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Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala. arrastaram-se para lá, devagar,

VIDAS SECAS GRACILIANO RAMOS NELSON PEREIRA DOS SANTOS INSTITUTO MOREIRA SALLES • CINEMA • JULHO DE 2013

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coleção dvd : três novos títulos

Na coleção dvd ims, três clásicos do cinema brasileiros inspirados em três clássicos da literatura: Vidas secas, Memórias do cárcere e São Bernardo, de Graciliano Ramos, filmados por Nelson Pereira dos Santos e Leon Hirszman. Como nos quatro títulos anteriormente lançados, os dvds são acompanhados de livretos com introduções críticas aos filmes. No dvd de Shoah e O relatório Karski, de Claude Lanzman, uma caixa com cinco discos, um livreto com o ensaio de Gertrude Koch, A transformação estética da imagem do inimaginável. No dvd de La Luna, de Bernardo Bertolucci, um livreto com o ensaio Necessariamente sonhar... Projeção e proteção onírica em La Luna, de T. Jefferson Kline.

No dvd de Cerimônia de casamento, de Robert Altman, um ensaio de Jonathan Rosenbaum, A propósito de um casamento, e outro de Hernani Heffner, Quatro notas sobre Robert Altman. No dvd de Conterrâneos velhos de guerra, de Vladimir Carvalho, uma introdução do diretor, Pantasmas de Brasília, e um texto de Sérgio Moriconi, O real desencantado. E nos novos títulos, três livretos com textos sobre os filmes;

No dvd de Vidas secas, de Nelson Pereira dos Santos, análises de Jean-Claude Bernardet, O homem brasileiro, de José Carlos Avellar, O proveito de beijo, e de Júlio Bressane, Vida luz deserto.

No dvd de São Bernardo, de Leon Hirszman, o ensaio Acerto de contas, de José Carlos Avellar. No dvd de Memórias do cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, um texto do diretor, Oito notas para entrar e sair do cárcere, um Depoimento de Ricardo Ramos, e uma análise de José Carlos Avellar, Três notas para recuperar a memória.

Vidas secas, São Bernardo e Memórias do cárcere serão lançados em dvd durante a Festa Literária Internacional de Paraty, entre 3 e 7 de julho – esse ano dedicada a Graciliano Ramos. Na quarta 10, no auditório do ims, às 20h00, lançamento dos dvds em programa especial com a leitura de fragmentos dos livros de Graciliano Ramos e de uma crônica de Rubem Braga. Os três filmes se exibem nos dias 12, 13 e 14. 2

Os sete títulos da coleção dvd ims encontram-se à venda na loja do Instituto Moreira Salles e nas principais livrarias.


resolvo-me a contar, depois de muita hesitação, casos passados há dez anos – e, antes de começar, digo os motivos porque silenciei e porque me decido. não conservo notas: algumas que tomei foram inutilizadas, e assim, com o decorrer do tempo, ia-me parecendo cada vez mais difícil, quase impossível, redigir esta narrativa. Além disso, julgando a matéria superior às minhas forças, esperei que outros mais aptos se ocupassem

MEMÓRIAS DO CÁRCERE GRACILIANO RAMOS NELSON PEREIRA DOS SANTOS

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Duas palavras sobre as imagens (ou vice-versa:) duas imagens sobre as palavras

Os amigos discutiam a precariedade do Grêmio Literário e Recreativo, queriam abrir uma biblioteca, “a instrução é indispensável, a instrução é uma chave, a senhora não concorda, D. Madalena?”. Paulo não concorda, “biblioteca num lugar como este! Para quê?”. Acha que não se deve confundir “instrução com literatura de papel impresso”. Madalena concorda com ele: “Assisti um dia destes a uma fita no cinema, e creio que aprendi mais do que se visse aquilo escrito. Sem contar que se perde menos tempo”. No quarto de pensão, grudadas na janela, as moças espiam o capítulo da novela na televisão da casa em frente. Num canto, alguém lê um romance e a todo instante fecha o livro. Interrompe a leitura, olha a capa, abre o livro, lê algumas linhas, volta a ver a capa. Gostava de livros com figuras, e aquele só tinha uma figura na capa.

São Bernardo, de Graciliano Ramos filmado por Leon Hirzman, novo título da coleção dvd do ims, em exibição especial no programa de julho no sábado 13 às 20h00

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O menino ainda não tem nome nem aprendeu a ler, mas ganhou um livro e está encantado com o presente. O irmão mais velho adverte, o livro está de cabeça para baixo. O menino protesta, não está lendo errado não. Mostra a página, a figura igual, a mesma, de cabeça para cima ou de cabeça para baixo. Não sabia ler palavras, mas sabia ler figuras. O irmão é que não entendia nada de livro. Na repartição, no cinema, no jornal, no café, na rua, na janela, trancado no quarto, Luís sentia a vida passar como um filme estrangeiro sem legendas. Caminhava como um cego. “Quando a realidade me entra pelos olhos, o meu pequeno mundo desaba”. Ia maquinalmente ao cinema. “Podia estar ali a distrair-me com a fita. Depois, finda a projeção, instruir-me vendo as caras”, mas ficava “de pé, ao fundo, por baixo da cabina, sem ver a tela”. Aflito e apressado, não via ninguém, não prestava atenção às coisas. “Não sei para que diabos quero olhos”. Quatro imagens: duas verbais, as de São Bernardo e Angústia, de Graciliano Ramos, duas visuais, as de A hora da estrela, de Suzana Amaral, e Abril despedaçado, de Walter Salles. Quatro pedaços de histórias em que o livro é personagem de cinema e o cinema, personagem de livro. Na verdade, o cinema é menos que um personagem na história de Paulo Honório, dono de terras e gentes de São Bernardo “aqui não é como lá fora. O cinema, o bar, os convites, a loteria, o bilhar, o diabo, não temos nada disso”. Em São Bernardo não existia o cine Floriano para dona Glória vender bilhetes. Na verdade, o livro, apenas um figurante na história de Macabea (inspirada no


romance de Clarice Lispector) e na de Tonho e Pacu (inspirada no romance de Ismail Kadaré). Na verdade, o cinema é um pouco mais que um figurante na história que Luís da Silva conta ainda não completamente restabelecido das visões que o perseguiam – visões com um certo quê de cinema –, “umas sombras que se misturam à realidade e me produzem calafrios”. Estas referências (embora ligeiras) testemunham uma vontade do cinema deixar-se desafiar pela literatura e da literatura deixar-se inspirar pelo cinema. Deixar-se desafiar e influenciar não por uma obra em particular, mas pelo processo criativo. Nessas obras, o autor filma como quem escreve, escreve como quem filma. A literatura é mesmo central em Vidas secas e Memórias do cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, e em São Bernardo, de Leon Hirszman, mas não porque eles se inspiram em livros. Central porque, de um certo modo, os três filmes

Isabel Ribeiro : São Bernardo

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conversam com os livros para retornar ao chão da palavra, à imagem-figura ou à imagem-ideia de onde nasce o texto. Buscam na imagem o que nela se movimenta em direção à palavra. Da mesma forma, o autor buscando na palavra o que nela é um chão para a imagem, o cinema é de fato central em Angústia de Graciliano Ramos. Os filmes de Nelson e de Leon nos remetem à literatura, o romance de Graciliano nos remete ao cinema. Examinando a questão de um ponto de vista exclusivamente cinematográfico, talvez seja possível falar de três romances feitos para existir na tela e um filme feito para existir no papel.

Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos filmado por Nelson Pereira dos Santos, novo título da coleção dvd do ims, em exibição especial no programa de julho domingo 14 às 20h00

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No papel, o cinema dos domingos – Julião Tavares e Marina “de braço dado, bancando marido e mulher, ele com ar bicudo e saciado, ela bem vestida como uma boneca dengosa” – o cinema das “horas horrivelmente cacetes em que pedaços de duas pessoas se encontravam”, o cinema da neta de D. Aurora, dos ventiladores parados, do grande calor, da datilógrafa bonitinha “com uns olhos de gato que acariciavam a gente”. E sobretudo o cinema das sem-vergonhezas, “uns beijos safados, língua com língua, nem lhe conto. Provavelmente as moças saem de lá esquentadas”. Sinha Germana, “que só tinha aberto os olhos para o velho Trajano”, agora, no cinema, “ouvindo as cantigas dos marmanjos”, não seria a mesma com essas sem-vergonhezas. Hábitos diferentes, necessidades novas. Por causa do cinema, “o mundo está perdido”. Na casa em frente Dona Mercedes, a espanhola madura amigada em segredo com uma personagem oficial que lhe entra em casa alta noite, “parece uma artista de cinema”. Na casa ao lado, Marina, “uma sombra como acontece no cinema quando se apresentam mulheres nuas”. “O cinema é o diabo”. Entre um primeiro plano (“entravam no cinema, Julião Tavares comprava um jornal”) e um travelling (“dona Aurora e a neta marchando para o cinema”), Luís se sentia vigiado. Pelos miseráveis da polícia, pelo cinema. “Tenho a impressão de que uma objetiva me pegou, num instantâneo. Ficarei assim, com a perna erguida, a pasta debaixo do braço, o chapéu embicado. Luís da Silva, a caminho da repartição, lesando, pensando em defuntos”. “Sapecando as pestanas em cima de um livro”, refugiava-se do cinema. “Adquiri cedo o vício de ler romances e posso com facilidade arranjar um artigo, talvez um conto”. Mas seus escritos, pensa, não prestam. Pior, pensa que a linguagem escrita não presta. É uma safadeza inventada para enganar a humanidade com mentiras. “Acabe com essa literatura!”, exclama impaciente para o amigo Moisés que na saída do cinema lia um jornal encostado num poste de iluminação. “Não serve”.


“Romance desagradável, abafado, ambiente sujo, povoado de ratos, cheio de podridões, de lixo”. Graciliano quase repete Luís da Silva ao comentar seu romance, dez anos mais tarde. “A personagem central estava parada, revolvendo casos bestas, inúteis: um sujeito a aporrinhar-se porque uma fêmea safada lhe fugia das garras, outro a encher dornas, uma criatura cansada a lavar garrafas”. Como haviam surgido em sua imaginação aquelas figuras? Talvez no tempo em que “metia preposições em telegramas, consertava sintaxe”. Na Imprensa Oficial “via lá embaixo, sob um telheiro, o indivíduo magro a mover-se entre pipas, a encher dornas, a mulher sacudindo-se, lavando garrafas. Perto, montes de lixo e cacos de vidro”. Para contar isso que viu (um filme estrangeiro sem legendas?) imaginou um espectador que não sabe para que diabos quer olhos, em delírio, numa escuridão cheia de pancadas. Ainda não estava restabelecido completamente e da inconsciência prolongada lembra-se apenas de um homem sem rosto, sentado na cadeira em que tinha ficado o paletó. – “era como se me achasse num cinema”.

Jofre Soares : Memórias do cárcere

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Com a sensação de estar no cinema, escrevia à espera da polícia. “Por que não me vinham buscar os miseráveis da polícia?” Na prisão, pensava, faria um livro, escreveria a lápis, em papel de embrulho, nas margens de jornais velhos”. Um livro “amarelo, papulo, faria um grande livro, que seria traduzido e circularia em muitos países” Não entendia por que a brincadeira de gato com rato. “Por que não vinham logo?”. Graciliano – enquanto anotava o que Luís da Silva escrevia esperava também a gente da polícia que viria prendê-lo – comenta dez anos mais tarde, em Memórias do cárcere, talvez não propriamente o livro que escreveu, mas a escrita de seu personagem, Luís da Silva: Angústia, diz, é um “solilóquio doido, enervante. E mal escrito”.

2.

Vidas secas, de Graciliano Ramos, filmado por Nelson Pereira dos Santos, novo título da coleção dvd do ims, em exibição especial no programa de julho sexta-feira 12 às 20h00

“Estas palavras que escrevo andam em busca de seu sentido e nisso consiste todo o seu sentido”. A frase é de Octavio Paz. Está num texto em que discute a diferença entre a imagem (construye presencias) e a palavra (emite sentidos), a diferença entre a pintura (nos ofrece una visión) e a literatura (nos invicta a buscarla). Sentido, prossegue, é aquilo que as palavras emitem e que se encontra além delas. “Es aquello que se fuga entre las mallas de las palabras y que ellas quisieran retener o atrapar”. O sentido não está no texto mas fora dele. E anota ao final de um parágrafo de El mono gramático a frase citada acima: “estas palabras que escribo andan en busca de su sentido y en esto consiste todo su sentido”. “A afirmação pode parecer estranha, mas na realidade a essência do cinema não está nas imagens e sim no texto visual que construímos com elas.” A frase é de Sergei Eisenstein. Está num texto que se opõe ao que diz Béla Balàsz (“o fundamental no cinema está no trabalho do fotógrafo”) para afirmar que o sentido no cinema não está nas imagens, mas fora delas, nas relações entre elas. O fundamental não é mostrar pessoas e coisas, mas estabelecer relações. Cinema, diz Eisenstein em Béla esqueceu a tesoura, existe perto da literatura, perto do discurso, perto da fala que atribui um sentido simbólico (não literal, não ao pé da letra, não fotográfico) às pessoas e coisas visíveis na imagem. Imaginemos que as diferentes formas de arte dialoguem entre si, busquem inspirar-se umas nas outras, ir para fora de si mesmas para melhor se inventar. A partir desse ponto torna-se possível pensar, por exemplo, num romance (o sentido não está nas palavras, mas fora delas) feito como cinema e um filme (o sentido não está nas imagens, mas fora delas) feito como um romance.

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Paz, o texto é de 1974, vê a imagem com limites espaciais, mas sem princípio nem fim, ao contrário do texto, que começa em um ponto e acaba em outro.


Nenhuma pintura pode contar porque nenhuma transcorre, prossegue Paz. Em nenhuma imagem acontece alguma coisa, nem nas que têm como tema acontecimentos reais, nem nas que nos dão a sensação de movimento. Falar e escrever, contar e pensar, ao contrário, é transcorrer, ir de um lado a outro, acontecer, passar (como um filme?). Eisenstein, o texto é de 1926, vê o cinema no começo de um segundo período literário: o hábito de ir aos livros buscar uma história para contar em imagens em movimento dos primeiros anos do cinema começava então a ser substituído pela identificação de possíveis procedimentos estilísticos comuns ao cinema e à literatura e pela análise daquilo que, por ser próprio do texto literário, poderia ser tomado como um desafio para o cinema (como assinala Paz) mais do que nos oferecer una visão convidar-nos a buscá-la. O fundamental entre as artes resulta de interdependências, e uma imagem de cinema só emite sentido, sublinha Eisenstein, quando se insere numa relação de interdependência com outras imagens.

Átila Iório e Orlando Macedo : Vidas secas

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O desconcerto do menino mais velho e do menino mais novo na cidade de Vidas secas, o mundo subitamente alargado, “impossível imaginar tantas maravilhas juntas”, pode ser tomado como uma quase metáfora da relação entre o cinema e a literatura se ao lado da dúvida apresentada timidamente pelos meninos, inserimos (timidamente também) o contracampo, o fora de quadro dessa dúvida. “As preciosidades que se exibiam nos altares da igreja e nas prateleiras das lojas“, a dúvida soprada no ouvido do irmão, provavelmente aquelas coisas tinham nomes. “Puseram-se a discutir a questão intrincada”. Todas as coisas têm nome? “Como podiam os homens guardar tantas palavras?” No contracampo, questão igualmente intrincada, saber se todos os nomes têm coisas. Se toda palavra tem uma imagem. Se toda imagem tem uma palavra. Se uma coisa pode existir antes do nome (num filme?). Se um nome pode existir antes da coisa (num texto?).

Na loja do Instituto Moreira Salles, a caixa com os dvds de Vidas secas, São Bernardo e Memórias do cárcere, pode ser adquirida por R$ 99,00 e cada filme separadamente por R$ 39,90

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Talvez um procedimento essencial da narrativa cinematográfica, o fora do campo, possa figurar a sensação, comum à todas as artes, de que o verdadeiro significado da obra está além do imediatamente identificável nela. Nem nas palavras de uma poesia ou romance, nem nas imagens de uma pintura ou filme, o sentido nasce de uma dupla relação de interdependência: interna, entre as partes que constituem a obra, e externa, entre uma obra em particular e toda e qualquer outra obra de arte. Um romance, depois de ser o que efetivamente é, quase em absoluta simultaneidade com o que efetivamente é, vive como se fosse o relato de um espectador de cinema que nos conta um filme que acabou de ver ou como descrição de uma imagem cinematográfica esboçada, na imaginação, ainda sem forma definitiva. E um filme, sem deixar de ser o que efetivamente é, vive ao mesmo tempo como o relato de um leitor que nos conta um livro ou como uma anotação do instante que precede a invenção da palavra, como um registro da palavra uma fração de segundo antes dela ganhar sua forma definitiva. Assim como Angústia não traduz uma história contada no cinema, mas se inventa num diálogo com o modo de contar do cinema, Vidas secas, São Bernardo e Memórias do cárcere – os filmes – não ilustram as histórias contadas nos romances. Eles se inventam a partir do prazer e desafio da leitura, e nessa invenção transferem para um espaço vizinho as palavras de Octavio Paz: as imagens que filmamos andam em busca de seu sentido e nisto consiste todo o seu sentido. JOSÉ CARLOS AVELLAR

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A MULHER QUE PENSA | UMA INTRODUÇÃO A HANNA ARENDT

“A questão: como fazer um filme sobre uma mulher que pensa? Como ver no cinema uma mulher cuja ação principal é pensar? Como retratar com fidelidade o pensamento dessa mulher? A luz que a obra de Hannah Arendt trouxe ao mundo ainda brilha. E como seu trabalho é invocado por um número cada vez maior de pessoas, brilha com maior intensidade a cada dia.

Em 1986 fiz um filme sobre Rosa Luxemburgo porque estava convencida de que ela era a pensadora mais importante do século passado. Estava interessada em compreender a mulher por trás dessa lutadora e revolucionária. Mas agora, quando começamos o século 21, a figura de Hannah Arendt se impõe. É ainda mais importante. Sua inteligência e sabedoria apenas começam a ser plenamente compreendidas e estudadas. Quando formulou pela primeira vez o conceito de “banalidade do mal” – termo que cunhou em seu relato sobre o julgamento de Eichmann – Hannah foi duramente criticada e atacada como

Barbara Sukova : Hanna Arendt

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inimiga do povo judeu. Hoje, este conceito tornou-se um componente essencial de qualquer discussão que visa julgar os crimes dos nazistas.

Queria contar a vida de Hannah Arendt sem recorrer à estrutura convencional do filme biográfico. Escrevemos o roteiro, eu e Pam Katz, numa espécie de ping-pong, discutindo por internet e telefone, e, claro, pessoalmente, em Nova York e Paris, na Alemanha. Nossa primeira pergunta: que período devemos escolher para contar da vida dela? Seu caso de amor com Martin Heidegger? Sua fuga da Alemanha? Seus anos em Paris ou em Nova York? Depois de examinar todas essas possibilidades, tornou-se claro que para retratar a vida e obra de Hannah deveríamos nos concentrar nos quatro anos em que ela escreveu sobre Eichmann. O confronto entre Hannah e Adolf Eichmann, além de iluminar o contraste radical entre os dois, permite uma compreensão mais profunda da sombria Europa do século 20.

Hannah Arendt, de Margarethe von Trotta, no programa de julho do ims a partir da sexta-feira 5. No sábado 6, após a sessão das 18h00, um debate com o historiador Luiz Edmundo de Souza Soares.

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Quando a pensadora intransigente enfrentou o burocrata submisso e obediente, tanto Arendt quanto o discurso sobre o Holocausto mudaram para sempre. Em Eichmann ela viu um homem em que a mistura de obediência e incapacidade de pensar por si mesmo – “Gedankenlosigkeit” foi a expressão que ele cunhou - permitiu o envio de milhões de pessoas para as câmaras de gás.

Com sua recusa de obedecer a qualquer coisa que não seja o seu próprio conhecimento (“Ninguém tem o direito de obedecer”), Hannah se situa em absoluta oposição a Eichmann, cujo dever, como ele repetiu e repetiu, era ser fiel ao juramento de obedecer as ordens de seus superiores. Nesta obediência cega, Eichmann renunciou a uma das principais características que distinguem os seres humanos de todas as outras espécies: a capacidade de pensar por si mesmo. Desse modo, Hannah, a pensadora, a independente, destaca-se na imagem diante de seu oposto: o burocrata submisso, o que não pensa, o que escolhe ser um subordinado convicto. Para mostrar esse indivíduo que não pensa, imagens de arquivo. Só é possível revelar a verdadeira “banalidade do mal”, mostrando o próprio Eichmann. Um ator iria distorcer a imagem. O espectador poderia admirar o brilho do ator, mas não conseguiria compreender a mediocridade de Eichmann, a mediocridade incapaz de dizer algo com sentido. É que podemos ver quando ele menciona sua incapacidade de pensar qual o significado do que estava fazendo. Apenas numa cena, a que filmamos Barbara Sukowa no tribunal em que realmente ocorreu o julgamento, usamos um ator: mas só vemos as costas de Eichmann. Portanto, nos concentramos quase exclusivamente no período que começa com a captura de Eichmann e termina logo após a publicação de seu livro


Eichmann em Jerusalém - Relato sobre a banalidade do mal. Tornou-se possível, assim, investigar o trabalho inovador de Hannah, e ao mesmo tempo revelar seu caráter e sua personalidade. O filme mostra também Hanna em Nova York e menciona seu amor por Martin Heidegger - apesar de estarmos convencidos de que Heinrich Blücher foi muito mais importante em na vida dela, suas “quatro paredes”, sua “casa”, assim ela se referia a Heinrich. Heidegger foi o primeiro amor e Hannah e permaneceu ligada a ele, apesar de sua ligação com os nazistas. No início de minha pesquisa Lotte Köhler, única amiga de Hannah ainda viva, deu-me um exemplar da correspondência entre Heidegger e Arendt e fez questão de me dizer que ela guardava as cartas na gaveta da mesinha de cabeceira.

Alguns flashbacks nos levam de volta ao caso de amor da jovem de Hannah com Martin Heidegger. Esses flashbacks são importantes para compreender o passado de Arendt, mas o filme está principalmente preocupado com a sua vida em Nova York, com seu marido Heinrich Blücher, que ela conheceu no exílio em Paris, e com seus amigos alemães e norte-americanos, especialmente Mary McCarthy e seu amigo mais antigo, o filósofo judeu-alemão Hans Jonas. Mostramos Arendt numa reunião com Heidegger depois do fim da guerra. Esse encontro realmente aconteceu. Mas poucas semanas antes, em carta ao amigo e mentor, Karl Jaspers, ela chama Heidegger de ‘assassino’. Edna Brocke, sobrinha de Hannah, contou-me que sua tia explicou seu relacionamento com Heidegger dizendo: ‘algumas coisas são mais fortes que um ser humano”. Seu objetivo sempre foi entender. Seu lema sempre foi: “Eu quero entender”. Esta é a frase que melhor descreve Hannah. É preciso aprender com ela a entender as pessoas e o mundo. Num período em que muitos se curvaram ela continuou a acreditar no poder do indivíduo para resistir à força cruel da história. Fiz o filme interessada em encontrar a mulher por trás desta grande pensadora. Ela nasceu na Alemanha, e morreu em Nova York. O que a levou para lá? Judia, ela não deixou a Alemanha voluntariamente. Sua história, por isso, levanta a pergunta qu move todos os meus filmes: como uma pessoa se comporta face a acontecimentos históricos e sociais que ele ou ela não pode mudar? Sua recusa em ser dominada pelo desespero e desamparo faz com que ela, aos meus olhos, uma mulher extraordinária, cuja “luz ainda brilha hoje.” margarethe von trotta, declarações para o lançamento de hanna arendt

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SEMINÁRIO

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questões para o cinema contemporâneo

| de terça 6 a sexta 9 de agosto

A proposta do Núcleo de Estudos Cinematográficos, apresentar questões para o cinema contemporâneo, nasceu da constatação de que com o aparecimento das técnicas digitais no panorama cinematográfico do final do século xx, a relação entre o cineasta e o mundo com que procura dialogar tem sofrido uma mudança radical. Tal mudança compromete a clássica noção de mise-en-scène e derruba a arquitetura formal da linguagem acadêmica, identificada pelo plano e contra-plano, travellings e tantas outras ferramentas narrativas visuais. Durante décadas essas ferramentas tiveram seu significado, hoje parecem obsoletas frente ao poder das novas mídias.

Paralelamente, novos conceitos na política internacional, como a globalização e o abandono das utopias sociais, o mínimo espaço de movimento das nações frente à agressividade econômica dos grupos que dominam as trocas comerciais, e o sentimento de um planeta à deriva (em parte devido à desistência da questão ecológica) têm tido um impacto de choque sobre a representação do real no cinema, seja nos modos documentário ou ficção. A essa nova realidade há corresponder novos modos de ver a realidade, pois um mundo diferente tem de ser revisitado com um olhar diferente. Agosto

de terça 6 a sexta 9

Questões para o cinema contemporâneo Seminário com a exibição de três filmes no cinema do ims, e três encontros na sala de aula. Inscrições na recepção do ims

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O cinema vive um momento de ruptura e de inovação de linguagem. Ver, ouvir, conversar com cineastas, pesquisadores, críticos, estudantes e amantes de cinema pode ser uma forma de compreendermos estas mudanças. O primeiro dos três seminários Questões para o cinema contemporâneo, organizado em parceria com o Núcleo de Estudos Cinematográficos, propõe filmes e debates em torno do tema Religião e Cinema.

Três filmes: na terça 6 de agosto, às 18h00, Tio Boonme que pode recordar suas vidas passadas, de Apichatpong Weerasethakul. Na quarta 7, às 18h00, Deus é um fogo de Geraldo Sarno. Na quinta 8, às 18h00, A palavra de Carl Theodor Dreyer. E três mesas de debates na sala de aula do ims propõem perguntas ao cinema contemporâneo a partir desses filmes: na quarta 7, às 14h00, com Fábio Andrade (crítico da Revista Cinética) e Remo Mannarino Filho (professor do Departamento de Filosofia da puc-rj). Na quinta 8, às 14h00, com Geraldo Sarno (cineasta) e Miguel Pereira (professor do Departamento de Comunicação Social da puc-rj) e Tito Almejeiras (cineasta). E na sexta 9, às 14h00, com Eduardo Nunes (cineasta) e Angel Diez (professor da Escola de Cinema Darcy Ribeiro). Inscrições para o seminário, na recepção do ims.


GANCE

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lartigue

| a vida em movimento de eU ACUSO ao PARAISO PERDIDO

Eu acuso: pouco mais que uma coincidência liga o cinema de Gance à literatura de Emile Zola – o título de seu filme realizado durante a Primeira Guerra Mundial vem do artigo publicado no jornal L’Aurore em janeiro de 1898 (uma carta ao presidente da república sobre o processo e a condenação de Alfred Dreyfus); a narração, vem do realismo do texto de Zola. O escritor aparecia então como uma possível fonte para a invenção de modos de contar histórias no cinema. Talvez seja possível dizer que “a descrição detalhada da natureza ou de uma cena, apresentada de modo realista, quase uma presença física, sempre de acordo com o exigido pela estrutura da composição” (como observa Eisenstein num dos capítulos de O sentido do filme) tenha inspirado a imagem inicial do filme de Gance em que muitos soldados que se posicionam de modo formar as letras que compõem o título: J’Accuse.

A vida em movimento: Talvez, pouco mais que uma coincidência liga a fotografia de Jacques Henri Lartigue ao cinema: “Eu acompanhava sobretudo os noticiários, divertia-me pensando: puxa, aí está uma foto que eu faria. Aquilo passava rápido, rápido, rápido e eu fazia minhas fotos mentalmente. Abel Gance queria que eu trabalhasse para ele, que fosse seu assistente, depois que virasse completamente cineasta”. Quando se conheceram, em 1922, Lartigue começava a se dedicar à pintura e Gance dedicava-se à montagem de A roda (1923). Lartigue não aceitou o convite, e quatro anos mais tarde, Gance voltou a convidá-lo para participar da realização de Napoleão (1927). Uma outra vez, o fotógrafo não aceitou o convite – respondeu com uma foto; em setembro de 1927 retratou Gance em Beauvallon, montado numa boia qual Napoleão a cavalo. No programa de julho, em paralelo à exposição Jacques Henri Lartigue – A vida em movimento, dois filmes de Abel Gance: Eu acuso (J’accuse, 1918) e Paraíso perdido (Paradis perdu, 1940), realizado em meio à segunda guerra mundial com uma história ambientada às vésperas da primeira guerra. De um certo modo, nos filmes e também na fotografia, uma sensação de expulsão do paraíso: na fotografia pensada como um meio de tapar os buracos da memória, e no cinema feito como um meio de destapar o horror da guerra – “os soldados reais que interpretavam soldados feridos ou mortos estavam conscientes de que provavelmente seriam feridos ou morreriam em poucas semanas ou meses” . Também no programa de julho, dois outros filmes do tempo de Lartigue: Boudu salvo das águas (Boudu sauvé des eaux, 1932) e A grande ilusão (La Grande illusion, 1938), ambos de Jean Renoir.

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OS FILMES DE JULHO

A bela que dorme

A memória que me contam

Programa sujeito a alterações. Confira a programação completa do Instituto Moreira Salles em www.ims.com.br ou pelo telefone 3206 2500

Hanna Arendt

A palavra

TERÇA 2 14h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012. 95’) Ana está morrendo. Ex-guerrilheira, ela é o último elo de um grupo de amigos que resistiram à ditadura militar no Brasil. “Vera Silvia Magalhães, que inspirou a personagem central do filme, era uma ex-guerrilheira, uma das responsáveis pelo sequestro do embaixador norteamericano no Brasil em 1969, que se tornou um mito da esquerda”, diz Lúcia Murat. “Muito torturada, depois da prisão e do exílio, nunca mais voltou a ter uma participação importante na sociedade brasileira. Diversas vezes foi internada em crises psicóticas, quando a experiência da tortura voltava como se nunca a tivesse abandonado. Teve câncer duas vezes. Nestes momentos de internação, todos os amigos da época, ex-companheiros, ex-guerrilheiros, grupo do qual eu participava, se reuniam no hospital”. 16h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’) “O filme parte de um episódio que provocou um grande debate, sobretudo no mundo católico”, esclarece o diretor. “a história real de Eluana Englaro, uma jovem de 21 anos que após um acidente de carro fica em estágio vegetativo durante 17 anos. Seus pais lutaram para que os aparelhos que a maninham viva fossem desligados e esbarraram na resistência de entidades religiosas. O tribunal acabou decidindo pelo desligamento dos aparelhos. A própria Eluna havia dito que, se algum dia ficasse em estado vegetativo, deveriam deixá-la morrer. Esse debate convulsionou a nação, tentaram uma lei que bloqueasse essa sentença. A partir desses fatos concretos imaginei algumas histórias que de algum modo se relacionassem com esse estado de sono. Personagens que despertam. A filha que acorda e se reconcilia com o pai; o senador que escolhe votar de acordo com a sua consciência. E assim por diante. É um filme sobre o sono, mas também sobre o despertar – metaforicamente falando. Nesse mesmo sentido metafórico, a bela adormecida pode ser vista como uma imagem da Itália”. 18h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012. 95’) 20h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’)

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Haruo Ohara


QUARTA 3 14h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012. 95’)

SÁBADO 6 14h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’)

16h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’) ���O mais recente longa-metragem de Bellocchio é um espelho do dissenso político criado a partir de um fato que figurou nas mídias italianas dos últimos anos, que abalou tanto a esquerda radical quanto a influente igreja da república parlamentar: Eluana Englaro, uma mulher que ficou por 17 anos em estado vegetativo, tornou-se alvo das discussões acerca da legalização da eutanásia” – comenta Pedro Henrique Ferreira em www.revistacinetica.com.br.

16h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012. 95’)

18h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012. 95’) 20h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’)

QUINTA 4 14h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012. 95’) 16h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’) 18h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012. 95’) 20h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’)

18h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’) No princípio von Trotta pensou em uma biografia completa: contar a vida de Hanna “pelo menos a partir do momento em que ela começa a estudar com Heidegger, e o confinamento num campo de concentração no Sul de França”. Mas finalmente decidiu partir da chegada a Nova Iorque” para melhor se aprofundar no pensamento de Arendt, que sacudiu o mundo com sua descoberta da “banalidade do mal”. Quando surge a oportunidade dela cobrir o julgamento do nazista Adolf Eichmann para a The New Yorker. Ela viaja até Israel, e na volta publica uma série de artigos em que nem todos que praticaram os crimes de guerra eram monstros, e relata também o envolvimento de alguns judeus que ajudaram na matança dos seus iguais. A sociedade se volta contra ela e The New Yorker, e as críticas são tão fortes que até mesmo seus amigos mais próximos se assustam. Sessão seguida de debate com o historiador Luiz Edmundo de Souza Soares chefe de Departamento de História da ufrj DOMINGO 7 14h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’) 16h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’)

SEXTA 5 14h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’)

18h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012. 95’)

16h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’)

20h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’)

18h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012. 95’) 20h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’)

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Quarta 10, às 20h00:

Lançamento dos dvds de

Vidas secas, São Bernardo e Memórias do cárcere

Mesa de leitura de trechos dos livros de Graciliano Ramos

e de uma crônica de Rubem Braga

escrita em 1938 no lançamento de Vidas secas Maria Riberio e Átila Iório: Vidas secas de Nelson Pereira dos Santos

TERÇA 9 14h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’) 16h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’) 18h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’) 20h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’) QUARTA 10 14h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’)

16h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’) 18h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’)

18h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’)

20h00 : Vidas secas de Nelson Pereira dos Santos (Brasil, 1963. 103’) “Em 1958 houve uma grande seca e nós subimos o Nordeste, Bahia e Pernambuco, fazendo documentários. Eu e o Hélio Silva, filmando e fotografando”, diz Nelson sobre esse filme inspirado em Graciliano Ramos. “Escrevi uma história sobre o problema da seca, mas não tinha condições pessoais para fazer isso. Era sempre um relato jornalístico. Lembrei-me então de Graciliano: Vidas secas é um depoimento sobre a questão agrária da maior importância; e duradouro, porque coloca o problema da migração e o problema da terra sem dar ênfase à questão da seca: o problema do Nordeste não é o clima, mas a relação de trabalho e o regime de propriedade”.

20h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’)

Exibição especial da cópia restaurada para assinalar o lançamento do dvd do filme na coleção do IMS

16h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’) 20h00 : Lançamento de dvds. Mesa de leitura QUINTA 11 14h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’) 16h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’)

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SEXTA 12 14h00 : Bom dia, noite (Buongiorno, notte) de Marco Bellochio (Italia, 2003. 106’) O assassinato de Aldo Moro que, diz o diretor, mudou a história da Itália. “No meu filme há quatro personagens diferentes entre si e diferentes dos personagens históricos: há um Aldo Moro muito diferente do real, mas que se chama Aldo Moro; e há toda uma crônica histórica, televisionada, em que a realidade e os fatos externos se tornam diferentes, gerenciados pelo poder”.


Othon Bastos e Isabel Ribeiro: São Bernardo de Leon Hirszman

Glória Pires e Carlos Vereza: Memórias do cárcere de Nelson Pereira dos Santos

SÁBADO 13 14h00 : Bom dia, noite (Buongiorno, notte) de Marco Bellochio (Italia, 2003. 106’)

DOMINGO 14 14h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’)

16h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’)

16h00 : Memórias do cárcere de Nelson Pereira dos Santos (Brasil, 1984. 185’) “O cárcere em meu filme é uma metáfora da sociedade brasileira”, disse Nelson no lançamento desse filme insirado pelo livro de Graciliano Ramos. “No espaço exíguo da prisão a dinâmica de cada um é mais clara: a classe média militar, o jovem, a mulher, o negro, o nordestino, o sulista. O encontro com o prisioneiro comum, o ladrão, o assaltante, o homossexual. Graciliano retratou tudo isso, lutando contra os próprios preconceitos e conseguiu nos deixar um testemunho generoso, aberto. Gostaria de transmitir, como era desejo de Graciliano, a sensação de liberdade. Sair da cadeia para sempre, para nunca mais voltar. A cadeia no sentido mais amplo, a cadeia das relações sociais e políticas que aprisionam o povo brasileiro”.

18h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’) 20h00 : São Bernardo de Leon Hirszman (Brasil, 1972. 111’) “É um romance que sempre achei muito cinematográfico, com a exata estrutura para as coisas que eu queria fazer num filme” disse Leon no lançamento desse filme inspirado em Graciliano Ramos. “ À medida em que que eu relia e estudava o romance para pensar na filmagem, nada encontrava que tivesse de ser reelaborado. A literatura de Graciliano é extraordinária. A aproximação dos personagens não é esquemática. Ele não é nem a favor nem contra os personagens. Procura compreender humanamente cada um deles e criar situações em que a relação crítica do leitor é estimulada. O leitor fica sendo sujeito, fica presente como pessoa enquanto está se relacionando com esse livro. Paulo Honório vê os outros personagens. Graciliano vê Paulo Honório. A confissão de Paulo Honório é a ficção de Graciliano. Esta dialética entre ficção e confissão se realiza no filme num outro grau, que é a minha própria ficção em relação à ficção do escritor. É um encontro. Da mesma forma que Graciliano foi ficcionista por Paulo Honório, eu fui ficcionista por Graciliano”. Exibição especial da cópia restaurada para assinalar o lançamento do dvd do filme na coleção do IMS

Exibição especial da cópia restaurada para assinalar o lançamento do dvd do filme na coleção do IMS 19h30 : Haruo Ohara de Rodrigo Grota (Brasil, 2010. 16‘); Satori Uso de Rodrigo Grota (Brasil, 2007.17’) Dois filmes em torno da exposição de fotografias do imigrante japonês, agricultor e fotógrafo Haruo Ohara (1909-1999). Entrada franca. Sessão seguida de debate com Rodrigo Grota e Saulo Ohara e precedida de visita guiada à exposição Haruo Ohara com Sérgio Burgi, às 17h30m

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TERÇA 16 14h00 : Bom dia, noite (Buongiorno, notte) de Marco Bellochio (Italia, 2003. 106’) 16h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’) 18h00 : Vincere (Vincere) de Marco Bellochio (Italia, 2009. 128’) Nesse filme sobre o fascismo, observa Carlos Alberto Mattos (em...rastros de carmattos) “Bellocchio cobre três temas que são recorrentes em sua carreira: o sexo, a loucura e a história italiana. A imagem que melhor sintetiza a conjunção dos três temas é a do jovem Mussolini na cama com a bela Ida Dalser. O corpo teso, o olhar esgazeado, a cabeça erguida como num transe diabólico, tudo indica uma possessão e ao mesmo tempo uma ausência, uma alienação para além daquele quarto. É simplesmente assustador”. 20h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’) QUARTA 17 14h00 : Bom dia, noite (Buongiorno, notte) de Marco Bellochio (Italia, 2003. 106’) 16h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’) 18h00 : Vincere (Vincere) de Marco Bellochio (Italia, 2009. 128’) 20h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’) QUINTA 18 14h00 : Bom dia, noite (Buongiorno, notte) de Marco Bellochio (Italia, 2003. 106’) 16h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’) 18h00 : Vincere (Vincere) de Marco Bellochio (Italia, 2009. 128’) 20h00 : Hannah Arendt (Hannah Arendt) de Margarethe von Trotta (Alemanha, França, 2012. 113’)

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SEXTA 19 14h00 : Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros) de Pedro Almodovar (Espanha, 2013. 90’) Num avião fora de controle, um grupo de personagens excêntricos acredita estar vivendo suas últimas horas de vida. Em meio ao desespero geral, fazem confissões inesperadas sobre seus pecados e suas últimas vontades. 16h00 : Katia de Karla Holanda (Brasil, 2012, 74’) “Embora eu seja do Piauí, a primeira vez em que ouvi falar em Kátia eu morava em São Paulo e foi através de jornais e internet”, diz a diretora. “Nascida em Colônia do Piauí (8 mil habitantes), Kátia Tapety tornou-se a primeira travesti a ser eleita a um cargo político no Brasil. Era uma figura midiaticamente conhecida. Seu sobrenome me chamou a atenção. Tapety é uma das mais tradicionais famílias ligadas à política do estado. O que mais me impactou foi o fato de uma forte história de ruptura com os modelos convencionais, que a trajetória de Kátia representa, vir justamente de um dos estados mais pobres do país e, precisamente, de uma pequena cidade cravada no sertão, geralmente associado a terra de “cabras machos”, como se ali os preconceitos, naturalmente, aflorassem mais e maiores. E não era nada disso. Surgia o desejo de fazer um documentário com ela”. 18h00 : Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros) de Pedro Almodovar (Espanha, 2013. 90’) 20h00 : Vestido de Laerte de Claudia Priscilla e Pedro Marques (Brasil, 2012. 13’) O episódio em que Laerte foi impedido de usar o banheiro feminino em um restaurante. Pedro, amigo de infância dos filhos do Laerte, pensou em contar a história num filme e convidou Cláudia para dirigir com ele. “Começamos fazendo entrevistas, como num documentário tradicional, depois somente fragmentos destas falas entraram no filme”. Olhe pra mim de novo de Kiko Goifmann e Claudia Priscilla (Brasil, 2011. 77‘) Sillvyo nasceu mulher e neste momento aguarda a possibilidade de uma operação para se transformar em homem. Casado, ele sonha em ter um filho com a mulher através de inseminação artificial. Ele pensa inclusive na possibilidade de juntarem os seus óvulos, dele e da esposa, transmitindo características genéticas de ambos. Inicia-se aí uma jornada pelo sertão na qual Sillvyo faz perguntas e encontra famílias com os mais variados dilemas, muitos deles ligados a questões genéticas.


Amantes passageiros de Pedro Almodovar

TERÇA 23 14h00 : Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros) de Pedro Almodovar (Espanha, 2013. 89’) “Uma comédia maluca, uma coisa escapista”, diz o diretor, “e também um reflexo do momento atual”. Um avião circula sem rumo no céu, com seu trem de pouso danificado, aguardando o sinal para fazer um pouso de emergência. “Sempre houve a metáfora de uma Espanha que não sabe para onde vai, não sabe onde aterrissar, não sabe quais os verdadeiros perigos nem quem está no comando. Depois que o rodamos, o filme ganhou maior relevância metafórica”. 16h00 : Katia de Karla Holanda (Brasil, 2012, 74’) 18h00 : Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros) de Pedro Almodovar (Espanha, 2013. 89’)

Vestido de Laerte de Claudia Priscilla e Pedro Marques

20h00 : Vestido de Laerte de Claudia Priscilla e Pedro Marques (Brasil, 2012. 13’) Olhe pra mim de novo de Kiko Goifmann e Claudia Priscilla (Brasil, 2011. 77‘)

SÁBADO 20 14h00 : Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros) de Pedro Almodovar (Espanha, 2013. 90’)

QUARTA 24 14h00 : Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros) de Pedro Almodovar (Espanha, 2013. 89’)

16h00 : Katia de Karla Holanda (Brasil, 2012, 74’)

16h00 : Katia de Karla Holanda (Brasil, 2012, 74’)

18h00 : Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros) de Pedro Almodovar (Espanha, 2013. 89’)

18h00 : Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros) de Pedro Almodovar (Espanha, 2013. 89’)

20h00 : Vestido de Laerte de Claudia Priscilla e Pedro Marques (Brasil, 2012. 13’) Olhe pra mim de novo de Kiko Goifmann e Claudia Priscilla (Brasil, 2011. 77‘)

20h00 : Vestido de Laerte de Claudia Priscilla e Pedro Marques (Brasil, 2012. 13’) Olhe pra mim de novo de Kiko Goifmann e Claudia Priscilla (Brasil, 2011. 77‘)

DOMINGO 21 14h00 : Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros) de Pedro Almodovar (Espanha, 2013. 89’)

QUINTA 25 14h00 : Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros) de Pedro Almodovar (Espanha, 2013. 89’)

16h00 : Katia de Karla Holanda (Brasil, 2012, 74’)

16h00 : Katia de Karla Holanda (Brasil, 2012, 74’)

18h00 : Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros) de Pedro Almodovar (Espanha, 2013. 89’)

18h00 : Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros) de Pedro Almodovar (Espanha, 2013. 89’)

20h00 : Vestido de Laerte de Claudia Priscilla e Pedro Marques (Brasil, 2012. 13’) Olhe pra mim de novo de Kiko Goifmann e Claudia Priscilla (Brasil, 2011. 77‘)

20h00 : Vestido de Laerte de Claudia Priscilla e Pedro Marques (Brasil, 2012. 13’) Olhe pra mim de novo de Kiko Goifmann e Claudia Priscilla (Brasil, 2011. 77‘)

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SEXTA 26 14h00 : Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros) de Pedro Almodovar (Espanha, 2013. 89’)

DOMINGO 28 14h00 : Boudu salvo das águas (Boudu sauvé des eaux) de Jean Renoir (França 1932. 85’)

16h00 : Vestido de Laerte de Claudia Priscilla e Pedro Marques (Brasil, 2012. 13’) Olhe pra mim de novo de Kiko Goifmann e Claudia Priscilla (Brasil, 2011. 77‘)

16h00 : Paraíso perdido (Paradis perdu) de Abel Gance (Franca, 1940. 103’)

18h00 : Boudu salvo das águas (Boudu sauvé des eaux) de Jean Renoir (França 1932. 85’) Paris, década de 1930. Desesperado por ter perdido seu cão, o mendigo Boudu, joga-se no Sena. O proprietário de uma livraria, que observava à distância, consegue evitar o suicídio. 20h00 : A grande ilusão (La Grande illusion) de Jean Renoir (França, 1938. 114’) Na origem desse filme, contou o diretor, “a história do capitão Pinsard, que conheci na frente de batalha durante a primeira guerra mundial: um herói, um sujeito que conseguiu fugir sete, oito vezes das prisões alemães”. Na origem, também, uma lembrança cinematográfica: Esposas ingênuas, filme que levou Renoir a convidar Erich von Stroheim para interpretar o capitão Von Rauffenstein. SÁBADO 27 14h00 : Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros) de Pedro Almodovar (Espanha, 2013. 89’) 16h00 : Paraíso perdido (Paradis perdu) de Abel Gance (Franca, 1940. 103’) Pierre, um jovem e talentoso pintor, conhece a bela Janine durante o verão de 1914. Explode guerra, vem a mobilização e logo o sofrimento e a separação dos recém-casados. 18h00 : Haruo Ohara de Rodrigo Grota (Brasil, 2010. 16‘); Satori Uso de Rodrigo Grota (Brasil, 2007.17’) Dois filmes em torno da exposição de fotografias de Haruo Ohara (1909-1999). Entrada franca.

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19h00 : Eu acuso (J’Accuse) de Abel Gance (França, 1918. 166’) Para realizar o filme o diretor pediu ao exército “para emprestar dois mil soldados que se encontravam em permissão. Esses homens tinham vindo diretamente da frente de batalha, tinham visto tudo, e interpretavam soldados feridos ou mortos conscientes de que provavelmente seriam feridos ou morreriam em poucas semanas ou meses”.

18h00 : Haruo Ohara de Rodrigo Grota (Brasil, 2010. 16‘); Satori Uso de Rodrigo Grota (Brasil, 2007.17’) Dois filmes em torno da exposição de fotografias de Haruo Ohara (1909-1999). Entrada franca. 19h00 : Eu acuso (J’Accuse) de Abel Gance (França, 1918. 166’) “Eu não queria simplesmente fazer um filme” – disse o diretor na estreia em Paris, poucos meses depois do término da primeira guerra mundial – “queria usar esse novo meio de expressão, o cinema, para mostrar ao mundo a absoluta estupidez da guerra. O significado social de J’Accuse é profundo e acredito que nada conseguirá impedir que ele realize seu propósito”. QUARTA 31 14h00 : Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros) de Pedro Almodovar (Espanha, 2013. 89’) 16h00 : Vestido de Laerte de Claudia Priscilla e Pedro Marques (Brasil, 2012. 13’) Olhe pra mim de novo de Kiko Goifmann e Claudia Priscilla (Brasil, 2011. 77‘) 18h00 : Katia de Karla Holanda (Brasil, 2012, 74’) 20h00 : Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros) de Pedro Almodovar (Espanha, 2013. 89’)

QUINTA 1 DE AGOSTO 14h00 : Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros) de Pedro Almodovar (Espanha, 2013. 89’) 16h00 : Vestido de Laerte de Claudia Priscilla e Pedro Marques (Brasil, 2012. 13’) Olhe pra mim de novo de Kiko Goifmann e Claudia Priscilla (Brasil, 2011. 77‘) 18h00 : Katia de Karla Holanda (Brasil, 2012, 74’) 20h00 : Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros) de Pedro Almodovar (Espanha, 2013. 89’)


Ingressos Rua Marquês de São Vicente, 476. Gávea. Telefone: (21) 3206-2500 www.ims.com.br Aberto ao público de terça a domingo das 11h às 20h Acesso a portadores de necessidades especiais. Estacionamento gratuito no local. Café wifi Fundado em 1992, o ims é uma entidade civil sem fins lucrativos que tem por finalidade exclusiva a promoção e o desenvolvimento de programas culturais. Possui um acervo de fotografia, com mais de 550 mil imagens, de música, com cerca de 28 mil gravações, de literatura e de artes plásticas, instalado em reservas técnicas com padrões e tecnologia para a conservação e a restauração. Entre as coleções destacam-se as fotografias de Marc Ferrez, Marcel Gautherot e José Medeiros, desenhos de Millor Fernandes, as discotecas de Humberto Franceschi e José Ramos Tinhorão, os arquivos pessoais de Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Elizeth Cardoso e Mário Reis, e as bibliotecas dos escritores Ana Cristina César, Rachel de Queiroz, Otto Lara Rezende e Carlos Drummond de Andrade. No site do IMS está hospedada a Rádio Batuta, um ponto de seleção, análise entretenimento e análise da música popular brasileira. O Instituto edita uma revista quadrimestral de ensaios, Serrote, uma revista semestral de fotografia, Zum. Em outubro de 2012 o Instituto inaugurou uma coleção dvd. Os títulos já editados são: Shoah de Claude Lanzmann, La Luna de Bernardo Bertolucci, Cerimônia de casamento de Robert Altman e Conterrâneos velhos de guerra de Vladimir Carvalho. Este mês, o lancamento da edição especial de três filmes inpirados em Graciliano Ramos – Vidas secas e Memórias do cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, e São Bernardo, de Leon Hirszman. A sede do Instituto no Rio de Janeiro (o ims tem centros culturais em São Paulo e Poços de Caldas) abriga espaços expositivos, sala de cinema, sala de aula, biblioteca, cafeteria, loja de arte e ateliê. Sua programação inclui mostras de artes plásticas e fotografia, ciclos de filmes, espetáculos musicais, palestras e cursos. Superintendente Executivo : Flávio Pinheiro Coordenação do ims- rj : Elizabeth Pessoa Curadoria de cinema : José Carlos Avellar Produção de cinema e dvd : Gisella Cardoso

Para A memória que me contam, A bela que dorme, Hanna Arendt, Os amantes passageiros, Katia, Vestido de Laerte e Olhe pra mim de novo : Terça, quarta e quinta: R$ 18,00 (inteira) R$ 9,00 (meia) Sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 22,00 (inteira) e R$ 11,00 (meia) Para todos os outros programas, de terça a domingo: R$ 16,00 (inteira) e R$ 8,00 (meia) Passaporte Um passaporte com validade para 10 sessões das mostras pode ser adquirido na recepção no valor de R$ 40,00 Capacidade da sala: 113 lugares. Ingressos e senhas sujeitos à lotação da sala. Ingressos disponíveis também em www.ingresso.com Sessões para escolas e agendamento de cabines pelo telefone (21) 3284 7417 O programa de julho tem apoio da Cinemateca do mam do Rio de Janeiro e da Cinemateca da Embaixada da França. O programa conta ainda com a parceria do Núcleo de Estudos Cinematográficos, da Videofilmes e do Espaço Itaú de Cinema. O cinema do Instituto Moreira Salles recebeu o prêmio O Melhor do Rio de Janeiro 2012 / 2013 conferido pela revista Época. As seguintes linhas de ônibus passam em frente ao ims: 158 – Central-Gávea (via Praça Tiradentes, Flamengo, São Clemente) 170 – Rodoviária-Gávea (via Rio Branco, Largo do Machado, São Clemente) 592 – Leme-São Conrado (via Rio Sul, São Clemente) 593 – Leme-Gávea (via Prudente de Morais, Bartolomeu Mitre) Ônibus executivo Praça Mauá - Gávea Capa: Maria Ribeiro em Vidas secas de Nelson Pereira dos Santos. Quarta capa: Othon Bastos em São Bernardo de Leon Hirszman.

Página de abertura: Carlos Vereza em Memórias do cárcere de Nelson Pereira dos Santos

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continuemos. tenciono contar a minha história. difícil. talvez deixe de mencionar particularidades úteis, que me pareçam acessórias e dispensáveis. também pode ser que, habituado a tratar com matutos, não confie suficientemente na compreensão dos leitores e repita passagens insignificantes. de resto isto vai arranjado sem nenhuma ordem, como se vê. não importa. na opinião dos caboclos que me servem, todo caminho

SÃO BERNARDO GRACILIANO RAMOS LEON HIRSZMAN 24


Programação de cinema - Julho 2013