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cerim么nia secreta


JOSEPH LOSEY

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CERIMÔNIA SECRETA

No programa desse mês, um conjunto de filmes de Joseph Losey (1909-1984) para marcar o lançamento do novo título da coleção dvd | ims, Cerimônia secreta (1968), na sexta-feira 25. “Minha infância foi impregnada por rituais” – disse Losey a propósito do filme. “A pompa e a cerimônia sempre me interessaram, as cerimônias de casa, as refeições, as festas. Entretanto, desde o início, e ainda mais hoje, sempre tive uma reação contrária a elas (...) Mas as cerimônias estão aí, enraizadas, e creio que em parte fugi delas por ser racionalista. Quando você deixa de acreditar nos rituais, acaba ficando nu e sem proteção” – conclui, em depoimento ao crítico francês Michel Ciment reproduzido no livreto que acompanha Cerimônia secreta.

Cerimônia secreta

lançamento do novo título da coleção dvd | ims sexta 25 sábado 26 domingo 27

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às 20h00

Todos os filmes da coleção dvd | ims – iniciada há exatamente um ano, em outubro de 2012 – trazem um livreto com uma introdução crítica ao filme. Com Shoah e O relatório Karski, de Claude Lanzman, uma caixa com cinco discos, o ensaio de Gertrude Koch, A transformação estética da imagem do inimaginável. Com o segundo título da coleção, La Luna, de Bernardo Bertolucci, o ensaio Necessariamente sonhar... projeção e proteção onírica em La Luna, de T. Jefferson Kline. Com o terceiro, Cerimônia de casamento, de Robert Altman, um ensaio de Jonathan Rosenbaum, A propósito de um casamento, e outro de Hernani Heffner, Quatro notas sobre Robert Altman. Com o dvd de Conterrâneos velhos de guerra, de Vladimir Carvalho, uma introdução do diretor, Pantasmas de Brasília, e um texto de Sérgio Moriconi, O real desencantado. Com Vidas secas, de Nelson Pereira dos Santos, análises de Jean-Claude Bernardet, O homem brasileiro, José Carlos Avellar, O proveito de beijo, e Júlio Bressane, Vida luz deserto. Com São Bernardo, de Leon Hirszman, o ensaio Acerto de contas, de José Carlos Avellar. Com Memórias do cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, um texto do diretor, Oito notas para entrar e sair do cárcere, um Depoimento de Ricardo Ramos, e uma análise de José Carlos Avellar, Três notas para recuperar a memória. Com O emprego, de Ermanno Olmi, um ensaio de Millicent Marcus, O descrédito no milagre econômico. No depoimento para o livreto de Cerimônia secreta, Losey lembra que ir ao cinema também é um ritual: “Minha infância foi impregnada por rituais. Eu era muito religioso. Me envolvi profundamente com o ritual da Igreja e depois reagi fortemente contra ele. Mas, todo mundo sabe, a realização de um filme é um ritual. Antigamente uma apresentação teatral era um ritual. E ainda é assim, e também no cinema, apesar do ritual ter degenerado em consumo de pipoca e namoro na última fila..”


Shoah, La Luna, Cerimônia de casamento, Vidas secas, Conterrâneos velhos de guerra, São Bernardo, Memórias do cárcere, O emprego e Cerimônia secreta estão à venda nas principais livrarias e na nova loja do site do ims: http://www.lojadoims.com.br/ims/

dvd coleção ims

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Roma, conversa aberta

| josé carlos avellar

Na cena final de O último dos injustos (Le dernier des injustes, 2013) de Claude Lanzmann, possivelmente a última das várias conversas filmadas ao longo de uma semana com Benjamin Murmelstein, o realizador e o personagem caminham numa rua de Roma. Seguem a câmera, que vai alguns passos adiante. É a única entrevista filmada num travelling – nas anteriores os dois estão sentados na sala ou no terraço da casa de Murmelstein e a câmera, ao lado deles, limita-se a pequenas correções para desviar o quadro de Lanzmann para seu entrevistado ou vice-versa. A certa altura dessa conversa, com um toque discreto no braço do Murmelstein, Lanzmann indica que eles devem dar meia-volta e se afastar da câmera. Murmelstein preparava-se para um novo passo adiante quando Lanzmann (discretamente, convém sublinhar) impõe uma nova direção e interrompe o travelling para compor a clássica imagem de fim de filme: os dois caminham para o fundo do quadro. Termina assim, com um plano muitas vezes repetido para concluir um filme de ficção, um documentário em que na maior parte do tempo o personagem dirigiu o diretor, ou mais exatamente, o diretor se deixou dirigir pelo personagem.

Terceiro presidente do conselho judaico (o Judenrat) do gueto de Theresienstadt, Benjamin Murmelstein tinha 70 anos quando foi entrevistado por Lanzmann em Roma, em 1975. Trinta anos antes, em 1945, no final da guerra, ele fora preso na Tchecoslováquia sob acusação de colaboração com os nazistas, julgado e inocentado. Catorze anos depois, em 1961, publicara um livro sobre Theresienstadt – Terezin, il ghetto modello di Eichmann. No ano seguinte, em 1962, Adolf Eichmann, idealizador do gueto, fora julgado e condenado à morte na forca por um tribunal israelense. A entrevista com Murmelstein, embora tenha sido uma das primeiras filmadas durante a preparação de Shoah, não foi incluída no filme, nem mesmo parcialmente. “Foi difícil estabelecer contato”, diz Lanzmann agora, depois de concluído O último dos injustos,“mas depois de nos conhecermos, filmei uma semana inteira com ele, e essas longas horas de entrevistas, cheias de revelações desconhecidas, me perseguiram até hoje. Sabia que tinham em mãos uma coisa única, mas não sabia como construir um filme com ela”.

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A decisão de não incluir qualquer trecho da conversa em Shoah deveu-se ao fato de “o caso de Theresienstadt ser, ao mesmo tempo, lateral e central na gênese e no desenvolvimento da solução final ”, como adverte um letreiro no início de O último dos injustos. Gueto, campo de trabalho, ponto de transferên-


O último dos injustos

Claude Lanzmann, com Benjamin Murmelstein em Roma, 1975, e na estação de Nisko, 2012

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cia para campos de extermínio, um “gueto modelo” concebido por Eichmann como imagem de propaganda, Theresienstadt reuniu principalmente judeus austríacos, alemães e tchecos, entre novembro de 1941, quando os primeiros prisioneiros construíram as barracas onde os judeus iriam viver, e maio de 1945, com o final da guerra. O letreiro inicial lembra ainda que Murmelstein é o único presidente de um conselho judeu que sobreviveu à guerra, “o que torna seu testemunho ainda mais precioso”. Seus dois antecessores em Theresienstadt foram mortos, o primeiro nas câmaras de gás do campo de Auschwitz e o segundo no gueto, com um tiro na nuca.

O mesmo aconteceu com os presidentes dos conselhos judeus de Lwow, Varsovia, Vilna e Lodz. Em O último dos injustos, Murmelstein conta que sobreviveu por ter representado um papel como o de Scheherazade em As mil e uma noites, “a toda hora, inventava um novo conto para os comandantes”, e porque soube agir como o Sancho Pança do Dom Quixote. Os nazistas, diz ainda, quiseram fazer dele um marionete, um fantoche que se move conduzido por cordões, mas o fantoche aprendeu ele mesmo a manipulá-los. Em Roma, sem jamais ter ido a Israel, Murmelstein se autodefinia como o último dos injustos, por referência ao livro de André Schwarz-Bart O último dos justos – romance publicado na França em 1959, inspirado na lenda judaica dos homens que trazem em seus corações todos os sofrimentos da humanidade e impedem o mundo de se autodestruir, os 36 justos. Depois dos 18 meses de prisão na Tchecoslováquia, e uma vez inocentado das acusações de colaboração com os nazistas, ele se mudara para Roma, onde vivia, “sem ressentimentos contra as acusações de colaboracionista”: seguia a lição da história de Orfeu e Eurídice, não olhar para trás para conseguir sair do inferno e voltar a viver.

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No começo, antes das entrevistas, Lanzmann lê trechos de Terezin, il ghetto modello di Eichmann nas estações de Bohusovice e de Nisko, onde chegavam os trens com os judeus enviados para Theresienstadt, e nos locais em que os judeus foram confinados no gueto. Apresenta os desenhos feitos clandestinamente para registrar o dia a dia em Theresienstadt, mostra fotografias e reproduz quase na íntegra o filme de propaganda (feito em 1944 por Kurt Gerron) Theresienstadt. Ein Dokumentarfilm aus dem jüdischen Siedlungsgebiet (Um filme documentário sobre o reassentamento dos judeus), também conhecido como Der Führer schenkt den Juden eine Stadt (O Führer dá uma cidade de presente aos judeus).


No final, depois das entrevistas na casa de Murmelstein, a caminhada ao ar livre em Roma, possivelmente a última conversa. E ali Lanzmann lembra a dura condenação feita por Gershom Scholem: para ele, Murmelstein deveria ter sido enforcado por ter colaborado com os nazistas. Nesse passeio na rua a atmosfera é descontraída, talvez ainda um pouco mais que nas anteriores, na casa de Murmelstein. O entrevistado fala à vontade, com segurança e clareza, lembra os encontros com Eichmann e com os comandantes que o sucederam no gueto, das discussões para conseguir vistos para a Colômbia, das reuniões com os outros integrantes do conselho de judeus. Lembra de ter sentido medo de uma transferência para Birkenau e de não ter avaliado corretamente o medo de crianças vindas de um outro campo ao serem levadas para tomar banho. O entrevistador limita-se a propor os temas da conversa e, a partir daí, intervir ligeiramente para levar o entrevistado a repetir, reconfirmar, esclarecer uma terceira ou quarta vez, um detalhe de maior significação.  Pequenas perguntas no meio do depoimento levam Murmelstein a explicar como conseguiu burlar uma ordem menos precisa dos nazistas e autorizar o nascimento de crianças no gueto,  como montou uma estratégia para conseguir vacinas contra o tifo e o porquê de ter aceitado  o projeto de “embelezamento” do gueto para uma visita de representantes da Cruz Vermelha dinamarquesa em junho de 1944 – o envio de madeira e vidros para reparar as casas indicava o interesse dos nazistas na manutenção do gueto para propaganda, e parecia uma garantia de que seus moradores continuariam vivos. Explica também por que se preocupou com a ordem de destruir as urnas com as cinzas do mortos no gueto – apagar as referências do número de pessoas que viveram e morreram no local parecia um indício de que iriam acabar com Theresienstadt. Lanzmann intervém com breves perguntas no depoimento em que Murmelstein conta por que conseguia sentar-se diante dos comandantes nazistas do gueto, quando todos os judeus eram obrigados a ficar de pé diante de qualquer soldado alemão. Aconteceu num dos primeiros encontros com Adolf Eichmann. Aparentemente desconfortável na cadeira baixa por trás da mesa que o obrigava a olhar para cima para falar com Murmelstein, Eichmann mandou trazer uma cadeira. Com Murmelstein sentado, num plano inferior, o quadro podia ser invertido: Eichmann passava a olhar de cima para baixo. O suboficial que trouxe a cadeira, mais tarde nomeado comandante do gueto, apenas repetia, disciplinado, automático, o gesto de Eichmann.

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Na rua, entrevista quase terminada, durante um passeio ao ar livre, a questão apenas mencionada ligeiramente ao longo da semana – as acusações de colaboracionismo com os nazistas – é retomada. No meio da resposta Murmelstein começa uma frase com uma exclamação comum, “meu amigo!…”, e alonga a reticência para comentar noutro tom: “espero que não se ofenda por chamá-lo de amigo”, e então prosseguir o que dizia. Comenta a condenação à forca pedida por Scholem, para ele “um sábio, mas um pouco caprichoso em matéria de enforcamento” porque, lembra, “ele foi contra o enforcamento de Eichmann e pediu a forca para um judeu”. Lembra uma frase de Isaac Bashevis Singer para resumir a experiência de viver num gueto durante a Segunda Guerra Mundial: “fomos todos mártires, mas nem todos os mártires foram santos”.

Muito provavelmente a última cena a ser filmada, o passeio em Roma resulta de uma relação de confiança que entrevistador e entrevistado construíram ao longo de uma semana de conversa. Talvez até de respeito e admiração. Depois do ligeiro toque de Lanzmann no braço de Murmelstein para indicar a meia-volta, um outro gesto, bem visível, com os dois já distantes da câmera. Lanzmann põe a mão no ombro de Murmelstein – uma imagem-síntese do método de trabalho do diretor na extensa documentação realizada em torno de Shoah: em cada entrevista ele procura estabelecer uma cumplicidade afetiva com o entrevistado. O fim de filme numa rua de Roma revela, enfim, o que Lanzmann sublinhou na apresentação de O último dos injustos no Festival de Cannes: “Fiz um filme sobre um homem absolutamente excepcional, um sábio, estudioso de mitologia, imensamente inteligente, cheio de humor e de uma sinceridade extrema”. A exibição de O último dos injustos amplia a informação recebida com o primeiro volume da coleção dvd | ims, Shoah, de Lanzmann e com a recente exibição de Hannah Arendt de Margarethe von Trotta. Quem teve oportunidade de ver esses filmes e os debates promovidos pelo Instituto terá no filme de agora uma nova informação sobre o nazismo, a segunda guerra mundial e o holocausto. Quem entrar em contato com O último dos injustos sem ter visto os filmes anteriores, poderá a partir dele, como num flashback, continuar a conversa que nele se propõe. O último dos injustos, faz parte do programa do Festival do Rio, terá uma única projeção, na quarta-feira 2 de outubro às 14h00.

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FESTIVAL DO RIO NO IMS: 28 DE SETEMBRO A 17 DE OUTUBRO

Paul Schrader : A marca da pantera com Malcolm McDowell

Friedrich W. Murnau: A Ăşltima gargalhada com Emil Jannings

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O FESTIVAL DO RIO NO IMS | SETEMBRO SÁBADO 28 14h00 : festival do rio Custe o que custar (Coûte que coûte) de Claire Simon (França, 1996. 95’) Documentário: o esforço dos empregados para salvar da falência uma pequena empresa que prepara refeições para entrega em casa das pessoas. 16h00 : festival do rio O sequestro de Patty Hearst (Patty Hearst) de Paul Schrader com Natasha Richardson, William Forsythe, Ving Rhames e Frances Fisher (EUA, 1988. 108’) Baseado na biografia de Patricia Hearst - Every Secret Thing (escrita em 1982 com a colaboração de Alvin Moscow) o filme retrata o sequestro da estudante Patty Hearst pelo Symbionese Liberation Army leader, sua transformação em uma seguidora ativa do SLA, graças ao processo de lavagem cerebral durante o cativeiro, e a prisão, após uma série de assaltos à mão armada. Natasha Richardson interpreta a herdeira da Hearst Corporation e Ving Rhames faz Cinque, o líder do Symbionese Liberation Army.

20h00 : festival do rio O ringue (The Ring) de Alfred Hitchcock com Carl Brisson, Lilian Hall-Davis, Ian Hunter e Forrest Harvey (Inglaterra, 1927. 108’) O título original deste filme (o quarto longa-metragem do diretor, lançado em outubro de 1927, um dos três títulos realizados em 1927 – The Lodger e Downhill os outros dois) refere-se tanto à arena de boxe quanto à aliança de casamento e a uma pulseira de cobra, símbolo do triângulo amoroso. A história gira em torno das relações entre um pugilista amador, sua amante e um lutador profissional por quem ela se apaixona. Na extensa filmografia do diretor, esse filme mudo é o único escrito e dirigido por Hitchcock. Exibição de cópia restaurada pelo British Film Institute.

18h00 : festival do rio Sob a neve (Unter Schnee) de Ulrike Ottinger. (Alemanha, 2011.103’) Em Echigo, no Japão, a neve muitas vezes cobre paisagens e aldeias. Ao longo dos séculos os habitantes organizaram suas vidas de acordo com a neve. Para gravar as suas formas muito distintas da vida cotidiana, suas festas e rituais religiosos a diretora viajou pela terra da neve acompanhada por dois artistas de Kabuki. Interpretando os estudantes Takeo e Mako eles seguem os passos de Bokushi Suzuki, que em meados do século 19 escreveu um livro notável, Contos do país da neve.

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Programa sujeito a alterações. Confira a programação completa do Instituto Moreira Salles em www.ims.com.br ou pelo telefone 3206 2500

Alfred Hitchcock três filmes – todos realizados em 1927 – no programa: O ringue, Downhill e O inquilino


Paul Schrader oito filmes no programa, entre eles o seu primeiro longa-metragem: Vivendo na corda bamba.

DOMINGO 29 13h40 : festival do rio Pegando fogo (Ça brule) de Claire Simon com Camille Varenne, Gilbert Melki, Kader Mohamed e Olivia Willaumez (França, 2006. 111’)

17h40 : festival do rio Downhill (Downhill) de Alfred Hitchcock com Ivor Novello, Ben Webster, Norman McKinnel e Robin Irvine (Inglaterra, 1927. 82’) Baseado na peça do mesmo nome, escrita por Constance Collier e por Ivor Novello - o principal intérprete do filme anterior de Hitchcock, O inquilino, e o protagonista desta história ambientada num rico colégio inglês. Aluno em evidência, capitão da equipe de rugby da escola, Roddy é expulso depois de uma garçonete revelar à direção da escola que está grávida e Roddy é o pai de seu filho. Tim, o melhor amigo de Roddy, é o verdadeiro pai da criança e como ele precisa ganhar uma bolsa de estudos para cursar a Universidade de Oxford, Roddy aceita a expulsão prometendo a Tim jamais revelar a verdade. Quinto filme de Hitchcock, um dos três realizado em 1927 (The Lodger e The Ring foram os outros dois), Downhill, em seu lançamento, teve uma sequência colorida à mão, a viagem de Novello de barco até sua casa, num “verde doente, para expressar sofrimento e náusea”. Exibição de cópia restaurada pelo British Film Institute. 19h20 : festival do rio

15h40 : festival do rio Auto focus (Auto Focus) de Paul Schrader com Greg Kinnear, Willem Dafoe, Rita Wilson e Maria Bello (EUA, 2002. 105’) Baseado na história real de Bob Crane, apresentador de rádio e baterista amador, ator famoso graças a um seriado de televisão ambientado na segunda guerra mundial, Hoogan’s Heroes. Com o fim do seriado, obcecado por dormir com tantas mulheres quanto possível, Crane passa a gravar seus encontros em vídeo com a ajuda de John Henry Carpenter, um especialista em eletrônica interessado no então nascente mercado de home video. Carter foi assassinado em 1978 – o crime, sem solução, está contada no livro The Murder of Bob Crane de Robert Graysmith, base para o roteiro de Michael Gerbosi – e Carpenter, apontado como assassino, julgado e absolvido, continuou sob suspeita até sua morte, em 1998.

O retrato de Dorian Gray na imprensa marrom (Dorian Gray in Spiegel der Boulevardpresse) de Ulrike Ottinger com Veruschka von Lehndorff, Delphine Seyrig, Tabea Blumenschein, Toyo Tanaka, Irma Hermann, Magdalena Montezuma e Barbara Valentin (Alemanha, 1984. 150’) Para usar um termo um tanto fora de moda - observa a crítica de arte alemã Anja Osswald numa breve introdução escrita para o Goethe Institut – “Ulrike é uma artista de cinema, no sentido literal. Seus mundos visuais extremamente artificiais contêm uma infinidade de alusões à história da arte e da literatura: a antiga estátua de Laocoonte com seus filhos, a lenda de Joana d’Arc, o Dorian Gray de Oscar Wilde e o Orlando de Virginia Woolf. Ela usa essas obras como matéria-prima para histórias fantásticas contadas com uma opulência visual que reflete sua predileção por roupas, disfarces e transformações de todos os tipos”.

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O FESTIVAL DO RIO NO IMS | OUTUBRO TERÇA 1 13h40 : festival do rio As oficinas de Deus (Les Bureaux de Dieux) de Claire Simon com Anne Alvaro, Nathalie Baye, Michel Boujenah e Béatrice Dale (França, 2008. 95’) Djamila quer tomar a pílula porque o namoro está ficando sério. A mãe de Zoe dá-lhe preservativos, mas briga com a filha. Nedjma esconde suas pílulas fira de casa, porque sua mãe mexe em sua bolsa. Helen é muito fértil. Clemência tem medo de estar grávida. Adeline quer ter o bebê. Margot também. Maria Angela gostaria de saber que está grávida. Ana Maria escolheu o amor e liberdade. Nas “Oficinas de Deus”, Anne, Denise, Marta, Yasmine, Milena são conselheiras que escutam todos os dias jovens que perguntam se a liberdade sexual é possível. 15h50 : festival do rio Uma estranha passagem em Veneza (The Comfort of Strangers) de Paul Schrader com Christopher Walken, Rupert Everett, Natasha Richardson e Helen Mirren (EUA, 1990. 107’) Com roteiro de Harold Pinter, adaptado de uma história de mesmo nome de Ian McEwan, um filme sobre as relações entre dois casais distintos: Colin e Mary , um casal inglês m viagem de turismo a Veneza, e Robert e Caroline que vivem na cidade. O casal inglês procura revitalizar seu relacionamento nessa viagem e voltar logo para casa. No entanto, se sentem atraídos pelo mistério em torno de Robert, obcecado com o passado, com o sadismo de seu pai e os truques cruéis das irmãs mais novas. Pouco a pouco Colin e Mary se enredam numa trama armada por Robert e não sabem como escapar.

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Dr. Mabuse, de Fritz Lang

17h50 : festival do rio Dr. Mabuse – parte 1 (Dr. Mabuse, der Spieler. Teil 1: Der große Spieler, ein Bild der Zeit) de Fritz Lang com Rudolf Klein-Rogge, Aud Egede-Nissen, Gertrude Welcker e Alfred Abel (Alemanha, 1922. 128’) Dois anos depois do lançamento, conta Siegfried Kracauer em De Caligari a Hitler ( Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1988) “o próprio Lang chamou o filme de um documento sobre o mundo vigente (...) A ação se localiza em cenários extremamente artificiais. Ora a cena se passa no salão de um clube expressionista, com sombras pintadas na parede, ora numa escura viela na qual Cesare poderia ter escapado com Jane nos braços. Outros elementos decorativos ajudam estas formas expressionistas a se tornarem, em conjunto, uma alucinação. Dr. Mabuse pertence à mesma esfera de Caligari. De modo algum é um documentário, mas é um documento de seu tempo”. No entanto, por mais que Mabuse se pareça com Caligari, continua Kracauer, “ele o supera porque muda continuamente de identidade. Ao comentar este filme, Lang certa vez disse que foi guiado pela ideia de mostrar o conjunto da sociedade, com Mabuse presente em todos os lugares, sem ser reconhecido em nenhum lugar. O filme consegue tornar Mabuse uma ameaça onipresemte e impossível de ser localizada e, deste modo, espelha a sociedade submetida a um regime tirânico – aquela espécie de sociedade em que todos se temem porque qualquer um pode ssr o ouvido ou o braço do tirano”. Exibição de cópia restaurada pela Fundação Murnau, Murnau-Stiftung, Deutsches Filmhaus in Wiesbaden 20h10 : festival do rio Retrato de uma bêbada. Caminho sem volta (Bildnis einer Trinkerin - Aller jamais retour) de Ulrike Ottinger com Tabea Blumenshein, Lutze, Magdalena Montezuma e Orpha Termin (Alemanha, 1979. 108’)


QUINTA 3 14h00 : festival do rio Mimi (Mimi) de Claire Simon (França, 2003. 105’) Documentário. Um retrato de Mimi Chiola feito durante caminhadas pela cidade de Nice.

A marca da pantera de Paul Schrader

QUARTA 2 14h00 : festival do rio O último dos injustos (Le dernier des Injustes) de Claude Lanzmann (França, 2013, 218’) Essa longa entrevista com Benjamin Murmelstein, terceiro presidente do conselho judaico do gueto de Theresienstadt, embora uma das primeiras filmadas durante a preparação de Shoah, não foi incluída no filme, nem mesmo parcialmente. Murmelstein tinha 70 anos quando foi entrevistado por Lanzmann em Roma, em 1975. Em 1945, no final da guerra, ele fora preso na Tchecoslováquia sob acusação de colaboração com os nazistas, julgado e inocentado. Em 1961, publicara um livro sobre Theresienstadt – Terezin, il ghetto modello di Eichmann. “Foi difícil estabelecer contato”, diz Lanzmann,“mas depois de nos conhecermos, filmei uma semana inteira com ele, e essas longas horas de entrevistas, cheias de revelações desconhecidas, me perseguiram até hoje. Sabia que tinham em mãos uma coisa única, mas não sabia como construir um filme com ela”.

16h00 : festival do rio A marca da pantera (Cat People) de Paul Schrader com Natasha Kinski, Malcolm McDowell, John Heard, Annette O’Toole e Ed Begkey Jr. (EUA, 1982.118’) O roteiro, de Alan Ormsby, é inspirado no Cat People de 1942, escrito por DeWitt Bodeen e dirigido por Jacques Tourneur. Irena Gallier (Kinski) encontra seu irmão mais velho, Paul (McDowell) em Nova Orleans. É a primeira vez que eles se encontram desde que seus pais morreram e Irena. Naquela mesma noite, uma prostituta é atacada por um leopardo negro. Pela manhã Paul diz Irena que eles pertencem a uma família metade gente metade pantera, e que seus pais eram, na verdade, irmão e irmã. Giorgio Moroder compôs a música, e David Bowie a canção tema. 18h15 : festival do rio A princesa das ostras (Die Austernprinzessin) de Ernst Lubitsch com Victor Janson, Ossi Oswalda, Harry Liedtke, Julius Falkenstein, Max Kronert e Curt Bois (Alemanha, 1919. 47’). Desde 1911 no teatro de Max Reinhardt, e a partir do ano seguinte aprendiz e faz-tudo no estúdio cinematográfico Bioscope em Berlim, Lubitsch (1892-1947) destacou-se como ator numa série de comédias, mas pouco a pouco deixou de atuar para se concentrar em direção, e seu primeiro grande sucesso foi essa sátira aos costumes norte-americanos, uma comédia em quatro atos sobre o casamento da filha mimada de um milionário americano que simplesmente não sai como planejado. Exibição de cópia restaurada pela Fundação Murnau, Murnau-Stiftung, Deutsches Filmhaus in Wiesbaden 19h45 : festival do rio Freak Orlando (Freak Orlando) de Ulrike Ottinger com Magdalena Montezuma, Delphine Seyrig, Albert Heins e Claudio Pantoja (Alemanha, 1981. 126’)

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O FESTIVAL DO RIO NO IMS SEXTA 4 14h00 : festival do rio Até que a loucura nos separe (Feng Ai) Direção, fotografia e montagem de Wang Bing (Hong Kong, Japão, França, 2013. 227’) O cotidiano de um hospital psiquiátrico isolado no sudoeste da China com cerca de 100 pacientes, homens detidos por várias razões e distúrbios. Solitários, abandonados por parentes que raramente visitam, alguns foram simplesmente abandonadas ali pelo governo local por terem quebrado regras. Especialmente conhecido por seu primeiro filme, A oeste dos trilhos (Tiexie Qu, 2003) de nove horas de duração, Wang Bing realizou em seguida He Fengming (2007), O fosso (Jiabiangou, 2010) e Três irmãs (San zimei, 2012). 18h15 : festival do rio A última gargalhada (Der Letzte Mann) de Friedrich W. Murnau com Emil Jannings, Maly Delschaft e Max Hiller. (Alemanha, 1924. 90’) Um dos grande clássicos da história do cinema. Um filme mudo sem qualquer letreiro para reproduzir as falas dos personagens ou explicar a cena, solução comumente adotada no cinema da década de 1920. Orgulhoso de sua posição e de seu uniforme, o experiente porteiro de hotel, depois de demonstrar cansaço ao carregar uma pesada mala numa noite de chuva, é afastado do cargo. No dia seguinte, ao chegar para o trabalho, descobre ter sido designado como atendente de banheiro. Atordoado, o velho homem se esforça para continuar com sua vida. Exibição de cópia restaurada pela Fundação Murnau, Murnau-Stiftung, Deutsches Filmhaus in Wiesbaden 20h00 : festival do rio Geografia humana (Geographie humaine) de Claire Simon (França, 2013. 101’) A gare du Nord em Paris é a estação por onde transitam todas as pessoas vindas dos subúrbios, de outras cidades franceses e do exterior. Esse documentário registra breves encontros com gente que passa pela estação e param um instante para contar algo de suas vidas antes de correr para pegar o trem e ir embora.

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Exibição em presença da realizadora.

Wang Bing: Até que a loucura nos separe

“Não importa como um filme conta uma história, é muito difícil dizer que num filme apresentamos a verdade. Na vida, há momentos em que as coisas são difíceis de entender. Não sabemos lidar com elas. Todo cineasta enfrenta a dificuldade de ser imparcial durante o processo criativo – enfrenta até mesmo a dificuldade de ser fiel a si mesmo. Acho que é muito difícil. É algo difícil de alcançar em sua vida. Eu também enfrento essa dificuldade. Afinal, qual o meu papel quando filmo um documentário? Às vezes você pode confiar em sua capacidade de compreender a verdade, mas às vezes você se sente perdido e acha que nunca vai alcançá-la. Com relação a isso, estou plenamente consciente de que o meu filme é um intermediário entre a minha vida e a vida do meu interlocutor. O resultado dessa interação é que pode ser considerada a verdade de um documentário. Qual é a parte de verdade na feitura de um filme? O empreendimento é por vezes duvidoso, outras ele faz sentido. Um filme traz mesmo uma certa porção de verdade. Se podemos dizer que existe um significado num documentário, acho que ele não está na história contada, mas num certo momento do documentário, num instante preciso em que se transmite algo. Um lugar, um instante na vida de alguém. São, digamos, dez, cinco minutos, não importa. Esse momento, quando ele se apresenta, e tomamos consciência dele, é determinante. Esse momento não é a história, mas a história pequena. A história pequena é o que existe de mais bonito em um documentário”. wang bing |

depoimento na estreia de a oeste dos trilhos


“A última gargalhada, de Murnau. Cabe a pergunta: letreiro é ou não é cinema? Já ficou dito que não. Portanto, é sacudi-los fora, custe o que custar. A questão é saber se já se conseguiu – em uma sequência que seja, com bastante ação – construir o cenário sem eles. Se isso já tiver sido possível, o resto também o será. Ora, a sequência exigida, já existe. Não existe uma, mas várias. Sentimentos os mais complexos foram expressos em A última gargalhada sem letreiros... Tudo se sintetizando na conhecida afirmação de King Vidor: a história deve ser contada pela câmera. ” octávio de faria |

fragmento de “o cenário e o futuro do cinema”, 1928, incluído em

significação do far-west, ministério de educação e saúde, rio de janeiro, 1952.

“O papel da câmera, que no expressionismo era mover-se pouco a fim de não perturbar o equilibrio das composições plásticas, é inteiramente diverso. A câmera é desencadeada, dotada de surpreendente mobilidade, o que lhe permite não só seguir fielmente os intérpretes em suas evoluções, mas eventualmente assumir seu ponto de vista, a eles substituir. Quando o porteiro de A última gargalhada embebeda-se, a câmera não se limita a registrar o início de sua embriaguez, é ela que titubeia. A intensa mobilização da câmera acaba desmontando os décors naturalistas e pode-se perguntar se em última análise o seu desencadeamento não tem às vezes uma função semelhante à das cenografias e arquiteturas expressionistas, isto é, a de procurar a sensação de vertigem”. paulo emílio salles gomes |

fragmento de “diversidade e unidade”, 1959, em crítica de

cinema no suplemento literário, volume

1 embrafilme e paz e terra, rio de janeiro, 1991.

SÁBADO 5 14h00 : festival do rio O acompanhante (The Walker) de Paul Schrader com Woody Harrelson, Kristin Scott Thomas, Lauren Bacall e Ned Beatty (EUA, 2007. 108’) Carter Page III, homossexual de meia-idade, é um “acompanhante” de esposas de outros homens em eventos sociais em Washington decide ajudar Lynn Lockner, esposa de um senador dos Estados Unidos, a investigar o assassinato do amante dela. 16h0 : festival do rio Dr. Mabuse – parte 2 (Dr. Mabuse, der Spiler. Teil 2: Inferno, ein Spiel von Menschen unsere Zeit) de Fritz Lang com Rudolf Klein-Rogge, Aud EgedeNissen, Gertrude Welcker, Alfred Abel e Bernhard Goetzke. (Alemanha, 1922. 93’) Exibição de cópia restaurada pela Fundação Murnau, Murnau-Stiftung, Deutsches Filmhaus in Wiesbaden 17h50 : festival do rio Gigolô americano (American Gigolo) de Paul Schrader com Richard Gere, Lauren Hutton, Hector Elizondo, Nina van Pallandt e Bill Duke (EUA, 1980. 117’) Julian Kaye, um garoto de programa em Los Angeles, satisfaz o seu gosto por carros de luxo, drogas e roupas de marca com o seu trabalho: satisfazer sexualmente as mulheres. 20h00 : festival do rio O baú do casamento coreano (Die koreanische Hochzeitstruhe) de Ulrike Ottinger com Keum- Hwa Kim, Se-ong Bo e Min-ja Kim, (Alemanha, Coreia do Sul, 2009. 82’) Nos documentários e nos filmes de ficção de Ottinger o tema dominante é a transformação: o ponto de vista da câmera transforma o estrangeiro em algo familiar e coloca a nossa própria cultura e costumes sob uma estranha luz. Seus documentários reforçam a ideia de que toda percepção é um ato de tradução, e por isso mesmo Ottinger cita Oscar Wilde: “O verdadeiro mistério do mundo é o visível, não o invisível”. Exibição em presença da realizadora

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O FESTIVAL DO RIO NO IMS DOMINGO 6 14h00 : festival do rio O ato de matar (The Act of Killing) de Joshua Oppenheimer, Christine Cynn e colaboradores anônimos (Dinamarca, Noruega e Inglaterra. 2012. 159’) Documentário sobre o esquadrão da morte da Indonésia 18h00 : festival do rio Mishima: uma vida em quatro tempos (Mishima: A Life in Four Chapters) de Paul Schrader com Ken Ogata, Masayuki Shionoya, Hiroshi Mikami e Junya Fukuda (EUA, 1985. 120’) Biografia de Yukio Mishima, por meio da intercalação de episódios de sua vida com dramatizações de trechos de seus livros. O filme se passa em 25 de novembro de 1970, o último dia da vida do escritor. Ele veste um uniforme que ele mesmo desenhara e vai ao encontro de quatro seguidores leais. Flash-backs destacam episódios de sua vida, da saúde frágil da infância à consagração como um dos mais importantes escritores japoneses do pós-guerra e daí, guiado pelo ódio ao materialismo do Japão moderno, a um tradicionalismo extremista, à criação de um exército particular e à proclamação do restabelecimento do imperador como chefe de Estado. Exibição de cópia da ucla Film and Television Archive

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20h10 : festival do rio O inquilino (The Lodger – A Story of London Fog) de Alfred Hitchcock com Marie Ault, Arthur Chesney, June, Malcolm Keen e Ivor Novello (Inglaterra, 1927. 68’) No começo dessa adaptação de uma história de Marie Belloc Lowndes, uma imagem muitas vezes repetida daí em diante em filmes policiais do próprio Hitchcock e de outros diretores: o primeiro plano do rosto de uma jovem loura gritando. Ela é a mais recente vítima de um asaassino conhecido por assassinar louras, o que tem obrigado as mulheres a cobrir a cabeça com chapéus ou perucas escuras. Daisy acompanha com o namorado, um policial, os detalhes do crime nos jornais, quando um homem parecido com a descrição do assassino, chega à casa dos pais dela para alugar um quarto. Exibição de cópia restaurada pelo British Film Institute.

Na terça-feira 8 não serão realizadas sessões de cinema.

QUARTA 9 13h45 : festival do rio Em Berkeley (At Berkeley) de Frederick Wiseman (EUA, 2013. 244’) Nas últimas quatro décadas Wiseman tem se dedicado a documentar como as pessoas funcionam dentro das instituições. Em filmes recentes, como Boxing Gym (2010) e Crazy Horse (2011), ele se concentrou em empresas de tamanho modesto. Aqui ele se volta para a Universidade da Califórnia, Berkeley. Com o fotógrafo John Davey acompanha a escola durante os acalorados debates de cortes no orçamento no outono de 2010. Vai às salas de aula, aos protestos estudantis e às reuniões administrativas. 18h00 : festival do rio Canções que dizem eu te amo (Sing Me the Songs That Say I Love You: A Concert for Kate McGarrigle) de Lian Lunson (EUA, 2012. 107’) Em maio de 2011, um concerto em Nova York homenageou a cantora e compositora canadense Kate McGarrigle que morreu no ano anterior aos 63 anos. No palco, seus filhos, Rufus e Martha Wainwright, sua irmã, Anna McGarrigle, e amigos do mundo da música, como Emmylou Harris, Norah Jones, Antony Hegarty e Teddy Thompson. Além do registro do concerto, entrevistas, imagens de arquivo e vídeos caseiros revelam o mundo de Kate. 20h00 : festival do rio Gare du Nord (Gare du Nord) de Claire Simon com Nicole Garcia, Reda Kateb, François Damiens e Monia Chokri (França, Canadá, 2013. 119’) Ficção realizada como espelho do documentário feito, quase ao mesmo tempo com a muita gente que passa pela estação de trens parisiense: Geographie humaine, também no programa.


QUINTA 10 14h00 : festival do rio Fontes da vida (Quellen des Lebens) de Oskar Roehler com Jürgen Vogel, Meret Becker, Moritz Bleibtreu, Lavinia Wilosn e Lisa Smit (Alemanha, 2013. 174’) 18h00 : festival do rio

The Lodger, de Alfred Hitchcock

Diário de uma pecadora (Tagebuch einer Verlorenen) de Georg W. Pabst com Louise Brooks, André Rouane, Josef Rovensky e Fritz Rasp (Alemanha, 1929. 96’) Último filme mudo de Pabst e o segundo que realiza com Louise Brooks (o primeiro foi A caixa de pandora / Die Büchse der Pandora. Descreve a Alemanha entre as duas guerras como um mundo de homens fracos e impiedosos e de mulheres rancorosas; como uma sociedade corrupta em que sexo e dinheiro dominam as relações sociais. Brooks interpreta Thymiane, a filha inocente de um químico expulsa de casa para um reformatório e daí para um prostíbulo, depois de ter sido seduzida pelo gerente da farmácia de seu pai. Exibição de cópia restaurada pela Fundação Murnau, Murnau-Stiftung, Deutsches Filmhaus in Wiesbaden 20h00 : festival do rio Vivendo na corda bamba (Blue Collar) de Paul Schrader com Richard Pryor, Harvey Keitel, Yaphet Kotto, Ed Begley Jr. e Harry Bellaver (EUA, 1978. 114’) Primeiro longa-metragem do diretor, autor também do roteiro (em parceria com seu irmão Leonard). Três trabalhadores da indústria automobilística de Detroit. Dois deles são negros, Zeke Brown (Pryor) e Smokey James (Kotto) e um, branco Jerry Bartowski (Keitel). Fartos de maus-tratos nas mãos dos patrões e dos dirigentes sindicais, e fartos de viver com dificuldades financeiras, traçam um plano para roubar o cofre da sede do sindicato.

Gare du Nord de Claire Simon

De sexta-feira 11 a quinta-feira 17, o cinema do Instituto Moreira Salles exibe uma seleção de filmes indicados pelo público do Festival do Rio. O programa definitivo será anunciado na quinta-feira 10.

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OS FILMES DO OUTUBRO

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SEXTA 18 14h30 : Satyrianas, 78 horas em 78 minutos. de Fausto Noro, Daniel Gaggini e Otávio Pacheco (Brasil, 2012. 78’). Uma ficção – um diretor americano é convidado por um excêntrico investidor a gravar um documentário sobre as Satyrianas – misturada a um documentário, depoimentos do diretor José Celso Martinez Correa, do dramaturgo Mário Bortolotto, do roteirista Bráulio Mantovani e da diretora Laís Bodansky, e dos fundadores do grupo Os Satyros, Rodolfo García Vázquez e Ivan Cabral, sobre o festival Satyrianas.

SÁBADO 19 14h30 : Satyrianas, 78 horas em 78 minutos. de Fausto Noro, Daniel Gaggini e Otávio Pacheco (Brasil, 2012. 78’).

16h30: Laura de Felipe Barbosa (Brasil, 2011. 78’) “Conheci Laura em 2001, quando havia acabado de chegar a Nova York para estudar cinema”, conta o diretor. “Lembro que foi numa pré-estreia. Logo tive a ideia de torná-la personagem de um filme. Sete anos depois, liguei para sugeri mais uma vez o filme e ela concordou”.

DOMINGO 20 14h30 : Satyrianas, 78 horas em 78 minutos. de Fausto Noro, Daniel Gaggini e Otávio Pacheco (Brasil, 2012. 78’).

18h30 : Satyrianas, 78 horas em 78 minutos. de Fausto Noro, Daniel Gaggini e Otávio Pacheco (Brasil, 2012. 78’).

18h30 : Satyrianas, 78 horas em 78 minutos. de Fausto Noro, Daniel Gaggini e Otávio Pacheco (Brasil, 2012. 78’).

20h00: Laura de Felipe Barbosa (Brasil, 2011. 78’)

20h00: Laura de Felipe Barbosa (Brasil, 2011. 78’) TERÇA 22

16h30: Laura de Felipe Barbosa (Brasil, 2011. 78’) 18h30 : Satyrianas, 78 horas em 78 minutos. de Fausto Noro, Daniel Gaggini e Otávio Pacheco (Brasil, 2012. 78’). 20h00: Laura de Felipe Barbosa (Brasil, 2011. 78’)

16h30: Laura de Felipe Barbosa (Brasil, 2011. 78’)

Satyrianas de Fausto Noro, Daniel Gaggini e Otávio Pacheco


Laura de Felipe Barbosa

14h30 : Satyrianas, 78 horas em 78 minutos. de Fausto Noro, Daniel Gaggini e Otávio Pacheco (Brasil, 2012. 78’). 16h30 : Laura de Felipe Barbosa (Brasil, 2011. 78’) 18h30 : Satyrianas, 78 horas em 78 minutos. de Fausto Noro, Daniel Gaggini e Otavio Pacheco (Brasil, 2012. 78’). 20h00 : Laura de Felipe Barbosa (Brasil, 2011. 78’) QUARTA 23 14h30 : Satyrianas, 78 horas em 78 minutos. de Fausto Noro, Daniel Gaggini e Otávio Pacheco (Brasil, 2012. 78’). 16h30: Laura de Felipe Barbosa (Brasil, 2011. 78’) 18h30 : Satyrianas, 78 horas em 78 minutos. de Fausto Noro, Daniel Gaggini e Otávio Pacheco (Brasil, 2012. 78’). 20h00 : Laura de Felipe Barbosa (Brasil, 2011. 78’)

QUINTA 24 14h30 : Satyrianas, 78 horas em 78 minutos. de Fausto Noro, Daniel Gaggini e Otávio Pacheco (Brasil, 2012. 78’). Uma mistura de ficção e documentário em torno do festival multicultural Satyrianas, que acontece há 13 anos em São Paulo, reunindo músicos, artistas e intelectuais na Praça Roosevelt. Para Fausto, um retrato do que está acontecendo na Praça Roosevelt. “Tem pessoas se ‘matando’ para fazer uma peça, muita gente se ‘matando’ para fazer filme. Então, todo esse processo, às vezes, é muito mais interessante do que o próprio filme”. Não apenas um registro, acrescenta Daniel, “o registro é uma das camadas do filme. A gente conta um pouco da história da Satyrianas. Mas também brincamos com outras camadas. Trazemos a ficção para a história”. Otávio, por sua vez, acrescenta que “a ficção colocada no filme interage com a realidade do evento, as pessoas sendo retratadas realmente acreditavam na equipe, no diretor gringo e em toda a situação gerada pelo filme. Aquilo se transformou em uma parte integrante das Satyrianas”

16h30 : Laura de Felipe Barbosa (Brasil, 2011. 78’) Laura é uma imigrante argentino-brasileira em Nova York. Noite após noite, ela persegue a luz e o glamour das estrelas de Hollywood. Amigo de Laura de longa data, o diretor a segue pelas portas do fundo das festas mais exclusivas de Nova York com um olhar fascinado. Mas a verdade é mais dura. Dentro do seu quarto minúsculo, espaço proibido, Laura esconde veementemente sua pobreza a fim de manter a imagem de diva imaculada. À medida que a curiosidade de Barbosa aumenta, o diretor entra de corpo e alma no próprio filme, iniciando um jogo de manipulação que vai mudar a relação dos dois para sempre. 18h30 : Satyrianas, 78 horas em 78 minutos. de Fausto Noro, Daniel Gaggini e Otávio Pacheco (Brasil, 2012. 78’). 20h00: Laura de Felipe Barbosa (Brasil, 2011. 78’)

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SEXTA 25 14h00 e 17h00 : Crazy horse (Crazy Horse) de Frederick Wiseman (EUA, França, 2011. 134’) Para fazer esse filme, Wiseman diz que passou dez semanas no Le Crazy Horse de Paris, para documentar as performances da equipe técnica e das dançarinas na criação de um novo show, batizado Désirs, e também as atividades administrativas do dia a dia, da reserva de mesas, a preparação dos baldes de champanhe e o meticuloso trabalho da direção de arte e figurinos. 20h00 : Cerimônia secreta (Secret Ceremony) de Joseph Losey com Elizabeth Taylor, Mia Farrow, Robert Mitchum, Peggy Ashcroft e Pamela Brown. Roteiro de George Tabori adaptado da novela Ceremonia secreta de Marco Denevi. (Inglaterra, 1969. 106’) A história, diz o diretor, “nos fala da necessidade terrível que os seres humanos têm de outros seres humanos e da impossibilidade, para a maior parte deles, de satisfazer essa necessidade quando ela se manifesta”: duas mulheres alimentam a ilusão de viver como mãe e filha. Leonora imagina reencontrar em Cenci a filha que morreu afogada. Cenci, imagina reencontrar em Leonora a mãe cuja morte ela se recusa a aceitar. O equilíbrio instável se rompe com o aparecimento do padrasto de Cenci, Albert.

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“Losey é um mestre de extremo requinte e estupenda capacidade de comunicação dramática. É difícil, senão impossível, estimar seus personagens. É impossível negar-lhes força, verdade dramática, um magnetismo superior como de um pesadelo cujas imagens fossem preciosamente elaboradas e levadas ao último limite da exatidão. Sob a direção de Losey, Elizabeth Taylor e Mia Farrow executam um esforço de interpretação que está entre os mais brilhantes que temos visto recentemente. E Robert Mitchum é uma legítima figura de danação, saída do universo que Losey estima desnudar com sua implacável e fascinante objetividade. Um excelente filme, destinado, evidentemente, mais ao espectador inclinado à lucidez do que ao que, na sala escura, se aliena das tristezas do mundo”. (Fernando Ferreira, no lançamento do filme no Rio, em setembro de 1969)

Mia Farrow e Elizabeth Taylor: Cerimônia secreta de Joseph Losey


SÁBADO 26 14h00 e 17h00 : Crazy horse (Crazy Horse) de Frederick Wiseman (EUA, França, 2011. 134’) Documentário sobre o clube parisiense que se orgulha de ter “o melhor show de dança nu no mundo” desde a sua criação, em 1951. “Não fiz pesquisa antes – diz o diretor – a filmagem, para mim, foi uma pesquisa. Na montagem é que encontro os temas e o ponto de vista de um documentário. Não faço roteiros. Tudo é descoberto na montagem, num processo que costuma levar muito tempo”. Penúltimo filme de Wiseman. Seu mais recente documentário, Em Berkeley, fez parte do programa do Festival do Rio. 20h00 : Cerimônia secreta (Secret Ceremony) de Joseph Losey com Elizabeth Taylor, Mia Farrow, Robert Mitchum, Peggy Ashcroft e Pamela Brown. Roteiro de George Tabori adaptado da novela Ceremonia secreta de Marco Denevi. (Inglaterra, 1969. 106’) “Losey observa os personagens de prudente distância e evita julgamentos moralizantes. O julgamento ou se impõe ao espectador, pelo que da narrativa fica implícito ou o absorve. Não faz o cineasta qualquer espécie de demagogia. Narra a sua história e aceita que ela seja sórdida e por si mesma evidente. Entretanto, a forma da narrativa é o que pode haver de precisão, elegância, domínio completo da técnica e da sensibilidade, uma filtragem consciente, lúcida, de métodos teatrais assimilados pela capacidade de transformação da câmera e do espaço fílmico”. (Fernando Ferreira, no lançamento do filme no Rio, em setembro de 1969)

A mostra Joseph Losey prossegue na primeira semana de novembro com a exibição de O menino de cabelos verdes Eva e A vida de Galileo

DOMINGO 27 14h00 e 17h00 : Crazy horse (Crazy Horse) de Frederick Wiseman (EUA, França, 2011. 134’) 20h00 : Cerimônia secreta (Secret Ceremony) de Joseph Losey com Elizabeth Taylor, Mia Farrow, Robert Mitchum, Peggy Ashcroft e Pamela Brown. Roteiro de George Tabori adaptado da novela Ceremonia secreta de Marco Denevi. (Inglaterra, 1969. 106’) “Os personagens – postas de lado duas mulheres que têm todos os tiques das tias de mau caráter – são três: Cenci, menina ou mulher de aparente desequilíbrio, uma órfã que não aceita a responsabilidade da morte da mãe e vai buscar, no ônibus, ou na igreja, a mulher que se assemelha à mãe; Leonora, a prostituta que aceita o jogo e que carrega consigo um complexo culposo pela morte da filha; o padrasto, cuja atração incestuosa pela menina-moça desencadeia a solução para os três. Um quarto personagem: a casa onde tudo transcorre, uma mansão que a câmera de Losey enquadra como se só ela, a casa, fosse capaz de emoldurar esse quadro mórbido de relações decadentes e equívocas”. (Fernando Ferreira, no lançamento do filme no Rio, em setembro de 1969) “Essa casa ficou na minha mente desde o primeiro dia em que a vi. A maior parte das pessoas não repara nela, apesar dela estar localizada numa rua de passagem. Quando começamos a trabalhar no roteiro, procuramos casas em todos os lugares de Londres. Essa era o que precisávamos, porque é um enclave fora do tempo. A parte interna é surpreendente, não tinha nada a ver com o que imaginávamos. Não tivemos que fazer nada além de limpar um pouco os pisos de tábua corrida, mobiliá-la e fazer pequenos reparos. Os ladrilhos originais ainda existiam, os ornamentos de madeira, as lareiras, assim como os banheiros, por mais curioso que isso possa parecer, estavam bem preservados. Os cômodos eram incrivelmente estreitos, como celas de monges. A casa é como um claustro de estilo pré-rafaelita”. ( Joseph Losey, no depoimento a Michel Ciment no livreto de Cerimônia secreta)

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TERÇA 29 14h00 : Crazy horse (Crazy Horse) de Frederick Wiseman (EUA, França, 2011. 134’) 17h00 : O maldito (M) de Joseph Losey Refilmagem de M (1931) de Fritz Lang Com David Wayne e Howard da Silva (EUA, 1951. 88’) O comentário é de André Bazin na revista Cahiers du Cinéma número 11: “Joseph Losey parece ter querido modernizar o estilo a partir de um modo neorrealista. Fritz Lang fez tudo em um estúdio, Losey utiliza largamente os exteriores. São esses, aliás, quando isolados, os bons momentos do filme, através dos quais esse jovem e vigoroso diretor mostra que merecia sorte melhor. Sente-se que se o roteiro lhe permitisse, ele só queria fazer um bom filme e num tom pessoal”. 19h30 : Crazy horse (Crazy Horse) de Frederick Wiseman (EUA, França, 2011. 134’) QUARTA 30 14h00 : Crazy horse (Crazy Horse) de Frederick Wiseman (EUA, França, 2011. 134’) 17h00 : O assassinato de Trotsky (The Assassination of Trotsky) de Joseph Losey com Richard Burton, Alain Delon e Romy Schneider. (França, Itália, 1972. 103’) “Uma longa sequência descreve uma tourada. A imagem acompanha não o toureiro, mas a preparação do touro para o golpe final, enquanto ouvimos um comentário de Frank, o futuro assassino de Trotsky, para Gita, sua mulher: Para se matar o touro, ele diz, é preciso demonstrar coragem e chegar bem perto dos chifres. Losey sugere assim que Trotsky, bem antes de chegar ao México, tinha entrado numa arena da qual só poderia sair morto. E sugere a tourada como o momento em que Frank parece compreender que para assassinar Trotsky, seria necessário enfrentá-lo de perto, como o toureiro enfrenta o touro, expondo-se a um certo perigo”. ( José Carlos Avellar, no lançamento do filme no Rio, em setembro de 1973)

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19h30 : Crazy horse (Crazy Horse) de Frederick Wiseman (EUA, França, 2011. 134’)

Frederick Wiseman

Sem perder tempo ou imagem, logo no primeiro plano do filme, seu tema é estampado em letras que brilham em azul: Desir. O desejo, porém, é um diabo que vive a se esconder pelos cantos de uma casa de espelhos. Para se aproximar dele, Wiseman precisará jogar na casa do adversário. Essa disposição se anuncia logo no corte para o segundo plano do filme, que nos recebe bem à porta, regredindo até umas das mais conhecidas alegorias da filosofia: um teatro de sombras protagonizado pelo diabo, exposto como representação, como invenção. Da exuberância burlesca do letreiro, somos imediatamente devolvidos ao princípio primeiro da representação – a caverna de Platão – em um corte que nos dá ao menos duas certezas: 1) há uma investigação histórica e ontológica em curso sobre a própria representação, que vai determinar a conexão entre essas duas primeiras imagens (“desejo é representação” ou “desejo de representação”?); 2) se chegarmos ao cinema munido da filmografia de Wiseman, logo percebemos que o jogo, aqui, é outro, bem outro. Mesmo se este outro for uma forma de se manter fundamentalmente o mesmo. Frederick Wiseman, documentarista canonizado pela crença inviolável no direito de testemunhar o funcionamento do mundo (ou seja: documentarista intimamente conectado à razão de ser do cinema: testemunhar o funcionamento do mundo), agora chega aqui dotado, provavelmente do mesmo desejo… mas, desta vez, o objeto documentado depende, intimamente, da farsa para se revelar. É preciso que Wiseman olhe para dentro, ciente de que o truque mais esperto do diabo é convencer-nos de que ele não existe (Baudelaire). Não há verdade que seja ainda verdade sem véus: se há uma transparência possível em Crazy Horse é quanto à sua flagrante opacidade fábio andrade |

www.revistacinetica.com.br, maio de 2013


Instituto Moreira Salles Rua Marquês de São Vicente, 476. Gávea. Telefone: (21) 3206-2500 www.ims.com.br Aberto ao público de terça a domingo das 11h às 20h Acesso a portadores de necessidades especiais. Estacionamento gratuito no local. Café wifi Fundado em 1992, o ims é uma entidade civil sem fins lucrativos que tem por finalidade exclusiva a promoção e o desenvolvimento de programas culturais. A sede do Rio de Janeiro (o ims tem centros culturais em São Paulo e Poços de Caldas) abriga espaços expositivos, sala de cinema, sala de aula, biblioteca, cafeteria, loja de arte e ateliê. O ims possui um acervo de fotografia, com mais de 550 mil imagens, de música, com cerca de 28 mil gravações, de literatura e de artes plásticas, instalado em reservas técnicas com padrões e tecnologia para a conservação e a restauração. Entre as coleções destacam-se as fotografias de Marc Ferrez, Marcel Gautherot e José Medeiros, desenhos de Millor Fernandes, as discotecas de Humberto Franceschi e José Ramos Tinhorão, os arquivos pessoais de Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Elizeth Cardoso e Mário Reis, e as bibliotecas dos escritores Ana Cristina César, Rachel de Queiroz, Otto Lara Rezende e Carlos Drummond de Andrade. No site do ims está hospedada a Rádio Batuta, um ponto de seleção, entretenimento e análise da música popular brasileira. O Instituto edita uma revista quadrimestral de ensaios, Serrote, uma revista semestral de fotografia, Zum. Em outubro de 2012 o Instituto inaugurou uma coleção dvd. Os títulos já editados são: Shoah de Claude Lanzmann, La Luna de Bernardo Bertolucci, Cerimônia de casamento de Robert Altman, Conterrâneos velhos de guerra de Vladimir Carvalho, Vidas secas e Memórias do cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, São Bernardo, de Leon Hirszman, O emprego, de Ermanno Olmi e, lançamento desse mês, Cerimônia secreta, de Joseph Losey. O próximo título da coleção será As praias de Agnès, de Agnes Varda. O cinema do ims recebeu o prêmio O Melhor do Rio de Janeiro 2012 / 2013 da revista Época.

Superintendente Executivo : Flávio Pinheiro Coordenação do ims - rj : Elizabeth Pessoa Curadoria de cinema : José Carlos Avellar Produção de cinema e dvd : Amanda Amorim

O programa de cinema de outubro conta com o apoio da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, da Cinemateca da Embaixada da França, e com a parceria da Videofilmes, do Espaço Itaú de Cinema e do Festival de Cinema do Rio de Janeiro. Ingressos Para as sessões do Festival do Rio : R$ 18,00 (inteira) R$ 9,00 (meia) Para as sessões de Laura, Crazy Horse e Satyrianas, 78 horas em 78 minutos. Terça, quarta e quinta: R$ 18,00 (inteira) R$ 9,00 (meia) Sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 22,00 (inteira) e R$ 11,00 (meia) Para todos os outros programas, de terça a domingo: R$ 16,00 (inteira) e R$ 8,00 (meia) Passaporte : Com validade para 10 sessões da mostra dedicada a Joseph Losey, podem ser adquiridos na recepção passaportes no valor de R$ 40,00 Capacidade da sala: 113 lugares. Ingressos e senhas sujeitos à lotação da sala. Ingressos disponíveis também em www.ingresso.com Sessões para escolas e agendamento de cabines pelo telefone (21) 3284 7417 As seguintes linhas de ônibus passam em frente ao ims: 158 – Central-Gávea (via Praça Tiradentes, Flamengo, São Clemente) 170 – Rodoviária-Gávea (via Rio Branco, Largo do Machado, São Clemente) 537 – Rocinha-Gávea 538 – Rocinha-Botafogo 539 – Rocinha - Leme Ônibus executivo Praça Mauá - Gávea Capa: Robert Mitchum e Mia Farrow em Cerimônia secreta de Joseph Losey. Quarta capa: Ken Ogata em Mishima, uma vida em quatro tempos de Paul Schrader.


WANG BING | CLAUDE LANZMANN | PAUL SCHRADER FRIEDRICH W. MURNAU | ALFRED HITCHCOCK FREDERICK WISEMAN | FRITZ LANG | ERNST LUBITSCH GEORGE W. PABST | CLAIRE SIMON | ULRIKE OTTINGER

FESTIVAL DO RIO instituto moreira salles

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outubro 2013


Cinema IMS-RJ - Folheto Outubro/2013