Literário Padre Anchieta, que teve um papel preponderante na realização desses eventos. Não se conseguiu detectar, através da documentação pesquisada, quando o Grêmio foi fundado. No entanto, a mais remota citação a ele referente é do ano de 1944, quando é realizada uma solenidade para comemorar o “Dia de Caxias”, em 25 de agosto.


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Dessa data em diante, arrolamos diversas citações referentes ao Grêmio Literário Padre Anchieta, não só descrevendo as suas sessões mensais e aquelas especiais, comemorativas às datas cívicas acima descritas, mas também as realizações de festivais de teatro e exibição de filmes. Os festivais ocorreram, inicialmente, no palco da Escola Normal São Joaquim e, depois, passaram a ser realizados no Cine Paroquial, onde eram também exibidos os filmes. Em uma nota veiculada em um jornal local, de 30/11/1951, temos um exemplo de um desses concorridos festivais, em que se levou em cena o drama “O Cavaleiro do Amor”, cujos personagens estavam assim distribuídos: “S. Francisco – Angelo Guastaferro; Pedro Bernadone – Gaspar Câmara; Frederico – José Rabelo; Agnello di Todi – João Bosco de Carvalho; Vitorino Olivi – Bruno Guerra; Leonel de Foligno – Oscarlino Marçal; Empregado – Antonio J. Camargo”; e a comédia “Nove e três... minutos”, que teve como “figura cômica principal Antonio J. Camargos, que provocou torrentes de gargalhadas”. Diz ainda a nota que “Tal foi a afluência, que a bilheteria esgotou a vendagem de ingressos, fato jamais acontecido nesta cidade. A renda desse festival se destinou ao Natal dos Pobres.” Frei Vicente de Licodia

O Grêmio mantinha uma boa biblioteca, destinada não só aos alunos do Colégio, mas aberta ao público em geral que, para ter acesso a ela, devia contribuir com uma “módica” mensalidade. Também recorrente nas fontes pesquisadas são os registros de posse das diretorias do Grêmio. Nesses registros pode-se verificar que, geralmente, os cargos de presidente e diretor da entidade eram ocupados por um professor ou membro da direção do Ginásio, sendo as outras funções preenchidas pelos alunos. A seguir, citamos algumas dessas mesas diretivas do Grêmio, colhidas em jornais da cidade: • Ano de 1950: Presidente – Frei Isaías da Piedade; Diretor – Dr. Raimundo A. de Abreu; Secretário – Emide de Sales Pereira; 1º Orador – Odilon Pereira de Souza; 2º Orador – José Boanerges Inácio; Bibliotecário – José Rabello Filho; Tesoureiro – Lanino E. Sofonoff. • Ano de 1951: Presidente – Prof. João F. Lima; Secre-

Desfiles dos alunos do Ginásio São Francisco no 7 de setembro, coordenados pelo sr. José Pimenta, professor de Educação Física Espaço Memória | Ginásio São Francisco

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tário – Sebastião Brochado; 1º Orador – José Rabelo Filho; 2º Orador – Gaspar de M. Câmara; Bibliotecário – João Bosco de Carvalho; Tesoureiro – Gabriel Eneias Solonoff. • Ano de 1953: Presidente – Prof. Aristides de Sousa Maia; 1º Orador – Pedro Autran; 2º Orador – Euler M. Brina; Secretário – Ildeu Procópio; Bibliotecário – João Viana Fróis. • Ano de 1954: Presidente: Prof. José Leite Vidigal; 1º Orador: Wande Lage Magalhães; 2º Orador: José Teixeira; 3º Orador: José Duarte Ferreira: Secretário: Ildeu Procópio de Alvarenga: Bibliotecário: João Viana Fróis. • Ano de 1956: Presidente – Frei Isaías da Piedade; 1º orador – Adamir Gonçalves Chaves; 2º Orador – Romeu Pereira de Souza; Secretário – Ildeu Silveira e Silva. • Ano de 1957: Presidente- Frei Isaías da Piedade; Vice-presidente – Mário Daniel Novelli; Secretário – Marcelo Dias de Abreu; 1º Orador – Estevão Salvador Brina; 2º Orador – Natalino Lamaro. • Ano de 1958: Presidente: Prof. José Leite Vidigal; Vice-Presidente: Prof. José Vieira; Secretário: Tarcísio Carvalhais; 1º Orador: Djalma Araujo Soares; 2º Orador: Alberto Alves Vieira. A ocorrência de eventos esportivos é muito ampla nesta 2ª fase do Ginásio. Como já assinalado antes, no período que vai de 1942 a 1955, conforme registra a documentação pesquisada, são inauguradas quadras e campo de futebol. O Ginásio mantinha um time oficial de futebol de campo, o Esporte Clube São Francisco (ECSF), que em 1953, após deliberação da diretoria em vigência, passou a se denominar Clube Atlético São Francisco (CASF). O jogo – ou “clássico”, como os jornais locais da época costumavam chamar – entre os times do Colégio e o da Cidade (Conceição Esporte Clube), era um dos mais concorridos, atraindo, geralmente nas tardes de domingo, um grande número de espectadores. Realizava-se também, todos os anos, um concorrido campeonato “interséries”, sendo muita disputada


a partida que envolvia os alunos do internato versus alunos do externato. Uma dessas partidas, realizada em 1953, por exemplo, bastante noticiada nos jornais locais, terminou com o placar de 4 a 3 a favor dos Externos. As equipes estavam assim escaladas: Internos: Djalma, Plínio e Gaspar; Maninho (Waldemir), Gonçalves e Wande. Jean (Wanderley), Deud, Seraphin, Carlos e Lúcio Neves. EXTERNOS: Gatinho, Ivan (Sinuca) e Jairo; José Wilson, Anthero e Ricardinho; Toca, Olavo, Wilson, Nestor e Lívio. O árbitro do jogo foi o Dr. Osmar Rajão. Outros esportes praticados no Ginásio eram o vôlei e o basquete e, além deles, praticava-se a ginástica rítmica. Uma das tradições mantidas no Ginásio era a presença das equipes de vôlei, basquete e futebol nas excursões promovidas nas cidades vizinhas, em cuja ocasião se realizavam jogos de confraternização entre os times do Colégio São Francisco e os times dos educandários existentes naquelas cidades. Também o time oficial de futebol participava dessas excursões, travando forças com o time oficial da cidade visitada. Aos eventos religiosos registrados nesta fase, como não poderia deixar de ser, dada a natureza religiosa que envolvia a direção da escola, eram levados muito a sério. Nos jornais e documentos pesquisados, pudemos assinalar várias solenidades de cunho religioso sendo realizadas no e pelo Colégio. Devemos destacar, inicialmente, que quase todos os acontecimentos importantes realizados no educandário eram precedidos por orações ou missas. Assim ocorria, por exemplo, no início do ano letivo e ao final dele, no dia da formatura, quando se realizava uma missa matinal, celebrada ou na capela do Ginásio ou na igreja do Santuário do Bom Jesus ou ainda na Matriz de Nossa Senhora da Conceição. O curioso é que, nessa ocasião, sempre depois da missa, ocorria uma visita dos formandos e demais convidados ao túmulo de Frei Vicente de Licodia, o fundador do Colégio. Essa tradição, inaugurada em 1947, ano da morte de Frei Vicente, mantevese desde então. Os alunos também participavam intensamente da Semana Santa e de todas as outras datas religiosas cristãs, especialmente aquela dedicada ao dia de São Francisco de Assis, 04 de outubro, patrono do Colégio. Nessa data, os alunos realizavam, na véspera, um retiro espiritual, cujo pregador era um padre de fora, especialmente convidado para a ocasião. Um evento religioso que marcou a vida do Ginásio está

especialmente relacionado à última visita que Frei Vicente fez ao Ginásio antes de seu falecimento, ocorrido em 13 de junho de 1947. Frei Agatângelo, diretor do Colégio, assim descreve este dia, em um artigo publicado em jornal local, do ano de 1979: “A última visita de Fr. Vicente a São Francisco foi há 32 anos, como hoje, num dia 30 de maio. Frei Vicente foi pela última vez a seu Ginásio, hoje Colégio S. Francisco. Havia alguns dias que ele não aparecia para levar a correspondência, descansar um pouco, tomar seu cafezinho, perguntar pelo andamento geral. Dizia que não andava bem de saúde. Queríamos fazer um encerramento solene do mês de maio, o primeiro na minha gestão e que seria o último do fundador. Armamos um altar no campo de voleibol, entre duas fileiras de grandes eucaliptos. Amarramos bandeirinhas entre as árvores, desenhamos, com serragem e areia branca, um gigantesco “Viva Maria”. Um pouco antes de começar a solenidade, chegou em sua charrete o Fr. Vicente, bastante abatido, tossindo, e usando mais do que de costume o remédio que levava consigo num aspirador de borracha. Acompanhava-o o Fiscal Federal do Ginásio, Francisco Armando da Fonseca Pessoa. Pelas 4 horas da tarde, demos início à procissão, saindo do prédio velho, que não existe mais, ladeamos a “galeria” em frente ao refeitório e rumamos para o campo entre cantos populares. Participavam do encerramento do mês de Maria os alunos do Grupo Escolar “Daniel de Carvalho”, com as meninas da Cruzada Eucarística Paroquial de D. Anísia de Oliveira. O prof. José Leite Vidigal era, na ocasião, o fotógrafo oficial, que fixou em fotografias o grande acontecimento. Foram na frente os alunos do Grupo, seguidos pelos ginasianos internos, acompanhados pelo disciplinário Frei Isaías da Piedade, os regentes Gabriel Mendes e o prof. Ítalo Bossi. Chegando ao altar, foi feita a coroação pelas meninas Ione Vidigal e Ângela de Matos. Naquele momento, a fotografia mostrava o Fr. Vicente com a mão direita apoiada no altar, e mão esquerda por cima do cordão e com o polegar dentro da “paternidade’, o que é uma maneira de descansar a mão. Observando-o bem, dava a impressão de que lhe estava faltando o ar, já que sofria de asma. Não falou, mas, terminada a cerimônia, pediu para sair antes de todos, para não apanhar a poeira levantada por quem se dirigisse à cidade. Já o sol se punha atrás

Procissão dos Homens, no Jubileu do Bom Jesus. Ao centro Frei Afonso

Frei Isaías da Piedade e Frei Sisto de Cassiro, ao lado do busto de Frei Vicente, por ocasião do Cinquentenário do Ginásio São Francisco

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das montanhas, compondo um ambiente bucólico, mas um tanto melancólico.” Deve-se ainda mencionar que funcionou no Colégio a Congregação Mariana, agregando alunos, professores e os frades capuchinhos, responsáveis pelo educandário. A Congregação possuía uma diretoria, eleita a cada ano letivo.

Convite da formatura de 1949

Muito disputadas e de grande prestígio para a cidade de Conceição foram as solenidades de formaturas do Ginásio, cuja realização abrangia todo o dia marcado para o evento. Iniciava-se, como se disse, com uma missa matinal, celebrada ou na capela da escola, ou na igreja do Santuário ou ainda na igreja da Matriz e mesmo na igreja do Rosário (como em 1953); depois ocorria a tradicional visita ao túmulo de Frei Vicente, fundador e diretor da Escola até o ano de sua morte, ocorrida em 1947. Na parte da noite ocorria, então, a entrega dos diplomas aos formandos. Antes da reforma do Colégio, essa solenidade era realizada no auditório da Escola Normal São Joaquim, porém, a partir da década de 1950, passou a ser no Cine Paroquial. Foi a partir de quando começou a acontecer, depois da solenidade oficial, um concorrido baile no Éden Clube. A seguir, uma lista dos alunos que se formaram no curso secundário, entre os anos de 1941 a 1956: Ano de 1941: Caio Baía Viana, Djalma Andrade Carneiro, Gil Moreira Ferreira, Guilhobel Sales, José Pedro da Silva, Milton Moreira Ferreira, Orlando de Almeida Rajão, Raimundo de Paula Ferreira, Randolfo de Sales, Terezinho Vieira de Souza, Valler de Souza Ribeiro e Valter Rocha Tanure. Nesse ano, as matrículas somaram 103 alunos, assim distribuídos: 12 na 5ª série; 15 na 4ª série; 15 na 3ª série; 24 na 2ª série; 35 na 1ª série e dois no curso de admissão. Ano de 1943: Antonio Carneiro Chiabi,

Quadro de formatura dos alunos de 1941

Antonio Duarte Sobrinho, Antonio Pires Carneiro, Francisco Tomaz Pessoa, Geraldo Aníbal Neves, Ildeu Esteves Guedes, Ítalo Siqueira Bossi, Joaquim Rômulo Generoso Guimarães, José Joaquim de Souza, Mário Esteves Guedes, Sidnei Soares Machado e Wilton José dos Santos Ferreira. Ano de 1944: Antonio J. Prates Santos, Antonio Pires da Silva, Antonio Rosa Lima, Bento Silva Costa, Expedido Caetano Leão, Francisco Ribeiro, Humberto José de Almeida Costa, José Almeida Filho, José de Almeida e Silva Júnior, José Soares Ferreira, Luiz da Silva Santiago, Osmar de Almeida Rajão e Valter dos Santos Ferreira. Nesse ano, encontravam-se matriculados 114 alunos. Ano de 1947: Carlos Henrique S. Carneiro, Cid Jorge, Aníbal Simões, Melio de Almeida Cirino, José Costa A. Lages, José Tales Carneiro, Miguel Vasconcelos Safe, Raimundo da S. Roque. Ano de 1951: Bacharelandos: Altino de Matos Santos, Antonio Geraldo da Silva Filho, Gabriel Eneas Sofonoff, Hércio Luciano Costa, Ismar de Oliveira, Jacyr F. Lazzarini, João Roberto Neves, José Coelho de A. Lages, José Costa Pinto, José Maria P. de Carvalho, José Guido Inácio Rosa, José Rabelo Filho, Oscarlindo Marçal, Perilo Vicente Mandacaru, Sebastião de A. Brochado e Vasconcelos Victor Vittarelli. Ano de 1952: Antônio João de Almeida Camargo, Bernardo Lúcio de Oliveira, Bruno Costa Guerra, Cid Nelson S. Silveira, Fábio Martins, João Bosco de Carvalho, José Fabiano Coelho, José Gonçalves Madureira, José Guerra Lages, José Wilson V. S. Bárbara, Lourenço Pinto de Oliveira, Nacif Miguel Tanure, Otacílio de M. Andrade, Plínio Pereira Gomes e Vicente Amaral. Ano de 1953: Amarílio Peregrino Pontes, Amauri da Silva Alves, Antonio da Silva Brito, Dácio Madureira de Pádua, Djalma de Paiva


Martins, Domingos Drumont Torres, Edmundo Gama Lorentz, Elimar Roesberg Mendes, Estelino Eneas Sofonoff, Euler Martini Brina, Fabiano Costa Leal, Gaspar de Moura Câmara, João Marciano da Silveira, Jorge Horta, José Antero de Barros, Lione Caetano Pinto, Mauro Abrantes Quintão, Olavo Firmiano Ferreira Neto, Pedro Autran da Mata Albuquerque, Plínio Viana Costa, Wanderley Lélis França, Wilson Andrade Carneiro. Ano de 1954: Adilson Ferreira Moreira, Antonio José da Silva, Bento Silva Júnior, Carlos Gomes Batista, Deophanes de Araújo Soares, Esdras da Silveira e Silva, Edson Vieira, Heine Utsch Carvalho, Hilton Portilho de Matos, João Viana Fróis, José Argeu Pinto Ferreira, José Duarte Ferreira, José Pascoal Guimarães, Lívio Viana Costa, Macário Domingos Maia, Manuel Drumond Barcelos, Otacílio de Almeida Rajão, Paulo Luiz Silva, Ricardino Belizário Leão e Teófilo Celso da Silva. Não concluiu o curso o aluno Ildeu Procópio de Alvarenga, que se viu forçado a interromper os estudos, vitimado por um trágico acidente (não informado qual), ocorrido no mês de agosto, em Conceição. Ano de 1956: Adamir Gonçalves Chaves, Aluísio Andrade Carneiro, Antonio Aluísio Gonçalves, Antonio Ferreira da Silva Sobrinho, Antonio Henrique de Freitas Sá, Bossuet Galvão Guimarães Santos, Djalma Bento de Godoy, Eriksen Madsen, Francisco Adolfo Araújo Soares, Geraldo Ferreira Lazzarini, Getúlio Guedes de Araújo, Ildeu da Silveira e Silva, Isaac de Oliveira Brandão, Jair Lélis França, João Paulo de Barros e Silva, João Moreira Filho, João Efigênio de Lima, Joaquim Tomás Filho, José Felicíssimo Quintão, José Jesus de Souza, José Maria Soares, José Virgílio Gonçalves, Manuel Pessoa Neto, Manuel Osório Santos Guimarães, Marcos Miguel Tanure, Newton Teixeira Filho, Paulo Costa Lages, Raimundo Moreira Reis, Romeu Pereira de Sousa, Salvador Furtado Leite e Sebastião Soares de Lima.

Um marco importante da escola era a distribuição de prêmios “Honra ao Mérito”, cuja finalidade era estimular os alunos ao bom procedimento dentro e fora do estabelecimento. Como se mencionou anteriormente, esta premiação foi introduzida pelo próprio Frei Vicente, em 1920, e mantido por muitos anos no Colégio. O prêmio procurava distinguir os alunos com as melhores notas 10 simples e 10 com louvor, em cada uma das séries, durante os meses letivos, e referia-se tanto à parte disciplinária (procedimento) quanto à aplicação/aproveitamento do aluno nas matérias. Como forma de reconhecimento público, os nomes dos alunos com destaque eram divulgados nos jornais da cidade, dos quais Formandos da turma de 1957. Ao centro (sentados), Frei Isaías da Piedade e o professor Antônio Magno Ferreira Evangelista retiramos as listas apresentadas a 2ª série – Procedimento: José Carlindo S. 2º lugar – Silvio A. Matias; 1ª Série: Procediseguir, referentes a alguns anos que compreFerreira; Aplicação: Antonio Batista Silva; mento: 1º lugar – Romeu Pereira da Conceiendem a fase ora contemplada: Religião: Antonio Abreu Filho. 1ª série – ção; 2º lugar – Antonio Mateus; Aplicação: 1º Ano de 1941: 5ª série – Procedimento: Procedimento: Antonio Viana de Matos; lugar – Romeu Pereira da Conceição; 2º lugar – Guilhobel Sales; Aplicação: Raimundo de Aplicação: Godofredo C. A. Filho; Religião: 1º José Batista F. Filho; Religião: 1º lugar – Romeu Paula Ferreira; 4ª série – Procedimento: Edson prêmio: Silvio A. Matias; 2º prêmio: Afonso P. Conceição. dos Santos Ferreira; Aplicação: Enio Cardoso Correia Ribeiro. O discurso de encerramento Ano de 1948: No mês de março foram Viana; 3ª série – Procedimento e Aplicação: coube ao fiscal Francisco Armando da Fonseca classificados em 2º lugar os seguintes alunos: Enio Cardoso Viana; 2ª série: Procedimento: Pessoa. 4ª série: Aroldo Climaco de Figueiredo; GeWilton José dos S. Ferreira; Aplicação: Joaquim Ano de 1944: 4ª série, Procedimento: 1º raldo S. Pio; José Bento de Aguiar; José Maria Generoso; 1ª série: Procedimento: Valter dos lugar – José Almeida Filho; 2º lugar – Valter S. Bicalho; José Machado Soares; Silvia A CarneiSantos Ferreira; Aplicação: Antonio Rosa Lima. Ferreira; Aplicação: 1º lugar – Valter dos S. Ferro – 2ª série: Lanino E. Safonoff; José Pereira Neste ano, além do prêmio dado pelo Ginásio, reira; 2º lugar – José de Almeida e Silva Júnior; Silveira; José Hilton Melo – 1ª série: Altino de houve o prêmio concedido pela Prefeitura Religião: 1º lugar – Valter S. Ferreira Júnior. 3ª Matos Santos e Vasconcelos V. Vitarelli. Municipal aos alunos por ela subvencionados: série, Procedimento: 1º lugar – José Carlindo No mês de abril: 1º Lugar – 10 com lou5ª série – 1º Prêmio: José Pedro da Silva; 1ª dos S. Ferreira; 2º lugar – Hélio Bastos; Aplicavor: Geraldo S. Pio – 4ª série; Domingos P. série – 2º Prêmio: Luiz da Silva Santiago; 4ª ção: 1º lugar – Antonio Batista Silva; 2º lugar de Almeida – 3ª série; Lanino E. Sofonoff e série – 3º Prêmio: Raimundo Benedito da Silva. – Agenor Moreira; Religião: 1º lugar – Antonio José Rabelo Filho – 1ª série. 2º Lugar com 10: Ano de 1943: 3ª série – Procedimento: Abreu Filho. 2ª série – Procedimento: 1º lugar Aroldo C. de Figueiredo, Dalvio Teixeira, José José Almeida Filho; Aplicação: Valter dos – Silvio Alves Matias; 2º lugar – Antonio V. MaMachado – 4ª série; José Hirton Melo, Odilon S. Ferreira; Religião: Valter dos S. Ferreira. tos; Aplicação: 1º lugar – Jurandir Gonçalves; Pereira de Souza, Lúcio Meira – 2ª série; Euler


O. Fernandes, Ismar de Oliveira, Jorge L. Cota e Vasconcelos V. Vitarelli – 1ª série. Ano de 1950: mérito no mês de abril: Nota 10, em Procedimento: 1º lugar – José Rabello Filho (3ª série) e José Gonçalves Madureira (2ª); 2º lugar – Antônio Júlio Magalhães (4ª); José Mário Machado (4ª) e José Newton dos Santos Ferreira (4ª). No mês de maio: Nota 10 com louvor – Procedimento: 1º lugar – José Rabelo Filho (3ª série), Gaspar de M. Câmara (1ª); 2º lugar – Alberto C. Brant (4ª); José Newton Ferreira (4ª); José Soares Machado (3ª); João Bosco de Carvalho (2ª); Luciano Campos Coelho (2ª); Carlos Alberto Vaz (1ª); Joaquim Rodrigues Jorge (1ª) e Joanito P. Queiroz (1ª). Ano de 1951: no mês de abril – Nota 10 com louvor em Procedimento – 4ª série – José Rabelo Filho e João Roberto Neves; 3ª série – Lourenço Pito; 1ª série – Lauro Aguiar França; Eduardo Buccini; Geraldo Brandão; Raimundo Brandão e José Duarte. Nota 10: 4ª série – Gabriel E. Sofonoff; 3ª série – Joaquim Batista; 2ª série – Djalma Paiva Martins, Gaspar de M. Câmara, Leone C. Pinto, Idelon Martins, Almir Sousa, Enir D. Guerra, João Viana Fróis, José Alencar Bessa, José Procópio, Manuel Barcelos S. Rui e Sebastião Silveira. No mês de maio: 10 com louvor em Procedimento – José Rabelo Filho (4ª série), João Roberto Neves (4ª), Lourenço Pinto de Oliveira (3ª), Lauro Aguiar França (1ª), Eduardo José Buccini (1ª) Geraldo de O. Brandão (1ª), Raimundo de O. Brandão (1ª) e José Duarte Ferreira (1ª). Final do ano letivo: Prêmios: Procedimento – 4ª série – José Rabelo Filho; 1ª série – Lauro Aguiar França, Geraldo de Oliveira Brandão, Raimundo de Oliveira Brandão; Religião – 4ª série – José Rabelo Filho; 3ª série – Otacílio de M. Andrade; 2ª série – Gaspar de M. Câmara e Djalma P. Martins; 1ª Série, turma A – Mário

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Teixeira e Esdras Silveira; turma B – Eduardo José Buccini; Aproveitamento – 4ª série – 1º Lugar – José Rabelo Filho; 2º lugar – José Guido Inácio e João Roberto Neves; 3ª série – 1º lugar – José Cícero Machado; 2º lugar – Lourenço Pinto; 2ª série – 1º lugar – João Marciano da Silveira; 2º lugar – Gaspar de Mora Câmara; 1ª série – turma A – 1º lugar – José Pascoal; 2º lugar – Idelond Martins e Fábio Silva; turma B – 1º lugar – Eduardo José Buccini; 2º lugar – José Duarte de Oliveira. Ano de 1952: mês de março: Nota 10 com louvor em Procedimento: Lourenço Pinto, 4ª série; Leone C. Pinto, 3ª série; Geraldo Brandão, 2ª série; Raimundo Brandão, 1ª série. Nota 10 em Procedimento: 4ª série: João Bosco de Carvalho, José G. Madureira, Plínio Gomes Pereira; 3ª série: Antonio S. Brito, Djalma Paiva Martins, Edmundo Gama Lorentz, Fabiano Leal, Gaspar M. Câmara, Heine Carvalho, Hiarbas Olavo, José Argeu, Marcelo Senra e Jorge Horta; 2ª série: Almir de Souza, Carlos G. Batista, João V. Fróis, José Duarte, José Pascoal Guimarães, Lauro A. França, Macário D. Maia e Manoel Barcelos; 1ª série: Turma A: Joaquim Duarte, José Geraldo, José Procópio, José Teixeira, Juventino Silveira, Sebastião Alvarenga e Vande Magalhães; turma B: Deúd David, Joaquim Salvador e Isaac Brandão. Religião: 4ª série: 1º Lugar: José Fabiano Coelho; 2º Lugar: Antonio Camargo, Lourenço Pinto e Otacílio Matos Andrade; 3ª série: 1º Lugar: Antonio de S. Brito e João Marciano da Silveira; 2º lugar: Leone C. Pinto; 2ª série: 1º lugar: ninguém alcançou a nota 10; 2º lugar: Fábio Silva, Ildeu Procópio, João V. Fróis e José Duarte; 1ª série: turma A, 1º lugar: José Teixeira; 2º lugar: Carlos Alberto da Silva, Ercílio Martini Brina, José Geraldo, Juventino Pereira, Lecir Campos e Vande Magalhães; turma B: 1º lugar: Ninguém alcançou a nota 10; 2º lugar: Bento José do Carmo, Darci Andrade e Francisco I. Garrocho. Aproveitamento – 4ª série: 1º lugar: Lourenço Pinto; 2º lugar: José Fabiano; 3º lugar: Antonio Camargo; 3ª série: 1º lugar: João


Marciano; 2º lugar: Gaspar Câmara, Pedro Autran; 3º lugar: Leone C. Pinto; 2ª série: 1º lugar: Ricardinho B. Leão; 2º lugar: Antonio Silva Neto; 3º lugar: Bento Silva Junior e José Duarte; 1ª série: Turma A: 1º lugar: Vande Magalhães; 2º lugar: Lúcio Antonio Neves; 3º lugar: Geraldo Carvalho; turma B: 1º lugar: Bento José do Carmo; 2º lugar: Alvimar Carvalho; 3º lugar: Darci Matos Andrade. No mês de setembro: 10 com louvor em Procedimento – Leone Caetano Pinto, da 3ª série, e Joaquim Salvador Tomás, da 1ª série; nota 10 em Procedimento – 4ª série – Antonio João Camargo e Lourenço Pinto de Oliveira; 3ª série – Estelino Enéas Sofonoff, Gaspar de Moura Câmara e Joanito P. Queiroz; 2ª Série – João Viana Fróis, José Alencar Bessa e Raimundo Oliveira Brandão; 1ª série – turma A – Almerindo de Cássia Dayrell e Lúcio Flávio Gomes; turma B – Deúd Mamed David e Isaac de Oliveira Brandão. Religião – 4ª série – 1º lugar – Lourenço Pinto de Oliveira, Bernardo Lúcio Coelho e José Fabiano Coelho; 2º lugar – Antonio João Camargo, Otacílio de Matos Andrade, Vicente Amaral e Cid Nelson; 3ª série – 1º lugar – João Marciano da Silveira, Marcelo Senra e Pedro Autran; 2º lugar – Leone Caetano Pinto; 2ª Série – 1º lugar – Ricardino Belisário Leão; 2º lugar – Ildeu Procópio de Alvarenga e José Pascoal de Guimarães; 1ª série – turma A – 1º lugar – José Teixeira e Vande Lage Magalhães; 2º lugar – Almerindo de Cássia Dayrell; turma B – 1º lugar – Bento José do Carmo, Darci de Matos Andrade e Joaquim Salvador Tomás; 2º lugar – Alberto Alexandre, Alvimar Carvalho e Francisco Garrocho; Aproveitamento – 4ª série – 1º lugar – Lourenço Pinto de Oliveira; 2º lugar – José Fabiano Coelho; 3º lugar – Otacílio de M. Andrade; 3ª série – 1º lugar – João Marciano; 2º lugar – Gaspar de Moura Câmara e Leone C. Pinto; 3º lugar – Pedro Autran; 2ª série – 1º lugar – João Viana Fróis; 2º lugar – Ricardino Belisário Leão; 3ª série – Ildeu Procópio; 1ª série – turma A – 1º lugar – Vande Lage Magalhães; 2º lugar – José Teixeira; 3º lugar – Lúcio Antônio Neves; turma B – 1º lugar – Bento José do Carmo; 2º lugar – Joaquim Salvador Tomás; 3º lugar – João Efigênio Dias.

No mês de outubro: 1º lugar em Procedimento – Lourenço Pinto (4ª série); Leone Caetano Pinto (3ª); Geraldo O. Brandão (2ª) e Joaquim Salvador (1ª B); Religião – José Fabiano (4ª); João Marciano (3ª); João Viana Fróis (2ª); José Teixeira (1ª A) e Joaquim Salvador (1ª B); Aproveitamento – Lourenço Pinto (4ª); João Marciano (3ª); João Viana Fróis (2ª); Vande Lage Magalhães (1ª A) e Bento José do Carmo (1ª B). Ano de 1953: Procedimento – 1º lugar: Lione Caetano Pinto – 4ª série; 2º Lugar – Teófilo Celso da Silva – 3ª série; Religião – 1º lugar/4ª série: Pedro Autran da Mata Albuquerque; 1º lugar/ 3ª série: Teófilo Celso da Silva; 1º lugar/2ª série: Wande Lage Magalhães; 1º lugar/1ª série, turma A: Joaquim Tomás Filho e Romeu Pereira de Souza; 1º lugar/1ª série, turma B: João Moreira Filho. Aplicação: 1º lugar/4ª série: João Marciano da Silveira; 1º lugar/3ª série: Esdras da Silveira e Silva; 1º lugar/2ª série: Wande Lage Magalhães; 1º lugar/1ª série turma A: Ildeu Silveira e Silva; 1º lugar/1ª série, turma B: João Moreira Filho. Ano de 1955: 1ª série A: Aproveitamento – 1º lugar – Fernando Luís Santiago; 2º lugar – Derval Madureira; 1ª série B – 1º lugar – Sebastião Socorro Costa; 2º lugar – José Henrique Utsch; 2ª série: Aproveitamento – 1º lugar – Manoel Osório Santos Guimarães e Newton Teixeira Filho; 2º lugar – João Moreira Filho; 3ª série: Aproveitamento e Religião: 1º lugar – Wande Lage Magalhães; 2º lugar – José Teixeira Filho; 4ª série – Aproveitamento – 1º lugar – Esdras da Silveira e Silva e João Viana Fróis; 2º lugar – Teófilo Celso da Silva. Alunos Aprovados nos exames de admissão, em 1ª época: 1 – Antonio Magno F. Evangelista e José Valdivino dos Santos; 2 – Antonio Tomé Madureira e Murilo Espírito Santo; 3 – Jorge Tanure Filho, Dácio de Oliveira Fernandes e Corinto José de Oliveira; 4 – Eugênio Jander e Geraldo Magela C. Ferreira; 5 – Caio Dutra; 6 – Evandro Antonio Coelho; 7 – Teófilo Mendes Guerra e Geraldo Bruno de Souza; 8 – Sinval Silveira Aguiar; 9 – Alfredo Antonio Seabra. Ano de 1956: no mês de setembro: 1º lugar

em Procedimento – Nota 10, com louvor: Romeu Pereira de Sousa; 2º lugar, nota 10: José Felicíssimo Quintão, quarta série; José Couto Filho, 2ª série; Aloísio Pires Abi-acl, 1ª série A; Irineu Torres Lopes, 1ª série A; Lourenço Salvador Tomás, 1ª série A; Altair Correia, 1ª série B. Ao final do ano letivo: Procedimento – José Couto Filho – Menção Honrosa. Aproveitamento – 4ª série – 1º lugar – Adamir Gonçalves Chaves; 2º lugar – Manuel Osório Guimarães; 3ª série – 1º lugar – Sebastião Socorro Costa; 2º lugar – Fernando Luís Santiago; 2ª série – 1º lugar – Jorge Vasconcelos Safe; 2º lugar – Paulo Roberto N. Machado; 1ª série A – 1º lugar – Aloísio Pires Abi-acl; B – 1º lugar – Afonso Celso Lazarini; Prêmios de Esporte – Bossuet Galvão Guimarães, Francisco A. Araújo Soares, Getúlio Guedes, Jair Lélis França, João Paulo de Barros e Silva, João Moreira Júnior, Manoel Pessoa, Manoel Osório Guimarães e Newton Teixeira. Passaram pela Diretoria do Ginásio, no período de 1930 a 1970, os seguintes frades capuchinhos: Frei Vicente de Licodia, que exerceu o cargo desde a fundação do Colégio, em 1918, até pouco tempo antes de sua morte, em 13 de junho de 1947, sempre auxiliado, em diversas ocasiões, por Frei Jacinto de Pelazzolo e Fr. Michelangelo de Gela, entre outros. Frei Dionísio de Monterosso (1947-1949) Frei Agatângelo de Sortino (1949-1957) Frei Gabriel de Melilli (1957-1959) Frei Isaías da Piedade (1959 - até sua morte, em junho de 1975. No segundo semestre deste ano, dirigiu o Colégio, interinamente, o Prof. José L. Vidigal. Em janeiro de 1976, outra vez tomou as rédeas do Colégio o antigo Diretor, Fr. Agatângelo Vincenzo La Pila, que o dirigiu até o final). Algumas datas e curiosidades importantes sobre o Ginásio na fase em questão: Relatório do ano de 1940, do qual podemos inferir como era o funcionamento do Ginásio:

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Relação das despesas com fornecimento de víveres (em réis) Mantimentos Feijão................................................................2.650.000 Arroz.................................................................4.140.000 Banha ou toucinho...........................................4.320.000 Carne verde e de porco....................................6.532.000 Rapaduras.........................................................3.340.000 Fubá.....................................................................610.000 Pão....................................................................7.205.000 Sal........................................................................535.000 Café.....................................................................808.000 Batatinhas.........................................................1.120.000 Farinha de mandioca e de milho......................1.105.000 Macarrão......................................................... 2.148.000 Queijos.............................................................1.415.000 Frutas..................................................................520.000 Ovos....................................................................645.000 Manteiga.............................................................610.000 Açúcar..................................................................680.000 Frangos................................................................524.000 Lenha...................................................................803.000 Leite.....................................................................690.000 Total............................................................40.400,000 Receita Pensão............................................................71.800.000 Taxas de inspeção.............................................4.940.000 Taxa de matéria e exames................................4.340.000 Joia de matrícula..............................................4.100.000 Subvenção Federal (líquido).............................9.000.000 Subvenção Municipal.......................................5.000.000 Total............................................................99.180.000 Despesas Fornecimento de víveres................................40.400.000 Professores e regentes...................................25.000.000 Empregados e cozinheira.................................4.000.000 Despesas várias..............................................10.755.000 Depósito da Taxa Inspeção no Ministério.......12.000.000 Total............................................................92.155.000

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Resumo Receita total...................................................99.180.000 Despesa total..................................................92.155.000 Balanço de saldo...........................................7.025.000 Benefícios Alunos que pagam pensão totaL..................................69 Alunos que pagam pensão reduzida............................16 Alunos gratuitos........................................................... 12 Matrícula total em 1940................................ 97 alunos Vencimento dos professores e regentes José Leite Vidigal..............................................4.000.000 Raimundo Rocha..............................................4.000.000 Oscarino Ferreira Carneiro...............................2.000.000 Urias Sena Costa...............................................3.000.000 Ari Moreira Fernandes.....................................3.000.000 Geraldo Magela de Melo..................................2.000.000 Luiz Berti...........................................................2.000.000 José Pessoa.......................................................2.000.000 Total............................................................25.000.000 Empregados e cozinheiras Empregados......................................................3.000.000 Cozinheiras.......................................................1.000.000 Despesas diversas 1 máquina de escrever (Érika)..........................1.000.000 40 camas patentes com carreto.......................2.300.000 Consertos na cozinha do estabelecimento..........850.000 Consertos nos lavatórios dos alunos...................720.000 1 litro e 1 balança................................................260.000 Desinfetante........................................................230.000 Material elétrico..................................................360.000 Material para canalização d’água........................230.000 Papéis e impressão..............................................420.000 Selos e telegramas...............................................265.000 Automóvel, gasolina.........................................3.620.000 4 vacas de leite.................................................1.200.000 Total............................................................10.755.000

Dr. Juvencio de Miranda Moreira, ex-professor do Ginásio São Francisco


Frei Gabriel de Melili com Magalhães Pinto

No ano de 1951, o Colégio aparece mencionado como uma das entidades de Conceição a serem contempladas com subvenções federais e estudais: como subvenção estadual, o Ginásio recebeu Cr$ 10.000,00, concedidos pelo Projeto nº 275, do deputado Augusto Costa. E, como subvenção federal, contou, para o ano de 1952, com Cr$15.000,00, por requerimento do Deputado Guilherme Machado. Mais subvenções: “A Lei nº 1.487, de 6 de dezembro de 1951, orçamento de 1952 – Ministério da Educação e Saúde – Consignação

II – Auxílios, Contribuições e Subvenções, publicada no Diário Oficial de 14 de dezembro de 1952, concede as seguintes subvenções a vários estabelecimentos desta cidade, entre eles o Ginásio São Francisco, que recebe Cr$45.000,00. Em outra nota, verifica-se a concessão de mais subvenções: “De acordo com a Lei 357, de 28 de dezembro de 1951, publicada no Minas Gerais do dia 29 do mesmo mês, várias instituições de nossa cidade receberão, durante o corrente ano, as seguintes subvenções: [...] Ginásio S. Francisco – Cr$10.000,00;

as instituições beneficiadas agradecem aos deputados Augusto Costa e Jorge Vasconcelos Safe”. Este último é filho de família conceicionense e ex-aluno do Colégio. Para o ano de 1954, mais uma subvenção de Cr$20.000,00, destinada pelo Deputado Federal pela UDN, José de Magalhães Pinto. Em 1968, é comemorado o Jubileu de Ouro do Ginásio (50 anos de fundação – 1918-1968), com um calendário especial para todo o ano letivo, cujo programa, divulgado à época, foi o seguinte:

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Ginásio São Francisco - Ano Jubilar da Fundação do Ginásio São Francisco Atividades programadas para o ano letivo, homenagem ao seu fundador, Pe.Frei Vicente de Licodia, aos Revmos. Padres Capuchinhos, à atual diretoria, ao corpo docente passado e atual, a todos os ex-alunos do estabelecimento. Fevereiro De 1 a 28, curso intensivo de férias, preparação de alunos para o exame de admissão à primeira série ginasial, exames de admissão e exames em segunda época. Março Dia 01: reabertura do ano letivo, missa, preleção aos alunos, na capela do estabelecimento. Início das aulas. Representação do Ginásio São Francisco na Sagração de S. Exa. Revma. Dom Frei Jorge de Modica, na Guanabara. De 20 a 30, provas mensais para todas as séries. Abril Aulas regulares. Dia 8, aniversário natalício do Sr. Diretor, Revmo. Sr. Frei Isaías da Piedade. Homenagem justa e merecida pela sua brilhante atuação e remodelação do estabelecimento. De 11 a 14, os alunos tomarão parte ativa nas solenidades da Semana Santa. Em 21 de abril, feriado nacional, nas aulas de História, professores e alunos encarecerão com preleções e trabalhos de pesquisa a figura varonil e patriótica de Tiradentes. Ocorrendo o 5º centenário de nascimento de Pedro Álvares Cabral, sua figura e o Descobrimento do Brasil serão focalizados de modo especial, nas aulas de História. Levantamento de biografia, estudo histórico do grande descobridor do Brasil. De 20 a 30, provas mensais. Maio Dia 1º: Festa do Trabalho. Início do mês de Maria. Festa de São José Operário. Grande concentração em frente à Matriz, missa solene, sessão cívica, preleções e recitativos sobre a data. Empolgante desfile dos ginasianos pelas ruas da cidade. A data da Abolição da Escravatura será comemorada nas aulas de História. De 20 a 30, provas mensais. Junho Mês do Jubileu Áureo do Ginásio São Francisco. Dia 13,

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21º aniversário do falecimento do Revmo. Sr. Pe. Frei Vicente de Licodia, fundador do estabelecimento. Visita a seu túmulo, homenagem de gratidão e saudade. Às 10 horas, missa solene em frente ao Ginásio. Por antecipação, ponto alto das comemorações do Jubileu de Ouro, grandes solenidades em homenagem ao Cinquentenário da fundação do Ginásio, a inauguração do busto [em frente ao Colégio], em bronze, do Revmo. Padre Frei Vicente de Licodia, falando, na ocasião, o ex-aluno, Prof. João F. Lima, distribuição de flâmulas comemorativas da grande efeméride. Desfile cívico dos alunos pelas ruas da cidade, homenagem todas prestadas à pessoa do Fundador à atual Diretoria e aos Revmos. Padres Capuchinhos. Dia 15, Páscoa coletiva dos Corpos docente e discente do Ginásio. Provas mensais, início das férias regulamentares do meio do ano. Julho Período normal de férias para a diretoria, professores e alunos. Agosto Dia 01, reinício das aulas do segundo semestre. Dia 11, missa pela alma do saudoso Prof. Raimundo Higino Rocha, decano do corpo docente do estabelecimento, ao ensejo do primeiro aniversário do seu falecimento. Nesse dia, será também comemorado o Dia do Estudante, com dispensa dos trabalhos escolares, lanche oferecido aos alunos e tarde esportiva. De 20 a 30, provas mensais. Setembro Grande concentração estudantil, em frente à Matriz. Missa solene, sessão cívica, preleção sobre a data. Desfile dos alunos pelas ruas da cidade, em comemoração à data da Independência do Brasil e encerramento das solenidades da Semana da Pátria. De 20 a 30, provas mensais. Outubro Dia 4, Festa de São Francisco de Assis, patrono do estabelecimento. Solenidades religiosa, cívica e esportiva marcarão a data. Confraternização da diretoria, professores e alunos num lanche de congraçamento. Dia 12, será comemorada a data do descobrimento da América, com preleções, focalizando-se a figura histórica de Cristóvão Colombo. Dia 15, Dia do Professor, homenagens do corpo discente ao corpo docente do estabelecimento. Sessão lítero-musical, almoço de confraternização,

tarde esportiva. Tradicional excursão dos concluintes do curso ginasial, ao pé da pitoresca Serra do Cipó, na residência do casal Dr. François Samuel Collet. De 20 a 30, provas mensais. Novembro As datas de 15 e 19 serão comemoradas nas aulas de História, com palestras, trabalhos de pesquisa, com participação dos alunos. Contados os 180 dias letivos previstos em lei, terão início as provas finais. Encerramento do ano letivo, com missa solene em ação de graças, partida dos alunos. Término do ano letivo e jubilar do Ginásio São Francisco. Laus Deo, são 50 anos, largo e proveitoso período de tempo, todo dedicado à formação moral, intelectual, cívica e religiosa da mocidade masculina de Minas e do Brasil. Pax Et Bonum


Formatura de alunos do Ginásio no auditório do Cine Paroquial. Da esquerda para direita: os professores Alípio Soares, Antônio Magno Ferreira Evangelista, José Costa Jorge, João Fernandes Lima, José Leite Vidigal, Frei Isaías da Piedade e Irmã Sílvia (diretora do colégio feminino)

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Frei Vicente, sempre à frente do seu tempo, com o Frei Manuel de Gela e o Padre Otávio

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3ª Fase: De 1971 até 1979 A desativação Nesta fase, as informações disponibilizadas pela documentação pesquisada já não são tão diversificadas e ricas em detalhes como aquelas referentes às fases anteriores. Pelo menos, não temos tanto dados relativos às atividades extraclasses, como as esportivas, as cívicas e as religiosas. Ou, dizendo de outra maneira, se estas ocorriam, não eram mais tão divulgadas nos meios jornalísticos quanto o era antigamente. É importante ressaltar que os tempos eram outros; a escola contava nesse período com a concorrência de outros educandários e internatos, instalados principalmente naquelas outras cidades da região, que outrora mandavam seus jovens para estudarem no Ginásio São Francisco. E, mesmo em Conceição, surgia a concorrência de escolas públicas e gratuitas, como menciona o ex-professor José Gomes Abrantes (ver anexo 2). A Escola, nesse ponto, até tentou manter-se firme em seu tradicional propósito de educar moral e intelectualmente os jovens da cidade e de toda a região do nordeste mineiro, providenciando para tal o aumento da sua oferta de ensino, com a instalação de um Curso Científico – o antigo 2º grau.

Escola do Ginásio na década de 1970

Pela Portaria nº 17, de 28 de dezembro de 1970, expedida pela Inspetoria Seccional do Ensino Secundário de BH/MG, foi concedido ao estabelecimento o funcionamento do 2º Grau, passando o estabelecimento a usar o nome oficial de Colégio São Francisco. O novo curso entraria em funcionamento a partir de março do ano letivo de 1971.

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Com a nova atribuição, o Colégio passa a ser dirigido por um novo Regimento Escolar, do qual transcrevemos alguns trechos:

Título I Capítulo 1: Dos fins da Educação Nacional Art. 1º - A educação nacional, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por fim, o Colégio São Francisco. Capítulo 2 : Dos objetivos da escola Art. 2º - O Colégio São Francisco, tem como vista os fins da educação e os objetivos gerais do ensino de 1º e 2º graus. Capítulo 3: Dos objetivos gerais do ensino Art. 3º - O ensino de 1º e 2º graus têm por objetivo geral proporcionar ao educando a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades com elemento de alta realização, qualificação para o trabalho e preparo para o exercício consciente da cidadania.

Desfiles dos alunos do Ginásio nas comemorações do dia 7 de setembro

1. Frequentar com assiduidade as aulas e atividades escolares do estabelecimento;

7. Frequentar as aulas e demais atos do Estabelecimento, devidamente uniformizados;

2. Ter o máximo de aplicação e aproveitamento possível nos estudos e nas aulas;

8. Requerer ou cancelar matrícula, transferência, quando maior;

Art. 5º - O ensino do 2º grau destina-se à formação integral do adolescente.

3. Respeitar normas disciplinares dentro e fora do Estabelecimento;

Titulo VIII

4. Cumprir rigorosamente o que foi exigido pelo diretor e professores e demais funcionários do Estabelecimento, na órbita de sua competência;

9. Comparecer às solenidades cívicas, religiosas, sociais, promovidas oficialmente pelo Estabelecimento, devidamente uniformizados;

Art. 4º - O ensino de 1º grau destina-se à formação da criança e do pré-adolescente, variando em conteúdo e métodos segundo as fases do desenvolvimento dos alunos.

Capítulo 3 - Do corpo discente Secção 1 - Dos deveres Art 135 - O corpo discente será constituído de todos os alunos do Estabelecimento, sujeito à disciplina e ao Regimento escolar do Estabelecimento, bem como às disposições e normas legais comuns e aplicáveis aos mesmos. São deveres dos alunos:

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5. Observar os preceitos de urbanidade com os colegas e professores e diretor e demais funcionários do Estabelecimento, bem como observar os preceitos da higiene individual e coletiva; 6. Não aliciar colegas para rebelião, revoltas etc., abstendo-se de participar em faltas coletivas;

10. Pagar, com pontualidade, as prestações da anuidade escolar; 11. Contribuir para o bom nome do Estabelecimento; 12. Cumprir fielmente os preceitos deste Regimento Escolar; 13. Participar de atividades escolares e do Grêmio Literário e Esportivo; 14. Perderá seus direitos o aluno em atraso do pagamento com o estabelecimento.


mas durante todo o 1º semestre, solicitando a cada professor o plano de curso. Em setembro Ana Maria ficou impressionada com a organização do estabelecimento. Percorreu grande parte do terreno onde se encontravam as criações de animais e o escritório de Meteorologia e Previsão do Tempo, entrevistou parentes dos alunos da 8ª série, ficou comovida com a orientação e o estímulo que o diretor (Frei Asclepíades) dava a todos os alunos e a confiança que os alunos depositavam na pessoa do diretor; entrevistou alunos de várias séries e também verificou cadernetas de professores. Em dezembro A mesma inspetora tornou a visitar o estabelecimento onde foram assinadas fichas dos alunos, estudo do currículo e conscientização da diretoria sobre a importância de colocar o núcleo comum, artigo 7º e matérias para habilitação.

Titulo X Das penalidades Art. 139 - Aos alunos de modo especial, conforme a gravidade ou reiteração de suas faltas ou infração, serám aplicadas: 1. Admoestação; 2. Advertência oral, em particular; 3. Advertência por escrito; 4. Exclusão da aula por um ou mais dias, a critério da diretoria e do professor; 5. Suspensão temporária das aulas; 6. Eliminação definitiva do Estabelecimento; 7. Expedição de transferência e consequente cancelamento da matrícula, ouvida neste caso, a congregação do Estabelecimento. Em 1972, o Colégio São Francisco é destituído de sua natu-

Ano de 1974 reza de pessoa jurídica, com estatuto registrado em Cartório, passando a ser, a partir de então, um “departamento” do Serviço Social Educacional Beneficente – SESEBE, com sede no Rio de Janeiro. A partir de então, o Colégio passa a ser gerido por esta entidade, que se torna sua mantenedora, e a quem transfere todo seu patrimônio. Na época, dirigia o Colégio o Frei Asclepíades Cézar Samão. Através dos relatórios produzidos pelo Colégio e pela Inspetoria de Ensino da Secretaria de Estado da Educação, temos notícias de algumas atividades desenvolvidas pelo Colégio entre os anos de 1973 a 1979:

Ano de 1973 Em agosto A Inspetora Ana Maria de Morais Sá verificou os diários de classe dos professores e o rendimento escolar das tur-

Em junho A inspetora Ana Maria orientou sobre como inscrever a biblioteca da escola no INL e sobre a criação do Banco do Livro e ainda sobre a documentação necessária à mudança de nome do estabelecimento: 1º) Requerimento dirigido ao Secretário de Estado da Educação, assinado pelo presidente da entidade mantenedora, com exposição de motivos; 2º) Cópia autenticada do ato de Reconhecimento do estabelecimento; 3º) Declaração da Inspetora do regular funcionamento. Refere-se aqui à oficialização da mudança do nome de Ginásio São Francisco para Colégio São Francisco, como passou a se denominar depois da implantação do curso de 2º grau.

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Em outubro

Ano de 1975

A inspetora Ana Maria observou o ofício enviado ao CEE, bem como sua resposta pelo mesmo órgão, sobre o pedido de autorização para a realização de uma habilitação profissional: Auxiliar de Contabilidade.

Em agosto

Em dezembro Durante a visita de Ana Maria, providenciou-se a documentação referente à mudança do nome, com referência à autorização para o funcionamento de habilitação profissional do curso de 2º grau, estando tudo já encaminhado ao CEE. Para o mesmo ano de 1974, um relatório do Colégio São Francisco assinala as seguintes atividades: 1. Recebeu gratuitamente onze alunos inter­ nos com gratuidade comprovada e quinze alunos externos com abatimento, perfazendo um total de Cr$ 84.890,16 (cruzeiros). 2. Empenhou-se no cumprimento fiel das leis de ensino, ministrando as disciplinas de Educação Moral e Cívica e Ensino Religioso. 3. Celebrou todos os feriados nacionais e religiosos, com participação integral dos alunos e professores. 4 . Disputou várias partidas de futebol dentro e fora da cidade, conservando, durante todo o ano, a sua invencibilidade. 5. O sr. Diretor fez o Curso de Atualização, sendo aprovado e diplomado. 6. Diversos professores receberam autorização da Delegacia do Ensino para lecionar várias disciplinas. 7. Um dos alunos da 8ª série recebeu um prêmio do Lions Club da capital pelo concurso de melhor composição sobre a Independência do Brasil. 8. Recebeu três alunos para serem endereçados ao seminário. 9. Diplomou quinze alunos concluintes do 2º grau e 30 alunos concluintes do 1º grau. 10. Organizou a Páscoa Coletiva dos alunos e professores. 11. Reformou todo o telhado do Estabelecimento, construiu uma torre para funcionamento de um aparelho de televisão, doação da Dra. Rosa Maria, mãe de um aluno.

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A inspetora Rosa de Lima Soares constatou o pesar que envolvia o Colégio pela ausência do saudoso Frei Asclepíades, cujo falecimento havia ocorrido em julho do referido ano. Nessa ocasião, o Prof. José Leite Vidigal passou a responder pela escola, como diretor substituto, sendo depois empossado Frei (Agatângelo) Vincenzo La Pila.

Ano de 1976 Um relatório do Colégio assinala as seguintes ações: 1. Através dos poderes públicos recebeu a quantia de Monsenhor Levi Pires e Frei Vicente de Licodia com família tradicional de Conceição CR$5.000,00, sob a forma de subven7. Cuidou com carinho da educação esportiva, disputando ção social, que distribuiu a alunos necessitados torneios futebolísticos no município. 2. 206 alunos concluíram as várias séries, dos quais 146 pa8. Zelou com muito interesse da disciplina Educação Moral gantes integralmente, 56 beneficiados com a quantia de e Cívica, fazendo realizar exposições de trabalhos nesse CR$129.142,62 (internos) e CR$12.312,20 (externos). sentido. 3. Atendeu diariamente a diversos pobres da redondeza, 9. Celebrou os 750 anos da morte de São Francisco, fazendo com alimentos e roupas. realizar sessões solenes, palestras e expondo trabalhos 4. Organizou a sua Biblioteca. Mandou confeccionar 08 esalusivos à data. tantes para os 2500 livros. A biblioteca ficou franqueada 10. Celebrou os feriados nacionais e religiosos com participaao público. ção ativa do corpo docente e discente. 5. Promoveu campanhas para ajudar escolares necessita11. Foi mantida disciplina exemplar tanto no Internato como dos, aos quais distribuiu cadernos e materiais escolares. no Externato. 6. Realizou duas olimpíadas, uma no âmbito do Colégio e ouMatérias lecionadas: Português, Matemática, Francês, Latra em âmbito municipal, movimentando toda a cidade. tim, Música.


Balanço Financeiro de 1976 (em cruzeiros) Receita

Manutenção de veículos......................... 29.130,00

Anuidade............................................... 699.117,00

Material de expediente........................... 22.520,00

Subvenção MEC (Bolsa de estudos)........ 41.108,00

Material escolar......................................... 6.410,00

Subvenção Secretaria Educacional

Material recreativo.................................... 3.125,00

(bolsa de estudos)................................... 10.200,00

Ordenados............................................. 274.998,00

Total:...................................................... 750.425,00

Programa de Integração Social - PIS.......... 2.443,63 Previdência Social.................................... 17.901,73

Despesas

Ração............................................................ 318,00

Alimentação.......................................... 250.033,60

Revistas e jornais....................................... 1.560,00

Assistência médica.................................. 10.500,00

Saúde......................................................... 2.801,00

Conservação de móveis e utensílios.......... 5.000,00

Vestuário................................................... 3.651,00

Contribuições sociais................................. 3.312,00

Viagens e condução................................... 8.640,00

Correios e telégrafos................................. 2.588,76

Vocações sacerdotais.............................. 50.000,00

Despesas diversas...................................... 8.514,00

Total:...................................................... 752.418,64

Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.24.304,82 Força luz e gás........................................... 2.581,04

Resumo

Fretes, e carretos.......................................... 350,00

Despesas............................................... 752.418,64

Gratificação............................................... 4.256,20

Receitas................................................. 750.425,00

Honorários................................................. 5.880,00

Déficit........................................................ 1.993,64

Higiene......................................................... 362,00 Impostos e taxas........................................ 2.678,86 Limpeza e conservação.............................. 8.559,00

Assina Frei Agatângelo Vincenzo La Pila, Diretor do Colégio São Francisco.

Detalhe da coluna de Frei Gabriel no Jornal A Voz de Conceição, em 1979

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O déficit assinalado no balanço de 1976, que se repetirá nos anos consecutivos, será uma das causas, senão a mais forte, para a tomada de decisão do fechamento do Colégio, quatro anos depois. Ainda no ano de 1976, em 27 de setembro, o Colégio firma um acordo com o 5º Distrito de Meteorologia, órgão de Departamento Nacional de Meteorologia do Ministério da Agricultura, para a manutenção e operação de uma estação climatológica principal, localizada em terrenos do Colégio. Pelo termo do contrato, algumas das competências do Distrito eram: - propiciar ao Colégio São Francisco, fora dos horários de observação, a possibilidade de visitas de alunos do educandário, sempre que acompanhados por professores e o encarregado da Estação, a fim de que possam tomar conhecimento sobre meteorologia, equipamentos e processos observacionais; - proporcionar ao Colégio São Francisco facilidades para a utilização do sistema de comunicação que o Departamento Nacional de Meteorologia do Ministério da Agricultura vier a instalar na estação para a transmissão de mensagens de caráter urgente, desde que sejam transmitidas pelo encarregado da estação e obedecendo às Normas de Radiotelefonia e em horários que não coincidem com os das transmissões das mensagens.

A inspetora orientou quanto à matrícula de dois alunos estrangeiros, os quais não apresentavam históricos escolares. Em 29 de abril É inaugurada uma quadra em um dos campos de recreio do Colégio, com presença de várias autoridades locais, entre elas o Prefeito Municipal, o Juiz de Direito e demais professores. Para a ocasião houve apresentação de ginástica rítmica e realização de jogos de vôlei, handebol e futebol de salão.

Ano de 1978 Em Abril O Colégio recebeu orientação da Inspetora Maria Eugênia Vieira Brandão, sobre a dinamização de formação especial do 1º Grau, montando as salas ambientes.

Ano de 1979

- sempre que necessário, em caráter urgente, fazer uso do sistema de comunicação.

O Colégio solicitou ao FNDE um auxílio financeiro de CR$100.000,00, para aquisição de um ônibus escolar para transporte de alunos e professores. No ofício enviado ao órgão, o diretor, Frei Vincenzo La Pila, justifica o pedido, reafirmando de início o papel do Colégio que “desde 1918 vem prestando os mais assinalados serviços a toda esta região mineradora, tendo sido pioneiro na aprendizagem agrícola. Homens, que agora brilham na indústria, nas letras, na política, na administração, no comércio, na medicina, nas cátedras, e até na Igreja, passaram pelos bancos escolares do São Francisco.” Depois, falou da grande dificuldade que têm os professores e alunos em frequentar a Escola, que “acha-se situada a 2 km da cidade”, necessitando-se, por isso, de um meio de transporte coletivo, já que a Escola “luta com as maiores dificuldades financeiras”.

O Termo vem assinado por Frei Agatângelo (diretor do Colégio), Alberto Villas Bouçado (chefe do 5º Distrito de Meteorologia) e o Diretor geral do Departamento Nacional de Meteorologia.

E, realmente, o Colégio apresentava uma vida financeira deficitária, o que já vinha ocorrendo há muitos anos. O tão almejado sonho de se ter um 2º grau, uma conquista valorosa, principalmente para o povo

Ao Colégio São Francisco, competiria: - ceder, como realmente foi cedida, uma área de terreno de 50.00 x 50.00m, em caráter permanente, enquanto existir a Estação Climatológica; - utilizar-se das instalações da Estação, principalmente de Conceição do Mato Dentro, para fins didáticos aos alunos do Colégio São Francisco;

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Ano de 1977


de Conceição, parece não ter surtido os efeitos desejados pelos dirigentes do Colégio. Esse fato foi verificado através de um “Considerando” do seu diretor, Frei Agatângelo Vincenzo La Pila, escrito em 1979: “O funcionamento do Científico ou 2º grau foi aprovado em 1970. Nove anos de trabalho intensos, de propaganda e de gastos deram o seguinte resultado, frustrando a intenção dos fundadores e demonstrando que a solução imaginada para salvar o São Francisco não foi a mais feliz e demonstrando, ainda, ser ilógico teimar na continuação dessa tentativa equivocada. Senão, vejamos: Ano

1ª série

2ª série

3ª série

1971

13

x

x

1972

15

8

x

1973

11

13

5

1974

16

8

11

1975

10

10

8

1976

18

6

6

1977

25

20

4

1978

25

11

13

1979

20

8

6

Total: 53 concluintes Paga-se o mesmo preço para 5 alunos, e 35 e pouco mais para 50 alunos.” E, para o ano de 1980, o diretor vislumbrava o seguinte orçamento: “Orçamento otimista. Não se conhecem ainda os índices certos de aumentos, mas, supondo que sejam os mesmos de 1979, teremos o seguinte resultado: Folha de pagamento de professores, pessoal, funcionários, obrigações sociais e outras despesas indispensáveis para um funcionamento regular da Escola: Cr$1.400.000,00.

Entradas, se houver, 60 alunos do 1º grau e 40 do 2º grau a Cr$6.000,00 e Cr$7.000,00

Respectivamente.............Cr$600.000,00

Déficit..............................Cr$800.000,00 Nota: foi-se à procura dos possíveis candidatos para o 2º grau e, apesar de terem assinado comerciários, empregados, que terminaram seus estudos há mais de cinco ou seis anos e os quais, temos certeza moral, não iriam perseverar dois bimestres. Além do mais, colocando a condição de que, se mudasse o horário para o noturno, não somariam 50 nas três séries do 2º grau, e 35 nas do 1º grau. Diante disso e por causa disso, nenhuma outra opção se apresentava ao Colégio, senão encerrar suas atividades. Frei Agatângelo”

E assim, o destino do Colégio ia sendo selado nas correspondências que o Diretor despachava para as autoridades; em uma delas, enviada a um “amigo” não identificado, diz: “Comunicamos-lhe, muito a contra­ gosto, que o Colégio São Francisco deverá suspender suas atividades, por absoluta falta de condições financeiras, motivadas pelo número escasso de alunos. O 2º grau, que foi criado para absorver a demanda dos concluintes do 1º grau e de outros estabelecimentos, não conseguiu alcançar sua finalidade. Desde 1971 só concluíram o 2º grau, neste Colégio, 53 alunos, havendo turmas de até quatro alunos. Nesta cidade funcionam três escolas de 1º grau: o Instituto São Joaquim, a Escola de Comércio e o Colégio Estadual. No orçamento para 1980, previa-se um déficit superior a Cr$800.000,00. O Colégio São Francisco poderá servir à

comunidade conceicionense transformandose, quiçá, em centro de cursos, retiros, encontros etc. que, na verdade, são úteis às várias categorias de pessoas. Agradecendo o apoio que nunca nos faltou, esperamos compreensão por parte dos pais dos alunos. Formulamos votos de felicidade para 1980. Frei Agatângelo” A notícia do encerramento do Colégio causou um enorme alvoroço na cidade. Em reunião na Prefeitura Municipal, diante de um seleto auditório de convidados, foi decretado o fim do Colégio São Francisco. O seu diretor, Frei Agatângelo, expôs a situação efetiva da escola, impotente para resolver o compromisso de pagamento de professores e funcionários. O déficit previsto para o ano era de oitocentos milhões de cruzeiros. Na tentativa de encontrar uma solução que revertesse esta situação, realizaram-se várias reuniões políticas, tendo a presença constante do ex-deputado José Aparecido de Oliveira, candidato a governador do Estado de Minas Gerais. No entanto, de nada adiantou toda essa movimentação e o clamor popular, pois o Colégio São Francisco de Assis, depois de 61 anos de serviços prestados à boa educação dos jovens de Conceição e região, foi definitivamente fechado, sendo seu último ano letivo, o de 1979. Assim confirma uma declaração de Frei Dimas, presidente da SESEBE, a mantenedora do educandário em Conceição: “Eu, Frei Dimas de Castro Neves, Presidente do Serviço Educacional Beneficiente, SESEBE, CGC 34.078, digo, CGC 34.078.881.0001.85, com sede na cidade do Rio de Janeiro, Rua Haddock Lobo, 266, e com filial na cidade de Conceição do Mato Dentro, MG, Praça Bom Jesus, entidade mantenedora do Colégio São Francisco, situado na mesma cidade, de Conceição do Mato Dentro,

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declaro, para os devidos fins, que o citado Colégio São Francisco teve suspensas suas atividades educacionais no encerramento do ano letivo de 1979. Em decorrência do fato acima referido, daquela data em diante, não houve nenhum movimento de pessoal, tendo sido todos devidamente indenizados, Conceição do Mato Dentro, 18 de junho de 1984, Frei Dimas de Castro Neves Presidente do SESEBE” A partir de 1984, houve um movimento na cidade em prol de se resgatar o Ginásio São Francisco. Esse movimento culminou na criação da “Associação Escola Fazenda de Artes e Ofícios – AEFAO”. Em 19 de junho de 1984, foi realizada uma Assembleia Geral para julgar o Estatuto da Associação, que propunha como objetivo geral o desenvolvimento na região do artesanato, da agropecuária e das artes em geral. Ficou decidido também que a AEFAO teria como sede o antigo Ginásio São Francisco, órgão pertencente à SESEBE, no Rio de Janeiro. Nesta mesma Assembleia, foi eleita a primeira diretoria que ficou assim constituída: Presidente: Mariza Magalhães Saldanha Costa, Vice-presidente: Maria Elizabeth Alves Rajão, 1ª Secretária: Maria do Carmo Lages Ferreira, 2ª Secretária: Magdalena de Lima Soares Pires, 1º Tesoureiro: Armando da Rocha Brandão, 2º Tesoureiro: José Renato Rezende. Já em uma segunda reunião, realizada no dia 25 de junho de 1984, foram tratados assuntos de vital importância: como deveria ser feito o levantamento e mapeamento do Ginásio, e como seria negociada a liberação do Ginásio com Frei Dimas, presidente da SESEBE, responsável pelo imóvel. Um engenheiro civil, Carlos Xisto, foi nomeado para avaliar os estragos do Ginásio e repará-los, contando com a colaboração de Olívia Magalhães Guerra Al-

bergaria de Carvalho (arquiteta) e Frei Francisco (engenheiro civil) para o projeto. Decidiu-se também que, para melhor desenvolvimento da AEFAO, deveriam ser criados três módulos distintos: a agropecuária, sob a administração de Adão de Oliveira Costa Filho (veterinário); a agricultura, com Waldemar Freitas (funcionário da Emater), e Maria Bernadete Buri Silveira Rezende (engenheira agrônoma). O artesanato ficaria sob a inspeção de Rosa de Fátima Lima Carvalho. Celebrou-se, no dia 5 de setembro de 1984, na Igreja da Matriz de Conceição do Mato Dentro, uma missa em ação de graças pela fundação da Associação Escola Fazenda de Artes e Ofícios. Estiveram presentes o então Secretário da Cultura do Estado de Minas Gerais, José Aparecido de Oliveira, e sua comitiva, que constava do Superintendente da Cultura, Paulo Márcio Ferreira, o jornalista Ângelo Osvaldo Araújo Santos e o Arcebispo de Diamantina, Dom Geraldo Magela Reis, além do prefeito da cidade, Dr. Sebastião Soares dos Santos. Para conseguir verbas para manutenção da Associação, foi proposto que se firmasse um contrato com a Inter-American Foundation – IAF. O Superintendente da Cultura à época, Paulo Márcio, incumbiu-se de intermediar as negociações, traduzindo a proposta para o inglês e enviando-a à referida Fundação. De acordo com depoimento tomado ao sr. Renato, que foi presidente da AEFAO, de 1985 a meados de 1995, a criação da AEFAO teve intenção, além do ideal de resgatar a bela história do Ginásio, de proporcionar um projeto de vida alternativa e tranquila para uma geração recém-formada, mas com ideais sociais bem definidos. Encontraram em José Aparecido de Oliveira, recém-empossado Secretário de Cultura do Governo Tancredo Neves, um forte aliado para pôr em prática os seus ideais. Segundo o sr. Renato, a proposta inicial

do projeto desenvolvido pela AEFAO, no caso das Artes e Ofícios, era trabalhar com tapeçaria, cobre, bordado, pedra-sabão, couro, artes plásticas etc. Dentro dessa proposta, a Associação pensava na maneira de viabilizar recursos, doações, contribuições, comercializar produtos e, ao mesmo tempo, manter sua autonomia. No tempo em que permaneceu na presidência, afirma o sr. Renato, o desenvolvimento da Associação foi muito satisfatório, isso depois de ajustar problemas ocorridos no início do projeto devido à falta de planejamento e ao excesso de empolgação. Além das atividades artesanais acima relacionadas, também se desenvolveram algumas atividades agrícolas, como o cultivo de urucum e a plantação de frutas, em parceria com o IEPHA. O artesanato em tapetes arraiolos e em couro tornou-se o carro mestre do projeto. Os tapetes, por exemplo, decorados com motivos do barroco mineiro e da arte rupestre, manifestações artísticas muito fortes na região, eram constantemente expostos em grandes centros, como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. As atividades eram autossustentáveis. O artesão tinha o espaço adequado, possuía os equipamentos e maquinários e, sem perder o caráter artesanal, tornava o produto mais profissional; além disso, frequentava cursos especializados, interagia com outros artesãos e associações, e, por fim, recebia suporte na comercialização, etapa que era o maior entrave do negócio. Devido à longa distância da sede da AEFAO, no antigo Colégio Agrícola, tiveram a ideia de construir uma cozinha, tentando se adequar à arquitetura do antigo prédio do Ginásio. Conseguiram inscrever a AEFAO no programa da merenda escolar, incentivando o cultivo de arroz, recuperando a represa e criando Fachada do prédio da Escola, na década de 40, ainda sem o segundo andar

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peixes; ergueram ainda uma pocilga para criar porcos, além de uma horta. Nesse aspecto, tiveram suporte da Emater, dirigindo a produção voltada para a manutenção do programa de alimentação. Com a consolidação da AEFAO, houve a construção de polos em Dom Joaquim e Congonhas. Durante esse período, fizeram uma viagem a Portugal com o apoio da Embaixada Brasileira naquele país, na época em que o embaixador era o sr. José Aparecido de Oliveira, com o intuito de conhecer outros polos do tapete arraiolo, aprimorando novas técnicas de manufatura e conhecimento de matérias-primas. No entanto, com o tempo, alguns artesãos resolveram deixar o projeto, por acharem que o trabalho autônomo seria mais lucrativo. Já em sua fase final, outros membros deixaram a AEFAO, inclusive o sr. Renato, por entender que já haviam feito tudo o que podiam para o projeto.

• João Fernandes Lima – Português, Matemática e Geografia. • Esperidião Lage de Pardo – Geografia, História da Civilização, Educação Física, Música, e Desenho. • Armando da Fonseca Pessoa – Física, Química, História Natural e Matemática. • Raimundo Antônio de Abreu • Urias Sena Costa • Ari Moreira Fernandes • Geraldo Magela de Melo • Luís Berti • José Pessoa • José Aguilar Mourão • José Gomes Abranches – Professor do Centro de Treinamento Agrícola

Relação de alguns professores e regentes que lecionaram no Ginásio Agrícola/Colégio desde a sua fundação:

• Oscarino Ferreira Carneiro

• Frei Jacinto Infantino

• José Vieira

• Frei Gregório Abbo de Licodia

• Sargento Luís G. Damas – Instrutor de Educação Física

• José Ribeiro da Costa

• José Leite Vidigal – aquele que por mais tempo prestou serviços à Escola, na qual permaneceu por 37 anos – exercendo as funções de professor, secretário, disciplinário e, por vezes, de diretor interino. Por conta disso, a sua importância foi reconhecida pelo Colégio, que lhe prestou uma homenagem no dia de seu 70º aniversário, em 24/11/1979, entregando-lhe um DIPLOMA DE PROFESSOR BENEMÉRITO, com os seguintes dizeres:

• Joaquim Ribeiro da Costa • Policarpo de Figueiredo • José Avelino Pereira • João Antônio Moreira • Antônio Machado Melo • Francisco Generoso da Fonseca • Ítalo Bossi • Gabriel Mendes

• Aristides de Souza Maia

• Octaviano Lapertosa Brina – Física, Química, História Natural, Ciências Físicas e Naturais, Matemática e Geografia.

“O Diretor do Colégio S. Francisco, de Conceição do Mato Dentro, no uso de suas prerrogativas funcionais, em reconhecimento aos excelentes serviços prestados a este Estabelecimento pelo PROFESSOR JOSÉ LEITE VIDIGAL, no magistério e no setor administrativo, concede-lhe o presente título de benemerência, como penhor de GRATIDÃO E JUSTIÇA.

• Raymundo Rocha – latim, Português, Francês, Inglês.

Assinado: Frei Agatângelo Vicenzo La Pila – Diretor”.

• José Tavares • Joaquim Bento Ferreira Carneiro – Português, Francês, Inglês, Matemática, História da Civilização.

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• Álvaro Sá de Andrade – português.


CRONOLOGIA DO GINÁSIO SÃO FRANCISCO 1917 (04/10) – Lançamento da Pedra Fundamental do Ginásio. 1918 (26/06) – Inauguração do Ginásio Agrícola São Francisco. 1918 (04/10) – Realizada a primeira cerimônia religiosa no edifício do Ginásio. 1921 (08/04) – Bênção da nova capela do Ginásio pelo Arcebispo de Diamantina, Dom Joaquim Silvério da Silva. 1932 (01/04) – Instalação solene do curso secundário oficial no Ginásio São Francisco, conforme Decreto Federal nº 19.890, de 18/04/1931, com funcionamento inicial sob inspeção preliminar. 1941 (out.) – O Colégio recebe a Inspeção Permanente do Ensino Secundário, através do Decreto Federal nº 8.133, de outubro. 1942 (17/05) – Inauguração do campo de esportes do Ginásio São Francisco. 1942 (30/11) – Inauguração de uma parte do prédio novo do Ginásio. 1947 (30/05) – última visita do fundador, Frei Vicente de Licodia, ao Colégio São Francisco, pois iria falecer em 13 de junho do mesmo ano. 1947 – Assinado acordo com a CBAR para instalação do Centro de Treinamento Agrícola no Colégio. 1947 (10/09) – Inauguração do Posto Meteorológico do Colégio. 1948 (22/02) – Formatura da primeira turma de alunos do Centro de Treinamento Agrícola. 1953 (30/05) – O Esporte Clube São Francisco passa a se chamar Atlético Clube São Francisco (ACSF). 1955 (05/06) – Inauguração do novo campo de fute-

Frei Gabriel de Melili, Frei Manuel de Gela, Monsenhor Amantino, Monsenhor Levi, Frei Agatângelo, Padre Antônio, Padre Geraldo, Padre Tarcísio, Frei Lucas e Frei Jorge Scasso. Ao centro, Dom Geraldo de Proença Sigaud, Arcebispo de Diamantina

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bol do ACSF, denominado “Stadium Frei Agatângelo”. 1956 (09/12) – Inauguração do novo prédio do Colégio São Francisco, com 1.600 m2, com amplos dormitórios, malarias, rouparias, refeitórios, cozinhas, sala de festa e outras salas, “tudo feito com os cânones da técnica moderna”. Também foi benta a nova capela. 1957 (08/02) – Realizada a primeira missa na nova capela.

to” do Serviço Social Educacional Beneficente – SESEBE, com sede no Rio de Janeiro. 1974 – Construção de uma torre de televisão, doada pela mãe de um aluno. 1976 (27/10) – Acordo com o 5º Distrito de Meteorologia, órgão do Departamento Nacional de Meteorologia do Ministério da Educação. 1977 (24/09) – Inaugurada nova quadra de recreio.

1957 (dez.) – Conclusão de melhoramento da estrada que liga o Colégio à cidade.

1977 (22/12) – O Colégio é declarado como de Utilidade Pública através de Decreto Municipal nº 37.

1970 (28/12) – Implantado o curso de 2º Grau (ou Científico) no Colégio Agrícola São Francisco, através da Portaria nº 17 da Inspetoria Seccional do Ensino Secundário de Minas Gerais.

1979 – Solicita auxílio junto ao FNDE para aquisição de ônibus escolar.

1971 (mar) – Inauguração do curso de 2º grau no Colégio. 1972 – O Colégio é destituído de sua natureza de pessoa jurídica, passando a ser apenas um “departamen-

1979 (final do ano letivo) – Suspensas as atividades educacionais do Colégio São Francisco. 1998 – Prefeitura devolve área de 16 hectares do antigo Colégio São Francisco à SESEBE, através da Lei Municipal 1567/98 (em troca a Prefeitura receberia área de 5.000 m2 da SESEBE).


ANEXO I Informações sobre o Colégio São Francisco levantadas na documentação pesquisada *Mantida a ortografia da época.

1. Nos Jornais Jornal A Estrela Polar - Ano XVI, n. 7 - 17/02/1918 Inauguração do Ginásio - “Collegio Agrícola de Conceição do Serro – É incontestavelmente trabalhador o Frei Vicente de Licodia. Quase todos os habitantes da Zona da Mata conhecem os grandes benefícios prestados a Itambacury e a outros lugares por este zeloso sacerdote. Agora, coube a vez a Conceição do Serro. Adquirido o prédio em lugar apropriado, consultando as regras de higiene, o laborioso filho de São Francisco transportou-se ao Rio, onde, do Ministro da Agricultura, obteve diversas machinas e sementes, devendo o Colégio ser inaugurado, querendo Deus, no dia 07 de abril. Desnecessário é encarecer os inúmeros benefícios que advirão para os agricultores nortistas, em Conceição. Encontrarão um asylo seguro, onde seus filhos aprenderão arrotear a terra, dela tirando prática e cientificando incalculáveis lucros. Nossos aplausos ao incansável franciscano e parabéns à população de Conceição do Serro.”

Jornal A Estrela Polar - 24/02/1918 Estatuto do Colégio São Francisco de Conceição do Serro/ Minas – “Os padres capuchinhos da cidade de Conceição do Serro acabam de construir um edifício em um sítio pitoresco e salubre, próximo à cidade, com fim de fundar um Colégio destinado ao ensino primário, conforme o programa escolar do Estado, e ao ensino teórico e prático da agricultura. Com este estabelecimento, os Padres Capuchinhos visam tão somente proporcionar aos habitantes da zona um meio fácil de dar aos seus filhos uma só instrução e educação e os conhecimentos necessários para aproveitar o solo, donde provém a riqueza da nação. Aceitam-se somente alunos internos, possuindo o edifício as necessárias acomodações. O Colégio será inaugurado no primeiro domingo depois da Páscoa, a 7 de abril do

corrente ano, e os alunos deverão ser matriculados durante o mês de março. Condição de admissão: a mensalidade é de 25$000, e deverá ser pago adiantamento por trimestre. Os alunos, no ato da matrícula, pagarão uma joia de 20$000, e lhes serão fornecidos uma cama, um colchão e um travesseiro. Lavagem de roupa, médico, remédios, bem como livros, cadernos e mais objetos escolares correrão por conta dos alunos. Não se aceitam alunos com moléstias contagiosas. Os alunos não devem ter menos de 8 anos completos, nem mais de 16. É conveniente que os alunos de fora tenham um representante na cidade. Não haverá nenhuma diferença quanto ao pagamento das mensalidades, e estas serão feitas por inteiro, não se descontando as falhas. Disciplina: Os alunos que não tiverem bom comportamento, ou não forem bem aplicados no estudo, se, depois de admoestados, não se corrigirem, serão expulsos do Colégio por prévio aviso aos respectivos pais. Os pais e parentes poderão visitar os alunos aos domingos, das 12 às 17 horas, e, em caso extraordinário, em qualquer dia, com licença do diretor. Enxoval: 3 ternos de roupa para uso diário; 1 uniforme de brim amarelo, que será confeccionado no Colégio; 6 camisas, 6 ceroulas, 2 camisas para dormir, 2 toalhas de rosto, 1 toalha para banho, 1 ceroula curta para banho, 6 lençóis, 6 pares de meias, 4 lençóis e 4 fronhas, 1 cobertor, 2 colchas brancas, 2 pares de botinha, 1 par de chinelos, 1 saco para roupas servidas, 1 bacia de rosto, 1 urinol, 1 talher, 1 tigelinha de ferro esmaltado. Redator: Padre Levi Pires de Oliveira”

Jornal A Estrela Polar - 28/07/1918 Fundação/inauguração: Cultuando esse belo ideal estão os beneméritos Capuchinhos na pequena cidade de Conceição do Serro, no centro do Estado de Minas. Depois de haverem fundado a instância do venerando arcebispo Dom Joaquim Silvério, um próspero Colégio para meninas sob a direção de Religiosas Franciscanas, considerando a falta de educação para o trabalho agrícola, naquelas excelentes terras tão abandonadas, resolveram fundar uma modesta escola para instrução primária, religiosa e agrícola. A ideia foi acolhida com entusiasmo por aquele excelente povo católico. A Câmara Municipal doou-lhes para isso um bom terreno de 10 alqueires a pouco mais de um quilômetro da cidade, possuindo magnífica aguada, em localidade salubre e aplausível, e abriu uma boa estrada para a cidade. O governo federal forneceu máquinas agrárias e sementes. E a escola foi inaugurada no dia 26 de ju-

nho, com grande festa a que se associaram todos os habitantes com muito regozijo. O infatigável Frei Gaspar de Modica, que pregou ali com muito sucesso durante o Jubileu do Nosso Senhor Bom Jesus, veio ao Rio solicitar mais alguns auxílios do governo para tão meritória obra. É de esperar que por ela se interesse o honrado presidente da República. A escola, que é destinada especialmente a meninos, preparando-os para a lavoura, está sob a direção de Frei Vicente de Licodia, estimadíssimo vigário de Conceição. Redator: Padre Levi Pires de Oliveira”.

Excerto de Jornal não identificado - 4/10/1918 Evento religioso: “Dia de São Francisco de Assis – foi realizada neste dia a primeira solenidade religiosa no edifício do Colégio Agrícola, comemorando-se assim o aniversário da colocação da pedra fundamental do estabelecimento, com missa cantada, celebrada pelo vigário e também diretor, o Frei Vicente de Licodia. Durante a missa foi cantada a belíssima Ária italiana “Alla mente confusa” (letra de Giuseppe Giuste e música de F. Paolo Toste), sendo acompanhada ao “harmonium” pelo distinto amador, sr. Joaquim Ribeiro Costa. Após a missa foi servido um café e chá com sequilhos. E, às 16h30m, foi oferecido um jantar tendo por sobremesa finos doces e deliciosos vinhos. Na oportunidade, usaram a palavra o frei Jacinto, o aluno Sebastião de Almeida e o Professor Polycarpo de Figueiredo, que dissertou sobre o tema “Instrução, Educação e Trabalho”, considerado a partir do ponto de vista agrícola; e em nome dos conceicionenses dirigiu a Frei Vicente

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efusivos agradecimentos pelo muito que tem feito em prol do progresso da cidade. Em seguida, em frente ao edifício do Colégio, em homenagem ao Governo do Estado e à Câmara Municipal, foram cantados pelos alunos, em conjunto com as educandas do Asilo São Joaquim e o povo presente, o Hino da Bandeira e o Hino Nacional Brasileiro.”

Jornal A Estrela Polar - 26/12/1920 Educação/Ano letivo: “Breve notícia sobre o encerramento do ano letivo de 1920 – No dia 13 de novembro passado, às 16 horas, foram encerradas as aulas e, no dia 16, começaram os exames. O ensino é dividido em três cursos: secundário, médio e primário. No secundário, acham-se matriculados 14 alunos, e constam as seguintes disciplinas: Português, Francês, Aritmética, Geografia, História do Brasil, Desenho, Religião e Agricultura. No médio, acham-se inscritos 22 alunos, e as matérias ensinadas são as mesmas, menos Francês e Desenho. O ensino primário consta de: Língua Pátria e leitura desenvolvida, escrita e conhecimento de redação, narração e descrição, Aritmética, compreendendo as quatro operações sobre números inteiros, frações ordinárias e decimais, sistema métrico e resolução de problemas sobre esses conhecimentos, Religião e Agricultura. Em todos os três cursos é ministrado o Ensino Moral e Cívico. Como se vê, o Colégio é frequentado por 73 alunos, matrícula esta que, neste 2º ano de existência do Instituto, é verdadeiramente animador. A congregação dos professores, para boa ordem dos exames e incentivo dos alunos, resolveu instituir prêmios aos que mais se distinguissem e, para isso, foram oferecidas pelo Revmo. Padre Frei Vicente de Licodia, D.D. Diretor e Fundador do Colégio, 21 belíssimas medalhas com a legenda “Honra ao Mérito”, pendentes de fitas com as cores nacionais e foram classificadas com direito a esses significativos alunos. O resultado dos exames foi magnífico, não obstante como deve acontecer em todos os Colégios bem dirigidos, quando as bancadas examinadoras agem com justiça, sem considerações pessoais, como se deu com a do Colégio São Francisco. Houve diversas inabilitações e essas “bombas” resultaram em lágrimas ardentes. Concluídos os exames, no dia 25, foi marcado pelo Revmo. Diretor o dia 28 do referido mês para se efetuar a Sessão Solene de Encerramento. O ato de exames foi presidido pelo diretor estando sempre presente o Corpo Docente, que é constituído dos seguintes lentes: Padre Frei Vicente de Licodia, Padre Frei Jacinto Infantino, Padre Frei Gregório Abbo de Licodia. Professores: Advogado José Ribeiro Costa, Joaquim Ribeiro Costa, José Avelino Pereira, João Antônio Moreira. Também estiveram presentes: Dr. José Ferreira de Andrade, M.D. Presidente da Câmara, farmacêutico Orlando Augusto Guerra, por si e como representante do Exmo. Sr. Dr. Manoel da Matta Machado, Major Ernesto Moreira, Pharmaceutico Juvêncio de Miranda e Moreira, e o professor José Polycarpo de Figueiredo e Silva. Redator: Padre Levi Pires de Oliveira.”

Jornal A Estrela Polar - 01/05/1921 Evento festivo/inauguração/obras no Colégio: “Magníficas homenagens ao Exmo. Sr. Arcebispo Metropolitano, Dom Joaquim Silvério de Sousa, significativas demonstrações de afeto, de submissão e de respeito ao S. Excia. Revmo, na sua ida e volta a Conceição do Serro. Bênção do Colégio Agrícola São Francisco por S. Excia. Revmo. Sr. Arcebispo D. Joaquim, a convite do Revmo. Sr. Vigário Frei Vicente de Licodia, fundador e diretor do Colégio Agrícola São Francis-

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co. Aqui chegou o Exmo. Revmo. Sr. Arcebispo Dom Joaquim Silvério Sousa, vindo também em sua companhia o Revmo. Padre Levi Pires de Oliveira, ilustre conceicionense, o qual, residindo em Diamantina, no Palácio Archiepiscopal, exerce ali diversas importantes funções, sobressaindo, entre elas, a de redator e diretor de “A Estrela Polar”. S. Excia., o sr. Arcebispo, veio benzer a parte nova do Colégio Agrícola e a respectiva capela. No dia 8 seguiram para o Arraial de Córregos o Revmo. Frei Gregório Abbo e o distinto moço diamantinense, Sr. José Avelino Pereira, lente no Colégio, os quais foram comissionados pelo Revmo. Diretor para receber naquele arraial o Exmo. Sr. Arcebispo afim de acompanhá-lo até o Colégio. O majestoso edifício estava soberbamente engalanado. Admirava-se e apreciava-se, além do bom gosto que presidia a ornamentação externa, o grande número de variadíssima folhagem, em vasos primorosos, orquídeas, palmeiras e odoríferas, assim naturais como artificiais, na parte interna, normalmente na escadaria e na Capela. Esta tem espaço para trezentas ou mais pessoas, que, muito comodamente, podem assistir às funções religiosas. Por seis grandes e largas janelas, e uma porta que se abre para o pavimento superior do alpendre, recebe ar e luz. O Reverendo Frei Vicente empenhou na sua moderna construção o melhor do seu invejável talento e da sua operosidade admirável. Consta, além da capela e do alpendre, de 7 grandes salões para


Jornal A Estrela Polar - Ano XXX, nº 5, 14/02/1932 Educação/Instalação do curso secundário: “Prezado Senhor, tenho o prazer de comunicar-vos que o Colégio Agrícola São Francisco, fundado nesta cidade em 1918 e dirigido pelos padres capuchinhos, acaba de entrar em regime de inspeção preliminar para o efeito de sua equiparação a Ginásio Oficial. Mantém, portanto, além do curso primário e do ensino prático de agricultura, o curso completo de preparatórios, com exames válidos para a matrícula nas escolas superiores da República. Nosso intuito pleiteando, embora com sacrifício, a oficialização do curso secundário mantido no Colégio Agrícola é beneficiar ainda mais a mocidade desta zona e de todo o nordeste mineiro. O Colégio Agrícola está magnificamente situado, dispõe de todas as instalações necessárias, e o ensino, nos diversos ramos de seu programa, é nele ministrado por professores competentes e escolhidos. A pensão, tanto para o internato como para o externato, está ao alcance de todos. O ano letivo começa a 1º de maio, já estando abertas as inscrições para os exames de admissão ao primeiro ano. Pensão anual - Curso Ginasial: 900$000; Curso Primário: 700$00; Externato: 300$000; Joia de matricula: 50$000. Servo amigo, Frei Vicente de Licodia”.

Jornal A Estrela Polar - Ano XXX, n. 17, 24/04/1932 Evento/Instalação do Ginásio: “O Colégio São Francisco de Conceição - No dia 01 do mês corrente, foi instalado, com grande solenidade, o Colégio São Francisco, na cidade de Conceição, comparecendo ao ato as autoridades locais. O orador oficial foi o Dr. Joaquim Bento Ferreira Carneiro. Falaram também o diretor do estabelecimento, Revmo. Padre Vicente de Licodia, o Juiz de Direito Dr. Joaquim Athayde, m.d. presidente da sessão da instalação. Os presentes foram servidos de profuso copo de cerveja e lauto jantar. Nossos parabéns aos revmos. Padres Capuchinhos e ao futuroso município de Conceição pelo grande melhoramento, que vem trazer, incontestavelmente, especial progresso tanto para aquela zona como para o município e a cidade”. aulas, refeitório e dormitório, sendo para apreciar-se que o último tem comprimento de 25 metros e 10 de largura, recebendo ar e luz por 12 grandes janelas. Além disso, tem diversas dependências, tais como: cozinhas, quartos para empregados, 3 pavilhões, engrinaldados de trepadeiras e flores diversas, viveiro de passarinhos, jardins etc. Resumindo, o Colégio Agrícola São Francisco é uma das mais belas e aprazíveis construções deste município e, sob o ponto de vista higiênico, nada deixa a desejar: está assente no alto de um outeiro e o abastecimento de água é completo, tendo ao menos de duzentos metros belíssima cascata e banheiros naturais, onde os alunos fazem diariamente exercícios de natação. Mas o objetivo é darmos notícia da preciosa vinda do Sr. Arcebispo à nossa cidade. Sua chegada ao Colégio foi magnífica: grande número de cavaleiros que de longe o foram encontrar, os alunos em número maior de 60, formados em duas extensas alas, excelentes peças executadas pela Banda de Música do Colégio, sobressaindo, em primeiro lugar, o majestoso Hino Nacional Brasileiro, sob a direção e regência do lente João Antônio Moreira, fogos artificiais e girândolas, formidáveis salvas dadas com a tradicional rouqueira no alto do Matosinhos, cujo formoso e secular templo se observa do Colégio a um quilômetro de distância.”

Boletim do Bom Jesus - Ano II, n. 17, 5/12/1941 Dia 27/11 - Educação/formatura: Solenidade de formatura do ano letivo de 1941. Alunos que concluíram o curso: Caio Baía Viana, Djalma Andrade Carneiro, Gil Moreira Ferreira, Guilhobel Sales, José Pedro da Silva, Milton Moreira Ferreira, Orlando de Almeida Rajão, Raimundo de Paula Ferreira, Randolfo de Sales, Terezinho Viera de Souza, Valler de Souza Ribeiro e Valter Rocha Tanure. Prêmios concedidos pelo Ginásio: 5ª série – PROCEDIMENTO: Guilhobel Sales; APLICAÇÃO: Raimundo de Paula Ferreira; 4ª série – PROCEDIMENTO: Edson dos Santos Ferreira; APLICAÇÃO: Enio Cardoso Viana; 3ª série – PROCEDIMENTO E APLICAÇÃO: Enio Cardoso Viana; 2ª série: PROCEDIMENTO: Wilton José dos S. Ferreira; APLICAÇÃO: Joaquim Generoso; 1ª série: PROCEDIMENTO: Valter dos Santos Ferreira; APLICAÇÃO: Antonio Rosa Lima. Prêmios concedidos pela Prefeitura aos alunos por ela subvencionados: 5ª série – 1º Prêmio: José Pedro da Silva; 1ª série – 2º Prêmio: Luiz da Silva Santiago; 4ª série – 3º Prêmio: Raimundo Benedito da Silva. A matrícula total, em 1941, somou 103 alunos, assim distribuídos: 12 na 5ª série; 15 na 4ª série; 15 na 3ª série; 24 na 2ª série; 35 na 1ª série e 2 no curso de admissão. Promovidos à 5ª série: Altemiro Martinez, Edson dos Santos Ferreira, Enio Cardoso Viana, João Batista Laper-

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tosa, José Alcici, José Belisário, Marco Túlio Viana, Mardonio da Rosa e Silva, Osvaldo Rajão, Orígenes Quaresma da Costa, Raimundo Benedito da Silva, Raimundo Feliciano Cirino, Silvio Viana, Vito José L´Abbate e Wison Martini. Promovidos à 4ª série: Alberto Ribeiro Correia, Euro Cardoso Viana, Francisco José Correia, Geraldo Ribeiro, Hélcio Pereira, Hermógenes Almeida, Itagiba Alves Santos, José Antônio Tomás, José Euler de Carvalho, José Teixeira Moreira, Nicanor Antunes e Raimundo Baía Viana. Promovidos à 3ª série: Adail da Silva Franco, Amauri Tomich, Antonio Chiabi, Antonio Duarte Sobrinho, Antonio Pires Carneiro, Francisco Tomás Pessoa, Geraldo Aníbal Neves, Humberto Taroni, Ildeu Esteves Guedes, Ítalo Bossi, João Tomich, Joaquim Generoso, José Arruda Teixeira, José Joaquim de Souza, Sidnei Soares Machado e Wilton José dos Santos Ferreira. Promovidos à 2ª série: Abdo Massud Abu Kamel, Américo Abrantes, Antonio Jose Prates, Antonio Pires da Silva, Antonio Rosa Lima, Bento Silva Costa, Carlos Soares da Silva, Emílio Pinto Rocha, Expedido Caetano Leão, Francisco Hugo Badaró, Ilmar Alves Santos, Inácio Abrantes, João Batista C. Alves, José Almeida Filho, José Almeida e Silva Júnior, José Anchieta Maia, José Dias Pinto Coelho, Jeovano Batista Pinto, Luiz da Silva Santiago, Luiz Gonzaga Prates, Milton Pinto Rocha, Modad Ali, Newton de Almeida Barreto, Nilton Nei Maia, Paulo Ferreira da Silva, Rui Manoel Quaresma, Silvio Alves Pinto e Valter dos Santos Ferreira. Promovidos à 1ª série: Luiz Camilo Ferreira e Raimundo Teixeira de Andrade. Promoções com dependência: Rubens Ferreira Belisário e Sebastião Ferreira Neto na 3ª série; Flávio Prates e Mario Esteves Guedes na 2ª série. Reprovados: dois alunos da 3.ª série; seis alunos da 2ª série e sete alunos da 1ª série. (2ª pg).

Boletim do Bom Jesus - Ano II, n. 18, 21/12/1941 Anúncio do Colégio Agrícola São Francisco: “Dirigido pelos padres Capuchinhos – Cursos de Admissão e Ginasial sob inspeção permanente do Governo Federal – INTERNATO: 1:200$000 – EXTERNATO: 400$00 – Diretor Frei Vicente de Licordia” (4ª pg).

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Boletim do Bom Jesus - Ano II, n. 19, 30/01/1942

Boletim do Bom Jesus - Ano II, n. 23, 29/03/1942

Educação/Ano Letivo: Nota sobre a abertura de matrícula ao Curso de Admissão do Colégio Agrícola São Francisco, cujas aulas se iniciarão em 02 de fevereiro. Anúncio sobre os cursos narra o seguinte: “além das cinco séries ginasiais, funciona, durante o ano letivo e nas férias, o Curso de Admissão, para candidatos a essas séries. Sobre a Pensão diz: “é o Colégio que oferece, em todo Estado de Minas, melhores vantagens aos pais: INTERNATO por ano letivo: 1:200$000; EXTERNATO por ano letivo: 400$000. O pagamento é feito em duas prestações, em março e julho. Além da primeira prestação, em março se pagam as taxas de 50$000 de matrícula e 60$000 de Inspeção Federal”. (4ª pg).

Educação/ano letivo - Nota sobre o início das aulas do curso secundário ginasial do Colégio Agrícola S. Francisco, marcado para o dia 06 de abril. (2ª pg). Lista dos alunos que se inscreveram para o exame de admissão à 1ª série, composta por 46 nomes, com médias que vão de 82, a maior, até 50, a menor. (3ª e 4ª pgs)

Boletim do Bom Jesus - Ano II, n. 21, 28/02/1942

Boletim do Bom Jesus - Ano III, n. 27, 14/06/1942

Educação/exames: Nota informando que, no dia 10 de março, serão processados os exames de segunda época, ocasião em que os candidatos deverão apresentar o requerimento selado com 2$000 federais e $200 de educação. Sobre os cursos, narra o seguinte: “além das cinco séries ginasiais, funciona, durante o ano letivo, e nas férias, o Curso de Admissão, para candidatos a essas séries”. Sobre a Pensão diz: “é o Colégio que oferece, em todo Estado de Minas, melhores vantagens aos pais: INTERNATO por ano letivo: 1:200$000; EXTERNATO por ano letivo: 400$000. O pagamento é feito em duas prestações, em março e julho. Além da primeira prestação, em março se pagam as taxas de 50$000 de matrícula e 60$000 de Inspeção Federal”. (4ª pg)

Obras no Colégio: nota informando sobre o estágio adiantado das obras da nova construção do Colégio Agrícola São Francisco. Um prédio em alvenaria e pedra, ao lado do antigo estabelecimento, em estilo moderno e “de acordo com as exigências da moderna pedagogia”, medindo 31 metros de frente e 26 de fundo. (3ª pg).

Boletim do Bom Jesus - Ano II, n. 22, 11/03/1942 Anúncio – Sobre os cursos, narra o seguinte: “além das cinco séries ginasiais, funciona, durante o ano letivo e nas férias, o Curso de Admissão, para candidatos a essas séries. Sobre a Pensão diz: “é o Colégio que oferece, em todo Estado de Minas, melhores vantagens aos pais: INTERNATO por ano letivo: 1:200$000; EXTERNATO por ano letivo: 400$000. O pagamento é feito em duas prestações, em março e julho. Além da primeira prestação, em março se pagam as taxas de 50$000 de matrícula e 60$000 de Inspeção Federal. (4ª pg)

Boletim do Bom Jesus - Ano II, n. 26, 14/05/1942 Obras no Colégio - Sobre a inauguração que ocorrerá, no dia 17, do novo campo de esportes do Colégio Agrícola, com um jogo entre o São Francisco E. C. e o Independente F. C., da cidade, às 13 horas. (4ª pg).

Boletim do Bom Jesus - Ano III, n. 28, 31/07/1942 Educação/estatística: A cidade de Conceição, no ano de 1942, possuía: 595 residências particulares; 63 casas com finalidade particular; cinco repartições públicas; cinco estabelecimentos de ensino; um hospital; cinco igrejas e capelas; 38 prédios com fins particulares, sendo o número total de prédios 714. A população da sede em 1940: 3.000 almas.” (1ª pg).

Boletim do Bom Jesus - Ano III, n. 31, 25/09/1942 Nos dias 7 e 8, os alunos do Ginásio apresentaram o drama “O MÁRTIR DO DEVER”.

Boletim do Bom Jesus - Ano III, n. 32, 25/10/1942 Evento Religioso - Retiro Espiritual pregado pelo Revmo. Frei Dionísio Monterosso aos ginasianos do Colégio

Agrícola de São Francisco, nos dias 2 e 3 de outubro, sendo encerrado no dia 4, na festa de São Francisco, tutelar do educandário. (3ª pg).

Boletim do Bom Jesus - Ano III, n. 33, 29/11/1942 Obras no Colégio - Nota informando sobre a inauguração de uma parte do novo prédio onde funcionará o Ginásio São Francisco, marcada para o dia 30/11. Segundo o seu diretor, o Pe. Frei Vicente de Licodia, no salão nobre do novo estabelecimento, serão inaugurados os retratos do Presidente da República, Getúlio Vargas, do Governador do Estado, Olegário Maciel Dias, e do Ministro da Educação, Gustavo Capanema. A bênção solene do prédio será no dia 15 de março do ano seguinte, pelo bispo de Diamantina, D. Serafim. (1ª pg) Traz ainda um informe sobre a data do início dos exames orais para os alunos das três primeiras séries e o Exame de Licença para a 4ª série, no dia 1/12. (2ª pg).

Boletim do Bom Jesus - Ano IV, n. 35, 28/01/1943 Educação: Aviso sobre as aulas do curso de admissão, marcadas para começar no dia 01 de fevereiro; de 01 a 15 de fevereiro, procede-se à matricula dos alunos ao curso de admissão; pois os exames de admissão e os exames de se-

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gunda época serão realizados nos últimos dias de fevereiro; e as matrículas serão realizadas de 01 a 14 de março. (2ª pg). Anúncio com foto do novo prédio do Ginásio. A Pensão é de Cr$ 1.200,00 para o INTERNATO e Cr$400,00 para o Externato; o pagamento é feito em duas prestações, em março e julho. Além da primeira prestação, em março se pagam as taxas de 50$000 de matrícula, e 60$000 de Inspeção Federal. (3ª pg).

Boletim do Bom Jesus - Ano IV, n. 36, 24/02/1943 Dia 24/02: Aviso sobre os exames de admissão, que serão realizados no dia 27 de fevereiro; sobre a chamada para os exames de segunda época; e sobre a matrícula dos alunos, do dia 01 a 14 de março. (2ª pg).

Boletim do Bom Jesus - Ano IV, n. 44, 24/10/1943

Boletim do Bom Jesus - Ano V, n. 42, 27/08/1944 Evento Cívico - Nota sobre uma parada cívica a ser realizada no dia 7 de setembro, pelos alunos do Ginásio. (2ª pg). Comemoração do “Dia de Caxias” pelo Grêmio Literário Pe. Anchieta, no dia 25/08. (2ª pg).

Evento cívico - Comemoração do Dia da Criança no ginásio, no dia 12/10. Também foi homenageado o descobridor das Américas. (2ª pg).

Boletim do Bom Jesus - Ano V, n. 53, 29/10/1944

Boletim do Bom Jesus - Ano IV, n. 45, 20/12/1943

Evento Religioso/Cívico: Festa de São Francisco realizada no Ginásio, organizada pelos alunos do 3º ano, com missa na capela, ricamente ornamentada para a ocasião, no dia 04/10. (2ª pg). Festival promovido pelo Grêmio Literário Pe. Anchieta, no palco da Escola Normal São Joaquim, com apresentações do drama “Os Dois Irmãos” e a comédia “O Fotógrafo em apuros”, no dia 07. (2ª pg).

Educação/Entrega de Prêmios: ocorreu no dia 5, às 9h, no salão nobre do Ginásio. Foram premiados os seguintes alunos: 3ª série – Procedimento: José Almeida Filho; Aplicação: Valter dos S. Ferreira; Religião: Valter dos S. Ferreira. 2ª série – Procedimento: José Carlindo S. Ferreira; Aplicação: Antonio Batista Silva; Religião: Antonio Abreu Filho. 1ª série – Procedimento: Antonio Viana de Matos; Aplicação: Godofredo C. A. Filho; Religião: 1º prêmio: Silvio A. Matias; 2º prêmio: Afonso Correia Ribeiro. O discurso de encerramento coube ao fiscal Francisco Armando da Fonseca Pessoa. No dia 8, realizou-se a entrega dos certificados aos alunos que concluíram o curso ginasial. (2ª pg). Resultado do Ano Letivo de 1943: Concluíram o Curso: Antonio Carneiro Chiabi, Antonio Duarte Sobrinho, Antonio Pires Carneiro, Francisco Tomaz Pessoa, Geraldo Aníbal Neves, Ildeu Esteves Guedes, Ítalo Siqueira Bossi, Joaquim Rômulo Generoso Guimarães, José Joaquim de Souza, Mário Esteves Guedes, Sidnei Soares Machado e Wilton José dos Santos Ferreira. – Promovidos à 4ª série: Antonio José Prates Santos, Antonio Rosa Lima, Bento Silva Costa, Expedito Caetano Leão, José Almeida Filho, José Almeida e Silva Junior, José Soares Ferreira, Jovano Batista Pinto, Oto Nogueira Machado, Valter dos Santos Ferreira e Humberto José de A. Costa – Promovidos com Dependência: Antonio Pires da Silva, Francisco Ribeiro, Luiz da Silva Santiago e Osmar de Almeida Rajão. Não promovidos: dois alunos. – Promovidos à 3ª série: Agenor Moreira da Costa Júnior, Antonio de Abreu Filho, Antonio B. da Silva, Antonio S. Costa, Helio E. de Bastos, Ildeu Viana de Matos, Jair Luchesi Miranda, João Bernardino de Sena Filho, João Climaco da Costa, Joaquim Bento Chiabi, José Maria Caetano, José dos Santos Ferreira, Leci José Tofani, Miguel José de Freitas e Raimundo Teixeira Andrade – Promovidos com dependência: Geraldo Baía Viana, José Carlindo dos S. Ferreira, José Silva Costa, Marcos de Vasconcelos Gomes e Quintiliano Utsch de Oliveira. Não promovidos: três alunos. – Promovidos à 2ª série: Afonso Correia Ribeiro, Alberto Brandão, Altair Teixeira, Aluísio Bittencourt Figueiredo, Artur Málio Brandão, Benito Mussolini Barreto, Beverli Madureira de Oliveira, Bruno Pires Carneiro, Francisco Ferreira Jorge, Godofredo Cândido de Almeida Filho,

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Honório Onofre de Abreu, José Alencar Tomás, José Natalício A. Carneiro, José Oliveira Simões, José Paulo Tomás, José Pena Ferreira, José Teodorico Lages, Miguel Vasconcelos Safe, Raimundo da Silva Roque, Sebastião de Paula Ferreira, Silvio Alves Matias e Valdir Costa – Promovidos com Dependência: Antonio Almeida e Silva, Antonio de Matos Pinto, Antonio Viana de Matos, Eder Leite, Hélio Cirino, Honório Pires da Silva, José Cirino dos Santos, José Costa A. Lages, José Darci da Silva Santiago, Paulo Costa Carneiro e Pedro de Almeida e Silva. Não promovidos: oito alunos. (3ª pg).

Boletim do Bom Jesus - Ano V, n. 54, 24/12/1944 Educação/Entrega de certificados: Solenidade de entrega dos certificados aos alunos promovidos, no auditório da Escola Normal S. Joaquim. Foram matriculados 114 alunos e concluíram o curso em 1944: Antonio J. Prates Santos, Antonio Pires da Silva, Antonio Rosa Lima, Bento Silva Costa, Expedido Caetano Leão, Francisco Ribeiro, Humberto José de Almeida Costa, José Almeida Filho, José de Almeida e Silva Júnior, José Soares Ferreira, Luiz da Silva Santiago, Osmar de Almeida Rajão e Valter dos Santos Ferreira. Promovidos à 4ª série: Antonio Abreu Filho, Antonio Batista da Silva, Antonio Silva Costa, Agenor Moreira da Costa, Hélio de Miranda Pires, Ildeu Viana de Matos, João Climaco da Costa, José Silva Costa, Joaquim Bento Chiadi, José de Oliveira Santos, José Maria Leão, Juvenal Machado de Barros, José Carlindo dos Santos Ferreira, Leci José Tofani, Quintiliano Utsch de Oliveira, Miguel José de Freitas e José dos Santos Ferreira. Promovidos com dependência: Antonio Deusdedit Gonçalves, Hélio Euzébio de Bastos, João Bernardino de Sena, Marcos de Vasconcelos Gomes, Newton Barreto e Valter Lucas Dias Duarte. Reprovados: 2 alunos. Promovidos à 3ª série: Alberto Malio Brandão, Altair Teixeira, Aluísio Bittencourt, Benito M. Barreto, Berveli M. de Oliveira, Eder Leite, Francisco F. Jorge, Godofredo Cândido de A. Júnior, Hélio Cirino, Honório Pires, Honório O. de Abreu, José Natalício A. Carneiro, José Cirino dos Santos, José Batista de Moura, Jurandir Gonçalves de Almeida, José Alencar Tomás, José Paulo Tomás, José Teodorico Lages, Rogério Alvarenga, Sebastião P. Ferreira, Silvio Matias e Valdir Costa. Promovidos com dependência: Antonio Almeida e Silva, Antonio Viana de Matos, Artur Malio Brandão, Bruno Pires Carneiro, Cássio Cruz dos S. Ferreira, José Darci Santiago, José Mata Machado, José Costa Lages, Laércio dos S. Ferreira, Miguel Vasconcelos


Cidade de Conceição no início do século XX: destaque para o sobrado da Prefeitura Municipal

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Safe, Narciso M. Martins, Paulo Costa Carneiro e Raimundo da Silva Ramos. – Reprovados: dois alunos. – Promovidos à 2ª Série; Antonio Mateus de Andrade, Antonio Leite Fernandes, Aníbal Simões, Carlos Henrique S. Carneiro, Cid Utsch Jorge, Domingos Sávio C. Pereira, Geraldo Costa, Hermindo Tofani, José Batista F. Filho, José Cheab Santiago, José Estanislau de Morais, José Tales Carneiro, Orlando C. Guerra, Romeu Pereira da Conceição, Silas Lúcio Gonçalves e Sebastião Simões. – Promovidos com dependência: Amavel V. Malta, Carlos de Abreu, Domingos F. Santana, Miguel Tanure Filho, João Portilho Neto, Odilon A. Rajão, Romeu Deusdedit Gonçalves e Sírio Davi de Abreu. – Reprovados na 1ª série: nove alunos. – Aprovados no curso de Admissão: Amélio Soares Carvalho e Vagner Vaz Ferreira. Menção Honrosa: 4ª Série - PROCEDIMENTO: 1º lugar – José Almeida Filho; 2º lugar – Valter S. Ferreira; APLICAÇÃO: 1º lugar – Valter dos S. Ferreira; 2º lugar – José de Almeida e Silva Júnior; RELIGIÃO: 1º lugar – Valter S. Ferreira Júnior. 3ª Série - PROCEDIMENTO: 1º lugar – José Carlindo dos S. Ferreira; 2º lugar – Helio Bastos - APLICAÇÃO: 1º lugar – Antonio Batista Silva; 2º lugar – Agenor Moreira; RELIGIÃO: 1º lugar – Antonio Abreu Filho. 2ª Série – PROCEDIMENTO: 1º lugar – Silvio Alves Matias; 2º lugar – Antonio V. Matos; APLICAÇÃO: 1º lugar – Jurandir Gonçalves; 2º lugar – Silvio A. Matias; 1ª Série: PROCEDIMENTO: 1º lugar – Romeu Pereira da Conceição; 2º lugar – Antonio Mateus; APLICAÇÃO: 1º lugar – Romeu Pereira da Conceição; 2º lugar – José Batista F. Filho; RELIGIÃO: 1º lugar – Romeu P. Conceição. (2ª pg). Nota sobre o início do Curso de Admissão, com previsão para o dia 01 de fevereiro. (5ª pg).

Boletim do Bom Jesus - Ano VI, 7/10/1945 Evento Religioso: Retiro Espiritual pregado pelo Pároco do Morro do Pilar, Pe. Tarcísio, aos alunos do Ginásio, iniciado em 01 de outubro e encerrado no dia 4. (3ª pg); Evento Cultural/ Grêmio Literário: Realização, no dia 07, de um “grande festival cômico-dramático-musical” pelo Grêmio Literário Pe. Anchieta, no palco-teatro da Escola Normal São Joaquim, às 19h30m, quando se apresentou um drama em 4 atos – “O Falso Amigo”, e a comédia “João Simplício”. (2ª pg).

Boletim do Bom Jesus - Ano VI, n. 65, 22/01/1946 Anúncio com a pensão ao Internato de Cr$1.950,00 por ano letivo; ao Externato de Cr$ 750,00 por ano letivo, pagas em três prestações, em março, julho e setembro, mais as despesas de lavanderia,exames médico-biométricos, cabelereiro. (2ª pg).

Boletim do Bom Jesus - Ano VII, n. 73, 15/02/1947 Anúncio/Ano Letivo – Informações sobre a contribuição: Pensão internato – Cr$2.400,00; Externato – Cr$ 750,00. Avisos aos pais: 1º A partir do corrente ano, o Ginásio não recebe ALUNOS EXTERNOS QUE NÃO TENHAM NA CIDADE SEUS PAIS OU PARENTES PRÓXIMOS que se responsabilizem diretamente pelo aluno. [...] 2º O início do ano letivo será dia 1º de março. Período letivo: de 1º de março a 30 de

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junho e de 1º de agosto a 30 de novembro. O mês de julho será de férias, devendo os alunos passarem-nas em suas residências. Matrícula: Curso de admissão – de 1º a 15 de fevereiro. Curso Ginasial – de 15 a 28 de fevereiro. (3ª pg).

Boletim do Bom Jesus - Ano VIII, n. 76, 10/09/1947 Evento: Edição especial do Boletim sobre o Frei Vicente de Licodia, morto em 13/06/1947. Traz uma matéria, entre tantas outras relacionadas ao evento, sobre a última visita que Frei Vicente, já bastante adoentado, fez ao Ginásio, em 31 de maio. (Com foto do novo prédio do Ginásio). (5ª pg); Obras no Ginásio – Posto Meteorológico – A 9 de março de 1922, foi inaugurado, no Colégio Agrícola, o Posto Meteorológico. Esse melhoramento foi conseguido pelo esforço de Frei Vicente e devido à boa vontade de nosso conterrâneo, Dr. Clodomiro de Oliveira, então Secretário da Agricultura. Cooperaram também nesse empreendimento o Dr. Daniel de Carvalho e o Dr. Coussirat de Araújo, ilustre engenheiro gaúcho, que viera a convite do Governo do Estado para organizar a nossa rede metereológica. O Posto, que era de 3ª classe, em 1928 foi elevado à 2ª classe, sendo dotado de excelentes e modernos aparelhos, a saber: barômetro, barógrafo, termógrafo, psicrômetro, termômetros de máxima e mínima, evaporômetro, heliógrafo, catavento e pluviômetro. (3ª pg).

Boletim do Bom Jesus - Ano VIII, n. 78, 20/01/1948 Educação – Nota sobre a formatura do ano letivo anterior, no Ginásio S. Francisco, citando o nome dos “esperançosos moços”: Carlos Henrique S. Carneiro, Cid Jorge, Aníbal Simões, Melio de Almeida Cirino, José Costa A. Lages, José Tales Carneiro, Miguel Vasconcelos Safe, Raimundo da S. Roque. Traz ainda informações sobre jovens da cidade que concluíram o curso superior em faculdades de Belo Horizonte. (4ª pg).

Boletim do Bom Jesus - Ano VII, nº 79, 25/02/1948 Aviso sobre os exames de segunda época, sobre o exame de admissão, sobre a matrícula, prevista para os dias 15 a 29 de fevereiro, e sobre a reabertura do ano letivo, prevista para o dia 1º de março; nota também sobre um curso de admissão destinado a preparar alunos para o ingresso na 1ª série ginasial, que funcionava no salão paroquial, ministrado por dois professores do Ginásio. Trata-se de um curso intensivo, com quatro aulas diárias. (2ª e 3ª folhas); Centro de Treinamento Agrícola – Notícia sobre a formatura da 1ª Turma de Operários do Centro de Treinamento Agrícola, anexo ao Ginásio S. Francisco, no dia 22. Relaciona o nome dos jovens formandos: João Crispiniano de Ávila, Antonio Teixeira de Avelar, José de Almeida Vieira, José Morais de Carvalho, Francisco Gonçalves de Carmo e Pedro Morais de Carvalho. No discurso proferido pelas autoridades, enaltece-se “a dignidade do trabalho e a urgente necessidade do retorno ao campo, condição indispensável à solução de um dos grandes problemas sociais.” (4ª pg).


Boletim do Bom Jesus - Ano VII, n. 80, 13/04/1948 Educação/notas: Honra ao Mérito - a fim de estimular os alunos ao bom procedimento dentro e fora do estabelecimento, a diretoria do Ginásio resolveu levar ao conhecimento do público as notas de procedimento obtidas durante os meses letivos, classificando em 1º lugar os alunos que alcançarem a nota 10 com louvor e, em 2º lugar, simplesmente a nota 10. No mês de março do corrente ano, foram classificados em 2º lugar os seguintes alunos: 4ª série: Aroldo Climaco de Figueiredo; Geraldo S. Pio; José Bento de Aguiar; José Maria Bicalho; José Machado Soares; Silvia A. Carneiro – 2ª série: Lanino E. Safonoff; José Pereira Silveira; José Hilton Melo – 1ª série: Altino de Matos Santos e Vasconcelos V. Vitarelli. (2ª pg).

Boletim do Bom Jesus - Ano VII, n. 81, 16/05/1948 Educação/Biblioteca: Nota sobre a biblioteca mantida pelo Grêmio Literário Pe. Anchieta: “[...] ao público conceicionense, em geral, a Biblioteca Pe. Anchieta oferece os seus livros, proporcionando-lhes a boa leitura, mediante módicas mensalidades pagas pelos seus consulentes [...]” (2ª fl); Quadro de Honra ao Mérito no mês de abril: 1º lugar – 10, com louvor: Geraldo S. Pio – 4ª série; Domingos P. de Almeida – 3ª série; Lanino E. Sofonoff e José Rabelo Filho – 1ª série; 2º lugar 10: Aroldo C. de Figueiredo, Dalvio Teixeira, José Machado – 4ª série; José Hirton Melo, Odilon Pereira de Souza, Lúcio Meira – 2ª série; Euler O. Fernandes, Ismar de Oliveira, Jorge L. Cota e Vasconcelos V. Vitarelli – 1ª série. (4ª série).

Boletim do Bom Jesus - Ano VII, n. 82, 13/06/1948 Evento Religioso: Nota sobre a Congregação Mariana que funciona no Ginásio. (2ª pg).

Jornal Voz de Conceição - Ano I, n. 1, 30/05/1950 Evento Cívico - Empossada nova diretoria do Grêmio Literário Pe. Anchieta, no Salão Paroquial, no dia 23/04, às 20 h. Presidente – Frei Isaías da Piedade; Diretor – Dr. Raimundo A. de Abreu; Secretário – Emide de Sales Pereira; 1º Orador – Odilon Pereira de Souza; 2º Orador – José Boanerges Inácio; Bibliotecário – José Rabello Filho; Tesoureiro – Lanino E. Sofonoff. (3ª pg). Quadro de Honra ao mérito no mês de abril: Nota 10, em Procedimento, 1º lugar – José Rabello Filho (3ª série) e José Gonçalves Madureira (2ª); 2º lugar – Antônio Júlio Magalhães (4ª); José Mário Machado (4ª) e José Newton dos Santos Ferreira (4ª). (2ª pg). Nota sobre a remodelação no Esporte Clube São Francisco: Presidente – Frei Isaías da Piedade; orientação técnica do vôlei e do basquete coube ao prof. José Gomes Abrantes; treinador do futebol – Prof. Dr. Raimundo Abreu. O ECSF excursionou, no dia 07, a S. Sebastião do Bom Sucesso. (4ª pg).

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Jornal Voz de Conceição - Ano I, n. 2, 15/06/1950

Jornal Voz de Conceição - Ano 11, n. 16, 31/03/1951

Educação/Notas - Quadro de Honra ao Mérito no mês de maio – Nota 10, com louvor – Procedimento: 1º lugar – José Rabelo Filho (3ª série), Gaspar de M. Câmara (1ª); 2º lugar – Alberto C. Brant (4ª); José Newton Ferreira (4ª); José Soares Machado (3ª); João Bosco de Carvalho (2ª); Luciano Campos Coelho (2ª); Carlos Alberto Vaz (1ª); Joaquim Rodrigues Jorge (1ª) e Joanito P. Queiroz (1ª). (2ª pg). Nota sobre o Dr. Djalma Andrade, ex-aluno do Ginásio – “ fixará residência entre nós o Dr. Djalma Andrade Carneiro, cirurgião –dentista pela Universidade de Minas Gerais. Ao distinto conceicionense, filho do nosso particular amigo, Prof. Oscarino Ferreira Carneiro [professor do Ginásio]...”. (4ª pg).

Educação - Nota informando que os relatórios de 1950 do Centro de Treinamento, anexo ao Ginásio, foram classificados os melhores de todos os Centros de Treinamento Agrícolas de Minas, tal a sua perfeição e clareza. O técnico encarregado é o Prof. José Gomes Abrantes; evento religioso: missa realizada na Igreja Matriz para marcar o início do ano letivo do Ginásio, no dia 15. (2ª pg). Notícias sobre a preparação do Esporte Clube São Francisco para os eventos esportivos do ano. (4ª pg).

Jornal Voz de Conceição - Ano I, n. 13-14, 1/12/1950 Ginásio/depoimento - Palavras elogiosas do Eminentíssimo Cardeal Motta ao Ginásio S. Francisco – O Ginásio de S. Francisco recebeu hoje mais uma visita, entre muitas outras que lhe temos trazido de longa data. Gratíssima a impressão em nós causada por esta Casa de Ensino secundário e também agrícola. Ela vem mantendo, vantajosamente, a sua tradição, já bastante gloriosa. Centenas e centenas de jovens brasileiros por aqui têm passado e recebido uma formação espiritual, intelectual e física, capaz de plasmá-los em elementos, verdadeiramente, dignos de uma sociedade veramente civilizada e cristã. A elevação da educação aqui ministrada se afigura, à primeira vista, em contraste com a modéstia das instalações do Ginásio. Mas, se bem se considera, tal singeleza é também ótima condição pedagógica para meninos e moços vindos do interior e que, vantajosamente, em grande maioria, retornarão à bucólica vida rural da qual tanto e tanto depende o futuro de nossa Pátria. Bem hajam os Revmos. Padres Capuchinhos, tão beneficentes operários de Deus em nossa Terra, e tão dignos continuadores do apostolado social e cristão do magno Patriarca de Assis. A nossa benção mui cordial para esta colmeia mística, que é o simpático Ginásio S. Francisco. – C. Cardeal de Vasconcellos Motta, Arcebispo de S. Paulo. (6ª pg).

Jornal Voz de Conceição - Ano II, n. 15, 31/01/1951 Educação/Matrículas - Nota sobre a matrícula para as diversas séries do Ginásio, marcada para os dias 15 a 28 de fevereiro. (1ª pg); Depoimento: Palavras do sr. Dr. Último de Carvalho, deputado estadual mais votado do PSD, sobre o Ginásio: “Quem visita esta instituição, sente o quanto pode a vontade humana, quando abençoada por Deus. O Ginásio São Francisco apresenta-se como um dos melhores estabelecimentos de ensino secundário, que tenho visitado. A ordem que pude constatar em tudo diz do zelo que os sucessores de Frei Vicente de Licodia têm para com a causa da instrução dos brasileiros. Prestigiá-los com a nossa presença, e ampará-los com os recursos de que dispusermos, é obra do mais sadio patriotismo. De minha parte, em qualquer posição que a vontade de Deus me colocar, os Frades Franciscanos Capuchinhos encontrarão toda solidariedade que lhes puder proporcionar. Que esta instituição continue para a felicidade do Brasil.” (com uma foto do Colégio). (4ª pg).

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Jornal Voz de Conceição - Ano II, n. 18, 30/04/1951 Educação/Honra ao mérito - Alunos que obtiveram a nota 10, com louvor, em Procedimento no mês de março: José Rabelo Filho (4ª série), João Roberto Neves (4ª), Lourenço Pinto de Oliveira (3ª), Fabiano Leal Costa (2ª); Silvério Portela Carvalho (2ª), Geraldo de O. Brandão (1ª), Raimundo de O. Brandão (1ª) e Lauro de Aguiar França (1ª). (4ª pg).

Jornal Voz de Conceição - Ano II, n. 19, 31/05/1951 Evento Cívico: Eleição para a nova Diretoria do Grêmio Literário Pe. Anchieta, que assim ficou composta: Presidente – Prof. João F. Lima; Secretário – Sebastião Brochado; 1º Orador – José Rabelo Filho; 2º Orador – Gaspar de M. Câmara; Bibliotecário – João Bosco de Carvalho; Tesoureiro – Gabriel Eneias Solonoff. (3ª pg); Escola Rural – Inaugurada, no dia 08, na Vila Frei Vicente, uma Escola Rural. (3ª pg); Educação/Notas - Quadro de Honra ao Mérito no mês de abril – Nota 10, com louvor, em Procedimento – 4ª série – José Rabelo Filho e João Roberto Neves; 3ª série – Lourenço Pito; 1ª série – Lauro Aguiar França; Eduardo Buccini; Geraldo Brandão; Raimundo Brandão e José Duarte. Nota 10: 4ª série – Gabriel E. Sofonoff; 3ª série – Joaquim Batista; 2ª série – Djalma Paiva Martins, Gaspar de M. Câmara, Leone C. Pinto, Idelon Martins, Almir Sousa, Enir D. Guerra, João Viana Fróis, José Alencar Bessa, José Procópio, Manuel Barcelos S. Rui e Sebastião Silveira. (4ª pg). Nota sobre o torneio de futebol inter-séries, cuja premiação de entrega de medalhas aos vencedores e destaques ocorreu no Salão Nobre do Ginásio. (4ª pg).

Jornal Voz de Conceição - Ano II, n. 20, 30/06/1951 Evento Cultural: Nota sobre o Hino do Ginásio, composto pelo poeta mineiro Aníbal Filho, pseudônimo do Pe. lazarista Belchior Joaquim Neto, disciplinário e professor do Seminário de Diamantina. O hino foi composto em 10 de novembro de 1950 e publicado neste jornal em 31 de dezembro do mesmo ano. O hino foi musicado em março de 1951, pela Irmã Edwiges de S. Clara, professora do Colégio de Itambacuri. (2ª pg). Sessão mensal do Grêmio Literário Pe. Anchieta, no dia 22, com a leitura de importantes composições sobre o Brasil e a escravidão. (3ª pg); Honra ao Mérito do mês de maio: 10, com louvor, em Procedimento – José Rabelo Filho (4ª série), João Roberto Neves (4ª), Lourenço Pinto de Oliveira (3ª), Lauro Aguiar França (1ª), Eduardo José Buccini (1ª), Geraldo de O. Brandão (1ª), Raimundo de O. Brandão (1ª) e José Duarte Ferreira (1ª). (4ª pg).


Jornal Voz de Conceição - Ano II, n. 24, 31/10/1951 Evento esportivo: Inaugurado no dia 21 de setembro uma nova quadra de basquete e vôlei. Na ocasião foi disputada uma partida entre o quadro do Ginásio e o do Esporte Clube Conceição. Também ocorreu a entrega da taça conquistada pelo Esporte Clube São Francisco nas disputas dos jogos da Copa Frei Agatângelo. (2ª pg). Educação/formatura: Anúncio da data da formatura para o dia 07 de dezembro, sendo escolhido paraninfo, pelos bacharelandos, o sr. Dr. Prof. Raimundo Antônio de Abreu. (3ª pg).

Jornal Voz de Conceição - Ano II, n. 25, 30/11/1951 Evento cultural: Realização, nos dias 7 e 8, de festival pelos alunos do Ginásio no Cine Paroquial, levando em cena a peça ‘O Cavaleiro do Amor”, drama cujas personagens estavam assim distribuídas: S. Francisco – Angelo Guastaferro; Pedro Bernadone – Gaspar Câmara; Frederico – José Rabelo; Agnello di Todi – João Bosco de Carvalho; Vitorino Olivi – Bruno Guerra; Leonel de Foligno – Oscarlino Marçal; Empregado – Antonio J. Camargo. Também a comédia “Nove e três... minutos”, tendo como figura cômica principal Antonio J. Camargos, que provocou torrentes de gargalhadas. Diz a nota ainda que “Tal foi a afluência que a bilheteria esgotou a vendagem de ingressos, fato jamais acontecido nesta cidade. A renda desse festival se destinou ao Natal dos Pobres.” (1ª e 2ª pg); Anúncio: GINÁSIO SÃO FRANCISCO / Inspeção Permanente: Fundado e dirigido pelos Padres Capuchinhos, em 1918, mantendo o curso ginasial, fiscalizado pelo Governo Federal desde 1932, com o fim de formar moços, verdadeiramente virtuosos, amigos do trabalho, úteis à família e à sociedade. Situado num aprazível recanto da salubérrima cidade de Conceição do Mato Dentro, completamente isolado da mesma, condição indispensável ao estudo sério e proveitoso. Oferece aos alunos todas as vantagens à vida colegial. Programa de Ensino: ao

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lado das disciplinas regulamentares, o Ginásio ministra Instrução Religiosa, formando moral e cristãmente os moços, e bem assim, a Educação Física que lhes proporciona desenvolvimento e saúde do corpo. Mantém um Grêmio Literário, onde os alunos podem manifestar e cultivar os seus pendores para a literatura. Corpo Docente – Selecionado e registrado no Departamento Nacional de Educação. Disciplina – Familiar, rigorosa sem constrangimento, satisfazendo os princípios modernos de pedagogia, e sob a vigilância direta dos Padres Capuchinhos. Esportes – Os alunos praticam os diversos gêneros de esportes, completando o programa de educação física, debaixo de máxima cordialidade. Dispõe de ótima piscina natural de água corrente, vastos campos de futebol, vôlei, basquete, etc. Alimentação – Rigorosamente fiscalizada, farta e sadia, obedecendo às últimas determinações do DEPARTAMENTO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Cursos – Além das quatro séries ginasiais, funciona, durante as férias, o CURSO DE ADMISSÃO, para candidatos a essas séries. Pensão – É o ginásio que oferece, em todo Estado de Minas, MELHORES VANTAGENS aos pais. INTERNATO, por ano letivo, Cr$3.500,00 – EXTERNATO, por ano letivo, Cr$900,00. O PAGAMENTO, EM TRÊS PRESTAÇÕES: EM MARÇO, JUNHO E AGOSTO. No ato da 1ª prestação, o aluno pagará a joia da matrícula. SENHORES PAIS DE FAMÍLIA – Leiam atentamente os dizeres deste aviso e meditem sobre a necessidade da esmerada formação intelectual e moral de seus filhos. Interná-los no GINÁSIO SÃO FRANCISCO é oferecer-lhes educação aprimorada sem grandes dispêndios para a sua bolsa – Educados neste Ginásio, os moços recebem a melhor instrução preconizada pelos mais modernos métodos pedagógicos. Para melhores esclarecimentos, leiam os seus ESTATUTOS, fornecidos gratuitamente pela Diretoria, em CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO.

Jornal Voz de Conceição - Ano II, nº 26, 31/12/1951 Subvenções: O Ginásio recebeu subvenção estadual de Cr$10.000,00, concedida pelo Projeto nº 275, do deputado Augusto Costa. (1ª pg). E subvenção Federal de Cr$15.000,00, no ano de 1952, por requerimento do Deputado Federal Guilherme Machado. (1ª pg). Educação/Colação de Grau, no dia 7/12: solenidades realizadas para colação de grau e entrega das menções honrosas, com missa matinal, visita ao túmulo do fundador do Ginásio e sessão solenene de colação, à noite, no Cine Paroquial. BACHARELANDOS: Altino de Matos Santos, Antonio Geraldo da Silva Filho, Gabriel Eneas Sofonoff, Hércio Luciano Costa, Ismar de Oliveira, Jacyr F. Lazzarini, João Roberto Neves, José Coelho de A. Lages, José Costa Pinto, José Maria P. de Carvalho, José Guido Inácio Rosa, José Rabelo Filho, Oscarlindo Marçal, Perilo Vicente Mandacaru, Sebastião de A. Brochado e Vasconcelos Victor Vittarelli. Prêmios: PROCEDIMENTO – 4ª série – José Rabelo Filho; 1ª série – Lauro Aguiar França, Geraldo de Oliveira Brandão, Raimundo de Oliveira Brandão; RELIGIÃO – 4ª série – José Rabelo Filho; 3ª série – Otacílio de M. Andrade; 2ª série – Gaspar de M. Câmara e Djalma P. Martins; 1ª série - Turma A – Mário Teixeira e Esdras Silveira; Turma B – Eduardo José Buccini; APROVEITAMENTO – 4ª série – 1º Lugar – José Rabelo Filho; 2º lugar – José Guido Inácio e João Roberto Neves; 3ª série – 1º lugar – José Cícero Machado; 2º lugar- Lourenço Pinto; 2ª série – 1º lugar – João Marciano da Silveira; 2º lugar – Gaspar de Mora Câmara; 1ª série – Turma A – 1º lugar – José Pascoal; 2º lugar – Idelond Martins e Fábio Silva; Turma B – 1º lugar – Eduardo José Buccini; 2º lugar – José Duarte de Oliveira. (3ª e 4ª pg.); Anúncio: GINÁSIO SÃO FRANCISCO/ Inspeção Permanente: Fundado e dirigido pelos Padres Capuchinhos, em 1918, mantendo o curso

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ginasial, fiscalizado pelo Governo Federal desde 1932, com o fim de formar moços, verdadeiramente virtuosos, amigos do trabalho, úteis à família e à sociedade. Situado num aprazível recanto da salubérrima cidade de Conceição do Mato Dentro, completamente isolado da mesma, condição indispensável ao estudo sério e proveitoso. Oferece aos alunos todas as vantagens à vida colegial. Programa de Ensino: ao lado das disciplinas regulamentares, o Ginásio ministra Instrução Religiosa, formando moral e cristãmente os moços, e bem assim, a Educação Física que lhes proporciona desenvolvimento e saúde do corpo. Mantém um Grêmio Literário, onde os alunos podem manifestar e cultivar os seus pendores para a literatura. Corpo Docente – Selecionado e registrado no Departamento Nacional de Educação. Disciplina – Familiar, rigorosa sem constrangimento, satisfazendo os princípios modernos de PEDAGOGIA, e sob a vigilância direta dos Padres Capuchinhos. Esportes – Os alunos praticam os diversos gêneros de esportes, completando o programa de educação física, debaixo de máxima cordialidade. Dispõe de ótima piscina natural de água corrente, vastos campos de futebol, vôlei, basquete etc. Alimentação – Rigorosamente fiscalizada, farta e sadia, obedecendo às últimas determinações do DEPARTAMENTO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Cursos – Além das quatro séries ginasiais, funciona, durante as férias, o CURSO DE ADMISSÃO, para candidatos a essas séries. Pensão – É o ginásio que oferece, em todo Estado de Minas, MELHORES VANTAGENS aos pais. INTERNATO, por ano letivo, Cr$4.550,00 – EXTERNATO, por ano letivo, Cr$900,00. O PAGAMENTO, EM TRES PRESTAÇÕES: EM MARÇO, JUNHO E AGOSTO. No ato da 1ª prestação, o aluno pagará a joia da matrícula. SENHORES PAIS DE FAMÍLIA – Leiam atentamente os dizeres deste aviso e meditem sobre a necessidade da esmerada formação intelectual e moral de seus filhos. Interná-los no GINÁSIO SÃO FRANCISCO é oferecer-lhes educação aprimorada sem grandes dispêndios para a sua bolsa – Educados neste Ginásio, os moços recebem a melhor instrução preconizada pelos mais modernos métodos pedagógicos. Para melhores esclarecimentos, leiam os seus ESTATUTOS, fornecidos gratuitamente pela Diretoria, em CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO. (4ª pg).

Jornal Voz de Conceição - Ano III, n. 27, 31/01/1952 Educação/Subvenção - Nota sobre subvenção federal: “A Lei nº 1.487, de 6 de dezembro de 1951, orçamento de 1952 – Ministério da Educação e Saúde – Consignação II – Auxílios, Contribuições e Subvenções, publicada no Diário Oficial de 14 de dezembro de 1952, concede as seguintes subvenções a vários estabelecimentos desta cidade: Ginásio São Francisco – Cr$45.000,00”; Subvenção estadual: “De acordo com a Lei 357, de 28 de dezembro de 1951, publicada no Minas Gerais do dia 29 do mesmo mês, várias instituições de nossa cidade receberão, durante o corrente ano, as seguintes subvenções: [...] Ginásio S. Francisco – Cr$10.000,00. As Instituições beneficiadas agradecem aos deputados Augusto Costa e Jorge Vasconcelos Safe” (1ª pg).

Jornal Voz de Conceição - Ano III, n. 28, 29/02/1952 Educação: Nota sobre a ideia de se criar uma Associação dos Ex-alunos do Ginásio São Francisco, proposta pelo ex-aluno de 1934, Antônio Pimenta Lins, morador do Serro. (1ª e 3ª pg).


Jornal Voz de Conceição - Ano III, n. 29, 31/03/1952 Educação/Ano Letivo: Início do ano letivo no Ginásio com aula inaugural proferida pelo prof. Dr. Raimundo Antônio de Abreu, versando sobre o tema: “A História: arte e ciência. Sua finalidade e seu desenvolvimento através dos tempos”, no dia 03/03. (4ª pg); missa realizada na capela do Ginásio para marcar o início do ano letivo, no dia 19. (4ª pg)

Jornal Voz de Conceição - Ano III, n. 30, 30/04/1952 Notícia sobre uma partida (“clássico”) entre os Internos e Externos do Colégio, realizada no campo do Matosinhos, no dia 06, que terminou em 4 a 3 para os Externos. A coluna traz uma resenha do jogo e, ao final, apresenta a escalação dos times: INTERNOS: Djalma, Plínio e Gaspar. Maninho (Waldemir), Gonçalves e Wander. Jean (Wanderley), Deud, Seraphin, Carlos e Lúcio Neves. EXTERNOS: Gatinho, Ivan (Sinuca) e Jairo. José Wilson, Anthero e Ricardinho. Toca, Olavo, Wilson, Nestor e Lívio. Dirigiu o encontro o Dr. Osmar Rajão. (3ª pg); Quadro de Honra ao Mérito no mês de Março: Nota 10, com louvor, em PROCEDIMENTO: Lourenço Pinto, 4ª série; Leone C. Pinto, 3ª série; Geraldo Brandão, 2ª série; Raimundo Brandão, 1ª série. Nota 10 em PROCEDIMENTO: 4ª série: João Bosco de Carvalho, José G. Madureira, Plínio Gomes Pereira; 3ª série: Antonio S. Brito, Djalma Paiva Martins, Edmundo Gama Lorentz, Fabiano Leal, Gaspar M. Câmara, Heine Carvalho, Hiarbas Olavo, José Argeu, Marcelo Senra e Jorge Horta; 2ª série: Almir de Souza, Carlos G. Batista, João V. Fróis, José Duarte, José Pascoal Guimarães, Lauro A. França, Macário D. Maia e Manoel Barcelos; 1ª série: Turma A: Joaquim Duarte, José Geraldo, José Procópio, José Teixeira, Juventino Silveira, Sebastião Alvarenga e Vander Magalhães; Turma B: Deúd David, Joaquim Salvador e Isaac Brandão. RELIGIÃO: 4ª série: 1º lugar: José Fabiano Coelho; 2º lugar: Antonio Camargo, Lourenço Pinto e Otacílio Matos Andrade; 3ª série: 1º lugar: Antonio de S. Brito e João Marciano

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da Silveira; 2º lugar: Leone C. Pinto; 2ª série: 1º lugar: ninguém alcançou a nota 10; 2º lugar: Fábio Silva, Ildeu Procópio, João V. Fróis e José Duarte; 1ª série: Tturma A, 1º lugar: José Teixeira; 2º lugar: Carlos Alberto da Silva, Ercílio Martini Brina, José Geraldo, Juventino Pereira, Lecir Campos e Vander Magalhães; Turma B: 1º lugar: ninguém alcançou a nota 10; 2º lugar: Bento José do Carmo, Darci Andrade e Francisco I. Garrocho. APROVEITAMENTO – 4ª Série: 1º lugar: Lourenço Pinto; 2º lugar: José Fabiano; 3º lugar: Antonio Camargo; 3ª série: 1º lugar: João Marciano; 2º lugar: Gaspar Câmara, Pedro Autran; 3º lugar: Leone C. Pinto; 2ª série: 1º lugar: Ricardino B. Leão; 2º lugar: Antonio Silva Neto; 3º lugar: Bento Silva Junior e José Duarte; 1ª série: Turma A: 1º lugar: Vander Magalhães; 2º lugar: Lúcio Antonio Neves; 3º lugar: Geraldo Carvalho; Turma B: 1º lugar: Bento José do Carmo; 2º lugar: Alvimar Carvalho; 3º lugar: Darci Matos Andrade. (4ª pg). Nomeação: Nota informando que José Leite Vidigal, professor e secretário do Ginásio, foi nomeado, pelo Governador do Estado, Diretor da Escola Normal Oficial de Diamantina. Diz a nota que “desde 1937 – época da sua chegada a Conceição do Mato Dentro – o prof. Vidigal era a “alma mater” do Ginásio S. Francisco, ora como disciplinário ora como secretário e professor”. No dia 29, o Colégio prestou uma homenagem ao professor. (4ª pg).

Jornal Voz de Conceição - Ano III, n. 34, 13/08/1952 Anúncio: GINÁSIO SÃO FRANCISCO/ Inspeção Permanente: fundado e dirigido pelos Padres Capuchinhos, em 1918, mantendo o curso ginasial, fiscalizado pelo Governo Federal desde 1932, com o fim de formar moços, verdadeiramente virtuosos, amigos do trabalho, úteis à família e à sociedade. Situado num aprazível recanto da salubérrima cidade de Conceição do Mato Dentro, completamente isolado da mesma, condição indispensável ao estudo sério e proveitoso. Oferece aos alunos todas as vantagens à vida colegial. Programa de Ensino: ao lado das disciplinas regulamentares, o


Ginásio ministra Instrução Religiosa, formando moral e cristãmente os moços, e bem assim, a Educação Física, que lhes proporciona desenvolvimento e saúde do corpo. Mantém um Grêmio Literário, onde os alunos podem manifestar e cultivar os seus pendores para a literatura. Corpo Docente – Selecionado e registrado no Departamento Nacional de Educação. Disciplina – Familiar, rigorosa sem constrangimento, satisfazendo os princípios modernos de PEDAGOGIA, e sob a vigilância direta dos Padres Capuchinhos. SENHORES PAIS DE FAMÍLIA – Leiam atentamente os dizeres deste aviso e meditem sobre a necessidade da esmerada formação intelectual e moral de seus filhos. Interná-los no GINÁSIO SÃO FRANCISCO é oferecer-lhes educação aprimorada sem grandes dispêndios para a sua bolsa – Educados neste Ginásio, os moços recebem a melhor instrução preconizada pelos mais modernos métodos pedagógicos. Para melhores esclarecimentos, leiam os seus ESTATUTOS, fornecidos gratuitamente pela Diretoria, em CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO. (4ª pg).

Andrade e Joaquim Salvador Tomás; 2º lugar – Alberto Alexandre, Alvimar Carvalho e Francisco Garrocho; APROVEITAMENTO – 4ª série – 1º lugar – Lourenço Pinto de Oliveira; 2º lugar – José Fabiano Coelho; 3º lugar – Otacílio de M. Andrade; 3ª série – 1º lugar – João Marciano; 2º lugar – Gaspar de Moura Câmara e Leone C. Pinto; 3º lugar – Pedro Autran; 2ª série – 1º lugar – João Viana Fróis; 2º lugar – Ricardino Belisário Leão; 3ª série – Ildeu Procópio; 1ª série – turma A – 1º lugar – Vander Lage Magalhães; 2º lugar – José Teixeira; 3º lugar – Lúcio Antônio Neves; turma B – 1º lugar – Bento José do Carmo; 2º lugar – Joaquim Salvador Tomás; 3º lugar – João Efigênio Dias. Honra ao Mérito – 1º lugar em outubro – PROCEDIMENTO – Lourenço Pinto (4ª série); Leone Caetano Pinto (3ª); Geraldo O. Brandão (2ª) e Joaquim Salvador (1ª B); RELIGIÃO – José Fabiano (4ª); João Marciano (3ª); João Viana Fróis (2ª); José Teixeira (1ªA) e Joaquim Salvador (1ªB); APROVEITAMENTO – Lourenço Pinto (4ª); João Marciano (3ª); João Viana Fróis (2ª); Vander Lage Magalhães (1ª A) e Bento José do Carmo (1ª B); Evento esportivo: nota sobre as rodadas do Campeonato inter-séries do Ginásio, realizadas no mês de outubro. (3ª e 4ª pg).

Jornal Voz de Conceição - Ano III, n. 36, 30/09/1952 Evento religioso: Nota sobre o recolhimento espiritual acontecido no Ginásio, com pregações do Pe. Frei Felipe de Ressultano, nos dias 20 a 23. (2ª pg); Eventos esportivos: jogos pelo campeonato ginasial inter-séries - 3ª a 6ª rodadas, com comentários dos jogos e escalações das equipes, no dia 24. (3ª e 4ª pg).

Jornal Voz de Conceição - Ano III, n. 37, 31/10/1952 Evento cultural/excursão - Visita à cidade de Virginópolis de uma caravana do Ginásio, nos dias 3 e 4, composta por professores e alunos, chefiada pelo diretor da escola, o Frei Agatângelo de Sortino. Durante a visita, aconteceram missa, banquete, sessão lítero-musical e partidas de futebol e vôlei. (1ª, 2ª, 3ª e 4ª pg)

Jornal Voz de Conceição - Ano III, n. 38, 30/11/1952 Educação/formatura: Nota sobre a realização da solenidade de formatura, marcada para o dia 6/12; os diplomados escolheram para paraninfo o Deputado Jorge de Vasconcelos Safe; os alunos do 4º ano, Raimundo A. de Abreu; e as alunas do 3º ano, a profª. Maria Guerra. (1ª pg); Quadro de honra ao mérito no mês de setembro: 10, com louvor, em PROCEDIMENTO – Leone Caetano Pinto, da 3ª série, e Joaquim Salvador Tomás, da 1ª série; nota 10 em PROCEDIMENTO – 4ª série – Antonio João Camargo e Lourenço Pinto de Oliveira; 3ª série – Estelino Enéas Sofonoff, Gaspar de Moura Câmara e Joanito P. Queiroz; 2ª série – João Viana Fróis, José Alencar Bessa e Raimundo Oliveira Brandão; 1ª série – turma A – Almerindo de Cássia Dayrell e Lúcio Flávio Gomes; turma B – Deúd Mamed David e Isaac de Oliveira Brandão. RELIGIÃO – 4ª série – 1º lugar – Lourenço Pinto de Oliveira, Bernardo Lúcio Coelho e José Fabiano Coelho; 2º lugar – Antonio João Camargo, Otacílio de Matos Andrade, Vicente Amaral e Cid Nelson; 3ª série – 1º lugar – João Marciano da Silveira, Marcelo Senra e Pedro Autran; 2º lugar – Leone Caetano Pinto; 2ª série – 1º lugar – Ricardino Belisário Leão; 2º lugar – Ildeu Procópio de Alvarenga e José Pascoal de Guimarães; 1ª série – turma A – 1º lugar – José Teixeira e Vander Lage Magalhães; 2º lugar – Almerindo de Cássia Dayrell; turma B – 1º lugar – Bento José do Carmo, Darci de Matos

Jornal Voz de Conceição - Ano III, n. 39, 31/12/1952 Educação/formatura - Solenidades de formatura, no dia 6, com missa matinal, visita ao túmulo de Frei Vicente, fundador do Ginásio e, à noite, no Cine Paroquial, entrega dos diplomas aos formandos de 1952: Antônio João de Almeida Camargo, Bernardo Lúcio de Oliveira, Bruno Costa Guerra, Cid Nelson S. Silveira, Fábio Martins, João Bosco de Carvalho, José Fabiano Coelho, José Gonçalves Madureira, José Guerra Lages, José Wilson V. S. Bárbara, Lourenço Pinto de Oliveira, Nacif Miguel Tanure, Otacílio de M. Andrade, Plínio Pereira Gomes e Vicente Amaral. Segue ainda lista dos alunos contemplados com menções honrosas em Procedimento, Religião e Aproveitamento. (2ª pg); Educação/Centro de Treinamento: Exame dos alunos do Centro de Treinamento do Ginásio, nos dias 28 e 29/11, pelo Dr. Marcelo Diógenes Maia, agrônomo assistente do Representante da CBAR em Minas gerais. Os alunos que concluíram o curso sob o magistério do técnico José G. Abrantes receberam o diploma de “práticos rurais”: Geraldo Pereira Lopes, José Duarte, João Oscar Soares, Rafael de Oliveira Bessa, Lucas Geraldo Magalhães, Antonio Correia, Sebastião de Araújo Silva, Edivaldo Silva Dupim, Corete do Nascimento, Antonio Santana do Carmo e Mário Alves Marinho. (2ª pg); Anúncio (com foto) GINÁSIO SÃO FRANCISCO/ Inspeção Permanente: fundado e dirigido pelos Padres Capuchinhos, em 1918, mantendo o curso ginasial, fiscalizado pelo Governo Federal desde 1932, com o fim de formar moços, verdadeiramente virtuosos, amigos do trabalho, úteis à família e à sociedade. Situado num aprazível recanto da salubérrima cidade de Conceição do Mato Dentro, completamente isolado da mesma, condição indispensável ao estudo sério e proveitoso. Oferece aos alunos todas as vantagens à vida colegial. Programa de Ensino: ao lado das disciplinas regulamentares, o Ginásio ministra Instrução Religiosa, formando moral e cristãmente os moços, e bem assim, a Educação Física, que lhes proporciona desenvolvimento e saúde do corpo. Mantém um Grêmio Literário, onde os alunos podem manifestar e cultivar os seus pendores para a literatura. Corpo Docente – Selecionado e registrado no Departamento Nacional de Educação. Disciplina – Familiar, rigorosa sem constrangimento, satisfazendo os princípios modernos de PEDAGOGIA, e sob a vigilância direta dos Padres Capuchinhos. Esportes – Os alunos praticam os diversos gêneros de esportes, completando o programa de educação física, debaixo de máxima cordialidade. Dispõe de ótima piscina natural de água corrente, vastos campos de futebol, vôlei, basquete etc.

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Alimentação – Rigorosamente fiscalizada, farta e sadia ,obedecendo às últimas determinações do DEPARTAMENTO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Cursos – Além das quatro séries ginasiais, funciona, durante as férias, o CURSO DE ADMISSÃO, para candidatos a essas séries. Pensão – É o ginásio que oferece, em todo o Estado de Minas, MELHORES VANTAGENS aos pais. INTERNATO, por ano letivo, Cr$5.400,00 – EXTERNATO, por ano letivo, Cr$900,00. O PAGAMENTO, EM TRÊS PRESTAÇÕES: EM MARÇO, JUNHO E AGOSTO. No ato da 1ª prestação, o aluno pagará a joia da matrícula. SENHORES PAIS DE FAMÍLIA – Leiam atentamente os dizeres deste aviso e meditem sobre a necessidade da esmerada formação intelectual e moral de seus filhos. Interná-los no GINÁSIO SÃO FRANCISCO é oferecer-lhes educação aprimorada sem grandes dispêndios para a sua bolsa – Educados neste Ginásio, os moços recebem a melhor instrução preconizada pelos mais modernos métodos pedagógicos. Para melhores esclarecimentos, leiam os seus ESTATUTOS, fornecidos gratuitamente pela Diretoria em CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO.

Jornal Conceição do Mato Dentro – Ano 1, n.1, 30/05/1953 Evento Esportivo/mudança de nome – Nota sobre a reunião em que a Diretoria da agremiação esportiva do Ginásio São Francisco propôs a mudança do nome de Esporte Clube São Francisco para Clube Atlético São Francisco, proposta que foi aceita pela Assembleia. (3ª pg). Notícia sobre a vitória do agora Clube Atlético São Francisco contra o Esporte Clube Conceição, em jogo realizado no campo deste, na tarde do dia 3 de maio. (com foto do CASF) (3ª e 4ª pg).

Jornal Conceição do Mato Dentro - Ano I, n. 3, 31/06/1953 Evento cultural/excursão - Nota sobre a excursão que o Ginásio iria fazer a Santa Maria do Itabira (2ª pg); Evento Esportivo: nota sobre a partida que o CASF fez na cidade de Ferros, contra o Aimorés. (3ª pg).

Jornal Voz de Conceição - Ano III, n. 41, 28/02/1953

Jornal Conceição do Mato Dentro - Ano I, n. 4, 30/09/1953

Nota informando que o ex-aluno do Ginásio, Sílvio Andrade Carneiro – filho do Prof. Oscarino Ferreira Carneiro – colocou-se em 1º lugar no concurso da I.M.B. da Secretaria da Agricultura. (2ª pg).

Evento Cultural/excursão - Nota sobre a excursão do Ginásio a Itabira e Santa Maria, nos dias 7 e 8. (2ª pg); Evento Esportivo: Nota sobre a partida entre o CASF e o Santa Maria, evento que fez parte da excursão do Ginásio àquela cidade (3ª pg); Partida de vôlei entre o quadro do Ginásio e o da Escola Normal de Itabira. (3ª pg); Educação/Subvenções concedidas ao Ginásio – e outras entidades da cidade – por deputados estaduais e federais: do deputado Estadual Jorge Safe, para o ano de 1953 – Cr$20.000,00; do Deputado estadual Alberto Deodado, em 1952, Cr$30.000,00, e, para o ano de 1954, previsão de mais Cr$30.000,00; do Deputado estadual Daniel de Carvalho, no ano de 1953: Cr$20.000,00; do Deputado estadual Guilherme Machado, Cr$30.000,00, e do Deputado federal Magalhães Pinto, Cr$30.000,00. (2ª e 4ª pg).

Jornal Voz de Conceição - Ano III, n. 42, 31/03/1953 Educação/curso intensivo - Nota sobre o curso intensivo preparatório para o exame de admissão, ministrado pelos professores Oscarino Ferreira Carneiro e Aristides de Souza Maia. Segue a lista dos primeiros colocados nos exames de admissão e de segunda época, com notas superiores a 5: Luiz Andrade Carneiro, Décio Duarte Andrade, Lideu Silveira e Silva, Manoel Osório Santos Guimarães, Márcio Miguel Tanure, Joaquim Tomás Filho, José Antônio Neves, Newton Teixeira Filho, Helvécio de Oliveira, Sebastião Soares Lima, Adair de Oliveira, Geraldo de Oliveira, Márcio Mateus, Bossuet Galvão S. Guimarães e João Moreira Filho. Diz, ainda, que outros 29 alunos foram promovidos com notas inferiores a 5, e seis não alcançaram o índice para promoção. (4ª pg).

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano IX, n. 83, 14/10/195 Evento Cultural/esportivo - Sobre a visita que os alunos do Ginásio fizeram às cidades de Santa Maria e Itabira.

Jornal Conceição do Mato Dentro - Ano 1, n. 6, 30/11/1953 Jornal Voz de Conceição - Ano III, n. 43, 30/04/1953 Educação/Ano letivo - Nota sobre início do ano letivo no Ginásio, no dia 20 de março, “obedecendo pontualmente às disposições ministeriais”. (4ª pg). Novas diretorias do Ginásio: Congregação Mariana, Esporte Clube São Francisco e Grêmio Literário Pe. Anchieta, assim composto: Presidente – Prof. Aristides de Sousa Maia; 1º Orador – Pedro Autran; 2º Orador – Euler M. Brina; Secretário – Ildeu Procópio; Bibliotecário – João Viana Fróis. (4ª pg). Nota sobre o início do campeonato inter-séries do Ginásio, no dia 11/04, com a realização do torneio início; 1ª reunião do ano da Congregação Mariana do Ginásio. (4ª pg).

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Evento esportivo - Sobre o jogo, terminado empatado, entre o CASF e o Virginópolis (3ª pg).

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano IX, n. 85, 14/12/1953 Ano Letivo – Solenidade de encerramento do ano letivo, no dia 27/11, que durou todo o dia, com missa de ação de graças, visita ao túmulo do Frei Vicente, fundador do Ginásio, e, à noite, no Cine Paroquial, diplomação e premiação dos alunos que concluíram o curso, com discursos dos oradores e paraninfo; Educação/Resultado Final do


ano letivo de 1953: Menções Honrosas: PROCEDIMENTO – 1º lugar: Lione Caetano Pinto – 4ª série; 2º lugar – Teófilo Celso da Silva – 3ª série; RELIGIÃO – 1º lugar/4ª série: Pedro Autran da Mata Albuquerque; 1 lugar/ 3ª série : Teófilo Celso da Silva; 1º lugar/2ª série: Wander Lage Magalhães; 1º lugar/1ª série - turma A: Joaquim Tomás Filho e Romeu Pereira de Souza; 1º lugar/1ª Série - turma B: João Moreira Filho. APLICAÇÃO: 1º lugar/4ª série: João Marciano da Silveira; 1º lugar/3ª série: Esdras da Silveira e Silva; 1º lugar/2ª série: Wander Lage Magalhães; 1º lugar/1ª série – turma A: Ildeu Silveira e Silva; 1º lugar/1ª série - turma B: João Moreira Filho. Concluíram o Curso: Amarílio Peregrino Pontes; Amauri da Silva Alves; Antonio da Silva Brito; Dácio Madureira de Pádua; Djalma de Paiva Martins; Domingos Drumont Torres; Edmundo Gama Lorentz; Elimar Roesberg Mendes; Estelino Eneas Sofonoff; Euler Martini Brina; Fabiano Costa Leal; Gaspar de Moura Câmara; João Marciano da Silveira; Jorge Horta; José Antero de Barros; Lione Caetano Pinto; Mauro Abrantes Quintão; Olavo Firmiano Ferreira Neto; Pedro Autran da Mata Albuquerque; Plínio Viana Costa; Wanderley Lélis França; Wilson Andrade Carneiro. (3ª pg); Nota sobre o falecimento, em Diamantina, do Pe. Otávio Ferraz, que foi Capelão do Ginásio por muitos anos. (4ª pg).

Jornal Conceição do Mato Dentro - Ano I, n. 7, 31/12/1953 Evento/Formatura - Nota sobre a “brilhante” solenidade de formatura dos alunos do Ginásio, no dia 9. Teve início, na parte da manhã, com a realização de missa na igreja do Rosário, celebrada pelo Pe. Frei Apolinário de Sortino, diretor substituto do Ginásio [o diretor, Frei Agatângelo, estava de visita à Itália]. A seguir, houve a tradicional visita ao túmulo de Frei Vicente, fundador do Ginásio, no Santuário do Bom Jesus; a sessão solene de colação de grau ocorreu às 20h, no salão paroquial, “que se encontrava super-lotado”. E, para finalizar, um baile no Eden Clube. DIPLOMANDOS DE 1953: Amarílio Peregrino Pontes, Amauri da Silva Alves, Antônio da Silva Brito, Dácio Madureira de Pádua, Djalma Paiva Martins, Domingos Drumont Torres, Edmundo Gama Lorentz, Elimar Roesberg Mendes, Estelino Enéas Sofonoff, Euler Martini Brina, Fabiano Costa Leal, Gaspar de Moura Câmara, João Marciano da Silveira, Jorge Amaral Horta, José Antero de Barros, Leone Caetano Pinto, Mauro Abrantes Quintão, Olavo Firmiano Ferreira Neto, Pedro Autran da Mata Albuquerque, Plínio Viana Costa, Wanderley Lélis França e Wilson Andrade Carneiro. (1ª e 4ª pg); Subvenção: Aviso sobre a destinação de subvenção para o Ginásio S. Francisco, no valor de Cr$20.000,00, para o orçamento de 1954, pelo Deputado Federal pela UDN, José de Magalhães Pinto. (2ª pg); Evento Esporte: Nota sobre o empate ocorrido no “clássico” entre CASF e o Esporte. Traz uma resenha do jogo, com principais lances, melhores atletas e escalação. (Coluna de Esportes, 3ª pg); Propaganda sobre o Colégio, em que se lê, entre outras informações já passadas, o seguinte: “O Ginásio São Francisco tem todos os seus professores registrados no Departamento Nacional de Ensino. Mantém um Grêmio Literário para aprimoramento dos pendores literários. Ministra educação religiosa, católica. Dispõe de cinema no Salão Paroquial da cidade, frequentado pelos alunos aos sábados. Tem campos de esporte internos, para a prática de futebol, voleibol e basquetebol. Alimentação sadia e ótima água, pois se encontra afastado da cidade, quase dois quilômetros. (4ª pg).

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Jornal Conceição do Mato Dentro - Ano I, n. 8, 31/01/1954

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano IX, n. 89, 06/1954

Evento festivo - Solenidades realizadas pelo Ginásio para celebrar o regresso de Frei Agatângelo de Sortino à cidade de Conceição, no dia 16. De sua visita à Itália, o Frei colheu interessantes informações sobre o ensino para serem aplicadas no ginásio, do qual é o diretor. Em contato com os salesianos, notou que o método preventivo de Dom Bosco é o melhor e o mais aconselhável. Daí o seu interesse de adotar o sistema, de agora em diante, procurando melhorar a orientação no internato, que, apesar de boa, precisa ser reformada com finalidade de educar melhor a mocidade. A maior iniciativa de Frei Agatângelo, entretanto, é a que se refere à construção do novo prédio, visto que os existentes são pequenos e separados. Num só conjunto, colocará as salas destinadas às aulas, refeitório, dormitório, capela e demais dependências. A planta encaminhada ao Ministério da Educação para exame e aprovação promete uma notável realização à altura do prestígio de que desfruta o estabelecimento. A construção deverá iniciar-se dentro de pouco tempo, mesmo porque Frei Agatângelo já entrou em entendimento com firmas construtoras, devidamente autorizadas pelos Superiores da Ordem a que pertence. (1ª pg) (Com foto de Frei Agatângelo). Na coluna de esportes, uma foto do time do CASF. (3ª pg).

Educação/Curso de Admissão – vantagens: nota informando para o mês de agosto o início do Curso de Admissão para candidatos à 1ª série do Ginásio. Relaciona ainda as vantagens do curso: a) o aluno se preparará com mais segurança para os exames, que serão realizados na primeira quinzena de dezembro; b) caso não seja feliz nos referidos exames, poderá o aluno repeti-los na segunda quinzena de fevereiro, evitando, assim, perder o ano; c) familiarizar-se-á com o ambiente, a vida do internato e com o estudo sério, podendo, dessa maneira, aproveitar melhor a 1ª série ginasial; d) longe de sua casa, poderá mais facilmente o aluno formar sua personalidade, adquirindo, mais cedo, o senso de responsabilidade. (4ª pg).

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano IX, n. 86, 14/01/1954 Evento festivo – dia 16: sobre os festejos para receber o Frei Agatângelo, diretor do Ginásio, de seu retorno da Itália. Foi recebido pelo vigário, pela comissão de festas e pela banda de Música na ‘ponte acima’, a 10 quilômetros da cidade. (1ª pg).

Jornal Conceição do Mato Dentro - Ano 1, n. 10, 30/03/1954 Ano Letivo – Ocorreu, no dia 15, a abertura das aulas no Ginásio São Francisco, com aula inaugural proferida pelo Professor Aristides de Souza Maia, que abordou o tema: “A importância do estudo do Latim nos Ginásios”. Presentes o diretor do Ginásio, o Pe. Frei Agatângelo, e o inspetor Federal, Professor Armando Pessoa. (1ª pg). Novas Diretorias: GRÊMIO LITERÁRIO PADRE ANCHIETA – Presidente: Prof. José Leite Vidigal; 1º Orador: Wander Lage Magalhães; 2º Orador: José Teixeira; 3º Orador: José Duarte Ferreira: Secretário: Ildeu Procópio de Alvarenga: Bibliotecário: João Viana Fróis/ CLUBE ATLÉTICO SÃO FRANCISCO: Presidente, Vice-Presidente; Diretor; Diretor Social; Diretor Esportivo; Diretor Tesoureiro; dois oradores e Diretores do Departamento de Material/ CONGREGAÇÃO MARIANA, com Presidente, 1º e 2º Assistentes; Instrutor; Secretário e Tesoureiro. (3ª pg).

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano IX, n. 88, 03/1954 Educação/ano letivo - Início das aulas no Ginásio, no dia 15, com aula inaugural proferida pelo prof. Aristides de Sousa Maia, sobre o tema “Importância do Latim”. (1ª pg). Evento religioso: missa para marcar o início do ano letivo nas escolas de Conceição do Mato Dentro, no dia 25; o canto da missa ficou a cargo do Coro do Seminário Seráfico dos Capuchinhos, de Itambacuri. (1ª pg).

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Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano IX, n. 93, out./nov. 1954 Evento Religioso - Notícia sobre a visita da imagem de Nossa Senhora de Fátima a Conceição de Mato Dentro, que passou pelo Ginásio, sendo festivamente recebida pelo diretor, Frei Agatângelo, corpos docente e discente da escola, no dia 17/09. (4ª pg).

Jornal Conceição do Mato Dentro - Ano 2, n. 12, 15/01/1955 Evento Festivo/Formatura - Nota sobre as solenidades de formatura do ano letivo de 1954, no dia 5/12, com missa matinal, visita ao túmulo do Frei Vicente e a sessão solene, realizada à noite no Cine Paroquial. Formandos: Adilson Ferreira Moreira, Antonio José da Silva, Bento Silva Júnior, Carlos Gomes Batista, Deophanes de Araújo Soares, Esdras da Silveira e Silva, Edson Vieira, Heine Utsch Carvalho, Hilton Portilho de Matos, João Viana Fróis, José Argeu Pinto Ferreira, José Duarte Ferreira, José Pascoal Guimarães, Lívio Viana Costa, Macário Domingos Maia, Manuel Drumond Barcelos, Otacílio de Almeida Rajão, Paulo Luiz Silva, Ricardino Belizário Leão e Teófilo Celso da Silva. Deixou de concluir o curso o aluno Ildeu Procópio de Alvarenga, que se viu forçado a parar os estudos, vitimado por trágico desastre ocorrido em agosto, nesta cidade. (1ª pg). Após, foi oferecido pelos formandos um baile no Edén Club. Notas/Menções honrosas - Quadro de Honra ao Mérito: 1ª Série A: Aproveitamento – 1º lugar – Fernando Luis Santiago; 2º lugar – Derval Madureira; 1ª série B – 1º lugar – Sebastião Socorro Costa; 2º lugar – José Henrique Utsch; 2ª série: Aproveitamento – 1º lugar – Manoel Osório Santos Guimarães e Newton Teixeira Filho; 2º lugar – João Moreira Filho; 3ª série: Aproveitamento e Religião: 1º lugar – Wander Lage Magalhães; 2º lugar - José Teixeira Filho; 4ª série – Aproveitamento – 1º lugar – Esdras da Silveira e Silva e João Viana Fróis; 2º lugar – Teófilo Celso da Silva. Alunos aprovados nos exames de admissão, em primeira época: 1 – Antonio Magno F. Evangelista e José Valdivino dos Santos; 2 – Antonio Tomé Madureira e Murilo Espírito Santo; 3 – Jorge Tanure Filho, Dácio de Oliveira Fernandes e Corinto José de Oliveira; 4 – Eugenio Jander e Geraldo Magela C. Ferreira; 5 – Caio Dutra; 6 – Evandro Antonio Coelho; 7 – Teófilo Mendes Guerra e Geraldo Bruno de Souza; 8 – Sinval Silveira Aguiar; 9 – Alfredo Antonio Seabra. (2ª pg). Nota sobre o provisionamento, conferido pelo arcebispo de Diamantina, de Frei Agatângelo para pároco de Conceição do Mato Dentro, que se encontrava de férias. Frei Agatângelo acumularia agora as funções de Superior dos Capuchinhos, Vigário da cidade e Diretor do Ginásio. Nota sobre a jornada brilhante do CASF durante o ano de 1954. Com foto do time. (3ª pg).


Jornal Conceição do Mato Dentro - Ano 2, n. 14, abril 1955 Obras/Evento esportivo - Nota sobre a possível inauguração do novo campo de futebol do CASF no mês de maio. A nota diz que o “estádio”, medindo 105 m por 69 m, será um dos melhores da região. Na sua construção, tomou-se o cuidado de escolher um local nas proximidades do Ginásio e em posição mais favorável ao acesso da assistência, pois o velho campo se encontra muito afastado da cidade e relativamente longe do Ginásio, tornando-se quase impraticável para realização de partidas com quadros externos. (3ª pg).

Jornal Conceição do Mato Dentro - Ano 3, n. 15, junho 1955 Obras/Evento Esportivo - Nota sobre a inauguração, no dia 5, do “Stadium Frei Agatângelo”, no Ginásio, com várias solenidades, incluindo missa inaugural, lanche para as madrinhas, aos ex-alunos componentes da “Embaixada José Aparecido”. Bênção inaugural e partida entre o CASF e um time de ex-alunos. (3ª pg).

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano IX, n. 97, 06/1955 Obras/Evento esportivo - Nota sobre a inauguração de um campo de futebol no Ginásio, com discurso do diretor do estabelecimento, o Pe. Prof. Aristides de Souza Maia. A seguir, realizou-se uma partida de futebol envolvendo os times de futebol de ex-alunos do Ginásio, vindos de Belo Horizonte, e o Clube Atlético São Francisco. (3ª pg)

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano XI, n. 99, nov. 1955 Evento religioso - Nota sobre o retiro espiritual realizado pelos alunos do Ginásio, nos dias 12 a 16/10, cuja pregação coube ao Pe. Frei Daniel de Mineo, vigário cooperador da Paróquia. Os alunos receberam como lembrança dos exercícios espirituais santinhos e escapulário de Nossa Senhora do Carmo. (3ª pg). Nota do falecimento do aluno Euler Fernandes de Oliveira, de “colapso” cardíaco, na vizinha cidade de Morro do Pilar, no dia 07/10.

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano XII, n. 101, mar./abr. 1956 Sobre as novas diretorias das agremiações do Ginásio: Congregação Mariana, Clube Atlético São Francisco e Grêmio Literário Pe. Anchieta, assim composta: Presidente – Frei Isaías da Piedade; Primeiro Orador – Adamir Gonçalves Chaves; Segundo Orador – Romeu Pereira de Souza; Secretário – Ildeu Silveira e Silva. (2ª pg).

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano XII, n. 102, maio 1956 Evento cívico - Comemoração do dia 21 de Abril pelo Grêmio Literário Pe. Anchieta, com discursos e números musicais. (2ª pg). Educação/ano letivo - Notícia sobre o Curso de Admissão gratuito para candidatos à 1ª série ginasial que funcionará no mês de agosto. (1ª pg).

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Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano XII, n. 105, agosto 1958 Benfeitores do Ginásio - Nota sobre a contribuição oferecida para a construção do Ginásio São Francisco: Dr. João Costa Chiabi, de Belo Horizonte – Cr$5.000,00; D. Inhá Pimenta, de Salto da Divisa – Cr$ 5.000,00; D. Alice de Carvalho, do Rio – Cr$1.600,00; Sr. Bento Silva, de Vitória – Cr$1.000,00.” (2ª pg).

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano XII, n. 106, setembro 1956 Educação/notas - Alunos que alcançaram, em procedimento, o primeiro lugar: Nota 10, com louvor: Romeu Pereira de Sousa; segundo lugar, nota 10: José Felicíssimo Quintão, quarta série; José Couto Filho, segunda série; Aloísio Pires Abi-acl, primeira série A; Irineu Torres Lopes, primeira série A; Lourenço Salvador Formatura de alunos do Ginásio no auditório do Cine Paroquial Tomás, primeira série A; Altair Correia, primeira série B. (2ª pg). Evento Cívico/ Grêmio Literário - Comemoração festiva do Dia da Pátria pelo Grêmio Literário “Pe. Anchieta”, com apresentação, leitura e trabalhos feitos pelos alunos e discursos dos membros do Grêmio. (3ª pg).

Evento esportivo - Notícia do Torneio inter-séries, realizado no Ginásio durante o ano. A coluna relata também a vitória do CASF no Serro, “cumprindo seu programa de estabelecer com as cidades limítrofes mais estreitas relações no setor esportivo.” (4ª pg).

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano XII, n. 109, dez. 1956 Obras no Colégio - Inauguração solene, no dia 9, do novo prédio do Ginásio, com 1.600 m , com amplos dormitórios, malarias, rouparias, refeitórios, cozinhas, sala de festa e outras salas, “tudo feito com os cânones da técnica moderna”. Também foi benta a nova capela pelo Arcebispo Metropolitano de Diamantina, D. José Newton de Almeida Batista. Diz ainda: “Os conceicionenses podem agora orgulhar-se de possuir o melhor internato da zona do nordeste mineiro; pois aquele educandário, juntamente com o conforto material de instalações modernas, oferece um seleto corpo docente e diretores de disciplina religiosos, pertencentes à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.” (1ªpg). Educação/Formandos 1956 - Na mesma ocasião, houve a entrega de medalhas, menções honrosas e o certificado de conclusão do curso ginasial a 31 alunos: Adamir Gonçalves Chaves, Aluísio Andrade Carneiro, Antonio Aluísio Gonçalves, Antonio Ferreira da Silva Sobrinho, Antonio Henrique de Freitas Sá, Bossuet Galvão Guimarães Santos, Djalma Bento de Godoy, Eriksen Madsen, Francisco Adolfo Araújo Soares, Geraldo Ferreira Lazzarini, Getúlio Guedes de Araújo, Ildeu da Silveira e Silva, Isaac de Oliveira Brandão, Jair Lélis França, João Paulo de Barros e Silva, João Moreira Filho, João Efigênio de Lima, Joaquim Tomás Filho, José Felicíssimo Quintão, José Jesus de Souza, José Maria Soares, José Virgílio Gonçalves, Manuel Pessoa Neto, Manuel Osório Santos Guimarães, Marcos Miguel Tanure, Newton Teixeira Filho, Paulo Costa Lages, Raimundo Moreira Reis, Romeu Pereira de Sousa, Salvador Furtado Leite e Sebastião Soares de Lima. (1ª pg). Honra ao Mérito - Prêmios conferidos aos alunos do ano letivo de 1956: Prêmio de PROCEDIMENTO – José Couto Filho – Menção Honrosa. Prêmio APROVEITAMENTO – 4ª série – 1º lugar – Adamir Gonçalves Chaves; 2º lugar – Manuel Osório Guimarães; 3ª série – 1º Lugar – Sebastião Socorro Costa; 2º lugar – Fernando Luís Santiago; 2ª série – 1º lugar – Jorge Vasconcelos Safe; 2º lugar – Paulo Roberto N. Machado; 1ª série A – 1º lugar – Aloísio Pires Abi-acl; B – 1º lugar – Afonso Celso Lazarini; Prêmios de Esporte – Bossuet Galvão Guimarães, Francisco A. Araújo Soares, Getúlio Guedes, Jair Lélis França, João Paulo de Barros e Silva, João Moreira Júnior, Manoel Pessoa, Manoel Osório Guimarães e Newton Teixeira. (4ª pg). 2

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano XIII, n. 110, jan. 1957 Educação/Administração - Nota sobre a chegada do novo auxiliar de Disciplina, o Frei Eustáquio de Itambacuri, proveniente do Rio de Janeiro.

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano XII, n. 107, out. 1956

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano XIII, n. 111, fev. 1957

Evento cívico - Comemoração do dia do Professor, 15/10, pelo Grêmio Literário Pe. Anchieta, com apresentação de trabalhos em prosa e verso pelos gremistas. (4ª pg).

Obras no Ginásio: Diz a nota: “Apesar da inauguração oficial, a 9 de dezembro último, os trabalhos de construção e reforma do Ginásio São Francisco continuam, febrilmente. Quase

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Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano XII, n. 108, nov. 1956


todas as salas daquele educandário, durante as férias de janeiro e fevereiro, sofreram grandes reformas. Na parte nova, foi cimentado o grande pátio interno, facilitando, assim, a limpeza e o asseio das grandes e numerosas instalações. Estão em fase de acabamento os dois terraços em frente e em torno da capela nova. Já chegaram 30 bancos para a capela e cem armários para as rouparias e foram adquiridas cerca de duzentas cadeiras para o salão de festas, em que foi instalada uma pequena tribuna para os alunos. As duas praças em torno do prédio novo estão sendo executadas por um trator. A estrada que leva à cidade está sendo consertada, danificada que foi pelas copiosas chuvas de dezembro e janeiro. Foi celebrada a primeira missa, na capela nova, a 8 de fevereiro, pelo Revmo. Padre Frei Agatângelo de Sortino. Com todos estes melhoramentos, os alunos do Ginásio São Francisco, neste mesmo ano, começarão a experimentar os confortos que lhes oferece aquele tradicional estabelecimento de Ensino Secundário.” (4ª pg).

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano XIII, n. 112-113, março-abril 1957 Educação/ano letivo: Nota sobre início das aulas no Ginásio, em 01/03. Evento religioso: missa para marcar o início do ano letivo, no dia 19/03. Exercícios espirituais realizados pelos alunos do Ginásio, pregados (pela 2ª vez) pelo Frei Belchior de Milazzo, de Belo Horizonte, nos dias 27 a 31/03 (3ª pg). Novas diretorias do CASF e do Grêmio Literário Pe. Anchieta, que ficou assim composta: Presidente – Frei Isaías da Piedade; Vice-presidente – Mário Daniel Novelli; Secretário – Marcelo Dias de Abreu; Primeiro Orador – Estêvão Salvador Brina; Segundo Orador – Natalino Lamaro.

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano XIV, n. 124, maio 1958 Evento Cívico/Grêmio Literário - Solenidade comemorativa ao dia da Inconfidência pelo Grêmio Literário Pe. Anchieta, que, na ocasião, empossou a nova diretoria, assim composta: Presidente: Prof. José Leite Vidigal; Vice-Presidente: Prof. José Vieira; Secretário: Tarcísio Carvalhais; 1º Orador: Djalma Araujo Soares; 2º Orador: Alberto Alves Vieira. (4ª pg).

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano XIV, n. 125, junho 1958 Evento cívico: Nota sobre a comemoração de Dia do Trabalho, 1º de maio, no Ginásio, com missa campal celebrada pelo Reitor do estabelecimento, Frei Gabriel de Melilli, seguido de desfile pelas ruas da cidade, com os alunos trajados em seus uniformes de gala. (4ª pg).

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano XIV, n. 129, nov./1958 Evento cultural: Nota sobre a excursão que 33 alunos, das diversas séries do Ginásio, fizeram à cidade de Itambacuri. Acompanharam a caravana o diretor da escola, Frei Gabriel, e os professores José Leite Vidigal, Aristides Maia e Sarg. Instrutor Luiz G. Damas. (4ª pg).

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano XIII, n. 114, mai. 1957 Evento social/religioso: O arcebispo de Diamantina, Dom José Newton de Almeida Batista, em sua visita pastoral a Conceição, esteve no Ginásio, na tarde do dia 29/04, sendo recebido pelo corpo docente e discente do estabelecimento. (1ª pg). Honra ao Mérito no mês de abril, no Colégio: Euler Brito Fernandes (4ª série); Fábio Costa Torres e José Couto Filho (3ª série); Aloísio Pires Abi-acl, Conrado Alves da Silva e Roberto Eustáquio S. Guimarães (2ª série); Denir Andrade, João José da Cruz e Sílvio Batista dos Santos (1ª série). (4ª pg).

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano XIII, n. 118, set./out. 1957 Visita ao Ginásio do Pe. Provincial dos Capuchinhos de Siracusa, Frei Sebastião D´Agira, que, no dia 29, assistiu a uma partida de futebol entre o CASF e o Esporte Clube Conceicionense. (1ª e 4ª pg).

Jornal Santuário do Bom Jesus - Ano XIII, n. 119, nov. e dez./1957 Obras Ginásio - Nota sobre as obras da estrada: “A estrada que liga a cidade ao Ginásio S. Francisco acha-se na fase de acabamento. Foi ampliada e endireitada, melhorando, sensivelmente. Dentro de alguns anos, quando crescerem as árvores plantadas aos lados da estrada, esta se tornará o passeio preferido dos conceicionenses e – quiçá – o recanto mais pitoresco da cidade. O serviço da estrada, que começou no princípio do ano, está quase concluído, prolongando-se por tanto tempo, por causa do comprimento da estrada – cerca de um quilômetro. O trecho final, da ponte ao prédio, breve, deverá ser calçado.” (2ª pg).

Irmãs Clarissas Franciscanas

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Jornal A Voz de Conceição - Ano 1, n. 3, out. 1977 Ex-Alunos: No quadro “Notícias... Comprimidos” – Uma das sete obras do escritor Benito Mussolini Barreto, ex-aluno do Ginásio S. Francisco, foi escolhida como texto do vestibular da Universidade Católica de Minas, distinção que demonstra o valor do autor. No exame de Português, em 1945, o prof. J. L. Vidigal deu ao futuro escritor nota 7, 9. O escritor-poeta-cronista esportivo Roberto Drumond, do “Estado de Minas”, no exame de admissão ao Ginásio S. Francisco, em 1944, mereceu do Prof. Vidigal a nota 8 (oito) em Português. (4ª pg).

Jornal A Voz de Conceição - Ano 1, n.8, dez. 1977 Educação/bolsas de estudos - O Colégio São Francisco, juntamente com suas tabelas de anuidades, dá dicas para se obterem bolsas de estudos: 1) O DAE/MEC distribui anualmente formulários de pedidos de bolsas novas, através dos deputados federais; 2) Órfãos menores, filhos de ex-combatentes e filhos de funcionários públicos que percebem menos do 02 salários mínimos, têm direito a bolsas especiais; 3) Bolsas de Estudo da Secretaria de Educação e Cultura, na Rua Rio de Janeiro, 2.418, Belo Horizonte; 4) Procurar o deputado de sua região, o qual poderá ajudá-lo pela verba que lhe foi destinada para isso, ou pela Loteria do Estado, ou por intermédio de outras instituições. (2ª pg).

Jornal A Voz de Conceição - Ano 1, n. 9-10, 1ª e 2ª quinzena, jan/1978 Projeto Municipal - Projeto de Lei Municipal 37/77 que declara de Utilidade Pública o “Colégio São Francisco” de Conceição do Mato Dentro. A Câmara Municipal de Conceição de Mato Dentro

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decreta: Art. 1º - Fica declarado de utilidade pública o COLÉGIO SÃO FRANCISCO, com sede neste Município; Art. 2º - Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação; Art. 3º - Revogam-se as disposições em contrário. Sala das sessões, 15 de dezembro de 1.977 (1ª pg); José Santa Bárbara Rodrigues (vereador). Acompanha a seguinte justificação: O Colégio São Francisco foi fundado em 1918, por iniciativa do saudoso Revmº. Padre Frei Vicente, um dos grandes benfeitores desta região, sob a denominação de Colégio Agrícola São Francisco. Pelo referido estabelecimento passaram alunos que vieram a servir nosso País com invulgar brilhantismo. Por sugestão do então governador do Estado, Dr. Benedito Valadares Ribeiro, foi a aludida entidade transformada sob a denominação de Ginásio São Francisco, continuando a servir o município e toda a região. Em 1970, com o objetivo de facilitar o estudo dos alunos menos afortunados pela sorte, o ginásio transformou-se em Colégio, mantendo o 1º e o 2º grau de ensino. A fim de que se possa avaliar o relevante serviço que tem prestado ao ensino, basta citar que, por ocasião das bodas de ouro de sua fundação, em 1968, tinham passado pelo estabelecimento 3.478 alunos. Denomina-se Serviço Social Educacional Beneficente (SESEBE) a entidade mantenedora do mencionado colégio, legalmente registrada de acordo com as normas do ensino do País. Seu cartão CGC tem o nº 24078881/0006-90. A SESEBE, da qual é filiado o precitado colégio, está igualmente sendo reconhecida pelos poderes públicos constituídos como entidade de utilidade pública. A presente lei vem reparar uma omissão, pois esta providência deveria ter sido tomada anteriormente, pelos merecimentos a que de longa data faz jus este tradicional estabelecimento de ensino à medida ora pretendida. Ao operoso, eficiente, dinâmico e esforçado vereador Juju, sempre atento às aspirações de seus eleitores e aos seus dignos pares, vão os agradecimentos do Colégio S. Francisco.

Jornal A Voz de Conceição - Ano 1, n.12, 2ª quinzena, fev. 1978 Lei de Utilidade Pública - DECRETO – Declara de Utilidade Pública o COLÉGIO S. FRANCISCO, desta cidade de Conceição do Mato Dentro. O povo do Município de Conceição do Mato Dentro, por seus legítimos representantes, decretou, e eu em seu nome, sanciono e mando executar a seguinte lei: Art. 1º - Fica declarado de Utilidade Pública o COLÉGIO SÃO FRANCISCO, com sede neste Município; Art. 2º - Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação. Art. 3º - Revogam-se as disposições em contrário, Prefeitura Municipal de Conceição do M. Dentro, 22 de dezembro de 1977. – Antonio Geraldo da Silva – Prefeito Municipal / Maria Santiago Vidigal – Secretária. (2ª pg). O Ginásio e a Imprensa em Conceição - O Boletim do Bom Jesus começou a circular em 30 de março de 1924, como órgão da Irmandade do Bom Jesus, e circulou por cerca de seis meses. No dia 20 de junho de 1941, recomeçou a circular o Boletim, tendo seu cabeçalho assinado: Ano II, nº 7. Vigário Provador era o Frei Vicente de Licodia, mas o redator, de fato, era o Professor do Ginásio S. Francisco, José Leite Vidigal. Isso ocorreu até poucos meses após o falecimento do Frei Vicente, ocorrido a 13 de junho de 1947. Mais tarde, em 1948, passou a gerência para o vigário Fr. Dionísio de Monterosso. De janeiro de 1955 até dezembro de 1957, foi redator o vigário Frei Agatângelo de Sortino, que o dirigiu novamente de janeiro de 1956 a fevereiro de 1969. Depois da transferência deste para Itambacuri, circulou ainda por alguns meses sob a orientação do Frei Dimas Neves. Voz de Conceição – seu fundador e diretor foi o então diretor do Ginásio S. Francisco, Frei Agatângelo. O primeiro número saiu no dia 30 de maio de 1950, tendo sido publicados 43 números. O último número circulou no dia 30 de abril de 1953, época em que seu redator foi descansar na Itália. (1ª pg).


Jornal A Voz de Conceição - Ano 1, n. 15, 1ª quinzena, abril 1978

Jornal A Voz De Conceição - Ano 1, n. 18, 2ª quinzena, maio de 1978

História/depoimento - Reminiscências de um ex-aluno – “Montado em um cavalo pampa, no dia 1º de março de 1925, dirigi-me para o Colégio Agrícola S. Francisco, a fim de iniciar estudos secundários como aluno interno daquele educandário, aqui fundado pelo sempre lembrado Frei Vicente de Licodia, grande benfeitor desta cidade. Recebido pelo Frei Miguelângelo de Terranova (Cela), fui encaminhado ao dormitório, onde deveria cuidar da arrumação da cama e depois à malaria para guardar a canastra, na qual se encontrava o enxoval exigido dos alunos. Daí fui para a sala de aula guardar os livros e objetos escolares, já nesta parte orientado pelo Prof. Antonio Machado Melo, natural de Itambé do Mato Dentro, que exercia também as funções de regente (disciplinário) e pelo Prof. Francisco Generoso da Fonseca, nascido na vizinha cidade do Serro, ex-aluno do tradicional Colégio Caraça. Fundado em 26 de junho de 1918, o Colégio Agrícola atravessara um período de crise, atribuída ao fato de não serem ainda reconhecidos os estudos e também a certo disciplinário que não gozava de simpatia dos alunos. A prova dessa assertiva está no fato de que éramos apenas dois alunos no curso secundário: Jorge de Vasconcelos Safe e o autor desta crônica. No curso primário estavam matriculados cerca de vinte alunos. Percorrendo a casa para melhor conhecê-la, entrei no quarto do Prof. Toni, o qual se comunicava com o dormitório dos menores. Examinando os livros de uma estante, e, apanhando um ao acaso, perguntei ao professor que livro era aquele: “De Viris Illustríbus Urbis Romae”. Pela risada do Prof. Generoso, verifiquei ter cometido a minha primeira silabada no idioma de Cícero, que eu apenas conhecia nas respostas decoradas no livrinho de acólito que me foi dado pelo Frei Jacinto. Somente no ano seguinte, quando comecei a estudar o Latim com o saudoso Professor Raimundo Rocha, fiquei sabendo que a palavra “illustribus” era proparoxítona. – Jamil” (2ª pg).

Obras no Ginásio/Evento Esportivo – Nota sobre a inauguração, no dia 29/04, de uma quadra num dos campos de recreio do Colégio, com presença de várias autoridades locais, entre elas o Prefeito Municipal, o Juiz de Direito e demais professores. Para a ocasião houve apresentação de ginástica rítmica, sob comando do Instrutor, Cabo Sebastião; e partidas de handbool feminino, entre Instituto x Colégio; futebol de salão: Caixa Econômica x São Francisco (Internato); Comércio x São Francisco (Externato); e vôlei entre professores x postulantes. Apresentou-se também um coral de meninos de Belo Horizonte. Rezou-se ainda uma oração. (3ª pg)

Jornal A Voz de Conceição - Ano 1, n. 20, julho 1978 O jornalista Fábio Martins, ex-aluno do Colégio S. Francisco, foi eleito membro da Diretoria do Sindicado dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, no período de 1978-1981. Era repórter da Rádio Inconfidência. (3ª pg)

Jornal A Voz de Conceição - Ano 1, n. 21, 08/1978 Evento esportivo – Nota sobre a 1ª Olimpíada Estudantil de Conceição do Mato Dentro – 1978, a ser promovida pelo colégio S. Francisco, com a participação de outros estabelecimentos de ensino da cidade. Estava sendo programada a sua abertura para o dia 7 de setembro, na praça S. Joaquim. (4ª pg).

Jornal A Voz de Conceição - Ano II, n. 24, 11/1978 Evento religioso/cultural – Comemoração do dia de S. Francisco, patrono do Colégio, dia 4/10, com uma “magnífica” sessão lítero-musical, presidida pelo ex-diretor do educandário, Frei Gabriel. O poeta, terceiranista Celso Amaral, compôs e declamou um soneto em honra de S. Francisco. (2ª pg).

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Jornal A Voz de Conceição - Ano II, n. 25, 12/1978 Educação/Formatura - Nota sobre a formatura do Colégio S. Francisco, cuja solenidade ocorreria no Santuário do Bom Jesus. FORMANDOS: Gabriel Francisco Costa, Marcos A. Peixoto de Carvalho, João Bosco Figueiredo Reis, Antonio Carlos Rodrigues de Souza, Célio Miranda Pimenta, Ronaldo Otoni Santa Bárbara, Sebastião Gabriel da Silva, Rubens José Ferreira David, José Aristides de Rezende, Geraldo Andrea de Assis, Celso A. Miranda Pimenta, Antonio Sadi da Silva e Maria das Dores Mariano. HOMENAGEADOS: Professores: Carlos Eloy Alves Ribeiro, Vânia Lúcia de Matos Sousa, Fr. Henrique, Antonio Magno Ferreira Evangelista, Dr. Lúcio Pereira Pires, Maria Lima Sousa, Normando Feitosa, Sebastião Santos, José Leite Vidigal, Frei Ubiratan, José Gomes Abranches. DIRETOR: Vincenzo La Pila; Adjunto: Henrique Arinos de Melo Franco Filho; Secretária: Maria da Conceição Guerra; PARANINFOS: Dr. Roney de Oliveira e Sra. Mariza de Oliveira. CELEBRANTE: Frei Agatângelo.

Jornal A Voz de Conceição - Ano II, n. 30, maio 1979 Histórico/Colégio Agrícola - Na coluna “Os homens que fizeram a nossa cidade” encontra-se o seguinte sobre o Frei Vicente de Licodia: “Pretendendo o inolvidável Presidente João Pinheiro, numa patriótica iniciativa, introduzir em Minas a instrução mecânica da lavoura, instalou com esta finalidade uma colônia em Itambacuri, objetivando instruir e educar os menores desvalidos. Em meados de 1907, a convite do Secretário da Agricultura, Frei Vicente seguiu para a Fazenda Modelo, na Gameleira, em Belo Horizonte, onde técnicos escolhidos lhe ministraram aulas práticas sobre o uso de máquinas agrícolas e noções do aproveitamento das terras. Os resultados não se fizeram esperar. No seu livro Nas Selvas do Mucuri e do Rio Doce, descreve frei Jacinto de Piazzolo as impressões deixadas pelo Dr. Carlos Prates, através de um manuscrito do grande missionário, Frei Ângelo de Sassoferrato, um dos fundadores de Itambacuri: “ficou maravilhado com o que viu e ouviu quanto à civilização dos índios e o progresso do aldeamento. Ele converteu o campo prático da lavoura mecânica em “Aprendizado Agrícola”, onde até hoje (1º de Janeiro de 1915) se conservam numerosos aprendizes sustentados às expensas do Estado e dirigidos pelo Revmo. Frei Vicente de Licodia, a quem o Governo conferiu o título de Mestre da lavoura mecânica. “Notável foi a contribuição prestada por essa instituição, que formou e educou no amor ao trabalho, à Pátria e a Deus centenas de jovens. Participou assim Frei Vicente, ativamente, da catequese dos índios, deixando aquele estabelecimento em 1915, em plena florescência, para consagrar todas as suas energias à fundação do Colégio Agrícola São Francisco, de nossa cidade de Conceição do Mato Dentro. Foi aqui que deixou o marco mais expressivo de suas grandes realizações. Chegou a esta cidade a 1º de janeiro de 1917, onde exerceu o cargo de vigário por mais de trinta anos, recusando daqui afastar-se para desempenhar o honroso posto de Provincial de sua Ordem, que lhe conferiu o título de “Muito Reverendo Padre”, distinção que se concede por serviços excepcionais. A finalidade precípua de sua transferência para esta cidade foi a da fundação do Colégio, nos moldes da experiência que alcançara em Itambacuri, ou seja, a educação aliada à prática da agricultura. Instalou-se o Colégio em prédio de dois pavimentos, especialmente construído para este fim, de sóbria e magnífica aparência, em terreno doado pela municipalidade. A solenidade de inauguração teve lugar a 26 de junho de 1918, com o cortejo de altas personalidades e grande multidão, que da casa paroquial desta cidade seguiu até o Colégio, localizado em pitoresco recanto. No

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ano de 1932, passou a ser ministrado ali o ensino ginasial ou do 2º grau, sob a fiscalização do Governo Federal. Posteriormente, construiu Frei Vicente, belo e moderno prédio, próximo ao local do antigo, já demolido, com um conjunto de duas extensas alas, e instalações funcionais e adequadas. A par de tudo, o que constitui motivo de real admiração é o fato de que foi Frei Vicente o pioneiro do ensino de 2º grau nesta vasta região do nordeste do Estado. Daqui até as plagas fronteiras com o Estado da Bahia, nas regiões do Mucuri e do Rio Doce, não existia sequer um estabelecimento de ensino secundário. Nas férias escolares, Frei Vicente percorria essa região e outros pontos além deste Estado, retornando de suas excursões acompanhado de grande número de novos alunos, difundindo assim, cada vez mais, o nome de nosso Colégio. Não tinha pejo nem esmorecimento para angariar donativos de qualquer natureza para seu estabelecimento. Do antigo Palestra-Itália, hoje festejado time do Cruzeiro, de Belo Horizonte, trazia farto material esportivo, como bolas em bom estado de uso. Na fase do funcionamento do Colégio, contou seu fundador com a colaboração desprendida e sem remuneração de vários professores. Bons tempos em que se não pensava ainda na mercantilização do ensino, mas no aprimoramento da educação, com abnegado idealismo. Vencendo todas as dificuldades, acrescidas pela precariedade de recursos daquela época, tornou-se nosso Colégio São Francisco um estabelecimento de merecido renome no Estado, pelo qual passaram dezenas de gerações de jovens que alcançaram posições de relevo na vida pública e profissional, para citar apenas um Magnífico Reitor da Universidade Federal de Minas Gerais e o descobridor da monumental jazida de fósforo de Patos de Minas. A educação constitui um tesouro inextinguível, que proporcionou a muitos de nossos conterrâneos meios para atingir uma existência condigna e mais venturosa. – Antonio Pires Carneiro. (3ª pg).

Jornal A Voz de Conceição - Ano II, n. 31, junho 1979 História/Frei Vicente e o Colégio - “Na última visita de Fr. Vicente a São Francisco – há 32 anos como hoje, num dia 30 de maio, ele foi pela última vez a seu Ginásio, hoje Colégio S. Francisco. Havia alguns dias que ele não aparecia para levar a correspondência, descansar um pouco, tomar seu cafezinho, perguntar pelo andamento geral. Dizia que não andava bem de saúde. Queríamos fazer um encerramento solene do mês de maio, o primeiro na minha gestão, e que seria o último do fundador. Armamos um altar no campo de vôlei, entre duas fileiras de grandes eucaliptos. Amarramos bandeirinhas entre as árvores, desenhamos com serragem e areia branca um gigantesco “Viva Maria”. Um pouco antes de começar a solenidade, chegou em sua charrete o Fr. Vicente, bastante abatido, tossindo, e usando mais do que de costume o remédio que levava consigo num aspirador de borracha. Acompanhava-o o Fiscal Federal do Ginásio, Francisco Armando da Fonseca Pessoa. Pelas 4 horas da tarde, demos início à procissão, saindo do prédio velho, que não existe mais, ladeamos a “galeria” em frente ao refeitório e rumamos para o campo entre cantos populares. Participavam do encerramento do mês de Maria os alunos do grupo Escolar “Daniel de Carvalho”, com as meninas da Cruzada Eucarística Paroquial de D. Anísia de Oliveira. O prof. José Leite Vidigal era, na ocasião, o fotógrafo oficial, que fixou em fotografias o grande acontecimento. Seguiram na frente os alunos do Grupo, seguidos pelos ginasianos internos, acompanhados pelo disciplinário Frei Isaías da Piedade, os regentes Gabriel Mendes e o prof. Ítalo Bossi. Chegando ao altar, foi feita a coroação pelas meninas Ione Vidigal e Ângela de Matos. Naquele momento, a fotografia mostrava o Fr. Vicente com a mão


direita apoiada no altar, e a mão esquerda por cima do cordão e com o polegar dentro da “paternidade’, o que é uma maneira de descansar a mão. Observando-lhe bem, dava a impressão de que lhe estava faltando o ar, já que sofria de asma. Não falou, mas, terminada a cerimônia, pediu para sair antes de todos, para não apanhar a poeira levantada por quem se dirigisse à cidade. Já o sol se punha atrás das montanhas, compondo um ambiente bucólico, mas um tanto melancólico. O FREI VICENTE FOI-SE E NÃO VOLTOU MAIS – No 13 de junho, pelas 11 horas, após receber a Unção dos enfermos, ministrada pelo Custódio Provincial, Frei Serafim de Sortino, falecia piedosamente, assistido até o último suspiro por seu fiel amigo, João Evangelista Ferreira, “vulgo Caramujo”. Em 1968, por ocasião das Bodas de Ouro do Colégio, inauguramos o Busto do Fr. Vicente, que ficou como sentinela, em frente ao Colégio S. Francisco.” – Fr. Agatângelo. (3ª pg).

Jornal A Voz de Conceição - Ano II, n. 34, set. 1979 Evento cívico - Sessão cívica para comemorar o Dia da Pátria. (3ª pg).

Jornal A Voz de Conceição - Ano II, n. 37, dez. 1979 Histórico do Colégio - “COLÉGIO SÃO FRANCISCO – O Colégio S. Francisco associa-se, com muito gosto, à realização da festa de Nossa Senhora do Rosário, festa religiosa e, ao mesmo tempo cercada de manifestações folclóricas, que revivem nosso glorioso passado. A colaboração, que os alunos do Colégio oferecem com entusiasmo, é manter os adornos da cidade com cuidado, impedindo que mãos distraídas os estraguem. Dá o Colégio sua ajuda financeira, para aquisição de material necessário aos enfeites. O Colégio S. Francisco foi inaugurado em 26.06.1918, sendo seu Fundador e Diretor o Pe. Frei Vicente de Licodia. Grandes dificuldades foram vencidas pelo indômito Fr. Vicente, sempre aquecido pelo ideal de servir ao povo e dar-lhe meios para o progresso individual e coletivo. Até o ano de 1931, funcionou como Ginásio Agrícola, mantendo o primário, secundário, teórico e prático de agricultura. Mais tarde, pelas dificuldades do Ministério da Agricultura, foi obrigado a mudar-se para Ginásio. A 28.10.1941, obteve inspeção permanente e, em 28.12.1970, foi transformado em Colégio, mantendo da 5ª a 8ª séries do 1º grau e as 3 séries do 2º grau. Até sua morte, ocorrida a 13 de junho de 1947, o Fr. Vicente dirigiu sua escola, auxiliado, em diversas épocas, por Fr. Jacinto de Pelazzolo, Fr. Michelangelo de Gela, o irmão Francisco de Campos; por bons leigos, como o Prof. José Tavares, Sr. Experidião Lage do Pardo, Prof. José Leite Vidigal, Prof. João S. Lima etc. Após sua morte, até 1949, assinava os processos como diretor, o Vigário Fr. Dionísio, auxiliado na direção efetiva pelo vice-Diretor, Fr. Agatângelo de Sortino. Em 1949, ficou Diretor, de nome e de fato, Fr. Agatângelo até 1957, quando foi nomeado Fr. Gabriel de Melilli, sucedido pelo irmão Fr. Isaías da Piedade, em 1959, até sua morte, ocorrida em julho de 1975. No segundo semestre daquele ano, dirigiu o Colégio, interinamente, o Prof. José L. Vidigal. Em janeiro de 1976, outra vez, assumiu a direção do Colégio o antigo Diretor, Fr. Agatângelo Vizenzo La Pila. O Colégio S. Francisco dispôs de um seleto corpo docente durante muitos anos, lembrando, especialmente, o que mais tempo serviu ao Colégio, a saber: Prof. José Leite Vidigal (secretário durante 37 anos), João

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Fernandes Lima, Raimundo Rocha, Oscarino Ferreira Carneiro, Aristides de Souza Maia, José Gomes Abrantes e muitos outros, entusiasticamente, serviram ao Colégio desempenhando um verdadeiro sacerdócio do Ensino. Para eles todos e para os que não puderam ser citados, ao povo em geral e aos alunos que por aqui passaram, a eterna gratidão do atual diretor. Com o pedido ao Bom Jesus e a Nossa Senhora do Rosário de bênçãos celestiais. / Conceição do Mato Dentro, 15.12.1979 – Vincenzo La Pila/ Diretor / Prof. Vidigal.” (3ª pg). Nota sobre a entrega de um DIPLOMA DE PROFESSOR BENEMÉRITO ao Prof. Vidigal, com os seguintes dizeres: “O Diretor do Colégio S. Francisco, de Conceição do Mato Dentro, no uso de suas prerrogativas funcionais, em reconhecimento aos excelentes serviços prestados a este Estabelecimento pelo PROFESSOR JOSÉ LEITE VIDIGAL, no magistério e no setor administrativo, concede-lhe o presente título de benemerência, como penhor de GRATIDÃO E JUSTIÇA. Assinado: Frei Agatângelo Vicenzo La Pila – Diretor”. Termina a nota: “Ao ensejo de seu 70º aniversário natalício [no dia 24/11], desejamos ao Prof. Vidigal muitos anos, ainda na ‘ativa’ para alegria de seus familiares e de todos nós, seus amigos e admiradores – ´Faxit Deus’!” (3ª pg). Sobre os capuchinhos na Paróquia de Conceição: “O antigo vigário, Fr. Dionísio de Monterosso, escreveu no Livro de Tombo do Convento o seguinte: A cinco dias de janeiro de 1915, em casa do Cônego Florenço, Vigário, reuniu-se a Mesa Administrativa da Irmandade do Bom Jesus. O vigário exibiu uma carta do Exmo. Sr Bispo D. Joaquim Silvério de Souza, bispo de Diamantina, com que comunicava a próxima vinda de três capuchinhos a quem seria confiada a Direção da Confraria. A notícia foi acolhida por todos com especial agrado. Em data de 16 de fevereiro de 1915, foi pelo Exmo. D. Joaquim, provisionado como Pároco, encomendado por um ano, Fr. Gaspar de Modica, que tomou posse a 21 de fevereiro de 1915. Juntamente com ele vieram Fr. João Maria de Chiaramonte e Fr. Eugênio de Palazzoto, que chegaram no dia 13 de março de 1915.” (3ª pg). Foram os seguintes os vigários Capuchinhos de Conceição do Mato dentro: 1º - 21.02.1915 – Fr. Gaspar de Modica (Giorgio Zappulla); 2º - 01.11.1915 – Fr. Michelangelo de Ragusa (falecido aos 53 anos, em 12.05.1917); 3º - 01.01.1917 – Fr. Vicente de Licodia (Giusepe Trombino); 4º - 21.03.1922 – Fr. Jacinto de Palazzolo (Giuseppe Infantino); 5º - 1922 – Fr. Vicente de Licodia; 6º - 1938 – Fr. Francisco de Módica (falecido em 04.10.1940); 7º - 1940 – Fr. Vicente de Licodia; 8º - 21.06.1947 – Fr. Dionísio de Monterosso (Salvatore Amato); 9º 31.01.1955 – Fr. Agatângelo de Sortino (Vicenzo La Pila); 10º - 15.12.1957 – Fr. Rafael de Mineo (Giovani Gangi); 11º - 07.06.1959 – Fr. Antônio de Resplendor (Elizeu Zuquetto); 12º - 31.03.1963 – Gabriel de Malilli (Emanoele Pitruzzello); 13º - 24.06.1966 – Fr. Agatângelo Vicenzo La Pila; 14º - 17.02.1969 – Fr. Dimas de Castro Neves; 15º - 1975 – Fr. Laudelino Geraldo de Oliveira; 16º - 23.01.1978 – Fr. Agatângelo Vicenzo La Pila (pesquisa realizada por Iniz Emanuela Diniz) (3ª pg). Realização de uma Sessão Cívico-literária no Salão do Grêmio do Colégio. Na oportunidade foram declamados poemas escolares sobre a Proclamação da República e entregues diplomas de “Professor Benemérito” aos professores José Leite Vidigal e José Gomes Abranches. (8ª pg).

2 - Documentos Transcritos 1918 - Carta de Frei Vicente ao Bispo D. Joaquim Silvério de Souza - Caixa 18/bloco B - Dia 01/07 (ACDD) Inauguração do Colégio: Conceição do Serro, 01 de julho de 1918 – Exmo. e Revmo. Sr. Arcebispo, Visito afetuosamente Vossa Exma., beijando-lhe o anel. Recebi sua prezada carta que nos enviou de Curvelo a qual respondo. Ainda não me tinha dirigido ao Ex. Sr. Secretário da Agricultura, porque pensei que primeiro deveria concluir o prédio do Colégio, inaugurá-lo e depois pedir um auxílio. Com a graça de Deus, no dia 26, foi instalado o Colégio Agrícola São Francisco, tendo dado por acabada a primeira parte da minha missão e cumprido o compromisso tomado perante Vossa Exma., os meus superiores e o povo. Os padres, certamente, contar-lhe-ão o brilho da festa, apesar de não ter sabido como era vosso desejo, porque faltava a presença de Vossa Exma. Revma. Mas Deus seja louvado, tudo ocorreu bem até hoje, e ele nos há de ajudar para que o novo Colégio Agrícola São Francisco prospere sempre. É uma obra nova que se levanta sob os auspícios e proteção de Vossa Exma. Revma. e esperamos um bom resultado. No dia da instalação, uns amigos, conhecedores dos nossos sacrifícios, levantaram a ideia de uma subscrição, para auxiliar-nos no pagamento das dívidas contraídas, resultando dessa nobre ideia, só naquele dia, um conto e trezentos mil réis, que recebi e creio que, em breve, chegará a dois contos. O povo está muito animado com a obra começada e espera que outros virão para auxiliar -nos. Não me prolongarei mais na narração dos fatos, que o nosso superior Frei Gaspar e Frei Jacinto pessoalmente lhe darão tudo, apenas lhe pedirei uma benção especial sobre o nosso Colégio e alunos e, beijando-lhe mais uma vez o anel, subscrevo-me de Vossa Ex. humilde servo em J.J.”

1918 - Carta de Frei Vicente ao Bispo D. Joaquim Silvério de Souza - Caixa 18/bloco A - 15/08/1918 (ACDD) Auxílio p/Colégio: “Conceição do Serro, 15 de agosto de 1918. Exmo. e Revmo. Sr. Arcebispo, Comunico à Vossa Ex. Revma. que já voltei de Belo Horizonte onde entreguei ao Sr. Nelson de Lema a carta de Vossa Ex. O mesmo respondeu-me que ia-lhe escrever e que, quanto aos meus negócios, era impossível tratá-los por enquanto porque o orçamento ia ser feito em princípio de setembro, conforme o desejo do novo governo do Dr. Artur Bernardes. Porém, do Secretário de Agricultura, alcancei algumas sementes, uma plantadeira e uma semeadeira, e com o mesmo deixei um requerimento pedindo um auxílio de 3 contos para o Colégio Agrícola. Ele prometeu-me interessar-se, porém me preveniu que me pegasse na casa dos deputados da comissão de orçamento e achava bom que voltasse a Belo Horizonte em princípio de setembro. Se me for possível, lá voltarei. Peço Vossa Ex. Revma. escrever ao Dr. Nelson, que é um dos membros da dita comissão, para respeitar essa verba. Beijando-lhe diretamente o anel e pedindo sua bênção, subscrevo-me humilde servo. Frei Vicente”.

Frei Agatângelo de Sortino, diretor da Escola e paraninfo da turma de formandos Espaço Memória | Ginásio São Francisco

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1918 - Carta de Frei Vicente ao Bispo D. Joaquim Silvério de Souza - Caixa 18/bloco A - 18/08/1918 (ACDD) Auxílio para o Colégio: “Conceição do Serro, 18 de agosto de 1918. Exmo. e Revmo. Sr. Arcebispo, [...] Eu talvez terei de voltar a Belo Horizonte em fins de setembro para ver em que fica o auxílio do governo ao nosso Colégio e, nessa ocasião, pretendia estar com Vossa Ex. para tratar desses negócios (do Colégio Agrícola), por isso desejava saber onde poderei encontrá-lo. Beijando-lhe diretamente o anel e pedindo sua benção, subscrevo-me humilde servo. Frei Vicente”.

1922 - ATA (ASED): dias 16, 17, 18, 20, 21, 22 e 23 O Exmo. Sr. Dr. Secretário da Agricultura do Estado de Minas Gerais, Dr. Daniel Serapião de Carvalho, tornando em consideração o convite que lhe foi feito pelo Revmo. Frei Vicente de Licodia, dignou-se nomear o Sr. Dr. Henriguello Cardinali, como seu representante, para assistir aos exames. Terminadas os exames no salão artisticamente ornamentado, iniciou-se a execução do programa: Primeira parte: Hino Nacional; Drama “Um falso amigo” em três atos; “O Cartola” pelo aluno Joaquim Bento; Farsa “Quem faz mal espere outro tal” , “Provas do Sertão”, por Adail Rosa. Segunda parte: Música; Leitura de notas; Discurso de despedida, por Sylvio Coelho, Entrega dos prêmios e o Canto “A despedida”.

1935 - Estatuto do Colégio Agrícola São Francisco (APCRJ) Cursos: O Colégio Agrícola São Francisco, fundado pelos padres Capuchinhos e instalado a 26 de junho de 1918, transformado em curso ginasial desde 1932, tem por fim a formação de moços verdadeiramente virtuosos, aptos para o trabalho e úteis à família e à sociedade. Proverá, para isso, com solicitude e bondade paternais, a educação dos jovens que lhe forem confiados, moldando-lhes o caráter e cultivando-lhes a inteligência, para que se tornem, no futuro, verdadeiros cidadãos. Ministrará a educação religiosa e cientifica da mocidade com um curso de admissão e outro ginasial, sob a fiscalização do governo federal. O Curso de Admissão tem por fim aperfeiçoar o preparo dos alunos nele matriculados, tornando- os aptos a melhor fazer o curso secundário. Poderão matricular-se neste curso, que é de um só ano, os alunos reprovados em exames de admissão e aqueles que, embora tenham terminado o curso primário em grupos escolares ou escolas isoladas, ainda não tenham preparo suficiente para, com proveito, ingressar no curso secundário. O Curso Secundário prepara os alunos para a matrícula nas escolas superiores da República, sendo válidos para todos os efeitos os certificados expedidos. Dispõe de um selecionado corpo de professores e de instalações adequadas, em amplo edifício de propriedade do estabelecimento, que o fez construir em um dos pontos mais pitorescos da salubérrima cidade da Conceição, completamente isolado da mesma, condição indispensável ao estudo sério e proveitoso. Ano Letivo: o período do ano letivo começará em 15 de março e terminará em 30 de novembro. Além dos meses de janeiro e de fevereiro e da primeira quinzena de março, o Colégio dará férias de 15 a 30 de junho. Mensalmente, serão fornecidas, em boletins, aos pais de alunos, notas referentes ao procedimento, aplicação e aproveitamento, bem como os resultados das provas parciais. Exame de Admissão: o candidato à matrícula na 1ª série do curso ginasial prestará exame de admissão na segunda quinzena

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de fevereiro. A inscrição neste exame será feita de 01 a 15 do referido mês, mediante requerimento firmado pelo candidato ou seu representante legal. Este requerimento deverá vir acompanhado dos seguintes documentos: a) certidão de registro civil, provando ter o candidato a idade de 11 anos, pelo menos, ou que completará até 30 de junho do ano em que requerer inscrição; b) atestado de vacinação antivaríola recente; c) recibo de pagamento da taxa de inscrição. Curso Secundário: a matrícula no curso secundário será processada de 01 a 14 de março. O requerimento de matrícula virá instruído com os seguintes documentos: a) certidão de habilitação no exame de admissão, para matrícula na 1ª série, ou certificado de habilitação na série anterior, para matrícula nas demais séries; b) atestado de sanidade, especificando que o candidato não sofre doenças contagiosas nem da vista; c) recibo de pagamento da taxa de matrícula. No caso de transferência, o documento referido na alínea =a= será substituído pela guia de transferência. N.B. Qualquer documento terá a estampilha federal e a firma reconhecida. Tabela de contribuição: os alunos pagarão as seguintes contribuições: /INTERNATO, por ano letivo, 900$000 /EXTERNATO, por ano letivo, 300$000 /SEMI- INTERNATO, por ano letivo, 700$000. Este pagamento será feito em duas prestações: a primeira da metade, no ato da matrícula, e a segunda a 1º de Julho. Juntamente com a primeira prestação, o aluno pagará 50$000 de joia de matrícula e 60$000 de taxa de inspeção. No ato da matrícula, deverá cada aluno depositar 100$000 na secretaria para as despesas de livros e material escolar, que serão fornecidos pelo ginásio. Semestre principiado e pago por inteiro. Havendo dois irmãos no internato, a pensão será de 1.600$000 para os dois, quando três, 2.300$00 anuais. A contribuição do ano letivo, se for paga adiantadamente, terá 5% de redução. Correrão por conta do aluno todas as despesas de lavagem de roupa, remédios, estampilhas, taxas de exames e outros emolumentos exigidos pelo governo. Ao aluno que não estiver quite

com o Colégio não será concedido exame, certidão, diploma ou guia de transferência. Deverá cada aluno ter, na cidade, o seu correspondente, o qual se responsabilizará pelos fornecimentos necessários durante o ano escolar. O Colégio não aceita, definitivamente, ser correspondente de nenhum aluno. Curso de férias de admissão: funcionará de 01 de fevereiro em diante, sob a orientação de dois professores do Colégio, um curso para os candidatos ao exame de admissão na segunda quinzena de fevereiro, com quatro aulas diárias. Disciplina: todos os alunos deverão observar rigorosamente a disciplina interna do estabelecimento, estando sujeitos a penas e até à expulsão, aqueles que faltarem com a moral e se rebelarem contra os Superiores. O aluno que, propositadamente, danificar o edifício, móveis e utensílios escolares, será obrigado a indenizar o estabelecimento pelos prejuízos causados. Além do comparecimento diário às aulas, deverão os externos assistir regularmente às missas dominicais, às festas religiosas e cívicas do estabelecimento. As visitas aos alunos deverão ser feitas pelos pais e demais parentes, aos domingos, das 12 às 15 horas. Em casos extraordinários, em qualquer dia, mediante licença do diretor. Os alunos terão saída livre à cidade, uma vez por mês, de acordo com o procedimento no decurso do mesmo. Enxoval: 4 ternos de roupa para uso diário; 2 uniformes de brim amarelo e boné, que, a bem da regularidade, serão feitos no Colégio e fornecidos às expensas dos pais; 6 camisas de dia e 2 pijamas; 1 uniforme para ginástica: camisa de meia branca, calção preto e sapatos de tênis; 2 calções para banho e 6 cuecas; 4 toalhas de rosto, 2 de banho, 6 pares de meia e 4 guardanapos; 2 pares de botinas pretas e 1 par de chinelos; 6 lençóis, 4 fronhas, 1 cobertor, 2 colchas brancas, 1 colchão e 1 travesseiro; 1 bacia de rosto, 1 escova de roupa e outra de sapato, 1 tesoura de unhas, sabonetes, dentifrício, graxa para botinas e mais objetos para uso diário de cama e asseio; 2 sacos para roupa servida. Frei Vicente de Licodia.

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1940 - Relatório do ano letivo no Ginásio São Francisco (APCRJ)

Relação da despesa - fornecimento de víveres Feijão.................................................................... 2.650.000 Arroz..................................................................... 4.140.000 Banha ou toucinho............................................... 4.320.000 Carne verde e de porco........................................ 6.532.000 Rapaduras............................................................. 3.340.000 Fubá......................................................................... 610.000 Pão........................................................................ 7.205.000 Sal............................................................................ 535.000 Café......................................................................... 808.000 Batatinhas............................................................. 1.120.000 Farinha de mandioca e de milho.......................... 1.105.000 Macarrão.............................................................. 2.148.000 Queijos................................................................. 1.415.000 Frutas...................................................................... 520.000 Ovos........................................................................ 645.000 Manteiga................................................................. 610.000 Açúcar...................................................................... 680.000 Frangos.................................................................... 524.000 Lenha....................................................................... 803.000 Leite......................................................................... 690.000 Total.................................................................... 40.400,000 Receita Pensão................................................................ 71.800.000 Taxas de inspeção................................................. 4.940.000 Taxa de matéria e exames.................................... 4.340.000 Joia de matrícula.................................................. 4.100.000 Subvenção Federal (líquido)................................. 9.000.000 Subvenção Municipal........................................... 5.000.000 Total................................................................ 99.180.000 Despesas Fornecimento de víveres.................................... 40.400.000 Professores e regentes....................................... 25.000.000 Empregados e cozinheira..................................... 4.000.000 Despesas várias.................................................. 10.755.000 Depósito da Taxa de Inspeção no Ministério...............12.000.000 Total............................................................... 92.155.000

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Resumo Receita total....................................................... 99.180.000 Despesa total...................................................... 92.155.000 Balanço de saldo.................................................. 7.025.000 Benefícios Alunos que pagam pensão total........................................69 Alunos que pagam pensão reduzida.................................16 Alunos gratuitos................................................................12 Matrícula total em 1940........................................ 97 alunos Vencimento dos professores e regentes José Leite Vidigal.................................................. 4.000.000 Raimundo Rocha.................................................. 4.000.000 Oscarino Ferreira Carneiro................................... 2.000.000 Urias Sena Costa................................................... 3.000.000 Ari Moreira Fernandes......................................... 3.000.000 Geraldo Magela de Melo...................................... 2.000.000 Luiz Berti............................................................... 2.000.000 José Pessoa........................................................... 2.000.000 Total............................................................... 25.000.000 Empregados e cozinheiras Empregados.......................................................... 3.000.000 Cozinheiras........................................................... 1.000.000 Despesas diversas 1 máquina de escrever (Érika).............................. 1.000.000 40 camas patentes com carreto........................... 2.300.000 Consertos na cozinha do estabelecimento.............. 850.000 Consertos nos lavatórios dos alunos....................... 720.000 1 litro e 1 balança.................................................... 260.000 Desinfetante............................................................ 230.000 Material elétrico...................................................... 360.000 Material para canalização d’água............................ 230.000 Papéis e impressão.................................................. 420.000 Selos e telegramas................................................... 265.000 Automóvel, gasolina............................................. 3.620.000 4 vacas de leite..................................................... 1.200.000 Total.............................................................. 10.755.000


1941 - Documento sobre a mudança do Colégio em Ginásio (APCRJ) Ilmo. Sr. Dr. Gustavo Capanema/M.D. Ministro da Educação/ Rio de Janeiro - Tomo a liberdade de fazer a V. Excia. a seguinte exposição: A Ordem dos Padres Capuchinhos, com sede nesta cidade do Rio de Janeiro, à rua Haddock Lobo, n. 266, prestando, há mais de um século, serviço ao Brasil, catequizando índios e difundindo a instrução pelos recantos mais remotos do país, também fundou na cidade de Conceição, Estado de Minas Gerais, um colégio com a finalidade de educar moços pobres, mantendo lá um patronato agrícola até 1930, subvencionado pelo Governo Federal, Estadual e Municipal. Em 1931, após a Revolução, foram cassados esses auxílios a todas as instituições, determinando não poder continuar o referido patronato. Por conselho do Dr. Olegário Maciel, a Ordem transformou-o em Ginásio, conservando o nome de Colégio Agrícola São Francisco, e assim vem funcionando. Em 1932, obteve inspeção preliminar e, em 28 de outubro de 1941, foi-lhe concedida a inspeção permanente, por decreto do Presidente da República, Exmo. Sr. Dr. Getúlio Vargas. Desde a sua fundação é dirigido por Frei Vicente de Licodia, frade da nossa Ordem, com real proveito para o ensino. Entretanto, uma circular publicada em 12 de novembro de 1941, diz, entre outros: O diretor de estabelecimento de ensino deve ser brasileiro nato, excetuados os membros de congregações religiosas especializadas. Concluindo, informa: Frei Vicente, que foi sempre diretor do Colégio Agrícola São Francisco e brasileiro naturalizado, pertencente à Ordem dos Capuchinhos, fundadora do referido Colégio, que é também uma Ordem religiosa especializada em catequizar índios e instrução da mocidade, há mais de 30 anos reside no Brasil, sendo 25 na cidade Conceição, completamente arraigado ao meio e continua merecendo a confiança que sempre lhe dispensamos para continuar a dirigir o Colégio, como há 23 anos vem fazendo. Em virtude do exposto, não há necessidade de se mudar o Diretor do Colégio Agrícola São Francisco. Se esta não for a opinião de V. Excia, desejo merecer resposta para tomar as providências necessárias de obediência ao Preceito Legal.

1947 - Programa de Cooperação Educacional CBAR (APCRJ) Projeto de Acordo - Programa de Cooperação Educacional – Projeto de Acordo CBAR, Treinamento Agrícola para os alunos do Ginásio São Francisco, em Conceição do Mato Dentro, Estado de Minas Gerais. De conformidade com o acordo básico celebrado em 20 de outubro de 1945, entre os Estados Unidos do Brasil e a Interamerican Educacional Foundation Inc, corporação subordinada

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ao Governo dos Estados Unidos da América, para a realização de um programa de cooperação educacional, a Comissão Brasileira Americana de Educação das Populações Rurais ( doravante chamada CBAR), representada por seu superintendente Dr. Itagyba Barçante, e a Interamerican Educacional Foundation Inc ( doravante chamada Fundação ), representada pelo seu representante especial no Brasil, Dr. B. Griffin, firmam o presente acordo. I. O problema e seus objetivos: os cursos atuais do Ginásio São Francisco são puramente teóricos. O Colégio está situado numa extensa região agrícola e, embora uma grande parte dos alunos seja constituída por filhos de lavradores, a escola não proporciona treinamento objetivando auxiliar os alunos a ganharem a vida no ambiente rural. A escola esta situada numa fazenda. Embora o solo não seja dos melhores, existem excelentes pastagens e alguns lotes bons para plantação de hortas e pomares. O abastecimento da água é excelente, prestando-se tanto para irrigação como para obtenção de eletricidade. A Escola possui um pequeno rebanho de gado leiteiro, alguns animais para o trabalho e porcos. Funciona sob os auspícios dos padres capuchinhos, ordem religiosa que veio da Itália. O diretor é Frei Vicente, que trabalha no Brasil há muitos anos e, por muito tempo, dirigiu a escola à base de ensino agrícola. As circunstâncias são, portanto, favoráveis à reforma desta instituição com a cooperação dos representantes da Igreja no sentido de transformar a escola em uma escola prática de agricultura, a fim de servir a comunidade. O presente projeto visa, portanto, aos seguintes objetivos: 1. auxiliar a restauração de um programa agrícola para todo o corpo de alunos; 2. estimular a frequência dos cursos regulares pelos filhos dos lavradores, 3. proporcionar um curso especializado para um número limitado de alunos que não dispunham de meios para continuar os estudos. II. O Plano - Dentro dos limites da verba prevista neste Projeto de Acordo, e a fim de realizar os objetivos acima mencionados, as seguintes providências serão tomadas e executadas pela CBAR: I- Serão criados cursos práticos de agricultura no Ginásio São Francisco, no Estado de Minas Gerais. II- Será fornecido um técnico e um assistente de agricultura prática. III- Será destinada uma verba para compra de equipamentos e de materiais agrícolas. IV- Serão instituídas bolsas de estudos para vinte alunos do curso regular do Ginásio, dando- se preferência aos filhos de lavradores. V- Este projeto prevê também uma verba para o pagamento das despesas de mais dez alunos, filhos de lavradores, que serão admitidos no curso prático. VI- Todo o ensino agrícola será essencialmente prático e incluirá o cultivo de hortas, frutas, produção de culturas e a criação de animais. VII- O treinamento agrícola para todos os alunos do curso regular do Ginásio será realizado de conformidade com a Resolução n. 39, da CBAR, aprovada em 03 de outubro de 1946. VIII- Os dez alunos do curso prático participarão de todas as fases, alimentação dos alunos, o terreno da fazenda, assim como o equipamento e animais existentes, e organização de horários de treinamento, para todos os alunos do curso regular do Colégio, em número de 200 aproximadamente, assim como para os dez alunos do curso prático. III - Financiamento: 1- Dos fundos depositados ou a serem depositados pelos dois governos na conta da CBAR, segundo estipula o Acordo Básico, fica reservada para a execução deste projeto a importância total de Cr$170.000,00 (cento e setenta mil cruzeiros), convertidos ao câmbio de vinte cruzeiros por um dólar, ou seja, US$8.500,00 (oito mil e quinhentos dólares),

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quantia essa que estará à disposição das partes contratantes em qualquer tempo, durante a realização deste Projeto, ressalvando- se, porém, que os compromissos assumidos com base nessa verba não poderão exceder as quantias depositadas para pagamento de despesas. 2- A verba total destinada à execução deste projeto estará à disposição das partes contratantes a partir da data de assinatura deste Projeto de Acordo até 30 de junho de 1948, para pagamento das despesas indicadas a seguir, observando-se aproximadamente os limites estabelecidos abaixo: 1- Técnico (Cr$1.200,00 por mês) Cr$20.400,00/US$1.020,00; 2- Assistente (Cr$800,00 por mês ) Cr$13.600,00/US$680,00. 3- Bolsas de estudo para 20 alunos, três semestres: Cr$72.000,00/US$3.600,00; 4- Despesas para dez alunos submetidos a curso intensivo: Cr$40.000,00/US$2.000,00; 5- Equipamentos: Cr$9.000,00/US$450,00; 6- Inseticidas, Fungicidas e Adubos: Cr$6.000,00/US$300,00; 7- Eventuais: Cr$9.000,00/ US$450,00; Total: Cr$ 170.000,00/US$8.500,00. 3- O superitendente da CBAR fica autorizado a modificar, mediante o consentimento do representante especial da fundação, as quantias acima especificadas, da maneira que se fizerem necessárias, sem que se altere a soma total. 4- Quando terminar o período de vigência do presente acordo, todos os fundos que não houverem sido gastos ou que permanecerem desobrigados, bem como qualquer renda proveniente da execução deste Projeto, reverterão aos fundos da CBAR, e o destino a ser dado aos bens que não sejam necessários à continuação deste Projeto será decidido pelas partes contratantes por meio de um acordo escrito, transferindo os bens excedentes para a conta da CBAR, ou desfazendo-se deles por venda ou pelo processo que for considerado mais conveniente. IV. Administração: 1- O diretor do Ginásio São Francisco, Frei Vicente de Licodia, será o responsável diretor pela execução deste Projeto, nos moldes do plano geral exposto acima e sob orientação e assistência dos técnicos da CBAR. 2- Todos os assuntos administrativos, quer sejam referentes ao pessoal, equipamentos ou contabilidade, serão regulados pela Cláusula V, letra C, do Acordo supramencionado, bem como de conformidade com as normas reguladoras gerais e elaboradas com base nessa mesma cláusula. V. Continuação: Após o término do Projeto de cooperação de que trata este acordo, caberá ao Ministério da Agricultura a responsabilidade de continuar as tarefas iniciadas nesse projeto.

1948 - Formatura do Centro de Treinamento Agrícola (ASBJM) No dia 22 de fevereiro deste ano, no Salão Paroquial desta cidade, teve lugar as solenidades da entrega de certificados aos primeiros alunos do Centro de Treinamento Agrícola, anexo ao Ginásio São Francisco. Presidiu a sessão o Sr. Dr. João Batista da Costa e Silva, achando-se presentes os Srs. Pe. Frei Agatângelo de Sortino, vice-diretor do ginásio, Frei Isaías da Piedade, José Pires Carneiro, Prefeito Municipal, diversas autoridades e pessoas graduadas. Paraninfou a turma o Sr. Geraldo Pires Carneiro, representando o Sr. José Utsch Carneiro.Os discursos pronunciados pelos paraninfos, Srs. Adeil José de Rezende, técnico rural, Frei Agatângelo de Sortino, pelos oradores de turma e pelo presidente da sessão foram vazados em primorosa linguagem, todos eles enaltecendo a dignidade do trabalho e a urgente necessidade

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de retorno ao campo, condição indispensável à solução de um dos grandes problemas sociais. Receberam francos e merecidos elogios os Srs. Dr. Daniel de Carvalho, Ministro da Agricultura e um dos benfeitores de Conceição e a saudosa memória de Frei Vicente. Concluíram o curso no Centro de Treinamento os jovens: João Crispiniano de Ávila; Antonio Teixeira de Ávila; José de Almeida Vieira; José Morais de Carvalho e Pedro Morais de Carvalho.

1948 - Alunos do Centro de Treinamento (ASBJM) Geraldo Nunes Rodrigues, Joaquim Teixeira Soares, José Gregório Saldanha, José Avelar de Figueiredo, João José de Oliveira, Geraldo Horta Saldanha, Luiz Candeia da Silva, João de Souza Vale, Geraldo dos Santos Lage, Manoel Rodrigues das Neves, Geraldo Amorim, Raimundo Maria Firmino, Antônio Paula de Moura, José Jorge de Amorim.

1950 - Parecer do Centro de Treinamento (ASBJM) O parecer dos trabalhos realizados em 1950, enviados ao Superintendente do CBAR, no que se refere ao nosso Centro de Treinamento é do seguinte teor: Os trabalhos têm sido eficientes. Os exames demonstram que os alunos aproveitaram bem as práticas agrícolas e outros ensinamentos que lhes foram ministrados pelo técnico encarregado, como: trabalhos manuais, aulas de Português e Matemática. A esse Centro de Treinamento, devem, em grande parte, os melhoramentos dos processos de cultivo do solo empregados na região pelos agricultores. Já foram tomadas as providências no sentido de, no próximo ano, serem mais intensificadas as demonstrações práticas de poda, caldagem, seleção de sementes, combate à erosão, enxertia, cuidado com os galinheiros, poleiro, seleção de aves, cuidado com os pintos, escolha de gado leiteiro, escolha de ovos para incubação, ordenha, suínos, cuidado com os leitões, maternidade, profilaxia, etc.

1951 - Relatório dos trabalhos executados no centro de treinamento, anexo ao Colégio São Francisco (ASBJM) Trabalhos - Sementeira, repicagem, lavra mecânica, destorroamento manual, mecânica, adubação orgânica, capina manual, rega por aspersão, poda verde, transplantio, combate às pragas, colheita, estaquiamento em tomates, fenação, jardinagem, aproveitamento do lixo, amarração do tomate, panificação, lavra manual, montagem de máquina, arrancação de sapê, vacinação de suínos, repacagem, rega por infiltração e por aspersão, avicultura, escarificação, confecção de balaios, plantio de eucalipto, combate a formigas, limpeza de posto, drenagem, fabricação de carvão vegetal, higiene, seleção e vacinação de animais, criação de pintos, galinhas e frangos, criação de abelhas e suas importâncias econômicas, aplicação de cal como corretivo, combate à erosão, feijão, arroz, batata, cana, plantio de árvores frutíferas e jardinagem. Alunos (1951): Adauto de Sousa, Amaral Carlos Perpétuo de Oliveira, José Raimundo de Sousa, Osvaldo Raimundo de Souza, Azis Correia Saldanha, Ramiro Rodrigues Saldanha, Miguel Teixeira de Barros, José Teixeira de Barros, Francisco Ávila de Carvalho, Lauro Ferreira Pinto, Ronald Miranda, José da Silva Roque, Geraldo Moreira Lages, Antônio J. Camargo, Amarílio Pontes, Amauri Alves, Milton Ferreira, Leone Caetano Pinto, Joanito Queiroz, Altino de Matos Santos,

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Ismar de Oliveira, Jorge L. Cotta, José Lages, Oscarino Marçal, Osvaldo Pereira, José Duarte Ferreira, Geraldo Magela de Carvalho, João Viana Fróis, Plínio Viana Costa, Pedro Autran. Movimento de Horta: *Ervilha, repolho, alface, couve, tomate, couve-flor, banana, abóbora, mandioca, laranja campista, tangerina, tomates, laranja baía, berinjela, vagem. Avicultura:*ovos - Bovinocultura:*leite, bezerro - Suinocultura: *leitão. Todas as segundas, quartas e quintas, tomaram aulas teóricas de Português e Matemática e, nas terças e sextas, aulas teóricas de Agricultura.

1953 – Relatório Centro Treinamento (ASBJM) Alunos: Justo Geraldo Mendes (Peçanha), José Augusto Pereira (São João Evangelista), Nelson Ferreira de Almeida (São João Evangelista), João Pereira de Almeida (Congonhas do Norte), João Pereira da Fonseca (Congonhas do Norte), José Ávila dos Reis (Congonhas do Norte), Serafim Barreto Saldanha (Congonhas do Norte), José Evangelista dos Santos (Conceição do Mato Dentro), Júlio Primo Morais (Sabinópolis), Manuel Teixeira dos Santos (Sabinópolis), Alexandre Vieira Brandão(Congonhas do Norte). O destino da horta é para alimentação de animais e do ginásio. Os alunos do Ginásio São Francisco foram submetidos aos exames finais correntes, tendo sido examinadores: Dr. Olavo Prates, representante da CBAR em Minas e Sr. Adeil José de Resende, técnico agrícola do fomento agrícola federal. Todos os estudantes são filhos de agricultores e fazendeiros. As mudas excedentes às necessidades do Colégio São Francisco foram gratuitamente distribuídas aos agricultores. Serviço de extensão – Foram atendidas, em suas propriedades, em demonstração de práticas agrícolas, os seguintes fazendeiros e agricultores: Antônio da Silva Costa, Joaquim Rodrigues, José Pacheco, Geraldo Inácio, José Solva, José Tomé Filho, Nestor Silva, José Pimenta, José Rodrigues etc.

1959 - Visita ao Ginásio pelo Inspetor (APCRJ) Acabo de visitar o Ginásio São Francisco, de Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais, percorrendo todas as dependências deste modelar educandário, internato e externato masculino. Tenho a gratíssima oportunidade de informar que todas elas atendem de maneira plena às exigências da Portaria 501.52. O trabalho educativo é exemplar. A disciplina é modelar; isso certamente devido à magnífica orientação impressa pelo Revmo. Sr. Frei Isaías da Piedade, que, com sua dedicação extraordinária e senso exato, executa uma obra digna de ser focalizada como exemplo. Todo o corpo docente é registrado. O secretário possui também o seu registro. O Revmo. Sr. Frei Isaías da Piedade, que ainda não se encontra com sua situação de Professor e Diretor regular, irá fazer a sua inscrição nos exames e cursos de suficiência e requerimento para exercer a função de Diretor. São matriculados no educandário 161 alunos, não se notando a ausência de nenhum deles. Internos são em número de 94. O lema do Estabelecimento é o trinômio religião, instrução e educação, tão bem ventilado no Encontro de Educadores, realizado ultimamente em Belo Horizonte. Fiquei sinceramente bem impressionado com o trabalho educativo que aqui se realiza, apesar do pouco contato com os elementos do Ministério da Educação e Cultura, mas interpretando plenamente as diretrizes por ele traçadas. Está sendo ultimado o 1º relatório de 1959, obedecendo às determinações da I.S. de Belo Horizonte. Não encontrei falhas no serviço da Secretaria que funciona sob a orientação do professor José Leite


Vidigal. Não tive casos a solucionar, a não ser a falta de recebimento de uma verba destinada a bolsas de estudo, concedidas a alunos pelo Gabinete do Ministério, cujas providências estão sendo tomadas. Parabenizo este educandário, mais uma vez, pela magnífica obra educativa que aqui se realiza sob a sábia e dedicada orientação de seu Diretor, Revmo. Sr. Frei Isaías da Piedade. Conceição do Mato Dentro, 14- 5-1959/ Ass. José Monteiro Fonseca/ Inspetor Itinerante; Frei Isaías da Piedade/ Diretor; José Leite Vidigal/Secretário.

1968 - Ano Jubilar da Fundação do Ginásio São Francisco (APCRJ) Atividades programadas para o ano letivo, homenagem ao seu fundador, Pe. Frei Vicente de Licodia, aos Revmos. Padres Capuchinhos, à atual diretoria, ao Corpo Docente passado e atual, a todos os ex-alunos do Estabelecimento. Fevereiro: De 1 a 28, curso intensivo de férias, preparação de alunos para o exame de admissão à primeira série ginasial, exames de admissão e exames em segunda época – Março: Dia 01: reabertura do ano letivo, missa, preleção aos alunos, na Capela do estabelecimento. Início das aulas. Representação do Ginásio São Francisco na Sagração de S. Exa. Revma. Dom Frei Jorge de Módica, na Guanabara. De 20 a 30, provas mensais para todas as séries - Abril: Aulas regulares. Dia 8, aniversário natalício do Sr. Diretor, Revmo. Sr. Frei Isaías da Piedade. Homenagem justa e merecida pela sua brilhante atuação e remodelação do estabelecimento. De 11 a 14, os alunos tomarão parte ativa nas solenidades da Semana Santa. 21 de abril, feriado nacional, nas aulas de História, professores e alunos en-

carecerão, com preleções e trabalhos de pesquisa, a figura varonil e patriótica de Tiradentes. Ocorrendo o 5º Centenário de nascimento de Pedro Álvares Cabral, sua figura e o Descobrimento do Brasil serão focalizados de modo especial, nas aulas de História. Levantamento de biografia, estudo histórico do grande descobridor do Brasil. De 20 a 30, provas mensais. – Maio: Dia 01, Festa do Trabalho. Início do mês de Maria. Festa de São José Operário. Grande concentração em frente à Matriz, missa solene, sessão cívica, preleções e recitativos sobre a data. Empolgante desfile dos ginasianos pelas ruas da cidade. A data da Abolição da Escravatura será comemorada nas aulas de História. De 20 a 30, provas mensais. – Junho: o mês do Jubileu Áureo do Ginásio São Francisco. Dia 13, vigésimo-primeiro aniversário do falecimento do Revmo. Sr. Pe. Frei Vicente de Licodia, fundador do estabelecimento. Visita a seu túmulo, homenagem de gratidão e saudade. Às 10 horas, missa solene em frente ao Ginásio. Por antecipação, ponto alto das comemorações do Jubileu de Ouro, grandes solenidades em homenagem ao Cinquentenário da fundação do Ginásio, a inauguração do Busto, em bronze, do Revmo. Padre Frei Vicente de Licodia, falando, na ocasião, o ex-aluno Prof. João F. Lima. Houve distribuição de flâmulas comemorativas da grande efeméride, desfile cívico dos alunos pelas ruas da cidade, homenagens todas prestadas na pessoa do Fundador à atual Diretoria e aos Revmos. Padres Capuchinhos. Dia 15: Páscoa coletiva dos Corpos docente e discente do Ginásio. Provas mensais, início das férias regulamentares do meio do ano. Julho: período normal de férias para a diretoria, professores e alunos . Agosto: Dia 01, reinício das aulas do segundo semestre. Dia 11, missa pela alma do saudoso Prof. Raimundo Higino Rocha, decano do corpo docente do

Obras no Convento do Santuário Bom Jesus de Matozinhos

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estabelecimento, ao ensejo do primeiro aniversário do seu falecimento. Nesse dia, será também comemorado o Dia do Estudante, com dispensa dos trabalhos escolares, lanche oferecido aos alunos e tarde esportiva. De 20 a 30, provas mensais. Setembro: grande concentração estudantil, em frente à Matriz. Missa solene, sessão cívica, preleção sobre a data. Desfile dos alunos pelas ruas da cidade, em comemoração à data da Independência do Brasil e encerramento das solenidades da Semana da Pátria. De 20 a 30, provas mensais. Outubro: dia 4, Festa de São Francisco de Assis, patrono do estabelecimento. Solenidades religiosas, cívicas e esportivas marcarão a data. Confraternização da diretoria, professores e alunos num lanche de congraçamento. No dia 12, será comemorada a data do descobrimento da América, com preleções, focalizando-se a figura histórica do Cristóvão Colombo. Dia 15, Dia do Professor, homenagens do corpo discente ao corpo docente do estabelecimento. Sessão lítero-musical, almoço de confraternização, tarde esportiva. Tradicional excursão dos concluintes do curso ginasial, ao pé da pitoresca Serra do Cipó, na residência do casal Dr. François Samuel Collet. De 20 a 30, provas mensais. Novembro: as datas de 15 e 19 serão comemoradas nas aulas de História, com palestras, trabalhos de pesquisa, com participação dos alunos. Contados os 180 dias letivos previstos em lei, terão início as provas finais. Encerramento do ano letivo, com missa solene em ação de graças, partida dos alunos. Término do ano letivo e jubilar do Ginásio São Francisco. Laus Deo! São 50 anos, largo e proveitoso período de tempo, todo dedicado à formação moral, intelectual, cívica e religiosa da mocidade masculina de Minas e do Brasil. Pax Et Bonum.

Antônio Magno Ferreira Evangelista, professor de Biologia e Francês, Frei Isaías da Piedade e Frei Manuel de Gela

1970 - Instalação do Curso Científico no Colégio São Francisco (APCRJ) Noticia-se a autorização pela Inspetoria Seccional do Ensino Secundário para a instalação do Curso Científico (2º ciclo) no Colégio São Francisco, a funcionar a partir de março de 1971, à mocidade estudiosa desta cidade e de todo o nordeste de Minas, a quem o Colégio São Francisco, há mais de 50 anos, vem servindo com o 1º ciclo, no setor de formação moral e intelectual da juventude. Para pedidos de matrícula ou esclarecimentos, favor dirigir-se ao Sr. Frei Isaías da Piedade, diretor do Colégio São Francisco, e ao seu secretário, Prof. José Leite Vidigal, em Conceição do Mato Dentro.

1970 - Instalação do Curso Científico no Ginásio São Francisco (APCRJ) Conceição do Mato Dentro recebeu, com provas de contentamento, a notícia da autorização, pela Inspetoria Seccional do Ensino Secundário, para a Instalação do Curso Científico, 2º ciclo, no Ginásio São Francisco, a funcionar a partir de março de 1971. Inegavelmente, foi uma vitória, que merece aplausos de todos os conceicionenses, que sinceramente amam sua terra e desejam-lhe progresso. Se a alviçareira notícia foi recebida com aplausos e alegria, cumpre também informar a todos que conseguir esta desejada e necessária promoção nos custou ingentes trabalhos, sérias preocupações e até mesmo algum sacrifício. Porém, reza um velho adágio: aquilo que conseguimos de mão beijada, pouco ou nenhum valor tem; o que se alicerça no sacrifício e no esforço representa muito. O importante agora é começar, dentro dos moldes da seriedade, da disciplina e da eficiência, e vamos fazê-lo esperançosos das bênçãos

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de Deus e do Seráfico Pai São Francisco, como também da boa vontade, da generosidade e do espírito de compreensão e de cooperação do bom povo desta cidade. Não desconhecemos, pelo tirocínio que temos, as dificuldades que nos esperam pela frente. Não enfrentá-las com serenidade e altivez de ânimo, seria nos curvar, vencidos, diante delas. Atitudes estranhas e um tanto derrotistas, possivelmente, aparecerão, manifestadas por meio de críticas destrutivas, que não resolvem nada, antes, comprovam pessimismo e incapacidade. Não nos amedrontam, entretanto, pois que, alimenta-nos, apenas, o desejo de servir à coletividade e a esperança de fazer o bem, somente o bem, à mocidade estudiosa desta cidade e de todo o nordeste de Minas, a quem o Ginásio São Francisco, há mais de 50 anos, vem servindo, com o 1º ciclo, no setor da formação moral e intelectual da juventude. A diretoria e os srs. Professores do curso que se vai iniciar, com as bênçãos de Deus, imbuídos dos melhores propósitos e caminhando sempre com aquela arrogância virtuosa, que lhes é peculiar, esperam o apoio, a cooperação e a solidariedade do povo conceicionense e de todas as cidades, até aonde chegar esta auspiciosa notícia e o nosso apelo. Cada qual, comprovando seu espírito de altruísmo, contribuirá com a sua valiosa parcela de boa vontade, ou mesmo com a sua propaganda, ou ainda com a sua crítica oportuna e construtiva e, dentro em breve, teremos uma sólida instituição, que prestará relevantes benefícios à mocidade de Minas e do Brasil. As portas do Curso Científico abrir-se-ão em março de 1971, para acolher a todos que, sinceramente, desejam, com seriedade e otimismo, com disciplina e entusiasmo, prosseguir seus estudos, aspirando ao encontro de um futuro risonho e promissor na vida. Para pedidos de matrícula ou de esclarecimentos, dirigir-se ao Sr. Frei Isaías da Piedade, diretor do Ginásio São Francisco, ou ao seu secretário, Prof. José Leite Vidigal, em Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais.


1970 - Prospecto do Ginásio (APCRJ) O Ginásio São Francisco, fundado pelos padres capuchinhos em 26 de junho de 1918, transformado em Curso Ginasial em 1932, com Inspeção Permanente do Governo Federal, desde 1941, tem por finalidade a formação de moços úteis à família e à sociedade. Dispõe de um selecionado Corpo de professores registrados no Ministério da Educação e Cultura e de instalações adequadas e higiênicas em novo e amplo edifício de propriedade do estabelecimento. Acha-se localizado num dos pontos mais pitorescos da salubérrima cidade de Conceição do Mato Dentro. Mantém os seguintes cursos: Admissão, a partir de março até novembro, e em fevereiro; Curso Ginasial, com quatro séries. Início no dia 01 de março./ Curso Científico, a ser iniciado em 1971. Condições para matrícula: a matrícula deve ser solicitada pelos pais ou responsáveis, ao Revmo. sr. Diretor ou ao secretário, apresentando os documentos seguintes: a) Certidão de idade, com firma reconhecida; b) Atestado médico, com firma reconhecida; c) Diploma de conclusão do Curso Primário; d) Guia de transferência e atestado de bom comportamento, no caso de alunos transferidos; Condições para o internato: para a capital e centros maiores, dada a evolução de costumes da juventude, serão recebidos no internato somente alunos, cuja idade não ultrapasse 15 anos, salvo em casos excepcionais, previamente estudados. O Ginásio não aceita alunos cabeludos, internos ou externos. Contribuição: o pagamento da anuidade é efetuado adiantadamente, em quatro prestações, no ato da matrícula; a primeira, em junho; a segunda, em agosto; a terceira, em outubro; a quarta, em novembro. O Ginásio aceita correspondência de alunos para fornecimentos particulares, mediante depósito de Cr$ 100,00. A tabela de anuidade acha-se em folha anexa. Alunos bolsistas: os alunos que gozam de bolsa, de qualquer natureza, ficarão sujeitos ao pagamento das prestações devidas ao Ginásio, nas épocas estabelecidas nos Estatutos. A família será reembolsada do valor da bolsa, quando a Diretoria receber aquele valor da Entidade que a concedeu. Penalidades: para o bom andamento da disciplina, o Ginásio esclarece: será passível de eliminação o aluno que incorrer nas seguintes faltas: delito contra a moral, uso de armas, de bebidas alcoólicas, insubordinação incorrigível, falta habitual de aplicação ao estudo, desrespeito ao sr. Diretor, professores e regentes.

Título I Capítulo 1: Dos fins da Educação Nacional Art 1º - A educação nacional, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por fim o Colégio São Francisco. Capítulo 2 : Dos objetivos da escola Art 2º- O Colégio São Francisco, tem como vista os fins da educação e os objetivos gerais do ensino de 1º e 2º graus. Capítulo 3: Dos objetivos gerais do ensino Art 3º - O ensino de 1º e 2º graus tem por objetivo geral proporcionar ao educando a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades com elemento de alta realização, qualificação para o trabalho e preparo para o exercício consciente da cidadania. Art 4º - O ensino de 1º grau destina-se à formação da criança e do pré-adolescente, variando em conteúdo e métodos, segundo as fases do desenvolvimento dos alunos. Art 5º - O ensino do 2º grau destina-se à formação integral do adolescente. Titulo VIII Capítulo 3 - Do corpo discente Secção 1 - Dos deveres Art 135º - O corpo discente será constituído de todos os alunos do Estabelecimento, sujeito à disciplina e ao Regimento escolar do Estabelecimento, bem como às disposições e normas legais comuns e aplicáveis aos mesmos. São deveres dos alunos: 1. Frequentar com assiduidade as aulas e atividades escolares do estabelecimento.

1971 - Regimento Escolar (ASED)

2. Ter máxima aplicação e aproveitamento possível nos estudos e nas aulas.

O Colégio São Francisco (escola de 1º e 2º graus), departamento da Entidade Mantenedora Serviço Social Educacional Beneficente – SESEBE, fundado por iniciativa particular, por um membro da atual Entidade Mantenedora, em 26 de Junho de 1918, com a finalidade de ministrar o ensino primário e agrícola, assim funcionou regularmente até 1933, quando lhe foi concedido pelo governo federal a inspeção preliminar.

3. Respeitar normas disciplinares dentro e fora do Estabelecimento.

Pelo Decreto nº 8.133, de outubro de 1941, foi concedido ao estabelecimento, pelo governo federal, a inspeção permanente, funcionando com o nome oficial de Ginásio São Francisco, de 1933 até 1970, mantendo apenas o Curso Ginasial de 1º ciclo. Pela portaria nº 17, de 28 de dezembro de 1970, expedida pela Inspetoria Seccional de BH/MG, foi concedido ao estabelecimento o funcionamento do 2º Grau, passando o estabelecimento a usar o nome oficial de Colégio São Francisco.

4. Cumprir rigorosamente o que foi exigido pelo diretor e professores e demais funcionários do Estabelecimento, na órbita de sua competência. 5. Observar os preceitos de urbanidade com os colegas, professores e diretor e demais funcionários do Estabelecimento, bem como observar os preceitos da higiene individual e coletiva. 6. Não aliciar colegas para rebelião, revoltas etc, abstendo-se de participar em faltas coletivas. 7. Frequentar as aulas e demais atos do estabelecimento, devidamente uniformizados.

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8. Requerer ou cancelar matrícula, transferência, quando maior. 9. Comparecer às solenidades cívicas, religiosas, sociais, promovidas oficialmente pelo estabelecimento, devidamente uniformizados. 10. Pagar, com pontualidade, as prestações da anuidade escolar. 11. Contribuir para o bom nome do Estabelecimento. 12. Cumprir fielmente os preceitos deste Regimento Escolar. 13. Participar de atividades escolares, do Grêmio Literário e Esportivo. 14. Perderá seus direitos o aluno em atraso do pagamento com o estabelecimento. Título X Das penalidades Art 139 - Aos alunos, de modo especial, conforme a gravidade ou reiteração de suas faltas ou infração, serão aplicadas: 1. Admoestação; 2. Advertência oral, em particular; 3. Advertência por escrito; 4. Exclusão da aula por um ou mais dias, a critério da diretoria e do professor; 5. Suspensão temporária das aulas; 6. Eliminação definitiva do Estabelecimento; 7. Expedição de transferência e consequentemente cancelamento da matrícula, ouvida, neste caso, a congregação do Estabelecimento.

1972 - Ata da reunião extraordinária da diretoria do Colégio São Francisco (ASED) Reuniu-se, em sua sede social, a Diretoria do Colégio São Francisco, sob a presidência do Frei Asclepíades Cézar Samão. O diretor expôs as razões que ditaram as convocações da presente reunião: o Colégio São Francisco pertence ao “Serviço Social Educacional Beneficente”, sociedade civil, com sede na cidade do Rio de Janeiro e, quando da realização da Assembleia Geral desta sociedade, foi longamente discutida a necessidade da existência de uma única entidade jurídica, devendo todas as demais serem extintas e transformadas em “departamento”. Verificando que o Colégio São Francisco possui registrado em cartório um estatuto, sem que fique expresso o quadro social, e tendo em vista o art 1º deste estatuto e as resoluções da Assembleia Geral do “ Serviço Social Educacional Beneficente”, a diretoria ora se reúne para decidir sobre a regularização da situação, requerendo a baixa dos estatutos registrados. Discutido o assunto, a Diretoria decidiu querer a baixa do estatuto ou averbação para que fique claro não ser o Colégio São Francisco pessoa jurídica, mas tão somente um Departamento da Sesebe, bem como decidiu também que todo o patrimônio fosse transferido ao “Serviço Social Educacional Beneficente”. Diretor: Frei Asclepíades. Secretário: Prof. Sr. José Leite. Tesoureiro: Ulisses Francisco.

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1974 - Relatório de atividades (ASBJM) Relatório do Colégio São Francisco, Conceição do Mato Dentro, Estado de Minas Gerais, estabelecido à rua São Francisco s/n, durante o ano de 1974. Desenvolveu as seguintes atividades: 1- Recebeu gratuitamente onze alunos internos com gratuidade comprovada e quinze alunos externos com abatimento, perfazendo um total de Cr$ 84.890,16; 2- Junto à Educação Moral, Cívica e Religiosa, empenhou-se no cumprimento fiel das leis de ensino; 3- Celebrou todos os feriados nacionais e religiosos, com participação integral dos alunos e professores; 4 - Disputou várias partidas de futebol dentro e fora da cidade, conservando durante todo o ano a sua invencibilidade; 5- O Sr. Diretor fez o Curso de Atualização, sendo aprovado a diplomado; 6 - Diversos professores receberam autorização da delegacia do ensino para lecionar diversas disciplinas; 7- Um dos alunos da 8ª série recebeu um prêmio do Lions Club da capital pelo concurso de melhor composição sobre a Independência do Brasil; 8- Recebeu três alunos para encaminhá-los ao seminário; 9Diplomou quinze alunos concluintes do 2º grau e 30 alunos concluintes do 1º grau; 10- Organizou a Páscoa Coletiva dos alunos e professores; 11 - Reformou todo o telhado do estabelecimento, construiu uma torre de televisão para funcionamento de um aparelho de televisão, doação da Dra. Rosa Maria, mãe de um aluno. Dom Sigaud e o prefeito Dr. Jorge Safe, na ordenação do Padre Geraldo Magela de Mattos, filho do sr. João de Mattos

1976 (27/10) Acordo (ASBJM) O 5º Distrito de Meteorologia, órgão de Departamento Nacional de Meteorologia do Ministério da Agricultura, e o Colégio São Francisco são responsáveis pela manutenção e operação de uma estação climatológica principal, localizada em terrenos do Colégio São Francisco. O Colégio São Francisco mais a aquiescência do superior da vice-província do Rio de Janeiro da Ordem dos Capuchinhos firmam o presente termo de compromisso. Umas das competências: propiciar ao Colégio São Francisco, fora dos horários de observação, a possibilidade de visitas de alunos do educandário, sempre que acompanhados por professores e o encarregado da Estação, a fim de que possam tomar conhecimento sobre meteorologia, equipamentos e processos observacionais; proporcionar ao Colégio São Francisco facilidades para a utilização do sistema de comunicação próprio que o Departamento Nacional de Meteorologia do Ministério da Agricultura vier a instalar na estação para a transmissão de mensagens de caráter urgente, desde que sejam transmitidas pelo encarregado da estação e obedeçam às Normas de Radiotelefonia, em horários que não coincidem com os das transmissões das mensagens. Ao Colégio São Francisco, competirá: ceder, como realmente foi cedido, uma área de terreno de 50.00 x 50.00 em caráter permanente, enquanto existir a Estação Climatológica; utilizar-se das instalações da Estação, principalmente de Conceição do Mato Dentro, para fins didáticos aos alunos do Colégio São Francisco; sempre que necessário, em caráter urgente, fazer uso do sistema de comunicação. Assinado por Frei Agatângelo, Alberto Villas Bouçado (chefe do 5º Distrito de Meteorologia), e pelo Diretor geral do Departamento Nacional de Meteorologia.

1976 – Relatório das atividades desenvolvidas (ASBJM) No Colégio São Francisco, foram desenvolvidas as seguintes atividades: 1- pelos poderes públicos, em 1976, recebeu a quantia de Cr$5.000,00, sob a forma de subvenção social, que distribuiu a alunos necessitados. 2- Concluíram as várias séries 206 alunos, dos quais 146 pagantes integralmente, 56 beneficiados com a quantia de Cr$129.142.62 (internos) e Cr$12.312,20 (externos), além de seis alunos gratuitos. 3- Atendeu, diariamente, a diversos pobres da redondeza, distribuindo gêneros alimentícios e roupas. 4- Levou a efeito campanhas para ajudar a escolares necessitados, aos quais distribuiu cadernos e material escolar. 5- Organizou a biblioteca. Mandou confeccionar oito estantes em que distribuiu parte dos 2.500 volumes da mesma biblioteca para facilitar as pesquisas dos alunos. A biblioteca ficou franqueada ao público. 6- Celebrou os feriados nacionais e religiosos com participação ativa do corpo docente e discente. 7- Realizou duas olimpíadas, uma no âmbito do Colégio e outra em âmbito municipal, movimentando toda a cidade. 8- Cuidou com carinho da educação esportiva, disputando torneios futebolísticos no município. 9- Zelou, com muito interesse, pela educação moral e cívica, fazendo realizar exposições de trabalhos nesse sentido. 10- Celebrou os 750 anos da morte de São Francisco, fazendo realizar sessões solenes, palestras e expondo trabalhos alusivos à data. 11- Foi mantida a disciplina exemplar tanto no internato como no externato, para formar homens responsáveis, úteis à sociedade e à pátria. (Vincenzo La Pila diretor).

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1976 - Balanço Financeiro (ASBJM) Anuidade..................................................................... 699.117,00 Subvenção MEC (Bolsa de estudos).............................. 41.108,00 Subvenção Secretaria Educacional (bolsa de estudos)..... 10.200,00 Total....................................................................... 750.425,00 Alimentação................................................................ 250.033,60 Assistência médica........................................................ 10.500,00 Conservação de móveis e utensílios................................ 5.000,00 Contribuições sociais....................................................... 3.312,00 Correios e telégrafos....................................................... 2.588,76 Despesas diversas............................................................ 8.514,00 Fundo de Garantia do Tempo de Serviço...................... 24.304,82 Força, luz e gás................................................................ 2.581,04 Fretes e carretos................................................................. 350,00 Gratificação..................................................................... 4.256,20 Honorários....................................................................... 5.880,00 Higiene............................................................................... 362,00 Impostos e taxas.............................................................. 2.678,86 Limpeza e conservação.................................................... 8.559,00 Manutenção de veículos............................................... 29.130,00 Material de expediente................................................. 22.520,00 Material escolar............................................................... 6.410,00 Material recreativo.......................................................... 3.125,00 Ordenados................................................................... 274.998,00 Programa de Integração Social - PIS................................ 2.443,63 Previdência Social.......................................................... 17.901,73 Ração.................................................................................. 318,00 Revistas e jornais............................................................. 1.560,00 Saúde............................................................................... 2.801,00 Vestuário......................................................................... 3.651,00 Viagens e condução......................................................... 8.640,00 Vocações sacerdotais.................................................... 50.000,00 Total....................................................................... 752.418,64 Resumo Despesas------------------------------------------------------------752.418,64 Receitas-------------------------------------------------------------750.425,00 Déficit-------------------------------------------------------------------1.993,64 Vincenzo La Pila - Diretor do Colégio São Francisco

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1979 - Ofício para FNDE – MEC (ASBJM) O Colégio São Francisco de Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais, tem que agradecer à generosidade de V. Excia, que, por intermédio do FNDE, concedeu-lhe substancial auxílio para complementação da folha de pagamento de seus professores e vem fazer o pedido de um auxílio necessário para aquisição de um ônibus escolar para transporte de alunos e professores. O Colégio São Francisco, desde 1918, vem prestando os mais assinalados serviços a toda esta região mineradora, tendo sido pioneiro na aprendizagem agrícola. Homens, que agora brilham na indústria, nas letras, na política, na administração, no comércio, na medicina, nas cátedras, e até na Igreja, passaram pelos bancos escolares do São Francisco. Como a escola acha-se situada a 2 km da cidade, os corpos docente e discente sentem grande dificuldade em frequentá-la, necessitando-se, por isso, de um meio de transporte coletivo. No entanto, a escola luta com as maiores dificuldades financeiras. Para Euro Brandão (Ministro da Educação e Cultura. De: Vincenzo La Pila – Diretor.

Respectivamente............................................................Cr$600.000,00 Déficit.............................................................................Cr$800.000,00 Note-se bem: Considerando-se os possíveis candidatos para o 2º grau e, apesar de terem assinado comerciários, empregados, que já terminaram seus estudos há mais de 5 ou 6 anos e dos quais, temos certeza moral, não iriam perseverar dois bimestres. Além do mais, colocando a condição de que, se mudasse o horário para o noturno, não somariam 50 nas três séries do 2º grau, e 35 nas do 1º grau. Diante disso e por causa disso, nenhuma outra opção se apresentava ao Colégio, senão encerrar suas atividades. Frei Agatângelo.

1979 - Relatório de Frei Agatângelo (APCRJ) O funcionamento do Científico ou 2º grau foi aprovado em 1970. Nove anos de trabalho intenso, de propaganda e de gastos deram o seguinte resultado, frustrando a intenção dos Fundadores e demonstrando que a solução imaginada para salvar o São Francisco não foi e não é mais feliz, e demonstrando, ainda, ser ilógico teimar na continuação dessa tentativa equivocada. Senão, vejamos:

Ano

1ª série

2ª série

3ª série

1971

13

x

x

1972

15

8

x

1973

11

13

5

1974

16

8

11

1975

10

10

8

1976

18

6

6

1977

25

20

4

1978

25

11

13

1979

20

8

6

Total: 53 concluintes Paga-se o mesmo preço para 5 alunos, e 35 e pouco mais para 50 alu-

nos.

Orçamento de 1980: Orçamento otimista. Não se conhecem ainda os índices certos de aumentos, mas supondo-se que sejam os mesmos de 1979, teremos o seguinte resultado: folha de pagamento de professores, pessoal, funcionários, obrigações sociais e outras despesas indispensáveis para um funcionamento regular da Escola: Cr$1.400.000,00. Entradas, se houver 60 alunos do 1º grau e 40 do 2º grau, a Cr$6.000,00 e Cr$7.000,00

1979 – Carta de Frei Agatângelo sobre o fechamento do Colégio (APCRJ) Prezado Amigo, Paz e bem! Comunicamos-lhe, muito a contragosto, que o Colégio São Francisco deverá suspender suas atividades, por absoluta falta de condições financeiras, motivadas pelo número escasso de alunos. O 2º grau, que foi criado para absorver a demanda dos concluintes do 1º grau e de outros estabelecimentos, não conseguiu alcançar sua finalidade. Desde 1971 só concluíram o 2º grau, neste colégio, 53 alunos, havendo turmas de até quatro alunos. Nesta cidade, funcionam três escolas de 1º grau: o Instituto São Joaquim, a Escola de Comércio e o Colégio Estadual. No orçamento para 1980, previa- se um déficit superior a Cr$800.000,00. O Colégio São Francisco poderá servir à comunidade conceicionense transformando-se, quiçá, em centro de cursos, retiros, encontros etc. que, na verdade, são úteis às várias categorias de pessoas. Agradecendo o apoio que nunca nos faltou, esperamos compreensão por parte dos pais dos alunos. Formulamos votos de felicidade para 1980. Frei Agatângelo.

1984 – Declaração do Presidente da SESEBE sobre o fechamento do Colégio (APCRJ) Eu, Frei Dimas de Castro Neves, Presidente do Serviço Educacional Beneficente, SESEBE, CGC 34.078, digo, CGC 34.078.881.0001.85, com sede na cidade do Rio de Janeiro, Rua Haddock Lobo, 266, e com filial na cidade de Conceição do Mato Dentro, MG, Praça Bom Jesus, entidade mantenedora

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do Colégio São Francisco, situado na mesma cidade, de Conceição do Mato Dentro, declaro, para os devidos fins, que o citado Colégio São Francisco teve suspensas suas atividades educacionais no encerramento do ano letivo de 1979. Em decorrência do fato acima referido, daquela data em diante, não houve nenhum movimento de pessoal, tendo todos sido devidamente indenizados. Conceição do Mato Dentro, 18 de junho de 1984 / Frei Dimas de Castro Neves / Presidente do SESEBE.

1984 – Centro de Artes e Ofícios Em 19 de junho de 1984, realizou-se, em Conceição do Mato Dentro, uma Assembleia Geral para julgar o Estatuto da “Associação Escola Fazenda de Artes e Ofícios, AEFAO”, que se propõe desenvolver na região o artesanato, a agropecuária e artes em geral. A AEFAO terá como sede o antigo Ginásio São Francisco, órgão pertencente à Ordem dos Capuchinhos da Província do Rio de Janeiro. Nesta mesma Assembleia, foi eleita a primeira diretoria, que ficou assim constituída: Presidente: Mariza Magalhães Saldanha Costa; Vice-presidente: Maria Elizabeth Alves Rajão; 1ª secretária: Maria do Carmo Lages Ferreira; 2ª Secretária: Magdalena de Lima Soares Pires; 1º tesoureiro: Armando da Rocha Brandão, 2º Tesoureiro: José Renato Rezende. Em uma segunda reunião, no dia 25 de junho de 1984, foram tratados assuntos de vital importância, assim como deveria ser feito o levantamento e mapeamento do Ginásio. Depois de pronto, será negociado com Frei Dimas, responsável pelo imóvel. Carlos Xisto (engenheiro civil) recebeu plenos direitos para avaliar os estragos do Ginásio e repará-los, contando para o projeto com a colaboração de Olívia Magalhães Guerra Albergaria de Carvalho (arquiteta) e Frei Francisco (engenheiro civil). Ficou decidido e dividido em três setores distintos o desenvolvimento da “AEFAO”: a agropecuária, sob a administração de Adão de Oliveira Costa Filho (veterinário), Waldemar Freitas (funcionário da Emater) e Maria Bernadete Buri Silveira Rezende (agrônoma). O artesanato ficará sob a inspeção de Rosa de Fátima Lima Carvalho.

1998 - Lei Municipal 1567/ 98 (APCRJ) Autoriza o Executivo Municipal a devolver a área remanescente de 16 (dezesseis) hectares de terreno nesta cidade, permutado, aos proprietários de origem. A Câmara de Vereadores do Município de Conceição do Mato Dentro decreta: Art 1- Fica o Executivo autorizado a devolver a área remanescente de 16 (dezesseis) hectares de terreno, adquirida por autorização da Lei Municipal n. 1225, de setembro de 1989, no local denominado Vila São Francisco, área do antigo Ginásio São Francisco, nesta cidade, aos proprietários anteriores, ou seja, à SESEBE, Serviço Social Educacional Beneficente, entidade da Ordem dos Capuchinhos. 1- Esta área remanescente possui, exatamente, 14,05 ha, a saber, 4.560,00 m2, onde foram construídas seis casas populares, doadas a famílias carentes, e 15.000 m2, onde foi construído um campo de futebol. Art 2- Fica a autorização aqui expressa, de devolução da área de 14, 05 ha pela Prefeitura Municipal à SESEBE, condicionada à devolução da área de 5.533,13 m2 pela SESEBE à Prefeitura Municipal, devendo as negociações serem referendadas, ao final, pelos competentes documentos de propriedade, registrados no cartório de imóveis desta Câmara. Art 3- As despesas decorrentes com a execução da presente lei correrão por conta das cotações próprias do orçamento vigente. Art. 4- Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, revogando-se as disposições em contrário. Prefeitura Municipal de Conceição do Mato Dentro, 04 de novembro de 1998. Dr. Juvêncio da Silva Guimarães - Prefeito Municipal.

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Acervos Pesquisados • • • • • • • • • • •

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Arquivo Público Mineiro Livro do Tombo de Conceição do Mato Dentro Arquivo do Instituto Amílcar Martins Arquivos da Superintendência da Educação de Diamantina Prefeitura de Conceição do Mato Dentro Arquivo pessoal da senhora Inêz Emanuela Ferreira Diniz - Dona Inezinha Arquivo do Santuário do Bom Jesus do Matosinhos Biblioteca Pública de Conceição do Mato Dentro Arquivo da Cúria de Diamantina Arquivo Instituto Amilcar Martins - informações sobre os capuchinhos e sua passagem por Conceição do Mato Dentro Arquivo da Superintendência da Educação de Diamantina - atas, diários de classe, provas, livros de ponto, recibos, lista de alunos e professores, notas, processos de professores, ocorrências, regimento escolar, folhas de pagamento etc. Prefeitura de Conceição do Mato Dentro - quadros em madeira com as fotografias dos estudantes Arquivo do Santuário do Bom Jesus do Matozinhos - informações sobre cursos e o Colégio Agrícola Biblioteca pública de Conceição do Mato Dentro - levantamento bibliográfico do Sr. Daniel de Carvalho, Frei Vicente e D. Joaquim Arquivo da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos - Rio de Janeiro Ata de posse do novo diretor do Ginásio São Francisco (1949) Ata de posse do novo diretor do Ginásio São Francisco (1958) Ata de posse do novo diretor do Ginásio São Francisco (1959) Ata de posse do novo diretor do Ginásio São Francisco (1936) Ata da eleição da nova diretoria do Ginásio São Francisco (1966) Ata da eleição da nova diretoria do Ginásio São Francisco 1970) Ata da reunião extraordinária da diretoria do Colégio São Francisco (1972) Documentos diversos sobre visita da Inspetoria - 1973 a 1979 Atas diversas Regimento Escolar Coleção de Jornais da Sra. Inêz Emanuela (1942 à 1953) Edições diversas do jornal Estrela Polar, da Cúria em Diamantina Arquivo do Santuário Bom Jesus do Matozinhos Biblioteca Padre Anchieta Relatório dos trabalhos executados no centro de treinamento, anexo ao Colégio São Francisco, 1951 Folhas de pagamento (1943-1945) Relatório dos trabalhos executados no centro de treinamento, anexo ao Colégio São Francisco, 1976

Da esquerda para a direita: Monsenhor Levi Pires, Frei Isaías da Piedade, Monsenhor Amantino, Frei Sisto Scasso, Frei Manuel de Gela, Frei Agatângelo de Sortino, Dom Frei Jorge e Padre Tarcísio

Formandos de 1968 (Turma do Cinquentenário). Na parte superior da foto, os professores: José Leite Vidigal, Zenolina Ferreira, Antônio Magno Ferreira Evangelista, José Gomes Abrantes e Carlos Ribeiro. Ao centro Frei Isaías da Piedade Espaço Memória | Ginásio São Francisco

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• Ofício à FNDE para um auxílio financeiro de CR$100.000,00 na aquisição de um ônibus escolar para transporte de alunos e professores • Ofício à FNDE – MEC – Complementação de folha de pagamento e aquisição de ônibus • Prestações de contas – 1979 • Tabela de Contribuição para 1955 • Documento sobre a instalação do Curso Científico no Colégio São Francisco, em 1970 • Arquivo do Rio de Janeiro - Ordem dos Frades Menores Capuchinhos • Documento Ginásio São Francisco - Visita ao Ginásio • Documento Ginásio São Francisco - Devolução de área remanescente - Ofício número 233-98 • Lei Municipal 1567-98 - Autoriza o Executivo Municipal a devolver a área remanescente de 16 (dezesseis hectares) de terreno nesta cidade, permutado, aos proprietários de origem. • Documento Ginásio São Francisco - Documento sobre a mudança do Colégio em Ginásio - 1941 • Documento Ginásio São Francisco - Instalação do Curso Cientifico no Ginásio São Francisco • Documento Ginásio São Francisco - Estatuto do Collegio Agrícola São Francisco • Documento Ginásio São Francisco - Prospecto do Ginásio • Documento Ginásio São Francisco - Programa de Cooperação Educacional - CBAR • Projeto de Acordo - Programa de Cooperação Educacional • Projeto de Acordo CBAR, Treinamento Agrícola para os alunos do Ginásio São Francisco, em Conceição do Mato Dentro, Estado de Minas Gerais • Documentos Ginásio São Francisco - Relatório de Frei Agatângelo • Balanço Financeiro de 1976 • Relatório de 1974 • Documento Ginásio São Francisco - Relatório do ano letivo de 1940 • Documento Ginásio São Francisco - Declaração de Frei Dimas • Documento Ginásio São Francisco - Nota de jornal de 1918

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• Documentos (trechos) diversos contidos em pastas no Arquivo do Rio de Janeiro • Parecer do Centro de Treinamento • Lápide de Frei Vicente • Documento sobre a criação da Vila Frei Vicente • Documento Ginásio São Francisco - Relação dos professores

Fontes Bibliográficas • Os capuchinhos em Minas Gerais - Frei Thiago Santiago • Minas Gerais em 1925 – Obra subvencionada pelo governo do Estado com autorização do Congresso Mineiro. • Resende, Fr. Modesto. Missionários Capuchinhos no Brasil, SP. 1929. • Lima, Mario de. O Bom Combate - Subsídio para a História de 20 anos de ação social católica em Minas. • Nas Selvas dos Vales do Mucuri e do Rio Doce - Frei Jacinto de Palazzolo • Crônicas dos Capuchinhos do Rio de Janeiro - P. Fr. Jacinto de Palazzolo, O.F.M • Missionários Capuchinhos 1840-1997, Serafim J. Pereira

Entrevistados • • • • • • • •

Antônio Magno Evangelista – ex-professor Geraldo Ribeiro de Miranda – ex-aluno José Gomes Abrantes – ex-professor Lúcio Pereira Pires – ex-professor Frei Júlio César Borges do Amaral – ex-aluno Renato Carvalho Silveira Henri Dubois Collet – ex-aluno Professor Aluísio Pimenta – ex-aluno

Produto Gerado • Relatório impresso • Relatório em meio digital • Arquivos digitalizados de documentos e imagens da época


Ficha Técnica Idealização e Coordenação Geral Instituto Espinhaço Coordenação de Pesquisa e Texto Dr. Célio Macedo Alves Pesquisa de Campo Sarah Pires Ferreira Fotografia e Reprodução de Documentos Jorge Santos Edição Gráfica P Design Gráfico Revisão de Texto Sílvia Maria Teixeira de Aguiar Apoio • Ordem dos Frades Menores Capuchinhos / Província do Rio de Janeiro e Espírito Santo • Mitra Diocesana de Guanhães • Paróquia Nossa Senhora da Conceição Realização Anglo American Agradecimentos Aos membros do Instituto Espinhaço Frei Júlio César Borges do Amaral Frei Serafim José Pereira Frei Jorge Luiz de Oliveira Padre Marcelo Romano Padre Dilton

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Espaço Memória Ginásio São Francisco Instituto Espinhaço  

Obra realizada pelo Instituto Espinhaço em parceria com a Empresa Anglo American e apoio da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, Paróquia N...

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