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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • QUINTA-FEIRA 3 DE NOVEMBRO DE 2011 • ANO XI • Nº 2485

Ter para ler

TEMPO MUITO NUBLADO MIN 22 MAX 27 HUMIDADE 60-90% • CÂMBIOS EURO 10.9 BAHT 0.2 YUAN 1.2

Macau mais verde

GOVERNO COMPRA EQUIPAMENTOS SEM OBJECTIVOS

OPINIÃO

GONÇALO LOBO PINHEIRO

• Centrais

Peng Zhonglian

LAG 2012 | Representantes associativos fazem recomendações ao Chefe do Executivo

Pedido único: mais dinheiro

A menos de duas semanas da apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2012, representantes de associações de trabalhadores correm contra o tempo para apresentar pedidos ao Chefe do Executivo. Os funcionários públicos querem ter um mecanismo fixo de actualização salarial e subsídios aumentados, enquanto os técnicos de Administração Pública pediram um aumento salarial de 6,5% e políticas mais humanas. > PÁGINAS 4 E 5

A ELITE CHINESA E AS REUNIÕES PLENÁRIAS • PÁGINA 14

Carlos M. Cordeiro

KISSINGER NÃO CONTA TUDO DA CHINA • PÁGINA 15

Acção policial

SUSPEITO DE TRÁFICO SALTA PELA JANELA EM FRENTE À PJ • Página 6


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A

actividade manufactureira em alguns países da Ásia estremeceu em Outubro, conforme informações divulgadas esta terça-feira. A reacção reflecte a tensão da economia da região, dependente de exportações, devido à crise da dívida europeia e também os esforços para diminuir a inflação que assolou diversos países neste ano. Uma desaceleração da economia asiática poderia levar outros países a reverter, pelo menos em parte, o aperto monetário adoptado nos últimos anos para conter as pressões sobre os preços. Na terça-feira, o Banco Central da Austrália foi o último a alterar as suas políticas, seguindo Indonésia, Paquistão e Singapura, tudo pelas grandes preocupações com o crescimento global. Os índices de gerentes de compras mostram que a actividade manufactureira em Taiwan teve, em Outubro, o maior recuo dos últimos três anos, enquanto a produção da Coreia do Sul continua a encolher, embora mais lentamente do que no mês passado. A China, a grande po-

ACTUAL

Indústria da Ásia sofre impacto da crise europeia

Efeito dominó global tência da região, enviou mensagens diversas, mas os analistas afirmam que as informações são consistentes com uma contínua moderação no crescimento económico. Um índice de gerentes de compras divulgado pelo Governo de Pequim teve uma queda forte em Outubro – ao contrário das expectativas por uma terceira e consecutiva elevação –, alcançando o seu nível mais baixo desde Fevereiro de 2009, quando a economia global estava a sofrer com uma severa crise financeira. Enquanto esse índice e um segundo divulgado pelo HSBC Holdings PLC ainda estavam no terreno do desenvolvimento, a queda no índice oficial acrescentou incerteza às perspectivas para a segunda maior economia do mundo, além de enfatizar os desafios que o Governo enfrenta para arquitectar uma aterragem suave.

“A fraqueza da economia chinesa está a ser causada, primeiramente, por intenções políticas”, afirmou Ashley Davies, economista do Commerzbank. “Se as autoridades ficarem suficientemente preocupadas com o crescimento, podem sempre reverter o aperto monetário. Isso é diferente do que acontece na Europa e nos Estados Unidos”, completou. O Índice de Gerentes de Compras oficial da China caiu de 51,2, em Setembro, para 50,4, em Outubro, revelou a Federação Chinesa de Logística e Compras, que emite os dados junto com o Escritório Nacional de Estatística. Já o mesmo índice do HSBC subiu de 49,9 para 51,0, indicando que a produção manufactureira está basicamente estável. Um dos piores números veio de Taiwan, que é uma das economias asiáticas mais sensíveis à demanda global.

O índice de gerentes de compras no país sofreu redução de 44,5, em Setembro, para 43,7, em Outubro – o mais baixo desde Janeiro de 2009 – no momento em que novos pedidos, tanto internos quanto externos, caíam. Esta foi a quinta queda mensal consecutiva. Qualquer número abaixo de 50 indica que a actividade manufactureira está em contracção, enquanto um índice acima dessa marca aponta para uma expansão. A actividade manufactureira coreana teve contracção pelo terceiro mês consecutivo, embora num ritmo mais lento do que em Setembro. O HSBC afirmou que o seu índice de gerentes de compras sul-coreano ajustou-se em 48, em Outubro, em comparação com 47,5, em Setembro. O índice de inflação na Coreia escorregou para 3,9%, o que ficou, pela primeira vez neste ano, dentro da

faixa estipulada pelo Banco da Coreia – 2% a 4%. Outros sinais também mostraram que a máquina de exportações da região pode estar a falhar. Na Coreia – considerada o termómetro da região – o crescimento das exportações cai desde há dois anos enquanto as importações enfraquecem. As exportações coreanas cresceram 9,3% em Outubro em relação a um ano antes – o desempenho mais baixo desde o declínio de 8,5% em Outubro de 2009 e um bem mais tímido do que o crescimento de 18,8% em Setembro. Talvez, mais preocupante foi a queda de 4,9%, em relação ao ano anterior, nas importações relacionadas com o capital investido, o que poderia indicar que as empresas estão a expandir os seus negócios de forma menos agressiva. O presidente do Federal Reserve da Austrália, Glenn

Stevens, afirmou que enquanto o crescimento global está a desacelerar, a demanda interna na Ásia pacífica está, de uma forma geral, a expandir. Na terça-feira, pela primeira vez em dois anos e meio, o Banco Central cortou a taxa de juros num terço de ponto percentual, mantendo-a em 4,50%. “Entretanto, o desempenho do comércio está a começar a perceber alguns efeitos da significativa desaceleração da actividade económica na Europa, onde as previsões é que a fraqueza económica continue”, disse. Na Austrália, a produção industrial continuou a encolher, mas num ritmo bem mais lento, já que o PMI cresceu de 47,7 pontos, em Setembro para 5,1, em Outubro. Um sinal mais positivo é que a actividade manufactureira indiana cresceu modestamente, com o índice de gerentes de compras subindo para 52,0 em Outubro, dos 50,4 em Setembro. O HSBC afirmou que o ritmo de crescimento de novos pedidos foi o maior dos últimos três meses, mas manteve-se abaixo da média histórica, com as demandas em exportações estáveis.


“Da China” patenteia um raciocínio num contexto histórico ao descrever as grandes tendências da diplomacia chinesa. Kissinger usa a metáfora e citação de clássicos para introduzir a discussão de um problema que está a interessar muitos autores: as causas da decadência chinesa a partir de 1800 e a fulgurante ascensão desde 1978. Carlos M. Cordeiro, P. 15

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Sector imobiliário cria riscos para economia chinesa

Imobiliário pode abater PIB da China

Q

UAL seria a cara de um declínio da economia chinesa? Tudo começa no sector imobiliário, o principal motor do crescimento nacional. O controlo do Governo sobre os especuladores já começou a causar a redução de preços de imóveis residenciais. Em Outubro, a média nacional dos preços de um imóvel residencial caiu 0,23% em relação a Setembro, o segundo mês consecutivo de queda, de acordo com as informações divulgadas esta terça-feira pelo Sistema de Índices Imobiliários da China. Se compradores, normalmente acostumados com preços que se movimentam em sentido ascendente, adoptarem uma postura de “esperar para ver”, o volume de vendas cairá. As vendas em 2011 têm sido robustas até o momento,

chegando a 12% de elevação nos primeiros nove meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado. Mas nem sempre foi assim. Em 2008, as vendas caíram 15% em relação ao ano anterior. Uma repetição desse fenómeno deixaria as imobiliárias sem dinheiro para cobrir seus custos. As empresas do ramo imobiliário mais afectadas seriam obrigadas a uma venda explosiva de inventário, reduzindo drasticamente os preços para atrair

compradores. No que pode ser considerado um sinal da situação actual, os preços de dois novos empreendimentos em Xangai foram revistos em baixa em mais de 20% no mês de Outubro. Num mercado competitivo, no momento em que uma construtora começa a reduzir preços, as demais acabarão por fazer o mesmo. O resultado seria uma queda nos valores de activos e das expectativas de lucro no sector. Imobiliárias em crise também diminuiriam os seus investimentos. Em 2011, até ao momento, o investimento no sector imobiliário foi reduzido em 35%. Mas este nível de gastos não está garantido. Nos primeiros dois meses de 2009, o crescimento teve uma redução de 4,7% se comparado com o ano anterior. Se as vendas secarem e o crédito continuar limitado, um

SUCESSO NO LANÇAMENTO DE SATÉLITE QUE VAI TESTAR TECNOLOGIA CHINESA

O primeiro passo da estação espacial de Pequim O

foguetão Long March II-F foi lançado com sucesso e enviou o satélite chinês Shenzhou 8 para órbita. O lançamento do veículo não tripulado deu-se na madrugada desta terça-feira, às 5h58, na China, a partir do Centro de Lançamento de Satélites Jiuquan, na província de Gansu, no Noroeste do país. O programa espacial da China pretende utilizar o Shenzhou 8 para praticar o acoplamento com o laboratório Tiangong-1, outro satélite chinês que está em órbita desde final de Setembro. A técnica, comandada a partir da Terra, vai ser fundamental para a construção de uma estação espacial chinesa até 2020. O acoplamento entre os dois satélites vai dar-se a 340 quilómetros de altitude. O Shenzhou 8 está agora a 200 quilómetros, mas dentro

de dois dias estará a maior altitude. O laboratório de 10,5 metros está agora em movimentações para se preparar para a junção. Os veículos vão utilizar sensores ópticos e de

radar para controlar a aproximação e o acoplamento. Depois, estarão durante 12 dias acoplados a orbitar a Terra, até se desacoplarem e voltarem a juntar-se. Após estas operações, o Shenzhou 8 fará uma reentrada terrestre. O veículo transporta várias experiências, chinesas e alemãs. Contém células animais, vegetais e humanas que vão estar submetidas durante três semanas às condições do espaço. Os cientistas querem analisar quais os efeitos deste ambiente não terrestre nas células. Se tudo correr bem, para o ano, duas das missões espaciais chinesas serão tripuladas por taikonautas, os astronautas chineses. Dentro do lote de profissionais que estão já em treino há mulheres, o que pode ser uma indicação de que em 2012 uma mulher chinesa vá, pela primeira vez ao espaço.

declínio parecido não está descartado do cenário de possibilidades para 2012. Uma queda dessa magnitude dos investimentos no sector imobiliário poderia abater mais de dois pontos percentuais do crescimento do PIB chinês, que deve ficar pelo 9% em 2011. A expressiva desaceleração na demanda por materiais de construção, o desemprego entre os trabalhadores do sector e o choque na riqueza das famílias significa que o impacto pode ser ainda muito maior. O sistema financeiro não escaparia às consequências. Cerca de 20% da folha de empréstimos dos bancos estão ligados ao sector imobiliário. Outros 16% foram emprestados a Governos locais, que receberam 40% da sua receita de vendas de terras. Os preços

decrescentes dos imóveis reduziria os preços das terras, elevando o padrão das duas categorias. Com o crescimento a desacelerar e a qualidade dos activos a esvair-se, Pequim estaria com uma crise completa nas mãos. Esse é o pior cenário possível. O principal é que a China vai recuperar com uma forte e fundamental demanda sustentando os preços dos imóveis e com recursos governamentais a apoiar os bancos. Mas o Governo não está omnisciente. Os preços dos imóveis chineses está a cair, e a resposta dos compradores e construtores é difícil de prever.Apossibilidade de uma queda acentuada nos preços fugindo ao controlo do Governo é pequena – mas ela existe. Se isso acontecer, é hora de reavaliar as probabilidades de uma pausa forçada no crescimento económico.

CIENTISTAS CHINESES OBTÊM ALBUMINA A PARTIR DO ARROZ

Proteína essencial para salvar vidas C

IENTISTAS de uma universidade chinesa anunciaram que conseguiram obter a partir do arroz a proteína albumina, encontrada no sangue humano e que é frequentemente usada para tratar queimaduras e doenças de fígado, entre outras. Quando extraída de sementes de arroz, esta proteína é “fisicamente e quimicamente equivalente a albumina derivada do soro sanguíneo humano (HSA)”, concluíram os responsáveis, que publicaram o seu estudo na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”. Esta descoberta poderá levar a uma revolução da produção de HSA, que tipicamente só é possível de obter com doações humanas. A necessidade de albumina é de cerca de 500 toneladas por ano em todo o mundo e a China já viveu, no passado, alturas em

que não conseguia obter a quantidade necessária desta proteína. Este novo método foi desenvolvido por cientistas da universidade de Wuhan, na China, em parceria com colegas do National Research Council do Canadá e do Center for Functional Genomics da Universidade de Albany, em Nova Iorque. Inicialmente, os cientistas modificaram, geneticamente, as sementes de arroz a fim de que estas produzissem altos níveis de HSA. Depois os cientistas descobriram um método de purificarem as sementes da proteína, conseguindo obter cerca de 2,75 gramas de proteínas por quilo de arroz. Quando os cientistas testaram a proteína obtida a partir do arroz em ratos com cirrose hepática - uma doença em que é normalmente usado o soro sanguíneo humano - descobriram que

os resultados terapêuticos eram idênticos aos levados a cabo em humanos, usando desta feita o HSA obtido a partir do arroz. “Os nossos resultados sugerem que o biorreactor de uma semente de arroz produz HSA recombinante com custo-benefício que é seguro e capaz de satisfazer a crescente necessidade de albumina humana”, destacou o estudo. Esta proteína é frequentemente usada na manufactura de vacinas e medicamentos e é dado a doentes que sofreram queimaduras, em choque hemorrágico ou com doenças de fígado, indicam os cientistas. Em 2007 houve falta desta proteína na China, o que fez com os preços disparassem. Esta descoberta poderá ainda servir para limitar as potenciais transmissões de doenças como a sida e a hepatite.


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POLÍTICA

LAG | Pereira Coutinho apresenta propostas-guia a Chui Sai On

Tempo de arrumar a casa

Estamos a entrar no novo período das Linhas de Acção Governativa e esta é a altura para o Chefe do Executivo mostrar a sua melhor performance, diz José Pereira Coutinho. O deputado reuniu-se, por isso, com Chui Sai On para voltar a fazer alguns pedidos relacionados com o bem-estar da população e dos funcionários públicos. Pereira Coutinho mostra-se confiante em obter soluções, até porque, afirma, “Chui Sai On sabe que o muito que não é feito pelos secretários, poderá sobrar para ele, em termos políticos” joana.freitas@hojemacau.com.mo

J

OSÉ Pereira Coutinho considera necessário criar mecanismos de actualização de salários, para que estes “sejam eficientes, sólidos e se repitam todos os anos sem que os trabalhadores tenham de endereçar cartas ao Chefe do Executivo” para verem essas actualizações. Por isso mesmo, o deputado e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública (ATFPM) entregou a Chui Sai On, na terça-feira, uma proposta de actualização dos salários dos funcionários públicos, que incluía já uma forma de cálculo para que esta actualização seja um mecanismo constante. A fórmula, diz Pereira Coutinho, é simples mas eficiente e traduz-se em utilizar a taxa de inflação somada à diferença entre a taxa de inflação prevista e real do ano anterior, de forma a corrigir o erro desse ano. “Se as remunerações totais dos trabalhadores são actualizadas anualmente, o referido processo deveria enveredar por um simples raciocínio: sempre que haja diferença entre a inflação real e a actualização efectuada, a diferença passa para o ano seguinte”, explica Pereira Coutinho. O deputado pediu a Chui Sai On uma actualização de 7% nos ordenados de todos os trabalhadores da função pública para o ano de 2012. “A nível salarial temos uma grande pressão externa, por termos de comprar tudo em yuans, designadamente os bens essenciais de consumo. E a taxa de inflação vai continuar a galopar”, frisa Coutinho. Ainda que no ano passado os ordenados dos funcionários tenham sido actualizados na ordem dos 5%, a inflação em Macau já é superior. Pereira Coutinho acredita, por isso, que face a esta situação há apenas esta saída e admite que Chui São

PODE SER DESTA ANTÓNIO FALCÃO

Joana Freitas

O Chefe do Executivo vai ter de arranjar uma solução, até porque são apenas pouco mais de 200 pessoas. Não é solução ir para tribunal. Esta é uma responsabilidade social do Chefe do Executivo”, apontou Pereira Coutinho. Na lista de problemas alertados pelo deputado, está também a falta de concursos públicos para a atribuição de casas da Direcção dos Serviços de Finanças (DSF). Coutinho aponta que, desde o estabelecimento da RAEM, não há um único concurso e que as centenas de fracções servem, neste momento, como armazém de materiais e bens.

On se mostrou de acordo com esta situação, ainda que o Chefe do Executivo não tenha feito qualquer comentário ao montante requerido pelo presidente da ATFPM. Das diversas propostas que Pereira Coutinho apresentou a Chui Sai On, está ainda o pedido de actualização de subsídios de nascimento, casamento e óbito, que “não são actualizados há mais de

20 anos sem qualquer justificação”. “Quando se fazem actualizações, é preciso actualizar tudo num só sistema, para que não seja como uma manta de retalhos, actualizando hoje um e deixando os outros para trás”, diz o deputado. A falta de atribuições de subsídio de residência a alguns reformados da função pública foi outro dos assuntos que José Pereira

Coutinho quis levar ao Conselho Executivo. Recorde-se que este tema tem sido motivo de diversas interpelações do deputado, que alerta para o facto destes idosos viverem em casas sociais tendo, por isso, deixado de receber as mil patacas para ajuda de pagamento da renda. “É vergonhoso terem de pagar uma renda de casa com as suas paupérrimas poupanças.

Todos os temas apresentados por escrito ao Chefe do Executivo fazem, desde há pelo menos um ano, assunto para interpelações escritas e orais na Assembleia Legislativa, nunca tendo sido apresentada qualquer solução. À saída da reunião de terça-feira, o Hoje Macau perguntou a Pereira Coutinho quais as razões que o levam a crer que estes assuntos podem, agora, ser resolvidos: “acredito que o Chefe do Executivo vai atender às soluções que são justas e normais e merecem o mérito que têm, porque ele tem de pensar pelas pessoas. O muito que não é feito por culpa de alguns dos secretários vai sobrar para ele em termos políticos, caso ele não atenda a essa soluções”, frisou Pereira Coutinho. Dia 15 deste mês vão ser apresentadas as novas Linhas de Acção Governativa para o próximo ano e este é, assim, o melhor período para retomar pedidos feitos anteriormente. “Em todos os anos, quando há Linhas de Acção Governativa (LAG), os secretários e o Chefe do Executivo têm a tendência de melhorar a sua performance, arrumar a casa. É uma coisa mais ou menos parecida como quando um alto dirigente da China visita Macau: as ruas estão mais limpas, os placards estão mais bem feitos, o policiamento é melhor. As coisas estão mais floreadas e isto também acontece nas LAG. Depois de elas passarem, volta tudo à estaca zero”, considerou Coutinho. Sem grandes comentários, Chui Sai On admitiu ficar de pensar nas propostas do presidente da ATFPM, que considerou a reunião muito proveitosa. “O senhor Chefe do Executivo está ciente de que a pressão sobre os trabalhadores da função pública é clara e nítida e cada vez mais se vai agravar. Ele concordou com isto e assegurou que vai estudar as propostas”, disse Pereira Coutinho.


EMPRESA FUNDADA POR STANLEY HO CONTINUA A LIDERAR

Os casinos de Macau encerraram Outubro com receitas brutas de 26.851 milhões de patacas e a Sociedade de Jogos de Macau, fundada por Stanley Ho, continua a liderar o mercado. Dados estatísticos dos operadores compilados pela Agência Lusa indicam que a Sociedade de Jogos de Macau conseguiu em Outubro uma quota de mercado de cerca de 26%, seguida pelo Galaxy Resorts com cerca de 21%. O terceiro lugar do ranking foi ocupado pela Melco Crown - um consórcio entre Lawrence Ho, filho de Stanley Ho, e o australiano James Packer - com quase 15%, seguido da Sands China, subsidiária da norte-americana Las Vegas Sands, com cerca de 14%.

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Pereira Coutinho leva assunto da Lei de Imprensa a reunião com Chui Sai On

Bastava cumprir o que já diz o diploma Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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ÃO muitos os jornalistas chineses, portugueses e ingleses, que se impõem à revisão da Lei de Imprensa, diz José Pereira Coutinho. O presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública (ATFPM) afirma que tem recebido, no seu gabinete, “muitas opiniões” que consideram a actual lei “equilibrada, justa e já defensora dos direitos, liberdades e garantias dos jornalistas”. Na terça-feira, Pereira Coutinho reuniu-se com Chui Sai On, Chefe do Executivo, a quem pediu a maior atenção

para a necessidade de rever ou não esta lei. Em vigor desde 1990 – portanto, há mais de 20 anos -, a Lei de Imprensa está, actualmente, a ponto de poder ser revista, ainda que, aponta o deputado, “sem qualquer razão para que o Executivo tenha tomado esta decisão”. Recorde-se que em Setembro, depois de muita discussão devido ao Governo dar prioridade às opiniões dos cidadãos no que toca a rever ou não a lei, foi escolhida uma empresa para ser responsável pela auscultação pública para esse efeito. A ERS – Soluções Macau, do professor da Universidade de Macau Angus Cheong, vai aplicar um método de-

nominado de “Sondagem Deliberativa”, que implica dividir cidadãos em grupos de debate, primeiro de forma mais abrangente e menos detalhada, e depois em grupos mais pequenos e com mais informação sobre o tema. Não se sabem ainda quais as perguntas concretas a colocar, não há ainda qualquer tipo de agenda nem se sabe quais as revisões necessárias das leis. Mas, o Executivo tem apenas uma certeza: quer ouvir a população. Alguns profissionais dos órgãos de comunicação social já se manifestaram contra este tipo de sondagem. Na terça-em relação à revisão: “É apenas preemente implementar algumas das disposições

TÉCNICOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DÃO SUGESTÕES AO CHEFE DO EXECUTIVO

LAG mais humanas Virginia Leung

virginia.leung@hojemacau.com.mo

Jornalista, que deveria ter sido escrito 180 dias depois da lei entrar em vigor. Uma das poucas alterações aceites, seria a inclusão da figura da Comissão para a Atribuição da Carteira Profissional de Jornalista na própria Lei de Imprensa. Mas, mais do que isso, diz Pereira Coutinho, seria mexer em algo que está bem. “Temos

As 10 sugestões dos técnicos de administração pública 1. Acelerar a coordenação com o Governo Central no acordo-quadro de desenvolvimento para o Delta do Rio das Pérolas (DRP), de forma a desenvolver em pleno o projecto de desenvolvimento da Ilha da Montanha. Reforçar a cooperação administrativa entre Macau e o DRP para apoiar o desenvolvimento económico local. 2. Dar atenção à subsistência do povo, nomeadamente com a conclusão de habitação pública (celerar a conclusão de 19 mil fogos), melhoramento dos transportes (avanços nas obras do metro ligeiro de superfície, conectar rede viária com a da China Continental, avançar com obras da ponte Macau-Zhuhai-Hong Kong e melhorar transportes públicos) e alívio da inflação (com políticas de apoio que reduzam a pressão da subida dos preços sobre os cidadãos).

N

A caminhada de preparação para o anúncio das próximas Linhas de Acção Governativa (LAG), o Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On teve anteontem a oportunidade de receber das mãos dos técnicos da administração pública uma lista de sugestões sobre as direcções políticas a seguir na próxima temporada de governação. Os conselhos ao líder do Governo centraram-se sobretudo em questões práticas do dia-a-dia dos cidadãos e da sua qualidade de vida, com o propósito de promover uma governação mais humana. Conclusão de habitação pública, melhoramento dos transportes públicos, alívio da inflação, mas também a actualização das leis ultrapassadas a outras questões administrativas fizeram parte do rol de sugestões apresentas a Chui Sai On pelos representantes da Associação dos Técnicos da Administração Pública de Macau (ATAPM). A expectativa é grande em relação ao anúncio do Relatório

vigentes na actual lei”, frisou o deputado. A lei de imprensa, diz Coutinho, é boa e tem tudo aquilo que é necessário para produzir os seus efeitos. Há, contudo, pontos do próprio diploma que não estão ainda em vigor e que deveriam ser aplicados, como a criação do Conselho de Imprensa e a publicação do Estatuto do

das LAG para 2012, admitiu o presidente da direcção da ATAPM, Kun Sai Hoi, esperando que tanto o Governo como os cidadãos pudessem dar uma resposta positiva e concreta aos apelos da associação. Em jeito de balanço da reunião, o responsável congratulou-se com o facto de o Chefe do Executivo se ter mostrado muito interessado em ouvir as suas opiniões e, nomeadamente, por ter concordado que o sistema de remuneração dos responsáveis do Governo deveria ser melhorado com a aplicação de uma fórmula mais “científica”.

medo que, se vier qualquer coisa a ser alterada, poderá ser pior do que o que tmeos neste momemnto”, explicou o deputado à saída da reunião com o Chefe do Executivo. A adjudicação do estudo sobre a necessidade ou não da revisão à ERS-Soluções Macau, foi ainda ponto de crítica pelo presidente da ATFPM: “é muito grave o facto do Governo ter adjudicado à companhia liderada porAngus Cheong um estudo para saber se deverá ou não rever a Lei de Imprensa, pela módica quantia de 3,5 milhões de patacas. Para saber isso, bastava perguntar aos jornalistas, que são, na verdade, os visados pelas possíveis alterações à lei”.

3. Melhorar a situação das leis que foram ficando desactualizadas. Por exemplo: o sistema de contratação de funcionários do Governo, o sistema disciplinar e de mediação de funcionários do Governo, a comissão médica, lei do erro médico, lei de planeamento urbano, são tudo leis que ainda falta submeter a procedimentos legislativos ou nem sequer tiveram ainda as respectivas fases de consulta concluídas. 4. Recrutamento central de funcionários do Governo deve ser regulado e sistematizado para permitir que a contratação se faça de forma justa, aberta e transparente, prevenindo contra o “recrutamento de amigos”. Recrutar apenas com base em qualificações e talentos e evitar a má alocação dos talentos para as posições para não prejudicar a eficiência. Permitir maior movimentação horizontal do pessoal para os lugares mais adequados. 5. Mais atenção e integração na formação de funcionários

do Governo. Considerar a criação de um Colégio Administrativo de Macau para a formação especializada em

todos os níveis de funcionários públicos, incluindo formação para recrutamento, formação na prática e formação para promoção. Enviar alguns funcionários de nível médio-alto para colégios no estrangeiro para formação profissional, de forma a expandir a sua visão e fazer com que eles aprendam com a experiência de gestão administrativa de países avançados, melhorando a sua própria qualidade profissional.

6. Reajustar o sistema médico de funcionários do Governo.

A dedução de 0,5% do salário dos funcionários para que eles possam beneficiar de serviços médicos não é razoável. Considerar a diversificação do fluxo e permitir que os funcionários públicos possam aceder directamente às clínicas privadas, reduzindo a sobrecarga nos hospitais públicos.

7. Aumentar o salário dos funcionários do Governo em 6,5%.

8. Consumar o sistema jurídico das carreiras, ajustar os

subsídios a matrimónio, óbito e parto e reabrir a habitação para funcionários do Governo. Facilitar a saída por morte o matrimónio para ter uma administração mais humana.

9. Avançar com o Edifício Geral do Governo e com sede

unificada do Judiciário para generalizar e juntar os departamentos do Governo para um trabalho mais focado e maior conveniência dos residentes, melhorando a eficiência administrativa.

10. Acelerar a promoção do sistema de certificação

profissional e o uso total das vantagens dos acordos de parceria económica com a China, de forma a reforçar na prática a cooperação regional e fomentar a diversificação económica de Macau.


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SOCIEDADE

Investigação da PJ a casa de suspeito de tráfico de droga acaba em tragédia

Desespero dá em salto para a morte Virginia Leung

virginia.leung@hojemacau.com.mo

É

a maneira mais dura de provar que a melhor forma de descer do quarto andar de um edifício é mesmo pelo elevador. Um residente de Macau, suspeito de tráfico de droga, viu a vida a andar para trás quando a Polícia Judiciária (PJ) resolveu fazer uma busca à sua casa, onde alegadamente funcionava uma espécie de “cantina de estupefacientes”. O desespero falou mais alto e o sujeito achou que valia a pena arriscar fugir pela janela – mas a ousadia correu mal e os ferimentos resultantes da queda acabaram por ser fatais. Com base em informações recolhidas duas semanas antes, a Divisão de Investigação e Combate ao Tráfico de Estupefacientes da PJ procedia na madrugada de ontem a investigações perto da Estrada dos Cavaleiros, quando interceptou um indivíduo, por volta das 4h, alegadamente ligado a um crime, e levou-o até ao seu apartamento no quarto piso do Edifício Arco Íris, para averiguações. A PJ suspeitava da existência de drogas no interior da moradia. Um outro suspeito, um residente de Hong Kong de 22 anos, portava 1,3 gramas de cocaína, e acabaria detido quando tentava sair do apartamento no momento

em que os agentes chegaram. O indivíduo fazia-se acompanhar de duas mulheres, que não estavam na posse de substâncias ilícitas, mas que a PJ acredita que se encontravam no local com o objectivo de consumir drogas. Na altura em que tentavam entrar no apartamento,

os agentes da PJ ouviram um estrondo e as pessoas no interior da casa gritavam que alguém se tinha atirado da janela. Ao que a PJ apurou, dois homens que se encontravam num dos três quartos do apartamento prestaram-se a tentar uma proeza arriscada para

escapar à inspecção da PJ – a ideia era fazer uma espécie de escalada pela parede exterior do edifício, mas esta encontrava-se demasiado escorregadia e os dois acabaram por se precipitar para a plataforma do primeiro andar. Um dos dois candidatos a super-homem, um

jovem residente de Hong Kong de 21 anos, acabou por sair apenas com ferimentos ligeiros. O outro, residente local de 23, não teve tanta sorte – ainda foi enviado de urgência para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, mas acabaria por morrer às 7h.

ARRENDAMENTO À MUST É MAIS UMA FORMA DE MONOPOLIZAR A SAÚDE

Saúde oferecida de bandeja aos privados I

NCITADO a comentar o montante de renda que o Executivo da RAEM paga à Universidade de Ciência e Tecnologia (MUST) pelo espaço do novo Posto de Urgências das Ilhas, José Pereira Coutinho não poupou as críticas e as comparações: “é escandaloso e é mais um escândalo somado aos outros, do que a Fundação Macau tem vindo a fazer”.

O deputado diz não perceber como é que uma entidade privada de educação, que recebe já “chorudos subsídios”, cobra uma renda por um espaço num terreno “cedido gratuitamente pelo Governo”. Além disso, salienta ainda Coutinho, os médicos recrutados para trabalhar nas novas instalações são do hospital público, o que não explica

despesas mensais tão exorbitantes. Recorde-se que na terça-feira, o novo Posto de urgência das Ilhas entrou em funcionamento nas traseiras da MUST, depois de menos de um ano para ficar concluído. Cheong U, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, em visita ao local na altura, não quis referir o montante mensal de arrendamento,

mas mais tarde, em comunicado, os Serviços de Saúde referiram que o Governo teria de pagar por cerca de 3700 metros quadrados uma renda mensal de 910.200 patacas. O terreno onde está localizado o novo posto foi, contudo, concedido à universidade privada a título gratuito, sem que fosse, assim, percpetível o porquê de uma renda mensal tão elevada.

A PJ encontrou ainda outros dois homens noutro dos quartos – um vietnamita de 21 anos, que alegou trabalhar como guarda de segurança, e um residente local, de 40 anos, que disse também trabalhar como segurança num hotel. Os agentes da Judiciária acreditam que os dois apenas estavam a consumir drogas no quarto – onde foram encontrados vários utensílios destinados ao consumo de estupefacientes – e que o apartamento era uma espécie de “cantina de drogas”. Noutro dos aposentos, a PJ encontrou perto de 13 gramas de cocaína e 1,3 gramas da substância conhecida como “ice” (gelo). No pátio do primeiro piso, foram ainda encontradas mais 9 gramas de cocaína, de que se terão tentado livrar os dois “heróis” do salto da janela. De acordo com as autoridades as drogas apreendidas corresponderiam no mercado negro a uma quantia total de cerca de 100 mil patacas. Dois dos suspeitos serão acusados de comércio ilegal de estupefacientes. Outros dois, de consumo de substâncias ilícitas. As duas raparigas detidas, de 19 e 22 anos, terão consumido cocaína, mas a PJ não quis avançar que medidas lhes seriam aplicadas por se encontrarem ainda sob interrogatório. A PJ irá prosseguir com as investigações para apurar a origem das drogas.

Mas, Pereira Coutinho arranja explicações para o sucedido: “isto vem tudo na sequência da destruição do hospital público para criar oportunidades para a privada. E é por isso que há monopólios de saúde no sector privado. Pelas minhas mãos passaram investidores de Hong Kong que queriam estabelecer hospitais em Macau e a quem sempre foi negada a entrada, de forma a garantir o monopólio da gestão privada da saúde. Aquilo que o público devia fazer está a ser entregue de [bandeja] para os privados lucrarem”. - J.F.


DÉFICE DA BALANÇA COMERCIAL CRESCEU 49,5% ATÉ SETEMBRO O défice da balança comercial de Macau atingiu os 39,57 mil milhões de patacas nos primeiros nove meses, mais 49,5% em relação a igual período de 2010. De acordo com as estatísticas do comércio externo de mercadorias, a balança comercial continua fortemente negativa, tendo as exportações durante os primeiros nove meses de 2011 diminuído 4,3% para um total de 5,06 mil milhões de patacas. Já as importações aumentaram 40,5%, fixando-se nos 44,63 mil milhões de patacas.

Questão das sepulturas a um passo da resolução

Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

A

secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, indicou que o Grupo de Trabalho para o Aperfeiçoamento do Processo de Concessão de Sepulturas “está a acelerar o trabalho” para chegar a conclusões, depois de publicado o “Relatório de investigação sobre a atribuição de dez sepulturas perpétuas pela ex-Câmara Municipal de Macau Provisória” do Comissariado Contra a Corrupção (CCAC). Florinda Chan revelou à comunicação social, durante o dia de Finados, que, segundo as instruções do Chefe do Executivo, no dia seguinte ao da publicitação do relatório de investigação, foi criado, por despacho assinado por ela própria, o Grupo de Trabalho para o Aperfeiçoamento do Processo de Concessão de Sepulturas. O grupo é constituído pelo presidente e pelos vice-presidentes do Conselho de Administração do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, e por assessores do Gabinete da Secretá-

Acelerar processos

ria para a Administração e Justiça (GSAJ), ao qual caberá apresentar sugestões e medidas adequadas para o aperfeiçoamento do processo de concessão de sepulturas, bem como um relatório ao Chefe do Executivo, no prazo de 90 dias. Amesma responsável frisou que a competência do Grupo de Trabalho não é realizar qualquer investigação, uma vez que nos termos do artigo 59.º da Lei Básica, o CCAC funciona como órgão independente, livre de qualquer interferência.Assim sendo, o relatório elaborado por aquela entidade depois de uma longa investigação, merece o devido respeito por parte de qualquer entidade pública ou privada. A secretária referiu ainda que o relatório do CCAC apontou nitidamente que não houve abuso de poder por parte da Secretária

CRIAÇÃO DE RELAÇÕES DE TRABALHO FICTÍCIAS É ILEGAL E DÁ PUNIÇÕES, AVISA FSS

ÁRIOS proprietários de lojas têm “fingido” que são trabalhadores por conta de outrem para poderem efectuar o pagamento de contribuições ao Fundo de Segurança Social (FSS). A polémica estourou quando, recentemente, um grupo de pequenas empresas apresentou as suas queixas à imprensa chinesa. “Fingem ser trabalhadores por contra de outrem e trocam de identidade com amigos para poderem pagar contribuições”, pode ler-se na notícia. O FSS informou, entretanto, que a criação de relações de trabalho fictícias determina o assumir de responsabilidades legais, ou seja, poderá haver punições severas. “Caso se verificarem casos como estes, serão entregues às entidades competentes para investigação e processamento”, afirmou o organismo. Os queixosos referiram que antigamente cumpriam rigorosamente as disposições do regime de se-

gurança social, porém, mais tarde verificaram que outros proprietários com idades entre os 60 e 65 anos, recebem as prestações do FSS. “Esperamos uma resposta às pessoas que cumpriram as leis.” Nos termos do Regime de Segurança Social e da Lei das Relações de Trabalho, os empregadores de empresas individuais não podem efectuar o pagamento de contribuições do regime obrigatório em nome da

sua empresa em proveito próprio ou do seu cônjuge. Contudo, o FSS refere, no seu comunicado que caso estas pessoas sejam contratadas por outras empresas como trabalhadores residentes, assim, o seu empregador é obrigado a pagar-lhes as contribuições do regime obrigatório. Por outro lado, antes da entrada em vigor da lei do Regime de Segurança Social, caso as referidas pessoas estivessem a exercer as actividades por conta própria previstas no Despacho do Chefe do Executivo n.º 234/2004, podiam efectuar o pagamento de contribuições na qualidade de trabalhadores por conta própria, depois da entrada em vigor da lei, caso estes trabalhadores não sejam contratados por empresas e queiram contribuir para o FSS, podem apresentar a sua intenção de pagar as contribuições do regime facultativo, não existindo qualquer conflito. – G.L.P.

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7 para a Administração e Justiça, no processo de concessão de campas, nem existência de situações de impedimento a que estava sujeita. O relatório refere ainda que ao tratar de um pedido de sepultura apresentada por um cidadão, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) não cumpriu todas as disposições do Código do Procedimento Administrativo, situação esta que vai ser revista pelo Grupo de Trabalho. Quanto às dúvidas sobre o extravio de alguns dos documentos relativos ao pedido de campas, Florinda Chan sublinhou que face a uma reclamação apresentada por um cidadão, o Gabinete da Secretária para a Administração e Justiça, solicitou no ano de 2010 ao IACM , ao abrigo do Código do Procedimento Administrativo o envio dos documentos em causa e a devida informação, os quais foram entregues, originais e cópia, conforme a listagem, tendo sido, mais tarde, os mesmos devolvidos pelo GSAJ ao IACM. “Não houve qualquer extravio de documentos”, reiterou a secretária.

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Chico espertos amiúde V

QUINTA-FEIRA 3.11.2011

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO PARA “EMPREITADA DE ESTABILIZAÇÃO DE TALUDES NA ESTRADA DE LOU LIM IEOK E RUA DE VISEU NA TAIPA” 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13.

Entidade que põe a obra a concurso: Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Modalidade de concurso: Concurso Público. Local de execução da obra: Taludes na Estrada de Lou Lim Ieok e Rua de Viseu na Taipa. Objecto da Empreitada: Embelezamento e Estabilização de Taludes. Prazo máximo de execução: 180 dias (Cento e oitenta dias). Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. Tipo de empreitada: a empreitada é por Série de Preços. Caução provisória: $80 000,00 (Oitenta mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). Preço Base: não há. Condições de Admissão: Serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição, neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Atendimento e Expediente Geral da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, Edifício CEM, nºs 32-36, R/C, Macau; Dia e hora limite: dia 28 de Novembro de 2011 (segunda-feira), até às 12:00 horas. Local, dia e hora do acto público: Local: Sala de reunião da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, Edifício CEM, nºs 32-36, 4º andar, Macau; Dia e hora: dia 29 de Novembro de 2011 (terça-feira), pelas 9:30 horas. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80º do Decreto-Lei n.º74/99/M, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 14. Local, hora e preço para obtenção da cópia e exame do processo: Local: Departamento de Infraestruturas da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, Edifício CEM, nºs 32-36, 2º andar, Macau; Hora: horário de expediente (Das 9:00 às 12:45 horas e das 14:30 às 17:00 horas) Na Secção de Contabilidade da DSSOPT, poderão ser solicitadas cópias do processo de concurso ao preço de $540,00 (Quinhentas e quarenta patacas). 15. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço razoável 60%; - Plano de trabalhos 10%; - Experiência e qualidade em obras 18%; - Integridade e honestidade 12%. 16. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer no Departamento de Infraestruturas da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, Edifício CEM, nºs 32-36, 2º andar, Macau, a partir de 11 de Novembro de 2011 (inclusivé) e até à data limite para a entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Macau, aos 18 de Outubro de 2011. O Director dos Serviços Jaime Roberto Carion


vida

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BÉLGICA ENCERRA CENTRAIS NU

A Bélgica vai sair do nuclear a partir de 2015, através do encerrament negociadores que trabalham para a formação de um novo Governo na os negociadores confirmaram o princípio de encerramento progressivo contar da sua entrada em funções um plano que permita substituir as

VILA AMAZÓNICA ESPERA Q

Map A

O

Governo de Macau promoveu a compra de produtos e equipamentos amigos do ambiente nos vários departamentos da administração pública, sem definir objectivos concretos de poupança energética a curto, médio ou longo prazo. “Estamos a propor mais de 50 produtos amigos do ambiente, que esperamos que os serviços públicos tomem em consideração, analisando os que melhor servem os fins de utilização mas também correspondem ao espírito ambiental”, disse aos jornalistas a subdirectora dos Serviços de Protecção Ambiental, Vong Man Hung, à margem da sessão de apresentação “Promover a eco-aquisição”. A lista dos 50 itens colocada à consideração dos serviços da administração pública de Macau inclui desde produtos de limpeza, a material de escritório (como papel reciclado, pastas de arquivo, tinteiros de impressora) ou iluminação (lâmpadas de baixo consumo) mas a aquisição não reflecte metas concretas. Vong Man Hung limitou-se a referir que nos últimos anos tem sido realizado um trabalho de sensibilização junto dos fornecedores para a venda de produtos amigos do ambiente e que o objectivo final é “melhorar o ambiente e evitar desperdícios”. “Fizemos uma sondagem junto de mais de 50 entidades públicas. Ao longo dos últimos dois anos temos promovido a ‘eco-aquisição’ junto dos serviços públicos. A ideia é aplicar medidas reais”, referiu, ao explicar que a lista segue o propósito de divulgar “os produtos que têm características ambientais”. A colaborar com o Executivo há cerca de dois anos, o consultor Tam Kai Kwong, do Hong Kong Productivity Council (HKPC), considerou que as duas regiões administrativas especiais chinesas estão ao mesmo nível em matéria de protecção ambiental. “Em Hong Kong foram estabe-

Administração promove aquisição de produtos amigos do ambiente

Governo verde lecidos 103 itens com especificações ambientais. Agora Macau estabeleceu cerca de 50, mas é preciso ver que Hong Kong tem estado a trabalhar nesta matéria há cerca de 10 anos, enquanto Macau só começou há dois ou três anos e por isso imagino que daqui a algum tempo, Macau terá mais itens com especificações ambientais”, afirmou aos jornalistas. O consultor observou que alguns dos produtos propostos “são muito fáceis de encontrar” em Macau, como “o papel reciclado ou as lâmpadas de baixo consumo”, e que outros sê-lo-ão progressiva-

mente, uma vez que “o fomento da utilização dos produtos verdes vai incrementar a produção pela indústria”.

Nas normas de instrução para a aquisição de produtos, os serviços de Protecção Ambiental de Macau aconselharam os serviços públicos a darem prioridade aos fornecedores que assumam um compromisso ambiental e sejam certificados pela norma de qualidade ISO 14001. O Governo de Macau vai promover, entre 15 e 29 de Novembro, cursos de nível avançado sobre a implementação da “eco-aquisição”, de nível avançado, para funcionários públicos.

Sabia que... • Se os portugueses usassem

correctamente a energia, poderiam poupar 16 milhões de barris de petróleo por ano?

comunidade de Tumbira, na Reserva Florestal do Rio Negro, fica a apenas duas horas de barco de Manaus. É um trajecto curto para uma região em que são comuns as viagens por rio de vários dias entre uma localidade e outra. A localização de Tumbira é privilegiada não só pela pouca distância da capital amazonense, mas também pela beleza do lugar, rodeado por florestas virgens e às margens de um Igarapé no qual, com um pouco de paciência, é possível ver de vez em quando um boto cor-de-rosa. Mas apesar dos atractivos, os oito quartos da única pousada do local passam a maior parte do tempo vazios. Só de vez em quando aparecem alguns pesquisadores, funcionários públicos ou jornalistas interessados nas experiências de desenvolvimento sustentável da área. Turistas, mesmo, são raros. Mas agora Tumbira vai aparecer para o mundo: a Google começou na comunidade um projecto piloto de fazer imagens do rio, da floresta e da vila, para disponibilizá-las online. Trata-se de de uma versão fluvial do Google Street View, em que o usuário consegue simular, via internet, uma caminhada pelas ruas de uma cidade. “Nós vivemos quase no isolamento completo e agora vamos ficar expostos para o mundo. Acho que isso vai ser muito bom nós”, disse Nádia Garrido, que passou todos os seus 34 anos de vida na comunidade de Tumbira.

PRIVACIDADE

Olá, eu sou o Micke y. esp era de um a Já est ou vac inado e à pta r. família que me que ira ado con tac te já o , ico pát sim a ach me Se AN IMA! Raça: Indete rm inada Idade: 1 ano Sexo: Ma scu lino Número da coleira: 600 Con tac to: 28715732

Mas enquanto nas grandes cidades cada vez mais há a preocupação de ter a privacidade invadida por câmaras - não são poucos os que pedem que a Google apague as suas casas do Street View - a maioria das pessoas na comunidade de 18 famílias parece estar mais empolgada em expor o seu canto do mundo, do que receosa de ver câmaras a circular pela área. “Aqui todos trabalhamos honestamente então não temos porque ter medo de mostrar a nossa comunidade para o mundo”, disse Nádia Garrido. Numa reunião em que compareceram representantes de quase todas as famílias da comunidade, todos os presentes autorizaram que as suas casas fossem fotografadas (por fora) e apenas um morador mostrou uma preocupação: pediu que não fotografassem o seu animal de estimação - uma paca criada desde filhote - por motivos que não explicou. Cientes das controvérsias já pro-


UCLEARES A PARTIR DE 2015

to gradual dos seus sete reactores, decidiram os a Bélgica. Depois de dois dias intensos de negociações, o. O novo Governo vai elaborar no prazo de seis meses a centrais nucleares por novas fontes de energia.

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QUE O TRABALHO DO GOOGLE TRAGA VISITANTES REAIS

peamento inédito vocadas nas cidades grandes pelo tema do respeito à privacidade, os técnicos da Google faziam questão de reforçar, a todos os momentos que levam a questão muito a sério. “Como já acontece com o Google Street View nas cidades, todos os rostos de pessoas que aparecerem nas fotos serão borrados para que não seja possível identificação. E quem quiser vai poder pedir também que a casa seja apagada das imagens”, explicou Karin Tuxen-Bettman, uma especialista da Google enviada da Califórnia, para lançar o projecto na pequena comunidade Amazónica. Na verdade, os funcionários da Google vão passar apenas uma semana na floresta, a treinar os funcionários da ONG Fundação Amazonas Sustentável (FAS) - a sua principal parceira no projecto - e também moradores da comunidade, para que eles mesmos capturem as imagens. “O que queremos é que estas pessoas mostrem a floresta e as suas comunidades para o mundo”, explicou.

EQUIPAMENTOS

Serão usadas três técnicas diferentes para a coleta de imagens da região. Para capturar as fotos das margens dos rio - inicialmente num trecho de 50 quilómetros do Rio Negro e igarapés adjacentes - será usado um barco com as câmaras em cima. “São oito câmaras que fotografam tudo em volta ao mesmo tempo, com uma panorâmica de 360 graus, e uma câmara apontada para cima. Isso cria algo como uma ‘bolha’ de fotografia que tira imagens de todos os lados”, explica Karin Tuxen-Bettman. Trata-se, na verdade, da mesma tecnologia que o Google usa nas cidades, colocada sobre um carro. Dentro das comunidades, as imagens serão feitas com a mesma câmara, porém montada num triciclo, já que não há carros - ou mesmo ruas - nas comunidades ribeirinhas da amazónia. “Já usamos estes triciclos para fotografar áreas onde carros não podem entrar, como parques e universidades, mas é a primeira vez que vamos colocá-los em regiões assim”, explicou. E para fazer imagens de dentro da floresta e de alguns prédios públicos - como escolas e centros comunitários - será utilizado um equipamento mais leve e simples: um trip é com uma câmara fotográfica equipada com uma lente grande angular, conhecida como ‘olho de peixe’, que tira fotos em um ângulo de 180 graus. Roberto Brito de Mendonça - o presidente da Associação Comunitária de Tumbira - foi um dos primeiros mora-

dores a receber treino para utilizar o equipamento. “Não é difícil. É divertido e gratificante poder fotografar a floresta com esta tecnologia toda”, disse. “No começo, a ficámos um pouco com o pé atrás, mas temos que evoluir de modo igual ao pessoal das grandes cidades. Quem sabe se as pessoas que nos veem na internet não vão animar-se e vir pessoalmente aqui pra nos conhecer?”, disse. A ideia de fotografar a Amazónia surgiu há cerca de dois anos quando Virgilio Vianna, o superintendente da FAS - uma ONG que conta com grande apoio do Governo para desenvolver economia sustentável nas reservas florestais do Estado - conheceu executivos da Google na reunião da ONU para discutir mudanças climáticas em Copenhaga. “Propus a ideia e foi imediatamente aprovada . Agora, dois anos depois estamos aqui”, diz Vianna.

ECONOMIA LOCAL

Além do turismo, Vianna espera que mostrar as comunidades amazónicas para o mundo também ajude a reforçar o desenvolvimento de outros aspectos da economia local. “Nada impede que no futuro isso incentive as pessoas a comprarem produtos florestais daqui, produzidos ou extraídos de maneira sustentável”, diz. “Esse projeto abre oportunidades novas que eram até então inacessíveis para as pessoas locais.” Mas por causa da complexidade do projeto, a Google evita fazer qualquer previsão de prazo para que o material seja efectivamente disponibilizado online. “Tudo aqui é muito diferente. Estamos acostumados a fazer imagens de lugares que têm endereços formais, o que não é o caso dessas comunidades, e muito menos dos rios e da floresta”, explica Tuxen-Bettmen. “Aqui vamos ter que contar apenas com coordenadas GPS.” Mas a técnica da Google diz que está confiante que essa vai ser mais uma etapa bem sucedida dentro dos ambiciosos planos da empresa. “O objectivo dos projetos Google Earth e Google Maps é organizar toda a informação geográfica e espacial do planeta e disponibilizá-la para todo o mundo. E esta é uma região do mundo ainda muito carente de mapeamento.” Se o Google atingir o seu objectivo, uma das regiões mais faladas e mais desconhecidas do mundo pode em breve deixar de ser tão misteriosa.

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CULTURA

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Crise leva Hollywood a explorar oportunidades de co-produções na China

A nova função da plataforma Macau

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crise económica está a levar Hollywood a explorar oportunidades de co-produções na China, que pretende aproveitar esse interesse para desenvolver a indústria cinematográfica e projectá-la a nível mundial. Randal Kleiser, realizador de filmes como “Grease”, disse à agência Lusa já ter estabelecido contactos com alguns realizadores chineses durante o Festival Internacional de Cinema Digital, que arrancou hoje em Macau, tendo em vista um “filme de ficção científica, com muitos efeitos especiais”, estando a analisar “se a China será o melhor local para o desenvolver”. “A China é um dos maiores países do mundo, que tem um público que ainda não foi aproveitado”, constatou. Elizabeth Avellán, que trabalha com Robert Rodriguez e produziu filmes como “Machete” e “Sin City”, veio este ano pela primeira vez ao festival em Macau por estar “muito interessada em saber o que se passa neste país [China] maravilhoso”. “Em Hollywood estamos à procura de co-produções, de financiamento”, observou, considerando uma “óptima ideia” o estabelecimento

de parcerias com a China que, “se abrir as portas, oferece possibilidades ilimitadas e é um óptimo sítio para filmar”, já que tem “milhares de histórias” para contar. “Eu viria aqui para co-produções, sem dúvida”, afirmou à Lusa, acrescentando que a China “é um mercado enorme que, se se souber trabalhar, conseguir que 10% da população veja o filme, é já muita gente”. Também Gabor Csupo, que produziu os primeiros 65 episódios

dos “The Simpsons”, observou que “se um filme tiver sucesso na Ásia, tem sucesso em mais de metade do mundo” e, ao dizer-se um “grande fã” da cinematografia chinesa, confessou que desejava vir a trabalhar em produções na China, inclusive 3D. O interesse crescente de Hollywood por produções sino-americanas, deriva “especialmente da situação económica actual difícil” dos Estados Unidos e por “haver na China muito dinheiro,

mas também muito talento”, disse. Para o actor D.B. Sweeney, a crise “não é a força motriz” do interesse de Hollywood trabalhar com a China, mas o facto de o “mercado ser aliciante por ter mais gente com elevados rendimentos do que em qualquer país do mundo” e de o “governo chinês querer promover a indústria”. O também realizador disse à Lusa estar a trabalhar num ‘thriller’ com cenas passadas na China e nos Estados Unidos, em que

AI WEIWEI INTIMADO A PAGAR CONTA MILIONÁRIA POR ALEGADA FRAUDE FISCAL

Um milhão por dia A

S autoridades chinesas intimaram ontem o artista dissidente Ai Weiwei a pagar 15 milhões de yuans por alegada fraude fiscal, soma que o activista considerou uma “injustiça” e uma tentativa de o “esmagar”. “Entregaram a notificação hoje [ontem] sem qualquer explicação. Perguntámos de onde vinha aquele número e não conseguiram dar uma resposta clara”, contou Ai Weiwei à agência noticiosa francesa AFP. “A notificação diz que tenho 15 dias para pagar. É cerca de um milhão de yuans por dia. Se não pagas podem prender-te, talvez por sete anos. Não sei nada

do que pode acontecer”, acrescentou. Ai Weiwei, de 54 anos, um dos artistas chineses mais conhecidos e um frequente crítico do Governo, foi detido no início de Abril no aeroporto de Pequim, quando pretendia embarcar para Hong Kong, e libertado quase três meses depois por “suspeita de crimes económicos”. “Durante os 81 dias de detenção a polícia só falou de subversão do poder de Estado, por isso estou muito surpreendido por eles evitarem falar de política e virem agora falar de impostos”, comentou o artista. Ai Weiwei foi considerado “a personalidade

mais importante da arte internacional em 2011” pela revista britânica Art Review. O artista chinês encabeçava a lista anual das “cem mais figuras mais influentes” do sector elaborada pela Art Review, à frente de Hans-Ulrich Obrist e Julia Peyton-Jones, conservadores da Galerie Serpentine de Londres, e de Glenn Lowry, director do Museu de Arte Moderna de Nova York. “O seu activismo lembrou-nos como a arte pode atingir maior audiência e ligar-se ao mundo real”, afirmou o chefe de redacção da revista, Mark Rappolt, em Outubro. Filho de um consagrado poeta, Ai Weiwei viveu

durante a década de 1980 em Nova Iorque. O artista ajudou a desenhar o “Ninho de Pássaro”, o Estádio Olímpico de Pequim, mas recusou assistir à cerimónia de abertura dos Jogos, no verão de 2008. “O Governo quer usar estes Jogos para se celebrar a si próprio e à sua política(...) Não há nada a celebrar”, disse na altura Ai Weiwei a uma revista alemã. Uma das suas últimas criações, a instalação “Sementes de Girassol”, com dezenas de milhões de sementes de porcelana feitas à mão, esteve patente na galeria Tate Modern, em Londres, na Primavera passada.

“gostava de usar algum talento chinês, como noutros filmes” que pretende desenvolver. “A China está a advogar o desenvolvimento da indústria cultural e a experiência que Hollywood acumulou é muito importante para o país”, afirmou o vice-director da CCTV, Gao Feng, realçando que o objectivo “é conseguir que mais filmes chineses sejam vistos pelo mundo”. O responsável considerou existir uma “boa oportunidade para realizadores chineses co-produzirem com Hollywood, que é uma força motriz da indústria mundial”, destacando o interesse da China também por “não ter ainda atingido o estado da arte relativamente à alta tecnologia”. Ao salientar que na China existe hoje mais investimento do que nunca no cinema, o realizador Zhou Bing, que já trabalhou com Hollywood, disse esperar “que surjam mais co-produções” que permitam elevar a qualidade do trabalho feito localmente e projectá-lo a nível mundial. “Hoje o desafio na China é saber como tirar partido do facto de haver mais investimento e esperamos aprender mais com a indústria de Hollywood”, concluiu.


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DESPORTO

Futebol | Triunfo suado abre portas dos quartos-de-final

Esta Casa é obra, portuguesa com certeza Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo

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BRA e manobra bem, a versão de 2011/2012 do grupo de trabalho do Organismo Autónomo Desportivo da Casa de Portugal em Macau. A formação orientada pelo técnico são-tomense Pelé carimbou a passagem aos quartos-de-final do Campeonato de Futebol de Sete da II Divisão, ao levar a melhor sobre a Obra Social dos Serviços de Alfândega num jogo intenso em que a dupla Nicholas Friedman-Hélder Ricardo voltou a dar nas vistas. O conjunto de matriz portuguesa não esperava um desafio fácil, mas não estava tampouco à espera de um início de encontro tão devastador por parte do sete adversário. A formação da Obra Social dos Serviços de Alfândega procurou resolver a partida a seu favor logo nos minutos iniciais do embate

A

LÉM de capital mundial dos jogos de fortuna e azar, Macau é também, e até sábado, a capital asiática de um dos mais populares desportos intelectuais do planeta. O território acolhe desde terça-feira a 15.ª edição do Campeonato Asiático de Xadrez Chinês. Conhecida na China pela designação de xiangqi, a modalidade é um dos jogos de estratégia mais antigos do mundo, mas é particularmente popular na região da Ásia Pacífico. Em países como a China, Singapura, a Austrália, a Indonésia, o Japão e o Vietname, o xadrez chinês mobiliza milhões de praticantes e entusiastas e alguns deles – os melhores – estão por estes dias no território para tentar o assalto ao estatuto de campioníssimos na principal competição continental da modalidade. Mais de duas centenas de xadrezistas oriundos de 17 países e regiões do círculo da Ásia-Pacífico vão competir entre si até sábado. A prova decorre desde o início da noite de terça-feira no Pavilhão do Tap Seac, mas pode ser

e aproveitou uma desatenção da defensiva do Organismo Autónomo Desportivo para se colocar em vantagem, antes ainda do placard atingir os dez minutos. Leong Chon In, antigo atleta do Lam Pak que vestiu por várias vezes a camisola da Selecção do Lótus, foi quem empurrou a formação B da Alfândega para a frente do marcador e quase

premeditou o afastamento da Casa de Portugal. Em desvantagem, o conjunto orientado por Pelé tentou a todo o custo repor a igualdade, mas a primeira parte acabou por se revelar estéril em termos de inspiração. Apesar de algumas boas movimentações na frente de ataque, a linha avançada da Casa de Portugal nunca conseguiu

dar com o caminho para a baliza adversária e recolheu ao balneário vergada pelo espectro eminente da derrota. A pausa parece ter feito bem ao grupo de trabalho orientado por Pelé. Transfigurada, a Casa de Portugal regressou ao relvado aparentemente reconciliada com os fantasmas da eliminação e não demorou a exorcizá-los. Não estava ainda decorrido um minuto de jogo na segunda metade, quando o engenho de Nicholas Friedman e o acerto ofensivo de Hélder Ricardo fizeram Pelé respirar de alívio no banco da formação de matriz portuguesa. A braços com uma lesão, o extremo francês encontrou ainda assim força anímica para levar a melhor sobre um adversário antes de colocar em Hélder Ricardo. No frente-a-frente com o guarda-redes da Obra Social dos Serviços deAlfândega, o dianteiro não falhou, fazendo um “túnel” ao guardião adversário. Aos 35 minutos, o Organismo

XADREZ | CHINA E VIETNAME SÃO OS PRINCIPAIS CANDIDATOS ÀS MEDALHAS

Xiangqi é rei no Tap Seac também acompanhada a par e passo no Jardim Público do Bairro do Iao Hon; a enorme popularidade do xiangqi levou os organizadores do evento a colocar um ecrã gigante na mais concorrida das praças da zona norte da cidade, de forma a fazer chegar a competição a um maior número de entusiastas. A sessão de abertura do evento trouxe ao território o presidente da Federação Asiática de Xiangqi. Para Timothy Fok Tsun-ting, o xadrez chinês é o desporto que melhor traduz a tradição cultural chinesa. O também presidente da Associação de Futebol da vizinha RAEHK garante que o xiangqi é a modalidade que melhores perspectivas abre a quem queira apostar no desenvolvimento do intelecto e espera que a realização do Campeonato Asiático em Macau possa suscitar um

maior interesse pelo xadrez chinês por parte das novas gerações do território. “Estou certo que a prova vai decorrer de forma justa e competitiva. Este campeonato é também uma forma de agradecer a Macau pela forma como nos recebe. Macau foi sempre uma anfitriã memorável e parece-me que desta feita não será diferente”, defendeu o dirigente no discurso de abertura do certame. No Pavilhão do Tap Seac, os xadrezistas da República Popular da China voltam a ser os principais candidatos às medalhas, depois de em Novembro último terem dominado as várias categorias do torneio individual de xiangqi no âmbito da edição de 2010 dos Jogos Asiáticos, disputada em Cantão. A exemplo do que sucedeu há um ano, aos representantes do Vietname

deverá caber o estatuto de principais adversários do contingente chinês, pelo menos no entendimento de Lu Qin. O atleta do Continente não espera facilidades e diz que se o Vietname é uma

Autónomo Desportivo dá por consumada a reviravolta no marcador, numa jogada inspirada de Cuco. O irmão do treinador da Casa de Portugal aproveita um deslize da defensiva da Obra Social, recupera a bola ao meio campo e contorna o último homem da equipa B da Alfândega, apontando o golo que catapultou a formação lusitanista para os quartos-de-final da II Divisão da Bolinha. A Casa de Portugal voltou a abeirar-se do golo a seis minutos do fim do encontro, num remate estrondoso de Hélder Ricardo, ao qual o guarda-redes adversário respondeu com uma grande defesa. A formação orientada pelo são-tomense Pelé dominou por completo até ao apito final, mas o marcador não se voltou a alterar. O grupo de trabalho do Organismo Autónomo Desportivo volta a entrar em campo no próximo sábado, num desafio em que esgrime argumentos com o Pak Lok.

certeza, a Indonésia poderá revelar-se como a grande surpresa do certame. “O nível de jogo das equipas asiáticas melhorou muito ao longo dos últimos anos e já não há equipas fáceis. O Vietname é uma equipa muito forte e a Indonésia, parece-me, poderá fazer boa figura este ano”, assume o xadrezista. O xiangqi do território está representado por mais de uma dezena de atletas,

mas apenas Lei Kam Fun tem hipóteses reais de chegar às medalhas. O xadrezista do território terminou há um ano o torneio masculino de xianqi dos Jogos Asiáticos na oitava posição da tabela, a quatro pontos de distância do vencedor Hong Zhi. Kuok U Long, que terminou o evento no 14.º posto, foi o outro representante da RAEM no leque dos vinte primeiros da classificação. – M.C.

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.º 479/AI/2011 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor 何斌, que na sequência do Auto de Notícia n.º 75/DI-AI/2010 de 07.10.2010, levantado pela DST, por prestação ilegal de alojamento da fracção autónoma situada na Rua Cidade de Coimbra, Edifício Pak Tak (China Civil Plaza) 16 andar Y, bem como por despacho do signatário de 28.10.2011, exarado no Relatório n.º 523/DI/2011, de 24.10.2011, foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas), e ordenado a cessação imediata da prestação ilegal de alojamento no prédio ou da fracção autónoma em causa, nos termos do n.º 1 do artigo 10.º e n.º 1 do artigo 15.º, todos da Lei n.º 3/2010.----------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado na Departamento do Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o n.º 1 do artigo 16.º dos Lei n.º 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.º 2 do artigo 16.º do mesmo diploma.-----------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo, a interpor no prazo de 60 dias, conforme estipulado na alínea b) do n.º 2 do artigo 25.º do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro e no artigo 20.º da Lei n.º 3/2010.---------------------------------------------------------------------Haverá lugar à execução imediata de decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.ºs 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18º andar, Macau.-------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 28 de Outubro de 2011.

O Director dos Serviços, Substº Manuel Gonçalves Pires Júnior


[f]utilidades Cineteatro | PUB SALA 1

[ ] Cinema

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SALA 2

IN TIME [B]

THE THREE MUSKETEERS [B]

Um filme de: Andrew Niccol Com: Justin Timberlake, Amanda Seyfried 14.30, 16.30

Um filme de: Paul W.S. Anderson Com: Logan Lerman, Milla Jovovich 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

YOU ARE THE APPLE OF MY EYE [C] (Falado em putonghua, legendado em chinês/inglês) Um filme de: Giddens Ko Com: Zhendong Ke, Yanxi Chen, Siu-Man Fok 19.30, 21.30

SALA 3

TOWER HEIST [B] Um filme de: Brett Ratner Com: Ben Stiller, Eddie Murphy, Matthew Broderick 14.15, 16.00, 17.45, 19.45

Aqui há gato

IN TIME [B] Um filme de: Andrew Niccol Com: Justin Timberlake, Amanda Seyfried 21.45

SOLUÇÕES DO PROBLEMA

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Relativo ao gelo ou às geleiras. 2-Tornas sem oco. Doutor (abrev.). 3-Arsénio (s.q.). Amerício (s.q.). Cintura. 4-Duas consoantes. Soluço. Conceda abono. 5-Filó. Negação (Pref.). 6-Nome que os Muçulmanos dão ao seu Deus. Mulher solteira já de certa idade. 7 (Rom.). 7-Dues-Sol, no artigo Egipto. Habitante de praia ou praias (Bras.). 8-Demo, diabrete. Escândio (s.q.). Pertences. 9-Nome de mulher. Senhor (abrev.). Duas vogais. 10-Oferece. O m. q. ocelado. 11-Convocareis. VERTICAIS: 1-Provido de albarda. 2-Tecido fino. Peça de vestuário, que se veste por cima do sapato e das calças, para proteger do frio. 3-Cheiro desagradável (Bras.). Bário (s.q.). Autores (abrev.). 4-Juntai. Estado da Paraíba, Brasil (abrev.). Surpresa (Interj.). 5-Vogal (pl.). Pessoa metediça, intrometida (Bras.). 6-Protecção (Fig.). Ena!. Aguardente. 7-Acabais. Entre eles. 8-Prefixo de negação. Nome de letra. Ressoar. 9-Cobalto (s.q.). Sexto. Soma une. 10-Aspecto fisionómico, garbo. Duas vogais. 11-Designação genérica dos compostos de arsénio em que este elemento entra com a menor valência.

[Tele]visão TDM 13:00 13:30 14:30 18:30 19:00 19:30 20:30 21:00 21:30 22:15 23:00 23:35 23:45 00:15 00:45 01:30

TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO That 70\’s Show (Que Loucura de Família) Montra do Lilau (Repetição) Amanhecer Telejornal TDM Talk Show Castle Passione TDM News Resumo Liga dos Campeões Green Matters (Ecomundo) Reportagem Sic Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Especial Saúde 15:00 Biosfera 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 O Elo Mais Fraco 18:00 Resistirei 18:45 Correspondentes 19:20 Sagrada Família 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:00 Com Ciência 23:00 Portugal no Coração ESPN 30 11:00 16:00 16:30 17:30 19:30 20:00 20:30 21:00 22:00

(LIVE) Wgc - HSBC Champions 2011 Day 1 Chang World of Football Winter X Games Rugby World Cup 2011 New Zealand vs. Tonga (LIVE) Sportscenter Asia Stihl Timbersports Series Emotions - Sports Magazine Winter X Games Sportscenter Asia

22:30 Wgc - HSBC Champions 2011 Day 1 STAR SPORTS 31 13:00 Rugby World Cup 2011-Tournament Highlights 14:00 Ace 2011 14:30 V8 Supercars Championship 2011-Highlights 16:30 Sports Max 2011/12 17:30 (LIVE) Commonwealth Bank Tournament Of Champions 2011 21:30 (Delay) Score Tonight 22:00 Global Football 2011 22:30 Game 23:00 Score Tonight 23:30 Engine Block 2011 STAR MOVIES 40 10:40 Pearl Harbor 13:45 Mighty Joe Young 15:45 The Accidental Husband 17:25 All About Steve 19:10 Tooth Fairy 21:00 Treasure Guards 22:50 Deadly Impact 00:35 I Know What You Did Last Summer HBO 41 12:00 14:10 16:45 18:40 20:00 22:00 23:00 00:30

The Man In The Iron Mask The Last Samurai Gattaca Justice League Repo Men True Blood Devil Firestarter

CINEMAX 42 12:30 14:15 16:00 17:40 19:00 20:30 22:00 23:55

Revenge Of The Ninja Missing In Action Son Of Frankenstein Frankenstein Death Valley American Ninja Creepshow Lost Boys: The Thirst

VERTICAIS: 1-G. ALBARDODA. 2-LO. POLAINA. 3-ACA. BA. AA. C. 4-CASAI. PB. OH. 5-IS. INTROSCA. 6-ASA. EIA. RUM. 7-REMATAIS. LA. 8-IM. BE. ECOAR. 9-O. CO. VI. ADE. 10-DONAIRE. OI. 11-ARSENIOSO. S.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA

HORIZONTAIS: 1-GLACIAIO. A. 2-OCASSEM. DR. 3-A. AS. AM. COS. 4-LP. AI. ABONE. 5-BOBINETE. AN. 6-ALA. TIA. VII. 7-RA. PRAIEIRO. 8-DIABO. SC. ES. 9-ANA. SR. OA. O. 10-DA. OCULADO. 11-O. CHAMAREIS.

NADA A TEMER • Julian Barnes

Autor distinguido com o Man Booker Prize 2011 O mais recente livro de Julian Barnes é, entre muitas coisas, uma memória de família, um diálogo com o irmão filósofo, uma meditação sobre a mortalidade e o medo da morte, uma celebração da arte, uma discussão com e sobre Deus e uma homenagem ao escritor francês Jules Renard. E aos pinguins.

O PAPAGAIO DE FLAUBERT • Julian Barnes

O inglês Geoffrey Braithwaite atravessa o Canal da Mancha e dirige-se a Rouen, a terra natal de Gustave Flaubert. A intenção é a de ver o papagaio embalsamado que serviu de modelo a Flaubert durante a escrita de um dos seus livros. Mas o que é apenas uma viagem transforma-se, lentamente, numa lição maravilhosa e genial sobre o autor de Madame Bovary — o seu talento indiscutível mas também os seus defeitos, manias, tiques insuportáveis, vaidades e medos —, sobre literatura, sobre o amor, sobre o que falha e o que não tem sentido na vida, sobre os segredos que a rodeiam e lhe dão sentido. Tudo para concluir que a vida verdadeira é a vida que vem nos livros. Porque é a única que se pode interrogar.

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

OS IMPERFECCIONISTAS • Tom Rachman

Neste romance de estreia, Tom Rachman retrata um grupo de personagens que trabalham num jornal de língua inglesa em Roma. À medida que a era digital se sobrepõe à imprensa tradicional deixando as personagens num futuro incerto, a história do jornal é revelada… incluindo a surpreendente verdade por trás das intenções do seu fundador. «Um dos 10 melhores livros de 2011» - New York Times

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

UMA ESPÉCIE DE PORTUGUÊS Sei que ninguém em Macau é obrigada a aprender e a falar português como deve ser. Mas também sei que as pessoas deveriam ter um bocadinho mais de respeito quando ousam aventurar-se pela tão estimada língua de Camões. A Transmac, uma das três operadoras de autocarro de Macau, parece não fazer a mínima ideia do que é o português. Os tipos até se esforçam para enviar informação numa espécie de português aos órgãos de comunicação em língua portuguesa. O resultado, porém, é desastroso. Frases sem sentido, palavras com significados trocados. Um bom exemplo da panóplia de português/chinês é um comunicado enviado pela empresa na semana passada intitulado “Notificação sobre adicionar estação de ônibus”. Mesmo eu, que sou agora um nativo em português e miau, fiquei confuso. O primeiro parágrafo do texto diz: “De acordo com o aviso pela Secretaria dos Transportes, devido a ajustamento de estação de ônibus, desde de 28 de outuburo de 2011, adicionar novamente uma estação de ônibus cada na direção de ir e voltar de Estrada Seak Pai Van na Vila de Coloane”. Li, reli, e fiquei com uma vaga, muito vaga ideia do que é que a Transmac tem para dizer. Sim, sim. Já conheço a desculpa de que não há tradutores suficientes. E também já conheço as ferramentas disponíveis na Internet para fazer traduções instantâneas – geralmente de qualquer língua para o português com sotaque brasileiro, o que é compreensível... Mas o que não compreendo de forma nenhuma é como é possível que a Transmac, uma empresa que presta um serviço público para toda a população multiculturalde Macau, ousa escrever tal coisa como “Ônibus de rota 15 viaja de Jardins do Oceano, e rota 25, 26 e 26A viaja de Macau para a direção de Vila de Coloane, respectivamente na linha original para a estação de Estrada Seak Pai Van na Estrada Seak Pai Van, adicionar novamente uma estação de Rotunda do Concordia, e depois conduzir na linha original para a estação seguinte Pedreira”. Oh, meus senhores, da próxima, por favor, mandem na versão miau.

Pu Yi


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OPINIÃO cr ón i ca sí n i ca Peng Zhonglian

Muita conversa, pouca acção

E

NTRE 15 e 18 do mês passado decorreu a sexta reunião plenária do XVII comité central do partido comunista chinês. A um ano de distância do próximo congresso, que irá seguramente registar importantes mudanças na estrutura dirigente do partido, aguardavam-se com expectativa os resultados desta reunião. Não tanto pelo conteúdo das temáticas abordadas ou documentos emitidos, mas por possíveis sinais que a alguma distância assinalassem os arranjos que irão ocorrer na liderança, para além daqueles nomes que, salvo qualquer acidente ou terramoto político, constituirão o “core” da elite política após o congresso: Xi Jinping e Li Keqiang, porventura acompanhados de Wang Qishan. Desde inícios dos anos 90 do século passado que nos vimos habituando a uma progressiva institucionalização da vida política chinesa. À medida que os líderes se vão sucedendo vão também perdendo peso em favor das instituições, tanto do partido como do Estado. Sendo agora a evolução política chinesa mais previsível, não só por esse factor mas também por um diálogo social muito mais intenso e participado, ainda assim o próximo congresso será especial. Por um lado porque só restarão dois membros da actual comissão permanente do bureau político, o que irá obrigar a importantes arranjos por forma a dar participação política às diversas sensibilidades do partido ao nível mais elevado da respectiva direcção. Por outro porque 2012 assinala também o termo de vigência do poder remanescente de Deng Xiaoping que em 1992, quando abriu o caminho da liderança política ao “jovem” e instruído Hu Jintao e de certa forma também a Wen Jiabao, apontava ao partido, com a

A China vive um momento de enorme confiança, alimentada por um percurso de sucesso com mais de 30 anos. Previu o colapso da União Soviética, do qual atempadamente se afastou, enveredando por um “socialismo com características chinesas” que desembocou num capitalismo com forte regulação macro-económica, designado por “economia de mercado socialista”

autoridade que sabia lhe iria sobreviver, a liderança pós Jiang Zemin. Uma outra questão que despertava e desperta o interesse dos observadores é a da sumarização do contributo de Hu Jintao que irá constar dos estatutos do partido na versão revista do próximo congresso. Cada liderança deixa uma marca não só na introdução dos estatutos do partido mas mesmo na Constituição da República Popular da China. Marca que assinala também a grandeza de cada um dos líderes. Mao Zedong legou o pensamento; Deng Xiaoping a teoria; de Jiang Zemin regista-se um contributo importante, mas mais modesto, o das “três representações”; o contributo de Hu Jintao será provavelmente a sociedade harmoniosa ou a perspectiva científica de desenvolvimento, aposta importante dos últimos 10 anos, expressa nos dois últimos planos quinquenais e na ambição de transformar a economia chinesa, pondo termo a uma economia baseada no trabalho intensivo e dando-lhe uma nova base sustentada na inovação, na ciência e tecnologia. A verdade é que a última reunião plenária não deu qualquer resposta a estas questões. Centrou-se todavia numa questão da maior importância. O comité central aprovou uma resolução defendendo apro-

fundamento da reforma do sistema cultural e a promoção de um grande desenvolvimento da cultura socialista. O advogar de uma nova era de cultura socialista, baseada na tradição cultural chinesa, pode ser visto como representando uma ausência de compromisso relativamente a outras questões mais prementes associadas à sucessão no poder. Perante um impasse restaria a agenda ideológica mais permeável ao consenso. Nada mais enganador. A China vive um momento de enorme confiança, alimentada por um percurso de sucesso com mais de 30 anos. Previu o colapso da União Soviética, do qual atempadamente se afastou, enveredando por um “socialismo com características chinesas” que desembocou num capitalismo com forte regulação macro-económica, designado por “economia de mercado socialista”. Abriu-se à gula do capital estrangeiro, mas exigindo transferência de tecnologia. Aproveitou com mestria as potencialidades da globalização e a adesão à organização mundial do comércio. Enquanto os “pategos” do acidente apostavam na economia virtual especulativa, a China aplicava as suas avultadas reservas na economia real, sem deixar de colocar alguns ovos no cesto das dívidas soberanas, não apenas como política racional de inves-

timento mas também como instrumento de uma política cambial avessa à revalorização acentuada do yuan e também como afirmação de “soft power”. Quando na Europa em profunda crise os cidadãos se perguntam se não é chegada a hora de uma “tomada da Bastilha” contra o capital especulativo, a China faz contas à crise financeira asiática dos anos 90 e prepara-se para uma nova intervenção, esta mais dispendiosa, mas que será também inevitável para poder manter a estabilidade de um mercado da maior importância para a própria China. O telefonema do presidente francês a Hu Jintao na madrugada do dia 27 de Outubro, dando conta detalhada dos resultados do Conselho Europeu e do que a Europa espera da próxima reunião do G20, assinala o novo papel da China no concerto das nações. Entretanto, os dirigentes em Beijing afirmam que a crise das dívidas soberanas é fonte de novas oportunidades. Convém aqui lembrar que crise, em chinês, não é necessariamente coisa má. Na língua chinesa crise (weiji 危机) significa um encontro de perigos (wei 危) com oportunidades (ji 机). Seguramente que a China não deixará de aproveitar as oportunidades. É à luz desta nova realidade que deve ser vista a resolução apelando à construção e uma nova era de cultura socialista, assente nos valores da sociedade chinesa. Esses valores nunca deixaram de estar presentes, mesmo na teorização política dos principais dirigentes comunistas chineses, que invocavam Marx, Lenine ou Estaline mais por deferência do que por convicção. A China limita-se a seguir, coerentemente, esse caminho.


Ciclone

Os paizinhos para calarem as crianças dão-lhes brinquedos de guerra. Se fossem bons pais resolviam o problema, dando-lhes armas verdadeiras. Por Fernando

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15 d a est r el a Carlos M. Cordeiro

Kissinger não conta tudo “da China” O mito apenas velado Como um cadáver Familiar… E neve, neve, a caiar De triste melancolia Os caminhos onde um dia Vi os Magos galopar…

O

Miguel Torga

primeiro nevão chegou. A serra já está com a sua brancura. O branco dos poetas e escritores. O enigma de como o nada traduz muito e o muito pouco que se vislumbra no manto esbranquiçado de neve tem percorrido milhares de escritos divagantes sobre um horizonte repleto de sonhos inimagináveis. Já acendi a lareira e é com redobrado prazer que me atento a um livro da autoria de um homem de fama mundial que por várias vezes contestei na roda dos amigos. Curiosamente, um dia, passados meses da invasão de Timor-Leste pelas tropas indonésias, enviei a Henry Kissinger uma série de questões na qualidade de associado de uma Liga de amizade por Timor, com sede em Lisboa, e o braço direito do Presidente Richard Nixon e prémio Nobel da Paz – surpreendentemente - respondeu-me. No entanto, escusado será escrever aqui e agora que as suas justificações não alteraram em nada o pensamento que eu tinha formado sobre a sua plena responsabilidade

na invasão da antiga colónia portuguesa. O arquitecto da aproximação entre a China e os EUA acaba de lançar um livro, sob o título “Da China”, uma obra que fascina pela complexidade e diversidade dos conhecimentos infindáveis que o autor adquiriu ao longo dos anos nas suas relações políticas e pessoais com os muitos dirigentes chineses. O livro é abrangente no que respeita ao encontro histórico entre Richard Nixon a Mao Tsé-tung no dia 21 de Fevereiro de 1972. Para Kissinger a história do mundo mudou nesse dia e as suas elações políticas transportam o leitor para os mais diversos e mirabolantes acontecimentos políticos no sentido de explicar a importância que foi ter-se evitado a continuidade da aliança sino-soviética. “Da China” patenteia um raciocínio num contexto histórico ao descrever as grandes tendências da diplomacia chinesa. Kissinger usa a metáfora e citação de clássicos para introduzir a discussão de um problema que está a interessar muitos autores: as causas da decadência chinesa a partir de 1800 e a fulgurante ascenção desde 1978. Os encontros, as reuniões, as negociações entre americanos e chineses são esmiuçadas ao pormenor com a envolvência de personalidades ímpares na história da China, nomeadamente, Chou En Lai, Deng Xiaoping e Jiang Zemin. Com 88 anos de idade, o ex-secretário de Estado americano ao mesmo tempo que nos

“Da China” patenteia um raciocínio num contexto histórico ao descrever as grandes tendências da diplomacia chinesa. Kissinger usa a metáfora e citação de clássicos para introduzir a discussão de um problema que está a interessar muitos autores: as causas da decadência chinesa a partir de 1800 e a fulgurante ascensão desde 1978 oferece uma obra fascinante e que nos ajuda a compreender que o pensamento estratégio deve dominar a política, deixa-nos, contudo, a ideia de que alguma demência o poderá ter atingido. Acontece que Tiananmen , Tibete e Macau são quase assuntos tabu ao longo das 583 páginas. Macau? É verdade, o político-escritor desiludiu-me porque aguardava curiosamente que este livro inserisse, finalmente, a explicação cabal da importância que teve a Base das Lajes, nos Açores, com o silêncio americano na entrega de Macau à China em 1999. Uma história que só poderia ser contada por Henry Kissinger. Por alguma razão, os tabus existem para que não se conte tudo o que se sabe.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Lia Coelho; Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; Carlos M. Cordeiro; Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@ hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


c a r t o on

O QUE ESTÁ PAPANDREOU A FAZER

por Steff WIKILEAKS ASSANGE VAI SER EXTRADITADO PARA SUÉCIA Julian Assange, o fundador da Wikileaks, deverá ser extraditado para a Suécia para ser interrogado por alegados crimes sexuais, depois de ter perdido o recurso no Reino Unido. O Alto Tribunal de Londres confirmou esta quartafeira a extradição de Assange, depois de 11 meses de uma batalha jurídica. Mas a decisão é ainda passível de ser reavaliada pelo Tribunal Supremo. Os dois juízes encarregues do dossier rejeitaram os argumentos da defesa de Assange, segundo a qual a extradição para a Suécia é “injusta e contrária à lei”. As autoridades suecas querem interrogar o australiano sobre acusações de violação e agressões sexuais, no ano passado, em Estocolmo, feitas por duas antigas voluntárias da Wilikeaks. TAILÂNDIA CHEIAS DEIXARAM MAIS DE 420 MORTOS As autoridades da Tailândia elevaram ontem para 427 o número de mortes causadas pelas inundações que afectam o norte e o centro do país desde finais Julho e que ameaçam o centro de Banguecoque. Estas inundações, consideradas as mais graves dos últimos 50 anos no país, afectaram já 2,1 milhões de pessoas em 26 províncias - de um total de 77 -, onde permanecem imersa grande parte das casas e campos de cultivo de arroz, segundo o Departamento de Controlo e Prevenção de Desastres. As autoridades da Tailândia planeiam drenar, nos próximos nove dias, 5500 milhões de metros cúbicos de água contida com barreiras precisamente para evitar inundações no centro de Banguecoque, onde habitam cerca de 12 milhões de pessoas. PORTUGAL RECORDE DE FALÊNCIA DE PESSOAS SINGULARES Uma análise estatística divulgada pela Direcção-Geral da Política de Justiça (DGPJ) aos processos findos nos tribunais portugueses em 2010 indica que uma em cada três falências decretadas nesse ano pelos juízes de primeira instância visou pessoas singulares. Entre 2007 e o ano passado, este tipo de falências quase quadruplicou. O número de insolvências decretadas nas comarcas subiu 138,4%, entre 2007 e 2010. A insolvência de pessoas singulares tornou-se possível por lei de Setembro de 2004. Nos últimos quatro anos, o número de processos entrados relativos a falências foi sempre em crescendo. Começou com 3913 em 2007 e já ia em 9220 no final de Dezembro do ano passado.

Portugal é o 41.º país mais desenvolvido do mundo

No cimo da lista

P

ORTUGAL ocupa este ano o 41.º lugar entre os 187 países avaliados no Relatório para o Desenvolvimento Humano das Nações Unidas divulgado onte, posição idêntica à de 2010. O país integra o grupo das 47 nações consideradas mais desenvolvidas pela ONU, de acordo com factores como a esperança de vida, a escolaridade ou o rendimento nacional bruto por pessoa. Quando comparado com o ano passado, Portugal desce de 40.º para 41.º, mas o número de países que integram a tabela aumento de 169 para 187, pelo que os especialistas da ONU consideram que mantém a posição no “ranking”. O documento apresenta a evolução ao longo dos últimos 30 anos, período no qual a esperança de vida à nascença em Portugal aumentou 8,2 anos, a escolaridade subiu em média 2,9 anos e o rendimento nacional bruto por pessoa cresceu 76%. Contudo, no que toca a este último indicador, a previsão para este ano aponta para o valor mais baixo registado entre os últimos quatro referidos: em 2000 atingiu os 20.662, cinco anos depois subiu para 20.980, em 2010 baixou ligeiramente para 20.928, tendência que manterá este ano, quando decrescerá para 20.573. Grécia e Hungria são países que os peritos da ONU consideram semelhantes a Portugal pelo número de habitantes e índice de desenvolvimento humano (HDI, na sigla em inglês) e que ocupam, respectivamente, o 29.º e o 38.º lugares. Portugal apresenta uma esperança de vida para os nascidos este ano de 79,5 anos, ligeiramente inferior à Grécia (79,9), mas consideravelmente superior à Hungria (74,4). A ordem mantém-se quanto ao rendimento nacional bruto – Grécia com 23.747 dólares por pessoa em 2011, Portugal com 20.573 e Hungria com 16.581 - mas altera-se na escolarização, onde os húngaros surgem na liderança dos três países com 11,1 anos de escolaridade média por habitante, seguidos dos gregos (10,1) e, à distância, dos portugueses (7,7). Portugal assume a dianteira entre os três países e situa-se em 19.º lugar quando são ponderados os critérios do índice de desigualdade de género avaliados em 149 países. A Grécia aparece no 24.º lugar e a Hungria em 39.º. Entre os factores que contribuem para este índice, Portugal lidera na taxa de mulheres deputadas (27,4 por cento), à frente da Grécia (17,3) e da Hungria (9,1), e na percentagem de mulheres com emprego (56,2 por cento), destacado à frente da Grécia (49,2) e da Hungria (42,5). A Grécia volta a liderar quando é avaliada a taxa de mortalidade materna (mulheres que morrem devido a

complicações relacionadas com a gravidez ou no parto), com duas mães a morrerem por cada 100 mil crianças que nascem anualmente, seguida de Portugal (sete) e Hungria (13). Onde Portugal volta a liderar é na taxa de mães adolescentes, que são 16,8 em cada mil crianças que nascem, seguido da Hungria (16,5) e da Grécia (11,6). PUB

QUINTA-FEIRA 3.11.2011 www.hojemacau.com.mo

FRANÇA JORNAL ATACADO COM COCKTAIL MOLOTOV A redacção do jornal satírico Charlie Hebdo, que publicou ontem um número especial após as eleições na Tunísia, foi destruída durante a madrugada por um incêndio de origem criminosa, com um cocktail molotov. O jornal, rebaptizado para a ocasião como “Charia Hebdo”, decidiu fazer do profeta Maomé o “redactor principal” do seu número de ontem, para “festejar a vitória” do partido islamista Ennahda na Tunísia. SAÚDE CONSUMO DE ÁLCOOL AUMENTA RISCO DE CANCRO DA MAMA O consumo de três a seis copos de vinho por semana aumenta em 15% o risco de cancro da mama, segundo um estudo cujos resultados são divulgados no “Journal of the American Medical Association”. As mulheres que bebem mais, por exemplo, de uma média de dois copos de vinho por dia, vêem esse risco aumentar para 51%, em relação àquelas que nunca ingerem álcool. Os investigadores constataram igualmente que consumir álcool entre os 18 e os 40 anos aumenta o risco de cancro mamário. O risco persistirá mesmo que as mulheres reduzam o consumo de bebidas alcoólicas após os 40 anos.


Hoje Macau 3 NOV 2011 #2485