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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • TERÇA-FEIRA 8 DE NOVEMBRO DE 2011 • ANO XI • Nº 2488

Ter para ler

TEMPO POUCO NUBLADO MIN 22 MAX 28 HUMIDADE 50-80% • CÂMBIOS EURO 11.1 BAHT 0.2 YUAN 1.2

MUDANÇA NA POLÍTICA LABORAL

OPERÁRIOS QUEREM MAIS DIREITOS • Página 4

ESCOLA DO JOGO

ALUNOS COM EMPREGO GARANTIDO • Página 6

CIÊNCIA

MACAU AJUDA CHINA A VER A LUA • Página 7

Videovigilância | Deputados questionam conflitos de interesse

Olhos da ilegalidade

A proposta de lei para regular o regime jurídico da videovigilância não está a ser de fácil aprovação. Os deputados da especialidade não concordam com a interferência nos direitos dos cidadãos. O próprio Governo reconhece que as câmaras nas ruas podem restringir liberdades e que é difícil encontrar um equilíbrio entre a protecção da ordem pública e os direitos pessoais. Os membros da 3.ª Comissão da Assembleia Legislativa querem que o Executivo explique melhor o conceito de espaço público e pedem penas mais pesadas para quem use as gravações indevidamente. > PÁGINA 5


TERÇA-FEIRA 8.11.2011 www.hojemacau.com.mo

2 COMÉRCIO DE MINÉRIOS COM VALOR SUPERIOR AOS 700 MIL MILHÕES O vice-ministro de Terras e Recursos da China, Wang Min, revelou o valor total de importação e exportação de produtos minerais na China. Nos primeiros nove meses do ano, o montante atingido foi de 704,55 mil milhões de dólares americanos, representando um aumento de 34,7% em comparação com mesmo período do ano passado. As cooperações da indústria mineral da China com outros países seguem em sentido ascendente. De Janeiro a Setembro deste ano meses, a China já importou 219 milhões de toneladas de petróleo, um aumento de 5,2 pontos percentuais em comparação com mesmo período de 2010. Também foram importadas 124 milhões de toneladas de carvão, um aumento de 1,1%. O ministro dos Recursos Naturais do Canadá, Joe Oliver, afirmou que a China pode oferecer recursos para satisfazer as crescentes demandas chinesas e mundiais e que a intenção é reforçar as cooperações com a China na área. CHINA COMO PRINCIPAL DESTINO TURÍSTICO EM 2020 O ano de 2020 vai tornar a China o principal destino turístico do mundo, quem o disse foi Peter Jordan, enviado especial da Organização Mundial do Turismo (OMT). A afirmação foi feita na Festa Cultural de Turismo Internacional, edição deste ano, que está a decorrer província de Guangdong. O vice-presidente da Associação Ásia-Pacífico de Turismo, João Costa Antunes, também presente no evento, acredita que o aumento de turistas estrangeiros que visitarão a China vai ser de 16% em 2020. Segundo dados divulgados durante o evento, a receita chinesa em turismo somou 1,6 triliões de yuans no ano passado. O número de visitantes estrangeiros que permaneceram no país pelo menos uma noite chegou a 55,66 milhões em 2010, enquanto mais de 57 milhões de chineses viajaram para fora do país.

ACTUAL Chineses constroem em vários países e garantem petróleo e minérios

Tomem lá estádios e emprego em troca das riquezas africanas

baixo e com obras entregues antes mesmo do prazo. No Congo-Brazzaville, a inauguração do estádio “chinês’’ em 2007 contou com a presença do primeiro-ministro local.

NINGUÉM SE IMPORTA

O

futebol na China ainda engatinha, mas, no desembarque do país no continente africano, transformou-se numa das maiores armas de Pequim. Na quinta-feira, a seleção brasileira inaugura o novo estádio de Libreville, no Gabão, e deve receber para isso 7,8 milhões de patacas em cachê. Mas, na realidade, estará a ser usada para selar a aliança entre o país africano e a China, que está a pagar a festa. Os chineses já ergueram 52 estádios de futebol nos países africanos e o do Gabão é o mais novo deles. Outras nove arenas serão abertas até o fim de 2012. Os investimentos chineses em estádios africanos não ocorrem por acaso. O avanço da China está a transformar o mapa do continente, trazendo novos investimentos e deslocando parceiros tradicionais, como a França e Reino Unido. Mas esse desembarque começa a ser criticado, inclusive pela população local, que alerta que Pequim está apenas a repetir o padrão de colonialismo dos europeus, levando minérios, petróleo e recursos naturais da África para alimentar a sua expansão. Para amenizar essa tensão, nada melhor que mostrar aos africanos que a China está disposta a garantir benefícios à população local. Nessa estratégia, o futebol e a criação de empregos têm papel central. Os asiáticos, portanto, usam a popularidade

da selecção brasileira e o futebol para custear uma melhor imagem da sua expansão pelo continente africano.

PRENDAS

Em entrevista ao jornal “O Estado de São Paulo”, o director administrativo da Federação de Futebol do Gabão, Nzogo Gabin, confirmou que o estádio de Libreville é um “presente’’’ dos chineses e que o jogo de inauguração faz parte dessa aproximação entre as duas nações. “O Brasil é o grande convidado do evento que marca a amizade entre os nossos países’’, disse Gabin. Com 40 mil lugares, a arena será chamada de “Estádio da Amizade Gabão-China’’ e vai ser também o palco da final da Copa das Nações Africanas de 2012.”Todos os adeptos poderão ver o jogo sentados e as arquibancadas serão cobertas’’, refere o africano. O novo estádio foi construído por uma empresa de cimentos da China e financiado exclusivamente por Pequim, na tentativa de se firmar como o maior parceiro do Gabão, país repleto de petróleo na sua costa. Segundo Gabin, os chineses trouxeram até mesmo parte dos pedreiros, além de engenheiros e técnicos. No Gabão, a desconfiança com os chineses fez surgir até mesmo o rumor de que os operários trazidos para o país eram prisioneiros. Mas a Shangai Construction Group, que

opera o estádio, fez questão de abrir quase mil vagas de trabalho para operários locais, na esperança de mostrar à população que a chegada da China a África não traz apenas o melhor futebol do mundo, mas também empregos. Esta não é a primeira vez que a selecção brasileira é usada para aproximar os chineses dos africanos. Em Maputo, Moçambique, os asiáticos construíram um estádio em 2010 com o discurso de que tinham esperança que a cidade fosse usada pelo Brasil como base antes da Copa da África do Sul. Quinhentos chineses foram levados para a cidade para ajudar os moçambicanos nas obras e garantir que a arena estivesse pronta à tempo de receber Kaká e companhia. Contudo, a equipa brasileira nunca foi ao estádio e admite que jamais pensou nessa hipótese. A obra faraónica de Maputo permaneceu como símbolo da relação entre Moçambique e a China. A selecção brasileira não é a única isca dos chineses e a ofensiva do país no Gabão é apenas uma parte da política de Pequim para o continente africano. Já em 2008, no Gana, a Taça das Nações Africanas também foi disputada em estádios construídos pelos chineses e empresas do país asiático lançaram-se na construção de dezenas de arenas pelo continente, sempre a um preço

O presidente da Confederação Africana de Futebol, Issa Hayatou, insiste que a sua entidade “não olha para quem constrói os estádios’’. “O que nos importa é que eles estejam dentro das regras. Quem decide como vai construir um estádio são os Governos’’, disse. O local das arenas, porém, tem relação directa com as directrizes da política externa chinesa. Esse foi o caso de Angola, em 2010. Em poucos meses, os chineses ergueram os estádios de Luanda, Benguela, Cabinda e Lubango. No mesmo ano, assinaram contratos milionários de exploração de petróleo que colocaram Angola como um dos principais fornecedores do combustível para a China. O mesmo padrão foi visto na Argélia, onde a China tem amplos interesses no sector de petróleo e gás. A China Railway Construction Engineering Group está a construir um estádio para 40 mil pessoas no país. Outro exemplo foi o contrato assinado para a construção das arenas nos Camarões. O China Eximbank negociou em 2006 investimentos e dois estádios começaram a ser construídos no país, um deles com a capacidade para 60 mil pessoas e dentro das recomendações para ser uma arena de Campeonato do Mundo. No mesmo ano, a nação da Ásia fechou acordo para explorar as reservas de petróleo nas regiões de Zina e Makary, em Camarões. Estádios surgiram ainda em Dar el Salaam (Tanzânia), Conakry (Guiné), além de outros seis no Mali. A maioria deles é feita a partir de um só modelo arquitectónico. O caso mais flagrante é no Gana. Dois estádios, a 500 quilómetros um do outro, são idênticos, ambos feitos pela Shanghai Co. No total, a empresa gastou 630 milhões de patacas para ambos os campos de futebol, uma fracção do que os estádios no Brasil para o Campeonato do Mundo de 2014 estão orçados.


Quem, por força da função, tem oportunidade e direito a fazer promessas às comunidades, está sujeito a que se espere ou exija o cumprimento delas. Falar em projectos é demasiado simplório, o útil é dar-lhes consequência - isto no caso de as promessas estarem realmente baseadas em planos elaborados. Assim não sendo, as falsas promessas, como fala o brasileiro, são “conversa para boi dormir”. Ou, de uma vez por todas, acordar. Helder Fernando, P. 15

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Preferência por rapazes mina perspectivas de desenvolvimento da China

A maior crise de sempre: a do sexo Durante décadas famílias chinesas optaram por ter um filho a uma filha, deixando agora um fosso entre os géneros e alterando profundamente as atitudes para com as mulheres

O

S pais sabiam exactamente o que queriam para o seu filho: baptizaram-no de Famiao, que significa “produção de muitos descendentes”. Quando o primeiro neto chegou, os avós recusaram-se cruzar o jardim de casa para ir visitar no anexo o primeiro descendente. Qiaoyue era uma menina. Quando foram forçados a ver a neta, “nem sequer pentearam o cabelo ou lavaram a cara”, conta Chen Xingxiao, mãe da criança. “Os amigos do meu sogro perguntavam-lhe quando é que veriam a criança, mas ele sempre respondia que ‘jamais’ por ser uma neta e não um neto.” A fúria de Chen é talvez mais surpreendente do que o desdenho dos sogros. A preferência por filhos homens é uma tradução de séculos. Infanticídio, abandono de bebés do

sexo feminino e tratamento preferencial aos rapazes – com melhor comida e mais cuidados de saúde – acabaram por abrir um fosso entre sexos. Nos últimos 20 anos, a diferença passou a ser ainda mais substancial: o uso generalizado do ultra-som para se saber o sexo do bebé antes do parto, levou a que um número incontável de chinesas interrompesse a gravidez ao saber que esperava uma menina, mesmo depois da introdução de uma lei a proibir o aborto “selectivo”. No início dos anos 80, havia 108 meninos para cada 100 raparigas.

Já em 2000, o número de rapazes nascidos subiu para 120 a cada 100 meninas e em algumas províncias, como Anhui, Jiangxi e Shanxi, ultrapassa os 130. Em números práticos, há um défice de 35 milhões de mulheres. Apesar da China não ser o único país nesta situação – a Índia enfrenta o mesmo problema -, é de longe aquele com as maiores diferenças entre os sexos. A política do filho único, instituída há 30 anos, também não contribui para a mudança do panorama. O problema da falta de mulheres só agora começa a se notar.

O país contabiliza dezenas de milhões de homens que estão destinados a morrerem solteiros. Há receios do aumento de violência sexual e instabilidade social. Mas nem tudo são más notícias. Começa a surgir agora mais mulheres como Chen, que não vêem problema em ter uma filha. O responsável pelo Gabinete de Planeamento Familiar da China, Li Bin, referiu ao jornal “The Guardian” que no ano passado nasceram 118 meninos a cada 100 meninas – o que evidencia alguma mudança nas tradições chinesas. “Parece que as

coisas estão a ficar sob controlo”, disse a mostrar alguma prudência. O plano quinquenal válido até 2016 tem uma meta ambiciosa nessa sentido: fazer com que nasçam 112 rapazes por cada 100 raparigas. Para atingir tal objectivo, o Governo de Pequim lançou uma campanha agressiva para evitar abortos selectivos – há mais gente a vigiar, já que é obrigatório agora a presença de dois médicos quando a mulher se submete a uma ecografia. As punições ficaram também mais duras, tanto para pacientes como para os médicos, que arriscam perder para sempre a licença. “A curto prazo, é imperativo apertar com a proibição dos abortos selectivos”, opina Li Shuzhuo, professor do Instituto dos Estudos Populacionais e de Desenvolvimento da Universidade de Jiaotong, em Xi’an. Apesar da rigidez da legislação em vigor, há sempre maneiras de contorná-la: os médicos encontram sempre forma de avisar as mulheres sobre o sexo, escrevendo nas ecografias uma coma no caso de ser um rapaz. Alguns especialistas receiam que a lei está a desencadear uma série de abortos ilegais e casos de infanticídio se o desejo dos pais não se concretiza. Em outras palavras, a batalha pelas raparigas chinesas irá depender das preferências de mudança. Como Li assinala, essa é uma batalha a longo prazo e a sociedade continuará a pagar um alto preço pela tradição.

EUROPA TEM HABILIDADE PARA RESOLVER A CRISE, DIZ MINISTRO CHINÊS

Contorcionistas e malabaristas A

China está confiante na capacidade da Europa em superar a crise da dívida, disse o ministro de relações exteriores Yang Jiechi, acrescentando que a estabilidade na zona do euro é crucial para a recuperação da economia global. Yang, porém, não falou no aumento de ajuda por parte da China à Europa nas suas declarações deste sábado. “Acreditamos que a Europa tem total liberdade

e habilidade para resolver o seu problema de débito”, afirmou, em nota publicada no site do ministério que lidera. Os países da zona do euro procuraram a China para ajudar no seu pacote de socorro, desembolsando algo como 25,2 mil milhões de patacas que o país asiático possui em reservas. Os líderes do G20 fracassaram, na reunião de Cannes esta

semana, ao não garantirem novos recursos de potenciais investidores como a China e o Brasil que seriam destinados a sanar a crise da dívida da zona do euro. A crise continua a preocupar os mercados financeiros à medida em que o tumulto político na Grécia colocou em xeque um acordo para o seu resgate e o alto endividamento da Itália tornou-se o foco da atenção do mercado.

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A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que havia muito trabalho a ser feito para resolver a crise e que levaria uma década até a zona euro estar numa situação melhor. “Certamente vai demorar uma década até que estejamos numa boa posição novamente,” afirmou Merkel no seu podcast semanal. “Temos um grande trabalho pela frente. Tenho que dizer isso”, acrescentou.

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POLÍTICA

FAOM pede postura mais interventiva na política laboral

Governo tem de fazer mais Virginia Leung

virginia.leung@hojemacau.com.mo

L

IMITAR-SE a um papel de observador no que diz respeito às políticas de importação de mão-de-obra não chega, defenderam os responsáveis da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), depois de terem recebido ontem a visita do Chefe do Executivo. A FAOM pediu por isso ao Governo uma postura mais interventiva e dinâmica no desenvolvimento das capacidades e talentos locais, e apresentou a Chui Sai On uma lista com cinco sugestões ligadas aos recursos humanos em Macau e que gostaria de ver incluída nas próximas Linhas de Acção Governativa (LAG). “O papel do Governo não devia ser o de mero observador nas políticas de importação de trabalhadores. O Governo devia era dar mais foco ao desenvolvimento e formação dos talentos locais, para permitir que os residentes tivessem oportunidades de ascensão social”, afirmou Chiang Chong Sek, presidente da direcção da FAOM, mesmo após a visita de Chui Sai On.

O responsável federativo sublinhou que era importante que, para carreiras específicas, era importante parar de insistir na importação de trabalhadores e na aplicação de restrições proporcionais ao trabalho importado. “Para alguns [postos] de nível médio-alto ou de cariz técnico específico, deveria ser mais regulada a importação de mão-de-obra e incentivadas as empresas e toda a sociedade a cumprirem a sua responsabilidade de fornecer oportunidades aos talentos locais.”

SALÁRIOS QUEREM FERMENTO

No conjunto de cinco sugestões (ver caixa) apresentado ao líder do Governo, foram incluídas indicações a respeito da instituição do salário mínimo e do combate à inflação. Chui Sai On terá manifestado estar ciente de que os salários médios não tinham sofrido alterações nos últimos tempos e dos problemas que essa situação criava, com os preços das mercadorias a aumentar. “O Governo tem tomado várias medidas, mas a população pode não estar a senti-las realmente”, alertou Chiang. Na reunião com Chui Sai On,

As cinco sugestões da FAOM 1. Promover a política de carreiras, com ênfase na formação e desenvolvimento de talentos locais – O Governo deveria executar de forma efectiva a “Lei da contratação de trabalhadores não residentes” para proteger o emprego dos residentes locais 2. Optimizar a protecção jurídica dos trabalhadores – Consolidar um sistema de segurança social é muito importante e o Governo deveria cumprir a sua promessa de optimizar o Fundo de Segurança Social. 3. Estabelecer uma política habitacional de longo prazo – Clarificar os planos de desenvolvimento de habitação pública o mais depressa possível 4. Diversificar mercados abastecedores de mercadorias e estabilizar preços – Resolver o problema do aumento dos preços das mercadorias e incentivar um mercado aberto. 5. Criar uma cidade pedestre e racionalizar a organização do trânsito – Pensar no ponto-de-vista de quem anda a pé e mudar o conceito de usar sobretudo meios de transporte motorizado.

a FAOM tentou manter o discurso centrado na optimização das políticas de mão-de-obra e de recursos humanos em Macau, relatou Ella Lei Cheng I, vice-presidente da direcção da FAOM. O Governo não pode continuar sem uma política de longo prazo ou ideias pré-concebidas que vai aprovando à medida que a aplica”, considera a responsável. “Porque é que o salário

médio não tem sido reajustado em alta há tantos trimestres consecutivos? Pode ser porque a legislação para a importação de trabalho suprime a mobilidade ou o elimina o espaço para o aumento dos salários. O principal problema que as classes carenciadas têm enfrentado actualmente graças à inflação é como incentivar as empresas a aumentar os níveis salariais”, observou.

Devido às limitações impostas pelas políticas de importação de trabalho, há actualmente pouco espaço a revisões em alta nos salários dos recursos humanos locais, explicou Ella Lei. “As políticas de importação de mão-de-obra têm tido uma grande intervenção na forma como as empresas encaram a contratação de residentes locais ou a decisão de aumentar os salários. No entanto, os recursos humanos locais devem manter-se em constante melhoramento.” Para criar a possibilidade de verdadeiramente partilhar com os cidadãos o sucesso económico de Macau, defendeu a vice-presidente da FAOM, “não basta melhorar as políticas de habitação ou controlar a inflação. É mais importante aumentar a competitividade dos habitantes locais”. A responsável defende a continuidade das medidas para resolução de curto prazo do fardo dos mais pobres, mas com um ângulo mais diversificado de consideração. Outra das preocupações manifestadas pela FAOM terá sido a da situação do Fundo de Segurança Social, cuja operação, segundo Ella Lei, devia ser optimizada. “Para um desenvolvimento a longo prazo, se não houver capital suficiente, não irá o fundo enfrentar alguns problemas de desenvolvimento económico no futuro? Como deve o Governo alocar os recursos para permitir que o fundo possa ser desenvolvido de forma sustentável?”

AL QUER MAIS PORMENORES SOBRE GASTOS DE ENTIDADES PRIVADAS E ORGANISMOS ESPECIAIS

Melhor fiscalização no orçamento Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

O

S deputados da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) precisam de mais informações sobre as despesas de algumas sociedades privadas que recebem apoios do Executivo e sobre os fundos de diversos organismos especiais. O objectivo é conseguirem fiscalizar melhor a execução orçamental do ano passado, que volta à análise da comissão liderada por Chan Chak Mo. O presidente do grupo disse ontem, em conferência de imprensa, que os deputados “têm conhecimentos sobre as contas grandes,

enquanto os pequenos gastos não chegam à comissão”. Companhias privadas como a Companhia de Elec-

tricidade de Macau (CEM), a Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM), os Serviços de Abastecimento

de Água de Macau (SAAM), as companhias de autocarros TCM e Transmac e o Mercado Abastecedor recebem

apoios financeiros do Governo, devido aos subsídios prestados aos cidadãos da RAEM.

PIDDA CONTINUA COM BAIXA EXECUÇÃO Depois de, em 2009, a taxa de execução do PIDDA (Plano de Investimentos e Despesa da Administração) se ter situado nos 46%, em 2010 denota-se uma subida de 4%, mas ainda assim a baixa taxa de execução mantém-se como principal preocupação dos deputados. Ontem, Chan Chak Mo disse aos jornalistas que os deputados querem saber quais os projectos que tiveram já custos superiores aos cem milhões de patacas e quais as razões para que a taxa de execução do PIDDA – que foi de 50% continue tão reduzida. “O Governo, no passado, deu-nos como justificação [para a baixa taxa de execução]

a morosidade no andamento de obras, eventuais litígios em tribunal e a falta de recursos humanos”, frisou Chan Chak Mo. O presidente da comissão acredita que, para este orçamento de 2010, as justificações poderão ser as mesmas. Face a 2009, o PIDDA aumentou em 30,4%, com o desenvolvimento a fazer-se sentir nos Serviços Económicos, Educação e Segurança Pública. Mas, na altura da apresentação do orçamento na AL, os deputados mostraram-se descontentes, acusando o Governo de não se preocupar com o desenvolvimento dado o aumento constante das receitas, maioritariamente provenientes do jogo.

Os deputados querem ainda ter nas mãos informações mais detalhadas sobre o aumento de 70% nas obras de construção da ponte que vai ligar Macau-Hong KongZhuhai e sobre os aumentos das despesas do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) e da Televisão de Macau (TDM). “Há informações que faltam e que vão ser pedidas ao Governo”, frisou o presidente da comissão. Os fundos de organismos especiais, como o Fundo de Acção Social, Fundo de Desenvolvimento Turístico, Fundo para a Educação e Fundo para o Desenvolvimento das Ciências, entre outros, são outras das contas que os deputados esperam analisar. Uma reunião com os representantes do Governo está agendada para a próxima semana.


VÍTOR CARVALHO COELHO É O NOVO PROCURADOR-ADJUNTO DO MP

TERÇA-FEIRA 8.11.2011

Vítor Manuel Carvalho Coelho foi nomeado ontem pelo Chefe do Executivo para o cargo de Procurador-Adjunto do Ministério Público da RAEM, por contratação pelo período de dois, com efeitos a partir do dia 20 do próximo mês. O novo nome segue-se a Augusto Serafim de Basto do Vale e Vasconcelos, que se retirou do cargo para se aposentar. O currículo do magistrado conta com experiência no território antes e depois da transferência de soberania. Antes de 1999, Vítor Manuel Carvalho Coelho exerceu funções no Ministério Público. Agora trabalhava no serviço do mesmo ministério junto dos Tribunais de Segunda e Última Instância.

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Câmaras nas ruas | Deputados alertam para conflito de interesses

Esclarecer os riscos da videovigilância Servem para evitar a desordem pública mas interferem com os direitos dos cidadãos. A instalação de câmaras de videovigilância nos espaços públicos continua a provocar debate na 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, responsável pela análise à proposta de lei. Os deputados querem punições mais claras e o alargamento da competência do Gabinete de Protecção dos Dados Pessoais. O Governo deve ainda, dizem, especificar o conceito de ‘espaço público’ e identificar as entidades competentes para a eliminação das gravações Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

“É

preciso haver um equilíbrio” na proposta do Regime Jurídico da Videovigilância em Espaços Públicos, diz Cheang Chi Keong. O presidente da 3.ª Comissão Permanente da AL explicou ontem aos jornalistas que os deputados querem alterações na proposta, de forma a que o novo regime seja especificamente para a manutenção da ordem pública e que sejam garantidos os direitos dos cidadãos. “O Governo reconhece que, com a lei, pode restringir direitos. Agora que [o novo regime] está aprovado na generalidade, temos de encontrar um equilíbrio enquanto o analisamos na especialidade”, frisou Cheang Chi Keong.

Os deputados querem, por exemplo, que seja melhor esclarecido o conceito de ‘espaço público’ e de uso colectivo, onde ficarão instaladas as câmaras de vigilância. Mas, os membros da comissão querem mais: alargar o regime sancionatório previsto no regime para quem utilize indevidamente os dados audiovisuais recolhidos e atribuir ao Gabinete de Protecção dos Dados Pessoais (GPDP) mais competências. O regime de Videovigilância, aprovado em Julho na AL, prevê que os infractores “sejam punidos de acordo com o estatuto disciplinar a que estão sujeitos” e, apesar de identificar estes actos como muito graves, não adianta muitos pormenores. A comissão entende que esta punição não tem efeito

dissuasor suficiente e, por isso, querem aumentá-la. “Conferimos o direito às autoridades de recolherem informação e dados e, caso alguém os utilize de forma ilícita, temos de impor sanções. Mas na proposta a punição não está bem clara. Temos de agravar a pena”, frisou Cheang Chi Keong. Se o Governo concordar, também o GPDP poderá ver as suas competências alargadas e usufruir de poder para fiscalizar as entidades que recolhem e utilizam os dados.

À ESPERA DO GOVERNO, EM CONFLITO COM A LEI

Depois da elaboração do relatório pelos membros da AL, os deputados consideram haver ainda muitas arestas por limar. O conflito de interesses pre-

sente no regime é uma delas. Se, por um lado, a proposta tem como objectivo assegurar a ordem pública, por outro, é difícil garantir os direitos dos cidadãos. No entanto, há ainda outros problemas agregados à aprovação deste regime. Segundo a proposta, caso as autoridades recolham gravações que indiquem factos de relevância criminal devem elaborar um auto no prazo de três dias. Contudo, esta indicação entra em conflito com o Código de Processo Penal (CPP), que prevê que esta acção seja feita “o quanto antes”, para que não se perca a oportunidade de capturar os autores do crime. Cheang Chi Keong explica ainda outros conflitos com o CPP: “Caso o regime seja aprovado com permissão para que os dados sejam utilizados como prova em

UGAMM ESPERA QUE GOVERNO QUE NÃO INTERROMPA DISTRIBUIÇÃO DE CHEQUES

Dinheiro grátis parece bem Virginia Leung

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NTRE as recentes visitas do Chefe de Executivo, na ronda prévia ao lançamento do Relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG), conta-se uma passagem ontem pela União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM), onde Chui Sai On terá dado a entender a intenção de manter a política de distribuição de cheques de ajuda pecuniária aos residentes de Macau. Os responsáveis da UGAMM apoiam essa ideia, mas não deixaram de apresentar também uma lista de nove sugestões de

políticas que gostariam de ver contempladas nas LAG (ver caixa). “Pelo que percebi, o Chefe do Executivo tem a intenção de continuar com a medida de distri-

buição de cheques. Não temos qualquer sugestão em termos de montante, mas consideramos essa medida adequada”, explicou Leong Heng Teng, presidente da UGAMM, no balanço da

reunião com Chui. “Após o desenvolvimento económico, com a sociedade a acumular recursos, além da satisfação de necessidades básicas como educação, habitação, assistência social e saúde, é apropriado distribuir a riqueza entre os residentes”, defendeu o responsável, considerando que a distribuição de cheques podia ser uma política de longo prazo. Se assim for, afirmou, deveria haver um planeamento concreto, bem como uma distribuição proporcional ao Fundo de Segurança Social, e para a conservação da cidade antiga e criação de infra-estruturas.

julgamento, terá de haver uma articulação com os códigos”. A utilização de dados audiovisuais em julgamento vai ser possível com a aprovação do regime na especialidade. A 3.ª comissão espera ainda esclarecimentos sobre a destruição dos dados recolhidos, já que, diz Cheang Chi Keong, “agora é sempre possível a recuperação” de informações, dado o avanço das tecnologias. “É necessário identificar as entidades que têm competência para a recolha de dados e as que têm competência para a sua eliminação”, explicou o presidente. Colocadas em espaços destinados ao uso colectivo e que estejam sob gestão da RAEM – ruas e fronteiras, por exemplo – as câmaras terão de ser identificadas. Os deputados pedem que sejam colocados avisos, para que os cidadãos possam saber que estão a ser filmados. A comissão da AL espera agora a reunião com os representantes do Governo, para que veja as suas dúvidas e pedidos satisfeitos. “É necessário que o Governo esclareça bem os riscos de implementação da lei”, frisou Cheang Chi Keong.

O que a UGAMM quer 1. Empenho total em ajudar os residentes a combater a inflação. 2. Optimizar a política habitacional – Concluir dentro do prazo as 19 mil unidades de habitação pública prometidas. Estudar a possibilidade de promover “habitação a preços limitados”. Equilibrar a procura e oferta e controlar as tendências do mercado para combater a especulação. 3. Construir um mecanismo de segurança social optimizado – Melhorar os métodos de capital importado para o Fundo de Segurança Social (FSS). 4. Reforçar os trabalhos de protecção do ambiente e incentivar a poupança de energia. Controlar o aumento do número de veículos, reduzir as emissões de gases de exaustão, ruído e poluição luminosa. Melhorar transportes públicos e avançar com a construção do metro ligeiro de superfície. 5. Acelerar a reorganização do plano de desenvolvimento para a cidade antiga e reforçar a protecção do património 6. Apoiar o desenvolvimento de Pequenas e Médias Empresas (PME) – Resolver os problemas de escassez de recursos humanos. 7. Aumentar a participação da sociedade e, gradualmente, promover o desenvolvimento para a Democracia política.


SOCIEDADE

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IPM promove cursos para aprender a trabalhar com o jogo

Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

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ÃO aos milhares os que passam pelo casino simulado do Instituto Politécnico de Macau. Os cursos, à mercê dos jovens, preparam a cada ano pessoas que lutam por conseguir um lugar num dos 34 verdadeiros casinos do território. Os casinos são vistos como porto seguro pelos jovens de Macau e são cada vez mais os que escolhem o Centro Pedagógico e Científico na Área do Jogo ou a Escola Superior de Ciências Sociais como ponte para um mercado de trabalho alargado como aquele que os casinos proporcionam. Com os diversos cursos os jovens aprendem a lidar com os problemas do jogo, a calcular soma de fichas num abrir e fechar de olhos e a lidar com os maus perdedores. Os alunos podem sempre experimentar o bacará, o blackjack, entre

Macau, escola do jogo outros jogos, e têm exames finais sobre a matéria dada. “Nós costumávamos ganhar um mau salário mas agora ganhamos mais, este é um emprego seguro”, referiu o estudante Derek Kwok. O estudante tem testemunhado a boa saúde do sector do jogo desde a sua abertura à concorrência estrangeira e quer fazer parte desse crescimento extraordinário que, só no ano passado, registou um aumento de 57%. Derek Kwok é um dos mais de 6000 alunos inscritos em cursos relacionados com o jogo no IPM só este ano, o que é mais um sinal da velocidade de expansão de um sector que emprega actualmente cerca

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de 43 mil pessoas, e que, indirectamente, dá trabalho a muitos mais.

UM AUTÊNTICO CASINO

A simulação de casino do IPM ocupa um piso inteiro. Há uma caixa completa para troca de dinheiro e um tapete a dar um ar multicolorido ao espaço.Ali os alunos revezam-se para interpretar os papéis de jogadores e funcionários. O IPM também oferece cursos de gestão de caixa, slot-machines e vigilância, enquanto que recentemente começou a oferecer um programa de graduação para a alta gerência – a Licenciatura em Ciências Sociais, Variante em Gestão de Jogo e Diversões. A maioria dos cursos é de curta duração e os salários dos recém-formados são muito atractivos: quem começa pode auferir ordenados na ordem das 10 mil patacas por mês, disse a aluna Lucy Ki. Para aqueles que já trabalham na

indústria e por algum motivo estão de volta ao IPM para apurar as suas habilidades, as lições são cada vez mais exigentes. Yoki Leung, de 28 anos, está a estudar no curso de Gestão de Jogo e Diversões e trabalha como comerciante, contudo os seus interesses reais são mais terra-a-terra. “Não me agrada nada ter que trabalhar em turnos de 24 horas. Prefiro mesmo trabalhar para o Governo ou estudar culinária. Um salário mensal de 10 mil patacas é bom mas começa a não chegar para pagar um apartamento numa altura em que a inflação bate recordes”, referiu.

INFLAÇÃO, O ETERNO PROBLEMA

As colegas de Yoki Leung também citam a inflação como um mal do território. Macau, apesar de tudo, é uma terra com muitos problemas sociais, dizem os alunos. Os cursos promovidos pelo IPM

incluem ainda conselhos sobre o vício do jogo no qual os apostadores podem sucumbir. “É um efeito estranho ver enormes quantidades de dinheiro ganho e perdido a cada dia”, referiu uma das estudantes. Mandi Ieong trabalha numa agência que traz jogadores VIP da Tailândia, Japão e Coreia. Tornou-se perita em lidar com as demandas dos jogadores para pedir mais dinheiro quando os seus milhões acabam. “Eu vi-os a ganhar 10 milhões e também os vi perder 10 milhões, por isso já não tenho qualquer tipo de sentimento quando ganham ou perdem”, disse. O jogo não interessa a Ieong, que assume o que faz apenas como um emprego como outro qualquer. “Sei perfeitamente que se jogar por um longo tempo vou perder tudo. É isso que estou a estudar e sei que, na realidade, não há nada para ganhar com o jogo”, constatou.

Seja como for, Ieong mostra gratidão pela prosperidade que o jogo tem trazido ao território e, em particular, à sua família. “Eu sou jovem, estou apenas a tentar construir algo de bom para mim.”

TRABALHOS SEGUROS, POR AGORA

O professor do IPM Zeng Zhonglu, especialista em jogo e economia, diz que os trabalhadores da indústria podem dar-se ao luxo de estar despreocupados nos próximos cinco ou seis anos, pois o jogo vai continuar na senda do seu crescimento. Contudo, Zeng lembra aos estudantes que o futuro pode mudar a qualquer momento e é preciso estarem preparados para isso. “Não é possível para a indústria continuar sempre a crescer”, disse. Alex Lo coordena o treino com as slot-machines no casino simulado do IPM e orgulha-se de estes cursos serem únicos em toda a Ásia. Para Lo, os jogadores não se conseguem controlar e quando confrontados sobre a sua escolha de estar a trabalhar neste ramo é incisivo. “Não há outras opções.”

ANÚNCIO HM-2ª VEZ 08-11-11 通常宣告案 第 CV3-11-0027-CAO 號 Processo: Acção Ordinária

第三民事法庭 3º Juízo Cível

JOVEM DETIDA NO NEPAL SENTENCIADA A 16 ANOS DE CADEIA POR TRÁFICO DE DROGA

Advogados já pediram recurso

AUTOR: NG KUN TOU, residente em Macau na Istmo Ferreira do Amaral, nº99, Edifício Hung Wan, 19º andar E. RÉUS: HO IO KEUNG que também usa e é conhecido por HO YIU KEUNG e MOK IOK CHAO que também usa e é conhecido por MOK IOK CHAU, com últimas moradas conhecidas em Macau, na Estrada Coelho do Amaral, nº12 A e na Rua Formosa, nº10, 3º D, ora ausentes em parte incerta. *** FAZ-SE SABER que pelo Tribunal, Juízo e processo acima referidos, correm éditos de TRINTA DIAS, contados da segunda e última publicação do anúncio, citando os Réus acima identificados, para no prazo de TRINTA DIAS, findo o dos éditos, contestar a Acção Ordinária, cujo pedido consiste em: (i) Seja declarado os Réus, por facto voluntário culposo que lhes é exclusivamente imputável, não cumpriram as obrigações que através do contrato promessa aludido na petição inicial haviam assumido para com o Autor designadamente a de celebrar o contrato prometido outorgando a respectiva Escritura Pública de compra e venda; (ii) Seja proferida sentença constitutiva que produza os efeitos da declaração negocial em falta, transmitindo-se por essa via para o Autor, para todos os efeitos legais, nomeadamente de registo, pelo preço já pago de HKD550000,00 equivalentes a MOP566500,00, livre de quaisquer ónus ou encargos, a propriedade da fracção autónoma designada por “AC/V”, na cave “A”, para comércio, inscrito a favor dos Réus sob o nº101972, a fls. 127 do Livro G80, do prédio sito em Macau, na Calçada das Verdades, nº 18-A e 20, descrito na Conservatória do Registo Predial de Macau sob o nº1438, a fls. 171v do Livro B8; e (iii) Sejam condenados os Réus a pagar as custas judiciais. Tudo como melhor consta do duplicado da petição inicial, que se encontra nesta Secretaria do 3º Juízo Cível à disposição do citando. A intervenção do citando nos autos implica a constituição de advogado - artº74º do Código Processo Civil de Macau. RAEM, 25 de Outubro de 2011

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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ULCINEIAFernandes, a residente de Macau detida há mais de um ano no Nepal por tráfico de droga, foi condenada a 16 anos de prisão por um Tribunal de Primeira Instância do país. Segundo a Rádio Macau, que avançou com a notícia, a sentença já teria sido proferida emAgosto, mas foi agora tornada pública. José Maria Abecassis, advogado do escritório de Pedro Redinha, ambos encarregues do caso, disse ao Hoje Macau que já foi interposto recurso pelos advogados nepaleses contratados para acompanhar o caso no local. O advogado afirma ainda que, conforme o previsto na lei nepalesa para um crime deste tipo – entre 15 a 20 anos, “não era de prever uma boa sentença” para Dulcineia. A jovem é natural de Luanda, mas foi no território que cresceu, onde é residente permanente e tem passaporte português. Em Maio passado, Dulcineia foi interceptada no aeroporto de Kathmandu com 317

gramas de cocaína.Amulher ainda esteve detida preventivamente num estabelecimento policial com condições precárias, segundo notícias da imprensa na altura da detenção, sendo depois transferida para a ala feminina da prisão de Kathmandu. Segundo a família e os advogados de defesa, a jovem sofre de incapacidade mental e terá sido utilizada como instrumento para o tráfico de estupefacientes, já que Dulcineia tem uma percepção errada da realidade. Ajovem ainda esteve casada com um nigeriano que foi expulso da RAEM por alegadas actividades ilícitas. José Maria Abecassis explicou ao Hoje Macau que a táctica dos advogados de defesa passou exactamente por alegar a inimputabilidade da jovem, ainda que sem sucesso. “Pedimos uma perícia legal médica [para a Dulcineia], que foi feita, mas com numa consulta médica normal, onde o médico terá apenas questionado à jovem se ela se sentia bem. Ao afirmar que sim, eles consideraram-na sem problemas”, explicou o advogado. Os defensores de Dulcineia disseram, então,

ser necessária uma segunda perícia com um especialista do foro psíquico, mas o tribunal negou o segundo pedido. “Não fizeram caso disso, o segundo pedido foi negado”, disse José Maria Abecassis ao Hoje Macau. Na altura da detenção de Dulcineia Fernandes, dois advogados do território deslocaram-se ao Nepal, onde entregaram relatórios médicos que atestavam a situação psíquica da jovem. A ideia inicial seria conseguir a transferência de Dulcineia para Macau, mas a jovem irá mesmo cumprir a pena de 16 anos no Nepal, caso os advogados de defesa não consigam retornar o processo. Segundo José Maria Abecassis, a decisão do tribunal acerca do recurso interposto pode ser conhecida em Dezembro ou Janeiro. Ao canal português da TDM, o advogado afirmou que Dulcineia “ainda está esperançada que haja uma solução para o seu caso”. A falta de tratados internacionais que permitam acordos de extradição do Nepal para Macau ou Portugal pode complicar a situação.


CONSTITUIÇÃO DE SOCIEDADES AUMENTOU 8,7% NO 3O TRIMESTRE DE 2011 Um total de 850 sociedades foi constituído em Macau no terceiro trimestre com um capital social de 479 milhões de patacas, mais 8,7% e 132%, respectivamente, face a 2010. De acordo com os dados dos Serviços de Estatística e Censos de Macau ontem divulgados, 451 milhões de patacas do capital social das sociedades constituídas no período em análise era proveniente do território, seguindo-se-lhe a China Continental com 15 milhões de patacas, e Hong Kong, com nove milhões de patacas.

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Governo continua a investir no desenvolvimento científico

Lia Coelho

lia.coelho@hojemacau.com.mo

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Á está previsto no orçamento do Governo injectar 19 milhões de patacas no Laboratório Nacional de Medicina Tradicional e de Micro-tecnologia, na Ilha da Montanha. Para o primeiro seguem 10 milhões, o segundo será financiado em nove milhões de patacas. A informação foi confirmada ontem por Cheang Kun Wai, membro do comité do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT), à margem da apresentação dos relatórios académicos sobre os projectos de investigação subsidiados pelo FDCT. Kun Wai avançou que até ao final do ano a verba deverá ser libertada. Em falta está a apresentação de um relatório anual dos dois laboratórios. Este ano, entre Janeiro e Outubro, o FDCT já aprovou 36 novas propostas de investigação dos

A

Sociedade de Jogos de Macau, operadora de casinos fundada por Stanley Ho, anunciou ontem um aumento homólogo de 35,3% do lucro líquido no terceiro trimestre para um valor de 1173 milhões de dólares de Hong Kong. Os dados financeiros ontem divulgados pela empresa indicam que as receitas de jogo subiram 36,2% no mesmo período para 19.057 milhões de dólares de Hong Kong. Já o EBITDA ajustado foi calculado em 1651 milhões de dólares de Hong

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Uns milhões para a ciência que algumas entidades e empresas privadas também submeteram candidaturas. O montante previsto para apoiar o desenvolvimento científico para o ano corrente é de 25 milhões de patacas. De frisar que o valor inclui os projectos aprovados até à data pelo período de um ano. As áreas envolvidas são a medicina chinesa – a grande aposta -, protecção ambiental, novas tecnologias e ciências.

A LUA VISTA DA CHINA entre 81 projectos submetidos. A maioria das apresentações feitas foi de instituições públicas – a grande fatia vai para a Universi-

dade de Macau (UMAC) e para a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST). O membro do comité referiu ainda

A 20 de Julho de 1969 a humanidade deu um grande passo quando Neil Armstrong pisou a lua. Décadas mais tarde é a vez da China começar a explorar o espaço, com

um projecto da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade de Macau (UMAC) – um estudo e a criação de um sistema informático que reúne os dados para estudar a superfície lunar. “Desenvolvemos um projecto para nos iniciarmos nas descobertas científicas”, explicou Zesheng Tang, professor da UMAC. Um primeiro passo dado pelo continente chinês. Para já foi construído o modelo e reunidas as imagens da lua e seus elementos. A análise é para ter continuação. O apoio dado pelo FDCT ao programa apresentado foi de quatro milhões de patacas. O evento juntou mais três projectos. Hoje serão anunciados os restantes quatro concluídos.

JOGO | LUCROS DA SJM SOBEM 35,3% NO TERCEIRO TRIMESTRE

Milhões e mais milhões Kong, mais 40,2% do que no mesmo período de 2010. O principal casino do grupo, o Grand Lisboa, lidera a receita da Sociedade de Jogos de Macau com 5829 milhões de dólares de Hong Kong, mais 60,1% do que no terceiro trimestre de 2010. As receitas de jogo no terceiro trimestre de 2011 contabilizam cerca de 28%

GOVERNO VAI ESTUDAR A FUNDO TRANSPORTES DE MACAU O Governo vai estudar até ao fim do próximo ano a rede de prestação dos serviços da rede de transportes públicos de Macau. Para tal, tem previsto gastar um montante que atinge os 275 mil milhões de patacas. A autorização do contrato com a THI Consultants Inc. Macau Branch para efectuar o estudo foi ontem publicada por despacho assinado pelo Chefe do Executivo em Boletim Oficial. O encargo para 2012 será suportado pela verba em vigor no orçamento da RAEM para o ano económico em questão. Caso este ano o limite previsto não atinja o valor, este pode transitar para o ano seguinte, desde que não sofre acréscimos. O valor será pago em duas fases, uma ainda este ano, o resto será pago no próximo ano.

do total de receitas dos casinos de Macau, contra uma percentagem de 30,4% apurado no mesmo período de 2010. De acordo com os mesmos dados, a SJM mantém uma posição financeira consolidada com 19.137 milhões de dólares de Hong Kong em dinheiro e 3332 milhões de dólares de Hong

PEREIRA COUTINHO QUER PATACA INDEXADA A OUTRA MOEDA O deputado da Assembleia Legislativa (AL) José Pereira Coutinho interpelou ontem o Governo para que reveja a indexação da pataca ao dólar de Hong Kong e, consequentemente, ao dólar norte-americano. Pereira Coutinho defende que o facto da moeda de Macau estar indexada a uma moeda que desvaloriza face ao yuan “contribui para a subida de preços e do custo de vida em Macau”. Face a isso, o deputado pede ao Governo estudos sobre o impacto da valorização do yuan e pede a promoção de uma discussão pública que pode passar pela sugestão de “como indexar a pataca ao yuan ou a de a indexar a um cabaz de moedas que incluísse, nomeadamente, o yuan, o euro, o dólar de Hong Kong e o dólar norte americano”. “Que interesses tem o Governo pretendido acautelar?”, questiona o deputado na sua interpelação escrita. O legislador quer ainda que o Governo considere se “a estrutura do cabaz de compras que tem servido de base para a determinação do índice de preços no consumidor se mantém correcta”.

Kong em débitos a 30 de Setembro. Relativamente aos primeiros nove meses e contra o mesmo período de 2010, a Sociedade de Jogos de Macau obteve receitas de jogo de 56.591 milhões de dólares de Hong Kong, mais 39,7%, um EBITDA ajustado de 5142 milhões de dólares de Hong Kong e lucros líquidos

de 3839 milhões de dólares. Durante o terceiro trimestre, as receitas de jogo VIP totalizaram 13.314 milhões de dólares, mais 42% enquanto o mercado de massas subiu 25,4% para 5389 milhões de dólares de Hong Kong. Além do sector do jogo, a SJM registou ainda no terceiro trimestre deste ano 156 milhões de dólares

de outras receitas como a hotelaria, catering e serviços relacionados. Ao longo do terceiro trimestre deste ano, a Sociedade de Jogos de Macau operava 613 mesas VIP, ou destinadas a grandes apostadores, 1145 mesas comuns e 3964 slot machines. A venda de fichas para mesas VIP no terceiro trimestre totalizou 463.000 milhões de dólares e o lucro das mesmas mesas antes do pagamento de comissões e outros descontos correspondia a 2,88%.

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ANÚNCIO 1. Designação do Serviço Produção do mensário “What’s On”, versão chinesa e versão inglesa. 2. Programa de Consulta e Caderno de Encargos: 2.1 O processo da consulta, incluindo o programa de consulta e o caderno de encargos, encontram-se disponíveis para efeitos de consulta nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, patente do Departamento Administrativo e Financeiro da Direcção dos Serviços de Turismo, sita na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hot Line” 12º andar, Macau onde correrá o processo de consulta. 2.2 Obtenção de cópias: Transferência gratuita de ficheiros pela Internet na Home Page da DST ( http://industry.macautourism.gov.mo). 3. Critérios de apreciação das propostas: 3.1 Editorial : 20% 3.2 Apresentação de lay-out : 20% 3.3 Preço : 30% 3.4 Experiência da empresa, corpo editorial e equipa gráfica : 30% 4. Local, dia e hora limite de apresentação de propostas: Direcção dos Serviços de Turismo, Divisão de Publicidade e Produção, sita na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hot Line” 13.º andar, sala 1316, Macau, às 12 horas do dia 28 de Novembro de 2011. 5. Local, dia e hora do Acto Público da Consulta: Direcção dos Serviços de Turismo, sita na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hot Line” 13º andar, sala 1316, Macau, pelas 11 horas do dia 29 de Novembro de 2011. Os proponentes devem estar presentes neste acto para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados à consulta. Direcção dos Serviços de Turismo, em Macau, aos 8 de Novembro de 2011. O Director dos Serviços, João Manuel Costa Antunes


vida

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A

S ameaças ambientais podem comprometer avanços no desenvolvimento humano nos próximos anos, e os principais prejudicados serão os países mais pobres do mundo. O alerta é do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), que divulgou, recentemente, o relatório Sustentabilidade e Equidade: Um Futuro Melhor para Todos. De acordo com o PNUD, os avanços em saúde e rendimentos, que, junto com a educação, compõem o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), poderão ser ameaçados pelas consequências das mudanças climáticas e da destruição ambiental. “Os resultados alcançados nas últimas décadas poderão ser revertidos se não levarmos

ABUTRE-PRETO RECOMEÇOU A REPROD

“Idanha”, com sete meses, já sobrevoa o Tejo Internacional. Este foi o segundo ano classificada como “criticamente em perigo”, conseguiram reproduzir-se em Portuga ano nasceu “Idanha”, cria de um dos três casais reprodutores no Parque Natural do monachus) a nascer em Portugal, segundo dados confirmados, desde 1973, depois

Problemas ambientais ameaçam avanços no desenvolvimento humano

Ficar pelo caminho em conta o desenvolvimento sustentável, compreender que a desigualdade afecta a degradação ambiental e vice-versa”, apontou o pesquisador do Relatório de Desenvolvimento 2011, Alan Fuchs. Pelas projecções do PNUD, se o ritmo de evolução do IDH dos últimos 40 anos for mantido, em 2050 a grande maioria dos países terá índices considerados muito elevados. No entanto, essa trajectória pode ser comprometida pelos riscos ambientais, que foram

divididos pelo PNUD em dois cenários: desafio e desastre ambiental. Até 2050, sem os novos desafios ambientais, o IDH global

OS EFEITOS PERVERSOS DO AQUECIMENTO GLOBAL

Já é uma linha de 30 quilómetros que pode ser vista do ar, e que está a cortar mais um pedaço de gelo do glaciar Pine Island, na região Oeste da Antárctida. O fenómeno foi registado pela IceBridge, um projecto da Agência Espacial Norte Americana (NASA), quando ficar formado pode ter mais de 800 quilómetros quadros, o equivalente à área da capital alemã. A IceBridge analisa o estado e as dinâmicas dos gelos polares para ajudar a estimar com mais correcção o aumento dos níveis médios do oceano. A NASA utiliza um avião que voa por cima das vastas áreas geladas da Antárctida que tem aparelhos para medir as características dos glaciares e permite aos cientistas avaliarem as dinâmicas dos gelos. A 14 de Outubro os cientistas descobriram a racha no meio do glaciar. Desde 2001 que o Pine Island não produzia um iceberg tão significativo. A região tem um ciclo de cerca de uma década na produção de grandes glaciares. Os cientistas calculam que o iceberg irá desprender-se do continente no final deste ano ou no início de 2012. Para já a racha tem 30 quilómetros de comprimento e 60 metros de altura. Mas quando se desprender, a profundidade do iceberg pode chegar aos 500 metros e ter uma área equivalente a dez vezes o concelho de Lisboa.

Click ecológico PRATOS DE COMIDA HUMANOS • Mulheres despem-se contra a exploração dos animais, numa campanha da PETA. Em Londres, SarahJane Honeywell pousou na rua.

seria 19% maior que o actual, com melhoria principalmente nos índices de países em desenvolvimento. No cenário de desafio ambiental, que considera

a poluição do ar e da água e os impactos das mudanças climáticas sobre a agricultura, o IDH global em 2050 seria 8% menor do que no cenário actual. Na hipótese de desastre ambiental, o IDH global seria 15% menor que o projectado para 2050 no cenário básico. “Sob um cenário de desastre ambiental, a maior parte dos ganhos do início do século será perdida até 2050, com os sistemas biofísicos e humanos sujeitos à pressão do uso excessivo de combustíveis fósseis, da queda dos lençóis freáticos, da desflorestação e degradação da terra, dos declínios dramáticos da biodiversidade, da maior frequência de eventos climáticos extremos”, lista o relatório. Os impactos serão maiores nos países do Sul da Ásia e da África Subsaariana, mais vulneráveis, por exemplo, aos

impactos das mudanças climáticas, tais como a alteração na ocorrência de chuvas e elevação do nível do mar. O PNUD sugere mudanças significativas na implementação de políticas públicas e investimentos em sustentabilidade para reverter a situação. “É preciso haver uma mudança macro. Um ambiente limpo e seguro deve ser um direito e não um privilégio”, avaliou Fuchs. Entre as medidas, os autores do relatório defendem a criação de um imposto verde, para taxar as grandes transações financeiras internacionais e financiar oa luta contra as mudanças climáticas e a pobreza extrema. Segundo cálculos do PNUD, uma taxa de 0,005% sobre as negociações cambiais poderia gerar anualmente 315 mil milhões de patacas para essas causas.

CRIAÇÃO DE RESERVA MARINHA NA ANTÁRCTIDA

Proteger um dos pólos C

ONSERVACIONISTAS pediram a criação da maior área de protecção marinha do mundo na zona da Antárctida, antecipando a possibilidade de uma disputa internacional nas suas águas, ainda intocadas. Com os stocks pesqueiros ao redor do mundo a aproximar-se rapidamente do esgotamento, a Aliança Oceânica Antárctica instou à convenção internacional incumbida da gestão dos mares do sul que estabeleça uma ampla rede isenta de exploração. “O problema do momento é que os recursos pesqueiros em todo o mundo sofrem uma pressão cada vez maior, [portanto] haverão nações pesqueiras mais distantes com a intenção de explorar os mares da Antárctida”, afirmou à AFP Steve Campbell, membro da aliança. “E elas vão fazê-lo legal ou ilegalmente”, acrescentou. Embora o continente esteja sob proteção desde 1991, Campbell afirmou que não existe legislação semelhante que proteja as suas águas, ricas em vida marinha, grande parte en-

contrada apenas naquela região do planeta.

DECISÃO COLECTIVA

A Convenção para a Preservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárcticos, integrada por 25 países, deve decidir sobre uma rede de reservas marinhas até 2012. Campbell afirmou que a aliança pede a criação de uma rede de reservas “numa escala nunca feita antes noutro local do planeta por causa do enorme valor da Antárctida para a ciência e a humanidade”. A zona de proteção proposta pela aliança, que abarcará o continente gelado e incluirá o mar de Ross, ajudará a preservar cerca de 10 mil espécies, incluindo pinguins-imperador, baleias minke, focas e lulas gigantes. “Há muitos interesses nacionais isola-

dos, penso que há grande interesse das indústrias aqui, mas eu não acho que possamos apontar um vilão”, afirmou Campbell. “Acho que temos um longo caminho a percorrer em termos de acção política para fazer isto acontecer”, acrescentou. “No final das contas, todos terão que contribuir.” A Antárctida é vista como uma região crítica para o estudo das mudanças climáticas, uma vez que o seu território gelado fornece dados valiosos sobre níveis de emissão de gases de efeito estufa e temperaturas. Entre os membros da Aliança estão as organizações ambientalistas WWF (Fundo Mundial para a Natureza), Greenpeace e a Coligação Antárctica e do Oceano Austral.


DUZIR-SE EM PORTUGAL

consecutivo em que casais de abutre-preto, espécie al, depois de uma ausência de 40 anos. Em Abril deste o Tejo Internacional. É o terceiro abutre-preto (Aegypius s de no ano passado terem nascido “Tejo” e “Aravil”.

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ESTUDO MOSTRA QUE COBRA PITÃO CONSEGUE TER UM CORAÇÃO GRANDE E SAUDÁVEL

Aprender com as cobras A

S pitões são cobras constritoras que chegam a alimentar-se só uma vez por ano e podem comer veados. Ficam enormes, mas não é só por terem engolido outro bicho. Os órgãos também crescem. O coração aumenta 40% em três dias. Fazem isto de uma forma exímia, sem efeitos secundários, e os investigadores aprenderam o truque, testaram em ratinhos e acreditam que um dia poderá servir para tratar pessoas, mostra um estudo da “Science” publicado pelo jornal “Público”. Há um bom crescimento do coração e um mau crescimento do coração e os pitões praticam o primeiro. Estas cobras que vivem na África e na Ásia, e podem alcançar os oito metros de comprimento, matam as presas enrolando-se e apertando-as com os seus anéis. Há vezes que ficam um ano sem se alimentar, numa espécie de torpor, mas quando engolem um animal o metabolismo dispara. “As pitões desenvolveram uma forma de lidar com essa enorme refeição”, disse Leslie Leinwand, investigadora da Universidade do Colorado e coordenadora do estudo, durante uma entrevista publicada no podcast da “Science”. O metabolismo torna-se 40 vezes superior e os órgãos acompanham esta actividade. “O coração cresce enormemente num período de tempo muito curto e os tecidos são também depois digeridos num tempo muito curto”, acrescentou. Isto já era conhecido, mas a equipa descobriu mais. Descobriu que durante este pico de actividade fisiológica, o plasma sanguíneo enchia-se de várias substâncias, entre as quais ácidos gordos, numa quantidade que na maioria dos mamíferos seria altamente nocivo para o coração. Mas no “Python molurus”, uma espécie asiática que foi a estudada

pela equipa, o órgão que bombeia o sangue estava bem. As células musculares tinham aumentado de tamanho e produziam uma enzima que as protegia dos efeitos nefastos daquele hiper-metabolismo. O passo seguinte foi tentar perceber quais eram os compostos no sangue que causavam esta mudança. Os cientistas acabaram por encontrar três moléculas específicas de ácidos gordos que quando injectadas em pitões que não tinham sido alimentadas, provocavam o crescimento saudável do coração. Mais, os cientistas testaram estas moléculas em ratos e obtiveram o mesmo resultado. “Injectámos ratos saudáveis com os ácidos gordos e obtivemos um crescimento de massa cardíaca significativo, e pudemos ver que esse tipo de crescimento é o que chamamos de benéfico”, explicou a cientista. Nos humanos também existe este tipo de crescimento saudável do coração, que acontece aos ciclistas ou aos nadadores. Mas exige uma actividade grande, é lento e o coração aumenta apenas em dez por cento. Muitas vezes o crescimento do coração pode estar associado a doenças, como a cardiomiopatia hipertrófica, que é uma das razões da morte súbita nos jovens. Nada disto acontece nos pitões e nos ratos tratados, por isso a equipa de Leslie Leinwand está agora a tentar compreender os mecanismos fisiológicos e genéticos de protecção do coração, para tentar encontrar uma terapia para as doenças humanas. Neste caso com a ajuda literal da banha da cobra.

Sabia que... • Pode lavar os sacos de plástico das compras e voltar a utilizá-los para evitar o aumento do lixo?

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CULTURA

“Pequenos Cantores da Cruz de Madeira” estão agora em livro

Reavivar memórias, repor a história Lia Coelho

lia.coelho@hpjemacau.com.mo

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Á páginas vazias na história de Macau que são necessárias preencher. Foi dado um primeiro passo com o lançamento do livro “Os Pequenos Cantores da Cruz de Madeira - História Oral 6”, no passado fim-de-semana. A obra narra a vida real de um coro de rapazes composto por alunos do Colégio Dom Bosco entre os oito e os 10 anos na décadas de 60 a 80. Uma orquestra única, constituída por filhos dos macaenses, que são a verdadeira essência de um Macau antigo. Uma cultura, que tem vindo a mostrar tendência para se extinguir e que é preciso preservar, como disse Cary Lei, vice-presidente da Associação dos Estudantes do Instituto Aberto da Universidade da Ásia Oriental.

O responsável afirmou que é urgente recolher dados históricos sobre os macaenses que fizeram do território o que hoje o caracteriza – um cruzamento de culturas. A intenção é continuar a escrever e a registar em papel os relatos e as vidas desta comunidade, contudo os custos e as traduções são

um entrave. Tudo depende, assim, do orçamento disponibilizado. “Queríamos fazer uma série de livros, mas nem sempre é fácil traduzir e isso custa muito dinheiro. Talvez no futuro se consiga continuar”, refere Cary Lei. A orquestra de pequenos cantores foi fundada pelo padre César Brianza na Es-

cola Industrial do Colégio Salesiano de Dom Bosco. Vivia-se o ano de 1959 e foi no dia 7 de Dezembro que nasceu a criação oficial do grupo. O coro manteve-se activo até dia 28 de Janeiro de 1986, altura em que o seu fundador faleceu e ninguém o sucedeu. Ao longo de 28 anos o grupo

actuou numerosas vezes no estrangeiro, representando o papel de embaixador musical e cultural do território. Um livro com um trecho da história com um forte sabor local, numa terra de rápidas mudanças e cuja entidade singular tem vindo a mostrar um desaparecimento gradual.

A história oral tem diversas interpretações, dependendo dos olhos de quem a observa: para os historiadores significa uma peça de informação original através da gravação da narração oral de uma testemunha; já os comunicadores definem-na como um registo da versão de acontecimentos por alguém, dando um ambiente histórico. Quem se decida à escrita vê-a como uma produção histórica animada, combinada com uma narração de um entrevistado e que fica completa com narrativas posteriores. Os senhores da sociologia dizem ser uma forma de reforçar a identidade da origem das pessoas com vista a um reconhecimento social. Definições que talvez se complementem, um livro que as junta. À parte da parte que se folheia, o livro vem acompanhado com um DVD e um CD.

CANDIDATA DE MACAU EM SEGUNDO LUGAR NO VOTO POPULAR PARA MISS INTERNACIONAL

O povo ordena, mas pouco Gonçalo Lobo Pinheiro

186.395 votos. Nenhuma delas conseguiu chegar mais longe.

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EQUADOR DEPOIS DE VENEZUELA

glp@hojemacau.com.mo

EM nome de vitória e, apesar de ter sido a segunda mais votada no voto popular, a candidata de Macau na 51.ª edição do concurso Miss Internacional 2011, Winnie Sin, realizado este fim-de-semana na cidade chinesa de Chengdu, não chegou às 15 finalistas do evento ganho pela equatoriana María Fernanda Cornejo. Muitas vezes o voto popular, realizado uns meses antes, é presságio para um possível bom resultado no concurso, quiçá vitória. A beldade Dianne Necio, das Filipinas, ganhou no voto popular na Internet com 354.237 votos, conseguindo apurar-se automaticamente para a meia-final. Em segundo ficou Winnie Sin, com 318.276 e, em terceiro, Yuting Baixue, da China, com

María Fernanda Cornejo, de 22 anos e estudante de Nutrição na Universidade do Espírito Santo em Quito, foi a grande vencedora do concurso deste ano, substituindo a venezuelana Elizabeth Mosquera na poltrona da rainha da beleza. O título ganho por María Fernanda, segunda classificada do

concurso de Miss Equador, é o primeiro título para o Equador naquela que é considerada a terceira beldade mais importante, depois de Miss Universo e Miss Mundo. O concurso, já vencido em 1996 pela portuguesa Fernanda Alves, foi criado em Long Beach, nos EUA, em 1960 após o concurso Miss Universo ter mudado para Miami Beach. Alguns anos depois de Long Beach, o concurso mudou-se para o Japão em 1970, voltando aos EUA

Alguns resultados do concurso MISS INTERNACIONAL 2011 - María Fernando Cornejo (Equador) MELHOR TRAJE TRADICIONAL - Kantapat Peerdachainarin (Tailândia) MISS FOTOGENIA - Jessica Barboza (Venezuela)

Winnie Sin (Macau)

MISS VOTO POPULAR NA INTERNET - 1.º Dianne Necio (Filipinas) 2.º Winnie Sin (Macau) 3.º Yuting Baixue (China)

Fernanda Alves (Portugal)

para os dois anos seguintes. Em 1973 fixou-se em definitivo na Ásia e alterna de país em país. Também chamado de “Miss Beleza Internacional”, o concurso não é baseado apenas na beleza da mulher. As competidoras têm de servir como “Embaixadoras da Paz e Beleza”. O objectivo final do concurso de beleza Miss Internacional é o de promover a paz mundial, boa vontade e compreensão.


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ANÚNCIO [N.º 72/2011] Para os devidos efeitos, vimos por este meio notificar os representantes dos agregados familiares seleccionados da lista de espera de habitação económica abaixos mencionados: N.º do boletim de candidatura 27121 1361 1646 27894 50892 2987 50853 51205 65498 2215 53083 29322 51041 48121 34879

GRANDES COLECCIONADORES APONTAM AS TENDÊNCIAS DO MERCADO DE ARTE

34859 55833 65062 34644 8556 65726 54817 48131 50245 1232 1095

Escapa-se pelas mãos O

mercado de arte está a mostrar-se tão volátil como o mercado de acções. Na passada semana, coleccionadores da América do Sul à Rússia encontraram-se em Nova Iorque para alguns dos leilões mais importantes da temporada. Nalguns casos, os compradores estabeleceram preços recorde para artistas como René Magritte e Brancusi Constantin. Mas a venda de arte impressionista e moderna da Christie’s tropeçou na mesma semana, quando 31 obras não foram vendidas, incluindo uma bailarina de bronze de Edgar Degas que teve o preço avaliado em 196 milhões de patacas. A Sotheby’s saiu-se melhor, vendendo um Gustav Klimt avaliado em 318 milhões de patacas, mas no fim da semana, os coleccionadores voltaram a ter medo de fazer um mau negócio. Esta semana pode ser movimentada, pois as casas de leilão vão oferecer centenas de obras do segmento mais especulativo do mercado, a arte contemporânea. Assim como os investidores prestam atenção aos movimentos de Warren Buffett em busca de pistas sobre os rumos do mercado de acções, e assistem às escolhas de Bill Gross atrás de uma

inspiração para comprar títulos, os compradores de arte procuram um bom negócio e tentam acompanhar a movimentação de compra e venda de alguns coleccionadores renomados. Entrevistas com esses “fabricantes de gosto” oferecem um olhar para dentro das suas estratégias de navegação nas flutuações do mercado: onde eles vêem oportunidades, onde eles estão a vender e quais as áreas de preço alto que eles estão a evitar. O dono de hotéis de Chicago, Tom Pritzker, está a comprar pinturas tibetanas com mais de 700 anos, mas diz que “não consegue competir” com os compradores chineses pelos Budas de bronze dourados. O multimilionário de Los Angeles Eli Broad deixou de comprar Damien Hirst, mas está interessado nas pinturas abstractas do astro em ascensão Mark Bradford. O vice-presidente do Blackstone Group, J. Tomilson Hill, está a procurar as obras de Ferdinando Tacca, um escultor de deuses de bronze renascentista. Este mercado é cheio de idiossincrasias, mas os movimentos de alguns coleccionadores de renome podem influenciar os valores

da arte em todo o mundo. Os preços das esculturas de Alberto Giacometti dispararam no ano passado depois que a milionária brasileira Lily Safra pagou um valor recorde de 821 milhões de patacas por uma estátua de bronze de 1961 Os coleccionadores, que têm vindo a refinar os seus livros de regras desde há décadas, dizem que existem algumas normas para se comprar arte. Se o coleccionador de Boston Scott Black gosta de uma pintura impressionista ou moderna, verifica o ano em que foi feita, pois as flutuações enormes no valor podem depender se ela foi feita na época mais conceituada do artista ou se foi num momento não tão bom da carreira dele. A maioria dos coleccionadores de longa data diz que prefere desistir do que pagar a mais pela obra de arte. A coleccionadora de arte Patricia Phelps de Cisneros, que vive em Nova Iorque, apenas se baseia no foco da sua colecção – arte latino-americana - e raramente estoura o orçamento. Para Cisneros é possível obter obras de arte da América Latina novas por menos de 39 mil patacas e obras mais antigas e famosas por menos de 787 mil.

Nome CHANG FONG IENG SONG HOI SZE SI TOU CHENG MENG LAU SUET CHING FAN FOK U WONG SIO MENG KUOK KUAI LONG KOU TAK WA LAM SAO WUN LOU CHAN SENG LEONG TIP FONG WAN KUOK CHI WAN IOK CHENG CHAO CHI PUI IEONG CHON I ALIAS YANG ZHEN YI U SUT CHUN LAM LAI FONG KU IOK UN LEI NGAN SAM IM KUONG HONG CHAN CHIO HEI AO HO LOU LOK CHUN CHAN KUOK LEONG TAI UT MUI IEONG MAN LONG

N.º do boletim de candidatura 1256 34910 1755 16278 346 48315 64364 34616 2061 16513 15211 1139 48022 1509

IM KAM LAI CHEANG IN KEI LAO KUOK WA LEI KUONG WA LOU PAK WENG HONG CHONG PENG TAM CHI CHONG WONG HANG IN SE HANG WA HO WENG KAI IEONG UN KEI LOK TIT HONG MARIE HAMAMOTO LAM SUT TENG

34911

CHEONG U SAN

2430 61157 50700 12433 14893 591 16033 28529 27319 32117 9261

LOK MEI MEI LEONG SAO LIM CHU KON UN PIT NGAI IAO TAK SENG CHEONG KUAI LAN LAU PENG IU WONG IOI MENG TONG IUT IONG LEONG POU MENG KU WAI LIN

Nome

De acordo com os termos do artigo 12.º do Decreto-Lei n.º 26/95/M, de 26 de Junho, o Instituto de Habitação (IH) informa os representantes dos agregados familiares acima referidos, através de ofícios, para se dirigirem pessoalmente ao IH, sita na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau (perto da Escola Primária Luso-Chinesa do Bairro Norte), no dia 25 de Novembro de 2011, às horas fixadas nos respectivos ofícios, para escolha das fracções de habitação económica disponíveis de T2 na zona de Macau. Nessa altura, os agregados familiares da lista de espera acima referidos devem apresentar os documentos comprovativos (originais e cópias) abaixo mencionados, para efectuar a nova verificação dos requisitos da candidatura da aquisição de habitação económica. Caso as respectivas informações afectem os actuais requisitos da aquisição de fracção ou existirem mudança da composição dos agregados familiares acima referidos, este Instituto irá suspender, imediatamente, o procedimento da escolha de habitação económica: 1. Documentos de identificação de todos os elementos do agregado familiar e os seus cônjuges (caso houver) registados no boletim de candidatura de habitação económica. 2. Prova de casamento (aplicável aos indivíduos casados. Caso tenha entregue ao IH, nos últimos três meses, não é necessário a entregar de novo.) 3. Boletim de candidatura dos dados dos agregados familiares de habitação económica devidamente preenchidos e assinados. De acordo com os termos do n.º 2 do artigo 13.º do decreto-lei acima referido, com as alterações introduzidas pelo Regulamento Administrativo n.º 25/2002, caso os agregados familiares da lista de espera acima referidos não tenham comparecido no IH, no dia e horas fixados, e apresentado os documentos acima referidos, para escolha de habitação ou não pretendam adquirir nenhuma das fracções de habitação económica disponíveis no momento podem optar entre, por motivo não justificado, implica a perda do direito de escolha e passagem automática para o último lugar da lista geral; ou após a apreciação dos dados apresentados, verifique que não reunirem com os requisitos da candidatura, os agregados familiares seleccionados serão excluídos na lista geral. No intuito de proporcionar os agregados familiares seleccionados para terem mais conhecimentos sobre as informações das fracções de habitação económica disponíveis, o IH juntamente os ofícios enviará em anexo o catálogo com descrições das fracções para venda, tabela dos preços, rácio bonificado, pontos de observação, informações sobre a fracção de modelo. Caso os agregados familiares seleccionados não tenham recebidos os ofícios remetidos pelo IH, até sete dias antes da data fixada, poderão dirigir-se ao IH sito na Travessa Norte do Patane n.º 102, Ilha Verde, Macau) ou consultar através do telefone n.º 2859 4875, durante o horário de expediente.

O Presidente, Tam Kuong Man 4 de Novembro de 2011


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Sub-19 | Empate com Singapura mitiga descalabro

Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo

É

DESPORTO

futebol com laivos de tragédia grega. A selecção de futebol da RAEM, que discutiu durante a semana passada na Malásia o apuramento para a fase final do Campeonato Asiático de Sub-19, regressou ontem a Macau vergada ao peso de uma só certeza: há muito ainda a fazer para que o desporto-rei do território se torne levemente competitivo. Integrada no Grupo G da fase de qualificação para o principal evento continental do futebol de formação, a selecção do Lótus não conseguiu fugir ao estatuto de lanterna-vermelha da série, ainda que tenha terminado a prova em igualdade pontual com o onze que representou Singapura no evento. O grupo de trabalho do território até iniciou a cam-

A milhas da qualificação

panha com um resultado positivo, ao empatar sem golos com a selecção da cidade-estado, mas o estado de graça do onze orientado por Tam Iao San diluiu-se logo ao segundo encontro.

Frente à Indonésia, o onze do território não conseguiu contrariar o favoritismo dos atletas do mais vasto arquipélago do mundo, perdendo por três bolas a zero num encontro bem disputado em PUB

Privacidade Consigo (Texto disponibilizado pelo Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais) Pensar Antes de Agir A Sra. Manuela contratou uma empregada doméstica, a Sra. Maria, no mês passado para prestar serviços domésticos. A Sra. Maria não regressou ao trabalho na Segunda-feira depois de ter gozado o dia de descanso no Domingo e a Sra. Manuela não conseguiu entrar em contacto com ela através do telemóvel. Como a Sra. Manuela suspeitava que a empregada tinha furtado alguns dos bens da sua casa, contou os bens que tinha e descobriu que faltava um relógio de luxo. Desconfiou que a Sra. Maria tivesse roubado o relógio, a Sra. Manuela apresentou um relatório para pedir ajuda. No dia seguinte, a Sra. Manuela contou o que se passou às colegas do emprego e uma das colegas, a Sra. Cristina sugeriu que a Sra. Manuela utilizasse “a internet para publicitar a má conduta da Sra. Maria, propondo também que fizesse uma cópia digital do BIR da Sra. Maria e que o publicásse – com o nome, nº do BIR e fotografia - num fórum da internet.” A Sra. Manuela concordou com a ideia e estava pronta a agir de imediato. Uma outra colega da Sra. Manuela, a Sra. Ana, rapidamente a dissuadiu de o fazer, dizendo-lhe que estaria a violar as provisões da “Lei da Protecção de Dados Pessoais” e pediu-lhe para pensar duas vezes.” Disse-lhe também que “em situações de roubos domésticos, a vítima deve ligar à polícia para poderem conduzir uma investigação. Isto é a maneira correcta de proceder. Pelo contrário, se publicares os dados pessoais da Sra. Maria, conjuntamente com a tua suspeita de que ela esteve envolvida num acto ilegal, estarás a violar as provisões da ‘Lei da Protecção de Dados Pessoais’. Os ‘Assuntos a observar aquando da divulgação de dados pessoais na internet’ publicados pelo Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais dizem que: Para além das entidades públicas às quais a lei atribui competência especial, a generalidade das organizações e pessoas singulares não têm legitimidade para divulgar informações sobre actos ilegais e sobre criminosos através da internet. Se a Sra. Maria intentar um processo criminal contra si, terá que assumir as responsabilidades. A Sra. Ana descarregou os ‘Assuntos a observar aquando da divulgação de dados pessoais na internet’ para servir como referência para a Sra. Manuela. Depois de a Sra. Manuela ter lido o texto, apercebeu-se da gravidade das consequências. No entanto, a Sra. Manuela achou que, se apenas deixasse as autoridades policiais tratar do assunto e não divulgasse as informações pessoais da Sra. Maria na internet, não iria resolver a situação. Enquanto a Sra. Manuela e a Sra. Cristina debatiam se seria melhor divulgar as informações da Sra. Maria através da internet, independentemente das consequências, a Sra. Manuela recebeu uma chamada da Sra. Maria. A Sra. Maria disse que tinha viajado sozinha para o estrangeiro no domingo e explicou que lhe tinham roubado a carteira e que tinha também perdido os documentos de identificação e o telemóvel. Só depois de passar muitas dificuldades é que conseguiu ligar para a Sra. Manuela com a ajuda de uma das amigas. Disse também à Sra. Manuela que iria precisar de tirar alguns dias de férias para requerer novos documentos de identificação. Pouco tempo depois, o marido da Sra. Manuela também lhe telefonou dizendo que tinha encontrado o relógio de luxo no porta-luvas do carro. A Sra. Manuela lembrou-se nesse preciso momento que tinha deixado o relógio dentro do carro enquanto foi nadar e que se tinha esquecido de onde o deixou. A Sra. Manuela exclamou de imediato: “Ainda bem que não coloquei as informações da Sra. Maria na Internet!” A Sra. Ana riu-se e disse que “muitas vezes, somos influenciados pelas nossas ideias subjectivas e cometemos erros quando pensávamos que tínhamos razões suficientes para fazer acusações. Se tivesse divulgado as informações da sua empregada e ela não se tivesse defendido por meios legais, mas tivesse antes colocado as informações suas na internet, tal faria parecer que era uma empregadora pouco escrupulosa. O que é que faria nesse caso?” A Sra. Manuela e a Sra. Cristina concordaram e disseram: “precisamos de apreender a proteger e respeitar os dados pessoais dos outros!”. (Caso fictício criado a partir da realidade social e/ou baseado em casos reais anteriormente ocorridos. Para informações adicionais sobre a protecção de dados pessoais, por favor, contacte o Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais - telefone 2871 6006).

que Abdul Raman Lestaluhu deu nas vistas. O extremo da formação do TIM Sad Indonesia (uma formação que compete desde há três temporadas na Quinta Divisão do futebol uruguaio, ao abrigo de um acordo entre a Federação de Futebol da Indonésia e a sua congénere do Uruguai) marcou dois dos três golos com que a sua equipa derrotou Macau. Apesar de ser vista inevitavelmente como a formação menos cotada do Grupo G, a selecção do Lótus resistiu incólume aos primeiros 45 minutos do desafio com a Indonésia e só na início da segunda parte cedeu à pressão do adversário. Aos 47 minutos, Novri Setiawan desferiu o primeiro golpe na resistência do conjunto do território. O golo teve o condão de entorpecer o onze do Lótus e aos 63 minutos Lestaluhu ampliou a vantagem, antes de dizimar de uma vez por todas as (poucas) esperanças da formação local com o derradeiro golo do encontro aos 78 minutos. Se a derrota contra a Indonésia pouco mais fez do

que melindrar a predisposição dos jovens às ordens de Tam Iao San, no desafio com a Austrália, o onze de Macau desceu com Dante aos nove círculos do Inferno. No MBPJ Stadium, em Petaling Jaya, a formação da Oceânia não teve de se esforçar muito para mostrar que pertence a outra galáxia futebolística. A formação orientada por Johannes Versleijen não precisou de mais do que quatro minutos para inaugurar o marcador. O golo de James Donachie foi o primeiro de uma verdadeira avalanche ofensiva, que terminou com o onze de Macau vergado ao insustentável peso de uma goleada à moda antiga. Ao intervalo, o conjunto do território já perdia por sete bolas a zero, mercê do acerto ofensivo de Anthony Proia e de Jesse Makarounas. Os dois atletas marcaram entre si seis dos doze golos com que a Austrália devastou a formação de Macau. No derradeiro dos quatro desafios que o onze do Lótus disputou na Malásia, os jovens do território não conseguiram evitar novo desaire, ainda que desta feita

por margem mais magra. No frente-a-frente com a República Popular da China, o grupo de trabalho orientado por Tam Iao San perdeu por cinco bolas a zero. Já com as perspectivas de qualificação dizimadas, o jovem técnico deixou Bruno Pedruco e Diogo Vilas no banco (Alexandre Raposo de Matos jogou os noventa minutos) e ofereceu a titularidade a alguns dos habituais suplentes. As alterações pouco impacto tiveram e aos oito minutos Wang Shangyuan inaugurou o marcador para a República Popular da China. O mesmo atleta dilatou a vantagem do conjunto do Continente à passagem da meia hora, na cobrança de uma grande penalidade, bisando na partida, depois de Chen Zhongliu também ter deixado o seu nome ligado à história do encontro, ao apontar o segundo golo chinês aos 11 minutos. Lin Chuangyi, aos 60 minutos, e Jin Bo, dez minutos depois, completaram a goleada chinesa e catapultaram o onze do Continente para a segunda posição do Grupo B, a dois pontos da líder do grupo, a Austrália. Chineses e australianos decidem, de resto, ao fim da manhã de hoje o nome da formação que se segue em frente para a fase final do Campeonato Asiático de Sub-19, a disputar no próximo ano. No derradeiro desafio da fase de qualificação, a Indonésia e Singapura esgrimem argumentos, num encontro que dificilmente terá implicações sobre o aproveitamento final da selecção da RAEM. Para escapar ao último lugar do grupo, Macau tem de esperar uma pouco provável vitória da Indonésia por nove bolas a zero sobre a sua congénere de Singapura.

ATLETAS EXCEPCIONAIS EM ELEIÇÃO O Instituto do Desporto em parceria com diversas entidades está a promover a votação online dos “Atletas Excepcionais de Macau” durante este ano. Até 27 de Novembro, qualquer um pode votar no seu atleta preferido. “O intuito é incentivar os jovens atletas e dirigi-los, quem sabe, para a alta competição”, explicou o

vice-presidente do Instituto do Desporto (ID), José Tavares, ao Hoje Macau. Paralelamente ao escrutínio popular, cerca de 50 associações desportivas locais também vão poder eleger os seus preferidos. O ID será parte integrante do júri. “Queremos eleger os melhores atletas de 2011”, afirmou José Tavares.


[f]utilidades Cineteatro | PUB SALA 1

[ ] Cinema

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SALA 2

IN TIME [B]

THE THREE MUSKETEERS [B]

Um filme de: Andrew Niccol Com: Justin Timberlake, Amanda Seyfried 14.30, 16.30

Um filme de: Paul W.S. Anderson Com: Logan Lerman, Milla Jovovich 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

YOU ARE THE APPLE OF MY EYE [C] (Falado em putonghua, legendado em chinês/inglês) Um filme de: Giddens Ko Com: Zhendong Ke, Yanxi Chen, Siu-Man Fok 19.30, 21.30

SALA 3

TOWER HEIST [B] Um filme de: Brett Ratner Com: Ben Stiller, Eddie Murphy, Matthew Broderick 14.15, 16.00, 17.45, 19.45

Aqui há gato

IN TIME [B] Um filme de: Andrew Niccol Com: Justin Timberlake, Amanda Seyfried 21.45

VERTICAIS: 1-Que não é hábil. Espertalhão, atrevido. 2-Dente molar (Prov.). Poupança. 3-Ajuntem. Em seguida. A. 4-Qualquer fruto seco, indeiscente, com uma só semente. Logo que. Empunhei. 5-Protecção. Actínio (s.q.). 6-Interpratas por meio da leitura. Acrescente. 7-Avenida (abrev.). Trajareis. 8-República (abrev.). Margem de rio. Rio da Suíça. 9-O m. q. exile. Sustente uma criança, alimente. 10-Macho da tartaruga (Amazonas). Prata (s. q.). 11-Discursam. Senhora.

SOLUÇÕES DO PROBLEMA

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Atracção, encanto (Fig.). Gato (Prov.). 2-Vestígio que deixa uma substância suja ou gorda. Fazer passar alguém por uma vergonha. 3-Da cor do céu sem nuvens. Grande vasilha. De aduela, para vinho. 4-Benefício. Pessoa reles sem préstimo e sem força (Prov.). Limite (abrev.). 5-Imposto de Circulação (abrev.). Ofício divino. 6-Relativo a lugar certo. Desembrulhem. 7-O m. q. ligara. Rádio (s. q.). 8-Reduza a pó. Composição poética para ser cantada. Guerreiro Valente. 9-Estaca a que se liga a videira depois da poda. Soltar ais. 10-Desconfiada. Brotem, sobressaiam. 11-O m. q. oasiana. Molha, irriga.

[Tele]visão TDM 13:00 13:30 14:30 16:30 18:00 18:30 19:30 20:30 21:00 21:30 22:00 23:00 23:30 00:00 00:30 01:00

TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO Liga Sagres: Braga - Benfica (Repetição) That 70\’s Show (Que Loucura de Família) TDM Desporto (Repetição) Amanhecer Telejornal TDM Entrevista Cougar Town Passione TDM News Magazine Liga dos Campeões Landmarks (Ex-Líbris) Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Vida Animal em Portugal e no Mundo 15:00 Magazine Canadá Contacto 15:30 Mudar de Vida 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 O Elo Mais Fraco 17:45 Resistirei 18:30 A Alma E A Gente 19:00 Os Presidentes – Presidentes da República 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:00 Magazine Canadá Contacto 22:45 Portugal no Coração ESPN 30 12:30 15:30 17:30 19:30 20:00 20:30 21:00 22:00 22:30

Euro Asia Allstars Cup 2011 Day 1 Len European Diving Championships Rugby World Cup 2011 France vs. Japan (LIVE) Sportscenter Asia Geico PBA Team Shootout Emotions - Sports Magazine World Cup USA - Womens Sportscenter Asia Rugby World Cup 2011 Argentina vs. England

13:00 FIM S1 Supermoto World Championship 2011 Hls Grand Prix of France 13:30 Engine Block 2011 14:00 Lake Malaren Shanghai Masters 2011 - Event Highlights 15:00 Commonwealth Bank Tournament Of Champions 2011 18:00 MotoGP World Championship 2011 - Main Race GP De La Comunitat Valenciana 21:30 (LIVE) Score Tonight 22:00 FIA Wtcc 2011 - Highlights 22:30 Golf Focus 2011 23:00 AFC Champions League 2011 Final Jeonbuk Hyundai Motors vs. Al Sadd STAR MOVIES 40 12:10 The Marine 2 13:50 Tooth Fairy 15:35 Living Out Loud 17:20 Lies & Illusions 19:05 Chain Reaction 21:00 Charlie’S Angels 22:45 The Silence Of The Lambs 00:50 The Grudge 3 HBO 41 12:00 13:25 15:00 17:05 19:00 20:30 22:00 23:50

A Dog Year The Special Relationship Akira Kurosawa’S Dreams Imagine That The Special Relationship The King Of Fighters Couples Retreat Mean Machine

CINEMAX 42 12:35 14:15 16:00 17:10 18:50 20:30 22:00 23:30

Missing In Action Gloria Frankenstein (1931) Son Of Frankenstein The Island Of Dr. Moreau Revenge Of The Ninja Fair Game A Nightmare On Elm Street

STAR SPORTS 31

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA

HORIZONTAIS: 1-IMAN. TARECO. 2-NODOA. VEZAR. 3-A. AZUL. PIPA. 4-BEM. XEU. LIM. 5-IC. MISSA. T. 6-LOCAL. ABRAM. 7-N. LIARA. RA. 8-MOA. ODE. CID. 9-EMPA. AIAR. A. 10-CIOSA. SAIAM. 11-OASICA. REGA. VERTICAIS: 1-INABIL. MECO. 2-MO. ECONOMIA. 3-ADAM. C. APOS. 4-NOZ. MAL. ASI. 5-AUXILIO. AC. 6-T. LES. ADA. A. 7-AV. USAREIS. 8-REP. ABA. AAR. 9-EXIL. R. CRIE. 10-CAPITARI. AG. 11-ORAM. MADAMA.

CLEPSIDRA - POEMAS DITOS POR LUÍS LIMA BARRETO • Camilo Pessanha

Camilo Pessanha escreveu um dos mais belos livros de poesia portuguesa de sempre e foi elogiado por grandes nomes da literatura como Fernando Pessoa, constituindo um marco para a geração de Orpheu e para o Modernismo. Clepsydra é o único livro de Camilo Pessanha, no qual se reúne a sua extraordinária obra poética, representativa do movimento literário do Simbolismo. Camilo Pessanha exalta a existência, o amor, a morte, o esquecimento, num ambiente de Outono e de crepúsculo. Poesia de ritmo inovador e teor dramático, que dá origem a uma nova musicalidade: “Porque o melhor, enfim, / É não ouvir nem ver... / Passarem sobre mim / E nada me doer!”

DALI E EU - UMA HISTÓRIA SURREAL • Stan Lauryssens

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

Durante mais de uma década, Stan Lauryssens amealhou uma fortuna na qualidade de negociante de obras de Salvador Dalí. Os quadros que vendia eram de proveniência duvidosa, mas em breve Stan descobriria que a mais duvidosa de todas era o próprio Dalí. À medida que os anos passavam e ele se aproximava do círculo íntimo do pintor, os bastidores de um mundo onde comércio e conspiração andam lado a lado eram-lhe revelados - assim como os segredos que permitiam a Dalí manter o seu extravagante estilo de vida muito depois de a sua criatividade ter começado a esmorecer…

A HERANÇA A cunha, ou num tom mais “baril” o factor C e a lei do desenrasca, são rainhas e senhoras em Portugal. Ora, não é preciso ser analista político para perceber que o país dos navegadores está afundar, já numa alusão mais recente dos mares – o verdadeiro Titanic, mas sem compartimentos de luxo. Deixando-me eu de navegações, que gosto de ter as patas bem firmes na terra... Ora, pelo que sou informado, Portugal está a bater lá no fundinho e eu, na minha inocente opinião, culpo a incompetência de quem governa e de quem dirige. E aqui, as cunhas são as melhores amigas do mau funcionamento dos serviços. E ainda em bom tom de lusofonia parece que foi característica deixada como um rasto venenoso que corrói países e regiões que tocou. Uma versão de um Midas, que em vez de transformar tudo em que toca em ouro, faz uma real “porcaria”. Num Macau lusófono são vários os que seguem os exemplos portugueses, bem como os outros falantes da tão querida língua de Camões. Vamos fazer o traço de dois ou três modelos a não seguir: um governante que tirou o curso a um domingo – COMPRADO – resolvido e basta. Porque numa terra de doutores o importante é ter um canudo, depois é arranjar um tacho e fica-se de vida feita. E aqui será que acontece? Indo aos países africanos o cenário é o mesmo. Alguns continuam com a fraca mentalidade de se é importante apenas seguindo uma vida académica. Ora, que pensando bem isto de ser de países pobres tem as suas vantagens: há bolsas para tudo e para todo o lado. Correm o mundo a dizerem que estudam, mas o que fazem é andar a “curtir” à brava e voltar para o país subdesenvolvido está quieto. Não pagam propinas, nem alojamento, pagam um mínimo pela alimentação e têm boas bolsas. Será justo, para quem estudar a sério, mas só porque vem de um país que se diz desenvolvido, não pode. Já diziam os meus antepassados: não há dinheiro, não há vícios. Por falar em adições, algo que me intriga muito é: AFINAL DE ONDE VEM O DINHEIRO? Se são países pobres... no final tudo se desenrasca, porque o importante é fazer fornadas de pseudo-doutores ou os melhores, de pseudo-intelectuais ou ostentar riqueza. Na mão têm um diploma e depois? Depois é simples... governam, mas não é um Estado, governam-se a eles, à família deles, ao dinheiro que é para eles e tudo isto com uma mãozinha de “perversão”, para usar uma palavra suave. Aqui não é diferente, então se juntarmos num mesmo recipiente uma pitada da capacidade do chinês de fazer dinheiro e do português de o ter e de o vangloriar... o resultado está à vista. Uma herança que tinha tudo para ser de grande valor, mas na hora das partilhas zangam-se as comadres.

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OPINIÃO ca d er n o d i á r i o Pedro Correia

SEGUNDA, 31 Mudou a hora. Passamos a reger-nos pela chamada “hora de Inverno”. Mas Inverno porquê se ainda estamos em pleno Outono? E mudar a hora porquê se em dias de chuva, como é hoje o caso, começa a anoitecer às 17.30, o que contribui para acentuar um clima depressivo que a própria época do ano já propicia? Segundo os especialistas que estiveram na origem desta directiva da Comissão Europeia que tem vindo a ser aplicada desde 2002 em Portugal, a medida permite às famílias poupar cerca de 5% em energia eléctrica, havendo um benefício para as empresas em cerca de 3%. São as habituais contas dos teóricos que se regem apenas pelos princípios gerais da contabilidade sem saber aplicá-la a situações concretas: o que eventualmente se poupa em consumo energético logo se gasta em consumo de ansiolíticos e antidepressivos, consultas psiquiátricas e absentismo laboral. Um estudo realizado em Espanha - país que alinha o seu “horário de Inverno” pelo da Alemanha, como se não houvesse quase dois mil quilómetros de distância entre Madrid e Berlim - permite concluir que 56% dos trabalhadores sofre “algum transtorno” com este atraso dos ponteiros do relógio. Uns queixam-se de insónias, outros de falta de concentração. Uma clara maioria acusa sintomas de acrescido cansaço, com bruscas alterações de humor. Nada mais absurdo do que esta permanente obsessão dos burocratas europeus em gerir ínfimas parcelas do nosso quotidiano com directizes traçadas a régua e esquadro no sossego dos seus gabinetes alcatifados, indiferentes ao pulsar da rua. O mesmo é dizer: indiferentes ao pulsar da vida. TERÇA, 1 O primeiro-ministro grego surpreende a Europa ao anunciar a convocação de um referendo sobre as novas medidas de austeridade impostas pela União Europeia, exercendo assim um inadmissível acto de chantagem sobre os eleitores. Com esta revelação, Georgios Papandreou pensa exclusivamente na sua sobrevivência política. Não admira, aliás, que alguns dos maiores críticos desta decisão irresponsável estejam a surgir das próprias fileiras do Partido Socialista grego. Papandreou filho segue, aliás, as pisadas de Papandreou pai, que foi um adversário obstinado da entrada da Grécia na então CEE, em 1981 (sem referendo). Chegado ao poder nesse mesmo ano, Andreas Papandreou tornou-se de imediato um entusiasta da integração europeia, garantindo gigantescos fundos estruturais para o seu país. A relação entre a Grécia e a União Europeia funcionou sempre nesta base, numa perspectiva utilitária. Em 1985, receando perder parte dos benefícios financeiros que lhe chegavam de Bruxelas, Andreas Papandreou combateu tenazmente a entrada de Portugal e Espanha na Comunidade, ameaçando vetar mesmo a entrada dos dois

países (o que não se concretizou graças aos dotes diplomáticos de Jacques Delors, então presidente da Comissão Europeia). Os gregos acordam tarde para a democracia referendária: nunca se lembraram dela anteriormente, nem no processo de adesão nem da ratificação dos tratados de Maastricht, Amesterdão, Nice ou Lisboa. Mas o oportunismo político de Atenas é o de sempre. Os resultados imediatos estão à vista: queda generalizada das bolsas, depreciação dos bancos (incluindo os portugueses, com interesses na Grécia), subida dos juros dos empréstimos financeiros internacionais, movimentações da tropa nos quartéis, fracturas no próprio partido do Governo: tudo isto gerado pela irresponsabilidade do primeiro-ministro grego em poucas horas. O maior défice na Europa, de facto, é um défice de liderança. QUARTA, 2 Ainda o anunciado referendo na Grécia. É no mínimo insólito que a primeira ‘consulta popular’ sobre a Europa seja ali feita só 30 anos depois da adesão, em situação de emergência e de possível pré-colapso da moeda única. Aliás, vários membros do Partido Socialista grego são os primeiros a pensar isto: daí a cascata de demissões que têm ocorrido nas fileiras governamentais desde o anúncio deste plebiscito. Precisamente porque a Europa não esqueceu as lições das guerras mundiais é que a Grécia já foi brindada com 210 mil milhões em ajuda financeira externa desde Abril de 2010, havendo agora outros 100 mil milhões já prometidos. Qual deve ser o limite para

A prova de que se tratava de uma jogada de (baixa) política de Papandreou ficou bem evidente na pirueta que o primeiro-ministro grego deu no Parlamento, declarando-se disposto a um Governo de coligação alargada e deixando cair a estapafúrdia proposta de plebiscito

a sangria dos contribuintes europeus em socorro das precárias finanças de Atenas? Não devemos esquecer que tudo começou porque os gregos mentiram sobre o estado das finanças públicas, algo inadmissível nas relações internacionais quando exercidas na base da boa fé e da confiança recíproca. Pelo contrário, esta fuga para a frente do precário poder político de Atenas é que amplia o clima de tensão na Europa, designadamente nas fronteiras greco-turcas. O que sucederá se a moda pega e todos os governos de países da UE começarem a fazer plebiscitos sobre as opções europeias transformando os restantes povos em alvos fáceis de um eleitorado farto de apagar fogos em casa alheia? QUINTA, 3 A prova de que se tratava de uma jogada de (baixa) política de Papandreou ficou bem evidente na pirueta que o primeiro-ministro grego hoje deu no

Parlamento, declarando-se disposto a um Governo de coligação alargada e deixando cair a estapafúrdia proposta de plebiscito. Isto após ter visto fugir cinco deputados da sua frágil maioria e ser alvo de críticas do seu próprio braço direito no Governo, o imprescindível ministro das Finanças. A sua autoridade política, que já era quase nula, sai ainda mais enfraquecida deste ridículo episódio. “A consulta directa dos eleitorados constitui a abertura da caixa de Pandora do populismo europeu, e é portanto altamente desaconselhável. Não esqueçamos que pela mesma lógica se deveria também referendar os eleitorados dos países do norte da Europa, por exemplo os alemães, finlandeses e holandeses, perguntando-lhes se estão de acordo com o último acordo que perdoa a dívida grega”, escreve a politóloga Marina Costa Lobo, muito a propósito, na edição de hoje do Jornal de Negócios. A questão é mesmo esta. Não falta quem alerte: “existe antipatia do povo grego em relação à Europa”. Mas isso é motivo para levar a União Europeia ao colapso? E se o povo alemão, o povo finlandês e o povo holandês, por exemplo, manifestarem “antipatia” em relação ao povo grego, impedindo o Governo de Atenas de pagar salários e pensões já no mês que vem, isso deve enaltecer-se como saudável manifestação de soberania popular? O facto é que Atenas anda a brincar com o fogo, ameaçando incendiar a Europa: ontem mesmo, Portugal comprou mais 1,244 milhões de euros, por um prazo de três meses e meio, a quase 5% de juro. Os tempos não estão propícios para manobras políticas de curto prazo. Nem para qualquer tipo de irresponsabilidade. A Grécia já recebeu o equivalente a diversos Planos Marshall nos últimos 30 anos só em fundos estruturais. Será culpa dos contribuintes alemães, franceses, belgas, italianos e luxemburgueses que o Estado helénico tenha gasto - por exemplo - mais de 8 mil milhões de euros em dez anos a pagar pensões a mortos por ineficácia total das instituições políticas e financeiras internas? SEXTA, 4 Ontem à noite, um Pavilhão Atlântico praticamente cheio recebeu calorosamente Caetano Veloso e Maria Gadú. Sem orquestra, sem banda, sem sofisticados artefactos tecnológicos: apenas duas vozes e dois violões. E foi quanto bastou para haver magia em palco: duas horas de puro deslumbramento. Saio já depois da meia-noite envolvido numa corrente positiva de comunhão musical partilhada com alguns milhares de pessoas que puderam assistir ao concerto na plateia ou nas bancadas, trauteando Odara - canção há muito esquecida. “Deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara / Minha cara minha cuca ficar odara / Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara / Pra ficar tudo jóia rara / Qualquer coisa que se sonhara...”


Ciclone

Iraque e Afeganistão desmembrados. Líbia e Síria já arrumadas. É a altura certa para os iranianos serem também enforcados. Por Fernando

TERÇA-FEIRA 8.11.2011 www.hojemacau.com.mo

15 à f l or d a p el e Helder Fernando

Linhas de cumprimento de acção I Quem, por força da função, tem oportunidade e direito a fazer promessas às comunidades, está sujeito a que se espere ou exija o cumprimento delas. Falar em projectos é demasiado simplório, o útil é dar-lhes consequência - isto no caso de as promessas estarem realmente baseadas em planos elaborados. Assim não sendo, as falsas promessas, como fala o brasileiro, são “conversa para boi dormir”. Ou, de uma vez por todas, acordar. Verdadeiros projectos, articulados, sobretudo inseridos no quadro de quaisquer linhas de acção governativa, e aceites pelas populações, devem ter sequência atempada. Um projecto apresentado com rigor e transparência, no pleno exercício da político-pedagogia, tem imediato efeito mobilizador, gera sentimentos de pertença, de cumplicidade, de co-responsabilidade. Mesmo no plano afectivo - circunstância provavelmente pouco sensibilizadora para alguns protagonistas da história actual - os projectos concebidos e bem explicados, evitando a cansativa e habitual seca da padronização burocrática, inspiram e facilitam o entendimento e o desejo de contribuir activamente. II De novo contra as oligarquias, as dominações classistas, a intransigência totalitária, a política da força sem razão, os perversos conúbios internacionais, os sufocos impostos pelos decisores que detestam aspirações sinceramente democráticas. De novo contra a indiferença do silêncio. De novo, e ainda, o combate pela democracia. Ver, ouvir e ler o Portugal destes dias é constatar a curteza que dia a dia mais encolhe entre o antes do 25 de Abril de 1974 e estes ultrajantes Governos constitucionais pelo menos das duas últimas décadas. Do velhinho apertar o cinto do tempo do dr. Mário Soares com o “socialismo” engavetado, até aos “sacrifícios” de hoje, assiste-se, na prática e grosso modo, a reais expedições de saque aplaudidas pelo desvario bilionário de alguns banqueiros e instituições financeiras internacionais dominadas pelos cruéis donos do planeta. Esses mesmos que sofregamente anseiam o regresso rápido a uma forma pouco menos do que escravatura social, de submissão cabisbaixa das populações. Por enquanto, os cidadãos em Portugal e em outros países europeus são agredidos com substanciais cortes nos direitos, nas pensões e nos salário “baixo custo”. Se a

De novo contra as oligarquias, as dominações classistas, a intransigência totalitária, a política da força sem razão, os perversos conúbios internacionais, os sufocos impostos pelos decisores que detestam aspirações sinceramente democráticas. De novo contra a indiferença do silêncio. De novo, e ainda, o combate pela democracia revolta não vier com firmeza no sentido de, organizadamente, as criaturas e as ideias serem apeadas do poder, será o regresso imediato ao miserabilismo esmolante da caridadezinha. Aos poderosos sem valores nem vergonha é sempre urgente mentir, mil vezes mentir. Torpemente, justificam que o aumento obrigatório da carga horária se deve a ela ser, em Portugal, inferior a outros países. Vai-se ver, é uma completa mentira. Em Inglaterra, em França, na Alemanha, apenas alguns exemplos, a carga horária de trabalho é muito inferior à portuguesa. E, quanto a isto, não vamos falar de Macau, pois não? Pelo menos até chegar a crise...

ca rto on

Na Europa os mentirosos protegidos por exércitos de choque culpam as populações pelo desvario total das contas que essas governanças e alguma banca fizeram, das corrupções e cambalachos que cobriram ou protagonizaram, dos excessos ricos com que se rodearam. Quem viveu acima das posses foram eles, esses decisores e correlativos, ávidos de fortuna, sedentos de poder e cegos socialmente. O leitor já reparou bem na cara deles, nas expressões alucinadas ou falsamente impávidas que mostram? III A Europa não islâmica fundamentalista

não tem respeitados estadistas no activo pelo menos há mais de 1 década. Essa Europa não sabe o que fazer aos seus “inimigos”, estejam eles no norte de África, no Médio Oriente ou em outros Orientes. O mesmo acontece nos Estados Unidos. Num dia, glorificam-se santos e abraçados amigos; tudo na mesma cama, bebendo da mesma malga, contando os mesmos dinheiros. No outro, esses parceiros passam a perigosos ditadores ou mesmo terroristas perseguidos até à morte mais humilhante. Nenhum deles confia em nenhum deles. Os sorrisinhos de plástico são para os ecrãs. Os fingidos internacionais que ocupam os noticiários que as grandes agências colocam na mesa de trabalho (computador) para facilitar a vidinha de muitas redacções, preparavam-se, sabe-se agora, para premiar Saddam, antes do linchamento, com o título de grande defensor dos direitos humanos - ou seja, dos direitos deles. Que grandes visionários políticos. Ainda existe alguém, em consciência, a dar um avo de crédito a tal gente?

SERÁ ITÁLIA O SEGUINTE?

por Steff

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Hoje Macau 8 NOV 2011 #2487