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AGOSTO de 2010. Ano I. Número 1

Distribuição Gratuita - Venda Proibida

Arrocha jornal COMUNITÁRIO do curso de comunicação social-jornalismo da ufma, campus de imperatriz JOEDSON SILVA

imperatriz

e as águas


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Arrocha

EDITORIAL - Informação com contexto As águas de Imperatriz são um elemento peculiar de sua cultura, desde a imponência do rio Tocantins, que marca a sua origem até a força vital de seus córregos, que evocam relações afetivas. Não poderia haver tema mais abrangente para valorizar o primeiro número do jornal comunitário “Arrocha”, que tem a promoção da reflexão como propósito. Arrocha é uma expressão típica da região tocantina e também é um ritmo musical do Nordeste. Significa algo próximo ao popular desembucha. Mas lembra também “a rocha”, algo inabalável como o propósito ético desta publicação. O jornal produzido pelo curso de Comunicação Social-Jornalismo, da UFMA, nasce interdisciplinar e voltado para a comunidade. Orientados pelos professores das disciplinas de

Ano I. Número 1 iMPERATRIZ, AGOSTO de 2010

CHARGE

Laboratório de Jornalismo Impresso, Fotojornalismo e Programação Visual, os acadêmicos foram incentivados a se envolver em todas as etapas de produção de um periódico impresso, sempre adotando um tema central e desdobrando-o em várias abordagens. No caso do tema águas de Imperatriz, o leitor encontrará nesta edição reportagens a respeito do ciclo das chuvas, saneamento, a carência de tratamento de esgoto, uso doméstico e nos restaurantes, espaços culturais como a Beira-rio, a relação afetiva dos antigos e novos moradores com as águas que banham a cidade. Uma universidade pública têm o dever de produzir conhecimento dialogando com a comunidade. Por isso, o jornal “Arrocha” irá debater de forma plural as grandes questões da região tocantina.

CURIOSIDADE

Águas purificadoras Marizé Vieira Priscila Gama

De olho na tela, Dona Alice Pereira, 45, obedece à risca a ordem do líder espiritual. “Pegue seu copo de água e ponha em cima de sua TV que nós já vamos orar e todo o mal de sua vida irá sair”. Enquanto ela reza, de olhos fechados e semblante cansado, observamos a sua fé naquele ritual. Ao final da oração, Alice bebe o copo

de água e explica: “agora todo o mal foi purificado”. As igrejas protestantes do ramo neopentecostal lançaram a moda: a água pode atrair os maus fluidos e espantar os males de uma casa ou família, conforme afirma o apóstolo da Igreja Mundial do Poder de Deus, Valdemiro Santiago. A Bíblia diz que, desde o princípio do mundo, a água faz parte do universo religioso. É neste líquido que

CARLOS HENRIQUE

todas as coisas encontram sua origem e a possibilidade de serem renovadas. “A Terra era sem forma e vazia e o espírito de Deus pairava sobre a face das águas”, consta no Gênesis cap. 1, vers. 2. Muito mais que um símbolo, ela toma ares de sagrada, agente de purificação. Na igreja católica, está presente sob os mais variados significados. É o que explica Julieth Daiane Marques, membro da Comunidade Shalom. “A

água tem uma grande importância nos rituais católicos. Ela faz apelo ao simbolismo da morte e da purificação e também da regeneração e renovação”. Julieth lembra dois ritos comuns: o batismo e a água benta. “Jesus instituiu o batismo e determinou que a água seria usada como matéria desse sacramento”. Já a água benta, segundo os católicos, faz alcançar a remissão dos pecados. O missionário Elder Alves, da

Ensaio Fotográfico

Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmon), explica que a água assume o papel do vinho nas demais religiões cristãs. “O sacramento é o mesmo que chamam de santa ceia na igreja católica e protestante. Usamos o pão em lembrança da carne de Cristo e água recordando o sangue porque hoje é o que mais simboliza pureza”. Elder Alves pondera que o vinho não é recomendado por conter álcool e tem sido substituído pela água.

ALDA QUEIROZ

CARLOS HENRIQUE

CARLOS HENRIQUE

ANA PULGATTI

Expediente Jornal Arrocha. Ano I. Número 1. Agosto de 2010 Publicação laboratorial interdisciplinar do Curso de Comunicação Social/Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). As informações aqui contidas não representam a opinião da Universidade. Reitor - Prof. Dr. Natalino Salgado Filho | Diretor do Campus de Imperatriz - Prof. Dr. Jefferson Moreno | Coordenadora do Curso de Jornalismo - Prof. MSc. Roseane Arcanjo Pinheiro.

Professores: MSc. Alexandre Maciel (Jornalismo Impresso), MSc. Marco Antônio Gehlen (Fotojornalismo e Programação Visual), MSc. Marcus Túlio Lavarda (Fotojornalismo). Revisão: MSc. Marcos Fábio B. Matos e MSc. Letícia Cardoso. Reportagens: Adelaide Silva Rodrigues, Adjalbas de Lima Macedo, Alanna Ferreira Guimarães, Ângelo Antonio Verderosi, Anna Pulgatti, Diego Leonardo Silva Costa, Elicleia Claricia Dallo, Fernando Ralfer de Jesus, Gerusa Carla Pessoa, Gizelle de Jesus Macedo, Janaina Lopes Amorim, Jenifer Oliveira Pessoa, Joyce Theotonia Benigno, Juliana Neves Carvalho, Karine Carlos Rabelo, Larissa Fernanda Santana, Larissa Pereira

Santos, Leide Silva Oliveira, Lierbeth da Silva Sa, Luana Barros Alves, Luisa Maria Machado, Maria da Paz de Sousa, Maria José Costa Vieira, Maria Talita Nunes, Marilia Otero de Alencar, Mayane Lima Soares, Mayara Gabryelle Ferreira, Nayane Cristina Rorigues, Nicia de Oliveira Santos, Priscila Aranha Gama, Rafael Moraes da Silva, Rodrigo Nascimento Reis, Rodrigo Souza Silva, Rozany Macedo Ribeiro, Thays Silva Assunção, Victor Aurélio Batista Pires, Vinicius Mendes Lima, Wabner Gonçalves Figueiredo, William Castro Morais. Diagramação: Alanna Ferreira Guimarães, Ângelo Antonio Verderosi, Claudyo Jackson D. Simão, Diego Leonardo Silva Costa, Diulia

Sousa Silva, Elicléia Clarícia Dallo, Fernando Ralfer de Jesus Oliveira, Gizelle de Jesus Macedo, Janaína Lopes de Amorim, Jenifer Oliveira Pessoa, Joyce Theotônia B. Magalhães, Juliana Neves Carvalho Costa, Karine Carlos R. Duarte, Larissa Fernanda S. Rolim, Larissa Pereira Santos, Leide Silva Oliveira, Luana Barros A. dos Santos, Luisa Maria Machado Cirqueira, Maria Jose Costa Vieira, Maria Talita Nunes Bessa Câmara, Marilia Otero de Alencar, Narcísio Ferreira Cruz, Nayane Cristina Rodrigues de Brito, Nícia de Oliveira Santos Nazário, Pricila Aranha Gama, Rapahel Brito Giannotti, Rodrigo Nascimento Reis, Thays Silva Assunção, Victor Aurélio B. P. de Sousa, Wabner Gonçalves Figueiredo.

Fotografias: Adjalbas de Lima Macedo, Alda Hosana Lima de Queiroz, Ana Cristina Pulgatti, Carlos Henrique Oliveira Brandão, Domingos Izaías Cezar Ribeiro Júnior, Jefferson Rodrigues Borges, Jordana Fonseca Barros, Lúcia Maria Pacheco, Luzia de Sousa, Marcela Barros de Oliveira, Maria da Paz de Sousa Chaves, Pollyanna Vieira Carneiro, Rafael Moraes da Silva, Ricardo Cavalcante Morais, Rodrigo Souza Silva, Rozany Macedo Ribeiro, Sara Cristina da Silva Ribeiro. Contatos: www.imperatriznoticias.com.br | Fone: (99) 3221-7627 Email: contato@imperatriznoticias.com.br


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clima alterado Metereologia confirma que, desde junho de 2009, a cidade está sob influência do fenômeno El Niño, deixando as chuvas abaixo da média histórica

Ciclo de chuvas caracteriza Imperatriz MARCO A. GEHLEN

MARCO A. GEHLEN

Apesar das mudanças climáticas, ruas do Bacuri e outros bairros ficaram alagadas após chuvas do início de 2010 ALANNA GUIMARÃES FERNANDO RALFER KARINE DUARTE

Francisca Lima, uma senhora de 52 anos, arrumou seu colchão e o de seus netos em um piso sujo e velho com água por todo lado. Ela fazia parte das 60 famílias alojadas no Parque de Exposição da cidade de Imperatriz depois de uma enchente no ano de 2009 e lutava para não perder todos os seus bens. Por mais que ela estivesse preparada, não sabia ao certo se a sua casa alagaria novamente. A única coisa que poderia afirmar é que a cidade constantemente vira um caos devi-

do ao ciclo de chuvas, o que gera temor nos ribeirinhos e agricultores. Em Imperatriz, há duas estações definidas: com mais ou menos chuvas, que se repetem todos os anos. A meteorologista Aylci Nazaré Barros, responsável pelo 2º Distrito de Meteorologia que abrange o Pará, Amapá e Maranhão, explica que o período chuvoso da cidade começa a se manifestar a partir de novembro e vai até abril. Em março, a duração de uma chuva pode chegar a 10 horas. De maio a outubro é o período que menos chove. A temperatura média no

Sem drenagem adequada, as vias públicas se tornam ameaça para os moradores e, principalmente, para seus veículos

município oscila entre 20° e 38º, com picos de mais de 40° em dias mais quentes, segundo a meteorologista. As sensações térmicas chegam a 36º no verão e 47º no inverno, embora popularmente os nomes sejam invertidos. A média pluviométrica do município é de 1,4 mil milímetros anuais. “No ano passado choveu acima da média porque Imperatriz estava sob a influência do fenômeno de grande escala La Niña, que, ao contrário do El Niño, provoca chuvas intensas para a região norte e seca para a sul”, explica Aylci Barros. Ela acrescenta que desde de junho de

2009 a cidade está sob a influência do El Niño e, por esse motivo, as chuvas em Imperatriz estão abaixo da medida climatológica. Ou seja, em novembro, dezembro e janeiro choveu abaixo do previsto. “Não há previsão de enchente para Imperatriz no ano de 2010”. A preparação para o manejo do gado inicia no mês de maio, quando as chuvas dão trégua. O pecuarista Pedro Ferreira Filho disse que é nesse período que se põe o pasto para descansar, assim guardando o capim para a época de seca. “O motivo dessa preocupação antecipada se dá pelo fato do ciclo

ser certo, apenas mudando a quantidade de chuvas. Um ano chove mais, outro menos. Quando começa o mês de novembro, eu compro gado, pois sei que o pasto aguenta. E quando começa maio, eu vendo”. José Barros perdeu toda a plantação de arroz no ano de 2009 e ainda ficou com dívida no banco por causa do grande volume de chuvas. Agora está animado para a colheita deste ano. “Está chovendo o necessário, sem alagamentos, nem desperdícios para a minha plantação. Espero que continue assim, quero ter um retorno positivo para a minha safra”.

Por que a drenagem de ruas é tão importante para a cidade? RAFAEL MORAES

RAFAEL MORAES WILLIAM CASTRO

Ruas alagadas, lixos nos córregos e riachos de Imperatriz, casas invadidas pelas águas. Esta é a realidade que muitas famílias enfrentam quando inicia o período de chuvas na cidade. Para escoar a água e evitar esses transtornos, a Secretaria de Infraestrutura do Município (Sinfra) realiza a manutenção da rede de drenagem, além de construir novos trechos, para tentar amenizar um problema antigo no município. À medida que caem as chuvas, os canais ficam cheios, e nas ruas onde não há esse serviço de drenagem, o risco de alagamento é muito grande. Existem dois tipos de drenagem: a superficial e a profunda. A primeira é aquela que leva a água das ruas para a rede subterrânea, através de meio fios e sarjetas. A profunda é a rede subterrânea construída com tubos de concreto e serve para levar a água das chuvas para o rio Tocantins. A prefeitura é responsável pela rede de drenagem. Segundo o encarregado de obras da Sinfra, Joselito Gomes, esse fator é uma das pedras fundamentais de pavimentação das ruas. Ele afirma que, além de ter um custo alto, a

Além de custarem muito, obras de drenagem são menos visíveis e por isso pouco priorizadas pelas administrações públicas em geral

drenagem profunda é um conjunto de obras que não é visto, o que desmotiva políticos a se empenhar em realizar esse tipo de serviço.

“Os políticos não fazem drenagem porque ninguém vê e porque é caro. Se você fizer 50 metros de asfalto todo mundo vai ver, mas

se fizer 50 metros de drenagem, daqui a um mês ninguém lembra ou sabe quem fez”, avalia o gestor. Devido ao crescimento da cidade,

e por ser antiga a rede de drenagem, os canais subterrâneos não estão mais suportando o volume de água, principalmente das chuvas. O resultado são os inevitáveis alagamentos nos bairros. Problema comum é o entupimento do sistema. A manutenção da rede é feita por uma equipe específica, que retira os entulhos das tubulações. Plástico, papel, pedras, cadeiras, troncos de madeira e ventiladores já foram encontrados na rede de drenagem. O engenheiro civil Fernando Falquetto, também da Sinfra, lembra que os moradores não armazenam o lixo adequadamente e o resultado é inevitável: a chuva carrega todo o lixo para a rede, causando problemas ao sistema. Os moradores, como Regina Célia, da rua Santa Tereza, Nova Imperatriz, garantem que a drenagem é um serviço de muita importância para evitar os transtornos causados pelo período de chuvas. “Esse trabalho é muito bom, porque a água da chuva não vai alagar as ruas e a gente vai ter uma segurança maior quando chover”. A prefeitura dispõe de uma ouvidoria para reclamações ou sugestões e a população também pode solicitar a limpeza da rede de drenagem.


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DESCASO Apenas 30% dos imóveis de Imperatriz possuem rede de esgoto, sendo que o restante das casas tem dejetos lançados nos riachos e no rio Tocantins LUZIA SOUZA

Esgoto é jogado em rio e córregos sem tratamento cézar júnior Janaína Amorim Wabner Figueiredo

“O esgoto não chega à estação de tratamento. A gente paga, mas ele é jogado in natura no rio”. O desabafo é do biólogo e diretor de centro da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) em Imperatriz, Expedito Barroso. Apenas 30% dos imóveis da cidade possuem rede de esgoto, segundo o professor. O restante dos imóveis lançam na drenagem pluvial - as chamadas “bocas de lobo” - ou diretamente nos riachos. “É um processo de contaminação a céu aberto”. Barroso acredita que a contaminação do rio pelo esgoto afeta diretamente a biodiversidade. “A água fica eutrofizada (rica em nutrientes) e favorece a proliferação de organismos que consomem muito oxigênio”. Com o aumento do número de seres vivos no rio, a quantidade de oxigênio se torna insuficiente para mantê-los. Em consequência, sobrevivem somente os mais resistentes que, em geral, são organismos causadores de doenças. Para a médica Ana Lígia Barros, a falta de esgoto tratado facilita a transmissão de doenças, que provocam cerca de 30 mil mortes diariamente no mundo. A maioria delas acontece entre crianças,

Sanitário a céu aberto indica flagrante de dejetos sendo despejados em córrego da cidade

principalmente as mais carentes. “O acesso à água limpa e ao esgoto tratado reduziria em pelo menos um quinto a mortalidade infantil. A situação é muito grave”. O contato com a água contaminada pode causar diarréia infecciosa, cólera, leptospirose, hepatite A e esquistossomose, conhecida como doença do caramujo. Crianças brincam às margens do riacho poluído, cercadas de mau cheiro e pela falta de saneamento básico. É assim que vivem os moradores do bairro Beira Rio. O filho de 11 meses da moradora Leidiane Alves já sofre com doenças de pele. “Aqui é ruim para

gente viver. Vive mesmo porque não tem para onde ir, é triste”. O sistema de tratamento de esgoto de Imperatriz foi inaugurado em 1999. É composto por cinco estações elevatórias que bombeiam os dejetos para as três lagoas de estabilização: uma anaeróbia e duas facultativas. O chefe da Divisão de Operação da Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) de Imperatriz, Waltercílio Goiabeira Júnior, confirma que, em media, 30% dos imóveis da cidade possuem rede de esgoto e, antes de ser lançado no rio, passa por um tratamento natural. Desta forma, não oferece

Riachos são depósito de poluição e lixo RODRIGO SOUZA SILVA

Adjalbas Macedo Rodrigo Souza

Estudos efetivados sobre os riachos que drenam a cidade como o Capivara, Santa Teresa, Do Meio, Cacau e Bacuri demonstram a presença de substâncias químicas com teores elevados, em relação aos padrões normais. São sólidos orgânicos e elementos fosforados e clorados provenientes de agrotóxicos utilizados no cultivo de hortaliças e frutas, o que pode causar câncer após a ingestão humana. Por outro lado, constata-se a baixa capacidade de oxigenação nas águas e a proliferação de fungos, bactérias e vírus nocivos à saúde humana. Outro fator marcante é a descaracterização das margens dos riachos, pela supressão de matas ciliares, para construção de residências. A subsecretária de Planejamento Urbano e Meio Ambiente de Imperatriz (Sepluma), Rubiny Brigido, alerta que a poluição destes recursos hídricos é preocupante, levando-se em conta as suas relações com a comunidade. Principalmente quanto ao riacho Cacau, utilizado pela população como espaço de lazer, nos finais de semana. Rubiny diz, no entanto, que a população tem o hábito de jogar todo tipo de lixo nos rios e riachos, desde colchões até animais mortos. “A secretaria é ciente da poluição destas águas. Já executamos junto à comunidade, com a participação de organizações

Contaminação das águas pelo esgoto afeta diretamente a biodiversidade e os moradores

danos ao meio ambiente. Goiabeira esclarece que as obras de construção de redes de esgoto têm um custo muito alto. “É aí que está o grande ponto de interrogação. São obras caríssimas, geralmente feitas pelo Governo Federal em parceria com o

Uso doméstico da água exige mudança de hábitos Jenifer Pessoa Victor Aurélio

Pesquisas indicam baixa capacidade de oxigenação das águas e proliferação de fungos e vírus

empresariais locais, ações de conscientização quanto aos problemas ambientais, como a despoluição das águas, replantio de árvores e aquecimento global”. No rio Tocantins, devido ao grande volume da água e sua velocidade de escoamento, pouco se percebe visualmente em termos de poluição, mesmo recebendo águas servidas de diversas cidades ao longo de seu percurso. Mas estudos realizados constatam elevados teores de sólidos orgânicos, em determinados trechos, e a presença de resíduos químicos da agricultura.

A prefeitura, segundo a subsecretária Rubiny Brigido, tem buscado na atual gestão sensibilizar a população para os problemas ambientais que afligem a comunidade. “Exceção ao rio Tocantins, a poluição de nossas águas é fato. Não nos permite mais aprecia-las e muito menos banhos, como era comum há 20 ou 30 anos”. Ela alerta que tanto a população quanto o poder público devem cuidar para não deixar o riacho do Cacau se tornar um Santa Teresa, Capivara ou Bacuri, “hoje canais de esgoto a céu aberto”.

estadual”. Ele destaca que a aprovação de projetos nas instituições públicas é “muito burocrática” e citou a existência, desde 2004, de um planejamento que contempla toda a cidade com saneamento básico. Porém, faltam recursos para a concretização.

O consumo per capita no Brasil dobrou nos últimos 20 anos, enquanto a disponibilidade de água ficou três vezes menor, segundo dados da revista “DBO Leilões”. No âmbito doméstico, a economia depende de uma mudança de costumes em relação a todos os trabalhos cotidianos e diários. Para a dona de casa Raimunda Edileusa Conceição dos Santos, 37 anos, a água é vida, e sem ela não somos nada. Ela já fez uso da técnica de reaproveitamento. Colocou uma bacia no quintal, armazenou água da chuva e usou-a em diversas tarefas diárias, como lavar louça e regar plantas. Raimunda lamenta que a consciência da maioria das pessoas só venha por meio da pressão, como, por exemplo, o racionamento realizado pela Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema). “Se as pessoas não se conscientizarem, a água no futuro será racionada, inclusive pelos poderes públicos. Vai faltar em casa, teremos até mesmo que comprar para beber”. Quanto ao armazenamento é importante que se tenha cuida-

do no que diz respeito a um local apropriado, atentar para higiene do recipiente e mantê-lo sempre limpo. Para recolher a água é preferível derramá-la sobre o recipiente de coleta . O biólogo Marcos Lopes Carlos lembra que as ações do próprio ser humano têm sido responsáveis pela situação catastrófica atual da natureza e clima. “Precisamos agir e o quanto antes”. Em casa, por exemplo, o especialista recomenda não utilizar a água potável para lavar calçadas. “Uma alternativa poderia ser o reaproveitamento da água utilizada em outras atividades como o banho, que deve demorar apenas o tempo suficiente”. De acordo com o sub-gerente da Caema de João Lisboa, Antonio da Silva Carneiro, todos os moradores devem zelar pelo uso sustentável da água. Por mais que muitos não reflitam, essa atitude inicia desde a água utilizada no simples ato de lavar as mãos até o carro. “Estes prejuízos podem não surgir nos próximos dias. Porém, com o passar do tempo, ficarão bem nítidas todas as consequências obtidas pela atual falta de consideração em relação ao uso demasiado e inapropriado de água nos dias de hoje”.


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ENTREVISTA professor JORGE DINIZ DE OLIVEIRA

Riachos de Imperatriz podem desaparecer Há oito anos o professor Jorge Diniz de Oliveira desenvolve pesquisas voltadas à química ambiental. Já analisou parâmetros físico-químicos das nascentes do riacho Cacau e desenvolveu trabalhos nos riachos Capi-

vara e Bacuri. Atualmente, acompanha o processo de tratamento da água que a Caema fornece para a cidade de Imperatriz. Formado em química industrial pela Universidade Federal do Mara-

nhão (UFMA), licenciou-se na mesma área pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). O mestrado foi em química inorgânica pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e o doutorado em química pela Universidade

Estadual Paulista (Unesp), Instituto de Química de Araraquara. Jorge Diniz também foi assessor de projetos na Secretaria de Meio Ambiente durante a gestão do ex-prefeito Jomar Fernandes (2000-2004). Em entrevista CÉZAR JÚNIOR

Joyce Magalhães Leide Oliveira Nayane Brito

Imperatriz está muito quente, o que está causando isso? O desmatamento é o principal motivo, porque quando você desmata tira a proteção da terra. Geralmente os raios solares incidem diretamente na terra e, ao bater, uma parte é absorvida e a outra refletida. Sem as copas das árvores a insolação vem direto ao solo e ele fica mais quente. Nós também temos assoreado muito os nossos rios, as margens são desmatadas e, consequentemente, toda areia vai para o fundo, principalmente nos afluentes que cortam a cidade, como o Bacuri, o Capivara e o Cacau. Diminui a quantidade de água que evapora e a umidade não é a mesma. Com relação ao nível das águas, o que mudou desde a enchente que houve na década de 1980? Eu vou falar a visão que eu tenho. O índice pluviométrico diminuiu e a quantidade de água que cai em Imperatriz, com certeza, não é mais a mesma. E nós estamos vendo períodos chuvosos atípicos com uma quantidade menor. Outra, o rio pode estar tendo uma vazão maior, devido ao assoreamento, e tem a questão das barragens que devem ter diminuído um pouco esse fluxo e fazem esse controle das enchentes. Então são fatores antropogênicos [derivados das atividades humanas] e naturais, que podem estar levando a isso. Mas, de um modo geral, a interferência do homem está sendo maior. A água que chega às residências dos imperatrizenses é de boa qualidade? Nós temos feito trabalhos, eu, o professor Marcelo Francisco e o professor Fábio França, acompanhando a água que a Caema fornece à população. Até agora, temos registrado que são águas de boa qualidade, próprias para ingestão. Ou seja, dentro dos parâmetros do Ministério de Saúde e da Vigilância Sanitária. Como é feita a medição da qualidade da água? É feita uma medida na entrada da Caema quando a água é tratada e outra na água que sai para a comunidade. Nós estamos escolhendo bairros aleatórios e fazendo a coleta. Ou seja, temos uma visão da água do rio, que chega à Caema, após o seu tratamento e quando chega às comunidades. Ao longo do trajeto, a água pode ser contaminada? De um modo geral as pessoas, quando fazem os seus encanamentos em suas casas, colocam o cano da água junto com o de esgoto. Se o cano que usa água furar e o cano de esgoto também, com certeza, você vai ter uma contaminação. Mas é pertinente, realmente temos que saber o percurso. Se a água que você consome está ao lado de um cano de esgoto e tendo um vazamento em ambos, com certeza você vai ingerir uma água com um número maior de bactérias ou outra interferência.

concedida no laboratório de química do Centro de Estudos Superiores de Imperatriz (Cesi/ UEMA), o pesquisador aborda, entre outros temas, o tratamento de esgoto em Imperatriz e a poluição de suas águas.

peste do mogno, cólera, leishmaniose e varíola. A primeira chuva arrasta todos esses tipos de doenças, que você adquire pela ingestão da água ou através do contato. Durante suas pesquisas, ao fazer a coleta das águas, você consegue perceber qual é a relação dos moradores com o riacho, com o rio? Quanto mais distante do centro da cidade, maior a relação de carinho que eles têm. Quase não se vê o pessoal jogando resíduos ao longo do Capivara, Bacuri. Quanto mais próximo do centro, mais deseducados nós somos com o ambiente.

Às margens do riacho Bacuri, professor Jorge Diniz de Oliveira avalia os impactos causados pela ação humana e aponta soluções

Se a água é tratada, por que fica aquele pó na vela dos filtros comuns? Isso quer dizer que o filtro de onde a água está vindo não está conseguindo reter as menores partículas. Porque de um modo geral os filtros são feitos para reter granulações de partículas. Quando elas são menores, passam. Pode ser também da sua caixa, que você não limpou. Se você perguntar para as pessoas quantas vezes elas limpam as caixas delas, se deixam bem tampadas, você encontra pessoas que deixam uma abertura e o material particular que está em suspensão no ar vai cair dentro. É sempre bom usar o filtro, embora a Caema te ofereça uma água de boa qualidade.

“Se investiu uma gama de dinheiro para fazer uma estação que hoje não funciona, um desperdício do dinheiro público”. Em Imperatriz existe tratamento de esgoto? Efluentes líquidos e efluentes sólidos são termos que ultimamente vem se usando, mas se você quiser usar o termo esgoto não tem problema. Pelo que eu sei não existe nenhum tratamento. Se investiu uma gama de dinheiro para fazer uma estação que hoje não funciona, um desperdício do dinheiro público. O esgoto vai para os riachos Cacau, Capivara, Bacuri e tudo isso vai para o Tocantins. E claro, todos eles recebem de um modo geral todos os efluentes domésticos e hospitalares. Como fazer essa estação funcionar? Não sei até que ponto seria interessante recuperar todo aquele material ou partir para uma nova estação. Se fizer uma pesquisa vai ver que era o que tinha de mais moderno na época em que foi construída e está em desuso. Eu não estou falando só como químico ambientalista, mas como contribuinte.

O que pode ser feito para evitar que o esgoto não seja despejado no rio? Uma ampla campanha de pressão em cima da Caema e dos governantes, tanto estaduais como municipais para que se tenha uma estação de tratamento de esgoto. Se a gente não conseguir numa primeira etapa 100% de tratamento, pelo menos a gente consegue 50%, o que já ameniza. Como cidadãos, nós não podemos intervir, mas nós podemos gritar, ir para as ruas e fazer campanhas. Tem tantos políticos que dizem que amam Imperatriz, mas não amam na realidade. Porque se amassem iam querer manter uma Imperatriz saneada. Saneamento está na coleta do lixo, dos resíduos sólidos e líquidos, que são esses esgotos. Para a saúde bastam pequenos gestos: tratamento de água e de esgoto, coleta seletiva. Os riachos podem desaparecer? Com a velocidade da degradação sim, infelizmente é isso. Imperatriz cresce na direção das nascentes dos riachos. Os condomínios são criados sem nenhum estudo de impacto. Perto do parque das Palmeiras está se criando um condomínio que está aterrando algumas lagoas. O poder público só chega depois que a coisa já desenrolou. Quando compramos uma casa em determinado bairro ou condomínio, esquecemos de perguntar para onde vai o esgoto. Você consegue imaginar Imperatriz sem os riachos? Eu não consigo imaginar, eu tenho esperança de que todos eles sejam recuperados! São eles que alimentam o Tocantins. Imagine, daqui há 20 anos Imperatriz com todos os tratamentos de esgoto possíveis e o riacho Capivara e o Bacuri se revitalizando. Mesmo que não voltem a ser aqueles riachos, mas que pelo menos as águas não sejam contaminadas nem poluídas. Pelo menos dar prazer de colocarmos um banquinho, sentar e ficar olhando. Se der de pescar um peixe melhor ainda! (risos)

Se esses riachos desaparecerem, o que vai acontecer? Cidade mais quente, inundações, alagamentos. Há uma população que mora às margens dos riachos que muitas vezes sobrevive deles. A cidade perde o charme. Vejo outra questão: até hoje se utiliza esses riachos como despejo e os nossos esgotos vão pra onde? Temos que ter essa preocupação, mas não vamos perder a esperança. O que você acha das campanhas feitas em prol das águas? A gente só lembra da natureza na Semana das Águas, na Semana das Árvores e essas campanhas eram para ser feitas sistematicamente. Não existe mudança de cultura sem ação continuada. Ou seja, não adianta fazer só um dia. Porque nós vamos continuar jogando o papelzinho da bala de bombom pela janela do carro. A água na cidade é usada de forma adequada? A gente tem mania de varrer nossas calçadas e nossas casas com água ao invés de varrer e depois lavar. Passa-

“Quanto mais distante do centro da cidade, maior a relação de carinho das pessoas com os riachos”.

mos horas no chuveiro, escovamos os dentes e deixamos a torneira aberta. Então isso é um uso indiscriminado de água. Outra coisa interessante: a água que nós tomamos banho é a mesma que nós usamos para beber. Nos damos esse luxo, que é caro. Quais são as doenças que a água traz? São chamadas de doenças de vinculação hídrica. São elas: disenteria, amebíase, esquistossomose, febre amarela,

Existe algo que os moradores possam fazer para minimizar a poluição dos riachos? Sim. Se você não pode recompor uma mata ciliar, pode plantar alguma coisa que ajude a manter a terra fixa, para que ela não seja arrastada para o leito do rio. Você pode colocar os resíduos num saquinho e se o carro do lixo não passar, coloca lá na rua que passa. Se cada um de nós fizer uma parte, obriga o poder público a fazer a parte dele, que é tirar os esgotos. O que o governo pode fazer? Em termos de Imperatriz, um amplo saneamento desses resíduos líquidos, criar uma estação de tratamento compatível. Ou então tentar fazer com que pelo menos 80% ou 70% do esgoto da cidade seja tratado. Se a gente apenas tirar esses esgotos, o metabolismo do rio vai ficar o mesmo, a quantidade de dejetos já não seria a mesma, consequentemente ele iria se regenerar. Quais os impactos da hidrelétrica de Estreito no rio Tocantins? Em primeiro lugar vai diminuir o fluxo de água do Tocantins. Os lagos que vão se formar com essa hidrelétrica estão dentro do leito do rio. Ela é diferente das outras, que formam seus lagos fora do leito. A primeira coisa que as pessoas pensam é que vai deixar de ter enchente. Uma chuva maior, eles vão ter que abrir as comportas. Qualquer empreendimento que está ligado à natureza, sempre tem um impacto. Agora o que cabe a nós é a amenização desse impacto. As águas do rio Tocantins são barrentas devido aos sedimentos. Então imagine quando uma dessas turbinas estiver funcionando. Progresso e água combinam? Claro que combinam. Não existe nada no mundo que ocorra sem a água. É importante para tudo, higiene pessoal e motivo de recreação. Quem não gosta de tomar banho numa piscina, num rio? Eu tenho que adequar o progresso à qualidade de vida que quero, ou seja, proteção dos mananciais e dos rios. Crie suas fontes, seus condomínios, usem seus carros, mas respeitando sempre a natureza. Isso é que é importante.


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zona rural Agricultura é a atividade que mais consome água, segundo especialista, ocupando cerca de 70% da bacia hidrográfica brasileira

Má irrigação no campo afeta a produtividade Rodrigo Reis Thays Assunção

Cinco horas da manhã. Imperatriz ainda dorme. Mas na zona rural da cidade, localizada ao redor do aeroporto, o senhor Antonio Francisco já está preparado para mais um dia de trabalho. Com um chapéu de palha na cabeça, e abaixado junto aos canteiros, seu Francisco planta, aduba e molha as hortaliças do seu lote. Ele e outras famílias moram na área do Centro de Difusão Tecnológica (CDT), onde desenvolvem horticultura e preservam o local. Sem saber a quantidade que a planta realmente precisa para produzir, os pequenos agricultores ou jogam água em excesso ou em escassez. Na maioria dos casos, ocorre o desperdício durante o processo de irrigação. O desconhecimento sobre o uso da quantidade correta de água, principalmente no período chuvoso, traz perdas na produção para os mo-

Empresas do ramo confirmam pureza Larissa Santana Maria Chaves

De onde vem a água servida em lanchonetes e como certificar a sua qualidade? Em Imperatriz, na praça de Fátima, um X-tudo sempre vem acompanhado de suco ou refrigerante. “Nosso suco é natural, espremido e batido na hora. A água é o gelo que misturamos à fruta e esse gelo vem do Pivas. A água mineral que vendemos é Indaiá, o refrigerante é da Coca e River”, confirma Ozélias Júnior, funcionário de uma lanchonete. Segundo Juliana Bonfante, proprietária do Pivas, a água vem da Caema. “Temos uma cisterna. A bomba leva até uma caixa, e desta passa por um filtro, depois por uma máquina, aí vira gelo, e a Vigilância Sanitária fiscaliza. E assim nós distribuímos gelo pra toda a cidade”.Dois poços de 60 metros são as fontes da Indaiá. Desses poços, a água vai para um reservatório, em seguida para a área de produção e envasamento. A química Nildete Lima disse que a empresa distribui água para o Sul do Maranhão, o Tocantins e Pará. O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e a Vigilância Sanitária fiscalizam anualmente a qualidade do produto. A água do River é de poço, os testes de qualidade são feitos por uma química e fiscalizados pela Subcoordenadoria de Vigilância Sanitária (Suvisa). Ana Paula, assessora jurídica do órgão, afirma que as equipes são divididas para fiscalizar os empreendimentos da cidade, para saber se a qualidade da água consumida por eles é de baixo, médio ou alto risco.

radores do CDT. O horticultor Cledson Ferreira Silva afirma que nessa época a produtividade é prejudicada. “Hortaliça não gosta de chuva”. Para resolver o problema, pesquisadores da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) estão medindo a quantidade de água que cada cultura precisa para produzir bem. “No meio rural, a agricultura é a que mais consome água, 70% da bacia hidrográfica brasileira. Precisamos trabalhar com tecnologia para minimizar isso”, diz o professor doutor em solos, Wilson Araújo, idealizador do projeto “Manejo Racional da Água”, desenvolvido no CDT. A comunidade já está sendo beneficiada com as ações, conforme explica o bolsista Leonardo Barros. “Já ministramos palestras às famílias sobre a utilização de água, e nesta segunda fase vamos mostrar as medidas exatas em litros que eles devem irrigar as plantas”. A alface é a primeira cultura a ser pesquisada,

ADJALBAS MACEDO

Famílias que vivem da agricultura em Imperatriz têm recebido orientações a respeito das medidas exatas em litros para irrigar as plantações

devido a sua popularidade na região. “Outras serão pesquisadas futuramente”, complementa outro bolsista da pesquisa, Roberto Ramalho Morais. Na área do CDT a produção obtida é totalmente natural e vendida individualmente pelas famílias. Algumas comercializam para escolas e supermercados da cidade, outras vendem em feiras da cidade. A horti-

cultora Marinete de Jesus do Nascimento diz que o Mercadinho é o seu principal local de vendas: “quando eu planto verdura, eu vendo mais no Mercadinho, e por lá tiro o meu salário. Dá de viver”. Com quase um ano de pesquisa, as famílias ainda têm receio da aplicação dos resultados. “Esses projetos são muito bons, mas não dão certo porque o governo não investe

Restaurantes se preocupam com limpeza de alimentos Elicléia Dallo Juliana Carvalho

“Dona Cícera, me vê um copo d’água?” São dez horas da manhã, a temperatura é de cerca de 30 graus. O forte calor e o prato de panelada recém engolido pelo consumidor levam a um copo d’água gelada cedido pela paneleira da avenida Bernardo Sayão. Mas, quando se come fora de casa, qual a garantia da qualidade da água e dos alimentos ingeridos? Na barraca da panelada, a água oferecida aos clientes é armazenada em uma garrafa térmica que comporta 12 litros. Dona Cícera fabrica o gelo em casa utilizando água filtrada e completa o recipiente com a água da torneira da

pia, instalada por exigência da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente. Já do outro lado da rua, a estrutura não é a mesma, não há pias. Para lavar as louças são utilizados baldes. No Restaurante Popular de Imperatriz, os legumes e as verduras são deixados 15 minutos na água com cloro para higienização. Além de suco, a clientela tem à disposição um bebedouro. Os alimentos são cozidos com água fornecida pela Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema). Porém, a chefe de cozinha do local, Sônia Mota, não confia no tratamento de água da companhia. “Tem dia que ela chega na minha casa com um cheiro de Kiboa muito forte. Eu não confio, mas como

no pequeno agricultor”, desabafa Cledson Ferreira da Silva. De acordo com o bolsista Leonardo Barros, essa visão dos horticultores prejudica a pesquisa. “Pela falta de investimento do governo, os pequenos agricultores, como estes, ficam desacreditados em qualquer tipo de projeto que possa favorecê-los”.

MARCUS TÚLIO

“Quatro Bocas” adequou sua estrutura com pias e torneiras para lavar louças usadas pelos clientes

eu não posso comprar mineral...”. Já no restaurante japonês, um fato curioso é o consumo do peixe, que pode se contaminar por meio da água e transmitir doenças. A nutricionista explica que o salmão é importado, portanto vem com o certificado de qualidade; enquanto a pescada amarela é proveniente do Pará, de um fornecedor

confiável. O estudante de Direito Raffael Milhomem fala da água servida nos três lugares. “Na panelada creio que seja torneiral e nos outros dois ambientes, filtrada. Não pago pra ter água mineral, esse é um luxo não necessário”. O importante, consumidor, é ficar de olho no que se come e bebe, dentro e fora de casa.

Da torneira ao filtro, gastos podem chegar a R$ 1,4 mil Rozany Ribeiro Lierbeth Sá Mayara Ferreira

Enquanto no “Camelódromo” se mata a sede com um belo copo de água gelada, chamada “torneiral”, sem gastar um centavo a mais, quatro quarteirões depois, no entorno da praça da Cultura, uma garrafinha de água mineral chega a custar R$ 2,50. Deusa Oliveira Hamada, proprietária de um movimentado restaurante do centro velho diz que chega a vender, em média, 30 garrafas por noite. A água da torneira, ela garante, só é usada para lavar a louça e na limpeza geral. Já no preparo dos su-

cos se usa água filtrada, a mesma que também é utilizada na fabricação do gelo que acompanha os drinks. Todo este consumo não sai por menos de 3 mil reais na conta de água, mas a empresária assegura que o gasto não interfere no valor do prato. Para justificar a venda da água mineral, Dalva diz que nem chega a oferecê-la no copo para o cliente, pois já sabe que ele pode desconfiar da procedência. No “Camelódromo”, para quem vende comida, o líquido sai de graça. Isso porque o prefeito da administração anterior os isentou da taxa de água e esgoto. Dona de uma banca de comida no mesmo

local, Vanda Melo já tentou vender água mineral, mas não teve lucro. De lá pra cá, para acompanhar o prato feito, popular “PF”, ela só vende refrigerantes. “O povo não tem dinheiro para comprar água”.

Quem lucra? - Os exemplos citados justificam o crescimento do lucro de outros segmentos do comércio em Imperatriz. Uma das maiores empresas engarrafadoras da região se negou a revelar o quanto fatura. A julgar pela presença da marca na maioria dos bares e restaurantes, deduz-se que não é pouco. As lojas de purificador de água também bebem dessa fonte. É só

percorrer a avenida Dorgival Pinheiro para perceber. O mais caro pode custar até 1,4 mil reais. Mas um filtro de barro pode ser encontrado no Mercadinho por 20 reais. A desconfiança para com a água “torneiral” acaba ajudando os distribuidores de água mineral em galão. O primeiro galão de 20 litros comprado custa cerca de 20 reais. Depois o cliente pode até optar por receber em casa um fornecedor que troca o “vasilhame” vazio por outro cheio pelo preço de R$ 7. A busca por uma boa saúde ou por um imagem saudável é o motivo mais explorados por quem quer lucrar neste setor.


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Arrocha

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relação Em pesquisas, ribeirinhos dizem que se instalaram às margens dos córregos em Imperatriz sem saber que poderiam provocar eventuais danos futuros

Histórias de vidas à beira das águas Anna Pulgatti Luisa Maria Cirqueira Maria Talita Bessa

No entorno das águas de Imperatriz centenas de pessoas construíram suas casas, histórias de vida e laços de amor. A cidade, conhecida como a “Princesa do Tocantins”, por ser proveniente do rio de mesmo nome, é rica em águas e banhada por diversos riachos e córregos que durante muitos anos foram o berço, a vida e a esperança dos ribeirinhos. Como Maria do Amparo, 59 anos, que mora às margens do Bacuri. “Eu banhei nesse riacho, vi crianças brincando nele e muitos homens pescar. Dava gosto em ver”. Emocionada, a moradora Odete Barbosa Lima, 79 anos, ri-

beirinha há mais de 40 anos, relata que o riacho Bacuri, na década de 1980, possuía uma largura de no máximo um metro e os moradores podiam atravessá-lo com apenas uma passada. “Ele não representava perigo para a população local. Morar perto do Bacuri era agradável, a gente não tinha medo dele provocar doença, porque era limpo, até da sua água o povo bebia”. Geógrafa e pesquisadora, Alessandra Ferreira estuda os riachos e córregos de Imperatriz. Em suas pesquisas os ribeirinhos afirmam que se instalaram ao longo desses riachos sem saber que com isso trariam danos futuros a essas águas. Alessandra conta ainda, que antes do desordenado crescimento

habitacional que a cidade sofreu, a vegetação predominante era de floresta amazônica. Havia muita diversidade de animais, principalmente as capivaras e por isso o riacho recebeu o nome do animal. A geógrafa conclui que o percurso das águas era “mais uniforme e até os leitos eram mais virgens e transparentes”. Mesmo diante da situação atual dos riachos e córregos de Imperatriz, as pessoas que moram às suas margens ainda sonham com a revitalização e a volta daquelas águas que tanto proporcionaram alegria e subsistência. Dona Odete diz que não vai perder a esperança. “Não pretendo sair daqui, porque tenho fé que um dia ele ainda há de ser como era”.

MARCELA BARROS

Moradores não temiam beber da água dos córregos, onde crianças brincavam e homens pescavam

Rio Tocantins é fonte de trabalho e sustento para os pescadores pollyanna carneiro

Ângelo Verderosi Diêgo Leonardo

Pescadora Cecília Rodrigues, que aprendeu a profissão com o pai, retira do rio Tocantins, ao lado da filha, renda de até R$ 300/mês para a família

Recepcionados ao som do bemte-vi, em um primeiro momento a mulher e sua família nos recebem com uma expressão de espanto e desconfiança. Mas em pouco tempo a cordialidade toma conta do lugar. Cecília de Sousa Rodrigues, 43 anos, é uma cabocla de cabelos lisos com leves fios brancos que, na verdade, parecem teimar em estar ali. É exatamente a personagem que procurávamos. No seu rosto vemos as marcas deixadas pelo sol, devido a anos de exposição sem nenhuma proteção. Pedro, seu marido, com um cigarrinho de palha na boca, parece não acreditar que estamos ali querendo saber sobre a história de vida de sua esposa. Dona Cecília nasceu às margens do “imperador”, o rio Tocantins, no estado de mesmo nome, povoado Boca da Barra, onde reside até hoje. A sua casinha de taipa, feita da aglutinação de barro em um traçado de madeira, coberta de palha, tem em sua volta mangueiras e cajueiros que, além de frutos, dão a sombra necessária. Há cerca de quatro anos a energia chegou ao local e Cecília comprou seus primeiros eletrodomésticos: fogão, geladeira, televisão, ventilador. A TV é o seu xodó e ela não perde uma novela.

Botos e lua - Casada, mãe de dois filhos, João Pedro, 9 anos e Juliana, 2, ela é pescadora desde a infância. Costumava acompanhar o pai, também pescador e aprendeu a profissão com ele. “Antigamente o rio era mais limpo. Hoje meus próprios vizinhos jogam lixo, então fica difícil preservar”. A pesca representa o sustento da família e a renda oscila entre 200 a 300 reais por mês. O boto e a rede de arrasto são os principais concorrentes, sendo que esta última, apesar de ser proibida, é muito utilizada pelos pescadores e gera diminuição do pescado. Já o boto, além da lenda de virar rapaz e seduzir as mulheres na beira do rio é uma ameaça real. “Ele come muito. Além disso, ainda fura toda a rede. Por isso, o peixe tá tão difícil”. Somente no período da piracema, época da desova dos peixes na qual a pesca fica proibida é que a família ganha um pouco mais, pois recebe o seguro-desemprego, no valor de um salário mínimo. A lua na fase quarto crescente é o estágio ideal para pesca no imaginário dos pescadores. Entre os peixes mais capturados estão o mampará, o voador, a branquinha e o curimatá. Em relação ao futuro, Cecília deseja algo melhor para os seus filhos. Espera que João Pedro e Juliana estudem e assim consigam vencer na vida. Uma mulher, um rio, um ofício.

Abandono dos córregos desperta consciência dos moradores Adelaide Rodrigues Larissa Santos

A proximidade dos moradores com as águas, em Imperatriz, gera profunda relação de ódio e amor. Eles sofrem anualmente com as enchentes sendo obrigados a saírem de suas casas, perdendo bens materiais. Mesmo assim, quando perguntada sobre o sentimento pelo local onde moram, algumas respostas são positivas. “Nós somos muito felizes aqui”, declara Maria Amélia. Cícero de Souza, outro morador da Beira Rio, é pescador: “o rio faz parte de mim”.

Muitos moradores residentes próximo do riacho Bacuri, o mais conhecido da cidade, relatam que hoje ele representa tristeza, perigo, mau cheiro. Ao mesmo tempo, nutrem a esperança de um dia ele voltar a ser limpo como antes. A situação dos riachos e do rio Tocantins é precária e alarmante. A falta de mata ciliar nas margens de seus cursos provoca a perda dos nutrientes da água, diminuindo sua qualidade, além de causar erosões. A grande quantidade de sedimentos dificulta o tratamento e o abastecimento das águas da cidade. A ausência de vegetação nas encostas dos córregos

e do rio faz com que o solo não absorva as águas das chuvas, causando enchentes. Essa realidade já vem preocupando o poder público. Medidas governamentais estão em andamento na busca de revitalizar o riacho Bacuri e contribuir na preservação do rio Tocantins, já que ele é o destino dos riachos. De acordo com a assessora técnica em planejamento do Centro de Referência do Projeto de Aceleração do Crescimento (PAC) Andessandria Elizeu, o projeto tem várias ramificações e dentre elas está a revitalização do riacho Bacuri desde a BR-010 até a sua

foz no rio Tocantins. A ação atingirá diretamente 400 famílias com casas a 15 metros de suas margens e estas serão remanejadas para o Recanto Universitário. O espaço, localizado no bairro Bom Jesus, próximo ao novo campus em construção da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), está com 45% de suas obras concluídas. Os demais moradores que permanecerem no local serão acompanhados de maneira efetiva para não voltarem a poluir o rio e os riachos. Em 2007, ano de implantação do PAC, houve uma grande resistência dos moradores quanto

à localização das novas casas. O problema ainda existe, mas essa situação vem mudando. A assessora do PAC, Sara Leal, relata que o processo de cadastramento das famílias era marcado por rejeição. “Muitas pessoas não queriam conhecer o local das novas casas. As poucas que foram são as que aceitaram”. Hoje essa situação é diferente, pois as pessoas já buscam o Centro de Referência para conhecer o projeto. Um dos principais incentivos é o auxilio da mídia, que tem divulgado os detalhes do empreendimento, demonstrando de forma efetiva a sua existência.


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ANA PULGATTI

Beira-rio é palco de história e diversão Luana Barros Nícia de Oliveira

O quiosque que fica entre as famosas peixarias e a área de lazer da avenida Beira-rio, exatamente na entrada que dá acesso ao chamado Cais do Porto, é administrado por Raimunda Santana, de 38 anos. Além de trabalhar na Beira-rio ela também mora no setor, sabe bem como é o cotidiano no ponto mais conhecido da cidade. Muito visitado por turistas de todo o país, segundo confirma a comerciante, não há em Imperatriz melhor lugar para passar a noite. “Eu amo a Beira-rio. Apesar da falta de segurança e organização, eu e o povo da cidade temos uma ligação com esse lugar”. Atualmente o Ministério do Turismo liberou R$ 3,5 milhões para a revitalização da avenida conforme, consta na Nota de Empenho encaminhada à prefeitura. De acordo com alguns historiadores e moradores, em 16 de julho de 1852 os indígenas que moravam

às margens do rio Tocantins perceberam, assustados, a chegada de um navio. Esse é o cenário da história da cidade desenvolvida à beira das águas, que emprega, diverte e guarda a cultura local. Além de oferecer aos interessados uma inigualável imagem do pôr-do-sol ao degustar uma caldeirada de peixe na avenida projetada às suas margens.

Mudanças - Construída no segundo semestre de 1994, no período em que José de Ribamar Fiquene assumiu o governo do Estado, a avenida Beirario é palco de muita diversão, bebedeiras, trabalho e exercícios físicos. O objetivo da construção dessa via no lugar onde se localizava apenas o Cais do rio Tocantins, peixarias e o Mercado Municipal do Peixe era transformá-lo em um espaço público que valorizasse a margem do rio, palco do surgimento da cidade. A estrutura atual foi construída no primeiro governo de Roseana Sarney, quando seu projeto foi modificado. Durante todos esses anos a Beira-rio já acomodou circos, trios

elétricos, shows e festivais musicais, bem como desfiles de blocos e escolas de samba. Hoje, há uma infinidade de barracas que vendem comidas e bebidas, camelôs, bares, quiosques e as famosas peixarias. Nas primeiras horas do dia é possível ver inúmeros trabalhadores ganhando seu sustento acordando cedo e indo às margens do rio Tocantins pescar o peixe de cada dia. E quando esses trabalhadores estão voltando para vender o que pescaram encontram pessoas cuidando do bem-estar físico. São os adeptos da caminhada que fazem seus exercícios apreciando as belezas das lagoas e do rio. Existem pessoas que recordam como era o lugar e defendem a idéia de que o ponto turístico era mais bonito antes de sua construção, como conta Ezequiel Campelo, 46 anos e morador das imediações desde quando era apenas um menino de 6 anos. “Aqui era o lugar mais lindo, quando era só o Cais. Era mais popular e não tinha malandragem”.

Rio Tocantins nos versos de seus poetas Gizelle Macedo Marília Otero

Muitos artistas já demonstraram o seu amor pela cidade. E como toda Imperatriz tem seu imperador, também ele - o rio Tocantins - já inspirou lindas canções, poesias e obras emocionantes dos filhos dessa terra. Entre eles está o escritor, poeta e músico José Bonifácio Cézar Ribeiro, o Zeca Tocantins. Ele nasceu em Xambioá (TO) em 1958, mas possui coração imperatrizense, pois reside na cidade desde 1963. “Você não nasce só uma vez, eu nasci aqui artisticamente”. A sua relação com as águas não é recente. Zeca relembra com emoção do seu pai. “Ele era pescador, minha vida toda foi em uma canoinha pra cima e para baixo no Tocantins. O rio é meu terreno”. Na última estrofe da poesia “Meu Rio”, de autoria do compositor,

ele declara o seu amor e admiração: “Você conhece meu rio?/ Ah, por certo não conhece/ Nem sabe o que vibra em mim/ Ao olhar o Tocantins”. O artista tem cerca de dez músicas também relacionadas ao tema. Entre elas está “Cais” na qual Zeca traça

“Como toda imperatriz tem seu imperador, o rio Tocantins já inspirou obras emocionantes” alguns lugares, cidades e serras que estão às margens do rio. Mas para ele a canção que melhor define essa relação é ‘Imperador Tocantins’, de Carlinhos Veloz. A letra descreve os detalhes daquelas águas, as espécies de peixes que elas abrigam, os riachos, as canções nele inspiradas e as brincadeiras das crianças: “Do lado daquela cidade / Existe um rio

de eternidade / Amores e barcaças / E barrancas e capins / Tucunaré piau e um matagal que é sem igual / Riacho do cacau a desaguar no Tocantins” O ambientalista e escritor Domingos Cezar, que preside a Fundação Rio Tocantins - Memorial do Pescador idealizou a obra “Alerta Rio Tocantins”. Já no início do livro, chama a atenção do leitor para a história que irá contar: “Espero que seja um sonho/ que não se concretizará/, mas se continuar desse jeito/ só resta enfim lamentar”. Segundo Cézar, a pesca predatória tem sido um fator que contribui para destruição dos peixes que habitam o rio Tocantins. Uma pequena estrofe do seu livro resume esse pensamento: “De tanto fazer barragens / o Tocantins foi cortado / Ele era bicho feroz / virou um bicho domado. / Nossos cardumes de peixes / penaram um bom bocado / sem forças para subir a rampa pro outro lado”.

Águas: lazer e perigo em Imperatriz MARCO A. GEHLEN

Clubes em Imperatriz proporcionam serviços que vão de esportes a passeios a cavalo Gerusa Alves Mayane Lima

Usufruir a água como diversão, além de refrescante, auxilia o corpo a se exercitar com menos impacto. Por isso, não basta apenas pensar no lazer, mas também saber aproveitá-lo de forma plena, levando em conta os atrativos que cada ambiente oferece. Alguns clubes em Imperatriz proporcionam serviços que vão desde esportes aquáticos, hidroginástica, banho em piscinas naturais até pesca, acomodações em chalés e passeios a cavalo. As condições das águas utilizadas nesses lugares precisam ser garantidas por tratamento adequado e acompanhamento por especialistas, como bioquímicos. Bactérias e fungos geralmente aparecem quando falta cloro na água. Por isso o uso deste e outros produtos é indispensável. As doenças causadas pela água da piscina podem ser evitadas com o tratamento correto da água e com atitudes simples como: secar bem o corpo (principalmente pés e virilhas); manter a higiene pessoal bem feita e evitar que as infecções piorem e se alastrem por outras partes do corpo. Para quem não gosta de clu-

bes, há a possibilidade de desfrutar, no período de veraneio, das praias do rio Tocantins. Nessa época elas se tornam um dos locais mais frequentados. A predileta dos imperatrizenses é a praia do Cacau, uma das mais antigas, por apresentar maior área, atrações musicais, torneios de beach soccer, barracas mais estruturadas, segurança e apoio. “A parceria entre a prefeitura de Imperatriz, Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros só veio para garantir uma maior segurança do banhista imperatrizense”, afirma o sargento Valdernildo Soares Gomes, do 3º Grupamento de Bombeiros.

Cuidados - No início desse ano a história de Ronald Haddad Negreiro despertou a atenção de Imperatriz e teve repercussão nacional. Em uma brincadeira combinada com amigos, ele desapareceu nas águas do Tocantins, após ter pulado da, “duplamente inaugurada” e por fim “batizada”, ponte Dom Afonso Felipe Gregory. Relatos relevantes para mostrar as duas faces do lazer nas águas do rio Tocantins. Um misto de alegria proporcionado pelos momentos de entretenimento que não deve afastar os cuidados necessários para se divertir. Pois, como dizem os antigos, “água não tem cabelo”.

Jornal Arrocha 01 - Águas  

Jornal Comunitário laboratorial do curso de Jornalismo da UFMA de Imperatriz (MA).

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