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Informativo do Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ Maio - Julho de 2016

ARTE DE SER A

VOLUNTÁRIO Pessoas que trabalham pelo prazer de ajudar o próximo


Reitor Paulo Roberto de Assis Passos

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO Assessor de Comunicação Jorge de Moraes Jornalistas Jorge de Moraes Luís Costa Danyelle Woyames Programadora visual Juliana Santos

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Campus Pinheiral

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Campus Nilópolis

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Campus Realengo

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Em busca de “alguma diferença”

Espantando seus males

Teatro sem contraindicações Capa

O que é serviço voluntário e qual a diferença em relação ao emprego e ao estágio?

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Capa

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Capa

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Campus Volta Redonda

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Campus Paracambi

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Campus São Gonçalo

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Campus Arraial do Cabo

Com quantos gigabytes se transforma o mundo?

Estagiários de Comunicação Arraial do Cabo Suelen Sodré Nilópolis Taysa Porcino Paracambi Igor Medeiros Pinheiral Greici Sousa Realengo Marcus André Andrade São Gonçalo Mayara Silveira

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Serviço voluntário pode ser contabilizado como atividade complementar na Graduação

O riso como remédio

Pílulas de Sorriso e Doses de Afeto

Cada gota vale

Arraial do Cabo se movimenta em solidariedade a desabrigados


Campus Pinheiral

Em busca de “alguma diferença” Em Pinheiral, aluna do IFRJ usa conhecimento agropecuário em trabalho voluntário

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estudante Dandara Maria Barbosa faz parte, há cerca de um ano, de um grupo de voluntários que distribui sopas em um bairro carente da cidade de Pinheiral. Moradora da cidade, Dandara é aluna do campus Pinheiral e aplica as experiências adquiridas no curso Técnico em Agropecuária, em que está matriculada, para fazer um pouco mais pelo grupo de voluntários do qual participa. A jovem cultiva uma horta no quintal de casa para fornecer parte dos legumes e temperos utilizados na preparação das sopas. Aproximadamente dez crianças do seu bairro auxiliam Dandara no cultivo da horta. Para a estudante, essa é mais uma ação através da qual ela pretende fazer “alguma diferença”. Dandara acredita que o cultivo de uma horta desperta nas crianças a consciência sobre a importância da preservação da natureza, o desejo de ser alimentar melhor, além de oferecer uma ocupação saudável. “Eu ainda dou a elas algumas sementes para

que possam fazer uma hortinha em casa”, complementa. Mais de 150 pessoas são atendidas pelo trabalho voluntário de distribuição de sopa. O grupo fornece as refeições às quartas-feiras no período da noite. Sobre a motivação que a fez participar de um trabalho voluntário, Dandara declara: “A gente nunca sabe o que pode ser feito. Quando surgiu a oportunidade, resolvi fazer a minha diferença”. A aluna acredita na importância da ação e defende a relevância da iniciativa na vida das pessoas: “Elas esperam por nós. A gente vê a alegria de uma criança quando a gente consegue colocar uma simples salsicha na sopa. E isso tudo aproxima a gente deles”. Ela ainda complementa: “Muitas vezes, eles precisam de coisas básicas, como uma escova de dentes, e a gente está lá para ouvi-los e atendê-los. É muito bom, a gente vê o quanto isso faz diferença na vida deles”. 33


Campus Nilópolis

Espantando seus males Em projeto que envolve aulas de canto para a terceira idade, aluno do campus Nilópolis usa ensinamentos do curso de bacharelado em Produção Cultural

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elhorar a saúde através do canto. Essa é a proposta do projeto “Terceira Idade, cantando saúde”, idealizado pelo aluno Leandro Alessandro, do quarto período do curso de Bacharelado em Produção Cultural do campus Nilópolis, junto com a sua amiga, Roseane Cristina, técnica de enfermagem. A ação voluntária contempla cerca de dez senhoras, de 60 a 80 anos, do bairro Santa Terezinha, do município de Mesquita (RJ), com aulas de coral. O trabalho voluntário, em modelo de projeto social, surgiu da necessidade de sanar problemas de saúde das idosas da comunidade em que Leandro e Roseane moram. Elas sofriam de autoestima baixa e de doenças crônicas e de locomoção. “Elas precisavam de algo a mais, uma atividade física ou artística que trabalhasse com a questão da saúde mental e física delas”, diz o aluno do IFRJ. De acordo com Leandro, seu ingresso no IFRJ o ajudou muito com o projeto. Ele conseguiu tirar a ideia da cabeça, passar para o papel, colocando-o em seguida em prática. “Aliei a ideia com a disciplina de Produção Cultural 2 da minha graduação, ministrada pela professora Ana Luiza Lima, que abordava a parte de projetos e desenvolvimentos”, explica. Ele disse também que, através dos ensinamentos do instituto, conseguiu parceria com uma empresa de cosméticos para beneficiar as senhoras com kits de beleza. “Todo ser humano deveria ser responsável pela melhora da sociedade”, diz a docente do IFRJ Ana Luiza. Em relação a Leandro, ela garante estar muito orgulhosa, pois contribuiu para que desempenhasse um projeto de cunho social, que visa ao bem-estar da sociedade. “Fico muito feliz que a disciplina esteja ajudando a criar uma capilaridade e que eles 4

possam multiplicar o conhecimento adquirido” comenta a professora, com sensação de trabalho bem feito.

O projeto O projeto “Terceira Idade, cantando saúde”, que não dispõe de vínculos políticos e fins lucrativos, teve início no dia 23 de setembro de 2013. As reuniões e ensaios do coral são realizadas todas as quintas-feiras, das 18h às 20h30, em um salão cedido por uma paróquia do bairro. Além das apresentações locais e como forma de agradecimento pelo espaço cedido para as aulas, o coral se apresenta nessa igreja todo quarto domingo de cada mês. Entretanto, o coordenador geral do projeto ressalta que tenta ser o mais laico possível e que as apresentações na igreja não são obrigatórias, mas são aceitas por grande parte das participantes: “Como a maioria das idosas são católicas, não há recusa de cantar na Igreja”, diz.


Com mais de dois anos de funcionamento, o projeto conseguiu mudar o estilo de vida dessas mulheres. “Não mudou só a saúde e a questão artística. Mudou vários aspectos: no contato com o outro, no lar, no humor e na timidez”, esclarece o jovem Leandro. Ele ainda acrescenta que o comportamento delas e das pessoas ao redor também melhorou muito. Para atender o objetivo e obter um bom funcionamento, o projeto conta com quatro colaboradores de diversas áreas: Leandro Alessandro, coordenador geral do projeto e atuante nas áreas de produção cultural, teatro, arte e música; Roseane Cristina, coordenadora adjunta do projeto influente nas áreas pedagógica e de saúde; e Mônica Ganeto e Gabriela Andrade, monitoras e ajudantes do trabalho social. Apesar do foco principal serem as aulas de canto, a fim de gerar todas essas mudanças na vida dessas mulheres, os colaboradores do projeto não se restringem apenas ao treinamento musical. São feitas gincanas comemorativas, churrascos e festas, buscando exercitar o corpo, a mente e as habilidades de cada uma das senhoras. E para que não haja impedimento do comparecimento de todas, é

comum a presença de filhos, netos e bisnetos nos encontros. Rose Aparecida dos Reis, de 67 anos, uma das primeiras participantes, diz que o projeto a distrai dos problemas do dia a dia. Ela afirma ainda que a sua vida mudou: “Agora eu consigo sair mais de casa, me sinto mais valorizada e estou me comunicando mais”. Em relação aos colaboradores, ela garante que eles são “tudo de bom”. “Fico muito feliz quando encontro com eles. Considero eles como se fossem meus filhos”, completa Rose. Para Roseane Cristina, coordenadora adjunta do projeto, há uma troca e, por isso, todos saem ganhando: “A gente passa para eles o que nós sabemos e eles mandam de volta uma energia positiva”, assegura ela. Além disso, Roseane diz que a palavra que define esse trabalho social é esperança: “Vejo isso nos olhos das senhoras. Para elas, é tudo mágico. Elas esperam os dias para se reunirem”, explica. Os colaboradores afirmam que a vontade delas e o carinho que elas transmitem é o que mais os motiva a passar por cima dos empecilhos e prosseguir com o projeto. 5


Campus Realengo

Teatro sem contraindicações Grupo teatral do campus Realengo promove diálogo entre arte, ciência e saúde através de trabalho voluntário

Após se formar pela Escola Nossa Senhora do Teatro, Ester teve a ideia de montar um grupo teatral que atendesse a comunidade e proporcionasse qualidade de vida aos acadêmicos do campus, já que, segundo ela, eles não desfrutavam de um espaço de convivência para se conhecerem. Procurou então a Coordenação Técnico-Pedagógica (CoTP) para apresentar seu trabalho, e de lá recebeu as orientações que a levariam, em 2014, a iniciar as atividades do grupo. Com o objetivo de ser um instrumento de transformação social, os integrantes utilizam os encontros para discutir e produzir demandas e problemáticas do cotidiano. Atualmente, o Charis conta com uma média de 14 componentes e já apresentou seus esquetes

em variados eventos no campus e fora dele. Ester também explicou que, a partir da visibilidade do grupo, as disciplinas começaram a incorporar o teatro em seu dia-a-dia. Os elementos que dão base ao projeto (a arte, a ciência e a saúde) têm uma estreita relação para a atriz: “A ciência preconiza a saúde e a protege, tal qual a arte. Creio que o teatro é uma ciência, pois existe fundamentação teórica e técnica para a sua prática. O teatro é histórico, é rico. A ciência tem estruturas sólidas e confiáveis com suas inúmeras teorias que discutem e fazem pensar. Já a saúde é pensada e discutida na ciência e no teatro”, afirma.

Um trabalho com muitos aplausos Ester, que sempre gostou de lidar com as pessoas, não imaginava que o projeto fosse gerar tantos frutos. Recentemente, o grupo firmou uma parceria com o Instituto Nacional de Infectologia (INI), localizado na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. Essa cooperação possibilitou, no final do ano passado, a realização de uma visita natalina ao INI. Foram desenvolvidas algumas atividades de recreação com as crianças e uma apresentação de Natal.

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á quem diga que felicidade não tem preço. Para a aluna do curso de Fisioterapia do campus Realengo, Ester Antunes, proporcionar momentos de alegria e de reflexão para outras pessoas é algo de inestimado valor. Motivada pelo desejo de ser útil e pelo princípio do “fazer o bem, bem feito”, a graduanda criou, em 2014, o grupo Charis Teatral.

o que mais nos falta é a sensibilidade, mas o teatro nos traz isso

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A jovem conta que um dos momentos mais significativos da visita foi quando uma paciente os prestigiou com um grande sorriso e, apesar das condições, estava alegre e agradecia: “O toque da mão dela, juntamente com a voz baixa e o sorriso mostravam quão sincera e grata ela estava sendo”, relatou Ester, que também se surpreendeu com tamanha receptividade, tanto dos pacientes quanto da equipe de enfermagem: “Eles sorriam, às vezes com os lábios e outras com os olhos. Não podemos entrar em todos os espaços, mas do vidro de isolamento mandávamos um ‘tchauzinho’ e ganhávamos um sorriso de volta. Os enfermeiros amaram!”, assegura. O projeto já percorreu outros locais da cidade com atividades que ocuparam desde uma Clínica da Família até a Central do Bra-

CHARIS

sil, sempre abordando temáticas que dialogassem com a realidade social de seu público. O trabalho realizado pelo grupo não recebe nenhum tipo de incentivo financeiro. É todo construído pelo desejo de compartilhar e proporcionar aprendizado, através da arte e da crença de que as pessoas não estão sozinhas no mundo, podendo ajudar, assim, umas às outras. A estudante acredita que o Charis Teatral tem um papel muito importante dentro da formação acadêmica e pessoal dos profissionais da saúde, já que, ao desenvolverem as atividades, eles produzem coletivamente, aprendem a ser um grupo e a caminhar juntos, aprimorando as amizades. “Precisamos muito disso na vida profissional e o que mais nos falta é a sensibilidade, mas o teatro nos traz isso”, disse.

Em grego, Charis significa gentileza, graça e amor. Esse nome tem uma relação direta com a proposta do grupo, que é reverberar o conhecimento através da arte, com gentileza e amor.

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O que é serviço voluntário e qual a diferença em relação ao emprego e ao estágio? A Lei nº 9608/98, define serviço voluntário como a atividade não remunerada prestada à pessoa jurídica que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos ou de assistência social, inclusive mutualidade. Os voluntários sempre existiram, mas somente há pouco tempo a lei regulamentou sua existência. Já o vínculo de emprego, segundo a legislação brasileira, está caracterizado quando o trabalhador prestar serviços ao empregador em caráter pessoal, de forma contínua, subordinada e mediante remuneração. Diante da definição legal, pode-se dizer que o que diferencia, essencialmente, a relação de emprego e o serviço voluntário é a ausência de remuneração. Contudo, não é única diferença. O contrato de trabalho é conhecido como um contrato de realidade, pois não precisa de formalidade para existir (não precisa estar escrito). O que ordena a relação de trabalho no contrato de trabalho é como ela ocorre. A Lei 9.608/98 criou um contrato novo – não mais de realidade, como o da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) – no qual é necessário e fundamental a existência de formalização: o Termo de Adesão. Para a não ocorrência do vínculo empregatício, o legislador tornou necessário que o trabalho voluntário seja documentado por intermédio de contrato escrito, ao qual chamou de Termo de Adesão, onde deverão constar expressamente o objeto do trabalho e as condições de seu exercício. Neste sentido, o termo constitui-se em prova documental da não formalização do vínculo de emprego entre o voluntário e a organização. O simples acordo subentendido ou verbal não produzirá efeitos jurídicos, prevalecendo a relação de emprego. O trabalho voluntário também é diferente do estágio. Enquanto no primeiro há um 8

acordo entre a instituição e uma pessoa física, através da assinatura de um Termo de Adesão, no segundo há a assinatura de um Termo de Compromisso: “Esse é um instrumento jurídico celebrado entre a empresa, instituição ou organização e o estagiário, com interveniência da instituição de ensino, cujo fim específico é formalizar a realização do estágio curricular supervisionado e as atividades descritas de forma detalhada que serão desenvolvidas pelo aluno”, explicou a coordenadora-geral de Integração Escola Empresa do IFRJ, Edméa Teixeira. Além disso, o estágio é regulamentado por uma lei específica, a de nº 11.788, de 25 de setembro de 2008, que define o estágio como ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo do estudante. O estágio integra o itinerário formativo do educando e faz parte do projeto pedagógico do curso. “O estágio transcende o nível de treinamento, sendo alvo de um planejamento criterioso, que envolve a orientação, o encaminhamento, a supervisão e a avaliação do discente-estagiário”, completou Edméa.

Quem pode ser beneficiado? Pode se beneficiar do serviço voluntário qualquer entidade da administração pública direta ou indireta, bem como instituições privadas sem fins lucrativos, que tenham objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive mutualidade. A entidade de assistência social é, segundo a Lei nº 8742/93, “a pessoas jurídica que, sem fins lucrativos, atue em atividades de proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice, no amparo


ressarcidas deverão estar expressamente autorizadas pela entidade a que for prestado o serviço voluntário”. No entanto, há que se ter o devido cuidado. O valor do ressarcimento de despesas deve ser proporcional a eventuais despesas de alimentação, transporte e outras de mesma natureza. Se a quantia a ser reembolsada ultrapassar tais parâmetros pode ser entendida como remuneração e, portanto, dar margem a reclamações trabalhistas. Neste sentido, é recomendável que a discriminação de tais despesas seja documentada em relatório detalhado. A responsabilidade do voluntário face à instituição: Tudo o que for confiado ao voluntário e por ele aceito será de sua obrigação. Assim, o voluntário responde pelos danos que causar em sua ação ou omissão. O que regula esse princípio é o Art. 159 do Código Civil: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligencia, ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado reparar o dano”.

PARACAMBI

às crianças e aos adolescentes carentes, em ações de prevenção, habilitação e reabilitação de pessoas portadoras de deficiências, assim como em promoção gratuita de assistência educacional ou de saúde, além de integração ao trabalho”. Assim, serviços de assistência social são aqueles prestados pelas entidades de filantropia, as santas casas de misericórdia, as entidades não-governamentais de ajuda humanitária, os sindicatos, as associações de classe, etc. Requisitos a serem observados na prestação de serviços voluntários: a) O trabalho não seja remunerado, não haja contrapartida de qualquer espécie ao trabalho realizado; b) O voluntário seja pessoa física; c) O serviço seja prestado à entidade pública de qualquer natureza ou instituição privada sem fins lucrativos que tenham objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive mutualidade; d) haja termo escrito de adesão, dele devendo constar o objeto e as condições do trabalho a ser prestado. O não enquadramento dentro de todos os critérios expostos (descritos na lei 9608/98) certamente acarretará no reconhecimento do vínculo de emprego pela justiça do trabalho com todos os ônus decorrentes desta relação de trabalho. Os Direitos do Voluntário Frente à Instituição: A própria Lei do Voluntariado 9608/98 diz do direito do voluntariado quanto ao ressarcimento das despesas que realizar, no artigo 3º: “O prestador do serviço voluntariado poderá ser ressarcido pelas despesas que comprovadamente realizar no desempenho das atividades voluntárias”. Quando a Lei diz “poderá” fala também da obrigação da instituição em fazê-lo. Contudo, essa obrigação se limita ao que a instituição autorizar. Essa autorização poderá ser prévia ou posterior. É isso que se pode concluir do Parágrafo Único do artigo 3º, quando diz: “Parágrafo único: As despesas a serem

Fontes: http://1re.metodista.org.br/conteudo. xhtml?c=358 http://www.icdh.org.br/imagens/publicaco es/a_lei_do_voluntariado.pdf

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Com quantos gigabytes se transforma o mundo? Voluntariado digital é opção para quem gosta de navegar Falta de tempo e distância não são mais desculpas. Com um arsenal de ferramentas digitais ao alcance de alguns cliques, o voluntariado digital é uma alternativa para quem tem vontade de ajudar a transformar realidades por meio da rede. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), voluntários on-line são pessoas que comprometem seu tempo e habilidades através da internet, livremente e sem considerações financeiras, para o benefício da sociedade. Praticamente não existe limitação de profissão, gênero, lugar. Voluntários digitais podem ser donas de casa, estudantes, profissionais liberais, ativistas. Basta acesso à internet e alguma dose de engajamento. Quem gosta de escrever apura notícias ou prepara textos de publicidade. Se conhecer outros idiomas, pode também traduzir. Profissionais e entusiastas da tecnologia ajudam a desenvolver sistemas de informática. Artistas gráficos são bem-vindos em ações publicitárias. Há espaço para consultores nas mais diversas áreas. E para quem não sai do Facebook, talvez uma boa ideia seja usar a timeline para além dos memes. A organização Médicos sem Fronteiras (MsF) é um exemplo dessa possibilidade. Conhecida mundialmente por prestar assistência médica a populações em situação de extrema vulnerabilidade, a organização recebe inscrições em um programa de voluntariado virtual. Segundo o site da entidade, os voluntários ajudam o MsF a dar cada vez mais visibilidade aos seus projetos e aos contextos nos quais atua.

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Ainda de acordo com a organização, os voluntários virtuais são pessoas que contribuem para que informações sobre as necessidades humanitárias de populações negligenciadas cheguem cada vez mais longe. Eles recebem informações para entender o que significa cada missão e passam, então, a divulgá-las por meio das redes sociais.

No Rio e no mundo Um exemplo de espaço para ações voluntárias virtuais aqui no Rio é o o Museu de Favela (MUF). Criado em 2008 por lideranças comunitárias dos morros do Pavão, Pavãozinho e Cantagalo, na zona sul carioca, ele nasceu com a proposta de ser o primeiro museu territorial e vivo sobre memórias e patrimônio cultural de favela do mundo. De acordo com a página do museu, o voluntário virtual atua na tradução de textos e reportagens. O trabalho pode envolver ainda design gráfico, campanhas do MUF na Internet, realização de pesquisas e produção de textos para serem publicados no site da ONG. Se a ideia é expandir fronteiras sem sair de casa, o programa de voluntário digital das Nações Unidas pode ser uma saída. As áreas de atuação são muitas: de tradução e redação a pesquisa e desenvolvimento tecnológico, passando por gestão de projetos e consultorias. O voluntário elege uma entre 13 áreas de atuação – como educação, desenvolvimento, integração de grupos marginalizados, saúde, gênero e cultura, para citar alguns – e aponta uma região específica do planeta. O trabalho é desenvolvido com organizações selecionadas pela ONU.


Quer saber mais? Livro sobre voluntariado digital A Fundação Telefônica tem um livro digital sobre voluntariado on-line. Existem informações sobre tutoria on-line, cibervoluntários e desenvolvimento e microvoluntariado. https://issuu.com/monicabg/docs/volunt_digital_web

Médicos sem Fronteiras http://www.msf.org.br/voluntario-virtual/

Museu de Favela http://www.museudefavela.org/participe/seja-voluntario/

Voluntariado on-line da ONU https://www.onlinevolunteering.org/es/vol/

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Serviço voluntário pode ser contabilizado como atividade complementar na Graduação As atividades acadêmico-científico-culturais, também denominadas atividades complementares, integram os currículos dos cursos de bacharelados e de licenciatura do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, como requisitos curriculares suplementares de livre escolha, com carga horária e critérios de aproveitamento previstos nos respectivos projetos pedagógicos dos cursos. As atividades acadêmico-científico-culturais (AACC), obrigatórias para a integralização do currículo alguns dos cursos de graduação, constituem-se de experiências educativas que visam à ampliação do universo cultural dos discentes e ao desenvolvimento da sua capacidade de produzir significados e interpretações sobre as questões sociais, de modo a potencializar a qualidade da ação educativa. Mas o que pode ser novidade para algumas pessoas é que alguns tipos de serviço voluntário podem ser contabilizados como horas de AACC. No regulamento das atividades complementares dos cursos de bacharelado, o mais próximo de serviço voluntário é citado no artigo 16 como: “A participação em atividades de responsabilidade social compreende a atuação do aluno em projetos sociais, visando à contribuição para a promoção da cidadania na sociedade e na comunidade”. Já no caso do regulamento das AACC dos

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cursos de licenciatura, o artigo 12 define como: “atividade em instituições filantrópicas ou do terceiro setor pressupõe a ação voluntária em projetos sociais, caracterizada pelo trabalho solidário sem fins lucrativos”. De acordo com a Pró-reitoria de Ensino de Graduação (Prograd), para os bacharelados, computa-se até 20 horas por participação; já na licenciatura, não há especificação: “Para comprovar essa atividade e garantir o crédito, o estudante precisa apresentar declaração da instituição promotora, com carga horária cumprida, no caso do bacharelado. Já no caso dos discentes de licenciatura, a declaração ainda precisa ser em papel timbrado”, esclareceu a coordenadora-geral da Graduação, Priscila Bentin. Mas é preciso ficar atento à necessidade de variar os tipos de atividades, pois, a fim de garantir a diversificação e a ampliação do universo cultural, bem como o enriquecimento plural da formação do discente, os estudantes deverão realizar atividades complementares de, pelo menos, quatro categorias diferentes. Para quem quiser saber mais detalhes dos regulamentos de atividades complementares dos cursos de graduação, basta acessar os documentos através do endereço: http:// www.ifrj.edu.br/node/210.


Campus Volta Redonda

O riso como remédio Aluna do campus Volta Redonda integra grupo de palhaços que faz visitas a hospitais de Volta Redonda Em meio à puxada rotina do curso técnico em Automação Industrial do campus Volta Redonda, Julia Souza, 17 anos, encontra tempo para trocar o uniforme sóbrio por uma roupa mais leve, encher o rosto de maquiagem extravagante e acomodar no nariz uma bola vermelha de palhaça. É com esse figurino que ela sai para conversar e brincar com pessoas que sequer conhece. Julia integra o grupo Amigos Palhaços, que leva alegria a pacientes de dois dos maiores hospitais de Volta Redonda. Ela começou cedo. Adolescente, já participava de ações voluntária da Cruz Vermelha. No Natal de 2014, aos 16 anos, entrou no Amigos Palhaços. “O objetivo é dar atenção a essas pessoas que se encontram nessas situações difíceis e deixá-las um pouco mais alegres, conversar e mostrar que tem pessoas que se importam com elas”, diz Julia. Em cada dia de visita, cerca de 25 pacientes recebem os voluntários. Durante horas, eles conversam, contam histórias, brincam, fazem graça. Doações também são parte das

ações. “A maior recompensa é ver de perto outras realidades diferentes da nossa, entendendo os problemas das outras pessoas e não se tornado alheio a eles”, conta a aluna. “São infinitas recompensas que temos ao olhar para o lado e ajudar o próximo”, resume. As visitas não se resumem aos hospitais. Aliás, dos muitos casos e histórias que ouviu ao longo da sua trajetória no Amigos Palhaços, Julia lembra especialmente do Natal que o grupo passou com moradores de rua. “Vimos de perto como é a realidade deles e tivemos a oportunidade de conversar e interagir”, conta. Visitas a asilos e orfanatos também estão na agenda dos voluntários. “A maioria das pessoas recebe muito bem o projeto e fica muito feliz com as visitas, mas há também quem não curte e prefere não conversar”, diz Julia. “A gente fica um pouco triste por não conseguir alegrar essas pessoas, mas somos treinados para saber reagir nessas situações e respeitar o paciente”, afirma a aluna.

Seja voluntário! Segundo a página do grupo no Facebook, para ser voluntário basta entrar em contato pelo e-mail amigos.palhacos@gmail.com e declarar interesse. Um treinamento será marcado para que o voluntário receba as orientações necessárias para as atividades.

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Campus Paracambi

Pílulas de Sorriso e Doses de Afeto Aluna conta como a alegria pode ser um excelente tratamento

A descoberta do projeto foi por acaso. Há cerca de cinco anos, Amanda participava de uma ONG que trabalhava com empreendedorismo social, no bairro de Campo Grande, na zona oeste carioca. Certo dia, um grupo chamado “Palhaçadaria” ministrou um curso no local e Amanda se encantou com a iniciativa. Desde então, a futura professora passou a percorrer hospitais e conhecer novas histórias de superação.

adultos e idosos, cada um de modo diferente, eram incentivados a participarem das atividades com o grupo. Na base do improviso, os palhaços tentavam levar alegria não só aos doentes, mas também aos familiares. “Isso que era bem gostoso! A gente trabalhava com o improviso, tentando atender uma necessidade e dar um amparo para a família. Na verdade, o mais importante era fazer sorrir, não importava quem. Às vezes, quem estava mais doente emocionalmente era a própria família. E esses encontros eram maravilhosos, tanto para nós, quanto para eles”, relata Amanda.

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o palhaço, o que é? Para Amanda Nossa, aluna do segundo período de Licenciatura em Matemática, é aquele que traz felicidade aos que mais precisam. Também conhecida como Dra. Vitamina, Amanda trabalhou durante três anos em um projeto no qual realizava visitas a hospitais vestida de palhaço.

Após sair da ONG, a Dra. Vitamina montou um outro grupo, dessa vez, com três amigos: Thiago Canotto, Elaine Nogueira e Carlos Kleber Santos. A equipe realizava ações no Hospital Municipal Victor de Souza Breves, no município de Mangaratiba. Nesse período, a aluna conta que vivenciou vários momentos emocionantes.

O mais importante era fazer sorrir, não importava quem

Durante o tempo em que participou do projeto, Amanda teve contato com pacientes de diversas idades e pôde constatar que um sorriso nunca envelhece. Crianças, jovens,

“Em uma das vezes havia um rapaz que era surdo. É uma dificuldade maior conseguir fazer um gracejo com um paciente assim, até pelo fato de eu não saber Libras (Linguagem Brasileira de Sinais). Ele era portador do vírus HIV e já estava em estágio terminal. Nisso, meu amigo, que fala Libras, ‘tirou da cartola’ uma música e foi muito emocionante. Às vezes, a gente acha que a graça está nas palavras ou besteiras que a gente fala e, muitas vezes, o amor vai na frente, em gestos”, conclui. O trabalho, que era totalmente voluntário, foi ganhando força com o passar do tempo. 14


muitas vezes, o amor vai na frente, em gestos

Em dois anos o grupo ganhou notoriedade, sendo convidado para visitar hospitais da região. Todo os custos com transportes e alimentação eram pagos pela própria equipe de palhaços. Com o tempo, entretanto, alguns fatores fizeram com que o grupo diminuísse a frequência de ida aos hospitais. Em 2014, por exemplo, Amanda ingressou na universidade. Neste período, um fato triste também abalou o grupo: a morte de um dos integrantes, Carlos Kleber, que era marido de Elaine, outra participante. As visitas, que no início eram semanais, com o passar do tempo ficaram cada vez mais raras. E, para que o trabalho fosse realizado de modo satisfatório, o grupo resolveu dar uma pausa momentânea. Mesmo estando há mais de um ano sem realizar o projeto, Amanda Nossa, ou Dra. Vitamina, se preferir, ainda pensa em voltar: “O que mais motiva a todos no grupo é a vontade fazer algo além. Porque a Medicina, hoje, é tão fria! O paciente entra no hospital sendo ‘mais uma doença’, e não um ser humano. Eles precisam de afeto e de carinho e nós viemos para quebrar essa rotina padrão. Tenho uma vontade enorme de voltar. Porque não tem nada que pague o sentimento que gera para a gente estar fazendo algo desse tipo”, afirmou a doutora de nariz vermelho. 15


Campus São Gonçalo

Cada gota vale Alunos do campus São Gonçalo aprendem novas formas de mudar o mundo O óleo de cozinha usado pode ser transformado em sabão em barra, asfalto e produtos de limpeza. Munidos dessas informações e de energia para mudar tudo ao redor, estudantes do 5º período do curso Técnico em Química no primeiro semestre de 2015 produziram sabão em barra, com a ajuda do professor de Físico-Química Renato Oliveira. De lá para cá, os discentes se interessaram pela questão e a vontade de continuar cresceu dentro deles. No dia 18 de dezembro de 2015, uma gincana organizada pela nova turma do 5º período e pela equipe de educação física do campus – Ingrid Fonseca, Edson Farret e Luis Claudio – serviu de gancho para estimular uma prática ecológica: os estudantes, fascinados pela possibilidade de reutilizar materiais, trabalhar em equipe de forma voluntária e ainda ajudar a comunidade, mobilizaram os colegas e conseguiram 1.100 litros de óleo de cozinha usado. O professor Renato buscou então parceria com as empresas Grande Rio Ambiental junto com a SOS Óleo Vegetal (empresas certificadas por órgãos competentes para o descarte, recolhimento e processamento deste material). E da ação iniciada na gincana, o trabalho evoluiu, resultando na criação do ecoponto no campus, que dará continuidade ao recolhimento de óleo de cozinha usado. O docente explica que o objetivo do projeto é conscientizar os alunos, familiares e toda comunidade em torno do IFRJ - campus São Gonçalo sobre a importância do descarte adequado do material, além de tornar o Instituto mais conhecido na cidade. Ele ressalta que o óleo de cozinha usado é matéria prima para a produção de sabão, biodiesel, asfalto, verniz, entre outros produtos. O campus e a comunidade podem depositar o óleo usado no ecoponto e toda a arrecadação 16

desse material será transformada em produtos pelas empresas parceiras. A partir daí, todos os novos produtos serão doados para abrigos, orfanatos, asilos e creches da região. A equipe, que idealizou a ação junto com o professor, está agora no 6º período e almeja grandes resultados. Laura Lima e Marcelo Younes concordam que a gincana foi o impulso que a escola precisava para pensar no próximo. Laura afirma que a comoção foi muito grande e aos poucos aprenderam as utilidades de algo descartado. E Marcelo pondera: “Quanto ao meio ambiente, com essa iniciativa nós estamos evitando que todo esse óleo seja jogado no lixo e no esgoto, o que causa vários problemas”. Já Alana Santos e Yasmin Lorena têm em mente quais abrigos serão os primeiros a receberem a ajuda: o Abrigo Cristo Redentor, em São Gonçalo, e algumas igrejas do município. Alana defende que é necessário mostrar para a população de São Gonçalo que o descarte correto do óleo de cozinha através do ecoponto oferecerá uma solução – através da fabricação de produtos sustentáveis e distribuição para os abrigos – para dois problemas antigos: a falta de recursos dos abrigos e a contaminação do meio ambiente pelo descarte irregular do óleo de cozinha usado.


Campus Arraial do Cabo

Arraial do Cabo se movimenta em solidariedade a desabrigados Aluna mobiliza campus em campanha de arrecadação para vítimas de enchente Recolher roupas e alimentos para serem doados aos desabrigados pela enchente que acometeu o município de Araruama, na Região do Lagos do Rio de Janeiro, no dia 29 de fevereiro deste ano. Esse foi o objetivo da aluna Pânmella Franco, do terceiro período do curso de Técnico em Informática do campus Arraial do Cabo, ao buscar uma parceria entre o campus e o colégio Francisco Porto de Aguiar, também do município de Arraial do Cabo, que já estava desenvolvendo uma campanha de arrecadação. De acordo com as informações divulgadas pela Defesa Civil de Araruama, mais de 700 pessoas sofreram com a enchente e ficaram desalojadas. Pânmella contou que ficou abalada com a situação e convidou os colegas de classe e também os professores e servidores a participarem efetivamente das doações, recolhendo roupas para adultos ou crianças. “Ajudar as pessoas é algo que me motiva muito. Quando soube da situação, fiquei comovida e resolvi ajudar”, disse a jovem. Para Ronaldo Efigênio, assistente social do campus Arraial do Cabo, é interessante quando atos solidários surgem espontaneamente: “Quando parte do aluno a vontade de ajudar, isso mostra que algo bom está acontecendo num mundo tão cheio de ódio e violência”, ponderou.

Pontos de coleta ficaram instalados nas entradas do campus, até o dia 17 de março, para que as pessoas pudessem doar. Após o recolhimento das doações, a aluna encaminhou tudo o que foi doado para Jana Silva, supervisora de alunos do colégio Francisco Porto de Aguiar e uma das organizadoras do projeto que fechou parceria com o IFRJ. Jana afirmou estar muito grata pelo apoio que os alunos do IFRJ deram: “Acho incrível a ajuda que o IFRJ deu ao nosso projeto. Acredito que a instituição escolar tem este papel incentivador, seja o Francisco Porto, ou esta também excelente instituição que é o IFRJ”, declarou.

As doações arrecadadas foram encaminhas para a Igreja de São Jorge, localizada na Praia Seca, em Araruama – RJ, onde a população que ficou desabrigada está alojada.

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Revista InFormação | IFRJ | Maio 2016  

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