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SELFIE DE TIAGO MONTEIRO

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ESTE SUPLEMENTO É PARTE INTEGRANTE DO HOJE MACAU E NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE

GRANDE PRÉMIO DE MACAU SEGUNDA-FEIRA 21.11.2016

HERÓIS DA GUIA


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GP TAÇA DO MUNDO FIA DE FÓRMULA 3

Supremo F

O esplendor de Portugal O 63º Grande Prémio de Macau ficará para a história como o melhor de sempre para as representações portuguesas. Portugal foi, entre países e territórios, quem mais vitórias somou este fim-de-semana no Circuito da Guia; um resultado merecido para uma nação que tem uma história desproporcionada nos desportos motorizados para a sua pequena dimensão

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NTÓNIO Félix da Costa voltou a chorar no pódio da corrida de Fórmula 3 (e desta vez o hino tocou à primeira...) e Tiago Monteiro tornou-se o primeiro piloto português a triunfar na Corrida da Guia quebrando um enguiço que durava a décadas. No ano em que faz cinquenta anos desde a primeira presença de um piloto da metrópole no Grande Prémio, neste caso Joaquim Filipe Nogueira, este resultado de Félix da Costa e Monteiro tem ainda mais significado. Mas a edição deste ano do Grande Prémio foi bem mais que as prestações dos heróis da metrópole lusa. E se a organização passou relativamente incólume à transição, há que prestar honra a todos os comissários de pista e ajudantes que tiveram um domingo infernal para que o Circuito da Guia estivesse sempre operacional e em segurança acidente após acidente. As duas corridas que compuseram a Corrida da Guia e a Taça do Mundo FIA de GT foram uma ode ao mau espectáculo de automobilístico, particularmente a Taça do Mundo FIA de GT que roçou o ridículo. Como se explica que uma corrida em que se deu só uma volta de corrida em 90 minutos e o vencedor ter terminado de rodas para o ar?

Há que prestar honra a todos os comissários de pista e ajudantes que tiveram um domingo infernal

SOFIA MOTA

EQUIPAS

Não se explica. A triste representação que se assistiu ontem à tarde poderá por em causa os milhões investidos pelas marcas nesta prova, pois não há forma de os justificar.

Como se explica que uma corrida em que se deu só uma volta de corrida em 90 minutos e o vencedor ter terminado de rodas para o ar? Entre a prata da casa, o balanço é um expectável pódio completo na Macau Road Sport, uma esforçada prestação de Filipe Clemente Souza na “Taça CTM”, e um admirável, dadas as condições, 12º lugar de Andy Chang na prova de Fórmula 3. André Couto passou anónimo no mundial de GT, mas muito por culpa da fraca performance dos Lamborghini e na Corrida da Guia, o território não teve pilotos de valor a representá-lo. Destaque final para o Jubileu de Ouro do Grande Prémio de Motas, cuja corrida foi sem dúvida a mais bonita do fim-de-semana! Nem um “Safety-Car”, nem uma bandeira vermelha! Bem, por agora é tudo, para o ano há mais, quiçá melhor. E entretanto, porque sabe sempre bem ouvir A Portuguesa alto e bom som no “nosso” Macau. Obrigado António! Obrigado Tiago!

O QUE ELES DISSERAM… 1º ANTÓNIO FÉLIX DA COSTA “O Tiago ganhou hoje de manhã, e eu meti na cabeça que também tinha que ganhar. Sou competitivo e não conseguia vir aqui sem ser para ganhar. Estar ali no pódio e ver o apoio dos portugueses, e com toda a gente a cantar o hino, foi emocionante. Hoje (a vitória) foi para a equipa. Agora quero voltar aqui a Macau, mas não de Fórmula 3, mas sim ali com os

maduros, nos GT.” “Isto foi um dia para Portugal incrível. O desporto em Portugal está numa fase muito, muito boa. O [Ricardo] Melo Gouveia no golfe, o Frederico Morais e o Vasco Ribeiro no surf, o Tiago [Monteiro] e eu aqui, foi uma semana muito, muito, muito boa, com todos a terem grandes resultados e esta [vitória] foi para Portugal. O Tiago pôs-me pressão em cima quando ganhou hoje de manhã. E

eu [pensei] agora também tenho de ganhar obrigatoriamente”. Apesar de sentir que não tinha “nada a provar”, António Félix da Costa disse que “é competitivo demais” e que não conseguia “vir a Macau e não ser ambicioso o suficiente para ganhar”. “O Félix [Rosenqvist] hoje fez uma corrida inacreditável: vir de sexto para segundo, tem de se dar valor a isso”. Por outro lado, observou que Rosenqvist “veio seis


hoje macau SEGUNDA-FEIRA 21.11.2016

élix da Costa E

STAVA escrito nas estrelas que ontem iria ser o dia de Portugal no Grande Prémio de Macau. Quatro horas depois de Tiago Monteiro vencer a Corrida da Guia, António Félix da Costa triunfou com enorme classe na Taça do Mundo FIA de Fórmula 3. O jovem de 25 anos de Cascais, que nem era suposto cá vir e conduziu um Dallara-VW sem um único patrocinador, numa clara aposta da equipa Carlin no talento do português, repetiu o feito de 2012 e juntou-se a Felix Rosenqvist e a Edoardo Mortara na galeria daqueles que venceram por duas vezes esta prova. Apesar de só ter tido a oportunidade de efectuar dois dias de testes num Fórmula 3 antes de viajar até nós, Félix da Costa chegou a Macau confiante e bem disposto, sem qualquer pressão e com um espírito bem diferente daquele que em 2013 “só” lhe valeu o segundo lugar. Na quinta-feira o português fez a pole-position provisória para a Corrida de Qualificação, mas acabaria por perder a primeira posição nos treinos de sexta-feira para os britânicos George Russell e Callum Ilott. No sábado, no arranque, ao lado do brasileiro Sérgio Sette Câmara, deixou para traz o poleman George Russell, subindo a segundo. Callum Ilott manteve o primeiro posto. No recomeço após o primeiro momento de Safety-Car, após 5 voltas decorridas, na primeira abordagem à Curva do Hotel Lisboa, Félix da Costa fez a manobra decisiva da corrida e ultrapassou o britânico Ilott, assumindo o primeiro posto. No domingo, na verdadeira corrida de 15 voltas que atribuía o título mundial da categoria de Fórmula 3, o piloto português não esteve tão bem no

anos seguidos [a Macau], por isso estava com muito mais rodagem, e ganhar-lhe aqui também prova um ponto importante. Hoje eu disse: já ganhei isto uma vez, é só para ‘curtir’, mas de facto, quando entro no pódio, [vejo] mais portugueses do que sei lá o quê, até pessoas de ‘olhos em bico’, asiáticas, a falar português perfeito e isso impressiona-me de uma forma incrível aqui em Macau. Toda a

gente a cantar o hino foi incrível”, disse. O piloto que hoje correu em Macau sem patrocínios, “pela importância que esta corrida tem e pela diversão que é”, não vai repetir o circuito ao volante de um carro de Fórmula 3. “Temos de passar ao próximo ‘capítulo’. A minha vida agora é com a BMW, eles têm um carro aqui a correr no GT, têm planos bons para mim no futuro e agora tenho é que ir correr com os

‘velhotes’, com os maduros, ali nos GT”, concluiu. 2º FELIX ROSENQVIST “Não foi um fim-de-semana fácil. Tivemos que trabalhar muito duro, ontem o carro não estava bom. Para hoje fizemos muitas mudanças e andamos muito melhor. Tirei

arranque e foi surpreendido por Ilott nos primeiros metros, mas o rookie inglês ficou à mercê de Da Costa e de Câmara. Na travagem para o Lisboa, com três carros lado-a-lado, o brasileiro, que estava por dentro, levou a melhor sobre o seus rivais. O português caiu para segundo e viu o seu companheiro de equipa fugir ligeiramente nas primeiras voltas. Mas o cenário mudou com a entrada do “Safety-Car” à quinta volta, para retirar o bólide danificado de Nikita Mazepin no Paiol. No reinicio, Félix da Costa passou ao ataque e ultrapassou Câmara. Daí até ao final o piloto luso não mais descolou da liderança, nem mesmo depois de mais um período de “Safety-Car” que a três voltas do fim permitiu a Félix Rosenqvist, que tinha arrancado de sexto e vinha a subir lugares, suplantar Câmara. Lá na frente, Félix da Costa já preparava a festa que vinha a seguir. Para gáudio dos muitos portugueses que estavam ontem no Circuito da Guia, “APortuguesa” voltou a tocar eAntónio em lágrimas no pódio comemorou um triunfo em todo merecido, sem antes ter brindado o público com uns donuts em pista! A meio do pelotão, e sem dar nas vistas, o jovem piloto de Macau Andy Chang conseguiu um refulgente 12º lugar, apenas três lugares atrás de outro brasileiro, Pedro Piquet, filho de Nelson Piquet. O representante da RAEM veio sempre a melhorar a sua performance ao longo do fim-de-semana e partindo do 16º lugar, chegou mesmo a rodar à porta do “Top-12” com o Dallara-NBE da equipa inglesa T-Sport. O 12º lugar de Chang, que esta época só fez duas provas de Fórmula 3, é o seu melhor resultado no Grande Prémio de Macau.

vantagem nos reinícios após os Safety-Car para ganhar posições. Dei o meu melhor mas não chegou para vencer.” 3º SÉRGIO SETTE CÂMARA “Desde ontem à noite, depois de ter ficado em terceiro na Corrida de Qualificação, comecei a acreditar

R A P IDI N H A S

Saudades da Yokohama

A ausência da Yokohama no paddock tem sido notada pelos pilotos locais que beneficiavam de pneus sem custos que o construtor nipónico oferecia como parte do patrocínio à prova. A Pirelli, que nos dois últimos anos tomou a posição que foi da Yokohama na prova de Fórmula 3 por 33 anos e nos GT, não oferece qualquer tipo de bónus aos concorrentes do território.

Duas BMW especiais

As duas BMW S1000 RR da equipa alemã Penz13.com montadas por Gary Johnson e Danny Webb apresentaram um design criado pelos Atletas Especiais Olímpicos de Macau. Este projecto foi criado com o objectivo de sensibilizar para a importância de incluir as pessoas com deficiência intelectual na sociedade moderna de Macau.

Yip Jr considera comprar parte da Prema

Por agora a Prema PowerTeam e a Theodore Racing correm em parceria, com a equipa de Teddy Yip Jr a patrocinar a equipa italiana. Agora o sobrinho de Stanley Ho está aberto à possibilidade de comprar uma parte da equipa transalpina. Yip Jr também afirmou à imprensa que gostaria de voltar às 24 horas de Le Mans, prova onde competiu, sem grande sucesso, em 2013.

Pilotos pedem desculpas

Vários pilotos da Corrida da Guia, como Mat’o Homola ou Pepe Oriola, pediram desculpas públicas pelo mau espectáculo proporcionado ontem. Em duas horas e trinta minutos, apenas houve quatro voltas de bandeiras verdes, sendo que na primeira volta da primeira corrida houve três acidentes em três zonas distintas do circuito!

que podia ganhar Macau. Quando eu na primeira volta estava em primeiro, comecei a acreditar ainda mais mas depois veio o Safety-Car. Este ano nunca estive na primeira posição atrás do Safety-Car e não arranquei bem, e o António passou-me. Depois comecei a perder a minha traseira e o Félix conseguiu ultrapassar-me também.”


63 Monteiro quebra eng º

GP

CORRIDA DA GUIA MACAU 2.0T SUNCITY GRUPO

REGRESSO EM 2017 COM O WTCC

GCS

Era já sabido que este ano foi o último do TCR International Series na Corrida da Guia e que o Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCC) deverá ocupar esse espaço. Até agora não foi ainda clarificado se será uma prova a contar para o campeonato ou se será uma Taça do Mundo ao estilo das actuais corridas de Fórmula 3 e GT. Qualquer que seja o formato, Tiago Monteiro promete que cá estará em 2017 para disputar essa mesma corrida. “Sem dúvida que vou voltar para o ano, e não sei se já é oficial ou não, mas o WTCC vai voltar aqui para o ano, que é o meu campeonato”, confessou Monteiro ao HM. “Dois anos sem o WTCC fizeram-me muita falta e foi por isso que, desta vez, aceitei logo o convite, mal surgiu e este foi um pequeno treino, para no ano que vem, me lembrar bem da pista”. Durante o fim-de-semana não houve uma palavra oficial sobre o regresso do WTCC ao Circuito da Guia e segundo apurou o HM, o promotor do mundial de carros de turismo, François Ribeiro, também não esteve em Macau estes dias. Contudo, é previsível um anúncio oficial antes ou no dia 30 de Novembro, quando se realiza o Conselho Mundial da FIA em Viena.

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EQUIPAS

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M 1993 ficou no ar que Ni Amorim poderia muito bem ter ganho a Corrida da Guia se os seus pneus não tivessem sido sabotados. Em 2014 Tiago Monteiro perdeu uma vitória quase certa a três curvas do fim com um problema no seu carro. Em 2016, o enguiço lusitano na corrida criada em 1972 foi finalmente quebrado. Monteiro escreveu história para o automobilismo português ao ser o primeiro piloto luso a vencer a Corrida da Guia do Grande Prémio de Macau, ao triunfar na segunda corrida da “Corrida da Guia Macau

2.0T Suncity Grupo”, aquela cujo resultado conta para as estatísticas da mais célebre corridas de carros de turismo do sudeste asiático. O piloto português chegou a Macau disposto sem nada a perder e disposto a vencer. O ex-piloto de F1 entrou com o pé direito, ao efectuar o melhor tempo no treino de quinta-feira. Contudo, um problema no turbo do Honda preparado pela WestCoast Racing impediu o portuense de dar uma volta completa ao Circuito da Guia no treino de sexta-feira, mas Monteiro acabou até por não se sair mal na dramática qualificação de sábado.

Disputada à chuva e cedo pela manhã, a qualificação ditou que a primeira linha da grelha de partida iria ser dividida pelos dois Volkswagen Golf de Jean-Karl Vernay e Stefano Comini. Monteiro, que nunca tinha conduzido o Honda Civic TCR no molhado, qualificou-se no terceiro posto e ao seu lado teve no arranque o SEAT Léon de Antti Buri. No domingo assistiram-se a duas corridas incomuns e marcadas por vários acidentes e longuíssimas interrupções. Monteiro largou bem na primeira corrida e até ultrapassou Vernay, mas antes de chegar à Curva

do Hotel Lisboa já o francês tinha recuperado a posição. A corrida não iria durar muito, pois três acidentes, em zonas separadas da pista, obrigaram a direcção de prova a mostrar bandeiras vermelhas. O piloto de Hong Kong James Tang teve um violento embate nos muros de protecção na zona sinuosa do circuito e precisou de assistência médica no local. Felizmente Tang saiu pelo próprio pé da viatura. A corrida recomeçou depois de uma volta atrás do “Safety-Car” e com Comini na frente, mas na primeira abordagem à Curva do Hotel

81 MIL ASSISTIRAM AO EVENTO O HINO QUE NUNCA TOCARA DU “Dois portugueses ganharam, fiquei muito feliz. Não fui só eu, a comunidade portuguesa toda ALEXIS TAM SECRETÁRIO PARA OS ASSUNTOS SOCIAIS E CULTURA

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63.ª edição do Grande Prémio de Macau, que terminou ontem, teve 81.000 espectadores e o hino português tocou duas vezes no mesmo dia, algo inédito, como destacou o secretário que tutela o desporto no governo local. “Dois portugueses ganharam, fiquei muito feliz. Não fui só eu, a comunidade portuguesa toda [em Macau] fica muito contente com isso. Nunca se ouviu o hino [de Portugal] por duas

vezes no mesmo dia, só hoje, só nesta edição do Grande Prémio. Toda a gente tem de ficar contente”, disse o secretário dos Assuntos Sociais do Governo de Macau, Alexis Tam, a jornalistas portugueses e meios de comunicação social em português de Macau. O secretário fazia um balanço da edição deste ano do Grande Prémio de Macau, que considerou “fantástica” e “uma das melhores”. Quando questionado por que dizia isso, respondeu que, entre outras

coisas, houve a vitória inédia de dois portugueses em duas provas. Alexis Tam fez um balanço “muito positivo” do Grande Prémio deste ano, com “várias corridas fantásticas”, que, “felizmente, correram muito bem”, realçando que houve duas provas que contaram para taças mundiais da Federação Internacional Automóvel (GT e Fórmula 3), além de ter sido o 20.º ano da corrida de motas. O secretário disse ainda ser “muito cedo” para dizer ou saber se a Corrida da


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Lisboa, os SEAT de James Nash e Matt Homola tocaram-se. Homola ficou a bloquear a pista e Nash ficou com a suspensão traseira danificada. Este acidente arruinou as hipóteses do inglês sair de Macau como campeão do TCR International Series, visto que Comini ganhou esta primeira corrida, onde a bandeira de xadrez não foi mostrada, seguido de Vernay e Monteiro. A segunda corrida foi igualmente caótica e ficou decidida logo nos primeiros metros, quando Monteiro ultrapassou com subtileza os dois Volkswagen Golf da Leopard Racing e segurou a primeira posição até ao Lisboa. À passagem da terceira volta, o Citroen CTCC de Sunny Wong ficou a bloquear a pista no Ramal dos Mouros e foi novamente mostrada a bandeira vermelha. Com o tempo a contar, a prova apenas recomeçou para uma volta atrás do “Safety-Car” e duas voltas a sério. A primeira posição de Monteiro nunca foi posta em causa. Atrás do Civic com a bandeira portuguesa Vernay acabou por ultrapassar Comini, como também o fez Pepe Oriola, pois o quarto posto servia perfeitamente para o suíço levar o título de pilotos do TCR International Series para casa, visto que Nash, cuja a equipa milagrosamente reparou o seu carro na pausa entre corridas de dez minutos, ficou-se pela oitava posição. Os pilotos da casa tiveram uma prestação anónima. Michael Ho acabou por não comparecer ao evento, enquanto Kevin Tse, em Volkswagen foi 17º na segunda corrida e Lou Hon Kei, em SEAT, 19º, isto depois de ter batido por duas ocasiões na Curva dos Pescadores.

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IAGO Monteiro era o homem mais feliz no paddock da Corrida da Guia. O piloto portuense de 40 anos venceu uma corrida que há anos sonhava em ganhar.

“TINHA UM AJUSTE DE CONTAS COM MACAU”

Qual é o sentimento de seres o primeiro português a vencer a Corrida da Guia? Muito feliz. Um alívio grande, pois esta corrida é muito difícil e muito tensa e por isso é que gostamos muito dela. Uma pessoa sabe que acorda todos os dias com uma sensação muito estranha. Hoje de manhã acordei um bocado nervoso. Não tinha muito a perder e não era o meu campeonato mas queremos sempre tentar tudo por tudo. Uma pessoa sabe que arrisca muito aqui e acho que isso tudo, no seu conjunto, faz com que seja uma corrida muito especial. E como correram as duas corridas? Saí na terceira posição e sabia que tinha de ter um bom arranque , e a primeira corrida também foi boa, apesar de ter sido o que foi. Não foi propriamente uma corrida, com tantas bandeiras vermelhas. A segunda corrida tive um excelente arranque e toda a gente sabe que isso é a chave e também é uma das minhas especialidades no WTCC. Correu bem aqui, apesar de não conhecer bem este carro e ainda assim safei-me bem. A partir do momento que se está na liderança. Uma pessoa nunca sabe o que é que vai acontecer, há muitas bandeiras amarelas e muitas vermelhas e é melhor está na frente do que estar a ter que recuperar. A partir daí era tentar manter o máximo possível. A corrida estava muito rápida, e não sabia bem se tinha capacidade de aguentar ou não. Tentei não cometer erros, não sabia se faltavam três ou quatro voltas, já sabia que iam ser menos do que o previsto. Enfim, foi um grande alívio.

SOFIA MOTA

UAS VEZES Guia voltará a fazer parte do Campeonato Mundial de carros de turismo WTCC, como aconteceu até 2014. Em 2015 e 2015, esta corrida integrou o campeonato TCR International Series. “Depende de muitos factores”, disse Alexis Tam, que realçou que o Grande Prémio de Macau é “um evento internacional reconhecido”, em que “toda a gente” quer participar, mas é “preciso escolher os melhores”, porque a prova tem poucos dias de competição.

Tiago Monteiro

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guiço

ÀC ON V ER SACOM

Além de Félix da Costa e Tiago Monteiro, estiveram em Macau André Couto (que corre por Macau e terminou em 12.º na Taça GT) e André Pires, que ficou em 19.º nas motos. A Fórmula 3 contou pela primeira vez para a Taça do Mundo da Federação Internacional Automóvel (FIA), pelo que Macau passou a ser o único lugar do mundo que recebe simultaneamente duas Taças do Mundo, em termos de desporto motorizado, segundo a organização.

Soube a vingança? Há dois anos foi uma grande tristeza a três curvas do fim ter a direcção completamente bloqueada e por isso acho que agora foi uma pequena vingança. Tinha ainda um ajuste de contas com Macau. Foi fantástico! A vitória do António Félix da Costa na corrida de ontem também me dei-

xou muito contente. Somos muito próximos e estou muito orgulhosa e agora ainda estou mais motivado para lhe dar força na partida. Com tanto percalço na corrida, tiveste algum cuidado em especial? Estava com medo que até a cancelassem. Seria uma grande frustra-

ção, mas poderia acontecer. Estava preocupado, por exemplo, com a temperatura dos pneus, que isto de aumentar e baixar a temperatura não resulta muito bem e não sabia bem como iriam funcionar. Tinha muitas preocupações. Foi uma corrida muito tensa, mas sabe melhor ainda.


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GP SJM TAÇA GT MACAU – TAÇA DO MUNDO DE GT DA FIA

Um mundo

EQUIPAS

TAÇA DA CORRIDA CHINESA SUNCITY GRUPO

ASSUNÇÃO ÀS PORTAS DO PÓDIO

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desde o primeiro dia o melhor representante da Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC). Numa corrida marcada por uma saída de pista atribulada do “Safety-Car”, o macaense partiu do oitavo lugar e foi subindo paulatinamente posições, cortando a linha de meta no quarto posto, a escassos segundo e meio de Jason Zhang Zhi Qiang. No que respeita ao resto da armada do AAMC, Jo Merszei foi o 13º classificado e Lam Kam Sam terminou classificado no 17º posto, a uma volta do vencedor e já na última posição.

GCS

terceira foi de vez. David Zhu venceu pela primeira vez o troféu monomarca que usa os BAIC Motor Senova D70 no Grande Prémio de Macau, algo que lhe vinha a fugir desde 2014. As condições mantiveram-se adversas para a segunda corrida do fim-de-semana e o piloto da República Popular da China que era o pole-position e favorito teve que transpirar na luta pelo triunfo para superar Chang Shien Shang, piloto que representava a equipa do Taipé Chinês. Hélder Assunção foi

MACAU ROAD SPORT CHALLENGE

MACAU “1-2-3”

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primeira corrida do programa foi disputada com a pista molhada, o que foi um exercício às capacidades dos pilotos, porque muitos destes carros da Road Sport Challenge têm mais de 600cv de potência e não são fáceis de domar nestas condições. Largando da primeira posição, Leong Ian Veng, o vencedor do ano passado, liderou a primeira metade da corrida, até o seu Mitsubishi Evo9 começar a acusar problemas até parar no meio do circuito à sétima volta na subida para São Francisco, o que obrigou à entrada do “Safety-Car”. Billy Lo Kai Fung, em Mitsubishi Evo7, herdou o primeiro lugar e ficou isolado, porque atrás de si Wong Wan Long (Mitsubishi Evo10) e

Ng Kin Veng (Mitsubishi Evo9) travaram uma animada luta pelo segundo posto que infelizmente chegou ao fim prematuramente. Devido a um incêndio no Subaru Impreza do local Ho Sai An a corrida terminou com bandeiras vermelhas, com triunfo para Lo, seguido por Wong e Ng. Esta foi a quinta vitória consecutiva de um piloto da RAEM nesta corrida. Mitsuhiro Kinoshita parecia ser o único capaz de incomodar os pilotos de Macau e o japonês chegou até a assumir o terceiro lugar, mas ao fim de cinco voltas o Nissan GTR R34 sucumbiu nas boxes. O único nome português em prova, Luciano Castilho Lameiras abandonou ainda na primeira volta com um problema na roda da frente do lado direito do seu Mitsubishi Evo10.

O QUE ELES DISSERAM… 1º LAURENS VANTHOOR “Estou bem. Mas de repente bati e vi-me a andar de cabeça para baixo a saber que estavam outros carros a caminho e em grande velocidade. Será sempre uma memória na minha vida. Penso que se voltássemos aos momentos que antecederam o acidente, eu mereci ganhar. Mas ser o vencedor da forma como foi é muito estranho e não sei realmente se o mereço.” 2º KEVIN ESTRE “Penso que a Porshe esteve muito bem. Estava expectante pela corrida principal. A corrida acabou por correr como correu e é muito difícil agora falar. Acho que ninguém queria que terminasse desta forma. No final acabei com o segundo lugar. Aceito isso e todos temos que o fazer.” 3º MARO ENGEL “Penso que em primeiro lugar o que importa é que estamos bem. Tenho pena, pelos fãs, por não termos dado uma corrida melhor hoje mas estou muito contente com a minha equipa . Trabalhámos muito e demos o nosso melhor.” 12º ANDRÉ COUTO “Hoje a corrida foi pouca, não houve muita. Mudamos outra vez o carro e realmente estava melhor. Foi pena não ter tido tempo para ganhar confiança com este tipo de afinação do carro. A corrida acabou, por um lado por saber a pouco, mas o que conta é que estão todos bem e para o ano vamos tentar fazer melhor.”

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conceito das corridas de automóveis é muito simples. O primeiro, normalmente o mais rápido, a cortar a linha de meta vence. Pois bem, mas não foi bem isso que aconteceu na segunda edição da Taça do Mundo FIA de GT, pois o vencedor da prova, o belga Laurens Vanthoor, terminou com o carro com as rodas para o ar e em muito mau estado e nem sequer viu a bandeira de xadrez que também não foi mostrada porque não houve tempo para isso. No final, o público não gostou e ouviu-se uma monumental assobiadela proveniente das bancadas. Para se perceber o resultado da Corrida Final, é preciso recordar o que se passou na Corrida de Qualificação de sábado, onde Edoardo Mortara e Laurens Vanthoor, nos Audi oficiais, partiram da linha da frente. O “Sr Macau” fez um pião na primeira curva e atrasou-se, tendo Mortara depois efectuado uma corrida trapalhona em que chegou ao ponto de destruir o Porsche de Darryl O’Young numa ultrapassagem infeliz. Sem o seu companheiro de equipa a incomodar, Vanthoor ganhou a corrida, onde o “Safety Car” esteve presente em duas ocasiões. O piloto belga da Audi Sport Team WRT terminou seguido pelos Porsche de fábrica de Earl Bamber e Kévin Estre. Seguiram-se os dois Mercedes AMG GT3 de fábrica, de Maro Engel e Renger Van der Zande, e o Bentley privado deAdderly Fong.

TAÇA DE CARROS DE TURISMO DE MACAU – CTM

HEXA-POON EM GRANDE CORRIDA DE SOUZA

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PÓS a qualificação de sexta-feira, ficou no ar que no domingo de manhã íamos ter um duelo Macau-Hong Kong, tendo de um lado os “nossos” Filipe Clemente Souza e Jerónimo Badaraco, nos Chevrolet Cruze da Son Veng Racing Team, frente aos favoritos Paul Poon e Samson Fung, nos Peugeot RCZ da Suncity Racing. E assim foi. A corrida de 12 voltas começou logo com um violento acidente no Mandarim, entre os dois Peugeot dos locais Leong Chi Kin e Patrick

Chan, que chamou à pista o “Safety-Car”. Poon aguentou o primeiro ataque inicial de Souza, enquanto Badaraco parou nas boxes com problemas no seu carro e Célio Alves Dias subiu a quinto da geral. No recomeço, Samson Fung, o terceiro classificado à altura, bateu forte sozinho no Mandarim e Wong Leong Man ficou imobilizado na subida para São Francisco, o que chamou novamente o carro da segurança. Souza atacou novamente a liderança de Poon, mas sem efeito. Novo recomeço e novo acidente. Desta vez, Cheong Chi Hou e Zhang

Han Biao desentenderam-se, na Curva do Reservatório, e o toque violento deixou um Chevrolet e um MINI bastante destruídos no meio da pista. O Maserati “Safety-Car” regressou à pista, para nos oferecer quatro voltas para decidir a corrida. Souza estava decidido a vencer e não deixou a cauda do Peugeot de Poon por mais de meio segundo. Contudo, faltou ao macaense aquela “pontinha” para fazer a diferença frente a um adversário que não cometeu um só erro. O piloto de Hong Kong venceu pela sexta vez


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R A P IDI N H A S

ao contrário GCS

McLaren e Aston Martin justificaram ausência

A corrida de domingo começou com um ligeiro toque entre Bamber e Engel que valeu ao piloto oficial da Porsche uma penalização de cinco segundos e que no final lhe custou o segundo lugar na prova. Vanthoor foi o primeiro a chegar ao Lisboa, seguido de Bamber, Estre, Engel e do Bentley florescente de Fong. Ainda na primeira volta, o australiano Ricky Capo, em BMW Z4 GT3, bateu de frente nas barreiras de protecção da

Curva do Mandarim. O “Safety Car” foi chamado à pista e ficou por lá umas quatro voltas até a corrida ser suspensa. Ao fim de 45 minutos a corrida recomeçou e Bamber fez um arranque espectacular, ultrapassando Vanthoor. O belga da Audi cometeu logo de seguida um erro na Curva do Mandarim, pisando o corrector interior, perdendo de seguida o controlo do carro, indo bater do outro lado da pista nas barreiras de protecção. O Audi R8

Paul Poon

a “Taça CTM”. Para Souza ficou o consolo de ter efectuado a melhor volta da corrida em 2:45.303. O estreante Alexander Fung, filho de Samson Fung, também ele num Peugeot da equipa Suncity Racing, foi o terceiro classificado, depois de ter roubado a última posição do pódio ao MINI de Alves Dias a três voltas do fim. Sem carro para mais, Eurico de Jesus, em Ford Fiesta, foi o sétimo classificado. Rui Valente levou o seu MINI até ao 15º lugar final, ele que conseguiu escapar in extremis a dois dos acidentes aparatosos. Com problemas no seu Peugeot RCZ praticamente desde início, Álvaro Mourato terminou no 20º posto.

LMS ultra levantou voo e acabou por aterrar virado ao contrário. Apesar do aparato do acidente, que rapidamente começou a circular freneticamente nas redes sociais, Vanthoor saiu do carro ileso e por si próprio. Depois de 90 minutos e uma volta e meia real de corrida, a direcção de prova deu a prova por terminada e o resultado final foi aquele antes da suspensão da corrida. Sendo assim, Vanthoor sagrou-se campeão do mundo de

GT e a Audi campeã entre os construtores. O piloto de Hong Kong Adderly Fong venceu o troféu destinado ao melhor dos pilotos privados. Depois das inúmeras dificuldades sentidas pelos Lamborghini durante todo o fim-de-semana, principalmente nas zonas sinuosas e curvas rápidas, André Couto arrancou do 13º lugar para a corrida de ontem e terminou um lugar acima, após ultrapassar Marchy Lee ainda no arranque da prova.

O QUE ELES DISSERAM… 2º FILIPE SOUZA Não estou contente com a classificação. Eu nesta corrida tinha um carro muito bom e eu só pensava em ganhar a corrida, mas o Paul é muito forte. Na recta o Peugeot é muito muito forte. Só tinha hipótese de passar na Guia, mas passar ali é muito perigoso. Podíamos não chegar a finalizar a corrida. Por isso decidi fazer um ataque na última volta, mas o Paul tem muita experiência. Já ganhou muitas vezes e infelizmente não estou contente. Desta vez vim para ganhar. Talvez volte no próximo ano. Era bom ter um piloto de Macau para ganhar na Guia e eu já dei o meu 100%. 4º CÉLIO ALVES DIAS O que é que se passou para não ter conseguido manter a terceira posição? Não consegui porque os carros dos meus adversários eram muito mais rápidos. Só os poderia apanhar em montanha, mas na recta eles são muito rápidos. Sinto-me muito feliz com este quarto lugar. Um MINI Cooper, com esta potência, poder estar no 4º lugar, isto é bom!

A Aston Martin e a McLaren justificaram a razão deste ano terem abdicado de correr em Macau na Taça do Mundo FIA GT, uma prova disputada num mercado fulcral para ambas as marcas britânicas. Segundo fonte oficial da Aston Martin Racing, “a nossa relação com o nosso parceiro na região, a equipa Eurasia, está ainda numa fase muito embrionária e como construtores, nós optamos não inscrever qualquer carro em Macau este ano”. O caso da McLaren é diferente, pois o construtor de Woking perdeu o parceiro asiático para a Lamborghini, a FFF Racing Team by ACM. A McLaren poderia no entanto ter enviado da Europa a sua equipa oficial, a Garage 59, mas “infelizmente estas coisas estão todas relacionadas com o orçamento disponível e infelizmente nós não temos o budget para ajudar a Garage 59 a correr”, disse ao HM Andrew Kirkaldy, o director da McLaren GT, negando qualquer receio da marca com o Balanço de Performance a utilizar nesta prova sob a égide da FIA.

TCR pode deixar legado O TCR International Series e o seu homólogo asiático estão de malas feitas para outras paragens. Contudo, o conceito TCR ficou bem vincado no Circuito da Guia e mesmo que o Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCC) assuma a posição de primazia na Corrida da Guia, não quer dizer que os carros da categoria TCR vão desaparecer completamente do evento. Numa altura em que até a própria Associação Geral Automóvel de Macau – China (AAMC) admite rever a regulamentação da categoria 1.6T, que dá corpo à actual “Taça CTM”, Marcello Lotti, o pai do conceito TCR, vê com bons olhos a continuidade do seu conceito nessa ou noutra corrida de carros de turismo do Grande Prémio de Macau. “Eu acho que o TCR encaixava perfeitamente”, disse ao HM Lotti. “Se virmos quantos pilotos e equipas de Macau e Hong Kong já compraram carros da categoria TCR para correr no TCR Asia Series e noutros campeonatos locais, temos a resposta. De facto, 30% dos nossos concorrentes este ano na Corrida da Guia eram de Hong Kong ou Macau”.


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NDRÉ Pires foi o único motociclista português à partida da 50ª edição do Grande Prémio de Motos de Macau. O representante de 27 anos de Vila Pouca de Aguiar foi o 19º classificado.

Quais são as tuas expectativas para esta prova, sabendo de antemão que vais tripular uma moto nova? As expectativas eram boas, por poder andar nesta nova mota (Bimota BB3). Não pude testar a mota como gostava, apenas andei duas vezes e sabia que isso era uma desvantagem. Na primeira curva estava em último, volta a volta fui ultrapassando até chegar ao 19°. Tenho a certeza que se tivesse mais uma volta conseguia subir ao 18°, mas já foi uma vitória estar aqui no meio dos mais fortes e acabar a corrida. É do senso comum considerar que o Circuito da Guia é perigoso para as motos. Qual é a tua opinião, comparando com outros circuitos internacionais em que já competiste, como aquele da Ilha de Man?  Todos os circuitos são perigosos, o risco está em todo o lado. A Ilha de Man na minha opinião é mais perigoso, pois são 60 km de traçado e velocidades maiores, por isso o risco é maior. Mas infelizmente até nos circuitos considerados seguros os azares acontecem por isso não podemos pensar muito nisso, caso contrário, não fazemos nada. Para um motociclista português como tu, qual é o sentimento de correr em Macau? Sentes que existe um carinho especial por parte do público? 

Sim, gosto muito, somos bem recebidos e bem tratados. Depois temos apoio de muitos portugueses e isso ajuda muito a sentirmo-nos bem, além de sabermos que foi um território nosso. Tudo isto, misturado com toda a magia que Macau tem, torna o Grande Prémio uma prova especial. Este ano és o único representante de Portugal na prova, a menor representação dos últimos anos. O que está a faltar para mais portugueses participarem nesta prova? Sinto-me contente por poder participar e representar os portugueses. Sei que este anos os requisitos eram diferentes e pelo que sei fui o único que consegui vir. Acho que o campeonato português nos últimos anos não tem evoluído, devido a situação do país e  vários outros factores que não têm contribuído para que seja um campeonato competitivo e capaz de atrair pilotos novos. Isso, tem feito com que haja cada vez menos pilotos e a continuidade dos pilotos que lá andam de poderem vir a Macau torna-se mais difícil, infelizmente.

OT A

“ESTÁ MAIS DIFÍCIL PARA OS PORTUGUESES VIREM A MACAU”

IA M

André Pires

SOF

ÀC ON V ER SACOM

Hickman bisa em corrida de luxo

50º GRANDE PRÉMIO DE MACAU DE MOTOS

O QUE ELES DISSERAM… 1º PETER HICKMAN “Não queria fazer nenhum erro. Sabia que tinha uma boa mota para o meio e final da corrida. Penso que podem contar comigo para o ano que vem.”

SOFIA MOTA

hoje macau SEGUNDA-FEIRA EQUIPAS 21.11.2016

Jubileu de Ouro da prova de motociclismo mais célebre do sudeste asiático teve uma corrida à sua medida. Peter Hickman, que à última da hora teve que trocar de equipa e de moto, juntando-se à equipa Bathams/SMT para tripular uma BMW igual às de Michael Rutter e Stuart Easton, voltou a vencer a prova pela segunda vez consecutiva. Martin Jessopp, conquistou na sexta-feira a pole-position para a corrida de sábado à tarde, mas Jessopp viu-se logo batido na partida por Rutter e Glenn Irwin, que fez uma prova de grande nível na sua estreia no Circuito da Guia. Jessopp, na BMW verde, não estava pelos ajustes e passou a Ducati Panigale de Irwin à segunda volta indo buscar o britânico Rutter, que procurava o nono triunfo na prova. Nessa frenética caminhada Jessop efectuou a melhor volta da corrida à terceira passagem em 2’24.931. Atrás deste duo, Hickman, que partiu do sétimo posto, vinha a subir posições e ultrapassou Irwin para assumir o terceiro lugar. Acorrida de 12 voltas tornou-se muito táctica, com os quatro primeiros a rodarem muito próximos e a gerirem ao máximo o desgaste dos pneus. Com a corrida a chegar a meio, Jessopp e Rutter trocaram de posições, até que na quinta volta, na Curva do Hotel Lisboa, Jessopp passou de vez Rutter. A três voltas do fim, deu-se o momento da prova, quando Hickman, que já estava colado aos dois primeiros, ultrapassou Rutter e ao mesmo tempo Jessopp que teve um problema a desengrenar uma mudança e a sua mota perdeu velocidade de ponta, acabando por ser superado pelas duas BMW douradas da Bathams/SMT, assim como pela Ducati vermelha que se seguia. Infelizmente Irwin não teve tempo de gozar o prazer de regressar ao terceiro posto, pois uma falha mecânica na sua máquina ditou o seu abandono pouco depois nas boxes. Jessopp ainda correu atrás do prejuízo nas duas voltas que lhe faltavam, mas Ruttter defendeu bem a segunda posição, enquanto Hickman cortou a linha de meta como vencedor, num pódio que teve os mesmos três intervenientes de 2015. O único português em prova, André Pires, teve uma prestação meritória na sua terceira participação no evento. O motociclista de 27 anos saiu do 26º lugar, mas caiu para último logo na primeira volta. Daí em diante, o representante de Vila Pouca de Aguiar veio sempre a recuperar posições com a Bimota oficial até ao 19º posto final, colado ao 18º classificado.

2º MICHAEL RUTTER “Não foi uma corrida fácil. Sempre que alguém me passou, eu ataquei. O Peter teve ligeiramente melhor hoje, com uma melhor condução. A dada altura tornou-se demasiado arriscado voltar a tentar uma ultrapassagem.”

Peter Hickman

3º MARTIN JESSOPP “Sinto-me bem porque não fiz os erros do ano passado. Quando me estava a aproximar do Lisboa vi o Peter a aproximar-se. Tentei andar mais rápido, mas reparei que continuava a ser seguido pelo Peter e decidi que não iria fazer o mesmo que no ano passado. Foi o melhor para hoje e foi justo.” TEXTOS SÉRGIO FONSECA

63.º GP Macau #3 - 21/11/2016  

Suplemento 63.º Grande Prémio de Macau - 21/11/2106 - Dia 3

63.º GP Macau #3 - 21/11/2016  

Suplemento 63.º Grande Prémio de Macau - 21/11/2106 - Dia 3

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