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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • QUINTA-FEIRA 10 DE NOVEMBRO DE 2011 • ANO XI • Nº 2490

Ter para ler

TEMPO MUITO NUBLADO MIN 16 MAX 21 HUMIDADE 60-95% • CÂMBIOS EURO 11.0 BAHT 0.2 YUAN 1.2

Filas de espera para especialidades no sistema de saúde público sem fim à vista

Esperar deitado Conseguir uma consulta num especialista no sistema público de saúde é como correr atrás de uma miragem. Segundo números a que o Hoje Macau teve acesso, as filas de utentes são quilométricas e continuam a engordar de ano para ano. Ver um cardiologista leva pelo menos seis meses, enquanto que nem sequer há um hematologista no território. Os Serviços de Saúde dizem que têm feito de tudo para melhorar. > PÁGINA 8

Aumento da criminalidade

HÁ ALGO DE ERRADO COM OS NÚMEROS • Página 9

Departamento de Português

NOVO DIRECTOR EM BANHO-MARIA • Página 12

As LAG dos democratas

DEVER DE CASA PARA AJUDAR GOVERNO • Página 4


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China apresentou um protesto formal contra a Mongólia por permitir uma visita do Dalai Lama, o líder espiritual tibetano exilado na Índia, considerado por Pequim como um separatista que procura a independência do Tibete. “Já apresentamos o nosso protesto formal contra as autoridades da Mongólia”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Hong Lei. O tibetano, de 76 anos, viajou na segunda-feira à Mongólia para iniciar uma visita de três dias ao país asiático, onde se pratica o Budismo Tibetano e cujo principal parceiro comercial é a China. As autoridades da Mongólia reconheceram que a pressão do seu principal comprador de recursos obrigou a limitar os discursos do Dalai Lama durante a sua visita, a sétima que o líder espiritual faz ao país. No final da sua visita ao Japão, o líder espiritual expressou tristeza pelas 11 imolações, das quais seis resultaram em morte, registadas desde Março numa

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ACTUAL China critica Mongólia por permitir visita de Dalai Lama

O centro da discórdia

região tibetana da província chinesa de Sichuan, em protesto contra o regime chinês. O religioso, exilado na Índia desde 1959 após liderar uma fracassada revolta contra a China, afirmou em Tóquio que o seu povo é pacífico e não busca a indepen-

dência, mas uma autonomia significativa. No entanto, o líder espiritual considerou que o motivo das imolações é o “genocídio cultural” que Pequim faz contra a sua etnia, que acusa o regime chinês de tentar eliminar a sua cultura, religião e idioma.

Para Hong Lei, as visitas do monge a outros países pretendem “vender a sua postura sobre a independência do Tibete e manchar a imagem do Governo chinês”, afirmou. As ONGs Amnistia Internacional (AI) e Human

Rights Watch (HRW) enviaram uma carta aberta ao presidente da China, Hu Jintao, para que investigue as causas das imolações e respeite os direitos humanos no planalto tibetano. “A China deve acabar com as políticas repressivas que

infringem as liberdades fundamentais dos tibetanos. Em vez de atender as suas reivindicações, as autoridades chinesas recorrem a tácticas violentas que só intensificam o ressentimento”, afirmou Salil Shetty, secretário-geral da AI. As ONGs lembram que, após as imolações, as forças de segurança chinesas prenderam e possivelmente assassinaram tibetanos, além de “reeducar” 300 monges do mosteiro de Kirti, em cujos arredores ocorreram tentativas de suicídio. Organizações tibetanas no exílio informaram esta semana que mais de 10 mil tibetanos manifestaram-se em Sichuan para homenagear as vítimas, apesar de este facto não ter sido confirmado pelo Governo Central. A China afirma que historicamente o Tibete fez parte do seu território, mas muitos grupos tibetanos reivindicam que a região do Himalaia desfrutou de independência virtual durante séculos, apesar de ter sido protectorado chinês durante várias dinastias. E em 1903, tropas britânicas tomaram a região.

DIRECTORA DO FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL DEFENDE MAIOR VALORIZAÇÃO DO YUAN

PARLAMENTO DE TAIWAN APROVA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PARA MANIFESTAÇÕES

A mão do FMI

Comunistas à rua

directora-executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, elogiou ontem o “progresso” da política cambial chinesa, mas defendeu também uma maior valorização do yuan. A China “necessita de uma moeda mais forte em termos reais. Mas há progresso nesta frente”, disse Lagarde em Pequim, citada pela agência France Press. Lagarde falava num fórum financeiro internacional em Pequim, onde chegou ontem de manhã . No início de uma visita de dois dias à China, vinda de Moscovo, a directora-executiva do FMI alertou para a “incerteza” e os riscos de “instabilidade financeira” que pairam sobre a economia global. “Se não agirmos

juntos, a economia em todo o mundo corre o risco de uma descendente espiral de incerteza e instabilidade financeira”, afirmou. A cotação da moeda chinesa é um tema de frequente fricção entre a China e governos ocidentais, entre os quais o dos Estados Unidos, que consideram o yuan “artificialmente subavaliado” para favorecer as exportações da China. A China já concordou adoptar “uma “política cambial mais flexível”, mas defende “uma variação gradual” da sua moeda e não uma “valorização acentuada”, como reclamam alguns sectores políticos e empresariais norte-americanos. Desde o verão de 2010, o yuan valorizou-se 7,6% face ao dólar e o excedente comercial

da China está a diminuir, tem realçado a imprensa oficial, criticando as “renovadas pressões” ocidentais sobre a moeda chinesa. “A China recusa valorizar a sua moeda”, proclamava no fim de semana a manchete do “Global Times”, jornal de língua inglesa do grupo Diário do Povo, órgão central do Partido Comunista Chinês. O yuan “está a caminho de ter uma cotação razoável”, afirmou o “China Daily”, citando o ministro chinês do Comércio, Chen Deming. Na sexta-feira passada, último dia da Cimeira do G-20 em Cannes, sul de França, a moeda chinesa atingiu mesmo o valor mais alto de sempre face ao dólar, com a moeda norte-americana a valer apenas 6,3165 yuans.

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Parlamento de Taiwan anunciou ontem a aprovação de uma alteração à Acta de Segurança Nacional, que permite maior liberdade na criação de grupos políticos e as manifestações dos comunistas. A alteração legislativa elimina a proibição de organização de manifestações e outro tipo de encontros em defesa do comunismo ou da independência da ilha.

Jiang Yi-huah

“As cláusulas eliminadas eram contrárias ao direito constitucional de liberdade de expressão e reunião”, afirmou o ministro do Interior de Taiwan, Jiang Yi-huah. As proibições revogadas também chocavam com a Convenção Internacional das Nações Unidas sobre Direitos Civis e Políticos, que defendem a liberdade de expressão e de organização de reuniões pacíficas, acrescentou o governante. Taiwan coloca assim fim às limitações impostas às actividades de partidos comunistas. Taiwan - a ilha onde se refugiou o governo do Partido Nacionalista chinês, em 1949, depois de o Partido Comunista tomar o poder no continente - é vista por Pequim como uma província chinesa e não como uma entidade política soberana. A China defende a “reunificação pacífica”, segundo a fórmula já adoptada em Hong Kong e Macau (“um país, dois sistemas”), mas ameaça “usar a força” se Taiwan declarar a independência.


O português engenheiro, advogado, arquitecto, operário ou comerciante chega, vê e vence. Quase sempre. Normalmente chega com as calças e a camisa e regressa com um contentor cheio de materialismo, mas também já vi emigrantes que chegaram ao “el dorado” com um contentor e regressaram às raízes com a camisa e as calças. O emigrante português trabalha no estrangeiro três vezes mais do que na sua terra. O dinheiro é a bíblia. Carlos M. Cordeiro, P. 15

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Governo chinês emite obrigações para fazer face à dívida do sector

É preciso pagar os comboios Maria João Belchior info@hojemacau.com.mo

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ORAM mais de 30 mil milhões de yuans lançados na terça-feira em obrigações no mercado chinês para financiar as construções do sector ferroviário. O anúncio feito pelo ministério foi o terceiro a acontecer

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este ano para atrair investidores privados através de impostos mais baixos sobre juros a sete anos. As obrigações estão divididas em dois tipos, entre os sete e os 20 anos com taxas de juro de 4,63% para sete anos e 5,22% para os 20 anos. A dívida do Ministério dos Caminhos-de-ferro estava em Setembro acima

Índice de Preços no Consumidor, um dos principais indicadores da inflação na China, desceu em Outubro, pelo terceiro mês consecutivo, para 5,5%, anunciou ontem o Gabinete Nacional de Estatísticas da China. A redução beneficia indirectamente Macau, que importa grande parte dos seus bens do Continente. Foi uma descida de um ponto percentual em relação a Julho passado, quando a inflação atingiu o valor mais alto dos últimos três anos (6,5%), mas continua acima da meta de 4% fixada pelo Governo chinês para o conjunto de 2011. Os preços dos produtos alimentares, que representam um terço do cabaz com base no qual

dos dois biliões de yuans, um valor que o Governo considera muito alto. O prazo para pagar a dívida cria pressão sobre o ministério que tem dezenas de linhas em construção no país inteiro. Está a tornar-se urgente o pagamento daquele que deve ser um dos sectores mais modernos da China. Bastião do desenvolvi-

mento económico, a China modernizou nos últimos anos as principais linhas do país, inaugurou comboios de alta velocidade a ligar algumas das principais cidades e abriu a ligação de Maglev do aeroporto de Pudong a Xangai. Mas o sucesso inicialmente previsto não está a acontecer e muitas das linhas estão a ter prejuízo.

O objectivo agora é tornar o sector atractivo de maneira a não parar os projectos já em construção. O governo também espera reduzir os investimentos anuais previstos para o sector até 2015 de 800 mil milhões para 500 mil milhões por ano. A notícia da emissão de obrigações, confirmada

INFLAÇÃO CHINESA DESCEU PARA 5,5% EM OUTUBRO

Boas notícias para Macau é calculado o referido Índice, subiram em Outubro 11,9%, menos 0,2 pontos que no mês anterior, indicou a mesma fonte. Depois de ter atingido o pico de 6,5%, em Julho passado, a inflação na China desceu sucessivamente para 6,4 por cento (Agosto), 6,1% (Setembro) e 5,5% (Outubro). “A inflação é como um tigre: depois de libertado é difícil fazê-lo regressar à jaula”, disse o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, em Março passado. Wen Jiabao

definiu então o controlo dos preços como “a primeira prioridade” da política macroeconómica em 2011, prometendo conter a inflação “em torno dos 4%”.

CONSUMO INTERNO CRESCE

As vendas a retalho na China, um dos principais indicadores do consumo interno, aumentaram 17,2% em Outubro, enquanto a produção industrial chinesa subiu 13,2%. A subida das vendas foi particularmente acentuada no sector

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pela agência oficial Xinhua, chegou dois dias depois do ministério ter negado estar à espera de 800 mil milhões de fundos vindos do governo para fazer face à pressão da dívida do sector. A questão da segurança das linhas depois do acidente ocorrido em Julho deste ano levantou polémica sobre a modernização do sector e o seu custo real. A emissão das obrigações vem agora procurar dinheiro fresco para pagar algumas das dívidas até 20 de Novembro, um compromisso que o Governo já assumiu.

dos móveis, que cresceram 33,3%, mais de o dobro do aumento nos electrodomésticos e equipamento audiovisual (15,3%) e no ramo automóvel (12,7%). Deduzida a inflação, o crescimento real foi de 11,3, precisou o Gabinete Nacional de Estatísticas da China. O Governo Chinês pretende “mudar o padrão de desenvolvimento económico” do país, centrando-o mais no consumo interno do que nas exportações, como tem acontecido desde que a China começou a tornar-se “a fábrica do mundo”, há 30 anos. Segunda maior economia do mundo, a seguir aos Estados Unidos, a China é também o maior exportador do planeta.

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POLÍTICA

Governo Sombra da Juventude apresenta “Relatório das LAG” alternativo

As propostas da rapaziada Virginia Leung

virginia.leung@hojemacau.com.mo

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NTES mesmo que o Chefe de Executivo pudesse anunciar o novo Relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG), o grupo auto-intitulado “Governo Sombra da Juventude”, organizado pela Associação Novo Macau

Democrático (ANMD), chegou-se à frente e lançou a público o seu próprio relatório alternativo das LAG, com o alegado objectivo de proporcionar referências ao Governo da RAEM. Entre as propostas sugeridas pelos jovens pró-democratas, incluem-se o estabelecimento da abertura regular de candidaturas à habitação social e o acréscimo

de três assentos para deputados eleitos por sufrágio directo e a simultânea retirada de três assentos a deputados nomeados pelo Chefe do Executivo, com o objectivo de trazer mais democracia à Assembleia Legislativa (AL). Esta última proposta, aliás, surge em reacção ao aumento proporcional de deputados sugerido pelos “kai fong” da União Geral

das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM). “Os kai fong propõem o aumento do número de assentos para os deputados eleitos pela via directa, mas também mais assentos para os deputados eleitos pela via indirecta. Assim sendo, não muda a proporção, e não podemos afirmar que haverá um progresso”, explicou Jason Chao, presidente

da ANMD, em declarações reproduzidas pela TDM. Numa conferência de imprensa constantemente interrompida pelo barulho de obras que decorriam nas instalações vizinhas, Jason Chao apresentou, na companhia de Scott Chiang, vice-presidente da ANMD, estas LAG do Governo Sombra da Juventude.

As LAG sombra • HABITAÇÃO PÚBLICA Nova abertura de candidaturas à habitação económica no primeiro semestre de 2012, e as candidaturas à habitação social passam a ser realizadas de forma regular. • PLANEAMENTO URBANÍSTICO Estabelecer a “Lei do Planeamento Urbano” e criar as “Comissões de Planeamento Urbano”. • RETOMA DE TERRENOS Os lotes de terra que tenham sido atribuídos há mais de três anos e ultrapassado o prazo para a construção devem ser retomados pelo Governo. • DEMOCRACIA NA ASSEMBLEIA Alterar a lei eleitoral da AL, acrescentando três assentos para deputados eleitos por sufrágio directo e retirando três aos nomeados pelo Chefe do Executivo. • DEMOCRATIZAR AUSCULTAÇÕES Utilizar eleições directas em vez dos actuais três comités consultivos distritais para aumentar efectividade das consultas públicas.

• REVER MECANISMO DE CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURANÇA SOCIAL Planear a longo prazo, enquanto a economia está em alta. Reservar pelo menos 30 mil milhões de patacas para o Fundo de Segurança Social (FSS), para evitar a bancarrota dentro de 20 anos. Considerar reformas no mecanismo de contribuição (montantes e proporções) para permitir que o FSS seja auto-sustentável. • AJUDAS DO GOVERNO NÃO DEVEM CONTAR COMO RENDIMENTO Deixar de contabilizar as ajudas e subsídios do Governo como parte do rendimento para os candidatos a habitação social, situação que tem excluído muitos nomes da lista de espera por excesso de rendimentos. • EMPRÉSTIMOS SEM JUROS PARA ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS Aproveitar a saúde financeira do Governo para alargar os apoios ao ensino superior, com empréstimos sem juros para estudantes universitários. Alargar o apoio à maioria das pessoas, permitindo-lhes que acedam ao empréstimo sem juros independentemente de factores ou questões familiares para acederem a uma educação mais elevada.

• MECANISMO PARA REDUÇÃO DO TRABALHO IMPORTADO Garantir protecção prioritária dos empregos dos trabalhadores locais nas reestruturações de pessoal dos recintos de jogo, reduzindo primeiro a mão-de-obra importada. Casinos devem apostar mais na formação de estagiários. Dados registados na Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) devem ser utilizados pelo Gabinete para os Recursos Humanos (GRH) para não aprovar importação de trabalhadores para determinadas vagas quando houver candidatos adequados disponíveis no directório da DSAL. • CONTROLO DA VENDA DE INVESTIMENTO FINANCEIRO Acelerar produção de legislação para monitorar ferramentas de investimento financeiro, para salvaguardar as poupanças dos residentes. Algumas modalidades de investimento financeiro demasiado complexas não devem ser vendidas ao cidadão comum.

• INFLAÇÃO Rever mecanismo de combate à inflação e eliminar os monopólios que levam ao aumento dos preços. Proporcionar mais ajuda aos residentes para combaterem o fardo do aumento do preço das mercadorias ao consumidor. • SIMPLIFICAR PROCEDIMENTOS DE DENÚNCIA DE CRIMES Proporcionar mecanismos mais simplificados para a apresentação de queixas na comunidade, para incentivar os cidadãos a denunciar crimes e a facilitar a obtenção de testemunhos verbais. Eliminar o sentimento de que apresentar queixa ou prestar testemunho é inconveniente. • REFORÇAR COMBATE AOS TRABALHADORES ILEGAIS Aplicar mais recursos à fiscalização e controlo para combater de forma efectiva os trabalhadores ilegais e os efeitos da clandestinidade sobre o mercado de trabalho local.


COMEÇA A CONTAGEM DECRESCENTE PARA O METRO LIGEIRO

O Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT) anunciou o lançamento ontem do Concurso Público para a “Empreitada de Construção do Segmento Fronteiriço da Taipa da 1.ª Fase do Sistema de Metro Ligeiro”. A empresa que vencer a corrida vai ficar responsável por construir o viaduto rodoviário e as estações do metro entre o fim da Avenida da Nave Desportiva e a Estrada de Pac On. Prevê-se que a empreitada poderá criar cerca de 250 de oportunidades de emprego para os trabalhadores locais e deverá estar concluída no prazo de dois anos e oito meses. As primeiras estações a nascerem serão as da Universidade de Ciência e Tecnologia (MUST), do Aeroporto e do Terminal da Taipa.

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Associações pedem legislação urgente para regular remoção de obras clandestinas

Antes que a gaiola ilegal caia Virginia Leung

Virginia.leung@hojemacau.com.mo

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S varandas, gaiolas e apêndices não autorizados estão por toda a parte, quer seja em edifícios antigos, quer em construções novas. Como o Governo não permite a reparação ou manutenção em edifícios onde tenham sido executadas obras ilegais, mas também não se atreve a remover à toa essas intervenções, os pequenos pro-

prietários de apartamentos estão apreensivos quanto às “consequências”. É que, com o passar do tempo, essas estruturas podem representar um risco para a segurança. O alerta foi dado ontem pela União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM). Perante o impasse entre o Governo e os proprietários, a UGAMM fez questão de sublinhar que a ameaça para a segurança que representavam as obras ilegais

não podia ser negligenciada, e apelou ao Executivo para que estabelecesse classificações para a remoção de construções não autorizadas, com padrões de gestão e prazos-limite para a remoção. Na conferência de imprensa “Discussão para a remoção das obras ilegais e segurança dos edifícios”, os responsáveis da UGAMM não deixaram de lançar críticas ao Governo por não ter definições claras para trabalhos de construção não autoriza-

DOCA DOS PESCADORES DEFENDE CONTINUAÇÃO DO PORTO EXTERIOR NA PENÍNSULA

Vontade de “ferry” O

terminal marítimo do Porto Exterior deve continuar a existir, voltou a defender David Chow, director-executivo da Macau Landmark e da Macau Fisherman’s Wharf Investment (Doca dos Pescadores). O Governo apresentou quatro propostas para resolver a questão do Porto, no âmbito dos planos de reordenamento urbanístico. Chow considera que mudar todos os “ferrys” para Pac On seria uma solução pouco prática para a população, além de poder prejudicar as Pequenas e Médias Empresas (PME). Enquanto o Governo procede à recolha de opiniões públicas, David Chow não desperdiçou a oportunidade de deixar bem clara a sua própria opinião: mudar o terminal de vez para Pac On afectaria seriamente o ambiente de negócio das PME e a comodidade dos residentes que vivem na península. Além disso, a mudança levaria ao decréscimo nos preços da habitação em Macau e ao aumento dos preços no Cotai. É absolutamente necessário, sublinha, que a Península de Macau tenha um porto exterior.

Chow Kam Fai vai ainda mais longe e diz que o novo planeamento urbanístico proposto pelo Governo, na sua versão concluída, leva a mal-entendidos por parte da população no que diz respeito à sua colocação em prática. Quanto ao mega-terminal de Pac On proposto, o responsável considera que a infra-estrutura pode até ser maior, mas lembra que às vezes o “grande pode não ser prático”. O mais importante, observa, é se será adequado às necessidades do mercado, ou seja, se não houver suficientes equipas de navegação a prestar os devidos serviços, um terminal maior acabará por fazer pouco sentido. Na hipótese sugerida

pelo Governo em que o Porto Exterior se muda para Pac On, há que contar com uma redução no investimento exterior na área em causa bem como do potencial de atractividade do investimento, alertou o empresário. As consequências negativas para as PME não serão surpresa. A longo prazo, prevê, a medida levaria ainda a uma desconexão no desenvolvimento da península e a consequente redução nos preços da habitação na península significaria uma desvalorização dos bens dos proprietários da zona. Isto enquanto, no Cotai, os preços iriam disparar. Um terminal na península é essencial e a sua mudança para outros locais deve ser deixada ao critério da sociedade e da vontade que esta transmitir em consultas e discussões, aponta David Chow. As quatro propostas apresentadas pelo Governo, considera o responsável, criam confusão na cabeça das pessoas. Em vez disso, deveria questionar-se primeiro as pessoas se queriam ou não que o terminal fosse transferido da sua actual localização e, só depois, discutir-se o destino adequado.- V.L.

dos, nem directrizes para a regulação dos apêndices legais, situação que deixa os pequenos proprietários de apartamentos sem saber o que fazer.

QUEBRAR O GELO DO IMPASSE

Dada a grande quantidade de obras ilegais e a falta de vontade do Governo em avançar com a gestão da sua remoção, o problema agiganta-se. Os proprietários, ainda que preocupados com eventuais acidentes provocados em obras ilegais antigas, têm medo da responsabilização que lhes possa ser atribuída caso insistam em proceder a reparações ou manuten-

ção. Isso leva a uma situação em que as construções ilegais continuam a envelhecer, sublinhou Chan Bo Sam, do Centro de Gestão e Recursos de Obras da UGAMM. O responsável considera urgente que o Governo abra mão do cumprimento estrito das regras e permita, em regime de excepção, que os proprietários procedam a reparações para evitar consequências desastrosas que possam ter lugar por falta de manutenção das varandas perigosas. A UGAMM observa também que a falta de definição clara do que são obras não autorizadas e a promoção e educação inadequadas

para o problema criam uma grande lacuna entre o entendimento do Governo e das pessoas, que deixam a maior parte dos moradores sem saber se o que têm são construções não autorizadas ou apêndices legais. Esses mal-entendidos provocam uma falta de compreensão do público sobre a remoção de obras ilegais sugerida pelo Governo, dúvidas sobre se devem ou não remover, e até mesmo algum sentimento de revolta. A UGAMM apela ao Governo para torne tudo mais claro para as pessoas e para que estabeleça limites de tempo claros para a remoção das obras ilegais, para conhecimento público.

PUB Privacidade Consigo (Texto disponibilizado pelo Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais) Respeito e Responsabilidade O Sr. Carlos foi instruído pela empresa A para tirar fotos de uma excursão em que a empresa tinha participado, tendo também sido escolhido como a pessoa responsável pelo carregamento destas fotografias na intranet da empresa para referência dos trabalhadores. Depois de o Sr. Carlos ter carregado as fotografias na Intranet, pensou colocá-las, sem autorização, no seu sítio pessoal para partilhar com os amigos. Quando a sua namorada, a Sra. Maria tomou conhecimento deste facto dissuadiu-o de o fazer, dizendo-lhe que poderia estar a violar a “Lei da Protecção dos Dados Pessoais”. A Sra. Maria explicou que: “em primeiro lugar, estas fotos pertencem à tua empresa. Por isso, não podes usar estas fotografias para fins privados sem obteres a autorização e consentimento da tua empresa.” “Eu não vou utilizei as fotos tiradas pela máquina fotográfica da empresa; vou usar só as fotos tiradas pela minha máquina pessoal. Em todo o caso, a empresa também me instruiu para carregar as fotografias através da Intranet da empresa. Eu fiz um trabalho adicional, a empresa devia elogiar-me! “Não,” disse a Sra. Maria, “precisas de distinguir bem. Foste instruído a carregar estas fotos na Intranet. A empresa tem o poder de decisão e controlo sobre o tratamento de dados pessoais. Segundo as previsões da “ Lei da Protecção de Dados Pessoais, a empresa é responsável pelo tratamento de dados pessoais e assume a respectiva responsabilidade pelo tratamento dos dados pessoais nos termos da lei. És um trabalhador da empresa e foste encarregado de executar um trabalho de acordo com os requisitos da empresa. Se tivesses secretamente publicado estas fotos na tua página electrónica pessoal sem a devida autorização, terias o controlo sobre o tratamento de determinados dados pessoais e transformar-te-ias numa entidade individual responsável pelo respectivo tratamento. Terias, por isso, de assumir as respectivas consequências, bem como a responsabilidade legal pela tua actuação. Pensa bem, a “ Lei da Protecção de Dados Pessoais” determina que a entidade responsável pelo tratamento de dados pessoais precisa de reunir as condições de legitimidade para efectuar o respectivo tratamento. Por outras palavras, precisas de obter o consentimento dos titulares dos dados ou satisfazer uma das outras condições especificadas nos termos da lei. Mesmo que as respectivas fotografias não pertençam à empresa, não obtiveste o consentimento dos titulares dos dados para poderes divulgar as fotografias através da Internet, podendo também ser uma violação da lei.” “ Mesmo que não estivéssemos a falar da lei, deves pensar nos sentimentos dos teus colegas. Deves-te por na posição deles e perguntar: se alguém divulgasse as tuas fotografias sem o teu conhecimento ou consentimento, como é que te sentias? Na minha opinião, deves pedir as opiniões deles”. O Sr. Carlos aceitou os conselhos da Sra. Maria e seleccionou as fotografias que queria carregar. A seguir, telefonou para os colegas que apareciam nessas fotografias e a maioria dos colegas aceitou o carregamento das fotografias na página electrónica do Sr. Carlos. Contudo, o Tio Manuel não aceitou e o Sr. Carlos consequentemente removeu as fotografias onde aparecia o Tio Manuel. Os colegas elogiaram o Sr. Carlos porque utilizou uma nova tecnologia, mas ao mesmo também soube respeitar os outros. (Caso fictício criado a partir da realidade social e/ou baseado em casos reais anteriormente ocorridos. Para informações adicionais sobre a protecção de dados pessoais, por favor, contacte o Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais - telefone 2871 6006).


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SOCIEDADE

Consultas externas e tempo de espera aumentam. Médicos, nem vê-los

Saúde de cordel e de papel Os Serviços de Saúde dizem que a média de tempo de espera para a primeira consulta externa de especialidade teve melhorias significativas. Mas os números são muito negativos. De facto, em média, o utente tem de esperar quase dois meses para ser auscultado. Ao pormenor, damos-lhe os números dos tempos de espera, dos médicos efectivos e da taxa de mortalidade associada a cada especialidade. Números que transformam a saúde pública num bico-de-obra Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

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S Serviços de Saúde de Macau (SS) deixam sempre bem claro: “Temos vindo a dedicarmo-nos à melhoria da qualidade dos serviços do sistema de saúde pública”. O grande problema é que melhorias, nem vê-las. As listas de espera são cada vez maiores, os médicos são os mesmos, ou cada vez menos, e a taxa de mortalidade no geral aumentou nos últimos cinco anos. Resultado: a população de Macau tem optado, em ritmo bastante ascendente, por se tratar em Hong Kong. O Hoje Macau fez uma exaustiva leitura dos números do Boletim Estatístico de 2010 dos SS e ainda um comparativo com dados recentes já deste ano. O número de utentes da consulta externa subiu 6,1% este último ano e para quem realizou a sua primeira consulta a percentagem de aumento é ainda maior, 9,1%. No ano passado ocorreram pouco mais de 320 mil consultas externas. Este ano, em me-

nos tempo, as consultas já rondam as 300 mil, com tendência ascendente até ao final do ano. Especialidade a especialidade, o sistema público de saúde apresenta números interessantes. Houve um aumento de 36% de utentes de oftalmologia durante este ano, passando de 3030 do ano passado para 4109. Os hospitais e centros de saúde públicos só disponibilizam sete médicos de oftalmologia para mais de 550 mil habitantes. Manifestamente pouco, portanto.

ORTOPEDIA COMPLICADA

Cirurgia geral, hematologia e ortopedia seguem-se com aumentos de utentes na ordem dos 15%. A primeira especialidade é das que têm mais médicos, 15 no total. Apesar disso o número de utentes continua a subir, ano após ano. Para ter uma consulta de cirurgia geral, o paciente espera no máximo cerca de quatro semanas. Hematologia, de acordo com o Boletim Estatístico de 2010, é uma especialidade órfã. Não possui médicos especialistas e foi das que mais subiu no tempo de

(-0,99%), todas as outras especialidades tiveram um aumento de utentes na consulta externa de um ano para o outro. Ainda nos números de listas de espera, a especialidade de clínica geral é a que tem maior número de profissionais, o que não implica que não se espere quatro semanas por uma consulta até porque, só nos primeiros nove meses deste ano, acorreram ao médico geral 4145 pessoas.

MORRER DO CORAÇÃO

espera por uma consulta (60%), o que equivale a mais de um mês de espera. Em ortopedia, os SS disponibilizam nove profissionais, contudo a lista de espera por consulta atinge valores inaceitáveis – pouco mais de três meses. Com um aumento de 13% de utentes em consulta externa, em relação a 2010, estão as especialidades de cirurgia plástica (de 2037 casos para 2300) e ginecologia, excepto obstetrícia (2851 para 3208). Os SS disponibilizam à população cinco profissionais das artes de modificar ou reconstruir o seu corpo e oferecem até duas semanas de espera por consulta. Neste caso, a percentagem de espera foi a que mais diminuiu (-28%).

TER UM FILHO, OU NÃO, EIS A QUESTÃO

Na ginecologia, e ao adicionarmos a especialidade de obstetrícia (aumento de 12% em relação ao ano passado), o número de médicos disponibilizado é de 17. Pacientes destas especialidades podem esperar entre duas a sete semanas

Números da saúde pública de Macau (2010-2011) • Os utentes esperam, em média, meio ano para terem uma consulta externa na especialidade de cardiologia • A cirurgia plástica foi a especialidade que mais diminuiu o seu tempo de espera para consulta externa (-28%) • De 2010 para 2011 o número de pessoas para primeira consulta externa aumentou quase 10% • A média do tempo de espera para a primeira consulta externa de especialidade é quase oito semanas • Oftalmologia é a especialidade que teve maior aumento do número de utentes (36%) • Eram 268 e continuaram a ser os mesmos em 2011. Diabetes mellitus parece ser uma doença controlada no território • Em 2010 os hospitais públicos internaram 549 pessoas. A taxa de ocupação rondou, em média, os 90% •

É na unidade de cuidados intensivos que morre mais gente. Trinta por cento das mortes de 2010 ocorreram ali. Não se morreu no laboratório de sono, na cirurgia torácica, na cirurgia plástica, na cirurgia vascular, na oftalmologia, na estomatologia, na psiquiatria e na MFR

• Foram enviados, para terminarem os seus tratamentos, 1465 utentes para Hong Kong, 677 para outros locais de Macau, 14 para a China e 9 para Portugal

por uma consulta, apesar de no caso da ginecologia o tempo de espera ter diminuído (-14%) em relação a 2010, o mesmo não se pode

dizer com a obstetrícia que aumentou 50%. Com a excepção de medicina interna (-6%), neurologia (-3%) e pneumologia

Cardiologia é a especialidade pela qual o utente suspira por uma consulta. Vinte e quatro semanas, ou melhor, meio ano à espera de uma consulta para cuidar do seu coração e sistema circulatório. Lotação quase esgotada. Falando de movimento assistencial, os serviços de saúde públicos têm visto um aumento exponencial de lotação de internamentos – em 2006 foram 472 e em 2010 foram 549. A taxa de ocupação também tem aumentado, cifrando-se, no ano passado, em cerca de 89,35% da lotação total disponibilizada. Em média, o utente fica hospitalizado cerca de 10 dias. O hospital público também está a fazer mais partos, ano após ano. Em 2006 ocorreram 2008 e, durante o ano passado, foram 2670. Ao nível das urgências, a principal causa externas de admissão durante o ano de 2010 é por doença (15.725), seguindo-se os acidentes de viação (2577) e as agressões (1907). Ao nível das causas internas, ocorreram 158.418 casos de doença e 9091 de gravidez. Mas o melhor recorde de todos está relacionado com a incapacidade por parte dos SS de resolver alguns dos casos clínicos que têm tido em mãos. Cada vez mais são os utentes enviados para tratamento no exterior. No ano passado, cerca de 1500 pessoas acabaram por ver debelados os seus problemas em Hong Kong – em 2006 foram apenas 881 -, 677 noutros locais de tratamento em Macau, 14 pessoas deslocaram-se à China e nove foram até Portugal.


RESIDENTES ESTÃO A POUPAR MENOS DINHEIRO

QUINTA-FEIRA 10.11.2011

Segundo dados oficiais ontem revelados, os depósitos de residentes em Outubro diminuíram 0,2%, atingindo 272,4 mil milhões de patacas. Os depósitos em patacas e dólares de Hong Kong caíram 1,1% e 0,9%, respectivamente, e os depósitos em Outras Moedas (com a excepção do HKD) ascenderam 2,6%. Os depósitos de não residentes aumentaram 1,5% atingindo 94,7 mil milhões de patacas. Os depósitos do sector público da actividade bancária de Macau ascenderam 4,6%, equivale a 24,2 mil milhões de patacas. O total dos depósitos da actividade bancária registou crescimento de 0,5%, atingindo 391,3 mil milhões de patacas comparativamente a Setembro.

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Não há estatística da criminalidade violenta, diz académico da UMAC

Onde estão os números?

O académico da Universidade de Macau Zhidong Hao acredita na boa vontade e trabalho do Executivo, mas mostra-se pouco confortável com a falta de estatísticas concretas sobre a criminalidade violenta. Os pequenos crimes também preocupam o sociólogo, que pede “mais policiamento e maior monitorização” às autoridades do território glp@hojemacau.com.mo

O

sociólogo Zhidong Hao, da Universidade de Macau (UMAC), acredita que o Governo não tem feito tudo o que está ao seu alcance para prevenir e monitorizar a criminalidade violenta. Ouvido pelo Hoje Macau, o académico não vê trabalhos de investigação no sentido de acautelar esse tipo de criminalidade. “Não vejo números de homicídios, violações e outras agressões de carácter sexual, por exemplo”, referiu Zhidong. Dois dias depois de o Governo ter disponibilizado os seus números acerca da criminalidade no território, o sociólogo torce, desta forma, o nariz ao trabalho das autoridades neste tipo de criminalidade. “É uma incógnita. Eles apresentam números que constatam que a criminalidade violenta aumentou. Mas não apresentam os números caso a caso. O que é que aumentou? Os homicídios? As violações? As agressões a prostitutas? Sinceramente, não sei se estão a fazer um bom trabalho nesse particular”, referiu ao Hoje Macau. Não há nenhuma explicação especial para o facto do aumento no geral da criminalidade do território. Zhidong Hao defende que os números apresentados não são piores do que noutras cidades desenvolvidas por esse mundo fora e, não aceitando que a culpa morra solteira, também não deixa tudo nas mãos de quem vem de fora. “É natural em qualquer cidade ou país do mundo que algumas das pessoas que entrem como turistas o façam com outras

MUITA ATENÇÃO

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Gonçalo Lobo Pinheiro

intenções. Macau não fugirá à regra. Se uns vêm para jogar ou ver o património, outros virão para roubar ou para traficar. É normal”, constatou, acrescentando: “Quando há muitas pessoas há, com certeza, mais crimes”.

PACATEZ EM DESUSO

A pacatez de Macau parece que, ano após ano, é colocada em risco com os números que o Governo apresenta. Apesar de não se traduzirem em cenários de preocupação, tudo pode e deve ser melhorado. “Quando a cidade se abriu ao mundo foram muitas as pessoas que vieram para cá. Em especial, com a abertura do jogo, o aumento dos habitantes e dos turistas foi notório. Claro está que o crime tinha de acompanhar esse crescimento, pois

assume, naturalmente, que não se pode impedir as pessoas de entrarem em Macau, contudo o Executivo pode “monitorizar ou limitar as pessoas que entram, mas nunca proibi-las”. “É preciso que haja, igualmente, um intercâmbio de base de dados entre as polícias regionais a fim de que sejam acompanhados todos os indivíduos suspeitos de poderem cometer alguma ilegalidade.”

muitos viram em Macau uma possibilidade de enriquecerem por intermédio de actos ilícitos”, explicou o sociólogo. Contudo Zhidong Hao não afina pelo diapasão de colocar todos os problemas nos turistas chineses e não residentes que chegam ao território. “É injusto dizer que é este ou aquele. Será certamente este ou aquele, mas não podemos apontar o dedo dessa forma. Um ladrão que chega a um país entra como turista e depois faz o que tem a fazer, independentemente da sua nacionalidade”, defendeu.

PREVENIR EM VEZ DE REMEDIAR

Não sendo um “expert” na matéria, Zhidong aconselha o Governo a reforçar o policiamento, nomeadamente

no que a roubos e furtos na rua e em habitações diz respeito. “O maior problema é o crime de rua. As autoridades têm que se preocupar com os furtos na via pública, porque é isso que mais apoquenta a população. Claro que não pode haver o desleixo dos

outros delitos mas o furto e roubo de dinheiro, carteiras ou telemóveis tem de ser disseminado ou, se não for possível, controlado”, afirmou. Outra solução pode também passar pela monitorização de quem entra no território. O académico

O secretário para a Segurança, Cheong Kuoc Vá, revelou esta segunda-feira os números da criminalidade para os primeiros noves meses deste ano, e comparou-os com os do ano passado. Resultado: a criminalidade subiu 5,9% em relação ao mesmo período do ano passado. “O número de crimes às vezes aumenta outras diminui. É preciso verificar os dados por mais tempo”, referiu. Os dados foram lançados e não enganam. Macau está a passar por uma fase em que o crime pode compensar. A criminalidade violenta e os crimes contra o património, aquilo que mais preocupa o Executivo, subiram nos primeiros nove meses deste ano. “Verificamos que houve um aumento dos furtos de carteiras, telemóveis, ciclomotores e até de recheio de residências. A taxa de criminalidade violenta, apesar de ter subido, continua a ser baixa”, explicou Cheong Kuoc Vá. O secretário garante que o trabalho de casa tem sido feito e continuará a sê-lo. “As autoridades policiais estão muito atentas. Têm desmantelado diversas redes de furto.”

HOMEM MORRE NA PONTE DA AMIZADE Um homem morreu na Ponte de Amizade depois de um acidente de viação que envolveu um motociclo e um autocarro de turismo na via em direcção a Macau. O acidente, que terá tido como causa o mau tempo, fez com que o autocarro embatesse na mota, fazendo saltar o pendura para o meio da faixa de rodagem. A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) já veio pedir cautelas aos condutores quando atravessarem as pontes do território. A vítima estava já sem reacção quando a ambulância chegou ao local. O condutor do

motociclo está bem. O motorista do autocarro de turismo afirmou que não tem ideia de como tudo terá acontecido. “Parecia que o autocarro estava descontrolado”, disse. Ontem, multiplicaram-se os acidentes de trânsito por todo o território. À tarde, houve outro registo a envolver um choque em cadeia de quatro veículos no centro da cidade. O mau tempo é para continuar. A Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (DSMG) prevê uma queda significativa da temperatura para os próximos dias, possivelmente acompanhado com chuva.


vida

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Cidades congestionadas estão a tornar-se tubos de ensaio para cientistas estudarem o impacto da poluição do trânsito sobre o cérebro humano

Q

UANDO as ruas estrangulam-se com o trânsito, pesquisadores suspeitam que o escape dos carros e camiões — especialmente as pequenas partículas de carbono já relacionadas com doenças cardíacas e respiratórias, e ao cancro — podem também danificar as células cerebrais e as sinapses que são elementos-chave para o conhecimento e a memória. Novos estudos e experiências de laboratório sugerem que, em cada estágio da vida, a fumaça do trânsito tem um efeito mensurável na capacidade mental, inteligência e estabilidade emocional. “Mais e mais cientistas estão a tentar descobrir se e por que a exposição à poluição do gases do carro pode danificar o cérebro humano”, disse ao “The Wall Street Journal” o médico epidemiologista Jiu-Chiuan Chen, da Universidade do

DESCOBERTO ORG

Pesquisadores que voltaram de uma exp comprimento. Cientistas do Instituto de O feitas de vidro grosso para suportar a pre xenofióforos, são as maiores células indi

Ciência explica como congestionamentos afectam a saúde mental

Filas de trânsito também matam Sul da Califórnia, que está a analisar os efeitos da poluição do trânsito sobre a saúde cerebral de 7500 mulheres em 22 Estados norte-americanos. “As informações sobre efeitos nos humanos são muito recentes.” Até aqui, a evidência é basicamente circunstancial mas preocupante, dizem os pesquisadores. E ninguém tem certeza ainda das consequências para a biologia do cérebro ou do comportamento. “Existe um motivo real para preocupação”, diz a neuroquímica Annette Kirshner, do Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental da RTP, uma organização de pesquisa científica na Carolina do Norte. “Mas devemos proceder com cautela”. Carros e camiões produzem hoje um décimo da poluição de um veículo de 1970. Ainda assim, mais pessoas estão nas ruas e estão frequentemente paradas no trânsito. Nos dez piores corredores de trânsito dos Estados Unidos, motoristas passam, em média, 140 horas por ano a conduzir, quase o mesmo que passam no trabalho num mês, segundo uma nova pesquisa.

Ninguém sabe se as pessoas que fazem a viagem diária do trabalho para casa respirando a fumaça pesada do trânsito sofrem algum efeito permanente sobre o funcionamento cerebral. Pesquisadores têm estudado apenas o potencial impacto com base no local onde a pessoa mora e onde os níveis de poluição do ar são mais altos. Mesmo se existisse algum efeito cognitivo crónico nos motoristas, esse poderia ser muito pequeno para uma medida fiável ou poderia ser subestimado por outros factores de saúde como stresse, dieta ou prática de exercício físico que afectam o cérebro, dizem especialistas.

PEQUENA EXPOSIÇÃO

Estudos recentes mostram que respirar o nível de fumaça de uma rua por apenas 30 minutos pode intensificar a actividade eléctrica em regiões do cérebro responsáveis pelo comportamento, personalidade e tomada de decisão, mudanças que são sugestivas de stresse. Respirar o ar normal da cidade com alto nível de poluição de trânsito por 90 dias pode

mudar a maneira como os genes se activam e desactivam entre os mais velhos; também pode deixar uma marca molecular no genoma de um recém-nascido para o resto da vida, reportaram pesquisas feitas por pesquisadores das universidades Columbia e Harvard.

INTELIGÊNCIA REDUZIDA

Crianças em áreas afectadas por altos níveis de emissões de poluentes tiveram, em média, desempenhos muito baixos em testes de inteligência e eram mais predispostas a depressão, ansiedade e problemas de atenção que crianças que cresceram em áreas de ar mais limpo, atestaram pesquisadores de diferentes grupos em Nova Iorque, Boston, Pequim e Cracóvia, na Polónia. E homens e mulheres mais velhos com longa exposição a níveis mais elevados de partículas relacionadas ao trânsito e ozónio tiveram problemas de memória e raciocínio que efectivamente acrescentaram mais cinco anos à sua idade mental, constaram este ano outros pesquisadores universitários em Boston. As emissões de poluen-

tes podem elevar o risco de mal de Alzheimer e acelerar os efeitos da doença de Parkinson. “As evidências de que a poluição do ar pode afectar o cérebro estão a aumentar”, diz a médica epidemiologista Heather Volk, da Faculdade de Medicina Keck, da Universidade do Sul da Califórnia. “Estamos a começar a perceber que os efeitos podem ser mais extensos do que achávamos.” Revisando registos de nascimento, Volk e os seus colegas calcularam que crianças nascidas de mães que moram num raio de 300 metros de uma grande rodovia em Los Angeles, São Francisco ou Sacramento — grandes cidades da Califórnia — eram duas vezes mais propensas a ter autismo, independentemente de género, etnia, nível educacional, idade da mãe, exposição a cigarro e outros factores. As descobertas foram publicadas neste ano na publicação científica “Environmental Health Perspectives”. “O ar poluído pode ser um factor de risco para o autismo”, diz Volk. Mas, existem tantas possibilidades


GANISMO UNICELULAR DE 10 CENTÍMETROS

pedição a Fossas das Marianas, no oeste do Pacífico, afirmam que o local abriga organismos unicelulares de mais de 10 centímetros de Oceanografia Scripps, da Universidade da Califórnia, em São Diego, mergulharam câmaras subaquáticas de alta definição, colocadas em bolhas essão extrema, a fim de captar vídeos dessas criaturas a uma profundidade de 10 mil metros. Os organismos unicelulares, conhecidos como ividuais que conhecemos no mar profundo, segundo a oceanógrafa do Scripps, Lisa Levin, que apanhou as criaturas no vídeo.

Planeta em números

30%

de espécies animais devem desaparecer até 2100 devido aos efeitos do aquecimento global, segundo previsões do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas

genéticas e influências ambientais que “é muito cedo para alarme”, diz ela.

RAIO ABRANGENTE

A fumaça dos carros pode ir muito mais longe do que se pensava. A poluição de uma grande rodovia de Los Angeles alcançou quase 2,5 quilómetros a favor do vento — 10 vezes mais do que se imaginava antes. Cientistas acreditam que medidas simples para acelerar o trânsito são um factor para redução de problemas de saúde pública. Em Nova Jérsia, partos prematuros, um factor de risco para problemas cognitivos, em áreas em torno de rodovias caíram 10,8% depois da introdução de um sistema tipo expresso, que facilitou o tráfego e reduziu a poluição de automóveis, de acordo com estudos publicados em revistas científicas este ano e em 2009. Depois que as autoridades de tráfego de Nova Iorque redireccionaram o fluxo no Times Square, centro da cidade, para reduzir o congestionamento, os níveis de poluição do ar nas áreas próximas caíram 63%. Cientistas estão apenas a começar a entender a biologia básica do efeito neurológico das toxinas dos escapes dos carros, especialmente da exposição no período pré-natal e ao longo da vida. “É difícil desembaraçar todas as coisas do escape do automóvel e separar os efeitos do trânsito de todas as outras possibilidades”, diz Currie, que estuda a relação entre o trânsito e a saúde infantil. Pesquisadores em Los Angeles, a cidade mais congestionada dos EUA, estão a estudar ratos que cresceram em laboratório a respirar o ar de uma rua próxima. As partículas inaladas pelos ratos — partículas essas menores que um milésimo da largura de um cabelo humano — de alguma forma afectam o cérebro, causando inflamação e alterando a química entre os neurónios envolvidos na capacidade de aprendizado e na memória.

“H

OJE fizemos história”, disse a primeira-ministra australiana depois de o Parlamento ter aprovado, na terça-feira, a taxa de carbono, medida que dividia o país há anos. A partir de 1 de Julho de 2012, cerca de 500 indústrias terão de pagar 170 patacas por cada tonelada de CO2 que emitirem. O plano, apresentado em Julho pela primeira-ministra Julia Gillard, foi aprovado no Parlamento por 36 votos a favor e 32 contra. Os deputados aprovaram a fixação de uma taxa equivalente a 170 patacas por tonelada de dióxido de carbono (CO2) emitida pelos maiores poluidores, a partir de 1 de Julho de 2012. Cerca de 500 empresas - nos sectores da indústria, aviação, transporte marítimo e ferroviário - estarão abrangidas. A taxa será aumentada em 2,5% ao ano até 2015. Nessa altura, será substituída por um sistema de comércio de licenças de emissões na Ásia-Pacífico, com preços variáveis fixados pelo mercado, tal como o que existe na União Europeia desde 2005, na qual as empresas transaccionam entre si o direito de poluir. O sistema australiano deverá ficar ligado a sistemas semelhantes na Nova Zelândia e Europa, avança o “The Wall Street Journal”. “A nossa nação deu o passo mais eficaz possível para reduzir a poluição por carbono”, disse Julia Gillard, em conferência de imprensa após a votação. “Hoje fizemos história. Depois de todos estes anos de debate e divergências, o nosso país fez o seu trabalho e a partir de 1 de Julho haverá um preço para a poluição por carbono”, acrescentou.

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AUSTRÁLIA APROVA TAXA DE CARBONO E PENALIZA MAIS DE 500 INDÚSTRIAS

Poluiu, pagou por cada tonelada

“ as pessoas que viverem daqui a 50 ou 500 anos vão-nos agradecer por termos feito isto”, citou a estação de televisão australiana ABC. A taxa vai ajudar no combate às alterações climáticas na Austrália, país afectado durante dez anos

por uma grave seca e este ano por inundações.

TAXA COM IMPACTO

A aprovação levanta agora dúvidas quanto ao impacto na economia, nomeadamente no aumento dos

preços. Para compensar, Gillard disse que o Governo vai usar parte da receita da taxa em várias medidas. Nas palavras da primeira-ministra, “os trabalhadores vão ter uma redução de impostos, as famílias um aumento dos subsídios e os pensionistas um aumento das reformas”. À saída do Parlamento, nem todas as vozes eram de satisfação. “Na verdade isto não passa de um imposto sobre o consumo, um ataque a todos os lares”, disse Barnaby Joyce, líder dos nacionalistas no Parlamento. “O dinheiro da taxa será gasto por eles [Governo], será queimado e não vai alterar em nada as temperaturas do planeta.” Há anos que o sector mineiro se levanta contra esta taxa.AAustrália é um grande exportador de carvão. “Aaprovação desta legislação, com um preço inicial elevado e sem flexibilidade para ajustar preços nos primeiros anos é profundamente decepcionante”, considerou a directora-executiva do Australian Industry Group, Heather Ridout, ao “The Wall Street Journal”.

Click ecológico

MENOS 45 MILHÕES DE CARROS

A taxa de carbono traduz-se numa “redução de 160 milhões de toneladas de CO2 em 2020, o equivalente a retirar das ruas 45 milhões de carros”, referiu. O objectivo é reduzir as emissões de CO2 em 80% até 2050. Actualmente, a Austrália é responsável por 1,5% das emissões mundiais mas é o país desenvolvido que mais emite per capita, por causa da elevada dependência do carvão, fonte de 75% da electricidade. O líder do partido dos Verdes, Bob Brown, comentou que “esta foi uma votação em nome dos cidadãos australianos, dos gestores, mas também da Grande Barreira de Coral, do Parque Marinho Ningaloo e dos 700 mil proprietários de terrenos nas nossas zonas costeiras”. O político acredita que

DE BICICLETA E TRACTOR ATÉ PARIS • Dezenas de pessoas protestaram este domingo contra a construção de um aeroporto em Notre-Dame-des-Landes, a 30 quilómetros de Nantes, França. Montados nas suas bicicletas e em cima de tractores, os manifestantes alegam a destruição de campos agrícolas. Agora farão uma viagem de 500 quilómetros até Paris, onde deverão chegar a 12 de Novembro.


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CULTURA

Director do Departamento de Português da UMAC já está escolhido

À espera da assinatura do reitor Lia Coelho

lia.coelho@hojemacau.com.mo

O

novo director do Departamento de Português da Universidade de Macau (UMAC) está finalmente escolhido, mas ainda não foi informado. A bola está agora do lado da reitoria da instituição de ensino, que tem de assinar o formulário de recrutamento para fechar o buraco deixado por Alan Baxter, que saiu do cargo no início deste ano. As primeiras entrevistas aos

O

português está a despertar cada vez mais interesse por parte dos estudantes universitários de Macau. A mostrar está o aumento de quem quer participar no Concurso de Eloquência da Língua Portuguesa. Nesta 9.ª edição, Maria Antónia Espadinha, professora catedrática na Universidade de Macau (UMAC), faz um balanço positivo, mas o caminho segue no

candidatos foram feitas em Setembro e dois foram seleccionados – o principal e o suplente, no caso da recusa do primeiro. O mistério, segundo Maria João Espadinha, ex-directora interina, só deverá ser desfeito no início do próximo ano. A professora catedrática adiantou ao Hoje Macau que o processo de recrutamento já foi concluído. Contudo não quis revelar para já o nome do escolhido. Maria Antónia Espadinha afirmou que foram dois os candidatos a preencherem os requisitos. “A selecção para o novo

sentido de atrair a participação de mais instituições de ensino superior. A docente fala ainda de um uma evolução no nível dos participantes. Como já vem sendo habitual, marcaram presença a UMAC, o Instituto Politécnico de Macau (IPM) e a Universidade de São José. Cada um dos estabelecimentos de ensino seleccionou quatro alunos, que ontem PUB

director está concluída, mas ainda faltam uns carimbos e o sim das pessoas”, declarou. Até que o escolhido seja informado, ainda há que esperar. “Há ainda um caminho burocrático a percorrer e a assinatura do reitor. Só depois os recursos humanos enviam a carta convite”, afirmou. O lugar foi deixado vago em Março deste ano por Alan Baxter, especialista em crioulos, que assumia o cargo desde o ano lectivo de 2007/2008. O académico optou por ir leccionar para a Universi-

dade Federal da Bahia, no Brasil. Na altura, o professor australiano defendeu que o director que lhe sucedesse devia ser alguém natural de Portugal, que saiba como projectar o português como língua internacional. A data prevista para dar a conhecer o sucessor de Alan Baxter era Outubro. Depois de Espadinha ter exercido interinamente o cargo, as funções administrativas estão agora a cargo de Yao Jing Ming. Ainda agendado para Janeiro está a chegada de mais seis novos professores de Portugal e do Brasil

que vão compor o cenário da docência de Língua Portuguesa. Eles vêm para ensinar diversas áreas - língua, literatura e tradução – e vão ocupar as posições de professores associados, auxiliares e catedráticos. É deste rol de catedráticos que sairá a figura que vai encabeçar o Departamento. A lacuna está na “galinha dos ovos de ouro, um português para tradução de chinês”, como disse a catedrática. O segundo semestre na UMAC começa este ano mais cedo, mais precisamente a 4 de Janeiro, em vez de a seguir aos feriados do Ano Novo Chinês. Maria Antónia Espadinha explicou que a UMAC já está em fase de preparação de mudanças para a Ilha da Montanha. “Este ano e para o ano ainda vamos estar nestas instalações, mas ainda em 2012 começamos a mudar para que em Setembro de 2013 já esteja tudo em Hengqin.”

CONCURSO DE ELOQUÊNCIA DE PORTUGUÊS SOMA MAIS PARTICIPANTES ESTE ANO

O valor de uma língua apresentaram os seus textos. O tema deste ano foi “Os jovens do século XXI” e a professora conta que pelo menos os que viu – dos alunos da UMAC – “havia textos muito interessantes”. A selecção dos concorrentes é feita pelo interesse do texto, qualidade da ortografia e da dicção. Os participantes das edições anteriores têm tirado bons resultados com o saber português, que tem aberto portas no mercado de trabalho no mundo lusófono. “Alíngua portuguesa abre portas a nível de trabalho em Macau e fora

daqui. Agora está a acontecer uma coisa que tardava: os alunos irem trabalhar para fora”, explicou Maria Antónia Espadinha. Ainda nas palavras desta catedrática, os jovens da região começam a ver que sair pode não ser definitivo, mas pode acima de tudo ser encarado como uma experiência de vida. A professora mostrou-se satisfeita com o caminho profissional seguido pelos estudantes e deu alguns exemplos, que caracterizam o balanço positivo que faz: “A vencedora do ano passado foi para o Brasil estudar um

ano, outra aluna está como intérprete na China e uma outra numa firma de advogados cá. Uns seguem mestrado e dois estão em Angola. Quase todos têm emprego, só os menos confiantes não seguem o português para trabalhar”, exemplificou.

E QUEM SÃO ESTES JOVENS DO SÉCULO XXI?

São locais, mas sabem português, falam de ambições e das dificuldades que têm de enfrentar a nível pessoal e profissional. Emília Fong perguntou-se “Depois de amanhã” e foi sobre o presente PUB

AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1. 2. 3.

Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, encontra-se terminado, e, que de acordo com o artigo 3.º da Lei nº. 8/91/M de 29 de Julho, conjugado com o artigo 2.º e o artigo 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que, deverão os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Calçada do Januário, n.os 4 a 10, Rua de João Lecaros, n.os 2 a 18 e Rua dos Armazéns, n.os 16 a 32 (Edifício Kwan On); - Rua de Madre Terezinha, n.os 2F a 2H e Beco dos Pássaros, n.os 5 e 5A (Edifício Fok Veng Lau). Agradecemos aos contribuintes que, no prazo de 30 dias após a recepção da notificação do pagamento, ou, até 28/11/2011, se dirijam ao Núcleo da Contribuição Predial e Renda, situado no rés-do-chão do Edifício Finanças, ao Centro de Ser viços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para levantamento da guia de pagamento M/B, destinada ao re spectivo pagamento nas Recebedorias dos referidos locais. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, proceder-se-á à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 24 de Outubro de 2011. A Directora dos Serviços de Finanças, Vitória da Conceição

e o futuro que se apresentou a concurso. Falou de uma Macau condicionada aos casinos e de caminhos indefinidos. Esta aluna reclama que quer ser professora e não a deixam. “A sociedade não nos dá oportunidades. Chegados a um ponto do curso, não temos acesso ao certificado em pedagogia que nos permite leccionar”, explicou. Uma jovem que diz querer a continuar a lutar pelo seu sonho, mas sair do território não faz parte dos planos. “Quero ser professora em Macau. Já fui aos Serviços de Educação questionar e não tive resposta. Mas não vou desistir”, contou. Para Emília Fong os jovens de hoje são preguiçosos e aponta isto como um problema social e educacional. A participante deixou ainda, em tom de conselho, “que este assunto merece atenção e tem que ser pensado”. Fong falou do que há-de vir e teceu algumas críticas. Fion Pun, uma aluna com necessidades especiais, dissertou sobre os “Jovens diferentes do século XXI”. O seu texto contava a história de uma sociedade competitiva e de inclusão social para quem é diferente. Fion considera que a sociedade está mais consciente da diferença, quanto à geração de hoje acha-a meio perdida “e que não lhe apetece estudar”. Da universidade leva amigos para toda a vida, a língua portuguesa e o desejo de trabalhar como tradutora. - L.C.


BRASILEIRO VENCE PRÉMIO PORTUGAL TELECOM DE LITERATURA 2011

“Passageiro do fim do dia”, do brasileiro Rubens Figueiredo, que já tinha sido considerado o melhor livro do ano pelo Prémio São Paulo de Literatura, é o Prémio Portugal Telecom de Literatura 2011. O português Gonçalo M. Tavares também subiu ao pódio, é o segundo classificado da edição deste ano com “Uma viagem à Índia”. A história do livro de Figueiredo passa-se dentro de um “ônibus” urbano. No final de um dia de semana, Pedro apanha o autocarro do centro para a periferia, na hora de ponta. Vai visitar a namorada e deixa o pensamento fluir durante a viagem misturando recordações com o que vai vendo à sua volta.

Melanie Ma/ Hoje Macau info@hojemacau.com.mo

J

Lei nasceu nos anos 70 e foi em França e Pequim que fez os seus estudos em dança, regressando depois à sua terra natal. Por cá arranjou um emprego a criar e planear eventos culturais, mas não era bem isso que Lei tinha em mente fazer para a sua vida. Um interesse e um sonho em comum com um grupo de amigos deu origem à criação de uma livraria em pleno coração da cidade. Em Outubro de 2003, o sonho virou realidade e abriu ao público a Pinto Livros. Três anos mais tarde, juntou-se ao andar de cima mais um ramo do negócio, a Pinto Música. Por lá se vende boa música e algumas obras de arte. Um famoso autor de Taiwan disse que “para se entender uma cidade, deve-se observar as suas livrarias”. Para se desfrutar do espaço criado por Lei é preciso ser apaixonado por livros, música e gatos. E aqui reside o segredo deste espaço. Pinto é aquele sobrenome bem típico português e livros são livros. Em cantonês, este “senhor livro” faz parte da entoação de “onde estão os livros” ou “como sucumbir”. Se esta coincidência casual faz sorrir à pessoa que fizer, fá-la ser como muitas outras pessoas que não resistem em fazer uma paragem na Pinto Livros e a passar um momento onde a literatura se apresenta em tons de sossego e paz. É no Leal Senado, mesmo

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Pinto Livros | A história da livraria alternativa que sobrevive desde 2003

Era uma vez um pequeno espaço

ao lado do movimentado café Starbucks, que nos deparamos com um portão branco que não chama a atenção, mas tem o seu quê de especial. Então se transpusermos esse mesmo portão, encontramos paredes forradas com posters que trazem à vista a diversidade da indústria criativa de Macau. Subindo ao primeiro andar, lá está a pequena livraria

e aí basta abrir a porta de vidro transparente. Há um espanta-espíritos que deixa uma melodia no ar, que se mistura com uma música que simplesmente soa bem aos ouvidos. Nas estantes estão livros dispostos de forma disciplinada em diferentes mesas. O espaço cheio de janelas recebe facilmente a luz do sol e ilumina as plantas, que complementam a cor da

sala. A presentear com vida estão duas gatas que recebem quem por lá passa –Rafa e Rado. Passeiam-se pela loja e dão as boas-vindas aos clientes. É assim que a ideia de uma livraria se apresenta – um convite a sentar no sofá ensolarado, de livro na mão e a deixar passar um tempo lento, onde apenas existem palavras escritas. O espaço de música no segundo andar surgiu mais tarde, da vontade de um dos fundadores da Pinto, Anson Ng, produtor de música que reside agora em Taiwan. A seu cargo está a selecção musical e dos livros que vêm daquela ilha. Foi também da Formosa, mais precisamente de algumas livrarias populares e independentes, que veio a inspiração do design. A intenção não era ter uma coisa que todos têm, era criar uma atmosfera de cultura e de paz, onde as pessoas apressadas param, descan-

sam e lêem. Nas palavras de Lei, tudo aquilo se define como um “salão de cultura”. A Pinto Livros é para a dona como um bebé que lhe ocupa a maioria do tempo. Cada livro que ali se revela é escolhido por ela e pelo sócio e são na sua maioria oriundo da China, Taiwan e Hong Kong. Não há livros em português devido à dificuldade em arranjá-los, mas há uma pequena selecção de obras em inglês. “A escolha baseia-se no sabor humano, na mesma cultura que a nossa ou que iluminem de alguma forma a cabeça das pessoas”, comenta. Os principais fãs são professores e gente jovem, mas por lá se cruzam diferentes idades e profissões, o que deixa a proprietária muito satisfeita. “Isto significa que a juventude começa a despertar para a cultura”, afirma. Trabalhando no meio cultural, a sua preocupação

concentra-se no desenvolvimento da educação e das indústrias culturais de Macau. À porta, esse sentimento não passa despercebido, porque está escrito “Ser lermos, Macau não sucumbe”. As gatas são também um dos atractivos da loja: muitos clientes lá passam só para as ver. Lei encontrou-as na rua e criou-as. Agora as irmãs gémeas têm seis anos de idade. “Elas aqui sentem-se em casa”, diz. Para criar ainda mais um ambiente de aconchego, desde Julho de 2009 há um pequeno café disponível e acesso gratuito à Internet. Para saber o que pensam os clientes, na mesa de café está um cesto de bambo com blocos de notas, para quem quiser deixar “um recado” e ler os pensamentos dos outros. O negócio pode alargar e recentemente Lei começou a manter contactos com livrarias em Hong Kong e do Continente para partilharem informação e trocar ideias. As livrarias pequenas estão a ganhar espaço na China, contudo Lei conta que não sabe como tem conseguido sobreviver. A dona da Pintos Livro tem uma teoria – “é o ambiente cultural de Macau, ou a falta dele, mas nós vamos fazer o nosso melhor”.


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14 Aviso

Prémio Nacional das Ciências e da Tecnologia para 2012 – Selecção na RAEM

Por Despacho do Chefe Executivo de 12 de Março de 2008, foi autorizado ao FDCT para promover na RAEM da recomendação dos Prémios Nacionais na áreas de Ciências e Tecnologia, ficando assim, notificados os interessados de que poderão candidatar-se através da seguinte forma:

(1.) Objectivo O Conselho de Estado da República Popular da China institui o Prémio Nacional das Ciências e da Tecnologia, tendo como objectivo: (i) Incentivar cidadãos, organizações que dão contribuições notáveis às actividades do progresso das ciências e da tecnologia; (ii) Mobilizar a iniciativa e criatividade dos trabalhadores nas áreas das ciências e da tecnologia; (iii) Acelerar o desenvolvimento das ciências e da tecnologia; Aumentar a capacidade integrada do Estado. (2.) Categoria O Prémio Nacional das Ciências e da Tecnologia consta de cinco prémios: (i) Prémio Supremo Nacional das Ciências e da Tecnologia; (ii) Prémio Nacional das Ciências Naturais; (iii) Prémio Nacional da Invenção da Tecnologia; (iv) Prémio Nacional do Progresso das Ciências e da Tecnologia; (v) Prémio Internacional da Cooperação das Ciências e da Tecnologia. Compete ao Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia a coordenação dos trabalhos de recomendação dos cincos prémios acima referidos. As recomendações serão entregues ao Gabinete para os Trabalhos de Incentivo às Cièncias e Tecnologia do Departamento das Ciências e da Tecnologia para efectuar a avaliação. Qualificação da candidatura (i) De forma relevante, contribuir para a descoberta científica, invenção tecnológica ou promoção do progresso das ciências e da tecnologia; (ii) Os cidadãos chineses que sejam residentes da RAEM e correspondam às condições estabelecidas no «Regulamento da Premiação Nacional das Ciências e da Tecnologia» (incluíndo os residentes permanentes e indivíduos que tinham adquiridos o direito de residência na RAEM, mas não têm o direito de residência permanente), ou outros indivíduos de nacinalidade chinesa que estejam em

exercício da investigação científica e do desenvolvimento tecnológico na RAEM. (iii) Os candidatos para o Prémio Internacional da Cooperação das Ciências e da Tecnologia, devem ser estrangeiros ou organizações estrangeiras que prestam serviço na RAEM ou terem feito contribuição para as actividades do progresso das ciências e da tecnologia. As condições específicas de cada prémio podem ser consultadas na página do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia. (www.fdct.gov.mo/tc/national_ award.asp) (4.) Forma da candidatura (i) As pessoas interessadas em candidatar-se ao Prémio Nacional das Ciências e da Tecnologia, podem descarregar a apresentação de recomendação e os detalhes dos prémios respectivos na página do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia, e preencher devidamente o requerimento de candidatura e anexos ; (ii) Após a avaliação feita pela Unidade, compete à Unidade a seleccinar a qual se destaca, para recomendar ao Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia, não se aceita o requeimento individual; (iii) O número de cada categoria de premiação recomendado por cada Unidade não pode ser superior a dois. (5.) Data do requerimento A partir de 10 de Outubro de 2011 até 30 de Novembro de 2011. (6)

Consulta

Endereço:Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 411-417, edifício Dynasty Plaza, 9.º andar. Telefone:28788777; Fax:28722681 Correio electrónico:sedc@fdct.gov.mo

O Presidente do Conselho de Administração do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia Tong Chi Kin 10 de Outubro de 2011


DESPORTO

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15

Grande Prémio | António Félix da Costa radiante com o regresso a Macau

Português diz presente Sérgio Fonseca info@hojemacau.com.mo

A

NTÓNIO Félix da Costa culminou na pretérita semana, em Inglaterra, a sua preparação para a Taça Intercontinental FIA de Fórmula 3 do 58.º Grande Prémio de Macau. O único piloto português a tomar parte da prova este ano está confiante num bom resultado, mesmo tendo em conta que esta temporada não esteve a tempo inteiro na Fórmula 3. “Tive a oportunidade de fazer dois dias de testes com a Hitech antes de partir e preparar tudo da melhor forma. Estou com grandes prospectivas e espero ter um bom fim de semana”, disse ao Hoje Macau o jovem que este ano competiu na GP3 pela equipa de um sobrinho do empresário de Macau Stanley Ho. “Para mim Macau foi a melhor corrida que já fiz na minha carreira. A pista, a cidade, a competitividade

e a história que esta corrida tem”, explica antes de fazer a mala para Abu Dhabi, onde este fim-de-semana disputa a corrida extra-campeonato da GP2, a antecâmara da Fórmula 1. No ano passado, Félix da Costa estreou-se com um surpreendente sexto lugar aos comandos de um Dallara-VW, o mesmo conjunto que conduzirá este ano, mas o ano passado o seu bólide era preparado pela equipa Carlin Motorsport. O piloto de Cascais recorda que esta não foi participação perfeita, pois “não tive a oportunidade de preparar a corrida como todos os outros”. “Tive o teste na Fórmula 1 com a Force India e cheguei a Macau apenas algumas horas antes do primeiro treino livre. Este ano vou para Macau logo na segunda-feira.” Félix da Costa tem o sonho de se tornar no quinto português a participar num Campeonato Mundial de F1, seguindo as pisadas de Nicha Cabral, Pedro Matos Chaves, Pedro

Lamy e Tiago Monteiro, este último que agora o ajuda, em conjunto com o irmão Duarte, a gerir a sua carreira. Apesar da Fórmula 3 estar a perder peso na cena automobilística internacional, um bom resultado no Circuito da Guia é sempre um marco para o futuro para quem ambiciona chegar à categoria máxima do desporto automóvel. “Muitos dos pilotos que correm ou já correram na Fórmula 1 passaram por Macau, e até venceram, podemos portanto dizer que Macau é um dos “passos” para se chegar a F1.” Mas não foi só o evento em si que surpreendeu o jovem piloto luso. O apoio da comunidade portuguesa e da imprensa local não passou despercebido a Félix da Costa, algo que este admite que não esperava. “Por vezes até tinha mais entrevistas e pessoas ao pé de mim do que o piloto que ficava no primeiro lugar, espero voltar a contar com este apoio este ano também e lutar pela vitória seria uma boa recompensa.”

Com cinco actuais ou ex-campeões de F3 à partida na edição deste ano o Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 – SJM será certamente um evento a seguir de perto dada

a incerteza do resultado final e os valores que estarão em jogo. Talvez por isso que Félix da Costa não tenha receio em afirmar que “se pudesse faria esta corrida todos os anos”.

MADAÍL CRITICA PALAVRAS DE BOSINGWA “ANTES DE UM JOGO TÃO IMPORTANTE”

MUNDIAL 2014 | FIFA DIZ QUE BRASIL NÃO PODE PERDER MAIS TEMPO

Má hora para abrir a boca

O que já se sabia...

O

presidente da Federação Portuguesa de Futebol lamentou que Bosingwa tenha decidido criticar publicamente o seleccionador Paulo Bento a poucos dias do “play-off” contra a Bósnia. “São opções técnicas, nunca interferimos nas escolhas do seleccionador. O Bosingwa tem sido um grande jogador, mas quem tem a opção de o convocar ou não é o seleccionador nacional”, afirmou Gilberto Madaíl em declarações à Antena 1. Bosingwa garantiu, em declarações ao diário desportivo “A Bola”, que “nunca mais” vai representar Portugal enquanto Paulo Bento for seleccionador nacional por se sentir “ofendido e desrespeitado” pelo técnico. “É um trei-

nador conflituoso com os seus jogadores. Por muito que me custe, enquanto o seleccionador de Portugal

for este não voltarei a vestir a camisola da selecção”, afirmou Bosingwa, acusando Paulo Bento de não ter “capacidade emocional e mental para liderar um grupo de homens”. “É a opinião do Bosingwa e há que aceitar, embora não seja muito agradável haver uma entrevista destas na véspera de um jogo tão importante. Mas certamente que isso não vai afectar o desempenho da selecção”, acrescentou Madaíl, sublinhando que existe “um excelente ambiente” no grupo. A selecção nacional joga amanhã em Zenica e recebe a Bósnia-Herzegovina a 15 de Novembro, no Estádio da Luz, em Lisboa, num “play-off” que apura o vencedor para a fase final do Euro 2012, a disputar na Polónia e na Ucrânia.

O

secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, lançou um sério aviso ao Brasil afirmando que há atrasos na organização do Mundial de futebol de 2014 e que “não se pode perder um só dia”. “As deslocações no Brasil não são fáceis. Conduzir em São Paulo, ir de um sítio para outro é um verdadeiro pesadelo. Sair do aeroporto demora meio dia, isso não pode acontecer” durante o Mundial, disse Valcke na Câmara dos Deputados do Brasil, durante uma audiência na Comissão Especial que discute a “Lei Geral da Copa [Mundial]”. Valcke exortou as autoridades brasileiras a acelerar os trabalhos destinados a melhorar os transportes e a circulação nas 12 cidades que vão acolher a competição,

onde são esperadas centenas de milhares de turistas. “A Taça das Confederações [de 2013] será sem qualquer dúvida uma grande teste para nós, mas será demasiado tarde para fazer qualquer mudança fundamental, é por isso que é importante trabalhar desde já e acelerar os trabalhos. Devemos trabalhar em conjunto”, afirmou Por outro lado, Valcke sugeriu a criação de um bilhete mais barato para os jogos da primeira fase do Mundial, como solução para o impasse gerado entre o governo brasileiro e a FIFA, que é contrária à venda de meia entrada aos estudantes, o que no Brasil é um direito garantido por lei. “Não queremos mudar as leis brasileiras. Queremos, a partir dessas leis,

ver os artigos que podem ser aplicados ao Campeonato do Mundo e os que não podem”, afirmou o dirigente, segundo o qual a FIFA aceita a redução de 50% para os brasileiros com mais de 60 anos e propõe um preço mínimo de 25 dólares para os estudantes. Durante a audiência, Valcke foi confrontado pelo facto de várias das suas declarações serem interpretadas como ameaças por alguns deputados, nomeadamente Romário. Entre outras coisas, o antigo avançado internacional brasileiro questionou se era justa a confiança depositada no presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, sob o qual recaem acusações de corrupção, mas o secretário-geral da FIFA não se manifestou.


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16 EDITAL

Edital n.º :177/E/2011 Processo n.º :1211/OI/2009/F Assunto :Início do procedimento de audiência pela ocupação ilegal do terreno Local :Terreno situado no Caminho de Tan Fong na ilha de Coloane (demarcado a tracejado na planta em anexo) Jaime Roberto Carion, director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber por este meio ao interessado - Sr. Chio Ian Son e demais ocupantes ilegais desconhecidos do terreno indicado em epígrafe, o seguinte: 1. A DSSOPT, no exercício dos poderes de fiscalização conferidos pela alínea b) do n.º 3 do artigo 8.º do Decreto-Lei n.º 29/97/M, de 7 de Julho, verificou que no terreno acima indicado foi construído um prédio de quatro pisos com estrutura em betão armado, sem que tenha sido emitida pela DSSOPT a respectiva licença de obra, e sem que tenha sido atribuída aos ocupantes licença de ocupação temporária nos termos dos artigos 69.º a 75.º da Lei n.º 6/80/M, de 5 de Julho (Lei de Terras). Por isso, foi instaurado o procedimento administrativo n.º 1211/OI/2009/F, de desocupação e restituição do terreno à posse da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM). 2. De acordo com a certidão da Conservatória do Registo Predial (CRP), de 07/10/2011, sobre o terreno acima indicado não se encontra registado a favor de particular (pessoa singular ou pessoa colectiva), direito de propriedade ou qualquer outro direito real, nomeadamente concessão, por aforamento ou por arrendamento, pelo que o mesmo considera-se propriedade do Estado, nos termos do artigo 7.º da Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM). 3. Com efeito, a ocupação de propriedade do Estado por ocupantes que não disponham de contrato de concessão ou licença de ocupação temporária prevista na Lei de Terras que autorize a sua posse determina que o mesmo (terreno) seja entregue, livre e desocupado, ao Governo da RAEM, órgão responsável pela gestão, uso e desenvolvimento dos solos e recursos naturais, nos termos do artigo 7.º da Lei Básica da RAEM, cabendo ao Chefe do Executivo praticar o respectivo acto, ordem de desocupação e restituição do terreno, ao abrigo do disposto na alínea o) do artigo 41.º da Lei de Terras. 4. Nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 191.º da Lei n.º 6/80/M ( Lei de Terras ), de 5 de Julho, quem a ocupar por dolo ou má fé, terreno vago do Território, é sancionável com multa de $5 00,00 a $ 5 000,00 patacas. 5. Considerando a matéria referida nos pontos 3 e 4 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 10 (dez) dias contados a partir da data de publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto dos artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro. 6. O processo pode ser consultado durante as horas normais de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.os 32-36, Edifício CEM, 2.º andar, Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227). RAEM, aos 7 de Novembro de 2011.

O Director dos Serviços Jaime Roberto Carion

Processo no: 1211/OI/2009/F Local : Terreno situado no Caminho de Tan Fong na ilha de Coloane (demarcado a tracejado na planta em anexo) Planta em anexo :

EDITAL Edital nº :178/E/2011 Processo nº :1425/BC/2011/F Assunto :Notificação do despacho de embargo e início do procedimento de audiência pela infracção às respectivas disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI). Local :Rua da Ribeira do Patane nº 169, Edf. Yau Wa, Bloco 2, terraço sobrejacente à fracção 4o andar EB (CRP: EB4), Macau. Chan Pou Ha, subdirectora da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pela alínea 7) do nº 1 do Despacho nº 09/SOTDIR/2009, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), nº 16, II Série, de 22 de Abril de 2009, faz saber por este meio aos dono da obra ou seu mandatário, ao encarregado da obra, aos técnico responsável pela obra e executores da obra existente no local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, o seguinte: 1. Em 06/10/2011, o agente de fiscalização desta DSSOPT deslocou-se ao local acima indicado e verificou a realização de obra sem licença cuja descrição e situação é a seguinte: Obra

1.1

2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11.

Situação da obra

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Construção de um compartimento não autorizado com cobertura em chapa de Obra de Infracção ao nº 4 do zinco, janela em caixilharia de alumínio, renovação em artigo 10º, obstrução do paredes em alvenaria de tijolo e varanda curso caminho de evacuação. metálica no terraço sobrejacente à fracção o 4 andar EB. Nestas circunstâncias e em cumprimento do disposto no nº 3 do artigo 88º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei nº 24/95/M, de 9 de Junho, o agente de fiscalização ordenou a imediata suspensão da execução da obra. Nos termos do nº 1 do artigo 88º do RSCI e no uso das competências delegadas pela alínea 7) do nº 1 do Despacho nº 09/SOTDIR/2009, publicado no Boletim Oficial da RAEM. nº 16, II Série, de 22 de Abril de 2009, por meu despacho de 04/11/2011, exarado sobre a informação nº 07157/DURDEP/2011 de 20/10/2011, determinei o embargo da obra. O despacho de embargo acima indicado só pode ser levantado depois de cessar o motivo que o determinou, em conformidade com o preceituado no nº 9 do artigo 88º do RSCI. A continuação dos trabalhos depois do embargo, notificado pelo presente edital, sujeita os donos, responsáveis e executores da obra (quer sejam empreiteiros ou tarafeiros) às penas do crime de desobediência qualificada, nos termos do nº 6 do artigo 88º do RSCI. Sendo as escadas e corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desim pedidos, de acordo com o disposto no nº 4 do artigo 10º do RSCI. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação, e com prometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, a obra executa da não é susceptível de legalização pelo que terá necessariamente de ser determinada pela DSSOPT a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. Nos termos do no 3 do artigo 87o do RSCI, a infracção ao disposto no no 4 do artigo 10o é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o no 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou segurança do edifício. Considerando a matéria referida nos pontos 6 e 7 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data de publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no nº 1 do artigo 95º do RSCI. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, nos 32-36, Edifício CEM, 2º andar, Macau (telefones nos 85977154 e 85977227). Nos termos do artigo 97o do RSCI e das competências delegadas pelos nos 1 e 4 da Ordem Executiva no 124/2009, publicada no Boletim Oficial da RAEM, Número Extraordinário, I Série, de 20 de Dezembro de 2009, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data de publicação do presente edital. O recurso referido no número anterior não tem efeito suspensivo, devendo por isso a obra manter-se embargada.

Aos 04 de Novembro de 2011 A Subdirectora dos Serviços Engª Chan Pou Ha


[f]utilidades Cineteatro | PUB SALA 1

THE KILLER WHO NEVER KILLS [C] (Falado em putonghua, legendado em chinês) Um filme de: Fengbo Lee, Jimmy Wan Com: Jam Hsiao, Chrissie Chow, Eric Tsang 14.315 16.00, 17.45

YOU ARE THE APPLE OF MY EYE [C] (Falado em putonghua, legendado em chinês/inglês) Um filme de: Giddens Ko Com: Zhendong Ke, Yanxi Chen, Siu-Man Fok 19.45, 21.45

[ ] Cinema

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SALA 2

THE THREE MUSKETEERS 3D[B] Um filme de: Paul W.S. Anderson Com: Logan Lerman, Milla Jovovich 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 3

TOWER HEIST [B]

Um filme de: Brett Ratner Com: Ben Stiller, Eddie Murphy, Matthew Broderick 14.15, 16.00, 17.45, 19.45

THE KILLER WHO NEVER KILLS [C]

Aqui há gato

(Falado em putonghua, legendado em chinês) Um filme de: Fengbo Lee, Jimmy Wan Com: Jam Hsiao, Chrissie Chow, Eric Tsang 21.45

SOLUÇÕES DO PROBLEMA

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Nome de várias plantas. Pref., vivo. 2-Antigo partido. Convenientemente. Plantas brás. 3-Porção de campo. Guaraná. 4-Em que há pundonor. Pref., nádega. 5-Diz-se do porco preto. Mulher que ensina a um noivo. 6-Ramo delgado de um arbusto. Duas vezes a. Cada parte do sinal ortográfico chamado parêntese. 7-Ou. Que não recebeu ordens sacras, ordens eclesiásticas. Entidade aquática, na mitologia indígena. 8-Comunidade Económica Europeia. Louvável. Dantes, donde. 9-Família de peixes que tem por tipo o lúcio. 10-De patuscada. Vila de Portugal. Tipo de pedra. 11-Elemento de origem grega que significa outro. Loiça de metal amarelo. 12-Medida linear, equivalente a 200 braças. Veste talar e preta de funcionários judiciais e dos alunos de alguns seminários. Elemento de origem latina que significa aguda. 13-Líquido albuminoso e alcalino, existente nos ovários. Estado do Brasil. VERTICAIS: 1-Pref., par. Relativo às letras vogais. 2-Prefixo, depois. Lençol. Electrãovoltio. 3-Javrar. Dantes, em má hora. 4-Excrescências carnosas. Calda de açúcar. 5-Madeira escura e resistente. Sufixo diminutivo. Nome africano da noz de cola. 6-Proporção em que está cada um dos elementos de um corpo composto. Aiala. Indica tempo. 7- Algarismo que representa o primeiro. Cada um dos cabos que servem para carregar as testas dos papafigos. Origem constante de interesses ou lucros. 8-Ave do Brasil. Órgãos genitais da galinha. 9-Antiga embarcação florentina. Feminino de esse. 10-Elemento de origem latina que significa homem, masculino. Propriedade territorial, legalizada por meio de título falso. Relação de parentesco de uma mulher para com seus filhos. 11-Árvore do Brasil. Peça de vestuário. 12Pref., vinho. Publicação oficial. Pátria de Abraão. 13-Forma perfeita e definitiva dos insectos. Aquele que deixou o seu domicílio.

[Tele]visão TDM 13:00 13:30 14:30 18:30 19:00 19:30 20:30 21:00 21:30 22:15 23:00 23:35 00:10 00:30 01:30

TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO That 70\’s Show (Que Loucura de Família) Montra do Lilau (Repetição) Amanhecer Telejornal TDM Talk Show Castle Passione TDM News Green Matters (Ecomundo) Reportagem Sic Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Especial Saúde 15:00 Biosfera 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 O Elo Mais Fraco 18:00 Resistirei 18:45 Correspondentes 19:20 Mariza nos Palcos do Mundo 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:00 Com Ciência 23:00 Portugal no Coração ESPN 30 09:00 14:00 14:30 16:30 17:30 19:30 20:00 20:30 21:00 22:00 22:30

(LIVE) Emirates Australian Open Day 1 Chang World of Football Len European Diving Championships World Cup Italy - Womens Rugby World Cup 2011 South Africa vs. Wales (LIVE) Sportscenter Asia Stihl Timbersports Series Emotions - Sports Magazine (Delay) Emirates Australian Open - Highlight Day 1 Sportscenter Asia Emirates Australian Open Day 1

STAR SPORTS 31 12:30 (LIVE) Golf Focus Special - Barclays Singapore Open 2011 13:00 (LIVE) Barclays Singapore Open Day 1 18:00 Commonwealth Bank Tournament Of Champions 2011 21:00 Inside Grand Prix 2011 21:30 (LIVE) Score Tonight 22:00 Global Football 2011 22:30 FIA Wtcc 2011 - Highlights 23:00 FA Classics 1991/92 FA Cup Final Liverpool vs. Sunderland 03:25 (LIVE) England U-21 Internationals 2011/12 England vs. Iceland STAR MOVIES 40 12:05 Peacock 13:40 Knight & Day 15:35 The Replacement Killers 17:10 Street Fighter: The Legend Of Chun-Li 18:50 Secretariat 21:00 Percy Jackson & The Olympians 23:05 Law Abiding Citizen HBO 41 12:00 13:45 14:40 16:15 18:20 20:10 22:00 23:00

The Other Guys True Blood Despicable Me Witness The Time Traveler’S Wife Mortal Kombat True Blood Firestarter

CINEMAX 42 12:45 Cyborg 14:15 Memphis Belle 16:00 The Werewolf 17:20 The Invisible Man 18:30 Distant Thunder 20:20 The Lazarus Project 22:00 Ronin 23:55 Wes Craven’S New Nightmare

HORIZONTAIS: 1-PERPERUA. VIVI. 2-APU. BEM. MIRIM. RINCAO. UARANA. 4-I. HONRADO. PIG. 5-SARO. PUNGO. O. 6-VARA. AA. ARCO. 7-OB. LEIGO. IARA. 8-CEE. LOAVEL. DU. 9-ANIMAL. ESCOCES. 10-LARE. AVIS. UME. 11-I. ALO. ARAME. N. 12-CEM. BECA. ACUT. 13-OVARINA. CEARA. VERTICAIS: 1-PARI. VOCALICO. 2-EPI. SABENA. EV. 3-RUNHAR. EIRAMA. 4-P. CORAL. MEL. R. 5-EBANO. ELA. OBI. 6-TEOR. AIOLA. EN. 7-UM. APAGA. VACA. 8-A. UDU. OVEIRA. 9-MAONA. ESSA. C. 10-VIR. GRILO. MAE. 11-IRAPOCA. CUECA. 12-VINI. ORDEM. UR. 13-IMAGO. AUSENTA.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA INTIMIDADES • vários autores

Dez contos eróticos de escritoras portuguesas e brasileiras: Lídia Jorge, Inês Pedrosa, Lygia Fagunde Telles, Maria Teresa Horta, Teolinda Gersão, entre outras. Organização e Prefácio de Luisa Coelho.

OS MONÓLOGOS DA VAGINA • Eve Ensler

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

Os Monólogos da Vagina dispensam apresentações. Representada em palcos de todo o mundo por actrizes tão famosas como Jane Fonda e Meryl Streep, a obra-prima de Eve Ensler é uma viagem hilariante e tocante pelos indecifráveis confins da mente e do corpo femininos. Dá voz aos mais profundos temores e fantasias de mulheres reais, à sua irreverência e espirituosidade. Tidos como a bíblia de uma nova geração de mulheres, estes monólogos de intimidades e vulnerabilidades comoverão e divertirão o leitor. Esta edição comemorativa dos dez anos do Dia-V, inclui cinco monólogos inéditos, uma nova introdução da autora e uma fascinante história dos dez anos deste fenómeno teatral.

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E ASSIM ENROLA-SE O POVO O que é que esperas para as próximas Linhas de Acção Governativa (LAG)? Se não responderes “mais dinheiro” estás a ponto de ser internado num hospício. Nos últimos dias têm-se sucedido os encontros de várias associações locais com o Chefe do Executivo num verdadeiro ‘showoff’ democrático. As LAG vão ser apresentadas na próxima terçafeira na Assembleia Legislativa e, obviamente, tudo está definido há muito – ainda mais levando em consideração que o documento é basicamente um copia-cola de anos anteriores. Mas, pronto, o Chefe do Executivo deixa-os falar. Eles que falem. Eu ouço, mas não opino. Os encontros levam cerca de uma hora e decorrem à porta fechada. Quando as associações acabam as suas apresentações, falam com os jornalistas à porta da Sede do Governo e contam como foi a conversa: “Queremos mais cheques para o ano”, “Queremos aumentos salariais”, “Queremos mais subsídios”... Ou seja, os residentes de Macau só pensam numa única coisa para o próximo ano: mais dinheiro para gastar nas besteiras de costume – bonecos para o carro, umas quantas fatiotas novas, uns sapatos para os pés de centopeias que aí andam. Ninguém liga se esta cidade os está a matar com a poluição. E a criminalidade que aumentou nos últimos meses? Ah, isso não me afecta. O que dizer do preço dos apartamentos em Macau? O povo é estúpido e o Governo sabe disso. Basta dar-lhe umas miseráveis patacas para que haja Carnaval no primeiro semestre do ano. Pois é. É que no segundo o povo vai voltar a pedir o mesmo de sempre – mais um chequezinho na caixa do correio.

Pu-Yi


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58º Grande Prémio de Macau - Concurso de Fotografia do Super Carro Organizado pela Comissão do Grande Prémio de Macau com a co-organização de: Associação Fotográfica de Macau Associação de Salão de Fotografia de Macau Foto Nice Foto Princesa

(a ordem é aleatória)

Regulamento 1. Objectivos: Promoção as actividades do Grande Prémio de Macau dirigidas ao público durante 58º Grande Prémio de Macau, a fim de criar estabilidade e alegria da comunidade. Todas as obras seleccionadas e premiadas, para além de serem exibidas publicamente, poderão ser ainda utilizadas na promoção do Grande Prémio. 2. Local: Praça Tap Seac 3. Data e hora: 15:00 a 17:00, 12 de Novembro de 2011 12:00 a 15:00, 13 de Novembro de 2011 4. Formato: Fotografias a cores de 5R a 8R que terão de ser entregues conjuntamente com um CDR de alta resolução ou em filme. 5. Requisitos dos candidatos: Todos os residentes de Macau, com interesse em fotografia. 6. Número de obras: No máximo, 10 fotografias cada candidato. 7. Identificação da obra: Os candidatos devem inscrever no verso da obra, todos os dados inerentes à mesma. (Ver verso do boletim de inscrição) 8. Local de entrega: As fotografias devem ser entregues, pessoalmente, nos locais seguintes. Não são aceites envio por correios: • Comissão do Grande Prémio de Macau N.º 207, Av da Amizade, Edif. do Grande Prémio de Macau • Associação Fotográfica de Macau Rua Almirante Costa Cabral, N.º 36, Edif. Veng Cheong, “C” • Associação de Salão de Fotografia de Macau Avenida da Praia Grande 702, 2.º andar • Foto Nice Avenida da Praia Grande n.º 616, Edf. Milionário, Macau • Foto Princesa Avenida Infante D.Henrique, N.os 55-59 9. Data para entrega dos trabalhos: 21 de Novembro a 11 de Dezembro de 2011. 10. Data de selecção dos trabalhos: a anunciar. 11. Júri: Comissão do Grande Prémio de Macau e representantes das entidades co organizadoras. 12. Prémios: 1.º classificado : Prémio Monetário de MOP6.000,00 e taça 2.º classificado : Prémio Monetário de MOP4.000,00 e taça 3.º classificado : Prémio Monetário de MOP2.000,00 e taça 4 menções honrosas: Placa e Prémio monetário no valor de MOP1.000,00 Prémios de consolações: Prémio monetário no valor de MOP600,00 13. Publicação dos resultados do concurso: a anunciar 14. Data da Exposição e atribuição dos prémios: a anunciar 15. Outras disposições regulamentares: a - Tendo como objectivo atrair o máximo de concorrentes, está regulamentado que a um único participante não podem ser atribuídos os 1º, 2º e 3º prémios, sendo apenas permitida a atribuição de um máximo de duas menções. Em relação a outras classificações não existe nenhuma limitação. b - Os participantes obrigam-se a aceitar o presente Regulamento e as decisões do Júri. c - Se as obras não corresponderem ao exigido pelo Regulamento, a entidade organizadora tem o direito de desqualificar o participante. d - A organização terá o direito de usar as obras seleccionadas para fins de publicação, introdução na página electrónica e promoção, não sendo necessária a autorização do participante, nem havendo pela utilização referida, direito a qualquer pagamento de compensação pecuniária. e - Em caso de omissão do presente Regulamento, compete à entidade organizadora a sua interpretação e decisão. f - Todos os problemas relacionados com direitos de autor, de imagem e ao bom nome são da inteira responsabilidade do autor da obra. g- Os trabalhos concorridos vão ficar em arquivo da Comissão do Grande Prémio de Macau. E a Comissão do Grande Prémio de Macau tem o direito de pôr em exposição ou outros fins esses trabalhos em qualquer local ou tempo, mas é necessário a publicação dos nomes dos classificados. h - Os trabalhos não classifcados, não são devolvidos. * Todo o pessoal da Comissão do Grande Prémio de Macau e dos serviços envolventes está interdito de participar no concurso. ** Os dados dentro do formulário são apenas para o concurso. O prazo de arquivo desses dados é de 2 anos.

CONVOCATÓRIA Rita Botelho dos Santos, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, vem, nos termos do nº 2 do artigo 30º dos estatutos desta Associação, convocar a Assembleia Geral para o próximo dia 01 de Dezembro de 2011 (Quinta-Feira), pelas 18H00, na sede da A.T.F.P.M., sita na Avenida da Amizade Nºs. 273-279 r/c, Macau, com a seguinte ordem de trabalhos: 1. Aprovação do orçamento e plano de actividades para o ano de 2012. 2. Outros assuntos. Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, aos 10 de Novembro de 2011.


OPINIÃO

QUINTA-FEIRA 10.11.2011 www.hojemacau.com.mo

19 d a est r el a Carlos M. Cordeiro

Há dinheiro que mata emigrantes

A

QUI na serra podemos observar muitas casas vazias ou abandonadas. Não é da crise. Os seus proprietários há muito que emigraram e voltam todos os anos pelas festas. O português, pelas mais diversas razões, sempre quis conhecer novos mundos. Por necessidade ou aventura. Por ambição ou amor. Por exemplo, atrás de umas saias, muitos foram viver para os Estados Unidos da América, França, Austrália ou qualquer outro destino. Até há historiadores que já interpretaram certas passagens da época dos descobrimentos como uma forma de emigração. Na verdade, alguns ficaram por lá como Camões epicamente nos transmitiu. O português engenheiro, advogado, arquitecto, operário ou comerciante chega, vê e vence. Quase sempre. Normalmente chega com as calças e a camisa e regressa com um contentor cheio de materialismo, mas também já vi emigrantes que chegaram ao “el dorado” com um contentor e regressaram às raízes com a camisa e as calças. O emigrante português trabalha no estrangeiro três vezes mais do que na sua terra. O dinheiro é a bíblia. O dinheiro chega a embriagá-los e é muito importante regressar à santa terrinha para construir um casarão e mostrar o Mercedes. O dinheiro embriaga de tal forma que, em alguns casos, o português esquece-se que está desenraizado, que à sua volta existem outras culturas e outras formas de pensamento, que pululam máfias muito localizadas e focalizadas nos valores mais baixos da moral e do humanismo. Esquecem-se que não vale tudo, que a corrupção para comprar um ministro ou um general pode ter dividendos que não sejam dinheiro. Em suma, o dinheiro mata muitos emigrantes. Na Venezuela, em França, na África do Sul e em Angola esta verdade tem sido amiúde. E chocante. Como aconteceu esta semana em Luanda. Quem diria que um homem emigrado há mais de 50 anos, com 82 de idade, ainda pudesse estar em Angola cheio de ganância por dinheiro. E mais. E mais. Um império de fornecimento de produtos alimentares para a polícia e exército angolanos que movimentava milhões de dólares, para ele e para os chefes que decidiam os aprovisionamentos. Quem diria que um idoso na idade do ripanço estivesse no calor e na humidade a trabalhar de domingo a domingo, de sol a sol, para que num minuto de uma manhã

O emigrante português trabalha no estrangeiro três vezes mais do que na sua terra. O dinheiro é a bíblia. O dinheiro chega a embriagá-los e é muito importante regressar à santa terrinha para construir um casarão e mostrar o Mercedes. O dinheiro embriaga de tal forma que, em alguns casos, o português esquece-se que está desenraizado, que à sua volta existem outras culturas e outras formas de pensamento, que pululam máfias muito localizadas e focalizadas nos valores mais baixos da moral e do humanismo

domingueira, ao dirigir-se para o escritório, fosse baleado duas vezes de forma mortal. Em Angola a comunidade portuguesa ficou em estado de choque. O empresário parecia ser respeitado por toda a gente. Parecia. E

ca rto on

nem toda essa gente, pelos vistos, gostou da divisão de benesses levada a efeito pelo empresário português e, logo, mandou tirar-lhe a vida. Angola está a transformar-se num “el

dorado” para 120 mil portugueses, tantos quanto os angolanos residentes em Portugal. Angola deverá crescer 11% no próximo ano, sendo a quinta maior taxa de crescimento mundial, superada apenas pelas marcas da Serra Leoa, Iraque, Níger e Mongólia. Advogados, engenheiros, arquitectos, médicos, operários, bancários, gestores, técnicos de média, publicitários, cozinheiros e tantos outros já fazem parte das mais de sete mil empresas ali radicadas e que foram ao encontro da lacuna ali existente da falta de mão-de-obra qualificada e do pagamento de salários elevados. Por dinheiro, por sobrevivência, por aventura, por amor, todos temos direito a procurar uma plataforma de vida melhor, desde que, não esqueçamos que o dinheiro também mata.

IRÃO É DE NOVO O ALVO

por Steff

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Lia Coelho; Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; Carlos M. Cordeiro; Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@ hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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Hoje Macau 10 NOV 2011 #2490  

Edição do Hoje Macau de 10 de Novembro de 2011 • Ano X • N.º 2490

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