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PEDRO DA SERRA BARRA ALEGRE - S. ALTA - DR. ELIAS LUMIAR - VARGEM

Parceria entre o Ponto de Cultura Rural e a Licenciatura em Educação do Campo/UFRRJ promove integração entre jovens de Nova Friburgo, Bom Jardim e Trajano de Moraes

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Lançamento da 1ª revista no Ceffa Flores em Vargem Alta

O Jovem Agricultor

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Lumiar e o turismo

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Escolas ocupadas

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Editorial EXPEDIENTE Essa é uma publicação do Projeto Formação Cultural de Jovens da Região Serrana em Comunicação Comunitária, da chamada MCTI/MDA-INCRA/ CNPq nº19/2014 – Fortalecimento da Juventude Rural, produzido pelo Sobrado Cultural Rural/Ponto de Cultura Rural de Santo Antonio/Bom Jardim e a Licenciatura de Educação do Campo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Telefone/WhatsApp: (22) 99926-1322 sobradocultural@gmail.com COORDENAÇÃO GERAL: Roberta Lobo COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA: Marjorie Botelho COORDENAÇÃO DE PESQUISA: Maria Silva e Eloisa Lopes COORDENAÇÃO DE COMUNICAÇÃO: Cláudio Paolino MONITORES: Aline Munhões, Ayla Vargem, Brisa Marinho, Elaine Faustino, Ian Ribeiro, Julio Affonso Oliveira, Kauky Mc Lean, Luciana Salles, Marcela Klain, Matheus Darrieux, Miguel Paolino, Pedro Emrich Adrião, Ricardo Nonato, Stefanie Ezequiel, Tayna Paolino e Vander Junior. AGENTES DE CULTURA E COMUNICAÇÃO: Beatriz C. Ribeiro, Caio Taruma, Cleisson da Rosa Heggdorne, Cristal Siqueira, Dayane das Graças M. Philot, Dayane Schimidtt, Enzo Mattos Gomes, Erika Muller, Gabriel da Rocha Souza, Gabriela Carvalho Ramos, Ian Fintelman, Inara de Moraes Garcia, Jessica Aparecida Maciel Tardem, Joana Tápea, Lucilene Perdomo de Castro, Lorraine Hilda Dias do Amaral, Luiza Mousinho, Maria Rosa Monteiro, Matheus Lopes Santiago, Natã Tuler Godinho, Tainara Grativol, Verônica Ouverney Heringer, Vicente Nunes Chi, Victorya Marchon Teixeira, Wallaziana Xavier Faria e Klaus Vianna. Tiragem: 1.000 exemplares

Realização:

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O Projeto Formação Cultural em Comunicação Comunitária iniciou suas atividades em abril de 2015 e ao longo deste período realizou diversas atividades para estimular a comunicação comunitária e reafirmar a importância da juventude como sujeito de direitos. Para participar desta iniciativa foram selecionados jovens das comunidades rurais do Distrito de São Pedro da Serra e Distrito de Lumiar de Nova Friburgo, Distrito de Barra Alegre de Bom Jardim e Distrito Doutor Elias de Trajano de Moraes que passaram a integrar a equipe de pesquisadores bolsitas do Conselho Nacional de Pesquisa Científica nesta iniciativa que é fruto da parceria entre Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e o Sobrado Cultural Rural, equipamento educativo de cultura localizado na comunidade de Santo Antonio, Distrito de Barra Alegre, Bom Jardim.  Dando continuidade ao aprofundamento sobre quem é a juventude da região, o que pensam, o que querem para a comunidade e para o país, os e as jovens pesquisadores estiveram envolvidos em pesquisas sobre temas considerados como aqueles que os afetava diretamente.  Lumiar pesquisou sobre o turismo, identificado, como predatório; São Pedro da Serra pesquisou sobre drogas; Barra Alegre e Vargem Alta aprofundaram suas investigações sobre ser jovem agricultor e produtor de flores.  Para aprofundar o debate sobre os temas abordados foram realizadas pesquisas quantitativas e qualitativas com moradores, produzidos vídeos de ficção com cenas do cotidiano sobre os temas, oficina de teatro para fomentar a reflexão através das expressões corporais e um debate com representantes da Articulação Agroecológica do Estado do Rio de Janeiro, Faculdade de Turismo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e da APA Macaé de Cima.   O resultado destas pesquisas sinaliza que diferente do que a grande mídia dissemina a juventude rural está ligada nas questões que afetam não só aos jovens, mas toda a comunidade!  Aliando fortalecimento da identidade cultural com ação política dos/das jovens, o Projeto também valorizou o Movimento de Ocupação das Escolas pelos/as jovens secundaristas. Primeiro com a Ocupação Artística da Escola Municipalizada Vieira Batista, atividade que envolveu a participação dos jovens que integram a pesquisa; com os parceiros da Escola Casa Granada, Grupo Entre Serras, Grafiteiro Dalmo Latini; representantes do Colégio Estadual Jaccoud de Vargem Alta, da Associação de Moradores do Distrito de Barra Alegre, da Associação de Pais e Amigos da Escola Vieira Batista, da Câmara dos Vereadores de Bom Jardim, Sindicato dos Profissionais da Educação de Nova Friburgo e do SEPE Central, além de pais e amigos da escola. Um segundo momento de valorização do Movimento Ocupa foi a visita dos jovens da pesquisa e dos alunos da UFRRJ à Escola Estadual Jamil Eu Jaick no centro de Nova Friburgo. O aprendizado na ação e na ocupação direta da escola como centro de cultura, como espaço de plantio de ervas medicinais, como cuidado e prazer de se estar casa, uma imagem real e concreta da força política da juventude nos dias atuais. Confira a seguir o que dizem a moçada da região!  


TERRITÓRIO RURAL: o que nos une

ALINE MUNHÕES E JULIO AFFONSO OLIVEIRA A ideia de território sempre esteve associada ao poder exercido por governantes e, atualmente, centralizado na mão dos Estados-nação. A importância de um território é tão grande que diversas guerras foram e são travadas a fim de conquistar novas terras e, assim, amplitude política regional. O território pode ser analisado, então, não somente como área político-administrativa, mas como ambiente de desenvolvimento de relações de poder. Na Geografia, o território é definido por Milton Santos (1926-2001) como “território usado”, aquele que é construído pelas pessoas. É sinônimo de espaço humano, espaço habitado. Neste caso, o uso do território produz e é produto histórico das necessidades e interesses humanos, sejam eles econômicos, culturais, morais, sociais ou afetivos. Quanto à região, notamos, sobretudo, um significado mais voltado para administração e controle de

determinados territórios. A região se distingue pelas características física, administrativas, econômicas, políticas, etc. No Projeto Formação Cultural dos Jovens Rurais em Cultura e Comunicação Comunitária temos quatro territórios envolvidos que, apesar de terem suas particularidades, fazem parte de um mesmo território, o território rural da região serrana. São territórios que estão na fronteira entre os municípios de Nova Friburgo, Bom Jardim e Trajano de Moraes, a saber: Distrito de São Pedro da Serra e Lumiar, Distrito de Barra Alegre e Distrito Dr. Elias. A importância desta iniciativa está em possibilitar um espaço de encontro entre estes territórios rurais, que apesar da proximidade, não tem transporte coletivo que facilite uma integração. Ser cidadão de um território rural (no sentido mais amplo) é garantir mais força para defender os direitos dos povos do campo.

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CONHECENDO A JUVENTUDE RURAL DA REGIÃO SERRANA:

O Jovem Agricultor CLEISSON DA R. HEGGDORNE, DAYANE DAS G. M. PHILOT, LUCILENE P. DE CASTRO E TAINARA GRATIVOL

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Falar de Jovem Agricultor seria fácil, se não fosse o problema de escassez do próprio hoje em dia. O que se via há 50 anos, não se vê mais. O jovem, na maioria das vezes, não quer nem pensar em trabalhar na “roça”. Há um desejo de ganhar autonomia financeira muito maior que antes, mas muito ao contrário daquela época, a população jovem rural de agora prefere sair em busca de emprego na cidade, onde muitas das vezes são mais bem remunerados, ou mesmo permanecer no campo só que numa área de trabalho diferente. No Distrito de Barra Alegre no Município de Bom Jardim desde que as fábricas vieram para “fazer parte” da nossa paisagem perdemos muita mão de obra camponesa. Mas o que os levou a mudança de emprego? A falta de incentivo governamental, desvalorização

do trabalho, oscilação nos preços dos produtos, trabalho pesado, talvez, sejam as principais causas. A juventude rural fica na incerteza. Sair ou permanecer no campo? Mesmo com o desejo de ficar na sua terra, o jovem, parte para novos desafios em centros urbanos com objetivo de ampliar suas oportunidades, ampliar sua renda, já que na agricultura ele não estava conseguindo o suficiente ou não conseguiria. O jovem agricultor é um jovem como qualquer outro. Quer ter as mesmas oportunidades daqueles que moram nas cidades. Quer lazer, diversão, mas acima de tudo, IGUALDADE. Pelo menos uma vez na vida precisamos de um médico, um engenheiro, um arquiteto, mas três vezes ao dia precisamos de um agricultor. Valorize essa profissão!


CONHECENDO UM POUCO MAIS SOBRE

VARGEM ALTA LORRAINE DIAS DO AMARAL, JÉSSICA TARDEM E WALLAZIANA BELLO FARIAS

Vargem Alta é um pequeno vilarejo, do Distrito de São Pedro da Serra, em Nova Friburgo, com grandes riquezas a serem conhecidas. Tem uma grande importância para a região por ser o segundo maior produtor de flores de corte do Brasil. Sendo assim, a principal fonte de renda de Vargem Alta é a floricultura, apesar de existir uma pequena parte de produtores de legumes, que são vendidos no Ceasa que fica na capital do Rio de Janeiro. Além do circuito da produção de flores, que também é considerada um grande ponto turístico existe outras atrações, tais como a cachoeira da Nazaré (nome que foi dado devido a uma moradora que reside próximo ao local), a pedra do Caiser e algumas trilhas ecológicas. Alguns dos locais mais frequentados por jovens e adultos são o campo de futebol do Rufino e a quadra de esportes que se localiza na Escola Municipal Ceffa Flores/Colégio Estadual Jaccoud. Há alguns anos, existia uma pista de motocross que atraía pessoas de vários lugares, além das pessoas da comunidade que também usufruíam do espaço. Vargem Alta embora tenha dificuldades em alguns aspectos sociais pela dificuldade de acesso vem conquistando alguns direitos por conta da união das pessoas em sua comunidade. De 15 em 15 dias acontece a reunião da Associação dos Agricultores Familiares e Amigos da Comunidade de Vargem Alta, onde as pessoas debatem ações para a melhoria da comunidade como um todo. Em algumas das reuniões são realizadas palestras sobre temas que promovam o desenvolvimento da floricultura, consistindo em momentos muito produtivos para todos. A associação de moradores, inclusive, foi uma das principais responsáveis pelo acontecimento da Festa da Flor, realizada no ano de 2014 na quadra de esportes. Uma conquista importante foi o turno noturno de ensino médio que possibilitou aos jovens de Vargem Alta concluirem o ensino básico na região. As próximas questões a serem reinvindicadas são o acesso aos meios de comunicação como internet e telefone, que ainda é muito escassa, e a pavimentação das estradas para melhorar o escoamento da produção das flores.

SER JOVEM EM VARGEM ALTA Eu, Lorraine Dias, tenho 17 anos e estudo no 2º ano do ensino médio no Colégio Raphael Luis de Siqueira Jaccoud em Vargem Alta, Nova Friburgo. Trabalho na floricultura com minha família e pretendo me formar em agronomia para trazer conhecimento para minha propriedade e comunidade. Para mim ser jovem é ter a liberdade de se expressar, se dedicar ao futuro e se divertir. Ser jovem em Vargem Alta tem seus pontos positivos e negativos. Os pontos positivos são ter uma relação melhor com as pessoas, “ser mais próximo”, trabalhar com uma cultura que é muito valorizada: a flor, ter a tranquilidade do lugar, estudar em uma escola onde a turma não passa de 35 alunos. Os pontos negativos são a falta de internet, telefone, asfalto, mercado, farmácia e até mesmo de uma padaria. Porém esses pontos negativos não fazem com que a comunidade se torne um lugar ruim!

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PONTO DE CULTURA RURAL E PROMOVEM INTEGRAÇÃO EN A JUVENTUDE DA REGIÃO SER MARJORIE BOTELHO

Ao longo deste período foram feitas diversas atividades com parceiros que permitiram a juventude da região conhecer mais a diversidade cultural presente nas comunidades rurais da região. Confira os Lançamentos da Primeira Revista!!! Lumiar O lançamento aconteceu no Colégio Estadual Carlos Maria Marchon durante o evento cultural do projeto de sustentabilidade da escola. Foram realizadas várias atividades como: oficina de dança com Joana Tápea; roda de conversa com a rezadeira Dona Hilda; oficina de circo e espetáculo circense com Edgar Salarini; exposição de flores de vargem alta; exibição do filme do CineZé; apresentação da Banda Desordem Federal e uma roda de conversa sobre a juventude da região que compartilhou sobre a importância desta iniciativa e da integração da juventude da região.

Barra Alegre

O lançamento aconteceu no Colég car Stutz e teve várias atividades: jovens que compartilharam um po territórios apresentando aspectos consideram um risco para a preser presentes nas áreas rurais. Tivem com os Trapalhaços; conversa com te da Escola Municipal Maria Men raes sobre a importância da forma do filme Bica d’água do erveiro Sin Alegre de Bom Jardim; exibição do neZé do Colégio Estadual José Ma de flores de Vargem Alta e apresen

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E LEC/UFRRJ NTRE RRANA São Pedro da Serra O lançamento começou no Clube do Estrela onde tivemos uma exposição de flores de Vargem Alta e uma roda de conversa sobre produção de flores de corte. Depois participamos na Casa dos Saberes de uma roda de conversa do Projeto Entre Serras: Residências Artísticas e Políticas da Sustentabilidade sobre o que é fazer arte no contexto rural com as bailarinas Aline Bernadi, Carol Pedalino e Dasha Lavrennikov. Nesta oportunidade os e as jovens puderam compartilhar sobre a invisibilidade da juventude rural da região sinalizando a inexistência de espaços e equipamentos culturais voltados para o público jovem.

gio Estadual Leopoldo Osapresentação dos e das ouco da realidade de seus positivos e aqueles que rvação dos modos de vida mos o espetáculo Circense m o Professor Nilton Riguetndonça de Trajano de Moação continuada; exibição ninho do Distrito de Barra o vídeo produzido pelo Ciartins da Costa; exposição ntação musical.

Vargem Alta O lançamento aconteceu no Colégio Estadual Raphael Luis de Siqueira Jacccoud qeu fica no mesmo espaço da Escola Municipal Ceffa Flores (Ibelga). A atividade contou com a participação dos e das jovens que compartilharam a importância da articulação da juventude da região e da valorização das escolas do campo. Contou também com a parceria dos jovens do teatro da Escola Estadual José Martins Costa de São Pedro da Serra que apresentaram trechos da peça Confissões de Adolescentes, dirigida pela professora Daniela Corbo. Também foi realizado um campeonato de futebol de jovens mulheres que contou com a participação da moçada de São Pedro da Serra.

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Lumiar e o Turismo BEATRIZ C. RIBEIRO, INARA DE MORAES GARCIA, JOANA TÁPEA, MATHEUS LOPES SANTIAGO, NATÃ TULER GODINHO E VERÔNICA OUVERNEY HERINGER

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O Distrito de Lumiar está localizado em Nova Friburgo numa área de reserva ambiental onde predomina floresta da Mata Atlântica, com rios, cachoeiras e poços espalhados pela região. Possui 4 mil habitantes (segundo site www.saopedrodaserra.tur.br) e uma população flutuante de 1.300 pessoas em determinadas épocas do ano; fato que ocorre por ser considerada uma região turística. Para a produção deste artigo foi entrevistada cerca de 3,8% da população local, desta sendo a maioria jovens entre 15 e 25 anos (64 pessoas), seguidos de indivíduos de 30 a 59 anos (19 pessoas), com mais de 60 (2 pessoas) e de até 14 anos (15 pessoas). Os jovens pesquisadores que residem em Lumiar optaram por pesquisar sobre o turismo em Lumiar, identificado de antemão como um “turismo predatório”, por conta do entendimento de que o turismo acarretou algumas modificações que vem prejudicando a biodiversidade do território, como o aumento do lixo e do esgoto, ambos sem tratamento adequado. De acordo com as entrevistas foi possível constatar que 88% dos entrevistados acredita que as reformas feitas na praça e na lagoa de Lumiar influenciaram o aumento do turismo na região e que 73% dos entrevistados concorda que Lumiar sofre com um turismo predatório, discordando 19% e se abstendo 8%. Para 82% dos entrevistados o turismo na região acarretou o aumento do lixo, 4% acham que o lixo não tem associação com o turismo e 14% não souberam responder. E para 65% o turismo também aumentou a violência, enquanto para 24% não e 11% não souberam responder.

Como você pode ajudar na preservação ambiental da sua comunidade? Não desmatando

1% Não sei

17% Protegendo a natureza

12%

Recolhendo / Não jogando lixo no chão

42%

Conscientização ambiental

28%

Em resposta à pergunta “O que você pode fazer para a preservação do meio-ambiente?” a maior parte dos entrevistados respondeu “não jogando/recolhendo o lixo”, ficando o restante dos entrevistados divididos entre “ter algum tipo de conscientização ambiental” (28%), “protegendo a natureza” (12%) e “não desmatando” (1%); 17% não sabiam como poderiam ajudar. Esta pesquisa sinaliza que nossa região precisa de incentivos para a preservação do ecossistema, realizando a instalação de lixeiras, obras para o saneamento básico, palestras para moradores e turistas mostrando o quão importante é preservar a nossa biodiversidade, pois é ela que nos sustenta, é tudo o que temos!


DROGAS?

CAIO TARUMA, CRISTAL SIQUEIRA, ERIKA MULLER, IAN FINTELMAN, MARIA ROSA MONTEIRO, LUIZA MOUSINHO, STEFANI NATIVIDADE E VICTORYA TEIXEIRA Uma pesquisa foi feita pelos jovens pesquisadores que integram a pesquisa Formação Cultural em Comunicação Comunitária do território de São Pedro da Serra sobre drogas que revelou a importância da comunidade debater esse tema. De acordo com os resultados obtidos nas entrevistas com 43 moradores, conclui-se que 100% dos entrevistados fazem uso de algum tipo de droga, lícita ou ilícita. Com uma rápida pesquisa na internet pode-se ver que “droga é toda e qualquer substância, natural ou sintética que, uma vez introduzida no organismo, modifica suas funções.” (Fonte: Wikipédia). Contudo, o termo é mais usado quando falamos sobre alucinógenos ou qualquer outra substancia toxica que pode levar a dependência, como o álcool e cigarros. A pesquisa indica que os moradores consideram a falta de lazer na região um motivo para que os jovens busquem se divertir através do consumo de drogas pelo histórico da cidade e comum uso, não encontrando dificuldade em comprar tais drogas. Apesar do incômodo dos moradores locais em relação ao uso de drogas por menores de idade em locais públicos, apenas alguns procuram aconselhar. Verificou-se que a droga mais consumida é a maconha, estando à frente do álcool por consideráveis 13%; 7% consomem cocaína e os outros 4% dividem-se igualmente entre cigarros e remédios. A maioria dos moradores tem um histórico de problema com drogas em suas famílias. Acredita-se que por isso, prevalece à opinião contra a legalização das drogas em geral. São Pedro é uma vila conhecida pela agronomia, o que nos leva a tocar no assunto do uso

de agrotóxicos que é um produto muito usado nas lavouras e que faz muito mal para aqueles que entram em contato, seja consumindo ou manipulando. A maior parte dos entrevistados considera agrotóxico um tipo de droga. Abrir Clínicas de Reabilitação

4% Aumentar policiamento

11%

Nada

27%

Informações

29%

Promover atividades

29%

Dentro da pesquisa feita foi obtida a opinião dos moradores sobre o que a prefeitura poderia fazer para reduzir o consumo de drogas ilícitas. 58% dos entrevistados disseram que poderiam fazer atividades e fornecer informações sobre o assunto. Já 27% acham que a prefeitura não tem responsabilidade sobre o tema, pois já virou responsabilidade do ministério da saúde. Os outros 15% se dividem entre aumentar policiamento e abrir novas clinicas de reabilitação.

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ESCOLAS OCUPADAS ROBERTA LOBO*

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Entre os anos de 2013 e 2016 os jovens apresentaram respostas concretas e coletivas frente o desmanche, a desintegração da sociedade brasileira. Críticos da ideia de representação e de representatividade, já imprimem a prática da autonomia e da ação com poucas palavras, sem partidos e muitos coletivos. Os jovens ocupam suas escolas no momento em que o Estado quer fechá-las, no momento em que seus professores estão em greve, no momento em que as escolas se tornam locais de entulho de livros e cadeiras, laboratórios de fachada. Jovens da periferia e do interior, das favelas e das áreas rurais. Jovens com propostas, ações diretas, mutirões de limpeza e organização da escola, aulas públicas, doações de alimentos, atividades artísticas, encontros com outras escolas. Nos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro foram centenas de escolas estaduais ocupadas por alunos do ensino médio, influenciando estados como o Ceará e também países como o Paraguai. A auto-organização e o amor destes jovens por suas escolas não foram fortes o suficiente para barrar a repressão policial do Estado. Estes jovens já nascem sob o desastre de uma cultura nacional desvinculada de um projeto coletivo de vida, muitos já sentem a condição de massas sobrantes de uma nação que integra apenas os que podem pagá-la. Brasil mostra a tua cara! Mesmo os meios de comunicação dominantes tentando mostrar os jovens como vândalos, foram inúmeras as ações de solidariedade no reconhecimento de que estes jovens se colocavam em defesa da educação pública tão desqualificada desde o início do seu desmanche na década de 1990. Em

defesa da educação pública contra o abandono e contra o modelo de gestão empresarial que o Estado quer impor através da chamada “Reorganização escolar”. O Estado de Goiás já anunciou um projeto piloto em que a gestão de algumas escolas será transferida para a Polícia Militar e para Organizações Sociais privadas, com direito a terceirização de serviços escolares “não-pedagógicos” por meio de Parcerias público-privadas. Em novembro de 2015, o Projeto Formação Cultural dos Jovens Rurais em Cultura e Comunicação Comunitária (Cnpq/UFRRJ) realizou a ocupação artística da Escola Municipal Vieira Batista no distrito de Santo Antônio, município de Bom Jardim, que estava ameaçada pela Prefeitura de ser fechada. O que acabou acontecendo no início do ano de 2016. Em abril de 2016, como parte do módulo do Curso de Formação em Cultura e Comunicação Comunitária, os jovens de ensino médio do Projeto foram conhecer e apoiar os jovens da escola ocupada Jamil El Jaick no centro de Nova Friburgo. Em seguida, maio de 2016, os estudantes da Licenciatura em Educação do Campo da UFRRJ realizaram atividades de pesquisa nesta mesma escola. A experiência social compartilhada em diferentes contextos de formação e participação dos jovens é um eixo pedagógico do Projeto que se fortalece a cada etapa, ensinando a todos a densidade social, política e afetiva da experiência como forma de conhecimento. * Professora de História da UFRRJ e Coordenadora Geral do Projeto


Percepções de um

MONITOR DA UFRRJ VANDER CÉSAR* Ao longo de um ano e meio de Projeto, a percepção que mais se destaca são das ações fundamentais que proporcionam um crescimento comum, com as produções de linguagem e conhecimento, e as variadas trocas de saberes. A estrutura do Projeto em seus Eixos e Módulos tem permitido esta troca através das narrativas dos jovens pesquisadores sobre os estudos da realidade nos seus territórios. A cada realização do Curso no Sobrado Cultural Rural, ponto de cultural rural localizado em Santo Antonio no município de Bom Jardim, foi se tornando possível o reconhecimento das diferenças entre os quatro territórios, fortalecendo a busca de suas identidades enquanto jovens de cada território em particular. Entre os meses de abril e dezembro de 2015, na condição de monitores do Projeto, trabalhamos com a escuta destas narrativas traçadas nas memórias locais e debatemos sobre questões como a maioridade penal, a Educação do Campo e Agroecologia, a identidade e diversidades dos agricultores familiares e povos tradicionais, e as resistências contra a invasão cultural imposta pelo capital. Avaliando este processo, percebemos a importância da participação de jovens universitários, neste caso os da Licenciatura em Educação do Campo da UFRRJ, em espaços de produção de saberes para além dos muros da Universidade. A memória social viva possui força e voz para ecoar na vida do campo. Ver a juventude que encontramos com esse vigor e interesse nos valores locais tem sido um valioso exercício de aprendizagem e reconhecimento enquanto jovens que somos. Jovens

que possuem espírito de luta e que tem depositado suas energias em prol de solucionar os problemas de seus territórios com debates políticos e organização comunitária. Nossas ferramentas pedagógicas são a terra, a fotografia, expressões musicais, literatura e teatro. Armas infalíveis para um crescimento intelectual, junto ao debate sobre o Campo, a potência da Agroecologia e das questões ambientais, a crítica da sociedade no contexto atual e o direito de estudo aos povos do campo, derrubando a invisibilidade histórica destes sujeitos sociais.

Como monitor, posso dizer que nesta troca de saberes apendi muito com esses jovens que se transformam cotidianamente, exercendo um papel ativo nas suas comunidades. As atividades do Curso de Extensão em Cultura e Comunicação Comunitária tornam visíveis as transformações dos jovens pesquisadores, assim como a minha transformação, na visibilidade e entendimento de um percurso formativo coletivo, de um caminho pedagógico que tem envolvido a todos no Projeto. *Educando do 6º Período da Licenciatura em Educação do Campo

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O Catiço da segunda edição vai compartilhar alguns momentos de integração com a juventude da Licenciatura em Educação do Campo e o Centro Técnico da Rural, reafirmando a importância da identidade cultural dos territórios rurais.

I Seminário Juventudes Rurais e Diversidade Cultural Contou com a participação dos jovens da região e da Licenciatura em Educação do Campo da UFRRJ - jovens caiçaras das comunidades de São Gonçalo, Tarituba e Praia do Sono; jovens quilombolas do Quilombo Santa Rita do Bracui; jovens pequenos agricultores de Angra dos Reis e Espírito Santo; jovem assentado da reforma agrária do Assentamento Zumbi dos Palmares e jovem da etnia Xucuru, permitindo assim, o debate sobre os conflitos sociais presentes nas comunidades rurais do Estado do Rio de Janeiro. Durante o Seminário aconteceram rodas de conversa; compartilhamento da história dos povos e comunidades tradicionais da Costa Verde; uma linda roda com coco, cacuriá, jongo, ciranda, toré e o show da banda 2x0 Vargem Alta. A diversidade cultural presente nas comunidades rurais foi à tônica deste encontro! Reafirmar a importância da diversidade e da valorização da nossa história a partir da identidade cultural de cada povo.

2ª Vivência Interdisciplinar em Agroecologia A 2ª Vivência Interdisciplinar em Agroecologia organizada pelo Colégio Técnico da Rural (CTUR) aconteceu no Ponto de Cultural Rural. Contou com a participação de 60 jovens do CTUR, do 1º e 2º ano do ensino médio, numa programação que envolveu mutirão agroecológico, visita à casa de mestres populares, jogos, debates, integração com jovens da região serrana e atividades culturais.

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Revista Território Rural edição 2  

A Revista Território Rural é uma produção do Ponto de Cultura Rural e da Licenciatura em Educação do Campo da UFRRJ com jovens das comunidad...

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