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Escola Secundária de Felgueiras 10

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2020

PRÉMIO ALUMNI NO CONCURSO NACIONAL DA JAP E AINDA: LIVROS + MÚSICA + SÉRIES + TEXTOS de OPINIÃO + SARAU VIRTUAL


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DIRETOR: Inácio Lemos, mlemos@esfelgueiras.org REDAÇÃO

Chefe de Redação: Armanda Sousa, asousa@esfelgueiras.org Redação: Bruno Ribeiro, bm428990@gmail.com Bruno Ribeiro

Inês Magalhães, inesmtmagalhaes24@gmail.com Maria João Sousa, marinhomaria31@gmail.com

Colaboradores: Rosa Guimarães, Armanda Sousa, Ofélia Ribeiro, Glória Mota, Pedro Tribuzi, Moisés Pires Clarisse Lemos, Hugo Morais, Ana Felgueiras

Revisão e tradução de Texto: Ofélia Ribeiro, Glória Mota

ARTE

Diretor de Arte: Inácio Lemos, mlemos@esfelgueiras.org Designer: Bruno Ribeiro, bm428990@gmail.com Diogo Silva, diogomsilva0102@gmail.com José Lage, jpedrolmar ns1122@gmail.com

Diogo Silva

FOTOGRAFIA E VÍDEO

Diretor de Fotografia: Diogo Silva, diogomsilva0102@gmail.com Editor de Fotografia: Inês Magalhães, inesmtmagalhaes24@gmail.com José Lage, jpedrolmar ns1122@gmail.com

Editor de Vídeo: Diogo Silva, diogomsilva0102@gmail.com José Lage, jpedrolmar ns1122@gmail.com

Colaboradores: Beatriz Sousa, David Leite, José Pinto Produção Gráfica: Inácio Lemos, mlemos@esfelgueiras.org Inês Magalhães

Administração: Anabela Leal, Emílio Esteves, Elsa Quadrado, Abílio Silva Conselho Editorial: Sandra Teixeira, Paula Magalhães Inácio Lemos Bruno Ribeiro, Diogo Silva, José Lage, Inês Magalhães Maria João Sousa, Beatriz Sousa, David Leite

SEDE: Administração, Redação e Conselho Editorial Escola Secundária de Felgueiras Av. D. Manuel Faria e Sousa 4610-178 Felgueiras Telf: 255 310720 - Fax: 255 310 729 esfelgueiras@esfelgueiras.org www.esfelgueiras.org

José Lage

ESF 2 ESF.ON JULHO 2020

scola ecundária elgueiras


EDITORIAL por Anabela Leal Diretora da Escola No último número da ESF ON deste ano letivo, impõe-se, como é habitual, um balanço e uma reflexão sobre o que correu bem e o que correu menos bem, sobre o muito que aprendemos e sobre o caminho que devemos continuar a fazer ou sobre as mudanças que será necessário iniciar. Este não foi apenas mais um ano letivo e ficará para sempre, infelizmente pelas piores razões, na memória de todos nós. O final de cada ano letivo é sempre ocasião para rituais e momentos festivos que ajudam a solidificar na memória de cada um de nós as experiências e as etapas vividas. Guardar esses momentos na memória reforça o nosso sentido de pertença e o sentido da própria vida. Este ano, pela primeira vez em muitos anos, não aconteceram esses rituais ou momentos festivos que passariam a fazer parte da memória dos nossos alunos.

humanidade. A escola tentou prepará-los para o imprevisto, para a mudança, para situações novas e desconhecidas. Mas nunca imaginamos algo de tal alcance e de tal impacto. Desejamos que todos eles sejam lutadores, fortes e resilientes! E também que sejam corretos e honestos com os outros e com eles próprios. No final, ainda que não seja para já, vai mesmo ficar tudo bem. Para os que no próximo ano letivo continuam cá, na nossa ESF alunos , docentes e não docentes - esperamos que, em breve, possamos regressar à escola presencialmente, à escola que conhecíamos ainda que esta, inevitavelmente, não volte a ser exatamente a mesma. Até lá, aproveitem as férias com segurança e com muita responsabilidade cívica! Para que o regresso seja possível! Até breve!

Os alunos de 9º ano não tiveram a oportunidade de se despedir dos colegas de turma que, em muitos casos, os acompanhavam desde o ensino pré-escolar ou desde o primeiro ciclo, e dos professores que os acompanharam ao longo do ano letivo e, em muitos casos, ao longo dos últimos três anos. Os alunos de 12º ano não tiveram a viagem de finalistas, o jantar de finalistas…. O assinalar de um ciclo de doze anos que para muitos é o fim da vida escolar. Em vez disso, ficará nas suas memórias a vivência de um período único da nossa história coletiva. Estes alunos perspetivam já uma nova fase das suas vidas: a entrada na universidade ou no mercado de trabalho. Para os que pretendem continuar os seus estudos, desejamos que os exames corram pelo melhor e que em setembro entrem no curso e na universidade pretendida. Para os que vão entrar no mercado de trabalho, desejamos as maiores felicidades e as melhores oportunidades. Contamos com eles para nos ajudarem a ultrapassar esta nova fase tão difícil para a JULHO 2020 ESF.ON 3


esf on

Escola Secundária de Felgueiras

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Projeto de Cidadania e Desenvolvimento - 8 b

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Regresso à Escola

SUMÁRIO

SARAU VIRTUAL

SUMÁRIO


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Cidadania e Desenvolvimento – Atividades desenvolvidas em confinamento

SUMÁRIO

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TROUXEMOS PARA A NOSSA ESCOLA O PRÉMIO ALUMNI NO CONCURSO NACIONAL DA JAP!

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Sarau Virtual - 10º B Em tempos de covid-19, muitos dos nossos projetos têm de ser adiados ou

uma voz encantadora, a aluna convidada, da turma 10ºF, Isabel Moura recebeu

reformulados, alguns ficam apenas na “fase de projeto”... Como uma “leve dose de loucura nunca fez mal a ninguém”, a turma 10ºB

os presentes com a canção “Eu sei” de Sara Tavares. Seguiu-se uma entrevista ficcionada à “mãe da Greta”, com a Ana Beatriz Sousa e o João Ferreira, que

arregaçou as mangas e resolveu concretizar o impensável: no passado dia

permitiu dar a conhecer o contexto em que surgiu a ação disruptiva e

22 de maio, em que se comemorou o dia internacional da Biodiversidade,

interpeladora de Greta, que pode agradar, ou não, mas certamente não deixa

realizou pelas 21h um sarau cultural, via Zoom! No âmbito da componente de Cidadania e Desenvolvimento, como estamos

ninguém indiferente... Fechou-se a primeira parte com um discurso simbólico, feito pela Inês Teixeira,

no ano internacional da Fitossanidade, a turma tinha escolhido o tema da proteção ambiental e foi feita a leitura partilhada da obra “A nossa casa está

que resumiu algumas das intervenções mais marcantes da jovem ambientalista. A abrir a segunda parte, ouviu-se o dedilhar da guitarra da aluna Joana Cunha,

a arder” sobre Greta Thunberg e a sua família. Depois realizaram-se

com a peça “West Coast” de Helen Sanderson, à qual se seguiu a apresentação

diversos trabalhos de pesquisa sobre assuntos da obra que despertaram

dos trabalhos da turma, a saber: o blog “Bomambiente2020” e os resultados das

curiosidade bem como outros temas associados à proteção ambiental.

pesquisas sobre “Distúrbios mentais”, “Dietas alternativas”, “Superalimentos”,

Grande parte do trabalho prévio estava já praticamente concluído na altura

“Princípios ativos vegetais” e “Plantas medicinais portuguesas”. Todos em versão

em que se iniciou a fase de confinamento, pelo que seria uma pena não

resumida para não desgastar o auditório! Com delicadeza e suavidade, fechou o sarau a aluna Neuza Sampaio e com ela

chegar ao produto final: a apresentação de trabalhos à comunidade educativa, ou seja, fazer o dito sarau!... Estiveram presentes a Srª Diretora, diversos professores da turma, os alunos, muitos encarregados de educação e alguns familiares e amigos. O sarau foi conduzido pelos alunos Beatriz Peixoto e Duarte Sousa. Com 6 ESF.ON JULHO 2020

todos sintonizaram a canção “Hallelujah” de Leonard Cohen, na versão de Alexandra Burke. Foi uma noite diferente... com o agradável sabor a “missão cumprida”!


Projeto de Cidadania e Desenvolvimento No domínio de Cidadania e Desenvolvimento, no 3ºperíodo, devido à atual situação de pandemia, o desafio lançado aos alunos foi elaborar um trabalho sobre as várias pandemias que assolaram a Humanidade, permitindo-lhes refletir acerca da sociedade antes da pandemia e na atualidade, tendo em consideração o contexto de mudança, de novos problemas e desafios que naturalmente fazem parte da nossa vida. Os alunos elaboraram trabalhos em Word e Powerpoint que lhes permitiram descrever as alterações que ocorreram na sua vida, reflexões essas que possibilitaram ainda consciencializar para a celeridade com que as mudanças económicas e sociais ocorreram no nosso planeta, tendo ainda presente que esta contínua adaptação, ao supostamente novo, faz parte da vivência escolar. O produto final culminou com uma apresentação pública de alguns trabalhos elaborados pelas várias turmas do oitavo ano, no dia dezanove de junho, via plataforma Zoom, estando presentes vários elementos da comunidade educativa, inclusive os familiares dos alunos. De salientar que, apesar do curto espaço de tempo para organizar estas atividades, ainda mais nas circunstâncias atuais, é de louvar a dedicação e empenho com que todos os alunos o procuraram fazer, sendo o resultado final muito positivo.

Gisela Santos

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Vamos Conversar A literacia em saúde diz respeito à forma como as pessoas compreendem

comunicação (TIC) emergem como uma forte alternativa para disseminar

informação acerca da saúde e dos cuidados de saúde e de como a aplicam às

informação em saúde e para promover e desenvolver ações de saúde.

suas vidas, utilizando-a para tomar decisões. Tem vindo a assumir um lugar de destaque ao longo das últimas décadas, constituindo-se atualmente como um conceito chave na promoção da saúde e na prevenção e gestão das doenças. É

Neste contexto, no âmbito da minha Prova de Aptidão Profissional, desenhei um projeto com o intuito de promover a literacia em saúde na comunidade escolar, procurando desenvolver iniciativas na âmbito da minha faixa etária e na dimensão da comunidade que ainda integro, mas, ao mesmo tempo refletir sobre a promoção da literacia em saúde no exercício da minha futura profissão. O projeto “Vamos Conversar” surgiu da necessidade de colocar à disponibilidade dos estudantes da ESF um site com fontes de informação fidedignas e adaptadas ao respetivo estádio de desenvolvimento. Para a realização deste projeto, contei com a colaboração do aluno Micael Dias, aluno da turma 12.ºI do curso Profissional Gestão de Programação de Sistemas Informáticos. Considero que a abertura do site à comunidade educativa é uma oportunidade para melhorar a literacia

um desafio para políticos, profissionais de saúde e cidadãos, mas para a

em saúde na ESF, uma vez que quanto

promover são necessárias ações específicas para incrementar a autonomia

mais os jovens utilizarem as novas tecnologias como fonte de informação

dos cidadãos.

em saúde mais competências desenvolvem no sentido de obter, avaliar e

Estas ações devem ocorrer ao longo de todo o ciclo de vida; procurando-se

aplicar essa informação com sucesso.

diversificar as estratégias, modos de comunicação e de informação,

Desta forma, expresso o meu desejo…que o projeto possa ser abraçado

reconhecendo a diversidade de perfis sociais e de níveis de competências em

por outros alunos no próximo ano letivo e, assim, continuado e melhorado

literacia em saúde que atravessam a sociedade portuguesa. Ainda mais nas

ao longo do tempo.

escolas e na adolescência, uma vez que esta fase compreende um período de

Por enquanto, esperamos uma visita!

aprendizagens e adaptações cruciais e essenciais que se irão refletir ao longo da vida adulta. Nesta faixa etária as tecnologias de informação e de

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Inês Mariana Bessa, 12.º G, Curso Profissional Técnico Auxiliar de Saúde


OPINIÃO 2020, química, biologia, geologia, história, infeciologia, inúmeras disciplinas, indisciplinadas na medicina e no SER HUMANO. A SAÚDE atravessa atualmente a nano-ameaça incipiente naquilo a que chamamos VIDA! A VIDA, enquanto oportunidade envolvida em MUDANÇA! MUDANÇA que o SER HUMANO consegue SER capaz de desenvolver. Alunos e Professores são AGORA e SEMPRE o exemplo que a evolução põe à prova da COMPLEXIDADE do SER HUMANO. Cada um deverá, nesta fase, recorrer à própria individualidade para GERIR a sua própria MUDANÇA. Somos figuras de proa de uma casca de noz que supomos navio, mas a força de

braços, nos remos, é dos profissionais de saúde. É também com eles que aprendemos a orientar as nossas velas e a seguir no meio desta tempestade… Nas nossas famílias, tantos outros, anónimos e silenciosos, combatem diariamente os medos e as circunstâncias de um dia a dia diferente, inédito em que apesar de todas as dificuldades, de todos os números avassaladores que têm nome, escolhemos, outra vez, a esperança de um amanhã melhor! Une-nos, neste confinamento, a escola que saiu das suas paredes, que vai muito além das salas de aula, que está agora dentro das nossas casas. Une-nos esta vontade de aprender modos diferentes de ensinar e buscar conhecimento. Partilhamos tempos e experiências inéditas

e sentimos que o todo é afinal muito maior… A resiliência transforma-se num arco-íris internacional, somos da ESF como cidadãos do mundo, atentos e solidários! Nunca, em momento algum que alguém JULGUE que o que está a VIVER é o PIOR de SEMPRE……..A EXAUSTÃO é de todos e para TODOS………………. PORQUE SE FOSSE FÁCIL NÃO SERIA PARA NÓS! 2020, não avisou que seria assim…….. Se avisasse, DESISTIAS???? Eu Não…. Apenas PEDIA LIBERDADE! Dulce Alves Alexandra Dantas

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TROUXEMOS PARA A NOSSA ESCOLA O PRÉMIO ALUMNI NO CONCURSO NACIONAL DA JAP! "Olá! Nós somos a Time for Money e estamos aqui para vos apresentar a nossa miniempresa", estas foram as palavras do presidente da nossa miniempresa, Carlos Carvalho, no início dos vídeos de apresentação para o concurso A Empresa, da Junior Achievement Portugal (JAP). Como chegámos até aqui? No início do ano letivo a nossa professora de Economia, Ana Maria Felgueiras, desafiou-nos para participarmos na JAP. O objetivo era elaborarmos um plano de negócios a partir de um produto ou serviço inovador, com características únicas e que desse resposta a uma necessidade.

Revimo-nos de imediato neste desafio, criámos um grupo constituído por 5 colegas e, de ideia em ideia, chegámos à aplicação Time for Money. Na turma, tinha-se instalado um saudável ambiente de competição entre equipas que disputavam a mesma competição. Apesar de rivais, houve sempre fair play! A TIME FOR MONEY consiste numa aplicação em que o consumidor tem de visualizar um anúncio até ao fim, de seguida responde a uma pergunta sobre o mesmo e, se acertar, será recompensado financeiramente. Posteriormente, poderá utilizar o dinheiro acumulado com as nossas parcerias ou encaminhá-lo para a sua conta bancária, mas assim perderá 60% do valor. Achamos esta App um serviço inovador e sustentável, pois conseguimos garantir às empresas que a mensagem do seu anúncio é absorvida, proporcionamos um rendimento extra às famílias e, acima de tudo, colaboramos apenas com empresas sustentáveis e com reconhecida responsabilidade social. Pretendemos incentivar o consumidor para escolhas sustentáveis e racionais, ou seja, educá-lo para o consumerismo. Quando nos decidimos por este tema, contactámos várias empresas/instituições de Felgueiras para colhermos opiniões de quem já estava no terreno acerca da viabilidade do nosso projeto e angariármos parceiros. Foi com muito gosto e até alguma surpresa que vimos a recetividade do meio ao nosso projeto e o respeito que por nós demonstraram! Assim, aproveitamos esta oportunidade para 10 ESF.ON JULHO 2020

agradecer publicamente à Auto-viação Landim, à Câmara Municipal de Felgueiras e à ESTG - Instituto Politécnico do Porto. Graças a esta última parceria, com quem estamos continuamente em contacto, conseguimos melhorar muitos aspetos do nosso projeto. Fomos trabalhando uns com os outros dentro e fora da sala de aula, até ao aparecimento do novo Corona vírus. Este veio complicar-nos ainda mais a vida, uma vez que as Feiras do concurso passaram a realizar-se num formato virtual, exigindo de nós a realização de vídeos de apresentação do serviço. Estando cada um confinado na sua própria casa, foi muito mais complicado concluir os trabalhos. Porém, estávamos determinados e, graças ao nosso constante empenho e resiliência e à ajuda dos professores, conseguimos ultrapassar os obstáculos e levar a bom porto o nosso projeto. O nosso percurso conduziu-nos ao apuramento para a feira ilimitada virtual de Vila Real, onde conseguimos o passaporte para a Competição Nacional virtual (4 e 5 de junho). Assim, após duas semanas de intenso trabalho, estávamos a competir na Feira Nacional contra as 25 melhores miniempresas (num total de 352 candidaturas). As nossas expectativas estavam altíssimas, queríamos ganhar esta Feira e representar Portugal e a Escola Secundária de Felgueiras na Feira Europeia. Não ganhámos o tão almejado primeiro lugar. Contudo, conseguimos trazer para Felgueiras o prémio Alumni, um prémio que distingue o Projeto que melhor coordenou as técnicas de apresentação e se destacou pela originalidade do tema, potencial de concretização e inovação! Atualmente, encontramo-nos a estudar a possibilidade de darmos continuidade a este projeto, não queremos que fique “na gaveta”. Contudo, nesta altura, sabemos que temos de nos focar nos Exames Nacionais... Em suma, é verdade que este projeto, que mereceu do início ao fim a supervisão atenta da nossa professora de Economia, nos deu imenso trabalho mas, acima de tudo, sabemos que nos trouxe imensas competências pessoais e profissionais, que despertou em nós o gosto pelo empreendedorismo e nos tornou pessoas ainda mais responsáveis e atentas ao meio que nos rodeia! A TIME FOR MONEY foi um projeto de Escola que ficará como um Projeto de Vida para todos nós (Carlos Carvalho, Francisco Carradori, Francisco Brandão, Miguel Gomes e Vasco Alves). Obrigados a todos quantos acreditaram em nós, um bem-haja pelo vosso apoio! Time for Money


PERSONALIDADE ESTILO

DIGA LÁ, N ATA L I N A L E I T E

Nasceu em Fafe, mas vive em Felgueiras desde os 5 anos. Estudou na Escola Secundária de Felgueiras até ao 12º ano e depois de concluir o curso no Porto, começou a lecionar. É professora por vocação desde os 21. No seu terceiro ano de carreira, ficou colocada na Escola Secundária de Felgueiras, onde fez estágio e permaneceu 6 anos. Trabalhou em 10 escolas diferentes, pelo norte e centro de Portugal. Pertence ao quadro da Escola Básica e Secundária de Airães desde 2002, onde além de professora, tem desempenhado diversos cargos de coordenação. Desde 2016, é presidente da direção da Associação de Pais da Escola Secundária de Felgueiras e faz parte do Conselho Geral, onde é representante dos pais e encarregados de educação. Uma aventura por concretizar Dar a volta ao mundo

Um adereço indispensável Brincos Um prato favorito Filetes de pescada com salada russa

Um livro que recomenda A Amiga Genial Elena Ferrante A viagem que mais a marcou Açores durante um mês, com subida ao Pico incluída

Um filme que recorde Toda a saga

Um perfume Just rock - pour elle! de Zadig & Voltaire

Personalidade/artista que admire Bono Uma cidade para visitar Nova Iorque

Uma banda da adolescência AC/DC

Uma bebida para ocasiões especiais Champanhe Desporto favorito Caminhadas JULHO 2020 ESF.ON 11


ESF.ON VOZES Um Pai Anjo Cresci sem saber o que era a importância de um pai na vida. Sem as suas lembranças nem momentos. Não tive a oportunidade de o conhecer, mas tive a oportunidade de me apaixonar através das fotos, da descrição que as pessoas fazem dele e é o que basta para saber que ele era uma pessoa simpática, engraçada e muito humilde. Ele não pôde despedir-se de mim da maneira que queria, mas teve uma solução para me dar as últimas palavras:”vais ser uma mulher incrível minha princesa.” . Foi o que falou antes de partir para o lugar de onde me olha e ajuda quando me sinto mais fraca. Sem o saber, tornou-se uma pessoa importante. De pai, passou a um anjo que protege quem mais ama. O ciclo da sua vida terminou ali, num hospital, ligado a máquinas com a esperança que um dia ficar bem. Se hoje eu choro, é com a falta do seu amor, mas, tendo perdido um pai, ganhei um anjo. Ana Teles, 8º E

Regresso à escola Na minha opinião, este regresso às aulas foi de facto muito bom, pois a escola teve os devidos cuidados para que os alunos estivessem seguros no interior da mesma. No início, senti-me um pouco desconfortável devido ao uso de máscara, pois era um pouco complicado respirar, mas com o tempo foi mais fácil. Por outro lado, foi bom rever os colegas de turma mesmo que não nos pudéssemos aproximar muito uns dos outros. Este regresso à escola pode de facto funcionar e até foi uma boa ideia colocar os mais velhos primeiro, pois são os mais responsáveis e percebem melhor os cuidados a ter neste tipo de situação. Não podemos estar sempre em casa, temos que começar a sair e precisamos de nos habituar a esta situação nova e a ter em atenção determinados cuidados, para que tudo se resolva da melhor maneira. Concluindo, eu acho que pode ser uma nova experiência para nós, alunos, e para todos os que trabalham na escola, pois habituando-nos a ter mais cuidados com a nossa higiene assim como a cumprir regras importantes para a nossa saúde, poderemos servir de exemplo para os outros, principalmente para os mais novos. Ana Catarina, 12º H

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De volta à escola Finalmente, voltámos à escola, a mesma que antes do covid abalar o mundo era odiada e criticada por muitos alunos que, tal como eu, achavam que se regia por um sistema velho e ultrapassado que não acompanhava as necessidades das novas gerações no que toca a aprender. Mas, depois de experienciar esta inovação da educação vista por muitos (lunáticos) como o futuro do ensino, considero que no pré-covid não estávamos nada mal servidos. Acredito que sou um aluno privilegiado dado que me deram a oportunidade de ir acabar algumas disciplinas em aulas presenciais. A mesma sorte não teve a minha irmã que, por ser um ano mais nova e não ter exames este ano, vai ter de se aguentar em “Aulas síncronas” até ao fim de junho. Ela não vai poder usufruir do bom ambiente e do alto rendimento em sala de aula que eu tive a oportunidade de ter nas duas vezes que fui à escola a semana passada. Estivemos quase três meses sem sair de casa e, talvez por isso, à minha espera tinha uma calorosa turma que, apesar de todas as desconfortáveis medidas de segurança, asseguraram a boa disposição matinal de todos, incluindo os quatro professores que estiveram connosco em carne e osso e não num amontoado de pixéis num ecrã iluminado. Os intervalos foram aproveitados para estabilizar os baixos níveis de vitamina D e pôr em dia os debates fervorosos sobre os mais variadíssimos temas. Éramos seguidos pelo olhar atento das funcionárias que garantiam a nossa distância de segurança assim como a desinfeção das mãos à entrada da sala. Passámos cerca de cinco horas na escola e a nossa rotina de cativeiro é novamente retomada. Neste meu 11º ano já fui muito livre, visitei sítios incríveis e, de repente, a minha liberdade de fazer o que me dá na real gana é-me retirada e sou encarcerado em casa por três meses a fio. Nesta reta final sinto-me um preso em liberdade condicional, que sai da cadeia de vez em quando, num curto espaço de tempo. Francisco Araújo, 11º C


ESF.ON VOZES Diário em tempos de quarentena (excerto) Domingo (10 de maio) Foi anunciado há, mais ou menos, duas semanas que regressaríamos à escola. Se me perguntarem se acho que devemos regressar, a resposta é sim! Considero que o regresso à normalidade é muito preciso, apesar de termos de ter consciência que esta será uma normalidade muito diferente, com máscara cá pelo meio. Estou certa de que ter aulas on-line, em vez de aulas presenciais, não tem o mesmo efeito, na nossa aprendizagem. Estando em casa, as distrações são muitas mais, sejam elas, o telemóvel, a televisão, o irmão que, também, está em casa ou, até mesmo, a preguiça e a vontade de ir para o sofá, que está ali ao lado. Por este motivo, acho essencial e vantajoso nós voltarmos. Por outro lado, sei que voltar torna-se um enorme risco, uma vez que no traz muito mais contacto do que o que tínhamos nas nossas casas. Apesar disso, considero que, se cumprirmos as regras e nos restringirmos ao fundamental, esta medida pode ser mais vantajosa do que prejudicial. Quinta-feira (dia 14 de maio) Hoje foi um dia stressante, preciso de desabafar! Soubemos o nosso horário e só penso que cada vez estou mais perto de voltar… se há dois meses, dizia, com muita certeza, que queria muito voltar à rotina, à escola, a toda essa correria diária, hoje digo que isso me deixa muito nervosa. O medo de não conseguir aguentar com a máscara o tempo todo, o medo de pode estar ou ficar infetada, o medo de não conseguir não me aproximar de um amigo/a, sei lá, tanta coisa que, neste momento, me preocupa! Sei que um dia íamos ter de voltar, essa era uma realidade, mas sabem quando acham que essa realidade é mais longínqua do que o que estavam à espera? Pronto, era o que eu sentia… que tinha e ia acontecer, mas mais para a frente, no próximo ano letivo, por exemplo. Sim, é um facto que estou farta de estar em casa, mas voltar à escola assusta-me ainda mais do que estar em casa. Estando em casa, sei que lido, todos os dias, com as mesmas três/quatro pessoas (que, também, podem estar infetadas, é uma realidade) mas sei que a probabilidade de contágio diminui drasticamente. No início deste diário, disse que seria vantajoso voltarmos. Sim, continuo a achar vantajoso mas, neste momento, sinto que é mais perigoso que vantajoso. Mas, também, acho que quando lá chegar, segunda-feira, vou ficar feliz e estes medos vão-se atenuando.

Segunda-feira (dia 18 de maio) E pronto, parece que o famoso dia do regresso, o tal 18, que vemos a passar em rodapé na televisão há mais de quinze dias, chegou ao fim! Acho que nunca me vou esquecer deste dia, foi surpreendente! O nervosismo era tanto, que nem conseguia adormecer. Levantei-me e, depois de tomar o pequeno-almoço, fui logo arranjar-me e pôr tudo pronto para sair. Liguei à Mafalda (esta miúda está sempre presente) para nos acompanharmos durante o percurso casa-escola, que ambas fizemos a pé. Estava muito nervosa e fui o caminho todo a tentar acalmar com os conselhos dela. Quando estávamos a chegar e nos vimos, fizemos uma festa (como já seria de esperar, claro, depois de dois meses sem nos vermos quase, só por videochamada mesmo). Desinfetei as mãos, desci as escadas, dirigi-me à sala e já lá estavam algumas pessoas. Entretanto, chegou a professora Sónia, tivemos aula de físico-química, ouvimos a nossa diretora, fomos ao intervalo, voltámos, tivemos a aula de biologia, de revisões, e voltamos para casa. Disse assim tudo seguido, porque realmente passou tudo muito rápido. A máscara nem me incomodou assim tanto (claro que embacia os óculos, mas nada que me afete assim tanto), deu para falar um bocadinho com algumas pessoas com quem já não falava há algum tempo, para ver outras também, para matar saudades das mais especiais e das professoras, para ouvir os conselhos da nossa diretora e, acima de tudo, para me adaptar a esta nova realidade e tornar-me mais forte, resiliente e capaz de encarar novas situações. Não houve assim um momento em que não me tivesse sentido segura e estou animada para os próximos dias. Agora cabe-nos a nós sermos responsáveis para podermos continuar a ir para a escola e para conseguirmos preparar-nos da melhor forma possível para os exames que aí vêm (é verdade, daqui a menos de dois meses já os temos feitos e já acabou o 11º ano, para quem não vai à segunda fase). Foi um regresso bom e estou feliz por ter corrido bem! Francisca Sousa, 11º A

Domingo (dia 17 de maio) Hoje foi um dia estranho! Parece que sinto o mesmo no domingo antes da primeira segunda-feira de aulas, em setembro. Sinto aquele nervosismo, típico de quando se vai conhecer os professores e a turma, e ainda, acrescentado a isto, o medo porque não sei o que esperar. Continuo a sentir-me como na quinta-feira, stressada e com as mesmas preocupações.

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ESF.ON VOZES Educação em tempos de pandemia

De volta à escola

Face à pandemia do covid-19, durante estes últimos 3 meses as escolas tiveram que articular o método de ensino à nova situação. No começo não foi fácil para ninguém e o que prevaleceu foi o ensino à distância através de plataformas online. Felizmente, a nossa escola agiu rapidamente e conseguimos retomar desde cedo as atividades letivas com recurso ao zoom. Agora olhando para trás, penso que nem o Ministério, nem as escolas, nem os alunos, nem os professores estavam preparados para que tal acontecesse, e julgo que um grande problema que todos sentimos foi a falta de comunicação. Inicialmente, os professores enviavam trabalho em excesso e estava a ser difícil encontrar o melhor processo de organização para conseguir conciliar as aulas online e a realização dos trabalhos propostos, com a agravante de que estando em casa torna-se mais difícil a concentração. Ao longo do tempo o cansaço foi-se acumulando e todos começamos a acusar níveis elevados de stress. Com o passar do tempo fomos aprendendo com os erros e fomo-nos adaptando da melhor forma possível. Agora que tivemos a sorte de poder regressar à escola é que nos apercebemos da importância desta nas nossas vidas e que a qualidade do ensino à distância em nada pode ser comparada ao ensino presencial. Mas para que tudo isto seja possível tiveram que ser criadas uma série de normas de higiene e segurança, e, como tal, estamos a viver uma realidade completamente diferente daquela a que estávamos habituados. Não posso deixar de referir o trabalho incansável de todo o pessoal docente e não docente que diariamente luta para nos garantir uma melhor qualidade de ensino, e para certificar que este, de facto, é seguro. Estou a adorar este regresso às aulas, no início, estava um pouco apreensiva e com medo, mas acho que está a superar todas as minhas expectativas. É ótimo poder ver os meus colegas com mais frequência, e, por muito que me custe admitir, acho que todos já quebramos alguma regra. Por vezes é difícil não demonstrarmos afetos ou mantermos o distanciamento social e mesmo esforçando-nos muito é difícil resistir a alguns abraços. Estou confiante que dias melhores virão e que, juntos, vamos superar este desafio.

Segunda-feira foi para muitos alunos do 11º e 12º ano um regresso à escola, mas principalmente um pequeno regresso à normalidade. Este dia foi marcado por um misto de emoções: felicidade, por rever colegas e amigos, medo, por não saber como esta situação se iria desenrolar e desconforto provocado principalmente pelas máscaras que dificultavam a respiração ao longo do tempo. Na minha opinião, a escola de Felgueiras fez um ótimo trabalho, transmitindo confiança aos alunos deixando os alunos à vontade, mas, fazendo-os cumprir as regras para que este regresso à normalidade fosse o mais normal possível. Concluindo, acho que a nossa escola fez um ótimo trabalho. Espero que, com o passar do tempo, este trabalho e preocupação dos alunos e da escola não seja em vão, pois é o nosso futuro que está em jogo.

Mafalda Azevedo, 11º A

João Fernandes, 11º C

Escola em tempo de pandemia Nestes últimos meses, a escola deparou-se com dificuldades atípicas. O encerramento repentino das escolas “atirou” alunos e professores para a frente do ecrã. Esta foi a solução encontrada para que as aprendizagens não fossem completamente interrompidas. De um dia para o outro as aulas presenciais tiveram de ser substituídas pelo ensino à distância. Este novo método, (que não tem sido fácil nem para alunos nem para professores) está a ser um desafio e uma oportunidade de explorar e aprender dentro de outro contexto. No entanto, existe o outro lado da moeda, ou seja, esta situação é ingrata para aqueles que não têm acesso a dispositivos e à internet, o que provoca desigualdades. A realidade apresenta dificuldades na utilização de algumas plataformas de ensino, algum desconhecimento de ferramentas e softwares bem como as distrações que estão bem ali à distância de um clique. É um ano letivo muito diferente daquilo a que estamos habituados, para além de serem tempos difíceis, mas acredito que vai ficar tudo bem! Lara Ferreira, 11º C

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ESF.ON VOZES O nosso regresso à escola

25 de abril - mais um dia de confinamento

Nos últimos dias, o tema de que muito se falou é de como seria o regresso à escola, de milhares de estudantes do secundário. Muitas foram as inquietações, ao longo destes últimos dias, sobre como tudo iria acontecer. Assim chegou o tão esperado dia, estava muito ansioso, pois não sabia o que me esperava, e quando chego à entrada da escola deparo-me com uma série de indicações a ter em conta, um funcionário da escola a dar-nos as boas vindas e a encaminhar-nos para as respetivas salas, bem como duas garrafas com álcool gel para desinfetarmos as nossas mãos. De seguida dirigi-me para a minha sala de aula, onde a maior parte dos meus colegas e professores já se encontravam, estando todos os sítios muito bem sinalizados com uma fita vermelha, para nos sentarmos devidamente. Todos os meus colegas estavam felizes pelo nosso reencontro, mas ao mesmo tempo com um ar de desconfiança, com receios do que possa vir a acontecer futuramente, julgo eu. Entretanto, a meio da aula de Geometria Descritiva, a diretora da escola veio visitar-nos o que me agradou bastante, dando-nos algumas informações sobre como tudo iria decorrer daqui para frente, bem como a garantia de que na escola iríamos ter a máxima segurança, se tudo dependesse dela. A partir desse momento estive presente em duas aulas, que correram pelo melhor, da maneira a que já estávamos habituados. No entanto, senti-me um pouco estranho, pois no intervalo tivemos que estar todos com as distâncias recomendadas, e sentiu-se um vazio por toda a escola. Faltava toda aquela agitação habitual, os nossos colegas das outras turmas para se conviver, os outros professores e funcionários que estamos habituados a ver todos os dias, alguns locais da escola estavam fechados, para que não houvesse a tentação de ir para lá… Foi um sentimento estranho! Assim, e como tudo correu com normalidade, o que me agradou bastante, não fiquei com nenhum tipo de receio de voltar para a escola. Só espero que tudo corra pelo melhor, que todos se sintam felizes e seguros no nosso maior local de aprendizagem, que é a escola. João Alves, 11º C

Hoje é o quadragésimo oitavo dia de quarentena e o sétimo fim-de-semana que não saio de casa. Está a ficar difícil. Todos os dias são iguais. Hoje é dia 25 de abril, dia da liberdade, da democracia, um dia tão importante para Portugal, mas que nestas circunstâncias parece apenas mais um dia. No início da quarentena, apesar do medo e da incerteza, sentia-me mais esperançoso. Talvez por não acreditar bem no que estava a acontecer. Com o passar do tempo as coisas tornaram-se mais reais e, por isso, mais difíceis. Acho que perdi a esperança inicial de que este pesadelo iria passar depressa. Agora, de dia para dia, há cada vez mais normalidade nesta anormalidade e é cada vez mais difícil ter pensamentos positivos. As aulas começaram, os professores estão a fazer o seu melhor e nós também, mas não é a mesma coisa. No meio de tanto esforço mútuo, há coisas que se perdem e que não conseguimos recuperar. Por outro lado, próprio desta doença é a incerteza que ela causa. E esta incerteza pesa muito no dia-a-dia. É impossível não me perguntar como irá realmente ser daqui a uma semana, daqui a um mês e principalmente daqui a dois, quando for a altura dos exames. Não há dúvida de que está a ser difícil para todos. No entanto, é com muita alegria que sinto que todos, sem exceção, estão a fazer um esforço para manter a normalidade, a boa disposição e se estão a ajudar para que ninguém fique para trás. Esta pandemia é, assim, mais uma confirmação de que a humanidade é boa na sua essência e que o Homem tem uma enorme capacidade de entreajuda e de proteção e isso reforça a minha fé na humanidade.

Regresso à escola a primeira semana de aulas Na segunda-feira, dia 18 de maio, voltámos à escola. Devo admitir que não estava muito entusiasmada e tranquila com o regresso à escola nesta nova normalidade. Sentia-me insegura, nervosa e preocupada, pois eu vou ser mais uma pessoa que pode trazer este vírus para casa, onde estão o meu irmão e a minha avó. Quando cheguei à escola também estava a chegar a Marta, a Mafalda, o Files, a Cláudia e o Lucas. Foi muito fixe voltar a ver os meus amigos. Essa também foi a primeira vez que usei a máscara e foi muito estranho… Tenho de estar sempre a mexer na máscara porque ela sobe e vai-me para os olhos e não vejo nada. No primeiro dia, esteve a turma toda junta o que não é muito normal, apesar desta ser, de longe, a turma que eu já tive que se dá melhor. Neste dia não cumprimos muito bem as ordens de estarmos a 2 metros de distância, mas nos dias seguintes já foi mais “fácil”, mas acho que nunca estivemos mesmo a 2 metros uns dos outros. Na quarta-feira, fizemos o nosso primeiro teste nestas novas condições e acho que correu bem. Eu era do primeiro turno, logo estava com o cérebro “fresquinho”; quando estava em Física e Química A, já notei algum cansaço e lentidão, nada de muito relevante, mas fiquei um bocadinho preocupada, porque quando for a minha vez de fazer teste nos últimos 3 tempos do dia, já vou estar cansada e podem-me escapar algumas ratoeiras. Resumindo, eu gostei muito de voltar a ver os meus amigos, mas continuo a ter alguns receios. Leonor Lopes, 11º A

João Maia, 11º C JULHO 2020 ESF.ON 15


ESF.ON VOZES De volta às Aulas Presenciais

De volta à escola

No que diz respeito ao regresso às aulas, sempre me senti insegura. Insegura porque não sabia até que ponto toda a logística necessária iria resultar ou até mesmo ser cumprida. Embora nem toda a gente respeite as normas com a mesma seriedade, pois as normas não se aplicam só à escola mas a todas as situações da nossa nova vida, o regresso à escola foi, para uma grande maioria, mais tranquilo do que o que esperávamos. Ao contrário daquilo que pensava, não me senti insegura num único segundo desde o momento em que entrei ao momento em que saí da escola. A nossa escola está mais que preparada para nos receber, só nos cabe a nós fazer a nossa parte para que tudo corra da melhor maneira possível. O mais incrível é que não me cruzei com ninguém que não fosse da minha turma. A organização teve o cuidado de cada turma entrar a horas diferentes, ter intervalos a horas diferentes, ter aulas a dias diferentes, etc. Tudo para evitar o ajuntamento de muitas pessoas. O que embora pareça óbvio, não acontece em todos os estabelecimentos escolares. O facto de voltarmos a ver os nossos colegas resulta numa distração desta incomum realidade. Se não fossem as máscaras a tapar metade da cara, acho que me esquecia completamente do mundo lá fora. É impressionante como o simples facto de estar com alguém, mesmo que à distância, nos consegue abstrair tanto. Na minha opinião, o único pormenor que é mais complicado é o facto de estarmos tantas horas seguidas na sala de aula. Se estar 90 minutos na sala já é o que é, imaginem 135 (com o acréscimo de ter uma incomodativa máscara na cara)! Contudo, aprendi mais numa manhã do que em dois meses de aulas online! O que me faz pensar que este “risco” vai valer a pena pois não só nos ajuda a voltar à realidade, como nos prepara muito melhor para os exames, que são algo com bastante peso na nossa vida académica. Só espero que todos tenham o devido cuidado no seu desconfinamento para não desperdiçarmos todo o esforço que pusemos nisto até agora. Tenho visto grandes aglomerados de pessoas em estabelecimentos fechados sem grandes cuidados, e isso faz-me questionar o que pode estar para vir. Só espero que seja eu a exagerar e que seja o meu medo de voltar ao mesmo que me faz pensar desta forma, mas não me parece! Só me resta esperar que tudo volte à normalidade enquanto cumpro a minha parte. Espero, sinceramente, que todos façam o mesmo.

INo dia 18 de maio, os alunos do 11º e 12º anos voltaram a ter aulas presenciais e confesso que fiquei surpresa, mas num bom sentido com esse regresso. O dia começou e, logo à entrada da escola, deparei-me com um desinfetante, de uso obrigatório e com um sistema que divide o trajeto que os alunos devem fazer tendo em conta a sala onde têm aulas, o que nos dá logo uma certa segurança. A realidade é que até agora me senti protegida e não tenho tanto receio de estar na escola como pensava que iria ter. Depois decorreram as aulas e aí apercebi-me da falta que sentia de estar numa sala de aula com um professor e colegas de turma e sentada numa mesa da escola e acho que o facto de, anteriormente, apenas termos tido aulas on-line dá-nos a perceber o quão melhor e sortudos somos por termos aulas presenciais. Terminada a primeira aula, fomos para o intervalo e aí... Confesso que pensava que não necessitava assim tanto de sair de casa e que não tinha tantas saudades dos meus colegas, visto que, embora a quarentena nos tivesse separado, mantínhamos o contacto, quer por vídeochamada, quer por mensagem, mas a realidade é que, quando vi as pessoas que considero mesmo minhas amigas, fiquei muito feliz e, quando estava a voltar para a aula seguinte, depois de termos falado pessoalmente, é que me apercebi que realmente necessitava disto, da convivência com as pessoas que me “aturam” praticamente o ano todo, e cujas conversas faziam e voltaram a fazer parte da minha rotina. Claro que agora convivemos de uma maneira diferente, porque não nos aproximamos tanto uns dos outros e temos uma certa precaução nas atitudes que tomamos, mas fico contente por ter voltado à escola e só espero que não tenha que voltar outra vez para a quarentena, porque não sei se aguentava mais um mês em casa depois desta experiência.

Inês Mendes, 11º C

Marta Freitas, 11º A

16 ESF.ON JULHO 2020


Cidadania e Desenvolvimento – Atividades desenvolvidas em confinamento. PROVA DE APTIDÃO PROFISSIONAL As turmas A, B e C do 7ºano desenvolveram atividades no domínio Instituições e Participação Democrática. No contexto atual, todo o trabalho desenvolvido foi realizado à distância e apresentado em sessões Zoom em cada uma das turmas. Foram propostos trabalhos sobre o 25 de Abril/Liberdade/Democracia que consistiu na recolha de imagens que aludissem a este marco importante da nossa História recente, seguido de uma apresentação em PowerPoint sobre as instituições democráticas portuguesas. A recetividade e o empenho dos alunos na concretização e apresentação das tarefas foi excelente, superando todos os constrangimentos físicos e técnicos existentes.

PÃO com MASSAS SELVAGENS e fermentações lentas RUI MARCELO PEREIRA

Pedro Fonseca

Cidadania e Desenvolvimento Um olhar sobre o mundo… … antes e durante a pandemia Covid-19 Num contexto inesperado de pandemia, e com tantas mudanças operadas a nível pessoal e profissional, os projetos de Cidadania e Desenvolvimento não foram exceção, tendo sofrido grandes alterações e sido adaptados à nova realidade de Ensino à Distância (E@D). Assim, abandonámos o projeto do Sarau Cultural que contemplava dança, teatro e até um desfile de moda com roupa feita a partir de lixo, para uma nova realidade: em confinamento e com E@D. Desta feita, nos 7.º e 8.º anos trabalhou-se a temática do Covid-19 em duas diferentes perspetivas: a perspetiva histórica, onde as turmas do 8.ºB, C, D e E pesquisaram e fizeram uma análise comparativa das várias pandemias que assolaram a Humanidade com a atual Covid-19. O produto final foi apresentado à comunidade via plataforma Zoom no dia 19 de junho. Por seu turno, as turmas de 7.ºA e 8.ºA trabalharam a perspetiva ambiental numa análise do antes e durante o Covid-19, em vários países. Toda a informação consta de dois padlets que estão disponíveis a toda a comunidade e a que poderão aceder a partir dos seguintes links: 7.ºA – “Um olhar pelo mundo: antes e durante a pandemia Covid19” – https://padlet.com/ldias10/109qiv757wpsqcuf 8.ºA – “O ambiente antes da pandemia e na atualidade” https://padlet.com/profgeomanuelsalgado/210xdf2y3oethwjh

PROVA DE APTIDÃO PROFISSIONAL

AÇUCARES - MAÇÃ POR TERRA ANA CATARINA JESUS

Lia Santos Manuel Castro JULHO 2020 ESF.ON 17


MÚSICA

EMÍLIO ESTEVES

Bob Dylan – Rough and Rowdy Ways (2020) The Strokes – The New Abnormal (2020) Bob Dylan tem 79 anos e lançou o seu primeiro disco em 1962. São aproximadame nte 60 anos de carreira e o excelente Rough and Rowdy Ways, lançado a 19 de junho e o seu primeiro trabalho de originais desde Tempest em 2012, vem provar que Bob Dylan continua a ser um dos melhores e mais completos músicos da atualidade. O 39º trabalho de originais de Bob Dylan, natural do Minnesota, terra que tem estado nas bocas do mundo devido à morte de George Floyd, surge durante uma pandemia global e numa altura em que existe uma justa luta pela justiça racial, sobretudo nos Estados Unidos. O disco não é indiferente a tudo isto, até porque Bob Dylan, através das letras das canções, sempre foi um ativista de direitos humanos de referência. Convém recordar que ele ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 2016, tornando-se o primeiro e único artista na história a conseguir este feito notável. O disco é constituído por dez temas com aquilo que é típico de Dylan desde os anos 60: blues, country, folk, rockabilly, gospel, etc. A variedade é evidente, facto que dá vida ao disco e faz com que se oiça do princípio ao fim sempre com o mesmo interesse e prazer. No single I Contain Multitudes, Dylan fala de si mesmo, compara-se a Anne Frank e Indiana Jones, apresenta-se como inquieto, terno e implacável, alguém instável com multitudes. No melhor tema do disco, o épico de quase 17 minutos Murder Most Foul, Dylan reflete profundamente sobre o assassinato do ex-presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy. Rough and Rowdy Ways é uma prova de que Bob Dylan é como o vinho do Porto e a recordação de Leonardo Cohen é obrigatória. O nosso desejo é que ele continue entre nós por muitos anos e, como é evidente, a fazer música a este nível elevadíssimo. 18 ESF.ON JULHO 2020

The New Abnormal é o sexto álbum de estúdio dos T h e Strokes, uma banda de rock formada em Nova Iorque há 22 anos. Este trabalho, lançado em plena pandemia no passado mês de abril, foi, desde o primeiro momento, acalmado pela crítica especializada como um dos grandes discos de 2020. The Stokes, liderados pelo seu vocalista carismático Julian Casablancas, têm, desde o seu trabalho de estreia Is This it (2001), a reputação de banda “cool”. The New Abnormal vem reforçar esta ideia e, na verdade, aqui temos um disco rock do melhor que se vai ouvir em 2020. Estamos perante 9 faixas de puro rock alternativo em que a banda surge mais unida do que nunca e também nos parece mais madura – já não são jovens de 20 anos! O disco vale pelo seu todo, mas podemos destacar algumas faixas: Bad Decisions é um exemplo conhecido do hedonismo típico dos The Strokes, em que Casablancas fala do seu contentamento em relação a um relacionamento que não tem qualquer hipótese de sucesso; em Brooklyn Bridge to Chorus, no refrão, afirma "Eu quero novos amigos / mas eles não me querem", sobressaindo as confissões e os arrependimentos que parecem sinceros; o tema mais lento e encantador do disco Ode to the Mets é comovente porque parece que Casablancas está a repreender alguém que já se foi há muito tempo. The New Abnormal é um dos melhores trabalhos de sempre dos The Strokes. Desde Room on Fire (2003) que não faziam uma música tão emocionante, cheia de paixão e de criatividade, onde as guitarras e a voz se destacam. Os Strokes estão bem vivos e preparados para continuar a surpreender e nós estamos aqui para os receber!

PREVIEW CULTO Três Tristes Tigres – Mínima Luz (2020) Os portugueses Três Tristes Tigres, uma das bandas pop/rock m a i s interessantes dos anos 90, regressaram em grande em 2020 com a edição do seu último disco de originais em 22 anos, Mínima Luz. Estamos perante o quarto trabalho de originais, depois de Partes Sensíveis (1993), Guia Espiritual (1996) e Comum (1998). Apesar do longo silêncio, a beleza musical e o atrevimento artístico, com referências do passado, mas procurando sempre novas ideias, continuam presentes através de temas irreverentes que nos cativam na primeira audição. Ana Deus, vocalista, e Alexandre Soares, guitarrista, formam a dupla nuclear desta banda do Porto. Os poemas são, na sua maioria, da escritora Regina Guimarães, membro sem palco da banda que faz parte desta aventura desde o primeiro momento. As canções são sombrias e retratam temas pesados, como o suicídio, ou melhor, sobre suicídios por concretizar. Em À Tona, um dos singles do álbum, ouvimos Ana Deus cantar que, depois de várias tentativas falhadas de suicídio, “A vida sabe-me bem / Viva me quero manter”. O single Língua Franca, tema calmo e belíssimo, fala de um tempo perfeito e desejado, caracterizado por um entendimento harmonioso entre as espécies e os elementos naturais. Uma utopia em tempos de pandemia! Mínima Luz não tem temas como O Mundo a Meus Pés de 1993, mas é, provavelmente, o disco mais ambicioso dos Três Tristes Tigres, quer pelas letras quer pelo experimentalismo que nos faz lembrar a música dos fabulosos ingleses My Bloody Valentine. Não obstante ainda nos encontrarmos no mês de julho, aqui temos um dos melhores discos da música portuguesa de 2020. O longo afastamento deu lugar ao reencontro, à segunda vida da banda, e o que se deseja é que os Três Tristes Tigres nos ofereçam mais discos com a qualidade de Mínima Luz.


PREVIEW CULTO ROSA GUIMARÃES

LITERATURA

As férias estão a chegar… Aproveita todos os momentos para descontraíres o corpo e a mente. E, sobretudo, lê livros que te façam viajar, que te inspirem, que te deem emoções fortes, que te descontraiam, que te apaixonem… Aproveita as sugestões e usufrui das tuas férias com total liberdade e descontração!

Leva-me Contigo Portugal a pé pela Estrada Nacional 2

O Quase Fim do Mundo

Jalan, Jalan Uma Leitura do Mundo

Afonso Reis Cabral

Pepetela

Afonso Cruz

A Estrada Nacional 2, com os seus q u a s e 7 3 9 quilómetros, é a maior de Portugal e uma das maiores do mundo. Atravessa Portugal de Chaves a Faro, numa linha contínua que não é feita só de asfalto. Estrada mítica e com identidade própria, é o mais belo caminho para conhecer as pessoas, as paisagens - o País, em suma. O escritor Afonso Reis Cabral - autor dos romances O Meu Irmão (vencedor do Prémio LeYa) e Pão de Açúcar - decidiu percorrê-la a pé. Durante vinte e quatro dias, completamente sozinho, deixou que a estrada o guiasse: cruzou montanhas e planícies, mergulhou em rios, caminhou debaixo de tempestades e sob o sol ardente. Mas sobretudo parou para conversar com quem encontrava. No fim de cada dia, publicava na sua página de Facebook um diário escrito no telemóvel relatando os principais eventos da viagem. Com milhares de leitores, comentários e partilhas, os seus textos geraram grande entusiasmo. Agora em versão ampliada e ilustrada, eis em livro o diário do caminho.

E se a vida animal de repente desaparecesse da Terra, exceto num pequeno recanto do mundo e em doses mínimas? Talvez as causas se conheçam depois, mas o que importa é a existência de alguns seres, aturdidos pelo desaparecimento de tantos, e procurando sobreviver. É sobre estes sobreviventes e as suas reações, desejos, frustrações mas também pequenas/grandes vitórias que trata este romance. Detalhe importante: o recanto do mundo que escapou à hecatombe situase numa desgraçada zona da desgraçada África. O que permitirá questionar as relações contemporâneas no velho Mundo.

«Apesar da beleza da paisagem, dos campos de arroz, do verde omnipresente, dos templos hindus, dos macacos zangados, uma das melhores coisas que trouxe de Bali foi uma oferta do João, que me embrulhou e ofereceu uma palavra, talvez duas: Jalan significa rua em indonésio, disse-me. Também significa andar. Jalan jalan, a repetição da palavra, que muitas vezes forma o plural, significa, neste caso, passear. Passear é andar duas vezes. (…) Passear é o que fazemos para não chegar a um destino, não se mede pela distância nem pela técnica de colocar um pé à frente do outro, mas sim pelo modo como a paisagem nos comoveu ou como o voo de um pássaro nos tocou. É um pouco como a arte, tem o valor imenso de tudo aquilo que não tem valor nenhum. Pode não ter razão, destino, objetivo, utilidade, e é exatamente aí que reside a riqueza do passeio. Não existem profissionais do passeio. Chesterton, que era um grande apologista do amador, dizia que as melhores coisas da vida, bem como as mais importantes, não são p r o fi s s i o n a l i z a d a s . O a m o r, q u a n d o é profissionalizado, torna-se prostituição.»

A Descoberta do Mundo Clarice Lispector «Escrevia acerca dos filhos, dos amigos, das empregadas, da sua infância, das viagens, de tal forma que A Descoberta do Mundo, uma colectânea com os artigos que escreveu nas suas colunas, p u b l i c a d a postumamente, pode considerar-se quase uma autobiografia.» Benjamin Moser, em Clarice Lispector, Uma Vida

Viagens

As Leis da Fronteira

Olga Tokarczuk

Javier Cercas

JULHO 2020 ESF.ON 19


CULTO PREVIEW The Luminaries A nova série The Luminaries, uma adaptação do romance com o mesmo nome, de Eleanor Catton, vencedor do prémio Man Booker, é uma história complexa e de suspense, cheia de amor, crime, magia e vingança, que se passa na selvagem costa oeste da Ilha Sul da Nova Zelândia, no auge da febre do ouro, na década de 60, do século XIX. A história começa em 1865. Anna Wetherell (Eve Hewson) viaja para a Nova Zelândia à procura de uma nova vida. No último dia da viagem, um primeiro encontro romântico com Emery Staines (Himesh Patel), deixa-a com grandes expectativas sobre aquilo que a espera. Mas, a intrigante cartomante, Lydia Wells (Eva Green), tem outras ideias para Anna e cria uma armadilha para garantir que o encontro planeado entre os jovens amantes nunca aconteça. Iludida, enganada e traída, a sorte de Anna começa a desaparecer. Ela é atraída para um elaborado cenário de chantagem, envolvendo ópio, ouro, naufrágio, fraude e uma identidade falsa, na qual acaba por se ver associada a um assassinato e a lutar pela vida.

20 ESF.ON JULHO 2020

INÁCIO LEMOS

SÉRIES

A very English Scandal Inspirado em acontecimentos verdadeiros, traduzido em Connell e Marianne cresceram na mesma Durante anos e1960, a homossexualidade diversasos línguas largamente difundido pelo mundoMistérios inteiro, p e qde u e nLisboa a cidade da Irlanda, mas as estava em processo de legalização no Reino O Homem Que Plantava Árvores é uma história inesquecível semelhanças acabam aqui. Na escola, Connell A série Mistérios de Lisboa é realizada por Raúl Ruiz e Unido. Thorpe Grant) líder do sobre oJeremy poder que o ser(Hugh humano teméde influenciar o mundo é popular e bem-visto por todos, enquanto produzida por Paulo Branco e tem por base o romance Partido Liberal Britânico à s u a e esconde seu v o l t a . Marianne é uma solitária que aprendeu com homónimo de Camilo Castelo Branco e foi adaptada ao relacionamento amoroso com outro Narra a vida de um homem e o homem, seu esforço solitário, dolorosas experiências a manter-se à margem pequeno ecrã em episódios de 60 minutos que já foram Norman (Ben Whishaw). Algum depois, constante e paciente, para fazertempo do sítio onde vive um lugar dos colegas. Quando têm uma animada exibidos em vários países. quando especial.seu ex-amante ameaça revelar o conversa na cozinha de Marianne — difícil, Mistérios de Lisboa atravessa o século XIX e a ação passaCom Thorpe as suasdecide próprias mãos um e uma sem mas eletrizante —, as suas vidas começam a caso, elaborar planogenerosidade de se entre Portugal, Itália, França e Brasil e tem como pano limites,que, desconsiderando o tamanho dos obstáculos, faz, do mudar. Prémio Costa para Melhor Romance ação eventualmente, acaba expondo de fundo as invasões napoleónicas, vários triângulos nada, surgir uma floresta inteira - com um ecossistema rico e 2018. todo o escândalo. amorosos, plot twists e revelações aterradoras. A história sustentável. Livro do Ano Waterstones. Pedro da para: Silva, um à procura sua É um livro admirável que nos mostra como um foca-se homem emNomeado Manórfão Booker Prize da 2018, identidade. Prize Ao longo trama, 2019 ele serve como humilde e insignificante aos olhos da sociedade,verdadeira a viver Women's for daFiction e Dylan ligação Prize entre2019. as várias personagens que longe do mundo e usando apenas os seus própriosponto meios,de Thomas dominam seu destino e queserá dãobrevemente sentido às reviravoltas Normais adaptado à consegue reflorestar sozinho uma das regiões mais oPessoas que sucedem. televisão. inóspitas e áridas de França. Jean Giono escreveu este conto lendário nos anos 50 do século XX, com a esperança de desencadear um programa de reflorestação a nível mundial que promovesse a regeneração do planeta. Uma mensagem muito à frente do seu tempo. Inspiremo-nos no incansável pastor que transforma montes hostis numa magnífica floresta.


Regresso ao Ensino Presencial. INÁCIO LEMOS Coordenadora do Departamento de Artes e Tecnologias

A Covid-19 nunca esteve, como agora, tão ativa à escala global. Países desenvolvidos, como os Estados Unidos, não conseguem “virar o bico ao prego” e, noutras partes do Mundo, gigantes como o Brasil, a Rússia ou a Índia ainda não chegaram ao pico da crise; simultaneamente – basta ler a primeira página do Expresso (11.07.2020) – a opinião pública portuguesa é alertada para uma mais do que provável segunda vaga, no Outono, que merecerá novamente cuidados especiais e uma segurança sanitária acrescida. Neste cenário, francamente, não sei como será possível retomar, de forma consequente, a atividade escolar presencial, ou outras atividades, nomeadamente desportivas, sejam elas amadoras e de formação, em todas as modalidades. Sem falar em eventuais normas restritivas de confinamento, que podem vir a ser novamente implementadas até ao fim do ano, como será possível criar condições sanitárias para retomar as atividades anteriormente mencionadas? Será possível, se todos cumprirem as regras de higiene, a etiqueta respiratória e o distanciamento físico, mesmo sabendo que este traz perdas sociais e afetivas para as quais ainda não estamos habituados. Cumprindo estas recomendações estaremos a contribuir para a minimização do risco de transmissão; negligenciar estas e outras regras é estar a correr riscos individuais e coletivos. Todos somos necessários para a resolução deste problema e, quanto mais cedo tomarmos consciência desta verdade, mais cedo estaremos a contribuir para a irradicação desta pandemia que alterou hábitos e rotinas. Sou um otimista, um otimista responsável, que acredita que temos que regressar às rotinas e atividades profissionais presencialmente, mas perante o número de casos diários em território nacional, não me resta outra opção que não seja olhar para o futuro de pé atrás e nariz torcido. Infelizmente, não sou portador de boas notícias. Mas é bom que alguém diga as coisas como elas são, para que, mais à frente, o choque não seja ainda maior. E a verdade é que, enquanto não chegar a vacina que devolva o vírus às profundezas do Inferno, por muito que queiramos, por muito que tentemos, por muito que nos procuremos adaptar, por muito, até, que façamos de conta que não é bem assim, a nossa atividade profissional continuará ligada à máquina.

É nesta incerteza que reconheço não haverá nenhuma razão coerente que sustente o ensino à distância, e a nova abordagem à segunda vaga de Covid-19, anunciada para a estação outono/inverno, só virá reforçar esta evidência. Antes de chegar o tempo da vacina, o novo normal vai sofrer uma mutação, que nos levará a conviver com maiores riscos, associados a práticas menos restritivas, na busca de um equilíbrio que mantenha Portugal a andar, e o Serviço Nacional de Saúde a chegar para as encomendas. É nesse contexto, nesta nova abordagem que parte do princípio de que outro confinamento radical será uma sentença de morte para a economia, melhor será dizer para todos nós, que poderá haver espaço para novas modalidades de ensino, mas dando sempre prioridade ao ensino presencial.

JULHO 2020 ESF.ON 21


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