


![]()






Portugal prepara-se para uma segunda volta nas eleições presidenciais, um cenário que, embora pouco frequente, traduz bem o momento político que o país atravessa. A ausência de uma maioria clara na primeira volta revela um eleitorado dividido, mas também exigente e atento. Esta nova fase da campanha traz consigo um debate mais direto entre os dois candidatos finalistas e coloca em cima da mesa questões fundamentais sobre o papel do Presidente da República, num contexto marcado por desafios institucionais, tensões sociais e necessidade de estabilidade. A escolha que os portugueses farão será decisiva não apenas para os próximos cinco anos de mandato, mas para a afirmação da democracia e do futuro político do país.
F ernA ndo P ereir A : entre o PA lco e A PA lAvr A Figura incontornável do panorama artístico português, Fernando Pereira é muito mais do que um nome da música – é uma voz múltipla, uma identidade criativa em constante reinvenção. Nesta edi -
ção, ouvimo-lo como nunca antes. Numa entrevista intimista e reveladora, fala-nos do seu percurso, das metamorfoses da carreira, do estado da cultura em Portugal e da responsabilidade de entre -
importância da autenticidade e o poder de comunicar para além do óbvio. Uma conversa com um homem que continua a reinventar-se e a surpreender-nos.
v elocidA de e luxo em estA do P uro
A rubrica Motores acelera ao volante do Bentley Bentayga Speed, um SUV que combina potência bruta com um requinte quase artesanal. Equipado com um motor W12 que lhe confere um desempenho impressionante, este modelo eleva o luxo automóvel a um novo patamar. O Bentayga Speed é mais do que um -
vidade, conforto e inovação, desenhado para quem exige o máximo em todas as estradas. Cada detalhe revela o cuidado e a excelência da marca britânica, tornando cada viagem numa experiência sensorial de alto nível.
Z erm Att em estA do de gr A ç A
Na rubrica Check-In, viajamos até aos Alpes suíços para conhecer o Grand Hotel Zermatterhof, um ícone de elegância alpina e hospitalidade de excelên -
cia. Situado no coração de Zermatt, com vista privilegiada para o imponente Matterhorn, este hotel combina tradição centenária com um serviço irrepreensível. Dos interiores requintados ao spa de luxo, passando por uma gastronomia de alto nível, o Zermatterhof oferece uma experiência única de conforto e so-
so. Uma referência incontornável para quem procura viver o melhor dos Alpes, com charme, história e distinção.
A m Agi A do inverno em br A nco
A rubrica Férias na Neve leva-nos a alguns dos destinos mais icónicos para quem procura aventuras geladas e paisagens de cortar a respiração. Das estâncias mais prestigiadas aos recantos mais tranquilos, ficam sugestões onde o esqui, o conforto e o contacto com a natureza se fundem numa experiência memorável. É o inverno no seu esplendor, entre desportos de montanha, lareiras acolhedoras e cenários que parecem saídos de um postal. Uma verdadeira celebração da estação mais mágica do ano.


























































8/ NEWS
12/ GRANDE ENTREVISTA
Fernando Pereira
22/ OPINIÃO
Luís Mira Amaral
Maria de Belém Roseira
Carlos Zorrinho
Luís Lopes Pereira
Fernando Leal da Costa
28/ PANORAMA
Parceria
30/ GRANDE ANGULAR
Setor aeronáutico
32/ SAÚDE
Serviços de urgência
34/ MAGAZINE
Proteção ambiental
36/ ATUALIDADE
Ártico
38/ RETROSPETIVA
40/ ANÁLISE
Desenvolvimento sustentável
42/ EM FOCO
Eleições presidenciais
44/ VISÃO
Desigualdades
FICHA TÉCNICA



Diretor: Nuno Carneiro | Editora: Ana Laia | Colaboram nesta revista Luís Mira Amaral, Fernando Leal da Costa, Luís Lopes Pereira, Carlos Zorrinho, Isabel Meirelles, Carlos Mineiro Aires, Fernando Santo, Fernando Negrão, Carlos Martins, Antóno Saraiva, Pedro Mota Soares, Alexandre Miguel Mestre, Rui Miguel Tovar, Jorge Garcia, Casimiro Gonçalves, Fernanda Ló, João Cordeiro dos Santos, José Caria, M. Sardinha | Revisão: Helena Matos



46/ DOSSIER
48/ ESPECIAL
Órgão político de consulta
52/ MOTORES
56/ ON THE ROAD
60/ A RESERVAR Restaurante do Estoril Vintage Hotel
62/ JOIAS
64/ IMOBILIÁRIO
Forbes Global Properties
66/ SOBRE RODAS
BMW R 1300 GS
68/ REAL GARRAFEIRA
70/ LIVROS
72/ FÉRIAS NA NEVE Sugestões
76/
80/ SOCIAL Casino Estoril



J OSÉ M ANUEL B OAVIDA
CONDECORADO PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, distinguiu José Manuel Boavida, presidente da APDP, com o grau de Comendador da Ordem do Mérito, assinalando um percurso marcado pelo compromisso com a saúde pública e pela defesa das pessoas com diabetes em Portugal. A condecoração destaca décadas de dedicação
o papel determinante da APDP na promoção do acesso aos cuidados de saúde, no incentivo à inovação terapêutica e na melhoria contínua da qualidade de vida das pessoas com diabetes.
Ao distinguir José Manuel Boavida, o Estado reconhece um trabalho sustentado que contribuiu para reforçar políticas de saúde, sensibilizar a sociedade e consolidar respostas estruturadas numa área de elevada relevância social.

M ELAIR
FOI NOMEADA GSA DA CORAZUL CRUCEROS
Após o recente lançamento da nova companhia de cruzeiros espanhola Corazul Cruceros, a Melair foi nomeada para GSA da marca em Portugal.
A Corazul Cruceros propõe umas férias pensadas para grupos de amigos e famílias em que as pessoas, as relações e a partilha dos momentos do dia a dia, são o centro da experiência com a qualidade de vida
Mediterrânica. As primeiras viagens estão programadas para julho de 2026. A Corazul Cruceros foi pensada para incentivar a proximidade, a convivência e o prazer de desfrutar dos momentos do dia a dia. -
relaxada, com foco no tempo partilhado. O espanhol será o idioma principal a bordo, seguido do português e do inglês.
Luz, mar, espaços abertos e uma atmosfera pensada para aproveitar sem pressa a partilha de conversas e viver momentos simples que perdurem na memória.


Hiroshima
Seoul
Busan
Fukuoka
Nagasaki
Kagoshima
Kochi Kyoto (Osaka)
Shimizu
CRUZEIRO FRONTLINE 2026
CELEBRITY MILLENNIUM
14 Maio 2026 | Cruzeiro de 12 noites
DIAPORTOS DE ESCALA CHEGADAPARTIDA 14 Mai
15 Mai Mt Fuji (Shimizu), Jap 7:00 00
16 Mai Kyoto (Osaka), Jap 11:00
17 Mai Kyoto (Osaka), Jap :00
18 Mai Kochi, Jap 8:00 :00
19 Mai Hiroshima, Jap 9:00 :00
20 Mai
21 Mai Kagoshima, Jap 7:00
22 Mai Nagasaki, Jap 8:00
23 Mai Fukuoka, Jap 8:00
24 Mai Busan, 7:00
25 Mai
26 Mai


C HEGA A P ROENÇA - A - N OVA
Proença-a-Nova recebe entre 4 e 6 de fevereiro, o projeto itinerante “Creactivity”, uma iniciativa dedicada à promoção da criatividade, do pensamento crítico e da experimentação junto de crianças e jovens, que estará presente no Parque Urbano Comendador João Martins. Com entrada gratuita, o projeto é dirigido a participantes dos 7 aos 16 anos, proporcionando um ambiente de aprendizagem informal onde a curiosidade, a imaginação e a capacidade de resolução de problemas são estimuladas através da prática e da experimentação. O espaço é dedicado à participação de grupos escolares, famílias e ao público em geral. A iniciativa decorre no interior de um autocarro adaptado e transformado numa unidade móvel, totalmente equipado para a realização de atividades criativas e preparado para acolher participantes com mobilidade reduzida.

VEN C E A T AÇA DAS S ENHORAS NO D AKAR-
desejada meta. Em dupla com Rosa Romero, Maria superou uma segunda semana cheia de contratempos e todo-o-terreno mundial, fechando duas participações no Mais importante do que o resultado da etapa foi o desfecho global da prova: Maria encerra a sua segunda pardos Ultimate e conquista a Taça das Senhoras, cumprindo assim o objetivo de vencer entre as mulheres e reforçando a relevância desportiva e simbólica deste projeto. Em apenas duas presenças no rali-raid mais duro do mundo, a portuguesa soma já duas chegadas à meta, um feito notável.


por Nuno Carneiro
Cantor, imitador, criador, sonhador. Fernando Pereira atravessou gerações com a sua voz camaleónica e presença inconfundível. Ferido no 25 de Abril, testemunha da transição democrática e protagonista de palcos nos cinco continentes, o artista português revela, nesta entrevista, as raízes da sua consciência cívica e cultural. Fala da liberdade como destino, da arte como missão e da sua mais recente causa global – o projeto solidário “Amar a Terra”. Entre memórias e novos desafios, confessa: “as metas criam-me limites, os horizontes são sempre novos”.
P orque escolheu o T eaT ro da T rindade Para realizarmos es Ta en T revis Ta ?
Para começar, gosto de trindades, trilogias e triângulos perfeitos. Depois, este teatro está também na minha vida por três ordens de razão importantes. Foi o teatro onde mais vezes trabalhei até hoje, foi neste palco que me apresentei pela primeira vez “a sério” e foi aqui à porta, nestas ruas da Trindade e do Chiado, que vivi as mais incríveis memórias e emoções do dia 25 de Abril de 1974.
Foi um dos muiTos jovens envolvidos na revolução de 25 de abril de 1974. como viveu esse momenTo?
Essa data foi literalmente “a tal madrugada que eu esperava, o dia inicial inteiro e limpo”, como muito bem escreveu Sophia de Mello Breyner. Antes do 25 de Abril eu era ainda muito jovem, mas já tinha, por várias razões, uma consciência política considerável, com bastante atividade nos meios estudantis. Nas lutas contra a ditadura e a guerra colonial, pela paz, pela liberdade, pela
abraçava. No dia da revolução dispensaram-nos das aulas e fui então com um grupo de colegas para o centro de Lisboa, onde se desenrolava toda a ação militar. Andámos pelo meio das tropas na Praça do Comércio e no Chiado, oferecemos cigarros, bebidas e sanduíches aos soldados, chorámos de alegria, festejámos e gritámos “Liberdade!” como nunca, até sermos apanhados por um tiroteio da PIDE na Rua António Maria Cardoso. A polícia política, entrincheirada nos prédios em frente ao teatro São Luís, disparou cobardemente à metralhada sobre o nosso grupo, matando e ferindo várias pessoas. Eu levei um tiro no braço e fui parar ao Hospital de São José, onde me trataram e extraíram a bala. À saída do hospital fui preso pela PIDE, levado para o Governo Civil, interrogado, espancado durante a noite e só saí do calabouço na madrugada de 26. Foi um enorme susto, no meio de uma alegria indescritível, algo que vivi com um certo sabor agridoce, devo confessar, mas ao mesmo tempo foi também uma experiência extraordinária, que me proporcionou uma
visão e consciência absolutamente únicas, tanto do regime como daquele momento político em particular.
que imPacTo Teve essa consciência
PolíTica na Forma como desenhou a sua carreira?
Penso que toda essa consciência e experiência políticas tiveram muito mais impacto na minha construção interior, no meu desenvolvimento como homem e cidadão, carreira. Mas é óbvio que estas coisas acabam também sempre relacionadas, pois o homem e o artista são invariavelmente a mesma pessoa e quando subo ao palco, serei naturalmente eu e todas as minhas
na forma como construo os meus espetáculos, nas escolhas artísticas, na estética musical, no humor, mas sem nunca esquecer que a minha função é essencialmente lúdica e cultural, muito mais do que política. Embora, se pensarmos bem e como já disse, estas coisas da arte e da política estão no fundo algo ligadas.

a credi Ta que a ligação en T re arT e e P olí T ica P erdeu F orça nas úlT imas décadas ?
“
‘IDEOLÓGICA’
a credi Ta que a ligação en T re arT e e P olí T ica P erdeu F orça nas úlT imas décadas ?
sivamente “ideológica” como já foi. Mas de uma certa forma a arte é sempre política, mesmo que não o queiramos e que tudo nos pareça inócuo, irrelevante ou mesmo até inconsequente. A verdade, é que quando um artista produz uma obra, consciente ou inconscientemente, ele está sempre a desempenhar um papel político. Quando uma arte, seja ela qual for, promove a elevação espiritual, a beleza das formas, das cores, das palavras, das melodias, quando a luz do criador e a suprema harmonia da estética prevalecem, essa arte tende a formar melhores seres humanos. E melhores seres humanos olham para o mundo de outra forma, criam por efeito e por osmose uma sociedade também ela mais bela, solidária e evoluída. Em oposição, quando uma chamada arte alimenta a violência, a lascívia, o vício, o vazio, promovendo simplesmente alienação coletiva e o pior do que existe no ser humano, ela apenas produz um mundo cada vez mais egoísta, ignorante e culturalmente doente. Tudo isto é claramente político e tem sérias consequências nas nossas democracias.
como vê o esTado aTual da democracia PorTuguesa, 50 anos dePois do 25 de abril?
Sinto sinceramente que estamos numa fase de transição para algo que ainda não sei muito bem o que é, ou para onde nos irá levar. Vivemos hoje tempos estranhos, nacional e internacionalmente, o mundo está a mudar e olho para essa mudança com um misto de preocupação, mas também muita esperança. E sinto até talvez, por assim dizer, algumas saudades do futuro. Porque do passado, esse, não tenho absolutamente saudades nenhumas. Nestes 50 anos criámos, construímos e conquistámos coisas maravilhosas, notáveis, impensáveis para muitos que, como eu, viveram antes numa ditadura execrável. Não se pode sequer comparar o país que hoje temos com o que existia antigamente. Cometeram-se erros de percurso? Claro que sim. Fizemos em muitos momentos escolhas erradas? Sem dúvida alguma. Mas o caminho fez-se e sempre se fará caminhando. E existirão sempre também homens livres, fraternos e de boa vontade, para em conjunto e em solidariedade, fazermos essa caminhada. Ainda há muito para cumprir, na economia, na saúde, na cultura, na justiça, eu sei lá... Em muitas coisas e para muitas pessoas que sofrem,
falta ainda cumprir Abril e para mim, também, ainda falta cumprir-se Portugal, como dizia o grande Fernando Pessoa.
como começou a sua ligação ao Palco?
Na minha família, alentejana de raízes profundas, quase toda a gente era artista, quase todos cantavam, ou tocavam até algum instrumento. A música e o Cante estavam na alma da gente. A minha mãe era uma cantora maravilhosa, o meu pai trabalhava da rádio Antena 2, antiga Emissora Nacional e por isso lá em casa, para além das modas alentejanas e dos artistas mais populares da época, ouvia-se também muita música clássica, o que contribuiu decisivamente para o ecletismo e diversidade do meu gosto musical. Mais tarde descobri que, ainda por cima, tinha tido também a sorte de nascer com características vocais incomuns e uma memória auditiva, que me permitiam, em conjunto, cantar e cantores. Isso era uma verdadeira alegria nas festas, e depois, como não podia deixar de ser, os outros faziam sempre de mim o “artista” de serviço. Cantava de tudo um pouco, contava anedotas pelo meio, divertia-me imenso com aquilo, e como tinha uma grande memória, o re-
“
pertório artístico era também realmente vasto e muitíssimo variado.
quais Foram as suas maiores inFluências arTísTicas?
As influências eram então as mais diversas. Desde Beatles e Rolling Stones a Led Zeppelin e Deep Purple, passando por Pink Floyd, Genesis, ou mesmo Tom Jones, Frank Sinatra e Edith Piaff, tudo era possível no meu improvável alinhamento. A nossa Amália e o Zeca Afonso, claro, assim como também o Zé Mário, o Adriano ou o Sérgio, ninguém podia faltar. Eu estudava engenharia e mecanotecnia, mas gostava realmente de cantar, de divertir as pessoas, de fazer os outros felizes e por isso, durante muitos anos, sempre foi esse o meu interesse. Nunca encarei os dons artísticos como trabalho ou uma profissão.
quando Percebeu que queria Fazer disTo a sua vida?
Pouco tempo depois de começar a cantar, por brincadeira, em alguns bares de Lisboa, o público começava a já não caber dentro
mentavam, davam voltas ao quarteirão, os donos dos espaços já não sabiam como lidar com tanta procura. E eu próprio também não. Os convites mais diversos e aliciantes sucediam-se, oferecendo oportunidades e
valores já bastante consideráveis, algumas situações para as quais, confesso, eu ainda nem sequer estava preparado.
Em simultâneo vieram os jornais, as revistas, a rádio, a televisão e de repente eu sou considerado um “fenómeno da voz e
famoso, mas sem qualquer organização ou estrutura que me apoiasse. Investi então em aulas de canto com uma professora lírica fabulosa, a Cristina de Castro, pratiquei dança jazz, estudei mímica e expressão corporal com o mestre japonês Yass Hakoshima, aprendi escrita criativa, guio-ralmente à vida.
Por convite do Artur Figueira Gouveia, um grande amigo, abrimos pouco tempo depois o nosso café-concerto “Bariedades”, no Parque Mayer, que foi um enormíssimo sucesso. E com 27 anos de idade já tinha a minha própria empresa de espetáculos e eventos, para me levar a mim e todas as “vozes” por esse mundo fora.
alguma Figura Foi ParTicularmenTe diFícil de imiTar?
Algumas são mais difíceis que outras, obviamente. Dizem os entendidos, que estasenta sobretudo na amplitude das cordas e na plasticidade da orofaringe, a par da memória auditiva, que tem de ser também
bastante forte e retentiva. Os sons que se ouvem são realmente muitos, parecem de homem, ou de mulher, mas a voz é apenas uma, a minha, naturalmente e sem qualquer truque. Quanto muito, o truque seria uma espécie de magia ou ilusionismo vocal, fazendo as pessoas acreditar que ouvem várias vozes, quando na realidade sou apenas eu. Imaginem um pedaço de barro ou plasticina, que permite criar tosempre depois à sua forma original. De certa maneira, o meu aparelho vocal é um pouco assim.
já assinalou os 40 anos de carreira. que balanço Faz?
Contabilizo décadas de muitos sucessos, viagens e experiências extraordinárias, muitas glórias e alegrias, partilhadas com públicos de todos os géneros e estilos, em milhares de atuações. Tanto nos maiores e mais prestigiados palcos do mundo, num luxo feérico e deslumbrante, como nos locais mais humildes e recônditos, em situações de carência absolutamente inimagináveis. Mas a minha vida é e foi sempre feita destes contrastes. Muito trabalho, muitas horas de ensaio, de luta e persistência, com altos e baixos, que terminaram depois num sucesso ainda mais saboroso. Só é vencido quem desiste de lutar e eu vou


sempre até ao fim pelas minhas convicções. Sei que para atingir uma simples réstia de perfeição divina, se é que ela existe, é preciso comer muito pão que o diabo amassou. E por isso também já não estabeleço metas, persigo horizontes. As metas criam-me limites, os horizontes são sempre novos, desafiantes e apontam ao infinito…
como Foi a exPeriência Fora de PorTugal, esPecialmenTe nos eua?
Desde o Canadá, Dubai, Austrália, Egipto ou Rússia, acompanhado pela orquestra da Rádio Televisão de Moscovo, passando pela Alemanha, França, Suíça, Inglaterra, Itália e Eslovénia, até às Caraíbas, Angola aventura, por sete mares e vários continentes. Muitas vezes atuando para a nossa diáspora, outras para as mais diversas empresas e eventos, fossem públicos ou privados. No Brasil e nos Estados Unidos da América foi onde as coisas tiveram um maior desenvolvimento e continuidade. Fiz muitos espetáculos e programas na televisão brasileira, com Jô Soares, Faustão, Hebe, Marília Gabriela, Angélica, Luciano Huck, Danilo Gentili, eu sei lá... Nos EUA, para além das festas nas nossas comunidades, como é natural, as experiências mais marcantes foram sem dúvida os eventos em Nova Iorque e nos casinos de Las Vegas e Atlantic City. Só para um dos casinos de Donald Trump realizei na altura 78 espetáculos.
Teve conTacTo direTo com donald TrumP. como o descreve, anTes de se Tornar PresidenTe?
Fomos apresentados uma vez num evento social, mas foi um cumprimento tão fugaz e circunstancial, que não consegui sinceramente formar uma opinião concreta. Deu para confirmar que era um homem alto, bastante altivo e muito carismático. Tinha já dele a imagem de um grande empresário e uma personalidade pública de alguma complexidade. Mas com todo o respeito, nunca me passou pela cabeça que viesse a ser um dia presidente e muito menos revelar-se um indivíduo assim tão rude, polémico e instável. É o que posso dizer, por aquilo a que temos assistido. Mas deu-me
a oportunidade de conhecer o meio artístico americano de uma forma extraordinária e como poucos portugueses devem ter experienciado.
que conTrasTe senTiu enTre o ambienTe arTísTico americano e o PorTuguês?
O primeiro impacto é claramente o elevado grau de criatividade, profissionalismo e eficiência dos americanos. Por outro lado, eles não são tão ecléticos e desenrascados como os portugueses. A nossa cultura profissional é bem mais multitask e aí nós damos cartas a quaisquer outros. A minha experiência pessoal é que existem mundos e submundos muito diversos no plano artístico. E dependendo do “mundo” ou do “mercado” em que nos estamos a mover, o mesmo espetáculo pode valer mil dólares ou cem mil... Eu conheci bem esses mundos e por vezes senti-me assim uma espécie de “Robin Hood”, cobrando em grande aos casinos americanos para oferecer depois mais em conta aos clubes portugueses. Mas temos obviamente de ser uns para os outros e considero isso perfeitamente natural. Dos anos em que andei pelas américas, viajando todos os meses de Lisboa para Nova Iorque e vice-versa, guardo memória de grandes nomes do showbiz com quem me cruzei, nos palcos ou na vida, desde Liza Minnelli, Wayne Newton e Mickey Rooney, a Júlio Iglesias, Plácido Domingo, Willie Nelson ou Al Jarreau. E também a satisfação que me deu promover a marca Portugal, o nosso turismo, a moda, os vinhos, a gastronomia, as artes e levar aos casinos americanos grandes nomes da nossa cultura, como Dulce Pontes, Carlos do Carmo, Pedro Abrunhosa, Rui Veloso, Maluda, Cargaleiro, João Rolo, José Carlos, Rosa Mota e tantos outros. Foram de facto tempos e eventos memoráveis.
senTe que Foi devidamenTe reconhecido Pelo meio arTísTico em PorTugal? Com certeza que sim e estarei sempre eternamente grato pelas oportunidades que tantos me deram no meu início. Nunca poderei esquecer o Fernando Castro, velho companheiro de cantigas,
“SÓ É VENCIDO QUEM DESISTE DE LUTAR E EU VOU SEMPRE ATÉ AO FIM PELAS MINHAS CONVICÇÕES. SEI QUE PARA ATINGIR UMA SIMPLES RÉSTIA DE PERFEIÇÃO DIVINA, SE É QUE ELA EXISTE, É PRECISO COMER MUITO PÃO QUE O DIABO AMASSOU. E POR ISSO TAMBÉM JÁ NÃO ESTABELEÇO METAS, PERSIGO HORIZONTES”

assim como o carinho do Raul Solnado, que foi um verdadeiro padrinho. Nem a grande amizade do José Luís Macedo, o jornalista que me descobriu na noite, nem os enormes apoios do António Sala, do Júlio Isidro ou do Carlos Cruz, que foram decisivos na rádio e na televisão. Graças também a todos eles, fui campeão de espetáculos durante quase duas décadas, com milhões de fãs e seguidores por todo o país. Claro que depois, à medida que o sucesso foi crescendo, aqui e internacionalmente, senti que certas pessoas ficavam bastante incomodadas. Tentaram denegrir e depreciar o meu trabalho, destratar-me, censurar-me, houve mesmo quem tentasse destruir-me profissionalmente. Mas ficou provado, uma vez mais, que a
inveja é a arma dos incompetentes, pois eu ainda cá ando, melhor do que nunca e cheio de planos para o futuro.
há Pouco TemPo lançou o ProjeTo “amar a Terra”. que moTivação esTeve Por Trás dessa criação?
O projeto “Amar a Terra” já vinha a ser desenhado há muito tempo, nos planos da Frente Solidária, uma associação que fundei com um grupo de amigos em 2017. Correspondeu a uma preocupação genuína que sentia e que é cada vez maior, com as graves questões em torno da paz, da sustentabilidade do planeta, dos desafios, perigos e agressões que a Humanidade vem hoje enfrentando. E que são a cada dia que passa mais complexos. O principal objetivo do pro -
jeto e da campanha que o tema musical gera à sua volta, é chamar a atenção das pessoas para todos estes problemas, agregar boas vontades, uma onda global de solidariedade e despertar consciências. Há tempos juntei este grupo de autores, músicos, produtores e cantores absolutamente fantásticos, gente de coração enorme, para fazer tudo acontecer, como a Ana Laíns, o Carlos Ribeiro, o Hugo Baptista, a Patrycja Gabrel, a Paula Teixeira, o Rúben Portinha e o projeto está finalmente disponível nas plataformas digitais, em mais de 240 países. Para além das ações e espetáculos que iremos ainda levar a cabo, os lucros deste tema e do videoclipe revertem já integralmente para a Cruz Vermelha Portuguesa.
o ProjeTo “amar a Terra” mosTra um lado seu mais inTervenTivo. senTe que essa é uma FaceTa que Foi ganhando mais Força nos úlTimos anos? Talvez, é possível, mas a verdade é que nunca deixei de me interessar por estas questões, nem nunca me demiti de intervir socialmente, empenhadamente, enquanto homem e cidadão. Embora não misture a politiquice no meu trabalho, por respeito ao público e a quem me convida, na esfera mais pessoal tenho opinião e exerço imperativamente esse direito. Como dizia Miguel Torga: “É escusado. Não posso ter outro partido senão o da Liberdade.” Enquanto artista e figura pública procuro, dentro do possível, influenciar positivamente aqueles que me ouvem, que me seguem, dando algum exemplo de cidadania ativa e responsabilidade social. E aqui, inequivocamente, a minha política é o amor e a solidariedade. Vivemos cada vez mais nesta luta terrível e profundamente desigual entre o Ser e o ter. Mas a nossa existência só faz sentido, quando a insustentável ganância do ter der lugar à constante grandeza do Ser. O Ser em alegria, empatia e solidariedade. Lembro-me sempre, que um homem só tem o direito de olhar outro de cima para baixo, se for para ajudá-lo a levantar-se.
como gosTaria de ser lembrado?
Gostaria se ser lembrado como um homem livre e fraterno. Alguém com uma fé inabalável na Humanidade e nos insondáveis desígnios do Universo.

Realizamos milhares de milhões de feitos num só batimento cardíaco, somos exemplos espantosos da tecnologia da natureza.
Mas também somos humanos.
Enfraquecemos. Falhamos.
E quando isto acontece, os nossos extraordinários corpos exigem soluções extraordinárias que transformam a vida.
Lideramos a tecnologia médica global, resolvendo com audácia os problemas
que a humanidade enfrenta atualmente.
Saiba mais em medtronic.pt
Portugal foi classificado, pela revista The Economist , como a economia do ano em 2025 no conjunto de 36 países desenvolvidos. Doce como um pastel de nata, dizia a revista. Tal lembra-me o Prof. Álvaro dos Santos Pereira, então ministro da Economia do governo Passos Coelho, a querer em 2011 internacionalizar o pastel de nata… Viu bem o seu potencial…
Sendo a lista feita na base de cinco indi-
do emprego e desempenho do mercado bolsista) e conhecendo as debilidades estruturais da nossa economia, bem se pode dizer que a nossa conjuntura económica é bem melhor do que a estrutura… Foi assim uma prenda de Natal agridoce… O Governo, e designadamente o ministro da Economia, conhecendo certamente esta dicotomia entre conjuntura e estrutura, reagiu muito bem com bommos o governo Costa, este teria logo

ele, já erámos os melhores do mundo… É evidente que para a imagem do país, para nos pôr no radar do investimento global e consequente atratividade para o investimento direto estrangeiro, para o rating da República e para a emissão decelente. Vale mais do que os anúncios a promover o país.
Mas o emprego conta duas vezes nestes indicadores, dado que o crescimento do -
e capital, e crescimento da produtividade, mas no nosso caso, infelizmente, foi só o emprego e não a produtividade a crescer. O emprego a crescer 2,8% num ano em
indiciando um crescimento de pouca qualidade, puxado pelo influxo de mão de obra imigrante pouco qualificada ou indiferenciada que vai para setores de trabalho intensivo com pouco valor acrescentado, como o turismo, a agricultura e a
no fundo, a ter como motores do crescimento o turismo, o PRR, o consumo doméstico e o influxo desses imigrantes.
per capita , e no fundo, sendo este que estipula a renda per capita , compreende-se que quem trabalha não
estagnada está a economia europeia. Parece aquele mau aluno que quando chega a casa finalmente com 10 valores logo esgotados os impulsos do turismo e do PRR, voltaremos a crescer abaixo dos 2%... Para sair disto seriam necessárias reformas estruturais que aumentassem o
a qual está alinhada com a velha economia do século passado e não com a nova bem, para quê mudar?
“ O EMPREGO A CRESCER 2,8% NUM ANO EM QUE O PIB APENAS AUMENTOU 2,4% MOSTRA QUE O PIB POR TRABALHADOR, A PRODUTIVIDADE APARENTE DO TRABALHO, DESCEU 0,4%, INDICIANDO UM CRESCIMENTO DE POUCA QUALIDADE ”
No momento em que escrevo este texto, está prestes a iniciar-se a conferência anual conhecida como Fórum Económico Mundial, em Davos. Do programa consta sempre a análise dos mais diversos política e económica mundial realizada por conhecidas personalidades a nível internacional e o palco, pela atracão que os nomes convidados exercem, garante sempre uma grande visibilidade. Mas, o início do evento é precedido pela -
mente sobre temas da atualidade. Um dos relatórios regulares anuais é o Global Risks alargado de peritos, os principais riscos que
a curto, médio e longo prazo. Em tempo de grande instabilidade e volatilidade geopolítica, económica, social e ambiental, considero obrigatório acompanhar estes relatórios, e o produzido este ano é, mais uma vez, um alerta importante que devemos ter em conta nas análises que cada um de nós faz para a
mados a tomar ou a seguir. Considerando que nos encontramos numa
teriza os tempos atuais é a incerteza, antecipando, como diz, uma previsão de grande turbulência ou mesmo de tempestade, nos próximos 10 anos. Para o ano em curso,
mundo. Mas acrescenta os fenómenos me-ciedade com os extremismos a crescerem, que, em si própria, constitui igualmente um Para além destes riscos a curto prazo, a médesigualdade, a erosão dos direitos huma-
longo prazo, os riscos decorrem do agravamento dos fenómenos anteriormente iden-
em termos de perda de biodiversidade e colapso do ecossistema, escassez dos recursos naturais e resultados adversos das
quadradas eticamente.
em termos sociais e económicos, sublinha a falta de oportunidades económicas ou o desemprego, o rebentar da bolha de ativos
“O QUE MELHOR CARACTERIZA OS TEMPOS ATUAIS É A INCERTEZA, ANTECIPANDO UMA
e enfraquecidos sistemas públicos de prote-
da erosão dos direitos humanos e/ou as libernossos olhos e muitos de nós sentem que já não são meros espetadores, mas antes suas personagens. Se escrevo esta crónica sobre este tema é porque estou profundamente preocupada com os fenómenos em crescimento a que assisto no meu país: confronta-mente espalhada, promessas incumpríveis que
social e erosão dos direitos humanos mais -
os dias e todas as horas. De tanto assistirmos a ele não somos capazes de aprender nada? Quando chegar a hora de fazer escolhas políÉ Preciso Agir
“Primeiro levaram os negros/ Mas não me importei com isso/ Eu não era negro/ Em seguida levaram alguns operários/ Mas não me importei com isso/ Eu também não era operário/ Depois agarraram uns desempregados/ Mas como tenho o meu emprego/ Também não me importei/ Agora estão-me levando/ Mas já é tarde./ Como eu não me importei com ninguém/ Ninguém se importa comigo

Escrevo este texto algumas horas
na qual a decisão dos eleitores qualificou para a segunda volta os Candidatos
O primeiro obteve no pleito um resultado próximo do que foi sendo projetado
em crescendo e terminou com um resultado muito acima do que tinha sido vaticinado quando decidiu arrancar. Estes dois movimentos são um indicador
sociedade portuguesa e a sua dinâmica potencial, e é sobre eles e sobre a marca de água que traduzem que se desenvolve
desfecho eleitoral, demonstrou que resiste na sociedade portuguesa um pro -
da liberdade e de uma perspetiva sustentável de desenvolvimento humanista e progressista.
Mostrou também como o registo moderado pode sobreviver e conquistar amo quando é menos atraente para as aufraturante, o ataque pessoal ou o recur-
Neste registo, a grande notícia da primeira volta das presidenciais é que a segunda não será disputada entre dois candidatos populistas, extremistas ou subservientes e que o processo democrático abriu es -
num passado cívico íntegro e numa visão política consistente.
De facto, a democracia portuguesa que tem evidenciado sintomas de enfraque -
deu sinais de vitalidade e abriu um segmento de oportunidade a quem quiser
truturantes.
Para alguém como eu, que depois de uma longa vida política no plano regional, nacional, europeu e global, sou autarca em proximidade e procuro em cada momento criar plataformas alargadas para defender o meu Concelho e a minha região, o facto de se
futuro, que saúdo com entusiasmo.
Perante o extremismo de direita em dis -
querda em autofagia acelerada, a alternativa já não é o bloco central perdido nas brumas da história, mas o bloco radicalmente moderado, que une as pessoas, que regula os interesses, promove as sinergias
O bloco das pessoas normais, que pela sua entrega, exemplo e compromisso são -
res para o tempo em que vivemos.

“ O REGISTO MODERADO PODE SOBREVIVER E CONQUISTAR A OPÇÃO DE UMA MAIORIA DE ELEITORES, MESMO QUANDO É MENOS ATRAENTE PARA AS AUDIÊNCIAS DO QUE A POLARIZAÇÃO, O DISCURSO FRATURANTE, O ATAQUE PESSOAL OU O RECURSO À DESINFORMAÇÃO ”
Adados, permitindo tratar doentes no seu domicílio com um nível de acompanhamento clínico comparável ao internamento hospitalar convencional.
tais destaca-se o benefício para o doente. O cuidado em ambiente familiar melhora o conforto, reduz o stress associado ao inter-
volvimento dos cuidadores favorecem a adesão terapêutica e a literacia em saúde. Para
são essencialmente estruturais e organizacionais. Existe assimetria regional na oferta
de telemedicina, registos clínicos eletrónicos
detetar precocemente sinais de agravamento clínico e ajustar terapêuticas em tempo útil. Esta capacidade é particularmente relevante
ra ou cuidados pós-agudos, onde a vigilância contínua é mais importante do que a presen-
Entre as principais vantagens da hospitaliza-
internacionais e a experiência nacional suglobais, associada a menores tempos de in-
Contudo, do ponto de vista tecnológico, persistem problemas de interoperabilidade
vanta constrangimentos em áreas com fraca cobertura de internet. Do ponto de vista humano, a literacia digital de alguns doentes
“ A DIGITALIZAÇÃO DA SAÚDE É UM FACILITADOR ESSENCIAL DA HOSPITALIZAÇÃO DOMICILIÁRIA E UM INSTRUMENTO PODEROSO
em competências digitais e novos modelos assistenciais continua a ser um fator crítico de sucesso.
ciliária e um instrumento poderoso para a Portugal dependerá de investimento consisbem como de uma visão integrada que coloque o doente no centro do sistema, sem equidade dos cuidados.

Há umas semanas, com razão, o se--
É verdade, e a esse fenómeno de julgamento pela aparência fugaz, determinando umariormente. Nada a fazer. Os erros cognitivos
para aceitarmos a última impressão como sendo a realidade indiscutível, faz parte da natureza do raciocínio humano e, em boa verdade, pertence a um conjunto de mecanismos cerebrais inatos que nos favorecem a sobrevivência enquanto espécie. O medo e a
refúgio são naturais, mas podem ser aumentados e usados para nos empurrar a tomar
nos manipula. Ora, se estes mecanismos existem e podem ser manipulados, têm sido usados em marketing comercial e político, também é verdade que depois de instalada a
bem, é muito difícil desmontá-la.

que são muito maiores do que a realidade numérica, factual, estatística, da frequência de efeitos adversos no sistema. Recente-
se deita no chão para demonstrar que precisava de atendimento rápido, como houve episódios, certamente lamentáveis, de pessoas que morreram antes da chegada do almejado socorro. Não interessa saber se esse socorro faria qualquer
urgência lá tinha ido em cadeira de rodas e trazida por familiar disposto a fazer ose tarda a resolver. Porque, se é verdade
exageradas, não é menos verdade que se -
cessivamente desviadas, é que tem sido difícil a quem nos governa desmontar ade notícias e desperta interesse, com um
a contrario sensuneralizada. Por um lado, é do conhecimenmelhor e mais depressa do que a satisfaisso, a expetativa de quem sofre, poderia
te e só se satisfaz com o alívio das causas, desejavelmente com remissão permanente. Se a tudo isto somarmos famílias, com interesses nem sempre concordantes com os dos pacientes, atores comerciais, agen-
qualquer sistema de saúde é difícil, por ser complexa e dispendiosa, morosa e sempre incompleta. Todavia, a única forma de murebater falsidades e esgrimir racionalidade,
sível, dos problemas que forem surgindo. mais do que reconhecer que elas existem, há que mudá-las. É cansativo, extenuante, quer Governar. E ninguém agradece.
“ SE É VERDADE QUE HÁ PRECIPITAÇÕES DE JUÍZOS E PERCEÇÕES EXAGERADAS, NÃO É MENOS VERDADE QUE, SE TUDO ESTIVESSE BEM, AS PERCEÇÕES MORRIAM ONDE COMEÇAVAM ”




por António Saraiva Presidente da SPAL
Depois de 25 anos de negociações, avanços e recuos, o Acordo de Parceria entre a União Europeia e o Mercosul foi assinado.
Com a eliminação gradual de mais de 90% das tarifas bilaterais, o acordo estabelece a maior zona de comércio livre do mundo, abrangendo mais de 700 milhões de consumidores e representando 20% do PIB global. Além disso, reduz barreiras não tarifárias, abre mais oportunidades de acesso a serviços e aos mercados públicos e proporciona um melhor acesso a matérias-primas críticas
de que os países do Mercosul são grandes produtores.
Há estimativas que apontam para que o seu impacto conduza, a prazo, a um aumento de 40% no comércio entre ambos os blocos. Com uma maior concorrência, certamente haverá quem ganhe e quem perca, mas o acordo inclui mecanismos de salvaguarda precisamente para proteger setores mais sensíveis caso surjam
perturbações de mercado. Em todo o caso, não será um jogo de soma nula, trazendo inegáveis benefícios económicos para ambas as partes.
E nquadram E nto g E opolítico
No entanto, o verdadeiro valor do acordo vai muito para além da economia. Assume uma importância que só pode ser plenamente compreendida se o entendermos
como uma resposta de resistência ao desmoronamento acelerado de uma ordem internacional baseada em regras e a um cenário de crescente protecionismo e unilateralismo.
Em tempos normais, seria impensável que um acordo com tamanha dimensão e sensibilidade fosse concretizado sem o apoio da França. Mas estes não são tempos normais. Se, em 2025, assistimos ao abandono pelos Estados Unidos das regras que regiam o comércio internacional, neste início de 2026 torna-se claro que não é apenas o comércio que está em causa, mas todo o enquadramento geopolítico mundial.
Numa recente entrevista ao New York Times, -
ção ao seu poder enquanto presidente dos EUA é a sua própria moralidade, a sua própria mente. E acrescentou: “Eu não preciso do direito internacional.” Na mesma entre-
a Gronelândia, “a bem ou a mal” com o fac-
to de ser isso “o que sente ser psicologicamente necessário para o sucesso”. Antes desta entrevista, Stephen Miller, o Branca para assuntos políticos e conselheiro de segurança interna tinha declarado, na mesma linha: “Vivemos num mundo em que se pode falar o quanto se quiser sobre subtilezas internacionais e tudo mais, mas vivemos num mundo, no mundo real, que é governado pela força, que é governado pelo poder. Estas são as leis férreas do mundo que existem desde o princípio dos tempos.”
uma oportunidadE rara É neste contexto internacional que o acordo com o Mercosul proporciona à União Europeia uma rara oportunidade de demons-
compromisso com o comércio baseado em regras, e que consegue encontrar aliados no mundo, salvaguardando a sua relevância geo-
política e económica. É particularmente sig-
por um lado, às vicissitudes da doutrina Monroe e, por outro, à crescente voracidade da China no acesso a matérias-primas críticas. O fracasso na concretização deste acordo teria sido desastroso, transmitindo uma mensagem de fraqueza e desunião da União Europeia, abalando a sua credibilidade enquanto ator geoestratégico relevante e deixando à China o caminho livre para reforçar
Em suma, com a relação transatlântica que conhecemos até agora a desintegrar-se, o acordo com o Mercosul surge como uma rara vitória para a Europa. Espero que con-
lizar outros acordos que estão a ser negociados e para que a União Europeia fortaleça o compromisso com o comércio aberto, baseado na reciprocidade e em regras, juntamente com o maior número possível de países que partilham a mesma visão.


por Carlos Carreiras Consultor
Portugal pode tornar-se um país de desperdício de oportunidades, fruto de não
prazo, perdendo-se nas táticas da espuma dos dias, fruto de lideranças sem ca-

Desenvolvi e lancei o projeto Aerópolis em Cascais, que representa uma das iniciativas mais ambiciosas de desenvolvimento
para a próxima década. Situado na zona de Tires, em torno do Aeródromo Municipal
C riação de uma C idade cidade do setor aeronáutico, num con-roespacial a acrescentar à já existente escola
mo com áreas empresariais, centros
milhões e meio de profissionais, criando
bem remunerados porque de alto valor
nha pressionar o déficit já existente, ajudando inclusive a combater esse mesmo déficit, ao mesmo tempo que cria novos
pecializada, técnico-profissional e universitária, permite o desenvolvimentodronescial, assim como promover soluções de mobilidade urbana.
a viação C ivil
Aerópolis é a resposta à necessidade de diversificar a economia local, reforçar
essas cada vez com mais procura e escassez de recursos humanos especiali-
todas as áreas que respondam à procura.
Cascais como produtor de conhecimen-démica que se encontra a desenvolver a
tre as academias e as empresas.
m etamorfose fun C ional
metamorfose funcional, rentabilizando-o com uma aposta em terra em detrimento da atividade no ar, mantendo a solidarie-
mo tempo que desenvolve a Mobilidade Aérea Urbana, ao testar e implementar
da mobilidade do futuro.
Apesar do entusiasmo, o projeto enfrenta urbanas, como a vontade e capacidade política de concretizar, nomeadamente com melhoria dos acessos rodoviários (os atuais
falta de resposta de infraestruturas aeroportuárias para um setor económico
Tires continuará a afirmar-se e a renta -
empreendedor das empresas. Cascais para além de continuar a olhar para o seu território e para esse enorme património que é o nosso mar, preparacientífica, promovendo uma maior coe -



Todos os dias o SNS salva milhares de vidas, mas infelizmente não consegue salvar todas, seja através da atividade programada, seja através do Serviço de Urgência e da Emergência Médica (INEM, Bombeiros e Cruz Vermelha Portuguesa).

Em Portugal e no resto do mundo, existem momentos críticos, sobretudo no inverno, em que a pressão sobre o SNS é maior e existido de forma sistemática diferenças que se tem estendido ao longo de muitos anos, que envolve mortes e disputa políti-
Vamos centrar-nos no INEM, que até tem uma Comissão Parlamentar de Inquéritotra da Saúde, no sentido de ultrapassar o para os cofres do Estado?
Medidas iMpleMentadas
1.
do INEM, que pode desde 2025 fazer os sua capacidade de resposta; 2.

3. através de concurso internacional e apoio
4. resposta dos Centros de Orientação de mais rápida da resposta do meio de socorro adequado; 5.
de mais 275 novas viaturas para o INEM; 6. INEM e está em curso a sua refundação; 7.
o acesso dos doentes urgentes aos serviços de saúde? Será que os processos eleitorais no debate público sobre a saúde?
exeMplos apontados
Por exemplo, o tempo médio de espera
existir atraso, atribuem a responsabilidade quem quer fazer política com a desgraça
Por isso, políticos e comentadores não pela morte da referida pessoa no caso do
8. que, entre outras medidas para a respos-
postas e libertar rapidamente as macas das 9.
nizar o sistema nacional de gestão de inscritos para consultas e cirurgias, e regular médicos tarefeiros, no sentido de reforçar a cooperação com os setores social e pri-
Estas são apenas algumas das medidas immedidas importantes, como por exemplo a implementação de novos modelos de gestão, estão naturalmente bloqueadas por -
com uma eleição legislativa pelo meio, foi -
Mas, vamos ao debate sério que muitas ve-xal, o mais difícil, que resultou na morte de
INEM defendeu que o problema não foi a triagem, mas a escassez de meios físicos
sério concluir antes das investigações queventura, se concluir que foi o atraso que
vale a pena recordar que a prioridade 3 no novo sistema de triagem do INEM 2026 risco de agravamento clínico, prevendo a casos que não requerem intervenção imeda oposição foi que a referida pessoa mor-
te contexto são sempre uma tragédia que lamentamos profundamente, que exigem
dade absoluta tem de ser o apuramento e politicamente oportunista pedir demis-

Os princípios estão corretos, mas o que deve ser questionado é a forma como, sob a capa da defesa do ambiente e do património cultural, se promoveram diretivas comunitárias e legislação nacional que fomentaram negócios que produzem custos e perda de tempo inaceitáveis para a construção de infraestruturas, equipamentos e habitação.
Até meados da década de 80 do século passado, aquele tipo de construções re-
sultava das soluções que, tecnicamente, permitiam a melhor qualidade com o preço mais baixo. Mas em 1987, o Relatório Brundtland veio introduzir o conceito de Desenvolvimento Sustentável, como aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem às suas próprias necessidades. Esta visão assenta no equilíbrio do crescimento económico, coesão social e proteção ambiental.
Foi um marco na mudança que obrigou a ter em conta os diferentes valores a ponderar no estudo dos projetos. Mas para muitos foi também uma oportunidade para produzir legislação que promoveria muitos negócios, que não seriam postos em causa porque estariam a defender o ambiente. E desta forma, a necessidade consensual de defender o ambiente foi-se sobrepondo aos outros valores, determinando exigências e custos cada vez mais elevados e prazos indeterminados.


m od E lo d E pr E valência do ambi E nt E
A Comissão Europeia passou a defender e a implementar diretivas cada vez mais fundamentalistas neste modelo de prevalência do ambiente sem ter em conta os custos e outras nefastas consequências.
Não há uma diretiva ou lei que estime os custos que resultam das medidas impostas. Com a imposição da transição energética, e com os constrangimentos a qualquer tipo de produção, por razões ambientais, as fábricas passaram para a China, e os produtos que a UE precisa passaram a ser importados sem se questionar a forma
história de hipocrisia em que apenas interessam os negócios, a indústria automóvel da UE acabou por ser também posta em causa com a invasão dos carros elétricos chineses a preços mais baixos.
Na minha oportunidade, estamos confrontados com as consequências de um ciclo que tem prejudicado a coesão social e o crescimento económico, com as populações dos diferentes países a perceberem que estão a viver cada vez mais com dificuldades e as opções políticas dos partidos dos extremos acabam por capturar a contestação.
n E gócios fom E ntados
Em Portugal, os exemplos do fundamentalismo imposto às construções para
defender as exigências anteriormente referidas já são tão evidentes, com custos elevados, que devem ser denunciadas, uma vez que a Comissão Europeia e os Governos ainda não tiveram coragem de reverter os excessos. Para além das já tradicionais pesquisas arqueológicas determinadas com poder absoluto, em que o dono de obra está sujeito ao que lhe for imposto, surgiu o negócio dos solos classificados como contaminados, que obriga as terras escavadas a serem depositadas em aterros com um mercado protegido e com custos elevadíssimos. Como não há novos aterros, o negócio justificado pela legislação e por índices muito reduzidos de contaminantes ou poluentes, está garantido.
Qualquer obra está sujeita a mais este negócio com custos e prazos indeterminados. Podemos referir como exemplos, a obra de reabilitação e ampliação de Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Gulbenkian, em que a descontaminação de terrenos custou 2,5 milhões de euros e a paragem da obra durante 9,5 meses. Convém recordar que no local esteve aberto ao público o mesmo CAM sem qualquer problema, o qual só passou a existir porque se fez uma obra de requalificação.
Na execução da obra de saneamento de Lisboa, com grandes escavações para o
túnel de drenagem, os terrenos também considerados contaminados têm provocado custos elevados. Na urbanização da Parque Expo, o transporte a vazadouro dos terrenos contaminados podem custar cerca de 500 euros por metro cúbico, o que significa um custo direto superior a 75 mil euros por lugar de estacionamento, a que acresce o custo de construção. Surpreende-me que entidades como a Autoridade da Concorrência, o Tribunal de Contas e a PGR não investiguem a produção legislativa que permitiu e fomentou estes negócios.
E liminar barr E iras
Mas curiosamente, porque o escândalo já é percebido noutros continentes, a governadora do Estado de Nova Iorque, do partido democrata, bem como o recém-eleito perfeito de Nova Iorque, considerado de extrema esquerda, já anunciaram medidas para reformar a lei de revisão ambiental, isentar projetos que não tenham impactos significativos e acelerar o processo de apreciação, numa reforma designada por “Let Them Build” (deixe-os construir), com objetivo de eliminar barreiras regulatórias para acelerar a construção de habitação e reduzir os custos e prazos.
No México a empresa portuguesa Mota-Engil construiu 1500 km de via férrea em apenas quatro anos, enquanto em Portugal o projeto da rede de alta velocidade Lis-
se executar, ou os acréscimos de custo. Enquanto não se alterar o modelo construído nos últimos 25 anos, que passou a dar a prevalência ao que acabei de referir,
“capa” da defesa do ambiente. Com custos cada vez mais elevados e prazos imprevisíveis, a construção de infraestruturas e de habitação será cada vez mais desajustada dos rendimentos da capacidademílias e serão os nossos impostos e quem precisa de habitação a pagar a fatura do que deixou de ser o desenvolvimento sustentável, para sustentar negócios.



por Isabel Meirelles
Advogada, Docente Universitária,
Ex-Deputada à Assembleia da República e ao Conselho da Europa
A Gronelândia é, à primeira vista, um paradoxo político contemporâneo: um território vastíssimo, dotado de recursos estratégicos e centralidade geopolítica crescente, mas com uma população diminuta, uma economia frágil e uma soberania incompleta.
Formalmente integrada no Reino da Dinamarca, a Gronelândia goza de um regime de autonomia alargada, com parlamento e governo próprios, sendo habitada maioritariamente pelo povo Inuit, cuja autodeterminação constitui o fundamento político-moral do autogoverno existente e da eventual independência futura. Os Inuit, em particular o grupo Kalaallit,
política do território. Trata-se de uma comunidade pequena em número, mas dotada de uma identidade coletiva forte, moldada por séculos de adaptação a um dos ambientes mais extremos do planeta.
A ligação à natureza, ao gelo, ao mar e aos ciclos sazonais não é apenas económica, organização social e a produção cultural. A língua Kalaallisut é elemento central
de ensino e de administração. A cultura manifesta-se em formas próprias de arte como escultura em pedra e osso, música tradicional e narrativas orais, hoje convivendo com expressões modernas sem perda do núcleo identitário.
Ao contrário de muitos povos indígenas, os Inuit da Gronelândia são a maioria no seu território e exercem autogoverno


efetivo. Daí resulta uma autodeterminação concreta, que se expressa na autonomia política e no debate contínuo sobre o futuro estatuto do território, incluindo a eventual independência.
Em suma, o povo da Gronelândia distingue-se por uma combinação rara de identidade indígena forte, autogoverno institucionalizado e centralidade geopolítica emergente, o que faz da sua experiência não apenas um caso antropológico singular, mas um ator político relevante no Ártico contemporâneo.
P ressões externas
Do ponto de vista socioeconómico, a Gronelândia permanece estruturalmente dependente. A sua economia assenta quase exclusivamente na pesca, responsável pela esmagadora maioria das exportações, e no setor público, largamente financiado por transferências anuais dinamarquesas que representam uma parte substancial do produto interno bruto e das receitas públicas. Esta dependência condiciona severamente a viabilidade de uma independência imediata e expõe o território a pressões externas num contexto de crescente competição no Ártico, impulsionada pelas alterações climáticas, pela abertura de novas rotas marítimas e pelo acesso potencial a minerais críticos. É neste quadro que devem ser compreendidas as reiteradas manifestações de interesse dos Estados Unidos na aquisição da Gronelândia. Ainda que juridicamente inviáveis e politicamente controversas,

tais pretensões não são meras excentricidades diplomáticas, pois refletem a perceção norte-americana da Gronelândia como ativo estratégico essencial para a defesa do Atlântico Norte, a projeção de poder no Ártico e a contenção de rivais globais.
Contudo, a simples enunciação da hipótese de “compra” de um território europeu soberano, reabre questões que se julgavam superadas no direito internacional contemporâneo.
i ntegridade territorial
A gravidade do problema intensifica-se pelo facto de a Dinamarca ser membro de pleno direito da Organização do Tratado do Atlântico Norte.
A NATO assenta num pressuposto basie o respeito pela integridade territorial de cada um deles. Quando um aliado maior manifesta, ainda que de forma retórica, a intenção de adquirir parte do sofre um abalo silencioso, mas profundo. O risco não é apenas diplomático, é sistémico. A normalização de pressões territoriais intra-aliança fragiliza a credibilidade da NATO enquanto estrutura defensiva baseada em valores comuns e no primado do direito.
Além disso, tais pretensões colocam a Gronelândia numa posição delicada, ou seja, entre o direito à autodeterminação do seu povo e a possibilidade de essa autodeterminação ser instrumentalizada por interesses estratégicos externos,
transformando uma aspiração legítima num veículo de dependência renovada.
P osição de P ortugal
Neste contexto, a posição de Portugal deve ser clara, prudente e juridicamente consistente. Enquanto Estado de média dimensão, profundamente dependente do multilateralismo, do direito internacional e da previsibilidade das alianças, Portugal tem um interesse vital em preservar a coesão da NATO e em rejeitar qualquer lógica de reconfiguração territorial baseada na pressão ou na transação.
A defesa da soberania dinamarquesa sobre a Gronelândia, sem prejuízo do direito dos gronelandeses a decidirem livremente o seu futuro é, simultaneamente, uma defesa dos princípios que protegem Estados como Portugal num sistema internacional cada vez mais competitivo. Portugal deve, por isso, alinhar-se com umaco à integridade territorial dos Estados aliados, promoção da autodeterminaçãoção de qualquer precedente que fragilize a arquitetura normativa internacional. No silêncio estratégico, reside muitas vezes a cumplicidade, e na clareza jurídica, a salvaguarda do interesse nacional. A Gronelândia não é apenas um território distante no mapa do Ártico. É um teste à maturidade das alianças ocidentais, à resistência do direito internacional e à capacidade dos num mundo onde o poder voltou a falar mais alto.


por Adalberto Campos Fernandes Professor NOVA ENSP
A saúde é muito mais do que um setor de políticas públicas. É a base sobre a qual se constrói o desenvolvimento social, económico e democrático de uma sociedade.
Sem pessoas saudáveis, não há crescimento sustentável, não há coesão social nem igualdade de oportunidades. Falar de um Pacto Estratégico para a Saúde é, por isso, falar de futuro, de responsabilidade coletiva e de escolhas que devem ultrapassar interesses imediatos ou ciclos políticos.
são complexos e interligados. O envelhecimento da população, o aumento das doenças crónicas, as desigualdades no acesso
e a pressão constante sobre os sistemas de saúde exigem respostas que não podem ser improvisadas. A estas realidades
as crises sanitárias globais e os impactos das alterações climáticas, que tornam ainda mais evidente a necessidade de uma visão estratégica, estável e partilhada.
C ooperação entre todos
Um verdadeiro pacto para a saúde deve assentar na cooperação entre todos os atores relevantes. O Estado tem um papel central na definição de políticas, no financiamento e na garantia do acesso uni -
versal. Os profissionais de saúde trazem consigo conhecimento, experiência e uma dedicação insubstituível. Os cidadãos não são apenas utilizadores do sistema, mas parte ativa na promoção da sua própria saúde e da saúde coletiva. O setor social contribui com proximidade, inovação e -
mia acrescenta investigação, formação e avaliação crítica. A iniciativa privada, por sua vez, pode ser um motor de investimento, inovação e eficiência. Só com esta articulação será possível construir soluções sólidas e duradouras. No centro de qualquer pacto deve estar a pessoa. Um sistema de saúde moderno não se define apenas pela sua capacidade de tratar a doença, mas pela forma como promove a saúde, previne problemas e acompanha as pessoas ao longo da vida. Isso implica reforçar os cuidados de saúde primários, apostar na proximidade, na continuidade dos cuidados e numa abordagem integrada que valorize o bem-estar físico, mental e social. Implica também ouvir mais os cidadãos, investir na literacia em saúde e reduzir desigualdades territoriais e sociais.

V alorização dos profissionais
outro pilar essencial. Sem condições de tra-
da, não há reforma que resulte. Cuidar de quem cuida é uma condição indispensável para garantir qualidade, segurança e humanização dos cuidados.
não pode ser ignorada. Um pacto estratégico
tes, previsíveis e orientados para resultados em saúde, e não apenas para o volume de atos realizados.A inovação digital, o uso inteligente de dados e a avaliação contínua das políticas
desperdícios e apoiar melhores decisões. Mais do que um documento, um Pacto Estratégico para a Saúde deve ser um compromis-
responsabilidade partilhada.A saúde não pode frágeis. É um investimento estruturante no bem-estar das pessoas e no futuro coletivo.
e deve continuar a ser, um dos principais motores de progresso, equidade e democracia.



por Carlos Mineiro Aires Engenheiro Civil, Membro Conselheiro e Ex-Bastonário da Ordem dos Engenheiros
Vivemos num mundo com diversos estados de desenvolvimento e realidades díspares, em que a qualidade de vida é mensurável a partir de indicadores infraestruturais, mas onde na maior parte dos países quase tudo se encontra por fazer ou por reconstruir devido às guerras, o que aporta acrescida importância à indústria da construção.
Apesar do descrédito em que a Organização das Nações Unidas (ONU) caiu, há que reconhecer o imenso trabalho feito pelos seus órgãos subsidiários. O papel da ONU não se esgota na incapacidade destacando-se em muitas outras atuações, nomeadamente de cariz humanitário. Em 2015, quando era mais fácil sonhar, a ONU estabeleceu a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável, um plano global inclusivo com 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas para, de forma integrada, erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir paz e prosperidade até 2030, nas áreas económica, social e ambiental. Tal como em muitas outras boas intenções, o calendário não vai ser cumprido, sobretudo depois de o Governo Federal dos Estados
Unidos ter decidido abandonar a maioria das organizações internacionais que historicamente motivou e integrou. Vivemos num mundo com diversos estados de desenvolvimento e realidades díspares, em que a qualidade de vida é mensurável a partir de indicadores infraestruturais, como, por exemplo, percentagem da população com acesso a abastecimento de água e saneamento básico, a alimentos, à saúde,
à educação, à habitação, os quilómetros de rede viária, etc., mas onde na maior parte dos países quase tudo se encontra por fazer ou por reconstruir devido às guerras, o que aporta acrescida importância à indústria da construção que está presente, direta ou indiretamente, em 15 ODS.
D imensão nacional
A nível nacional, o papel económico e social da indústria da construção civil e de
sua dimensão e criação de valor, da maior importância para a economia, pois resolve problemas e carências fundamentais, cria riqueza e emprego e melhora condições de vida, quer interna quer externamente.
que os quadros comunitários canalizaram para Portugal e que nos permitiram inverter situações de graves atrasos cróni -
país, ainda temos muita obra por fazer, sobretudo na habitação, na ferrovia, aeroportos, acessibilidades, portos, centros de dados, etc., o que, de acordo com a estimativa do Governo, corresponderá a investimentos na ordem dos 60 mil milhões de euros a realizar na próxima década. O mercado, onde a oferta não tem faltado, quer nas obras públicas (em 2025 o crescimento deve ultrapassar 80% em relação ao período homólogo), quer nas privadas, tem permitido que as empresas cresçam e que o emprego não falte, a que acresce o facto de as nossas maiores empresas prosseguirem a sua atividade internacional por razões que se repartem entre a vocação e a precaução, porque, em boa verdade são poucas as empresas que não estão preocupadas com o futuro a médio prazo.
Existem obviamente aspetos menos positivos, como as questões relacionadascessidade de sermos capazes de reter talentos, inverter a emigração e promover o retorno dos que saíram, para além desões conexas e do país. Teremos de saber acolher e dar formação aos que nos buscam para trabalhar e viver, e que hoje constituem a única solução para um grave
problema de dimensão nacional, a falta de mão de obra.
P ráticas D e sustentabili Da D e Para além das preocupações sociais e ambientais, hoje já vertidas na governação das maiores empresas, as práticas de sustentabilidade também constituem um tema permanente e transversal para a promoção pública de uma atividade que gera impactes significativos, mas que está apostada em demonstrar uma nova postura e imagem, assente na inovação e na assunção de novas atitudes que constituem vantagens estratégicas e visam que o setor da construção seja mais sustentável, mais eficiente e mais circular, em linha com as exigências ambientais, onde a crise climática leva a compromissos com as metas da descarbonização, a eficiência material, a eficiência energética, a eficiência hídrica e a transição digital, entre outros, e a constituírem novos paradigmas de atuação.
As empresas reinventam-se e adaptam-se, tendo começado a apostar na digitalização e industrialização da construção como forma de dar mais rápida resposta a emergências, como é o caso da habitação.
o P ortuni Da D es Para as em P resas
As grandes obras públicas que estão anunciadas terão, pois, de constituir oportuni -
dades para as empresas portuguesas, sem prejuízo das alianças que estas entendam estabelecer com empresas de outras ori -
nunca incentivadas pelo Estado, pois existe capacidade de organização e de liderança testada nas mesmas circunstâncias e também em cenários internacionais. É fundamental apostar em boas práticas de planeamento na área das obras públicas, procedimento que tem vindo a ser institucionalmente desvalorizado, pois na ausência de planeamentos concretos e realistas é muito difícil gerir investimentos e fundos e proporcionar às empresas conhecimento que lhes permitam dimensionar-se e preparar-se atempadamentenidades do mercado nacional. A par, urge rever o quadro legal e regulatório nacional, visando agilizar a contratação e reduzir a burocracia e a litigância, sem pôr em causa a transparência dos processos. Perante tamanha onda de investimentos e com as empresas em boa situação, não se compreende, pois, por que razão o Governo tomou a iniciativa de convidar empresas extracomunitárias para virem trabalhar e competir com as empresas portuguesas, onde se iriam debater com os mesmos problemas, mas provavelmente libertas de responsabilidades de outra natureza.


por Fernando Negrão
Jurista
Escrevo em tempos de campanha eleitoral, no caso para Presidente da República, num momento particularmente único da nossa democracia.

Pela primeira vez um dos candidatos é assumidamente de extrema-direita e explana o que pretende para o país, com o maior dos à-vontades, acerca da expulsão dos migrantes através de frases de carácter racista e xenófobo. E fá-lo exclusivamente com objetivos eleitorais, sem qualquer preocupação de natureza humanista, ou esquecendo irresponsavelmente a necessidade do país nestes homens e mulheres, para que com o seu trabalho o país funcio-
ne, levando a cabo, por exemplo, funções que já nenhum português quer fazer. Fruto da descredibilização dos partidos políticos tradicionais, que não souberam perceber que não são os donos do país, levando ao alastramento da corrupção, ao desinteresse pelo desenvolvimento do país e ao esquecimento da pobreza como uma nova grave realidade, esta candidatura radical tem conseguido êxitos muito rapidamente, ameaçando o atual quadro polí-
tico nacional e oferecendo ao país aquilo que ele não precisa: violência e cegueira. E ainda quanto a este candidato, na campa-mos a saber do seu programa é que conda República. Confusão esta que tem uma consequência perigosa e que é a de sendo função como se fora primeiro-ministro, le-
vando o país à instabilidade com óbvias e nefastas consequências.
U ma fig U ra militar Igualmente outra novidade foi o surgimen-
exemplar e um serviço prestado ao país no ameaçador tempo da pandemia de Co-to na população, pela imagem de competência, autoridade e respeito pelas pessoas que revelou. Foi uma personalidade elogiada por todo o espectro político nacional, agraciado múltiplas vezes e sempre dado por exemplo de boa gestão e daquilo que ao país tanta falta faz. Nunca teve qualquer atividade, participação ou aproximação à política. Nunca teve qualquer relação com qualquer partido político. Com coragem, candidatou-se. Cabe aqui realçar essa coragem, no sentido de o fazer sozinho e sem uma estrutura partidária que lhe desse amparo na organização da campanha. Contudo, confiava no apoio dos portugueses, daqueles que com ele se cruzaram durante a sua vida, daqueles que apreciaram as suas qualidades e daqueles que lhe ficaram agradecidos num
momento muito difícil da vida de cada um de nós. E assim avançou e com uma desvantagem, a de ter que criar uma estrutura a nível nacional que desse à sua campanha o suporte necessário ao seu desenvolvimento, com a dificuldade de começar com dois encargos – organização e política – por não ter o suporte de um partido político.
candidatura começou por merecer o silêncio, seguido de comentários de desconfiança e passando à crítica direta. No nosso país o que é novo é para desconfiar. Contudo, o candidato, com elegância, conseguiu fazer parar essa campanha, por através da sua conduta e palavras ter demonstrado que é um democrata e que vinha por bem. Não foi bonito este episódio corporativo dos partidos políticos, o que leva ao reforço da necessidade de mudança na forma de fazer política, com vista à criação de políticas que desenvolvam o país, criando melhores condições de vida para os portugueses.
N ova ordem m UN dial
E o momento em que decorre esta campanha eleitoral é de facto único, por de-
correr em simultâneo com a criação de uma nova ordem mundial que, a efetivar-se, deixará a Europa fragilizada e subalternizada. Curiosamente, ou não, pouco se tem falado acerca desta mudança durante a campanha eleitoral. Alguém me disse que seria para não assustar os portugueses, ao que respondi que já somos todos crescidos, não precisamos de tutela e temos o direito de saber e discutir o que se passa no país, na Europa e no mundo.
A nível nacional sente-se que ocorrerão a breve trecho mudanças. Já se sentem os sinais. Os partidos políticos, estruturas indispensáveis à democracia, têm o dever de estar ao lado dos cidadãos do nosso país. E estar ao lado é ser claro, objetivo e sincero na transmissão dos acontecimentos e suas prováveis consequências. A extrema-esquerda está a desaparecer eleitoralmente e o reforço cabe quase todo à extrema-direita. Qual delas a melhor. Os partidos do centro dividem-se.ceja para sobreviver. Tenhamos esperança e façamos todos um esforço de moderação para que aquilo que se possa vir a concretizar seja mais bom que mau. Bom Ano Novo!


Para os observadores mais atentos, habituados a olhar para os indicadores de saúde, mas simultaneamente para as pessoas concretas e para as suas histórias de vida, é impossível ignorar uma realidade incómoda: em Portugal, neste forma decisiva a saúde, a qualidade de vida e a esperança de vida.

Apesar da existência de um Serviço Nacional de Saúde universal e tendencialmente gratuito, persistem assimetrias regionais profundas que, na prática, desenham dois países distintos no acesso e na qualidade dos cuidados de saúde. Os indicadores nacionais, quando apresentados de forma agregada, transmitem frequentemente uma imagem relativamente positiva do estado de saúde da população. Contudo, essa leitura global
esconde desigualdades territoriais marcadas. Quando se observa o país com maior detalhe, surgem contrastes evidentes entre o litoral e o interior. Nas zonas costeiras, mais urbanizadas e economicamente dinâmicas, concentram-se hospitais de maior dimensão, centros especializados, profissionais diferenciados e serviços com maior capacidade de resposta. Em contrapartida, no interior – em particular no Alentejo, em partes da Região Centro e no Nordeste Transmontano – o acesso aos cuidados de saúde é frequentemente limitado pela distância, pela escassez de profissionais e pela fragilidade das redes de transporte.
No exercício quotidiano da sua atividade,latos recorrentes de doentes que adiam, interrompem ou abandonam tratamentos essenciais, não por falta de vontade, mas -
soas, sobretudo idosas e com mobilidade reduzida, uma simples consulta pode implicar dezenas de quilómetros de deslocação, custos elevados e uma complexa organização familiar. Quando o acesso é penoso e incerto, a adesão aos cuidados diminui, e as
no estado de saúde das populações.
N úmeros preoc U pa N tes
Estas desigualdades territoriais traduzem-se em números preocupantes. A esperança de vida à nascença pode variar mais de três anos entre concelhos relativamente próximos. A mortalidade prematura é consistentemente mais elevada nas regiões do interior e nas áreas com menor densidade populacional. Estes dados não resultam do acaso nem de diferenças genéticas, mas de determinantes sociais bem identificados: populações mais envelhecidas, rendimentos mais baixos, menor escolaridade, isolamento geográfico, menor capacidade de atrair investimento e uma rede de serviços públicos mais frágil. Um dos problemas estruturais mais persistentes é a distribuição desigual dos recursos humanos em saúde. A falta, em várias zonas do interior, de enfermeiros, médicos de família e outros especialistas mantém-se ao longo dos anos. Apesar da existência
grandes centros urbanos, onde existem maiores oportunidades de progressãotínua e uma percecionada melhor qualidade de vida. A comparação com outros
semelhantes é, neste domínio, desfavorável, uma vez que estes oferecem pacotes de incentivos mais robustos e efetivos. As assimetrias estendem-se também a outras áreas essenciais do sistema de saúde. O acesso a cuidados continuados, a consultas de saúde mental, a farmácias comunitárias e a programas de prevenção apresenta diferenças significativas consoante a região. Um exemplo claro é o dos rastreios oncológicos: os residentes em algumas zonas do interior têm uma probabilidade substancialmente menor de realizar os exames preventivos recomendados, não por falta de consciência ou responsabilidade, mas por falhas na organização dos serviços e pela ausência de respostas de proximidade.
U ltrapassar barreiras
Muito se tem falado da telemedicina como uma solução potencial para ultrapassar barreiras geográficas, e esta poderá, de facto, ser uma ferramenta re -

levante. No entanto, a sua aplicação no interior enfrenta obstáculos concretos, como a cobertura de Internet insuficiente, limitações tecnológicas e uma população envelhecida com menor literacia digital. Sem resolver estas limitações estruturais, a tecnologia corre o risco de beneficiar sobretudo quem já se encontra em contextos mais favorecidos.
A descentralização de competências na área da Saúde para as autarquias surge como uma possível oportunidade para respostas mais ajustadas às realidades locais. Ainda assim, este processo exige cautela e planeamento rigoroso. Sem mesolidários, existe o risco de agravar desigualdades já existentes, deixando os territórios mais pobres ainda mais vulneráveis. Reduzir as assimetrias regionais em saúde não será possível com uma única medida nem exclusivamente dentro do setor da Saúde. Exige políticas públicas integradas que articulem saúde, transportes, emprego, educação, habitação e combate à pobreza. Enquanto estas desigualdades estruturais persistirem, continuaremos a viver num país onde o código postal pesa quase tanto como o diagnóstico e onde a geografia continua a ditar, de forma implacável, o acesso e a qualidade dos cuidados de saúde.


por Ricardo Jardim Gonçalves
Professor Catedrático da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa/UNNova
A indústria europeia atravessa um momento decisivo. Não por força de ruturas súbitas, mas pela consciência crescente de que os modelos que sustentaram décadas marcado pela escassez de recursos, pela pressão climática, pela instabilidade geopolítica e por um quadro regulatório cada vez mais exigente, competitividade e sustentabilidade deixaram de ser objetivos contraditórios, passando a assumir-se, cada vez mais, como dimensões indissociáveis.

Durante demasiado tempo, a prosperidade industrial assentou num modelo
É neste enquadramento que surge o Rema-
u m pilar d E E l E vado valor

E x E mplo português
sustentados por plataformas digitais B2B,

por Alexandre Miguel Mestre Advogado, Professor Universitário,
Ex-Secretário
de Estado do Desporto e Juventude
As eleições presidenciais trouxeram à baila o papel do Conselho de Estado, órgão político de consulta do Presidente da República, ao qual nem sempre se tem dado a devida atenção e relevância.

Na prática só se fala no Conselho de Estado quando se equaciona que o chefe de Estado venha a decidir pela dissolução da Assembleia da República ou pela demissão do Governo, isto é, só em face das questões mais melindrosas, mais dramáticas, mais sensíveis da vida nacional. Estamos a falar de um órgão constitucional, que não de soberania, criado pela revisão constitucional de 1982, sem, todavia, ser o herdeiro do Conselho da Revolução,
que tem o dever geral de aconselhar o Presidente da República, que o auxilia na
contrário do que sucede com o outro órgão consultivo do Presidente da República – o Conselho Superior de Defesa Nacional –, o Conselho de Estado é merecedor de um capítulo próprio na Constituição, o que, desde logo, atesta a sua relevância. Há uma tradição histórica que ajuda a explicar a existência do órgão. Já no início da
Monarquia se instituíram conselhos privativos para apoiar as decisões dos reis. Por alvará de 8 de setembro de 1569, do rei D. Sebastião, foi institucionalizado o Conselho de Estado. Durante a Monarquia Constitucional, a Primeira República e o Estado Novo, com diferentes graus de relevância, funcionaram quase sempre (houve hiatos em que se suprimiram) órgãos consultivos do monarca e do Presidente da República, vocacionados para situações de crise,
para questões graves da nação. Compuseram sempre esses órgãos personalidades
futável probidade.
c ooper A ção interinstitucion A l
É legítimo, à partida, questionar-se a necessidade de existir um Conselho de Estado, porquanto o Presidente da República pode sempre ouvir, bilateral ou multilateralmente, em privado, quem bem entender. Há diferentes mecanismos, formais e informais, para tal. Não obstante, o Conselho de Estado mostra-se útil enquanto centro de cooperação interinstitucional, ao proporcionar interação, debate franco e aberto, contraditório, confronto de ideias entre os principais atores representativos do tecido social e político português, em nome do interesse nacional. Permite troca de informações. Impulsiona a conformação de posições e decisões. Promove consensos. Ajuda, com solenidade, o Presidente da República no exercício de diversas das suas competências, senão todas.
O Conselho de Estado é, ao mesmo tempo, por um lado, um órgão de condicionamento, de limitação ou de controlo do Presidente da República e, por outro lado, um órgão que matiza a responsabilização do Presidente da República, que lhe confere apoio institucional e político, que lhe assegura um conforto, um respaldo público, uma cobertura para as suas decisões, mesmo (ou sobretudo) quando, como já sucedeu, decida em sentido contrário ao da opinião da maioria dos conselheiros.
p ropostA s em A berto
Sobre a evolução histórica, a necessidade, a composição, as competências, a organização e funcionamento, o Estatuto dos membros, e diversas outras questões conexas com o Conselho de Estado, sem esquecer uma análise comparada com os países da CPLP, escrevi recentemente um livro (Conselho de Estado: Evolução Histórica, Enquadramento Constitucional e Infraconstitucional, Coimbra,
Gestlegal, 2025, 144 p.). Mas permita-me, caro leitor, neste espaço, enunciar algumas das propostas que ali deixo em aberto, para a decisão.
Ao nível da composição, e tendo em conta a natureza política do órgão, não seria de ponderar a integração obrigatória do líder de oposição (presidente ou secretário-geral do maior partido), sabendo-se que já ocorreu o mesmo não ter assento no órgão? E, face ao que representam, não seria útil integrar o presidente do Comité Económico e Social e o presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses?
No plano do Regimento do Conselho de Estado, será que se justifica manter a regra de confidencialidade das atas por 30 anos “ a contar do final do mandato presidencial em que se realizaram as reuniões a que respeitam ”? Por outro lado, há diversas matérias que não constam de normas escritas, pelo que talvez se justificasse a sua redução a escrito, designadamente a gravação das reuniões; haver ou não um dever de intervenção dos conselheiros; convidar-se (que não convocar-se) personalidades externas à composição do órgão para participarem nas reuniões; o Presidente da República autorizar algum conselheiro a desmentir o conteúdo de “fugas de informação” ou para fazer uma pública defesa da sua honra.
A l A rg A mento dA s competênci A s Propomos o alargamento das competências atribuídas ao Conselho de Estado, em
sede de uma futura revisão constitucional, destacando-se a de passar a pronunciar-se obrigatoriamente sobre a convocação de um referendo ou antes de uma potencial declaração de estado de sítio ou de emergência (estado de exceção, de anormalidade constitucional). E se há, naturalmente, que ponderar várias razões em sentido contrário, ousamos, ainda assim, propor que se consagre a obrigatoriedade de emissão de parecer pelo Conselho de Estado previamente à nomeação do primeiro-ministro, pelo Presidente da República. No quadro da exteriorização ou comunicação da vontade do Conselho de Estado através da emissão de pareceres, que podem ser obrigatórios/necessários (existindo vício de procedimento/inconstitucionalidade formal caso o órgão não seja consultado) ou não obrigatórios/facultativos, constata-se que nem todos os pareceres têm de ser escritos – o que até se pode questionar –, mas quando se impõe que o sejam, deveria, a nosso ver, ponderar-se as vantagens de passarem a ser menos lacónicos, ou seja, necessariamente mais fundamentados.
Em sede de legislação infraconstitucional, sem prejuízo de se reconhecer as dificuldades práticas de implementação, e não sendo eu à partida muito favorável a regimes de “quotas”, devemos pelo menos refletir na proposta de fazer incidir nos Conselheiros de Estado a Lei da Paridade nos Órgãos Colegiais Representativos do Poder Político.
Mas há muito mais para discutir sobre este órgão…





Partidas Junho, Julho e Agosto 2026



» Novos espaços «
» Novas experiências «
» Mais entretenimento «
» Dedicação em cada detalhe! « #ELEVATE

O Bentley Bentayga Speed representa a expressão máxima da combinação
Posicionado no topo da gama Bentayga, este modelo não é apenas o mais rápido da família, mas também aquele que melhor traduz a mestria artesanal


Com um motor W12 sob o capot, interiores personalizáveis ao mais alto nível e um comportamento dinâmico surpreendente para o seu porte, o Bentayga Speed foi criado para aqueles que desejam o melhor de dois mundos: o conforto de uma limusina de luxo e o desempenho digno de um verdadeiro desportivo.
À primeira vista, o Bentayga Speed distingue-se dos restantes modelos da gama por uma série de elementos estéticos exclusivos que reforçam a sua presença e o seu carácter desportivo. As jantes de 22 polegadas, os faróis e grupos óticos traseiros escurecidos, as saias laterais e o spoiler traseiro mais pronunciado são apenas alguns dos detalhes queçaria e os logótipos “Speed” nas portas dianteiras reforçam a exclusividade deste modelo. Trata-se de um automóvel que impõe respeito, mesmo parado, com uma postura imponente e elegante, mas simultaneamente agressiva na sua linguagem visual.
A mbiente irrepreensível
No interior, o ambiente é absolutamente irrepreensível, como já seria de esperar num modelo Bentley. Os materiais são todos de qualidade excecional, desde os couros perfurados às inserções em fibra de carbono ou madeira de poros abertos, ao gosto do cliente. A bordo do Bentayga Speed, a experiência é envolvente, silenciosa e absolutamente requintada. Os bancos dianteiros contam com aquecimento, ventilação, função de massagem e mais de 20 regulações elétricas. Atrás, dependendo da configuração escolhida, os passageiros podem beneficiar de um ambiente quase executivo, com comandos próprios para climatização, entretenimento e posição dos assentos. A componente tecnológica é outro dos pilares deste modelo. O painel de instrumentos digital pode ser personalizado de várias formas, incluindo um modo exclusivo “Speed” com gráficos especí -






ficos. O sistema de infoentretenimento conta com um ecrã tátil de alta definição, compatibilidade com Apple CarPlay e Android Auto, e ligação permanente à internet para atualizações remotas. O sistema de som opcional Naim for Bentley, com mais de 1700 watts de potência e 20 altifalantes, garante uma paisagem sonora de excelência, capaz de transformar qualquer viagem numa experiência sensorial única.
m otoriz A ção
Mas é ao nível da motorização que o Bentayga Speed revela a sua verdadeira essência. Debaixo do capot está um motor W12 de 6.0 litros, com dois turbocompressores, que desenvolve uns impressionantes 635 cv de potência e 900 Nm
de binário. Com este motor, o Bentayga Speed consegue acelerar dos 0 aos 100 km/h em apenas 3,9 segundos – números que rivalizam com muitos superdesportivos – e atingir uma velocidade máxima de 306 km/h, o que faz dele o SUV mais rápido do mundo em produção (com exceção de séries limitadas de hiperluxo).
A transmissão é feita através de uma caixa automática de oito relações, com passagem de potência para as quatro rodas motrizes. A suspensão pneumática adaptativa e os modos de condução configuráveis permitem ajustar o comportamento do automóvel a diferentes estilos de condução ou tipos de estrada. O sistema Dynamic Ride, que controla eletronicamente o rolamento da carroçaria em curva, oferece uma agilidade


surpreendente para um SUV com mais de 2,4 toneladas. Para travar este colosso, a Bentley oferece um sistema de travagem em carbono-cerâmica (opcional), capaz de garantir uma desaceleração eficaz mesmo após condução mais intensa. Apesar da sua vocação desportiva, o Bentayga Speed não renuncia ao conforto e à versatilidade. A bagageira oferece uma capacidade generosa, e a suspensão pode ser rebaixada eletronicamente para facilitar o carregamento. Para os mais exigentes, está disponível o pacote Touring, que inclui assistentes à condução como

cruise control adaptativo, visão noturna, assistência de manutenção de faixa e um sistema de câmaras de 360 graus. A sensação a bordo é de total domínio e serenidade, mesmo a alta velocidade.
p erson A liz A ção A gosto Como seria de esperar num modelo Bentley, as possibilidades de personalização são praticamente ilimitadas. Através do programa Mulliner, cada cliente pode criar o seu Bentayga Speed à medida, escolhendo entre dezenas de cores exteriores, tipos de couro, costuras, padrões

decorativos e muito mais. O resultado é sempre um automóvel absolutamente único, talhado ao gosto do proprietário. Com o Bentayga Speed, a Bentley reforça o seu estatuto no segmento de luxo, mostrando que é possível aliar tradição e inovação, elegância e performance, robustez e sofisticação. Num mundo em transição para a mobilidade elétrica, este W12 representa também um tributo ao motor de combustão mais emblemático da história recente da marca. Um SUV para quem não aceita compromissos e exige o melhor em todas as vertentes.


O Lexus NX 450h+ representa o expoente máximo da gama NX e é, ao mesmo tempo, o primeiro híbrido plug-in da marca nipónica. Com um visual distintivo, reforçado nesta versão
Executive pela pintura Kaki, o SUV médio da Lexus alia elegância, robustez e uma identidade premium que não se perde vincadas, a grelha em spindle característica e os grupos óticos
japonesa se conjuga com detalhes funcionais. plug-in combina um bloco 2.5 a gasolina com dois motores elétricos, garantindo tração integral (E-Four) e um total de 309 cv.


O Mercedes Benz EQE 300 representa a entrada na gama de berlinas elétricas de luxo com a assinatura da marca da estrela, conjugando tecno-
oferecendo autonomias competitivas no segmento premium e uma en-
ferem uma presença distinta na estrada. O interior é um exemplo de luxo moderno, com materiais de alta qualidade, assentos ergonómicos e um ambiente orientado para o bem estar do condutor e passageiros.
O Mercedes Benz EQE 300 surge assim como uma proposta convincente tecnologia de ponta e um compromisso sólido com a sustentabilidade sem abdicar do prazer de conduzir.
italiana do SUV desportivo, onde a paixão pela condução se encontra com o pragmatismo da tração integral Q4. Com linhas musculadas, grelha trilobada e faróis expressivos, este SUV distingue-se por um design marcante que respira dinamismo e elegância em partes iguais. Sob o capot um binário que responde de forma vigorosa, garantindo prestações
versão é a tração integral Q4, um sistema inteligente que distribui automaticamente o binário entre os dois eixos, oferecendo máxima tração em pisos escorregadios sem comprometer a agilidade em estrada seca.
esquecer, por momentos, que se trata de um SUV. Um modelo para

BMW I5 EDRIVE40
lina executiva clássica, combinando a elegância intemporal do Série
to, desempenho e mobilidade sustentável, sem abdicar de presença e
No coração desta versão está um motor elétrico de última geração envolventes e uma circulação silenciosa.
gância, performance e inovação, uma escolha distinta para quem valoriza tecnologia, estilo e uma condução emocionalmente envolven-


premium com tecnologia avançada, desempenho entusiasmante e autonomia generosa. Este sedan design
na ordem dos cerca de 590 quilómetros, proporcionando liberdade real para viagens diárias e deslocações mais longas sem compromissos. que combina autonomia real, performance envolvente e conforto condução sem limites.
compacto pensado para o quotidiano contemporâneo. Sobre a base sólida da família Corolla surge uma proposta que alia
cada na estrada. Com linhas musculadas mas equilibradas, o Corolla Cross transmite robustez e modernidade, sem perder a elegância que se espera de um utilitário versátil. Debaixo do capot está um sistema híbrido autorecarregável
ca, oferecendo consumos reduzidos e uma resposta suave e constante, ideal para conduções urbanas e para percursos


espírito versátil e cheio de personalidade, perfeito para quem procura um automóvel com presença, conforto e tecnologia, sem abrir mão da funcionalidade. Este modelo estreia-se como uma proposta fresca no segmento ur-
e intuitivo, onde cada detalhe parece pensado para tornar a condução mais leve e agradável. Com um interior generoso, espaço para cinco adultos e um porta-bagagens versátil, este SUV adapta-se facilmente ao dia a dia, desde as
versatilidade para um estilo de vida ativo e contemporâneo. Um automóvel que acompanha com elegância a rotina de quem valoriza conforto, tecnologia e um toque de personalidade em cada quilómetro.
TOYOTA YARIS CROSS 1.5 HEV GR PREMIERE
tração integral. É uma fórmula híbrida que conjuga estilo, desempenho e responsabilidade ambiental numa carroçaria prática e versátil.


design exterior marcado por linhas elegantes e uma postura conquem quer um automóvel que se destaque com charme e personalidade em cada momento da vida.
Debaixo do capote 240 Nm de binário, conferindo acelerações serenas sem perder resposta dinâmica.
acompanhar todas as fases da rotina com presença e charme, desde as viagens urbanas aos passeios mais longos ao sol.

O restaurante do Estoril Vintage Hotel, um boutique hotel de charme com forte componente patrimonial e vistas sobre o oceano Atlântico, é uma extensão natural da filosofia do espaço – elegância sem ostentação e uma relação íntima entre ambiente, produto e tradição.







Ponto de encontro
quando esse ato envolve tempo, intenção e vivência, transforma-se em algo
Jewelry passa por dar expressão ao afeto com peças que combinam arte,

a Bergue, a personalização é uma base essencial. Seja através da encomenda de um anel de noivado – cada vez mais procurados por quem deseja um desenho exclusivo – ou pela transformação de uma peça antiga, herdada e repleta de história, a marca convida o cliente a participar ativamente na criação.
Esse processo colaborativo é vivido com tempo, escuta e atenção ao detalhe, num ambiente onde cada escolha pode ser pensada com dedicação e cuidado. Não se trata apenas de adaptar uma peça ao gosto pessoal, mas de encontrar uma forma de preservar e reinterpretar memórias. Um colar que nasce de um anel antigo, um par de brincos feitos a partir de uma meda-

lha de família, um anel que celebra uma nova fase da vida – cada transformação é feita com respeito pelo passado e sensibilidade para o presente.
Para quem cria, cada peça pode contar uma história que já existe ou ajudar a iniciar uma nova. É essa possibilidade de permanência – afetiva e visual – que torna cada criação
PeçAs com sentido
Apesar do forte enfoque na personalização,
através das suas coleções próprias: conjuntos de peças desenhadas com coerência estética e narrativa, pensadas para quem procura beleza com autenticidade, sem abdicar da ligação emocional.
Para celebrar esta época do ano, a marca portuguesa lança uma coleção exclusiva de charms – pequenos pendentes simbólicos que podem ser adicionados a colares, brincos, correntes ou pulseiras. Disponíveis a partir deste São Valentim, os novos charms assumem-se como pequenos gestos com valor emocional, perfeitos para quem procura um presente personalizado e íntimo.
As pulseiras permanentes, que já conquistaram muitos pela sua delicadeza e represen-
uma nova dimensão com a possibilidade de integrar estes charms. No Chiado, estão disponíveis em ouro e prata; na LX Factory, exclusivamente em prata. Em ambos os espaços, mantém-se a experiência – as correntes são soldadas diretamente no pulso, num processo visível e delicado, em frente ao cliente, que transforma a peça numa demonstração de afeto – discreta, mas expressiva.
A visita à loja é muito mais do que escolher uma joia: é a oportunidade de viver um momento a dois, criar algo em conjunto e levar consigo um gesto que dura.
muito Antes do diAmAnte
Até à década de 1930, os diamantes não eram a escolha óbvia para pedidos de casamento. Usavam-se frequentemente bandas de metal simples ou pedras preciosas coloridas, mais comuns entre as classes altas, escolhidas pelo seu simbolismo e pela intenção associada.
Foi apenas após uma campanha publicitária orquestrada pela De Beers – através da agência N.W.Ayer & Son – que o diamante se consolidou como padrão romântico. O objetivo era relançar a procura, ligando a pedra à ideia de amor eterno. A estratégia resultou:
em apenas três anos, as vendas de diamantes nos EUA dispararam 50%, e a ligação entre o noivado e o diamante transformou-se numa norma cultural que perdura até hoje. Hoje, a marca portuguesa Bergue Jewelry recupera precisamente esse espírito de li
beleza intemporal do diamante, ainda pre sente nas suas criações, mas dando espaço à escolha pessoal e consciente. Aqui, cada pe dra ou detalhe conta uma história: não existe um caminho único para expressar amor.

Esmeraldas, veneradas pela sua cor vibrante e aura protetora – todas elas regressam ao centro da narrativa, agora com um olhar contemporâneo. E para os que procuram tornar cada peça verdadeiramente única, a Bergue oferece gravações e adornos personalizados, permitindo que anéis de noivado ou alianças eternizem mensagens íntimas e afetos pessoais.
JoAlhAriA consciente
A transparência é outro dos pilares da Bergue. Todas as pedras preciosas utilizadas nas -
do europeu por lote, garantindo não só rastreabilidade total, mas também ótimos níveis de claridade e pureza.
Num momento em que a consciência sobre o impacto da mineração é crescente, os dia-
ambientais consideráveis: desde os chamados diamantes de sangue – que, apesar do Processo de Kimberley, um sistema internacional criado para impedir o comércio de -
to, continuam a circular no mercado – até à exploração laboral, à destruição ambiental e à ausência de garantias sobre a proveniência real das pedras.
Os diamantes de laboratório, por sua vez, são quimicamente idênticos aos naturais, mas oferecem a tranquilidade de uma origem controlada e ética. São cruelty free , sustentáveis e com um impacto ecológico
indistinguíveis dos extraídos, representam uma escolha consciente, informada e contemporânea.
Em 2026, são cada vez mais a opção preferida por quem procura celebrar o amor sem comprometer valores fundamentais – uma aliança entre elegância, ética e responsabilidade que se alinha com a visão da marca.
Este São Valentim, a Bergue Jewelry convida a um gesto mais consciente, mais pessoal e mais duradouro. Uma visita à loja é o ponto de partida para um presente que é também uma vivência – algo pensado não apenas para surpreender, mas para criar ligação, evocar lembranças e celebrar afetos reais. Mais do que seguir convenções, a proposta da marca é dar forma a um sentimento, seja ele vivido a dois, partilhado com alguém próximo ou até oferecido a si mesmo. Porque o amor – em todas as suas expressões – merece ser celebrado com autenticidade, intenção e cuidado. Entre peças personalizadas, símbolos universais e gestos discretos, cada escolha transporta uma história. E, na Bergue, essa história é sempre feita à medida de quem a vive. Uma celebração do amor com memória, com profundidade e com verdadeira beleza.

No Estoril, a poucos passos do oceano, encontra-se uma casa que parece ter ali pertencido desde sempre. Construída nos anos 1940, esta moradia Art Déco, que se desenvolve por cinco pisos, integrados na encosta, foi cuidadosamente modernizada ao longo dos anos, transformando-se em algo muito mais do que uma casa de família. No interior, os espaços são amplos, mas nunca excessivos.
Apesar de transmitir uma sensação de recolhimento, a mo-
parques e praias de Cascais e Estoril por perto. O melhor de dois mundos: uma casa com história e carácter, adaptada à vida moderna, mas sem perder a alma original.
Preço: SOB CONSULTA


WINDMILL HOUSE IN CASCAIS
No topo de uma colina tranquila com vista panorâmica sobre Cascais e o Atlântico, este antigo moinho foi transformado numa moradia única. A poucos minutos do centro, oferece total privacidade, contacto com a natureza e uma paisagem de cortar a respiração.
Completamente mobilada e pronta a habitar, a casa inclui seis quartos, cinco casas de banho, sala de estar com várias zonas distintas e lareira central, além de uma cozinha moderna com despensa.
Mais do que uma casa, é um refúgio privado onde a arquitetura se funde com a envolvente natural – ideal para quem procura tranquilidade, vista e carácter.
Preço: SOB CONSULTA
Situada no prestigiado resort Vale do Lobo, esta moradia integra-se na paisagem algarvia com total privacidade e elegância. Implantada num lote de 1140 m², destaca-se pelasrior e exterior.
A casa inclui cinco suítes com walk-in closet, zonas sociais amplas com janelas de pé-direito total, cozinha equipada em open space e acabamentos de elevada qualidade. No exterior, a piscina central prolonga os espaços de convívio e um rooftop com segunda piscina e lounge bar oferece vistas abertas e total privacidade.
Preço: SOB CONSULTA


Esta moradia do século XIX, localizada na Avenida Sotto Mayor, em Sintra, foi cuidadosamente restaurada para oferecer o conforto da vida moderna sem perder o carácter histórico. Com quatro quartos distribuídos por quatro pisos, a casa mantém elementos originais como tetos altos e soalhos em madeira.
A zona social inclui uma sala de estar em open space, cozinha equipada e biblioteca com vista para o jardim. No piso superior, encontram-se duas suítes, e no sótão mais dois quartos com casa de banho partilhada. A cave oferece áreas de lazer como sala de cinema, sauna e garrafeira. O exterior inclui estacionamento dentro da propriedade.
Preço: 3.900.000,00€
AQUADAR PRIVATE RESORT IN VALE DO LOBO, ALGARVE
Rodeado por natureza e com vistas deslumbrantes para o mar, o Aquadar Private Resort é uma propriedade implantada num terreno de 13 hectares, em Vale do Lobo, Algarve.
O projeto de arquitetura distingue-se pela forma como integra ruínas existentes com elementos contemporâneos, utilizando materiais locais para preservar a autenticidade da paisagem algarvia.
mação de elegância, personalidade e visão arquitetónica.
Preço: 45.000.000,00€


OCEANVIEW PENTHOUSE IN ALBUFEIRA, ALGARVE
Com vista panorâmica sobre Albufeira, a penthouse integra o exclusivo complexo Finisterra, situado a 33,8 metros acima do nível do mar. Com 210 m² interiorescidade e conforto moderno.
Projetada por Tom van Ooijen e decorada pela DMARQ, destaca-se pelos acabamentos de topo, lareiras a gás, ar condicionado e sistema de iluminação inteligente. Os amplos terraços, piscina e jacuzzi privados valorizam a vivência exterior.
Preço: 4.500.000,00€
a fórmula da trail mais desejada, pronta para a cidade, para a estrada e para quando o asfalto desaparece.

Desta vez, aceleramos com a nova BMW R 1300 GS, uma trail com alma de aventureira no seu melhor estilo. Mais leve, mais compacta e com um motor boxer revisto, entrega força de forma imediata e uma resposta mais viva em estrada e fora dela. A ergonomia foi melhorada para longas viagens, a proteção aerodinâmica é competente e a tecnologia está ao nível do que se espera no topo: modos de condução, ajudas eletrónicas e uma ciclística que inspira confiança mesmo quando o piso deixa de ajudar. É daquelas motas que tanto faz ir trabalhar, fazer uma nacional ao domingo ou apontar ao fim do mapa. A R 1300 GS não promete milagres, promete controlo, conforto e vontade de continuar. E quando a estrada acaba, ela faz questão de abrir caminho.












Quinta do Côtto
Grande esColha 2017
Douro | Vinho Tinto | Quinta do Côtto
CASTAS: Touriga Nacional e Vinhas Velhas
ENÓLOGO: João Grave
PREÇO: 50,60€
“A recomendação é resistir à tentação de abrir já um exemplar do Quinta do Côtto Grande Escolha 2017, pois pede tempo em garrafa para evidenciar todo o seu esplendor.”
O Quinta do Côtto Grande Escolha 2017 surpreende pela cor rubi e aromas a fruta madura, notas de bosque, especiarias e cacau. Um vinho complexo, com taninos espessos e uma acidez a equilibrar o conjunto.
ACOMPANHA BEM: carnes vermelhas e de caça, estufados de aves ou assados de porco.

Foral de Cantanhede
Gold edition BaGa 2011
Bairrada | Vinho Tinto | Adega Cooperativa de Cantanhede
CASTAS: Baga
ENÓLOGO: Osvaldo Amado
PREÇO: 35,40€
“(…) surge de um desafio do Município de Cantanhede a ser apresentado pela altura da comemoração dos 500 Anos da atribuição de Foral a Cantanhede, por D. Manuel I, o Rei Venturoso.”
De cor granada e aroma denso, apresenta notas tostadas, a frutos vermelhos e especiarias. Com taninos texturados e acidez elegante. Final longo e persistente.
ACOMPANHA BEM: carnes vermelhas grelhadas ou com molhos, caça e queijos.

alyantiju 2018
Alentejo | Vinho Branco
Herdade Aldeia de Cima
CASTAS: Antão Vaz e Alvarinho
ENÓLOGO: Jorge Alves e António Cavalheiro
PREÇO: 34,70€
“Este é um vinho de tese; pensar na casta Antão Vaz vindimada no momento certo… Finalmente percecionamos que o Alentejo pode caber dentro de uma pequena garrafa.”
O Alyantiju Branco apresenta aromas que proporciona um carácter fresco e elegante.
A C OM PANHA B E M : pratos de peixes, saladas e marisco.

j ulia K emper C uriosity 2017
Dão | Vinho Branco | Julia Kemper Wines
CASTAS: Malvasia e Encruzado
ENÓLOGO: Julia Kemper
PREÇO: 45,00€
“Cultivamos e cuidamos com amor e inteligência – ex-líbris da nossa agricultura… com o objetivo de apresentar um vinho elegante, com deliciosa acidez, aromas
De cor amarelada com laivos dourados, no seu aroma estão bem presentes o limão e a tília aliados a notas de fruta exótica. Na boca, é muito fresco, bem vivo e encorpado com grande elegância.
A C OM PANHA B E M : frutos do mar e peixes assados. Queijo serra da Estrela de pasta mole, arroz de tamboril com camarão.

aneto Colheita tardia s 2011
Douro | Colheita Tardia | Sobredos
CASTAS: Semillon
ENÓLOGO: Francisco Montenegro
PREÇO: 50,35€
“Cuidar de vinha própria ao longo de todo engarrafar, tendo sempre no seu horizonte obter pequenas produções de vinhos com um grande potencial de qualidade.”
De cor amarelo-dourada.Aroma muito complexo e elegante a frutos secos, alperce, com volume e acentuada acidez, mostra excelentes sabores a menta, frutos cítricos e frutos brancos maduros. Final refrescante.
ACOMPANHA BEM: diversas entradas, patês, queijos e foie gras. Ou servido com algumas sobremesas com frutos ácidos e sorvetes.

Blandy’s 10 anos Bual
Madeira | | Blandy’s
CASTAS: Bual
ENÓLOGO: Francisco Albuquerque
PREÇO: 25,50€
“(...) última das famílias ligadas à origem do comércio de vinhos da Madeira que ainda gerem a empresa familiar fundada pelos seus antepassados, são únicos no negócio dos vinhos da Madeira.”
apresenta-se complexo, com grande intensidade aromática. É um vinho sumptuoso, meio doce e muito macio, com um perfeito equilíbrio de acidez, e persistente.
ACOMPANHA BEM: sobremesas, especialmente frutas, bolos, doces de chocolate e queijos.



CRISTÓVÃO COLOMBO NAVEGADOR LUSO-GENOVÊS
José Gomes Ferreira

A ARTE DE FALAR EM PÚBLICO

O TRIBUNAL DOS PODEROSOS

PORTUGAL E O PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE
A arte de falar em público
Descubra alguns dos melhores destinos para dias inesquecíveis na neve e deixe-se seduzir pelo manto branco.

Quando o inverno se instala e a paisagem se cobre de branco, a neve deixa de ser apenas um cenário e transforma-se numa verdadeira companheira de viagem. Silenciosa, envolvente e quase mágica, convida a abrandar o ritmo, a respirar fundo e a viver experiências que aquecem a alma. Dos Alpes franceses às Dolomitas italianas, passando pelos Pirenéus ou pela Serra Nevada, os destinos de neve continuam a exercer um fascínio irresistível. É nestes lugares que os hotéis de montanha se assumem como refúgios privilegiados, onde o conforto se alia à grandiosidade da natureza.


C i Da D es alpinas
Em cidades alpinas como Chamonix, Courchevel ou Zermatt, acordar com a luz suave
O mundo lá fora parece suspenso no tempo, envolto num silêncio absoluto. Muitos dos melhores hotéis destas regiões sabem tirar partido da atmosfera única, oferecendo quartos com janelas panorâmicas para o
Mont Blanc ou o Matterhorn, lareiras crepitantes e interiores acolhedores. A madeira, a pedra e os tecidos quentes criam ambientes íntimos, ideais para regressar depois de um dia passado ao ar livre.
D esportos D e inverno
Para os amantes de desportos de inverno, destinos como St. Moritz, Val d’Isère ou Cortina d’Ampezzo oferecem hotéis situa-
dos a poucos passos das pistas, perfeitos para aproveitar cada minuto na neve. Ski, snowboard, caminhadas com raquetes ou simples passeios por trilhos cobertos de -
nal do dia, o ritual repete-se: relaxar num spa aquecido, mergulhar numa piscina interior com vista para as montanhas ou desfrutar de uma sauna enquanto a neve cai lá fora, em silêncio absoluto.





v ilas en C anta D oras
Mas a experiência da neve não se resume à adrenalina. Em vilas encantadoras como Megève, Kitzbühel ou Baqueira-Beret, a neve convida à contemplação e ao prazer dos pequenos gestos. Muitos hotéis apostam numa gastronomia reconfortante, onde pratos tradicionais ganham novas interpretações: fondues , risotos, estufados lentos e sobremesas quentes, acompanhados por vinhos encorpados. Jantares à luz de velas, em salas com vista para paisagens imaculadas, transformam cada refeição num momento memorável.
p rivaC i Da D e e tranquili Da D e Há também refúgios mais exclusivos, pensados para quem procura privacidade e tranquilidade absoluta. Chalés de luxo em Verbier, hotéis boutique em Lech
am Arlberg ou lodges isolados nos Pirenéus oferecem um contacto mais íntimo com a natureza. Aqui, o som dominante é o dos passos na neve ou do vento entre os pinheiros. O tempo abranda, os dias alongam-se e cada momento ganha outra dimensão.
Viajar para a neve é, acima de tudo, redescobrir o prazer de estar presente, longe da azáfama do quotidiano. Seja em família, a dois ou numa escapadinha solitária, destinos como Andorra, Innsbruck ou Serra
gravadas muito para além da estação fria. Entre paisagens brancas, interiores acolhedores e experiências únicas, a neve torna-se muito mais do que um destino: torna-se
simples dias de inverno em recordações verdadeiramente inesquecíveis.


Entre rituais de bem-estar a dois e gestos pensados ao detalhe, o THE SPA by Corinthia Lisbon convida a celebrar o amor com uma experiência que desperta os sentidos e cria memórias inesquecíveis no Dia dos Namorados.






No coração de Zermatt, na Suíça, ergue-se um dos grandes ícones da hotelaria alpina: o Grand Hotel Zermatterhof. Fundado em 1879, este cinco estrelas pertence ainda hoje à comunidade local, preservando um espírito de
Com uma localização privilegiada no centro da vila – onde não circulam automóveis a combustão – e vista para o majestoso Matterhorn, o Zermatterhof é sinónimo de elegância clássica. A chegada faz-se em carruagem elétrica desde a estação ferroviária, num gesto que antecipa o cuidado e a atenção ao detalhe que caracterizam toda a estadia.
O edifício, com fachada imponente e interiores em madeira nobre, acolhe 69 quartos e suítes, alguns com lareiras, banheiras de hidromassagem ou varandas com vista para os picos nevados.
A decoração conjuga tradição alpina com
conforto moderno, numa envolvência acolhedora e discreta.
G astronomia e bem - estar
A gastronomia é outro ponto alto: o restaurante Prato Borni, distinguido pelo Gault&Millau, oferece uma cozinha criativa com base em ingredientes do Valais. Já a Brasserie Lusi apresenta pratos internacionais num ambiente mais descontraído. Para um final de dia memorável, o Stars
Bar combina cocktails , piano ao vivo e sofás de couro, num ambiente intimista. O bem-estar tem o seu espaço no Vita Borni Alpine Spa, com piscina interior, ja -

cuzzi , sauna, banho turco e um extenso menu de tratamentos com produtos alpinos. Ideal para recuperar após um dia nas pistas ou nos trilhos de montanha. Zermatt é um destino de excelência em qualquer estação. No inverno, oferece acesso a mais de 360 km de pistas de esqui; no verão, há trilhos panorâmicos, glaciares, passeios de bicicleta ou voos de helicóptero. O hotel organiza experiências exclusivas que revelam o melhor da região. O Grand Hotel Zermatterhof é mais do que um alojamento: é um refúgio clássico, onde o tempo desacelera, o serviço é feito com mestria e a montanha dita o ritmo dos dias.






Férias na neve
OSalão Preto e Prata do Casino Estoril esgotou para receber os Calema, que protagonizaram um memorável concerto no âmbito da Voyage Tour. Os irmãos António e Fradique Ferreira interpretaram numerosos êxitos ao longo de um espetáculo repleto de energia e de muita cumplicidade com o público.
sucessos como, por exemplo, “A Nossa Vez”, “Amar Pela Metade”, “Perfume”, “Toca a Todos”, “Melhor Sem Mim”, “Vai”, “Alice Maya”, “Abraços”, “A Nossa Dança” ou “Onde Anda”. António e Fradique Ferreira convidaram Nuno Ribeiro a subir ao palco, para interpretarem a composição “Maria Joana”, proporcionando outro dos principais momentos da noite. Rodeados de entusiasmo e emoção, os Calema regressaram, ainda, para se despedirem do público com a versão acústica de “Te Amo”, o tema que abriu o concerto. Foi uma noite memorável que iniciou com a DJ carioca Carol Emmerick, que assegurou a animação musical, antes e após o concerto dos Calema, e prolongou o ambiente festivo pela noite dentro.
































Oalmoço-debate organizado pelo International Club of Portugal (ICPT), realizado no Sheraton Lisboa Hotel & Spa, recebeu o ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, como orador e convidado de honra. Subordinada ao tema “Portugal: uma vi(r)agem de sucesso Governo para modernizar a Administração Pública, com destaque para a transformação tecnológica em curso no Ministério das Finanças.
apoia em sistemas informáticos ultrapassados, descrevendo a realidade atual como, por exemplo, o sistema que gere o Orçamento do Estado ser, do ponto de vista tecnológico, um “Excel dos
1| Andreia Vaz, Joaquim Miranda Sarmento, Carlota Saldanha e Augusto Vaz 2| Damião de Castro, Joaquim Miranda Sarmento e André Freire 3| e Leandro Silva 4| 5| Joaquim Miranda Sarmento e Gabriel Cupertino Osório de Barros 6| Miguel Frasquilho, Joaquim Miranda Sarmento, Manuel Ramalho, Armindo Monteiro e embaixador Ahmed Abdelrahman Almahmoud 7| Joaquim Miranda Sarmento e Margarida Almeida Santos 8| Joaquim Miranda Sarmento e Nazim Ahmad 9| Leonel Neves e Joaquim Miranda Sarmento 10| Paulo de Sá e Cunha, Joaquim Miranda Sarmento e José Lourenço11| Eduardo Paz Ferreira 12| Samuel Fernandes de Almeida 13| António Rebelo de Sousa 14| Maria da Conceição Caldeira e Joaquim Miranda

